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Numero do processo: 16045.000366/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.377
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência; e II) por maioria de votos, dar provimento parcial, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata sobre as contribuições não declaradas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicavam a regra prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência; e II) por maioria de votos, dar provimento parcial, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata sobre as contribuições não declaradas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicavam a regra prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000366/200787 Acórdão n.º 240102.377 S2C4T1 Fl. 125 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.037.2760, lavrado contra o contribuinte acima identificado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar a totalidade dos fatos geradores de contribuições sociais mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP . De acordo com o relatório fiscal, fl. 17: Em ação fiscal na empresa acima se constatou que a mesma elaborou e apresentou GFIP´s com dados inexatos nos campos 31 e 32 "remuneração/remuneração 13.º, dos seus estabelecimentos matriz e filial CNPI: 04.529.8841000208, o que constituiu infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5.º, da Lei 8.212/91. O Anexo I Matriz = Relação dos Contribuintes Individuais não informados na GFIP, contem os valores referentes aos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços, pessoas físicas, com seus totais mensais e totais geral. Estes valores foram apurados através dos lançamentos contábeis, do período de 03/2002 a 12/2006, e não estão incluídos nas GFIP "s apresentadas. O Anexo II Filial Relação dos Contribuintes Individuais não informados na GFIP, contem os valores referentes aos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços, pessoas físicas, com seus totais mensais e totais geral. Estes valores foram apurados através dos lançamentos contábeis, do período de 07/2005 a 12/2006, e não estão incluídos nas GFIP´s apresentadas. Cientificada do lançamento em 11/07/2007, fl. 37, a empresa apresentou impugnação, fls. 45 e segs., na qual alegou, em apertada síntese, que, em razão da decadência do direito da Fazenda de exigir as contribuições, estaria a empresa desobrigada de declarar os fatos geradores supostamente ocorridos até a competência 06/2002. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP) declarou, fls. 80 e segs., o lançamento procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/07/2007 PREVIDENCIÁRIO INFRAÇÃO MULTA DEIXAR A EMPRESA DE INFORMAR CORRETAMENTE POR MEIO DE DOCUMENTO. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP' S Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Informação à Previdência Social com dados inexatos relacionados aos fatos geradores das contribuições. É de dez anos o prazo para apuração e constituição do crédito previdenciário, na inteligência do art. 45 da Lei n°. 8.212/91. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. Lançamento Procedente Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 91 e segs., no qual, repete as alegações de decadência e pede, ao final, que o presente recurso voluntário seja julgado procedente para reformar a decisão prolatada pela DRJ em Campinas e anular o presente auto de infração tendo em vista a ocorrência da decadência dos fatos geradores ocorridos anteriormente a Junho de 2002, considerando que o crédito tributário foi definitivamente constituído em 11/07/2007. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000366/200787 Acórdão n.º 240102.377 S2C4T1 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Passemos ao argumento concernente à impossibilidade do fisco de exigir documentos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 06/2002, em razão da decadência quinquenal do CTN, é que a empresa não se contrapôs a afirmação do fisco quanto à falta de apresentação dos documentos. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que o sujeito passivo teve ciência do lançamento em 11/07/2007 (fl. 209) e que os fatos geradores não declarados ocorreram entre as competências de 03/2002 a 12/2006. Tratandose de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória devese aplicar o art. 173, I, do CTN, o que me leva a afastar a decadência suscitada. A aplicação da multa mais benéfica Embora não tenha sido suscitada no recurso, devo de ofício ponderar sobre a aplicação da nova legislação que trata da multa para esse tipo de infração. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para as infrações relacionadas à GFIP pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multas aplicada na NLFD correlata (n.º 37.037.2735) sobre as contribuições não declaradas. Conclusão Assim, voto por afastar a decadência suscitada e, no mérito, pelo provimento parcial, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata sobre as contribuições não declaradas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000366/200787 Acórdão n.º 240102.377 S2C4T1 Fl. 127 7 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005301/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações acessórias
Data do fato gerador: 18/12/2007
NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR.
Não confere nulidade ao Auto de Infração a indicação incorreta da data do fato gerador, quando, na descrição dos fatos, foi aposta a data correta, tendo sido demonstrado nos autos que a contribuinte possuía pleno conhecimentos dos fatos descritos e das imputações infligidas.
MULTA. INGRESSO DE PESSOA EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO SEM A REGULAR AUTORIZAÇÃO.
Incide a multa prevista no art. 107, inciso VIII, alínea "a" do Decreto-lei n°37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, pelo ingresso de pessoa em recinto sob controle aduaneiro, sem a regular autorização.
Rejeitada preliminar de nulidade do Auto de Infração; no mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.540
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararam-se impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Obrigações acessórias Data do fato gerador: 18/12/2007 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR. Não confere nulidade ao Auto de Infração a indicação incorreta da data do fato gerador, quando, na descrição dos fatos, foi aposta a data correta, tendo sido demonstrado nos autos que a contribuinte possuía pleno conhecimentos dos fatos descritos e das imputações infligidas. MULTA. INGRESSO DE PESSOA EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO SEM A REGULAR AUTORIZAÇÃO. Incide a multa prevista no art. 107, inciso VIII, alínea "a" do Decreto-lei n°37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, pelo ingresso de pessoa em recinto sob controle aduaneiro, sem a regular autorização. Rejeitada preliminar de nulidade do Auto de Infração; no mérito, recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1 1 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.005301/200875 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.540 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente LIBRA TERMINAIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações acessórias Data do fato gerador: 18/12/2007 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR. Não confere nulidade ao Auto de Infração a indicação incorreta da data do fato gerador, quando, na descrição dos fatos, foi aposta a data correta, tendo sido demonstrado nos autos que a contribuinte possuía pleno conhecimentos dos fatos descritos e das imputações infligidas. MULTA. INGRESSO DE PESSOA EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO SEM A REGULAR AUTORIZAÇÃO. Incide a multa prevista no art. 107, inciso VIII, alínea "a" do Decretolei n°37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, pelo ingresso de pessoa em recinto sob controle aduaneiro, sem a regular autorização. Rejeitada preliminar de nulidade do Auto de Infração; no mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararamse impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01/05, que constituiu crédito tributário no valor de R$ 2.500,00, correspondente à multa por ingresso de pessoa em local sob controle aduaneiro, sem a regular autorização; prevista pelo artigo 107, VIII, "a", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Conforme relato da autoridade autuante, em 18/12/2007, ficou constatada a presença de cinco pessoas dentro do navio ZHEN HUA, sem a devida autorização de acesso a bordo por parte da Alfândega do Porto de Santos. A irregularidade foi denunciada por agentes da CODESP, conforme consta do Registro Diário de Ocorrências da Companhia Docas do Estado de São Paulo (fls. 09/10), tendo sido confirmada por posterior levantamento feito pela autoridade fiscal, através dos Termos de Intimação n°s 08/2008 e 43/2008, endereçados respectivamente às empresas Tecnimport e Libra Terminais (fls. 14/18). Pelo fato de a empresa autuada ser a responsável por zelar pelo atendimento às normas de acesso e controle da área aduaneira, a fiscalização aplicoulhe a multa prevista no normativo citado. Cientificada do lançamento em 21/08/2008 (fl. 23 verso), a interessada apresentou impugnação em 22/09/2008 (fls. 31/51), alegando em síntese que: (a) o auto de infração informa sobre "cinco pessoas dentro do Navio Zhen Hua, sem a devida autorização de acesso a bordo". Todavia, os nove técnicos chineses da Empresa ZPMC tinham autorização expedida pela autoridade competente, para acompanhar o desembarque de equipamentos importados para a Libra Terminais na área do costado; (b) mesmo que ficasse comprovada a existência de pessoas em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a devida autorização, o valor da multa prevista na legislação é de R$ 500,00 e não o valor descabido de R$ 2.500,00, lançado no auto de infração; (c) se existe uma hipótese de incidência para a multa regulamentar, a mesma ocorreu na data em que houve a entrada de pessoas supostamente não autorizadas em área aduaneira, vale dizer, dia 18/12/2007; em divergência do descrito nos fatos e no enquadramento legal informado em auto de infração, no qual indica como fato gerador a data de 06/07/2008, ou seja, sete meses após a ocorrência; (d) na data dos fatos, houve o desembarque de equipamentos vindos da China, acompanhados de técnicos chineses. Conforme explicitado em resposta à Intimação n° 43/2008 da Alfândega do Porto de Santos, e diante de evento imprevisível que impediu o desembarque de outros equipamentos, modificou toda a estratégia operacional e os técnicos, apesar de possuírem permissão de ingresso na área do cais, tiveram que subir a bordo para solucionar o problema mecânico; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.005301/200875 Acórdão n.º 3202000.540 S3C2T2 Fl. 2 3 (e) requer, assim, sejam acolhidas as preliminares suscitadas para considerar nulo o auto de infração por não descrever o fato imputável, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, todos em desacerto com a norma legal; e, caso sejam superadas, requer no mérito a improcedência do Auto de Infração, uma vez que o alegado está comprovado por documentos acostados, devendo a autuada ser eximida da multa lançada. Por meio do Termo n° 404/2008 (fl. 54), a interessada foi intimada a regularizar sua representação processual, providência que foi adotada pelos documentos juntados às fls. 55/58.” A DRJSão Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação (fls. 61/65), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/12/2007 Ementa: MULTA. INGRESSO DE PESSOAS EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO SEM A REGULAR AUTORIZAÇÃO. Incide a multa prevista no art. 107, inciso VIII, alínea "a" do Decretolei n°37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, pelo ingresso de pessoa em recinto sob controle aduaneiro, sem a regular autorização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese: nulidade do Auto de Infração, pois este consignou a data do fato gerador de 06/07/2008, quando, na verdade, o fato ocorreu em 18/12/2007; e que a legislação fala em multa de R$ 500,00 por ingresso de pessoa sem regular autorização, em local ou recinto sob controle aduaneiro, e não em R$ 500,00 por pessoa. Deste modo, o valor da multa aplicada, de R$ 2.500,00, seria descabido. Requer, ao final, o provimento do recurso voluntário, para que seja declarado nulo o auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Ao teor do relatado, cuida a lide de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte LIBRA TERMINAIS S/A para exigência da multa prevista no art. 107, VIII, “a”, do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº. 10.833/2003, por ingresso de pessoa, em local sob controle aduaneiro, sem a regular autorização. Preliminarmente, alega a querelante a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que este consignou, no campo “data do fato gerador”, a data de 06/07/2008, quando, na verdade, os fatos que ensejaram a autuação ocorreram em 18/07/2007. De plano, vêse, claramente, que o equívoco se trata de um lapso manifesto, vez que a autoridade autuante repetiu, como data do fato gerador, a data da emissão do Auto de Infração. Entretanto, na descrição dos fatos, as datas foram consignadas corretamente, não trazendo qualquer prejuízo à recorrente, que muito bem pôde identificar a que fatos dizia respeito a autuação. Não se vislumbra qualquer prejuízo à recorrente, que demonstrou ter compreendido perfeitamente a exigência fiscal e apresentou sua defesa de forma apropriada para a lide, tanto na impugnação como em fase recursal. O equívoco em que incorreu a autuação não impediu a compreensão dos fatos em que se baseou a infração imputada à autuada. No Direito brasileiro, o interessado se defende dos fatos, de forma que, restando os fatos perfeitamente narrados pela autoridade fiscal no Auto de Infração, propiciando, desse modo, a ampla defesa ao contribuinte que, no conteúdo de sua impugnação e recurso voluntário, mostrou haver compreendido perfeitamente a exigência que lhe fora imposta e a natureza da infração que lhe foi atribuída não há que se falar em nulidade do Auto de Infração por erro na indicação da data do fato gerador. Acertado, pois, o entendimento manifestado pela autoridade julgadora de primeira instância, ao assim afirmar: Considerando, assim, que a descrição dos fatos contida no lançamento é suficientemente clara; as disposições legais que regulam a matéria foram devidamente citadas; a defesa lançada pela impugnante dá conta da perfeita cognição dos fatos que lhe são imputados; entendemos que inexiste na hipótese causa de nulidade do auto de infração, mesmo porque o erro na indicação da data do fato gerador não se enquadra nas hipóteses de nulidades previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, exceto no caso de restar configurado o cerceamento ao direito de defesa, já afastado no presente caso. Desta forma, há que se rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, alega a recorrente que o valor da multa imputada seria tão somente de R$500,00, em valor único, e não de R$ 500,00 para cada pessoa que ingressou irregularmente no local sob controle aduaneiro. Vejase o que dispõe o art. 107, VIII, “a”, do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº. 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ......................................................................................................... VIII de R$ 500,00 (quinhentos reais):): Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.005301/200875 Acórdão n.º 3202000.540 S3C2T2 Fl. 3 5 a) por ingresso de pessoa em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização, aplicada ao administrador do local ou recinto; Da simples leitura do texto da lei, fica claro que multa de R$ 500,00 é aplicada por ingresso de pessoa, em recinto sob controle aduaneiro, sem regular autorização. Vejase que a lei fala em “pessoa”, no singular. Se o ingresso de mais de uma pessoa ficasse sujeito a uma única multa de R$500,00, a legislação traria a palavra “pessoas”, no plural, de forma que a multa de R$ 500,00 seria aplicada pelo ingresso de pessoas, em recinto sob controle aduaneiro, sem a regular autorização. Não é esse, entretanto, o texto da lei. Fica claro, portanto, que a multa de R$ 500,00 é aplicada para cada pessoa que ingresse irregularmente, não podendo abranger um único valor o ingresso de mais de uma pessoa, conforme pretende a recorrente. Constatado que cinco pessoas subiram a bordo do navio sem que tivessem autorização da autoridade alfandegária para tanto, correta a aplicação da multa no valor de R$ 2.500,00. Pelo exposto, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.002963/2005-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
SIMPLES FEDERAL CORRESPONDENTE BANCÁRIO
Os correspondentes bancários não estão proibidos de ingressar no Simples Federal, pois esta atividade não se assemelha a de corretor e nem é legalmente regulamentada.
Numero da decisão: 1201-000.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10945.002963/200554 Acórdão n.º 120100.613 S1C2T1 Fl. 95 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz e João Carlos de Lima Júnor. Relatório DO PEDIDO, DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das peças inaugurais do presente feito: Trata o processo de manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por motivo de exercício de atividade vedada. 2. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Foz do Iguaçu, emitido em 22/02/2006, à fl. 49, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/10/2002, por incorrer na vedação prevista no art. 9 º, XIII da Lei n° 9.317, de 1996. 3. Intimada do ADE em 02/03/2006, conforme AR de fl. 51, tempestivamente, em 07/11/2005, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 52, que se resume a seguir: a. Informa que mantém o entendimento de que sua atividade de então não é vedada ao Simples, pois não exercia a atividade de captação de empréstimos e sim de levantamento de cadastro, informação esta então repassada ao Banco BMG SA, ou seja, Correspondente Bancário; b. Cita a Instrução Normativa n° 608, art. 20, inciso 8º; c. Alega que, em caso de indeferimento do pedido, não possui saúde financeira para arcar com o pagamento dos impostos que seriam apurados pela alteração que ocasionaria a exclusão do Simples, e que a sua atividade desde outubro de 2005 passou a ser "sorveteria", conforme alteração contratual. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 77 a 79) negou provimento à manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo reproduzida: EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. CAPTAÇÃO DE CLIENTES PARA Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10945.002963/200554 Acórdão n.º 120100.613 S1C2T1 Fl. 96 3 EMPRÉSTIMOS JUNTO A BANCO. CONTRATO DE AGÊNCIA. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. VEDAÇÃO. O contrato de representação comercial, incorporado ao novo código civil sob a denominação de agência, caracterizase pela obrigação, pelo representante, de realizar certos negócios, em zona determinada, à conta de outra, mediante retribuição, ou seja, intermediação de negócios, como a captação de clientes para firmar contratos de empréstimos junto a banco, sendo vedado ao Simples. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 86 e 87, mediante o qual basicamente aduziu as mesmas razões já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A refrega se restringe à análise fática, isto é, se o sujeito passivo exercia (i) intermediação de negócios ou apenas a atividade de (ii) cobrança e preenchimento de cadastro. Ora, o conjunto probatório carreado pela Fazenda Pública é extremamente robusto no sentido de que a atividade exercida no anocalendário em que foi excluído do sistema favorecido era, de fato, a intermediação de negócios. Abaixo, reproduzimos a análise empreendida pela autoridade julgadora de primeiro grau: 10. De fato, na petição inicial de fls. 08/11, datada de 23/08/2005, pela qual o contribuinte demandou em juízo a restituição do IRRF, a autora declarou que é prestadora de serviços de captação de contratos de empréstimos junto a servidores públicos, tendo mantido contrato de prestação de serviços com o Banco BMG entre setembro de 2002 a maio de 2004. 11. Em 18/11/2005, a empresa foi intimada pela DRF/Foz do Iguaçu a apresentar o referido contrato, assim como todos os blocos de notas fiscais emitidos entre 06/06/2002 a 31/10/2005, conforme termo de fl. 15. Foram juntadas as notas fiscais de fls. 17/32, emitidas pelo contribuinte entre 02/09/2002 e 03/09/2004, tendo como descrição dos serviços "serviços prestados na captação de contratos de empréstimos junto aos servidores municipais", "serviços prestados na captação de contratos de empréstimos junto aos servidores federais", "serviços prestados na captação de contratos de empréstimos junto aos servidores públicos", "intermediação de negócios". Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10945.002963/200554 Acórdão n.º 120100.613 S1C2T1 Fl. 97 4 12. Segundo o contrato firmado entre o contribuinte e a BMG, às fls. 37/43, em 13/11/2002, a contratada comprometeuse a realizar as seguintes tarefas: Contatar clientes, inclusive funcionários públicos nas cidades indicadas pelo BMG, com o escopo de identificar interessados em contrair empréstimos junto ao BMG; Montar estrutura que possibilite a promoção da carteira de crédito e financiamento do BMG, empreendendo todos os esforços para desenvolver e assegurar o bom nível da captação; Contatar os interessados, prestandolhes os devidos esclarecimentos e orientações sobre a forma e condições da operação, de acordo com o estabelecido pelo BMG, preenchendo toda a documentação necessária a formalização do empréstimo ou financiamento, inclusive ficha cadastral, colhendo as assinaturas exigidas, encaminhando em seguida ao BMG para aprovações e liberações dos recursos; Oferecer o crédito ou financiamento de acordo com o estabelecido pelo BMG, não podendo ser concedido descontos, abatimentos e prorrogação de prazos sem a prévia aprovação do BMG; Tratandose de tomadores, servidores públicos, se obriga a obter a homologação e a reserva de margem consignável junto ao órgão público pagador respectivo, nos termos da sistemática legal aplicável, onde o BMG possua o respectivo código. 13. O contrato de representação comercial foi incorporado ao novo Código Civil, em seu artigo 710, sob a denominação de "contrato de agência". Segundo o novo estatuto civil, esse contrato caracterizase pela obrigação, pelo representante, de realizar certos negócios, em zona determinada, à conta de outra, mediante retribuição. Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. (Grifouse) Parágrafo único. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. 14. A diferença, em relação à espécie contratual prevista na lei especial do representante comercial, é que, nesta, ambos os contratantes são empresários, o que não necessariamente ocorre na disciplina do código civil. São essas as lições dadas por Carlos Roberto GONÇALVES, em sua obra "Direito Civil Brasileiro", São Paulo: Saraiva, 3ª ed., 2007, p. 436: Quando ocorre a situação prevista no parágrafo único supratranscrito, em que o proponente confere poderes ao Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10945.002963/200554 Acórdão n.º 120100.613 S1C2T1 Fl. 98 5 agente para que este o represente na conclusão dos contratos, configurase o contrato de representação comercial autônoma, regido pela Lei n° 4.886, de 9 de dezembro de 1965, com as alterações feitas pela Lei n° 8.420, de 8 de maio de 1992. Neste as partes necessariamente serão empresárias. No contrato de agência, regulamentado pelo novo Código Civil, não é necessário que o agente ou o proponente sejam empresários, como sucede, por exemplo, com o agente de um atleta profissional ou de renomado ator ou cantor. 15. O representante comercial, portanto, é aquele que promove a realização de certos negócios à conta da outra parte, isto é, atua na intermediação de negócios entre um empresário e o consumidor final. Há farta comprovação nos autos que a empresa exerce atividade de intermediação de negócios, ou seja, representação comercial, que é vedada ao Simples. Não procede a alegação da impugnante, que afirma que não exercia a atividade de captação de empréstimos e sim de levantamento de cadastro, o que a faria inserirse no conceito de correspondente bancário. No entanto, as informações acima transcritas são claras, e indicam que os negócios intermediados pelo contribuinte tinham por objeto a obtenção de pedidos de empréstimos pessoais ou de créditos, e não simplesmente levantamento de cadastro. Em nenhuma parte do seu recurso, a defesa busca infirmar as provas apresentadas pela Fazenda, segundo as quais a atividade exercida no período foi a de “Correspondente Bancário”, que corresponde a um tipo de intermediação de negócios. Quanto ao direito, é oportuno destacar que a decisão de primeiro grau reproduzir decisões do CARF, mas relativas ao Simples Nacional, cujo dispositivo proibitivo apresenta redação diversa daquela atinente ao Simples Federal. A vedação ao ingresso no Simples Nacional relativamente a intermediação de negócios possui a seguinte redação (inciso XI, art. 17, da LC 123/06): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; Já o fundamento legal para a exclusão do Simples Federal é assim redigido (inciso XIII, art. 9º, da Lei nº 9.317/96): Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10945.002963/200554 Acórdão n.º 120100.613 S1C2T1 Fl. 99 6 (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Nos termos da Lei Complementar, não restam dúvidas de que a atividade é vedada. Já, nos termos da lei ordinária, a vedação não é expressa. Desse modo, só seria vedada caso se enquadrase na qualificação de “assemelhada” a qualquer uma das literalmente previstas ou se constituísse de “profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida”. Quanto a esse último, há resoluções do Banco Central que estabelecem regras para a contratação de correspondentes bancários, mas não há lei que discipline a atividade. Ademais, tais diplomas normativos infralegais são dirigidos às instituições bancárias e não aos correspondentes. Já em relação a “assemelhados”, a única atividade razoavelmente assemelhada é a de “corretor”. Todavia, entendemos que essa atividade consta do rol de proibições apenas por ser um exemplo de profissão legalmente regulamentada, o que a diferencia pelo critério legal daquela exercida pelos correspondentes bancários. Desse modo, entendemos que não havia vedação legal para ingresso no simples federal das empresas que exerciam a atividade de correspondentes bancários. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 12897.000089/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei n º. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. Também são objeto de tributação os valores de depósitos bancários que tem origem comprovada em receitas auferidas na atividade operacional, mas suprimidas da escrituração fiscal e sonegadas do Fisco. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Numero da decisão: 1801-001.049
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DE MATERIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei n º. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. Também são objeto de tributação os valores de depósitos bancários que tem origem comprovada em receitas auferidas na atividade operacional, mas suprimidas da escrituração fiscal e sonegadas do Fisco. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 1237.604, de 31/05/2011, da 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por maioria de votos, julgou procedentes as exigências consubstanciadas nos presentes autos. Histórico. Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJSimples, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Simples, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINSSimples, Contribuição ao Programa de Integração Social – PISSimples, e Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 1.050.824,96, aí incluídos o principal, a multa de ofício, a multa de ofício qualificada, a multa regulamentar e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2005 (fls. 96/175 e demonstrativos de fls. 176/177). De acordo com o relato constante do Termo de Constatação de Infrações (fls. 92/95), tratase de empresa que, no período em questão, optou pelo Simples e fora intimada a apresentar Livros Caixa ou Diário e Razão, Registro de Saídas, talonário de notas fiscais de vendas e extratos bancários do Banco Bradesco e Banco do Brasil. Em atendimento teria apresentado apenas os extratos bancários solicitados. Não ofereceu qualquer livro de Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 427 3 escrituração e informou que os talonários teriam sido extraviados por ocasião da mudança de endereço. No referido anocalendário 2005 teria declarado ao Fisco Federal na respectiva PJSI, receitas totais no montante de R$ 115.685,15, enquanto que teria recebido créditos em suas contas correntes bancárias, no mesmo período, no importe total de R$ 4.231.737,87, razão pela qual foi intimada a comprovar a origem do numerário movimentado em contascorrentes bancárias. Em resposta teria encaminhado o documento de fl. 91 informando que os depósitos teriam origem na "Prefeitura do RJ, Prefeitura de Vitória , como aparece mencionado nos extratos ..." (referindose ao Banco Bradesco). Verificouse, no entanto, que somente em alguns valores constantes daquele extrato do Banco Bradesco constaria discriminada a origem do recurso. Nos outros, não haveria nenhuma menção da procedência, o que também se daria em relação aos extratos do Banco do Brasil. Os valores de depósitos/créditos bancários de origem comprovada foram considerados como receitas não escrituradas e levados à tributação com a incidência da multa qualificada de 150%, e aqueles que não tiveram a origem comprovada foram considerados como receitas omitidas e levados à tributação com a aplicação da multa de ofício de 75%. Como conseqüência da constatação de ter auferido receitas em montante superior ao limite legal estabelecido para permanecer na sistemática do Simples (R$ 1.200.000,00), sem comunicar o fato ao Fisco Federal, foi formalizada Representação para exclusão de ofício do Simples a partir do anocalendário 2006 (fls. 187), e aplicada a multa regulamentar prevista no art. 21 da Lei 9.317/96, correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos no mês de dezembro/2003. Também foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais ao fundamento de restar “caracterizada a omissão de receitas provenientes da atividade do contribuinte.”(fl. 188/191). Cientificada das exigências em 05/02/2009, na pessoa de seu sócio, apresentou a contribuinte impugnação em 06/03/2009 (fls. 200/225), na qual deduziu os seguintes argumentos de defesa, conforme extraído do relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: a autoridade fiscal descreve a infração como omissão de receita e especifica o enquadramento legal como presunção de omissão de receita (art. 199 do RIR/99). Nesse sentido, alega que a infração deve ser descrita e enquadrada devidamente para permitir seu direito constitucional de defesa, que não ocorreu no presente caso; optou pelo regime de competência para reconhecer as receitas auferidas, conforme permissivo normativo (art. 4o , § 2 o da IN SRF n° 355, de 2003), mas a autoridade fiscal confrontou os depósitos, que se referem aos recebimentos de seus clientes (regime de caixa), com a receita declarada (regime de competência); ao utilizar tal procedimento, a fiscalização não só desloca indevidamente a ocorrência do fato gerador, como também apura a matéria tributável de forma totalmente equivocada; foi intimado, no exíguo prazo de 10 dias, a comprovar a origem dos valores creditados em suas contascorrentes no ano de 2005, fato que cerceou seu direito de defesa, já que a autoridade autuante ignorou o prazo legal de 20 dias previsto no art. 844 do RIR/99; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 "a autoridade autuante considera, indevidamente, como de origem não comprovada os valores creditados na conta do banco Bradesco que têm como histórico a expressão "TRANSF. ELET CCDI E TRANSF. AUTOMÁTICA CCDI"", relacionados à fl. 211, entretanto, "tais valores referemse a transferências de resgates de aplicações financeira para a conta corrente da Impugnante", e, por conseqüência, devem ser integralmente expurgados da base tributável; em relação aos valores que têm como histórico as expressões "TEDs, depósitos on line e ordens bancárias", referemse na sua grande maioria, a recebimento de vendas. Portanto, jamais poderiam ter sido considerados como de origem não comprovada; A fim de demonstrar que a origem dos depósitos é o recebimento das vendas, o interessado elabora duas planilhas (fls. 212/213) e anexa os documentos nelas mencionados (05 a 56), os quais se referem a cópias de notas fiscais que, segundo sua alegação, não foram aceitas pela fiscalização para justificar a origem. Após as referidas planilhas, prossegue o interessado aduzindo que: os valores relacionados nas planilhas têm sua origem comprovada, e se referem a recebimentos das vendas efetuadas e, portanto, não podem ser tributados como presunção de omissão de receita em decorrência da não comprovação; somente os valores que, efetivamente, não tiveram sua origem comprovada podem ser considerados como presunção de omissão de receita; as importâncias creditadas nos bancos, referemse aos valores pagos por seus clientes e, desta forma, mesmo que se refiram a vendas não declaradas, o lançamento não tem como prosperar, já que o fato gerador (a venda) ocorreu em data pretérita ao recebimento; a autoridade fiscal excluiu dos valores considerados como receita apurada a receita declarada pelo interessado, nos meses de junho a dezembro de 2005, entretanto, o mesmo procedimento não foi feito em relação aos meses de janeiro a maio de 2005; não houve por parte da fiscalização qualquer justificativa para a qualificação da multa de ofício; não há menção a qualquer procedimento doloso por parte do interessado; não foi comprovado o evidente intuito de fraude que pudesse justificar a qualificação da multa de ofício, conforme previsto no art. 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 1996 e sumulado pelo Conselho de Contribuintes (Súmula CARF n° 14); tendo em vista que a infração Insuficiência de Recolhimento, bem como o auto de infração de Multa Regulamentar decorreram da inconsistente omissão de receita, da mesma forma e pelas mesmas razões, devem ser consideradas improcedentes; Encerra requerendo o provimento da impugnação, anulandose o lançamento fiscal realizado, protestando por todos os meios de prova admitidos. A 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ proferiu o Acórdão 1237.604 e, por maioria de votos, julgou os lançamentos procedentes (fls. 354/369). Em preliminares observou a preclusão do direito à produção de provas, que deve ser feito na impugnação e afastou o alegado cerceamento do direito de defesa pela insuficiência de descrição legal dos autos de infração e pelo exíguo prazo para atendimento de intimação. No mérito observou que o valor das receitas omitidas apurado pela falta de comprovação da origem dos valores creditados em conta de depósito (infração II), deve ser considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 428 5 conforme o disposto no § I o do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente do critério de reconhecimento das receitas adotado pela empresa, mesmo entendimento aplicável às receitas suprimidas da escrituração (infração I). Consignou que não foi possível identificar, nos extratos bancários acostados aos autos, as transferências bancárias entre contas e resgates de aplicações financeiras, conforme nomenclatura oferecida na defesa e que o próprio interessado teria declarado não haver efetuado transferências entre contascorrentes. Assinalou que os valores de depósitos bancários cuja origem seja comprovada também devem ser objeto de tributação de ofício, quando não forem espontaneamente declarados pelo sujeito passivo e que os valores espontaneamente declarados na PJSI não poderiam ser deduzidos dos valores apurados por falta de previsão legal. Foram validados ainda por aquela autoridade a multa qualificada, a alteração dos percentuais do Simples, em decorrência do aumento do valor das receitas auferidas, e a multa regulamentar. Notificada da decisão, em 11/07/2011, conforme Termo de Vista à fl. , apresentou, o interessado, em 01/08/2011, o recurso voluntário de fls. , no qual reitera a preliminar de preterição do direito de defesa. No mérito aduz que as autoridades lançadora e julgadora atestaram a comprovação da origem dos valores recebidos de vendas efetuadas a órgãos públicos, mas tais rendimentos submeterseiam à legislação vigente à época em que foram recebidos ou auferidos. Nesse sentido a auditoria fiscal deveria ter aprofundado os trabalhos e intimado os fornecedores da empresa a informar o valor e a data das vendas efetuadas, apresentando cópias das notas fiscais por ela emitidas. Reproduz extenso trecho da impugnação pelo qual alerta que as receitas de origem comprovadas devem ser tributadas pelo regime de competência e não pelo regime de caixa, e tece considerações a respeito de como deveria ter agido a auditoria fiscal, nessas condições, para concluir que houve indevido deslocamento da data de ocorrência do fato gerador. Reafirma que deveriam ser excluídas das bases de cálculo os valores relativos aos históricos “TRANSF ELET CCDI e TRANSF AUTOMÁTICA CCDI” constantes dos extratos, pois se tratariam, sem dúvida, resgates de aplicações financeiras e qualifica de “covardia intolerável” não aceitar os extratos bancários como prova a seu favor. Volta a tecer considerações a respeito de como deveria ter agido a auditoria fiscal quando identificou a origem de determinados valores, como sendo de receitas recebidas e, novamente em extenso arrazoado, o equívoco cometido pela Turma Julgadora de 1a. instância que não teria dado tratamento adequado às receitas de origem comprovada. E conclui, em suas palavras: 1) A origem dos depósitos foi considerada como comprovada e não poderia ser de outra forma; 2) Restando comprovada a origem dos depósitos, jamais tais valores poderiam ter sido tributados (infração II) como presunção de omissão de receitas caracterizada Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 por depósitos sem comprovação da origem e, o que é pior, jamais o lançamento poderia ter sido mantido pela autoridade julgadora de 1o. grau; 3) Uma vez os depósitos estando com sua origem comprovada, não há que se falar em presunção legal, onde se inverte o ônus da prova, cabendo ao Fisco e não à Recorrente a obrigação de provar que referidos valores efetivamente não foram oferecidos à tributação. 4) Os valores a tributar jamais poderiam ter sido considerados como omitidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, pois somente para os que não tem origem comprovada é que existe esta previsão legal (§ 1o. do art. 42 da Lei n º 9.430, de 1992); 5) Tanto os valores a tributar como as datas de ocorrência dos supostos fatos geradores estão totalmente equivocados, haja vista que se a fiscalização tivesse se aprofundado na investigação, conforme determina o § 2º do art. 42 da Lei n º 9.430/96, e comparado as notas fiscais emitidas pela Recorrente e a receita declarada, certamente os valores e datas de ocorrência dos fatos geradores estariam totalmente divergentes dos constantes do presente auto de infração, o que demonstra a total improcedência do presente lançamento. Defende o direito de ter excluídos, das bases de cálculo, os valores das receitas espontaneamente declarados, a fim de se evitar tributação em duplicidade. Qualifica de “pífia” a motivação da autoridade julgadora na manutenção da penalidade qualificada de 150% pois teria havido clara demonstração de boafé da parte da recorrente que não pretendeu omitir qualquer informação que viesse a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, não restando caracterizado dolo ou evidente intuito de fraudar. Reproduz trecho da impugnação que teria sido “solenemente ignorado pela autoridade julgadora de 1o. grau.” No referido trecho qualifica de “totalmente descabidas” as “elucubrações” no sentido de ter agido com dolo para justificar a imposição da penalidade qualificada e assinala: Preliminarmente, ressalta a Impugnante que em lugar algum conseguiu localizar a justificativa par a aplicação da multa qualificada. Se analisarmos o texto acima encontraremos uma tentativa medíocre de justificar a Representação Ficais para Fins Penais e não a aplicação da multa qualificada. A única hipótese plausível que poderia ser aventada é que a justificativa da ilustre auditora para qualificar a multa foi a mesma utilizada para elaborar a Representação para Fins Penais. Ou seja, a agente responsável pelo lançamento, em nenhum momento trouxe qualquer justificativa que servisse de base para a exasperação da multa de ofício. Em sua, repitase: NÃO HOUVE POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO, QUALQUER JUSTIFICATIVA PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A auditora autuante, em momento algum, faz alguma menção a qualquer procedimento doloso por parte da Impugnante, restringindose a relatar procedimentos e supostas irregularidades tributárias. Desta forma, de pronto, cabem as seguintes indagações: ONDE ESTÁ A DESCRIÇÃO DO DOLO, DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE? Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 429 7 QUAL FOI O DOLO? QUAL FOI A FRAUDE? E prossegue a questionar a imposição da multa qualificada. Afirma que, como conseqüência dos argumentos de defesa, seria indevida a imputação de insuficiência de recolhimento pelo Simples, assim como a multa regulamentar. Ao final, pugna pelo acolhimento do recurso e conseqüente anulação da decisão de 1a. instância e cancelamento integral dos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO. PRAZO DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto n º 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ no Rio de Janeiro/RJOI, da integralidade das exigências formalizadas pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que teriam restado comprovadas as infrações praticadas pela empresa recorrente. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1a. instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 430 9 PRODUÇÃO DE PROVAS Cumpre consignar, quanto ao pleito da recorrente de apresentar provas em qualquer fase processual, que, nos termos do Decreto no. 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, lavrado o auto de infração e regularmente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária, este dispõe do prazo de 30 dias para apresentar impugnação e provas contra a exigência. Decreto no. 70.235, de 1972. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência Ainda, de acordo com o mesmo diploma legal, o contribuinte deve apontar expressamente e com clareza seus pontos de discordância ao lançamento. Do contrário, a matéria que não seja expressamente impugnada será preclusa. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Portanto, se o contribuinte não apresenta, junto da impugnação, as provas que pretende produzir e não se verificando qualquer das situações elencadas no § 4º do artigo 16 do PAF, acima reproduzido, o seu direito de produzilas em momento posterior fica precluído. Mérito. OMISSÃO DE RECEITAS. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada O Direito Tributário admite a utilização das presunções na construção da norma individual e concreta de constituição, de ofício, do crédito tributário. Algumas dessas presunções estão previstas e discriminadas na própria legislação. De fato, presunções legais são meios indiretos de prova da ocorrência do evento descrito no fato jurídico. A presunção pautase numa relação jurídica de probabilidade Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 fática que é composta por um ou mais fatos indiciários, dos quais se tem conhecimento, que implicam, juridicamente, na existência de um outro fato, indiciado, que se pretende provar. A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação de fatos secundários indiciários, a existência do fato principal. Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos geradores, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas, formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, independentemente do estabelecimento de “liame” entre os depósitos e os fatos geradores dos tributos. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei no. 9.4.30 de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio, justamente, dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta o Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de recitas. No anocalendário 2005 a omissão de receitas é inquestionável, verificada no simples confronto entre a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples PJSI (fls. 03 a 20), na qual foi declarada uma receita bruta total acumulada no ano de R$ 115.685,15, e a comprovada e expressiva movimentação financeira no mesmo período, no valor total de R$– R$ 4.231.737,87 para o anocalendário 2005. É verdade que parte dessa movimentação financeira teve a origem identificada pela auditoria fiscal, em que pese a visível falta de colaboração da recorrente nesse sentido. Mas a parte da movimentação financeira que foi identificada também tem origem em receitas omitidas da tributação. Isto será objeto de análise no próximo tópico. Mas, do valor total movimentado, de R$ 4.231.737,87, o montante total de aproximadamente R$ 1.982.627,98 permaneceu sem a identificação da origem comprovada. Assim, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titular das contascorrentes e de investimento, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma. Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas, caberia à recorrente provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados e indiretamente provados – omissão de receitas. Entretanto, a recorrente não ofereceu nenhuma contraprova capaz de afastar os indícios. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 431 11 Quanto ao pleito da recorrente no sentido de que sejam expurgados, dos valores exigidos, aqueles que, segundo alega, teriam origem em resgates de aplicações financeiras cumpre consignar que os históricos: “TRANSF ELET CCDI e TRANSF AUTOMÁTICA CCDI” realmente nada provam a favor da defesa. Tais históricos muito provavelmente se referem a transferências eletrônicas entre contascorrentes. Mas não comprovam que tais contas correntes sejam de mesma titularidade, única possibilidade de exclusão desses valores. Prova essa que, in casu, deveria ter sido apresentada pela recorrente. Aliás, frisese, prova que a recorrente protestou pelo direito de fazer na impugnação e no recurso voluntário e até a presente data não apresentou, muito provavelmente por não existir. Reforça esse entendimento a resposta dada pela própria interessada (fl. 91), ao Termo de Intimação Fiscal, cientificado em 06/10/2008, (fl. 79) pelo qual a empresa foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados durante o ano de 2005 nas contascorrentes mantidas junto aos Bancos do Brasil (ag. 04936 c/c 15377 X) e Bradesco (ag. 02267 c/c 125.409 P), encaminhados à fiscalização pelo contribuinte. Vejamos: “Em resposta à intimação fiscal de 02/10/2008 (recebida em 06/10/2008), não há depósitos confli tantes entre os bancos Bradesco e Brasil – Ag. 022677, conta 125.4098 e agência 04936, conta 15.377X, respectivamente e também nenhuma transferência entre as respectivas contas. E a origem dos valores depositados no Banco Bradesco são da Prefeitura do RJ, Prefeitura de Vitória, como aparece mencionado nos respectivos extratos, e com relação ao Banco do Brasil, são Pref. de Vitória e nada mais a declarar.” A Turma Julgadora de 1a. instância já havia detectado ausência de apresentação de provas pela defesa de que os valore sob os históricos “TRANSF ELET CCDI e TRANSF AUTOMÁTICA CCDI”, se tratariam de resgates de aplicações financeiras. Nesse sentido consignou (fl. 361): 52. Aduz o interessado que não foram expurgados da base tributável os valores relativos a transferências de resgates de aplicações financeira para sua conta corrente, identificados pelo histórico "TRANSF. ELET CCDI e TRANSF. AUTOMÁTICA CCDI", relacionados à fl. 211. 53. Compulsando os autos, já que pelo simples histórico não é possível identificar a origem dos referidos valores, não foi identificado qualquer documento (como por exemplo, extrato da conta de depósito ou de investimento demonstrando a origem dos valores creditados ou documento com a descrição da operação a que se refere o histórico em comento) que comprovasse ser as referidas transferências oriundas de conta de depósito ou de investimento do próprio interessado, conforme alegado. (destaques acrescidos) Não havendo provas de que as transferências em questão tenham ocorrido entre contascorrentes tituladas pela própria empresa ou tenham origem em resgates de aplicações financeiras, deve permanecer a tributação sobre tais valores. Improcedente o pleito da recorrente para que sejam excluídos, das bases de cálculo apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, os valores das Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 receitas espontaneamente declaradas. A defesa não ofereceu provas demonstrando que os valores das receitas espontaneamente declaradas encontramse inseridos nos valores depositados nas contascorrentes bancárias. Para além disso não há dispositivo legal que permita presumir que os valores relativos às receitas espontaneamente declaradas estejam inseridos nos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Nesse sentido o artigo 42 da Lei n º 9.430, de 1996 é claro ao determinar quais valores podem ser excluídos daqueles apurados com base em depósitos bancários: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações ... § 3o. Para efeito de determinação da receita omitida, analisados individualizadamente, observado que I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei n º 9.481, de 13.8.97) § 4o. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeiras §5o. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n" 10.637, de 2002) § 6o. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem comprovada. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Comprovada. Receitas Não Escrituradas e Não Oferecidas à Tributação. A auditoria fiscal detectou, a partir das informações constantes dos próprios extratos bancários apresentados pela empresa recorrente, que muitos valores creditados na Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 432 13 contacorrente titulada pela empresa mantidas no Banco Bradesco tiveram origem em vendas efetuadas às prefeituras das cidades do Rio de Janeiro/RJ e de Vitória/ES. Isto foi possível unicamente porque os próprios depositantes dos valores se identificaram junto à referida instituição financeira, no momento em que os créditos foram efetuados. Como consignado anteriormente a recorrente não colaborou com a auditoria fiscal e não apresentou seus documentos de escrituração mínima obrigatória – Livro Caixa e Registro de Inventário, nem tampouco as notas fiscais de saída por ela emitidas. A esse respeito verificase que pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal 21/22, cientificado à interessada, na pessoa da auxiliar administrativa, em 13/08/2008, e na pessoa do contador com procuração, em 18/08/2008, a contribuinte foi intimada a apresentar Livro Caixa ou Diário e Razão e Livro Registro de Inventário. Assinalese que tais livros, o Livro Caixa e o Registro de Inventario, são de manutenção obrigatória para empresas optantes pelo Simples, nos termos do comando legal abaixo reproduzido, e não deveriam levar mais do que os cinco dias concedidos pela auditoria fiscal para serem apresentados. Na verdade, os cinco dias do prazo foram contados a partir de 18/08, quando já em 13/08 a empresa foi cientificada da obrigatoriedade de apresentálos à auditoria fiscal. Pois a empresa não ofereceu os livros à auditoria nem qualquer justificativa para sua não apresentação. Lei n º 9.317, de 1996: Artigo 7o.... § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem a guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Já pelo Termo de Intimação Fiscal, cientificado em 18/08/2008, (fl. 23), solicitouse: “...tendo em vista o cruzamento efetuado por esta Receita Federal do Brasil junto aos órgãos do Governo para os quais o intimado efetuou vendas durante o AnoCalendário de 2005, INTIMAMOS o contribuinte, acima qualificado, a apresentar no prazo de 72 (setenta e duas) horas, seus talonários de Notas Fiscais de Vendas relativos àquele referido AnoCalendário. ...” Em resposta de próprio punho, datada de 22/08/2008, conforme quota à fl. 90, o mandatário “Em resposta à intimação fiscal de 18/08/2008, Declaro que os talões se encontram extraviados por mudança de endereço” Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 A recorrente tenta, agora, identificar, neste momento, a origem de parte dos recursos depositados em suas contascorrentes, com a apresentação de cópias de algumas notas fiscais de vendas que se encontravam “extraviadas” por ocasião da intimação da auditoria fiscal. Pretende, com isso, que o ônus de provar em que período foram auferidas tais receitas recaiam sobre a fiscalização, já que não se encontram ao amparo da presunção estabelecida pelo art. 42, caput e ... 1o. da Lei n º 9.430, de 1992. De fato, compulsando as cópias das notas fiscais apresentadas pela defesa constatase que muitas delas coincidem com os valores consignados no demonstrativo elaborado pela auditoria fiscal. Mas do ponto de vista tributário o efeito dessa prova é nulo. Isto porque, referidos valores, que agora passam a ter a origem identificada, comprovadamente se referem a receitas auferidas pela empresa em sua atividade operacional que foram suprimidas da escrituração e sonegadas do Fisco. E do ponto de vista fiscal o efeito dessa sonegação acarreta a mesma conseqüência que se verifica sobre os valores cuja origem não foi comprovada a incidência dos tributos que deixaram de ser recolhidos ao Fisco, calculados pelas mesmas alíquotas e acrescidos de multas e juros, exatamente nos mesmos moldes como foram calculados nos autos de infração. Isto foi claramente explicado pela Turma Julgadora de 1a. instância, como se verifica do seguinte trecho do acórdão. 58. Em relação aos tributos decorrentes das receitas omitidas sem comprovação da origem, foi exigida multa de 75%; quanto aos tributos decorrentes das receitas omitidas cuja origem foi comprovada, foi exigida multa de 150%. 59. Percebese, portanto, que a separação dos valores depositados teve por finalidade exigir ou não a multa qualificada. Entretanto, ambas as situações configuraram omissão de receitas, dado que o interessado não demonstrou ter oferecido à tributação o montante relacionado em ambas as infrações. ... 61. Ocorre que para afastar a caracterização como omissão de receita, além a comprovação da origem, identificada como receita de vendas, deve o interessado demonstrar que ofereceu tais valores a tributação, hipótese em que prevaleceria o critério de reconhecimento de receita manifestado em sua Declaração Simplificada (regime de competência). 62. Não havendo nos autos essa comprovação, tais valores configuram omissão de receita, as quais são consideradas auferidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, conforme dispõe o § 2o . do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. A recorrente aduz que não compreendeu a cristalina explanação daquela autoridade. Talvez porque ignore as regras de incidência de tributos federais. Neste ponto cumpre assinalar que o art. 42 da Lei n º 9.430/96 veio estabelecer nada além do que uma forma de dimensionar uma base de cálculo para incidência de tributos – os valores relativos a depósitos bancários de origem não comprovada representam receita omitida –esta sim, base de cálculo para incidência de tributos. E sobre a base de cálculo assim determinada, devem incidir as alíquotas previstas na legislação pertinente à cada tributo (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS) e a forma de sua apuração (lucro real, presumido, arbitrado ou simplificado). Da mesma maneira, sobre a base de cálculo apurada com base em receitas omitidas, representadas por depósitos bancários de origem comprovada, também devem incidir Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 433 15 as alíquotas previstas na legislação pertinente à cada tributo (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS) e a forma de sua apuração (lucro real, presumido, arbitrado ou simplificado). É base de cálculo para incidência de tributos qualquer tipo de receita omitida, seja ela apurada com base em depósitos bancários de origem não identificada, seja ela apurada com base em depósitos bancários de origem comprovada em receitas omitidas. Havendo a apuração de omissão de receitas o ônus de demonstrar que tais valores não foram omitidos é do contribuinte. A prova, nesse sentido, deve ser feita com a apresentação da escrituração contábil e fiscal, dos documentos que a ela dão suporte e das declarações apresentada ao Fisco com as informações dos montantes tributáveis, bases de cálculo, alíquota e tributos devidos. Se o contribuinte não faz essa prova, permanece a imputação de omissão de receitas. No presente caso a recorrente não demonstrou que as notas fiscais, cujas cópias juntou na impugnação, foram levadas a registro na escrituração fiscal e que os valores nelas consignados foram oferecidos à tributação. Mantémse, pois, a imputação de omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento decorre da mudança de percentual aplicado sobre a base de cálculo do Simples, em razão da omissão de receita apurada (infrações I e II) que modificou a receita bruta acumulada, apurada inicialmente no "Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta" (fl. 102) e "Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos" (fls. 105/110). Neste ponto não se verifica reparo algum a ser efetuado no procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA Quanto à qualificação da multa, cumpre consignar que, adotada a perspectiva de que a ocorrência do fato gerador somente se dá a conhecer por meio da conversão em linguagem competente dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, não poderia subsistir a distinção legal entre os conceitos de sonegação (impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador) e fraude (impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador). Na verdade, tanto na sonegação, quanto na fraude, o que estaria em questão seria a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador , das condições pessoais do contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Decorre daí que a interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômicofinanceira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foi a irrefutavelmente inverídica declaração IRPJ apresentada na modalidade do Simples, do anocalendário 2005, mediante a qual a pessoa jurídica informou que auferiu receitas totais da ordem de R$ 115.685,15, enquanto que restou comprovado, e até admitido pela própria interessada, que auferiu R$ 2.303.109,89 de receitas com origem comprovada, mas omitidas do Fisco, além do montante de receitas com origem não comprovada, apuradas por depósitos bancários, na quantia de R$ 1.928.628,00, totalizando, assim, uma omissão de receitas, no anocalendário de 2005, de R$ 4.231.737,87. Observese que a admissão de apresentação de Declaração IRPJ da Pessoa Jurídica com a inserção de falsas informações, dentre elas a Declaração Simplificada da Pessoa JurídicaPJSI , como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, ii, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/01318517 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 434 17 ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Ademais, é evidente também que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Em sendo assim, cumpre reconhecer a fraude na apresentação da declaração da pessoa jurídica pelo Simples PJSI, como uma tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas comprovadamente auferidas na sua atividade operacional. A declaração pelo Simples, em confronto com as receitas comprovadamente omitidas, caracteriza a prática da omissão de receitas reiterada e sistemática. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A recorrente alega que a auditoria fiscal não deu suficiente motivação à qualificação da multa de ofício, o que não é verdade. Ademais, se havia alguma deficiência na descrição dos fatos caracterizadores da fraude a recorrente tratou de suprila demonstrando sua máfé ao suprimir da auditoria fiscal a análise dos talonários de notas fiscais sob a justificativa de têlos extraviado por ocasião da mudança de endereço, conforme quota redigida de próprio punho à fl. 90 para, posteriormente apresentálas, junto de suas razões de defesa, com o intuito único de afastar a incidência da qualificadora. Agiu, também, com desídia, quando deixou de colaborar com a fiscalização, como se verifica das respostas oferecidas às fls. 90 e 91 que claramente demonstram o descaso com a auditoria fiscal. Mas, in casu, o dolo já restou caracterizado unicamente pela conduta reiterada da recorrente praticada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – PJSI, do anocalendário 2005. Adotado tais fundamentos, a exigência da multa qualificada subsiste na exigência da omissão de receitas sobre os valores exigidos nos autos. MULTA REGULAMENTAR A aplicação da multa regulamentar, in casu, encontrase prevista na legislação de regência do Simples Federal, como se verifica dos seguintes dispositivos transportados da Lei n º 9.317, de 1996: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: ... Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 II obrigatoriamente, quando: ... § 2º A microempresa que ultrapassar, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) estará excluída do SIMPLES nessa condição, podendo, mediante alteração cadastral, inscreverse na condição de empresa de pequeno porte."/ § 3º No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: a) até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9º e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 21. A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados no § 3º do art. 13, sujeitará a pessoa jurídica à multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de redução. Assim, comprovada a omissão de receitas com a conseqüente extrapolação do limite legal para permanência na sistemática do Simples Federal e a falta de comunicação obrigatória dessa situação, por parte da empresa recorrente, correta a incidência da penalidade. Pelo Termo de Intimação Fiscal, cientificado em 21/08/2008, (fl. 24) a empresa foi intimada a apresentar seus extratos de contas bancárias de sua titularidade. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12897.000089/200992 Acórdão n.º 180101.049 S1TE01 Fl. 435 19 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11030.721426/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 14 26 /2 01 1- 21 Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 1036.058 da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Porto Alegre (RS), que declarou improcedente a impugnação em face de quatro Autos de Infração – AI, aos quais passamos a nos reportar: a) AI n.ºs 37.340.8757: contribuição patronal para a Seguridade Social, incidente sobre as remunerações pagas aos seguintes contribuintes individuais: transportadores rodoviários autônomos e ao administrador da empresa a título de prólabore; b) AI n.º 37.340.8765: contribuição dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre as mesmas bases do item anterior; c) AI n.º 37.340.8773: contribuições destinadas ao Serviço Social do Transporte SEST e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos transportadores rodoviários autônomos; e d) AI n.º 37.098.4935: aplicação de multa pelo fato da empresa haver declarado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com omissão das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. O relatório fiscal, fls. 35/53, esclarece que as remunerações dos transportadores rodoviários autônomos, correspondentes a 20% dos valores dos fretes, foram obtidas dos conhecimentos de transporte apresentados pela empresa. As retiradas de prolabore do sócio Juares Riva Vans foram constatadas através de lançamentos contábeis a débito nas contas 264 (Juares Riva Vans) e 676 (Empréstimos de Pessoas Ligadas) e a crédito nas contas 5 (Caixa) e 11 (Banco do Brasil S.A.), sem a comprovação da existência de contrato de mútuo e do efetivo repasse dos valores pelo sócio à empresa. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Na decisão recorrida, fls. 1.699/1.715, não foram conhecidas as alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade de atos normativos, sob a fundamentação de que a administração pública não detém competência para afastar a aplicação de normas válidas, ressalvados os casos expressamente previstos na legislação. Concluiu órgão a quo que os valores tomados da contabilidade, os quais a empresa alegou trataremse de pagamento de empréstimo a sócio, deve ser considerado pró labore, posto que não foi demonstrada a existência da operação de mútuo e a efetiva entrada dos recursos decorrentes da referida operação. A DRJ entendeu que o fisco procedeu com acerto quando fixou a base de cálculo da contribuição patronal sobre os pagamentos efetuados aos transportadores autônomos. Também foram afastadas as alegações de erro na aplicação dos juros e da multa, Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.721426/201121 Acórdão n.º 2401002.922 S2C4T1 Fl. 1.889 3 bem como, não se acolheu, para fatos geradores anteriores a 12/2008, a aplicação do Princípio da Consunção, pelo qual a multa por descumprimento da obrigação acessória já estaria incluída na multa pela falta de pagamento do tributo. O órgão recorrido afirmou ser legítima a exigência da contribuição dos segurados para a Seguridade Social e para os terceiros (SEST/SENAT). Foi afastado ainda o pedido para aplicação do art. 32A para cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória. No recurso de fls. 1.723/1.774, a autuada, após relato dos fatos, alegou, em síntese apertada, que: a) a decisão de primeira instância deve ser reformada, posto que os argumentos e provas apresentados na impugnação e agora no recurso são suficientes para demonstrar a insubsistência das lavraturas; b) o fato da DRJ não haver conhecido das questões de inconstitucionalidade/ilegalidade suscitadas na defesa inquina de nulidade o decisório por ela proferido; c) tem direito, até o final da contenda, de juntar documentos que possam influenciar no destino da lide; d) é ilegal a base de cálculo presumida incidente sobre o valor do frete; e) são insubsistentes as contribuições incidentes sobre pseudopagamentos de prólabore; f) a fiscalização mostrase incongruente com outra realizada no ano de 2008, posto que naquela tributouse os “empréstimos de sócios” como se fossem “omissão de receita” e agora o fisco toma as saídas decorrentes desses “empréstimos” como se fora pagamento de prólabore; g) é ilegal a presunção de ocorrência do fato gerador, como ocorreu com os supostos pagamentos de prólabore; h) os valores tomados como pagamentos de prólabore, na verdade, foram lançados por equívoca na contabilidade, haja vista se tratarem de “descontos de títulos”, conforme se comprova pela documentação acostada; i) apresenta justificativas para todos os lançamentos contábeis, cujos documentos comprobatórios foram acostados; j) não se pode aplicar cumulativamente multa de mora com multa de ofício; k) os serviços prestados pelos transportadores rodoviários se enquadram nos casos de dispensa de retenção; l) também são dispensadas as retenções nos casos em que o valor total da guia não atinge R$ 29,00; Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 m) não se pode cumular multas diversas sobre infrações continuadas de mesma natureza; n) deve ser aplicado à espécie a multa mais benéfica prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991; o) a multa imposta no patamar de 75% transcende os limites da proporcionalidade e da razoabilidade, representando confisco; p) não podem incidir juros moratórios sobre a multa de ofício; Ao final, pede a reforma da decisão recorrida, com consequente declaração de improcedência das lavraturas. É relatório. Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.721426/201121 Acórdão n.º 2401002.922 S2C4T1 Fl. 1.890 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 10/01/2012 (terçafeira), fl. 1.722, e data de protocolização da peça recursal em 10/02/2012 (sextafeira), fl. 1.723. Portanto, não deve ser conhecido. Observese à fl. 1.883 que o próprio sistema informatizado da RFB apresenta como intempestivo o momento da apresentação da peça recursal. Eis que o prazo fixado no Decreto n.º 70.235/1972, que disciplina o contencioso administrativo tributário de exigência de tributos administrados pela RFB, fixa em trinta dias, contados da ciência da decisão original, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade.(...) Voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002917/2004-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
AUSÊNCIA DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO (CARNÊ- LEÃO) SOBRE RENDIMENTO RECEBIDO DE PESSOA FÍSICA - RENDIMENTO COLACIONADO NO AJUSTE ANUAL - PERTINÊNCIA DO LANÇAMENTO DA MULTA ISOLADA DE OFÍCIO O rendimento recebido de pessoa física foi colacionado no ajuste anual. Assim, a única conduta a ser apenada foi a não antecipação do imposto na forma do carnê-leão. Escorreita a exigência da multa de oficio isolada , em virtude da falta de recolhimento do Imposto de Renda Mensal Obrigatório (Carnê-leão). que deve ser no percentual de 50%, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007 c/c o art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Deve-se evidenciar que a novel legislação, mais benéfica, reduziu o percentual da multa isolada de ofício pelo não recolhimento do carnê-leão para 50%, bem como não previu o agravamento dessa multa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.698
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Assim, a única conduta a ser apenada foi a não antecipação do imposto na forma do carnêleão. Escorreita a exigência da multa de oficio isolada , em virtude da falta de recolhimento do Imposto de Renda Mensal Obrigatório (Carnêleão). que deve ser no percentual de 50%, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007 c/c o art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Devese evidenciar que a novel legislação, mais benéfica, reduziu o percentual da multa isolada de ofício pelo não recolhimento do carnêleão para 50%, bem como não previu o agravamento dessa multa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.002917/200442 Acórdão n.º 220201.698 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ILSE MARTINS TELLES ROBUSTI , foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001, decorrente de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física e aplicação de multa isolado por falta de recolhimento mensal de carnêleão, que apurou crédito tributário no valor de R$ 7.588,53 (sete mil, quinhentos e oitenta e oito reais e cinqüenta e três centavos), sendo R$ 4.610,06 referente ao imposto e R$ 2.978,47 referente A multa exigida isoladamente. A interessada tomou ciência do lançamento em 28/08/2004, via postal, conforme fl. 37, e apresentou impugnação de fls. 01/12, em 29/09/2004, na qual alega, em síntese, que: O auto de infração lavrado é de total improcedência, não havendo qualquer tributo a ser pago, na medida em que todos os valores já foram recolhidos. Cita a "teoria dos motivos determinantes" de Gaston Jéze, onde os atos do governo não poderão subsistir desde que o motivo não convém A. realidade ou se verifica improcedente por não coincidir com a situação de fato em que consistia o seu pressuposto. Cita Francisco Campos, que entende que "uma vez verificada a inexistência dos fatos ou a improcedência dos motivos" deve "deixar de subsistir o ato que neles se fundava". O antigo Tribunal Federal de Recursos firmou entendimento que "não padece dúvidas ou restrições A tese que, não sendo legitima a causa em que se inspirou o ato, não pode esse prevalecer". Cita comentário do professor Caio Tácito: "Os atos administrativos são nulos quando o motivo invocado é falso ou inidôneo. Ou a antecedente é inexistente, ou a autoridade lhe deu uma apreciação indevida, sob o ponto de vista legal". Cita Roberto Dromi, que entende que o motivo é elemento essencial do ato administrativo. A autoridade administrativa desconsidera todos os pagamentos realizados em virtude da declaração de ajuste (seis quotas de R$ 768,34). Forçosa a insubsistência do auto de infração lançado, uma vez que esse foi totalmente pago, somandose os valores do Carne leão e aqueles pagos quando do ajuste anual. A impugnante não pode sofrer a aplicação da multa isolada no percentual de 75%, por não ter sido realizado o recolhimento do CarneLeão em momento próprio. • Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 0 impugnante pagou o imposto de renda devido com pagamentos mediante CarnêLedo e na declaração de ajuste anual. Até o pagamento do imposto de renda no ajuste anual, não existiu qualquer tipo de fiscalização com relação à impugnante. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes que entende que "o imposto de renda recolhido mensalmente e calculado sobre a mesma base do imposto devido no ano só poderá ser exigido, isoladamente, até o momento do ajuste anual. Após este ajuste, o valor no mês deverá compor o imposto auferido pela atual". A multa isolada imposta tem flagrante natureza punitiva. Como houve pagamento, quando do ajuste anual, sem a existência de qualquer tipo de fiscalização iniciada e de ciência do contribuinte, de plena aplicabilidade do art. 138, do CTN. A multa aplicada ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°,inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição. Cita entendimentos de Gomes Canotilho, de Celso Bastos, de Pedro Estevam Serrano, de Carlos Roberto de Siqueira Castro e de Luis Roberto Barroso e decisão do Supremo Tribunal Federal, por voto do Ministro Moreira Alves, dos quais conclui "ser o principio da razoabilidade uma norma jurídica constitucional que impõe ao legislador, quando do exercício da discricionariedade legislativa, um limite negativo A. sua liberdade de aplicação da Constituição, vedando a criação de leis irrazoáveis, arbitrárias e desproporcionais". É de evidente inconstitucionalidade e ilegalidade a lei e os respectivos atos que impõem multas isoladas no patamar de 75%, violando o principio da razoabilidade e proporcionalidade. Cita decisão do Supremo Tribunal Federal, tendo como relator o Ministro limar Galvdo, que decidiu que multas desproporcionais A. sua infração têm caráter de confisco, razão pela qual deve ser declarada inconstitucional por violação do art. 150, IV, da CF. Forçoso o cancelamento da multa imposta ou deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, § 2°, da Lei n°9.430/96. A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento é procedente em parte, nos termos da ementa a seguir ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.002917/200442 Acórdão n.º 220201.698 S2C2T2 Fl. 3 5 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLASSIFICAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parte do lançamento não expressamente contestada pela contribuinte. MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENÉFICA. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de cameleão. A Lei aplica se a caso pretérito, nos atos não definitivamente julgados, quando lhe comine penalidade menos severa. Assim, deve ser reduzida a multa isolada sobre o valor do imposto devido mensalmente para 50%, consoante o disposto no artigo 14 da Lei 11.488/2007. Lançamento Procedente em Parte A autoridade julgadora entendeu por bem recalcular o valor de multa isolada no percentual de 50%. Tendo em vista o artigo 14 da Lei n° 11.488 de 15/06/2007, que deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, e estabeleceu multa isolada de 50%. De acordo com o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do cTN, o disposto na Lei no 11.468/2007, por aplicar penalidade menos severa, deve ser aplicado ao lançamento ora analisado exonerandose a diferença. Insatisfeito, o interessado interpõe recurso reiterando fundamentalmente as mesmas razões da impugnação. Indica que inexiste tributo a ser recolhido, da inaplicabilidade da multa isolada e que a multa é confiscatória. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A multa isolada pelo não pagamento do carnêleão, aplicada no percentual de 75%, deve ser adaptada ao percentual previsto no art. 44, II, "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que expressamente reduziu a multa pelo não recolhimento mensal obrigatório para 50%, aplicandose, aqui, o princípio da retroatividade benigna da lei de caráter penal. A Lei menos gravosa que a vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador, aplicase retroativamente, tendo em vista o disposto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. No caso concreto, o rendimento recebido de pessoa física foi colacionado no ajuste anual. Assim, a única conduta a ser apenada foi a não antecipação do imposto na forma do carnêleão. Escorreita a exigência da multa de oficio isolada , em virtude da falta de recolhimento do Imposto de Renda Mensal Obrigatório (Carnêleão), que deve ser reduzida para o percentual de 50%, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007 c/c o art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.002917/200442 Acórdão n.º 220201.698 S2C2T2 Fl. 4 7 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001265/2004-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 COFINS E PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para lançamento do PIS é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados, ou o primeiro dia do exercício de sua ocorrência, em caso contrário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITES DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal, suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE.
A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no
9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal
Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento
da pessoa jurídica.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no
9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal
Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento
da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 COFINS E PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para lançamento do PIS é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados, ou o primeiro dia do exercício de sua ocorrência, em caso contrário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITES DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal, suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 COFINS E PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para lançamento do PIS é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados, ou o primeiro dia do exercício de sua ocorrência, em caso contrário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITES DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal, suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 2 2 A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 466 a 475) apresentado em 18 de abril de 2007 contra o Acórdão nº 1512.149, 13 de fevereiro de 2007, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 449 a 459), cientificado em 23 de março de 2007, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 3 3 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A exigência de que a lavratura do auto de infração se faça no local de verificação da falta não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que ocorra no interior da própria repartição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário relativo à Cofins é de dez anos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 30/11/2002 DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário relativo à contribuição par o PIS é de dez anos. Lançamento Procedente em Parte Fl. 587DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 4 4 Os autos de infração foram lavrados em 12 de julho de 2004, de acordo com o termo de fls. 190 a 196. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração (fls. 189/196 e 207/217) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a dezembro de 2003. O enquadramento legal do lançamento inclui: art. 77, inciso III do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943; art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações das Medidas Provisórias nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e nº 1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições; arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Em face da edição da Portaria SRF nº 6.129, de 02 de dezembro de 2005, ao presente processo foi anexado o processo nº 10530.001266/200477, conforme despacho à folha 259. Desta forma, neste processo também se pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração às folhas 352/374) pertinente aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a novembro de 2002, cujo enquadramento legal, especificamente em relação ao PIS, prevê: arts. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973; Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n.º 142, de 15 de julho de 1982; arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. O autuante informa às folhas 190 (Cofins) e 353 (PIS) que constatou divergências entre os valores declarados à SRF/ou pagos e os valores apurados com base na escrituração contábil e Fiscal da contribuinte, conforme contas do Livro Razão (fotocópias às folhas 117/188 e 280/351) e respectivos valores mencionados nos Autos de Infração, sintetizados nos demonstrativos às folhas 197/206 (Cofins) e 358/365 (PIS). Informa, ainda, que foram excluídas das bases de cálculo as vendas de mercadorias tributadas com alíquota diferenciada. Ao presente processo foram ainda anexados os seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01/02); DIPJ 2000 (fls. 04/45); Termo de Início e esclarecimentos prestados pela contribuinte (fls. 46/48); Termos de Ciência e de Intimação (fls. 49/52 e 114/116) e resposta da contribuinte Fl. 588DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 5 5 apresentando cópias das fichas de apuração do PIS e da Cofins das DIPJ dos exercícios de 1999 a 2003 (fls. 53/113). Cientificada da exigência Fiscal em 12/07/2004 (fls. 189 e 352), a autuada apresenta as impugnações de folhas 221/241 e 378/417, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: Os elementos contábeis e fiscais não foram verificados pelo autuante no local da falta, como determina o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mas na própria Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana, o que acarreta a nulidade dos Autos de Infração; Tratandose de lançamento por homologação, já transcorrera o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário relativo aos fatos geradores ocorridos de janeiro a junho de 1999, conforme prevê o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN; No presente caso não houve omissão de receita, capitulação da multa punitiva no percentual de 75%, mas sim uma defasagem entre os pagamentos parciais e o valor devido, devendose capitular a multa de mora, no percentual de 20%; As alterações na sistemática de cálculo da Cofins introduzidas pela Lei nº 9.718, de 1998, são inconstitucionais, em especial o aumento da alíquota de 2% para 3% e o alargamento da base de cálculo, de faturamento para o total das receitas auferidas; Igualmente, após fazer breve histórico da contribuição para o PIS, alega que as Leis nº 9.715 e nº 9.718, de 1998, que promoveram o alargamento da base de cálculo do PIS, são inconstitucionais; É ilegal a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios; Nos demonstrativos elaborados pelo autuante, há coluna denominada “débito declarado/REFIS”, mas como a impugnante não aderiu ao REFIS, não consegue entender tal destaque e os valores demonstrados nos anoscalendário de 1999 a 2003, para a Cofins, e 1999 a 2002, para o PIS; Ao final, requer a realização de perícia contábil para que se confirme a existência de erros nos levantamentos do autuante, nomeando seu perito, e “como quesitos explicativos a conferência dos procedimentos do auto em confronto com os anexos”. A DRJ considerou haver erro na apuração da base de cálculo, nos seguintes termos: Analisandose as planilhas anexadas aos Autos de Infração (fls. 197/206 e 358/365), constatase que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2001, na apuração da base de cálculo da Cofins e do PIS, o autuante subtraiu da Fl. 589DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 6 6 coluna “Receita de Vendas” apenas a coluna “Exclusões de Vendas”, não adicionando a coluna “Outras Receitas” e não subtraindo os valores da coluna “Outras Exclusões”. Assim o fazendo, encontraremos exatamente os valores alegados pela impugnante. No recurso, a Interessada reafirmou as alegações quanto à decadência e a repetição daquelas expostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Esclareçase, inicialmente, que a coluna da tabela a que se refere a Interessada é de fácil compreensão, pois indica “Débito declarado/ Refis”, tratandose de valores que ou foram declarados pela Interessada ou incluídos no Refis. Não se concebe que a Interessada não tenha constatado tal fato pela simples comparação com os valores declarados em DCTF, sendo completamente insubsistente a insinuação de que tenha havido cerceamento de defesa. Ainda preliminarmente, aplicase a Súmula Carf n. 6 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF n. 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Quanto à decadência, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 7 7 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. No caso dos autos, houve recolhimento dos valores, razão pela qual se aplica o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Como o lançamento ocorreu em 12 de julho de 2004, decaíram os períodos de apuração de janeiro a junho de 1999. Em relação aos autos de infração, ambos foram lavrados com base na Lei n. 9.718, de 1998. No que diz respeito aos casos de inconstitucionalidade de lei, o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2007, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Fl. 591DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 8 8 Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Dessa forma, é inconstitucional apenas a majoração da base de cálculo das contribuições. Conforme o auto de infração, a base de cálculo foi formada a partir dos seguintes valores: a) 3.1.01.01.0001 Vendas de Mercadorias Fl. 592DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 9 9 b) 3.1.03.01.0001 ()Devolução Vendas Mercadorias c) 3.3.01.01.0001 Juros Ativos d) 3.3.01.01.0002 Descontos Auferidos e) 3.3.01.01.0003 Rendimentos de Aplicação f) 3.3.01.02.0001 Bonificação em Mercadorias g) 3.2.01.02.0006 Verbas Promocionais h) 3.2.01.02.0005 Receitas Diversas Os juros ativos, descontos obtidos, rendimentos de aplicação, bonificações em mercadorias, verbas promocionais e receitas diversas não representam faturamento e, portanto, devem ser excluídos da base de cálculo. Quanto à multa, sua imposição, conforme previsto no art. 136 do Código Tributário Nacional, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Portanto, ainda que não tenha havido omissão de receitas intenção de fraude, a multa é devida, não se podendo analisar eventual ofensa ao princípio da vedação ao confisco, à vista da Súmula Carf n. 2: Súmula CARF n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à Selic, sua incidência sobre os débitos é matéria da Súmula nº 3º do 2º Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26 de setembro de 2007, com o seguinte teor: Súmula nº 3: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para considerar decaídos os períodos de janeiro a junho de 1999 e para excluir da base de cálculo os valores não representativos de faturamento. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 593DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10530.001265/200422 Acórdão n.º 330201.627 S3C3T2 Fl. 10 10 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10580.724468/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ Ementa: SERVIÇOS. CONSTRUÇÃO CIVIL E INDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. CONTRATOS QUE REPRESENTAM APENAS UM FAZER E CONTRATOS CUJO FAZER VEM ACOMPANHADO DE FORNECIMENTO DE MATERIAIS, INSUMOS OU PEÇAS. Quando, na prestação de serviço, se fornece o material, seja ele inerente à construção civil ou à indústria, pratica-se atividade de resultado que inclui fazer e fornecer. Este é o elemento distintivo para se saber se determinados serviços da construção civil ou da industria, nas empresas tributadas com base no lucro presumido, inserem-se na base de cálculo de 8% ou de 32%¨. Se o serviço tiver por objeto apenas um fazer a base de cálculo será de 32%. Se o serviço incluir um fazer e fornecer os materiais necessários, a base de cálculo será de 8%. Caso concreto que não inclui o fornecimento dos materiais incorporados ao resultado dos serviços. Base de cálculo de 32%. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-001.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Matéria IRPJ Recorrente SERTEL SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES TÉRMICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IRPJ Ementa: SERVIÇOS. CONSTRUÇÃO CIVIL E INDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. CONTRATOS QUE REPRESENTAM APENAS UM FAZER E CONTRATOS CUJO FAZER VEM ACOMPANHADO DE FORNECIMENTO DE MATERIAIS, INSUMOS OU PEÇAS. Quando, na prestação de serviço, se fornece o material, seja ele inerente à construção civil ou à indústria, praticase atividade de resultado que inclui fazer e fornecer. Este é o elemento distintivo para se saber se determinados serviços da construção civil ou da industria, nas empresas tributadas com base no lucro presumido, inseremse na base de cálculo de 8% ou de 32%¨. Se o serviço tiver por objeto apenas um fazer a base de cálculo será de 32%. Se o serviço incluir um fazer e fornecer os materiais necessários, a base de cálculo será de 8%. Caso concreto que não inclui o fornecimento dos materiais incorporados ao resultado dos serviços. Base de cálculo de 32%. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório A contribuite antes qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972, recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. A síntese da decisão recorrida e do objeto do recurso pode ser aferida por meio da ementa do acórdão de fls. 2.140 e seguintes: 2007, 2008 MULTA REGULAMENTAR. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, devendo o crédito tributário correspondente ser considerado definitivamente constituído na esfera administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado a partir da escrituração contábil e fiscal da empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E MONTAGEM. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. As atividades de manutenção e montagem de equipamentos industriais, tais como bombas, compressores, instrumentos de medição, sondas, etc, não se caracterizam como obras de construção civil, sujeitandose ao coeficiente de determinação do lucro presumido de 32%. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. Do acórdão acima referido a recorrente foi intimada em 27122011 e em 25 012012 apresentou o recurso de fls. 2.161 e seguintes alegando em síntese: Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 4 (i) Que os objetivos descritos na nos termos da cláusula segunda de seu contrato social consistem, dentre outros, em instalações térmicas, elétricas, hidráulicas, sanitárias, de gás, de sistemas de prevenção contra incêndio; mecânica de equipamentos industriais, comerciais e automóveis, manutenção e reparos de equipamentos térmicos... redes de baixa e alta tensão.... etc. (ii) Que o artigo 322, II, c/c o anexo VII, da Instrução Normativa nº 971/2009, considerase (iii) Em que pese a recorrente estar habilitada a para exercer outras atividades diversas da construção civil, a atividade empresarial desenvolvida se concentra neste referido ramo. (iv) Com vistas a reforçar o que fora alegado, a recorrente juntou aos autos documentos que efetivamente comprovam que realiza a atividade de construção civil, como cópias de contratos celebrados com a PETROBRÁS e a TRANSPETRO, em que consta a celebração de contrato com fornecimento de recursos materiais necessários à execução das atividades, bem como notas fiscais que mencionam a prestação de serviço relacionado à construção civil. (v) A título exemplificativo, a recorrente cita determinados contratos especificando o seu objeto e destaca que os mesmos se relacionam à construção civil. Neste sentido, ainda processo de consulta da SRRF/ 8ª. RF, no seguinte sentido: (vi) Argumenta a recorrente que realizava seus contratos com a PETROBRÁS por empreitada, onde a remuneração não estava relacionada ao tempo gasto, mas sim pelos serviços efetivamente realizados. (vii) Por fim, a recorrente ainda faz referencia ao artigo 10 da Lei de Licitações destacando que a execução indireta de obras e serviços somente pode se por meio de contratos de empreitada. É o relatório. Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Pelo que se extrai dos autos, em especial pela origem da receita tributada, esta decorre, principalmente, de contrato que a recorrente celebrou com a PETROBRÁS e a TRANSPETRO. Em primeiro lugar há que se analisar a natureza dos serviços prestados pela recorrente, isto é, se podem ser classificados como serviços da construção civil, já que tal fato não foi reconhecido pela decisão atacada. Nesta linha, transcrevo do acórdão recorrido a parte que diz respeito ao objeto dos contratos celebrados que gerou a receita tributada: “in verbis: Contrato celebrado com a TRANSPETRO Contrato nº 4600002455: de acordo com a cláusula primeira desse contrato, o seu objeto é “... a execução, pela CONTRATADA, sob regime de empreitada por preço unitário, dos serviços de manutenção, apoio operacional e apoio administrativo das bases do orsub, em conformidade com os termos e condições neles estipulados e no Anexo I – Memorial Descritivo”; quanto ao uso de materiais, o item 2.4 da cláusula segunda (obrigações da contratada) diz o seguinte: “2.4 – Quanto a materiais, equipamentos, máquinas, veículos, ferramentas e instalações; 2.4.1 – Fornecer os materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas necessários à execução de todos os serviços, conforme definido no Anexo I deste Contrato. 2.4.2 – Responsabilizarse pela correta utilização, guarda e conservação dos materiais, equipamentos, ferramentas, máquinas, veículos, e instalações fornecidas pela TRANSPETRO, bem como ressarcir eventuais extravios, danos ou depreciações não relacionadas com a execução do presente Contrato.” analisandose o Anexo I desse contrato, constatase que os serviços contratados foram: 1. manutenção elétrica (limpeza e manutenção de chaves; botoeiras e relés de baixa tensão; retirada e instalação de motores elétricos, etc.); 2. manutenção de instrumentação (manutenção de instrumentos eletrônicos, pneumáticos e hidráulicos, etc.); 3. manutenção mecânica (manutenção preventiva e pequenos consertos de motores a diesel; manutenção nos braços de carregamento, etc.); Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 6 4. serviço de ajudante (apoio operacional; limpeza de tanques, drenagens, separador de água e óleo, etc.); 5. serviços de apoio administrativo, experiência e atribuições (execução de serviços de datilografia em geral, emissão de notas fiscais, organizar e atualizar fichários; operar fax e xerox, etc.); 6. serviços de segurança industrial (execução das rotinas diárias de inspeção de segurança nos equipamentos e equipes de trabalho existentes nas instalações da TRANSPETRO, etc.). conforme os itens 22 e 25 do Anexo 1, a contribuinte forneceu fardamento, equipamentos de proteção individual, parte das ferramentas utilizadas nos serviços, etc. Já a TRANSPETRO, de acordo com o item 26 do mencionado Anexo I, forneceu os materiais de reposição, como sobressalentes, materiais para substituição ou confecção de peças, etc.; Contratos celebrados com a PETROBRÁS: 1. Contrato nº 2500.0011877.05.2 de acordo com a cláusula primeira desse contrato, o seu objeto é “... a prestação, pela CONTRATADA, de serviços de execução de serviço de manutenção mecânica em equipamentos e instalações industriais, soldagem e montagem industrial, e serviço de pintura industrial no âmbito da UN –RNCE, de conformidade com os termos e condições neles estipulados e nos seus anexos”; o Anexo I desse contrato, às fls. 157/178, estabelece os seguintes serviços prestados pela fiscalizada: 1. Execução de manutenção em equipamentos mecânicos da indústria de exploração, produção e refino de petróleo, conforme listagem do Anexo VIII; 2. Execução de manutenção em equipamentos hidráulicos da indústria de exploração, produção e refino de petróleo, tais como: cilindros mono ou multi estágios, chaves hidráulicas, motores, ...; 3. Execução de manutenção em equipamentos pneumáticos da indústria de exploração, produção e refino de petróleo, cilindros, chaves pneumáticas, ...; 4. Serviços de Soldagem e Montagem Industrial; 5. Serviços de Usinagem com máquinas operatrizes; 6. Serviços de pintura industrial de manutenção por meio de jateamento abrasivo com areia, limpeza manual e/ou mecânica e aplicação de demãos de pintura em equipamentos, tanques, ...; 7. Serviços gerais que inclui: limpeza, manutenção, reparo e pintura das instalações prediais pertencentes ao SOP/OM, ... no rol das atividades relacionadas, predominam as de manutenção mecânica e usinagem, que estão classificadas com as CNAE 33147/ 99 (manutenção e reparação executada por unidade especializada em máquinas para refinação de petróleo), 33147/ 02 (manutenção e reparação executada por unidade especializada em bombas hidráulicas, cilindros hidráulicos e pneumáticos, equipamentos hidráulicos e pneumáticos) e 25390/ 00 (serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais), sendo que este último compreende, entre outros serviços, os de pintura industrial, solda, etc., conforme documentos anexos do CONCLA (fls. 1287/1312); Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 7 com relação ao fornecimento de materiais, o item 3.3.3 do Anexo I desse contrato estabelece que o sujeito passivo está obrigado a fornecer apenas ferramentas, equipamentos, instrumentos e materiais consumíveis, relacionados aos serviços de pintura industrial e soldagem, mecânica, etc. Com relação aos serviços gerais, que engloba alguns serviços relacionados com a construção civil e que representam 0.01% do valor do contrato, conforme Anexo II (fls. 179/181), não há previsão de fornecimento de materiais por parte da contribuinte.... quanto aos demais contratos firmados com a PETROBRÁS, os serviços contratados também não estão relacionados com o ramo da construção civil, tratandose, de modo geral, de serviços de manutenção preventiva ou corretiva de equipamentos relacionados às atividades operacionais da contratante. Dados os termos dos contratos acima referidos, interessanos, no primeiro momento, identificar a natureza dos mesmos. Se dividíssemos em serviços da indústria e serviços da construção civil diria que as tarefas mencionadas nos contratos preponderam, de forma significativa, ao ramo da indústria. Porém, nem por isto teriam forma de tributação diferente. Neste sentido, atenhamonos aos termos do artigo 15 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos artigos 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: .... II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do artigo 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008, com efeitos a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei). Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 8 Na primeira leitura da norma, a não inclusão dos serviços da construção civil e da indústria poderia levar o intérprete à conclusão de que estes serviços têm base de cálculo de 32%. A interpretação correta não é esta. Quando, na prestação do serviço, se fornece o material, seja ele inerente à construção civil ou à indústria, praticase atividade de resultado que inclui um fazer e um fornecer. Este é o elemento distintivo para se saber se determinados serviços da construção civil ou da indústria, nas empresas tributadas com base no lucro presumido, inseremse na base de cálculo de 8% ou de 32%¨. Se o serviço tiver por objeto apenas um fazer a base de cálculo será de 32%. Se o serviço incluir fazer e fornecer os materiais necessários, a base de cálculo será de 8%. Exemplifico: No serviço elétrico ou mecânico, com atividade de resultado, o fornecimento do material necessário à execução dos mesmos caracteriza base de cálculo de 8%. Nos casos em que o contratante, isto é, o tomador dos serviços, fornece os materiais que se incorporam ao resultado do serviço ou do conserto realizado, temse base de cálculo de 32%. No caso dos autos, quando se lê o item 2.4.1 do contrato firmado com a TRANSPETRO encontrase ao encargo da contratada a seguinte responsabilidade: 2.4.1 – Fornecer os materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas necessários à execução de todos os serviços, conforme definido no Anexo I deste Contrato. A cláusula acima faz transparecer que competia à recorrente fornecer os materiais. Assim, estarseia diante de base de cálculo de 8%. Porém, quando se analisa o contrato como um todo, de acordo com o item 26 do Anexo I, verificase que a TRANSPETRO forneceu os materiais de reposição, como sobressalentes, materiais para substituição ou confecção de peças. Assim, a interpretação que faço é que o referido contrato ao mencionar como encargo da recorrente o fornecimento de materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas está a contemplar o fornecimento dos meios necessários à execução dos serviços e não o fornecimento dos materiais necessários para realização dos serviços. Desta forma, no caso a alíquota é de 32% porque a contratada não tem obrigação de fornecer os materiais que se incorporam aos serviços prestados. Quanto aos serviços realizados à PETROBRÁS examinei detidamente o contrato de fls. 138 e seguintes. Inicialmente havia transcrito neste voto uma série de cláusulas na tentativa de identificar se os serviços incluíam ou não o fornecimento de materiais. Depois da cláusula 1.1 descrever o objeto, a cláusula 2.4.1. prevê a seguinte obrigação da recorrente: Prosseguindo na análise, na cláusula terceira, ao descrever as obrigações da PETROBRÁS não se verifica a obrigação desta fornecer os materiais necessários à execução dos serviços. Percebo, ainda, a existência das cláusulas 6.2 e 6.4 autorizando a PETROBRÁS a deduzir dos pagamentos os materiais e equipamentos cuja obrigação pelo fornecimento seja da contratada. Contudo, tal cláusula não traz maiores detalhes, isto é, quais seriam os materiais de obrigação da PETROBRÁS. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.724468201043 Acórdão n.º 1402001.111 S1C4T2 Fl. 0 9 Prosseguindo na análise do contrato, quando se fala em medição, em se tratando de contrato submetido à lei de licitações, a lógica é que os materiais sejam fornecidos pelo contratado. Por fim, no que diz respeito à pintura, por exemplo, no item 3.3.3., letra “b”, há menção de responsabilidade da contratada pelos materiais consumíveis, tais como, “verbis”: Quando se analisa o referido o contrato em questão é possível perceber que tratase de contrato unilateral elaborado pela PETROBRÁS, com a grande maioria das cláusulas só prevendo obrigações à contratada e praticamente nada à contratante. Nesta linha, tendo por norte como as situações se verificam em tais casos, a conclusão a que chego é que, caso fosse obrigação da contratada em fornecer os materiais incorporados aos serviços prestados, dita obrigação constaria do contrato. Para finalizar, destaco que não estou negando provimento ao recurso por considerar que os serviços prestados não têm natureza inerente à construção civil ou à indústria, mas sim por concluir que se trata de serviços sem fornecimento dos materiais incorporados ao resultado. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720214/2011-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO - USO INDEVIDO DE TÉCNICAS PRESUNTIVAS NA TRIBUTAÇÃO - INOCORRÊNCIA A partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Não restou caracterizado qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da norma contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Descabe diligência quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência não tem por finalidade suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O fato de o Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, deixar de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitir as receitasdo Fisco, apresentando declaração com valores zerados, caracteriza a sua
intenção de impedir que a Autoridade Fazendária tome conhecimento da
ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora.
Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional.
MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO EFEITO
DE CONFISCO
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria
no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por
suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento
administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo
do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO USO INDEVIDO DE TÉCNICAS PRESUNTIVAS NA TRIBUTAÇÃO INOCORRÊNCIA A partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Não restou caracterizado qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da norma contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Descabe diligência quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência não tem por finalidade suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O fato de o Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, deixar de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitir as receitas Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 302 2 do Fisco, apresentando declaração com valores zerados, caracteriza a sua intenção de impedir que a Autoridade Fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional. MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO EFEITO DE CONFISCO O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 303 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, conforme os autos de infração de fls. 189 a 197, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES NACIONAL, nos valores de R$ 122.989,79, R$ 62.861,21, R$ 73.793,57 e R$ 13.665,46, respectivamente, incluindose nestes montantes a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu os períodos de julho a dezembro de 2007, e decorreu de omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. Instaurada a fase processual, com a impugnação de fls. 207 a 216, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0634.332 (fls. 237 a 248), a Contribuinte se insurgiu contra as exigências fiscais por meio dos seguintes argumentos: Exclusão de créditos com a venda de veículos a. Alega que houve a exclusão do auto de infração dos valores recebidos a título de venda de bens, ou seja, de veículos de propriedade da empresa autuada; b. Esclarece que, na oportunidade que apresentou sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal, não teve tempo hábil para localizar todos os comprovantes de venda, sendo que agora, requerse a juntada dos mesmos; c. Relaciona as seguintes descrições e valores de venda: Veículo Volvo/FH 12420, a/m 2001 Placa AAW2771 valor de venda: R$ 120.000,00; Veículo Reb/RANDON SRCA, a/m 2005/2006 Placa ANB 5481 valor de venda: R$ 19.540,80; Veículo Reb/RANDON SRCA, a/m 2005/2006 Placa ANB 54 8 0 valor de venda: R$ 22.924,80; Veículo CAR/S.REBOQUE/TANQUE, a/m 2002/2002 Placa AKJ2039 valor de venda: R$ 13.712,00; Veiculo CAR/S.REBOQUE/TANQUE, a/m 2002/2002 Placa AKJ2039 valor de venda: R$ 16.759,00; d. Aduz que, comprovada a origem dos valores sendo que os quais não se configuram como receita bruta, requerse a exclusão da base de cálculo do valor apurado do imposto da importância de R$ 192.936,60 (cento e noventa e dois mil, novecentos e trinta e seis reais e sessenta centavos); Aplicação da multa e. Entende que não existem nos autos elementos para implicar ou justificar a conduta da empresa autuada como sendo dolosa, ou Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 304 4 seja, não existem provas de que o contribuinte agiu com a intenção de lesar o fisco; f. Aponta que o fato levado em consideração pelo Sr. Fiscal para justificar a máfé da empresa recorrente é em razão de a mesma ter apresentado Declaração do Simples Nacional com valores zerados, mas ressalta que não era a empresa recorrente que prestava estas informações, mas contador contratado para executar estes serviços; g. Assevera que, para se concluir que o agente agiu com dolo, deverseá comprovar que este teve a intenção de lesar onde conhecia das conseqüências de seus atos e dos resultados que poderiam advir; h. Ressalta que, do histórico da empresa, este auto tratase da primeira infração administrativa imposta pela Receita Federal, o que, por si só indica que ela não tinha, como não teve a intenção de lesar o fisco ou omitir receitas para se locupletar de dinheiro público; i. Acrescenta que a empresa também não informou nem se beneficiou da venda dos veículos acima arrolados a fim de justificar receita não tributável; j. Conclui que são elementos suficientes para descartar o dolo da conduta da empresa recorrente e por esta razão, requer a redução da aplicação da multa para parâmetros aceitáveis, e no caso a aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996; Do caráter confiscatório da multa exigida k. Argumenta que não poderia prevalecer a exigência de multa em tais proporções, uma vez que a mesma é inconstitucional, por reiteradas decisões do STF, podendo, sim, ser afastada já na fase administrativa, deixando a autoridade de aplicar lei sabidamente inconstitucional, em homenagem à Constituição da República; l. Afirma ser inegável que a penalidade administrativa tem sentido reparador e visa proteger o crédito tributário e com ele mantém liame lógico e inafastável, desestimulando os contribuintes de omitilo ou mesmo sonegálo; m. Com base em doutrina, alega que a multa fiscal tem por objetivo reparar o sujeito ativo da obrigação tributária, pelo atraso ou até mesmo pela sonegação, e não de proteger a sociedade, pois este interesse é tutelado pelo Direito Penal, o que torna injustificável que os erários de todos os níveis possam impor percentuais de multas pecuniárias em patamares tão elevados e destoantes do próprio Texto Constitucional; n. Lembra que o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que trata das limitações do poder de tributar, veda, expressamente, que seja utilizado o tributo com efeito confiscatório; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 305 5 o. Cita doutrina e decisões do STF; p. Conclui que, a manterse a imposição de tal penalidade, estará se distanciando quilometricamente o presente feito do caráter reparador e inibidor, para aproximarse por demais do confisco arbitrário e ilegal; Nulidade. Descumprimento ao artigo 37 da Constituição Federal. q. Argumenta que a utilização de técnicas presuntivas depende de publicação prévia, das orientações a serem seguidas e de sua base normativa, para conhecimento do sujeito passivo a fim de que este possa, se for o caso, impugnar sua aplicação; r. Acrescenta que, a adoção de técnicas presuntivas, ou lançamentos baseados em presunções de operações no presente caso, a omissão de receitas deve seguir orientações de sua base normativa, para que o contribuinte, com o devido tempo, delas possa tomar conhecimento, com o objetivo de evitálas ou para que lhe seja dada à oportunidade de exercitar seu direito de ampla defesa; s. Enfatiza que tais atos normativos ainda estão no terreno do abstrato, eis que inexistem, estando, assim, a autoridade administrativa vedada de aplicar tais princípios, pois é sabido que à Administração Pública somente é permitido praticar os atos expressamente previstos em lei; t. Entende ser nulo, pois, de pleno direito o PAF lançado, cuja declaração de nulidade se impõe desde logo, o que ao final se ratificará, como medida de meridiana Justiça; u. Cita o artigo 37, caput, da Constituição Federal, e o artigo 2°, caput, e seu parágrafo único, nos incisos I e VI da Lei n° 9.784/99; v. Conclui que o presente PAF está eivado de nulidade absoluta, já que a sua lavratura e o seu processamento foram feitos em completo desrespeito aos direitos e garantias fundamentais estatuídos na nossa Carta Magna e na legislação federal e estadual aplicável ao caso, sendo imperativo o julgamento pela total improcedência do presente Auto de Infração, em face do mesmo incorrer em nulidade absoluta; Necessidade de conversão do feito em diligência w. Afirma que resta claro a imperiosa necessidade de conversão do feito em diligência, a fim de que fique devidamente comprovado o fato pelo agente fazendário; x. Frisa que somente através deste expediente, é que poderseia cogitar da prática de ilícito tributário de forma dolosa, pois de outra forma, permaneceríamos no campo das presunções e das suposições, sendo sabido que a Contribuinte não pode ser punida por algo com uma infração presumida; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 306 6 y. Menciona que a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional, e toda a legislação pertinente, são claros ao estabelecer que o contribuinte somente pode ser penalizado por uma conduta que ele efetivamente praticou, e que fique devidamente comprovada pelas provas ou indícios carreados nos autos o seu dolo; z. Requer diligências no sentido de que o fisco comprove sem sobra de dúvidas que a empresa recorrente agiu com dolo a fim de sonegar e fraudar o fisco. Requerimentos finais aa. Requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Caso não seja este o entendimento, requer a redução da multa aplicada, para parâmetros aceitáveis, uma vez, que caso ocorra a confirmação nos termos que se apresenta, a Recorrente corre o sério risco de ter de encerrar suas atividades e com isso, implicar na demissão de funcionários e também na interrupção no recolhimento de impostos. Como mencionado, a DRJ Curitiba/PR considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada, quanto aos fatos em que se evidencia o intuito de fraude, cujo percentual é expresso em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, dispositivo este que se aplica inclusive para as microempresas e empresas de pequeno porte. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. PROVA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 307 7 É inviável aceitar, como prova da origem de depósitos bancários, documentos de venda de veículos, sem correspondência, nem em data nem em valor, com os ingressos na conta bancária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DE QUESITOS E PERITO. PEDIDO NÃO FORMULADO. PRESCINDIBILIDADE. Nos termos da legislação do PAF, os pedidos de diligência ou perícia, sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados, devendo o pleito ser indeferido, inclusive, por ser desnecessário ao deslinde do litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/11/2011 (fls. 253), a Contribuinte apresentou em 22/12/2011 o recurso voluntário de fls. 254 a 298, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 308 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples Nacional, no período de julho a dezembro de 2007. A autuação está baseada em omissão de receitas, as quais foram apuradas a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. PRELIMINAR DE NULIDADE Em relação à preliminar de nulidade pelo uso indevido de técnicas presuntivas na tributação, cabe primeiramente registrar que a base legal para o lançamento é o art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Com base nos extratos que apresentou à Fiscalização, a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que ensejou as autuações ora combatidas. Realmente, antes da introdução do dispositivo acima mencionado, era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização para autuação com base em depósitos bancários. No caso do IRPJ, por exemplo, para que eles configurassem renda tributável, era necessário que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, por meio de aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios, ou em beneficio pessoal do contribuinte. A tributação com fulcro na Lei nº 8.021/1990 exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transformar uma presunção em definitiva certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indício de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 309 9 Assim, na ausência de uma hipótese específica de presunção legal, cabia à Fiscalização demonstrar, de forma cabal, que os valores depositados nas contas bancárias da Contribuinte correspondiam efetivamente a rendimentos próprios, não oferecidos à tributação. Todavia, a partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Deste modo, não há qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da presunção legal contida no art. 42 da Lei 9.430/1996, e a preliminar deve ser rejeitada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Na esteira desse raciocínio, também é importante registrar que nos trabalhos de auditoria sobre movimentação financeira, a Fiscalização analisa os extratos bancários apresentados pelos próprios Contribuintes (como ocorreu nesse caso), ou obtidos junto às instituições financeiras, e com base nas informações constantes destes extratos é que intima o Contribuinte a comprovar a origem dos depósitos, após excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, rendimentos de aplicações financeiras, etc. Foi justamente o que aconteceu aqui. A comprovação de origem, por sua vez, já configura um segundo passo durante o procedimento fiscal, a cargo do Contribuinte, comprovação essa que deve ser feita a partir de seus livros e de documentos que justifiquem os registros realizados e indiquem a origem dos valores depositados em suas contas bancárias (notas fiscais de vendas, contratos, recibos, etc.). Nestes termos, o dever de apresentação destes outros documentos, que trazem informações que vão além das contidas nos documentos bancários, incumbe à Contribuinte, e seu descumprimento não pode definitivamente ser imputado à Fiscalização. Com efeito, é a Contribuinte que deve de antemão saber a origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias. Nesse contexto, também deve ser indeferida a diligência requerida. Primeiro, porque se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência ou perícia não se destina a suprir o ônus probatório que incumbe à Contribuinte. BASE DE CÁLCULO – VENDA DE VEÍCULOS – COMPROVAÇÃO DE ORIGEM Quanto à composição da base de cálculo, a Contribuinte reivindica que sejam excluídos do auto de infração valores que alega ter recebido a título de venda de cinco veículos que eram de sua propriedade, conforme tabela a seguir: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 310 10 VEÍCULO PLACA VALOR DATA Volvo/FH12420 AAW2771 120.000,00 26/1/2007 Reb/RANDON SRCA ANB5481 19.540,80 19/9/2007 Reb/RANDON SRCA ANB5480 22.924,80 19/9/2007 CAR/S.REBOQUE/TANQUE AKJ2039 13.712,00 21/5/2007 CAR/S.REBOQUE/TANQUE AKJ2039 16.759,00 21/5/2007 De acordo com a Recorrente, uma vez comprovada a origem de valores que ingressaram em sua conta, no montante de R$ 192.936,60, estes deveriam ser excluídos da base de cálculo, já que não configuram receita bruta para fins de tributação pelo Simples. Ao examinar esse argumento, o voto que orientou a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento fez as seguintes considerações: 25. No entanto, considero inviável aceitar tais documentos como comprovantes de qualquer depósito bancário, uma vez que, analisandose a relação de depósitos considerada pela fiscalização, às fls. 08/20, não há qualquer correlação entre os valores de venda de veículos com os ingressos na conta bancária. Não há coincidência, nem em data, nem em valor, entre os documentos e as entradas na conta corrente do contribuinte. Caberia à impugnante apontar, para cada venda realizada, a quais depósitos corresponderiam àquela operação. Como tal demonstração não foi realizada, não é possível aceitar os documentos anexados como prova de origem de nenhum depósito bancário. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte buscou complementar sua defesa com anotações na planilha dos ingressos bancários, fazendo referência, para uma grande quantidade deles, às placas dos veículos acima mencionados. Confrontando os documentos de transferência dos veículos (apresentados com a impugnação) com a planilha de ingressos na conta bancária, vêse que não há sentido de o pagamento destes veículos ter se dado da forma alegada pela Contribuinte, ou seja, mediante a realização, durante um intervalo de tempo, de inúmeros depósitos e transferências bancárias de pequeno valor, muitos deles feitos num mesmo dia, situação essa que foi se repetindo ao longo do tempo. Além disso, as anotações da Recorrente, em sua grande maioria, abrangem o período de janeiro a junho de 2007 (objeto do processo nº 10935.720205/201189), enquanto que o lançamento examinado neste processo diz respeito a fatos geradores de julho a dezembro de 2007. Deste modo, as referidas anotações em nada auxiliam a Contribuinte neste processo, porque vinculam a venda dos veículos a ingressos bancários ocorridos em períodos distintos dos aqui tratados. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 311 11 A única exceção é um depósito datado de 17 de julho de 2007, no valor de R$ 43.000,00, para o qual a Recorrente indica as placas dos veículos ANB5480 e ANB5481, cujos documentos de transferência atestam como data de venda o dia 19 de setembro de 2007, ou seja, dois meses após o depósito bancário. Em relação a esse ingresso bancário, a Contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento para a divergência entre as datas acima mencionadas, não justificou a razão para o depósito bancário ter ocorrido dois meses antes da transferência do bem, e também não juntou qualquer documento para comprovar que o autor do depósito bancário era o adquirente dos referidos veículos. Não há qualquer elemento, além da alegação da Contribuinte, que vincule o depósito bancário em 17 de julho de 2007 com a venda dos veículos em 19 de setembro de 2007. Nem mesmo há coincidência entre o valor do depósito (R$ 43.000,00) e a soma dos valores constantes dos recibos de transferência (R$ 42.465,60). No intuito de reforçar suas alegações, a Contribuinte fez mera anotação na planilha de ingressos bancários, e os documentos apresentados anteriormente continuam sendo insuficientes para comprovar a origem deste depósito de R$ 43.000,00, pelo que deve ser mantida a decisão de primeira instância. Para todos os demais ingressos ocorridos entre julho e dezembro de 2007, que é o período abrangido neste processo, também não há nenhum novo elemento/informação além daqueles já apresentados na primeira instância administrativa. E a própria Recorrente, nessa fase processual, vincula as alegadas vendas de veículos a ingressos ocorridos em períodos não abrangidos neste processo, pelo que a decisão recorrida, com mais razão agora, deve ser reafirmada. MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada de 150%, a decisão recorrida também não merece reparos. São estes os seus fundamentos: 30. Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. A circunstância de, durante todo o período compreendido entre julho a dezembro de 2007, o contribuinte não ter declarado nenhuma receita à RFB, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil, ou esquecimento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Quanto à essa matéria, considero importante afirmar que o Dolo, como elemento subjetivo do tipo tributáriopenal qualificado, pode também estar presente nas condutas omissivas, e não apenas naquelas onde se constata uma falsidade materializada documentalmente. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 312 12 Como elemento subjetivo do tipo, o Dolo é a consciência e a vontade de o agente realizar a conduta que está descrita em cada um dos tipos legais. E como vontade e consciência, jamais estará colado ao próprio fato que está sendo taxado como infração ou delito, ao contrário, o Dolo é sempre revelado no contexto geral dos fatos, ou seja, nos elementos que circundam o ocorrido. Não fosse assim, não haveria a previsão dos crimes omissivos impróprios no Direito Penal, que traz o dolo como regra. Em razão disso, no âmbito das relações jurídicotributárias, resta cada vez mais superado o tabu quanto à possibilidade de visualização do dolo nas condutas omissivas, ou seja, naquelas em que o contribuinte se omite na prática de algum ato, buscando eximirse do recolhimento de tributos, por exemplo, quando, de forma contumaz, deixa de declarar as suas receitas. Realmente, não é correta a idéia de que, para a qualificação da multa, deve haver necessariamente uma prova material do dolo, até porque, dada a sua natureza, como consciência e vontade, isto nem sempre é possível. O que se prova materialmente são fatos, por meio do chamado corpo de delito. E é justamente por isso que o dolo pode estar na omissão, ou seja, em uma não ação. Os próprios tipos legais para a qualificação da multa, nos termos da Lei 4.502/1964, não deixam qualquer dúvida a esse respeito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifos acrescidos) No caso em questão, observase que a Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, simplesmente deixou de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitiu as receitas do Fisco, quando apresentou declaração com valores zerados. Tais condutas não podem definitivamente ser imputadas ao contador da empresa, porque cabe aos administradores da pessoa jurídica tomar decisões e supervisionar a execução das atividades técnicas e operacionais, especialmente no que toca ao recolhimento de tributo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 313 13 Diante destes fatos, das observações anteriores sobre o mérito da autuação, e considerando ainda os argumentos trazidos pela Recorrente, não vejo nenhuma possibilidade de ocorrência de erro não intencional. Portanto, considero plenamente configurada a hipótese da qualificadora. No que toca à alegação sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de ofício, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44 da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto nº 2.346/97 ou do art. 103A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal. Essa matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005419/2005-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 CARÊNCIA PROBATÓRIA. INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO VERIFICADA. Desde o início do procedimento fiscal instaurado, requereu-se a demonstração dos cálculos e das despesas em evolução para determinação das quotas de depreciação. A apresentação documental comprovou somente a aquisição e as despesas com manutenção, não demonstrando, contudo, a evolução das quotas de depreciação em comprovação às utilizadas para composição de saldos informados nas obrigações acessórias. Também, apesar da “vasta” documentação apresentada e narrada de acordo em seu recurso, careceu a comprovação dos lançamentos contábeis nos registros da empresa, de forma que não satisfaz o alegado e demonstrado, frente à exigência, merecendo ser mantida a glosa com relação às quotas de depreciação utilizadas e também considerando indevidas as exclusões do lucro real procedidas.
Numero da decisão: 1802-001.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recuso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO VERIFICADA. Desde o início do procedimento fiscal instaurado, requereuse a demonstração dos cálculos e das despesas em evolução para determinação das quotas de depreciação. A apresentação documental comprovou somente a aquisição e as despesas com manutenção, não demonstrando, contudo, a evolução das quotas de depreciação em comprovação às utilizadas para composição de saldos informados nas obrigações acessórias. Também, apesar da “vasta” documentação apresentada e narrada de acordo em seu recurso, careceu a comprovação dos lançamentos contábeis nos registros da empresa, de forma que não satisfaz o alegado e demonstrado, frente à exigência, merecendo ser mantida a glosa com relação às quotas de depreciação utilizadas e também considerando indevidas as exclusões do lucro real procedidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recuso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Tratam os presentes de auto de infração que decorreu da glosa de custos de depreciação não comprovados e de exclusão indevida do lucro real de ativos fiscais diferidos, resultando numa exigência de CSLL no valor consolidado de R$ 154.551,05, aí incluídos a imposição da multa de 75%, conforme extrato de fls. 246 e obrigação de fazer, para reduzir o prejuízo fiscal declarado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL, no Acórdão n° 018.902 constante às fls. 238/239: Tratase de lançamento para redução de prejuízo fiscal e de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 1999 e 2000, no valor consolidado de R$234.500,21, com imposição de multa de oficio de 75%. A autuação decorreu da glosa de custos de depreciação não comprovados e de exclusão indevida do lucro real a título de ativos fiscais diferidos. Em 31.10.2005, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento (fl. 8) e, em 30.11.2005, apresentou impugnação de fls. 212 a 229, pela qual aduz, em síntese: a) que o lançamento relativo ao ano de 1999 foi atingido pela decadência, nos termos do §4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25.10.1966; b) quanto à glosa dos custos de depreciação, que a fiscalização se limitou a fazer afirmação genérica de que a documentação apresentada pela empresa não era hábil e idônea, sem oferecer qualquer elemento que esclarecesse em que não seria hábil e idônea a farta documentação que lhe foi apresentada, e que junta à impugnação as escrituras das embarcações, notas fiscais e contratos que comprovam a improcedência da glosa; c) que a exclusão do lucro real deveuse ao reconhecimento do ativo fiscal diferido proveniente dos prejuízos fiscais incorridos que foram ativados a crédito de receita, mas que esta não é tributável; que o procedimento adotado pela impugnante está em sintonia com os princípios de Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.005419/200503 Acórdão n.º 180201.347 S1TE02 Fl. 291 3 contabilidade geralmente aceitos constantes do pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon) aprovado pela Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) n° 273, de 20.8.1998; que esse procedimento está em harmonia com a jurisprudência administrativa; que as operações contábeis não geraram qualquer efeito fiscal pois os valores dos prejuízos fiscais foram oferecidos à tributação como receita e excluídos do lucro real; d) que é inconstitucional e ilegal a cobrança de juros com base na taxa Selic. Naquela oportunidade, entendeu a DRJ ser o lançamento procedente em parte, mantendo somente a exigência do IRPJ quanto à glosa nos custos de depreciação do ano 2000 e desconstituindo todo o demais, conforme Ementa às fls. 236/237: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. COMPROVAÇÃO DO VALOR DAS QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAR O REGISTRO CONTÁBIL DO BEM PELO SEU VALOR DE AQUISIÇÃO. A simples prova de propriedade do bem do ativo imobilizado não é o suficiente para justificar os custos com depreciação, pois é necessário que se demonstre o registro contábil desse ativo pelo seu valor de aquisição. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO TESOURO. IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA EFETUADA DE OFICIO. Se da análise da DIPJ inferese que a exclusão tida como indevida deveuse a mero erro de preenchimento da DIPJ, do qual inexistiu prejuízo à Fazenda, impõese o Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 cancelamento do ajuste do lucro real efetuado pela fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. As glosas de custos efetuadas pela fiscalização devem ser adicionadas à base de cálculo da CSLL para apuração do montante devido. Se ainda assim aquela base for negativa, o lançamento de ofício destinase somente à formalização da redução da base de cálculo negativa e não há que se falar em exigência de CSLL. Anulamse as exigências indevidamente apuradas. Inconformada, a Recorrente reitera seus argumentos de decadência da CSLL com relação ao ano de 1999, requerendo a aplicação do prazo estabelecido pelo Código Tributário Nacional, em seu art. 150 §4°, de cinco anos, e a conseqüente inaplicabilidade da exegese do art. 45 da Lei 8.212/91, citando várias jurisprudências. Seu requerimento ainda é pela improcedência do auto de infração, da nulidade por carência na fundamentação e pelas provas juntadas ao processo, além da inovação probatória após o encerramento da fiscalização e da lavratura do auto de infração. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa Verifico que o recurso apresentado é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre destacar que nada persiste em relação à CSLL. Mas apenas por amor à argumentação, caso persistisse, verifico que a glosa da CSLL do ano de 1999, está fulminada pela decadência. Ressaltase que o art. 45 da Lei n° 8.212/91 se encontra revogado, por força da Súmula Vinculante do STF n° 8 e por força do art. 13, I, “a” da Lei Complementar n° 128 de 19 de dezembro de 2008. Portanto, o prazo para a realização do lançamento da CSLL também é de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.005419/200503 Acórdão n.º 180201.347 S1TE02 Fl. 292 5 In casu, a Recorrente teve o lançamento de CSLL realizado pela autoridade em 31/10/2005, através de auto de infração. Assim sendo, o lançamento efetuado com relação à CSLL apurada no ano de 1999, já se encontra extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V do Código Tributário Nacional, não podendo mais a autoridade alterar o feito. De toda sorte, a DRJ através de Acórdão já citado, desconstituiu a exigência com relação à CSLL no todo, senão vejamos (fls. 242): Observo que a fiscalização apurou exigências de CSLL decorrentes das glosas de custos nos anos de 1999 e 2000, nos valores respectivos de R$46.682,10 e de R$41.632,79. Porém, a exemplo do lançamento relativo à redução de prejuízo fiscal, o procedimento da fiscalização deveria ter sido o de redução da base de cálculo negativa apurada pelo sujeito passivo nos referidos exercícios. Consta dos autos os valores de base de cálculo da CSLL apurados pelo sujeito passivo em 1999 e 2000, respectivamente de —R$11.544.160,65 (fl. 185) e de — R$5.045.804,30 (fl. 138). Portanto, o lançamento de CSLL deve ser declarado nulo, pois a implicação das glosas de custos neste caso específico seria unicamente de redução do saldo da base de cálculo negativa. Como se observa, a r. Turma de Julgamento entendeu corretamente no sentido de que o comando do auto de infração seria obrigação de fazer, no sentido de reduzir a base de cálculo negativa nos respectivos exercícios, julgando o lançamento de CSLL nulo no todo. Contudo, remanesce dessa decisão a exigência com relação a obrigação de fazer do IRPJ do ano calendário de 2000, no sentido de reduzir o prejuízo fiscal calculado, pela glosa nos custos de depreciação considerados pelo contribuinte, ante a ausência de documentos que comprovassem a evolução das quotas de depreciação. A Recorrente por sua vez, alega que apresentou farta documentação e que, não houve por parte da autoridade menção de quais documentos ou provas seriam válidas para sustentação da exigência, nem demonstrou indícios suficientes de qual base serviu para os referidos lançamentos de ofício, sendo por isso, presunções não demonstradas, carecendo de fundamentação e contrariando os princípios da ampla defesa e do contraditório. Discorre ainda que após a apresentação da documentação, houve inovação da exigência pela autoridade que alegou não serem hábeis as provas demonstradas, pois a propriedade das embarcações não acompanhou o seu respectivo registro contábil tendente a habilitar as cotas de depreciação demonstradas, dada a carência do valor original (preço de aquisição) do bem. Ora, não entendo que houve inovação da solicitação, nem um suposto aperfeiçoamento do pedido inicial. Vejamos: No termo de início de fiscalização (fls. 3) no item 4 consta: 4 – Documentos de aquisição e de acréscimos (benfeitorias), das embarcações e de todos os bens integrantes do ativo imobilizado, sobre os quais foram calculados as despesas de depreciações normal e incentivada; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Além do mais, não é possível a autoridade validar as quotas de depreciação sem o preço de aquisição e as benfeitorias dos bens imobilizados. Assim, as provas apresentadas pela Recorrente embora comprovem a propriedade das embarcações e até as benfeitorias realizadas, não são suficientes para demonstrar a evolução de seu valor contábil e ao final, apontar os custos com a depreciação utilizados. Careceu nesta parte, a demonstração dos lançamentos contábeis e relatórios de suporte capazes de demonstrar a evolução das cotas de depreciação normal e incentivada. Portanto, mantenho neste prospecto, a exigência fiscal em relação ao ano 2000 do IRPJ, que permanecia pela decisão da DRJ exigível, no sentido de reduzir o prejuízo fiscal de tal anocalendário. A Recorrente defende também que ofereceu os prejuízos fiscais à tributação como Receita, na alínea de Ativos Fiscais Diferidos e os excluiu do lucro real, resultando os referidos lançamentos no resultado de “zero”. Atesto que a narração dos fatos possui lógica procedimental e em análise dos documentos acostados, verifico possuírem veracidade quanto à matéria. Às fls 278/280 a Recorrente juntou Livro Diário onde demonstra ter realizado lançamento a título de “Prov. Imposto de Renda Diferido Ativo” no montante de R$ 3.574.508,31, onde debita conta do ativo e credita conta de resultado o que, aumenta o lucro operacional e/ou reduz o prejuízo fiscal. Contudo, este valor também não possui sustentação e é diferente do levantado pela fiscalização. Careceu nesta parte a demonstração por parte do Recorrente da composição de valores e explicações da divergência entre o levantado pelo procedimento fiscal e o sustentado em matéria de defesa, de forma a convencer este julgador sobre a correção de seus procedimentos. Neste sentido, dispõe o Código de Processo Civil – Lei n° 5.869/73: Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, não esclarecido por meio de provas o fato impeditivo, modificativo ou extintivo capaz de comprovar a correção em seu procedimento, merecida é a manutenção da exigência nesta parte. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.005419/200503 Acórdão n.º 180201.347 S1TE02 Fl. 293 7 Marciel Eder Costa Relator Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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