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Numero do processo: 10120.011386/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA.
Sem que se configure as hipóteses do art., 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação.
Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência dos recorrentes Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e Propace Ind. Com. De Embalagens S/A; ii) dar provimento aos recursos voluntários de Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária dos mesmos; e, iii) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: Evandro Correa Dias
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art., 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário.
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AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art., 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 86 /2 00 9- 19 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 800 2 Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência dos recorrentes Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e Propace Ind. Com. De Embalagens S/A; ii) dar provimento aos recursos voluntários de Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária dos mesmos; e, iii) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 801 3 Relatório Transcrevese o relatório do Acórdão nº 3301003.648 da 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que declinou a competência para a 1ª Seção, em face do processo 10120.011.385/200974 (IRPJ e CSLL), conforme disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. "Trata o presente processo autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para PIS/Pasep, lavrados em 27/10/2009 e regularmente notificados, contra a empresa PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S/A, CNPJ 02.160.034/000179, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário, relativo ao anocalendário de 2006 (jan e fev), incluindo juros de mora calculados até 30/09/2009 e multa proporcional de 75%. Segundo a fiscalização relatou no Auto de Infração, fls. 291/327, no desempenho de sua atividade econômica, o contribuinte industrializou e vendeu embalagens plásticas, conforme comprovam os livros Registro de Saídas e Apuração de ICMS. Entretanto, os valores recolhidos dos tributos federais não guardam proporção com as vendas efetuadas, sendo pagos valores inferiores ao devido. Com base no Registro de Apuração do ICMS, destacouse as saídas onerosas mediante verificação do CFOP, inserindoas no Demonstrativo de Apuração de Tributos. Constatada a receita mensal de vendas, foram apurados os tributos federais. A fiscalização entendeu que a escrituração contábil do contribuinte apresentouse inviável para apurar o lucro real anual ou trimestral, diante dos seguintes motivos: a) Não foi apresentado o livro de apuração do lucro real (Lalur); b) O Razão apresentado restringiuse a registrar as operações realizadas no 1º trimestre do anocalendário 2006, e as contas não estão ordenadas, em descumprimento às exigências contábeis e legais; c) O contribuinte não exerceu opção pelo lucro presumido, arbitrado ou lucro real anual, posto que não pagou IRPJ, não apresentou DCTF com débitos de IRPJ, não parcelou nem compensou débito de IRPJ, e não apresentou DIPJ. Diante do exposto, com fundamento no art. 529, inciso II, alínea "b", inciso III e inciso VI do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, arbitrouse o lucro da pessoa jurídica fiscalizada. Apurouse o PIS e a Cofins segundo o regime cumulativo. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 802 4 Foi atribuída responsabilidade solidária às Pessoas Físicas (i) Pedro Paulo Gonçalves, CPF n° 355.521.15104; (ii) José Vicente Vieira, CPF n° 397.162.601/72; (iii) Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934; (iv) Antônio Augusto Fernandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904, e (v) Renato Antônio Almeida, CPF n° 539.302.23953, com fundamento no CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII. A sujeição passiva do mandatário está amparada pelo art. 134 inciso III do CTN. Foram apresentadas, tempestivamente, impugnações por parte de todos os autuados, Sujeito passivo principal e solidários. Em 10 de outubro de 2011 foram juntados aos autos os Livros Razão de abril a dezembro de 2006, os Livros Diário de janeiro a dezembro de 2006 e balancete contábil de 2006, conforme Termo de Juntada à fl. 620 (os documentos, em formato de livros, encontram se anexados ao processo Principal 10120.011385/200974). Já em 12 de abril de 2012 juntouse cópias da DIPJ 2007, DCTF 1º e 2º semestres de 2006 e DACON 2006, conforme Termo de Juntada á fl. 623 (os documentos encontramse anexados ao processo Principal 10120.011385/200974) Segundo o contribuinte PROPACE tais documentos seriam comprobatórios da situação financeira e contábil da empresa à época das autuações e revelam os equívocos da Autoridade Autuante quando do arbitramento que lhes foi impingido. Ao analisar as Impugnações a 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF formalizou o Acórdão 0348.602, de 04 de junho de 2012, que, por unanimidade de votos, Declarou IMPROCEDENTES as impugnações apresentadas pela empresa e pelos Srs. Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antonio Almeida e ao final pela MANUTENÇÃO INTEGRAL do crédito tributário exigido, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSÁVEL. SOLIDARIEDADE De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua O fato gerador da obrigação principal. COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em sua petição impugnativa. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 803 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006,28/02/2006. PIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em sua petição impugnativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INDEFERIMENTO. De acordo com o Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as formas de intimação são: pessoal, por via postal, por meio eletrônico ou por edital. As intimações pessoais, por via postal ou por meio eletrônico, não estão sujeitas a ordem de preferência. As intimações serão endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados os interessados apresentaram os respectivos Recursos Voluntários, conforme a seguir: Recurso Voluntário do Sujeito Passivo Principal A empresa autuada apresentou Recurso voluntário nos seguintes termos: a) que a pretensão fiscal descrita nos autos de infração, em última análise, é baseada no suposto descumprimento de obrigações acessórias de escrituração contábil, o que implicou no arbitramento de tributos federais IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base na presunção do lucro auferido pela ora RECORRENTE; b) que a primeira instância administrativa pretende manter a cobrança de tributo, juros e multa, incidentes sobre os referidos supostos rendimentos arbitrados, apesar da apresentação de balancetes contábeis, dos Livros Diário e Razão e de todas as obrigações acessórias do exercício autuado, o que, por conseguinte, malfere frontalmente no presente caso o principio da verdade material, o qual, digase de passagem, deve reger a conduta da autoridade administrativa; Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 804 6 c) que se encontra presente uma NULIDADE processual, pois a Delegacia de julgamento não esgotou os meios que possuía em busca da verdade material, tendo em vista que preferiu desconsiderar os documentos contábeis e os livros a ela apresentados; d) que foram apresentados pela RECORRENTE os Livros Fiscais Razão e Diário Balancetes e todas as obrigações acessórias relativas ao período de apuração autuado, os quais são documentos hábeis e idôneos a provarem a real contabilização da empresa, haja vista que estes são instrumentos de escrituração obrigatória; e) que a mantença do referido arbitramento, apesar da entrega dos Livros Razão e Diário, afronta a jurisprudência administrativa deste E. Conselho; f) que irrazoável se mostra a atuação da Autoridade Julgadora de primeira instância, que manteve o arbitramento de tributo supostamente devido em razão da realização de vendas sem levar em consideração todas as despesas inerentes à atividade da empresa autuada, as quais, repitase, estão demonstradas nos Livros Razão e Diário que foram anexados ao presente feito; g) que requer seja determinado o RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis colacionados no presente feito, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da ora RECORRENTE. Recurso Voluntário dos solidários Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida Os responsáveis tributários, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida tomaram ciência da decisão e interpuseram recurso voluntário no qual alegam, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o auto de infração, com fundamento no art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II, art. 128 e 134, inciso VII, atribuiu responsabilidade solidária aos sócios da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. b) que a própria decisão ora recorrida afastou a aplicabilidade do art. 134, VII, do CTN, pois este somente poderia ser utilizado no caso de liquidação da sociedade de pessoas, o que, como deduzido nas respectivas impugnações, não se apresentou; c) que o Julgador de primeira instância, não querendo se dar por vencido, com o devido acatamento, buscou caracterizar os RECORRENTES como "responsáveis tributários" dos tributos ora cobrados; d) que, assim, entendese que a decisão em referência quer impingir a responsabilidade tributária aos exsócios sob o manto do art. 135, III, do CTN; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 805 7 e) que não é possível admitir que o redirecionamento se dê contra o sócio porquanto não seja demonstrado que o mesmo agiu com excesso de poderes ou infração à lei, fatos esses que não se caracterizam pela simples inadimplência tributária; f) que vislumbrase, a partir da decisão ora recorrida, a manobra utilizada pela Delegacia de Julgamento, para forçar a inclusão do sócio como coresponsável tributário para, quiçá, poder exigir a cobrança dos tributos em referência em futura execução fiscal; g) que chamar o sócio para responder por débitos da pessoa jurídica sem que se prove ter havido excesso de mandato ou infração à norma representa afastar totalmente a figura da limitação da responsabilidade insita nas sociedades; h) que o Min. Fux, no REsp. 200502069717 (DOU 18/09/06) sustentou que: "o Superior Tribunal de Justiça sedimentou entendimento segundo o qual é imprescindível a prova, a cargo da exeqüente, de que o sócio, com poderes de gerência, tenha infringido a Lei ou desbordado dos limites do estatuto social, a fim de redirecionar contra ele o executivo fiscal"; i) que dúvida não há quanto a inaplicabilidade do dispositivo em tela ao caso presente, uma vez que somente é possível a execução recair sobre os sócios com base no art. 135 do CTN se houver excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto; os quais deverão ser trazidos com fundamentos concretos, devendo haver comprovação do alegado; j) que requer que seja considerado INSUBSISTENTE O REDIRECIONAMENTO da autuação aos ora RECORRENTES, pois estes não podem ser considerados como responsáveis tributários, haja vista que não há, nos autos, comprovação de comportamento fraudulento por parte destes, conforme preconizado pelo art. 135, III, do CTN; 1) que requer, em não sendo esse o entendimento, seja determinado o RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis trazidos pelos RECORRENTES, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da empresa autuada. Recurso Voluntário dos solidários Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira Em apartada síntese a defesa dos recorrentes vão na linha de que a responsabilidade tributária é subjetiva, ou seja, exige a comprovação de ato praticado com dolo ou culpa. Entende que tal realidade é evidenciada pelos inúmeros julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, pelas decisões do CARF e pelas orientações constantes dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas da RFB e PGFN. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 806 8 Recurso Voluntário do solidário Milton Rui Jaworski O responsável tributário Milton Rui Jaworski tomou ciência da decisão recorrida e interpôs recurso voluntário no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que Ata da Assembléia Geral é documento hábil, que fora devidamente registrado na Junta comercial, devendo ser considerado como prova cabível para desvendar a solução questionada, pois, descreve que o endereço da autuada é na Rua Capistábos, n° 350, Setor Santa Genoveva, Goiânia, Goiás, e não o que consta do auto de infração; b) que há no presente caso erro processual quanto à intimação do sujeito passivo principal, pois, na intenção de receber o tributo, o erário preferiu utilizar de meios mais fáceis e cômodos, mas, entretanto, em desconsonância com os princípios constitucionais; c) que indispensável dessa forma, a realização de diligência para confirmar se a intimação foi endereçada ou não corretamente, uma vez que a falha processual resulta em nulidade do auto de infração e tal vicio deve ser sanado a qualquer tempo, não se restringindo apenas na via judicial; d) que, ao realizar a diligência e for constatada que a intimação fora feita em local diverso onde a empresa se encontra, configurado estará que a afirmação de dissolução irregular da empresa, feita pelo erário, foi indevida e prejudicial; e) que, mesmo que não seja levada em consideração a possibilidade da dissolução irregular ser imprópria, o sujeito passivo ora recorrente não deve fazer parte da lide por vários motivos, um deles é que sua renúncia ao cargo de administrador se deu em 02/05/2007, muito antes da data em que a empresa foi declarada inapta, em 19/01/2009; f) que, quando o Sr. Milton Rui Jarwoski se afastou da administração, ele o fez de forma legal, estando ainda a empresa em pleno exercício, isto é, não existia a manifestação do fisco em relação a irregularidade; g) que auto de infração fora lavrado em 16/11/2009, referindo a fato gerador ao período de 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006, sendo a intimação do sujeito passivo denominado responsável, emitida em 19/11/2009; h) que o entendimento majoritário nos tribunais referente a responsabilidade dos sócios que se retira da sociedade sobrevive até 2 (dois anos) e o no caso do recorrente já havia mais de dois anos; i) que o Sr. Milton Rui Jarwoski não tem nenhuma responsabilidade pelas dividas tributárias da empresa após a sua retirada; j) que a denominada solidariedade, constante no art. 134, VII, do CTN, não é aplicada a empresa autuada, pois, não se trata de sociedade de pessoas e sim sociedade anônima; 1) que autos devem ser retornados a instância anterior para que se manifeste quanto ao fato de não caber a solidariedade dos sócios, como descreve o art. 134, VII, CTN, pois, o sujeito passivo principal é uma empresa de capital e não de pessoa; Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 807 9 m) que o fiscal autuante, adequado seria ter realizado todos os procedimentos cabíveis para receber o tributo da empresa, para depois cobrar dos sócios e atuais administradores e não dos exsócios e exadministradores; n) que a recorrente não era sócio da empresa, não tendo motivo a sua inclusão no pólo passivo da lide, atuando em pequeno período apenas como administrador da empresa autuada; o) que na lavratura do auto de infração não foi mencionado nenhum dispositivo legal que responsabilizasse o exadministrador como solidário com divida tributária da empresa; p) que o posicionamento dos tribunais quanto a responsabilidade do administrador com as dividas tributárias da empresa não é objetiva, mas sim, subjetiva, devendo ater para o animus do agente; q) Sr. MILTON RUI JAWORSKI não deve estar incluído no pólo passivo da lide, pois, não agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nem tendo qualquer outra atitude que o torne responsável por divida tributária da Propace; r) que requer seja o presente recurso recebido e provido para julgar NULO o presente auto de infração, com base no erro na identificação das impugnantes como sujeitos passivos solidários, sendo todos conseqüentemente retirados do pólo passivo da lide; e seja realizada diligência para sanar a falha que se encontra nos autos e retorne este a instância anterior para manifestação dos julgadores quando foram 'omissos quanto ao questionamento feito pelo sujeito passivo na impugnação. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência." Transcrevese a seguir, os motivos da declinação da competência do julgamento dos feitos para 1ª Seção. "Destaquese que as apurações de PIS/Pasep e Cofins, tratadas no presente processo, são REFLEXOS do procedimento fiscal em que, constatandose omissão de receitas, arbitrouse a base de cálculo de IRPJ, tudo conforme formalizado nos autos do processo (PRINCIPAL) n° 10120.011385/200974. O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015) elenca as hipóteses em que compete à 1ª Seção processar e julgar o caso, a qual inclui no seu inciso IV, os casos que versam sobre PIS e COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. E, como é cediço, a recente Portaria MF n° 152, de 03 de maio de 2016, excluiu da redação anterior do referido inciso IV a passagem "em um mesmo processo administrativo". É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de Ia (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 808 10 I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Sendo assim, com base na legislação atualmente em vigor, é de competência da 1ª Seção o julgamento de processos relativos à cobrança de PIS e COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizados em um mesmo procedimento fiscal e com base nos mesmos elementos de prova, ainda que não tenham sido exigidos através de um mesmo Processo Administrativo Fiscal." Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 809 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem ao demais requisitos, motivo pelo qual deles conheço. Dos Fatos Conforme relatado, trata o presente processo de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para PIS/Pasep, contra a empresa PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S/A, CNPJ 02.160.034/000179, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2006 (jan e fev), incluindo juros de mora calculados até 30/09/2009 e multa proporcional de 75%. No pólo passivo foi atribuída responsabilidade solidária às Pessoas Físicas (i) Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934; (ii) Antônio Augusto Femandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904; (iii) Renato Antonio Almeida, CPF n° 539.302.23953 e (iv) Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira, com fundamento no CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII. A sujeição passiva do mandatário está amparada pelo art. 134 inciso III do CTN. A autuação deuse sob a alegação, por parte da fiscalização, de constatação de omissão de receitas de vendas de produtos de fabricação própria, apurada com base em arbitramento, realizado com fulcro no art. 530, III, do RIR/99. A fiscalização entendeu que a escrituração contábil do contribuinte apresentouse inviável para apurar o lucro real anual ou trimestral, razão pela qual, com fundamento no art. 529, inciso II, alínea "b", inciso III e inciso VI do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, arbitrouse o lucro da pessoa jurídica fiscalizada. Apurouse o PIS e a Cofins segundo o regime cumulativo. Destaquese que as apurações de PIS/Pasep e Cofins, tratadas no presente processo, são REFLEXOS do procedimento fiscal em que, constatandose omissão de receitas, arbitrouse a base de cálculo de IRPJ, conforme formalizado nos autos do processo (PRINCIPAL) n° 10120.011.385/200931, que foi julgado em 03/02/2015 pela – 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Transcrevese a seguir a ementa do Acórdão nº 1802002.442 – 2ª Turma Especial: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2006 LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 810 12 O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tomem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇAO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juízo discricionário da autoridade fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO BIMESTRAL. NULIDADE. A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação tributária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. A legislação não prevê o arbitramento do lucro quando a receita bruta é conhecida em qualquer base que não seja a trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Darci Mendes de Carvalho Filho que davam provimento parcial para afastar a solidariedade e ajustar o vencimento da obrigação, recalculando os juros de mora. O Conselheiro Nelso Kichel apresentará declaração de voto. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Destacase que os autos de infração, objeto do presente lançamento, referem se a PIS e Cofins lançados pelo regime cumulativo e não foram contestados pelo contribuinte e responsáveis, quando se limitaram a atacar apenas o arbitramento realizado para apuração do IRPJ e CSLL. Assim, no silêncio da oponente, cabe considerar como matéria não impugnada, nos termos da dicção do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação da , 76 Lei n 9.532, de 1997, o que implica, neste caso, manter a na integra o lançamento efetuado a título de PIS/PASEP e Cofins sobre a receita conhecida. No processo principal no qual tributouse IRPJ e CSLL, verificouse incorreta a data de ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL, pois não há fato gerador bimestral de IRPJ/CSLL, ou seja, não há fato gerador por lucro arbitrado ocorrido em 28 de fevereiro, e nem há obrigação tributária referente a IRPJ/CSLL sobre lucro arbitrado com vencimento em 30 de março. Contudo, no presente processo no qual tributouse PIS e Cofins, cujo fato gerador é mensal, verificase correto a data para os períodos de janeiro (31/01/2006) e Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 811 13 fevereiro (28/02/2006). Logo as razões que levaram ao provimento do recursos voluntários no processo principal (IRPJ e CSLL) não se aplicam ao presente processo de lançamento de PIS e Cofins. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Preliminarmente, cabe ressaltar que a realização de diligências e auditorias nesta fase do processo tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, conforme restará demonstrado mais a frente, não se faz necessário para conhecimento e solução das questões postas em julgamento nos presentes autos. A matéria é disciplina pelo artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Dessa forma, por entender que são prescindíveis ao deslinde causa, pois os elementos que constam dos autos são suficientes para sustentar as conclusões que fundamentaram o lançamento fiscal, os pedidos de diligências da empresa e dos recorrentes devem ser indeferidos. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DOS RESPONSÁVEIS Adoto quanto à responsabilidade solidária, sem que se configure as hipóteses do art. 135, inciso III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoas que já não eram sócios da sociedade no momento em que houve a liquidação. Vejamos, em síntese dos os argumentos utilizados a seguir: · Com relação a aplicação do art.134, VII, do CTN, a primeira questão que temos que verificar é se a recorrente era uma sociedade de pessoas. O contrato social na sua cláusula sétima (a fls. 119) não deixa dúvida que ela foi constituída como uma sociedade de pessoas; · Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, isso para se definir os aspectos da hipótese de incidência, inclusive a sujeição passiva direta quem é contribuinte. Assim, o dever de o contribuinte pagar o tributo nasce no momento da ocorrência do fato gerador, algo que não se confunde com a responsabilidade do sócio , a qual depende, na hipótese do art. 134, VII, do CTN, que seja impossível de cobrar da sociedade de pessoa por ter sido liquidada. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 812 14 · Assim, por exemplo, impossibilitado o Fisco de cobrar tributos de uma sociedade de pessoas já liquidada, deverá efetuar o lançamento contra os seus últimos sócios, aqueles que a liquidaram e que receberam o seu acervo líquido. Ora, sem que tenha se configurado as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social) não vejo como responsabilizar pessoa que já não era sócio da recorrente no momento em que houve a liquidação. · Ademais, no caso em tela, não houve uma liquidação de uma sociedade de pessoas, pois essa sofreu uma transformação em 04/07/2006, passando a ser uma sociedade anônima (sociedade de capital) e foi já sob esta constituição que foi declarada inapta pelo ADE n° 3/2009 (transcrito na decisão recorrida), logo, inaplicável o art. 134, VII, do CTN. · O Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fls. 3, está datado de 19/01/2009, logo, há que se questionar como presumir que a recorrente teria se dissolvido irregularmente em 2006, se foi em 2009 que a Fiscalização se deu conta de que o endereço, nos cadastros da Receita Federal, estavam, no mínimo, desatualizado. Tanto é verdade, que, só em 02/06/2009, é expedido o ADE n° 03, o qual deixa muito claro que os seus efeitos são a partir de 19 de janeiro de 2009. Nesse ponto, reside, conforme tratado, a outra inconsistência da autuação e da decisão recorrida, qual seja, é que não se pode responsabilizar os sócios gerentes à época do fato gerador em tela, 2006, se não ocupavam essa função à época da dissolução irregular. · Na Representação Fiscal Pessoa Jurídica Inapta, a fls. 96, é informado que: "Os diretores apontados no quadro societário do CNPJ afirmaram não possuir mais poder de direção sobre a empresa, e indicaram o senhor Angelo de Paiva Teixeira, CPF n° 465.535.506/97, como administrador da sociedade anônima. Uma vez expedido o Oficio n° 11/2009/DRF/GOI/Sefis, a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) nos encaminhou a documentação arquivada, confirmandose que a empresa era administrada pelo senhor Angelo de Paiva Teixeira.". · Diante desse quadro, ou a fiscalização provava ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa ("laranja") e que os sócios Antônio Rapetti e Renato Almeida continuavam na gerência da sociedade, ou a fiscalização só poderia colocar no polo passivo, em virtude da dissolução irregular, o Sr. Angelo de Paiva Teixeira. Como não há acusação de ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa, entendo equivocada a responsabilização tributária dos exsóciosgerentes Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Antônio Augusto Fernandes Rapetti , Renato Antônio Almeida e Milton Rui Jawosky. Quanto à imputação de responsabilidade solidariedade passiva dos antigos proprietários, realmente incabível no caso, pois os responsáveis solidários arrolados deixaram a empresa, que foi dissolvida irregularmente, anos depois, ou seja, em 2009; logo, não é possível a imputação de responsabilidade solidária aos antigos sócios. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 813 15 Assim, deve ser afastada a responsabilidade tributária de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira quanto ao lançamento de PIS e Cofins. Destacase que o afastamento de responsabilidade tributária não é causa de nulidade do presente auto de infração, conforme verificase pela leitura do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, norma que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF em âmbito federal, dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De conformidade com o referido art. 59, constataseque a situação reclamada no apelo recursal não denota a ocorrência de vícios que possam levar à anulação do feito fiscal. Os erros propalados pela recorrente podem, se comprovados, no máximo demandar a retificação do lançamento, consoante estipula o art. 60 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 814 16 Conclusão Ante o exposto, voto: i) rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência dos recorrentes Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e Propace Ind. Com. De Embalagens S/A; ii) dar provimento aos recursos voluntários de Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária dos mesmos; e, iii) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 814DF CARF MF
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Numero do processo: 10740.720005/2016-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. EMPREGO DE ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA
A lavratura de auto de infração com anexos, nos quais se descreve a conduta praticada, se apresenta planilhas e valores, além de outros elementos que fundamentaram a autuação, não o torna nulo, quando o contribuinte é intimado de todo o teor da autuação, podendo exercer na plenitude o seu direito de defesa.
NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERE A PRODUÇÃO DE PROVA REQUERIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA
Decisão que indefere a produção de prova requerida em sede de Impugnação, após demonstrar que a imprestabilidade dessas provas para o deslinde da questão, não é nula.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Constatada a prática de atos praticados pelo administrador da empresa com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos definidos no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que dão origem ao nascimento de obrigação tributária, àquele administrador deve ser imputada a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação.
Numero da decisão: 1302-002.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca votaram pelas conclusões do relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Suplente Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. EMPREGO DE ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA A lavratura de auto de infração com anexos, nos quais se descreve a conduta praticada, se apresenta planilhas e valores, além de outros elementos que fundamentaram a autuação, não o torna nulo, quando o contribuinte é intimado de todo o teor da autuação, podendo exercer na plenitude o seu direito de defesa. NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERE A PRODUÇÃO DE PROVA REQUERIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Decisão que indefere a produção de prova requerida em sede de Impugnação, após demonstrar que a imprestabilidade dessas provas para o deslinde da questão, não é nula. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Constatada a prática de atos praticados pelo administrador da empresa com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos definidos no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que dão origem ao nascimento de obrigação tributária, àquele administrador deve ser imputada a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca votaram pelas conclusões do relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Suplente Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias
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EMPREGO DE ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA A lavratura de auto de infração com anexos, nos quais se descreve a conduta praticada, se apresenta planilhas e valores, além de outros elementos que fundamentaram a autuação, não o torna nulo, quando o contribuinte é intimado de todo o teor da autuação, podendo exercer na plenitude o seu direito de defesa. NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERE A PRODUÇÃO DE PROVA REQUERIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Decisão que indefere a produção de prova requerida em sede de Impugnação, após demonstrar que a imprestabilidade dessas provas para o deslinde da questão, não é nula. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 05 /2 01 6- 18 Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.665 2 Constatada a prática de atos praticados pelo administrador da empresa com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos definidos no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que dão origem ao nascimento de obrigação tributária, àquele administrador deve ser imputada a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca votaram pelas conclusões do relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Suplente Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA, no qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por omissão de receitas, identificada através dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, nas quais aquele contribuinte mantinha contas correntes e/ou de investimentos. No mesmo Auto de Infração, foi atribuída responsabilidade tributária ao administrador da sociedade, MAX WILLIAN MARTINS, por ter praticado atos tipificados no artigo 135 do Código Tributário Nacional, nos termos consignados no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração. Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.666 3 A autuação foi muito bem sintetizado pelo acórdão recorrido, por isso, pede se venia para transcrever trecho em que a descreve de forma detalhada. Confirase: 1. Trata o processo de autos de infração do IRPJ e reflexos(CSLL, PIS e COFINS) de fls. 2/54, anocalendário de 2011 e 2012, e de Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 58/173 e Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento FiscalResponsabilidade Tributária, fls. 5256/5258, contra Max William Martins, atribuindolhe a condição de responsável pelos tributos exigidos no presente processo. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 2/22) exige o recolhimento de R$ 21.525.832,09 de imposto, R$ 32.288.748,11 de multa de lançamento de ofício e R$ 8.127.050,70 de juros de mora. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias do interessado, em que foram apuradas as seguintes infrações relatadas pormenorizadamente no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal: Omissão de receitas – depósitos bancários sem origem comprovada: nos períodos de abril/2011 a dezembro/2012. Enquadramento legal no art. 3º da Lei nº 9.249/95, arts. 521 e 528 do RIR/99 e art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Multa de 150%. 3. O auto de infração de CSLL (fls. 23/36) exige o recolhimento de R$ 7.764.419,54 de contribuição, R$ 11.646.629,29 de multa de lançamento de ofício e R$ 2.931.547,10 de juros de mora. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias do interessado, em que foi apurada a seguinte infração relatada pormenorizadamente no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal: Omissão de receitas – depósitos bancários sem origem comprovada: nos períodos de abril/2011 a dezembro/2012. Enquadramento legal no art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 29, inciso II, da Lei nº 9.430/96; art. 22 da Lei nº 10.684/03; art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 e art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95 com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09. Multa de 150%. 4. O auto de infração do PIS (fls. 37/45) exige o recolhimento de R$ 560.763,56 de contribuição, R$ 841.145,28 de multa de lançamento de ofício e R$ 215.293,46 de juros de mora. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias do interessado, em que foi apurada a seguinte infração relatada pormenorizadamente no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal: Omissão de receitas – depósitos bancários sem origem comprovada: nos períodos de junho/2011 a dezembro/2012. Enquadramento legal no art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; art. 2º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715/98; art. 2º da Lei nº Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.667 4 9.718/98; art. 8º, inciso I, da Lei nº 9.715/98; art. 24, §2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 79, da Lei nº 11.941/2009; art. 3º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Multa de 150%. 5. O auto de infração da COFINS (fls. 46/54) exige o recolhimento de R$ 2.588.139,80 de contribuição, R$ 3.882.209,65 de multa de lançamento de ofício e 993.662,71 de juros de mora. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias do interessado, em que foi apurada a seguinte infração relatada pormenorizadamente no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal: Omissão de receitas – depósitos bancários sem origem comprovada: nos períodos de junho/2011 a dezembro/2012. Enquadramento legal no art. 8º da Lei nº 9.718/1998; art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 24, §2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Multa de 150%. Tanto o contribuinte principal e o responsável foram devidamente intimados para apresentar defesa em face da autuação lavrada. Aquele, o contribuinte PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA., foi intimado via edital, mas não apresentou Impugnação administrativa. Já o responsável, MAX WILLIAN MARTINS, ora Recorrente, apresentou tempestiva Impugnação administrativa, na qual alegou, em preliminar, supostos vícios da autuação, e, no mérito, alegou a impossibilidade de se tributar com base na movimentação bancária do contribuinte, sem que haja a comprovação, por parte da fiscalização, das supostas receitas advindas daqueles créditos bancários. Alegou, ainda, a impossibilidade de arbitramento do lucro, na medida em que a fiscalização tinha ou deveria possuir elementos para apuração do lucro do contribuinte. Requereu também o afastamento da imputação de responsabilidade que lhe foi atribuída, na medida em que não houve a comprovação de condutas ilícitas a ensejar essa responsabilidade. Requereu, ao final, que não seja mantida a penalidade de 150% aplicada no Auto de Infração sobre o crédito tributário constituído, seja pela ausência de condutas tipificadoras para aplicação daquele percentual, seja pelo o seu nítido caráter confiscatório. Em análise à Impugnação apresentada, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR) entendeu por bem julgar como parcialmente procedente ao apelo do contribuinte, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.668 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF Ano calendário: 2011 e 2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO COM ANEXOS. A existência de anexos ao auto de infração não é motivo de nulidade, se os documentos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA NO RELATÓRIO FISCAL DA CONDUTA ESPECÍFICA PRATICADA PELO AGENTE. Eventual falta de descrição mais objetiva no auto de infração sobre a conduta que ocasionou a responsabilidade tributária não é causa de nulidade de lançamento, se no relatório fiscal que é parte integrante do auto de infração e onde os fatos estão pormenonizadamente descritos, a conduta do agente estiver especificada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011 e 2012 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. ERRO DE CÁLCULO. EQUÍVOCO. LANÇAMENTO DE IRPJ E CSLL. CORREÇÃO. Constatado o equívoco no manuseio do programa SAFIRA, de lançar os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada como resultado, em vez de receitas omitidas, devem ser refeitos os cálculos para apurar o valor correto de IRPJ e CSLL. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 e 2012 MULTA QUALIFICADA. ENVIO DE DIPJ ZERADA E UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS E DOCUMENTOS FALSOS. DOLO DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. Caracteriza conduta de sonegação e fraude e, portanto, sujeita à multa qualificada o contribuinte que apesar de apresentar Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.669 6 movimentação financeira expressiva entrega DIPJ com receita zerada e utiliza interpostas pessoas e documentos falsos. MULTA QUALIFICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. PROCURAÇÃO PARA ADMINISTRAR TODOS OS NEGÓCIOS, INCLUINDO AS CONTA BANCÁRIAS DA EMPRESA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS E DOCUMENTOS FALSOS. Aplicase a responsabilidade tributária para procurador investido na administração dos negócios da empresa que utiliza interpostas pessoas e documentos falsos. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PROVA TESTEMUNHAL. FILMAGEM. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A prova testemunhal e a prova por meio de filmagem devem ser indeferidas por ausência de previsão no PAF, enquanto que a prova pericial deve ser indeferida quando desnecessária ao deslinde da causa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado do acórdão proferido, o Recorrido, MAX WILLIAN MARTINS, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, reforça os argumentos apresentados anteriormente em sua Impugnação, para, ao final, requerer o cancelamento do Auto de Infração, seja em face das nulidade que alega existir, seja em face da impossibilidade de "arbitramento do lucro". Subsidiariamente, requer o afastamento da imputação de responsabilidade e da multa aplicada. Em face de exoneração de parte do crédito tributário, por erro do agente autuante na constituição houve a interposição de Recurso de Ofício. Este é o relatório. Voto Conselheiro FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o Recorrente MAX WILLIAN MARTINS foi intimado do teor do acórdão recorrido em 17/04/2017, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 15/05/2017, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.670 7 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado e, por cumprir os requisitos legais, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em sede preliminar, reforçando os argumentos apresentados na Impugnação, o Recorrente alega que é nulo o Auto de Infração porque este não teria, em um único documento, descrito os fatos e argumentos que levaram à fiscalização a constituir o crédito tributário, a aplicar as penalidades e a atribuir a responsabilidade. Alega, neste sentido, que não existe previsão legal para o Auto de Infração conter anexos e que a forma em que foi lavrada a autuação cerceia o direito de defesa do contribuinte. Contudo, pelo o que se denota dos autos, a fiscalização trouxe na autuação todos os requisitos para a constituição do crédito tributário. Além da qualificação do autuado, a descrição de forma detalhada dos fatos, todos os demais requisitos exigidos no Decreto nº 70.235/72 foram cumpridos. Não custa lembrar que o artigo 10 de mencionado decreto traz os requisitos que devem ser observados na lavratura do Auto de Infração, quais sejam: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. E o Recorrente, em que pese ter argumentado neste sentido, não demonstrou qualquer falha do Auto de Infração, ou seja, não foi apontada qualquer omissão quanto aos requisitos necessários e exigidos pela legislação na constituição do crédito tributário pela autoridade fiscal. Por outro lado, o argumento de que o Auto de Infração deve ser lavrado em documento único, não sendo permitida, dentro do ordenamento jurídico, a presença de anexos, não tem qualquer guarida. Ora, se, ao contribuinte, é dada a ciência de todo o Auto de Infração, inclusive dos seus anexos, como se pode argumentar que os requisitos elencados no dispositivo acima não foram cumpridos? Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.671 8 Não se pode perder de vista que o próprio Decreto nº 70.235/72 admite a constituição de Autos de Infrações distintos, mas baseados no mesmo relatório fiscal, esta é a inteligência do Artigo 9º do referido Decreto. Vejase: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Este Conselho Administrativos de Recursos Fiscais há muita refuta a argumentação de nulidade do Auto de Infração, com base no não preenchimento dos requisitos para a sua constituição, quando esse contém anexos com a descrição dos fatos e fundamentos que levaram à exigência fiscal. Neste sentido, confirase ementa de julgado proferido pelo CARF: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Primeira Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: IRPJ, COFINS, PIS, CSLL ACÓRDÃO: 1301002.018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DA DESCRIÇÃO DOS FATOS. IRREGULARIDADE FORMAL. IMPROCEDÊNCIA. A descrição dos fatos e das penalidades aplicadas, em campo próprio do auto de infração, mormente quando apoiada em anexos e termo de constatação, derruba a pretensão de anular o lançamento com base no argumento de irregularidade formal, fundado na ausência de indicação da infração cometida no espaço que lhe é reservado, no referido auto. NULIDADE DO LANÇAMENTO. EMPREGO DE ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA É inadmissível a tese de nulidade fundada na ausência da descrição dos fatos e das penalidades aplicadas, em campo próprio do auto de infração, em função do emprego de anexos (relatórios, demonstrativos e explicativos) e termo de constatação, quando se verifica, no referido campo reservado à exposição dos fatos e ao enquadramento legal, que os autuantes consignaram as infrações praticadas, apuradas com Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.672 9 o suporte daquele termo e dos anexos, bem como os dispositivos legais que lhes são correlatos. (...). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente (documento assinado digitalmente) FLÁVIO FRANCO CORRÊA Relator EDITADO EM: 16/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. (destacouse) Desta forma, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, afastando se, por consequência, a preliminar arguida pelo Recorrente. DA AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda em sede preliminar, o Recorrente alega que, ao indeferir a produção de provas requeridas em sede de Impugnação Administrativa, lhe foi cerceado o direito de defesa e que, por isso, deveria ser anulado o acórdão para que as provas requeridas pudessem ser produzidas, nos exatos termos solicitados na primeira defesa administrativa apresentada. Como se denota da Impugnação, o Recorrido requereu a produção de 03 provas, quais sejam: prova testemunhal; b) solicitação de filmagem da instituição financeira; c) prova pericial. Com relação aos dois primeiros requerimentos prova testemunhal e filmagem , como muito bem colocado no acórdão recorrido, não há previsão na legislação do PAF para a produção desses tipos de prova, o que torna imperioso o seu indeferimento. Já com relação ao pedido de produção da prova pericial, em que pese, a princípio, o Recorrente ter cumprido os requisitos para o seu requerimento, quando da apresentação da Impugnação, essa se mostra imprestável ou desnecessária para o deslinde da questão. Além de ter apresentado quesitos que podem ser facilmente respondidos pela simples análise dos documentos acostados aos autos, alguns questionamentos são decorrentes de questões de direito, que já estão pacificadas no âmbitos dos tribunais administrativos e judiciais. Essa, inclusive, foi a conclusão a que chegou o acórdão da DRJ. Confirase: O quesitos apresentados pelo impugnante para prova pericial são totalmente prescindíveis. Senão vejamos: questiona se houve intervenção judicial para quebra do sigilo bancário, apesar do STF já ter decidido em decisão com repercussão geral a possibilidade de administração tributária quebrar o sigilo bancário; questiona se houve solicitação de auxílio aos correios para localizar o sócio da empresa fiscalizada, apesar de já estar juntado ao processo a cópia do aviso de recebimento(AR) com a informação de não localizado o endereço; questiona se simples inadimplência pode acarretar a responsabilidade, quando está Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.673 10 claro e preciso que o motivo é por infração às leis. O restante dos quesitos também são prescindíveis. Não se pode perder de vista ainda que o Recorrente, quando da apresentação da Impugnação Administrativa e do Recurso Voluntário ora analisado, não juntou aos autos nenhum documento que pudesse, ao menos, trazer indícios para comprovar as suas argumentações e que, eventualmente, pudessem ser analisados por um perito. O único documento juntado aos autos pelo Recorrente foi o seu documento de identificação, além do seu extrato bancário. Nada mais. Assim, não há como falar em cerceamento de defesa. Se, na condição de administrador, uma vez que tinha procuração com amplos poderes para gerir os negócios da empresa, o próprio Recorrente não trouxe nenhuma prova para fundamentar a suas argumentações, não será uma perícia que irá confirmar essas afirmações. Por outro lado, como se denota do trabalho realizado pela fiscalização, o contribuinte principal PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA não respondeu a nenhuma intimação que lhe foi dirigida, não foi localizado no endereço que constava em seus cadastros, além de não ter declarado nenhum dos valores identificados nas movimentações bancárias. Assim, a perícia requerida não teria nenhuma utilidade, na medida em que não disporia sequer de documentos para analisar e confrontar com os argumentos do Recorrente. Por todos o exposto, no que tange à preliminar arguida de nulidade do acórdão, pelo cerceamento de defesa, também se nega provimento ao Recurso apresentado. DA POSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE RECEITAS COM BASE NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO RESTOU COMPROVADA. No Recurso Voluntário apresentado, o Recorrente alega que a tributação com base na presunção de renda, tendo em vista a não comprovação da origem dos creditamentos em conta corrente, não pode subsistir, uma vez que, pelas informações fornecidas pelas instituições financeiras, a fiscalização teve conhecimento das transações realizadas e da origem dos recursos. Primeiramente, não se pode perder de vista que o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, como sabido, admite três formas distintas de apuração: lucro real, lucro presumido e lucro arbitrado, nos termos do artigo 44, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Na apuração pelo lucro real, em alguns casos, há imposição de sua adoção na legislação em vigor, como preceitua o artigo 14, da Lei nº 9.718/98, mas também a adoção da apuração pelo lucro real pode resultar da opção do próprio contribuinte. E a adoção pelo lucro real, independentemente se for por imposição legal ou por opção do contribuinte, obriga este a manter escrituração fiscal regular, sob pena, inclusive, de ter arbitrado o seu lucro pela autoridade fiscalizadora. É o que determina o artigo 47, da 8.981/95. Confirase: Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.674 11 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.675 12 b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. (destacou se) Desta forma, podese afirmar e concluir que o arbitramento é medida excepcional e só deve ser utilizado pelo fisco quando ocorrer umas das hipóteses elencadas no dispositivo legal acima transcrito. Por outro lado, uma vez identificada movimentação financeira (créditos), cujas origens não são cabalmente comprovadas pelo contribuinte e sem que tenha ocorrido uma das causas a legislação autoriza o arbitramento do lucro, a fiscalização deverá determinar "o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão" (Artigo 288, do Decreto 3.000/99), como aconteceu no presente caso: a apuração do IRPJ se deu com base no lucro presumido. Assim, não há como acatar o argumento do Recorrente de que o Auto de Infração arbitrou o lucro com base nas movimentações financeiras, sem considerar a opção de tributação do contribuinte. Este fato, inclusive, restou analisado pelo acórdão recorrido nos seguintes termos: 34. Pelo exame dos autos de infração e do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, verificase que não houve arbitramento. Há 3 DARF de pagamento de IRPJ do lucro presumido: R$ 1.868,83 pago em R$ 08/02/2012, com vencimento em 31/10/2011; R$ 777,12 pago em 24/04/2012, com vencimento em 30/04/2012; R$ 890,57 pago em 21/08/2012, com vencimento em 31/08/2012. Em razão desses recolhimentos de IRPJ pelo lucro presumido, o auditorfiscal manteve o regime de tributação do lucro presumido. Assim, é sem interesse processual a contestação do arbitramento. Neste ponto, importante destacar, ainda, que a Lei nº 9.430/96 presume que a existência de depósito bancários, sem que haja a comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, pode ser considerada como omissão de receita pela fiscalização. É o que determina, expressamente, o artigo 42 da citada lei. Vejase: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A adequação deste dispositivo aos comandos da Constituição Federal de 1988, notadamente aos princípios que balizam e limitam o poder de tributar dos entes competentes para instituir e cobrar tributos, dentre eles o da Capacidade Contributiva, é questionável. Tanto que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 2015, a repercussão geral da discussão nos autos do RE 855.649, nos termos da ementa a seguir transcrita: IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE Fl. 5674DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.676 13 RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855.649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Contudo, não havendo, até o presente momento, nenhuma declaração de inconstitucionalidade, tampouco a suspensão liminar da eficácia do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicálo, desde que estejam presentes os requisitos para se imputar a presunção de renda, com base nos valores creditados em conta de depósito ou investimento do contribuinte. Ressaltese, ainda, que, pela leitura do dispositivo legal transcrito, podese observar que não há uma presunção absoluta na caracterização de omissão de receita pelo simples crédito de valores nas contas do contribuinte. Pelo contrário: a presunção é relativa, na medida em que o contribuinte, após ser intimado para tanto, pode demonstrar através de documentação hábil e idônea a origem e o lastro dos recursos identificados e que transitaram em contas correntes e de investimentos mantidos junto às instituições financeiras. Entretanto, não fazendo prova cabal da origem daqueles recursos, é dever da fiscalização caracterizar a omissão de receita e, se for o caso, lavrar a autuação, constituindo, assim, o crédito tributário em desfavor do contribuinte. Por outro lado, no que tange especificamente ao IRPJ, também devese deixar claro que, uma vez caracterizada a omissão das receitas, não há que se falar em necessidade de comprovação, por parte do fisco, do acréscimo patrimonial a ensejar a incidência do referido tributo. Neste sentido, já se pronunciou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJExercícios: 2004 e 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.Com a edição da Lei n° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos o lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. ESPÉCIES DISTINTAS.A disposição legal acerca da omissão de rendimentos, em face de valores creditados em conta sem a comprovação de suas origens, prescinde para a sua aplicação de que haja a ocorrência de acréscimo patrimonial, mormente o fato de a interessada consistirse em pessoa jurídica, quando a ausência de Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.677 14 escrituração e dos documentos que a amparam enseja o arbitramento do lucro, com base na receita tida por omitida. MULTA DE OFICIO.Na ausência de descrição dos fatos que ensejaram a qualificação da multa de 150%, deve a mesma ser reduzida ao percentual de 75%.LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.Os lançamentos reflexos, uma vez que nada específico a esses foi contraditado, seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Número do Processo 12963.000069/200719 Contribuinte MANHATTAN FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/11/2010 Relator(a) Paulo Jakson da Silva Lucas Nº Acórdão 1301000.446) Este entendimento é, inclusive, o objeto da súmula 26 do CARF, não podendo ser interpretado de outra forma por este colegiado administrativo. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No que tange à contribuição ao PIS e à COFINS, como se depreende do Auto de Infração combatido, o regime de apuração considerado pela fiscalização foi o cumulativo. Assim, é sem fundamento o argumento do contribuinte de que, ao lavrar a autuação, o agente fiscal desconsiderou as diversos créditos admitidos na legislação para o abatimento da base de cálculo daquelas contribuições. Apenas para argumentar, mesmo se o regime de apuração das contribuições utilizado pela fiscalização fosse o não cumulativo (o que não se aplica ao presente caso), não se poderia admitir presunções de deduções, quando o contribuinte não apresenta prova cabal dos créditos passíveis de aproveitamento. Não se pode apenas argumentar, sem trazer aos autos comprovação dessa argumentação. Fixadas essas premissas e considerações, será legítimo a autuação pelo IRPJ e reflexos pela fiscalização com base nos valores creditados em conta corrente ou de investimento do contribuinte, desde que reste comprovado (i) os valores que circularam nas contas de depósito ou de investimentos do contribuinte e (ii) que seja dada oportunidade a este de demonstrar a origem dos recursos e que estes não são, efetivamente, renda tributável ou que já foram levados à tributação. Assim, passase a analisar, concretamente, os fatos e documentos dos presentes autos, para, ao final, se verificar se deve ou não ser dado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. DA COMPROVAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. No longo e minucioso trabalho realizado pela fiscalização, apurouse, dentre diversas ilicitudes, que valores vultosos circularam nas contas correntes e/ou de investimentos que a empresa PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA. e que não houve declaração desses valores, como determina a legislação. Fl. 5676DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.678 15 No relatório de encerramento de ação fiscal, a fiscalização demonstrou que nos anos de 2011 e 2012, aquela empresa declarou, nas DIPJ's apresentadas, que não auferiu receita nos períodos, ou seja, as declarações naqueles anos estavam zeradas. Em contrapartida, as DIMOF's dos mesmos períodos demonstraram uma movimentação financeira no valor de 23.941.524,75 (vinte e três milhões novecentos e quarenta e um mil quinhentos e vinte e quatro Reais e setenta e cinco centavos) no ano de 2011 e de 62.781.518,33 (sessenta e dois milhões setecentos e oitenta e um mil quinhentos e dezoito Reais e trinta e três centavos) no ano de 2012. Uma discrepância grande e não justificada. Além da apresentação das DIPJ's "zeradas", o contribuinte não emitiu Notas Fiscais, não apresentou GFIP, no período. É o que consta do Relatório, sem qualquer refutação do Recorrente em sentido contrário: O contribuinte não apresentou GFIP nos anos de 2011 e 2012. Não consta Escrituração Contábil Digital através do SPED nos anos de 2011 e 2012. O contribuinte não emitiu Notas Fiscais eletrônicas através do SPED nos anos de 2011 e 2012. No mesmo relatório fiscal, a fiscalização demonstrou que, em diversas oportunidades, os créditos realizados nas contas da empresa foram feitos por pessoas que, além de não ter qualquer capacidade financeira para movimentar quantias tão elevadas, na maioria das vezes, as pessoas, quando intimadas, declararam que não tinham conhecimento das movimentações. Declararam, ainda, que os documentos haviam sido subtraídos no passado e que, provavelmente, os seus dados foram usados de forma indevida. Neste sentido, citase trecho que consta no relatório fiscal: JOSILENE DE ARAUJO DE GOIS (MPFD no 627) apresentou resposta por e.mail: bom dia, veio por meio deste informar que desconheço essa transferência, e desconheço qualquer outra em meu nome não tenho conta em banco, nem faço depósito, a única coisa que uso cartão de crédito, nunca em minha vida tive esse dinheiro nem se eu juntase todo o salário desses anos que já trabalhei não esse valor. Trabalho como vendedora na empresa zhang importados ltda, ganhou salário de comercio valor atual e de 968,00 e ajuda de custo 132,00, tive minha bolsa roubada no ano de 2008 com meus documentos, prestei quixar na delegacia protocolo: 08E0091000543, OS MEUS DOCUMENTOS ERA COM NOME DE SOLTEIRA, SO TERREI MINHA IDENTIDADE COM O NOME DE CASADA, COMO TINHA O NUMERO DO MEU CPF NÃO FIZ OUTRO. MEU ENDEREÇO ATUAL RUA: JOAO PESSOA –239 ESTANCIARECIFEPECEP 50865190 TELEFONE PRA CONTATO 081988981577 (grifos no original) Algumas pessoas, quando do recebimento da intimação, afirmaram que tinham conhecimento do depósito, mas que estes foram feitos em virtude do relacionamento pessoal de amizade com o administrador da empresa, Max Willian Martins, ora Recorrente. Confirase: Fl. 5677DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.679 16 SAMIR LORETTO DE OLIVEIRA AGUIAR (MPFD no 633) informou o seguinte: Em atenção ao TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL número 0720100.2015.006336, SAMIR LORETTO DE OLIVEIRA AGUIAR, já qualificado acima vem informar que: Fui procurado pelo meu amigo, Sr. Max William Martins (tel: 992352074 – Rua São Pedro, 637, bairro das Laranjeiras, Serra, ES, CEP: 29.175581), dizendo que precisava de uma conta onde pudesse depositar e sacar valores. Devido a amizade, eu imediatamente autorizei que Max fizesse transações em minha conta corrente no banco Santander, sem no entanto saber de valores e nem como se realizaria as operações. Todos os valores depositados em minha conta saiam de forma rápida, através de saques e/ou pagamentos, todos solicitados/indicados por Max. Em dado momento, solicitei que cessasse imediatamente tais operações, pois não estava me sentindo confortável com os valores que estavam sendo depositados e muito menos com os pagamentos. As operações foram diminuindo, até sua paralisação definitiva. Informo também que nunca recebi qualquer compensação financeira pelo referido “empréstimo” de minha conta bancária. Estou à disposição para qualquer outra informação que julgar necessária. (grifos no original). Por outro lado, nas respostas dadas pelas corretoras de câmbio, quando intimadas a esclarecer os débitos das contas correntes da empresa PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA., restou esclarecido que as operações eram decorrentes de contrato de câmbio firmado com aquela empresa. Contudo, ao confrontar as documentações que embasaram a relação com aquelas corretoras, a fiscalização demonstrou que houve diversas ilícitudes, inclusive a entrega de documentação falsificada. Demonstrouse a existência, por exemplo, de duas carteiras de identidade distintas que continham a foto da mesma pessoa. Como se não bastasse, a Alfândega do Porto de Vitória, ao analisar os documentos entregues por aquelas corretoras, identificou diversas irregularidades. Verificouse documentos em duplicidade, sem o devido rastreamento, para se citar apenas algumas das irregularidades constadas. Enfim, o conjunto probatório dos autos é robusto e comprova as ilicitudes praticadas e, em especial, as omissões de receitas, objeto de contestação através do Recurso Voluntário analisado. Fl. 5678DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.680 17 Não se pode olvidar que, como demonstrado acima, uma vez identificadas receitas através da movimentação das contas bancárias e/ou investimentos do contribuinte, caberia a este, através de documentação hábil e idônea, comprovar, de forma individualizada, a origem das receitas e porque estas não foram levadas à tributação. Contudo, não houve resposta às intimações efetuadas pela fiscalização. O Recorrente, mesmo tendo a oportunidade de fazer essa comprovação quando da apresentação da sua Impugnação, não juntou aos autos nenhum documento, com o objetivo de combater as ilações do agente fiscal. Repitase: o único documento acostado aos autos pelo Recorrente foi o seu documento de identificação, além dos seus extratos bancários. E não se argumente que não houve tempo hábil para tanto. O Recorrente, pelos poderes que lhe foram outorgados, podia praticar qualquer ato na gestão da empresa, ou seja, tinha conhecimento das operações e, possivelmente, acesso aos documentos que pudessem comprovar as alegações lançadas em suas defesas. Não se pode olvidar que, muito antes da data da lavratura do Auto de Infração, o Recorrente foi intimado a prestar esclarecimentos e, neste momento, teve ciência das suposições da fiscalização quanto aos atos praticados. Por todo exposto, neste ponto, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. DA RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA AO RECORRENTE. O Recorrente insurgese também com relação à imputação de responsabilidade, na condição de administrador da empresa PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA., nos termos de procuração que lhe foi outorgada por um dos sócios da empresa. Inicialmente, devese pontuar que, pela leitura dos artigos do Código Tributário Nacional, a sujeição passiva (um dos critérios que compõe a Regra Matriz de Incidência Tributária) pode ser divida entre o contribuinte e o responsável. Neste sentido, é a redação do artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso do representante da sociedade, dentre eles os administradores, a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário se dará quando houver atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta é a inteligência do artigo 135, inciso III do CTN. Confirase: Fl. 5679DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.681 18 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Este julgador tem convicção de que, quando o dispositivo legal fala em responsabilidade "pessoal" do agente, uma vez identificadas alguma das condutas elencadas no citado dispositivo, a responsabilidade pelo pagamento do tributo passa a ser apenas daquele agente, excluindose a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte, que, em última análise, é lesada pela conduta dolosa de quem a representa. Assim, não estaria correto em se falar em responsabilidade solidária e, sim, em responsabilidade pessoal, como a interpretação, não só literal, mas sistemática do ordenamento jurídico impõe. Independentemente dessa posição, que, digase, não prevalece nas decisões do Poder Judiciário, no presente caso, não há dúvidas quanto a imputação de responsabilidade ao administrador MAX WILLIAN MARTINS pelo pagamento do crédito tributário constituído pela fiscalização. Como se depreende dos autos, o Recorrido tinha procuração pública, outorgada por um dos sócios da empresa, na qual lhe foram dados plenos poderes para administrar a sociedade. Neste instrumento de procuração, além de poderes para representar a sociedade em todas as repartições públicas, poderes para atuar perante o Poder Judiciário, poderes para constituir advogado, dentre outros, o Recorrido tinha plenos poderes para movimentar contas bancárias. E ele exerceu de forma ilícita esses poderes. Como se verifica do Relatório de encerramento fiscal, além da movimentação expressiva de valores, que chegam a mais de R$86.000.000,00 (oitenta e seis milhões de Reais), o Recorrente figurou como beneficiário de saques e débitos nas contas correntes no valor de R$ 2.762.969,03 (dois milhões setecentos e sessenta e dois mil novecentos e sessenta e nove Reais e três centavos) nos anos fiscalizados, quais sejam 2011 e 2012. E, apesar de ter alegado que agia "de acordo com as ordens que recebia, tendo por limites o que constava na procuração outorgada" e que "cobrou por isso, recebendo os valores devidos e a tudo declarando as autoridades fazendárias com a emissão das respectivas notas fiscais", o Recorrente, frisese, mais uma vez, não trouxe nenhum documento para comprovar as suas alegações. Ora, se houve a emissão de Notas Fiscais pelos ditos serviços prestados à sociedade, por qual motivo elas não foram juntadas aos autos? Quais foram esses serviços? Não houve nenhuma emissão de relatórios ou documentos para registrar o que realmente foi feito? Somase a isso o fato de que, como demonstrado alhures, algumas pessoas intimadas pela fiscalização para esclarecer o motivo pelo qual figuravam como depositantes nas contas da empresa PRIME SOLUTIONS LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA., Fl. 5680DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.682 19 informaram que tinha relação de amizade com o Recorrido e que "emprestaram" os seus dados para que ele pudesse praticar as operações. Por fim, tendo em vista as alegações do Recorrente neste sentido, ressaltese que não se impôs a responsabilidade ao pagamento pelo crédito tributário pelo simples fato do inadimplemento. Sabese que a jurisprudência tem o entendimento consolidado de que o inadimplemento, por si só, não é capaz de trazer a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário a um dos agentes elencados no inciso III, do artigo 135 do CTN. Ocorre que, no presente caso, a imputação de responsabilidade se deu com base nas diversas ilicitudes praticadas pelo Recorrente e que foram demonstradas e comprovadas de forma insofismável pela fiscalização. Os atos praticados pelo Recorrente, que não tiveram prova em contrário, são relevantes e fizeram nascer a obrigação tributária. Assim, não existem reparos a se fazer na imputação da responsabilidade atacada através do Recurso Voluntário ora analisado. DA MULTA QUALIFICADA. Por fim, cumpre analisar a imposição de multa qualificada de 150% pela fiscalização. Antes, contudo, tendo em vista a alegação de caráter confiscatório da penalidade aplicada, é importante ressaltar que esse Conselho Administrativo de Recurso Fiscais não tem competência para analisar eventual inconstitucionalidade da legislação, ao contrário do que alega o Recorrente. Inclusive, essa impossibilidade já foi sumulada. Confirase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser superada a alegação do suposto caráter confiscatório do percentual da multa aplicada. No Recurso Voluntário, o Recorrente alega que não restou comprovada nenhuma conduta dolosa dos responsáveis que pudesse ensejar a qualificação da multa. De pronto, devese esclarecer que, como já pacificado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a simples omissão de receitas não é suficiente para se fundamentar a qualificação da multa. Há, inclusive, súmula neste sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, para a qualificação da multa, cabe ao agente autuante comprovar as condutas descritas na legislação praticadas pelo contribuinte e/ou responsável. No presente caso, assim se pronunciou a autoridade que lavrou o Auto de Infração: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de forma inequívoca, evidencia q ue a prestação de Fl. 5681DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.683 20 declaração falsa às autoridades fazendárias inserese no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. Foram utilizados documentos adulterados para fazer o cadastro nas corretoras, bem como documentos inidôneos, viciados pela falsidade material e ideológica, para instruir as operações de contratos de câmbio Foram empregados nomes de pessoas físicas e jurídicas para titularizar débitos e créditos na conta bancária de PRIME SOLUTIONS e que não confirmaram terem realizado tais operações. Foram utilizados expedientes escusos de omitir e ocultar os verdadeiros depositantes e/ou beneficários dos recursos que transitaram na conta bancária, mediante o artifício de indicar a própria PRIME SOLUTIONS em tal condição. Fato é que o contribuinte omitiu receitas tributáveis em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ). A diferença da receita bruta caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos, em comparação com a receita bruta declarada na DIPJ, não é mero erro contábil e fiscal, mas sim uma fraude praticada com o escopo precípuo de reduzir a base de cálculo dos tributos para recolher menos com efeitos relevantes para a fiscalizada e para a Fazenda Nacional. O contribuinte tinha pleno conhecimento da fraude perpetrada. A conclusão óbvia é que a ação fraudulenta foi consciente. Foram vários depósitos bancários de valor significativo. Ao não apresentar em sua declaração de imposto de renda estas informações sobre as suas receitas, o autuado as omitiu, em tese, de forma consciente. Agiu livremente, vez que apresentou a sua DIPJ sem consignar as receitas sonegadas. Não é factível a idéia de que o contribuinte não teria consciência que estaria obrigado a declarar a totalidade de suas receitas. Com a omissão de informações que deveriam constar em sua declaração de rendimentos, o autuado logrou êxito em suprimir os tributos devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a exasperação da multa. Pela análise dos autos e de tudo o que foi narrado até aqui, não restam dúvidas de que as condutas e omissões foram no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64. Como já mencionado, além de ter flagrantemente omitido receitas quando das declarações apresentadas ao fisco, o Recorrente não comprovou nada em contrário do que foi afirmado pela fiscalização, mesmo tendo oportunidade para tanto. Por outro lado, as movimentações vultuosas nas contas, seja a crédito ou a débito, sem a devida comprovação de lastro das movimentações, além de saques em espécie em nome do Recorrente, sem qualquer justificativa, demonstram que as condutas não Fl. 5682DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.684 21 correspondem ao que efetivamente foi declarado, quando esta constituiu o crédito tributário que entendia devido. Assim, as condutas praticas pelo agente, representante da pessoa jurídica, se amoldam na conduta prevista no artigo 71, da Lei nº 4.502/64, que tem a seguinte redação: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Como se não bastasse, o Recorrente se valeu de interpostas pessoas para movimentar as vultuosas quantias identificadas pela fiscalização. O simples fato de utilização desse artifício já seria suficiente para a qualificação da multa, nos termos da súmula nº 34 do CARF. Confirase: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Portanto, correta a qualificação da multa, nos termos do Auto de Infração combatido. DO RECURSO DE OFÍCIO Em face da exoneração de parte do crédito tributário pelo acórdão recorrido, houve a interposição de Recurso de Ofício. Como o valor exonerado supera o valor de alçada de R$2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. Pois bem. Pelo o que se depreende do acórdão proferido pela DRJ de Curitiba (PR), constatouse que, ao manusear o programa da RFB, o douto agente fiscal se equivocou, na medida em que indicou os valores dos depósitos bancários como resultado, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Vejase, neste sentido, o que constou do acórdão: Pela análise dos autos de infração do IRPJ e do CSLL, verifica se que o auditorfiscal cometeu equívoco no manuseio do programa Safira, que é programa gerador do auto de infração, informando os valores de depósitos bancários sem comprovação da origem como resultado, em vez de receitas omitidas. Esse equívoco gerou lançamento em torno de 2 vezes superior porque a fiscalizada por ser empresa prestadora de serviço, a alíquota a ser aplicada sobre receitas omitidas para se obter a base de cálculo do lucro presumido é de 32%. Quanto ao PIS e à COFINS, o lançamento está correto. Pelo o que se denota do trecho transcrito, de fato, não houve a aplicação do percentual de 32% para fins de apuração do lucro presumido, que é o regime de apuração de opção do contribuinte. E, este erro no manuseio do referido programa, como demonstrado nas planilhas constantes do acórdão, gerou a constituição de crédito tributário em valores bastante superiores ao que realmente devidos. Fl. 5683DF CARF MF Processo nº 10740.720005/201618 Acórdão n.º 1302002.661 S1C3T2 Fl. 5.685 22 Não há reparo, neste ponto, a ser feito no acórdão recorrido. É patente o erro cometido na apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que a fiscalização considerou a totalidade dos valores creditados em conta corrente como se fosse renda tributável, ou seja, desprezouse o percentual aplicado para fins de apuração do lucro presumido. Portanto, não há que se dar provimento ao Recurso de Ofício. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício, mantendose na íntegra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 5684DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720129/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/03/2001 a 27/03/2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade de normas, com expressa vedação no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação alterada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), sendo entendimento assentado, também, na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 07/03/2001 a 27/03/2002
DRAWBACK SUSPENSÃO. ASPECTOS TRIBUTÁRIOS. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 100.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
Segundo a legislação vigente por ocasião dos fatos, o princípio da vinculação física, consoante o qual as mercadorias importadas com suspensão dos tributos devem ser obrigatoriamente empregadas na produção de bens destinados à exportação, é vetor do drawback modalidade suspensão, não se lhe aplicando o princípio da fungibilidade.
DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA E JUROS DE MORA. CABIMENTO.
A teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, arts. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 e art. 319 do Decreto nº 91.030/85, o descumprimento das condições que ensejaram a suspensão estabelecida para o regime aduaneiro implica a cobrança dos tributos respectivos, acrescidos dos juros de mora e das penalidades cabíveis.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF. Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FLUÊNCIA DE JUROS DE MORA. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade de normas, com expressa vedação no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação alterada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), sendo entendimento assentado, também, na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 07/03/2001 a 27/03/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. ASPECTOS TRIBUTÁRIOS. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 100. “O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.” DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Segundo a legislação vigente por ocasião dos fatos, o princípio da vinculação física, consoante o qual as mercadorias importadas com suspensão dos tributos devem ser obrigatoriamente empregadas na produção de bens destinados à exportação, é vetor do drawback modalidade suspensão, não se lhe aplicando o princípio da fungibilidade. DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA E JUROS DE MORA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 29 /2 00 7- 01Fl. 334DF CARF MF 2 A teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, arts. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 e art. 319 do Decreto nº 91.030/85, o descumprimento das condições que ensejaram a suspensão estabelecida para o regime aduaneiro implica a cobrança dos tributos respectivos, acrescidos dos juros de mora e das penalidades cabíveis. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF. Nº 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FLUÊNCIA DE JUROS DE MORA. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 5. “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência dos tributos devidos pelo descumprimento do regime aduaneiro de drawbacksuspensão, relativamente ao Ato Concessório nº 177800/0001704, oportunidade que reproduzo parcela do relatório da decisão de primeiro grau acerca da infração imputada: “As mercadorias foram admitidas no regime de drawback através das declarações de importação no 01/02302280, 01/03069466 e 01/03070910, com base no ato concessório 177800/0001704. Foram importados os produtos (1). CLORETO ÁCIDO, NCM 2916.20.12; e (2). METAFENOXIBENZALDEÍDO, NCM 2912.49.10, para Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 11 3 fabricação do produto CIPERMETRINA TÉCNICA que deveria ser exportado. Conforme consta do Termo de Constatação Fiscal que acompanha o Auto de Infração (fls. 10 a 55), na fiscalização do regime, (...), foi constatado que parte dos insumos importados não havia sido utilizada na produção das mercadorias exportadas pelos REs 020330931001 e 020330841001, que segundo informação da impugnante ao SECEX, serviriam para comprovar a adimplência do regime. (...) Da tabela apresentada, observouse que não foram exportados 35.000 kg de Cloreto ácido, e a totalidade do METAFENOXIBENZALDEÍDO(32.175 kg) (...).” Em impugnação o contribuinte asseverou que o ato concessório respectivo fora baixado pelo órgão competente – Banco do Brasil S/A –, o que comprovaria o adimplemento do compromisso, não cabendo à RFB qualquer tipo de questionamento; que haveria possibilidade de cumprimento do ato concessório, mesmo sem observância da vinculação física “produto importado x produto exportado”; que a multa de ofício aplicada ostentaria caráter confiscatório; que a cobrança de juros de mora à taxa selic seria inconstitucional; e, que seria inaplicável a cobrança de juros, em face da suspensão do crédito tributário pelo contencioso administrativo. A DRJ São Paulo I/SP negou provimento ao recurso, em decisão assim ementada: “DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. A competência para verificação do adimplemento do compromisso de exportar decorrente de drawback, na modalidade suspensão, atribuída à SECEX, não exclui a competência da RFB para a fiscalização dos tributos, compreendendo o lançamento do crédito tributário e a verificação do regular cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO PARCIAL. EXPORTAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Tornamse devidos os tributos suspensos na importação de mercadorias ao amparo do regime, cuja exportação não for comprovada, os quais devem ser acrescidos de multa de ofício e juros de mora. DRAWBACK SUSPENSÃO. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I , da Lei 9.430/96, sobre o imposto de importação, pela caracterização de inadimplemento dos compromissos assumidos quando da concessão do regime de drawback suspensão, conforme previsto pela legislação de regência. DRAWBACK SUSPENSÃO. JUROS DE MORA/TAXA SELIC. Cabíveis os juros de mora calculados com a Taxa SELIC, na vigência do art. 13 da Lei 9.065/95 c/c o art. 161, § 1º do CTN.” Fl. 336DF CARF MF 4 O recurso voluntário aduziu que a competência para habilitação e fiscalização do drawbacksuspensão pertenceria à Secretaria de Comércio Exterior – SECEX, consoante art. 387 do Decreto nº 6.759/09; que seria possível o cumprimento do ato concessório sem observância do princípio da vinculação física; que descaberia a aplicação de multa e juros moratórios; e, que houve cerceamento do direito de defesa pela decisão recorrida, ao não deferir a perícia requerida. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Invertendo a ordem de apreciação das matérias propostas em recurso, inicio pela alegação de cerceamento do direito de defesa, com pedido de declaração de nulidade da decisão de piso, pela ausência de manifestação específica acerca da perícia requerida na impugnação. É certo que, dentre os pedidos formulados, havia requerimento simples de produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente periciais, com indicação de dois quesitos, todavia, não se pode olvidar que esse pedido não observou os ditames do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, consoante o qual “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito” (destacado). No caso, não houve qualquer exposição de motivos sobre a necessidade da perícia postulada, bem assim, não houve indicação do perito, como exige o diploma alhures mencionado. Demais disso, os quesitos propostos (i. se o material importado fora utilizado no processo de produção do material exportado; e, ii. se as quantidades indicadas teriam equivalência com as mercadorias exportadas) já haviam sido respondidos pela fiscalização no relatório de autuação, onde se destacou que o Cloreto Ácido foi empregado parcialmente, enquanto o metafenoxibenzaldeído não foi empregado na produção de Cipermetrina Técnica, que é a mercadoria exportada, conforme se extrai da seguinte passagem (efl. 40): “Assim sendo, considerando a quantidade de matéria prima já nacionalizada e a consumida no processo industrial, cujos cálculos baseados na relação de insumo/produto foram compatíveis com o encontrado no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, verificase que 35.000,00 kg de CLORETO ACIDO não foram exportados, ficando caracterizado o inadimplemento parcial do regime especial ora fiscalizado, com referencia a este insumo cuja exportação não foi comprovada. No que respeita ao META FENOXIBENZALDEIDO, verificase que sua totalidade não foi exportada, ficando caracterizado o Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 12 5 inadimplemento total do regime especial ora fiscalizado, com referência a este insumo cuja exportação não foi comprovada.” (grifos no original) Vale registrar que o recorrente não contestou expressamente os cálculos elaborados pela fiscalização, até porque, reconhece tacitamente que não houve utilização integral do insumo importado na industrialização do produto exportado, tanto assim que defende a inaplicabilidade do princípio da vinculação física ao drawbacksuspensão. A decisão a quo parte dessa premissa para não se pronunciar sobre a perícia proposta, verbis: “Antes do início da análise das alegações apresentadas na impugnação cabem aqui as seguintes considerações: (...) A impugnante quando alega que existe a possibilidade de cumprir o ato concessório mesmo sem a identidade física entre os produtos importados e exportados, assume que não reexportou parte dos insumos conforme informado no Termo de Constatação do Auto de Infração; Desta forma, entendemos que a impugnante não se manifestou quanto ao mérito, o que nos leva a considerar incontestável que parte dos insumos importados através das declarações de importação 01/02302280, 01/03069466 e 01/03070910, Ato Concessório do drawback [...] 177800/0001704, não foram realmente exportadas através dos RE´s 020330931001 e 020330841001.” Com efeito, se não havia contestação específica do descumprimento do compromisso de exportação, não havia porque se manifestar sobre um pedido de diligência/perícia que, isoladamente considerado, era contraditório às razões de recurso deduzidas. Assim, não vislumbro vício que inquine de nulidade a decisão reclamada, seja porque o pedido de diligência era incompatível com os argumentos expendidos na impugnação, seja porque o pedido não atendia as disposições do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, e ainda, porque se mostrava completamente desnecessário, ao passo que, não havendo qualquer contestação de cálculo, os questionamentos propostos já haviam sido contemplados no relatório fiscal produzido (efls. 10/55). Concernente à atribuição para a fiscalização do cumprimento dos requisitos para fruição do drawbacksuspensão, sob o ponto de vista fiscal, é matéria pacífica neste sodalício, inclusive com edição de súmula, o que dispensa maiores debates: “Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer Fl. 338DF CARF MF 6 tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.” Relativamente à observância do princípio da vinculação física, como requisito para comprovação do compromisso de exportação decorrente da fruição do drawbacksuspensão, reproduzo o resgate histórico do instituto e a sua implicação tributária, em declaração de voto de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão nº 3403 003.162, proferido em 20/08/2014, e o adoto como fundamento do presente aresto, por concordar com o arrazoado lá expendido: “Busco por meio da presente declaração de voto motivar meu entendimento especificamente em relação à necessidade de vinculação física no regime denominado no Brasil de ‘drawback’, tendo em vista a recorrente discussão do tema e a aura de controvérsia que sob ele paira. Ao final, teço ainda considerações sobre as especificidades do presente processo. 1 O ‘DRAWBACK BRASILEIRO’ (Ou: a deturpação do conceito de Drawback no Brasil) É preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um ‘drawback’ brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como ‘drawback’. O ‘drawback’ já era tratado na célebre ‘Riqueza das Nações’ de Adam Smith, em 1776, na qual se dedica um capítulo (Capítulo IV – ‘Dos drawbacks’, do Livro IV – “Dos sistemas de política econômica”): Os comerciantes e os fabricantes não se contentam com o monopólio do mercado interno, mas desejam da mesma forma o máximo possível de vendas para o exterior de suas mercadorias. Seu país não possui nenhuma jurisdição sobre nações estrangeiras e, portanto, raramente pode proporcionar monopólio lá. Eles são geralmente obrigados, por isso, a contentarse em solicitar determinados incentivos à exportação. Desses incentivos, os denominados drawbacks parecem ser os mais razoáveis. (...) Os direitos (de importação) que foram impostos desde o antigo subsídio são, em grande parte, totalmente devolvidos após a exportação. Essa regra geral, entretanto, é passível de grande número de exceções; e a teoria dos drawbacks se tornou matéria muito mais simples do que era quando de sua primeira instituição. Na exportação de algumas mercadorias estrangeiras, das quais se esperava que a importação em muito superasse o necessário para o consumo interno, a totalidade dos direitos (de importação) era devolvida, sem reter nem a metade do antigo subsídio. (...)1 1 Tradução livre do texto de “An inquiry into the nature and causes of The Wealth of Nations”: (“Merchants and manufacturers are not contented with the monopoly of the home Market, but desire likewise the most extensive foreign sale for their goods. Their country has no jurisdiction in foreign nations, and therefore can seldom Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 13 7 Pouco antes, na mesma obra (Capítulo I do Livro IV), explicase que: Drawbacks são concedidos em duas diferentes ocasiões. Quando os fabricantes domésticos estivessem sujeitos a qualquer direito (de importação) ou imposto (sobre o consumo), a totalidade ou uma parte destes era frequentemente devolvida após a exportação; e quando mercadorias estrangeiras sujeitas a um direito (de importação) fossem importadas, a fim de serem exportadas novamente, a totalidade ou uma parte deste direito era às vezes devolvida depois de tal exportação. (...)2 O ‘drawback’, assim, é inequivocamente, como sugere a própria formação da palavra, em inglês (‘drawback’), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Tal definição está em perfeita sintonia com o que se entende hoje internacionalmente como drawback: ‘o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback’.3 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas procure them any monopoly there. They are generally obligated, therefore, to content themselves with petitioning for certain encouragements to exportation. Of these encouragements, what are called drawbacks seem to be the most reasonable. (…) The duties which have been imposed since the old subsidy, are, the greater part of them, wholly drawn back upon exportation. This general rule, however, is liable to a great number of exceptions; and the doctrine of drawbacks has become a much less simple matter than it was at their first institution. Upon the exportation of some foreign goods, of which it was expected that the importation would greatly exceed what was necessary for home consumption, the whole duties are drawn back, without retaining even half of the old subsidy. (…)”. A obra clássica completa pode ser encontrada na biblioteca virtual da Universidade Penn State/USA, disponível em: <www2.hn.psu.edu/faculty/jmais/adamsmith/wealthnations.pdf>Acesso em 09.jul.2014. 2 Idem. Tradução livre de: “Drawbacks are given upon two different occasions. When the home manufacturers were subject to any duty or excise, either the whole or a part of it was frequently drawn back upon their exportation; and the foreign goods liable to a duty were imported, in order to be exported again, either the whole or a part of this duty was sometimes given back upon such exportation”. 3 Definição extraída do Anexo Especifico “F” da Convenção Internacional para Simplificação e Harmonização de Regimes/Procedimentos Aduaneiros” (Convenção de Kyoto Revisada). A Convenção de Kyoto foi adotada em 1973 (nos idiomas oficiais da OMA, inglês e francês, respectivamente, “International Convention on the Simplification and Harmonization of Customs Procedures” e “Convention Internationale pour la Simplification et L’harmonisation des Regimes Douaniers”), e entrou em vigor em 25/09/1974, tendo passado por um processo de revisão no período de 1995 a 1999, resultando na chamada “Convenção de Kyoto Revisada”, que entrou em vigor em 03/02/2006, e hoje é aplicada em países que representam mais de 80% do comércio mundial (o Brasil, que é o único dos doze maiores países do mundo que ainda não aderiu à Convenção, manifestou expressamente interesse na adesão em novembro de 2011, em conferência da Organização Mundial de Aduanas realizada em São Paulo/2011, e já forma iniciados os trâmites para incorporação do texto da Convenção a nosso ordenamento jurídico). O texto da definição corresponde a tradução livre das versões em francês ("drawback: le montant des droits et taxes à l’ importation remboursé en application du régime du drawback”), e em inglês (“drawback: means the amount of import duties and taxes repaid under the drawback procedure”). O texto da convenção revisada, em ambos os idiomas, está disponível em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. Fl. 340DF CARF MF 8 mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.4 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo ‘remissão’). A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como ‘remissão’, em seu art. 37, dispondo que seria concedida ‘remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira’.5 E tal regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs em seu art. 6o que ‘o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos’. Estava ‘criado’ pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: ‘nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos’. Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).6 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei no 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)7 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após 4 Idem. Tradução livre da versão em francês ("régime du drawback: le régime douanier qui permet, lors de l’ exportation de marchandises, d’ obtenir le remboursement total ou partiel des droits et taxes à l’ importation qui ont frappé, soit ces marchandises, soit les produits contenus dans les marchandises exportées ou consommées au cours de leur production”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“drawback procedure: means the Customs procedure which, when goods are exported, provides for a repayment total or partial to be made in respect of the import duties and taxes charged on the goods, or on materials contained in them or consumed in their production”), do Anexo F da Convenção de Kyoto Revisada. 5 A grafia ‘drawback’ era usual, no Brasil, à época. Hoje, preferese drawback, termo inglês que não encontra correspondente no francês e no espanhol. Em Portugal, até hoje o termo drawback é traduzido como ‘draubaque’. Na Itália, como ‘rimborso’. 6 Dispunha o artigo: “A aplicação do regime do ‘drawback’ farseá mediante: a) suspensão do pagamento do imposto devido, condicionada a plano de importação e exportação previamente aprovado, até a comprovação da exportação; b) franquia do imposto sobre importação posterior de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à de origem estrangeira utilizada no produto exportado; e c) restituição do imposto pago. 7 Não obstante tenha sido alguns meses antes publicada a Lei no 5.025, de 10/06/1966, tratando em dois artigos de “drawback” (um deles, o art. 55, especificamente referindose a isenção). Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 14 9 beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente8) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei no 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). Concordamos com LOPES FILHO quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques.9 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do exSecretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques)10 como tantas outras decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro11; b) o ‘drawback restituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as 8 Visto que internacionalmente a expressão drawback designava exclusivamente a restituição, e o Decretolei, em sua Exposição de Motivos (no 867, de 18/11/1966), expressamente afirmava espelharse em “Códigos Aduaneiros modernos” na disciplina da temática aduaneira. 9 LOPES FILHO, Osíris de Azevedo. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 9192. 10 A título ilustrativo, citese que o Glossário de Termos Aduaneiros e Comércio Exterior da ALADI define como ‘reposição de matériasprimas’ o “regime aduaneiro que permite importar, com isenção dos gravames respectivos, mercadorias equivalentes a outras que, havendo pago anteriormente esses gravames, foram utilizadas na produção de artigos exportados previamente a título definitivo” (Disponível em: <http://www.aladi.org/nsfaladi/glosario.nsf>. Acesso em: 09.jul.2014). MEIRA denomina esta ‘modalidade’ de drawbacksubstituição (MEIRA, Liziane Angelotti. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 219). 11 Aliás, tal isenção está relacionada no art. 136 (inciso II, alínea ‘g’). A disciplina da isenção, contudo, foi deslocada da Seção de Isenções para o Livro referente a Regimes Aduaneiros Especiais, pela adoção da nomenclatura inadequada, que remonta à década de 60. Fossem as isenções regimes aduaneiros especiais, todas deveriam estar disciplinadas no Livro IV do Regulamento Aduaneiro. Fosse o drawbackisenção um regime aduaneiro especial, e não uma isenção concedida no regime comum de importação, não haveria necessidade de tê lo expressamente mantido na Lei no 8.032, de 12/4/1990 (arts. 2o, II, ‘g’, e 3o, I). Fl. 342DF CARF MF 10 exportações12; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo.13 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas possuem supedâneo legal.14 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de no 8.402/1992 (art. 3o, § 2o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. Não se tem dúvida de que a insistência em utilizar terminologia dissonante do resto do mundo dificulta negociações internacionais15 e faz com que se exija cautela em estudos comparados sobre a matéria. Daí nossa preocupação em não comparar grandezas diferentes na labuta empreendida nos tópicos seguintes. Trataremos do ‘drawback brasileiro’ (em suas três ‘modalidades’), comparandoas, quando necessário, aos institutos congêneres existentes internacionalmente. 2 A vinculação física no ‘DRAWBACK BRASILEIRO’ e sua gradativa flexibilização (Ou: o ‘drawback brasileiro’, da vinculação física à fungibilidade) 12 Assim como defendemos o posicionamento da disciplina do drawbackisenção na Seção referente a isenções do Regulamento Aduaneiro, o drawbackrestituição melhor ficaria posicionado ao lado das restituições em decorrência do regime comum de importação, no art. 110 do mesmo regulamento. 13 No Capítulo 1 do Anexo Específico ‘F’ da Convenção de Kyoto revisada encontramos a definição de aperfeiçoamento ativo: “regime aduaneiro que permite receber em um território aduaneiro, com suspensão dos tributos incidentes na importação, certas mercadorias destinadas a sofrer uma transformação, processamento ou reparo e a serem posteriormente exportadas”. O texto corresponde à tradução livre da versão em francês ("perfectionnement actif: le régime douanier qui permet de recevoir dans un territoire douanier, en suspension des droits et taxes à l’ importation, certaines marchandises destinées à subir une transformation, une ouvraison ou une réparation et à être ultérieurement exportées”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“inward processing: means the Customs procedure under which certain goods can be brought into a Customs territory conditionally relieved from payment of import duties and taxes, on the basis that such goods are intended for manufacturing, processing or repair and subsequent exportation”), e está disponível, em ambos os idiomas, em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 14 A situação, em verdade, é ainda pior, dado que normas de hierarquia inferior a decreto acabaram por criar ainda verdadeiras submodalidades de drawback (v.g. Portaria SECEX no 23, de 14/07/2011 que trata de drawback intermediário art. 88, drawback embarcação art. 69, I, e drawback para fornecimento no mercado interno art. 69, II). 15 Vejase, por exemplo, o 13o protocolo adicional ao ACE no 18, no âmbito do MERCOSUL, incorporado ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto no 1.700, de 14/11/1995, que, em seu art. 7o, dispõe que “os países signatários poderão conceder a seus exportadores esquemas de ‘draw back’ ou admissão temporária, segundo a terminologia utilizada para esses efeitos até o presente nos países signatários” (recordese que todos os signatários, exceto o Brasil, classificam o que entendemos por “drawbacksuspensão” como “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo”). Nem o Código Aduaneiro do MERCOSUL, aprovado pela Decisão CMC no 27/2010, conseguiu uniformizar a terminologia, tendo uma Seção denominada “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo” (arts. 56 a 63), que alberga o que entendemos no Brasil por “drawbacksuspensão”, permitindonos continuar com a denominação divergente do restante do mundo no item 3 do art. 63: “a adoção do disposto nesta Seção não afetará as denominações específicas adotadas pelos Estados Partes para situações em que haja aperfeiçoamento ativo”. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 15 11 Como destacado no tópico anterior, as primeiras regulamentações do ‘drawback brasileiro’ (em suas três modalidades), veiculadas pelos Decretos no 50.485/1961 e no 53.967/1964, já estabeleciam expressamente a necessidade de vinculação das mercadorias às finalidades para as quais foram admitidas no regime. E as finalidades eram as mesmas, em ambos os decretos (art. 2o): utilização direta na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; complementação de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados; beneficiamento no país e posterior exportação; e reparação, recondicionamento ou reconstrução de máquinas, equipamentos, embarcações e aeronaves admitidos no país temporariamente, quando consignados a estaleiros ou oficinas de reparo e manutenção. E sobre o tema não parece haver dissonância entre as normas regulamentares e o comando do art. 78 do DecretoLei no 37/1966: ‘Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...) § 3o Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1o do art. 75.’ (grifo nosso) Reparese que nas três ‘modalidades’ a mercadoria exportada tem que ser efetivamente a que foi anteriormente importada. Nenhuma flexibilização da vinculação física, assim, naquele momento. E adicionese que o Decreto Lei permite a aplicação subsidiária do § 1o do art. 75 (que trata de condições para a admissão temporária, entre as quais a identificação dos bens e sua utilização exclusiva nos fins previstos). Na disciplina regulamentar posterior, externada pelo Decreto no 68.904/1971, começam a surgir flexibilizações na identidade física entre os produtos importados e exportados (destacandose a possibilidade de aplicação do regime (art. 2o, §1o) a ‘matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua Fl. 344DF CARF MF 12 fabricação em condições que justifiquem o benefício, a critério do órgão responsável pela concessão do drawback’. O Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto no 91.030/1985, em seus arts. 314 a 334, tratou do “drawback brasileiro”, em suas três ‘modalidades’, mantendo a flexibilização prevista no art. 2o, §1o do Decreto no 68.904/1971 em seu art. 315, §1o. Com a alteração efetuada no §2o do art. 315, pelo Decreto no 4.257/2002, surge outra flexibilização, permitindose a aplicação do regime a ‘matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior’ (CAMEX). Vejase que a ampliação permitiu, por exemplo, a importação de farelo de milho para alimentar pintos que, depois de adultos, seriam exportados. Impossível estabelecerse vinculação física neste caso. Por óbvio, no momento da exportação, não acompanhará o frango todo o farelo por ele comido durante a criação. Por isso é que nesses casos excepcionais passou se a prever disciplina específica, no §3o do mesmo art. 315, restringindo a aplicação do regime aos ‘limites quantitativos e qualitativos constantes de laudo técnico emitido, nos termos fixados pela Secretaria da Receita Federal, por órgão ou entidade especializada da Administração Pública Federal’; e ‘a empresa que possua controle contábil de produção em conformidade com normas editadas pela Secretaria da Receita Federal’. É a flexibilização sem prejuízo do controle aduaneiro. No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) o ‘drawback’ foi tratado nos arts. 335 a 355, sendo mantidas no art. 336 as flexibilizações anteriores, e adicionadas outras duas, específicas da “modalidade suspensão”. A primeira delas é derivada de lei (no 8.032/1990, art. 5o, com a redação dada pela Lei no 10.184/2001), e não se refere exatamente à flexibilização da vinculação física, mas da própria exportação, admitindo que o regime seja aplicável a mercadoria destinada a fornecimento no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior. A segunda, contudo, existente no art. 339, resultou em equivocadas interpretações. Dispõe o artigo: ‘o regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar’. Houve quem sustentasse, a partir do texto do art. 339, que estaria totalmente afastada a vinculação física quando a SECEX emitisse Ato Concessório com expressa referência ao comando, indicando que haveria acompanhamento do fluxo financeiro e que havia compatibilidade entre as mercadorias importadas e exportadas. A essa corrente devese opor a distinção entre as atribuições da SECEX (adstritas à concessão e Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 16 13 deliberação sobre o drawback hoje no art. 16, IV do Decreto no 7.096/2010) e as atribuições fiscalizadoras da RFB. A matéria hoje já é inclusive sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF: Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Não poderia, assim, a manifestação efetuada a critério da SECEX impedir eventual ação fiscal para verificar o cumprimento dos dispositivos normativos relacionados ao regime. Seria a flexibilização em prejuízo do controle aduaneiro. É preciso esclarecer que o texto do art. 339 não está a dispensar o cumprimento dos demais dispositivos referentes a drawback, mas apenas a permitir à SECEX simplificar seu trabalho, poupandoa de análises pormenorizadas para efeito de concessão e de verificação do cumprimento (e não poupando o importador/exportador de controles contábeis e de segregação, ou impedindo a RFB de efetuar controles afetos à fiscalização). E isso veio a ser expressamente aclarado com a redação do parágrafo único do art. 387 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009), na redação dada pelo Decreto no 7.213/2010. Antes de ingressar mais profundamente no Regulamento Aduaneiro de 2009 (ainda vigente), cabe destacar que em 2003, o instituto internacionalmente conhecido como compensação equivalente16 passou a fazer parte da legislação aduaneira brasileira, ainda que de forma tímida, com o art. 60 da Lei no 10.833/2003:17 16 Presente em diversos códigos aduaneiros do mundo, no tratamento da admissão temporária para aperfeiçoamento ativo (equivalente, em termos, ao nosso “drawbacksuspensão”), a compensação equivalente é uma clara flexibilização da vinculação física, permitindo que se utilizem na industrialização (no aperfeiçoamento) mercadorias equivalentes, definidas no Anexo “F”, Capítulo 1 da Convenção de Kyoto Revisada (e também no Anexo “F”, Capítulo 3, referente a Drawback) como “as mercadorias nacionais ou importadas idênticas em descrição, qualidade e características técnicas àquelas importadas para aperfeiçoamento ativo que elas substituem”. A tradução livre corresponde aos textos originais em francês (“marchandises équivalente: les marchandises nationales ou importées identiques par leur espèce, leur qualité et leurs caractéristiques techniques à celles qui ont été importées en vue d’ une opération de perfectionnement actif et qu'elles remplacent”) e inglês (“equivalent goods means domestic or imported goods identical in description, quality and technical characteristics to those imported for inward processing which they replace”), ambos disponíveis em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 17 Em verdade, a ‘compensação equivalente’ já havia sido instituída, no Brasil, no art. 21 da Medida Provisória no 38, de 14/5/2002 (que perdeu a eficácia desde a edição por não ter sido apreciada pelo Congresso Nacional, cf. Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional de 10/10/2002), no art. 19, II da Medida Provisória no 75, de 24/10/2002 (rejeitada na Câmara dos Deputados, cf. Ato Declaratório do Presidente da casa legislativa datado de 18/12/2002), e no art. 44 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (finalmente convertida na Lei no 10.833, de 2003). Há ainda ume espécie de “compensação equivalente”, de disciplina totalmente Fl. 346DF CARF MF 14 ‘Art. 60. Extinguem os regimes de admissão temporária, de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, de exportação temporária e de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, aplicados a produto, parte, peça ou componente recebido do exterior ou a ele enviado para substituição em decorrência de garantia ou, ainda, para reparo, revisão, manutenção, renovação ou recondicionamento, respectivamente, a exportação ou a importação de produto equivalente àquele submetido ao regime. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos seguintes bens: I partes, peças e componentes de aeronave, (...) II produtos nacionais exportados definitivamente, ou suas partes e peças, que retornem ao País, mediante admissão temporária, ou admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, para reparo ou substituição em virtude de defeito técnico que exija sua devolução; e III produtos nacionais, ou suas partes e peças, remetidos ao exterior mediante exportação temporária, para substituição de outro anteriormente exportado definitivamente, que deva retornar ao País para reparo ou substituição, em virtude de defeito técnico que exija sua devolução. § 2o A Secretaria da Receita Federal disciplinará os procedimentos para a aplicação do disposto neste artigo e os requisitos para reconhecimento da equivalência entre os produtos importados e exportados.’ (grifo nosso) Novamente há flexibilização da vinculação física, sem prejuízo do controle aduaneiro, pois restrita a casos específicos, e sob os requisitos e procedimentos estabelecidos pela RFB. E tais requisitos e procedimentos foram inicialmente estabelecidos na Instrução Normativa SRF no 328, de 28/11/2003, estando hoje previstos na Instrução Normativa RFB no 1.361, de 21/05/2013. Passa, assim, a haver previsão legal para exportação de produto que não corresponde fisicamente ao importado para industrialização, mas é idêntico a ele, ainda que em casos muito restritos. E uma leitura alargada do texto do art. 60, entendendo que o comando seria ainda aplicado a outros casos, além de afrontar a literalidade do dispositivo, tornaria inócuas as restrições, negando o próprio objetivo do texto legal, pois não faria sentido nenhum estabelecer a compensação equivalente a tais segmentos se eles (assim como todos os demais) já a tivessem. Assim, o Regulamento Aduaneiro de 2009, em sua redação original, tem poucas alterações em relação ao regulamento anterior, no que se refere a “drawback”. Contudo, o tema foi objeto de substanciais alterações efetuadas no Regulamento pelos Decretos no 7.213/2010 e no 8.010/2013. infralegal, no “regime” denominado de REPEX, instituído no Brasil pelo Decreto no 3.312, de 24/12/1999 (e hoje disciplinado nos arts. 463 a 470 do Regulamento Aduaneiro de 2009). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 17 15 Isso porque começou a tomar corpo uma intensificação da flexibilização da vinculação física, chegandose ao que se denomina usualmente como a aplicação da fungibilidade no regime. Tal intensificação deriva de comandos legais editados no final da década passada e no início desta década, e que estão sendo paulatinamente regulamentados. A Lei no 11.945/2009, por exemplo, que cria em seu art. 12 uma variante de “drawbacksuspensão brasileiro”, que veio a ser denominada em norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) de drawback integrado suspensão, permitindo a combinação de mercadorias nacionais e importadas no processo de industrialização para exportação, disciplina a flexibilização em seu art. 14: ‘Art. 14. Os atos concessórios de drawback, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei, poderão ser deferidos, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, levandose em conta a agregação de valor e o resultado da operação. § 1o A comprovação do regime poderá ser realizada com base no fluxo físico, por meio de comparação entre os volumes de importação e de aquisição no mercado interno em relação ao volume exportado, considerada, ainda, a variação cambial das moedas de negociação. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.’ (grifo nosso) Vejase que o texto da lei trata de forma mais ponderada a já citada relação entre as competências da SECEX (concessão e deliberação) e da RFB (fiscalização do regime). Não poderia um órgão estabelecer medidas em detrimento do controle do outro. Daí a necessidade de ato conjunto. E tal ato corresponde atualmente à Portaria Conjunta RFB/SECEX no 467, de 25/03/2010. A mesma Lei no 11.945/2009, em seu art. 12, §1o, com a redação dada pela Lei no 12.058/2009, alça ao status legal disposição que há tempos já habitava normas infralegais, permitindo a aplicação do ‘regime, na modalidade de suspensãointegrado’, a ‘aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação’, e, em seu art. 13, prorroga excepcionalmente por um ano Atos Concessórios de Drawback vencidos de 01/10/2008 a 31/12/2009.18 18 A “prorrogação” de Atos Concessórios de “Drawback” (inclusive os já vencidos, no que se revela inadequada a terminologia “prorrogação”) por lei passou a ser medida recorrente nos últimos tempos. A aqui referida, apesar de inexistente no texto da Medida Provisória no 451/2008, e nas 64 Emendas apresentadas pelos parlamentares, acabou presente no projeto de Lei de Conversão apresentado pelo relator, na Câmara dos Deputados (e na Lei resultante da conversão, de no 11.945/2009), sob a justificativa de ser reputada como importante “para a economia Fl. 348DF CARF MF 16 A Lei no 12.350/2010, de forma semelhante ao art. 12 da Lei no 11.945/2009 (que criou a variante de ‘drawbacksuspensão brasileiro’ posteriormente denominada de drawback integrado suspensão), criou, em seu art. 31, a variante de ‘drawbackisenção brasileiro’, que a norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) denominou de drawback integrado isenção). A novidade fica por conta da definição legal de ‘mercadoria equivalente’, no § 4o do citado art. 31: ‘a mercadoria nacional ou estrangeira da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquirida no mercado interno ou importada sem fruição dos benefícios referidos no caput, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo”. A disciplina do “drawback integrado isenção’ também é conjunta (RFB/SECEX), conforme estabelece o art. 33 da lei, já tendo sido editada nesse sentido a Portaria Conjunta RFB/SECEX no 3, de 17/12/2010. Vejase que o Brasil, com claro fundamento na noção de ‘mercadoria equivalente’ da Convenção de Kyoto Revisada, já referida neste estudo, dá mais alguns passos na jornada iniciada com o art. 60 da Lei no 10.833/2003. Mas é no art. 32 da Lei no 12.350/2010, alterando a disposição do art. 17 da Lei no 11.774/2008, que saltase para o explícito fundamento legal que viabiliza a flexibilização da vinculação física (ou a fungibilidade) no ‘drawback brasileiro, nas modalidades de isenção e suspensão’:19 “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” (grifo nosso) brasileira voltar ao ritmo de crescimento anterior à eclosão da crise financeira mundial”. Cabe ainda citar a Lei no 12.249/2010 (que em seu art. 61, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2010, inclusive aqueles já prorrogados excepcionalmente com base na Lei no 11.945/2009); a Lei no 12.453/2011 (que, em seu art. 8o, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2011, inclusive aqueles já prorrogados excepcionalmente com base nas Leis no 11.945/2009 e no 12.249/2010); a Lei no 12.782/2013 (que, em seu art. 20, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2013, agora excluindo os já prorrogados excepcionalmente com base nas leis anteriores); e a Lei no 12.995/2014 (que, em seu art. 16, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2014, exclusivamente para “produtos de longo ciclo de produção”, e também excluindo os já prorrogados excepcionalmente com base nas leis anteriores). 19 Aqui também cabe destacar que, em verdade, o fundamento legal já existia, ainda que mais modesto, desde setembro de 2008, com o advento da Lei no 11.774/2008, mas restrito a produtos nacionais, vinculados à aplicação do disposto no § 1o do art. 59 da Lei no 10.833/2003 (admissão por outro beneficiário, com vistas a execução de etapa da cadeia industrial). Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 18 17 Descontadas as imperfeições terminológicas, que normalmente derivam do excesso de denominações que temos para idênticos regimes aduaneiros no Brasil, 20 o artigo apresenta de forma cristalina o fundamento legal viabilizador da referida flexibilização. Contudo, é nítido que o comando legal carece de disciplina tanto pelo Poder Executivo (responsável por estabelecer termos, limites e condições) quanto pela SECEX e pela RFB, conjuntamente (responsáveis pela disciplina conjunta do tema). Novamente o legislador, de forma cautelosa, promoveu a flexibilização com preocupação sobre o impacto que a medida teria no controle aduaneiro, deixando aos órgãos técnicos a disciplina da matéria, antes da entrada em operação da nova sistemática. Isso resta claro no texto da exposição de Motivos da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010 (que foi convertida na Lei no 12.350/2010): ‘Temos a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência Projeto de Medida Provisória que: (...) d) altera o art. 17 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008, que dispõe sobre a fungibilidade de produtos adquiridos nos regimes aduaneiros suspensivos, permitindo que o Poder Executivo regulamente a matéria; (...) 16. O art. 8o propõe alteração no art. 17 da Lei no 11.774, de 2008, que dispõe sobre a possibilidade da fungibilidade de bens adquiridos, tanto por importação como no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos federais e ao abrigo de regimes aduaneiros especiais, quando destinados à industrialização para exportação. Tratase de revisão da redação original, que havia alicerçado sua base no art. 59 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e agora passa a ser aplicada de forma autônoma, desde que regulamentada pelo Poder Executivo. (...)’ (grifo nosso) 20 A menção a “regimes aduaneiros suspensivos” existente no texto original do art. 17 da Lei no 11.774/2008 não parecia objetivar especificamente o “drawback”, por estar restrita ao disposto no § 1o do art. 59 da Lei no 10.833/2003 (comando que possibilitou a solidariedade no “regime aduaneiro especial” de RECOF entreposto industrial sob controle informatizado”, disciplinado nos arts. 420 a 430 do Regulamento Aduaneiro de 2009, e totalmente sob a tutela da RFB, tanto no que se refere a concessão quanto fiscalização). Isso fica claro pela leitura do § 2o do mesmo art. 59 da Lei no 10.833/2003, que destacava ser da RFB a competência para “disciplinar a aplicação dos regimes aduaneiros suspensivos de que trata o caput, e estabelecer a os requisitos, as condições e a forma de registro da anuência prevista para a admissão da mercadoria, nacional ou importada, no regime”. A menção no texto atual, por sua vez, parece desejar, de forma oposta, ser específica ao drawback, seja porque o art. 32 da Lei no 12.350/2010 está inserido no Capítulo III, denominado “Do Drawback” (que abrange os arts. 31 a 33), ou porque estabelece disciplina conjunta, o que só é compatível com o regime de “drawback brasileiro, nas modalidades de suspensão e isenção”. De qualquer forma, tanto a redação original (que parecia esquecer o “drawback”), quanto a atual (que parece esquecer o RECOF) resta patente que passou da hora de o Brasil utilizar a terminologia internacional em relação à matéria: (admissão temporária para) aperfeiçoamento ativo, e não drawbacksuspensão, RECOF, RECOM ... Fl. 350DF CARF MF 18 Em recente alteração do Regulamento Aduaneiro, o Decreto no 8.010, de 16/05/2013, trouxe o novo comando legal para o art. 402A da norma regulamentar, sem qualquer alteração (ou disciplina) do texto da lei, mas esclarecendo, no §2o do artigo, que a aplicação ‘fica condicionada à edição de ato normativo específico conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior’. Mais uma vez resta patente a tecnicidade do tema, que está sendo tratado conjuntamente entre RFB e SECEX, aguardandose para breve a publicação do ato normativo conjunto que finalmente colocará em operação, com as restrições que estabelecer, a flexibilização da vinculação física, ou a fungibilidade em regimes aduaneiros suspensivos (mais objetivamente os conhecidos como ‘drawback integrado suspensão’ e ‘drawback integrado isenção’. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao qual é vinculada a SECEX, ciente de que ainda não opera, pelas regras atuais, a fungibilidade, noticiou recentemente (29/04/2014) em seu sítio web que:21 ‘Rio de JaneiroRJ (29 de abril) Durante abertura do Seminário de Operações de Comércio Exterior, realizado hoje, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Renato Agostinho, anunciou duas medidas de simplificação para a utilização do regime drawback, que permite (sic) a desoneração de tributos nas importações ou compras domésticas de insumos usados na fabricação de produtos exportados. A primeira é o lançamento de um sistema eletrônico para o processamento do drawback isenção, mecanismo aplicado na reposição de insumos que foram anteriormente utilizados na produção de bens já exportados. “Esta é a última operação, relacionada ao Decex, que é feita ainda por papel. Com o lançamento do sistema, no segundo semestre deste ano, poremos fim ao uso do papel e todas as operações serão realizadas de forma digital”, disse o diretor. No ano passado, US$ 8 bilhões foram exportados ao amparo do regime drawback isenção. Outra medida prevista para breve é a edição de uma portaria conjunta da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) do Ministério da Fazenda, que tratará da questão da fungibilidade das mercadorias relacionadas à concessão de drawback. “Esta medida é importante para eliminar a necessidade de segregação nos estoques dos insumos pelo exportador, o que representa hoje um custo que pode ser dispensado com regras mais 21 Pesquisa feita no sítio web do MDIC , no campo “busca”, com a palavra “fungibilidade”. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=5¬icia=13134>. Acesso em 09.jul.2014. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 19 19 claras para a administração do regime”, explicou Agostinho. (...)’ (grifo nosso) Nesse contexto, o Brasil migra, em algumas décadas, de um cenário de estrita vinculação física a um ambiente no qual parece que a regra será a fungibilidade, nos termos a serem estabelecidos em norma conjunta da RFB e da SECEX. 3 Considerações sobre a ‘fungibilidade’ no ‘drawback brasileiro’ (ou: A discussão econômica e a discussão jurídica do tema) Conforme exposto no tópico anterior, o ‘drawback brasileiro’ ainda é regido, em regra, pela vinculação física, já havendo algumas mitigações, externadas em atos normativos emanados nas últimas décadas. Não se têm dúvidas sobre as vantagens que há, do ponto de vista econômico, na implementação de uma sistemática em que se possam reduzir custos com segregação de estoques e atividades afins. A otimização de recursos (tanto dos operadores do regime quanto das instituições concedentes e fiscalizadoras) certamente impactará positivamente no comércio exterior brasileiro. E a tecnologia da informação, ferramenta chave na operacionalidade das atividades aduaneiras, permitindo a coexistência da celeridade com a segurança, representa indubitavelmente a saída para o controle eficaz da elevada quantidade de dados a analisar em relação ao regime. A celeridade e a simplificação das atividades aduaneiras (sem prejuízo da segurança) é preocupação internacional atualíssima, sendo o principal tema tratado, por exemplo, na última Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Bali (dezembro/2013), sob o título ‘facilitação comercial’, gerando um pacote de medidas alinhadas à já citada Convenção de Kyoto Revisada. Não se têm dúvidas, assim, de que o Brasil está trilhando caminho alinhado com as melhores práticas internacionais. Mas essa análise econômica não tem o condão de sobrepor a análise jurídica do tema, que realizamos no tópico anterior, concluindo por variadas razões que as disposições sobre fungibilidade do art. 17 da Lei no 11.774/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei no 12.350/2010, não são autoaplicáveis, e pendem do estabelecimento de uma disciplina conjunta pela SECEX e pela RFB, que já está inclusive em elaboração. Assim, divergimos frontalmente dos posicionamentos (digase, minoritários), externados em julgamentos do CARF22 e na doutrina23, de que 22 Luiz Henrique Travassos Machado presenteoume com cópia de sua dissertação de mestrado na Universidade Cândido Mendes, intitulada “Regime Aduaneiro Especial de Drawback: exoneração fiscal como fomento ao desenvolvimento econômico”, defendida em 2012. No detalhado trabalho, o autor efetua, entre outros, levantamento estatístico do tratamento no CARF (e no antigo Conselho de Contribuintes) do tema da fungibilidade no “drawback”, de 2003 a 2010, encontrando 34 acórdãos reconhecendo a necessidade de vinculação física, e dois a afastando, entre outras variantes mitigadas. Realizando busca no sítio web do CARF, Fl. 352DF CARF MF 20 já seria aplicável a fungibilidade no “drawback brasileiro”, por carecer tal argumento de fundamentação jurídica, diante do aqui analisado. É preciso analisar a questão de forma isenta e científica, sem partir de premissas equivocadas/preconcebidas ou de análises comparadas de institutos de natureza diversa, ou ainda de análise econômica em detrimento do teor de leis vigentes.” (grifos no original) Essa posição, atualmente, é a que prevalece na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF/CARF: “PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303001.346, de 02/02/2011). PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303003.465, de 24/02/2016) PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303002.833, de 23/01/2014) Nesse contexto, o emprego dos insumos importados nos produtos exportados é condição sine qua nom para o cumprimento do drawbacksuspensão e, uma vez inobservado esse requisito, passam a ser exigíveis os tributos suspensos. nos anos de 2011 a 2014, com a palavra “fungibilidade” ou com a expressão “vinculação física” atreladas a “drawback” (ementa+decisão) encontrei 1 resultado em 2014 (Acórdão no 3102.002.127, com decisão majoritária em favor da necessidade de vinculação física), outro em 2013 (Acórdão no 3202.000.878, no qual a matéria foi decidida por qualidade, em favor da necessidade de vinculação física) 4 em 2012 (Acórdãos no 3102001.439, no 3102001.494 e no 3802000.837, unânimes em favor da necessidade de vinculação física; e no 3101000.884, majoritariamente favorável à necessidade de vinculação física) e 1 em 2011 (Acórdão no 3202000.403, unânime em favor da necessidade de vinculação física). 23 Outra obra que chegou a minhas mãos recentemente foi “Drawback e a inexigibilidade de vinculação física”, de Victor Bovarotti Lopes (Almedina, 2012). O objetivo da obra, como se destaca logo de início, é “demonstrar a inexigibilidade de vinculação física entre os insumos adquiridos e os produtos exportados (sic) através das operações realizadas sob o regime de drawback”. Assim, o estudo é fundado na preconcepção de que opera a fungibilidade no regime, apontando como críticas à exigência de vinculação física (Capítulo 3) possíveis violações aos princípios da segurança jurídica, da isonomia, da impessoalidade, da finalidade, da proporcionalidade e da legalidade, e realizando estudo comparado com acordo da OMC referente a defesa comercial (subsídios). Também nessa obra há substancial coletânea de jurisprudência do CARF sobre o tema, demonstrando que há alternância de entendimentos, e que nas composições atuais a predominância é de acolhida da necessidade de vinculação física. Em oposição, citese outra análise do tema, efetuada por Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” (MP, 2013), ao final do artigo intitulado “A natureza jurídica do regime aduaneiro de drawback”, com a conclusão pela exigência de vinculação física, por disposição legal expressa, por entendimentos da Administração, pela disposição constante do art. 56 do Código Aduaneiro do MERCOSUL, pela leal concorrência, pela análise de decisão do STJ e pelo reconhecimento (este também presente na obra de Lopes) de que o drawback teria natureza jurídica de isenção condicionada. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 20 21 Não custa frisar que o ônus probatório respectivo é incumbência do beneficiário do regime, conforme já se manifestou esta turma julgadora no Acórdão nº 3401 003.018, de 09/12/2015, de relatoria do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira: O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art. 78 do Decretolei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art. 1o, inciso I, da Lei n.° 8.402. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX. (...) Como vimos, o texto da lei que criou o regime suspensivo informa que as condições e termos a serem observados serão os estabelecidos a partir do regulamento. E de fato, encontramos no Regulamento Aduaneiro normas de disciplinamento: (...) Conforme podemos ver, a conclusão do regime de forma que a contribuinte possa obter plena e definitivamente o benefício tributário depende do cumprimento dos termos e das condições. A suspensão dos tributos não constitui a plenitude do benefício final. Quando a contribuinte logra atender às condições e termos, e comprovar as exportações pactuadas e constantes do ato concessório, ela deixa de usufruir da suspensão para passar a usufruir da extinção por isenção daqueles tributos que estavam suspensos sob clausula condicional. É o que constatamos na leitura combinada dos textos normativos acima indicados combinado com o inciso I, do artigo 117 do CTN. O regime aduaneiro de drawback suspensão de bens estrangeiros, que em cada caso tem o pactuado pela contribuinte e autorizado pelo ato concessório e o reconhecido pelo desembaraço aduaneiro dos bens importados, é ato jurídico celebrado sob condição suspensiva. E ele aguarda o cumprimento ou não do compromisso de exportar por parte do beneficiário para que se possa obter a definição da extinção da obrigação tributária ou a sua exigência, além da constituição de crédito dela decorrente. (...) Não há dúvida de que, o reconhecimento desse benefício de isenção tributária, em qualquer uma das modalidades do regime drawback suspensão, isenção ou restituição , está condicionado à reexportação da mercadoria importada, após o beneficiamento ou utilização na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra mercadoria. É obrigação da beneficiária do regime drawback provar a reexportação. Por se tratar de incentivo fiscal, o cumprimento dessa Fl. 354DF CARF MF 22 condição não pode ser presumida, mas, sim, ser reconhecida pela autoridade administrativa. (...) Em meu entendimento, o regime drawback não confere suspensão e isenção genéricas, mas decididas caso a caso. O regime drawback de bens estrangeiros conforme autorizado pelo ato concessório se aperfeiçoa pelo desembaraço aduaneiro. Até então, o pactuado não adquiriu existência em uma situação concreta. A suspensão tributária passa a existir com a decisão proferida no despacho aduaneiro, face a ocorrência da hipótese de incidência dos tributos e do ato jurídico consubstanciado no ato concessório. E a extinção da obrigação tributária pela isenção passa a existir com a decisão que acolheu ter a contribuinte comprovado o cumprimento dos termos e das condições pactuadas. No caso em debate, que os bens beneficiados no regime drawback foram efetivamente exportados consoante o que dispunha o ato concessório. (destaques no original) No mesmo sentido o voto condutor do Acórdão 9303001.346, de 02/02/2011: “Aqui o ônus probante é do beneficiado pela suspensão dos tributos. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, no caso, o total cumprimento do regime. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as partes em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o sujeito passivo é que teria interesse em provar o seu direito à fruição do benefício acordado no ato concessório, e não o fez. Assim não há como se decidir pelo cumprimento do regime.” Respeitante à inaplicabilidade da multa de ofício e juros de mora, temse que os consectários encontram respaldo legal no art. 161 do Código Tributário Nacional c/c arts. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96, considerando que não houve recolhimento dos tributos suspensos dentro do trintídio assegurado pelo art. 319 do Decreto nº 91.030/85, então vigente. Outrossim, a argumentação atinente à “ilegalidade” da aplicação da taxa selic como indexador dos juros moratórios ou aspectos referentes à inconstitucionalidade de normas tributárias, como p.e. o caráter confiscatório da multa infligida, não podem ser altercados em sede administrativa, por expressa vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10830.720129/200701 Acórdão n.º 3401004.484 S3C4T1 Fl. 21 23 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF 343/15), sendo entendimento já sedimentado nesse tribunal administrativo, conforme Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.). Acresçase que a adoção da taxa selic como juros moratórios é objeto da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Por derradeiro, quando ao descabimento da fluência dos juros respectivos, enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário pela discussão administrativa, também há enunciado súmula de jurisprudência dessa casa, consubstanciada na Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.002389/00-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1989 a 29/02/1996
PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE
Os Pedidos de Compensação com débitos de terceiros e aqueles decorrentes de decisão judicial pendente de trânsito em julgado não foram convertidos em Declaração de Compensação (DComp), nos termos da nova redação do art. 74, §º 4º da Lei nº 9.430/96 dada pela MP nº 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/02), e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.637/02.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE).
A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1989 a 29/02/1996
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos parcialmente, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-004.588
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração, interpostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 3301-00.379, com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE Os Pedidos de Compensação com débitos de terceiros e aqueles decorrentes de decisão judicial pendente de trânsito em julgado não foram convertidos em Declaração de Compensação (DComp), nos termos da nova redação do art. 74, §º 4º da Lei nº 9.430/96 dada pela MP nº 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/02), e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.637/02. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1989 A 29/02/1996 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 23 89 /0 0- 23 Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.529 2 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes. Embargos Acolhidos parcialmente, com efeitos infringentes. Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.530 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração, interpostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 330100.379, com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.531 4 Relatório Tratamse de Embargos Declaratórios interpostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 330100.379, da 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara/3ª Seção por supostas omissões. Por meio de Despacho Decisório de fls 1801/1823, de 4 de agosto de 2005, a fiscalização Indeferiu o pedido de restituição Pedido de restituição de PIS, formalizados em 11/2/2000, cuminados com subseqüentes pedidos de compensação e, por conseqüência, não homologou as respectivas compensações, assim ementado: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PIS. Períodos de apuração: 08/89 a 02/96. Com relação aos períodos de apuração 08/89 a 02/96, a contribuição ao PIS deveria ter sido feita com fulcro na Lei 7/70 devido às inconstitucionalidades dos Decretoslei n° 2445/88 e do artigo 15 da MP n° 1212/95, declaradas pelo Supremo Tribunal Federal A partir da edição da Lei n° 7691/88, não mais subsiste o prazo de 6 (seis) meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição para o PIS. Pedido de Restituição indeferido. Compensações declaradas não homologadas. Foi interposta Manifestação de Inconformidade, fls. 1843 e ss (fl. 978 no processo papel), contraargumentando os fundamentos do Despacho Decisório. A 9ª Turma da DRJ/SPO1, por meio do Acórdão n° 1616.086, de 15 de janeiro de 2008, apreciando a matéria, assim ementou sua decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1989 a 29/02/1996 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Só há que se falar em Declaração de Compensação quando o procedimento for relativo a créditos e débitos de um mesmo sujeito passivo (nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 dada pela MP nº 66/2002). PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. NÃO CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação decorrentes de sentença judicial não transitada em julgado, não podem ser convertidos em Declaração de Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.532 5 Compensação (nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96 dada pela MP n.° 66/2002). PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INDEFERIMENTO. O art.170 do CTN só autoriza compensação com créditos líquidos e certos. O art.170A do CTN veda a compensação de tributo contestado judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Também a IN SRF n.° 21/97 só autorizava a utilização, para fins de compensação, de crédito judicial decorrente de sentença judicial transitada em julgado. O indeferimento de pedido de compensação, que não tenha sido convertido em Declaração de Compensação implica a cobrança dos respectivos débitos. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A matéria apreciada pelo Poder Judiciário não pode ser suscitada na via administrativa. PIS. SEMESTRALIDADE. 0 art. 6° da LC n° 07/70 não determina que o PIS seja apurado com base no faturamento verificado no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Tratase de simples fixação de prazo de vencimento, que posteriormente foi alterado, sem que tais alterações tivessem sua validade questionada. Solicitação Indeferida Em sede de Recurso Voluntário, essa 1ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão no 330100.379, de 3 de dezembro de 2009, com a composição daquela época, acordou por Não Conhecer do Recurso, por concomitância total, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1989 a 29/02/1996 RENÚNCIA À INSTANCIA ADMINISTRATIVA POR OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. "Importa renúncia As instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." (Súmula n° 1, 2° CC). Recurso Não Conhecido Inconformada a interessada interpôs Embargos de Declaração fundados no fato de que o Acórdão omitiuse por não apreciar matérias levadas à Recurso Voluntário, não alcançada pela concomitância, a saber: (i) homologação tácita das compensações; (ii) irretroatividade do art. 170A do CTN, uma vez que as compensações foram realizadas antes de sua entrada em vigor; Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.533 6 (iii) existência de decisão judicial autorizando a Embargante a realizar compensações com o crédito tratado na Ação Ordinária n° 96.0010344 5; e (iv) que se a semestralidade do PIS na realidade não se tratava de prazo para recolhimento da contribuição, mas da base de cálculo da referida contribuição conforme expressamente disposto no parágrafo único do artigo 6°, da LC n° 07170 razão para que o órgão de origem quantifique o crédito e realize o encontro de contas em relação As compensações ainda não homologadas tacitamente. Foime distribuído, na forma regimental, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.534 7 Voto Os Embargos Declaratórios foram admitidos por Despacho do Presidente da Turma à fls. 2495 e ss, assim, conheçoos e passo a analisálos. Tratase de pedido de restituição no valor de R$ 2.004.212,83, protocolizado em 11/02/00, pagos a maior em relação ao período de apuração 08/89 a 02/96, uma vez que foi desconsiderado a regra prevista no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70, que fixa a base de cálculo do PIS como sendo o faturamento do sexto mês anterior (Semestralidade). Conforme relatado, Em sede de Recurso Voluntário essa 1ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão no 330100.379, de 3 de dezembro de 2009, com a composição daquela época, acordou por Não Conhecer do Recurso, por concomitância total. Sustenta a Embargante que o Acórdão omitiuse por não apreciar matérias levadas à Recurso Voluntário, não alcançada pela concomitância. Vislumbrase razão à Embargante. O Acórdão Embargado encontra se eivado de omissões. vejamos. Originariamente o contribuinte obteve decisão judicial favorável, que reconheceu indébitos derivados de pagamentos a maior de PIS, efetuados com base nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, contudo referidos créditos foram apurados sem a observância da semestralidade. Aduz a Embargante que a ação judicial não contemplou essa matéria (semestralidade). Assim manifestouse nos autos: "Com efeito, temse, pois, que o valor objeto do presente pleito, nada tem em comum com aquele discutido no processo judicial, pois o que se pleiteia nestes autos é o valor relativo a diferença entre o valor pago com base no faturamento verificado no mês corrente e aquele verificado com base no faturamento do sexto mês anterior, regra prevista no parágrafo único do artigo 6º da Lei Complementar n° 7/70,..." Por sua vez, o Auditor fiscal, no curso do procedimento fiscalizatório, procedeu análise de vasto conteúdo relativo às ações judiciais impetradas pela Embargante, sintetizando o conteúdo das ações na seguinte forma: Na Ação Cautelar 96.00050392 proposta em 16/02/1996 a empresa alega ter pago a maior o PIS no período de janeiro de 1989 a junho de 1995, pede para recolher o PIS pela LC 7/70, afastando os DecretosLeis 2445/88 e 2449/88, e compensar o PIS recolhido a maior, corrigido desde o recolhimento, inclusive pelos indices expurgados em planos econômicos e mora de 1% ao mês, com PIS vincendo e outros tributos (fl 753/772). A liminar foi indeferida e em 19/03/96 uma decisão em agravo de Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.535 8 instrumento concedeu compensação apenas com parcelas vincendas do PIS, por conta e risco da autora (fl 857). Em 20/09/1999, sentença judicial deu procedência parcial para compensação entre tributos de mesma natureza, observada a prescrição de 5 anos da data da propositura da ação (fl 862). Em 12/4/1996 a empresa propõe Ação Ordinária 96.00103445 de cunho declaratório e condenatório dizendo ter recolhido PIS a maior a partir de junho de 1988, pagos pela autora entre janeiro/89 a junho/95, e por empresas incorporadas, em períodos iniciados em janeiro de 1989 e contidos nesse intervalo (fl 792) e que estaria habilitada a pleitear a compensação do PIS pago a maior. A autora afirma ser aplicável a LC 7/70 e, visando compensar a contribuição recolhida com base na receita operacional bruta, pede inexistência de relação jurídica pelos Decretos Leis 2445/88 e 2449/88 e compensação com parcelas vincendas do PIS e outras, ou devolução de todo o excesso do PIS (fl 809). Em 01/08/1996 pede judicialmente correção do valor da causa para R$ 247.173,67 que entende ser o valor compensável (fl 740), anexando planilha com os excessos de recolhimento a compensar. Ao sentenciar, em sua motivação o magistrado reconheceu a prescrição de parte das parcelas, vez que o primeiro pagam o de PIS que foi anexado aos autos é de fevereiro de 1989 e a ação foi proposta em abril de 1996 (fl 786). Em 20/09/99, o juiz declarou inexistência de relação jurídica pelos DecretosLeis e direito de compensar o pagamento a maior a partir de abril de 1991, com a mesma contribuição, pelo art 66 da Lei 8.383/91, com correção monetária desde o pagamento (fl 787) e, ao final, submeteu a decisão ao reexame necessário art 475 do CPC (fl 788). Em 26/6/2002, ao julgar a apelação, o TRF decidiu pela não ocorrência da prescrição, com base no artigo 168 do CTN, acrescendo cinco anos após os cinco contados da data do fato gerador, afastou os DecretosLeis, considerando recepcionada a LC 7/70, e declarou que os valores recolhidos indevidamente podem ser compensados com o próprio PIS (fl 938/939). Em 29/9/2004, o TRF julgou os embargos de declaração, confirmando a compensação do PIS com PIS vincendo, rejeitando os embargos da autora, que alegava falta de pronunciamento sobre a semestralidade e superveniência da Lei 10.637/02 para compensar o PIS com outros tributos, e acolheu parcialmente os embargos da Unido, para juntada do voto vencido ao acórdão (fl 944 e fl 1040 a 1045). Em 10/10/2005, a União interpôs Recurso Especial e este foi denegado (fl 1046/1047). Em 10/01/2007 o STJ negou seguimento ao agravo de instrumento da Fazenda, dizendo não merecer reparos a decisão do TRF que concedeu a compensação de recolhimentos indevidos ao PIS com débitos do próprio PIS, afastando o art 3° da LC 118/05, e mantendo a prescrição decenal contada do fato gerador (fls 1049 a 1051). Em 7/3/2007 a decisão transitou em julgado no STJ (fl 1052/1053). [as folhas citadas reportamse à numeração do processo papel] Ao término da auditoria, restou lavrado o Despacho Decisório culminando no indeferimento do pedido de restituição e, por via de conseqüência, na não homologação das respectivas compensações, fundamentandose em (i) Decadência parcial, período de 8/89 a 1/95 e (ii) Inexistência de diferença quanto à semestralidade. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.536 9 No âmbito da DRJ, em primeira instância, foram suscitados questionamentos acerca das seguintes matérias: (i) Prazo prescricional para pedir a restituição do PIS pago a maior. (ii) homologação tácita das compensações. (iii) semestralidade aplicada à apuração do PIS, nos termos da LC nº 07/70, art. 6º. (iv) Do Direito à Compensar Antes do Trânsito em Julgado. irretroatividade do art. 170A do CTN. (v) existência de decisão judicial autorizando a Embargante a realizar compensações com o crédito tratado na Ação Ordinária n° 96.0010344 5. Em seus fundamentos, o julgador de primeiro grau reconheceu concomitância parcial, em relação às questões de existência de eventual indébito de PIS com origem nos DecretosLeis 2445/88 e 2449/88, bem assim em relação ao prazo prescricional ("decadência"), assim manifestando em seu voto: Constatase a identidade da causa de pedir, vez que nos processos judiciais e no administrativo, foram deduzidas questões de existência de eventual indébito de PIS com origem nos DecretosLeis 2445/88 e 2449/88, bem como seu montante (valor da causa). [...] Tendo o crédito objeto deste pedido de restituição a mesma origem, qual seja, créditos de PIS recolhidos na forma dos Decretosleis é de se concluir que há concomitância entre o processo judicial e este processo administrativo. [...] Posto isso, é de se concluir pela concomitância entre os processos judiciais e o administrativo e a conseqüente renúncia à esfera administrativa, não se devendo conhecer do mérito da manifestação de inconformidade, quanto às questões decididas pelo Poder Judiciário. [...] DECADÊNCIA "Tendo em vista a concomitância, a Administração não pode se manifestar acerca da decadência, pois tal questão foi tratada pelo poder Judiciário. O juízo singular decretou a prescrição qüinqüenal, ao observar que o primeiro dos pagamentos naqueles autos era de fevereiro de 1989 (fl 786). 0 TRF reformou a decisão monocrática e, ao final, o STJ também entendeu não haver prescrição decenal na ação proposta em 12/4/1996." [Destaquei] Todavia, no tocante aos demais questionamentos, i.é. (ii) homologação tácita das compensações, (iii) semestralidade aplicada à apuração do Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.537 10 PIS, nos termos da LC nº 07/70, art. 6º e (iv) irretroatividade do art. 170A do CTN, aquele julgador não configurou concomitância, havendo inclusive, em relação à semestralidade, manifestação específica nesse sentido, por parte do julgador da DRJ: "Mesmo após protocolar seus pedidos administrativos a empresa buscou pronunciamento judicial sobre a semestralidade em embargos de declaração ao acórdão que julgou a apelação. O TRF havia rejeitado tal recurso em 29/9/2004 (fl 1042). Assim, não tendo havido pronunciamento judicial sobre a semestralidade em nenhum momento do processo de conhecimento, podemos tecer as considerações a seguir." [Destaquei] Ao apreciar o Recurso Voluntário o colegiado entendeu por decretar a concomitância integral do presente processo com a ação judicial, não conhecendo da peça recursal, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1989 a 29/02/1996 RENÚNCIA À INSTANCIA ADMINISTRATIVA POR OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. "Importa renúncia As instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." (Súmula n° 1, 2° CC). Recurso Não Conhecido Acompanho o entendimento do colegiado de primeiro grau. Não obstante haver identidade da causa de pedir, vez que nos processos judiciais e no administrativo, foram deduzidas questões de existência de eventual indébito de PIS com origem nos DecretosLeis 2445/88 e 2449/88 e respectivos prazos prescricionais, há questões de direito suscitadas, não tratadas na ação judicial, que necessitam de manifestação administrativa. Assim, os Embargos devem ser conhecidos para fins de manifestação por parte deste colegiado relativamente às seguintes matérias: · Homologação tácita das compensações. · Semestralidade aplicada à apuração do PIS, nos termos da LC nº 07/70, art. 6º. · Do Direito à Compensar Antes do Trânsito em Julgado. irretroatividade do art. 170A do CTN. Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.538 11 1 Das omissões: 1.1 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES Alega a Embargante que os Pedidos de Compensação foram transformados em Declarações de Compensação, por força do artigo 49 da Lei n° 10.637/2002, que deu nova redação ao § 40, do artigo 74, da Lei 9.430/96. Portanto, os pedidos de compensação transformados em DComp, protocolizados entre os dias 11/02/2000 e 05/10/2000, logo, há mais de 05 (cinco) anos contados da data do recebimento da intimação, já estão homologados tacitamente, não havendo, portanto, motivo para que os valores neles estampados não sejam considerados extintos por compensação Não assiste razão a Embargante. A "Declaração de Compensação" (Dcomp) foi criada pelo art. 49 da MP 66/02 (convertida na Lei n° 10.637/02) o qual deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, assim dispondo: Art. 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (.) §4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ... II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.539 12 d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] [Destaquei] Assim, temos que para fins de apresentação de DComp há que ser observado, dentre outros, dois requisitos essenciais, quais sejam, (i) o crédito decorrente de ação judicial só pode ser utilizado após o trânsito em julgado da respectiva decisão, quando os créditos efetivamente adquirem certeza e liquidez e (ii) a compensação somente pode ocorrer com débitos do próprio sujeito passivo No tocante à conversão em DComp dos Pedidos de Compensação, pendentes de análise na data da publicação da MP 66/02 (convertida na Lei n° 10.637/02), que é o caso aqui tratado, a hermenêutica do art. 74, § 4º da Lei n° 9.430/96, não pode ser dissociada do que dispõe o caput do artigo. Porquanto a nova redação do art. 74 não abrange os casos de compensação de créditos com débitos de terceiros, tampouco o créditos judiciais pendente de trânsito em julgado. No caso concreto temos um conjunto de Pedidos de Compensação, sendo parte deles referentes à débitos de terceiros e, na totalidade, formalizados quando a ação judicial ainda encontravase pendente de trânsito em julgado, nessas condições não há que se falar em convertêlos em DComp, porquanto os pedidos de compensação só podem ser convertidos em Declaração de Compensação (Dcomp), nos termos do §º 4º, caso preencham todas as condições previstas no caput do artigo 74, suso transcrito. Com essas considerações, inexistindo a conversão dos pedidos de compensação em DComp, as compensações requeridas devem ser apreciadas com base na legislação anterior à edição da MP n° 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/02), mantendose a natureza de "Pedido de Compensação". Resta concluso, com o exposto, que não há, na espécie (Pedido de Compensação), a extinção do crédito tributário (§ 2°) e tampouco estão tais pedidos sujeitos à homologação tácita (§ 5°) do art.74 da Lei n.° 9.430/96. 1.2 DO DIREITO À COMPENSAR ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IRRETROATIVIDADE DO ART. 170A DO CTN Alega a Embargante que a vedação legal à compensação de créditos advindos de decisões judiciais ainda não transitadas em julgado só passou a existir no ordenamento jurídico pátrio a partir da publicação da "Lei Complementar n° 104/2001, a qual incluiu o artigo 170A no Código Tributário Nacional. Argumenta que a auto compensação de indébito tributário com débitos tributários de mesma espécie e destinação constitucional era regida pelo art. 66 da Lei n° 8.383/91, com alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei n° 9.250/95. Aduz que todas as compensações foram realizadas em total consonância com a legislação de regência, seja pelo fato de que formulados antes da Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.540 13 entrada em vigor do artigo 170A do CTN, seja pelo fato de a Embargante ter em seu favor decisão liminar e sentença autorizando a realização das compensações. Vislumbro que o presente questionamento resta prejudicado, posto que, no caso concreto, o direito a compensar, e suas condições, é matéria da ação judicial, como aduz a própria Embargante, eis excerto da peça recursal: "No mais, também em 20/09/1999, ao apreciar a Ação Ordinária n° 96.00103445, declarou o Juiz (i) a inexistência da relação jurídica entre o Fisco e a Embargante nos termos em que delimitavam os DecretosLeis n°s 2445/88 e 2449/88, assim como, (ii) o direito de a Embargante compensar o indébito discutido naqueles autos. OU SEJA, A EMBARGANTE SEMPRE ESTEVE ALBERGADA POR NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA LHE AUTORIZANDO A REALIZAÇÃO DE COMPENSAÇÕES COM O CRÉDITO DE PIS TRATADO NAQUELA AÇÃO, CUJA CÂMARA EMBARGADA ENTENDEU TRATARSE DO MESMO CRÉDITO AQUI PLEITEADO." Assim, inútil qualquer manifestação acerta da irretroatividade do citado art. 170A, isso porque a validade da compensação, bem assim a liquidez e certeza do crédito alegado, deverão ser apurados pela RFB com estrita observância do decidido na ação judicial, inclusive quanto à autorização para compensações antes de trânsito em julgado da ação, como alega a recorrente; portanto, frisese, tratase de matéria submetida àquele Poder constituído. A submissão de matéria à tutela do Poder Judiciário importa em renúncia ou desistência da via administrativa. Descabe à instância julgadora administrativa pronunciarse sobre matéria levada pelo contribuinte ao Poder Judiciário. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ademais, incube à Unidade da RFB de origem o cumprimento da determinação judicial, não surtindo quaisquer efeitos eventual manifestação deste colegiado acerca de matéria já decidida no Poder Judiciário. Com o exposto entendo prejudicado o presente questionamento (Do Direito à Compensar Antes do Trânsito em Julgado irretroatividade do art. 170A do CTN) por se tratar de matéria concomitante entre os processos administrativo e judicial. Fl. 2540DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.541 14 1.3 DA SEMESTRALIDADE APURAÇÃO DO INDÉBITO Sustenta a Embargante que o art. 6° da Lei Complementar n° 7/70 determina a semestralidade da base de cálculo do PIS, mediante a aplicação da alíquota de 0,75% sobre o faturamento verificado no sexto mês anterior. O Despacho Decisório indeferiu o pedido de restituição fundado em critério de semestralidade de prazo de pagamento do PIS. O Colegiado do primeiro grau, ratificando o posicionamento da fiscalização, assim se manifestou: O período de seis meses a que se refere a Lei Complementar 07/70 corresponde ao prazo de recolhimento, e não à definição do fato gerador do PIS, devendose, portanto observar as alterações posteriores da legislação Por todo o exposto, temos sobre a tese da semestralidade o mesmo entendimento esposado no Despacho Decisório, razão pela qual, sob esse fundamento, inexiste o direito creditório pleiteado e o pedido de restituição deve ser indeferido Tratase de tema pacífico na esfera judicial e na administrativa no sentido de que a base de cálculo do PIS para fins do art. 6º da LC nº 7/70 é o faturamento do sexto mês anterior. Nesse sentido há vigente a Súmula CARF nº 15 (vinculante): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Portanto, deve ser reconhecido o direito à recorrente de apuração do indébito, aplicandose como base de cálculo a semestralidade, isto é, o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. 2 Dispositivo Com esses fundamentos, voto por Acolher parcialmente os Embargos Declaratórios interpostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 3301 00.379, com efeitos infringentes, integrandono o presente Acórdão, para: 1. Dar Provimento Quanto à semestralidade na apuração da base de cálculo do PIS, nos termos da Súmula Carf Vinculante nº 15: “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”, incumbindose, a Unidade da RFB responsável pela execução do Acórdão, de verificar a liquidez e certeza do crédito, oriundo de decisão judicial. 2. Negar Provimento quanto à homologação tácita, pois os Pedidos de Compensação com débitos de terceiros e aqueles decorrentes de decisão judicial pendente de trânsito em julgado não foram convertidos em Declaração de Compensação (DComp), nos termos do art. 74, §º 4º da Lei nº 9.430/96, e, Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 10880.002389/0023 Acórdão n.º 3301004.588 S3C3T1 Fl. 2.542 15 portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.637/02. 3. Não Conhecer as demais questões suscitadas, por concomitância com as Ações Cautelar nº 96.00050392 e Ordinária nº 96.00103445. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 2542DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002045/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
Embargos Declaratórios. Contradição entre Ementa e Voto. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para eliminar contradição entre o texto da ementa, de um lado, e os fundamentos e parte dispositiva do voto, de outro.
CSLL. Tributo Lançado por Homologação. Decadência. Art. 150, §4º do CTN.
Tratando-se de tributo lançado por homologação, e tendo sido realizado o pagamento a que se refere o §1º do art. 150 do Código Tributário Nacional, o termo inicial do prazo de decadência é o do §4º do art. 150 do CTN, exceto nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 1301-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada e ratificar o decidido no Acórdão 101-96.990.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA E VOTO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para eliminar contradição entre o texto da ementa, de um lado, e os fundamentos e parte dispositiva do voto, de outro. CSLL. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Tratandose de tributo lançado por homologação, e tendo sido realizado o pagamento a que se refere o §1º do art. 150 do Código Tributário Nacional, o termo inicial do prazo de decadência é o do §4º do art. 150 do CTN, exceto nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada e ratificar o decidido no Acórdão 10196.990. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 45 /2 00 3- 99 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 18471.002045/200399 Acórdão n.º 1301002.873 S1C3T1 Fl. 171 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL PFN, alegando a existência de contradição no Acórdão nº 101 96.990, da Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. A contradição estaria entre o teor de um dos itens da ementa, de um lado, e o voto condutor da decisão e sua parte dispositiva, de outro. Disse a PFN: Compulsando o r. acórdão de fls. 149/155, notase, data maxima venia, uma contradição entre a fundamentação do julgado e a sua ementa, e que, assim, justifica a interposição da presente medida esclarecedora. Ao aplicar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, ou seja, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN, o r. acórdão ora embargado ressaltou em sua ementa que a decadência deveria ser contada pelo artigo 173, I, do CTN. No caso dos presentes autos, se a decadência for contada nos termos do artigo 173, o primeiro e segundo trimestres de 1998 não terão sido extintos. (grifo do original) (...) Todavia, da leitura do votocondutor do acórdão e de sua parte dispositiva, o que se vê é a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Como o acórdão reconheceu a decadência do primeiro e segundo trimestres de 1998, concluise que o prazo decadencial fora contado da ocorrência do fato gerador. Por isso que somente o terceiro e quarto trimestres, com fatos geradores, respectivamente, em 30/09/1998 e 30/12/1998, restaram válidos com a ciência da autuação em 02/09/2003. (fls. 161 e 162) Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 166 e 167, nos seguintes termos: Conforme relatado, tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° Acórdão n° 10196.990, julgado na sessão de 17 de setembro de 2008 (fls. 150/157), acusando contradição entre a ementa e a fundamentação do julgado, que apesar de tratarse de exigência de diferenças de recolhimentos, empregou na ementa a fundamentação para a decadência aquela prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), deslocando o prazo decadencial para a exigência da CSLL dos 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, para 31/12/2003 e do 4º trimestre para 31/12/2004. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 18471.002045/200399 Acórdão n.º 1301002.873 S1C3T1 Fl. 172 3 Assim sendo, Senhor Presidente, em razão de tratarse de exigência de diferenças apuradas, o que de fato justifica a contagem do prazo decadencial na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN, e considerando que a ementa faz alusão ao art. 173, do CTN, entendo que os Embargos merecem ser acolhidos para sanar a contradição apontada. Portanto, neste juízo de cognição sumária, resta caracterizada a contradição suscitada pela embargante, razão pela qual, com base no art. 25 e 65, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, propõe se que sejam conhecidos os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o que basta relatar. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso concreto, o que motivou os embargos foi a notória contradição entre um dos itens da ementa, de um lado, e o acórdão, o voto e sua parte dispositiva, de outro. O item da ementa que estaria em desacordo com a decisão foi assim redigido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IRPJ. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. (g.n.) O texto faz referência ao IRPJ, tanto no título quanto no enunciado. O lançamento, entretanto, não envolve esse imposto, mas exclusivamente a CSLL. Ademais, as circunstâncias fáticas que deram ensejo à autuação evidenciam que a decadência teve por termo inicial a data do fato gerador. Como ressaltou o despacho de admissibilidade, o lançamento tem por objeto a exigência de diferenças de recolhimento de CSLL, motivadas pela falta de inclusão na base de cálculo de algumas receitas tributáveis. Por outro lado, o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 20 e 21) não faz alusão a fraude, a dolo ou a simulação. Nele não há imputação de responsabilidade ao autuado por comportamento doloso ou fraudulento que pudesse atrair a aplicação do art. 173, inciso I, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 18471.002045/200399 Acórdão n.º 1301002.873 S1C3T1 Fl. 173 4 do CTN, postergando assim o termo inicial da decadência para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Portanto, para resolver a contradição existente, cumpre corrigir a ementa, no item que faz alusão à decadência. A nova redação proposta é a seguinte: CSLL. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º DO CTN. Tratandose de tributo lançado por homologação, e tendo sido realizado o pagamento a que se refere o § 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional, o termo inicial do prazo de decadência é o do § 4º do art. 150 do CTN, exceto nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000869/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES. FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN, NO CASO DE PAGAMENTO, OU DO ART. 173, I, DO CTN, NO CASO DE INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO OU NA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitam-se ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador mensal, no caso da existência de pagamento (art. 150, § 4º, do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), no caso de inexistência de pagamento ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. INVIABILIDADE DE DECLARAÇÃO NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Se o Supremo Tribunal Federal não pacificou as controvérsias sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, não cabe a este contencioso administrativo fiscal, jungido ao princípio da legitimidade, legalidade e constitucionalidade das leis, apreciar tal questão, sob pena de a Administração Fiscal usurpar a competência da Suprema Corte. Por esse e outros motivos, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA E TRIBUTOS DECORRENTES. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos ou receitas omitidos, sujeitos à imposição tributária do IRPJ e dos demais tributos decorrentes.
Numero da decisão: 1402-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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BARBERINO PEREIRA EPP Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES. FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN, NO CASO DE PAGAMENTO, OU DO ART. 173, I, DO CTN, NO CASO DE INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO OU NA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitamse ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador mensal, no caso da existência de pagamento (art. 150, § 4º, do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), no caso de inexistência de pagamento ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. INVIABILIDADE DE DECLARAÇÃO NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Se o Supremo Tribunal Federal não pacificou as controvérsias sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, não cabe a este contencioso administrativo fiscal, jungido ao princípio da legitimidade, legalidade e constitucionalidade das leis, apreciar tal questão, sob pena de a Administração Fiscal usurpar a competência da Suprema Corte. Por esse e outros motivos, foi publicada a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA E TRIBUTOS DECORRENTES. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 08 69 /2 00 9- 91 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 664 2 COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos ou receitas omitidos, sujeitos à imposição tributária do IRPJ e dos demais tributos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 665 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu reduzir parcialmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração (anocalendário 2004), em relação aos créditos atingidos pela decadência (janeiro a maio de 2004) nos termos do artigo 150, parágrafo 4 do CTN. O Auto de Infração trata de omissão de receita, constatada por meio de extratos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96. Assim, foi lavrado Auto de Infração em 05/06/2009 (fl. 418 e seguintes), com ciência postal em 10/06/2009 (fl. 576). Ao contribuinte foram imputadas as infrações descritas abaixo, com multa de ofício ordinária no percentual de 75% sobre os tributos lançados: 1. omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no importe total de R$ 9.066.899,55, no anocalendário 2004; 2. diferença entre o valor do Simples calculado pela fiscalização (tomando por base os percentuais incidentes sobre a receita bruta, considerando a adição das receitas omitidas do item precedente) e o valor pago pelo contribuinte. Em face das infrações acima, a autoridade fiscal lançou os tributos apurados (IRPJ, CSLL, Cofins, PIS/Pasep e Contribuição Previdenciária Patronal). Para evitar repetições utilizo a parte do relatório do v. acórdão recorrido, abaixo colacionado: Intimado a apresentar os livros fiscais e extratos bancários, o fiscalizado atendeu a intimação. De posse dos extratos bancários, a fiscalização observou que a movimentação financeira no anocalendário 2004 (R$ 10.024.671,60) era incompatível com os valores declarados como Receita Bruta na PJSI/2005 (R$ 957.772,05), bem como com os valores constantes na escrituração do contribuinte. Daí a fiscalização intimou o contribuinte, em 06/04/2009, a comprovar a origem dos depósitos bancários nas contas dos bancos Brasil e Bradesco, do anocalendário 2004, assinandolhe, para tanto, um prazo de 20 dias (fl. 67). Em 27/04/2009, a empresa solicitou uma prorrogação de 30 dias, o que foi deferida pela fiscalização, advertindoo que não seria mais concedida dilação de prazo. Em 27/05/2009, o fiscalizado solicitou mais 15 dias, quando a fiscalização deferiu 07 dias. Em 03/06/2009, a fiscalizada protocolou novo pedido de dilação, de 30 dias, o que foi indeferido pela autoridade fiscalizadora. À míngua da comprovação da origem dos depósitos bancários, a fiscalização, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96, encerrou o procedimento fiscal, imputandolhe uma Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 666 4 omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, consubstanciada pela diferença entre o total dos depósitos bancários (R$ 10.024.671,60) e a receita bruta declarada na PSJI/2005 (R$ 957.772,05). Adicionalmente, considerando esta omissão de receitas citada, a fiscalização passou majorou os percentuais de incidência sobre a receita bruta declarada (fl. 423), imputando ao fiscalizado às diferenças entre os tributos apurados com os novos percentuais sobre a receita bruta declarada e os valores pagos mensalmente (fls. 425 a 429). 1. a quebra do sigilo bancário do contribuinte, na forma da Lei Complementar nº 105/2001, viola o direito à privacidade, à intimidade e ao sigilo, garantidos constitucionalmente; 2. o uso de presunções legais não afronta a segurança jurídica quando forem indispensáveis em face da impossibilidade de produção de prova direta, respeitase a legalidade e existam fortes indícios, amparados, se possível em outros meios, da ocorrência do fato tributável na vida real. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, e, conseqüentemente, o artigo 849 do RIR/99, parece ter inobservado essa diretriz; 3. “3.71 A SIMPLES PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDA TRIBUTÁVEL COM BASE APENAS NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA NÃO PODE LEVAR A CONCLUSÃO DA EXISTÊNCIA DE FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA, PARA TANTO DEVERÁ EXISTIR OUTROS ELEMENTOS, DECORRENTES DA ATIVIDADE FISCALIZATÓRIA, QUE CORROBOREM COM A PRESUNÇÃO. MESMO PORQUE OS VALORES DETECTADOS PODERÃO TER SI ORIGINADO DE RENDA NÃO TRIBUTÁVEL OU ATÉ MESMO DE RENDA JÁ TRIBUTADA. 3.72. Resta então concluir pela inconstitucionalidade do art. 42 da referida lei” (fl. 598); 4. A Sra. Florinda Barbeiro Pereira é sócia de outras empresas de atividades diversas e realizava operações de mútuos entre elas, para suprir as necessidades emergenciais de caixa da empresa F Barberino Pereira. Nessa linha, vêemse valores relativamente elevados consistem em “depósitos online” nas contas dos bancos Brasil e Bradesco. Discriminou dez depósitos no Banco do Brasil e 06 no Bradesco; 5. por fim, caso a Administração Fazendária julgue necessária a verificação de movimentação de estoque, bem como origem das movimentações financeiras, que se determine a baixa dos autos para diligências e perícias. A impugnante desde logo indicou o perito para tanto, com os quesitos respectivos. Em seguida a DRJ de São Paulo, proferiu v. acórdão mantendo integralmente parcialmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DECADÊNCIA. SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES. FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN, NO Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 667 5 CASO DE PAGAMENTO, OU DO ART. 173, I, DO CTN, NO CASO DE INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO OU NA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitamse ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador mensal, no caso da existência de pagamento (art. 150, § 4º, do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), no caso de inexistência de pagamento ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. INVIABILIDADE DE DECLARAÇÃO NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Se o Supremo Tribunal Federal não pacificou as controvérsias sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, não cabe a este contencioso administrativo fiscal, jungido ao princípio da legitimidade, legalidade e constitucionalidade das leis, apreciar tal questão, sob pena de a Administração Fiscal usurpar a competência da Suprema Corte. Por esse e outros motivos, foi publicada a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA E TRIBUTOS DECORRENTES. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos ou receitas omitidos, sujeitos à imposição tributária do IRPJ e dos demais tributos decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 668 6 Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 669 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Insta esclarecer, que não existe nos autos Recuso de Ofício relativo a parte da impugnação que foi procedente. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 670 8 promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada. Quanto a alegação de que o Auto de Infração e o acórdão recorrido serem nulos por ter sido afastado o pedido de perícia da Recorrente, entende que também não deve prosperar. A acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, sendo que neste caso a Recorrente é quem tem o ônus de provar que tal diferença não se refere a receita tributável, inexistindo cerceamento ao direito de defesa. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 671 9 No presente caso, a Recorrente alega que determinados valores são referentes a contratos de mútuos e empréstimos da Sra. Florinda Barbeiro Pereira, porém não junta aos autos nenhum documento para comprovar tais operações. Em relação as alegações de inconstitucionalidade, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2 este E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. Quanto a alegação de prescrição intercorrente, tal instituto não se aplica ao processo administrativo tributário federal, motivo pela qual também afasto tal alegação. Em relação a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo 4 do CTN, mantenha a decisão em seus termos eis que não foi interposto Recurso de Ofício devido ao valor, bem como a Recorrente repisa os mesmos argumentos posto no acórdão recorrido. De resto, para evitar repetições, colaciono os fundamentos do v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto. Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado do lançamento em 10/06/2009, quartafeira, e apresentou impugnação ao lançamento em 07/07/2009, dentro do prazo legal, este que teve seu termo final em 10/07/2009, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passase a debater as defesas como discriminadas no relatório. Inicialmente, rejeitase o pedido de perícia (item 5 do relatório), pois caberia ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários, na fase prévia à autuação ou no bojo da peça impugnatória, e não pedir uma perícia, quando foi incapaz de juntar qualquer prova documental que comprovasse a origem de quaisquer das centenas de depósitos incomprovados até este momento processual, como se verá a seguir. O pedido de perícia para quem dá provas de completo desinteresse para comprovar o seu direito demonstrase inteiramente procrastinatório, o que não pode ser chancelado por esta instância administrativa. Insistese: o contribuinte pediu uma perícia, mas foi incapaz de demonstrar a necessidade para tanto, pois não juntou uma única prova para comprovar a origem de qualquer dos depósitos bancários. Superado o ponto acima, passase à controvérsia da quebra do sigilo bancário (item 1 da defesa do impugnante transcrita no relatório). Antes de tudo, devese anotar que não houve nestes autos a expedição de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF, ou seja, sequer se pode falar, estritamente, em transferência compulsória do sigilo bancário do fiscalizado para a Receita Federal, pois, atentese, o contribuinte atendeu espontaneamente à intimação para trazer aos autos seus extratos bancários. Indo além, carece de plausibilidade jurídica a tese de que a transferência do sigilo bancário do recorrente para o fisco afronta Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 672 10 direitos individuais, necessitando, para tanto, de ordem judicial. Não se pode esquecer que o sigilo permanece preservado, já que a autoridade administrativa tributária somente utiliza as informações em seu mister constitucional. É difícil compreender como o sigilo bancário pode se inserir no art. 5º, X ou XII, da CF88, mormente porque a ação da autoridade fiscal, no caso em debate, busca combater ilícitos fiscais, e, como é cediço, as garantias individuais não podem ser utilizadas como manto para acobertar condutas ilícitas. Ademais, muito mais substancioso, em termos de informações do cidadão, são os dados protegidos pelo sigilo fiscal. Nas informações prestadas na declaração de ajuste anual da pessoa física, combinada com a declaração de bens e direitos, além de todas as fontes de rendimentos, há todo o rol de bens do contribuinte, saldos em fins de período de todas as aplicações financeiras, terceiros beneficiários de seus pagamentos, dependentes. No extrato bancário, por seu turno, há apenas um maçante rol de débitos e créditos. E, como é de todos conhecido, o fisco obtém e analisa a enorme gama de informações protegidas pelo sigilo fiscal, e ninguém, nunca, lembrouse de aventar que o acesso a tais dados pudesse violar qualquer direito ou garantia individual, já que é ínsito a atividade do fisco a investigação dos eventos econômicofinanceiros dos contribuintes, onde se encontra, por óbvio, as informações bancárias. Caso fosse acatada a tese do recorrente, terseia que declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem a transferência compulsória do sigilo bancário do sujeito passivo para o fisco, no âmbito administrativo. Ocorre que o julgador administrativo não detém essa competência. Nessa linha, vejase o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2007 (DOU de 23 de junho de 2009), aplicado por analogia nesta primeira instância administrativa, verbis: [...] O entendimento acima foi objeto da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, e, com espeque no art. 72, caput e §4º, do Regimento Interno do CARF1, devese ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Obviamente, não faz sentido esta primeira instância confessar entendimento diverso, por respeito a hierarquia recursal do CARF. Assim, inviável acatar a tese de que os dados bancários do contribuinte estariam protegidos por um cláusula de reserva de jurisdição, já que a Lei Complementar antes citada, expressamente, outorgou o poder ao fisco para compulsar as informações bancárias do contribuinte, quando imprescindíveis ao procedimento fiscal, e não pode o julgador administrativo negar a aplicação da lei tributária, pois não pode apreciar o vetor constitucional dela. Ainda, devese anotar que toda a discussão sobre garantias individuais e cláusulas de reserva de jurisdição no tocante ao sigilo bancário tem um quê de provincianismo, já que os fiscos alienígenas, ordinariamente, acessam os dados bancários de seus contribuintes. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 673 11 O exemplo mais patente ocorre nos Estados Unidos, onde o IRS (Internal Revenue Service), a Receita Federal norteamericana, recebe ordinariamente as informações bancárias e de mercados de capitais dos contribuintes, enviadas pelas instituições financeiras e de mercados de capitais, sem qualquer empeço, como se vê seguidamente em processos administrativos fiscais que transitam no contencioso administrativo fiscal federal. Ademais, atualmente, até a meca do sigilo bancário, a Suíça, tem sido obrigada a franquear os dados bancários de contribuintes estrangeiros, notadamente americanos, como se tem divulgado seguidamente na imprensa brasileira. Para tanto, vejamse as matérias jornalísticas abaixo2, verbis: Bancos suíços (Edição do Jornal Valor Econômico de 28/08/2009) O principal negociador da Suíça no processo fiscal movido contra o UBS disse que a Receita Federal dos EUA (IRS, pelas iniciais em inglês) deverá solicitar nomes de clientes americanos de outros bancos depois que o governo suíço concordou em fornecer detalhes das contas do UBS. "É possível que o IRS peça novos dados sobre clientes norte americanos a outros bancos suíços´´, disse Michael Ambuehl, que comandou as discussões em nome do Ministério das Relações Exteriores da Suíça. (Bloomberg) França alerta sonegadores (Edição do Jornal Valor Econômico de 31/08/2009) A França deu até 31 de dezembro para que seus cidadãos com dinheiro na Suíça regularizem sua situação. Quem perder o prazo será processado. O governo francês estima que 3.000 contribuintes tenham € 3 bilhões não declarados em três dos principais bancos suíços e disse que vai pressionar essas instituições a revelar o nome dos sonegadores. Recentemente os EUA obtiveram dados de 4.450 correntistas americanos do banco suíço UBS. "O sigilo bancário está sendo revertido", disse Sebastien Proto, chefe de gabinete do Ministério do Orçamento francês. Na verdade, exceto no caso de paraísos fiscais (atualmente sob contínua pressão, como se viu acima), as administrações fiscais dos países desenvolvidos já têm acesso a transmissões automáticas de informações bancárias, como nos noticia Thomas Piketty (Le capital au XXIe Siècle. Éditions du Seuil. Septembre 2013. p. 846/847), verbis; [...] Por tudo, vêse que nada tem de inaudito o acesso ao sigilo bancário de contribuintes diretamente pelo fisco, aqui e alhures, devendo ser rechaçada a nulidade vindicada. Já nos itens 2 e 3 das defesas transcritas no relatório, o impugnante ataca a presunção legal da omissão de receitas e rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Anteriormente à Lei nº 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, unicamente, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, o Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 674 12 renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Veio o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 e, expressamente, permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6º da Lei nº 8.021/90, verbis: [...] Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Tratase de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1º/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão nº CSRF/0400.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 675 13 contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Ainda, sequer esse contencioso administrativo pode discutir a constitucionalidade, ou não, do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois, como já dito, falece competência aos órgãos julgadores administrativos declarar a inconstitucionalidade da lei tributária. Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. No item 4 da defesa transcrita no relatório, o impugnante alega que parte dos depósitos seriam mútuos provenientes de outras empresas da Sra. Florinda Barbeiro Pereira, para suprimento de caixa emergencial do fiscalizado. Discriminou para tanto 10 depósitos no Banco do Brasil e 06 no Bradesco; Ora, o impugnante simplesmente discriminou 16 depósitos, alegando que eram provenientes de mútuos com empresas ligadas. Ocorre que não juntou qualquer prova documental da alegação. Simplesmente afirmou que tais depósitos tinham origens em mútuos. Não há contratos, não se demonstrou que tais valores eram provenientes das outras empresas, não se indicou quais seriam tais empresas, enfim, o impugnante nada provou. Rejeitase, por óbvio, uma mera afirmação de origem, destituída de qualquer prova, pois, como já dito, o fiscalizado tinha o dever imposto pela lei de comprovar documentalmente a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumilos como receitas omitidas, a implicar na imposição tributária pertinente. Cabe, por fim, debater uma última questão. De plano, devese lembrar que o Contencioso Administrativo Fiscal tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública (como decadência), hipóteses em que o colegiado deve agir até de ofício. E este julgador identificou que parte do lançamento foi atingido pela decadência, devendo ser reconhecida a incidência do fenômeno decadencial de ofício. Explicase. Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria decadencial. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste amoldarseia à Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 676 14 dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 104 22.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; e 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessou uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos das instâncias administrativas. Dessa forma, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, apreciouse o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o julgado submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 677 15 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, no anocalendário 2004, vêse que o contribuinte fez pagamento na sistemática do Simples Federal (vide tela abaixo colada), e, considerando que todos os tributos no âmbito do Simples são cobrados em períodos de apuração mensal, que havendo pagamento devese considerálo afetado para todos os tributos do Simples (nos percentuais definidos em lei, nos enquadramentos apurados pela fiscalização – vide fls. 425 a 429 , como inclusive feito pela fiscalização), que não houve imputação de dolo, fraude ou simulação, e que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 10/06/2009, devese aplicar a regra decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN, a implicar que os créditos tributários dos períodos de apuração janeiro a maio de 2004 foram atingidos pela decadência. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 678 16 Ressaltese que o entendimento acima, no tocante à periodicidade dos fatos geradores dos tributos do Simples Federal, pode ser visto no Acórdão nº 1401001.184, sessão de 06 de maio de 2014, relator o Conselheiro Antonio Bezerra Neto, o qual transcreveu parte do voto do Acórdão nº 1226.276 – 7ª Turma da DRJRJ, nos termos assim vazados: (...) 1) ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJ acolheu a decadência parcial do lançamento (janeiro/2003 a novembro de 2003), nos seguintes termos: No caso concreto do lançamento de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e das contribuições lançadas, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Por extensão do disposto no atual Código Civil, e pelo fato do lançamento estar jungido ao princípio da legalidade, quando constatada a decadência do direito de lançar o julgador administrativo deve declarála de ofício. No que tange às contribuições, deve ser destacado que o Supremo Tribunal Federal, em 12 de junho de 2008, editou enunciado de Súmula vinculante n° 8, publicada no D.O.U. em 20 de junho de 2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que previa que o direito de constituição do crédito tributário das contribuições para a seguridade social (CSLL, PIS, COFINS e INSS) extinguirseia somente após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 679 17 Segundo dispõe o art. 103A da Constituição Federal de 1988 e o art. 2º da Lei n° 11.417/2006, a súmula, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Portanto, diante do exposto, nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e contribuições lançados, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). No caso em exame, a empresa autuada é optante pelo SIMPLES, estando sujeita ao pagamento mensal unificado de tributos e contribuições, nos termos do caput do artigo 187 e do artigo 188 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1.999, a seguir: "Art. 187. As pessoas jurídicas de que trata este Capítulo poderão optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, sujeitandose ao pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições federais relacionados no § 1"do art. 3"da Lei n"'9.317, de 1996, entre os quais o imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas (Lei n"9.317, de 1996, art. 3", caput e § 1°, alínea "a"), "grifei Art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5", e seus parágrafos, da Lei n" 9.317, de 1996, observado, quando for o caso, o disposto nos arts. 204 e 205.grifei Do exposto, defluise que os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitamse ao regime do lançamento por homologação, e, aplicandose a regra contida no artigo 150, parágrafo 4o, o direito da Fazenda de constituir o credito tributário relativo aos meses de janeiro/2003 a novembro de 2003, decaiu em 30/11/2008. Conclusivamente, em 08/12/2008 (fl. 2.545), quando foi dada ciência ao contribuinte dos autos de infração de IRPJ/SIMPLES, PIS/SIMPLES, CSLL/SIMPLES, COFINS/SIMPLES e INSS/SIMPLES, já havia decaído o direito do Fisco de exigir tais tributos quanto ao período de janeiro a novembro de 2003. Nada a reparar na decisão de piso que acolheu parcialmente a decadência utilizandose, no caso da regra do art. art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que houve pagamentos e não foi o caso da ocorrência de dolo ou fraude, o que conduziria a regra do art. 173, I do CTN. (…) Com as considerações acima, devem ser declarados caducos os fatos geradores dos períodos de apuração de janeiro a maio de 2004, de todos os tributos lançados. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10325.000869/200991 Acórdão n.º 1402003.000 S1C4T2 Fl. 680 18 Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.731006/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 31/12/2012 a 04/01/2013
Ementa:
OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE ATIVOS. ANTECIPAÇÃO DE VALORES. IOF MÚTUO. NÃO INCIDÊNCIA
A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento para a aquisição de ativos a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-005.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/12/2012 a 04/01/2013 Ementa: OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE ATIVOS. ANTECIPAÇÃO DE VALORES. IOF MÚTUO. NÃO INCIDÊNCIA A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento para a aquisição de ativos a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 10 06 /2 01 5- 91 Fl. 1723DF CARF MF 2 Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 1057.792 (fls. 1.623/1.630), veiculado pela DRJ de Porto Alegre, o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, no valor total de R$ 18.028.974,40, à data da autuação, referente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, com fundamento nos arts. 5º, § 3º; 44, inciso I e §§ 1º e 2º; e 61 da Lei 9.430/1996; arts. 2º, inciso I, 3º ao 7º, 47, 49 e 50 do Decreto n 6.306/2007; art. 44. inciso I, da Lei n 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007; art. 61. § 3º, da Lei 9.430/1996. A infração apontada foi a falta de cobrança e recolhimento de imposto e adicional em razão de valor recebido em operação que foi considerada como mútuo de recursos financeiros. No Relatório da Ação Fiscal, que integra o auto de infração, consta em síntese: a empresa fiscalizada tem como objeto social o florestamento, o reflorestamento, a industrialização, a comercialização de produtos florestais, celulose, papel, seus subprodutos e artefatos, matériaprima e produtos químicos, bem como madeira sob qualquer forma; a análise de sementes; a exportação de fontes renováveis de energia e o exercício de atividades industriais, comerciais, agrícolas e pastoris, em geral. a ação fiscal decorre de questionamento da fiscalização quanto à assinatura de compromisso de compra e venda firmado entre a autuada e a empresa FIBRIA Celulose SA, CNPJ 60.643.228/000121, em 28/12/2012, operação que foi informada nas Demonstrações Financeiras Padronizadas de 31/12/2014 da vendedora, publicadas no site da BM&Fbovespa. A operação envolve a compra de todos os ativos do “Projeto Losango”, incluindo cerca de 100 mil hectares de áreas próprias e aproximadamente 39 mil hectares de eucaliptos plantados em áreas próprias e em áreas arrendadas de terceiros, localizados no Estado do Rio Grande do Sul, pelo valor total de R$ 615 milhões, com adiantamento, na data de assinatura do contrato, do valor de R$ 470 milhões e da parcela de R$ 140 milhões em conta caução (escrow account), a ser liberada posteriormente. Em novembro de 2014, CMPC fez novo adiantamento, no valor de R$ 7 milhões, ficando a parcela final de R$ 5 milhões a ser paga na efetiva transferência de contratos de arrendamento de terras relacionados ao ativo e após as aprovações governamentais aplicáveis. O prazo para as aprovações regulamentares adicionais necessárias, foi definido em 48 meses, com possibilidade de prorrogação adicional de acordo com a decisão da CMPC por mais 48 meses. No caso de não serem Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 11080.731006/201591 Acórdão n.º 3402005.259 S3C4T2 Fl. 1.724 3 obtidas as aprovações, o valor de R$ 477 milhões deverá ser reembolsado à CMPC com correção de juros e o depósito na conta caução será resgatado. FIBRIA registrou os adiantamentos no passivo na rubrica "Passivos relacionados aos ativos mantidos para venda". Conforme nota 36 das mesmas demonstrações financeiras padronizadas, os ativos do Projeto Losango foram classificados como "Ativo disponível para venda" desde junho/2011, denotando que o negócio não havia sido consumado e os bens continuavam no ativo da FIBRIA. A fiscalização concluiu que a entrega de recursos financeiros, antes da concretização da operação de venda, configuraria mútuo financeiro, estando, por isso, sujeita à incidência do IOF, nos termos da legislação de regência. Na sequência, foi lavrado auto de infração, tempestivamente contestado por procuradores habilitados. (...). 2. Devidamente processada, a DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgou totalmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme se observa do sobredito acórdão, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/12/2012 a 04/01/2013 INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, não incide o IOF nos adiantamentos de recursos financeiros nas operações de compra e venda de ativos. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. 3. Tendo em vista que o importe exonerado superava o valor de alçada, sobredita decisão foi objeto de recurso de ofício por parte do juízo a quo. 4. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou manifestação de fls 1.638/1.664, oportunidade em que repisou os fundamentos adotados pela decisão recorrida para fins da sua manutenção por parte deste Tribunal. Não obstante, nesta oportunidade a recorrida também informou que a autuação teria perdido objeto, uma vez que: (...). 4. Ocorre que, no último dia 3.3.2017, após o cumprimento de determinadas condições precedentes, a Fibria efetivamente transferiu parte das participações societárias para a Recorrida, em contrapartida ao adiantamento anteriormente efetuado. Ou seja, foi aperfeiçoada a operação de compra e venda de participações societárias, com: (a) o pagamento pela Recorrida Fl. 1725DF CARF MF 4 a título de adiantamento; e (b) a efetiva transferência da propriedade das participações societárias. (...). 5. Diante deste fato novo e em respeito aos princípios do contraditório e da cooperação, proferi despacho de fls. 1.716/1.717, oportunidade em que abri vista para que a Fazenda Nacional eventualmente pudesse apresentar suas considerações a respeito da citada petição e dos fatos ali noticiados. 6. Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional limitouse a realizar a seguinte manifestação (fl. 1.719): A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de seu Procurador que esta subscreve, vem dizer a V. Exa. que está ciente do Despacho nº 01 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (fl. 1716/1717). 7. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 8. O recurso de ofício aqui interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Dos fatos que gravitam em torno da presente exigência fiscal 9. A empresa recorrida tem por objeto social, dentre outras atividades, a industrialização de papel e celulose. Com a sua expansão no país1, a empresa passou a necessitar de novas fontes de insumos (e.g. eucaliptos) para abastecer suas plantas industriais. 10. Diante deste cenário, a recorrida deu início as tratativas para adquirir da empresa Fibria o chamado complexo Losango, o qual compreendia mais de 100 mil hectares, bem como 37 mil hectares de florestas de eucalipto (ativo biológico) e, ainda, a cessão de determinados contratos de arrendamento mercantil e parceria agrícola. 11. Para fins de materializar esta operação comercial, as empresas alhures mencionadas firmaram o Purchase and Sale Agreement ("PSA" fls. 1.458 e s.s.), contrato este devidamente traduzido por tradutor juramentado (fls. 1.495 e s.s.). O teor do negócio jurídico ali tratado é bem explicado pela recorrida em sua manifestação de fls. 1.638/1.664, in verbis: 1 Por intermédio do "Projeto Guaíba 2", que triplicou a sua capacidade de industrialziação de papel e celulose. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 11080.731006/201591 Acórdão n.º 3402005.259 S3C4T2 Fl. 1.725 5 Fl. 1727DF CARF MF 6 Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 11080.731006/201591 Acórdão n.º 3402005.259 S3C4T2 Fl. 1.726 7 Fl. 1729DF CARF MF 8 (...). 12. Ressaltese, inclusive, que tal operação foi objeto de análise e aprovação pelo CADE, conforme corrobora parecer técnico n. 228 acostado aos autos as fls. 1.548/1.555. Em suma, este é o cenário fático que gravita em torno da presente controvérsia. II. Da natureza jurídica das operações perpetradas pela recorrida e objeto de fiscalização 13. Conforme se observa da autuação fiscal, a fiscalização entendeu que a operação aqui tratada apresentaria a natureza jurídica de mútuo, o que implicaria a incidência do IOF então exigido. 14. O mútuo é contrato típico e está devidamente capitulado no art. 586 do Código Civil, in verbis: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 15. A natureza jurídica do mútuo e suas características já foram objeto de deliberação por essa turma julgadora, quando do debate do acórdão n. 3402003.018, da lavra da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Naquela oportunidade a então Relatora e o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto promoveram um riquíssimo embate a respeito do tema, o que, inclusive, suscitou a declaração de voto realizada pelo último citado. Em referida declaração de voto e com fundamento na doutrina de Waldirio Bulgarelli, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto bem precisou as características do contrato de mútuo, o que fez nos seguintes termos: Tratando sobre as características do mútuo, Waldirio Bulgarelli (Ob. Cit., p.562) aponta que se trata de um contrato: Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 11080.731006/201591 Acórdão n.º 3402005.259 S3C4T2 Fl. 1.727 9 I) Unilateral, pois uma vez aperfeiçoado, gera obrigações para apenas uma das partes, o mutuário, que deverá devolver a coisa, e se for o caso, acrescido de juros. II) Oneroso ou Gratuito, a depender da previsão de juros, os quais, quando o mútuo tenha fins econômicos, presumemse devidos, e também podem ser objeto de fixação contratual, desde que no limite legal (SELIC), além de ser permitida a capitalização anual (art. 406 e 591). III) Temporário, pela necessidade de previsão temporal para a restituição da coisa emprestada. IV) Real, pois implica a entrega da coisa para o uso do mutuário, transferindose a sua propriedade. Por meio do contrato de mútuo, a propriedade dos bens é transferida ao mutuário. Na verdade, o mútuo, embora contratado, somente se aperfeiçoa se houver a efetiva entrega dos bens mutuados, sendo por isso classificado como contrato real. Após a transferência dos bens, o mutuário pode utilizálos como quiser, eis que, sendo proprietário, pode deles dispor, usando e gozando deles como lhe aprouver (Código Civil, art. 1228). Todavia, ele passa a ser responsável pelos prejuízos que os bens possam sofrer, exatamente porque fica com a propriedade daqueles que recebeu, mas, em contrapartida, tem a obrigação de devolver outros do mesmo gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade. (grifos constantes no original). 16. Com base em tais premissas, resta claro que o contrato de mútuo pressupõe o empréstimo de um bem fungível que, depois de um determinado lapso temporal, implicará ao mutuário o dever de devolver ao mutuante a coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Nesse sentido, se o mutuante emprestou dinheiro ao mutuário, depois de um espaço de tempo este último deverá devolver dinheiro ao primeiro2. 17. Assim, quando o art. 3º, §3º, inciso III do Decreto n. 6.306/2007 estabelece que haverá incidência de IOF sobre o mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, o signo "mútuo" é ali empregado nos termos do que fora desenhado pelo direito civil, exatamente como estabelece o art. 110 do Código Tributário Nacional3 Aliás, é do referido dispositivo do CTN que se extrai a ideia do direito tributário ser um direito de sobreposição, na medida em que ele (direito tributário) se vale de conceitos e institutos já estabelecidos por outros ramos do direito para então atuar, atuação essa que, por conseguinte, fica limitada por tais conceitos e institutos do direito privado. 18. Nesta senda e de forma sintética é possível concluir que o art. 110 do CTN estabelece que as definições e limites dessa competência (tributária), quando estatuídos à luz do direito privado, serão os deste, nem mais, nem menos4, de modo a evitar, portanto, que a 2 Eventualmente acrescido de juros, na hipótese de se tratar de um mútuo oneroso. 3 "Art. 110 – A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pela Lei Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 4 BALEEIRO, Aliomar. Direito tributário brasileiro. 11ª. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. p. 688. Fl. 1731DF CARF MF 10 modificação de um conceito de direito privado provoque uma indevida ampliação da competência tributária5. 19. Fixadas tais premissas acerca do mútuo e, ainda, voltandose mais uma vez ao negócio jurídico aqui perpetrado, resta claro que tal negócio não apresenta status de mútuo. O que os documentos analisados claramente atestam é que o que houve aqui foi um contrato com o fim específico de aquisição, por parte darecorrida, do chamado "Projeto Losango", ou seja, um contrato de compre e venda, nos exatos termos dos artigos 481 e s.s. do Código Civil6. 20. Neste sentido, o adiantamento de recursos financeiros por parte da recorrida em favor da empresa Fibria constitui uma das suas obrigações em razão do que fora estipulado no PSA e não o negócio jurídico em si considerado (como seria no caso de um contrato de mútuo). Em verdade, o importe financeiro entregue pela recorrida em favor da empresa Fibria tinha por escopo garantir o direito de aquisição dos ativos que compõem o Projeto Losango. 21. Ademais, também não há obrigação da empresa Fibria em devolver recursos financeiros no mesmo valor do adiantamento efetuado pela recorrida. A obrigação da Fibria é a entrega de cotas de duas sociedades (Newcol e Newco2), proprietárias dos ativos que constituem o Projeto Losango. A Fibria também não possui a prerrogativa de devolver antecipadamente os recursos financeiros recebidos da Recorrida (prerrogativa que seria concedida a um mutuário). 22. Em caso análogo ao aqui tratado (antecipação de valores para aquisição de mercadorias), essa Turma julgadora, por unanimidade de votos, já resolveu pelo afastamento da incidência do IOF por inexistir o fato gerador do tributo. É o que se depreende do preciso acórdão n. 3402002.987, também da lavra da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz e que restou assim ementado: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2008 IOF. OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICA E PESSOAS FÍSICAS. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF. Recurso de ofício negado. (g.n.). 5 Nesse sentido: COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário – Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 162; CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 22ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 138. 6 "At. 486. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro." Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 11080.731006/201591 Acórdão n.º 3402005.259 S3C4T2 Fl. 1.728 11 23. Nesse mesmo sentido já decidiu Câmara Superior deste Tribunal Administrativo (acórdão n. 340200.472), conforme se observa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2000, 30/06/2000 a 30/06/2003 I0F. OPERAÇÃO DE CRÉDITO REALIZADA ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. REQUISITOS. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação configure mútuo de recursos financeiros. Não o é mero adiantamento de recursos a fornecedor de serviço regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução do serviço. Recurso Provido. 24. Em seu voto, assim se manifestou o Relator do caso, o Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos: Por isso, ainda que se possa entender que a operação consistente nos adiantamentos é diversa da contratação das obras, e assim também penso, o máximo que se pode considerá la é modalidade de financiamento pelo contratante. Como bem se sabe, distinguese tal modalidade daquela prevista na Lei n° 9.779 pelo fato de estar vinculada à elaboração de um bem ou realização de serviço, por meio da qual o adiantamento é pago. Já o mútuo, como citado no recurso, é modalidade diversa de crédito e tem expressa definição no Código Civil (art. 586). Nela a obrigação do mutuário é devolver, em quantidade determinada, coisa da mesma espécie e qualidade que lhe fora entregue pelo mutuante. A modalidade mais comum, por óbvio, é o mútuo de dinheiro, em que dinheiro, portanto, tem de ser devolvido. (g.n.). 25. Neste diapasão, bem andou a decisão recorrida quando assim prescreveu: (...). Conforme explicitado, no relatório fiscal o autuante aponta que o negócio praticado envolveu adiantamento significativo de valores em 2012, sendo que até o final do ano de 2014 o negócio não havia sido consumado e os bens continuavam no ativo da FIBRIA, consoante apontado nas demonstrações financeiras padronizadas desta. Assim, essa entrega de recursos financeiros (470 milhões) por parte da CMPC para a FIBRIA, antes da concretização da operação de venda, configuraria mútuo financeiro, estando, por isso, sujeito à incidência do IOF, o que seria coerente com a legislação antes citada, haja vista que o Fl. 1733DF CARF MF 12 imposto efetivamente incide nas operações de mútuo, ainda que praticadas por empresas não financeiras. Dessa forma, o deslinde do litígio consiste em distinguir se o referido adiantamento caracteriza mútuo de recursos financeiros ou compra de ativo. À vista da documentação existente no processo e da argumentação discorrida, antes sintetizada, entendo que há verossimilhança nas alegações do contribuinte, expostas no relatório que precede este voto, e devidamente respaldadas por farta documentação, como a autorização da operação pelo Conselho Consultivo da CMPC (fl. 1572), contrato (PSA) e tradução juramentada e seus aditivos, notícias veiculadas na imprensa e demais documentação acostada aos autos, ratificando a sequência de ações para efetivação do negócio, bem como o seu eventual desfazimento. Apontase, ainda, como indicativo da relevância e complexidade da operação, as conclusões do Parecer Técnico n.° 228 da SuperintendênciaGeral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE (fl. 1.548 e seguintes), que aprovou sem restrições o ato de concentração econômica, ressaltando a vinculação existente entre a efetivação das etapas do negócio e a observância dos prazos de aprovação pelo CDN e INCRA. A par disso, não se vislumbra no processo elementos suficientes para descaracterizar as operações questionadas, desvinculando o adiantamento questionado das demais etapas que compõem o negócio praticado pelas empresas, de acordo com a documentação acostada aos autos. Por essas razões, entendo que não pode persistir a exigência formalizada, ficando prejudicado o exame das alegações relativas à multa de ofício e juros de mora. (...) (grifos nosso). 26. Por fim, chancelando tudo o que fora aqui desenvolvido, mister se faz destacar a informação trazidas aos autos pela recorrente (petição de fls. 1.638 e s.s.) e não refutada pela Fazenda Nacional (petição de fl. 1.719), de que o negócio jurídico aqui perpetrado foi por finalizado, com a definitiva transferência em favor da recorrida da participação societária que a empresa Fibria possuía sobre as pessoas jurídicas de Newcol e Newco2. Assim esclareceu o contribuinte a respeito: Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 11080.731006/201591 Acórdão n.º 3402005.259 S3C4T2 Fl. 1.729 13 27. Assim, resta claro que a operação aqui tratada não configura operação de mútuo, mas sim de compra e venda, o que, por conseguinte, afasta a incidência do IOF indevidamente exigido pela fiscalização e acertadamente exonerado pela DRJ. Dispositivo 28. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto. 29. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1735DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.906108/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/1999
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1999 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 61 08 /2 01 1- 11 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.463. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.368, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10850.906108/201111 Acórdão n.º 3301004.596 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.900993/2008-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE DR. CHISTOVÃO DA GAMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 09 93 /2 00 8- 75 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 144 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 05500.78936.040504.1.3.044981 (fl. 02/06), transmitido em 04/05/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 09), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 27/05/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 26/06/2008 (fl. 13/19), na qual informou que cometeu alguns erros no momento da apuração da base de cálculo e recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS. Informa, também, que deixou de efetuar as deduções permitidas pelo inciso II do artigo 3° da Lei 10.637/02, por mera inobservância da regra a que estava submetida na época, o que gerou um recolhimento a maior do PIS e, conseqüentemente, a apuração de um saldo credor do tributo. A recorrente segue relatando que, ao verificar a falta de dedução de tais créditos, promoveu a devida correção monetária do crédito detido, o que deu origem ao saldo credor no valor de R$ 15.695,29 (quinze mil, seiscentos e noventa e cinco reais e vinte e nove centavos). Aduz, ainda, que a compensação não foi homologado por ela ter cometido erro no preenchimento do DARF e da DIPJ 2004. Ademais, enumera os seguintes fatos: "(i) diante das alterações promovidas na sistemática de apuração do PIS, somado ao fato de que a imediata aplicação do regime nãocumulativo não propiciou tempo suficiente para que a Manifestante se adaptasse aos novos procedimentos do sistema de créditos e débitos, esta acabou por cometer alguns equívocos na apuração da base de cálculo da contribuição ao Pis, nos descontos de créditos permitidos pela lei e, também, no recolhimento do imposto; (ii) o primeiro equivoco foi com relação ao código de receita adotado para o recolhimento do PIS nãocumulativo que constou 8109 (Pis Faturamento), conforme se observa no comprovante de arrecadação ora juntado, quando o correto seria ter procedido ao recolhimento da exação no código de receita 6192 (Pis nãocumulativo Lei 10.637/02); Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 145 3 (iii) o segundo equivoco se deve ao fato de que a Manifestante, quando da apuração da contribuição ao Pis, deixou de deduzir os valores relativos aos insumos utilizados na prestação dos seus serviços, permitido nos termos do art.3°, inciso II da Lei 10.637/02; (iv) em tempo, observou a possibilidade da dedução de tais créditos e promoveu as devidas correções, o que deu origem a apuração de um saldo credor no valor de R$ 15.695,29; (v) ato continuo e, no intuito de aproveitar os créditos devidamente apurados, apresentou a PER/DCOMP para saldar débitos de PIS e IRPJ; (vi) por fim, é possível observar a existência do crédito mencionado na linha 23 da Ficha 20 da DIPJ/2004, equivocandose apenas no momento de transportar tais valores para a linha 27 da Ficha 21 da mesma declaração e não ter procedido a devida retificação da declaração." Por fim, invoca o Princípio da Verdade Material e pede a reforma do Acórdão recorrido, a fim de ver homologada a compensação pleiteada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou as fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e Relatório de Saldo de Contas à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 146 4 por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 99/107), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que a DIPJ e o Relatório de Saldo de Contas, ao contrário do asseverado pela Turma Julgadora da DRJ/CPS, são documento hábeis para comprovar o crédito da contribuinte, segundo os Acórdãos nº 110100.517 e 372.371 proferidos, respectivamente, pela 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pelo TRF da 2ª Região. Da mesma forma, a recorrente assevera que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo reconhece que, se comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ, deve se reconhecer o direito creditório do contribuinte, segundo Acórdão nº 130100.504 proferido pela 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Além disso, a recorrente alega que as provas apresentadas na Manifestação de Inconformidade são suficientes para a comprovação do crédito e não apresenta novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 147 5 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 148 6 Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia das fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e de um Relatório de Saldo de Contas. Se, por um lado, é certo que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, por outro, também é certo que isso não afasta seu valor probatório. Assim, considerandose que essa declaração foi transmitida no momento devido, creio que faz prova em favor do contribuinte, porém, tênue e, desse modo, não afastou a necessidade de Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 149 7 apresentação de outros documentos, que também comprovassem o suposto crédito de forma mais robusta. De maneira diversa, deve ser apreciada a cópia de um Relatório de Saldo de Contas, visto que não se pode confirmar que ele espelhe um Livro Razão revestido das formalidade legais. Por isso, a meu ver, não tem nenhum valor probatório. Dessa forma, entendo que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Quanto à jurisprudência trazida pela recorrente, importa salientar que, em primeiro lugar, as decisões de Turmas Julgadoras do CARF não implicam em vinculação de outras Turmas sobre a mesma matéria, além do mais, devese levar em conta que o Acórdão 110100.517 referese a julgamento realizado há cerca de sete anos e que o entendimento majoritário desta Corte foi alterado. Em segundo lugar, ressaltese que a decisão judicial, também colacionada pela recorrente, deixa claro que as declarações devem espelhar a escrita fiscal do contribuinte e somente isso daria suporte às compensações pleiteadas. Logo, ao invés de corroborar a alegação da recorrente, o Acórdão demonstra a necessidade de apresentação dos livros fiscais obrigatórios para a comprovação do direito creditório. Melhor sorte não assiste a recorrente, quando da menção ao Acórdão 130100.504, pois ele deixa consignado a necessidade da comprovação do erro de fato no preenchimento DIPJ para reconhecimento do crédito. Fato que, no presente caso, não ocorreu. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 150 8 Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Para corroborar seus argumentos a manifestante juntou ainda parte do "Relatório do Saldo de Contas" extraído de sua contabilidade. Entretanto, também esse documento sem os elementos (notas fiscais) que deram sustentação para os respectivos lançamentos contábeis não pode ser sobreposto à declaração efetuada na DCTF originalmente, pois não tem o condão de comprovar efetivamente que os valores ali descritos correspondem de fato à autorização legal de dedução para a apuração da base de calculo da contribuição. Destaquese que nos termos do art. 226, caput, do Código Civil, abaixo transcrito, os livros e fichas da sociedade provam a seu favor quando escriturados sem vícios e forem confirmados por documentos hábeis e idôneos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10805.900993/200875 Acórdão n.º 3002000.120 S3C0T2 Fl. 151 9 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002135/2007-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Multa Isolada. LANÇAMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. Possibilidade.
Nos casos de falta de recolhimento de diferenças de estimativas mensais de IRPJ e CSLL anteriores à Lei nº 11.488/2007, é cabível a cobrança da multa isolada após o término do ano-calendário, desde que tais diferenças não decorram de infração que tenha dado causa à redução do IRPJ ou da CSSL apurados no balanço de encerramento do mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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LANÇAMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Possibilidade. Nos casos de falta de recolhimento de diferenças de estimativas mensais de IRPJ e CSLL anteriores à Lei nº 11.488/2007, é cabível a cobrança da multa isolada após o término do anocalendário, desde que tais diferenças não decorram de infração que tenha dado causa à redução do IRPJ ou da CSSL apurados no balanço de encerramento do mesmo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 21 35 /2 00 7- 59 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 9101003.518 CSRFT1 Fl. 301 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência em face do acórdão nº 1202001.127, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 CAPITULAÇÃO LEGAL — NULIDADE INEXISTENTE O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputados, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. MULTA ISOLADA — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas." De acordo com o voto condutor do aresto recorrido, o descumprimento à obrigação de efetuar os recolhimentos por estimativa só é suscetível à aplicação de sanção se a punição for aplicada antes do encerramento do período de apuração. Isso porque, findo o períodobase de incidência, a conduta exigível é a de pagar o tributo devido apurado no ajuste anual. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 15/08/2014, à efl. 246. Ciência da PGFN em 13/09/2014. Recurso Especial da PGFN interposto no dia 23/09/2014, à efl. 261. Nessa oportunidade, suscitouse divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e o paradigma nº 1401000.107, aduzindose, ainda: a) conforme artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, na redação anterior à Lei nº 11.488/2007, cabia a aplicação da multa isolada em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte apurasse, ao final do períodobase de incidência, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL; b) após o encerramento do anocalendário, caso se verifique falta de pagamento do saldo a pagar de IRPJ ou CSLL, surge uma nova infração, que atrai a incidência de multa diversa da aplicada em razão da falta de recolhimento das estimativas devidas; c) essa sistemática de recolhimento se justifica diante da necessidade receitas para a União satisfazer as despesas em que incorre durante o anocalendário. Sem as antecipações mensais, a União apenas somente teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do ajuste anual; Alfim, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, com o consequente restabelecimento da multa isolada. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 9101003.518 CSRFT1 Fl. 302 3 Contribuinte intimado no dia 19/09/2016, à efl. 282. Contrarrazões apresentadas no dia 03/11/2016, à efl. 299. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Adotando as razões do Despacho de Admissibilidade, conheço do apelo a esta instância. Esclareçase que as contrarrazões foram apresentadas após o prazo de 15 dias da intimação para ciência do Recurso Especial fazendário, em desatendimento ao disposto no artigo 69 do RICARF Anexo II. Por tal razão, não devem ser conhecidas. Tal é o relato do acórdão recorrido: “Trata o presente processo de lançamento fiscal efetuado em face da pessoa jurídica acima qualificada, decorrente de procedimento de revisão de Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. No período analisado, a autuada encontravase sujeita ao regime de tributação pelo Lucro Real anual. Do procedimento de revisão resultou formalizada a exigência de R$ 176.819,24, relativa ao período compreendido entre janeiro e abril de 2003, a título de multa de ofício isolada de 50%, em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. Também no presente processo é exigida a importância de R$ 65.094,93, a título de multa de ofício isolada de 50%, em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao mesmo período. Segundo relato da autoridade autuante, o lançamento decorreu de divergências entre valores informados na DIPJ/2004 (anocalendário 2003) e os montantes recolhidos e/ou declarados em DCTF, a título de estimativas mensais do IRPJ é da CSLL do período compreendido entre janeiro e abril de 2003. Os valores declarados em DIPJ são maiores que os montantes recolhidos e/ou declarados em DCTF. Para sanar tais pendências a contribuinte está providenciando as entregas das DCTF's retificadoras para, deste modo, regularizar os valores declarados em DCTF com os valores declarados em DIPJ. Nesta mesma resposta, a contribuinte junta cópias de Darf relativos a recolhimentos da COFINS e salienta que "parte dos valores devidos não foram recolhidos em virtude da falta de caixa por parte da empresa". Diante da resposta da contribuinte, a fiscalização concluiu que não houve qualquer pagamento e/ou declaração em DCTF dos valores devidos a título de estimativa do IRPJ e da CSLL dos meses de janeiro a abril de 2003, valores esses apurados pela própria contribuinte e informados na DIPJ/2004. Em vista desses Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 9101003.518 CSRFT1 Fl. 303 4 fatos, foi imposta a multa isolada de que trata a alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.” O Recurso Especial fazendário se contrapôs à decisão de segunda instância, que considerou indevida a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003, aplicada após o encerramento do anocalendário. De início, é preciso assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. Por isso, o contribuinte pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso não observe o dever de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995, a teor do disposto na redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; " Ressaltese, de plano, que não é o caso de aplicação do entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 82, já que o Recurso Especial da PGFN não trata da exigência de estimativa após o fim do encerramento do anocalendário, mas da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa. Também não é o caso de aplicação do entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105, pois os autos não versam sobre a incidência concomitante da multa de ofício. Percebase que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, vigente à época, estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em lume poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. A opção pela apuração anual já implicava submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa. Assim, o contribuinte não pode alegar que, sem Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 9101003.518 CSRFT1 Fl. 304 5 o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estava sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Todavia, é preciso considerar o advento da Lei nº 11.488/2007, que reduziu a multa em questão ao percentual de 50%, verbis: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Localizando a infração no tempo e não se verificando, nos autos, justificativa fundada em balanços/balancetes de suspensão ou redução, revelase procedente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, consoante o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, já com a redução para 50% prevista na Lei nº 11.488/2007, observada pelo agente fiscal autuante. Conclusão: em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 9101003.518 CSRFT1 Fl. 305 6 Fl. 305DF CARF MF
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