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Numero do processo: 10580.004603/99-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedidos de restituição protocolado em 13 de abril de 1999, aplica-se, portanto, a tese dos 5 + 5.
Recursos Especiais do Procurador Não Conhecido e do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.747
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada; e II) em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedidos de restituição protocolado em 13 de abril de 1999, aplicase, portanto, a tese dos 5 + 5. Recursos Especiais do Procurador Não Conhecido e do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada; e II) em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 381DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: A Recorrente formulou Pedido de Compensação (fls. 01/04 e 11), formulado em 13/04/1999, buscou a compensação de PIS com indébito de PASEP da ordem de R$ 21.988.425,33. O indébito teria sido configurado mediante recolhimentos efetuados entre os meses de 01/89 (fl. 42) a 12/95 (fl. 12). Com base em Parecer (fls. 103/104) que entendeu que parte do crédito postulado haveria sido atingido pela decadência precisamente a referente às competências 01/89 a 04/99, e que outra parte teria sido absorvida por débito da contribuinte, de maior vulto, referente ao próprio período, o pleito foi indeferido (fl. 105). “Recurso Voluntário” (fls. 106/121) da contribuinte sustentou que o prazo decadencial somente fora disparado com a publicação da Resolução 49/95 do Senado, fator que descaracterizaria o transcurso do lapso na situação sob enfoque. Demais disso, orientação do STJ, veiculadora da tese dos 5 + 5, também infirmaria a ocorrência de decadência no caso vertente. De fora parte tais colocações, a Recorrente alegou que a insuficiência de crédito ventilada pelo parecer que subsidiara o indeferimento do pleito teria por fundamento a “semestralidade” proscrita pelo parágrafo único do artigo 6º da Lei Complementar nº 7/70. Aduziu, por último, seu direito de compensar pendências condizentes ao PIS com crédito de indébito de PASEP. Admitido o recurso como manifestação de inconformidade, a DRJ de Salvador/BA solicitou diligência (fls. 127/128) para que fossem verificadas as bases de cálculo do PASEP com observância de índices idôneos, de forma a apurarse eventual crédito da contribuinte dandolhe ciência de tanto. Não obstante o processo não reporte qualquer relatório de diligência posterior à manifestação da DRJ de Salvador/BA, foi por esta submetido a julgamento (fls. 185/198) que confirmou integralmente a decisão indeferitória do pleito da contribuinte, tendo a discussão cifradose à questão da decadência e da semestralidade do PIS, a primeira agasalhada e a última plenamente rechaçada pela Instância de piso. Às fls. 199/202 consta anexa Impugnação completamente dissociada dos fatos debatidos nos autos. Recurso Voluntário (fls. 210/238) basicamente reprisou as alegações formuladas em manifestação de inconformidade. Fl. 382DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.004603/9937 Acórdão n.º 930301.747 CSRFT3 Fl. 2 3 Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. PASEP. DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA O PEDIDO E PERÍODO A REPETIR. CINCO ANOS. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior realizados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 extinguese em cinco anos, a contar da Resolução do Senado nº 49, publicada em 10/10/1995, podendo ser repetidos os pagamentos efetuados nos cinco anos anteriores à data do pedido, caso este seja formulado em tempo hábil. PASEP. SEMESTRALIDADE. ART. 14 DO DECRETO nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior sem atualização monetária. Recurso provido em parte. Irresignada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde defende a tese dos 5 + 5. O apelo foi admitido, conforme despacho de fls. 351/353. Regularmente intimada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 359 a 364. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito. De um lado, a câmara a quo entendeu que o termo inicial seria o da publicação da publicação da Resolução 49 do Senado Federal, de outro lado, a recorrente defende a tese dos 5 + 5 (cinco anos para homologar, mais 5 anos para repetir. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do Fl. 383DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.004603/9937 Acórdão n.º 930301.747 CSRFT3 Fl. 3 5 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Com isso, no caso Fl. 385DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 dos autos, devese reconhecer a prescrição do direito aos créditos relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1989, visto que o pedido de restituição fora protocolado em 13 de abril de 1999. Como o fato gerador da contribuição é mensal, ocorre no último dia do mês de competência, no caso sob exame, a contribuição do mês de abril de 1989, por ter o fato gerador ocorrido em 30 desse mês, tem como termo final de prescrição, em 30 de abril de 1999. Como o pedido fora efetuado no dia 13 desse mês, na data do pedido de restituição, ainda não se encontrava prescrito. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989. Henrique Pinheiro Torres Fl. 386DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10660.001983/2005-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, ainda que apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O
da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO DE ÓRGÃO COMPETENTE, FEDERAL OU ESTADUAL. ÁREA TRIBUTÁVEL REQUISITO.
A área de interesse ecológico não será considerada área tributável, para fins de ITR, se forem declaradas como tal por órgão competente, federal ou estadual, e ampliarem as restrições de uso contidas nas áreas de preservação permanente.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-001.907
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator) Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Otacílio Dantas
Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente SANTA CECÍLIA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/C LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, ainda que apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO DE ÓRGÃO COMPETENTE, FEDERAL OU ESTADUAL. ÁREA TRIBUTÁVEL REQUISITO. A área de interesse ecológico não será considerada área tributável, para fins de ITR, se forem declaradas como tal por órgão competente, federal ou estadual, e ampliarem as restrições de uso contidas nas áreas de preservação permanente. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator) Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ nº 45.196, advogado do contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado EDITADO EM: 11/01/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10660.001983/200502 Acórdão n.º 9202001.907 CSRFT2 Fl. 306 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0248, interposto pelo Contribuinte contra acórdão, fls. 0232, que decidiu, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO ESPECÍFICO. Ainda que o imóvel rural se encontre dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, para fins de isenção do ITR, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior, Helenílson Cunha Pontes e Gustavo Lian Haddad , que proviam o recurso. Em seu recurso especial o Contribuinte alega, em síntese, que: 1. Há julgados que divergem do entendimento do acórdão; 2. A Medida Provisória 2.16697/2001 trouxe nova redação á Lei 9393/1996, bastando a declaração do contribuinte quanto ás áreas de Utilização Limitada (reserva legal) e de Preservação Permanente para que os contribuintes possam aproveitarse do benefício legal destinado às referidas áreas; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 3. O Poder Judiciário possui decisões no mesmo sentido; e 4. Pugna pelo conhecimento e pelo provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0291, deuse seguimento ao recurso especial. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou suas contra razões, fls. 0295, argumentando, em síntese, que: 1. Há necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o usufruto do benefício fiscal, conforme determina a Lei 6.938/1981; 2. O benefício fiscal, como determina o CTN, deve ser interpretado de forma literal; 3. Não se pode conceber que o contribuinte se valha da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação; 4. Pelo exposto, espera que seja negado provimento ao recurso. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10660.001983/200502 Acórdão n.º 9202001.907 CSRFT2 Fl. 307 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A questão em discussão referese a necessidade da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da área total tributável para fins de ITR. Em 02/05/2005, o Fisco solicitou e analisou as informações prestadas na Declaração Anual do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), para o exercício 2001, de área de 1799,8 há, nos termos da Lei 9.393/96, e constatou a necessidade de comprovação da condição de imunidade ou isenção do ITR para o imóvel em questão, tendo em vista que a contribuinte assinalou "SIM" no Quadro n° 07 da D1TR, fls. 012. A recorrente, devidamente intimada, não apresentou comprovação sobre a imunidade informada. O contribuinte, apresentou ADA, fls. 091, protocolado em 17/06/2005, onde há informação de que 60 % da área é de preservação e permanente, e 40% referese a área de interesse ecológico, nos termos de Laudo anexado. A título de esclarecimento, considerase: 1. Área de preservação permanente as áreas de florestas e demais formas de vegetação natural que atendam a legislação pertinente; 2. Área de reserva legal a área assim averbada no Registro de Imóveis, após a aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, subtraída a área em comum já considerada como de preservação permanente; 3. Área de reserva particular do patrimônio natural (RPPN) a área assim reconhecida pelo Ibama e averbada no Registro de Imóveis, subtraídas as áreas em comum já consideradas como de preservação permanente e de reserva legal; e 4. Área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas aquela assim declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual, subtraídas as áreas em comum já consideradas como de preservação permanente, de reserva legal e de RPPN. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 A decisão de primeira instância deu provimento parcial à impugnação, somente para acatar a alteração do Valor da Terra Nua (VTN), conforme documentos anexados pelo recorrente. O contribuinte apresentou seu recurso afirmando, em síntese, que a isenção é incondicionada, conforme atesta o laudo anexado. Prestados os esclarecimentos, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do ADA. O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui duas funções: 1. Isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) sobre as áreas informadas; e 2. Cadastramento das áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Buscase, portanto, com essas duas funções, estimular a preservação e proteção da flora e das florestas, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida e possibilitar o cadastramento dessas áreas, para controle, fiscalização e punição dos órgãos ambientais. Não é necessário informar a importância de controle do meio ambiente para as futuras gerações e a relevância estratégica internacional para o País de sua conservação. Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu conforme a legislação. Nos autos, fls. 091, encontramos ADA entregue ao IBAMA em 17/06/2005, ou seja, após o término da fiscalização. Na análise dos autos, é nosso dever verificar se a exigência está em consonância com o que determina a legislação sobre a matéria. Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA, a partir de 2001. Lei 6.938/1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10660.001983/200502 Acórdão n.º 9202001.907 CSRFT2 Fl. 308 7 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.16667, de 2001: Lei 9393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. ... §7oA declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De forma clara a legislação afirma que a declaração (ADA) para fim de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Ou seja, o declarante informa o que conceitua como correto, sem prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública solicitarem, ou não, a posterior confirmação. Não se deve confundir prévia comprovação do declarado com entrega de declaração, que são dois atos totalmente distintos. A Lei 9.393/1996 que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e dá outras providências – disciplina as exigências, requisitos necessários para a comprovação dessas áreas e usufruto do benefício fiscal. Lei 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: ... II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Em um primeiro momento já podemos decidir que sobre a área de interesse ecológico a tributação deve ser mantida, pois o Contribuinte não apresenta nenhuma declaração do órgão competente, federal ou estadual, descumprindo o que determina a legislação. Já quanto a área de preservação permanente, o Contribuinte apresenta Laudo, mas não há o atendimento da entrega do ADA. Ressaltamos, também, que não há documento algum que provoque o cadastro no IBAMA da área de interesse ambiental declarada, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Portanto, não há como atender ao pleito do contribuinte, pois as determinações legais não foram obedecidas, conforme exposto acima, e, conseqüentemente, nego provimento ao recurso. CONCLUSÃO: Pelo exposto, nego provimento ao recurso do Contribuinte, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, somente em relação à área de preservação permanente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras deste Colegiado a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos paradigmas, determina que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, notadamente quando devidamente lastreadas em Laudos Técnicos com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e ADA, ainda que intempestivo, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10660.001983/200502 Acórdão n.º 9202001.907 CSRFT2 Fl. 309 9 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural sobre as áreas de preservação permanente. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 Como se extrai dos dispositivos legais encimados, em nosso entendimento, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas a preservação permanente, como sustentado pela recorrente. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981 entende parte dos julgadores deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa da preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim emantados: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10660.001983/200502 Acórdão n.º 9202001.907 CSRFT2 Fl. 310 11 “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Ademais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Na esteira desse raciocínio, afora a exigência de apresentação do ADA contemplada pela legislação vigente à época do fato gerador do tributo em debate, o mesmo entendimento levado a efeito na área de reserva legal deve ser adotado para a preservação permanente, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre aludidas áreas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Melhor elucidando, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica do Laudo Técnico delimitando precisamente referida área, às fls. 64/84, bem como o próprio ADA, ainda que intempestivo, de fl. 91, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesse sentido, constatase que os Laudos Técnicos apresentados pelo contribuinte, inclusive da EmaterMG, às fls. 153/154, bem como o ADA, mesmo formalizado fora do prazo, se prestam a comprovar a existência da área de preservação permanente, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Mais a mais, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10660.001983/200502 Acórdão n.º 9202001.907 CSRFT2 Fl. 311 13 contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, para aqueles que entendem necessária a apresentação do ADA, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 91, contemplando as áreas objeto da demanda, ainda que intempestivamente, datado de 17/06/2005. Dessa forma, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte, ainda que apresentado o ADA intempestivo, impõese o restabelecimento de tais áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no que concerne à área de preservação permanente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 11/01/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10680.015392/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 1/07/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 30/06/2004, 31/12/2004
SUJEIÇÃO PASSIVA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO.
Não há como manter a decisão proferida em primeira instância administrativa que, equivocadamente, deixou de apreciar elemento fundamental do lançamento (identificação do sujeito passivo), ao argumento de que não teria competência para apreciar tal matéria.
Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 3202-000.408
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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Recorrente MULTIACTION ENTRETENIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 1/07/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 30/06/2004, 31/12/2004 SUJEIÇÃO PASSIVA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO. Não há como manter a decisão proferida em primeira instância administrativa que, equivocadamente, deixou de apreciar elemento fundamental do lançamento (identificação do sujeito passivo), ao argumento de que não teria competência para apreciar tal matéria. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa MULTIACTION ENTRETENIMENTOS LTDA (ciência em 08/10/2007), para constituição de créditos tributários referentes às contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS (fls. 07/18), no valor total de R$ 118.691,46 (inclusos principal, multa de oficio e juros de mora), por falta/insuficiência de recolhimento, em relação a fatos geradores ocorridos no ano de 2004, em 28/02, 31/03, 30/04, 30/06 e 31/12, e em julho de 2003. As irregularidades apontadas constam do Termo de Verificação Fiscal anexo aos Autos de Infração (fls. 19/35). Do referido Termo consta o seguinte: “(...) Portanto, como conseqüência do conjunto dos fatos, além da sujeição passiva da pessoa jurídica, também estão sendo intimados para o adimplemento ou impugnação dos créditos tributários aqui formalizados, os sóciosgerentes da empresa .(Ricardo Penna Machado, Renato Villamarim Soares, Marcos Valério Fernandes de Souza, Cristiano Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso), na qualidade de responsáveis solidários, por meio da lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 370 às 390). Em função das alterações na gerência da sociedade, a responsabilidade solidária do Sr. Cristiano de Mello Paz abrange os créditos tributários apurados até o período de fevereiro/2004. O Sr. Ramon Hollerbach Cardoso responde solidariamente com os demais pelos créditos tributários de março/2004 em diante. O Sr. Ricardo Penna Machado, por sua vez, responde solidariamente pelos créditos tributários apurados até o período de outubro/2004. E os Srs. Renato Villamarim Soares e Marcos Valério Fernandes de Souza respondem solidariamente pelos tributos de todo o período.” A responsabilização solidária dos sócios gerentes se deu em razão de a fiscalização ter verificado a existência de interesse comum no fato gerador da obrigação tributária principal realizado pela empresa MultiAction, conforme previsto no art. 124, I, do CTN. Foram juntados aos autos cópias dos Avisos de Recebimento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, devidamente assinados e datados, expedidos em nome dos Srs. Renato Villamarim Soares (fl. 408), Ricardo Penna Machado (fl. 409), Marcos Valério Fernandes de Souza (fl. 412), Cristiano Mello Paz (fl. 410) e Ramon Hollerbach Cardoso (fl. 411). Os recebimentos se deram em 15/10/2007, à exceção do Sr. Ramon Cardoso, que recebeu o AR em 16/10/2007. Em 05/11/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 416/422), aduzindo, em síntese: que a fiscalização compensou os valores relativos às contribuições do PIS com os tributos por ela lançados no auto de infração, elaborando, para tanto, quadros demonstrativos, mas deixou de corrigir os valores utilizados na compensação pelos juros calculados à taxa SELIC, conforme recomenda a legislação de regência (Leis nos. 8.383/91 e 9.069/95), os quais deverão incidir da data do pagamento indevido até a da compensação feita; que, como base de cálculo do PIS, a Fiscalização tomou o valor total das Notas Fiscais emitidas pela empresa, desprezando a segregação dos serviços de terceiros Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10680.015392/200738 Acórdão n.º 3202000.408 S3C2T2 Fl. 614 3 constantes das referidas Notas, em desobediência à norma contida no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004; que os serviços de terceiros destacados na Notas Fiscais não poderiam ser considerados como receita da empresa emitente, mas sim como mero repasse de numerário feito por ela a outras empresas subcontratadas para a produção final dos serviços; que, não obstante a existência da norma citada datar de meados do ano 2004, na área específica do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, já ela vigorava,desde 1985, conforme inserto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, daquele ano. Ademais, no período anterior à vigência da lei dirigida especificamente às contribuições do PIS e COFINS, as empresas de publicidade e propaganda filiadas à Associação Brasileira de Agências de Publicidade — ABAP, no cálculo do PIS e COFINS devidos, valiamse da sentença n° 185/2004A, proferida pelo Juiz Federal titular da Nona Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, no processo n° 2002.34.00.0150249 (Mandado de Segurança Coletivo); e que a empresa é mera prestadora de serviços, não se caracterizando como empresa de propaganda e publicidade, mas sim de entretenimento. Em razão disso, não pode ter o tratamento fiscal dispensado àquela modalidade de contribuinte quanto à tributação de suas receitas, devendo ser tributada com base nas comissões e honorários efetivamente recebidos, razão pela qual requereu a realização de perícia contábil e fiscal. Para tanto, indicou o perito assistente e formulou os quesitos as serem respondidos. Ao final, requereu fossem acatadas as suas razões de defesa, quanto à parte do lançamento relativo aos anos calendário de 2003 e 2004, determinandose a correção, à taxa selic, dos valores relativos ao PIS compensado, e deferindose a perícia, a fim de possibilitar a exata fixação da base de cálculo do PIS devido pela autuada nos anos calendários de 2003 e 2004. Em 14/11/2007, o Sr. Ricardo Penna Machado, na qualidade de responsável solidário, apresentou impugnação (fls. 423/438), aduzindo, em apertada síntese: preliminarmente, requereu o desentranhamento dos autos do “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, sob pena de nulidade, visto entender que o Decreto nº. 70.235/1972 a ele não faz nenhuma referência; no mérito, alegou a impossibilidade da responsabilização pessoal pelo débito tributário, vez que a jurisprudência do STJ seria uníssona em considerar que a falta de pagamento e tributo não ensejaria tal responsabilidade . Alegou que a responsabilidade pessoal é cabível apenas quanto aos tributos incidentes sobre atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não foi o caso; endossou os argumentos expendidos pela empresa MultiAction quanto ao lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS formalizados no Auto de Infração; afirmou que o pagamento pelos serviços efetivamente prestados não configuraria apropriação de recursos, pelos sóciosgerentes, em detrimento do recolhimento de impostos; e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 suscitou, por fim, o descabimento da base de cálculo do PIS e da COFINS eleita pela Fiscalização, por estar em desacordo com as regras definidas pela Lei Complementar nº. 70/91. Ao final, requereu: a exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, por entender descabidas sua indicação como responsável solidário pelo débito não pago pela empresa; sucessivamente, a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das “outras receitas”, em face à declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, deferindose, ainda, a perícia requerida, a fim de possibilitar a exata fixação da base de cálculo das contribuições. Ressaltese, por oportuno, que apenas a empresa MultiAction Entretenimentos Ltda, na qualidade de contribuinte, e o responsável solidário Sr. Renato Penna Machado apresentaram impugnação. Em sessão realizada em 31 de agosto de 2009, por meio do Acórdão nº. 02 23.549, a 1ª Turma de DRJBelo Horizonte/MG julgou improcedente a impugnação, em decisão cuja ementa abaixo se transcreve (fls. 454/462): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 30/06/2004, 31/12/2004 Sujeição passiva A DRJ não dispõe da necessária competência para analisar a pretendida exclusão dos sujeitos arrolados do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária conforme solicitado pelo impugnante. Atividade vinculada A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 30/06/2004, 31/12/2004 Sujeição passiva A DRJ não dispõe da necessária competência para analisar a pretendida exclusão dos sujeitos arrolados do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária conforme solicitado pelo impugnante. Atividade Vinculada Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10680.015392/200738 Acórdão n.º 3202000.408 S3C2T2 Fl. 615 5 A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A DRFBelo Horizonte/MG deu ciência da predita decisão ao sujeito passivo e a todos os responsáveis solidários, conforme se verifica dos documentos juntados às fls. 464/486. Apresentaram recurso voluntário perante este Colegiado os Srs. Renato Villamarim Soares (fls.487/500), Ramon Hollerbach Cardoso (fls.502/ 535), Ricardo Penna Machado (fls. 536/553) e Cristiano de Mello Paz (fls. 554/587). A contribuinte não apresentou recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa MULTIACTION ENTRETENIMENTOS LTDA (ciência em 08/10/2007), para constituição de créditos tributários referentes às contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS (fls. 07/18), no valor total de R$ 118.691,46 (inclusos principal, multa de oficio e juros de mora), por falta/insuficiência de recolhimento, em relação a fatos geradores ocorridos no ano de 2004, em 28/02, 31/03, 30/04, 30/06 e 31/12, e em julho de 2003. Foram lavrados, ainda, “Termos de Sujeição Passiva Solidária” expedidos em nome dos sócios gerentes, Srs. Renato Villamarim Soares (AR à fl. 408), Ricardo Penna Machado (AR à fl. 409), Marcos Valério Fernandes de Souza (AR à fl. 412), Cristiano Mello Paz (AR à fl. 410) e Ramon Hollerbach Cardoso (AR à fl. 411). Os recebimentos dos AR se deram em 15/10/2007, à exceção do Sr. Ramon Cardoso, que recebeu o AR em 16/10/2007. A sujeição passiva, na qualidade de responsável solidário, foi questionada pelo único sócio gerente que apresentou impugnação, o Sr. Ricardo Penna Machado (fls. 423/438). Quanto à tal questão, assim pronunciouse a DRJBelo Horizonte/MG (fl. 461): “O auto de infração foi lavrado e devidamente cientificado a todos os sujeitos passivos solidários arrolados pela fiscalização. A impugnação, válida, foi tempestivamente protocolada. Assim, à Delegacia de Julgamento cabe julgar os fatos relativos às infrações que lhes estão sendo imputadas. Portanto, a questão agora em foco referese à declaração de sujeição passiva solidária, que não pode ser tratada nesse momento por falta de previsão legal. Se e quando for Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 necessário, será analisada pelo órgão responsável pela execução da divida, sendo necessário registrar que não somente o momento, mas também a autoridade incumbida de decidir essa questão será outra, ou seja, o Poder Judiciário. Em suma, este Colegiado não dispõe da necessária competência para analisar a pretendida exclusão dos sujeitos arrolados do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária conforme solicitado pelas impugnantes.” (grifos não constantes do original) O entendimento daquele órgão julgador mostrase deveras equivocado. Pretende que, ao impugnante, somente lhe seja possível a via judiciária para discutir a sujeição passiva, na qualidade de responsável solidário, que lhe foi atribuída quando do lançamento de ofício perpetrado por meio do Auto de Infração, ao argumento de que não é cabível a apreciação da matéria em sede de julgamento na esfera administrativa em primeira instância. O processo administrativo fiscal iniciase quando, por meio do oferecimento da impugnação ao lançamento de ofício, o contribuinte decide exercer o seu direito constitucional à ampla defesa, discutindo a exigência constante do auto de infração, conforme previsto no DecretoLei nº. 70.235/1972. Na dicção do art. 142, caput, do CTN, o lançamento, formalizado por meio da autuação, tem por finalidade identificar componentes indispensáveis à integração da relação jurídica tributária, sendo um desses elementos o sujeito passivo. Assim, no caso, a condição de responsável solidário, atribuída ao interessado por meio da autuação, é matéria que compõe a lide, vez que trazida em sede de impugnação, e está sujeita à decisão em primeira instância administrativa. Aduzida tal questão pelo impugnante, este tem o direito de ver dirimida a controvérsia na esfera administrativa, no duplo grau de jurisdição. Assim, não há como manter a decisão proferida em primeira instância administrativa que, equivocadamente, deixou de apreciar elemento fundamental do lançamento (identificação do sujeito passivo), ao argumento de que não teria competência para apreciar tal matéria. Pelo exposto, voto no sentido de que seja ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, inclusive, para que seja proferida nova decisão pela DRJ, na boa e devida forma, apreciando os argumentos de defesa trazidos pelos impugnantes, inclusive aqueles que dizem respeito à sujeição passiva. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 10494.001280/2002-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Período de apuração: 11/10/2000 a 15/03/2001
ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. RICARF.
Para que um recurso especial seja admitido é necessário que haja o
prequestionamento da matéria, além de se comprovar interpretações jurídicas divergentes entre colegiados em relação a fatos análogos. (art. 67 da Portaria nº 256/2009 RICARF)
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-001.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 11/10/2000 a 15/03/2001 ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. RICARF. Para que um recurso especial seja admitido é necessário que haja o prequestionamento da matéria, além de se comprovar interpretações jurídicas divergentes entre colegiados em relação a fatos análogos. (art. 67 da Portaria nº 256/2009 RICARF) Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. EDITADO EM: 20/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Alves Ramos, Maurício Rabelo de Albuquerque Silva , Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra decisão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes que negou provimento ao Recurso Voluntário. Em decorrência de um pedido de retificação de DI, onde solicitava aumento no quantitativo de mercadoria importada e conseqüentemente acréscimo nos tributos devidos, acompanhada de DARF da diferença apurada, constatouse que a autenticação do referido DARF era falsa. Diante disso, a empresa foi selecionada para ser auditada, o que ocorreu em 22/03/2001. Nessa data, em procedimento de fiscalização, foram apreendidos, simultaneamente, documentos no estabelecimento da interessada e no escritório dos despachantes aduaneiros que cuidavam da legalização das importações, efetuadas a partir de outubro de 2000. Em posse desses documentos verificaram várias irregularidades resultando na lavratura do presente Auto de Infração, fls. 01 a 198, para cobrança do Imposto de Importação – II, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, de multa regulamentar, além dos acréscimos legais cabíveis. Antes de descrever as irregularidades verificadas pelas autoridades fiscais que resultaram no presente lançamento, tornase importante a transcrição de fatos apresentados por essas mesmas autoridades que antecederam as constatações, conforme informado no Relatório de Auditoria: a falsificação na autenticação do DARF acima mencionado foi confirmada pelo Banco do Brasil S/A; os despachantes não tinham o mínimo de compromisso com o que declaravam no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), como se fosse permitido declarar em uma DI mercadorias relativas a conhecimento de outra DI, como se pudessem decidir quanto e o quê declarar em cada DI, e como se estivesse ao livrearbítrio do importador ou de seu despachante estipular o valor da mercadoria importada e o Incoterm; a falsificação de faturas era uma prática antiga na empresa. Já nas primeiras importações de 2000, em época que a Twin ainda não prestava serviços à Meta, verificase a ocorrência de faturas falsas, confeccionadas pela própria Meta; a DI retificada, que deu origem à fiscalização na interessada, foi registrada pelo Sr. Cladimir Abrão Tironi, despachante aduaneiro que trabalhava na Twin Complexo Logístico Ltda; Em reunião com os sócios da Twin, eles informaram que já estavam desconfiados de que algo havia de errado com os dois despachantes que prestavam serviços à Twin, através da empresa Procargo Comércio Exterior Ltda., da qual são os dois únicos sócios, Cladimir Abrão Tironi e Rudiney André Adamis, e esses agiam em conluio com o Sr. Jeferson Jaceron Costa Dias, funcionário da Meta; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 407 3 no microcomputador do Sr. Rudiney foi encontrado no disco rígido, diretório “C:\MEUS DOCUMENTOS”, o extrato da retificação da DI em questão (em arquivo do tipo Microsoft Word, fls. 319). Já em sua mesa foram encontrados controles manuscritos de entrada e saída de valores, e nesses controles foram detectados valores de cheques emitidos pela Meta, nominais para a Twin, mas que foram desviados para outras contas bancárias; na apreensão de documentos nas duas empresas, Twin e Meta, constataram que muitos documentos que estavam numa empresa complementavam a documentação que estava na outra e viceversa. Às vezes um arquivo continha o original e o outro, cópia; na capa e contracapa das pastas da Twin, constataram alterações ou rasuras em vários campos, tais como no número das faturas, nos valores de importação, no valor de frete, na quantidade de mercadorias, ou em outros campos, evidenciando as irregularidades que ocorreram nessas importações e demonstrando a cumplicidade dos despachantes nessas irregularidades. Além disso, foram observadas anotações pelos despachantes na parte interna da capa ou da contracapa corroborando esse entendimento; antes da emissão de uma fatura procediase à negociação das mercadorias, que se iniciava com um pedido do comprador, no caso a Meta, ao seu fornecedor, ADC. Primeiramente a Meta fazia um pedido, sendo que a ADC em alguns casos sugeria a alteração desse pedido. O pedido então era refeito e novamente enviado à ADC. A partir desse pedido, a ADC emitia uma proforma para aprovação da Meta, juntamente com uma solicitação de confirmação. Uma vez acertada a venda, a ADC emitia a fatura com a respectiva listagem das mercadorias por volume de embarque – packing list – e embarcava a mercadoria para o comprador. Os originais das faturas eram enviados junto com o conhecimento aéreo ou por serviço de courier; o Sr. Jeferson, funcionário da Meta, era quem normalmente representava a empresa nessas transações com a ADC; antes do embarque as faturas eram emitidas e enviadas via fax, juntamente com as informações sobre packing list, conhecimento aéreo, datas e vôos, para a Meta aos cuidados do Sr. Jeferson Dias, com cópia para o Sr. Oldemar; com isso fica claro que a Meta, bem como os despachantes da Twin, sabiam exatamente a quais faturas e proformas se referiam cada carga, eliminandose a possibilidade de que a causa das irregularidades mencionadas no Relatório tenha sido um mero engano; a descrição da mercadoria na DI e na nota fiscal vinculam as mercadorias às faturas/proformas indicadas na DI, através da citação dos três ou quatro últimos algarismos de cada fatura/proforma, tendo como exemplo: AES30/502 – referindose à fatura SLS/99601502 e AES30/503 – referindose à fatura SLS/99601503; as faturas da ADC normalmente referenciavam três campos: sales order, Customer P.O. nº e ship nº, sendo: sales order: corresponde ao número da proforma e normalmente também é igual ao ship nº; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Customer P.O : é o número da correspondência que a Meta enviava à ADC contendo o seu pedido; Ship nº : é o número que identifica o packing list, normalmente é igual ao sales order. Por este número conseguese vincular um determinado packing list a uma fatura e viceversa; a contribuinte utilizou, nas suas importações, basicamente dois Incoterms: FCA e CPT; a documentação utilizada para o exame fiscal foi basicamente: dados informados no Siscomex, que estão listados nas Planilhas I a IV deste auto e nos extratos de DI encontrados na documentação da Meta e da Twin; documentos encontrados nas pastas da Twin; documentos encontrados nos envelopes da Meta e; documentos encontrados na pasta de packing list do almoxarifado da Meta; há um processo tramitando na 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, nº 2001.71.00.0150389, proveniente do inquérito policial, nº IPL 233/01, da Polícia Federal em Porto Alegre, que teve como origem as falsificações da retificação de DI e dos DARF que serviam de comprovante dos pagamentos dos tributos decorrentes desta DI. as operações de importações com as devidas irregularidades foram detalhadas no Relatório de Fiscalização por DI, especificando, em cada uma delas, as ocorrências das infrações e ilícitos. As irregularidades apuradas pelo fisco foram as seguintes: DI nº 00/09763001, de 11/10/2000 fls. 482 a 536: As faturas que instruíram o despacho dessa DI foram SLS/99601502, SLS/99601503, SLS/99601504 e SLS/99601505. Essas quatro faturas referemse a 10 centrais telefônicas com valor total de US$ 259.288,53. A fatura que realmente referese à transação da presente DI é a fatura SLS/99601453, correspondente a 24 centrais e valor total de US$ 746.913,56. Tal afirmação é constatada pelo conhecimento TLV02884884, onde consta o quantitativo de 14 volumes e peso bruto de 1893 Kg e da Fatura efetiva (SLS/99601453), que contendo o mesmo volume de 1846 Kg de peso bruto. Diante do acima exposto, foram constatadas duas graves irregularidades: introdução clandestina de 14 centrais no valor total de US$ 435.699,58 e subfaturamento do preço das 10 centrais declaradas, no valor de US$ 51.925,45. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 408 5 Para encobrir essa situação, foi confeccionada uma Retificação de DI falsa, fls 529, e falsificadas as autenticações de dois DARF, no valor total de R$ 177.520,09, fls 306, relativos aos impostos que não haviam sido pagos. Houve, inclusive a emissão de Nota Fiscal, fls 536, complementar à primeira, fls 521, para dar entrada contábil na empresa das 14 centrais faltantes. Tal medida, retificação da DI, visou o fechamento das contas entre as duas empresas, tendo em vista que os cheques emitidos pela Meta à Twin para pagamento de despesas com a importação de produtos haviam sido depositados em contas diversas da beneficiária. Dentre essas contas destacamse a de uma imobiliária, a de uma loja de jetski, a da sogra do Sr. Jeferson e a do próprio Sr. Rudiney. É de se informar que a retificação dessa DI nunca existiu, sendo unicamente um papel obtido a partir da confecção em computador, em arquivo Word, de uma imitação de um extrato de retificação de DI. A indicação da fatura certa para essa DI consta no próprio conhecimento de transporte, fls. 485, onde é informado no campo Shipper’s Reference nº “SLS/99601453” e “99601453”. Acrescentase, ainda, a invoice nº SLS/99601453, às fls. 530, informando o quantitativo de 24 produtos. De um total de 24 centrais, foram declaradas somente 10, por conseguinte, foram introduzidas clandestinamente 14 centrais que totalizam US$ 435.699,58, considerando que seu valor unitário, extraído da fatura SLS/99601453, correspondente a US$ 31.121,39. Reconstituindo os valores da DI, com base na Fatura que realmente amparava essa importação e considerando o valor do Dólar, na data do registro da DI, em 1,8574 Reais/Dólar, temse: a Valor total da Fatura, correspondente a 24 unidades à R$ 1.388.655,60; b Valor declarado, correspondente a 10 unidades à R$ 482.951,00; c – Valor mercadoria introduzida clandestinamente à R$809.268,39; d – Subfaturamento à R$ 96.446,33. Aplicandose a legislação a esses cálculos chegase ao seguinte lançamento: Multa de 100%, pelo motivo de a empresa ter dado saída à mercadoria introduzida clandestinamente no país, sobre o valor da mercadoria R$ 809.268,39, prevista no art. 463, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/98; II e IPI sobre o valor subfaturado, correspondente a 10 centrais, R$ 96.446,33, incidindo as seguintes alíquotas, II 4% e IPI – 15%. Tendo em vista que houve fraude e conluio, aplicouse a multa agravada de 150% sobre os impostos devidos, arts. 44 e 45 da Lei nº 9.430/96; Multa de 100% sobre a diferença do valor devido do produto e o subfaturamento deste, prevista no art. 526, III do RA; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Multa por falta de Licença de Importação LI, de 30%, tendo em vista que as mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex, tanto na quantidade quanto no valor, logo, não tiveram LI. DI nº 00/10477327, de 31/10/2000 – fls. 539 a 594: Esta DI vinculase de certa forma à confusão efetuada na DI anterior pelo seguinte fato: as mercadorias relacionadas nas faturas SLS/99601502, SLS/99601503, SLS/99601504 e SLS/99601505, indevidamente vinculadas a DI nº 00/09763001 não correspondem àquela DI, mas sim a esta DI, nº 00/10477327; dessas quatro faturas somente três foram declaradas na DI em comento, sendo que a fatura SLS/99601503, referente a uma central, no valor de US$ 33.665,18, não foi declarada. Essas constatações ficam evidentes ao analisar a carga descrita no conhecimento que amparava essa importação. Tal diferença referese exatamente à fatura SLS/99601503, que não foi declarada. Além disso, houve a introdução clandestina de três tipos de peças (42 unidades) cujo valor não foi declarado na fatura SLS/99601502, mas que constam de seu respectivo packing list. Aplicandose a legislação a esses cálculos chegase ao seguinte lançamento: 4% de II e 15% de IPI, sobre o valor da central não declarada, R$ 500.086,60 – NCM 8517.30.50; 17% de II e 10% de IPI, sobre o valor das peças não declaradas, no valor de R$ 1.296,50 – NCM 8517.90.99; multa agravada de 150% nos impostos acima, em decorrência de fraude e conluio; multa por falta de LI, de 30% do valor efetivo das mercadorias R$ 501.383,10 (R$ 500.086,60 + R$ 1.296,50), tendo em vista que as mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex, seja na qualidade, quantidade e valor; 100% do valor da mercadoria R$ 66.068,30 (R$ 64.771,80 + R$ 1.296,50), pelo motivo de a empresa ter dado saída à mercadoria introduzida clandestinamente no país. DI nº 00/10952556, de 14/11/2000 – fls. 595 a 642: A fatura SLS/99601626, informada nesta DI, não representa as mercadorias que realmente foram importadas. A empresa informou, após intimação expedida pelos agentes fiscais, que as faturas que fizeram parte do conhecimento de carga, 04255664733, conhecimento esse que trouxe as mercadorias objeto da presente DI, era composto das seguintes faturas: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 409 7 SLS/99601608, SLS/99601609, SLS/99601652, SLS/99601653, SLS/996016954, SLS/99601655 e SLS/99601656. O somatório dessas faturas compreende o valor de US$ 16.075,21. Já o valor declarado foi de US$ 757,078,52. Desta forma, fica flagrante um superfaturamento de US$ 741.003,31, ou seja, R$ 1.449,847,00, considerando o Dólar/Reais na data do registro da DI de 1,9566. Com isso, foi aplicada a multa de 100% sobre o valor superfaturado. Além disso, foi cobrada a multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 31.452,76 (US$ 16.075,21), correspondente à falta de LI, pois as mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex, tanto no valor quanto na quantidade. DI nº 00/11377067, de 24/11/2000 – fls. 643 a 691: A fatura 5011497 que instrui a presente DI, no valor de US$ 855.012,46, é falsa e incompatível com o conhecimento dessa DI. Já a fatura SLS/99601626, no valor de US$ 757.078,52, que instruía a DI anterior, nº 00/109102556, é a efetiva da presente DI. Essa afirmativa está baseada em provas obtidas junto ao conhecimento de transporte 042 99967103, fls. 651 e 670, extrato do Siscomex – Mantra importação, fls. 656, comprovante de pagamento à Infraero, fls. 653 e 674, além do recibo da Picolo Transportes Ltda, fls. 652 e 673. A divergência desses valores repercutiu na cobrança de um superfaturamento no valor de US$ 97.933,94, ou seja, R$ 189.227,95. Além disso, foi cobrada a multa de 30% sobre o valor total efetivo da mercadoria, R$ 1.467.452,90 (valor declarado US$ 857.406,50 + valor superfaturado US$ 97.933,94), correspondente à falta de LI, pois as mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex, tanto no valor quanto na quantidade. DI nº 00/12040538, de 12/12/2000 – fls. 692 a 719: A presente DI foi registrada para introduzir no país 207 fontes de alimentação, com valor total de US$ 8.900,00. Analisando a documentação obtida junto às empresas, acrescida da resposta da intimação feita em 31/10/2001, constatouse que foram efetivamente importadas 167 fontes de alimentação, ou seja, 40 fontes a menos, com valor total de US$ 170.329,41. Tal fato está comprovado pela proforma 99320742 e respectivo packing list, além do conhecimento 042 55664884. Os valores declarados pela interessada são muito inferiores aos praticados pela ADC Teledata em outras transações com a Meta. A própria empresa, quando intimada, forneceu uma proforma com valor bem superior ao declarado no Siscomex. Considerando esses valores têmse: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 120 fontes PSRG40 = 120 x 1.051,86 = US$ 126.223,20; 47 fontes PSDC40 = 47 x 938,43 = US$ 44.106,21; Valor total das mercadorias US$ 170.329,41; Valor total declarado US$ 8.900,00; Valor subfaturado US$ 161.429,41. A NCM declarada no siscomex, 8517.9099 – outras partes para aparelhos de telefonia não condiz com as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias. Verificase, pela descrição do produto, que a posição mais específica para esta mercadoria é a NCM 8504.4030 – Conversores estáticos de corrente contínua, por ser a posição mais específica. Desta forma, as alíquotas passaram para II = 18% e IPI = 5%. Considerando que o Dólar vigente na data de registro da DI era de 1,9695 Dólar/Reais efetuouse a seguinte cobrança: diferença dos impostos (II e IPI) em decorrência da divergência de classificação e conseqüentemente de alíquota, acrescidos de multa agravada em função de fraude e conluio que envolveram a transação e o registro da DI; multa de 100% sobre o valor subfaturado, R$ 317.935,22; multa de 10% sobre o valor do II, inclusive do II referente ao valor subfaturado; multa de 30% do valor total da importação, R$ 335,512,84, tendo em vista que as mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 00/12532805, de 27/12/2000 – fls. 720 a 771: Nesta DI foram constatadas as seguintes irregularidades: falta de fatura para as 40 fontes da proforma SLS/99320735, que foi declarada como se fosse uma fatura; subfaturamento, pois não foi declarado o valor relativo a essas 40 fontes, US$ 39.805,80; e classificação incorreta das mercadorias, declaradas como centrais, mas que, conforme se verifica nos packing list, na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Os valores lançados referentes a esta DI são: 18% de II e 5% de IPI, sobre o valor não declarado das 40 fontes, correspondente a R$ 77.716,84; multa de 150% sobre esses impostos (II e IPI); Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 410 9 multa de 100% sobre o valor subfaturado da mercadoria, R$ 77.716,84; 10% sobre o valor do II relativo a 40 fontes tendo em vista que não há fatura para elas; II e IPI correspondente à reclassificação das mercadorias, acrescido, ainda, da multa de 75% sobre esses impostos; multa de 30% do valor da mercadoria, incluindo o valor não declarado das 40 fontes, ou seja, R$ 1.067.241,27 + R$ 77.716,84, pela falta de LI, tendo em vista que as mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex, seja no valor, seja na quantidade, seja na descrição. DI nº 00/12531000, de 27/12/2000 – fls. 772 a 798: As irregularidades encontradas foram: falta de fatura para as mercadorias da proforma 99320756; subfaturamento do valor da mercadoria dessa proforma, pois foi declarado US$ 2.500,00, mas na realidade referese a mercadorias que totalizam US$ 9.198,74; introdução clandestina de 09 volumes, contendo 14 centrais, correspondentes à fatura SLS/99601907 e ao packing list 501791, no valor de US$ 381.225,23. Tais dados estão comprovados pelo conhecimento 04256067115 dessa DI, extrato do Mantra importação, comprovante de pagamento à Infraero e recibo de transporte do aeroporto à Meta, além do próprio reconhecimento da empresa ao informar que a proforma 99320756 e a fatura SLS/99601907 é que amparavam essa DI, no valor de US$ 381.225,23. A nota fiscal de entrada da Meta, nº 17888, fls. 794, traz o registro de apenas uma central automática, sendo que a fatura SLS/99601907 compunhase de 14 centrais. Diante disso, fica evidenciada a entrada clandestina de mercadoria constante na fatura SLS/99601907. Os lançamentos relativos a esta DI, das mercadorias não declaradas, foram: 4% de II e 2% de IPI sobre o valor das 14 centrais, cujo valor real das mercadorias foi de R$ 744.304,13, considerando o Dólar vigente na data de registro da DI em 1,9524 Reais/Dólar; multa de 150% sobre os impostos acima especificados, tendo em vista a ação fraudulosa e o conluio empreendido na importação dessas mercadorias; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 multa de 30% sobre o valor das mercadorias, R$ 744.304,13, considerandose que as mesmas não foram declaradas no Siscomex; multa de 100% do valor das mercadorias introduzidas clandestinamente no país. Em relação às mercadorias declaradas houve os seguintes lançamentos: 4% de II e 2 % de IPI sobre os valores não declarados, R$ 13.078,62; multa de 150%, decorrente de fraude e conluio; multa de 100% pelo subfaturamento do valor da mercadoria, R$ 13.078,62; multa de 10% sobre o valor do II, pelo fato de não haver fatura para a mercadoria da proforma 99320756; multa de 30% do valor da mercadoria, incluindo o valor subfaturado, tendo em vista que a mercadoria não foi declarada corretamente. DI nº 01/00254688, de 09/01/2001 – fls. 801 a 858: As irregularidades desta DI são: falta de fatura para a central AES30 declarada com base na proforma 99320758; e subfaturamento, pois o valor declarado é bem menor do que o valor real dessas mercadorias. Intimada a apresentar o valor comercial de cada peça do packing list 207610, correspondente às mercadorias importadas por esta DI, a empresa forneceu uma proforma, nº 99320758, com valores bem inferiores aos valores comerciais usualmente praticados entre a ADC Teledata e a Meta. Tal fato é comprovado pelos valores obtidos em outras importações efetuadas pela própria interessada. Dessa forma, utilizouse esses valores como referência para ajustar os efetivos preços, resultando num subfaturamento na ordem de US$ 89.892,50 (US$ 119.982,50 – US$ 30.000,00). Os lançamentos decorrentes desta DI são: 4% de DI e 2% de IPI sobre o valor não declarado de R$ 175.321,90, considerando os valores do subfaturamento, US$ 89.982,50, e do Dólar, 1,9484; multa de 150% sobre esses impostos, diante da fraude e conluio que envolveu a transação; multa de 100% sobre o valor subfaturado da mercadoria; multa de 10% sobre o valor do II relativo à adição 2, pelo fato de não haver fatura para a mercadoria, apenas a proforma 99320758; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 411 11 multa de 30% pela falta de LI, tendo em vista que as mercadorias constantes da adição 2 não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 01/10313618, de 26/10/2000 – fls. 859 a 921: Encontraram as seguintes irregularidades, nesta DI: Introdução clandestina de 1 volume, correspondente à proforma 207601 e packing list 207601, no valor de US$ 2.262,00; classificação incorreta das mercadorias, declaradas como centrais, mas que, conforme verificado nos packing list, na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Analisando o extrato do Siscomex Mantra importação, o comprovante de pagamento à Infraero e o recibo relativo ao transporte do TECA/ERSAF para a sede da Meta constatase que foram importados 21 volumes e não 20 como foi declarado. Essa diferença decorre da falta de inclusão na DI de um volume que estava na proforma nº 207601, no valor de US$ 2.262,00. As faturas que instruíram a presente DI, SLS/99601546, SLS/99601547 e SLS/99601548, trouxeram na realidade partes e peças de centrais, diferentemente do que estava informado na DI, alterando, desta forma, a classificação das mercadorias e, conseqüentemente, as alíquotas. A repercussão da análise desta DI foram os lançamentos: 30% de II e 15% de IPI sobre o valor da mercadoria introduzida clandestinamente, no valor de R$ 4.293,50 (US$ 2.262,00); multa agravada de 150% sobre os impostos acima apurados, por atos maculados por fraude e conluio; multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 4.293,50, por falta de LI, pelo fato dessa não ter sido declarada no Siscomex; multa de 100% do valor da mercadoria, R$ 4.293,50, pelo motivo de a empresa ter dado saída à mercadoria introduzida clandestinamente no país; II e IPI, com alíquotas diversas daquelas utilizadas pela contribuinte em função da reclassificação fiscal das mercadorias registrada na presente DI; multa de 75% sobre os impostos incidentes nessa reclassificação; multa de 30% sobre o valor dessas mercadorias por falta de LI, por não terem sido declaradas corretamente no Siscomex; DI nº 00/110836244, de 17/11/2000 – fls. 922 a 968: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Nesta DI foi verificado a introdução clandestina de 8 volumes, correspondentes às proformas 99320714 e 99320715 e respectivos packing list 207611 e 207612, compondose de 2 centrais AES30, no valor total de US$ 38.372,38. Analisandose o conhecimento de transporte, 042 55664766, o extrato do Siscomex – Mantra importação, o comprovante de pagamento à Infraero e o recibo da Picolo Transportes Ltda constatase que houve a importação de 10 volumes, ficando evidente que foi declarada apenas a fatura que trata da carga de 2 volumes, não sendo declarada as mercadorias referentes aos 8 volumes restantes. Tendo em vista que não constavam os preços dos produtos nas proformas acima citadas, intimouse a empresa para fornecer os valores dos produtos relacionados nos referidos packing list. Como a empresa apresentou os valores muito inferiores aos usualmente praticados, utilizouse os preços praticados pela ADC Teledata em diversas vendas à Meta. Os lançamentos procedidos pela análise desta DI foram: 4% de II e 15% de IPI sobre o valor das 2 centrais, instruídas pelas proformas 99320714 e 99320715, no valor de R$ 74.599,74 (US$ 38.372,38), que foram introduzidas clandestinamente no país; multa de 225% sobre o valor dos impostos acima, tendo em vista que a empresa não respondeu em tempo hábil a intimação emitida em 20/12/2001 e, também, por utilização de fraude e conluio nessa operação; multa de 30% sobre o valor das mercadorias, RS$ 254.439,87, por falta de LI, em função de a empresa não ter declarado os produtos corretamente no Siscomex, seja na quantidade, seja no valor; multa de 100% do valor da mercadoria, R$ 74.599,74, pelo motivo de a empresa ter dado saída na mercadoria introduzida clandestinamente no país; multa de 10% do II, referente a essas 2 centrais pela falta de fatura; DI nº 00/11323765, de 23/11/2000 – fls. 969 a 1001: Na presente DI foram classificadas incorretamente as mercadorias constantes da fatura SLS/99601565, declaradas como centrais, mas que, conforme verificado no packing list, na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. A importação que registrou a presente DI diz respeito a dois pedidos, 736/00 e 737/00, que tratam da aquisição de 10 e 32 centrais, respectivamente. Para o pedido 736/00, contendo as 10 centrais, foram registradas três DI. Já no pedido 737/00, com 32 centrais, foram registradas quatro DI. As demais DI, juntamente com esta, amparam, no todo, a importação de 32 centrais. Entretanto, as importações que amparavam a introdução no país das mercadorias cobertas pelo pedido 736/00 não compunham, no conjunto, a 10 centrais, pois foi verificado, pelo packing list, que havia somente 4 tipos de peças da central AES30, ao passo que no Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 412 13 pedido constavam 20 tipos diferentes de peças. Além disso, verificouse que no packing list não constava nenhuma CAGE. Ficam então evidentes a prática de declarações inexatas no Siscomex e a classificação errada das mercadorias. Decorreram daí os seguintes lançamentos: os impostos incidentes, II e IPI, com as alíquotas corretas; multa de 75% sobre os impostos acima descritos; multa de 30% do valor da mercadoria, acarretada pela falta de LI, pelo fato de não terem sido corretamente declaradas no Siscomex. DI nº 00/11635201, de 01/12/2000 – fls. 1002 a 1031: Constatouse nesta DI as seguintes irregularidades: falta de fatura para a central AES30 declarada com base na proforma 99320737; e subfaturamento, pois o valor declarado é bem menor do que o valor real dessas mercadorias. As mercadorias objeto da presente DI foram trazidas para o Brasil como se fossem bagagem acompanhada. Como as mercadorias não se enquadravam no conceito de bagagem elas foram retidas no Aeroporto Internacional de São Paulo para a apresentação de DI. Em decorrência dessa exigência, a interessada apresentou a presente DI declarando no Siscomex 01 Kit para teste em telefonia, composto de 4 óculos de proteção, 3 ferros de solda, 4 cabos de força,...., placa de circuito integrado preço unitário de US$ 1.200,00. Na própria proforma constavam dois grupos de mercadorias, cada um valorado em US$ 1.200,00, totalizando, então, US$ 2.400,00, enquanto que na DI foi declarado somente US$ 1.200,00. Além disso, verificouse que as mercadorias declaradas no segundo grupo especificado na proforma foram objeto de outras vendas da ADC Teledata à Meta por valores bem superiores aos US$ 1.200,00, constantes da proforma. Desta forma, utilizouse os valores efetuados pela ADC Teledata em vendas diversas à Meta, chegandose ao total de US$ 5.377,74. Considerando que o valor declarado, US$ 1.200,00, corresponde somente ao primeiro grupo de mercadorias descritas, temse que a totalidade das placas descritas no segundo grupo foram subfaturadas no valor de R$ 10.545,75, (US$ 5.377,74 X taxa do Dólar vigente na data do registro da DI, 1,9610). Com isso, são devidos os seguintes lançamentos: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 20% de II e 10% de IPI sobre o valor não declarado; multa de 150% sobre esses impostos em decorrência de importação empreendida com fraude e conluio; multa de 100% sobre o valor subfaturado da mercadoria; multa de 10% sobre o valor do II por falta de fatura incidente apenas sobre o valor não declarado, R$ 10.545,75; multa de 30% sobre o valor total das mercadorias, R$ 12.898,95, por falta de LI, pelo fato de as mercadorias não terem sido declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 00/11913945, de 08/12/2000 – fls. 1032 a 1063: As irregularidades apresentadas nesta DI são: declaração no Siscomex, como fatura, de proformas, possivelmente falsas, nº 501790 e 501792. As faturas efetivas são as de nº SLS/99601841 e SLS/99601842, cujos nºs de packing list coincidem com os nºs declarados nesta DI (501790 e 501792, respectivamente); superfaturamento, tendo em vista o valor declarado, US$ 2.020.062,12, e o valor efetivo obtido nas faturas, 1.862.352,32; classificação incorreta das mercadorias da fatura SLS/99601842, declaradas como centrais de telefonia, mas que, conforme verificouse nos packing list, são partes e peças dessas centrais. Fica bem evidente que na presente DI foi indevidamente declarado o valor total dos pedidos, pois a mercadoria não veio na sua totalidade, sendo complementada em outros embarques, objeto de outras DI. As faturas encontradas na documentação da Twin referente à presente DI têm valores menores em relação ao valor declarado na quantia exata em que o valor declarado excede ao valor dos respectivos pedidos. Logo, não poderia a contribuinte ter declarado o valor total dos pedidos, 746/00 e 749/00, visto que a carga dessa DI não continha a integralidade das mercadorias listadas nos pedidos. Com isso, fica mais uma vez comprovada a falsa declaração das proformas 501790 e 501792 e o superfaturamento no valor de US$ 157.709,80. O pedido nº 749/00, da fatura SLS/99601842, apresenta em sua relação 60 centrais AES30. Ocorre que esse pedido também faz parte de outra DI (01/00899450) que foi declarada o mesmo quantitativo de centrais. Dessa forma, ocorreu a entrada de 120 centrais vinculadas a esse pedido, ou seja, o dobro do que realmente consta em seu conteúdo. Verificandose o packing list 501792 constatase que há uma série de peças para central AES30, mas não consta nenhuma CPT nem CPTE. Ficou, dessa forma, evidente o incorreto conceito de central telefônica, mesmo que desmontada ou incompleta, pois tratase na realidade de partes e peças de uma central. Da análise desta DI foram efetuados os seguintes lançamentos: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 413 15 multa de 100% sobre a diferença do valor declarado e o valor real da mercadoria, considerandose a diferença como superfaturamento; diferença das alíquotas do II e IPI, tendo em vista a reclassificação das mercadorias como partes e peças e não como centrais; multa de 75% sobre os valores dos impostos advindos dessas novas alíquotas; multa de 30% sobre o valor da mercadoria, R$ 3.671.944,28, por falta de LI, pelo fato de que elas não foram declaradas corretamente no Siscomex, seja no valor, seja na descrição. DI nº 01/00899450, de 26/01/2001 – fls. 1064 a 1091: Nesta DI a empresa classificou incorretamente as mercadorias declaradas ao apresentálas como centrais, pois verificouse nos packing list que na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Instruíram esta DI as faturas SLS/99601928 e SLS/99601929. Na fatura SLS/99601928 verificouse que no packing list estão listados somente dois tipos de peças para central AES30, bem menos do que os vinte tipos constantes do pedido 748/00. Além disso, não consta no packing list nenhuma CAGE, CPT, CPTE, etc, que são partes essenciais para caracterizarem o produto como central de telefonia. Já na fatura SLS/99601929 seu pedido, 749/00, aparece também em outra DI (00/11913945), que considerou o mesmo quantitativo de centrais AES30. Com isso, teria entrado na empresa 120 centrais, ou seja, o dobro do que realmente consta no pedido. Verificouse, ainda, que no packing list há somente alguns tipos de peças para central AES30, bem menos que os descritos no pedido 749/00, e, além disso, não consta nenhuma CAGE, PSRG ou PSDC. Desta forma, a presente importação não trouxe central telefônica, mas sim partes e peças de uma central. Os lançamentos decorrentes dessa DI são: II e IPI referente às diferenças de alíquotas aplicadas sobre os partes e peças importadas; multa de 75% sobre os impostos acima; multa de 30% sobre o valor da mercadoria por falta de LI, tendo em vista que essas mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 01/00254483, de 09/01/2001 – fls. 1092 a 1123: As mercadorias dessa DI foram declaradas em 2 adições (referentes a 2 faturas): Fl. 15DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Adição 1 : NCM 8517.30.50 – Centrais telefônicas – Fatura SLS/99602076; Adição 2: NCM 8517.90.10 – Placa de circuito p/ telefonia – Fat. SLS/99602075. A irregularidade apresentada referese à fatura SLS/9962076 que classificou incorretamente as mercadorias, pois a empresa declarou como fossem centrais, mas que, conforme se verifica no packing list, são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia, cuja classificação correta na NCM é também a 8517.90.10. Com isso, foram efetuados os seguintes lançamentos: diferença de alíquota do II e IPI, decorrente da reclassificação das mercadorias relacionadas na adição 1; multa de 75% sobre o valor acima apurado; multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 253.630,58, por falta de LI, tendo em vista que essas mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 01/01557790, de 14/02/2001 – fls. 1124 a 1153: A irregularidade apontada nesta DI tratase, também, da classificação das mercadorias nela relacionadas, posto que foram declaradas como centrais, mas que na verdade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Verificouse no packing list 501835 que há somente 2 tipos de peças (CAGE e PSBC), contrastando com os 20 tipos normalmente encontrados nos pedidos da Meta. Além disso, constatouse que não constam nenhuma CPT, CPTE, PSRG ou PSDC, que são peças essenciais para caracterizarem uma central AES30. Os lançamentos efetuados foram: diferença de alíquota do II e IPI, decorrente da reclassificação das mercadorias; multa de 75% sobre o valor acima apurado; multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 339.780,19, por falta de LI, tendo em vista que essas mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 01/01557803, de 14/02/2001 – fls. 1154 a 1181: Irregularidade idêntica à DI anterior, ou seja, classificação incorreta das mercadorias relacionadas na fatura SLS/99602185, declaradas como centrais, mas que na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Verificouse pelo packing lista que não se trata de uma central AES30, mas somente de algumas partes desta. Pelo pedido 93AO 745/00 verificase que os produtos em análise são enlaces ópticos. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 414 17 Em resposta ao Termo de Intimação de 31/10/2001, concluiuse tratarse basicamente de uma placa de transmissão para uma central DCS20, para aumentar a sua capacidade, odotandose o enquadramento na NCM 8517.90.10 – Circuito impresso montado para telefonia. Foram efetuados os seguintes lançamentos: diferença de alíquota do II e IPI, decorrente da reclassificação das mercadorias; multa de 75% sobre o valor acima apurado; multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 104.504,12, por falta de LI, tendo em vista que essas mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 01/02528394, de 13/03/2001 – fls. 1182 a 1206: A irregularidade apontada nesta DI foi, também, o erro de classificação, pois as mercadorias foram declaradas como centrais, mas que, conforme verificouse nos packing list, na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Verificouse pelo packing list que a carga é composta de somente um tipo de peça, LI4E1, enquanto que normalmente nos pedidos constam pelo menos 20 tipos de peças diferentes para comporem uma central. Além disso, nenhuma das peças consideradas essenciais consta do packing list. A classificação correta, após esclarecimentos obtidos junto à interessada, é a NCM 8517.90.10 – Circuito impresso montado para telefonia. Com essa reclassificação foram efetuados os seguintes lançamentos: diferença de alíquota do II e IPI; multa de 75% sobre o valor acima apurado; multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 86.173,05, por falta de LI, tendo em vista que essas mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. DI nº 01/02528416, de 13/03/2001 – fls. 1207 a 1232: Como ocorreu nas últimas DI analisadas, a presente DI apresentou erro na classificação das mercadorias, tendo em vista que foram declaradas como centrais, mas que, conforme se verificou nos packing list, na realidade são partes e peças de central automática de sistema troncalizado para telefonia. Verificouse pelo packing list que a carga é composta de somente dois tipos de peças, CPT e CPTE, enquanto que normalmente nos pedidos constam pelo menos 20 tipos de peças diferentes para comporem uma central. Além disso, peças consideradas essenciais não constam do packing lista, como CAGE, PSRG, PSDC. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 A classificação correta, após esclarecimentos obtidos junto à interessada, é a NCM 8517.90.10 – Circuito impresso montado para telefonia. Os lançamentos efetuados na análise desta DI foram: diferença de alíquota do II e IPI, decorrente da reclassificação das mercadorias; multa de 75% sobre o valor acima apurado; multa de 30% do valor da mercadoria, R$ 68.335,69, por falta de LI, tendo em vista que essas mercadorias não foram declaradas corretamente no Siscomex. É de se esclarecer que as desclassificações das mercadorias relacionadas em algumas DI anteriores são decorrentes da aplicação das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, mais precisamente na Regra “2.a”, in verbis: 2.a – Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por desmontar. Em resposta à intimação que questionava sobre os produtos aqui tratados, a empresa definiu as peças essenciais para uma central AES30 (para o lado CU – central e para o lado RU – lado remoto): subbastidor; placa de transmissão; placa de controle e placa de potência. No Termo de Esclarecimentos de 20/12/2001, fls. 393, item 1, o engenheiro da Meta, Sr. Luiz Fernando Genz, especifica melhor essas peças: subbastidor à CAGE; placa de transmissão à STM4, ONTU16, LTM4; placa de controle à CPT, CPTE; placa de potência: PSRG40 , PSDC40. Além dessa informação da própria empresa, o laudo emitido pelo Eng. Eletr. Jauro Chiari Comunale, por solicitação da Alfândega do Aeroporto Salgado Filho, para a mercadoria “Centrais Automáticas de sistema Troncalizado para Telefonia”, importada pela Meta, concluiu que para ser considerada uma central, como pretendida pela contribuinte, as mercadorias importadas por ela devem conter as seguintes peças: CAGE, CPT, CPTE, PSDC40 e PSRG40. Tais peças garantiriam as características essenciais de uma central. Nas importações em que faltaram uma ou mais dessas peças, enquadrouse cada peça em NCM mais específica, conforme define a Regra 3.a das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, in verbis: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 “b” ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: Fl. 18DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 415 19 a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para a venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. As próximas DI analisadas, abaixo relacionadas, contêm a mesma irregularidade, erro de classificação. Nelas a empresa declarou a importação de “Roteadores digitais, sistema digital do tipo cross conect para uso em telefonia”, com código na NCM 8517.30.61. São elas: DI 00/09891247 de 17/10/2000 – fls. 1233 a 1255; DI 00/09891271, de 17/10/2000 – fls. 1256 a 1281; DI 00/10536650, de 01/11/2000 – fls. 1282 a 1299; DI 00/12531019, de 27/12/2000 – fls. 1300 a 1325; DI 01/00254505, de 09/01/2001 – fls. 1328 a 1358; DI 01/00897180, de 26/04/2001 – fls. 1354 a 1393; DI 01/02613650, de 15/03/2001 – fls. 1394 a 1416; DI 01/02613669, de 15/03/2001 – fls. 1417 a 1437. Nas seis primeiras DI, acima relacionadas, verificouse que os produtos nelas inseridos eram na realidade, em seu todo, um sistema conhecido como “Avídia”, ou “Avídia 8000”, ou seja, um multiplexador por divisão de tempo, digital, síncrono, com freqüência de transmissão de 2 Megabits/seg, devendo ser classificado na NCM 8517.50.49 – Multiplexadores por divisão de tempo – outros. Já nas duas últimas DI foi importado somente um tipo de peça, AV354 8XE1 NETWORK CARD, não caracterizando assim o sistema Avídia, mas sim uma placa de transmissão, devendo ser classificada na NCM 8517.90.10 – Circuito impresso montado para telefonia. Essas reclassificações foram baseadas em informações do Sr. Luiz Fernando Genz, engenheiro, ocupante do cargo de Gerente Industrial da Meta, que nos dias 20 e 27 de dezembro de 2001 prestou diversos esclarecimentos, constantes dos Termos de Esclarecimentos, fls. 393 e 394, sendo os principais: “O equipamento conhecido como Avidia é composto das seguintes peças, que são essenciais: BUL30/01906 – AV3548EX1 placa de transmissão; Fl. 19DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 BUL30/01919 – AV8000 21 – slot chassis subbastidor; BUL30/01932 – AV541ADSL CELG placa de assinantes; e BUL30/01941 – AV210 NTWKMGMT placa de gerenciamento. O avidia 8000 é um multiplexador de 120 canais ADSL, por divisão de tempo, digital, síncrono, com freqüência de transmissão de 2 Mbit/segundo. O Avídia 8000 é composto basicamente (configuração mínima): AV8000 – subbastidor; AV354 placa de transmissão; AV541 – placa de ADSL; e AV210 – placa de controle.” Além disso, verificouse que nas próprias faturas do fornecedor, utilizadas para instruir vários desembaraços consta a classificação ‘HARMONIZED: 8517.50.5000. Como se pode observar, os seis primeiros dígitos da NCM coincidem com os seis primeiros dígitos do SH, logo, constatouse que o próprio exportador indicava nas suas faturas a posição e subposição 8517.50 – outros aparelhos, para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital, onde se enquadram os multiplexadores. Tal classificação confere com as informações prestadas pelo Sr. Genz e diferem da posição e subposição declarada nas DI, 8517.30 – aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia, na qual não se encontram multiplexadores. Foi encontrado, também, email onde a área administrativa instruía o exportador a colocar nas faturas a descrição e classificação que melhor lhe conviesse a fim de pagar menos imposto, fls. 1266. Devidamente intimada, a interessada apresentou impugnação, fls. 1829 a 1878, alegando, em síntese, que: o relatório fiscal é demasiadamente extenso e confuso, prendendose em detalhes irrelevantes que comprometeram a compreensão do conjunto dos fatos, tais como ocorreram. Com isso, acabou extraindo ilações sem provas imputando à impugnante responsabilidade tributária indevida, pois, tratase de uma empresa idônea, inocente e grande vítima em toda essa história, constatado pelo próprio fisco em seu relatório; as irregularidades apuradas pelo fisco é fruto de conluio existente entre seu então funcionário Jéferson Jaceron Costa Dias e dos agentes aduaneiros da Twin Rudiney André Adamis e Claudimir Adão Tironi. A interessada foi apenas vítima das verdadeiras falcatruas montadas por esses indivíduos. Tais fatos foram mencionados e reconhecidos pelos próprios fiscais no relatório anexo ao presente Auto de Infração; a fiscalização imputou diversas infrações à impugnante com base em meras presunções, o que evidentemente não pode prevalecer diante do princípio da estrita legalidade e da tipicidade cerrada; o fisco aplicou punição correspondente à multa de 100% do valor das mercadorias baseado em insustentável presunção delas terem sido introduzidas clandestinamente no país e posteriormente comercializadas; Fl. 20DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 416 21 “Analisando cada DI em separado, o Fisco presumiu que determinadas DI’s teriam acobertado a importação de mercadorias que não estariam nelas arroladas. Sobre estas supostas importações, a fiscalização aplicou a multa de 100%. O que a fiscalização não percebeu, contudo, foi que estas mesmas mercadorias que não estariam arroladas nestas DI’s estavam em outras, consoante consta do próprio Relatório Fiscal”; é muito estranho a empresa introduzir clandestinamente mercadorias no País e ao mesmo tempo registrálas em notas fiscais quando da entrada dessas mesmas mercadorias em seu estabelecimento; os produtos importados pela interessada não estão sujeitos à obrigatoriedade de LI. Com isso, é ilógico supor que uma multa por falta de LI pudesse ser aplicada a produtos não sujeitos a tal licença; o dispositivo aplicado à cobrança da referida multa trata somente nas hipóteses de falta de LI e não de erro de preenchimento ou de declarações inexatas no preenchimento da DI como pretendeu impingir a fiscalização; em muitos casos as multas foram exigidas em duplicidade. Os agentes fiscais exigiram a multa por superfaturamento de mercadorias declaradas nas DI e ao mesmo tempo aplicaram, indevidamente, a multa por falta de LI; observase que um dos critérios utilizados para detectar o suposto subfaturamento foi a mera diferença de preços entre uma e outra operação praticada pela impugnante. A fiscalização se distanciou a tal ponto da razoabilidade que constatou, a um só tempo, a ocorrência de superfaturamentos e subfaturamentos, aplicando pesada multa em relação a ambos; percebese que os valores supostamente não declarados em uma DI o foram em outra, anulando os efeitos do suposto sub ou superfaturamento; os agentes fiscais ao estabelecerem multas decorrentes de supostos sub e superfaturamentos sem solicitar esclarecimento à impugnante, antes de afastar o método de valoração adotado por esta, violaram as regras trazidas pela Instrução Normativa IN SRF nº 16/98; baseandose em informações prestadas por pessoa não capacitada o fisco desclassificou os equipamentos avídia que haviam sido declarados no código 8517.30.61 reenquadrandoos para o código 8517.50.49. O avídia é um equipamento que, dependendo de sua utilização, pode ser caracterizado como multiplexador ou como roteador, dependendo da destinação que lhes foi dada pelo adquirente; o fisco comparou espécie com gênero. Como poderia o equipamento em questão ser classificado na posição/subposição mais genérica (8517.50 – outros aparelhos para telecomunicação...) quando existe posição/subposição específica no qual se enquadra (8517.30 – aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia)?; a intimação efetuada pelos agentes fiscais que serviu de base para a reclassificação dos produtos importados como partes não mencionou sua finalidade gerando, desta forma, resposta com termos genéricos e não técnicos como requeria o assunto, posto que na classificação fiscal os dados devem ser detalhados com rigorosíssimos critérios técnicos; Fl. 21DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 22 o questionamento foi dirigido, novamente, pois o mesmo ocorreu na reclassificação do multiplexador, a um gerente industrial sem qualificação técnica para analisar a matéria; o laudo elaborado pelo Eng. Jauro Chiari, a pedido do Fisco, não pode ser tomado como prova da infração nestes autos. Isso, porque não preenche os requisitos de validade do art. 36 da Instrução Normativa nº 157/98: o laudo é falho, vago e não contém explicitação nem exposição de sua fundamentação técnica; o laudo não faz prova do credenciamento do técnico que o emitiu; e não indica as fontes e referência bibliográficas que fundamentaram sua conclusão. a fiscalização escolheu a seu bel prazer, sem apresentar fundamentos técnicos, as peças que teriam as características essenciais para efeito de aplicação da regra 2.a.; ao apresentar seu trabalho o fisco deixou de observar a regra relativa a partes da posição 85.17 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que traz: ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes, classificamse também aqui as partes dos aparelhos da presente posição; corroborando a classificação fiscal adotada pela impugnante; olvidouse, ainda, na verificação fiscal, que os produtos importados pela impugnante são destinados à fabricação e montagem para venda de centrais telefônicas completas e não peças isoladas; a impugnante é responsável apenas pelos tributos eventualmente devidos em virtude do ato ilicitamente praticado. Com isso e analisando o exato significado da palavra tributo, têmse que sua responsabilidade não pode se estender às sanções por ato ilícito; a exigência das multas aqui arroladas tem nítido caráter confiscatório. Por fim, requer a realização de perícia, com base nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Tendo em vista que no presente processo constava a cobrança de multa de 100% pelo consumo ou entrega de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país, infração esta prevista no art. 463, I, do Decreto nº 2.637/98, e que não compete a esta DRJ o julgamento deste tipo de crédito tributário foi solicitada diligência para que a autoridade lançadora procedesse ao desentranhamento da matéria em auto distinto, dando direito ao contribuinte de se manifestar especificamente sobre esta matéria. Em atendimento a esta solicitação a IRF/Porto Alegre informou, às fls. 2.306, que transferiu o crédito tributário acima mencionado para o processo nº 10494.002653/2003 23. A contribuinte havia entregue na unidade preparadora, em 14/08/2003, uma impugnação complementar, fls. 2.094 a 2.100, onde foram acrescidas algumas contestações com base em documentos trazidos aos autos, fls. 2101 a 2302. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10494.001280/200292 Acórdão n.º 930301.662 CSRFT3 Fl. 417 23 Em data de 16/02/2004 a 2ª Turma de Julgamento desta DRJ decidiu, por meio da Resolução nº 02/2004, fls. 2308, em acolher as provas apresentadas pela contribuinte e juntadas aos autos. Entretanto, as novas alegações não serão objeto de apreciação, tendo em vista o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Além deste processo foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais, sob nº 10494.001281/200237, referente à representação elaborada pelos auditores que durante a ação fiscal verificaram a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária. É o relatório. Voto Análise da admissibilidade Cabe deixar claro que as únicas matérias que serão apreciadas por este plenário é no tocante à responsabilidade objetiva, à declaração de nulidade por falta de fundamentação e de apreciação de prova, e à necessidade de laudo técnico, conforme despacho às fls. 2453 a 2456. Em que pese não ter sido argüida pela PGFM em suas contrarazões a inadmissibilidade do RE, pois tratou somente da questão de mérito, este conselheiro fará a sua análise. Os arestos colacionados não tratam da mesma matéria. Enquanto que no acórdão recorrido a situação fática é de empregado em conluio com despachantes aduaneiros que praticaram a fraude contra a recorrida, no caso do acórdão paradigma foi um terceiro que praticou o furo conta a empresa. Podese perceber que são fatos distintos. No primeiro caso houve a prática de fraude conta a recorrente por pessoas que tinham relação jurídica contratual, uma por meio de um contrato de trabalho e outra por um contrato comercial. No segundo caso, pessoas sem nenhuma relação contratual com a recorrente cometeram um crime de furto conta o contribuinte. Assim, não há como se conhecer o recurso, por falta de previsão legal e regimental para a admissão e análise de Recurso Especial para o caso em tela. Também não ficou demonstrada a divergência em relação a nulidade por não enfrentamento de nulidade argüida, da necessidade de analisar documento e da necessidade de se deferir a realização de perícia técnica, visto que os acórdãos trazidos como paradigmas não trazem similitude fática com o aresto recorrido, ou seja, não se demonstrou que houve divergência na interpretação da norma jurídica, por diferentes colegiados, no julgamento de questões fáticas similares. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 24 As outras matérias suscitadas não foram admitidas pelo despacho 3020.185. Assim, não conheço o recurso interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 24DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001212/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002
CREDITAMENTO. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE
PRODUTOS FAVORECIDO PELA IMUNIDADE OBJETIVA.
IMPOSSIBILIDADE.
À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI
referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos
favorecido por imunidade objetiva (Não Tributado NT
na Tabela do IPI TIPI).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.232
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Presente ao julgamento o Dr.
Bruno Capello Fulginiti – OAB/68965.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002 CREDITAMENTO. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FAVORECIDO PELA IMUNIDADE OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE. À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos favorecido por imunidade objetiva (Não Tributado NT na Tabela do IPI TIPI). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Presente ao julgamento o Dr. Bruno Capello Fulginiti – OAB/68965. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 02/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, transcrevo o relatório da decisão de primeiro grau. “O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei n° 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. A fiscalização apurou que parte dos créditos escriturados se referiam a insumos aplicados tanto na industrialização de produtos de alíquota zero, como em produtos não tributado pelo imposto (Livros e Listas Telefônicas), assim os saldos credores foram recalculados com a exclusão proporcional dos insumos empregados na produção do produto NT. Diante disso, foi exarado o Despacho Decisório da autoridade competente reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte as compensações. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando preliminarmente que, pelo disposto no § 4° do art. 150 do CTN os débitos do PIS e COFINS estariam prescritos. No mérito, em síntese argúi que tem direito ao crédito por força do principio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3°, II, da Constituição Federal; além disso, por serem seus produtos imunes, nos termos da CF/88, seu direito estaria garantido no art. 1º, § 4°, da IN SRF n°33/99. Encerrou solicitando o integral deferimento do pedido”. A DRJ, por unanimidade de votos, não acolheu as razões da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: “IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, aduzindo que a decisão de primeira instância destoa do caso controvertido, eis que o caso dos autos trata da manutenção do crédito do IPI incidente na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados no processo de industrialização de produtos imunes, o acórdão discorreu acerca de produtos nãotributados. Aduz, também, que a decisão recorrida não poderia acatar as disposições do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006 por ser inaplicável ao presente caso. No mais, repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11516.001212/200614 Acórdão n.º 330201.232 S3C3T2 Fl. 2 3 Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Concernente a alegação de que a decisão de primeira instância destoa do cerne da questão, eis que tratou de crédito do IPI incidente na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados no processo de industrialização de produtos nãotributados, quando os autos referemse a insumos aplicados em produtos imunes, entendo não assistir razão à Recorrente conforme defluise do seguinte trecho do voto condutor: “Em síntese, a inovação trazida pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99 não revogou o direito ao crédito, bem como ao ressarcimento do saldo credor, no caso dos produtos tributados que gozem da imunidade constitucionalmente prevista nas exportações, isto não significando que a IN SRF n° 33/99, bem como a de n° 21/97, tenham permitido o crédito e o ressarcimento do imposto pago na produção dos casos de imunidade objetiva, tais como: energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do Pais, livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, que constam na TIPI como NT”. No tocante a afirmação de que a decisão recorrida não poderia acatar as disposições do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006, entendo que tal pretensão não merece acolhida vez que a autoridade julgadora de primeira instância está vinculada aos ditames de atos dessa espécie, por força do disposto na Portaria MF n° 58/2006. Em relação ao crédito em baila, sem razão a Recorrente conforme se demonstrará adiante. O Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 475.551, julgou questão correlacionada com a matéria dos autos, concluindo descaber direito de crédito de IPI, relativamente a insumos empregados na fabricação de produtos isentos e de alíquota zero, com fatos anteriores à Lei no 9.779/99. Vejamos: EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, § 3º, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9.779/1999. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída: o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a consequência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5. Com o advento do art. 11 da Lei no 9.779/1999 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. 6. Recurso extraordinário provido. (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.a sp?s1=(475551.NUME.%20OU%20475551.ACMS.)&base=base Acordaos) O recurso acima sinaliza que, anterior ou posteriormente à referida lei, os insumos empregados em produtos não tributados não geram direito de crédito do IPI. A defesa da Interessada sustenta que os produtos fabricados seriam imunes e, relativamente a tais produtos, o direito de crédito existiria haja vista, principalmente, o disposto no art. 4º da IN SRF no 33/99, que assim dispõe: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. A argumentação, entretanto, não merece guarida. Ocorre que este dispositivo não pode ser analisado isoladamente, a boa técnica de hermenêutica recomenda que todo e Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11516.001212/200614 Acórdão n.º 330201.232 S3C3T2 Fl. 3 5 qualquer excerto normativo deve ser interpretado de forma sistêmica e, sob este prisma, deve se levar em conta o que reza o § 3º do art. 2º do referido diploma normativo, vejamos: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). No mesmo sentido, temos o art. 190, § 1º1, do Regulamento do IPI – RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/02. As disposições da Tipi para os produtos em questão são as seguintes: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (% 49.02 JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS, IMPRESSOS, MESMO ILUSTRADOS OU CONTENDO PUBLICIDADE 4902.10.00 Que se publiquem pelo menos 4 vezes por semana NT Ex 01 0 4902.90.00 Outros NT Ex 01 0 Noção cediça, os produtos imunes estão fora da incidência do imposto, da mesma forma que os não tributados. A diferença entre tais produtos poderia ser definida a partir da consideração de que os produtos NT não seriam considerados industrializados, enquanto que os produtos imunes seriam industrializados, mas protegidos da incidência do IPI por disposição constitucional. Se o emprego de insumos em produtos de alíquota zero e isentos, que estão dentro da incidência do imposto, dependeu de previsão legal (Lei no 9.779/99) para gerar direito de crédito, não faz sentido que o emprego dos mesmos insumos em produtos que sequer estão dentro do campo de incidência gerem crédito. 1 Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Como bem asseverado pela decisão recorrida, a Instrução Normativa nº 33/99, ao considerar que o emprego de insumos em produtos imunes gera direito de crédito, está se referindo a imunidade decorrente de exportação de produtos, e não a imunidade objetiva. Tanto é que determina, em seu art. 2º, § 3º, sejam estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Dirimindo qualquer dúvida acerca disso, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 5, de 17 de abril de 2006, que assim dispõe: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação “NT” (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Ademais, esta questão está sedimentada no âmbito do CARF a teor da Súmula CARF nº 20, verbis: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Corrobora neste sentido, a Súmula CARF nº 16 eis que contempla o aproveitamento dos créditos de IPI apenas dos insumos utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, in litteris: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Portanto, a imunidade decorrente da natureza do produto, que é o caso dos autos, não gera direito ao creditamento, pois não tem amparo na Lei no 9.779/99. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11516.001212/200614 Acórdão n.º 330201.232 S3C3T2 Fl. 4 7 No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 145DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000255/99-04
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1994
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPUTADOS. CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA. DECADÊNCIA PARCIAL.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento do imposto relativo a determinado período de apuração, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de diferença de crédito tributário sobre esse mesmo período, conta-se do fato gerador, nos
termos do art. 150, § 4º, do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA RECONHECIDA A MENOR. GLOSA DE DESPESA APROPRIADA EM EXCESSO VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA.
O oferecimento à tributação de variação monetária ativa a menor, atinente a contas do ativo, configura omissão de receitas.
A apropriação de variação monetária passiva a maior na apuração do imposto, concernente a contas do passivo, autoriza o fisco fazer a glosa do excesso dessa despesa, para exigência da exação fiscal.
PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO.
O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a
escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendê-las necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto
configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.
MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA.TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5).
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
As despesas glosadas, bem como as receitas omitidas, afetam a apuração do lucro líquido que é a base de cálculo da CSLL.
Aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência em relação ao fato gerador de janeiro de 2004, quanto ao IRPJ e à CSLL.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1994 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPUTADOS. CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA. DECADÊNCIA PARCIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento do imposto relativo a determinado período de apuração, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de diferença de crédito tributário sobre esse mesmo período, conta-se do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA RECONHECIDA A MENOR. GLOSA DE DESPESA APROPRIADA EM EXCESSO VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. O oferecimento à tributação de variação monetária ativa a menor, atinente a contas do ativo, configura omissão de receitas. A apropriação de variação monetária passiva a maior na apuração do imposto, concernente a contas do passivo, autoriza o fisco fazer a glosa do excesso dessa despesa, para exigência da exação fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendê-las necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA.TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. As despesas glosadas, bem como as receitas omitidas, afetam a apuração do lucro líquido que é a base de cálculo da CSLL. Aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
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DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPUTADOS. CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA. DECADÊNCIA PARCIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento do imposto relativo a determinado período de apuração, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de diferença de crédito tributário sobre esse mesmo período, contase do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA RECONHECIDA A MENOR. GLOSA DE DESPESA APROPRIADA EM EXCESSO VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. O oferecimento à tributação de variação monetária ativa a menor, atinente a contas do ativo, configura omissão de receitas. A apropriação de variação monetária passiva a maior na apuração do imposto, concernente a contas do passivo, autoriza o fisco fazer a glosa do excesso dessa despesa, para exigência da exação fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA.TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. As despesas glosadas, bem como as receitas omitidas, afetam a apuração do lucro líquido que é a base de cálculo da CSLL. Aplicase ao lançamento decorrente o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência em relação ao fato gerador de janeiro de 2004, quanto ao IRPJ e à CSLL. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 2 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Jose de Oliveira Ferraz Correa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 419/447 contra decisão da 7ª Turma da DRJ/São Paulo (fls. 366/387) que julgou procedente, em parte, a impugnação, atinente aos autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL), anocalendário 1994 (fls. 176/196), reduzindo o valor do crédito tributário, mediante ajustamento da base de cálculo das infrações imputadas pelo fisco. Quanto aos fatos imputados, e razões da impugnação apresentada na primeira instância, transcrevo o relatório da decisão recorrida que resumiu, até então, os principais aspectos da lide (fls. 368/370), in verbis: (...) 2. Durante a realização dos trabalhos de auditoria fiscal, o autuante apurou irregularidades no cálculo das variações monetárias incidentes sobre contas do ativo e do passivo, conforme descrição constante no Termo de Verificação Fiscal, fls. 174/175. 3. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados os seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte em 05/03/1999: 4.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 187/189): Total do crédito tributário, R$ 26.662,92, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigos 195, II; 197, parágrafo único; 225; 242 e parágrafos;320; 321; 322 e 323, todos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994. 4.2. Contribuição Social — CSLL (fls. 193/195): Total do crédito tributário, R$ 9.655,28, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigos 38 e 39 da Lei n° 8.541/1992 e artigo 2° e parágrafos da Lei n° 7.689/1988. 4. O contribuinte apresentou defesa de fls. 198/219, em 06/04/1999, alegando em síntese: 4.1. o lançamento tributário é nulo, já que os procedimentos contábeis adotados pelo contribuinte não merecem reparos; 4.2.a conta "dolar em caixa" trata de sobras de moedas adquiridas para viagens ao exterior. A irregularidade apurada pelo autuante nesta conta decorre de erro de interpretação, já que considerou que as entradas deveriam ser subtraídas do saldo constante do balanço e os valores de saída adicionados ao Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 mesmo saldo, quando, na verdade, a operação matemática deveria ser exatamente contrária; 4.3. a fiscalização equivocouse ao analisar a conta "contas a receber", já que para calcular a variação monetária ativa tomou como base a taxa cambial de venda, quando deveria ter optado pela taxa de compra, com base no princípio contábil da prudência; 4.4. no que tange à conta "assistência técnica a pagar", o autuante entendeu que as despesas deveriam ser apropriadas mês a mês, ao passo que o correto seria apropriálas trimestralmente, correlacionando com os vencimentos das respectivas faturas; 4.5. independentemente das despesas terem sido reconhecidas trimestralmente, não houve prejuízo ao fisco, já que o contribuinte não teria IRPJ e CSLL a pagar; 4.6. no levantamento efetuado no mês de junho na conta "adiantamento de exportação", o autuante esqueceuse de baixar o valor exportado na coluna de moeda US$, procedendo somente a baixa no valor em moeda local; 4.7. quanto à conta "contas a pagar Timkem Europa", O autuante, na conversão do saldo em moeda nacional, ao invés de somar a variação do mês de março para o mês de abril, acabou subtraindo; 4.8. no que se refere à conta a pagar Timkem Co Steel, o impugnante equivocouse na tomada da taxa do dólar de CR$ 913,344, quando deveria ser usada a taxa de CR$ 913,345. Ao verificar este erro, o autuante desconsiderou toda a despesa de variação cambial passiva; 4.9. as contas comissões a pagar sofrem do mesmo mal. A defesa utilizou, em março, a taxa de conversão de CR$ 913,35, quando deveria ter optado pela taxa de CR$ 913,345. Em virtude deste erro, a fiscalização glosou toda a despesa; 4.10. o lançamento é nulo de pleno direito já que desprovido de fundamento legal; 4.11. possuía prejuízos fiscais suficientes para absorver o valor tributável apurado; 4.12. a glosa de um lançamento contábil não pode ser base de cálculo do IRPJ e da CSLL; 4.13. é inaplicável a exigência da multa de oficio, em face do que determina o artigo 138 do CTN; 4.14. a multa moratória tem caráter punitivo; 4.15. o percentual aplicado na multa de oficio caracteriza verdadeiro confisco; 4.16.a taxa SELIC não deve ser aplicada ao caso concreto, já que não há lei que fixe sua metodologia de cálculo, o que ofende o princípio da legalidade. O órgão encarregado do cálculo e Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 3 5 fixação da SELIC é subordinado ao Ministério da Fazenda, assim, o sujeito ativo do crédito tributário é quem fixa a taxa de remuneração de seu próprio crédito; 4.17. requer a realização de perícia contábil e a anulação da exigência fiscal. (...) A decisão a quo, acolheu, em parte, as razões da impugnação, reduzindo o crédito tributário lançado pelo fisco, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir (fl. 366): (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994 Ementa: Variação monetária ativa — Constatado erro no cálculo da variação monetária ativa incidente sobre contas do ativo, a diferença a maior encontrada deve ser considerada omissão de receitas. Variação monetária passiva — A variação monetária incidente sobre contas do passivo declarada pelo contribuinte que exceder a variação monetária apurada pela fiscalização deve ser considerada despesa indevida. CSLL As despesas indevidas, bem como as receitas omitidas, afetam a apuração do lucro líquido que é a base de cálculo da CSLL. Lançamento Procedente em Parte (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 28/03/2008 – sextafeira (fl. 390verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/04/2008 de fls. 419/447, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Decadência: que o IRPJ e a CSLL são exações fiscais submetidas a lançamento por homologação (CTN, art. 150); que, no anocalendário 2004, a apuração era mensal, quanto ao IRPJ (Lucro Real) e à CSLL (Lei nº 8.541/92 (arts. 1º e 3º); que, no caso de lançamento de diferença dessas exações fiscais, o termo inícial do prazo decadencial de cinco anos contase a partir do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º) e invoca, nesse sentido, precedentes jurisprudenciais deste Egrégio Conselho Administrativo; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 que, por conseguinte, estão decaídos os períodos de apuração anteriores a março/1994, ou seja, os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL de janeiro e fevereiro/1994. 2) Necessidade de perícia técnica contábil: que a decisão recorrida refutou realização de perícia contábil; que, nessa parte, deve também ser reformada; que é patente a necessidade de realização de perícia contábil no caso, a fim de se apurar a eventual existência de receitas porventura omitidas pela recorrente, assim como verificar o acerto do decisum recorrido ao formular cálculos e dar apenas parcial provimento à impugnação administrativa, mantendo os autos de infração do IRPJ e da CSLL com relação aos demais pontos, devendo o perito responder as questões abaixo: a) se, com relação à Conta n° 128112, o contribuinte procedeu de maneira correta, realizando suas conversões com base na taxa de compra da moeda estrangeira, mais precisamente com relação aos meses de janeiro e junho de 1994, assim como analisar e responder se estão escorreitos os cálculos realizados no acórdão recorrido? b) se, com relação à Conta n° 101102, quem procedeu de forma escorreita nos cálculos, a autoridade fiscal ou a Recorrente? Qual o real valor da variação monetária no mês de maio/1994?; c) se, com relação à Conta n° 128824, poderia a autoridade fiscal desconsiderar a opção de apuração das despesas feita pela recorrente e qual regime de apuração foi este? Se os prejuízos fiscais e as bases negativas foram computadas pela pela autoridade fiscal antes da apuração do valor tributável? d) se, com relação à Conta n.° 128825, a autoridade fiscal, na conversão do saldo em moeda nacional, ao invés de somar a variação do mês de março para o mês de abriu acabou por subtraíla? Se o valor encontrado pela autoridade fiscal está correto e, caso contrário, qual o valor escorreito? e) com relação à Conta n° 128821, qual a taxa correta a ser utilizada? Se a recorrente utilizou a taxa correta? Se o fisco desconsiderou toda a despesa de variação cambial passiva ao verificar o suposto erro cometido pela recorrente e se efetuou somente a glosa das despesas contabilizadas a maior? Se o valor encontrado pela autoridade fiscal está correto e, caso contrário, qual o valor escorreito? f) com relação às Contas n°s 128113 e 128823, qual a taxa correta a ser utilizada? Se a recorrente utilizou a taxa correta? Se o fisco desconsiderou toda a despesa de variação cambial passiva ao verificar o suposto erro cometido pela recorrente e se efetuou somente a glosa das despesas contabilizadas a maior? Se o valor encontrado pela autoridade fiscal está correto e, caso contrário, qual o valor escorreito? g) se, com relação às Contas nºs 128829, 128882 e 261001, houve excesso no cálculo da variação cambial contabilizada pela pessoa jurídica? Se o valor encontrado pela autoridade fiscal está correto e, caso contrário, qual o valor escorreito? Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 4 7 h) se a recorrente tem algum valor a pagar à recorrida a título de IRPJ e/ou CSLL em função dos referidos saldos de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa. que, para responder os quesitos acima, a recorrente indica como perito o Sr. Edivaldo de Oliveira Santos, contador, brasileiro, casado, inscrito no CRC/SP sob n.° 126.747, com endereço profissional na Rua Libero Badaró, 425, 4° andar, São Paulo, SP, ressalvando, ainda, a recorrente o direito de formular quesitos complementares. 3) No mérito, a recorrente reproduz as razões de fato e de direito já aduzidas na primeira instância de julgamento, cabendo ainda mencionar: a) rebelase contra a omissão de receitas de variação monetária ativa (Conta a Receber e Saldo de Dólar em Caixa); b) rebelase contra a glosa do excesso de variação monetária passiva (contas Assistência Técnica a Pagar, Contas a Pagar Timken Europa, Contas a pagar Timkin Co Steel, Contas Comissões a Pagar, Contas nºs 128829, 128882 e 261001); c) identidade do fato gerador do IRPJ e da CSLL; que a glosa de um lançamento contábil não pode ser base de cálculo do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro, sendo que se deve fazer refletir na apuração do resultado do exercício; que, por isso, o lançamento deve ser declarado nulo; d) descabimento da multa de ofício, por ser confiscatória (pela ocorrência de dolo ou máfé); e) inaplicabilidade da taxa SELIC, por ser ilegal e inconstitucional. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam do crédito tributário, nos termos da decisão recorrida, relativo aos autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL) do anocalendário 2004, em face das seguintes infrações imputadas: a) outros resultados operacionais. Omissão de variações monetárias ativas dos períodos de apuração mensal: janeiro a junho/1994 (RIR/94, arts. 195 II, 197parágrafo único, 225, 320 e 321); b) outros resultados operacionais. Glosa de variações monetárias passivas dos períodos de apuração mensal do anobase 1994, exceto fevereiro/94 (RIR/94, arts.195 II; 197 paragrafo único, 242 e §§, 320, 322 e 323). A decisão recorrida afastou, em parte, o crédito tributário lançado pelos citados autos de infração; porém, a recorrente insatisfeita busca, nesta instância recursal, a reforma da decisão recorrida, para exoneração total do crédito tributário remanescente. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA A recorrente argumentou que o lançamento tributário seria nulo, pois os procedimentos contábeis que adotara não merecem reparos; que o lançamento fiscal não teria fundamentação legal; que a glosa de um lançamento contábil (despesa) não pode ser base de cálculo do IRPJ e da CSLL; que, por tudo isso, o lançamento deve ser declarado nulo. Não merece guarida a irresignação da recorrente. Diversamente do alegado pela recorrente, os autos de infração contêm clara narrativa (descrição) dos fatos imputados, com matéria tributável devidamente apurada e demonstrada, subsumindo, perfeitamente, ao comando legal aplicado. Os autos de infração foram lavrados por autoridade competente Por conseguinte, o lançamento fiscal está em consonância com os incisos III e IV art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e com o art. 142 do CTN, pois apresenta clara descrição dos fatos imputados, matéria tributável, disposição legal infringida e penalidade aplicada. Além dissso, os autos de infração foram lavrados por autoridade fiscal competente. Não se vislumbra a existência de vício algum que pudesse subsumir–se ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 5 9 Somente a falta de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal ensejam, ou configuram, cerceamento de defesa e provocam a nulidade do lançamento fiscal (Decreto nº 70.235/71, art. 59, II), que não é o caso. Nesse sentido, são os precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Ainda, a recorrente, sem razão, alegou que a glosa de um lançamento contábil (despesa) não poderia implicar, simultaneamente, lançamento do IRPJ e da CSLL. Ora, dois impostos não podem ter mesma base de cálculo, por vedação constitucional; porém, imposto (IRPJ) e contribuição (CSLL) podem ter, eventualmente, mesma base de cálculo, pois inexiste vedação constitucional nesse sentido. A propósito, quanto ao lançamento simultâneo do IRPJ e da CSLL sobre valores da mesma infração, transcrevo a fundamentação da decisão recorrida: (...) 66. A receita de variação monetária ativa que foi omitida e as despesas inexistentes de variação monetária passiva, apurados pela fiscalização afetaram o lucro líquido da pessoa jurídica. Assim, no momento em que o autuante constata omissão de receitas e glosa determinadas despesas o lucro líquido da pessoa jurídica é alterado. A alteração do lucro líquido leva à modificação da base de cálculo da CSLL e do IRPJ, portanto correta a exigência fiscal de crédito tributário referente ao IRPJ e à CSLL. (...) Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DE EXAÇÃO FISCAL A contribuinte suscitou decadência parcial; que o IRPJ e a CSLL são exações fiscais submetidas a lançamento por homologação; que para lançamento de diferença dessas exações fiscais, o termo incial do prazo decadencial é a data do fato gerador; que, no anobase 1994, a apuração do lucro real era mensal (mesmo tratamento para a CSLL); que, por conseguinte, estaria decaído o crédito tributário dos períodos de apuração de janeiro/94 e fevereiro/94. Aqui, procede, em parte, a pretensão da recorrente. O prazo decadencial de cinco anos para constituição do crédito tributário tem como termo inicial: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 6 11 (i) em regra, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, ar. 173, I); (ii) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento (antecipação de imposto), a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No caso, houve, sim, lançamento de diferença do IRPJ e da CSLL dos períodos de apuração janeiro/1994 e fevereiro/1994, conforme demonstrativo abaixo: Data do fato gerador Auto de Infração IRPJ exigido (UFIR) IRPJ – valor principal mantido pela decisão recorrida (UFIR) 30/01/94 4,13 4,13 28/02/94 4,63 Data do fato gerador Auto de Infração CSLL exigido (UFIR) CSLL – valor principal mantido pela decisão recorrida (UFIR) 30/01/94 1,50 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 1,50 28/02/94 1,68 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período. Lançamento da diferença) A contribuinte tomou ciência dos autos de infração no dia 05/03/1999 (fls. 187 e 193). Em relação ao período de apuração fevereiro/1994, a decisão recorrida já afastou a exigência do IRPJ e da CSLL, bem assim a multa de ofício e os juros de mora, pela inexistência da infração, nessa parte. Por outro lado, manteve a exigência do IRPJ e da CSLL do período de apuração janeiro/1994, pela existência da infração. Entretanto, quanto ao período de apuração janeiro/1994, a decisão recorrida merece reparo, pois o crédito tributário respectivo, na data do lançamento do IRPJ e da CSLL, já estava caduco. Portanto, por decadência exonero o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, quanto ao período de apuração janeiro/1994. OMISSÃO DE RECEITAS VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS RECONHECIDAS A MENOR. GLOSA DO EXCESSO DE DESPESA DEDUZIDA A TÍTULO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. PEDIDO DE PERÍCIA Em relação à matéria de mérito propriamente dita, a recorrente, também, argumenta que, não obstante o acolhimento de parte das razões expendidas na impugnação, a decisão recorrida deve ser reformada para exoneração total do crédito tributário remanescente, Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 quanto aos autos de infração do IRPJ e da CSLL. Para tanto, reiterou as razões de fato e de direito já apresentadas na primeira instância de julgamento e pediu, de plano, a realização de perícia contábil em sua escrituração, para comprovação do alegado, indicando perito e apresentando quesitos para serem respondidos pelo expert, conforme já relatado. Compulsando os autos, revendo todas as provas materiais que encerra, não constato, não vislumbro, possibilidade alguma de reforma da decisão recorrida, exceto quanto à decadência já acolhida alhures. Não tem razão a recorrente quando se rebela: a) contra a omissão de receitas de variação monetária ativa (Conta a Receber e Saldo de Dólar em Caixa); b) contra a glosa do excesso de variação monetária passiva (contas Assistência Técnica a Pagar, Contas a Pagar Timken Europa, Contas a pagar Timkin Co Steel, Contas Comissões a Pagar, Contas nºs 128829, 128882 e 261001). A decisão a quo já enfrentou, de forma exaustiva, as razões da contribuinte constantes da impugnação e reiteradas, também, nesta instância recursal, contra o lançamento do IRPJ e da CSLL dos períodos de apuração do anocalendário 1994, corrigindo, no que pertinente, a base de cálculo dessas exações fiscais, em face das provas carreadas aos autos pela fiscalização e pela contribuinte por ocasião da apresentação da impugnação naquela instância de julgamento. O resultado do julgamento da decisão atacada, que acolheu em parte, as reclamações da recorrente contra o lançamento do IRPJ e da CSLL, está resumido nos demonstrativos a seguir: Data do fato gerador Auto de Infração IRPJ exigido (UFIR) IRPJ – valor principal –mantido pela decisão recorrida (UFIR) 30/01/94 4,13 4,13 28/02/94 4,63 31/03/94 6.414,27 5.973,13 30/04/94 755,99 359,49 31/05/94 637,24 637,23 30/06/94 3.507,64 1.058,98 31/10/94 6,02 6,02 30/11/94 Valor da infração reduziu o prejuízo do período 31/12/94 Valor da infração reduziu o prejuízo do período Total 11.329,92 UFIR x 0,9108 = R$ 10.319,29 8.038,98 UFIR x 0,9108 = R$ 7.321,90 Obs: em relação ao valor subsistente do principal do IRPJ, foram mantidos multa de ofício de 75% e juros de mora. Data do fato gerador Auto de Infração CSLL exigido (UFIR) CSLL – valor principal mantido pela decisão recorrida (UFIR) 30/01/94 1,50 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 1,50 28/02/94 1,68 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 7 13 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período. Lançamento da diferença) 31/03/94 2.315,40 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 2.172,05 30/04/94 274,90 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 130,72 31/05/94 231,72 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 231,72 30/06/94 1.275,51 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 385,09 31/10/94 2,19 ( houve reversão da base de cálculo negativa da CSLL do período pelo valor da infração. Lançamento da diferença) 2,18 30/11/94 Valor da infração reduziu a base de cálculo negativa da CSLL do período 31/12/94 Valor da infração reduziu a base de cálculo negativa da CSLL do período Total 4.102,90 UFIR x 0,9108 = R$ 3.726,92 2.923,26 UFIR x 0,9108 = R$ 2.662,50 Obs: em relação ao valor subsistente do principal da CSLL, foram mantidos multa de ofício de 75% e juros de mora. Esses valores mantidos pela decisão a quo são fruto de análise profunda, percuciente, exaustiva, de mérito, das contas contábeis da escrituração da recorrente cujas variações monetárias ativas não foram oferecidas totalmente à tributação (omissão de receitas) e das contas contábeis que apresentaram variações manetárias passivas em excesso (glosa de despesas deduzidas em excesso), tudo com base nos elementos de prova juntados aos autos pela fiscalização e pela contribuinte quando da impugnação. As contas contábeis nºs 128829, 128882 e 261001 não foram impugnadas na instância a quo. Logo, tratase de matéria preclusa na orbita administrativa, não cabendo mais discussão. A contribuinte não comprovou, nos autos, que tivesse prejuízos acumulados de períodosbase anteriores a 1994. A recorrente não juntou aos autos, nesta instância recursal, outras provas para justificar suas alegações. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 O pedido de perícia técnica contábil, no caso, além de ter caráter procrastinatório, é desnecessário à resolução da lide, pois todos os elementos de prova da contabilidade, quanto às infrações imputadas, já constam dos autos. A matéria objeto da pretendida perícia contábil, no caso, não requer conhecimento especial. A fiscalização já analisou a escrituração contábil e fiscal da recorrente. Vale dizer, a análise da escrituração contábil da recorrente já foi feita pela fiscalização e os excessos, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, já foram extirpados, escoimados, pela decisão recorrida. A perícia contábil não se presta para produzir prova cujo ônus é da recorrente, quanto a fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito constitutivo do fisco. Quanto ao descabimento do pedido de perícia contábil, os precedentes jurisprudenciais deste Egrégio Conselho, também, são nesse sentido, in verbis: PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. (Acórdão CARF nº 2202.000.747, Sessão de 20/09/2010). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA. DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica para obter informações que, por integrarem a escrituração, poderiam ter sido apresentadas por iniciativa do sujeito passivo demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido.A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame. (Acórdão CARF nº 1802.000661, Sessão de 03/11/2010). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA — A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 8 15 guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tendo a decisão devidamente apreciado o pedido formulado, motivadamente, sendo considerada prescindível, incabível a argüição de nulidade da decisão proferida.(Acordão CC nº 10708.709, Sessão de 17/08/2006). DILIGÊNCIA.. INDEFERIMENTO. Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos.(Acórdão CC nº 10617.219, Sessão de 18/12/2008). Portanto, pelas razões expendidas, rejeito o pedido de perícia contábil, mantendo, no mérito, as infrações nos termos da decisão a quo, ressalvando, entretanto, a necessidade de exclusão do crédito tributário remanescente, de que trata a decisão recorrida, dos valores decaídos do IRPJ e da CSLL, quanto ao fato gerador do mês de janeiro de 1994, questão já abordada alhures, quando do enfrentamento da decadência parcial. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE FISCAL. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO A autuada alegou que a multa de ofício seria descabida, inoportuna e confiscatória. A penalidade aplicada, no caso, está insculpida e cominada no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96 (legislação posterior à data da ocorrência das infrações imputadas do ano calendário 1994), por ser mais benéfica à contribuinte, retroagindo para atingir fatos pretéritos, nos termos do artigo 106, II, "c" do CTN (princípio da retroatividade benigna). Não cabe ao órgão de julgamento administrativo apreciar, no mérito, a argüição de inconstitucionalide de lei (a competência é do Poder Judiciário), ou deixar de aplicála sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142). A propósito, esta matéria falta de competência para conhecer da argüição de inconstitucionalide está sumulada pelo CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, não se pode confundir multa moratória e multa de ofício; aquela tem limite máximo de 20%, sendo aplicável apenas para pagamento a destempo e espontâneo, ou seja, antes da ciência do termo de início do procedimento de fiscalização; está varia de 75% até 225% por infração à legislação tributária, aplicada em atividade repressiva (fiscalização externa), mediante auto de infração. No procedimento de fiscalização externa, a partir da ciência do início da fiscalização (assinatura do termo de início de fiscalização), o contribuinte perde a espontaneidade fiscal para efeito de afastamento da responsabilidade por infração tributária quanto aos fatos praticados até então, ficando sujeito, se apurada infração, a multa de 75% Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 (multa simples, no de caso inexistência de dolo ou fraude), 150% (no caso, de qualificação da multa por dolo, simulação ou fraude) ou 225% (fraude com embaraço à fiscalização). No caso, foi aplicada à recorrente apenas a multa simples de 75%, por omissão de receitas de variações monetárias ativas e glosa de despesas apropriadas em excesso (variações monetárias passivas), que implicaram indevida redução do IRPJ e da CSLL, pagamento a menor, no anocalendário 1994. Em matéria de penalidade (cominação de multa, em abstrato, pela lei) por infração à legislação tributária, segundo melhor entendimento doutrinário, não se cogita, para sua gradação, a aplicação do princípio da capacidade contributiva. Tal princípio aplicase tãosomente para alguns tributos. Multa não é tributo. Logo, não há que se falar em multa confiscatória. A cominação de penalidade pela lei, para aplicação em procedimento repressivo, deve ser graduada, por conseguinte, no nível suficiente para infligir receio, temor, no contribuinte em praticar a infração tributária. Incide na pena, em concreto, apenas quem quiser, ou seja, quem assume o risco. Se na relação custobenefício, o contribuinte assume o risco, praticando a infração tributária, entendendo que o risco de ser flagrado ou fiscalizado é baixo, sinal que o percentual da penalidade ainda é insuficiente para o afastálo da prática infracional, deveria, então, a multa ser ainda maior. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A autuada rebelase contra a exigência dos juros de mora com base na taxa SELIC, alegando que não pode ser aplicada na cobrança de tributos; que seria ilegal e inconstitucional. Não tem respaldo a alegação da recorrente. Desde longa data, restou pacífico no Poder Judiciário que a aplicação da taxa SELIC na cobrança de tributos não tem óbice legal, nem constitucional. A União Federal quando vai ao mercado financeiro captar, contrair, empréstimos paga, remunera os valores capatados com base na taxa SELIC. Por sua vez, o contribuinte inadimplente, que está, indevidamente, na posse de bem público, crédito tributário – direito creditório da União Federal –, deve, por conseguinte, pagar, remunerar esse ativo do Poder Público com base na taxa SELIC, senão a conta não fecha. Não se pode ter dois pesos e duas medidas. Como demonstrado, o raciocínio é simples, e se impõe por si mesmo. Se isso não bastasse, a questão dos juros é matéria pacífica, sumulada, neste Egrégio Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 16DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.000255/9904 Acórdão n.º 1802001.006 S1TE02 Fl. 9 17 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, procede a exigência dos juros de mora com base na taxa SELIC. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. As despesas glosadas, bem como as receitas omitidas, afetam a apuração do lucro líquido que é a base de cálculo da CSLL. O lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, em face da conexão dos fatos e das provas. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do crédito tributário do IRPJ e da CSLL quanto ao fato gerador do mês de janeiro de 1994. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 17DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13317.000101/2003-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano calendário: 1998
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN.
Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se
um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração.
Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado
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DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator. EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 277 a 288) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 273 a 274) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. O lançamento consubstanciado no auto de infração eletrônico de fls. 04 a 13 diz respeito a crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo no anocalendário de 1998, detectada em auditoria interna de DCTF. Tal falta de recolhimento seria decorrente de declaração inexata, pois o processo judicial que teria dado azo a crédito compensável, processo nº 96.527253, se referia a outro CNPJ (“proc jud de outro CNPJ”), conforme fls. 05 a 09. Não haveria, assim, crédito vinculado ao contribuinte. A Colenda 3ª Turma da DRJ de Fortaleza – CE inicialmente manteve o lançamento, ao fundamento de que, como a decisão proferida na ação ordinária proposta pelo contribuinte ainda não havia transitado em julgado, a compensação não poderia ter sido realizada, devendo ser mantida a exigência formalizada no auto de infração (fls. 103 a 108). A Colenda Turma a quo, no entanto, considerou o lançamento insubsistente, uma vez que o motivo da lavratura do auto de infração, qual seja, o processo judicial que fez surgir o crédito compensável ser de outro CNPJ, não era correto. Isso porque se constatou, notadamente através das fls. 14 a 44 dos autos, que a contribuinte era autora na ação judicial e, por conseqüência, titular dos créditos. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. Cancelase o lançamento de oficio calcado em fato inexistente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13317.000101/200310 Acórdão n.º 930301.501 CSRFT3 Fl. 320 3 Recurso provido. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, com base em acórdãos paradigmas, que o lançamento deve ser mantido, porquanto o principal fundamento da autuação estava perfeitamente caracterizado e demonstrado, qual seja o relativo à inexistência de recolhimentos dos créditos lançados, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, cujas manifestações demonstraram compreender com inteireza os fundamentos da autuação. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 313 a 314. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Com efeito, o Ilustre relator do v. acórdão recorrido, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, foi certeiro ao apontar que o fundamento do lançamento, (“proc jud de outro CNPJ”), não se mostrou verdadeiro, notadamente em face do conteúdo trazido aos autos. Nesse sentido, pedese vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) No mérito, conquanto o recurso voluntário tenha apresentado vários motivos para justificar a insurgência da recorrente contra a exigência, verifico que a questão primordial neste processo é verificar se todos os pressupostos de validade do ato administrativo, consubstanciado no auto de infração, foram observados pela Administração Pública. É sabido que o auto de infração, como todo e qualquer ato administrativo, deve preencher os requisitos legais relativos à competência do agente, ao objeto, à forma, ao motivo e à finalidade (Lei nº 4.717, de 29/06/1965). Nesse passo, conforme se verifica nas fls. 5 a 9, o motivo invocado pela autoridade administrativa para lavrar o auto de infração foi declaração inexata pelo fato do processo judicial n° 96.527253 se referir a outro CNPJ e, desta forma, não dar amparo aos créditos vinculados na DCTF utilizados na compensação efetuada. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Entretanto, podese constatar nas fls. 14 a 44 que a recorrente foi autora do referido processo cautelar, tendo sido a ação julgada procedente em março de 1999 (fl. 44), o que dava amparo às compensações efetuadas durante o ano de 1998, com base na medida liminar. Portanto, é evidente o descompasso entre os motivos invocados para lavrar o auto de infração e a realidade dos fatos. Enquanto na motivação foi consignado como causa do lançamento o fato do processo judicial pertencer a outro contribuinte (outro CNPJ), as provas trazidas aos autos demonstraram que o contribuinte efetivamente foi o autor daquela ação cautelar e que ela amparava a compensação na época em que foram apresentadas as DCTF. Também é evidente que a decisão de primeira instância tentou remendar a motivação do lançamento, fundamentadoo em bases distintas daquela invocada originalmente pela autoridade administrativa. O fato de posteriormente o Poder Judiciário ter decidido que o contribuinte só poderia ter efetuado a compensação após o trânsito em julgado da ação e que a compensação não podia ser deferida em medida cautelar, são fatos que não integraram a motivação original do auto de infração. Ao julgador não é dado inovar as bases fáticas do lançamento, sob pena de suprimir uma instância de julgamento e, com isso, cercear a defesa da contribuinte, que segundo a lei, tem direito a duas instâncias administrativas ordinárias e a uma instância especial. A contribuinte tinha um provimento judicial que reconheceu o direito de crédito do PIS e o direito de utilizálo em compensação com débitos vincendos do próprio PIS e fez a compensação ao amparo de tal provimento. Logo, o motivo invocado no auto de infração como sustentáculo desta exigência (processo judicial de outro CNPJ) é inexistente. (...) Ora, tendo o Fisco motivado seu ato no fato do processo judicial nº 96.527253 e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, claro está que o auto de infração deve ser cancelado pela própria Administração, a teor do que determina o art. 53 da Lei nº 9.784/99, combinado com o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. O contribuinte deve, mas por motivo diverso daquele apontado como causa da lavratura do auto de infração. Em face do exposto, voto no sentido de anular o Acórdão n° 20247.226, bem como por reformar a decisão recorrida para dar provimento ao recurso e cancelar o auto de infração. (grifos e destaques nossos) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13317.000101/200310 Acórdão n.º 930301.501 CSRFT3 Fl. 321 5 Demais disso, como bem apontado no v. acórdão recorrido, não cabia à DRJ modificar a fundamentação do lançamento a fim de legitimálo, aduzindo que a compensação só poderia ser realizada após o trânsito em julgado. Referida modificação significa alterar de maneira patente um dos critérios jurídicos do lançamento, em completa dissonância com o artigo 146 do Código Tributário Nacional e em descompasso com a doutrina e jurisprudência pátria. Deveras, os antigos Conselhos de Contribuintes, por diversas vezes, se manifestaram nesse sentido em situações análogas à presente. Dentre vários julgados, destacamse os seguintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (CSRF/0104.535 – Relator Candido Rodrigues Neuber DOU 09.06.2003) IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Òrgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado. (CSRF/0104.490 – Relator Verinaldo Henrique da Silva DOU 14.04.2003) (grifos nossos) Correta, assim, a r. decisão recorrida ao determinar o cancelamento da autuação. Assim, por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002569/2001-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES DÉBITO PFN REGULARIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA É vedada a opção retroativa a período em que o contribuinte, ou seu sócio, tinha
débito inscrito na Dívida Ativa. A inscrição pode retroagir ao período subseqüente à regularização do débito.
Numero da decisão: 9101-001.073
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : SIMPLES DÉBITO PFN REGULARIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA É vedada a opção retroativa a período em que o contribuinte, ou seu sócio, tinha débito inscrito na Dívida Ativa. A inscrição pode retroagir ao período subseqüente à regularização do débito.
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SIMPLES DÉBITO PFN REGULARIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA É vedada a opção retroativa a período em que o contribuinte, ou seu sócio, tinha débito inscrito na Dívida Ativa. A inscrição pode retroagir ao período subseqüente à regularização do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13707.002569/200193 Acórdão n.º 9101001.073 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso especial, interposto pela D. Procuradora da Fazenda Nacional, contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão n° 30237.675, cuja ementa transcrevo: SIMPLES. EXCLUSÃO. Quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional recorre à instância especial, nos termos do artigo 5º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55, de 16 de março de 1998, que atribuía competência à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidência de prova. A Procuradoria requer a reforma do acórdão recorrido, alegando contrariedade à legislação tributária, com a argumentação de que a interessada não demonstrou a sua regularidade fiscal junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no momento da exclusão, deixando de afastar a existência das pendências que motivaram o ato de exclusão do SIMPLES. Acrescenta que a teor do art. 9º, XV, da Lei 9.317/96, não pode optar pelo mencionado programa simplificado de tributação a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Diz que Ato Declaratório de Exclusão expressou a situação da contribuinte no momento de sua expedição e, portanto, é plenamente válido e legitimo. Conclui dizendo que não se discute a possibilidade de nova adesão do contribuinte ao SIMPLES, mas como subsiste o argumento de que a contribuinte tinha débitos inscritos em Divida Ativa da União, quando da edição do Ato Declaratório de Exclusão, o acórdão deve ser reformado, para fazer valer a exclusão determinada pelo referido ato. A Segunda Câmara decidiu que quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no Ato Declaratório, deve ser mantido no regime. A Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso, por atendidos os pressupostos para tanto. A interessada apresentou contrarrazões argüindo, preliminarmente, a inadmissibilidade do recurso, por não atender às disposições do inciso I do art. 5º do Regimento Interno. Afirma que não logrou, a ilustre representante da Fazenda Nacional, demonstrar inequivocamente, a contrariedade à lei ou à prova dos autos. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13707.002569/200193 Acórdão n.º 9101001.073 CSRFT1 Fl. 3 3 Diz que o apelo da Recorrente baseiase no entendimento que teria ocorrido a EXCLUSÃO da Contribuinte do SIMPLES, mediante a emissão de ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. Contudo, não houve EXCLUSÃO, tampouco a expedição de ATO DECLARATÓRIO, mas sim, indeferimento do pedido de inclusão da Contribuinte no SIMPLES. Destaca que o que está em discussão é o pleito de inclusão retroativa no SIMPLES, indeferida pela autoridade administrativa, indeferimento este mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e, finalmente, deferido (acolhido), pela C. Segunda Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes conforme o Acórdão atacado. Quanto ao mérito, reitera as razões declinadas no recurso voluntário para postular a manutenção da decisão atacada. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13707.002569/200193 Acórdão n.º 9101001.073 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso preenche os requisitos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Quanto a preliminar de inadmissibilidade do recurso argüida pela contribuinte em suas contrarazões, pelo fato do recurso ter se referido a Ato Declaratório de Exclusão, quando o objeto da discussão é o indeferimento de inscrição retroativa, entendo que a mesma não tem como prosperar, por tratase de um equívoco sem conseqüência, que por sinal foi cometido também pelo relator do voto condutor do acórdão. Aliás, o efeito do indeferimento da exclusão retroativa é idêntico ao da exclusão, posto que a opção é exercida pelo contribuinte, e sujeita a verificação do cumprimento dos requisitos pela autoridade. A diferença entre haver ou não Ato Declaratório de exclusão depende do que constar nos registros cadastrais da Receita. Só haverá Ato de Exclusão se a condição de optante constar do CNPJ. In casu, o que importa é analisar se a decisão é contrária à lei ou não. Conforme se depreende dos autos, em novembro de 2001 o contribuinte peticionou à Receita Federal, comunicando ser optante pela forma de tributação na modalidade SIMPLES, desde 29/01/98, e que dele está sendo exigida a apresentação de DCTF dos anos de 1999 e 2000, por não constar do Cadastro da Receita Federal a referida opção. Por isso requereu a anotação de sua condição de optante pelo SIMPLES. Fez acompanhar sua petição com prova de que vinha apresentando declarações e pagando os tributos pelas regras do SIMPLES. O pedido foi indeferido por existência de débito da empresa e do sócio, tendo a ciência do indeferimento ocorrido em 16/07/2003. Em manifestação de inconformidade, a empresa informou ser optante do Simples desde 29/01/1998, portanto, antes da existência do débito inscrito, e que os débitos inscritos depois da opção pelo Simples, foram devidamente parcelados e quitados, conforme faz prova os documentos anexos, emitidos pela Receita Federal. A Delegacia de Julgamento entendeu pelo indeferimento da petição quanto à inscrição retroativa (29/01/1998), uma vez que restou demonstrado que o sócio Nelson dos Santos Rodrigues possuía uma inscrição em dívida ativa desde 06/08/1997, só providenciando o parcelamento em 22/09/2000, vindo a ser rescindido eletronicamente em 07/06/2003, comprovandose, assim, que as regras do parcelamento não foram seguidas, implicando a perda do direito de optar pelo simples. Em recurso voluntário a interessada esclareceu que o sócio devedor Nelson dos Santos Rodrigues obteve o parcelamento da divida em 29 parcelas, efetuou a liquidação regular de 27 (vinte e sete) parcelas e, por simples descuido, deixou em atraso apenas 02 (duas) parcelas. Até a parcela de n° 27 (vinte e sete), liquidada em 28/02/2003, os pagamentos Fl. 238DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13707.002569/200193 Acórdão n.º 9101001.073 CSRFT1 Fl. 5 5 ocorreram dentro do prazo, e as duas últimas foram liquidadas em conjunto, em 11/09/2003, tão logo o referido sócio deuse conta da situação de atraso. Chamou atenção para o fato de a decisão da DRJ se reportar a esclarecimento da COSIT quanto à exclusão do Simples, publicado no Boletim Central SRF n° 233/2000, que determina que o contribuinte que regularize sua situação, dentro do prazo de apresentação da SRS, tem restabelecido o seu direito de permanecer no Simples. O voto condutor do acórdão guerreado expressa entendimento de que milita em favor do contribuinte o fato de ele ter diligenciado no curso do processo, no sentido de regularizar a pendência, e que, quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. Esse entendimento, todavia, não encontra respaldo legal. Os artigos 9°, incisos XV e XVI, 13, inc. II, alínea "a", e 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96 dispõem:. Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; XVI cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darse á: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9º; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica;” Nos termos do art. 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96, a autoridade administrativa deve, obrigatoriamente, excluir do sistema a pessoa jurídica que, tendo incorrido em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º, não houver comunicado sua exclusão. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13707.002569/200193 Acórdão n.º 9101001.073 CSRFT1 Fl. 6 6 Como se vê, a lei determina expressamente que a pessoa jurídica que apresente débito, inscrito em Dívida Ativa da União, ou cujo sócio esteja inscrito em Dívida Ativa da União, não poderá optar pelo SIMPLES, não tendo sido concedido pelo legislador ao Administrador Tributário o exercício do mínimo poder discricionário sobre o assunto. A ele compete apenas investigar e constatar a existência de débito em nome da pessoa jurídica interessada e, positivada a hipótese, indeferir a inscrição ou implementar a exclusão por meio de ato declaratório. No caso concreto, em 29/01/1998, a interessada não poderia optar pelo Simples, pois o sócio Nelson dos Santos Rodrigues possuía uma inscrição em dívida ativa desde 06/08/1997. Esse débito foi regularizado em 22/09/2000, quando foi pedido o parcelamento. Assim, o pedido poderia ser deferido com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2001. A rescisão eletrônica do parcelamento em 07/06/2003 teria como conseqüência a exclusão de ofício do sistema, ficando a interessada sujeita às normas de tributação que regem as pessoas jurídicas em geral a partir de 01/01/2004. Ocorre que, nos termos da orientação da COSIT/SRF, contida no Boletim Central n° 233, de 14 de dezembro de 2000, a regularização do débito no prazo de 30 dias contados da ciência do Ato Declaratório (prazo para apresentação da SRS) asseguraria o direito de permanência no SIMPLES. Na espécie, não houve emissão de Ato Declaratório de exclusão do Simples, pois ainda estava em discussão a inclusão retroativa. A interessada tomou ciência do indeferimento da exclusão em 16/07/2003, e extinguiu o débito em 13/09/2003. Assim, é de todo razoável entender que ela teria assegurada a manutenção da inscrição. Pelas razões expostas, DOU provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional, para reconhecer o direito da contribuinte à inscrição retroativa tão somente a partir de 01/01/2001. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 240DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003846/2006-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Deve ser mantido o lançamento quando há fartas e robustas provas da prática
do ilícito, correspondente a omissão de receitas de serviços prestados a outras
pessoas jurídicas, apuradas no confronto entre os valores declarados em DIPJ
e aqueles informados pelas fontes pagadoras dos rendimentos, confirmados
por dados registrados em DIRF, com ausência total de escrituração contábil e
fiscal pelo sujeito passivo.
ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário,
será
determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte
deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da
escrituração comercial e fiscal, no caso de apuração pelo lucro real, ou o
Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive
bancária, no caso de apuração pelo lucro presumido (RIR/99, arts. 527, 529 e
530, III).
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando
comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar,
total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da
ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou
circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis
de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário
correspondente.
DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a
Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese
após 5 (cinco) anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida
preparatória indispensável ao lançamento, no qual o Fisco revela ao
contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e
lhe oportuniza a defesa, nos termos do artigo 173, I do Parágrafo único do
Código Tributário Nacional CTN.
DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES.
Com a edição da Súmula Vinculante no. 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o
artigo 45 da Lei no. 8212/1991 não pode mais ser aplicado pela
Administração Pública.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC
para tributos federais.
ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de
lei tributária (Súmula CARF n º 2).
Numero da decisão: 1801-000.759
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos lançamentos das contribuições ao PIS e COFINS, relativos aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de
2001, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Deve ser mantido o lançamento quando há fartas e robustas provas da prática do ilícito, correspondente a omissão de receitas de serviços prestados a outras pessoas jurídicas, apuradas no confronto entre os valores declarados em DIPJ e aqueles informados pelas fontes pagadoras dos rendimentos, confirmados por dados registrados em DIRF, com ausência total de escrituração contábil e fiscal pelo sujeito passivo. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, no caso de apuração pelo lucro real, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, no caso de apuração pelo lucro presumido (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) 2 anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, no qual o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa, nos termos do artigo 173, I do Parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES. Com a edição da Súmula Vinculante no. 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o artigo 45 da Lei no. 8212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para tributos federais. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n º 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos lançamentos das contribuições ao PIS e COFINS, relativos aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2001, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 534 3 Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 664.731,58, aí incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas nos anoscalendário 2001 e 2002, relativas a omissão de receitas de prestação de serviços, que ensejaram o arbitramento dos lucros. Também foram lavrados autos de infração à legislação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, no montante total de R$ 223.115,49, aí incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora, pela falta de recolhimento dessas contribuições apuradas nos mesmos períodos (fls. 03/56). De acordo com o relato constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 45 a 56), a empresa fora intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal ou Livro Caixa, pois seria optante pelo Lucro Presumido de acordo com as DIPJ apresentadas. Em resposta informou não possuir escrituração. Fora, então, intimada a apresentar DARF com recolhimento pelo Lucro Presumido, tendo informado não possuir DARF com recolhimento sob o código 2089 (lucro presumido), assim como reiterou não possuir escrituração de Livro Caixa, Apuração de ISS, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Diário, Razão e Lalur. Foram exigidos o IRPJ e a CSLL devidos sob a modalidade do arbitramento em vista da ausência de escrituração mínima obrigatória. A receita bruta tomada por base para o arbitramento foi apurada com base nas informações prestadas pelas pessoas jurídicas que teriam efetuado pagamentos à empresa contribuinte a título de comissões pagas e confirmadas pelos dados constantes das DIRF apresentadas, conforme relação à fl. 47. A multa de ofício foi qualificada pelo evidente intuito de fraude caracterizado pela falta de emissão de notas fiscais de prestação de serviços. Os valores declarados em DCTF e/ou pagos a título de IRPJ e de CSLL não foram compensados de ofício com aqueles apurados como devidos, pois foram recolhidos sob códigos de Lucro Real e/ou Estimativa de IRPJ/CSLL – Lucro Real impertinentes à opção esboçada em DIPJ pelo Lucro Presumido. Dos valores devidos a título de contribuições ao PIS e à COFINS foram subtraídos aqueles declarados em DCTF e/ou recolhidos pela empresa. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificada das exigências em 27/04/2006, na pessoa de seu procurador, apresentou a contribuinte, em 18/05/2006, uma impugnação para cada auto de infração impugnação: IRPJ fls. 188/227; CSLL – fls. 248/283; COFINS – 301/316; e PIS – 335/350. Nas impugnações contra os lançamentos de IRPJ e CSLL alegou, em apertada síntese: 1) a decadência dos lançamentos em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 27/04/2001; 2) a inaplicabilidade do arbitramento dos lucros, pois com base nas informações obtidas pela auditoria fiscal das receitas de prestação de serviços auferidas seria perfeitamente possível calcular o lucro presumido; 4 3) a impossibilidade de qualificação da multa de ofício, pois não foi provado o evidente intuito de fraude; 4) a ilegalidade na imposição da multa e ilegalidade e inconstitucionalidade dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. Nas impugnações contra os lançamentos de PIS e COFINS defendeu a decadência dos lançamentos em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 27/04/2001 e insurgiuse contra a multa de ofício e os juros de mora. A 4a. Turma da DRJ Recife/PE proferiu o Acórdão 1118.034 e julgou os lançamentos procedentes em parte (fls. 446/459). Em preliminares afastou a argüição de decadência uma vez que, em relação ao IRPJ e a CSLL, o prazo de cinco anos seria aquele regulado pelo art. 173, I do CTN, em virtude da caracterização da fraude e em relação ao PIS e COFINS o prazo seria de 10 anos a contar do fato gerador, nos termos do art. 45, I e II da Lei nº. 8.212/91. Notificada da decisão, em 13/03/2007, como atesta a cópia do AR à fl. 466, apresentou a interessada o recurso voluntário de fls. 467 a 511, no qual são reproduzidas as mesmas razões de defesa deduzidas nas impugnações. Não consta a data de protocolo do Recurso Voluntário, mas a quota à fl. 532 sugere que a peça de defesa seja considerada tempestiva. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. A empresa foi notificada da decisão da DRJ em Recife/PE, em 13/03/2007, como atesta a cópia do AR à fl. 466, e apresentou o recurso voluntário. Não consta a data de protocolo do Recurso Voluntário, mas a quota à fl. 532 sugere que a peça de defesa seja considerada tempestiva já que esta já teria tramitado pela DRF em Recife antes de sua anexação aos autos. Pelo exposto e, para que a defesa não fique prejudicada em seu legítimo direito, tomo conhecimento do recurso apresentado. Preliminarmente. No que tange à contagem do prazo decadencial, cumpre fazer remissão às disposições do CNT: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 535 5 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ......................................................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ......................................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ......................................................................................................... Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme expressamente consignado nos dispositivos acima transcritos, a regra de contagem do prazo decadencial prevista no § 4o. do art. 150 do CTN não deve ser aplicada aos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesse contexto, a apreciação da decadência do crédito tributário ora lançado de ofício, não se faz sem uma análise acerca do mérito da imputação de fraude aos atos praticados pela contribuinte. Mérito. ARBITRAMENTO. O arbitramento dos lucros se justifica. A empresa, de acordo com as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, apresentadas à Receita Federal relativamente aos anoscalendário 2001 e 2002, informou que apurou seus resultados de acordo com as regras de apuração do lucro presumido. Entretanto tal informação é inverídica, pois a opção por tal forma de tributação não efetivamente foi exercida. A Lei n º 9.430, de 1996, prevê: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta 6 ......................................................................................................... Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento de primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. ......................................................................................................... Verificase assim, nos termos da legislação em vigor, que a pessoa jurídica que pretende optar pela tributação de seus resultados com base nas regras do lucro presumido deve manifestar essa opção com o pagamento da primeira ou única quota do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração do anocalendário. In casu, a empresa recorrente não efetuou qualquer pagamento pelo lucro presumido em qualquer dos trimestres dos anoscalendário autuados, de 2001 e 2002. Portanto, a opção por tal forma de tributação não foi exercida. Não tendo sido exercida a opção pela tributação com base no lucro presumido a pessoa jurídica ficou submetida às regras de apuração aplicáveis às demais pessoas jurídicas em geral, ou seja, a tributação de seus resultados pelo lucro real. Nessas condições estava obrigada a manter escrituração completa, nas formas das leis comercial e fiscal. A respeito, transcrevo os respectivos comandos do Decreto no. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que tem por base os artigos 47 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e 1o. da Lei no. 9.430, de 1996: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Ademais, ainda que a opção pelo lucro presumido tivesse sido efetuada devida e tempestivamente, ainda assim o arbitramento dos lucros no presente caso se justificaria. A pessoa jurídica optante pela apuração de seus resultados com base nas regras do lucro presumido, fica obrigada a escriturar, ao menos, o Livro Caixa englobando toda a sua movimentação financeira. É o que determina a legislação de regência: Decreto n º 3.000, de 1999 – RIR/99 Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 536 7 II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei no. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 1o.): ... III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... Dessa forma, a pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido estará obrigada a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, e a escriturar os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária. A escrituração do Livro Caixa nessas condições está dispensada apenas se a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial. No presente caso a empresa recorrente não apresentou à auditoria fiscal qualquer livro registrado, seja o Diário, o Razão, ou, ao menos, o Livro Caixa. Aliás, não apresentou sequer um único documento de escrituração. Não apresentou notas fiscais de prestação de serviços, ou Livro Registro de Apuração do ISS, ou ainda, o Livro Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços. A auditoria fiscal concedeu várias oportunidades para que a recorrente apresentasse escrituração mínima obrigatória. Mas a empresa afirmou, também em várias oportunidades, não possuir qualquer registro contábil e/ou fiscal. Dessa forma, os fatos apurados pelo agente fiscal determinavam a aplicação dos artigos 527, 529 e 530 do RIR/99, acima citados, pois a contribuinte se enquadrava na situação descrita no inciso III do artigo 530. A auditoria fiscal cumpriu, assim, as determinações da lei. Agiu com plena legalidade e em respeito, também, ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência 8 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabil idade funcional . (destaques acrescidos). Notese, ainda, in casu, que os fatos apurados pela auditoria fiscal que levaram ao arbitramento dos lucros da pessoa jurídica não foram modificados pela impugnação, e persistem até hoje, tendo em conta que até o presente momento a recorrente não dispõe de escrituração regular, com base nas leis comerciais e fiscais assim como documentação que lhe dê suporte que possibilitem a apuração dos tributos de acordo com as regras do lucro real, assim permitidas pela legislação de regência. Dito de forma direta: a recorrente não apresentou, até esta data, escrituração completa de suas receitas na forma das leis comerciais e fiscais, ou ainda, Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira da empresa. E vale ressaltar. Ainda que a impugnante tivesse logrado providenciar escrituração contábil e fiscal nos termos das leis comerciais e tributárias, no prazo para apresentação de sua impugnação, ainda assim o arbitramento formalizado pela auditoria fiscal não seria invalidado. Não existe arbitramento condicional e nesse sentido já se encontra pacificada, de há muito, a jurisprudência deste órgão colegiado, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF n º 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. A recorrente não se defende contra a apuração de omissão de receitas pelo Fisco, razão pela qual a imputação deve ser mantida. Observese que foram apurados os seguintes montantes de receitas auferidas e omitidas da tributação, comparadas àquelas declaradas pela empresa nas DIPJ dos anos calendário 2001 e 2002: Anocalendário 2001 Receita Apurada Receita Declarada Diferença Relação % Receita Declarada / Auferida 1o. trimestre 330.011,99 53.846,00 276.165,99 16,31% 2o. trimestre 356.634,13 62.826,00 293.808,13 17,61% 3o. trimestre 323.821,56 52.643,00 271.178,56 16,25% 4o. trimestre 311.249,93 55.621,00 255.628,93 17,87% Totais 1.321.717,61 224.936,00 1.096.781,61 17,01% Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 537 9 Anocalendário 2002: Receita Apurada Receita Declarada Diferença Relação % Receita Declarada / Auferida 1o. trimestre 336.895,90 59.339,00 277.556,90 17,61% 2o. trimestre 314.994,61 53.716,00 261.278,61 17,05% 3o. trimestre 308.149,05 54.966,00 253.183,05 17,83% 4o. trimestre 416.473,57 70.281,00 346.192,57 16,87% Totais 1.376.513,13 238.302,00 1.138.211,13 17,31% Mantémse, pois, a imputação de omissão de receitas de prestação de serviços. MULTA QUALIFICADA. Quanto à qualificação da multa, cumpre consignar que, adotada a perspectiva de que a ocorrência do fato gerador somente se dá a conhecer por meio da conversão em linguagem competente dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, não poderia subsistir a distinção legal entre os conceitos de sonegação (impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador) e fraude (impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador). Na verdade, tanto na sonegação, quanto na fraude, o que estaria em questão seria a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador , das condições pessoais do contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Decorre daí que a interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de declarações DIPJ que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômicofinanceira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. 10 Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas declarações de informações econômicofiscais DIPJ dos anoscalendário 2001 e 2002, mediante as quais a pessoa jurídica informou que obteve receitas de prestação de serviços em valores significativamente inferiores àqueles realmente auferidos. A empresa declarou não mais do que 17% das receitas que efetivamente auferiu em sua atividade operacional nos períodos auditados. Observese que a admissão de apresentação de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, com a inserção de falsas informações como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, ii, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/01318517 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 538 11 Ademais, é evidente também que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco nas declarações apresentadas, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Em sendo assim, cumpre reconhecer a fraude na apresentação das DIPJ dos anoscalendário 2001 e 2002 como uma tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas comprovadamente auferidas na sua atividade operacional. As DIPJ, em confronto com as informações obtidas das pessoas jurídicas clientes da empresa contribuinte, assim como com as informações obtidas dos dados extraídos das DIRF por estas últimas apresentadas caracterizam a prática da omissão de receitas reiterada e sistemática. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Adotado tais fundamentos, a exigência da multa qualificada deve subsistir. DECADÊNCIA. Anteriormente, entendiase que na ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deveria observar as disposições do art. 173, I, do CTN. Todavia, tal interpretação não se coaduna com a necessidade jurídica de distinção, também e principalmente na aplicação da contagem do prazo decadencial, entre as situações de falta de apuração e pagamento e de dolo, fraude ou simulação. Nos casos de falta de apuração e pagamento dos tributos devidos, em regra exigidos com multa de ofício de 75%, deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, conforme interpretação uniforme do STJ. Por outro lado, quando comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, deve o Fisco contar com um prazo decadencial mais dilatado, em função da conduta do próprio contribuinte de tentar obstar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável a regra prevista no Parágrafo único do art. 173 do CTN, que prescreve: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ......................................................................................................... Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Comprovado o dolo, fraude ou simulação, a contagem de cinco anos deve ser feita a partir da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, procedimento que se impõe quando o contribuinte adota uma conduta fraudulenta, tendente a ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador. Logo que o Fisco toma conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo (in casu, as DIPJ em confronto com as receitas omitidas), deve proceder à notificação do contribuinte para os devidos esclarecimentos, 12 procedimento indispensável à configuração definitiva do ilícito e, consequentemente, à formalização do lançamento. Observo que a interpretação aqui adotada se coaduna com a recente jurisprudência do STJ, como se verifica do seguinte julgado, do EXMO.SR. Ministro Luiz Fux, relator, na parte em que pertine ao presente voto: AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.221.742 SP (2009/01582830) AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544, CPC. ISS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ISS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SERVIÇOS BANCÁRIOS. LISTA ANEXA AO DEC.LEI 406/68. TAXATIVIDADE. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO (RESP nº 1.111.234/PR). ATIVIDADE PRINCIPAL E SERVIÇOS ACESSÓRIOS. SÚMULA 07 DO STJ. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 539 13 Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. As aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. Sob esse enfoque, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 4. O dever de pagamento antecipado, quando inexistente (tributos sujeitos a lançamento de ofício), ou quando, existente a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, flui o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 6. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do 14 ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu , reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do il ícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi , in obra citada, pág. 171). 7. O artigo 173, II, do CTN, por seu turno, versa a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 8. In casu, o Tribunal de origem assentou que: “No caso dos autos nem ocorreu notificação prévia para lançamento, mas apuração e lançamento de ofício do imposto que a Fazenda Municipal Paulistana entendeu por devido. Nessa linha, sem qualquer recolhimento do imposto pelo contribuinte, o prazo decadencial há de ser contado do primeiro dia do exercício seguinte (artigo 173, I, do CTN). O ano base das hipóteses em que, segundo o apelado ocorreria a decadência seria 1997, mas tendo em conta o início de prazo em primeiro de janeiro de 1998, o lustro legal darseia em 31 de dezembro de 2003. O lançamento de ofício ocorreu em 13 de agosto de 2002, antes então do qüinqüênio legal.” 9. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, I, do Codex Tributário, contandose o prazo de cinco anos, a contar "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), donde se dessume a inocorrência da decadência do direito de o Fisco lançar os referidos créditos tributários. [...] No caso em apreço a citada notificação de “medida preparatória indispensável ao lançamento” configurouse com o Termo de Início da Ação Fiscal, cientificado em 11/11/2005, pelo qual o sujeito passivo foi intimado a apresentar toda a sua escrituração, assim como as notas fiscais de prestação de serviços. A partir de tal notificação, indispensável ao lançamento, em que o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa, é que deve ser contado o prazo de cinco anos. Processo nº 19647.003846/200628 Acórdão n.º 180100.759 S1TE01 Fl. 540 15 Cumpre reconhecer que tal notificação deve ser formalizada no prazo das regras de contagem previstas no art. 150, § 4o do CNT, se efetuado o pagamento antecipado, ou no art. 173, I, do CTN, se não efetuado o pagamento antecipado. Nos autos, como houve pagamento relativo ao 1o. trimestre de 2001, o termo final para expedição da notificação venceria em 30/03/2006 (art. 150, § 4o do CNT), configurandose regular a notificação da medida preparatória indispensável ao lançamento cientificada em 11/11/2005. Em conseqüência, dada a comprovação da intenção dolosa da contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, o termo de início da contagem do prazo de decadência seria, justamente 11/11/2005, a expirar apenas em 10/11/2010, estando regularmente formalizados os lançamentos de IRPJ e de CSLL cientificados ao contribuinte em 27/04/2006. CONTRIBUIÇÕES No que respeita ao prazo decadencial das contribuições ao PIS e à COFINS, O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 8, cujo enunciado tem o seguinte teor: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5o. DO DECRETOLEI N o. 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA N o. 8..212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Data de Aprovação Sessão Plenária de 12/06/2008 Fonte de Publicação DJE n o. 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DOU 20/6/2008, p. 1. Por conseguinte, o art.. 45 da Lei n o. 8.212/19 não pode mais ser aplicado pela administração pública, nos termos do art. 2 o. da Lei n o. 11..417/2006, que assim dispõe: “Art. 2 o. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na. forma prevista nesta Lei." Dessa forma o prazo decadencial das contribuições sociais é aquele disciplinado pelas regras do Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966. O prazo decadencial para lançamento de tributos a favor da Fazenda Nacional encontrase previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional, como regra geral, e, quando há antecipação de pagamento, no art. 150, § 4o do CNT. Relativamente ao auto de infração da CSLL a regra a ser adotada é a mesma do IRPJ. Portanto, nesse aspecto, a exigência da CSLL encontrase regular. 16 No que tange aos autos de infração de PIS e COFINS não houve qualificação da multa por dolo, fraude ou simulação. Como foram feitos pagamentos dessas contribuições ao longo do anocalendário 2001 a regra de contagem do prazo decadencial é aquela prevista no do art. 150, § 4o CTN. Tendo em conta que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 27/04/2006, os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 2001 encontramse decaídos. JUROS SELIC No que respeita à inconformidade da recorrente em relação à incidência de juros calculados com base na taxa SELIC, este órgão de julgamento já consolidou seu entendimento, como se verifica do enunciado de súmula abaixo reproduzido: Súmula CARF no. 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidente sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora
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Numero do processo: 10930.001525/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO
INTEMPESTIVO.
Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto depois de decorrido
o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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