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Numero do processo: 13161.721064/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal que poderá ser por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUB-ROGAÇÃO. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXIGÊNCIA LEGAL. As empresas adquirentes, consumidoras ou consignatárias ou as cooperativas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física, mediante desconto na comercialização da produção rural e recolher os valores aos cofres públicos. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. EXIGÊNCIA. Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  A  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que  tratam os  incisos  I e  II do art. 22, e a do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  da  Lei  8.212/1991,  independentemente  de  estas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;  O  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  RE  363.852,  declarou  a  inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos  artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91,  com  a  redação  atualizada  até  a  Lei  9.528/97,  até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição.  No  presente  caso,  as  contribuições  devidas  à  previdência  social  são  de  período  posterior  à  Lei  10.256/2001,  que  foi  arrimada  na  Emenda  Constitucional 20/1998.  CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB­ROGAÇÃO. EXIGÊNCIA.  Por  se  tratar  de  contribuição  para  outras  entidades  ou  fundos  que  tem  a  mesma  base  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  a  sub­rogação  da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de  pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento  ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento  ao recurso.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  receita bruta proveniente da  comercialização da  produção  rural  da pessoa  física ou  segurado  especial, por sub­rogação, para as competências 01/2011 a 12/2012.  O Relatório Fiscal (fls. 366/372) informa que os valores apurados decorrem  dos seguintes lançamentos:  1.  AI  DEBCAD  51.050.957­6,  relativo  a  contribuições  da  empresa  e  RAT,  incidentes  sobre  o  valor  da  produção  rural  adquirida  de  produtores pessoas físicas, conforme discriminado no Anexo I;  2.  AI  DEBCAD  51.050.958­4,  relativo  a  contribuições  ao  SENAR,  conforme discriminado nos Anexos I e II.  Esse  Relatório  Fiscal  informa  ainda  que  a  base  de  cálculo  foi  apurada  do  confronto das informações obtidas nas notas fiscais eletrônicas, constantes do Sistema Público  de Escrituração Digital (SPED), e das GFIP.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 30/09/2014 (fls.  01 e 396).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  407/438),  alegando,  em  síntese, que:  1.  ocorreu erro de eleição do sujeito passivo da obrigação tributária, que  torna nulo o crédito apurado, visto que o contribuinte da exação é o  produtor rural, enquanto o autuado é o responsável tributário, que dele  não  reteve  qualquer  contribuição.  Entende  que,  não  efetuando  a  retenção  do  tributo,  não  detém  a  obrigação  de  arcar  com  seu  ônus  financeiro.  Caso  contrário,  seria  contribuinte  da  exação,  estando  legitimado a pleitear o ressarcimento do valor recolhido, possibilidade  combatida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme  julgados que  transcreve.  Diz  que  a  possibilidade  de  reconhecer  o  direito  à  restituição  e  ou  à  compensação  ao  responsável  tributário  é  refutada  pela  administração  pública  federal,  o  que  é  suficiente  para  o  cancelamento do crédito tributário;  2.  ocorreu  a  nulidade  do  MPF­F,  por  ausência  de  notificação  de  sua  prorrogação. Nesse sentido, afirma ter sido cientificada do Termo de  Início  do  Procedimento  Fiscal  em  19/02/2014  e  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  em  30/09/2014.  Aduz  ser  dever  da  autoridade  fiscal  proceder  à  intimação  do  contribuinte  acerca  da  referida  prorrogação, nos termos do art. 9º, parágrafo único, da Portaria RFB  nº  11.371/2007,  sob  pena  de  preterição  do  direito  de  defesa  e  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4  desrespeito à legislação vigente, especialmente o art. 196 do CTN, o  art. 59, II, do Decreto nº70.235, de 1972, e a Portaria RFB nº 11.371,  de  2007.  Discorre  acerca  do  vício  formal,  afirmando  ter  havido  violação  dos  princípios  do  devido  processo  legal,  contraditório  e  ampla defesa, bem como da legalidade;  3.  o  lançamento  foi  realizado  em  contrariedade  à  decisão  do  Supremo  Tribunal Federal (STF) no RE 363.852/MG e no RE 596.177/RS, nas  quais  declarou  a  inconstitucionalidade  da  exação  exigida. Destaca  o  disposto  no  art.  62­A  da  Portaria MF  nº  256,  de  2009,  que  dispõe  sobre  a  vinculação  da  administração  tributária  aos  recursos  repetitivos,  e  precedentes  do  CARF  ­  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais acerca da contribuição lançada.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  (DRJ) em Juiz de  Fora/MG  –  por  meio  do  Acórdão  09­58.091  da  5a  Turma  da  DRJ/JFA  –  considerou  improcedente a impugnação.  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  em Dourados/MS  informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 4          5    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  A  Recorrente  alega  que  há  falta  de  cobertura  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  durante  a  realização  da  auditoria  fiscal,  já  que  ela não  foi  cientificada de forma expressa das alterações e prorrogações do MPF­F.  Entendo que o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal.  Além  disso,  MPF  válido  para  fins  de  autuação  é  aquele  em  que  o  sujeito  passivo  teve  conhecimento de sua existência, seja  realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de  Procedimento  Fiscal,  seja  realizada  por  intermédio  de  correspondência  postal  com  comprovante de Aviso de Recebimento (AR).  O MPF é  a ordem específica dirigida  ao  auditor  fiscal  para que, no uso  de  suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais, assim conceituados como ações  que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, podendo, dessas  ações, resultar a constituição do crédito previdenciário. É mero controle administrativo interno,  podendo  ser  prorrogado  pela  autoridade  outorgante  tantas  vezes  quantas  necessárias,  por  intermédio  de  registro  eletrônico,  disponível  na  internet,  no  endereço  "www.receita.fazenda.gov.br", cujo código de acesso é indicado no próprio documento.  Devidamente  instaurado  o  procedimento  fiscal,  o MPF  terá  validade  até  o  final do prazo por ele estabelecido ou na data em que houver conclusão do procedimento fiscal,  registrado por meio do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF).  Verifica­se  que  o  procedimento  fiscal  foi  iniciado  regularmente  com  a  emissão  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  Fiscalização  (MPF­F)  n°  01.4.02.00­2013­ 0094­3,  código  de  acesso  no  12779843  (fls.  2/3),  e  sua  ciência  ocorreu  em  19/02/2014,  e  também do Relatório Fiscal, em 30/09/2014, e do Termo de Intimação Fiscal nº 48/2014 (fls.  10),  do  qual  foi  dada  ciência  em  03/06/2014  (fls.  11),  bem  como  foi  informado  sobre  a  autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no site da Secretaria da Receita do  Brasil.  Posteriormente,  foram  prorrogados  regularmente  os  Mandados  de  Procedimento Fiscal.  No que se refere ao prazo de validade de MPF e suas prorrogações, cumpre  transcrever os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007:  Art. 4o. O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica  e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de  certificado  digital  válido,  conforme  modelos  constantes  dos  Anexos de I a III desta Portaria.  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  Parágrafo  único.  A  ciência  pelo  sujeito  passivo  do  MPF,  nos  termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972,  com  redação  dada  pelo  art.  67  da  Lei  n°  9.532,  de  10  de  novembro  de  1997,  dar­se­á  por  intermédio  da  Internet,  no  endereço  eletrônico  www.receita.fazenda.gov.br,  com  a  utilização  de  código  de  acesso  consignado  no  termo  que  formalizar o inicio do procedimento fiscal. (g. n.)  (...)  Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade:  I ­ cento e vinte dias, nos casos de MPF­F e de MPF­E;  II ­ sessenta dias, no caso de MPF­D.  Art.  12. A prorrogação do prazo de que  trata o art. 11 poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante,  tantas  vezes  quantas  necessárias,  observadas,  em  cada  ato,  o  prazo  máximo  de  sessenta  dias,  para  procedimentos  de  fiscalização,  e  de  trinta  dias, para procedimentos de diligência.  (...)  Art.  18.  Os  MPF  emitidos  e  suas  alterações  permanecerão  disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do  código de acesso de que trata o art. 4°, parágrafo único, mesmo  após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. (g. n.)  Pelos  dispositivos  acima  mencionados,  percebe­se  que  há  previsão  de  prorrogação do prazo de validade do MPF, tantas vezes quantas forem necessárias, sendo que a  prorrogação é efetuada por meio eletrônico e essa informação, a dispensar a ciência pessoal do  sujeito passivo, estará disponível na Internet para consulta, a partir do código de acesso a ele  fornecido com o termo que formaliza o início do procedimento fiscal.  Para  a  caracterização  de  que  a  autuação  foi  regularmente  comunicada  ao  sujeito passivo, constata­se que a Recorrente impugnou o levantamento no prazo definido pela  norma que  rege o Processo Administrativo Fiscal,  exercendo  seu direito ao  contraditório  e  à  ampla defesa e dando início à fase litigiosa.  Com  isso,  a  regularidade  da  continuidade  da  fiscalização  poderia  ter  sido  conferida  pela  contribuinte  a  qualquer  tempo,  com  o  acesso  ao  site  institucional  do  Fisco:  www.receita.fazenda.gov.br.  Ademais,  o MPF  original  ou  a  sua  prorrogação  não  se  constituem  em  atos  essenciais  à  validade  do  lançamento  fiscal,  pois  ele  constitui  mero  instrumento  de  controle  interno,  de  ato  administrativo  de  natureza  discricionária  de  controle  e  planejamento  da  atividade fiscal e de informação ao contribuinte. Esse é o entendimento do CARF, para o qual  o MPF tem apenas caráter de controle administrativo, não sendo motivo de nulidade, mesmo  com a extrapolação de seu prazo e abrangência, conforme julgado a seguir:  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF.  INSTRUMENTO  DE  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  DOS  ATOS  PRATICADOS  PELOS  AGENTES  FISCAIS.  VÍCIOS  RELACIONADOS  À  NOTIFICAÇÃO  OU  PRORROGAÇÃO.  QUESTÕES  QUE  NÃO  CAUSAM  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal  ­ MPF, é  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 5          7  instrumento  de  controle  criado  pela  Administração  com  o  objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado  está  autorizado  a  fiscalizá­lo.  Se  ocorrerem  problemas  com  a  emissão,  ciência ou prorrogação do MPF, não  são  invalidados  os  trabalhos de  fiscalização desenvolvidos.  Isto  se deve ao  fato  de que a atividade de  lançamento é obrigatória e vinculada,  e,  detectada  a  ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação  tributária,  não  pode  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  (Acórdão  nº 1301­001.316 – Sessão de 05/11/2013 – Por unanimidade de  votos  –  Rel.  Carlos  Augusto  de  Andrade  Jenier  –  D.O.U  de  27/03/2014)  A Recorrente alega nulidade do lançamento fiscal, haja vista que este foi  constituído em face de pessoa diversa do efetivo contribuinte.  Neste  particular,  entendo  que  tal  alegação  não  deve  ser  acatada,  pois,  conforme  §  5o  do  art.  33  da  Lei  8.212/1991,  o  desconto  da  contribuição  previdenciária  presume­se  efetuado,  respondendo  a Recorrente,  na  qualidade de  adquirente,  pelas  retenções  que deixou de efetuar dos produtores rurais pessoais físicas  Lei 8.212/1991:  Art. 33  (...). § 5º O desconto de contribuição e de consignação  legalmente  autorizadas  sempre  se  presume  feito  oportuna  e  regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito  alegar  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente responsável pela importância que deixou de receber  ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.  No mesmo sentido, o inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991 dispõe sobre a  obrigatoriedade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa realizar  a retenção das contribuições devidas (sub­rogação).  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)  (...)  III  ­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata  o  art.  25  até  o  dia  20  (vinte)  do mês  subsequente  ao  da  operação  de  venda  ou  consignação  da  produção,  independentemente  de  essas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física,  na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei  nº 11.933, de 2009).  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física  de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;  (Redação  dada  pela Lei 9.528, de 10.12.97)  A  Recorrente  afirma  que,  por  meio  dos  RE  nº  363.852/MG  e  RE  596.177/RS, o STF declarou a  inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, a qual  deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, todos da  Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/1997, e, com isso, argumenta que  não existe amparo legal para a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a  comercialização da produção rural.  Observa­se  que  o  STF  deu  provimento  ao  RE  596.177/MG  e  declarou  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  8.540/92,  determinando  a  aplicação  desse  mesmo  entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto, no regime de repercussão geral.  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA.  EMPREGADOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.ART.  25  DA  LEI  8.212/1991,  NA  REDAÇÃO  DADA  PELO  ART.  1º  DA  LEI  8.540/1992.  INCONSTITUCIONALIDADE.  I  –  Ofensa  ao  art.  150,  II,  da  CF  em  virtude  da  exigência  de  dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II –  Necessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição  de  nova  fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e  provido  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade  do  art.  1º  da  Lei 8.540/1992, aplicando­se aos casos  semelhantes o disposto  no art. 543­B do CPC.  Em sede de embargos, no RE 596.177/MG, citado acima, o plenário do STF  decidiu e  informou que a constitucionalidade da Lei 10.256/2001 não foi analisada, portanto,  continua vigente.  Essa  Lei  10.256/2001  deu  nova  redação  ao  art.  25  da  Lei.8212/1991  e  estabeleceu  a  exigência  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção rural pessoa física.  Lei 8.212/1991:  Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada  à  Seguridade  Social,  é  de:  (Redação  dada  pela  Lei  No10.256, de 2001)  Nesse  mesmo  sentido,  em  decisão  monocrática  proferida  pelo  Ministro  Joaquim Barbosa, no julgamento do RE 585.684, o STF deu validade a tal exigência com base  na Lei 10.256/2001, no seguintes termos:  DECISÃO: Trata­se de recurso extraordinário (art. 102, III, a da  Constituição)  interposto  de  acórdão  prolatado  pelo  Tribunal  Regional Federal da 4ª Região que considerou constitucional a  Contribuição Social destinada ao Custeio da Seguridade Social  cobrada com base na produção rural e devida por empregadores  Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 6          9  que  fossem  pessoas  físicas  (art.  25  da  Lei  8.212/1991,  com  a  redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992 ­ “Funrural”). Em  síntese, sustenta­se violação dos arts. 150, I e II, 154, I, 195, I e  198,  §  8º  da Constituição.  No  julgamento  do  RE  363.852  (rel.  min. Marco  Aurélio,  DJe  de  23.04.2010),  o  Pleno  desta  Corte  considerou  inconstitucional  o  tributo  cobrado  nos  termos  dos  artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da  Lei  nº  8.212/91,  com  as  redações  decorrentes  das  Leis  nº  8.540/92  e  nº  9.528/97.  Assim,  o  acórdão  recorrido  divergiu  dessa  orientação.  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  extraordinário  e  dou­lhe  parcial  provimento,  para  proibir  a  cobrança  da  contribuição  devida  pelo  produtor  rural  empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991  e  as  que  se  seguiram  até  a  Lei  10.256/2001.  O  pedido  subsidiário para condenação à restituição do indébito tributário,  com  as  especificidades  pretendidas  (compensação,  correção  monetária,  juros  etc)  não  pode  ser  conhecido  neste  momento  processual, por falta de prequestionamento (pedido prejudicado  devido à rejeição do pedido principal). Devolvam­se os autos ao  Tribunal  de  origem,  para  que  possa  examinar  o  pedido  subsidiário  relativo  à  restituição  do  indébito  tributário,  bem  como  eventual  redistribuição  dos  ônus  de  sucumbência.  Publique­se.  Int..  Brasília,  10  de  fevereiro  de  2011.  Ministro  JOAQUIM BARBOSA (RE 585684, Relator(a): Min. JOAQUIM  BARBOSA,  julgado  em  10/02/2011,  publicado  em  DJe­038  DIVULG 24/02/2011)  Posteriormente,  essa  decisão  foi  agravada,  com  o  Ministro  Luís  Roberto  Barroso proferindo a seguinte decisão: o agravante sustenta que a Lei nº 10.256/2001 é “uma  norma desfalcada de critérios básicos que possam legitimar a cobrança da contribuição rural”,  motivo pelo qual o recolhimento do tributo em questão permanece ilegítimo.  Nesse  passo,  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  do  RE  718.874/RS, julgado sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceu a existência  de repercussão geral da matéria em exame, conforme a seguinte a ementa:  “CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  EMPREGADOR RURAL  PESSOA FÍSICA.  RECEITA  BRUTA.  COMERCIALIZAÇÃO DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001.  CONSTITUCIONALIDADE.  I ­ A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser  recolhida  pelo  empregador  rural  pessoa  física,  prevista no  art.  25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001,  ultrapassa os interesses subjetivos da causa.   II ­ Repercussão geral reconhecida.”   Na oportunidade, o Ministro Relator consignou que:  “A  questão  versada  neste  recurso  consiste  em  definir,  ante  o  pronunciamento  desta  Corte  no  RE  363.852/MG,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio  e  no  RE  596.177/RS,  de  minha  relatoria,  se  a  exigência  da  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10  incidente  sobre a  receita bruta proveniente da  comercialização  de  sua  produção,  com  fundamento  Lei  10.256/2001,  editada  após  a  Emenda  Constitucional  20/1998,  seria  constitucionalmente legítima.  Diante  do  exposto,  com  base  no  art.  328,  parágrafo  único,  do  RI/STF,  determino  o  retorno  dos  autos  à  origem,  a  fim  de  que  sejam observadas as disposições do art. 543­B, do CPC."  Diante desse quadro fático e jurídico, conclui­se que não há decisão do STF  que defina sobre a inconstitucionalidade da exigência após a Lei 10.256/2001.  Percebemos  também  que  existem  julgamentos  no  Poder  Judiciário  que  afirmam a aplicação da Lei 10.256/2001, após a Emenda Constitucional no 20/1998.  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  EMPREGADOR.  PRESCRIÇÃO.  LC  118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1­ O STF, ao julgar o RE  nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo  art.  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  eis  que  instituíram  nova  fonte  de  custeio  por  meio  de  lei  ordinária,  sem  observância  da  obrigatoriedade  de  lei  complementar  para  tanto.  2­  Com  o  advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova  redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3­ Em face do  novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na  redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do  empregador  rural  pessoa  física  como  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção, não se encontra eivado de  inconstitucionalidade.”  (Apelação nº 0002422­12.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de  Fátima  Labarrère,  01ª  Turma  do  TRF­4,  julgada  em  11/05/10)  .........................................................................................................  PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  FUNRURAL  CONTRIBUIÇÃO  SOBRE  A  RECEITA  BRUTA  PROVENIENTE  DA  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO RURAL DE EMPREGADORES. PESSOA FÍSICA.  EC  Nº  20/98.  LEI  Nº  10.256/01.  CONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557. POSSIBILIDADE.  1. A  regra do artigo 557 do Código de Processo Civil  tem por  objeto  desobstruir  as  pautas  dos  tribunais  para  que  sejam  encaminhadas  à  sessão  de  julgamento  somente  as  ações  e  os  recursos  que  realmente  reclamem  a  apreciação  pelo  órgão  colegiado,  primando­se  pelos  princípios  da  economia  e  da  celeridade processual.  2.  A  decisão  agravada  se  amparou  na  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  RE  363.852,  não  subsistindo  os  fundamentos aventados nas razões recursais.  3. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede de recurso  extraordinário,  a  inconstitucionalidade  do  art.  1°  da  Lei  nº  8.540/92,  que  previa  o  recolhimento  da  contribuição  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 7          11  produção rural de empregadores, pessoas naturais, porquanto a  receita bruta não era prevista como base de cálculo da exação  na antiga redação do art. 195 da CF.  4.  Após  o  advento  da  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  que  acrescentou o vocábulo receita à alínea b, do inc. I , do art. 195  da CF, foi editada a Lei nº 10.256/01, que deu nova redação ao  caput do art. 25 da Lei nº8.212/91 e substituiu as contribuições  devidas pelo empregador rural pessoa natural incidentes sobre  a folha de salários e pelo segurado especial  incidentes sobre a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural,  afastando,  assim,  tanto  a  bitributação,  quanto  a  necessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição  da  contribuição,  que  passou  a  ter  fundamento  constitucional.  Precedentes.  5. Preliminar  rejeitada e, no mérito,  agravo  legal não provido.  (AMS  00094598220104036102  AMS  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  ­  330998  Relator(a)  DESEMBARGADORA  FEDERAL  VESNA  KOLMAR  Sigla  do  órgão  TRF3  Órgão  julgador  PRIMEIRA  TURMA Fonte e­DJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012, v.u.).  .........................................................................................................  AGRAVO  LEGAL  ­  ARTIGO  557,  §1º,  DO  CPC  ­  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  ­  "FUNRURAL"  ­  RESTITUIÇÃO  ­  CONTAGEM  DO  PRAZO  PRESCRICIONAL  DE  ACORDO  COM  O  STF  ­  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  EXAÇÃO  CONHECIDA  COMO  FUNRURAL  (RE  Nº  363.852,  EM  03/02/2010),  MAS  RESTRITA AO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº  10.256/2001 QUE SURGIU APÓS A EC N° 20/98 ­ RECURSO  IMPROVIDO.  1. Cuida­se de ação ordinária ajuizada em 30 de agosto de 2010,  na qual o autor busca a restituição dos valores pagos a título de  "FUNRURAL" nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação.  2. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o  entendimento de que a vetusta  tese do  "cinco mais cinco" anos  deveria  ser  aplicada  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  Lei  Complementar  nº  118/2005  (REsp  1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o  RE  nº  566.621/RS,  em  repercussão  geral,  afastou  parcialmente  esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do  novo  prazo  de  5  anos  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou  seja,  a  partir  de  9.6.2005.  Assim,  encontram­se  prescritos  os  créditos anteriores a cinco anos do ajuizamento da ação.  3.  No  julgamento  do  RE  nº  363.852  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal Federal afirmou haver vício de constitucionalidade na  instituição  da  referida  contribuição  ("FUNRURAL"),  por  entender  que  a  comercialização  da  produção  é  realidade  econômica  diversa  do  faturamento  e  este  não  se  confunde  com  receita, de modo que a nova fonte deveria estar estabelecida em  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  lei complementar. Portanto, não era devida a exação conforme a  fórmula legal apreciada pela Suprema Corte. Posicionamento foi  confirmado no Recurso Extraordinário nº 596.177,  julgado nos  moldes do artigo 543­B do Código de Processo Civil, em sessão  plenária do Supremo Tribunal Federal realizada em 1º de agosto  de 2011.  4.  Sucede  que  a  promulgação  da  Emenda  Constitucional  nº  20/98 veio alterar a situação, uma vez que o artigo 195, inciso I,  alínea "b", da Constituição Federal, com nova redação, passou a  prever a "receita", ao lado do faturamento, como base de cálculo  para contribuições destinadas ao custeio da previdência social.  Considerando  que  atualmente  a  contribuição  previdenciária  objeto  da  controvérsia  encontra­se  prevista  pela  Lei  nº  10.256/2001 (posterior à Emenda Constitucional nº 20/98) que  deu nova redação ao "caput" do artigo 25 da Lei nº 8.212/91,  substituindo aquela contribuição prevista no artigo 22 da Lei nº  8.212/91,  não  há  falar­se  em  vício  de  constitucionalidade nas  exigências desde então.  5.  No  caso  concreto  a  discussão  cinge­se  apenas  às  contribuições  previdenciárias  devidas  a  partir  de  agosto  de  2005, devendo ser mantida a improcedência do pedido.  6.  Agravo  legal  a  que  se  nega  provimento.  (AC  00086942920104036000  AC  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  ­  1601907  Relator(a)  DESEMBARGADOR  FEDERAL  JOHONSOM  DI  SALVO  Sigla  do  órgão  TRF3  Órgão  julgador  PRIMEIRA  TURMA Fonte e­DJF3 Judicial 1 DATA:18/06/2012)  .........................................................................................................  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  FUNRURAL.  EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25 DA LEI N.  8.212/91,  COM  A  REDAÇÃO  DECORRENTE  DA  LEI  N.  10.256/01.  EXIGIBILIDADE.  PRESCRIÇÃO.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO  OU  COMPENSAÇÃO.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  JURISPRUDÊNCIA  DO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  (CPC,  ART.  543­B).  APLICABILIDADE.  1. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  Lei  Complementar  n.  118/05,  na  sistemática  do  art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil,  acrescentado pela Lei n.  11.418/06. Entendimento que  já havia  sido  consolidado  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ,  REsp  n.  1002932,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  j.  25.11.09  ).  No  entanto,  de  forma  distinta  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  concluiu  a Corte  Suprema  que  houve  violação  ao  princípio  da  segurança  jurídica a previsão de aplicação retroativa do prazo  prescricional de 5 (cinco) anos, o qual deve ser observado após  o transcurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja,  somente para as demandas propostas a partir de 9 de  junho de  2005 (STF, RE n. 566621, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 04.08.11).  2. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade  dos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com  as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.529/97, até  que  legislação  nova,  arrimada  na  Emenda  Constitucional  n.  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 8          13  20/98,  que  incluiu  "receita"  ao  lado  de  "faturamento",  venha  instituir a exação (STF, RE n. 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio,  j.  03.02.10).  No  referido  julgamento,  não  foi  analisada  a  constitucionalidade da contribuição à  luz da  superveniência da  Lei  n.  10.256/01,  que  modificou  o  caput  do  art.  25  da  Lei  n.  8.212/91 para  fazer constar que a contribuição do empregador  rural pessoa física se dará em substituição à contribuição de que  tratam os incisos I e II do art. 22 da mesma lei. A esse respeito,  precedentes  deste  Tribunal  sugerem  a  exigibilidade  da  contribuição  a  partir  da Lei  n.  10.256/01,  na medida  em  que  editada posteriormente à Emenda Constitucional n. 20/98 (TRF  da 3ª Região, Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.014084­6, Rel.  Des. Fed. Henrique Herkenhoff, j. 19.10.10; Agravo Legal no AI  n.  2010.03.00.000892­0, Rel. Des. Fed. André Nekatschalow,  j.  04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.016210­6, Rel. Juiz  Fed. Conv. Hélio Nogueira,  j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n.  2010.03.00.010001­0,  Rel.  Juiz  Fed.  Conv.  Roberto  Lemos,  j.  03.08.10).  3. A parte autora pleiteia a restituição da contribuição prevista  no  art.  25,  I  e  II,  da  Lei  n.  8.212/91,  com  redação  da  Lei  n.  8.540/92  e  alterações  posteriores.  A  presente  demanda  foi  proposta em 27.04.10  (fl. 2),  logo,  incide o prazo prescricional  quinquenal,  conforme  o  entendimento  fixado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal.  Assim,  ocorreu  a  prescrição  em  relação  aos  recolhimentos  efetuados  antes  de  27.04.05,  devendo  ser  reformada a sentença na parte que condenou a União a restituir  os recolhimentos efetivados no período de 27.04.00 a 08.10.01.  4.  Quanto  ao  período  não  prescrito,  a  sentença  recorrida  encontra­se  em  consonância  com  a  jurisprudência  dominante  deste  Tribunal  no  sentido  da  exigibilidade  da  contribuição  social  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização rural dos empregadores rurais pessoas físicas  após o advento da Lei n. 10.256/01.  5. Reexame necessário e apelação da União providos e apelação  da parte autora não provido. (AC 00041351420104036102 AC ­  APELAÇÃO CÍVEL  ­  1684876  Relator(a) DESEMBARGADOR  FEDERAL  ANDRÉ  NEKATSCHALOW  Sigla  do  órgão  TRF3  Órgão  julgador  QUINTA  TURMA  Fonte  e­DJF3  Judicial  1  DATA:12/01/2012, v.u.)  Mesmo  após  a  decisão  do  STF  no  RE  363.852  que  declarou  a  inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/1992, que deu nova redação ao art. 30,  inciso  IV, da Lei 8.212/91, permanece a vigência da Lei 10.256/2001.  Lei 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  ...  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     14  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física  de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;  (Redação  dada  pela Lei 9.528, de 10.12.97)  Com isso, percebe­se que, com a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, após  a EC 20/1998, passam a ser exigíveis, sem vício de constitucionalidade e sem decisão do STF  que  lhes  abarque nesse  sentido,  as  contribuições  sociais  a  cargo do empregador  rural  pessoa  física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.  Esse  entendimento  decorre  do  fato  de  que  há  possibilidade  de  o  STF  modificar  o  entendimento  firmado  da  inconstitucionalidade  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural  de  pessoa  física,  após  o  advento  da  Emenda Constitucional 20/1998, que acrescentou o § 13 no art. 195 da CF/1988, para admitir a  hipótese  de  substituição  da  contribuição  incidente  na  forma  de  rendimentos  em  folha  de  salários pela incidente sobre a receita ou o faturamento, que é o caso dos autos nos termos da  Lei 10.256/2001.  Ademias, os entendimentos do STF,  inclusive a decisão manifestada no RE  363.852,  contêm  implicitamente  a  cláusula  “rebus  sic  stantibus”,  de modo que  as  alterações  posteriores  que  alterem  a  realidade  normativa,  no  caso  em  tela  a  Emenda  Constitucional  20/1998,  podem  tornar  constitucional  a  contribuição  previdenciária  prevista  na  Lei  10.256/2001. Esse entendimento foi extraído da Rcl 4374/PE, em 18/04/2013.  Em outras  palavras,  os  efeitos  da  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  8.540/1992, manifestado pelo STF no RE 363.852, não vinculam o Fisco no lançamento fiscal  de contribuição previdenciária prevista na Lei 10.256/2001, e, também, não vinculam o próprio  STF. Assim, se o STF decidiu, em sede de RE 363.852, que determinada lei é inconstitucional,  a  Corte  poderá,  mais  tarde,  mudar  seu  entendimento  e  decidir  que  a  Lei  10.256/2001  é  constitucional  por  conta  de  mudanças  ou  alterações  no  texto  constitucional  (Emenda  Constitucional 20/1998).  Registra­se  que  a  responsabilidade  da  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  pelo  recolhimento  da  contribuição  previdenciária,  oriunda  da  comercialização da produção rural do produtor  rural pessoa  física, não está definida somente  no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991, já que essa responsabilidade também está prevista  no inciso III desse mesmo artigo.  Lei 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (...)  III  ­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de  venda ou consignação da produção, independentemente de estas  operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou  Fl. 527DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/2014­51  Acórdão n.º 2402­005.115  S2­C4T2  Fl. 9          15  com  intermediário  pessoa  física,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;  Dentro  da  análise  da  aplicação  da  Lei  10.256/2001,  após  a  Emenda  Constitucional  20/1998,  vejamos  a  decisão  no  agravo  de  instrumento  nº  0030176­ 49.2014.4.03.0000/MS,  processo  2014.03.00.030176­8/MS,  Relator  Desembargador  Federal  Cotrim Guimarães, TRF3, que brilhantemente analisou a questão:  “Portanto, a  jurisprudência dominante desta E. Corte Regional  entende que, com a promulgação da EC nº 20/98 e a edição da  Lei  nº  10.256/01,  não  se  pode  mais  alegar  vício  formal  pela  ausência  de  lei  complementar,  afastando­se  a  necessidade  de  aplicação  do  disposto  no  parágrafo  4º  do  artigo  195  para  a  exação  em  exame.  Pelas  mesmas  razões,  não  se  pode  mais  pensar em bitributação ou ônus desproporcional  em relação ao  segurado especial e ao empregador urbano pessoa física, sendo  certo  que  atualmente  a  única  contribuição  social  devida  pelo  empregador  rural  pessoa  física  é  aquela  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  sua  produção.  Também restou sedimentado que não há vício na utilização das  alíquotas  e  da  base  de  cálculo  previstas  nos  incisos  I  e  II  do  caput  do  artigo  25  da Lei­8.212/91,  com  redação  trazida  pela  Lei­9.528/97,  tratando­se  de  questão  de  técnica  legislativa,  estando  os  respectivos  incisos  abrangidos  pelo  espírito  legislativo  que  motivou  a  edição  da  Lei­10.256/01. O mesmo  raciocínio  serve  para  se  concluir  pela  plena  vigência  do  regramento disposto no inciso IV do artigo 30 da Lei­8.212/91.  ...  No tocante aos incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 10.256/01, o entendimento majoritário da turma  é  no  sentido  de  que  a  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  ocorreu em sede de controle difuso de constitucionalidade e em  relação  à  redação  do  caput  do  artigo  25  dada  pela  Lei  nº  9.528/97.  Com a superveniência da Lei nº 10.256/01, que entrou em vigor  antes  da  declaração  da  inconstitucionalidade,  não  havia  necessidade  de  alteração  dos  incisos,  uma  vez  que  aquele  dispositivo legal alterou o caput do artigo 25 para adequá­lo à  Emenda Constitucional nº 20.  Ademais, em se tratando de controle difuso, o Senado Federal  (artigo 52, inciso X, da Constituição Federal de 1988) não será  obrigado  a  suspender  a  execução  dos  incisos,  sobretudo  pela  compatibilidade da nova redação do caput do artigo 25 da Lei  nº 8.212/91 com o texto constitucional alterado pela EC nº 20,  sendo desnecessária a edição de lei complementar.  Dessa  forma,  entendem­se  plenamente  aplicáveis  os  dispositivos  da  Lei  10.256/2001, que o caso dos autos.  No  que  tange  à  alegação  de  que  o  dispositivo  legal  que  determinava  a  obrigação do adquirente de reter e recolher o tributo, na forma do art. 30, inciso IV, da  Fl. 528DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     16  Lei  8.212/1991,  foi  declarado  expressamente  inconstitucional  pelo  STF,  tanto  no  RE  363.852/MG como no RE 596.177/RS, pois  inexiste até o momento lei em sentido formal e  material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação, entendo que tais questões  dizem respeito à inconstitucionalidade do tributo, e o afastamento da aplicação da Legislação,  indubitavelmente,  ensejaria  o  reconhecimento  de  inconstitucionalidade  de  lei  em  vigor,  conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado  a este Conselho Administrativo.  Sobre  o  tema,  o  CARF  consolidou  referido  entendimento  por  meio  do  enunciado da Súmula n. 02, a seguir:  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”  Nesse  passo,  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  ao  SENAR,  postulada  na peça recursal, não deve ser objeto de enfrentamento por esse colegiado (Súmula CARF n.°  2).  Conforme  delineamento  registrado  no  item  acima,  o  STF  já  se manifestou  pela inconstitucionalidade das contribuições que tenham como fato gerador a receita bruta da  comercialização  da produção  rural  realizada  por  pessoa  física  (RE 363.852),  sendo que  essa  decisão não abrangeu os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001.  Dessa forma, após a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, que é o caso dos  autos,  não  há  declaração  de  inconstitucionalidade  pelo  STF  acerca  da  contribuição  social  destinada ao SENAR, mantendo­se os valores lançados.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 529DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 16327.000989/2005-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 IRPJ e REFLEXOS - USUFRUTO ONEROSO DE COTAS/AÇÕES - TRIBUTAÇÃO DOS VALORES - REGIME DE COMPETÊNCIA. A PGFN alega que o acórdão recorrido anulou integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência. Constatado que o fato suscitado pela PGFN, que teria gerado a alegada contrariedade à lei, simplesmente não ocorreu, cabe negar provimento ao recurso especial.
Numero da decisão: 9101-002.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 2          1 1  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16327.000989/2005­21  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­002.299  –  1ª Turma   Sessão de  07 de abril de 2016  Matéria  Usufruto oneroso de Cotas/Ações.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ITAÚ SEGUROS S/A    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  IRPJ  e  REFLEXOS  ­  USUFRUTO  ONEROSO  DE  COTAS/AÇÕES  ­  TRIBUTAÇÃO DOS VALORES ­ REGIME DE COMPETÊNCIA.  A PGFN alega que o acórdão recorrido anulou integralmente o lançamento,  por erro na determinação da base de  cálculo pelo  regime de caixa,  sem, no  entanto,  resguardar  a  exigência  relativa  às  receitas  proporcionalmente  reconhecidas  segundo  o  regime  de  competência.  Constatado  que  o  fato  suscitado  pela  PGFN,  que  teria  gerado  a  alegada  contrariedade  à  lei,  simplesmente não ocorreu, cabe negar provimento ao recurso especial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional  conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. Declarou­se impedida  de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.  (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  LUÍS  FLÁVIO  NETO,  ADRIANA  GOMES  REGO,  ANDRE  MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL  DE  ARAÚJO,  HELIO  EDUARDO  DE  PAIVA  ARAUJO  (Suplente  Convocado),  MARIA     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 89 /2 00 5- 21 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/2005­21  Acórdão n.º 9101­002.299  CSRF­T1  Fl. 3          2 TERESA  MARTINEZ  LOPEZ  (Vice­Presidente),  CARLOS  ALBERTO  FREITAS  BARRETO (Presidente).   Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN) em 16/12/2008  (e­fls.  455/464),  fundamentado no art.  7º,  I,  do Regimento  Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n.° 147, de 25/06/07,  que busca reverter "decisão não unânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência  da prova".  A matéria suscitada no recurso diz respeito à tributação de receitas auferidas  a  título  de  cessão  onerosa  de  usufruto  de  cotas  e  ações  de  propriedade  da  recorrente  para  terceiros.   A  PGFN  insurgiu­se  contra  o  Acórdão  nº  101­96.740,  de  28/05/2008,  por  meio do qual a antiga 1a Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu  provimento  parcial  a  recurso  voluntário  da  contribuinte  acima  identificada,  para  fins  de  "excluir da tributação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações relativos ao ano­ calendário de 2001, considerando para tanto a aplicação do regime de competência no sistema  pro­rata, até o limite do lançamento, [...]".  O acórdão recorrido foi assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002   Ementa: IRPJ e REFLEXOS ­ USUFRUTO ONEROSO DE COTAS/AÇÕES  ­ TRIBUTAÇÃO DOS VALORES ­ REGIME DE COMPETÊNCIA ­ O produto  da cessão do usufruto de cotas/ações não se confunde com o  rendimento  produzido  por  essa  uma  vez  que  derivam  de  relações  jurídicas  diversas  sujeita a tributação integral do valor recebido, porém, a apropriação deve ser  realizada  em  conformidade  com o  regime  de  competência,  obedecendo  o  prazo determinado no contrato.  A PGFN  afirma  que  o  acórdão  recorrido  configura  decisão  não­unânime  e  contrária à  lei. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos  abaixo:     ­  a  partir  da  vigência  da  Lei  6.404/76,  o  reconhecimento  das  mutações  patrimoniais, verificadas em contas de resultados, afastou­se do regime de caixa e passou a ser  evidenciado em face do regime de competência, conforme previsto no artigo 187, parágrafo 1º  da citada norma legal;  ­  a  Lei  6.404/76,  na  seção  relativa  à  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício,  ao  se  referir  à  determinação  do  resultado  do  exercício,  deixa  claro  que  serão  computados  "as  receitas  e  os  rendimentos  ganhos  no  período,  independentemente  da  sua  realização  em  moeda".  Embora  não  realizado  em  moeda,  o  ganho,  desde  que  efetiva  e  potencialmente realizável, pode e deve ser escriturado;  Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/2005­21  Acórdão n.º 9101­002.299  CSRF­T1  Fl. 4          3 ­  o  acórdão  recorrido,  embora  tenha  adotado  o  mesmo  entendimento  defendido  no  presente  recurso,  no  sentido  de  se  aplicar  o  regime  de  competência  no  reconhecimento  das  receitas  operacionais  oriundas  de  cessão  de  usufruto  de  ações,  anulou  integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa,  sem,  no  entanto,  resguardar  a  exigência  relativa  às  receitas  proporcionalmente  reconhecidas  segundo o regime de competência;  ­  o  acórdão  recorrido,  embora  tenha  sido  proferido  no  mesmo  sentido  do  entendimento ora defendido (regime de competência), deixou de aplicar o disposto no art. 187,  §1°, da Lei 6.404/76, na medida em que não preservou o lançamento na parte que contempla as  receitas reconhecidas segundo o regime de competência, como havia entendido a eg. Primeira  Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 101­95.960 (anexo);  ­ a eg. Primeira Câmara do 1º CC, ao invés de anular o auto de infração por  erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, preferiu excluir da tributação a  parcela da receita referente ao período não abrangido pelo regime de competência, mantendo o  lançamento quanto à parcela da receita apropriada segundo tal regime;  ­  portanto,  sendo o  lançamento  fiscal  relativo  ao  ano­calendário de 2001, o  valor das receitas a serem apropriadas de acordo com o regime de competência deve ser aquele  correspondente, proporcionalmente, aos dias decorridos entre a data do contrato e o último dia  do ano­calendário objeto do lançamento;  ­  logo,  merece  ser  reformado  o  acórdão  ora  recorrido,  a  fim  de  que  seja  mantido o lançamento fiscal quanto às receitas operacionais oriundas dos contratos de usufruto  firmados pela recorrida no ano­calendário de 2001, em parte corretamente apropriadas segundo  o regime de competência, proporcionalmente, aos dias decorridos entre as datas da celebração  dos contratos (21/11/2001) e o último dia do ano­calendário objeto do lançamento (2001).  Quando do exame de  admissibilidade do Recurso Especial  da PGFN  (e­fls.  466),  o  Presidente  da  antiga  1a  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  por  meio  do  Despacho  nº  437,  de  19/12/2008,  admitiu  o  recurso  especial  fazendo  as  seguintes  considerações:  [...]  Tendo sido tempestiva a apresentação do recurso, e observada a condição  estabelecida no parágrafo 1º do art. 7º do referido Regimento Interno, qual  seja, a demonstração da contrariedade à  lei ou à evidência da prova, visto  que  a  recorrente,  em  tese,  fundamentou,  à  saciedade,  a  alegada  contrariedade  à  lei  no  que  tange  à  exclusão  do  lançamento  por  erro  na  determinação  da  base  de  cálculo  pelo  regime  de  caixa,  sem  ressaltar  a  parte do  lançamento relativa às receitas reconhecidas com observância do  regime  de  competência,  DOU  SEGUIMENTO  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda Nacional.  Em  26/11/2009,  a  contribuinte  foi  intimada  do  despacho  que  admitiu  o  recurso especial da PGFN, e em 10/12/2009 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões  de e­fls. 505/508, com os argumentos descritos a seguir:     Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/2005­21  Acórdão n.º 9101­002.299  CSRF­T1  Fl. 5          4 DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL  ­ a Fazenda Nacional apresentou recurso especial aduzindo equivocadamente  que o Conselho de Contribuintes teria dado provimento ao recurso para cancelar integralmente  o lançamento;  ­  entretanto,  conforme  se  observa  do  acórdão  recorrido,  o  Conselho  de  Contribuintes  deu  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  da  contribuinte,  para  excluir  da  tributação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações, relativos ao ano­calendário  de 2001, considerando para  tanto a aplicação do  regime de competência no sistema pró­rata,  até  o  limite  do  lançamento.  Relativamente  à  parcela mantida  do  lançamento,  a  contribuinte  apresentou recurso especial, visando a reforma do acórdão;  ­  a  Fazenda  Nacional,  por  sua  vez,  apresentou  recurso  especial,  aduzindo  matéria estranha ao conteúdo do acórdão, ou seja, argumenta equivocadamente que embora o  acórdão  recorrido  tenha  reconhecido  o  regime  de  competência  das  receitas  operacionais  oriundas  de  cessão  de  usufruto  de  ações,  anulou  integralmente  o  lançamento  por  erro  na  determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência  relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência;  ­ como visto, o lançamento não foi anulado pela E. 1ª Câmara do 1º Conselho  de  Contribuintes,  que  apenas  excluiu  da  tributação  a  parte  dos  rendimentos  auferidos  pelo  usufruto das ações relativas ao ano­calendário de 2001, considerando­se a aplicação do regime  de competência no sistema pró­rata;  ­  o  pedido  aduzido  pela  Fazenda  Nacional  em  seu  recurso  especial  corresponde exatamente ao quanto fora reconhecido pelo acórdão recorrido, ou seja, pleiteia a  reforma  do  acórdão  a  fim  de  que  seja  mantido  o  lançamento  fiscal  quanto  às  receitas  operacionais oriundas dos contratos de usufruto firmados pela recorrida no ano­calendário de  2001,  em  parte  corretamente  apropriadas  segundo  o  regime  de  competência,  proporcionalmente, aos dias decorridos entre as datas da celebração dos contratos e o último  dia do ano­calendário objeto do lançamento.  DO PEDIDO  ­  pelo  exposto,  não  merece  seguimento  o  Recurso  Especial,  por  evidente  ausência de objeto, devendo prevalecer o acórdão recorrido, na parte em que julgou procedente  o recurso voluntário interposto pela contribuinte, em todos os seus termos.    É o relatório.    Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/2005­21  Acórdão n.º 9101­002.299  CSRF­T1  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator.  Conheço  do  recurso  especial  da PGFN,  pois  este  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade.  Conforme  restou  consignado  no  referido Despacho  nº  437,  de  19/12/2008,  proferido  pelo  Presidente  da  antiga  1ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  o  recurso  especial da PGFN, "em tese, fundamentou, à saciedade, a alegada contrariedade à lei".  A  verificação  se  essa  alegada  contrariedade  à  lei  efetivamente  ocorreu  ou  não, é questão afeta ao julgamento do mérito do recurso, e não de sua admissibilidade.  Vale  registrar  que  a  contribuinte  também  apresentou  recurso  especial,  no  caso,  recurso  especial  de  divergência,  mas  este  não  foi  admitido,  conforme  o  Despacho  nº  1100­00­00.0752010, de 18/02/2010, também exarado pelo Presidente da antiga 1ª Câmara do  1º Conselho de Contribuintes (e­fls. 521/523), e o Despacho de Reexame de Admissibilidade  de Recurso  Especial  datado  de  10/03/2010,  exarado  pelo  Presidente  da Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (e­fls. 524/525).  Como já mencionado, a matéria suscitada no recurso especial sob exame diz  respeito  à  tributação  de  receitas  auferidas  a  título  de  cessão  onerosa  de  usufruto  de  cotas  e  ações (investimentos) de propriedade da recorrente para terceiros.   Essas  receitas  geraram  lançamento  a  título  IRPJ  e  tributos  reflexos  (CSLL,  PIS  e COFINS)  no  ano­calendário  de  2001,  ano  em que  a  recorrente  firmou  com  terceiro  o  contrato de cessão onerosa do usufruto dos investimentos que ela detinha em outra empresa.  Os  valores  auferidos  tinham  sido  tratados  pela  contribuinte  como  ajuste  no  investimento, sem transitar por conta de resultado, o que motivou a autuação fiscal.   O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa.  A  decisão  de  segunda  instância  administrativa  (acórdão  ora  recorrido),  por  sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de "excluir da  tributação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações relativos ao ano­calendário  de 2001, considerando para  tanto a aplicação do  regime de competência no sistema pro­rata,  até o limite do lançamento, na forma do demonstrativo contido no voto condutor, [...]".  Em  seu  recurso  especial,  a  PGFN  alega  que  o  acórdão  recorrido  anulou  integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa,  sem,  no  entanto,  resguardar  a  exigência  relativa  às  receitas  proporcionalmente  reconhecidas  segundo o regime de competência.  Não foi isso o que aconteceu no caso destes autos.   Fl. 657DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/2005­21  Acórdão n.º 9101­002.299  CSRF­T1  Fl. 7          6 Tanto  o  voto  que  orientou  o  acórdão  recorrido,  quanto  a  própria  ementa  e  também a sua parte dispositiva não deixam nenhuma dúvida de que o comando foi no sentido  de manter parte do lançamento, considerando para tanto a aplicação do regime de competência  no sistema pro­rata.  A Minuta de Cálculo juntada aos autos pela Delegacia de origem, na fase de  preparação para a execução do acórdão do CARF (e­fls. 468/471), vai nesse mesmo sentido.  Empregando o regime de competência, a Delegacia de origem fez o rateio das receitas entre o  mês de novembro/2001 e o mês de outubro/2002 (período de abrangência do contrato de cessão  onerosa do usufruto dos investimentos), e manteve a exigência dos tributos incidentes sobre os  valores correspondentes ao ano­calendário de 2001.  O  que  se  constata  é  que  o  fato  suscitado  pela  PGFN,  que  teria  gerado  a  alegada contrariedade à lei, simplesmente não ocorreu.  Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da  PGFN.  (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo                              Fl. 658DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O

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Numero do processo: 10865.003929/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR PROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado procedente, tendo em vista a ausência dos requisitos necessários ao reconhecimento da isenção, em se tratando das mesmas alegações de recurso, é imperiosa a manutenção da infração pela ausência de informação em GFIP dos fatos geradores respectivos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo- Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 246          1  245  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.003929/2010­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­005.043  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de fevereiro de 2016  Matéria  ISENÇÃO  Recorrente  SANTA CASA DE MISERICÓRDIA HOSPITAL SÃO VICENTE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2009  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  INFORMAÇÃO  EM  GFIP  DE  FATOS  GERADORES  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  JULGAMENTO  DO  LANÇAMENTO  PRINCIPAL  TIDO  POR  PROCEDENTE.  Uma  vez  que  o  lançamento  principal  do  qual  decorre  o  presente Auto de Infração foi julgado procedente, tendo em vista a ausência  dos requisitos necessários ao reconhecimento da isenção, em se tratando das  mesmas  alegações  de  recurso,  é  imperiosa  a  manutenção  da  infração  pela  ausência de informação em GFIP dos fatos geradores respectivos.  Recurso Voluntário Negado.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 29 /2 01 0- 54 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     2  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.      Ronaldo de Lima Macedo­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira,  João Victor  Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003929/2010­54  Acórdão n.º 2402­005.043  S2­C4T2  Fl. 247          3    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  SANTA  CASA  DE  MISERICÓRDIA  HOSPITAL  SÃO  VICENTE,  em  face  de  acórdão  que  manteve  a  integralidade  do Auto  de  Infração  n.  37.283.734­4,  lavrado  para  a  cobrança multa  por  ter  a  recorrente apresentado GFIP`s com informação incorreta no campo FPAS (informou o FPAS  639 – código de entidade isenta, quando o correto era o FPAS 515), o que reduziu o valor das  contribuições devidas sobre as remunerações pagas aos segurados, constituindo assim infração  ao artigo 32 inciso IV da Lei n° 8.212/91.  O  relatório  fiscal  esclarece  que  através  da  Resolução  n.  41  do  Conselho  Nacional de Assistência Social  ­ CNAS, de 15 de março de 2007, com publicação no Diário  Oficial  da  União  ­  DOU  de  22/03/2007  foi  indeferido  o  pedido  de  Renovação  do  CEAS  ­  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social  e  posteriormente  através  do  Ato  Cancelatório de  Isenção de Contribuições Sociais n. 001 de 08/10/2008 emitida pela DRF de  Limeira, o contribuinte teve cancelada a isenção das contribuições de que tratam os artigos, 22  e 23 da Lei ns 8.212, de 24 de julho de 1991.  Por  tais  motivos  a  fiscalização  verificou  que  a  recorrente  está  sem  o  certificado  de  entidade  beneficente  desde  01/01/2001  até  presente  data,  e,  mesmo  tendo  conhecimento do Ato Cancelatório de Reconhecimento de  Isenção de Contribuições Sociais,  continuou a informar nas GFIP´s o FPAS 639 como sendo entidade com isenção.  O  lançamento  compreende  o  período  de  01/2005  a  08/2009,  tendo  sido  a  contribuinte cientificada em 16/12/2010 (fls. 01).  Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 124/126), a  recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  que  a  expedição  do  Ato  Cancelatório  está  intimamente  ligada  constituição do  crédito  tributário por meio do presente Auto de  Infração,  motivo  pelo  qual,  nesta  oportunidade,  deve  ser  apreciada a motivação daquele ato;  2.  que o motivo que embasou o Ato Cancelatório não mais subsiste,  sendo necessário o cancelamento do presente Auto de Infração;  3.  A necessidade de adoção do princípio da  instrumentalidade das  formas, de sorte que nesta oportunidade devam ser apreciados os  fundamentos  objeto  do  Ato  Cancelatório,  motivo  pelo  qual  também não poderia o julgador de primeira instância declarar­se  como  incompetente  na  análise  do  pleito  formulado  em  sede  de  impugnação;  4.  que não houve descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei  8.212/91, uma vez que a recorrente protocolou em 2000 o pedido  de renovação de seu certificado;  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     4  5.  que  mesmo  indeferido  o  pedido  foi  apresentado  pedido  de  reconsideração  ao  CNAS  o  qual  possui  efeito  suspensivo,  devendo  ser  considerado  válido  o  CEAS  que  possuía  até  o  julgamento de seu pedido de reconsideração;  6.  que  foi  cientificada do Ato Cancelatório da  isenção somente em  08/10/2008,  cujo  motivo  determinante  foi  a  inexistência  do  CEAS;  7.  que  a  emissão  do Ato Cancelatório  não  observou  o  fato  de  que  ainda  existia  pedido  de  reconsideração  pendente  de  análise  pelo  CNAS;  8.  que nos termos do art. 39 da MP 446/08 o pedido de renovação do  CEAS,  ainda  não  definitivamente  julgado  fora  automaticamente  deferido;  9.  que se o ato cancelatório n. 001/2008 foi expedido unicamente em  razão da suposta ausência do Certificado de Entidade Beneficente  de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003,  comprovado pela documentação juntada aos autos, cessou a causa  determinante para a continuidade dos efeitos do Ato Cancelatório;  10.  que mesmo no período que sucede 01/01/2001 a 31/12/2003, não  haveria  a  necessidade  da  recorrente  em  demonstrar  ter  obtido  a  renovação de seu certificado;  11.  mesmo  assim,  protocolizou  em  10/12/2008,  no  Ministério  da  Saúde, quando ainda vigorava a MP 446/08, pedido de renovação  de  seu  certificado,  com  o  registro  sob  o  n.  25000.215707/2008,  devendo comprovar o cumprimento dos requisitos  legais para os  três anos anteriores ao pedido (2005, 2006. 2007), pedido este que  ainda não veio a ser analisado;  12.  que em não tendo sido analisado o pedido, diante da natureza do  reconhecimento  da  isenção  possuir  efeitos  ex  tunc,  certamente  haverá de ser reconhecida sua isenção para referido período;  13.  finaliza argumentando não ter infringido a Lei, quando declarou o  FPAS 639;  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003929/2010­54  Acórdão n.º 2402­005.043  S2­C4T2  Fl. 248          5    Voto               Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator    CONHECIMENTO  Tempestivo  o  recurso  e  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele conheço.  MÉRITO  Pretende  a  recorrente  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  a  exigência  fiscal  em  comento,  suscitando  deter  imunidade  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n°  8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de  referido  benefício,  estando  o  procedimento  fiscal  apoiado  em  arbitrariedade  sem  qualquer  fundamento legal e/ou motivação.  Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu da prévia emissão do  Ato Cancelatório n. 001/2008 , como depreende­se do Relatório Fiscal (fl.05/17).  Restou consignado na informação fiscal que acompanha o Ato (fls. 176), que  a  entidade  autuada  não  era  portadora  do Certificado  de Entidade Beneficente  de Assistência  Social válido para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003  já que o pedido para  renovação do  CEAS do período de 01/01/1998 a 31/12/2000 havia sido indeferido por decisão do Conselho  Nacional de Assistência Social nos autos do processo 44006.005370/2000­87.  Em decorrência, a entidade autuada teve cancelada, a partir de 01/01/2001, a  isenção  das  contribuições  de  que  tratam  os  artigos  22  e  23  da  Lei  n°  8.212/91,  por  descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91.  Sustenta  que  em  face  de  referido  indeferimento,  apresentou  pedido  de  reconsideração da decisão, o qual veio  a  ser deferido pelo CNAS, por  força do  artigo 39 da  Medida Provisória MP 446/2008, de modo que o fundamento do Ato Cancelatório n. 001/2008  não  mais  subsistia,  pois  passou  a  ser  portadora  do  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência Social com validade para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003.  Os autos foram baixados para atendimento das seguintes diligências:  ­ qual o andamento e situação do processo administrativo  n.  44006.005370/2000­87,  informando  em  que  fase  o  mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento  do  recurso  interposto  pelo  contribuinte  em  face  do  indeferimento  da  renovação  do  Ato  Cancelatório  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     6  001/2008,  se é que  já houve refeido  julgamento,  fazendo  juntar aos autos o respectivo acõrdão;  ­ se o ato cancelatório n. 001/2008 veio a ser reformado,  seja  por  decisão  do  recurso  administrativo  interposto  pela  recorrente,  seja  mesmo  pelas  alterações  da  MP  446/08;  Assim, verifico à fl. 268, o atendimento das informações solicitadas por este  Conselho, como mostro a seguir:  "(i)  qual  o  andamento  e  situação  do  processo  administrativo  nº  44006.00537/2000­87,  informando  em  que face o mesmo se encontra e qual fora o resultado do  julgamento  do  recurso  interposto  pelo  contribuinte  em  face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório  001/2000, se é que já houve referido julgamento, fazendo  juntar aos auto o respectivo acordão;  R: O processo administrativo 44006.0053/2000­87 pedido  de  renovação do Certificado de Entidade Beneficente de  Assistência  Social  no  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  –  CNAS  teve  seu  Deferimento  em  grau  de  reconsideração  em  conformidade  com  o  artigo  39  da  Medida Provisoria  nº  446,  de  07/11/2008, publicada  em  10/11/2008,  com  período  de  validade  da  renovação  de  01/01/2001 a 31/12/2003.  (ii) se o ato Cancelatório nº 001/2008 veio a se reformado  seja  por  decisão  do  recurso  administrativo  interposto  pela  recorrente,  seja  mesmo  pelas  alterações  da  MP  446/08;  R:  O  PEDIDO  DE  RECONSIDERAÇÃO  DO  CANCELAMENTO DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  –  protocolo  auxiliar  ARF  SÃO  JOSE DO RIO  PARDO  nº  1534,  de  24/10/2008,  interposto  pelo  contribuinte em face do cancelamento do reconhecimento  da  isenção  das  contribuições  previdenciárias  já  foi  apreciado  pela  autoridade  competente  e  tendo  como  resultando  o  INDEFERIMENTO  do  pedido,  e  a  manutenção do ATO DECLATORIO nº 001/2008.  Juntado aos autos os seguinte documentos a) Certificado  CEBAS ás fls. 234 as 237:  b) Certificado Renovação ás fls. 238;  c) Cons. Req. Renovação ás fls. 239 as 249;  d) Ato Cancelatório ás fls. 250 as 257:  e) Pedido de Reconsideração ás fls. 258 as 267."  Logo, resta inconteste a ocorrência da infração descrita no Presente Auto de  Infração,  tendo  em  vista  a  ausência  de  declaração  dos  valores  de  contribuição  em GFIP,  de  modo que em não tendo sido trazidas aos autos outras alegações além daquelas já analisadas,  deve ser mantida a multa aplicada.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003929/2010­54  Acórdão n.º 2402­005.043  S2­C4T2  Fl. 249          7  Ante  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O

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Numero do processo: 19839.004289/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/01/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISCRIMINAÇÃO DA VERBAS INCIDENTES. Incide contribuição previdenciária sobre verbas remuneratória constantes da folha de pagamento de segurados empregados no termos do artigo 28 da Lei de Custeio. Não há cerceamento de defesa, por falta de discriminação de incidência, no lançamento efetuado com base na tabela de incidência fornecida pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DO SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. RISCO DA ATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A Lei de Custeio expressamente determina a contribuição a cargo da empresa, e equiparados, destinada ao custeio do Seguro Acidente do Trabalho. O risco da atividade decorre da atividade econômica praticada pelo sujeito passivo em cada estabelecimento.
Numero da decisão: 2201-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah- Presidente. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Relator. EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 157          1 156  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19839.004289/2010­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.143  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de maio de 2016  Matéria  Contribuição Previdenciária  Recorrente  SINDICATO DOS TAXISTAS AUTÔNOMOS DE SÃO PAULO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/01/2005  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISCRIMINAÇÃO DA VERBAS  INCIDENTES.   Incide contribuição previdenciária sobre verbas  remuneratória constantes da  folha de pagamento de segurados empregados no termos do artigo 28 da Lei  de  Custeio.  Não  há  cerceamento  de  defesa,  por  falta  de  discriminação  de  incidência,  no  lançamento  efetuado  com  base  na  tabela  de  incidência  fornecida pelo sujeito passivo.  CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DO SEGURO ACIDENTE  DO TRABALHO. RISCO DA ATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL.  A  Lei  de  Custeio  expressamente  determina  a  contribuição  a  cargo  da  empresa,  e  equiparados,  destinada  ao  custeio  do  Seguro  Acidente  do  Trabalho. O risco da atividade decorre da atividade econômica praticada pelo  sujeito passivo em cada estabelecimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.   Assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah­ Presidente.   Assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 42 89 /2 01 0- 91 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 EDITADO EM: 18/07/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente),  Carlos Henrique  de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte  Filho  (Suplente  convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz.  Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.    Relatório  Trata­se  de  crédito  previdenciário  referente  a  contribuições  sociais  da  empresa,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  seus  empregados,  e  não  recolhidas na época própria à Seguridade Social.  O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento  Fiscal,  MPF  nº  09246287  anexado  às  folhas  14  do  processo  digitalizado  (efls),  do  qual  o  contribuinte teve ciência pessoal em 28 de junho de 2005.  Tal  procedimento  fiscalizatório  culminou  na  constituição  de  crédito  tributário no valor originário de R$ 144.698,16 constante da NFLD 358083320 referente ao  período  de  12/2004  a  01/2005.  A mencionada NFLD,  que  aqui  se  discute,  foi  lançada  em  caráter complementar como explicado no Relatório Fiscal anexado às efolhas 18, cujo trecho  transcrevemos:  "Este  relatório  é  parte  integrante  da NFLD  ng  35.808.332­0  e  complementa  a NFLD debcad.  nã  35.808.325­7  de  18/04/2005.  Esta  complementação  se  faz  necessária  porque  o  Relatório  Fiscal  inicial  menciona  algumas  competências  que  não  foram  incluídas  no  Discriminativo  Analítico  de  Débito.  Explicação  detalhada encontra­se no item 4 deste Relatório."  A  explicação  do  crédito  tributário  constituído  consta  dos  ítens  2  a  5  do  mencionado relatório fiscal:  "Trata­se  de  crédito  da  Seguridade  Social  referente  a  contribuições  sociais  da  empresa,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  seus  empregados,  e  não  recolhidas na época própria à Seguridade Social.  Para  melhor  compreensão  dos  valores  apurados  desta  notificação fiscal, o papel de trabalho foi denominado:  ­“FPG”  ­ Periodo  de 12/2004  e­01/2005  ­ Contribuição  social  da  empresa  destinada  à  Seguridade  Social,  incidente  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  seus  empregados  e  não  recolhida na época_própria, declaradas em GFIP;  ­“FP4" ­ Período de 13/2004 ­ Contribuição social da empresa  destinada  à  Seguridade  Social,  incidente  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  seus  empregados  e  não  recolhida  na  época própria, não declaradas em ÇEFIP ;  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/2010­91  Acórdão n.º 2201­003.143  S2­C2T1  Fl. 158          3 Em relação ao papel de trabalho “FPG” o` Relatório Fiscal de  18/04/2005  informa  como  período  do  crédito  as  competências  01/1999  a  03/1999,  12/1999,  13/1999,  12/2000,  13/2000,  11/2001 a 13/2001, 07/2002, 10/2002 a 01/2005, no entanto, ao  confrontá­las  com  o  Discrirninativo  Analítico  de'  Débito  observamos  que  o  débito  foi  apurado  somente  até  a  competência­ 11/2004. ­Por este motivo`foi lavrada esta NFLD  complementar incluindo as competências 12/2004 e 01/2005.   Em relação ao papel de­trabalho “FP4" ­o Relatório Fiscal de  18/04/2005  informa  como  período  do  crédito  as  competências  13/2001,  13/2002,  13/2003,  13/2004,  no  entanto,  ao  confrontá­ las  com  o  Discriminativo  Analítico  de  Débito  observamos  que  este não discrimina a competência 13/2004. Por este motivo foi  lavrada esta NFLD complementar incluindo esta competência.   O crédito apurado destina­se:   A Seguridade Social, correspondente a:  a) contribuição da empresa;  b) financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais do trabalho (a partir de 07/1997).  Aos Terceiros:   SAL.  EDUC  (2,5%),  INCRA  (0,2%),  SESC  (1  ,5%)  e  SEBRAE  (0,3%)." (negritos nossos)  Consta  explicitamente  do  Relatório  Fiscal  (item  6,  fls  18  e  19),  que  os  créditos tributários foram apurados nas folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte.  O contribuinte  teve  ciência  pessoal  do  lançamento  tributário  em  12  de  julho de 2005, conforme se verifica no TEAF de efolhas 16.  Inconformado,  apresentou  tempestivamente,  em  28  de  julho  de  2005,  impugnação (efls .35).  O Serviço do Contencioso da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo  Sul,  analisando  os  argumento  do  contribuinte  emitiu Decisão Notificação  (fls  43),  pela  qual  manteve  na  íntegra  o  lançamento  tributário.  Os  aspectos  essenciais  da  decisão  estão  abaixo  transcritos:  "Do Relatório Fiscal  (...)  O  valor  originário  do  crédito  apurado  corresponde,  assim,  em  cada  competência,  ao  montante  das  contribuições  sociais  devidas  pelo  empregador,  abatida  deste  montante,  a  parcela  correspondente às deduções do Salário Família.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 4.  Os  fatos  geradores  e  as  valores  descriminados  nos  demonstrativos que se encontram no Anexo l, parte integrante do  Relatório Fiscal.  5.  A  empresa  não  apresentou  ações  judiciais  questionando  as  contribuições previdenciárias ou para terceiros.  6.  Serviram  de  base  para  a  apuração  do  crédito  os  seguintes  documentos:  Folhas  de  Pagamento  da  remuneração,  Falha  de  Pagamento  de  Férias,  Termos  de  Rescisão  de  Contrato  de  Trabalho,  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP).  7. Foi formalizado o Termo de Arrolamento de Bens e Direito ­  TAB,  uma  vez  que  foi  constatada  que  a  soma  dos  créditos  relativos  às  contribuições  arrecadadas  pela  Secretaria  da  Receita  Previdenciária,  verificadas  em  procedimento  fiscal,  é  superior  a  30%  (trinta  por  cento)  do  patrimônio  da  empresa,  com base  no  do  art.  37  da Lei  ri°  8.212/91,  acrescentado pela  Lei  n°  9.711,  de  20/1  'I/98,  e  o  caput  do  art.  64  oa  Lei  n°  9.532/97.  (...)  DA IMPUGNAÇÃO   10.  O  Contribuinte  foi  cientificado  da  presente  NFLD  aos  13/07/2005  (fls. 01) e,  conforme consta do despacho de  fls. 38,  tempestivamente  apresentou  defesa,  através  do  instrumento  de  fls. 32/37, juntando Procuração .  11. Em suas razões de defesa, alega em síntese que:  11.1. não pode prosperar a NFLD, enquanto a NFLD não atende  o  contido  na  legislação,  ferindo  princípios  constitucionais  e  direito;  11.2.  os  fundamentos  legais  citados  na NFLD não autorizam o  INSS a exigir a parcela pretendida;  11.3. não ha no relatório a especificação dos valores apontados,  limitando­se a Fiscalização a utilizar a expressão remuneração,  genericamente.  Da Nulidade da NFLD   11.4.  a  NFLD  atacada  não  permite  o  amplo  direito  de  defesa,  considerando  a  inexistência  de  discriminação  da  base  de  incidência determinada pela Auditora Fiscal quanto às rubricas  inseridas na notificação.  11.5. o ato  sem motivação é nulo  (Ely Lopes Meirelles, Direito  Administrativo  Brasileiro,  pp.  174/175);  e  ato  nulo  não  gera  direitos:  STF,  RTJ85/143,  porque  ninguém  os  adquire  agindo  contra a lei.  11.6. não apontando a que titulo os pagamentos indicados foram  procedidos, não poderá o INSS constituir o crédito, implicando o  cerceamento  de  defesa  da  Autuada  e,  por  conseguinte,  na  nulidade da Notificação:  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/2010­91  Acórdão n.º 2201­003.143  S2­C2T1  Fl. 159          5 Da não incidência da contribuição  11.7.  o  levantamento  de  débito  previdenciário  não  levou  em  consideração a denominação das parcelas pagas;  11.8. deve­se afastar a incidência da contribuição ao INSS, haja  vista  que  referidas  parcelas  não  se  sujeitam  à  incidência  do  tributo  aludido,  pois  estabelecem,  pura  e  simplesmente,  uma  verba de natureza indenizatória  11.9. fere o principio constitucional da “tipicidade” a exigência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  em  questão,  caso não haja discriminação de sua origem e natureza, além do  que  afrontam  os  preceitos  legais  que  conduzem  à  base  de  incidência diversa da utilizada pela Sra. Auditora Fiscal.  11.10.  transcreve  o  art.  28  da  l.ei  ri°  8.212/91,  que  trata  do  “salário­de­contribuição"  e,  após  discorrer  sobre  folha  de  salário,  remuneração  e  parcelas  incidentes  de  contribuição  previdenciária, alega que os valores apontados na NFLD não se  sujeitam  à  incidência  da  contribuição  previdenciária  e  foram  considerados pela Auditoria como pagamento “extra folha".  11.11.  remuneração não pode ser equiparada a indenização ou  simples  reembolsos  de  despesas,  pois  tem  origem  e  natureza  diversa, definida pela legislação trabalhista.  11.12.  as  verbas  que  não  tem  natureza  remuneratória  (contra  prestação dos serviços), alimentar, não representam salário, por  conseguinte, não são remuneração e não constituem salário­de­ contribuição (base de incidência do lNSS).  11.13.  não  são  considerados  salariais  parcelas  a  titulo  de  indenização,  como  férias  indenizadas,  reembolso  de  despesas,  aviso  prévio  não  trabalhado,  férias  pagas  na  rescisão,  indenização  por  ruptura  contratual,  ajuda  de  custo,  prêmios  e  gratificações espontâneas. Transcreve jurisprudência  11.14. É forçoso admitir, na forma dos argumentos tecidos, que  os valores apontados na NFLD não se sujeitam a incidência da  contribuição previdenciária.  Da alíquota de Atividade Especial  11.15.  o  levantamento  fiscal  considerou  existente  atividade  especial  para  cobrar  1%  (um  por  cento)  sobre  os  pagamentos  verificados.  11.16. não há exercício de atividade que sujeita:e a risco à vida  ou  à  saúde  dos  trabalhadores,  afastando­se  a  alíquota  de  1%  aplicada na base de incidência registrada na NFLD.  11.17.  deve­se  reduzir  o  valor  do  crédito  constituído  ou,  ao  menos,  realizar  diligência  para  o  fim de  estabelecer  ou  não,  a  existência  do  risco mencionado  e  a  individualização  dele  para  cada trabalhador.  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     6 11.18. Requer nulidade ou insubsistência da NFLD."  A decisão de primeiro grau afasta os argumentos constantes da impugnação,  apontando  a  inexistência  de vícios  no  lançamento,  o  que  afirma o  crédito  como  constituído.  Não  acatou  também  as  alegações  de  não  incidência  da  contribuição  pois  corroborou  o  entendimento  fiscal  de  que  se  tratam  de  verbas  salariais,  constantes  de  folha  de  pagamento.  Afastou os argumentos de nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, uma vez que todos os  meios para o exercício da defesa, quanto mais no tocante a produção de provas do alegado, o  que  não  ocorreu.  Entendeu  devido  a  contribuição  destinada  ao  financiamento  do  seguro  acidente do trabalho, pois as previsões legais da exação foram observadas no caso concreto. Do  exposto concluiu a decisão de primeiro grau pela total procedência do lançamento.  Cientificado da decisão notificação prolatada pela DRP São Paulo ­ Sul em  16 de novembro de 2005 (AR de fls. 56), o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls 58)  em 14 de dezembro de 2005, tempestivamente, portanto.  Na peça recursal, manifesta sua inconformidade, repetindo os argumentos da  impugnação e requer a nulidade da NFLD ou sua insubsistência. São seus argumentos:  ­ Nulidade da decisão por força da extinção da Receita Federal  do Brasil em face da perda de eficácia da Medida Provisória n°  258,  de  21.07.05,  que  integrou  a  Secretaria  da  Receita  Previdenciária à Secretaria da Receita Federal;  ­ nulidade da NFLD em razão dos fundamentos legais constantes  do  documento  de  crédito  não  autorizarem  o  INSS  a  exigir  a  parcela pretendida;  ­ nulidade da NFLD em razão da ausência de especificação dos  valores apontados, limitando­se a Autoridade Fiscal a utilizar a  expressão remuneração;  ­  não  incidência  da  contribuição  pois  as  verbas  não  são  remuneratórias;  ­ inexistência de atividade que exponha o trabalhador a risco de  vida ou contra sua saúde.  O  recurso  é  declarado  deserto  em  29  de  março  de  2006,  por  meio  de  despacho de folhas 66, em razão da inexistência de depósito recursal.  O  contribuinte  interpõe  medida  judicial.  Obtém  sentença  favorável  que  determina que a Administração Pública analise o recurso independentemente do depósito.  Nesse interregno, inicia­se a execução fiscal. A PGFN oficia, em 28 de maio  de  2015,  este  Conselho  pedindo  prioridade  no  julgamento  em  face  de  necessidade  de  se  prosseguir ou não com a execução.  É o relatório do necessário.    Voto             Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/2010­91  Acórdão n.º 2201­003.143  S2­C2T1  Fl. 160          7 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Passo a  apreciá­lo nos termos de sua apresentação.  DA  NULIDADE  DA  DECISÃO  POR  FORÇA  DA  EXTINÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL DO BRASIL  Alega o Recorrente que a decisão de primeiro grau é nula em razão da perda  de eficácia da MP nº 258, de 18/11/05, que unificou as Secretarias da Receita Previdenciária  com a Secretaria da Receita Federal.  Tal  argumento  não  merece  prosperar,  uma  vez  que  os  efeitos  produzidos  durante a vigência de medida provisória não convertida em lei, se não expressamente regulados  por ato do Congresso Nacional são válidos. Tal entendimento decorre de mera leitura da Carta  da República, que em seu artigo 62, preceitua:  "Art.  62.  Em  caso  de  relevância  e  urgência,  o  Presidente  da  República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei,  devendo submetê­las de imediato ao Congresso Nacional.  (...)  § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e  12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas  em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do §  7º,  uma  vez  por  igual  período,  devendo  o Congresso Nacional  disciplinar,  por  decreto  legislativo,  as  relações  jurídicas  delas  decorrentes.  (...)  § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até  sessenta  dias  após  a  rejeição  ou  perda  de  eficácia  de medida  provisória,  as  relações  jurídicas  constituídas  e  decorrentes  de  atos  praticados  durante  sua  vigência  conservar­se­ão  por  ela  regidas." (grifamos)  Claríssimo o comando constitucional. Os atos praticados pela Receita Federal  do Brasil, no período da vigência da MP 258/05, são válidos e plenamente eficazes, uma vez  que o Congresso Nacional não editou o decreto que excepcionasse os efeitos relações jurídicas  desse  período,  atraindo  assim,  a  regra  geral  constitucionalmente  esculpida  no  supra  mencionado parágrafo 11 do artigo 62.  Não cabe razão ao recorrente neste ponto.  DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO  Segundo  consta  do  Voluntário,  a  NFLD  que  consubstancia  o  crédito  tributário  foi  lavrada  em  desacordo  com  a  legislação,pois  os  fundamentos  legais  citados  na  NFLD  não  autorizam  o  INSS  a  exigir  a  parcela  pretendida  e  não  há  no  relatório  fiscal  a  especificação  dos  valores  apurados,  limitando­se  a  Autoridade  Notificante  a  utilizar  a  expressão remuneração. Com esse argumentos, pede o Recorrente, a nulidade da NFLD.  Mais uma vez não lhe assiste razão.  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     8 A  uma,  pois  a  alegação  de  que  os  fundamentos  legais  do  débito  não  autorizam a exigência do crédito está totalmente desprovida de qualquer fundamentação. Não  há indicação de qual fundamento legal não autoriza a exigência, nem por qual motivo não há  essa autorização.  Mera  alegações  desprovidas  de  fundamento  lógico­jurídico  impede  a  fundamentação da decisão, uma vez que o  julgador não consegue verificar a procedência do  alegado no ordenamento jurídico.  Ao  reverso,  ao  observarmos  a  Notificação  de  Lançamento  em  apreço,  podemos verificar o cumprimento de todos os requisitos legais aplicáveis.  A  duas,  porque  o  Auditor  Fiscal  embasou  o  lançamento  nas  folhas  de  pagamento  dos  empregados  do Recorrente,  extraindo  de  documento  produzida  por  ele,  com  finalidade  específica  de  quantificar  as  verbas  devidas  aos  seus  empregados  pelos  serviços  prestados,  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  devida  pela  empresa.  Não  há  lançamento  sobre verba  genérica,  não  especificada,  ao  reverso  constam do Anexo  I  (fls  21),  apenso à Notificação Fiscal, o detalhamento da base de cálculo do lançamento realizado.  DA NULIDADE DA NFLD  Insistindo  na  nulidade  da  NFLD,  o  Recorrente  argumenta  que  houve  cerceamento de defesa por conta da ausência da discriminação da base de cálculo adotada pela  Autoridade Lançadora.  Como  visto,  tal  argumento  não  pode  prosperar.  Há,  no  Relatório  Fiscal  (folhas 19), a explicitação da base adotada, as parcelas remuneratórias constantes das folhas de  pagamento, com tabela discriminatória de cada verba, inclusive com os códigos adotados pelo  Contribuinte. Há também a menção às folhas de pagamento de férias e às rescisões do contrato  de trabalho examinadas. Quanto a estas, expressamente, menciona a Autoridade Fiscal que:  "Não  foram incluídas para efeito de  incidência da contribuição  previdenciária: aviso prévio indenizado, 139 salário indenizado,  férias  indenizadas,  proporcionais,  vencidas,  e  o  respectivo  1/3  constitucional.  Foram  consideradas  para  base  de  cálculo  do  salário de contribuição apenas as verbas salariais incidentes de  contribuição previdenciária"  Não se pode concordar com o Recorrente. Não há nulidade por cerceamento  do direito de defesa.   DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO  Alega, mais uma vez o Recorrente, que não houve consideração das parcelas  não remuneratórias para se realizar o lançamento, que o Auditor não observou a denominação  das parcelas pagas.  Muito embora ao longo de praticamente três páginas o Contribuinte discorra  sobre  incidência  da  contribuição  previdenciária,  diferenciando  parcelas  remuneratórias  das  indenizatórias não há uma única comprovação nos autos de suas alegações.  Sabe­se que a dialética das provas exige que o autor comprove seu direito e  que o réu apresente comprovação dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito  do autor.  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/2010­91  Acórdão n.º 2201­003.143  S2­C2T1  Fl. 161          9 Tal lógica processual, determinante para o deslinde do feito, foi positivada no  campo  do  processo  administrativo  tributário,  por  meio  do  Decreto  nº  70.235/72  que  textualmente  preceitua  ser  dever  do  Fisco  comprovar  a  exigência  do  crédito  tributário  e  do  contribuinte comprovar os argumentos que embasam sua impugnação. Vejamos a redação do  artigo 9º e 15:  "  Art.  9o  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito.  (...)  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência." (negritamos)  O Fisco soube se desincumbir de seu ônus. Além de esclarecer, no relatório  fiscal,  todos  os  elementos  previstos  no  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional  que  regulamenta  o  lançamento  de  ofício,  pode  anexar  cópias  dos  documentos  que  embasaram  o  crédito constituído.  Já  o  Recorrente  não  comprovou,  nem  indiciariamente,  as  alegações  constantes  da  impugnação  e  de  seu  recurso  voluntário.  Limitou­se  a  alegar,  argumentar,  transcrever jurisprudência e doutrina, se abstendo de qualquer comprovação. Desse modo, não  pode  comprovadamente,  apresentar  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  de  crédito do Fisco Federal.  O recurso não merece prosperar nessa parte.  DA ALÍQUOTA DE ATIVIDADE ESPECIAL  Insurge  o  Recorrente  contra  a  alíquota  destinada  ao  custeio  do  seguro  acidente do trabalho. Alega não haver exercício de atividade que exponha o sujeito a risco de  vida ou de saúde. Requer a redução do crédito nessa parte ou diligência para determinação da  existência do risco.  Novamente não merece acolhida o pleito do Recorrente.  A Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, determina a exação  em apreço no seu artigo 22. Vejamos:  "Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58  da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     10 remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos:  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante  o  risco  de  acidentes  do  trabalho  seja  considerado leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave." (negritamos)  Como  se  pode  inferir,  decorre  de  expresso  preceito  legal  a  cobrança  da  contribuição destinada ao custeio do seguro acidente do trabalho (SAT). Todas as empresas, e  os a elas equiparados, devem contribuir, dependendo de sua atividade econômica, com 1, 2 ou  3% sobre sua folha de pagamento para esse custeio.  Assim, como bem apontado pela Autoridade Fiscal, exceto na existência de  determinação judicial específica, a cobrança é devida, cabendo ao Recorrente sua participação  no custeio do SAT.  Desnecessária  a  diligência  pleiteada,  pois  além  da  cobrança  decorrer  de  expressa previsão legal, a alíquota aplicável foi a mínima, em razão da atividade desenvolvida  pelo Contribuinte naquele estabelecimento.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário  interposto,  afastar as preliminares de nulidade argüidas e no mérito negar­lhe provimento.  Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator                                Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10972.720090/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. INSTITUIÇÃO DE TODOS OS CONTORNOS DA OBRIGAÇÃO EM LEI. REGULAMENTAÇÃO POR DECRETO. O FAP foi instituído pela Medida Provisória no 83/2002, convertida na Lei no 10.666/2003, o Fator Acidentário de Prevenção - FAP, ou seja, muito antes de sua aplicação efetiva a partir de 2010. Quanto ao argumento da reserva à lei, é verdade que o art. 10 da Lei n° 10.666/03 relega ao regulamento as condições para que a alíquota de contribuição do SAT seja reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento. No entanto, todos os contornos da obrigação encontram-se dispostos no referido dispositivo, que determina os percentuais mínimos e máximos, além de estabelecer como critérios de majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Portanto, o dever jurídico encontra-se plasmado na lei, sendo relegado ao Poder Executivo tão somente a instrumentalização do quanto previamente determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “salário-de-contribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS “INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAIS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário-maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA acompanharam o Relator pelas conclusões quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas questionadas, sendo que o Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA apresentará declaração de voto sobre a matéria. Os Conselheiros CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício e o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a questão. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA acompanharam o Relator pelas conclusões quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas questionadas, sendo que o Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA apresentará declaração de voto sobre a matéria. Os Conselheiros CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício e o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a questão. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.

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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. INSTITUIÇÃO DE TODOS OS CONTORNOS DA OBRIGAÇÃO EM LEI. REGULAMENTAÇÃO POR DECRETO. O FAP foi instituído pela Medida Provisória no 83/2002, convertida na Lei no 10.666/2003, o Fator Acidentário de Prevenção - FAP, ou seja, muito antes de sua aplicação efetiva a partir de 2010. Quanto ao argumento da reserva à lei, é verdade que o art. 10 da Lei n° 10.666/03 relega ao regulamento as condições para que a alíquota de contribuição do SAT seja reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento. No entanto, todos os contornos da obrigação encontram-se dispostos no referido dispositivo, que determina os percentuais mínimos e máximos, além de estabelecer como critérios de majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Portanto, o dever jurídico encontra-se plasmado na lei, sendo relegado ao Poder Executivo tão somente a instrumentalização do quanto previamente determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “salário-de-contribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS “INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAIS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário-maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 382          1 381  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10972.720090/2012­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.943  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de dezembro de 2015  Matéria  REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE  PAGAMENTO  Recorrente  INSTITUTO DE PATOLOGIA CLINICA DR JORGE FURTADO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  FATOR ACIDENTÁRIO DE  PREVENÇÃO.  INSTITUIÇÃO DE  TODOS  OS  CONTORNOS  DA  OBRIGAÇÃO  EM  LEI.  REGULAMENTAÇÃO  POR DECRETO.  O FAP foi instituído pela Medida Provisória no 83/2002, convertida na Lei no  10.666/2003, o Fator Acidentário de Prevenção ­ FAP, ou seja, muito antes  de sua aplicação efetiva a partir de 2010.  Quanto  ao  argumento  da  reserva  à  lei,  é  verdade  que  o  art.  10  da  Lei  n°  10.666/03  relega  ao  regulamento  as  condições  para  que  a  alíquota  de  contribuição  do  SAT  seja  reduzida,  em  até  cinqüenta  por  cento,  ou  aumentada,  em  até  cem  por  cento.  No  entanto,  todos  os  contornos  da  obrigação  encontram­se  dispostos  no  referido  dispositivo,  que  determina os  percentuais  mínimos  e  máximos,  além  de  estabelecer  como  critérios  de  majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva  atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a  partir  dos  índices  de  freqüência,  gravidade  e  custo,  calculados  segundo  metodologia  aprovada  pelo  Conselho  Nacional  de  Previdência  Social.  Portanto,  o  dever  jurídico  encontra­se  plasmado  na  lei,  sendo  relegado  ao  Poder  Executivo  tão  somente  a  instrumentalização  do  quanto  previamente  determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio  da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF).  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  BASE  IMPONÍVEL.  CONSTITUIÇÃO FEDERAL.  O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das  contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a  folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 90 /2 01 2- 67 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     2 No  que  se  refere  à  contribuição  dos  segurados,  a  Constituição  “não  faz  qualquer  menção  aos  seus  contornos  básicos  (art.  195,  II),  exceto  quando  estipula  no  §  11  do  art.  201  que  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos  e  na  forma da lei.   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  BASE  IMPONÍVEL.  LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA.  Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em  seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual  incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”  (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre  o seu “salário­de­contribuição” (parágrafo único, alínea b).   REMUNERAÇÃO.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  ABRANGÊNCIA  CONCEITUAL E LEGISLATIVA.   O  conceito  de  remuneração  permite  à  legislação  abarcar  rubricas  como  vencimento,  soldo,  subsídios,  pro­labore,  honorários  ou  qualquer  outra  espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites  da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado)  e  a  disponibilidade  (tempo  à  disposição”),  como  também  quaisquer  outras  obrigações  decorrentes  da  relação  de  trabalho,  inclusive  as  interrupções  remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas  as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28  da Lei n° 8.212/91.  Quanto ao conceito de salário­de­contribuição para empregados e avulsos, a  Lei  n°  8.212/91  foi  generosa  em  termos  extensivos,  definindo­o  como  a  remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos,  devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir  o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de  inclusão, exclusão e  limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n°  8.212/91.  VERBAS  “INDENIZATÓRIAS.  QUINZE  PRIMEIROS  DIAS  DO  AFASTAMENTO  POR  AUXÍLIO­DOENÇA.  SALÁRIO­ MATERNIDADE.  REMUNERAÇÃO  DE  FÉRIAS.  ADICIONAL  DE  FÉRIAS. ADICIONAIS.  Diante  da  moldura  constitucional  e  em  razão  da  amplitude  conceitual  e  legislativa dos conceitos de remuneração e salário­de­contribuição, tanto nos  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  do  empregado  por  auxílio­doença  ou  auxílio­acidente  (art.  60,  §  3°,  da  Lei  n°  8.213/91),  como  no  salário­ maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da  CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de  trabalho,  razão  pela  qual,  a  despeito  de  inexistir  prestação  de  serviço,  há  remuneração  e,  havendo  remuneração  paga,  devida  ou  creditada,  há  incidência de contribuições previdenciárias.   ADICIONAIS.  DE  FÉRIAS.  DE  HORAS  EXTRAS.  NOTURNO.  DE  INSALUBRIDADE.  DE  PERICULOSIDADE.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 383          3 O  caráter  remuneratório  dos  adicionais  de  férias  (art.  7°, XVII,  da CF),  de  horas  extras  (art.  7°,  XVI,  da  CF),  noturno  (art.  7°,  IX,  da  CF),  de  insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da  CF),  é  inequívoco,  pois  tratam­se  de  conquistas  sociais  que  nada  mais  representam  senão  uma  retribuição  legal  pelo  trabalho,  de  sorte  que  não  haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.  RECURSOS  REPETITIVOS.  SISTEMÁTICA  DO  ART.  543  DO  CPC.  VINCULAÇÃO.  ART.  62­A  DO  RICARF.  DECISÕES  NÃO  TRANSITADAS EM JULGADO.  O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543­C do Código  de  Processo  Civil  (recurso  repetitivo),  estabeleceu  a  não  incidência  de  contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à  concessão de auxílio­doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas  ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.   Todavia,  a  vinculação  de  Conselheiro  ao  quanto  decidido  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  do  CPC  somente  ocorre  quanto  às  decisões definitivas de mérito (art. 62­A, do RICARF), o que somente ocorre  com  o  trânsito  em  julgado  das  decisões.  Em  sentido  semelhante,  são  os  argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014.  INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.  VEDAÇÃO.  Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, e  art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Súmula  CARF  n°  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.  Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o  conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando­ se  aos  juros  moratórios  referidos  nos  artigos  161  do  CTN  e  61  da  Lei  n°  9.430/96.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Os  Conselheiros  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA,  THEODORO  VICENTE  AGOSTINHO,  CARLOS  ALEXANDRE  TORTATO,  RAYD  SANTANA  FERREIRA  e  LUCIANA  MATOS  PEREIRA  BARBOSA  acompanharam  o  Relator pelas conclusões quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as  rubricas  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     4 questionadas,  sendo  que  o  Conselheiro  CARLOS  HENRIQUE  DE  OLIVEIRA  apresentará  declaração  de  voto  sobre  a matéria.  Os  Conselheiros  CARLOS ALEXANDRE  TORTATO,  RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA votaram por dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  os  juros  sobre  a multa de  ofício  e o Conselheiro  CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a questão.       (assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator      (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado      (assinado digitalmente)   Carlos Alexandre Tortato ­ Redator designado        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  André  Luís  Mársico  Lombardi  (Presidente),  Luciana Matos  Pereira  Barbosa  (Vice­Presidente),  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Theodoro Vicente Agostinho,  Rayd  Santana  Ferreira, Maria  Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.    Fl. 386DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 384          5   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário  lançado (fls. 330 e seguintes).  Adota­se trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a  quo (fls. 331 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos:  Trata­se de Autos de Infração lavrados em nome do Instituto de  Patologia Clinica Dr.  Jorge Furtado  Ltda.  para  a  constituição  de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias  e  as  contribuições  para  outras  entidades  e  fundos,  na  forma  discriminada abaixo:      (...)  De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 61 a 67, foram objeto de  lançamento nos Autos de Infração nº 51.000.503­9, 51.000.504­ 7  e  51.000.505­5  as  contribuições  previdenciárias,  glosas  de  dedução e as contribuições devidas a outras entidades e fundos,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados da empresa e contribuintes individuais, no período  de janeiro a dezembro de 2010.  O  Relatório  Fiscal  menciona  que  os  fatos  geradores  relativos  aos  levantamentos se encontram relacionados em planilhas,  fls.  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     6 68 a 181, anexadas a este processo, totalizados por competência  na forma discriminada abaixo:  Anexo  A  ­  Planilha  geral  demonstrativa  de  todas  as  remunerações dos segurados empregados, apuradas através das  informações  constantes  nas  "Folhas  de  pagamento  (Fopag)"  apresentadas  pela  empresa  em  comparação  com  os  valores  declarados  em  GFIP  antes  do  início  do  procedimento  fiscal,  discriminadas por competência, fls. 68 a 151.  Anexo B ­ Planilha demonstrativa de todas as remunerações dos  segurados  contribuintes  individuais  (pro  labore),  apuradas  através  das  informações  constantes  nas  "Folhas  de  pagamento  (Fopag)"  apresentadas  pela  empresa,  com  as  respectivas  contribuições previdenciárias descontadas dos segurados sócios  da empresa em comparação com os valores declarados em GFIP  antes  do  início  do  procedimento  fiscal  discriminadas  por  competência, fls. 152 a 155.  Anexo  C  ­  Relação  dos  Empregados  com  as  respectivas  remunerações declaradas em GFIP e  constantes das Folhas de  Pagamento, que receberam Salário Família e/ou Maternidade no  período  de  01/2010  a  12/2010,  pagos  pela  empresa,  fls.  156  a  166.  Anexo  D  ­  Planilha  demonstrativa  por  estabelecimento  do  quantitativo  do  Salário  Família  apurado  e  pago  pela  empresa  conforme  consta  das  folhas  de  pagamento  apresentadas  e  o  Salário Família efetivamente declarado em GFIP, fls. 167 a 169.  Anexo  E  ­  Quadro  Demonstrativo  das  apurações  do  Salário  Maternidade Devido  (Apurado)  e  pago  pela  empresa  conforme  consta  das  folhas  de  pagamento  apresentadas  e  Salário  Maternidade Declarado em GFIP, fls. 170.  Anexo  F  ­  Relação  de  pagamentos  de  salário  família  em  desacordo  com  legislação  vigente,  não  atualizando  as  tabelas  que impede pagamento de salário família quando a remuneração  ultrapassa os limites legais, gerando assim pagamento indevido,  fls. 171 a 181.  Informa  o  Relatório  Fiscal,  que  a  empresa  declarou  em GFIP  deduções  referentes  a  quotas  de  salário  família,  cujos  valores  são superiores aos valores pagos pela empresa conforme consta  das  folhas  de  pagamento.  Os  anexos  D,  E  e  F  demonstram  o  quantitativo dos valores de salário  família pagos pela empresa,  os valores devidos e aqueles declarados em GFIP.  Foi  verificada  ocorrência  de  pagamentos  indevidos  de  salário  família,  não  observando  os  limites  de  remuneração  dos  segurados  empregados  para  ter Direito  ao  benefício,  conforme  Anexo F, acima descrito.  Esclarece  o  relatório  que  as  contribuições  lançadas  foram  incluídas nos seguintes levantamentos:  Levantamentos  EP  ­  Empregado  Patronal  FOPAG  /  ED  ­ Empregado  descontado  na  FOPAG  ­  refere­se  a  valores  correspondentes  às  remunerações  recebidas  pelos  segurados  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 385          7 empregados da empresa, constantes das folhas de pagamento, do  período de 01/2010 a 12/2010, e que não foram declarados nas  GFIP entregues antes do início da ação fiscal;   Levantamentos  NP  ­  Empregado  Patronal  não  FOPAG  /ND  ­  Empregado descontado não CONSTANTE NA FOPAG ­ refere­ se à remuneração de segurados empregados não constantes das  folhas de pagamento apresentadas pela empresa, mas detectadas  através de outras fontes aferidas.  Levantamentos CP – Contrib. Individual Empresa FOPAG /CD ­ Contribuinte  Individual  descontado  na  FOPAG  ­  refere­se  a  valores pagos aos contribuintes individuais (sócios da empresa)  constantes das folhas de pagamento e não declarados em GFIP  antes do início do procedimento fiscal.  Os respectivos valores foram discriminados, por competência, às  fls.  05  a  14,  20  a  25  e  31  a  36,  no  Discriminativo  do  Débito  (DD).  O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração por via postal  em 19/04/2013, conforme aviso de recebimento – AR, às fls. 223.  Em  20/05/2013,  conforme  carimbo  da  Seção  de  Protocolo  e  Expedição, apresentou impugnação, juntada às fls. 229 a 335, e  anexo (...)  (...)  Como  afirmado,  a  impugnação  apresentada  pelo  recorrente  foi  julgada  improcedente, mantendo­se o crédito tributário lançado.  A  recorrente  foi  cientificada  do  julgamento,  tendo  apresentado,  tempestivamente, o recurso de fls. 350 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que:  * houve a inclusão de verbas de natureza indenizatória, como os adicionais de  horas  extra,  noturno,  de  periculosidade,  de  insalubridade,  as  férias,  o  terço  constitucional  de  férias  (adicional),  o  salário­maternidade,  afastamento  acidente  e  doença,  aviso­prévio  indenizado;  * ilegalidade do FAP e impossibilidade de sua aplicação para o ano de 2010.  Ademais, a alíquota é determinada por decreto.  * inconstitucionalidade das contribuições para o INCRA e SEBRAE;  * impossibilidade de multa superior a 30% do débito;  * não incidência de juros sobre a multa;  * impossibilidade de imposição da Taxa Selic como juros moratórios.  É o relatório.    Fl. 389DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     8 Voto               Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator    FAP.  Aduz  a  recorrente  a  ilegalidade  do  FAP  e  impossibilidade  de  sua  aplicação para o ano de 2010. Ademais, a alíquota é determinada por decreto.  No que tange à impossibilidade de aplicação para o ano de 2010, não assiste  qualquer  razão  a  recorrente  pois  o  FAP  foi  instituído  pela  Medida  Provisória  no  83/2002,  convertida  na  Lei  no  10.666/2003,  o  Fator Acidentário  de  Prevenção  –  FAP,  ou  seja, muito  antes de sua aplicação efetiva a partir de 2010.  Quanto  ao  argumento  da  reserva  à  lei,  é  verdade  que  o  art.  10  da  Lei  n°  10.666/03 relega ao regulamento as condições para que a alíquota de contribuição do SAT seja  reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento. No entanto, todos  os  contornos  da  obrigação  encontram­se  dispostos  no  referido  dispositivo,  que  determina  os  percentuais  mínimos  e  máximos,  além  de  estabelecer  como  critérios  de  majoração  ou  diminuição o desempenho da empresa em relação à  respectiva atividade  econômica, apurado  em  conformidade  com  os  resultados  obtidos  a  partir  dos  índices  de  freqüência,  gravidade  e  custo,  calculados  segundo  metodologia  aprovada  pelo  Conselho  Nacional  de  Previdência  Social.  Portanto,  o  dever  jurídico  encontra­se  plasmado  na  lei,  sendo  relegado  ao  Poder  Executivo  tão  somente  a  instrumentalização  do  quanto  previamente  determinado  em  lei,  de  sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e  artigo 150, I, da CF).  Assim, não merece prosperar o inconformismo da recorrente.    Verbas “Indenizatórias”. Alega a recorrente que houve a inclusão de verbas  de  natureza  indenizatória,  como  os  adicionais  de  horas  extra,  noturno,  de  periculosidade,  de  insalubridade,  as  férias,  o  terço  constitucional  de  férias  (adicional),  o  salário­maternidade,  afastamento acidente e doença, aviso­prévio indenizado.  Para o enfrentamento da questão relativa à incidência ou não de contribuição  previdenciária sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado  por  auxílio­doença ou  auxílio­acidente,  assim  como  sobre  o  salário­maternidade,  as  férias,  o  adicional de férias, as horas extras, os adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade,  bem como sobre o aviso­prévio indenizado, entre outras, como afirma a recorrente, é preciso  investigar sobre os limites de incidência das contribuições previdenciárias. Vejamos.  A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28  da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de salário­de­contribuição e  discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária.   Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade  de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer  que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 386          9 Com efeito,  conforme  já observamos em nossa dissertação de mestrado,  “o  art.  195,  I,  a,  da  CF,  estipula  os  limites  constitucionais  do  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  da  empresa,  determinando  que  incidam  sobre  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.1 No que se refere à contribuição dos segurados,  a  Constituição  “não  faz  qualquer  menção  aos  seus  contornos  básicos  (art.  195,  II),  exceto  quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão em benefícios, nos casos e na  forma da  lei. De  tal  referência extrai­se apenas o  elemento da base de cálculo”.2  Assim, pode­se concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo  ­ “folha de  salários”,  “demais  rendimentos” e  “ganhos habituais”,  sendo que este último não  deixa  de  ser  “rendimento”­  ,  “a  lei  não  pode  estabelecer  a  incidência,  salvo  mediante  a  instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195,  § 4º, da CF”. 3  E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991,  em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a  “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos  trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “salário­de­contribuição” (parágrafo único,  alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito  de “remuneração” e de “salário­de­contribuição”.   Entendemos  que  remuneração  “pode  ainda  abarcar  os  conceitos  de  vencimento, soldo, subsídios, pró­labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição  que “remunere”4, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação  (trabalho  efetivamente  prestado)  e  a  disponibilidade  (tempo  à  disposição”),  como  também  outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do  contrato de trabalho e outras conquistas sociais.   Quanto ao conceito de salário­de­contribuição para empregados e avulsos, a  Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo­o como a remuneração auferida,  “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Note­se que a Lei  não  falou  em  “contraprestação”  (uma  prestação  por  outra),  mas  sim  em  “retribuição”,  ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da  CLT,  que  faz  uso  da  expressão  “contraprestação”  ao  invés  de  “retribuição”.  Daí  Alice  Monteiro de Barros afirmar que:  preferimos  conceituar  o  salário  como  a  retribuição  devida  e  paga  diretamente  pelo  empregador  ao  empregado,  de  forma  habitual,  não  só  pelos  serviços  prestados,  mas  pelo  fato  de  se  encontrar  à  disposição  daquele,  por  força  do  contrato  de  trabalho.  Como  o  contrato  é  sinalagmático  no  conjunto  e  não  prestação  por  prestação,  essa  sua  característica  justifica  o                                                              1  A  importância  da  execução  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  no  processo  do  trabalho.  2012.  Dissertação  (Mestrado  em  Direito),  USP,  São  Paulo,  p.  54.  Disponível  em:  http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde­05122012­162954/pt­br.phpest. Acesso em 19/06/2014.  2 Idem p. 57.   3 Idem p. 68.   4 Ibidem p. 69 e seguintes.   Fl. 391DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     10 pagamento  do  salário  nos  casos  de  afastamento  do  empregado  por  férias,  descanso  semanal,  intervalos  remunerados,  enfim,  nas hipóteses de interrupção do contrato.  (Curso  de  direito  do  trabalho. 7ª  ed.,  São Paulo:  LTr,  2011,  p.  591)    Assim, verifica­se que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito  legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a  prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o  cotejamento  dos  conceitos  supradescritos  com  as  regras  de  inclusão,  exclusão  e  os  limites  descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação  da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a “remuneração paga ou creditada aos  segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como  art. 22, I e II, da mesma lei).  Assim,  tanto  nos  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  do  empregado  por  auxílio­doença  ou  auxílio­acidente  (art.  60,  §  3°,  da  Lei  n°  8.213/91),  como  no  salário­ maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91) e nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da  CLT), bem como sobre o aviso­prévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas  hipóteses  de  interrupção  do  contrato  de  trabalho,  razão  pela  qual,  a  despeito  de  inexistir  prestação de  serviço,  há  remuneração e,  havendo  remuneração paga, devida ou  creditada,  há  incidência de contribuições previdenciárias.   O  caráter  remuneratório  dos  adicionais  de  férias  (art.  7°, XVII,  da CF),  de  horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII,  da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam­se de conquistas  sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não  haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.  Note­se  que  não  se  desconhece  a  recente  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  julgamento  do  REsp  1.230.957,  na  sistemática  do  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  (recurso  repetitivo),  que  estabeleceu  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre a  remuneração  (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio­doença,  (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.  Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do salário­ de­contribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata  de decisão definitiva de mérito (art. 62­A, do RICARF).   Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N°  640/2014, cuja ementa é:  Art.  19  da  Lei  nº  10.522/2002.  Pareceres  PGFN/CRJ  nº  492/2010; PGFN/CRJ  nº  492/2011; PGFN/CDA nº  2025/2011;  PGFN/CRJ/CDA  nº  396/2013.  Portaria  PGFN  nº  294/2010.  Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014.   Recurso  Especial  nº  1.230.957/RS.  Recurso  representativo  de  controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543­C  do CPC   Fl. 392DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 387          11 Nota  Explicativa  para  delimitação  da  matéria  decidida  e  esclarecimentos  acerca  da  aplicação  do  julgado.  Não­inclusão  do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer.   Sendo assim, entendo que o  lançamento deve ser mantido quanto à  suposta  incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas contestadas pela recorrente.    Inconstitucionalidade.  Contribuição  Previdenciária.  INCRA.  SEBRAE.  Multa Confiscatória.  Alega  a  recorrente  a  ilegitimidade  das  contribuições  ao  INCRA  e  ao  SEBRAE.  Ocorre  que  as  teses  levantadas  baseiam­se  no  aspecto  da  inconstitucionalidade das  leis que dão supedâneo às  referidas exações. A alegação de caráter  confiscatório  das  multas  aplicadas  (impossibilidade  de  multa  superior  a  30%  do  débito)  também centra­se no aspecto da inconstitucionalidade da lei.  Sendo  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  órgão  do  Poder  Executivo,  não  lhe  compete  apreciar  a  conformidade  de  lei  validamente  editada  segundo  o  processo  legislativo  constitucionalmente  previsto,  com  preceitos  emanados  da  própria  Constituição Federal, a ponto de declarar­lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista  tratar­se de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário.   Ademais,  o  Decreto  nº  70.235/72,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26­A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento  de  inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos  tenham  sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.  Tal  disposição  é  repetida  em  termos  semelhantes  no  art  62  do  Regimento  Interno  deste  Colegiado, Portaria MF nº­ 256/2009.   Outro  fundamento  para  a  impossibilidade  de  deferimento  dos  pleitos  da  recorrente  é  que  a  Súmula  CARF  n°  2  estabelece  que  o  “CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF  256/2006  tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do  colegiado.    Taxa  Selic.  A  recorrente  requer  o  afastamento  da  incidência  de  juros  moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como  juros moratórios tem­se a Súmula CARF n° 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento,  por  esta  instância recursal, do pleito da recorrente.  Fl. 393DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     12   Multa. Juros. Alega a recorrente ser indevida a incidência de juros sobre as  multas.  Equivocado o entendimento da recorrente, pois a previsão legal referida trata  do recolhimento espontâneo, hipótese em que, por óbvio, não há incidência de multa de ofício  e, conseqüentemente, não haveria porque dispor a respeito da incidência de juros de mora sobre  a multa de ofício.  No  entanto,  apenas  para  que  não  pairem  dúvidas  quanto  à  legitimidade  da  incidência de  juros de mora sobre a multa de ofício, vejamos o que determina a  legislação a  respeito:  Código Tributário Nacional (CTN)  Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.    Lei n.º 9.430/96  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide Decreto  nº  7.212, de 2010)  (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  (destaques sempre nossos)    É  sabido  que,  no Direito,  as  relações  jurídicas  obrigacionais  pressupõem  a  existência  de  credores  e  devedores  (vide  nomenclatura  classicamente  adotada  pelos  nossos  Códigos  Civis  de  1916  e  2002).  Portanto,  podemos  afirmar  que,  a  cada  obrigação,  há  um  correspondente um crédito e um respectivo débito.   No entanto, o Código Tributário Nacional e a  legislação  tributária em geral  atribuem  um  sentido  particular  ao  crédito  tributário,  de  sorte  que  ele  não  surgiria  concomitantemente à obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN), como se imaginaria em  uma  relação  jurídica  de  qualquer  outro  ramo  do  direito,  mas  somente  com  a  sua  devida  formalização, em regra pelo lançamento tributário (artigo 142 do CTN).   Fl. 394DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 388          13 Aqui  cabe  fazer  algumas  ressalvas. O  fato de o Direito Tributário definir  a  constituição  do  crédito  tributário  como  uma  etapa  evolutiva  na  formação  da  exigibilidade,  liquidez  e certeza da obrigação  tributária,  não  impede que  reconheçamos a  existência de um  crédito  jurídico,  na  acepção  comum  do Direito,  até  porque  não  há  obrigação  sem  crédito  e  débito  correspondente,  como  afirmado  anteriormente.  Tal  concepção  apenas  representa  uma  posição  garantista  do  legislador  face  a  eventuais  abusos  do Estado,  até  porque o Estado  é  o  único ente de nossa sociedade que pode constituir, unilateralmente, um crédito líquido, certo e,  futuramente, exigível. Portanto, a estrutura normativa da obrigação tributária não é excludente  do  conceito vulgar de  crédito  (e de débito),  apenas devemos  estar  atentos que  este  crédito  é  diferente daquele constituído na forma da legislação tributária.  Pois bem. Estabelece o  artigo 142 do CTN que a  autoridade  administrativa  constitui o crédito tributário pelo lançamento e que este inclui a obrigação tributária principal  e,  ser  for  o  caso,  a  “penalidade  cabível”. Ora,  a  própria  recorrente  reconhece  que  a multa  é  penalidade. Portanto, é inequívoco que a multa de ofício faz parte do crédito tributário e, assim,  inclui­se na referência que o artigo 161 do CTN faz à incidência de juros de mora.  Quanto  ao  conceito  de  débito,  referido  pelo  artigo  61  da  Lei  n.  9.430/96,  pode­se  afirmar,  após  a  prévia  incursão  nos  conceitos  gerais  do  Direito,  que  o  débito  corresponderá  à  obrigação  não  paga  no  vencimento.  Este  inadimplemento,  no  Direito  Tributário, pode ocorrer sem formalização da exigência pela autoridade administrativa (crédito  jurídico  na  acepção  geral  do  Direito  ou  mera  obrigação  tributária,  como  afirmado  anteriormente); ou com a formalização da exigência, seja pela autoridade administrativa, seja  por ato do contribuinte (crédito tributário constituído).   Em ambos os casos, teremos o débito, sendo que na hipótese de formalização  pela autoridade administrativa, o débito será integrado pelo tributo e também pela penalidade  (multa de ofício), nos termos do já referido artigo 142 do CTN . Ademais, a previsão do caput  do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é ampla, incluindo qualquer débito decorrente de tributos não  recolhidos.   Repetimos aqui o julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais  (CSRF),  mencionado na decisão a quo:  Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007  JUROS  DE  MORA  —  MULTA  DE  OFICIO  —  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  —  A  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento  do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não  pagamento,  incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem  incidir  os  juros  de  mora  à  taxa  Selic.  Recurso  não  provido.  (...)  Entendo,  assim,  que  a  obrigação  tributária  principal  compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em  razão  de  seu  descumprimento,  e  por  isso  igualmente  dela  decorrente,  a  multa  de  oficio  proporcional,  que  é  exigível  juntamente com o tributo ou contribuição não paga.  Fl. 395DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     14 (...)  Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161  do  CTN,  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio  proporcional.  (...)  O  art.  61,  parágrafo  terceiro,  da  Lei  n.  9.430/97,  fundamento  legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de  janeiro  de  1997.  Dentre  os  débitos  decorrentes  dos  tributos  e  contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluem­se  as  multas  de  oficio  proporcionais,  aplicadas  em  função  do  descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos  correspondentes aos tributos e contribuições em si.  (...)  Ressalte­se,  com  relação aos  juros  de mora,  que  o  art.  161  do  CTN  determina  que  o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  será  acrescido  de  juros  de  mora  à  taxa  de  1%  ao  mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96  determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como  dito  crédito,  deve  ser  entender,  pelas  razões  expostas,  a  obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa  de oficio proporcional.  (...)  (grifos nossos)    Outra não é a conclusão que se extrai da Súmula CARF n° 4, que também faz  referência à incidência ampla, de todos os “débitos tributários”:    Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.    Por fim, é bom que se ressalte que a matéria encontra­se pacificada no STJ:    PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 389          15 juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  2. Agravo regimental não provido.  (AgRg  no  REsp  1335688/PR,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe  10/12/2012)  Demonstrada  a  legalidade da  incidência de  juros de mora  sobre  a multa  de  ofício, conclui­se ser improcedente o inconformismo da recorrente.    Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.      (assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi ­ Relator  Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     16             Declaração de Voto  Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira  Importante  realçar que o presente voto ousa discordar,  com a devida vênia,  do  ilustre  Conselheiro  Relator  somente  no  que  tange  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias sobre determinadas verbas trabalhistas.  Como bem assinala o Relator em seu, como sempre, bem fundamentado voto,  a incidência de contribuições previdenciárias encontra seu fundamento de constitucionalidade  no artigo 195, inciso I, alínea 'a'. Ali, a Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91,  encontra  seus  limites de  competência  e deles,  extrai  que  a base de  cálculo das  contribuições  previdenciárias, no caso das relações de emprego, é:  "Art. 22:(...)  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o  trabalho, qualquer que seja a  sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa." (destacamos)  Da  simples  leitura  do  texto  legal  podemos  inferir  que  as  contribuições  "in  comento" incidem sobre a remuneração decorrente do trabalho.   Academicamente  (OLIVEIRA,  Carlos  Henrique  de.  Contribuições  Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo.  Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altas, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de  nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento  da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição:  “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita  o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela  totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de  cálculo do  fato gerador  tributário previdenciário,  ou  seja,  o  trabalho remunerado  do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor”   (grifos originais).  Porém,  como  cediço,  nem  todas  as  verbas  pagas  pelo  empregador  ao  trabalhador decorre da prestação pessoal de serviços. Valores  relativos a direitos  trabalhistas,  ressarcimento de despesas, benefícios previstos em contrato individual ou coletivo de trabalho  e indenizações diversas também integram as parcelas pagas ao empregado.  Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 390          17 A própria descrição desses valores permite inferir­se pela não incidência das  contribuições previdenciária sobre eles, ainda mais ao se cotejar com as considerações sobre o  salário de contribuição acima realizadas.   Importante  ressaltar  que  até  esse  ponto  há  expressa  concordância  entre  o  acima asseverado e a posição do eminente Relator. Simples transcrição de trecho de seu voto,  comprova a afirmação:  "E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei  n° 8.212/1991,  em seu art.  11,  delimitou a base de cálculo da  contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração  paga  ou  creditada  aos  segurados  a  seu  serviço”  (parágrafo  único, alínea a) e dos  trabalhadores, que, por  sua vez,  incide,  sobre o seu “salário­de­contribuição” (parágrafo único, alínea  b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária  para  definir  o  conceito  de  “remuneração”  e  de  “salário­de­ contribuição”.   Entendemos  que  remuneração  “pode  ainda  abarcar  os  conceitos  de  vencimento,  soldo,  subsídios,  pró­labore,  honorários  ou  qualquer  outra  espécie  de  retribuição  que  “remunere”5,  de  sorte  a  englobar,  nos  limites  da  Lei  n°  8.212/91,  não  só  a  contraprestação  (trabalho  efetivamente  prestado)  e  a  disponibilidade  (tempo  à  disposição”),  como  também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho,  inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho  e outras conquistas sociais."  (negritos nossos)  Explicitemos:  há  concordância  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias no  caso das  relações de  emprego, pois  ambos  entendemos que o  conceito de  remuneração determinado constitucionalmente e delimitado pela Lei de Custeio contem não só  o caráter contraprestacional da verba (pagamento pelos serviços efetivamente prestados), como  também o  retributivo, aquele que engloba o pagamento de verbas  remuneratórias no  caso de  tempo  à  disposição,  interrupção  ('v.  g.':  descanso  semanal  remunerado  e  férias  gozadas)  e  condições  contratualmente  ajustadas  (por  exemplo:  prêmio  assiduidade).  Por  óbvio  que  algumas  situações  de  verbas  remuneratórias  decorrem  de  lei,  como  no  caso  dos  adicionais  salariais.  Tratando­se de caso de incidência tributária, forçosamente decorrente de lei,  imperativo deduzir que as demais verbas percebidas pelo empregado e que não possam ser, sob  a luz da doutrina trabalhista, enquadradas no limites acima deduzidos, não sofreram tributação  da  contribuição  prevista  no  artigo  195,  I  ,  a  da Carta Magna.  Típico  caso  das  indenizações  trabalhistas.  Aqui nossa discordância exsurge.   O aviso prévio indenizado, como o próprio nome explicita, é verba de nítido  caráter indenizatório. Não por que o nome da verba defina seu regime jurídico. Nesse caso, há  nítida  verba  indenizatória,  típica  de  ofensa  a  direito  trabalhista,  que  determina  indenização,  reparação, por aquele que deu causa, ou seja, que ofendeu direito de outrem.                                                              5 Ibidem p. 69 e seguintes.   Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     18 O  trabalho  é  um  direito,  direito  social,  garantidor  de  renda  e  dignidade  do  trabalhador. Nesse sentido a determinação legal do contrato de trabalho ser, em regra, firmado  a  prazo  indeterminado.  Seu  rompimento,  novamente  em  regra,  só  é  possível  mediante  indenização e mais, mediante prévio aviso.  Tal comunicação prévia visa justamente garantir que o empregado não fique  sem  trabalho, que possa, mantendo seu vínculo, buscar outro  local onde possa, mediante  seu  labor, prover seu sustento e de sua família.  Ao obstar esse direito, não permitindo que o empregado cumpra o período de  prévio aviso sobre o futuro rompimento do vínculo trabalhista, surge ao empregador o dever de  indenizar o trabalhador.  Não é caso de interrupção do contrato de trabalho. Aliás, ao final do termo do  comunicação  antecedente,  o  que  forçosamente  ocorrerá  é  a  cessação  do  vínculo  laboral,  por  expresso  ato  volitivo  do  empregador,  e  portanto,  sabe­se  antecipadamente,  que  não  haverá  continuidade, o que, por imperativo lógico, não nos permite concluir que o contrato de trabalho  ficou interrompido; será, sim, rompido.  Nesse  termos, discordamos do voto do Relator, para explicitar que sobre as  parcelas pagas à título de aviso prévio indenizado não incidem contribuição previdenciária em  razão de seu nítido caráter indenizatório por ofensa a direito trabalhista.   Ressalte­se  que  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  o  aviso prévio indenizado é assente na jurisprudência dos tribunais federais e do STJ.  Não  obstante  todo  o  exposto,  especificamente  no  caso  do  presente  lançamento  tributário,  concordamos  com o Relator  que  tal  a  comprovação  do  pagamento  do  aviso prévio indenizado, alegado pelo Recorrente, não restou comprovado, o que impede que  seu pleito possa ser reconhecido.   Não  se  observou  no  recurso,  nem mesmo  a  indicação  dos  valores  pagos  a  título da verba  indenizatória, quanto mais  a comprovação desse pagamento. Nesse sentido, e  diante  da  determinação  do  artigo  16,  III  do  Decreto  nº  70.235/72,  não  se  pode  excluir  tais  verbas do lançamento tributário.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.      (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira   Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/2012­67  Acórdão n.º 2401­003.943  S2­C4T1  Fl. 391          19 Declaração de Voto      Conselheiro Carlos Alexandre Tortato  Divirjo  do  Relator  no  ponto  específico  da  incidência  dos  juros  moratórios  sobre a multa de ofício, consoante as razões que apresento a seguir.  A  Recorrente  pleiteia  a  exclusão  da  incidência  dos  juros  de  mora  (TAXA  SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a Recorrente tem  razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a  multa de ofício.   O  fundamento  legal  que  supostamente  dá  abrigo  à  incidência  dos  juros  moratórios  sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo  não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação:    Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o §  3º  do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.   O caput  do  referido  artigo  é bastante claro:  “Os débitos  para  com a União,  decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este  artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, tem­se que  entender  ser  esta  “decorrente  de  tributos  e  contribuições”. Ora,  as multas  de  ofício  não  são  débitos decorrentes de  tributos,  pois  são penalidades que decorrem de punição  aplicada pela  fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento  dos  tributos  e contribuições, após o vencimento do prazo para  tal;  e b)  falta de declaração e  declaração  inexata.  Incorridas  alguma  dessas  condutas,  surge  o  direito  da  fiscalização  de  imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação  atual):    Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     20 I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art.  61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo  que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do  dever legal de declará­lo e/ou pagá­lo.   Ainda,  destaca­se  que  o  art.  161,  §  1º  do  Código  Tributário  Nacional  é  frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a  multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o  referido dispositivo  legal não autoriza esta  incidência, posto que a previsão ali  contida está condicionada a edição de uma  lei específica  regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões  pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo  61,  §  3º,  da  Lei  nº.  9.430/96,  quanto  o  art.  161,  do CTN,  não  são  fundamento  legal  apto  a  permitir tal incidência.     (assinado digitalmente)  Carlos Alexandre Tortato    Fl. 402DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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6435257 #
Numero do processo: 13827.720073/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 94          1 93  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13827.720073/2013­72  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.243  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de junho de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  ROSA DIVIDES FURCIN  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira  instância  quando  apresentado  depois  de  decorrido  o  prazo  regulamentar  de  trinta dias da ciência da decisão.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do Recurso, por intempestivo.   Assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente.   Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre ­ Relator.  Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Carlos  César  Quadros  Pierre  e  Ana  Cecília Lustosa da Cruz.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 72 00 73 /2 01 3- 72 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13827.720073/2013­72  Acórdão n.º 2201­003.243  S2­C2T1  Fl. 95          2 Relatório  Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento,  15ª  Turma  da DRJ/SP1(Fls.  49),  na  decisão  recorrida,  que  transcrevo  abaixo:  Contra  a  contribuinte  acima  identificada  foi  emitida,  em  02/01/2013, notificação de lançamento de fl. 25, relativa ao ano­ calendário  de  2009,  em  razão  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  em  virtude  de  ação  judicial federal, no valor de R$ 130.358,85.  Cientificada  do  lançamento  em  14/01/2013  (fl.  42),  a  contribuinte apresentou em 06/02/2013, a impugnação de fls. 02  a 22, alegando, em suma, que:  1  –  os  rendimentos  em  questão  foram  recebidos  em  razão  do  ganho de causa do processo nº 65/92, em trâmite na Vara Única  da  Comarca  de  Bariri,  referente  às  diferenças  salariais  respectivas ao período de 1987 a 2006, cujo réu era o INSS;  2  –  em que  pese  diversos  entendimentos  judiciais  contrários,  a  Receita  Federal  mantinha­se  intransigente  na  defesa  de  sua  posição de exigir a  tributação no momento do recebimento dos  valores e pelo seu valor total;  3 – após inúmeras decisões judiciais em sentido contrário ao seu  entendimento,  a  Receita  Federal  curvou­se  aos  ditames  do  Parecer  PGFN  nº  287/2009  que  determinava  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação  pelos  Procuradores  da  fazenda  nacional,  bem  como,  impedia  que  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  constituísse  o  crédito  tributário  relativo  à  hipótese nele mencionada;  4 – assim, havendo autos de  infração  lavrados ou  lançamentos  de ofício, os mesmos deveriam ser revistos e cancelados;  5  –  no mesmo  sentido  foi  elaborado  pela  PGFN  o  Parecer  nº  001/2009,  ratificando  essa  posição  de  forma  absolutamente  clara.  Passo  adiante,  a  15ª  Turma  da  DRJ/SP1  entendeu  por  bem  julgar  a  impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada:  RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.  Os  rendimentos  atrasados  recebidos  acumuladamente  pelo  contribuinte estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste  anual.  Tais  rendimentos  são  tributáveis  no momento  em  que  o  contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda (regime  de caixa).  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13827.720073/2013­72  Acórdão n.º 2201­003.243  S2­C2T1  Fl. 96          3 Cientificada  em  16/05/2013  (Fls.  62),  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  em 21/06/2013  (fls.  64  a  84),  reforçando os  argumentos  apresentados  quando da  impugnação.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator.  Do exame dos autos verifica­se que existe uma questão prejudicial à análise  do mérito  da  presente  autuação,  relacionada  com  a  preclusão  do  prazo  para  interposição  de  recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço da contribuinte,  via correio, com a ciência em 16/05/2013, conforme de verifica à fl. 62 dos autos.  A  peça  recursal  somente  foi  protocolizada  em  21/06/2013,  conforme  atesta  documento  de  fls.  64  a  84,  portanto,  fora  do  prazo  fatal  que  seria  dia  17/06/2013  (segunda­ feira).  Nos  termos  do  artigo  33  do Decreto  n  70.235/1972,  que  regula  o  processo  administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência  da decisão da DRJ; in verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.   Caberia  à  recorrente  adotar  medidas  necessárias  ao  fiel  cumprimento  das  normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal.  Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de  primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias  da ciência da decisão.  Nestes  termos,  voto  por  NÃO  CONHECER  do  recurso  voluntário,  por  intempestivo.  Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre                  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13827.720073/2013­72  Acórdão n.º 2201­003.243  S2­C2T1  Fl. 97          4                 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 11065.100833/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/2009­88  Acórdão n.º 3301­002.862  S3­C3T1  Fl. 11          2 Relatório  Trata­se  de  lançamento  tributário  consubstanciado  na  notificação  de  lançamento de multa por atraso na  entrega do Dacon, no valor de R$ 10.991,12,  referente  a  fevereiro de 2009, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009.  Os  presentes  embargos  de  declaração  foram  opostos  em  face  do  Acórdão  prolatado  pela  extinta  1ª  Turma  Especial,  que  manteve  a  exigência  da  multa  por  atraso  na  entrega da DACON:     ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2009  DACON. MULTA POR ATRASO.  A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições  Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade  pelo atraso na sua entrega.  Recurso Voluntário Negado.   A  embargante  requer  o  conhecimento  e  o  provimento  dos  embargos  de  declaração,  para  o  sobrestamento  do  feito  até  a  decisão  de mérito  pelo  STF  na  repercussão  geral  no RE  640.452,  e  para  sanar  a  omissão  apontada  no  acórdão  embargado,  com  efeitos  infringentes.  É o relatório.     Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro  A embargante  reitera o pedido de  sobrestamento do  feito,  tendo em vista o  reconhecimento  em  sede  de  repercussão  geral  pelo  STF  de  tema  que  acredita  ter  influência  sobre o presente caso, nos seguintes termos:   Precipuamente,  cumpre  ressaltar  a necessidade de verificação de  fato  capaz  de modificar completamente o  rumo da decisão ora embargada. Trata­se da  existência  de  Recurso  Extraordinário  com  reconhecimento  de  repercussão  geral  em  trâmite  junto  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  cuja  relatoria  é  do  Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida  no  presente  Processo Administrativo  Fiscal.  Assim  ementado  o  acórdão  de  reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  PUNIÇÃO  APLICADA  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DEVER  Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/2009­88  Acórdão n.º 3301­002.862  S3­C3T1  Fl. 12          3 INSTRUMENTAL  RELACIONADO À  OPERAÇÃO  INDIFERENTE  AO  VALOR  DE  DÍVIDA  TRIBUTÁRIA  (PUNIÇÃO  INDEPENDENTE  DE  TRIBUTO  DEVIDO).  "MULTA  ISOLADA".  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  PROPORCIONALIDADE.  RAZOABILIDADE.  QUADRO  FÁTICO­JURÍDICO  ESPECÍFICO.  PROPOSTA  PELA  EXISTÊNCIA  DA  REPERCUSSÃO  GERAL  DA  MATÉRIA  CONSTITUCIONAL  DEBATIDA.  Proposta  pelo  reconhecimento  da  repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional  e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação  que  não  gerou  débito  tributário.  (RE  640452  RG,  RElator(a):  Min.  JOAQUIM  BARBOSA,  julgado  em  06/10/2011,  PROCESSO  ELETRÔNICO DJe  232 DIVULG 06­12­2011  PUBLIC  07­12­2011 RT  v.  101, n. 917, 2012, p. 643­651).     Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62­A do Regimento  Interno do CARF. Desse modo,  sem  mesmo  adentrar  na  similitude  do  tema  deste  processo  com  o  da  repercussão  geral,  o  disposto  nos  parágrafos  1º  e  2º  do  artigo  62­A  não  mais  se  aplica,  ou  seja,  incabível  o  sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013.  Alega  a  embargante  que  houve  omissão  no  acórdão  citado,  nos  seguintes  termos:     Outrossim,  no  Recurso  Voluntário  apresentado  foram  expressamente  veiculados  argumentos  no  sentido  de  que  o  fato  de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória  de  apresentação da DACON não deveria ensejar a  aplicação de  multa.  Além  disso,  o  contribuinte  elaborou  argumentação  no  sentido  de  infirmar  a  base  de  cálculo  da  multa  supostamente  devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  tendo  como  base  de  cálculo  a  mesma  da  obrigação  principal,  nos  casos  em  que  a  obrigação  principal,  nos  casos  em  que  a  obrigação  principal  tenha sido devidamente cumprida.  Veja­se, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos  razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo  da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia  ser  a  mesma  base  de  cálculo  da  obrigação  principal.  Assim,  argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário.  Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do  tributo,  razão  pela  qual  não  se  pode  vincular  uma  obrigação  acessória  a  uma  obrigação  principal  que  possui  fato  gerador  completamente diferente.  É  importante  deixar  claro  que  a  multa  tributária  é  espécie  de  sanção  fiscal  oriunda  de  atos  omissivos  relativos  ao  descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória.  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/2009­88  Acórdão n.º 3301­002.862  S3­C3T1  Fl. 13          4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração  da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que  pago integralmente.  Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência  para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da  grandeza financeira.  Beira  ao  absurdo  vincular  o  critério material  da multa  a  uma  obrigação  principal  que  possui  o  fato  gerador  completamente  diferente da penalidade imposta.     A  exigência  de  multa  pelo  atraso  do  Dacon  aplicada  à  embargante  tem  expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação  dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis:  Art.  7º.  sujeito  passivo  que  deixar  de  apresentar Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  D1PJ,  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  DCTF,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica,  Declaração  de  Imposto  de Renda Retido  na  Fonte DIRE  e Demonstrativo  de  Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados,  ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado  a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou  a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  SRF,  e  sujeitar­se­á  às  seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004)  (...)  III­  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês  calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  da  Cofins,  ou,  na  sua  falta,  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  informado  no Dacon  ainda  que  integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração  ou  entrega  após  o  prazo,  limitada  a  20%  (vinte  por  cento),  observado o disposto no § 3 deste artigo; e  (Redação dada pela  Lei no 11.051, de 2004)  (...)  § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II  e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo  originalmente  fixado  para  a  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de  infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004)  § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de oficio;  II  –  a  setenta  e  cinco  por  cento,  se  houver  a  apresentação  da  declaração no prazo fixado em intimação.  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/2009­88  Acórdão n.º 3301­002.862  S3­C3T1  Fl. 14          5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:  I­  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  pessoa  física,  pessoa  jurídica  inativa e pessoa  jurídica optante pelo  regime de  tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996;   II­ R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...”  No  caso  concreto,  é  incontroverso  que  a  DACON  foi  entregue  em  atraso,  portanto, a situação fática subsume­se à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei  n. 10.426/2002.  Todos  os  traços  da  multa  aplicada  estão  previstos  em  lei,  atendendo  ao  princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do  CTN.   Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do  CTN,  a  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  Assim,  constatado  o  atraso  na  entrega  do  Dacon,  a  autoridade  fiscal  não  só  está  autorizada  como,  por  dever  funcional,  está  obrigada  a  proceder  ao  lançamento de ofício da multa pertinente.  Por  isso,  deve  ser  afastada  a  alegação de que  "Beira  ao  absurdo vincular o  critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente  diferente da penalidade imposta."  Os  embargos  de  declaração  objetivam  suprir  obscuridade,  omissão  e  contradição,  porventura,  verificados  na  decisão  recorrida,  não  se  prestam,  portanto  à  rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento.   Portanto,  não  tendo  havido  qualquer  omissão,  voto  pelo  não  conhecimento  dos embargos de declaração interpostos.  Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016.  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                              Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Numero do processo: 13819.723067/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS. Mesmo diante da devida comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial do município, para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão.
Numero da decisão: 2201-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Presente  aos  julgamentos  a  Procuradora  da  Fazenda  Nacional  SARA  RIBEIRO  BRAGA  FERREIRA.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou  improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Em 29/09/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício  2013,  ano­calendário  2012,  em  procedimento  de  revisão  da Declaração  de Ajuste Anual  do  exercício  de  2013,  ano­calendário  2012,  por  omissão  de  rendimentos  recebidos  da  fonte  pagadora Expresso Nepomuceno, no total de R$ 16.943,30, com R$ 144,97 de imposto retido  na fonte, após o deferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL).   Inconformada  com  a  notificação  apresentada,  o  contribuinte  protocolizou  impugnação  tempestiva  afirmando  ser  portador  de  moléstia  grave  diagnosticado  com  laudo  médico de CID­N40, com tratamento da doença desde 2008.  A Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Porto  Alegre  julgou  improcedente  a  impugnação,  restando  mantida  a  notificação  de  lançamento,  com  as  seguintes considerações:  a)  mister  salientar  que  não  basta  o  contribuinte  ter  a  doença  grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico  oficial  para  que  o  benefício  seja  concedido. Faz­se necessário,  também, que o aludido contribuinte seja aposentado, reformado  ou  pensionista,  pois  a  isenção  não  engloba  todo  e  qualquer  rendimento  auferido  por  portador  de  doença  grave,  mas  tão­ somente os decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Os  demais  rendimentos,  como  por  exemplo  os  decorrentes  de  trabalho  assalariado,  de  aluguel  e  de  investimento  financeiro,  continuam a ser tributados pelo Imposto de Renda;  b)  o  contribuinte  não  apresentou  qualquer  documento  relacionado  aos  rendimentos  recebidos  do  Expresso  Nepomuceno, CNPJ 19.368.927/0001­07 que provasse  tratar­se  de rendimentos de aposentadoria ou pensão recebidos no ano de  2012;  c)  documento  anexado  aos  autos  (fl.  13)  não  pode  ser  aceito  como prova, pois se  trata de um relatório médico fornecido em  receituário  da  Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo,  não  se  confundindo com o  laudo exigido pela  legislação  tributária,  ou  seja, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União,  dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios;  d)  não  resta  comprovado  nos  autos  que  os  rendimentos  recebidos  referem­se  à  aposentadoria  ou  pensão,  assim  como  não  há  a  comprovação,  por  laudo  médico  oficial,  de  que  seja  portador  de  uma  das  moléstias  graves,  conforme  previsão  contida na legislação tributária acima transcrita.    Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.723067/2014­57  Acórdão n.º 2201­003.161  S2­C2T1  Fl. 55          3 Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário,  no  qual  o  contribuinte  sustenta,  em  síntese,  a  insubsistência  e  improcedência  da  ação fiscal, tendo em vista que não foi estipulado prazo para a apresentação do laudo pericial.  O recorrente também efetuou a juntada dos documentos de fls. 46/48 (exames  médicos particulares).  É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.  Conforme relatado, cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  indevidamente  considerados  isentos,  em  decorrência  da  não  comprovação  do  acometimento  de  moléstia  grave,  por  meio  de  laudo  médico  oficial,  bem  como em razão da ausência de demonstração da natureza dos rendimentos auferidos.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  teceu  considerações  acerca  do  cumprimento  do  requisito  relativo  à  natureza  dos  rendimentos  auferidos, tentando comprovar apenas o acometimento da moléstia grave.  Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de  dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º  11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam:  Art.  6o  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguintes  rendimentos percebidos por pessoas físicas:(...)  XIV  os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma  motivada  por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Pagel  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;(...)  XXI  os  valores  recebidos  a  título  de  pensão  quando  o  beneficiário  desse  rendimento  for  portador  das  doenças  relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de  moléstia  profissional,  com  base  em  conclusão  da  medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a  concessão da pensão.    Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a  veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por  serviço médico oficial, nos termos a seguir:  Art.  30.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  para  efeito  do  reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e  XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com  redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de  1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial  emitido  por  serviço médico  oficial,  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios.  § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo  pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.  § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art.  6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação  dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992,  fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).  Observa­se que a  isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988  pela  Lei  7.713,  não  fazia  referência  quanto  à  forma  de  sua  comprovação.  Contudo,  com  a  superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da  moléstia pelas autoridades tributárias.  A partir da edição da mencionada lei, tornou­se indispensável a apresentação  do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal  ou dos Municípios.  Assim,  a  isenção  sob  análise  requer  a  consideração  do  binômio: moléstia  (grave)  e  natureza  específica  do  rendimento  (provenientes  de  aposentadoria,  reforma  ou  pensão),  sendo  o  laudo  pericial  oficial  requisito  objetivo  para  a  demonstração  da  moléstia  grave.   Portanto,  apesar  da  apresentação  de  laudo  oficial,  fl.  13,  não  houve  a  comprovação da natureza dos rendimentos recebidos, restando, desse modo, descumpridos os  requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção pleiteada, em consonância com o  Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito:  “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da  pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos  devem  ser  provenientes  de  aposentadoria,  reforma,  reserva  remunerada  ou  pensão  e  a  moléstia  deve  ser  devidamente  comprovada  por  laudo  pericial  emitido  por  serviço  médico  oficial  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios.”  Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário.  Assinado digitalmente.  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora              Fl. 57DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.723067/2014­57  Acórdão n.º 2201­003.161  S2­C2T1  Fl. 56          5                   Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 11128.005077/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/07/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.626
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3  Fl. 170          1 169  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11128.005077/2009­01  Recurso nº  1   Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.626  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Denuncia espontânea ­ multa por atraso na prestação de informações sobre  veículo ou carga nele transportada  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 02/07/2009  PENALIDADE  ADMINISTRATIVA.  ATRASO  NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A  denúncia  espontânea  não  alcança  as  penalidades  infligidas  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais,  como  os  decorrentes  da  inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  para  prestação  de  informações  à  administração  aduaneira,  mesmo  após  o  advento da nova  redação do art.  102 do Decreto­Lei nº 37/1966, dada  pelo  art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.   Recurso Especial Provido em Parte.       Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto  de  deliberação  por  aquele Colegiado.  Vencidos  os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama,  Júlio César Alves Ramos, Érika Costa  Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam  provimento.     CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 50 77 /2 00 9- 01 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 171          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­003.282,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa em comento.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.551, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/2010­15, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.551):  "O  recurso  é  tempestivo e,  ao contrário do alegado pelo  sujeito passivo em  suas contrarrazões, atende aos demais  requisitos de admissibilidade, merecendo, por  isso, ser  admitido.  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 172          3 De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/1966,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações  previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo  ou  aéreo. O  dispositivo  legal  interpretado  é,  absolutamente,  idêntico, mas  os  resultados  dos  julgamentos  foram  distintos.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se  ainda  que  a  matéria  foi  prequestionada  e  o  recurso  foi  apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.   Importante  frisar  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma  matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei  12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do  Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.   Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 173          4 Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".   No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.  O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.                                                              1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 174          5 Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:   Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência  e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações positivas  (fazer  ou  tolerar) ou  negativas  (não  fazer)  instituídas no  interesse  fiscalização das operações de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de                                                              4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 175          6 natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No âmbito da  legislação aduaneira, em consonância com  o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades  de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea  da  infração.  São  dessa modalidade  as  infrações  que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão de desfazer  ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade toda infração que tem o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do  tipo  é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 176          7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De modo geral,  se admitida a denúncia  espontânea para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais  no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.                                                              6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 177          8 Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/2009­01  Acórdão n.º 9303­003.626  CSRF‐T3  Fl. 178          9 Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  dá­se  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto de deliberação por aquele Colegiado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6340147 #
Numero do processo: 10970.720339/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2008 COOPERATIVAS DE TRABALHO. TRIBUTAÇÃO FUNDAMENTADA NO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI 8.212/1991. IMPROCEDÊNCIA. O STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10970.720339/2011­73  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.752  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de janeiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  PATOS DE MINAS ­ PREFEITURA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2008  COOPERATIVAS DE  TRABALHO.  TRIBUTAÇÃO FUNDAMENTADA  NO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI 8.212/1991. IMPROCEDÊNCIA.  O  STF  declarou  a  inconstitucionalidade  do  inciso  IV  do  art.  22  da  Lei  8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999.  Recurso Voluntário Provido  Crédito Tributário Exonerado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.      (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Mees Stringari   Relator    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 39 /2 01 1- 73 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI     2 Heitor de Souza Lima Júnior  Presidente    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA  LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA  MONTEIRO,  MARIA  ANSELMA  COSCRATO  DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  CARLOS  ALBERTO MEES  STRINGARI,  MARCELO  VASCONCELOS  DE  ALMEIDA,  CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/2011­73  Acórdão n.º 2201­002.752  S2­C2T1  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 09­41.802 da  5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente.  O  lançamento  e  a  impugnação  foram  assim  relatadas  no  julgamento  de  primeira instância:    O  presente  auto  de  Infração  foi  lavrado  em  cumprimento  do  Acórdão 09.36.119 da 5ª Turma da DRJ/JFA de 27 de  julho de  2011  que  exonerou  o  crédito  tributário  –Processo  10970.720109/201112  em  nome  do  Instituto  de  Previdência  Municipal de Patos de Minas – IPREM e por sua vez determinou  que  o  lançamento  do  referido  crédito  deverá  ser  realizado  por  substituição tributária retirando a condição de sujeito passivo do  IPREM  e  atribuindo­a  ao Município  de Patos  de Minas,  tendo  em vista que o Decreto Municipal 3.255 de 07/10/2009 transferiu  a  gestão  do  FASERV  (Fundo  de  Assistência  dos  Servidores  Públicos Municipais  de  Patos  de Minas)  para  o Município  de  Patos de Minas – Prefeitura Municipal.  Assim,  no  presente  processo  constam  os  autos  de  infração  a  seguir relacionados que foram recebidos pelo sujeito passivo em  12/04/2012,  mediante  recebimento  por  via  postal,  conforme  comprovante (AR), acostado às fls.32.  a)  AIOP  –  DEBCAD  nº37.342.079­0  consolidado  em  17/11/2011,  no  valor  de  R$862.182,88  relativo  ao  período  de  01/2006 a 09/2008 acostado às fls. 05 dos autos, para cobrança  de  obrigação  principal  patronal,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  no  percentual  de  15%  (quinze  por  cento)  incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativos a  serviços  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas de trabalho prevista na Lei n° 8.212/1991, art. 22,  inciso IV.  Os fatos geradores foram identificados no levantamento:  FP– CONTRIBUINTE REFERENTE COOPERATIVA decorrente  das notas fiscais de serviço emitidas por cooperativa de trabalho  (UNIMED)  conforme  estipulado  no  contrato  de  prestação  de  serviço (n° 07/2005) firmado em 27/09/2005 entre o Instituto de  Previdência de Patos de Minas  IPREM e a UNIMED Patos de  Minas, cujo objeto é a “prestação de serviços de clinica médica,  internações,  ambulatório,  clinica  cirúrgica,  diagnose  e  terapia,  tratamento  em  sessões  de  psicoterapia,  fonaudiologia,  acupuntura  e  fisioterapia  aos  servidores  municipais  e  seus  dependentes”.  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI     4 De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  14/47  a  autoridade  lançadora  explica  que  utilizou  na  aplicação  das  multas  o  princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, “c”),  para  as  infrações  com  fatos  geradores  anteriores  a  04/12/08,  tendo  sido  feito  quadro  comparativo  da  multa  imposta  pela  legislação  vigente  à  época  da  ocorrência  do  fato  gerador  e  a  imposta  pela  legislação  superveniente  (MP  nº  449/2008,  convertida na Lei nº 11.941, de 25/05/2009).  b) AIOA  – DEBCAD  37.342.080­3  lavrado  em  17/11/2011  no  valor  de  R$41.136,39,  acostado  às  fls.  04  dos  autos  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  no  Código  de  Fundamento Legal –CFL 68, relativo às competências 01/2006  a 12/2009, por infração ao disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  em  razão  de  a  empresa  ter  informado  em Guias  de Recolhimento  do Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  no  caso,  deixou  de  declarar  o  valor  dos  serviços  contratados  e  executados  por  cooperativa de trabalho.  O auditor esclarece, ainda que a multa por descumprimento da  obrigação  acessória  foi  apurada  por  competência,  correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo  à  contribuição  não  declarada  em  GFIP,  limitada,  por  competência,  aos  valores  previstos  no  §  4º  do  art.  32  da  Lei  8.212/91, equivalente a um multiplicador  sobre o valor mínimo  de R$ 1.523,57, fixado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº  568,  de  31/12/2010,  em  função  do  número  de  segurados,  calculado  conforme  discriminado  no  Anexo  II  “Demonstrativo  de  Cálculo  de  Aplicação  da  Multa”,  que  consta  no  processo  10.970.72009/20012.  Cientificado  do  lançamento,  o  órgão  municipal  ofertou  impugnação  de  fls.55/65  com  protocolo  em  30/12/2011,  tendo  como  signatários  o  Prefeito  Municipal  acompanhado  dos  procuradores do Município de Patos de Minas.  Na  peça  de  defesa  aduz  estarem  os  lançamentos  eivados  de  nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, haja vista  que entre 01/2006 até 12/2009 a gestão do Fundo de Previdência  era  de  responsabilidade  do  IPREM,  tendo  sido  neste  órgão  realizada a fiscalização.  Salienta  que  todos  os  atos  contábeis  inerentes  aos  fatos  geradores das contribuições foram realizados pelo IPREM, bem  como era o contratante da prestação de serviço e o sacado nas  notas fiscais fatura.  Diz que  legalmente a gestão do  fundo,  somente,  passou para o  Município  de  Patos  de  Minas  a  partir  da  edição  do  Decreto  Municipal 3.255, de 07/10/2009, mas, conforme reconhecido no  Acórdão 09.36.119 da 5a Turma da DRJ/JFA de 27 de julho de  2011,  cujo  conteúdo  transcreve  na  impugnação,  durante  o  período  fiscalizado  a  relação  jurídica  era  entre  ao  IPREM e a  Unimed,  fato  que  sustenta  a  sua  condição  de  não contribuinte,  no  caso,  haja  vista  que  não  realizou  o  aspecto  material  da  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/2011­73  Acórdão n.º 2201­002.752  S2­C2T1  Fl. 4          5 hipótese  tributária,  como  explicado  nos  ensinamentos  do  tributarista Luciano Amaro.  Fundamenta suas alegações no art. 142 do CTN, art.10 inciso I  do Decreto nº.70.235/1972. Discorre sobre os art. 121 e 122 do  CTN  para  concluir  que  no  acórdão  então  emitido  houve  entendimento  equivocado  na  indicação  do  Município  como  sujeito  passivo  porque  a  definição  dáse  no  momento  da  ocorrência do fato gerador que faz surgir a obrigação tributária  e não no da lavratura do auto de infração.  Pelas  razões  expostas,  pugna  pela  procedência  da  impugnação  com o conseqüente reconhecimento da nulidade do lançamento.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário  onde, em síntese, reapresenta os argumentos da impugnação.    É o relatório.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI     6   Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.    TRIBUTAÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO     Conforme Relatório Fiscal, os Autos de Infração foram lavrados pela falta de  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  os  serviços  prestados  por  cooperativas  de  trabalho para a recorrente e por omitir essa informação na GFIP.  Para  as  cooperativas  de  trabalho,  as  contribuições  devidas  a  cargo  da  empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991:    Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...) IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou  fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe  são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de  trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).    Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade,  deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991  (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de  serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  595838,  com  repercussão  geral  reconhecida,  no  qual  uma  empresa de consultoria questiona a tributação.  A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei  Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos  pelas  cooperativas  aos  seus  cooperados.  No  entendimento  do  Tribunal,  ao  transferir  o  recolhimento  da  cooperativa  para  o  prestador  de  serviço,  a  União  extrapolou  as  regras  constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social.    EMENTA  Recurso  extraordinário.  Tributário.  Contribuição  Previdenciária. Artigo 22,  inciso  IV, da Lei nº 8.212/91, com a  redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas  tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/2011­73  Acórdão n.º 2201­002.752  S2­C2T1  Fl. 5          7 meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto  da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem.  Nova  fonte de  custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O  fato gerador  que  origina  a  obrigação  de  recolher  a  contribuição  previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91,  na  redação  da  Lei  9.876/99,  não  se  origina  nas  remunerações  pagas  ou  creditadas  ao  cooperado,  mas  na  relação  contratual  estabelecida  entre  a  pessoa  jurídica  da  cooperativa  e  a  do  contratante  de  seus  serviços.  2.  A  empresa  tomadora  dos  serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A  empresa  ou  entidade  a  ela  equiparada  é  o  próprio  sujeito  passivo  da  relação  tributária,  logo,  típico  “contribuinte”  da  contribuição.  3.  Os  pagamentos  efetuados  por  terceiros  às  cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus  cooperados,  não  se  confundem  com  os  valores  efetivamente  pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22,  IV da Lei nº  8.212/91,  com  a  redação  da  Lei  nº  9.876/99,  ao  instituir  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  valor  bruto  da  nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a,  da  Constituição,  descaracterizando  a  contribuição  hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos  cooperados,  tributando  o  faturamento  da  cooperativa,  com  evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a  qual  somente  poderia  ser  instituída  por  lei  complementar,  com  base no art. 195, § 4º  ­  com a remissão  feita ao art. 154, I, da  Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91,  com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.  Decisão O Tribunal,  por  unanimidade  e  nos  termos  do  voto  do  Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991,  com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente,  Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro  Gilmar  Mendes.  Falaram,  pelo  amicus  curiae,  o  Dr.  Roberto  Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida  de  Souza  Trindade,  Procuradora  da  Fazenda  Nacional.  Plenário, 23.04.2014.    Cumpre  ressaltar  que  o  art.  62,  caput  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343 de  09/06/2015, veda o afastamento de aplicação ou  inobservância de legislação sob fundamento  de inconstitucionalidade.   Porém,  o  art.  62,  parágrafo  1º,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  ressalva  que  o  disposto  no  caput  não  se  aplica  a  dispositivo  que  tenha  sido  declarado  inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O parágrafo 2º dispõe que  as  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo Supremo Tribunal  Federal  e  pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543­B e  543­C da Lei nº 5.869, de 1973 ­ Código de Processo Civil  (CPC), deverão ser reproduzidas  pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI     8   Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva do Supremo Tribunal Federal  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos  do art. 103­A da Constituição Federal;  b)  Decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos  do  art.  543­B  ou  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­ Código  de  Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração  Tributária;  c)  Dispensa  legal  de  constituição  ou  Ato  Declaratório  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  aprovado  pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos  termos dos arts. 18 e  19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002;  d)  Parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  nos  termos  dos  arts.  40  e  41  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da  Advocacia­Geral  da  União,  nos  termos  do  art.  43  da  Lei  Complementar nº 73, de 1973.  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    Portanto,  diante  da  vinculação  deste  conselho  à  decisão  supra,  RE  no.  595.838/SP, devem ser afastados os valores relativos às autuações referentes às contribuições  das cooperativas de trabalho.    CONCLUSÃO    Voto por dar provimento ao recurso.    Carlos Alberto Mees Stringari   Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/2011­73  Acórdão n.º 2201­002.752  S2­C2T1  Fl. 6          9                               Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI

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