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Numero do processo: 15586.000382/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COFINS. LC 70/91. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula nº 2.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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COFINS. LC 70/91. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 82 /2 00 7- 90 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000382/200790 Acórdão n.º 3101001.228 S3C1T1 Fl. 173 2 Tratase de lançamento fiscal para constituição de COFINS do período de 2003, no valor de R$ 52.066,11 (cinqüenta e dois mil, sessenta e seis reais e onze centavos). Devidamente notificada da autuação fiscal, a Recorrente impugnou o lançamento sob o fundamento de que ainda estaria válida a isenção concedida às sociedades prestadoras de serviços profissionais regulamentadas pela Lei Complementar nº 70/91, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. SOCIEDADE CIVIL. TRIBUTAÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, deixaram de ser isentas da contribuição para a seguridade social, por previsão legal expressa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário sob o fundamento de que a isenção instituída pela Lei Complementar nº 70/91 não poderia ter sido revogada por lei ordinária (Lei nº 9.430/96), sob pena de violação ao princípio da hierarquia da normas, bem como sustentou a aplicação da Súmula nº 276 do Eg. Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a questão posta restringese à alegação de inconstitucionalidade da revogação por lei ordinária da isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91, tendo em vista a violação ao princípio da hierarquia das normas. Ocorre que o CARF não detêm competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, ex vi artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e artigo 62 do Regimento Interno. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000382/200790 Acórdão n.º 3101001.228 S3C1T1 Fl. 174 3 A questão foi pacificada com a edição da Súmula nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, a matéria objeto do Recurso foi pacificada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal quando do julgamento, em sede de repercussão geral, do Recurso Extraordinário nº 377.457, cuja ementa segue abaixo: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. (RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234608 PP01774) Por fim, quanto à aplicação da Súmula nº 276 do STJ, esta foi cancelada pela Primeira Seção quando do julgamento da Ação Rescisória nº 3.761. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720496/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da contribuição para o PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998.
As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.
Ro Negado e RV Negado
Numero da decisão: 3302-001.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões quanto ao conceito de faturamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da contribuição para o PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ro Negado e RV Negado
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SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da contribuição para o PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ro Negado e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões quanto ao conceito de faturamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 04 96 /2 01 1- 07 Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase simultaneamente de Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional e de Recurso Voluntário interposto pela Companhia de Seguros Minas Brasil, CNPJ 17.197.385/000121, em face do Acórdão n° 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, que julgou procedente em parte a impugnação, para excluir da base do cálculo do lançamento as receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, e as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro” e manter parcialmente o lançamento do PIS. O Recurso de Ofício decorreu do fato de o Acórdão ter exonerado crédito tributário em limite superior ao estabelecido em lei, fazendose necessário submeter à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A Lavratura do Auto de Infração do PIS, contra a empresa acima identificada, CNPJ 17.197.385/000121, para exigir R$. 1.780.708,81 de PIS, R$ 604.189,69 de juros de mora calculados até 31/05/2011, R$ 1.335.531,53 de multa proporcional ao valor da contribuição, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 3.720.430,03, decorreu do fato de se ter verificado insuficiência de recolhimento ou declaração da contribuição no período de 01/01/2007 a 31/12/2008, em face de a contribuinte ter efetuado a apuração da contribuição, utilizandose de base de cálculo a menor, posto ter promovido exclusões de algumas receitas operacionais, oriundas de sua atividade empresarial típica, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 14/19, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 20/21. A COMPANHIA DE SEGUROS MINASBRASIL é uma empresa de direito privado cujo objeto social é a exploração de seguros dos ramos elementares e de vida, em quaisquer de suas modalidades ou formas, conforme consta no art. 3º de seu Estatuto Social, fls. 29 a 36. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização esclarece que empresa impetrou a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com pedido de antecipação de tutela, contestando a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.601 3 declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. O processo encontrase atualmente no TRF da 1ª Região aguardando o julgamento dos recursos de apelação apresentados pela Fazenda e pela impetrante, que foram recebidos somente no efeito devolutivo. Destaca, também, que foram utilizados como base de cálculo para o lançamento de ofício os valores consignados nas planilhas fornecidas pela contribuinte, conforme modelo da IN SRF 247/2002, em resposta à intimação fiscal, que estão de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita contábil iniciada em ‘38’ (receitas não operacionais), ou seja, o lançamento foi efetuado sobre a receita operacional bruta da empresa. Foi aplicada a alíquota de 0,65%, conforme decisão judicial, e deduzidos da contribuição apurada os valores declarados em DCTF. Não existindo causa que determine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, foi aplicada a multa de ofício de 75%. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte, irresignada, apresenta impugnação, acatada pela autoridade de 1ª instância e cujos argumentos transcrevese do Acórdão recorrido por bem resumir as razões de defesa: “Afirma, inicialmente, que os débitos exigidos foram apurados com base em receitas que extrapolam o conceito de “faturamento”, base de cálculo do PIS nos termos da decisão judicial proferida na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. A referida ação judicial foi ajuizada em 30/11/2005 com o intuito de garantir o seu direito de recolher o PIS, a partir de 01/01/2000 até a edição de lei que regulamente a nova redação do art. 195 da CR/88 dada pela EC nº 20/98, sobre o seu efetivo faturamento e não sobre a totalidade das suas receitas. Na petição inicial demonstrouse que o faturamento engloba a receita decorrente de prestação de serviços aos seus clientes. Em 15/09/2006 foi publicada sentença que confirmou todo o seu pleito, declarandose a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e reconhecendose o consequente direito à compensação dos valores pagos a maior. Tratada em embargos de declaração a omissão quanto ao período do crédito decorrente da procedência dos pedidos iniciais, ambas as partes interpuserem recursos de apelação, recebidos apenas no efeito devolutivo, que se encontram pendentes de julgamento. Assim, a sentença exarada surte efeito para determinar que a base de cálculo do PIS que deve ser utilizada é a anterior à edição da Lei nº 9.718, de 1998, ou seja, aquela definida no art. 2º da LC nº 70, de 1991 (receita oriunda da prestação de serviços e da comercialização de bens). Considerando o teor das decisões citadas, passou a recolher o PIS com base na legislação anterior à edição da Lei nº 9.718, de 1998, posto que o §1º do art. 3º foi declarado inconstitucional no seu caso concreto. Mas, devido à existência de um parecer genérico da PGFN, cujo entendimento a respeito da base de cálculo do PIS e da Cofins difere de toda a legislação e jurisprudência pertinentes ao caso, foram efetuadas as autuações sob a alegação de vinculação da RFB por força de lei ao posicionamento desse parecer. No entanto, as diferenças Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 apuradas são originadas do recolhimento do PIS feito com a base de cálculo reduzida por determinação judicial. Afirma que a autuação fiscal desconsiderou totalmente a sentença atualmente em vigor e pretende relativizar o conceito de “faturamento” para o caso específico das instituições financeiras e seguradoras, em evidente confronto com o decidido no judiciário. Lembra que os recursos de apelação foram recebidos somente no efeito devolutivo e, dessa forma, enquanto não forem julgados, a sentença surte os efeitos decorrentes de seu dispositivo, como se sua eficácia fosse definitiva. O auto de infração procedeu a uma indevida “interpretação” da decisãojudicial e, com base no Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento genérico no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços. Foi consignado na sentença que a base de cálculo do PIS deve observar especificamente o art. 2º da LC nº 70, de 1991, e o art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998 (e não os dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998). Assim, a base de cálculo não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A fiscalização não só ignorou a decisão proferida no caso concreto, mas toda a jurisprudência do STF, que se firmou no sentido da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS pretendida pela Lei nº 9.718, de 1998, e que definiu, desde o julgamento do Finsocial, que a equiparação de faturamento e receita bruta só é possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, serviços, ou ambos. Observa que a tentativa do fisco de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas de prêmios de seguros, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os efeitos da decisão judicial ainda em vigência. Em seguida, explica o conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF (valor das receitas de uma empresa passíveis de serem registradas mediante faturas; valor que mede, que quantifica o “ato de faturar”, o qual está ligado a determinados tipos de receita: da venda de bens e mercadorias, em operação própria ou em conta alheia, e a receita da prestação de serviços) e registra os entendimentos adotados por esse Tribunal no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Argumenta que quando se pretendeu exigir das instituições financeiras o PIS sobre base de cálculo diversa do faturamento, previuse expressamente na legislação uma grandeza diversa de “receita de prestação de serviços e vendas de mercadorias”, como no caso das Emendas Constitucionais nºs 01/1994, 10/1996 e 17/1997, que estabeleceram a base de cálculo como a “receita bruta operacional nos termos da legislação do imposto de renda”. Em 31/12/1999, com o término da vigência da EC nº 17/1997, não mais subsistiu a Lei nº 9.701, de 1998, que tinha por objetivo dispor sobre a base de cálculo tratada nas Emendas Constitucionais, não havendo que se falar que a base de Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.602 5 cálculo do PIS é a receita bruta operacional, nos termos da Lei nº 9.701, de 1998. Ressalta que o STF não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que “faturamento” equivale à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, receita financeira não passa a ser faturamento pelo fato de serem auferidas por pessoas de distinto objeto social. Desse modo, a base de cálculo do PIS não pode ser modificada em função da atividade desenvolvida pela empresa. No seu caso, a receita mais significativa auferida é oriunda dos pagamentos dos prêmios de seus segurados, a qual está absolutamente abrangida na sentença vigente e eficaz, pois não é decorrente da venda de uma mercadoria ou da prestação de um serviço, mas sim da assunção de um risco por parte da seguradora. O comprometimento da seguradora se limita a uma contraprestação que pode ou não ocorrer, não constituindo tal atividade prestação de serviço, que é uma obrigação de fazer e não de dar, nos termos do entendimento doutrinário que transcreve. Assim, considerando que a operação e o contrato de seguro configuram uma obrigação de dar, caso se implemente uma condição, e não uma obrigação de fazer, a receita de prêmio direto não pode ser tributável pelo PIS. O STF, por sua vez, adota conceito restritivo de prestação de serviços,tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da “locação de bens móveis”, por considerar que se tratava de uma “obrigação de dar”. Para ser considerado “serviço”, este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é “obrigação de fazer” e, para ser tributável, deve sempre existir um “preço”. E a operação de seguro também não implica venda de mercadorias, pois, conquanto exista por parte da seguradora uma obrigação de dar, tratase de obrigação condicionada a um evento futuro e incerto (indenização) e não presente e certa, como é o caso da entrega de uma mercadoria mediante contraprestação. Explica que o único bem material que a seguradora transmite ao segurado é a apólice, que é remunerada por um valor específico pago pelo segurado quando de sua emissão, verba que integra o faturamento de uma seguradora por ser uma prestação de serviço. E a própria Constituição reconhece a natureza financeira do contrato de seguro, que deve ser tributado essencialmente pelo IOF (art. 153, V), e não está sujeito ao ICMS e ao ISS. Destaca que a jurisprudência já não considera nem a venda de bens sinistrados, que pode ser equiparada à venda de mercadorias, como passível de tributação pelo ICMS, por se tratar de receita que compõe o contrato de seguro, que tem natureza sui generis. E se a receita decorrente dessa operação deve ser considerada como rendimento do contrato de seguro, com mais razão tal qualificação se aplica à receita de prêmios, que é a receita típica do contrato de seguro. Assim, a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das seguradoras engloba todos os tipos de taxas e comissões cobradas por elas para prestar serviços, correspondentes às seguintes contas: custo na emissão de apólice, comissão de coseguros e resseguros e salvados (receitas da carteira de seguros); e gestão de fundos e taxa de carregamento dos planos de previdência (receitas da carteira de previdência privada complementar). Por outro lado, as seguintes contas estão fora do conceito de “faturamento” determinado pelo STF: prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações (receitas da carteira de seguros); e receitas financeiras, que têm duas naturezas distintas: a remuneração do próprio capital, pela aplicação em operações Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 no mercado financeiro, como forma de buscar maior rentabilidade e evitar a perda do poder aquisitivo da moeda, e as aplicações financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, cujos rendimentos estão fora do âmbito de tributação do PIS também por não corresponderem ao faturamento, nos termos da medida judicial interposta. Entende que há falta de razoabilidade ou proporcionalidade entre a gravidade da suposta infração cometida e o vulto da penalidade aplicada, sendo ela praticamente equivalente ao valor da contribuição devida. Não tendo ocorrido dolo ou sonegação fiscal, a penalidade foge ao seu objetivo educativo, desrespeitando também o princípio constitucional do nãoconfisco. Tais princípios devem ser observados tanto pelo legislador quanto pelo agente administrativo, conforme jurisprudência do STF que transcreve. Pede, assim, que seja cancelada ou reduzida a multa aplicada, sob pena de ofensa aos arts. 150, IV, e 5º, LIV, da CF/1988. Por fim, requer seja cancelada integralmente a autuação, por contrariar o conteúdo da sentença exarada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Caso se entenda devido algum valor, seja excluída ou reduzida a multa imposta no percentual de 75%.” A DRJ em Belo Horizonte/MG, em 12/12/2011, por meio do Acórdão n° 02 36.659 prolatado pela 1ª Turma da DRJ/ BHE julga procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SEGURADORAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. INCONSTITUCIONALIDADE. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de lançamento de ofício, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do tributo devido, nos percentuais definidos na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Tendo exonerado parcialmente o Crédito Tributário constituído, a 1ª Turma de Julgamento da DRF Belo Horizonte submete o Acórdão DRJ/BHE nº 0236.659 de 12/12/2011 à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em face do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Ressalva que a exoneração parcial do crédito procedida por aquele acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.603 7 Por sua vez, a contribuinte tomou ciência do Acórdão DRJ/BHE nº 0236.659 em 11/04/2012, por meio da Intimação nº 506/2012, conforme despacho de fl. 1.490. Assim, devidamente cientificada, ainda não concordando com a decisão de 1ª instância, apresentou recurso voluntário, em 16/04/2012, no qual refuta as razões de decidir da autoridade julgadora a quo e reprisa os argumentos já efetuados na impugnação, acrescentando a questão da Repercussão Geral da questão constitucional suscitada no recurso Extraordinário nº 609.096, solicitando que seja reformado integralmente o Acórdão DRJ/BHE nº 0236.659 de 12/12/2011, para que seja cancelado o lançamento discutido nos autos, pois, segundo alega, estáse diante de flagrante afronta ao conteúdo da decisão judicial em favor do contribuinte, ainda vigente, prolatada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, bem como, subsidiariamente, requer a exclusão ou redução da Multa de 75%, sob o argumento de que o débito encontrase com a exigibilidade suspensa em razão da decisão judicial favorável nos já mencionados nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Na forma regimental, os recursos de ofício e voluntário foram a mim distribuídos. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Conforme se vê do relatório, a questão aqui discutida diz respeito ao conceito de faturamento para as empresas seguradoras, como base de cálculo da contribuição para o PIS, nos termos previstos no art. 2º da LC nº 70, de 1991, e, no caso específico, em observância da decisão judicial em favor da contribuinte prolatada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, que declarou inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A autoridade lançadora assevera que a base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício do PIS apurada por meio dos valores consignados nas planilhas fornecidas pela contribuinte, conforme modelo da IN SRF 247/2002, em resposta à intimação fiscal, está de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita contábil iniciada em “38” (receitas não operacionais), ou seja, o lançamento foi efetuado sobre a receita operacional bruta da empresa. A contribuinte, no entanto, alega que a base de cálculo do PIS assim apurada extrapola o conceito de “faturamento”, nos termos da decisão judicial proferida na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Que a autoridade lançadora, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias, e que, assim, a base de cálculo do PIS não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A autoridade julgadora de 1ª instância, entendendo que a questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora no conceito de faturamento não foi objeto de contestação nas ações judiciais impetradas pela contribuinte, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, para excluir da base de cálculo, unicamente as receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Conclui que as receitas geradas pelas atividades típicas das seguradoras, oriundas da carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, incluemse na base de cálculo da Cofins que deve ser adotada pelo contribuinte, nos termos da decisão judicial proferida Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. E afirma que devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. RECURSO DE OFÍCIO Analisase, inicialmente, o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de 1ª instância, em face da exoneração parcial do crédito tributário lançado, decorrente exatamente da exclusão na base de cálculo do PIS das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Como já ressaltado, a empresa impetrou a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com pedido de antecipação de tutela, contestando a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. O processo encontrase atualmente no TRF da 1ª Região aguardando o julgamento dos recursos de apelação apresentados pela Fazenda e pela impetrante, que foram recebidos somente no efeito devolutivo. O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo da PIS/COFINS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, assim consideradas as Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.604 9 decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora, a exemplo das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”, posto que tais receitas efetivamente não são provenientes do exercício de sua atividadefim, isto é, da exploração de seguros em suas diversas modalidades, conforme definido em seu Estatuto Social (fls. 29/36). Portanto, não há reparos a se fazer no Acórdão n° 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, quanto à exoneração parcial do crédito tributário decorrente das exclusões na base de cálculo das mencionadas receitas e cujos valores encontramse devidamente totalizados no demonstrativo de fl. 1.476. RECURSO VOLUNTÁRIO Antes da análise do mérito do litígio objeto deste recurso voluntário, mister se faz analisar o incidente de sobrestamento a respeito do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 609.096, tema mencionado pela ora recorrente. Assim, no tocante à questão de sobrestamento de recursos interpostos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Regimento Interno do referido conselho, RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010), assim prescreve: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº 586/2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Portaria MF nº 586/2010) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (AC) (Portaria MF nº 586/2010).” O Art. 543 – B do Código de Processo Civil – CPC estabelece: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006).” Por sua vez, a Portaria CARF nº 01, de 03 de Janeiro de 2012, visando à uniformização, determinou os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que tratam o §1º do art. 62 A do anexo II do RICARF, nos seguintes termos: “Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Com base na análise da legislação acima posta e não obstante o entendimento pessoal de que o sobrestamento de recursos extraordinários que tratam de matéria similar àquela que já tenha sido reconhecida a repercussão geral pelo o STF se dá automaticamente por força da regra estabelecida no parágrafo 1º do art. 543 –B do CPC, é certo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visando à uniformização dos procedimentos, determinou que o sobrestamento de julgamento de recursos em tramitação do CARF somente ocorrerá nos casos em que tiver “comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.” Assim, no caso em questão, com o fim de decidir sobre o incidente de sobrestamento suscitado pela recorrente, fazse necessário analisar se o aludido RE 609.096 trata de igual matéria do discutido neste processo; em caso positivo, se foi reconhecida pelo o Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.605 11 STF a repercussão geral da matéria ali tratada e, principalmente – por ser o ponto que poderá, ou não, conduzir ao sobrestamento do julgamento do mérito do presente recurso voluntário, se houve no referido recurso extraordinário a determinação expressa proferida pelo o STF de sobrestamento de processos que tratem da mesma matéria, independentemente do reconhecimento da repercussão geral. Neste sentido, consoante pesquisa efetuada no sítio do STF, vêse que o RE 609.096 trata de recursos extraordinários interpostos pela a União e pelo o Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Portanto, no meu entender, há coincidência com a matéria sob litígio neste processo, haja vista que aqui se discute a definição da amplitude do conceito de “faturamento” para as seguradoras, ou seja, de quais receitas auferidas por seguradoras integram, ou não, como receitas operacionais, o faturamento dessas instituições. Passase, então, à análise do segundo ponto acerca do reconhecimento da repercussão geral do RE 609.096, sobre o qual se constata que efetivamente o plenário do STF, em 03/03/2011, reconheceu a repercussão geral da matéria tratada no recurso referido, consoante se demonstra pelo o acompanhamento do processo retirado do sítio do STF, a seguir transcrito e destacado em negrito: RE 609096 RECURSO EXTRAORDINÁRIO (Processo físico) [Ver peças eletrônicas] Origem: RS RIO GRANDE DO SUL Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RECTE.(S) MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) UNIÃO PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) BANCO SANTANDER BANESPA S/A ADV.(A/S) MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) AM. CURIAE. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS BANCOS FEBRABAN ADV.(A/S) ANTONIO CARLOS DE TOLEDO NEGRÃO E OUTRO(A/S) Data Andamento Órgão Julgador Observação Documento 07/07/2011 Conclusos ao(à) Relator(a) 07/07/2011 Juntada a petição nº 37236/2011.37236/2011 07/07/2011 Certidão de reautuação em razão do despacho de 10/06/2011. 05/07/2011 Recebimento dos autos 01/07/2011 Petição 37236/2011 01/07/2011 FAZENDA NACIONAL REQUER A JUNTADA DE Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 DOCUMENTOS. 27/06/2011 Autos emprestados CLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 5557 / 2011 16/06/2011 Publicação, DJE DJE nº 115, divulgado em 15/06/2011 10/06/2011 Despacho Na Pet 73.745/2010: "(...) defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido." 02/05/2011 Publicado acórdão, DJE DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 02/05/2011 ATA Nº 20/2011 DJE nº 80, divulgado em 29/04/2011 29/04/2011 Conclusos ao(à) Relator(a) 27/04/2011 Juntada do comprovante de restituição do processo emprestado. 27/04/2011 Juntada do comprovante de restituição do processo emprestado. 18/04/2011 Recebimento dos autos 14/04/2011 Autos emprestados à ProcuradoriaGeral da República para fins de intimação. 07/04/2011 Recebimento dos autos 29/03/2011 Autos emprestados CLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 1993 / 2011 28/03/2011 Recebimento dos autos 24/03/2011 Autos emprestados RODOLFO TSUNETAKA TAMANAHA Guia = 1890 / 2011 23/03/2011 Publicação, DJE DJE nº 54, divulgado em 22/03/2011 18/03/2011 Certidão de reautuação, em cumprimento ao despacho de fls. 1034. 17/03/2011 Prejudicado MIN. RICARDO LEWANDOWSKI (...) uma vez afastado o sobrestamento, julgo prejudicado o agravo regimental de fls. 637642. (em 16/3/2011) 04/03/2011 Decisão pela existência de repercussão geral PLENÁRIO VIRTUAL Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie. 11/02/2011 Iniciada análise de repercussão geral 04/01/2011 Conclusos ao(à) Relator(a) 04/01/2011 Juntada a 73745/2010.73745/2010 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.606 13 petição nº 15/12/2010 Petição 73745/2010 15/12/2010 FEBRABAN Federação Brasileira de Bancos REQUER INGRESSO COMO "AMICUS CURIAE". 22/11/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 22/11/2010 Juntada a petição nº 65094/2010.65094/2010. 12/11/2010 Petição 65094/2010 12/11/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A REQUER O RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL E O NÃO CONHECIMENTO DO RE. 17/09/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 17/09/2010 Juntada a petição nº 49963/2010.49963/2010 13/09/2010 Petição 49963/2010 09/09/2010 SUBPROCURADORGERAL DA REPÚBLICA REQUER O SOBRESTAMENTO DO FEITO. 18/08/2010 Vista à PGR Para fins de intimação, em 05.08.2010 29/06/2010 Recebimento dos autos 24/06/2010 Autos emprestados CLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 1475 / 2010 18/06/2010 Interposto agravo regimental Juntada Petição: 34915/2010 17/06/2010 Petição 34915/2010 17/06/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A AG.REG. 15/06/2010 Publicação, DJE DJE nº 107, divulgado em 14/06/2010 08/06/2010 Sobrestado MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Aguardando Julgamento: RE/400479.Em 1º/6/2010. 28/05/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 28/05/2010 Juntada a petição nº 30294/2010.30294/2010. 26/05/2010 Petição 30294/2010 25/05/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A APRESENTA MANIFESTAÇÃO E REQUER O NAO CONHECIMENTO DO FEITO. 25/05/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) com parecer da PGR pelo provimento de ambos recursos. 28/04/2010 Vista à PGR Em 26/4/10. 20/04/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 20/04/2010 Juntada a petição nº 21400/2010.21400/10. 14/04/2010 Petição 21400/2010 14/04/2010 A FAZENDA NACIONAL REQUER SEJA RECONHECIDO NO FEITO À REPERCUSSÃO GERAL. 18/03/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 18/03/2010 Juntada a petição nº 10975/2010.10975/2010 09/03/2010 Distribuído MIN. RICARDO LEWANDOWSKI 03/03/2010 Petição 10975/2010 02/03/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A REQUER JUNTADA DE PROCURAÇÃO E/OU SUBSTABELECIMENTO E INDICA NOME PARA INTIMAÇÕES/PUBLICAÇÕES/NOTIFICAÇÕES. 25/02/2010 Autuado Resta, então, verificar o último ponto que se refere à determinação expressa do STF sobre o sobrestamento de processos que tratem de igual matéria ao do RE 609.096. Neste ponto, cabe destacar o teor do despacho (DJE nº 115, divulgado em 15/06/2011), naquilo que interessa à presente discussão, de autoria do relator, Ministro Ricardo Lewandowski, proferido em face da Petição 73745/2010STF da Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN, no curso do RE 609.096, que solicitava “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos”: “Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011.” Da análise que se faz, constatase a existência de expresso indeferimento para suspensão de processos que tratam da mesma matéria versada no RE 609.096 que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição. E se o próprio STF indefere o sobrestamento de processos em andamento na esfera judicial com a mesma matéria daquela que versa o RE de Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.607 15 Repercussão Geral, mais razão se tem para indeferir o sobrestamento do julgamento dos recursos de processos no Carf, posto que se trata da esfera administrativa. Caso queira se entender que a exigência a que se refere a legislação do CARF (§1º do art. 62 A do RICARF c/c parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 01, de 03/01/2012) referese à determinação expressa de sobrestamento de Recursos Extraordinários pelo o STF e não do processo em si, em qualquer que seja a fase processual, temse a destacar que, não obstante existir menção do relator no despacho acima mencionado ao sobrestamento automático dos recursos extraordinários por força do próprio art. 543 – A, efetuada para fundamentar o indeferimento do pedido de suspensão dos processos, não se vislumbra a existência no referido RE 609.096 de expressa determinação proferida pelo o STF para sobrestamento dos demais recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria. Diante do acima exposto, entendo que não foi cumprido o requisito exigido pelo o §1º do art. 62 A do RICARF c/c o parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 01, de 03/01/2012, motivo pelo o qual conduzo o meu voto no sentido de se negar o incidente de sobrestamento suscitado. DO MÉRITO Em face da concordância dos meus pares acerca do voto sobre o sobrestamento suscitado, passo a efetuar a análise do mérito do presente litígio, já acima destacada. Em resumo, no recurso voluntário a contribuinte alega que tendo o Acórdão n° 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, ao manter o lançamento da PIS, tendo como base de cálculo as receitas operacionais oriundas do seu objeto social (empresa seguradora), pretende relativizar e, assim, extrapola o conceito de “faturamento”, base de cálculo da PIS, para o caso específico das instituições financeiras e seguradoras, em evidente confronto com a coisa julgada, nos termos da decisão judicial proferida Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Passa a analisar o conceito de “faturamento”, afirmando ser tal análise efetuada de acordo com o entendimento consolidado no STF, registrando inicialmente que “a impossibilidade do PIS e da COFINS ser exigido com base em todas as receitas do recorrente decorre da induvidosa inadequação do §1º, do art. 3º da Lei nº 9,718/98 ao conceito de faturamento consolidado na jurisprudência do STF, no sentido de que o faturamento consiste no valor das receitas de uma empresa passíveis de serem registradas mediante ‘faturas’ e recebidos mediante pagamento de preços”. Assim, ressalva que ‘faturamento’ é o valor que mede, que quantifica o ato de ‘faturar’,o qual, por sua vez, está ligado a determinados tipos de receita, quais sejam, as receitas de vendas de bens e mercadorias, em operação própria ou em conta alheia, e as receitas de prestação de serviços.” Registra a recorrente que a inconstitucionalidade do PIS e da COFINS sobre receitas excedentes do faturamento das pessoas jurídicas foi definitivamente declarada pelo o plenário do STF, em 09 de novembro de 2005, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários 346.084, 390.840, 358.273 e 357.950 e que tal julgamento não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contibuintes. Cita trechos dos votos dos Ministros Marco Aurélio, Celso de Mello, Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Portanto, defende o direito de recolher a PIS/COFINS em relação ao seu “faturamento”, conforme definição do art. 2º da LC nº 70, de 1991 (receita de prestação de serviços e vendas de mercadorias), no qual se exclui as receitas de prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações (receitas da carteira de seguros). Como relatado, reprisa os mesmos argumentos da impugnação. Preliminarmente, cabe analisar a alegação de que o lançamento, bem como o acórdão recorrido, mantendo parcialmente o lançamento, afrontou a decisão proferida nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. A contribuinte impetrou a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com pedido de antecipação de tutela, contestando a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. A decisão proferida na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707 foi, unicamente, no sentido de afastar a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em conformidade com a petição inicial da ação judicial, na qual a contribuinte discute a constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com o objetivo de que a base de cálculo seja calculada sobre o seu faturamento, permanecendo válidas as regras dos demais artigos, inclusive a do art. 2º e a do caput do art. 3º, que prescrevem: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” A contribuinte não questionou explicitamente se as receitas decorrentes das operações relacionadas aos contratos de seguros receita de prêmios, por exemplo por ele desenvolvidas integram, ou não, ao lado daquelas representadas pela cobrança de taxas/comissões, o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS. E, não havendo questionamento na esfera judicial de igual matéria sob litígio na esfera administrativa, esta tem que ser analisada e decidida pela autoridade julgadora administrativa. O Recurso voluntário, então, no concernente à preliminar de ofensa do lançamento e do acórdão recorrido à decisão judicial vigente, não merece provimento, haja vista verificarse que o Acórdão nº 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, decidiu pela exclusão na base de cálculo do PIS das receitas financeiras e as receitas de imóveis, tendo em vista exatamente a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendo o lançamento do PIS apenas sobre a receita bruta, justificando que esta corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim, tudo em conformidade com o decisão proferida na Ação Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.608 17 Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com a jurisprudência firmada pelo o STF, com o disposto no Parecer da PGFN/CAT/Nº 2.773, com a Lei nº 9.718/88. Passase assim, ao mérito da questão, qual seja, analisar e decidir qual exatamente a composição da base de cálculo das contribuições doPIS/COFINS das empresas seguradoras, a partir da edição da Lei nº 9.718/88. Tendo em vista o caput do art 3º de referida lei, acima transcrito, percebese que se trata de interpretar a expressão receita bruta, tarefa polêmica já enfrentada no judiciário e sobre a qual já se tem jurisprudência firmada. No entento, a jurisprudência firmada não é a que alega a contribuinte. Vejamos: Até a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo da PIS/COFINS era o faturamento, cujo conceito restringiase às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, nos termos do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91 e do art. 3º da Lei n. 9715/98; O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pretendeu ampliar esse conceito para nela fazer inserir toda e qualquer receita, de qualquer natureza, abrangendo assim, as receitas financeiras.“ Tal pretensão levou o judiciário a pronunciarse sobre a jurisprudência já firmada acerca do conceito de faturamento para incidência da Cofins, em decorrência das diversas ações impetradas pelos contribuintes, entre eles as empresas do setor financeiro e seguradoras, que não se conformaram com o término da isenção que possuíam até a edição dessa lei. O STF no julgamento do RE 346.0846 Paraná, que teve como redator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005, julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 , cuja ementa abaixo se transcreve: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346084/PR PARANÁ Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO Redator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (grifouse) Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE nº 346.084/PR, conforme ementa acima transcrita, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Cofins no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. O Acórdão recorrido fez menção aos posicionamentos dos Ministros explicitados no referido debate: “’O Ministro César Peluso, no RE nº 346.084/PR, expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento, in verbis: ‘Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social.Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’.’ (grifouse) Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.609 19 O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE nº 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: ‘O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)’ (grifouse) Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.0846/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis: ‘A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...): ‘Art. 22. (...) §1º (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia ‘faturamento’ e ‘receita operacional’, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio,enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....). Ou seja, mais claro, impossível.”(grifouse) Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 Na mesma linha, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE nº 346.0846/PR, pontuou que a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser buscada na legislação do Finsocial, o Decretolei nº 2.397, de 1987. O art. 22, caput, e a alínea b desse Decreto determinavam que o Finsocial (criado pelo Decretolei nº 1.940, de 1982, e que antecedeu à Cofins) incidiria sobre as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. E concluiu que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis: ‘Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do §1º e o § 4º esse, então acrescentado ao art. 1º do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas: ‘Art. 22 (...) Parágrafo 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.’ (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ 149/287; ‘(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei nº 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição.’ Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1, Moreira Alves. (...)’ (grifouse)”. Do próprio Recurso de Apelação da contribuinte no curso do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 em face da Sentença nº 844/99 de primeiro grau que denegara a segurança pleiteada , item III DA JURISPRUDÊNCIA APLICÁVEL se extrai trechos da jurisprudência dos Tribunais Regionais, transcritas pela própria recorrente, no sentido de demonstrar que a jurisprudência firmada era de que Faturamento era compreendido como Receita Bruta, assim entendida a receita originária empresarial, de acordo com o objetivo societário, excluindose as receitas financeiras. Vejamos: Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.610 21 No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.01.00.024444.5/DF, cuja relatora era a Exma. juíza Eliana Calmon, na qual se discutia o aumento de alíquota e ampliação da base de cálculo estabelecido pela Lei 9.718/98, a mesma ressalvou que: ”Receita bruta é sinônimo de faturamento pelo o STF, entendendose como tal o total das vendas, de serviços e de mercadorias e serviços (Precedentes do STF – RE 150.746, RE 150.755, ADCnº01/DF). Em outras palavras, tudo o que se originar da atividade empresarial, de acordo com o seu objetivo societário é Receita Bruta ou faturamento. Fora do contexto ficavam o emprego do capital empresarial em investimentos mobiliários, ou especulação cambial, porque tais ganhos não poderiam ser rubricados como Faturamento ou Receita Bruta. Era uma zona ‘gris’, que sofria a tributação do Imposto de Renda, naturalmente, mas escapava à incidência da Cofins. Com a Lei nº 9.718/98 não somente pretendeuse estabelecer em diploma legislativo a identidade já assumida pelo o STF – Receita Bruta – Faturamento – mas ampliarse o conceito de Receita bruta para nela abrigar os investimentos mobiliários e de Câmbio. E, tanto é verdadeira a assertiva, que foi preciso explicitar o que se incluía no conceito de Receita Bruta (operações em mercados futuros e operações de câmbio). Consequentemente, a alteração ocorreu no sentido de darse ao conceito Receita Bruta, interpretada até então como o só resultado empresarial de suas atividades.” No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.04.01.0022003.0/SC, cuja relatora era a Exma. juíza Tânia Escobar, do TRF da 4º região, DJU 2, de 31/05/1999, p.269, a mesma menciona que: “...mesmo considerando que foi com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 20/98 que formalmente se viabilizou a criação de contribuições sociais sobre a receita bruta, a cargo do empregador, já no regime anterior à referida emenda a Cofins já incidia sobre receitas, não decorrentes de faturamento , ex vi do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, tendo essa sistemática sido convalidada pela Suprema Corte no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1 1/DF, onde prevaleceu o entendimento de que ‘conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão somente nas vendas mercantis a prazo.’ (trecho do voto do relator, Ministro Moreira Alves, citando o votto do Ministro Ilmar Galvão no julgamento do RE 150.764/PE).” Assim, entendo, em conformidade com a jurisprudência firmada e acima demonstrada, que, de forma geral, o termo “faturamento”, ao longo de sua utilização na legislação tributária e das discussões doutrinárias e jurisprudenciais, afastouse do seu sentido inicial meramente mercantil, considerado como o ato de faturar, para alcançar as receitas decorrentes de todas as vendas de mercadorias, não só as faturadas, de mercadorias e serviços e de serviços, decorrentes das atividades típicas da empresa, que são aquelas constantes do objetivo social da empresa. Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 A Lei n° 9.718, de 1998, por meio de seu §6° do art. 3° abaixo transcrito, introduzido pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2º da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001), determinou as exclusões e deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins devidos pelas Seguradoras: “§6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: (...) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos”. A Instrução Normativa (IN) SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, normatizando o dispositivo legal citado, explicitou em seus arts. 28 e 96: “Art. 28. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I do coseguro e resseguro cedidos; II referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; III da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de coseguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplicase somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. (...) Art. 96. As empresas de seguros privados, as empresas de capitalização e as entidades abertas e fechadas de previdência complementar deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com as planilhas de cálculo constantes dos Anexos II e III, conforme o caso.” Conforme bem destacado pelo o Acórdão ora recorrido, da leitura dos dispositivos acima, depreendese que, “para fins de determinação da base de cálculo do PIS, as seguradoras podem efetuar uma série de deduções necessárias ao auferimento das receitas derivadas da exploração de sua atividadefim, resultando que, ao final, tributase, basicamente, o resultado ou ganho líquido, e não a totalidade da receita. Tratase de situação sui generis, devido às especificidades e particularidades da atividade econômica desenvolvida pelo impugnante.”(grifos do original). Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.611 23 Especificamente sobre a composição do faturamento, base de cálculo da PIS/Cofins, para pessoa jurídica incluída no rol do §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991 (instituições financeiras e assemelhadas), o acórdão recorrido traz à lume a decisão prolatada pela 2ª Turma do STF em 29/11/2005 (DOU de 09/12/2005), de lavra do Ministro César Peluzo, nos autos do RE nº 400.479, que traduz o entendimento do Excelso Pretório acerca da aplicação do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, para aquelas pessoas, isto é, instituições financeiras e assemelhadas , no tocante à incidência das contribuições sociais para o PIS e Cofins e que se transcreve a seguir: “1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). (...) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.’ (grifouse)”. Tal decisão foi objeto de agravo, sob os argumentos de que:a) a lide revela especificidades que não se exaurem com a decisão alcançada pelo o Plenário da Corte declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98: b) a limitação do conceito de faturamento às receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços resultou na isenção das empresas seguradoras das contribuições para o PIS e COFINS, exatamente por não apresentarem nenhuma dessas receitas; c) as receitas de prêmio não podem ser tributadas pea COFINS por nãointegrarem sua base de cálculo, o contrato de seguro não envolve vendas de mercadorias e nem tão pouco prestação de serviços. O relator do agravo, o Ministro Cezar Peluso, apresenta, em 10/10/2006, o seu voto nos seguintes termos: “1. A decisão agravada invocou e resumiu o entendimento invariável da Corte, cujo teor subsiste invulnerável aos argumentos do recurso, os quais nada acrescentaram à compreensão e ao desate da quaestio iuris. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas do contrato de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência para as contribuições para o PIS e a COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo o Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544,§§ 3º e 4º , e no art.557, ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau da autoridade que o ordenamento jurídico atribui, em nome da segurança jurídica, às súmulas e, posto que não sumuladas, à jurisprudência dominante, sobretudo desta Corte, as quais não podem ser desrespeitadas e nem controvertidas sem graves razões jurídicas capazes de lhes autorizar revisão ou reconsideração.De modo que o inconformismo sistemático, manifestado em recursos carentes de fundamentos novos, não pode deixar de ser visto senão como abuso do poder recursal. Ao presente recurso, que não traz argumentos consistentes para editar eventual releitura da orientação assentada pela Corte, não sobra, pois, senão caráter abusivo. 2. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão agravada pelos seus próprios fundamentos”. Inferese das diversas manifestações dos Ministros do STF que, ao contrário do argumentado pela ora recorrente, o faturamento ou receita bruta que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde à receita operacional da pessoa jurídica, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade típica. Também, diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pelo o STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu o entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais devem compor a base de cálculo das contribuições, conforme consta da Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação: “Considerando que o artigo 195 da Constituição Federal, em sua redação originária, anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, somente previa a incidência de contribuição sobre o faturamento, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que conceituou o termo ‘faturamento’ como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da classificação fiscal ou contábil adotada. Em resumo, o STF decidiu que, sob o sistema constitucional em que aquela Lei foi promulgada, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) era o faturamento, aí compreendido o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da emissão de fatura. Dessa forma, a partir Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.612 25 da referida decisão, a interpretação possível é a de que, no período de vigência da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas financeiras, dentre outras que não se caracterizem como receitas de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, deixaram de compor a base de cálculo das contribuições. 2. A decisão do STF foi proferida no exercício do controle difuso de constitucionalidade. Aplicase, portanto, somente às empresas que integraram o pólo ativo da lide. Entretanto, é inegável que esta decisão constituise em verdadeiro leading case, que irá orientar futuros julgamentos sobre a questão. As pessoas jurídicas que ingressarem no judiciário com pleito semelhante certamente obterão sucesso em suas ações. Por sua vez, os processos ainda em andamento estão fadados a terem desfecho desfavorável para a União. 3. Após a decisão do STF, diversos questionamentos foram levantados sobre a aplicação da referida decisão às instituições financeiras e às seguradoras, sob o argumento de que tais entidades não possuem ‘faturamento’, propriamente dito, pois argumentam as entidades que a palavra faturamento teria acepção própria, tecnicamente construída, e corresponderia, taxativamente, ao conjunto de receitas obtidas pela pessoa jurídica na venda de mercadorias e na prestação de serviços. Não se confundiria, nem se equipararia, com receitas outras, como as receitas financeiras das pessoas jurídicas que se dedicam à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. 4. Como decidido pela Suprema Corte, foi afastada a ampliação da base de incidência definida no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Entretanto, resta equivocado o entendimento dado pelas instituições do setor financeiro, com base no argumento referido no item 3 desta Nota, no sentido de que deverão recolher esses tributos apenas sobre as tarifas de emissão de extratos ou de talões de cheque, entre outras assemelhadas, considerandoas unicamente como receitas de serviços. 4.1. As instituições financeiras, em sustentação de sua tese, alegam que a maior parte de suas receitas não decorrem da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mas sim de atividades estritamente financeiras. Argumentam, ainda, que não importa que essas receitas financeiras sejam consideradas operacionais, já que o conceito de faturamento não é maleável a ponto de sofrer ampliações em função da natureza das atividades do contribuinte, visto que, como já decidiu o STF, tratase de conceito obtido em ciência própria, que como tal deve ser respeitado. 5. O argumento das empresas de seguros não é diferente, posto que alegam que receitas de prêmios de seguros também não se enquadram no conceito de faturamento por não se tratar de venda de serviços, de mercadorias e de serviços e mercadorias. 6. Ocorre que a interpretação lógica decorrente da citada decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 o PIS/Pasep e a Cofins sobre receitas que não compõem o seu faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços. 6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil inclusive empresas de arrendamento mercantil (leasing), por terem sido consideradas como instituições financeiras enquadradas no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero de CPMF, transitada em julgado não devem ser consideradas na apuração da base de cálculo as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tais como rendas de aluguel e outras rendas não operacionais. Entretanto, receitas da atividade própria dessas instituições se constituem no próprio faturamento destas, reconhecidas inclusive como operacionais pelo próprio Cosif. 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. 7. O fato da incidência dessas contribuições sobre a totalidade das receitas somente ter sido autorizada com o advento da Emenda Constitucional nº 20/98 é pouco relevante para as instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades continuam sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998. 8. Portanto, são frágeis os argumentos das instituições financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas contribuições sobre suas receitas financeiras, sem que antes seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação às suas atividades. 9. Com efeito, o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. 9.1. O Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) pode ser subdivido em dois grandes blocos. O primeiro é o próprio texto do Acordo contendo as regras e as obrigações aplicáveis a todos os Membros da OMC. O segundo é composto pelos anexos que tratam de problemas específicos de alguns setores. São eles: o anexo referente ao movimento de pessoas físicas fornecedoras de serviço, o anexo sobre os serviços de transportes aéreos e os de transportes marítimos, o anexo sobre serviços financeiros, e, finalmente, os anexos concernentes a telecomunicações. (...) Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.613 27 10. Assim, entendese que, sendo essas atividades caracterizadas como serviços, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ 12. Por todo o exposto, propõese o encaminhamento de consulta à PGFN para avaliação da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz da decisão do STF.” (grifouse) Instada a dar o seu parecer sobre a base de cálculo da Cofins a ser utilizada pelas instituições financeiras e assemelhadas, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, emitiu, em 13 de dezembro de 2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, nos seguintes termos: “O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (grifouse)” Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 28 Mesmo considerando o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e diante do que foi acima exposto, podese inferir que relativamente às seguradoras, as receitas vinculadas à carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, especialmente os prêmios diretos, são receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS/ Cofins e, ao contrário do que alega a recorrente, devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. Creio que as considerações feitas acima são elucidativas o bastante para concluir pela procedência do decidido no acórdão recorrido, cujos fundamentos foram extensivos, claros, e, por corroborar com os mesmos, adotoos e ratificoos, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, concluise que o acórdão recorrido em nada merece ser alterado. DA MULTA DE OFÍCIO Na impugnação ao lançamento (fl. 1434), sob o título “FALTA DE PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE DA MULTA APLICADA, a contribuinte contesta a aplicação da multa de ofício sob a alegação de seu caráter confiscatório e da falta de proporcionalidade da mesma, quando defende que “há falta de razoabilidade ou proporcionalidade entre a gravidade da suposta infração cometida e o vulto da penalidade aplicada, sendo ela praticamente equivalente ao valor da contribuição devida. Não tendo ocorrido dolo ou sonegação fiscal, a penalidade foge ao seu objetivo educativo, desrespeitando também o princípio constitucional do nãoconfisco. Tais princípios devem ser observados tanto pelo legislador quanto pelo agente administrativo, conforme jurisprudência do STF que transcreve. Pede, assim, que seja cancelada ou reduzida a multa aplicada, sob pena de ofensa aos arts. 150, IV, e 5º, LIV, da CF/1988.” Já no Recurso Voluntário, contesta a aplicação da multa de ofício sob novo argumento não apresentado na impugnação, qual seja, a impossibilidade da aplicação da multa, pelo fato de estar o débito com a exigibilidade suspensa em face da decisão judicial favorável nos já mencionados nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Não obstante não ter a contribuinte apresentado tal alegação na sua peça impugnatória, a autoridade julgadora de 1ª instância de julgamento, quando da análise dos argumentos apresentados na impugnação contra a aplicação da multa de ofício, efetuou a seguinte consideração: “A única ressalva prevista a essa norma de incidência de multa é a consubstanciada no art. 63 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.” (grifouse) Como se observa, a lei excetua do lançamento da multa de ofício apenas a formalização de crédito cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança (inciso IV do art. 151 do CTN) ou por concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (inciso Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.614 29 V), não se enquadrando a hipótese presente na regra excepcional. A multa de ofício lançada, no percentual de 75%, é de se destacar que decorre de infrações às regras instituídas pela legislação tributária apuradas em procedimento fiscal, sendo devida no lançamento de ofício com objetivo punitivo. O percentual de multa deve estar de acordo com a legislação de regência, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN).” Com razão a autoridade julgadora a quo posto que, consoante já destacado acima, quando da análise da afronta à decisão judicial, não se discutiu na ação judicial sobre o que compõe o faturamento de empresas seguradoras. A Ação Ordinária nº 2005.38.00.043670 7, com pedido de antecipação de tutela, contestou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. Não há concomitância entre os pedidos judicial e o administrativo constante desta lide, não se enquadrando a hipótese presente na regra excepcional do lançamento da multa de ofício. CONCLUSÃO Tendo em conta a análise e fundamentos efetuados acima, bem como os fundamentos proferidos no voto do acórdão recorrido, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e, no que se refere ao recurso voluntário, indeferir o incidente de sobrestamento, rejeitar a preliminar de ofensa pelo acórdão recorrido à decisão juldicial e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 30 Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre as questões fáticas. Após a sustentação oral do patrono, fiquei com dúvidas em relação ao teor do processo judicial, assim como no que se refere ao teor das decisões proferidas. Ainda, atenteime para a particularidade da atividade de seguro que poderia resultar em conduta não típica da tributação pretendida. Ao analisar os autos constatei que as questões em discussão são: Quanto ao Recurso de Ofício, o cancelamento do auto de infração no que se refere à parte incidente sobre as receitas financeiras (aluguéis, receitas de investimento próprio e demais receitas, distintas do faturamento e do conceito de receita operacional da Recorrente). No que se relaciona ao Recurso Voluntário, inicialmente, por ser (i) preliminar, há a discussão sobre a possibilidade da matéria estar em Repercussão Geral, o que impediria o julgamento deste processo. Após, há a questão da (ii) afronta à coisa julgada, em virtude dos termos das decisões judiciais e (iii) da incidência do PIS e Cofins nas receitas das operadoras de seguro. Analisei os autos e a decisão da I. Relatora. É de se admitir que o voto proferido foi realizado com excelência, tendo todos os argumentos sido analisados de maneira detalhada e fundamentada. Concordo com os argumentos apresentados pela d. Relatora no que se refere ao Recurso de Ofício. É pacífico neste tribunal administrativo a impossibilidade da tributação de receitas financeiras próprias e outras receitas desatreladas do faturamento se a empresa estiver sob a égide da Lei nº 9.718/98. É o efeito da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal quando da análise do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ainda, no tocante ao Recurso Voluntário, estou de acordo com quase a totalidade dos termos do voto da Relatora, excetuando apenas o item (iii), no qual acompanho a Conselheira pelas conclusões. Realmente, em relação à preliminar, assim como a Relatora, sou da opinião de que a matéria (conceito de faturamento para empresas de seguros e financeiras) está em discussão em sede de Repercussão Geral, e entendo que a exposição minuciosa do voto condutor não deixa dúvidas em relação a este fato. Todavia, assim como também pontuado pela Relatora, a Portaria CARF nº 1 impede que o presente julgamento fique suspenso, razão pela qual passo a analisar o mérito. Após analisar os documentos referentes ao processo judicial, constatei a mesma coisa que a Relatora, que o processo não esmiuçou o conceito de faturamento para a atividade da Recorrente, inclusive, nos termos da exordial do mandado de segurança percebe se que o pedido realizada pela Recorrente foi, em relação a este tópico, genérico: “...seja ao final concedida a segurança, garantindose a impetrante do direito de não recolher a COFINS (revogação espúria da isenção conferida às instituições financeiras), ou quando menos, o direito de recolher a COFINS sobre o seu “faturamento”, entendido tal como nos termos do artigo 2º da lei Complementar nº 70/91 (receita de prestação de serviços e venda de mercadorias), declarandose incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3º, caput e seu §1º da Lei nº 9.718/98.” Não há aqui questionamento acerca da conceituação de “prestação de serviços” para a atividade de seguradora. Ante estes fatos, concordo com a Relatora no sentido Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.615 31 de que a autuação não afrontou a coisa julgada, uma vez que a fiscalização analisou as receitas auferidas pela Recorrente e entendeu que estas receitas decorriam de seu faturamento. Todavia, não posso concordar com a fundamentação utilizada pela DRJ e avalizada pela Ilustre Relatora acerca do conceito de faturamento para as empresas de seguro. A despeito da bem colocada argumentação trazida a lume, meu entendimento é no sentido de que a Corte Suprema ainda não se manifestou sobre o assunto, tanto é assim que – conforme esclarecido em sede de preliminar se encontra pendente, em sede de Repercussão Geral, o leading case acerca da matéria. O que existe – e inclusive consta do voto da Relatora – são discussões entre os Ministros da Suprema Corte e alguns posicionamentos de Ministros neste sentido, que constam de notas taquigráficas mas, quando muito, representam o pensamento destes Ministros naquela oportunidade. Inclusive, alguns destes Ministros inclusive já encontramse aposentados, razão pela qual sequer estarão presentes no julgamento do leading case. Não vejo meios, portanto, de aplicar o entendimento de identidade entre faturamento e receita operacional. Ainda neste sentido mister registrar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inclusive, emitiu Parecer interpretando o julgamento do Supremo, para o fim de concluir que o conceito de faturamento entendido pela Suprema Corte era a receita bruta operacional. Se o julgado fosse exatamente neste sentido, não haveria necessidade de interpretação por parte da Procuradoria. Por outro giro, entendo a tese apresentada pela Recorrente. A questão trazida referese ao fato de que a natureza do contrato firmado entre a Recorrente e seus beneficiários ser de seguro, e não de prestação de serviços. Nos termos do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal – STF – no julgamento do Recurso Extraordinario nº 346.084, leading case que analisou a (in)constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, pretendido pelo artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, o conceito de faturamento legal e constitucional não é o de “totalidade de receitas”, mas sim o simples faturamento entendido como a “receita de vendas de mercadorias e/ou serviços”. Aqui está a controvérsia trazida aos autos. A Recorrente não presta serviços, mas fornece seguros e o PIS/Cofins incide apenas sobre a venda de mercadorias e serviços. De fato, a Recorrente, ao firmar contratos com seus clientes, obrigase a cobrir eventos aleatórios, representativos de custos que podem ou não vir a ocorrer. Em troca, seus clientes pagam um valor fixo a titulo de premio. O contrato de seguro é aquele em que uma parte se obriga com a outra a defender seus interesses na ocorrência de riscos prédeterminados, mediante o recebimento de um pagamento. Percebese, portanto, que a principal característica do contrato de seguro é exatamente o pagamento desta indenização acerca do prejuízo resultante da ocorrência dos eventos previstos no contrato. Indiscutível que, ao contrario do contrato de prestação de serviços, o contrato de seguro é contrato aleatório, pois uma das prestações é sempre incerta, podendo inclusive não ocorrer, vez que sua ocorrência depende de evento futuro. Neste sentido ecoa a doutrina: Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 32 “é o aleatório o contrato em que as prestações de uma ou de ambas as partes sao incertas, porque a sua quantidade ou extensão esta na dependência de um fato futuro e imprevisível (alea) e pode redundar em numa perda, ao invés de lucro. Exemplos: o contrato de seguro...” (Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, Direito das Obrigacoes, Vol. II, Saraiva, 1967, pag.30) “Contrato aleatório, por excelência, é o seguro, e que a prestação do segurado é certa e do segurador incerta, dependendo da realização de uma condição.” (Arnold Wald, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 1969, pag.196) Admitida esta premissa, sendo atividade da Recorrente típica de seguro, cabível a tese pleiteada. Conforme ementa do acórdão proferido na ocasião do julgamento do leading case (Recurso Extraordinário nº 346.084), resta evidente o conceito de faturamento atualmente admitido pelo Supremo Tribunal Federal, para tributação por meio da Lei nº 9.718/98, verbis: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (destaquei) Neste sentido, uma vez que a Suprema Corte apresentou entendimento, pelo Pleno de seu Tribunal, no sentido que faturamento é apenas receita de venda de “produtos e serviços”, plausível o entendimento trazido pela Recorrente. Todavia, existe um senão no caso em análise. A questão é que de seguros está prevista da lista de serviços da Lei Complementar 116/031, sendo, portanto, passível de 1 "Lei Complementar 116/03: ... 10 – Serviços de intermediação e congêneres. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.720496/201107 Acórdão n.º 3302001.875 S3C3T2 Fl. 1.616 33 exigência de ISS pelos Municípios. Isto é, existe uma legislação que expressamente define como “prestação de serviço”, a atividade da Recorrente. Ocorre que é defeso a este tribunal administrativo julgar a constitucionalidade de lei. Neste sentido, independente da discussão acerca da incidência do PIS e Cofins; se no termos da Lei nº 9.718/98 incide sobre “faturamento” entendido como “receita de venda de produtos ou serviços” como o Supremo já declarou ou “receita operacional”, fato é que a LC 116/03 definiu que a atividade da Recorrente é de prestação de serviços. Ante o exposto, voto com a Conselheira Relatora, ainda que pelas conclusões, para manter o auto de infração da forma como lançado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10.01 – Agenciamento, corretagem ou intermediação de câmbio, de seguros, de cartões de crédito, de planos de saúde e de planos de previdência privada." Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10580.725114/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido(s) o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 14 /2 00 9- 82 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido(s) o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. 3ª Turma da DRJ em Salvador, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 125.704,05, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 2802000.926 S2TE02 Fl. 242 3 conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 2802000.926 S2TE02 Fl. 243 5 pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitá las ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente e o crédito tributário mantido, sob o fundamento de que as verbas recebidas a título de abono variável, pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional. O pleito da Recorrente pela exclusão das parcelas a título de URV, por se referirem à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário foi expressamente rejeitada, em razão do confronto das planilhas de cálculo da diferença de URV emitida pelo Ministério Público às fls. 24/26, com o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização, à fl. 10, na qual se verificou que tais parcelas não foram incluídas no lançamento fiscal. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Antes de apreciar o mérito das razões expostas em sede de recurso voluntário, cumpre analisar as questões prévias apresentadas pela Recorrente, em relação à nulidade da decisão de 1ª instância, por ausência de fundamentação quanto à alegada ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda cujo produto da arrecadação cabe ao Estado e por não enfrentar argumento relevante relativo “à quebra da capacidade contributiva” . Não é de se acolher a arguição de nulidade por ausência de fundamentação suficiente. A decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta. Além do mais, é pacífico o entendimento do C. STJ no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide. Portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. O mesmo raciocínio se aplica à alegação de não enfrentamento sobre o alegado desrespeito à capacidade contributiva, com a ressalva de se tratar de matéria de ordem constitucional, cujo pretensão para fins de afastar preceito legal expresso, ainda que a descontento deste julgador, é vedado pela lei processual administrativa (artigo 26A do Decreto n. 70.235/72). Rejeitadas as preliminares argüidas, passo ao mérito. Caso semelhante a este foi julgado por esta mesma C. 2ª Turma Especial, em recurso voluntário relatado pelo i. Conselheiro Sidney Ferro Barros (Processo n. 15521.000097/200561), naquela oportunidade envolvendo o abono variável dos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em situação fáticonormativa semelhante à ora em julgamento. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 2802000.926 S2TE02 Fl. 244 7 Naquela ocasião, foi citado acórdão da lavra do Conselheiro Sandro Machado dos Reis (Processo n° 17883.000270/200548) no qual restou reconhecida a natureza indenizatória do abono variável, e por via de conseqüência, a intributabilidade de tais vencimentos, a seguir: "Como dito, a questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pela Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis. Com efeito, as Leis n's 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei n° 10.477/02, aos membros do Ministério Público Federal. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, através da Resolução n° 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual n° 4.433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Vejase, em acréscimo, que a lei estadual não cria novo abono, mas se utiliza do abono e da legislação federal para adotálo em relação aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Abono, aliás, cuja natureza indenizatória restou conferida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal.” Com efeito, a edição da lei complementar do Estado da Bahia n. 20/2003, reconhecendo a natureza indenizatória de tais valores, cumpriu exatamente o mesmo papel da lei fluminense, qual seja, o de reconhecer, na esfera estadual, a qualificação de rendimentos já reconhecido aos membros da Magistratura Federal, pela lei n. 10.474 e ao Ministério Público da União, pela simetria imposta pelo art. 2º da lei n. 10.477/2002, com fulcro no § 4º do artigo 129 da CF/88. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia pela LCE n. 20/2003, tem natureza idêntica àquele concedidos à Magistratura Federal e ao MPU, de inequívoca natureza indenizatória, nos exatos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não constituindo riqueza nova, senão, mera recomposição de perdas ocasionadas por ajuste de conversão monetária. Exegese em sentido contrário, ou seja, pelo reconhecimento da natureza indenizatória apenas aos membros da Magistratura Federal e do MP da União, implicaria em criar dois pesos e duas medidas, apenas em virtude da origem do instrumento legislativo adotado para o reconhecimento da natureza indenizatória de tais valores Se emanado pelo Congresso Nacional, válido; se pelas respectivas Assembléias dos Estados, inapto a reconhecer juridicamente a natureza indenizatória da recomposição devida. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Com a devida vênia de entendimentos contrários ao por mim adotado, reconhecer apenas à lei federal a aptidão em qualificar valores como sendo de natureza indenizatória e desconsiderar as respectivas leis estaduais que buscaram adequar sua legislação ao previsto no artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, equivale a “(...) instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente” (inciso II do artigo 150 da CF/88)”, em arrepio à própria redação do texto legal, que ao tratar do abono variável dos membros do Poder Judiciário, não faz ressalvas se membros dos quadros da magistratura federal ou estadual, aplicável por simetria ao Ministério Público, face ao disposto no § 4º do art. 129 da CF/88. E mais, a própria redação da EC 19, a que se refere o artigo 6º da lei n. 9.655/98, dispõe que os “(...) subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional.” Logo, não reconhecer a competência e validade da LC do Estado da Bahia n. 20, em estender o reconhecimento inequívoco de verba indenizatória assim qualificada por Resolução do STF e respectiva legislação federal, equivale a negarlhe aplicação, em atividade vedada pelo artigo 26A do Decreto n. 70.235/72. Quanto ao argumento de que imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, a qualificação de verba indenizatória por lei estadual não teria qualquer efeito tributário, é de se lembrar que a não tributação de verbas indenizatórias não é conseqüência de dispositivo isencional, a depender de expressa previsão na legislação do imposto. Tratase de valores fora do campo de incidência do imposto sobre a renda, justamente por não se enquadrarem em nenhum dos conceitos de renda ou de proventos de qualquer natureza (acréscimo patrimonial), a que se refere o artigo 43 e incisos do CTN. Tais verbas se enquadram no conceito adotado por José Souto Maior Borges de não incidência pura e simples, qual seja: "a que se refere a fatos inteiramente estranhos à regra jurídica de tributação, a circunstâncias que se colocam fora da competência do ente tributante" (Isenções tributárias. São Paulo: Sugestões Literárias, 1969. p. 154). Logo, desnecessário enunciado legal desonerativo expresso, tal qual como pretendido pela decisão ora recorrida. Posto isso, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Entretanto, se vencido quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão das multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba como não tributável foi decisiva para a conduta da Recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 2802000.926 S2TE02 Fl. 245 9 é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste E. Sodalício: 10616801, 10616360 e 19600065, a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) O C. Superior Tribunal de Justiça, de igual modo, ao admitir a exigência do imposto do contribuinte, exclui a multa em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Se vencido pelos meus pares quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão da multa de ofício e aplicação apenas da multa moratória, de modo a dar parcial provimento ao Voluntário. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Carlos André Ribas de Mello redator designado. Conquanto valha o respeito ao judicioso voto do Eminente Conselheiro Relator, dele ouso divergir, no mérito, pelas seguintes razões. A controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais não são idênticos em seu teor. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 2802000.926 S2TE02 Fl. 246 11 § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõe: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir somente a multa de ofício a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10325.000803/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS CONTABILIZADOS. ANÁLISE. NECESSIDADE.
A partir do momento em que o próprio contribuinte declara que os valores movimentados em contas bancárias refletem o produto das vendas, confirma-se a presunção abrigada pela lei, o que, a princípio, não desautoriza a sua aplicação. Contudo, no caso em que se constata a confissão de débitos decorrentes de receitas contabilizadas, cabe à Fiscalização promover o confronto entre os créditos bancários escriturados e os que foram considerados na determinação das exações devidas.
Numero da decisão: 1301-001.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS CONTABILIZADOS. ANÁLISE. NECESSIDADE. A partir do momento em que o próprio contribuinte declara que os valores movimentados em contas bancárias refletem o produto das vendas, confirma-se a presunção abrigada pela lei, o que, a princípio, não desautoriza a sua aplicação. Contudo, no caso em que se constata a confissão de débitos decorrentes de receitas contabilizadas, cabe à Fiscalização promover o confronto entre os créditos bancários escriturados e os que foram considerados na determinação das exações devidas.
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CRÉDITOS BANCÁRIOS CONTABILIZADOS. ANÁLISE. NECESSIDADE. A partir do momento em que o próprio contribuinte declara que os valores movimentados em contas bancárias refletem o produto das vendas, confirma se a presunção abrigada pela lei, o que, a princípio, não desautoriza a sua aplicação. Contudo, no caso em que se constata a confissão de débitos decorrentes de receitas contabilizadas, cabe à Fiscalização promover o confronto entre os créditos bancários escriturados e os que foram considerados na determinação das exações devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 08 03 /2 01 0- 35 Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.081 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.082 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006 e de 2007, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, determinada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 2.025/2.040), momento em que argumentou: ser necessária a realização de perícia para fins de demonstração dos equívocos dos lançamentos; ter havido violação ao princípio da capacidade contributiva em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS; ter havido inclusão indevida nas receitas tidas como omitidas de faturamento decorrente de venda de produtos sujeitos à tributação monofásica; ser confiscatória a multa de 112,5%; não ter deixado de atender as intimações fiscais e de entregar as declarações, não tendo omitido dolosamente receitas; não ser possível a aplicação da taxa SELIC. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 08 20.235, de 11 de março de 2011, pela improcedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ESCRITURADOS. Tratandose de contas bancárias cuja movimentação financeira foi devidamente contabilizada, incabível a presunção de omissão de receitas pela falta de comprovação da origem dos depósitos nelas realizados. Nesse caso, as verificações fiscais devem recair sobre as contrapartidas dos suprimentos registrados na contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. Incumbe à autoridade lançadora excluir, do valor tributável como omissão de receitas, os cheques que, inicialmente creditados nas contas bancárias da fiscalizada, restaram devolvidos por insuficiência de fundos. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.083 4 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO DOS PREJUÍZOS CONTÁBEIS INFORMADOS NA DIPJ. ILEGALIDADE. É ilegal o procedimento pelo qual a autoridade lançadora compensa parte do valor tributável apurado na fiscalização com o saldo da conta prejuízos acumulados registrado no Balanço Patrimonial da DIPJ da autuada. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em se tratando de exigência reflexa de CSLL que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada em relação a este constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em se tratando de exigência reflexa de COFINS que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada em relação a este constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em se tratando de exigência reflexa de Contribuição para o PIS que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada em relação a este constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. É o Relatório. Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.084 5 Voto Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.950/1.954, temos, em apertada síntese, que: i) a contribuinte fiscalizada foi intimada em 29 e 30 de junho de 2009 a comprovar a origem dos créditos bancários efetuados em suas contas bancárias (Termos de Intimação Fiscal às fls. 1.393/1.646 e 1.648/1.693). Em atendimento, anexando cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS, a autuada informou (fls. 1.727/1.729) “que todos os valores lançados a créditos nas contas correntes bancárias da requerente são originários das operações de venda de produtos, outros de operações de descontos de títulos oriundos de vendas de produtos, cuja comprovação se dar (sic) através do Livro de Saídas de Mercadorias e Livro de Apuração de ICMS (cópia anexo) onde estão registradas as operações de vendas com valores superiores ao depósito e créditos lançados nas contas correntes da requerente”. ii) diante da resposta da contribuinte, a autoridade fiscal, esclarecendo que haviam sido enviadas apenas cópia não autenticada dos Livros de Apuração do ICMS, lavrou Termo de Reintimação Fiscal (fls. 1.784/1.785) reiterando a comprovação da origem dos créditos bancários; iii) nova intimação foi lavrada em 21 de janeiro de 2010, exigindo a comprovação da origem dos créditos bancários (fls. 1.788/1.789); iv) em 1º de junho de 2010, a fiscalizada apresenta os Livros Razão relativos aos anoscalendário de 2005 e de 2006, com os registros correspondentes à movimentação bancária; e v) relativamente à escrituração, a autoridade fiscal afirma que os históricos dos lançamentos correspondentes à movimentação bancária estão incompletos, não constando informação acerca do “documento fiscal” que serviu de suporte para os registros e sem indicação “da parte com a qual transacionou”. Diante de tais fatos, a autoridade fiscal, considerando não comprovada a origem dos créditos bancários, promoveu os lançamentos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, agravando a multa de ofício em virtude da referida não comprovação. A Turma julgadora de primeiro grau, apreciando os argumentos expendidos na peça impugnatória, decidiu pela improcedência dos lançamentos tributários, motivo pelo qual interpôs o recurso necessário. Em apertada síntese, a decisão de primeira instância fundouse nas seguintes razões: Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.085 6 apesar de afirmar que os depósitos bancários não foram contabilizados, a autoridade fiscal, em outro momento, diz que nos Livros Razão de 2005 e de 2006 consta escrituração da movimentação bancária da contribuinte, o que revela contradição; no caso de contas bancárias escrituradas, a fiscalização deve ser empreendida de forma mais aprofundada, de modo que seja estabelecido um nexo causal entre os depósitos e o fato representativo de omissão de receitas; ressalvada correspondência encaminhada dezessete dias antes da lavratura dos autos de infração, não há registro nos autos de que a fiscalizada tenha sido intimada a apresentar os livros da sua escrituração comercial no curso da ação fiscal; para confirmação do indício motivador do procedimento fiscal (DIPJ ZERADAS, apesar de elevada movimentação financeira), o exame da escrituração da contribuinte era indispensável; diante da presunção legal de veracidade ostentada pela escrituração da contribuinte, caberia à autoridade fiscal verificar os registros relativos aos valores que ingressaram na conta CAIXA e que, posteriormente, foram transferidos para as contas representativas da movimentação bancária; à luz dos elementos colacionados aos autos, concluise que a autoridade fiscal não atribuiu à forma adotada pela contribuinte para contabilizar os depósitos bancários (contas debitadas e creditadas) qualquer incompatibilidade com o reconhecimento de tais depósitos como receitas; a aceitação, por parte da autoridade autuante, dos prejuízos fiscais demonstrados nas DIPJ leva à conclusão de que essa mesma autoridade reconheceu a escrituração das receitas. No voto condutor da decisão de primeira instância constam, ainda, considerações acerca de erros cometidos pelo autuante na quantificação da matéria tributável (ausência de exclusão de depósitos relativos a cheques devolvidos em razão de insuficiência de fundos) e na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda (compensação de prejuízos contábeis). Apesar de não concordar, integralmente, com as considerações expendidas na decisão a quo acerca da possibilidade de aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 na situação em que contas bancárias encontramse escrituradas, e, também, entender que os erros cometidos pela autoridade fiscal na apuração das exações devidas não serem suficientes à decretação da nulidade dos lançamentos tributários efetivados, penso que, de fato, as autuações ora submetidas à apreciação não podem prosperar. Com efeito, a imputação de omissão de receitas promovida pela autoridade fiscal, como bem ressaltou a decisão da Turma Julgadora de primeira instância, fundamentou se, única e exclusivamente, no fato de a contribuinte ter apresentado cópia de páginas do Livro de Registro de Apuração de ICMS desprovida de autenticação e de os históricos dos registros contábeis relativos aos depósitos bancários, na avaliação da referida autoridade, não permitirem identificar a transação correspondente. Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.086 7 De fato, não se identifica nos autos qualquer elemento representativo da iniciativa da Fiscalização no sentido de buscar correlação entre os créditos bancários e as receitas contabilizadas e de averiguar os montantes de receitas que serviram de base para determinação dos valores dos tributos e contribuições confessados em DCTF1. Notese que a própria contribuinte informou que os créditos bancários tinham por origem operações de venda de produtos, isto é, eram representativos de receitas auferidas, o que, a princípio, tornava desnecessária a aplicação da presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ora, por que servirse de presunção abrigada pela lei se a própria fiscalizada admite a presunção ali prevista? Uma vez admitido que os recursos que ingressaram nas contas bancárias derivaram de operações de venda de produtos, cabia à autoridade fiscal aferir, a partir da escrituração posta à sua disposição, o cômputo das receitas correspondentes nas bases de cálculo das exações devidas. Observo que, a partir do momento em que a própria contribuinte declara que os valores movimentados em contas bancárias refletem o produto das vendas, a presunção abrigada pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é confirmada, o que, a princípio, não desautoriza a sua aplicação. Contudo, caberia à Fiscalização promover o confronto entre os créditos bancários escriturados e os que foram considerados na determinação das exações devidas. Realmente, ainda que não se leve em conta os erros cometidos na determinação quantitativa da matéria tributável, ao simplesmente considerar como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias, o agente fiscal emprestou incerteza em relação aos créditos tributários constituídos, vez que a contribuinte, como já dito, confessou débitos relativos aos períodos auditados, o que, obviamente, significa dizer que certo montante de receita foi considerado na apuração dos tributos e contribuições devidos. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator 1 Em que pese a apresentação de DIPJ "zeradas", às fls. 1.821/1.872 e 1.935/1.937 consta comprovação de que a fiscalizada confessou débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em DCTF, relativamente aos anoscalendário de 2005 e de 2006. Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10325.000803/201035 Acórdão n.º 1301001.136 S1C3T1 Fl. 2.087 8 Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10835.720298/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 RESTITUIÇÃO - SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. As receitas financeiras originárias de empreendimentos em fase pré- operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido à tributação. Na situação dos autos, sendo as despesas financeiras maiores que as receitas financeiras, e tendo sido declaradas no ativo diferido, na existência de saldo negativo de IRPJ, apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB.
Numero da decisão: 1301-001.021
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉOPERACIONAL. As receitas financeiras originárias de empreendimentos em fase pré operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas préoperacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido à tributação. Na situação dos autos, sendo as despesas financeiras maiores que as receitas financeiras, e tendo sido declaradas no ativo diferido, na existência de saldo negativo de IRPJ, apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identifica contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Colhese dos autos que a recorrente apresentou declaração de compensação, materializadas na DCOMP nº 15118.38577.200409.1.3.020053, indicando crédito originário do anocalendário 2008, no valor originário de 2.054.188,51 (dois milhões cinquenta e quatro mil cento e oitenta e oito reais e cinquenta e um centavos). Em momento posterior, a recorrente apresentou diversas DCOMP’s indicando o aproveitamento do mesmo crédito, materializadas nas declarações indicadas na tabela de folha 98. Em análise das mencionadas declarações, a autoridade administrativa proferiu o Despacho Decisório de folhas 53 a 56, assentando a não homologação das compensações, porquanto verificou que a recorrente, no aludido período, não teve receitas e não apurou IRPJ a pagar ou a restituir, significando que as receitas correspondentes aos valores retidos na fonte não foram computados na determinação do lucro real, situação que obstaria o reconhecimento do direito creditório. Devidamente notificada (fl. 64), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 65 70), alegando em síntese, que sua unidade operacional foi inaugurada em 16 de novembro de 2009, e que até então, era uma empresa préoperacional. Sustentou, destarte, que consoante o artigo 179 da Lei nº 6.404/76, com a redação vigente até 03 de dezembro de 2008, os valores classificados no ativo diferido eram “as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder ao início das operações sociais”. Sustentou ainda, que baseada no Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da FIPECAFI, “faz parte do ativo diferido qualquer resultado eventual obtido com o uso de ativos, associados ao empreendimento em fase préoperacional. Por exemplo, se empresa aplica seus recursos financeiros ainda não utilizados e obtém receitas financeiras (ou de variações monetárias), deve considerar essas receitas como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio diferido; se suplantálas, deve deduzilas das outras despesas operacionais”. Concluiu, portanto, que as receitas financeiras e as despesas financeiras não poderiam ser apropriadas ao resultado e, portanto, não constaram na demonstração do lucro Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10835.720298/200955 Acórdão n.º 1301001.021 S1C3T1 Fl. 2 3 real, citando diversas ementas de Soluções de Consulta e outros tantos julgados administrativos que entendeu favoráveis. Destacou que obteve receitas financeiras de R$ 10.232.797,11, e que esta foi inferior a sua despesa financeira, no valor de R$ 3.524.245,55, e a sua despesa operacional, no valor de R$ 9.073.794,86, resultando num total líquido diferido de R$ 12.200.243,20, conforme se poderia verificar na linha 58, Ficha 36A, da DIPJ/2009. Mencionando que ainda que a receita financeira fosse computada no lucro real, resultaria em prejuízo fiscal. A 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 97 a 104, indeferiu a solicitação, fundamentando para tanto, que a recorrente não teria comprovado que se encontrava em fase préoperacional no período referido, e que também não haveria comprovação de que as receitas financeiras decorreram de ativos utilizados ou mantidos para emprego no suposto empreendimento em andamento, justificando seu possível registro no ativo diferido, deduzindo as despesas ativadas. Fundamentouse ainda, que não haveria comprovação do montante total de despesas financeiras e operacionais indicadas pela recorrente e a somatória das despesas financeiras e operacionais então ativas não teria sido deduzida das receitas financeiras então auferidas, conforme linha 58, Ficha 36A, da DIPJ/2009, resultando na improcedência do pedido de compensação. Devidamente cientifica, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como evidenciado no relatório acima elaborado, a recorrente apresentou DCOMP, indicando crédito referente ao anocalendário 2008, argumentando que inaugurou sua unidade industrial em 16 de novembro de 2009, encontrandose, até então, em fase pré operacional, asseverando que durante o período que precedeu o início de suas atividades, incorreu em despesas préoperacionais e financeiras, todas relacionadas à sua atividade fim, bem como teria auferido receitas decorrente de aplicações financeiras. Por tais razões é que sustentou que ao longo do anocalendário 2008, suportou a retenção na fonte do imposto sobre a renda, os quais foram devidamente registrados e contabilizados em ativo diferido, na forma da legislação então vigente, concluindo, destarte, que ao final do referido anocalendário, apurou crédito decorrente de saldo negativo de imposto de renda, no montante total de R$ 2.054.188,51. Tanto o Despacho Decisório quanto a decisão recorrida, entenderam que tendo em vista que as receitas financeiras não foram computadas na apuração do lucro real, não é possível a dedução do respectivo IRRF, não existindo, em consequência o saldo negativo indicado pela interessada. Necessário, portanto, relembrar o que dispõe a solução de divergência COSIT n° 32 de 05.08.2008, cuja ementa é a seguinte: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Ora, verificase pelo entendimento da própria Administração que não há razão para se concluir que o resultado financeiro positivo obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, visto que a legislação comercial, que consagra o princípio da competência, inclusive no que se refere ao ativo diferido e cuja observância é determinada pela legislação tributária, estabelece que devem ser registrados no ativo diferido, o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo, sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas, devendo haver tributação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas préoperacionais. Sobre essa matéria já se manifestou este Conselho a exemplo do que decidido no acórdão 10709537, de 12.11.2008, cuja ementa a seguir transcrevo: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10835.720298/200955 Acórdão n.º 1301001.021 S1C3T1 Fl. 3 5 LUCRO REAL FASE PRÉOPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. As receitas financeiras originárias de empreendimentos em fase préoperacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas préoperacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido à tributação. As receitas financeiras e as variações monetárias ativas são parte da atividade operacional da empresa, podendo ser diferidas se a situação é de préoperacionalidade. Pelo que se depreende dos autos, a recorrente, durante o anocalendário 2008, estando em fase préoperacional, promoveu o encontro de contas das receitas financeiras, despesas operacionais e outras despesas préoperacionais justamente nos grupos de contas Ativo Diferido, de sorte que registrou despesas operacionais no total de R$ 9.073.927,29 e despesas financeiras no total de R$ 12.596.375,27, sendo que estas despesas superaram as receitas financeiras do período que totalizaram R$ 9.470.059,35, a revelar que o saldo de Ativo Diferido foi de R$ 12.200.243,20, tal como registrado no Livro Razão (doc. 04 do Recurso – anexo sem paginação). O que se tem nos autos, é que a recorrente apurou despesas préoperacionais no montante de R$ 9.073.927,29, despesas financeiras no total de R$ 12.596.375,27 e receitas financeiras do período de R$ 9.470.059,35, resultando em um saldo de Ativo Diferido de R$ 12.200.243,20, sendo que o saldo líquido negativo no valor de R$ 3.126.315 registrado sob a rubrica “despesas e receitas financeiras líquidas”, corresponde a diferença entre o valor das despesas financeiras e as receitas financeiras, de sorte que o correspondente saldo do Ativo Diferido em 31/12/2008, registrado na Linha 58 da Ficha 36A, da DIPJ, representa o saldo das despesas financeiras, já deduzidas as receitas financeiras. Sendo as despesas financeiras maiores que as receitas financeiras, conforme evidenciado acima, e tendo sido declaradas no ativo diferido, na existência de saldo negativo de IRPJ, apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Com tais ponderações, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000163/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
INTIMAÇÃO. EDITAL.
Comprovada improfícua a ciência por via postal, a intimação pode ser feita por edital.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Comprovado que o contribuinte foi cientificado de Termo de Intimação para comprovar as deduções pleiteadas em sua Declaração de Ajuste Anual, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL.
A pensão alimentícia judicial somente é dedutível nos limites em que definida em sentença ou acordo homologado judicialmente e quando restar comprovado o seu pagamento.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 84.398,79.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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EDITAL. Comprovada improfícua a ciência por via postal, a intimação pode ser feita por edital. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Comprovado que o contribuinte foi cientificado de Termo de Intimação para comprovar as deduções pleiteadas em sua Declaração de Ajuste Anual, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL. A pensão alimentícia judicial somente é dedutível nos limites em que definida em sentença ou acordo homologado judicialmente e quando restar comprovado o seu pagamento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 84.398,79. Assinado digitalmente Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 210202.014 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/06/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Contra JOSÉ RENATO BIZERRA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 35/37, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 26.031,70, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/02/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de pensão alimentícia judicial e dedução indevida de despesas médicas, nos valores de R$ 85.938,53 e R$ 11.857,49, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/05, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 11.857,49. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/11/2007, fls. 80, o contribuinte apresentou, em 13/12/2007, recurso voluntário, fls. 82/92, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: Que esse Egrégio Conselho anule todo o processo, com base no princípio do artigo 5º, inciso LV, e no da legalidade previsto no caput do artigo 37 da Constituição Federal, pois o lançamento feito pela fiscalização precedeu ao chamamento do contribuinte para o exercício do contraditório e da ampla defesa, não havendo prova que se enviou AR para a casa do mesmo contribuinte, pois não há nos autos prova desse envio, conforme admitiu a Receita às fls. 68, para que o Fiscal, como juiz natural desta causa administrativa, colha a prova, escute os depoimentos úteis ao julgamento do processo administrativo, assegurandose ao recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa com e Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 210202.014 S2C1T2 Fl. 3 3 os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do artigo 5° inciso LV da Constituição Federal e dos princípios da legalidade e da Moralidade, que obrigam a Administração Pública, do art. 37 da mesma Constituição Federal. Mas, se esse Egrégio Conselho entender que o caso é de nulidade do processo administrativo, mas uma vez que as razões de direito apresentadas nesta petição de recurso e as provas documentais juntadas aos autos permitem o julgamento da causa em favor do recorrente, por uma questão de economia processual, que esse Egrégio Conselho acolha o pedido do recorrente e declare que o mesmo contribuinte tem direito ao abatimento total das quantias pagas a título de pensão alimentícia ao então excônjuge feminino e aos filhos do casal, na forma indicada nos autos, ou seja, as pagas diretamente à beneficiária Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra e comprovadas mediante a quitação de fls. 22/28, e as descontadas pelo empregador e repassadas à mesma, conforme comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte ano calendário de 2.004, e bem assim mande fazerlhe a restituição do imposto de renda encontrada com os acréscimos legais. Que também anule o ato administrativo de imposição da multa de oficio, por ser ele ilegal tanto pela falta do contraditório prévio ao contribuinte, e por não se encontrar o autor enquadrado nas hipóteses do artigo 44 da Lei 9.430/96. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 210202.014 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese analisar a alegação de nulidade do lançamento suscitada pelo contribuinte, sob a alegação de que houve cerceamento ao seu direito de defesa, dado que não teria sido cientificado do Termo de Intimação, fls. 55. Dos documentos que compõe o processo verificase que o referido Termo de Intimação foi encaminhado para o contribuinte, mediante Aviso de Recebimento (AR), extrato, fls. 62, donde se infere que a correspondência foi devolvida ao remetente, com o motivo: ausente. Consta, ainda, que o referido Termo fez parte de Edital Malha Fiscal, fls. 63, que foi publicado em 20/10/2006. Ora, o extrato, fls. 62, faz prova de que a intimação, por via postal, no endereço do contribuinte foi frustrada, sendo válida, portanto, a intimação por edital, nos termos do disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Nestes termos, há de se concluir que o contribuinte foi cientificado, por edital, do referido Termo de Intimação. Por outro lado, ainda, que o contribuinte não houvesse sido cientificado do Termo de Intimação, não restaria caracterizado o cerceamento do direito de defesa suscitado pelo contribuinte, dado que quando cientificado do lançamento, foi lhe oportunizado prazo para a apresentação da impugnação, momento em que poderia juntar aos autos todos os documentos de que dispusesse, como de fato o fez, para comprovar as deduções de pensão alimentícia judicial e de despesas médicas. Nessa conformidade, não pode prosperar a alegação de nulidade do lançamento. No mérito, a lide que ora se aprecia restringese à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 85.938,53, que foi mantida pela decisão recorrida sob a seguinte fundamentação: 16. Assim, de acordo com a legislação supracitada, competiria ao juízo de Vara de Família prolatar as sentenças relativas às dissoluções das uniões familiares estáveis e às causas de alimentos, o que não acontece no presente caso, no qual os documentos de fls. 29 a 32 foram emitidos por Juízo de Direito da 1ª e 3ª Vara Cível da Comarca de Petrolina, e não pela Vara de Família, conforme previsão legal. 17. Portanto, não vejo como reconhecer a dedução pleiteada, a título de pensão, uma vez que, apenas a pensão judicial paga em face do Direito de Família pode ser deduzida dos rendimentos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 210202.014 S2C1T2 Fl. 5 5 tributáveis recebidos pelo contribuinte. Sendo assim, não é permitido à autoridade administrativa estender tal isenção à pensão por acordo judicial emitido por juízo ao qual não compete o direito de família, por meio de interpretação da lei que não seja a estritamente literal, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN): (...) 18. Ressaltese que os extratos de conta corrente anexados nas fls. 40 a 53, comprovam transferência on line realizadas após o recebimento dos proventos do contribuinte, porém não informam a conta do beneficiário da transferência. Assim, ainda que a decisão judicial houvesse sido prolatada pelo juízo competente, não restaria comprovado o efetivo repasse do numerário a Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra. Acrescentese que, após quatro anos da dissolução de sociedade conjugal, ocorrida em 2003, o contribuinte ainda mantém idêntico domicílio tributário de sua excônjuge, Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra, na Av. da Nações Vila da Justiça, 55, casa, conforme consulta realizada no sistema CPF, constante de fls. 69 e 70. No recurso, o contribuinte esclareceu que há mais de 10 anos não existe Vara de Família na Comarca de Petrolina, sendo que as causas de Direito de Família, por isso, são conhecidas e julgadas pelas Varas Cíveis. Para comprovar sua alegação, juntou aos autos Certidão, fls. 94, firmada pelo Secretário do Foro de Petrolina, Estado de Pernambuco, que confirma os esclarecimentos prestados pelo recorrente. Nestes termos, verificase que a sentença, fls. 29/32, que determinou o pagamento da pensão alimentícia foi homologada por autoridade competente, afastandose, pois, as razões exaradas na decisão recorrida. No que se refere à comprovação dos pagamentos da pensão judicial, o contribuinte acostou aos autos cópias de recibos firmados por sua exesposa, de extratos bancários e do comprovante de rendimentos. Do exame dos referidos documentos verificase que restou comprovado, mediante transferências bancárias, fls. 40/53, o pagamento de pensão alimentícia, no valor de R$ 50.876,94 e mediante comprovante de rendimentos, fls. 33, R$ 33.521,85, quantias que somadas totalizam R$ 84.398,79. No que se refere aos recibos firmados pela exesposa do recorrente temse que não podem ser levados em consideração, por exceder ao percentual de 80% estabelecido na decisão judicial. Observese, a título de exemplo, que no mês de julho o recibo corresponde ao valor total dos proventos líquidos recebidos pelo recorrente. Assim, devese restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 84.398,79. No que se refere à multa de ofício temse que, ao contrário do que afirma a defesa, o contribuinte incorreu na hipótese descrita no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 210202.014 S2C1T2 Fl. 6 6 dezembro de 1996, dado que restou comprovado que o contribuinte fez uso de dedução indevida quando da apuração da base de cálculo do tributo e, conseqüentemente, deixou de recolher o imposto de renda correspondente, sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia, no valor de R$ 84.398,79. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.013946/98-63
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1992
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4º DO CTN.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação - caso do ILL - o prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário submete-se ao artigo 150, §4o do CTN, nas hipóteses em que o sujeito passivo antecipa parte do tributo devido e em que não se lhe acusa de dolo, fraude ou simulação. Recurso especial no 973.733, julgado pelo E. STJ sob o rito do artigo 543-C do CPC.
Numero da decisão: 2201-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência.
(assinatura digital)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (PRESIDENTE), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (SUPLENTE CONVOCADO), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. AUSENTE JUSTIFICADAMENTE O CONSELHEIRO GUSTAVO LIAN HADDAD
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1992 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4º DO CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação - caso do ILL - o prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário submete-se ao artigo 150, §4o do CTN, nas hipóteses em que o sujeito passivo antecipa parte do tributo devido e em que não se lhe acusa de dolo, fraude ou simulação. Recurso especial no 973.733, julgado pelo E. STJ sob o rito do artigo 543-C do CPC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência. (assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (PRESIDENTE), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (SUPLENTE CONVOCADO), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. AUSENTE JUSTIFICADAMENTE O CONSELHEIRO GUSTAVO LIAN HADDAD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1992 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4º DO CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação caso do ILL o prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário submetese ao artigo 150, §4o do CTN, nas hipóteses em que o sujeito passivo antecipa parte do tributo devido e em que não se lhe acusa de dolo, fraude ou simulação. Recurso especial no 973.733, julgado pelo E. STJ sob o rito do artigo 543C do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência. (assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (PRESIDENTE), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 39 46 /9 8- 63 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 AGUIAR (SUPLENTE CONVOCADO), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. AUSENTE JUSTIFICADAMENTE O CONSELHEIRO GUSTAVO LIAN HADDAD Relatório O presente processo trata de Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal em 14 de maio de 1998, contra contribuinte em epígrafe, com o intuito de constituir o crédito tributário oriundo do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo ao anocalendário de 1992 (fls 13/15 dos autos). Durante o anocalendário em questão o contribuinte efetuou recolhimentos por estimativa do ILL, sendo autuado por “Redução indevida da base de calculo do imposto de"renda sobre o lucro liquido em virtude da exclusão de valores não autorizados em lei, conforme detalhado no termo de verificação, parte integrante deste auto de infração”. Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe Necessário se faz reconhecer a decadência. A tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria entendia que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10880.013946/9863 Acórdão n.º 2201001.954 S2C2T1 Fl. 458 3 Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessa uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Assim, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o anocalendário 2000, há pagamento antecipado, como se vê pelo ILL informado na declaração de ajuste anual de fl. 7, com aplicação de multa de oficio ordinária de 75%, já que não se imputou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo forçoso aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/92, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/1997. Ocorre que o lançamento somente foi cientificado ao contribuinte em 14/05/1998 (fl. ), implicando que o crédito tributário do anocalendário 1992 foi extinto pela decadência. Ante o exposto e de tudo mais que dos autos consta, DOU PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10880.013946/9863 Acórdão n.º 2201001.954 S2C2T1 Fl. 459 5 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 11516.008419/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2002
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: LEGITIMIDADE PASSIVA. SÓCIO ADMINISTRADOR EM NOME DA EMPRESA. A pessoa jurídica responde pelos atos praticados pelo seu sócio administrador nos efeitos tributários, não podendo ser imputado a atividade como sendo exclusiva e pessoal do sócio quando, para sua prática, depende da estrutura jurídica da sociedade que administra.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
A Recorrente valia-se de contratos mantidos com empresas fornecedoras de vale alimentação para auferir receitas a margem de seu objeto social, deixando de oferecê-las à tributação. Aplicável, assim, a multa qualificada, nos termos e argumentos fundados no auto de infração, deve ser mantida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.767
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: LEGITIMIDADE PASSIVA. SÓCIO ADMINISTRADOR EM NOME DA EMPRESA. A pessoa jurídica responde pelos atos praticados pelo seu sócio administrador nos efeitos tributários, não podendo ser imputado a atividade como sendo exclusiva e pessoal do sócio quando, para sua prática, depende da estrutura jurídica da sociedade que administra. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. A Recorrente valiase de contratos mantidos com empresas fornecedoras de valealimentação para auferir receitas a margem de seu objeto social, deixando de oferecêlas à tributação. Aplicável, assim, a multa qualificada, nos termos e argumentos fundados no auto de infração, deve ser mantida. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMM TEIXEIRA Relator. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Karem Jureidini Dias. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.008419/200881 Acórdão n.º 1401000.767 S1C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente feito de auto a de infração decorrente da exclusão do Recorrente do Simples – Sistema Simplificado de Recolhimento de Tributos Federais tendo em vista a identificação de movimentação financeira não escriturada em montante superior ao do enquadramento do regime, com a conseqüente cobrança das diferenças apuradas, por arbitramento, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido e a título de Contribuição para a Assistência Social – COFINS e Contribuição para o PIS. Conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 135 e seguintes, in litteris: Na auditoriafiscal levada a termo no contribuinte em epígrafe, executada e formalizada em conformidade com as normas que regem os atos administrativos vinculados e regrados, foram evidenciados fatos com implicações tributárias na forma que passo a demonstrar. Os elementos de interesse fiscal coligidos encontramse compendiados no processoadministrativo n° 11516.008419/200881, instruindo às exigências relacionadas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexos, exações essas apuradas e constituídas em decorrência do procedimento fiscal ora levado a termo. 1 DOS ATOS E PROCEDIMENTOS FISCAIS Em 19 de Fevereiro de 2008, foi emitido, pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC, o Mandado de Procedimento Fiscal supraindicado, determinando as verificações/procedimentos no mesmo especificados, fiscalização do tributo Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), para os anos calendário 2004 e 2005. Em 26/02/2008 foi dada ciência ao contribuinte da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal através do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 7 a 9). Posteriormente, em razão da não conclusão dos procedimentos de fiscalização no prazo estabelecido no Mandado de Procedimento FiscalF, foram emitidas prorrogações do mesmo. Essas foram, em apertada síntese, as circunstâncias que nortearam o trabalho de auditoriafiscal levado a termo no contribuinte em epígrafe, e que culminaram nas matérias de interesse fiscal abordadas na seqüência. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 2 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O contribuinte era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317/96, e entregou as declarações simplificadas referentes aos anos calendário 2004 e 2005 (fls. 17 a 52). No exame de sua escrita contábil e dos extratos bancários apresentados em atendimento à intimação contida no Termo de Início (fls. 7 a 9), não foram encontrados os registros contábeis de sua movimentação bancária. Intimado a indicar onde foi feita a escrituração da movimentação bancária constante nos extratos apresentados (Termo de Intimação Fiscal n° 01/2008, fls. 53 e 54) o contribuinte respondeu que não havia encaminhado os extratos para a contabilidade (fls. 55). A seguir quadro comparativo entre a receita escriturada e declarada (com base em notas fiscais emitidas) e a movimentação bancária (não declarada): (omissis) Intimado pelos Termos de Intimação Fiscal n° 02/2008 e 03/2008 (fls. 56 a 112), a indicar a origem dos recursos creditados em conta corrente, o contribuinte declarou que a origem dos recursos creditados em conta corrente "são recursos provenientes de reembolso de ticket Alimentação" (fls. 113). A atividade do contribuinte é o comércio de refeições (restaurante) e foram apresentadas cópias de contrato com as empresas prestadoras de serviço de alimentação coletiva (fls. 114 a 130). Com base nesses fatos, foi lavrada Representação Fiscal ao Delegado da Receita Federal em Florianópolis (fls. 02 a 04) propondo a exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. O delegado manifestou seu acordo (fls. 04) e emitiu o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 87, de 16 de dezembro de 2008 (fls. 01), excluindo o contribuinte do SIMPLES. 2.1 DA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL Conforme já descrito no item anterior, a escrita contábil apresentada pelo contribuinte alcança menos de 5% de sua receita e não inclui a movimentação bancária, o que a Fl. 918DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.008419/200881 Acórdão n.º 1401000.767 S1C4T1 Fl. 3 5 torna imprestável para a apuração do lucro com base no Lucro Real, uma vez que o contribuinte foi excluído do SIMPLES (cópia do Razão das contas caixa e receitas estão no anexo II). Os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL. Destarte, na forma da legislação vigente, atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo do lançamento, resta a autoridade fiscal, como medida extrema, a apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social com base nas normas do lucro arbitrado, medida de salvaguarda do crédito tributário colocada a disposição da Fazenda Pública. 2.2 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme detalhado no item anterior a escrituração contábil do contribuinte não se presta a perfeita verificação pela fiscalização da apuração do lucro real, restando o recurso de arbitramento do lucro, na forma prevista pelo art. 530 do RIR/99, in verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. Io): I(...); II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o Lucro Real (...) A base de cálculo para o arbitramento do lucro do contribuinte será a receita conhecida, como estabelece o art. 532 do RIR/99, que compreende tanto a receita declarada como as receitas omitidas, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes: "ARBITRAMENTO RECEITA BRUTA CONHECIDA Devese entender por receita conhecida não só a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a Fl. 919DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 partir de informações coletadas durante a ação fiscal. Não se trata de exigência suplementar, mas de lançamento de ofício levado a efeito justamente pela omissão do contribuinte em fazêlo, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional. (...). 1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 10706453 em 07.11.2001. Publicado noD.O.Uem: 18.04.2002." A receita declarada à SRF e que serviu de base para cálculo do "SIMPLES' a pagar é a constante nas Declarações Simplificadas PJ – Simples de fls. 17 a 52. Essa é a mesma receita escriturada nos Registros de Saída (fls. 02 a 115 do Anexo II). Além da receita declarada e registrada na escrita fiscal, lastreada em notas fiscais emitidas, foi apurado pela fiscalização que o contribuinte omitiu receitas referentes a valores creditados em conta corrente e não contabilizados conforme demonstrado a seguir. Conforme relatado no item 2, o contribuinte apresentou os extratos de conta corrente (Anexo I) em atendimento à intimação fiscal. A movimentação bancária constante nos extratos não estava registrada em sua escrita contábil, conforme alegou às fls. 55, o que levou à sua desclassificação, conforme item 2.1. Intimado a comprovar a origem dos valores creditados em conta corrente pelos Termos de Intimação 02 e 03/2008 (fls. 56 a 112), o contribuinte reconheceu como reembolso de "tickets alimentação" (fls. 113), que são cupons emitidos por empresas prestadoras de serviço de alimentação coletiva, regulamentados pela Portaria n° 03, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, de I o de março de 2002. Esses tickets são utilizados pelos trabalhadores para pagamento das refeições em estabelecimento conveniados com as prestadoras de serviço, que é o caso do contribuinte, conforme contratos apresentados de fls. 114 a 130. Ao receber esses tickets em pagamento das refeições fornecidas aos trabalhadores, o restaurante enviaos para as empresas prestadoras de serviço e é reembolsado mediante depósito em conta corrente, tudo conforme consta nos referidos contratos de fls. 114 a 130. O contribuinte reconheceu a origem dos créditos bancários, mesmo porque na maioria dos créditos estão identificados os depositantes (cópia dos extratos no Anexo I), que são as empresas prestadoras de serviço de alimentação coletiva, conforme os contratos de fls. 114 a 130, e que esses valores não foram registrados (fls. 55), cabendo, portanto, a aplicação do § 2º do art. 287 do RIR/99, in verbis: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.008419/200881 Acórdão n.º 1401000.767 S1C4T1 Fl. 4 7 Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, § 2o). Um quadro resumo dos valores creditados mensalmente em conta corrente, por instituição bancária, encontrase às fls. 133. Esse quadro foi montado a partir dos valores constantes nos extratos cuja cópia está no Anexo I. No quadro a seguir, um demonstrativo das receitas declaradas e omitidas, sobre as quais será aplicado o percentual de 9,6%, para apuração da base de cálculo, nos moldes previstos pelo art. 532 do RIR/99. (omissis) O enquadramento no regime de tributação do Lucro Arbitrado implica na determinação da Contribuição Social sobre o Lucro observadas as mesmas normas de apuração e pagamento do imposto de renda, razão pela qual a partir das bases imputáveis indicadas também foram determinadas, de forma decorrente, as implicações concernentes a esta exação. Dos montantes de COFINS e CSLL apurados sobre as receitas declaradas, foram compensados os valores de COFINS e CSLL já declarados no SIMPLES, conforme quadro de fls. 134. Além das implicações concernentes ao Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro, com relação à receita omitida também configura hipótese imponível sujeita aos gravames da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Destarte, cumprindo as normas que regulam a atividade fiscal, estou procedendo, na forma de lançamento decorrente, a constituição do crédito tributário dessas contribuições. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Foi, ainda, aplicada multa qualificada ao entendimento de que “A fraude existiu na ação proposital de não escriturar corretamente em sua contabilidade a movimentação financeira e bancária, de forma continuada, visando reduzir o montante do tributo devido. Foi essa a ação dolosa tendentes a modificar características essenciais do fato gerador, para reduzir o montante do imposto devido” Devidamente notificada da lavratura do auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 330 e seguintes) por meio da qual aduziu o seguinte: (i) Que a omissão de receitas apontadas não existiu. Na verdade, a Recorrente realizava o “desconto” de tickets e vales alimentação, com deságio de 10% no seu valor, pagando ao titular do título e recebendo das operadoras o valor constante de referidos instrumentos; (ii) Como prova disso aponta que o seu objeto social é servir comida “a quilo” para público popular, em especial, estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, sendo que seu espaço físico não comportaria o atendimento de clientes em número suficiente para arrecadar a receita que lhe está sendo imputada pela Autoridade Fiscal; (iii) Que “ao ter considerado como base para o arbitramento pura e simplesmente a movimentação bancária havida nas contas da Impugnante, a Autoridade Fiscal se afastou perigosamente da verdade dos fatos”; (iv) Que “O Auto de Infração ora guerreado está alicerçado em premissa falsa, que não se sustenta ante a mais rasa das análises. A Autoridade Fiscal, cuja obrigação funcional é perseguir a verdade dos fatos, acabou adotando o caminho mais curto. Optouse por um verdadeiro "atalho" na atividade de apuração do crédito tributário, que redundou numa conclusão totalmente fora da realidade e do bom senso”. (v) Que pelo princípio da verdade material, não pode o auto de infração ignorar a realidade dos fatos, qual seja, a impossibilidade real de a Recorrente ter auferido receita no montante apontado com a venda de refeições; (vi) Que existe um mercado secundário de tickets refeição que, no caso, era realizado pela pessoa física do sócio Adir Rui Huber, que adquiria os tickets e valesrefeição com deságio de 10% e, valendose dos contratos mantidos pela Recorrente com as empresas de vale e tickets refeição, recebia os valores relativos aos títulos descontados; (vii) Que referida operação caracterizase como ganho de capital da pessoa física do sócio Adir Rui Huber, não podendo ser caracterizado como rendimento da Recorrente; (viii) Exemplifica que “para um volume de tickets com valores de face no total de R$ 1.000,00, por exemplo, o Sr. Adir desembolsava 90%, ou seja, R$ 900,00, como pagamento dos mesmos. Restava, portanto a Fl. 922DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.008419/200881 Acórdão n.º 1401000.767 S1C4T1 Fl. 5 9 diferença de R$ 100,00 em seu favor na operação de compra com o deságio de 10% que praticava. Sobre o valor de face de cada ticket as companhias de fornecimento cobram para fins de reembolso uma média de 5,5% sobre o valor face, acrescido ainda de 2,5% sobre o valor nos casos de antecipação dos reembolsos. Adicionalmente a esses gastos, incidia ainda sobre essas movimentações 0,38% a título de CPMF.Assim, para uma movimentação financeira de 1.000,00, o ganho de capital auferido na transação não supera R$ 16,50. Esse sim, o efetivo ganho do Sr. Adir nas operações de comercialização dos tickets”; (ix) Que “a utilização da conta corrente da Autuada para recebimento dos reembolsos de tickets operados pela pessoa física não configura nem fraude, nem ilegalidade, mas a "conditio" imposta pelas operadoras para poder efetivar o reembolso dos mesmos. Daí o motivo determinante que impôs a conduta do agente. (x) Que por se tratar de ganho da pessoa física, não pode haver a incidência da COFINS e do PIS, posto que o Recorrente “não era o verdadeiro titular da disponibilidade econômica dos pagamentos realizados”; (xi) Que os depósitos bancários não são constituem elemento suficiente para caracterização da omissão de receita, citando a súmula nº 182 do extinto TFR. (xii) Que não existe o intuito de fraude e o dolo apontados pela Fiscalização, posto que as supostas receitas que deixaram de ser escrituradas não se referem à Recorrente, mas sim à pessoa física do sócio Adir Rui Huber; (xiii) Que, por não haver qualquer conduta ilícita imputável à Recorrente, que a mesma não deve ser excluída do Simples; (xiv) Requereu a realização de perícia, apontando quesitos e Perito, com o objetivo de que “possam ser comprovados os verdadeiros fatos fiscais”; (xv) Por fim, requereu o cancelamento da exclusão do Simples, do auto de infração e, por hipótese, a redução da multa qualificada. (xvi) Como prova do alegado, anexou inúmeras declarações, em modelo padrão, de pessoas físicas afirmando ter realizado a troca de tickets refeição com o Sr. Adir Rui Huber, pelo equivalente a 90% do valor de face de referidos instrumentos; A DRJ de Florianópolis, em julgamento da impugnação, entendeu por manter integralmente o lançamento, tendo a decisão sido assim ementada: Fl. 923DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R P J Anocalendário: 2004, 2005. OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITA TRIBUTÁVEL. Constatada, em procedimento fiscal, a prévia obtenção de receitas tributáveis na pessoa jurídica, não registradas em sua escrita contábil nem oferecidas a tributação, provenientes de ganhos de capital em operações de mercado secundário de vale refeições, impõese a constituição do crédito tributário respectivo, acompanhado da multa de ofício em grau correspondente (básica, duplicada ou agravada) e dos juros de mora legais. ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005. PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese o pedido de perícia que se mostra prescindível pela presença nos autos de elementos capazes de moldar a convicção do julgador LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Inconformado, o Recorrente apresentou recurso voluntário, em que reafirma as razões outrora apresentadas em sede de impugnação. Acresceu, ainda, o Recorrente, laudo pericial contábil elaborado pelo Instituto Professor Rainoldo Uessler, por meio do qual pretende comprovar qual seria a receita bruta do Recorrente se considerado seu espaço físico e horários de atendimento (fls. 487 e seguintes). Neste parecer, aponta o profissional contabilista que “mesmo considerando a capacidade máxima de ocupação do restaurante de 210 pessoas, com um tempo médio de almoço de 20 minutos, gerando uma rotatividade de 10,50 vezes a lotação do restaurante durante o período de funcionamento diário, resultando em um atendimento de 2.205 (duas mil e duzentas e cinco) pessoas por dia, o valor apurado de receita máxima nos exercícios de 2004 e 2005 corresponde a 39,42% do arbitramento efetuado pelo Fiscal” (fls. 501/502) É o relatório. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.008419/200881 Acórdão n.º 1401000.767 S1C4T1 Fl. 6 11 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço Conforme se extrai do relatório lavrado pela Autoridade Fiscal, a questão em litígio e objeto de julgamento é eminentemente fática, com a contraposição entre a versão aduzida no Termo de Verificação Fiscal que fundamenta o auto de infração e aquela apresentada pelo Recorrente em suas razões de impugnação e recurso. Segundo o TVF, o Recorrente manteve a margem da escrituração fiscal valores que transitaram pelas suas contas correntes, apurados pela contraposição entre os extratos bancários fornecidos pelo contribuinte e os valores declarados e apurados na tributação pelo Simples. Segundo alega o Recorrente, os valores excedentes àqueles oferecidos à tributação não lhe pertencem, mas sim ao sócio da empresa, Sr. Adir Rui Huber, que realizava o desconto de tickets e vales alimentação com deságio de 10%, cabendo à empresa o recebimento de referidos valores junto às empresas emissoras de referidos títulos. Assim, entende que, nessa perspectiva factual, a tributação da diferença entre o valor de face dos tickets alimentação e o valor recebido por referido sócio deveria ser tributado como ganho de capital na pessoa física, impondose o cancelamento do presente auto de infração. Não me convenci das alegações do Recorrente. E a minha falta de convencimento acerca da versão dos fatos apresentada pelo Recorrente não se refere especificamente à prática de desconto de tickets alimentação, mas sim à imputação de que referida prática seria realizada pelo sócio da empresa em nome próprio, e não pelo sócio da empresa em nome do Recorrente. Analisando detidamente as provas dos autos, e levando em consideração, com as reservas necessárias, o laudo pericial de fls. 487 e seguintes, é possível que, de fato, o Recorrente não possua estrutura para o atendimento de clientes em número necessário a alcançar o faturamento apontado no auto de infração. No entanto, restou evidente que o Recorrente, por meio de seu sócio, realizava atividade diversa daquela constante de seu objeto social, qual seja, o desconto de títulos mediante deságio. Nesse contexto, admitida por hipótese a versão dos fatos apresentada pelo Recorrente, temse que o cliente comparecia ao Restaurante e realizava o desconto dos tickets Fl. 925DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 alimentação com deságio de 10%, sem consumir refeições no valor dos vales apresentados para desconto. O Recorrente, por força de contrato mantido com empresas fornecedoras de tickets alimentação, apresentava os mesmo para recebimento, percebendo o pagamento em sua conta corrente. Em assim procedendo, não era o sócio, pessoa física e em seu nome, quem realizava o embuste ao sistema de alimentação do trabalhador, mas sim o próprio Recorrente. Mesmo porque, como afirmado pelo Recorrente, era a empresa quem possuía o contrato com os fornecedores dos tickets e vales alimentação, e não o sócio pessoa física. Permissa venia, é inadmissível que se venha, no curso de um processo administrativo fiscal, alegar a própria torpeza como argumento para suscitar a ilegitimidade passiva. Se o Recorrente realizou atividade ilícita, e, principalmente, se o fez por meio de seu sócio, sequer a bona fides da empresa pode ser alegada. Muito ao contrário, caso essa versão tivesse sido apresentada antes da feitura do auto de infração, por certo teria sido lavrado o termo de sujeição passiva solidária do sócio da empresa, por ter atuado à margem e em descumprimento da lei e do contrato social (responsabilidade essa que ainda pode ser reconhecida em momento oportuno). Os únicos instrumentos apresentados pelo Recorrente para refutar essa situação são as declarações de pessoas físicas afirmando que realizavam os descontos dos tickets alimentação pela pessoa física do sócio Adir Rui Huber. Concessa venia, referidos documentos apenas comprovam que o ilícito vinha sendo praticado pelo Recorrente como modus operandi de seu negócio. Na verdade, não se nega a existência do recebimento de valores e não se nega que esses valores decorreram do desconto de tickets alimentação. O que pretendeu o Recorrente foi atribuir essa atividade como sendo uma prática da pessoa física do sócio, e não da empresa. Ora, às fls. 241 identifico que os sócios do Recorrente são o Sr. Adir Rui Huber e seu filho menor de idade, representado no contrato social pelo próprio Sr. Adir Rui Huber. A divisão do capital social, por sua vez, é de 97% para o Sr. Adir Rui Huber e apenas 3% para seu filho menor de idade à época do registro do contrato social. Por fim, como não poderia deixar de ser, a administração da sociedade era realizada exclusivamente pelo Sr. Adir Rui Huber, “a quem compete representála em todos os seus atos judiciais e extrajudiciais, ativa e passivamente”. Nesse sentido, os atos praticados pelo sócio administrador da sociedade, com relação a uma atividade que somente poderia ser exercida por meio da sociedade, qual seja, desconto de tickets alimentação, deve ser imputada à empresa, e não exclusivamente na pessoa física do seu sócio administrador. Com isso, o Recorrente realizava duas atividades: (i) fornecimento de alimentação, cuja receita era oferecida à tributação e (ii) desconto de títulos com deságio, cuja receita era mantida à margem da escrituração fiscal. Correto, assim, o auto de infração que apontou a existência de omissão de receitas, exclui o Recorrente do Simples e promoveu o lançamento dos valores devidos à título de tributo com base no lucro arbitrado (IRPJ e CSLL), além de COFINS e PIS. No que toca à aplicação da multa qualificada, a defesa do Recorrente apenas alega que as receitas não lhe pertencem, reincidindo, novamente, em questão de fato. No caso dos autos, patente a fraude, não apenas no âmbito fiscal, mas também no âmbito da legislação trabalhista do sistema de alimentação do trabalhador. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.008419/200881 Acórdão n.º 1401000.767 S1C4T1 Fl. 7 13 A fraude fiscal fica evidenciada como conseqüência dos próprios fatos apurados na autuação: a Recorrente valiase de contratos mantidos com empresas fornecedoras de valealimentação para auferir receitas a margem de seu objeto social, deixando de oferecê las à tributação. Aplicável, assim, a multa qualificada, nos termos e argumentos fundados no auto de infração, deve ser mantida. Com estes fundamentos, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 927DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 12267.000182/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação Oral: Wagner Serpa Júnior. OAB: 232.362/SP.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação Oral: Wagner Serpa Júnior. OAB: 232.362/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000182/200751 Resolução n.º 2301000.177 S2C3T1 Fl. 375 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MANTECORP INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA em face da decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento. 2. Conforme narrado no relatório fiscal, o levantamento de débito se deu em decorrência da constatação de contratação de serviços mediante cessão de mão de obra sobre a qual não foram apresentadas GRPS: “2. O fato gerador deste débito teve origem na contratação de serviços de limpeza e conservação (cópia contrato anexo), prestados pela empresa Krysil’s Serviços Gerais Ltda, no escritório da contratante em São Paulo, na forma de cessão de mão de obra, no período supracitado, sobre as notas fiscais/faturas pagas pela contratante foi aplicado o coeficiente de 40% (quarenta por cento), conforme RL Relatório de Lançamento em anexo, para efeito de apurar o montante das bases de cálculo constantes no Relatório DAD – Discriminativo Analítico de Débito em anexo. 3. Tratase de débito lançado dentro dos princípios de responsabilidade solidária, referente às contribuições devidas, parte de empregados, patronal e seguro de acidente do trabalho (SAT), visto que não foram apresentadas GRPS, nem apresentadas folhas de pagamento elaboradas pela prestadora, na forma prevista no item 3 da Ordem de Serviço MPS/INSS/DAF nº 83, de 13/08/93, e conforme orientações contidas nos itens 9 e 10 da Ordem de Serviço INSS/DAF/176 de 05/12/97.” (f. 42) 3. A decisão atacada restou ementada nos termos que passo a transcrever abaixo: “Crédito tributário – renovação do lançamento. O lançamento tributário anulado em razão de vício formal pode ser renovado pelo Fisco, no prazo previsto no inciso II, do art. 173, do CTN. Responsabilidade solidária – cessão mão de obra. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco exigir o total do crédito constituído da empresa contratante. Lançamento Procedente em Parte” (f. 277) 4. Buscando a reforma do acórdão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) preliminarmente, a impossibilidade da constituição de um novo lançamento tendo em vista a existência de vício material na notificação anterior; b) impossibilidade da aplicação do artigo 173, II do CTN, que determina que a contagem do prazo decadencial de cinco anos somente se inicia a partir da decisão definitiva que anulou o lançamento por vício formal, pois o vício existente no primeiro lançamento tratavase de vício material; Fl. 827DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000182/200751 Resolução n.º 2301000.177 S2C3T1 Fl. 376 3 c) o fisco não observou ao princípio da verdade material, tendo em vista que o levantamento do débito se deu por meio de aferição indireta; d) por fim, aduz que a fiscalização deveria ter verificado o número de segurados utilizados na prestação dos serviços para determinar o menor salário de contribuição, aplicando sobre este a alíquota mínima, chegando, assim, à base de cálculo, o que não foi feito. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Narra o relatório fiscal que a presenta autuação “foi lavrada em substituição a de n.º 35.381.0177”, que foi anulada conforme “determinação do Serviço de Contencioso Administrativo” pelo Acórdão n.º 0001082/2006, da 2ª CaJ – Segunda Câmara de Julgamento. (f. 42) 3. Compulsando os autos, verificase que não foram acostadas ao processo qualquer informação a respeito do primeiro lançamento fiscal de débito. Assim, tendo em vista que a data da ciência da primeira intimação feita ao contribuinte, quando do lançamento anterior (anulado), pode influenciar no cômputo da decadência quinquenal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para a busca destas informações. 4. Feitas tais considerações, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o fisco traga aos autos informações acerca da data da ciência, pelo contribuinte, da primeira autuação fiscal. Observando o direito à ampla defesa e ao contraditório, fica concedido o prazo de trinta dias para que o recorrente, caso queira, se manifeste sobre o resultado do expediente. 5. Após, retornem os autos à apreciação deste Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. CONCLUSÃO 6. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência, em consonância com as razões postas acima. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000182/200751 Resolução n.º 2301000.177 S2C3T1 Fl. 377 4 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 829DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 16349.000333/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRJ Curitiba/PR, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRJ Curitiba/PR, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRJ Curitiba/PR, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Curitiba/PR que reconheceu apenas em parte o direito creditório pleiteado. O contribuinte havia apresentado Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação – PER/DCOMPs (fls. 1 a 148), em que requerera a compensação de débitos de sua titularidade com créditos decorrentes de ação judicial transitada em julgado em 18/11/2004, em que lhe foi assegurado o direito de repetir o indébito relativo aos pagamentos da contribuição para o PIS efetuados com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2449, ambos de 1988, considerados inconstitucionais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 33 3/ 20 08 -0 1 Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16349.000333/200801 Resolução nº 3803000.258 S3TE03 Fl. 2.042 2 A repartição de origem, valendose de informações e documentos fornecidos pelo sujeito passivo (fls. 153 a 1523), exarou o despacho decisório nº 676/2010 (fls. 1525 a 1526), fundado nas conclusões da Informação Fiscal de fl. 1524, em que se decidiu por homologar em parte as compensações declaradas, até o valor de R$ 2.666.944,51, atualizado até maio de 2005, restando não deferido o saldo credor de R$ 47.596,55. Segundo a autoridade administrativa, em conformidade com a decisão judicial, “prevaleceram as regras estabelecidas pela LC 07/70, ou seja, a base de cálculo verificarseia seis meses antes da ocorrência do fato gerador, sendo a periodicidade para o recolhimento mensal” e, quanto à decadência, “firmouse na sentença o entendimento de que ela se daria apenas 5 anos após a homologação das DCOMPs, ou seja, em caso de homologação tácita, 5 + 5 anos”, em razão do que, considerando o ajuizamento da ação em 16/11/1998, terseia por decaídos “os pagamentos realizados antes de novembro de 1988” (fl. 1524). Concluiu a autoridade administrativa por considerar, para efeito de base cálculo da contribuição, a competência de fevereiro de 1989 (base de cálculo faturamento de agosto de 1988) até a competência de fevereiro de 1995 (base de cálculo faturamento de agosto de 1995). (fl. 1524) Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1595 a 1608) e requereu a reformulação dos cálculos realizados na repartição de origem, bem como a homologação integral das compensações pleiteadas, alegando o seguinte: a) em face do trânsito em julgado da decisão proferida no bojo do processo judicial n° 1999.71.00.0224704/RS, apresentara "Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado", indicando o valor de R$ 2.879.382,33 (corrigido até novembro/2004) como indébito decorrente dos pagamentos da contribuição para o PIS efetuados a maior, com base nos decretoslei considerados inconstitucionais; b) quando da análise do pedido de habilitação, a repartição de origem reduziu o valor originalmente pleiteado em R$ 242.738,65, em face da decadência do direito de repetição dos pagamentos realizados antes de dez anos contados da data do ajuizamento da ação; c) em decorrência do reconhecimento de apenas R$ 2.636.643,68, efetuou a correção deste valor desde novembro de 2004 até maio de 2005, chegando a R$ 2.714.541,06, vindo a Receita Federal a reconhecer apenas o montante de R$ 2.666.944,51 em maio de 2005, e que, por esse motivo, faltaria o acatamento de R$ 47.596,55; d) ao rever as bases de cálculo utilizadas pelo fisco, constatou que, para os períodos de apuração de 7/1989 a 12/1993, teriam sido incluídos valores relativos às receitas financeiras, conforme demonstraria a planilha anexa. A DRJ Curitiba/PR julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 1669 a 1671), tendo sido o acórdão ementados nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1996 Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16349.000333/200801 Resolução nº 3803000.258 S3TE03 Fl. 2.043 3 BASES DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Se os documentos apresentados pela contribuinte permitem a correta apuração das bases de cálculo do PIS, acolhemse os respectivos valores e, consequentemente, revisase o despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Ressaltou o julgador a quo que, considerando o teor do parecer da repartição de origem proferido no momento da habilitação do crédito, adotarase o entendimento de que todos os pagamentos relativos aos fatos geradores havidos antes dos dez anos da protocolização da ação judicial estariam decaídos, em razão do que, encontrarseiam nessa situação todos os pagamentos efetuados relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 1º de setembro de 1989. Ainda segundo o julgador, no mesmo sentido caminhou a decisão judicial (fl. 203), dado que nesta restou decidido que, “quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial de 5 anos contados da extinção do crédito tributário (CTN, art. 168, I), não tem como termo inicial a data do recolhimento, mas, sim, da expiração do prazo que o Fisco possui para homologar o pagamento efetuado, que é de 5 anos a contar do fato gerador (art. 150, ,§ 4°)”. Dessa forma, considerando que o prazo para repetição do indébito é de dez anos contados da data da ocorrência do fato gerador, temse que alguns pagamentos efetuados após 1º de setembro de 1989 foram desconsiderados pelo fato de se referirem a fatos geradores ocorridos antes dessa data. Ressaltou, ainda, o relator de piso que o contribuinte se insurgira apenas em relação à diferença de R$ 47.596,55 decorrente da diferença entre o valor por ele apurado para maio de 2005 e o valor que acabou sendo efetivamente reconhecido. Para dar suporte a sua reclamação, demonstrou que, na apuração das bases de cálculo de 7/1989 a 12/1993, o fisco teria, indevidamente, considerado receitas financeiras auferidas no período. Em razão disso, ainda segundo o relator, o litígio estaria restrito à base de cálculo utilizada e ao montante de R$ 47.596,55, ainda não reconhecido. Quanto às bases de cálculo consideradas no levantamento fiscal, salientou o relator de piso que elas não teriam sido apuradas unilateralmente pela Receita Federal, mas fornecidas pelo próprio contribuinte, conforme demonstrariam os dados presentes às fls. 171 a 173. Porém, segundo ele, cotejando as referidas bases (por amostragem) com as extraídas dos livros contábeis, era possível constatar que assistia razão ao contribuinte, pois, uma vez que os decretoslei foram considerados inconstitucionais, a base de cálculo a ser considerada não poderia levar em conta as receitas financeiras auferidas, em razão do que foram acolhidas as bases de cálculo informadas na Manifestação de Inconformidade, relativas aos períodos de apuração havidos até 31/12/1993. Alertou o julgador de primeira instância que a correção do equívoco na composição das bases de cálculo relativas aos períodos de apuração 7/1989 a 8/1989 não produziria qualquer efeito relevante nos cálculos, tendo em vista que qualquer crédito que decorresse dos pagamentos respectivos não poderia mais ser repetido nem compensado. Portanto, refazendose os cálculos das bases de cálculo de 9/1989 a 12/1993, remanesceu um crédito atualizado para maio de 2005 de R$ 2.910.188,78 (fl. 1668), no qual encontrarseia Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16349.000333/200801 Resolução nº 3803000.258 S3TE03 Fl. 2.044 4 incluído o valor de R$ 242.035,46, este decorrente de pagamentos relativos a fatos geradores anteriores a 9/1989, já fulminados pela decadência. Como já havia sido reconhecido um total (em maio de 2005) equivalente a R$ 2.666.944,51, restaria, segundo o relator de piso, o direito ao crédito de maio de 2005 de R$ 1.208,81, sendo considerado que uma das explicações para ainda persistir uma diferença de R$ 46.387,74 entre o apurado e o pleiteado parecia estar, justamente, nos pagamentos feitos para os períodos de apuração 7/1989 e 8/1989, considerados pelo contribuinte mas não incluídos nos cálculos refletidos no resultado, em razão da decadência operada. Cientificado da decisão em 1º de novembro de 2011 (fl. 1993), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 30 do mesmo mês (fls. 2014 a 2025), protestou por seu direito assegurado por lei, assim como pela supremacia da lei sobre o formalismo administrativo e a vedação ao enriquecimento sem causa, e requereu a homologação integral das compensações declaradas, alegando a necessidade de “reparação do cálculo apresentado e recomposição pela Receita Federal do Brasil nas páginas 1.665 a 1.668, incluindo as competências de setembro, outubro e novembro de 1989 e outras não constatadas pela requerente” (fl. 2025). Segundo o Recorrente, “o aumento do saldo de pagamentos (direito creditório) não teve o efeito esperado, pois, estranhamente, os valores referentes às competências de setembro, outubro e novembro de 1989, não constaram neste cálculo, diferentemente do cálculo apresentado pela própria Receita Federal do Brasil, nas folhas 1.520 a 1523” (fl. 2018). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertido nesta instância o valor do crédito pleiteado pelo contribuinte de R$ 46.387,74, que, segundo a autoridade julgadora a quo, corresponderia, provavelmente, aos pagamentos feitos para os períodos de apuração 7/1989 e 8/1989, já decaídos, mas que, de acordo com o Recorrente, decorreria da não inclusão no cálculo dos valores das competências de setembro, outubro e novembro de 1989 “e outras não constatadas pela requerente” (fl. 2025). Compulsando os autos, é possível verificar que o ora Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 1595 a 1608), ao protestar pela necessidade de revisão do despacho decisório, arguiu, na defesa de seu alegado direito, o fato de que a Receita Federal do Brasil "quando do cotejo dos débitos calculados conforme os parâmetros da decisão judicial e os créditos decorrentes dos pagamentos realizados", incluíra indevidamente na base de cálculo da contribuição ao PIS os valores referentes às receitas financeiras, em desacordo com a previsão do artigo 3° da Lei Complementar n° 7/70, (...), que diz que a base de cálculo da contribuição é o faturamento.” (fl. 1605). A DRJ Curitiba/PR, a partir do cotejo, por amostragem, das referidas bases de cálculo com as extraídas dos livros contábeis, acolheu o pedido do então Manifestante, Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16349.000333/200801 Resolução nº 3803000.258 S3TE03 Fl. 2.045 5 expurgando das bases de cálculo da contribuição as receitas financeiras, amparandose na previsão contida na Lei Complementar nº 7, de 1970, após o que remanesceu controvertida nos autos uma diferença de R$ 46.387,74. Na DRJ, após o expurgo das receitas financeiras, apurouse um saldo de crédito no montante de R$ 2.910.188,78, conforme se verifica na planilha de fl. 1668, assim como no corpo do voto do acórdão recorrido (fl. 1671). A par da decisão da DRJ Curitiba/PR, a ele favorável apenas em parte, o Recorrente reclama que, na recomposição do cálculo, não teriam sido considerados os valores correspondentes às competências de setembro, outubro e novembro de 1989 “e outras não constatadas pela requerente” (fl. 2025). Consultando a planilha em que a DRJ apurou o crédito após o expurgo das receitas financeiras (fls. 1665 a 1668), constatase que, no somatório final de R$ 2.910.188,78, não se encontram incluídos os valores apurados nos meses de setembro, outubro e novembro de 1989, pois, conforme consta à fl. 1665, após o saldo de pagamento do mês de agosto de 1989, passase ao valor de dezembro do mesmo ano, não constando qualquer referência aos saldos de setembro a novembro de 1989. Não há que se aventar acerca da possibilidade de não ocorrência de saldo credor em tais meses, pois, de acordo com a planilha elaborada pela repartição de origem, planilha essa que serviu de embasamento ao despacho decisório (fls. 1520 a 1523), em setembro, outubro e novembro de 1989, houve, sim, apuração de saldo credor referente à contribuição para o PIS, saldo esse que, em se confirmando a existência de auferimento de receitas financeiras no período, tende a aumentar e não diminuir. Além disso, no Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas (fls. 1660 a 1663), juntado aos autos após a prolação do despacho decisório, constam pagamentos da contribuição nos referidos meses, o que corrobora com o argumento do Recorrente de ocorrência de erro na nova apuração realizada pela Delegacia de Julgamento. Também na Informação Fiscal n° 313/2010 (fl. 1524), concluiu a autoridade administrativa por considerar, para efeito de base cálculo da contribuição, a competência de fevereiro de 1989 (base de cálculo faturamento de agosto de 1988) até a competência de fevereiro de 1995 (base de cálculo faturamento de agosto de 1995), não havendo qualquer referência a uma possível exclusão de determinados meses. Vale ressaltar que o julgador a quo demonstrou não estar seguro acerca dos cálculos efetuados naquela instância, pois, ao concluir o voto condutor do acórdão recorrido, expressouse da seguinte forma: “uma das explicações para ainda persistir uma diferença de R$ 46.387,74 entre o apurado e o pleiteado parece estar, justamente, nos pagamentos feitos para os períodos de apuração 07/1989 e 08/1989, considerados pela contribuinte mas não incluídos nos cálculos refletidos no presente resultado em razão da decadência anteriormente comentada” (fl. 1671 – grifei e sublinhei). Portanto, para que se decida nesta instância quanto ao pedido do Recorrente, necessário se torna obter junto à DRJ Curitiba/PR os esclarecimentos necessários às questões trazidas aos autos em sede de recurso voluntário. Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16349.000333/200801 Resolução nº 3803000.258 S3TE03 Fl. 2.046 6 Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, voto pela conversão do julgamento em diligência à DRJ Curitiba/PR, para que a autoridade julgadora esclareça a razão da não inclusão dos saldos de pagamentos referentes aos meses de setembro, outubro e novembro de 1989 na planilha de fls. 1665 a 1668, planilha essa que serviu de base à decisão recorrida, bem como que confirme os valores apurados nos demais meses do período sob análise. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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