Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.001607/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA- INTUITO DE FRAUDE. INEXISTÊNCIA.
Para fins de aplicação de multa qualificada, é necessário que fique perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude por parte da interessada, caso contrário, a multa deve ser reduzida para os padrões normais.
ALTERAÇÃO CONTRATUAL. REGISTRO. EFEITOS CONTRA TERCEIROS.
Alterações no contrato social somente produzem efeitos perante terceiros após a respectiva averbação na Junta Comercial. A averbação é elemento essencial para conferir publicidade à referida alteração. Exegese dos artigos 997, parágrafo único e 1.057, parágrafo único do Código Civil.
Numero da decisão: 1401-000.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA- INTUITO DE FRAUDE. INEXISTÊNCIA. Para fins de aplicação de multa qualificada, é necessário que fique perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude por parte da interessada, caso contrário, a multa deve ser reduzida para os padrões normais. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. REGISTRO. EFEITOS CONTRA TERCEIROS. Alterações no contrato social somente produzem efeitos perante terceiros após a respectiva averbação na Junta Comercial. A averbação é elemento essencial para conferir publicidade à referida alteração. Exegese dos artigos 997, parágrafo único e 1.057, parágrafo único do Código Civil.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19515.001607/2010-15
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177699
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1401-000.836
nome_arquivo_s : Decisao_19515001607201015.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 19515001607201015_5177699.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4418694
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218061991936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 529 1 528 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001607/201015 Recurso nº 935.556 Voluntário Acórdão nº 1401000.836 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria IRPJ Recorrente Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2007, 2008 PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Indeferese pedido de diligência que não justifique os motivos do pedido, não formule quesitos, não indique o perito e quando as provas que se apresentam nos autos são suficientes para o julgamento do litígio. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. REGISTRO. EFEITOS CONTRA TERCEIROS. Alterações no contrato social somente produzem efeitos perante terceiros após a respectiva averbação na Junta Comercial. A averbação é elemento essencial para conferir publicidade à referida alteração. Exegese dos artigos 997, parágrafo único e 1.057, parágrafo único do Código Civil. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2007, 2008 PASSIVO. OBRIGAÇÕES LÍQUIDAS E CERTAS. Deve ser contabilizada como passivo toda e qualquer obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA INTUITO DE FRAUDE. INEXISTÊNCIA. Para fins de aplicação de multa qualificada, é necessário que fique perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude por parte da interessada, caso contrário, a multa deve ser reduzida para os padrões normais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 07 /2 01 0- 15 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 530 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o primeiro acórdão recorrido, fls. 412421: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, crédito tributário de R$ 5.567.032,31 (fls. 256 a 259) e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, crédito tributário de R$ 2.004.131,60 (fls. 264 a 267), referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2005, 2007 e 2008. Os créditos tributários, incluídos a multa proporcional e juros de mora, lançados até 31/05/2010 e enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. Os enquadramentos legais correspondentes A multa e juros de mora constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. As infrações apuradas correspondem a: 1 Omissão de Receitas Financeiras. Omissão de receita caracterizada como Receita por Desconto obtido de 100% (Perdão de Divida) da obrigação a pagar do Fornecedor OGM/Ituran Beheer, conforme documento da Ituran Beheer datado de 01/10/05, gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito a tributação conforme Termo de Verificação Anexo; 2 Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente. Saldos de Prejuízos Insuficientes. Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado nos anos 2007 e 2008, tendo em vista uso da compensação de prejuízo sobre o lançamento da infração constatada no período base 2005, através deste Auto de Infração, resultando nestes anos em saldo insuficiente de prejuízo conforme Termo de Verificação Anexo. A apuração detalhada dos fatos e da base de cálculo constam do Termo de Verificação de fls. 232 a 251. No item 1 — Dos Termos Fiscais e Respostas do Contribuinte, o auditorfiscal detalha o que foi solicitado ao contribuinte desde o Termo de Diligência Fiscal, datado de 01/10/07, Termo de Inicio de Fiscalização, de 06/04/09 e todas as demais Intimações expedidas e as respostas dadas pelo contribuinte. A seguir, cabe reproduzir os trechos mais relevantes do Termo de Verificação (grifos do original): 2 DO CONTRIBUINTE: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 0 contribuinte é uma empresa que atua principalmente na atividade de prestação de serviços de operação de sistemas de monitoramento e rastreamento de veículos, cargas e pessoas, e outras conforme contrato social. Apresentou DIPJ, do período 01/01/05 a 29/07/05, em nome de Teleran Localização e Controle Ltda., Cnpj 02.762.221/000122, no Lucro Real Anual com prejuízo fiscal de R$(1.796.685,98), (Teleran incorporou Ituran Serviços Ltda. Cnpj:03.986.468/000118extinta por incorporação, e Teleran alterou o nome para Ituran Sistemas abaixo). Após incorporação acima, apresentou DIPJ, do período 01/08/05 a 31/12/05, em nome de Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. (novo nome da antiga Teleran), CNPJ 02.762.221/000122, no Lucro Real Anual com lucro real de R$4.396.674,47. (...) 3 DA INFRACAO OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS RECEITA POR DESCONTO OBTIDO DE 100%, REFERENTE PERDÃO DE DÍVIDA, CANCELADA PELO FORNECEDOR: (...) Na contabilidade em 30/12/2005, o contribuinte Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda., CNPJ 02.762.221/000122, doravante denominada apenas Ituran Sistemas, devia para a empresa sediada na Holanda fornecedor Ituran Beheer BV, doravante denominada apenas Ituran Beheer (que recebeu a cessão de créditos do fornecedor OGM Investments B.V. em 01/05/04, divida originada de seu contrato de fornecimento de tecnologia datado de 07/12/2000), o valor de US$3.775.109,00. 0 contrato de transferência de tecnologia DTOA foi cumprido, este valor não foi pago à OGM ou Ituran Beheer, a divida foi cancelada/perdoada em 01/10/05, e a contrapartida do cancelamento desta divida, que deveria ter sido oferecido à tributação como receita eventual, não o foi. Verificamos tratarse de infração a legislação tributária, de omissão de outra receita operacional, de Receita por Desconto Obtido de 100% (cem por cento), referente perdão de divida, cancelada pelo fornecedor Ituran Beheer B.V. do valor de R$8.389.047,22 (equivalente a US$3.775.109,00 na taxa de cambio de R$2,22220 de 01/10/05), conforme a Correspondência de Absorção do prejuízo pela Divida datada de 01/10/05 da Ituran Beheer B. V., onde nesta data de 01/10/05 o fornecedor Ituran Beheer não era sócioquotista do contribuinte, e conseqüentemente não se aplica o alegado artigo 509 do RIR/99 com previsão para sócio. 0 que será demonstrado é que, através de uma série de passos que objetivaram fugir ao pagamento do imposto de renda sobre uma receita obtida, uma divida com um fornecedor foi perdoada e o valor correspondente não foi oferecido tributação. Esses passos serviram ao propósito de ocultar o que de fato ocorreu: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 531 5 um perdão de divida, quando o fornecedor Ituran Beheer ainda não era sócioquotista do contribuinte, cujo valor deveria ter servido de base de cálculo para o IRPJ e seus reflexos, conforme as considerações abaixo: CONSIDERAÇÕES DO ITEM 3: 1) considerando que o contribuinte Ituran Sistemas, iniciou atividade em 03/08/1998, e somente em 23/12/99 iniciou serviços para monitoramento de bens; depois temos o anexo "CONTRATO DE FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL" DATADO DE 07/12/2000, ORIGEM da divida com o Fornecedor OGM Investments B. V. e o contribuinte adquirente Teleran Localização e Controle Ltda. (antigo nome do contribuinte), que pela cláusula quinta obrigouse a pagar Fornecedora remuneração de US$2.494.803,00, relacionado no Anexo A do contrato de Cessão; 1.1) Neste contrato a Fornecedora foi autorizada a sublicenciar a tecnologia DTOA referente a métodos na construção de estações locais de comunicação e operação de sistema de monitoramento de veículos mediante utilização de radiofreqüência, doravante denominada Tecnologia; 1.2) Neste contrato "A adquirente obteve autorização da ANA TEL para uso de radiofreqüência para gerenciamento de localização de v eículos e outros, e que a Adquirente será a primeira empresa do Brasil a prestar tais serviços mediante a utilização de radiofreqüência, que a tecnologia necessária para tanto não está disponível no Pais, motivo pelo qual ela deseja e precisa adquirir a Tecnologi e a Fornecedora possui, que por sua vez concordou em fornecêla, assim como toda a assistência técnica necessária em relação ao uso, comercialização e venda de serviços, pela Adquirente"; 1.3) Pela cláusula 2ª de Fornecimento de Tecnologia, a Fornecedora se obriga a revelar à Adquirente, no prazo máximo de 90 (Noventa) dias contados da data da sua assinatura, todas a Informações Técnicas e/ou Dados Técnicos, para a construção e operação de 33 estações locais utilizando a Tecnologia acima (vide definição de Informações Técnicas e Dados Técnicos na clausula primeira do contrato); 1.4) Pela cláusula 3.4 prevê reembolso de despesas pela Adquirente à Fornecedora, dos custos e despesas incorridas pela Fornecedora em decorrência da alocação de seus funcionários para a prestação de assistência técnica e treinamento fornecidos sob o presente contrato; 1.5) Pela cláusula 4ª o presente contrato permanecerá em vigor pelo prazo de 5 anos, contados a partir da data de sua assinatura; 1.6) Na claúsula 5.4: "Na hipótese da Adquirente, em qualquer época em que o pagamento seja devido, ser impedida por leis ou regulamentos então em vigor no Brasil, de remeter qualquer Fl. 533DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 importância devida sob o presente contrato, ou na eventualidade de referidas leis ou regulamentos imporem encargo descabido, porém temporário, sobre referidas remessas, as remunerações ou quantias devidas serão, à escolha exclusiva da Fornecedora: (i) creditadas nos livros contábeis da Adquirente, a favor da Fornecedora, e remitidas logo voltem a ser permitidas as transferências ao exterior ou cancelado o encargo: ou (ii) pagas por meio aceitáveis para a Fornecedora e disponíveis para a Adquirente. (grifo nosso)"; 2) Considerando o Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial de 07/12/2000 acima, o valor de US$2.494.803,00, está discriminado no "Anexo A" conforme abaixo: 2.1) data 24/09/99 no valor de US$2.061.755,00 como "Fatura OGM n° 99/175 Contrato de Licença para a B. S."; houve alteração do contrato social do contribuinte em 23/12/99 para iniciar serviço de monitoramento de bens; 2.2) data 17/01/00 no valor de US$433.048,00 como "Fatura OGM n° 99/177 Licença de Tecnologia 83%"; 2.3) soma parcial de US$2.494.803,00; 2.4) Ressaltamos que o valor do contrato acima, mais as despesas de reembolso relacionadas de US$718.986,00, mais juros relacionados de US$152.845,00, mais Fatura OGM n° 2001/500/006 relacionada de US$548.475,00, menos a Nota de Crédito OGM relacionada de US$(140.000,00), totalizou US$3.775.109,00 relacionado no "Anexo A Contas a Pagar de Partes Relacionadas em Maio/2004, entre o contribuinte Teleran Loc. e Contr. Ltda. e OGM Investments", integrante do contrato de cessão de 01/05/04 a seguir; 3) Considerando que o Contrato de Fornecimento de Tecnologia acima gerou lançamentos contábeis no Ativo Imobilizado, com contrapartida no Passivo obrigações com Fornecedores a pagar, declarados nas DIPJ Declaração do IRPJ desde o ano calendário 1999 e subseqüentes; 4) considerando que pelo anexo oficio INPIIDIRTEC n? 1046/02, em 06/11/02, o INPI recusou averbação do contrato de transferência de tecnologia; e que a averbação do INPI é condição para dedutibilidade da despesa conforme §3° do artigo 355 do RIR/99, portanto a recusa da averbação pelo INPI, resultou em indedutibilidade das despesas com amortizações efetuadas; e ainda impossibilitou contratação de cambio no Bacen – Banco Central, pois para pagamentos cambiais referente contrato de transferência de tecnologia e /ou serviços de assistência técnica, é obrigatório o número do Registro Declaratório Eletrônico (ROE) de operações de transferência de tecnologia, cujo RDE é obtido somente após averbação do contrato no (INPI) Instituto Nacional da Propriedade Industrial, conforme artigos 2º e 12 da CartaCircular Bacen n° 2.795, de 15/04/98; 5) Considerando o anexo "CONTRATO DE CESSÃO" CELEBRADO EM 01/05/04, o Fornecedor OGM Investments B.V., credora do contribuinte, cedeu seu direito de crédito para Fl. 534DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 532 7 outra empresa holandesa a Ituran Beheer B. V., no valor de US$ 3.775.109,00, relacionado no "Anexo A Contas a Pagar de Partes Relacionadas em Maio/2004, entre o contribuinte Teleran Loc. e Contr. Ltda. e OGM Investments" de 01/05/04. Na contabilidade do contribuinte ocorreu apenas uma transferência deste valor de uma conta de passivo circulante de um fornecedor para outro, isto é, ela continuou devendo exatamente o mesmo valor, tendo apenas mudado o detentor do crédito; 6) Considerando que o Contrato de Cessão de Dividas e Anexo A celebrado em 01/05/04 acima, foi contabilizado e lançado somente em ano e data posterior de 01/01/2005, conforme anexa Folha 2 do Livro Diário 32, soma no valor de US$3.775.109,00: 6.1) transferência do Passivo Fornecedor OGM para o Fornecedor Ituran Beheer de R$9.614.937,64 (US$3.622.264,00 na taxa de cambio de R$2,6544 de 31/12/04); 6.2) transferência do Passivo Juros a PagarOGM para Juros a PagarIturan Beheer de R$405.713,42 (equivalente a US$152.845,00 na taxa de cambio de 31/12/04); 7) Considerando a anexa CORRESPONDÊNCIA DE ABSORÇÃO DE PREJUÍZO PELA DIVIDA DATADA DE 01/10/05 DA ITURAN BEHEER B. V., alegou referente à conta corrente entre empresas, que Ituran Beheer B.V. possui um crédito contra o contribuinte no valor de US$3.775.109,00, como acionista da Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. (contribuinte), a Ituran Beheer está disposta a absorver as perdas acumuladas do contribuinte até a quantia da conta corrente, conforme artigo 509, parágrafo 2°, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99). Ressaltamos que nesta data da correspondência 01/10/05 o fornecedor Ituran Beheer não era sócioquotista do contribuinte Ituran Sistemas, como alegado acima; (...) 14) Considerando que o contribuinte alegou nas correspondências acima, em especial da data de 26/11/07 e de 26/04/10, em resposta aos Termos de Intimação, que o Contribuinte observa que em verdade toda a operação tinha por objetivo estornar os efeitos contábeis de um contrato que nunca chegou a ser existir no mundo jurídico, visto que a sua eficácia dependia de averbação pelo INPI dos seus termos, averbação esta que foi denegada. Verificamos que: 14.1) A eficácia do contrato independe da averbação do INPI, que em 06/11/02 recusou averbação do contrato de transferência de tecnologia de 07/12/00; que resultou em indedutibilidade das despesas com amortizações efetuadas; e ainda impossibilitou contratação de cambio no Bacen Banco Central, que conforme previsão na claúsula 5.4 do contrato pelo impedimento de remeter cambio pelo Bacen, as quantias devidas foram creditadas nos livros contábeis da Adquirente, a favor da Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 Fornecedora OGM, e remitidas tão logo voltem a ser permitidas as transferências ao exterior ou cancelado o encargo; 14.2) "Esclarece o Contribuinte que o sistema de monitoramento (objeto primeiro do contrato de transferência de energia) utiliza o sistema chamado de DTOA de rádio freqüência. Informa, ainda, que o sistema utilizado (software/hardware) é de propriedade do Contribuinte. Assim. temse que a empresa é a primeira e única a utilizar esta tecnologia no território nacional. Por fim, informa o Contribuinte que o número de antenas/estações atualmente em uso para realização de sistema de monitoramento supera a marca de 100 (cem), sendo estas divididas em estações receptoras e/ou transmissoras". Pelo esclarecimento retro do contribuinte, verificamos o cumprimento e realização concreta dos objetivos do "CONTRATO DE FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL" DATADO DE 07/12/2000, ORIGEM da divida com o Fornecedor OGM Investments B. V., pois o contribuinte utiliza o sistema DTOA de radio freqüência, sistema que é o objeto deste contrato: sublicenciar a tecnologia DTOA referente a métodos na construção de estações locais de comunicação e operação de sistema de monitoramento de veículos mediante utilização de radiofreqüência, doravante denominada Tecnologia; ainda foi cumprida a cláusula neste contrato que dispunha: "A adquirente obteve autorização da ANATEL para uso de radiofreqüência para gerenciamento de localização de veículos e outros, e que a Adquirente será a primeira empresa do Brasil a prestar tais serviços mediante a utilização de radiofreqüência, que a tecnologia necessária para tanto não está disponível no Pais, motivo pelo qual ela deseja e precisa adquirir a Tecnologia que a Fornecedora possui, que por sua vez concordou em fornecêla, assim como toda a assistência técnica necessária em relação ao uso, comercialização e venda de serviços, pela Adquirente"; A fornecedora revelou à Adquirente no prazo previsto de 90 dias após a data da sua assinatura de 07/12/2000, a tecnologia prevista na cláusula 2a de Fornecimento de Tecnologia, onde a Fornecedora se obrigou a revelar à Adquirente, no prazo máximo de 90 (Noventa) dias contados da data da sua assinatura, todas a Informações Técnicas e/ou Dados Técnicos, para a construção e operação de 33 estações locais utilizando a Tecnologia DTOA acima que foi transferida para o contribuinte; informa o Contribuinte que o número de antenas/estações atualmente em uso para realização de sistema de monitoramento supera a marca de 100 (cem), sendo estas divididas em estações receptoras e/ou transmissoras; houve ainda despesas de reembolso previstas na clausula 3.4 do contrato de transferência, relacionadas de US$718.986,00 efetuadas em diversos períodos: de 31/12/99US$250.301,00; 31/03/00US$252.265,00; 03/07/00 US$130.758,00; a 30/09/00 US$85.662,00; Considerando o Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial de 07/12/2000 acima, o valor de US$2.494.803,00, está discriminado no "Anexo A" na data 24/09/99 no valor de US$2.061.755,00 como "Fatura OGM n° 99/175 Contrato de Licença para a B. S."; e data 17/01/00 no valor de Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 533 9 US$433.048,00 como "Fatura OGM n°99/177 Licença de Tecnologia 83%"; Ressaltamos que o valor do contrato acima, mais as despesas de reembolso previstas na clausula 3.4 do contrato de transferência, relacionadas de US$718.986,00 no período de 31/12/99 a 30/09/00; mais juros relacionados de US$152.845,00, mais Fatura OGM n° 2001/500/006 relacionada de US$548.475,00, menos a Nota de Crédito OGM relacionada de US$(140.000,00), totalizou US$3.775.109,00 no período de 24/09/99 a 25/06/02, relacionado no "Anexo A Contas a Pagar de Partes Relacionadas em Maio/2004, entre o contribuinte Teleran Loc. e Contr. Ltda. e OGM Investments", integrante do contrato de cessão de 01/05/04; Pela exposição acima, o contrato foi cumprido e realizado a transferência de tecnologia de construção de estações e operação do sistema de monitoramento de bens pela tecnologia DTOA de rádio freqüência, e informações anexas da internet no site www.ituran.com.br , bem como foi contabilizado no Ativo Imobilizado e no Passivo Fornecedores OGM, foi efetuado amortização do Ativo Imobilizado, foi efetuado cessão de divida entre fornecedores OGM e Ituran Beheer, portanto com todas as operações acima não procede a alegação do contribuinte que o contrato nunca chegou a ser existir no mundo jurídico; 15) Considerando que foi cumprido e realizado o contrato de transferência de tecnologia de construção de estações e operação do sistema de monitoramento de bens pela tecnologia DTOA de rádio freqüência, datado de 07/12/2000, não pode se tratar de simples estorno dos efeitos contábeis do contrato que o contribuinte alegou não ter sido cumprido; (...) 17) Considerando que a absorção do prejuízo pela divida foi contabilizada somente na data de 30/12/2005 cfe. Diário, porem os valores de cancelamento da divida, taxa de cambio utilizado, estornos, reportamse data de 01/10/05 da correspondência, que nesta data o fornecedor Ituran Beheer não era sócioquotista. 18) Considerando que a Duran Beheer ao se tomar sócio quotista do contribuinte, em 30/12/05 cfe. JUCESP, com R$1,00 do capital total de R$6.935.890,00, cancelou a favor do contribuinte uma divida de fornecedor no valor de R$8.389.047,22 (equivalente a US$3.775.109,00 na taxa de cambio de R$2,22220 de 01/10/05), valor superior ao capital social total do contribuinte, sem nenhuma vantagem e contrapartida auferida contratualmente, onde verificamos falta de propósito negociaI efetivo, não têm fundamentação econômica, cuja intenção é de mascarar a operação de perdão de divida de fornecedor, para reduzir ou não pagar nenhum tributo sobre a receita com desconto obtido de 100%, do perdão de divida de fornecedor Ituran Beheer do valor de R$8.389.047,22 acima. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 19) CONCLUSÕES DO ANOCALENDÁRIO 2005 conforme as considerações acima, em síntese: 19.1) que o contribuinte Ituran Sistemas, iniciou atividade em 03/08/1998, e na alteração de 23/12/99 iniciou serviços de monitorannento de bens (item 3.1, fl.9); 19.2) que o contrato de transferência de Tecnologia DTOA de 07/12/2000 foi cumprido, e ainda o contribuinte utiliza da tecnologia DTOA, inexistente no pais conforme contrato na época, e informações anexas da intemet no site www.ituran.com.br (item 3.1 fls. 9/10, e itens 3.14 e 3.15 fls. 12/13); 19.3) que a eficácia do contrato independe da averbação do INPI, que em 06/11/02 recusou averbação do contrato de transferência de tecnologia de 07/12/00; que resultou em indedutibilidade das despesas com amortizações efetuadas; e ainda impossibilitou contratação de cambio no Bacen Bco Central (itens 3.4 fl. 10, e 3.14.1 fl. 12); 19.4) que não se trata de estorno dos efeitos fiscais (itens 3.14 fls. 12/13, e 3.15 fl. 13); 19.5) principalmente que na data de 01/10/05 da Correspondência de Absorção de Prejuízo Pela Divida da Ituran Beheer B. V. ("PERDÃO DE DÍVIDA”), este Fornecedor não era sócioquotista do contribuinte (itens 3.7 fls. 11, e 3.16 FL.13 19.6) que somente nesta data de 30/12/2005 da 16ª alteração do contrato social do contribuinte Ituran, foi incluída como sócio quotista a empresa Ituran Beheer BV. (item 3.11 fls. 11/12); 19.7) que a 16ª alteração contratual está datada manuscrito de 30/12/2005, mas só foi protocolizada na JUCESP em data de 15/02/2006, data a partir da qual começou a produzir efeitos perante terceiros, inclusive para a Receita Federal (item 3.12 fl. 12); 19.8) que os lançamentos contábeis de 30/12/05 que absorveu as perdas acumuladas do contribuinte, até o limite do crédito de US$ 3.775.109,00 deste fornecedor, os valores de cancelamento da divida, taxa de cambio utilizado, estornos, reportamse à data de 01/01/05 da correspondência, que nesta data não era sócio quotista.(item 3.17 — fl. 14) 19.9) que no contrato de transferência de tecnologia de 07/12/00 na cláusula 5.4 (i) tem previsão de cancelamento das importâncias devidas ao Fornecedor, caso haja impedimento de remeter a divida, conseqüência da recusa de averbação do INPI (item 3.1.6 fl. 10, e item 3.14.1 fl. 12); 19.10) que principalmente a operação não se enquadra no artigo 509, parágrafo 2°, do RIR/99 (absorção de prejuízo à conta de sócio), pois o fornecedor Ituran Beheer não era sócioquotista do contribuinte na data de 01/10/05 da correspondência de "Perdão de Divida" (itens 3.7 fl. 11 e 3.16 fl. 13); Fl. 538DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 534 11 19.11) que Ituran Beheer ao se tomar sócioquotista do contribuinte, em 30/12/05 cfe. JUCESP, com R$1,00 do capital total de R$6.935.890,00, cancelou a favor do contribuinte uma divida de fornecedor no valor de R$8.389.047,22 (equivalente a US$3.775.109,00 na taxa de câmbio de R$2,22220 de 01/10/05), valor superior ao capital social total do contribuinte, sem nenhuma vantagem e contrapartida auferida contratualmente, onde verificamos falta de propósito negocial efetivo, não têm fundamentação econômica, cuja intenção é de mascarar a operação de perdão de divida de fornecedor, para reduzir ou não pagar nenhum tributo sobre a receita com desconto obtido de 100%, do perdão de dívida de fornecedor Ituran Beheer do valor de R$8.389.047,22 acima (item 3.18 fl.14); 19.12)Verificamos que o contrato de transferência de tecnologia DTOA foi cumprido, este valor não foi pago, a recusa de averbação do INPI impossibilitou remessa pagamento cambial, tem clausula de cancelamento de encargo no contrato de transferência, e uma divida com um fornecedor teve cancelamento e "Perdão de Divida" em 01/10/05, quando o fornecedor Ituran Beheer ainda não era sócioquotista do contribuinte, e a contrapartida do cancelamento desta divida, deveria ter sido oferecido à tributação como RECEITA POR DESCONTO OBTIDO de 100%. referente PERDÃO DE DIVIDA, CANCELADA PELO FORNECEDOR Ituran Beheer B.V., do valor de R$8.389.047,22, conforme a Correspondência de Absorção do prejuízo pela Divida ("Perdão da Divida", Cancelamento) datada de 01/10/05. (...) 7 DO AUTO DE INFRAÇÃO DO ANOCALENDÁRIO 2007: GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL COMPENSADO INDEVIDAMENTE, POR SALDO DE PREJUÍZO INSUFICIENTE (IRPJ). GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCUL0 NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES (CSL). Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado nos anos 2007 e 2008, tendo em vista uso da compensação do prejuízo sobre o lançamento da infração constatada no períodobase 2005, através deste Auto de Infração, resultando nestes anos em saldo insuficiente de prejuízo. No ano de 2005 pelo presente auto de infração de receita por desconto obtido, compensamos prejuízo sobre a infração, com ajuste no saldo final do prejuízo. Verificamos que no ano calendário de 2007, o contribuinte compensou prejuízo na DIPJ Declaração do IRPJ, porém ocorreu saldo insuficiente de prejuízo a compensar, devido ajuste no saldo pela infração de 2005. (...) Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 8 DO AUTO DE INFRACÁO DO ANOCALENDÁRIO 2008: GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL COMPENSADO INDEVIDAMENTE, POR SALDO DE PREJUÍZO INSUFICIENTE (IRPJ). GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES (CSL). Idem acima. Em observância ao acima exposto, constituímos pelo presente lançamento o reflexo do auto de infração de 2005, e efetuamos a glosa do saldo insuficiente do prejuízo compensado na DIPJ em 2008 do valor de R$2.099.125,55 conforme planilha anexa "DEMONSTRATIVO DO"SALDO PARA COMPENSAÇÃO" NO IRPJ E CSL"; conforme Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração, no valor total de R$980.711,43, já acrescido de juros e multa de oficio. (. ..) 0 contribuinte foi cientificado do Termo de Verificação e dos Autos de Infração em 24/06/2010 e apresentou em 22/07/2010, a impugnação de fls. 306 a 319, onde apresenta, em síntese, as seguintes alegações: I. A presente impugnação é tempestiva; II. Da Operação de Absorção de Prejuízos. Esclarece que a carta assinada pela Ituran Beheer, datada de 01/10/2005, não possuía a natureza de um perdão de divida, mas sim o compromisso de, em data futura, adotar o procedimento de absorver o prejuízo da impugnante contra o seu crédito. A carta possui muito mais a natureza de uma promessa de fazer, dada a linguagem adotada. Em momento algum se refere a um perdão de divida, pelo contrário descreve os lançamentos contábeis a serem adotados que refletem uma operação de absorção de prejuízos. Portanto, a conclusão de que houve um perdão de divida em 01/10/2005, não deveria prevalecer, seja porque tal documento refletia um compromisso a ser adimplido, seja porque o mesmo de forma alguma tem natureza de perdão de divida; III. Esclarece que a 16ª alteração do contrato social, na qual a Ituran Beher foi admitida como sócia, foi assinada em 30/12/2005. Conforme Ficha Cadastral Completa da Impugnante (doc. 4) emitida pela Jucesp, a data que a fiscalização erroneamente alega ser a data de protocolização de 15/02/2006, em verdade se refere à data de sessão da Jucesp em que a 16ª Alteração Contratual foi aprovada para registro. E, que o art. 36 da Lei n° 8.934/94 dispõe que tal registro deve ser considerado como retroagindo os seus efeitos para a data de sua assinatura; IV. Da Não Tributação do Estorno de Provisão. Ainda que se admitisse que a fiscalização estaria correta, não seria procedente a autuação. Na medida em que a operação de absorção de prejuízos seja desconsiderada, a receita decorrente Fl. 540DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 535 13 deveria ser tratada como um estorno de provisão não tributável e não como um perdão de divida tributável; V. Nesta hipótese, a operação de reversão da provisão seria igualmente neutra, em vista do que dispõe o art. 392, II do RIR/99. Na medida em que os custos, deduções ou provisões sejam tratados como indedutiveis, quando incorridos, a sua recuperação, devolução ou seu estorno deverão ser tratados como resultado não tributável. 0 valor registrado como passivo não possuía a natureza de um contas a pagar, mas sim de uma provisão, eis que a eficácia do contrato de transferência de tecnologia (portanto a legitimidade dos pagamentos nele previstos) dependia de o referido contrato ser registrado perante o INPI; VI. A denegação do registro pelo INPI resultaria não apenas na indedutibilidade da despesa, mas na impossibilidade do seu registro perante o BACEN e, conseqüentemente, na incapacidade de a impugnante adquirir moeda estrangeira para efetuar o pagamento do fornecedor da tecnologia adquirida (art. 354 e 355 do RIR/99). A possibilidade de o registro no INPI ser negado era tão patente que o contrato de transferência de tecnologia previa o que se segue na cláusula 5.4; VII. 0 risco de o registro ser negado pelo INPI torna claro que a contabilização do passivo não possuía natureza de obrigação a pagar, mas de uma provisão, nos termos do NPC 22 (ver Deliberação CVM n° 489/05); VIII. Tendo em vista o disposto no art. 335 do RIR/99 e face ao fato de que a dedutibilidade do valor provisionado não está contemplada no regulamento, inicialmente, tratou a contrapartida do provisionamento como um ativo diferido e, quando de sua amortização, tratou a despesa resultante como indedutivel. Neste sentido, junta cópia da parte A do LALUR, bem como duas planilhas. Caso a documentação seja considerada insuficiente, solicita que seja efetuada diligência; IX. Fica claro que: (i) nos termos da NPC 22, o passivo registrado possuía a natureza de uma provisão; (ii) em obediência ao art. 335 do RIR/99, a despesa operacional decorrente não seria dedutivel e (iii) em obediência á legislação, adicionou a referida despesa para fins de cômputo do seu lucro real e da base de cálculo da CSLL. Não resta dúvida de que a reversão da referida provisão, após o INPI denegar o registro, constitui receita não tributável para fins de apuração do IRPJ e CSLL, conforme previsto no art. 392, II do RIR/99; X. Transcreve ementa do processo de consulta 115/06 — SRRF — 10ª RF sobre Reversão de Provisão e doutrina; XI. Adotou a estrutura de absorção de prejuízos não porque desejava vantagem fiscal indevida, mas porque lhe pareceu que reverter a provisão para conta de resultado representava uma solução mais elegante, visto que sua demonstração de resultado não seria indevidamente impactada com uma receita claramente Fl. 541DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 excepcional. A fiscalização se acostumou a ver os contribuintes adotando procedimentos contábeis pouco habituais apenas com o intuito de obter beneficios fiscais, estranhando assim que a impugnante tenha preferido levar o valor da reversão diretamente para o patrimônio liquido como forma de evitar que sua demonstração de resultado fosse distorcida; XII. Da multa exofficio qualificada. Em momento algum houve má fé ou qualquer outro comportamento que possa ser considerado como ilícito ou abusivo e que autorize a aplicação da penalidade agravada; XIII. Inicialmente celebrou o contrato de transferência de tecnologia e apresentouo para registro no INPI, conforme determina a legislação. Entretanto o INPI denegou o registro, gerando uma impossibilidade jurídica de a despesa decorrente ser dedutivel e, mais importante, adquirir reservas junto ao BACEN para servir o pagamento no exterior; XIV. Verificouse a impossibilidade jurídica de aperfeiçoamento do contrato tal como inicialmente redigido. 0 contrato simplesmente não poderia ser executado. Além disso, a provisão dos valores a pagar foi tratada como não dedutivel. Portanto, a impugnante não obteve qualquer beneficio. Não houve perdão de divida pois a divida sequer se materializou e não houve dedução dos valores provisionados; XV. Não agiu de forma dolosa e não há qualquer prova que pudesse ser utilizada para evidenciar qualquer alegação neste sentido. A impugnante utilizouse de uma operação (absorção de prejuízo à conta do sócio) prevista no RIR (art. 509) e que foi devidamente contabilizada e registrada nos livros. E totalmente incabível a aplicação da penalidade de 150% em virtude de total inexistência do "evidente intuito de fraude" e da inexistência de sonegação. XVI. Não só a impugnante logrou provar a legitimidade da operação, bem como o fisco não tem nenhuma prova ou indicio no sentido da presença do evidente intuito de fraude (sonegação). A 1ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por meio do Acórdão nº 1627.597, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2007, 2008 PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Considerase indeferida a solicitação de diligencia que não justifique os motivos do pedido e quando as provas que se apresentam nos autos são suficientes para comprovar as infrações constantes no auto de infração. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. REGISTRO. EFEITOS. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 536 15 Verificandose que a Alteração Contratual foi apresentada para arquivamento na Junta Comercial, após 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, os efeitos deste arquivamento só terão eficácia a partir do despacho que o conceder. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2007, 2008 PREJUÍZO COMPENSÁVEL. ABSORÇÃO. CONTA DE SÓCIO. A absorção de prejuízo fiscal do contribuinte mediante débito à conta de sócio (pessoa jurídica) prevista no § 2° do art. 509 do RIR/99, somente é valida se, à época em que se acordou a absorção entre as partes, a pessoa jurídica era de fato sócia do contribuinte. Comprovado nos autos que a pessoa jurídica veio a se tornar sócia do sujeito passivo somente 3 meses após o acordado, não há se falar em aplicação do citado dispositivo legal. PROVISÃO. CONSTITUIÇÃO. ESTORNO. A partir de 01/01/1996, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas a constituição de qualquer provisão, exceto as expressamente autorizadas. Não havendo a previsão legal para a constituição de uma provisão com fornecedores, não há que falar em estorno desta mesma provisão. CONTA DE PASSIVO. OBRIGAÇÕES A PAGAR. PROVISÃO. CONTABILIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se alegar que a conta registrada como Passivo (obrigações com fornecedores a pagar) seria uma conta de Provisão quando a fiscalização constatou que os registros contábeis demonstram tratarse de conta de Passivo (obrigações a pagar) registrada em contrapartida a uma Ativo Imobilizado. NORMAS. PROCEDIMENTOS. IBRACON. OBSERVÂNCIA. A legislação tributária federal não impede a adoção, pelas pessoas jurídicas em geral, dos procedimentos contábeis normatizados pelo Instituto Brasileiro de Contadores IBRACON, desde que observados os ajustes por ela determinados no lucro liquido contábil, para fins de determinação das base de cálculo dos tributos e contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA. QUALIFICAÇÃO. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 Cabe manter a qualificação da multa de oficio aplicada quando verificado nos autos provas suficientes da execução do contrato de fornecimento de tecnologia do qual o contribuinte é devedor e cuja divida foi transformada em prejuízo e absorvida à conta de sócio inexistente à época da transação, impedindo o conhecimento por parte da autoridade fazenddria da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 16/06/2008 (fls. 145), em 16/06/2008 a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 146160, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória e analisando trechos específicos da decisão recorrida, no seguintes termos: a) Preliminarmente, aduziu que a decisão de piso considerou indevidamente que a recorrente deixou de juntar duas importantes planilhas à sua impugnação. Na verdade, as citadas planilhas foram, sim, juntadas às fls. 404405. Tal fato, na sua opinião, revelaria “falta de boa vontade e desatenção” do colegiado julgador a quo. A impugnante ressaltou que seu pedido de perícia foi indeferido. Por esta razão, interpretou a recorrente que a decisão recorrida efetivamente aceitou a referida despesa como indedutível. b) Voltou a defender a tese de que foi lícito o procedimento de absorção de prejuízos contábeis pela sócia Ituran Beheer B.V., reiterando que a aludida absorção de prejuízos não ocorreu em 01/10/2005, mas sim em 31/12/2005. Sustentou, outrossim, que a data “picotada” pela Junta Comercial de São Paulo referese à data em que o registro foi deferido, e não à data de protocolização do documento. Negou, pois, que o protocolo daquele documento tenha ocorrido em 15/02/2006, conforme indevidamente considerado pela decisão de piso. c) Afirmou que a decisão recorrida claramente confudiu a vedação de deduzir quaisquer provisões (salvo aquelas expressamente permitidas pela legislação tributária) com a vedação de constituir quaisquer outras provisões recomendadas pela boa técnica contábil. Reafirmou que o valor registrado no passivo não possuía a natureza de um “contas a pagar”, mas sim de uma “provisão indedutível”, eis que a eficácia do contrato de transferência de tecnologia (e portanto a legitimidade dos pagamentos correspondentes) dependia de o referido contrato ser registrado perante o INPI. Neste sentido, fez referência à NPC 22 (Deliberação CVM nº 489/05). Referiuse, também, à cláusula 5.4 do contrato de transferência de tecnologia, com o intuito de demonstrar que, na data da sua assinatura, já era patente a possibilidade de o registro no INPI ser negado. Afirmou que este seu entendimento é confirmado por doutrina, por solução de consulta da Receita Federal do Brasil e por decisões administrativas. d) Questionou a aplicação da multa de ofício qualificada, reiterando que a data de 15/02/2006 não foi a data de protocolização do ato societário, mas sim a data da sessão da sessão da Junta Comercial de São Paulo. Considerou “impossível” a tese do colegiado julgador a quo, no sentido de que o aludido ato societário teria sido apresentado e arquivado no mesmo dia. Assim sendo, não existiria a “prova cabal” do intuito doloso da contribuinte, indeviamente considerado pela decisão de piso. Visando embasar seus argumentos, fez referência a julgados do CARF, fls. 502503. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 537 17 Nestes termos, requereu o cancelamento integral da exigência. Alternativamente, requereu a desqualificação da multa de ofício, uma vez que a recorrente agiu de maneira cristalina, sem intuito de fraudar o Fisco. É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Questões preliminares Preliminarmente, a recorrente alegou que a decisão de piso considerou, e maneira indevida, que a recorrente deixou de juntar duas importantes planilhas à sua impugnação. Na verdade, as citadas planilhas foram, sim, juntadas às fls. 404405. Tal fato, na sua opinião, revelaria “falta de boa vontade e desatenção” do colegiado julgador a quo. Compulsando os autos, verifico que o ilustre Relator da decisão de piso efetivamente deixou de observar a existência das planilhas de fls. 404405. Ao meu ver, contudo, esta desatenção do Relator não produziu nenhuma influência relevante no resultado do acórdão da DRJ. A referência feita à ausência das duas planilhas foi apenas incidental, conforme se verifica às fls. 429. No entender do colegiado recorrido, havia diversos outros elementos de prova nos autos capazes de demonstrar que o valor da dívida originada pelo contrato de transferência de tecnologia tinha a natureza de uma obrigação a pagar (um passivo líquido e certo) e não de uma simples provisão. Por esta razão, considero que este pequeno equívoco cometido pelo colegiado julgador a quo não tem o condão de eivar de nulidade a retrocitada decisão. Adicionalmente, a impugnante ressaltou que seu pedido de perícia foi indeferido. Por esta razão, interpretou a recorrente que a decisão recorrida aceitou a referida despesa como “indedutível”. Em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. De plano, esclareçase que, na realidade, o pedido de perícia da contribuinte apresentava inúmeras deficiências, descumprindo diversos requisitos previstos pelo art. 17, IV c/c do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou pericias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulacdo dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 422: Fl. 546DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 538 19 Verificase que o interessado não expôs os motivos que justificariam uma diligencia e nem formulou quesitos referentes aos exames desejados. Ademais, conforme se verá adiante, a realização de diligência mostrase prescindível, tendo em vista os elementos que se apresentam nos autos. Diante do exposto, concluo que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, ao indeferir o pedido de perícia. Nestes termos, rejeito as preliminares arguidas pela recorrente. Breve resumo dos fatos Antes de adentrar ao mérito, convém fazer um breve resumo cronológico dos fatos relevantes para o julgamento do presente litígio: a) A pessoa jurídica Teleran Localização e Controle Ltda. (CNPJ 02.793.621/000103) foi constituída em 23.09.98 (data de arquivamento do seu ato constitutivo na JUCESP, fls. 10). Seu objeto social era: a) importação, exportação e comércio de equipamentos de rastreamento e segurança de veículos, pessoas e cargas; b) prestação de serviços de telecomunicações de monitoramento e localização de veículos, cargas e pessoas. b) Em 23/12/1999 (v. fls. 1017), a Teleran Localização e Controle Ltda. incluiu em seu objeto social a atividade de prestação de serviços de “desenvolvimento, implantação e manutenção de sistemas de telecomunicações relacionados à localização de veículos, cargas e pessoas”. para monitoramento de bens (localização de veículos, cargas e pessoas); c) Em 07/12/2000 (v. fls. 157165), a Teleran Localização e Controle Ltda. firmou contrato de “Fornecimento de Tecnologia Industrial” com a pessoa jurídica OGM Investments B.V., sediada na Holanda. Por meio do aludido contrato, a OGM sublicenciou à Teleran a tecnologia DTOA, referente a avançados processos e métodos empregados na construção de estações locais de comunicação e operação de sistema de monitoramento de veículos mediante utilização de radiofrequência; d) A cláusula 2.1. do aludido contrato previa que a OGM se obriga a revelar à Teleran, no prazo máximo de 90 (noventa) dias contados da data da sua assinatura, todas as Informações Técnicas e/ou Dados Técnicos necessárias para a construção e operação de 33 estações locais utilizando a aludida tecnologia DTOA; e) Em retribuição ao fornecimento da tecnologia, a Teleran pagaria à OGM a remuneração fixa e líquida de US$ 2.494.803,00, após o registro do aludido contrato perante as autoridades brasileiras competentes (INPI), conforme cláusula quinta do contrato; f) A cláusula quarta previa que o aludido contrato teria prazo de vigência de 5 anos, com renovações automáticas por períodos adicionais de 1 ano, salvo notificação escrita de uma das partes.; g) Durante a vigência do contrato, a OGM se comprometeu a prestar assistência técnica de caráter abrangente, relativa à utilização da tecnologia DTOA, conforme cláusula terceira do contrato. As despesas inerentes a estas prestações de assistência técnica Fl. 547DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 20 seriam pagas diretamente pela Teleran ou reembolsados/creditados à OGM (elevando o valor do débito da Teleran em relação à OGM); h) A cláusula 5.4 do contrato previa o seguinte (grifado no original): 5.4. Na hipótese da Adquirente, em qualquer época em que o pagamento seja devido,ser impedida por leis ou regulamentos então em vigor no Brasil, de remeter qualquer importância devida sob o presente contrato, ou na eventualidade de referidas leis ou regulamentos imporem encargo descabido, porém temporário, sobre referidas remessas, as remunerações ou quantias devidas serão, à escolha exclusiva da Fornecedora: (i) creditadas nos livros contábeis da Adquirente, a favor da Fornecedora, e remetidas tão logo voltem a ser permitidas as transferências ao exterior ou cancelado o encargo; ou (ii) pagas por meios aceitáveis para a Fornecedora e disponíveis para a Adquirente. i) O Ofício de fls. 167, expedido pelo INPI em 06/11/2002, revela que foi indeferida a solicitação de averbação do contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial retrocitado. O Ofício de fls. 174, também expedido pelo INPI, esclarece que o contrato em questão não apresentava condições de ser averbado no INPI, por “não caracterizar transferência de tecnologia nos termos do art. 211 da Lei n ° 9279/96, por não intemalizar a tecnologia dos programas de computador, conforme determina o art. 11 da Lei n° 9609/98”; j) Em 01/03/04 foi registrada na JUCESP o contrato social da pessoa jurídica Ituran Serviços Ltda., sediada em São Paulo; k) Em 01/05/2004 foi celebrado "contrato de cessão de crédito” , por meio do qual o Fornecedor OGM Investments B.V. (credora do contribuinte), cedeu seu direito de crédito para a pessoa jurídica a Ituran Beheer B. V, sediada na Holanda. Na citada data, o débito cedido era da ordem de US$ 3.775.109,00, conforme relacionado no "Anexo A Contas a Pagar de Partes Relacionadas em Maio/2004”, entre o contribuinte Teleran e OGM Investments", de 01/05/04 (v. fls. 177); l) Em 20/07/2005 foi firmado o protocolo de incorporação da pessoa jurídica brasileira Ituran Serviços Ltda. (CNPJ 03.986.462/000118) pela pessoa jurídica Teleran Localização e Controle (CNPJ 02.762.221/000122). Nesta mesma ocasião, a pessoa jurídica incorporadora Teleran Localização e Controle iria alterar sua denominação social, passando a ser denominada “Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda.”; m) Em 29/07/2005 foi ratificado e aprovada a incorporação supramencionada, mediante instrumento de “15ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da Teleran Localização e Controle Ltda.”, que passou a ser denominada como “Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda” (v. fls. 2636). Nesta data, figuravam como sócios da Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. as seguintes pessoas físicas e jurídicas: Teleran Holding Ltda; Ituran USA (sediada em Delaware, USA); Betina Sofia Secemki e Avner Kurz; n) Em 01/10/2005 a pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. firmou uma carta endereçada à Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda., com o seguinte teor (grifado, fls. 181, tradução juramentada): Em referência A conta corrente entre empresas, na qual a lturan Beheer B.V. possui um crédito contra a Teleran Locadora no valor de US$ 3.775.109,00 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 539 21 Confirmamos que, dentro de nossa capacidade como acionista da Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda., a lturan Beheer B.V. esta disposta a absorver as perdas acumuladas de responsabilidade da lturan Sistemas de Monitoramento Ltda., conforme autorizado pelo artigo 509, parágrafo 2°, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto Federal n° 3.000/99), até a quantia da conta corrente entre empresas supracitada. Delimitação da lide Apesar da aparente complexidade da questão sob análise, observo que o cerne do presente litígio consiste apenas em identificar qual a natureza do fato contábil que resultou na extinção do débito equivalente a US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. Em outras palavras, a resolução do litígio reside em identificar se a carta assinada pela Ituran Beheer B.V. em 01/10/2005 (fls. 181, tradução juramentada) teve a natureza de “perdão de dívida” (como entenderam as autoridades autuantes e a decisão recorrida) ou a natureza de “absorção de prejuízo por parte de sócio” (como alegou a recorrente). Para tanto, tornase essencial responder às seguintes indagações: 1) Em que que data se deu o reconhecimento contábil da extinção do débito equivalente a US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V.? 2) Qual era a composição societária da pessoa jurídica Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda., na data anteriormente mencionada? Caso se constate que a pessoa jurídica Ituran Beheer B.V. era sócia da recorrente na data da extinção daquele débito, então será possível admitir a procedência da alegação da recorrente, no sentido de que aquele fato contábil revestiuse da natureza de “absorção de prejuízo por parte de sócio”. Por outro lado, caso se constate que a pessoa jurídica Ituran Beheer B.V. ainda não integrava o quadro societário da recorrente na data da extinção do aludido débito, então, em princípio, devese concluir que aquele fato contábil revestiuse da natureza de “perdão de dívida”. No entanto, caso verificada esta última hipótese, ainda deveremos levar em conta uma alegação adicional da recorrente, no sentido de que mesmo se a operação em tela for considerada como “perdão de dívida”, a receita decorrente deveria ser tratada como não tributável, por se referir ao estorno de uma provisão indedutível. No entender da recorrente, na medida em que os custos, deduções ou provisões sejam tratados como indedutíveis quando incorridos, a sua recuperação, devolução ou seu estorno também devem ser tratados como resultado não tributável, em vista do que dispõe o art. 392, II do RIR/99. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 22 Diante desta alegação da recorrente, mesmo se as respostas às duas questões iniciais (acima mencionadas) sustentem o entendimento do Fisco, ainda deve ser respondida uma terceira indagação: 3) Caso a operação em apreço seja considerada como “perdão de dívida”, a receita correspondente deve ser considerada como “tributável” ou como “não tributável”? Somente se esta terceira resposta também for favorável ao entendimento do Fisco (ou seja, se resultar comprovado que aludida receita era “tributável”) é que poderemos considerar procedente a imputação de omissão de receitas, conforme apontado pelo Fisco. Passo, então, a analisar as referidas questões, na ordem em que foram apresentadas. Data do reconhecimento contábil da extinção do débito equivalente a US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. Os elementos constantes dos autos revelam que o fato contábil referente à extinção do débito de US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. foi contabilizado em 30/12/05, conforme fls. 91 e 92 do Livro Diário. No entanto, o valor contabilizado em moeda nacional (R$ 8.349.047,22), baseouse na taxa de câmbio do dólar vigente em 01/10/05 (R$ 2,22220). Analisandose o Livro Diário, observase quea extinção do débito se deu por meio de dois lançamentos: a) cancelamento na conta 202.02.0002 “Passivo Fornecedor Ituran (Beheer)”, no valor de R$8.049.395,06 (US$3.622.264,00 na taxa de cambio de R$2,22220 de 01/10/05); b) cancelamento na conta 212.02.0006 “Passivo Juros a PagarIturan Beheer” de R$339.652,16 (US$152.845,00 na taxa de cambio de R$2,22220 de 01/10/05); Estes dois lançamentos tiveram como contrapartida um lançamento a crédito na conta “Prejuízos Acumulados conta 247.02.0030 Resultados Acumulados”, no valor global de R$8.389.047,22 (US$3.775.109,00 convertidos na taxa de cambio de R$2,22220 de 01/10/05). Percebese, pois, que o referido valor efetivamente não transitou por contas de resultado, tendo sido lançado diretamente em conta integrante do Patrimônio Líquido, não sendo, portanto, oferecido à tributação. Percebese, outrossim, que apesar de os citados lançamentos terem ocorrido em 30/12/05, para fins de conversão de dólares americanos para reais foi utilizada a taxa de câmbio vigente em 01/10/05, mesma data da correspondência enviada pela credora Ituran Beheer B.V. para a devedora Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. Cumpre destacar que, por ocasião da contabilização ocorrida em 31/12/05 foram estornadas a variação monetária cambial referente ao período de outubro a dezembro de 2005, em duas contas de despesa (conta “Despesa com Variação Cambial Passiva”, referente ao “Passivo Fornecedor Ituran (Beheer) – valor de R$429.238,28 e conta “Passivo Juros a PagarIturan Beheer” – valor de R$18.112,13). Fl. 550DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 540 23 Como se percebe, também a variação cambial das duas contas do passivo acima mencionadas foram consideradas somente até 01/10/05, mesma data da correspondência enviada pela credora Ituran Beheer B.V. para a devedora Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. Em síntese: para fins de conversão do valor do débito em moeda estrageira (dólar) para moeda nacional, foi utilizada a taxa de câmbio do dia 01/10/2005. A partir desta data deixou de incidir variação cambial sobre o valor do débito, conforme demonstram os lançamentos de estorno realizadas em 30/12/05, referentes à variação cambial referente ao 4º trimestre (outubro a dezembro) de 2005. Diante de todo o exposto, podemos afirmar, com total segurança, que o reconhecimento contábil da extinção do débito de US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. ocorreu em 01/10/2005. De qualquer forma, conforme resultará demonstrado no item subsequente, o resultado do presente julgamento não se modificaria, mesmo que fosse considerada a data de 30/12/2005 como data de extinção do débito equivalente a US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. Consequentemente, afigurase sem sentido a discussão aventada pela interessada, no sentido de que a data “picotada” pela Junta Comercial de São Paulo referese à data em que o registro foi deferido, e não à data de protocolização do documento. A recorrente está certa ao fazer esta afirmação. Tal fato, no entanto, em nada modifica o deslinde do presente litígio, como adiante restará demonstrado. Composição societária da pessoa jurídica Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda., na data da extinção do débito junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V Conforme demonstrado no item anterior, a extinção do débito junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. foi contabilmente reconhecida em 01/10/2005, pois nesta data houve a conversão do débito de dólares para reais e, a partir desta data, deixou de existir despesas (ou receitas) de variação cambial referentes a este débito. Assim sendo, de acordo com a linha de raciocínio previamente estabelecida, devemos investigar qual era a composição societária da contribuinte (ora recorrente) em 01/10/2005. Conforme relatado, na referida data figuravam como sócios da pessoa jurídica Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. as seguintes pessoas físicas e jurídicas: Teleran Holding Ltda; Ituran USA (sediada em Delaware, USA); Betina Sofia Secemki e Avner Kurz, conforme 15ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da aludida pessoa jurídica (v. fls. 2636). Em outras palavras: na data em que foi contabilmente reconhecida a extinção do débito junto à Ituran Beheer B.V, esta pessoa jurídica não integrava o quadro societário da contribuinte Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. (nova denominação de Teleran Localização e Controle Ltda.). Fl. 551DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 24 Importante destacar que, conforme a 16ª Alteração de Contrato Social do contribuinte , datado (manuscrito) de 30/12/2005, somente foi registrada na JUCESP — Junta Comercial do Estado de Sao Paulo em 15/02/2006. Por meio da aludida alteração contratual que a empresa Ituran Beheer B.V. foi admitida como sócioquotista do contribuinte (mediante aquisição de apenas uma quota no valor nominal de R$1,00 um Real). É importante ter em conta que qualquer alteração contratual somente produz efeitos perante terceiros após a sua averbaçao perante a Junta Comercial. Sobre o tema, o art. 1057 da Lei nº 10.406/02 (Código Civil), que disciplina especificamente a cessão de cotas na sociedade limitada, estabelece que tal cessão somente terá eficácia quanto à sociedade e terceiros a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios anuentes. No mesmo sentido, podese mencionar o art. 997, parágrafo único, do Código Civil ("é ineficaz em relação a terceiro qualquer pacto separado contrário ao disposto no instrumento do contrato"). Totalmente irrelevante, para análise do presente litígio, a referência feita pela recorrente ao art. 1151 do Código Civil. A retroação ali mencionada referese, tão somente, aos efeitos interna corporis, ou seja, às consequências que afetem exclusivamente à própria sociedade e aos seus sócios. Esta retroação de efeitos, contudo, jamais poderá ser oposta a terceiros, pois isso implicaria total afronta ao princípio da publicidade. A alteração contratual, enquanto não registrada no órgão competente, não pode gerar efeitos perante terceiros, justamente porque é o registro que lhe garante publicidade e, com isso, a oponibilidade contra terceiros. Neste sentido, existe abundante jurisprudência (grifado): ALTERAÇÃO CONTRATUAL QUE, À ÉPOCA DA EMISSÃO DOS TÍTULOS, NÃO HAVIA SIDO REGULARIZADA PERANTE A JUNTA COMERCIAL. AUSÊNCIA DE PUBLICIDADE. INOPONIBILIDADE CONTRA TERCEIROS ARTS. 1º, I, 2º, CAPUT, E 32, II, A, DA LEI N. 8.934/94 (TJSC Apelação Cível: AC 249356 SC 2006.024935 6) Contrato de compra e venda de estabelecimento comercial não registrado perante a Junta Comercial. Validade da citação efetuada na pessoa do sócio constante do contrato social da empresa requerida. Alterações contratuais que somente produzem efeitos perante terceiros após a respectiva averbação. Exegese dos artigos 997, parágrafo único, 999, parágrafo único e 1.057, parágrafo único, todos do Código Civil. (TJSP Agravo de Instrumento n° 054875382.2010.8.26.0000) Diante do exposto, podemos afirmar que somente a partir de 15/02/2006 a pessoa jurídica Ituran Beheer B.V. assumiu a condição de sócia da recorrente, pois esta foi a data de averbação da 16ª Alteração Contratual junto à JUCESP. Em outras palavras, concluise que a pessoa jurídica Ituran Beheer B.V. ainda não integrava o quadro societário da recorrente na data da extinção do débito Fl. 552DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 541 25 equivalente a US$ 3.775.109,00, então existente junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V. Na data de extinção daquele débito, a pessoa jurídica Ituran Beheer B.V. somente figurava no balanço da contribuinte como credora/fornecedora (conta contábil do “Passivo Circulante/Conta Fornecedores”). Em outras palavras: a pessoa jurídica brasileira Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. era uma simples devedora da pessoa jurídica Ituran Beheer B.V. Não obstante a semelhança entre os seus nomes, não havia, naquela data, nenhuma relação societária entre as aludidas pessoas jurídicas. Vale lembrar que esta dívida da Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda. para com a Ituran Beheer B.V.era uma decorrência do contrato de cessão de dívida do fornecedor original OGM, que firmou e executou o contrato original de de transferência de tecnologia com a recorrente, no ano 2000. Assim sendo devese concluir que o fato contábil em apreço, que resultou na extinção do débito equivalente a US$ 3.775.109,00 junto à pessoa jurídica holandesa Ituran Beheer B.V., efetivamente ocorreu em 01/10/2005 e efetivamente se revestiu da natureza de “perdão de dívida”, conforme entendimento adotado pelas autoridades fiscais e ratificado pelo colegiado julgador a quo. Uma vez estabelecido que a operação em análise deve ser considerada como “perdão de dívida”, resta apenas analisar se a receita decorrente deve ser tratada como receita “tributável” ou “não tributável”. A receita correspondente ao “perdão da dívida” deve ser considerada como “tributável” ou como “não tributável? No entender da recorrente, na medida em que os custos, deduções ou provisões sejam tratados como indedutíveis quando incorridos, a sua recuperação, devolução ou seu estorno também devem ser tratados como resultado não tributável, em vista do que dispõe o art. 392, II do RIR/99. Visando embasar sua tese, a recorrente sustentou que os diversos valores registrados no passivo, relativos à execução do contrato do contrato de “Fornecimento de Tecnologia Industrial” (firmado em 07/12/2000 entre Teleran Localização e Controle Ltda. e a OGM Investments B.V.) não possuía a natureza de um “contas a pagar”, mas sim de uma mera provisão indedutível, eis que a eficácia do contrato de transferência de tecnologia (e portanto a legitimidade dos pagamentos correspondentes) dependia de o referido contrato ser registrado perante o INPI. Não assiste razão à recorrente. Para demonstrar este fato, é suficiente analisar o teor da Norma de Procedimento de Contabilidade nº 22 (IBRACON NPC 22), aprovada pela Deliberação CVM nº 489, de 03/10/2005, citada pela própria contribuinte em sua peça recursal (fls. 495496): Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 26 [...] Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. [...] Provisões e outros passivos As provisões podem ser distinguidas de outros passivos, tais como contas a pagar a fornecedores e provisões derivadas de apropriações por competência, porque há incertezas sobre o tempo ou o valor dos desembolsos futuros exigidos na liquidação. Contas a pagar a fornecedores são passivos a pagar por mercadorias ou serviços fornecidos, faturadas pelo ou formalmente acordadas com o fornecedor. Como facilmente se conclui, a dívida decorrente do contrato de “Fornecimento de Tecnologia Industrial”, firmado com a pessoa jurídica OGM Investments B.V., constituía um passivo, pois se tratava de uma “obrigação presente” da contribuinte, “decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação deveria resultar numa entrega de recursos”, nos exatos termos da NPC 22, retrotranscrita. Em outras palavras, podese afirmar que a dívida em questão era “um passivo a pagar por serviços fornecidos pela OGM, devidamente faturadas pelo fornecedor” (novamente empregando os exatos termos da NPC 22, acima mencionada). Em se tratando de um passivo (e não de uma provisão), concluise que as inúmeras citações doutrinárias e jurisprudenciais apresentadas pela recorrente (fls. 497499), não se prestam para aplicação analógica ao presente caso, uma vez que tratam de assunto diverso (reversão de provisões). A recorrente também fez alusão à cláusula 5.4 do contrato de transferência de tecnologia, com o intuito de demonstrar que, na data da sua assinatura, já havia sido prevista a possibilidade de o registro no INPI ser negado, impedindo o pagamento das contraprestações do contrato, nos prazos originalmente estabelecidos. Tal fato, contudo, não produziu nenhum efeito contábil relevante. A dívida decorrente do contrato de “Fornecimento de Tecnologia Industrial”, firmado com a OGM Investments B.V., continuou constituindo um passivo, pois continuou sendo uma “obrigação presente” da contribuinte, “decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação deveria resultar numa futura entrega de recursos”. A cláusula 5.4 do contrato, na verdade, apenas reafirmava a exigibilidade do pagamento, por parte da Teleran, da dívida decorrente da transferência de tecnologia prestada pela OGM, mesmo que leis ou regulamentos supervenientes impedissem a remessa do valor devido ou impusessem encargos descabidos porém temporários. Vale dizer que a expressão “cancelado o encargo”, grifada pela recorrente em sua peça recursal (fls. 495), não se referia ao cancelamento da dívida da Teleran perante a OGM. A citada expressão, na verdade, referiase tão somente ao esperado cancelamento do Fl. 554DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 542 27 “encargo descabido porém temporário” que eventualmente fosse instituído por lei ou regulamento brasileiro. Para maior clareza, transcrevo a aludida cláusula, grifando a expressão “encargo” nas duas vezes em que foi utilizada no texto daquela cláusula: Na hipótese da Adquirente, em qualquer época em que o pagamento seja devido, ser impedida por leis ou regulamentos então em vigor no Brasil, de remeter qualquer importância devida sob o presente contrato, ou na eventualidade de referidas leis ou regulamentos imporem encargo descabido, porém temporário, sobre referidas remessas, as remunerações ou quantias devidas serão, à escolha exclusiva da Fornecedora: (i) creditadas nos livros contábeis da Adquirente, a favor da Fornecedora, e remetidas tão logo voltem a ser permitidas as transferências ao exterior ou cancelado o encargo; ii) pagar por meios aceitáveis para a Fornecedora e disponíveis para a Adquirente. No caso concreto, podemos concluir que, diante da impossibilidade de remeter os valores ao exterior (em razão da impossibilidade de registrar o contrato no INPI), a OGM optou por ser creditada nos livros contábeis da Adquirente (como um “passivo”, correspondente a uma obrigação líquida e certa). Posteriormente, a OGM negociou o seu crédito com uma terceira pessoa jurídica (Ituran Beheer B.V.), por meio do competente instrumento de cessão de crédito. Como se percebe, o contrato de transferência de tecnologia firmado entre Teleran e OGM foi integralmente cumprido. A Teleran recebeu a desejada tecnologia DTOA, enquanto que a OGM recebeu o pagamento correspondente (por meio de cessão de crédito para a Ituran Beheer B.V.). Inteiramente desprovida de sentido, portanto, a referência feita pela recorrente ao art. 392, II do RIR/99. O citado artigo se refere a uma “recuperação ou devolução de custo”, fato que não se verificou no caso em análise. O custo da tecnologia adquirida pela contribuinte foi integralmente reconhecida pela contabilidade da recorrente. A fornecedora da tecnologia (OGM) inicialmente figurou como credora da contribuninte (em conta de passivo) e, finalmente, recebeu o valor a que tinha direito, mediante contrato de cessão de crédito firmado com a Ituran Beheer B.V. O perdão da dívida, posteriormente concedido pela adquirente do crédito (Ituran Beheer), obviamente não teve o condão de produzir qualquer efeito sobre a natureza da operação anteriormente havida entre a Teleran e OGM. Diante de todo o exposto, podemos afirmar que a receita correspondente ao “perdão da dívida”, concedido pela Ituran Beheer, efetivamente deve ser considerada como “receita tributável”, conforme entendimento das autoridades aututantes e do colegiado julgador a quo. Multa qualificada De acordo com a decisão recorrida, as autoridades autuantes justificaram da seguinte forma a exigência da multa qualificada (fls. 430431): Fl. 555DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 28 Da leitura do presente Termo, fica evidente que a forma utilizada pelo contribuinte para a implementação das operações demonstra, inequivocamente, a intenção: 1) de "impedir ( ..) o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária", configurandose a sonegação definida no artigo 71 acima (Omissão de receita operacional, Receita por Desconto Obtido de 100%, referente Perdão de Divida, Cancelada pelo Fornecedor, item 3.19 fl. 14/15 e item 4 fl. 15 acima) e, 2) A forma dada ao negócio teve ainda o objetivo de "modificar as suas características essenciais (do fato gerador) de modo a reduzir (a zero) o montante do imposto devido ", caracterizando a fraude definida no art. 72 acima (Alegação do artigo 509 § 2° do RIR/99 absorção de prejuízo pela conta de sócio, quando o fornecedor ainda não era sócio, e de que o contrato não chegou a existir, porém verificamos que foi cumprido, configurando omissão de receita não declarada por desconto obtido de 100%, por cancelamento, perdão de divida por fornecedor). 0 contribuinte alegou o artigo 509, §2° do RIR199 (absorção de prejuízo à conta de sócio) na correspondência de absorção de prejuízo pela divida datada de 01/10/05 da Ituran Beheer B.V; na data de 30/12/05 na contabilidade cancelou como conta de sócio no Passivo o Fornecedor a Pagar, e o Juros a Pagar, em contrapartida de Lucros Acumulados como absorção de prejuízo, o valor de R$8.389.047,22, sem geração de imposto; e apresentou 16ª alteração de contrato social onde Ituran Beheer ao se tomar sócioquotista do contribuinte, em 30/12/05 cfe. JUCESP, com R$1,00 do capital total de R$6.935.890,00, cancelou a favor do contribuinte uma divida de fornecedor no valor de R$8.389.047,22. Ainda o contribuinte declarou nas correspondências, em especial da data de 26/11/07 e de 26/04/10, em resposta aos Termos de Intimação, que "o Contribuinte observa que em verdade toda a operação tinha por objetivo estornar os efeitos contábeis de um contrato que nunca chegou a ser existir no mundo jurídico, visto que a sua eficácia dependia de averbação pelo INPI dos seus termos, averbação esta que foi denegada. Em sua peça recursal, a contribuinte argumentou que não há nos autos nenhuma prova ou indício concreto no sentido da presença do “evidente intuito de fraude” (sonegação). Em relação a este tema, considero que assiste razão à recorrente. Compulsando os autos, não identifico nos fatos descritos a presença de "evidente intuito de fraude", pressuposto para a qualificação da multa, nos termos do art. 44, II, da Lei 9.430/96, base legal da imposição. No meu modo de ver, a infração efetivamente pode ter decorrido de simples interpretação equivocada dos fatos e da legislação aplicável, por parte da autuada. Não houve utilização de documentos falsos. Não houve utilização de interpostas pessoas. Ainda que de forma incorreta, todos os fatos relevantes foram contabilizados pela contribuinte. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001607/201015 Acórdão n.º 1401000.836 S1C4T1 Fl. 543 29 Por estas razões, no presente caso não vislumbro elementos suficientes para caracterizar a intenção de fraudar. Dessa forma, julgo que deva ser afastada a qualificação da multa aplicada, reduzindose a multa para o percentual de 75%. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso volintário, reduzindo o percentual da multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 557DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006430/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002, 30/11/2002
COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. DISPENSA DE PROCESSO. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM DCTF.
No período em que a compensação entre tributos da mesma espécie foi admitida sem necessidade de processo administrativo específico era obrigatória a informação em DCTF, sem a qual resta impossibilitado o aproveitamento do indébito.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3401-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Jean Cleuter Simões Mendonça Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2002, 30/11/2002 COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. DISPENSA DE PROCESSO. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM DCTF. No período em que a compensação entre tributos da mesma espécie foi admitida sem necessidade de processo administrativo específico era obrigatória a informação em DCTF, sem a qual resta impossibilitado o aproveitamento do indébito. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.006430/2007-13
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5187938
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-001.932
nome_arquivo_s : Decisao_10510006430200713.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 10510006430200713_5187938.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Jean Cleuter Simões Mendonça Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4502926
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218076672000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 899 1 898 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.006430/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.932 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria AUTOS DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INFORMADA À FISCALIZAÇÃO. Recorrente PROJEL PLANEJ ORG E PESQUISAS LTDA Recorrida DRJ SALVADORBA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002, 30/11/2002 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRIMEIRO DIA DO ANO SEGUINTE. CTN, ART. 173, I. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF em obediência ao art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário ofício é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, tal pagamento não ocorre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2002, 30/11/2002 COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. DISPENSA DE PROCESSO. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVAS. No período em que a compensação entre tributos da mesma espécie foi admitida sem necessidade de processo administrativo específico era obrigatória a informação em DCTF, sem a qual resta impossibilitado o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 64 30 /2 00 7- 13 Fl. 899DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 900 2 aproveitamento do indébito, independentemente da produção de provas a cargo do contribuinte. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002, 30/11/2002 COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. DISPENSA DE PROCESSO. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM DCTF. No período em que a compensação entre tributos da mesma espécie foi admitida sem necessidade de processo administrativo específico era obrigatória a informação em DCTF, sem a qual resta impossibilitado o aproveitamento do indébito. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Jean Cleuter Simões Mendonça –Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Fl. 900DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 901 3 Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou procedentes em parte autos de infração do PIS Faturamento, cientificados ao contribuinte em 17/12/2007. A primeira instância julgou decaídos os fatos geradores de abril, maio, junho e julho de 2002 a julho de 2002, levando em conta a Súmula Vinculante do STF nº 8/2008 e a existência de pagamentos antecipados nesses períodos de apuração. Nos outros dois períodos restantes, correspondentes aos meses de setembro e outubro de 2002 e em relação aos quais inexistem pagamentos antecipados, o provimento parcial foi para excluir a multa de ofício, levando em conta compensação efetuada pela contribuinte com tributo da mesma espécie. Segundo a DRJ a compensação em relação aos fatos geradores de setembro e outubro de 2002, que deixou de ser informada em DCTF, não foi contestada pela fiscalização. No Recurso Voluntário, tempestivo, o contribuinte requer o cancelamento adicional dos períodos de apuração de setembro e novembro de 2002, argüindo que apesar da inexistência de pagamentos antecipados os tributos foram adimplidos mediante compensações, “o que se reveste em uma das hipóteses de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, CTN, e se qualifica como pagamento para fins do art. 150, § 4º, CTN.” (fl. 859). Também considera que “o nobre órgão julgador reconheceu e concordou integralmente com as razões expostas pela Recorrente, mas, em face de um mero erro formal, olvidouse, surpreendentemente, em declarar a improcedência da cobrança referente aos meses de setembro e novembro de 2002, seja por conta da inquestionável e integral decadência da exigência ou pela própria quitação (compensação) da suposta obrigação tributária” (fl. 860), e que o preenchimento incorreto da DCTF, obrigação acessória que é, não pode acarretar a exigência da obrigação principal já extinta mediante compensação. No mais, insurgese contra a Selic, que segundo a peça recursal não tem natureza de juros moratórios e implica em ofensa ao art. 161 do CTN, além de ser inconstitucional. Em relação à parte provida pela DRJ não coube recurso de ofício, em face de o valor exonerado ser inferior ao limite de alçada. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Os temas a tratar dizem respeito ao seguinte: compensação dos débitos correspondentes aos fatos geradores setembro e novembro de 2002, não declarada em DCTF mas que a DRJ afirma ter ocorrido “com Fl. 901DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 902 4 recolhimentos efetuados a maior anteriormente” da mesma espécie, excluindo apenas a multa de ofício lançada enquanto a Recorrente pretende seja cancelado integralmente o lançamento; prazo decadencial em relação aos dois fatos geradores mencionados, questão interligada com a compensação referida porque, caso reconhecido plenamente seus efeitos (e não apenas no tocante à exclusão da multa de ofício, como decidiu a DRJ) e admitido que a compensação tem os mesmos efeitos do pagamento antecipado exigido pelo art. 150 do CTN, o prazo decadencial deve ser contado a partir de cada gerador, como defende a Recorrente, e não a partir do ano seguinte, como interpretou a DRJ; e juros de mora aplicados com base na taxa Selic, reputada ilegal e inconstitucional na pela Recorrente. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE: NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM DCTF, QUANDO DISPENSADO PROCESSO ESPECÍFICO Em relação aos períodos de apuração setembro e novembro de 2002, mantidos pela DRJ nos valores principais e juros de mora correspondentes (foi excluída tão somente a multa de ofício), a interpretação do acórdão recorrido parece contraditória. Observe se a parte do acórdão recorrido que trata do tema, com negritos acrescentados: A despeito de não informálas em DCTF, as contribuições apuradas em setembro e novembro de 2002 foram compensadas com recolhimentos a maior efetuados anteriormente, com créditos da mesma espécie. Assim alegou a contribuinte na "Justificativa do Termo de Intimação Fiscal n° 04" à folha 63, informando, inclusive, a apresentação de demonstrativos comprobatórios, fato que não mereceu, especificamente, qualquer menção do autuante. Em se tratando de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, expressamente previa que poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) Portanto, no presente caso, deveria ter a contribuinte informado na DCTF o débito apurado, vinculandoo, também na DCTF, ao crédito decorrente dos recolhimentos a maior anteriormente efetuados, preenchendo a linha "compensação de pagamento indevido ou a maior". Assim não o fez. Vejase que até mesmo na hipótese de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, conforme orientação da Coordenação Geral de Fl. 902DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 903 5 Tributação — COSIT da então Secretaria da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Interna n° 8, de 30 de abril de 2007, ressalvandose, porém, que, comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagara o tributo lançado, pode a Delegacia da Receita Federal de Julgamento exonerálo da multa de oficio, quando o pagamento houver sido tempestivo. Logo, inexistindo nos autos qualquer questionamento por parte do autuante quanto à compensação efetuada pela contribuinte, quanto à existência do crédito compensado e dos valores por ela considerados, não me parece razoável a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre as contribuições não confessadas em DCTF. (...) Destarte, em relação aos fatos geradores ocorridos em setembro e novembro de 2002, os valores lançados de oficio devem ser mantidos em sua totalidade, em função de o crédito tributário correspondente não ter sido confessado nas DCTF, exonerandose a empresa da multa de oficio correspondente ao valor lançado, em face de compensação efetuada com crédito decorrente de recolhimentos a maior. Na "Justificativa do Termo de Intimação Fiscal n° 04" (fl. 63), mencionada pela DRJ no trecho acima transcrito, a contribuinte informa o seguinte: Já em relativamente aos meses de setembro e novembro de 2002, as referidas contribuições foram compensadas com os valores anteriormente pagos a maior, conforme demonstrativo em anexo. A DRJ, para excluir a multa de ofício, considerou que a autuação não contestou essa justificativa da contribuinte, ao tempo em que para manter os valores principais (além dos juros de mora respectivos) deu relevo à ausência de declaração da declaração em DCTF. De todo modo, é certo que não cancelou os valores lançados dos fatos geradores de setembro e novembro de 2002. Tanto assim que o voto do acórdão recorrido contém dois demonstrativos (um para cada Contribuição), onde para os fatos geradores 31/09/2002 e 31/11/2002 a coluna “Valor Lançado” é igual à coluna “Valor Mantido”. Como a exclusão da penalidade de ofício não está sob análise deste Colegiado de segunda instância, já que não há remessa de ofício da parte exonerada, descabe qualquer pronunciamento. Cabe, contudo, manter os valores lançados nos períodos de apuração setembro e novembro de 2002, acompanhados dos juros de mora, porque a compensação pleiteada não foi informada em DCTF. No período em que a compensação entre tributos da mesma espécie foi admitida sem necessidade de processo administrativo específico era obrigatória a informação em DCTF porque, do contrário, o Fisco não tinha como controlála. Daí não ser admissível o reconhecimento da compensação pleiteada em relação aos dois meses ainda em litígio. Levando em conta que não havia outro meio de comunicação à administração tributária, em face da dispensa de processo, o art. 7º da IN SRF nº 73, de 19/12/96, estabelecia a obrigatoriedade de o contribuinte informar na DCTF a compensação de tributos da mesma Fl. 903DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 904 6 espécie, fornecendo os dados do recolhimento indevido ou a maior. Observese a referida Instrução Normativa: Art. 7º A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: (...) § 1º No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação. § 2º No caso de compensação de tributos ou contribuições de espécies diferentes deverá ser indicado o número do correspondente ato autorizativo da Receita Federal. A contribuinte, em vez de fazer constar a compensação em DCTF, apenas informou à fiscalização e, a partir daí, passou a defendêla na Impugnação e no Recurso Voluntário. Assim procedendo incorreu em óbice incontornável, ao que se soma a ausência de provas do indébito. Até o momento a Recorrente não logrou demonstrar qual (ou quais), exatamente, é o pagamento indevido ou a maior que teria sido utilizado na compensação dos débitos de setembro e novembro de 2002. Antes de cuidar do prazo decadencial, observo que em relação ao débito do período novembro de 2002 era imprescindível o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em face da sistemática em vigor desde 01/10/2002, nos termos da Medida Provisória nº 66, de 29/06/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. A partir de outubro de 2002 cessou a possibilidade de compensação sem processo administrativo, mesmo entre tributos da mesma espécie. PRAZO DECADENCIAL: CONTAGEM A PARTIR DO ANO SEGUINTE EM QUE PODERIAM SER EFETUADOS OS LANÇAMENTOS, POR INEXISTIR PAGAMENTO ANTECIPADO Por inexistir pagamentos antecipados, nos termos exigidos pelo art. 150 do CTN, descabe qualquer reforma no acórdão recorrido. Como se sabe, no trato da decadência cabe aplicar, primeiro, a Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/20081, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91 e por isto o prazo decadencial é dado pelo CTN, sendo então de cinco anos, e segundo, os julgados repetitivos do STJ, pelos quais o início da contagem, inexistente pagamento antecipado, é o previsto no art. 173, I, do mesmo Código, ou seja, o primeiro do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O meu entendimento pessoal, que prevaleceu por maioria neste Colegiado até as reuniões anteriores ao mês de fevereiro de 2011, é o de que o termo inicial ou dies a quo do prazo decadencial deve ser contado sempre da ocorrência do fato gerador, tenha havido ou não a antecipação de pagamento exigida referida no art. 150 do CTN. 1 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 905 7 Importa investigar a respeito do que se homologa – se o pagamento antecipado, ou toda a atividade do sujeito passivo. Ressaltando que há inúmeras opiniões em contrário, segundo as quais não há lançamento por homologação se não houver pagamento antecipado, filiome à corrente minoritária a qual pertence José Souto Maior Borges, que entende haver homologação da atividade do contribuinte, consistente na identificação do fato gerador e apuração do imposto, que deve ser antecipado somente se devido. Lembro, por oportuno, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física, em que o contribuinte, após computar os valores retidos pela fonte pagadora, calcula o imposto anual podendo chegar a três resultados diferentes: valor devido, zero ou imposto a restituir. Após o cálculo, o sujeito passivo preenche e entrega a declaração, devendo antecipar o pagamento se apurou valor a pagar, ou então aguardar a restituição, caso os valores retidos tenham sido maiores que o imposto devido anualmente. A Secretaria da Receita Federal, após processar a declaração, emite uma notificação, através da qual o auditor fiscal homologa expressamente todo o procedimento do contribuinte, já que confirma o imposto a restituir ou o valor zero, ou ainda, caso tenha apurado valor diferente, procede ao lançamento desta diferença. Quando a autoridade administrativa confirma o valor declarado pelo sujeito passivo, é expedida uma notificação ao sujeito passivo e temse o lançamento por homologação; quando o valor apurado pela autoridade é maior, ao invés de uma notificação lavrase um auto de infração, procedendose ao lançamento de ofício. Nos outros tributos lançados por homologação – hoje quase todos o são , o procedimento não é substancialmente diferente, sendo que em vez de notificação expressa na grande maioria dos casos ocorre a homologação ficta, na forma do previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Ora, se a autoridade administrativa homologa um valor zero, ou uma restituição, evidente que não está homologando pagamento. A redação do caput do art. 150 do CTN emprega o termo pagamento para informar o dever de sua antecipação (“... tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento ...”), não para dizer de sua homologação. Esta referese à atividade (ou procedimento) do sujeito passivo (“... a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Feita a ressalva quanto ao meu entendimento particular, curvose à posição contrária do STJ, levando em conta o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 906 8 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes A questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário de ofício nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (discussão acerca da possibilidade de aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN), foi decidida pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733SC, julgado sob o regime de recurso repetitivo, com a ementa seguinte (negrito acrescentado): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 906DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 907 9 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 973.733SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/8/2009, unânime). Conforme os fundamentos acima, e porque inexistiram pagamentos antecipados em relação aos fatos geradores de setembro de novembro de 2002, o prazo decadencial começa a contar em 1º de janeiro de 2003, de modo que em 17/12/2007, data de ciências dos autos de infração do PIS e Cofins, ainda não tinha havido decadência. Daí a manutenção, tal como na DRJ, que excluiu apenas a multa de ofício. JUROS SELIC: LEGALIDADE Por último a aplicação da Selic como juros moratórios, tema pacífico que, inclusive, já contava com súmulas editadas pelos três Conselhos de Contribuintes, conforme o Anexo II da Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. Atualmente, a Súmula CARF nº 4, de 2009, informa que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CONCLUSÃO Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 907DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10510.006430/200713 Acórdão n.º 3401001.932 S3C4T1 Fl. 908 10 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.906198/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10480.906198/2010-15
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5176157
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3802-001.368
nome_arquivo_s : Decisao_10480906198201015.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10480906198201015_5176157.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4392805
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218124906496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 99 1 98 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.906198/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.368 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Engefields Empreendimentos e Serviços Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 61 98 /2 01 0- 15 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de janeiro de 2004, no valor de R$ 861,14. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 80/87). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 01/03/2012 (fls. 90). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 93/96, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.906198/201015 Acórdão n.º 3802001.368 S3TE02 Fl. 100 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de janeiro de 2004 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (janeiro de 2004). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de janeiro de 2004, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 25 da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000105/2002-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/11/2001
PROVAS
Os fatos alegados devem ser convincentemente demonstrados.
Numero da decisão: 2403-001.737
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo do lançamento a competência 13/2000.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1999 a 30/11/2001 PROVAS Os fatos alegados devem ser convincentemente demonstrados.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 23034.000105/2002-47
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180163
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.737
nome_arquivo_s : Decisao_23034000105200247.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 23034000105200247_5180163.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo do lançamento a competência 13/2000. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4433469
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218135392256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.000105/200247 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.737 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2012 Matéria SALÁRIO EDUCAÇÃO Recorrente REAUTO REPRESENTAÇÃO DE AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/11/2001 PROVAS Os fatos alegados devem ser convincentemente demonstrados. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo do lançamento a competência 13/2000. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 01 05 /2 00 2- 47 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.000105/200247 Acórdão n.º 2403001.737 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0233.731 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. O lançamento referese ao período de 08/1999 a 11/2001. Uma primeira manifestação da recorrente foi apresentada ao FNDE (Divisão de Análise de Defesa do FNDE), que, após analisar os argumentos e documentos apresentados pela empresa, concluiu pela retificação da notificação permanecendo os créditos relativos às competências 05/00 a 07/00, 13/00 e 05/01, conforme Quadro de Atualização de Débito As fls. 117. A DRJ decidiu pela exclusão do débito referente à competência 05/2001, permanecendo os referentes às competências 05 a 07 e 13/2000. A autuação foi assim apresentada no voto do acórdão recorrido: 0 presente lançamento, consubstanciado na Notificação para Recolhimento de Débito (NRD), de 06/06/2002, no valor de R$87.101,49, referese ao período de 08/99 a 11/2001 e foi lançado em decorrência de irregularidades verificas pelo FNDE nos recolhimentos referentes ao salárioeducação. Conforme Informação n ° 882 da Gerência de Arrecadação e Cobrança do FNDE,fls. 31/32, a empresa foi inspecionada pelos Técnicos do PROINSPE , que constataram o uso incorreto do código de recolhimento em GIFIP, código 0114, quando o correto seria 0115, erro que impediu o repasse dos valores devidos ao FNDE ,não tendo, ainda, a empresa comprovado o recolhimento da competência 08/99. A empresa impugnou o lançamento às fls. 38/40, trazendo para os autos os documentos de fls41/62, que foram considerados pelo Órgão Lançador e o crédito retificado, conforme Quadro:de Atualização de Débito (fls. 117), uma vez que a empresa comprovou o recolhimento da competência. 08/99 e providenciou o acerto do código de recolhimento nas GFIPs, permitindo, assim, o repasse do valor da contribuição para o FNDE, remanescendo, no entanto, crédito no valor de R$27.413,03, atualizado em 24/11/2006, sendo tal crédito transferido para a Receita Federal do Brasil em virtude das disposições contidas nos artigos 30 e4° da Lei 11.457/2.007. De acordo com as informações prestadas pelo Setor de Análise da Coordenação Geral de, Arrecadação, de Cobrança e do SME As fls.114/116, ao analisar os documentos apresentados pela Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 empresa em sua impugnação e as informações constantes nos Sistema do INSS , telas As fls. 65/113, concluiuse que : 0 contribuinte declara dois FPAS 507 e 515 , sendo que os valores recolhidos em GPS para Terceiros, apresentam divergências quando comparados com as Basesde Contribuição declaradas em GFIPs. Ausência de registro de declarações das seguintes GFIPs: FPAS 515, competência 06/2000; FPAS 507 e 515, 13º salário /2000, assim o valor devido relativo ao salário educação recolhido em GPS não foi repassado ao,FNDE. Na competência 05/2001 o valor destinado às Outras Entidades e Fundos foi registrado no campo 10 da GPS, próprio para o registro dos valores relativos à atualização monetária e juros, não sendo, por conseqüência, tal valor repassado ao FNDE. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Recolheu as contribuições e nada deve. · Reconhece os erros nas GFIPs e retificouas (código 114 para 115). · Aponta erros de soma na planilha Quadro Comparativo do Valor Cobrado, folha 116. · Não concorda com as bases de cálculo utilizadas para o lançamento. · Apresenta planilhas demonstrando, para todas as competências, as bases de cálculo, os recolhimentos efetuados e a distribuição entre os terceiros. · Anexa as guias de recolhimento. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.000105/200247 Acórdão n.º 2403001.737 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINARES A recorrente reconhece os erros nas GFIPs, informa que retificouas (código 114 para 115) e aponta erros de soma na planilha Quadro Comparativo do Valor Cobrado, folha 116. Para a questão dos erros nas GFIPs, a correção efetuada foi considerada, nada mais restando de controvérsia. Para a questão do erro na soma dos valores, somatório das bases de cálculo de competências distintas e “diferença entre o valor notificado e o valor recolhido no INSS e repassado ao FNDE”, ambos da planilha de folha 116, inexiste prejuízo, conforme já abordado no acórdão recorrido uma vez que o tributo e calculado por competência. No que toca ao erro de soma na coluna "Base contribuição" assiste razão autuada, realmente o valor correto é R$2.589.920,54 como informado pela empresa, valor este também apontado na "Relação dos Débitos — Lançamentos analíticos" elaborada pelo FNDE e que serviu de base para o presente lançamento, o que vem confirmar a utilização do valor correto na Notificação para Recolhimento de Débito. Cabe esclarecer que tal erro não causa qualquer prejuízo à impugnante, uma vez que a totalização da base geral de contribuição não interfere no cálculo do valor devido, onde a base de contribuição é considerada mensalmente, conforme especificado no Quadro comparativo de fls. 116. Tanto é verdade, que a empresa apresenta suas discordâncias em relação ao valor lançado, sem utilizarse em qualquer momento do valor total constante do referido Quadro, mas sim dos valores apurados mensalmente. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 MÉRITO BASES DE CÁLCULO Para a competência 13/2000, a base de cálculo foi buscada junto à empresa pela Inspeção do FNDE. O recolhimento apresentado junto com o recurso corresponde ao valor calculado lançado. Visto que o valor lançado foi recolhido, entendo que do lançamento esse valor deve ser excluído. O crédito tributário remanescente, competências 05,06 e 07/2000, tem por origem em diferenças de bases de cálculo. O FNDE buscou as bases informadas nas GFIPs e calculou o tributo devido. Encontrou recolhimentos menores que o que considera correto. Os valores recolhidos foram considerados e o que remanesce é diferença de tributo cuja origem é diferença de bases de cálculo. O recuso traz planilhas apresentando as bases de cálculo e a partir delas demonstra valores devidos e recolhidos, porém não traz elementos de prova que confirmem as bases de cálculo que afirma serem verdadeiras. Em razão de todas informações do lançamento serem provenientes da recorrente, entendo a ausência de provas fatal para a pretensão de afastar o lançamento das competências 05,06 e 07/2000. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, excluindo do lançamento a competência 13/2000. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 216DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904659/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10120.904659/2009-71
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175525
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3801-001.543
nome_arquivo_s : Decisao_10120904659200971.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10120904659200971_5175525.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4380072
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218139586560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.904659/200971 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801001.543 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria COFINS/PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente DATAREY SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 46 59 /2 00 9- 71 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 10991.50174.130106.1.3.049020, transmitida eletronicamente em 13/1/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/5/2004 6912 2.909,32 15/6/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1621627181 2.909,32 DB: cód 6912 – PA 31/5/2004 2.909,32 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 725,80. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 23), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904659/200971 Acórdão n.º 3801001.543 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000277/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento em virtude de erro na capitulação legal quando os dispositivos legais utilizados pela fiscalização estão totalmente de acordo com a infração cometida.
MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS E BALANCETES RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1202-000.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner que negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento em virtude de erro na capitulação legal quando os dispositivos legais utilizados pela fiscalização estão totalmente de acordo com a infração cometida. MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS E BALANCETES RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 17883.000277/2010-27
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179727
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1202-000.912
nome_arquivo_s : Decisao_17883000277201027.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GERALDO VALENTIM NETO
nome_arquivo_pdf_s : 17883000277201027_5179727.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner que negavam provimento. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4432694
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218162655232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 10 1 9 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000277/201027 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.912 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de novembro de 2012 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente PEUGEOT CITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento em virtude de erro na capitulação legal quando os dispositivos legais utilizados pela fiscalização estão totalmente de acordo com a infração cometida. MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS E BALANCETES RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner que negavam provimento. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 77 /2 01 0- 27 Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 11 2 Relatório Tratase o presente processo de Autos de Infração (fls. 207/221) consubstanciados em lançamentos de multas isoladas por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, nos meses de novembro a dezembro de 2005 e janeiro a setembro de 2006. Segundo consta nos Autos de Infração “o contribuinte deixou de transcrever seus Balancetes de Suspensão/Redução no Livro Diário, nos meses de novembrodezembro de 2005 e janeiro a setembro de 2006, meses em que deixou de recolher IRPJ e CSLL sobre as estimativas mensais sob a alegação de ter efetuado os referidos balancetes e não ter encontrado saldo de imposto/contribuição a recolher (...).” Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 205), os fatos que levaram à autuação são os seguintes: (i) Em auditoria realizada nos Livros Diários da Recorrente teria sido constatado que para os períodos de apuração de novembro de 2005 a setembro de 2006, não teria havido recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL e não teria havido transcrição de balancetes de suspensão/redução nos Livros Diários; (ii) Apesar de a Recorrente declarar em suas DIPJ 2006 e 2007 que elaborou Balancetes de suspensão/redução para não efetuar os recolhimentos de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, não teria transcrito respectivos balancetes no Livro Diário, conforme dispõe o artigo 230, §1º, inciso I, do RIR/99, e art. 35, §1º, alínea “a”, da Lei nº 8.981/95; (iii) A multa isolada aplicada corresponde a 50% do valor supostamente não recolhido, em consonância ao disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. Tendo sido cientificada em 28.10.2010 da lavratura dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 228/240) em 29.11.2010, alegando, em síntese, o seguinte: (i) Preliminarmente arguiu a nulidade do lançamento, tendo em vista a existência de erro na capitulação legal utilizada pela D. Autoridade Fiscal ao lavrar os presentes Autos de Infração; (ii) Nos meses de novembro e dezembro de 2005 e de janeiro a setembro de 2006 os valores do IRPJ e da CSLL devidos teriam sido inferiores ao montante acumulado dos referidos tributos, o que teria levado a Recorrente a não promover o recolhimento do IRPJ e da CSLL em referidos períodos; (iii) Considerando que a apuração do IRPJ é anual e que ao final daqueles exercícios o valor antecipado foi maior do que o IRPJ apurado através da DIPJ, os valores do imposto relativo àqueles meses foram anulados não havendo que se falar em exigência do IRPJ que supostamente teria deixado de ser recolhido naqueles meses; (iv) As afirmações acima estariam devidamente demonstradas na DIPJ apresentada ao término dos anoscalendários de 2005 e 2006; Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 12 3 (v) O artigo 35 da Lei nº 8.981/1995, matriz legal do artigo 230 do RIR/99, apenas estabelece uma exigência, sem especificar que o seu não atendimento implicaria na desconsideração dos balancetes de suspensão/redução; (vi) O artigo 44 da Lei nº 9.430/96, inciso II, também citado no enquadramento legal, prevê a aplicação da multa isolada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, o que não serviria de base para a hipótese em tela, já que o pagamento teria sido efetuado, quando devido o imposto na sistemática dos balancetes de suspensão/redução; (vii) Inexistência de previsão legal para imposição de multa pela falta de transcrição dos balancetes em seu livro diário; (viii) Ainda que a fiscalização estivesse correta ao desconsiderar os balancetes de suspensão/redução utilizados pela Recorrente, fato é que nada seria devido diante do resultado apurado ao final dos exercícios; (ix) A exigência de multa por falta de transcrição de balancetes de suspensão/redução no Livro Diário se revestiria de excessivo rigor, devendo o Fisco ter concedido um prazo para que a Recorrente sanasse essa irregularidade, o que não teria ocorrido; (x) Não obstante a ausência de transcrição, teria havido apresentação à fiscalização de todos os elementos de sua escrita fiscal e contábil, especialmente o LALUR, no qual se constataria que teriam sido registradas as exclusões e inclusões para a determinação do Lucro Real; (xi) Pelos documentos apresentados seria possível à fiscalização averiguar a correta utilização da sistemática dos balancetes de suspensão/redução efetuado pela Recorrente, razão pela qual a imposição da multa se mostra desarrazoada; (xii) Ademais, em que pese não estarem os balancetes transcritos no Diário é de se ressaltar que os mesmos encontravamse devidamente transcritos no LALUR, a teor do que determina o §2º do artigo 274 do RIR/99. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que houve por bem julgar improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente (fls. 1.268/1.282), nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/11/2055 a 30/09/2006 MULTA ISOLADA. IRPJ E CSLL ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. BALANCETE DE SUSPENSÃO. A falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica, sob procedimento de ofício à penalidade da multa isolada quando constatado que não houve transcrição no Livro Diário dos balancetes ou balanços que permitiriam demonstrar a procedência da suspensão do Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 13 4 referido recolhimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 1.525/1.553), utilizando, em síntese, os mesmos argumentos da Impugnação. Porém, alega nesse momento processual que a decisão recorrida não teria analisado a preliminar de nulidade da autuação aduzida na Impugnação. Referida arguição de nulidade se apoia no fundamento de que os dispositivos legais elencados pela Fiscalização não podem servir de base legal ao lançamento, ou seja, a fundamentação legal invocada estaria equivocada, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise da preliminar de nulidade arguida pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente a Recorrente alega que os dispositivos legais elencados pela D. Fiscalização não podem servir de base legal ao lançamento, tendo em vista que não preveem a aplicação de penalidade nos casos de falta de transcrição de balancetes de suspensão/redução no Livro Diário. Vale transcrever, primeiramente, os artigos indicados como fundamentação legal para a autuação. Vejamos: (i) Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) “Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único).” Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 14 5 “Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 1º): I deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º)”. (não grifado no original) “Art. 843. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente (Lei nº 9.430, de 1996, art. 43). Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 856, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 43, parágrafo único).” (ii) Lei 8.981/95 “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 15 6 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário;(...)” (não grifado no original) (iii) Lei 9430/96 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)” (iv) Código Tributário Nacional “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Conforme se observa dos artigos acima transcritos e tendo em vista que o presente lançamento de multa isolada decorreu da constatação pela D. Autoridade Fiscal que a Recorrente teria deixado de transcrever seus Balancetes de Suspensão/Redução no Livro Diário, não há que se falar em equívoco na base legal utilizada que acarretasse a nulidade do lançamento. Todos os artigos utilizados dizem respeito ao recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa e à necessidade de transcrição dos balancetes em Livro Diário, muito embora nenhum deles disponha sobre a possibilidade de imposição de multa isolada nesse caso. Porém, esse fato será analisado adiante, por se tratar questão de mérito. Portanto, não há que se falar em erro na capitulação legal. Ademais, com o objetivo de afastar qualquer entendimento contrário, mesmo que existisse algum erro na capitulação legal, isto não seria motivo suficiente a ensejar a nulidade do lançamento, por não se tratar de nenhuma das hipóteses do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Vejamos decisões deste E. Conselho neste mesmo sentido: “(....) ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL – NULIDADE. Inexiste nulidade em virtude de erro na capitulação legal, quando o fato está devidamente descrito na autuação. (...)(Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10617047 do Processo 11516002011200219, Data: 10/09/2008)” (não grifado no original) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Erro na capitulação legal Incabível a argüição de nulidade do lançamento Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 16 7 quando não demonstradas as hipóteses previstas no artigo 59, incisos I e II, do Decreto nº. 70.235/72(...) Recurso a que se nega provimento. (Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20212206 do Processo 106600009169881, Data: 06/06/2000)” (não grifado no original) “(...) Enquadramento legal incorreto o erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender se de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 140100329 do Processo 19515000937200445 , Data: 02/09/2010)” (não grifado no original) Portanto, tendo em vista que não houve erro na capitulação legal, rejeito a preliminar de nulidade e passo à análise do mérito. II – MÉRITO No mérito, a Recorrente alega a impossibilidade de cobrança da multa isolada no presente caso, tendo em vista inexistência de previsão legal para tal. A Recorrente afirma que os balancetes de suspensão/redução utilizados pela mesma foram desconsiderados pela D. Fiscalização unicamente em virtude de não terem sido transcritos em seu Livro Diário. Alega ainda que a D. Fiscalização entendeu que a Recorrente teria cometido uma infração e, mesmo sem que houvesse previsão legal para tanto, impôs a multa isolada. Nesse ponto, concordo com a Recorrente. Conforme comprovam suas DIPJs de 2005 e 2006 (fls. 7/11 e 12/18), ao final de referidos exercícios, o IRPJ e a CSLL pagos antecipadamente através do regime de estimativas foram superiores aos apurados, não havendo, portanto, que se falar em falta de pagamento do IRPJ e da CSLL no período considerado pela D. Fiscalização. Tendo em vista que ao final dos exercícios de 2005 e 2006 não havia tributo a ser recolhido, mesmo que a fiscalização desconsiderasse os balancetes de suspensão/redução utilizados pela Recorrente não poderia considerar a falta de pagamento dos tributos. Isso porque, conforme demonstrado, não havia tributo a ser pago, já que os valores recolhidos a título de estimativas superaram o saldo no final dos anoscalendários que ora se analisam. Ocorre que a D. Fiscalização desconsiderou os balancetes de suspensão/redução utilizados pela Recorrente para comprovar a inexistência de tributos a serem recolhidos no final dos anos de 2005 e 2006, por estes não terem sido transcritos nos Livros Diários. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 17 8 Ora, é incontroverso que o artigo 35, §1º, inciso “a” da Lei nº 8.981/95 prevê expressamente a necessidade de transcrição dos balancetes no Livro Diário. Porém, não há previsão legal de penalidade a ser aplicada nos casos em que referidos balancetes não forem devidamente transcritos no Livro Diário e, por isso, não há que se falar em aplicação de penalidade se esta não estiver expressamente prevista em lei. Em contrapartida, a decisão recorrida aponta como norma legal que teria sido infringida pela Recorrente a Instrução Normativa SRF nº 93/1997, que em seu artigo 15, §3º prevê o seguinte: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 3º A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1º.” Ocorre que, como já é notório no ordenamento jurídico, a imposição de penalidade só pode ser instituída por lei, sob pena de infringir o Princípio da Legalidade que norteia o processo administrativo fiscal, o qual se encontra presente no artigo 5º, inciso II da Constituição Federal, como também no artigo 2º da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Oportuno se faz transcrever o posicionamento do Ilustre Professor Sacha Calmon Navarro Coelho, citado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, que transmite de maneira clara a necessidade de previsão legal da aplicação de sanções: “(...) Mas as sanções – quase sempre sanções pecuniárias – devem ser previstas em lei. No Direito brasileiro só a lei – em sentido formal e material – pode estatuir sanções fiscais segundo preceito de lei complementar da Constituição. Vigora pleno o brocado latino do ‘nullum tributum nulla poena sine lege’. A proliferação de sanções fiscais através de decretos é extravagante”. Portanto, não concordo com a decisão recorrida no sentido de manter a aplicação da multa isolada, por não haver previsão legal que autorize a aplicação de referida penalidade. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu no sentido de inaplicabilidade de multa isolada no caso de mera falta de transcrição nos Livros Diários de balancetes de suspensão ou redução. Vejamos: “IRPJ MULTA ISOLADA LEI 9.430/96 FALTA DE TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS E BALANCETES PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a exigência da multa quando a empresa recolhe durante o ano valor igual ou superior ao devido na apuração Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 18 9 anual. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma, Acórdão nº 40105175 do Processo 10384000446200110 , Data:14/03/2005)”. (não grifado no original) Ademais, a jurisprudência deste E. Conselho também é vasta neste mesmo sentido. Vejamos: “FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois, não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e, não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10708533 do Processo 10380100826200355, Data: 26/04/2006).” (não grifado no original) “MULTA ISOLADA DESCABIMENTO A mera falta de transcrição, no Livro Diário, dos balancetes ou balanços de suspensão ou redução não justifica a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10517230 do Processo 10855004800200353, Data: 18/09/2008).” (não grifado no original) “CSSL RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA REDUÇÃO OU SUSPENSÃO MULTA ISOLADA A simples falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no livro Diário, não pode justificar a aplicação da multa isolada prevista no art. 44 § 1º, "IV", da Lei nº 9.430/96, quando o sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal. No caso, a multa exclusiva só deve ser aplicada após o exame da escrituração do sujeito passivo, juntamente com os balancetes levantados mensalmente, caso seja detectada alguma irregularidade. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10807163 do Processo 101200051340014, Data: 17/10/2002).” (não grifado no original) “EMENTA: CSLL Multa Isolada Falta de transcrição de balanços e balancetes A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a exigência da multa quando a empresa recolhe durante o ano valor igual ou superior ao devido na apuração anual. IRPJ/CSLL Multa isolada Falta de recolhimento Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000277/201027 Acórdão n.º 1202000.912 S1C2T2 Fl. 19 10 de estimativa Antecipações superiores ao montante definitivo apurado em 31 de dezembro o artigo 44 da lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa antecipou montantes superiores ao tributo apurado ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (...). (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 140200270 do Processo 11618003225200507, Data: 03/09/2010).” (não grifado no original) “IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA A falta de transcrição dos balanços de redução/suspensão no Livro Diário, não se consubstancia em fato gerador de imposto, caracterizando, tão somente, descumprimento de obrigação acessória, sendo incabível portanto, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, quando o sujeito passivo apresenta a escrituração contábil e fiscal bem como os balanços/balancetes de suspensão ou redução das antecipações. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10195977 do Processo 11065000919200235, Data: 26/01/2007).” (não grifado no original) Portanto, tendo em vista todo o acima exposto e posicionamento deste E. CARF e da CSRF, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10425.902382/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO NA ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR PELA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 32%, EM VEZ DE 8%. SERVIÇO HOSPITALAR. NÃO COMPROVAÇÃO.
A certeza e a liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Quanto à tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido, no que diz respeito à apuração da base de cálculo com o coeficiente de 8% (e não 32%), a jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Não comprovada a origem do alegado direito creditório, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO NA ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR PELA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 32%, EM VEZ DE 8%. SERVIÇO HOSPITALAR. NÃO COMPROVAÇÃO. A certeza e a liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Quanto à tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido, no que diz respeito à apuração da base de cálculo com o coeficiente de 8% (e não 32%), a jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Não comprovada a origem do alegado direito creditório, mantém-se a negativa em relação à compensação.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10425.902382/2009-17
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175886
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1802-001.413
nome_arquivo_s : Decisao_10425902382200917.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10425902382200917_5175886.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
id : 4390948
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218179432448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.902382/200917 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.413 – 2ª Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente SABINO ROLIM GUIMARÃES FILHO & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO NA ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR PELA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 32%, EM VEZ DE 8%. SERVIÇO HOSPITALAR. NÃO COMPROVAÇÃO. A certeza e a liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Quanto à tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido, no que diz respeito à apuração da base de cálculo com o coeficiente de 8% (e não 32%), a jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Não comprovada a origem do alegado direito creditório, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 23 82 /2 00 9- 17 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fundamentos para a negativa da compensação pela Delegacia de origem e os argumentos da primeira peça de defesa da Contribuinte (manifestação de inconformidade) estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1134.349 (fls. 38 a 40): Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (n° 04715.03616.150705.1.3.043302) na qual se indicou, como origem de crédito, o DARF relativo a IRPJ referente ao regime de tributação pelo lucro presumido (código de receita n° 2089) do período de apuração de 31 de julho de 2000, no valor de R$604,68 que teria sido pago indevidamente pela Interessada em 31/08/2000, fl. 20. O despacho decisório eletrônico (fl. 23) identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada, com indicação de saldo devedor no valor de R$776,88 a ser acrescido de multa e juros moratórios. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01/03, alegando ter apresentado a referida DCOMP, compensando o valor de R$776,88 referente a débito de COFINS tendo apresentado um crédito original no valor de R$453,51, conforme cópia do PER/DCOMP em questão e cópia do DARF, fls. 17/22. Aduz que do crédito devidamente atualizado, no valor de R$837,18, somente havia compensado o valor de R$60,30, tendo ficado um saldo a compensar de R$776,88.Portanto, à época da compensação possuía crédito suficiente para compensar o tributo acima citado. Que não teve oportunidade de retificar possíveis divergências ou sanar quaisquer omissões oriundas do preenchimento das DCOMP apresentadas já que não havia recebido qualquer notificação da Receita Federal neste sentido. Finaliza requerendo a reforma do Despacho Decisório em lide e o conseqüente deferimento da compensação realizada mediante referido PER/DCOMP. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 5 4 Como já mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/11/2011, aduzindo as razões abaixo: a 3ª Turma da DRJ/REC limitouse a refutar os argumentos defendidos pela Recorrente, sem ao menos examinar o aspecto legal e material da questão. Também não analisou detidamente as provas constantes dos autos; a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade limitada, tendo por objeto a prestação de serviços médicos hospitalares, nos termos de seu contrato social (consolidação), fls. 06/10, sendo contribuinte do Imposto de Renda pelo lucro presumido; nos termos da Lei n° 9.249/1995, as empresas prestadoras de serviço passaram a recolher o Imposto de Renda sobre uma base de 32% (trinta e dois por cento), exceto as que prestarem serviços hospitalares, que recolhem de acordo com a base de 8% (oito por cento); é este o entendimento do STJ sobre a matéria: “A Primeira Seção pacificou o entendimento de que o conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, § 1º, III, a, da Lei 9.249/95, na sua redação original, deve ser interpretado de forma objetiva, abrangendo as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas somente as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos” (EREsp 923.537/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO/ julgado em 09/12/2009, DJe 18/12/2009). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 6 5 a Recorrente, examinando os seus documentos, especificamente DARFs e DIPJs, observou que por um equívoco do seu setor contábil, recolheu a maior o IRPJ nos anos calendário 1998 a 2002, utilizando a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) e não de 8% (oito por cento) para determinar a base de cálculo do Lucro Presumido, conforme se vê na cópia da DIPJ 2001 original, anocalendário 2000, em anexo (doc.01); desta feita, a Recorrente providenciou a retificação da DIPJ acima referida, adaptandoa à realidade da empresa, isto é, corrigindo a base de cálculo de 32% para 8%, conforme se percebe da cópia da DIPJ 2001 RETIFICADORA, doc. 02 em anexo, uma vez que prestou serviços de natureza hospitalar; após fazer um levantamento de seu crédito, a Recorrente apresentou PER/COMP de n° 04715.03616.150705.13.043302, em 15/07/2005, compensando o valor de R$ 776,88 (setecentos e setenta e seis reais e oitenta e oito centavos), decorrentes de débito de COFINS, apresentando para tanto um crédito original no valor de R$ 453,51, conforme cópia do documento em anexo, fls.17/22; analisando seus arquivos, a Contribuinte percebeu que apenas foi apresentada a PER/DCOMP n° 0510.27015.150605.13.040144, em 15 de junho de 2005, vinculada ao mesmo crédito original apresentado na PER/DCOMP indeferida, conforme cópia em anexo, fls.12/16; podese notar da PER/DCOMP apresentada em 15/06/2005, que do crédito devidamente atualizado no valor de R$ 837,18 (oitocentos e trinta e sete reais e dezoito centavos), somente foi compensado o valor de R$ 60,30 (sessenta reais e trinta centavos), ficando um saldo a compensar no valor de R$ 776,88 (setecentos e setenta e seis reais e oitenta e oito centavos); como existia saldo ainda a compensar no valor de R$ 776,88 (setecentos e setenta e seis reais e oitenta e oito centavos), a Suplicante compensou esse mesmo valor de R$ 776,88 mediante PER/COMP apresentada em 15/07/2005, que restou indeferida, posteriormente, por meio do despacho decisório ora recorrido; apesar da Requerente não ter informado na PER/DCOMP apresentada em 15/07/2005, que o crédito original já tinha sido objeto de compensação em outra PER/DCOMP, há de se convir que a Contribuinte possuía crédito suficiente para compensar tanto os débitos lançados na PER/DOMP apresentada no dia 15/06/2005 como também na PER/DCOMP apresentada no dia 15/07/2005; em que pese as afirmações da autoridade julgadora de que a Recorrente teria utilizado o crédito indicado na PER/DCOMP n° 04715.03616.150705.13.043302, para abater o débito do IRPJ relativamente ao 3º trimestre de 2000, aquela autoridade não considerou que o débito dessa mesma competência foi de R$ 940,74 (novecentos e quarenta reais e setenta e quatro centavos), retificado através da DIPJ 2001 RETIFICADORA (doc. 02) e não de R$ 3.762.96, uma vez que a base de cálculo outrora aplicada foi de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento), já que a Contribuinte prestou serviços hospitalares; como a Recorrente recolheu um valor de R$ 3.762,96, quando deveria ter recolhido R$ 940,74 referente ao IRPJ do 3° trimestre de 2000, ficou com um crédito a compensar no valor de R$ 2.822,22 (dois mil, oitocentos e vinte e dois reais e vinte e dois Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 7 6 centavos), referente a essa mesma competência. E foi justamente desse crédito que a Recorrente se utilizou para compensar o débito indicado na PER/DCOMP em questão; a Recorrente realizou a compensação obedecendo estritamente a legislação vigente à época do encontro de contas, de acordo com o entendimento consolidado pelo Poder Judiciário, não existindo, portanto, motivos legais que não autorizassem a homologação da compensação pela autoridade administrativa. Este é o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP por ela apresentada, em que utiliza crédito decorrente de pagamento feito a título de IRPJ Lucro Presumido, referente ao 3º trimestre do ano calendário de 2000. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alegou que possuía crédito suficiente para a compensação, e também que não teve oportunidade de retificar possíveis divergências ou sanar quaisquer omissões oriundas do preenchimento das DCOMP apresentadas, já que não havia recebido qualquer notificação da Receita Federal neste sentido. A Delegacia de Julgamento fundamentou sua decisão nos seguintes termos: (...) A DRF/Campina Grande/PB constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado peia sistemática do lucro presumido relativo ao terceiro trimestre de 2000, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$3.762,96 o exato valor da soma dos pagamentos efetuados pela contribuinte conforme DARFs por mim anexados às fls. 35/37. Assim, resultou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. Como nos termos da legislação de regência, a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados, e tendo em vista que a contribuinte apresentou DCTF em que fez constar haver apurado pelo regime de tributação pelo lucro presumido relativamente ao 3º trimestre de 2000, débito do IRPJ no valor de R$3.762,96 vinculandoo ao pagamento realizado através de DARFs no mesmo montante (fls. 35/37), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a contribuinte, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 9 8 E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN). Correto, então, o despacho decisório ao não homologar a compensação pretendida em vista do fato de que o crédito foi totalmente utilizado para compensar o débito declarado em DCTF, portanto, confessado como devido pelo próprio contribuinte. Ante o acima exposto, VOTO por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório de fl. 23. Só na fase de recurso voluntário é que a Contribuinte veio esclarecer que o alegado crédito tinha origem em pagamento a maior de IRPJ com base no lucro presumido, em razão de ela ter apurado a base de cálculo com o coeficiente de 32%, quando o correto seria o de 8%, aplicável às prestadoras de serviço hospitalar. Destaca ainda que retificou a DIPJ para reduzir o débito de IRPJ do 3º trimestre de 2000, de R$ 3.762.96 para R$ 940,74, dando origem ao alegado direito creditório. Ao não retificar a DCTF, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa em relação à compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora, esta deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelos contribuintes, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. No caso concreto, a Contribuinte veio alegar nessa fase de recurso voluntário que presta serviços hospitalares e que recolheu IRPJ a maior, em razão de ter utilizado o Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 10 9 coeficiente de 32% para a apuração da base de cálculo do lucro presumido, em vez do coeficiente de 8%. Para comprovar esta alegação, ela destaca o objeto social constante de seu ato constitutivo: “a sociedade simples terá por objeto social a prestação de serviços médico hospitalar”. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 11 10 RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 12 11 à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 13 12 pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 14 13 concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Retornando ao conteúdo destes autos, vêse que a Contribuinte, apesar de invocar a jurisprudência do STJ acima transcrita, não esclarece em nenhum momento qual é o tipo de serviço hospitalar que realiza. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902382/200917 Acórdão n.º 1802001.413 S1TE02 Fl. 15 14 A única informação nesse sentido, e à qual ela se apega, é a descrição totalmente vaga de seu objeto social: “a sociedade simples terá por objeto social a prestação de serviços médico hospitalar”. Nem mesmo o seu nome empresarial colabora para esta questão. Vale lembrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, estamos diante de uma Sociedade Simples, constituída perante o Registro de Títulos e Documentos, com um capital social de R$ 2.000,00 (dois mil reais), conforme cópias do contrato social, às fls. 06/07. A jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Deste modo, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000671/2002-37
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/1988, 28/02/1989, 30/04/1989, 31/08/1990
PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/1988, 28/02/1989, 30/04/1989, 31/08/1990 PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10384.000671/2002-37
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177289
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 9303-002.080
nome_arquivo_s : Decisao_10384000671200237.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : RODRIGO CARDOZO MIRANDA
nome_arquivo_pdf_s : 10384000671200237_5177289.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4414251
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218194112512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 290 1 289 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10384.000671/200237 Recurso nº 229.710 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.080 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO E DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DO ESTADO DO PIAUÍ S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/1988, 28/02/1989, 30/04/1989, 31/08/1990 PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 06 71 /2 00 2- 37 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 195 a 207), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 187 a 193) que, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário do BANCO DO ESTADO DO PIAUÍ S.A., reconhecendo, em resumo, como termo a quo para a repetição de indébito a data de 18 de fevereiro de 1992, data em que a própria administração dirimiu dúvida sobre a pertinência ou não da incidência de juros de mora em parcelamento fiscal requerido pela referida instituição financeira, quando se encontrava em processo de liquidação extrajudicial (fls. 25 e 26 do PAF nº 10384.000385/9201). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do v. acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao especial, é o seguinte, in verbis: “Tratase de recurso voluntário proposto contra decisão da DRJ em Fortaleza – CE que deferiu apenas parcialmente pedido de restituição da contribuição ao Pasep, formulado em 27 de fevereiro de 2002 (consoante carimbo da repartição recebedora à fl. 1). A restituição pleiteada tem como fundamento a incidência de juros de mora em processo de parcelamento da contribuição Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.000671/200237 Acórdão n.º 9303002.080 CSRFT3 Fl. 291 3 (n° 10384.000385/9201) cujos recolhimentos ocorreram durante o período em que a instituição financeira se encontrava sob liquidação extrajudicial, contrariando a disposição do art. 18 da Lei n° 6.024/74, que veda incidência de juros moratórios nessas circunstâncias. Após certificarse da correção do argumento do contribuinte quanto à não incidência de juros de mora em débitos de instituições financeiras sob liquidação extrajudicial, que foi formalmente reconhecida pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF por meio da informação COSIT n° 23, de 30 de junho de 2000, com base em parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (Parecer PGGN/CDA n° 1400/1999), ambos juntados no processo original de parcelamento, a DRF em Teresina – PI deferiu parcialmente o pedido do contribuinte, alegando que os pagamentos efetuados, no curso do processo de parcelamento, em datas anteriores a 27 de fevereiro de 1997 já encontravam alcançados pela decadência. Essa decisão foi integralmente mantida pela DRJ em Fortaleza – CE, que rejeitou o argumento da defesa de que a regra de contagem do prazo decadencial deveria ser a do inciso II do art. 168, combinado com o inciso III do art. 165, ambos do CTN, vez que, no entender da defesa, o reconhecimento pela administração da não incidência dos juros (em 05/11/2011) é que fez nascer o direito postulado pela empresa. Firmou o julgador a quo sua convicção de que a regra matriz é a do inciso I daquele mesmo artigo do CTN, combinada com a do art. 165 quanto à extinção do crédito tributário pelo pagamento, mesmo na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Insurgese então a empresa contra aquela decisão e inova nos seus fundamentos, passando agora a escorar sua pretensão também na conhecida tese de que nos lançamentos por homologação a extinção do crédito tributário somente se processa após a homologação, tácita ou expressa, o que amplia o prazo decadencial para até dez anos. Ratifica, ainda, os demais termos de sua impugnação quanto ao início do prazo prescricional apenas em 05/11/2001. É o relatório.” (grifos e destaques nossos) A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: PASEP. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Se no curso do processo de parcelamento a administração exara parecer no sentido de que descabe a incidência de juros de mora sobre débito fiscal de entidade financeira sob intervenção extrajudicial, aquele valor deveria, de ofício, ser exonerado da exigência. Assim, a irresignação do contribuinte contra esta cobrança já se caracteriza como pedido de repetição daquele valor no próprio processo de parcelamento. Recurso provido. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 No voto condutor, da lavra do Ilustre Conselheiro Jorge Freire, concluiuse que o termo a quo para o prazo do pedido de restituição deveria ser 18/02/92, data em que a própria administração reconheceu a não pertinência dos juros de mora. Com isso, a Câmara a quo reconheceu que deveriam ser restituídas todas as parcelas pagas a título de juros de mora no parcelamento. A Fazenda Nacional, por outro lado, aponta no seu recurso especial que diante do fato de a Recorrida ter formalizado seu pedido de restituição em 27 de fevereiro de 2002, apenas os valores recolhidos a maior a partir de 27 de fevereiro de 1997 deveriam ser ressarcidos, uma vez que, o prazo decadencial a ser considerado seria o do inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos após o pagamento indevido do tributo. De seu turno, a Recorrida, apresentou contrarrazões (fls. 216 a 230), alegando, em síntese, que o prazo decadencial para a repetição de indébito deve contarse através da interpretação conjunta dos artigos 150, § 4º, e 168, I, do CTN, de modo que, somados os 5 (cinco) anos para o Fisco homologar o crédito, mais 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição, o prazo total para se pleitear a repetição de indébito seria de 10 (dez) anos, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao prazo de decadência para a repetição de indébito tributário, se de 5 (cinco) (artigo 168, I do CTN) ou 10 (dez) anos (tese dos 5 mais cinco, soma dos prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 168, I do CTN). O recurso foi admitido através do r. despacho de fl. 209. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.000671/200237 Acórdão n.º 9303002.080 CSRFT3 Fl. 292 5 DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.000671/200237 Acórdão n.º 9303002.080 CSRFT3 Fl. 293 7 a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.000671/200237 Acórdão n.º 9303002.080 CSRFT3 Fl. 294 9 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 27/02/2002 (fls. 1 a 24), em razão de juros indevidamente recolhidos em processo de parcelamento de PASEP (fls. 92 a 94 do PAF nº 10384.000385/9201) de instituição financeira que se encontrava sob intervenção extrajudicial . Nos termos do voto vencido proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Júlio César Alves Ramos, são indevidos todos os pagamentos efetuados após 27/12/93, verbis: (...) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No caso presente, temse que a lei que alberga o direito à não incidência data de 1974. Logo, mesmo no momento da consolidação do débito para parcelamento — 1992 , a empresa já poderia ter contestado aquele cálculo; não o tendo feito e tendo efetuado os pagamentos das parcelas, coubelhe de fato um valor a restituir, postulável em processo próprio de restituição. Tão logo se encontrasse quitado o montante do débito, sem os juros indevidos, poderia parar de pagar o parcelamento; alternativamente, pagando alguma parcela além do que era devido, neste momento, o do pagamento, nasceria o direito à restituição. O processo traz a informação de que, refeitos os cálculos, o montante devido pela empresa sem a incidência de juros de mora foi extinto com os pagamentos das parcelas devidas e recolhidas entre 27/5/1992 e 27/12/1993 (fl. 94). Assim, configuraramse indevidos todos os pagamentos efetuados após 27/12/1993; surgiu, portanto, o direito à restituição e iniciouse a contagem do prazo para sua postulação. (...) (grifos e destaques nossos) Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 27/02/2002, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, alcançando os indébitos a partir de 27/02/1992, e o indébito remonta a 27/12/93, o pedido afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002179/00-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/07/1995
PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 10/10/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/01/1989 a 31/07/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990 por superar o prazo decenal.
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 31/07/1995 PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 10/10/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/01/1989 a 31/07/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990 por superar o prazo decenal. Recurso extraordinário provido em parte.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13819.002179/00-11
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5183644
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9900-000.822
nome_arquivo_s : Decisao_138190021790011.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 138190021790011_5183644.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4481922
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218236055552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 5 1 4 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13819.002179/0011 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.822 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA BRASILEIRA DE ESTIRENO (SUC. DE UNIGEL PARTICIPAÇÕES SERVS. INDS. E REP LTDA.) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/07/1995 PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 10/10/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/01/1989 a 31/07/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990 por superar o prazo decenal. Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 21 79 /0 0- 11 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0203.156 da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 543 a 546) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 10/10/2000, repetição de PIS referente a fatos geradores ocorridos de 01/01/1989 a 31/07/1995. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13819.002179/0011 Acórdão n.º 9900000.822 CSRFPL Fl. 6 3 A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 550 a 576), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Dentre os paradigmas apresentados para comprovar a divergência, destacase o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, utilizado para a admissão do recurso especial, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 577 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 10/10/2000. Fatos Geradores: de 01/01/1989 a 31/07/1995. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a Fl. 601DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 10/10/2000, referente a tributos com fatos geradores ocorridos de 01/01/1989 a 31/07/1995, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 10/10/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13819.002179/0011 Acórdão n.º 9900000.822 CSRFPL Fl. 7 5 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 603DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000357/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10725.000357/2007-51
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5186366
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-000.560
nome_arquivo_s : Decisao_10725000357200751.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 10725000357200751_5186366.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4492096
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041218262269952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 336 1 335 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000357/200751 Recurso nº Resolução nº 3401000.560 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente NOBLE DO BRASIL S/C LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRORJ II Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 5ª Turma que manteve indeferimento de Pedido de Ressarcimento do PIS Faturamento, período 4º trimestre de 2004, cumulado com compensação. Conforme o Despacho Decisório indeferitório na origem, datado de 25/09/2009, contra o contribuinte foram lavrados autos de infração do PIS e da Cofins nos períodos de apuração de 12/2003 a 12/2004, discutidos no processo nº 15521.000127/200963, sendo que os créditos aqui pleiteados foram utilizados pela Fiscalização na redução da base de cálculo da Contribuição lançada naquele. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 25 .0 00 35 7/ 20 07 -5 1 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000357/200751 Resolução nº 3401000.560 S3C4T1 Fl. 337 2 Ainda segundo o Despacho Decisório, naquele processo das autuações a fiscalização concluiu que a contribuinte se beneficiou, irregularmente, de receitas tidas como de exportação com vistas à isenção/imunidade do PIS e da Cofins. E como os créditos aqui pleiteados já foram aproveitados naquele, o órgão de origem entendeu configurada a improcedência do ressarcimento, “na medida em que se mostra ausente requisito essencial ao aproveitamento de créditos a este titulo, qual seja, a obtenção de receitas da exportação e se mostra a inexistência dos créditos pleiteados”. A Manifestação de Inconformidade contém, dentre outras, as alegações seguintes, conforme o relatório da DRJ que transcrevo parcialmente: Em 27/08/09, a Manifestante foi surpreendida com lavratura de Auto de Infração (Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000127/200963), sob alegação de classificação indevida de receitas como alcançadas pela isenção própria da exportação de serviços que represente reingresso de divisas no país; Nestes autos, a Autoridade Fiscal houve por bem proferir o presente Despacho Decisório, denegando o direito da Manifestante à apropriação dos créditos de PIS e COFINS vinculados à receita de exportação de serviços, sob a mesma infundada alegação – e argumentos de caracterização indevida de receitas de prestação de serviços para o exterior; Ante a manifesta conexão dos fatos relatados no presente Despacho Decisório e daqueles constantes do Auto de Infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0710400 2008 005458, impõese a suspensão do julgamento do presente feito até a prolação de decisão definitiva quanto ao mérito do referido Auto de Infração, a fim de evitar que venham a ser proferidas decisões contraditórias; Em 2005, a Manifestante foi autuada sob a alegação de que a incorreta contabilização em contas patrimoniais dos valores recebidos de empresa estrangeira havia ocasionado a redução indevida do faturamento e do lucro real demonstrado nos livros contábeis da Manifestante, anocalendário de 2000; A decisão de 1ª instância reconheceu expressamente a natureza de receita de prestação de serviços para os valores glosados, por considerar que houve prestação de serviços a da Manifestante em beneficio de outras empresas do Grupo Noble domiciliadas no exterior, reconhecendo, inclusive, a dedutibilidade dos custos e despesas incorridos na prestação dos serviços; Em decorrência da decisão de lª instância administrativa, acima mencionada, e a fim de evitar novos questionamentos por parte do Fisco Federal, a Manifestante houve por bem adotar, para os anos seguintes, o tratamento fiscal de tais ingressos determinado pela Autoridade Julgadora, assim, (1) reconstituiu sua escrita contábil para reconhecer tais valores como receita de serviços prestados à empresa sediada no exterior; (2) efetuou as respectivas retificações das declarações e demonstrativos fiscais e (3) providenciou a quitação dos tributos, com recolhimento dos devidos encargos moratórios; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000357/200751 Resolução nº 3401000.560 S3C4T1 Fl. 338 3 Em 27 de agosto do presente ano, a Fiscalização decidiu autuar novamente a Manifestante, alegando que a Manifestante havia indevidamente atribuído natureza de receitas de exportação de serviços, para efeito de PIS e COFINS, aos valores correspondentes aos serviços prestados às empresas do grupo Noble domiciliadas no exterior; (...) Requer o Manifestante: Preliminarmente, seja declarada a suspensão do presente feito até a prolação de decisão definitiva do Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000124/200504 e Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000127/200963. Não acolhida a preliminar requer: 1) Seja declarada a Decadência do direito da autoridade administrativa de indeferir compensação de créditos relativos a períodos anteriores a setembro de 2004; 2) Seja declarado integralmente improcedente o Despacho Decisório, em razão do preenchimento pela Manifestante dos requisitos para o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS relativamente à prestação de serviços para o exterior, homologandose por conseqüência o Pedido de Ressarcimento dos referidos créditos e as subseqüentes Declarações de Compensação dos mesmos. Ao manter o indeferimento do ressarcimento e compensações do presente processo, o acórdão recorrido considerou o seguinte, em relação ao pedido de suspensão do feito: Rejeitase a preliminar. Embora haja sem dúvida relação entre os processos, principalmente com o Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000127/200963, nestes autos deve ser discutido apenas pontos que naqueles não foram apreciados. Assim, tendo em conta que naqueles autos já existe decisão desta Delegacia de Julgamento, mais ainda desta Turma, quanto ao contencioso instaurado, à controvérsia quanto ao pedido de reconhecimento de direito creditório, e conseqüentemente da homologação das DCOMP’s, deverá ser apreciada fora dos limites circunscritos pelo referido julgado. Portanto, eventual direito creditório, caso haja, que não tenha sido considerado para fins de apuração da contribuição devida, ou mesmo denegado para o mesmo fim, poderá ser aqui examinado. Enfim, aquilo que já se discute nos processos citados deverá lá encontrar solução final, permanecendo, porém, a parte remanescente, se houver, evitandose dessa forma proferimento de decisões contraditórias, conforme almeja o recorrente com a preliminar suscitada. Concluise que é desnecessário suspender julgamento de contencioso, pelo menos neste grau, pois o processo relacionado já fora devidamente apreciado pela mesma instância de julgamento a que se pede a suspensão. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000357/200751 Resolução nº 3401000.560 S3C4T1 Fl. 339 4 Apesar de julgar a Inconformidade, a DRJ assentou no acórdão recorrido o seguinte, verbis: Havendo recurso voluntário encaminhar estes autos ao CARF com a recomendação de juntada por apensação aos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 15521.000127/200963 para análise conjunta. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na procedência do ressarcimento e compensações respectivas, repisando alegação da Manifestação de Inconformidade e combatendo o acórdão recorrido, arguindo ter havido compensação de ofício efetuada pela DRJ. No item III da peça recursal repete o pedido de suspensão deste processo, para julgamento conjunto com os de nºs 15521.000124/200504 e 15521.000127/200963, o primeiro referente a autuações em períodos anteriores aos trimestres do ressarcimento aqui debatido. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais exigidos pelo Processo Administrativo Fiscal, pelo que o conheço. Todavia, não está em condições de ser julgado por depender do desfecho do processo nº 15521.000127/200963, onde são debatidas as autuações do PIS e da Cofins nos períodos de apuração de 12/2003 a 12/2004. Atualmente o referido processo foi devolvido à origem para diligência, determinada nos termos da Resolução nº 3402000386, de 22/03/2012. Destaco que, já no Despacho Decisório, aquele processo das autuações é considerado, o mesmo acontecendo no acórdão recorrido. Primeiro foram lavrados os dois autos de infração, do PIS e Cofins nos períodos de apuração de 12/2203 a 12/2004, e em seguida o ressarcimento objeto do presente processo foi indeferido levandose em conta o entendimento exposto pela fiscalização nessas autuações. Para evitar julgamentos dissonantes cabe aguardar o fim do litígio em relação às duas autuações, cujo desfecho pode afetar a análise. O mais conveniente, inclusive, é que o julgamento seja conjunto, o que de todo modo só pode ser efetivado após o retorno da diligência decidida no processo nº 15521.000127/200963. Quanto ao processo mais antigo, sob o nº 15521.000124/200504, comporta julgamento independente. Embora relacionado indiretamente ao presente, contempla períodos de apuração mais antigos. Este processo retornou ao CARF em 14/12/2010, após diligência determinada em 16/10/2007, nos termos da Resolução nº 10800468. Pelo exposto, voto por novamente converter o julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no processo 15521.000127/200963, Recurso nº 882236 (de ofício e Voluntário). Após decisão definitiva uma cópia deve ser acostada ao presente, com retorno dos autos a este Colegiado para apreciação. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000357/200751 Resolução nº 3401000.560 S3C4T1 Fl. 340 5 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 345DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
