Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19740.720142/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE.
A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação.
IRRF. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO.
A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto retido na fonte compete a fonte pagadora.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. O Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. IRRF. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto retido na fonte compete a fonte pagadora. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19740.720142/2009-06
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331877
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.535
nome_arquivo_s : Decisao_19740720142200906.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 19740720142200906_5331877.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. O Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 5349364
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592336953344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.720142/200906 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.535 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2013 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BRADESCO SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. IRRF. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto retido na fonte compete a fonte pagadora. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. O Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentará declaração de voto. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 42 /2 00 9- 06 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório BRADESCO SAÚDE S/A, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 92.693.118/000160, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Barão de Itapagipe, nº 225, Bairro Rio Comprido, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária do Rio de Janeiro, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 221/225), prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 234/238. A requerente transmitiu, em 15/07/2004, a Declaração de Compensação – DCOMP nº 05462.42019.210704.1.7.021770 e nº 23805.22082.130804.1.3.026209, e do PER nº 25581.15347.191208.1.2.027109, cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2003, no valor de R$ 1.376.234,75. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – RJ (Deinf/RJO), através do Despacho Decisório (fls. 123/130), apreciou e concluiu, em 17/07/2009, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que em relação às retenções no código 5706 — IRRF Juros sobre Capital Próprio, verificouse no sistema DIRF — Consulta Declarações Declarante (fl. 64), e em DCTF (fl. 118), que o contribuinte não os utilizou para abater possíveis retenções efetuadas pelo próprio, relativas a outros beneficiários. No sistema Sinal07 (fls. 119) não constam pagamentos nos códigos 5706, efetuados pelo contribuinte; que o Sistema Sief da RFB, módulo Fiscalização Eletrônica Analisar Valores Débitos Apurados, todos os débitos indicados para serem compensados, e que estão relacionados no quadro 1, encontramse na situação/motivo — VALIDADO TOTAL (fls. 26/29, e 36); que conforme mencionado anteriormente no item 4, o sistema SCC — Saldos Negativos (fls. 06/08) apontou uma diferença (R$ 146.409,18) entre o montante (R$ 149.521,51) informado nos Per/dcomps como créditos relativos a retenções na fonte, e o montante (R$ 3.112,33) apontado pelo sistema SCC — Saldos Negativos; que deste modo, através da Intimação 168/2009, de 28/04/2009 (fl. 01), o contribuinte foi instado a prestar informações sobre a diferença apontada no item anterior, referente às seguintes retenções informadas nos Per/dcomps, e não encontradas nos sistemas da RFB; que em 12/06/2009 o contribuinte enviou correspondência (fls. 107/109) informando ter solicitado junto ao contribuinte Senado Federal cópia dos informes de rendimentos, e apresentou cópia da Dirf retificadora, apresentada pelo Banco Bradesco S A, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 5 4 CNPJ 60.746.948/000112, no valor de R$ 19.258,76. Até o momento os referidos informes de rendimentos não nos foram apresentados; que conforme demonstrativo de cálculo do Sistema de Apoio Operacional da RFB, o crédito reconhecido, R$ 1.272.580,07, não é suficiente para compensar a totalidade dos débitos, existindo um saldo devedor remanescente de R$ 113.667,72 (fls. 120/122). Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 20/07/2009, conforme Termo constante à fl. 134, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (19/08/2009), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 137/141, instruído pelos documentos de fls. 142/193, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que na análise do direito creditório do Contribuinte, apenas as parcelas referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte foram objeto de questionamento pela Autoridade, Fiscal, especificamente em relação aos valores de R$ 120.765,92, R$ 6.384,50 e R$ 19.258,76 informados na Per/Dcomp; que a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte de Órgão público no valor de R$ 120.765,92, argumenta a Autoridade Fiscal que os DARFs apresentados pelo Contribuinte, no valor total de R$ 216.197,37, não teriam sido retidos pelo Senado Federal, mas sim pelo próprio Contribuinte (doc. 02); que não obstante os recolhimentos (DARFs) constem como Contribuinte a Bradesco Saúde, tais recolhimentos não foram efetuados pelo Contribuinte. Até porque o código de recolhimento e especifico para retenções de fonte , promovidas por órgãos da administração federal direta, autarquias e fundações federais, nos termos do que dispõe a IN SRF n° 306/2003; que os recolhimentos foram realizados em instituições bancárias do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Não faria sentido que o Contribuinte, uma empresa integrante do Grupo Bradesco, realizasse o recolhimento de seus tributos e contribuições federais em Outras instituições financeiras que não no Banco Bradesco S/A; que o Contribuinte teria efetuado a retenção em nome de outra pessoa jurídica que não ele, pois o código de retenção utilizado denota, necessariamente, que se , trata de retenção promovida por órgão da administração pública federal. Caso a retenção fosse efetuada em razão de pagamento entre pessoas jurídicas de direito privado, o código de retenção seria outro, que' não aqueles tratados no Anexo I da IN no 306/2003, revogada pela IN n° 480/2004; que dessa forma, não restam dúvidas que o valor total de R$ 216.197,37 foi retido por órgão público e não pelo Contribuinte; que em relação a retenção no valor de R$ 6.384,50, alega a Autoridade Fiscal que a documentação enviada pelo Contribuinte não estaria autenticada nem legível; que dessa forma, junta à presente cópia legível e autenticada de Informe de Rendimentos da Fonte Pagadora Companhia Siderúrgica Belgo Mineira onde fica demonstrada a retenção do montante de IRRF de R$ 6.384,50 (doc. 03); Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 6 5 que no que tange a retenção de R$ 19.258,76, o Contribuinte apresenta novamente Informe de Rendimentos da Fonte Pagadora Banco Bradesco S/A onde fica demonstrada a citada retenção (doc. 04), não deixando qualquer margem de dúvidas quanto a efetiva retenção do montante em questão. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 25/11/2011, a 8° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro – RJ autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 92/97): que não há discordância quanto ao valor de R$ 19.258,76 que foi reconhecido no parecer e no despacho decisório; que a interessada não contestou a diferença do valor de R$ 8,08, portanto, fica mantida a glosa por falta de comprovação; que quanto à parcela de R$ 6.384,50, verificase que a interessada comprovou a retenção por meio do comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 179). Tratase de receita relativa a juros sobre o capital próprio, e o rendimento respectivo foi oferecido à tributação na linha 06, da Ficha 06C da DIPJ 2004, relativa ao anocalendário 2003; que quanto à parcela de R$ 97.262,09 relativa a Imposto retido na fonte pelo Senado, a interessada apresenta os DARF (fls. 174/178) no valor total de R$ 216.197,37, recolhidos no código 6188, no CNPJ da interessada. A interessada alega que a retenção foi efetuada pelo Senado, visto que o código referese à retenção efetuada por órgão público; que alegou também que os pagamentos foram efetuados na CEF e no Banco do Brasil e que se supusesse que as retenções tivessem sido efetuadas pelo contribuinte o montante recolhido no valor de R$ 216.197,37 faria parte do imposto antecipado; que a interessada não apresentou o comprovante de retenção. Em relação aos DARF apresentados não é possível concluir que se refiram a retenções efetuadas pelo Senado, já que o recolhimento foi efetuado no CNPJ da interessada. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento compete a fonte pagadora, de acordo com o artigo 717 do Decreto 3.000/99 e AD COSAR Nº 20/1995, assim, no caso de imposto retido o DARF é recolhido no CNPJ da responsável pela retenção/recolhimento, no caso em questão, o DARF deveria ter sido recolhido no CNPJ do SENADO que é a fonte pagadora; que quanto à alegação de que o código referese a retenção de órgão público, tal fato não é suficiente para comprovar que os DARFs se referem a retenções do Senado para a interessada, podendo tratarse de mero erro de código; que quanto à alegação da interessada de que se supusesse que as retenções tivessem sido efetuados por ela, o montante seria antecipação do devido, não procede, se há um recolhimento com código de imposto retido efetuado com informação do CNPJ de determinada empresa, ela não é a beneficiária do rendimento, portanto, não pode deduzilo como antecipação. Neste caso, a beneficiária é a pessoa jurídica que sofreu a retenção, e que poderá deduzir o valor. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 7 6 A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DO IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DO IRRF. O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo do imposto de renda apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. IRRF.RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto retido na fonte compete a fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 28/05/2012, conforme Termo constante à fl. 229, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/06/2012), o recurso voluntário de fls. 234/238, instruído pelos documentos de fls. 239/262, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte de órgão público no valor de R$ 120.765,92 argumenta a Autoridade Fiscal que os DARFs apresentados pelo contribuinte, no valor total de R$ 216.197,37, não teriam sido retidos pelo Senado Federal, mas sim pelo próprio Contribuinte (doc. 02). que não obstante os recolhimentos (DARFs) constem como contribuinte a Bradesco Saúde, tais recolhimentos não foram efetuados pelo Contribuinte. Até porque o código de recolhimento é específico para retenções de fonte, promovidas por órgãos da administração federal direta, autarquias e fundações federais, nos termos do que dispõe a IN SRF nº 306/2003; que se pudesse supor que as citadas retenções não foram efetuadas pelo Senado federal, mas sim pelo Contribuinte, como afirmou a Autoridade Fiscal, ainda sim o montante recolhido no valor total de R$ 216.197,37 e cujo beneficiário é o próprio Contribuinte, faria parte da totalidade do imposto de Renda por ele antecipado; Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 8 7 que o Contribuinte teria efetuado a retenção em nome de outra pessoa jurídica que não ele, pois o código de retenção utilizado denota, necessariamente, que se trata de retenção promovida por órgão da administração pública federal. Caso a retenção fosse efetuada em razão do pagamento entre pessoas jurídicas de direito privado, o código de retenção seria outro, que não aqueles tratados no Anexo I da IN nº 306/2003, revogada pela IN nº 480/2004; que dessa forma, não restam dúvidas que o valor total de R$ 216.197.37 foi retido por órgão público e não pelo Contribuinte. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos, constatase que pretenso crédito utilizado para fins de compensação e de restituição teve sua origem a partir de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, apurado no ano calendário 2003, exercício 2004, no montante de R$ 1.376.234,75, de acordo com informações especificadas no Per/dcomp n° 05462.42019.210704.1.7.021770, fls. 19/25, (retificador do primeiro Per/dcomp, de n° 31890.19105.150704.1.3.020291, fls. 11/18). Referido valor possui correspondência com aquele consignado na DIPJ (fl. 47), Ficha 12B — Calculo do Imposto de Renda s/ o Lucro Real. Constatase, ainda, que em conformidade com o Parecer Deinf/RJO/Diort n° 056/2009 (fls. 123/128), que foi reconhecido parcialmente o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2003, exercício 2004, no valor de R$ 1.272.580,07 (um milhão, duzentos e setenta e dois mil, quinhentos e oitenta reais e sete centavos), bem como foram homologadas parcialmente as compensações constituídas e indeferir o pedido de restituição relativo a parte direito creditório pleiteado no valor de R$ 113.667,72. Inconformada com a decisão da autoridade administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – RJ a qual decide em acolher, em parte, a manifestação no que diz respeito à parcela de R$ 6.384,50, sob o argumento de que a interessada comprovou a retenção por meio do comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 179), tratandose de receita relativa a juros sobre o capital próprio, e o rendimento respectivo foi oferecido à tributação na linha 06, da Ficha 06C da DIPJ 2004, relativa ao anocalendário 2003. Irresignada com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual decide acolher os argumentos da defesa, de forma parcial, para homologar a parcela de R$ 6.384,50, sob o argumento de que a interessada comprovou a retenção por meio do comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 179). Por outro lado, deixou de homologar à parcela de R$ 97.262,09 relativa a Imposto retido na fonte pelo Senado, no qual a interessada apresenta os DARF (fls. 174/178) no valor total de R$ 216.197,37, recolhidos no código 6188, no CNPJ da interessada, sob o argumento de que foi a própria requerente que recolheu a parcela questionada. Como visto, a discussão versa, tãosomente, sobre a não homologação da retenção de fonte no valor de R$ 97.262,09. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 10 9 Assim sendo, o ponto central da discussão nestes autos é a exigência de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte, que gerou saldo negativo de IRPJ. O saldo negativo apurado pela contribuinte foi compensado em 15/07/2004. Segundo a autoridade revisora a contribuinte não logrou demonstrar que o imposto de renda retido na fonte tem vinculação e foi efetivamente recolhido pela fonte pagadora, por isso indeferiu a compensação nesta parte. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) da recorrente, no ano de 2003, correspondente ao exercício de 2004, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário Nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). Ora, à retenção na fonte informada pela recorrente não seguiu as determinações legais existentes. Verificase que a mesma não apresentou o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte, em descumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). A recorrente apresenta os DARFs (fls. 174/178) no valor total de R$ 216197,37, recolhidos no código 6188, no CNPJ da recorrente. A única alegação da recorrente é de que a retenção foi efetuada pelo Senado, visto que o código referese à retenção efetuada por órgão público. Alegou ainda que os pagamentos foram efetuados na CEF e no Banco do Brasil e que se supusesse que as retenções tivessem sido efetuadas pelo contribuinte o montante recolhido no valor de R$ 216.197,37 faria parte do imposto antecipado. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 11 10 Ora, a recorrente não apresentou o comprovante de retenção. Em relação aos DARF apresentados não é possível concluir que se refiram a retenções efetuadas pelo Senado, já que o recolhimento foi efetuado no CNPJ da interessada. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento compete a fonte pagadora, de acordo com o artigo 717 do Decreto 3.000/99 e AD COSAR Nº 20/1995, assim, no caso de imposto retido o DARF é recolhido no CNPJ da responsável pela retenção/recolhimento, no caso em questão, o DARF deveria ter sido recolhido no CNPJ do Senado que é a fonte pagadora. Em regra, o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados às declarações entregues à Secretaria da Receita Federal, pelo prazo previsto em lei para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I ou 150, § 4º, do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documentos a serem guardados refiramse a situações que repercutem em exercícios futuros, o prazo de cinco anos deve ser contado em relação aos exercícios atingidos por aquelas situações. É o caso, por exemplo, da compensação de prejuízos fiscais ou de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, cujos documentos comprobatórios devem ser mantidos. Assim, caberia à recorrente apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. Quanto à alegação da recorrente de que se supusesse que as retenções tivessem sido efetuados por ela, o montante seria antecipação do devido, não procede, se há um recolhimento com código de imposto retido efetuado com informação do CNPJ de determinada empresa, ela não é a beneficiária do rendimento, portanto, não pode deduzilo como antecipação. Neste caso, a beneficiária é a pessoa jurídica que sofreu a retenção, e que poderá deduzir o valor. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PAULO ROBERTO CORTEZ Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 12 11 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Conforme se extrai da fl. 13 dos autos, a parte recorrente apresentou pedido de compensação indicando, para extinção de débitos, crédito proveniente ao Saldo Negativo do IRPJ, no valor de R$ 1.376.234,75. Na página 03 do PERDECOMP (fls. 13 e seguintes), dentre outros, encontra se a indicação de IRRF órgão público: R$ 120.765,91 (CNPJ 00.530.279/000115 Senado). À página 67 a contribuinte foi intimada para apresentar a confirmação da retenção na fonte dos seguintes valores: a) R$ 120.765,92 (código 6188) fonte pagadora CNPJ 00.530.279/000115; b) R$ 6.384,50 (código 5706) fonte pagadora CNPJ 24.315.012/000173 e c) R$ 19.258,76 (código 6800) fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112 Em atendimento à intimação de fl. 67, a recorrente apresentou a petição de fl. 89, juntando: a) cópia dos DARFs recolhidos junto ao BB e CEF, pelo código 6188, no ano de 2003, no valor de R$ 216.196,37; b) cópia do informe de rendimentos da fonte pagadora CNPJ 24.315.012/000173, no valor de R$ 6.384,50. Informou, ainda, que retificaria a DIRF do anocalendário de 2003, do Banco Bradesco e, posteriormente enviaria cópia do informe de rendimentos da fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112, no valor de R$ 19.258,76. Vieram aos autos os comprovantes de arrecadação de fls. 117/121, indicando como contribuinte a Bradesco Saúde e Código de Receita 6188, o que quer dizer recebimento de órgão público. Também consta dos autos a petição de fls. 123 em que a recorrente noticia estar procurando obter junto ao Senado Federal cópia dos informes de rendimento que geraram a retenção de fonte. Em relação às retenções nos valores de R$ 6.384,50 e R$ 19.258,76, vieram aos autos os informes de rendimentos de fls. 122 e 124, respectivamente. À fl. 126 consta extrato extraído da página da Receita comprovando as seguintes retenções: R$ 45.246,86, correspondente ao período de apuração de 01/02/2003; R$ 67.770,83 correspondente ao período de apuração de 31/08/2003; R$ 52.023,86 correspondente ao período de apuração de 30/09/2003; R$ 97,94 correspondente ao período de apuração de 01/11/2003 e R$ 57.057,88 correspondente ao período de apuração de 30/11/2003, totalizando R$ 216.197,37. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 13 12 A autoridade de origem, por meio do despacho de fls. 139 e seguintes, concluiu: a) Cópia de 05 Darfs, código 6188, e de ofícios da SEFICO/SSSIS, que comprovariam pagamentos que teriam sido efetuados pelo contribuinte Senado Federal, CNPJ 00.530.279/000115, no valor de R$ 120.765,92. Analisandose os 05 Darfs, constantes do Sinal 01 (fls.110/115), no valor total de R$ 216.197,37, verificase, ao contrario do afirmado, que os mesmos não são retenções feitas pelo contribuinte Senado Federal, CNPJ 00.530.279/000115, e sim recolhimentos feitos pelo próprio Bradesco Saúde S A. As cópias dos ofícios da SEFICO/SSSIS, além de estarem parcialmente ilegíveis e não estarem autenticadas, não se prestam para confirmar efetivamente que houve as retenções apontadas. Por todo o exposto, os 05 Darfs, no valor total de R$ 216.197,37, não foram considerados retenções efetuadas pelo contribuinte Senado Federal, CNPJ 00.530.279/000115. b) Analisandose a Dirf — Resumo do Beneficiário — Detalhamento Mensal (fl. 60), confirmouse o montante de R$ 69.042,52 como retenção de IRRF — código 6188, realizado pelo contribuinte Senado Federal, a favor da Bradesco Saúde. Tal valor já havia sido apontado pelo sistema SCC —Saldos Negativos como valor de retenção na Dirf, do qual a quantia de R$ 23.503,83 (fl. 07) é o valor proporcional calculado da retenção (69.042,52 multiplicado por 2,4, dividido por 7,05), em observância à Instrução Normativa SRF no 306, de 12 de março de 2003. c) Em relação à pretensa retenção na fonte feita pelo contribuinte CNPJ 24.315.012/000173, no valor de R$ 6.384,50, a documentação enviada pelo contribuinte (fl. 106), além de não autenticada está ilegível, pelo que não será considerada. d) No tocante ao declarante Banco Bradesco S A, CNPJ 60.746.948/0001 12, em 10/06/2009 foi apresentada Dirf retificadora, (fl. 63) onde efetivamente constou retenção no valor de R$ 19.258,76, código 6800. A DRJ, por meio do acórdão de fls., reconheceu o valor de R$ 6.384,50. Assim, o litígio resultou reduzido ao valor de R$ 120.765,92. É o relatório, passo ao exame da matéria. Não há controvérsia quanto ao recolhimento dos valores indicados nos documentos de fls. 126/131, todos com o Código de Receita 6188 (retenção por órgão público). Igualmente, não se pode dizer que se tratam de tributos recolhidos em atraso, pois indicam como períodos de apuração datas do anocalendário de 2003. Analisando a DIPJ da empresa, a partir da fl. 44, houve recolhimento de estimativas e de IRRF por Órgão Público Federal. À fl. 48 temse registrado R$ 21.574,25 a título de retenção de fonte por Órgão Público Federal e mais R$ 96.334,88, por Ent. da Adm. Pa). Fed. (Lei no 10.833/2003). Tais valores, quando somados, perfazem R$ 117.909,13 o que não coincide com os R$ R$ 120.765,92 indicado inicialmente pela recorrente e nem com os R$ 216.197,37, comprovados pelos documentos de fls. 126/131. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 14 13 A questão que se coloca é a seguinte: Diante da prova material da arrecadação de R$ 216.197,37, comprovados pelos documentos de fls. 126/131, todos relacionados ao ano de 2003, o que fazer? Esta diferença pode ser fruto de outras retenções? Sim. No entanto, para se chegar a tal conclusão seria necessário identificar de quais fontes. Se disse que ditos valores não se tratavam de recolhimento de fonte pelo Senado, mas sim retenções da própria fiscalizada. Tal argumento não soa como razoável por dois motivos. a) sendo a recorrente empresa vinculada ao Bradesco, por óbvio que não faria o pagamento por meio da CEF e o BB; b) quando a própria recorrente fez retenções, conforme indicado à fl. 14 dos autos, ao prestar esclarecimentos, isto é, se era referente a órgão público ou não, procedeu sem equívocos. Por outro lado, qual a interpretação a ser dada ao artigo 1º e 3º da Instrução Normativa nº 306, de março de 2003, que estava em vigor, in verbis: Art. 1 º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias e as fundações federais reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), bem assim a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. ... Art. 3 º Os valores retidos deverão ser recolhidos ao Tesouro Nacional, pelo órgão ou entidade que efetuar a retenção, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), no prazo de até três dias úteis, contado da data do pagamento à pessoa jurídica, observados os códigos de receita relacionados na Tabela de Retenção ( Anexo I ), para cada hipótese de retenção. ... Art. 5 º Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Considerando que a Fonte pagadora tem incontáveis prestadores de serviços, perguntase: Qual o nº do CNPJ que deve constar do documento de arrecadação? Do Senado, no caso, ou da Bradesco Saúde? O artigo 3º suscitava a dúvidas. Se recolhido no CNPJ do Senado a Bradesco Seguro nunca teria como comprovar que aquele recolhimento lhe era correspondente, até porque um único DARF poderia conter dezenas de recolhimentos de fonte. Se recolhido no CNPJ da Bradesco Saúde, a Fiscalização sempre teria como alegar que tal recolhimento não fora realizado pelo Senado. Em fim, qualquer dos procedimentos que se adotasse não favorecia a recorrente. Diante da prova material do recolhimento de R$ 216.197,37, em vez de simplesmente rejeitar a homologação da compensação, necessário que se esclarecesse quem Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19740.720142/200906 Acórdão n.º 1402001.535 S1C4T2 Fl. 15 14 efetuou tais retenções, a que título e qual a finalidade destas, pois tudo está a indicar que o Senado efetuou retenções indicando o CNPJ da recorrente. Todavia, vencido na proposta de diligência, dado a verossimilhança dos fatos e da prova material do IRRF sob o Código de Receita nº (código 6188) que indica retenção/recolhimento no valor de R$ 216.197,37 voto por dar provimento ao recurso. ISTO posto, VOTO por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 27/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000905/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga.
Relatório
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.000905/2010-01
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331379
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-000.116
nome_arquivo_s : Decisao_15586000905201001.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 15586000905201001_5331379.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5346832
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592362119168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000905/201001 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1101000.116 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de fevereiro de 2014 Assunto Diligência Recorrentes Erildo Pedrini, Narcizo Agrizzi, João Cremasco Dalfior, Maria da Penha Zottel Dalfior, Eugênio Pedro di Francesco, Giovani Bortolin di Francesco, Theodoro Antonio Zanotti, Leonor Andrade Seixas Zanotti, Silvino Faria Júnior, Eduardo Sturh, Sérgio Stuhr, Wanderley Stuhr, Lucimar Stuhr, Breno Biss Nunes e Wagner de Oliveira (responsáveis tributários em lançamento formalizado também contra V&F Comercial Ltda, Antonio Ferreira da Silva, Charles Paulo Bart e José Ildo Henrique Fiorotti) FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 90 5/ 20 10 -0 1 Fl. 24299DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório Erildo Pedrini, Narcizo Agrizzi, João Cremasco Dalfior, Maria da Penha Zottel Dalfior, Eugênio Pedro di Francesco, Giovani Bortolin di Francesco, Theodoro Antonio Zanotti, Leonor Andrade Seixas Zanotti, Silvino Faria Júnior, Eduardo Sturh, Sérgio Stuhr, Wanderley Stuhr, Lucimar Stuhr, Breno Biss Nunes e Wagner de Oliveira, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado também contra V&F Comercial Ltda, Antonio Ferreira da Silva, Charles Paulo Bart e Joseildo Henrique Fiorott, em 06/11/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.405.919,49. Segundo o Relatório de Fiscalização às fls. 14679/14991, embora apresentando expressiva movimentação financeira nos anoscalendário de 2003 a 2006, bem como tendo efetuado vendas em valores anuais que superaram R$ 10 milhões a partir de 2004, V&F Comercial Ltda apenas apresentou declaração de rendimentos nos anoscalendário 2004 e 2005, mas sem declarar qualquer receita, e sem efetuar qualquer recolhimento entre 01/01/2003 e 31/12/2009. A Fiscalização constatou que a empresa não estava instalada em seu domicílio fiscal, constituído de apenas uma sala alugada dois anos antes do depoimento colhido do proprietário de imóvel em 22/10/2007, locação esta efetivada mediante negociações com Charles Paulo Bart e Wanderlei Stuhr, sem qualquer contato com Fábio Siqueira e Valter Pereira Fardim ou com a pessoa jurídica da qual eles eram sócios. Também foi colhido depoimento do contador da empresa, que apresentou procuração para representála. Há relato das dificuldades para intimação da pessoa jurídica e de seus sócios e procurador, ensejando sua formalização por edital. Foram coletadas, assim, informações de entradas e saídas junto ao Fisco Estadual, bem como foram expedidas Requisições de Informação de Movimentação Financeira com fundamento no art. 3o, incisos VIII e XI do Decreto nº 3.724/2001, de modo a ter acesso às movimentações bancárias e às procurações para realizálas. Identificando que os principais depositantes eram empresas ligadas a operações com café, a autoridade fiscal expediu intimações para que apresentassem as notas fiscais e pagamentos vinculados à V&F, mas a maioria informou que não havia contato com a V&F, e que as negociações eram realizadas por intermédio de corretores. Somente quatro delas informaram ter contato com a pessoa jurídica por meio de Sérgio Stuhr e Theodoro Antônio Zanotti. Mas houve envio de demonstrativos e cópias de notas fiscais da fiscalizada. A partir de documentos fiscais obtidos junto ao escritório do contador da V&F, o agente fiscal identificou funcionários de bancos, produtores rurais, representantes da V&F junto a bancos e corretores que participaram de atos da fiscalizada, os quais foram intimados a preencher questionários ou prestar esclarecimentos. Dentre os que movimentaram as contas bancárias, Eduardo Sthur, Wanderley Stuhr e Sérgio Stuhr não compareceram para prestar esclarecimentos, nem responderam aos questionários enviados. Fl. 24300DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 4 3 A partir dos documentos bancários obtidos, a Fiscalização consignou ter identificado depósitos propriamente ditos no total de cerca de R$ 45 milhões por ano, em 2004 e 2005, e elaborou o seguinte quadro das contas bancárias movimentadas pela pessoa jurídica: Ressalvou, porém, que a conta na agência de Linhares foi movimentada por Narciso Arizzi; a de Nova Venécia por Theodoro Antônio Zanotti e Leonor Andrade Seixas Zanotti; a de Santa Tereza por Giovani Bortolini Di Francesco; e a de Vitória por Silvino Faria Júnior, consoante evidências abordadas mais à frente do relatório. Constam do Relatório Fiscal informações acerca do mercado de café, identificando os produtores rurais, os empresários comerciantes (adquirentes dos produtores reais e que repassam os produtos aos atacadistas e indústria, mantendo armazéns ou empresas atacadistas e sendo procurados pelos corretores); os corretores; as empresas comerciais atacadistas (algumas efetivamente estabelecidas e outras sem patrimônio, que operam por pouco tempo em pequenas salas, com sócios desconhecidos no mercado e que atuam por intermédio de “terceiros”, estranhos ao contrato social, mas negociantes conhecidos no interior); e as indústrias de torrefação. A autoridade fiscal discorre sobre a atuação dos corretores, observa que dos quarenta corretores apontados por clientes da V&F, apenas Luiz Cláudio Abreu Costa seria autônomo, estando os demais associados em sociedades de corretagem, em regra recebendo 0,5% de comissão sobre o valor da transação, e fornecendo às partes os dados para liquidação dos negócios. No caso da V&F, os dados dessa empresa, bem como das contas bancárias onde os pagamentos deveriam ser depositados, eram repassados pelas pessoas de contato (comerciante, negociante, comprador de café, maquinista ou outro termo pelos quais são conhecidos) residentes no interior. A autoridade fiscal faz uma introdução acerca das formas que uma determinada pessoa poderia encontrar para concretizar operações comerciais (empresa informal, empresa formal sem interposição de pessoa e empresa formal com interposição de pessoa), observando que este último modelo é usado para se esquivar de obrigações, inclusive tributárias, valendo se de terceiros de modesta capacidade financeira para participarem do quadro societário, mas conferindose procuração aos sócios de fato, especialmente para a movimentação bancária. Na seqüência, acusa a fiscalizada de valerse deste último modelo, porque os sócios de fato, tendo Fl. 24301DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 5 4 em vista as mercadorias negociadas, não conseguiriam atuar como informais (grande volume a ser movimentado para adquirentes interessados em se creditarem de Contribuição ao PIS e COFINS). Discorre sobre a constituição da V&F observando que houve depósitos em seu favor promovidos em nome dos sócios Valter Pereira Fardim e Fábio Siqueira para integralização do capital e obtenção da inscrição estadual, mas antes disso já havia sido outorgada procuração para Marcelo Santos Machado (funcionário de JMB Corretora de Café Ltda) abrir e movimentar contas bancárias. Cerca de R$ 130 milhões foram movimentados nestas contas nos 48 (quarenta e oito) meses subseqüentes. Relaciona os indícios de interposição, na medida em que os sócios da V&F são pessoas desconhecidas no mercado, somente sendo identificados por funcionários de bancos, especialmente Valter como pessoa que freqüentemente fazia serviços bancários tais como pagamento das guias de ICMS. Demonstra que Valter Pereira Fardim declarou rendimentos na faixa de isenção à Receita Federal de 2003 a 2006 e apresentou movimentação bancária modesta neste período, sem possuir qualquer veículo automotor e apenas adquirindo um imóvel de R$ 40.000,00 em 2008. Em 2003 era empregado de uma empresa concorrente, e integralizou quota de R$ 50.000,00, embora remunerado naquele ano com R$ 3.492,00. Já Fábio Siqueira sequer possuía vínculos empregatícios antes de 2003, e apresentou rendimentos e movimentação financeira também de baixos valores. Abordando as atividades da fiscalizada ao adquirir café de produtores rurais para diversas empresas atacadistas, o fiscal autuante assevera que os dois “sócios” não conseguiriam realizar estas operações, a evidenciar que a empresa atuou por intermédio de diversas pessoas, seus verdadeiros gestores, pessoas próximas à centena de produtores rurais. Em seu entendimento, esses representantes, compraram dos produtores rurais, negociaram a venda, geralmente por intermédio de corretores, encaminharam o produto ao destino final, ou seja, destinaram livremente o produto adquirido aos produtores, receberam os pagamentos e deram destino a esses recursos. Registra a outorga de procurações públicas aos diversos negociantes para movimentação das contas bancárias, já que as operações de compra e venda de produtos não dependiam de mandato. Mas, ainda assim movimentações teriam ocorrido sem procuração, como no caso dos atos de Giovani Bortolini Di Francesco e outros já citados. O quadro abaixo relaciona todos os gestores identificados e representantes formais (procuradores ou sócios) junto aos bancos: Fl. 24302DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 6 5 Esclarece que entre o produtor rural e o destinatário final da mercadoria, via de regra, intervieram pelo menos duas pessoas, o corretor, pessoa que mantém contato com os atacadistas/indústria de torrefação e o representante da V&F, pessoa que negociava e comprava café dos produtores rurais, mantinha contato com os corretores, despachavam a mercadoria para os compradores e recebiam os valores dos clientes da V&F, mediante crédito na conta bancária por eles controladas. Ressalta que nas operações de compra de produtores rurais não havia a intervenção de corretor, e questiona qual empresa, contribuinte do Pis e Cofins na forma não cumulativa, iria adquirir o produto sem que fosse possível creditarse dessas contribuições, asseverando que restou aos negociantes de café, em tais circunstâncias, constituir sociedade comercial para realizar tais operações com a pretensão de não recolher os tributos federais, e assim mantêla sem patrimônio e com interposição de pessoas. Pergunta como uma empresa sem armazém, sem empregados pôde comprar e vender toneladas, milhões de reais em mercadorias, mas cogita da utilização de armazéns de terceiros e de compra e venda casada, e aduz: Por algum motivo, seja para reduzir custos, racionalizar lucros, ou outro motivo qualquer que não vem ao caso, os empresários optaram, em vez de cada um abrir uma empresa, mesmo que em nome de interposta pessoa, e operála individualmente, resolveram constituir uma única pessoa jurídica, e sob esse nome, cada um atuar em sua região, comprando, vendendo, despachando o produto e recebendo o pagamento pelas vendas efetuadas. Fl. 24303DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 7 6 Talvez algum sócio em especial, tenha se encarregado de captar novos sócios, convencendoos de que seria muito mais interessante associarse ao empreendimento (empresa) que “montar” (constituir) uma pessoa jurídica. Aduz que a gestão dos negócios (administração da empresa) foi repartida e compartilhada pelos “sócios ocultos” e, como se verifica comumente, nem todos os sócios executam as mesmas funções, e podem participar dos resultados de forma desigual, na proporção dos recursos alocados no negócio. Por sua vez, esta alocação de recursos pode se verificar sem qualquer dispêndio financeiro, mas apenas com o uso de recursos do sócio ou de terceiros. Se regulares, estas funções estariam disciplinadas no contrato social, mas esse não é o caso da fiscalizada. Ademais, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado, o registro de despesas e custos é irrelevante. Observando a inexistência de filiais, o agente fiscal anota que a emissão das notas fiscais deveria ser feita apenas pela matriz, a exigir um gerenciamento desta atividade, o qual era exercido pelo representante Charles Paulo Bart, ensejando o transporte de documentos fiscais por motoboy, e a transferência dos recursos financeiros destinados ao pagamento do ICMS, pelos negociantes, para a conta nº 9.401.365 do BANESTES em Santa Maria de Jetibá, inclusive com um pequeno excesso, provavelmente destinado a cobrir a despesa de expedição. Cita os depoimentos que autorizam estas afirmações. A autoridade fiscal demonstra as operações da pessoa jurídica a partir de documentos fiscais e dados bancários referentes a operações reais, desenvolvendo exemplos de venda para fora do Estado, com e sem a participação de corretor, e dentro do Estado, para assim acusar que: As operações comerciais da fiscalizada resumiamse em adquirir produtos junto aos produtores rurais, espalhados pelo Estado, e revendêlos para dezenas de clientes, alguns deles clientes freqüentes, outros eventuais, totalizando cerca de noventa. As operações se concretizaram pela atuação de representantes, verdadeiros sócios ocultos, a maioria residente no interior, que realizavam as aquisições junto aos produtores rurais, negociavam com os corretores (na maioria das vezes), despachavam a mercadoria para os clientes compradores, e finalmente recebiam os valores, creditados em contas por eles controladas. [...] Por algum motivo, os negociantes, mais à frente nominados, preferiram atuar em sociedade, alguns residindo em municípios distantes da sede da empresa, embora permanecendo ocultos. Para tanto, serviramse de uma pessoa jurídica, constituída com a utilização do expediente de interposição de terceiros no quadro societário. [...] Da forma como constituída a empresa, apenas um estabelecimento, situado na cidade de Santa Maria de Jeribá, sempre que houvesse uma operação de aquisição de produtos junto aos produtores, ou venda a clientes, demandavase a pessoa responsável pela emissão dos documentos fiscais. Essa pessoa também se encarregava do pagamento do ICMS e encaminhamento dos documentos até o município, ou a rodovia próxima a ele, onde ocorreram as operações. Os recursos para pagamento do ICMS eram fornecidos pelos diversos representantes, chegando até Charles Paulo, mediante crédito na conta bancária 9.401.365, mantida na Agência de Santa Maria de Jetibá, banco Banestes. Fl. 24304DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 8 7 Elabora diversos demonstrativos, constante do processo de auto de infração, tendo como fonte de dados as notas fiscais, DUAs, extratos bancários e documentos de créditos, abrangendo operações de cada representante por pelo menos três meses de 2004 e no 1o trimestre de 2005. Detalha cada demonstrativo elaborado (Recolhimento de ICMS x Transferências bancárias; Café Guiado em cada região, correlacionando notas fiscais de saída, de entrada, ICMS da operação, créditos repassados e origem dos créditos; e Relação Corretor/Representante/Clientes, para evidenciar o fluxo de produtos e o fluxo financeiro das operações). Na seqüência, faz comentários sobre as funções, relações e participação dos diversos representantes da Fiscalizada, indicando as provas e depoimentos que sustentam as constatações: · Charles Paulo Bart (administrador das atividades relacionadas à tramitação dos documentos fiscais, e que provavelmente procurou novos sócios para o empreendimento, sem atuar nas transações com café); · Wanderley Stuhr (presente desde a constituição da pessoa jurídica, na locação da sala comercial e na apresentação dos futuros sócios da V&F ao contador da empresa; vinculação a Charles Paulo Bart e ao controle da V&F em vários depoimentos; atuação em negociações de café); · Silvino Faria Júnior (sócio de JMB Corretora de Café Ltda, empregadora de Marcelo Santos Machado, procurador autorizado a movimentar a conta bancária na qual foi integralizado o capital da V&F; evidências de que Marcelo Santos Machado não participou da movimentação da conta bancária; referências em cheque a pessoa prestadora de serviços à JMB Corretora de Café Ltda; depoimentos vinculando Silvino Faria Júnior às operações da V&F); · Eduardo Stuhr (empresário que atua há tempos no ramo de café por meio de diversas empresas, com participação de seus familiares; depoimentos que o vinculam à comercialização, movimentação e destinação dos recursos financeiros de negócios da V&F; transporte de produtos por empresas a ele vinculadas; outros registros); · Sérgio Stuhr/Lucimar Stuhr (irmãos empresários integrantes de família que há tempos atuam com café; depoimentos que os vinculam a operações com clientes da V&F); · Giovani Bortolini di Francesco e Eugênio Pedro di Francesco (embora sem procuração para movimentar contas bancárias da V&F, recebiam talões de cheques devidamente assinados no verso e anverso pelo representante de direito da V&F, Valter Pereira Fardim, residente em outro município; especificidades dos cheques emitidos; depoimentos que os vinculam às operações bancárias e comerciais); Fl. 24305DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 9 8 · Erildo Pedrini, Breno Biss Nunes e Wagner de Oliveira (o primeiro há tempos atuante no mercado de café, todos procuradores da V&F e citados em depoimentos que os vinculam às operações da empresa); · José Ildo Henrique Fiorott (realizou o menor número de operações, mas como não tinha empresa comercial em nome próprio necessário se fez a associação ao empreendimento; documentos bancários e depoimentos de terceiros demonstram sua participação nos negócios da V&F); · Narciso Agrizzi (empresário de diversos ramos de negócio e no mercado de café; movimentações bancárias na V&F por intermédio de seu empregado Márcio Moreira Bertulani; depoimentos de terceiros vinculandoo às operações da V&F); · Theodoro Antônio Zanotti e Leonor Andrade Seixas Zanotti (família atuante há tempos no mercado de café; movimentações bancárias da V&F por intermédio de José Carlos Ambrózio, empregado da família; depoimentos de terceiros vinculandoos às movimentações bancárias e às operações comerciais); · João Cremasco Dalfior e Maria da Penha Zottel Dalfior (esta procuradora da fiscalizada nas movimentações da conta bancária; depoimentos de terceiros vinculandoos às movimentações bancárias e às operações comerciais); · Antônio Ferreira da Silva (procurador da V&F para movimentação de duas contas bancárias, sem transacionar por intermédio de corretores e vendendo café basicamente para uma empresa; sem dispor de armazéns, movimentava o produto direto dos produtores rurais para os clientes; depoimentos de terceiros negando conhecer V&F com quem teriam negociado; depoimentos e demonstrativos vinculando suas operações à V&F). A autoridade fiscal esclarece ter apurado receitas a partir da movimentação bancária da pessoa jurídica, selecionando os depósitos que integravam os fatos geradores ocorridos a partir de 31/12/2004, ainda não alcançados pela decadência, e expurgando aqueles referentes a transferência bancária e estornos de cheques. Ainda, foram consideradas as receitas indicadas em notas fiscais de venda, de outubro/2004 a setembro/2006, de modo que os depósitos bancários tributados corresponderam apenas àqueles que superaram as receitas de cada período. A tributação, no âmbito do IRPJ e da CSLL, teve em conta o lucro arbitrado a partir de tais receitas de venda e presumidas, tendo em conta que a contribuinte não formalizou sua opção pelo lucro presumido e não apresentou os livros obrigatórios para tributação na sistemática no lucro real. A Contribuição ao PIS e a COFINS foram calculadas na sistemática cumulativa, relativamente aos fatos geradores a partir de dezembro/2004. A autoridade fiscal fundamenta a aplicação da multa de ofício de 150% consignando a ocorrência de sonegação e conluio, pois: Fl. 24306DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 10 9 Os fatos apurados demonstram que pessoas, por vontade própria, acordaram entre si a constituição de uma empresa, criada com objetivo de ocultar seus verdadeiros gestores, fugir ao cumprimento das obrigações tributárias e dificultar o conhecimento e a exigência por parte do Fisco dos créditos tributários, utilizandose de terceiras pessoas para constarem no contrato social como sócios. A contribuinte, reiteradamente (de 2003 a setembro de 2006), ocultou do Fisco os fatos geradores, não apresentando DCTFs ou as apresentando sem qualquer débito declarado, além de não apresentar DIPJs ou apresentandoas sem informar qualquer receita auferida. Consigna que por ficar evidenciada a participação e o interesse comum nas operações realizadas pela V&F Comercial Ltda, o auto de infração será extensivo às pessoas físicas antes relacionadas. Consta da intimação dos autos de infração a indicação dos sujeitos passivos solidários, para fins de pagamento ou impugnação do lançamento. Às fls. 15046/15081 constam os Termos de Sujeição Passiva Solidária com referências à descrição do Relatório de Fiscalização e fundamentando a imputação no art. 124, inciso I do CTN. A autoridade julgadora de 1a instância consigna que não impugnaram a exigência a pessoa jurídica autuada (V&F Comercial Ltda) e os responsáveis Antonio Ferreira da Silva, Charles Paulo Bart e Silvino Faria Junior. Os demais responsáveis (Maria Da Penha Dal Fior, Wagner de Oliveira, Jose Ildo Henrique Fiorotti, Joao Cremasco Dal Fior, Narciso Agrizzi, Theodoro Antonio Zanotti, Leonor Seixas Zanotti, Eugenio Pedro Di Francesco, Giovani Bortolini Di Francesco, Breno Biss, Erildo Pedrini, Sergio Stuhr, Lucimar Stuhr, Eduardo Stuhr e Wanderley Stuhr) alegaram cerceamento ao direito de defesa, relataram seus vínculos com a pessoa jurídica fiscalizada, argüiram a nulidade da imputação de responsabilidade, bem como a decadência do crédito tributário, a impropriedade da exigência com base em depósitos bancários e a inadmissibilidade da qualificação da penalidade. Subsidiariamente José Ildo Henrique Fiorotti, João Cremasco dal Fior, Maria da Penha Zottel Dal Fior, Sergio Stuhr, Lucimar Stuhr, Eduardo Stuhr, Wanderley Stuhr, Eugênio Pedro di Francesco e Giovani Bortolini de Francesco defenderam que a responsabilização deveria ficar limitada aos créditos tributários decorrentes dos atos verificados nas contas bancárias das quais eram procuradores. Eduardo, Wanderley, Sérgio e Lucimar Stuhr também discorreram extensamente sobre a invalidade dos depoimentos coletados pela Fiscalização, inclusive mencionando procedimento fiscal anterior no qual Sérgio e Lucimar Stuhr foram reconhecidos como corretores. Ainda, Eugênio Pedro di Francesco e Giovani Bortolini de Francesco requereram diligência porque o Banco Bradesco de Santa Teresa/ES, por dever de sigilo, teria lhe negado as informações bancárias da conta à qual foi vinculado; bem como Narcisio Agrizzi solicitou tal procedimento para esclarecimentos de fatos apontados pela Fiscalização. Houve diligência para que a autoridade lançadora juntasse aos autos os termos de intimação por meio dos quais os sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis solidários) foram regularmente intimados a comprovar a origem dos créditos em conta de depósitos/investimentos, computados na base de cálculo das exigências. A autoridade fiscal Fl. 24307DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 11 10 esclareceu que todos os termos lavrados durante o procedimento, e as respectivas respostas a esses termos, foram juntados ao processo. Nova diligência foi solicitada para que a autoridade lançadora disponibilizasse o processo aos sujeitos passivos impugnantes (excluídos os revéis) para vistas e cópias, facultandose nesta ocasião aditamento de razões de defesa. As ciências se verificaram entre 14/06/2012 e 06/07/2012, e os aditamentos foram apresentados de 02/07/2012 a 16/07/2012. A autoridade fiscal anotou que não apresentaram aditamento Wagner de Oliveira, Eugênio Pedro Di Francesco e Giovani Bortolini. Já a autoridade julgadora de 1a instância registra que não apresentaram aditamento Lucimar Stuhr, Sérgio Stuhr e Wagner de Oliveira. Os demais, em sua maioria, apenas reiteraram as alegações de impugnação. Eduardo Stuhr e Wanderley Stuhr juntaram cópia integral dos autos de Ação de Justificação cujo objetivo seria provar fatos relacionados à presente exigência, e afastar a responsabilidade que lhes foi imputada. João Cremasco Dal Fior, Theodoro Antonio Zanotti e Leonor Andrade Seixas Zanotti também questionaram a ausência de regular intimação para comprovação dos depósitos bancários. A Turma Julgadora, por maioria de votos, cancelou as exigências referentes à movimentação bancária não contabilizada. Divergiram a Presidente Rosanda Pereira da Silva Passos e o julgador Marcus Vinicius Melo Moraes. Prevaleceu o entendimento do Relator, Luis Mario Monteiro Teixeira, no sentido de que, embora inaplicável ao caso o disposto no art. 42, §5o da Lei nº 9.430/96 acerca da interposição de pessoas, a intimação regular para comprovação da origem dos depósitos, dirigida aos titulares das contas bancárias, era essencial para validade da presunção, nos termos de acórdãos deste Conselho citados decisão. A exoneração superou o limite consignado na Portaria MF nº 3/2008, motivo pelo qual a decisão de 1a instância foi submetida a reexame necessário. Quanto às demais alegações, a Turma Julgadora: · Afastou a argüição de decadência, porque a ausência de recolhimentos determinaria a contagem do prazo na forma do art. 173, I do CTN, de modo que as exigências a partir de outubro/2004 teriam como dies a quo de contagem a data de 01/01/2006, autorizando o lançamento até 31/12/2010. · Rejeitou as alegações de cerceamento ao direito de defesa porque as dificuldades de acesso aos autos foram afastadas com a reabertura do prazo de defesa, e as infrações estão descritas e capituladas nos elementos cientificados aos interessados. No mais, como sócios de fato, os interessados deveriam resolver internamente a questão do acesso às informações da pessoa jurídica, e de toda sorte a pessoa jurídica era praticamente omissa no que tange a feitura dos documentos e escrituração que lhes seriam próprios. · Indeferiu pedidos genéricos de diligência, e especificamente quanto aos pedidos de Eugênio Pedro di Francesco e Giovani Bortolini de Francesco disse que o vínculo destes com a atuação da pessoa jurídica foi demonstrado, e é inapropriada diligência para prova que pode se produzida por forma documental. Fl. 24308DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 12 11 · O acesso do Fisco à movimentação bancária dos sujeitos passivos está autorizada pelo art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, e o procedimento fiscal observou os ditames legais. · Considerando as disposições dos arts. 124 e 135 do CTN, observou a necessidade de imputação de responsabilidade tributária quando a pessoa jurídica é constituída para perpetrar operações comerciais ao largo nos controles fiscais de estilo, revelandose o interesse comum do conjunto de pessoas que se valem desta constituição formal para realizar que operações que não conseguiriam individualmente, ou que atrairiam para si os encargos tributários correspondentes. Citou doutrina acerca da responsabilização de todos os integrantes de sociedade de fato, e reportandose a excertos do Relatório Fiscal concluiu demonstrada uma estrutura societária e comercial configuradora de uma verdadeira sociedade comum de fato, engendrada com o fito de burlar a incidência tributária sobre suas operações. · Descrevendo a natureza complexiva dos tributos exigidos, asseverou que a circunstância de haver sócios ocultos que, por força de eventos subjetivos e objetivos, se revelam os verdadeiros titulares das operações de compra e venda da empresa, não desnatura o fato de existir apenas uma única conduta delitiva principal a que todos, em maior ou menor grau, contribuíram, qual seja: a falta de pagamento de tributos. E afastou a necessidade de individualização da matéria tributária porque as operações perpetradas por cada sujeito passivo solidário compuseram a receita total da empresa, e é sobre essa que recai a tributação, por definição legal art. 279, do RIR, de 1999. · Afirmou presente a affectio societatits e o interesse comum porque inerentes ao conceito de sociedade de fato, na qual cada pessoa oferece sua contribuição individual para o resultado, mesmo que a ação de um dos responsáveis se limite a apenas um determinado campo de atuação das operações comerciais da pessoa jurídica. · Defendeu a validade das procurações como elementos de prova para imputação da responsabilidade tributária, destacando que procurações outorgadas por “laranjas”, por si só indicam que não se trata de instrumentos ordinários, e acrescentando que quando se percebe que os outorgados agiam também como reais titulares das operações de café em suas regiões, tudo comprovado mediante depoimentos e documentos, viuse, também, configurando o esquema de uso fraudulento de sociedade comercial. · Abordou a atividade de Charles Paulo Bart, mesmo na ausência de procuração deste, na medida em que ele funcionou como elemento de ligação entre as diversas esferas das operações, administrando a tramitação dos documentos fiscais. Destacou que ele e Wanderley Stuhr negociaram o aluguel do imóvel sede da pessoa jurídica, e Fl. 24309DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 13 12 concluiu que este último não logrou desqualificar as provas reunidas pela Fiscalização. · Reportouse às provas reunidas contra Eduardo Stuhr, e abordando a ação de justificação por ele proposta juntamente com Wanderley Stuhr, desmereceu os depoimentos ali colhidos frente ao conjunto de fatos e provas reunidos pela Fiscalização. Ressaltou que para apurar os tributos devidos pela V&F, e imputar a responsabilidade a quem de direito, não é necessário à fiscalização identificar de forma pontual em que medida a pessoa física do sócio se beneficiou patrimonialmente do esquema. Basta que os elementos objetivos e subjetivos, a exemplo de documentos e depoimentos, conduzam à conclusão da participação societária oculta, para que a autoridade fiscal tenha as condições legais para imputar a responsabilização solidária a esse ou aquele. · Demonstrando os elementos que sustentam a acusação fiscal, concluiu por sua prevalência em face das alegações apresentadas por Sérgio Stuhr e Lucimar Stuhr; Giovani Bortolini di Francesco e Eugênio Pedro di Francesco; Erildo Pedrini, Breno Biss Nunes e Wagner de Oliveira; José Ildo Henrique Fiorott; Theodoro Antônio Zanotti e Leonor Andrade Seixas Zanotti; e João Cremasco Dafior e Maria da Penha Zottel Dalfior. Especificamente com referência a Narciso Agrizzi, também rejeitou o requerimento de “apresentação de todos os envolvidos” para manifestação a respeito das acusações, na medida em que foram concedidas vistas dos autos na qual estão juntados todos os elementos da apuração da pessoa jurídica e da Fiscalização. · Declarou a validade do arbitramento a partir da receita bruta conhecida, bem como da multa qualificada, na medida em que o intuito doloso, fraudulento, na conduta da interessada estaria revelado na análise do mecanismo fraudulento de que se valeram os sujeitos passivos solidários mencionados de modo a se subtraírem da incidência da tributação ordinária. Manteve, assim, o crédito tributário calculado a partir dos valores extraídos das notas fiscais de saída emitidas pela pessoa jurídica. A autuada e todos os responsáveis foram cientificados da decisão de 1a instância e intimados a recolher o crédito tributário remanescente (fls. 18296/18328). V&F Comercial Ltda não foi cientificada por via postal em razão de mudança de domicílio não informada ao Fisco, providenciandose a ciência por edital desafixado em 14/11/2012 (fls. 19454/19458). Não há registro de interposição de recurso voluntário pela autuada. Também não interpuseram recurso voluntário os responsáveis Antonio Ferreira da Silva (o qual não foi cientificado por via postal porque não procurou a correspondência enviada ao seu domicílio fiscal, providenciandose a ciência por edital desafixado em 20/12/2012, conforme fls. 19450/19453), Charles Paulo Bart (cientificado em 16/10/2012, conforme fls. 18329/18330), e José Ildo Henrique Fiorott (o qual não foi cientificado por via Fl. 24310DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 14 13 postal, porque ausente em seu domicílio fiscal nas três tentativas de entrega da correspondência, conforme fls. 19308/19310, mas providenciandose a ciência por edital desafixado em 25/12/2012, conforme fls. 19460). Eduardo Sturh foi cientificado em 16/10/2012 (fl. 18332). Sérgio Stuhr em 18/10/2012 (fl. 18339). Wanderley Stuhr não foi cientificado por via postal, porque insuficiente o endereço por ele indicado como seu domicílio fiscal, providenciandose a ciência por meio de edital desafixado em 14/11/2012 (fls. 19311/19315). Lucimar Stuhr foi cientificada em 17/10/2012 (fls. 19317/19318). Estes quatro responsáveis interpuseram recurso voluntário conjunto em 14/11/2012 (fls. 18451/19226). Inicialmente descrevem o lançamento e elaboram quadro acerca dos fundamentos, de fato e legais, das exigências contra a contribuinte e os sujeitos passivo solidários, do qual destaca a referência à falta de indicação de fundamento legal, no auto de infração, para imputação de responsabilidade, fazendo referência ao que assinalado no Relatório de Fiscalização, o qual também não indica o fundamento legal. Prosseguem descrevendo os pontos destacados em impugnação, especialmente no que tange à precariedade dos depoimentos coletados pela Fiscalização, e à falta de prova das acusações fiscais, além do desconhecimento dos agentes fiscais acerca da prática nas atividades questionadas. E complementam que para reforçar a comprovação do que afirmaram em impugnação, e demonstrarem de forma cabal as procedências das colocações feitas na mencionada defesa, os ora recorrentes ajuizaram AÇÕES DE JUSTIFICAÇÃO no PODER JUDICIÁRIO para colherem DEPOIMENTOS DE TESTEMUNHAS acerca dos fatos e das circunstâncias suscitadas nas cobranças tributárias aqui consideradas, tendo eles, e os PROCURADORES DA FAZENDA NACIONAL que PARTICIPARAM DAS CITADAS DEMANDAS, vivido uma oportunidade perfeita para formularem perguntas e obterem respostas para as mesmas em ambiente totalmente resguardado de interferências, de pressões e de constrangimentos, posto que COMANDADO E SUPERVISIONADO exclusivamente por um JUIZ. Foram propostas duas ações de justificação, uma por Sérgio Stuhr e Lucimar Stuhr, e outra por Eduardo Stuhr e Wanderley Stuhr, colhendose depoimentos de produtores rurais, de corretores de café, de funcionários de bancos, etc, reconhecendo a atuação dos interessados na corretagem e na intermediação de vendas de café e de outros produtos agrícolas, remunerados por comissão, sem jamais administrarem contas bancárias da fiscalizada, sem qualquer relacionamento com os demais devedores solidários, e sem qualquer acréscimo patrimonial ou alteração de padrão de vida nos períodos fiscalizados. Transcrevem alguns depoimentos específicos, hábeis a infirmar o esquema de transações com café assinalado no relatório de fiscalização, na medida em que reconhecem a atuação de cinco agentes nas transações com café, acrescentando o corretor local, ou intermediário local da venda do café, posição na qual se localizavam os recorrentes, remanescendo como sócios da autuada perante terceiros Charles Bart e Walter, ou apenas Charles Paulo Bart. Observam que os julgadores de primeira instância entenderam que os depoimentos coletados na ação de justificação não teriam força suficiente, segundo anotado no acórdão recorrido, para infirmar as conclusões alcançadas pela fiscalização e descritas no relatório de fiscalização. O acórdão recorrido afirma que os representantes da empresa movimentaram as contas bancárias da pessoa jurídica, sem observar depoimentos de Fl. 24311DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 15 14 indivíduos ligados aos bancos SICOOB e BANESTES referidos no relatório da fiscalização, nos quais foi negada qualquer participação dos recorrentes na movimentação das contas nas referidas instituições financeiras. E, embora reconhecendo que declarações prestadas ao Fisco foram expressamente infirmadas na ação de justificação, os julgadores repetiram, sem maior justificativas, que a tentativa de desqualificar o que antes se dissera não merece guarida. Invocam, assim, o art. 845, §1o do RIR/99 para afirmar o dever de se levar em conta PROVAS produzidas pelos mesmos contribuintes, a exemplo da prova testemunhal aqui referida, e concluir que também foi ofendida a garantia constitucional do devido processo legal. Alegam, também, cerceamento de defesa e nulidade do processo porque a autoridade julgadora afirmou nada ter sido juntado por Sérgio e Lucimar Stuhr depois de intimados para terem vistas dos autos, e foi apresentada petição em 02/07/2012 para protocolo de cópia integral da ação de justificação, à semelhança do que feito por Eduardo Stuhr e Wanderley Stuhr. Tal prova, em conseqüência, deixou de ser analisada. Relacionam outras questões argüidas em impugnação e que não foram apreciadas no acórdão recorrido, e também sob esta ótica argúem a nulidade do acórdão recorrido. Anotam que o acórdão recorrido justificou a solidariedade em previsão legal que NÃO havia sido indicada nos autos de infração e no relatório da fiscalização, qual seja o artigo 135 do CTN. Isto porque, embora fazendo referência à “responsabilização solidária”, no parágrafo 69 do acórdão recorrido é feita referência ao mencionado dispositivo, em ofensa ao art. 146 do CTN. Mais à frente registram que sequer foi apontado em qual inciso do art. 135 se enquadraria a conduta dos agentes, e cogitam que tal decorre da impossibilidade de se enquadrar os supostos “sócios ocultos” da autuada nesta previsão legal. De toda sorte, não houve caracterização do interesse comum previsto no art. 124, I, e o acórdão recorrido apenas revela interesses individuais daqueles que foram apontados como devedores solidários nos autos de infração, inclusive reconhecendo que a suposta partilha dos “resultados” davase “na medida de suas participações no esquema”. Revelou a existência de interesses isolados para cada devedor solidário, traindo as premissas que pretensamente deram embasamento à solidariedade imputada aos ora recorrentes. Sob outra ótica, resta inaplicável o art. 124, I do CTN por ter ele como PRESSUPOSTO a CONSTATAÇÃO de que VÁRIAS PESSOAS CONCORRERAM para a realização de um MESMO, E ÚNICO, FATO GERADOR de tributo, como exposto na jurisprudência. Aqui, porém, os devedores solidários NÃO teriam promovido, em CONJUNTO, TODAS as transações de café atribuídas à autuada. Imprópria, assim, a referência à doutrina que cogita de pessoa jurídica de atividade regular e normal que se uniu em conluio com terceiros para realizarem atos fraudulentos, mormente tendo em conta que a própria Fiscalização afirma tratarse, aqui, de PESSOA JURÍDICA FRUTO DE SIMULAÇÃO, que foi CRIADA E UTILIZADA POR TERCEIROS para ENCOBRIR NEGÓCIOS MERCANTIS QUE TIVERAM ELES À FRENTE. Restariam, assim, ofendidos os arts. 149, VII e 142 do CTN. Erildo Pedrini foi cientificado em 16/10/2012 (fls. 18331) e interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fls. 19394/19421). Reitera as arguições de decadência, em razão da ausência de comprovação de dolo ou fraude; de nulidade do lançamento, por ser genérica a autuação dificultando a defesa, bem como por não descrever a suposta lesão aos cofres públicos e individualizar a conduta de cada autuado; de necessidade de diligência para reunião de documentos que se encontram sob a guarda de instituições financeiras e dos representantes Fl. 24312DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 16 15 da pessoa jurídica autuada; de inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário da pessoa jurídica; e de falta de acesso aos documentos da empresa. No que tange à imputação de responsabilidade, argumenta que não foi demonstrado seu interesse comum na situação de constitui o fato gerador, que sua conduta não foi individualmente abordada e que apenas apresentava potenciais vendedores de café ao responsável pela aquisição do produto junto a Empresa autuada e, caso efetuada a transação, recebia por esse serviço (R$ 1,00 por saca de café). A procuração que lhe foi conferida prestavase apenas ao pagamento de produtos que efetuassem vendas à autuada, sem qualquer participação no faturamento da empresa ou responsabilidade tributária. Diz ter demonstrado a origem de sua renda e patrimônio, e questiona a responsabilidade tributária por todo o débito da autuada, sem considerar que as contas movimentadas eram específicas para cada procurador. No mais, não era sócio, gerente ou representante da pessoa jurídica, e ainda se fosse necessária seria a prova de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Não se demonstrou qualquer interesse direto no lucro auferido pelas partes, ou mesmo alteração patrimonial do recorrente. Inexiste, também prova de sua participação na consecução do objeto social da suposta sociedade de fato, prejudicando sua defesa; a Fiscalização fez apenas conjecturas improvadas e generalizadas acerca das operações da V&F, e o julgador não compreendeu que sua atuação se restringia à intermediação entre vendedor e comprador, mantendo a pessoa jurídica total controle da conta corrente eventualmente movimentada pelo recorrente. A Fiscalização não individualizou os atos/fatos que permitiram ao julgador concluir que o recorrente seria o titular das atividades desenvolvidas no âmbito dos poderes do instrumento de procuração, não especificando a qual autuado se referiam as operações e qual a medida de sua atuação. Critica a abordagem de suas operações conjuntamente com Breno Biss Nunes e Wagner de Oliveira e afirma que não compreende que relevância teria o fato destes serem seus genros; que efetivamente realizava operações da V&F de acordo com os poderes que lhe foram outorgados; que o exame da conta bancária evidencia que nenhum movimento foi realizado pelos três a partir de meados de 2005; que a cessação dos poderes de sua procuração foi provada na impugnação; que nada autoriza o Fisco lançar tributos de forma genérica, ficando a cargo do contribuinte o dever de demonstrar o quanto lhe cabe nesse lançamento; que fraude e sonegação não se presumem. Com referência ao mérito da exigência, diz que não poderia apresentar livros obrigatórios em nome da pessoa jurídica, e desta forma não deu causa à infração administrativa que ensejou o arbitramento dos lucros. Acrescenta que não foram discriminadas ou individualizadas as práticas que revelariam a intenção fraudulenta dos contribuintes e imporiam a aplicação da penalidade qualificada. Menciona o caráter confiscatório da penalidade, invoca o princípio da proporcionalidade, e invoca a legislação mais recente que fixa a multa de ofício em 50%. No que tange à omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, diz não ser titular da conta bancária e discorda da apuração de lucro apenas a partir do somatório de valores creditados em contacorrente. Argúi a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela Receita Federal, invoca o princípio da razoabilidade e da presunção de inocência. Complementa que também questionou a omissão de Fl. 24313DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 17 16 receitas de revenda de mercadorias, na medida em que negou ser sócio ou representante da pessoa jurídica. Finaliza defendendo que os julgadores administrativos podem deixar de aplicar norma inconstitucional, como alegado em impugnação em relação à multa de ofício e ao arrolamento de bens; pleiteia o cancelamento também das exigências reflexas; e conclui ser incabível o lançamento contra o recorrente porque não observada a rigidez tributária, a individualização de forma a demonstrar a participação de cada sujeito passivo na constituição do suposto crédito tributário, a ocorrência da solidariedade em relação ao recorrente e o suposto dolo ou fraude por ele cometida. Arremata requerendo diligências junto à empresa autuada e aos estabelecimentos bancários, que poderiam demonstrar que detinha o controle das contas correntes pertencentes à empresa. Breno Biss Nunes foi cientificado em 22/10/2012 (fl. 19307) e interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fls. 19422/19449), com as mesmas alegações trazidas por Erildo Pedrini. Wagner de Oliveira não foi cientificado por via postal porque inexistente o número na via indicada como seu domicílio fiscal (fl. 18333/18334). A correspondência foi postada em 09/10/2012 e não há notícia, nos autos, de edital para ciência, mas o responsável interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fls. 19366/19393), com as mesmas alegações trazidas por Erildo Pedrini. Narcizo Agrizzi foi cientificado em 17/10/2012 (fl. 18335) e interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fls. 19291/19306). Observa que foi alçado à condição de responsável tributário solidário apenas com fundamento no art. 124, I do CTN, porque seria responsável pela movimentação financeira de uma das contas bancárias da empresa, mas destaca que no quadro que relaciona estas contas não está indicada a data de abertura da conta movimentada, deixando uma lacuna entre as datas de sua utilização. Nos demais documentos acostados no Capítulo 9 sequer são apontados valores movimentados e suas respectivas datas. Alega que compareceu espontaneamente no curso da fiscalização e apresentou cópias de Notas Fiscais onde figura como Vendedor de produtos à V&F Comercial Ltda, justificando a utilização da conta corrente, mas estes documentos foram ignorados. Classifica de distorcida e precipitada a apreciação fiscal dos fatos, diz ser difícil acreditar na engenhosidade apontada pelo fiscal (associação entre tantas pessoas, com objetivos aparentemente diversos, mas unidas pelo fim comum de praticar evasão fiscal), ou compreender porque, no entender fiscal, sendo sócio indireto da empresa, atuando em operações comerciais, além de movimentar e controlar livremente uma conta bancária, sujeitarseia ao disposto no art. 124 do CTN. Afirma prejuízo à sua defesa porque não lhe foi oportunizado o direito de verificar os lançamentos, as informações fiscais dos demais envolvidos, enfim, as provas colhidas pela Fiscalização. Questiona a inversão do ônus da prova, defendendo que cabe ao Fisco com ou sem auxílio do contribuinte, verificar a ocorrência do fato gerador e declarar a sua ocorrência através do lançamento. Observa que a Fiscalização valeuse de depoimentos vagos, e que as referências apresentadas apenas revelam prática comum no mercado de café no interior, onde as pessoas primam pela indicação em suas relações comerciais. Fl. 24314DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 18 17 Invoca o princípio da igualdade e diz que não pode ser constrangido pela arbitrariedade ou abuso de poder por parte do sujeito ativo. Não pode ser permitido que apenas com esteio em presunção, venha o Contribuinte sofrer penalidades se ele não provar o contrário. Requer diligência formulando quesitos específicos a serem respondidos e questiona a fundamentação de seu indeferimento pela autoridade julgadora de 1a instância. Diz inexistir obrigação de verificar a regularidade fiscal de terceiros, e que a empresa deveria ser fiscalizada pela Receita Federal e não pelos contribuintes. Assevera que não auferiu qualquer benefício com as operações, e que esta prova caberia ao Fisco, sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica. Ademais, os auditores não apontaram em momento algum que a empresa responsável por suposta inadimplência seria impedida de comercializar, e não levaram em consideração que seu CNPJ só foi encerrado posteriormente. Ademais, em fraude tributária deve a Receita Federal provar e não lançar meras ilações, sem respeitar, inclusive, o direito de defesa, na esteira do que dito pelo TRF/1a Região. Arremata pedindo a procedência de seu recurso, bem como o deferimento do direito de provas e, desde já pré questiona a matéria por infrigência ao artigo 145, 1o e 5, da Constituição Federal em caso de recurso. João Cremasco Dalfior foi cientificado em 16/10/2012 (fl. 18337) e interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fl. 19319/19365), onde inicia destacando que nunca lhe foi outorgado qualquer poder da empresa autuada, nem mesmo por procuração. Argúi a nulidade do acórdão recorrido, observando que aditou sua impugnação após ter vistas dos autos, e que os argumentos expostos no item III de sua defesa não foram apreciados, quando argüia a nulidade do termo de sujeição passiva solidária por imprecisão e contrariedade às normas legais, na medida em que a Fiscalização ora lançase contra o ora Recorrente, ora contra sua filha Maria da Penha Zottel Dalfior. Os itens 38 a 65 do acórdão, nos quais foram apreciadas as preliminares, nada trazem a este respeito, e a apreciação da matéria em seu mérito mantém a imprecisão, consoante reproduz. Na medida em que o Decreto nº 70.235/72 não prevê embargos de declaração, requer a devolução dos autos à DRJ para produção de decisão complementar acerca do tema. Subsidiariamente reitera a imprecisão do termo de sujeição passiva solidária, destaca que a solidariedade não se presume e por isso não se coaduna com argumentos genéricos e imprecisos, e transcreve os excertos da acusação fiscal nos quais constam a ilações criticadas, bem como do acórdão recorrido que permanece com as imprecisões e incertezas. Reafirma que não detinha procuração para atuar em nome da empresa fiscalizada e aduz que o agente fiscal preferiu atribuir maior peso a uma única declaração genérica de um corretor que teria afirmado que este Recorrente seria comerciante, em detrimento das demais declarações de outros corretores e de produtos rurais que confirmam que não poderia o ora Recorrente ser um solidário responsável da V&F Comercial Ltda, pois exercia a atividade de corretagem de café, sendo remunerado mediante comissão. Discorre acerca do tratamento doutrinário do art. 124, I do CTN, e afirma necessário interesse jurídico para imputação de tal responsabilidade. No caso, o Fisco o supõe ”gestor” de uma única conta corrente da empresa fiscalizada, a qual tinha como procuradora para movimentála a sua filha, maior e capaz, Maria Penha Zottel Dal Fior. Desprezando parte dos depoimentos colhidos, a Fiscalização teria distorcido sua atuação como um intermediador de negócios comissionado. Indica pontos do Termo de Verificação Fiscal em Fl. 24315DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 19 18 que esta distorção ocorreu, e cogita que estaria sendo responsabilizado por ser pai da pessoa indicada em depoimentos. Inexiste afirmação de que o recorrente, ou sua filha, comprava e revendia café. Ao contrário, dois declarantes foram categóricos em afirmálo intermediador. Logo, inexiste o interesse comum (assim considerado o interesse jurídico) na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Reportase ao depoimento do proprietário do imóvel que foi alugado pela V&F Comercial Ltda, do seu contador, de empresas adquirentes de café, nos quais não foi citado o nome do recorrente, a evidenciar presunção de solidariedade. Aponta, também, descumprimento do art. 42, §5o da Lei nº 9.430/96, pois se os procuradores seriam os verdadeiros titulares das movimentações bancárias, utilizandose da pessoa jurídica para ocultar receitas/rendimentos, conforme excertos da acusação que cita, então o lançamento deveria recair sobre os efetivos titulares das contas, consoante jurisprudência que transcreve. A reforçar este entendimento invoca a glosa de créditos de PIS e COFINS nos adquirentes de café, por terem adquirido café das pessoas supostamente responsáveis pela movimentação das contas bancárias da V&F Comercial Ltda. Assim, se válidas as suposições fiscais, o lançamento seria nulo por erro na identificação do sujeito passivo. Invoca o art. 110 do CTN para se opor à alegação de que os responsáveis seriam sócios de direito ou de fato da autuada, na medida em que o Código Civil não autoriza a conclusão de que existe sociedade personificada ou não personificada entre os supostos titulares das contas bancárias movimentadas em nome da empresa fiscalizada. A autuada é pessoa jurídica devida constituída e com sócios próprios, e em relação aos demais responsáveis não se verifica a affectio societatis para afirmarse a existência de sociedade. Está reconhecido no acórdão que as operações se davam de maneira descentralizada, sendo que cada outorgado agia em sua respectiva região. Inexiste, assim, obrigações recíprocas entre as pessoas e partilha dos resultados. Defende que a responsabilização seja limitada à suposta movimentação da conta corrente 8.4532, da Agência 1.298X, do Banco do Brasil, que tinha como procuradora a filha do ora Recorrente, discorrendo a respeito com fundamento no art. 134 do CTN, bem como com base em doutrina acerca do art. 124, inciso I do CTN. Ainda, nesta mesma linha de defesa, invoca os princípios da individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade, bem como as disposições do §6o do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por fim, questiona a qualificação da penalidade, na medida em que o lançamento esta fundado em presunção de omissão de receitas, bem como em suposições fiscais a partir de interpretação distorcida de depoimentos de terceiros e de procurações outorgadas pela pessoa jurídica. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Anota, ainda, que a exoneração procedida pela autoridade julgadora de 1a instância foi inferior aos valores que corresponderiam à omissão de receitas originárias de depósitos bancários. Entende que deve ser cancelada a totalidade dos lançamentos dos anos calendário 2004 e 2005. Maria da Penha Zottel Dalfior foi cientificada em 16/10/2012 (fl. 18338) e interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fl. 19230/19275), inicialmente argüindo a nulidade Fl. 24316DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 20 19 da imputação de sujeição passiva solidária ante a dúvida exteriorizada pelo auditor fiscal acerca de sua atuação e de seu pai João Cremasco Dal Fior, reportandose a ambos como se fossem uma única pessoa. As incertezas foram mantidas na decisão recorrida, inclusive afirmandose que seu pai teria procuração para movimentar a conta bancária citada. De toda sorte, aduz não ser responsável tributária por apenas atuar na condição de intermediadoracomissionada, inexistindo interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador dos tributos exigidos. A Fiscalização promoveu a acusação apenas com base no fato de que ela movimentava conta corrente da pessoa jurídica e com ela mantinha relações de intermediação. Discorrendo sobre o que caracteriza interesse comum, na dicção do art. 124, I do CTN, argumenta ser necessário interesse juridicamente protegido, não bastando a presunção com base em depoimentos de que a recorrente teria algum interesse na situação que constitui fato gerador dos tributos devidos pela autuada. Observa que, como reconhecido por depoentes, seu pai, e por conseqüência também ela, seriam apenas intermediadores. Cita depoimentos que também afirmaram ser esta sua atuação. Afirma inexistir prova de que tenha efetuado compra e venda do produto em nome da pessoa jurídica, e destaca excertos da acusação reconhecendo que Charles Paulo Bart seria seu administrador. Reportase a outro depoimento que indica Wanderley Stuhr como representante da pessoa jurídica. Argumenta que o lançamento seria nulo em razão do disposto no §5o do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e discorda de sua responsabilização por todo o crédito tributário, quando movimentou apenas parte dos recursos. Observa que V&F Comercial Ltda é pessoa jurídica constituída, com sócios próprios, não se verificando a sociedade de fato em razão das disposições a respeito do tema contidas no Código Civil. Subsidiariamente pede que sua responsabilidade fique limitada aos atos por ela praticados junto à conta bancária nº 8.4532, da Agência 1.298X, do Banco do Brasil. Reitera que a responsabilidade decorre de simples presunção antes à procuração que lhe foi outorgada, e invocando os princípios da individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade, defende que não pode ser responsabilizada pelo fato gerador de créditos decorrentes dos recursos de outras contas correntes. Acrescenta que a responsabilização do procurador se limita aos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis (art. 134 do CTN), ou aos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135 do CTN). E reportase, também, às disposições do art. 42, §6o da Lei nº 9.430/96 Por fim, questiona a qualificação da penalidade, na medida em que o não há prova de intuito fraudulento, mas apenas autuação por presunção. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Anota, ainda, que a exoneração procedida pela autoridade julgadora de 1a instância foi inferior aos valores que corresponderiam à omissão de receitas originárias de depósitos bancários. Entende que deve ser cancelada a totalidade dos lançamentos dos anos calendário 2004 e 2005. Eugênio Pedro di Francesco foi cientificado em 17/10/2012 (fl. 19316) e interpôs recurso voluntário em 12/11/2012 (fls. 18340/18367). Argumenta que a acusação fiscal se funda em presunções, e que o elemento material que sujeita o recorrente ao procedimento fiscalizatório está baseado em um ÚNICO DADO, qual seja, a incompreensível Fl. 24317DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 21 20 expressão lançada no verso do Cheque nº 000018, da Conta nº 560.1562, do Bradesco do Município de Santa Tereza (“Doca´?”). Da leitura desta expressão a Fiscalização extraiu a alcunha pela qual é conhecido na intimidade o ora recorrente, e concluiu que ele autorizou o pagamento de R$ 11.000,00, mesmo se deter a qualidade de procurador da pessoa jurídica. Diz que o próprio autuante não teve certeza do que representava a expressão, e reportouse a outras incertezas presentes na acusação fiscal, observando que não foi ouvido pela Fiscalização. Observa que a instituição financeira, em razão do sigilo bancário, se recusou a informarlhe quem havia autorizado o pagamento do referido cheque, até porque ele não tinha autorização para obter informações da conta bancária. Complementa dizendo ser absurdo imputarlhe, em tais circunstâncias, a responsabilidade pela totalidade do crédito lançado. Afirma ser nula a decisão recorrida por ter indeferido a diligência requisitada junto à agência do Bradesco em Santa Teresa, na medida em que as informações acerca da movimentação da conta bancária seriam imprescindíveis à ampla cognição processual. Reitera a argüição de decadência das exigências de 2004, na medida em lançamento era possível naquele mesmo ano, e na forma do art. 173, I do CTN a contagem deveria ter início em 01/01/2005, e não em 01/01/2006, como fez a autoridade julgadora de 1a instância. Aduz que sua responsabilização em caráter solidário pelos débitos da referida empresa é fruto da extrema subjetividade da autoridade fiscal, na medida em que não tinha poderes para movimentar contas correntes, e tomouse como escorreito o conteúdo probante inconsistentemente produzido em desfavor do ora recorrente. Complementa que embora reconhecendo que a responsabilidade se dá na medida da participação do sujeito passivo para consecução do objeto social da sociedade, a autoridade julgadora conclui, contraditoriamente, pela responsabilização indistinta de todos os acusados. Discorre sobre a caracterização do interesse comum, e conclui por sua inocorrência, na medida em que jamais foi cogitado como responsável pelas diversas movimentações financeiras da autuada, deixando a Fiscalização de observar o princípio de que a solidariedade não se presume. Cita jurisprudência em subsídio aos seus argumentos. Invoca a Súmula CARF nº 14 para pleitear a redução da multa de ofício, na medida em que não foi demonstrado dolo, não estando presentes no caso concreto quaisquer das hipóteses capazes de gerar a qualificação da multa ao patamar de 150%. Giovani Bortolin di Francesco foi cientificado em 17/10/2012 (fl. 18336) e interpôs recurso voluntário em 12/11/2012 (fls. 18368/18397) com argumentação semelhante à apresentada por Eugênio Pedro di Francesco, distinta apenas na observação de que, por também não sendo procurador da pessoa jurídica autuada, a acusação baseouse em malsinados questionários respondidos por antigos funcionários da referida agência bancária, os quais, sugestionados, assinalaram, de modo recalcitrante até, que recebiam de um tal “Giovani” a autorização para o desconto dos cheques; e que o procedimento era realizado sempre por meio de contatos telefônicos; e que, a partir desses contatos, lançavam no verso das cártulas o nome “Giovani”, como sendo o responsável pelas respectivas autorizações de pagamento. Destaca a inexatidão das respostas prestadas em razão de se verificaram seis anos antes dos questionamentos. Finaliza formulando os mesmos pedidos de Eugênio Pedro di Francesco. Theodoro Antonio Zanotti e Leonor Andrade Seixas Zanotti foram cientificados em 15/10/2012 (fl. 19229 e 19227), e interpuseram recurso voluntário conjunto em 13/11/2012 (fls. 18398/18443). Inicialmente mencionam que a decisão recorrida serviu Fl. 24318DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 22 21 apenas como uma tentativa de acertamento de alguns erros técnicos graves da autuação e de reprise dos aspectos fáticos tratados inicialmente, dedicando apenas cinco parágrafos aos recorrentes. Argúem que os julgadores defenderam prazo decadencial de 6 (seis) anos, e afirmam ter ocorrido a decadência dos créditos tributários pertinentes aos anoscalendário 2004 e 2005. Invocam a aplicação do art. 150, §4o do CTN, e defendem que tais créditos já estariam decaídos em 08/11/2010. De toda sorte, com base no art. 173, inciso I do CTN, ao menos as exigências de 2004 estariam integralmente decaídas. Classificam de absurda a imputação de responsabilidade por operações realizadas em todo o Estado do Espírito Santo, incluindo eventos distantes e totalmente alheios às atividades de sua família no interior do município de Nova Venécia – ES, sem trazer aos autos qualquer prova disso, mas apenas alguns cheques e depoimentos. Afirmam que a responsabilização é ato abusivo e ilegal, que viola o direito à privacidade e à honra subjetiva do Recorrente, e defendem a nulidade do ato. Reportamse a julgados administrativos que afirmam a incompetência dos agentes fiscais para imputarem responsabilidade tributária solidária, e concluem pela existência de abuso de autoridade, na forma do art. 4o, “h”, da Lei nº 4.898/65, asseverando que além de dar início aos processos administrativosdisciplinares e penais adequados à punição dos abusos cometidos, deve o CARF fazer cessar, imediatamente, todos os danos causados à honra subjetiva dos Recorrentes, extirpando dos autos deste processo qualquer menção ao seu nome (principalmente do relatório) e desentranhando qualquer documento com ele relacionado, principalmente a representação fiscal para fins penais. Aduzem que não foram individualizadas as supostas práticas delitivas e o ônus respectivo e citam doutrina acerca da imperatividade desta conduta no campo cível e penal, bem como jurisprudência favorável à anulação da peça acusatória quando ela não exponha individualmente os atos ilícitos e as responsabilidades respectivas. Complementam mais à frente que a imputação de responsabilidade com base nos arts. 124, 134 e 135 do CTN também deve vir acompanhada da descrição da conduta bem como da delimitação qualitativa e quantitativa do ônus a ser suportado por causa dessas ações, ao passo que a própria Fiscalização reconhece que os recorrentes estão vinculados apenas à Nova Venécia. Dentre outras normas, tal prática viola o §5o, artigo 42 da Lei 9.430/96, pois a própria Fiscalização afirma que os Recorrentes movimentaram apenas a conta mencionada. Ainda que existisse um esquema de sonegação, os valores depositados nessa conta de Nova Venécia – ES, após a intimação dos Recorrentes para comprovar a origem deles (o que não foi feito) seriam a única base de cálculo correta. Ademais, o valor movimentado da conta da qual um antigo empregado do pai e um dos Recorrentes era procurador, como informa a própria Fiscalização, alcançou o montante percentualmente insignificante se considerada a base de cálculo total. Teria sido inviabilizada a ampla defesa por desconhecerem as movimentações bancárias ocorridas em outros municípios nos quais jamais estiveram, revelandose hipotético o interesse jurídico comum afirmado pelo Fisco. Até porque, sem acesso aos livros da empresa ou às suas movimentações bancárias, bem como sem conhecimento de suas relações comerciais, não têm como se defender. Necessária, portanto, a aplicação do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Fl. 24319DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 23 22 Apontam ofensa, também, ao art. 42, §6o da Lei nº 9.430/96, porque não lhes foi dirigida intimação para comprovação da origem dos depósitos, e defendem a nulidade total do lançamento, afirmando inválida a tentativa de salvamento do auto de infração pela DRJ. Citam jurisprudência em favor de seu entendimento. Pleiteiam a suspensão do processo até que o Supremo Tribunal Federal decida sobre a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela Receita Federal, invocando as disposições do art. 62A, §§ 1o e 2o do Regimento Interno do CARF. Entendem contraditória a decisão recorrida que admite a imputação dos créditos movimentados na conta corrente de Nova Venécia/ES aos “correntistas”, mas declara a nulidade do lançamento em relação a toda movimentação bancária. Afirmam, assim, a nulidade do acórdão recorrrido. Abordando a ausência de provas do envolvimento dos recorrentes no suposto esquema de sonegação, inicialmente mencionam que o acórdão recorrido nada diz sobre os argumentos da defesa, e observam que autoridade possui o poder de impor a responsabilidade tributária passiva, mas, de outro lado, lhe foi imposto o dever de provar a ocorrência do fato gerador e a sujeição passiva respectivas. Meras conjecturas, surgidas de um recorte da realidade não podem ser suficientes para impor obrigação de tão grave repercussão. Descrevem as conclusões fiscais e asseveram que a fiscalização procurou selecionar os fatos e provas de seu interesse e, sem o menor pudor, impor responsabilidade tributária a qualquer pessoa que lhe parecesse interessante a quitação do débito apurado. A imposição da totalidade de um crédito há dezenas de pessoas físicas e jurídicas residentes em municípios diferentes, totalmente desconectadas, traz em si a evidência de que houve abuso de autoridade e excesso de exação nesse caso. Enunciam as provas apresentadas, destacam que nunca foram procuradores da autuada, e que um antigo empregado da empresa Zanotti Café e que teria sido procurador: o Sr. José Carlos Ambrósio. Asseveram que o vínculo empregatício nada prova, e que não foi colhido depoimento de tal pessoa. Invocam jurisprudência para restringir a aplicação do art. 124, I do CTN a casos extremos e em que reste evidente o interesse jurídico comum na atividade econômica ou no bem que dá margem a imposição tributária, como no caso de cônjuges ou de condôminos. Reportase ao art. 142 do CTN e ao art. 333 do Código de Processo Civil, bem como a outros dispositivos legais, para afirmar que este interesse deve ser provado no momento do lançamento. E pedem a aplicação do art. 112 do CTN. Afirmam inexistir prova de dolo, que a Fiscalização está presumindo a existência de tributo a recolher, e também a existência de fraude, contrariamente à jurisprudência que colacionam. Silvino Faria Júnior foi cientificado por meio de correspondência postada em 09/10/2012, mas cujo aviso de recebimento não informa a data de entrega (fl. 19228); solicitou copia do processo administrativo em 08/11/2012 (fl. 18445/18449) e interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fls. 19276/19290), afirmando ter sido cientificado em 18/10/2012. Preliminarmente argúi a nulidade da decisão recorrida porque não ofereceu impugnação ao lançamento, na medida em que não fora regularmente intimado para tanto. Afirma irregular a ciência por edital, por entender que ela somente seria possível quando o destinatário da citação, notificação ou comunicação de diligência não for localizado, ou seja, Fl. 24320DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 24 23 quando resultar improfícua a via postal. Já no presente caso, o não recebimento decorreu do aparente extravio da correspondência, que sequer foi devolvida ao remetente. Ausente comprovação da impossibilidade de localização do Recorrente nos termos exigidos pela lei, houve prejuízo à sua defesa, posto que não teve oportunidade de apresentar impugnação contra o lançamento. Subsidiariamente aduz que compete apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional atribuir responsabilidade tributária, na forma da jurisprudência que transcreve. Na seqüência, opõese à aplicação do art. 135 do CTN por não ter praticado qualquer ato doloso ou culposo, e não ser sócio de fato da autuada, nem atuar em seus quadros de direção. A atuação do recorrente, por meio de sua empresa JMB Corretagem de Café, limitavase à intermediação nas operações de compra e venda do produto, inexistindo qualquer referente a instrumento de mandato do recorrente. Fl. 24321DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 25 24 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os recursos voluntários são tempestivos porque, em sua maioria, interpostos antes de decorrido o prazo legal de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de 1a instância. Cumpre esclarecer, apenas, que: · Wagner de Oliveira não foi cientificado por via postal porque inexistente o número na via indicada como seu domicílio fiscal (fl. 18333/18334). A correspondência foi postada em 09/10/2012 e não há notícia, nos autos, de edital para ciência, mas o responsável interpôs recurso voluntário em 14/11/2012 (fls. 19366/19393), de modo que sua defesa deve ser considerada tempestiva; e · Silvino Faria Júnior foi cientificado por meio de correspondência postada em 09/10/2012, mas cujo aviso de recebimento não informa a data de entrega (fl. 19228). Neste caso, o Decreto nº 70.235/72 estabelece, em seu art. 23, §2o, inciso II, que se considera feita a intimação quinze dias após a data da expedição da intimação. E, com este acréscimo a partir de 09/10/2012, mostrase tempestivo o recurso voluntário interposto em 14/11/2012 (fls. 19276/19290). A apreciação do recurso de Silvino Faria Júnior, porém, ainda depende da avaliação do fato de inexistir, nos autos, impugnação por ele interposta contra a exigência. Argúi o interessado que não foi regularmente intimado para tanto, na medida em que a ciência então promovida por edital somente seria possível quando o destinatário da citação, notificação ou comunicação de diligência não for localizado, ou seja, quando resultar improfícua a via postal. Já no presente caso, o não recebimento decorreu do aparente extravio da correspondência, que sequer foi devolvida ao remetente. Ausente comprovação da impossibilidade de localização do Recorrente nos termos exigidos pela lei, houve prejuízo à sua defesa, posto que não teve oportunidade de apresentar impugnação contra o lançamento. Requer, assim, a nulidade da decisão de 1a instância. Consoante expresso na decisão recorrida (fl. 18247), a autoridade julgadora de 1a instância considerou o responsável Silvino Faria Júnior intimado do lançamento em 16/12/2010. Nos autos verificase que às fls. 16611/16613 consta listagem de postagem das correspondências destinadas à ciência dos responsáveis tributários indicados no lançamento. Especificamente em relação ao recorrente, a correspondência dirigida ao CEP 37270000 recebeu o código nº SK60963527 1 BR, e o histórico do objeto relatado pelos Correios, às fls. 16667, indica que o documento postado em 05/11/2010 foi entregue em 08/11/2010. De outro lado, por meio do Ofício nº 327/2010, a autoridade fiscal requereu aos Correios, dentre outros, aviso de recebimento referente ao objeto nº SK 60963527 1 BR, destinado a Silvino Faria Junior, no logradouro “Rua Aristóbulo Silva Furtado, nº 195, Cidade Campo Belo/MG” (fls. 16569/16570). Na seqüência, consta memorando interno registrando a Fl. 24322DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 26 25 ciência de Silvino Faria Junior por meio do Edital nº 371/2010 (fl. 16595), na medida em que este e outros sujeitos passivos tiveram ciência do auto de infração por via postal, conforme extrato de consulta no site “www.correios.com.br” (extratos anexos), entretanto os ARs não retornaram (fl. 16571/16572). Dispõe o Decreto nº 70.235/72 que: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...] § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 24323DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 27 26 [...] Nestes termos, a intimação, por via postal, é feita mediante prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Admitese que esta prova não apresente a data do recebimento, que assim será presumida como o 15o dia posterior à expedição. De outro lado, se este meio resultar improfícuo, a intimação pode ser feita por edital. A lei afasta, expressamente, qualquer ordem de preferência entre as formas de ciência previstas no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (pessoal, postal ou eletrônica). Mas exige que uma delas seja tentada e frustrada para que se possa fazer uso da ciência ficta, por meio de edital. A questão a ser dirimida, portanto, é se pode ser classificada como improfícua a tentativa de ciência postal na qual a correspondência é, segundo declaração dos Correios, entregue ao destinatário, mas sem a devolução do aviso de recebimento que provaria esta entrega e a data na qual ela ocorreu. É possível que a autoridade fiscal tenha entendido que a tentativa de ciência por via postal se efetivou, mas não poderia produzir os efeitos práticos por ausência de prova do recebimento da correspondência. Em conseqüência, afixou edital para estabelecer uma data ficta de ciência do sujeito passivo. Ocorre que, mais do que a data de entrega e de postagem (referências legais para a contagem do prazo no caso de intimação por via postal), o aviso de recebimento ou o envelope da correspondência são as provas de que a intimação foi dirigida, de fato, ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. A autoridade fiscal consigna no Ofício nº 327/2010 que a correspondência em questão foi dirigida ao logradouro “Rua Aristóbulo Silva Furtado, nº 195, Cidade Campo Belo/MG”, mas a listagem de postagem às fls. 16111/16613 somente indica o CEP do destino, e o vincula a um código de objeto, em razão do qual os Correios informam a entrega ao destino. Não é possível, porém, afirmar que a entrega se deu no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo porque inexiste prova documental neste sentido. Em tais condições, o sujeito passivo pode alegar que a correspondência foi entregue em outro endereço, e não é possível refutar suas alegações. E, residindo no endereço eleito como domicílio tributário, como resta evidenciado no aviso de recebimento da decisão de 1a instância à fl. 19228 (dirigido ao endereço acima indicado e assinado pelo próprio interessado), o sujeito passivo tem o direito de ser ali cientificado dos atos administrativos tributários, sem se preocupar com a ciência ficta decorrente da publicação de edital. Concluise, do exposto, que a ausência de prova da tentativa de ciência postal ao sujeito passivo no domicílio tributário por ele eleito impõe que nova ciência do lançamento, por via postal ou pessoal, seja promovida em face do responsável tributário Silvino Faria Júnior, inclusive para concederlhe vistas dos autos na forma determinada pela autoridade julgadora de 1a instância em favor dos demais impugnantes (despacho de fl. 17739), e facultandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para impugnação da exigência e da responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Somente se demonstrada a tentativa de ciência pessoal, ou postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, e a sua improficiência, a autoridade fiscal poderia ter feito uso do edital para ciência ficta do sujeito passivo. Fl. 24324DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 28 27 Por estas razões, o vício aqui alegado por Silvino Faria Júnior imporia a declaração de nulidade da decisão de 1a instância para que outra decisão fosse proferida depois de promovida a ciência do lançamento àquele interessado. Prudente, porém, antes desta providência, confirmar junto à unidade administrativa de origem se o aviso de recebimento vinculado ao objeto nº SK 60963527 1 BR, não foi, de fato, localizado pelos Correios, mormente tendo em conta que não consta dos autos resposta daquela instituição ao Ofício nº 327/2010 que lhe foi dirigido pela autoridade administrativa local. Oportuno observar, ainda, que o recurso voluntário apresentado conjuntamente por Eduardo Stuhr, Sérgio Stuhr, Wanderley Stuhr e Lucimar Stuhr também veicula argüição de nulidade do processo porque a autoridade julgadora afirmou nada ter sido juntado por Sérgio Stuhr e Lucimar Stuhr depois de intimados para terem vistas dos autos. Alegam estes recorrentes que foi apresentada petição em 02/07/2012 para protocolo de cópia integral da ação de justificação por eles proposta, à semelhança do que feito por Eduardo Stuhr e Wanderley Stuhr. De fato, a decisão recorrida é expressa no sentido de que Sérgio Stuhr e Lucimar Stuhr não apresentaram aditamento à impugnação depois de lhes terem sido concedidas vistas dos autos (fl. 18269). De outro lado, os recorrentes juntaram à fl. 18489 cópia autenticada de petição dirigida ao Delegado da Receita Federal no Espírito Santo, referenciando o número do presente processo administrativo, e requerendo a juntada de cópia integral dos autos da Ação de Justificação por eles proposta, à semelhança do que também requerido por Eduardo Stuhr e Wanderley Stuhr no documento juntado por cópia autenticada à fl. 18493. A petição indicada à fl. 18489, de fato, não consta dos autos. Não há dúvida que a autoridade julgadora de 1a instância procedeu a criterioso exame das peças aqui juntadas, na medida em que refutou a informação da autoridade encarregada das diligências requeridas, juntada à fl. 18223, no sentido de que Eugênio Pedro Di Francesco e Giovanni Bortolini não teriam apresentado aditamento à impugnação. Como expresso pela autoridade julgadora à fl. 18269, o aditamento destes responsáveis foi localizado às fls. 17797/17798, em meio a elementos referentes a outros responsáveis tributários. De outro lado, porém, a autoridade fiscal encarregada de tais diligências elaborou o quadro de fl. 18222 indicando que Sérgio Stuhr e Lucimar Stuhr teriam apresentado aditamento à impugnação em 02/07/2012, em conformidade com as alegações destes em recurso voluntário. Por tais razões, também necessário se faz verificar junto à unidade de origem se a petição de fls. 18489 foi, de fato, apresentada junto à ARF/Serra e qual o destino dado aos documentos a ela anexados. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa local: · Em face das alegações do responsável Silvino Faria Júnior, confirme se o aviso de recebimento vinculado ao objeto nº SK 60963527 1 BR, não foi, de fato, localizado pelos Correios; Fl. 24325DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.000905/201001 Resolução nº 1101000.116 S1C1T1 Fl. 29 28 · Em face das alegações dos responsáveis Sérgio Stuhr e Lucimar Stuhr, confirme se houve aditamento à impugnação por meio da petição juntada por cópia à fl. 18489. Prestadas as informações requeridas, os autos devem retornar a este Conselho para que se prossiga na apreciação dos recursos voluntários e de ofício aqui interpostos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 24326DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.914237/2009-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10166.914237/2009-87
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5349210
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-000.090
nome_arquivo_s : Decisao_10166914237200987.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10166914237200987_5349210.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5462078
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592376799232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 793 1 792 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.914237/200987 Recurso nº Resolução nº 1803000.090 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 07 de maio de 2014 Assunto PER/DCOMP DILIGÊNCIA Recorrente CTIS TECNOLOGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 26880.05229.120105.1.3.038313 em 12.01.2005, 17321.14223.090305.1.3.037233 em 09.03.2005, 13019.17947.190105.1.3 033046 em 19.01.2005, 21046.77461.260105.1.3.032430 em 26.01.2005 e 11721.96699.260105.1.7.038800 em 26.01.2005, fls. 104108, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$276.594,20 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real segundo trimestre do anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 14 23 7/ 20 09 -8 7 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 794 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 08, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS SOMA PARC. CRÉDITO PER/DCOMP 276.594,20 0,00 276.594,20 CONFIRMADAS 0,00 0,00 0,00 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$276.594,20 Valor na DIPJ: R$276.594,20 Somatório das parcelas de composto, do crédito na DIPJ: R$276.594,20 CSLL devida: R$0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 26880.05229.120105.1.3.038313 17321.14223.090305.1.3.037233 13019.17947.190105.1.3.033046 21046.77461.260105.1.3.032430 11721.96699.260105.1.7.038800 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 4º e art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30 de dezembro de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0207, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: a glosa do saldo negativo de CSLL de R$276.594,20, não merece prosperar, justo porque a Manifestante possui provas idôneas, fornecidas pelo próprio fisco, quais demonstram de pronto a liquidez e certeza do crédito utilizado nas compensações. [...] Fl. 794DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 795 3 5. O tema a ser enfrentado aqui se prende à matéria de prova, eis que os motivos que levaram o fisco a não homologar os PER/DCOMP's em tela consistiria na falta de comprovação de saldo negativo de CSLL. Todavia, consta nos autos do procedimento administrativo de nº 14033.000765/200913, processo formalizado para arquivamento dos documentos utilizados para análise do direito creditório em tela, precisamente às fls. 18 a 95 [...], provas robustas e incontestáveis que atestam ser a Manifestante possuidora do saldo negativo de CSLL em valor superior ao crédito de R$276.594,20. [...]. 6. No entanto, imperioso esclarecer que por um lapso da contabilidade ocorreu um erro material no preenchimento do PER/DCOMP em apreço, uma vez que foi equivocadamente informado que o valor retido de R$276.594,20 seria oriundo do CNPJ de nº 00.509.018/000113 do Tribunal Superior Eleitoral, quando na verdade tal valor referese a soma das retenções de CSLL ocorridas em mais de 140 empresas, conforme bem grafou o fisco as fls. 18 dos autos do processo nº 14033.000765/200913 [...]. 8. Como visto, a Manifestante informou no PER/DCOMP o demonstrativo de crédito somente o número do CNPJ de no 00.509.018/000113, quando deveria ter informado os números dos CNPJ's de todos os órgãos/empresas que fizeram retenção no anocalendário de 2004. 9. Ocorre que, pela análise do processo administrativo de nº 14033.000765/2009 13, documento de fls. 96 e 97 [...], constatase que o valor da retenção mês a mês declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral, CNPJ no 00.509.018/000113 no ano calendário de 2004, códigos 6190 e 6147, foi de [R$3.819.610,05 de janeiro a dezembro de 2004 pelo código 6190 e R$239,26 de outubro de 2004 pelo código 6147]. [...] 10. Nesse contexto, o valor anual das retenções do anocalendário de 2004, declaradas pelo CNPJ nº 00.509.018/000113 corresponde a R$1.940.168,79 de IR; R$404.232,51 de CSLL; R$262.751,13 de PIS, e; R$1.212.697,52 de COFINS, conforme comprova a planilha de Demonstrativo das Retenções do CNPJ nº 00.509.018/000113, que ora se apresenta [...]. 11. Assim, há se concluir que o valor retido de CSLL no anocalendário de 2004 pelo Tribunal Superior Eleitoral, CNPJ nº 00.509.018/000113, corresponde a R$404.232,51, sendo que o valor retido de CSLL no 2° Trimestre de 2004, corresponde a R$79.834,45, e não a R$0,00, como grafou erroneamente o fisco. 12. Já os informes de rendimentos fornecidos pelas demais empresas/órgãos relativo ao anocalendário de 2004, anexados ao processo de nº 14033.000765/200913 que ora se apresenta [...]; comprova as seguintes retenções: R$5.393.539,35 de IR; R$1.360.948,65 de CSLL; R$878.111,56 de PIS e; R$4.036.812,18 de COFINS. Junta se também, Planilha de Composição dos Informes de Rendimentos das Retenções — AnoCalendário de 2004 [...]. 13. Desta feita, os valores das retenções feitas da Manifestante pelas empresas/órgãos no 2º Trimestre de 2004 corresponde a R$306.944,38 e não o valor efetivamente glosado pelo Fisco (R$276.594,20), conforme demonstra a Planilha de composição das retenções [...]. Portanto, restou demasiadamente demonstrado e provado ser a Manifestante detentora de saldo negativo suficiente para liquidar os débitos informados nos PER/DCOMPs ora analisados. [...] 15. Ocorre que, em razão da lavratura do Despacho Decisório ora combatido, sem contudo, ter sido a Manifestante intimada a comprovar o saldo negativo de CSLL em questão, nos termos do art. 40 da IN/SRF 600 de 20051, que impõe o deverpoder à Fl. 795DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 796 4 autoridade fiscal analisadora do processo de compensação, de intimar a contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, tal retificação, deverá ser realizada de oficio. Até mesmo porque as informações fornecidas pelas empresas/órgãos quanto as retenções feitas a favor da Manifestante que comprovam o saldo negativo de CSLL no importe de R$276.594,20, sempre esteve a disposição do fisco. [...] 18. Colenda Turma Julgadora, o fato da empresa ter indicado o no CNPJ N° 00.509.018/000113, como sendo a empresa/órgão que reteve todo o saldo negativo do 2° Trimestre de 2009, em verdade tal valor corresponde as retenções realizadas por diversos órgãos/empresas, constitui inexatidão material passível de retificação pela própria autoridade julgadora, nos termos da lei, da doutrina e da mais abalizada jurisprudência. 19. Portanto, essas as razões para a reforma da r. decisão recorrida, e que determinam o restabelecimento do crédito no importe de R$276.594,20, e a homologação da declaração das declarações de compensações eletrônicas em foco. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: 20. Em vista do exposto, requer seja recebido este recurso de Manifestação de Inconformidade, e por conseqüência seja restabelecido o crédito do saldo negativo de CSLL de 2004, no valor R$276.594,20, a fim de que sejam DECLARADOS HOMOLOGADOS OS PER/DCOMPS de nos nºs 26880.05229.120105.1.3.038313; 17321.14223.090305.1.3.037233; 13019.17947.190105.1.3.033046; 21046.77461.260105.1.3.032430 e 11721.96699.260105.1.7.038800, por ser medida de justiça. 21. Requer ainda, o direito de apresentar razões complementares e outros documentos, posteriormente, mesmo em caso de impugnação de algum dos constantes dos autos. 22. Requerendo finalmente, caso não seja dado provimento integral às alegações e provas constantes dos autos, que seja o julgamento convertido em Diligência junto à Delegacia da Receita Federal, em Brasília – DF, visando certificar o alegado e de que não houve qualquer prejuízo ao Erário. Termos em que p. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB/DF nº 03 048.862, de 28.06.2012, fls. 762767: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor: No despacho decisório questionado, a autoridade fiscal competente não homologou a declaração de compensação, por inexistência do crédito (R$276.594,20) relativo ao saldo negativo de CSLL apurado em 30/06/2004, ali informado. Na manifestação de inconformidade, entre outros, o principal argumento de defesa gira em torno de erro no preenchimento do Per/Dcomp e como prova a contribuinte junta aos autos informes de rendimentos, anexados ao processo 14033.000765/200913, planilha contendo os valores dos rendimentos e das retenções e Fl. 796DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 797 5 cópias de notas fiscais, os quais, por si sós, não são suficientes para comprovar o crédito liquido e certo a seu favor, conforme disciplina o artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) [...]. Na espécie, o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL compensado na declaração de compensação (Dcomp) não homologada, foi examinado e indeferido pela autoridade fiscal competente no processo nº 14033.000765/200913 [...]. Restou ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Per/Dcomp – Saldo Negativo CSLL. A restituição/compensação de tributos federais somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa fiscal com crédito líquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Nacional. RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP – A retificação de Per/Dcomp tem procedimentos e regras próprias, nas hipóteses admitidas na legislação tributária de regência, cuja competência para se manifestar a respeito é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Notificada em 26.09.2012, fl. 769, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.10.2012, fls. 771790, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente. Suscita que: A tônica do julgamento a quo, vêse com clareza diamantina, foi indeferir a homologação dos PER/DCOMP's a qualquer custo. Desafiouse os mais comezinhos princípios de direito e do próprio ordenamento tributário, como se verá a seguir. Notandose assim, que excessos, omissões e erros ocorreram no julgamento, que estão a invalidar o r. Acórdão, merecendo, portanto, desse Colendo Primeiro Conselho de Contribuintes, sua reforma, sem prejuízo da determinação de realização de diligências, visando reformular tal Decisum, é o que requer desde já. [...] A QUESTÕES PRELIMINARES I RAZÕES E PROVAS COMPLEMENTARES – DILIGÊNCIA [...] Quanto ao pleito de diligência, o acórdão ora recorrido é flagrantemente parcial e contraditório, pois apesar de reconhecer que houve erro de preenchimento das Declarações de Compensações transmitidas pela Recorrente e entender que as provas juntadas por ela são insuficientes para comprovar o crédito líquido e certo a seu favor, deixa de baixar o processo em diligência, objetivando investigar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, e fazer prevalecer o princípio da verdade real. Ademais, afirma o n. relator que “...não houve necessidade de intimação ou diligência, porque todas as informações relativas ao suposto crédito (R$276.594,20) de saldo negativo de CSLL compensado constam nos Per/Dcomp, na DIPJ/2005 e nas Fl. 797DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 798 6 DIRF existentes nos sistemas de controle desta RFB e no processo 14033.000765/2009 13, arquivado”. Embora o n. relator de primeira instância tenha feito referências a tais documentos (DIPJ/2005 / DIRF), deixou de considerálos na análise do presente feito, exatamente porque limitouse a apreciar as razões que levaram a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília a indeferir parte do crédito, sem sequer adentrar no mérito das razões apresentadas pela então Manifestante ora Recorrente. Dessa forma, impera seja reformado o acórdão de n° 0348.862 4º Turma da DPJ/BSB, para que seja deferido o direito de apresentação de razões complementares e provas, caso entenda necessário e/ou para que seja baixado o processo em diligência, por ser medida de justiça. II FALTA PE INTIMAÇÃO No caso em exame, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília procedeu com a análise do crédito da Recorrente com base tãosomente nas informações constantes da DIPJ/2005 e nas DIRF's das fontes pagadoras, não houve qualquer intimação/diligência, em total ofensa ao disposto no art. 4º da IN/SRF 600 de 2005, que impõe o deverpoder à autoridade fiscal analisadora do processo de compensação, de intimar a contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório. [...] Ocorre que, a interpretação dada ao art. 835, § 2º, do Decreto n° 3.000, de 1999 pelo n. relator de primeira instância é equivocada e enganador,pois o citado disposto legal é objetivo e claro quanto a obrigação imposta a autoridade revisora de exigir do contribuinte esclarecimentos, seja ele escrito ou verbal [...] Como visto, a faculdade conferida pelo disposto na norma acima transcrita referese ao "pode ser" o esclarecimento, escrito ou verbal, mas nunca deixar de pedir esclarecimentos, ainda mais quando existir documentos nos autos que evidenciam a existência de crédito superior ao pleiteado, como no presente caso. Desta feita, o acórdão recorrido merece ser reformado, haja vista ter aplicado entendimento equivocado acerca da aplicação do disposto no art. 835, § 2º do RIR/99 e do disposto no art. 4º da IN 600/2005 ao caso em comento. III RETIFICAÇÃO/INEXATIDÕES MATERIAS Ora, a pretensão da Recorrente, desde o início é o reconhecimento de seu crédito líquido e certo, não importando se para tanto haverá ou não a retificação de ofício de suas Declarações de Compensações Eletrônicas, não havendo que falar que o intuito da Recorrente é tão somente retificar os PER/DCOMP's. Quanto ao discurso trazido pelo n. relator acerca da competência para se proceder com a retificação dos PER/DCOMP'S, evidencia flagrante negativa de prestação jurisdicional, pois uma vez instaurado o contencioso administrativo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é competente para apreciar todas as razões arguidas pela contribuinte e aplicar o direito ao caso concreto, determinando o que tem que ser feito, ainda que a providência a ser adotada não seja de sua competência. É sabido que a autoridade julgadora não é originariamente competente para apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, porém ela detém poderes para determinar que a autoridade competente o faça, uma vez demonstrado e provado o erro de fato alegado, como ocorreu no presente caso. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 799 7 Como se vê, para afastar as teses e provas apresentadas pela acorrente, a autoridade julgadora de primeira instância utilizou de argumentos equivocados, que inclusive culminou na flagrante negativa de prestação jurisdicional, devendo tais argumentos ser rejeitados de pronto. B MÉRITO DO CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO ERRO DE FATO PROVA DO CRÉDITO PLEITEADO O Acórdão recorrido é falho, eis que não aprecia de forma séria as alegações da Recorrente, limitandose o julgador a quo a utilizar as razões de decidir apresentadas pela Delegacia da Receita Federal, sem sequer analisar os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade de 20/01/2010 (fls.02/07), não considerando os próprios créditos reconhecidos e apurados pelo fisco em DIRF's nas retenções feitas por órgãos públicos e empresas privadas no valor de R$276.594,20. [...] Entretanto, no presente caso não se verifica a congruência/harmonia entre a motivação explicitada no acórdão guerreado e a matéria posta a apreciação da autoridade julgadora primeira, exatamente porque a Delegacia da Receita Federal do Brasil, não levou em consideração o erro de fato cometido pela Recorrente, muito menos a apuração/comprovação em DIRF de crédito a maior do que o pleiteado, logo, concluise que houve preterição ao direito de defesa e ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição. Os motivos que levaram o fisco Delegacia da Receita Federal a não homologar os PER/DCOMP's em tela consistiria na falta de comprovação/confirmação de todo o saldo negativo de CSLL do ano de 2004. Todavia, como dito anteriormente, consta nos autos do procedimento administrativo de n° 14033.000765/200913, processo formalizado para arquivamento dos documentos utilizados para análise do direito creditório do período de janeiro a dezembro de 2004, precisamente às fls. 18 a 95 (fls. 14/91). Tais provas são incontestáveis, pois são documentos fornecidos pelo próprio fisco, e atestam ser a Recorrente possuidora do saldo negativo de CSLL em valor superior ao crédito de R$276.594,20. [...] No entanto, imperioso esclarecer que por um lapso da contabilidade ocorreu um erro material no preenchimento do referido PER/DCOMP, uma vez que foi equivocadamente informado pela Recorrente que o valor retido de R$276.594,20 seria oriundo somente do CNPJ de n° 00.509.018/000113 do Tribunal Superior Eleitoral, quando na verdade tal valor referese a soma das retenções de CSLL ocorridas em mais de 140 empresas, conforme bem grafou o fisco às fls. 18 dos autos do processo n° 14033.000765/200913 [...]. De toda sorte, eventuais equívocos cometidos pela Recorrente quando do preenchimento dos PER/DCOMP's não podem ocasionar a perda do seu direito líquido e certo a repetição do indébito. [...] Como visto, a Recorrente informou no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito somente o número do CNPJ de n° 00.509.018/000113, quando deveria ter informado os números dos CNPJ's de todos os órgãos/empresas que fizeram retenções no anocalendário de 2004. Ocorre que, pela análise do processo administrativo de n° 14033.000765/2009 13, documento de fls. 96 e 97 (fls. 14/90), constatase que o valor da retenção mês a mês declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral, CNPJ n° 00.509.018/000113 no ano calendário de 2004, códigos 6190 e 6147 [...] Fl. 799DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 800 8 Nesse contexto, o valor anual das retenções do anocalendário de 2004, declaradas pelo CNPJ n° 00.509.018/000113 corresponde a R$1.940.168,79 de IR; R$404.232,51 de CSLL: R$262.751,13 de PIS, e; R$1.212.697,52 de COFINS, conforme comprova a planilha de Demonstrativo das Retenções do CNPJ n° 00.509.018/000113, que ora se apresenta (v. doc. fls.93) Assim, há se concluir que o valor retido de CSLL no anocalendário de 2004 pelo Tribunal Superior Eleitoral, CNPJ n° 00.509.018/000113, corresponde a R$404.232,51, sendo que o valor retido de CSLL no 2º Trimestre de 2004, corresponde a R$79.834,45, e não R$0,00, como grafou erroneamente o fisco. Entretanto, tal alegação sequer foi apreciada pela autoridade julgadora a quo. Já os informes de rendimentos fornecidos pelas demais empresas/órgãos relativo ao anocalendário de 2004, anexados ao processo de n°14033.000765/200913 que ora se apresenta (fls. 14/91), comprova as seguintes retenções: R$5.393.539,35 de IR; R$1.360.948,65 de CSLL; R$878.111,56 de PIS e; R$4.036.812,18 de COFINS. Veja a Planilha de Composição dos Informes de Rendimentos das Retenções AnoCalendário de 2004 [...]. Desta feita, os valores das retenções feitas da Recorrente pelas empresas/órgãos no 2o Trimestre de 2004 corresponde a R$306.944,38, e não o valor efetivamente glosado pelo Fisco (R$276.594,20), conforme demonstra a Planilha de composição das retenções (fls. 97/100) e a Relação de Notas Fiscais do 2º Trimestre de 2004 que ora se junta (doc. 106/630). Portanto, restou demasiadamente demonstrado e provado ser a Recorrente detentora de saldo negativo suficiente para liquidar os débitos informados nos PER/DCOMP’s ora analisados. [...] Ocorre que, em razão da lavratura do Despacho Decisório ora combatido, sem contudo, ter sido a Manifestante intimada a comprovar o saldo negativo de CSLL em questão, nos termos do art. 4o da IN/SRF 600 de 2005, que impõe o deverpoder à autoridade fiscal analisadora do processo de compensação, de intimar a contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, tal retificação, deverá ser realizada de ofício. Até mesmo porque as informações fornecidas pelas empresas/órgãos quanto as retenções feitas a favor da Manifestante que comprovam o saldo negativo de CSLL no importe de R$306.944,38, sempre esteve a disposição do fisco [...]. Nobres julgadores, o fato da empresa ter indicado o CNPJ n° 00.509.018/0001 13, como sendo a empresa/órgão que reteve todo o saldo negativo do 2º Trimestre de 2004, quando na verdade tal valor corresponde as retenções realizadas por diversos órgãos/empresas, constitui mera inexatidão material passível de retificação pela própria autoridade julgadora, nos termos da lei, da doutrina e da mais abalizada jurisprudência. [...] Portanto, essas as razões para a reforma da r. acórdão recorrido, e que determinam o restabelecimento do crédito no importe de R$276.594,20, e a homologação da declaração das declarações de compensações eletrônicas em foco. [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Fl. 800DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 801 9 Em vista do exposto, requer seja recebido este recurso voluntário, e por conseqüência seja reformado o acórdão recorrido para que seja declarado o direito creditório da Recorrente. No mérito, requer seja restabelecido o crédito do saldo negativo de CSLL de 2004, no valor R$276.594,20, a fim de que sejam DECLARADOS HOMOLOGADOS OS PER/DCOMP’S de n°s 26880.05229.120105.1.3.038313; 17321.14223.090305.1.3.037233;13019.17947.190105.1.3.033046; 21046.77461.260105.1.3.032430 e 11721.96699.260105.1.7.038800, por ser medida de justiça. Pede, por fim, que sejam aplicadas outras teses jurídicas não apresentadas no presente Recurso, que os nobres Conselheiros conhecem em razão de seus elevados saberes jurídicos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. A Recorrente apresentou a comprovação inequívoca de fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é imprescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos não são suficientes para a solução do litígio. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 802 10 Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente discorda do fato de que o mérito da matéria não ter sido analisada no processo nº 14033.000765/200913, oportunidade em que por “lapso da contabilidade ocorreu um erro material no preenchimento do referido Per/DComp”. Suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar sua alegação. Ademais, para que haja direito à homologação da compensação, deve restar comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Por esta razão, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal2. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente3. Os rendimentos de aplicações financeiras devem ser incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, podem ser rateados pelos períodos a que competirem, ou seja, podem ser rateados segundo o regime de 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 803 11 competência. Ademais, os rendimentos da pessoa jurídica ficam sujeitos ao IRRF quando ocorrer o pagamento ou o crédito contábil da fonte pagadora4. A pessoa jurídica está obrigada a prestar à RFB informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ das pessoas que o receberam, bem como valor do imposto de renda retido da fonte. Também a pessoas jurídica que efetuar pagamento ou crédito de rendimentos sujeitos à retenção do imposto na fonte devem fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte5. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços, entre outros, de limpeza, conservação, manutenção, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte no código de arrecadação 5952 em guia única de CSLL, Cofins e PIS. O valor da CSLL, da Cofins e da PIS é determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. Os valores devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, até o último dia útil da quinzena subseqüente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica fornecedora dos bens ou prestadora do serviço e devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Ainda, os serviços profissionais prestados por pessoas jurídicas sujeitamse também a retenção da CSLL com retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado pelo código de arrecadação 5987 referente à aplicação, sobre o montante a ser pago, da alíquota de 1% (um por cento) 6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Essa matéria já foi objeto de análise pela RFB em relação à mesma pessoa jurídica no processo nº 14033.000765/200913, que se encontra no eprocesso e de onde foram extraídas as seguintes informações: Sr. Chefe, 4 Fundamentação legal: art. 17 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 5 Fundamentação legal: art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 13 da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de1962 e art. 1º da Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979. 6 Fundamentação legal: art. 30, art. 31, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa nº SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004 e o Ato Declaratório Executivo Corat nº 69, de 09 de agosto de 2004. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 804 12 Em 12/01/2005, a contribuinte acima identificada transmitiu Declaração de Compensação eletrônica DCOMP n° 26880.05229.120105.1.3.038313 com o objetivo de compensar débitos próprios no montante original de R$ 239.735,85, com pretenso crédito de Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2004, no montante original de R$276.594,20 (fls. 02 a 06). 2.A análise da declaração de compensação foi iniciada eletronicamente, porém, a validação do crédito pleiteado foi direcionada, pelo Sistema de Controle de Crédito SCC, para análise do usuário, conforme relatório Sief/Perdcomp às fls. 07 a 12. Diante disso, este processo visa, apenas, a verificação e validação, se for o caso, do valor a título de retenção na fonte no ano calendário de 2004. Finda a análise, o processamento eletrônico retornará ao seu fluxo normal, de acordo com a NE Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n° 6, de 21 de novembro de 2007, artigo 3o, § 3º, e artigos 17 e 32. [...] Preliminarmente, cabe enfatizar que o direito de a contribuinte efetuar a compensação está previsto no art. 170 do CTN; no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996; e regulamentado pela IN SRF n° 460/2004, vigente à época, que em seu art. 2o combinado com o art. 26, abaixo transcrito, faculta ao sujeito passivo, o direito de restituir/compensar o crédito decorrente de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e será efetuada mediante entrega, pelo sujeito passivo, de declaração (PER/DCOMP) na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados [...] A declaração de compensação eletrônica formulada por meio do programa PER/DCOMP, analisada neste processo, é tempestiva, posto que foi transmitida em 12/01/2005, logo, dentro do prazo qüinqüenal a contar de 31/12/2004 (relativo ao Saldo /Negativo de CSLL de 2004), conforme o disposto no art. 165, inciso I, e art. 168, inciso I, da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional [...]. Na análise da composição do saldo negativo, referente ao 3º trimestre do anocalendário de 2004, foi consultada a DIPJ da contribuinte (fls. 13 a 17). Conforme a FICHA 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ/2005, 2º trimestre do anocalendário 2004, a contribuinte declara, no item 51 da Ficha 17, como saldo negativo de CSLL o valor de R$ 276.594,20. Na composição deste suposto saldo negativo, a contribuinte apurou que o valor de CSLL Retido na fonte por Estados, Distrito Federal e Municípios é de R$ 276.594,20 (item 47 da Ficha 17). Passaremos, a seguir, à analise, em separado, do item Imposto de Renda Retido na Fonte, que compõe o saldo negativo em questão, e objeto da presente análise. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE: as informações constantes das DIRF dos declarantes, que indicam como beneficiários a contribuinte CTIS Informática Ltda e suas filiais, foram extraídas do sistema SiefDirf (fls. 18 a 97), de forma que se pudesse verificar o total das retenções sofridas no anocalendário de 2004 [...]. A partir do confronto das informações da Dcomp com as informações verificadas nas Dirf, no ano calendário de 2004, para o CNPJ da fonte pagadora 00.0509.018/000113 e código de receita 5987 CSLL Fl. 804DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 805 13 Retenção de Pagamentos de Pessoa Jurídica a Pessoa Jurídica do Direito Privado, não há confirmação, em Dirf (fls. 44, 95, 96 e 97), do valor da retenção informado na Dcomp (fl. 04) de R$276.594,20, requerido pelo Sief/Perdcomp para o seguimento do processamento eletrônico (fl. 09). Diante dos fatos expostos, não se valida o valor da retenção na fonte de R$276.594,20, no ano calendário de 2004, para o CNPJ da fonte pagadora 00.0509.018/000113 e código de receita 5987. Proponho o encaminhamento deste processo ao Arquivo Central/GRA/DF para arquivamento pelo prazo de 10 anos, para comprovação da análise do crédito em referência. De acordo. Não reconheço o crédito de CSLL retido na fonte no valor de R$276.594,20. Encaminhese para arquivamento [...] (grifo acrescentados) Verificase com clareza que no processo nº 14033.000765/200913 foi analisado o crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$276.594,20 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real segundo trimestre do anocalendário de 2004 formalizado no Per/DComp nºs 26880.05229.120105.1.3.038313 em 12.01.2005, 17321.14223.090305.1.3.037233 em 09.03.2005, 13019.17947.190105.1.3033046 em 19.01.2005, 21046.77461.260105.1.3.03 2430 em 26.01.2005 e 11721.96699.260105.1.7.038800 em 26.01.2005, fls. 104108. O mencionado processo encontrase arquivado no Arquivo Digital Órgãos Centrais – RFB/MF em 19.12.20137. Esse fato, por si só, não é obstáculo para que haja o reexame da mesma matéria nos presentes autos, uma vez que a Recorrente não foi então validamente notificada do Parecer exarado no processo nº 14033.000765/200913 e por essa razão o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes não foram observadas 8, nos estritos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Verificase assim a relação processual não se aperfeiçoou no processo nº 14033.000765/200913 por ausência da citação válida do Parecer pela Recorrente com o escopo de lhe abrir a oportunidade de se defender. Por essa razão tem cabimento a análise crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$276.594,20 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real segundo trimestre do anocalendário de 2004, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp nºs 26880.05229.120105.1.3.038313 em 12.01.2005, 17321.14223.090305.1.3.037233 em 09.03.2005, 13019.17947.190105.1.3 033046 em 19.01.2005, 21046.77461.260105.1.3.032430 em 26.01.2005 e 11721.96699.260105.1.7.038800 em 26.01.2005, fls. 104108. 7 Disponível em : <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=14033000765200913&DDMovimentoQ=19122013&SQO rdemQ=0> . Acesso em 26 mar.2014. 8 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 806 14 Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB/DF nº 03 048.862, de 28.06.2012, fls. 762767: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor: A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende as demais formalidades legais de admissibilidade, previstas no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, razões pelas quais dela se toma conhecimento. APRESENTAÇÃO DE PROVA/DILIGÊNCIA. A legislação processual tributária que regula o contencioso administrativo fiscal prevê que, salvo exceções, a prova documental deverá ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Quanto à diligência entendo desnecessária haja vista os elementos de prova contidos nos autos do presente processo serem suficientes para a formação de livre convicção sobre a matéria, objeto da lide. FALTA DE INTIMAÇÃO Ao contrário do que entende a manifestante, na apreciação do pedido de restituição/compensação, a intimação para prestar esclarecimento ou determinar diligência prevista no art. 4º da IN/SRF 600 de 2005, é uma faculdade da autoridade fiscal competente, essa regra está em consonância com o artigo 835, § 2º, do Decreto nº 3000, de 1999, que determina que a revisão de declaração será feita com os elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes ou por outros meios serão facultados (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74 § 1º). Na espécie, não houve a necessidade de intimação ou diligência, porque todas as informações relativas ao suposto crédito (R$276.594,20) de saldo negativo de CSLL compensado constam no Per/Dcomp, na DIPJ/2005 e nas DIRF existentes nos sistemas de controle desta RFB e no processo 14033.000765/200913, arquivado. DA RETIFICAÇÃO/ INEXATIDÕES MATERIAIS Dependendo do caso, a autoridade julgadora poderá corrigir eventual erro material cometido pela contribuinte, desde que devidamente comprovado. Contudo, no presente caso, na realidade, a manifestante pretende é retificar o Per/Dcomp, origem do despacho decisório questionado, que têm procedimentos e regras próprias, nas hipóteses admitidas nos artigos 76 a 79 e 82 da IN RFB nº 900, de 2008, cuja competência para se manifestar a respeito é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Consoante o artigo 165 do Código Tributário Nacional, independente de prévio protesto, o sujeito passivo tem direito à restituição ou ressarcimento de crédito relativo a pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido, em face da legislação aplicável ou da natureza ou circunstância materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. No despacho decisório questionado, a autoridade fiscal competente não homologou a declaração de compensação, por inexistência do crédito (R$276.594,20) relativo ao saldo negativo de CSLL apurado em 30/06/2004, ali informado. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 807 15 Na manifestação de inconformidade, entre outros, o principal argumento de defesa gira em torno de erro no preenchimento do Per/Dcomp e como prova a contribuinte junta aos autos informes de rendimentos, anexados ao processo 14033.000765/200913, planilha contendo os valores dos rendimentos e das retenções e cópias de notas fiscais, os quais, por si sós, não são suficientes para comprovar o crédito liquido e certo a seu favor, conforme disciplina o artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que é a regra delimitadora do instituto da compensação em nosso ordenamento jurídico [...]. Como se nota no dispositivo acima, as condições e garantias fundamentais para que possa ocorrer a compensação é de que o crédito do sujeito passivo seja líquido e certo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. A compensação tratada nesse diploma legal encontrase disciplinada no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que ampliou o campo das compensações entre tributos e contribuições administrados pela RFB, estando as regras e os procedimentos administrativos vigentes disciplinados pela IN RFB n.° 900, de 2008, que consolidou a legislação tributária sobre pedido de restituição/compensação. Nos termos do § 2º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação declarada a SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Isso implica a necessidade do Fisco examinar a existência do direito creditório para proceder à homologação. Na espécie, o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL compensado na declaração de compensação (Dcomp) não homologada, foi examinado e indeferido pela autoridade fiscal competente no processo nº 14033.000765/200913, cujos fundamentos da informação fiscal transcrevo parte abaixo e adoto como razão de decidir neste acórdão, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 [...]. Como se nota na informação fiscal acima transcrita, ao contrário do que afirma a manifestante, não houve reconhecimento do crédito (R$276.594,20) reclamado; logo, não há como homologar as compensações realizadas nas declarações de compensação não homologadas, por inexistência do crédito liquido e certo a seu favor, devendo, dessa forma, ser mantida a decisão proferida no despacho decisório questionado. DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA Quanto às ementas de jurisprudência administrativa trazidas à colação não constitui normas complementares da legislação tributária, tampouco vincula a administração tributária, pois inexiste lei que lhe confira a efetividade de caráter normativo. Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade para manter a decisão proferida no despacho decisório questionado. (grifos acrescentados) Assim, afastada a preliminar de que a matéria já havia sido examinada no processo nº 14033.000765/200913, que se encontra no Arquivo Digital Órgãos Centrais – Fl. 807DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 808 16 RFB/MF em 19.12.20139, deve ser avaliado nos presentes autos o crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$276.594,20 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real segundo trimestre do anocalendário de 2004, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp nºs 26880.05229.120105.1.3.038313 em 12.01.2005, 17321.14223.090305.1.3.037233 em 09.03.2005, 13019.17947.190105.1.3033046 em 19.01.2005, 21046.77461.260105.1.3.03 2430 em 26.01.2005 e 11721.96699.260105.1.7.038800 em 26.01.2005, fls. 104108. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente para verificar: (a) da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada das informações constantes nos registros internos da RFB, tais como DIPJ, DCTF, DIRF e DARF, e ainda anexar os processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso10; (b) juntar ainda aos presentes autos o processo nº 14033.000765/200913 e cientificar a Recorrente do Parecer exarado no processo nº 14033.000765/200913, o qual não foi lhe validamente notificado para se defender, como forma de contemplar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes11, nos estritos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (c) a autoridade fiscal deve verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros autos referente ao mesmo suposto pagamento a maior e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos; (d) na apuração do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$276.594,20 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real segundo trimestre do anocalendário de 2004, a pessoa jurídica deverá produzir um conjunto probatório robusto dos valores retidos na fonte, comprovando a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, mediante apresentação dos assentos contábeis e planilhas analíticas; e (e) autoridade fiscal deve cotejar a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente à existência do direito creditório relativo R$276.594,20 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real segundo trimestre do anocalendário de 2004. 9 Disponível em : <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=14033000765200913&DDMovimentoQ=19122013&SQO rdemQ=0> . Acesso em 26 mar.2014. 10 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 11 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.914237/200987 Resolução nº 1803000.090 S1TE03 Fl. 809 17 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes12 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 12 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001327/2007-90
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002,2003
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO EMPRESARIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. ATLETA PROFISSIONAL.
São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não empresarial, com ou sem vínculo empregatício. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio majoritário, não muda o efetivo sujeito passivo, mormente quando não há prova da real existência da pessoa jurídica ou da alegada atividade empresarial empreendida.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Ausente a comprovação individualizada deve-se manter a autuação. Por outro lado, quando as circunstâncias dos autos demonstram que determinado depósito teve por origem o recebimento de prêmio de seguro, o correspondente depósito deve ser excluído da base de cálculo do lançamento.
IRPF. OMISSÃO DE RECEITA DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO.
Embora haja precedente do CARF no sentido de que devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. No caso dos autos, essa tese jurídica não tem aplicação, pois a situação fática é diversa: (a) o recorrente não formulou este pedido; (b) o ônus da prova é do recorrente, no entanto, não há comprovação nos autos de que o valor pago pela pessoa jurídica tenha por base os mesmos valores de receitas que estão sendo tributadas na pessoa física, ao contrário, a análise por amostra das receitas declaradas aponta divergências; (c) neste autos não há exclusivamente uma reclassificação de rendimentos da pessoa jurídica para rendimentos da pessoa física, foi apurada uma omissão de rendimentos; e (d) a pessoa jurídica apresentou declaração do Simples, o que envolve não só tributos federais.
Recurso Provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam esta preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da infração depósitos bancários de origem não comprovada, o depósito de R$ 48.772,82, ocorrido em 29/01/2002, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Carlos André Ribas de Mello e Cléber Pereira Nunes Leite que, nos termos do voto do relator, davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. O resultado foi obtido em duas votações sucessivas, nos termos do art. 60, caput e parágrafo único, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Na primeira votação foi vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002,2003 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO EMPRESARIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. ATLETA PROFISSIONAL. São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não empresarial, com ou sem vínculo empregatício. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio majoritário, não muda o efetivo sujeito passivo, mormente quando não há prova da real existência da pessoa jurídica ou da alegada atividade empresarial empreendida. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Ausente a comprovação individualizada deve-se manter a autuação. Por outro lado, quando as circunstâncias dos autos demonstram que determinado depósito teve por origem o recebimento de prêmio de seguro, o correspondente depósito deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RECEITA DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. Embora haja precedente do CARF no sentido de que devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. No caso dos autos, essa tese jurídica não tem aplicação, pois a situação fática é diversa: (a) o recorrente não formulou este pedido; (b) o ônus da prova é do recorrente, no entanto, não há comprovação nos autos de que o valor pago pela pessoa jurídica tenha por base os mesmos valores de receitas que estão sendo tributadas na pessoa física, ao contrário, a análise por amostra das receitas declaradas aponta divergências; (c) neste autos não há exclusivamente uma reclassificação de rendimentos da pessoa jurídica para rendimentos da pessoa física, foi apurada uma omissão de rendimentos; e (d) a pessoa jurídica apresentou declaração do Simples, o que envolve não só tributos federais. Recurso Provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.001327/2007-90
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350284
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.809
nome_arquivo_s : Decisao_11516001327200790.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11516001327200790_5350284.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam esta preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da infração depósitos bancários de origem não comprovada, o depósito de R$ 48.772,82, ocorrido em 29/01/2002, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Carlos André Ribas de Mello e Cléber Pereira Nunes Leite que, nos termos do voto do relator, davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. O resultado foi obtido em duas votações sucessivas, nos termos do art. 60, caput e parágrafo único, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Na primeira votação foi vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5465269
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592419790848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 119 1 118 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001327/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.809 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO CARLOS AGUIAR GOUVEIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002,2003 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO EMPRESARIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. ATLETA PROFISSIONAL. São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não empresarial, com ou sem vínculo empregatício. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio majoritário, não muda o efetivo sujeito passivo, mormente quando não há prova da real existência da pessoa jurídica ou da alegada atividade empresarial empreendida. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Ausente a comprovação individualizada devese manter a autuação. Por outro lado, quando as circunstâncias dos autos demonstram que determinado depósito teve por origem o recebimento de prêmio de seguro, o correspondente depósito deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RECEITA DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. Embora haja precedente do CARF no sentido de que devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 13 27 /2 00 7- 90 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 2 convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. No caso dos autos, essa tese jurídica não tem aplicação, pois a situação fática é diversa: (a) o recorrente não formulou este pedido; (b) o ônus da prova é do recorrente, no entanto, não há comprovação nos autos de que o valor pago pela pessoa jurídica tenha por base os mesmos valores de receitas que estão sendo tributadas na pessoa física, ao contrário, a análise por amostra das receitas declaradas aponta divergências; (c) neste autos não há exclusivamente uma reclassificação de rendimentos da pessoa jurídica para rendimentos da pessoa física, foi apurada uma omissão de rendimentos; e (d) a pessoa jurídica apresentou declaração do Simples, o que envolve não só tributos federais. Recurso Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam esta preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da infração depósitos bancários de origem não comprovada, o depósito de R$ 48.772,82, ocorrido em 29/01/2002, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Carlos André Ribas de Mello e Cléber Pereira Nunes Leite que, nos termos do voto do relator, davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. O resultado foi obtido em duas votações sucessivas, nos termos do art. 60, caput e parágrafo único, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Na primeira votação foi vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os presentes autos sobre omissão de rendimentos em decorrência da utilização de pessoa jurídica para a prestação de serviços personalíssimos, ganhos de capital omitidos, não recolhimento de carnêleão, omissão de rendimentos de valores recebidos de pessoa jurídica e em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Por meio do Auto de Infração de folhas 582 a 587, exigese Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 190.490,88 (cento e noventa mil quatrocentos e noventa reais e oitenta e oito centavos), referente aos anos calendários 2002 e 2003, acrescido Fl. 759DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 120 3 de multa de oficio de 75% e 150%, conforme o caso, e dos encargos legais devidos à época do pagamento e multa isolada no valor de R$ 1.503,23 (mil quinhentos e três reais e vinte e três centavos), referente ao anocalendário 2002. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 584 a 587, e do Termo de Verificação Fiscal, fls. 133 a 138, autuação se deu em razão:a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica: relativos à prestação de serviço de atleta profissional, recebidos da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo CELSP, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF; b) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas: relativos à prestação de serviço de atleta profissional e à cessão de direitos de imagem, nome e som de voz, utilizandose da pessoa jurídica RFG Ltda.; c) omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos em reais; d) omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e) falta de recolhimento do IRPF a título de Camê Leão. Relata a autoridade autuante que por ocasião do início da ação fiscal o recorrente foi intimado a apresentar diversos documentos referentes ao período 01/01/2002 a 31/12/2003, dentre os quais: comprovantes de rendimentos; extratos bancários de suas contas e comprovantes da origem dos recursos depositados; cópias dos contratos de compra e venda, das escrituras e dos registros de imóveis de todos os imóveis adquiridos ou vendidos; notas fiscais e/ou recibos de transferência dos veículos adquiridos e vendidos; cópia do Contrato Social e alterações da empresa RFG Ltda. Posteriormente, houve a intimação para apresentação das cópias de todos os contratos celebrados, referentes à utilização de sua imagem e som de voz, e todas as notas fiscais emitidas pela empresa RFG Ltda., no mesmo período. Com base na documentação reunida, o agente autuante constatou as seguintes infrações à legislação tributária, a seguir: a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido da pessoa jurídica; b) rendimentos omitidos, referentes, à prestação de serviço de atleta profissional, nos termos do contrato "Acerto entre as Partes" (fls. 509/510), foram recebidos da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo CELSP, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF (fl. 14), e; c) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em virtude de trabalho sem vínculo empregatício e de cessão de direitos Neste tópico a autoridade autuante relata que o autuado celebrou contrato relativo à prestação de serviço de atleta profissional e contratos de cessão de direitos de uso de imagem, nome e som de voz utilizandose de sua pessoa física (contrato com o "Sport Clube Ulbra") e da pessoa jurídica RFG Ltda., da qual é sócio (contrato com o Banco do Brasil e Unisul Esporte Clube). Informa que para todos os contratos foram emitidas notas fiscais da empresa RFG, procedimento este que no seu entendimento, tinha o claro objetivo de reduzir o pagamento de tributos. A autoridade lançadora, pela análise dos contratos e notas fiscais, concluiu pela tributação indevida de rendimentos da pessoa física na pessoa jurídica (deslocamento de base tributável). De início, o autuante aponta que o valor de R$ 5.500,00 mensal, previsto no contrato "Acerto entre as Partes" (fls. 509/510) com o "Sport Clube Ulbra" – Comunidade Fl. 760DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 4 Evangélica Luterana São Paulo, relativo à prestação de serviço de atleta profissional, foi indevidamente pago através da RFG (notas fiscais as folhas 485 a 488) quando do próprio contrato consta que o contratado é a pessoa física do autuado e que "o atleta receberá salários mensais de R$ 8.000,00"; da DIRF da empresa (fl. 14) consta apenas o pagamento à pessoa física no valor de R$ 2.500,00. No mais, discorre sobre os rendimentos decorrentes dos contratos celebrados com o Banco do Brasil S/A (fls. 505/508) e Unisul Esporte Clube (fls.511/513), referentes a cessão de direitos de uso de imagem, nome e som de voz, recebidos por meio da empresa RFG Ltda. Afirma que em tais contratos há a clara intenção de disfarçar o real contratado e responsável pela prestação dos serviços ou cessão de direitos com o objetivo de tributar de maneira mais favorecida os respectivos rendimentos. Afirma que tais rendimentos foram auferidos pela pessoa física do contribuinte, real sujeito passivo da obrigação tributária, tendo em vista tratarse de prestação individual de serviços ou recebimento de direitos autorais pela utilização de seu nome, imagem e som de voz. Nesse sentido aduz que tais contratos não podem modificar a definição legal do sujeito passivo. Traz como fundamento legal desse entendimento os artigos 3, § 4 da Lei n° 7.713/88, e 123 do Código Tributário Nacional CTN. Traz ainda ementas de acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Por fim, o autoridade lançadora afirma que o mesmo ocorre em relação aos rendimentos decorrentes da prestação de serviços de atleta profissional à empresa Koch Tavares e Eventos S/A, para os quais não foram apresentados e/ou celebrados contratos, mas que decorrem de participação do contribuinte em campeonatos de vôlei de praia, inclusive a premiação recebida pela colocação obtida no torneio. A autoridade autuante apurou ganho de capital no valor de R$ 220.000,00, decorrente da alienação de apartamento, aplicando a esta infração a multa de oficio qualificada face ao evidente intuito de fraude caracterizado pelo subfaturamento do valor de aquisição do imóvel na escritura e do valor de alienação, tanto na declaração de ajuste anual quanto na escritura. O recorrente, apesar de intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias; o recorrente foi intimado em 26/09/2006, através do Termo de Início de Fiscalização e Intimação fiscal, às folhas 38 e 39, e depois em 25/01/2007, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 028/17, à folha 542. Em Impugnação, traz algumas ponderações iniciais passando então a contestar o lançamento dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes de contratos referentes ao uso de imagem. No tópico quanto à natureza dos contratos considerados pelo Fisco como meio de recolher menores valores ao Fisco, o recorrente defende, em breve síntese, que o contrato de licença de uso de imagem é firmado entre uma empresa, que tem por objetivo a transação da exploração da imagem do jogador, e uma entidade de prática desportiva, ou ainda, à empresa a quem caberá a comercialização do atleta profissional. Que de acordo com "estrita aplicação da lei, o contrato de licença do uso de imagem é de caráter mercantil e por isso não integra a remuneração". Conclui, então, que como o pagamento ocorreu à pessoa jurídica titular do direito de imagem, não há se falar em Imposto de Renda Retido na Fonte. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 121 5 Ainda em defesa da opção pela tributação na pessoa jurídica RFG Ltda., a defesa faz considerações acerca das vantagens tributárias desta opção, explicando que esta decorre de planejamento tributário através do qual se busca, por meios legais, "obterse redução no pagamento de tributos"; nesse sentido comenta a distinção entre evasão e elisão fiscal. Por fim, insurgese ainda contra a desconsideração da personalidade jurídica argumentando que a autoridade fiscal "agiu sem amparo legal". Especificamente em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o recorrente argumenta que agiu com boafé durante o procedimento fiscal "sempre apresentando, seguramente, todos os documentos solicitados pelo Fisco". O crédito tributário constituído decorre de extratos bancários fornecidos à RFB pelo contribuinte, após intimação fiscal, sem necessidade de expedição de RMF. Defende que na aplicação das normas que estipulam sanções por infração a legislação tributária, a boafé pode ser invocada quando o contribuinte deixa de cumprir uma obrigação porque adotou conduta que supunha lícita, como é o caso dos autos. Em relação aos juros de mora e multa de oficio, argumenta que estes não poderiam incidir no valor lançado, uma vez que não houve máfé. Aduz que a multa somente pode ser imposta "no caso de declaração incorreta do tributo". Insiste, afirmando que "quando a descrição é correta e traz todos os elementos necessários a sua identificação, não se aplica a multa de oficio, desde que, como na hipótese vertente, não se constate o intuito doloso e a má fé". Por fim, no tópico, Quanto ao beneficio da dúvida, a defesa menciona e transcreve o artigo 112 do CTN e segue tratando da inconstitucionalidade da exigência da multa de oficio em face de seu caráter confiscatório. Não há impugnação quanto à multa aplicada isoladamente no valor de R$ 1.503,23 (fls. 589/590), pelo não pagamento via carnêleão de IRPF devido em 2002, e sobre o IRPF no valor de R$ 33.000,00 (fl. 591), referente ao ganho de capital ocorrido no ano de 2003. A decisão da DRJ julgou procedente a ação fiscal, sob os seguintes argumentos: a) impossibilidade da cessão dos direitos de imagem a pessoa jurídica, mormente para fins de deslocamento da base tributável; b) impossibilidade de tributação por pessoa jurídica, de serviços personalíssimos (prestação de serviços de atleta profissional); c) natureza de remuneração devida a pessoa física decorrente dos contratos firmados e dos valores recebidos pela RFG, da Koch Tavares e Sport Clube Ulbra; d) impossibilidade de tributação na pessoa jurídica de direitos de imagem com o Banco do Brasil e Unisul Esporte Clube, decorrentes de contrato de prestação de serviços cujas cláusulas impõem deveres em caráter pessoal do recorrente; e) improcedência da alegação de desconsideração da personalidade jurídica da RFG; f) procedência do lançamento com base em depósitos bancários, e; d) acerto na aplicação da multa de ofício de dos juros de mora. Em sede de Voluntário, o recorrente alega que a contratação de atletas profissionais por intermédio de pessoas jurídicas é prática corrente. Transcreve na íntegra e Fl. 762DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 6 adota como razões recursais voto vencido da DRJ pela improcedência da ação fiscal. Justifica parte dos depósitos bancários. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Conheço do recurso por tempestivo e por preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade. O recurso versa sobre as acusações de omissão de rendimentos decorrentes de valores recebidos por pessoa jurídica, tributáveis, por se tratarem de serviços prestados em caráter personalíssimo, na pessoa física do recorrente, e de depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme visto, não há litígio, por não impugnado, quanto à multa aplicada isoladamente no valor de R$ 1.503,23 (fls. 589/590), pelo não pagamento via carnêleão de IRPF devido em 2002, e sobre o IRPF no valor de R$ 33.000,00 (fl. 591), referente ao ganho de capital ocorrido no ano de 2003. De início, verifico preliminar de nulidade decorrente do lançamento realizado com base em depósitos bancários não comprovados. Apesar dos extratos bancários terem sido apresentados pelo recorrente sem necessidade de expedição de RMF, a possibilidade de aplicação de multa agravada, nos termos do artigo 959 do RIR e a inevitável quebra o sigilo com fulcro na LC n. 105/2001 e Decreto n. 3.724/2001, afasta qualquer discussão sobre eventual “espontaneidade” na entrega de informações protegidas pelo sigilo de dados. A entrega à autoridade fiscal após regular intimação, sem a expedição de RMF nada tem de espontâneo. Apenas adia a obtenção de tais informações pela RFB, através da expedição de RMF às instituições financeiras. Constatada a omissão de rendimentos foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Logo de início, verifico vício insanável na ação fiscal, de modo a tornar o lançamento ora sob julgamento, nulo, por vício material na colheita de provas. Explico e fundamento. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei n.º 9.430/95. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a Constituição aos enunciados legais relacionados, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para o acesso ao sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: Fl. 763DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 122 7 SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010). O Supremo Tribunal Federal, portanto, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaques meus, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídico dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 8 com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da “interpretação conforme” para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF já se pronunciou no mesmo sentido. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Não há se em falar em obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/95, através das informações obtidas junto às instituições financeiras por meio do acesso aos dados bancários sem prévia autorização judicial ou do(s) titular(es) das contas bancárias. Por fim, decisão do TRF da 3ª Região, tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 123 9 AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que parte do lançamento, constituído através da soma de depósitos bancários de origem não comprovada, não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido e interpretado pelo STF. Vencido quanto à preliminar de nulidade, passo à análise do mérito do recurso interposto, bem como ao julgamento da acusação de omissão de rendimentos recebidos pela pessoa física e oferecidos à tributação pela pessoa jurídica RFG. Entendo perfeitamente possível e legal que atletas, artistas e demais profissionais que prestam serviços em caráter personalíssimo possam se utilizar de pessoas jurídicas não empresariais (sociedades simples) para a execução destes, mormente após a entrada em vigor do art. 129, da Lei n° 11.196/2005, ao qual lhe reconheço caráter interpretativo. Negar a possibilidade de prestação de serviços em caráter pessoal por intermédio de pessoas jurídicas regularmente constituídas equivale a negar vigência aos enunciados do Código Civil que tratam das sociedades simples não empresariais, em evidente afronta aos princípios da livre iniciativa, liberdade de exercício de trabalho, ofício ou profissão e liberdade de associação (artigos 170, parágrafo único e artigo 5, incisos XIII e XVII, todos da CF/88). Nesse exato sentido, Alberto Xavier: Toda prestação de serviços – como trabalho que é (art. 594 do Código Civil), só pode ser realizada, por natureza, por pessoas físicas, sendo a pessoa jurídica um instrumento criado pelo Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 10 direito para a imputação a um novo sujeito de direito de certos direitos, especialmente patrimoniais. Se fosse considerado que o caráter pessoal (ou mesmo personalíssimo) da prestação de serviços é que não pode constituir objeto das pessoas jurídicas, cairseia no absurdo de recusar a existência de toda e qualquer sociedade de prestação de serviço, absurdo esse rejeitado pela realidade do mundo contemporâneo.(Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas – Aspectos Legais, Econômicos e Tributários, coordenadores Pedro Anan Jr. e Marcelo Magalhães Peixoto, MP Editora, 2008, p. 220). Entretanto, o presente litígio deve ser decidido sob outro prisma, qual seja, o da comprovação da efetiva existência da pessoa jurídica sociedade empresária RFG Ltda. e da prova do real exercício de sua atividade empresarial. Vale dizer, é de se verificar, de acordo com as provas juntadas ao processo, se há propósito negocial na criação e mantença da pessoa jurídica RFG Ltda., além de apenas suportar o recebimento de remuneração, patrocínios, direitos e imagem e participação em torneios da pessoa física do recorrente. É de constatar que a RFG Ltda. (nova razão social da pessoa jurídica “Carlão Promoções Ltda.), conforme seu Contrato Social, é pessoa jurídica de atividade “mercantil” (empresarial). É constituída pelo recorrente, detentor de 99% das quotas e pela sua esposa, Gilda Maria Lacombe Heilborn, detentora de 1%. Não há qualquer registro de empregados, bem como os endereços anteriores à última alteração eram todos residenciais. O primeiro ponto a ser levado em consideração é a impropriedade da adoção do tipo societário “empresarial” para a realização de atividade em caráter pessoal, mormente a cessão de direitos de imagem, recebimento de prêmios e patrocínios. A atividade empresarial a que se propõe a RFG Ltda., pressupõe a produção ordenada de bens e serviços (art. 966 do Código Civil)., em nenhum momento comprovada no curso do processo. O que se constata, pela prova dos autos, bem como pela argumentação adotada pela defesa, é a justificativa da necessidade da contratação por intermédio de pessoa jurídica, mesmo na hipótese de prestação de serviços de natureza personalíssima. Não se preocupa o recorrente em provar a existência de estrutura empresarial a amparálo na execução dos seus serviços, mormente pela contratação de empregados (treinadores, preparadores físicos, assessores de imprensa, etc.), comprovação de despesas necessárias à manutenção da sua atividade produtiva ou até mesmo fotos do estabelecimento empresarial. O que se vê é a utilização de pessoa jurídica desprovida de atividade e existência efetiva para canalizar rendimentos cuja tributação deveria ser atribuída à pessoa física do recorrente, em evidente desprezo da substância sobre a forma na interposição de pessoa jurídica para deslocar a base tributável de rendimentos originariamente tributáveis na pessoa física. Tal conduta, contrária à função social da pessoa jurídica, torna eventuais efeitos fiscais decorrentes de suas atividades formais, inoponíveis perante o fisco, e possibilitam a requalificação jurídica dos fatos pela autoridade lançadora, com base no poder de revisão do lançamento que lhe foi atribuído pelo artigo 149 do CTN. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 124 11 Nas palavras do exConselheiro deste E. Sodalício, Nelson Malmann: O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. (Acórdão n. 10421.675 da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, proferido na Sessão de 22.06.2006). Da análise das notas de serviços (fls. 494 e seguintes), verificase que os valores recebidos se referem a remuneração pela prestação de serviços realizados exclusivamente pelo recorrente (prêmios, direitos de imagem, participação em campeonatos, patrocínios, etc), sem qualquer interferência da alegada sociedade empresária da qual é sócio majoritário. Com efeito, bastaria que o recorrente comprovasse que a atividade por ele desenvolvida se utilizou de estrutura empresarial necessária à sua realização para afastar a acusação que lhe foi imposta. Pelo contrário, buscou ao longo de sua defesa apenas justificar a exigência feita pelos empregadores e demais contratantes, em pagar a remuneração devida pela atividade de atleta profissional desenvolvida mediante pessoa jurídica, sem nada provar a respeito da sua real existência. Portanto, não há dúvida de que se trata de prestação de serviços de natureza pessoal, prestados pelo próprio recorrente, sem qualquer estrutura empresarial de suporte, sendo certo que os rendimentos considerados omitidos e lançados via Auto de Infração guardam perfeitamente consonância com as disposições contidas na Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Conforme visto, durante o procedimento fiscal foi constatado que os rendimentos da pessoa física do recorrente não foram devidamente tributados e assim, deuse ao lançamento, exigindose o corresponde crédito. Nada mais ocorreu. Não houve a desconsideração da personalidade jurídica da RFG. Apenas entendeuse que os rendimentos, que originalmente foram oferecidos à tributação na pessoa jurídica RFG eram, em realidade, rendimentos do sócio majoritário da referida empresa e nessa condição foram levados à tributação no Auto de Infração. É a requalificação de fatos jurídicos a se operar apenas no plano da eficácia, sem alterar o plano da validade e existência da RFG Ltda., que para todos os demais efeitos jurídicos, permanece no ordenamento. Logo, não há se falar em desconsideração da personalidade jurídica da RFG, mas sim, em requalificação jurídica dos rendimentos originariamente oferecidos a tributação pela pessoa jurídica, mas decorrentes de esforço humano próprio e indissociável da pessoa física do recorrente. Foi o decidido pelo 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10420.915 em 11/08/2005: IRPF REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA Fl. 768DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 12 NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE São tributados como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que se lhes dê. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica não muda o efetivo contribuinte, que é definido em lei e com base na natureza dos rendimentos. Entretanto, é de se ver que apesar do acerto da fiscalização e da DRJ em requalificar juridicamente os rendimentos recebidos pela RFG Ltda., não levou em consideração os tributos pagos pela pessoa jurídica para fins de abatimento com os rendimentos tributáveis atribuídos ao recorrente. Logo, nesse ponto, dou provimento parcial ao recurso para ajustar a base de cálculo do crédito tributário exigido e abater os tributos federais recolhidos pela RFG do valor do IRPF. Nesse exato sentido, Ac. 220200.252, da 2ª. Turma da 2ª. Câmara desta E. 2ª Seção: IRPF – RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. Quanto à acusação de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, é de se ver, vencido quanto `preliminar de nulidade na colheita da prova, que apesar de nada comprovar em Impugnação, em Voluntário justifica parte dos rendimentos, mormente os decorrentes da venda de imóvel no valor de R$ 100.00,00 e do pagamento de prêmio do seguro de carro, no valor de R$ 48.725,00. Dada a prova feita em Voluntário, excluo tais depósitos da base de cálculo da autuação. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para excluir da base de cálculo os depósitos bancários de origem não comprovada, dada a ilicitude na colheita da prova. Vencido pelos meus pares no tocante a essa preliminar, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para excluir da base de cálculo os depósitos bancários comprovados, no valor de R$ valor de R$ 100.00,00 e R$ 48.722 (realizado em 29/1/2002), bem como para ajustar a base de cálculo do crédito tributário exigido e abater os tributos federais já recolhidos pela RFG Ltda. referentes aos rendimentos tributáveis pelo IRPF objeto do presente Auto. É o meu voto. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 125 13 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Com o devido respeito ao bem estruturado voto do Conselheiro Relator, tenho entendimento divergente em relação à preliminar de nulidade e, em parte, quanto ao mérito. Da preliminar de nulidade As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Por estas razões, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo Conselheiro Relator, decorrente da decisão no RE389.808/PR e da falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Do mérito O Relator entende que devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos bancários, no valor de R$ 100.00,00 e de R$48.722,00, bem como para ajustar a base de cálculo do crédito tributário exigido e abater os tributos federais já recolhidos pela RFG Ltda. referentes aos rendimentos tributáveis pelo IRPF objeto do presente Auto. Concordo que tenha sido comprovado documentalmente o recebimento pagamento de prêmio do seguro de carro. Adicionalmente, é notório que essa espécie de pagamento pelas Seguradoras é feita por cheque e que há despesas que são suportadas pelo segurado que justificam a diferença entre o valor do documento de transferência e o quanto foi depositado em sua conta. Com isso há verossimilhança nas suas alegações que justificam a exclusão do depósito de R$ 48.772,82, realizado em 29/01/2002. Por outro lado, quanto ao depósito de R$ 100.00,00, não identifico nos autos uma inconteste vinculação entre as alegações e documentos apresentados pelo recorrente, sendo forçoso reconhecer que não há comprovação individualizada acerca da origem do valor depositado, o que impede que seja excluído esse valor da autuação, pois uma vez intimado para Fl. 770DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 14 comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada, conforme assentado na jurisprudência desse conselho e disposto no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vejamos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 (...)IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos.Recurso parcialmente provido.(acórdão nº 10423276, de 2562008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 (...) Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.(...)Recurso voluntário parcialmente provido.(acórdão nº 10616977, de 2662008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Fl. 771DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001327/200790 Acórdão n.º 2802002.809 S2TE02 Fl. 126 15 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: (...)IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COTITULARIDADE NO ANO AUTUADO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CADA DEPÓSITO, INDIVIDUALIZADAMENTE Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. No tocante à presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. Ausente a comprovação de cotitularidade na conta de depósito, afastase as conseqüências dessa realidade. Recurso voluntário provido parcialmente.(acórdão nº 106 17092, de 8102008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 Ementa: (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Recurso negado (Acórdão 2802002.004, 2ª Turma Fl. 772DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 16 Especial, de 20/11/2012.Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Outro ponto de discordância em relação ao voto do relator diz respeito a utilização de valores pagos pela pessoa jurídica para reduzir o imposto apurado contra a pessoa física. Ressaltase que não se discorda da tese firmada em outros precedentes do CARF. A razão de não se admitir a exclusão dos referidos pagamento, neste caso, concreto é de ordem fática, pois (a) o recorrente não pede isto; (b) o ônus da prova é do recorrente, no entanto, não há comprovação nos autos de que o valor pago pela pessoa jurídica tenha por base os mesmos valores de receitas que estão sendo tributadas na pessoa física, ao contrário, a análise por amostra das receitas declaradas aponta divergências; (c) diferente dos precedentes apontados pelo Relator, neste autos não há exclusivamente uma reclassificação de rendimentos da pessoa jurídica para rendimentos da pessoa física, foi apurada uma omissão de rendimentos; (d) a pessoa jurídica apresentou declaração do Simples, o que envolve não só tributos federais. Não há base fática para aplicar a este caso concreto o precedente do CARF mencionado pelo Relator. Por fim, registro que este voto, alusivamente, ao mérito representa o voto de qualidade. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte e no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da infração depósitos bancários de origem não comprovada, o depósito de R$ 48.772,82, ocorrido em 29/01/2002. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 773DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003223/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRPJ - SALDO NEGATIVO - AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA - DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA.
Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial.
PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. ARTIGO 132, PARÁGRAFO 3º DO CÓDIGO CIVIL.
Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência.
SALDO NEGATIVO. RECOMPOSIÇÃO DIPJ. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Tendo sido comprovado que não houve excesso de custo dos produtos vendidos e que não existiram receitas tributáveis não oferecidas à tributação, mostra-se incorreta a diferença apurada pela fiscalização e adição de valores à base de cálculo do IRPJ, confirmando a apuração correta do IRPJ pela contribuinte e o saldo negativo do período.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Comprovada a existência do crédito, deve ser homologada a compensação.
Numero da decisão: 1402-001.385
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a argüição de decadência. Vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor nessa matéria. Por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de homologação tácita da Dcomp 33375.61737.300606.1.3.03-0233. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e homologar as compensações solicitadas
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinada digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, ALEXEI MACORIN VIVAN, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, CARLOS PELÁ
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 IRPJ - SALDO NEGATIVO - AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA - DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA. Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. ARTIGO 132, PARÁGRAFO 3º DO CÓDIGO CIVIL. Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. SALDO NEGATIVO. RECOMPOSIÇÃO DIPJ. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Tendo sido comprovado que não houve excesso de custo dos produtos vendidos e que não existiram receitas tributáveis não oferecidas à tributação, mostra-se incorreta a diferença apurada pela fiscalização e adição de valores à base de cálculo do IRPJ, confirmando a apuração correta do IRPJ pela contribuinte e o saldo negativo do período. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a existência do crédito, deve ser homologada a compensação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.003223/2007-38
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5340051
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.385
nome_arquivo_s : Decisao_10283003223200738.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 10283003223200738_5340051.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a argüição de decadência. Vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor nessa matéria. Por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de homologação tácita da Dcomp 33375.61737.300606.1.3.03-0233. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e homologar as compensações solicitadas (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, ALEXEI MACORIN VIVAN, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, CARLOS PELÁ
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5395964
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592443908096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.003223/200738 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.385 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2013 Matéria IRPJ Recorrente LG ELETRONICS DA AMAZONIA LTDA Recorrida 1ª Turma da DRJ/BEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IRPJ SALDO NEGATIVO AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. ARTIGO 132, PARÁGRAFO 3º DO CÓDIGO CIVIL. Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. SALDO NEGATIVO. RECOMPOSIÇÃO DIPJ. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Tendo sido comprovado que não houve excesso de custo dos produtos vendidos e que não existiram receitas tributáveis não oferecidas à tributação, mostrase incorreta a diferença apurada pela fiscalização e adição de valores à base de cálculo do IRPJ, confirmando a apuração correta do IRPJ pela contribuinte e o saldo negativo do período. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a existência do crédito, deve ser homologada a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 32 23 /2 00 7- 38 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 3 2 ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a argüição de decadência. Vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Alexei Macorin Vivan. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor nessa matéria. Por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de homologação tácita da Dcomp 33375.61737.300606.1.3.030233. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e homologar as compensações solicitadas (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, ALEXEI MACORIN VIVAN, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, CARLOS PELÁ Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP`s 08791.13499.150207.1.3.026129 (fls.4/7), 16527.06972.150206.1.3.028008 (fls.8/17) e 33375.61737.300606.1.3020233 (fls.18/21) em que a contribuinte indica crédito de saldo negativo IRPJ anocalendário 2005 no valor de R$ 6.854.639,46 para compensar débitos próprios de PIS e COFINS referentes aos meses de janeiro/2006, maio/2006 e janeiro/2007. Ainda, segundo consta das declarações de compensação, o crédito em questão seria constituído por IRRF, pagamentos de estimativa e estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. Visando a confirmação da correta apuração do saldo negativo IRPJ apurado na DIPJ/2006, anocalendário 2005, o processo foi encaminhado ao SEFIS/DRF/MNS via despacho de fl.63. No SEFIS foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos nº 0220100.2009.00657 e anexo datado de 06/08/2009 (fls.64/66). Em 14/01/2011 foi emitido o Termo de Encerramento de Diligência (fl.208). Conforme o Relatório de Ação Fiscal (fls.209/213), não houve a correta apuração do IRPJ para o anocalendário 2005, já que o confronto entre o balancete apresentado pela contribuinte e os valores constantes de sua DIPJ2006 resultaria em divergência na Ficha 4 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 4 3 A da DIPJ, referente a valores globais do custo de bens e serviços vendidos, e na Ficha 6A, referente à receita bruta. Foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades: 1) Há diferença a menor na “Receita” lançada na DIPJ no montante de R$ 6.151.011,36; 2) Há diferença a maior no “Custo dos Bens e Serviços Vendidos” no valor de R$ 129.993.645,48; Em função das diferenças supracitados foi efetuado novo “Cálculo de IRPJ” anual conforme tabela à fl.194, cujo resultado é de “IRPJ a Pagar” (R$ 11.287.298,63) em vez de “Saldo Negativo IRPJ” (R$ 965.720,49). Ato contínuo, por tais razões, por intermédio do Parecer SEORT/DRF/MNS nº 341 de 27/06/2011 e respectivo Despacho Decisório (fls.215/223), o direito creditório pleiteado pela contribuinte não foi reconhecido. No que se refere às compensações: 1. Aquelas efetuadas via PER/DCOMP 16527.06972.150206.1.3.028008 (fls.8/17) foram consideradas tacitamente homologadas em decorrência do transcurso do prazo previsto no §5º do art.74 da Lei 9.430/96; 2. Aquelas efetuadas via PER/DCOMP 08791.13499.150207.1.3.026129 (fls.4/7) e 33375.61737.300606.1.3020233 (fls.18/21) foram consideradas não homologadas em função da inexistência do crédito. Ciente do Parecer/Despacho Decisório em 30/06/2011 (fl.224), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.241/271), alegando, em síntese: 1) O decurso do prazo para a ocorrência da homologação do Per/DCOMP nº. 33375.61737.300606.1.3020233; 2) Decadência do direito do fisco revisar lançamentos referentes ao ano calendário 2005; 3) Decadência dos valores compensados, uma vez que decorreram 5 anos da ocorrência do fato gerador; 4) Impossibilidade de reconstituição da base de cálculo do IRPJ em sede de pedido de restituição/compensação; 5) Diferenças entre valores indicados na planilha e na DIPJ decorrem de meras alocações dos lançamentos contábeis nas fichas e linhas específicas da DIPJ, não tendo resultado no recolhimento a menor de imposto uma vez que o resultado líquido no período é idêntico em ambos. Encaminhados os autos para a 1ª Turma da DRJ/BEL, esta, por meio do acórdão 0124.156 (fls. 632/646), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 5 4 Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. RECOMPOSIÇÃO DIPJ. TRIBUTO DEVIDO SUPERIOR ÀS ANTECIPAÇÕES. CRÉDITO INEXISTENTE. Tendo sido comprovados o excesso de custo dos produtos vendidos e receitas tributáveis não oferecidas à tributação, a adição destes à base de cálculo da contribuição resultou na inexistência do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em resumo, as questões preliminares não foram acatadas pela DRJ, sob os seguintes argumentos: (i) tendo a transmissão do PER/DCOMP 33375.61737.300606.1.3020233 ocorrido em 30/06/2006, o prazo para homologação da compensação só teria se esgotado em 30/06/2011, data em que a Recorrente foi notificada do despacho decisório; e (ii) inexiste prazo fixado em lei para a análise do direito creditório apurado na DIPJ. No mérito, a DRJ entendeu que a contribuinte teria efetivamente informado em sua DIPJ 2006 supostos (i) numerários majorados a título de Custo dos Produtos Vendidos (CPV) e (ii) valores reduzidos no que se refere à receita bruta do período de apuração em questão. Em relação ao CPV entendeu a DRJ que os valores informados pela contribuinte estariam duplicados, uma vez que teriam sido lançados incorretamente nas linhas inerentes a Ficha 4A e Ficha 6A da DIPJ 2006, mantendo, assim, o lançamento que determinou a adição ao Lucro Real do período de 129.993.645,48. O mesmo raciocínio foi aplicado com relação aos valores supostamente reduzidos a título de receita bruta. Contudo, a DRJ reconheceu erro material no cálculo da fiscalização e reduziu a adição do Lucro real e a base de cálculo da CSLL do período para R$ 5.941.610,64. Assim, concluiu a DRJ (i) pela inexistência do crédito de saldo negativo IRPJ no anocalendário 2005, não homologando os PER/DCOMP’s em discussão; e (ii) pela existência de IRPJ a pagar, registrando, ainda, que este não poderá ser cobrado, em razão do transcurso do lapso de tempo previsto em lei (cinco anos) para o Fisco proceder ao lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 650/684), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É, o Relatório. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. A discussão está restrita a análise do direito creditório pleiteado nos PER/DCOMP`s 08791.13499.150207.1.3.026129 e 33375.61737.300606.1.3020233, já que a compensação declarada no PER/DCOMP 16527.06972.150206.1.3.028008 foi considerada, pelo Despacho Decisório (fls.215/223), como tacitamente homologada, em decorrência do transcurso do prazo previsto no §5º do art.74 da Lei 9.430/96. Decadência A discussão preliminar suscitada pela Recorrente nos autos é conhecida e se resume em saber se, no âmbito das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). No presente caso, o saldo negativo de IRPJ em discussão referese ao ano calendário 2005. Assim, considerando o fato gerador do IRPJ como sendo 31/12/2005, as autoridades fiscais deveriam ter auditado o lucro líquido da Recorrente até 31/12/2010. No entanto, apenas em 30/06/2011 (fl. 224) a Recorrente tomou ciência do primeiro despacho decisório (fls. 215/223) que deferiu parcialmente as compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ. Nesse contexto, consoante entendimento que já manifestei algumas vezes nesta Colenda Câmara, ultrapassado o prazo de 5 anos, seria espúria a retificação perpetrada pelo Fisco relativamente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005. Sobre o tema, cumpre esclarecer, primeiramente, que, a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo fiscal (ou saldo negativo) é apurado. Segundo, a redução no futuro do saldo de prejuízo fiscal (ou do saldo negativo de CSLL) referente a períodos passados e alcançados pela decadência equiparase a lançar valores naquele período e, por isso, não pode ser admitida. A esse respeito, converge a jurisprudência deste Conselho. Vejamos algumas decisões: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 7 6 LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...)Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 8 7 Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cua tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 9 8 Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 108 06.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 10 9 prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 11 10 Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Em virtude da íntima relação de interdependência entre períodos de apuração, eventual glosa realizada pelo fisco poderá refletir na composição das bases em anoscalendário anteriores já atingidos pela decadência, o que não pode ser admitido. Em que pesem as opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com compensação do saldo negativo ou do prejuízo fiscal e não com a sua apuração. Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela decadência e homologados tacitamente. A esse propósito, é necessário fazer constar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 40105.873), muito embora tenha decidido que entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. Reforçase com isso o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo, como aconteceu no caso concreto. Logo, uma vez que tais créditos não poderiam ser questionados face a decadência, há de ser confirmada a totalidade do crédito pleiteado pela Recorrente, com a consequente homologação das compensações efetuadas. Passo a analisar a segunda matéria preliminar e o mérito, considerando a hipótese de divergência, pela maioria presente, quanto à preliminar acima. Preliminar Homologação tácita do PER/DCOMP 33375.61737.300606.1.3020233. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 12 11 Sustenta a Recorrente que, caso se considere que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com compensação do saldo negativo e não com a sua apuração, ainda assim teria ocorrido a homologação tácita da compensação declarada no PER/DCOMP 33375.61737.300606.1.3020233. Isso porque a PER/DCOMP foi transmitida em 30/06/2006 e a Recorrente só foi intimada do despacho decisório que não homologou referida compensação em 30/06/2011 (fl. 224), quando já decorrido o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada (art. 74 da Lei nº. 9430/96). Não merece razão o apelo da Recorrente. Sobre o tema da contagem dos prazos, aplicase o disposto no artigo 132, parágrafo 3º do Código Civil. Vejamos: Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. ... § 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Assim, verificase que a fiscalização tinha até o dia 30/06/2011 para apreciar a compensação formalizada pela Recorrente e notificála, o que, de fato, ocorreu. Portanto, não foi homologada tacitamente a compensação declarada no PER/DCOMP 33375.61737.300606.1.3020233. Do mérito Da Suposta Majoração do Custo dos Produtos vendidos A Recorrente esclarece que as supostas divergências apontadas pela fiscalização em relação ao CPV resultam da indicação dos valores considerados nos documentos contábeis como formadores do custo em outra ficha da DIPJ 2006, conforme instruções do MAJUR 2005. Sustenta que a fiscalização analisou apenas a Ficha 04A – “Custo dos bens e serviços vendidos – PJ em geral” da DIPJ 2006 e encontrou um custo no valor de R$ 1.112.921.583,44. Comparando esse custo com o oriundo da contabilidade da Recorrente, a fiscalização encontrou a suposta divergência de R$ 129.993.645,48, já que o valor do custo disposto nesses documentos é de R$ 982.927.937,96 (contas 45000000 a 45210130 do balanço da recorrente de 31/12/2005). Assim, afirma que a fiscalização não analisou as informações constantes da ficha 6A – “Demonstração do resultado – PJ em geral” da DIPJ 2006, em que os lançamentos realizados pela Recorrente terminam por: (a) aumentar a receita tributável, e (b) reduzir o valor do custo apontado na DIPJ em montante total exato de R$ 129.993.645,48, anulandose a suposta diferença apontada pela fiscalização. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 13 12 Com efeito, a fiscalização teria entendido que houve a majoração indevida do custo porque não levou em consideração o redutor de custo/despesa da Ficha 6A. As alegações da Recorrente mostramse procedentes. O fato de o resultado encontrado na DIPJ 2006 e na contabilidade da Recorrente serem iguais, no valor de R$ 79.299.963,56, já demonstra que não houve utilização em duplicidade de valores e majoração no custo. A Recorrente apresenta planilha que demonstra a origem dos valores que compõe a diferença apurada (fl. 672), cujos principais componentes são: ICMS, Reversão no saldo de provisões operacionais, PIS, COFINS e Participações de empregados nos lucros e resultados (PLR). Analisando os documentos apresentados pela Recorrente, a DIPJ 2006 e os lançamentos contábeis, está muito claro que na contabilidade da Recorrente tais componentes foram considerados na formação do custo (CPV), enquanto que na DIPJ foram retirados dessa composição, conforme determinações e especificações das normas que vigiam à época (Majur 2005). Verificase, conforme pontuado pela Recorrente, que os valores relacionados ao ICMS constaram na contabilidade como formadores do custo e na DIPJ como redutores de despesa (Linha 12 Ficha 6 A), gerando exatamente o mesmo efeito no lucro tributável do ano calendário de 2005. Por sua vez, as reversões dos saldos de provisões operacionais, embora tenham sido lançadas como redutoras do CPV na contabilidade, foram lançadas na DIPJ como receitas (Linha 29 Ficha 6 A), aumentando o lucro do período e gerando um efeito neutro na apuração do lucro contábil/societário. Por fim, quanto aos valores de PIS, COFINS e PLR pago aos empregados da Recorrente, tais constaram na contabilidade como formadores do CPV e na DIPJ como redutores de despesa (Linha 13, 14 e 48 da Ficha 6 A), gerando exatamente o mesmo efeito no lucro tributável do anocalendário de 2005. Com efeito, por meio da análise das Fichas 4, 5 e 6 da DIPJ 2006 está claro que não ocorreu a suposta majoração indevida do CPV. Suposta Redução da Receita Bruta do Período Sobre esse ponto, sustenta a fiscalização, que a Recorrente teria supostamente informado uma receita bruta a menor na DIPJ 2006 , uma vez que seu balancete apresentaria um valor superior de R$ 1.698.320.930,47, informados na Ficha 6 A da DIPJ (linhas 5 a 8), referentes a receita de exportação não incentivada de produtos, de venda no mercado interno de mercadorias de fabricação própria, de revenda de mercadorias e de prestação de serviços. A diferença encontrada, no total de R$ 6.151.011,36, considerou apenas os valores contábeis lançados a crédito e, por essa razão, a decisão recorrida reconheceu o equívoco e considerou todos os lançamentos (a crédito e a débito), concluindo pela suposta redução da receita bruta oferecida à tributação no valor de R$ 5.941.610,64. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 14 13 Contudo, também aqui as afirmações fiscais não merecem prosperar, já que a suposta diferença também é resultante da divergência no modo de apresentação das informações na contabilidade e na DIPJ 2006, o que também se comprova pela identidade entre o lucro contábil/societário informado nos documentos. A Recorrente apresenta planilha que demonstra a origem dos valores que compõe a diferença apurada (fl. 680). Tomando como exemplo o caso do IPI incidente na revenda de mercadorias importadas, é possível verificar que tais valores constaram na contabilidade como formadores da receita bruta e na DIPJ 2006 (Linha 7, Ficha 06) não, conforme instruções do Majur 2005, uma vez que o valor do IPI é repassado ao adquirente, não integrando o preço da mercadoria. O mesmo aconteceu com as receitas de exportação que por força das disposições do Majur 2005 foram informadas na Linha 5 da Ficha 06. Diante disso, podemos concluir que os valores indicados pela fiscalização não foram suprimidos da receita bruta do período, tendo sido apenas informados em linhas diferentes da DIPJ, sendo certo que a realocação de tais valores, conforme normas vigentes à época, não resultou na redução do lucro tributável do anocalendário de 2005. Finalmente, confirmandose a correta apuração do IRPJ, deve ser reconhecido o saldo negativo do anocalendário de 2005 e homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP’s 08791.13499.150207.1.3.026129 e 33375.61737.300606.1.3020233. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de (i) dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência do direito do fisco efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ relativa a período passado já atingido pela decadência (anocalendário 2005); ou, caso vencido no item anterior, (ii) dar parcial provimento ao recurso voluntário para, preliminarmente, não reconhecer a homologação tácita da compensação declarada no PER/DCOMP 33375.61737.300606.1.3020233 e, no mérito, homologar as compensações declaradas nos PER/DCOMP’s 08791.13499.150207.1.3.026129 e 33375.61737.300606.1.3020233. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado. Com a devida vênia, divirjo do i. Cons. Relator exclusivamente quanto à decadência do direito de o fisco efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ relativa a período passado (anocalendário 2005). É assente que o decurso do prazo decadencial impede a formalização do lançamento para constituição de crédito tributário, mas a verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício. Deve ser feita, também, no âmbito da análise, dentre outras hipóteses, de prejuízos fiscais/bases negativas de períodos anteriores, utilizado pelo sujeito passivo para reduzir lucro real e base de cálculo negativa de períodos posteriores, como é o caso em análise. Entendo que, quando constatadas ocorrências que reduzem os saldos de prejuízos/bases negativas de anos anteriores, cabe ao Fisco retificar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais retificações em compensações efetuadas nos períodos subseqüentes, ajustar o saldo porventura existente e, por conseqüência, ajustar o valor devido a título de IRPJ e CSLL nos períodos em que utilizado referido saldo. A decadência, por seu turno, consiste no perecimento de um direito, não exercitado, durante certo lapso de tempo. É prevista no Direito Tributário para encerrar o poderdever da Administração de formalizar o crédito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. A atividade de lançamento, por sua vez, é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o “procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; determinar a matéria tributável; calcular o montante do tributo devido; identificar o sujeito passivo, e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Assim, há que se concluir que a decadência é específica de um determinado fato gerador, trazendo como conseqüência para o Fisco, e unicamente isto, a perda da oportunidade de formalizar a correspondente exigência, tendo em vista o término do prazo estabelecido pela legislação. Isso porque, conforme dispõe o art. 173 do CTN, o que se extingue é “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário”, permanecendo inalterados os demais poderes conferidos ao Fisco, como, por exemplo, as prerrogativas para verificar as declarações entregues pelo sujeito passivo, bem como a correção de sua escrita contábil e fiscal, em relação a ocorrências que, por sua natureza, devem afetar fatos geradores futuros (prejuízos fiscais, lucro inflacionário, saldos negativos compensáveis, etc). Nesse sentido, constatando a fiscalização que o contribuinte indicou prejuízo/base de cálculo negativa de CSLL em valor superior ao apurado e utilizou tal saldo para extinguir obrigações tributárias posteriores, não poderá o Fisco lançar a diferença apurada se o fato gerador o lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 16 15 Fisco, considerando os efeitos decorrentes da correção do saldo de prejuízo/base negativa de CSLL sobre os períodos posteriores, formalizar exigência em relação a períodos não decaídos em que utilizados saldos inexistentes conforme o ajuste realizado de ofício. Em outras palavras, não há prazo decadencial para a verificação de prejuízos/base de cálculo negativa de CSLL quando utilizados para compensação em períodos posteriores. Acerca da questão já se manifestou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ao tratar da possibilidade de rever bases de cálculo negativas de períodos anteriores que interferem em saldos negativos objeto de pedido de restituição/declaração de compensação, a exemplo do acórdão cuja ementa enuncia: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem os órgãos julgadores tomar conhecimento de matéria atinente à suspensão da exigibilidade de débitos por ser matéria de execução, portanto, estranha à lide. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Publicado no D.O.U. nº 226 de 20/11/2008. 10323579 Sessão de 18/09/2008. Assim, injustificáveis se mostram as objeções da Recorrente em relação à possibilidade de análise de saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores utilizados no ano calendário objeto do procedimento fiscal. Pelo exposto, Voto por rejeitar a argüição de decadência suscitada no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10283.003223/200738 Acórdão n.º 1402001.385 S1C4T2 Fl. 17 16 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911397/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.911397/2012-81
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330465
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.339
nome_arquivo_s : Decisao_10920911397201281.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10920911397201281_5330465.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5334316
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592450199552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 48 1 47 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.911397/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.339 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente SUPERMERCADO FERNANDES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 97 /2 01 2- 81 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 280,62, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/12/2003. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911397/201281 Acórdão n.º 3803005.339 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911397/201281 Acórdão n.º 3803005.339 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911397/201281 Acórdão n.º 3803005.339 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000994/2007-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Explicitados no Auto de Infração, o motivo da autuação, as disposições consideradas infringidas, e, havendo o contribuinte, em sua defesa, descrito os fatos relativos a autuação, não há falar de nulidade por falta de motivação ou por cerceamento de defesa, mormente se de tudo foi a contribuinte regularmente cientificada e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1802-002.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Explicitados no Auto de Infração, o motivo da autuação, as disposições consideradas infringidas, e, havendo o contribuinte, em sua defesa, descrito os fatos relativos a autuação, não há falar de nulidade por falta de motivação ou por cerceamento de defesa, mormente se de tudo foi a contribuinte regularmente cientificada e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.000994/2007-71
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347061
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.177
nome_arquivo_s : Decisao_19647000994200771.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 19647000994200771_5347061.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5448786
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592453345280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.000994/200771 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.177 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria Obrigação acessória Multa DCTF Recorrente BANDEIRANTE AGRICULTURA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Explicitados no Auto de Infração, o motivo da autuação, as disposições consideradas infringidas, e, havendo o contribuinte, em sua defesa, descrito os fatos relativos a autuação, não há falar de nulidade por falta de motivação ou por cerceamento de defesa, mormente se de tudo foi a contribuinte regularmente cientificada e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 09 94 /2 00 7- 71 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.51) que a seguir transcrevo: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado o Auto de Infração, à fl. 14 para cobrança da multa por atraso na entrega da DCTF, referente ao I o ao 4 o trimestre de 2004, no valor total de R$ 800,00. Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 01 a 13 alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente requer a nulidade do autos de infração do presente processo por cerceamento do direito de defesa. Afirma que o ato deve ter os fundamentos necessários para proporcionar a defesa da empresa. Em seguida a contribuinte afirma que a multa aplicada ofende os preceitos constitucionais, principalmente os princípios do não confisco, da capacidade contributiva e da razoabilidade. Das fls. 05 a 12, a empresa tenta demonstra que a multa aplicada tem efeito confiscatório. Finaliza requerendo a procedência de sua impugnação. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Recife/PE) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1132.219, de 07 de dezembro de 2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa : Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. Tendo a contribuinte descrito, em sua impugnação, os fatos relativos a autuação, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Ilegalidade das Leis e dos Atos Normativos Tributários Observância do Entendimento da SRF. A discussão sobre legalidade das leis e dos atos normativos tributários é matéria reservada ao Poder Judiciário. À autoridade administrativa compete constituir o crédito tributário Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.000994/200771 Acórdão n.º 1802002.177 S1TE02 Fl. 3 3 pelo lançamento, sendo este vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional, enquanto o julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos tributários. A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 07/05/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/05/2012. A Recorrente, no essencial, traz em sede recursal os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Insiste que houve cerceamento da defesa quando da autuação, tendo em vista a falta de motivação do ato administrativo proferido pela Receita Federal e também alega o caráter confiscatório da multa em cobrança, uma vez que o confisco é uma hipótese expressamente vedada pela Constituição pátria. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário reconhecendo a nulidade material ou, subsidiariamente, a improcedência dos Autos de Infração em comento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente às multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas aos quatro (04) trimestres de 2004 (1º, 2º, 3º e 4º), de que trata o Auto de Infração, fl.14, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 800,00 (multa mínima de R$ 200,00 por cada DCTF trimestral com atraso). Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 14/5/2004, 13/8/2004, 12/11/2004 e 18/2/2005, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 20/12/2005. Preliminarmente, a Recorrente alega que houve cerceamento da defesa quando da autuação, tendo em vista a falta de motivação do ato administrativo proferido pela Receita Federal. A Recorrente alega que: no próprio corpo do Auto de Infração ora fustigado não consta qualquer fundamentação plausível capaz de estribar a autuação, uma vez que a autoridade administrativa tributária limitouse, tão somente, a informar que a ora RECORRENTE havia supostamente entregue, fora do prazo, as DCTF's. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 o ente tributante federal, quando do momento da lavratura do Auto, suprimiu possível demonstração da irregularidade inserta no referido AI, descrevendo, de forma bastante nebulosa e imprecisa, a contestável autuação. sem um demonstrativo claro da evolução do suposto débito, apontandose para tanto as operações que suscitaram a suposta autuação, retirouse da RECORRENTE qualquer elemento capaz de ilidir a presunção de que goza o crédito em questão. no bojo do AI vergastado, não há quaisquer elementos probantes do alegado pelo fiscal fazendário. Em outras palavras, no Auto consta apenas a indicação de que supostamente a RECORRENTE não apresentou as aludidas DCTF's nas datas aprazadas. Não há subsídio algum capaz de ensejar uma autuação plausível. Nenhum documento fora juntado capaz de supedanear o Auto de Infração em fustigo. a conduta verificada visa única e exclusivamente a suprimir a possibilidade de defesa da ora RECORRENTE, o que, apesar de agredir frontalmente a Constituição Federal, teoricamente minimizaria a chance de comprovação de equívoco na autuação. desprovida de tal fundamentação, que teria embasado os critérios e parâmetros empregados pela autoridade fazendária, ficou inviabilizada a dedução de uma defesa competente por parte da RECORRENTE, haja vista não possuir elementos suficientes para se insurgir contra o montante cobrado. Neste passo, o eventual não acolhimento do pedido de nulidade do referido Auto de Infração, por ausência de elementos legalmente exigidos, favoreceria justamente aquele que se omitiu. A alegação de cerceamento ao direito é insubsistente. Compulsandose os autos, constatase que todos os requisitos previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração, a saber: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente,no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do mesmo diploma legal mencionado acima: Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.000994/200771 Acórdão n.º 1802002.177 S1TE02 Fl. 4 5 II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos de nulidade. Ao contrário do alegado pela Recorrente, constatase que foi explicitado no auto de infração (fl.14) o motivo da autuação, as disposições consideradas infringidas e a penalidade aplicável. Portanto, não há falar de nulidade por falta de motivação ou por cerceamento de defesa, mormente se de tudo foi a contribuinte regularmente cientificada e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. O Auto de Infração (fl.14) é de clareza meridiana, pois apresenta demonstrativo onde revela a infração “Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos a Créditos Tributários Federais – 2004”, o trimestre a que se refere a DCTF, o prazo final para a entrega tempestiva da DCTF, a data em que fora entregue a DCTF e o número de meses/fração correspondente aos atrasos das DCTFs apresentadas pelo contribuinte e o montante de cada multa mínima aplicada. Destarte, incorre em falácia dizer que a autoridade fiscal retirou da RECORRENTE qualquer elemento capaz de ilidir a presunção de que goza o crédito em questão, pois, cabe ao contribuinte apenas comprovar que apresentou tempestivamente as DCTFs objeto do auto de infração ou que não estava sujeita à entrega das DCTFs e o fez por equívoco. À míngua de tal comprovação deve ser mantida a autuação. Como visto no tópico “BREVE SÍNTESE DA AUTUAÇÃO”, no recurso voluntário, a autuada revela pleno conhecimento da acusação que lhe foi imputada ao descrever os fatos relativos a autuação, razão pela qual descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal. Preliminar rejeitada. Com efeito, a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada no Auto de Infração, fl.14, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que assim dispõe: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o tarmontante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.000994/200771 Acórdão n.º 1802002.177 S1TE02 Fl. 5 7 ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 14/5/2004, 13/8/2004, 12/11/2004 e 18/2/2005, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 20/12/2005, portanto, cabível a multa por atraso na entrega, relativa aos meses/fração, porém, aplicada a multa mínima de R$ 200,00 para cada DCTF entregue com atraso, num total de R$ 800,00. O atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo), a teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, porém, respeitado o percentual máximo de 20%, e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos. Estando o crédito tributário (multa mínima) legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. No que tange ao alegado caráter confiscatório da multa, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Diante do exposto, voto no sentido afastar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003393/2010-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO À DEMONSTRAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APÓS OS AJUSTES APONTADOS NO PRÓPRIO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS.
A omissão no acórdão que não permite a compreensão sobre como se chegou à conclusão de que, após as retificações contidas na decisão, inexiste Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no ano-calendário 2007, justifica o acolhimento dos embargos para que tal demonstração conste dos autos. A celeridade processual legitima o cálculo no próprio acórdão sem necessidade de atribuir à Receita Federal essa atribuição. Demonstrado que inexiste saldo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o acolhimento dos embargos não tem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado.
Embargos acolhidos em parte, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado.
Numero da decisão: 2802-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à demonstração da inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no ano-calendário 2007, sem efeito modificativo sobre o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO À DEMONSTRAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APÓS OS AJUSTES APONTADOS NO PRÓPRIO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. A omissão no acórdão que não permite a compreensão sobre como se chegou à conclusão de que, após as retificações contidas na decisão, inexiste Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no ano-calendário 2007, justifica o acolhimento dos embargos para que tal demonstração conste dos autos. A celeridade processual legitima o cálculo no próprio acórdão sem necessidade de atribuir à Receita Federal essa atribuição. Demonstrado que inexiste saldo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o acolhimento dos embargos não tem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado. Embargos acolhidos em parte, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.003393/2010-16
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5334615
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.695
nome_arquivo_s : Decisao_10950003393201016.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10950003393201016_5334615.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à demonstração da inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no ano-calendário 2007, sem efeito modificativo sobre o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5370879
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592468025344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 975 1 974 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003393/201016 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2802002.695 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARCOS LOURENCO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO À DEMONSTRAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APÓS OS AJUSTES APONTADOS NO PRÓPRIO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. A omissão no acórdão que não permite a compreensão sobre como se chegou à conclusão de que, após as retificações contidas na decisão, inexiste Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007, justifica o acolhimento dos embargos para que tal demonstração conste dos autos. A celeridade processual legitima o cálculo no próprio acórdão sem necessidade de atribuir à Receita Federal essa atribuição. Demonstrado que inexiste saldo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o acolhimento dos embargos não tem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado. Embargos acolhidos em parte, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à demonstração da inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007, sem efeito modificativo sobre o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 33 93 /2 01 0- 16 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em face do Acórdão 2802 002.568, de 16/10/2013 (fls. 953/969), cuja parte dispositiva é: “DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a infração Acréscimo Patrimonial a Descoberto e a respectiva multa qualificada, referentes ao anocalendário 2007, nos termos do voto do relator.” A Fazenda argumenta que o acórdão embargado decidiu que o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007, continha impropriedades: (1) o rendimento declarado foi computado a menor: R$ 1.000,00 ao mês, em vez de R$ 1.300,00 ao mês, (2) não foram incluídos nos rendimentos do contribuinte as alugueis recebidos e não declarados e (3) também não foram incluídos os depósitos bancários de origem não comprovada (os dois últimos também foram objeto do presente lançamento de IRPF). A embargante ressalta que o acórdão concluiu que “Refeita a apuração nestes moldes deixa de existir o Acréscimo Patrimonial a Descoberto no ano de 2007”. A multa qualificada foi excluída, neste anocalendário, porque se trata “de uma exação acessória, cuja principal é a omissão de rendimentos decorrente do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Excluída a infração principal, a exação acessória segue a mesma sorte.” A Fazenda Nacional descreve os valores de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial (fls. 431), e sustenta que após subtrair (1) R$300,00 mensais (renda declarada a menor); (2) R$324,67 (aluguéis recebidos mensalmente e (3) depósitos de origem não comprovada, ainda permanecerá saldo em aberto, o que torna inadequada a conclusão do julgado no sentido de que inexiste Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A embargante propõe a retificação do acórdão a fim de que conste determinação de que, transitando em julgado a matéria nestes termos, a autoridade executora deve realizar o Demonstrativo de Evolução Patrimonial mês a mês, de modo que possa definir o valor remanescente a título de APD após as subtrações. O acórdão embargado (numeração digital n. 966) considerou que deveriam ser computadas como receitas (origens de recursos) os seguintes valores: (a) da diferença dos rendimentos de pessoas físicas (R$300,00 mensais); (b) rendimentos de pessoas jurídicas declarados (valor anual de R$13.040,00; fls. 11); (c) rendimentos de aluguéis lançados de ofício (R$324,67, mensalmente); e Fl. 978DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.003393/201016 Acórdão n.º 2802002.695 S2TE02 Fl. 976 3 (d) receitas dos depósitos bancários. Os embargos foram submetidos à deliberação da 2ª Turma Especial, como meio próprio para aperfeiçoamento da prestação jurisdicional, levando em conta que não constou do acórdão embargados como se chegou à conclusão de que, após as retificações acima, inexiste Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007, embora a embargante não tenha levado em conta o item “b” acima. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Os embargos são tempestivos e há uma omissão no acórdão que não permite a compreensão sobre como se chegou à conclusão de que, após as retificações contidas na decisão, inexiste Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007. A embargante buscou demonstrar que existiria um saldo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, mas não o apontou objetivamente, além de não ter levado em conta dois pontos: 1º) a decisão embargada determinou que os rendimentos de pessoas jurídicas declarados às fls. 11, cujo valor anual é de R$13.040,00, também deveriam ser incluídos como origens de recursos; 2º) não demonstrou ter levado em consideração que o saldo de um mês é aproveitado no mês seguinte, dentro do mesmo anocalendário (este segundo tópico é de grande relevância para o deslinde conforme quadro adiante). O devido processo legal exige que seja demonstrado como se chegou à conclusão de que não restará saldo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, razão para acolhimento parcial dos embargos. Passase a sanar a omissão em questão. O ponto central da decisão é que o Demonstrativo de fls. 431 deve ser refeito por meio da adição, como origens de recursos, dos itens apontados no acórdão embargado (numeração digital n. 966): a) da diferença dos rendimentos de pessoas físicas (R$300,00 mensais); b) rendimentos de pessoas jurídicas declarados (valor anual de R$13.040,00; fls. 11 – Speed Transportes Ltda e Uni loterias Ltda); c) rendimentos de aluguéis lançados de ofício (R$324,67, mensalmente); e d) receitas dos depósitos bancários. Anotase que o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, como forma de arbitramento, deve adotar fórmula menos gravosa ao contribuinte, assim, não havendo nos Fl. 979DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 autos a discriminação mensal dos valores declarados como recebidos das pessoas jurídicas Speed Transportes Ltda e Uni loterias Ltda, tais rendimentos computamse no mês de janeiro. A feitura do cálculo no próprio acórdão, sem a necessidade de atribuir à Unidade da Receita Federal essa providência, como sugerido pela embargante, legitimase pelo princípio da celeridade processual. A etapa seguinte é o refazimento do Demonstrativo de fls. 431, conforme mandamentos do acórdão embargado, destacados em negrito abaixo. Recurso/origens Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Saldo em 31/12/2005 cônjuge Antonieta 3.730,95 Recursos mês anterior 54.421,49 76.591,16 46.618,28 79.804,95 106.502,62 Rendimentos tributáveis pessoa física 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Data 02, quadra 12 CianortePR 16.000,00 Data 18, Quadra 140 CianortePR 35.000,00 Rendimentos trib. Pessoa física cônjuge 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 diferença de rendimentos 300,00 300,00 300,00 300,00 300,00 300,00 aluguéis 324,67 324,67 324,67 324,67 324,67 324,67 Depósitos bancários 18.525,87 19.045,00 16.902,45 20.062,00 48.573,00 16.000,34 Rendimentos de PJ declarados 13.040,00 Total dos recursos 54.421,49 76.591,16 96.618,28 104.804,95 131.502,62 125.627,63 Dispêndios/aplicações Aquisição da empresa Reis e Bagatin Ltda 50.000,00 25.000,00 25.000,00 25.000,00 Total dos dispêndios/aplicações 50.000,00 25.000,00 25.000,00 25.000,00 Recursos acumulados até o mês 54.421,49 76.591,16 46.618,28 79.804,95 106.502,62 100.627,63 Variação Patrimonial a Descoberto Recurso/origens Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Saldo em 31/12/2005 cônjuge Antonieta Recursos mês anterior 100.627,63 99.576,34 60.701,01 74.435,83 89.123,50 99.042,23 Rendimentos tributáveis pessoa física 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Data 02, quadra 12 CianortePR Data 18, Quadra 140 CianortePR Rendimentos trib. Pessoa física cônjuge 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 diferença de rendimentos 300,00 300,00 300,00 300,00 300,00 300,00 aluguéis 324,67 324,67 324,67 324,67 324,67 324,67 Depósitos bancários 20.824,04 8.000,00 10.610,15 11.563,00 6.794,06 Rendimentos de PJ declarados Total dos recursos 124.576,34 110.701,01 74.435,83 89.123,50 99.042,23 102.166,90 Dispêndios/aplicações Aquisição da empresa Reis e Bagatin Ltda 25.000,00 50.000,00 Total dos dispêndios/aplicações 25.000,00 50.000,00 Recursos acumulados até o mês 99.576,34 60.701,01 74.435,83 89.123,50 99.042,23 102.166,90 Variação Patrimonial a Descoberto Fl. 980DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.003393/201016 Acórdão n.º 2802002.695 S2TE02 Fl. 977 5 O acolhimento dos embargos para sanar a omissão no tocante à fundamentação que levou a concluir que não resta Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007, não acarreta alteração na parte dispositiva do acórdão. Diante do exposto, devese ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração para sanar a omissão quanto à demonstração da inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário 2007, sem efeito modificativo sobre o acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 981DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000898/2010-30
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA
A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 28/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros. Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa: MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.000898/2010-30
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5342938
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.725
nome_arquivo_s : Decisao_15586000898201030.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 15586000898201030_5342938.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 28/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros. Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5413965
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592491094016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 494 1 493 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000898/201030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.725 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ADAUTO JOSÉ BOLSANELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 28/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros. Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 98 /2 01 0- 30 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, devido omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, conforme Termo de Verificação de Infração em anexo. valor: R$ 115.263,42,. 379/381, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, em decorrência de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, apurada conforme Termo de Verificação de Infração em anexo. Valor da Multa: R$ 8.919,15. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 0342.468, de 31 de março de 2011, que se encontra às fls. 94/102, cuja ementa é a seguinte ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carnêleão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício, visto se tratarem de infrações distintas. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciência da decisão em 19/03/2012. Recurso voluntário interposto em 13/04/2012. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15586.000898/201030 Acórdão n.º 2802002.725 S2TE02 Fl. 495 3 Na peça recursal, em resumo, sustentase: 1. . a impossibilidade de exigência de multa isolada após encerramento do anocalendário e concomitantemente com a de ofício; cita precedentes deste Conselho; É o relatório. Voto Conselheiro Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. No voluntário o recorrente só contesta a aplicação concomitante das multas de ofício e isolada . Entende o interessado que somente deve ser aplicada a multa de ofício que inclusive já foi paga. Assim, voto pela manutenção da multa isolada, posto que está em discussão o anocalendário 2007, sob a vigência da Medida provisória 351/2007 e posteriormente Lei 11.488/2007 (fruto da conversão da referida medida provisória). Adoto como fundamentação as razões de decidir constantes do acórdão nº 2202002.435 de 17 de setembro de 2013, do ilustre conselheiro Antonio Lopo Martinez, ao qual peço vênia para transcrevêlo abaixo: A Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, instituindo a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão.O Art. 44 passou a ter, então, a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...]§ 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Como se vê, diferentemente do que se tinha antes, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 passou a prever as duas penalidade: a primeira, de 75%, no caso de falta de pagamento ou pagamento a menor de imposto; a segunda, de 50%, pela falta de pagamento do carnê leão. Assim, a ressalva antes existente à aplicação simultânea das duas penalidades deixou de existir.Aliás, a questão nunca foi a impossibilidade jurídica de incidência concomitante de duas penalidades, mas a falta de previsão legal de incidência das duas multas, calculadas sobre a mesma base. Pois bem, a Lei nº 11.488, de 2007, criou esta previsão legal. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15586.000898/201030 Acórdão n.º 2802002.725 S2TE02 Fl. 496 5 Assim, em conclusão, entendo devida a multa isolada, para os anos calendário de 2007 e 2008, independentemente da aplicação da multa pela falta de recolhimento do imposto devido quando do ajuste anual. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720159/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13864.720159/2011-97
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5339632
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-000.167
nome_arquivo_s : Decisao_13864720159201197.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 13864720159201197_5339632.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5394092
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046592511016960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.686 1 1.685 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720159/201197 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1301000.167 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 06 de novembro de 2013 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrentes FAZENDA NACIONAL EMBRAER S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .7 20 15 9/ 20 11 -9 7 Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.687 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e JUROS ISOLADOS, relativas ao anocalendário de 2006. Por bem descrever os fatos apurados pela Fiscalização e os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte por meio de peça impugnatória, reproduzo fragmentos do relatório contido na decisão exarada em primeira instância. Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS/DRF/São José dos Campos SP, amparado inicialmente pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência (MPFD) nº 08.1.20.002010000490, posteriormente convertido no Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPF) nº 08.1.20.002011001857, concluído com a lavratura de Autos de Infração no total de R$ 83.509.539,64, abrangendo o ano calendário de 2006, contemplando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75,00%, juros de mora exigidos isoladamente e juros de mora calculados até 31/08/2011: [...]DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal, originalmente em regime de “diligência”, iniciouse com o Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de 15/03/2010, ciência por via postal “AR” em 18/03/2010 (fls. 390/391), no qual o Fisco comunicou a abertura do procedimento e requisitou as informações e documentos relacionados com as operações a seguir descritas: Em resposta protocolizada em 07/04/2010, a diligenciada requereu prorrogação no prazo para atendimento da demanda fiscal e nomeou procuradores para acompanhamento do procedimento (fls. 392/395), tendo em 26/05/2010 requerido nova dilação de prazo para cumprimento do requisitado pelo Fisco (fls. 396), o que se concretizou em 06/05/2010 (petição de fls. 397) e documentos anexos juntados (fls. 398/419). Na referida petição a diligenciada respondeu aos questionamentos do Fisco tendo afirmado, literalmente que “a Embraer recebeu os ativos imobilizados da KAB a título de dação de pagamento conforme previsto na Letter of Agreement datada de 15 de maio de 2006”, e que “a transferência de ativos ocorrida em 31 de agosto de 2006, ocorreu como parte do pagamento efetuado pela Kawasaki em razão da redução do Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.688 3 escopo do contrato firmado com a Kawasaki – Japão e o término contratual com a filial da Kawasaki no Brasil”. Afirmou ainda que, em razão da “criticidade do produto fornecido pela Kawasaki, a título de compensação dos custos e despesas que a Embraer incorreria pela redução do escopo e da rescisão antecipada do contrato, a Kawasaki se comprometeu em pagar o valor de USD 57.000.000,00 bem como a transferência de ferramentais, equipamentos, necessários para dar continuidade à fabricação do produto, objeto dos contratos assinados entre Embraer e Kawasaki evitando colocar a entrega das aeronaves fabricadas pela Embraer em risco (cláusula 3.2 –Compensation Payment)”. Sequencialmente, em 07/06/2010, o Fisco lavrou o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 420, ciência por via postal “AR” em 14/06/2010 (fls. 420/421), no qual requisitava as seguintes informações: Após requerer prorrogação no prazo para atendimento (petição de fls. 422, protocolizada em 24/06/2010), a contribuinte apresentou, em 05/07/2010 (fls. 423/424), as respostas que entendeu pertinentes, inclusive forma de contabilização dos valores e bens recebidos, informando que “em relação à escrituração do numerário recebido da KHI no valor deUSD 57.000.000,00 originalmente foi reconhecido em contas a receber da KHI que após alteração de versão de nosso sistema SAP passou a ser representado pelas seguintes contas: D – 112022001 Clientes Exterior C – 133023001 Adição – Desenvolvimento (natureza Diferido)” Em relação à escrituração dos bens recebidos da KAB as contas envolvidas foram: Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.689 4 D – Diversas contas do ativo permanente C – 133023004 – Adição – Contribuição Parceiro (natureza Diferido)” Prosseguiu informando, em relação ao cálculo utilizado para determinar o valor recebido no importe de USD 57.000.000,00, que foi resultado de “um processo de negociação entre as partes envolvidas, decorrente da manifestação de vontade da Kawasaki no sentido de não mais dar cumprimento às obrigações assumidas perante a Embraer, em 05 de outubro de 1.999”, e que, “portanto, o valor em questão decorre de acertos comerciais oriundos da quebra de contrato por parte da Kawasaki”. E finalizou sua petição esclarecendo sobre a transferência, sem custos, dos ativos da KHA: “a empresa informa que a redação do contrato (Letter of Agreement), ao mencionar “sem custos” não o fez em sentido financeiro e contábil, mas considerando o contexto das obrigações descritas no documento”; que “ao utilizar a expressão “sem custo” o que as partes quiseram manifestar foi a ausência de movimentação financeira decorrente da transferência dos ativos, ou seja, sem novos custos ou qualquer desembolso pela Embraer, recebedora dos ativos”; que “a “dação em pagamento” constante das notas fiscais reflete a verdadeira natureza da operação sob o ponto de vista contábil e fiscal”, e que “houve tributação sobre os valores e bens recebidos e esta tributação decorreu da classificação contábil utilizada”. Em 12/07/2010, o Fisco lavrou Termo de Constatação e Intimação Fiscal no qual exigiu a apresentação de demonstrativo analítico dos custos e despesas diferidos das contas contábeis citadas na resposta anterior da fiscalizada (122023001 – Adição – Desenvolvimento e 133023004 – Adição – Contribuição Parceiro), bem como demonstrativo dos tributos apurados com base nos valores e bens recebidos da KHI e KAB, por força da “Letter of Agreement – LOA” e cópia do contrato MPC “Master Program Contract”, devidamente atualizado até a data da LOA. Cientificada em 15/07/2010 por via postal “AR” (fls. 426), a contribuinte, juntou cópia do MPC exigido pelo Fisco e requereu dilação de prazo para atendimento de parte da demanda fiscal (fls. 427/434); posteriormente, em 16/08/2010, as demais exigências foram atendidas, mediante a juntada de planilhas e cópias de registros realizados na parte “B” do LALUR e os seguintes esclarecimentos (fls. 435/442): Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.690 5 Na forma do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 11/01/2011 (fls. 443), o Fisco, depois de analisar as respostas e documentos apresentados pela fiscalizada, intimou a contribuinte a “informar por que o valor de USD 57 milhões não transitou por conta de resultado embora tenha sido contabilizado como recuperação de despesas diferidas”, e “apresentar planilhas do Ativo Diferido e LALUR Parte B com individualização de cada valor recebido pela EMBRAER da KAB/KHI por conta do distrato havido entre as empresas”. Cientificada em 17/01/2011 por via postal “AR” (fls. 444), protocolizou sua resposta em 26/01/2011 (fls. 445/447) e juntou os documentos de fls. (448/449), afirmando, acerca do questionamento do Fisco sobre o porquê de o valor de 57 milhões de dólares norteamericanos não ter transitado por conta de resultado, embora tenha sido contabilizado como recuperação de despesas diferidas, que “os valores em questão compõem os investimentos da Requerente em desenvolvimento de produtos, razão pela qual, por ausência de receitas para contrapor aos gastos, estes valores foram alocados em conta de Ativo Diferido, adequandose aos demais gastos de mesma natureza e seguindo a lógica contábil de contraposição de despesas com receitas correspondentes”. Já em relação ao item 2 do termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 443, a contribuinte apresentou documento contendo demonstração do Ativo Diferido e Parte “B” do LALUR, com a “forma de amortização dos gastos utilizada pela Companhia”. Mediante Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 03/02/2011 (ciência por via postal “AR” em 07/02/2011 fls. 450/451), o Fisco informou a fiscalizada sobre as conclusões a que chegou, após a análise dos documentos e esclarecimentos por ela prestados, intimandoa a: i) “dizer sobre o valor de USD 57 milhões recebidos em dinheiro da KAB/KHI, informando se existe(m) razão(ões) que justifique(m) a sua não inclusão na base de cálculo do IRPJ”; ii) “apresentar planilha do Ativo Diferido e LALUR Parte B com individualização do lançamento de cada valor recebido pela EMBRAER da KAB/KHI por conta do distrato havido entre as empresas” (sublinhado no original). Em 18/02/2011 a contribuinte formalizou petição discorrendo sobre o modo de contabilização dos valores questionados e juntando documentos para comprovação de sua assertiva (fls. 452/459) e em 28/02/2011 complementou as informações (petição e documentos de fls. 460/475). Às fls. 476 consta Termo de Intimação Fiscal de 14/03/2011, lavrado pelo Fisco, no qual a Autoridade Tributária intimou a fiscalizada a esclarecer: Ciente do termo em 17/03/2011 (“AR” de fls. 477), a Embraer peticionou discursando (fls. 479/483): Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.691 6 ≥ “Como premissa, temos que a presente fiscalização fundase em Mandado de Procedimento Fiscal de DILIGÊNCIA, onde a descrição sumária é “verificações de documentos relativos a operações com terceiros”. ≥ “Neste contexto, com relação ao item 01, a Fiscalização questiona por que razão o numerário de USD 57 milhões recebidos da KHI e os bens recebidos da KAB não foram escriturados na mesma conta, já que em princípio possuem a mesma natureza jurídica, ou seja, compensação/indenização por conta da rescisão do contrato com a KAB”. ≥ “É importante destacar que os bens e valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”. Se desta forma o fossem, não haveria incidência de imposto sobre a renda e seus reflexos, dada a eminente natureza de recomposição do patrimônio”. ≥ “Os valores e bens oriundos do distrato mantiveram o reconhecimento, mensuração e evidenciação contábeis decorrentes de cada compromisso contratual anterior nos quais tiveram origem. Os USD 57 milhões foram reconhecidos como valores a serem aplicados em gastos com pesquisa e desenvolvimento e, portanto, contabilizados reduzindo o diferido e os bens foram reconhecidos como complementação da contribuição de parceiros devida pela outra parte”. ≥ Com relação aos demais itens, inicialmente, cabe definir que as contribuições de parceiros não possuem características de “doações” por parte dos fornecedores à Sociedade, visto que há uma obrigação contratual entre as partes, não configurando a liberalidade peculiar às operações de doações”. ≥ “As contribuições de parceiros são efetuadas por contrato, em que há o pagamento de determinada quantia para o desenvolvimento de projetos, os quais ficam à disposição da Sociedade até o fim do desenvolvimento e a posterior venda de unidades (aeronaves), quando encerrase a fase préoperacional”. E prossegue seu arrazoado: ≥ “Conforme disposição contratual, as contribuições de parceiros podem ser reembolsadas aos respectivos fornecedores, caso haja a desistência ou a não homologação do resultado do projeto. Tal fato tem relevância, pois a Sociedade não possui disponibilidade jurídica e econômica das quantias em seu poder, face a contra obrigação contratual suspensiva”. ≥ “Quando ocorre a condição suspensiva, como exemplo a homologação da aeronave, ou seja, o negócio jurídico, enfim, reputase perfeito e acabado. Os artigos 116 e 117 do CTN dispõem o momento em que se verificará a incidência tributária sobre tais operações”. ≥ “Considerando a necessidade de atendimento ao princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis, a Sociedade realiza a reclassificação das contribuições de parceiros recebidas e contabilizadas no passivo exigível a longo prazo para o ativo diferido, como redutora das despesas próprias da Sociedade, para posterior amortização contábil, a fim de manter o critério de contraposição de receitas de vendas de aeronave com o projeto destas”. ≥ “A princípio, a classificação no ativo diferido atende ao artigo 179, inciso V da Lei nº 6.404/76, o qual dispõe que no ativo deve ser classificado (sic)“as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social...”. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.692 7 ≥ “Considerando que as contribuições de parceiros não são aplicações de recursos próprios da Sociedade, mas contribuirão para formação do resultado de mais de um exercício social, estas podem ser classificadas como redutora (créditos) no ativo diferido”. E conclui: ≥ “Esta situação implica na tributação “pro rata tempore” das receitas oriundas das contribuições de parceiros na apuração do lucro real e da Contribuição Social sobre o Lucro, vez que estão sujeitas a amortização contábil da despesa classificada no ativo diferido, e é o procedimento que a Sociedade vem adotando (vide exemplo anexo), ou seja, os critérios e as variáveis que comandam a amortização das despesas com P&D são os mesmos que determinam a amortização dos valores de contribuição de parceiros, caso se tratar do mesmo projeto, ressalvando que há outros projetos e gastos efetuados pela Sociedade, que não há vinculação com as contribuições de parceiros, estes por sua vez segue (sic) a amortização normal do tempo”. ≥ “Isto posto, para fins fiscais, considerando a hipótese dada pela Lei 10.637/02, a Sociedade deduz, no LALUR, os dispêndios incorridos durante o exercício social que foram contabilmente ativados e nos exercícios da amortização desses diferimentos, são adicionados ao LALUR. Já os valores referentes aos valores recebidos dos parceiros são apropriados ao resultado contábil segundo a competência e considerados como tributáveis nesse momento”. ≥ “Para melhor comprovar, requer a juntada de exemplo de contabilização de contribuição de parceiros e gastos com pesquisa e desenvolvimento, visando elucidar eventuais dúvidas remanescentes”. Após analisar e coletar as informações e documentos, o Fisco converteu o procedimento, originalmente de “Diligência”, para “Fiscalização”, com o encerramento do MPFD nº 08.1.20.002010000490 e emissão do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPF) nº 08.1.20.002011001857, lavrando, a seguir, Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 484), cuja ciência foi dada por via postal “AR” em 02/06/2011 (fls. 485), no qual exigiu da fiscalizada: 1) confirmar as informações prestadas durante o procedimento de diligência, a saber: i) que “o valor de USD 57 milhões recebido em espécie no ano de 2006 da empresa KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES. LTD (“KHI”) está sendo tributado “pro rata tempore” diretamente no resultado como “receita” de amortização segundo cronograma de entrega de aeronaves. Nessa sistemática, já teria sido oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, até dezembro de 2010, o valor de R$ 65.225.346,35”; ii) que “o valor de R$ 20.104.550,58 recebido em ativos no mesmo ano da subsidiária brasileira KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDÚSTRIA LTDA (“KAB”) também estaria sendo tributado “pro rata tempore”, via redução do CPV, segundo mesmo plano de amortização da série de aeronaves”. 2) prestar as seguintes informações complementares: iii) “qual parcela do valor de R$ 20.104.550,58 já foi tributada até dezembro de 2010 via CPV”; iv) “sabendo que a EMBRAER recebeu os ativos da KAB já na fase operacional do programa em parceria, livre de condição suspensiva e, portanto com plena Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.693 8 disponibilidade jurídica sobre os mesmos, por que o valor desses ativos não foi integralmente oferecido à tributação naquele exercício”? Respondendo em 21/06/2011, a contribuinte apresentou petição de fls. 486/489 e documentos de fls. 490/500, discorrendo: ● que “durante o curso do MPFD foram prestadas inúmeras informações acerca dos efeitos tributários e contábeis decorrentes do Distrato celebrado entre a Requerente e as empresas KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES LTDA E KAWASAKI AERONAUTICA DO BRASIL INDUSTRIA LTDA, ocorrido em 15 de maio de 2006”; ● que “ainda no curso daquele MPFD foram fornecidos inúmeros documentos contábeis e jurídicos, além de pareceres técnicos e alguns encontros entre a Fiscalização e a equipe da Requerente, visando esclarecer pontos de difícil compreensão, considerando a complexidade dos temas discutidos”; ● que, “partindo desta premissa, houve a alteração de “MPFD” para “MPF F”, e por esta razão, esta Fiscalização requer, logo nos primeiros itens do Termo de Início de Fiscalização, a confirmação de informações que, em verdade, foram prestadas em outro contexto e sob a guarda de outra espécie de Mandado de Procedimento Fiscal”; ● que, “neste sentido, inicia a Requerente o atendimento aos termos da intimação em epígrafe, após a elucidação acima, que se mostra necessária para correta compreensão do contexto em que as conclusões tomadas pela Fiscalização ocorreram”. Após as observações acima transcritas, a contribuinte confirmou a forma de tributação dos valores questionados pelo Fisco, conforme já exposto em resposta anterior, e quanto ao montante tributado até dezembro de 2010 sobre a parcela total de R$ 20.104.550,58, acrescenta que foi de R$ 2.811.127,94. Por fim, esclareceu que “o tratamento contábil dado aos ativos recebidos da KAB seguiram a mesma sistemática aplicada a todos os bens recebidos em idêntica situação. No entanto, o tratamento fiscal atribuído foi aquele que melhor refletia a natureza do Distrato, assim considerado em sua totalidade, incluindo todas as previsões constantes daquele documento, qual seja, tratamento de indenização, que reflete com exatidão o contexto lá descrito”. Sequencialmente, em 25/07/2011, ciência por via postal “AR” em 01/08/2011 (fls. 508), o Fisco lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 501/507) no qual intimou a fiscalizada a: 1) “preencher com os valores faltantes os demonstrativos encaminhados nas planilhas anexas: i) Contribuição Kawasaki; ii) Contribuição Parceiros em 2006 Exceto Kawasaki; iii) Demonstrativo Base de Cálculo do IRPJ; iv) Demonstrativo Base de Cálculo da CSLL”; 2) “apresentar as planilhas solicitadas, devidamente preenchidas, em papel e em arquivo Excel”. Em 11/08/2011 a fiscalizada atendeu à demanda fiscal (fls. 509/515), apresentando as planilhas requeridas, e em 15/08/2011 voltou aos autos para informar (petição de fls. 516/517) que “durante o procedimento de entrega e verificação, houve discussão entre as partes acerca de um dos itens solicitados pela Fiscalização, com relação ao qual a Requerente não dispõe de informações gerenciais para fazêlo”, e Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.694 9 que “em outras palavras, não é possível atender ao item solicitado com as informações gerenciais e fiscais obrigatórias”. Disse ainda: ● “neste sentido, com relação ao item “Contribuição de Parceiros”, a Requerente formaliza, portanto, que os valores recebidos referentes às contribuições de parceiros lançadas no ativo intangível (conta redutora), por ocasião da realização dos respectivos “milestones” são segregados de acordo com o período realizado”; ● que, “entretanto, as amortizações (redução do CPV) destas contribuições quando das vendas das aeronaves, são controladas pelo valor total global, tendo em vista que são vários parceiros que contribuem para diversos programas de desenvolvimento”; ● que, “dentro dessa sistemática, não é possível a segregação dos valores da movimentação contábil pelos períodos das realizações dos “milestones”; ● que “o controle existente na Requerente é aquele constante na parte “B” do LALUR, conforme exigências da legislação vigente”. O Fisco anexou documentos obtidos internamente no banco de dados da Receita Federal, junto a outros órgãos e fornecidos pela contribuinte, a saber: a) às fls. 4/64, cópia da “Letter of Agreement – LOA”, firmada com a Kawasaki; b) às fls. 65/72, cópias das operações cambiais com a Kawasaki; c) às fls. 73/115, aditivo da LOA; d) às fls. 116/121, relação e cópias das notas fiscais emitidas pela Kawasaki Aeronáutica do Brasil Indústria Ltda.; e) às fls. 122/389, extratos e cópias das DIPJ da fiscalizada, incluindo a relativa à incorporação havida no período (exercício de 2007 – ano calendário de 2006); f) às fls. 518/1199, cópias das DIPJ entregues pela fiscalizada relativamente aos exercícios de 2008 a 2010 – anoscalendário de 2007 a 2009. DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 1207/1221, inserido no próprio “corpo” do Auto de Infração de IRPJ, a Autoridade Fiscal relatou minuciosamente todo o procedimento havido, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, concluindo, naquilo que se insere nos presentes autos e em síntese: i) que “a ação fiscal empreendida objetivou verificar inicialmente o tratamento contábilfiscal que foi dado pela EMBRAER aos recursos oriundos de operação realizada com a empresa japonesa Kawasaki Heavy Industries Ltd (“KHI”) e sua subsidiária brasileira Kawasaki Aeronáutica do Brasil Indústria Ltda (“KAB”), CNPJ 05.006.469/000151 no anocalendário de 2006”; ii) que “a operação em tela (...) consistiu em um acordo firmado entre as três empresas para término parcial de um contrato firmado em 1989 segundo o qual as empresas japonesa forneceriam produtos e serviços à EMBRAER para o programa dos aviões Embraer 170/190”; iii) que, “nos termos do acordo assinado em 15 de maio de 2006, a KHI/KAB deveria: i) pagar à EMBRAER a soma de 5,780 milhões de dólares americanos para cobrir gastos adicionais, reclamados pela EMBRAER e incorridos até 16/05/2006, causados pelo distrato; ii) pagar à EMBRAER o montante de 57 milhões de dólares americanos a título de compensação por conta dos custos não recorrentes que pudessem resultar do término dos contratos com a KAB; iii) transferir para a EMBRAER, sem custos, todo o ativo imobilizado da KAB, relacionado às operações de Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.695 10 montagem de asas que eram executadas, localizado na fábrica em Gavião Peixoto/SP e nas instalações da EMBRAER em São José dos Campos/SP”. Após relatar as diversas intimações lavradas e as respostas fornecidas pela fiscalizada no curso da ação, relativamente à forma de apuração do montante de 57 milhões de dólares americanos entregues pela KHI à Embraer, assim como sua escrituração e a dos bens recebidos da KAB, prosseguiu o Fisco: iv) que “após breve análise (...), verificouse que os valores recebidos, tanto o numerário da KHI quanto os bens da KAB não foram, em contrapartida às contas próprias de ativo, lançados em contas de resultado, mas, curiosamente, à CRÉDITO em outras contas do ativo, mais especificamente do ativo diferido, normalmente destinadas as abrigar ativos intangíveis, representado por despesas incorridas que, pelo benefício futuro que trarão, são amortizadas em parcelas (à CRÉDITO). Constatase, portanto, que os recursos oriundos da KHI/KAB foram aparentemente “confundidos” com parcelas de amortização de custos e despesas já incorridas pela Embraer”; v) que “segundo explicações dadas verbalmente, o numerário de USD 57 milhões foi alocado como conta redutora da conta despesas em P&D [Pesquisa e Desenvolvimento] diferidas ao passo que os ativos, diretamente na conta das contribuições de parceiro diferidas”; vi) que “a planilha apresentada também mostra a movimentação do LALUR parte B relativamente às despesas em P&D no mercado interno, que utilizam o benefício da Lei 10.637/02. Esse benefício fiscal autoriza a exclusão via LALUR, no próprio exercício em que realizadas, de todas as despesas em P&D diferidas, desde que adicionadas posteriormente na mesma medida em que forem contabilmente amortizadas nos exercícios futuros”; vii) que “a justificativa apresentada para o fato de os USD 57 milhões não terem transitado em conta de resultado (os valores em questão compõem os investimentos da Companhia em desenvolvimento de produtos e foram alocados no ativo diferido por causa da falta de receitas para contrapor aos gastos em P&D) reforça a percepção anterior de que a Embraer promoveu uma confusão contábil entre o recebimento e a alocação de recursos de terceiros”. Prosseguindo, a Autoridade Fiscal discorreu que “informada dessa constatação” a Embraer respondeu, em 18/02/2011, que “a constatação feita pela Fiscalização não reflete a forma utilizada pela Companhia para o reconhecimento dos valores” e, “para demonstrar seu entendimento da questão, apresentou documento exemplificativo da contabilização P&D com indenização Kawasaki”. Disse mais o Fisco: “no esquema de contabilização apresentado, além de passar a chamar o valor recebido da KHI de indenização (?), a Embraer informou um aspecto de sua contabilização não esclarecido anteriormente, a saber: o valor de USD 57 milhões é tributado diretamente no resultado, via amortização independente do saldo redutor do diferido. Ou seja, quando da adição da amortização no Lalur é segregada somente a parte dos gastos que foram excluídos por ocasião dos dispêndios, conforme valores constantes da planilha apresentada, que não compreende a amortização da Kawasaki”, e que, “o esclarecimento (...) revela que, no fundo o tratamento contábil que foi dado ao numerário recebido da KHI é essencialmente o mesmo que foi dado aos ativos recebidos da KAB, ou seja, ambos estão sendo levados a resultado aos poucos, via amortização (comandada pela venda das aeronaves) de contas de ativo diferido de saldo CREDOR”. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.696 11 Para prosseguir relatando que, em resposta posterior, a Embraer esclareceu que “os valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”, pois se assim fosse não haveria incidência de IRPJ e seus reflexos, dada a eminente natureza de recomposição do patrimônio”. “Houve em seguida”, relata o Fisco, “a explicação do por que os valores recebidos da KHI/KAB terem sido contabilizados em contas distintas: os USD 57 milhões seriam aplicados em P&D e foram contabilizados reduzindo os gastos em P&D diferidos, enquanto que os ativos foram reconhecidos como complementação da contribuição do parceiro Kawasaki”. E continua: viii) que “em sua explicação mais importante, a Embraer disse que as contribuições de parceiros são valores pagos, sob contrato (não são doações) por alguns fornecedores para o desenvolvimento de projetos”; que, “conforme disposição contratual, essas contribuições de parceiros podem ser reembolsadas aos respectivos fornecedores CASO haja desistência ou a não homologação do resultado do projeto”; que, “quando e se ocorre a condição suspensiva, como, por exemplo, a homologação do projeto da aeronave, o negócio jurídico reputase perfeito e acabado, e a Embraer passa a ter disponibilidade jurídica e econômica dessas quantias em seu poder”; que, “nesse momento, a Sociedade realiza a reclassificação das contribuições de parceiros recebidas e inicialmente contabilizadas no passivo exigível a longo prazo para o ativo diferido, como redutora (crédito)”, e que “essa reclassificação justificase tendo em vista que as contribuições de parceiros não são aplicações de recursos próprios da Sociedade e contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social”. ix) que, “por outro lado, a fim de manter o critério de contraposição de receitas de vendas de aeronaves com despesas com o projeto destas, as receitas oriundas das contribuições de parceiros transitam a crédito do CPV, ou seja, reduzem o custo efetivo das aeronaves produzidas, e são tributadas “pro rata tempore” segundo os mesmos critérios e variáveis que comandam a amortização das despesas com P&D, caso se trate do mesmo projeto”; x) que “não é difícil perceber, após uma leitura crítica da resposta apresentada, que as explicações fornecidas apresentam vícios na argumentação, pois as ilações relativas à contabilização e à tributação das contribuições de parceiros são inconsistentes e contraditórias. Senão vejamos: foi dito que a reclassificação das contribuições de parceiros do passivo exigível a longo prazo para o ativo diferido ocorre assim que a Embraer passa a ter disponibilidade jurídica e econômica sobre esses valores recebidos de terceiros e se justificaria tendo em vista que esses valores contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, embora não sejam aplicações de recursos próprios da Sociedade”; xi) que, “a justificativa apresentada não é verdadeira por duas razões: primeiramente porque a contribuições de parceiros, a partir do momento em que a Embraer adquire disponibilidade jurídica e econômica sobre elas, passam a integrar seu patrimônio e tornamse, contrariamente ao afirmado, recursos próprios da Sociedade. Em segundo lugar, como já detectado anteriormente, não se pode confundir os recursos em si com a destinação que será dada a esses recursos, no caso, despesas com o projeto das aeronaves”; xii) que, “na realidade, em sua argumentação a Embraer pretendeu dar um aspecto de legalidade a uma prática contábil para a qual simplesmente não existe Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.697 12 nenhuma base legal, qual seja, reduzir os gastos com P&D com os recebimentos de futuros fornecedores”; xiii) que, “não se pode, como faz a Embraer, confundir a natureza dos gastos ativados no diferido com os valores recebidos de seus parceiros.Enquanto os gastos ativados podem ser amortizados conforme as aeronaves são comercializadas (desde que o prazo de amortização não ultrapasse os dez anos), os valores recebidos dos parceiros devem ir a resultado segundo sua competência, ou seja, assim que esses parceiros se tornem fornecedores confirmados, o que ocorre tão logo fique afastada a hipótese de devolução desses valores. Com efeito, nada existe na Lei que autorize qualquer postecipação na apropriação desses valores”. Na sequência, o condutor do feito discorre sobre os procedimentos finais da ação fiscal destacando: xiv) que “em resposta recebida na data de 21.06.2011, a fiscalizada confirmou os valores oriundos do montante de USD 57 milhões recebidos em numerário da Kawasaki que já teriam sido oferecidos à tributação, até dezembro de 2010, por meio da sistemática de amortização “pro rata tempore” via redução do CPV das aeronaves vendidas”; xv) que “em relação ao montante de R$ 20.104.550,58, correspondente aos ativos recebidos da Kawasaki, a Embraer somente informou o total já amortizado até dezembro de 2010, deixando de informar, conforme esperado, os valores amortizados mensalmente, “pro rata tempore”; xvi) que “no tocante ao questionamento sobre o não oferecimento à tributação do valor integral desses ativos, a fiscalizada disse que o tratamento contábil dado a esses ativos foi aquele que melhor refletia a natureza do Distrato, qual seja, tratamento de indenização”; xvii) que “essa última afirmação surpreende, pois a Embraer agora parece querer atribuir aos ativos recebidos da KAB a natureza jurídica de indenização quando, em sua resposta de 22.03.2011, afirmava justamente, e digase, corretamente, o contrário, ou seja, que os valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”. Cabe aqui, portanto, uma observação: o Distrato a que a fiscalizada se refere, qualifica os valores pagos pela Kawasaki à Embraer como sendo pagamentos de compensação e não pagamentos de indenização. O termo empregado foi corretamente escolhido, pois se não houve recomposição patrimonial não há que se falar em indenização”; xviii) que, “com efeito, a Kawasaki, embora tenha decidido encerrar as atividades de sua subsidiária no Brasil, desejava continuar como parceira e fornecedora da Embraer e, desta forma, promoveu com os pagamentos e transferência de ativos a continuidade do processo de fabricação das aeronaves”; xix) que, “assim, com essa operação, ainda que possa ter sido traumática, a Embraer obteve acréscimo patrimonial, jamais recomposição patrimonial”. Concluída a análise dos dados, informações e documentos apresentados pela fiscalizada, o Fisco elaborou as planilhas demonstrativas de fls. 1200/1204 com os cálculos julgados necessários para fins de apuração dos valores que entendeu devidos a título de IRPJ e CSLL, objeto dos lançamentos ora apreciados. Nas palavras do Fisco: Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.698 13 xx) “os dados recebidos foram processados para elaboração de três demonstrativos, que abrangem todos os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL entre janeiro de 2006 e junho de 2011; (...) os dois primeiros demonstrativos permitem acompanhar passo a passo o processo de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo reconhecimento integral, segundo o regime de competência, dos créditos recebidos em definitivo dos parceiros (Kawasaki e demais parceiros) no resultado contábil dos quatro trimestres de 2006. Em linhas gerais, o cálculo tem início no valor do resultado contábil antes de computada qualquer amortização de créditos de parceiros e antes da provisão para o IRPJ/CSLL; a esse valor são somados os créditos de parceiros integralmente recebidos em 2006 bem como a amortização dos créditos de parceiros recebidos em OUTROS períodos que não o anocalendário de 2006, obtendose o resultado contábil corrigido pelo reconhecimento integral das contribuições de parceiros recebidas em 2006; finalmente, procedese à recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com as adições e exclusões do Lalur”; xxi) “todos os valores constantes dos dois demonstrativos foram fornecidos pela Embraer, com exceção dos valores constantes da coluna intitulada “Redução CPV pela Contribuição Demais Parceiros Recebida no AC 2006 (Estimação baseada em amortização linear da Contribuição em 120 meses)”. Nesse caso, como a Embraer não forneceu o valor exato das parcelas de amortização derivadas somente dos créditos de parceiros recebidos em 2006, houve a necessidade de calcular, ainda que por aproximação, o valor dessas parcelas. Assim, considerando que a lei societária limita a amortização do diferido em no máximo 10 anos, o valor dessas parcelas de amortização foi estimado por meio de amortização linear, em 120 meses, do montante das contribuições recebidas em 2006”; xxii) “os valores do IRPJ e da CSLL calculados em cada período de apuração foram em seguida confrontados com os valores correspondentes, conforme originalmente apurados pelo contribuinte, resultando em diferenças a maior no ano de 2006 e a menor nos anos de 2007 a 2011. O terceiro demonstrativo permite acompanhar passo a passo o cálculo de imputação do IRPJ e da CSLL postergados, mostrando como as diferenças obtidas nos anos de 2007 a 2011, naqueles períodos em que houve lucro real e/ou base de cálculo positiva da CSLL, foram compensadas com as diferenças obtidas no ano de 2006”; xxiii) “finalmente, após realizadas as compensações entre exercícios, foram obtidos os valores finais do IRPJ e da CSLL a lançar em 2006 por conta da inobservância original do regime de competência no reconhecimento das contribuições de parceiros recebidas em 2006 e que estavam sendo indevidamente reconhecidas pro rata tempore à semelhança das despesas ativadas”; xxiv) “destarte, constituise mediante o presente auto de infração, os créditos tributários do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, nos valores apurados conforme demonstrativos supra citados”. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL e JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE foram lavrados em 27/09/2011, formalizado e protocolizado o processo administrativo pertinente e estão juntados às fls. 2 e 1205 a 1239. A ciência deuse por via postal em 29/09/2011, conforme “AR” juntado às fls. 1241. DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.699 14 Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, em 26/10/2011, por procuradores devidamente constituídos (procuração às fls. 1342/1348), apresentou a Impugnação de fls. 1280/1332, juntando, ainda, documentos de fls. 1333 a 1341 e 1349 a 1415. Na peça contestatória, depois de fazer um resumo dos fatos, alegou, em apertada síntese, a impugnante (todos os destaques e a titulação adotada constam do original): 2.1 – Vício de Fundamentação (MPF) – Ausência de Questionamento Quanto à Correta Natureza dos Fatos Ø que “inicialmente, antes de se adentrar nas questões de mérito que fundamentam os presentes autos de infração, fazse necessário destacar o evidente vício de fundamentação incorrido pela Fiscalização no caso ora em análise”; Ø que, “conforme se verifica das razões que fundamentaram a lavratura dos presentes autos, o Sr. Agente Fiscal se utilizou de respostas a intimações apresentadas em procedimento de diligência (MPFD), originário da fiscalização instaurada em face da Kawasaki Aeronáutica do Brasil Indústria Ltda. (KAB), subsidiária brasileira da Kawasaki Heavy Industries Ltd (KHI), com sede no Japão”; Ø “ocorre que, conforme dispõe o artigo 3º da Portaria SRF nº 11.371/2007, vigente à época do procedimento de Fiscalização, os MPFD possuem como finalidade precípua a coleta de informações e outros elementos de interesse da Administração Tributária, não vislumbrando verificar o cumprimento de obrigações tributárias pelo Contribuinte” (reproduz o dispositivo citado); Ø que, “nesse sentido, a Impugnante foi intimada diversas vezes durante o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência nº 08.1.20.002010000490 para fornecer informações sobre operações realizadas e detalhar os ativos recebidos das empresas KHI e KAB”, e que “cumprindo diligentemente as solicitações dispostas nos termos de intimação fiscal, emitidos nos termos do MPFD (...), a Impugnante forneceu todos os elementos solicitados pela Fiscalização, no intuito de prestar informações técnicas sobre referidas operações”; Ø que “as informações prestadas em 22.03.2011 foram feitas em resposta ao MPFD, ou seja, apenas com o intuito de prestar esclarecimentos técnicos operacionais quanto aos valores pagos pela KHI e pela KAB (bem como o tratamento contábil conferido)”; Ø que, “contudo, a resposta apresentada em 21.06.2011 foi apresentada em outro contexto, visto que a Impugnante estava sendo fiscalizada acerca do cumprimento de suas obrigações tributárias, motivo pelo qual sua resposta pautouse no tratamento jurídico tributário dos referidos recebimentos”; Ø que, “com efeito, verificase que o Sr. Agente Fiscal pautase na escolha das palavras pela Impugnante (“compensação” utilizada no procedimento de diligência e “indenização” utilizada no procedimento de fiscalização), para entender que existiria uma suposta contradição em suas respostas, motivo pelo qual não poderia prevalecer a resposta apresentada em sede de procedimento de diligência”; Ø que, “entretanto, não existe qualquer disparidade entre o que foi informado no âmbito do MPFD (utilização de vocabulário técnico operacional) e o que foi informado no âmbito do MPFF (utilização de vocabulário técnico jurídico), pois a diferença na escolha das palavras não é suficiente para desqualificar a natureza de Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.700 15 indenização dos pagamentos recebidos pela Impugnante, conforme será demonstrado adiante”; Ø que, “destarte, observase que a Fiscalização incorreu em evidente vício de fundamentação na lavratura dos autos de infração ora combatidos, pois sua argumentação é contraditória com o procedimento por ela adotado no presente caso, razão pela qual se aguarda que esta DRJ declare a sua nulidade” (transcreve decisões do CARF que entendeu pertinentes). 2.2 – Decadência do Direito do Fisco Constituir Eventuais Créditos Tributários Referentes aos Dois Primeiros Trimestres de 2006 Neste tópico sustenta a impugnante ter ocorrido a decadência dos lançamentos relativos aos dois trimestres iniciais de 2011 (2006), tendo em vista o mandamento do artigo 150, § 4º do CTN (que reproduziu), assim como jurisprudência e doutrina a respeito. Sustenta, ainda, a aplicabilidade da mesma regra decadencial aos lançamentos relativos aos juros de mora isolados, citando jurisprudência do CARF. Encerra dizendo que “o prazo decadencial para a Fiscalização cobrar os juros isolados e efetuar a compensação de ofício de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, referentes aos fatos geradores supostamente ocorridos nos dois primeiros trimestres de 2006, expirou em 30/06/2011, sendo que, por esse motivo, devem ser cancelados por essa C. Turma Julgadora”. 2.3 – Créditos de Parceiros – Do Correto Procedimento Contábil Adotado pela Impugnante Disserta, neste item, o entendimento de que adotou, corretamente, os procedimentos contábil e fiscal para o “reconhecimento, mensuração e tributação dos valores recebidos de parceiros (...), diferentemente do que alega o Sr. Agente Fiscal”. Pontua ser empresa reconhecida no cenário nacional e internacional e que, para desenvolvimento de seus projetos, realiza dispêndios elevados com pesquisa e tecnologia, sem os quais seria impossível manterse exercendo suas atividades em face do elevado grau de competitividade do setor no qual opera. Assevera possuir parceiros de risco nos negócios, que contribuem para o desenvolvimento e fabricação de componentes expressivos, tais como motores, componentes hidráulicos, asa, etc. Destaca que “no processo de fabricação de uma aeronave (...), uma das etapas mais fundamentais é a certificação de aeronavegabilidade da aeronave por parte das agências reguladoras de aviação civil dos países receptores dos modelos vendidos pela Impugnante, (...)” e que, “uma vez certificada a aeronave, tornase economicamente inviável a substituição dos fornecedores que fizeram parte do desenvolvimento do projeto, tendo em vista os altos custos para a certificação de um novo fornecedor”. E prossegue: Ø que, “neste contexto, a certificação de um determinado modelo representa também um fluxo futuro de receitas para os parceiros envolvidos, uma vez que os parceiros se beneficiam com a venda de motores, componentes hidráulicos, sistemas eletrônicos de aviação, asas, interiores e partes da fuselagem e da cauda”; Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.701 16 Ø que, “por este motivo, é natural que esses parceiros tenham interesse em contribuir financeiramente com o desenvolvimento de novas aeronaves, as quais serão comercializadas no futuro e, consequentemente, gerarão retorno certo para o capital investido (caso atingidas as etapaschave para o desenvolvimento do projeto)”; Ø que “o desenvolvimento dos modelos possui etapaschave, tais como a certificação pela FAA, o primeiro vôo ou a primeira entrega (denominadas millestones), que, uma vez cumpridas, eximem a Embraer da obrigatoriedade de devolução da contribuição feita pelo parceiro”; Ø que, “por outro lado, caso os referidos millestones não sejam atingidos (v.g. caso não seja possível obter a certificação), a Impugnante é obrigada a devolver as contribuições recebidas de seus parceiros”. Depois de listar inúmeros “parceiros” que colaboram com a Embraer, a defesa volta a se manifestar sobre o tema, afirmando que “no regular exercício de seu objeto social, a Impugnante acaba recebendo créditos dessas empresas parceiras”, e que “esses créditos podem ser definidos como recursos disponibilizados por empresas parceiras da Impugnante”. Transita depois pela forma de contabilização dos valores recebidos, ratificando manifestações feitas durante o procedimento fiscal e afirma que “os créditos oriundos de parceiros acabam por reduzir o intangível no momento em que a obrigação com os parceiros deixa de existir (millestone). É em razão deste fato, inclusive, que os créditos de parceiros acabam sendo tributados quando da venda das aeronaves, conforme se passa a demonstrar”. A seguir demonstra, com exemplos, os lançamentos contábeis havidos, cita e transcreve definições trazidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) a respeito de intangíveis, adiantamentos de clientes, provisões/contingências e receita diferida e referese ao “Memorando de Análise Técnica” elaborado pela Pricewaterhouse Coopers, anexado à impugnação. Discorre longamente sobre princípios contábeis e sua aplicação ao caso concreto, assevera que “no momento em que a contribuição é feita pelo parceiro e recebida pela Impugnante, esta contrai uma obrigação legal com este fornecedor que está atrelada a millestones específicos que, uma vez atingidos, permitirão à Impugnante a baixa deste passivo, desobrigandoa do reembolso financeiro ao respectivo fornecedor”, e que “as contribuições de parceiros recebidas e utilizadas para cobertura de gastos que foram capitalizados como intangível devem ser reconhecidos a crédito do próprio ativo intangível, enquanto este ainda estiver em desenvolvimento no momento do cumprimento dos millestones”. Acrescenta, no que chamou de “fins didáticos”, a política de contabilização da empresa, reiterando: Ø que “as contribuições recebidas de parceiros estão atreladas ao cumprimento pela Impugnante de algumas etapas e eventos importantes do desenvolvimento (millestones), incluindo certificação da aeronave, primeira entrega e número mínimo de aeronaves entregues”; Ø que “essas contribuições quando recebidas são registradas como passivo não circulante, as quais não serão exigidas pelos parceiros caso os objetivos contratuais sejam alcançados. Assim, quando do recebimento da contribuição de parceiro, o seguinte lançamento contábil é efetuado”: Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.702 17 “Pelo recebimento da contribuição D – Bancos C – Contribuição de parceiro (passivo não circulante) Os gastos com desenvolvimento de aeronaves são contabilizados como um ativo intangível quando ocorridos, uma vez que atendem aos requerimentos do CPC 04 – Ativo Intangível. Deste modo, quando esses são incorridos, o seguinte lançamento contábil é efetuado: Pelas despesas com desenvolvimento D – Ativo intangível C – Bancos À medida que essas etapas e eventos sejam alcançados e, portanto, não mais passíveis de devolução, esses valores são abatidos dos gastos de desenvolvimento das aeronaves registrados no ativo intangível, como segue: Pelo registro da redução do passivo com parceiros uma vez que não há mais obrigação D – Contribuição de parceiro (passivo não circulante) C – Ativo intangível A amortização das contribuições de parceiros, registradas em contrapartida do ativo intangível, é efetuada inicialmente em contrapartida dos estoques, a partir da ocasião em que os benefícios começam a ser gerados, com base na entrega de aeronaves que se estima vender na implementação de cada projeto. Desta forma, a amortização da contribuição de parceiros (crédito) reduz o custo dos estoques como segue: Pela amortização da contribuição de parceiro D – Ativo intangível C – Estoques Após a venda e entrega da aeronave, a contribuição de parceiros alocada a crédito nos estoques é amortizada em contrapartida do resultado, na rubrica de custo dos produtos vendidos, mediante a baixa dos estoques. Neste caso, o seguinte lançamento contábil é efetuado: Pela venda e entrega das aeronaves D – Estoques C – Custo dos produtos vendidos” Para concluir em relação a este tópico: Ø que, “tendo em vista total regularidade e uniformidade de critério adotado pela Impugnante na contabilização dos dispêndios com pesquisa e tecnologia, bem como o regular aproveitamento do benefício fiscal instituído pela Lei nº 10.637/02, não merecem prosperar os lançamentos realizados nos presentes autos, inclusive os juros Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.703 18 isolados, motivo pelo qual devem ser cancelados os autos de infração também no que tange a esses valores”; Ø que, “ainda que assim não se admita, fato é que o entendimento do Sr.Agente Fiscal somente estaria correto se os gastos com pesquisa e tecnologia fossem lançados contabilmente como despesa no período em que ocorre o desembolso. Neste caso, ocorridos os millestones, os valores recebidos de parceiros deveriam ser lançados a resultado”; Ø que, “contudo, conforme amplamente demonstrado, tais gastos somente são baixados como custo no período em que ocorre a venda das aeronaves,motivo pelo qual os recebimentos de parceiros devem necessariamente ingressar com a natureza redutora desse custo, ou seja, são contabilizados no Ativo Intangível atendendo a norma do CPC 4 (procedimento adotado pela Impugnante)”. 2.4 – “Ad Argumentandum” – Mesmo que os Créditos de Parceiros Devessem ser Registrados como Receita, Somente Seriam Tributados Quando da Venda das Aeronaves Registra a defendente que, “mesmo que os créditos de parceiros fossem reconhecidos como “receita”, tal como defendido pelo Sr. Agente Fiscal, tais valores só seriam registrados pelo regime de competência, o que implica no necessário confronto entre receitas e despesas”, e que “a receita só seria registrada quando da venda das aeronaves, com o mesmo resultado fiscal do procedimento adotado pela EMBRAER”. Após citar doutrina contábil, clama pelo que nomina de “confronto das despesas com as receitas”, diz que “os créditos de parceiros estão intimamente ligados aos gastos com pesquisa e tecnologia, motivo pelo qual eles somente serão levados a resultado (e, portanto, tributados) segundo o mesmo critério de amortização do ativo intangível (proporcionalmente à venda das aeronaves)”. Elabora planilha exemplificativa para demonstrar a correção de seu procedimento e finaliza: “portanto, conforme se percebe (...) não há qualquer diferença para fins fiscais, pois os valores somente são tributados no momento da venda das aeronaves (...), motivo pelo qual se tornam totalmente insubsistentes os autos de infração, inclusive a cobrança dos juros isolados, devendo ser cancelados por essa E. Turma Julgadora”. 2.5 – Natureza dos Pagamentos Feitos pela Kawasaki – Indenização 2.5.1 – Do Conceito de Indenização Inicia a Impugnante seu pensamento trazendo doutrina com a qual procura melhor definir o conceito de “indenização”, para, a seguir, sublinhar que a indenização não deve ser confundida com qualquer tipo de ganho ou receita, pois se trata de mera reparação – ou compensação – de dano decorrente de inadimplemento de obrigações ou cláusulas contratuais. No pensar da defesa, baseado na doutrina, o descumprimento contratual que ocasione dano ao credor, por ato que se pode imputar ao devedor, gera direito de ser compensado, reparado, indenizado. 2.5.2 – Análise do Caso Concreto – Indenização paga pela Kawasaki Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.704 19 No caso concreto, depois de repisar os argumentos anteriores de que os investimentos em P&D exigem vultosos recursos e exigem a parceria que firma com seus colaboradores (fornecedores), a autuada pontifica: Ø que “em 01/01/2003, a Impugnante e a KAB celebraram o “Support Agreement” e o “Aeronautical Supply Agreement”, os quais também se inseriam no contexto do fornecimento de serviços e produtos em suporte ao programa EMB 170/190, para produção das asas dessas aeronaves”; Ø que, “contudo, KHI e KAB estavam com dificuldades em manter o nível de performance exigido pelos mencionados contratos, incluindo a performance financeira. Dessa forma, para manter e aumentar a competitividade do programa da aeronave Embraer 190/195, as referidas empresas concordaram em transferir à Impugnante as máquinas e equipamentos necessários à execução dos produtos, bem como se responsabilizaram pelo reembolso dos custos que seriam incorridos pela Impugnante (danos gerais decorrentes da quebra contratual); Ø que “as falhas incorridas pela KAWASAKI ensejaram a necessidade de cancelamento do contrato entre as duas empresas, com inevitável dano imposto à Impugnante. Com efeito, verificase claramente no presente caso a figura da necessidade de indenização, pois decorrente de uma relação contratual válida, mas que não foi adequadamente cumprida pela KAWASAKI, com danos causados à Impugnante”; Ø que, “dessa forma, (...) verificase a nítida natureza de indenização dos ingressos financeiros e dos bens recebidos pela Impugnante, uma vez que decorrentes de dano gerado pelo descumprimento de obrigações contratuais e por atos imputáveis à KASAWAKI”. 2.5.3 Tratamento Tributário da Indenização – Inexistência de Fato Gerador do IRPJ e da CSLL Em longo arrazoado, a impugnante discorre acerca da indenização, vista sob a ótica fiscal, sustentando não haver incidência de qualquer espécie sobre bens ou valores recebidos com este caráter jurídico e econômico. Cita e reproduz jurisprudência administrativa e judicial, além de doutrina, perfilando que “não há como se falar em acréscimo patrimonial quando há apenas a retomada do equilíbrio econômico e jurídico perdido”, e que, “por conseguinte, se não há acréscimo patrimonial, impossível caracterizar a incidência do Imposto sobre a Renda ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”, para concluir que: Ø “diante do exposto acima, verificase que a aplicação ao caso concreto é bastante simples. Tendo em vista que a Impugnante recebeu da KAWASAKI indenização em razão de dano gerado pela quebra do contrato, não há que se falar em tributação do referido valor sob o risco de caracterização de confisco, assim como a configuração de desrespeito às normas constitucionais, orientações doutrinária e jurisprudencial”. 2.6 – “Ad Argumentandum” – Mesmo que os Pagamentos Feitos pela Kawasaki não Fossem Indenização, Somente Seriam Tributados Quando da Venda das Aeronaves Reprisa as mesmas teses a respeito da forma de tributação pelo regime de competência, contraposição das despesas às receitas, que os valores, se “possuíssem efetivamente natureza de receitas tributáveis (o que se nega, mas se admite apenas a Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.705 20 título argumentativo), fato é que tais ingressos seriam “receitas a apropriar”, que somente seriam reconhecidas no resultado pelo regime de competência”, reiterando que “tais valores somente seriam reconhecidos quando da venda das aeronaves (mesmo efeito fiscal do procedimento adotado pela Impugnante)”. 2.7 – Da Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa Batese a defesa contra os lançamentos relativos aos juros isolados, entendendo não haver previsão legal para tal desiderato. Diz que é evidente a diferença entre tributo e penalidade, transcreve artigos do CTN e legislação ordinária, doutrina de Alfredo Augusto Becker e jurisprudência do CARF e conclui: “assim, demonstrado que i) multa não é tributo; e ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II e 37 da Constituição Federal”. 3 – DO PEDIDO Finaliza a peça impugnatória protestando provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, além dos documentos anexados à defesa, requer o acolhimento das razões expostas, a improcedência integral dos lançamentos, com extinção dos créditos tributários de IRPJ, CSLL e juros isolados exigidos, com arquivamento do respectivo processo administrativo. Requer, ainda, caso não atendidos os pleitos anteriores ou remanesçam valores em relação às autuações, que, ao menos, seja afastada a aplicação da taxa Selic incidente sobre a respectiva multa. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 05 38.152, de 12 de junho de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que o MPF Fiscalização foi regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. O fato de o procedimento ter se iniciado como diligência, para depois ser convertido em fiscalização, em nada afeta a validade do ato de lançamento. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.706 21 Decadência. Lançamento por Homologação Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento do ente tributante para constituir, de ofício, o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento, sob pena de perda do direito de lançar. No caso, considerando que as infrações detectadas referemse ao anocalendário de 2006, quando a contribuinte adotou o regime de tributação trimestral e que a ciência dos autos lavrados deuse em 29/09/2011, há que se reconhecer ter ocorrido a decadência em relação ao 1º e 2º Trimestres do referido anocalendário, mantidos os demais períodos. Juros Isolados. Lançamentos. Cabimento O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, inclusive nos casos de postergação de receitas, devendo ser exigido por meio de auto de infração, nos termos da legislação aplicável à matéria. No tocante à taxa Selic, sua utilização está fundamentada em expressa determinação legal. Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Receitas. Inobservância do Regime de Competência. Redução do Lucro Real Provado nos autos que a contribuinte postecipou receitas para momento futuro à sua exteriorização econômica e jurídica, afetando o Lucro Real, há que ser refeita a apuração da base imponível do IRPJ e recalculados os valores efetivamente devidos a este título. Valores ou bens recebidos como compensação e derivados de acordo comercial firmado entre a contribuinte e seus fornecedores, por incapacidade ou desinteresse destes em continuar participando dos projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico levados a efeito pela autuada, têm nítido caráter de receitas e não de indenização, impondo sua contabilização e tributação pelo regime de competência. Igualmente, aportes feitos por fornecedores para fins de participação nos projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico levados a efeito pela autuada e cuja exigibilidade deixa de existir em razão de acordo firmado entre as partes e que prevê a transferência, sem ônus para a contribuinte, dos valores ou bens, quando ocorrer a certificação da aeronave projetada, têm nítido caráter de receitas, impondo sua contabilização e tributação pelo regime de competência. Receitas. Inobservância do Regime de Competência. Redução do Lucro Líquido Provado nos autos que a contribuinte postecipou receitas para momento futuro à sua exteriorização econômica e jurídica, afetando o Lucro Líquido, há que ser refeita a apuração da base imponível da CSLL e recalculados os valores efetivamente devidos a este título. Valores ou bens recebidos como compensação e derivados de acordo comercial firmado entre a contribuinte e seus fornecedores, por incapacidade ou desinteresse destes em continuar participando dos projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico levados a efeito pela autuada, têm nítido caráter de receitas e não de indenização, impondo sua contabilização e tributação pelo regime de competência. Igualmente, aportes feitos por fornecedores para fins de participação nos projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico levados a efeito pela autuada e cuja Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.707 22 exigibilidade deixa de existir em razão de acordo firmado entre as partes e que prevê a transferência, sem ônus para a contribuinte, dos valores ou bens, quando ocorrer a certificação da aeronave projetada, têm nítido caráter de receitas, impondo sua contabilização e tributação pelo regime de competência. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.574/1.636, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita: que, analisando as tabelas presentes às fls. 64 da decisão recorrida, notase que o reconhecimento da decadência teve por único efeito a exclusão dos juros isolados relativos aos 1º e 2º trimestres de 2006, não havendo qualquer exoneração relativa ao IRPJ e à CSLL, possivelmente porque, no entendimento da Turma Julgadora, nada foi cobrado de principal no que tange aos referidos trimestres; que, entretanto, se a Turma Julgadora reconheceu que o Fisco não mais poderia cobrar tributos relativamente aos dois primeiros trimestres de 2006, impunhase, como conseqüência lógica, a compensação dos saldos do imposto que teria sido postergado com os tributos exigidos e mantidos referentes aos dois últimos trimestres de 2006; que apresentou defesa relativamente aos juros isolados, de modo que não há que se aceitar o entendimento da Turma Julgadora a quo de que ela teria silenciado ao enfrentar tal matéria; que é certo que se o lançamento dos juros isolados decorre do posicionamento da Fiscalização no sentido de que ela não teria recolhido tributos no prazo de vencimento, em virtude de alegada não observância do regime de competência, evidente que a argumentação despendida na defesa do tópico relativo aos “créditos de parceiros” aplicase, integralmente, para o afastamento dos juros isolados. Às fls. 1.656/1.684, a Ilustre Representante da Fazenda Nacional, amparada pelas disposições do parágrafo 2º do art. 48, ANEXO II, do Regimento Interno deste Colegiado, oferece contrarrazões ao recurso voluntário interposto, momento em que sustentou: VÍCIOS DE FUNDAMENTAÇÃO que é preciso registrar que a fiscalização em face da EMBRAER foi realizada ao amparo do MPF n° 08.1.20.002011001857, não podendo se falar em nulidade pela falta de tal documento; que, independentemente da perfeita higidez do MPF no presente caso, devese ter em mente que o mencionado documento não constitui ato essencial ao procedimento e, consequentemente, ao lançamento fiscal; que o Mandado de Procedimento Fiscal constitui apenas instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais; que a função do MPF é a de delimitar, para fins de organização interna, o sujeito passivo e os tributos objeto do procedimento fiscalizatório, o período de apuração, os Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.708 23 atos sob investigação e o prazo de duração do procedimento fiscal, não se consubstanciando em ato que atribua competência ao Auditor Fiscal para efetuar o lançamento; que não existe qualquer irregularidade no fato de o Fiscal se valer de esclarecimentos fornecidos pela EMBRAER no âmbito do MPFD, emitido em procedimento instaurado contra a Kawasaki, mesmo porque em momento posterior foi iniciado um procedimento específico para analisar as operações da própria recorrente. EFEITOS DO RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA que, em se tratando de pagamento de tributo devido, realizado pelo próprio contribuinte, quando ainda não estava consumada a decadência, não há que se falar em erro no procedimento da fiscalização; que o pleito da EMBRAER apenas poderia ser reconhecido se ela tivesse realizado pagamentos após o prazo decadencial. RECEBIMENTO DE BENS E VALORES DO GRUPO KAWASAKI que é ônus da recorrente comprovar a ocorrência e extensão do dano alegado por ela, e que os recursos recebidos tiveram o intuito de ‘cobrir’ esse prejuízo, não podendo ultrapassálo, sob pena de caracterizar o acréscimo patrimonial; que, não obstante a existência de memorando, documento interno da EMBRAER, falando em prejuízos de 50 milhões de dólares, tal dano deveria ser comprovado; que, caso se admita que a simples juntada de documento interno da EMBRAER, desacompanhado de qualquer outra prova, já seja suficiente para comprovar o alegado dano (o que se admite apenas para argumentar), temse demonstrado apenas o prejuízo de 50 milhões de dólares, e não de toda a riqueza repassada; que o que se tem no processo é a prova de que a EMBRAER recebeu valores e ativos das empresas do grupo KAWASAKI, que, salvo prova em contrário, impactaram positivamente o seu patrimônio; que, ao assumir todos os ativos da KAB, é inegável o incremento no patrimônio da recorrente, mesmo porque não ficou demonstrado como poderiam todos os bens recebidos provocar uma mera reposição patrimonial; que o que se tem, na verdade, é um acordo comercial entre as partes, que provocou um efetivo ganho da contribuinte, ganho este representado pela entrega de recursos e bens, sem que a recorrente tivesse sacrificado parcela de seu patrimônio no mesmo valor; que cumpre mencionar que a própria recorrente tratou os valores não como indenização, mas sim como acréscimo patrimonial, recolhendo os tributos, ainda que de forma postergada; que, afastada a natureza de indenização dos valores recebidos, é certo que a tributação deverá ocorrer conforme o regime de competência, por ser regra geral, bem como critério básico para registro das operações da pessoa jurídica na contabilidade societária e fiscal, no termos do art. 177 da Lei 6.404/76 (Lei das S/A); Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.709 24 que não é possível postergar a tributação dos ganhos, pois eles não estão vinculados à produção e futura vendas das aeronaves; que a aplicação do princípio contábil da confrontação entre receitas e despesas não socorre a pretensão da recorrente, pois apenas autoriza o confronto das receitas decorrentes diretamente da venda das aeronaves com todas as despesas e custos incorridos e que tenham concorrido para sua realização. VALORES RECEBIDOS DE TERCEIROS que, como ocorreu a incorporação definitiva dos valores ao patrimônio da empresa, sem ônus ou sacrifício do ativo, é certo que houve geração de receita, devendo ser oferecida à tributação; que tal fato sequer é contestado pela recorrente, que reconhece o acréscimo patrimonial gerado após a certificação do projeto; que a única divergência diz respeito ao momento adequado para tributação, pois a empresa defende que os créditos de parceiros somente devem ser tributados quando da venda das aeronaves; que não encontra respaldo a tese de que tais receitas somente devem ser apropriadas quando da venda das aeronaves, como se a elas estivessem vinculadas; que, independentemente da discussão contábil que foi levantada pela Embraer, fato é que os recursos recebidos dos fornecedores, no momento em que ocorre a certificação das aeronaves e, consequentemente, a extinção do passivo, provoca um acréscimo patrimonial, devendo ser tributado nessa ocasião, em estrita obediência ao regime de competência; que não é correta a postergação da tributação, pois a receita não tem origem ou não está vinculada a venda das aeronaves que serão produzidas. JUROS ISOLADOS que, devidamente demonstrado que as receitas auferidas pela recorrente deveriam ser reconhecidas conforme o regime de competência, é imperiosa a incidência dos juros de mora, seja qual for o motivo da falta, em atenção ao artigo 161 do CTN; que o acréscimo moratório fundase no dever legal dos contribuintes de recolher a obrigação tributária no prazo de vencimento; que, se a parte não o fez, o lançamento estará autorizado, nos termos do artigo 43 da Lei n° 9.430/96. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO que não há respaldo legal para uma interpretação supostamente literal do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de suprimir indevidamente a expressão “decorrente de tributos e contribuições”; Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.710 25 que, literal por literal, é de prevalecer a interpretação que considera a incidência de juros moratórios sobre os tributos e quantias decorrentes, a exemplo da multa de ofício. (Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições...); que não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo (crédito tributário). É o Relatório. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.711 26 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e JUROS ISOLADOS, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas com base na imputação de ausência de oferecimento à tributação, segundo o regime de competência, de valores recebidos de fornecedores. Tendo a contribuinte apurado o imposto com base no lucro real trimestral, a matéria tributável apurada restou assim distribuída: FATO GERADOR VALOR (R$) 31.03.2006 8.830.204,71 30.06.2006 42.871.869,88 30.09.2006 75.017.019,23 31.12.2006 88.856.162,99 JUROS ISOLADOS 31.03.2006 499.486,47 30.06.2006 1.779.964,78 30.09.2006 3.549.986,82 Penso que a apreciação das questões postas nos autos demandam a análise dos acordos firmados entre a autuada e os seus parceiros comercias. Assim, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte a intime a apresentar cópia, devidamente traduzida por tradutor juramentado, dos documentos abaixo indicados: i) contrato firmado em 05/10/1999 com a KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES LTD (KWI) – MÁSTER PROGRAM CONTRACT; ii) contratos firmados com a KAWASAKI AERONÁUTICA BRASIL LTDA (KAB) – SUPPORT AGREEMENT e AERONAUTICAL SUPPLY AGREEMENT”; iii) distrato efetuado com a KAWASAKI, em 15/06/2006 – LETTER OF AGREEMENT; e iv) contrato representativo dos denominados ACORDOS DE PARCERIA DE RISCO. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13864.720159/201197 Resolução nº 1301000.167 S1C3T1 Fl. 1.712 27 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
