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Numero do processo: 13161.721064/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal que poderá ser por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal.
O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUB-ROGAÇÃO. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXIGÊNCIA LEGAL.
As empresas adquirentes, consumidoras ou consignatárias ou as cooperativas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física, mediante desconto na comercialização da produção rural e recolher os valores aos cofres públicos.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA.
A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;
O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição.
No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. EXIGÊNCIA.
Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA Recorrente FV COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal que poderá ser por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUBROGAÇÃO. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXIGÊNCIA LEGAL. As empresas adquirentes, consumidoras ou consignatárias ou as cooperativas ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física, mediante desconto na comercialização da produção rural e recolher os valores aos cofres públicos. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 10 64 /2 01 4- 51 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. EXIGÊNCIA. Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2011 a 12/2012. O Relatório Fiscal (fls. 366/372) informa que os valores apurados decorrem dos seguintes lançamentos: 1. AI DEBCAD 51.050.9576, relativo a contribuições da empresa e RAT, incidentes sobre o valor da produção rural adquirida de produtores pessoas físicas, conforme discriminado no Anexo I; 2. AI DEBCAD 51.050.9584, relativo a contribuições ao SENAR, conforme discriminado nos Anexos I e II. Esse Relatório Fiscal informa ainda que a base de cálculo foi apurada do confronto das informações obtidas nas notas fiscais eletrônicas, constantes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), e das GFIP. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/09/2014 (fls. 01 e 396). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 407/438), alegando, em síntese, que: 1. ocorreu erro de eleição do sujeito passivo da obrigação tributária, que torna nulo o crédito apurado, visto que o contribuinte da exação é o produtor rural, enquanto o autuado é o responsável tributário, que dele não reteve qualquer contribuição. Entende que, não efetuando a retenção do tributo, não detém a obrigação de arcar com seu ônus financeiro. Caso contrário, seria contribuinte da exação, estando legitimado a pleitear o ressarcimento do valor recolhido, possibilidade combatida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme julgados que transcreve. Diz que a possibilidade de reconhecer o direito à restituição e ou à compensação ao responsável tributário é refutada pela administração pública federal, o que é suficiente para o cancelamento do crédito tributário; 2. ocorreu a nulidade do MPFF, por ausência de notificação de sua prorrogação. Nesse sentido, afirma ter sido cientificada do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 19/02/2014 e do Termo de Verificação Fiscal em 30/09/2014. Aduz ser dever da autoridade fiscal proceder à intimação do contribuinte acerca da referida prorrogação, nos termos do art. 9º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 11.371/2007, sob pena de preterição do direito de defesa e Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 desrespeito à legislação vigente, especialmente o art. 196 do CTN, o art. 59, II, do Decreto nº70.235, de 1972, e a Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Discorre acerca do vício formal, afirmando ter havido violação dos princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, bem como da legalidade; 3. o lançamento foi realizado em contrariedade à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 363.852/MG e no RE 596.177/RS, nas quais declarou a inconstitucionalidade da exação exigida. Destaca o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 2009, que dispõe sobre a vinculação da administração tributária aos recursos repetitivos, e precedentes do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca da contribuição lançada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0958.091 da 5a Turma da DRJ/JFA – considerou improcedente a impugnação. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Dourados/MS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A Recorrente alega que há falta de cobertura de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) durante a realização da auditoria fiscal, já que ela não foi cientificada de forma expressa das alterações e prorrogações do MPFF. Entendo que o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal. Além disso, MPF válido para fins de autuação é aquele em que o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). O MPF é a ordem específica dirigida ao auditor fiscal para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais, assim conceituados como ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, podendo, dessas ações, resultar a constituição do crédito previdenciário. É mero controle administrativo interno, podendo ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quantas necessárias, por intermédio de registro eletrônico, disponível na internet, no endereço "www.receita.fazenda.gov.br", cujo código de acesso é indicado no próprio documento. Devidamente instaurado o procedimento fiscal, o MPF terá validade até o final do prazo por ele estabelecido ou na data em que houver conclusão do procedimento fiscal, registrado por meio do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF). Verificase que o procedimento fiscal foi iniciado regularmente com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) n° 01.4.02.002013 00943, código de acesso no 12779843 (fls. 2/3), e sua ciência ocorreu em 19/02/2014, e também do Relatório Fiscal, em 30/09/2014, e do Termo de Intimação Fiscal nº 48/2014 (fls. 10), do qual foi dada ciência em 03/06/2014 (fls. 11), bem como foi informado sobre a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no site da Secretaria da Receita do Brasil. Posteriormente, foram prorrogados regularmente os Mandados de Procedimento Fiscal. No que se refere ao prazo de validade de MPF e suas prorrogações, cumpre transcrever os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007: Art. 4o. O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o inicio do procedimento fiscal. (g. n.) (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observadas, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. (...) Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4°, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. (g. n.) Pelos dispositivos acima mencionados, percebese que há previsão de prorrogação do prazo de validade do MPF, tantas vezes quantas forem necessárias, sendo que a prorrogação é efetuada por meio eletrônico e essa informação, a dispensar a ciência pessoal do sujeito passivo, estará disponível na Internet para consulta, a partir do código de acesso a ele fornecido com o termo que formaliza o início do procedimento fiscal. Para a caracterização de que a autuação foi regularmente comunicada ao sujeito passivo, constatase que a Recorrente impugnou o levantamento no prazo definido pela norma que rege o Processo Administrativo Fiscal, exercendo seu direito ao contraditório e à ampla defesa e dando início à fase litigiosa. Com isso, a regularidade da continuidade da fiscalização poderia ter sido conferida pela contribuinte a qualquer tempo, com o acesso ao site institucional do Fisco: www.receita.fazenda.gov.br. Ademais, o MPF original ou a sua prorrogação não se constituem em atos essenciais à validade do lançamento fiscal, pois ele constitui mero instrumento de controle interno, de ato administrativo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte. Esse é o entendimento do CARF, para o qual o MPF tem apenas caráter de controle administrativo, não sendo motivo de nulidade, mesmo com a extrapolação de seu prazo e abrangência, conforme julgado a seguir: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 5 7 instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 1301001.316 – Sessão de 05/11/2013 – Por unanimidade de votos – Rel. Carlos Augusto de Andrade Jenier – D.O.U de 27/03/2014) A Recorrente alega nulidade do lançamento fiscal, haja vista que este foi constituído em face de pessoa diversa do efetivo contribuinte. Neste particular, entendo que tal alegação não deve ser acatada, pois, conforme § 5o do art. 33 da Lei 8.212/1991, o desconto da contribuição previdenciária presumese efetuado, respondendo a Recorrente, na qualidade de adquirente, pelas retenções que deixou de efetuar dos produtores rurais pessoais físicas Lei 8.212/1991: Art. 33 (...). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No mesmo sentido, o inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991 dispõe sobre a obrigatoriedade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa realizar a retenção das contribuições devidas (subrogação). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) A Recorrente afirma que, por meio dos RE nº 363.852/MG e RE 596.177/RS, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, a qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, todos da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/1997, e, com isso, argumenta que não existe amparo legal para a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural. Observase que o STF deu provimento ao RE 596.177/MG e declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, determinando a aplicação desse mesmo entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto, no regime de repercussão geral. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Em sede de embargos, no RE 596.177/MG, citado acima, o plenário do STF decidiu e informou que a constitucionalidade da Lei 10.256/2001 não foi analisada, portanto, continua vigente. Essa Lei 10.256/2001 deu nova redação ao art. 25 da Lei.8212/1991 e estabeleceu a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural pessoa física. Lei 8.212/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei No10.256, de 2001) Nesse mesmo sentido, em decisão monocrática proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa, no julgamento do RE 585.684, o STF deu validade a tal exigência com base na Lei 10.256/2001, no seguintes termos: DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário (art. 102, III, a da Constituição) interposto de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou constitucional a Contribuição Social destinada ao Custeio da Seguridade Social cobrada com base na produção rural e devida por empregadores Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 6 9 que fossem pessoas físicas (art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992 “Funrural”). Em síntese, sustentase violação dos arts. 150, I e II, 154, I, 195, I e 198, § 8º da Constituição. No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. O pedido subsidiário para condenação à restituição do indébito tributário, com as especificidades pretendidas (compensação, correção monetária, juros etc) não pode ser conhecido neste momento processual, por falta de prequestionamento (pedido prejudicado devido à rejeição do pedido principal). Devolvamse os autos ao Tribunal de origem, para que possa examinar o pedido subsidiário relativo à restituição do indébito tributário, bem como eventual redistribuição dos ônus de sucumbência. Publiquese. Int.. Brasília, 10 de fevereiro de 2011. Ministro JOAQUIM BARBOSA (RE 585684, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado em DJe038 DIVULG 24/02/2011) Posteriormente, essa decisão foi agravada, com o Ministro Luís Roberto Barroso proferindo a seguinte decisão: o agravante sustenta que a Lei nº 10.256/2001 é “uma norma desfalcada de critérios básicos que possam legitimar a cobrança da contribuição rural”, motivo pelo qual o recolhimento do tributo em questão permanece ilegítimo. Nesse passo, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 718.874/RS, julgado sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceu a existência de repercussão geral da matéria em exame, conforme a seguinte a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida.” Na oportunidade, o Ministro Relator consignou que: “A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas as disposições do art. 543B, do CPC." Diante desse quadro fático e jurídico, concluise que não há decisão do STF que defina sobre a inconstitucionalidade da exigência após a Lei 10.256/2001. Percebemos também que existem julgamentos no Poder Judiciário que afirmam a aplicação da Lei 10.256/2001, após a Emenda Constitucional no 20/1998. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) ......................................................................................................... PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE EMPREGADORES. PESSOA FÍSICA. EC Nº 20/98. LEI Nº 10.256/01. CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557. POSSIBILIDADE. 1. A regra do artigo 557 do Código de Processo Civil tem por objeto desobstruir as pautas dos tribunais para que sejam encaminhadas à sessão de julgamento somente as ações e os recursos que realmente reclamem a apreciação pelo órgão colegiado, primandose pelos princípios da economia e da celeridade processual. 2. A decisão agravada se amparou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, RE 363.852, não subsistindo os fundamentos aventados nas razões recursais. 3. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede de recurso extraordinário, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 7 11 produção rural de empregadores, pessoas naturais, porquanto a receita bruta não era prevista como base de cálculo da exação na antiga redação do art. 195 da CF. 4. Após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o vocábulo receita à alínea b, do inc. I , do art. 195 da CF, foi editada a Lei nº 10.256/01, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº8.212/91 e substituiu as contribuições devidas pelo empregador rural pessoa natural incidentes sobre a folha de salários e pelo segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, afastando, assim, tanto a bitributação, quanto a necessidade de lei complementar para a instituição da contribuição, que passou a ter fundamento constitucional. Precedentes. 5. Preliminar rejeitada e, no mérito, agravo legal não provido. (AMS 00094598220104036102 AMS APELAÇÃO CÍVEL 330998 Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL VESNA KOLMAR Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012, v.u.). ......................................................................................................... AGRAVO LEGAL ARTIGO 557, §1º, DO CPC CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA "FUNRURAL" RESTITUIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DE ACORDO COM O STF DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO CONHECIDA COMO FUNRURAL (RE Nº 363.852, EM 03/02/2010), MAS RESTRITA AO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 10.256/2001 QUE SURGIU APÓS A EC N° 20/98 RECURSO IMPROVIDO. 1. Cuidase de ação ordinária ajuizada em 30 de agosto de 2010, na qual o autor busca a restituição dos valores pagos a título de "FUNRURAL" nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação. 2. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o entendimento de que a vetusta tese do "cinco mais cinco" anos deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (REsp 1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, em repercussão geral, afastou parcialmente esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir de 9.6.2005. Assim, encontramse prescritos os créditos anteriores a cinco anos do ajuizamento da ação. 3. No julgamento do RE nº 363.852 o Plenário do Supremo Tribunal Federal afirmou haver vício de constitucionalidade na instituição da referida contribuição ("FUNRURAL"), por entender que a comercialização da produção é realidade econômica diversa do faturamento e este não se confunde com receita, de modo que a nova fonte deveria estar estabelecida em Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 lei complementar. Portanto, não era devida a exação conforme a fórmula legal apreciada pela Suprema Corte. Posicionamento foi confirmado no Recurso Extraordinário nº 596.177, julgado nos moldes do artigo 543B do Código de Processo Civil, em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal realizada em 1º de agosto de 2011. 4. Sucede que a promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98 veio alterar a situação, uma vez que o artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, com nova redação, passou a prever a "receita", ao lado do faturamento, como base de cálculo para contribuições destinadas ao custeio da previdência social. Considerando que atualmente a contribuição previdenciária objeto da controvérsia encontrase prevista pela Lei nº 10.256/2001 (posterior à Emenda Constitucional nº 20/98) que deu nova redação ao "caput" do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, substituindo aquela contribuição prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, não há falarse em vício de constitucionalidade nas exigências desde então. 5. No caso concreto a discussão cingese apenas às contribuições previdenciárias devidas a partir de agosto de 2005, devendo ser mantida a improcedência do pedido. 6. Agravo legal a que se nega provimento. (AC 00086942920104036000 AC APELAÇÃO CÍVEL 1601907 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:18/06/2012) ......................................................................................................... CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. FUNRURAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25 DA LEI N. 8.212/91, COM A REDAÇÃO DECORRENTE DA LEI N. 10.256/01. EXIGIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO OU COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (CPC, ART. 543B). APLICABILIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/05, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, acrescentado pela Lei n. 11.418/06. Entendimento que já havia sido consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp n. 1002932, Rel. Min. Luiz Fux, j. 25.11.09 ). No entanto, de forma distinta do Superior Tribunal de Justiça, concluiu a Corte Suprema que houve violação ao princípio da segurança jurídica a previsão de aplicação retroativa do prazo prescricional de 5 (cinco) anos, o qual deve ser observado após o transcurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, somente para as demandas propostas a partir de 9 de junho de 2005 (STF, RE n. 566621, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 04.08.11). 2. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.529/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 8 13 20/98, que incluiu "receita" ao lado de "faturamento", venha instituir a exação (STF, RE n. 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 03.02.10). No referido julgamento, não foi analisada a constitucionalidade da contribuição à luz da superveniência da Lei n. 10.256/01, que modificou o caput do art. 25 da Lei n. 8.212/91 para fazer constar que a contribuição do empregador rural pessoa física se dará em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da mesma lei. A esse respeito, precedentes deste Tribunal sugerem a exigibilidade da contribuição a partir da Lei n. 10.256/01, na medida em que editada posteriormente à Emenda Constitucional n. 20/98 (TRF da 3ª Região, Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0140846, Rel. Des. Fed. Henrique Herkenhoff, j. 19.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0008920, Rel. Des. Fed. André Nekatschalow, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0162106, Rel. Juiz Fed. Conv. Hélio Nogueira, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0100010, Rel. Juiz Fed. Conv. Roberto Lemos, j. 03.08.10). 3. A parte autora pleiteia a restituição da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/91, com redação da Lei n. 8.540/92 e alterações posteriores. A presente demanda foi proposta em 27.04.10 (fl. 2), logo, incide o prazo prescricional quinquenal, conforme o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, ocorreu a prescrição em relação aos recolhimentos efetuados antes de 27.04.05, devendo ser reformada a sentença na parte que condenou a União a restituir os recolhimentos efetivados no período de 27.04.00 a 08.10.01. 4. Quanto ao período não prescrito, a sentença recorrida encontrase em consonância com a jurisprudência dominante deste Tribunal no sentido da exigibilidade da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização rural dos empregadores rurais pessoas físicas após o advento da Lei n. 10.256/01. 5. Reexame necessário e apelação da União providos e apelação da parte autora não provido. (AC 00041351420104036102 AC APELAÇÃO CÍVEL 1684876 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRÉ NEKATSCHALOW Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador QUINTA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:12/01/2012, v.u.) Mesmo após a decisão do STF no RE 363.852 que declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/1992, que deu nova redação ao art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, permanece a vigência da Lei 10.256/2001. Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Com isso, percebese que, com a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, após a EC 20/1998, passam a ser exigíveis, sem vício de constitucionalidade e sem decisão do STF que lhes abarque nesse sentido, as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Esse entendimento decorre do fato de que há possibilidade de o STF modificar o entendimento firmado da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural de pessoa física, após o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que acrescentou o § 13 no art. 195 da CF/1988, para admitir a hipótese de substituição da contribuição incidente na forma de rendimentos em folha de salários pela incidente sobre a receita ou o faturamento, que é o caso dos autos nos termos da Lei 10.256/2001. Ademias, os entendimentos do STF, inclusive a decisão manifestada no RE 363.852, contêm implicitamente a cláusula “rebus sic stantibus”, de modo que as alterações posteriores que alterem a realidade normativa, no caso em tela a Emenda Constitucional 20/1998, podem tornar constitucional a contribuição previdenciária prevista na Lei 10.256/2001. Esse entendimento foi extraído da Rcl 4374/PE, em 18/04/2013. Em outras palavras, os efeitos da inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/1992, manifestado pelo STF no RE 363.852, não vinculam o Fisco no lançamento fiscal de contribuição previdenciária prevista na Lei 10.256/2001, e, também, não vinculam o próprio STF. Assim, se o STF decidiu, em sede de RE 363.852, que determinada lei é inconstitucional, a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que a Lei 10.256/2001 é constitucional por conta de mudanças ou alterações no texto constitucional (Emenda Constitucional 20/1998). Registrase que a responsabilidade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa pelo recolhimento da contribuição previdenciária, oriunda da comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física, não está definida somente no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991, já que essa responsabilidade também está prevista no inciso III desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou Fl. 527DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721064/201451 Acórdão n.º 2402005.115 S2C4T2 Fl. 9 15 com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Dentro da análise da aplicação da Lei 10.256/2001, após a Emenda Constitucional 20/1998, vejamos a decisão no agravo de instrumento nº 0030176 49.2014.4.03.0000/MS, processo 2014.03.00.0301768/MS, Relator Desembargador Federal Cotrim Guimarães, TRF3, que brilhantemente analisou a questão: “Portanto, a jurisprudência dominante desta E. Corte Regional entende que, com a promulgação da EC nº 20/98 e a edição da Lei nº 10.256/01, não se pode mais alegar vício formal pela ausência de lei complementar, afastandose a necessidade de aplicação do disposto no parágrafo 4º do artigo 195 para a exação em exame. Pelas mesmas razões, não se pode mais pensar em bitributação ou ônus desproporcional em relação ao segurado especial e ao empregador urbano pessoa física, sendo certo que atualmente a única contribuição social devida pelo empregador rural pessoa física é aquela incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção. Também restou sedimentado que não há vício na utilização das alíquotas e da base de cálculo previstas nos incisos I e II do caput do artigo 25 da Lei8.212/91, com redação trazida pela Lei9.528/97, tratandose de questão de técnica legislativa, estando os respectivos incisos abrangidos pelo espírito legislativo que motivou a edição da Lei10.256/01. O mesmo raciocínio serve para se concluir pela plena vigência do regramento disposto no inciso IV do artigo 30 da Lei8.212/91. ... No tocante aos incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, o entendimento majoritário da turma é no sentido de que a decisão do Supremo Tribunal Federal ocorreu em sede de controle difuso de constitucionalidade e em relação à redação do caput do artigo 25 dada pela Lei nº 9.528/97. Com a superveniência da Lei nº 10.256/01, que entrou em vigor antes da declaração da inconstitucionalidade, não havia necessidade de alteração dos incisos, uma vez que aquele dispositivo legal alterou o caput do artigo 25 para adequálo à Emenda Constitucional nº 20. Ademais, em se tratando de controle difuso, o Senado Federal (artigo 52, inciso X, da Constituição Federal de 1988) não será obrigado a suspender a execução dos incisos, sobretudo pela compatibilidade da nova redação do caput do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com o texto constitucional alterado pela EC nº 20, sendo desnecessária a edição de lei complementar. Dessa forma, entendemse plenamente aplicáveis os dispositivos da Lei 10.256/2001, que o caso dos autos. No que tange à alegação de que o dispositivo legal que determinava a obrigação do adquirente de reter e recolher o tributo, na forma do art. 30, inciso IV, da Fl. 528DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 Lei 8.212/1991, foi declarado expressamente inconstitucional pelo STF, tanto no RE 363.852/MG como no RE 596.177/RS, pois inexiste até o momento lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação, entendo que tais questões dizem respeito à inconstitucionalidade do tributo, e o afastamento da aplicação da Legislação, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse passo, a inconstitucionalidade da contribuição ao SENAR, postulada na peça recursal, não deve ser objeto de enfrentamento por esse colegiado (Súmula CARF n.° 2). Conforme delineamento registrado no item acima, o STF já se manifestou pela inconstitucionalidade das contribuições que tenham como fato gerador a receita bruta da comercialização da produção rural realizada por pessoa física (RE 363.852), sendo que essa decisão não abrangeu os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001. Dessa forma, após a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, que é o caso dos autos, não há declaração de inconstitucionalidade pelo STF acerca da contribuição social destinada ao SENAR, mantendose os valores lançados. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16327.000989/2005-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRPJ e REFLEXOS - USUFRUTO ONEROSO DE COTAS/AÇÕES - TRIBUTAÇÃO DOS VALORES - REGIME DE COMPETÊNCIA.
A PGFN alega que o acórdão recorrido anulou integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência. Constatado que o fato suscitado pela PGFN, que teria gerado a alegada contrariedade à lei, simplesmente não ocorreu, cabe negar provimento ao recurso especial.
Numero da decisão: 9101-002.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAÚ SEGUROS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ e REFLEXOS USUFRUTO ONEROSO DE COTAS/AÇÕES TRIBUTAÇÃO DOS VALORES REGIME DE COMPETÊNCIA. A PGFN alega que o acórdão recorrido anulou integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência. Constatado que o fato suscitado pela PGFN, que teria gerado a alegada contrariedade à lei, simplesmente não ocorreu, cabe negar provimento ao recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 89 /2 00 5- 21 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/200521 Acórdão n.º 9101002.299 CSRFT1 Fl. 3 2 TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 16/12/2008 (efls. 455/464), fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n.° 147, de 25/06/07, que busca reverter "decisão não unânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova". A matéria suscitada no recurso diz respeito à tributação de receitas auferidas a título de cessão onerosa de usufruto de cotas e ações de propriedade da recorrente para terceiros. A PGFN insurgiuse contra o Acórdão nº 10196.740, de 28/05/2008, por meio do qual a antiga 1a Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de "excluir da tributação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações relativos ao ano calendário de 2001, considerando para tanto a aplicação do regime de competência no sistema prorata, até o limite do lançamento, [...]". O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: IRPJ e REFLEXOS USUFRUTO ONEROSO DE COTAS/AÇÕES TRIBUTAÇÃO DOS VALORES REGIME DE COMPETÊNCIA O produto da cessão do usufruto de cotas/ações não se confunde com o rendimento produzido por essa uma vez que derivam de relações jurídicas diversas sujeita a tributação integral do valor recebido, porém, a apropriação deve ser realizada em conformidade com o regime de competência, obedecendo o prazo determinado no contrato. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: a partir da vigência da Lei 6.404/76, o reconhecimento das mutações patrimoniais, verificadas em contas de resultados, afastouse do regime de caixa e passou a ser evidenciado em face do regime de competência, conforme previsto no artigo 187, parágrafo 1º da citada norma legal; a Lei 6.404/76, na seção relativa à Demonstração do Resultado do Exercício, ao se referir à determinação do resultado do exercício, deixa claro que serão computados "as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda". Embora não realizado em moeda, o ganho, desde que efetiva e potencialmente realizável, pode e deve ser escriturado; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/200521 Acórdão n.º 9101002.299 CSRFT1 Fl. 4 3 o acórdão recorrido, embora tenha adotado o mesmo entendimento defendido no presente recurso, no sentido de se aplicar o regime de competência no reconhecimento das receitas operacionais oriundas de cessão de usufruto de ações, anulou integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência; o acórdão recorrido, embora tenha sido proferido no mesmo sentido do entendimento ora defendido (regime de competência), deixou de aplicar o disposto no art. 187, §1°, da Lei 6.404/76, na medida em que não preservou o lançamento na parte que contempla as receitas reconhecidas segundo o regime de competência, como havia entendido a eg. Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10195.960 (anexo); a eg. Primeira Câmara do 1º CC, ao invés de anular o auto de infração por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, preferiu excluir da tributação a parcela da receita referente ao período não abrangido pelo regime de competência, mantendo o lançamento quanto à parcela da receita apropriada segundo tal regime; portanto, sendo o lançamento fiscal relativo ao anocalendário de 2001, o valor das receitas a serem apropriadas de acordo com o regime de competência deve ser aquele correspondente, proporcionalmente, aos dias decorridos entre a data do contrato e o último dia do anocalendário objeto do lançamento; logo, merece ser reformado o acórdão ora recorrido, a fim de que seja mantido o lançamento fiscal quanto às receitas operacionais oriundas dos contratos de usufruto firmados pela recorrida no anocalendário de 2001, em parte corretamente apropriadas segundo o regime de competência, proporcionalmente, aos dias decorridos entre as datas da celebração dos contratos (21/11/2001) e o último dia do anocalendário objeto do lançamento (2001). Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN (efls. 466), o Presidente da antiga 1a Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho nº 437, de 19/12/2008, admitiu o recurso especial fazendo as seguintes considerações: [...] Tendo sido tempestiva a apresentação do recurso, e observada a condição estabelecida no parágrafo 1º do art. 7º do referido Regimento Interno, qual seja, a demonstração da contrariedade à lei ou à evidência da prova, visto que a recorrente, em tese, fundamentou, à saciedade, a alegada contrariedade à lei no que tange à exclusão do lançamento por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem ressaltar a parte do lançamento relativa às receitas reconhecidas com observância do regime de competência, DOU SEGUIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Em 26/11/2009, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 10/12/2009 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões de efls. 505/508, com os argumentos descritos a seguir: Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/200521 Acórdão n.º 9101002.299 CSRFT1 Fl. 5 4 DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL a Fazenda Nacional apresentou recurso especial aduzindo equivocadamente que o Conselho de Contribuintes teria dado provimento ao recurso para cancelar integralmente o lançamento; entretanto, conforme se observa do acórdão recorrido, o Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para excluir da tributação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações, relativos ao anocalendário de 2001, considerando para tanto a aplicação do regime de competência no sistema prórata, até o limite do lançamento. Relativamente à parcela mantida do lançamento, a contribuinte apresentou recurso especial, visando a reforma do acórdão; a Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou recurso especial, aduzindo matéria estranha ao conteúdo do acórdão, ou seja, argumenta equivocadamente que embora o acórdão recorrido tenha reconhecido o regime de competência das receitas operacionais oriundas de cessão de usufruto de ações, anulou integralmente o lançamento por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência; como visto, o lançamento não foi anulado pela E. 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que apenas excluiu da tributação a parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações relativas ao anocalendário de 2001, considerandose a aplicação do regime de competência no sistema prórata; o pedido aduzido pela Fazenda Nacional em seu recurso especial corresponde exatamente ao quanto fora reconhecido pelo acórdão recorrido, ou seja, pleiteia a reforma do acórdão a fim de que seja mantido o lançamento fiscal quanto às receitas operacionais oriundas dos contratos de usufruto firmados pela recorrida no anocalendário de 2001, em parte corretamente apropriadas segundo o regime de competência, proporcionalmente, aos dias decorridos entre as datas da celebração dos contratos e o último dia do anocalendário objeto do lançamento. DO PEDIDO pelo exposto, não merece seguimento o Recurso Especial, por evidente ausência de objeto, devendo prevalecer o acórdão recorrido, na parte em que julgou procedente o recurso voluntário interposto pela contribuinte, em todos os seus termos. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/200521 Acórdão n.º 9101002.299 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso especial da PGFN, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme restou consignado no referido Despacho nº 437, de 19/12/2008, proferido pelo Presidente da antiga 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, o recurso especial da PGFN, "em tese, fundamentou, à saciedade, a alegada contrariedade à lei". A verificação se essa alegada contrariedade à lei efetivamente ocorreu ou não, é questão afeta ao julgamento do mérito do recurso, e não de sua admissibilidade. Vale registrar que a contribuinte também apresentou recurso especial, no caso, recurso especial de divergência, mas este não foi admitido, conforme o Despacho nº 11000000.0752010, de 18/02/2010, também exarado pelo Presidente da antiga 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (efls. 521/523), e o Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial datado de 10/03/2010, exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 524/525). Como já mencionado, a matéria suscitada no recurso especial sob exame diz respeito à tributação de receitas auferidas a título de cessão onerosa de usufruto de cotas e ações (investimentos) de propriedade da recorrente para terceiros. Essas receitas geraram lançamento a título IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) no anocalendário de 2001, ano em que a recorrente firmou com terceiro o contrato de cessão onerosa do usufruto dos investimentos que ela detinha em outra empresa. Os valores auferidos tinham sido tratados pela contribuinte como ajuste no investimento, sem transitar por conta de resultado, o que motivou a autuação fiscal. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de "excluir da tributação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações relativos ao anocalendário de 2001, considerando para tanto a aplicação do regime de competência no sistema prorata, até o limite do lançamento, na forma do demonstrativo contido no voto condutor, [...]". Em seu recurso especial, a PGFN alega que o acórdão recorrido anulou integralmente o lançamento, por erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, sem, no entanto, resguardar a exigência relativa às receitas proporcionalmente reconhecidas segundo o regime de competência. Não foi isso o que aconteceu no caso destes autos. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000989/200521 Acórdão n.º 9101002.299 CSRFT1 Fl. 7 6 Tanto o voto que orientou o acórdão recorrido, quanto a própria ementa e também a sua parte dispositiva não deixam nenhuma dúvida de que o comando foi no sentido de manter parte do lançamento, considerando para tanto a aplicação do regime de competência no sistema prorata. A Minuta de Cálculo juntada aos autos pela Delegacia de origem, na fase de preparação para a execução do acórdão do CARF (efls. 468/471), vai nesse mesmo sentido. Empregando o regime de competência, a Delegacia de origem fez o rateio das receitas entre o mês de novembro/2001 e o mês de outubro/2002 (período de abrangência do contrato de cessão onerosa do usufruto dos investimentos), e manteve a exigência dos tributos incidentes sobre os valores correspondentes ao anocalendário de 2001. O que se constata é que o fato suscitado pela PGFN, que teria gerado a alegada contrariedade à lei, simplesmente não ocorreu. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 658DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10865.003929/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR PROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado procedente, tendo em vista a ausência dos requisitos necessários ao reconhecimento da isenção, em se tratando das mesmas alegações de recurso, é imperiosa a manutenção da infração pela ausência de informação em GFIP dos fatos geradores respectivos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo- Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR PROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado procedente, tendo em vista a ausência dos requisitos necessários ao reconhecimento da isenção, em se tratando das mesmas alegações de recurso, é imperiosa a manutenção da infração pela ausência de informação em GFIP dos fatos geradores respectivos. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 29 /2 01 0- 54 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003929/201054 Acórdão n.º 2402005.043 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTA CASA DE MISERICÓRDIA HOSPITAL SÃO VICENTE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.283.7344, lavrado para a cobrança multa por ter a recorrente apresentado GFIP`s com informação incorreta no campo FPAS (informou o FPAS 639 – código de entidade isenta, quando o correto era o FPAS 515), o que reduziu o valor das contribuições devidas sobre as remunerações pagas aos segurados, constituindo assim infração ao artigo 32 inciso IV da Lei n° 8.212/91. O relatório fiscal esclarece que através da Resolução n. 41 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 15 de março de 2007, com publicação no Diário Oficial da União DOU de 22/03/2007 foi indeferido o pedido de Renovação do CEAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e posteriormente através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 001 de 08/10/2008 emitida pela DRF de Limeira, o contribuinte teve cancelada a isenção das contribuições de que tratam os artigos, 22 e 23 da Lei ns 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tais motivos a fiscalização verificou que a recorrente está sem o certificado de entidade beneficente desde 01/01/2001 até presente data, e, mesmo tendo conhecimento do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais, continuou a informar nas GFIP´s o FPAS 639 como sendo entidade com isenção. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 08/2009, tendo sido a contribuinte cientificada em 16/12/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 124/126), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a expedição do Ato Cancelatório está intimamente ligada constituição do crédito tributário por meio do presente Auto de Infração, motivo pelo qual, nesta oportunidade, deve ser apreciada a motivação daquele ato; 2. que o motivo que embasou o Ato Cancelatório não mais subsiste, sendo necessário o cancelamento do presente Auto de Infração; 3. A necessidade de adoção do princípio da instrumentalidade das formas, de sorte que nesta oportunidade devam ser apreciados os fundamentos objeto do Ato Cancelatório, motivo pelo qual também não poderia o julgador de primeira instância declararse como incompetente na análise do pleito formulado em sede de impugnação; 4. que não houve descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, uma vez que a recorrente protocolou em 2000 o pedido de renovação de seu certificado; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 5. que mesmo indeferido o pedido foi apresentado pedido de reconsideração ao CNAS o qual possui efeito suspensivo, devendo ser considerado válido o CEAS que possuía até o julgamento de seu pedido de reconsideração; 6. que foi cientificada do Ato Cancelatório da isenção somente em 08/10/2008, cujo motivo determinante foi a inexistência do CEAS; 7. que a emissão do Ato Cancelatório não observou o fato de que ainda existia pedido de reconsideração pendente de análise pelo CNAS; 8. que nos termos do art. 39 da MP 446/08 o pedido de renovação do CEAS, ainda não definitivamente julgado fora automaticamente deferido; 9. que se o ato cancelatório n. 001/2008 foi expedido unicamente em razão da suposta ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003, comprovado pela documentação juntada aos autos, cessou a causa determinante para a continuidade dos efeitos do Ato Cancelatório; 10. que mesmo no período que sucede 01/01/2001 a 31/12/2003, não haveria a necessidade da recorrente em demonstrar ter obtido a renovação de seu certificado; 11. mesmo assim, protocolizou em 10/12/2008, no Ministério da Saúde, quando ainda vigorava a MP 446/08, pedido de renovação de seu certificado, com o registro sob o n. 25000.215707/2008, devendo comprovar o cumprimento dos requisitos legais para os três anos anteriores ao pedido (2005, 2006. 2007), pedido este que ainda não veio a ser analisado; 12. que em não tendo sido analisado o pedido, diante da natureza do reconhecimento da isenção possuir efeitos ex tunc, certamente haverá de ser reconhecida sua isenção para referido período; 13. finaliza argumentando não ter infringido a Lei, quando declarou o FPAS 639; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003929/201054 Acórdão n.º 2402005.043 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu da prévia emissão do Ato Cancelatório n. 001/2008 , como depreendese do Relatório Fiscal (fl.05/17). Restou consignado na informação fiscal que acompanha o Ato (fls. 176), que a entidade autuada não era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 já que o pedido para renovação do CEAS do período de 01/01/1998 a 31/12/2000 havia sido indeferido por decisão do Conselho Nacional de Assistência Social nos autos do processo 44006.005370/200087. Em decorrência, a entidade autuada teve cancelada, a partir de 01/01/2001, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, por descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91. Sustenta que em face de referido indeferimento, apresentou pedido de reconsideração da decisão, o qual veio a ser deferido pelo CNAS, por força do artigo 39 da Medida Provisória MP 446/2008, de modo que o fundamento do Ato Cancelatório n. 001/2008 não mais subsistia, pois passou a ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com validade para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. Os autos foram baixados para atendimento das seguintes diligências: qual o andamento e situação do processo administrativo n. 44006.005370/200087, informando em que fase o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 001/2008, se é que já houve refeido julgamento, fazendo juntar aos autos o respectivo acõrdão; se o ato cancelatório n. 001/2008 veio a ser reformado, seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08; Assim, verifico à fl. 268, o atendimento das informações solicitadas por este Conselho, como mostro a seguir: "(i) qual o andamento e situação do processo administrativo nº 44006.00537/200087, informando em que face o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório 001/2000, se é que já houve referido julgamento, fazendo juntar aos auto o respectivo acordão; R: O processo administrativo 44006.0053/200087 pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS teve seu Deferimento em grau de reconsideração em conformidade com o artigo 39 da Medida Provisoria nº 446, de 07/11/2008, publicada em 10/11/2008, com período de validade da renovação de 01/01/2001 a 31/12/2003. (ii) se o ato Cancelatório nº 001/2008 veio a se reformado seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08; R: O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – protocolo auxiliar ARF SÃO JOSE DO RIO PARDO nº 1534, de 24/10/2008, interposto pelo contribuinte em face do cancelamento do reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias já foi apreciado pela autoridade competente e tendo como resultando o INDEFERIMENTO do pedido, e a manutenção do ATO DECLATORIO nº 001/2008. Juntado aos autos os seguinte documentos a) Certificado CEBAS ás fls. 234 as 237: b) Certificado Renovação ás fls. 238; c) Cons. Req. Renovação ás fls. 239 as 249; d) Ato Cancelatório ás fls. 250 as 257: e) Pedido de Reconsideração ás fls. 258 as 267." Logo, resta inconteste a ocorrência da infração descrita no Presente Auto de Infração, tendo em vista a ausência de declaração dos valores de contribuição em GFIP, de modo que em não tendo sido trazidas aos autos outras alegações além daquelas já analisadas, deve ser mantida a multa aplicada. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003929/201054 Acórdão n.º 2402005.043 S2C4T2 Fl. 249 7 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 19839.004289/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/01/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISCRIMINAÇÃO DA VERBAS INCIDENTES.
Incide contribuição previdenciária sobre verbas remuneratória constantes da folha de pagamento de segurados empregados no termos do artigo 28 da Lei de Custeio. Não há cerceamento de defesa, por falta de discriminação de incidência, no lançamento efetuado com base na tabela de incidência fornecida pelo sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DO SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. RISCO DA ATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
A Lei de Custeio expressamente determina a contribuição a cargo da empresa, e equiparados, destinada ao custeio do Seguro Acidente do Trabalho. O risco da atividade decorre da atividade econômica praticada pelo sujeito passivo em cada estabelecimento.
Numero da decisão: 2201-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah- Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/01/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISCRIMINAÇÃO DA VERBAS INCIDENTES. Incide contribuição previdenciária sobre verbas remuneratória constantes da folha de pagamento de segurados empregados no termos do artigo 28 da Lei de Custeio. Não há cerceamento de defesa, por falta de discriminação de incidência, no lançamento efetuado com base na tabela de incidência fornecida pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DO SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. RISCO DA ATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A Lei de Custeio expressamente determina a contribuição a cargo da empresa, e equiparados, destinada ao custeio do Seguro Acidente do Trabalho. O risco da atividade decorre da atividade econômica praticada pelo sujeito passivo em cada estabelecimento.
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DISCRIMINAÇÃO DA VERBAS INCIDENTES. Incide contribuição previdenciária sobre verbas remuneratória constantes da folha de pagamento de segurados empregados no termos do artigo 28 da Lei de Custeio. Não há cerceamento de defesa, por falta de discriminação de incidência, no lançamento efetuado com base na tabela de incidência fornecida pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DO SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. RISCO DA ATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A Lei de Custeio expressamente determina a contribuição a cargo da empresa, e equiparados, destinada ao custeio do Seguro Acidente do Trabalho. O risco da atividade decorre da atividade econômica praticada pelo sujeito passivo em cada estabelecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 42 89 /2 01 0- 91 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Tratase de crédito previdenciário referente a contribuições sociais da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus empregados, e não recolhidas na época própria à Seguridade Social. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 09246287 anexado às folhas 14 do processo digitalizado (efls), do qual o contribuinte teve ciência pessoal em 28 de junho de 2005. Tal procedimento fiscalizatório culminou na constituição de crédito tributário no valor originário de R$ 144.698,16 constante da NFLD 358083320 referente ao período de 12/2004 a 01/2005. A mencionada NFLD, que aqui se discute, foi lançada em caráter complementar como explicado no Relatório Fiscal anexado às efolhas 18, cujo trecho transcrevemos: "Este relatório é parte integrante da NFLD ng 35.808.3320 e complementa a NFLD debcad. nã 35.808.3257 de 18/04/2005. Esta complementação se faz necessária porque o Relatório Fiscal inicial menciona algumas competências que não foram incluídas no Discriminativo Analítico de Débito. Explicação detalhada encontrase no item 4 deste Relatório." A explicação do crédito tributário constituído consta dos ítens 2 a 5 do mencionado relatório fiscal: "Tratase de crédito da Seguridade Social referente a contribuições sociais da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus empregados, e não recolhidas na época própria à Seguridade Social. Para melhor compreensão dos valores apurados desta notificação fiscal, o papel de trabalho foi denominado: “FPG” Periodo de 12/2004 e01/2005 Contribuição social da empresa destinada à Seguridade Social, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos seus empregados e não recolhida na época_própria, declaradas em GFIP; “FP4" Período de 13/2004 Contribuição social da empresa destinada à Seguridade Social, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos seus empregados e não recolhida na época própria, não declaradas em ÇEFIP ; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/201091 Acórdão n.º 2201003.143 S2C2T1 Fl. 158 3 Em relação ao papel de trabalho “FPG” o` Relatório Fiscal de 18/04/2005 informa como período do crédito as competências 01/1999 a 03/1999, 12/1999, 13/1999, 12/2000, 13/2000, 11/2001 a 13/2001, 07/2002, 10/2002 a 01/2005, no entanto, ao confrontálas com o Discrirninativo Analítico de' Débito observamos que o débito foi apurado somente até a competência 11/2004. Por este motivo`foi lavrada esta NFLD complementar incluindo as competências 12/2004 e 01/2005. Em relação ao papel detrabalho “FP4" o Relatório Fiscal de 18/04/2005 informa como período do crédito as competências 13/2001, 13/2002, 13/2003, 13/2004, no entanto, ao confrontá las com o Discriminativo Analítico de Débito observamos que este não discrimina a competência 13/2004. Por este motivo foi lavrada esta NFLD complementar incluindo esta competência. O crédito apurado destinase: A Seguridade Social, correspondente a: a) contribuição da empresa; b) financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997). Aos Terceiros: SAL. EDUC (2,5%), INCRA (0,2%), SESC (1 ,5%) e SEBRAE (0,3%)." (negritos nossos) Consta explicitamente do Relatório Fiscal (item 6, fls 18 e 19), que os créditos tributários foram apurados nas folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte. O contribuinte teve ciência pessoal do lançamento tributário em 12 de julho de 2005, conforme se verifica no TEAF de efolhas 16. Inconformado, apresentou tempestivamente, em 28 de julho de 2005, impugnação (efls .35). O Serviço do Contencioso da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Sul, analisando os argumento do contribuinte emitiu Decisão Notificação (fls 43), pela qual manteve na íntegra o lançamento tributário. Os aspectos essenciais da decisão estão abaixo transcritos: "Do Relatório Fiscal (...) O valor originário do crédito apurado corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, abatida deste montante, a parcela correspondente às deduções do Salário Família. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 4. Os fatos geradores e as valores descriminados nos demonstrativos que se encontram no Anexo l, parte integrante do Relatório Fiscal. 5. A empresa não apresentou ações judiciais questionando as contribuições previdenciárias ou para terceiros. 6. Serviram de base para a apuração do crédito os seguintes documentos: Folhas de Pagamento da remuneração, Falha de Pagamento de Férias, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 7. Foi formalizado o Termo de Arrolamento de Bens e Direito TAB, uma vez que foi constatada que a soma dos créditos relativos às contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, verificadas em procedimento fiscal, é superior a 30% (trinta por cento) do patrimônio da empresa, com base no do art. 37 da Lei ri° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.711, de 20/1 'I/98, e o caput do art. 64 oa Lei n° 9.532/97. (...) DA IMPUGNAÇÃO 10. O Contribuinte foi cientificado da presente NFLD aos 13/07/2005 (fls. 01) e, conforme consta do despacho de fls. 38, tempestivamente apresentou defesa, através do instrumento de fls. 32/37, juntando Procuração . 11. Em suas razões de defesa, alega em síntese que: 11.1. não pode prosperar a NFLD, enquanto a NFLD não atende o contido na legislação, ferindo princípios constitucionais e direito; 11.2. os fundamentos legais citados na NFLD não autorizam o INSS a exigir a parcela pretendida; 11.3. não ha no relatório a especificação dos valores apontados, limitandose a Fiscalização a utilizar a expressão remuneração, genericamente. Da Nulidade da NFLD 11.4. a NFLD atacada não permite o amplo direito de defesa, considerando a inexistência de discriminação da base de incidência determinada pela Auditora Fiscal quanto às rubricas inseridas na notificação. 11.5. o ato sem motivação é nulo (Ely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, pp. 174/175); e ato nulo não gera direitos: STF, RTJ85/143, porque ninguém os adquire agindo contra a lei. 11.6. não apontando a que titulo os pagamentos indicados foram procedidos, não poderá o INSS constituir o crédito, implicando o cerceamento de defesa da Autuada e, por conseguinte, na nulidade da Notificação: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/201091 Acórdão n.º 2201003.143 S2C2T1 Fl. 159 5 Da não incidência da contribuição 11.7. o levantamento de débito previdenciário não levou em consideração a denominação das parcelas pagas; 11.8. devese afastar a incidência da contribuição ao INSS, haja vista que referidas parcelas não se sujeitam à incidência do tributo aludido, pois estabelecem, pura e simplesmente, uma verba de natureza indenizatória 11.9. fere o principio constitucional da “tipicidade” a exigência das contribuições previdenciárias sobre as verbas em questão, caso não haja discriminação de sua origem e natureza, além do que afrontam os preceitos legais que conduzem à base de incidência diversa da utilizada pela Sra. Auditora Fiscal. 11.10. transcreve o art. 28 da l.ei ri° 8.212/91, que trata do “saláriodecontribuição" e, após discorrer sobre folha de salário, remuneração e parcelas incidentes de contribuição previdenciária, alega que os valores apontados na NFLD não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária e foram considerados pela Auditoria como pagamento “extra folha". 11.11. remuneração não pode ser equiparada a indenização ou simples reembolsos de despesas, pois tem origem e natureza diversa, definida pela legislação trabalhista. 11.12. as verbas que não tem natureza remuneratória (contra prestação dos serviços), alimentar, não representam salário, por conseguinte, não são remuneração e não constituem saláriode contribuição (base de incidência do lNSS). 11.13. não são considerados salariais parcelas a titulo de indenização, como férias indenizadas, reembolso de despesas, aviso prévio não trabalhado, férias pagas na rescisão, indenização por ruptura contratual, ajuda de custo, prêmios e gratificações espontâneas. Transcreve jurisprudência 11.14. É forçoso admitir, na forma dos argumentos tecidos, que os valores apontados na NFLD não se sujeitam a incidência da contribuição previdenciária. Da alíquota de Atividade Especial 11.15. o levantamento fiscal considerou existente atividade especial para cobrar 1% (um por cento) sobre os pagamentos verificados. 11.16. não há exercício de atividade que sujeita:e a risco à vida ou à saúde dos trabalhadores, afastandose a alíquota de 1% aplicada na base de incidência registrada na NFLD. 11.17. devese reduzir o valor do crédito constituído ou, ao menos, realizar diligência para o fim de estabelecer ou não, a existência do risco mencionado e a individualização dele para cada trabalhador. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 11.18. Requer nulidade ou insubsistência da NFLD." A decisão de primeiro grau afasta os argumentos constantes da impugnação, apontando a inexistência de vícios no lançamento, o que afirma o crédito como constituído. Não acatou também as alegações de não incidência da contribuição pois corroborou o entendimento fiscal de que se tratam de verbas salariais, constantes de folha de pagamento. Afastou os argumentos de nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, uma vez que todos os meios para o exercício da defesa, quanto mais no tocante a produção de provas do alegado, o que não ocorreu. Entendeu devido a contribuição destinada ao financiamento do seguro acidente do trabalho, pois as previsões legais da exação foram observadas no caso concreto. Do exposto concluiu a decisão de primeiro grau pela total procedência do lançamento. Cientificado da decisão notificação prolatada pela DRP São Paulo Sul em 16 de novembro de 2005 (AR de fls. 56), o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls 58) em 14 de dezembro de 2005, tempestivamente, portanto. Na peça recursal, manifesta sua inconformidade, repetindo os argumentos da impugnação e requer a nulidade da NFLD ou sua insubsistência. São seus argumentos: Nulidade da decisão por força da extinção da Receita Federal do Brasil em face da perda de eficácia da Medida Provisória n° 258, de 21.07.05, que integrou a Secretaria da Receita Previdenciária à Secretaria da Receita Federal; nulidade da NFLD em razão dos fundamentos legais constantes do documento de crédito não autorizarem o INSS a exigir a parcela pretendida; nulidade da NFLD em razão da ausência de especificação dos valores apontados, limitandose a Autoridade Fiscal a utilizar a expressão remuneração; não incidência da contribuição pois as verbas não são remuneratórias; inexistência de atividade que exponha o trabalhador a risco de vida ou contra sua saúde. O recurso é declarado deserto em 29 de março de 2006, por meio de despacho de folhas 66, em razão da inexistência de depósito recursal. O contribuinte interpõe medida judicial. Obtém sentença favorável que determina que a Administração Pública analise o recurso independentemente do depósito. Nesse interregno, iniciase a execução fiscal. A PGFN oficia, em 28 de maio de 2015, este Conselho pedindo prioridade no julgamento em face de necessidade de se prosseguir ou não com a execução. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/201091 Acórdão n.º 2201003.143 S2C2T1 Fl. 160 7 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Passo a apreciálo nos termos de sua apresentação. DA NULIDADE DA DECISÃO POR FORÇA DA EXTINÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Alega o Recorrente que a decisão de primeiro grau é nula em razão da perda de eficácia da MP nº 258, de 18/11/05, que unificou as Secretarias da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal. Tal argumento não merece prosperar, uma vez que os efeitos produzidos durante a vigência de medida provisória não convertida em lei, se não expressamente regulados por ato do Congresso Nacional são válidos. Tal entendimento decorre de mera leitura da Carta da República, que em seu artigo 62, preceitua: "Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (...) § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (...) § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas." (grifamos) Claríssimo o comando constitucional. Os atos praticados pela Receita Federal do Brasil, no período da vigência da MP 258/05, são válidos e plenamente eficazes, uma vez que o Congresso Nacional não editou o decreto que excepcionasse os efeitos relações jurídicas desse período, atraindo assim, a regra geral constitucionalmente esculpida no supra mencionado parágrafo 11 do artigo 62. Não cabe razão ao recorrente neste ponto. DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO Segundo consta do Voluntário, a NFLD que consubstancia o crédito tributário foi lavrada em desacordo com a legislação,pois os fundamentos legais citados na NFLD não autorizam o INSS a exigir a parcela pretendida e não há no relatório fiscal a especificação dos valores apurados, limitandose a Autoridade Notificante a utilizar a expressão remuneração. Com esse argumentos, pede o Recorrente, a nulidade da NFLD. Mais uma vez não lhe assiste razão. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 A uma, pois a alegação de que os fundamentos legais do débito não autorizam a exigência do crédito está totalmente desprovida de qualquer fundamentação. Não há indicação de qual fundamento legal não autoriza a exigência, nem por qual motivo não há essa autorização. Mera alegações desprovidas de fundamento lógicojurídico impede a fundamentação da decisão, uma vez que o julgador não consegue verificar a procedência do alegado no ordenamento jurídico. Ao reverso, ao observarmos a Notificação de Lançamento em apreço, podemos verificar o cumprimento de todos os requisitos legais aplicáveis. A duas, porque o Auditor Fiscal embasou o lançamento nas folhas de pagamento dos empregados do Recorrente, extraindo de documento produzida por ele, com finalidade específica de quantificar as verbas devidas aos seus empregados pelos serviços prestados, a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa. Não há lançamento sobre verba genérica, não especificada, ao reverso constam do Anexo I (fls 21), apenso à Notificação Fiscal, o detalhamento da base de cálculo do lançamento realizado. DA NULIDADE DA NFLD Insistindo na nulidade da NFLD, o Recorrente argumenta que houve cerceamento de defesa por conta da ausência da discriminação da base de cálculo adotada pela Autoridade Lançadora. Como visto, tal argumento não pode prosperar. Há, no Relatório Fiscal (folhas 19), a explicitação da base adotada, as parcelas remuneratórias constantes das folhas de pagamento, com tabela discriminatória de cada verba, inclusive com os códigos adotados pelo Contribuinte. Há também a menção às folhas de pagamento de férias e às rescisões do contrato de trabalho examinadas. Quanto a estas, expressamente, menciona a Autoridade Fiscal que: "Não foram incluídas para efeito de incidência da contribuição previdenciária: aviso prévio indenizado, 139 salário indenizado, férias indenizadas, proporcionais, vencidas, e o respectivo 1/3 constitucional. Foram consideradas para base de cálculo do salário de contribuição apenas as verbas salariais incidentes de contribuição previdenciária" Não se pode concordar com o Recorrente. Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa. DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO Alega, mais uma vez o Recorrente, que não houve consideração das parcelas não remuneratórias para se realizar o lançamento, que o Auditor não observou a denominação das parcelas pagas. Muito embora ao longo de praticamente três páginas o Contribuinte discorra sobre incidência da contribuição previdenciária, diferenciando parcelas remuneratórias das indenizatórias não há uma única comprovação nos autos de suas alegações. Sabese que a dialética das provas exige que o autor comprove seu direito e que o réu apresente comprovação dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito do autor. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19839.004289/201091 Acórdão n.º 2201003.143 S2C2T1 Fl. 161 9 Tal lógica processual, determinante para o deslinde do feito, foi positivada no campo do processo administrativo tributário, por meio do Decreto nº 70.235/72 que textualmente preceitua ser dever do Fisco comprovar a exigência do crédito tributário e do contribuinte comprovar os argumentos que embasam sua impugnação. Vejamos a redação do artigo 9º e 15: " Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." (negritamos) O Fisco soube se desincumbir de seu ônus. Além de esclarecer, no relatório fiscal, todos os elementos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional que regulamenta o lançamento de ofício, pode anexar cópias dos documentos que embasaram o crédito constituído. Já o Recorrente não comprovou, nem indiciariamente, as alegações constantes da impugnação e de seu recurso voluntário. Limitouse a alegar, argumentar, transcrever jurisprudência e doutrina, se abstendo de qualquer comprovação. Desse modo, não pode comprovadamente, apresentar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito de crédito do Fisco Federal. O recurso não merece prosperar nessa parte. DA ALÍQUOTA DE ATIVIDADE ESPECIAL Insurge o Recorrente contra a alíquota destinada ao custeio do seguro acidente do trabalho. Alega não haver exercício de atividade que exponha o sujeito a risco de vida ou de saúde. Requer a redução do crédito nessa parte ou diligência para determinação da existência do risco. Novamente não merece acolhida o pleito do Recorrente. A Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, determina a exação em apreço no seu artigo 22. Vejamos: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave." (negritamos) Como se pode inferir, decorre de expresso preceito legal a cobrança da contribuição destinada ao custeio do seguro acidente do trabalho (SAT). Todas as empresas, e os a elas equiparados, devem contribuir, dependendo de sua atividade econômica, com 1, 2 ou 3% sobre sua folha de pagamento para esse custeio. Assim, como bem apontado pela Autoridade Fiscal, exceto na existência de determinação judicial específica, a cobrança é devida, cabendo ao Recorrente sua participação no custeio do SAT. Desnecessária a diligência pleiteada, pois além da cobrança decorrer de expressa previsão legal, a alíquota aplicável foi a mínima, em razão da atividade desenvolvida pelo Contribuinte naquele estabelecimento. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, afastar as preliminares de nulidade argüidas e no mérito negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10972.720090/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. INSTITUIÇÃO DE TODOS OS CONTORNOS DA OBRIGAÇÃO EM LEI. REGULAMENTAÇÃO POR DECRETO.
O FAP foi instituído pela Medida Provisória no 83/2002, convertida na Lei no 10.666/2003, o Fator Acidentário de Prevenção - FAP, ou seja, muito antes de sua aplicação efetiva a partir de 2010.
Quanto ao argumento da reserva à lei, é verdade que o art. 10 da Lei n° 10.666/03 relega ao regulamento as condições para que a alíquota de contribuição do SAT seja reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento. No entanto, todos os contornos da obrigação encontram-se dispostos no referido dispositivo, que determina os percentuais mínimos e máximos, além de estabelecer como critérios de majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Portanto, o dever jurídico encontra-se plasmado na lei, sendo relegado ao Poder Executivo tão somente a instrumentalização do quanto previamente determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.
No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA.
Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu salário-de-contribuição (parágrafo único, alínea b).
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA.
O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que remunere, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
VERBAS INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAIS.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário-maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias.
ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.
Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.
Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA acompanharam o Relator pelas conclusões quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas questionadas, sendo que o Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA apresentará declaração de voto sobre a matéria. Os Conselheiros CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício e o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a questão.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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No entanto, todos os contornos da obrigação encontram-se dispostos no referido dispositivo, que determina os percentuais mínimos e máximos, além de estabelecer como critérios de majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Portanto, o dever jurídico encontra-se plasmado na lei, sendo relegado ao Poder Executivo tão somente a instrumentalização do quanto previamente determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu salário-de-contribuição (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que remunere, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAIS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário-maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Negado
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INSTITUIÇÃO DE TODOS OS CONTORNOS DA OBRIGAÇÃO EM LEI. REGULAMENTAÇÃO POR DECRETO. O FAP foi instituído pela Medida Provisória no 83/2002, convertida na Lei no 10.666/2003, o Fator Acidentário de Prevenção FAP, ou seja, muito antes de sua aplicação efetiva a partir de 2010. Quanto ao argumento da reserva à lei, é verdade que o art. 10 da Lei n° 10.666/03 relega ao regulamento as condições para que a alíquota de contribuição do SAT seja reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento. No entanto, todos os contornos da obrigação encontramse dispostos no referido dispositivo, que determina os percentuais mínimos e máximos, além de estabelecer como critérios de majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Portanto, o dever jurídico encontrase plasmado na lei, sendo relegado ao Poder Executivo tão somente a instrumentalização do quanto previamente determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 90 /2 01 2- 67 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, prolabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS “INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA. SALÁRIO MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAIS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91), nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. ADICIONAIS. DE FÉRIAS. DE HORAS EXTRAS. NOTURNO. DE INSALUBRIDADE. DE PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 383 3 O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratamse de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA acompanharam o Relator pelas conclusões quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas Fl. 385DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 questionadas, sendo que o Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA apresentará declaração de voto sobre a matéria. Os Conselheiros CARLOS ALEXANDRE TORTATO, RAYD SANTANA FERREIRA e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício e o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a questão. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator designado (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 384 5 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 330 e seguintes). Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 331 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de Autos de Infração lavrados em nome do Instituto de Patologia Clinica Dr. Jorge Furtado Ltda. para a constituição de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias e as contribuições para outras entidades e fundos, na forma discriminada abaixo: (...) De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 61 a 67, foram objeto de lançamento nos Autos de Infração nº 51.000.5039, 51.000.504 7 e 51.000.5055 as contribuições previdenciárias, glosas de dedução e as contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados da empresa e contribuintes individuais, no período de janeiro a dezembro de 2010. O Relatório Fiscal menciona que os fatos geradores relativos aos levantamentos se encontram relacionados em planilhas, fls. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 68 a 181, anexadas a este processo, totalizados por competência na forma discriminada abaixo: Anexo A Planilha geral demonstrativa de todas as remunerações dos segurados empregados, apuradas através das informações constantes nas "Folhas de pagamento (Fopag)" apresentadas pela empresa em comparação com os valores declarados em GFIP antes do início do procedimento fiscal, discriminadas por competência, fls. 68 a 151. Anexo B Planilha demonstrativa de todas as remunerações dos segurados contribuintes individuais (pro labore), apuradas através das informações constantes nas "Folhas de pagamento (Fopag)" apresentadas pela empresa, com as respectivas contribuições previdenciárias descontadas dos segurados sócios da empresa em comparação com os valores declarados em GFIP antes do início do procedimento fiscal discriminadas por competência, fls. 152 a 155. Anexo C Relação dos Empregados com as respectivas remunerações declaradas em GFIP e constantes das Folhas de Pagamento, que receberam Salário Família e/ou Maternidade no período de 01/2010 a 12/2010, pagos pela empresa, fls. 156 a 166. Anexo D Planilha demonstrativa por estabelecimento do quantitativo do Salário Família apurado e pago pela empresa conforme consta das folhas de pagamento apresentadas e o Salário Família efetivamente declarado em GFIP, fls. 167 a 169. Anexo E Quadro Demonstrativo das apurações do Salário Maternidade Devido (Apurado) e pago pela empresa conforme consta das folhas de pagamento apresentadas e Salário Maternidade Declarado em GFIP, fls. 170. Anexo F Relação de pagamentos de salário família em desacordo com legislação vigente, não atualizando as tabelas que impede pagamento de salário família quando a remuneração ultrapassa os limites legais, gerando assim pagamento indevido, fls. 171 a 181. Informa o Relatório Fiscal, que a empresa declarou em GFIP deduções referentes a quotas de salário família, cujos valores são superiores aos valores pagos pela empresa conforme consta das folhas de pagamento. Os anexos D, E e F demonstram o quantitativo dos valores de salário família pagos pela empresa, os valores devidos e aqueles declarados em GFIP. Foi verificada ocorrência de pagamentos indevidos de salário família, não observando os limites de remuneração dos segurados empregados para ter Direito ao benefício, conforme Anexo F, acima descrito. Esclarece o relatório que as contribuições lançadas foram incluídas nos seguintes levantamentos: Levantamentos EP Empregado Patronal FOPAG / ED Empregado descontado na FOPAG referese a valores correspondentes às remunerações recebidas pelos segurados Fl. 388DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 385 7 empregados da empresa, constantes das folhas de pagamento, do período de 01/2010 a 12/2010, e que não foram declarados nas GFIP entregues antes do início da ação fiscal; Levantamentos NP Empregado Patronal não FOPAG /ND Empregado descontado não CONSTANTE NA FOPAG refere se à remuneração de segurados empregados não constantes das folhas de pagamento apresentadas pela empresa, mas detectadas através de outras fontes aferidas. Levantamentos CP – Contrib. Individual Empresa FOPAG /CD Contribuinte Individual descontado na FOPAG referese a valores pagos aos contribuintes individuais (sócios da empresa) constantes das folhas de pagamento e não declarados em GFIP antes do início do procedimento fiscal. Os respectivos valores foram discriminados, por competência, às fls. 05 a 14, 20 a 25 e 31 a 36, no Discriminativo do Débito (DD). O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração por via postal em 19/04/2013, conforme aviso de recebimento – AR, às fls. 223. Em 20/05/2013, conforme carimbo da Seção de Protocolo e Expedição, apresentou impugnação, juntada às fls. 229 a 335, e anexo (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 350 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * houve a inclusão de verbas de natureza indenizatória, como os adicionais de horas extra, noturno, de periculosidade, de insalubridade, as férias, o terço constitucional de férias (adicional), o saláriomaternidade, afastamento acidente e doença, avisoprévio indenizado; * ilegalidade do FAP e impossibilidade de sua aplicação para o ano de 2010. Ademais, a alíquota é determinada por decreto. * inconstitucionalidade das contribuições para o INCRA e SEBRAE; * impossibilidade de multa superior a 30% do débito; * não incidência de juros sobre a multa; * impossibilidade de imposição da Taxa Selic como juros moratórios. É o relatório. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator FAP. Aduz a recorrente a ilegalidade do FAP e impossibilidade de sua aplicação para o ano de 2010. Ademais, a alíquota é determinada por decreto. No que tange à impossibilidade de aplicação para o ano de 2010, não assiste qualquer razão a recorrente pois o FAP foi instituído pela Medida Provisória no 83/2002, convertida na Lei no 10.666/2003, o Fator Acidentário de Prevenção – FAP, ou seja, muito antes de sua aplicação efetiva a partir de 2010. Quanto ao argumento da reserva à lei, é verdade que o art. 10 da Lei n° 10.666/03 relega ao regulamento as condições para que a alíquota de contribuição do SAT seja reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento. No entanto, todos os contornos da obrigação encontramse dispostos no referido dispositivo, que determina os percentuais mínimos e máximos, além de estabelecer como critérios de majoração ou diminuição o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Portanto, o dever jurídico encontrase plasmado na lei, sendo relegado ao Poder Executivo tão somente a instrumentalização do quanto previamente determinado em lei, de sorte que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF). Assim, não merece prosperar o inconformismo da recorrente. Verbas “Indenizatórias”. Alega a recorrente que houve a inclusão de verbas de natureza indenizatória, como os adicionais de horas extra, noturno, de periculosidade, de insalubridade, as férias, o terço constitucional de férias (adicional), o saláriomaternidade, afastamento acidente e doença, avisoprévio indenizado. Para o enfrentamento da questão relativa à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, assim como sobre o saláriomaternidade, as férias, o adicional de férias, as horas extras, os adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade, bem como sobre o avisoprévio indenizado, entre outras, como afirma a recorrente, é preciso investigar sobre os limites de incidência das contribuições previdenciárias. Vejamos. A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 386 9 Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, “o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.1 No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo”.2 Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo “folha de salários”, “demais rendimentos” e “ganhos habituais”, sendo que este último não deixa de ser “rendimento” , “a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, § 4º, da CF”. 3 E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de “remuneração” e de “saláriodecontribuição”. Entendemos que remuneração “pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”4, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em “contraprestação” (uma prestação por outra), mas sim em “retribuição”, ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão “contraprestação” ao invés de “retribuição”. Daí Alice Monteiro de Barros afirmar que: preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o 1 A importância da execução de ofício das contribuições previdenciárias no processo do trabalho. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito), USP, São Paulo, p. 54. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde05122012162954/ptbr.phpest. Acesso em 19/06/2014. 2 Idem p. 57. 3 Idem p. 68. 4 Ibidem p. 69 e seguintes. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato. (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e os limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22, I e II, da mesma lei). Assim, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no salário maternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91) e nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), bem como sobre o avisoprévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratamse de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do salário decontribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014, cuja ementa é: Art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010; PGFN/CRJ nº 492/2011; PGFN/CDA nº 2025/2011; PGFN/CRJ/CDA nº 396/2013. Portaria PGFN nº 294/2010. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Recurso Especial nº 1.230.957/RS. Recurso representativo de controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543C do CPC Fl. 392DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 387 11 Nota Explicativa para delimitação da matéria decidida e esclarecimentos acerca da aplicação do julgado. Nãoinclusão do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer. Sendo assim, entendo que o lançamento deve ser mantido quanto à suposta incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas contestadas pela recorrente. Inconstitucionalidade. Contribuição Previdenciária. INCRA. SEBRAE. Multa Confiscatória. Alega a recorrente a ilegitimidade das contribuições ao INCRA e ao SEBRAE. Ocorre que as teses levantadas baseiamse no aspecto da inconstitucionalidade das leis que dão supedâneo às referidas exações. A alegação de caráter confiscatório das multas aplicadas (impossibilidade de multa superior a 30% do débito) também centrase no aspecto da inconstitucionalidade da lei. Sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 Multa. Juros. Alega a recorrente ser indevida a incidência de juros sobre as multas. Equivocado o entendimento da recorrente, pois a previsão legal referida trata do recolhimento espontâneo, hipótese em que, por óbvio, não há incidência de multa de ofício e, conseqüentemente, não haveria porque dispor a respeito da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No entanto, apenas para que não pairem dúvidas quanto à legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vejamos o que determina a legislação a respeito: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Lei n.º 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (destaques sempre nossos) É sabido que, no Direito, as relações jurídicas obrigacionais pressupõem a existência de credores e devedores (vide nomenclatura classicamente adotada pelos nossos Códigos Civis de 1916 e 2002). Portanto, podemos afirmar que, a cada obrigação, há um correspondente um crédito e um respectivo débito. No entanto, o Código Tributário Nacional e a legislação tributária em geral atribuem um sentido particular ao crédito tributário, de sorte que ele não surgiria concomitantemente à obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN), como se imaginaria em uma relação jurídica de qualquer outro ramo do direito, mas somente com a sua devida formalização, em regra pelo lançamento tributário (artigo 142 do CTN). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 388 13 Aqui cabe fazer algumas ressalvas. O fato de o Direito Tributário definir a constituição do crédito tributário como uma etapa evolutiva na formação da exigibilidade, liquidez e certeza da obrigação tributária, não impede que reconheçamos a existência de um crédito jurídico, na acepção comum do Direito, até porque não há obrigação sem crédito e débito correspondente, como afirmado anteriormente. Tal concepção apenas representa uma posição garantista do legislador face a eventuais abusos do Estado, até porque o Estado é o único ente de nossa sociedade que pode constituir, unilateralmente, um crédito líquido, certo e, futuramente, exigível. Portanto, a estrutura normativa da obrigação tributária não é excludente do conceito vulgar de crédito (e de débito), apenas devemos estar atentos que este crédito é diferente daquele constituído na forma da legislação tributária. Pois bem. Estabelece o artigo 142 do CTN que a autoridade administrativa constitui o crédito tributário pelo lançamento e que este inclui a obrigação tributária principal e, ser for o caso, a “penalidade cabível”. Ora, a própria recorrente reconhece que a multa é penalidade. Portanto, é inequívoco que a multa de ofício faz parte do crédito tributário e, assim, incluise na referência que o artigo 161 do CTN faz à incidência de juros de mora. Quanto ao conceito de débito, referido pelo artigo 61 da Lei n. 9.430/96, podese afirmar, após a prévia incursão nos conceitos gerais do Direito, que o débito corresponderá à obrigação não paga no vencimento. Este inadimplemento, no Direito Tributário, pode ocorrer sem formalização da exigência pela autoridade administrativa (crédito jurídico na acepção geral do Direito ou mera obrigação tributária, como afirmado anteriormente); ou com a formalização da exigência, seja pela autoridade administrativa, seja por ato do contribuinte (crédito tributário constituído). Em ambos os casos, teremos o débito, sendo que na hipótese de formalização pela autoridade administrativa, o débito será integrado pelo tributo e também pela penalidade (multa de ofício), nos termos do já referido artigo 142 do CTN . Ademais, a previsão do caput do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é ampla, incluindo qualquer débito decorrente de tributos não recolhidos. Repetimos aqui o julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), mencionado na decisão a quo: Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007 JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. (...) Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 (...) Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. (...) O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. (...) Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. (...) (grifos nossos) Outra não é a conclusão que se extrai da Súmula CARF n° 4, que também faz referência à incidência ampla, de todos os “débitos tributários”: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, é bom que se ressalte que a matéria encontrase pacificada no STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 389 15 juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Demonstrada a legalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, concluise ser improcedente o inconformismo da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Importante realçar que o presente voto ousa discordar, com a devida vênia, do ilustre Conselheiro Relator somente no que tange a incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas trabalhistas. Como bem assinala o Relator em seu, como sempre, bem fundamentado voto, a incidência de contribuições previdenciárias encontra seu fundamento de constitucionalidade no artigo 195, inciso I, alínea 'a'. Ali, a Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, encontra seus limites de competência e deles, extrai que a base de cálculo das contribuições previdenciárias, no caso das relações de emprego, é: "Art. 22:(...) I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa." (destacamos) Da simples leitura do texto legal podemos inferir que as contribuições "in comento" incidem sobre a remuneração decorrente do trabalho. Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altas, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais). Porém, como cediço, nem todas as verbas pagas pelo empregador ao trabalhador decorre da prestação pessoal de serviços. Valores relativos a direitos trabalhistas, ressarcimento de despesas, benefícios previstos em contrato individual ou coletivo de trabalho e indenizações diversas também integram as parcelas pagas ao empregado. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 390 17 A própria descrição desses valores permite inferirse pela não incidência das contribuições previdenciária sobre eles, ainda mais ao se cotejar com as considerações sobre o salário de contribuição acima realizadas. Importante ressaltar que até esse ponto há expressa concordância entre o acima asseverado e a posição do eminente Relator. Simples transcrição de trecho de seu voto, comprova a afirmação: "E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de “remuneração” e de “saláriode contribuição”. Entendemos que remuneração “pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”5, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais." (negritos nossos) Explicitemos: há concordância quanto à base de cálculo das contribuições previdenciárias no caso das relações de emprego, pois ambos entendemos que o conceito de remuneração determinado constitucionalmente e delimitado pela Lei de Custeio contem não só o caráter contraprestacional da verba (pagamento pelos serviços efetivamente prestados), como também o retributivo, aquele que engloba o pagamento de verbas remuneratórias no caso de tempo à disposição, interrupção ('v. g.': descanso semanal remunerado e férias gozadas) e condições contratualmente ajustadas (por exemplo: prêmio assiduidade). Por óbvio que algumas situações de verbas remuneratórias decorrem de lei, como no caso dos adicionais salariais. Tratandose de caso de incidência tributária, forçosamente decorrente de lei, imperativo deduzir que as demais verbas percebidas pelo empregado e que não possam ser, sob a luz da doutrina trabalhista, enquadradas no limites acima deduzidos, não sofreram tributação da contribuição prevista no artigo 195, I , a da Carta Magna. Típico caso das indenizações trabalhistas. Aqui nossa discordância exsurge. O aviso prévio indenizado, como o próprio nome explicita, é verba de nítido caráter indenizatório. Não por que o nome da verba defina seu regime jurídico. Nesse caso, há nítida verba indenizatória, típica de ofensa a direito trabalhista, que determina indenização, reparação, por aquele que deu causa, ou seja, que ofendeu direito de outrem. 5 Ibidem p. 69 e seguintes. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 O trabalho é um direito, direito social, garantidor de renda e dignidade do trabalhador. Nesse sentido a determinação legal do contrato de trabalho ser, em regra, firmado a prazo indeterminado. Seu rompimento, novamente em regra, só é possível mediante indenização e mais, mediante prévio aviso. Tal comunicação prévia visa justamente garantir que o empregado não fique sem trabalho, que possa, mantendo seu vínculo, buscar outro local onde possa, mediante seu labor, prover seu sustento e de sua família. Ao obstar esse direito, não permitindo que o empregado cumpra o período de prévio aviso sobre o futuro rompimento do vínculo trabalhista, surge ao empregador o dever de indenizar o trabalhador. Não é caso de interrupção do contrato de trabalho. Aliás, ao final do termo do comunicação antecedente, o que forçosamente ocorrerá é a cessação do vínculo laboral, por expresso ato volitivo do empregador, e portanto, sabese antecipadamente, que não haverá continuidade, o que, por imperativo lógico, não nos permite concluir que o contrato de trabalho ficou interrompido; será, sim, rompido. Nesse termos, discordamos do voto do Relator, para explicitar que sobre as parcelas pagas à título de aviso prévio indenizado não incidem contribuição previdenciária em razão de seu nítido caráter indenizatório por ofensa a direito trabalhista. Ressaltese que a não incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado é assente na jurisprudência dos tribunais federais e do STJ. Não obstante todo o exposto, especificamente no caso do presente lançamento tributário, concordamos com o Relator que tal a comprovação do pagamento do aviso prévio indenizado, alegado pelo Recorrente, não restou comprovado, o que impede que seu pleito possa ser reconhecido. Não se observou no recurso, nem mesmo a indicação dos valores pagos a título da verba indenizatória, quanto mais a comprovação desse pagamento. Nesse sentido, e diante da determinação do artigo 16, III do Decreto nº 70.235/72, não se pode excluir tais verbas do lançamento tributário. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10972.720090/201267 Acórdão n.º 2401003.943 S2C4T1 Fl. 391 19 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Divirjo do Relator no ponto específico da incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, consoante as razões que apresento a seguir. A Recorrente pleiteia a exclusão da incidência dos juros de mora (TAXA SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a Recorrente tem razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O fundamento legal que supostamente dá abrigo à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O caput do referido artigo é bastante claro: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, temse que entender ser esta “decorrente de tributos e contribuições”. Ora, as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, pois são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e b) falta de declaração e declaração inexata. Incorridas alguma dessas condutas, surge o direito da fiscalização de imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação atual): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Ainda, destacase que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional é frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o referido dispositivo legal não autoriza esta incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, quanto o art. 161, do CTN, não são fundamento legal apto a permitir tal incidência. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 402DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 23/03/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13827.720073/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 72 00 73 /2 01 3- 72 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13827.720073/201372 Acórdão n.º 2201003.243 S2C2T1 Fl. 95 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 15ª Turma da DRJ/SP1(Fls. 49), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida, em 02/01/2013, notificação de lançamento de fl. 25, relativa ao ano calendário de 2009, em razão da constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 130.358,85. Cientificada do lançamento em 14/01/2013 (fl. 42), a contribuinte apresentou em 06/02/2013, a impugnação de fls. 02 a 22, alegando, em suma, que: 1 – os rendimentos em questão foram recebidos em razão do ganho de causa do processo nº 65/92, em trâmite na Vara Única da Comarca de Bariri, referente às diferenças salariais respectivas ao período de 1987 a 2006, cujo réu era o INSS; 2 – em que pese diversos entendimentos judiciais contrários, a Receita Federal mantinhase intransigente na defesa de sua posição de exigir a tributação no momento do recebimento dos valores e pelo seu valor total; 3 – após inúmeras decisões judiciais em sentido contrário ao seu entendimento, a Receita Federal curvouse aos ditames do Parecer PGFN nº 287/2009 que determinava a dispensa de apresentação de contestação pelos Procuradores da fazenda nacional, bem como, impedia que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constituísse o crédito tributário relativo à hipótese nele mencionada; 4 – assim, havendo autos de infração lavrados ou lançamentos de ofício, os mesmos deveriam ser revistos e cancelados; 5 – no mesmo sentido foi elaborado pela PGFN o Parecer nº 001/2009, ratificando essa posição de forma absolutamente clara. Passo adiante, a 15ª Turma da DRJ/SP1 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos atrasados recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Tais rendimentos são tributáveis no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda (regime de caixa). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13827.720073/201372 Acórdão n.º 2201003.243 S2C2T1 Fl. 96 3 Cientificada em 16/05/2013 (Fls. 62), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 21/06/2013 (fls. 64 a 84), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço da contribuinte, via correio, com a ciência em 16/05/2013, conforme de verifica à fl. 62 dos autos. A peça recursal somente foi protocolizada em 21/06/2013, conforme atesta documento de fls. 64 a 84, portanto, fora do prazo fatal que seria dia 17/06/2013 (segunda feira). Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia à recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13827.720073/201372 Acórdão n.º 2201003.243 S2C2T1 Fl. 97 4 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100833/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso.
Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 33 /2 00 9- 88 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/200988 Acórdão n.º 3301002.862 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 10.991,12, referente a fevereiro de 2009, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/200988 Acórdão n.º 3301002.862 S3C3T1 Fl. 12 3 INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/200988 Acórdão n.º 3301002.862 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100833/200988 Acórdão n.º 3301002.862 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723067/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS.
Mesmo diante da devida comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial do município, para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão.
Numero da decisão: 2201-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS. Mesmo diante da devida comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial do município, para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. DESCUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS. Mesmo diante da devida comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial do município, para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 30 67 /2 01 4- 57 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 29/09/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2013, anocalendário 2012, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2013, anocalendário 2012, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Expresso Nepomuceno, no total de R$ 16.943,30, com R$ 144,97 de imposto retido na fonte, após o deferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL). Inconformada com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação tempestiva afirmando ser portador de moléstia grave diagnosticado com laudo médico de CIDN40, com tratamento da doença desde 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) mister salientar que não basta o contribuinte ter a doença grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial para que o benefício seja concedido. Fazse necessário, também, que o aludido contribuinte seja aposentado, reformado ou pensionista, pois a isenção não engloba todo e qualquer rendimento auferido por portador de doença grave, mas tão somente os decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Os demais rendimentos, como por exemplo os decorrentes de trabalho assalariado, de aluguel e de investimento financeiro, continuam a ser tributados pelo Imposto de Renda; b) o contribuinte não apresentou qualquer documento relacionado aos rendimentos recebidos do Expresso Nepomuceno, CNPJ 19.368.927/000107 que provasse tratarse de rendimentos de aposentadoria ou pensão recebidos no ano de 2012; c) documento anexado aos autos (fl. 13) não pode ser aceito como prova, pois se trata de um relatório médico fornecido em receituário da Prefeitura Municipal de São Paulo, não se confundindo com o laudo exigido pela legislação tributária, ou seja, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; d) não resta comprovado nos autos que os rendimentos recebidos referemse à aposentadoria ou pensão, assim como não há a comprovação, por laudo médico oficial, de que seja portador de uma das moléstias graves, conforme previsão contida na legislação tributária acima transcrita. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.723067/201457 Acórdão n.º 2201003.161 S2C2T1 Fl. 55 3 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte sustenta, em síntese, a insubsistência e improcedência da ação fiscal, tendo em vista que não foi estipulado prazo para a apresentação do laudo pericial. O recorrente também efetuou a juntada dos documentos de fls. 46/48 (exames médicos particulares). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial, bem como em razão da ausência de demonstração da natureza dos rendimentos auferidos. Compulsandose os autos, verificase que o recorrente não teceu considerações acerca do cumprimento do requisito relativo à natureza dos rendimentos auferidos, tentando comprovar apenas o acometimento da moléstia grave. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas:(...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Portanto, apesar da apresentação de laudo oficial, fl. 13, não houve a comprovação da natureza dos rendimentos recebidos, restando, desse modo, descumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção pleiteada, em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 57DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.723067/201457 Acórdão n.º 2201003.161 S2C2T1 Fl. 56 5 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005077/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/07/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.626
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/07/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 170 1 169 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.005077/200901 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.626 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 50 77 /2 00 9- 01 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 171 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.282, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 172 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 173 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 174 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 175 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 176 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 177 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 9303003.626 CSRF‐T3 Fl. 178 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10970.720339/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2008
COOPERATIVAS DE TRABALHO. TRIBUTAÇÃO FUNDAMENTADA NO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI 8.212/1991. IMPROCEDÊNCIA.
O STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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TRIBUTAÇÃO FUNDAMENTADA NO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI 8.212/1991. IMPROCEDÊNCIA. O STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 39 /2 01 1- 73 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI 2 Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/201173 Acórdão n.º 2201002.752 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0941.802 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: O presente auto de Infração foi lavrado em cumprimento do Acórdão 09.36.119 da 5ª Turma da DRJ/JFA de 27 de julho de 2011 que exonerou o crédito tributário –Processo 10970.720109/201112 em nome do Instituto de Previdência Municipal de Patos de Minas – IPREM e por sua vez determinou que o lançamento do referido crédito deverá ser realizado por substituição tributária retirando a condição de sujeito passivo do IPREM e atribuindoa ao Município de Patos de Minas, tendo em vista que o Decreto Municipal 3.255 de 07/10/2009 transferiu a gestão do FASERV (Fundo de Assistência dos Servidores Públicos Municipais de Patos de Minas) para o Município de Patos de Minas – Prefeitura Municipal. Assim, no presente processo constam os autos de infração a seguir relacionados que foram recebidos pelo sujeito passivo em 12/04/2012, mediante recebimento por via postal, conforme comprovante (AR), acostado às fls.32. a) AIOP – DEBCAD nº37.342.0790 consolidado em 17/11/2011, no valor de R$862.182,88 relativo ao período de 01/2006 a 09/2008 acostado às fls. 05 dos autos, para cobrança de obrigação principal patronal, destinadas ao custeio da Seguridade Social, no percentual de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativos a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho prevista na Lei n° 8.212/1991, art. 22, inciso IV. Os fatos geradores foram identificados no levantamento: FP– CONTRIBUINTE REFERENTE COOPERATIVA decorrente das notas fiscais de serviço emitidas por cooperativa de trabalho (UNIMED) conforme estipulado no contrato de prestação de serviço (n° 07/2005) firmado em 27/09/2005 entre o Instituto de Previdência de Patos de Minas IPREM e a UNIMED Patos de Minas, cujo objeto é a “prestação de serviços de clinica médica, internações, ambulatório, clinica cirúrgica, diagnose e terapia, tratamento em sessões de psicoterapia, fonaudiologia, acupuntura e fisioterapia aos servidores municipais e seus dependentes”. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI 4 De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14/47 a autoridade lançadora explica que utilizou na aplicação das multas o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, “c”), para as infrações com fatos geradores anteriores a 04/12/08, tendo sido feito quadro comparativo da multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente (MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 25/05/2009). b) AIOA – DEBCAD 37.342.0803 lavrado em 17/11/2011 no valor de R$41.136,39, acostado às fls. 04 dos autos por descumprimento de obrigação acessória no Código de Fundamento Legal –CFL 68, relativo às competências 01/2006 a 12/2009, por infração ao disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em razão de a empresa ter informado em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no caso, deixou de declarar o valor dos serviços contratados e executados por cooperativa de trabalho. O auditor esclarece, ainda que a multa por descumprimento da obrigação acessória foi apurada por competência, correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada em GFIP, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4º do art. 32 da Lei 8.212/91, equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo de R$ 1.523,57, fixado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, em função do número de segurados, calculado conforme discriminado no Anexo II “Demonstrativo de Cálculo de Aplicação da Multa”, que consta no processo 10.970.72009/20012. Cientificado do lançamento, o órgão municipal ofertou impugnação de fls.55/65 com protocolo em 30/12/2011, tendo como signatários o Prefeito Municipal acompanhado dos procuradores do Município de Patos de Minas. Na peça de defesa aduz estarem os lançamentos eivados de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, haja vista que entre 01/2006 até 12/2009 a gestão do Fundo de Previdência era de responsabilidade do IPREM, tendo sido neste órgão realizada a fiscalização. Salienta que todos os atos contábeis inerentes aos fatos geradores das contribuições foram realizados pelo IPREM, bem como era o contratante da prestação de serviço e o sacado nas notas fiscais fatura. Diz que legalmente a gestão do fundo, somente, passou para o Município de Patos de Minas a partir da edição do Decreto Municipal 3.255, de 07/10/2009, mas, conforme reconhecido no Acórdão 09.36.119 da 5a Turma da DRJ/JFA de 27 de julho de 2011, cujo conteúdo transcreve na impugnação, durante o período fiscalizado a relação jurídica era entre ao IPREM e a Unimed, fato que sustenta a sua condição de não contribuinte, no caso, haja vista que não realizou o aspecto material da Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/201173 Acórdão n.º 2201002.752 S2C2T1 Fl. 4 5 hipótese tributária, como explicado nos ensinamentos do tributarista Luciano Amaro. Fundamenta suas alegações no art. 142 do CTN, art.10 inciso I do Decreto nº.70.235/1972. Discorre sobre os art. 121 e 122 do CTN para concluir que no acórdão então emitido houve entendimento equivocado na indicação do Município como sujeito passivo porque a definição dáse no momento da ocorrência do fato gerador que faz surgir a obrigação tributária e não no da lavratura do auto de infração. Pelas razões expostas, pugna pela procedência da impugnação com o conseqüente reconhecimento da nulidade do lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde, em síntese, reapresenta os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme Relatório Fiscal, os Autos de Infração foram lavrados pela falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho para a recorrente e por omitir essa informação na GFIP. Para as cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma empresa de consultoria questiona a tributação. A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados. No entendimento do Tribunal, ao transferir o recolhimento da cooperativa para o prestador de serviço, a União extrapolou as regras constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/201173 Acórdão n.º 2201002.752 S2C2T1 Fl. 5 7 meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Decisão O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O parágrafo 2º dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, devem ser afastados os valores relativos às autuações referentes às contribuições das cooperativas de trabalho. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI Processo nº 10970.720339/201173 Acórdão n.º 2201002.752 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por HIULY RIBEIRO TIMBO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGA RI
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