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Numero do processo: 10768.011777/2002-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA.
O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. Documentos e registros contábeis anexados apenas no recurso voluntário que demonstrem de forma clara e pontual que houve duplicidade na confissão do crédito tributário na DCTF resgatam a verdade material, que não pode ser elidida na ponderação com o princípio da preclusão da prova.
Numero da decisão: 3803-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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DÉBITO CONFESSADO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. LANÇAMENTO EM AUDITORIA INTERNA. CANCELAMENTO. Uma vez comprovada, por meio de documentos e da escrita contábeis, a identidade de débitos e sua duplicidade na informação prestada na DCTF, deve ser cancelada a exigência constante do auto de infração, em obediência os princípios da legalidade e da moralidade que regem a Administração Pública Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA. O processo Administrativo Fiscal regese pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. Documentos e registros contábeis anexados apenas no recurso voluntário que demonstrem de forma clara e pontual que houve duplicidade na confissão do crédito tributário na DCTF resgatam a verdade material, que não pode ser elidida na ponderação com o princípio da preclusão da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 17 77 /2 00 2- 51 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração decorrente de auditoria interna de DCTF, em que foi verificada falta de pagamento da Cofins de dezembro de 1997, tendo sido também formalizada a exigência de multa de ofício e juros de mora isolados, em virtude de pagamento efetuado fora do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, relativo ao novembro 1997. Quanto ao mês de dezembro/97 consta da Descrição dos Fatos Declaração Inexata, consubstanciada na falta de localização do pagamento vinculado ao débito declarado. Em impugnação apresentada, a Interessada alegou que: a) procedeu ao dito pagamento comprovandoo com a anexação de cópia do DARF, que guarda total identidade com o valor, período de apuração e data de vencimento apresentados na DCTF correspondente; b) foi indevidamente declarado na DCTF referente ao mês de novembro de 1997, o débito de R$ 160.485,68, valor que decorre exclusivamente do faturamento do mês de dezembro de 1997; assim, em relação a este período de apuração não houve qualquer pagamento fora do prazo, inexistindo fundamento legal para o lançamento de multa isolada de ofício; c) a prova da indevida duplicidade é o fato de que para o mês de novembro a DCTF também apresenta outro valor devido a título da Cofins, R$ 85.771,54, que foi devidamente paga por meio de DARF, localizado pela SRF; d) houve evidente erro de fato e) ainda que a Impugnante não houvesse realizado o recolhimento, não caberia o lançamento de multa de ofício. Isto porque, para as hipóteses de tributo declarado em DCTF, modalidade de confissão de dívida, não haveria que se falar em penalidade de ofício, posto que se estaria diante não de lançamento de ofício de tributo não declarado, mas tão somente de hipótese de impontualidade de recolhimento; Requereu a improcedência do auto de infração e autorização para proceder à devida retificação da DCTF relativamente ao mês de novembro de 1997, para dela excluir o lançamento indevido do valor de R$ 160.485,68. Em 24 de agosto de 2011, a Dicat/DRF/RJ procedeu à revisão de lançamento fl. 64, e, aplicada a retroatividade benéfica em relação à multa de ofício, com base na nova Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.011777/200251 Acórdão n.º 3803003.827 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 disposição do art. 44 da Lei 9.430/96, pela Lei 11.488/2007, art. 14, determinou o prosseguimento da cobrança do que remanesceu do crédito tributário. A contribuinte apresentou irresignação contra a revisão de lançamento, fl. 69 a 84, em que alegou, preliminarmente, a sua nulidade, por ser esta obscura, não esclarecendo o motivo pelo qual estaria sendo cobrado o débito remanescente. No mérito, repetiu as alegações apresentadas com a impugnação ao lançamento. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro, esclareceu que não é sua competência analisar a inconformidade do contribuinte apresentada contra revisão de lançamento e restringiu sua apreciação à análise da impugnação apresentada. Quanto à multa isolada declarou a perda de objeto, em face da revisão do lançamento. Quanto ao débito exigido de dezembro de 1997, considerou que as alegações da Impugnante vieram desprovidas de comprovação, e manteve o lançamento. Contudo, motivada pela alteração legislativa superveniente, esclarecida na Solução de Consulta Interna nº 03, COSIT, de 08 de janeiro de 2004, determinou a exclusão da multa de ofício incidente sobre este. Cientificada da decisão em 18 de junho de 2012, apresentou recurso voluntário em 18 de julho de 2012, reitera os termos de sua defesa na impugnação à exigência de crédito tributário referente ao mês de dezembro, pelo fato de seu valor já se encontrar extinto por pagamento nos termos do art. 156, I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Com respeito ao mérito que é devolvido a este Conselho exigência do débito de Cofins relativo a dezembro de 1997, afirmado pela Recorrente como inexistente por decorrer de erro no preenchimento da DCTF, a Defesa, com efeito, não se ocupou de anexar à impugnação a prova da sua alegação. No recurso voluntário a Recorrente anexa Planilha analítica de apuração do PIS e da Cofins, em que consta 28 de novembro de 1997 como data de lançamento, subentendendose ser a data em que foi elaborada. A planilha, tecnicamente bem elaborada, decompõe a apuração segundo as linhas percorridas pelos navios, próprios e fretados, os tipos de cargas, indica os valores das receitas em cada grupo e identifica as correspondentes contas credoras e devedoras, bem como os centros de custos a que está vinculada cada receita gerada. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN 4 A Recorrente também anexa Balancete em que destaca as receitas identificadas por centro de custo, emitido em 08 de dezembro de 1997, com registros relativos ao mês de novembro de 1997, para demonstrar o valor efetivamente devido da contribuição em apreço. A planilha acima referida espelha as receitas deste Balancete. Traz ainda a Recorrente ficha de controle de pagamento das contribuições e de informação a ser prestada em DCTF, que recebe como transporte para base de cálculo o somatório das receitas extraído da Planilha e do Balancete, e faz a síntese da apuração. Segue anexo ao recurso, também, o Razão Analítico que registra o saldo diário da contribuição para o PIS e da Cofins. Este livro registra ao final do período de apuração de que aqui se trata, o débito de R$ 85.771,54, para a Cofins. Este valor, em adição a R$ 160.485,68, que ora se controverte, compõe o débito declarado na DCTF do 4º trimestre, fl. 144, totalizado em R$ 246.257,22, com pagamentos efetuados conforme DARFs de fl. 22/23 À fl. 36, o documento do SIEF Extrato Completo do Contribuinte – Pessoa Jurídica, espelha a DCTF e mostra os pagamentos de ambas as importâncias acima; e quanto ao último, indica que ele se refere ao PA dezembro de 1997, dado que reproduz o que consta do campo do DARF “período de apuração”. A DCTF do trimestre, fl. 24, informa ambos os pagamentos vinculados ao débito de novembro de 1997, de R$ 246.257,22, sendo o de R$ 160.485,68, reitero, indicado como pagamento relativo ao PA encerrado em 31 de dezembro de 1997; informa, também, o débito do mês de dezembro de 1997 também no valor de R$ 160.485,68, indicando o mesmo DARF de R$ 160.485,68 constante da informação relativa a novembro. A base de cálculo utilizada para o PIS, cujo valor para novembro consta de todos os documentos acima aludidos, e sinteticamente no Razão Analítico, é a mesma da qual resultou o débito de R$ 85.771,54. A apreciação destes elementos levanos, inarredavelmente, à conclusão de que houve erro de fato da Contribuinte na informação que prestara na DCTF e seu subsequente erro de não têla retificado. Isso porque, vejo que podese ter como verossímeis os documentos elaborados e conseqüentes registros contábeis, pelo fato de não serem um arranjo recente da Autuada para suprir a defesa, mas trataremse de documentos e registros contemporâneos ao fato gerador das contribuições, demonstrandose isto pela ordem, pela minúcia e pela data da sua confecção. Este conjunto de elementos permite vislumbrar que a DCTF, que foi transmitida dentro do prazo regulamentar meses após a atividade da Contribuinte de apurar e antecipar o pagamento, prevista no art. 150, caput e § 1º, do CTN, não reproduziu, relativamente a novembro de 1997, os fatos jurídicos registrados nos moldes acima. O art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 19771, diz que “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do 1 Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.011777/200251 Acórdão n.º 3803003.827 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 5 contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.”, o que, seguramente, podese afirmar seja o caso dos documentos que vieram com o recurso voluntário. Diante das premissas acima, fáticas e a jurídica, cabe perquirir, neste ponto, acerca do acolhimento, ou não, destas provas trazidas apenas no recurso voluntário, para o fim de sua apreciação no curso do presente julgamento, ponderandose entre aplicar a preclusão temporal, por ferimento à disposição do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ou privilegiar o princípio da verdade material, que deve exercer o seu influxo sobre o Processo Administrativo Fiscal. Reafirmo o entendimento de que a decisão acerca da ponderação destes princípios passa, primeiro, pelo ateste da correção e legalidade da decisão de primeira instância, que não pode ser anulada para que proceda a apreciação de prova que não fora carreada para o seu juízo. Segundo, que o acolhimento das provas documentais das alegações da Recorrente depende da sua natureza, mesmo que se reconheça a existência de erro de fato: se complexa, a demandar diligência na qual o Fisco tenha que desenvolver procedimento de apuração, este tipo de prova sujeitase a oportunizar controvérsia ao trabalho da Auditoria, por ocasião da manifestação do contribuinte. Nesse caso, tal mérito suprimiria a primeira instância de julgamento, não havendo de ser admitida, honrandose o princípio da preclusão, ressalvada a ocorrência de uma das hipóteses do § 4º, letras “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72; se prova singela, a carecer de mera verificação do(s) elemento(s) controverso(s), ainda que careça de uma diligência para ateste, devese sobrelevar o princípio da verdade material. No presente caso, temos uma prova singela, em que o dado controverso resulta elucidado por mera verificação dos documentos acostados, podendose homenagear a verdade material que deles exala. Considero que houve duplicidade no registro do débito de dezembro de 1997, tendo a Contribuinte aportado o seu valor, R$ 160.485,68, também no mês de novembro de 1997, motivo da presente exigência. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000019/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO.
O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da contribuição para o PIS, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Andréa Medrado Darzé Relatora.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Possas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Andréa Medrado Darzé Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da contribuição para o PIS, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Andréa Medrado Darzé – Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 19 /2 00 8- 11 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo I que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04 somente poderá utilizado para desconto dos valores das respectivas contribuições. A ora Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2006. Para a verificação da procedência dos créditos objeto do pedido de ressarcimento, foi efetuada diligência junto à empresa. Com base no resultado da diligência, foi proferido Despacho Decisório, no qual restou assentado que: (i) o saldo credor do PIS/PASEP e da COFINS, apurado nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 e o art. 15 da Lei n° 10.865/2004, quando vinculado às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência dessas contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Todavia, os créditos vinculados às vendas tributadas no Mercado Interno somente podem ser utilizados para dedução das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS apuradas no regime de incidência não cumulativa. (ii) o crédito presumido proveniente de atividade agroindustrial, tratado no art. 8° da Lei nº 10.925/2004, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Por conta disso, foram refeitos os cálculos apresentados pelo contribuinte e pela fiscalização, concluindose pelo ressarcimento parcial, conforme planilha que junta. Contra esta decisão, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: (i)os produtos comercializados pela Manifestante estão sujeitos à alíquota zero, desde 26/07/04, em face da edição da Lei nº 10.925/04; (ii)apenas uma pequena parte da produção da Manifestante é tributada no mercado interno. Com efeito, a parcela tributada de suas vendas representa aproximadamente 5% do total produzido, sendo que os 95% remanescentes estão submetidos à venda beneficiada com alíquota zero; (iii)por conta disso, tem créditos acumulados de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS relativos às aquisições dos insumos adquiridos para utilização em sua produção; (iv)neste contexto, vedar a Manifestante de ressarcir ou a compensar tais importes é tornar o PIS/PASEP e a COFINS parcialmente cumulativos, o que contraria o desiderato perseguido pelas próprias Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000019/200811 Acórdão n.º 3301001.663 S3C3T1 Fl. 101 3 (v)ao promover uma incidência não cumulativa da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, o texto constitucional fez referência a instituto jurídico já existente no direito pátrio. Portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais, não lhe sendo concedido o poder de chamar qualquer sistemática de apuração de tributos de não cumulativa; (vi)inutilizar o aproveitamento dos créditos é violar a Constituição Federal, que, ao permitir a instituição das referidas contribuições, impôs a elas a adoção do preceito da não cumulatividade como forma de assentar uma justiça fiscal adequada. Portanto, outorgar um crédito parcial é o mesmo que autorizar que o tributo seja apenas parcialmente não cumulativo, ferindo diretamente o texto constitucional. (vii)com relação à vedação ao direito de crédito de contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS relativamente ao crédito presumido das atividades agroindustriais, o Legislador Federal previu, por meio do art. 16 da Lei nº 11.116/05, a possibilidade de compensar referido crédito acumulado ao final de cada trimestre com débitos próprios, vencidos e vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou de se proceder ao pedido de ressarcimento do mesmo. (viii)a Lei nº 11.033/04, em seu art. 17, estabelece que "as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". (ix)cumpre salientar que, ao contrário do que foi afirmado no Despacho Decisório, inexiste na Lei nº 10.925/2004 qualquer vedação para utilização do crédito presumido de PIS/COFINS por meio de compensação, sendo o entendimento esposado no Despacho Decisório construído a partir de meras determinações infralegais. (x)todavia, instruções normativas e atos declaratórios interpretativos exarados pelo próprio fisco não criam direitos assim como também não impõe deveres novos ao contribuinte, não previstos em lei. (xi)a Receita Federal reforçou seu entendimento contrário à compensação e ao ressarcimento do crédito presumido por intermédio da IN SRF nº 636, revogada pela IN SRF nº 660/06, dispondo ambas sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre a utilização do crédito presumido decorrente das aquisições desses produtos. (xii)a IN SRF nº 660/06, ao estabelecer a vedação ao aproveitamento do saldo credor decorrente do crédito presumido das contribuições em evidência, via compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal ou ressarcimento em espécie, extravasou sua competência, incorrendo em patente violação ao principio da hierarquia das leis. (xiii)o principio constitucional da estrita legalidade (art. 150, I, da CF/88) exige que somente o Poder Legislativo pode impor norma matriz tributária, pormenorizando em sua plenitude todos os seus elementos, sendo vedado, pois, ao Executivo estabelecer restrições, como ocorre no caso em concreto, em que se delimita a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 (xiv)o posicionamento da Administração também viola o disposto nos artigos 3 e 97 do CTN. A DRJ em São Paulo I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS NO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. Nas vendas no mercado interno, o ressarcimento de créditos é permitido apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Os créditos relacionados a demais receitas no mercado interno podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/20045 somente poderá utilizado para desconto dos valores das respectivas contribuições, sendo afastada a hipótese de ressarcimento em dinheiro ou a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à possibilidade de o contribuinte se ressarcir/compensar (i) o crédito básico da Contribuição ao PIS acumulado em face das vendas no mercado interno sujeitas à alíquota zero, bem como (ii) o crédito presumido da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04. Pois bem. A atividade da Recorrente consiste na industrialização e comercialização de alguns cereais, em especial, o arroz e o feijão. Após a edição da Lei n° 10.925/04, a receita bruta de venda no mercado interno desses produtos está sujeita à alíquota zero da Contribuição para o PIS e da COFINS. Por conta disso, a Recorrente vem acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/02, o qual pretende ressarcir no presente pedido. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000019/200811 Acórdão n.º 3301001.663 S3C3T1 Fl. 102 5 Conforme bem pontuado pelo despacho decisório, a presente matéria é regulada pelo art. 16 da Lei 11.116/05, que assim dispõe: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da simples leitura do referido texto legal, inferese que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Já o referido art. 17, estabelece o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em estreita síntese, o que referidos dispositivos legais, em conjunto, determinam é que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Ou seja, acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS ou da COFINS em face da venda de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições – seja qual for a razão da “exoneração” tributária – autorizase o contribuinte a requerer o seu ressarcimento ou compensação. A presente matéria foi regulamentada pela IN SRF nº 900/08, a qual confirma a amplitude e o alcance da autorização legal relativa à compensação/ressarcimento do crédito acumulado dessas contribuições: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto Fl. 607DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 4º O disposto no inciso II do caput não se aplica às aquisições, para revenda, dos seguintes produtos: I gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; II óleo diesel e suas correntes; III gás liquefeito de petróleo (GLP), derivado de petróleo ou de gás natural; IV querosene de aviação; V biodiesel; VI álcool hidratado para fins carburantes; VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; VIII produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000019/200811 Acórdão n.º 3301001.663 S3C3T1 Fl. 103 7 IX máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI; X pneus novos de borracha da posição 40.11 e câmaras de borracha da posição 40.13 da TIPI; e XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores. § 5º A vedação referida no § 4º não se aplica à pessoa jurídica fabricante das máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi que apure a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime de nãocumulatividade, a qual poderá descontar créditos relativos à aquisição, para revenda, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, e alterações posteriores, podendo ainda darlhes a mesma utilização prevista no caput deste artigo, se incorrer nas hipóteses previstas nos seus incisos I e II. A transcrição foi longa, mas oportuna. Com efeito, a IN SRF nº 900/08 deixa bastante evidente a autorização para pedir de ressarcimento do crédito acumulado de Contribuição ao PIS e da COFINS decorrente da venda de mercadorias com alíquota zero, seja ela realizada no mercado externo ou no interno. Nem o legislador, nem a Receita Federal do Brasil fez qualquer ressalva relativa ao destino das vendas para efeito de assegurar a manutenção do crédito ou mesmo de autorizar o ressarcimento. Pelo contrário, usaram sempre os termos “venda” e “vendedor” – não exportação e exportador – não cabendo ao intérprete reduzir seu campo de abrangência, como o fez a DRF e a DRJ, apenas para alcançar as operações dirigidas ao mercado externo. Diante de disposições tão claras não há espaço para dúvida: o art. 17 da Lei nº 11.033/04 assegura à Recorrente a manutenção dos créditos vinculados às operações de venda com isenção e o art. 16 da Lei nº 11.116/05 lhe autoriza a pedir o ressarcimento dos créditos acumulados em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/04. Ocorre que no caso concreto a insurgência do contribuinte não se dirige a este ponto, cujo direito ao crédito fora reconhecido pela fiscalização. O que pretende é se ressarcir do crédito básico acumulado nas saídas tributas. Ora, como vimos a lei autoriza o ressarcimento apenas nos casos de saldo credor de crédito básico acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, o que não é o caso. Por conta disso, não merece reforma a decisão neste ponto. Vale ressaltar, que a presente controvérsia não interfere na quantificação do crédito, haja vista que, como bem colocado pela decisão recorrida a totalidade dos créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno, apurados pela fiscalização, foi aproveitada para dedução da contribuição devida no período, não havendo saldo remanescente para ser ressarcido. Quanto aos créditos presumidos da agroindústria (art. 8º, § 6°, da Lei n° 10.925/04), alega a Recorrente que deveria ser reconhecido o direito à sua compensação/ressarcimento, uma vez que tal vedação seria manifestamente ilegal, vez que Fl. 609DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 inauguralmente prescrita no Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 15/2005. Pois bem. A Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Já o ADI SRF nº 15/2005 prescreveu que o valor do crédito presumido referido no art. 1° não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, art. 5º, § 1°, inciso II, e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, art. 6, § 1°, inciso 11, e § 2°, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Ocorre que, como regra, o veículo introdutor de comandos inaugurais e autônomos no sistema de direito positivo há de ser sempre a lei em sentido formal (artigo 5°, II, CF). Essa máxima, conquista do Estado Democrático de Direito, afasta a possibilidade de se cogitar o estabelecimento de direitos e deveres senão em decorrência da manifestação de vontade do povo, concretizada em comandos legais. Ao dispor sobre o princípio da legalidade, nos ensina Paulo de Barros Carvalho: Também explícito em nosso sistema — art. 5.º, II — esse princípio assume o papel de absoluta preponderância. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Efunde sua influência por todas as províncias do direito positivo brasileiro, não sendo possível pensar no surgimento de direitos subjetivos e de deveres correlatos sem que a lei os estipule. Como o objetivo primordial do direito é normar a conduta, e ele o faz criando direitos e deveres correlativos, a relevância desse cânone transcende qualquer argumentação que pretenda enaltecêlo. A diretriz da legalidade está naquela segunda acepção, isto é, a de norma jurídica de posição privilegiada que estipula limites objetivos. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 199) Neste ponto, é importante esclarecer que para este doutrinador os Atos Declaratórios Interpretativos se amoldam à definição do conceito “legislação tributária”, presente no art. 96, do CTN. A despeito disso, não se lhes autoriza introduzir direitos ou deveres novos no sistema, vez que se trata de veículos normativos secundários, estando por esta razão, subordinados ao que estabelece a lei. Sua função se resume a complementar as leis, não contrariálas ou substituílas. Esta conclusão pode ser extraída do próprio trecho transcrito na decisão recorrida: Tirante as leis, os decretos e, entre as normas complementares, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas e as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa (art. 100, I e II), que são instrumentos introdutórios, primários ou secundários, no ordenamento positivo brasileiro, todos os outros, tratados e convenções internacionais, bem como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, esses últimos, na qualidade de normas complementares, são vazios de força jurídica vinculante, não integrando o complexo normativo. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000019/200811 Acórdão n.º 3301001.663 S3C3T1 Fl. 104 9 Ciente das confusões interpretativas que a redação do art. 96 do CTN poderia causar, por colocar lado a lado, instrumentos introdutórios primários e secundários, acrescenta Paulo de Barros Carvalho: Insere o legislador, no mesmo quadro, indiscriminadamente, atos normativos inaugurais, como as leis, ao lado dos tratados e convenções internacionais, que valem na ordem jurídica interna se e somente se acolhidos no conteúdo de decreto legislativo, como tivemos oportunidade de ver. Coloca, ombro a ombro, instrumentos introdutórios primários com entidades que não podem ser tidas sequer como instrumentos primários de introdução de regras tributárias. E, como se não bastasse, faz referência expressa às normas complementares e, dentro delas, às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e aos convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 109) A jurisprudência dos Tribunais Superiores também é pacífica no sentido de que as normas regulamentares, como é o caso dos Atos Declaratórios Interpretativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podem inovar: LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESNECESSIDADE DE DECRETO REGULAMENTADOR. AUTOAPLICABILIDADE. VIGÊNCIA. (...) 3. No que concerne à contribuição sobre a folha de salários, a Lei 8.212/91 não tem sua eficácia subordinada à vigência de Decreto Regulamentador, já que trouxe a definição de todos os aspectos do fato gerador. Qualquer inovação trazida pela norma regulamentar, importaria violação ao princípio da legalidade estrita. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 470198 / RS; Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 31.05.04, p. 180 – destacouse) Tecidas essas considerações e tendo em vista Ato Declaratório Interpretativo não é lei nem pode ser a ela equiparada, merece acolhida a insurgência da Recorrente no sentido de que a disposição do art. 2º da ADI SRF nº 15/05 poderia servir de fundamento jurídico para a não homologação da compensação declarada. Pelo exposto, voto por dar PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 611DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Discordo da Ilustre Relatora quanto ao direito de a recorrente se ressarcir de créditos presumidos da contribuição para o PIS sobre aquisições de pessoas físicas. O crédito presumido da contribuição para o PIS, apurado sobre custos com aquisições de insumos de pessoas físicas residentes no País, foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, art. 3º, §§ 5º, 6º e 12, que assim dispunha: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004)” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência não cumulativa, assim dispôs: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...).” Os §§ 11 e 12 do art. 3º desta lei assim dispunham: Fl. 612DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000019/200811 Acórdão n.º 3301001.663 S3C3T1 Fl. 105 11 “§ 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: I o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal SRF; e II a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentálo.” Já o § 4º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, estabelece que o crédito, em geral, não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. As opções de compensação e/ ou ressarcimento não foram previstas. Posteriormente, o § 10 do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2002, e os §§ 11 e 12 do art. 3º, da Lei nº 10.8333, foram revogados pela Lei nº 10.925, de 23/7/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004, literalmente: “Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...).” No entanto, essa mesma Lei restaurou o crédito presumido da contribuição para o PIS, assim dispondo: “Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos Fl. 613DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (destaque não original) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...); § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: (destaque não original) I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal.” O ressarcimento e/ ou a compensação de créditos da contribuição para o PIS não aproveitados, segundo a Lei nº 10.833, de 2003, art. 5º, I, e § 2º, beneficia apenas o saldo credor trimestral de créditos decorrentes de exportações de mercadorias, assim dispondo: “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000019/200811 Acórdão n.º 3301001.663 S3C3T1 Fl. 106 13 I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” A compensação de créditos de contribuição para o PIS decorrentes de operações internas, envolvendo custos de aquisições de insumos no mercado interno e externo e vendas para o mercado interno, somente passou a ser permitida para o saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.8333, de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, conforme estabelece a Lei nº 11.116, de 18/5/2005, art. 16, literalmente: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Fl. 615DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 14 O que a legislação tributária garante é a manutenção dos créditos da contribuição para o PIS, básicos e presumidos, decorrentes de operações (vendas) efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência desta contribuição, conforme previsto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, literalmente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da contribuição para o PIS somente pode ser utilizado para dedução da própria contribuição apurada mensalmente. Inexiste amparo legal para a compensação e/ ou ressarcimento de saldo credor trimestral desta contribuição. O ressarcimento/compensação beneficia somente o saldo credor trimestral de créditos decorrentes de exportações e do crédito básico normal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18/5/2005, citado e transcrito anteriormente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 10830.007097/2008-28
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO DEPENDENTE.
A inclusão de um dependente inclui não somente o direito à dedução correspondente mas também o dever de declarar os rendimentos obtidos por esse dependente.
IRPF. LEGALIDADE. CARÁTER VINCULADO.
O caráter vinculado do lançamento tributário e do julgamento administrativo é incompatível com o afastamento da exigência sob a alegação de desconhecimento da legislação tributária.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-001.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13016.000534/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2009
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. LANÇAMENTO REALIZADO EM NOME DE TODOS OS SEUS PROPRIETÁRIOS. LEGALIDADE. De acordo com o disposto no ar. 30, VI, da Lei 8.212/91, são solidários responsáveis em relação a obra de construção civil, o dono ou mesmo o condômino da unidade imobiliária, motivo pelo qual a realização do presente lançamento, em seu nome, não enseja, por si só, a nulidade do julgamento.
OBRA REALIZADA EM CONDOMÍNIO DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. NOME COLETIVO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DAS CONVENÇÕES DE CONDOMÍNO E MEMORIAL DESCRITO EM CARTÓRIO. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO REQUERIDA. LEGALIDADE. Tendo em vista que devidamente intimado a apresentar documentação contábil relativamente a obra de construção civil, em não o fazendo, aliado ao fato de que se trata de obra de construção civil considerada como em nome coletivo, está justificada a adoção do procedimento de aferição indireta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Sousa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2009 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. LANÇAMENTO REALIZADO EM NOME DE TODOS OS SEUS PROPRIETÁRIOS. LEGALIDADE. De acordo com o disposto no ar. 30, VI, da Lei 8.212/91, são solidários responsáveis em relação a obra de construção civil, o dono ou mesmo o condômino da unidade imobiliária, motivo pelo qual a realização do presente lançamento, em seu nome, não enseja, por si só, a nulidade do julgamento. OBRA REALIZADA EM CONDOMÍNIO DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. NOME COLETIVO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DAS CONVENÇÕES DE CONDOMÍNO E MEMORIAL DESCRITO EM CARTÓRIO. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO REQUERIDA. LEGALIDADE. Tendo em vista que devidamente intimado a apresentar documentação contábil relativamente a obra de construção civil, em não o fazendo, aliado ao fato de que se trata de obra de construção civil considerada como em nome coletivo, está justificada a adoção do procedimento de aferição indireta. Recurso Voluntário Negado.
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AFERIÇÃO INDIRETA. LANÇAMENTO REALIZADO EM NOME DE TODOS OS SEUS PROPRIETÁRIOS. LEGALIDADE. De acordo com o disposto no ar. 30, VI, da Lei 8.212/91, são solidários responsáveis em relação a obra de construção civil, o dono ou mesmo o condômino da unidade imobiliária, motivo pelo qual a realização do presente lançamento, em seu nome, não enseja, por si só, a nulidade do julgamento. OBRA REALIZADA EM CONDOMÍNIO DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. NOME COLETIVO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DAS CONVENÇÕES DE CONDOMÍNO E MEMORIAL DESCRITO EM CARTÓRIO. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO REQUERIDA. LEGALIDADE. Tendo em vista que devidamente intimado a apresentar documentação contábil relativamente a obra de construção civil, em não o fazendo, aliado ao fato de que se trata de obra de construção civil considerada como em nome coletivo, está justificada a adoção do procedimento de aferição indireta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 05 34 /2 00 9- 55 Fl. 859DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Sousa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13016.000534/200955 Acórdão n.º 2401002.827 S2C4T1 Fl. 860 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CARMEN JUDITH PASQUALI e OUTROS, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.261.0536, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte do empregado, , obtidas por aferição indireta, incidentes sobre o valor da mãodeobra utilizada na execução da obra de construção civil, matrícula CEI n° 70.000.80247/62. Consta do relatório fiscal que presente fiscalização iniciouse em decorrência de pedido formulado pelo responsável do CONDOMÍNIO RESIDENCIAL BIARRITZ, do qual as recorrentes são proprietárias em condomínio, que efetuou pedido de regularização de obra de edificação de prédio junto ao INSS em 07/08, através do envio da DISO. Referida regularização foi requerida com base na aferição indireta da contribuições devidas, com valor a recolher de RS 146.430,92 (Cento e quarenta e seis mil e quatrocentos e trinta reais e noventa e dois centavos), com a emissão do ARO. Tendo em vista que não houve o pagamento do valor inscrito no ARO, foi iniciada a fiscalização, com a abertura de matrícula CEI de ofício, agora em nome dos donos em condomínio da obra, que considerou o empreendimento como obra em nome coletivo, para fins do lançamento das contribuições previdenciárias. Fazse necessária a exposição de motivos da fiscalização para efetuar o lançamento sob aquela modalidade, a seguir: [...] 3.3. De posse do cálculo efetuado, reitero, solicitado pelo contribuinte por aferição, e não tendo sido efetuado o pagamento, bem como o parcelamento, o processo foi encaminhado para o Serviço de Fiscalização para o lançamento do crédito. 3.4. Observese que, até o presente momento, não houve a necessidade de análise quanto a obra ser um Condomínio constituído na forma da lei ou uma construção em nome coletivo, já que, sendo por aferição indireta, este dado é irrelevante, pois o cálculo não apresentaria alterações de enquadramento, valores e forma de apuração. 3.5. Planejada, então, a açãojiscal, constatamos tratarse de uma construção em nome coletivo, assim definida na Instrução Normativa SRP n° 03/2005, em seu artigo 413, inciso XXIV: " a obra de construção civil realizada, por conjunto de pessoas físicas ou jurídicas ou a elas equiparadas, ou por conjunto de pessoas físicas e jurídicas, na condição de proprietárias do terreno ou na condição de donas dessa obra, sem convenção de condomínio nem memorial de incorporação arquivados no cartório de registro de imóveis." (grifo nosso) 3.6. Sendo a obra não incorporada na forma da Lei n° 4.591/64, de acordo com o demonstrado no documento do Registro de Fl. 861DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Imóveis da Comarca de Bento Gonçalves (fls. 184 a 187), foi matriculada a obra, "de oficio ", conforme prevê o artigo 27, inciso VI, da IN SRP N.03/2005, no Cadastro Específico do INSS, com o n° 70.000.80247/62, em nome de Ronaldo Righesso e Outros, e aberto o Mandado de Procedimento Fiscal N° 1010600.2009.00340, com ciência ao contribuinte em 14/07/2009, identijicandose assim o sujeito passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF. Por se tratar de uma construção em nome coletivo (não incorporada), cada proprietário da unidade imobiliária é responsável pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil, previsão esta contida no artigo 416, da IN SRP N° 03/2005, tendo desta forma sido analisada, com a emissão dos respectivos Autos de Infração: "Art. 416. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil, o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei n° 4.591, de 1964, e a empresa construtora, observado, quanto às obrigações previdenciárias decorrentes de solidariedade, o disposto no inciso IV do § 2o do art. 178 (Nova redação dada pela IN MPS/SRP n° 20, de 11/01/2007) " 3.7. A Instrução Normativa SRP n° 03/2005, no seu artigo 413 c/c com o artigo 414, define as obras que lerão tratamento de pessoa jurídica, desde que atendidos os requisitos da Lei 4.591/64, que dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias: "Art. 413. Considerase: XXI construção de edificação em condomínio, a obra de construção civil executada sob o regime condominial na forma da Lei n° 4.591, de 1964, de responsabilidade de condôminos pessoas físicas ou jurídicas, ou físicas e jurídicas, proprietárias do terreno, com convenção de condomínio arquivada em cartório de registro de imóveis; (Nova redação dada pela IN MPS/SRP n° 24, de 30/03/2007) (grifo nosso) Art. 414. Terá tratamento de obra de pessoa jurídica: 1 a construção de edificação em condomínio e a incorporação por pessoa física, desde que atendidos os requisitos da Lei n° 4.591. de 1964; II a construção em nome coletivo, sob responsabilidade de pessoas jurídicas ou de pessoas físicas e jurídicas, incorporada na forma da Lei n° 4.591, de 1964." Antes mesmo do julgamento de primeira instância foi realizada diligência fiscal que questionava ao fiscal autuante os motivos de em considerando a obra como construída em nome coletivo, deixou de intimar do lançamento os demais proprietários, bem como para que apontasse se os documentos apresentados na defesa seriam aptos a justificar ou não o lançamento com base em aferição direta. Em suma, o resultado da diligência apontou que (fls. 311): Fl. 862DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13016.000534/200955 Acórdão n.º 2401002.827 S2C4T1 Fl. 861 5 Tornase necessário, antes de qualquer ponderação, esclarecimentos a respeito das informações constantes dos relatórios componentes do Auto de Infração, em relação a identificação do sujeito passivo: no Auto de Infração AI, nos anexos IPC Instruções para o Contribuinte, DD Discriminativo do Débito, RL Relatório de Lançamento e FLD Fundamentos Legais do Débito, consta o nome CARMEN JUDITH PASQUALI PAGGI/URBANIZADORA PASQUALI LTDA e no Relatório de Vínculos, bem como no Relatório do A u t o de I n f r a ç ã o ( A I ) , o contribuinte consta com o nome "RONALDO RIGHESSO E OUTROS". Isto devese ao programa utilizado para cadastramento dos responsáveis pela obra e lavratura de autos de infração previdenciários, que fez constar em alguns relatórios do AI somente o CPF com menor numeração sequencial, como podemos comprovar através do Relatório de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas e/ou jurídicas de interesse da administração previdenciária, responsáveis pela obra de construção civil em questão. Salientamos, também, que algumas unidades pertencem a pessoas jurídicas, no entanto, no cadastramento dos responsáveis pela obra em questão, no relatório de vínculos, o sistema não permite o cadastramento do CNPJ da empresa, estando, desta forma, identificado o responsável legal seguido da Razão Social respectiva. [...] 7. Em relação a entrega dos Autos de Infração ao Sr. Luciano Luiz Frare, participante da construção como proprietário de uma unidade autônoma e síndico do condomínio edilício, em 12/2009, acreditávamos que o mesmo representaria todos os co responsáveis da obra, devidamente listados e identificados no Relatório de Vínculos e no Relatório do Auto de Infração (item 4.3), ambos do A I DEBCAD 37.261.0528, bem como no Relatório de Vínculos e Relatório Fiscal dos demais Autos de Infração a seguir referidos, tendo este sido o intuito da não intimação dos demais proprietários. Desta maneira, serão todos os proprietários (sujeitos passivos) agora cientificados da presente diligência, bem como do Auto de Infração objeto deste processo, além dos Autos de Infração DEBCAD n°s. 37.261.053 6, 37.261.0544 e 37.261.0552, reabrindose o prazo de 30 dias para impugnação. 7.1. Ressalvamos que Sr. Ronaldo Righesso foi indevidamente relacionado no relatório de vínculos como sujeito passivo, uma vez que o mesmo não participou do processo construtivo da obra, nem há nos autos documentos que comprovem tal situação, na condição de dono da obra ou incorporador. No entanto, o Sr. Ronaldo Righesso assinou a DISO (Declaração e Informação sobre Obra de Construção Civil) encaminhada à RFB em 2008, juntamente com diversos documentos da obra em questão, apresentandose na condição de preposto. Como conclusões, o despacho referencia o que segue: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 5.1. Como podemos verificar através dos dados extraídos do Livro de Atas de Assembléias Ordinárias e Extraordinárias do Condomínio, anexo cts fls. 62 a 139, e relacionados no item 4.4.1, foram efetuadas, indevidamente, vendas de unidades durante a execução da obra, o que, dentro da legalidade, somente é possível à figura do INCORPORADOR, regularmente registrado: pessoa física ou jurídica que compromisse, ou efetive a venda de frações ideais de terreno, objetivando sua vinculação à unidades autônomas a serem construídas ou em construção, sob regime condominial. 5.1.1 A Lei n° 4.591/64, em seu artigo 32, prevê que o incorporador somente poderá negociar sobre unidades autônomas após ter arquivado, no cartório competente de Registro de Imóveis, todos os documentos que compõem o memorial de incorporação. No parágrafo 2., do mesmo artigo: " Os contratos de compra e venda, promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de unidades autônomas, serão também averbáveis à margem do registro de que trata este artigo." 5.1.2. Ainda, em seu artigo 30, a Lei n° 4.591/64: " Ari. 30. Estendese a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos que contratem a construção de edifícios que se destinem a constituição em condomínio, sempre que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras." (grifo no original) 5.2. A empresa URBANIZADORA PASQUALI LTDA., CNPJ 89.804.983/0001 22, foi a única proprietária do terreno de matrícula 49.285 (Registro anterior, matrículas 24.663 e 24.664), onde foi erguido o Condomínio, até 27/01/2006, conforme Escritura Pública de Compra e Venda de Frações Ideais de Terreno com Pagamento em Area Construída n° 19.942, praticamente em todo o período de execução da obra, iniciada em 17/01/2003 e concluída em 23/01/2007. 5.3. Procederam os proprietários da obra em desacordo com o artigo 39, da Lei 4.591/64, no que diz respeito a aquisição do terreno com pagamento total em unidades a serem construídas, não tendo sido apresentado qualquer documento de ajuste, tendo em vista os valores expressos na escritura versus os custos das unidades permutadas, de alto padrão. 5.4. Por fim, o objetivo da Lei n° 4.591/64 é garantir direito real sobre o imóvel, definindo as responsabilidades do diversos participantes das incorporações, bem como as condições técnicas e econômicas em que se realizam, para a alienação total ou parcial da edificação ou conjunto de edificações, a partir da definição do objeto da transação: a unidade autônoma e a edificação que a contém. Prevê ainda, na forma do artigo 66, desta Lei, que o infiator está sujeito ainda à contravenção, relativa à economia popular, punido de acordo com o artigo 10 da Lei n.° 1521, de 26/12/1951, quando, entre outras infrações ali enumeradas, negociar o incorporador frações ideais de terreno, sem previamente satisfazer as exigências legais e deixar de promover a celebração do contrato relativo a fração ideal do terreno, do contrato de construção ou da Convenção do Fl. 864DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13016.000534/200955 Acórdão n.º 2401002.827 S2C4T1 Fl. 862 7 condomínio. A exigência é o arquivamento, no cartório de imóveis, dos documentos relacionados no artigo 32, da citada Lei n° 4591/64. Com o advento desta Lei, é terminantemente proibida a alienação de fixações ideais de terreno sem o registro imobiliário do processo de incorporação do respectivo empreendimento. 9 RS BENTO GONCALVES ARF Fl. 970 Impresso em 17/11/2012 por IGOR ARAUJO SOARES CÓPIA 6. Deste modo, de acordo com a legislação vigente e pela exposição realizada, ratificamos que a obra em questão é uma CONSTRUÇÃO EM NOME COLETIVO (não incorporada), sendo regularizada por aferição indireta, com base na área construída e no padrão de construção, não tendo tratamento de obra de pessoa jurídica, uma vez que não se enquadra em nenhum dos dois incisos do artigo 414 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005. [..] 9. Por fim, não se trata de extrapolar os limites constitucionais ao exigir registro da convenção no registro de imóveis. A construção de edificação "em condomínio", conforme já citado acima, requer a observância dos requisitos previstos na Lei 4.591/64. E a convenção que deve ser registrada, neste caso. é a que estabelece regras que devem ser observadas "durante" a construção. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, na prerrogativa que lhe é atribuída pela legislação previdenciaria (art. 33 da Lei n° 8.212/91), apenas, para fins tributários, abre a possibilidade, nos casos em que as entidades que não se enquadrem no conceito de "pessoa jurídica" e executem obra de construção civil, tenham tratamento como tal, desde que atendidos determinados requisitos, qual seja, a possibilidade de comprovarem o efetivo custo da obra através da contabilidade, podendo ser fiscalizadas através deste instrumento, nos termos do artigo 472 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, o que 'não' se verificou no presente caso. Por fim, cumpre salientar que “para o lançamento do crédito, consideramos para fins de cálculo, como início da obra, 17/01/2003, data de emissão da nota fiscal n° 36116, da empresa Concresul Britagem Ltda., CNPJ 87.547.675/000133 e término, 23/01/2007, datado HABITESE N° 014, expedido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Bento Gonçalves.” O lançamento compreende as competências de 04/2000 a 12/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/12/2009. O acórdão de primeira instância manteve a integralidade do lançamento e todos os apontados como responsáveis pela obra foram dele intimados. Apresentaram recurso voluntário as seguintes pessoas, com as respectivas alegações: 01. URBANIZADORA PASQUALI LTDA Fl. 865DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 8 a) que a fiscalização deveria ter iniciado um novo procedimento fiscal ou emitido um novo ARO em nome do(s) sujeito(s) passivo que entendesse correto. Todavia, a f i s c a l i z a ç ã o apenas cientificou os proprietários da lavratura dos Autos de Infração com reabertura do prazo para impugnação; b) que mesmo diante do pedido do condomínio para regularização da obra pelo método da aferição indireta, na medida em que fora apurada diferença de contribuições que deveriam ser recolhidas e realizado novo pedido para apuração de acordo com a contabilidade apresentada, a fiscalização sequer analisou qualquer documento contábil do Condomínio, pelo contrário, buscou sempre o lançamento por aferição em detrimento da manifestação e x t e r n a d a pelo contribuinte; c) em que pese se tratar de construção em condomínio, a incorporação é figura desnecessária na espécie, haja vista que a integralidade dos condôminos é proprietária do terreno onde se ergueu a edificação, tendo os mesmos realizados a construção para si e não com o intuito de alienar as unidades a terceiros, como fica claramente evidente da leitura da Ata de Assembleia Geral de Constituição; d) que as transações imobiliárias havidas no curso da obra foi,m em verdade, o repasse das cotas que cada um dos condôminos possuía relativamente ao empreendimento, e não alienação do imóvel a terceiros (venda); e) que o rapasse havido não pode ser tido como alienação, posto que a parte beneficiária assumiu o lugar da parte retirante do condomínio, não alterando a essência deste, bem como foi efetivada entre partes e não entre o condominio e terceiros. f) que era desnecessária a realização de incorporação; g) segundo as normas que regem o registro imobiliário, o registro da Convenção de Condomínio é ato posterior ao registro da Incorporação e, diante da i n e x i g i b i l i d a d e d o registro p r é v i o d a incorporação, posto que, repisese, a o b r a foi e d i f i c a d a pelo regime de A d m i n i s t r a ç ã o ou rateio de custos para uso exclusivo dos condôminos, sem objetivar a alienação para terceiros, o s e u registro foi feito em momento posterior; h) a exigência de registro da convenção de condomínio no registro de imóveis trazida pela Instrução Normativa 03/05 como requisito para o reconhecimento da construção em regime condominial afigurase plenamente ilegal, posto que a Instrução Normativa ultrapassa os limites a que se destina exigindo do contribuinte documentação diversa daquela expressa em Lei; i) que não cabe a imposição de multa de ofício, tendo em vista se tratar de valores declarados e não pagos, simplesmente; 02. ADRIANO DE PARIS, ANDRÉ DALLA COSTA, CESAR RUBECCHINI, EDSON LAZZAROTTO, JOSÉ LUIZ SCAPIN, LUCIANO LUIZ FRARE, MULTI AQUECIMENTO LTDA, CONSTRUTORA SAIN & POMPERMAYER LTDA E SILVIA MARIA BAROSI, apresentaram recurso nos mesmos e exatos termos. Processado os recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13016.000534/200955 Acórdão n.º 2401002.827 S2C4T1 Fl. 863 9 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivos os recursos, deles conheço. PRELIMINARES Os recorrentes sustentam a ilegalidade do procedimento em virtude da ocorrência de vício na intimação do lançamento, de modo que entendem deveria ser aberto novo procedimento de fiscalização, agora em face do contribuinte que entendesse ser o sujeito passivo correto da relação jurídicotributária. Ao que se verifica dos autos, de fato, inicialmente o lançamento fora formalizado em nome da recorrente CARMEN JUDITH E URBANIZADORA PASQUALI. Todavia a intimação acerca do lançamento foi levada a efeito e enviada ao CONDOMÍNIO RESIDENCIAL BIARRITZ, na pessoa do síndico do condomínio, o Sr. Luciano Luiz Freire, também proprietário do imóvel e que apresentou impugnação em nome próprio. Apresentada a defesa, em diligência determinada, ainda, antes de ter sido proferido o acórdão de primeira instância, foi questionado ao fiscal autuante o motivo de não ter cientificado do Auto de Infração as demais pessoas indicadas no relatório fiscal como responsáveis pela obra de construção civil, já que entendeu se tratar de obra em nome coletivo, conforme constou do relatório fiscal da infração. Em respostas, assim justificou o procedimento adotado (fls. Tornase necessário, antes de qualquer ponderação, esclarecimentos a respeito das informações constantes dos relatórios componentes do Auto de Infração, em relação a identificação do sujeito passivo: no Auto de Infração AI, nos anexos IPC Instruções para o Contribuinte, DD Discriminativo do Débito, RL Relatório de Lançamento e FLD Fundamentos Legais do Débito, consta o nome CARMEN JUDITH PASQUALI PAGGI/URBANIZADORA PASQUALI LTDA e no Relatório de Vínculos, bem como no Relatório do A u t o de I n f r a ç ã o ( A I ) , o contribuinte consta com o nome "RONALDO RIGHESSO E OUTROS". Isto devese ao programa utilizado para cadastramento dos responsáveis pela obra e lavratura de autos de infração previdenciários, que fez constar em alguns relatórios do AI somente o CPF com menor numeração sequencial, como podemos comprovar através do Relatório de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas e/ou jurídicas de interesse da administração previdenciária, responsáveis pela obra de construção civil em questão. Salientamos, também, que algumas unidades pertencem a pessoas jurídicas, no entanto, no cadastramento dos Fl. 867DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 10 responsáveis pela obra em questão, no relatório de vínculos, o sistema não permite o cadastramento do CNPJ da empresa, estando, desta forma, identificado o responsável legal seguido da Razão Social respectiva. [...] 7. Em relação a entrega dos Autos de Infração ao Sr. Luciano Luiz Frare, participante da construção como proprietário de uma unidade autônoma e síndico do condomínio edilício, em 12/2009, acreditávamos que o mesmo representaria todos os co responsáveis da obra, devidamente listados e identificados no Relatório de Vínculos e no Relatório do Auto de Infração (item 4.3), ambos do A I DEBCAD 37.261.0528, bem como no Relatório de Vínculos e Relatório Fiscal dos demais Autos de Infração a seguir referidos, tendo este sido o intuito da não intimação dos demais proprietários. Desta maneira, serão todos os proprietários (sujeitos passivos) agora cientificados da presente diligência, bem como do Auto de Infração objeto deste processo, além dos Autos de Infração DEBCAD n°s. 37.261.0536, 37.261.0544 e 37.261.0552, reabrindose o prazo de 30 dias para impugnação. Verificase, portanto, que a fiscalização não efetuou o lançamento em nome de pessoa que não poderia ser caracterizada como sujeito passivo da relação tributária, mas apenas deixou de cientificar do lançamento todos os demais coresponsáveis, vício que veio a ser sanado com a elaboração do relatório fiscal complementar de fls. 18. Logo, não vejo motivação na preliminar argüida no sentido de que o lançamento deve ser anulado, com a abertura de novo procedimento em face de cada um dos considerados como responsáveis pelo crédito tributário lançado, haja vista que inicialmente todos foram apontados como coresponsáveis, apenas não tendo sido devidamente cientificados, o que veio a ser sanado nos autos do presente processo. Rejeito, pois, a preliminar. Passo ao mérito. MÉRITO Quanto ao mérito, cumprenos analisar se de fato a adoção do procedimento de aferição indireta no presente caso fora devidamente justificado. Tanto no relatório fiscal da infração, bem como no relatório complementar já mencionado, a fiscalização entendeu que a construção do residencial deveria ser caracterizada como uma construção em nome coletivo, conforme definido no artigo 413, XXIV, da IN 03/2005, a seguir: Art. 413. Considerase:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 [...] XXIV construção em nome coletivo, a obra de construção civil realizada, por conjunto de pessoas físicas ou jurídicas ou a elas equiparadas, ou por conjunto de pessoas físicas e jurídicas, na condição de proprietárias do terreno ou na condição de donas Fl. 868DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13016.000534/200955 Acórdão n.º 2401002.827 S2C4T1 Fl. 864 11 dessa obra, sem convenção de condomínio nem memorial de incorporação arquivados no cartório de registro de imóveis; Logo, este foi o fundamento adotado como justificativa do procedimento de aferição indireta das contribuições incidentes, já que, por este motivo, o condomínio não poderia ser tratado como pessoa jurídica, mas como pessoa física, nos termos do art. 414 da IN 03/2005. Vejamos o que reza o art. 414: Art. 414. Terá tratamento de obra de pessoa jurídica:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I a construção de edificação em condomínio e a incorporação por pessoa física, desde que atendidos os requisitos da Lei nº 4.591, de 1964; II a construção em nome coletivo, sob responsabilidade de pessoas jurídicas ou de pessoas físicas e jurídicas, incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964. E para fundamentar suas conclusões, no sentido da caracterização da obra em nome coletivo, devido a esta não possuir convenção de condomínio ou mesmo memorial de incorporação arquivados no cartório de registro de imóveis, assim justificou o ilustre fiscal autuante (fls. 23/24): • A obra não foi incorporada na forma da Lei, conforme demonstra a matrícula n° 49.285 do Livro n° 02 do Registro de Imóveis da Comarca de Bento Gonçalves (cópia em anexo), bem como o Livro Registro de Atas n° 01 do Condomínio Residencial Biarritz, com Termo de Abertura em 14/02/2007, onde na Ata n° 01, consta no item "c", a inexistência de Convenção Condominial (documento em anexo): " Mesmo diante da inexistência de Convenção Condômina!, e por necessário procedeuse a eleição dos membros da administração, gestão 2007/2008, composto...” [...] Vejamos o que dispõe a Lei N° 4.591, de 16/12/1964: Art. 7o. O condomínio por unidades autônomas instituirseá por ato entre vivos ou por testamento, com inscrição obrigatória no registro de Imóveis, dele constando: a individualização de cada unidade, sua identificação e discriminação, bem como a fração ideal sobre o terreno e partes comuns, atribuída a cada unidade, dispensándose a descrição interna da unidade, (grifo nosso) O § Io do art. 9o da Lei 4.591/64 prevê o registro da convenção do Condomínio no Registro de Imóveis, bem como eventuais alterações: Art. 9° Os proprietários, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários dos direitos pertinentes à aquisição de unidades autônomas, em edificações a serem construídas, em construção ou já construídas, elaborarão, por escrito, a Fl. 869DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 12 Convenção de condominio, e deverão, também, por contrato ou por deliberação em assembléia, aprovar o Regimento Interno da edificação ou conjunto de edificações. § Io Farseá o registro da Convenção no registro de Imóveis, bem como a averbação das suas eventuais alterações. § 2o. Considerase aprovada, e obrigatória para os proprietários de unidades, promitentes compradores cessionários e promitentes cessionários atuais e futuros, como para qualquer ocupante, a Convenção que reúna as assinaturas de titulares de direitos que representem, no mínimo, 2/3 das frações ideais que compõem o condomínio. Assim, diante do exposto, e de acordo com o artigo 431, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005, tendo a obra em questão, não sido incorporada na forma da Lei, a mesma terá tratamento do pessoa física, sendo o cálculo da remuneração despendida na execução da obra apurada por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra.” Ora, resta claro que a justificativa para adoção da aferição indireta foi o fato do condomínio não ter sido incorporado na forma preconizada pela Lei 4.591/64, tendo sido caracterizado como obra em nome coletivo, a qual não possui a benesse de ser considerada pelas normas supra mencionadas, como obra sob a responsabilidade de pessoa jurídica, de modo que o levantamento dos valores de contribuições sociais devidas somente poderia ser levado a efeito pela metodologia da aferição indireta. Esclareço, todavia, entender que as conclusões supra podem ser afastadas em decorrência do contribuinte possuir, a seu favor, e por conseguinte trazer aos autos, elementos aptos a que a aferição das contribuições sejam levadas a efeito pela verificação da contabilidade, em homenagem ao princípio da verdade material. E ressalto, ainda, que no caso dos autos, o relatório fiscal deixa claro que em tendo sido iniciada a fiscalização, foram requeridos ao CONDOMÍNIO, na pessoa de seu representante legal, o síndico, a apresentação de documentação contábil relativa a obra. Tal assertiva resta comprovada através da seguinte passagem do relatório fiscal da infração: Emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal em 06/07/2009, tendo o contribuinte, Sr. Ronaldo Righesso, na qualidade de um dos proprietários da obra e síndico do condomínio, tomado ciência em 14/07/2009, intimado a apresentar a documentação referente às contribuições devidas à Previdência Social e as devidas às outras entidades e fundos, relacionada no Termo, no prazo de 05 dias úteis, apresentando somente parte da documentação solicitada. A intimação não foi atendida em sua plenitude, pois apesar de reintimados da necessidade de apresentação, ainda deixaram de ser apresentados os seguintes documentos: Livros de Atas das Assembléias dos Condôminos, devidamente inscritos no Registro de Títulos e Documentos, Atas de Eleição do Síndico, Balancetes dos Recebimentos e Despesas do Condomínio em relação à Obra, Contratos de Compra e Venda das Unidades no decorrer do processo construtivo, Cópia dos documentos de identidade e comprovantes de endereço dos proprietários das unidades 302, 501 e 601, respectivamente, José Luiz Scapin, empresa Multi Aquecimento Ltda. e Sílvia Maria Barossi, Diário da Obra e Documento de Ajuste Terreno/Unidades a serem construídas, conforme artigo 39, da Lei 4.591/1964. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13016.000534/200955 Acórdão n.º 2401002.827 S2C4T1 Fl. 865 13 Ou seja, a meu ver, somente pelo fato da não apresentação de documentos contábeis da obra, a adoção da aferição indireta está devidamente justificada nos autos, de acordo com o art. 33 da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, entendo não ter havido no presente caso qualquer ação da fiscalização tendente a não aceitar os argumentos da recorrente, ou mesmo a proibirlhe a análise da escrituração contábil da obra, tendo apenas aderido a suas razões de decidir e fundamentar o lançamento por aferição indireta, que o fato da obra ter sido considerado como em nome coletivo. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 871DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 13976.000878/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PAGAS SOBRE A FOLHAS DE SALÁRIOS. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO A TÍTULO DE AGROINDÚSTRIA. INEXISTÊNCIA DE PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA INDEFERIMENTO. Para que a pessoa jurídica venha a ser enquadrada como agroindústria deve restar evidenciado que ela industrializa produção rural própria, e que referida produção própria, nos termos do art. 22-A, da Lei 8.212/91. Uma vez que a recorrente não cumpre tal requisito, como restou demonstrado, inclusive, em diligência fiscal realizada, o pedido de restituição merece ser indeferido. Precedentes.
PERICIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. O pedido para a realização de perícia deve ser indeferido quando a mesma se torna desnecessária para o deslinde da demanda, sobretudo, quando, no caso dos autos, a recorrente cessou o exercício de suas atividades.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PAGAS SOBRE A FOLHAS DE SALÁRIOS. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO A TÍTULO DE AGROINDÚSTRIA. INEXISTÊNCIA DE PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA INDEFERIMENTO. Para que a pessoa jurídica venha a ser enquadrada como agroindústria deve restar evidenciado que ela industrializa produção rural própria, e que referida produção própria, nos termos do art. 22-A, da Lei 8.212/91. Uma vez que a recorrente não cumpre tal requisito, como restou demonstrado, inclusive, em diligência fiscal realizada, o pedido de restituição merece ser indeferido. Precedentes. PERICIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. O pedido para a realização de perícia deve ser indeferido quando a mesma se torna desnecessária para o deslinde da demanda, sobretudo, quando, no caso dos autos, a recorrente cessou o exercício de suas atividades. Recurso Voluntário Negado.
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PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO A TÍTULO DE AGROINDÚSTRIA. INEXISTÊNCIA DE PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA INDEFERIMENTO. Para que a pessoa jurídica venha a ser enquadrada como agroindústria deve restar evidenciado que ela industrializa produção rural própria, e que referida produção própria, nos termos do art. 22A, da Lei 8.212/91. Uma vez que a recorrente não cumpre tal requisito, como restou demonstrado, inclusive, em diligência fiscal realizada, o pedido de restituição merece ser indeferido. Precedentes. PERICIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. O pedido para a realização de perícia deve ser indeferido quando a mesma se torna desnecessária para o deslinde da demanda, sobretudo, quando, no caso dos autos, a recorrente cessou o exercício de suas atividades. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 08 78 /2 00 8- 25 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13976.000878/200825 Acórdão n.º 2401002.641 S2C4T1 Fl. 439 3 Relatório Tratase de pedido de restituição formulado por INTERCONTINENTAL INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA protocolado em 05/11/2008, por intermédio do qual busca a recorrente ver reconhecido o seu direito em repetirse de valores pagos indevidamente a título das contribuições do art. 22, incisos I e II, recolhidas na qualidade de indústria, os quais deveriam ter sido recolhidos na forma do art. 22A também da Lei 8.212/91, por entender tratarse de agroindústria. O pedido compreende os pagamentos indevidos no período de 04/2002 a 05/2006. Consta dos autos que todos os pagamentos que sustenta a recorrente ter efetuados constam do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. O despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição formulado apontou que: “o relatório de diligencia fiscal instruída através do processo 10920.001444/201014 de 23/04)2010; às folhas 10 e seguintes consigna que no período de 03/2001 a 02/2007, a requerente não utilizou matéria prima de sua produção rural em seu processo produtivo e sempre adquiriu a madeira précortada, seca e classificada de outras pessoas jurídicas, como restou amplamente demonstrado através das notas fiscais de fornecedores às folhas 18 a 126. Fato, igualmente confirmado junto aos empregados administrativos remanescentes desse período. No mesmo sentido, no período acima, verificouse que a contabilidade não consigna nenhum registro de departamento ou setor rural.” Logo, em tendo sido considerado que a recorrente não industrializa produção rural própria em alguns períodos e em outros, apesar de fazêlo, não possui departamentos voltados à produção rural, seu pedido veio a ser indeferido. O v. acórdão de primeira instância (fls. 372) igualmente fundado nas razões de decidir do r. despacho decisório julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Em seu recurso sustenta a necessidade de reforma do v. acórdão recorrido, na medida em que possui todos os requisitos necessários ao seu enquadramento como agroindústria, especialmente pelo fato de que restou reconhecido que no período objeto do requerimento esta industrializou produção rural própria, mesmo que em pequenas quantidades, o que lhe garante o enquadramento pretendido já que a legislação não impõe limite mínimo de industrialização de produção própria, mas apenas que esta exista. Acrescenta que sempre possuiu trabalhadores na área rural, sendo equivocado o fundamento lançado seja no resultado da diligência fiscal, seja nas decisões já proferidas nos Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 autos no sentido de que estes, mesmo que em pequeno número, somente estivessem presentes na empresa no período de 03/2007 a 12/2007. Defende que a lei não faz qualquer exigência da contratação de trabalhadores na área rural para o seu reconhecimento como agroindústria. Por fim, requer a produção de prova pericial para que sejam respondidos os questionamentos a seguir, nomeando como assistente o Sr. Islon José Schroeder: a) a partir de que data começaram a ser efetuados os debastes de reflorestamentos de propriedade da recorrente? b) Qual o destino a que foi dado a madeira? c) Havia funcionários que cuidavam da área de reflorestamento, desde quando? d) As toras produzidas eram destinadas a recorrente e a terceiros? e) Havia industrialização destas toras e tábuas? Os móveis eram destinados à industrialização? Sem contrarrazões da PGFN, subiram os autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13976.000878/200825 Acórdão n.º 2401002.641 S2C4T1 Fl. 440 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO O recurso é tempestivo, merecendo conhecimento. Sem preliminares MÉRITO Conforme já relatado, tratase de pedido de restituição fundado na assertiva de que a recorrente, ao efetuar os recolhimentos de contribuições previdenciárias a seu cargo, o fez sobre a folha de salários, quando, em verdade, entende que o deveria ter feito na condição de agroindústria, de acordo com o art. 22A da Lei 8.212/91. Há de se ressaltar que com o protocolo do pedido veio a ser realizada diligência fiscal nos autos do processo administrativo n. 10920.001444/201014, apensado ao presente e que fora criado especificamente para o fim da apuração da efetiva condição da recorrente, se de agroindústria, ou se de indústria, como pela própria era declarado em GFIP. Inicialmente cumpre apontar que na realização da diligência, assim apontou o fiscal que a conduziu: Nessa ocasião constatouse que a empresa encontravase com as suas atividades industriais paralisadas desde 31.08.2008 e que no local estava ativo apenas um escritório onde trabalham o supracitado procurador e duas empregadas administrativas, cuja atividade concentravase no gerenciamento do passivo residual da empresa e na reorganização do seu imóvelsede, visando a sua locação a terceiros. Ou seja, as atividades sejam de produção rural própria ou de terceiros, não mais são realizadas na localidade, motivo pelo qual, a meu ver se torna, desde já, desnecessária a realização da perícia requerida no recurso voluntário, na medida que a fiscalização sequer poderá, neste momento, ter acesso ou mesmo fazer a devida apuração das condições do implemento do enquadramento da recorrente como agroindústria. Ainda na análise dos fundamentos constantes da diligência fiscal, há de se apontar que a fiscalização, também da análise da documentação contábil, chegou às seguintes conclusões, utilizadas nas decisões já tomadas nos autos para o indeferimento do pedido de restituição: 2. NO PERÍODO ATÉ 03/2001 A 02/2007 1.1. Conforme esclarecido acima, no período de 03/2001 a 02/2007 a empresa não declarou ser agroindústria, além disso, analisada a contabilidade da empresa e consultado os Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 empregados administrativos remanescentes desse período ainda hoje na empresa, verificouse que a empresa não utilizou matériaprima própria de origem rural em seu processo produtivo nesse período, pelo contrario, nessa fase a empresa sempre adquiriu junto à terceiros a matéria prima rural (madeira) que necessitou (doc 1 anexo, fornecido pela própria empresa); 1.2. nesse período a contabilidade da empresa não apresenta departamento ou setor rural. 2. NO PERÍODO ATÉ 03/2007 A 12/2007 2.4. No caso sob exame, a empresa possuía uma área de reflorestamento de pinus no. período fiscalizado, entretanto somente começou o seu corte no ano de 2007, conforme informação da empresa, descrição em notas fiscais e plano de manejo apresentação IBAMA em 02/2007 2.5. Não obstante a empresa dispusesse de reflorestamento em condições de corte, nesse período a empresa continuou adquirindo de terceiros madeira necessária à sua produção, conforme registros contábeis nas contas do razão 1010020701010100128, 1010020701010100007, 101002070101 0100003, 1010020701010300000, entre outras (DOC. 3, relação de notas de compra de madeira); 2.7. Da análise da planilha, extraise que no período de 03/2007 a 12/2007, a empresa utilizou 12,94% de matéria prima rural própria em seu processo produtivo. 2.8. no período fiscalizado foi verificado que a empresa possuiu três estabelecimentos ativos, entretanto, nenhum desses estabelecimentos possuía departamentos, setores ou quaisquer divisões específicos de atividades rurais 2.9. Analisado as GFIP's apresentadas pela empresa, verificase que a mesma nesse período declarou que possuía apenas trabalhadores no setor industrial (FPAS 833), nenhum no setor rural (FF'AS 604) 2.11. Analisa a folha de pagamento da empresa, no período de 03/2007 a 12/2007, foi verificado que a que nesse período a empresa teve apenas três empregados ligados a atividade primária e que a remuneração desse pessoal representou em média apenas 0,95% do total da massa salarial da empresa no período, conforme planilha abaixo: 3. No período até 01/2008 a 08/2008 3.1. analisada a contabilidade da empresa, verificouse que a empresa, embora dispusesse, não utilizou matériaprima rural própria, pelo contrário, vendeu para terceiros os toros retirados de sua propriedade e adquiriu no mercado placas e laminados de madeira para a utilização em seu processo produtivo. Resta claro, que a todo o momento, até 02/2007, a recorrente não possuía industrialização de produção própria, valendose, exclusivamente, da industrialização de matéria prima adquirida de terceiros. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13976.000878/200825 Acórdão n.º 2401002.641 S2C4T1 Fl. 441 7 Ao ver da fiscalização, para o enquadramento como agroindústria, é condição sine qua non a industrialização de produção rural própria, entendimento com o qual compartilho, por ser a única interpretação consoante com as disposições do art. 22A, da Lei 8.212, que a toda evidência exige para o enquadramento a existência de produção rural própria. Confirase o dispositivo: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Pois bem, considerandose que o pedido de restituição de contribuições compreende as competências de 04/2002 a 05/2006, resta evidente que nessa época, em momento algum, a recorrente industrializava produção própria, conforme conclusões da diligência fiscal realizada. Logo, diante da jurisprudência já firmada por este Eg. Conselho, não vislumbro a possibilidade de enquadrar a recorrente como agroindústria, de modo que não merece guarida o pedido de restituição formulado. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001238/2010-76
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando negado pedido de apresentação de documentação por parte das instituições financeiras para esclarecimento da origem de depósitos, uma vez que constitui dever do contribuinte conservar os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (art. 195, parágrafo único, Código Tributário Nacional - CTN)
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação da origem de depósitos em conta corrente configura omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei 9.230/96. Sobre o montante omitido incidem IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, sendo que, por ter optado pelo regime tributário de lucro presumido, não há que se falar em não-cumulatividade de PIS/PASEP e COFINS.
Numero da decisão: 1802-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Conselheiro.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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GRAN GRANITOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando negado pedido de apresentação de documentação por parte das instituições financeiras para esclarecimento da origem de depósitos, uma vez que constitui dever do contribuinte conservar os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (art. 195, parágrafo único, Código Tributário Nacional CTN) OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação da origem de depósitos em conta corrente configura omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei 9.230/96. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 12 38 /2 01 0- 76 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 636 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ (“DRJRJ1”), que julgou improcedente impugnação apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: Tratase de quatro autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica F. Gran Granitos Ltda, para dela exigir, no regime de tributação do lucro presumido e em relação ao anocalendário 2006: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 23.017,38 (fls. 511/515); b) contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) no valor de R$ 7.480,62 (fls. 516/523); c) contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 34.526,09 (fls. 524/531); e d) contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) no valor de R$ 12.429,39 (fls. 532/538). Todos os tributos foram acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. As exigências decorreram exclusivamente da acusação de omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada (enquadramento legal: art. 42 da Lei n° 9.430/96). No Termo de Verificação de Infração de fls. 504/510, a autoridade fiscal lançadora justificou o seu trabalho da seguinte maneira, in verbis: 0 procedimento fiscal teve inicio na Pessoa Jurídica FLA. RIS OLIMPIO DA ROCHA ME, CNPJ n° 03.15.644/000161, Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 637 3 Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF) n° 07.2.01.002009022597, tendo em vista que havia indicio de omissão de receita, apurada através de cruzamentos de informações entre a receita declarada e sua movimentação financeira. 0 procedimento fiscal foi deflagrado com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, ficando a Pessoa Jurídica FLARIS OLÍMPIO DA ROCHA ME intimada a apresentar, entre outros documentos, Livro Caixa, extratos bancários das contas correntes/poupança e notas fiscais de prestação de serviços a terceiros (fls. 02/04). Em resposta, além dos documentos solicitados, a FLARIS apresentou o Requerimento de Empresário e o Instrumento Contratual da F. GRAN GRANITOS LTDA Sucessora da Firma Individual FLARIS OLÍMPIO DA ROCHA ME. 0 Instrumento Contratual confirmou que a F. GRAN GRANITOS LTDA sucedeu a FLARIS OLIMPIO DA ROCHA ME, a partir de 13.06.2006 em todos os direitos e obrigações (fls. 05/07 e 11/15). Diante disso, abriuse fiscalização na Pessoa Jurídica F. GRAN GRANITOS LTDA, conforme Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 22/03/2010, intimandoa para apresentar o Livro Caixa, os extratos bancários das contas correntes e os extratos bancários das contas poupança referentes ao ano calendário de 2006 (fls. 08/10). Com base nos extratos bancários apresentados foram levantados os depósitos efetivados na conta do contribuinte no BANCO DO BRASIL e na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (fls. 16/444). Da análise entre os valores dos depósitos e a receita escriturada/declarada apurouse que as receitas declaradas nos 2°, 3° e 4° trimestres de 2006 são inferiores aos valores dos depósitos apurados nos mesmos trimestres. Diante disso, intimouse o contribuinte para apresentar, nos termos do art. 42 e parágrafos da Lei n° 9.430/96, documentação hábil e idônea comprovando a origem dos recursos creditados na conta de depósito mantida na Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, durante o anocalendário de 2006, conforme valores listados no próprio Termo (fls. 445/476). 0 contribuinte não se manifestou quanto origem dos depósitos e nem apresentou qualquer justificativa. Caracterizase como omissão de receita, sujeito a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 638 4 recursos utilizados nessas operações, como determina a Lei 9.430 de 1996, art. 42. Os valores individualizados dos depósitos estão na planilha anexa ás folhas 477/503. Não foram consideradas, na relação dos valores creditados, as transferências entre contas de mesma titularidade e os empréstimos bancários. Além de todas as cautelas previstas no diploma legal, a auditoria fiscal também teve o zelo de excluir, do valor consolidado dos créditos efetuados no mês, os valores correspondentes aos depósitos devolvidos ou estornados. A pessoa jurídica optou pela apuração do Imposto de Renda com base no Lucro Presumido como se pode observar pela Declaração de Informa cães EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresentada, referente ao anocalendário 2006, razão pela qual esta foi a forma de tributação adotada pelo Fisco para apuração do crédito tributário. Cientificada dos lançamentos e do Termo de Verificação de Infração em 08/11/2010 (fls. 510, 512, 517, 525 e 533), a interessada impugnouos em 08/12/2010 (fls. 543/555). Alegou, em síntese: I preliminarmente: a) que "a autuação não foi conduzida segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé, observando a lei e o direito"; b) que, por ser empresa de pequeno porte, deveria dispor de tratamento jurídico diferenciado, simplificado, nos termos dos arts. 170 e 179 da Constituição, tratamento esse consubstanciado em necessária dupla visita por parte da fiscalização, "ou seja, procede [a fiscalização] a uma visita inicial, constata o erro e dá certo prazo para que o contribuinte regularize a situação. A partir daí é que a empresa, se não atendeu a solicitação de regularização, deve ser autuada"; c) que os autos de infração não especificaram o dispositivo legal supostamente infringido, o qual estabeleceria "como omissão de receitas os depósitos bancários mantidos pelo contribuinte no sistema financeiro"; II no mérito: a) que, nas contas bancárias objeto da autuação, existiriam vários créditos decorrentes "de desconto de cheques e/ou duplicatas, que o Banco CEF lança com o Histórico CR. SICOBTD, transferências entre contas lançadas como Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 639 5 Recebimento de TED, e Créditos autorizados decorrentes de empréstimos"; b) que desconto de cheques e/ou duplicatas, transferencias recebidas por TED, e créditos autorizados referentes a empréstimos não são receitas para efeito de tributação; c) que a prova material do alegado está "na própria descrição histórica dos extratos bancários juntados aos autos"; d) que, com relação a novembro de 2006, verificase que os depósitos bancários foram inferiores ao valor declarado em DIPJ, no montante de R$ 127.184,77, fato que deve ser levado em conta no cálculo do valor tributável. Ao fim de sua impugnação, a interessada solicita que os autos sejam baixados em diligência para a realização de perícia em sua documentação contábil, de modo a lhe ser possível comprovar suas razões de defesa. Nesse sentido, formula quesitos (fls. 555) e indica perito para acompanhar os trabalhos. Solicita também a intimação da Caixa Econômica Federal (Ag. 0719, c/c 000012088) e do Banco do Brasil (Ag. 08338, c/c 14.9233), "para apresentação dos comprovantes das transferências bancárias (TED) Créditos Autorizados, Empréstimos e dos descontos de cheques e ou duplicatas creditados em conta corrente; do ano base 2006" (sic). E o relatório. Em sua decisão, a DRJRJ1 houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 1238.033, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 640 6 Anocalendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os autos de infração decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem, em função da relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, a insubsistência total dos Autos de Infração. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. I Cerceamento de Defesa A Recorrente alega não ter cometido a infração descrita no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, caracterizada como omissão de receita sob o argumento de que nem todos os depósitos bancários configuram receita, podendo ser referentes a quitação de empréstimos, recebimento de financiamentos, descontos de títulos e transferência de numerários da conta corrente do sócio. Para que possa esclarecer a origem dos mencionados depósitos bancários, a Recorrente reitera o pedido de perícia e alega que teve seu direito de defesa cerceado pela decisão da DRJRJ1, quando esta negoulhe o pedido de perícia, cujo objeto era a averiguação dos lançamentos efetuados a crédito em sua conta corrente. Como bem expôs a DRJRJ1: “A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas relevantes ao deslinde do litígio. O deferimento de um pedido Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 641 7 dessa natureza pressupõe a necessidade de dirimiremse dúvidas que não possam ser esclarecidas pelo exame dos elementos constantes dos autos, ou pela apresentação de documentos cuja guarda e conservação competem ao próprio sujeito passivo, nos termos da legislação tributária em vigor.” Conforme o artigo 18 do Decreto 70.235 de 1972, cabe à autoridade julgadora decidir acerca da necessidade de realização de prova pericial. Ora, é dever do contribuinte, previsto no artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, conservar os livros e quaisquer comprovantes de lançamento que possam ser sujeitos à fiscalização tributária, até que ocorra a prescrição dos respectivos créditos tributários. Desta forma, a meu ver, a autoridade a quo agiu corretamente ao indeferir o pedido da Recorrente, uma vez que configura seu dever legal manter o registro contábil de suas movimentações financeiras. Neste sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem proferindo algumas decisões desde 1999. Segue abaixo ementa de uma das decisões: “OMISSÃO DE RECEITA LUCRO PRESUMIDO A partir da entrada em vigor da legislação que obrigou as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido à escrituração do livro caixa, pode a autoridade fiscal fazer a reconstituição do referido livro ou da conta caixa se mantida a escrituração completa, mediante a conferência dos lançamentos frente aos documentos que lhes deram origem. Se da reconstituição resultar saldo credor de caixa, está configurada a presunção de omissão de receitas.” (CSRF. Primeira turma / Acórdão 0103.601. Data da Publicação: 18/03/2003) Além do exposto, a Recorrente alega impossibilidade de conhecer a que se referem os depósitos bancários em comento. Tal argumento se encontra desprovido de razoabilidade uma vez que a própria Recorrente foi capaz de apontar quais dos depósitos nomeados como “CRED AUTOR” consistiam em transferência da conta corrente do sócio Flaris Olímpio da Rocha (fls. 607). Diversos outros depósitos, que apresentam a mesma nomenclatura, permaneceram sem qualquer explicação. Ressaltase que são depósitos de valor significativo, como, por exemplo, aqueles do dia 10/11/2006, cuja soma totaliza R$ 95.506,84, ou do dia 11/12/2006, cuja soma totaliza R$ 89.500,00. Apesar disso, a Recorrente afirma que correspondem a “créditos eletrônicos” e, por esta razão, está impossibilitada de esclarecer a origem de tais depósitos. Ademais, conforme se pode verificar nas fls. 445 e 476 (comprovante de recebimento de intimação), o Contribuinte foi devidamente intimado a apresentar, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos creditados nas contas de depósito mantidas na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil, durante o anocalendário de 2006. E, apesar dessa solicitação da autoridade fiscal, o Recorrente não se manifestou e sequer apresentou quaisquer documentos ou justificativa acerca dos referidos depósitos bancários. Pelos motivos expostos acima, concluo pelo não acolhimento do pedido de realização de perícia para fins de intimar a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil para apresentação e documentos comprobatórios das movimentações efetuadas nas respectivas Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 642 8 contas, durante o anocalendário de 2006. Conforme legislação pátria cabe ao sujeito passivo manter a guarda de tais documentos. Com efeito, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa. Quanto ao Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, no caso em tela, o Recorrente optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido, segundo o qual a apuração do IRPJ é feita com base em uma presunção de que o lucro corresponde a um percentual fixo da receita bruta. Dessa maneira, não ocorrem na sistemática do lucro presumido as adições e deduções que conduzem à formação do “lucro real”. A Recorrente alega que a autuação se baseia em mero indício, sem o devido comprovante legal e idôneo da origem da entrada de numerário (fl. 612). No entanto, nos termos do artigo 42 da lei nº 9430/96: “os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, serão considerados receita tributável”. No caso em tela o contribuinte não juntou aos autos nenhuma prova que pudesse afastar a presunção acima, embora seja dele o ônus probatório. De acordo com o artigo supra referido, não cabe à Administração Pública demonstrar que os valores creditados em conta corrente constituem, efetivamente, receita tributável, pois tal prova deve ser feita pelo contribuinte. Esse entendimento, inclusive, já foi consolidado por esta Corte através da Súmula 26, que ora se transcreve: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Assim, não pode prosperar o argumento da Recorrente, posto que os depósitos comprovam o auferimento de acréscimos patrimoniais, restando clara a disponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos. Este Órgão Julgador já proferiu inúmeros acórdãos acerca da omissão de receitas provenientes de depósitos bancários. Abaixo transcrevo, ementa da decisão proferida pelo Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) TRIBUTAÇÃO. PATRIMÔNIO. RENDIMENTO. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 643 9 Quando o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o artigo 43 do CTN. O efeito da presunção é que, a partir de um fato indiciário, chegase a um fato que se quer provar a ocorrência.” (CARF. 3ª Câmara / Acórdão 130100.400. Data da publicação: 29/07/2011) Também neste sentido, segue acórdão proferido pelo Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva: “OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCARIOS A Lei n 9.430/96 em seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária caso o contribuinte não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, no caso o PIS, a CSLL e a COFINS.” (CARF. 3ª Câmara / Acórdão 130200.391. Data de publicação: 29/07/2011) Desta forma, resta claro que os depósitos bancários efetuados nas contas correntes de titularidade da Recorrente devem ser caracterizados como receita sujeita à incidência de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. No que tange ao cálculo, o art. 38 da IN 93/97, determina como deve ser feito: “Art. 38. O imposto de renda devido em cada trimestre será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo de que trata o artigo 36. § 1º A parcela do lucro presumido que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência do adicional do imposto de renda à alíquota de 10% (dez por cento). § 2º Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado em cada trimestre, observado o disposto no § 4º do art. 2º: I os valores dos incentivos fiscais de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, às Doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 644 10 às Atividades Culturais ou Artísticas e à Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação de regência; II o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido; III o imposto de renda pago indevidamente em períodos anteriores.” O art. 24 da lei 9.249/95 (art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/1999) dispõe o seguinte no tocante à omissão de receitas no regime de tributação do lucro presumido: Art. 528 Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). Assim sendo, ao analisar o cálculo do imposto devido pela Recorrente e formalizado através do Auto de Infração de fls. 511, temse que o imposto relativo aos 2º e 3º trimestres foram calculados em conformidade com a legislação vigente. Ou seja, em cada mês, foi considerado o montante referente à diferença entre o valor escriturado e o valor total dos depósitos, o qual constitui o valor omitido. Conforme consta das fls. 511/515 e 532/539, sobre o valor omitido foram aplicados os percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) de presunção do lucro e sobre o resultado foram aplicadas alíquotas relativas aos respectivos tributos de 15% de IRPJ mais adicional de 10% e 9% de CSLL. Quanto ao requerimento da recorrente para recálculo dos impostos e contribuições do 4o trimestre, por erro aritmético, este também não merece prosperar. Em novembro de 2006, a Recorrente utilizouse o montante de R$454.725,95, como base de cálculo para pagamento dos impostos e contribuições, enquanto, os depósitos identificados nesse período somaram R$ 327.541,18. Com isso, entendeu que pagou imposto e contribuição a maior sobre a diferença de R$127.184,82 (R$454.725,95 – R$327.541,18), a qual não fora considerada pela fiscalização na apuração do crédito tributário. Entretanto, o documento acostado aos autos às fls. 509, demonstra exatamente o contrário, ou seja, que a diferença de R$127.184,82 foi considerado pela fiscalização e abatido da omissão de receita identificada pela fiscalização. Vejamos o citado levantamento (fls. 509): Mês / Ano Depósitos CEF Depósitos B. Brasil Total Depósitos Vl. Escriturado Vl. Declarado na DIPJ / Omissão de Receita Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 645 11 Flaris / F.Gran Out/06 419.355,09 166.831,00 586.186,09 311.662,27 274.523,82 Nov/06 327.541,18 327.541,18 454.725,95 127.184,77 Dez/06 259.368,28 165.484,47 424.852,75 86.771,96 210.896,02 Total 1.006.264,55 332.315,47 1.338.580,02 853.160,18 0,00 485.419,84 Pela análise do levantamento feito pela autoridade fiscal, acima reproduzido, verificase que o valor de R$127.184,77, fora compensado no trimestre. Em dezembro de 2006, o valor total dos depósitos totalizaram R$424.852,75 e o valor escriturado pela Recorrente foi de R$86.771,96, o que daria uma diferença de R$338.080,89. Entretanto, o levantamento efetuado pela autoridade fiscal apurou uma omissão de receita de R$210.896,02, exatamente porque abateu o pago a maior da Recorrente, relativo ao mês de novembro de 2006, no montante de R$127.184,77 (R$424.852,75 R$86.771,96 = R$338.080,89 R$127.184,77 = R$210.896,02). II – PIS e COFINS Em relação ao PIS e COFINS, importante lembrar que até 2002, o PIS/PASEP e a COFINS, incidentes sobre o faturamento das empresas, eram apurados somente na sistemática cumulativa, sendo vedado o desconto de créditos. Este cenário foi alterado com o advento das Medidas Provisórias nº 66, de 29/08/2002 e 135, de 30/12/2003, posteriormente convertidas nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram a sistemática da nãocumulatividade para o PIS e para a COFINS, respectivamente. Como regra geral, o direito ao crédito do PIS/PASEP e da COFINS nasce com a aquisição, em cada mês, de bens e serviços que, na fase anterior da cadeia de produção ou de comercialização, se sujeitaram às mesmas contribuições e cuja receita da venda ou da revenda integrem a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativas. Entretanto, em relação aos requisitos de adoção do regime de não cumulatividade, a legislação apontada é clara ao dispor de quem não pode adotar tal sistemática. Determina o art. 8º da Lei 10.637/2002: “Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/PASEP, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado” Em relação à COFINS, determina o art. 10: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005). Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15586.001238/201076 Acórdão n.º 1802001.370 S1TE02 Fl. 646 12 (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado” Assim, concluise que o cálculo efetuado pela autoridade fiscal nos autos de infração (fls. 516 e 524) foi efetuado de forma correta, não havendo qualquer reparo a ser feito, vez que considerou o faturamento de cada mês, sobre o qual aplicou alíquota devida (fls. 520 para o cálculo do PIS e, fls. 528 para o cálculo da COFINS). Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo decisão combatida intacta. (assinado digitalmente) Relator Marco Antonio Nunes Castilho Relator Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000266/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AFASTAMENTO. O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto 3.048/99. Uma vez que a recorrente sequer demonstrou nos autos um início de prova acerca da mera existência dos documentos retificados que foram apresentados à fiscalização, o pedido deve ser afastado já que não fora comprovada a correção da falta.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A, II, da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações equivocadas relativamente a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A, II, da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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OUTROS DADOS Recorrente POLICOLOR PINTURAS EM EDIFICACOES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AFASTAMENTO. O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto 3.048/99. Uma vez que a recorrente sequer demonstrou nos autos um início de prova acerca da mera existência dos documentos retificados que foram apresentados à fiscalização, o pedido deve ser afastado já que não fora comprovada a correção da falta. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A, II, da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações equivocadas relativamente a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A, II, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 02 66 /2 00 7- 64 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para adequação da multa ao artigo 32A da Lei 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 44021.000266/200764 Acórdão n.º 2402002.994 S2C4T2 Fl. 94 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por POLICOLOR PINTURAS LTDA, em face de acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.075.7440, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP’s com informações incorretas relativamente a dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias. O relatório fiscal apontou que a recorrente: a) deixou de informar o valor referente à dedução do salário família, nas competências 01.2000; 02.2000; 03.2000; 05.2000; 06.2000; 06.2002 a 12.2002; 09.2003; 11.2003; 01.2004; 06.2004 a 02.2005; 05.2005 e 11.2005; b) informou de forma incorreta o código 515 no FPAS quando o correto era 507, nas competências 04.2001 a 13.2005; c) deixou de informar o valor das retenções, da Lei n. 9711 nas competências 07.2001; 09.2001; 03.2002; 04.2002 a 07.2002; 10.2002; 01.2003; 03.2003; 04.2003; 11.2003; 01.2004; d) informou incorretamente no campo compensação, os valores referentes à retenção da Lei n. 9711 nas competências 08.2003 a 10.2003; 12.2003; 02.2004 a 12.2005; e) informou erroneamente o código de terceiros como sendo 0115, quando o correto era 079, nas competências 04.2001 a 07.2003; 11.2004 a 13.2005; nas competências 10.1999; 12.1999; 01.2000; 06.2000; informou de forma incorreta no campo de terceiros o código 0009; 9990 na competência 01.2001 e finalmente, informou o código 0064 nas competências 08.2003 a 10.2004; f) e por fim informou o código de pagamento GPS 2119, quando o correto é 2100, nas competências 04.2001; 05.2001; 06.2001; 08.2001 a 02.2002; 09.2002; 06.2003; 05.2004; 07.2005 e 12.2005 O lançamento compreende o período de 01/2000 a 12/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 21/04/2007 (fls. 01). Diante dos argumentos defesa apresentados em impugnação, às fls. 52 foi determinada a realização de diligência para que fosse apontado o valor da multa devidamente atualizado. A recorrente fora intimada do resultado da diligência e, via de conseqüência, fora proferido acórdão (fls.69) que entendeu por acatar a decadência de parte do crédito, de acordo com o disposto no art. 173, I, do CTN, bem como excluiu do lançamento as parcelas concernentes a erros no preenchimento do saláriofamília e a compensação para o período posterior a 05/2003. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Em continuidade ao processo administrativo, o contribuinte foi intimado a do v. acórdão recorrido, contra o qual interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que houve o cerceamento de seu direito defesa, uma vez que não lhe foram apresados o DAD e demais anexos do Auto de Infração, bem como o mesmo carece de motivação, clareza e objetividade; 2. que possui créditos que deveriam ter sido compensados com os valores lançados, em decorrência da retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviço mediante a cessão de mãodeobra; 3. que a multa aplicada possui caráter confiscatório; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 44021.000266/200764 Acórdão n.º 2402002.994 S2C4T2 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente cumpre apontar que todo o período alcançado pela decadência já foi expurgado quando do julgamento de primeira instância. Além disso, a recorrente deixou de impugnar expressamente o lançamento da multa, quando em sua impugnação somente alegou a decadência e mesmo a necessidade de relevação da multa, o que tornou a autuação incontroversa, quando a apresentação das GFIp’s com os equívocos apontados no relatório fiscal. Dito isso, tenho que o pedido de relevação da multa não deva ser acatado. Rezava o art. 291 do Decreto 3.048/99, à época da defesa apresentada: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Em momento algum a falta veio a ser corrigida, seja dentro ou fora do prazo de defesa, situação, que a meu ver, por si só, já tem o condão de afastar os argumentos constantes no recurso voluntário. A dilação de prazo requerida em sede de impugnação somente veio a ser indeferida quando proferido o julgamento a quo, sendo que tal fato, em hipótese alguma tem o condão de determinar a reabertura do prazo para apresentação dos documentos retificados, ou mesmo cercear o direito de defesa da recorrente. Ademais, a realização de diligência neste momento processual não se faz necessária, até porque, em momento algum, sequer restou comprovada a existência dos documentos retificados. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Por fim, há que se considerar aquilo o que determinado pelas inovações trazidas pela Lei 11.941/09, que acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estaria sujeito o contribuinte. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 44021.000266/200764 Acórdão n.º 2402002.994 S2C4T2 Fl. 96 7 A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas mesmo as informações que não sejam relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, tão somente para que seja efetuado o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A, II, da Lei 8.212/91. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.720169/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009
NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade são aquelas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, o qual é taxativo, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. No presente caso não houve cerceamento do direito de defesa, visto que o contribuinte conseguiu se defender corretamente de todas as infrações que lhe foram imputadas.
LUCRO REAL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS.
Correta a glosa de despesa de depreciação quando a fiscalização comprova valor deduzido a maior, descabendo alegar depreciação acelerada, cuja utilização é autorizada por legislação específica, sem demonstração de cumprimento dos requisitos exigidos.
IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS - Ao proceder o lançamento de ofício, as autoridades fiscais devem levar em conta os prejuízos apurados e declarados pelo contribuinte, compensando-os de ofício.
COMPENSAÇÃO - LIMITE. - A compensação de prejuízos apurados com o tributo exigido de ofício é admissível e está limitada ao montante que corresponder a trinta por cento do lucro real do período.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se cnão impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 1202-000.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para autorizar a compensação dos prejuízos fiscais apurados em 2005 e 2006 com os créditos lançados no auto de infração, respeitando o limite de 30% legalmente previsto. Ressalvado o direito da unidade de origem da Receita Federal do Brasil em verificar a utilização dos referidos prejuízos em períodos distintos dos lançados.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade são aquelas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, o qual é taxativo, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. No presente caso não houve cerceamento do direito de defesa, visto que o contribuinte conseguiu se defender corretamente de todas as infrações que lhe foram imputadas. LUCRO REAL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. Correta a glosa de despesa de depreciação quando a fiscalização comprova valor deduzido a maior, descabendo alegar depreciação acelerada, cuja utilização é autorizada por legislação específica, sem demonstração de cumprimento dos requisitos exigidos. IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS - Ao proceder o lançamento de ofício, as autoridades fiscais devem levar em conta os prejuízos apurados e declarados pelo contribuinte, compensando-os de ofício. COMPENSAÇÃO - LIMITE. - A compensação de prejuízos apurados com o tributo exigido de ofício é admissível e está limitada ao montante que corresponder a trinta por cento do lucro real do período. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se cnão impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para autorizar a compensação dos prejuízos fiscais apurados em 2005 e 2006 com os créditos lançados no auto de infração, respeitando o limite de 30% legalmente previsto. Ressalvado o direito da unidade de origem da Receita Federal do Brasil em verificar a utilização dos referidos prejuízos em períodos distintos dos lançados. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno
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No presente caso não houve cerceamento do direito de defesa, visto que o contribuinte conseguiu se defender corretamente de todas as infrações que lhe foram imputadas. LUCRO REAL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. Correta a glosa de despesa de depreciação quando a fiscalização comprova valor deduzido a maior, descabendo alegar depreciação acelerada, cuja utilização é autorizada por legislação específica, sem demonstração de cumprimento dos requisitos exigidos. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Ao proceder o lançamento de ofício, as autoridades fiscais devem levar em conta os prejuízos apurados e declarados pelo contribuinte, compensandoos de ofício. COMPENSAÇÃO LIMITE. A compensação de prejuízos apurados com o tributo exigido de ofício é admissível e está limitada ao montante que corresponder a trinta por cento do lucro real do período. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase cnão impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para autorizar a compensação dos prejuízos fiscais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 01 69 /2 01 1- 53 Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 12 2 apurados em 2005 e 2006 com os créditos lançados no auto de infração, respeitando o limite de 30% legalmente previsto. Ressalvado o direito da unidade de origem da Receita Federal do Brasil em verificar a utilização dos referidos prejuízos em períodos distintos dos lançados. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Trata o presente caso de Autos de Infração consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, somados à multa de ofício de 75% e juros, relativos aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009 (fls. 1713/1747). Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (“TVF”) de fls. 1763/1766, quanto ao IRPJ e à CSLL foram apuradas as seguintes infrações: (i) Omissão de receitas caracterizada pela falta de declaração e recolhimento de valores contabilizados; e (ii) Excesso de depreciação de bens do ativo mobilizado. Em relação ao PIS e à COFINS, a infração apurada referese à suposta falta/insuficiência de recolhimento. Intimada da lavratura dos Autos de Infração citados acima, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 1770/1804), alegando, em síntese, o seguinte: (i) Preliminar de nulidade, pautada em suposto cerceamento de defesa tendo em vista que os Autos de Infração não teriam descrição minuciosa de todos os fatos e fundamentos que levaram à sua lavratura; (ii) Utilização indevida de importe redutor por depreciação na apuração do IRPJ, nesse ponto alega que no 3º e 4º trimestres de 2007 o valor que deveria ter sido apropriado a título de depreciação seria aquele correspondente à depreciação acelerada; (iii) Nos Autos de Infração teriam situações de parcialidade no critério adotado pelas autoridades fiscais, tendo em vista que para fins de determinação do valor de depreciação, teriam sido utilizados valores inclusive do período de janeiro a dezembro de 2006, Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 13 3 sendo que, em relação a tal período, deveria o fiscal ter tomado também o valor declarado na DIPJ relativa ao ano de 2005; (iv) A DIPJ referente ao ano de 2006 teria indicado um prejuízo fiscal que não teria sido utilizado pela fiscalização no momento da apuração do IRPJ; (v) Repete o mesmo raciocínio para os outros períodos, quais sejam, trimestres de 2007, 2008 e 2009; (vi) As mesmas alegações foram utilizadas quanto à apuração da CSLL nos mesmos períodos; (vii) Alega que teria cumprido com todas as suas obrigações acessórias previstas na legislação tributária; (viii) Invoca o princípio da razoabilidade e do devido processo legal, os quais não teriam sido observados no momento da lavratura dos Autos de Infração em questão; (ix) Alega que o lançamento teria se pautado em presunções, o que não seria permitido no ordenamento jurídico. Na Impugnação a Recorrente requer: (i) o reconhecimento da existência de prejuízos fiscais apurados e, com isso, a sua consideração na apuração dos tributos lançados; (ii) o reconhecimento do direito a utilizarse, como elemento dedutível do IRPJ e da CSLL, do valor da depreciação em todo o período auditado; e (iii) a improcedência do lançamento. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que houve por bem julgar parcialmente procedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, nos seguintes termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. É infundada a argüição de nulidade dos lançamentos se os dispositivos legais que os fundamentaram encontramse descritos no Auto de Infração, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. Correta a glosa de despesa de depreciação, quando a fiscalização comprova valor deduzido a maior, descabendo alegar depreciação acelerada, cuja utilização é autorizada por legislação específica, sem demonstração de cumprimento dos requisitos exigidos. LUCRO REAL. DIVERGÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO COM BASE NA DIPJ. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Corretas as exigências de IRPJ quando apurados a partir de dados informados na própria DIPJ, não declarados nem recolhidos, Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 14 4 ajustados por adições relativas a despesas de depreciação deduzidas a maior, devendo, contudo, serem abatidas dos valores de despesas deduzidas a menor. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Correto o lançamento de PIS e Cofins, quando apurados com base na própria contabilidade da empresa, que nada declarou nem recolheu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PROCESSO DE ARROLAMENTO. COMPETÊNCIA. DRF. Em face da ausência de competência da DRJ para apreciar matéria ligada ao procedimento de arrolamento de bens, os pedidos devem ser endereçados à DRF. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Referida decisão reduziu as exigências de IRPJ e CSLL, deduzindo a título de despesas de depreciação os valores que foram confirmados pela própria fiscalização, os quais correspondem aos três primeiros trimestres de 2008 e os dois primeiros trimestres de 2009. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, pautada nos mesmos fundamentos da Impugnação, requerendo novamente a declaração de nulidade do lançamento, o reconhecimento da existência de prejuízos fiscais e o direito de deduzir do IRPJ e da CSLL os valores referentes à depreciação em todo o período auditado. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio, assim, pela análise da preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. I PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, a Recorrente alega que o Auto de Infração estaria eivado de vícios, visto que não teria descrito minuciosamente a infração cometida e não teria fundamentado as razões do lançamento. Ocorre que o artigo 59 do Decreto 70.235/72 traz um rol taxativo de hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal, quais sejam: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 15 5 De acordo com o disposto no artigo acima transcrito e com a decisão recorrida, não há que se falar em preenchimento de nenhuma de referidas hipóteses legais, na medida em que o Auto foi lavrado por pessoa competente e em nenhum momento houve cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, pois esta teve a chance de se defender adequadamente, apresentando suas alegações e defesas. O próprio CARF já se manifestou diversas vezes neste sentido. Vejamos: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, inclusive quando o contribuinte demonstra entender a infração e se defende regularmente, bem como quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confunde com o próprio mérito da questão (...)”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10422397 do Processo 13609000143200537, Data: 23/05/2007). (não grifado no original) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA DECRETO 70.235/72 NULIDADE INEXISTÊNCIA Não se cogita de nulidade processual nem de nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa se consta nos autos toda documentação pertinente à infração, descrição dos fatos e enquadramento legal. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10246272 do Processo 101200014839825, Data: 18/02/2004).(não grifado no original) Dessa forma, por não se tratar o presente caso de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade e passo à análise do mérito. II – MÉRITO A) Despesas de depreciação deduzidas pela Recorrente No início da fiscalização a Recorrente foi intimada a apresentar demonstrativo de cálculo de despesas de depreciação no período compreendido entre janeiro de 2006 a dezembro de 2009. Em resposta às intimações a Recorrente afirmou que: (i) a depreciação acelerada referente ao ativo imobilizado (máquinas e equipamentos) se deve a uma máquina de corte utilizada para o corte de barra de ferro, havendo um desgaste muito grande no processo de corte das barras; e (ii) com relação ao ativo mobilizado (veículos), a depreciação acelerada devese ao desgaste excessivo dos caminhões no transporte dos Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 16 6 materiais de construção (tais como ferros, aços, pregos, entre outros) e pela utilização frequente dos veículos. Tendo em vista as informações prestadas pela Recorrente, assim como os documentos apresentados e planilhas (fls. 1704/1707) elaboradas pelo Sr. Auditor Fiscal, foram constatadas divergências no terceiro e quarto trimestres de 2007, no sentido de que teriam sido deduzidos valores maiores do que o efetivamente possível. Os valores considerados como não passíveis de dedução foram glosados pela fiscalização e confirmados pela decisão recorrida. Vale destacar que os índices usuais de depreciação autorizados pela legislação são aqueles mencionados na Instrução Normativa SRF nº 162/1998, vigente à época dos fatos. No presente caso a autoridade fiscal utilizou a taxa de depreciação de 20% para veículos e 10% para os demais itens, compostos basicamente por maquinários. Oportuno se faz transcrever os artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) que tratam de dedutibilidade de depreciação. Vejamos: “Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). (não grifado no original)” “Art. 310. A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção de seus rendimentos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 2º). § 1º A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 17 7 de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 3º). (não grifado no original)” Quanto à depreciação acelerada, esta é considerada nos casos de bens relativos à atividade rural, bens adquiridos entre 1991 e 1994, máquinas e equipamentos adquiridos entre 1995 e 1997, entre outros previstos nos artigos 313 a 323 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A taxa utilizada para a depreciação acelerada é superior àquela utilizada usualmente, conforme já demonstrado. Dessa forma, a Recorrente teria que ter comprovado mediante documentação hábil e idônea que os bens objetos de depreciação correspondem àqueles previstos nos artigos 313 a 323 do RIR/99. Porém, a Recorrente não conseguiu comprovar esse fato, o que ensejou a glosa realizada. Desse modo, mantenho a glosa efetuada pela fiscalização e confirmada pela decisão recorrida quanto ao terceiro e quarto trimestres de 2007. Este também é o entendimento deste E. Conselho. Vejamos: (...) DEPRECIAÇÃO DE AERONAVES Se, de um lado, é assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota de depreciação efetivamente adequada às condições de utilização de seus bens, de outro, é atribuído a ele o ônus de comprovar a correção de seu procedimento mediante apresentação de laudo técnico elaborado por instituição oficial que legitime as taxas de depreciação adotadas. A depreciação acelerada de bens sem respaldo em laudo pericial sujeita o contribuinte à glosa das despesas que excederem aos valores de depreciação fixados pela SRF. Recurso a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10323128 do Processo 11075001720200396, Data: 06/07/2007). (não grifado no original) Por fim, quanto ao pedido da Recorrente de deduzir da exigência de IRPJ e CSLL as despesas de depreciação confirmadas pela própria fiscalização, referida dedução já foi autorizada pela decisão recorrida ao reduzir as exigências de IRPJ para R$ 108.044,27 e de CSLL para R$ 46.156,06. Dessa forma, não há mais deduções a serem feitas. B) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS No que consiste à alegação da Recorrente de que a fiscalização deveria ter compensado de ofício os prejuízos fiscais sofridos nos anos anteriores com o valor de IRPJ e CSLL a ser recolhido nos anos de 2007 a 2009, doulhe razão, conforme passo a demonstrar. A DIPJ de 2006, anocalendário 2005, demonstra um prejuízo fiscal acumulado naquele período no valor de R$ 354.638,20 (fls. 1832); e A DIPJ de 2007, anocalendário 2006, demonstra um prejuízo fiscal acumulado naquele período no valor de R$ 372.285,97 (fls. 1863). Tendo em vista a comprovação dos prejuízos fiscais sofridos pela Recorrente nos anos de 2005 e 2006, conforme indicado acima, a fiscalização poderia têlos compensado Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 18 8 de ofício com os valores apurados de IRPJ e CSLL nos anos de 2007, 2008 e 2009. Embora a decisão recorrida entenda que o critério adotado pelo auditor fiscal teria sido razoável ao não compensar os prejuízos fiscais, tendo em vista que a própria Recorrente teria preferido não compensálos, não concordo com referido posicionamento. Isso porque este E. Conselho já decidiu diversas vezes no sentido de que, apurado prejuízo fiscal em períodos anteriores ao lançamento, deve ser compensado o prejuízo com o valor a ser lançado, conforme pode se verificar nos acórdãos a seguir transcritos: (i) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Em lançamento de ofício a autoridade administrativa deve proceder à compensação de prejuízos fiscais apurados pelo sujeito passivo, respeitando o prazo legal de sua compensação (...).(Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10321721 do Processo 138080049699893, Data: 16/09/2004) (ii) (...) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL A determinação do lucro real por procedimento de ofício impõe, também de ofício, a compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito. Lançamento Procedente em Parte. Recurso de Ofício Provido em Parte. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10514197 do Processo 137080008879201, Data: 09/09/2003) (iii) (...) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada a existência de prejuízos fiscais acumulados, estes poderão ser compensados com a matéria tributável detectada em procedimento de ofício. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10513736 do Processo 105100010119805, Data: 19/03/2002) (iv) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Ao proceder o lançamento de ofício, a ação fiscal deve levar em conta os prejuízos apurados e declarados pelo contribuinte, compensandoos. Recurso de ofício a que se nega provimento. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10193309 do Processo 163270007939909, Data: 06/12/2000) (v) (...) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO O Fisco deve levar em conta, ao proceder o lançamento de ofício, os prejuízos declarados pelo contribuinte, compensandoos. A Compensação independe de opção na declaração de rendimentos. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10318710 do Processo 103800050049210, Data: 08/07/1997) Dessa forma, em atenção ao posicionamento deste E. Conselho, entendo que assiste razão à Recorrente no sentido da possibilidade de compensação de ofício dos prejuízos fiscais com os tributos ora lançados. Porém, cumpre esclarecer que a compensação está limitada ao montante de 30% do lucro real do período, conforme dispõe e o artigo 42 da Lei nº 8981/1995, in verbis: Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 19 9 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. A jurisprudência deste E. Conselho também é vasta neste sentido. Vejamos: (i) (...) LUCRO REAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO LIMITE. A compensação de prejuízos acumulados com o tributo exigido de ofício, embora admissível, está limitada ao montante que corresponder a trinta por cento do lucro real do período, estando correta a exigência do crédito tributário que exceder àquele limite. Publicado no D.O.U. nº 215 de 09/11/2006. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10322609 do Processo 108820025109973, Data: 18/08/2006) (ii) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos períodos de apuração do ano calendário de 1995 e seguintes, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos anteriores, em no máximo trinta por cento. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10806440 do Processo 106400053409959, Data: 21/03/2001) (iii) IRPJ – (...) PREJUÍZOS FISCAIS COMPENSAÇÃO LIMITE DE 30% Na apuração do lucro real, é cabível a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas pela legislação. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Às exigências decorrentes aplicase a decisão do matriz, quando não se encontra qualquer nova questão de fato ou de direito. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10708025 do Processo 10580005355200235, Data: 13/04/2005). (não grifado no original) Sendo assim, concordo com a possibilidade de compensação, conforme pleiteado pela Recorrente, porém limitada ao montante de 30% do lucro real do período, nos termos do posicionamento deste E. Conselho. Ressalto o direito da delegacia de origem em verificar a utilização dos referidos prejuízos em períodos distintos dos lançados. C) DEMAIS LANÇAMENTOS Também foram lançados na presente autuação valores referentes ao PIS e à COFINS, os quais, segundo a fiscalização, não teriam sido recolhidos pela Recorrente. Ocorre que, tanto na peça impugnatória quanto no presente Recurso Voluntário a Recorrente não se manifestou sobre esses lançamentos, por isso considero a matéria não impugnada e mantenho o lançamento dos referidos tributos. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10935.720169/201153 Acórdão n.º 1202000.875 S1C2T2 Fl. 20 10 O mesmo ocorre com a aplicação da multa de ofício de 75%, por não ter sido impugnada pela Recorrente e por ser efetivamente devida, tendo em vista o lançamento de ofício do tributo. A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido, conforme pode se verificar abaixo: (i) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20217306 do Processo 138040008320041, Data: 24/08/2006). (não grifado no original) (ii) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, tornando se preclusa na esfera administrativa. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30335356 do Processo 10120007795200325, Data: 20/05/2008). (não grifado no original) Portanto, tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, de forma a autorizar a compensação dos prejuízos fiscais suportados em 2005 e 2006 pela Recorrente com os créditos ora cobrados, dentro do limite de 30% legalmente previsto, ressalvado o direito da unidade de origem da Receita Federal do Brasil em verificar a utilização dos referidos prejuízos em períodos distintos dos lançados e, quanto aos demais lançamentos de PIS, COFINS, multa de ofício e juros, mantenho o lançamento, nos exatos termos da decisão recorrida. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13706.004332/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. SERVIDOR PÚBLICO.
O adicional por tempo de serviço recebido por servidor público caracteriza-se como rendimento oriundo do trabalho e, portanto, deve ser tributado, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de isenção prevista na legislação.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF no 68, em vigor desde 07/12/2010).
Numero da decisão: 2202-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. SERVIDOR PÚBLICO. O adicional por tempo de serviço recebido por servidor público caracterizase como rendimento oriundo do trabalho e, portanto, deve ser tributado, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de isenção prevista na legislação. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF no 68, em vigor desde 07/12/2010). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 43 32 /2 00 7- 42 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13706.004332/200742 Acórdão n.º 2202002.157 S2C2T2 Fl. 104 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 7 a 10, reduzindo o saldo de imposto a restituir declarado de R$3.727,77 para R$964,72, referente ao anocalendário 2002. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 8, verificase que o lançamento decorre de omissão parcial de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vínculo empregatício, apurada pela diferença entre o valor declarado e o informado pela fonte pagadora em DIRF. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 a 6, instruída com os documentos de fls. 7 a 29, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 65): Em 05/11/07, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às fls. 02/06, acompanhada dos documentos de fls. 11/28, alegando que os rendimentos correspondentes a adicional por tempo de serviço são excluídos dos rendimentos tributáveis, pois o inciso III do art. 1o da Lei n° 8.852/94, em sal letra "n" é explícita ao considerar o referido adicional excluído do conceito de remuneração e, portanto, não sofrem a incidência do IR. Afirma que a Lei n° 8.852/94 se sobrepõe à Lei n° 7.713/88 e que o Decreto n° 3.000/99 em momento algum fala sobre a tributação de adicional por tempo de serviço. Discorre sobre as diferenças entre os conceitos de proventos e de indenização e conclui que o adicional por tempo de serviço é indenização paga pelo estado em virtude das vedações impostas aos servidores públicos. Alega ainda que o adicional não representa acréscimo patrimonial ou "riqueza nova". Por fim, requer o acolhimento da impugnação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0331.415 (fls. 64 a 68), de 10/06/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. A incidência do imposto de renda abrange a renda e os proventos de qualquer natureza, independentemente da denominação da receita ou do rendimento. Não estando relacionado em nenhuma das hipóteses legais de exclusão da incidência do imposto, há que se considerar tributável a percepção desta verba. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13706.004332/200742 Acórdão n.º 2202002.157 S2C2T2 Fl. 105 3 DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 30/04/2010 (vide AR de fl. 69 verso), o contribuinte apresentou, em 18/05/2010, tempestivamente, o recurso de fls. 70 a 82, no qual reitera, basicamente, os termos de sua impugnação. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 1, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/07/2012, veio numerado até à fl. 102 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13706.004332/200742 Acórdão n.º 2202002.157 S2C2T2 Fl. 106 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A questão controvérsia submetida a apreciação deste Colegiado se resume à incidência ou não do imposto de renda sobre verbas recebidas pelo recorrente a título de adicional por tempo de serviço. Inicialmente, importa transcrever o art. 150 da Constituição Federal (grifos nossos): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) IV utilizar tributo com efeito de confisco; V estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13706.004332/200742 Acórdão n.º 2202002.157 S2C2T2 Fl. 107 5 instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] 6o Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, "g". [...] O texto constitucional deixa claro que, respeitados os limites acima estabelecidos, a competência da União para instituir tributos é ampla, e se o fato concreto não se enquadrar nas hipóteses de exclusão do campo de incidência, está sujeito ao imposto específico. Assevera, ainda, que somente lei específica poderá disciplinar a exceção (isenção total ou parcial, anistia ou remissão). Como se sabe, são tributáveis todos os rendimentos produto do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos, bem como os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, que não estiverem contemplados nas hipóteses de isenção, independentemente de sua denominação, bastando que fique demonstrado o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, conforme disposto no art. 3o da Lei no Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5o Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13706.004332/200742 Acórdão n.º 2202002.157 S2C2T2 Fl. 108 6 Destaquese que a Lei no 7.713, de 1988, tratou também de revogar todas as isenções e exclusões da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, passando a considerar isentos apenas os rendimentos listados em seu art. 6o. Tratase de uma lista exaustiva e somente se poderá invocar nova hipótese de isenção não contemplada no referido artigo se esta estiver expressa em lei específica, tendo em vista o disposto no art. 111 do CTN. A Lei no 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, mencionada pelo recorrente, regulamenta os incisos XI e XII do art. 37 da Constituição Federal, dispondo sobre a remuneração dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, definindo diversos tipos de rendimentos recebidos e estabelecendo limites, não contemplando, entretanto, hipóteses de isenção ou não incidência do imposto de renda. No art. 1o, define os conceitos de vencimento básico, vencimento e remuneração para fins de aplicação de seus dispositivos. O fato de o inciso III deste artigo excluir diversas verbas do conceito de remuneração (alíneas de “a” até “r”), dentre elas, o adicional por tempo de serviço, não tem o condão de excluir esses valores do campo de incidência do imposto de renda. Convém salientar que não cabe maiores discussões acerca da natureza da Lei no 8.852, de 1995, uma vez que o entendimento adotado por esta Conselheira já foi pacificando no âmbito deste Tribunal, por meio da Súmula CARF no 68, de aplicação obrigatória desde 07/12/2010: Súmula CARF no 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Da mesma forma, não obstante alegue o recorrente que o adicional por tempo de serviço pago pelo ente público teria natureza indenizatória em razão das restrições impostas ao servidor público, verdade é que para que se caracterize a isenção é necessário que exista dispositivo expresso em lei específica que a reconheça, nos termos do art. 150, §6o, da Constituição Federal e do art. 111 do CTN. Como exemplo de indenizações isentas temos: a indenização por acidente de trabalho (art. 6º, inciso IV, da Lei nº 7.713); a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (art. 70, § 5º, da Lei nº 9.430, 1996); pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (art. 14 da Lei nº 9.468, de 1997); a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista (art. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988); e outras. Assim, não havendo um dispositivo expresso em lei que conceda isenção ao adicional por tempo de serviço, tais verbas, seja qual for a denominação dada, constituem rendimentos do trabalho assalariado e, portanto, estão sujeitas à tributação do imposto de renda. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13706.004332/200742 Acórdão n.º 2202002.157 S2C2T2 Fl. 109 7 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10665.903471/2010-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO BÁSICO. PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos
aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3803-003.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 20181.85701.131006.1.1.018007 (fls. 36 a 117), relativo a saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2005 pelo estabelecimento 19.543.206/000196 no valor de R$ 29.894,70. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 34 71 /2 01 0- 91 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 crédito demonstrado no referido PER foi requerido na DCOMP 39350.25757.131006.1.3.019101. A verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento foi efetuada pelo processamento eletrônico, tendo sido emitido o despacho decisório eletrônico de fls. 34, não homologando os valores requeridos utilizando como fundamentos no art. 11 da Lei 9779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4544/2002; art. 74 da Lei 9430/96. A Requerente defende o direito ao crédito pleiteado, argumentando, resumidamente, que: a) a produção de minério de ferro, na etapa do processamento, envolve os subprocessos de britagem, peneiramento, hidroclonagem e filtragem a vácuo, processos esses que “evidenciam claramente o processo de beneficiamento”, caracterizado como industrialização segundo art. 4º do RIPI/2002; b) o minério de ferro está alcançado pela imunidade conferida pela Constituição Federal de 1998, sendo que a notação NT da TIPI não altera a verdadeira natureza de tratarse de um produto imune; c) a Receita Federal havia reconhecido, mediante a IN SRF nº 33, de 1999, o direito ao crédito do IPI oriundo das aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes, sendo que posteriormente, em 2006, editou o ADI nº05, não reconhecendo esse direito, o que representou mudança de entendimento e, portanto, não se aplicaria a fatos geradores anteriores à publicação do ADI; d) reconhecer o direito ao crédito aos estabelecimentos que dão saídas a produtos isentos e não reconhecer esse direito aos que dão saídas a produtos imunes representa afronta ao princípio da igualdade; e) mediante soluções de consulta, a Receita Federal reconheceu o direito ao crédito ora em discussão a diversas mineradoras (que protocolaram processos de consulta à legislação tributária), o que ocasionou, para elas, que o ADI 05/2006 só se tornou aplicável após sua publicação, sendo que as demais mineradores ficaram sem esse direito. Isso representa afronta ao princípio da livre concorrência, pois caracteriza tratamento desigual a empresas que se encontram na mesma situação tributária/fiscal; f) que o Poder Judiciário já se pronunciou, em inúmeros julgados, favoravelmente ao reconhecimento do direito de aproveitamento do crédito do IPI nas aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. A DRJ em Juiz de Fora considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório por considerar que os produtos fabricados pela interessada (minério de ferro, NCM 2601.11.00, e pedra britada, NCM 2517.10.00) possuem na TIPI notação NT (não tributados), concluindo pela inexistência do direito ao crédito pleiteado conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO BÁSICO. PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10665.903471/201091 Acórdão n.º 3803003.427 S3TE03 Fl. 11 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 15/02/2012, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual advoga a mesma tese da manifestação de inconformidade, requerendo ao final, a suspensão da cobrança e homologação da DCOMP. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que conheço e passo a análise do mérito. O Regulamento do IPI (decreto 4.544, de 26/12/2002), vigente na data da transmissão dos pedidos, nos seus artigos 163 e 190, determinam que a aquisição de MP, PI e ME empregados na fabricação de produtos não tributados, não podem ser escriturados como créditos: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n— 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade:[...] § 1— Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal.” A classificação dos produtos objeto da glosa pela fiscalização, quais sejam. minério de ferro e a pedra britada (NCMs 2601.11.00 e 2517.10.00) estão incertos na seção V capítulo 25 (Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento) e no capítulo 26 (Minérios, escórias e cinzas), vejamos: CM DESCRIÇÃO LÍQUOTA (%) 6.01 Minérios de ferro e seus concentrados, incluídas as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas). Não aglomerados Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 601.11.00 T 517.10.00 Calhaus, cascalho, pedras britadas, dos tipos geralmente usados em concreto ou para empedramento de estradas, de vias férreas ou outros balastros, seixos rolados e sílex, mesmo tratados termicamente T Entendemos que não é o fato do procedimento enquadrarse no conceito de industrialização que converteo, inexoravelmente, em produto industrializado tributado. Por isso os produtos dos capítulos iniciais da TIPI (produtos naturais) possuem, na sua esmagadora maioria, notação NT, independentemente do tipo de processo a que são submetidos pelas empresas que lidam com esses produtos. Ressaltese que o entendimento acerca dessa matéria encontrase pacificado no âmbito deste órgão administrativo de julgamento, através da Súmula nº 20 do CARF: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Quanto ao argumento da Manifestante de que o ADI SRF 05/2006 representa mudança de entendimento da administração e, como tal, só se aplicaria a partir de sua publicação, não alcançando créditos escriturados antes dessa data (como no caso presente), o ADI 05/2006 veio, tão somente, uniformizar o entendimento acerca da matéria abordada. Como se sabe, em regra, a norma jurídica projeta sua eficácia para o futuro. Assim, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência, não devendo se falar em aplicação retroativa da lei. Podese dizer que esta é a regra geral do direito intertemporal. Todavia, haverá situações, em que a lei, expressamente, poderá reportarse a fatos pretéritos, modificando seus efeitos jurídicos, elidindo a incidência da lei anterior. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio da irretroatividade relativa da lei ao determinar que esta não atingirá o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e coisa julgada (art. 5º XXXVI); ou mesmo quando prevê que "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal" (art. 5º XXXIX). No que diz respeito à matéria tributária, a Constituição proíbe a cobrança de tributos em relação "a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado" (art. 150, III, "a"). Por outro lado, diz o art. 106, I, do Código Tributário Nacional que a lei aplicase ao ato ou fato pretérito, ou seja, ocorrido antes do início de sua vigência, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, ressalvando a aplicação de penalidade pela infração dos dispositivos interpretados. Ademais, é manifestação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal que as leis interpretativas não são inconstitucionais: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MEDIDA PROVISORIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO LEIS INTERPRETATIVAS A QUESTÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEIS DE CONVERSAO POR MEDIDA PROVISORIA PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CARÁTER RELATIVO LEIS INTERPRETATIVAS E APLICAÇÃO RETROATIVA REITERAÇÃO DE MEDIDA PROVISORIA SOBRE MATÉRIA APRECIADA E REJEITADA PELO CONGRESSO NACIONAL PLAUSIBILIDADE JURÍDICA AUSÊNCIA DO "PERICULUM IN MORA" Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10665.903471/201091 Acórdão n.º 3803003.427 S3TE03 Fl. 12 5 INDEFERIMENTO DA CAUTELAR. E PLAUSÍVEL, EM FACE DO ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, O RECONHECIMENTO DA ADMISSIBILIDADE DAS LEIS INTERPRETATIVAS, QUE CONFIGURAM INSTRUMENTO JURIDICAMENTE IDONEO DE VEICULAÇÃO DA DENOMINADA INTERPRETAÇÃO AUTENTICA. – AS LEIS INTERPRETATIVAS DESDE QUE RECONHECIDA A SUA EXISTÊNCIA EM NOSSO SISTEMA DE DIREITO POSITIVO NÃO TRADUZEM USURPAÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DO JUDICIARIO E, EM CONSEQUENCIA, NÃO OFENDEM O POSTULADO FUNDAMENTAL DA DIVISAO FUNCIONAL DO PODER. MESMO AS LEIS INTERPRETATIVAS EXPOEMSE AO EXAME E A INTERPRETAÇÃO DOS JUIZES E TRIBUNAIS. NÃO SE REVELAM, ASSIM, ESPÉCIES NORMATIVAS IMUNES AO CONTROLE JURISDICIONAL. A QUESTÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEIS DE CONVERSAO POR MEDIDA PROVISORIA EDITADA PELO PRESIDENTE DA REPUBLICA. O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE "SOMENTE" CONDICIONA A ATIVIDADE JURÍDICA DO ESTADO NAS HIPÓTESES EXPRESSAMENTE PREVISTAS PELA CONSTITUIÇÃO, EM ORDEM A INIBIR A AÇÃO DO PODER PÚBLICO EVENTUALMENTE CONFIGURADORA DE RESTRIÇÃO GRAVOSA (A) AO "STATUS LIBERTATIS" DA PESSOA (CF, ART. 5. XL), (B) AO "STATUS SUBJECTIONAIS" DO CONTRIBUINTE EM MATÉRIA TRIBUTARIA (CF, ART. 150, III, "A") E (C) A "SEGURANÇA" JURÍDICA NO DOMÍNIO DAS RELAÇÕES SOCIAIS (CF, ART. 5., XXXVI). NA MEDIDA EM QUE A RETROPROJEÇÃO NORMATIVA DA LEI "NÃO" GERE E "NEM" PRODUZA OS GRAVAMES REFERIDOS, NADA IMPEDE QUE O ESTADO EDITE E PRESCREVA ATOS NORMATIVOS COM EFEITO RETROATIVO. AS LEIS, EM FACE DO CARÁTER PROSPECTIVO DE QUE SE REVESTEM, DEVEM, "ORDINARIAMENTE", DISPOR PARA O FUTURO. O SISTEMA JURÍDICO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, CONTUDO, "NÃO" ASSENTOU, COMO POSTULADO ABSOLUTO, INCONDICIONAL E INDERROGAVEL, O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. A QUESTÃO DA RETROATIVIDADE DAS LEIS INTERPRETATIVAS” Grifo nosso. Aduz a Manifestante que, reconhecer o direito ao crédito em discussão aos estabelecimentos que dão saídas a produtos isentos e não reconhecer esse direito aos que dão saídas a produtos imunes representa afronta ao princípio da igualdade. Entretanto, o que temos neste processo é o simples fato que os produtos produzidos pela empresa, são de notação NT e não fazem jus ao crédito requerido, pelo que, entendemos não haver afronta ao principio da igualdade, mas tão somente a pura e simples aplicação da norma legal vigente. A Recursante ainda alegou que a Receita Federal teria afrontado o princípio da livre concorrência, quando, em decisões proferidas em processos de consulta, reconheceu o direito ao crédito ora em discussão a diversas mineradoras (que protocolaram processos de consulta à legislação tributária). Ao assim proceder, fez com que, para essas mineradoras (consulentes), o ADI 05/2006 só fosse aplicável após sua publicação, sendo que as demais mineradores ficaram sem esse direito. Isso representaria afronta ao princípio da livre concorrência, pois caracterizaria tratamento desigual a empresas que se encontram na mesma situação tributária/fiscal. O presente processo pode apenas apreciar os fatos aqui contidos e não discorrer sobre julgados anteriores, e decisões diversas da Receita Federal. Tais decisões e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 julgados não possuem efeitos erga omnes, só alcançando os seus autores, erga singulum, como é o caso dos procedimentos de consulta. Ante o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntario, e manter a não homologação das compensações requeridas. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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