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Numero do processo: 10467.900100/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/10/2006 a 10/10/2006
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 01 00 /2 01 0- 94 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, fls. 08/17, protocolizada aos30/03/2010 e assinada por representante legal habilitado As fls. 18/44, em face do Despacho Decisório com rastreamento n° 858236673, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB (fl. 06), mediante o qual foi não homologada a Declaração de Compensação (DCOmP) de n°05285.92734.270207.1.3.040191 (fls. 01/05). Consoante se verifica As fls. 01/05, a contribuinte, por meio de DCOMP, declarou a compensação dos débitos descritos em sua pagina 4 (fl. 04), com derivado de alegado pagamento a maior que o devido a titulo do IOF (código de receita: 1150), período de apuração:10/10/2006, vencimento: 16/10/2006, realizado aos 16/10/2008 no valor total de R$ 95.250,81. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n°5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e no art. 74, da Lei n°9.430, de 27/12/1996, foi nãohomologada a compensação do débito declarada com o pretendido crédito pois o pagamento acima discriminado havia sido integralmente utilizado para a extinção do débito de I0F, código de receita: 1150, concernente ao período de apuração de 10/10/2006. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade não homologando as compensações declaradas, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Acórdão 1134.099 2 Turma da DRJ/REC Sessão de 16 de junho de 2011 Processo 10467.900100/201094 Interessado ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A CNPJ/CPF 09.095.183/000140 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CREDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TITULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/10/2006 a 10/10/2006 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. 0 reconhecimento do Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10467.900100/201094 Acórdão n.º 3301001.931 S3C3T1 Fl. 225 3 direito á restituição requisita a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. RESTITUIÇÃO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO.Ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" a "c", do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, as provas comprobatórias da restituição devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referenciado Despacho Decisório se insurge a contribuinte, sob o argumento de que por meio de DCTF retificadora enviada aos 03/11/2009, o debito de IOF aqui tratado foi reduzido para R$ 54.928,39; no entanto, aos 30/11/2009, a contribuinte retificou,novamente, a DCTF, fazendo constar, por equivoco, da segunda retificadora o valor de débito como sendo R$ 95.250,81, quando o correto seria R$ 54.928,39. Alegou o sujeito passivo, ainda, que não poderia ser apenado com cobrança dos supostos valores,acrescidos de multa e juros, pois "... o equivoco cometido na informação de um campo na Declaração de Compensação não acarretou prejuízo à Fazenda Pública, uma vez que o montante do crédito existente era suficiente para quitação do débito tributário." Em seguida, discursa acerca do direito à compensação tributária amparado pelos arts. 73 e 74, da Lei n° 9.430/96, e pelo art. 156, do CTN, após o que conclui não ter a manifestante incidindo em quaisquer das limitações à compensação que estão elencadas no art.74, §3°, do primeiro diploma legal aludido. Pelos fundamentos acima, a manifestante requereu: (i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até "... o trânsito em julgado do presente processo Administrativo"; (ii) o acolhimento da manifestação de inconformidade, "...diante da impossibilidade de efetuar declaração (DCTF) retificadora, em razão da mesma não fazer parte do Despacho Decisório em referência, requer que seja acolhida a presente manifestação.....; e (ii) a reforma da decisão proferida nos autos deste processo administrativo e a homologação total da compensação objeto da Declaração de Compensação aqui analisada. Cientificada em 23/08/2011 (AR – fls. 358), foi interposto o recurso voluntário em 22/09/2011 (fls. de fls. 359 e seguintes), onde reitera os argumentos da manifestação exordial e sustenta que agiu em conformidade com o art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, vez que o mero preenchimento incorreto da DCTF, com sua posterior retificação, não pode impedir a homologação das compensações pleiteadas, tratandose de descumprimento de mera obrigação acessória, apresentando o seguinte quadro demonstrativo das operações que Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 ensejaram o presente processo, o debito de IOF aqui tratado foi reduzido para R$ 54.928,39; no entanto, aos 30/11/2009, a contribuinte retificou, novamente, a DCTF, fazendo constar, por equivoco, da segunda retificadora o valor do referido débito como sendo R$ 95.250,81, quando o correto seria R$ 54.928,39, resultando em pagamento a maior, indevido, no montante de R$40.322,42. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso foi interposto tempestivamente e revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. A decisão recorrida encontrase fundamentada, resumidamente da seguinte forma: 12. Segundo relatado, por meio do Despacho Decisório de fl. 06 foi não homologada a compensação objeto da Declaração de Compensação de n° 05285.92734.270207.1.3.040191 porque o pagamento nela discriminado foi totalmente utilizado para a extinção do débito de IOF (código de receita: 1150) vencido aos 16/10/2006. 13. A contribuinte manifesta inconformidade em face de supradito Despacho Decisório, sob o argumento de que o valor devido a titulo de IOF no período de apuração de10/10/2006, para o qual realizou o pagamento da importância de R$ 95.250,81, seria de apenas R$ 54.928,39, consoante constou da DCTF retificadora do mês de outubro/2006 enviada aos06/11/2009, a qual, todavia, foi posteriormente retificada, de modo equivocado pelo que argumenta a recorrente, aos 30/11/2009 para o valor de R$ 95.250,81. [...] 15. Nos termos do art. 113, § 1º, do CTN, a obrigação tributária principal, que tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária, surge com a ocorrência do fato gerador e se extingue com o crédito tributário dela decorrente. 16. Relativamente aos tributos subordinados ao lançamento por homologação, como é o caso do IOF — que se caracterizam pelo dever legal atribuído ao sujeito passivo de antecipar o pagamento do tributo devido sem prévio exame da Administração Tributária — o crédito tributário (débito da contribuinte) se extingue pela realização (e nos seus correspondentes limites) do pagamento efetuado, subordinada a definitividade desta extinção à condição de ulterior homologação pela autoridade fiscal, que, dentro do prazo decadencial de cinco anos,poderá exigir diferenças não recolhidas que acaso apurar. E o que deflui da disposição encartada no art. 150, caput e §§1° e §4°, do CTN. 17. É desimportante, nos termos dos comentados dispositivos de lei complementar,que o tributo devido tenha sido informado em DCTF ou em qualquer Declaração ou Demonstrativo a cuja apresentação eventualmente a contribuinte esteja normativamente obrigada: independentemente disto, ocorrido o fato gerador, o pagamento antecipado a ele relacionado extingue, nos moldes expostos, o crédito Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10467.900100/201094 Acórdão n.º 3301001.931 S3C3T1 Fl. 226 5 tributário. Não fosse assim, a simples inobservância de obrigação acessória de informar ao Fisco o valor do tributo devido ensejaria indiscutível prejuízo ao adimplemento da obrigação tributária. 18. Logo, concluise que, de modo indiferente à circunstância de o tributo devido ter sido, ou não, informado em DCTF ou em qualquer outra Declaração ou Demonstrativo, uma vez acontecido o fato gerador da obrigação tributária, o pagamento do tributo nos limites materiais do fato gerador é totalmente utilizado para a extinção do crédito tributário ao qual ele se relaciona, não sendo, portanto, restituível. 19. Ademais disto, na hipótese de o valor recolhido ser inferior ao montante devido na forma explicada, pode Fazenda Nacional exigir diferenças dentro do prazo decadencial de que dispõe para tanto. Noutro revés, na situação contraria, pode o sujeito passivo requerer a restituição do indébito. 20. A conclusão da parte final do parágrafo acima se ajusta ao abaixo transcrito art.165, I, do CTN, que, de modo irrebatível, dispõe que o direito à restituição de pagamento espontâneo de tributo somente é viável quando o pagamento realizado for indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido: [...] 27. No caso vertente, a contribuinte, com vistas a comprovar o valor do IOF devido no período de apuração de 10/10/2006 (e o suposto direito à restituição) juntou, apenas e tão somente,Termo de Abertura, Folha 618 e Termo de Encerramento do Livro Diário do mês de setembro/2006 (fls. 95/97). 28. Ocorre que os documentos de fls. 95/97 não comprovam o valor do indébito ora debatido, pois sequer dizem respeito ao pagamento cuja restituição é pleiteada, já que tais documentos se reportam ao mês de setembro de 2006, enquanto o pagamento objeto do pedido de restituição diz respeito a débito de IOF cujo vencimento ocorreu aos 16/10/2006 vinculado,portanto, a fatos geradores ocorridos no período de 01 a 10/10/2006 (vide Anexo único, do Ato Declaratório Executivo CORAT n° 74, de 22/09/2002, fl. 112). 29. Logo, a conclusão a que se atinge é que a contribuinte não comprovou o valor do IOF vencido aos 16/10/2006 — e, por decorrência, não comprovou que o pagamento por ela realizado fosse superior ao efetivamente devido em face do fato gerador concretamente ocorrido. E diante desta conclusão, perde sentido o exame da alegação da contribuinte em relação à inexistência de prejuízo ao Erário, pautada justamente na suposta exatidão do valor da IOF indicado como devido na manifestação de inconformidade. A retificação de declaração, após a constituição do crédito tributário, autoriza a revisão do lançamento pela autoridade administrativa (desde que não extinto o direito potestativo da Fazenda Pública pelo decurso do prazo decadencial), quando decorrer da apreciação de fato não conhecido por ocasião do lançamento anterior, ex vi do disposto no artigo 149, inciso VIII, do CTN. O ato administrativo do lançamento tributário, devidamente notificado ao contribuinte, ainda que na modalidade de autolançamento, somente pode ser revisto nas hipóteses enumeradas no artigo 145, do CTN, verbis: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 "Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." O artigo 149, do Codex Tributário, elenca os casos em que se revela possível arevisão de ofício do lançamento tributário, quais sejam: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse se a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poder dever de auto tutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10467.900100/201094 Acórdão n.º 3301001.931 S3C3T1 Fl. 227 7 Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina como sendo um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito de determinado tributo não corresponde à realidade (erro de fato verificado no elemento quantitativo). Portanto, considerando que no presente caso consiste na revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) o que pressupõe desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário, para sua modificação é necessária a devida comprovação pelo interessado. Ademais disto, o art. 170, do CTN estipula que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, que o sujeito passivo possuir contra a Fazenda Nacional. Da mesma forma, a Lei nº 9.430/96, permite ao contribuinte que apurar indébito contra a Fazenda Nacional compensálos com débitos próprios, mas em momento algum afasta a obrigatoriedade da comprovação da liquidez e certeza do crédito tributário, ainda mais no caso em apreço, em que a DCTF foi retificada após o despacho decisório. Desta forma a DRJ negou o pleito da Recorrente por ausência da liquidez e certeza dos créditos, visto que a mesma não logrou comprovar através de sua escrita contábil e demais documentos que justificariam a retificação da DCTF, conforme exige a reiterada jurisprudência deste colendo CARF, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/01/2004 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). (Ac. Nº 1802001.720 , Rel. Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, julgado na sessão de 13/06/2013). Conforme bem frisou a i. Relatora, no mencionado v. Acórdão, a “busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente.” Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000692/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
ABONO VARIÁVEL - MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO - RESTITUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas pelos membros do Ministério Público do Rio de Janeiro, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 15/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 06 92 /2 00 5- 17 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 15/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de pedido de restituição da diferença entre o Imposto de Renda Pessoa Física a pagar apurado na Declaração de Ajuste Anual original do exercício de 2001 e o valor a pagar apurado na declaração retificadora, fundamentado no caráter indenizatório de verba denominada Abono Variável. Em sessão plenária de 30/06/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 156.904, exarandose o Acórdão 380500.128 (fls. 114 a 117), assim ementado: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A natureza jurídica do abono variável percebido por Membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro é de verba indenizatória, assim como aquela recebida pelos membros do Ministério Público Federal. Logo, deve ser extendida a não incidência tributária sobre as verbas recebidas pelos membros do parque estadual a título de abono variável. Recurso provido” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso, nos termas do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho e Núbia: Matos Moura (Suplente convocada).”' Cientificada do acórdão em 23/11/2009 (fls. 118), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 120 a 130, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.000692/200517 Acórdão n.º 9202002.802 CSRFT2 Fl. 172 3 a decisão recorrida contrariou os artigos 150, § 6º, e 153, inciso III, da Constituição Federal, artigos 97, inciso VI, e 111, do Código Tributário Nacional, e artigo 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988; a não incidência tributária abrange apenas os membros da Magistratura e Ministério Público Federal, conforme Resolução STF nº 245, de 2002, parecer do Ministério Público Federal e Pareceres PGFN nºs 529 e 923, ambos de 2003; o Contribuinte não integra nenhuma destas duas carreiras, eis que é membro do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro; conforme art. 150, § 6º, da Constituição Federal, e art. 97, inciso VI, do CTN, qualquer exoneração tributária depende de lei, que deve ser interpretada restritivamente, de acordo com o art. 111 do mesmo Código; a Lei nº 4.433, de 2004, apenas instituiu o Abono Variável no âmbito do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, mencionando a Lei nº 2.477, de 2002, que por sua vez apenas instituiu a verba, sem especificar sua natureza tributária; se a Lei nº 4.455, de 2004, dispusesse sobre matéria tributária, estaria invadindo a competência federal, o que viola o art. 153, inciso III, da Constituição Federal; conforme o art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, a tributação independe da denominação dos rendimento, sendo que a verba ora tratada não figura dentre as exceções listadas no citado dispositivo legal; quanto à afirmação contida no acórdão recorrido, no sentido de que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido a não incidência de tributo sobre a verba ora tratada, por meio do Parecer 2.160, de 2005 (fls. 69 a 81), certamente houve equívoco, já que dito parecer em momento algum faz tal afirmação, limitandose a asseverar que a lei estadual pode se remeter a lei federal, sem que isso implique em ofensa ao art. 37, inciso XIII, da Constituição Federal. Por fim, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, nos moldes da decisão de Primeira Instância. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho 2101 0469/2010, de 07/12/2010 (fls. 138). Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 04/04/2011 (fls. 142), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 12/04/2011 (fls. 169), as ContraRazões de fls. 143 a 168, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o recurso não deve ser conhecido, já que, à exceção do artigo 6º, da Lei n° 9.655, de 1998, os dispositivos legais tidos como contrariados pela Fazenda Nacional não foram objeto de manifestação expressa no acórdão recorrido, tampouco a questão jurídica debatida poderia ser apreciada à luz desses dispositivo, portanto não houve prequestionamento; e quanto ao artigo 6º, da Lei n° 9.655, de 1998, este foi trazido à discussão justamente para comprovar a origem do abono variável recebido; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 a controvérsia não é sobre isenção tributária, mas sim sobre a qualificação jurídica do abono variável da Lei nº 4.433, de 2004, que, sendo idêntica aos dos abonos instituídos pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, ambas de 2002, possuiria, como estes reconhecidamente o possuem, a natureza indenizatória, daí determinar sua sujeição ou não ao Imposto de Renda; o reconhecimento da não incidência do imposto decorre do reconhecimento da identidade dos abonos em questão; existem precedentes administrativos favoráveis (cita jurisprudência); a Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro vem acolhendo o pleito (cita jurisprudência). Ao final, a Contribuinte pede seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de pedido de restituição da diferença entre o Imposto de Renda Pessoa Física a pagar apurado na Declaração de Ajuste Anual original do exercício de 2001 e o valor a pagar apurado na declaração retificadora, fundamentado no caráter indenizatório de verba denominada Abono Variável. O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional por contrariedade à lei, é tempestivo, e relativamente aos demais pressupostos de admissibilidade, verificase que: a decisão recorrida foi prolatada em 30/06/2009, portanto atende aos artigos 4º e 7º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que garantiu a modalidade do recurso por contrariedade à lei às decisões proferidas até aquela data; a decisão foi acolhida pelo voto de qualidade. Quanto ao fundamento da contrariedade à lei, em sede de ContraRazões a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, argumentando que, à exceção do artigo 6º, da Lei n° 9.655, de 1998, os dispositivos legais tidos como contrariados pela Fazenda Nacional não foram objeto de manifestação expressa no acórdão recorrido, tampouco a questão jurídica debatida poderia ser apreciada à luz desses dispositivos, portanto não teria havido prequestionamento. Relativamente ao artigo 6º, da Lei n° 9.655, de 1998, alega que este teria sido trazido à discussão justamente para comprovar a origem do abono variável recebido. De plano, verificase que a alegação de contrariedade à lei, por parte da Fazenda Nacional, relaciona os artigos 150, § 6º, e 153, inciso III, da Constituição Federal, artigos 97, inciso VI, e 111, do Código Tributário Nacional, e artigo 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988; sem qualquer menção ao artigo 6º da Lei nº 9.655, de 1998. Ademais, o recurso por contrariedade à lei não requer vinculação da argumentação da Recorrente com dispositivos legais eventualmente citados na decisão recorrida, eis que uma das facetas do desrespeito a um diploma legal é exatamente a sua não aplicação ao caso concreto. Nesse passo, a Fazenda Nacional pode argüir contrariedade a qualquer dispositivo de norma, cabendo única e exclusivamente à Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.000692/200517 Acórdão n.º 9202002.802 CSRFT2 Fl. 173 5 adentrar ao mérito se houve ou não o alegado desrespeito, razão pela qual conheço do Recurso Especial e passo a examinálo. O presente litígio gira em torno da natureza da verba recebida pela Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a título de Abono Variável. O Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros do Poder Judiciário da União pela Lei nº 10.474, de 2002, e como tal, não sujeitas à tributação pelo Imposto de Renda. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. Primeiramente, o parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, o mesmo tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Nessas condições, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por oportuno, esclareçase que, para a questão ora tratada, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União ou dos membros do Ministério Público da União, pois se trata simplesmente da opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios. Resta analisar a natureza da verba recebida pela Contribuinte, a ver se estaria ou não no campo de incidência do Imposto de Renda. Nesse passo, verificase que a Lei do nº 4.433, de 2004, apenas estendeu para os membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2º, caput e § 1º, da Lei Federal nº 10.477, de 2002. Confirase: Art. 1º Aplicase aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2º, caput e § 1º da Lei Federal nº 10.474, de 27 de junho de 2002. De plano , verificase que a lei estadual é de 2004, enquanto que o imposto em questão se refere ao anocalendário de 2000, de sorte que a primeira questão que se coloca é se esta lei estadual teria o condão de transformar em indenizatória uma verba que a Contribuinte recebera quatro anos antes. Assim, ainda que a lei estadual pudesse transformar a posteriori subsídios em abono, não haveria como atribuirse a tal verba o caráter indenizatório, como reparação pela suposta perda de um direito. Destarte, resta patente que a lei estadual apenas fez referência à lei federal que concedeu o Abono Variável aos Magistrados e Procuradores da União, portanto não há como entenderse que dita lei poderia ter estendido aos Magistrados e aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a natureza indenizatória reconhecida para os rendimentos dos primeiros. Ademais, ainda que isso fosse possível – o que se admite apenas por amor ao debate – haveria uma diferença fundamental entre as duas situações: o primeiro abono foi pago como uma recomposição de diferenças de vencimentos de período anterior, enquanto que o segundo, quando da edição da lei estadual, os rendimentos já haviam sido recebidos e, portanto, não reparou nenhuma perda, pelo menos no que se refere aos rendimentos recebidos em 2000. Não há, portanto, como estenderse aos membros do Ministério Público do Rio de Janeiro os efeitos dos atos do STF e da PGFN tratados no presente voto, já que estes se reportam especificamente ao abono recebido pelos Magistrados da União e, examinandose o caso dos presentes autos, resta claro que os valores recebidos pela Contribuinte tinham natureza nitidamente remuneratória, portanto estavam sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Diante do exposto, concluise que assiste razão à Fazenda Nacional, pois entenderse que os rendimentos em tela estariam fora da incidência do Imposto de Renda constituiria efetivamente afronta à Constituição Federal, ao Código Tributário Nacional e, mais especificamente, ao artigo 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, razão pela qual dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.000692/200517 Acórdão n.º 9202002.802 CSRFT2 Fl. 174 7 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 12898.000094/2008-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO.
A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DIVERSA.
Impõe-se o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%.
Recursos de Ofício Não Conhecido e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Em preliminar: Por maioria de votos, em reconhecer a decadência no período de 01/2003 a 11/2003, nos termos do Art.150, parágrafo 4º do CTN., vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO. A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DIVERSA. Impõese o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%. Recursos de Ofício Não Conhecido e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 00 94 /2 00 8- 12 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Em preliminar: Por maioria de votos, em reconhecer a decadência no período de 01/2003 a 11/2003, nos termos do Art.150, parágrafo 4º do CTN., vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 2403002.192 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face do Acórdão nº. 1248.920 fls. 79/87, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para exonerar parte do crédito tributário exigido no AI DEBCAD 37.199.9138, remanescendo o valor (principal) de R$ 587.622,57 (Quinhentos e oitenta e sete mil seiscentos e vinte e dois reais e cinqüenta e sete centavos), em razão do reconhecimento da decadência, nos termos do parágrafo 4º do Art. 150 do CTN, para a competência de outubro/2003. O Auto de Infração abrange o período de 01/2003 a 12/2003, tendo sido lavrado em 19/12/2008 e cientificado o contribuinte em 22/12/2008, e corresponde a R$ 1.323.926,64 (seis milhões, cento e sessenta e seis mil cento e noventa reais e sessenta e um centavos) referente ao principal, multa e juros, almeja o recolhimento de contribuições devidas a terceiros, uma vez que a empresa teve contra si lavrado Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, fl. 608, o qual foi devidamente julgado pelo CRPS fls. 609/614 (do processo principal 12898.000093/200860) e pelo Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 618/620 ( do processo principal 12898.000093/200860). Segundo Relatório Fiscal, fls. 33/39, in verbis: 2 – PERÍODO DO DEBITO E LEVANTAMENTO 2.1 – Debito período de 01/2003 a 13/2003 2.2 – Levantamento: FP – remunerações dos segurados empregados não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentados pela Lei 9.876/99) período de 01/2003 a 13/2003. 3 – FATO GERADOR 3.1. – os fatos geradores do presente Auto de Infração foram: a) remunerações de segurados empregados, apurados através das folhas de pagamento... (...) 5 – DESCRIÇÃO DOS FATOS E DO DEBITO (...) 5.2 – O sujeito passivo classificase no FPAS 639 – Entidades Beneficentes de Assistência Social entretanto em 19/04/2005 foi Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 expedido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 002/2005 com a seguinte declaração de cancelamento: DECLARO CANCELADA, com base no disposto no parágrafo 8º, artigo 206, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade FUNÇÃO TECNICO EDUCACIONAL SOUZA MARQUES, acima identificada, por infração ao parágrafo 3º do artigo 195 da Constituição Federal e ao(s) incisos III e V, do artigo 55 da lei 8212, de 1991, combinado com o artigo 206 do RPS, pelos motivos especificados na informação fiscal anexa. 5.3 – Inconformado com o fato o sujeito passivo recorre a 4ª CaJ – Quarta Câmara de Julgamento que analisa o recurso e conclui, assim transcrito a seguir: N do(a) Acórdão: 1868/2006 Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em CONHECER DO RECURSO E NEGARLHE PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. 5.4 – Diante da decisão da 4ª CaJ em 27/03/2007 a empresa protocola Pedido de Revisão do Acórdão 1868/2006, e através do Despacho n. 206260/08 do Presidente da Sexta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes decide “REJEITAR o pedido de revisão formulado”, datado de 15/08/2008. 5.5 – Diante do exposto a presente ação fiscal tem por objetivo apurar créditos previdenciários devido a PERDA DO DIREITO A ISENÇÃO PATRONAL. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO DE OFÍCIO Após analisar os argumentos da Recorrente, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 48.920, fls. 79/87, acolhendo parcialmente a impugnação para exonerar o crédito tributário em razão de se ter operado a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, na competência em que foi constatado o pagamento parcial de contribuição destinada a terceiros, qual seja, 10/2003. O julgado foi assim ementado: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 2403002.192 S2C4T3 Fl. 4 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA EM PARTE. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Quando não há pagamento antecipado, ou na hipótese de fraude, dolo ou simulação, aplica se a regra geral. IMUNIDADE. ISENÇAO DE CONTRIBUIÇÕES. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇAO. Ato cancelatório da isenção oriundo de processo administrativo autoriza o lançamento das contribuições sociais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Devida a contribuição social destinada aos Terceiros a cargo da empresa sobre a remuneração pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. REVISÃO DE OFÍCIO. A Administração tem o poderdever de revisar seus atos quando praticados em desatendimento ao ordenamento jurídico vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, no montante originário de R$ 587.622,57, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Presidente de Turma recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força de reexame necessário, em face de o crédito exonerado no processo principal, ao qual este se encontra apensado, superar o limite de alçada fixado na Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008. A equipe de julgamento entendeu que por ser o tributo em questão destinado a terceiros, não se poderia analisar o pagamento parcial relacionado às contribuições Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 previdenciárias do processo principal, pois o campo de preenchimento da obrigação acessória é diverso, conforme se percebe de trecho do voto, fl. 84: (...) 6.5. Cabe esclarecer que sendo certo que o tributo cobrado por meio do presente auto de infração é distinto dos tributos recolhidos no campo “Valor do INSS”, nãos e pode utilizar de recolhimentos feitos neste campo para aferir a decadência em relação aos tributos devidos aos chamados Terceiros. 6.6. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído em 22/12/2008, com a ciência do contribuinte, relativo aos fatos geradores do período de 01/2003 a 13/2003/ Tendo em vista a não existência de pagamento parcial no período de 01/2003 a 09/2003 e 11/2003 a 13/2003, quanto aos valores devidos a terceiros, campo valor de outras entidades da GPS – Guia da Previdência Social, aplicase a regra contida no art. 173, I, do CTN. Portanto, não ocorreu a decadência do crédito tributário para o período de 01/2003 a 09/2003 e 11/2003 a 13/2003, uma vez que, o prazo final para a cobrança do crédito tributário seria 31/12/2008, data esta posterior ao da constituição do presente crédito. (...) DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Fundação Técnico Educacional Souza Marques interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 98/142, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Por preencher os requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, goza da imunidade constante do art. 195, parágrafo 7º da CF/88; 2. É entidade beneficente de assistência social; 3. As imunidades devem ser objeto de lei complementar por se tratar de normas gerais em matéria tributária; 4. A inconstitucionalidade do Salário Educação e a necessidade de sua regulamentação por intermédio de lei complementar; 5. A inconstitucionalidade da Lei 9.424/96; 6. A inconstitucionalidade do INCRA por se tratar de empresa urbana; 7. Inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE; 8. A inconstitucionalidade e ilegalidade da multa. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 2403002.192 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 91 e 98, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros, dentre outras. Analisando os autos, percebo que a própria DRJ analisou a questão do adiantamento do pagamento e constatou que na competência 10/2003 houve adiantamento. Também, a DRJ, na fl. 84, afirma que existem recolhimentos parciais para o CNPJ da Matriz e não da filial. Outrossim, no acórdão 1248.919, em julgamento do processo 12989.000093/200860, DEBCAD 37.199.9120 (Parte Patronal), decorrente do mesmo MPF e julgado também neste sessão de julgamento, em diversas competências, os julgadores afirmam que em consulta ao sistema da receita federal do Brasil, que este ocorreu adiantamento nas competências 01/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 e 11/2003, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/2003 a 12/2003, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 22/12/2008 (fl. 497). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período de 01/2003 a 11/2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DO MÉRITO DA IMUNIDADE CONDICIONADA Para ser considerada imune das contribuições sociais previdenciárias, a entidade beneficente de assistência social deverá cumprir, cumulativamente, os requisitos elencados pelo art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, e ser reconhecida como tal por Ato Declaratório expedido pela RFB em atendimento ao parágrafo primeiro do art. 55 da Lei 8.212/91. Afirma o recorrente que por preencher os requisitos do art. 14 do CTN, estaria automaticamente imune à quota patronal das contribuições previdenciárias, afora o fato de os requisitos para o gozo dessa cláusula de incompetência tributária não poderem ser objeto de normatização por lei complementar. No entanto, cumpre esclarecer que o preenchimento dos requisitos dispostos em lei ordinária são legítimos, conforme jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 2403002.192 S2C4T3 Fl. 6 9 Para tanto, colacionase precedente do STJ que ilustra o entendimento: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ENTIDADE BENEFICENTE EDUCACIONAL E ASSISTENCIAL. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CARÁTER BENEFICENTE ASSISTENCIAL. AUSÊNCIA DE TODOS OS REQUISITOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DA CORTE A QUO, COM BASE EM DOCUMENTOS E PROVAS DOS AUTOS. CEBAS. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETOLEI 1.522/1977. INEXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTA INSTÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que não há cerceamento de defesa quando o julgador considera desnecessária a produção de prova, mediante a existência nos autos de elementos suficientes para a formação de seu convencimento. Incidência da Súmula 7/STJ. 2. A Corte local afirmou que não foram preenchidos todos os requisitos para o reconhecimento da imunidade tributária. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. "É pacífica nesta Corte a orientação de que a imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação superveniente. Incidência da Súmula 352/STJ." (AgRg no REsp 848.126/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 10/2/2009, DJe 19/3/2009grifo nosso) Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 75.714/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 04/03/2013) No caso da recorrente, ela teve contra si exarado Ato Cancelatório de Isenção, que foi devidamente processado e oportunizada a defesa, que foi devidamente analisada pela 4ª Câmara de Julgamento, que negou provimento ao recurso, conforme o Acórdão 1868/2006, informado pela autoridade fiscal, por descumprimento dos requisitos dos incisos III (promover, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência) e V (aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades) do art. 55 da Lei 8.212/91. DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidade se não estiverem às exceções acima. DO RECÁLCULO DA MULTA A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 2403002.192 S2C4T3 Fl. 7 11 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado acima, no acórdão 1248.920, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, entendeu que ocorreu a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN para apenas uma competência neste processo, 10/2003, e diversas outras no processo principal, ao qual ele se encontra apenso, que importa em valor maior que o mínimo para o recurso de ofício, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria é também discutida no presente voto acerca das razões em sede de Recurso Voluntário com relação as competências que não foram abarcadas pela decadência. Portanto, da mesma forma que o acima exposto, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso de Ofício para negar provimento. Quanto ao Recurso Voluntário, conheçoo para, no mérito, dar parcial provimento, reconhecendo a decadência no período de 01/2003 a 09/2003 e 11/2003, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13962.000003/2010-05
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS RETROATIVOS. TRIBUTAÇÃO. IGUALDADE DE CONDIÇÕES EM RELAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL.
Não se pode perder de vista que a exclusão da empresa do Sistema Simples, não impede que o Fisco Federal realize a lavratura de auto de infração para exigir, de forma retroativa, o crédito tributário devido. Esta situação independe de julgamento de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão, bem como de recurso voluntário que discute igual tema, ou seja, a exclusão.
No caso da exclusão, a empresa se iguala às demais empresas para efeito de tributação, devendo pagar os mesmos tributos. Para isso não acontecer, deveria a empresa cumprir a legislação própria, tendo em vista que qualquer descumprimento da norma importará em perda das prerrogativas que lhe foram outorgadas por ocasião de seu enquadramento no Sistema.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.727
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13962.000003/201005 Recurso nº 13.962.000003201005 Voluntário Acórdão nº 2803002.727 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente GIORGIO FADELLI CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS RETROATIVOS. TRIBUTAÇÃO. IGUALDADE DE CONDIÇÕES EM RELAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. 1. Não se pode perder de vista que a exclusão da empresa do Sistema Simples, não impede que o Fisco Federal realize a lavratura de auto de infração para exigir, de forma retroativa, o crédito tributário devido. Esta situação independe de julgamento de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão, bem como de recurso voluntário que discute igual tema, ou seja, a exclusão. 2. No caso da exclusão, a empresa se iguala às demais empresas para efeito de tributação, devendo pagar os mesmos tributos. Para isso não acontecer, deveria a empresa cumprir a legislação própria, tendo em vista que qualquer descumprimento da norma importará em perda das prerrogativas que lhe foram outorgadas por ocasião de seu enquadramento no Sistema. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 00 03 /2 01 0- 05 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais vinculadas à empresa Fadelli, além daquelas destinadas ao GILRAT e dos Terceiros, tendo em vista a exclusão da empresa do Sistema SIMPLES. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 28 de janeiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 EXLCUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES. Promovida a exclusão da pessoa jurídica do Simples, procederseá, se for o caso, a lavratura de auto de infração para a exigência do crédito tributário devido, independentemente do julgamento de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE. SUJEIÇÃO. A contribuição para o SEBRAE, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.029/90, não se restringe as micro e pequenas empresas. MULTA MORATÓRIA. As contribuições devidas às terceiras entidades, quando não recolhidas nos prazos previstos na legislação, sujeitamse à multa de mora nos termos do art. 35 da lei nº 8.212, de 1991, de caráter irrelevável, vigente na data de ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 5 4 VALIDADE DA INTIMAÇÃO A FUNCIONÁRIO OU A SÓCIO NÃO REPRESENTANTE LEGAL. É regular a ciência da intimação feita por funcionário ou sócio não representante legal da empresa. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PROVA TESTEMUNHAL. DESNECESSIDADE. Descabe a realização de prova testemunhal quando sua necessidade não for justificada pelo requerente e presentes nos autos todos os elementos para que a autoridade julgadora forme sua convicção. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. A intimação do sujeito passivo deve se dar no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax informado pelo contribuinte para fins cadastrais à Secretaria da Receita Federal. Inexiste previsão legal para envio ao endereço do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente optou pelo Sistema SIMPLES em 15 de setembro de 2004, conforme facultado pela Lei nº 9.317/96. Desde a referida opção, a recorrente vinha efetuando regularmente o recolhimento dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No entanto, em 13 de dezembro de 2007 a Auditoria Fiscal da Previdência Social apresentou representação ao Ilmo. Delegado da RFB em Blumenau, apontando a ocorrência, em tese, de hipótese de exclusão da empresa ora recorrente do Sistema SIMPLES, prevista no art. 14, IV da Lei nº 9.317/96. Em decorrência disso, o r. Delegado da RFB em Blumenau/SC lavrou o Ato Declaratório Executivo nº 91/2009, que declarou a exclusão da empresa recorrente do SIMPLES, sob o seguinte fundamento: “foi constituída por interpostas pessoas e, portanto, incorreu na hipótese de vedação ao SIMPLES Federal de que trata o art. 14, IV da Lei nº 9.317/96”. Referida exclusão, inclusive, operou efeitos retroativos desde 15.09.2004. Como a recorrente foi cientificada do referido Ato Declaratório Executivo no dia 14 de julho de 2009, e por não se conformar com a sua exclusão do SIMPLES, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 6 5 apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade pleiteando a anulação do ato administrativo em questão. Não obstante, a agente fiscal submeteu a empresa recorrente a procedimento de fiscalização, do qual foi exarado, o AI nº 37.197.2990, que constituiu um suposto crédito tributário para o Fisco. Por não concordar com a constituição do aludido crédito tributário, porquanto pautado em premissa fática equivocada, além de conter inúmeros vícios que tornam completamente inválido o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, a qual foi encaminhada para apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis. Não obstante os argumentos utilizados pela recorrente visando a admissão e provimento da impugnação interposta e, consequentemente, anulação do lançamento pela inexistência de simulação, A Delegacia de Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento efetuado. Absolutamente inconformada com a decisão da primeira instância administrativa, a recorrente passa a expor seus argumentos a fim de não mais se submeter à exigência do crédito tributário das contribuições devidas às Terceiras Entidades (Salário educação, Incra, Senai, Sesi e Sebrae) relativas ao período de 01/01/2005 a 30/06/2007. Preliminares: houve cerceamento de defesa na decisão da DRJ/FNS, devido à ausência de pronunciamento a respeito de todos os fundamentos jurídicos e documentos anexados na defesa da recorrente. O cancelamento do auto de infração é medida que se impõe diante da suspensão dos efeitos do ato de exclusão do SIMPLES, devido à propositura da manifestação de inconformidade pela recorrente. É nulo o lançamento pelo fato de que o termo de início da ação fiscal não foi assinado pelo representante legal da empresa, bem como por seu mandatário ou preposto. É nulo o auto de infração por ausência de indicação dos fundamentos legais utilizados para validar a exigência do crédito tributário da recorrente. Mérito: O auto de infração é nulo, eis que pretende constituir crédito tributário relativo a fatos geradores que já foram objeto de decisão administrativa, o que importou em mudança de critério jurídico, pratica vedada pelo artigo 146 do CTN. Não resta configurada a existência de simulação entre a recorrente e a Fadel Fabril Ltda, tratase de empresas distintas, com administração própria sem qualquer interferência na atividade econômica entre as duas. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 7 6 O crédito tributário deve ser prontamente cancelado, eis que lavrado unicamente em indícios e presunções fiscais, sem qualquer prova capaz de validar a autuação fiscal. O crédito tributário não possui liquidez e certeza em função da inclusão de contribuições indevidas na base de cálculo, tais como o SEBRAE e INCRA. A multa deve ser afastada integralmente ou ao menos reduzida. É impossível a retroação dos efeitos do ato de exclusão do SIMPLES. Diante de todo o exposto requer: a) Seja reformado o acórdão DRJ/FNS nº 0722.940, proferido no presente processo administrativo nº 13962.000003/201005, conhecendose e dando provimento ao presente recurso voluntário para cancelar integralmente o auto de Infração nº 37.197.2990, com supedâneo nos fundamentos fáticos e jurídicos narrados no presente recurso. b) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental ora acostada e que mais se fizer necessária, bem como, em se entendendo pertinente, a pericial. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte apresenta várias preliminares com objetivo de afastar o lançamento. Sobre a possibilidade de cerceamento de defesa, em razão de a DRJ/FNS não ter se pronunciado a respeito de todos os fundamentos jurídicos e documentos anexados na defesa, há que ressaltar que o julgador não se vincula às teses das partes; deve, pois, aterse, tão somente, aos motivos e fundamentos de sua decisão. O fato de inexistir manifestação acerca de todos os temas ventilados nos autos não implica vício no julgado. Apontados os fundamentos de suas razões de decidir, não se obriga o julgador a responder a todas as alegações das partes, uma a uma, a fim de alicerçar sua decisão. Com relação à falta de assinatura do termo de início da ação fiscal pelo representante legal da empresa, bem como por seu mandatário ou preposto, razão alguma assiste ao contribuinte. Mesmo que houvesse previsão legal para abarcar tal exigência, há que se considerar que a apresentação de impugnação, bem como do recurso voluntário, significa total anuência do contribuinte em relação aos argumentos contidos no auto de infração. O fato de as pessoas não ter assinado o termo de início da ação fiscal não é motivo para alegar qualquer hipótese de nulidade do lançamento. No que diz respeito à falta de fundamentos legais para validar a exigência do crédito tributário, parece que o contribuinte não entendeu os motivos contidos no Ato Declaratório Executivo nº 91/2009, ou seja, ele, pelo que se pode denotar do lançamento, por ter afrontado as disposições contidas no inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.217/96, sendo este o fundamento legal básico para justificar o lançamento. De outra parte, não existe previsão legal para justificar a hipótese do efeito suspensivo, enquanto o contribuinte discute, em outra esfera fiscalizatória ou julgadora (outra Seção do CARF), o ato que o excluiu do Sistema Simples. Destarte, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. No mérito, também não vislumbro qualquer possibilidade de alterar o que já foi consagrado no acórdão recorrido. Não se pode perder de vista que a exclusão da empresa do Sistema Simples, não impede que o Fisco Federal realize a lavratura de auto de infração para exigir, de forma retroativa, o crédito tributário devido. Esta situação independe de julgamento de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão, bem como de recurso voluntário que discute igual tema, ou seja, a exclusão. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13962.000003/201005 Acórdão n.º 2803002.727 S2TE03 Fl. 9 8 No caso da exclusão, a empresa se iguala às demais empresas para efeito de tributação, devendo pagar os mesmos tributos. Para isso não acontecer, deveria a empresa cumprir a legislação própria, tendo em vista que qualquer descumprimento da norma importará em perda das prerrogativas que lhe foram outorgadas por ocasião de seu enquadramento no Sistema. A alegação de que o crédito tributário não possui liquidez e certeza em função da inclusão de contribuições indevidas na base de cálculo, tais como INCRA e SEBRAE, também não merecem prosperar, tendo em vista que tais contribuições (Terceiros) tem previsão na legislação, devendo a fiscalização se ater a esse tema, sob pena de não o fazendo, responder funcionalmente. A contribuição para o INCRA, como bem pontuado no acórdão recorrido, mesmo após a publicação das Leis nºs 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. Da mesma forma, a contribuição para o SEBRAE, estabelecida no art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.029/90, não se restringe somente as micro e pequenas empresas. Tal contribuição abrange as empresas em geral e, portanto, devida pela ora recorrente, notadamente por ter sido ela excluída da tributação simplificada, exclusão essa de sua inteira responsabilidade. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 11686.000028/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da não-cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE INTERNO. REMOÇÃO DE RESÍDUOS.
Consideram-se insumos os materiais de embalagem incorporados ao ativo circulante utilizados para a eliminação dos resíduos da produção ou para o transporte de produtos dentro da unidade fabril.
Numero da decisão: 3201-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 20/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da não-cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE INTERNO. REMOÇÃO DE RESÍDUOS. Consideram-se insumos os materiais de embalagem incorporados ao ativo circulante utilizados para a eliminação dos resíduos da produção ou para o transporte de produtos dentro da unidade fabril.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da nãocumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE INTERNO. REMOÇÃO DE RESÍDUOS. Consideramse insumos os materiais de embalagem incorporados ao ativo circulante utilizados para a eliminação dos resíduos da produção ou para o transporte de produtos dentro da unidade fabril. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 20/10/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 28 /2 00 9- 48 Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.095 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 0150/2012 (fl. 447), que aprovou o Parecer DRF/CCI/SAORT nº 036/2012 (fls. 411/420), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI), que homologou parcialmente as compensações declaradas. O direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins não cumulativa exportação relativo ao 3º trimestre de 2008, utilizado para compensar débitos próprios. A autoridade fiscal, após análise dos documentos entregues pela contribuinte em resposta aos Termo de Intimação SARAC/DRF/CCI nº 0422/2011 (fls. 167/169), nº 0635/2011 (fls. 188/193) e 0679/2011 (fls. 194/200), reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da interessada e homologou a compensação até o limite do crédito. Cientificada do despacho decisório em 03/04/2012 (Aviso de Recebimento à folha 449), em 02/05/2012 a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 451/475), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. No Despacho Decisório DRF/CCI n° 0150/2012 foram excluídos diversos produtos do cálculo relativo ao crédito da Cofins não cumulativa vinculada às receitas de exportação, sob o fundamento de que tais bens não podem ser caracterizados como insumos geradores do crédito objeto do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram dentro do conceito abrangido pelo § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404, de 2004; 2. Conforme se infere do § 12 do art. 195 da CF, matriz constitucional da sistemática nãocumulativa da Cofins, facultouse ao legislador infraconstitucional escolher apenas os setores da atividade econômica para os quais tal contribuição social será nãocumulativa, e foi nesta trilha que a Lei n° 10.833, de 2003, definiu que a sistemática nãocumulativa seria aplicável tão somente às pessoas jurídicas que apurem o Imposto de Renda com base no lucro real, limitando assim o seu alcance; 3. Por este motivo, para que a nãocumulatividade da Cofins seja plenamente eficaz, não se pode admitir qualquer outra Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.096 3 restrição senão em relação aos setores econômicos aos quais se aplica, conforme jurisprudência administrativa transcrita; 4. Diferentemente do entendimento perfilhado pela fiscalização, a própria Lei nº 10.833, em seu art. 3º, § 3º, preceitua que o direito a crédito se circunscreve aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei, sendo evidente que todos os itens que compuserem o custo vinculado às receitas de exportação, bem como os que se revelem em despesas assumidas pela pessoa jurídica para esse fim, devem ensejar o direito ao creditamento da Cofins; 5. Nesta trilha, é na legislação do Imposto de Renda que o intérprete deve se abeberar para fins de definição do alcance do seu direito ao crédito, citando doutrina que corroboraria seus argumentos; 6. A Lei de Sociedades Anônimas silencia em relação aos gastos classificáveis como custos de produção, e, diante disso, a requerente se apropria das lições constantes do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAF), segundo o qual devem ser adicionados ao custo de produção todos os custos diretos e os indiretos necessários para colocar o item em condições de venda; 7. Buscando definir de forma mais específica o que sejam custos, cita Norma e Procedimento de Contabilidade NPC n° 02 do Instituto Brasileiro de Contadores – IBRACON; 8. Logo, as despesas incorridas, relacionadas às receitas em voga, também conferem direito a crédito, nos termos da Lei 10.833, as quais estão definidas no RIR/99, em seu art. 299; 9. E, não distante do quanto apregoa a doutrina e jurisprudência trazidas como arrimo para a tese defendida nos presentes autos, é de se ressaltar que todos os insumos cujos créditos foram glosados pela fiscalização estão devidamente registrados na escrita contábil da requerente sob a rubrica de custos ou despesas; 10. Em que pese a clareza dos dispositivos legais da Lei nº 10.833, de 2003, e na contramão da doutrina e da hodierna jurisprudência emanada do CARF, a fiscalização sustenta que o termo insumo deve ser interpretado apenas como aqueles bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica que, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração, sejam consumidos, sofram desgaste ou perda/modificação de suas propriedades físicas ou químicas; 11. Entretanto, a Receita Federal, ao editar a Instrução Normativa n° 404, de 2004, acabou definindo o conteúdo do vocábulo insumos para fins de apuração da Cofins na sistemática nãocumulativa, valendose exatamente dos mesmos critérios que foram traçados pela legislação de regência do IPI Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.097 4 para estabelecer o alcance do referido vocábulo para fins deste imposto; 12. Entretanto tal entendimento vai de encontro às prescrições da própria Lei nº 10.833, pois o direito ao crédito em análise aplicase aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos pela pessoa jurídica titular do referido direito, de modo que a Lei nº 10.833, de 2003, foi muito mais além do quanto preceituado pela legislação do IPI; 13. De fato, o conceito de insumos erigido pela legislação do IPI está intimamente ligado à materialidade deste tributo, que, como cediço, tem como fato gerador operações relativas à industrialização de produtos, no entanto a materialidade da contribuição em tela é diversa da do IPI, já que consiste na aferição de receita, de modo que a conceituação de insumo para fins da implementação da técnica da nãocumulatividade da Cofins deve levar tal especificidade na devida conta, abrangendo todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica; 14. Assim, não há outra conclusão possível senão a da total inaplicabilidade do conceito de insumo albergado na legislação de regência do IPI, tomado por empréstimo pela IN n° 404, para operacionalizar a sistemática não cumulativa da Cofins, uma vez que este tem caráter eminentemente restritivo; 15. Diante disso, é inegável que a IN se mostra absolutamente imprestável, pois criou conceito restritivo de insumos, não veiculado pela própria Lei nº 10.833, de 2003. 16. Valendose das informações contidas nos Laudos Técnicos elaborados pelo seu corpo de profissionais com o fito de demonstrar a imprescindibilidade dos insumos na consecução do seu objeto social, a requerente busca demonstrar o equívoco cometido quanto às glosas das aquisições de água desmineralizada, água clarificada (imprescindível ao controle da temperatura nas torres de resfriamento, de forma semelhante aos combustíveis, cujo direito ao crédito é reconhecido expressamente pela legislação), nitrogênio (utilizado como fluído de selagem – evitando a entrada de oxigênio da atmosfera nos equipamentos e, por conseguinte, a formação de uma "atmosfera explosiva", e para a realização de purga nos equipamentos), revelandose de extrema importância o pagamento de Tarifa de Remuneração de Distribuição de Nitrogênio para manutenção da tubovia de distribuição do referido insumo; 17. O mesmo se observa quanto às aquisições de óleo compressor (utilizado como óleo de lubrificação do sistema de engaxetamento dos cilindros de diversos equipamentos do processo produtivo) e de vapor (utilizado como força motriz de diversos maquinários e equipamentos), em relação ao qual, inclusive, o direito ao crédito foi textualmente reconhecido pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, ao promover alteração no inciso III do art. 3º da Lei 10.833; Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.098 5 18. No que concerne aos materiais de embalagem, a requerente necessita adquirir materiais utilizados no ensacamento do polietileno produzido da planta industrial, a exemplo das sacarias, big bags e mag bags, papelão para caixas, liner e paletes, constituindo estes insumos do processo produtivo, pontualmente descritos em Laudo Técnico ora apresentado; 19. O polietileno fabricado pela requerente é ensacado em big bags, contêineres ou bobinas, conforme o caso, e empilhado sobre os paletes (adquirido com a finalidade de deslocar as embalagens dentro da planta), para, então, serem transportados do setor de ensacamento para o estoque, deixando, por fim, o estabelecimento da requerente com destino aos seus compradores 20. É forçoso concluir que tais embalagens são indispensáveis para a venda do polietileno produzido pela requerente, diante do que os custos na sua aquisição devem compor a base de cálculo do crédito da Cofins vinculado às receitas decorrentes de exportação; 21. Especificamente em relação aos materiais utilizados na identificação final do produto, é indiscutível sua importância e imprescindibilidade no processo produtivo, haja vista que tais produtos permitem a correta identificação e individualização do produto final, a exemplo das etiquetas afixadas nas embalagens, sem as quais não seria possível a satisfatória distribuição dos produtos aos clientes; 22. Nesse mesmo diapasão, as braçadeiras, papelão, cola quente, liner, fitas e filmes têm por finalidade manter agrupadas por espécie e quantidade as embalagens já preenchidas e devidamente vedadas pelos lacres, para, então, serem distribuídas aos compradores na forma como solicitado; 23. Partindo dos argumentos acima expendidos, sobretudo em face dos mais recentes julgados emanados do CARF, devese reconhecer que a aquisição das embalagens aqui apontadas gera direito ao crédito pretendido; já que constituem, evidentemente, custos necessários para o auferimento de receitas por parte da requerente; 24. Observese que a legislação ordinária, bem como a IN SRF nº 404, não classificam espécies distintas de embalagens, o que, por conseqüência lógica, impossibilita tratamento diferenciado para fins de aproveitamento de crédito da Cofins relativamente a este ou aquele tipo de embalagem; 25. A IN nº 404, de 2004, ao restringir o alcance do conceito do vocábulo "insumos" previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, restou maculada pelo vício insanável da ilegalidade, razão pela qual não merecem prosperar os argumentos sustentados pela fiscalização e, por conseguinte, a glosa dos créditos apurados pela requerente, relativamente aos bens utilizados como insumos; Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.099 6 26. Ademais, à luz da literalidade dos dispositivos normativos em análise, temse que a única interpretação possível para que estes obtenham a chancela da "legalidade" consiste em entender que a "ação direta" não está adstrita ao contato físico do bem (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta ao processo produtivo, em vista da essencialidade daquele para a consecução deste; 27. A interpretação sistemática da nãocumulatividade aplicada à Cofins, feita a partir do confronto da IN 404/2004 com a Lei 10.833/2003, induz, inevitavelmente, à inteligência de que não é necessário o contato físico direto do insumo com o bem produzido, mas que, para que seja enquadrado como insumo, é fundamental que este exerça ação direta sobre o processo produtivo; 28. Logo, relevante é que o bem tenha sido aplicado na linha de produção e que se mostre imprescindível à fabricação do produto final, para que assim seja tido como insumo hábil a ensejar o direito ao creditamento; 29. Tanto é assim que a Receita Federal facultou o desconto de créditos decorrentes de combustíveis e, até mesmo, da energia elétrica, que, apesar de não agirem diretamente sobre o bem de produção, têm indispensável ação para se alcançar o produto final, sem os quais não há que se falar no próprio processo produtivo; 30. Absurdo seria exigir que o aludido órgão pudesse elencar expressamente todos os bens que, eventualmente, participem do processo de produção sem entrar em contato direto sobre o bem em fabricação; 31. Diante da impossibilidade de se estabelecer relação exauriente de todos os bens utilizados no processo de produção, a RFB fez constar, no art. 8º, §4°, I, "a" da IN 404, de 2004, os requisitos para que se admita como insumos os bens que sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas, tenham aplicação direta no processo produtivo, e não sejam incluídos no ativo imobilizado da empresa; 32. Nesta senda, por ausência de expressa determinação neste sentido no corpo da Lei nº 10.833, de 2003, é a imprescindibilidade do bem no processo fabril, independente do contato físico direto com o bem produzido, e o atendimento dos demais requisitos elencados no dispositivo mencionado no parágrafo precedente que o caracterizam o insumo; 33. Neste contexto, conforme demonstrado nos itens precedentes, os bens adquiridos pela ora requerente são essenciais ao seu processo produtivo, sendo diretamente afetados às atividades fabris na medida em que são nelas aplicados, sofrendo perdas e/ou desgaste de suas qualidades em razão da sua utilização; 34. Do arrazoado constante dos itens acima, afigurase notório o preenchimento de tais requisitos pelos bens adquiridos pela Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.100 7 requerente, de modo que outro entendimento não deve prosperar senão o de que tais bens são, de fato, insumos, ensejando a apuração e o subseqüente aproveitamento dos créditos da Cofins, afigurandose absolutamente descabida as glosas efetuadas pelo agente do Fisco; 35. Ao final, protesta pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência fiscal, hábil a atestar tudo o quanto pontuado na Manifestação de Inconformidade. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.Salvador/BA, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/09/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSUMOS. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.101 8 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins no regime da nãocumulatividade. A lide restringese a glosa de créditos da recorrente referentes à aquisição de: bigbag, liner, palete, papelão, água clarificada e desmineralizada, aparas de plástico, nitrogênio e a tarifa sobre a distribuição de nitrogênio. Os créditos referentes à aquisição de óleo compressor e vapor foram concedidos pela instância a quo, não sendo objeto de recurso. Delimitada a lide, mostramse necessários alguns esclarecimentos acerca da apuração de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, bem como dos conceitos que serão adotados neste voto. Do conceito de insumos As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 instituíram um sistema legal de abatimento de créditos em relação a determinados gastos, apurados mediante a aplicação das alíquotas especificadas para estas contribuições (1,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). O legislador adotou o critério de listar expressamente os bens e serviços capazes de gerar crédito no artigo 3º destas leis: Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.102 9 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Como se percebe, as hipóteses passíveis de geração de créditos não abarcam a totalidade das despesas e custos que as pessoas jurídicas possuem, estando ausentes, por exemplo, as despesas financeiras. Ressaltese que tais despesas, originalmente, geravam direito a créditos, mas esta possibilidade foi extinta pela Lei nº 10.865 de 30 de abril de 2004. Neste processo, as glosas tiveram como objeto gastos considerados pela recorrente como aquisição de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens, conforme previsto no inciso II do artigo supracitado. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.103 10 O termo insumos, de origem econômica, traduzido do termo inglês input, compreende, de um modo geral, bens ou serviços utilizados na produção de um outro bem ou serviço. Inclui, em sua acepção mais ampla, cada um dos elementos que entram no processo de produção de mercadorias ou serviços, e são necessários para a sua produção, tais como matériasprimas, bens intermediários, máquinas e equipamentos, capital e trabalho humano. Diferentemente dos bens adquiridos para revenda, os insumos são comprados pelos produtores ou prestadores de serviço para consumo em suas atividades. Na indústria, podem integrar o produto final, como as matérias primas, podem servir para alimentação de máquinas, como os combustíveis, ou podem ser utilizados para a manutenção do parque fabril, como os lubrificantes. Insumo, desta forma, pode ser entendido como todos os fatores de produção que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços, sejam eles diretos, como as matériasprimas, ou indiretos, como a mãodeobra, energia, e os tributos. O vocábulo, em seu sentido jurídico, foi desta forma conceituado por Maria Helena Diniz: Insumo. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributo), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços. 1 Marco Aurélio Greco2 distingue os insumos em econômicos e funcionais. Insumos econômicos seriam aqueles que incluem os fatores de produção, como o capital e o trabalho; já os funcionais englobam todos os elementos que integram o processo produtivo, como máquinas, equipamentos, matériasprimas, trabalho humano, embalagens, etc.. Observase, todavia, que nem toda aquisição de bens nãoduráveis será caracterizada como compra de insumo. É necessário que as despesas sejam relacionadas às atividades da pessoa jurídica. Desta forma, despesas com a família de executivos, por exemplo, nunca são considerados insumos, mesmo que tenham sido custeadas pela pessoa jurídica. Analisandose os elementos que permitem o desconto de créditos na Contribuição para o PIS/Pasep e na Cofins, verificase que eles tomam por base bens adquiridos para revenda (inciso I), bens do ativo permanente (incisos VI e VII), insumos necessários à produção (inciso II), serviços (inciso IX), bem como outros custos e despesas incorridos com a atividade empresarial (incisos III, IV, V e X). 1 DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. Vol 2, São Paulo: Saraiva, 1988, p. 870 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, p. 113 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.104 11 Constatase que os créditos abrangem, de forma selecionada, insumos econômicos e funcionais. Observase ainda que, dentre as hipóteses passíveis de geração de créditos, o inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permite o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo “insumos”, incluído dentre as hipóteses de creditamento, que por sua vez são constituídas por “insumos” em significado amplo, como não poderia deixar de ser, gerou uma infinidade de divergências em relação ao seu significado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão competente para emissão de normas complementares referentes ao sistema tributário nacional, definiu como insumos apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que sejam utilizados em "ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Adotouse, nestes atos, o entendimento exposto no Parecer Normativo COSIT n° 65/79 acerca do conceito de insumos – tal ato, contudo, versa sobre o IPI. Alguns julgados deste Conselho, de forma diametralmente oposta, defendem que o conceito de insumo aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins deve ser o mesmo aplicável ao Imposto de Renda, baseado em que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Entendem, desta forma, que a materialidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é mais próxima daquela estabelecida para o IRPJ do que daquela prevista para o IPI. Assim sendo, baseado na natureza das respectivas hipóteses de incidência (receita/lucro/industrialização), o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (artigo 290 do RIR/99), bem como o de despesas operacionais previsto no artigo 299 do RIR/99, seria mais próprio de ser aplicado a estas contribuições do que o conceito previsto na legislação do IPI. Entendo, contudo, que a melhor forma de definição conceito de insumos passa pela análise da figura tributária ao qual este conceito foi estabelecido, qual seja da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. E, tendo em vista que o cerne de uma figura tributária é a sua materialidade econômica, no caso das contribuições em tela esta definição exige que se verifique “a receita ou o faturamento”, nos termos da CF/88, e mais especificadamente a receita bruta, ou “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, conforme previsto pelas leis nº 10.833/03 e 10.637/02. Este entendimento inviabiliza a defesa do conceito de insumos estabelecido pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, que reproduzem o conceito de insumos estabelecido pela legislação do IPI. Esclarecese que o IPI possui como elemento nuclear as operações de industrialização, assim entendidas aquelas que modificam a natureza ou a finalidade de produtos, ou os aperfeiçoem para o consumo, fato jurídico com profundas diferenças em relação às contribuições em tela. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.105 12 Em que pese a receita bruta de uma pessoa jurídica ter por base, entre outras receitas, aquelas decorrentes de operações de industrialização, a materialidade jurídica receita em nada corresponde ao destas operações. Da mesma forma, não se mostra apropriada a utilização do conceito de insumos adotado na legislação do Imposto de Renda. Este tributo incide sobre o acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, denominado renda ou lucro. Não se confunde, de forma alguma, com receita bruta, que possui sentido bem mais amplo, compreendendo qualquer quantia percebida. Mesmo que se possa falar que a materialidade jurídica “renda” é mais próxima a “receita” do que “operações de industrialização”, ainda assim as diferenças entre estas figuras impedem que se adote, pura e simplesmente, os entendimentos já consolidados na legislação do Imposto de Renda para a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Desta forma, a busca do conceito de insumos para estas contribuições impõe que se verifique a base econômica destas, ou seja, a receita bruta. Por outro ângulo, tendo em vista a ausência de uma verdadeira cadeia econômica relacionada à receita bruta, posto dizer respeito a cada contribuinte individualmente considerado, as proposições existentes para as demais exações tributadas pelo regime da não cumulatividade, quais sejam o IPI e o ICMS, tampouco podem ser utilizadas sem que sejam feitas as devidas adaptações. Assim sendo, em consonância com o pensamento de Marco Aurélio Greco3, mostrase necessário, para definição do conceito de insumos, a visualização do processo formativo da receita daquela pessoa jurídica. E este processo formativo da receita inclui todos os elementos, sejam eles físicos ou funcionais, necessários para a obtenção desta receita. Claro que este entendimento não pode vir dissociado das hipóteses previstas na legislação como passíveis da geração de créditos. O legislador especificou, no artigo 3º das leis 10.637/02 e 10.833/03, quais situações passíveis de geração de créditos, deixando de fora desta lista determinados custos e despesas. Caso a lei tivesse por objetivo adotar a generalidade, bastaria fazer uma alusão genérica a toda e qualquer despesa ocorrida e que estivesse sujeita, anteriormente, à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins. Tendo em vista que esta não foi a forma adotada pela legislação, não se pode entender como insumos despesas que dizem respeito a todo e qualquer aspecto da atividade de uma empresa. 3 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, pp. 112122 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.106 13 Pois bem, o artigo 3º destas leis, ao falar de “insumos”, restringe aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes a prestação de serviços ou a produção de bens, tais como as despesas financeiras. Isto não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II deste artigo. Pelo mesmo raciocínio, as despesas administrativas, por não terem relação ao processo formativo da receita na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, não geram direito a crédito. Outro aspecto importante para a definição de determinado bem como insumo é o momento em que este bem é utilizado, se antes, durante ou após o término do processo produtivo. Como já esclarecido, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, de forma que os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não são considerados insumos para fins de geração de créditos. Do exposto, conceituamos insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Também não se enquadram como insumos os bens destinados ao ativo imobilizado, posto que os créditos referentes a estes bens estão incluídos em hipóteses distintas de creditamento, e devem ser apropriados por meio de calculo de depreciação. Das embalagens Ingressandose na análise específica dos itens glosados, temos que bigbag, liner, palete e papelão correspondem a materiais de embalagem utilizados para o transporte de bens e materiais. Esclarecese que a recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social a industrialização e a comercialização de produtos químicos e petroquímicos. Foi anexado ao presente processo Laudo Técnico que assim informa o uso destes materiais: 2.3.2 Insumos para embalagem Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.107 14 Os materiais produzidos são, na maioria dos casos, produzidos na forma líquida ou gasosa, e assim são geralmente fornecidos aos clientes, através de venda a granel ou diretamente através de tubulação (tubovia). São utilizados matérias de embalagem eventualmente, para acondicionar rejeitos e resíduos, para que sejam destinados a incineração, aterros etc., bem como para viabilizar o transporte de bens e materiais através da unidade fabril, com o uso de paletes e big bags. Constatase, portanto, que os materiais de embalagem não são utilizados para a venda de seus produtos, mas sim para a eliminação dos resíduos de sua produção ou para o transporte de seus produtos dentro da unidade fabril. Não se tratam, portanto, de embalagens para venda de artigos prontos para o consumo. A autoridade fiscal, ao promover as glosas, confirma que os materiais são utilizados para o transporte, motivando a glosa dos créditos apenas devido as embalagens não possuírem qualquer característica promocional, de apresentação ou de comercialização. Entendo, contudo, que a falta de características de comercialização dos materiais não significa que os mesmos não tenham participação no processo produtivo da recorrente, visto serem utilizados para a remoção dos resíduos da produção e do transporte de bens dentro de suas unidades. Observase, todavia, que muitos destes bens, como os paletes, possuem vida útil superior a um ano, o que os caracteriza como bens do ativo permanente, sujeitos a depreciação e, desta forma, não se enquadram no conceito de insumos previsto no inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03. Desta forma, entendo que apenas são considerados insumos os materiais de embalagem bigbag, liner, palete e papelão que, pelo valor e tempo de vida útil, possam ser deduzidos como despesa operacional e contabilizados no ativo circulante, não sendo considerados insumos aqueles gastos considerados como custo de aquisição de bens do ativo permanente, nos termos do artigo 301 do RIR/99. Dos demais itens glosados Foram ainda objeto de glosas do gastos com a aquisição de água clarificada e desmineralizada, aparas de plástico e nitrogênio, devido a representarem utilidades, não sendo consumidos nem sofrerem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo. Constatase que a autoridade fiscal utilizou o critério definido pela RFB em instruções normativas, restringindo o conceito de insumos apenas aos bens que entrem em contato direto com o produto em fabricação. Em que pese o entendimento exposto pela autoridade fiscal, como já exposto, entendo que o simples fato de um produto não ser consumido ou se desgastar, ou, ainda, sofrer perda de suas propriedades físicas e/ou químicas em função de um contato direto como produto em fabricação não excluí este bem de ser considerado como insumo para fins de creditamento da contribuição em tela. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11686.000028/200948 Acórdão n.º 3201001.425 S3C2T1 Fl. 1.108 15 Os custos com a aquisição de água clarificada e desmineralizada, aparas de plástico e nitrogênio, conforme devidamente explicitado pela recorrente, são necessários à percepção de receitas decorrentes da industrialização de produtos químicos e petroquímicos, razão pela qual enquadramse como insumos e permitem a geração de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins. Em relação ao último item a ser analisado, qual seja o pagamento de Tarifa de Remuneração de Distribuição de Nitrogênio, que corresponde ao pagamento à Copesul pela manutenção da tubovia de distribuição de nitrogênio, tratase de serviço essencial ao desenvolvimento de suas atividades industriais, incluindose no conceito de insumos previsto na legislação e permitindo o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto pela manutenção dos créditos em relação aos materiais de embalagem bigbag, liner, palete e papelão que, pelo valor e tempo de vida útil, possam ser deduzidos como despesa operacional e contabilizados no ativo circulante, glosandose aqueles gastos com materiais de embalagem considerados como custo de aquisição de bens do ativo permanente, nos termos do artigo 301 do RIR/99, bem como pela manutenção do créditos em relação à aquisição de água clarificada e desmineralizada, aparas de plástico e nitrogênio e ao pagamento de Tarifa de Remuneração de Distribuição de Nitrogênio, nos termos deste voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15586.000501/2010-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte consegue apresentar razões de mérito contrárias à autuação.
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos, mesmo que não esteja inscrita no PAT.
TICKET REFEIÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA.
Ticket refeição não é caracterizado como alimentação in natura, razão pela qual deve incidir contribuição previdenciária.
VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA
A parcela paga a título de Vale-Transporte, quando não descontada do empregado, deve ser tributada apenas da parcela que o empregador deveria descontar, 6%.
AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O art. 28, parágrafo 9o, q não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Pelo voto de qualidade excluir tributação sobre alimentação in natura e manter tributação sobre os tickets. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto(relator) Maria Anselma Croscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landin. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (ii) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao auxilio saúde e produção rural e determinar a tributação apenas da parcela do vale transporte que deveria descontar dos empregados (6%), excluindo o restante. (iii) Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto às cooperativas e RFFP. (iii) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art.61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Redator Designado Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte consegue apresentar razões de mérito contrárias à autuação. ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos, mesmo que não esteja inscrita no PAT. TICKET REFEIÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. Ticket refeição não é caracterizado como alimentação in natura, razão pela qual deve incidir contribuição previdenciária. VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA A parcela paga a título de ValeTransporte, quando não descontada do empregado, deve ser tributada apenas da parcela que o empregador deveria descontar, 6%. AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28, parágrafo 9o, “q” não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 05 01 /2 01 0- 18 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Pelo voto de qualidade excluir tributação sobre alimentação in natura e manter tributação sobre os tickets. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto(relator) Maria Anselma Croscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landin. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (ii) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao auxilio saúde e produção rural e determinar a tributação apenas da parcela do vale transporte que deveria descontar dos empregados (6%), excluindo o restante. (iii) Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto às cooperativas e RFFP. (iii) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art.61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Redator Designado Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 202/213, em face de Acórdão 1233.647 proferido pela 11a Turma da DRJ/RJ1 que manteve crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD 37.280.0181, no importe de R$ 12.729,35 (doze mil setecentos e vinte e nove reais e trinta e cinco centavos). Os fatos e fundamentos para apuração do crédito previdenciário foram especificados pelo auditor autuante, fls. 56/72, que os descreveu da seguinte maneira, em suma: 3. A Siderúrgica Ibiraçú, no ano de 2005 concedeu alimentação aos seus empregados, fornecendo Ticket Refeição e refeições prontas adquiridas em bares e restaurantes, entretanto, não providenciou a sua necessária inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, não aderindo, portanto, ao mesmo no ano de 2005. Em consulta ao site do Ministério do Trabalho na Internet, www.mt e.gov.br/Pat/relatórios.asp, somente a partir de 2008 a empresa aderiu ao programa. (...) 4. Na operacionalização de suas atividades, como política de recursos humanos, a empresa concedeu aos empregados da filial localizada no rio de Janeiro, CNPJ 01.319.693/00908, extensivo aos dependentes, Plano de Saúde de Assistência Médica e Hospitalar, contratados junto à AMIL – Assistência Médica Internacional Ltda. (...) 4.3. Ocorre que a SIDERÚRGICA IBIRAÇU ao conceder o plano de assistência médica e hospitalar aos empregados da filial, arcou com contribuições para os dependentes destes. Custeou, portanto, a empresa, plano de saúdo médico para os empregados e para os seus familiares. E o que prevê o art. 28, parágrafo 9o , “q”, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, é que a cobertura do plano deve abranger os segurados empregados e dirigentes da empresa, restritivamente, não alcançando seus dependentes. 4.4. Além do que, a SIDERÚRGICA IBIRAÇU concedeu aos empregados da filial, planos de assistência médica e hospitalar diferenciados. Os planos variam de acordo com a posição hierárquica ocupada pelo segurado dentro de uma estrutura organizacional da empresa. Aos empregados de menor nível hierárquico, foram concedidos planos básicos, que contemplam um conjunto determinado de benefícios; aos empregados de escalões superiores – aos administradores, foram concedidos planos especiais, mais amplos, com mais benefícios e que, consequentemente, agregam maiores custos a empresa. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 (...) 5. Dispõe o art. 28, parágrafo 9o, “f”, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, que a parcela recebida pelo empregado a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra a remuneração para fins previdenciários. (...) 5.2.1. Portanto, se pago de acordo com a lei, o valetransporte não integra a remuneração para fins de incidência das contribuições sociais. O que iremos demonstrar, contudo, é que os pagamentos efetuados pela SIDERÚRGICA IBIRAÇU a título de valetransporte não observaram os parâmetros legais exigidos para a sua concessão. (...) 5.4. Entretanto a SIDERÚRGICA IBIRAÇU, nada descontou dos empregados que receberam o benefício do Valetransporte. Desta forma, os valores custeados pela empresa a título de vale transporte e ofertados aos empregados da filial localizada no Rio de Janeiro, CNPJ 01.319.693/00908, por não observarem os parâmetros legais exigidos para a sua concessão e conseqüente exclusão do saláriodecontribuição, foram considerados como componente da remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias. (...) 7. Também na operacionalização de suas atividades a Siderúrugica Ibiraçu adquiriu produtos rurais – carvão vegetal – de produtores pessoas físicas, produto este utilizado como insumo no processo de fabricação de ferrogusa. 7.1. Como adquirente, ficou a Siderúrgica Ibiraçu subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física relativamente às contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, nos termos do art. 30, IV, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991. 7.2. As aquisições de carvão vegetal que motivaram a constituição do crédito de natureza previdenciária, deramse nas competências compreendidas no período de 05/2005 a 12/2005, e os dados relativos aos fatos geradores ocorridos foram extraídos dos lançamentos registrados na contabilidade, conforme demonstrado no ANEXO IV, no qual se identifica as contas contábeis e o produtor rural, estando os valores comercializados, considerados como basedecálculo, lançados no levantamento “RU1 – RURAL”. 8. Através do presente Auto de Infração, por descumprir obrigação tributária principal, estão sendo cobradas as contribuições sociais devidas pela empresa, e destinadas a Terceiros/Outras Entidades, previstas no art. 94 da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, e determinadas pelo FPAS 507, incidentes sobre os valores considerados como basedecálculo lançados nos levantamentos “AL1 – ALIMENTAÇÃO”, “PE1 – PLANO DE SAÚDE EMPREGADOS” e “VT1 – VALE TRANSPORTE”, quais sejam, as contribuições destinadas ao Salário Educação, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 4 5 Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Serviço Social da Indústria – SESI e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE. 8.1. Também está sendo cobrada a contribuição social devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, prevista no art. 6o da Lei n. 9.528, de 10/12/1997, na redação dada pelo art. 3o da Lei n. 10.256, de 09/07/2001, e determinada pelo FPAS 744, no percentual de 0,2% (zero vírgula dois por cento), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização do produção rural, estando os valores da basedecálculo lançados no levantamento “RU1 – PRODUÇÃO RURAL CARVÃO”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 98/122. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – 11ª Turma DRJ/RJ1, prolatou Acórdão de fls. 276/304, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: Assunto: Outros Tributos e Contribuições Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA PARA TERCEIROS Remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados são bases de calculo de contribuição social para Terceiros. Entende se por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. AJUDA ALIMENTAÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre alimentação quando concedida aos empregados da empresa sem a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei 6321, de 14/04/76, por ser verba remuneratória, nos termos do artigo 28, I da Lei 8212/91. ASSISTÊNCIA MÉDICA (PLANO DE SAÚDE). Beneficio trabalhista na forma de custeio integral de "plano de saúde". Inobservância dos requisitos previstos na letra "q" do parágrafo 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991. Incidência de contribuições previdenciárias. VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Integra o salário de contribuição do segurado empregado o valor pago a titulo de vale transporte em desacordo com a legislação pertinente. PRODUÇÃO RURAL CARVÃO 0 adquirente de produto rural — carvão vegetal, de produtores pessoas físicas, fica subrogado nas obrigações dos mesmos relativamente As contribuições para o SENAR. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 202/213, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: O fiscal lavrou sete Autos de Infração que são narrados de forma repetitiva e confusa, violando o devido processo legal e cerceando o direito de defesa ; Que a recorrente oferecia Ticket Refeição conforme convenção coletiva de trabalho e que se trata de verba indenizatória; O auxílio saúde representa natureza meramente assistencial, não se constituindo em salário in natura, haja vista a ausência do caráter contra prestativo no fornecimento da utilidade; Quanto ao valetransporte a autuação não individualizou os estabelecimentos da matriz e filial e que na sede, proporciona por meios contratados veículos adequados ao transporte coletivo, residênciatrabalho e o contrário, estando desobrigada do valetransporte, que não detém natureza salarial e não necessita ser descontado, conforme Lei n. 7.418/85 e 7.619/87, art. 458 em especial e que a retenção de 11% é inconstitucional; A representação fiscal para fins penais não merece prosperar pois não ocorreram as condutas descritas nos arts. 297, e 337A do Código Penal. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 306, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Quanto a alegação de que o fiscal lavrou sete Autos de Infração que são narrados de forma repetitiva e confusa, violando o devido processo legal e cerceando o direito de defesa, bem como por não ter individualizado os estabelecimentos matriz e filial, entendo que não merece acolhimento. O relatório fiscal está claro e bem redigido, além de sempre destacar em que local os fatos geradores ocorreram, se na matriz ou na filial, não havendo que se falar em nulidade, da forma como quer o recorrente. Ademais, o contribuinte não obteve qualquer prejuízo com a suposta nulidade, haja vista a produção de toda a prova documental constante nos autos e de suas razões, que consegue levantar questionamentos acerca da materialidade do lançamento. DA NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura, fl. 43, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Com relação ao fato de a autuação se referir a tickets de alimentação e isso não configurar alimentação in natura, cumpre esclarecer que esse entendimento não deve prevalecer. Mesmo nas hipóteses em que o auxílio é pago em dinheiro o caráter não salarial não se desnatura. Dessa forma já decidiu o Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp 1185685/SP, abaixo colacionado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 6 9 (...) 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel.Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) Também, importante observar que este foi o entendimento desta turma, no julgamento do processo 15586.001087/201056, Acórdão 2403001.620, na sessão realizada em 19 de setembro de 2012, quando se entendeu que, se os tickets são utilizados apenas para alimentação devem ser considerados como alimento in natura. Razão pela qual, por não deve incidir contribuição previdenciária em relação ao fornecimento de alimento in natura não há também que se falar em erro no preenchimento da GFIP com relação a estas verbas. DO AUXÍLIO SAÚDE A fiscal autuante alega que o auxílio saúde, apesar de ser parcela que não integra o salário de contribuição para fins de contribuição previdenciária, o será quando não obedecida a legislação, o que teria acontecido no caso concreto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Os fundamentos de inadequação normativa seriam observados sob duas vertentes: a) O auxílio não foi prestado apenas aos funcionários, mas foi extensível também aos dependentes; b) a depender do escalonamento hierárquico empresarial, a abrangência do plano também mudaria. Cumpre desde já trazer à colação o dispositivo normativo aqui tratado: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; Da análise do texto, percebese que não há qualquer limitação à inclusão de dependentes no auxílio saúde, as únicas exigências constantes no artigo são: a) a assistência ser médica ou odontológica; b) cobertura que abranja a totalidade de empregados e dirigentes da empresa. O texto legal não elenca os itens acima como restrições, mas como pressupostos para não caracterização do benefício como salário de contribuição. Esse é, inclusive, o entendimento desta seção de julgamento, conforme pode se perceber do Acórdão 2803001.772 3a Turma Especial, julgado em 16 de agosto de 2012: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 (...) AUXÍLIOSAÚDE. DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O art. 28, par. 9o., alínea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. (...) Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. No mesmo norte é o acórdão 240101.981, 1a Turma Ordinária/4a Câmara da 2a Seção, julgado em 22 de agosto de 2011. Logo, este deve ser o mesmo entendimento com relação ao segundo ponto que teria ensejado a autuação, a diferença entre os planos daqueles de função hierárquica superior e os de função subalterna. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 7 11 Ora, o que a lei requer é que haja a cobertura à todos os funcionários e dirigentes, ou seja, impõe universalidade, no entanto, não o faz quanto à homogeneidade, é silente. Por isso, não compete ao intérprete e o julgador incluir palavras onde a o legislador não o fez. Assim, contatado que todos os funcionários percebiam o benefício, há de se afastar a incidência da contribuição previdenciária. DO TRANSPORTE A autoridade fiscal efetuou o lançamento por entender que a empresa nada descontou dos empregados que receberam o benefício do ValeTransporte, logo, estando em desacordo com as normas legais, o que caracterizaria a verba como remuneração. Contudo, esta não deve ser a melhor conclusão. Segundo a Lei 7.418/85 o ValeTransporte não configura rendimento tributável do trabalhador, in verbis: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 280, de 2006) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Por sua vez, o Decreto n. 95.247/87 que regulamenta o referido benefício: Art. 9° O ValeTransporte será custeado: I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente, do beneficiário que Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo. Portanto, descabida a autuação no tocante a verba paga a título de Vale Transporte, da parcela que o empregador deveria descontar dos empregados, 6%, em razão da não efetuação do desconto legal. DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL Apesar de ter sido objeto da autuação a contribuição previdenciária sobre a produção rural, o contribuinte não ventilou a matéria em sede de impugnação e nem em recurso. Portanto, aplicável ao caso o art. 17 do Decreto n. 70.235/72 que considera o fato como não impugnado e incontroverso. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros, conforme segue: Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Portanto, não serão analisadas as questões referentes a representação fiscal para fins penais. DAS MULTAS APLICADAS As multas foram aplicadas da seguinte forma pela autoridade autuante, conforme se percebe nas fls.24 dos Fundamentos Legais de Débito: 601 ACRESCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 05/2005 a 12/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, Ill (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "e, "ti e "c", parágrafos 2. ao 6. e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGACAO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CREDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 8 13 PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPOTESE DAS CONTRIBUICOES OBJETO DA NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). (...) 603 ACRESCIMOS LEGAIS MULTA PRODUTO RURAL 603.07 Competências : 05/2005 a 1212005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II e Ill (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", b e "c", parágrafos 2. ao 6. e 11 e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGACAO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 8% dentro do mês de vencimento da obrigação; 14% no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CREDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 24% (VINTE E QUATRO POR CENTO) em ate quinze dias do recebimento da notificação; 30% (TRINTA POR CENTO) apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% (QUARENTA POR CENTO) apos apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% (CINQUENTA POR CENTO) apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60% (SESSENTA POR CENTO) quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70% (SETENTA POR CENTO) se houve parcelamento; 80% (OITENTA POR CENTO) apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% (CEM PORCENTO) apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS: NA HIPOTESE DAS CONTRIBUICOES OBJETO DA NOTIFICACAO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTACAO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 9 15 procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Portanto, deve a multa de mora ser recalculada, desconsiderandose os valores excluídos da base de cálculo e fazendose o recálculo da multa de mora com percentual máximo de 20%. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento para excluir da autuação os valores cobrados a título de contribuições incidentes sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não estar a empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, ValeTransporte da parcela que exceder a 6%, referente ao desconto legal ao qual estava o empregador obrigado, e Planos de Saúde, assim como para determinar o Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 2403001.823 S2C4T3 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado A divergência com o relator atémse à questão do auxílio alimentação pago por meio de “tickets”. Entendo que tanto a Lei 8.212/91 quanto o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011 referemse a alimentação in natura. Lei 8.2121/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição:§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Apresento abaixo definição para a expressão in natura: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 A expressão in natura é uma locução latina que significa "na natureza, da mesma natureza". É utilizada para descrever os alimentos de origem vegetal ou animal que são consumidos em seu estado natural, como por exemplo as frutas. Traduzida à letra, a expressão in natura quer dizer apenas «na natureza». No entanto, os contextos em que é habitualmente utilizada autorizam e requerem traduções mais amplas: «no estado que se encontra na natureza», «no seu estado natural», «não transformado». A expressão utilizase sobretudo para caracterizar certos produtos alimentares, tanto de origem vegetal como animal, quando estes são distribuídos ou consumidos no seu estado natural, ou seja, sem terem sido sujeitos a qualquer transformação ou processamento. Por exemplo, os frutos e as hortaliças são freqüentemente consumidos in natura, há importações de carne in natura, e o leite já não pode ser vendido in natura (sem ser pasteurizado). No entanto, nada impede a utilização da expressão em contextos não alimentares. No Brasil, por exemplo, o «salário in natura» é o conjunto dos benefícios concedidos pelo empregador como gratificação pelo trabalho desenvolvido ou pelo cargo ocupado pelo empregado: alimentação, habitação, viatura, vestuário, etc. Neste caso, o conceito de «naturalidade», julgo eu, resulta do contraste entre estes bens, que são imediatamente utilizáveis, e o dinheiro proveniente do salário «tradicional», o qual não pode ser utilizado sem ser previamente «transformado» em bens por meio de uma operação chamada «compra». Extraído do sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/In_natura em 28/06/2012. Em todas acepções que encontro, alimentação in natura é alimento. Ticket não é alimento, portanto, não se enquadra na hipótese de não incidência. CONCLUSÃO Entendo que deve ser mantida a tributação dos valores correspondentes aos tickets alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11065.101485/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
DCTF. Exigência. Multa. Empresa Excluída do Simples Federal.
Inexistindo, nos autos, prova de que a empresa foi regularmente excluída da sistemática do Simples Federal, a exigência de entrega de DCTF e a conseqüente imposição de penalidade pelo seu descumprimento revelam-se, igualmente, irregulares.
Numero da decisão: 1801-001.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 DCTF. Exigência. Multa. Empresa Excluída do Simples Federal. Inexistindo, nos autos, prova de que a empresa foi regularmente excluída da sistemática do Simples Federal, a exigência de entrega de DCTF e a conseqüente imposição de penalidade pelo seu descumprimento revelam-se, igualmente, irregulares.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DCTF. EXIGÊNCIA. MULTA. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES FEDERAL. Inexistindo, nos autos, prova de que a empresa foi regularmente excluída da sistemática do Simples Federal, a exigência de entrega de DCTF e a conseqüente imposição de penalidade pelo seu descumprimento revelamse, igualmente, irregulares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 85 /2 00 8- 85 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Em respeito à economia processual, transcrevo relatório adotado na Resolução 1801000.152, desta 1a. TE/3a.CAM/1a.SEJUL: Relatório. Tratase de auto de infração que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no valor total de R$ 500,00 a título de multa por falta de entrega da DCTF do quarto trimestre de 2003 (fl. 09). Na impugnação apresentada alegou a empresa que no período indicado no auto de infração era optante do Simples Federal e, por tal razão, não seria obrigada à apresentação de DCTF. Contudo, foralhe informado que havia sido formalizada a sua exclusão do sistema desde o anocalendário 2002. Afirmou desconhecer que havia sido excluída do Simples, razão pela qual o auto de infração seria nulo, por cerceamento do direito de defesa (fls. 01/02). A 6a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS manteve a exigência ao argumento de que as alegações de defesa contra a exclusão do Simples deveriam ter sido oferecidas quando da ciência do ato declaratório em processo próprio. Como não foram localizados processos de manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples nos órgãos de julgamento administrativo estaria sujeita aos efeitos da exclusão, dentre eles a entrega obrigatória da DCTF. Diante da ausência de entrega de DCTF a multa aplicada deveria ser mantida. Notificada da decisão, em 20/11/2009 (AR à fl. 29), apresentou a interessada, em 18/12/200, o recurso voluntário de fls. 30 e ss, .alegando, em preliminares, que o procedimento que a excluiu do Simples seria nulo por violar as leis que regem o processo administrativo e fiscal e a Súmula Vinculante n º 3 do STF, por afronta ao contraditório e a ampla defesa. No mérito aduz que o acórdão recorrido não teria enfrentado a questão de ausência de ciência do ato de exclusão e que tal fato teria levado a empresa a entregar tempestivamente as declarações anuais simplificadas nos anos de 2002, 2003 e 2004 sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. Afirma que a exigência da DCTF fica afastada em face da nulidade do procedimento de exclusão do Simples que não teria oportunizado o direito de defesa. Aduz que não consta dos autos prova de que teria sido cientificada do ato declaratório de exclusão do Simples, seja por intimação pessoal ou por via postal e que a intimação por edital somente poderia ter ocorrido diante da prova de que os dois meios anteriores resultaram improfícuos. Ao final pugna: (i)pela decretação da nulidade do ADE de exclusão do Simples n º 315.619; (ii) pela declaração de inexigibilidade do dever instrumental de apresentação de DCTF; e (iii) pela exclusão da multa por falta de entrega da DCTF. Em sessão realizada em 12/09/2012, esta 1a. Turma Especial / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligências, para que o órgão de origem de jurisdição da recorrente providenciasse a anexação do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples nº 315.619, bem como do competente comprovante da sua ciência pela interessada, por via postal ou por edital, com justificativa da opção por esta última via. Atendida a solicitação, com a anexação dos elementos solicitados, foram prestados os devidos esclarecimentos e cientificada a recorrente, em 05/03/2013, para oferecer suas considerações a respeito do resultado da diligência. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.101485/200885 Acórdão n.º 1801001.543 S1TE01 Fl. 3 3 Em 21/03/2013 foi protocolizada a petição de fls., pela qual a recorrente, em breve resumo, afirma que a unidade de origem não teria logrado êxito em comprovar a tentativa de ciência por via postal, do ato de exclusão do Simples, o que se faria com a apresentação da cópia do AR consignando a data de postagem, datas e tentativas de entrega, matrícula do responsável, e não apenas por mera anexação de cópia de extrato do sistema SUCOPSIVEX. Consignou que a prova da postagem de AR cabe à RFB e se procede à vista do respectivo instrumento, sem o qual não é possível a verificação da diligência, a apresentação e o exercício do contraditório e ampla defesa, pois não seria possível contraarrazoar uma informação colhida no SUCOP. Nessas condições, afirma restar demonstrado que no procedimento de sua exclusão de ofício do Simples, não lhe fora ofertado o contraditório e a ampla defesa, tornando ilegal a cobrança da multa por falta de entrega de DCTF. Ao final pede pela declaração de nulidade do procedimento de exclusão do Simples, declaração de inexigibilidade de apresentação de DCTF e pela exclusão da multa imposta. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como consta dos autos contra a recorrente foi lavrada multa por falta de entrega da DCTF relativa ao 4o. trimestre de 2003. A exigibilidade da DCTF seria conseqüência direta da exclusão da empresa da sistemática do Simples Federal, retroativa ao ano de 2000, que teria sido oficializada pelo Ato Declaratório Executivo n º 315.619. Em todas as oportunidades que teve para se defender alegou, a interessada, que nunca teve ciência de qualquer ato administrativo que a tenha excluído da sistemática Simplificada e que o fato se confirmaria pela apresentação das declarações anuais simplificadas nos anos de 2002, 2003 e 2004. Nessas condições a sua exclusão do Simples seria nula e, conseqüentemente, indevida a exigência de DCTF e a respectiva multa pela ausência de sua apresentação. Diante da dúvida trazida pela recorrente esta 1a. TE/3a. CAM/1a. SEJUL converteu o julgamento e determinou a realização de diligência, para que o órgão de origem providenciasse a anexação do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples nº 315.619, bem como do competente comprovante da sua ciência pela recorrente, por via postal ou por edital, com justificativa da opção por esta última via. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Atendida a solicitação foram prestados os seguintes esclarecimentos pelo órgão de origem (fl. 46 do processo digital): “... Em cumprimento à Resolução nº 1801000.152 da 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 41 a 43), procedemos à diligência solicitada para fins de anexação do Ato Declaratório Executivo n º 315.619, bem como do competente comprovante da sua ciência pelo interessado. Em consulta ao Sistema de Vedações e Exclusões – Sivex, comprovouse a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 315.619, referente à exclusão do interessado do Simples Federal em razão da existência de débitos previdenciários, com efeito a partir de 01/11/2000, conforme consta no Anexo 1. O referido ADE foi encaminhado para ciência do interessado por via postal, com Aviso de Recebimento (AR). Contudo, a correspondência foi devolvida pela ECT ao remetente, conforme comprova a tela do sistema Sucop que consta no Anexo 2. Foi localizado, ainda, o Edital nº 04/031/2000 da DRF/Novo Hamburgo, por meio do qual foram declarados excluídos do Simples os contribuinte nele relacionados, entre eles o interessado (fl. 15 do Anexo 3). ...” Foram anexados, pelo órgão de origem, os seguintes elementos (fls. 47 e ss): extrato do sistema Sivex, com dados do Ato Declaratório de Exclusão, n º 315.619 e seus efeitos; extrato do sistema de postagens dos Correios – SUCOP, que demonstra que o AR do documento postado para ciência a empresa recorrente do ADE , n º 315.619, emitido em 09/2000, retornou ao remetente em 01/12/2000; uma cópia do Edital 04/031/2000, com data de afixação em 10/10/2000 e desafixação em 11/11/2000, para ciência de ato de exclusão de ofício do Simples das empresas nele relacionadas, identificadas pelo n º do CNPJ e pelo respectivo motivo da exclusão, através de nomenclatura, nele constando o n º do CNPJ da empresa recorrente,.e o motivo de sua exclusão pendências da empresa ou de seus sócios junto ao INSS; uma cópia do Edital 04/031/2000, com data de afixação em 10/10/2000 e desafixação em 01/02/2001, Pela análise de tais elementos verificamse inconsistências e desencontro de informações. A primeira inconsistência diz respeito ao fato de não ter sido anexada aos autos cópia do Ato Declaratório Executivo n º 315.619. Sobreveio, apenas, a informação prestada pelo órgão de origem, extraída do sistema SIVEX, de que ele teria sido emitido. Nessas condições entendo que não haveria dificuldade em anexar cópia do referido ato declaratório, como solicitado na Resolução nº 1801000.152, caso tenha sido ele efetivamente emitido. Chama atenção, também, o fato de terem sido anexadas aos presentes autos duas cópias do mesmo Edital n º 04/031/2000, pelo qual teria sido cientificada a empresa de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.101485/200885 Acórdão n.º 1801001.543 S1TE01 Fl. 4 5 sua exclusão do Simples Federal, com datas distintas de afixação e desafixação. Na primeira cópia, a afixação teria ocorrido em 10/10/2000 e a desafixação em 11/11/2000. Na segunda cópia a afixação teria ocorrido em 10/10/2000 e a desafixação em 01/02/2001. Qual seria, então, a informação correta? Ademais, o Edital n º 04/031/2000, não se destinou a cientificar a empresa do Ato Declaratório Executivo de Exclusão de Ofício do Simples Federal, n º 315.619, como seria de se esperar, pois não há qualquer menção, no Edital, ao referido ADE n º 315.619. O próprio Edital n º 04/031/2000 se prestou a DECLARAR a exclusão do Simples das empresas que relaciona. Mas há, ainda, uma outra situação agravante. Pelo extrato do sistema SUCOP (fl. 48 processo digital) demonstrouse que o AR postado para ciência do ADE , n º 315.619 retornou ao remetente em 01/12/2000, ou seja, em data POSTERIOR à afixação do Edital 04/031/2000, em 10/10/2000. Ora, a lei determina que somente no caso de restar improfícua a tentativa de intimação por via postal é que pode a administração afixar edital destinado à sua ciência. Á propósito, as disposições do artigo 23 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF Art. 23. Farseá a intimação: ... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; ... § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: ... A lógica determina que a afixação do Edital se dê em data posterior ao retorno da correspondência ao remetente, porque somente na data do retorno da correspondência é que o remetente terá conhecimento de que a intimação não foi entregue por via postal. Há, portanto, várias inconsistências e informações desencontradas que não permitem concluir que a recorrente tenha sido regularmente cientificada de sua exclusão de ofício do Simples Federal a fim de exercer seu legítimo direito ao contraditório e a ampla defesa contra tal ato da Administração. Dito de forma direta: não há prova de que a empresa tenha sido cientificada do ADE de Exclusão do Simples Federal, n º 315.619. Como a exigência da DCTF mensal é conseqüência direta da exclusão da empresa do Simples Federal, e, uma vez demonstrado nos autos que o procedimento de exclusão de ofício do Simples Federal foi irregular, já que o órgão de origem não provou que a recorrente foi regularmente cientificada do ato declaratório de exclusão, então, a própria Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 exigência de entrega de DCTF e a conseqüente imposição de penalidade pelo seu descumprimento revelamse, igualmente, irregulares. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18050.000021/2007-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial.
No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
O CTN, na c, II, Art. 106, determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que para a correta aplicação da determinação deve-se comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa.
No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - definiu por penalidade que não é aplicada atualmente.
Numero da decisão: 9202-002.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que davam provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado TÉRMICA AR CONDICIONADO LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial. No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN, na “c”, II, Art. 106, determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que para a correta aplicação da determinação devese comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa. No presente caso, a decisão a quo equivocadamente definiu por penalidade que não é aplicada atualmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 00 21 /2 00 7- 80 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que davam provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 9202002.796 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0129, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional contra acórdão, fls. 0120, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/9 I . Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicase o disposto no artigo 173, I. DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM Sendo as multas aplicadas ao contribuinte decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias diversas, não se verificando a incidência simultânea de mais de uma penalidade, não há que se falar em his in idem. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. NA() DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, A. época da infração, violação ao art. 32, IV, §5 0 da Lei 8.212/91. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ocorridos até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4°, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.° 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Para esclarecimento, o litígio em questão trata de: 1. Forma de cálculo da aplicação da regra decadencial, com a utilização da regra expressa no I, Art. 173 do CTN; e 2. Forma de cálculo da aplicação da retroatividade benigna, em autuação por descumprimento de obrigação acessória (GFIP). Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. No cálculo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 173 a competência dezembro deve permanecer, pois sua exigência só ocorre em janeiro; e 2. A aplicação da retroatividade benigna deve levar em conta como forme de comparação a punição aplicada antes e depois da alteração legal. Por despacho, fls. 0143, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões ou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 9202002.796 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com divergências comprovadas e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a regra decadencial, o cerne da questão é se a competência dezembro, com a aplicação da regra decadencial expressa n I, Art. 173 do CTN, deve ser mantida, ou não, no cálculo da autuação. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. Primeiramente, cabe esclarecer que a autuação foi motivada por descumprimento de obrigação acessória tributária. A finalidade do ato é que define a regularidade da obrigação imposta pela Administração aos administrados. No caso da presente obrigação acessória a finalidade, na esfera tributária, é a verificação do adimplemento quanto à obrigação principal. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, ou na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Aplicase a regra do § 4°, Art. 150 do CTN a lançamentos por homologação, quando houve recolhimento parcial. Já a regra do I, Art. 173 do CTN aplicase a lançamento de ofício, sem recolhimento parcial efetuado. Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Como não se trata de lançamento por homologação, pois não há recolhimentos há homologar, aplicase a regra do lançamento de ofício, já que por ser autuação sua natureza sempre será de ofício. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 17DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 9202002.796 CSRFT2 Fl. 5 7 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Portanto: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Esclarecemos que a competência dezembro não deve ser excluída do cálculo da multa porque a exigência das contribuições dessa competência só ocorrerá em janeiro. Portanto, voto em dar provimento ao recurso especial da PGFN, nos termos acima. Quanto à forma de cálculo da retroatividade benigna na autuação em questão, temos a informar que houve alteração nas autuações por descumprimento da obrigação acessória em questão, com o surgimento da Medida Provisória (MP) 449/2009. Para o cálculo da multa em questão (em síntese, preenchimento de GFIP com erros nos dados relacionados aos fatos geradores) foi editada a Medida Provisória (MP) 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4º, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em Lei. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio de notificação e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32ª Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa, deve prevalecer o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem Fl. 19DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 9202002.796 CSRFT2 Fl. 6 9 qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação correlata. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto, voto pelo provimento do recurso da PGFN, nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, nas questões da forma de cálculo para aplicação da regra decadencial e na forma de cálculo para aplicação da multa, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 20DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13817.000381/2002-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/12/1997
DCTF. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. LIMINAR.
Os débitos declarados em DCTF e compensados com amparo em liminar concedida em mandado de segurança são passíveis de lançamento de ofício com exigibilidade suspensa.
DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. CONVALIDAÇÃO.
A compensação dos débitos fiscais, declarada na DCTF, efetuada com amparo em ação judicial em trâmite, deverá ser convalidada ao final da ação, nos termos da decisão transitada em julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para convalidar, sob condição resolutória, a compensação das parcelas do crédito tributário, efetuadas em DCTF, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do lançamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO. DÉBITOS. LIMINAR. COMPENSAÇÃO. NULIDADE. A concessão de liminar, em mandado de segurança, autorizando a compensação de crédito financeiro, em discussão judicial, com débitos tributários futuros, não constitui causa de nulidade do lançamento efetuado para constituição do respectivo crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/12/1997 DCTF. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. LIMINAR. Os débitos declarados em DCTF e compensados com amparo em liminar concedida em mandado de segurança são passíveis de lançamento de ofício com exigibilidade suspensa. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. CONVALIDAÇÃO. A compensação dos débitos fiscais, declarada na DCTF, efetuada com amparo em ação judicial em trâmite, deverá ser convalidada ao final da ação, nos termos da decisão transitada em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para convalidar, sob condição resolutória, a compensação das parcelas do crédito tributário, efetuadas em DCTF, nos termos do voto do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 03 81 /2 00 2- 44 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relator. Vencida a conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Campinas, SP, que julgou procedente, em parte, a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores dos meses de competência de novembro e dezembro de 1997. O lançamento decorreu de revisão interna da DCTF por meio da qual a Fiscalização verificou que o processo judicial nº 97.00511677, ao contrário do entendimento da recorrente, não comprova o direito de ela compensar os créditos declarados, conforme auto de infração às fls. 32/39, anexo III, “Proc. Jud. Não comprova”. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que efetuou a compensação amparada em liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 97.00511677. Em face dessa alegação, aquela DRJ baixou os autos em diligência para que a autoridade administrativa verificasse a suficiência dos indébitos reconhecidos judicialmente para fins de suspensão da exigibilidade dos valores lançados no auto de infração em discussão. Em atendimento à diligência, a autoridade administrativa juntou documentos de fls. 78/120 e encaminhou o processo para julgamento, informando: “O contribuinte apresentou planilha às fls. 99/101 na qual constam tanto os montantes de indébitos quanto os valores compensados. Efetuada a análise, constatouse que parcela dos indébitos estariam excetuados do período abrangido pela decisão judicial que determinou o lapso quinquenal em relação aos recolhimentos efetuados até 13/12/92, bem como sem as compensações dos débitos de PIS lançados no auto de infração. Após a referida constatação, o contribuinte apresentou, às fls. 118/120, uma nova planilha em que constam os valores dos indébitos do período determinado na decisão judicial, bem como as compensações efetuadas referentes a débitos de PIS e com débitos de COFINS em aberto.” Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13817.000381/200244 Acórdão n.º 3301001.994 S3C3T1 Fl. 192 3 Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 0535.975, datado de 23/11/2011, às fls. 137/145, sob as seguintes ementas: “DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade, antes do início do procedimento fiscal e vigente à época do lançamento, incabível seria a aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário (fls. 151/158), requerendo, em preliminar a nulidade do auto de infração, e, no mérito, o cancelamento do crédito tributário, alegando, em síntese, que efetuou a compensação amparada na liminar que lhe foi concedida nos autos do mandado de segurança nº 97.00511677. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme demonstrado e provado nos autos, a recorrente declarou os débitos, objetos do lançamento em discussão, e os compensou na DCTF com amparo em liminar concedida em mandado de segurança, processo nº 97.00511677. Como a compensação foi efetuada com amparo em medida liminar em que se discutia o direito à repetição/compensação do crédito financeiro utilizado, inclusive, seu montante, a Fiscalização efetuou o lançamento das parcelas compensadas. O fato de a recorrente estar, à época dos fatos geradores, discutindo o direito à repetição/compensação de indébitos tributários, perante o Poder Judiciário, e ter obtido liminar favorável para efetuar as compensações, não constitui impedimento à constituição do Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 crédito tributário correspondente às parcelas compensadas, desde que com exigibilidade suspensa. No presente caso, embora o crédito tributário não tenha sido constituído com exigibilidade suspensa, não há que se falar em nulidade do auto de infração e, conseqüentemente, do lançamento. O crédito tributário em discussão, por força da impugnação e do recurso voluntário interpostos pela recorrente está com a exigibilidade suspensa nos termos do CTN, art. 151, III. O procedimento administrativo correto e que deveria ter sido adotado pela autoridade administrativa, em face da liminar favorável à recorrente, deveria ser a convalidação da compensação declarada na DCTF sob condição resolutória até o trânsito em julgado na respectiva ação judicial, quando então seria implementada de conformidade com a decisão transitada em julgado, exigindose possível saldo devedor. Também, esse equívoco não implica nulidade do auto de infração e, conseqüentemente, do lançamento. Este somente seria nulo se tivesse sido lavrado por servidor incompetente, conforme o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 59, inciso I, o que não foi o caso. Conforme já decidido em primeira instância, o direito à compensação foi também objeto do mandado de segurança nº 97.00511677 que, inclusive, continua em trâmite no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, conforme consulta efetuada em seu sítio na Internet na data de 16/07/2013. Assim, em face da liminar e das decisões judiciais não transitadas em julgado, favoráveis à recorrente, a autoridade administrativa competente deverá convalidar a compensação dos débitos fiscais, objeto do lançamento em discussão, informada pela recorrente na respectiva DCTF, sob condição resolutiva, devendo ser revista nos termos da decisão transitada em julgado. Em face do exposto dou provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar à DRF que convalide, sob condição resolutória, a compensação das parcelas do crédito tributário, em discussão, efetuada pela recorrente e informada na DCTF, mantendoa sob esta condição até o transito em julgado da decisão judicial, Mandado de Segurança nº 97.00511677, quando então deverá ser implementada em definitivo, nos termos da decisão judicial. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13856.000268/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. PAGAMENTO. CHEQUES DE TERCEIROS.
O pagamento de despesas médicas dedutíveis pode ser realizado com cheques de terceiros, mas, neste caso, o contribuinte deve, necessariamente, provar que suportou o ônus deste pagamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DEDUÇÃO. PAGAMENTO. CHEQUES DE TERCEIROS. O pagamento de despesas médicas dedutíveis pode ser realizado com cheques de terceiros, mas, neste caso, o contribuinte deve, necessariamente, provar que suportou o ônus deste pagamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 68 /2 00 9- 79 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13856.000268/200979 Acórdão n.º 2801003.217 S2TE01 Fl. 119 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9a Turma da DRJ/SP2 (Fls. 60), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento n° 2006/608451121024093, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, exercício 2006, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 9.688,06, sendo RS 4.523,75 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 3.392,81 à multa de ofício e R$ 1.771,50 aos juros de mora (calculados até 31/08/2009). 2. No anexo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" é informado que foi efetuada a glosa do valor de R$ 16.450,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. 2.1 Em função dos valores envolvidos, a contribuinte foi intimada a comprovar a efetividade dos pagamentos e da utilização dos serviços referentes a "Ricardo Marujo Cirurgia Plástica S/C Ltda". 2.2 Em resposta à intimação a contribuinte afirmou que a despesa citada e as despesas de R$ 1.200,00 e R$ 975,00 referentes à "Soma Sociedade Médica em Anestesiología Ltda" e a "De Fiore & Richtmann Médicos Associados Ltda", respectivamente, foram pagos por sua mãe, Sra. Edna Gerbasi Morelli. Portanto, não foi a contribuinte quem arcou com o ônus. DA IMPUGNAÇÃO 3. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 11 através da qual alega, em síntese, que: 3.1 Requer o reconhecimento dos pagamentos realizados aos prestadores de serviços médicos na realização de ato cirúrgico através de cheque de terceiro, já que nos dispositivos motivadores da imputação fiscal não está vedado o pagamento de serviços médicos com cheque de terceiro. 3.2 Os documentos apresentados são lícitos e idôneos e foram apresentados quando solicitados. O fato de estar expresso na norma legal que a dedução restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, não significa que não possa ser feito com cheque de terceiro, ainda que seja a mãe do contribuinte. 3.3 Presunção na nobre auditora ao afirmar que não foi a contribuinte quem arcou com o ônus, pois não cabe a ela saber qual a forma da restituição pelo pagamento estabelecido entre a Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13856.000268/200979 Acórdão n.º 2801003.217 S2TE01 Fl. 120 3 impugnante e a sua mãe. Seria anormal imaginar que a atitude da mãe que acompanhou a contribuinte durante todo procedimento cirúrgico, pedir a sua filha para realizar o pagamento com seu próprio documento bancário porque o Fisco não aceitaria a dedução de tal despesa como pagamento via cheque de terceiro, principalmente pelas condições em que se encontrava a paciente após a realização do procedimento cirúrgico. Assim, deve a fiscalização reconhecer como pagamento válido os cheques n° 931553 e n° 931554 nos valores de R$ 8.325,00, conforme Orçamento de Honorários Médicos apresentados pelo Dr. Ricardo Marujo, restabelendose a dedução ora glosada no valor de R$ 16.450,00. 3.4 Questiona a impugnante se há algum comando constitucional que impeça que a mãe efetue o pagamento do tratamento realizado por sua filha. Pergunta também em qual ordenamento jurídico está estabelecido que o pagamento deva ser realizado somente com cheque e este deva ser efetivamente emitido pelo próprio contribuinte. 3.5 A impugnante promoveu os pagamentos às empresas prestadoras dos serviços cirúrgicos através de dois cheques de emissão da Sra. Edna Gerbasi Morelli, sua mãe, nos valores de R$ 8.325,00 cada um, aprazados para 15/08/05 e 13/09/05, devidamente compensados, conforme fazem prova as Notas Fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas que receberam os valores. 3.6 Notese que o valor pago não foi aproveitado pela D. Edna, o que seria plenamente ilegal e imoral, mas não pode ser considerado ilegal o pagamento por ela realizado. A impugnante prestou com clareza as informações necessárias, dizendo efetivamente que pagou com cheques no valor de R$ 8.325,00, compensados nas datas aprazadas. Percebese que o valor informado supera o valor efetivamente declarado, pois ocorreram durante o período de internação a gratificação a enfermeiros que colaboraram na pronta recuperação da contribuinte. 3.7 Não é crível, nem mesmo legal, exigir da impugnante tributação por glosa de despesas com tratamento de saúde devidamente comprovado por prontuário médico n° 1063805 emitido em 19/08/2005, realizado por profissional de empresa jurídica de prestação de serviço regular e legalmente constituída e, acima de tudo, que emitiu Nota Fiscal, tendo inclusive declarado ao Fisco, via seu faturamento, os valores percebidos, e as notas fiscais foram confeccionadas em nome daquela que efetivamente submeteuse ao procedimento cirúrgico. 3.8 Denegar à impugnante o direito a abater de sua renda bruta o valor de R$ 16.450,00 efetivamente despendido para tratamento de sua saúde, apenas e tão somente por não ter pago tal despesa através de cheque de sua emissão ou de outro documento bancário, é de uma rigorosidade excessiva e até Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13856.000268/200979 Acórdão n.º 2801003.217 S2TE01 Fl. 121 4 mesmo descabida, pois pune desnecessariamente o doente que necessitou do tratamento e o pagou. 3.9 Os valores pagos pela mãe da contribuinte podem ser tidos como um empréstimo, ou ainda que seja um presente que passou a integrar o patrimônio da contribuinte. A verdade é que pouco importa como foi realizado o pagamento, importando tão somente que o mesmo foi realizado. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito à sua dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Cientificada em 15/06/2011 (Fls. 106), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/07/2011 (fls. 108 a 114), argumentando em síntese: (...) 12 . In casu, a contribuinte, ora Recorrente, comprovou, através de documentação legal e idônea, a prestação dos serviços médicos declarados, entregando ao Fisco os recibos e notas fiscais que perfaziam os requisitos elencados nos artigos supramencionados. 13 . Em face dessa situação , o Fisco não tem o direito de exigir cópia de cheque nominativo quando já provada à realização dos serviços médicos através de notas fiscais e recibos inerentes , por se tratar de uma faculdade do contribuinte . 14 . Concluise, portanto, que a Notificação de Lançamento lavrada em face da Recorrente não reúne razões de prosperar haja vista que a prova do pagamento é exigida tão somente na falta dos recibos médicos ou quando estes não perfaçam as exigências dispo tas na Lei . 15. Dessa forma, também não procede a alegação de impossibilidade de dedução em razão do pagamento ter se realizado via cheque de terceiro. 1 6 . Isto porque, a comprovação dos serviços médicos prestados , nos termos das condições impostas na alinea "c" do parágrafo I o do artigo 85 do Decreto n° 1041/94 , já é condição exauriente para que a Recorrente faça jus ao seu direito de dedução das despesas médicas, independentemente da forma do seu pagamento (moeda corrente , cheque próprio ou cheque de terceiros). (...) "Glosas de Despesas Médicas. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13856.000268/200979 Acórdão n.º 2801003.217 S2TE01 Fl. 122 5 No caso em apreço o contribuinte logrou comprovar por recibos médicos a prestação dos serviços médicos declarados. De fato, trouxe aos autos recibos que perfazem os requisitos elencados no art. 85, § I o , alínea "c" do Decreto 1041/94 e, ainda, declaração dos prestadores de serviços sobre o teor do tratamento realizado. A vista destes documentos cabia à fiscalização procurar provas que demonstrassem a inexistência dos serviços prestados, já que a prova do pagamento é exigida pelo dispositivo acima indicado tãosó na falta dos recibos médicos ou quando estes não perfaçam as exigências dispostas na Lei. (...) Não ficou demonstrado que os prestadores de serviço não existem ou não prestaram o serviço, ao revés, há declaração expressa nos autos de que o serviço foi prestado, a par dos recibos anteriormente apresentados. Ora, preenchidas as condições exigidas por Lei, não é possível ignorar este fato para buscar imputação de exigência fiscal. Assim sendo, é de se afastar a glosa de despesas médicas." É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No caso em tela, a contribuinte afirma desde a fiscalização, doc. de página 82 dos autos, que as despesas médicas no valor de R$16.450,00 foram pagas com cheques pertencentes a sua genitora. Em sua impugnação e em seu recurso, defende a a contribuinte que nada obsta que despesas médicas sejam pagas com cheques de terceiros. Realmente, não há dispositivo legal que obste o pagamento de despesas com cheques de terceiros. Na verdade é do conhecimento geral que, à época da CPMF, o comércio e as pessoas em geral procuravam circular o máximo possível os recebimentos de cheques de terceiros sem que fossem realizados os depósitos em conta corrente. Contudo, entendo que o comando legal estipula, ao enunciar que o pagamento das despesas dedutíveis deve ser efetuado pelo contribuinte, que o ônus deste pagamento deve ser suportado pelo contribuinte. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13856.000268/200979 Acórdão n.º 2801003.217 S2TE01 Fl. 123 6 O artigo 8o da Lei n° 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos, assim estabelece: "Ari.8°' A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: 1— de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;" (...) § 2o O disposto na alínea a do inciso II; (•••) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;" Assim, o pagamento de despesas médicas dedutíveis pode ser realizado com cheques de terceiros, mas o contribuinte tem que, necessariamente, provar que suportou o ônus deste pagamento. É de se ressaltar que a DRJ tratou de alertar a contribuinte da necessidade desta comprovar ter suportado o ônus deste pagamento; in verbis: Não foi trazido aos autos, entretanto, nenhuma comprovação de que a mãe da contribuinte tenha sido ressarcida por sua filha. Em análise à DIRPF da Sra. Edna, foi possível constatar que não foi informado nenhuma doação ou empréstimo em favor da impugnante, sua filha. Não tendo restado comprovado pela contribuinte que foi ela quem de fato teria suportado o ônus do pagamento, o valor declarado não pode ser deduzido como despesa médica.(pág. 98 dos autos) Contudo, apesar do alerta da DRJ, a contribuinte não apresentou qualquer outra prova; insistindo no argumento que despesas médicas podem ser pagas com cheques de terceiros. Deste modo, ante a ausência de provas de que os pagamentos das despesas médicas foram suportados pela contribuinte, é dever manter as glosas efetuadas. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13856.000268/200979 Acórdão n.º 2801003.217 S2TE01 Fl. 124 7 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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