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Numero do processo: 16327.904759/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/03/2006
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA.
Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, deve-se manter o despacho decisório que não homologou a compensação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.
Numero da decisão: 2402-005.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 20/03/2006 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, deve-se manter o despacho decisório que não homologou a compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, devese manter o despacho decisório que não homologou a compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 47 59 /2 00 9- 67 Fl. 110DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.904759/200967 Acórdão n.º 2402005.851 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 80/96) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO (fls. 67/70), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/3) em face de Despacho Decisório (fl. 41) que não homologou compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 35687.01200.310506.1.3.042386 (fls. 57/59). De acordo com o Despacho Decisório que denegou a compensação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.275.406,41. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP Nº Pagamento Valor original total Processo (PR) PerDcomp (PD) Débito (DB) Valor original utilizado 2425998111 2.423.878,79 Db:cód 0481 PA 20/03/2006 2.423.878,79 Valor total 2.423.878,79 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/3), alegando, em síntese, que: a) em decorrência de pagamento a maior do IRRF s/ Juros e Comissões em Geral de Domiciliados no Exterior (0481), referente ao fato gerador março de 2006 (20° Dia de março de 2006), foi recolhido a maior o valor de R$ 1.043.723,37, porém como não houve a retificação da DCTF não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP; b) considerandose a DCTF retificadora, verificase a existência de créditos para liquidar débitos IRPJ e da CSLL do mês de abril de 2006, códigos 2319 e 2469: Apresenta quadro com valores relacionados às DCTF original e retificadora: DCTF ORIGINAL Código 0481 DCTF RETIFICADORA Código 0481 Mês Valor Débito Apurado Mês Valor Débito Apurado 20º Dia Mar/2006 R$ 2.423.878,79 20° Dia Mar/2006 R$ 1.380.155,42 Requerer que seja i) retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado no quadro acima; e ii) reconhecida o direito do crédito, haja vista a compensação procedida por meio de PER/DCOMP com crédito suficiente para suportála. Fl. 112DF CARF MF 4 A DRJ/SPO considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pelas razões a seguir descritas: a) o manifestante afirma que não foi apresentada uma DCTF retificadora com o valor supostamente correto e requer a retificação de ofício desta declaração com o valor informado; b) os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o art. 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124/84, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito; c) o interessado apresentou para o período de março/2006, uma DCTF original e uma DCTF retificadora. Em ambas as DCTF, o valor declarado de IRRF, código 0481, foi o mesmo: R$2.423.878,79 (fls. 62/64); d) o impugnante não apresentou a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração de 20/03/2006 e, por consequência, no imposto declarado; e) permanece válida a DCTF retificadora transmitida, em 31/08/2006. Observandose, ainda, que não há previsão legal para retificação de ofício da DCTF transmitida pelo contribuinte; f) mesmo que uma DCTF retificadora fosse transmitida posteriormente à ciência do despacho decisório, esta não produziria efeitos, a teor do disposto no art. 12, § 2º, inciso III, da IN RFB nº 583/2005, vigente à época dos fatos; g) somente a apresentação da escrituração e documentação válida seria capaz de alterar o débito declarado pelo contribuinte; h) a empresa deve instruir sua defesa com os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal; i) o entendimento expresso é assente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (reproduz Acórdãos nº 3803006.314 e 3802003.891) no sentido de que: 1) a apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida; 2) compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre; 3) a compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN; 4) uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento; 5) a não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.904759/200967 Acórdão n.º 2402005.851 S2C4T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 80/96), alegando o que segue: a) a confissão do débito em DCTF, não equivale à renúncia ao direito, sendo permitido, a qualquer momento, ao sujeito passivo retomar o questionamento do direito subjacente à dívida; b) não se pode cogitar de que o pagamento confessado em DCTF equivale à renúncia do direito à restituição de tributo indevido, a teor do art. 165 do CTN que expressamente prevê restituição de tributo espontaneamente pago (como se fosse devido), independente de protesto, já que a dívida tributária surge ex lege, jamais se originando em razão de qualquer manifestação/declaração que a exteriorize como devida, acaso efetivamente não seja; c) não tem procedência a negativa ao direito creditório e à homologação da compensação na espécie, a pretexto da confissão do IRRF em DCTF (sem retificação tempestiva do débito), declarado com erro de fato, tendo em vista o efeito meramente declaratório dessa (DCTF), pois, a DCTF não inflige efeito constitutivo ao crédito tributário; d) o indébito tributário objeto do DARF de IRRF objeto do DARF de IRRF de R$ 2.423.878,79, equivale ao total de R$ 1.043.723,37, conforme direito creditório de IRRF declarado em PER/DCOMP nº 35687.01200.310506.1.3.042386; e) cita doutrina para defender que, no âmbito do Direito Tributário, em ocorrendo erro de pagamento, a repetição do indébito independe da apresentação de provas, “bastando indicar que a mesma foi paga de modo espontâneo por erro de fato no recolhimento de DARF”; f) ao contrário do acórdão a quo, a exigência de que o contribuinte apresente, por exemplo, a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração 20.03.2006, e, por consequência, no imposto declarado para estar autorizado a restituir/compensar o excesso do imposto recolhido em DARF, não pode embasar interpretação que pretenda preterir ou excluir pesquisa de todos os meios de prova admitidos em direito, e que possibilitem documentar o direito creditório legítimo da recorrente, já que tal limitação conduziria ao enriquecimento sem causa da Administração Fazendária, o que não se harmoniza com os princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da verdade material; g) o ônus de provar o direito creditório arguido, não exclui o dever jurídico da Administração Fazendária de analisar/pesquisar e diligenciar a busca dos fatos e dados registrados em documentos existentes na própria Administração Tributária, ou ainda, visando confirmação externa da verdade material; h) mesmo quando atua no exercício de sua função julgadora, não pode a Administração se furtar a seus deveres de ofício, especialmente o de diligenciar a pesquisa e certificação dos registros contábeis dos contribuintes, comparativamente aos dados passíveis de consulta em suas bases, tais como DCTF transmitidas à Receita Federal do Brasil com débitos de responsabilidade de fontes pagadoras, vinculados à pagamentos/creditamentos etc, à beneficiários de rendimentos residentes ou Fl. 114DF CARF MF 6 domiciliados no exterior. Cita jurisprudência do CARF que julga respaldar sua assertiva; i) roga pela conversão do julgamento em diligência para que seja averiguado se a defesa que se apresenta efetivamente representa informações da escrituração fiscal da interessada, senão para que a contribuinte seja instada a comprovar, através de seus assentamentos contábeis, conforme o caso, o exato registro da sua despesa com Juros e Comissões em Geral, a despeito da DCTF que não foi retificada, para confirmar o erro de preenchimento da DCTF quanto ao valor da obrigação tributária de IRRF, para o fato gerador 20.03.2006, relativamente ao código de receita 0481. Repete argumentos de mesma natureza e cita os princípios da ampla defesa e do contraditório; j) objetivando evidenciar ter ocorrido, de fato, um erro de preenchimento na DCTF em destaque e evidenciar (a teor do art. 170 do CTN) os atributos de existência, certeza e liquidez do indébito tributário de IRRF pretendido a restituir/compensar, mediante assunção do ônus probante que lhe incumbe, teria anexando prova inequívoca do erro de fato cometido em sua DCTF, consubstanciada em registros contábeis que demonstram o aproveitamento de direito creditório oriundo de “Pagamento a Maior ou Indevido”, utilizado para compensar débito de CSLL e IRPJ. k) com base na movimentação contábil constante do documento de fl. 106, verificarse a comprovação contundente de que o recolhimento abrangendo o débito de IRRF Juros e Comissões em Geral, fato gerador 20.03.2006, implica em indébito tributário, a compensar débitos de estimativas de IRPJ/CSLL, tal como ocorridas no caso concreto deste contencioso administrativo, relativamente à movimentação contábil de conta de IRRF, “tudo convergindo à Verdade Material que deve se sobrepor, a quaisquer declarações da recorrente veiculando erros de fatos, pois tais informações são meramente declaratórias, mas jamais constitutivas de legítimo direito creditório, aqui comprovados através de assentamentos contábeis da fonte pagadora”. l) aduz que, uma vez juntados os assentamentos contábeis, evidenciando um erro de preenchimento em DCTF quanto a suposto débito de IRRF passível de investigação apenas no âmbito do lançamento por homologação, não se pode negar a existência, certeza e liquidez do indébito tributário oriundo de recolhimento IRRF, após comprovada sua compensação parcial com estimativas de IRPJ/CSLL, nos exatos montantes extintos sob condição resolutória na PER/DCOMP; m) destaca que o art. 332 e seguintes do Código de Processo Civil CPC (Lei 5.869/73) enumera como meios de prova, o depoimento pessoal, a confissão, os documentos públicos e particulares, a prova testemunhal, as perícias e a inspeção judicial, e, além destas, também se pode lançar mão de outros meios de prova, desde que moralmente legítimos, respeitandose os direitos e garantias individuais e que Dessa forma, a administração fazendária, no exercício de sua função julgadora, não pode prescindir do desvelo Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16327.904759/200967 Acórdão n.º 2402005.851 S2C4T2 Fl. 5 7 esperado à análise da prova trazida aos autos, conforme aqui se controverte. n) faz referência ao art. 165 do CTN; o) argumenta que compensação de dívidas tributárias com direito de crédito resultante de recolhimento indevido de tributo logra efeitos de restituição, nos termos em que disciplinada por lei cuja validade encontre fundamento no art. 170 do CTN p) faz referência ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e ao art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 900/2005, que respaldariam seu direito; q) infere que o débito de IRRF tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento, estabelecidos pela legislação, podendo ser lançado de ofício no âmbito do lançamento por homologação, se for o caso, de forma que o pagamento que contiver indícios comprovados de equivaler a direito creditório, tem natureza de pagamento indevido ou a maior, passível de imediata restituição/compensação; Por fim, requer: a) a reforma da decisão recorrida, para que seja dado provimento ao recurso voluntário e, reconhecida a existência do direito creditório; ou b) seja convertido o julgamento em diligência, para requerer que a unidade de origem designe agente para (i) verificar a documentação coligida visando comprovar o indébito e a efetiva obrigação tributária (in)existente do IRRF de Juros e Comissões em Geral, relativa ao fato gerador de 20.03.2006, comparativamente às informações e registros da escrituração contábil e fiscal da interessada; e, (ii) elaborar relatório conclusivo cientificado à Recorrente, com prazo para o regular contraditório e posterior retorno ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Realização de Diligência Com relação ao pedido de conversão do julgamento em diligência, requer o contribuinte que seja averiguado se a defesa apresentada, efetivamente, refletiria as informações de sua escrituração fiscal ou, ao revés disso, que seja ele (o recorrente) instado a comprovar, através de seus assentamentos contábeis, o exato registro de sua despesa com Juros e Comissões em Geral, a despeito da DCTF que não foi retificada, para confirmar o erro de preenchimento de referida declaração e a inocorrência dos fatos geradores, cujos valores decorrentes são objeto da DCOMP. Requer ainda seja verificada a documentação coligida visando comprovar o indébito e a inexistência de obrigação tributária e o consequente direito creditório. A teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide. Inicialmente, importa ressaltar que, de acordo com inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, incumbe ao sujeito passivo a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta seu recurso, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não cabendo à autoridade julgadora, como parece querer fazer crê o recorrente, substituilo na busca de elementos de prova aptos a comprovar os argumentos trazidos na peça recursal sob o pretexto de que isso representaria a consubstanciação do princípio da verdade material. Além disso, sobre o dever da Administração Tributária de buscar fatos e dados registrados em documentos existentes em seus sistemas, impende esclarecer que a não homologação da compensação informada em DCOMP se deu justamente porque as informação contidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil davam conta de que inexistiam créditos para o pagamento dos débitos indicados na declaração e isso ficou claramente evidenciado no Despacho Decisório que denegou o pleito creditório. Especificamente com relação ao pedido de diligência, notase que as questões suscitadas no recurso voluntário têm relação com matéria de prova e, dessa forma, considero absolutamente desnecessária a realização de diligência para esclarecer questões que poderiam ter sido facilmente elucidadas, bastando para tanto que o recorrente indicasse as supostas inconsistências contidas no Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16327.904759/200967 Acórdão n.º 2402005.851 S2C4T2 Fl. 6 9 e apresentasse os elementos probatórios que pudessem dar suporte às suas afirmações, o que não foi feito adequadamente por ocasião da Manifestação de Inconformidade ou do recurso voluntário. Desta feita, por entender imprescindível e impraticável a realização de diligência voltada exclusivamente para o levantamento de provas que deveriam ser carreadas aos autos pelo recorrente, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, indefiro pedido. Mérito A respeito das afirmações do recorrente de que confissão do débito em DCTF, não equivale a renúncia ao direito à repetição de indébito tributário e que a não homologação de compensação não pode ter como pretexto a inocorrência de retificação da referida Declaração, convém ressaltar que a decisão recorrida não se ateve a esses aspectos para considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Não há no aresto vergastado qualquer menção à hipótese de que a inserção de informações em DCTF equivalha à renúncia de quaisquer direitos legal ou constitucionalmente estabelecidos, tampouco de que a não retificação dessa declaração pelo contribuinte, de per si, tenha o condão de obstaculizar o direito creditório. Consoante consta da decisão recorrida: O impugnante não apresentou a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração de 20/03/2006 e, por consequência, no imposto declarado. Destarte, permanece válida a DCTF retificadora transmitida, em 31/08/2006. Observandose, ainda, que não há previsão legal para retificação de ofício da DCTF transmitida pelo contribuinte. Vejase que o trecho do decisum atacado, diferentemente do que infere o reclamante, é bastante elucidativo quanto a impossibilidade de se desconsiderar as informações contidas na DCTF diante da não apresentação de escrituração contábil e outros documentos hábeis a comprovar o reclamado erro de fato na base cálculo do IRRF declarado. Sem embargo, o contribuinte rebate as asserções da DRJ/SPO, com base em fragmento descontextualizado de obra doutrinária, sob o argumento de que, o pleito de devolução do indébito tributário dispensaria a apresentação de provas, “bastando indicar que a mesma (obrigação tributária) foi paga de modo espontâneo por erro de fato no recolhimento de DARF”, ou seja, na própria peça recursal admitise que não se apresentaram provas para respaldar as alegações levantadas. Por certo, não há qualquer fundamento nessa tese de que a repetição de indébito tributário prescinda de apresentação de provas incontestes que possam fundamentar os fatos alegados. Assim, no que respeita às questões de mérito, não colhe melhor sorte o recorrente em suas pretensões. Como bem pontuou a autoridade recorrida, o contribuinte não Fl. 118DF CARF MF 10 juntou aos autos cópias da escrita contábil e fiscal da empresa, de forma a demonstrar o erro no preenchimento da DCTF e o consequente recolhimento indevido. Conquanto alegue o contribuinte que carreou aos autos documentação demonstrando o erro de preenchimento na DCTF, temse que o único resquício de prova apresentado, já agora no recurso voluntário, foi o “documento” de fl. 106. Referido “documento”, que diz se tratar de “prova inequívoca do erro de fato cometido em sua DCTF, consubstanciada em registros contábeis que demonstram o aproveitamento de direito creditório oriundo de ‘Pagamento a Maior ou Indevido’, utilizado para compensar débito de IRPJ e de CSLL, ESTIMATIVA MENSAL, não é hábil a demonstrar a ocorrência de erro de fato. Referenciado “documento” tratase de uma única folha, sem qualquer tipo de registro que possa evidenciar que as informações ali inseridas integram a contabilidade da recorrente. E mais, embora revele a existência de recolhimento relativos ao mês de março de 2006 em valor equivalente ao da DCOMP que aqui se debate R$ 287.871,72 e R$ 777.561,00, os apontamentos contidos em tal “documento” não têm qualquer aptidão para comprovar o erro de fato arguido ao longo de todo o recurso voluntário. É certo que o processo administrativo é orientado pelo princípio do informalismo (ou formalismo moderado), contudo, não é crível que alguém possa imaginar que esse princípio (do informalismo) seja capaz de nos levar ao extremo de aceitar que documentos como o de fl. 106 possam fazer prova de ocorrência de erro que tendente a afastar as informações contidas em uma declaração que, conforme bem ressaltou a decisão atacada, constitui confissão de dívida nos termos do § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/1984. De mais a mais, fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material não significa dizer que resta afastada a necessidade de que o contribuinte faça prova de suas alegações, tampouco que o dever do ônus probandi seja do fisco. O reconhecimento de equívoco no preenchimento da DCTF somente se mostra admissível mediante comprovação do erro em que se funde, cabendo, repitase, ao recorrente fazer prova de suas alegações. Ausente a comprovação do alegado erro de fato, e não comprovada a certeza e liquidez do crédito, inaplicáveis todas normas relativas a compensação suscitadas no recurso voluntário, com base nas quais o recorrente busca se socorrer. Nesse sentido, assente o entendimento no âmbito deste Conselho, consoante se verifica da ementa do Acórdão nº 2201 002.397: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, devese manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Quanto às decisões administrativas suscitadas, essas foram proferidas em contextos fáticos próprios e, por suas especificidades, também não acodem o recorrente. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16327.904759/200967 Acórdão n.º 2402005.851 S2C4T2 Fl. 7 11 Conclusão Isso posto, tendo em vista que os documentos carreados não foram suficientes para demonstrar o erro no preenchimento da DCTF, voto por CONHECER do recurso para indeferir o pedido de diligência, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 18329.000215/2007-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007
RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, deve-se conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, devese conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 00 02 15 /2 00 7- 78 Fl. 282DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (DEBCAD 37.048.7044) que nos termos do Relatório Fiscal de fls. 38 e seguintes, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurado contribuinte individual (autônomo) classificado pela fiscalização como contribuinte empregado. O lançamento foi assim resumido: contribuição do segurado empregado (7,65% a 11%), cota patronal básica (20%), Seguro Acidente do Trabalho (2%) e Terceiros (5,8% Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Contribuinte apresentou impugnação de fls. 50 e seguintes, alegando em síntese: decadência parcial do lançamento, cerceamento do direito de defesa e inexistência de relação de emprego com os profissionais descritos no lançamento. Foi requerida a conexão do presente processo com aqueles relacionados às NFLD nrs. 37.048.7028, 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 e Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.048.708 7, Al 37.134.5634, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, todos decorrentes do mesmo procedimento fiscal. Após pedido de diligência e apresentação de manifestação da fiscalização e do contribuinte o lançamento foi julgado parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 171). Entendeu aquele colegiado, com base no art. 150, §4º do CTN, pela decadência dos fatos geradores anteriores a 11/2002. Recurso Voluntário juntado às fls. 187 e seguintes. Além de reiterar os argumentos de defesa, o Contribuinte em sede de preliminar requereu a nulidade do lançamento por vício formal e a redução da multa pela aplicação da Lei nº 11.941/2009. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 9202005.479 CSRFT2 Fl. 283 3 Por meio do Acórdão 2403.01.162, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO SEGURADO EMPREGADO. Quando a AuditoriaFiscal constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na Fl. 284DF CARF MF 4 forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requereu o provimento do recurso, com a reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja cotejado na execução do julgado qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso sob a afirmativa de os acórdãos paradigmas serem anteriores a vigência da Lei nº 11.941/2009 e ainda pelo fato da Fazenda Nacional requerer a aplicação da IN nº 971/2009, a qual já teria sido considerada pelo acórdão recorrido. No mérito requer o não provimento. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Pugna o Recorrido pelo não conhecimento do recurso. Afastando as alterações constantes na Medida Provisória 449/2008, o contribuinte afirma que a Lei nº 11.941/2009 entrou em vigor em 27.05.2009, assim "os acórdãos paradigmas não se prestam como fundamento (...), eis que proferidos anteriormente à edição da Lei que trouxe o abrandamento das multas e dos juros aos casos de inadimplemento ou ausência de declarações relativas à tributos previdenciários". Inicialmente é importante destacar a relação intrínseca existente entre a Lei nº 11.941/2009 e a Medida Provisória nº 449/08, esta foi o texto base daquela, ou seja, há uma relação direta e umbilical entre os textos normativos ora analisados. Embora de fato haja uma questão relacionada ao processo legislativo de alteração normativa, não podemos negar que independente da norma introdutora, os artigos aplicados e considerados pelos acórdãos recorrido (art. 26 da Lei nº 11.941/09) e paradigmas (art. 24 da MP 449/08) produziram no mundo jurídico, cada um em seu tempo, os mesmo efeitos. Isso porque a alteração inicialmente proposta pela medida provisória (que produziu efeitos até a sua conversão na lei) foi mantida nos mesmos termos pela respectiva Lei de Conversão nº 11.941/2009. Vejamos: Fl. 285DF CARF MF Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 9202005.479 CSRFT2 Fl. 284 5 MP 449/08 Lei nº 11.941/09 Art. 24. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996.” (NR) “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” (NR) Art. 26. A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Considerando que não ocorreu qualquer mudança significativa no texto e embora os veículos que promoveram as alterações na Lei nº 8.212/91 sejam distintos (MP e Fl. 286DF CARF MF 6 lei), a norma introduzida sempre foi única e produziu desde a edição da medida provisória os mesmos efeitos. Assim, o fato de na época do julgamento dos paradigmas a análise da aplicação da retroatividade ter sido feita com base nas alterações promovidas pela MP 449/2008, por si só não leva à inadmissibilidade do recurso, pois o entendimento adotado naqueles casos é o mesmo sustentado pelo Recorrente, qual seja, na apuração da multa mais benéfica devese comparar o art. 35 da Lei nº 8212/91 (na redação anterior) e o art. 35A da mesma lei, entendimento não compartilhado pelo Colegiado a quo. No mais, também não se sustenta o argumento de não conhecimento do recurso com base no fato de que a Fazenda Nacional, ao citar a Instrução Normativa nº 971/2009, teria concordado com a regra aplicada no acórdão recorrido. É indiscutível que as partes, os acórdãos recorrido e paradigmas convergem no sentido de que somente se aplicará o art. 106 do CTN no caso da nova norma ser mais benéfica ao contribuinte. O que se discute, porém, é qual seria a regra para apuração da multa mais benéfica, a divergência está na classificação da natureza jurídica das multas e a fixação do critério de comparação entre elas. A problemática foi didaticamente resumida pelo despacho de admissibilidade: Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei nº 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2º da Lei 9430/96 foi rechaçada de forma expressa. Diante do exposto, é possível observar que a divergência interpretativa, na forma como apresentada pela Fazenda Nacional, existe e deve ser analisada por esta Câmara Superior, razão pela qual, reiterando o despacho 2400344/2013, conheço do recurso. Do mérito: No mérito cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 9202005.479 CSRFT2 Fl. 285 7 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 288DF CARF MF 8 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991 regra já adotada pelo fiscal quando do lançamento do débito. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.000: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 289DF CARF MF Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 9202005.479 CSRFT2 Fl. 286 9 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 290DF CARF MF 10 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Sobre o assunto foi editada a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 291DF CARF MF Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 9202005.479 CSRFT2 Fl. 287 11 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 292DF CARF MF 12 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720130/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.762
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720130/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.762 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 30 /2 01 1- 11 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720130/201111 Acórdão n.º 3302003.762 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.275. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720130/201111 Acórdão n.º 3302003.762 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720130/201111 Acórdão n.º 3302003.762 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720130/201111 Acórdão n.º 3302003.762 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720130/201111 Acórdão n.º 3302003.762 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.928026/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/06/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.729
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/06/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 26 /2 00 9- 90 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15374.928026/200990 Acórdão n.º 3201002.729 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.018. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 15374.928026/200990 Acórdão n.º 3201002.729 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15374.928026/200990 Acórdão n.º 3201002.729 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906699/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se o direito à homologação da compensação pleiteada, nos termos do artigo 170 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhecese o direito à homologação da compensação pleiteada, nos termos do artigo 170 do CTN. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 66 99 /2 00 9- 96 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10380.906699/200996 Acórdão n.º 3302004.476 S3C3T2 Fl. 141 2 Tratase de declaração de compensação não homologada, de créditos de Cofins relativo a Darf recolhido em 15/10/2001, concernente ao período de setembro/2001. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese, em parte, relatório da resolução de nº 3302000.183: "Tratase de PER/DCOMP transmitida em 29/09/2006, não homologada pela DRF/FORTALEZA, conforme Despacho Decisório eletrônico (fls. 06), no qual a recorrente utilizara crédito referente ao recolhimento indevido ou a maior que o devido, efetuado em 15/10/2001, a título de COFINS do período de apuração encerrado em 30/09/2001, através de DARF no valor de R$12.937,50, considerando aquela repartição da RFB que o crédito apontado já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito da empresa. O valor devido que seria compensado referese à CSLL, no valor de R$160,75, com vencimento em 29/09/2006. A ciência do Despacho Decisório foi dada em 05/05/2009 (AR fls. 08), tendo sido interposta Manifestação de Inconformidade em 04/06/2009 (fls. 09/18), informando que: Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas — DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. Anexou à citada Manifestação cópia do balancete e das DIPJ e DCTF retificadoras, argüindo seu direito à fruição do crédito que se originara de pagamento efetuado a maior que o devido em face de o cálculo da exação ter sido efetuada sobre a base que fora alargada pelo dispositivo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF na sessão plenária realizada em 09/11/2005 e posteriormente revogada pelo art. 79 – XII da Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Através do Acórdão nº 0818.215, sessão de 15/06/2010, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – DRJ/FOR proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10380.906699/200996 Acórdão n.º 3302004.476 S3C3T2 Fl. 142 3 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legitima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão em 19 de julho de 2010 (AR. fls. 91), no dia 18 de agosto seguinte interpôs recurso voluntário a este Conselho (fls. 92/105), reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e contestando a decisão recorrida com extenso arrazoado, do qual extraio os excertos a seguir transcritos: 4. Destarte, inobstante em uma conduta louvável tenha reconhecido o direito meritório, para afastar administrativamente a aplicação do § 1º do art. 30 da Lei n°. 9.718/98, conforme reza o art. 26A do Decreto 70.235/72, entendeu a Ilustre Turma pela impossibilidade de serem acatadas as retificações da DCTF e da DIPJ relativas ao período do crédito, por terem sido apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, conforme acórdão assim ementado: (...). 10. Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (destaques acrescidos) 18. Por ocasião da apresentação de manifestação de inconformidade, a Recorrente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas — DIPJ's e DCTF's (conforme documentação já acostada aos autos), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Recorrente. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10380.906699/200996 Acórdão n.º 3302004.476 S3C3T2 Fl. 143 4 19. Vislumbrando a documentação acostada à manifestação de inconformidade, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido restou inferior, ao valor que foi vinculado de créditos (pagamentos e compensações), remanescendo desta forma saldo credor original, valor este utilizado quase que integralmente em Pedido de Compensação. 22. No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito. (destaques acrescidos) 23. Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. 43. Conforme entendimento do Ilustre Julgador, a Recorrente, para comprovar a certeza e liquidez do crédito, deveria não só ter retificado a DCTF, mas também ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que dessem respaldo ao seu pedido. Neste sentido, afirmou que caberia à Recorrente o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório, e ainda, aduziu que o momento apropriado para se apresentar tal ônus seria quando da interposição da manifestação de inconformidade. (destaques acrescidos) 44. Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." (destaques acrescidos) 45. Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. (destaques acrescidos) 46. Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. 53. Na busca pela verdade material, o julgador administrativo não pode se limitar às provas até então produzidas, tem ele o dever de buscar a verdade material dos fatos, por meio da análise de toda e qualquer prova, não podendo, inclusive, ignorar documentos que venham a ser apresentados pelo contribuinte após intimação fiscal, impugnação ou manifestação Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10380.906699/200996 Acórdão n.º 3302004.476 S3C3T2 Fl. 144 5 de inconformidade ou mesmo após proferidas as decisões administrativas." Na sessão de 15/02/2012, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 3302000.183, para que "a repartição preparadora aprecie a validade da DCTF retificadora e a documentação apresentada junto à Manifestação de Inconformidade objeto da decisão recorrida, dandose ciência do resultado dessa verificação à diligenciada para, querendo, manifestarse a respeito, devendo o processo retornar à DRJ para apreciação de eventual Manifestação de Inconformidade, oportunidade em que será proferida nova decisão de primeira instância, reabrindoselhe o prazo para apresentação de recurso voluntário, tudo de conformidade com o Processo Administrativo Fiscal – PAF, disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72." Dando cumprimento à resolução, a autoridade fiscal elaborou informação na qual confirma que a base de cálculo da Cofins apresentada pela recorrente guardava correlação com os valores escriturados nos Livros Diário e Razão, conforme excerto abaixo: "8. Em verificação por amostragem, constatase que o demonstrativo da base de cálculo da COFINS apresentada pelo contribuinte guarda correlação com os valores escriturados nos Livros Diário e Razão. 9. O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a COFINS do período de apuração SET/2001. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo COFINS apurado COFINS paga/retida Crédito da COFINS R$ 428.721,95 R$ 12.861,66 R$ 12.948,43 R$ 86,77 Cientificada da informação fiscal, a recorrente nada manifestou, exceto renunciando a qualquer prazo existente. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A diligência confirmou o crédito de R$ 86,77 relativo à Cofins apurada em setembro/2001, valor exato ao pedido pela recorrente na DCOMP não homologada, conforme efls. 3, razão pela qual a recorrente nada manifestou, tendo, inclusive, renunciado a qualquer prazo recursal existente. Assim, desnecessária a providência determinada na Resolução nº 3302 000.183, quanto ao retorno à DRJ para prolação de nova decisão, uma vez que, no mérito, o Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10380.906699/200996 Acórdão n.º 3302004.476 S3C3T2 Fl. 145 6 recurso voluntário deve ser provido, nos termos do §3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.730831/2013-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
"MARKETING MULTINÍVEL". SISTEMÁTICA DE VENDAS. REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS/PRÊMIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Os bônus/prêmios pagos aos distribuidores, pelas vendas e divulgação dos produtos da empresa por meio da sistemática de ampliação da rede de distribuição ("marketing multinível"), têm natureza remuneratória, caracterizando-se os respectivos beneficiários como contribuintes individuais.
Numero da decisão: 9202-005.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 "MARKETING MULTINÍVEL". SISTEMÁTICA DE VENDAS. REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS/PRÊMIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Os bônus/prêmios pagos aos distribuidores, pelas vendas e divulgação dos produtos da empresa por meio da sistemática de ampliação da rede de distribuição ("marketing multinível"), têm natureza remuneratória, caracterizando-se os respectivos beneficiários como contribuintes individuais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 8.971 1 8.970 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12448.730831/201362 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.548 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS Recorrente FOREVER LIVING PRODUCTS BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 "MARKETING MULTINÍVEL". SISTEMÁTICA DE VENDAS. REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS/PRÊMIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Os bônus/prêmios pagos aos distribuidores, pelas vendas e divulgação dos produtos da empresa por meio da sistemática de ampliação da rede de distribuição ("marketing multinível"), têm natureza remuneratória, caracterizandose os respectivos beneficiários como contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 08 31 /2 01 3- 62 Fl. 8971DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, por meio dos seguintes Autos de Infração: DEBCAD nº 51.047.6872 contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, estas, sobre a remuneração dos segurados empregados; débito quitado pela Contribuinte; DEBCAD nº 51.047.6880 contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração dos contribuintes individuais que receberam o “Bônus Nacional”; DEBCAD nº 51.047.6899 contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração dos contribuintes individuais que receberam o “Bônus Internacional”; DEBCAD nº 51.047.6902 contribuições devidas a Terceiros: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Salário Educação), INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE; débito quitado pela Contribuinte; DEBCAD nº 51.047.6910 (CFL 38) – multa por descumprimento de obrigação acessória deixar de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 2001; débito quitado pela Contribuinte; DEBCAD nº 51.047.6929 (CFL 78) multa por descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com incorreções e/ou omissões; débito quitado pela Contribuinte. Assim, restaram em litígio apenas os DEBCAD´s 51.047.6880 e 51.047.6899, referentes às Contribuições Previdenciárias incidentes sobre "Bônus Nacional" e "Bônus Internacional" pagos a contribuintes individuais. Em sessão plenária de 16/08/2016, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.490 (fls. 8802 a 8830), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS/PRÊMIO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Os bônus/prêmios, pagos a segurados contribuintes individuais pelas vendas e divulgação dos produtos da empresa através da ampliação da rede de distribuição, têm natureza remuneratória, incidindo sobre eles as contribuições previdenciárias de que trata o art. 22, III da Lei nº 8.212/1991. Fl. 8972DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.972 3 A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços." Cientificada em 13/12/2016 (Termo de Abertura de Documento de fls. 8.839), a Contribuinte interpôs, em 23/12/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 8.840), o Recurso Especial de fls. 8.841 a 8.860, com fundamento nos arts. 64, inciso II, 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a natureza dos pagamentos efetuados a título de bonificações no âmbito de marketing multinível, para fins de cobrança de contribuição social previdenciária. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/02/2017 (fls. 8.957 a 8.961). Em seu apelo, a Contribuinte alega: a conclusão das autoridades fiscais responsáveis pela lavratura dos Autos de Infração, endossada pelo acórdão recorrido, está baseada em compreensão equivocada do Plano de Marketing e das atividades desenvolvidas pela Contribuinte e pelas pessoas físicas; a Contribuinte integra o Grupo Forever Living Products, sediado nos Estados Unidos da América, que atua na área de vendas diretas e utiliza um modelo de negócios baseado em programa de marketing multinível, que incentiva e apóia a venda de seus produtos por meio de uma rede de distribuidores independentes; a atividade desenvolvida pela Contribuinte no mercado brasileiro possui duas frentes principais de atuação, a saber: (i) importação e comercialização dos produtos fabricados pelo Grupo FLP, nos segmentos de saúde, nutrição, beleza, higiene pessoal e saneantes; e (ii) prestação de serviços de administração e gestão de recursos oriundos do Plano de Marketing; o Plano de Marketing da Recorrente, que está inserido no contexto do programa mundial de marketing multinível do grupo, tem o objetivo de incrementar a comercialização dos produtos importados do Grupo FLP, por meio da constituição de uma rede de distribuidores no país e de um fundo de repartição financeira; para que determinada pessoa física possa ser um distribuidor autorizado e adquirir os produtos comercializados pela Contribuinte em condições especiais e revendêlos no mercado de varejo, é necessária a adesão prévia ao "Contrato de Distribuição" e ao "Contrato de Prestação de Serviços" (documentos anexados ao presente processo fls. 157/197); o contrato de distribuição concede ao distribuidor o direito de adquirir com desconto especial (preço de atacado) e de revender pelo preço de mercado (preço de varejo) os produtos comercializados com a marca FLP, com observância das regras fixadas na política da companhia; após a aquisição do produto com desconto, o distribuidor pode utilizálo para consumo próprio ou revendêlo no mercado de varejo; Fl. 8973DF CARF MF 4 o distribuidor tem ampla liberdade para usar ou revender os produtos adquiridos com a marca FLP, sem qualquer subordinação ou vinculação no exercício de sua atividade; assim, o distribuidor equiparase a um empreendedor independente, na medida em que pode utilizar ou comercializar com ampla liberdade os produtos adquiridos, sem a necessidade de prestação de contas à Contribuinte; ao optar pela aquisição de determinado produto da linha FLP, o distribuidor credenciado paga dois valores diferentes à Contribuinte: um primeiro valor, que corresponde ao preço da mercadoria adquirida; e um segundo valor, denominado de Valor de Alocação de Rede (VAR), que corresponde ao fundo financeiro que posteriormente será partilhado entre os distribuidores, de acordo com os critérios estabelecidos no Plano de Marketing; a própria tabela de requisições de produtos indica expressamente o valor do VAR, que será objeto de alocação no Plano de Marketing (cita exemplo); cabe destacar que os recursos atribuídos aos distribuidores decorrem diretamente da aquisição de produtos da marca FLP, independentemente da venda efetiva ao consumidor final no mercado de varejo; assim, no momento da aquisição do produto, o distribuidor contribui para o Valor de Alocação de Rede (VAR), que corresponde ao fundo financeiro; periodicamente, os valores que integram o fundo são partilhados entre os distribuidores, de acordo com os critérios estabelecidos no Plano de Marketing; o distribuidor poderá indicar novos empreendedores independentes (distribuidores) para participar do Plano de Marketing, com o objetivo de formar uma rede de participantes para comprar e revender os produtos FLP; nesse sentido, o distribuidor pode adquirir produtos com desconto (para uso próprio ou revenda), bem como estimular o credenciamento de novos distribuidores, para construir ou ampliar a sua rede; o credenciamento de terceiros como empreendedores independentes permite o aumento da participação do distribuidor responsável nos recursos distribuídos pelo fundo, melhorando a sua posição na estrutura de negócios da Contribuinte; é importante destacar que o distribuidor atua de forma independente, sem o recebimento de qualquer bônus ou estímulo financeiro por parte da Contribuinte; de fato, o distribuidor pode apenas adquirir os produtos FLP com desconto e revendêlos no mercado de varejo, obtendo o lucro da operação como resultado da sua atividade, porém, como em qualquer programa de marketing multinível, o distribuidor poderá estimular o credenciamento de indivíduos com objetivos semelhantes, a fim de construir uma rede de empreendedores com foco na expansão da comercialização dos produtos FLP; de qualquer forma, é importante frisar que o distribuidor pode simplesmente desfrutar da opção de comprar o produto a preço de atacado e revendêlo aos seus clientes no valor de varejo do produto, construindo uma base de clientes; feitas essas considerações, devese examinar em que consiste a atividade desenvolvida pela Contribuinte, de gestão dos recursos do VAR; Fl. 8974DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.973 5 no momento do credenciamento, o distribuidor também deve assinar um contrato de prestação de serviços, por meio do qual concorda que a Contribuinte exercerá as seguintes atividades gerenciais: (i) controle das importâncias entregues pelos distribuidores para constituição do fundo, mediante alocações a cada distribuidor do mesmo grupo, no momento da aquisição de cada produto da marca FLP; (ii) cálculo dos valores do fundo que serão devidos a cada distribuidor credenciado; e (iii) distribuição efetiva das parcelas devidas aos distribuidores e aos demais membros da respectiva rede; assim, o contrato de prestação de serviços celebrado entre a Contribuinte e os distribuidores envolve a administração e gestão de recursos financeiros oriundos do VAR, que é justamente a atividade de controle do programa de marketing multinível; os valores correspondentes ao VAR, alocados no fundo financeiro, são integralmente destinados aos distribuidores, de acordo com os critérios estabelecidos no Plano de Marketing, o que confirma que a Contribuinte não pode utilizar tais recursos segundo a sua livre conveniência, ao contrário, os recursos correspondentes ao VAR são afetados a uma finalidade específica, relativa ao programa de marketing multinível; como enfatizado acima, o montante entregue à Contribuinte, quando da aquisição dos produtos pelos distribuidores, tem duas naturezas jurídicas distintas: uma parte é referente ao preço do produto constante da nota fiscal, que corresponde à receita bruta da Contribuinte; outra parte correspondente ao VAR, cujo montante é integralmente direcionado ao fundo de recursos administrado pela Contribuinte e posteriormente revertido aos distribuidores, de acordo as regras do Plano de Marketing; isso mostra que o valor pago no âmbito do Plano de Marketing não guarda qualquer relação com o preço do produto adquirido e simplesmente corresponde a uma contribuição do distribuidor credenciado para o fundo financeiro gerido pela Contribuinte, cujos recursos periodicamente são entregues aos distribuidores; notese que o benefício econômico obtido pela Contribuinte é calculado exclusivamente com base no valor recebido a título de preço pela venda dos seus produtos; no que diz respeito ao fundo financeiro, a Contribuinte fica responsável tão somente pela administração dos recursos nele alocados, a fim de manter a estrita observância das regras estabelecidas no Plano de Marketing; assim, percebese claramente que os distribuidores não podem ser qualificados como contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária, uma vez que, ao contrário do entendimento manifestado no acórdão recorrido, não há qualquer prestação de serviços pelos distribuidores credenciados no âmbito do Plano de Marketing a ensejar a incidência tributária; isso porque o distribuidor adquire produtos da marca FLP (para uso próprio ou para revenda no varejo) e estimula o credenciamento de novos distribuidores, mas sem qualquer vínculo de prestação de serviços com a Contribuinte; o distribuidor atua, assim, como um empreendedor independente, na medida em que pode, a seu único e exclusivo critério, apenas adquirir os produtos FLP com desconto e revendêlos no mercado de varejo com margem de lucro, sem o recebimento de qualquer bônus da Contribuinte, a relação jurídica entre o distribuidor e a Contribuinte é meramente comercial; Fl. 8975DF CARF MF 6 o credenciamento de novos distribuidores no Plano de Marketing, por indicação, beneficia o próprio distribuidor, que poderá ser qualificado em outra posição dentro do referido plano, aumentando a sua participação na rede para fins de recebimento de parte do VAR e, nesta hipótese, o benefício para a Contribuinte é apenas indireto, em razão do aumento do volume de compras efetuadas pelos distribuidores cadastrados; tal fato resta evidente pela análise do parecer elaborado pelo Professor Heleno Taveira Torres, já anexado aos presentes autos (documento anexado à impugnação): "De fato, os contratos em questão são estruturados de forma a motivar os Distribuidores/Compradores a indicarem pessoas para o processo em tela, de modo a criar redes que efetuem compras volumosas, o que se redundará em maiores bonificações. Tais incentivos visam logicamente, à promoção dos negócios da Consulente, em caráter meramente econômico. Judicialmente, temse dois contratos, cuja forma adotada é corroborada por sua causa. De um lado, temse um contrato de compra e venda de produtos, e, de outro, um contrato de prestação de serviços de gestão de recursos de terceiros. Nessa esteira, ainda que os Distribuidores/Compradores sejam economicamente incentivados a indicarem pessoas a comporem a sua rede, não há qualquer dever nesse sentido." (pg. 30 do referido parecer destaques da Recorrente) não há como caracterizar a atividade exercida pelos distribuidores como prestação de serviços, pois a função do distribuidor é adquirir produtos com a marca FLP; a revenda no mercado de varejo ou a criação de uma rede de distribuidores são mecanismos de marketing multinível, para aumentar a possibilidade de ganho financeiro dos participantes; tanto é assim que o distribuidor pode, a seu único e exclusivo critério, optar por não indicar novos distribuidores, mas tão somente comprar os produtos da Contribuinte e utilizálos ou revendêlos; ora, é pacífico na doutrina e na jurisprudência que a acepção jurídica do termo "serviço", extraída do Direito Civil, pressupõe a realização de um negócio jurídico que designa essencialmente o esforço pessoal do prestador em benefício de terceiro, mediante retribuição; tratase, em outras palavras, do negócio em que uma pessoa se obriga a fazer algo em favor de outrem; assim, existe prestação de serviços apenas quando houver um negócio jurídico por meio do qual uma parte (prestador) se obrigue a fazer algo em face de outra (tomador), que, por sua vez, assumirá a obrigação de pagar determinada retribuição (preço); como se vê, resta evidente que, no presente caso, não há: (i) prestação de serviço pelo distribuidor em favor da Contribuinte, em virtude da inexistência de assunção de uma obrigação por parte do distribuidor; Fl. 8976DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.974 7 (ii) pagamento de contraprestação pela Contribuinte em face daquele, eis que a origem dos recursos para pagamento do prêmio advém do patrimônio dos próprios compradores, não possuindo a Contribuinte qualquer ingerência sobre os recursos em questão; corroborando essa questão, em parecer juntado ao presente processo, restou cristalina a inexistência de eventual prestação de serviços pelos distribuidores em favor da Contribuinte; o que há, no presente caso, é a prestação de serviços da Contribuinte em favor dos distribuidores, ao gerir e controlar as importâncias por eles entregues, para alocações dentro do mesmo grupo: "Por meio do contrato de prestação de serviços em tela, a Consulente assume 'obrigações de fazer', porquanto se comprometa a (i) controlar as 'importâncias entregues pelo Distribuidor para alocações dentro do mesmo grupo'; (ii) calcular as 'bonificações por volume de acordo como plano de marketing da FLP Brasil"; e (iii) distribuir as 'bonificações por volume ao Distribuidor e demais membros do grupo'. Não há, no âmbito desse contrato, qualquer 'obrigação de fazer' assumida pelos Distribuidores/Compradores, de forma que a única obrigação que a estes incumbe é o pagamento da 'remuneração pela prestação de serviços', prevista na segunda cláusula do contrato. Logo, não há 'obrigação de fazer' pelos Distribuidores/Compradores que os possa qualificar como prestadores de serviços." (página 40 do referido parecer destaques da Recorrente) resta, portanto, evidente o não enquadramento da situação ora analisada às disposições do art. 12, inciso V, alínea "g", combinado com o art. 22, inciso III, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, que assim determinam: "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Ill vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...)." (destaques da Recorrente) de acordo com as disposições legais acima, que serviram de fundamento para as autuações ora combatidas, a contribuição previdenciária incide sobre "o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços"; Fl. 8977DF CARF MF 8 ora, os valores atribuídos aos distribuidores, no âmbito do Plano de Marketing, não têm o caráter remuneratório exigido para a incidência da contribuição previdenciária, pois não há a conotação de retributividade e de contraprestação pelo trabalho executado, o que evidencia a improcedência das autuações fiscais e a necessidade de reforma do acórdão ora recorrido; ao contrário do que pretende fazer crer o acórdão recorrido, as quantias relativas aos prêmios não integram, em momento algum, o patrimônio da Contribuinte, sendo de exclusiva propriedade dos respectivos compradores credenciados (distribuidores), os quais entregam os valores de alocação de rede (VAR) tão somente para que a Contribuinte promova a sua administração e gestão, até o momento em que ocorre a devolução dos mesmos para todos aqueles compradores vinculados às respectivas operações; assim, ao contrário do entendimento proferido no acórdão recorrido, não há que se falar em pagamento de qualquer contraprestação pela Contribuinte em favor de seus distribuidores em razão de eventual serviço prestado, visto que o valor pago a título de "bonificação", conforme discorrido anteriormente, sequer sai do patrimônio da Contribuinte; em outras palavras, não há desembolso pela Contribuinte para pagamento dos prêmios devidos aos distribuidores, visto que os recursos em questão são originários do próprio patrimônio dos compradores, os quais ficam sob a administração e gestão da Contribuinte, em nome e por conta e ordem dos referidos compradores, por período determinado; tratase, portanto, de ingresso de natureza meramente transitória que, posteriormente, é utilizado para quitação dos prêmios; em linha com esse entendimento são elucidativas as conclusões do Professor Heleno Taveira Torres no parecer mencionado: "Logo, tendo em vista que os valores distribuídos pela empresa a título de bonificações não se caracterizam como remunerações, uma vez que se tratam de valores que foram simplesmente administrados pela Consulente, no exercício da prestação de serviços de gestão de recursos de terceiros contratada, de modo que apenas circulam temporariamente por sua contabilidade. Portanto, esses valores entregues como VAR e distribuídos como bonificações, consistem em 'recursos de terceiros' e compõem o objeto da prestação de serviços desenvolvida pela Consulente. Logo, resta completamente descabida a exigência de Contribuição Previdenciária sobre as bonificações distribuídas pela Consulente a seus Distribuidores/Compradores, porquanto tais valores não correspondem a remunerações pela prestação de serviços." (pg. 19 do referido parecer destaques da Recorrente) resta evidente, portanto, ao contrário do entendimento manifestado pela fiscalização e corroborado pelo voto vencedor do acórdão ora recorrido, que os valores recebidos pelos distribuidores não remuneram os supostos serviços de divulgação prestados à Contribuinte; o critério utilizado para fixar a remuneração não é baseado na promoção dos produtos da marca FLP, ao contrário, a política da companhia prevê expressamente que o distribuidor não tem autorização para realizar qualquer campanha publicitária ou anúncio sobre a marca; Fl. 8978DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.975 9 assim, no exercício de sua atividade, a Contribuinte não se utiliza do modo de operação da Ympactus Comercial Ltda ME "Telexfree", empresa conhecida por atuar no sistema de "Marketing Multinível", no qual a atividade principal do distribuidor consiste na oferta ostensiva do produto por meio de anúncios na Internet; o objeto principal da Contribuinte é a comercialização multinível dos produtos da marca FLP; não há, tampouco, a prestação de serviços de agenciamento, tendo em vista que o distribuidor não exerce a função de captar clientes ou novos distribuidores; os produtos adquiridos podem ser consumidos ou revendidos diretamente, por conta e risco do distribuidor, sem qualquer participação da Contribuinte, o distribuidor não retira pedidos em nome da Contribuinte, assim como não capta clientes no mercado; nesse contexto, é interessante observar que o próprio contrato de distribuição prevê que o distribuidor tem a liberdade de revender os produtos por ele adquiridos da Contribuinte, "sem qualquer limitação e pelo preço e nas condições que julgar conveniente" (cláusula 1.1.3); assim, o distribuidor apenas adquire produtos com a marca FLP, que podem ser consumidos ou revendidos; o credenciamento de novos distribuidores também não decorre da prestação de serviços de agenciamento, pois se trata de medida para expandir a rede de colaboradores do próprio distribuidor, com o objetivo de maximizar os seus ganhos no Plano de Marketing; o distribuidor não é remunerado por cada novo distribuidor credenciado, mas, sim, pelo desempenho de sua rede como um todo, que pode incluir colaboradores com os quais o distribuidor original não mantém qualquer relação pessoal ou direta; é interessante notar que a atividade desenvolvida pela Contribuinte, por meio de um plano de marketing multinível, aproximase da operação de captação de poupança popular (embora com ela não se confunda), prevista na Lei nº 5.768, de 1971; isso porque os produtos adquiridos pelos distribuidores contribuem para formação de um capital coletivo, que será posteriormente utilizado para repartição entre os distribuidores da rede, de acordo com os critérios estabelecidos no Plano de Marketing, sendo a Contribuinte encarregada da administração de tais recursos; não há, portanto, prestação de serviços do distribuidor para a Contribuinte, como entendeu o acórdão recorrido; o distribuidor pode receber parcela do VAR em razão das compras realizadas por integrantes de sua rede, ainda que não tenha realizado qualquer atividade material em benefício da Contribuinte, para a caracterização da prestação de serviços; diante de todo o exposto, podese concluir que os valores recebidos pelos distribuidores credenciados a título de devolução de sua contribuição ao fundo financeiro denominado de VAR não caracterizam remuneração por prestação de serviços, logo, não Fl. 8979DF CARF MF 10 podem estar sujeitos à contribuição previdenciária exigida pela fiscalização e mantida pelo acórdão recorrido; o entendimento acima foi corroborado no julgamento dos Acórdãos nºs 2402004.991 e n. 2402004.992, trazidos como paradigmas, julgados em 16/02/2016 pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara; naquela oportunidade, ao analisar a operação realizada pela Contribuinte ora Recorrente, a Turma entendeu que a situação fática analisada não se enquadra na hipótese prescrita na alínea "g", do inciso V, do art. 12, combinada com o inciso III, do art. 22, todos da Lei n. 8212 (cita jurisprudência); conforme se verifica, ao contrário do entendimento proferido no acórdão recorrido, restou consignado nos acódãos paradigmas que os pagamentos realizados à luz do "Plano de Marketing" não estão submetidos à incidência da contribuição previdenciária eis que: (i) inexiste relação de emprego, prestação de serviços autônomos ou distribuição comercial, em nome da Contribuinte, por parte dos beneficiários das "bonificações"; e (ii) inexiste fato que justifique a incidência das contribuições exigidas, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, eis que as "bonificações" não têm como contrapartida prestação de serviços para a Contribuinte por distribuidores/vendedores; no mesmo sentido foi o entendimento manifestado no voto vencido, proferido no acórdão recorrido, oportunidade em que o relator, acompanhado por mais três conselheiros, assim consignou: "Analisando a operação comercial da recorrente, entendo que me filio ao entendimento acima, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bonificações pagas aos distribuidores dos produtos da recorrente. Ocorre que verificase que na modelagem de negócio da contribuinte, conforme demonstrado pelo Relatório Fiscal e pelos instrumentos contratuais acostados aos autos, é que os distribuidores autorizados adquirem produtos da recorrente para revendelos e, quando da liquidação das aquisições, parte do valor, como obrigação desses mesmos distribuidores são entregues e administrados pela autuada como fundo financeiro, o qual por sua vez, periodicamente, é dividido e/ou rateado entre os distribuidores, em conformidade com os critérios estabelecidos no Plano de Marketing a que todos se subordinam e têm prévio conhecimento. (...) Entendo, portanto, que a relação jurídica entre a contribuinte, uma empresa de "marketing multinível", que fabrica e comercializa produtos de saúde e outros do gênero, com seus distribuidores não possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho entre as partes." Fl. 8980DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.976 11 pelo exposto, resta evidente a improcedência das autuações fiscais e a necessidade de reforma do acórdão recorrido, eis que os valores recebidos pelos distribuidores credenciados não caracterizam remuneração por prestação de serviços; caso assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, os trabalhos fiscais devem ser cancelados, pois possuem vícios de origem, na medida em que elegeram montantes equivocados para a determinação das bases imponíveis; ao analisar essa questão, o acórdão recorrido houve por bem manter a autuação por entender que a base de apuração dos valores lançados estaria correta, restando assim consignado no voto vencedor: "Como se viu, o bônus é pago pelo incremento do volume das vendas que a empresa realiza aos distribuidores e este incremento só acontece a partir do trabalho realizado pelos distribuidores, que são então remunerados sob esta forma. Todo o valor pago a título de bônus é decorrente do trabalho dos Contribuintes Individuais e sofre incidência das contribuições previdenciárias (art. 22, III da Lei n° 8.212/1991)." ora, ao assim decidir, o acórdão recorrido olvidouse de que, como enfatizado acima, o distribuidor pode receber parcela do VAR em razão das compras realizadas por integrantes de sua rede, ainda que não tenha realizado qualquer atividade material em benefício da Contribuinte; de fato, o valor atribuído ao distribuidor no Plano de Marketing pode variar de acordo com as aquisições realizadas por distribuidores credenciados em sua rede, por indicação direta ou indireta; assim, percebese que, mesmo sem realizar qualquer tipo de atividade de representação, o distribuidor poderá receber parte dos recursos do fundo financeiro em razão das aquisições realizadas por distribuidores de sua equipe, o que mostra que, ao contrário do entendimento proferido no acórdão recorrido, pelo menos uma parte do valor recebido não tem qualquer relação com a atividade desempenhada pessoalmente pelo distribuidor; logo, ainda que se entenda pela manutenção das autuações, o que se admite apenas a título de argumentação, é necessário reconhecer que a base de cálculo da contribuição previdenciária não pode compreender o valor total atribuído ao distribuidor, é preciso descontar, portanto, os valores relativos aos membros indiretos de sua rede, que não têm qualquer relação com o esforço por ele realizado para a venda de produtos. Ao final, o Contribuinte pede que seja admitido e provido o recurso, para que sejam cancelados os Autos de Infração. O processo foi encaminhado à PGFN em 08/02/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 8962) e, em 10/02/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls.8970), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 8.963 a 8.969, contendo os seguintes argumentos: a autuação fiscal encontrase assentada basicamente na premissa de que os distribuidores credenciados pela FLP são de fato prestadores de serviços, uma vez que vendem produtos e captam clientela para a empresa recebendo remuneração na forma de um bônus por tal atividade; Fl. 8981DF CARF MF 12 tais distribuidores foram assim enquadrados no conceito legal de contribuintes individuais, procedendose ao correspondente lançamento das contribuições previdenciárias; com razão a fiscalização, já que o marketing multinível é uma estratégia de vendas na qual a equipe é remunerada não apenas pelas vendas que ela gera, mas também pelos outros vendedores que ela recruta; cuidase de uma modalidade de venda direta, na qual os vendedores devem vender os produtos diretamente para o público por meio de referências e propaganda “boca a boca”; os vendedores em um negócio de marketing multinível não apenas vendem o produto, como são também encorajadas a atrair outras pessoas a ingressar na empresa como distribuidores; na estruturação de um negócio de marketing multinível, participantes autônomos e não assalariados (distribuidores) são autorizados a distribuir os produtos ou serviços da empresa; os ganhos de tais distribuidores advêm do imediato lucro da venda no varejo e mais de uma comissão da empresa, que será determinada por meio do plano de compensação multinível, normalmente baseado no volume de produtos vendidos por meio de seu próprio esforço de vendas e também do esforço de vendas dos distribuidores recrutados; consoante se retira dos autos, o plano de marketing da recorrente não se distancia desse cenário acima descrito: por meio de um contrato de adesão denominado “contrato de distribuição”, é concedido ao distribuidor o direito de adquirir e de revender os produtos comercializados com a marca FLP; ainda nos termos do contrato de distribuição, os distribuidores poderão indicar terceiros para serem credenciados como novos distribuidores da FLP; nos dizeres da própria FLP, em resposta ao termo de intimação fiscal encaminhado no curso da presente fiscalização, de acordo com o plano de marketing da empresa, “os compradores, em qualquer nível, possuem o incentivo de comprar, mensalmente, os produtos da marca FLP no varejo e, também, a promover a expansão da rede de compra a que estão vinculados”; tendo em vista a quantidade de distribuidores recrutados, bem como a quantidade de “compras” realizadas pela rede de distribuidores que vier abaixo do distribuidor, ele recebe da empresa um bônus; esse bônus, não há dúvida, consiste em uma forma de remuneração pelos serviços que tais distribuidores prestam para a empresa, tanto na venda de seus produtos, quanto na captação de novos distribuidores; os serviços prestados pelos distribuidores já credenciados de fazerem a venda direta dos produtos da FLP e de trazerem mais distribuidores, que também realizarão a venda direta, são fundamentais e da própria essência da atividade desenvolvida pela FLP; toda a lógica de atuação e mesmo de existência de um negócio de marketing multinível reside nos serviços que são prestados à empresa pelos seus “distribuidores associados”, verdadeiros vendedores diretos; Fl. 8982DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.977 13 negar a existência de prestação de serviços por tais distribuidores à empresa e pretender fazer prevalecer a ideia de que são as empresas de marketing multinível que prestam serviços aos distribuidores é simplesmente negar toda a lógica que rege esse tipo de negócio; da maneira como a recorrente procurar descrever a situação, chega a parecer que o credenciamento de novos distribuidores não lhe traz quaisquer benefícios, mas apenas aos distribuidores que indicaram esses novos parceiros; permissa venia, todo o sucesso do empreendimento desenvolvido pela recorrente está assentado na crescente expansão de sua rede de distribuidores, que são, afinal de contas, as pessoas que farão a venda direta dos produtos comercializados pela FLP; a mera existência formal de um “contrato” por meio do qual a FLP, em contrapartida ao recebimento da quantia de R$ 1,00, se arvora na condição de prestadora de serviços aos distribuidores não tem o condão de alterar a realidade material e atribuir natureza jurídica diversa aos elementos da realidade; é de suma importância ter em mente que os arranjos internos feitos pela recorrente, na tentativa de transformar a receita que recebe na comercialização dos produtos em verbas de titularidade de terceiros, não podem se prestar a descaracterizar a natureza jurídica das coisas; se a recorrente separa contabilmente os valores recebidos dos compradores, com vistas a fazer parecer que são verbas de distintas naturezas, isso não há de gerar consequências para a incidência das contribuições previdenciárias, pois tal separação contábil não contamina o fato de que há a prestação de um serviço para FLP que está sendo por ela remunerado; nesse sentido, como já observou a fiscalização no Relatório Fiscal que fundamenta o presente lançamento, “o simples fato de segregar na contabilidade a fonte dos recursos como oriunda de um ‘fundo’ obtido das receitas dos compradores não descaracteriza o seu caráter remuneratório”, merecendo destaque o fato de que inclusive se efetua a retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre tais remunerações; não é demais lembrar que nos termos da CF/88, a contribuição previdenciária incide sobre folha, mas também sobre os demais rendimentos do trabalho, não importa a que título, pagos ou creditados à pessoa física; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste Fl. 8983DF CARF MF 14 serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). nessa mesma linha, o artigo 22, III, da Lei 8.212, de 1991, determina que todos os valores pagos no mês ao contribuinte individual em retribuição ao trabalho prestado, não importa a que título, são remuneração; Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ............................................................................... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; finalmente, convém trazer à baila o art. 28 da Lei de Custeio da Previdência Social, que define o saláriodecontribuição para o contribuinte individual como sendo: “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º”; diante dos textos legais, não há dúvidas a respeito da correção na base de cálculo eleita pela fiscalização, que reflete o total da remuneração paga pela FLP aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços de venda direta e captação de novos distribuidores. Ao Final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, mantendose o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre rendimentos pagos a contribuintes individuais sob a forma de bônus, relativas aos DEBCAD nºs 51.047.6880 (Bônus Nacional) e 51.047.6899 (Bônus Internacional). Conforme o Relatório Fiscal, a Contribuinte foi intimada a esclarecer a natureza do "Bônus" por ela pago aos distribuidores de suas mercadorias, ao que respondeu: "De acordo com o mencionado 'Plano de Marketing Único', os compradores, em qualquer nível, possuem o incentivo de comprar, mensalmente, os produtos da marca FLP no varejo e, também, a promover a expansão da rede de compra a que estão vinculados. Além disso, cada comprador também contribui para a formação de um fundo que será posteriormente distribuído a eles próprios, na forma prevista no "Plano de Marketing Único", de acordo com o volume das operações de compra dos produtos FLP, sejam elas exercidas pelo próprio comprador ou por qualquer Fl. 8984DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.978 15 outro que lenha realizado tais operações por sua indicação ou patrocínio. Assim, para que um das compradores dos produtos FLP obtenha efetivo sucesso financeiro, é preciso que este não apenas realize, em nome próprio, o maior número de compras passíveis dos produtos da marca FLP, como também que os compradores por ele indicados, integrantes de sua rede de compra adotem o mesmo procedimento, de modo a permitir que os beneficio deste programa que são calculadas com base no volume de compra dos produtos possam ser atingidos. Ou seja. os compradores, a partir do volume de compras feitas para o fim de consumo dos produtos da marca FLP, fazem jus ao recebimento a prêmios maiores ou menores, denominado 'Valor de Alocação de Rede' (VAR), que será revertido em seu favor, variando de acordo com a quantidade de operações por eles efetuadas diretamente, e, sobretudo, em função das operações praticadas pelos compradores por eles indicados e, conseqüentemente, a eles vinculados. E justamente é o valor relativo a esses prêmios que foram registrados nas contas '2.1.4.03.002 ADM BONUS NACIONAL GEFFIN X AS 400" e 2.1 4.03.003 BÔNUS INTERNACIONAL. DISPONIBIL AS 400''. É importante ressaltar que tais valores são apenas geridos pela Fiscalizada, que,. em hipótese alguma, os utiliza em interesse próprio, ou os incorpora ao seu patrimônio, mas apenas os mantém para posterior devolução aos compradores, de acordo com os critérios préestabelecidos no 'Plano de Marketing Único'." Entretanto, conforme restou comprovado pela Fiscalização, no que foi acompanhada pela DRJ e pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, os chamados distribuidores são na verdade prestadores de serviços à autuada, na modalidade de contribuintes individuais, já que não possuem vínculo empregatício com a empresa, uma vez que para ela captam clientela, recebendo por tal atividade o Bônus em questão. Assim, a Contribuição Social Previdenciária é devida pela empresa, conforme determina o art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991. No presente caso, a própria autuada remunera os chamados distribuidores, sendo que o fato de segregar em sua contabilidade a fonte dos recursos como oriunda de um fundo formado pelas receitas dos compradores não logra descaracterizar a natureza remuneratória. Salientese que a empresa inclusive efetua a retenção do Imposto de Renda na fonte sobre essas remunerações (item 27 do Relatório Fiscal). Assim, embora a Contribuinte faça parecer que ela é a prestadora de serviços aos distribuidores já que administra o "fundo" formado pelos pagamentos efetuados juntamente com o valor da aquisição dos produtos adquiridos na realidade o que se verifica é a prática de serviços de venda, em que os operadores são remunerados na proporção de sua participação no total realizado, ou seja, quanto maior o volume de vendas, mais produtos são adquiridos pelo distribuidores e, consequentemente, maior será o "fundo" a ser distribuído. Fl. 8985DF CARF MF 16 A Contribuinte argumenta que o distribuidor adquire seus produtos e estimula o credenciamento de novos distribuidores, e que esse estímulo não tem qualquer vínculo de prestação de serviços. Nesse passo, defende que o distribuidor atua como um empreendedor independente, já que pode adquirir os produtos com desconto e revendêlos no mercado de varejo com margem de lucro, sem o recebimento de qualquer bônus. Entretanto, resta claro que esse estímulo constitui o próprio serviço do distribuidor que, na condição de vendedor da marca, promove a sua divulgação, conquistando novos compradores e distribuidores. Aliás, com bem pontuou o acórdão recorrido, o fato de o distribuidor não receber bônus quando não capta novos adeptos à rede reforça a idéia de que o bônus retribui um trabalho de distribuição. Destarte, caracterizase o negócio jurídico de compra e venda mercantil, por meio do qual distribuidores adquirem os produtos da marca FLP e pagam por eles o valor dos produtos + VAR (Valor de Alocação de Rede), correspondente a um percentual do valor do produto, desembolsado pelo adquirente. Mas há também a prestação de serviços de marketing e agenciamento de novos colaboradores, executados pelos mesmos distribuidores e por seus pares, sendo que tais serviços são pagos pela empresa, que diz ser a devolução do VAR recebido, mas que na realidade se trata de valor diretamente relacionado ao seu faturamento. A sistemática de vendas aplicada pela Contribuinte foi muito bem resumida no acórdão recorrido, no brilhante voto da Conselheira Cecília Dutra Pillar, que ora reproduzo como minhas próprias razões de decidir: "A alegação da empresa de se tratar de devolução é uma pretensão dela, ao entendimento de que está gerindo um fundo aportado pelos próprios distribuidores. O que se vislumbra é que a empresa estaria 'reservando' uma parcela de seus ganhos para 'retribuir' o trabalho de marketing que seu negócio necessita para existir. Reserva parte de seu faturamento para suportar a despesa de marketing, não reconhecendo a receita nem a despesa. Em uma pessoa jurídica, toda entrada de recursos advinda de seu propósito negocial, é receita operacional e esta receita será utilizada para realizar o pagamento das mais variadas despesas necessárias ao giro do negócio. A forma que o contribuinte escolheu para demonstrar seus recebimentos e pagamentos não está de acordo com as normas brasileiras de contabilidade nem obedece aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. Não há previsão nas normas, de contabilizar uma receita como se fosse uma provisão para pagamento de despesas que a empresa suportou para a realização daquela receita. O valor pago aos distribuidores está diretamente relacionado ao volume das vendas realizadas, afinal as vendas da empresa se concretizam a partir das compras dos produtos pelos distribuidores. A meu ver esta empresa inverte a forma mais elementar de compra e venda, onde uma pessoa jurídica produz ou adquire produtos para venda; para realizar as vendas necessita de vendedores e por este serviço os vendedores recebem uma comissão (um percentual) sobre o valor realizado: o valor das vendas é contabilizado como receita da empresa, o valor dos produtos vendidos é contabilizado como custo dos produtos vendidos e as comissões pagas aos vendedores são contabilizadas como despesas operacionais. Fl. 8986DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.979 17 No caso aqui em análise, o contribuinte entende que os seus distribuidores (vendedores) compram seus produtos para revenda e realizam o pagamento destes produtos sob duas formas: parte seria referente ao custo do próprio produto e parte como aporte a um fundo destinado a retribuir o trabalho de venda, marketing e expansão que realizam. Este 'fundo' não é contabilizado como receita, nem como despesa no momento de sua distribuição. É valor que fica em poder da empresa e gerido por ela, que 'cobra' pelo serviço de administração, o valor irrisório de R$ 1,00 (hum real) por beneficiário. Alega a recorrente que seu benefício é apenas indireto, em razão do aumento do volume de compras efetuadas pelos distribuidores cadastrados. Ocorre que, na realidade, o aumento das compras pelos distribuidores se traduz no aumento das vendas da empresa e o trabalho realizado pelos distribuidores (pessoas físicas) é uma despesa da empresa necessária à realização da receita. Tratase de despesa com pessoal, pois é a remuneração pelos serviços prestados, não havendo como ser considerada uma distribuição de fundo constituído e gerido pelo próprio contratante dos serviços dos distribuidores. Se assim fosse, as empresas pouca receita e poucas despesas teriam, pois não reconheceriam suas receitas e despesas como tal, realizando provisões sob a forma de fundos para suportar as despesas operacionais mais básicas, de modo que o fundo serviria para quitar as despesas, sem necessidade de receitas para suportálas." Concluise assim que, independentemente da denominação atribuída pela Contribuinte "marketing multinível", distribuidores, bônus na realidade o que se tem é uma modalidade de negócio que inclui rede de vendas, vendedores contribuintes individuais e remuneração pela prestação de serviços. De todo o exposto, restou cabalmente demonstrado que aqueles que a Contribuinte chama de distribuidores na realidade lhe prestam serviços de vendas, como contribuintes individuais, portanto sujeitos aos arts. 12, V, "g", e 22, III, da Lei nº 8.212, de 1991 "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 8987DF CARF MF 18 Ill vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;" Finalmente, a Contribuinte alega a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo, uma vez que esta incluiu o valor total do bônus pago ao distribuidor, sendo que nesse valor pode estar incluída parcela do VAR oriunda de compras realizadas por integrantes da rede do distribuidor, que não teriam relação direta com a empresa. Em face de tal alegação, salientese que a retribuição do distribuidor é proporcional ao volume de negócios que ele incrementa, e isso inclui não apenas as sua atuação direta com a empresa, mas também a própria formação da sua rede, resultado de seu esforço na divulgação dos produtos. Destarte, é absolutamente correta a tributação do total do bônus recebido, já que ele representa a remuneração pela prestação dos serviços do distribuidor, seja na aquisição de produtos para revenda, seja na formação de sua rede de multiplicadores. Corroborando esse entendimento, a Fiscalização trouxe à colação o que dispõe a própria Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas ABEVD, constituída por empresas que efetuam vendas pelo sistema da distribuição multinível, como é o caso da autuada: "V.LEIS REFERENTES AO MARKETING MULTILEVEL Empresas de distribuição multinível são aquelas que comercializam produtos por intermédio de comerciantes ou distribuidores que, por sua vez, patrocinam outros, recebendo pagamentos baseados sobre as vendas realizadas pelos patrocinados. As leis brasileiras não proíbem tal sistema de distribuição, sujeitandose quem dele se utiliza às normas legais a que estão sujeitas as empresas em geral. Os pagamentos correspondentes às vendas feitas pelos patrocinados estão sujeitos ao recolhimento do imposto de renda na fonte, bem como, no caso de pessoa física, à contribuição para o Instituto Nacional de Seguridade Social." (http://www.abedv.org.br) Apenas a título de informação, quanto aos acórdãos indicados como paradigmas, como bem esclareceu o acórdão recorrido, estes ainda não são definitivos, uma vez que foram objeto de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional, que foram acolhidos. Como o relator originário não mais integra a Turma, os processos aguardam sorteio para novo relator. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 8988DF CARF MF Processo nº 12448.730831/201362 Acórdão n.º 9202005.548 CSRFT2 Fl. 8.980 19 Fl. 8989DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.006761/2005-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2003
ITR. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PRÉ QUESTIONAMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas.
Numero da decisão: 9202-005.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram do recurso. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PRÉ QUESTIONAMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram do recurso. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 67 61 /2 00 5- 55 Fl. 189DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 01, 13/19 anexos) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Marreca, com área de 1.074,8 ha (NIRF 2.420.4889), localizado no município de Doutor Ulysses/PR, relativo ao exercício 2001, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 512.738,10, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o contribuinte foi intimado para comprovar os valores declarados na DITR/2000, tais como, área de preservação permanente, utilização limitada, pastagens, exploração extrativa e valor da terra nua. Tendo sido solicitado cópia da matrícula do imóvel, Ato Declaratório Ambiental, notas fiscais de produtor rural, de aquisição de vacina/ficha de vacinação de gado, autorização do Ibama para exploração de floresta nativa. Em decorrência do contribuinte não ter atendido à intimação ele foi reintimado, porém não logrou comprovar os dados solicitados pela fiscalização. Consequentemente, as áreas de preservação permanente, utilização limitada, pastagens e exploração extrativa foram glosadas. Ainda foi alterado o valor da Terra Nua Tributável de R$ 163.421,62 para R$ 2.027.564,20, conforme art. 14 da Lei nº 9.393/96. Dessa forma o grau de utilização passou de 94,9% para 0,0%, com alteração da alíquota de 0,30% para 8,60%. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar e, no mérito, negou provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 29/09/2013, negouse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2201001.294, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10980.006761/200555 Acórdão n.º 9202005.405 CSRFT2 Fl. 3 3 O §8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. ÁREAS DE PASTAGEM. EXCLUSÃO. A exclusão das áreas de pastagens para fins de apuração do grau de utilização do imóvel, pressupõe a comprovação de estoque de animais em quantidade suficiente para, considerando índices de lotação definidos, tecnicamente, justificar a classificação da tal área. Cabe ao contribuinte comprovar a existência dos animais. PROJETO DE REFLORESTAMENTO. COMPROVAÇÃO. Para comprovação da existência de promessa de reflorestamento em curso é imprescindível a especificação do momento da implantação do projeto e o prazo de sua implantação, devendo esses dados serem demonstrados mediante documentos apresentados a órgãos públicos responsáveis pela aprovação e/ou controle do projeto. Preliminar rejeitada. Recurso negado. O contribuinte foi cientificado do acórdão em 06/03/2012 e interpôs, tempestivamente, em 20/03/2012, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) decadência; b) validade do laudo para fins de comprovação da área de preservação permanente; c) reconhecimento da área de reserva legal correspondente a 20% da área total do imóvel, ainda que não conste sua averbação à margem da matrícula do imóvel; e d) comprovantes de aquisição da vacina como meio de prova da existência da área de pastagem. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, somente em relação ao item a – “decadência”, conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 05/12/2013. Embora não tenha havido prequestionamento dessa matéria, tratase de questão de ordem pública e, por isso, teve de ser, obrigatoriamente, apreciada. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações em relação à matéria admitida: · que, tratase de revisão de lançamento efetuado pelo contribuinte referente ao ITR do ano de 2000, onde o recorrente foi intimado da lavratura do auto de infração que lançava o ITR suplementar Fl. 191DF CARF MF 4 correspondente a diferença do que foi apurado em revisão pela Receita Federal e aquilo que foi antecipado pelo contribuinte, em 11/07/2005. · que os artigos 1º, 8º e 10 da Lei nº 9.393/96 determinam que é considerado ocorrido o fato gerador do ITR em todo 1º de janeiro de cada ano e que cabe ao contribuinte apurar, declarar e antecipar o valor do imposto devido, aguardando a homologação por parte da União, ou seja, tratase de lançamento por homologação e, portanto, sob a égide do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN, que determina o prazo de cinco anos contados do fato gerador para que a Fazenda Pública homologue ou reveja os lançamentos e pagamentos efetuados pelo contribuinte. · que, como se trata de ITR referente à competência de 2000, o fato gerador desse imposto se deu em 1º de janeiro daquele ano, tendo o contribuinte entregue sua declaração e antecipado o pagamento do que foi por ele apurado, e que, portanto, teria a União até 01/01/2005 para rever as declarações prestadas pelo recorrente, sob pena de as homologar tacitamente. · que, no caso dos autos, o lançamento de ofício, com fins de exigir, do contribuinte, o imposto suplementar apurado, foi constituído somente em 11/07/2005, quando já havia transcorrido o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional tomar conhecimento do Acórdão nº 2201001.294, do Recurso Especial do contribuinte e do Despacho de Admissibilidade admitindo, parcialmente, esse Resp, em 31/03/2014. A Fazenda Nacional apresentou, no mesmo dia, portanto, tempestivamente, suas contrarrazões, onde alega que a tese sustentada pela Recorrente vai de encontro à jurisprudência firmada pelo Terceiro Conselho de Contribuintes no Acórdão 30133.092, cuja ementa segue abaixo: "LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO – O prazo para o Fisco exercer o deverpoder de constituir o crédito tributário é por declaração, está regulado pela regra geral de decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN." É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10980.006761/200555 Acórdão n.º 9202005.405 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Sujeito Passivo Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 158/165. Embora, inicialmente, não haja questionamento acerca do conhecimento do recurso, entendo que existe um ponto a ser melhor analisado. Do mérito Tratandose de Recurso especial de divergência, mostrase fundamental que o acórdão recorrido tenha enfrentado a matéria objeto do recurso especial, deve restar demonstrado que nos acórdãos paradigmas o colegiado enfrentou de forma diversa a referida matéria. Contudo, não é o que se observa no caso em questão. A exigência em tela mostrase traduzida pelo requisito de pré questionamento, conforme expresso no art. 67, §3º do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. No presente caso, diversamente do entendimento trazido no despacho de admissibilidade, a matéria decadência não se encontra devidamente pré questionada. Aliás, adotando processo do mesmo sujeito passivo, envolvendo questão idêntica foi enfrentada por essa mesma turma, tendo sido proferido o ACÓRDÃO 9202 004.578 DE 24/11/2016, de relatoria do ilustre conselheiro Heitor, ao qual passo a transcrever, adotandoo como razões de decidir. [...] Entendo, em linha com a Súmula STJ no. 211, baseada na legislação processual vigente à época da interposição do Recurso (CPC/1973), restar o referido requisito cumprido somente quando a questão jurídica (ou, mais propriamente, a categoria jurídica) que se elege como matéria recorrida tenha sido objeto de análise pela decisão recorrida, seja quando da decisão originalmente prolatada, seja, ainda, quando da eventual posterior decisão integrativa proferida em sede de embargos declaratórios admitidos e acolhidos, o que, ressalvadas as hipóteses de matérias de ordem pública levantadas pela autoridade julgadora de 1a. instância e pelo Colegiado a quo, remete às alegações trazidas pelo contribuinte aos autos (vedada, em outras hipóteses, a manifestação, pelos julgadores, acerca de matéria não arguída). A propósito: Fl. 193DF CARF MF 6 REsp 1.390.617/SC RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. CRIMES DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE, FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO DE VULNERÁVEL, AMEAÇA, COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO E CONTRAVENÇÃO PENAL DE FORNECER BEBIDAS ALCOÓLICAS A MENOR DE IDADE. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. SUPOSTA VIOLAÇÃO AO ART. 619 DO CPP. INEXISTÊNCIA. PROVAS OBTIDAS NA FASE INQUISITORIAL, LACRADAS E EXCLUÍDAS EM DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO JULGAMENTO DA RCL 12.484/DF. INSUBSISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A DENÚNCIA E SUBSEQUENTE CONDENAÇÃO DELA DECORRENTE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL RECONHECIDO. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PROVIDO, PREJUDICADAS AS DEMAIS QUESTÕES. 1. Entendese como pre questionada a matéria que foi objeto de análise e decisão do acórdão recorrido, sendo despicienda a referência expressa a dispositivo de lei federal (prequestionamento explícito), bastando que a questão jurídica tenha sido efetivamente decidida na instância a quo (prequestionamento implícito). (...) REsp 1283930/SC PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA PUBLICADA NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211/STJ. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A simples indicação do dispositivo legal tido por violado, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, mesmo após a oposição de embargos declaratórios, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento. Incidência da Súmula n. 211/STJ. (grifei) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10980.006761/200555 Acórdão n.º 9202005.405 CSRFT2 Fl. 5 7 2. O conhecimento do recurso especial, interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional, exige a indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente e a demonstração do dissídio, mediante a verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados e a realização do cotejo analítico entre elas, nos moldes exigidos pelos arts. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ e 541, parágrafo único, do CPC/1973. 3. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula n. 7 do STJ. (...) "Súmula STJ 211 Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Por fim, de se ressaltar que, em linha com a jurisprudência oriunda do STF colacionada pela Recorrente em sede de contrarrazões, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública, não há exceção a ser feita, em sede desta instância especial, à obediência ao requisito do préquestionamento, dada a função de uniformização jurisprudencial. Adicionese também ser esta a posição adotada pelo STJ, consoante se depreende do excerto abaixo. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. ARGÜIÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. JULGAMENTO ULTRA PETITA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PREQUESTIONAMENTO. EFEITO TRANSLATIVO DO RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO ENTRE QUAISQUER TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. 1. Até mesmo as questões de ordem pública, passíveis de conhecimento ex officio, em qualquer tempo e grau de jurisdição ordinária, não podem ser analisadas no âmbito do recurso especial se ausente o requisito do préquestionamento. (...) (RECURSO ESPECIAL Nº. 814.885 SE (2006/00222538), RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA, Publicado no DJU de 19.5.2006, pág. 205). Fl. 195DF CARF MF 8 PROCESSO CIVIL ADMINISTRATIVO LEILÃO DE BENS APRENDIDOS PELO DETRAN MOTOCICLETAS ALIENADAS PARA EMPRESA ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO PRETENDIDA EXCLUSÃO DOS BENS NÃO RECONHECIMENTO EM 1ª E 2ª INSTÂNCIAS ALEGADA NULIDADE, POR INOBSERVÂNCIA DE PRAZO PARA NOTIFICAÇÃO MATÉRIA AGITADA SOMENTE EM RECURSO ESPECIAL ALEGAÇÃO NO SENTIDO DE QUE SE TRATA DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA RECURSO NÃO CONHECIDO. Não prevalece o entendimento da recorrente no sentido de que, por cuidar de nulidade, matéria de ordem pública, pode ser reconhecida de ofício pelo magistrado. Assim, se não foi provocado um pronunciamento da Corte de origem acerca dos diplomas normativos tidos por violados e, por conseguinte, se a Turma Julgadora não emitiu juízo de valor sobre os dispositivos tidos por violados, reclama o tema o necessário prequestionamento, requisito viabilizador do acesso à essa instância especial. Com o fito de espancar eventual dúvida, cumpre trazer à balha o posicionamento no sentido de que "esta Corte já pacificou o entendimento de que as questões de ordem pública também devem estar prequestionadas no Tribunal a quo para serem analisadas em sede de recurso especial" (cf. Agr. Reg. No Agravo n. 309.700RJ, Relatora Ministra Eliana Calmon, Publicado no DJU na DATA de 24/2/2003). Assim, uma vez não tendo sido ventilada a matéria decadencial até a decisão oriunda da instância a quo, sem que tenha havido a interposição de embargos pelo recorrente, não conheço do recurso por se tratar a matéria objeto de recurso em matéria não pre questionada. Conclusão: Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do contribuinte. Conforme descrito acima, não há como conhecer de ofício matéria não pré questionada, mesmo em se tratando de alegação de matéria de ordem pública. A única possibilidade de conhecimento seria a apresentação de paradigma, onde, mesmo não apreciado na Câmara a quo a decadência, teria a CSRF declarado a decadência em sede de recurso especial. Conclusão Face o exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO do Sujeito Passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10980.006761/200555 Acórdão n.º 9202005.405 CSRFT2 Fl. 6 9 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Concordo com o Ilustre Conselheira Relatora, no sentido da impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, em face da ausência de prequestionamento da matéria suscitada no apelo, a despeito de tratarse de questão de ordem pública. Tal posicionamento tem sido sempre adotado por esta Conselheira, seja por ocasião do julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais, seja quando da elaboração de despachos de admissibilidade de Recursos Especiais. Registrese que o posicionamento adotado no voto condutor do presente acórdão também é abraçado nas decisões exaradas pelo Poder Judiciário. Entretanto, quando da assinatura do Despacho de Admissibilidade de fls. 158, obviamente que por lapso, esta Conselheira, na qualidade de Presidente da Câmara recorrida, não se deu conta de que a matéria cuja proposta era de seguimento à Instância Especial não havia sido prequestionada. Diante do exposto, acompanhando a Relatora, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.902301/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.820
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 01 /2 01 1- 90 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902301/201190 Acórdão n.º 3302003.820 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.251. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902301/201190 Acórdão n.º 3302003.820 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902301/201190 Acórdão n.º 3302003.820 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902301/201190 Acórdão n.º 3302003.820 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10140.902301/201190 Acórdão n.º 3302003.820 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002354/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
ERRO NA PREMISSA FÁTICA. DECISÃO NULA.
Verificada a ocorrência de erro de premissa fática no julgamento do recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração para anular o acórdão exarado.
Numero da decisão: 1302-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o acórdão embargado, para que seja proferida uma nova decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 ERRO NA PREMISSA FÁTICA. DECISÃO NULA. Verificada a ocorrência de erro de premissa fática no julgamento do recurso voluntário, acolhemse os embargos de declaração para anular o acórdão exarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o acórdão embargado, para que seja proferida uma nova decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração (fls. 1475 e segs.) opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 1801001.776 (fls. 1465 e segs.), cuja a ementa assim dispõe: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 54 /2 00 5- 30 Fl. 1491DF CARF MF 2 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002,2003 LANÇAMENTO DECORRENTE. Os lançamentos de PIS e de Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte o ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora” O voto condutor do acórdão embargado assim dispõe: “O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Temse que os autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova (art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1976). Nesse sentido também a norma regimental, prevê que “verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, os processos podem ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” (art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Pesquisando no eprocesso, temse que em relação ao mesmo sujeito passivo, houve a formalização do processo nº 19515.002353/200595 que está instruído com a totalidade do conjunto probatório dos ilícitos para fins de constituição do presente lançamento e ainda dos seguintes créditos tributários: o Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.491.969,77, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional (fls. 917921 do processo principal de nº 19515.002353/200595); e o Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$987.151,68 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302002.105 S1C3T2 Fl. 1.492 3 (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional, (fls. 930934 do processo principal de nº 19515.002353/200595). No Termo de Verificação Fiscal, fls. 895909, que é parte integrante dos Autos de Infração, está detalhado o procedimento fiscal levado a efeito e consta que nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 a Recorrente apresentou movimentação bancária superior à receita declarada, sendo autuada por depósitos bancários não contabilizados e/ou de origem não comprovada e resultados operacionais não declarados no anocalendário de 2000. Cabe esclarecer que o lançamento principal de IRPJ e o lançamento reflexo de CSLL formalizados no processo nº 19515.002353/200595, já se encontram com julgamento nessa segunda instância, em conformidade com as informações constantes no sítio institucional: JULGADO EM SESSÃO – DECISÃO Unidade: 1ª Seção Órgão Julgador: 2ª Turma da 1ª Câmara da Primeira Câmara Relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Data da Sessão: 08/10/2013 Hora da Sessão: 14:00 Tipo da Pauta: Ordinária Tipo Sessão: Normal Redator Designado: Jose Evande Carvalho Araújo Decisão: Acórdão Número Decisão: 1102000.937 Resultado:RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso Voluntário Provido em Parte POR VOTO DE QUALIDADE O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo. Os lançamentos de PIS e Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Cabe esclarecer que a exigência relativa ao IRPJ foi mantida em parte em sede de segunda instância de julgamento, de modo que são procedentes em parte os lançamento de PIS e de Cofins. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário.”. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (a fls. 1475 e segs.), no qual sustenta para depois requere o que se segue: Fl. 1493DF CARF MF 4 “A União (Fazenda Nacional), por intermédio da procuradora ao final assinada, com fulcro no artigo 64, I, c/c artigo 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, verificando omissão no r. acórdão proferido pela col. Primeira Turma Especial desta Câmara, no processo em epígrafe, vem, tempestivamente, perante Vossa Excelência, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, consoante as razões a seguir aduzidas. Tratase do julgamento de autos de infração lavrados para a exigência de COFINS e de PIS, sendo estes decorrentes da mesma infração tributária dos autos do Processo Administrativo nº 19515.002353/200595, que contém o lançamento principal de IRPJ e o lançamento reflexo de CSLL. Registrase que o lançamento principal de IRPJ e o lançamento reflexo de CSLL constantes dos autos do Processo Administrativo nº 19515.002353/200595 foram julgados na Sessão de 08/10/2013 pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, onde foi dado provimento parcial, por voto de qualidade, ao recurso voluntário. Contudo, tal acórdão ainda encontrase pendente de formalização, sendo portanto, uma decisão precária, inapta a definir o julgamento dos lançamentos de PIS e COFINS em discussão nestes autos. Não obstante, na análise do recurso voluntário dos presentes autos, este Colegiado decidiu dar provimento parcial à insurgência do sujeito passivo em razão do nexo causal entre as exigências de créditos tributários, tendo em vista que os lançamentos de PIS e de COFINS destes autos são decorrentes da mesma infração tributária do IRPJ e CSLL reflexa lançados nos autos do Processo Administrativo nº 19515.002353/200595. Eis a ementa do acórdão 1801001.776: (…) Verificase, pois, que o Colegiado entendeu que os autos de infração de PIS e de COFINS devem ter o mesmo destino do lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa. Ocorre que, independente da relação de causalidade entre os lançamentos, não houve o trânsito em julgado do processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento de IRPJ e CSLL reflexa, não tendo as partes sido ainda intimadas do teor do r. acórdão; que sequer, diga se de passagem, foi devidamente formalizado, conforme se constata em consulta ao eprocesso. Assim sendo, fazse mister sobrestar o presente feito até que advenha decisão definitiva no referido processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa, ou, ainda, apensar os processos a fim de que corram juntos. Destaquese que tal providência é relevante tendo em vista que, caso assim não se proceda, abrirseá espaço para decisões conflitantes e incompatíveis entre si. Cabe ressaltar a possibilidade de que a decisão proferida no lançamento principal de IRPJ seja objeto de recurso por ambas as partes, vez que o provimento foi parcial, sendo, neste caso, passível de reforma pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Devem, pois, ser adotadas medidas para evitar a situação absurda do lançamento do processo considerado principal (IRPJ e CSLL reflexa) ser julgado procedente e os lançamentos dos processos de lançamento de PIS e Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302002.105 S1C3T2 Fl. 1.493 5 de COFINS decorrentes serem considerados inválidos em face de razões que não mais subsistam. Assim sendo, imperioso que o Colegiado se pronuncie acerca da ausência de definitividade da decisão no processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa e os possíveis reflexos, no presente feito, no caso de decisão diversa da decidida ainda poder ser tomada pela CSRF naquele processo (nº do processo nº 19515.002353/200595). Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que os presentes Embargos de Declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para que seja sanado o vício apontado, tendo em vista a interdependência entre os autos de infração decorrentes da mesma infração, PIS e COFINS decorrentes do IRPJ e CSLL reflexa. Requerse, também, sejam adotadas medidas a fim de evitar decisões conflitantes, tais como a suspensão do presente feito até que sobrevenha decisão final no processo considerado principal (19515.002353/200595) ou, ainda, a reunião destes feitos aos de nº 19515.002353/200595.” O despacho de admissibilidade da Presidente da 3ª Câmara (a fls. 1487 e segs.) assim dispõe: “Notificada da referida decisão em 07.01.2014, a PGFN opôs embargos de declaração em 15.01.2014(§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: (...) Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: (...) A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, é imperioso que o Colegiado se pronuncie acerca da ausência de definitividade da decisão no processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa e os possíveis reflexos, no presente feito, no caso de decisão diversa da decidida ainda poder ser tomada pela CSRF naquele processo (nº do processo nº 19515.002353/200595). Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos.” Fl. 1495DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator O despacho de encaminhamento a fls. 1474 informa que a data de remessa dos autos para ciência do acórdão recorrido pela Fazenda Nacional, ora embargante, se deu em 07/01/2014, logo houve a intimação pessoal presumida da embargante em 05/02/2014 (quartafeira), nos termos do art. 7º, §§ 1º e 3º, da Portaria MF nº 527/2010, razão pela qual os embargos de declaração opostos em 15/01/2014 (vide despacho de encaminhamento a fls. 1479) são tempestivos (art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RICARF). Os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. No entanto, a jurisprudência tem acolhido embargos quando a decisão embargada parte de premissa equivocada, se não vejamos o seguinte julgado: "EDcl no REsp 1237176 SP 2011/00314200 Orgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Publicação DJe 28/08/2013 Julgamento 20 de Agosto de 2013 Relator Ministra ELIANA CALMON 1.1.1 . Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO DE PREMISSA FÁTICA. ACOLHIMENTO PARA ANULAR JULGAMENTO ANTERIOR. POSTERIOR INCLUSÃO EM PAUTA. 1. Verificada a ocorrência de erro de premissa fática no julgamento do recurso especial, consistente no julgamento de matéria diversa da constante nos autos, acolhemse os embargos de declaração para anular o acórdão exarado e, posteriormente, reincluir o feito em pauta. 2. Embargos de declaração acolhidos.". Ora, a decisão embargada partiu de uma premissa equivocada, por entender que a decisão proferida nos autos do PAF nº 19515.002353/200595 era definitiva. Tanto tal decisão não era definitiva que os embargos de declaração opostos em face dela foram julgados nesta mesma assentada, tendo sido dado efeitos infringentes a tais embargos. Somese a isso o fato de que a matéria destes autos deveriam ter sido enfrentadas pela Relatora, mesmo porque, se já havia sido julgado o recurso voluntário objeto do PAF 19515.002353/200595 no momento deste julgamento, sequer havia possibilidade de se solicitar a conexão dos processos, já que se encontravam em fases distintas. É legítima a adoção da técnica de fundamentação referencial (per relationem), Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302002.105 S1C3T2 Fl. 1.494 7 utilizada quando há expressa alusão a decisão anterior, mas, no caso em tela, a Relatora sequer fez alusão a fundamentos, nem muito menos de decisão anterior, mas apenas reportou o resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 19515.002353/200595 e vinculou a sorte deste processo àquele, embora sequer houvesse decisão definitiva naquele. Ressaltese que a anulação do acórdão embargado, importa em submeter esses autos ao sorteio de um novo relator, já que este Relator não foi o relator do acórdão que julgou o recurso voluntário, tendo recebido os presentes embargos por direcionamento. Assim, voto por acolher os embargos de declaração, para anular o Acórdão nº 1801001.776 e, consequentemente, submeter estes autos ao sorteio de novo Relator, para que seja proferida nova decisão. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1497DF CARF MF
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Numero do processo: 13677.000013/99-72
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomía.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação também do Decreto n092.698/86 e Decreto-lei n° 2049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n0111O/95 e suas reedições, especificamente a MP. n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18,9 2°, culminando na Lei nº 10522/02, do art.77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF nº 31/97, do Decreto n° 20910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação
das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos
órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a
aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios
constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8429/92, art 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-30.972
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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DRJ/JUIZ DE FORA/MG FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomía. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - sua não ocorrenCla ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação também do Decreto n092.698/86 e Decreto-lei n° 2049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade admínistrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n0111O/95 e suas reedições, especificamente a MP. n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18,9 2°, culmínando na Lei nO 10522/02, do art.77 da Lei nO9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF nO31/97, do Decreto n° 20910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e admínistrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a ~nterpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos admínistrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8429/92, art 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Mastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 301- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão. Brasília-DF, em 03 de dezembro de 2003 ~---- ~EIRO~ Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.478 301-30.972 MINERAÇÃO ROCHA DAS PEDRAS LTDA DRJ/JUIZ DE FORAlMG JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • A contribuinte acima identificada requereu à' fl.01, com juntada de documentos de fls. 02/26, a compensação de valores recolhidos a título de FINSOCIAL referentes aos períodos de apuração janeiro de 1991 a março de 1992, que considera ter pago a maior ou indevidamente, conforme demonstrado às fls. 05, com débitos vincendos da COFINS e CSLL. A Decisão SASIT/DRF/DNS nO 10665.000148/00, às fls. 28/30, exarada pela Delegacia da Receita Federal em DivinópolislMG. Em 27/1012000, indeferiu a solicitação da interessada, em síntese, com base no decurso do prazo decadencial previsto no artigo 168 da Lei nO5.172/1966 (CTN) e no Ato Declaratório SRF nO96 de 26 de novembro de 1999. A interessada manifestou sua inconformidade às fls. 32/39, quando, após ressaltar que nenhum outro óbice foi exposto pela autoridade administrativa para indeferir o pleito exceto o da extinção do seu direito nos termos dos artigos 165, I e 168, I da Lei 5.172/66 (CTN), argumenta, em resumo, que, segundo o entendimento de nossos tribunais pátrios, por ser o FINSOCIAL uma contribuição cujo lançamento é feito por homologação o prazo de cinco anos para a decadência do direito de compensar o indébito tributário começa a fluir a partir de sua homologação ou, se inerte o Fisco, após o término do prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, como se infere do 9 40 do art. 150 do CTN. Alega também que, reconhecido o seu direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o FINSOCIAL, a correção monetária deve ser aplicada em toda a sua plenitude desde a data do efetivo pagamento indevido. Para corroborar sua defesa, transcreveu trechos retirados de Acórdãos emanados dos Tribunais Regionais Federais. A DRJ/Juiz de Fora indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que: "O direito de pleitear a compensação extingue-se com decurso do pra:zo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado nos casos de lançamento por homologação." 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Inconformada a contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes reiterando os argumentos anteriores, os quais reforça citando trecho de Acórdão da 23 Turma do TRF/43 Região que diz: " • O recolhimento do FINSOCIAL em percentual superior a 5% constitui pagamento indevido passível de compensação nos termos do artigo 66 da Lei n° 8383/91, com parcelas vincendas da COFINS. • • A semelhança de que ocorre na repetição de indébito, deve serreconhecido o direito à correção monetária integral nacompensação (Súmula nO37 do TRF), segundo a variação do BTNF, INPC e UFIR, sendo igualmente devidos, no cálculo da correção monetária, os expurgos do IPC nos meses de março, abril e maio de 1990, e fevereiro de 1991 (Súmula nO 37 do TRF da 43 Região) • • O direito de repetir o indébito no caso de tributo autolançado e sobre o qual não houve manifestação expressa do Fisco extingue-se após o decurso de 10 (dez) anos contados da ocorrência do fato gerador." A contribuinte encerra requerendo que seja recebido e processado o recurso ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para reexame da matéria e julgamento, devendo a final, ser reconhecido o direito pleiteado pela recorrente, à compensação de seu crédito por pagamento indevido da contribuição a FINSOCIAL, atualizado plenamente, sem nenhum expurgo inflacionário. . É o relatório. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 VOTO • • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; III. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista no inciso I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nos incisos lI, III e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 1II. Na hipótese prevista no inciso V do art. 201, da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista no inciso VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: "446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também erga omnes, sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 feito, isto é, por quem haja ingressado em juízo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afIora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, senc!o nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática. Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, írrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 42). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada. pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, 6 MINlsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • redundante ou inútil seria a provlsao do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45 ) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: . I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBillNTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • IH. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: 1. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e H do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; H. Na hipótese prevista na alínea IH do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; • lII. Nas hipóteses previstas na alínea IV do.artigo 130,da data emque transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que severificar o inadimplemento da condição suspensiva ou oimplemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, á Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. o Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 nOI) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e. 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente aquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu'o sistema do vigente decreto n° 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. IOdo Decreto n° 20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfãndegas (interpretado pelo decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei n° 5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos ex nunc. A mens legislatori dá lugar à mens legis. As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.478 301-30.972 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso II do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • • esse direito, in casu se ongmou da declaração de inconstitucionalidade. • o Código Tributário Nacional vigente, passou então, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 11- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei nO9.784/99, aplicável aos processos adminístrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão nO CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público nO2/93, pp. 267/276). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. (Do Controle da Constitucionalidade, ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário nO 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, pp.70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há - de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 - p. 143) Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • • diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico, há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se Justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (...)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma. de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRA TIVA A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • • Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode. ser afàstado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • A Constituição, sensível aos VICIOS identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade . Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, ta!llbém, ao seguinte: ...." A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar. de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não-moralidade. (grifei). 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juízes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer beneficios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucional, resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpIO da. moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. o princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não) '." Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constituc~onal incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a sen1idão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o minimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22).(grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui. também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se toma válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. o princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas- intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legal. buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pública. Não permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral. uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público nO11/95 pp. 45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União qae o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 e tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gera~o, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argüi a inconstitucionalidade m FAZENDÁRIO INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extrajurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais, limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal, predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público nO13/96, p. 16) O interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer nO 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV- NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL: 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 38 Região 68 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 48 T. do TRF 38 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado 1).0 Dm de 02/04/93, devendo a partir desta data ter inicio o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão nO 1999.03.074347-5-SP-TRF 38 Região- 68 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11.- Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 111 - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 agosto de 1995 e da Medida Provisória nO1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da Lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 38 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes: Trancham S/A Ind. e Com. E União Federal/Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos_ DJU 02/10/01 p. 159 - ementa oficial" Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. nO 20.910, de 06/01132, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). O art. 146, inciso IH, alínea "b", da c.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com status de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória n° 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. A partir da edição da MP. n° 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: "9 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição "ex oflicio" de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/OI-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto - lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei nO2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional ; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01103/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da : promulgação da Constituição). o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. v- COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de nO111, verbis: "111- fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado - Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF -06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 07/05/99). 126.478 301-30.972 Há também o Parecer AGU n° 02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI- ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria - Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. . Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99. • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo "a quo" nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. • Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo. a respeito (Lei nO20910/32). • Conclui pela .atenuação ex tune de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF439/96 • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos C.C., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 1) 2) 3) 126.478 301-30.972 Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva". constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: decisão do STF, ainda que única, em ADIN; idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3 - Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • • • • • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). o Senado não conferiu a eficácia erga omnes à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos erga omnes no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavoráve~ às partes envolvidas. 27 MINIsTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 126.478 301-30.972 o Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9784/99, aplicável subsidiariamente, que, em seus arts. 2°, parágrafo único, inciso I prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único_Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: II - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. VII- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRATIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Além disso, o Dec. nO 2346/98 em seu art.4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos:. 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MF nO227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria MF nO259/01, artigos l° e 209. Por elas, vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo l°, inciso V e artigo 209, incisos XXVII e XXVIII, da Portaria MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante à restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursaIS. 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Ainda na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT n° 58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VID- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos (Ias decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11,da Constituição Federal. A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da c.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade .de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S IOdo art. 102 da Constituição Federal. 30 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de. lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei n° 9868, de 10/11199. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei n° 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia éonstitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o ~3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do ~ 1° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da c.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. . IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I -Tributos Lançados por homologação No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo l° do Decreto nO20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II - Necessidade de Lei Complementar 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146, 111,"b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, inciso 111. o FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei nO 2.049/83, regulamentado pelo Decreto nO92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o "status"de lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei nO 2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP n° 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. nO1621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2003 OSÉ LENCE CARLUCI - Relator 32 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033
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