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Numero do processo: 13819.001201/2005-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1003-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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Numero do processo: 11891.000289/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/12/2007
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente.
MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 75. APLICABILIDADE
A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente,alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo.
Numero da decisão: 3302-006.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para excluir do lançamento a multa de ofício, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que negava provimento
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 10/12/2007 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 75. APLICABILIDADE A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente,alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para excluir do lançamento a multa de ofício, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que negava provimento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 75. APLICABILIDADE A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente,alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para excluir do lançamento a multa de ofício, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que negava provimento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 02 89 /2 00 8- 51 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11891.000289/200851 Acórdão n.º 3302006.049 S3C3T2 Fl. 124 2 Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 98106: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 30/06/2008 (folhas 02 a 22) para constituição e exigência de crédito tributário no valor total de R$130.547,48, referente a Cofinsimportação, a PIS/Pasepimportação e ao IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. O total do crédito corresponde a tributos, multa de ofício e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação 01 (um) equipamento de TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA Brightspeed Excel 4 Slice Edition, amparada pela Declaração de Importação DI nº 07/17152680, registrada em 10/12/2007. O importador em epígrafe impetrou mandado de segurança com pedido de liminar na 21ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial n° 2008.38.00.0006517, objetivando o desembaraço aduaneiro fundamentado na imunidade constitucional tributária, sem a exigência do recolhimento dos tributos IPI, Cofins Importação, PISImportação e ICMS, porém sem a apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS dentro do prazo de validade. A liminar foi deferida em 16/01/2008, portanto, após o registro da declaração de importação em questão e antes da lavratura do presente auto de infração. O crédito tributário foi lançado através do presente auto de infração com multa de oficio pela exclusão da espontaneidade do importador, visando a prevenir os efeitos da decadência, e está com a exigibilidade suspensa pela liminar concedida em mandado de segurança, conforme processo judicial em referência (art. 151, inciso IV do Código Tributário Nacional). Cientificada do lançamento, a empresa autuada apresentou tempestivamente a sua defesa, com as seguintes alegações, em síntese: é entidade de assistência social, sem fins lucrativos, e o tributo referenciado está sendo discutido na via judicial, como já admitido pela Auditora Fiscal na lavratura do auto de infração, razão pela qual não cabe nova discussão sobre o tema na via administrativa, eis que a decisão judicial é soberana e faz coisa julgada. Transcreve decisões e Súmulas do então Conselho de Contribuintes; a imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “c” da Constituição Federal/88, delimita área situada à margem do alcance impositivo dos legisladores dos três entes federativos, por força e vontade do Legislador Constituinte Originário; cita doutrina sobre o artigo 9º, inciso IV, alínea “c” do CTN e argumenta que cumpre todos os requisitos legais para o gozo da imunidade em tela; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11891.000289/200851 Acórdão n.º 3302006.049 S3C3T2 Fl. 125 3 o Ato Declaratório do PGFN nº 9, de 16/11/2006, também trata do tema da imunidade, e dispensa a apresentação de contestação e a interposição de recursos, autorizando a desistência dos já interpostos, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que a imunidade prevista na CF/88 acoberta o II e o IPI, desde que a instituição de assistência social, sem fins lucrativos, utilize os bens na prestação de seus serviços específicos. Assim, fica mais nítida a improcedência do auto de infração, haja vista a falta de interesse de agir do Fisco; uma vez inexistente o Auto de Infração o principal não pode ser cobrado, por esse motivo não subsistem os acessórios, ou seja, os juros de mora; a exigibilidade do crédito estava suspensa por liminar concedida em mandado de segurança (MS), por esse motivo, o procedimento administrativo de constituição do crédito tributário deve submeterse ao art. 63, da lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Transcreve esse dispositivo; pondera que a suspensão da exigibilidade ocorreu nos termos do art. 151, IV do CTN, por liminar em Mandado de Segurança, anterior a qualquer procedimento administrativo para a constituição dos créditos tributários em análise, obedecendo ao §1° da norma acima citada; assim, a incidência da multa de mora está interrompida desde a concessão da liminar, até 30 (trinta) dias após a data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição e em obediência ao Principio da estrita Legalidade, não pode subsistir a cobrança de juros de mora no presente auto de infração, pois é juridicamente impossível a sua cobrança, conforme norma citada. Colaciona trechos de decisões do então Conselho de Contribuintes e do TRF. não é proporcional, nem razoável a cobrança da multa proporcional. hão de ser considerados ilegais os valores cobrados a titulo de juros de mora e multa proporcional, porque, como já demonstrado, o presente auto de infração não deve subsistir, por isso os acréscimos legais, por serem acessórios, também não poderão existir. Por fim, requer o acolhimento das suas razões, para que o Auto de Infração seja julgado improcedente e arquivado. Em 28 de outubro de 2015, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/12/2007 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. As matérias submetidas à via judicial devem ter o crédito tributário lançado, pois a atividade do lançamento é obrigatória e vinculada em relação à autoridade fiscal. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11891.000289/200851 Acórdão n.º 3302006.049 S3C3T2 Fl. 126 4 TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO OU RECOLHIMENTO. ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. Nos casos de lançamento de ofício a multa deve ser lançada quando não houver pagamento ou recolhimento espontâneo do tributo devido dentro do prazo legal. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. Intimada da decisão em 13.11.2015 (fls.108), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30.11.2015 (fls. 111118), alegando, em síntese, os seguintes tópicos: (i) imunidade tributária vedação absoluta ao poder de tributar; (ii) na inaplicabilidade do juros de mora; e (iii) da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 27.08.2014 (fls.193) e protocolou Recurso Voluntário em 10.09.2014 (fls. 180186) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inexigibilidade do Crédito Tributário Pendência de discussão judicial sobre a imunidade Neste ponto, assevera o Recorrente que o mérito da matéria (exigência principal, consistente na inexigibilidade dos tributos incidentes na importação em razão da imunidade do contribuinte está pendente de decisão judicial, logo inexigível o principal, não há que se falar em exigência de seus acessórios (juros de mora e multa). De fato, uma vez afastada a obrigação principal relativa ao pagamento dos tributos, tornase inexigível a cobrança de juros de mora e multa de ofício. Entretanto, considerando que a Recorrente levou a matéria sobre a incidência do imposto nas operações sob análise ao judiciário, fica este relator impedido de apreciar os argumentos explicitados pela Recorrente, em razão da renúncia a esfera administrativa. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11891.000289/200851 Acórdão n.º 3302006.049 S3C3T2 Fl. 127 5 II.2 Juros de Mora e Multa de Ofício A Recorrente, em síntese apertada, afirma que o Auto de Infração foi lavrado posteriormente à concessão da liminar que suspendeu a exigência do crédito tributário, requerendo, por estes motivos, a exclusão da multa de ofício e do juros de mora. Ao contrário do explicitou a Recorrente, o procedimento fiscal tem início com o começo do despacho aduaneiro da mercadoria importadora e, não com o lançamento fiscal. É o que se extrai do inciso III, do artigo 7º, do Decreto nº 70.235/72. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O lançamento referiuse a Declaração de Importação registrada em 10.12.2007, cujo desembaraço aduaneiro ocorreu em 17.01.2008, por força da medida liminar concedida em 16.01.2008, no Mandado de Segurança nº 2008.38.00.0006517, da Décima Terceira Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais. O lançamento foi efetuado para cobrança de R$ 130.547,48 de Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/COFINS Importação, em valores originais, acrescidos ainda de juros de mora e multa de ofício de 75%. Depreendese, inicialmente, que a decisão que suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários ocorreu após o registro da DI e antes de efetuado o desembaraço aduaneiro, estando, pois, a recorrente sob procedimento fiscal, de acordo com os artigos 411, 413 e 450, §1º do Decreto nº 91.030/85 e artigo 7º, inciso III do Decreto nº 70.235/72. O fato, por si só, afastaria o instituto da denúncia espontânea, sendo, assim, exigível a multa de ofício. Entretanto, verificase que a autuação somente ocorreu em 14.07.2008, portanto, decorridos mais de sessenta dias do encerramento do procedimento fiscal, tendo o desembaraço aduaneiro efetuado em 17.01.2008. Não há nos autos indicação que entre 17.01.2008 e 14.07.2008, a recorrente tenha sido intimada da continuidade do procedimento fiscal, como preconizado pelos §§1º e 2º do artigo 7º do Decreto 70.235/72. Assim, a recorrente readquiriu sua espontaneidade, devendo no caso incidir a Súmula CARF nº 75, ou seja, os atos praticados passam a sofrer os efeitos da espontaneidade de forma ex tunc, ou seja, desde o início da ação fiscal. Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11891.000289/200851 Acórdão n.º 3302006.049 S3C3T2 Fl. 128 6 aplicase retroativamente,alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Neste cenário, inaplicável a multa de ofício. Já em relação ao juros de mora, por inexistir depósito judicial, aplicase ao caso a súmula nº 05 deste Conselho, a saber: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). III Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para excluir do lançamento a multa de ofício. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720390/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.982
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 03 90 /2 01 3- 34 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08033.735 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11080.720390/201334 Acórdão n.º 3402005.982 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721727/2014-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2011
Multas Isolada e de Ofício. Concomitância. Impossibilidade.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do tributo, devendo subsistir, nesses casos, a multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários somente em relação às multas isoladas em face dos pedidos de desistência parcial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhes provimento para cancelar a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, restando prejudicados os recursos dos coobrigados no que diz respeito à responsabilidade tributária que lhes foi atribuída, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por negar provimento aos recursos. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Concomitância. Impossibilidade. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do tributo, devendo subsistir, nesses casos, a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários somente em relação às multas isoladas em face dos pedidos de desistência parcial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, darlhes provimento para cancelar a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, restando prejudicados os recursos dos coobrigados no que diz respeito à responsabilidade tributária que lhes foi atribuída, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por negar provimento aos recursos. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 17 27 /2 01 4- 42 Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.125 2 Relatório VENBO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, na condição de contribuinte, RICARDO FIGUEIREDO BOMENY e RÔMULO BORGES FONSECA, na condição de responsáveis tributários, recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão 0651.477 lavrado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba que julgou improcedentes não só a impugnação por ela apresentada, mas também as impugnações interpostas pelos coobrigados. Os autos de infração de fls. 2.0062.051 exigem R$7.444.424,15 a título de imposto de renda pessoa jurídica e, R$3.191.720,63 a título de contribuição social sobre o lucro líquido, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e juros moratórios, além de exigir multa de ofício isolada, para os anos calendário de 2009 e 2011, decorrente da falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de calculo estimada, perfazendo o crédito tributário total de R$33.720.425,26, calculado até o mês 06/2014. As infrações imputadas relativamente ao IRPJ são: i) glosa de despesas não comprovadas; ii) amortização de valores não amortizáveis; iii) glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a ágio; iv) glosa de provisões para contingências trabalhistas; v) lucro operacional escriturado e não declarado/tributado e; vi) multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. As infrações imputadas com relação à exigência da CSLL são: i) glosa de despesas não comprovadas; ii) glosa de despesas operacionais/encargos não dedutíveis; iii) glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a ágio e; iv) glosa de provisões para contingências trabalhistas. Na sessão de 03 de maio de 2016, por meio da Resolução nº 1402000.360, determinou o retorno dos autos retornem à Unidade Local a fim de que os coobrigados fossem intimados da decisão de primeira instância retomandose o rito processual a partir de então. Os autos retornaram para relato. Cumprida a diligência, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. Por meio da Resolução nº 1402000.426, sessão de 22 de março de 2017, o julgamento foi novamente convertido em diligência, em relação às infrações relativas à glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a ágio, à glosa de provisões para contingências trabalhistas e ao lucro operacional escriturado e não declarado/tributado, decidiuse converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem se pronunciasse sobre o Parecer de fls. 36523738 apresentado pelos Recorrentes. Os autos foram novamente encaminhados à unidade de origem, que elaborou o Relatório de Diligência de fls. 40854109. Intimada a se manifestar sobre esse expediente, a pessoa jurídica autuante, por meio da petição de fls. 41184120, assim se pronunciou: Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.126 3 [...] Em cumprimento à decisão da 4ª Câmara, a fiscalização instou, através do termo de diligência às fls. 4.017 e ss., em 26 de outubro de 2017, a Recorrente a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, documentos e esclarecimentos adicionais. 4. Sucede que, no curso do referido prazo, em 30 de outubro de 2017, a Recorrente optou pela inclusão parcial do crédito discutido nos autos no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), nos termos do art. 5º, §1º, da Lei nº 13.946/2017, e do art. 8º, §1º, da Instrução Normativa RFB nº 1.711/2017, conforme formulários às fls. 4.046 e ss., com a manutenção da discussão apenas no que se refere às multas isoladas lançadas sobre estimativas de IRPJ e CSLL dos anos de 2009 e 2011 (Códigos de Receita: 1.632 e 1.649). 5. Conquanto seja evidente, pois, a perda de objeto da referida diligência e mesmo ciente da desistência parcial, conforme registrou à fl. 4.086, a fiscalização, em 06 de abril de 2018, promoveu a elaboração de relatório “para fornecer subsídios para o julgamento” (!?), seguida pela notificação da Recorrente para manifestação. 6. Data maxima venia, causa perplexidade, diante do elevado gabarito dos agentes fiscais e da escassez dos recursos públicos, o fato de a fiscalização despender aproximadamente seis meses, além de recursos, na prática de ato inútil ao feito, como se a defesa da autuação fosse matéria de cunho pessoal. 7. Esse fato corrobora a existência de vício procedimental destacado pela Recorrente desde sua impugnação (em especial, nos itens 14, 15, 20, 21 e 22 às fls. 3.163 e 3.164), consubstanciado no desrespeito à impessoalidade que rege a atuação do agente público. 8. Nesse cenário, com vistas a evitar maior morosidade no julgamento do feito – há cerca de um ano na DRF (!) em virtude de atos absolutamente desnecessários, contrários ao princípio da eficiência, da impessoalidade e celeridade, a Recorrente requer seja desconsiderado o teor do relatório de diligência, dado que houve a evidente perda de objeto, e seja dado prosseguimento ao trâmite de seu recurso voluntário para julgamento quanto à ilegalidade da cominação de multas isoladas no caso em apreço, matéria ainda em discussão. Corroborando o manifestado pela pessoa jurídica autuada, de fato, constam às fls. 4046, 4070 e 4077 requerimentos, apresentados pelo contribuinte e pelos coobrigados, de desistência parcial dos recursos apresentados relativamente ao IRPJ, CSLL e multa qualificada, ou seja, mantendose a discussão exclusivamente em relação à exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. É o relatório. Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.127 4 Voto Vencido Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Em relação aos recursos voluntários o mesmo mostrase tempestivo e assinados por procuradores devidamente habilitados. Nas duas resoluções proferidas, os recurso foram considerados tempestivos. Contudo, em face dos pedidos de desistência parcial, deixo de conhecer dos recursos em relação às exigências de IRPJ e CSLL, bem como no que diz respeito à multa de ofício qualificada, ou, em outras palavras, conheço do recurso somente em relação às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. 2 MÉRITO 2.1 DAS INFRAÇÕES QUE DERAM ENSEJO ÀS EXIGÊNCIAS DE IRPJ E DE CSLL No acórdão 1402002.180, que tratava da mesma operação a que se refere o presente processo relativo ao “ágio” amortizado nos anoscalendário de 2007 e 2008, assim me manifestei: Tratase de operações levadas a efeito por empresas do grupo Bob´s que redundaram na presente exigência. Em 09/12/2005 pessoa jurídica autuada (VENBO) era controlada (99,99%) por BRAZIL FAST FOOD, empresa domiciliada no exterior. O restante ínfimo das ações era de propriedade dos coobrigados, ora Recorrentes. Em 25/11/2005 foi constituída a empresa 22N (capital social de R$ 1.000,00), cujos sócios são prestadores de serviços de consultoria e planejamento tributário. Outra empresa envolvida na operação é PERONIA, constituída em 14/08/2006 com o mesmo capital social e mesmos sócios de 22N, situada no mesmo endereço em que um de seus sócios presta serviços de consultoria. O endereço eletrônico desse mesmo sócio, ao menos até o anocalendário de 2013 constava no cadastro do CNPJ de VENBO como sendo o correio eletrônico dessa própria pessoa jurídica. Em 11/12/2006 ocorre alteração no quadro societário de 22N, retirandose seus sócios (consultores) e ingressando em seus quadros BRAZIL FAST FOOD e os ora coobrigados. Um dia após, 12/12/2006, BRAZIL FAST FOOD aumenta o capital de 22N em R$ 54.000.000,00 mediante conferência da totalidade das quotas de VENBO que até então detinha. A esse respeito, assim consta no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.128 5 Cabe observar que o expressivo aumento de capital na 22N, no valor de R$54.000.000.00, não decorreu de qualquer transação de compra e venda, posto que ninguém pagou algo a alguém, tratandose de mera reavaliação do ativo que representava as quotas da VENBO, decorrente de acordo interno entre os sócios comuns à 22N e à VENBO, sem qualquer agente externo, portanto, não há que se falar em geração ou pagamento de ágio nesta transação. Contudo, em tal operação, 22N passou a registrar ágio. Foi apresentado laudo de rentabilidade de futura que atestaria tal montante. Como decorrência, em 13/12/2006 foi formalizada a retirada de BRAZIL FAST FOOD como sócia de VENBO, que passou a ser controlada diretamente por 22N no Brasil, e indiretamente pela empresa situada no exterior. Alegam os Recorrentes que houve recolhimento de ganho de capital em razão de tal integralização de capital (recolhido por 22N) em razão de o aumento de capital ter sido realizado em valor superior ao constante nos cadastros do BACEN (recolhimento de R$ 284.324,88). Um dia após (14/12/2006), 22N ingressa nos quadros de PERONIA em substituição de seus sócios consultores, utilizando para tanto as ações de VENBO, com os mesmos valores antes vertidos para a própria 22N, passando o ágio então contabilizado a compor o ativo de PERONIA, então controladora direta de VENBO. Mais quatro dias se passaram (18/12/2006) e os sócios administradores de VENBO (ora coobrigados) firmaram protocolo de incorporação assumindo o compromisso de aprovar a incorporação de PERONIA por VENBO (pessoa jurídica autuada). Foi elaborado laudo de avaliação do patrimônio líquido de PERONIA quatro dias após decisão de incorporação (22/12/2006). A esse respeito, a Fiscalização assevera que a autuada, [...] apesar de expressamente intimado, deixou de apresentar os livros DIÁRIO, CAIXA e LALUR de 2005, 2006 e 2007 da empresa PERONIA, de modo que o esclarecimento sobre os lucros acumulados também não pôde ser obtida nos livros contábeis. Ressaltese que a curiosidade desta fiscalização sobre a origem dos lucros acumulados na PERONIA, no valor de R$35.640.000,00, decorre da estranheza causada pela existência de lucros acumulados em uma empresa que sequer chegou a operar, evidenciando o planejamento tributário abusivo, posto que as transações não mantêm coerência com os documentos emitidos para darlhes ares de veracidade. A falta de veracidade nos documentos atinge seu ápice no laudo que avaliou em R$18.361.000,00 o patrimônio liquido da PERONIA em 30/11/2006. posto que, que nesta data a PERONIA ainda possuía capital de R$1.000,00 e ainda Fl. 4128DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.129 6 pertencia aos sócios EDUARDO DUARTE E ROGÉRIA DE CÁSSIA, uma vez que sua 1a alteração social foi assinada somente em 14/12/2006. Por fim, o planejamento tributário é consumado em 29/12/2006. na 25a alteração da VENBO, na qual ocorre a incorporação da PERONIA na VENBO, cujo capital é aumentado em R$18.361.000,00, valor do patrimônio liquido da incorporada. No mesmo instrumento ocorre o ingresso da 22N. a título gracioso, ficando a mesma com R$27.643.003.27 do capital da VENBO. e RÓMULO BORGES DA FONSECA e RICARDO FIGUEIREDO BOMENY com R$0.01 cada. O CONTRIBUINTE aproveita esta última transação para considerar como ágio amortizável o valor de R$35.640.000,00. correspondente à diferença entre o fictício valor de aquisição da PERONIA. R$54.000.000,00 e o seu patrimônio líquido R$18.361.000,00 [...] Para os Recorrentes, a reestruturação levada a efeito teve o condão de criar uma holding no Brasil, pois a manutenção do investimento diretamente controlado por BRAZIL FAST FOOD sediada no exterior estaria trazendo dificuldades às operações do grupo, como, por exemplo, a obtenção de empréstimos por parte de VENBO em instituições financeiras no Brasil, situação que seria revertida com a criação de uma holding no Brasil (22N, posteriormente denominada BBFC DO BRASIL). Além disso, antes das reestruturações societárias, VENBO estaria com patrimônio líquido negativo, o que também lhe acarretava dificuldades operacionais e estratégicas (operações de crédito, atração de investimentos, etc.), percalço que também seria superado com a criação de uma holding no Brasil, controlando diretamente VENBO. Aduz ainda que na reunião do Conselho de Administração da controlada no exterior tratouse de um projeto estrutural que levaria à separação de VENBO em uma firma franqueadora e outra com a operação de lojas próprias, já que, naquele momento, ambas operações se davam sob a guarida da própria VENBO. Esse teria sido o motivo da utilização de PERONIA. Contudo, alega que a “etapa seguinte, que consistia na cisão da VENBO com a segregação das atividades, mostrouse inviável naquele momento”. Cita como exemplo a ata o registro na ata de reunião do Conselho de Administração da BFF Corp realizada em 05/09/2007 em que se informou que um dos impedimentos viria da impossibilidade de VENBO obter certidão negativa de débitos previdenciários necessária para a realização de tal ato. Considerando tais fatos, entendo já ser suficiente o julgamento do feito. Conforme se observa, estamos diante de evidente tentativa de amortização de valores classificados pela autuada como ágio. Mesmo que assim fosse, estaríamos diante do denominado ágio interno, formado em operação realizada por partes absolutamente dependentes e sem qualquer desembolso de recursos. Fl. 4129DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.130 7 Sobre o ágio interno, convém transcrever a fundamentação do voto condutor do aresto recorrido: O doutrinador Marco Aurélio Greco (“Planejamento Tributário”, Editora Dialética), já citado neste voto, ao enumerar algumas modalidades de planejamentos tributários com escassas chances de oposição contra o Fisco, também se posiciona contrariamente à figura do ágio sobre si mesmo: “Capítulo XVI – Operações Preocupantes XVI.1. Razão desta Denominação A experiência no campo do Direito Tributário mostra que, muitas vezes, surgem casos em que são desenhadas determinadas operações que exigem uma particular atenção do intérprete antes de emitir um pronunciamento quanto à sua oponibilidade ou não contra o Fisco. Como reiteradamente exposto, uma conclusão só pode ser emitida à vista de cada caso concreto e diante das múltiplas circunstâncias que o cerca, não apenas no plano da formulação abstrata da operação, mas também, à vista da história que cerca aquele determinado contribuinte (seu perfil e relevância, o empreendimento concreto, condutas anteriores que tenha realizado etc.). Não obstante as conclusões dependam do caso concreto, existem algumas situações que, por si só, recomendam especial atenção, pois geram preocupação aos que diante delas se encontram. Por isso, será feita uma singela enumeração destas situações, sem que isto esgote o conjunto de hipóteses que podem gerar preocupação aos que atuam nessa área. (...) XVI.10. Ágio de si Mesmo Por vezes, quando uma pessoa adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio líquido. Ocorre que, num momento posterior à aquisição, por vezes sucede de ser feita uma incorporação às avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio na aquisição da participação societária. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual ele se reporta. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga Fl. 4130DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.131 8 controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um ‘ágio de si mesmo’, o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feitio.” (Grifamos). Esse impedimento decorre da Ciência Contábil e foi consagrado pelo Conselho Federal de Contabilidade que o enunciou, expressamente, como consequência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante art. 7º da Resolução CFC nº 750/1993, em sua redação original: “SEÇÃO IV O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único. Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada; V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.” O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 para aprovar a NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aplicável aos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008, cujo item 120 determina expressamente: “O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” (Grifamos) Fl. 4131DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.132 9 Mais recentemente, em 25/11/2010, o Conselho Federal de Contabilidade aprovou a NBC TG 04 – Ativo Intangível, que tem por base o Pronunciamento Técnico CPC 04 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, no qual foi definido o tratamento contábil de ativos intangíveis e determinado que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo: “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade.” (Grifamos) Por oportuno, esclareço que a argumentação dos Recorrentes que não se pode utilizar normas expedidas após a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária em questão não prospera, pois não se trata de qualquer norma legal, mas sim interpretações sobre toda a legislação já existente à época da ocorrência dos fatos geradores. Retornando ao cerne da questão, mesmo em períodos em que este colegiado, com composição absolutamente distinta da atual, possuía um entendimento mais favorável à amortização de ágio (por exemplo, mediante utilização de empresa veículo), exigiase que: (i) o ágio efetivamente fosse efetivamente pago; (ii) o ágio houvesse surgido em operação entre empresas não ligadas; (iii) o ágio estivesse calcado em laudo que comprovasse a expectativa de rentabilidade futura. Fl. 4132DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.133 10 No caso concreto, resta evidente que não foram cumpridas duas dessas etapas, uma vez que a operação foi realizada entre partes ligadas e sem qualquer desembolso. Por isso, entendo que aqui sequer se pode falar de ágio, pois se tratou, a toda de evidência, de operação absolutamente artificial a fim de que o ágio pudesse ser amortizado por VENBO. Vejase que todas as operações narradas se deram em curtíssimo lapso temporal (18 dias, entre 11 e 29/12/2006), e, embora a criação de 22N pudesse até mesmo ser justificada diante das questões operacionais citadas (mas não o ágio nos termos formados e posteriormente amortizado), o mesmo não se pode dizer da interposição de PERONIA. PERONIA efetivamente compôs a estrutura organizacional do grupo por 15 dias sem ter realizado qualquer operação. Sequer foram apresentados seus livros contábeis à autoridade fiscal, embora tenham sido intimados para tanto. Tratavase, na realidade, de empresa de prateleira, também denominada empresa veículo, que serviu somente como um meio utilizado para burla da legislação com vistas a reduzir os valores de IRPJ e de CSLL devidos. Os argumentos a respeito da necessidade de separação das operações em duas empresas distintas (operações em lojas próprias do Bob´s em separado das operações em lojas franqueadas) é bastante plausível, mas o cronograma das operações levadas a efeito tornam absolutamente inverossímil a versão trazida pelos Recorrentes: integralizouse capital em PERONIA no dia 14/12/2006 e, quatro dias após, detectouse que seria inviável a cisão de VENBO (protocolo de incorporação é datado de 18/12/2006)? Vejase que a própria justificativa trazida aos autos a respeito da pretensa inviabilidade de cisão de VENBO em razão da ausência de certidão negativa consta somente em ata de reunião do Conselho de Administração da BFF Corp realizada em 05/09/2007, 9 meses após a decisão de incorporação de PERONIA por VENBO. As demais questões trazidas aos autos a respeito dos novos traços legais trazidos pela Lei nº 12.973/2014, em especial em relação à formação e à amortização do ágio, em nada salvaguardam as operações levadas a efeito pela autuada, posto que a utilização de PERONIA se deu absolutamente de forma artificial e sem qualquer outro propósito negocial que não fosse a amortização do ágio também gerado em operação sem lastro financeiro na integralização de capital de 22N. Por isso, sequer lhe dá guarida também o disposto no art. 7º da Lei nº 9.532/97 a respeito da possibilidade de amortização de ágio em caso de extinção do investimento. E, a bem da verdade, se ainda esse fosse o entendimento, não houve, em nenhum momento, extinção do investimento, pois a investidora inicial mantevese no exterior e VENBO, que era sua controlada direta no Brasil antes das operações levadas a efeito, também se manteve operando normalmente. Ou seja, não houve extinção real, confusão patrimonial entre investida e investidora. Houve sim a transferência deliberada de um “ativo amortizável” (pois, como dito alhures, nem de ágio pode ser chamada a mais valia em Fl. 4133DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.134 11 questão) entre empresas do mesmo grupo a fim de que VENBO pudesse amortizar tais valores de seus próprios resultados fiscais sem que qualquer desembolso e operação efetiva entre partes não relacionadas houvesse ocorrido. Por essas mesmas razões, mostrase absolutamente desarrazoada a tese da Recorrente de que mesmo sem a utilização de PERONIA o ágio poderia ser amortizado. Em relação ao desenho das operações realizadas pela autuada, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos, ainda mais na forma como foi engendrada a operação em questão. Não estamos aqui sequer diante de caso de planejamento tributário abusivo, mas sim de evidente caso de evasão fiscal, baseada em atos dolosos e não condizentes com a realidade a fim de minorar a carga tributária da autuada. Por esses motivos, além de entender que deva ser mantida a glosa da despesa, entendo restar caracterizada a fraude a que alude o art. 72 da Lei nº 4.502/64, o que, a teor do que dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430/96, justifica a exasperação da penalidade. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial e fraudulento da autuada. Considerandose que os Recorrentes desistiram das infrações relativas ao mérito da exigência, analisarei a exigência das multas isoladas, e da responsabilidade tributária atribuída aos sócios gerentes, partindose da mesma linha de raciocínio utilizada no citado precedente. 2.2 DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Em razão da infração principal, a autuada deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Há de separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº Fl. 4134DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.135 12 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Considerandose que a Medida Provisória nº 351/2007 que em seu art. 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 – foi editada em 22 de janeiro de 2007 (e posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), as multas isoladas cujos recolhimentos deveriam ter sido realizados antes de tal data não devem mais ser exigidas. No caso concreto, a exigência diz respeito aos anoscalendário de 2009 e 2011, ou seja, a fatos geradores ocorreram todos após o advento da MP nº 351/2007 que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 a que se refere Súmula CARF nº 105. Passo à análise desse novo dispositivo legal. Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. Desse modo, a partir da estimativa devida referente ao mês de dezembro de 2006, cujo vencimento se deu em 31/01/2007, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos Fl. 4135DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.136 13 pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Fl. 4136DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.137 14 Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): [...] Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Fl. 4137DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.138 15 Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Desse modo, após o advento da MP nº 351/2007, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Fl. 4138DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.139 16 Em complemento, e em especial em relação à suposta aplicação do princípio da consunção, transcrevo o entendimento firmado pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em seus votos sobre o tema em debate: Manifesteime em outras ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tãosomente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 4139DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.140 17 Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. 2.3 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Tendo em vista que fui vencido em relação à única infração que implicava exigência de crédito tributário, restam prejudicados os recursos dos coobrigados. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por conheer do recurso voluntário somente em relação às multas isoladas em face do pedido de desistência parcial, e, na parte conhecida, por lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 4140DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.141 18 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator Designado Não obstante o bem elaborado voto do Conselheiro Relator, ouso divergir quanto à possibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício. A matéria já foi examinada por esta Turma, que de forma sistemática vem rechaçando a cumulação das duas multas. Em primeiro lugar, a multa isolada não se destina a apenar omissão de receitas, nem deduções indevidas, exclusões não autorizadas da base de cálculo ou falta de adição ao lucro líquido. Para essas infrações, aplicase a multa de ofício, cobrada juntamente com o tributo, do qual ela é acessório, pois só tem existência em face do tributo devido. Trata se, portanto, de multa vinculada ao tributo, diferente da outra que se exige de forma isolada. A multa isolada, diferentemente da outra, foi instituída para punir os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixam de recolher as estimativas mensais. Isso porque, encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, pois elas têm natureza de antecipação do tributo apurado no final do período. Encerrado o período base, o Fisco só pode exigir o valor efetivamente devido, e não as antecipações. Em resumo, as estimativas só podem ser cobradas no curso do respectivo período de apuração. Até o advento da multa isolada, a norma que determinava o recolhimento das estimativas mensais, àqueles que optassem pelo lucro real anual, não era, na prática, obrigatória, pois destituída de sanção específica para seu descumprimento. Por isso, o recolhimento das estimativas se tornara mera recomendação, a qual o contribuinte atendia se lhe conviesse, porque o descumprimento não tinha consequência. É nesse contexto que surgiu a figura da multa isolada, cujo propósito específico é punir o descumprimento da norma que impõe, aos que optaram pelo lucro real anual, o recolhimento mensal por estimativa ou, opcionalmente, o levantamento de balancete de verificação, visando a suspender ou reduzir a estimativa do mês. Essa, em linhas gerais, é a finalidade da multa isolada. Para tais situações foi concebida, de modo que, aplicála a casos de omissão de receita ou de glosa de despesas, além de ser um desvio, é uma forma de exacerbar a penalidade, sem previsão legal para tanto. A par dessas razões, existe ainda um entendimento de que a aplicação da multa vinculada afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E. Superior Tribunal de Justiça tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a proferida no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS. Fl. 4141DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.142 19 Do voto condutor da decisão, da lavra do eminente Ministro Herman Benjamin, se pode extrair o trecho abaixo: Conforme assentado na decisão agravada, a Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996. Confiramse: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/9/2015). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430 96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. Fl. 4142DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.143 20 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 24/3/2015). A natureza de cada uma das multas e o entendimento pela prevalência do princípio da consunção foram suficientemente debatidos no REsp 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins. Transcrevo, por oportuno, os fundamentos declinados por Sua Excelência: Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, a cobrança da multa de forma conjunta. Fl. 4143DF CARF MF Processo nº 13896.721727/201442 Acórdão n.º 1301003.431 S1C3T1 Fl. 4.144 21 Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Firmado nesses dois fundamentos, afasto a exigência da multa isolada, acompanhando, nas demais questões, o voto do ilustre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 4144DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.678579/2009-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o despacho decisório rejeita o pedido de compensação por ausência de saldo credor e a DRJ mantém esta decisão por ausência de comprovação quanto à correção das retificações realizadas por meio da transmissão de DCTF retificadora.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito à compensação declarada.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3002-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao Recurso voluntário, vencido os conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que votou em dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
(assinado digitalmente).
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o despacho decisório rejeita o pedido de compensação por ausência de saldo credor e a DRJ mantém esta decisão por ausência de comprovação quanto à correção das retificações realizadas por meio da transmissão de DCTF retificadora. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito à compensação declarada. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao Recurso voluntário, vencido os conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que votou em dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 85 79 /2 00 9- 52 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 216 2 (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. (assinado digitalmente). Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 54/58) exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo da Declaração de Compensação Dcomp nº 40160.81216.250309.1.3.048640, por meio da qual a contribuinte em epígrafe realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose do crédito no valor de R$ 41.711,10, relativo ao DARF de Cofins não cumulativa (código 5856), recolhido em 20/05/2008, no valor R$ 665.681,49. Em 23/10/2009, a DERAT São Paulo emitiu o despacho decisório de não homologação da compensação (rastreamento nº 849853195), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins não cumulativa do período de apuração de abril de 2008, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP acima citada. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 09/11/2009 e apresentou, em 09/12/2009, manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Inicialmente, a interessada faz um breve relatos dos fatos e sustenta a tempestividade da manifestação apresentada. No mérito, a contribuinte alega que a contribuição do mês de abril de 2008 foi recolhida em valor a maior do que o devido (no montante de R$ 41.711,10, conforme solicitado na Dcomp). Diz que o referido crédito consta comprovado, tanto no Dacon como na DCTF, os quais foram retificados dentro do prazo legal. Para comprovar suas alegações juntou ao processo cópia da Dcomp e dos citados documentos retificadores. Em face do exposto, pugna pela aplicação dos princípios da legalidade e da verdade material e requer a homologação integral dos débitos declarados na Dcomp.". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 10/13), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório uma vez que "para demonstrar a existência e suficiência do crédito. que extinguiu o débito compensado, a Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 217 3 Manifestante está anexando à presente todos os documentos pertinentes, quais sejam: comprovante de recolhimento gerador do crédito a ressarcir, PER/DCOMP com a respectiva declaração de compensação do débito, DACON e DCTF que evidenciam o montante que era efetivamente devido em contraposição ao quanto recolhido a maior." Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, pois considerou que "o pagamento (DARF de Cofins não cumulativa, recolhido em 20/05/2008, no valor R$ 665.681,49), o qual foi utilizado como crédito (parcial) na Dcomp, foi totalmente utilizado no débito de Cofins não cumulativa do período de apuração de abril de 2008, de acordo com confissão realizada anteriormente em DCTF." seguiu ainda argumentando que "não é porque a contribuinte simplesmente retificou a DCTF antes da ciência do despacho decisório que o direito ao crédito lhe está garantido automaticamente. Se fosse assim estaria instituído uma verdadeira fórmula mágica de proliferação de créditos de contribuintes para com a RFB." conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN)." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 114/125) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista que: a) "a retificação da DCTF (e também da DACON) que comprova a origem do crédito ora pleiteado ocorreu anteriormente a não homologação da compensação em questão e não posteriormente" e, por fim que b) deve se valer "pela busca da verdade material" uma vez que "a Recorrente tem o direito ao crédito objeto da Dcomp em questão". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa principio da verdade material Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 218 4 O contribuinte em seu Recurso Voluntário apresentou pedido de preliminar a fim de ser declarado nulo o Auto de Infração, tendo em vista "que o acórdão proferido pela DRJ comprometeu o direito de defesa da Recorrente". No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).". Considerando que a DRJ deixou de analisar os documentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. Dessa forma, acato a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito De inicio, é valido observar que a DRJ deixou de analisar a certeza e liquidez do crédito tributário alegando que "retificação de valores informados em DCTF não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido. Para tanto, devemse analisar as provas para verificar se houve erro material na elaboração da DCTF que foi utilizada para a emissão do Despacho Decisório." e alegou ainda que "a contribuinte simplesmente, como já se mencionou, juntou ao processo as cópias das retificações do Dacon e da DCTF, desacompanhadas de elementos comprobatórios do “dito” pagamento realizado a maior." À primeira vista, entendo que os documentos juntados pelo contribuinte são suficientes à comprovação do direito creditório pleiteado, ou seja, Dacon (fls. 69/96), DCTF (98/113) e a planilha de apuração da base de cálculo do tributo (fls. 188/190). Importante aqui esclarecer que a retificação da DCTF e da Dacon se deu anteriormente ao Despacho Decisório (23/10/2009 fls. 05), ou seja, em 21/10/2009 (fls. 48) e 22/10/2009 (fls. 41) respectivamente, portanto acerca da regularidade da correção ali realizada pelo contribuinte, entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 219 5 Por oportuno, é válido mencionar que ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho Decisório, o que não ocorreu no caso em tela, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Outrossim, por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/15, a administração tributária se manifestou favoravelmente quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação e depois do indeferimento do pedido, exarado nos seguintes termos: "RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. (...) Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010.". Corroborando com o entendimento acima disposto, conforme Acórdão nº 9303006.266 da CÂMARA SUPERIOR de 25/01/2018, "in verbis": "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).". Sendo assim, uma vez anexada aos autos, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, acolhendo a preliminar levantada, decretando a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, para que esta analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado em relação aos documentos juntados. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 220 6 Voto Vencedor Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora designada: Dada a devida vênia ao voto proferido pelo eminente Relator no caso concreto aqui analisado, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, o que faço com fulcro nas razões postas em sucessivo. 1. Da preliminar de nulidade De início, há de se analisar o argumento preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do seu direito de defesa, apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, cujos fundamentos encontramse transcritos a seguir: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 221 7 Ou seja, alegou a Recorrente que o acórdão recorrido não poderia ser negado o seu pleito de compensação apresentado com base em fundamento distinto do constante do despacho decisório, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa. Ao analisar o caso, é possível constatar que o despacho decisório, de fato, negou o pedido de compensação apresentado sob o fundamento de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins não cumulativa do período de apuração de abril de 2008, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito ali informado. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 222 8 Acontece que, tendo o contribuinte verificado que a inexistência de crédito decorreu, em verdade, de erro na DCTF apresentada, a sua retificação não é suficiente, por si só, à demonstração do equívoco incorrido. É necessário que seja anexado aos autos documentação fiscal/contábil apta a comprovar que àquela informação inicialmente enviada estava incorreta. Destaquese, inclusive, que a comprovação quanto às informações retificadas poderá ser exigida pela fiscalização, para fins de sua aceitação, independentemente de a DCTF retificadora ter sido enviada antes ou depois do despacho decisório. A única diferença relacionada aos casos em que a retificação se deu anteriormente ao despacho decisório é que, em tais casos, é possível que o sistema aceite a compensação automaticamente, caso as retificações já tiverem sido devidamente processadas. Não foi esta, contudo, a situação aqui analisada, em que a retificação da DCTF realizada, embora anterior ao despacho decisório, não foi considerada automaticamente pelo sistema. Nestas situações, em que o sistema acusa divergência, a análise passa a ser realizada pelos fiscais que compõem a DRJ, os quais poderão exigir documentação fiscal/contábil apta à comprovação da correção das retificações realizadas. Sendo assim, penso que a decisão da DRJ que negou provimento à impugnação apresentada sob o fundamento de que o contribuinte não logrou comprovar a correção das informações constantes da sua DCTF retificadora está em linha com o despacho decisório originalmente proferido. Isso porque, mantém a negativa quanto à homologação do pedido de compensação diante da inexistência de crédito tributário para fins de satisfação do débito declarado na DCOMP. De outro norte, argumenta o Recorrente no sentido de que cabia à DRJ, em observância ao princípio da verdade material, ter diligenciado para fins de averiguar a efetiva existência do crédito. É o que se extrai da passagem a seguir transcrita, extraída do Recurso Voluntário interposto: Também neste ponto, entendo que não assiste razão à Recorrente, pois, como é cediço, o ônus probatório no presente caso, em que se analisa pedido de compensação, é do Recorrente. Sendo assim, cabia a ele ter trazido aos autos a documentação necessária à comprovação do seu direito, o que até o presente momento não o fez. Por fim, não é demais destacar que, diante da decisão da DRJ no sentido de inadmitir as retificações apresentadas, diante da ausência de comprovação acerca do seu conteúdo, foi oportunizado ao Recorrente, novamente, a possibilidade de apresentação de documentação comprobatória quando da interposição do Recurso Voluntário. Penso, portanto, que não houve cerceamento do direito de defesa da Recorrente in casu, apto a ensejar a aplicação do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 223 9 Nesse contexto, entendo que deverá ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2. Do mérito Quanto ao mérito da presente contenda, entendo que melhor sorte não assiste à Recorrente em seu pleito recursal. Consoante acima narrado, a DRJ negou o pedido de homologação de DCOMP apresentado sob o fundamento de ausência de comprovação, por meio de documentação fiscal/contábil apta para este fim, quanto às informações constantes da DCTF retificadora apresentada. Acontece que, ainda que ciente das razões que levaram à tal negativa, a Recorrente limitouse a anexar aos autos, quando da interposição do Recurso Voluntário, os seguintes documentos: DCTF, DACON e planilha com a indicação do "revenues breakdown". Porém, no meu entender, estes documentos não são suficientes à comprovação da correção das retificações constantes da DCTF retificadora transmitida, pois não configuram documentação fiscal/contábil apta a este fim. A DACON e a DCTF, por si só, não são suficientes à comprovação das retificações realizadas, e a planilha anexada corresponde a documento unilateralmente produzido, sem que possua força probante quando desacompanhada da documentação fiscal/contábil relacionada. Nesse contexto, penso que o Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório. Sobre o assunto, não é demais trazer à colação a previsão disposta no art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (grifado) Ainda sobre as provas, dispôs da seguinte maneira o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Logo, tendo restado não demonstrada a efetiva existência do crédito tributário alegado, não há como ser autorizada a compensação pleiteada, face à inexistência das características de liquidez e certeza essenciais à concessão de pedido desta natureza, nos moldes do que determina o art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Nesse contexto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte também quanto ao mérito da presente contenda. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.678579/200952 Acórdão n.º 3002000.436 S3C0T2 Fl. 224 10 3. Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente). Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora designada Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.001080/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro das aquisições de mercadorias, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência.
RECEITA BRUTA. PIS.COFINS.
O Pis e a Cofins devem ser calculadas com base na receita bruta, tendo em vista que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1402-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário unicamente para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a a 75%.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro das aquisições de mercadorias, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência. RECEITA BRUTA. PIS.COFINS. O Pis e a Cofins devem ser calculadas com base na receita bruta, tendo em vista que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro das aquisições de mercadorias, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência. RECEITA BRUTA. PIS.COFINS. O Pis e a Cofins devem ser calculadas com base na receita bruta, tendo em vista que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 10 80 /2 00 9- 98 Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.144 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário unicamente para afastar a qualificação da multa, reduzindoa a 75%. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados). Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.145 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 01 15.841 2ª Turma da DRJ/BEL, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "1. Contra a Recorrente contribuinte em epígrafe foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para Seguridade Social (INSS), referentes ao ano calendário de 2005, apurados pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A ciência do lançamento ocorreu em 25/06/2009, fl.107. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto de Renda Pessoa Jurídica, fl.41 Contribuição para o PIS/PASEP, fl.66 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, fl.76 Imposto 30.118,14 Juros de Mora (cálculo até 29/05/2009) 13.837,48 Multa Proporcional (passível de redução) 45.177,16 Total do Crédito Tributário 89.132,78 Imposto 30.118,14 Juros de Mora (cálculo até 29/05/2009) 13.837,48 Multa Proporcional (passível de redução) 45.177,16 Total do Crédito Tributário 89.132,78 Imposto 48.262,42 Juros de Mora (cálculo até 29/05/2009) 22.372,55 Multa Proporcional (passível de redução) 72.393,53 Total do Crédito Tributário 143.028,53 Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.146 4 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, fl.86 Contribuição para Seguridade Social – INSS, fl.96 Os lançamentos se fundamentam na infração referente à omissão de receitas de pela falta de registro das aquisições de mercadorias apurada a partir da receita conhecida pelo cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples(DSPJ Simples), fls. 83100, bem como os recolhimentos, fls. 102103 e aquelas fornecidas pela Secretaria de Estado e Finanças do Estado de Rondônia nas Guia de Informação e Apuração do ICMS (GIAM) da fls. 124148 e 171243, pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), fls. 280284 e pelos fornecedores, Anexos I a VIII. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Nos registros internos da RFB, a Recorrente encontrase domiciliada no mesmo endereço da pessoa jurídica Catarinense Comércio de Materiais para Construção Ltda, CNPJ 34.755.637/000100, fato este comprovado no Termo de Constatação n° 001, de 2009, fls. 271275. Em conformidade com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) verificouse que José Amadio Silva de Moura, CPF: 479.324.65249, sócio da Recorrente, consta como empregado da empresa Catarinense Comércio de Materiais para Construção Ltda. Ainda na Guia de Recolhimento do FGTS e Informação da Previdência Social (GFIP), a Catarinense Comércio de Materiais para Construção Ltda é indicada como responsável pela Recorrente. De acordo com o Ofício n° 3312008/SEADM/ALCGM/SUFRAMA de 22.08.2008 Wagner da Costa Gonçalves, CPF: 498.018.56220, é procurador e responsável pela internação das mercadorias da Recorrente, bem como empregado da Catarinense Comércio de Materiais para Construção Ltda até 25.11.2008, conforme informações constantes no CNIS. Uma vez evidenciado o interesse comum, houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 7577, para Catarinense Comércio de Materiais para Imposto 96.524,84 Juros de Mora (cálculo até 29/05/2009) 44.745,15 Multa Proporcional (passível de redução) 144.787,20 Total do Crédito Tributário 286.057,19 Imposto 195.546,14 Juros de Mora (cálculo até 29/05/2009) 89.600,33 Multa Proporcional (passível de redução) 293.319,16 Total do Crédito Tributário 578.465,63 Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.147 5 Construção Ltda, do qual foi intimada em 29.06.2009, fl. 78 (art. 124 e art. 135 do Código Tributário Nacional). Cientificada em 29.06.2009, fls. 74, a Recorrente apresentou a impugnação em 27.07.2009, fls. 334354, com as alegações abaixo sintetizadas. · O Termo de Início de Fiscalização, iniciado em 03 de setembro de 2008, não menciona qual o objeto da ação fiscal, qual sua abrangência, não fazendo menção à auditoria de qualquer tributo; · No Mandado de Procedimento Fiscal consta que o objeto da fiscalização seria o SIMPLES. No entanto, o contribuinte foi autuado sobre o IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e SIMPLES; · Não tomou ciência das prorrogações do MPF; Pede a nulidade de todo o procedimentos fiscal; · Foi descumprido o prazo de validade de 60 dias para os atos praticados pela fiscalização (§2o, art.7o do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972) · A auditoria foi realizada fora da sede da empresa; Não foi possível a contribuinte acompanhar qualquer auditoria em suas contas (art.10 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972); · Não consta do Auto de Infração as assinaturas dos auditores Zenilson Melo de Carvalho e Ivone Rodrigues da Silva Luz, embora tenham participado de todas as fases do processo de auditoria fiscal. Pede a nulidade da autuação com base nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972; · Os auditores que realizaram o procedimento fiscal não possuem formação contábil; · Constam elementos inexatos no Termo de Encerramento emitido pelos auditores autuantes, tais como: os auditores utilizaram todos os documentos que estavam em seu poder para efetuar o lançamento, no entanto relataram que a ação fiscal foi levada a efeito por amostragem; inexistência de embasamento técnico contábil, falta de amparo jurídico na legislação que regulamenta a matéria; · Se algumas notas fiscais não tiveram seu pagamento confirmado pela impugnante, e nem pela fiscalização, fica provada a inconsistência do relatório obtido junto à SUFRAMA; · Os valores totalizados como Omissão de Receitas para efeito de IRPJ e CSLL, não poderiam compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS; Combate a constitucionalidade da Lei nº9.718/98, que em seu art.3o, igualou o conceito de faturamento ao de receita bruta, abandonando o conceito de faturamento definido pelo Supremo Tribunal Federal; Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.148 6 · Acrescenta doutrina e julgados; · Não está provado nos autos que houve evidente intuito de fraude, para que então se desse a aplicação da multa de 150%, tal como ocorreu. Ocorreram falhas nos sistemas contábeis que realizam os cálculos tributários e subsidiavam o preenchimento das declarações. Não reconhece como suas a maioria das notas fiscais constantes da relação apontada na autuação. Erros ou diferenças de valores acontecem no cotidiano de todas as empresas e mesmo pessoas. O exagero está em penalizar erro de fato como se fora praticado com evidente intuito de fraude; · Pede a nulidade e o cancelamento dos Autos de Infração, pelos motivos já expostos. O Acórdão de Impugnação nº 0115.841 da 2ª Turma da DRJ/BEL julgou improcedente a Impugnação do contribuinte e manteve integralmente o crédito tributário, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração do imposto de renda. TERMO DE INÍCIO. PERDA DE EFICÁCIA Rejeitase a preliminar que suscita a perda de eficácia do Termo de Início 60 dias após o início da ação fiscal em virtude da falta de amparo legal ao argumento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL: Definidas em Lei, as atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal são legítimas e, inexistindo quaisquer determinações acerca de formação específica e/ou registro em Conselho Regional para fins de regular exercício profissional, não subsiste qualquer alegação de nulidade dos lançamentos formalizados pelos agentes fiscais, no regular exercício de sua competência funcional. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A lei nº 9.718, de 1998, foi editada com presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. DECISÕES do STF proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade beneficiam apenas as partes das ações respectivas." Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.149 7 Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória, e requer os seguinte pedidos: "Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Impugnante ao apresentarem o Termo de Início de Fiscalização com imprecisão, confundindo a quem deveriam informar; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Impugnante ao não lhe informar, no início do procedimento fiscal, que iriam fiscalizar, também, as Contribuições e o IRPJ, além do SIMPLES; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Impugnante ao não lhe informar sobre as diversas prorrogações havidas no prazo de conclusão da ação fiscal; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Impugnante ao passar mais de sessenta dias sem realizar nenhum ato de ofício e não lhe informar sobre a continuidade da ação fiscal; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Impugnante ao realizar a auditoria fora de seu domicílio fiscal; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por não terem, os Auditores Zenilson Melo de Carvalho e Ivone Rodrigues da Silva Luz, assinado os Autos de Infração, gerando dúvidas acerca da competência do servidor que procedeu à lavratura; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por não terem, os Auditores que realizaram a ação fiscal, comprovado que possuem formação superior em Ciências Contábeis, conforme determina o Conselho Federal de Contabilidade; Em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Impugnante ao fazer constar no Termo de Encerramento que realizaram verificações "por amostragem" quando, na verdade, verificaram todos os seus documentos de suporte contábil; Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.150 8 Caso haja entendimento diverso desse Conselho, que sejam cancelados os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, abandonado o elemento contábil previsto na legislação tributária para fundamentar seu lançamento em valores de compras não reconhecidos pela Impugnante; Caso haja entendimento diverso desse Conselho, que seja cancelada a multa de 150%, por terem, os Auditores, cometido erro em seu enquadramento, aplicando a referida penalidade quando deveriam ter aplicado o percentual correspondente a declaração inexata. Caso ainda haja entendimento diverso desse Conselho, que sejam cancelados os Autos de Infração do PIS e da COFINS, por terem, os Auditores, utilizado base de cálculo já declarada inconstitucional, abandonando o conceito de "faturamento" definido pelo Supremo Tribunal Federal." Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.151 9 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminares As nulidades no processo administrativo fiscal são disciplinadas nos artigos 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, transcritos a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;(grifo nosso) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(grifo nosso) § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Verificase de forma manifesta que nenhuma das preliminares suscitadas pela recorrente configuramse como nulidades, pois não se constatam no presente caso atos e termos foram lavrados por pessoa incompetente ou; despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo não se vislumbra as hipóteses presentes nos artigos 59 a 61 do Decreto 70.235/1972, o que será detalhadamente visto na análise deste voto. Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.152 10 Não há qualquer imprecisão no Termo de Início de Fiscalização. O referido termo, que está assinado pela autoridade competente, é claro ao definir o período em análise (anoscalendário 2005 e 2006). O mandado de procedimento fiscal (MPF) também é transparente ao definir o período de apuração de 01/2005 a 12/2006 e os tributos objetos da fiscalização os tributos/contribuições abrangidos pelo SIMPLES. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.153 11 Verificase um equívoco da Recorrente ao entender que o SIMPLES tratase de um tributo, quando de fato caracterizase como sendo um sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições. A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguinte impostos e contribuições, conforme §1º e alíneas do Art. 3º da Lei 9.317/1996: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) A recorrente estava sujeito ao pagamento de impostos e contribuições no ano calendário que eram recolhidos através de um recolhimento mensal no SIMPLES, portanto manifestadamente o procedimento fiscal teria como objeto os tributos e contribuições abrangidos pelo SIMPLES, nos anoscalendário de 2005 e 2006. O MPF tem validade por cento e vinte dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 sessenta dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que a autoridade competente expediu regularmente o MPF n° 02.5.01.00200800469 6, com código de acesso n° 37509044 pra acompanhamento no sítio institucional da RFB, conforme informação constante no Termo de Início de Procedimento Fiscal. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.154 12 Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador . Neste sentido o CARF em decisões reiteradas pronunciouse, conforme súmula nº 6: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Não há quaisquer dúvidas sobre cerca da competência do servidor que procedeu à lavratura dos Autos de Infração, pois, consta nestes a assinatura e matrícula da Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil Elizana Komar Schneider. Notase que a presença de um auditor assinando o Auto de Infração convalida o ato. A legislação tributária atribui ao AuditorFiscal da Receita Federal, independentemente de registro no Conselho Regional de Contabilidade, competência para a fiscalização do imposto, proceder ao exame dos livros e documentos contábeis das contribuintes, realizar as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, e das informações prestadas, portanto, incabível falar em nulidade de ato por ele praticado no exercício de suas funções, neste sentido o CARF em decisões reiteradas pronunciouse, conforme súmula nº 8: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Não há nenhum cerceamento de defesa, já que é claro para a recorrente que a Autoridade Fiscal verificou todos os seus documentos de suporte contábil, ou seja, as verificações não foram realizadas por amostragem. Pelos argumentos acima expostos, devem ser rejeitadas as preliminares alegas pela Recorrente. Mérito A requerente alega que devem ser cancelados os Autos de Infração do SIMPLES, do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por terem, os Auditores, abandonado o elemento contábil previsto na legislação tributária para fundamentar seu lançamento em valores de compras não reconhecidos pela Impugnante; Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.155 13 Verificase que a recorrente contribuinte efetuou compras e realizou a internação de mercadorias em Área de Livre Comércio, conforme informações da SUFRAMA, e que os respectivos pagamentos foram confirmados e comprovados através de documentos hábeis e idôneos, em diligência junto aos fornecedores, conforme os exames realizados pela Autoridade Fiscal: · Os volumes anexos de I a VIII, tratam das intimações junto aos fornecedores de mercadorias, para que apresentassem comprovantes de recebimento relativos às Notas Fiscais emitidas a recorrente. · Nas respostas das empresas intimadas está demonstrada a autenticidade das Notas Fiscais, inclusive com a apresentação de extratos bancários em que coincidem datas e valores com o que foi vendido ao autuado. · A fiscalização tomou a providência de intimar os fornecedores, que demonstraram a efetiva venda de mercadorias relacionadas na notas fiscais em questão. Em razão da demonstração clara da existência de compras por parte da contribuinte junto aos fornecedores intimados, VOLUMES ANEXOS I a VIII, não deve prosperar a alegação da negativa geral de compras e pagamentos efetuados pela recorrente. Caracterizase como omissão de receitas a falta de registro de aquisições de mercadorias, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência. No presente caso, o lançamento se fundamenta na infração referente à omissão de receitas devidos a falta de falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, conforme Art. 40 da Lei nº 9.430 de 1996, transcrito a seguir: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. " Ressaltase que a recorrente, quando intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nos pagamentos das referidas compras. Na autuação foi observado o disposto no Art. 24 da Lei n° 9.249/95, a seguir transcrito: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. " Notase ainda que, em decorrência da infração de omissão de receitas constatada foram geradas outras infrações: "Insuficiência de Recolhimento" do SIMPLES, em decorrência da diferença de percentual aplicada sobre a receita bruta no anocalendário de 2005. Analisando todos os argumentos da recorrente verificase que não foram produzidos no processo novos elementos de prova suficientemente robustos para ilidir a exigência, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.156 14 Da aplicação da Multa Qualificada A justificativa da Autoridade Fiscal para qualificar a multa reside no fato "do sujeito passivo ter transmitido "PJSI Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES" com receitas muito inferiores àquelas efetivamente recebidas. Assim, temos um conjunto de condutas cujo objetivo não pode ser outro senão àquelas tendentes a retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materiais, assim como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente". A recorrente vem esclarecer que tal fato ocorreu por falhas nos sistemas contábeis que realizam os cálculos tributários e subsidiavam o preenchimento das referidas declarações. Alega que no presente caso nada mais houve que uma declaração inexata. Verificase que o cenário descrito pela Autoridade Fiscal se enquadra como simples apuração de omissão de receita, assunto que encontrase pacificado no CARF por meio da súmula nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Logo, assiste razão a recorrente no seu pleito de redução da multa de ofício. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido o CARF em decisões reiteradas pronunciouse, conforme súmula nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Caso ainda haja entendimento diverso desse Conselho, que sejam cancelados os Autos de Infração do PIS e da COFINS, por terem, os Auditores, utilizado base de cálculo já declarada inconstitucional, abandonando o conceito de "faturamento" definido pelo Supremo Tribunal Federal." Ressaltase que em razão de sua opção de sistema de apuração e recolhimento pelo SIMPLES, o conceito da receita bruta, base de cálculo de todos os tributos e contribuições que fazem parte daquele sistema é definido pelo Art. 2º da Lei nº9.317/96, transcrito a seguir. Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10240.001080/200998 Acórdão n.º 1402003.421 S1C4T2 Fl. 2.157 15 Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: [...] § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Neste entendimento, descabe a argumentação intentada pela recorrente a respeito da base de cálculo utilizada na autuação para a apuração do PIS e COFINS. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito dar provimento parcial para reduzir a multa qualificada para 75%. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 2158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10921.720396/2013-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/03/2011
IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA - IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS
Por disposição do § 2o, do artigo 11 da Lei 11.281/2006. a operação de importação feita por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado, realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na IN SRF 634/2006, presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001;
IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA POR CESSÃO DE NOME.
O artigo 33 da Lei 11.488/2007 prevê que a pessoa jurídica que ceder seu nome para para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada.
Numero da decisão: 9303-007.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/03/2011 IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA - IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Por disposição do § 2o, do artigo 11 da Lei 11.281/2006. a operação de importação feita por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado, realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na IN SRF 634/2006, presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA POR CESSÃO DE NOME. O artigo 33 da Lei 11.488/2007 prevê que a pessoa jurídica que ceder seu nome para para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10921.720396/201308 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.677 – 3ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria MULTA POR CESSÃO DE NOME Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INTERMARES TRADING IMPORTAÇÃO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/03/2011 IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Por disposição do § 2o, do artigo 11 da Lei 11.281/2006. a operação de importação feita por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado, realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na IN SRF 634/2006, presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001; IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA POR CESSÃO DE NOME. O artigo 33 da Lei 11.488/2007 prevê que a pessoa jurídica que ceder seu nome para para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 72 03 96 /2 01 3- 08 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional interposto em face do Acórdão nº 3201003195, de 24/10/2017, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/03/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA POR CESSÃO DE NOME. FALTA DA PROVA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. CANCELAMENTO DA INFRAÇÃO. Não provada a fraude ou simulação na importação com o objetivo de ocultar o real adquirente deve ser cancelado o auto de infração impositivo de multa por cessão de nome, ante a ausência de provas robustas do ilícito fiscal. A Fazenda Nacional defende a manutenção da multa por cessão de nome em razão de estar devidamente comprovada a interposição fraudulenta na importação. Apresenta como paradigma da divergência o Acórdão nº 3402004319, o qual debruçouse exatamente sobre os mesmos fatos do presente processo, sobre a mesma Declaração de Importação, e confirmou a existência da interposição fraudulenta, e manteve a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento. Importante esclarecer que da mesma fiscalização, conforme consta do relatório do acórdão recorrido, foram gerados a lavratura de três autos de infração. Além do presente processo que trata da aplicação da multa por cessão de nome, foram instaurados os processos administrativos nº 10921.720397/201344 e 10921.720399/201333 (multa de conversão da pena de perdimento amparada pelos mesmos fatos tratase também do acórdão paradigma ao presente recurso especial, cujo processo também está pautado para esta mesma reunião em decorrência de recurso especial apresentado pelo contribuinte). O recurso especial foi admitido nos termos do despacho de efls 235 e segs, assinado pelo Presidente da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 4 3 O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial. Pede o não conhecimento do recurso e, caso conhecido que seja improvido. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. O contribuinte em contrarrazões pede o seu não conhecimento pelo fato de que o recurso especial não pode ser utilizado para reexame de provas. Cita jurisprudência da CSRF nesse mesmo sentido. De fato, o recurso especial, em tese, não poderia servir para o reexame de provas. Ocorre que em certas situações atípicas, como no presente caso, a esse colegiado impõe o conhecimento do recurso para solucionar o conflito de decisões divergentes, nas quais turmas distintas debruçaram exatamente sobre o mesmo contexto probatório e, sobre ele chegaram a conclusões opostas. Foi exatamente o que ocorreu entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma apresentado. Os processos de ambos acórdãos são do mesmo contribuinte e decorrem da análise de uma única Declaração de Importação. A acusação dos autos de infração são idênticas e também idênticos os elementos de prova apontados. No acórdão recorrido, ao analisar recurso voluntário relativo à aplicação da multa de 10% sobre a cessão de nome, em face de interposição fraudulenta na importação, entendeu que não estava provada a fraude e cancelou a multa. Por sua vez o acórdão paradigma, analisando recurso voluntário relativo à aplicação da multa de conversão de perdimento, manteve o lançamento, por entender que a fraude foi comprovada. O fato de as multas aplicadas serem diferentes nos respectivos processos não afasta a divergência jurisprudencial ocorrida entre as turmas de julgamento. Ocorre que para a aplicação de ambas as multas, há que se analisar o antecedente, ou seja, que tenha ocorrido a Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 5 4 interposição fraudulenta na importação em face da legislação pertinente. É nessa fase antecedente à aplicação das multas é que deuse a divergência de interpretação. Diante do exposto voto pelo conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, o acórdão recorrido afastou a exigência da multa por cessão de nome, ante a conclusão da ausência de provas de que tenha havido a interposição fraudulenta na importação. Veja o seguinte trecho do voto: (...) Conforme já mencionado no relatório, a autuação versa sobre a declaração de importação DI 11/05194983, registrada em 22/03/2011, que foi parametrizada para o canal verde de conferência aduaneira e desembaraçada em 23/03/2013. A mercadoria importada através da citada DI, tratase de 156 controladores eletrônicos para sistemas de injeção, adquiridos no exterior junto à STEINBAUER TUNING TECHNOLOGIESAUSTRIA GMBH. No caso dos autos não logrou êxito a fiscalização em provar a ocorrência de fraude ou simulação, bem como ter havido importação por encomenda. Entendo que o conjunto probatório apresentado pela fiscalização é insatisfatório para a caracterização da infração de cessão de nome para acobertamento dos encomendantes ou terceiros adquirentes. O principal argumento utilizado pela douta fiscalização referese ao fato de a empresa Leandrini Auto Peças ter prestado a seguinte declaração: "Não detendo nenhum registro para importar junto a Receita Federal, contatamos o proprietário da Intermares que é nosso cliente há anos e que se prontificou a buscar as mercadorias no mercado externo e que em vista da demanda interna, efetuou as importações das referidas mercadorias, por sua conta e realizou as vendas retratadas nas notas fiscais, para nossas lojas." Ora tal declaração não é prova suficiente para materializar a infração combatida no recurso em análise, de modo a se caracterizar com absoluta certeza que o verdadeiro importador ou encomendante permaneceu de modo intencional oculto, através de fraude ou simulação, situação apta a caracterizar a interposição irregular (fato típico, antijurídico e punível) o que levaria os envolvidos estarem sujeitos às penalidades legais cabíveis. (...) Entendo que a leitura feita no voto do acórdão recorrido não foi a melhor em relação aos elementos probatórios do processo. Penso que se limitou a afirmar que aquela declaração não era prova suficiente, porém não adentrou nos demais elementos indiciários que Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 6 5 apontam efetivamente que a importação realizada nos autos não foi uma importação direta, mas sim uma importação realizada por encomenda. Faço aqui um parênteses, para dizer que acompanhei esse entendimento, da falta de provas, no julgamento do processo nº 10921.720397/201344, Acórdão nº 3301 002639, julgado em sessão de 18/03/2015, em que aquela turma por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acórdão do i. exconselheiro Sidney Eduardo Stahl. Na oportunidade fiz declaração de voto dizendo que acompanhei o relator pelas conclusões, justamente por entender que, naquele caso específico, que é o mesmo deste processo, as provas me pareciam insuficientes para caracterizar a prática de interposição fraudulenta na importação. Ocorre que fazendo uma nova leitura do processo, agora na condição de relator, reconheço que houve equívoco de minha parte e que não posso deixar de demonstrar, neste voto, a minha nova convicção a respeito do assunto. A legislação aduaneira prevê três tipos de importação de mercadorias: 1) A importação direta, na qual o importador assume por sua conta própria os riscos inerentes à operação. Coloca recursos próprios na importação e arca com os riscos da colocação das mercadorias no mercado interno; 2) A importação por conta e ordem de terceiros, na qual todos os riscos e recursos da operação são pertencentes a um terceiro. Nesta condição, a importadora, realiza um serviço de importação para o terceiro adquirente das mercadorias importadas; e 3) A importação por encomenda ou importação para revenda a encomendante predeterminado. Em que pese a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é o importador quem pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica e financeira para o pagamento da importação, pela via cambial, bem como das demais despesas da nacionalização. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica e financeira para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado, conforme se depreende do inciso II, do § 1º do Art. 11 da Lei nº 11.281/06 e do Art. 5º da IN SRF nº 634/06. Como bem detalhado no termo de verificação fiscal, parte integrante do auto de infração, o uso de uma dessas três modalidades de importação, importa em cumprimentos de prérequisitos estabelecidos na legislação e gera também diferentes efeitos tributários aos integrantes da operação de importação. A principal delas é que se a importação não for do tipo direta, for por conta e ordem ou por encomenda, os contratantes, adquirentes finais da mercadoria, são equiparados a estabelecimento industrial e, nessa condição, passam a ser Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 7 6 contribuintes do IPI, na revenda dessas mercadorias ao mercado interno. De forma que há uma vantagem evidente em omitir uma importação por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. Portanto, a legislação obriga que essa informação, sobre a modalidade de importação, seja prestada na declaração de importação. Passamos então a transcrever o que dispõe a legislação tributária sobre o assunto, iniciando pela caracterização da configuração de dano ao erário, até as obrigações específicas dos importadores, em relação à importação por encomenda. DecretoLei nº 1455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) DecretoLei nº 37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 8 7 VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Sobre a importação a encomendante predeterminado, a Lei nº 11.281/2006 assim dispõe: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) (...) Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A Secretaria da Receita Federal, regulamentou os procedimentos previstos no § 1º da Lei nº 11.281/2006, por meio da IN SRF nº 634/2006: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Assim, em conformidade com os dispositivos acima, caso estas regras não sejam cumpridas, presumese que a importação tenha sido efetuada por conta e ordem de terceiros para fins de aplicação no disposto nos art. 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. Retomando os fatos do presente processo, verificase que o contribuinte efetuou a importação das mercadorias constantes da Declaração de Importação nº 11/0519498 3, registrada em 22/03/2011, como se fosse uma importação direta. Ou seja, indubitavelmente, não fez constar que existia um encomendante predeterminado que iria adquirir aquelas mercadorias. Por sua vez, a fiscalização entendeu que a importadora Intermares Trading Importação Ltda, efetuou a importação por encomenda de duas empresas, quais sejam: Leandrini Auto Peças Ltda e Leandrini Studio e Design Ltda. Vejam o conjunto de indícios em que a fiscalização baseou a acusação: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 10 9 as mercadorias importadas na DI nº 11/05194983, foram 156 controladores eletrônicos para sistemas de injeção, automáticos, do tipo dos utilizados em veículos automóveis, classificados na NCM nº 9032.89.25. Foram importadas da empresa Steimbauer Tuning Technologies Austria GMBH; pesquisas realizadas no sistema DW Aduaneiro, comprovou que esta tinha sido a única importação, realizada até então pela Intermares, daquele tipo de equipamento. Também foi a única importação realizada junto ao exportador Steimbauer. Ou seja, comprovouse que este tipo de operação efetivamente não fazia parte do tipo de operação comercial realizada pela importadora; Intermares, atendendo a intimação, apresentou a Nota Fiscal de Entrada nº 69 e as Notas Fiscais de Saídas nº 70 e 71, relativas a 100% das referidas mercadorias, emitidas no mesmo dia, apenas 2 dias após o desembaraço da DI. Assim, 150 peças foram repassadas à empresa Leandrini Auto Peças Ltda, e outras 6 peças foram repassadas à empresa Leandrini Studio e Design Ltda; intimados quanto à natureza das operações realizadas, Leandrini Auto Peças Ltda e Leandrini Studio e Design Ltda, apresentaram, por meio de seus sócios, declaração semelhante, por escrito com os seguintes dizeres: "Não detendo nenhum registro para importar junto à Receita Federal, contatamos o proprietário da Intermares que é nosso cliente há anos e que se prontificou a buscar as mercadorias no mercado externo e que em vista da demanda interna, efetuou as importações das referidas mercadorias, por sua conta e realizou as vendas retratadas nas notas fiscais, para nossas lojas." por meio de pesquisa no sítio da internet da Intermares, www. intermares.com, constatouse que tratase de empresa atuante a 30 anos no mercado de importação e exportação. Em sua página demonstra que possui expertise nas três modalidades de importação, explicando as características de cada modalidade; e comprovouse também, por meio do sistema DW, que até a data daquela importação, a Intermares efetuou o registro de 2.168 Declarações de Importação nas modalidades 'por conta e ordem' e 'por encomenda', totalizando US$ 219.503.901,35. Dentre essas 154 DI foram 'por encomenda', totalizando US$ 16.207.006,40. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10921.720396/201308 Acórdão n.º 9303007.677 CSRFT3 Fl. 11 10 A análise desse conjunto indiciário forma prova conclusiva de que efetivamente a importação foi realizada para encomendantes predeterminados e que os mesmos foram deliberadamente ocultados na Declaração de Importação. A única prova que faltou foi a confissão expressa da importadora, acompanhada dos contratos comerciais de prestação de serviços. Existe a confissão expressa dos adquirentes ao declarar que contactou a Intermares quanto a necessidade das peças e comprou imediatamente todas as mercadorias importadas. Esse desenho apresentado pela contribuinte, de que tratouse de uma operação direta, sem destinatário predeterminado, agride o bom senso e a lógica das coisas. Certamente a importadora não teria "bola de cristal" para adquirir mercadorias fora de suas operações comerciais normais com tamanha precisão de acerto. O fato é que a acusação fiscal está bem lastreada, todos os elementos apontados estão comprovados e demonstram que efetivamente houve a importação para encomendante predeterminado e que, deliberadamente, foram ocultados na operação de importação, caracterizando a importação com utilização fraudulenta de interposta pessoa. Portanto, cabível a aplicação da multa de 10% na cessão de nome, aplicada no presente processo, conforme previsto no art. 33 da Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903131/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.903131/200909 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.392 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente META MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 31 /2 00 9- 09 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.903131/200909 Acórdão n.º 3301005.392 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1427.881, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.903131/200909 Acórdão n.º 3301005.392 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.903131/200909 Acórdão n.º 3301005.392 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.903131/200909 Acórdão n.º 3301005.392 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.903131/200909 Acórdão n.º 3301005.392 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13888.903131/200909 Acórdão n.º 3301005.392 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.721807/2012-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2002-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Recorrente TANIA MARIA DE LACERDA ACCIOLY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 18 07 /2 01 2- 53 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 124 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 3/7), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$635,36 para saldo de imposto a pagar de R$ 4.080,89. A notificação aponta a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$17.150,00, consignando que, em face do valor elevado da despesa, a contribuinte teria sido intimada a comprovar seu efetivo pagamento. Em resposta, ela teria informado que os pagamentos se deram em espécie, não tendo feito a prova do efetivo pagamento. Impugnação Cientificada à contribuinte em 20/3/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 18/4/2012, à fl. 2/12 dos autos, na qual a contribuinte informou que passou por um complexo tratamento dentário, o qual se encontraria minuciosamente discriminado no receituário médico emitido pelo profissional. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 68/72): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 Ementa: DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Para que a despesa médica seja considerada dedutível, não basta a apresentação de um simples recibo, sem a vinculação do pagamento ou da efetiva prestação de serviços, quando o contribuinte for regularmente intimado a fazer tal comprovação. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 20/5/2016 (fl. 75), o contribuinte, em 19/6/2016 (fl. 95), apresentou recurso voluntário, às fls. 77/94, no qual alega, em apertado resumo, que: a teor da legislação de regência, teria feito a comprovação exigida mediante apresentação dos recibos e de declaração do profissional, bem como da declaração de ajuste dele, onde o profissional teria informado os rendimentos recebidos da contribuinte. a decisão recorrida teria condicionado o aceite das despesas à comprovação dos pagamentos por meio de cópias de cheques, transferências bancárias, comprovantes de depósitos, saques anteriores aos pagamentos, sem haver previsão legal para tanto. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 125 3 ao exigir outros elementos além dos recibos, a autoridade fiscal teria extrapolado suas funções. inexistiria norma proibindo o pagamento dessa despesas em espécie. as demais despesas declaradas teriam sido acatadas somente à vista dos recibos, recaindo a glosa sobre apenas um profissional, sem qualquer explicação adicional. as pessoas físicas seriam dispensadas de manter registros e controles contábeis, sendo indevida a exigência de formalidades para aceitação dessas despesas. o ônus da prova recairia sobre o Fisco, que deveria comprovar que os serviços médicos não foram prestados ou os pagamentos não foram realizados. Após citar jurisprudência do CARF, a recorrente requer o cancelamento da exigência, além de que as intimações sejam realizadas em nome de seu advogado, sob pena de nulidade. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 126 4 Voto Vencido Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Pedido de Intimação Ao final de sua defesa, a recorrente, por intermédio de seu representante legal, requer que as novas intimações sejam feitas em nome de seu advogado. Nesse tocante, foi editada a Súmula CARF nº110, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Dessa feita, o pedido deve ser indeferido. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 127 5 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 128 6 termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos e declarações emitidos pelos profissionais seriam os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. O fato de ter acatado uma outra despesa declarada somente à vista do recibo/nota fiscal não impede que, em relação às demais, sejam exigidos outros elementos de prova pela autoridade fiscal. É preciso registrar que no presente lançamento a interessada não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamentos seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Ressaltese que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 129 7 O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, os recibos e declarações emitidos pelo profissional não se revelam hábeis a fazer a prova exigida quanto ao efetivo pagamento. Da mesma forma, a alegação de que o profissional teria informado esses rendimentos em sua declaração de ajuste, ainda que confirmada, não comprovaria a efetiva transferência de numerário da recorrente para ele. Por seu turno, a juntada de um único exame feito a requerimento do profissional (fl.93) não se revela hábil a fazer a prova da efetiva realização dos serviços. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Voto Vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator À partida, peço vênia a Ilustre Conselheira Relatora Dra. Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez para adotar seu minudente relatório. No mérito, merece prosperar o apelo da contribuinte pois a declaração emitida pelo profissional Pedro Tadeu Oliveira Costa (fls.8/9), comprova a despesa médica da recorrente no ano de 20009, estando em conformidade que o artigo 80, § 1º, III, do RIR/99. É bem de ver que o artigo suso citado exige a despesa médica seja comprovada através de recibo Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10410.721807/201253 Acórdão n.º 2002000.396 S2C0T2 Fl. 130 8 e/ou declaração que conste nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, e na ausência de referidos documentos, o contribuinte tem o direito de provar a despesa através de indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, sendo certo que na hipótese dos autos as declarações e recibos preenchem todas as exigências cumulativas da legislação. Mais que isso, consta dos autos a declaração de imposto de renda (fl.11) do profissional que firmou a declaração, e nela consta o recebimento do mesmo valor constante da declaração de fls. 8/9. Prova mais do que suficiente. Pelo exposto, conheço do Recurso e no mérito dou provimento para expungir a glosa com despesas médicas no valor total de R$ 17.150,00. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004696/2003-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Conforme o Relatório Fiscal de fls. 16/17, fora emitida Notificação de Lançamento contra o Contribuinte, julgada nula pela Delegacia da Receita Federal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 46 96 /2 00 3- 05 Fl. 205DF CARF MF 2 Julgamento em Campinas/SP, por meio da decisão de fl. 05, de 18/02/1999, cientificada ao Contribuinte em 18/03/1994 (fls. 17), assim ementada: Imposto de Renda Pessoa Física Exercício de 1997 E nulo o lançamento que não contenha os requisitos do art. 142 do CTN (Lei 5.172/66) e do art. 11 do Decreto 70.235172, que trata do Processo Administrativo Fiscal. Posteriormente, com fundamento no art. 173, II, do CTN, foi feito lançamento substitutivo, exigindose Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a glosa de despesas de livrocaixa e a não comprovação do recolhimento complementar alegado, no anocalendário de 1996 (fls. 18). A ciência desse novo lançamento ocorreu em 12/12/2003 (fls. 19). O novo lançamento foi impugnado, porém mantido pela DRJ. Contra essa decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Em sessão plenária de 29/11/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 220201.493 (fls. 67 a 74), assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997 Ementa: DECADÊNCIA — NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Anulado o lançamento por vício material — ausência de informação sobre a ocorrência do fato gerador — inaplicável o art. 173, inciso II, do CTN. DECADÊNCIA — TERMO INICIAL — APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Tendo em vista o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que determina a aplicação das decisões definitivas de mérito do STJ e STF, para fins da contagem do prazo da decadência devemos verificar se houve ou não pagamento. Se houve pagamento aplicase o parágrafo 4, do artigo 150 do CTN, se não houve pagamento aplicase o inciso I, do artigo 173 do CTN." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." O processo foi recebido na PGFN em 19/04/2012 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 76) e, em 15/05/2012, o Procurador da Fazenda Nacional considerou se intimado (fls. 75). Em 16/05/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 78 a 85 (Relação de Movimentação de fls. 77). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a nulidade do lançamento originário natureza do vício. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10855.004696/200305 Acórdão n.º 9202007.395 CSRFT2 Fl. 206 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2200 00.996, de 26/07/2012 (efls. 98/99). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela leitura do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, percebese que os requisitos ali elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; a propósito, a jurisprudência deste Conselho é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal do lançamento constitui vício material, eis que se trata de elemento de exteriorização do ato administrativo, portanto, vício formal; diante do exposto, considerandose que o fato gerador ocorreu em 31/12/1996; que o sujeito passivo tomou ciência do lançamento originário em 21/09/1998; que o referido lançamento foi anulado por decisão proferida em 18/02/1999, e que o contribuinte foi intimado do novel lançamento em tela, livre dos vícios que ocasionaram sua anulação, em 12/12/2003, temse que não se operou a decadência no caso. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja afastada a decadência. Cientificada em 21/09/2012 (AR Aviso de Recebimento de efls. 186), a Contribuinte ofereceu, em 22/10/2012 (carimbo de efls. 192), as Contrarrazões de efls. 192 a 195. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. A Contribuinte foi intimada em 21/09/2012, sextafeira (AR de efls. 186), e teria até 08/10/2012, segundafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 22/10/2012 (carimbo de efls. 192), portanto já fora do prazo de quinze dias. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Tratase de lançamento substitutivo, fundamentado no art. 173, II, do CTN, exigindose Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício no percentual de Fl. 207DF CARF MF 4 75% e juros de mora, tendo em vista a glosa de despesas de livrocaixa e a não comprovação do recolhimento complementar alegado, no anocalendário de 1996 (fls. 18). A ciência desse novo lançamento ocorreu em 12/12/2003 (fls. 19). No acórdão recorrido, o vício que nulificara o lançamento originário foi considerado de natureza material, portanto concluiuse ser incabível a aplicação do art. 173, II, do CTN, declarandose a decadência. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o vício verificado no lançamento originário seja considerado de natureza formal, aplicandose o art. 173, II, do CTN, descartandose assim a decadência. Destarte, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, declarandose a nulidade do lançamento originário (substituído) por vício material, considerandose que a Decisão nº 11.175/01 (fls. 05) reconhecera que a primeira Notificação de Lançamento não informara a matéria tributável e não tipificara com clareza a infração atribuída à Contribuinte. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: "Em 18/02/1999, a Delegacia da Receita Federal de Sorocaba/SP por meio da Decisão N° 11.175/01 (fls. 05), declarou nulo o lançamento, conforme decisão abaixo transcrita: 'Considerando que o lançamento de fls. 04 não contém todos os requisitos estabelecidos nos dispositivos legais acima referidos e que se encontram reproduzidos no art. 5º da IN SRF nº 94/97, especialmente por não descrever a matéria tributável e não tipificar com clareza a infração atribuída ao sujeito passivo; Considerando que as orientações contidas em instruções normativas têm caráter interpretativo, aplicandose, portanto, desde a data da vigência dos dispositivos interpretados, conforme, aliás achase expressamente consignado no art. 6º, inciso I, da citada IN, quando estende sua aplicação aos processos pendentes de julgamento; Considerando tudo o mais que do processo consta, DECLARO NULO o lançamento de fls. 04.' (...) Podemos observar que no caso em questão a decisão proferida em 18 de fevereiro de 1999, declarou nulo o lançamento, tendo em vista que não descreveu a matéria tributável e não tipificou com clareza a infração atribuída ao sujeito passivo, sendo este requisito, elemento fundamental para a eficácia e a validade da exação, sendo que a sua ausência reveste de nulidade, o lançamento efetuado por desatender norma prevista no artigo 142 do CTN. Ou seja a notificação de lançamento ao não informar a matéria tributável e não tipificou com clareza a infração atribuída não deu ao contribuinte oportunidade de verificar o motivo de estar sendo cobrado, e poder se defender de maneira adequada Desta Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10855.004696/200305 Acórdão n.º 9202007.395 CSRFT2 Fl. 207 5 forma, entendo que a decisão da DRF de 19 de fevereiro de 1999 ao declarar nulo o lançamento efetuado teve como fundamento vicio material." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar nulidade declarada com base na IN SRF nº 94, de 1997, especialmente por não descrever a matéria tributável e não tipificar com clareza a infração ainda assim se considerasse que não houve prejuízo à defesa, considerandose que o vício seria formal. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão nº 20309.332, colacionando a respectiva ementa, conforme a seguir: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." A ementa acima não permite que se saiba qualquer detalhe acerca do vício apontado, muito menos se tratarseia de aplicação da IN SRF nº 94, de 1997. Compulsandose o inteiro teor do julgado, constatase que a situação nele tratada em nada se assemelha à do recorrido. Confirase: "Por se tratar de matéria envolvendo a imunidade da COFINS, há de se observar a independência deste processo em relação ao Processo de n° 13133.000025/9962 (Imposto de Renda e CSLL), o qual foi julgado em Sessão de 11 de junho de 2003, por meio do Acórdão n° 10707.197, de forma a dar provimento ao recurso voluntário para anular o Ato Declaratório n° 15, de 27 de março de 2002, que suspendera a imunidade. Reitero que a independência deste se justifica porque os tributos são essencialmente diferentes em sua materialidade e em seus pressupostos legais. Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 não diz respeito à COFINS, objeto do presente processo administrativo, ainda que a suspensão da imunidade, operada por ato administrativo, possa servir como subsidio para aplicabilidade do direito. (...) Em se tratando da COFINS, há de se observar que o comando legal inserido está originariamente no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal. Em decorrência, reitero que o lançamento é um ato declaratório da obrigação tributária, devendose reportar à legislação específica do tributo em análise. Pela independência da COFINS, os atos praticados, ou faltas cometidas, devem, obrigatoriamente, ser descritos no auto específico da contribuição e regidos pela lei do tempo em que foram praticados. Estas considerações preliminares são importantes, sobretudo no tocante à prova, pois "a prova" regida Fl. 209DF CARF MF 6 pelo direito substantivo há de se ater aos fatos trazidos no processo e com estes ter dependência. Não há como tratar a COFINS como decorrente do IR porque assim não o quis o legislador. (...) Em verdade, o agente fiscal pode e deve efetuar o ato administrativo do lançamento de acordo com as razões de seu livre convencimento, todavia, deve explicitar as razões que o levaram a adotar este ou aquele procedimento, de maneira que seu procedimento não se configure em arbítrio; logo, imprescindível, indicar, na descrição dos fatos, os motivos que lhe formaram o convencimento, sem se reportar a outro procedimento fiscal como prova única de suas argumentações. Ressaltese que essa exigência tem implicação substancial e não meramente formal. No mais, em se tratando de pessoa jurídica de fins não lucrativos, não basta, portanto, a autoridade julgadora dizer que houve falta de pagamento e reportarse a artigos genéricos da lei, como se fosse uma pessoa jurídica comum, eis que necessário, sob pena de nulidade, a exteriorização da base fundamental do procedimento." Destarte, constatase que o vício ocorrido, no caso do paradigma, nada tem a ver com aplicação da IN SRF nº 94, de 1997, que tratava especificamente de Autos de Infração decorrentes de Malha Fiscal. O que ocorreu no paradigma foi a consideração, por parte da Fiscalização, de que um processo de exigência de Cofins seria decorrente de um outro processo de IRPJ, adotandose assim as provas e demais elementos desse último, sem detalharse os elementos e provas específicos da Cofins. Com efeito, tal situação em nada se assemelha àquela tratada no acórdão recorrido. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 210DF CARF MF
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