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Numero do processo: 13896.900137/2017-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-005.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 01 37 /2 01 7- 27 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.900137/201727 Acórdão n.º 3201005.002 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10061.634, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.900137/201727 Acórdão n.º 3201005.002 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.900137/201727 Acórdão n.º 3201005.002 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962497/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.807
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
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Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 49 7/ 20 08 -1 1 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.644. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.902872/2013-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS.
Re-análise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito.
Numero da decisão: 1003-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS. Reanálise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 28 72 /2 01 3- 55 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0267.878, de 12 de abril de 2016, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Foi emitido, em 02/08/2013, despacho decisório nº de rastreamento 057805425, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Fundamentou destacando que pelas características do DARF discriminado na PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade defendendo que ingressou com a declaração de compensação em razão de crédito relativo a pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ do período de apuração de abril/2010. Aduz que no período de apuração de abril/2010 apurou imposto de renda a pagar no valor de R$ 18.458,29, contudo afirma ter recolhido DARF no valor de R$ 26.486,29, código de receita 5993, gerando um crédito no valor de R$ 8.028,67. Declara que a homologação não ocorreu devido a inconformidade nos dados da DCTF do período de 04/2010, destacando ter efetuado a retificação da citada declaração. A DRJ/BHE proferiu acórdão de nº 0267.878, no qual julgou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Preliminarmente, pede a reunião deste processo aos de nºs 10640.902873/201308, 10640.902874/201344; 10640.902869/201331 e 10640.902870/201366, argumentando que a análises desses processos se basearam na composição dos valores levandose em consideração os valores anuais constantes na ficha 11 da DIPJ, devendo, assim, ser efetuada a análise das declarações de compensação de forma conjunta; (ii) No mérito, defende ter efetuado a declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração junho /2011, com crédito de IRPJ, código 5993, decorrente de recolhimento de DARF em 31/05/2010, no valor de R$ 26.486,29. Contudo, verificou que os dados da DIPJ entregue em 2011 e as DCTFs entregues em 2010 apresentavam divergências, estando corretos os valores dispostos na DIPJ. A DCTF de abril de 2010 foi retificada; Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 4 3 (iii) Aduz que pelos demonstrativos apresentados pelo Relator no r. acórdão declarados nas apurações mensais da Ficha 11, da DIPJ/2011 e os recolhimentos efetuados que os valores pleiteados já teria sido abatidos na DIPJ, na realidade, a Recorrente defende que ainda existem valores a serem considerados, isso porque defende que os valores recolhidos nos meses de jan/2010; mar/2010; abr/2010; mai/2010 e dez/2010 estão equivocados na planilha do relator, demonstrando valores inferiores daqueles constantes na DIPJ Por fim, requereu a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou PER/DECOMP nº 39684.33442.280711.1.3.04 6007, informando crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior oriundo de IRPJ, código 5993, período de apuração 30/04/2010, pago através de DARF em 31/05/2010, no valor de R$ 26.486,29. Defendeu em suas razões de recurso que o cálculo efetuado pelo Ilmo. Relator no r. acórdão apresenta equívocos pois divergem da DIPJ/2011 apresentada e dos comprovantes de recolhimentos constantes no processo. A compensação não foi homologada por inexistência do crédito, visto que, pelas características do DARF discriminado na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A DRJ no r. acórdão, fundamentou que o crédito postulado foi utilizado como dedução na apuração anual de IRPJ, para tanto demonstrou que a soma dos valores de IRPJ mensal a pagar apurados na ficha é igual a R$ 433.690,03, assim como o valor deduzido no ajuste anual, o qual só se obtém se computadas as estimativas recolhidas a maior e destaca, ainda, que não teria sido quitado o valor da estimativa do mês de março/2010. Feitas essas considerações, passamos a análise dos argumentos trazidos no recurso voluntário. DA PRELIMINAR DE REUNIÃO DOS PROCESSOS Preliminarmente, a Recorrente pleiteou a reunião deste processo com os de nºs 10640.902873/201308, 10640.902874/201344; 10640.902869/201331; 10640.902870/201366, defendendo que todos foram julgados considerando a composição de valores anuais e devem ser julgados conjuntamente. Os processos mencionados acima são todos do anocalendário 2010 e se baseiam no saldo negativo apurado no período. Todos os processos encontramse pendentes de julgamento e todos foram distribuídos para o mesmo Relator. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 5 4 Em razão do exposto, os processos serão julgados em conjunto, no entanto não devem ser apensados, visto que, embora tratem do mesmo crédito, possuem pedidos distintos. Isto posto, não acolho a preliminar de reunião dos processos, no entanto destaco que todos serão julgados em conjunto numa mesma decisão. DO MÉRITO A grande questão trazida no r. acórdão é o fato de ter a Recorrente utilizado para apuração do saldo negativo do anocalendário 2010 os valores recolhidos a título de estimativa mensal e que, portanto, não faria jus à compensação declarada. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). A Recorrente, nas suas razões recursais, destaca que ainda que seja considerado o cálculo anual, os valores apontados pelo Relator do acórdão de primeira instância não correspondem com os valores recolhidos, bem como comprova a quitação da estimativa do mês de março/2010, que o Relator alegou não ter sido pago. Desde já, importante mencionar que o prejuízo fiscal não afeta os recolhimentos de estimativas, por determinação do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/1996. Ou seja, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa tem a obrigação de recolher a estimativa. A estimativa paga regularmente a título de IRPJ não é tributo, mas antecipação. A data de apuração do imposto de renda pessoa jurídica, no caso anual, é o dia 31/12 de cada ano. Se, conforme destacado no acórdão da DRJ, o valor informado na declaração de compensação tiver sido utilizado para compor o saldo negativo, não há que se falar em compensação separada, do contrário estaria o contribuinte se beneficiando do crédito em duplicidade. A Recorrente não contesta a utilização dos valores indicados a título de estimativas na apuração do saldo negativo anual no seu Recurso voluntário, contudo aponta equívocos nas planilhas indicadas no r. acórdão. Diante desses argumentos, deve reanalisar as provas e informações constantes no processo para identificar se, de fato, os equívocos apontados no recurso aconteceram. A Recorrente aduz erro em relação aos valores recolhidos nos meses de jan/2010; mar/2010; abr/2010; mai/2010 e dez/2010, destacando que o mês de março foi devidamente recolhido aos cofres públicos. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 6 5 A Recorrente diz que os valores corretos são: DADOS DO DARF IRPJ DATA NÚMERO VALORES Mês Vencimento Arrecadação Pagamento Documento DARF's Decisão Diferença jan/10 26/02/2010 25/02/2010 44702128823 010134103534070774 R$18.039,36 R$18.089,36 fev/10 mar/10** 30/04/2010 27/07/2011 59750723424 0101341040065023235 R$36.814,25 R$36.814,25 abr/10 31/05/2010 31/05/2010 47423185329 010134103620145131 R$26.486,96 R$18.458,29 R$8.028,67 mai/10 30/06/2010 30/06/2010 48280690422 010134103659147480 R$72.901,05 R$62.695,30 R$30.205,75 jun/10 30/07/2010 30/07/2010 49394180421 010134103690181829 R$7.484,74 R$7.484,74 jul/10 31/OS/2010 31/08/2010 50142972220 010134103729321777 R$41.766,54 R$41.766,54 ago/10 30/09/2010 30/09/2010 51162793329 010134103762140135 R$36.091,66 R$36.091,66 set/10 29/10/2010 29/10/2010 52289168123 010134103796169971 R$24.559,78 R$24.559,78 out/10 30/11/2010 30/11/2010 52962718427 010134103825132593 R$94.111,77 R$94.111,77 nov/10 30/12/2010 30/12/2010 53926835220 010134103864077936 R$42.712.92 R$42.712,92 dez/10 31/01/2011 31/01/2011 54623408820 010134103898159597 R$39.674,52 R$22.723,06 R$16.951,46 TOTAIS [R$440.693,55] R$350.604,06 R$90.089,49 ** Vlr Total R$40.535,71 DARF R$36.814,25 Per/DComp 37871.39520.210711.1.3.048430 Vlr R$3.721,46 Em harmonia com o critério de análise anual e em conjunto dos pagamentos a maior de IRPJ, código 5993, efls. 175185, determinados sobre a base de cálculo estimada do anocalendário de 2010 adotado na decisão de primeira instância, pelos documentos de comprovação de arrecadação e com dos dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), efls. 85122, e na Declaração do Imposto sobre a Renda na Fonte (DIRF), efls. 123134, é possível verificar o seguinte: AnoCalendário de 2010 Mês do Período de Apuração Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por Dedução de IRRF IRPJ Código 5993 R$ (A) Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por DARF IRPJ Código 5993 R$ (B) Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ Total IRPJ Código 5993 R$ (C = A + B) Janeiro 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 2.697,43 11.784,77 14.482,20 Março 1.597,34 40.535,71 42.133,05 Abril 1.863,46 18.458,29 20.321,75 Maio 2.332,12 62.695,30 65.027,42 Junho 1.860,38 9.144,75 11.005,13 Julho 2.442,28 42.322,42 44.764,70 Agosto 1.475,75 35.836,55 37.312,30 Setembro 2.240,73 24.519,05 26.759,78 Outubro 2.862,01 93.731,91 96.593,92 Novembro 3.138,31 42.853,96 45.992,27 Dezembro 6.574,45 22.723,06 29.297,51 Total 29.084,26 404.605,77 433.690,03 Ficha 12 A Cálculo do IRPJ Anual 01/02 .À Alíquota de 15% + Adicional R$ 433.690,03 Deduções 15.() IRRF 0,00 19.() IR Mensal Pg por Estimativo R$ 433.690,03 21.IRPJ a Pagar 0,00 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 7 6 Ano Calendário de 2010 Mês do Período de Apuração Valores Considerados Corretos Como Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por DARF IRPJ Código 5993 R$ Valores Considerados Corretos como Recolhidos no Acórdão da DRJ IRPJ Código 5993 R$ Valores Recolhidos DARF efls. 162172 IRPJ Código 5993 R$ Número dos Per/DComp Valores Considerados como Pagamentos a Maior Per/DComp IRPJ Código 5993 R$ (B) Número dos Processos de Formalização do Per/DComp Janeiro 0,00 18.089,36 18.089,36 32474.67154.21 0711.1.3.04 2207 18.089,36 10640.902869/ 201331 Fevereiro 11.784,77 0,00 0,00 Março 40.535,71 0,00 36.814,25 26774.85505.21 0711.1.3.04 9210 8.028,67 10640.902870/ 201366 Abril 18.458,29 26.486,96 26.486,96 39684.33442.28 0711.1.3.04 6007 5.296,59 10640.902872/ 201355 Maio 62.695,30 72.901,05 72.901,05 18750.39833.31 0811.1.3.04 1190 10.205,75 10640.902873/ 201308 Junho 9.144,75 7.484,74 7.484,74 Julho 42.322,42 41.766,54 41.766,54 Agosto 35.836,55 36.091,66 36.091,66 Setembro 24.519,05 24.559,78 24.559,78 Outubro 93.731,91 94.111,77 94.111,77 Novembro 42.853,96 42.712,92 42.712,92 Dezembro 22.723,06 39.674,52 39.674,52 06900.72292.31 0811.1.3.04 5159 16.951,46 10640.902874/ 201344 Total 404.605,77 403.879,30 440.693,55 De acordo com o cotejo entre as alegações da Recorrente e o conjunto probatório produzido nos autos temse que no anocalendário de 2010 houve um recolhimento a maior de IRPJ, código 5993, determinado sobre a base de cálculo estimada no valor total anual de R$ 36.087,78, (R$440.693,55 R$404.605,77) que não foi utilizado para fins de formação do saldo negativo ao final do período. Logo o montante anual pleiteado pela Recorrente de R$ 90.089,49 não pode ser conhecido na sua integralidade. Devese reconhecer os valores mensais restrito ao somatório de R$36.087,78, para fins de compensação dos débitos ali confessados até o limite do valor identificado como indébito mensal, de acordo com os processos nºs 10640.902869/201331, 10640.902870/2013 66, 10640.902872/201355, 10640.902873/201308 e 10640.902874/201344: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 8 7 em janeiro de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$18.089,36 recolhido em 25.02.2010 formalizado no Per/DComp nº 32474.67154.210711.1.3.042207 e analisado no processo nº 10640.902869/201331; em março de 2010 não há qualquer valor a ser reconhecido pois todo o valor do débito é de R$42.322,42, conforme informado na DIPJ do anocalendário de 2010, efls. 73 110 em abril de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$8.028,67 recolhido em 31.05.2010 formalizado no Per/DComp nº 26774.85505.210711.1.3.049210 e analisado no processo nº 10640.902870/201366; em abril de 2010 verificase que não cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$5.296,59 recolhido em 31.05.2010 formalizado no Per/DComp nº 39684.33442.280711.1.3.046007 e analisado no processo nº 10640.902872/201355, pois a Recorrente não comprova a circunstância; em maio de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 9.969,75, recolhido em 31.01.2011, formalizado no Per/DComp nº 18750.39833.310811.1.3.041190 e analisado no processo nº 10640.902873/201308, pois a Recorrente utilizou o remanescente para extinção do IRPJ devido no final do período; e em dezembro de 2010 verificase que não cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$16.951,46, recolhido em 25.02.2010, formalizado no Per/DComp nº 06900.72292.310811.1.3.045159 e analisado no processo nº 10640.902874/201344, pois a Recorrente utilizou o remanescente para extinção do IRPJ devido no final do período. Isto posto, voto no negar provimento ao recurso voluntário, pois não há a comprovação do crédito líquido e certo. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000334/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento da defesa quando o recurso voluntário apresentado aborda todas as matérias contidas na decisão administrativa.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições que o incentivo visa a ressarcir.
INSUMOS UTILIZADOS NA LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR.
A Lei n9 9.363/96 contempla somente as matérias-primas, produtos
intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo industrial do produto exportado. Os insumos utilizados na produção de matéria-prima de produção própria não se inserem no campo de incidência do beneficio fiscal, devendo permanecer fora da base de cálculo do ressarcimento.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT.
Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bruta, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insumos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.053
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito: 1 — pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos Sá Filho e Maria Teresa Martínez López, quanto: a) aos créditos decorrentes de aquisição de pessoas físicas; e b) aos créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos NT. 2 - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento da defesa quando o recurso voluntário apresentado aborda todas as matérias contidas na decisão administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições que o incentivo visa a ressarcir. INSUMOS UTILIZADOS NA LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR. A Lei n9 9.363/96 contempla somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo industrial do produto exportado. Os insumos utilizados na produção de matéria-prima de produção própria não se inserem no campo de incidência do beneficio fiscal, devendo permanecer fora da base de cálculo do ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bruta, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insumos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação. Recurso negado.
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Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRENCIA. Inexiste cerceamento da defesa quando o recurso voluntário apresentado aborda todas as matérias contidas na decisão administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições que o incentivo visa a ressarcir. INSUMOS UTILIZADOS NA LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR. A Lei n9 9.363/96 contempla somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo industrial do produto exportado. Os insumos utilizados na produção de matéria-prima de produção própria não se inserem no campo de incidência do beneficio fiscal, devendo permanecer fora da base de cálculo do ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bruta, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insumos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Processo n° 13826.000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.053 Fl. 1.040 ACORDAM os membros da P câmara i 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito: 1 — pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos Sá Filho e Maria Teresa Martínez López, quanto: a) aos créditos decorrentes de aquisição de pessoas físicas; e b) aos créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos NT. 2 - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar. 0/ de, 41 10 MARCOS CÂNDI O P esi - te ri 4impr firaAjo lb A nbrI 10 3!" ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de relativo ao período de 01/10/1996 a 30/06/2002, apresentado com fundamento na Lei n2 9.363/96. O crédito foi apurado de forma extemporânea e registrado no livro de IPI em junho de 2002, sendo o pedido de ressarcimento formulado em 20/08/2002. A partir do 42 trimestre de 2001, a requerente utilizou-se do regime alternativo previsto na Lei n 2 10.276/2001. A DRF deferiu parcialmente o pleito, considerando prescritos os créditos do ano de 1996 e glosando os insumos adquiridos de pessoas fisicas, os de produção própria de cana de açúcar e aqueles destinados à fabricação de produtos NT (álcool). Houve glosas ou ajustes, também, no valor das exportações e dos combustíveis e energia elétrica, sendo que estes últimos, no período em que a empresa se utilizou do regime alternativo, foram desconsiderados somente na parte que foi utilizada nos setores administrativo, agrícola e na produção de álcool (NT). Irresignada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, informando que, em relação aos valores não-homologados (referentes aos processos n2s 13826.000376/2002-22 e 13830.501193/2004-22), procederá ao devido recolhimento, mas quando se der o certo deferimentoltais valores deverão voltar a compor o total do direito creditório pleiteado. 2 • . Processo n°13826.000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n°2101-00.053 Fl. 1.041 Quanto ao despacho denegatório, alegou que deveria ser anulado por cerceamento do direito de defesa, pois os critérios e números adotados pela fiscalização não lhe dariam suficiente informação para o contraditório, sendo que nem mesmo lhe foi permitido identificar claramente a fundamentação legal do reconhecimento parcial. Com relação ao mérito, contesta a exclusão das aquisições de pessoas fisicas, basicamente porque a SRF não poderia limitar o que a lei teria concedido, bem como a exclusão dos insumos empregados no cultivo da lavoura de cana-de-açúcar e das matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção de álcool não tributado, sob pena de corromper o cálculo do beneficio, tanto pela inclusão das vendas deste produto, no mercado interno, que compõe a receita operacional bruta, como pelo disposto na lei, que prevê a inclusão do total de aquisições de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório. Apreciando as razões de inconformidade, a DRJ em Ribeirão Preto/SP indeferiu o pedido da contribuinte, em decisão sintetizada assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IN. INSUMOS PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas, não-contribuintes do P1S/Pasep e da Cotins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bnita, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insanos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação. Solicitação Indeferida" Cientificada da decisão em 22/05/2007, a empresa apresentou, em 21/06/2007, recurso voluntário, com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, ou seja: 1) cerceamento do direito de defesa por ausência de informações suficientes para entender a glosa fiscal; 2) interpretação da Lei n2 9.363/96 relativamente às aquisições de pessoas fisicas - ilegalidade da IN SRF n2 23/97; 3) direito de inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar; e 4) direito de inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos insumos consumidos na industrialização de álcool NT. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para assegurar o direito de considerar, no cômputo do crédito presumido de IPI, todos os valores glosados. É o relatório. 11(- , ' 3 • Processo n° 13826.000334/2002-91 52-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.053 Fl. 1.042 Voto Conselheira ANTONIO ZOMER, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais para sua admissibilidade e conhecimento. As questões objeto do litígio, identificadas no relatório, serão analisadas na ordem de apresentação. 1 — Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Analisando as peças de defesa apresentadas pela recorrente percebe-se que todas as glosas efetuadas pela fiscalização foram perfeitamente identificadas pela empresa, que contra elas apresentou ampla defesa. Desta forma, sendo notória a não ocorrência de cerceamento do direito de defesa, rejeita-se a preliminar. 2 — Da glosa dos insumos adquiridos de pessoas físicas O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória n 2 948, de 23/03/95, convertida na Lei n2 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matérias-primas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 1 2 da Lei n2 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n" 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (destaquei) O Crédito Presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional - CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratando-se de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a 4 Processo n°13826,000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.053 Fl. 1.043 evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no tato; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos.'.1 Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IPI e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1 2, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindo-se o legislador ao PIS e à Cotins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrá-las no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa ressarcir e que, por isso, o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar a desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." 2 (destaquei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1 2 da Lei n2 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtor- exportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança esse pagamento especifico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor-exportador. -' Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12!, Forense, Rio de Janeiro, 1992, pp. 333/334. 2 Teoria Geral do Direito Tributário, 3g , Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. 5 Processo n° 13826.000334/2002-91 52-CITI Acórdão n°2101-00.053 Fl. 1.044 Reforça tal entendimento o fato de o art. 52 da Lei n2 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor-exportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e da Cotins pagas pelo fornecedor de matérias-primas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foi-lhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca com o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor não-contribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressalte-se, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 3; que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor-exportador. A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tornaria supérflua a disposição do art. 3 2 da Lei n2 9.363/96, contrariando o principio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de não-contribuintes no cálculo do crédito presumido de IPI, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877-CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Turma do TRF da 5' Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TITULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITAMENTO. I. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 12 da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito 6 efe Processo n°13826.000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.053 Fl. 1.045 respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ..." O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 5 Região, no AGTR 33341-PE, Processo n 2 2000.05.00.056093-7, que, à certa altura do seu despacho, asseverou: "A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. 1 2 da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, 'o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. Ora, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n2 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS, PASEP, e COFINS, instituídas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas fisicas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensar-se de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IPI autorizado pela Lei n" 9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofms, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. 3 — Da glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar Quanto à pretendida inclusão, na base de cálculo do ressarcimento, dos valores relativos à aquisição de insumos aplicados na lavoura de cana-de-açúcar, melhor sorte não assiste à recorrente. 3 Despacho datado de 08/02/2001, 13.1 2, de 06/03/2001. 7 Processo n° 13826.000334/2002-91 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.053 Fl. 1.046 É que o incentivo está adstrito aos insumos utilizados no processo industrial, não se estendendo àqueles utilizados em etapas anteriores do ciclo de produção desses insumos. Sendo assim, qualquer valor despendido na produção de cana-de-açúcar pelo próprio estabelecimento industrial não são admitidos no cálculo do incentivo fiscal, posto que não são gastos que ocorrem no processo industrial mas fora dele. Conseqüentemente, se estas aquisições não tem a ver com a operação de industrialização, não podem ensejar o ressarcimento de crédito presumido. 4— Dos insumos utilizados na fabricação de álcool NT Além dos insumos adquiridos de pessoas fisicas e daqueles utilizados na produção de cana-de-açúcar, a fiscalização deixou claro que glosou, também, os insumos utilizados na industrialização de álcool vendido no mercado interno, por ser este produto NT. A metodologia de cálculo do crédito presumido não permite que se exclua do cálculo os insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no mercado interno. A não incidência do beneficio sobre estas aquisições se dá pelo percentual de exportação, cuja função é exatamente fazer incidir o ressarcimento somente sobre os insumos utilizados nos produtos exportados. No entanto, a razão da exclusão dos insumos utilizados na fabricação de álcool não se deu porque o álcool foi vendido no mercado interno mas por ele estar classificado na TIPI como produto não-tributado (NT). Neste caso, concordo com o relator da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir, as mesmas razões por ele expendidas no trecho que abaixo transcrevo: "Com relação ao álcool não tributado, vale observar que, embora a distorção apontada pela contribuinte no cálculo da relação percentual RE/ROB seja um fato, as regras para esse cálculo só foram alteradas pela Portaria MF 64/2003, que no parágrafo 12 de seu artigo 3 0, assim dispôs: `§ 12. Para os efeitos deste artigo, considera-se: I - receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo;' (GRIFEI) Ou seja, a partir da publicação do dispositivo acima transcrito, em função do qual foi emitida a IN SRF n°313/2003 as receitas de exportação de produtos NT que permanecem fora do cômputo das receitas de exportação, deixaram de ser incluídas na apuração da receita operacional bruta. Todavia, esse dispositivo só entrou em vi2or em 26/03/2003, não alcançando a apuração do crédito presumido ora tratado, que, conforme o período em destaque, é anterior a esta legislação. Antes dessa data, o entendimento da Receita Federal vinculava- se ao conceito constante da Portaria MF 38/97 (art. 3°, § 15), que definia receita operacional bruta como "o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos 8 .- . Processo n° 13826.00033412002-91 S2-CIT1 Acórdào n.° 2101-00.053 Fl. 1.047 serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". E não há como retroceder essa alteração ao presente pedido. As portarias e as instruções normativas não são atos interpretativos. São normas complementares das leis tributárias (art. 100 do CTN), que regulamentam, que detalham as disposições legais. No caso em pauta, a portaria ME 64/2003 alterou conceitos envolvidos na apuração do beneficio, trazendo apressa a sua vigência: 'Art. 14. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - a partir de I° de outubro de 2002, em relação aos ans. 40 e 11; II - a partir de 1° de dezembro de 2002, em relação ao § 14 do art. 30; III - na data de sua publicação, com relação aos demais artigos.' Sendo ato achninistrativo normativo (e não interpretativo) não há como aplicá-la retroativamente. Para admitir a alteração dos conceitos como interpretação, indispensável que houvesse mencão expressa ao dispositivo da portaria anterior que estava sendo interpretado. Tal não ocorreu. Portanto, as alterações introduzidas pela portaria em comento só atingem fatos geradores ocorridos a partir de 26/03/2003." Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala I as Ses ões, em 06 de maio de 2009. e .I A fig i lir(, 41 1 • O R 9 Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055000.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13891.720247/2014-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA NOS CÁLCULOS DO PERITO. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS.
Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e constante dos cálculos do perito judicial. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa.
Numero da decisão: 2001-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA NOS CÁLCULOS DO PERITO. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS. Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e constante dos cálculos do perito judicial. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 02 47 /2 01 4- 12 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente à compensação de IRRF. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 17.970,29 para R$ 3.804,99, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescido de multa e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Contribuinte efetuou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na utilização de valores indevidos na compensação do IRRF por falta de comprovação, como segue: O contribuinte acima identificado foi notificado (fls. 06/15) em razão da Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) – Tributação Exclusiva, na sua Declaração de Ajuste Anual – DAA do Imposto de Renda do exercício 2013, anocalendário 2012. A declaração alterada, ND 08/21.165.323, modelo completo e original, tinha como resultado do ajuste saldo de imposto a restituir de R$ 17.970,29. A alteração acarretou o imposto normal conforme demonstrativo colado a seguir: (...) Notificação de Lançamento (fls. 06/15), conforme excertos colados abaixo, efetuada em virtude de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, glosa no valor de R$ 21.775,28: (...) A lide abrange a infração Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) – Tributação Exclusiva, glosa no valor de R$ 21.775,28. Esta infração foi apurada em decorrência da reclamatória trabalhista nº 2368/97 (023680062.1997.5.15.0048), VT de Porto Ferreira/SP, em desfavor da Companhia Energética de São Paulo – CESP, onde a autoridade fiscal relatou: "Regularmente intimado o contribuinte apresentou a guia de retirada judicial 187/2012 informa que não foi descontado IR Fonte, corroborado pelas informações do laudo pericial homologado judicialmente verificase que não houve retenção de imposto de renda fonte, pois o valor R$ 109.525,11 recebido pelo contribuinte conforme guia de retirada 187/2012." Da tributação da atualização monetária e dos juros sobre Rendimento Recebido Acumuladamente (RRA). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13891.720247/201412 Acórdão n.º 2001001.127 S2C0T1 Fl. 115 3 Neste ponto, a matéria é regida pelo Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: (...) Como se vê, a legislação tributária determina a incidência do IRPF sobre os juros relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial. Esclareçase que a Justiça do Trabalho não é o foro competente para julgar ação judicial relativa a tributos federais. Atentese para os arts. 109, inciso I, e 114 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88): (...) Dos dispositivos transcritos, observase que a CF/88 atribui competências específicas à Justiça Federal e Justiça do Trabalho. As atribuições de uma e de outra não se confundem. Aos juízes trabalhistas cabe processar e julgar especificamente ações acerca de matéria trabalhista. A seu turno, compete aos juízes federais apreciar ações em que a União é parte interessada, como no caso de questões relacionadas às obrigações tributárias. Logo, eventual decisão da Justiça do Trabalho a respeito de tributação federal é ineficaz, não produzindo efeitos no âmbito da Administração Tributária. Como se observa, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e correção monetária. Da tributação do RRA. A matéria é regida pelo artigo 12A da Lei 7.713, de 1988, e regulamentada pela Instrução Normativa RFB Nº 1.127, de 2011 e alterações posteriores, todas consolidadas na Instrução Normativa Nº 1.500, de 2014, que estabelece normas gerais da legislação do IRPF, aqui reproduzida nos trechos pertinentes: (...) As regras estabelecidas pela IN 1.127, de 2011, regulamentando o artigo 12A da Lei 7.713, de 1988, trouxeram uma nova sistemática de cálculo, diferente do tradicional regime de caixa, este último, baseado na tributação incidente na medida dos recebimentos (utilizandose a tabela progressiva do mês de recebimento). Assim, na sistemática de tributação do RRA, o imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização da tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva. Fl. 116DF CARF MF 4 Em relação à infração Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, glosa no valor de R$ 21.775,28, temos a seguinte complementação dos fatos na notificação de lançamento: "Regularmente intimado o contribuinte apresentou a guia de retirada judicial 187/2012 informa que não foi descontado IR Fonte, corroborado pelas informações do laudo pericial homologado judicialmente verificase que não houve retenção de imposto de renda fonte, pois o valor R$ 109.525,11 recebido pelo contribuinte conforme guia de retirada 187/2012." De acordo com planilha de cálculos da reclamatória trabalhista (fls. 43 e 48), datada de 01/09/2010, temos um total geral da condenação de R$ 99.026,23, e um valor de IRRF calculado de R$ 21.775,28, conforme excertos abaixo: (...) Confrontandose o valor contido na Guia de Retirada Judicial nº 187/2012 (R$ 109.525,11), de 05/03/2012, com o valor bruto apurado em 01/09/2010 (R$ 99.026,23), temos uma variação de 10,60%, compatível com a atualização monetária para o período de 18 meses. Além disso, frisese a observação contida na guia de retirada: "não há IR para ser comprovado". Assim, concluímos que o valor calculado de IRRF constante das planilhas não foi efetivamente descontado das verbas pagas, não cabendo a compensação desse na DAA do defendente. Diante de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, para manter o crédito tributário lançado, referente exercício 2013, anocalendário 2012, tratado neste processo. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 3.804,99, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: BASE DE CÁLCULO DA NOTIFICAÇÃO INCORRETA O valor em discussão são os rendimentos recebidos acumuladamente da empresa CESP Companhia Energética de São Paulo, em ação trabalhista junto a Vara do Trabalho de Porto Ferreira, processo judicial 023680062.1997.5.15.0048 RTOrd, em ação de litisconsorte com o Sr. José Gusson. Além da verga trabalhista de R$ 51.668,33, valor este pago a título de complementação de aposentadoria, foram recebidos juros moratórios, os quais entendemos que não são base de cálculo de Imposto de Renda, visto sua natureza indenizatória. O valor bruto reconhecido pelo Juiz do Trabalho foi de R$ 99.026,23, conforme sentença datada de 21.11.2011 sendo que, até a data do saque (Março/2012) tal quantia corrigida era de R$ 109.525,11, ou seja, R$ 51.668,33 de rendimento tributável, e juros de R$ 57.876,78, o qual tem natureza indenizatória. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13891.720247/201412 Acórdão n.º 2001001.127 S2C0T1 Fl. 116 5 Assim, requerse que o valor tributável a ser reconhecido por esta turma julgadora seja de R$ 51.668,33, e não o valor lançado pelo Auditor Fiscal de R$ 99.026,23. GLOSA DO IRRF O Sr. Relator da DRJ no Recife indeferiu o pedido sustentando em síntese que na Guia de Retirada consta que “não há IR para ser comprovado”, e isto em si obstaria o pleito do recorrente. Pelo princípio da verdade real, podese comprovar que o recorrente sofreu a retenção de R$ 21.775,28, e tal valor deve ser aproveitado ou restituído pelo interessado. Na página 04 da Notificação de Lançamento (folha 10 deste processo), o Auditor Fiscal motivou a glosa com as seguintes informações: (...) O Auditor Fiscal confundiu a informação da Guia de Retirada Judicial que constou que o IRRF não precisava ser comprovado, como se fosse que não foi descontado. Esta interpretação é totalmente diversa do Laudo Pericial, pois na folha 2128 do processo judicial (folha 20 deste processo administrativo) consta que: IRRF – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – Calculado de acordo com a tabela vigente e em conformidade com a Lei 8.541/92, no que tange a sua base de cálculo, bem como o Decreto 3.000/99 em seus artigos 625 e 638. Na sequência, podemos verificar claramente que o Sr. Perito Judicial esclareceu que IRRF é de R$ 21.775,28 (folha 24 deste processo), e que tal responsabilidade pela retenção e recolhimento era da empresa reclamada. Da mesma forma, na folha 43 (folha 213 da ação trabalhista), esta informação é confirmada. Idem a informação contida na folha 48 (folha 2144 da Ação Trabalhista). O entendimento do relator da instância a quo está motivado pela informação registrada na guia de retirada, mas tal informação de que há IR para ser comprovado, significa tão somente que a parte do processo não precisou comprovar o recolhimento, seja porque assim foi dispensada, ou porque o Juiz determinou que parte do valor depositado fosse convertido diretamente em renda da União, o que em si torna desnecessário se comprovar o recolhimento no processo a retenção, já que nesse caso o juiz tem controle da conversão. É comum nestes processos trabalhistas os casos em que o valor da condenação já esteja depositado, e no final o juiz determina o saque de parte do valor para o vencedor, ordena a conversão do IRRF e das verbas previdenciárias em renda da União. No caso em discussão, os valores estavam depositados na conta judicial nº 2700101182053, junto ao Banco do Brasil S.A., Agência Porto Ferreira, e não haveria necessidade de nenhuma das partes comprovar o recolhimento. Fl. 118DF CARF MF 6 Vejamos que o próprio relator da DRJ colou na folha 9 da decisão, (ou folha 88 do processo) a planilha de cálculo extraída do processo de reclamatória trabalhista onde consta o valor do IRRF, que no caso foi de R$ 21.775,28. Além disso consta nesta planilha que a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF de R$ 21.775,28, deverá ser recolhido pela reclamada, que no caso é a empresa CESP – Companhia Energética de São Paulo. Comprova também este fato que o Sr. José Gusson, irmão do recorrente, coautor da Ação de Reclamação Trabalhista em desfavor da CESP, já teve a sua retenção confirmada pela RFB e inclusive já recebeu sua restituição do mesmo exercício. Por tais motivos, entendemos que a glosa do IRRF foi equivocada, e a decisão da DRJ Recife também o foi, motivo pelo qual requeremos o provimento deste Recurso Voluntário, cancelandose o lançamento e reconhecendose direito a restituição, conforme declarado na Declaração de Ajuste Anual. DESPESAS NECESSÁRIAS PARA O RECEBIMENTO DO VALOR Além de que os rendimentos tributáveis recebidos na ação judicial não serem aqueles lançados, este impugnante suportou de seu próprio bolso os honorários advocatícios de 15%, além de honorários periciais, sendo R$ 16.536,98 pagos ao Dr. Humberto Cardoso Filho e mais R$ 1.102,46 de honorários de peritos, pagos também para o mesmo advogado repassar aos respectivos profissionais, conforme recibo juntado na impugnação. Requerse que tais despesas sejam deduzidas da base de cálculo da Notificação lançada. Caso não fossem excluídos tais rendimentos, estes estariam sendo tributados pelo recorrente, e também pelos profissionais citados, e haveria duplicidade de tributação, ou o bis in idem, visto que estaria sendo tributado por dois contribuintes simultaneamente. Entende o recorrente que não resta dúvida quanto ao desembolso dos valores, e nem mesmo dúvida quanto a legalidade da despesa. Desta forma, não se vislumbra qualquer possibilidade para manutenção da base de cálculo lançada, sendo correta somente a quantia de R$ 51.668,33, menos R$ 16.536,98, e menos R$ 1.102,46, ou deveria ser tributado R$ 34.028,89, requerendose o reconhecimento desta base de cálculo. Requereuse a consideração como dedutíveis todas as despesas acima descritas e comprovadas com recibo autêntico, as quais foram necessárias ao custeio do andamento da ação trabalhista. Assim, requerse o cancelamento dos valores lançados do exercício 2013, especialmente pela irrefutável prova de que a base de cálculo correta é de R$ 34.028,89, de que houve a retenção do IRRF de R$ 21.775,28, e os comprovantes exigido pela legislação estão anexos à impugnação, e por todo os motivos anteriormente debatidos, pugnado pela juntada de outros meios de prova, sem exceção. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13891.720247/201412 Acórdão n.º 2001001.127 S2C0T1 Fl. 117 7 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide se limita a comprovação documental do valor de R$ 21.775,28, referente à retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte de rendimentos recebidos por decisão judicial. Portanto, não é foco nem objeto de discussão a competência da Justiça do Trabalho nas questões pertinentes ao que se relaciona com a lide no campo tributário. Assim que desnecessário adentrar aqui em questões de limitação de competência julgadora, ainda mais se tratando de distintas áreas da esfera judicial e administrativa. O resultado da revisão fiscal da Declaração de Ajuste Anual – DAA do Recorrente teve um revés determinado pelo recálculo do Agente Autuador passando de uma restituição apurada pelo Contribuinte na Declaração de R$ 17.970,29, para um imposto a pagar de R$ 3.804,99. Na Declaração de Ajuste Anual Original, entregue pelo Recorrente, foi informado no espaço destinado a “Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular”, os valores recebidos da CETP Cia. Transmissão de Energia Elétrica Paulista, os rendimentos no valor de 99.026,23 e o correspondente imposto retido na fonte no valor de R$ 21.775,28, fl. 64, fiel ao que consta nos documentos oficiais juntados aos autos, como comprovação. A afirmação da Fiscalização é de que não teria havido a retenção do imposto na fonte pelo texto que segue: Regularmente intimado o contribuinte apresentou a guia de retirada judicial 187/2012 informa que não foi descontado IR fonte, corroborado pelas informações do laudo pericial homologado judicialmente verificase que não houve retenção de imposto de renda fonte, pois o valor R$ 109.525,11 recebido pelo contribuinte conforme guia de retirada 187/2012. A afirmativa de que o imposto não teria sido retido está fragilmente ancorada no documento de fl. 49, onde consta, como observação, que o beneficiário da Guia de Retirada Judicial nº 187/2012, de 05/03/2012, que não há IR para se comprovado pelo Recorrente Milton Gusson. Evidente que não carecia de comprovação por parte do Recorrente porque não era ele o obrigado ao recolhimento do IRRF e sim a fonte pagadora dos valores. Equivocada a interpretação Fiscal de que a simples observação, naqueles termos, teria a força de dispensar a retenção e o recolhimento do imposto na fonte que é devido por força da legislação pela fonte pagadora. Além disso, os cálculos do perito judicial não deixam dúvidas da incidência e da obrigação da retenção e recolhimento por quem de obrigação, no caso, a fonte pagadora. É de considerar, também, que a Autoridade Fiscal não afirmou que os recursos oriundos de tal recolhimento não estivessem em seu sistema de Fl. 120DF CARF MF 8 controle de arrecadação, o que pode ser facilmente constatado por uma simples consulta ao sistema da Receita Federal. De outra banda: Na fl. 16 dos autos consta a declaração do advogado do Recorrente que informa ter recebido R$ 16.536,98 de um total bruto de R$ 110.246,58, descontado também o valor de R$ 1.102,46 identificado como serviço do perito dos reclamantes. Na fl. 20, laudo do perito, consta que o IRRF foi calculado de acordo com o que dispõe a legislação, como segue: IRRF – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – Calculado de acordo com a tabela vigente e em conformidade com a Lei 8.541/92, no que tange a sua base de cálculo, bem como o Decreto 3.000/99 em seus artigos 625 e 638. Na fl. 24, laudo do perito, consta o valor do IRRF calculado sobre o total de R$ 99.026,23, composto pelos valores de R$ 51.668,33 de complementação de aposentadoria mais R$ 47.357,90 referente a juros. No quadro de Descrição das verbas que acompanha a Sentença de Liquidação, fls. 37/43, estão demonstrados os valores que compõem a verba destinada ao Recorrente onde consta o valor de IRRF de R$ 21.775,28. Na fl. 48 dos autos, novamente aparecem os valores de principal e juros e o valor do IRRF no Demonstrativo de Cálculo Referente ao Processo, documento este assinado pelo Perito do Juízo Senhor Marcelo Marcos Franco. Assim, pelo que consta dos autos a comprovação documental apresentada pelo Recorrente supre suficientemente o requerido de sua parte como contribuinte, especialmente quanto ao valor recebido e do IRRF calculado, pela juntada dos documentos judiciais do Tribunal Regional do Trabalho. Documentos esses utilizados para a liberação do valor dos rendimentos e identificação do imposto de renda retido na fonte. Por isso, considera se suficientemente comprovada a exigência da Autoridade Tributante, razão pela qual deve ser excluída a glosa do IRRF no valor de R$ 21.775,28. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário no valor de R$ 3.804,99 e restabelecer a restituição do imposto conforme apurado na DAA apresentada, no valor de R$ 17.970,29. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905584/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-08T02:23:03Z; Last-Modified: 2019-03-08T02:23:03Z; dcterms:modified: 2019-03-08T02:23:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-08T02:23:03Z; meta:save-date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-08T02:23:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-08T02:23:03Z; created: 2019-03-08T02:23:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-08T02:23:03Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 522 1 521 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.905584/201114 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.010 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVO PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente REPINHO REFLORESTADORA MADEIRAS E COMPENSADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 84 /2 01 1- 14 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 523 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 524 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 06117.59669.251007,1.1.098343, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de Cofins não cumulativa, referente ao 3º trimestre de 2007; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 030 2012, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 525 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.981, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 526 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 527 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 528 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 529 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 530 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 531 10 A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fl. 332) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados no processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 532 11 cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo, maquinários e edifícios da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 533 12 utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo, maquinários e edifícios da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 533DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.917898/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. PRECLUSÃO DO DIREITO DE APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte, comprovação esta cujo ônus é do sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. A apresentação de motivos e provas deve se ater à impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 2202-005.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. PRECLUSÃO DO DIREITO DE APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte, comprovação esta cujo ônus é do sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. A apresentação de motivos e provas deve se ater à impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 78 98 /2 00 9- 51 Fl. 233DF CARF MF 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 217/228), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 229/230), interposto contra o Acórdão no. 1652.002 da 8a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP – DRJ/SP1 (efls. 190/195), que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela recorrente em PER/DCOMP. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/SP1, por bem espelhar os fatos sob análise. Relatório A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 22 a 27 (PER/DCOMP nº 29256.13115. 100205.1.3.046859, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (código de receita 5286) relativo ao período de apuração referente à 4a Semana de Janeiro de 2005. Pelo Despacho Decisório de fls. 16, a contribuinte foi cientificada, em 05/11/2009 (fl. 17), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 126.319,02). Irresignada, a contribuinte apresentou em 07/12/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 05 a 10, alegando que: Em 17/01/2005, a Manifestante efetuou o pagamento de juros sobre uma determinada operação compromissada, cujo lastro eram Notas de Tesouro Nacional série 'd' (NTNd), a um de seus clientes, residente no exterior o HSBC Bank USA National Association, no valor de R$ 833.788,94;. No momento do pagamento, a Manifestante reteve o valor do IRRF incidente sobre tais juros, no valor de R$ 125.068,34, creditando na conta do cliente apenas o valor líquido da operação, qual seja, R$ 708.720,60 (Doc. 73); No dia 26/01/2005, a Manifestante efetuou, então, o pagamento do IRRF incidente sobre a operação (código da receita 5286), no valor de R$ 125.068,34, por meio de DARF de número 7023757199 (Doc. 09); Dias depois, a Manifestante constatou que o pagamento dos juros era indevido e estornou os valores indevidamente creditados ao cliente americano (Doc. 74); Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 234 3 Portanto, houve equivocada consideração da ocorrência de pagamento de juros ao cliente, com indevido cálculo e pagamento do IRRF. Como o valor indevidamente creditado na conta do cliente foi estornado, o recebimento de rendimentos de aplicações financeiras que constitui a hipótese de incidência do IRRF do cliente estrangeiro não ocorreu. Logo, houve pagamento indevido de IRRF; O pagamento, pela Manifestante, de tributo indevido, seguido do estorno dos juros indevidamente creditados na cliente, geroulhe o direito de crédito passível de compensação, no valor original de R$ 125.068,34; Ao proferir o despacho decisório, o Sr. Fiscal identifica o pagamento do DARF, no valor de R$ 125.068,34, mas não compreende o porquê tal pagamento foi indevido; Conforme comprovam os demonstrativos de caixa que ora se apresentam (Docs. 73/74), os quais foram fornecidos pelo próprio cliente, a Manifestante incorreu em erro ao recolher IRRF sobre juros indevidamente pagos e, em seguida, estornados da conta de seu cliente; Não tendo havido o pagamento de rendimentos ao cliente, temse que o fato gerador do IRRF não ocorreu e, portanto, o seu recolhimento foi indevido; A existência de crédito a compensar, provada por meio dos documentos anexos os quais demonstram com precisão as circunstâncias envolvidas na sua geração enseja a revisão do r. despacho decisório; Os documentos que ora se apresentam (Docs. 7374) não deixam dúvidas quanto aos motivos que levaram a Manifestante a realizar o pagamento do tributo, bem como provam que o valor recolhido é indevido; Por fim, a manifestante requer seja a manifestação de inconformidade julgada procedente para reformar o despacho decisório e conseqüentemente homologar a compensação pleiteada. Requer ainda que as intimações sejam feitas nas pessoas de seus procuradores, no escritório profissional cujo endereço indica à fl. 10. Para instruir o processo, foi juntada aos autos a intimação Deinf/SPO/Diort nº 127, de 08/09/2009 (fl. 101/102), por meio da qual foi a contribuinte intimada, em 16/09/2009 (fl. 111), a: 1. Apresentar cópia dos documentos, inclusive os contábeis, que comprovam ser de R$ 167.001,35 o débito de IRRF (Código 5286¬ 01) relativo ao PA 401/2005, com vencimento em 26/01/2005, declarado na DCTF (retificadora/ativa) apresentada em 10/07/2007 sob n° 1000.000.2007.1830285501; 2. Esclarecer as circunstâncias que provocaram o suposto pagamento a maior, na importância de R$ 125.068,34 (crédito original), relativamente ao débito acima. 3. Apresentar comprovação de que o interessado arcou com ônus dos valores pagos indevidamente ou a maior. Fl. 235DF CARF MF 4 Caso o ônus tenha recaído sobre o beneficiário do rendimento, apresentar autorização expressa deste para receber a restituição. 4. Outros documentos que sirvam a comprovar, de forma, efetiva., ser indevido o pagamento utilizado como crédito por meio do Perdcomp acima. Por meio do expediente datado em 05/10/2009 (doc. de fls. 150/153) o representante da interessada registrou a mesma informação contida em sua manifestação, juntando cópia da DCTF retificadora, dos Documentos de Arrecadação e DCTF ref. ao débito informado na PER/DCOMP com a indicação da compensação (fl. 154/162). Consoante despacho de fls. 165/166, o processo foi encaminhado à Diort/DeinfSP para sanear impropriedade detectada relativamente ao documento de substabelecimento de poderes. Saneado, o processo retornou a julgamento. 3. O Voto da 8a. Turma, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir: Voto (...) Conforme relatado, antes da emissão do despacho decisório a contribuinte foi intimada a apresentar cópias de documentos, inclusive contábeis, que demonstrassem que o débito de IRRF (código 5286) relativo ao P.A. 0401/2005, com vencimento em 26/01/2005, fosse de R$ 167.001,35 como declarado em DCTF retificadora e esclarecer as circunstâncias que provocaram o suposto pagamento a maior de R$ 125.068,34, além de comprovar que arcou com o ônus do valor pago indevidamente, ou apresentar a autorização do beneficiário para receber a restituição. Na resposta à intimação às fls. 150/153, a contribuinte apenas explica que fora feito um resgate financeiro em que se apurou IRRF na importância de R$ 292.069,69. Afirmou que “o montante resgatado junto ao fundo de renda fixa foi feito a maior e , conseqüentemente, o IRRF apurado e recolhido (...) foi feito a maior”, mas não explicou, nem apresentou a documentação comprobatória do alegado. Apenas insistiu no argumento de que o valor de R$ 125.068,34 recolhido a título de IRRF (código 5286 – 4a. semana de janeiro de 2005) fora recolhido a maior. Na peça de defesa a contribuinte reportase aos documentos “73 e “74”, os quais demonstrariam o crédito na conta do cliente de R$ 708.720,00 e o estorno dos valores indevidamente creditados ao cliente, entretanto tais documentos sequer foram mencionados no expediente de fls. 150/153. Na realidade, apenas o doc “73” relativo à Demonstrativo de Caixa da segunda quinzena de janeiro de 2005, do Cliente “569615HSBC BANK USA, NACIONAL ASSOCIATION” fora apresentado à fl. 85 do presente processo. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 235 5 A DCTF retificadora apresentada em 10/07/2007, após a entrega da DCOMP ora em análise, por si só nada prova (fls. 180/182). Com efeito, o artigo 147, § 1º, do CTN, estabelece que a aceitação, pela administração fiscal, de retificação da Declaração por iniciativa do contribuinte, de que resulte redução ou exclusão de tributo, está condicionada à comprovação do erro por parte do contribuinte. No presente caso, não trouxe o interessado prova hábil e idônea a justificar o erro alegado (diferença de IRRF sobre estorno de valores indevidamente creditados), que tem natureza de confissão de dívida. E a mera alegação de que determinado valor de IRRF teria sido declarado e recolhido a maior do que o devido, corretamente apurado, está longe de ser suficiente para assegurar a certeza de que, em realidade, tenha sido o caso. Registrese ainda, por oportuno, que nas DIRF original e retificadora apresentadas pela contribuinte relativas às retenções efetuadas no anocalendário de 2005 sequer consta o código 5286 (fls. 183/189). Faltou, assim, a apresentação do(s) documento(s) que comprovasse(m) de forma efetiva ser indevido o pagamento utilizado como crédito por meio do PER/DCOMP. Frisese, a simples alegação de que determinado valor a recolher de IRRF foi inicialmente declarado maior do que o devido, está longe de ser suficiente para assegurar a certeza de que tenha havido pagamento a maior que o devido. Em relação ao documento de fls. 85, que a interessada alega comprovaria a existência do direito creditório, cumpre observar que, o Demonstrativo de Caixa do Cliente “HSBC Bank USA, National Association” apenas registra a entrada de Juros (Recebimento de Juros de NTND), no valor de R$ 708.720,60, no “Caixa ADM” do cliente, ou seja o recebimento dos juros pelo valor líquido (R$ 833.788,94 – R$ 125.068,34). Tal documento prova, ao contrário do que defende a contribuinte, que o cliente recebera os juros pelo valor líquido. Ainda que, por hipótese, a contribuinte houvesse logrado provar a existência do direito creditório reclamado, há de se considerar que, por se tratar de Imposto de Renda Retido na Fonte pretensamente retido e recolhido indevidamente ou a maior, deve a interessada ainda comprovar que atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN para que o direito creditório lhe seja reconhecido. Segundo estabelece o aludido art. 166, “a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla”. Hodiernamente, as normas infra legais de regência determinam que, para que o crédito possa ser utilizado na compensação, deve a interessada (fonte pagadora) tomar as providências previstas no art. 8º da IN RFB nº 1300, de 2012 (que guarda correspondência com o art. 8º, da IN RFB nº 900, de 2008); Fl. 237DF CARF MF 6 Art. 8 º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. §2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art.41. (grifos incluídos na transcrição) Contudo, também não consta nos presentes autos que tais medidas foram tomadas pela interessada. Destarte, também por estes motivos, não restou demonstrado que a contribuinte é titular do direito creditório em questão. Na verdade, não restou demonstrado sequer que o recolhimento do IRRF foi feito a maior. Por fim registrese que, em relação ao pleito para que as intimações sejam enviadas ao endereço de seus procuradores, há de se esclarecer que as intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do contribuinte, cujo endereço é determinado conforme as regras do art. 23 do Decreto 70.235/72, com as alterações dadas pela Lei 11.196/2005. No presente caso, conforme prevê o inciso I do § 4º do aduzido dispositivo, a intimação para ciência da decisão proferida deve ser enviada ao endereço cadastral do contribuinte, ou seja, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária”. Logo, no contencioso administrativo, não se acolhe pretensão de envio dos atos ao endereço dos procuradores, visto que ao contribuinte não é permitido eleger endereço diverso daquele informado à “Secretaria da Receita Federal do Brasil” para fins cadastrais. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade sob análise. 4. Cientificada da decisão a quo, a contribuinte apresenta, através de seu procurador, os seguintes argumentos recursais, transcritos em síntese: a)Da preliminar. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 236 7 alega a tempestividade do recurso; apresenta breve histórico do processo; b) Do mérito. suscita que o Acórdão de Primeira Instância equivocouse ao considerar que a recorrente não teria apresentado documentos que comprovassem a existência do crédito utilizado na PER/DCOMP, uma vez que considera que comprovou o crédito do valor relativo aos juros na conta do cliente e seu posterior estorno; conclui que comprovado o pagamento indevido dos juros ao cliente e seu estorno, por conseqüência houve equívoco no recolhimento do IRRF relativo, sendo então inegável a existência do crédito em seu favor; defende que não houve descumprimento aos requisitos do artigo 166 do CTN, uma vez que não houve transferência do encargo financeiro do tributo, o ônus foi sempre da própria recorrente: já que o crédito relativo a juros na conta do cliente foi indevido, o valor total nunca pertenceu ao cliente, mas sim sempre foi de sua titularidade; ou seja, o direito ao crédito é da própria recorrente, quem arcou com o ônus financeiro do pagamento; conclui que o Acórdão recorrido deve ser reformado tendo em vista a comprovação da existência de crédito objeto da compensação; destaca que houve apresentação de DCTF retificadora, que por si só, comprovaria a existência do crédito pretendido, já que esta corrige o erro cometido na declaração original, onde se indicava que não havia crédito a compensar; infere que o preenchimento incorreto da declaração não pode acarretar a cobrança de tributo indevido nem justificar a não homologação de compensação (transcreve ementas de Acórdãos da DRJ São Paulo e do Conselho de Contribuintes); e das decisões mencionadas conclui que deve prevalecer a verdade material, e conclui que também por esse motivo o Acórdão recorrido deve ser reformado. 5. Requer, por fim, o provimento do recurso com a reforma do Acórdão recorrido, para o fim de julgar extinto por compensação o crédito tributário e colocase à disposição para esclarecimentos, protestando pela produção de provas, inclusive juntada de novos documentos, e requer que as intimações deste feito sejam feitas nas pessoas dos seus procuradores. 6. A recursante junta ainda cópia de Demonstrativo de Caixa, presente às e fls 229/230. Neste ponto deve ser destacado que o documento de fls. 230, denominado pela recursante de "documento 74", foi apresentado apenas na fase Recursal. Entre os documentos anteriormente apresentados pela empresa, como bem ressaltado pela DRJ, consta apenas o denominado "documento 73", às fls. 85 deste processo. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Fl. 239DF CARF MF 8 8 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 10. Com isso, fica claro que decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas por este Conselho. E mais, tais decisões, ou mesmo respeitáveis citações doutrinárias, não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 11. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando a contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual a contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 12. Para que se tenha a compensação tornase necessário que a contribuinte comprove que o seu crédito é líquido e certo, condição sem a qual a mesma não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pela contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente da primeira, embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, e mais, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. 13. O caso em pauta envolve suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e existindo débito próprio, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que não foi comprovada a existência do crédito pretendido. 14. Encontrase então aqui o ponto nevrálgico da presente lide: verificase nos autos que antes da emissão do despacho decisório foi promovida diligência e a contribuinte foi intimada (efl. 167) a apresentar cópias de documentos, inclusive contábeis, que demonstrassem que o débito de IRRF (código 5286 aplicações em fundos ou entidades de investimento coletivo), relativo ao P.A. 04 01/2005, com vencimento em 26/01/2005, fosse apenas de R$ 167.001,35, como declarado em DCTF retificadora, e também a esclarecer as circunstâncias contábeis e fiscais que provocaram o suposto pagamento a maior de R$ 125.068,34. A declaração original trazia o total de R$ 292.069,69 a ser pago sob a receita 5286, a soma dos dois valores anteriormente referenciados. 15. Como bem explanado pela DRJ, em sua resposta à intimação às fls. 150/153, a contribuinte apenas explica que fora feito um resgate financeiro em que se apurou IRRF na importância de R$ 292.069,69. Não comprovou contabilmente. Apenas afirmou que “o montante resgatado junto ao fundo de renda fixa foi feito a maior e , conseqüentemente, o Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 237 9 IRRF apurado e recolhido (...) foi feito a maior”, não esclarecendo nem apresentando a documentação contábil comprobatória do alegado. 16. A DRJ também ressalta que na peça de defesa a contribuinte reportase aos documentos “73 e “74”, os quais demonstrariam o crédito na conta do cliente de R$ 708.720,00 e o estorno dos valores indevidamente creditados ao cliente; entretanto, apenas o documento “73”, relativo à Demonstrativo de Caixa da segunda quinzena de janeiro de 2005, do Cliente “569615HSBC BANK USA, NACIONAL ASSOCIATION” fora apresentado à e fl. 85 do presente processo, em fase de impugnação. 17. O documento "74" foi apresentado apenas nesta fase recursal, o que pode eiválo do vício da preclusão. Mesmo assim, com sua apreciação, o documento aparenta, em tese, ser um Demonstrativo interpartes, emitido pela própria recursante; não se mostra, certamente, parte de registro contábil/fiscal em livros contábeis cabíveis como Livro Caixa e Livro Diário, não atendendo à legislação pertinente, destituídos portanto das formalidades cabíveis. 18. A recorrente buscou ainda sustentar que o ônus foi sempre por ela suportado e que a DCTF retificadora por si só corrigiria a informação. Mas novamente, a simples alegação com a falta de comprovação fiscal e contábil que fundamentou a retificação, ainda por cima realizada a destempo, não é suficiente para ser aceita como verdade material. 19. A recorrente teve diversas oportunidades de manifestação tempestiva para acostar a documentação pertinente, mas não o fez. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, atestando inclusive a titularidade indubitável do crédito. Sem a comprovação documental, não há como ser comprovada a verdade material dos fatos. 20. Inoportuno ainda o protesto do sujeito passivo sobre sua produção de novos esclarecimentos e provas, uma vez que no processo administrativo os mesmos deve ser apresentados em sede de impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, conforme Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no. 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no. 9.532/97) 21. Por fim, ressaltese que as intimações ao contribuinte são realizadas no endereço tributário eleito pelo sujeito passivo, atualizado pelo mesmo nos bancos de dados da Administração Tributária, conforme destacado pelo artigo 23, inciso II, do Decreto no. 70.235, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, abaixo transcrito: Fl. 241DF CARF MF 10 Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Redação da Lei 9532/97)(grifei) 22. Em complemento, citese a Súmula CARF no. 110, cuja determinação é "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". 23. Dessa forma, sem o sujeito passivo lograr êxito em comprovar fiscal e contabilmente o pagamento indevido ou a maior, integro deve permanecer o Acórdão da DRJ/SP1, e mantémse o crédito tributário. CONCLUSÃO 24. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000255/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.040
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .0 00 25 5/ 20 10 -2 0 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 533 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração de PIS (fls. 348/360) e COFINS (fls. 334/347), do 4º trimestre de 2007. Segundo o auto de infração foi apurado o que se segue: a) Bens e serviços utilizados como insumos A fiscalizada produz açúcar bruto e álcool carburante. São considerados insumos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de fabricação dos bens destinados à venda. Foram glosados bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, por não serem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do bem destinado à venda, açúcar, produto sujeito à incidência nãocumulativa, tais como: partes, peças e/ou serviços para manutenção de veículos, caminhões, ônibus, maquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus; serviços de construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas, vernizes, diluentes, cimento, etc. transporte de pessoas e de álcool; Tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, pois eles não se dão no âmbito do processo produtivo do açúcar, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. b) Método de apropriação de crédito Não foi aceito o método de determinação eleito pelo contribuinte: incidência não cumulativa sobre receita parcial e/ou de exportação com base na proporção dos custos diretamente apropriados, pelas seguintes razões a seguir expostas. O contribuinte produz açúcar e álcool que estão sujeitos à incidência não cumulativa e cumulativa, respectivamente. A primeira etapa do processo produtivo é comum a ambos os produtos. Analisando os documentos e arquivos digitais apresentados, constatouse que os valores informados no DACON, não correspondiam a valores apurados com base no método da apropriação direta, já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. O sujeito passivo relacionou as contas contábeis que compõem o valor mensal dos insumos informados nos DACON. Constatase que informou o valor de materiais em estoque, portanto, o método utilizado no DACON não é o de apropriação direta dos custos, já que tal método é caracterizado pelo aproveitamento dos custos no momento da destinação e vinculação com as receitas sujeitas ao regime nãocumulativo e o contribuinte o considerou no momento da aquisição ou contabilização. O sujeito passivo relacionou contas contábeis que compõem o valor mensal dos insumos apropriados nos DACON. Há contas estranhas ao conceito de insumos, como Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 534 3 por exemplo, consultoria, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, seguros. O método de apropriação direta não foi comprovado, portanto, foi utilizado o método de rateio pela proporção da receita. Aplicouse o método de rateio proporcional da receita bruta aos insumos e energia elétrica. c) Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado A interessada utilizou o critério dos créditos acelerados para a apuração das bases de cálculo dos créditos referentes ao ativo imobilizado. A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A Lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: foi apurado crédito em relação a bens adquiridos antes de 01/05/2004; foi apurado crédito de bens diferentes de máquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, microônibus, caminhões, etc.); foi apurado crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. foi apurado crédito de bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo; foi apurado crédito relativo aos bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo, nãocumulativo exportação; Em relação aos bens comuns a produção sujeita ao regime cumulativo, não cumulativo e da exportação foi aplicado o percentual de rateio. d) Créditos presumidos Atividades agroindustriais A interessada calculou crédito integral sobre a cana de açúcar quando o correto seria a apuração de crédito presumido. Deve ser aplicado o rateio por se tratar de insumo comum às receitas sujeitas ao regime cumulativo e ao nãocumulativo. Foi glosado o frete pago à pessoa física. A interessada foi cientificada em 15/07/2010 e apresentou impugnação (fls. 363/379) em 09/08/2010 alegando em síntese: Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Afirma que a fiscalização glosou custos com insumos que são aplicados e consumidos no processo produtivo, bem como não considerou o fato de que é Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 535 4 agroindustrial e que seu processo produtivo se inicia na lavoura e termina na comercialização. Os créditos pleiteados foram constituídos sobre matéria prima e produtos intermediários adquiridos de fornecedores regulares e todos foram submetidos ao processo de industrialização, consumindose ou desgastandose integralmente no decorrer do processo produtivo. Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/COFINS, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de nãocumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e COFINS, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no §12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/COFINS, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Material Intermediário Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, é totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde se tem o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 estão eivadas de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois os bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 536 5 Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornaremse usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento? A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita nãocumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 537 6 O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitandose o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A 16ª Turma da DRJ/RJ1, no Acórdão n° 1263.443, manteve as glosas dos créditos, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 538 7 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da COFINS nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 539 8 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. a) Material Intermediário Serviço de Manutenção Informa a fiscalização que da análise de notas fiscais, constatouse que os gastos não se referiam a aquisição dos insumos matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar. Dentre eles, a fiscalização apontou diversos gastos destinados a despesas com manutenção de veículos, caminhões, ônibus, pneus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus etc. e despesas diversas. A Recorrente por sua vez aduz que as suas atividades vão do plantio de cana deaçúcar, passando pela fabricação de açúcar e álcool, até a comercialização de tais produtos, e que as glosas levadas a efeito pela fiscalização se mostraram insubsistentes, já que não foram considerados os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo como um todo. Descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 540 9 É equivocado o entendimento fiscal de que os gastos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial A fiscalização afirmou que tal rubrica referese a produtos e serviços consumidos no processo produtivo industrial, tais como partes e peças de máquinas, serviços de reparo em maquinário etc. No entanto, dentre eles, a fiscalização encontrou alguns gastos com bens que não teriam sido diretamente consumidos na fabricação dos bens destinados à venda e que, portanto, não se enquadrariam no conceito de insumos. Para tanto, cita os gastos com construção civil, serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas, cimento, etc. A Recorrente sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. a.3) Frete A fiscalização glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3°, §3°, da Lei n° 10.833/2003. Aduz também que os fretes teriam sido pagos a pessoas físicas. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 541 10 Conforme tal planilha, a base de cálculo dos créditos foi apurada com base nos valores correspondentes a 1/48 ou 1/24 do valor de aquisição do bem. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: 1/48 de valores referentes a bens adquiridos antes de 01/05/2004, e valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, II, da Lei n° 10.837/2002, art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004; bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo, como por exemplo, destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool etc.; bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e nãocumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, mesa alimentadora etc. Diante disso, ficou consignado os motivos das glosas, bem como que a maior parte delas se deu em função da exclusão de bens cujas datas de aquisição não estão compreendidas no período permitido pela legislação. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Há duas situações distintas: a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos e a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 542 11 A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 543 12 Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canadeaçúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver que as despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 544 13 a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo. b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos. c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos. d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas. e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915912/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.774
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 12 /2 01 3- 04 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.387 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 366DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.007556/2006-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO LEGÍTIMA DO FISCO.
Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos.
Numero da decisão: 9303-008.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente GRAFICA A UNICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO LEGÍTIMA DO FISCO. Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 75 56 /2 00 6- 53 Fl. 364DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico PERD/COMP nº 26964.02657.090204.1.1.017604, no montante originário de R$ 8.576,43, referente ao quarto trimestre do ano de 2003, de acordo com o pedido de ressarcimento original de efls. 02 a 35, efetuado em 09/02/2004. O crédito deste pedido foi utilizado como base para declarações de compensação de débitos diversos. A Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro da DRF em Recife PE, no Termo de verificação Fiscal às efls. 165 a 195, refez a apuração dos saldos do IPI da contribuinte , com a realização de diversos ajustes, não reconhecendo a integralidade do crédito pleiteado. Com base naquele Termo, , foi emitido o Despacho Decisório de efl. 201, em 14/12/2006, deferindo em parte o ressarcimento relativo ao saldo credor acumulado do IPI referente ao 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 35,91, que foi integralmente utilizado na compensação do PER/DCOMP nº 03258.13830.110804.1.3.018793, de efls. 37 a 53, permitindo sua homologação parcial. Nada restando de saldo, a compensação do PER/DCOMP nº 19337.66404.110804.1.3.011489, de efls. 55 a 71, não foi homologada. Intimada (efl. 223) do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 225 a 239, na qual apenas se insurgiu quanto à correção, pela aplicação da taxa Selic, dos créditos por ela apurados. Já a 1ª Turma da DRJ/SDR, em 04/12/2007, apreciou os pleitos da contribuinte, e elaborou o acórdão nº 1514.425, às efls. 254 a 262, que indeferiu as solicitações da manifestação de inconformidade. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 03/03/2008, às efls. 273 a 287. Reitera os termos da Manifestação de inconformidade e invoca o art. 108, inc. I, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966, Código Tributário Nacional CTN, para que se aplique analogicamente a Lei nº 9.250, de 26/12/1995, e a Lei nº 9.430, de 27/12/1996 e se adicione juros calculados pela taxa Selic ao valor do ressarcimento de créditos de IPI já autorizado. Lembra a vinculação à lei da administração Pública, consoante o art. 37 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CRFB/88. A 3ª Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 29300.084, apreciou o recurso em 21/11/2008, às efls. 295 a 299, e, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Tal julgado teve a seguinte ementa: RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. O referido acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os Membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, para indeferir a atualização monetária ao valor do ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Luis Guilherme Queiroz Vivacqua. e Andréia Dantas Lacerda Moneta. Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 29300.084, em 26/06/2009 (e fl. 339), e interpôs recurso especial de divergência às efls. 307 a 319, em 10/07/2009. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 19647.007556/200653 Acórdão n.º 9303008.138 CSRFT3 Fl. 365 3 Esgrime a divergência com os acórdão paradigmas nº CSRF/0201.414, de 08/09/2003, e nº CSRF/0201.621 de 23/03/2004, os quais admitem a atualização dos créditos a serem ressarcidos com base na taxa Selic, em frontal divergência ao acórdão recorrido que não admitiu tal incidência. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho de efls. 341 e 342, em 13/12/2012, analisou o recurso especial, concluindo por darlhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, pois, apesar de a questão, desde 04/04/2011, já se encontrar pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, o recurso fora apresentado em data anterior a tal pacificação. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de efls. 341 e 342, em 25/11/2014 (efl 343), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da contribuinte, às efls. 344 a 352, em 28/11/2014. O Procurador argumenta que a legislação aplicável só prevê a incidência de correção e juros, pela taxa Selic, pleiteada pela contribuinte, nos casos de restituição, não de ressarcimento, pois naquele caso houve pagamento indevido, neste, benefício, por renúncia fiscal, sujeito a interpretação restritiva . Seu argumento discrepa frontalmente do entendimento do sujeito passivo quando este afirma que o caso não trata de restituição do IPI em face de resistência ilegítima ao seu aproveitamento, por parte do Fisco, cuja correção monetária já fora definida até mesmo em Súmula do STJ, mas de ressarcimento. Os créditos em litígio são escriturais, apurados por meio do encontro de contas, utilizados pelo contribuinte em momento que lhe é oportuno, tais créditos só merecem correção se o Fisco opuser resistência ilegítima a sua utilização, isto não ocorreu no caso concreto. Assim, incabível alargar o alcance da referida Súmula para situação dos presentes autos. Ao final, o Procurador pleiteia que seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e pro isso dele conheço. Do Termo de verificação Fiscal, às efls. 165 a 195, está a informação de que o processo em apreço, faz parte de um procedimento de fiscalização destinado à apuração de créditos para ressarcimento e compensação de diversos períodos de apuração, deles se originando diversas PER/DECOMP e processos fiscais; às efls. 182 a 193, estão indicados os períodos correspondentes a todos os créditos, bem como as numerações dos outros processos. Fl. 366DF CARF MF 4 Diversas irregularidades encontradas na escrituração da contribuinte, bem como na emissão de Notas Fiscais sem o lançamento devido do IPI , levou à recomposição dos saldos da escrituração do IPI e até mesmo à lavratura de Auto de Infração, contido no processo nº 19647.006788/200694. Naquele processo, há detalhamento de irregularidades que levaram a fiscalização à informar, à efl. 171, in fine, e 172: Logo, fica evidente que, diante dos erros citados e descritos pormenorizadamente no Auto de Infração de IPI, devese reconhecer que o saldo credor apurado originalmente pelo contribuinte em sua escrita fiscal do IPI não era o resultado decorrente de uma apuração regular do IPI e faziase necessário reconstituir a escrita fiscal da empresa, com a correta apuração dos saldos credores e devedores do período, considerando a totalidade dos débitos da empresa e alocando os lançamentos dos "ressarcimentos de créditos" nos períodos de apuração corretos. (Negritei.) Observase que a contribuinte não ataca a correção do procedimento, que alterou os créditos, por qualquer falha jurídica ou fática, mas pleiteia juros compensatórios pela taxa Selic como se de restituição se tratasse. Por isso cabe notar o que foi informado pela fiscalização à efl 172, no seu segundo parágrafo: O contribuinte, apesar de não ter se creditado de tais juros compensatórios na sua escrita fiscal, ao apresentar o processo incluiu tal acréscimo sobre o valor de cada crédito original, como se a Fazenda Nacional estivesse em mora com ele desde a data de entrada do insumo industrial. (Grifos meus) Nos julgados neste processo, até o momento atual, a contribuinte não logrou comprovar a existência de créditos em valores distintos daqueles apurados pela fiscalização. Ou seja, a resistência do Fisco à concessão dos créditos pleiteados foi absolutamente legítima. Em decisão lavrada nessa 3ª Turma, em 24/01/2019, a matéria foi enfrentada de forma percuciente no voto que conduziu a decisão unânime do acórdão nº 9303007.916, da lavra do i. Conselheiro Jorge Olmiro Locke Freire, cujos argumentos que peço vênia para reproduzir: Vem se consolidando de forma majoritária nesta Turma da CSRF que só há que se falar em aplicação de taxa SELIC quando restar caracterizada a oposição estatal ao pedido de ressarcimento1. No caso em tela, do pleito total no valor histórico de R$ R$ 893.371,13, foi deferido o valor de R$ 763.978,51. Portanto, só há que se falar em oposição ao valor correspondente à diferença entre o pedido e o deferido. Notamos uma única diferença em relação ao que aqui se discute, os valores. No presente processo o pleito da contribuinte foi era de R$ 8.576,43, e o reconhecido para compensação de R$ 35,91. Daí se prossegue: A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. No âmbito das turmas de julgamento do CARF têm se reconhecido Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19647.007556/200653 Acórdão n.º 9303008.138 CSRFT3 Fl. 366 5 sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados referidos estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Dessa leitura, concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco ao aproveitamento de referidos créditos permite que seja reconhecida a incidência da atualização monetária pela aplicação da taxa Selic. Porém, para a incidência da correção que se pretende, há que existir, necessariamente, o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento, com causas de pedir diversas, temse que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto, somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima mencionadas. Porém, não é a hipótese dos autos, pois o contribuinte não litigou quanto à parte não reconhecida pelo Fisco. E quanto ao termo inicial para aplicação da taxa SELIC, dos repetitivos a que aludi o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Em consequência, manifestouse que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Contudo, no presente caso, o contribuinte não se insurgiu contra o valor indeferido, portanto não há que se falar em atualização monetária de valor incontroverso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 368DF CARF MF 6 Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
