Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19647.010777/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. SÚMULA 84 DO CARF.
De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, conforme súmula 84 do CARF.
Numero da decisão: 1801-001.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. SÚMULA 84 DO CARF. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, conforme súmula 84 do CARF.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.010777/2006-17
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5317036
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.832
nome_arquivo_s : Decisao_19647010777200617.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROBERTO MASSAO CHINEN
nome_arquivo_pdf_s : 19647010777200617_5317036.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen - Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5251595
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372054204416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.010777/200617 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.832 – 1ª Turma Especial Sessão de 05 de dezembro de 2013 Matéria Compensação Pagamento indevido estimativa de IRPJ Recorrente TIM NORDESTE S/A (SUCESSORA DE TELEPISA CELULAR S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. SÚMULA 84 DO CARF. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, conforme súmula 84 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 77 /2 00 6- 17 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata o processo de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 150/159, todas com crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período 01/2003, no valor original de R$ 311.397,00, recolhido em 28/03/2003, para compensação de débitos ali declarados. Por meio do despacho decisório de fl. 164, emitido em 20/03/2007, baseado no Relatório de Informação Fiscal de fls. 160/163, a DRF/Recife não homologou as compensações. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Recife, conforme acórdão de fls. 234/243, prolatado em 13/11/2009. Cientificada da decisão, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 246/263, acompanhado dos documentos de fls. 264/284, que se resume a seguir: a. Relata que, em outubro de 2006, recebeu Autos de Infração, de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699, entre as quais constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSL devidos por estimativa mensal; b. Anota que, em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, em que os fiscais informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização; c. Cita trecho do termo fiscal; d. Explica que, por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em fevereiro de 2003. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de IRPJ; e. Segue narrando que a Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o credito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a titulo de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a titulo de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada; f. Reclama que foi apresentada a manifestação de inconformidade, que a DRJ decidiu não homologar a compensação, ratificando a decisão da DSRF/Recife; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010777/200617 Acórdão n.º 1801001.832 S1TE01 Fl. 3 3 A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2003, passível de compensação com os débitos g. Afirma que, preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito (datado de 13.12.2006), tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influencia do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 899.434,30 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2003 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2004 — doc. j). Isso porque, de acordo com o posicionamento adotado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2003 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado; h. Raciocina que, assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2003 para compensar com os débitos em questão. Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação; Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei i. Cita o artigo 10 da INSRF 600/05 e pondera que, tal regra, segundo a interpretação dada pela DRF/Recife e corroborada pela DRJ, limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ter uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação; j. Entende que, se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no §3°, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O §12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do contribuinte refirase a credito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; k. Alega que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para o exercício dos direitos previstos na Lei. Dai a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Disciplinar os direitos previstos em lei não leva a permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior; l. Anota que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL; m. Aduz que não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei; n. Reclama que a DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infralegais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei n° 9.430/96 e não os dispositivos citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento e apuração do imposto calculado por estimativa; o. Conclui que o artigo 10 da IN SRF n° 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse prevista em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte; A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores p. Argumenta que, mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita; q. Afirma que o artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do períodobase anual com outros tributos distintos deles próprios; r. Sustenta que entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010777/200617 Acórdão n.º 1801001.832 S1TE01 Fl. 4 5 que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta à pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão; Quando das compensações realizadas pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia s. Argumenta que, mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. Assim é porque, quando das compensações realizadas pela contribuinte, ainda não existia, no ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — INSRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e IN SRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460 e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05; t. Assevera que a DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar a compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê a Constituição (art. 5°, XXXVI), seja em razão do CTN (art. 103). O artigo 77 da INSRF 460/04 (a primeira a estabelecer uma regra nos termos do art. 10 da INSRF 600/05) é expresso em prever que ela entraria em vigor na data de sua publicação. Vale dizer, não foi exercida a faculdade de dispor em sentido contrário. Portanto, a restrição ao direito de compensação do contribuinte teria entrado em vigor em 18.10.04, com a INSRF 460/04; u. Acrescenta que o Despacho Decisório da DRF/Recife, ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN. O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. t mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação das compensações realizadas; Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de janeiro de 2003 recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano v. Considera que, mesmo que se houvesse por bem discordar de todas as razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento ao pleito da contribuinte, homologando as compensações por ela realizadas. Ora, o IRPJ de janeiro de 2003 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de IRPJ. A decisão proferida pela DRF/Recife e arbitrária, pois, a partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF n° 600/05, pois o IRPJ de janeiro de 2003 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. w. Entende que o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser negado um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que é irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2003, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração; Vinculação deste processo ao processo n° 19647.009690/200699 x. Contesta a DRJ, que refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos; y. Explica que a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2003 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutivel. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos; z. Assevera que, se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa administrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.009690/200699; Indevida revisão de lançamento aa. Relata que o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da Telepisa Celular S/A). A revisão de ofício decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010777/200617 Acórdão n.º 1801001.832 S1TE01 Fl. 5 7 adotada pela solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, que é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, segundo o Relatório de Informação Fiscal, a revisão de ofício seria indispensável (item 2). Assim, foi apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada em processos específicos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de vários despachos decisórios, a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança de valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; bb. Aduz que o novo valor total exigido por intermédio de tais despachos decisórios é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200599 é de R$ 4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal (item 4 doc. j). Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos pela contribuinte é de R$ 5.719,025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte/quadro 11 doc. j). Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em vários processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN); cc. Com base no art. 145 do CTN, argumenta que o lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei; dd. Entende que, por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de ofício, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento. Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração de procedimento com base em uma solução de consulta interna, o que contraria os artigos 145, 146 e 149 do CTN; ee. Conclui que resta provado que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de e critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas; Conclusão ff. Conclui que o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. O contribuinte enviou as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 150/159, todas com crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período 01/2003, no valor original de R$ 311.397,00, recolhido em 28/03/2003, para compensação de débitos ali declarados. Por meio do despacho decisório de fl. 164, emitido em 20/03/2007, baseado no Relatório de Informação Fiscal de fls. 160/163, a DRF/Recife não homologou as compensações. Em sua decisão, a autoridade administrativa entendeu inexistente o direito creditório do contribuinte, com fulcro no artigo 10 IN SRF n° 600 de 28/12/2005, segundo o qual a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a titulo de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Inicialmente, cabe esclarecer que a TIM Nordeste S/A sucedeu as empresas Telasa Celular S/A, Teleceará Celular S/A, Telern Celular S/A, Telepisa Celular, Telpa Celular S/A e TIM Nordeste Telecomunicações S/A (antiga Telpe Celular S/A). Essas empresas sucedidas efetuaram uma série de compensações com crédito de saldo negativo de IRPJ e CSLL e de pagamento indevido de estimativa de IRPJ e CSLL. As Per/Dcomps foram analisadas de forma conjunta pela DRF/Recife. Consta que, na data de 07/03/2007, foi dado ciência ao contribuinte da seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004622/200552 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 6.892,25 19647.004630/200507 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 6.892,25 19647.004632/200598 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 6.892,25 19647.004633/200532 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 5.839,32 19647.004267/200511 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 1.052,94 19647.004645/200567 CSLL Saldo Negativo 1999 1.396.029,30 19647.004646/200510 CSLL Saldo Negativo 2000 698.847,46 19647.004647/200556 CSLL Saldo Negativo 2001 183.199,96 19647.004642/200523 CSLL Saldo Negativo 2002 287.993,00 19647.004623/200505 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 215.020,48 19647.004266/200577 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 841.145,12 19647.004624/200541 IRPJ Pagamento Indevido 31/07/2002 648.080,52 19647.004625/200596 IRPJ Pagamento Indevido 30/06/2002 19.029,88 19647.004626/200531 IRPJ Pagamento Indevido 30/09/2002 1.592.733,24 19647.004627/200585 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 977.677,85 19647.004631/200543 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 893.749,79 19647.004256/200531 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 278.383,73 19647.004634/200587 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2002 845.368,90 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010777/200617 Acórdão n.º 1801001.832 S1TE01 Fl. 6 9 19647.004635/200521 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 1.097.095,99 19647.004636/200576 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2002 1.981.278,34 19647.004637/200511 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2002 607.753,95 19647.004638/200565 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2002 1.246.309,42 19647.004639/200518 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 1.076.690,18 19647.004640/200534 IRPJ Pagamento Indevido 05/09/2002 984.866,13 19647.004652/200569 IRPJ Saldo Negativo 1998 1.020.281,41 19647.004651/200514 IRPJ Saldo Negativo 1999 1.492.056,02 19647.004648/200509 IRPJ Saldo Negativo 2000 2.320.730,85 19647.004649/200545 IRPJ Saldo Negativo 2001 781.343,92 19647.004650/200570 IRPJ Saldo Negativo 2002 2.992.684,38 TOTAL 24.505.918,83 Posteriormente, em 02/04/2007, o contribuinte recebeu a seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004709/200520 IRPJ Saldo Negativo 1998 2.682.451,33 19647.004708/200585 IRPJ Saldo Negativo 1999 70.109,36 19647.004707/200531 IRPJ Saldo Negativo 2000 155.636,23 19647.004706/200596 IRPJ Saldo Negativo 2001 464.344,19 19647.004705/200541 IRPJ Saldo Negativo 2002 3.254.351,98 19647.010742/200670 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 370.412,98 19647.010744/200669 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 185.744,94 19647.010745/200611 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 335.130,66 19647.010746/200658 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 334.771,15 19647.004704/200505 CSLL Saldo Negativo 1998 551.418,05 19647.004702/200516 CSLL Saldo Negativo 2000 4.267,08 19647.004701/200563 CSLL Saldo Negativo 2001 49.883,52 19647.004700/200519 CSLL Saldo Negativo 2002 22.823,95 19647.010749/200691 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 5.000,03 19647.010751/200661 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.990,77 19647.010752/200613 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.990,76 19647.010753/200650 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 14.106,31 19647.010756/200693 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 2.843,96 TOTAL 8.507.277,25 Posteriormente, em 27/04/2007, o contribuinte recebeu a seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004738/200591 IRPJ Saldo Negativo 1998 259.739,40 19647.004537/200547 IRPJ Saldo Negativo 1999 145.897,98 19647.004736/200501 IRPJ Saldo Negativo 2000 798.208,07 19647.004735/200558 IRPJ Saldo Negativo 2001 67.375,42 19647. 004734/200511 IRPJ Saldo Negativo 2002 566.669,94 19647.010757/200638 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2002 143.219,01 19647.010760/200651 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2002 133.338,68 19647.010762/200641 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2002 161.913,29 19647.010763/200695 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2002 189.581,53 19647.010764/200630 IRPJ Pagamento Indevido 30/06/2002 184.650,56 19647.010766/200629 IRPJ Pagamento Indevido 31/07/2002 230.808,82 19647.010770/200697 IRPJ Pagamento Indevido 31/08/2002 56.492,06 19647.010771/200631 IRPJ Pagamento Indevido 30/09/2002 313.140,51 19647.004740/200561 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 334.157,68 19647.010773/200621 IRPJ Pagamento Indevido 30/11/2002 175.610,21 19647.010775/200610 IRPJ Pagamento Indevido 31/12/2002 139.230,74 19647.010777/200617 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 177.282,61 19647.010778/200653 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 132.116,42 19647.010779/200606 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 231.229,19 19647.010780/200622 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 100.364,98 19647.004733/200569 CSLL Saldo Negativo 1998 139.441,22 19647.004732/200514 CSLL Saldo Negativo 1999 621.177,86 19647.004731/200570 CSLL Saldo Negativo 2000 325.776,64 19647.004730/200525 CSLL Saldo Negativo 2001 23.188,08 19647.004729/200509 CSLL Saldo Negativo 2002 124.384,26 19647.010781/200677 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 12.042,95 19647.010783/200666 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.780,33 19647.010784/200619 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.780,34 19647.010785/200855 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 1.780,34 19647.010786/200608 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 1.780,33 TOTAL 5.794.159,47 Os processos de números 19647.004734/200511 e 19647.010777/200617 (em nome de Telepisa Celular S/A), 19647.004705/200541, 19647.004706/200596 e 19647.010744/200669 (em nome de Telern Celular S/A), 19647.004645/200567 e 19647.004646/200510 (em nome de Teleceará Celular S/A) foram distribuídos para julgamento nesta Primeira Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, os quais estão sendo julgados concomitantemente, na mesma sessão de julgamento. Verificase que tanto a DRF quanto a DRJ não homologaram a compensação em virtude do entendimento de que a estimativa mensal somente pode ser utilizada na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010777/200617 Acórdão n.º 1801001.832 S1TE01 Fl. 7 11 de IRPJ ou CSLL do período. Essa vedação era expressamente prevista no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 e da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, abaixo transcrita. Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Posteriormente, sobreveio a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600/2005, e deixou de contemplar a referida vedação. A questão que se põe é se a proibição ainda vige para as compensações efetuadas entre as datas de publicação das IN SRF nº 460/2004 e IN RFB n° 900/2008, ou se o afastamento da vedação é retroativo. A controvérsia é crucial para o deslinde do presente litígio, tendo em conta que a Per/Dcomp foi transmitida em 14/12/2006. A Administração Tributária pronunciouse sobre essa questão e a orientação dada foi no sentido de que a norma que passou a autorizar a compensação das estimativas é de caráter interpretativo, ou seja, retroage para alcançar fatos anteriores, de forma que a RFB deve reconhecer a utilização, como crédito passível de compensação, pagamentos indevidos de estimativas de IRPJ ou CSLL. Confirase, para tanto, a ementa da Solução de Consulta Interna COSIT n° 19, de 05/12/2011: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Na jurisprudência do CARF, o assunto é matéria sumulada, pelo verbete de número 84, o que impede os Conselheiros de julgar de forma diversa, a teor do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por conseguinte, o acórdão recorrido deve ser reformado para prevalecer o entendimento no sentido da viabilidade da compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas. Superado esse óbice, entretanto, não é possível prosseguir na análise do direito creditório, uma vez que nem a DRF nem a DRJ se pronunciaram a respeito da questão de fundo, ou seja, se o pagamento é ou não indevido. Dessa forma, entendo que os autos devem retornar à DRF de origem para prosseguir na análise da existência e suficiência do direito creditório, procedimento este que não configura novo despacho decisório, com posterior ciência ao contribuinte, sem prejuízo de ulterior manifestação de inconformidade. Deve ser levado em conta a alteração de domicílio da TIM Nordeste S/A, cuja jurisdição passou da DRF/Recife para a DRF/São Paulo. Deixo de apreciar as outras questões levantadas pela defesa, em vista da decisão favorável. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem para a análise da existência e suficiência de crédito da declaração de compensação e eventual homologação da compensação até o limite do crédito a ser apurado. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 306DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010777/200617 Acórdão n.º 1801001.832 S1TE01 Fl. 8 13 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720979/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. LANÇAMENTO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE.
Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
AJUDA DE CUSTO. FINANCIAMENTO PARCIAL VEÍCULO EMPREGADO. RESSARCIMENTO UTILIZAÇÃO NO TRABALHO. VERBA NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Tratando-se de verba eminentemente indenizatória/ressarcitória, o pagamento de ajuda de custo, in casu, de 50% no financiamento do veículo do empregado utilizado para o desenvolvimento das atividades de interesse da empresa, formalizada a partir de espécie de contrato de aluguel do automóvel, não se sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, notadamente quando a fiscalização sequer tem o cuidado de se aprofundar nos fatos de maneira a demonstrar a eventual natureza remuneratória de aludida verba.
Mais a mais, referida ajuda de custo não pode ser considerada como vantagem a ser acrescida à remuneração e/ou patrimônio do segurado, porquanto objetiva precipuamente ressarcir a depreciação e demais custos pela utilização do veículo do funcionário na prestação do serviço de interesse da empresa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. ACORDO FIRMADO COM SINDICATO DA BASE TERRITORIAL DA MATRIZ. APROVEITAMENTO FUNCIONÁRIOS LOTADOS EM FILIAIS DE OUTRAS REGIÕES. VALIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, o fato da PPRR concedida pela empresa aos seus funcionários lotados no Estado de Goiás adotar o Acordo com o Sindicato da matriz (SP) e outras filiais (RJ) não tem o condão de desnaturar aludido programa, sobretudo em observância aos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido, bem como da razoabilidade, não havendo se falar em afronta à Lei n° 10.101/2001, na linha da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
PLR. AUSÊNCIA CLAREZA NA IMPUTAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA DEFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DO FEITO.
Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, incumbe à autoridade fazendária, ao promover o lançamento, especialmente tratando-se de descaracterização de programa de PLR, indicar os motivos/razões que escoram a pretensão fiscal, com a devida indicação do dispositivo legal infringido, em uma verdadeira subsunção do fato à norma, sob pena da improcedência do feito, o que se vislumbra no caso vertente.
A simples assertiva de constatações vislumbradas no decorrer do procedimento fiscal, sem o devido aprofundamento na matéria e indicação da norma legal contrariada, mais precisamente aquelas constantes da Lei n° 10.101/2001, não oferece guarida à desconsideração do programa de PLR.
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N° 89. ECONOMIA PROCESSUAL.
Em observância a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa, mormente em face da economia processual, especialmente após a aprovação da Súmula CARF n° 89.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) declarar a decadência, para os Autos de Infração pertinentes ao descumprimento de obrigação principal (DEBCAD's n°s 37.328.680-5, 37.328.682-1 e 37.328.681-3), até a competência 07/2006; e b) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu haver tributação de PLR para os estabelecimentos sem acordo sindical da respectiva base territorial. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo votou pelas conclusões, com relação à exoneração da tributação da PLR, especificamente acerca da exigência de acordo sindical da respectiva base territorial.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.720979/2011-25
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5325642
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.240
nome_arquivo_s : Decisao_19515720979201125.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720979201125_5325642.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) declarar a decadência, para os Autos de Infração pertinentes ao descumprimento de obrigação principal (DEBCAD's n°s 37.328.680-5, 37.328.682-1 e 37.328.681-3), até a competência 07/2006; e b) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu haver tributação de PLR para os estabelecimentos sem acordo sindical da respectiva base territorial. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo votou pelas conclusões, com relação à exoneração da tributação da PLR, especificamente acerca da exigência de acordo sindical da respectiva base territorial. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5295656
ano_sessao_s : 2013
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. LANÇAMENTO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AJUDA DE CUSTO. FINANCIAMENTO PARCIAL VEÍCULO EMPREGADO. RESSARCIMENTO UTILIZAÇÃO NO TRABALHO. VERBA NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Tratando-se de verba eminentemente indenizatória/ressarcitória, o pagamento de ajuda de custo, in casu, de 50% no financiamento do veículo do empregado utilizado para o desenvolvimento das atividades de interesse da empresa, formalizada a partir de espécie de contrato de aluguel do automóvel, não se sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, notadamente quando a fiscalização sequer tem o cuidado de se aprofundar nos fatos de maneira a demonstrar a eventual natureza remuneratória de aludida verba. Mais a mais, referida ajuda de custo não pode ser considerada como vantagem a ser acrescida à remuneração e/ou patrimônio do segurado, porquanto objetiva precipuamente ressarcir a depreciação e demais custos pela utilização do veículo do funcionário na prestação do serviço de interesse da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. ACORDO FIRMADO COM SINDICATO DA BASE TERRITORIAL DA MATRIZ. APROVEITAMENTO FUNCIONÁRIOS LOTADOS EM FILIAIS DE OUTRAS REGIÕES. VALIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, o fato da PPRR concedida pela empresa aos seus funcionários lotados no Estado de Goiás adotar o Acordo com o Sindicato da matriz (SP) e outras filiais (RJ) não tem o condão de desnaturar aludido programa, sobretudo em observância aos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido, bem como da razoabilidade, não havendo se falar em afronta à Lei n° 10.101/2001, na linha da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. PLR. AUSÊNCIA CLAREZA NA IMPUTAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA DEFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DO FEITO. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, incumbe à autoridade fazendária, ao promover o lançamento, especialmente tratando-se de descaracterização de programa de PLR, indicar os motivos/razões que escoram a pretensão fiscal, com a devida indicação do dispositivo legal infringido, em uma verdadeira subsunção do fato à norma, sob pena da improcedência do feito, o que se vislumbra no caso vertente. A simples assertiva de constatações vislumbradas no decorrer do procedimento fiscal, sem o devido aprofundamento na matéria e indicação da norma legal contrariada, mais precisamente aquelas constantes da Lei n° 10.101/2001, não oferece guarida à desconsideração do programa de PLR. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N° 89. ECONOMIA PROCESSUAL. Em observância a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa, mormente em face da economia processual, especialmente após a aprovação da Súmula CARF n° 89. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Recurso Voluntário Provido.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372076224512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.805 1 1.804 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720979/201125 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.240 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria SALÁRIO INDIRETO Recorrente PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. LANÇAMENTO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 79 /2 01 1- 25 Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AJUDA DE CUSTO. FINANCIAMENTO PARCIAL VEÍCULO EMPREGADO. RESSARCIMENTO UTILIZAÇÃO NO TRABALHO. VERBA NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Tratandose de verba eminentemente indenizatória/ressarcitória, o pagamento de ajuda de custo, in casu, de 50% no financiamento do veículo do empregado utilizado para o desenvolvimento das atividades de interesse da empresa, formalizada a partir de espécie de contrato de aluguel do automóvel, não se sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, notadamente quando a fiscalização sequer tem o cuidado de se aprofundar nos fatos de maneira a demonstrar a eventual natureza remuneratória de aludida verba. Mais a mais, referida ajuda de custo não pode ser considerada como vantagem a ser acrescida à remuneração e/ou patrimônio do segurado, porquanto objetiva precipuamente ressarcir a depreciação e demais custos pela utilização do veículo do funcionário na prestação do serviço de interesse da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. ACORDO FIRMADO COM SINDICATO DA BASE TERRITORIAL DA MATRIZ. APROVEITAMENTO FUNCIONÁRIOS LOTADOS EM FILIAIS DE OUTRAS REGIÕES. VALIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.806 3 importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, o fato da PPRR concedida pela empresa aos seus funcionários lotados no Estado de Goiás adotar o Acordo com o Sindicato da matriz (SP) e outras filiais (RJ) não tem o condão de desnaturar aludido programa, sobretudo em observância aos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido, bem como da razoabilidade, não havendo se falar em afronta à Lei n° 10.101/2001, na linha da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. PLR. AUSÊNCIA CLAREZA NA IMPUTAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA DEFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DO FEITO. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, incumbe à autoridade fazendária, ao promover o lançamento, especialmente tratandose de descaracterização de programa de PLR, indicar os motivos/razões que escoram a pretensão fiscal, com a devida indicação do dispositivo legal infringido, em uma verdadeira subsunção do fato à norma, sob pena da improcedência do feito, o que se vislumbra no caso vertente. A simples assertiva de constatações vislumbradas no decorrer do procedimento fiscal, sem o devido aprofundamento na matéria e indicação da norma legal contrariada, mais precisamente aquelas constantes da Lei n° 10.101/2001, não oferece guarida à desconsideração do programa de PLR. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N° 89. ECONOMIA PROCESSUAL. Em observância a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa, mormente em face da economia processual, especialmente após a aprovação da Súmula CARF n° 89. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) declarar a decadência, para os Autos de Infração pertinentes ao descumprimento de obrigação principal (DEBCAD's n°s 37.328.6805, 37.328.6821 e 37.328.6813), até a competência 07/2006; e b) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu haver tributação de PLR para os estabelecimentos sem acordo sindical da respectiva base territorial. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo votou pelas conclusões, com relação à exoneração da tributação da PLR, especificamente acerca da exigência de acordo sindical da respectiva base territorial. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.807 5 Relatório PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 16 36.234/2012, às fls. 1.693/1.734, que julgou procedentes os lançamentos fiscais, lavrados em 25/08/2011, concernentes às contribuições sociais devidas ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim consideradas as verbas pagas a título de vale transporte em pecúnia, ajuda de custo financiamento veículos e PLR, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 52/56, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: 1) AIOP n° 37.328.6805 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados; 2) AIOP n° 37.328.6821 – Contribuições Sociais concernentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados; 3) AIOP n° 37.328.6813 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros (INCRA, FNDE, SEBRAE, SESI e SENAI), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados; 4) AIOAC n° 37.328.6791 – Auto de Infração Código 68 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados; De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas encontramse discriminados nos levantamentos abaixo elencados: A) 1260 – Ajuda de Custo até 50% referente aos pagamentos concedidos aos empregados pela empresa a título de ajuda no financiamento de veículos próprios, assumindo mensalmente um percentual das parcelas resultantes deste financiamento; B) 1410 – Reembolso de Vale Transporte – Pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados, em pecúnia, diretamente na folha de pagamento, destinado aqueles que residem em locais distantes, não alcançados pelo transporte oferecido pela contribuinte (ônibus fretados); C) 1411 – Diferença Reembolso de Vale Transporte – Situação idêntica à anterior; Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 D) PLR – Participação nos Lucros e Resultados – Esclarece a fiscalização que a PLR 2006/2007 concedida pela empresa aos segurados empregados contrariaram os preceitos da Lei n° 10.101/2001, uma vez que a) a contribuinte apresentou os acordos sobre Participação Dos Empregados Nos Resultados da Empresa, firmados entre a matrizCNPJ (São Paulo), seu estabelecimento (Rio de Janeiro) e os Sindicatos dos Trabalhadores de São Paulo e Região, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nilópolis e São João do Meriti, não constando, porém, deste acordo, o Sindicato de Trabalhadores de Goiás, embora os funcionários deste tenham recebido as verbas relativas ao PLR; b) Informa que com base neste acordo, a verba de PLR seria extinta, sendo substituída pela rubrica PPRRcódigo 990, o que de fato não ocorreu, verificandose a coexistência de ambas; c) contabilmente, duas contas foram utilizadas: 14o Salário: 0041210016 x Provisão de PPRR: 021220103, em que os valores pagos a título de 14o Salário foram recolhidos, não ocorrendo o mesmo aos relativos ao PPRR, embora aparentemente sejam contas coligadas, notandose aqui tratamento diferenciado para ambas, no 1o caso com recolhimento previdenciário, o que já não ocorreu no 2o caso. E) 990 – PPRR – Participação nos Resultados da ROCHE: vide explicação acima; F) 4110 – Participação Nos Lucros: nomenclatura diversa para PLR; Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 1.747/1.797, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela aplicação do prazo decadencial constante do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional em detrimento aos preceitos do artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, tendo em vista a natureza dos tributos ora exigidos, sujeitos ao lançamento por homologação, sobretudo em virtude da ocorrência de recolhimentos relativamente à parcela da remuneração reconhecida pela contribuinte, restando decaídos os fatos geradores ocorridos até 07/2006. Ainda em sede de preliminar, requer seja decretada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Vindica, ainda, seja reconhecida a nulidade do lançamento, em razão de vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF’s emitidos em face da fiscalizada, os quais foram prorrogados indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência e ausente a devida ciência da contribuinte, ensejando a lavratura da autuação fora do prazo do respectivo documento, o que a torna nula. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, contrapõese ao presente lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, mais precisamente Ajuda de Custo Financiamento Veículo, Vale Transporte em Pecúnia e PLR, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.808 7 Relativamente à Ajuda de Custo de 50%, aduz que aludido benefício escora se em espécie de contrato de aluguel de veículo de empregados das áreas de vendas e outros voltados a certos cargos gerenciais, em que há necessidade rotineira de referido transporte para prestação do trabalho inerente às atividades desenvolvidas. Assevera que a ajuda de custo paga pela empresa para auxiliar o empregado no pagamento do financiamento de seu veículo decorre exclusivamente da necessidade do mesmo para o trabalho, pois a utilização do bem se dá no interesse da empresa, conforme consta do “Instrumento Particular de Pagamento de Reembolso de Parte de Despesas de Depreciação” celebrado com os empregados, os quais utilizam seus automóveis próprios, arcando com seu desgaste e depreciação, especialmente para visitas a clientes, representando, portanto, uma verdadeira indenização. Defende que a autoridade lançadora deixou de demonstrar, no Relatório Fiscal, as razões adotadas para fins de consideração de tais pagamentos como salário de contribuição. Mais a mais, suscita que os segurados empregados beneficiados por este programa não estão incluídos no outro denominado “Taxa Quilometragem”, que visa reembolsar o funcionário pelo Km rodado, igualmente, se caracterizando como indenização. Quanto aos valores pagos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, infere que o fato de a contribuinte concedêlo em pecúnia não afasta a natureza indenizatória de aludida verba, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme o Supremo Tribunal Federal reconheceu nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/2010, impondo seja observada aludida decisão na via administrativa, sobretudo em face do Parecer AGU n° 60/2011, rechaçando de uma vez por todas referida exação, o qual é de observância obrigatória por parte dos Órgãos da administração pública. No que tange às importâncias pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados, opõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que as parcelas concedidas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados não podem ser consideradas remunerações e, por conseguinte, indevida a inclusão no salário de contribuição, face aos preceitos inscritos no artigo 7º, inciso XI, da CF, c/c artigo 22 da Lei nº 8.212/91, os quais excluem tais importâncias da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tratandose de uma verdadeira imunidade objetiva. Corroborando o acima exposto, defende que o legislador, através do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, entendimento, esse, reforçado pela Lei nº 10.101/2000, bem como pela jurisprudência de nossos Tribunais, impondo seja decretada a improcedência do feito. Alega que o único argumento da fiscalização para desconsiderar o programa de PLR da contribuinte foi a falta de assinatura do acordo pelo representante do Sindicato dos Trabalhadores de Goiás, eis que os funcionários lotados naquele Estado também receberam tais verbas, em conformidade com o Acordo de PLR celebrado e assinado com os Sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro. Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Ressalta que essa imputação, ainda que surtisse efeito para os funcionários lotados no Estado de Goiás, não teria o condão de rechaçar todo o programa de PLR instituído pela empresa, de maneira a ensejar a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a todos os segurados empregados da contribuinte, inclusive aqueles que trabalham no Rio de Janeiro e São Paulo, cujos Sindicatos participaram dos acordos. Esclarece, ainda, que a ausência de participação do Sindicato do Estado de Goiás nas tratativas e acordo do programa de PLR se deu em razão de existirem poucos empregados (15 – quinze) lotados naquela localidade, não havendo qualquer prejuízo aos mesmos uma vez que os Acordos foram avaliados e ratificados por dois Sindicatos da mesma categoria econômica, visando a isonomia de todos os funcionários da empresa. Infere que os pagamentos da PLR observaram todo regramento previsto nos Acordos, mesmo porque não houve qualquer imputação de pagamento disfarçado de salários. Acrescenta que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça oferece proteção ao pleito da contribuinte, tendo em vista afastar a necessidade de participação do Sindicato nas tratativas do programa da PLR, por entender ser requisito meramente formal, que não tem o condão de macular a natureza da verba. Relata que em nenhum momento o acordo de PLR celebrado contempla a substituição da rubrica PLR pela PPRR, ao contrário do entendimento levado a efeito pela fiscalização, restando estabelecido tão somente que a PLR negociada pela empresa substitui e exclui a PLR prevista de forma genérica para as empresas da categoria, em Convenção Coletiva, consoante se comprova dos documentos colacionados aos autos. Ainda que verdade fosse a alegação do fiscal autuante, defende que a simples alteração da denominação contábil da rubrica não é capaz de rechaçar o conteúdo da verba concedida pela empresa em conformidade com o regramento (acordo) celebrado. Relativamente à Rubrica 990, explicita que se refere ao pagamento de PLR proporcional a empregados desligados, conforme fichas de registro e termos de rescisão anexados às defesas e ignorados pela decisão recorrida, inexistindo razão à imputação fiscal. No que concerne à Rubrica 4110, esclarece que diz respeito a pagamento de PLR para os empregados que foram desligados em março de 2007 e tinham participação a receber do acordo de 2006, nos termos das rescisões de contrato de trabalho trazidas à colação. Pretende seja afastada a multa de ofício aplicada, de 75%, aduzindo que a fiscalização confundiu multa de mora com de ofício, devendo ser adotada a penalidade de 24%, mais benéfica ao contribuinte em todo o período, independentemente da multa por eventual obrigação acessória. Quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória, pugna pela aplicação dos preceitos da Lei n° 11.941/2009, mais precisamente a alteração introduzida na Lei n° 8.212/91, com a inclusão do artigo 32A, mais benéfico a contribuinte, o que enseja a sua necessária observância no cálculo da penalidade imputada. Disserta a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade de responsabilização dos sócios em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.809 9 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face da contribuinte foram lavrados Autos de Infração em virtude da constatação do descumprimento das obrigações acessória e principal abaixo discriminadas, no decorrer do período de 01/2006 a 12/2007, senão vejamos: 1) AIOP n° 37.328.6805 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados; 2) AIOP n° 37.328.6821 – Contribuições Sociais concernentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados; 3) AIOP n° 37.328.6813 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros (INCRA, FNDE, SEBRAE, SESI e SENAI), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados; 4) AIOAC n° 37.328.6791 – Auto de Infração Código 68 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados; Em face do apensamento de todos os processos, diante do nexo de causa e efeito que os vincula, a contribuinte apresentou defesa inaugural, que fora rechaçada pela autoridade lançadora de primeira instância e, posteriormente, recurso voluntário, contemplando todas as rubricas lançadas e infrações imputadas. Muito embora a contribuinte tenha suscitado algumas questões apartadas por levantamento ou auto de infração, para todos os lançamentos arguiu, preliminarmente, a nulidade do feito por vício formal, material, bem como a decadência parcial da exigência fiscal, além de outras alegações, as quais passaremos a analisar para, posteriormente, adentrar às demais questões de mérito. DA DECADÊNCIA – LANÇAMENTOS OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Preliminarmente, requer a contribuinte seja acolhida a decadência parcial da exigência fiscal, adotandose o prazo inscrito no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento aos preceitos do artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, tendo Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.810 11 em vista a natureza dos tributos ora exigidos, sujeitos ao lançamento por homologação, sobretudo em virtude da ocorrência de recolhimentos relativamente à parcela da remuneração reconhecida pela contribuinte, restando decaídos os fatos geradores ocorridos até 07/2006. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, quanto ao dispositivo legal a ser aplicado, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.811 13 Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.812 15 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, consoante se extrai do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, às fls. 77/78, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 25/08/2011, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto das autuações, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 07/2006, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito, para os Autos de Infração pertinentes ao descumprimento de obrigação principal (DEBCAD’s n°s 37.328.6805, 37.328.6821 e 37.328.6813). Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOAC n° 37.328.6791 AI 68 Igualmente, para o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido. Inicialmente, mister destacar que corroboramos com a conclusão da tese aventada pela contribuinte, no sentido da aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4°, do CTN, não em face da pretensa existência de recolhimentos, uma vez que a presente autuação decorre de descumprimento de obrigação acessória e não principal, onde se cogitaria em antecipação de pagamento, mas, sim, por conta do decisum exarado nas autuações por descumprimento de obrigação principal, onde sustentamos a decadência com base no dispositivo legal supra, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Entrementes, inobstante compartilhar com o inconformismo da contribuinte na forma explicitada acima, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida, razão pela qual nos quedamos a aludido raciocínio, em homenagem a economia processual. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS Ainda em sede de preliminar, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade formal dos feitos, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do Código Tribunal e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.813 17 Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, GFIP’s, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. PRELIMINAR NULIDADE MPF Requer, ainda, a contribuinte, seja decretada a nulidade do lançamento, por entender haver vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF’s, emitidos em face da fiscalizada, os quais foram prorrogados indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência e sem a sua devida ciência, tendo as autuações sido cientificadas fora do lapso temporal permitido naqueles documentos. Não obstante compartilhar com o entendimento da recorrente, no sentido de que eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF enseja a nulidade do feito, conforme já manifestamos em inúmeras oportunidades, o certo é que a jurisprudência atual deste Colegiado e, principalmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, afasta a mácula no lançamento decorrente de pretensas irregularidades naquele ato, consoante se infere do julgado com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 Recurso voluntário negado.” (2ª Turma da CSRF, Processo nº 10280.001818/200355 – Acórdão nº 920201.757 – Sessão de 27/09/2011) Assim, em homenagem à economia processual, nos quedamos ao posicionamento majoritário deste Egrégio Conselho, o qual não acolhe a nulidade do lançamento decorrente de eventuais irregularidades na emissão do MPF, razão pela qual deixaremos de analisar pontualmente os vícios suscitados pela recorrente, uma vez restar totalmente infrutífero o exame destas questões, o que impõe seja rejeitada a preliminar de nulidade arguida. MÉRITO Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, dissertando a propósito da pretensa não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de Ajuda de Custo Financiamento Veículo, Vale Transporte em Pecúnia e PLR, além de se insurgir contra as penalidades aplicadas nas autuações por descumprimento de obrigações acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira individualizada adiante. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados, acima elencadas, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das três verbas lançadas na presente autuação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.814 19 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.815 21 legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Com mais especificidade, contemplando as verbas em epígrafe, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições, in verbis: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: [...] VI a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; [...] X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]” Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a tributação de todas as verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, em razão de suas peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência administrativa e atual de nossos Tribunais Superiores, senão vejamos: A – DA AJUDA DE CUSTO ATÉ 50% Consoante se infere do Relatório Fiscal, aludido levantamento se refere aos pagamentos concedidos pela empresa aos empregados a título de ajuda no financiamento de veículos próprios, assumindo mensalmente um percentual das parcelas resultantes deste financiamento, verba que não se enquadra em uma das hipóteses inscritas no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, razão de sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Por sua vez, em sua peça recursal, explicita a contribuinte que referido benefício escorase em espécie de contrato de aluguel de veículo de empregados das áreas de vendas e outros voltados a certos cargos gerenciais, em que há necessidade rotineira do transporte para prestação do trabalho inerente às atividades desenvolvidas. Mais precisamente, esclarece que a ajuda de custo paga pela empresa para auxiliar o empregado no pagamento do financiamento de seu veículo decorre exclusivamente da necessidade do mesmo para o trabalho, pois a utilização do bem se dá no interesse da empresa, conforme consta do “Instrumento Particular de Pagamento de Reembolso de Parte de Despesas de Depreciação” celebrado com os empregados, os quais utilizam seus automóveis próprios, arcando com seu desgaste e depreciação, especialmente para visitas a clientes, representando, portanto, uma verdadeira indenização. Defende que a autoridade lançadora deixou de demonstrar, no Relatório Fiscal, as razões adotadas para fins de consideração de tais pagamentos como salário de contribuição. Mais a mais, suscita que os segurados empregados beneficiados por este programa não estão incluídos no outro denominado “Taxa Quilometragem”, que visa reembolsar o funcionário pelo Km rodado, igualmente, se caracterizando como indenização. Afora os fundamentos da autoridade lançadora ao promover o lançamento, corroborados pelo julgador recorrido, o insurgimento da contribuinte merece acolhimento. Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Destarte, é bem verdade que as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidade de contribuições previdenciárias encontramse previstas na legislação de regência, Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.816 23 notadamente no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 214, § 9°, do Decreto n° 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social. Entrementes, a jurisprudência deste Colegiado já firmou entendimento no sentido de que, primeiramente, incumbe à autoridade lançadora demonstrar que a verba concedida aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais encontramse revestidas das características básicas do salário de contribuição. Em outras palavras, o simples fato de o benefício concedido pela contribuinte aos seus funcionários não se encontrar elencado nos dispositivos legais encimados, por si só, não o caracteriza automaticamente como remuneração. Mesmo porque, na hipótese de o benefício concedido ter natureza eminentemente indenizatória, por exemplo, não há se falar em incidência dos tributos ora lançados. Daí porque, é dever da autoridade fazendária adentrar aos aspectos peculiares de cada verba/benefício concedido pela contribuinte aos seus empregados, se aprofundando na questão de maneira a comprovar que, efetivamente, se apresenta como uma nítida remuneração, em razão de sua própria natureza, dos motivos e condições de pagamento, etc. Isso o fiscal autuante não logrou demonstrar no caso vertente, se limitando a informar que o levantamento: “1260 – Ajuda de Custo até 50% a empresa financia veículos para funcionários da empresa, assumindo mensalmente um percentual das parcelas resultantes deste financiamento.” Por seu turno, a contribuinte explicitou que tais pagamentos objetivam indenizar certos empregados, com atividades externas e/ou gerenciais, pelo uso de seu veículo próprio, em virtude do desgaste com a sua utilização pelos serviços prestados para a empresa, devidamente formalizado em espécie de contrato de aluguel de veículo, com nítida natureza ressarcitória, o que afasta a incidência dos tributos ora lançados. Aliás, essa Colenda Turma já se manifestou sobre o tema, acolhendo a pretensão da contribuinte em situação semelhante, nos termos do Acórdão n° 240102.272, da lavra do ilustre Conselheiro Relator Kleber Ferreira de Araújo, de onde peço vênia para transcrever excertos da ementa e voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. RESSARCIMENTO MEDIANTE O PAGAMENTO DE VALOR PROPORCIONAL AOS QUILÔMETROS RODADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES PAGOS ESTÃO ACIMA DOS GASTOS INCORRIDOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não sofrem incidência de contribuições os pagamentos destinados a ressarcir os empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução dos serviços, ainda que sejam calculados em razão dos quilômetros rodados, a menos que o fisco demonstre que os valores pagos são desproporcionais aos gastos efetuados, devendose tributar o excesso. [...] Voto Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 24 [...] Verificase, das palavras acima, que a Auditoria verificou na folha de pagamento a referida verba e, por entender que a mesma não se enquadraria na isenção referida na alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, incluiua na base de cálculo do lançamento. Foi acostada planilha demonstrativa dos valores pagos a esse título por competência (anexo I). Alega a empresa que a verba “Ajuda de Custo” era uma obrigação prevista em contrato individual do trabalho e também em convenções coletivas, pelos quais o empregador deveria ressarcir os motoristas pelas despesas de viagem relacionadas a manutenção dos veículos e cargas e descargas de mercadorias. Foram acostados contratos individuais de trabalho e convenções coletivas. No julgamento de primeira instância, entendeuse que a falta de comprovação das despesas afastaria o caráter indenizatório da verba, devendo incidir contribuição sobre a mesma. Alegase ainda que não há previsão na legislação previdenciária no sentido de excluir esse tipo de Ajuda de Custo do saláriodecontribuição. Vejo que não há divergência de entendimento quanto à natureza da verba denominada pela empresa de “Ajuda de Custo”. Certamente a mesma não se confunde com aquela tratada na alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, posto que essa diz respeito ao pagamento para fazer frente a despesas de mudança de local de trabalho do empregado. É fato também que, ao definir o saláriodecontribuição, o art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não menciona especificamente em nenhuma das hipóteses que elenca a exclusão da base de cálculo das contribuições de parcela destinada a ressarcir o empregado com despesas efetuadas com a realização do trabalho. Todavia, o “caput” do dispositivo nos mostra o caminho para solução da contenda. Vejamos a literalidade da texto legal: (...) A luz da norma transcrita, qualquer pagamento, independente da denominação ou forma de pagamento, desde que destinado a retribuir o trabalho, sofre a incidência das contribuições. Dito de outra forma, as parcelas que representem contraprestação pelo trabalho, também chamadas verbas salariais, são passíveis, via de regra, de tributação para a Seguridade Social. Portanto, caso a empresa comprove que um determinado valor foi disponibilizado para a realização do trabalho, o mesmo não deve ser suportado pelo empregado, assumindo essa verba natureza de indenização, devendo ficar livre da incidência previdenciária, até porque não se incorpora à remuneração dos segurado. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.817 25 [...] b) Manutenção de Veículos Sobre essa verba, o fisco assim se pronunciou: “3.2 A rubrica "Manutenção de Veículos", também constante da folha de pagamento da empresa, paga sem comprovação de despesas, aos gerentes regionais de venda, assistente comercial, cobradores e gerente de área, no período de 11/99 a 12/2004, caracterizado como salário utilidade, mas não incluída no salário de contribuição, conforme prevê o § 9 o , "g", art. 28, da Lei 8.212/91;” Assevera a empresa que se trata de mero reembolso pela utilização do veículo a serviço da empresa pelo pessoal de vendas, o qual se encontra previsto no próprio contrato de trabalho, assinado na admissão do empregado, e contempla manutenção, desgaste, abastecimento do veículo, seguro obrigatório, IPVA e seguro total. Vejamos o que diz a Lei n.º 8.212/1991 especificamente sobre essa rubrica: art. 28. Entendese por salário de contribuição: § 9 o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (...) O fisco desconsiderou o alegado caráter indenizatório da verba sob a justificativa de que não foram apresentados os comprovantes das despesas. A recorrente afirmou que os pagamentos eram efetuados mediante comprovação dos quilômetros rodados, os quais eram registrados em mapas de viagem. Apresenta documentos e jurisprudência cujo entendimento firmado afasta o caráter salarial desse tipo de pagamento. Uma primeira questão a ser encarada é que há a comprovação nos autos de que empregados do setor de vendas utilizavam os seus veículos para realizar viagens a serviço da empresa. Dúvida não há que esses valores teriam que ser ressarcidos aos segurados, que não devem suportar gastos efetuados para execução do serviço. A empresa adotou a sistemática de ressarcir tais despesas mediante a fixação de um valor para cada quilometro comprovadamente rodado em deslocamentos realizados pelos empregados em veículo próprio para execução de tarefas relacionadas ao trabalho. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 26 No meu entender, esses valores não trazem ao empregado qualquer vantagem financeira, não representado acréscimo patrimonial, uma vez que os mesmos são aplicados no abastecimento e manutenção dos automóveis. Imaginemos que se a empresa optasse por adquirir frota de automóveis, disponibilizando os veículos para o pessoal do setor de vendas. Certamente esse benefício não haveria de sofrer a incidência de contribuições, assim, havendo a comprovação dos quilômetros rodados em veículo do empregado, o que era feito mediante a apresentação dos relatórios de viagem, não deve essa verba vir a compor o saláriodecontribuição. Caso o fisco tivesse demonstrado que o valor pago por quilômetro rodado estava em valor desproporcional aos custos incorridos, caberia a tributação sobre o excesso, todavia, não houve por parte da fiscalização a preocupação de fazer esse comparativo, que poderia justificar a procedência do lançamento. Nesse sentido, acompanho o entendimento expresso na decisão judicial colacionada pela recorrente, a qual não custa transcrever: "TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. DESPESAS DE QUILOMETRAGEM. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A utilização de veículo do próprio empregado é um benefício em favor da empresa, por sujeitar seu patrimônio aos riscos e depreciações, custos esses que bem podem ser dimensionados com a comparação de valores locatícios de veículos em empresas especializadas, tudo a indicar inexistir excesso de valores indenizados. 2. O ressarcimento das despesas realizadas a título de quilometragem, prestadas por empregados que fazem uso de seus veículos particulares, não tem natureza salarial, não integrando, assim, o saláriodecontribuição para fins de pagamento da previdência social. RESP 395431/SC Rei. Min. José Delgado Primeira Turma DJ 25.03.2002" Concluo, assim, que devem ser expurgadas da base de cálculo as parcelas lançadas sobre a denominação “Manutenção de Veículos”. [...]” Mutatis mutandis, é o que se vislumbra na hipótese dos autos, com a diferença que a referência para o pagamento de aludido auxílio não se fixa no quilômetro rodado, mas, sim, no efetivo uso do veículo do empregado na prestação de serviços de interesse da empresa, a partir de “Instrumento Particular de Pagamento de Reembolso de Parte de Despesas de Depreciação” (colacionados aos autos junto à impugnação), formalizado com cada empregado, estabelecendo as condições e especificando os dados dos veículos, etc. Aliás, a autoridade lançadora sequer contestou o modelo utilizado pela contribuinte para pagamento de tal benefício, se limitando a incluílo na base de cálculo das Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.818 27 contribuições previdenciárias, em razão de não se encontrar listado no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, no entendimento do julgador de primeira instância. Dessa forma, como demonstrado alhures, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias pelo simples fato de referida verba não encontrar amparo no dispositivo legal retro, cabendo à fiscalização, primeiramente, se aprofundar na matéria com a finalidade de comprovar a sua natureza remuneratória. In casu, além do pagamento da ajuda de custo em referência se apresentar com características de verba indenizatória pela utilização de veículo próprio do empregado no desenvolvimento das atividades de interesse da empresa, a autoridade fiscal não logrou comprovar e/ou qualificála como remuneração, o que afasta a incidência dos tributos lançados, devendo ser excluído este levantamento da exigência fiscal. B – DO VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA Ao promover o lançamento, o ilustre fiscal autuante constatou que a empresa concede valetransporte em pecúnia aos segurados empregados, o que malfere a legislação de regência, que estabelece somente esta possibilidade na hipótese de insuficiência ou falta de estoque das empresas fornecedoras, o que não se vislumbra no caso vertente, onde os pagamentos em dinheiro se davam com freqüência, caracterizando, portanto, como remuneração (salário indireto), no entendimento da fiscalização. Em suas razões recursais, precipuamente, aduz a contribuinte que os valores concedidos aos segurados empregados a título de ValeTransporte possuem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme o Supremo Tribunal Federal reconheceu nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/2010. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Supremo Tribunal Federal afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, ainda que pago em pecúnia, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, consoante se positiva do Acórdão assim ementado: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 28 sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” Por sua vez, extraise do andamento processual do sítio do Supremo Tribunal Federal, que aludida decisão transitou em julgado em 02/03/2012, fazendo incidir, por conseguinte, o permissivo regimental constante do artigo 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Assim, tornase plenamente viável o acolhimento da pretensão da contribuinte, reconhecendo a natureza indenizatória do ValeTransporte, na forma que o STF decidiu, diante da definitividade de tal decisão. Mais a mais, é de bom alvitre destacar que o Superior Tribunal de Justiça, que já vinha reconhecendo a natureza indenizatória da verba em questão, salvo quando concedida em pecúnia, vem reiterando sua conclusão, adotando, inclusive, o entendimento do STF, quando o pagamento ocorrer em espécie, o que não seria capaz de desnaturar seu caráter indenizatório, como se observa dos recentes julgados com as seguintes ementas: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. CÁLCULO EM SEPARADO. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EM RECURSO Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.819 29 ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (Resp 1.066.682/SP). VALETRANSPORTE. VALOR PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção, em recurso especial representativo de controvérsia, processado e julgado sob o regime do art. 543C do CPC, proclamou o entendimento no sentido de ser legítimo o cálculo, em separado, da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, a partir do início da vigência da Lei 8.620/93 (REsp 1.066.682/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 1º/2/10) 2. O Superior Tribunal de Justiça reviu seu entendimento para, alinhandose ao adotado pelo Supremo Tribunal Federal, firmar compreensão segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte devido ao trabalhador, ainda que pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. 3. Agravo regimental parcialmente provido.” (Primeira Turma do STJ, AgRg no REsp 898932 / PR, Rel.: Ministro Arnaldo Esteves Lima – Dje 14/09/2011 – Unânime) (grifamos) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR 1. Com a decisão tomada pela Excelsa Corte, no RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, em que se concluiu ser inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, houve revisão da jurisprudência deste Tribunal Superior, a fim de se adequar ao precedente citado. Assim, não merece acolhida a pretensão da recorrente, de reconhecimento de que, "se pago em dinheiro o benefício do valetransporte ao empregado, deve este valor ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias". 2. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 25.3.2011; e AR 3.394/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.9.2010. 3. Recurso especial não provido.” (Segunda Turma do STJ REsp 1257192 / SC, Rel.: Ministro Mauro Campbell Marques – Dje de 15/08/2001 Unânime) (grifamos) Encampando o entendimento acima, o Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem aprovar a Súmula CARF n° 89, afastando qualquer dúvida quanto a matéria, reconhecendo a natureza indenizatória das verbas pagas a título de Vale Transporte, mesmo em pecúnia, in verbis: Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 30 “Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia.” Partindo dessas premissas, diante da definitividade da decisão do STF a propósito do tema, c/c a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que já vem acolhendo o entendimento do Pretório Excelso, corroborada definitivamente pela Súmula CARF n° 89, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba em comento, ainda que paga em pecúnia, em observância, inclusive, aos artigos 62, inciso I, e 72, e parágrafos, do RICARF, sobretudo em face da economia processual, evitando demandas despiciendas no âmbito Judicial. C – DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, a lavratura do presente Auto de Infração deveuse, em parte, a constatação de contribuições previdenciárias pretensamente devidas pela empresa ao INSS, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados. Com mais especificidade, entendeu a autoridade lançadora que tais importâncias foram concedidas em desacordo com a legislação que contempla a matéria, mais precisamente a Lei nº 10.101/2000, apurando o crédito previdenciário a partir dos levantamentos abaixo listados, em face das seguintes constatações: 1) PLR – Participação nos Lucros e Resultados – Esclarece a fiscalização que a PLR 2006/2007 concedida pela empresa aos segurados empregados contrariaram os preceitos da Lei n° 10.101/2001, uma vez que a) a contribuinte apresentou os acordos sobre Participação Dos Empregados Nos Resultados da Empresa, firmados entre a matrizCNPJ (São Paulo), seu estabelecimento (Rio de Janeiro) e os Sindicatos dos Trabalhadores de São Paulo e Região, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nilópolis e São João do Meriti, não constando, porém, deste acordo, o Sindicato de Trabalhadores de Goiás, embora os funcionários deste tenham recebido as verbas relativas ao PLR; b) Informa que com base neste acordo, a verba de PLR seria extinta, sendo substituída pela rubrica PPRRcódigo 990, o que de fato não ocorreu, verificandose a coexistência de ambas; c) contabilmente, duas contas foram utilizadas: 14o Salário: 0041210016 x Provisão de PPRR: 021220103, em que os valores pagos a título de 14o Salário foram recolhidos, não ocorrendo o mesmo aos relativos ao PPRR, embora aparentemente sejam contas coligadas, notandose aqui tratamento diferenciado para ambas, no 1o caso com recolhimento previdenciário, o que já não ocorreu no 2o caso. 2) 990 – PPRR – Participação nos Resultados da ROCHE: vide explicação acima; 3) 4110 – Participação Nos Lucros: nomenclatura diversa para PLR; Antes mesmo de contemplar as razões recusais, confrontandoas com a legislação de regência e os fatos que permeiam o lançamento, mister registrar que a motivação da autuação da PLR concedida aos segurados empregados, acima relembrada, se apresenta de maneira bastante confusa e, em parte, sem o devido enquadramento nos dispositivos legais que regulamentam a matéria. Com efeito, afora a ausência de participação do Sindicato dos trabalhadores do Estado de Goiás, o que afrontaria (no entendimento da fiscalização) os preceitos inscritos no Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.820 31 artigo 2o, inciso I, da Lei n° 10.101/2001, não se pode precisar com a devida segurança as outras demais eventuais contrariedades à lei prescritas no Relatório Fiscal, notadamente nos itens “b” e “c” deste levantamento. Ora, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é dever da autoridade lançadora, ao promover o lançamento, motiválo de maneira clara e precisa na legislação de regência, ou seja, proceder à subsunção do fato à norma. Na hipótese dos autos, relativamente ao PLR, somente em relação ao item “a” do Relatório Fiscal é que se pode inferir ter havido essa demonstração, o que não se vislumbra com os itens “b” e “c” de aludido levantamento. Dessa forma, impõese rechaçar de plano as pretensas contrariedades à Lei n° 10.101/2001 inseridas nos itens “b” e “c” do Levantamento PLR (975, 990 e 4110), uma vez que a autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus de motivar o lançamento nas normas legais que regulam a matéria (subsunção do fato à norma), o que deixou o Relatório Fiscal bastante confuso, não se prestando para escorar a pretensão fiscal. Adentrandose às alegações de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, por entender que os valores concedidos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme ditames inscritos na legislação de regência, especialmente o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, c/c artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, sobretudo quando pagos em observância à MP nº 794/94 e reedições, convertida na Lei nº 10.101/2000. Argumenta que a PLR constitui verdadeira imunidade, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, que é norma cogente e auto aplicável, independentemente de lei específica. Alega que o único argumento da fiscalização para desconsiderar o programa de PLR da contribuinte foi a falta de assinatura do acordo pelo representante do Sindicato dos Trabalhadores de Goiás, eis que os funcionários lotados naquele Estado também receberam tais verbas, em conformidade com o Acordo de PLR celebrado e assinado com os Sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro. Ressalta que essa imputação, ainda que surtisse efeito para os funcionários lotados no Estado de Goiás, não teria o condão de rechaçar todo o programa de PLR instituído pela empresa, de maneira a ensejar a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a todos os segurados empregados da contribuinte, inclusive aqueles que trabalham no Rio de Janeiro e São Paulo, cujos Sindicatos participaram dos acordos. Esclarece, ainda, que a ausência de participação do Sindicato do Estado de Goiás nas tratativas e acordo do programa de PLR se deu em razão de existirem poucos empregados (15 – quinze) lotados naquela localidade, não havendo qualquer prejuízo aos mesmos uma vez que os Acordos foram avaliados e ratificados por dois Sindicatos da mesma categoria econômica, visando, ainda, a isonomia de todos os funcionários da empresa. Arremata inferindo que os pagamentos da PLR observaram todo regramento previsto nos Acordos, mesmo porque não houve qualquer imputação de pagamento disfarçado de salários. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 32 Por derradeiro, acrescenta que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça oferece proteção ao pleito da contribuinte, tendo em vista afastar a necessidade de participação do Sindicato nas tratativas do programa da PLR, por entender ser requisito meramente formal, que não tem o condão de macular a natureza da verba. De início, com o objetivo de melhor aclarar a demanda posta nos autos, cumpre trazer à lume a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.821 33 b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 34 § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.822 35 Na hipótese dos autos, afastadas as imputações constantes dos itens “b” e “c” do Levantamento PLR, pelos motivos demonstrados alhures, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos segurados empregados a título de Participação nos Resultados, utilizando como fundamento à sua empreitada o fato de a contribuinte ter apresentado os acordos sobre Participação Dos Empregados Nos Resultados da Empresa, firmados entre a matrizCNPJ (São Paulo), seu estabelecimento (Rio de Janeiro) e os Sindicatos dos Trabalhadores de São Paulo e Região, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nilópolis e São João do Meriti, não constando, porém, deste acordo, o Sindicato de Trabalhadores de Goiás, embora os funcionários deste tenham recebido as verbas relativas ao PLR. Em outras palavras, a fiscalização desconsiderou totalmente o programa de PPRR da empresa em virtude de os Acordos apresentados não conter a participação do Sindicato do Estado do Goiás, constando tão somente as entidades Sindicais da matriz (SP) e demais filiais (RJ e Regiões), mesmo tendo pago aludido benefício para empregados lotados naquele Estado (GO). Primeiramente, cumpre registrar que, ainda que entendesse pertinente a alegação fiscal, em nosso sentir, não seria capaz de rechaçar todo o Programa de Participação nos Resultados da empresa, derrubando por terra inclusive os pagamentos efetuados aos empregados lotados nas bases territoriais que os respectivos Sindicatos participaram do Acordo. Melhor elucidando, mesmo acolhendo a pretensão fiscal, ad argumentandum tantum, o fato de inexistir participação do Sindicato do Estado do Goiás não teria o condão de macular todo o programa de PPRR da empresa, mas tão somente àquele pertinente ao Estado em que a legislação não teria sido observada (GO). Entrementes, a questão posta nos autos remonta à jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mais precisamente quanto ao aproveitamento do Acordo formalizado na base territorial da matriz, com a participação do Sindicato daquela Região, para os demais empregados lotados em filiais de outros estados. Na oportunidade, com o brilhante voto do nobre Conselheiro Elias Sampaio Freire, restou decidido pela possibilidade de tal conduta por parte da contribuinte, sobretudo em observância aos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido, consoante se verifica do Acórdão n° 920202.079, com a seguinte ementa e excerto do voto: “[...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 36 sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. A extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. [...] Voto [...] O recurso especial do contribuinte, também, preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A primeira questão a ser enfrentada diz respeito a possibilidade de serem pagas verbas a título de participação nos lucros ou resultados a empregados de unidades não abrangidas pelos acordos coletivos pactuados entre a empresa e ente sindical representante dos trabalhadores. [...] No caso sub examen, a questão a ser apreciada diz respeito a possibilidade de aplicabilidade do Acordo Coletivo de Trabalho supra mencionado amparar os trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. Em regra, o enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Entretanto, o entendimento do Ministério do Trabalho e Emprego, sintetizado na Ementa nº 12, aprovada pela Portaria nº 1, de 22 de março de 2002, publicada no Diário Oficial da União de 25 de março de 2002, é no sentido de que esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado, in verbis: “CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. LOCAL DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Empresa que presta serviço em local diverso de sua sede, independentemente de possuir filial neste local, deve Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.720979/201125 Acórdão n.º 2401003.240 S2C4T1 Fl. 1.823 37 atender às condições de trabalho e salariais constantes do instrumento coletivo firmado pelos sindicatos do local da prestação do serviço, em virtude das limitações decorrentes dos critérios de categoria e de base territorial, ainda que não tenha participado da negociação de que resultou a convenção coletiva. Ficam ressalvados os princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e de direito adquirido, bem como as hipóteses de transferência transitória do empregado, nos termos do § 3º, do art. 469, da Consolidação das Leis do Trabalho” Por certo, o pagamento da PLR nos termos do Acordo Coletivo negociado, inclusive para trabalhadores que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, configura direito adquirido dos empregados que se enquadrem nos critérios estabelecidos no instrumento coletivo. Destarte, concluo que o referido acordo coletivo de trabalho tem o condão de amparar a PLR paga aos seus empregados, inclusive, aos trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato. Ou seja, a extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. [...]” (2a Turma da CSRF Acórdão n° 920202.079 – Processo n° 44000.000608/200441 – Sessão 22/03/2012 – Unânime) (grifamos) Como se observa, o caso contemplado no Acórdão supra é exatamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte concedeu PRR a todos seus segurados empregados, inclusive àqueles lotados no Estado de Goiás, com esteio nos Acordos firmados com os Sindicatos da base territorial de sua matriz e outras filiais (SP e RJ), impondo seja levado a efeito o mesmo entendimento acima estampado, sobretudo em homenagem ao princípio da razoabilidade, mormente quando o Acordo fora formalizado com participação de Sindicato da mesma categoria dos funcionários de Goiás. Partindo dessas premissas e na linha da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o aproveitamento do Acordo firmado na matriz da empresa, com a devida participação do Sindicato da categoria dos empregados, para o pagamento de PPRR de empregados lotados em filial (GO) com base territorial diversa, não representa afronta à Lei n° 10.101/2001, o que rechaça, igualmente, a pretensão fiscal consubstanciada nos levantamentos pertinentes a tal verba. DO AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.328.6791 – Código 68 Conforme se depreende dos autos, a presente penalidade fora aplicada em razão da contribuinte deixar de informar em GFIP a totalidade das remunerações dos segurados empregados, cujas respectivas contribuições previdenciárias (obrigação principal) foram lançadas nos demais Autos de Infração que compõem o processo. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 38 Com mais especificidade, de acordo com o Relatório Fiscal a contribuinte deixou de informar em GFIP’s os valores pagos as segurados empregados a título de Ajuda de Custo até 50%, Vale Transporte em Pecúnia e Participação nos Resultados da empresa, os quais foram considerados como remuneração pela autoridade lançadora nos autos das autuações referentes à obrigação principal. Entrementes, como circunstanciadamente demonstrado acima, no entendimento deste relator, as contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas em comento não se sustentam, o que ensejou a improcedência dos autos de infrações pertinentes à obrigação principal. Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito nas autuações retromencionadas, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naqueles lançamentos principais. Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada a exigência fiscal consubstanciada nos Autos de Infração retro (obrigação principal), aludida decisão deve, igualmente, ser adotada nesta autuação, afastando, por conseguinte, a penalidade aplicada, na linha do decidido no processo principal. Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, acolher a decadência parcial do crédito tributário em relação ao período de 01/2006 a 07/2007 relativamente aos Autos de Infração DEBCAD’s n°s 37.328.6805, 37.328.6821 e 37.328.6813, rejeitar a decadência quanto ao Auto de Infração DEBCAD n° 37.328.6791, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, julgando improcedentes as autuações ficais que compõem o presente processo, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001294/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 15/04/2003
Importação do produto "Methacrol 462B
A multa ao controle administrativo por ausência de Licença de Importação não é cabível se um produto é importado através de licenciamento automático pois não incorre na infração tipificada no artigo 633, inciso II, alínea a) do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02.
Numero da decisão: 3401-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos votou pelas conclusões.
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 15/04/2003 Importação do produto "Methacrol 462B A multa ao controle administrativo por ausência de Licença de Importação não é cabível se um produto é importado através de licenciamento automático pois não incorre na infração tipificada no artigo 633, inciso II, alínea a) do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.001294/2007-51
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322343
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.460
nome_arquivo_s : Decisao_11128001294200751.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 11128001294200751_5322343.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos votou pelas conclusões. NOME DO PRESIDENTE - Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5284942
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372089856000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.001294/200751 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.460 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria Classificação Fiscal Recorrente Invista Brasil Ind. e Comércio de Fibras Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/04/2003 Importação do produto "Methacrol 462B” A multa ao controle administrativo por ausência de Licença de Importação não é cabível se um produto é importado através de licenciamento automático pois não incorre na infração tipificada no artigo 633, inciso II, alínea a) do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos votou pelas conclusões. NOME DO PRESIDENTE Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 94 /2 00 7- 51 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 23/02/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a multa de controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 35.183,67, em virtude dos fatos a seguir descritos. O importador, por meio da Declaração de Importação (DI) de n° 03/03147002, submeteu a despacho mercadoria descrita como "Methacrol 2462B", classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 3909.50.19 (OUTROS POLIURETANOS EM LÍQUIDOS E PASTAS). Em decorrência da análise efetuada no referido produto, foi emitido o Laudo de Análises de n°. 1498.01, em 30/06/2003. v> Analisando o resultado do referido Laudo, constatouse as seguintes divergências, conforme conclusões abaixo: LAUDO N°. 1498.01 Adição 001: "Não se trata de Outro Poliuretano. Tratase de Solução de Poliuretano à base de 2,2'[(l,lDimetiletil)Imino]bisEtanol e 1,1,Metilenobis[4 Isocianato de Ciclohexano] em 42,2% de N,N'Dimetilacetamida, Solução de Poliuretano em Solvente Orgânico, Poliuretano em forma primária.". Observase que a descrição detalhada da mercadoria informada na Declaração de Importação, qual seja, Adição 001: "POLIURETANO A BASE DE DICICLOHEXIL DIISOCIANATO E TBUTIL DIETANOLAMINA. NOME COMERCIAL: METHACROL 24 62B", não fornece os elementos necessários para seu correto enquadramento na NCM. Assim, de acordo com o laudo de análise n° 1498.01, a mercadoria declarada na adição 001 passa a ser enquadrada no código tarifário NCM 3909.50.11 e não na posição declarada, qual seja, 3909.50.19. As alíquotas de LI. e I.P.I. para o correto enquadramento são de 15,5% e 5,0%, respectivamente, portanto, as mesmas que foram utilizadas no despacho 15,5% de II e 5,0% de IPI Neste auto, cobrase: 1) a multa prevista no art. 84, inciso I, da MP n° 215835/2001, tendo em vista a classificação incorreta na NCM, conforme acima especificado; 2) a multa prevista no artigo 169, inciso I, alínea V, do DecretoLei n° 37/1966, tendo em vista que a NCM correta e a descrição inexata da mercadoria exigem novo Licenciamento de Importação (LI), conforme acima especificado. Cientificado do auto de infração, Aviso de Recebimento AR, em 20/03/2007 (fls.34), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 20/04/2007, de fls. 35 à 40, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: A Multa do Controle Administrativo não pode ser aplicada à Impugnante no presente caso. • A respeito da multa proporcional ao valor aduaneiro, a Impugnante concorda com sua aplicação, reconhecendo o equívoco no enquadramento de sua mercadoria no NCM; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.001294/200751 Acórdão n.º 3401002.460 S3C4T1 Fl. 6 3 • Nos autos do presente processo administrativo, é fato que a Impugnante (i) efetuou a importação dos bens em atenção a todas as exigências constantes da legislação aduaneira e (li) a importação €em tela não estava, sequer, sujeita à obtenção da referida Licença de Importação; • Absurda a conclusão da fiscalização que exige o pagamento desproporcional e desarrazoado da multa com base no equivocado entendimento de que o fato de a classificação fiscal adotada pela Impugnante e a classificação fiscal sugerida pela d. fiscalização serem divergentes também significaria que a importação desse mesmo produto teria sido realizada sem a respectiva Licença; • Da leitura do artigo 633 do Decreto 4.543/02, concluise que a multa de 30% em questão é aplicável no caso de importação de mercadoria sem licença de importação e quando esta for obrigatória à operação realizada; • Somente as operações expressamente relacionadas pela SECEX é que estão sujeitas à obrigatoriedade da emissão da Licença de Importação; • O Comunicado do Departamento de Operações de Comércio Exterior ("DECEX") n° 37, de 17 de dezembro de 1997, estabelece quais as operações sujeitas ao licenciamento não automático, determinando, inclusive, que os produtos sujeitos a licenciamento não automático encontramse relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do SISCOMEX; • A partir do cotejo da relação de produtos sujeitos ao licenciamento não automático com a situação concreta da Impugnante, verificase que tanto a posição adotada pela Impugnante, qual seja a 3909.50.19, quanto a posição fiscal considerada pela d. fiscalização (3909.5011), com a qual concorda a Impugnante, sequer consta da lista do SISCOMEX de produtos sujeitos a licenciamento não automático; • Qualquer seja a posição fiscal considerada, não há que se falar em importação legalmente condicionada à emissão de qualquer licença prévia; • Traz jurisprudência administrativa tanto da Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF"), bem como do Conselho de Contribuintes, quanto à inaplicabilidade da multa de controle administrativo; A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/04/2003 Importação do produto "Methacrol 2462B". Cabe a incidência da multa de controle administrativo por ausência de Licença de Importação. Se um produto é importado sem uma licença de importação Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 específica, seja ela automática ou nãoautomática, incorre na infração tipificada no artigo 633, inciso II, alínea a) do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02. O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos da impugnação acima. É o relatório. Voto Conselheiro ANGELA SARTORI O Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto tomo conhecimento. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO ÀS IMPORTAÇÕES POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Primeiramente cumpre esclarecer que o Recorrente concordou com a errona classificação fiscal de sua mercadoria alegada pelo d. fiscal autuante e procedeu sua retificação. A defesa é somente contra a multa do controle administrativo às importações por falta de LI. Dispõe o Voto da DRJ: “Quando da importação em questão, vigia a Portaria SECEX nº 21/96, que previa apenas dois tipos de licenciamento: o automático e o não automático. Portanto, a correta identificação da mercadoria, feita por meio de análise laboratorial, passou a exigir uma nova licença de importação, porque a licença obtida, ainda que automática, amparava a mercadoria que se encontrava nela descrita, mas não o produto que foi efetivamente importado.” Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.001294/200751 Acórdão n.º 3401002.460 S3C4T1 Fl. 7 5 Entendo que no presente caso, que mesmo o Recorrente concordando com o erro de classificação fiscal não pode ser aplicada a multa ao controle administrativo das importações, prescrita no art.633, inciso II do Regulamento Aduaneiro. • Por sua vez, o próprio Comunicado do Departamento de Operações de Comércio Exterior ("DECEX") n° 37, de 17 de dezembro de 1997, estabelece quais as operações sujeitas ao licenciamento não automático, determinando, inclusive, que os produtos sujeitos a licenciamento não automático encontramse relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do SISCOMEX; A posição fiscal considerada pela fiscalização (2918.29.90), com a qual concorda a Impugnante, sequer consta da lista do SISCOMEX de produtos sujeitos a licenciamento não automático; Portanto, a mercadoria importada, mesmo na classificação tarifária aplicada pelo fiscal não estava sujeita ao licenciamento ou estava sujeita ao licenciamento automático, como bem descreveu o voto da DRJ, neste sentido tal situação por si só já descaracteriza a multa ao controle administrativo das importações por falta de tipicidade. Com efeito, o artigo 633, II do RA impõe penalidade quando este documento é exigido e o mesmo não é no presente caso. A inaplicabilidade da multa administrativa no caso em exame é tão evidente que a Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF"), bem como o Conselho de Contribuintes, há muito firmaram entendimento no mesmo sentido, ipsis litteris: "MULTA DO ARTIGO 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO Não é cabível sua aplicação por não estar configurada a falta de Guia de Importação. Recurso Provido." (Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, Dar provimento ao recurso publicado no DOU em 15.10.98 Relator: Fausto de Freitas e Castro Neto) (grifos nossos) 'Multa Importação sem guia. Eventual equívoco. "Classificação fiscal descabimento da multa administrativa inciso II do artigo 526 RA. Não cabe multa prevista no inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, quando desclassificado produto, mas mantida a descrição no mesmo conforme a Declaração de Importação" (Acórdão 30127295, de 15.02.93 Relator José Theodoro Mascarenhas Menck). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Ademais, também não é cabível referida multa de acordo com Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 12, de 21 de janeiro de 1997, que estabeleceu os contornos desta penalidade, não é possível sua aplicação, nas situações em que houve a correta descrição da mercadoria, de forma que o próprio Fisco poderia buscar o enquadramento tarifário que reputasse correto e que, ademais, não fosse detectado intuito doloso do importador, como é o presente caso. Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em relação à inaplicabilidade da multa por falta de LI quando o erro cometido pelo contribuinte, não implica em violação ou qualquer ameaça ao controle administrativo das importações. Vejamos: TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – GUIA DE IMPORTAÇÃO – ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO – MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária é rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 526, II, do Decreto 91.030/85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equívoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido.”(g.n.) (REsp 660682 / PE, Ministra ELIANA CALMONDJ 10/05/2006 p. 174)(g.n.) Destarte, de acordo com os Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997, para que seja cabível a aplicação desta penalidade no caso de desclassificação fiscal, deve haver incorreta descrição da mercadoria com intuito doloso. Por estes motivos, dou provimento ao recurso voluntário. ANGELA SARTORI Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.001294/200751 Acórdão n.º 3401002.460 S3C4T1 Fl. 8 7 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000302/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.000302/2010-96
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322604
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-000.330
nome_arquivo_s : Decisao_19515000302201096.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000302201096_5322604.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5288137
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372093001728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000302/201096 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.330 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de novembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TVA SISTEMA DE TELEVISÃO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 30 2/ 20 10 -9 6 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000302/201096 Resolução nº 2401000.330 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA, lavrado sob o n. 37.171.3579, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do artigo 32, I , da Lei 8.212/91 combinado com o artigo 225, I e parágrafo 9, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, com a alteração do Decreto 4.729/2003, com redação da MP n. 449 de 03/12/2008 convertida em Lei 11.941 de 27/05/2009, em razão da empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB conforme demonstrado na planilhas anexas: Conforme descrito pelo auditor em seu relatório, na primeira tabela consta os segurados empregados relacionados na folha de pagamento do premio superação apresentada a fiscalização perfazendo um total de R$ 758.239,14 de BC Base de Cálculo, já na segunda tabela fica demonstrado a diferença apurada entre o valor declarado na DIPJ 2006 ano calendário 2005 e a Folha de Pagamento apresentada da competência 05/2005 mês em que foi pago o premio, sem relacionar coletivamente todos os segurados, conforme art. 225, I , parágrafo 9, do RPS Conforme consta no relatório da obrigação principal (processo principal) constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas, os valores das contribuições apuradas do montante lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 ( Participações de Empregados ) e folha de pagamento ( SUPERAÇÃO ) apresentada e cujos pagamentos efetuados não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social. Foi utilizado o código de levantamento SI Base de Cálculo Sem Identificada Nominal e Não Declarada em GFIP. Ainda conforme descrito pelo auditor os motivos pelo qual os valores não foram considerados como PLR (excluídos do conceito de salário de contribuição) é o fato de não estar de acordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, Art. 2°. § 1°: Acordo referente ano de 2004 firmado em 01/06/2004, o acordo tem que ser pactuado previamente este foi no meio do ano: 1. Os beneficiários do programa conforme determinado na cláusula quarta e parágrafos primeiro ao sexto do presente acordo não foram identificados na sua totalidade, mesmo sendo solicitado por varias vezes. 2. Nas cláusulas quinta, sexta e parágrafo único e sétima do presente acordo fala em participação nos resultados e é condicionado ao cumprimento de metas e o indicador para apuração será o EBITDA, que é calculado considerando o procedimento usual adotado na empresa : Margem Operacional expurgados os Valores da Depreciação, dos Impostos e das Despesas Financeiras e para medição será utilizado valores finais do ano 2004 em comparação com os valores constantes do Planejamento Operacional PO do RCCO Corporativo que será feita pela Diretoria de Finanças e Controle Corporativa, portanto entendendo este auditor que as regras não são objetivas, e fica prejudicada a sua mensuração com base na documentação deficiente apresentada. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000302/201096 Resolução nº 2401000.330 S2C4T1 Fl. 4 3 3. As cláusulas oitava, nona e parágrafo único falam em valor do prêmio, base de pagamento usando média de comissões, horas extras, que ficaram impossibilitadas de análise visto que não foram apresentadas as folhas de pagamento com os referidos cálculos e valores motivo pelo qual foram lavrados Ais CFL 30 e 35. 4. Já na cláusula décima primeira é mencionado GRUPO ESPECIAL que também não foram identificados na sua totalidade mesmo sendo a empresa notificada por varias vezes conforme TIFs anexas. 5. A empresa apresentou vários arquivos, planilhas, folhas de pagamento, (ano 2006 ou sem a verba de participação nos resultados paga em 2005 referente ao acordo de 2004 em diversos momentos porém sempre sem informar, esclarecer e justificar através de documentos os valores que deram origem e identificando nominalmente o montante de R$ 1.314.172,96 lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 como Participações de Empregados, mesmo sendo notificada especificamente para isso. Destacase que realizou a autoridade fiscal o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando que o AI foi lavrado já na vigência da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 19/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 22/02/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 152 a 169. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 563 a 575. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social, constitui infração à legislação previdenciária. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Impugnação Improcedente Fl. 878DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000302/201096 Resolução nº 2401000.330 S2C4T1 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 706 a 726. Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 6. Preliminarmente, Indica erro na sujeição passiva, já que o AI foi lavrado contra pessoa jurídica extinta desde 31.12.2007, conforme demonstrado por meio do cartão CNPJ. É entendimento pacífico desde Conselho que não pode ser lançado débito contra pessoa extinta, conforme acordão CSRF/0105.352 e outros que cita. 7. No mérito, incabível a aplicação da multa em questão face a desconsideração da autuação principal. 8. Ressalta os argumentos trazidos nos Ai de obrigação principal; considerando os critérios estabelecidos na lei, frisese que a empresa cumpriu todos os critérios, quais sejam: 8.1. O acordo de PLR da recorrente resultou de negociação entre empresa e seus funcionários, havendo representante sindical da categoria. Todas as partes assinaram devidamente o acordo, tendo o mesmo sido arquivado na entidade sindical. 8.2. Está claro que o acordo cumpriu também as exigências quanto a fixação dos direitos substantivos e regras adjetivas, onde deverão constar nas regras mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. (cláusulas de quinta a décima segunda). 8.3. Foi devidamente arquivado no sindicato conforme documento 10 da impugnação. 8.4. Não substitui, nem complementa a remuneração devida a qualquer empregado, considerando que o pagamento deuse n ano de 2005 em uma única vez, sem modificar a remuneração devida, inclusive sendo pago no mesmo momento do salário de abril. 8.5. Foi observada a periodicidade de um semestre civil, como determina a lei. 8.6. Não houve impasse, já que o acordo foi devidamente assinado por todas as partes envolvidas. 8.7. Quanto ao momento em que tem que ser firmado, entende a Câmara superior de Recursos Fiscais que há obrigatoriedade legal de se acordar antes do fim do período a que se refere o acordo, como ocorreu no presente caso. 8.8. Por fim, quanto individualização dos funcionários argumenta que a lei em momento algum exige a individualização de metas, razão pela qual a exigência da fiscalização quanto a identificação dos beneficiários. Ou seja, resta demnostrado quem são os beneficiários do plano: todos os empregados da recorrente e seus estagiários sem discriminação alguma. 9. Quanto a desconformidade da GFIP, é obvio que só se declara em GFIP valores passíveis de tributação. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000302/201096 Resolução nº 2401000.330 S2C4T1 Fl. 6 5 10. Transcreve o art. 28, I, da lei 8.212/91 que conceitua o salário de contribuição, salientando que o legislador reconhece como tal o montante dos valores auferidos pelo trabalhador como contraprestação do trabalho por ele prestado e de forma habitual, independente de sua espécie, sendo tal montante a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que no §9° deste mesmo dispositivo legal estão discriminadas verbas que não compõe o salário de contribuição, pois tendo em vista sua natureza, não representam remuneração pela trabalho desenvolvido. Esse o caso da PLR (art.28, §9°, "j"). 11. Quanto à PLR, por ser um direito constitucional do trabalhador previsto no art. 7o , XI, da CF, de maneira alguma poderá ser suprimido, e não há que se falar em incidência de qualquer encargo fiscal. Explicitando o objetivo constitucional de proteção ao trabalhador e desoneração das verbas a ela destinadas a título de PLR, transcreve doutrina a respeito. 12. Diante do exposto, resta demonstrado que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos funcionários a título de PLR, pois não há amparo constitucional para a manutenção desta Autuação, mormente porque os valores em questão não trazem os requisitos necessários ao seu enquadramento na classe das remunerações sujeitas ao saláriodecontribuição, que são (i) habitualidade, (ii) periodicidade, (iii) regularidade e (iv) contraprestação pelo trabalho. 13. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. Requer que seja integralmente provido, com a reforma do acordão recorrido, sendo reconhecido o acordo PLR entre a recorrente e os funcionários. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000302/201096 Resolução nº 2401000.330 S2C4T1 Fl. 7 6 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação constante nos autos, razão pela qual passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A INDICAÇÃO INDEVIDA DO SUJEITO PASSIVO Quanto ao lançamento referirse a pessoa jurídica extinta, notese que ditos argumentos não foram trazidos na impugnação, razão pela qual dita matéria não foi apreciada pelo julgador de primeira instância, tendo sido colacionados argumentos apenas quanto a nulidade do procedimento, pelo incorreta indicação do sujeito passivo na fase recursal. Todavia, a apreciação por parte deste colegiado, só se faz possível quanto a essa matéria, após a manifestação da autoridade fiscal sobre ditos argumentos, uma vez que o recorrente alega que, quando da realização do lançamento, a Pessoa Jurídica TVA, encontrava se extinta pela incorporação. A apreciação dessa matéria, nessa oportunidade, sem que a DRFB tenha a possibilidade de apresentar seus fundamentos, importa violação ao amplo exercício do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual deve o processo ser convertido em diligência, a fim de que a autoridade fiscal se manifeste acerca das alegações trazidas pelo recorrente sobre encontrarse a empresa extinta no momento da realização do procedimento fiscal. CONCLUSÃO Face o exposto voto por converter o julgamento em diligência É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001516/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO.
A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo.
CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE.
No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado.
CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE.
Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não-cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais.
FRETES. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Isso leva à manutenção da redução do crédito cujos fundamentos não foram impugnados pela Recorrente.
RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS não-cumulativos dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.
O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO.
Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigi-lo.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR.
A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e formar o convencimento do julgador.
Numero da decisão: 3401-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO. A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não-cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. FRETES. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Isso leva à manutenção da redução do crédito cujos fundamentos não foram impugnados pela Recorrente. RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS não-cumulativos dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigi-lo. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR. A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e formar o convencimento do julgador.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10925.001516/2009-40
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322339
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.455
nome_arquivo_s : Decisao_10925001516200940.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10925001516200940_5322339.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5284938
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372130750464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 249 1 248 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001516/200940 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.455 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria RESSARCIMENTO PIS Recorrente COOPERATIVA REGIONAL DE COMERCIALIZAÇÃO EXTREMO OESTE Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO. A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS nãocumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. FRETES. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17, do Decreto nº 70.235/72, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 16 /2 00 9- 40 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 impugnante”. Isso leva à manutenção da redução do crédito cujos fundamentos não foram impugnados pela Recorrente. RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS nãocumulativos dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigilo. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR. A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e formar o convencimento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 250 3 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 4º trimestre de 2005, para compensar com CSLL de dezembro de 2007 (fls.02/08). Na análise do crédito (fls.19/35), a delegacia de origem fez algumas glosas, por entender que alguns bens e serviços utilizados pela Contribuinte não geram crédito, por não serem insumos, mas sim despesas gerais. São eles: a Material de embalagem e etiquetas – Segundo a autoridade fiscal, constatouse que as embalagens são utilizadas para transporte; b Manutenção – peças para reposição; c Conservação e limpeza Detergente, ácido nítrico, soda líquida, hidróxido de sódio, e etc. d Outros itens: peus, óeo diesel, lubrificantes, fretes e etc. e Despesas com energia elétrica – falta de comprovante dessa despesa; f Encargo de depreciação de ativo imobilizado, porque os bens apresentados não fazem parte do processo produtivo; g Crédito presumido do PIS/COFINS – uma parte por falta de apresentação das notas que geraram o crédito e outra parte,porque a autoridade fiscal entende que a lei não permite o ressarcimento desse crédito, mas somente a utilização para abatimento do valor devido; Depois de feitos os ajustes, dos R$ 218.175,01 pleiteados pela Contribuinte, foi recomendado o reconhecimento do direito ao ressarcimento somente de R$ 116.593,39, do quais R$ 8.640,09 são a título de mercado interno com tributação, de modo que a autoridade fiscal entendeu que eles somente podem ser compensados com débitos do próprio PIS. No despacho decisório (fls.41/42), reconheceuse parcialmente o direito creditório, somente no montante de R$ 107.953,30. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 46/61). Em seu julgamento, a DRJ em Florianópolis/SC cancelou parte das glosas em relação ao material de embalagem e despesa com energia elétrica. A ementa do acórdão da DRJ (fls.157/197) ficou do seguinte modo: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ouressarcimento é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. (...) REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS.CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. REQUISITOS. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados a venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam As despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados A venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 251 5 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. . DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos no regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro titulo As empresas concessionárias de energia elétrica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a titulo de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 ão podem ser objeto de pedido de ressarcimento, nem compensação com tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 04/06/2012 (fl.211) e interpôs recurso voluntário em 03/07/2012 (fls.213/230), com as alegações resumidas abaixo: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 1 As peças de reposição são essenciais para a conservação das instalações industriais da Recorrente. Tais produtos são empregados nas tubulações por onde circula o leite, nos locais de armazenamento do leite, na pasteurização e esterilização do leite. Por isso, sem a aplicação destes produtos, não há como proceder a industrialização do leite; 2 Em razão do produto produzido pela Recorrente, o material de limpeza não é mero material de limpeza, mas sim produtos de higienização, essenciais para manter o leite livre de qualquer impureza; 3 O óleo diesel é utilizado na caldeira para geração de vapor e também nos caminhões que transportam a matériaprima do produtor até o estabelecimento da Recorrente. Os pneus são utilizados nestes mesmos caminhões; 4 O frete é serviço utilizado como insumo no processo produtivo da Recorrente; 5 Os créditos dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado glosado têm origem na aquisição dos seguintes bens: palets, caixa d’água e bombas. Esses equipamentos não têm contato direto com o produto, mas são de extrema necessidade e essenciais na cadeia produtiva; 6 Outro motivo de glosa em relação à depreciação de bens do ativo imobilizado consiste na aquisição de algumas máquinas antes de 01/05/2004. Contudo, essas máquinas somente foram efetivamente recebidas no estabelecimento da Recorrente no dia 06/05/2004; 7 O crédito presumido é gerado pela aquisição de leite in natura de pessoa física. A lei limita a utilização do crédito presumido com o próprio PIS e a COFINS somente quando a aquisição é de cooperados, contudo, a maior parte da aquisição da Recorrente é de pessoas físicas nãocooperadas. Assim, o crédito presumido deve ser mantido; 8 A autoridade julgadora, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito, pois utilizou para o rateio todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica. Ao fim, a Recorrente pediu, em suma, a reforma do acórdão da DRJ para que fosse reconhecido integralmente o crédito e homologadas as compensações declaradas. Caso não seja reconhecido o crédito, que seja designada diligência ao estabelecimento da Recorrente para a verifica in loco os documentos e os processos de industrialização. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o cancelamento das glosas efetuadas na apuração do seu crédito do PIS. Pelo recurso voluntário, foram devolvidas para apreciação as seguintes matérias: Possibilidade de geração de crédito na aquisição de peças para reposição; possibilidade de geração de crédito nos gastos com material de limpeza; geração de crédito nos gastos com óleo diesel; geração de crédito nos gastos com frete na aquisição de produto; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 252 7 créditos gerado pelos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; possibilidade de aproveitamento do crédito presumido; ajustes do rateio proporcional. 1. Da possibilidade de geração de crédito na aquisição de peças para reposição A autoridade fiscal glosou o crédito originado em peças de reposição discriminadas da seguinte forma: MatMas, Mukk50, Hidralm, gás, rolo parafuso, adesivo, etc. No recurso voluntário, a Recorrente limitouse a afirmar que estes materiais são essenciais, pois, apesar de não se integrarem ao produto, sem eles não seria possível a industrialização do leite. A Recorrente tenta enquadrar o seu crédito no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, o qual tem a seguinte redação: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. Como é possível notar, o dispositivo transcrito acima permite a geração de crédito em relação às despesas com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviço. Dessa forma, para verificar se determinada despesa gera ou não o crédito, é necessário que se saiba se ela é insumo. Ocorre que o PIS e a COFINS nãocumulativos, o conceito de insumo não é simples. Enquanto no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), no PIS e na COFINS esse definição sofre contornos subjetivos. Para se saber o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, é necessário saber se o bem é essencial à processo produtivo, ainda que dele não participe diretamente. Nessa linha, cabe ao contribuinte demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo. Todavia, apesar de a Recorrente ter citado onde cada peça será reposta, ela não logrou demonstrar a essencialidade dessas peças específicas para a produção do leite. Por isso, deve mantida a glosa em relação a essas peças. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 2. Possibilidade de geração de crédito nos gastos com material de limpeza A Recorrente sustenta que o material de limpeza na sua atividade é essencial, em razão da necessidade da higiene exigida pelas autoridades sanitárias. Considerando que a atividade da recorrente é a produção de leite, é intuitivo que a higiene do local é essencial, pois, se não fosse assim, certamente a linha de produção seria lacrada na primeira fiscalização dos órgãos competentes. Desse modo, seguindo a linha da essencialidade e considerando a atividade da empresa, in casu, deve ser reconhecido o direito creditório em relação à aquisição de material para limpeza. 3. Da geração de crédito nos gastos com óleo diesel e pneus Em relação ao óleo diesel e pneus, a Recorrente alega que eles são utilizados no transporte da matériaprima do produtor até o estabelecimento da Recorrente. Ocorre que esses gastos não estão diretamente relacionados à produção. A manutenção dos caminhões é elemento secundário à atividade da empresa. Portanto, não há geração de crédito nos gastos com óleo diesel e pneus utilizados nos caminhões da empresa. Quanto ao óleo diesel utilizado durante o processo produtivo, na caldeira para a geração de vapor, ele tem previsão expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, como insumo gerador do crédito. Não obstante, a Recorrente não logrou provar essa utilização, nem a segregação entre o diesel que é utilizado nos caminhões e o diesel utilizado na caldeira. Ainda que a Recorrente tivesse provado a utilização do óleo diesel para o aquecimento da caldeira, a falta da segregação impossibilita alcançar o valor real do diesel considerado essencial, gerador do crédito, de modo que o crédito padece de falta de liquidez e certeza, razão que leva ao seu indeferimento. 4. Geração de crédito nos gastos com frete na aquisição de produto Como já explicado anteriormente, no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, permitese a geração do crédito do PIS nãocumulativo em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Em outro julgado desta turma, ficou entendido que o conteúdo da norma mencionada pode ser interpretada de modo ampliativo e que qualquer bem ou serviço utilizado como insumo gera crédito do PIS/COFINS. Ainda ficou entendido que o frete também compõe, diretamente, o custo da aquisição insumo. Dessa forma, o valor dele deve compor o cálculo do crédito. Assim ficou a ementa do acórdão nº 3401001.896, relativo ao processo nº 10882.001594/200645, julgado por esta Turma em julho de 2012: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 253 9 “(...) CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE. Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS nãocumulativa, nos termos do art. 3o, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. (...)”. (CARF. 3º SJ, 4 Cam, 1º TO. Rel. Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça. Processo10882.001594/200645, julgado em 18/07/2012). Muito embora o julgamento tratasse de COFINS nãocumulativa, em razão da conhecida semelhança na apuração de crédito com o PIS nãocumulativo, o raciocínio da transcrita acima é plenamente aplicável ao presente caso. Ocorre no presente caso, a DRJ já reconheceu o crédito em relação à aquisição de insumos, mantendo somente as glosas em relação ao cálculo em duplicidade e em relação aos transportes entre filiais. Como a Recorrente não combateu diretamente as glosas mantidas pela DRJ, entendese que ela concordou com o julgamento e isso é matéria não impugnada, de modo que, em relação ao frete, o acórdão da DRJ deve ser mantido. 5. Créditos gerados pelos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado A Recorrente alega que os créditos em razão da depreciação de bens ativos imobilizados que foram negados são relativos a palets, caixa d’água e bombas. Alega ainda que, muito embora esses equipamentos não tenham contato direto com o produto, são de extrema necessidade e essenciais na cadeia produtiva. A Recorrente descreve a utilização de cada item do seguinte modo: “a) palets que são utilizados para armazenagem do leite; b) caixa d’água, que é utilizada para a higienização, abastecimento, desinfecção dos tanques dos caminhões no momento do descarregamento do leite e na higienização da indústria; c) Bombas são utilizadas no descarregamento e carregamento do leite, tanques e rodoviários utilizados para transporte de leite, silos de armazenamento de leite, etc”. Essa turma tem firmado entendimento que para ter direito ao crédito do PIS e COFINS nãocumulativa dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Da descrição feita pela Recorrente, entendo que a depreciação dos palets e da caixa d’água não gera o crédito pleiteado, pois não participam diretamente do processo industrial. Por outro lado, noto a real impossibilidade de continuidade do processo produtivo sem existirem as bombas para transpor o leite pelas diversas fazes do processo. Por isso, reconheço o direito creditório somente em relação os encargos com a depreciação das bombas. Ainda quanto às glosas em relação aos encargos com depreciação do ativo imobilizado, o fisco glosou alguns itens adquiridos antes 01/05/2004, em razão da vedação expressa do art. 31, da Lei nº 10.865/2004, que assim dispõe: “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004”. A relação desses bens está na fl. 40, na planilha elaborada pelo auditorfiscal. A Recorrente alega que se trata somente de uma nota fiscal, emitida em 30/04/2004, todavia, o produto só saiu da empresa vendedora em 04/05/2004 e entrou no estabelecimento da Recorrente somente em 06/05/2004. Todavia, a lei é clara e estabelece como marco temporal a data de aquisição, isto é, da compra. Se não bastasse isso, muito embora a Recorrente alegue que pode provar a entrada do ativo imobilizado somente em 06/04/2004, pelos carimbos na nota fiscal, tal nota não foi apresentada. Por essa razão, com exceção do encargo da depreciação das bombas, deve ser mantida a glosa em relação a depreciação dos demais ativos imobilizados. 6. Possibilidade de aproveitamento do crédito presumido A Recorrente pretende o aproveitamento do crédito presumido do PIS para compensar com débitos de outros tributos, sob a alegação de permissão legal, pois a maioria das suas vendas são tributadas à alíquota zero, de modo que não há como utilizar todo o crédito no abatimento do PIS e COFINS devidos. O art. 8º e § 1º Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 254 11 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o §4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas cooperativas agropecuárias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe no seu art. 17 a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra especificar. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido do PIS pelas cooperativas em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. 7. Ajustes do rateio proporcional A Recorrente sustenta que a autoridade julgadora, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito, pois utilizou para o rateio todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica. A argumentação trazida no recurso voluntário foi a mesma apresentada na manifestação de inconformidade. Após a análise dos autos, a DRJ concluiu os seguintes: “Em análise aos autos, verificase que não tem razão a contribuinte. De se ver. A autoridade fiscal intimou a cont ri buinte, as folhas 8 e 9, a apresentar "memória de cálculo dos rateios das bases de cálculos (vinculados a receita — mercado interno e exportação e/ou tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) efetuados na apuração do crédito do PIS e da Cofins pleiteados". A contribuinte, por sua vez, respondeu as folhas 12 e 13 do processo administrativo n° 10925.001499/200941, que apresenta "planilha digital, memória de cálculo referente a apuração dos débitos e créditos do PIS e COFINS, contendo os critérios de rateio para apropriação dos créditos nas colunas 'Tributado Mercado Interno' e 'Não Tributado Mercado Interno'." A citada planilha digital e memória de cálculo, apresentadas pela contribuinte em CD foram anexadas pela autoridade fiscal no processo administrativo n° 10925.001497/200951, no Anexo 1, as folhas 2 e 3. Extraídas as plani1has digital e memória de cálculo do meio digital, juntadas ao presente processo as folhas 115 e 116, constatase que, para o quarto trimestre de 2005, a contribuinte não fez apropriação de custos direta, como alega. Todos os insumos e demais itens que compõem a base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade foram informados com o número ‘1’, correspondente, na legenda da contribuinte, ao mercado interno, sem quaisquer informações sobre tributação ou Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 255 13 não. Não consta dos relatórios apresentados pela contribuinte quaisquer informações acerca da apropriação direta dos custos de produção, no que se refere a vendas tributadas e não tributadas no mercado interno. Ademais, verificase que os percentuais da receita do mercado interno tributada e não tributada, apurados pela contribuinte, são os mesmos informados pela autoridade fiscal no Despacho Decisório. Desta forma, nenhum reparo merece o Despacho Decisório, no que se refere ao rateio dos insumos, a fim de se conhecer a parcela possível de ser ressarcida em dinheiro”. Em análise cuidadosa dos autos, verificase que todas as divergências apontadas pela DRJ são verdadeiras. Por outro lado, a Recorrente não rebateu ou justificou nenhuma das falhas apontadas. Tudo isso não leva a outro caminho senão à manutenção do acórdão da DRJ neste ponto. 8. Da diligência Conforme o art. 18 e o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a decisão sobre a realização de diligência parte da análise subjetiva do julgador. O julgamento somente será convertido em diligência se a autoridade julgadora entender necessário. No caso em tela, seria pertinente a diligência se este conselheiro, levando em conta os argumentos da Recorrente e a fundamentação da decisão recorrida, ficasse em dúvida quanto a qualquer ponto do qual negou provimento. Todavia, nas matérias nas quais o provimento foi negado, as alegações ventiladas no recurso não foram suficientes para suscitar dúvidas. As descrições relatadas pela própria recorrente foram suficientes para formar a convicção deste Relator. Diante disso, é desnecessária a realização de diligência, razão pela qual a nego. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para reconhecer para cancelar as glosas em relação às despesas com material de limpeza e encargos com a depreciação das bombas. É como voto Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Por força de designação do Presidente da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara, Terceira Seção de Julgamento, recebi a incumbência de redigir o voto vencedor quanto à possibilidade de apropriação de crédito em relação ao material de limpeza e à depreciação das bombas. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Conselheiro Relator, com as vênias de praxe, entendo que andou bem a decisão recorrida, não merecendo reforma, ainda que tenha adotado o conceito restritivo das INs SRF 247/02 e 404/04. Com efeito, revendo os termos da decisão de primeira instância administrativa, verifico que, concernente ao material de limpeza, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos empregados na higienização das máquinas produtoras de laticínios, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal, não se estendendo àqueles destinados à limpeza do área de produção como um todo. O excerto que trata do tema encontrase vazado nos seguintes termos: “Esclarecese inicialmente que somente os materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, o qual é considerado despesa operacional. Podese considerar como materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo os produtos utilizados para higienização das máquinas produtoras de leite, por suas características fisicoquímicas, tendo em vista que a sua não utilização inviabilizaria a produção do leite. No caso em análise, no entanto, a contribuinte faz apenas alegações genéricas da função dos produtos relacionados como ‘Materiais de Limpeza Industrial’. Nesta condição, como visto no tópico inicial deste voto, a contribuinte deveria descrever especificamente a função de cada produto diretamente relacionado com o processo produtivo, além de apresentar os respectivos documentos de aquisição.” Como se extrai, os gastos com material de limpeza utilizados na assepsia do maquinário destinado à produção de leite e derivados é admitida, contudo, o mesmo não ocorre em relação àqueles destinados às outras áreas da empresa, como, por exemplo, áreas industriais não afetas à produção, administração, almoxarifado e congêneres, devendo o contribuinte segregar os produtos por finalidade e local de uso, especificando ainda sua forma de utilização. No caso vertente, a argumentação deduzida pelo recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, como no recurso voluntário, parece caminhar na defesa da apropriação ampla e irrestrita de tais produtos (de limpeza), eis que demasiadamente genérica, o que, a meu sentir, fere a acepção do termo “insumo” hodiernamente vigente na jurisprudência desta Casa Julgadora. Como aludido linhas atrás, o entendimento do CARF acerca do que seja insumo, para fins da legislação das contribuições do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, vem se consolidando no sentido de não circunscrevêlo apenas aos bens e serviços que sofram desgaste ou perda das propriedades em função da ação diretamente exercida sobre o bem em produção ou fabricação, como entende a Receita Federal do Brasil; tampouco admitir o conceito formulado por aqueles que entendem que insumo possui um conceito equivalente ao de despesa operacional, segundo a legislação do IRPJ. Nesta linha de idéias, o insumo, para o PIS/Pasep e Cofins, possuiria um conteúdo próprio, ocupando um meio termo entre o seu conceito para a legislação do IPI e o de despesa/custo para o IRPJ, correspondendo àqueles bens e serviços que sejam prestados, utilizados ou consumidos diretamente no processo produtivo ou de fabricação, dependente de um exame casuístico, isto, caso a caso, para seu reconhecimento. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001516/200940 Acórdão n.º 3401002.455 S3C4T1 Fl. 256 15 Em síntese, não tendo o recorrido logrado êxito em esclarecer a função/finalidade de cada produto consumido como material de limpeza destinado à higienização do maquinário – detergente, ácido nítrico, soda líquida, detergente, hidróxido de sódio, dentre outros –, não há como reconhecer o direito vindicado, porquanto é impossível aferir sua real utilidade. Respeitante ao crédito dos encargos e depreciação das bombas, também aqui entendo não merecer qualquer censura a decisão recorrida. Tais equipamentos, de acordo com o recorrente, são utilizados no descarregamento/carregamento do leite, tanques rodoviários para transporte de leite, silos de armazenagem de leite, dentre outros fins. Consoante art. 3º, VI das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, o aproveitamento do crédito está vinculado à sua utilização na produção. Subsumindo os ditames legais ao caso sob julgamento, temse que as bombas são utilizadas, ora quando a produção ainda não se inicou, como na descarga/armazenagem do leite in natura, tal qual recebido dos produtores rurais; ora quando a produção já se encerrou, como se dá no carregamento/descarregamento/armazenagem do leite já processado. Ou seja, na movimentação de insumos (leite in natura) ou de produtos acabados (leite processado) dentro do estabelecimento fabril do recorrente, mas não durante o processo de produção/fabricação. Desta forma, as bombas em questão não estão vinculadas à produção, para o desiderato do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, motivo pelo qual não geram crédito da não cumulatividade. Robson José Bayerl Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10480.901048/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA.
Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-000.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA. Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.901048/2009-81
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5321704
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-000.941
nome_arquivo_s : Decisao_10480901048200981.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10480901048200981_5321704.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5279376
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372163256320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 273 1 272 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.901048/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.941 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria PIS/PASEP DCOMP ELETRONICO Recorrente INSTITUTO DE ENDOCRINOLOGIA E MEDICINA NUCLEAR DO RECIFE S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA. Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 10 48 /2 00 9- 81 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10480.901048/200981 Acórdão n.º 3202000.941 S3C2T2 Fl. 274 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INSTITUTO DE ENDOCRINOLOGIA E MEDICINA NUCLEAR DO RECIFE S/C LTDA contra Acórdão nº 1135.472, de 17 de novembro de 2011 (de fls. 54 a 60), proferido pela 2ª Turma da DRJ/REC, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de manifestação de inconformidade, fls. 13/14, interposta aos 02/04/2009 em face do Despacho Decisório com rastreamento n° 21016572, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife/PE (fl. 08, do qual a contribuinte tomou ciência aos 05/03/2009, fl. 33), que não homologou a compensação objeto da Declaração de Compensação DCOMP n° 22593.11161.140405.1.3.043396 (fls. 01/07). 2. Consoante se verifica is fls. 01/07, a ora recorrente, por meio de supradita DCOMP, declarou a compensação, com conjecturado crédito, no montante original inicial de R$ 21.501,52, derivado de alegado pagamento indevido da contribuição para o PIS (código de receita: 8109), período de apuração: 31/12/2003, vencimento: 15/01/2004, realizado aos 15/01/2004 no valor total de R$ 21.501,52, com os seguintes débitos deste mesmo tributo: Período de Apuração Valor Originário (Em R$) Período de Apuração Valor Originário (Em R$) Abr/04 3.612,05 Mai/04 2.115,63 Jun/04 1.974,01 Jul/04 1.431,45 Ago/04 4.921,07 * * 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 08, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CIN) e no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, foi não homologada a supradita compensação, pois o pagamento acima discriminado, embora localizado nos sistemas informatizados da RFB, havia sido integralmente utilizado na extinção do débito da contribuição para o PIS do período de apuração de 31/12/2003. 4. Contra o Despacho Decisório, insurgese a contribuinte, alegando: 4.1. a existência, de fato de direito, do crédito compensado, eis que a contribuinte, que recolhe a contribuição para o PIS e a COFINS na forma não cumulativa, "quando da apuração do crédito disponível a compensar, não considerou os créditos de PIS originários da aquisição de materiais, energia elétrica, depreciação, aluguéis e outras receitas, como rigorosamente autoriza a legislação de regência", sendo que "Tal circunstância foi objeto de pronta retificação nas DA CON e DCTF correspondentes''; 4.2. que passou desapercebida "... a relevante circunstancia, de que o direito de glosa das operações de compensação em comento está prescrito, ante o decurso do prazo de cinco anos entre o protocolo da compensação, e a emissão do despacho decisório, o que deve ser prontamente observado". 5. Diante do que consta acima, a manifestante requereu a reconsideração/reforma Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10480.901048/200981 Acórdão n.º 3202000.941 S3C2T2 Fl. 275 3 do Despacho Decisório atacado, a fim de que "... seja reexaminado e deferido, por total, o pedido de compensação, pelos motivos expostos (estes com amplo respaldo da documentação acostada), e, igualmente, pela prescrição consumada". 6. Ao recurso, o sujeito passivo anexou: (i) vigésima terceira alteração e consolidação de contrato social (fls. 15/19); (ii) cópia DACON do quarto trimestre de 2003 e do respectivo recibo de recepção em que consta a data de envio de 01/04/2009 (fls. 20/29); e (iii) cópia de Despacho Decisório (fl. 30). 7. Já este julgador anexou: cópia de aviso de recebimento emitido no sistema SUCOP/IMAGEM (fl. 35), extratos de consulta emitidos nos sistemas DCTF/GER (fls. 36/37), DACON (fls. 38/46), CNPJ (fl. 47) e SIEF/ DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO (fls. 48). A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. 0 reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. . Ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" a "c", do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A nãocomprovação do direito creditório alegado implica a não homologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 19 de junho de 2012 (fl. 63), o interessado apresentou recurso voluntário em 20 de julho de 2012 (fls. 65 a 66), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10480.901048/200981 Acórdão n.º 3202000.941 S3C2T2 Fl. 276 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora O presente Recurso Voluntário trata de matéria da competência deste Colegiado, porém, previamente ao seu conhecimento, devo analisar os demais requisitos de admissibilidade, dedicando especial atenção para o requisito da tempestividade da sua apresentação. Tal assunto encontrase disciplinado nos arts. 5º e 33 do PAF. O primeiro preceito legal trata da forma de contagem do prazo, enquanto que o segundo fixa o prazo de 30 (trinta) para apresentação do recurso voluntário, nos termos a seguir transcrito: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Logo, se vencido no julgamento de primeira instância, da parte que lhe foi desfavorável, ao Autuado é facultado, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a oportunidade de apresentar recurso voluntário ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que substituiu os extintos Conselhos de Contribuintes. Expirado esse prazo, sem a apresentação ou apresentação a destempo do citado recurso, configurada estará a preclusão do direito de recorrer e, em consequência, a decisão de primeiro grau tornarseá definitiva na esfera administrativa, nos termos do inciso I do art. 42 do PAF. No presente caso, consta dos autos que, em 19/06/2012, dia útil (terçafeira), portanto dia de expediente normal no Órgão preparador, a Recorrente fora intimada/cientificada do Acórdão recorrido, por via postal, conforme anotação no corpo do Aviso de Recebimento (AR) de fl. 63. Em decorrência, o prazo recursal de 30 (trinta) dias teve início no dia seguinte, ou seja, em 20/06/2012 (quartafeira), dia útil e de expediente normal, completando o trintídio em 19/07/2012 (quintafeira), também dia útil e de expediente normal. Assim, em consonância com os critérios de contagem do prazo recursal fixados no preceito legal anteriormente transcrito, temse que o termo final do prazo de 30 (trinta) dias ocorreu em 19/07/2012, porém, somente no dia seguinte, ou seja, em 20/07/2012, a Interessada protocolou na Unidade da Receita Federal de origem o Recurso Voluntário de fls. 65/66, conforme se verifica no carimbo posto na petição de fl. 65. Dessa forma, fica cabalmente demonstrada a intempestividade e, por conseguinte, a perempção do presente Recurso, impedindo a sua admissibilidade e, por decorrência, o seu conhecimento. Com base no exposto, NÃO CONHEÇO do presente Recurso Voluntário. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10480.901048/200981 Acórdão n.º 3202000.941 S3C2T2 Fl. 277 5 Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 10467.005200/95-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Ementa
DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO ADMINISTRATIVA. LIQUIDAÇÃO. REVERSÃO DA SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE.
A Administração pode aplicar ao caso concreto o teor da sentença judicial, liquidando o crédito, mas não pode reverter o teor da sentença (ainda que esta tenha utilizado pressuposto incorreto). Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial.
Numero da decisão: 3403-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO ADMINISTRATIVA. LIQUIDAÇÃO. REVERSÃO DA SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE. A Administração pode aplicar ao caso concreto o teor da sentença judicial, liquidando o crédito, mas não pode reverter o teor da sentença (ainda que esta tenha utilizado pressuposto incorreto). Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10467.005200/95-41
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316635
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.525
nome_arquivo_s : Decisao_104670052009541.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 104670052009541_5316635.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5247043
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372166402048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 420 1 419 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.005200/9541 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.525 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃOFINSOCIAL Recorrente A CANDIDO E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO ADMINISTRATIVA. LIQUIDAÇÃO. REVERSÃO DA SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE. A Administração pode aplicar ao caso concreto o teor da sentença judicial, liquidando o crédito, mas não pode reverter o teor da sentença (ainda que esta tenha utilizado pressuposto incorreto). Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 00 52 00 /9 5- 41 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre compensação de créditos decorrentes de recolhimento a maior de FINSOCIAL com débitos de COFINS (tanto da matriz quanto da filial, de outubro de 1995 e a janeiro de 1996), pleiteada em 05/10/1995 (solicitação e demonstrativos às fls. 4 e 13 a 181), com amparo em decisão judicial (Acórdão do TRF5 em AMS no 49205PB fls. 26 a 30). No despacho de fls. 36/37, a unidade local expressa que o acórdão não havia transitado em julgado, e que o pleito em juízo era fundado na inconstitucionalidade do art. 7o da Lei no 7.787/1989, do art. 1o da Lei no 7.894/1989, e do art. 1o da Lei no 8.147/1990. Contudo, tanto a matriz quanto a filial exercem a atividade de transporte coletivo de passageiros (atividade exclusiva de prestação de serviços), e o STF (no RE no 187.4368) declarou a constitucionalidade dos dispositivos legais citados com relação a empresas exclusivamente prestadoras de serviços. Assim, foi enviado o processo à seção de fiscalização (em 09/09/1997), para levantamento e lançamento do crédito indevidamente compensado. Na informação fiscal de fl. 55, lavrada em 02/06/1998, a fiscalização, ao detectar que todos os valores compensados estão declarados como débitos sub judice, conclui, com fundamento na Nota Conjunta COSAR/COSIT/COFIS no 535, de 23/12/1997, que não cabe a lavratura de auto de infração, por estarem os débitos declarados em DCTF, restando ao fisco acompanhar o andamento do processo judicial. No processo judicial, a decisão do TRF5 é inicialmente revertida no STJ (REsp no 101.173/PB fls. 59 a 62), mas confirmada em sede de embargos (fl. 63), concluindo o tribunal que poderia haver compensação direta com a COFINS, na forma da Lei no 8.383/1991, tendo a ação transitado em julgado em 29/04/1998, como reconhece o despacho de fl. 64 (datado de 17/05/1999), que propõe o arquivamento do processo. O desarquivamento é solicitado 25/10/2001, pela recorrente, que apresenta planilha (fl. 67) de crédito referente aos pagamentos a maior efetuados a título de FINSOCIAL, devidamente atualizados pela Taxa SELIC, buscando a compensação do saldo remanescente. São apresentados, então, diversos pedidos de compensação utilizando tal saldo (fls. 70, 71, 78, 79, 84 e 86). O fisco então solicita documentos à recorrente em 04/10/2004 (fl. 87). Retornam para a RFB ainda três processos que se referiam a débitos inscritos em dívida ativa após as compensações pleiteadas (fl. 241). Em 15/02/2005, no memorando de fls. 243 a 246, o Delegado da unidade local da RFB efetua a seguinte pergunta à PGFN: “se A CANDIDO E CIA LTDA é uma empresa exclusivamente prestadora de serviços, os pagamentos que efetuou com alíquota acima de 0,5% estariam majoradas, em face das decisões judiciais favoráveis à compensação que obteve”? (juntando as peças judiciais novamente às fls. 247 a 277). A resposta da PGFN é dada na Nota de fls. 279 a 285, concluindo tal órgão que “a questão referente à existência ou não de cobrança majorada do FINSOCIAL não foi enfrentada na fundamentação do acórdão transitado em julgado, tampouco integrou sua parte dispositiva, não estando atingida pela autoridade de coisa julgada”, e que “a decisão judicial 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 421DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.525 S3C4T3 Fl. 421 3 final reconheceu o direito à compensação, silenciando quanto ao direito creditório, sua certeza e liquidez”. A nota endossa ainda a possibilidade de exigência em relação à empresa exclusivamente prestadora de serviços, com fundamento na Súmula STF no 658. No despacho decisório de fl. 332 (proferido em 31/07/2006), amparado pelo parecer de fls. 326 a 331, o fisco segue a linha da resposta da PGFN, afirmando que a tutela judicial obtida para compensar não abarcaria a liquidez e a certeza do crédito, sujeitos a verificação pela fiscalização. No cálculo efetuado pelo fisco (fls. 306 a 325), a partir dos documentos apresentados pela recorrente, e da legislação que rege seu segmento (empresas exclusivamente prestadoras de serviço), chegouse à extinção parcial dos débitos com os pagamentos, inexistindo crédito. Em decorrência, as compensações não são homologadas. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 337 a 341), a empresa alega que: (a) impetrou o MS no 98.00055703 (em 04/08/1998) objetivando assegurar seu direito líquido e certo de compensar valores indevidamente recolhidos de FINSOCIAL (já assegurados nos autos do MS no 94.00058896, com decisão transitada em julgado) com débitos referentes a quaisquer tributos/contribuições arrecadados pela RFB, acrescida a correção monetária pelos índices oficiais; (b) o STJ não conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda (REsp no 576.272/PB), sacramentando o direito da contribuinte à compensação pleiteada, dispensado o pronunciamento da autoridade administrativa; (c) retornando os autos ao juízo de primeira instância, houve a fixação dos índices de correção em sentença de 10/08/2006 sobre os valores recolhidos a título de FINSOCIAL, cujo direito a compensação foi reconhecido nos autos do MS no 94.00058896 (não tendo a PGFN questionado nada além dos índices de correção); (d) a exigência das contribuições deve ficar suspensa até a decisão no MS no 98.00055703; e (e) a decisão administrativa ofende a coisa julgada (trânsito em julgado do MS no 94.00058896), além de desobedecer direitos judicialmente assegurados ao contribuinte no MS no 98.00055703. Em 21/05/2007 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 351 a 353), no qual se acorda unanimemente pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, tendo em vista a opção do contribuinte pela via judicial. Cientificada da decisão de piso em 20/08/2007 (AR à fl. 356), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 358 a 366), em 18/09/2007, no qual sustenta que: (a) obteve o direito de compensar em juízo (MS no 94.00058896, com trânsito em julgado), e tem ainda respaldo na sentença proferida no MS no 98.00055703, ainda em trâmite no TRF5, com pendência de julgamento de Apelação da Fazenda; (b) o acórdão da DRJ é nulo, e foi omisso em relação às decisões judiciais que amparam o contribuinte; (c) na época em que o pleito judicial foi proposto, o contribuinte não era obrigado a aguardar o trânsito em julgado da ação judicial para pleitear a repetição do indébito; (d) não houve renúncia à discussão administrativa, e o objeto perseguido na esfera administrativa (homologação da compensação) tem natureza diferente do tutelado judicialmente (direito de compensar); e (e) tem o direito de compensar os valores pagos indevidamente, com os índices de correção judicialmente fixados. Em 21/05/2009 (fls. 370 a 380), a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF anula o processo a partir da decisão da DRJ, por ter havido supressão de instância, retornando os autos para julgamento por aquele tribunal de piso, tendo em vista a inexistência de concomitância entre os processos administrativo e judicial. No novo julgamento de primeira instância (em 29/09/2009 fls. 393 a 399), a DRJ acorda unanimemente que: (a) são constitucionais as majorações de alíquotas de Fl. 422DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 FINSOCIAL para empresas exclusivamente prestadoras de serviços, conforme entendimento já sumulado pelo STF (Súmula no 658/2003); e (b) como a decisão judicial apenas reconheceu o direito à compensação, cabe à Administração verificar a existência ou não de valores indevidamente recolhidos, sem que isso signifique violação da coisa julgada. Cientificada da nova decisão em 24/10/2009 (AR à fl. 402), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 403 a 407), em 20/11/2009, no qual sustenta que: (a) obteve o direito líquido e certo de compensar no MS no 94.00058896 (com trânsito em julgado), (b) a Fazenda poderia ter ingressado com ação rescisória à época do trânsito em julgado do referido MS, mas não o fez; e (c) cabe a suspensão da exigibilidade dos créditos em discussão, em consonância com o que estabelece o inciso III do art. 151 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A discussão é nitidamente centrada nos efeitos das decisões judiciais obtidas pela recorrente. Assim, necessário, já de início, analisar o que de fato foi pleiteado em juízo pela recorrente, e qual a tutela obtida. A impetração do Mandado de Segurança Preventivo de fls. 247 a 253 trata inequivocamente do direito de compensar, como se depreende de excertos da petição e do pedido efetuado ao juízo competente: “Face estes fatos, e por vir compensando os valores pagos a maior a titulo de FINSOCIAL com os créditos tributários vencidos do próprio Finsocial e da Contribuído Social sobre o Faturamento CONFINS, j á que, esses tributos de mesma competência tributária, a União, é que a Impetrante recorre à prestação jurisdicional, com o escopo de ver reconhecido seu direito liquido e certo à referida compensação, ha j a vista que tal pretenso vai além do que estabelece a Instrução Normativa. n. 67/92, do Diretor do Departamento da Receita Federal, estando assim, a Impetrante, na iminência de ser molestada com autuações fiscais, por parte do Impetrado”. (...) “Ante todas as razões anteriormente aduzidas, requer a impetrante, com fulcro no art.72, II, da Lei n. 1533, de 31.12.51, que se digne V.Exa. de concederlhe a MEDIDA LIMINAR, para todos os fins de direito, mormente para que possa compensar a crédito de que dispõe a titulo de FINSOCIAL com o Finsocial e a Contribuição Social sobre o Faturamento CONFINS, e, em consequência, se abstenha o Impetrado ou seus subordinados, da prática de quaisquer atos lesivos ao seu patrimônio, em relação às referidas compensações objeto do Fl. 423DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.525 S3C4T3 Fl. 422 5 presente “writ” , até que seja proferido julgamento de mérito. Para concessão da medida, "data venia", presentes estão os requisitos que a autorizam, ou seja, o “fumus boni iuris" e o "periculum in mora". O primeiro decorre da patente violação ao art. 66 da Lei n. 8323/91, pela Instrução Normativa n. 67/92, quando estabelece restrições não autorizadas por aquele dispositivo legal, conforme se assentou sobejamente no presente "mandamus". Já o segundo, decorre do tato de, uma vez não concedida a medida liminar, vir a ser a Impetrante submetida a uma série de atos coativos por parte do Impetrado ou por Seus subordinados, como: lavratura de autos de infração, inscrição do débito na divida ativa, penhora de bens etc, o que acarretaria indubitavelmente, prejuízo com caráter de irreparabilidade caso seja concedida a segurança ao final.” (grifo nosso) A liminar é denegada pela decisão de fl. 254, tãosomente pelo caráter satisfativo da medida demandada, sequer se discutindo a liquidez ou a certeza do crédito. Na sentença de fls. 255 a 258, a segurança é denegada, ainda sem discussão em relação à certeza e liquidez do crédito. Acatase a argumentação de que a Instrução Normativa SRF no 67/92 efetivamente restringe o direito estabelecido em lei para compensação, mas reconhecese que a compensação somente poderia operar entre tributos de mesma espécie: “A Instrução Normativa n. 67/92, publicada no DOU de 27/05/1992, a qual restringiu o direito à compensação, estatuído pelo art.66, da Lei n. 8.383/91, por si só, produz efeito lesivo à impetrante, que a ela submetese automaticamente, independentemente de qualquer ato de autoridade. (...) Ocorre que, nos termos do art.66, § 1º da Lei n. 8.383/91, de 30/12/91, a compensação só poderá ser realizada entre tributos e contribuições da mesma espécie, e, in casu, o FINSOCIAL e a COFINS não são da mesma espécie tributária. Embora considere que as restrições feitas pela Instrução Normativa n. 67/92, publicada no D.O.U. de 27/05/92, são desprovidas de validade, filiandome, assim, à corrente do tributarista Hugo de Brito Machado, entendo, no entanto, que a própria compensação não pode ser efetuada, posto que o FINSOCIAL e a COFINS possuem natureza jurídica diversa.” (grifo nosso) Na apelação julgada pelo TRF da 5ª Região Fiscal (fls. 259 a 263), é rechaçado o entendimento de que as espécies tributárias teriam natureza diversa, acolhendose o direito à compensação por ter a IN SRF no 67/1992 extrapolado suas limitações constitucionais. Em tal decisão, tratase (no voto) da discussão jurídica sobre a origem do crédito (inconstitucionalidade da legislação referente ao FINSOCIAL), sem adentrar à liquidez Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 e à certeza dos montantes pleiteados especificamente no caso concreto, mas para reconhecer que a compensação, com o advento da Lei no 8.383/1991, tornouse verdadeiro direito subjetivo do contribuinte: “EMENTA: TRIBUTÁRIO, FINSOCIAL. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL (FINSOCIAL E C FINS) COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restituição autorizada sob a forma de compensação. (...) As decisões do STF, acerca da inconstitucionalidade da legislação que alterou a sistemática de cobrança do FINSOCIAL, após o advento da CP/88, por óbvio não atinge os que não foram partes nos respectivos processos. Todavia, sou favorável à tese segundo a qual não pode o Julgador acolher o argumento de que o impetrante não tem um título a legitimar a compensação pleiteada, quando ele tem à sua frente a questão acerca da constitucionalidade ou não do pagamento do tributo aludido, em valores excedentes da alíquota consolidada no art. 56, do ADCT, da Carta Magna de 1988. O art. 56 retro citado recepcionou o FINSOCIAL com o perfil que a exação exibia na data da edição da CF/88, o qual deveria perdurar até que fosse editada a norma prevista no art. 195, 7, da Lei Maior, razão pela qual este eg. Tribunal, em inúmeros acórdãos, teve por inconstitucionais as alterações que nesse mesmo perfil se quis introduzir, através de diplomas legais contrários ao texto constitucional. Nesse sentido, vários votou proferi, como na AC 10034 AL, em que fui Relator. Daí porque entendo, em face do pagamento indevido do FINSOCIAL com alíquota majorada, possuir a apelante título legitimador da compensação desejada. Filiome, demais disto, ao entendimento de que a compensação, no que pertine a tributos federais, com o advento da Lei 8383/91, tornouse um verdadeiro direito subjetivo do contribuinte, devendo o EstadoJuiz buscar a exegese que torne possível o seu exercício, dentro, obviamente, das condições legais estabelecidas. Dentre essas condições, enquadrase a do §1º do art. 66, da Lei referida, que estabelece: (...) Quanto à IN 67/92, penso que, ao determinar a necessidade de requerimento à Receita, para que o contribuinte faça jus à compensação, estabelecendo exigência de que o débito seja anterior a 01.01.92, ou cuja origem tenha por base processo fiscal ou reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, instruído, ainda, com a descrição dos fatos relativos ao direito, extrapolou aquele ato administrativo suas limitações constitucionais, nos temos da vedação contida no art. 49, V, da Carta Magna vigente.” (grifo nosso) A matéria chega então ao STJ (fls. 264 a 276). Inicialmente, o tribunal manifestase no sentido de que “não é possível a compensação de créditos tributários, se quem Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.525 S3C4T3 Fl. 423 7 pretende efetuála não especifica quais as parcelas a serem envolvidas na operação”. No voto, esclarecese, com base em precedente do próprio STJ, que: “Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungivel da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ricto da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de titulo para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 9o da Lei no 7.689/88”. (grifo nosso) Vejase que a discussão sobre liquidez e certeza, que era coadjuvante nas instâncias anteriores, passa ao protagonismo. Nos embargos de divergência, o voto praticamente só discute a questão da liquidez e da certeza: “Com referência à tese da liquidez e certeza do crédito tributário a compensar, com razão a ora embargante. A hipótese em debate trata de tributo, e cujo crédito se constitui através de lançamento por homologação. Neste caso, os créditos apurados em registros da contribuinte em relação ao fisco devem ser considerados líquidos e certos. Aliás, a veemência do fato jurídico é tal que a própria Fazenda reconheceu com a vigência do art. 2° da IN/SRF n. 67/92, a possibilidade da compensação entre créditos e débitos vencidos efetuada pela contribuinte, independente de prévia comunicação ao fisco. Concluise que os valores recolhidos indevidamente a titulo de Finsocial são compensáveis com os devidos à conta de Cofins, assegurados à Administração a fiscalização e o controle do procedimento compensatório” E é no mesmo voto, referente aos embargos, o relator colaciona precedente que trata expressamente da diferença entre o tratamento entre empresas prestadoras de serviço (como a recorrente) e empresas vendedoras de mercadorias. Contudo, no precedente citado a embargante era vendedora de mercadorias: "Como se sabe, o Decretolei n. 1940/82, quando vigia a Carta Política de 1969, a qual não contemplava a categoria da "contribuição para a seguridade social, mas contribuição de interesse da previdência social (art. 21, § 2º, I), instituiu em seu art. 1° uma "contribuição social" com dois fatos geradores e duas alíquotas distintas. O primeiro (§ 1°) sobre a "receita bruta das empresas públicas e privadas que realizam venda de mercadorias" e das "instituições financeiras e das sociedades seguradoras" Alíquota de 0,5%. O outro fato gerador, a venda de serviços das empresas públicas ou privadas que realizassem Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 exclusivamente tal atividade Alíquota de 5% sobre o valor do imposto de renda devido, ou como se devido fosse. O TFR, no MS n. 97.775DF, em decisão histórica, entendeu que na modalidade do § 1º foi criado um "imposto", de natureza residual; na modalidade do § 2°, um "adicional ao imposto de renda". A decisão do TFR foi, mais tarde, confirmada pelo STF (RE n. 103.778DF, rel. Min. CORDEIRO GUERRA, RTJ 116/1138). Com o correr do tempo, outros diplomas legais foram alterando o Finsocial. No limiar da nova ordem constitucional, havia, como observa o eminente Ministro CARLOS MÁRIO VELLOSO no relatório do RE n. 150.755PE (RTJ 149/259), "quatro tipos de incidência (e quatro categorias de contribuintes) e duas alíquotas (0,5% e 5%) com um adicional provisório para urna delas (de 0,1%)". Em 05/10/88, a nova Constituição, no Título VIII Da Ordem Social enxertou novo capítulo o II com o nome de Da Seguridade Social, que compreendia, na dicção constitucional, "ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos • relativos à saúde, à previdência e á assistência social" (caput do art. 194). Em seu ADCT, o novo Estatuto Político dispôs no art. 56: (...) O dispositivo supra transcrito curou da contribuição prevista no § 1° do art. 1° do Decretolei n. 1.940/82, uma vez que o Decretolei n. 2.413/88 fala em 0,6 %, alíquota relativa à renda bruta das empresas que vendem mercadorias, corno é o caso da ora embargante. Logo, inegável é que a contribuição social paga indevidamente pela embargante não tinha, com a promulgação da nova Constituição, natureza de imposto, mas de contribuição para a seguridade social.” E, conforme se atesta à fl. 288, ocorreu o trânsito em julgado em 05/11/1997. Assim, resta visível que a utilização de precedente dissonante do caso concreto (empresa vendedora de mercadorias) afetou o julgamento dos embargos. Podese, assim, até cogitar a existência de erro no julgado, mas é incorreto afirmar que a matéria referente à inconstitucionalidade não tenha sido apreciada pelo STJ. Eventual erro judicial que tenha ocorrido no julgamento (que tomou em conta caso em que a embargante era vendedora de mercadorias, quando a embargante, no caso concreto, era prestadora de serviços) poderia ensejar, por parte da PGFN, os recursos previstos na legislação, ou mesmo a ação rescisória após o trânsito em julgado da ação judicial. O que não se pode, a nosso ver, é interpretar que a sentença deixou à Administração o poder de corrigila, se evidenciado que estava incorreta em um de seus pressupostos. No caso concreto, o STJ entendeu que havia o direito de compensar. E mais, de compensar os montantes apurados nos registros da contribuinte. Deixou à Administração, contudo, a “fiscalização e controle do procedimento compensatório”. Compreensível, assim, se a Administração identificasse que a empresa escriturou incorretamente valores referentes a ingressos ou não conseguiu comproválos por meio de documentação idônea. Enfim, poderia indubitavelmente a Administração corrigir os montantes incorretamente registrados pela contribuinte, mas não declarar a alíquota aplicável Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.525 S3C4T3 Fl. 424 9 como constitucional, quando a própria decisão judicial asseverava sua inconstitucionalidade (em que pese ter sido emitida com base em precedente que, a nosso ver, é equivocado). A Administração pode aplicar ao caso concreto o teor da sentença judicial, liquidando o crédito, mas não pode reverter o teor da sentença (ainda que esta tenha utilizado pressuposto incorreto). Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos, obviamente na seara judicial, e não administrativa. Afirmar que o crédito resultante da sentença transitada em julgado é ilíquido é retroceder ao estágio anterior do julgamento do STJ (revisto em sede de embargos). Apesar de se concordar plenamente com o que dispunha a decisão inicialmente exarada pelo STJ (quanto à necessidade de reconhecimento judicial da inconstitucionalidade no caso concreto, e quanto ao conceito de créditos “líquidos e certos”), é de se recordar que ela foi revista, reconhecendose em julgamento final o direito à compensação, justamente em contraposição aos argumentos lá expressos de que o crédito não continha os atributos de liquidez e certeza. O único argumento que restaria para poder “interpretar” que a recorrente não possui o direito de compensar (exposto tanto na nota da PGFN quanto no despacho decisório da RFB) seria o de que o item I da ementa do acórdão proferido nos embargos (STJ) o permite: “1. Os valores recolhidos a titulo de contribuição para o Finsocial, cuja exação foi considerada inconstitucional pelo STF (RE n. 150.7641), são compensáveis diretamente pelo contribuinte com aqueles devidos à conta de Cofins, no âmbito do lançamento por homologação. Precedente: EREsp ri 78 301 BA, relator Ministro ARI PARGENDLER 1 8 Seção, julgado em 11/12196”. Contudo, seguir tal linha equivaleria a sustentar que o processo judicial nada decidiu, pois estava a analisar situação diversa da que de fato ocorreu nos autos. Os embargos teriam então revertido a decisão anterior somente para outras empresas, que não a embargante. Não parece ser isso o que foi decidido. O juiz aplica o direito ao caso concreto narrado nos autos, e não a casos distintos. Repitase, o descontentamento com eventual erro na decisão judicial (por ter sido o juízo levado a proferir sentença incorreta com base em omissão de informações) não pode ser atacado na via administrativa. Presente, assim, o direito de compensar as quantias registradas pela recorrente. Esclarecido e especificado quantitativamente o direito de compensar, passa se a discutir a segunda ação judicial (MS no 98.00055703), na qual são questionados os índices de correção aplicáveis. Em consulta ao sítio da Justiça Federal da Paraíba (web.jfpb.jus.br), encontrase a sentença de primeira instância, emitida em 06/12/2005: “Diante de todo o exposto, concedo em parte a segurança, para garantir à impetrante o direito de aplicar o índice referente ao IPC no mês de janeiro/89, no período de março/90 a maio/90 e no mês de fevereiro/91 sobre os valores recolhidos a título de Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 contribuição para o FINSOCIAL, cujo direito de compensação já foi reconhecido nos autos do Mandado de Segurança nº 94.58896.” (grifo nosso) Reparese que o juízo, em seu voto, logo de início, delimita o objeto da ação: “Primeiramente, cumpre esclarecer que, compulsando os autos do Mandado de Segurança nº 94.58896, noticiados pela impetrante e solicitados por este Juízo ao arquivo judicial, observo já ter sido reconhecido naquela ação o direito à compensação da contribuição para o FINSOCIAL relativa ao período de 09/89 a 12/91 declarada inconstitucional pelo STF, com parcelas do próprio FINSOCIAL e da COFINS. Dessa forma, a presente lide resumese tãosomente à discussão quanto à possibilidade de inclusão dos consectários explicitados na inicial referentes à referida contribuição no mesmo período” (grifo nosso) A PGFN, em tal processo, parece acolher a tese da inconstitucionalidade (também sem atentar para a atividade de prestação de serviços exercida pela empresa), alegando somente a existência de prescrição, conforme relatório da ação judicial: “Intimada a prestar informações, a autoridade impetrada arguiu a prescrição do direito à compensação, na forma do art. 165, I combinado com o art. 168, I, ambos do CTN. Relata que, de fato, o FINSOCIAL foi julgado inconstitucional pelo STF, aduzindo que o indébito tributário está sendo reconhecido administrativamente, nos termos do art. 18 da MP nº 1973 66/2000. Afirma ter decorrido o prazo prescricional de 5 anos quanto aos valores relacionados à inicial, tendo o último como mês de pagamento abril/92. Aduz que, caso não estivesse prescrito o direito à ação de compensação, poderiam tais valores serem pleiteados administrativamente, mediante requerimento na forma das INSRF nºs 21/97 e 73/97”. Conforme se atesta no mesmo sítio web, foi interposto recurso de apelação pela Fazenda Nacional, tendo sido os autos enviados em 11/07/2006 ao TRF5 (que recebeu o recurso com efeito devolutivo). O TRF 5, conforme informação em seu sítio (http://www.trf5.jus.br), não acolheu a apelação da Fazenda, nem os embargos por ela apresentados (entendendoos como meramente protelatórios), em acórdão publicado em 05/02/2010: “Isso posto, nego provimento aos embargos de declaração e pelo fato de se mostrarem nitidamente protelatórios, aplico a multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa indicado no Processo Principal, em desfavor da Procuradora Federal que os subscreveu, importância esta que deverá ser revertida em favor da parte contrária (art. 538, parágrafo único, CPC).” No sítio web da Justiça Federal da Paraíba são obtidas ainda as movimentações subsequentes do processo. Destacase, entre elas, decisão interlocutória do juízo local proferida recentemente: “15/04/2013: A sentença monocrática parcialmente concessiva da segurança assegurou à impetrante o direito de aplicar o índice referente ao Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.525 S3C4T3 Fl. 425 11 IPC no mês de janeiro/89, no período de março/90 a maio/90 e no mês de fevereiro/91 sobre os valores recolhidos a título de contribuição para o FINSOCIAL, cujo direito de compensação já foi reconhecido nos autos do Mandado de Segurança nº 94.58896 (fls. 220/230). Mantida a sentença (fls. 271/277, 288/294, 341 e 361/363), os autos retornaram da instância superior com certidão noticiando que o agravo manejado pela Fazenda Nacional, em face da inadmissão do recurso especial, fora registrado, digitalizado e armazenado no Sistema Integrado da Atividade Judiciária do STJ, passando a tramitar de forma eletrônica (fl. 375). Em consulta realizada junto ao site www.stj.jus.br constatei que o aludido agravo foi registrado sob o nº 2013/00330586 (AREsp 289968), em 07/02/2013, e, encontrase naquela Corte aguardando seguimento. É o que importa relatar. Decido. Considerando que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou acerca da matéria discutida nestes autos (fls. 361/363); Considerando, ainda, que o agravo de instrumento manejado em face da inadmissão do recurso especial não tem o condão de suspender a execução da sentença, bem como o acertamento da compensação darseá na via administrativa; intimese à impetrante para, no prazo de 10 (dez) dias, requerer a execução da multa aplicada às fls. 288/294. Após, venhamme conclusos os autos.” Em 16/05/2013, a impetrante manifesta desinteresse na execução da multa aplicada, requerendo a suspensão da tramitação do feito até o julgamento do Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda Nacional. É de se mencionar ainda a existência de Recurso Extraordinário oposto pela Fazenda, inicialmente sobrestado na origem, e reconhecido como prejudicado em 09/04/2012, em função da decisão do STF no RE no 566.621/RS. O Agravo em Recurso Especial (AREsp) no 289968/PB (2013/00330586), está concluso ao Ministro Relator desde 04/06/2013, não havendo ainda decisão definitiva. Resta, de momento, confirmada a sentença de primeira instância, que garante o direito de aplicar o índice referente ao IPC no mês de janeiro/89, no período de março/90 a maio/90 e no mês de fevereiro/91 sobre os valores recolhidos a título de contribuição para o FINSOCIAL. Na solicitação das compensações tratadas no presente processo administrativo não podem ser deferidos índices diversos dos oficialmente admitidos pela Administração sem a prolação definitiva da ação judicial que os pleiteia. Como não há determinação judicial objetiva no sentido de obstar a apreciação das compensações até que se defina o índice de correção, em nada o segundo processo judicial impede o prosseguimento do julgamento administrativo da presente lide. Caso haja incremento Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 nos índices oficiais aplicados administrativamente, poderia a recorrente demandar o excedente mediante execução da sentença judicial, ou na forma que se determinar em juízo. No presente processo administrativo, há solicitações de compensação, e provimentos judiciais específicos afastando as principais teses que poderiam constituir óbice ao pleito da recorrente (prescrição para solicitação dos créditos e cabimento da majoração para empresas exclusivamente prestadoras de serviços). O fato de tais provimentos judiciais não espelharem o entendimento dominante do STF (inclusive sumulado), repitase, não pode ser atacado na via administrativa, seja em favor ou em desfavor da recorrente. Esta turma recentemente apreciou processo em que a decisão judicial negava compensação em caso no qual a própria legislação vigente já a admitia expressamente. E decidiu que: “Tendo o Poder Judiciário prestado tutela mais restritiva (compensação com tributos de mesma espécie) que a permitida pela Lei tributária vigente à época da decisão (compensação com espécies tributárias distintas), a Administração não deve aplicar alargadamente a decisão, de modo a contemplar a implementação de provimento não deferido judicialmente.” (Acórdão no 3403002.174, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, sessão de 21.mai.2013) É de se sintetizar o aqui exposto no seguinte sentido: quando se entende estar a decisão judicial desconforme ao ordenamento, ou ao entendimento jurisprudencial dominante, cabe discutir tal matéria dentro do processo judicial, pois discutilo no processo administrativo (alargada ou restritivamente) implicaria subverter a unidade de jurisdição, comprometendo todo o sistema de julgamento, seja ele administrativo ou judicial. Por fim, em relação à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, com base no art. 151, III do CTN, é de se destacar que o presente processo trata de compensação, não havendo exigência de crédito tributário. Contudo, por certo tal dispositivo assegura que o recurso voluntário impetrado a este tribunal administrativo suspende eventual exigibilidade do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, homologando as compensações nas quais foi utilizado crédito relativo a tributo (FINSOCIAL) indevidamente recolhido pela empresa, tal qual decidido na ação judicial transitada em julgado, conforme aqui se esclarece no voto. Rosaldo Trevisan Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.525 S3C4T3 Fl. 426 13 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000614/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS. OMISSÃO CARACTERIZADA. FATO SUPERVENIENTE. PERDA DE OBJETO.
Conhece-se dos embargos declaratórios pela ocorrência da omissão apontada, negando-lhes provimento, por perda de objeto, face a ocorrência de fato superveniente à sua interposição.
Numero da decisão: 1202-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e em negar provimento, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 EMBARGOS. OMISSÃO CARACTERIZADA. FATO SUPERVENIENTE. PERDA DE OBJETO. Conhece-se dos embargos declaratórios pela ocorrência da omissão apontada, negando-lhes provimento, por perda de objeto, face a ocorrência de fato superveniente à sua interposição.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15563.000614/2009-30
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5307269
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1202-001.059
nome_arquivo_s : Decisao_15563000614200930.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DONASSOLO
nome_arquivo_pdf_s : 15563000614200930_5307269.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e em negar provimento, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5173666
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372171644928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 913 1 912 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000614/200930 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.059 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de novembro de 2013 Matéria Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FERREIRA INTERNACIONAL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS. OMISSÃO CARACTERIZADA. FATO SUPERVENIENTE. PERDA DE OBJETO. Conhecese dos embargos declaratórios pela ocorrência da omissão apontada, negandolhes provimento, por perda de objeto, face a ocorrência de fato superveniente à sua interposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e em negar provimento, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 06 14 /2 00 9- 30 Fl. 913DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202001.059 S1C2T2 Fl. 914 2 Recebidos os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). A ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN alega omissão no Acórdão nº 1202000.945 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, sessão de 6 de março de 2013, porque não se poderia emitir decisão nos autos com base no que decidido no processo de nº 15563.000136/200968 (principal), uma vez que este último ainda se encontra pendente de julgamento definitivo. Eventual recurso impetrado, teria reflexo direto nos presentes autos, o que poderia inclusive alterar o resultado do julgamento no acórdão ora embargado. O acórdão embargado decidiu “(...) em dar provimento parcial ao recurso para ajustar o lançamento ao decidido no processo 15563.000136/200968, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Da análise dos autos, entendo estarem presentes os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Os embargos são tempestivos e nos termos da lei, portanto dele se toma conhecimento. A infração discutida neste processo diz respeito a saldos insuficientes de prejuízos fiscais na apuração do IRPJ nos anos de 2006 e 2007, uma vez que o lançamento fiscal formalizado no processo nº 15563.000136/200968 apurou a existência de despesas consideradas indedutíveis no ano de 2005 e absorveu a totalidade dos prejuízos apurados pela autuada nesse último ano, nada restando de prejuízos a serem compensados em 2006 e 2007. Conforme se depreende da análise conjunta dos dois processos, caso mantidas as glosas das despesas efetuadas pela fiscalização no ano de 2005, nada restará de prejuízos a serem compensados nos anos posteriores autuados, em 2006 e 2007. Como se percebe a apreciação do processo nº 15563.000136/200968 (principal) é prejudicial ao exame deste. A omissão apontada pela PGFN diz respeito ao fato de que a decisão a ser prolatada no presente processo dependeria de uma decisão definitiva a ser exarada no processo nº 15563.000136/200968 (principal). Vejase o que constou da decisão proferida acórdão embargado, de nº 1202 000.945: “(...) em dar provimento parcial ao recurso para ajustar o lançamento ao decidido no processo 15563.000136/200968, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.”. Já a ementa do acórdão ficou assim transcrita: Fl. 914DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202001.059 S1C2T2 Fl. 915 3 PREJUÍZOS FISCAIS. DEPENDÊNCIA DE PROCESSO CONEXO. AJUSTE. O lançamento fiscal efetuado em decorrência da insuficiência de saldo de prejuízo de exercício anterior, cujo saldo sofreu alteração em decorrência da existência de outro lançamento, formalizado em processo distinto, deve ser ajustado face ao decidido nesse último processo, conexo ao primeiro. Como se vê, o termo “definitivamente”, após o termo “decidido”, não teria constado do acórdão embargado, daí a omissão apontada. A inclusão do termo “definitivamente” daria maior clareza ao que se decidiu, propiciando à unidade de origem encarregada da execução do acórdão que somente após a decisão definitiva, no âmbito administrativo, a ser exarada no processo nº 15563.000136/2009 68 (principal), é que se poderia fazer os ajustes correspondentes no presente processo. Em síntese, essa é a omissão apontada. No entanto, consulta efetuada no eprocesso, em 29/10/2013, em relação ao processo principal nº 15563.000136/200968 (acórdão nº 1202000.944), dá conta de que a PGFN, em petição da fl. 1278, emitida em 31/07/2013, portanto, após a oposição dos presentes embargos, desistiu da impetração de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. Vejase a transcrição da manifestação da PGFN: “Processo nº. 15563.000136/200968 Contribuinte: FERREIRA INTERNATIONAL LTDA. A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de sua Procuradora, vem informar que está ciente do Acórdão nº 1202000.944 e que não haverá interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Brasília, 31 de julho de 2013. ANDRESSA OLIVEIRA CUPERTINO DE CASTRO PROCURADORA DA FAZENDA NACIONAL” Efetivamente, consulta aos autos do processo nº 15563.000136/200968 (principal), em 29/10/2013, verificase que não houve a interposição de recurso especial no prazo legal, encontrandose o processo no órgão de origem para cálculo/cobrança do crédito tributário remanescente. Com efeito, tal procedimento torna definitivo o quanto decidido no processo principal. Em que pese reconhecer que ficaria mais claro a inclusão no acórdão embargado do termo “definitivamente”, como já abordado neste voto, tal omissão não prejudicará a execução do referido acórdão. Assim, concluise que a decisão exarada no processo nº 15563.000136/200968 (principal) é definitiva, no âmbito administrativo, como reclamava a PGFN nos embargos Fl. 915DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202001.059 S1C2T2 Fl. 916 4 opostos, encontrandose prejudicado o exame destes, por perda de objeto, de maneira que permanece o quanto decidido no acórdão embargado. Por fim, o pedido da PGFN, de reunião deste processo com o processo nº 15563.000136/200968 (principal), por conexão, também fica prejudicado, pelas mesmas razões acima expostas. Em face do exposto, voto para que se conheça os embargos opostos e se negue provimento, por perda de objeto, mantendose o quanto decidido no acórdão nº 1202 000.945 desta turma de julgamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício da 2ªTO/2ªCam/1ªSejul e Relator Fl. 916DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.016045/2007-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, IV E § 5º DA LEI Nº. 8.212/91. DECADÊNCIA PARCIAL.
Por se tratar de obrigação acessória relacionada diretamente aos equívocos apurados nas GFIPs, os quais culminam nas autuações fiscais de obrigação principal, uma vez reconhecida a improcedência dos créditos tributários relativos a esta última, não há que se falar em obrigação acessória. Portanto, tendo em vista o reconhecimento da parcial decadência dos Autos de Infração de obrigação principal, tem-se que a autuação por descumprimento de obrigação acessória que tem por base os créditos tributários decadentes, também encontra-se fulminado pela parcial decadência.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. EXIGÜIDADE DOS PRAZOS DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância, por parte da Recorrente, de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária.
SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Para a desconstituição da sujeição passiva autuada na ação fiscal, faz-se necessária a apresentação de provas aptas a provar o alegado.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO.
O CARF é incompetente para se pronunciar à respeito de alegações de inconstitucionalidades de leis, nos termos da Súmula nº. 02 deste Conselho.
MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES
Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, §, 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, IV E § 5º DA LEI Nº. 8.212/91. DECADÊNCIA PARCIAL. Por se tratar de obrigação acessória relacionada diretamente aos equívocos apurados nas GFIPs, os quais culminam nas autuações fiscais de obrigação principal, uma vez reconhecida a improcedência dos créditos tributários relativos a esta última, não há que se falar em obrigação acessória. Portanto, tendo em vista o reconhecimento da parcial decadência dos Autos de Infração de obrigação principal, tem-se que a autuação por descumprimento de obrigação acessória que tem por base os créditos tributários decadentes, também encontra-se fulminado pela parcial decadência. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. EXIGÜIDADE DOS PRAZOS DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância, por parte da Recorrente, de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA. Para a desconstituição da sujeição passiva autuada na ação fiscal, faz-se necessária a apresentação de provas aptas a provar o alegado. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. O CARF é incompetente para se pronunciar à respeito de alegações de inconstitucionalidades de leis, nos termos da Súmula nº. 02 deste Conselho. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.016045/2007-15
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316653
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.327
nome_arquivo_s : Decisao_10380016045200715.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10380016045200715_5316653.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, §, 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5247061
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372197859328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.016045/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.327 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, IV E § 5º DA LEI Nº. 8.212/91. DECADÊNCIA PARCIAL. Por se tratar de obrigação acessória relacionada diretamente aos equívocos apurados nas GFIP’s, os quais culminam nas autuações fiscais de obrigação principal, uma vez reconhecida a improcedência dos créditos tributários relativos a esta última, não há que se falar em obrigação acessória. Portanto, tendo em vista o reconhecimento da parcial decadência dos Autos de Infração de obrigação principal, temse que a autuação por descumprimento de obrigação acessória que tem por base os créditos tributários decadentes, também encontrase fulminado pela parcial decadência. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. EXIGÜIDADE DOS PRAZOS DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância, por parte da Recorrente, de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA. Para a desconstituição da sujeição passiva autuada na ação fiscal, fazse necessária a apresentação de provas aptas a provar o alegado. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. O CARF é incompetente para se pronunciar à respeito de alegações de inconstitucionalidades de leis, nos termos da Súmula nº. 02 deste Conselho. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 60 45 /2 00 7- 15 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, §, 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.327 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 08 13.929, fls. 617/624, que julgou procedente o lançamento em epígrafe, mantendose incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.143.5137, no importe de R$ 1.768.382,40 (um milhão setecentos e sessenta e oito mil trezentos e oitenta e dois reais e quarenta centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2002 a 12/2006, tendo sido lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV e § 5º da Lei nº. 8.212/91, consistente na apresentação, por parte da empresa, de GFIP’S com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal, fls. 09/11, in verbis: A multa a ser aplicada é a prevista no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 de 06/05/1999 e artigo 32, inciso IV e parágrafos 5º da Lei 8.212/91. Em decorrência da infração praticada, o valor da multa cabível é de R$ 1.768.382,40 (um milhão, setecentos e sessenta e oito mil, trezentos e oitenta e dois reais e quarenta centavos), atualizado pela Portaria n. 142, de 11/04/2007. Segue em anexo planilha que esclarece o cálculo do valor da multa. Pela análise do histórico de fiscalizações do contribuinte, encontramos os seguintes AutosdeInfração: (...) Assim, o autuado é reincidente em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no relatório fiscal da infração no prazo de até cinco anos do trânsito em julgado administrativo do AI 35.503.0594, código de fundamentação legal 38, reincidência genérica. A reincidência é circunstância agravante prevista no inciso V, artigo 290 do Decreto 3.048/99 que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS. Seguem em anexo cópias das telas do sistema informatizado plenius nas quais constam a situação dos AI’s já lavrados na empresa. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 86/91. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0813.929, fls. 617/624, a qual julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 19/12/2007 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. Com fulcro no art. 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei nº 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal – STF editou e publicou a súmula vinculante nº 8, cujo teor é no sentido de considerar inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Assim, no que diz respeito à decadência do direito do Fisco de lançar de ofício a penalidade pecuniária decorrente de descumprimento de obrigação acessória, deve ser aplicado o prazo previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à Lei nº. 8.212/91, art. 32, IV, o preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 635/646, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Preliminar de decadência parcial do lançamento, com esteio no art. 150, § 4º, do CTN; Cerceamento do direito de defesa em razão da impossibilidade de cumprimentos do prazos determinados pela auditoria fiscal para apresentação de documentos; Descaracterização da Recorrente como devedora, eis que consiste apenas em administradora de planos de saúde, ao passo que a vinculação direta das cooperativas se dá com a Fundação Francisca Feitosa e/ou Fundação Ana Lima. Nesta senda, os termos dos contratos estabelecidos entre as Fundações e a Recorrente, constituem prova irrefutável de que aquelas são as verdadeiras tomadoras dos serviços prestados pelos cooperados; Inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, eis que ao criar nova base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, Lei nº. 9.876/99, estaria sendo violado o princípio da reserva legal; É o relatório. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.327 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 650, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 683DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Conforme consta no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 19/20, dentre documentos analisados pela auditoria estavam Comprovantes de Recolhimento. Nesta senda, também restou comprovado, segundo planilha que compõem Anexo I da presente autuação, pagamentos realizados em várias competências do período fiscalizado. Tais elementos probatórios são suficientes para atestar a existência de antecipação de pagamento, ainda que parcial ou relativo à rubrica diversa, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. Uma vez que a autuação fiscal sob análise trata de obrigação acessória concernente à apresentação deficiente de informações em GFIP’s, dados estes que culminaram e estão diretamente vinculados aos Autos de Infração de obrigação principal, é certo que estes sendo considerados parcialmente decadentes, fulmina, por conseguinte, a pretensão fazendária no que tange à multa por descumprimento de obrigação acessória em relação ao período decadente, uma vez que este, a nível de obrigação principal, já não é mais exigível. O período de apuração compreendeu as competências 01/2002 a 12/2006, quando a notificação apenas ocorreu em 26/12/2007, conforme AR constante na fl. 83. Logo, verificase a ocorrência parcial da decadência, durante o período de 01/2002 a 11/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Voltase a Recorrente contra os prazos estipulados pela autoridade fiscal, uma vez que diante da exigüidade que estes se revestiram, teria culminado no cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.327 S2C4T3 Fl. 5 7 Tal argumento, contudo, não merece prosperar. Isso porque não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância por parte da Recorrente de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária. A Recorrente, além dos prazos concedidos pelo auditor durante a fase fiscalizatória, ainda teve as oportunidades processuais, da impugnação e do Recurso Voluntário, na fase contenciosa, para apresentar todas as provas suficientes a elidir o valor autuado pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no caso em tela. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA A Recorrente pretende eximirse da responsabilidade tributária das exações, alegando ser apenas intermediária dos serviços prestados por cooperativas e a Fundação Francisca Feitosa, conforme contrato particular entre ambas na qual fica estabelecido a total e exclusiva responsabilidade da Fundação pelas obrigações fiscais e previdenciárias advindos da referida relação contratual. Alguns pontos devem ser esclarecidos para melhor análise do mérito. 1 A HAPVIDA possui contrato com a Fundação Francisca Feito (atualmente Fundação Ana Lima) na qual estabelece à esta a responsabilidade tributária decorrente dos profissionais envolvidos na relação contratual. 2 A HAPVIDA é a responsável pelos serviços prestados, uma vez que assume a referida responsabilidade ante os beneficiários, os quais não possuem nenhuma relação com a Fundação, nem com os cooperados; 3 A HAPVIDA apresentou DIRF, nos exercícios de 2002 a 2006, enquadrandose como tomadora dos serviços prestados pelas cooperativas; 4 No mesmo procedimento fiscal, a Recorrente apresentou notas fiscais/faturas de serviços prestados pelas cooperativas em nome da HAPVIDA, elementos probatórios que apontam para a verossimilhança das informações trazidas pela autoridade fiscal no que concerne ser a HAPVIDA a real tomadora dos ditos serviços; 5 A Fundação Ana Lima possui contratos com as cooperativas de trabalho para a prestação de serviços, sendo contratualmente responsável pelos correlatos pagamentos. A fiscalização tomou por base para a imputação da sujeição passiva a DIRF apresentada pela empresa na qual consta como a tomadora dos serviços de cooperativas e fonte pagadora aos cooperados, apesar da existência de contrato em que se estabelece a Fundação Fl. 685DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 como a responsável pelos pagamentos, utilizado como prova, dita irrefutável pela Recorrente, de que seria esta a verdadeira tomadora de serviços. Inobstante a celebração do dito contrato, não houve nos autos quaisquer provas de que a Fundação seria a real tomadora, ao passo que todos elementos apresentados apontam exclusivamente para a Recorrente, eis que elaborou a obrigação acessória (DIRF) colocandose como a tomadora, e conseguintemente, a responsável pelo tributo. Nesta senda, no contrato pactuado entre a HAPVIDA e a FUNDAÇÃO, fica estabelecido os pagamentos daquela à esta, cuja responsabilidade seria a oferta dos serviços dos cooperados. Ocorre, entretanto, que as únicas notas fiscais/faturas apresentadas referemse exclusivamente a serviços prestados pelas cooperativas diretamente à HAPVIDA, quando, segundo os contratos, deveriam ser prestados à Fundação, e os pagamentos da Recorrente deveriam ser àquela. Vêse, pois, que a real tomadora, tal qual como declarado na DIRF e notas fiscais, é a HAPVIDA, sem que houvesse a prova do contrário, a ser atestado pela Recorrente. Portanto, diante dos fatos presentemente discutidos, não sobejam dúvidas quanto à sujeição passiva do presente processo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Voltase a Recorrente contra o art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, ao pretender ver reconhecida a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que criou nova base de cálculo para a incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, quando a Constituição reserva tal matéria exclusivamente para a lei complementar, violando, assim, o princípio constitucional da reserva legal. Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, mas que, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 686DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.327 S2C4T3 Fl. 6 9 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações de inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima. MULTA APLICADA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 687DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da presente autuação, a multa aplicada teve como base o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 e art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Não se pode conjugar a multa por descumprimento de obrigação acessória com a multa de mora disposta no art. 35, II, a, da Lei n. 8.212/91, ou mesmo com a multa de 75%, composta pelo art. 44 da Lei 9.430/96. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.327 S2C4T3 Fl. 7 11 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para reconhecer a parcial decadência da autuação, referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN, assim como para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720168/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.
A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente.
Na hipótese, o interessado não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil.
VALOR DA TERRA NUA -VTN. ARBITRAMENTO.
Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT.
Numero da decisão: 2101-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, o interessado não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA -VTN. ARBITRAMENTO. Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10845.720168/2008-12
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309912
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-002.331
nome_arquivo_s : Decisao_10845720168200812.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10845720168200812_5309912.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5192649
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046372210442240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.720168/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.331 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria ITR Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Recorrente Florestal Matarazzo Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admitese, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, o interessado não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 68 /2 00 8- 12 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantémse o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar do exercício 2004, em decorrência da falta de comprovação do Valor da Terra Nua – VTN e das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal declaradas. A interessada impugnou o lançamento, pedindo a redução da multa de lançamento de ofício e realização de diligência. Pugnou pela nulidade do lançamento, por entender que a Fiscalização o fez sem base em levantamento específico da área de preservação permanente declarada. No mérito, alegou, em síntese, que: (i) a área do imóvel rural está permeada por rios, nascentes, morros, montanhas etc, cujos limites de exploração estão em perfeita consonância com a Lei n.º 4.771, de 1995, possuindo ainda áreas inexploradas, de inclinação entre 25º e 45º; (ii) é obrigada a manter 20% de sua área intocada, para composição de reserva legal; (iii) não obstante mantenha 428,2 hectares de preservação permanente, sem poder dela retirar qualquer benefício, a área foi glosada sem a realização de vistoria no local; (iv) não é obrigada a apresentar qualquer documento comprobatório das informações prestadas nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal; (v) o arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT não permite ao contribuinte contestar os parâmetros utilizados pela autoridade lançadora. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 3 3 A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 04 23.417, de 11 de fevereiro de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Princípios Constitucionais. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar argüições de legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. Áreas de Preservação Permanente/Utilização Limitada. Averbação e ADA. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins d exclusão do ITR, devem ser, por expressa disposição legal, reconhecidas como de interesse ambiental mediante protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) perante o Ibama, além da averbação tempestiva à margem de inscrição da matrícula da área pretendida como reserva legal. Valor da Terra Nua – VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Aplicabilidade da Multa de Ofício e Taxa Selic. São cabíveis as cobranças da multa de ofício, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou todos os argumentos anteriormente suscitados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Notificação de Lançamento que integra o presente processo teve origem na falta de comprovação, pelo contribuinte, das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, bem como do Valor da Terra Nua declarados em sua Declaração do ITR (DIAC/DIAT) correspondente ao exercício 2004. Diante desse fato, a Fiscalização glosou as áreas informadas e procedeu ao arbitramento daquele valor, com base nas informações do SIPT – Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na Declaração do ITR correspondente ao exercício 2004, o contribuinte declarou 428,8 hectares como área de preservação permanente e 520,0 hectares como área de reserva legal. Como Valor da Terra Nua do imóvel rural denominado Sítio Quilombo, o contribuinte declarou o montante de R$ 670.000,00, correspondente à área total de 2.144,10 hectares, sendo tributável o valor de R$ 39.039,00. Regularmente intimado para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o contribuinte nada apresentou que comprovasse as áreas declaradas, que foram, então, glosadas pela Fiscalização. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua declarado, após regular intimação, não apresentou laudo de avaliação do imóvel, nos termos requeridos. A Fiscalização atribuiu, então, à terra nua, o valor de R$ 15.947.858,68, correspondente à área total de 2.144,10 hectares, com base no valor constante do SIPT – Sistema de Preços de Terra, informado pela Secretaria Estadual de Agricultura para o exercício 2004, no Município de Cubatão, onde se localiza o imóvel (R$ 7.438,02 por hectare). Como conseqüência, foi lançada a diferença de imposto de R$ 956.246,90, com multa de lançamento de ofício e juros de mora. Na impugnação, o interessado suscitou a nulidade do lançamento, bem como formulou outros questionamentos, assim sintetizados: (i) a área do imóvel rural está permeada por rios, nascentes, morros, montanhas etc, cujos limites de exploração estão em perfeita consonância com a Lei n.º 4.771, de 1995, possuindo ainda áreas inexploradas, de inclinação entre 25º e 45º; (ii) é obrigada a manter 20% de sua área intocada, para composição de reserva legal; (iii) não obstante mantenha 428,2 hectares de preservação permanente, sem poder dela retirar qualquer benefício, a área foi glosada sem a realização de vistoria no local; (iv) não é obrigada a apresentar qualquer documento comprobatório das informações prestadas nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal; (v) o arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT não permite ao contribuinte contestar os parâmetros utilizados pela autoridade lançadora. No corpo de sua peça impugnatória, citou e transcreveu ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes, que entende refletirem o entendimento da defesa, bem como trechos de abalizada doutrina e, ao final, pediu a redução da multa de 75% e a realização de diligência para o fim de comprovar suas razões. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 4 5 O órgão julgador a quo não acolheu os argumentos deduzidos e julgou a impugnação improcedente. Em sede recursal, a interessado trouxe as mesmas razões da impugnação. 1. Da nulidade do lançamento Aduziu, no recurso, que o lançamento veiculado por meio da Notificação de Lançamento constante deste processo seria nulo, eis que a Fiscalização glosou a área de preservação permanente declarada sem que tivesse promovido qualquer levantamento específico da área, a fim de comprovar que a área declarada é inexistente. Inicialmente, no tocante à alegação de nulidade, impende destacar que o lançamento constante deste processo foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 1 a 6. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento constante dos autos deste processo, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Do exame dos autos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse dar causa a uma declaração de nulidade do lançamento. No que tange ao pedido de levantamento das áreas de preservação permanente e de reserva legal por servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devemos destacar que não compete ao órgão de fiscalização tributária promover vistoria nos imóveis rurais, para comprovar a efetiva existência dessas áreas, tal como pretende a parte interessada. Ao órgão da administração tributária cumpre exigir do contribuinte a comprovação documental da sua existência e regularidade, na forma da lei, para que referidas áreas possam ser excluídas no cômputo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Na hipótese, a autoridade autuante procedeu em estrito cumprimento do seu dever legal ao exigir do contribuinte a comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e, ante a sua não apresentação, promover a respectiva glosa. 2. Das áreas de preservação permanente e de reserva legal A Lei n.° 9.393, de 1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, ao tratar da sua apuração e pagamento, no artigo 10, assim prescreveu, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] (g.n.) 2.1. Área de Preservação Permanente O Código Florestal Brasileiro vigente na época dos fatos (Lei n.° 4.771, de 1965, revogada pela Lei n.° 12.651, de 2012) assim dispunha sobre as Áreas de Preservação Permanente (APP): Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 5 7 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 No presente caso, a dedução da Área de Preservação Permanente não foi admitida pela Fiscalização por falta de comprovação. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 4, que a interessada, mesmo tendo sido regularmente intimada, não comprovou a área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. A partir de 2001, a apresentação do ADA tornouse obrigatória para a comprovação da Área de Preservação Permanente, a teor do disposto no artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n.º10.165, de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] (g.n.) No caso em exame, o “fato gerador” do tributo ocorreu em 2004, quando as normas constantes dos dispositivos acima transcritos já estavam em vigor. Sendo assim, exigível o Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, para que se admita a exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. No entanto, a recorrente não apresentou o Ato Declaratório Ambiental, nem comprovou, por meio de outros documentos hábeis e idôneos, que a área de preservação permanente declarada na DIAC/DIAT do exercício 2004 foi devidamente informada ao órgão de controle do meio ambiente, na forma da lei. 2.2. Área de reserva legal O Código Florestal vigente na época dos fatos, Lei n.º 4.771, de 1965, prescrevia ser área de reserva legal aquela localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Seu artigo 16, ao regular a supressão de florestas ou outras formas de vegetação nativa, estipulava a manutenção de um percentual da propriedade rural a título de reserva legal, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 6 9 IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. [...] .§4° A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. [...] §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] (g.n.). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Dos dispositivos legais transcritos, depreendese ser possível suprimir áreas de florestas e outras formas de vegetação nativa (não consideradas áreas de preservação permanente ou de utilização limitada), desde que seja mantida, a título de reserva legal, parte dessas florestas ou vegetações nativas, nos percentuais mínimos fixados. A instituição da reserva legal é uma exigência da legislação ambiental, no caso, a Lei n.° 4.771, de 1965. Aplicase a todo e qualquer imóvel rural, variando seu percentual mínimo de acordo com a localização do imóvel e suas características, na forma prescrita. A lei ambiental impõe, àquele que detém a posse ou a propriedade do imóvel rural, a destinação do percentual mínimo para constituição da reserva legal. Deixa, todavia, critério do titular da propriedade ou da posse do imóvel determinar a área efetiva e sua localização, além dos seus limites no interior do imóvel rural, ficando a sua localização, sujeita a aprovação pelo órgão ambiental (artigo 16, § 4.°, da Lei n.° 4.771, de 1965, com a redação dada pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001). De acordo com a Lei n.° 4.771, de 1965, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. O condicionamento da exclusão da área de reserva legal, no cômputo do ITR, à prévia averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel, nos moldes previstos, assegura o cumprimento dos objetivos do artigo 16, § 2º, do Código Florestal e do artigo 10, inciso II, alínea "a", da Lei n.º 9.393, de 1996. Na hipótese, a interessada não comprovou ter havido averbação da área de reserva legal declarada junto à matrícula do imóvel rural. 3. Do Valor da Terra Nua VTN Regularmente intimado pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica –ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor da Terra Nua informado na DITR, a parte interessada permaneceu inerte. Diante disso, a Fiscalização procedeu ao lançamento do ITR sobre o Valor da Terra Nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lançamento este integralmente mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS). Tanto na impugnação quanto em sede de recurso, o contribuinte alegou que o lançamento foi feito com base em parâmetros incertos e desconhecidos, o que, a seu ver, viola os “princípios tributários elementares”, impedindo a instauração do contraditório, eis que não é dada ao contribuinte a oportunidade de contestar os valores adotados pela autoridade lançadora na apuração do imposto. Sobre esse assunto, impende salientar que a Lei n.º 9.393, de 1996, estipulou, em seu artigo 14, que, no caso de prestação de informações inexatas em DIAC ou DIAT, cabe à Secretaria da Receita Federal proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Com fundamento nesse dispositivo legal, foi instituído o SIPT – Sistema de Preços de Terras, por meio da Portaria SRF nº 447, de 28.3.2002 (DOU de 3.4.2002), com o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 7 11 objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Segundo o ato normativo que o instituiu, o referido sistema baseiase nos valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e nos valores de terra nua da base de declarações do ITR. No caso em apreço, em razão da inércia do contribuinte, a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua constante no SIPT Sistema de Preços de Terras, para o município de localização do imóvel, com base em informação prestada pela Secretaria Estadual de Agricultura, para terra de campo ou reflorestamento (vide fls. 21). Para desconstituir o valor arbitrado com base no SIPT, o contribuinte poderia ter trazido aos autos Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua ou demais documentos indicados pela Fiscalização, no entanto, omitiuse. Não apresentou, nos autos, qualquer documento que contrapusesse o Valor da Terra Nua utilizado, com base no SIPT. No tocante ao alegado descumprimento dos “princípios tributários elementares”, ante o entendimento que, com a utilização do valor da terra nua constante do SIPT não teria sido dada ao contribuinte a oportunidade de contestar os valores adotados pela autoridade lançadora na apuração do imposto, há que se destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada à lei, não cabendo à autoridade fiscal analisar a sua constitucionalidade, afastando a sua aplicação quando entender adequado. Como visto, a criação do SIPT foi prevista no artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1996, que expressamente autoriza a Secretaria da Receita Federal do Brasil a instituir sistema de preços de terras. O referido sistema foi, por conseguinte, instituído com base na lei e, na hipótese, foi utilizado para os fins nela previstos. Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos à constitucionalidade da lei tributária. A propósito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento no sentido de sua incompetência para se manifestar a esse respeito, a teor da Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Da necessidade de comprovação das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil Na impugnação ao lançamento, bem assim no recurso interposto contra a decisão de primeira instância, o contribuinte sustentou não ser obrigado a apresentar à Secretaria da Receita Federal do Brasil quaisquer documentos que embasem as declarações prestadas quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal. Tal inferência, contudo, não procede. Vejamos o disposto no artigo 4º da Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. (grifamos) Esclarecemos, por pertinente, que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é tributo sujeito ao denominado “lançamento por homologação”, tal como previsto no artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, cujo caput encontrase a seguir reproduzido: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...]. Por se tratar de tributo sujeito ao denominado “lançamento por homologação”, a constituição do crédito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é feita com base nas informações prestadas pelo contribuinte em declaração que não se sujeita a prévia verificação por parte da autoridade fiscal. No entanto, submetese a verificação posterior, para fins de homologação. A declaração é, destarte, em um primeiro momento, tida por verdadeira, e a apuração do imposto é feita pelo próprio contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária. Isto não significa dizer, porém, que a administração tributária esteja impedida de verificar a procedência das informações prestadas, uma vez instaurado procedimento de fiscalização, nem que o contribuinte não esteja obrigado a comprovar as informações prestadas. Pelo contrário, é dever da administração fazer a verificação dos dados informados pelo contribuinte e promover o lançamento de ofício do tributo, sempre que houver omissão de informações ou elas forem inexatas. E é dever do contribuinte comprovar as informações prestadas sempre que for, para isso, regularmente intimado pela Fiscalização. Prevê o artigo 149 do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966) que o lançamento de ofício deve ser efetuado pela autoridade administrativa nos casos em que fique comprovada a omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo 150 do mesmo diploma, ou seja, o lançamento por homologação. Vejamos os textos dos dispositivos, naquilo que releva à presente análise: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 8 13 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Havendo omissão ou inexatidão de informações do sujeito obrigado à apuração e ao pagamento antecipado do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, na sua Declaração de ITR (DIAT/DIAC), deve ser feito o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, nos moldes previstos no inciso V do artigo 149 do Código Tributário Nacional, corroborado pelo teor do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Sendo assim, não procede a alegação do recorrente. 5. Da multa de lançamento de ofício O recorrente pede a redução da multa de lançamento de ofício, estipulada em 75%. De acordo com o § 2.º do artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1996, no lançamento de ofício do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural são cabíveis as multas aplicáveis aos demais tributos federais, que são aquelas previstas no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, que assim dispõe, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 No lançamento veiculado por meio da Notificação de Lançamento integrante dos autos do presente processo, foi lançada multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada, nos estritos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, tendo em vista não ter sido comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Observase, assim, que a autoridade autuante promoveu o lançamento da multa de ofício de acordo com a legislação de regência. As reduções das multas de lançamento de ofício, de que trata o artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, são somente aquelas previstas em seu parágrafo 3.º, ou seja, aquelas prescritas no artigo 6º da Lei nº 8.218, de 1991 (o artigo 60 da Lei nº 8.383, de 1991 foi revogado pela Lei n.º 11.941, de 2009): Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Ante o exposto, só seria possível aplicar a redução da multa de ofício se o contribuinte se enquadrasse em alguma das situações previstas no acima transcrito artigo 6º da Lei n.º 8.218, de 1991, o que não se configurou, na hipótese. 6. Das diligências e perícias O recorrente pede seja realizada diligência, para que o Auditor Fiscal compareça ao Sítio Quilombo e constate ou infirme se as áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas correspondem, respectivamente, a 428,2 hectares e 520,0 hectares. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 9 15 Sobre o alegado, salientase primeiramente que, conforme anteriormente explicitado, não compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil promover vistorias em área rurais a fim de constatar a efetiva existência e regularidade das áreas informadas como de reserva legal e de preservação permanente. Isto é atribuição do órgão ambiental. Por sua vez, a realização de diligências e perícias está disciplinada no Decreto n.º 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1.º). [...] Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993, art. 1.º). [...] Referida produção de provas já havia sido solicitada na impugnação, tendo sido indeferida pela DRJ em Campo Grande (MS). O contribuinte pede mais uma vez, agora em sede de recurso voluntário, a realização de diligência. O pedido de diligência ou perícia, feito na impugnação, deve ser fundamentado, devendo o requerente formular os quesitos referentes ao exame desejado, acompanhado, no caso de perícia, do nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, tal como prevê o artigo 36 do Decreto n.º 7.574, de 2011, acima transcrito. Tais exigências não foram atendidas pelo contribuinte. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Conforme visto anteriormente, é dever do particular colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A omissão do sujeito passivo na apresentação de prova documental não pode ser suprida por diligências ou perícias custeadas pelo Poder Público. É que as diligências, no processo administrativo fiscal, prestamse a esclarecer pontos que o julgador entenda necessários para a formação do seu convencimento na apreciação da matéria em litígio e não a suprir prova documental que deveria ter sido providenciada pela defesa e não foi, tal como ocorreu na hipótese. Pelas razões expostas, sou pelo indeferimento do pedido de diligência. 7. Demais considerações Ao longo da peça recursal, o contribuinte cita e transcreve ementas de julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não têm caráter normativo. As decisões proferidas no âmbito deste CARF e do antigo Conselho de Contribuintes são válidas somente entre as partes integrantes do processo administrativo. O livre convencimento do julgador, de acordo com as provas dos autos, permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Por fim, esclarecemos que as intimações, no âmbito do processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, conforme dispõem o inciso II do caput e o § 4º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720168/200812 Acórdão n.º 2101002.331 S2C1T1 Fl. 10 17 (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
