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Numero do processo: 10630.902299/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 22 99 /2 00 9- 12 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10630.902299/200912 Acórdão n.º 1201002.396 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando parcialmente a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.391, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.902292/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.391): Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Desta forma, descabe, portanto, o auto de infração originário, já que não houve atraso nos referidos pagamentos, sem a ocorrência de quaisquer prejuízos à Fazenda Federal. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10630.902299/200912 Acórdão n.º 1201002.396 S1C2T1 Fl. 4 3 O I. Presidente e Relator alega que a transmissão da Dcomp se deu após o vencimento dos débitos levados à compensação, e que neste caso deve incidir juros e multa. Ocorre que a referida transmissão da Dcomp ocorreu após o vencimento dos débitos devido ao fato do desenquadramento do Simples para o Lucro Presumido ter sido comunicado somente em 26 de agosto de 2004. Ademais, os valores entraram nos cofres da SRF antes mesmo de existir o débito, não havendo que se falar. Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP). O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10630.902299/200912 Acórdão n.º 1201002.396 S1C2T1 Fl. 5 4 À época, o artigo 28 da IN SRF nº 460/2004 exigia os acréscimos moratórios quando da entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), após o vencimento do tributo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (grifei) A Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010908/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.138
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 09 08 /2 01 0- 16 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 15504.010908/201016 Acórdão n.º 3402006.138 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando uma indisponibilidade no sistema do RECEITANET, que não concluía a recepção dos arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02037.814. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente com a tela de indisponibilidade do sistema da RFB. Tratandose o presente caso de caso fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.129, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15504.010532/201031, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.129): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, pretende a Recorrente que seja afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em razão da indisponibilidade do sistema da Receita Federal (RECEITANET), que teria sido devidamente comprovado pelas telas anexas à Impugnação (efls. 06/07). Contudo, as telas anexadas pelo sujeito passivo não evidenciam, de forma contundente, que o equívoco ocorreu no sistema da Receita Federal, na data sugerida pelo sujeito passivo (08/06/2010). Com efeito, a primeira tela anexada aos autos (efl. 06) não identifica o sujeito passivo a que corresponde: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 15504.010908/201016 Acórdão n.º 3402006.138 S3C4T2 Fl. 0 3 Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de envio (08/06/2010). Contudo, observase que esta tela não identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que corresponderia, apenas, à Recorrente. Neste aspecto, essencial frisar que exatamente por não identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada em outros processos administrativos, relacionados a sujeitos passivos distintos do presente, inclusive com o mesmo horário de tentativa de envio (21:09). É o que se confirma, de forma exemplificativa, da análise de processos que compõe o lote de repetitivos do presente processo, nos quais a mesma tela foi acostada aos autos: Processo nº 15504.010538/201017 da empresa GEMAPE MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 10 daqueles autos; Processo nº 15504.011788/201066 da empresa CHARM REPRESENTACOES LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 06 daqueles autos; e Processo nº 13603.001542/201032 da empresa WRS AUTO PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 08 daqueles autos. Por sua vez, a única tela que identifica a empresa por meio de seu nome e CNPJ (efl. 07), não identifica a data de tentativa de envio, somente um horário da tela do computador (22:09): Fl. 45DF CARF MF Processo nº 15504.010908/201016 Acórdão n.º 3402006.138 S3C4T2 Fl. 0 4 Assim, as telas acostadas aos presentes autos não comprovam que o atraso no envio poderia ser imputado ao sistema da Receita Federal. Essencial mencionar que, quando comprovado que ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a própria Receita Federal procede com o cancelamento das multas, como ocorreu no Ato Declaratório Executivo n.º 90/2009, para as declarações entregues em outubro/2009. No presente caso, a Receita não emitiu qualquer ato suscetível a comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para demonstrar que esse erro técnico seria imputável à Receita Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao sujeito passivo autuado. Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 46DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.720174/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2011 a 30/10/2015
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Numero da decisão: 2301-005.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 01 74 /2 01 6- 09 Fl. 648DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 612/627) interposto em face do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 12085.470 (efls 598/604), prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada (efls 559/577.) 2. Fazse a transcrição do relatório1 contido na decisão de primeira instância: Da auditoria de compensações O Contribuinte, em epígrafe, declarou em GFIP (Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), ter efetuado compensações de contribuições previdenciárias, no período de 07/2011 a 10/2015. 2. O Contribuinte foi intimado a prestar informações referentes às compensações que efetuou no período acima indicado. Transcrevo, parcialmente, a intimação de fl. 3: Nas competências do Período de Auditoria, acima discriminado, foram informadas compensações de contribuição previdenciária através de GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. NOTIFICAMOS o Contribuinte, acima identificado, para que detalhe a origem dos créditos utilizados nas compensações informadas, via Internet, na página da Receita Federal do Brasil – www.receita.fazenda.gov.br por meio de Código de Acesso ou Certificado Digital, através do seguinte caminho: Portal eCAC >Serviços>Restituições e Compensação>Compensação de Contribuições Previdenciárias GFIP Ao acessar a opção ‘Notificações em Auditoria de Compensação em GFIP’ será disponibilizada – por ano calendário e conforme números de controle – lista com as competências cujos créditos utilizados nas compensações deverão ser detalhados, assim como instruções, críticas do sistema e orientação para impressão do Recibo, ao final da prestação das informações ora solicitadas. O prazo para o cumprimento desta NOTIFICAÇÃO é 15 de abril de 2016. (...) 3. A Auditoria juntou aos autos as seguintes planilhas: 3.1. Demonstrativo 1 – Detalhamento da origem do crédito (fls. 530/531). 3.2. “Anexo – Planilha de cálculo – Parte integrante do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1032/2016.” 3.3. Anexo – Planilha de cálculo – Parte integrante do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1032/2016. Demonstrativo 2 – Créditos disponíveis para compensação por estabelecimento e competência de origem (fl. 532). 3.4. Anexo – Planilha de cálculo – Parte integrante do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1032/2016. Demonstrativo 3 – Compensações com créditos prescritos. (fls. 533/534). 1 Efls 599. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15578.720174/201609 Acórdão n.º 2301005.731 S2C3T1 Fl. 649 3 3.5. Anexo – Planilha de cálculo – Parte integrante do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1032/2016. Demonstrativo 4 Glosas aplicadas – total empresa por competência da compensação (fls. 535/537). Da glosa das compensações 4. Foi emitido o Parecer Seort nº 1.032/2016 de fls. 538/544, assim ementado: Ementa: São indevidas as compensações de Contribuições Previdenciárias, declaradas em Guia de Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, não esclarecidas à Auditoria Fiscal. Os créditos tributários supostamente liquidados deverão retornar à condição de exigíveis nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil – RFB, desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previstos na legislação tributária vigente. 5. O Parecer Seort 1.032/2016 assinala que o Contribuinte não conseguiu demonstrar a existência de créditos em valor suficiente para justificar todas as compensações questionadas. Razão pela qual foram consideradas indevidas as compensações correspondentes aos valores não suportados pelos créditos apurados, “sujeitandose o postulante à incidência das penalidades constantes do artigo 89, § 9º, da Lei 8.212/91, artigos 45 e 46 da Instrução Normativa RFB n 900/2008 e, posteriormente, nos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012”. Transcrevo, parcialmente, o referido parecer: (...) 14. As compensações efetuadas pelo sujeito passivo, no período objeto dessa auditoria, tendo em vista não haverem sido integralmente declarados (na GFIP) os créditos apontados no detalhamento, deverão ser glosadas, no todo ou em parte, conforme valores discriminados no Anexo 4 – Glosas aplicadas – total empresa por competência da compensação. CONCLUSÃO 15. As compensações realizadas pelo sujeito passivo, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, nos estabelecimentos e competências mencionados no anexo – Demonstrativo 4, do anexo de cálculo – Glosas aplicadas – total empresa por competência da compensação, não foram esclarecidas a esta Auditoria Fiscal. 16. A GFIP constitui instrumento hábil de constituição dos créditos da RFB, conforme disposto no artigo 32 da Lei nº 8.212/1991, bem como no artigo 225 do Decreto nº 3.048/1999. 17. Diante do acima e anteriormente exposto, considero INDEVIDAS as compensações não esclarecidas e intimo o sujeito passivo a promover o recolhimento dos valores glosados (coluna glosa) do anexo de cálculo, com os devidos acréscimos legais, computados desde os respectivos vencimentos (coluna competência), no prazo de 30 dias contados da ciência dessa decisão. 18. Cabe esclarecer ao contribuinte que cabe interposição de manifestação de inconformidade desta Decisão, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no prazo máximo de 30 dias, contados da data do recebimento Fl. 650DF CARF MF 4 deste, conforme previsto no artigo 77 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. VitóriaES, 27 de maio de 2016. 19. E ainda, ao SECAT para o cadastramento da GLOSA no sistema SIEF – código 3618 (Compensação Previdenciária indevida em GFIP), bem como dar CIÊNCIA ao interessado, encaminhando este Parecer e Despacho Decisório, acompanhado ao Anexo de Cálculo (Demonstrativo de 1 a 4), que faz parte integrante dessa decisão. 6. Em conformidade com o Parecer Seort 1.032/2016, foi emitido o despacho decisório de fls. 545/546, o qual considerou indevidas as compensações previdenciárias informadas pelo sujeito passivo nas GFIP das competências 13/2011 a 10/2015, em razão de não ter o Contribuinte demonstrado a existência de créditos que justificassem o montante das compensações por ele efetuadas. As glosas estão indicadas, por competência, na planilha de fls. 545/546, bem como no Demonstrativo 4 de fls. 535/537. Da manifestação de inconformidade2 7. O Contribuinte foi cientificado das compensações não homologadas através do documento de fl. 552, encaminhado pelos Correios e recebido pelo Contribuinte em 17/08/2016, conforme consignado no AR de fl. 553. 8. Inconformado com a não homologação das compensações efetuadas o Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 559/570, tendo a peça defensiva sido apresentada em 19/09/2016, conforme consta do “Termo de Solicitação de Juntada” de fl. 558. 9. Alega o Contribuinte que lhe foi proporcionado o prazo de 30 (trinta) dias, a partir do recebimento da intimação, para apresentar manifestação de inconformidade, nos termos do artigo 77 da Instrução Normativa RFB 1.300/2012. Acrescenta que o artigo 26 da Portaria MPS 548/2011 detemina que a contagem dos prazos comece no dia subseqüente à ciência, e conclui: Ante o exposto, e dado que o 3º dia contado a partir do dia subseqüente à ciência coincidiu com dia não útil (sábado, 17/09/2016), temse por TEMPESTIVA a presente impugnação. 10. Argumentou também o Contribuinte que: O Parecer SEORT nº 1032/2016 menciona 04 relatórios em seu bojo. Conjugados entre si,esses relatórios determinaram o MONTANTE da notificação de lançamento, o quantum da multa e quantum dos juros, calculados mês a mês por período questionado. São eles: (...) Ocorre que nunhum dos documentos produzidos pela RFB foi anexado ao Parecer ou à NFLD recepcionada pela impugnante, o que torna a NFLD anulável, por não apresentar ao contribuinte os elementos que permitiriam determinar o montante questionado, ou glosado, ou considerado prescrito ou insuficiente. (...) Ocorre que, ao não anexar os DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DA INFRAÇÃO, o AFTN sequer deu à autuada o direito de analisar as glosas 2 Efls. 601. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 15578.720174/201609 Acórdão n.º 2301005.731 S2C3T1 Fl. 650 5 efetuadas, comparandoas com seus créditos originais, por retenção ou recolhimento a maior. (...) Houve, portanto, flagrante cerceamento do direito de defesa, flagrante afronta ao Regulamento da Previdência Social (artigo 243 do Decreto 3.048/99) e ao Processo Administrativo Fiscal (artigo 11 do Decreto 70.235/1972), por ter a SRFB notificado o contribuinte sem a apresentação clara e precisa dos elementos que compõem a NFLD que ora se impugna. (...) Como se tudo isso não bastasse, as informações relativas ao processo em análise não se encontram disponíveis no Portal do Centro de Atendimento Virtual da RFB, denominado eCAC, conforme telas de acesso anexados no Anexo IV. 11. Acompanham a manifestação de inconformidade: AR (aviso de recebimento) de fl. 571; intimação da Vigserve para prestar esclarecimentos sobre s compensações (fl. 572); “Demonstrativo dos Créditos por Recolhimento Indevido ou a Maior que o Devido” (fls. 573/575); telas de consulta e acesso ao Centro Virtual da Receita Federal do Brasul (fls. 576/577); trigésima primeira alteração contratual (fls. 578/584); documento de identidade de Marcos Felix Loureiro (fls. 585/5860). 12. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de2013 (DOU 17/04/2013), e no artigo 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013, e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ para apreciação (fl. 589). (fim da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 12085.470) 3. Ao julgar intempestiva a manifestação de inconformidade, o acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2011 a 30/10/2015 Impugnação Intempestiva A manifestação de inconformidade apresentada fora do przo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. 4. Ao interpor o recurso voluntário (efls 612/627), nas razões a Recorrente colaciona argumentos para sustentar a tempestividade da impugnação apresentada, ao pedir que seja reconhecida a contagem em dias úteis, tal como preconiza o Novo Código de Processo Civil, assim como traça considerações relacionadas a glosa de valores compensados a título de contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. O recurso voluntário é tempestivo devendo ser conhecido exclusivamente na parte que se refere ao litígio estabelecido quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. 6. De fato, constatase que a manifestação de inconformidade apresentada foi intempestiva. Intimado em 17/08/2016, a defesa foi protocolada somente em 19/09/2016, após o vencimento do prazo de 30 dias, que teria se operado em 16/09/2016. Em vista de tal circunstância, não foi instaurado o contencioso, como bem asseverado pela decisão de primeira instância. 6.1. Acerca da questão, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal federal, estabelece no caput do seu artigo 56, que a impugnação deve ser apresentada no prazo de 30 dias, contados da data da ciência da intimação da decisão, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. 6.2. Prossegue, em seu § 2º, que "eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." 6.3. Isto posto, intempestiva a manifestação de inconformidade, não já reparo algum a ser feito na decisão de primeira instância. 6.4. Em vista do preceito normativo supra transcrito, não há que se cogitar em aplicação subsidiária do Novo Código de Processo Civil. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000646/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2006
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. NÃO PROVIMENTO
De acordo com o que se observa do lançamento, a fiscalização exigiu o valor provisionado no mês de 12/2002, todavia, a simples provisão não representa o fato gerador da contribuição previdenciária, motivo porque deve ser excluído da base de cálculo do lançamento.
Quanto aos pagamentos a título de PLR nos anos de 2003 a 2006, não se vislumbra qualquer irregularidade com relação aos pagamentos realizados em janeiro e julho, pois estão dentro dos limites estabelecidos pelo § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000, tanto com relação a semestralidade, quanto ao limite de dois pagamentos anuais. Deve ser acatada a retificação do lançamento proposta pela autoridade fiscal após a diligência.
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL
O contribuinte comprovou ter efetuado o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias e não se pode perder de vista que o lançamento trata de diferenças de contribuições, o que atrai a regra do 150, § 4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e razões de defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN.
NULIDADE. RELATÓRIO DOS CO-RESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA
O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co-responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante.
PLR. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM A LEI
Em que pese as alegações do contribuinte, os pagamentos a título de PLR que em dissonância com a regra estabelecida no § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101/2000 são indevidos, portanto, devem ser incluídos na base de cálculo previdenciária.
TAXA DE JUROS SELIC
Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
Numero da decisão: 2401-005.955
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até a competência 10/2002.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. NÃO PROVIMENTO De acordo com o que se observa do lançamento, a fiscalização exigiu o valor provisionado no mês de 12/2002, todavia, a simples provisão não representa o fato gerador da contribuição previdenciária, motivo porque deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Quanto aos pagamentos a título de PLR nos anos de 2003 a 2006, não se vislumbra qualquer irregularidade com relação aos pagamentos realizados em janeiro e julho, pois estão dentro dos limites estabelecidos pelo § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000, tanto com relação a semestralidade, quanto ao limite de dois pagamentos anuais. Deve ser acatada a retificação do lançamento proposta pela autoridade fiscal após a diligência. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL O contribuinte comprovou ter efetuado o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias e não se pode perder de vista que o lançamento trata de diferenças de contribuições, o que atrai a regra do 150, § 4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e razões de defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. NULIDADE. RELATÓRIO DOS CO-RESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co-responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante. PLR. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM A LEI Em que pese as alegações do contribuinte, os pagamentos a título de PLR que em dissonância com a regra estabelecida no § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101/2000 são indevidos, portanto, devem ser incluídos na base de cálculo previdenciária. TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até a competência 10/2002. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. NÃO PROVIMENTO De acordo com o que se observa do lançamento, a fiscalização exigiu o valor provisionado no mês de 12/2002, todavia, a simples provisão não representa o fato gerador da contribuição previdenciária, motivo porque deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Quanto aos pagamentos a título de PLR nos anos de 2003 a 2006, não se vislumbra qualquer irregularidade com relação aos pagamentos realizados em janeiro e julho, pois estão dentro dos limites estabelecidos pelo § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000, tanto com relação a semestralidade, quanto ao limite de dois pagamentos anuais. Deve ser acatada a retificação do lançamento proposta pela autoridade fiscal após a diligência. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL O contribuinte comprovou ter efetuado o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias e não se pode perder de vista que o lançamento trata de diferenças de contribuições, o que atrai a regra do 150, § 4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e razões de defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 46 /2 00 7- 08 Fl. 1625DF CARF MF 2 NULIDADE. RELATÓRIO DOS CORESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante. PLR. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM A LEI Em que pese as alegações do contribuinte, os pagamentos a título de PLR que em dissonância com a regra estabelecida no § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101/2000 são indevidos, portanto, devem ser incluídos na base de cálculo previdenciária. TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até a competência 10/2002. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 16095.000646/200708 Acórdão n.º 2401005.955 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP (DRJ/CPS) que julgou procedente em parte a impugnação relativa ao AI Auto de Infração n° 37.139.7073, mantendo parcialmente o crédito previdenciário por meio dele constituído, passando o valor originário de R$ 4.595.922,84, para R$ 1.328.557,54, conforme ementa do Acórdão nº 0526.811 (fls. 1231/1251): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2006 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o respectivo lançamento já podia ser efetuado. PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ILEGALIDADE. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. As verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. PERÍCIA. REQUISITOS NÃO FORMULADOS. A autoridade julgadora de primeira instância poderá considerar não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos exigidos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 37.139.7073 (fl. 02), referente às contribuições de que tratam os art. 22, incisos I e II, e 94 (este último, antes de sua revogação pela Lei n° 11.457, de 1632007) da Lei n 8.212, de 2471991, incidentes sobre PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS PLR pagas ou creditadas aos segurados empregados que prestaram serviços ao contribuinte, no período de janeiro de 1997 a julho de 2006 (não contínuo). De acordo com o Relatório Fiscal da NFLD (fls. 105/111): 1. O lançamento da contribuição foi embasada no exame dos seguintes documentos: · Conta contábil Participação nos Lucros a Pagar 00143515 00000000 e 0008330020 (01/1997 a 11/1999); Fl. 1627DF CARF MF 4 · Conta contábil Participação dos Empregados nos Resultados 0018791000010202 e 0008790010 (01/ 1997 a 11/ 1999); · FOLHAS DE PAGAMENTO FOPAG resumos (01/1997 a 12/2006, em especial de 01/2000 a 12/2000); · BALANÇO PATRIMONIAL 12/2002. 2. Parcela dos empregados (gerentes diretores) recebeu o PLR em mais de duas parcelas anuais, no período de 1997 a 2002, em desacordo com a Lei n° 10.101/2000; 3. A empresa foi intimada para apresentar documentos, mas não o fez, o que levou à lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória (AI n° 37.139.7146); 4. Com relação à competência 12/2002, foi utilizado como base de cálculo o valor indicado no Balanço Patrimonial da empresa por não haver informação na conta contábil e nem no resumo da FOPAG; 5. A partir da competência 01/2003, ante a apresentação de documentos, foram utilizados os valores relativos aos empregados que receberam o PLR em mais de duas vezes por ano; 6. A autoridade fiscal deixou de exigir a contribuição dos segurados empregados por não possuir condições técnicas para o enquadramento nas alíquotas devidas; 7. Foi deixado de exigir as contribuições destinadas ao SESI Serviço Social da Indústria e ao SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, uma vez que a empresa recolhe diretamente à essas entidades; 8. A contribuição destinada ao FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação foi objeto de lançamento em separado (NFLD DEBCAD n° 37.048.2018); 9. Os pagamentos verificados foram os das seguintes competências: · 1997: 01 a 04 e 06 a 10; · 1998: 03 a 08, 10 e 12; · 1999: 01 a 04, 06 a 08, 10 e 12; · 2000: 01 a 04 e 07; · 2001: 01 a 03, 07 e 10; · 2002: 12; · 2003: 01, 03 e 07; · 2004: 01, 03, 07 e 10; Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 16095.000646/200708 Acórdão n.º 2401005.955 S2C4T1 Fl. 4 5 · 2005:01,03,07e11; · ø 2006: 01, 03 e 07. Em 29/11/2007 o Contribuinte tomou ciência pessoalmente da Notificação (fl. 02) e, em 26/12/2007, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 184 a 228, instruída com os documentos às fls. 229 a 1125. Complementando sua defesa, em 17/06/2008, apresentou requerimento (fls. 1128/1166) no qual pugna pelo cancelamento dos valores exigidos nas competências de 01/1997 a 10/2002, em razão de decadência, de acordo com a Súmula Vinculante n° 8, do STF. Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, onde a 9ª Turma, na forma da Resolução nº 2.265 de 19/08/2008 (fls. 1168/1171), baixou os autos em diligência para que o AuditorFiscal se manifestasse sobre os seguintes pontos: · Considerando que o registro no balanço patrimonial não representa, efetivamente, pagamento (conta contábil do grupo Despesa), mas sim uma obrigação (conta contábil do grupo Passivo), é necessário que seja esclarecido a razão para o lançamento e/ou se houve a apresentação de outro documento que comprova tal pagamento; · Consoante o anexo RL Relatório de Lançamentos, são procedentes as alegações da empresa quanto aos lançamentos duplicados/triplicado em relação aos beneficiários que identifica, devendo ser informado se houve ou não equívoco. E ainda, se alguns desses pagamentos referemse a empregados demitidos. A autoridade fiscal apresentou manifestação às fls. 1180 a 1188. Cientificado da manifestação em 19/02/2009 (AR fl. 1189), em 16/03/2009 o contribuinte reitera os argumentos já apresentados e acrescenta que o lançamento está fundamentado em presunção, uma vez que não há provas nos autos de que tenha praticado qualquer irregularidade (fls. 1191/1202). Encaminhado o processo para julgamento, a DRJ/CPS julgou a impugnação procedente em parte, mantendo parcialmente o crédito tributário, passando o valor originário de R$ 4.595.922,84, para R$ 1.328.557,54. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão via Correio, em 08/10/2009 (AR fl. 1258) e interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1259 a 1294, instruído com os documentos relacionados nas fls. 1295 a 1621, em 09/11/2009. Em suas razões recursais faz um breve relato dos fatos (fls. 491/493) e prossegue expondo os motivos que considera determinantes para a reforma da decisão recorrida, quais sejam: 1. A decadência do direito do Fisco lançar, em novembro de 2007, os créditos de Contribuição Previdenciária e de terceiros do período de janeiro de 1997 a novembro de 2002, com base na aplicação da regra Fl. 1629DF CARF MF 6 do artigo 150, § 4°, do CTN, por existir recolhimento de contribuição previdenciária no período; 2. A Inobservância do princípio da Razoabilidade, ao longo do procedimento de fiscalização; 3. A Invalidade do lançamento em razão da precariedade da fiscalização e do lançamento, que utilizou critérios diferentes para levantamento da base tributável dos períodos de apuração que compõem a exigência fiscal; 4. A Nulidade do lançamento, em razão da existência de vícios insanáveis, a saber: a. Omissão na capitulação legal da infração; b. Não individualização da exigência por CNPJ, de acordo com os pagamentos efetuados de janeiro de 1997 a dezembro de 2002 por cada uma das unidades da SaintGobain, nem individualização por pessoas; c. Indevida inclusão de valores pagos a título de PLR a empregados da Contribuinte em 2 parcelas na base da exigência de janeiro de 1997 a dezembro de 2002; d. Desconsideração de situações excepcionais, como o pagamento em virtude de rescisão de contrato de trabalho. 5. A Inexistência de pagamento de uma terceira parcela de PLR, mas sim um simples ajuste da segunda parcela ou mesmo, meras irregularidades formais insuficientes para se desconsiderar Acordos de PLR, haja vista que no direito previdenciário, assim como no direito do trabalho, deve prevalecer o princípio da realidade, onde meros formalismos não se sobrepõe à verdade dos fatos; 6. A Observância dos requisitos de validade dos pagamentos de PLR, ou seja:, houve justa e livre negociação entre representantes do Sindicato, da Contribuinte e dos seus empregados, resultando em ganho adicional dos empregados,e não pagamento de PLR em substituição ao salário; 7. A Ilegalidade da aplicação da SELIC no caso, como critério de atualização monetária. Finaliza requerendo o provimento integral do Recurso Voluntário apresentado para o fim de reformar a decisão recorrida, declarar a nulidade da NFLD, ou reconhecer a sua insubsistência. Requer ainda a exclusão dos representantes legais do Relatório de Co Responsáveis, sob o argumento de que a pretendida aplicação de responsabilidade a terceiros pela Fiscalização, sem prova de infração à lei ou ao estatuto social, agride a legislação tributária (artigos 134, inciso VII, e 135, inciso III, do CTN). É o relatório. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 16095.000646/200708 Acórdão n.º 2401005.955 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Recurso de Ofício Em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Com efeito, a verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e, segundo, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente, conforme sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi acima do novo limite determinado pela legislação de regência (fl. 1251), razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Ofício. Pois bem. O lançamento trata do pagamento de PLR. Quanto à base de cálculo, no que se refere à competência 12/2002, foi utilizado o valor indicado no Balanço Patrimonial da Fl. 1631DF CARF MF 8 empresa; a partir da competência 01/2003, foram utilizados os valores relativos aos empregados que receberam a PLR em mais de duas parcelas. Após diligência realizada, a DRJ acatou a alegação do contribuinte de que alguns valores relativos ao ano de 2006 foram tomados em triplicidade. Assim, foi retificado o lançamento relativamente aos valores pagos aos funcionários Romeu Eduardo Furgeri Grãos, Íon de Simone Albuquerque, Apolinário Fernando Medeiros de Amorin, Dácio Menna Barreto de Moraes, Ernani Nishida Kato e Ivandír Pontes Coelho, nos termos da tabela de fls. 1235/1237. A Delegacia de Julgamento considerou a decadência em relação às competências de 01/1997 a 11/2001; acatou a retificação do lançamento proposta pela autoridade fiscal após a diligência; e com relação às demais competências exigidas, decidiu por excluir do lançamento o valor provisionado em 12/2002, constante do Balanço Patrimonial; excluir da base de incidência os pagamentos realizados em janeiro e julho por estarem em conformidade com o § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101/200, nos termos da tabela constante à fl. 1246, conforme excertos da decisão a seguir transcritos: A especificação contida na Constituição da República e legislação previdenciária referente ao “creditamento” não pretende estabelecer como fato gerador da contribuição previdenciária a efetiva prestação de trabalho, mas sim o “reconhecimento do crédito pelo devedor”. Assim, segundo os termos da legislação invocada, o fato gerador da contribuição previdenciária é o efetivo pagamento dos salários ao trabalhador, nos termos dos dispositivos supracitados. Por conseguinte, o valor tomado para a competência 12/2002, não representa, efetivamente, um fato gerador de contribuição social/previdenciária, uma vez que representa apenas uma provisão para pagamento, isto é, apenas uma obrigação. Quer dizer, não se verificou o “creditamento” de que falamos. Devendo, portanto, este colegiado decidir pela exclusão do correspondente valor deste lançamento. Quanto aos valores tomados em face das demais competências, temos que o § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101, de 19122000 é expresso quanto à impossibilidade jurídica de se realizar a distribuição de lucros em mais de duas parcelas no mesmo ano civil. Confirase: [...] De fato, pelo que se depreende dos temos do relatório fiscal, o lançamento decorreu, unicamente, de a empresa haver efetuado mais de dois pagamentos nos anos de 2003 a 2006, a título de participação dos empregados nos seus lucros. Dito de outro, a NFLD resulta, tão somente, do descumprimento do § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101 retro citado, segundo o qual “É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. ”. [...] Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 16095.000646/200708 Acórdão n.º 2401005.955 S2C4T1 Fl. 6 9 Quer dizer, a empresa descumpriu a Lei n° 10.101/2000 (em março e abril nos anos 2003 e 2004, em fevereiro e março no ano de 2005 e em março no ano de 2006), porque esses pagamentos foram efetuados “em periodicidade inferior a um semestre” em relação ao primeiro, ocorrido em janeiro. Todavia, não se vislumbra qualquer irregularidade quanto ao pagamento realizado em julho de todos esses anos, assim porque realizado há mais de seis meses em relação ao de janeiro, como pelo fato de que, na medida em que os valores relativos a fevereiro a abril sejam considerados “salários”, e não distribuição de lucros, resta atendida, também, a segunda condição estabelecida no § 2° do art. 3° da nova MP, isto é, que a distribuição não se dê “mais de duas vezes no mesmo ano civil”. Entretanto, os pagamentos subsequentes, isto é, relativos a agosto, outubro, novembro e dezembro, se verificam em periodicidade inferior a um semestre e, que, portanto, devem ser considerados como “salário” remuneração integrante do saláriodecontribuição (inciso I do art. 28 da Lei n° 8.212/1991). Assim, temos que os pagamentos realizados em janeiro e julho encontramse em conformidade com o § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101/2000. Pelo que os correspondentes valores não integram o saláriodecontribuição, devendo, portanto, serem excluídos do presente lançamento. Entendo que não merece reforma a decisão de piso. De acordo com o que se observa dos autos, a fiscalização tomou como base tributária o valor provisionado no mês de 12/2002, indicado no Balanço Patrimonial da empresa. Todavia, a simples provisão sem qualquer outro respaldo na contabilidade ou na folha de pagamento não representa o fato gerador da contribuição previdenciária, motivo porque deve ser excluído da base de cálculo exigida. Quanto aos anos de 2003 a 2006, não se vislumbra qualquer irregularidade com relação aos pagamentos realizados em janeiro e julho, pois encontramse dentro dos limites estabelecidos pelo § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000, tanto com relação a semestralidade, quanto com relação ao limite de dois pagamentos anuais. Dessa forma, não merece reparos a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, razão porque nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1633DF CARF MF 10 Decadência A Recorrente alega a ocorrência de decadência do lançamento relativo a períodos de apuração anteriores a novembro de 2002. Assevera que a constituição do crédito tributário ocorreu em 28 de novembro de 2007 e que foram realizados pagamentos de contribuições no período. Como se observa, o lançamento foi realizado com base no art. 45 da Lei nº 8.212/91 que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para a constituição dos créditos tributários concernentes à Seguridade Social. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o que resultou na expedição da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20/6/2008, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A partir de tal entendimento, a contagem do prazo decadencial deve ser interpretado em consonância com os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional, em especial no § 4º do art. 150, no caso de pagamento antecipado, ou com base na regra prevista no art. 173, inciso I do CTN, na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação (Súmulas CARF nºs 99 e 101). No caso concreto, a Recorrente comprovou ter efetuado o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias (fls. 1297 e seguintes) e não se pode perder de vista que o lançamento trata de diferenças de contribuições, pois decorreu de um levantamento específico relativo a PLR, o que atrai a regra do 150, § 4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial. Assim, merece acolhimento a alegação do contribuinte, devendo ser declarada a decadência do crédito tributário correspondente às competências anteriores a 11/2002. Nulidade do lançamento Procedimento da fiscalização – ofensa aos princípios da razoabilidade, contraditório e ampla defesa Alega a Recorrente que lhe foi imposto um formalismo desnecessário para a apresentação de documentos, sem qualquer razoabilidade e em prejuízo aos princípios do contraditório e ampla defesa. Durante o procedimento fiscalizatório foram emitidos vários termos de intimação para a apresentação de documentos; a empresa foi ainda intimada, através de termo de intimação específico, para fornecer documentos relacionados aos empregados que receberam PLR, no entanto, quedouse inerte. Destarte, as intimações para a verificação da ocorrência do fato gerador e cumprimento da legislação tributária são perfeitamente permitidas pelas normas que regulam o procedimento administrativo fiscal, podendo inclusive serem reiteradas, não havendo que se falar em desrespeito ao princípio da razoabilidade, haja vista que o fiscal agiu dentro dos preceitos do artigo 2º da Lei n° 9.784/99. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 16095.000646/200708 Acórdão n.º 2401005.955 S2C4T1 Fl. 7 11 Conforme se verifica dos autos, foi devidamente instaurado o procedimento administrativo, com as intimações necessárias objetivando os esclarecimentos dos fatos analisados. O lançamento foi efetuado para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de PLR que estavam em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, sob a motivação de que tais pagamentos se verificaram em mais de duas vezes no mesmo ano civil. Há clareza na autuação, não procedendo a afirmação de que ocorreu omissão na especificação da infração cometida. Após a lavratura do Auto de Infração, o contribuinte teve ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como em resposta ao relatório de diligência e, posteriormente por ocasião do Recurso Voluntário. O contraditório foi instaurado e a ampla defesa assegurada. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permitiu a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Relatório de Representantes Legais REPLEG A Recorrente se insurge contra a inclusão das pessoas físicas na relação de representantes legais e aduz que tal procedimento, por si só, gera a nulidade do lançamento fiscal. Não assiste razão ao Recorrente. O fato dos sócios da empresa terem sido incluídos no relatório de representantes legais não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. A Súmula CARF nº 88, vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, traz o seguinte enunciado acerca da matéria: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ademais, o lançamento foi constituído exclusivamente em nome da empresa Sant Gobain Abrasivos Ltda. como sujeito passivo tributário, razão pela qual, rejeito o argumento suscitado. Fl. 1635DF CARF MF 12 Mérito As razões recursais trazem argumentos gerais acerca da Participação nos Lucros e Resultados, aduzindo que não houve desvirtuamento ou intuito fraudatório do instituto da PLR. Argumenta, especificamente, que com relação ao empregado Américo Géza Dénes foi imputado pela fiscalização o pagamento de três parcelas de PLR, no entanto, ocorreram apenas dois pagamentos a esse título. Afirma também que o pagamento efetuado ao Sr. Aleixo Raia decorreu de mera liberalidade, de forma eventual, motivo porque não constitui base de incidência previdenciária. Inicialmente, importante se faz destacar que o pagamento de PLR e suas repercussões tributárias encontramse previstos na Constituição Federal, art. 7º, inciso XI, Lei nº 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “j” e Lei nº 10.101/00. A Constituição da República assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados, consoante se destaca a seguir: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A Lei nº 8.212/91, assim determina acerca do salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, a PLR desvinculada da remuneração é um direito social previsto na carta política e condicionado à observância dos requisitos da legislação infraconstitucional, haja vista que a norma constitucional é preceito de eficácia limitada nos termos do inciso XI do artigo 7º. No plano infraconstitucional, a regulamentação encontrase estabelecida em lei específica que disciplina a matéria, qual seja, a Lei nº 10.101/2000. No caso em exame, conforme já destacado anteriormente, o lançamento foi realizado unicamente pelo fato de a empresa haver efetuado mais de dois pagamentos nos anos de 2003 a 2006, a título de participação dos empregados nos seus lucros, o que é vedado pelo § 2° do art. 3° da Lei n° 10.101/2000 que assim dispõe: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 16095.000646/200708 Acórdão n.º 2401005.955 S2C4T1 Fl. 8 13 constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A decisão de piso não desconsiderou os pagamentos de PLR, em sua integralidade, de modo que entendeu estarem cumpridas as regras quanto aos dois pagamentos realizados, respeitando a semestralidade imposta pelo § 2º acima mencionado. Compulsando os autos, em especial as informações contidas no lançamento às fls. 62 e 63, constatase realmente a existência de apenas dois pagamentos efetuados ao Sr. Américo Géza Dénes, no valor de R$ 24.626,43, pago em janeiro/2003, e no montante de R$ 153.458,54, pago em abril/2003. Ocorre que não foi respeitada a periodicidade de um semestre civil, razão pela qual não assiste razão ao contribuinte quanto a exclusão dos referidos valores da base de cálculo da contribuição, devendo ser mantido o lançamento. Com relação ao pagamento efetuado ao Sr. Aleixo Raia, para contrapor à exigência fiscal, argumenta a Recorrente tão somente que são válidas as considerações e citações a precedentes jurisprudenciais aduzidas em sua defesa que atestam que o pagamento ocorreu sem habitualidade. No entanto, não contrapôs de forma elucidativa os fatos verificados no lançamento. Sequer juntou aos autos comprovação do alegado, o que evidencia que o contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova em favor de suas alegações. Apenas a afirmação de que tal situação não caracteriza remuneração sem a apresentação de novos documentos para descaracterizar a infração imputada não autoriza a sua exclusão, notadamente em vista do que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Aduz ainda a Recorrente que a fiscalização não considerou as situações excepcionais. Assevera que em alguns casos o pagamento da PLR foi adiantado no momento da rescisão. Esclarece que os funcionários que têm seus contratos rescindidos, seja em virtude de demissão, expatriação ou encerramento de atividades, fazem jus ao recebimento de valor do PLR proporcional ao período trabalhado e às metas atingidas. Entretanto, em que pese as alegações do contribuinte e os documentos adunados aos autos, não fez a Recorrente a correlação necessária, como meio de prova, demonstrando que referidos documentos seriam capazes de atribuir aos valores pagos na rescisão como pagamentos de PLR, e assim excluílos da base de cálculo apurada. A massa de documentos não faz prova em favor das suas alegações. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento. Juros SELIC Fl. 1637DF CARF MF 14 Contesta ainda a aplicação da SELIC na apuração do crédito tributário em discussão Contudo, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO. CONHECER do Recurso Voluntário, negar as preliminares suscitadas e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a decadência até a competência 10/2002. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1638DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904973/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2000
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.960
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 49 73 /2 01 1- 35 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.278 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.068, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.904973/201135 Acórdão n.º 3402005.960 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.913733/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/03/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/03/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 37 33 /2 01 1- 81 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13888.913733/201181 Acórdão n.º 3301005.515 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), ante à constatação de que o indébito não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo a nulidade do despacho decisório por não oferecer detalhamento e fundamentação da análise do crédito informado, dificultando sobremaneira o exercício pleno do direito de defesa. Arguiu o então Manifestante que o pedido de restituição decorria de crédito fiscal oriundo de multa de mora paga indevidamente, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea, dado o recolhimento do tributo em atraso, devidamente acrescido dos juros de mora, anteriormente à entrega da respectiva DCTF e de qualquer procedimento fiscalizatório, nos exatos termos do art. 138 do CTN e de decisões judiciais. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14040.421, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo a caracterização da denúncia espontânea. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13888.913733/201181 Acórdão n.º 3301005.515 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.510, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.913719/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.510): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1440.415 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão recorrida tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/12/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO ORIGINAL. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão proferida entendeuse que não caracteriza a denúncia espontânea, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o Contribuinte declarar e recolher o tributo fora do prazo de vencimento, mesmo que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Assim explicitou o entendimento: No caso dos autos, o débito em questão venceu no dia 15/12/1999 e o pagamento intempestivo se deu no dia 16/12/1999, ou seja, antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, que ocorreu exatamente no dia 15/02/2000, dentro do prazo fixado no § 2º, do art. 2º da IN SRF nº 126/98. Nesta hipótese, não há que se falar em ocorrência de denuncia espontânea de débito pago após o vencimento, mas antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, pois não houve inovação da atividade do contribuinte passível de denúncia espontânea. (...) Portanto, do que restou examinado até agora e partindose do fato in concreto de que o contribuinte recolheu o tributo a destempo e, posteriormente, Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13888.913733/201181 Acórdão n.º 3301005.515 S3C3T1 Fl. 5 4 declarou, dentro do prazo regulamentar da DCTForiginal, o seu débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, a conclusão é da incidência da multa de mora. Diante de todo o exposto, Voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. No presente processo o Contribuinte efetuou o pagamento em 16/12/1999 de DARF no valor de R$ 1.364.824,54 referente à COFINS, apurada em 30/11/1999 e que tinha vencimento em 15/12/1999. O referido débito foi declarado em DCTF e transmitida em 15/02/2000. O Valor recolhido de R$ 1.364.824,54 compõese de valor principal no montante de R$ 1.360.335,44 e de multa de mora no valor de R$ 4.489,10. O Contribuinte, por entender que ocorreu a denúncia espontânea por estes atos praticados, requereu por intermédio de PER/DCOMP, ora em análise, a restituição do valor da multa de mora, ou seja, o valor de R$ 4.489,10. Este é o objeto da presente lide. O instituto da denúncia espontânea está previsto no Código Tributário Nacional da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Salientase também a Nota Técnica 01 COSIT, de 18 de janeiro de 2012, que reconhece o benefício da denúncia espontânea e assim prevê: 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Entendo que assiste razão ao Contribuinte pela caracterização da denúncia espontânea, portanto, com direito ao crédito pleiteado. Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13888.913733/201181 Acórdão n.º 3301005.515 S3C3T1 Fl. 6 5 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito pleiteado, em razão da caracterização da denúncia espontânea. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.004052/2008-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009, 2010
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA CARACTERIZADA. CONHECIMENTO.
Pode ocorrer divergência na interpretação da lei tributária entre precedentes que tenham analisado textos legais distintos, quando tais textos tenham veiculado a mesma norma jurídica.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS NÃO DESCRITOS NO ADE. RESOLUÇÃO CGSN 8/2007. NULIDADE INEXISTENTE.
Não há nulidade no Ato Declaratório de Exclusão (ADE) do Simples Nacional, que não identificados os débitos, eis que o contribuinte tem acesso ao Portal do Simples Nacional, podendo verificar referidos débitos, conforme Resolução CGSN nº 8/2007 e demais normas vigentes.
Numero da decisão: 9101-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009, 2010 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA CARACTERIZADA. CONHECIMENTO. Pode ocorrer divergência na interpretação da lei tributária entre precedentes que tenham analisado textos legais distintos, quando tais textos tenham veiculado a mesma norma jurídica. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS NÃO DESCRITOS NO ADE. RESOLUÇÃO CGSN 8/2007. NULIDADE INEXISTENTE. Não há nulidade no Ato Declaratório de Exclusão (ADE) do Simples Nacional, que não identificados os débitos, eis que o contribuinte tem acesso ao Portal do Simples Nacional, podendo verificar referidos débitos, conforme Resolução CGSN nº 8/2007 e demais normas vigentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 40 52 /2 00 8- 85 Fl. 170DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de exclusão do Simples Nacional por Ato Declaratório Executivo nº 254.323, de 22 /08/2008, constando como causa da exclusão a existência de débitos com a Fazenda Pública Federal: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <www.receitafazenda.gov.br >, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 32, combinada com o inciso I do art. 52, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 12 de janeiro de 2009, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra ato de exclusão (fls. 2/6). Diante das razões do contribuinte, a unidade de origem acostou esclarecimentos nos autos (fls. 87): Os débitos de Simples de 09/2001 e 11/2001 foram cadastrados no processo n° 13629.000449/200555 (fl. 74). Em 21/03/2005 (fl. 76), o Contribuinte foi solicitado a apresentar cópia dos Pedidos de Compensação desses débitos, objeto de informação indevida de "compensação com processo" na Declaração PJ/Simples (fl. 75). Uma vez que o Contribuinte não se manifestou, os processo foi enviado 6 PFN/MG e inscrito em Dívida Ativa da União sob o n° 60 4 05 0030717 (fl. 77). Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 9101004.002 CSRFT1 Fl. 171 3 A inscrição n° 60 4 05 0030717 foi desmembrada em duas: a de n° 60 4 05 00030717, extinta por pagamento (fl. 78), e a de n° 60 4 05 05716579 (fl. 67), a respeito da qual foram solicitados esclarecimentos pela DRJ/JFA. A inscrição n° 60 4 05 057165 79 encontrase com ajuizamento suspenso devido a sua inclusão no parcelamento da Lei n° 11.941/91 em 30/11/2009; entretanto, o Contribuinte está em situação irregular em relação ao recolhimento das prestações (fl. 79). Os débitos de Simples de 07/2000, 09/2000, 10/2000, 11/2000, 12/2000, 01/2001, 02/2001, 04/2001, 05/2001 e 06/2001 foram analisados no processo n° 13629.000393/9885. Houve decisão no sentido de prosseguimento da cobrança dos débitos que o Contribuinte pretendia compensar, uma vez que não havia causa suspensiva da exigibilidade (fls. 68/69). O Contribuinte teve ciência da decisão em 21/03/2005 (fl. 73). 0 processo foi enviado À PFN /MG e inscrito em Dívida Ativa da União sob o n° 60 4 05 0030474 (fl. 65). A inscrição encontrase com ajuizamento suspenso devido a sua inclusão no parcelamento da Lei n° 11.941/91 em 30/11/2009; entretanto, o Contribuinte está em situação irregular em relação ao recolhimento das prestações (fl. 79). Diante disso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora manteve a exclusão do Simples Nacional (fls. 81): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO. DÉBITO. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débito junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa e não pago dentro de 30 (trinta) dias da ciência do Ato de Exclusão. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 94), julgado pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da ementa do acórdão 180101.122 (fls; 104): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 (...) ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Não há previsão legal para exigir que a Administração Tributária envolva o contribuinte, previamente, na apuração e constatação de fato que o impeça de permanecer no Simples Nacional. É dever do Estado expedir, de ofício, o ADE de exclusão ao verificar situação impeditiva na obtenção do favor fiscal. ATO DECLATÓRIO DE EXCLUSÃO. FORMALIDADES. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 172DF CARF MF 4 Não padece de vício o ADE que é emitido por autoridade competente e cumpre as formalidades legais, precipuamente fornecendo as condições necessárias para o administrado exercer plenamente o seu direito de defesa, atacando especificamente a motivação do ADE. Nesse contexto, o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 116), no qual sustenta divergência na interpretação a respeito da nulidade do ADE, que não tenha indicado os débitos ensejadores da exclusão, identificando como acórdãos paradigmas os de nº 303 31.479 e 30131.763. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção, conforme despacho às fls. 116, mencionandose apenas o acórdão paradigma nº 30131.763. Assim, foi proferido despacho para saneamento, para análise do outro acórdão paradigma. Diante disso, a Presidente da 3ª Câmara analisou o acórdão paradigma nº 303 31479, entendendo não demonstrado o dissenso jurisprudencial com relação a este acórdão (fls. 168). A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial, sustentando a improcedência do recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento A despeito de a Procuradoria não ter questionado o conhecimento do recurso especial, analiso as condições para processamento do recurso do contribuinte. O acórdão paradigma 30131763, que foi admitido pela Presidente de Câmara, tem a seguinte ementa: SIMPLES. DÉBITOS PERANTE A PGFN. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o processo de exclusão do Simples lastreado em ato declaratório que não indique os débitos perante a PGFN inscritos em Dívida Ativa, limitandose a consignar a existência de pendências junto a esse órgão. Extraise da íntegra do relatório do acórdão paradigma a situação julgada: Em exame o recurso interposto contra a decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu a solicitação do contribuinte acima identificado, de cancelamento da Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 9101004.002 CSRFT1 Fl. 172 5 exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, determinada pelo Ato Declaratório nº 407.711, de 2/10/2000 (fl. 2), por pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN. Diante deste quadro, decidiu a Turma Prolatora do acórdão paradigma 30131763: O art. 9º da Lei nº 9.317/96, ao dispor sobre a exclusão do Simples, estabelece, verbis: (...) Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; A norma retrotranscrita determina, de forma inequívoca, que ficam excluídas da sistemática do Simples as empresas que tiverem débitos inscritos em Dívida Ativa da União ou do INSS, o que implica deverem os atos declaratórios de exclusão conter informações que indiquem com suficiência e clareza quais os débitos inscritos em Dívida Ativa que motivaram a exclusão da empresa optante dessa sistemática simplificada de pagamento de tributos e contribuições Destarte, entendo que o ato de exclusão objeto de lide não possui os elementos necessários para o fim a que se destina, sendo insuficiente a tãosó indicação de existência de "pendências" para a exclusão da empresa do Simples, o que implica, inclusive, a caracterização da preterição do direito de defesa prevista no art. 59, II, do Decreto II 70.235/1972. Entendo que não há divergência na interpretação da lei tributária, na medida em que paradigma e recorrido trataram de normas distintas, aquele julgando à luz do artigo 9º, XV, da Lei nº 9.317/1996 e este apreciando o artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006. Ressalto que a Súmula CARF nº 22, trata da nulidade de ato declaratório de exclusão tratado pela Lei nº 9.317/1996 que não especifique os débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa: Súmula CARF nº 22 É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317, de 1996, que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Fl. 174DF CARF MF 6 Antes da revisão em sessão extraordinária de 03/09/2018, a Súmula previa que: “É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa”. O ajuste procedido em tal sessão de julgamento foi justamente para ajustar o Enunciado de Súmula aos precedentes, que analisavam a Lei nº 9.317/1996. Dentre os acórdãos que originaram o Enunciado de Súmula nº 22, encontrase o acórdão identificado como paradigma. Com efeito, são os seguintes os acórdãos: 30331479, de 17/06/2004, 30331882, de 24/02/2005, 30131763, de 02/12/2004, 30131917, de 17/06/2005 e 30132.120, de 13/09/2005. A alteração da Súmula confirma a distinção do regramento do Simples Federal (Lei nº 9.317/1996) diante das normas do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006), razão pela qual não conheço do recurso especial do contribuinte. Esclareço, por fim, que o despacho de admissibilidade do recurso especial analisou o recurso à luz do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972: Ora, enquanto no acórdão recorrido entendeu o julgador que não havia prejuízo ao direito de defesa o fato de o ato de exclusão não discriminar os débitos pendentes do contribuinte que motivaram o ato administrativo; no aresto paradigma, o julgador sustentou que isso caracteriza preterição do direito de defesa prevista no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Assim então, perfeitamente caracterizada a divergência jurisprudencial acerca da aplicação do art. 59, II, do Decreto 70235/72 na espécie. O acórdão recorrido tratou do tema da forma seguinte, mencionando a possível ofensa à ampla defesa: Por derradeiro, quanto às argumentações sobre ofensas aos princípios da ampla defesa, contraditório, duplo grau de jurisdição, não se verificam no presente caso. É dever do Estadofiscalização excluir do regime favorecido e diferenciado aqueles contribuintes que não estão em observância aos requisitos determinados na norma tributária para usufruírem do favor fiscal. Por ato administrativo declaratório o contribuinte é devidamente cientificado que a Administração Tributária constatou algum óbice legal para a permanência ou usufruto do benefício fiscal. Pela contestação é que surge o litígio administrativo e o processo administrativo fiscal (PAF) disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72 contempla todos os princípios constitucionais argüidos. Não há que aventar sobre violação aos princípios constitucionais antes de instaurado qualquer litígio. No presente caso, como já versado, a recorrente tomou ciência do ADE e dos débitos que ensejaram sua exclusão do regime especial – Simples Nacional – e foilhe facultado oferecer ampla defesa e recurso administrativos nos prazos determinados no PAF, o que foi devidamente aproveitado. Não há no direito processual tributário previsão legal exigindo intimação prévia do contribuinte para participar da sua exclusão do Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 9101004.002 CSRFT1 Fl. 173 7 Simples Nacional, consistindo um ato ex officio, privativo da Administração Tributária. (...) Nunca é demais lembrar que o ato administrativo por sua natureza pública possui atributos próprios, que lhe conferem imediata execução, tais como, presunção de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade; o ato administrativo proferido pela autoridade competente pode ser contestado, mas o litígio não lhe retira os citados atributos, sendo presumíveis (juris tantum) até que haja um outro ato administrativo– decisão ex officio ou por órgão de julgamento –, ou judicial, arrancandolhe do mundo jurídico. O acórdão paradigma também menciona o artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, mas como efeito do descumprimento das “exigências previstas na legislação”, que seriam aquelas relacionadas à interpretação da Lei nº 9.317/1996, verbis: Esclareço, por fim, que o despacho de admissibilidade do recurso especial analisou o recurso à luz do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972: (...) A norma retrotranscrita determina, de forma inequívoca, que ficam excluídas da sistemática do Simples as empresas que tiverem débitos inscritos em Dívida Ativa da União ou do INSS, o que implica deverem os atos declaratórios de exclusão conter informações que indiquem com suficiência e clareza quais os débitos inscritos em Dívida Ativa que motivaram a exclusão da empresa optante dessa sistemática simplificada de pagamento de tributos e contribuições. Assim, o cerne da análise é a norma da lei do Simples Federal (no paradigma, Lei nº 9.317/1996), razão pela qual não merece conhecimento o recurso especial. Portanto, voto por não conhecer o recurso especial do contribuinte. Mérito: Como vencida no conhecimento, aprecio o mérito. A exclusão do Simples Nacional fundamentouse no artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006, que prevê: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 176DF CARF MF 8 A preterição ao direito à ampla defesa pode, efetivamente, acarretar a nulidade de “despachos e decisões” administrativas, conforme artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No entendimento da Turma a quo, a falta de identificação dos débitos no Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional não ofenderia a ampla defesa, verbis: Por ato administrativo declaratório o contribuinte é devidamente cientificado que a Administração Tributária constatou algum óbice legal para a permanência ou usufruto do benefício fiscal. Pela contestação é que surge o litígio administrativo e o processo administrativo fiscal (PAF) disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72 contempla todos os princípios constitucionais argüidos. Não há que aventar sobre violação aos princípios constitucionais antes de instaurado qualquer litígio. No presente caso, como já versado, a recorrente tomou ciência do ADE e dos débitos que ensejaram sua exclusão do regime especial – Simples Nacional – e foilhe facultado oferecer ampla defesa e recurso administrativos nos prazos determinados no PAF, o que foi devidamente aproveitado A Súmula CARF nº 22 prestigia a informação completa ao contribuinte em Ato Declaratório de Exclusão: Súmula CARF nº 22 É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317, de 1996, que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. A Súmula não se aplica diretamente ao caso dos autos, por tratar de Simples Federal, pois o regramento é distinto, notadamente as normas que tratam do procedimento para exclusão do Simples (Nacional). A Lei Complementar 123/2006 prevê que a intimação sobre exclusão do Simples Nacional poderia ser por meio eletrônico, verbis: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput, a notificação: I será efetuada pelo ente federativo que promoveu a exclusão; e II poderá ser feita por meio eletrônico, observada a regulamentação do CGSN. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 9101004.002 CSRFT1 Fl. 174 9 Nesse sentido, foi criado o Portal do Simples Nacional, ela Resolução CGSN nº 8/2007, portanto, antes do ADE em discussão nestes autos. Ressalto que a Resolução CGSN 94/2011, confirma a comunicação de exclusão do Simples no Portal do Simples: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: II obrigatoriamente, quando: c) incorrer nas hipóteses de vedação previstas nos incisos II a XIV e XVI a XXVI do art. 15, hipótese em que a exclusão: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 30, inciso II) § 1º A comunicação prevista no caput será efetuada no Portal do Simples Nacional, em aplicativo próprio. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 30, § 2º) Esta Resolução foi revogada pela Resolução CGSN nº 140/2018, que reiterou que a exclusão de ofício seria no Portal do Simples Nacional: Art. 83. (...) § 5º A exclusão de ofício será registrada no Portal do Simples Nacional na internet, pelo ente federado que a promoveu, após vencido o prazo de impugnação estabelecido pela legislação do ente federado que iniciou o processo, sem sua interposição tempestiva, ou, caso interposto tempestivamente, após a decisão administrativa definitiva desfavorável à empresa, condicionados os efeitos dessa exclusão a esse registro, observado o disposto no art. 84. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3º; art. 39, § 6º) Portanto, o contribuinte poderia consultar os seus débitos no Portal do Simples Nacional, que ocasionaram a exclusão do Simples Nacional, sem que exista qualquer mácula ao seu direito de defesa. Ademais, a Instrução Normativa SRF nº 608, trata da hipótese de exclusão do Simples Nacional tratada pelo artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123/06: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: (...) XIV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Pertinente observar que a exclusão é obrigatória pelo contribuinte na hipótese de ocorrência das situações excludentes referidas no artigo 20, da mesma Instrução Normativa SRF acima citada: Art. 22. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: Fl. 178DF CARF MF 10 a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 20; O auditor fiscal da Receita Federal está autorizado à exclusão de ofício, caso ocorram situações excludentes mencionadas no artigo 22, por meio de Ato Declaratório Executivo, como prevê o artigo 23, I e parágrafo único: Exclusão de ofício Art. 23. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do art. 22, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante Ato Declaratório Executivo (ADE) da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto nº 70.235, de 1972. A mesma IN SRF (608) prescreve que é permitida a permanência da PJ caso, após 30 dias do ADE, o contribuinte comprove a quitação dos débitos: Art. 22 (...) § 7º Na hipótese dos incisos XIV e XV do art. 20, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, junto à unidade da SRF com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório a que se refere o parágrafo único do art. 23. Assim, o racional vigente ao tempo do Simples Federal é diverso do regramento relacionado ao Simples Nacional. No caso destes autos, é importante lembrar que o contribuinte se manifestou após o ADE sobre os seus "débitos", revelando que não houve cerceamento de direito de defesa. Em que pese tivesse conhecimento dos débitos, o contribuinte permanece discutindo apenas a nulidade deste Ato Declaratório Executivo pela ausência de descritivo destes débitos. Diante disso, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Conclusão Pelas razões expostas, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. Como vencida quanto ao conhecimento, voto por lhe negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 9101004.002 CSRFT1 Fl. 175 11 Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano, Redatora designada Na sessão de julgamento fui designada para redigir o voto vencedor especificamente quanto ao conhecimento do presente recurso especial. Assim, em que pese o respeito pelo judicioso voto proferida pela Conselheira Relatora Cristiane Silva Costa, peço vênia para dela divergir, pelas razões a seguir expostas. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, dentre as quais encontramse a caracterização de similitude fática e a divergência na interpretação da legislação tributária em relação às decisões paradigma e recorrida. A Relatora entendeu que não haveria divergência na interpretação da lei tributária, na medida em que os acórdãos paradigma e recorrido trataram de normas distintas, o primeiro versando sobre o artigo 9º, XV, da Lei 9.317/1996 e o recorrido sobre o artigo 17, V, da Lei Complementar 123/2006. Não obstante, compreendo que a análise dos referidos dispositivos legais e do contexto em que eles estão inseridos pode levar à conclusão de que, muito embora tenha havido alteração da redação dos artigos, a norma que eles veiculam é a mesma, qual seja: a vedação a que pessoas jurídicas com débito fiscal exigível optem pelo sistema simplificado de tributação. Vejase a redação dos textos legais: Lei nº 9.317/1996 (Simples Federal) Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 180DF CARF MF 12 Nesse passo, importante lembrar que a Lei 9.317/1996 criou o sistema de tributação simplificada então denominado Simples Federal (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), o qual unificava o pagamento de tributos federais tais como IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e a parte patronal do INSS, sendo que posteriormente alguns estados brasileiros passaram a criar leis e firmar convênio com a Receita Federal para incluir o ICMS. Anos depois, a Lei 9.317/1996 foi revogada pela Lei Complementar 123/2006, que instituiu o chamado Super Simples, ou Simples Nacional (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), o qual, além dos tributos que já tinham pagamento unificado na versão anterior, passou a incluir o ICMS e o ISS. Dentro desse contexto, analisandose a vedação prevista no artigo 9º, XV, da Lei 9.317/1996 em face da constante do artigo 17, V, da Lei Complementar 123/2006, percebe se que a norma o conteúdo de deverser1 não foi alterado, mas apenas o dispositivo adequado à nova realidade, que passou incluir os fiscos estaduais e municipais. Daí porque é de se aceitar que, não obstante acórdãos paradigma e recorrido tenham tratado de textos legais diferentes, ambos versaram sobre a mesma norma, qual seja: dado que (hipótese) a pessoa jurídica tenha débito fiscal exigível deve ser (consequência) a proibição de ela optar pelo sistema unificado/simplificado de apuração e pagamento de tais débitos. Por fim, observo que não se pretende, aqui, afirmar que todas as normas do Simples Federal e do Simples Nacional são as mesmas até porque, como restou claro da análise de mérito realizada pela Relatora, não são. Este voto examinou exclusivamente da norma de proibição acima detalhada, não podendo a conclusão ser inadvertidamente estendida para todas as normas veiculadas pelos textos legais em questão. 1 Riccardo Guastini aponta a diferença entre texto e norma, indicando que o texto é o objeto da interpretação jurídica, sendo a norma o seu resultado. O autor define interpretação jurídica como “a atribuição de sentido (ou significado) a um texto normativo.” (GUASTINI, Riccardo. Das fontes às normas. Edson Bini (trad.). São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 23). Assim, o discurso do intérprete seria construído na forma do enunciado standard “T significa S”, em que T equivale ao texto normativo e S equivale ao sentido ou significado que lhe é atribuído. Nesse passo, ao buscarmos a compreensão de uma "norma", iniciamos pela leitura do texto, ou seja, do enunciado enquanto suporte (físico) de significações. Interpretandose o texto, buscamse as significações contidas nos enunciados, ou seja, as proposições (sentidos). A partir daí é possível conjugar as proposições (sentidos de enunciados) de acordo com determinado esquema formal, de maneira que se compreenda um comando de dever ser o esquema formal de acordo com o qual se conjugam enunciados de forma a se obter um mínimo deôntico completo (norma jurídica) pode ser representado por D[f→(S" R S'')], ou seja: deve ser que, dado o fato f, então se instale a relação jurídica R entre os sujeitos S' e S'' (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência. 4a Ed., São Paulo: Saraiva, 2006, p. 24). Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13629.004052/200885 Acórdão n.º 9101004.002 CSRFT1 Fl. 176 13 Ante o exposto, orientei meu voto para conhecer do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720043/2016-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, i) negar provimento ao recurso voluntário em relação à tributação dos rendimentos das controladas na Espanha (Tratado), vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias; por maioria de votos, ii) sobrestar o julgamento deste processo até que sejam julgados os processos administrativos nº 19515.723039/2012-79, nº. 10314.72849/2014-99, nº. 10314.728430/2014-13 e nº. 16561.720063/2014-74, vencida a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, i) negar provimento ao recurso voluntário em relação à tributação dos rendimentos das controladas na Espanha (Tratado), vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias; por maioria de votos, ii) sobrestar o julgamento deste processo até que sejam julgados os processos administrativos nº 19515.723039/201279, nº. 10314.72849/201499, nº. 10314.728430/201413 e nº. 16561.720063/201474, vencida a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. (assinado digitalmente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 04 3/ 20 16 -6 5 Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.549 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.550 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementando o ao final no que necessário: Os autos de infração às folhas 2.221 a 2.234 exigem o recolhimento de crédito tributário assim discriminado: Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ O autuante, fazendo remissão ao Termo de Verificação Fiscal a folhas 1106 a 1131, atribui à autuada uma só infração: ATIVIDADES EXERCIDAS NO EXTERIOR POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS INFRAÇÃO: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Lucros auferidos no exterior, não computados no Lucro real, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.551 4 Auto de infração de CSLL O autuante, fazendo remissão ao Termo de Verificação Fiscal, atribui à autuada uma infração, que é a mesma constante do auto de infração referente ao IRPJ e uma outra, por falta de adição à base de cálculo da CSLL: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL INFRAÇÃO: LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL AUFERIDOS NO EXTERIOR Lucros auferidos no exterior, não computados no Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL INFRAÇÃO: TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA O contribuinte não adicionou à base de cálculo ajustada da CSLL o valor de contribuição, cuja exigibilidade encontrase suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172/66, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.552 5 Termo de Verificação Fiscal No Termo de Verificação Fiscal o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. 1 Das Considerações Iniciais quanto à Ação Fiscal O procedimento foi iniciado a partir das determinações contidas no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) nº 08.1.85.002014001666, relativo à empresa COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL, CNPJ nº 33.042.730/000104, abrangendo as verificações quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referentes aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior no anocalendário de 2011. Tratase de continuidade das auditoriasfiscais realizadas em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) nºs 08.1.85.00 2012000492 e 08.1.85.002013002529, em que se verificaram as obrigações tributárias atinentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, e resultaram, respectivamente, na lavratura de autos de infração formalizados sob os números 16643.720041/201313 e 16561.720063/201474, também referentes a IRPJ e CSLL relativos aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. [...] 3 Das Participações Societárias no Exterior A DIPJ apresentada pela fiscalizada referente ao ano calendário de 2011 (Fichas 34 e 35, fls. 1926 a 1940) revela que esta detinha, neste período, 13 (treze) participações diretas estrangeiras, em sociedades domiciliadas nos seguintes países: Belize, Ilhas Cayman, Espanha e Panamá. Após transcrever a legislação acerca da tributação sobre lucros auferidos no exterior, acrescenta sua conclusão, de forma resumida: 4 Das Infrações Apuradas 4.1 Dos Lucros Auferidos no Exterior 4.1.1 Da Legislação Aplicável 4.1.1.1 Da Tributação em Bases Universais [...] Do exame do dispositivo em questão – e levandose em conta as particularidades da situação ora examinada – é irrefragável inferir que o IRPJ e a CSLL alcançam os lucros auferidos por controladas no exterior (na proporção das participações da controladora em suas controladas, em consonância com o disposto no art. 25, § 2º, II, da Lei nº 9.249/1995), bem como por coligadas (também na proporção das participações, em consonância com o art. 25 § 3º, I, da Lei nº 9.249/1995). Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.553 6 O legislador se valeu dos conceitos de sociedade controlada e coligada, previstos na legislação comercial (art. 243, 2º controlada e §§ 1º, 4 e 5 coligada, da Lei nº 6.404/76), para determinar a abrangência dos lucros do exterior a serem computados nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa residente no Brasil. 4.1.1.2 Das Convenções para Evitar a Bitributação Em resposta ao Termo de Intimação nº 13, de 07/07/2015, a fiscalizada apresentou, em 22/07/2015, a seguinte justificativa para o fato de não ter oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, no anocalendário de 2011, os lucros apurados pelas controladas localizadas na Espanha, a qual segue abaixo reproduzida (fls. 1.751): “Os lucros das controladas CSN Minerals, CSN Metals, CSN Americas e CSN Export Europe, localizadas na Espanha não foram oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL no Brasil uma vez que a Fiscalizada aplica o tratado para evitar a dupla tributação firmado entre Brasil e Espanha aprovado pelo Decreto Legislativo nº 62, de 7 de agosto de 1975 e promulgado pelo Decreto nº 76.975, de 2 de Janeiro de 1976. Vale ressaltar que o artigo 7º, §1º do Tratado BrasilEspanha estabelece que: ‘Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. No último caso, os lucros da empresa serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente’. Considerando que, segundo o regime do art. 74 da MP nº 2.15835/01 e do art. 25 da Lei nº 9.249/95 (até então vigentes), a tributação pelo IRPJ e pela CSLL recairia diretamente sobre o lucro dessas controladas residentes na Espanha, que não possuem estabelecimento permanente no Brasil, entendemos que tal tributação fica vedada em decorrência da aplicação do referido tratado.” Primeiramente, é importante consignar que as convenções entre países para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre o rendimento não podem ser interpretadas ou empregadas como tratados internacionais destinados a garantir isenção de impostos. Tais acordos e convenções visam a evitar a dupla tributação jurídica. Vale assim dizer, que o tratado para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda, firmado entre dois Estados, não possui a finalidade de atribuir competência exclusiva a um dos Estados contratantes de tributar o lucro da pessoa jurídica domiciliada em seu território. O tratado para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda visa, sim, a evitar a dupla tributação jurídica internacional. A dupla tributação jurídica internacional está definida no capítulo introdutório dos “Comentários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (Modelo de Convenção Tributária sobre o Rendimento e o Capital, versão traduzida pela Demarest & Almeida Advogados – Julho 2010): Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.554 7 […] Vale ressaltar que a pretensão do fisco brasileiro não recai sobre o contribuinte domiciliado em países estrangeiros, mas, sim, sobre o lucro auferido no exterior pela controladora brasileira por intermédio de suas controladas domiciliadas no exterior e que se considera disponibilizado na data do balanço, conforme art. 74 da MP nº 2.15835. Convém transcrever novamente o que dispõe o parágrafo 1 do artigo 7 da Convenção entre a República Federativa do Brasil e a Espanha para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital (Decreto nº 76.975, de 2 de janeiro de 1976), o qual foi invocado na resposta da fiscalizada de 22/07/2015: “Artigo 7 Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente.” No capítulo que trata do “Comentário ao Artigo 7” dos “Comentários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, título II “Comentários às disposições do Artigo”, Parágrafo 14, encontramos a seguinte orientação quanto à interpretação do Parágrafo 1 do Artigo 7: “14. O propósito do parágrafo 1 é limitar o direito de um Estado Contratante de tributar os lucros das empresas do outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante de tributar seus próprios residentes segundo as disposições referentes a empresas estrangeiras controladas contidas em sua legislação interna, embora o imposto incidente sobre esses residentes possa ser calculado por referência à parcela dos lucros de empresa residente no outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes na empresa. O imposto exigido dessa forma por um Estado de seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se poderá, dizer que está sendo exigido sobre tais lucros (vide também o parágrafo 23 do Comentário ao Artigo 1 e os parágrafos 37 a 39 do Comentário ao Artigo 10).” (grifos nossos). A legislação fiscal pátria, quando determina que os lucros auferidos no exterior por controladas domiciliadas em outros Estados sejam adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora brasileira, permite que o Estado contratante (Brasil) exerça o direito de tributar seu próprio residente, que é a controladora brasileira (Companhia Siderúrgica Nacional), segundo as disposições inerentes à matéria em sua legislação doméstica. Ademais, a CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil editou a Solução de Consulta nº 18 Cosit, em 08/08/2013, Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.555 8 por meio da qual normatizou o entendimento de que a aplicação do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação, conforme se verifica na Conclusão abaixo transcrita: “Conclusão 34. Em face do exposto, concluise que a aplicação do disposto no art.74 da MP nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação pelas seguintes razões: 34.1 a norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros; 34.2 o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e 34.3 a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado." Cabe ainda mencionar que a fiscalizada foi autuada nos mesmos termos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (DRF) Rio de Janeiro (PAF nº 16682.720452/201181), em relação aos lucros disponibilizados nos anoscalendário de 2007 e 2008 pelas investidas localizadas em Luxemburgo, tendo a Delegacia de Julgamento DRJ/RJ1 negado provimento à impugnação da fiscalizada por meio do Acórdão nº 12 41.405, de 13/10/2011, que concluiu que a Convenção firmada entre Brasil e Luxemburgo não impede a tributação de lucros auferidos por controlada/coligada no exterior. A seguir reproduzimos dois trechos que merecem destaque: “(...) devese ressaltar que o lançamento não exige nenhum tributo da empresa sediada em Luxemburgo, mas apenas da sociedade brasileira sediada no Brasil e na proporção de sua participação no capital da empresa sediada em Luxemburgo. O tratado internacional impede que o Brasil exija tributos das controladas da interessada sediadas em Luxemburgo, mas não veda a tributação dos lucros auferidos pela interessada domiciliada no Brasil em função de sua participação societária.” (...) Por todo o anteriormente exposto, concluise que o lançamento tributário em comento não representa ofensa ao acordo para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e Luxemburgo, promulgado pelo Decreto nº 85.051/1980.(...)” Inconformada com a decisão retromencionada, a empresa apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF). No entanto, após o processo ser pautado para julgamento, a empresa protocolou petição em 15/05/2014 desistindo integralmente do recurso apresentado, para inclusão do processo no Parcelamento instituído pelo art. 40 da Lei nº 12.865/2013. Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.556 9 Ademais, com base na mesma argumentação e fundamentação legal, esta fiscalização autuou a empresa em relação aos lucros disponibilizados nos anoscalendário de 2009 e 2010, ocasião em que apresentou justificativa idêntica à do presente caso, qual seja, que não oferece os lucros apurados pelas controladas localizadas em Luxemburgo, pois estariam, em tese, a salvo de tributação por força do §1º do art. 7º das Convenções para evitar a dupla tributação, entendimento este que, conforme já fartamente demonstrado não se coaduna com a interpretação da OCDE e da RFB. 4.1.1.3 Da Compensação de Prejuízos Apurados no Exterior [...] 4.1.1.4 Da Compensação do Imposto Pago no Exterior O direito à compensação do imposto pago por intermédio das investidas estrangeiras está previsto no artigo 26 da Lei n° 9 .249, de 26/12/1995, que assim dispõe: “Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. (grifos nossos) Cumpre ressaltar que o imposto de renda pago no exterior somente poderá ser compensado com o imposto devido no Brasil se os referidos lucros, rendimentos e ganhos sobre os quais o referido imposto for pago houverem sido computados no lucro real, isto é, se houverem sido disponibilizados nos seus respectivos períodos de apuração. A matéria foi regulamentada pelo artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº213/2002, que especifica detalhadamente as condições e os limites para compensação do imposto pago no exterior, cuja redação reproduzimos a seguir: Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.557 10 “Compensação do imposto pago no exterior com o imposto de renda devido no Brasil Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, poderá haver consolidação dos tributos pagos, observado o disposto no § 2º do art. 3º e § 5º do art. 4º. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.558 11 II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1 º de janeiro do ano subsequente ao da compensação. [...] 4.1.1.5 Da Taxa de Câmbio para Conversão [...] 4.1.2 Da Análise dos Fatos [...] Analisandose as fichas 09A (Demonstração do Lucro Real, fls. 1817) e 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, fls.1830) da DIPJ AC 2011, verificase que foi adicionado, ou seja, oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL a título de Lucros Disponibilizados do Exterior (linha 07), o total de R$ 26.480.018,00. Este valor corresponde exatamente ao Lucro Líquido antes do Imposto de Renda relativo à controlada International Investment Fund, localizada em Belize, informado na Ficha 35 da mesma DIPJ (fls. 1.938), e constante na documentação apresentada. Sendo assim, é possível concluir que não foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os resultados positivos das demais controladas estrangeiras. [...] Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.559 12 Sendo assim, podese concluir que deixaram de ser oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL, embora tributáveis, os seguintes resultados apurados no exterior no anocalendário de 2011: Após tecer alguns comentários acerca dos valores supra, então considerados pela autoridade autuante como corretos para fins de tributação, continuemos com seu relato: Retornando à questão da tributação dos lucros auferidos no exterior, é importante frisar que a empresa foi autuada por não oferecer à tributação a participação nos lucros das mesmas quatro controladas acima mencionadas, nos anoscalendário de 2007 e 2008 (DEMAC/RJ), 2009 e 2010 (DEMAC/SP), as quais eram localizadas em Luxemburgo e, desde 2011, localizamse na Espanha, tendo como justificativa o fato de que se enquadrariam no artigo 7º §1º da Convenção para evitar a tributação. Observese que tanto Luxemburgo como a Espanha possuem acordo em vigor firmado com o Brasil. Conforme já argumentado no item 4.1.1.2 precedente, a Convenção celebrada entre Brasil e Espanha por meio do Decreto nº 76.975, de 02/01/76, não isenta a controladora brasileira de adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os lucros apurados por suas investidas localizadas naquele país, contrariamente ao que entende a fiscalizada, razão pela qual tais valores devem ser lançados de ofício por meio do presente Auto de Infração. [...] Em 11/08/2015, em resposta ao Termo de Intimação nº 13, de 07/07/2015, a fiscalizada confirmou a inexistência de saldo de prejuízos de anos anteriores em relação às quatro controladas em questão, localizadas na Espanha (fls. 1.763). Sendo assim, seus resultados devem ser oferecidos integralmente à tributação por sua controladora brasileira. Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.560 13 4.1.3 – Da Compensação do Imposto Pago no Exterior Em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal e de Intimação nº 01 foi apresentado, em 24/09/2014, o Demonstrativo de Impostos Pagos no Exterior (fls. 643), em que constam informados os valores, em tese, recolhidos no exterior por controladas diretas e indiretas, conforme abaixo descrito: CSN Acquisitions (controlada de CSN Américas) = € 635 mil CSN Holdings (controlada de CSN Américas) = € 320 mil CSN LLC (controlada de CSN Américas) = € 239 mil CSN Metals = € 3.104 mil CSN Export Europe = € 205 mil CSN Portugal (controlada de CSN Export Europe) = € 635 Na ocasião, foi apresentada parte dos comprovantes de pagamento (fls. 644 a 657) em cópias simples, sem as formalidades exigidas pelo art. 26 §2º da Lei nº9.249/1995, que determina: "Art. 26. (...) § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto." Foi solicitado, por meio do Termo de Intimação nº 07, de 02/02/2015, a reapresentação dos comprovantes de pagamento devidamente traduzidos, notarizados e consularizados, bem como comprovantes relativos às controladas CSN Portugal e CSN LLC, que sequer haviam sido apresentados em cópias simples. Em 02/03/2015 foi apresentado comprovante relativo à CSN Portugal (fls. 1.328 a 1.331) e, em 30/03/2015 foram apresentadas Declarações Anuais ao Fisco Espanhol relativo à CSN Metals e CSN Export Europe (fls. 1.337 a 1.385), documentos estes que têm caráter somente declaratório, não sendo hábeis para comprovar a liquidação do imposto pago no exterior, motivo pelo qual a fiscalizada foi alertada, por meio do Termo de Intimação nº 09, de 30/04/2015, de que a documentação comprobatória restava pendente de apresentação. Em 18/06/2015, a fiscalizada apresentou os comprovantes de pagamento com todas as formalidades cumpridas, em relação às controladas CSN ExportEurope (fls. 1.577 a 1.625), CSN Metals (fls. 1.626 a 1.720), CSN Acquisitions (fls. 1.721 a 1.733) e CSN Holdings (fls. 1.734 a 1.738). Vale lembrar que os impostos pagos no exterior, para serem compensados com o imposto de renda devido no Brasil, devem ser convertidos à taxa de câmbio da data de seu efetivo pagamento, conforme §2º do artigo 14 da IN SRF nº 213/02, in verbis: Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.561 14 "Art. 14. (...) § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento." (grifo nosso) Apresentamos a seguir quadro demonstrativo com a relação de pagamentos comprovados pela fiscalizada, passíveis de compensação, ressalvandose que a fiscalizada detém 100% de participação em todas as sociedades estrangeiras abaixo listadas, seja direta ou indiretamente: Quadro 6 [...] Embora admitida, a compensação dos impostos sobre a renda pagos no exterior sujeitase, ainda, aos limites dispostos nos parágrafos do artigo 14 da IN SRF nº 213/2002. Resumidamente, o cálculo da compensação deve ser feito: a) de forma individualizada, por controlada, vedada a consolidação de valores de controladas diferentes (§4º); b) proporcionalmente ao montante de lucros no exterior adicionados ao lucro real no Brasil (§7º); c) limitado ao montante do IR e adicional devidos no Brasil sobre os lucros respectivamente incluídos na apuração do lucro real (§9º), da seguinte forma (§§10 e 11): c1) LIMITE 1: o valor do imposto que foi pago no exterior correspondente aos lucros computados na apuração do lucro real no Brasil; c2) LIMITE 2: diferença entre o valor do IR e adicional devidos, com e sem a inclusão dos lucros auferidos no exterior; Com base no dispositivo do item II do §10 do artigo 14 da IN SRF nº 213/2002, já anteriormente reproduzido, elaboramos o quadro a seguir, em reais, que demonstra o valor máximo que poderia ser compensado pela fiscalizada, em relação a cada uma das controladas para as quais houve comprovação de IR recolhido no exterior: Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.562 15 Quadro 7 Com base na DIPJ do anocalendário de 2011, Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, verificase que a fiscalizada não apurou lucro, mas apurou um prejuízo de R$ 1.496.919.702,45. Sendo assim, não há como se proceder à compensação do imposto de renda pago no exterior, uma vez que, após a inclusão dos lucros auferidos individualmente por cada uma das três controladas no exterior que tiveram imposto comprovadamente pago, o resultado da fiscalizada permanece negativo, não resultando em imposto a pagar, esbarrando, assim, nos limites dos §§9º e 11 do art. 14 da IN nº 213/02, os quais reproduzimos novamente: "Art. 14. (...) § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. " (grifos nossos) Ainda que a presente autuação acarrete em redução do prejuízo fiscal da empresa ou mesmo transformação do resultado em positivo no anocalendário de 2011, o imposto devido no Brasil em decorrência da adição dos lucros de cada uma das três controladas que tiveram imposto comprovadamente pago no exterior (CSN ExportEurope, CSN Metals e CSN Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.563 16 Américas) continua sendo “zero”, conforme demonstrado no Quadro 7 acima, e, portanto, não há como se proceder à compensação dos impostos pagos no exterior com o IRPJ e a CSLL. No entanto, tais valores podem ser compensados nos anos calendário subsequentes, situação esta que está prevista no § 15 do mesmo dispositivo normativo: "Art. 14. (...) § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subsequentes." [...] 4.2. Da Indedutibilidade das Contribuições com Exigibilidade Suspensa 4.2.1. Da Legislação aplicável Outra questão que veio à tona na fiscalização em referência foi a indedutibilidade dos valores de atualização pela taxa SELIC das contribuições ao PIS e à COFINS com exigibilidade suspensa, na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Em primeiro plano, cabe avaliar o que diz o Manual de contabilidade das sociedades por ações (aplicável às demais sociedades), do FIPECAFI –Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP; 6ª edição; editora Atlas, 2003 (págs. 231, 274 e 275): "14.1.2 Avaliação e Conteúdo do Passivo O registro das obrigações da companhia deve obedecer ao princípio contábil da competência de exercícios; assim, mesmo que determinadas obrigações não tenham a correspondente documentação comprobatória, mas já sejam passivos incorridos, conhecidos e calculáveis, deverão ser registradas por meio de provisão. (...) Dessa forma, as obrigações classificáveis no Passivo Circulante são, normalmente, resultantes de: (...) j) provisões, a qualquer título, referentes a obrigações já incorridas ou conhecidas e que possam ter os seus valores estimados etc. (...) 18.1.5. Provisão para Riscos Fiscais e Outros Passivos Contingentes. Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.564 17 Em contabilidade, uma contingência é uma situação de risco já existente e que envolve um grau de incerteza quanto à efetiva ocorrência e que, em função de um evento futuro, poderá resultar em ganho ou perda para a empresa. A preocupação maior deve ser com as contingências que possam resultar em perda para a empresa, pois, pelo conservadorismo, aquelas que, em decorrência de infrações de terceiros, reclamações, pedidos de reembolso etc. possam tornarse ganhos da empresa, só serão contabilizadas quando realmente efetivadas. Não obstante, a técnica contábil recomenda a menção também das contingências ativas nas notas explicativas às demonstrações financeiras. Por outro lado, para que a contingência passiva julgada provável em exercício futuro seja registrada contabilmente por meio da formação da provisão para riscos fiscais e outros passivos contingentes, deverá ser possível estimar seu valor; caso contrário, apenas deverá ser mencionada nas notas explicativas, descrevendose o tipo de contingência e explicandose a impossibilidade de determinar seu montante. A empresa poderá, ainda, ter processos fiscais e outros que envolvem uma contingência cujos valores sejam calculáveis, mas não serão provisionados quando forem remotas as possibilidades de perdas, após análise detida pela administração e por seus advogados. Todavia, ainda assim o fato deve ser descrito em nota explicativa. Alguns exemplos de contingências são: (...) b) autuações fiscais que possam resultar em obrigação para a empresa; (...) g) ações judiciais em andamento contra a companhia; (...) O lançamento contábil será a débito de despesa do exercício no qual se registrou a receita, que acabará por ser a origem da perda (como no caso de garantias concedidas, acordo de recompra etc.), ou, quando isso não for possível, no exercício em que a empresa se apercebeu da existência da contingência. A conta de provisão foi prevista tanto no exigível a longo prazo como no passivo circulante, dependente da época provável de sua liquidação." Desta forma, é patente a natureza provisional do lançamento contábil relativo a contingências fiscais referentes aos débitos de PIS e COFINS cuja exigibilidade achase suspensa justamente por se estar discutindo judicialmente o seu cabimento. Igualmente, eventuais atualizações monetárias, multas, juros e outros encargos delas provenientes também têm caráter provisional. Assim, se é incerta a obrigação de pagar contribuição instituída pelo Estado em razão de pendências judiciais (bem como, consequentemente, de suas atualizações monetárias), o seu registro contábil assume inexorável caráter de provisão e, como tal, precisa ser adicionado ao lucro líquido do períodobase na apuração da base de cálculo da CSLL, por imposição do art. 13, I, da Lei nº 9.249, de 1995: Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.565 18 "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável." (grifos nossos) Não bastasse isso, há ainda outra fundamentação legal a amparar a tese da indedutibilidade, na apuração da base de cálculo da CSLL, dos tributos com exigibilidade suspensa. Vejamos o que diz a Lei nº 8.981/95: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) CAPÍTULO IV DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifos meus) A leitura dos artigos acima transcritos não deixa margem de dúvida: a regra da indedutibilidade dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa para fins de apuração do lucro real (art. 41, §1º) é norma de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, que o art. 57 estende de forma expressa à CSLL. Resta cristalino que, quando o art. 57 manda aplicar à CSLL as mesmas normas de apuração do IRPJ, inclui nessa ordem o disposto no §1º do art. 41 – o qual encontrase sob a égide da subseção legal cuja rubrica é: Das Alterações na Apuração do Lucro Real. 4.2.2 – Da Análise dos Fatos Analisandose a Demonstração do Lucro Real constante da DIPJ entregue, referente anocalendário de 2011, verificase que a fiscalizada Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.566 19 adicionou o valor de R$ 1.585.256,22 a título de Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (Ficha 09A item 35), mas que, no entanto, tal valor não foi localizado no Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Ficha 17), nem no Demonstrativo de Apuração da CSLL apresentado. Por meio do item 1 do Termo de Intimação nº 09, de 30/04/2015, a fiscalizada foi intimada a especificar a natureza do valor de R$ 1.585.256,22 e esclarecer por que o mesmo não foi adicionado à base de cálculo da CSLL. Em 25/05/2015, a fiscalizada apresentou detalhamento (fls.1403), conforme segue abaixo: Em seguida, a empresa esclareceu a natureza dos dois valores conforme abaixo reproduzido: “a) Referese à atualização monetária (juros SELIC), dos débitos lançados ao Processo Administrativo 15374.002.906/200853, no qual a intimada discute a incidência das contribuições ao PIS (período de 07/2001 a 11/2002) e a COFINS (período de 07/2001 a 01/2004). b) Referese à atualização monetária (juros SELIC), dos débitos lançados ao Processo Administrativo 15374.002.865/200803, no qual a intimada discute o aproveitamento de crédito de PIS sobre despesas financeiras no exterior, entre o período de 12/2002 a 07/2004.” Na mesma ocasião, a empresa apresentou memória de cálculo dos valores acima citados (fls. 1431 a 1449), informou os números das contas contábeis, apontou os lançamentos que utilizou para registro na Contabilidade (Razão às fls. 1450 a 1452) e informou em quais itens da Demonstração de Resultado constante da DIPJ AC 2010 foram lançados como despesas. Os valores de SELIC que compõem o somatório de R$ 355.286,87 (item “a”) foram lançados a débito da conta de resultado 42031203 – Juros sobre Parcelamentos Fiscais e a crédito da conta patrimonial 22300101 PIS /COFINS Zona Franca de Manaus. Já os valores de SELIC que totalizam R$ 1.229.969,35 (item “b”) foram lançados a débito da conta de resultado 42031226 – PIS Liminar Lei 10.6 e a crédito da conta patrimonial 22300107 PIS Liminar 10.6. Na DIPJ (AC 2011) o valor do item “a” foi computado como despesa na Ficha 06A Linha 51 (Outras Despesas Financeiras) e o valor do item “b” foi computado na Ficha 06A Linha 44 (Despesas Operacionais). Por meio da resposta de 25/05/2015, a fiscalizada esclareceu o posicionamento que a motivou a deixar de adicionar tais valores à base de cálculo da CSLL (fls. 1403/1404), conforme segue: “Pela interpretação da Lei nº 8.981/95, em especial o parágrafo 1º do artigo 41 que trata da não dedutibilidade de tributos e Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.567 20 contribuições com exigibilidade suspensa, a intimada entende que neste dispositivo não restou regulamentada a dedutibilidade da atualização monetária (juros SELIC) incidentes sobre o principal, razão pela qual manteve os valores para fins de apuração do Lucro Real O parágrafo 1º do artigo 41 da Lei n° 8.981/95, segue abaixo transcrito: ‘Art. 41 Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. PARÁGRAFO 1° O disposto neste artigo não se a a aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1. 966, haja ou não depósito judicial.' “ Conforme já explanado no item precedente, a própria Lei nº 8.981/95 citada pela fiscalizada deixa claro, no artigo 57, que todas as normas de apuração estabelecidas para o IRPJ estendemse à CSLL. Ademais, por se revestirem de caráter provisional, tais despesas têm sua dedutibilidade expressamente vedada pelo artigo 13 da Lei nº 9.249/95 (já anteriormente reproduzida), na apuração da CSLL. Sendo assim, o valor de R$ 1.585.256,22 será objeto de lançamento fiscal especificamente em relação à CSLL. 4.3 – Da Compensação de Prejuízos Fiscais Por meio do Termo de Intimação nº 10, de 27/05/2015, a fiscalizada foi intimada a apresentar demonstrativo contendo a evolução dos saldos de lucros/prejuízos acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL até o ano de 2011, bem como Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) de 2011. Analisandose a documentação apresentada, verificase que os valores apontados na planilha até o ano de 2010 coincidem com aqueles constantes da planilha anexa ao Auto de Infração referente ao anocalendário de 2009 (processo nº16561.720063/201474), elaborado por esta fiscalização com baseno sistema interno da RFB que trata do acompanhamento dos saldos de prejuízos fiscais dos contribuintes, o Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), e que refletia a situação da empresa antes da referida autuação. Na planilha mencionada é possível constatar que já inexistia saldo de prejuízo fiscal a ser compensado na autuação referente ao ano calendário de 2010, situação que a própria fiscalizada reconhece na planilha apresentada em 22/06/2015 (fls 1750). Por outro lado, no que se refere à CSLL, apontavase um saldo de base de cálculo negativa de R$ 248.257.384,46, o qual foi integralmente utilizado por ocasião da lavratura do Auto de Infração de 2010, não restando nenhum valor para compensação futura. Ademais, ao analisarmos o SAPLI por ocasião do encerramento da presente ação fiscal, verificamos que a fiscalizada foi objeto de nova autuação, em dezembro de 2014, que glosou os valores de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL compensados nos anoscalendário de 2009 e Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.568 21 2010 (processos 10314.728429/201499 e 10314.728430/201413), e que foram mantidos por decisão de 1ª instância de 15/04/2015. A mencionada autuação foi procedida em decorrência do restabelecimento de outra autuação, relativa ao anocalendário de 2008, no valor de R$ 6.931.510.087,46 (processo nº 19515.723039/201279) por decisão de 26/08/2014, por meio do Acórdão nº 1401001.239 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). De toda a análise, concluise que a empresa não possui saldo de prejuízo fiscal nem saldo de base de cálculo negativa da CSLL a compensar na presente autuação, restando os valores consignados no presente relatório passíveis de lançamento na sua integralidade. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos, a Contribuinte apresentou sua impugnação, que, a seguir se resume: 2. A falta de adição na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL dos lucros auferidos por controladas no exterior. relatado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que acompanha os autos de infração, mais precisamente no quadro 1 daquele termo, na época dos fatos “sub judice” a impugnante detinha participação societária em diversas empresas sediadas no exterior; No que se refere às controladas CSN Minerals S.L., CSN Metals S.L., CSN Américas S.L. e CSN ExportEurope S.L., pelas razões que serão a seguir expostas, os referidos resultados apurados por tais empresas não foram oferecidos à tributação no Brasil pela impugnante; Ao analisar os fatos acima, a fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB) entendeu que os lucros apurados pelas referidas empresas deveriam ter sido oferecidos à tributação no Brasil, nos termos do art. 74 da Medida Provisória n. 215835, de 21.8.2001; Todavia, ao contrário do que alega a fiscalização, a impugnante não cometeu qualquer irregularidade que justifique a lavratura dos autos de infração “sub judice”, inexistindo fundamento que ampare as respectivas exigências fiscais; De fato, o procedimento adotado pela impugnante está amparado na convenção para evitar a dupla tributação da renda, firmada pelo Brasil com a Espanha, a qual foi aprovada pelo Decreto Legislativo n. 62, de 7.8.1975 e promulgada pelo Decreto n.76975, de 2.1.1976; 2.1. Os tratados internacionais contra a bitributação 2.2. O tratado firmado entre Brasil e Espanha 2.3. A Solução de Consulta Interna COSIT n.18, de 8.8.2013 Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.569 22 Nestes tópicos a Impugnante tece longo arrazoado para explicar que o tratado feito impediria a tributação no Brasil, pois a aplicação de qualquer dos dispositivos descritos na Convenção Modelo da OCDE (art.7º tributação de lucros e art.10 – dividendos) impediria a aplicação do art.74 da MP 2.15835; transcreve excertos de julgados do CARF e também de decisão do STJ, favoráveis ao seu entendimento. Relativamente à Consulta Interna COSIT n.18, de 8.8.2013, alegou que referido ato normativo é de caráter geral e que não contemplaria as “especificidades existentes no tratado firmado entre o Brasil e a Espanha”, trazendo seus argumentos onde procura refutar o entendimento da Administração Tributária ali exposto. [Deixo aqui de relatoriar tais argumentos em face de que o ato ora contestado já espancou esta questão, concluindo que a existência de tratados internacionais (como o firmado pela Impugnante) não impede a tributação dos lucros de controladas (proporcionais à participação) auferidos no exterior pela Controladora no Brasil.] 2.4. A inconstitucionalidade do Art.74 da MP N. 215835 Como se não bastassem todos os argumentos alinhados acima, convém repisar que a constitucionalidade do art. 74 da MP n. 215835 foi alvo de análise pela Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 2588/DF, perante o Supremo Tribunal Federal, sendo que aquele tribunal se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 74 para as sociedades coligadas fora de paraíso fiscal e pela constitucionalidade do art. 74 para as sociedades controladas domiciliadas em países com tributação favorecida, mas não se manifestou em caráter erga omnes sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade do art. 74 para as sociedades coligadas em paraíso fiscal e para as controladas fora de paraíso fiscal, que é justamente o caso das controladas da impugnante sediadas na Espanha. A impugnante não pretende que essa questão seja reconhecida na esfera administrativa, mas pede vênia para prequestionar a matéria, sustentando que, caso seja declarada a inconstitucionalidade do art. 74 para as empresas controladas fora de paraíso fiscal, esta decisão seja aplicada também para o caso dos autos. 2.5. A necessária compensação do crédito do imposto pago no exterior Subsidiariamente, caso não sejam acolhidos os fundamentos acima articulados, o que se admite apenas a título argumentativo, a impugnante passa a demonstrar a razão pela qual é de rigor o reconhecimento do direito à compensação do crédito do imposto pago no exterior, diferentemente do que restou consignado no TVF. Inicialmente, cumpre destacar que a fiscalização reconheceu grande parte do crédito de imposto pago no exterior demonstrado pela recorrente. De fato, não há qualquer dúvida quanto à comprovação do imposto pago no exterior referentes às controladas CSN Export Europe, CSN Metals e CSN Américas, conforme exposto no próprio TVF. Confirase o quadro 6 contido no TVF, onde se verifica que a fiscalização reconheceu o crédito de imposto pago no exterior nos seguintes valores: [...] Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.570 23 Conforme se verifica do quadro 7 do TVF, o raciocínio da fiscalização é no sentido de que o lucro apurado por cada empresa controlada deve ser adicionado individualmente ao resultado apurado pela controladora no Brasil, sem que sejam considerados os lucros apurados pelas outras controladas sediadas no exterior, para que se verifiquem os limites em questão. Em outras palavras, a fiscalização entende que, para apurar os limites de compensação do imposto pago no exterior, devese primeiramente isolar o resultado da controladora no Brasil, e adicionar individualmente o resultado de cada controlada nos termos do art. 14, parágrafo 10, inciso II, da Instrução Normativa SRF n. 213/02. que este entendimento é equivocado; que no resultado da controladora do Brasil devese considerar o resultado de outras pessoas jurídicas sediadas no exterior que eventualmente estejam sendo tributadas, devendo ser individualizada apenas cada pessoa jurídica no exterior; Esta é a correta interpretação da dicção contida no mencionado art. 10 da Instrução Normativa SRF n. 213/02. Isto porque, no inciso I, a norma dispõe que deve ser calculado o valor “do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real”. Ou seja, devese analisar o valor individualmente; Adiante, o inciso II do art. 10 determina que a pessoa jurídica deverá calcular o valor “do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior.” Ou seja, a pessoa jurídica no Brasil deverá individualizar o resultado por filial, sucursal, controlada ou coligada (inciso II), para verificar o limite de compensação do crédito do imposto para cada uma delas (inciso I). Este é o verdadeiro comando dodispositivo normativo. Assim, diferentemente do entendimento esposado pela fiscalização, não se deve isolar o resultado apurado pela controladora exclusivamente no Brasil para adicionar individualmente os resultados apurados no exterior. O que se deve fazer é isolar o resultado da controladora no Brasil apenas do resultado apurado pela controlada a que se está calculando o limite, conforme determina o parágrafo 10, inciso II, do art. 14, da Instrução Normativa SRF n. 213/02 acima transcrito. Nesta ordem de ideias, confirase o método de cálculo correto, nos termos da legislação acima mencionada, de forma segregada por pessoa jurídica: Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.571 24 Portanto, para a CSN Export Europe, segundo dispõe o art. 14, parágrafo 10, inciso II, da Instrução Normativa SRF n. 213/02, o limite de crédito a compensar no Brasil é de R$ 77.930.304,45. Tendo em vista que o valor do imposto pago no exterior, segundo o inciso I do mesmo dispositivo é R$ 1.877.584,08, a totalidade deste valordeve ser compensada; [Nota do Relator: para as demais controladas, a Impugnante fez tabelas semelhantes e com a mesma conclusão, apenas com valores diferentes, por óbvio, razão que aqui deixo de reproduzilas da Impugnação]. A maior prova de que o cálculo do limite dos créditos de imposto pago no exterior deve ser realizado conforme visto acima decorre de que a própria fiscalização, ao realizar seu cálculo dos limites (quadro 7 do TVF), considerou o prejuízo fiscal de R$ 1.496.919.702,45 da impugnante, sendo que, dentro deste valor estava o montante de R$ 26.480.017,94, referentes aos lucros apurados pela controlada International Investment Fund, sediada em Belize, os quais foram adicionados pela impugnante na apuração do lucro real, conforme reconhecido pela própria fiscalização; Esta é a maior prova de que o cálculo dos limites deve ser efetuado individualmente por pessoa jurídica sediada no exterior, considerando as demais pessoas jurídicas sediadas no exterior; Entender de forma diferente levaria à inconsistência defendida pela fiscalização, ou seja, adição de R$ 2.453.164.321,80 de lucros apurados no exterior, apurando IRPJ devido no Brasil no importe de R$ 239.037.154,83, mas nenhum crédito de imposto pago no exterior! Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.572 25 Ora, lembrese que a Solução de Consulta Interna COSIT n. 18 consignou que “a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado”, o que definitivamente não está sendo respeitado pelo critério adotado pela fiscalização; Em razão do exposto, temse que o raciocínio da fiscalização não merece prevalecer, devendo ser admitida a compensação do crédito do imposto pago no exterior, nos termos do art. 14, da Instrução Normativa SRF n. 213/02; 2.5.1. A desnecessidade de cumprimento dos requisitos previstos no art.26 da Lei n. 9.249; Ainda quanto à obrigatoriedade de compensação do imposto pago no exterior em caso de manutenção da exigência fiscal, a fiscalização não reconheceu a parcela do imposto pago no exterior pela CSN LLC, sediada nos Estados Unidos, conforme se verificado item 4.1.3 do TVF. Esta empresa, conforme se verifica das fls. 192 dos autos, é controlada da CSN Américas, de forma que o tributo pago por ela no exterior deve ser consolidado pela CSN Américas, nos termos do parágrafo 6° do art. 14 da Instrução Normativa SRF n. 213/02; No TVF, a fiscalização afirma ser imprescindível, para reconhecimento do crédito do imposto pago no exterior, o reconhecimento do documento pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Neste contexto, tendo em vista que a impugnante não cumpriu as referidas formalidades para a CSN LLC, a fiscalização não admitiu o crédito deste imposto pago no exterior. Ocorre, no entanto, que a CSN LLC, controlada da CSN Américas, efetivamente pagou US$ 125.240,00 no ano de 2011, conforme comprovam os documentos anexos (doc. 01): comprovantes de quatro transferências bancárias realizadas pela CSN LLC durante o ano de 2011, totalizando US$ 335.000,00, a título de Illinois Est Inc Tax Payment, que significa o imposto de renda estadual do Estado de Ilinois; e Form IL – 1120, que é o formulário emitido pelo Governo de Ilinois, no qual está informada a composição dos valores recolhidos pela CNS LLC, e o valor efetivamente devido no ano de 2011 (US$ 125.240,00); [...] Crédito a ser compensado no Brasil Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.573 26 Diante disso, em caso de manutenção da presente exigência fiscal, deve ser admitida a compensação do crédito do imposto pago no exterior pela CSN LLC no montante de R$ 201.096,71. Ressaltese que, conforme visto acima, segundo dispõe o art. 14, parágrafo 10, da Instrução Normativa SRF n. 213/02, o limite de crédito a compensar no Brasil relativamente à CSN Américas é de R$ 111.665.273,70, sendo que o crédito já reconhecido pela fiscalização é de R$ 2.888.605,02, admitindose a compensação também do montante de R$ 201.096,71; A impugnante não nega que a forma de comprovação do Imposto de Renda pago no exterior, para efeito de sua compensação no Brasil, foi originalmente prevista no art. 26, parágrafo 2º, da Lei n. 9249, sendo admitido como forma de prova o documento pelo qual se deu o recolhimento no exterior, reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo consulado da embaixada brasileira. Eis o que diz o citado dispositivo legal: “Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. (...) Parágrafo 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto”. Ocorre que, posteriormente, o art. 16, parágrafo 2º, da Lei n. 9430, de 27.12.1996, dispensou as exigências do parágrafo 2º do art. 26 da Lei n. 9249 quando se comprove que a legislação do país de origem prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação que for apresentado. Vejase a redação do parágrafo 2º do artigo 16: “Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: (...) Parágrafo 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.574 27 II fica dispensada da obrigação a que se refere o parágrafo 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado”. (destaques da impugnante) Notese que o art. 16 da Lei n. 9430, simplificando o procedimento ao qual a pessoa jurídica deve se submeter para fazer jus à compensação do imposto pago no exterior, afastou expressamente a regra do parágrafo 2º do art. 26 da Lei n. 9249, quando houver prova, feita por meio de comprovantes de arrecadação, de que o imposto tenha sido efetivamente pago no exterior; transcreve excertos de decisões do CARF; é desnecessária a apresentação da documentação consularizada, conforme exigido pela fiscalização, bastando a apresentação dos comprovantes de que o imposto tenha sido efetivamente pago no exterior; Face ao que precede, fazse de rigor a compensação do imposto pago no exterior pela CSN LLC, nos termos do art. 14, da Instrução Normativa SRF n. 213/02; 3. A falta de adição das despesas financeiras à base de cálculo da CSL. Neste item, a fiscalização sustenta que a impugnante teria deixado de adicionar, na apuração da base de cálculo da CSL, os juros de mora calculados à taxa SELIC sobre os tributos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. Isso porque, segundo a acusação fiscal, o art. 57 da Lei n. 8981, de 20.1.1995, determina que “todas as normas de apuração estabelecidas para o IRPJ estendemse à CSLL”. Ora, o parágrafo 1° do art. 41 desta mesma Lei prevê a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de imposto de renda. Logo, com base no citado art. 51, a regra restringindo a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa seria aplicável também à CSLL. Além disso, a fiscalização alega que estes valores teriam caráter de provisões, de modo que deveriam ter sido adicionados para fins de apuração da base de cálculo da CSL, nos termos do art. 13, inciso I, da Lei n. 9249. 3.1. A independência da base de cálculo da CSL em relação ao IRPJ. O raciocínio desenvolvido pela fiscalização não merece prevalecer. Como se sabe, a base de cálculo da CSL é o resultado do período com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica, assim entendidos como aqueles expressamente previstos na legislação da CSL. Ora, o “caput” do art. 41 é claro ao dispor que “Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência.” Desse modo, o parágrafo único, que dispõe sobre a Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.575 28 indedutibilidade dos “tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa” se aplica única e exclusivamente à apuração do lucro real, não podendo ser estendido para a base de cálculo da CSL. A independência da apuração da base de cálculo da CSL em relação ao IRPJ foi reconhecida pela própria Receita Federal do Brasil. Confirase a Solução de Consulta n.212, de 5.8.2015, proferida pela COSIT, sustentando que “embora à CSLL apliquemse as mesmas normas de apuração e de pagamento do IRPJ, no que se refere à composição da base de cálculo dessa contribuição hão de ser observadas as regras específicas de sua legislação própria, inclusive no tocante aos ajustes do lucro líquido (adições e exclusões), pois é de seu cômputo que se origina o resultado ajustado, base de cálculo da CSLL” (destaques da impugnante). Além disso, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já consolidou o tema por meio dos acórdãos n. 9101001.839, de 10.12.2013, e n. 9101001510, de 20.11.2012, cuja ementa é a seguinte: “APURAÇÃO BASE DE CÁLCULO DA CSLL. As despesas consideradas indedutíveis para apuração de Imposto de Renda não devem, necessariamente, ser consideradas para apuração da Base de Cálculo da CSLL. Não existe na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do lucro real”. Portanto, apenas os ajustes expressamente previstos na legislação dessa contribuição são autorizados, sendo que o art. 41 da Lei n. 8981 não está entre eles, visto que trata somente do lucro real. A maior prova disso é o outro fundamento legal da autuação, qual seja, o próprio art. 13 da Lei n. 9249, tendo em vista que este artigo é expresso ao dispor que “Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções”. Ora, tanto a Lei n. 8981 quanto a Lei n. 9249 são do ano de 1995, sendo claro que quando o legislador tinha interesse de impor os mesmos ajustes previstos para o IRPJ à CSL ele o fez de forma expressa, conforme disposto no art. 13 da Lei n. 9249. Em razão disso, percebese que é improcedente a linha de raciocínio da fiscalização no sentido de que o art. 41 da Lei n. 8981 é aplicável também para a CSL. 3.2. A inaplicabilidade do art. 13, inciso I, da Lei n. 9249. O conceito de provisão.| Cumpre analisar agora o segundo argumento da fiscalização, que defende a indedutibilidade destes valores da base de cálculo da CSL com base no art. 13, inciso I, da Lei n. 9249. Para iniciar a análise, imprescindível a sua transcrição: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n. 4506, de 30 de novembro de 1964: Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.576 29 I – de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n. 8981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n. 9065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (...).” (destaques da impugnante) A análise desse dispositivo legal evidencia que, salvo as exceções previstas em lei, para fins de apuração das bases de cálculo IRPJ e da CSL não se admite a dedução de qualquer provisão. Desse modo, importa para o deslinde do presente caso compreender o conceito e a amplitude do termo provisão utilizado pelo mencionado dispositivo legal, a fim de identificar se os tributos com a exigibilidade suspensa possuem ou não natureza de provisão. Vejase. Conforme acima visto, segundo o inciso I do art. 13 da Lei n. 9249, os valores que possuem a natureza de provisão não devem ser deduzidos do lucro real, nem do resultado do exercício, que corresponde ao lucro líquido. Se tais valores forem debitados do resultado contábil, devem eles ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSL, sob pena de reduzir, indevidamente, o resultado tributável da pessoa jurídica. Contudo, o referido dispositivo legal não conceitua o que é uma provisão. Aliás, o seu conceito não se encontra expresso em qualquer norma legal, apesar de ser mencionado em alguns artigos da Lei n. 6404, mais especificamente nos que tratam das demonstrações financeiras das sociedades por ações. [...] Pelo regime de competência, ou regime econômico, que se contrapõe ao regime de caixa, a liquidação financeira de um passivo é irrelevante para fins de determinar a dedutibilidade de seu valor. Desse modo, em princípio, as despesas correspondentes às obrigações das pessoas jurídicas devem ser registradas, contabilmente, no momento em que incorridas, e não na data de seu pagamento. Sendo assim, os créditos tributários, ainda que estejam com a sua exigibilidade suspensa por força de provimentos jurisdicionais, não se amoldam ao conceito de provisão, pois este conceito não alcança obrigações existentes. Por conseguinte, o inciso I do art. 13 da Lei n. 9249 não impede a dedução de tributos, mesmo dos que estão com a exigibilidade suspensa em virtude de tutelas de urgência concedidas pelo Poder Judiciário. Desta forma, o fato de a impugnante não ter efetuado o recolhimento de determinadas exações tributárias, por estar discutindo a legitimidade de sua cobrança, não lhes retira a natureza jurídica de obrigações existentes, ou seja, de passivos a pagar, que representam despesas efetivas, não provisões. [...] Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.577 30 Por essa razão, não encontra amparo no ordenamento jurídico o entendimento manifestado pela fiscalização de que os créditos tributários, com a exigibilidade suspensa, por força de tutela de urgência concedida em medida judicial, representam provisões e, como tais, não podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Somese a isso que essa conclusão pode ser confirmada pela interpretação histórica da legislação tributária, conforme restará demonstrado no próximo tópico deste recurso. 3.3. A interpretação histórica da legislação tributária Atualmente é pacífico o entendimento de que o processo de compreensão do significado das normas legais não pode ser feito com base apenas na literalidade do dispositivo da lei, sob pena de se chegar a resultado inconsistente com o restante do ordenamento jurídico. Nesse sentido, há inúmeros precedentes, judiciais e administrativos, no sentido de que o verdadeiro significado das normas jurídicas e o seu exato alcance devem ser obtidos mediante a utilização conjunta de todos os métodos de hermenêutica, quais sejam: (i) literal; (ii) sistemático; (iii) histórico; (iv) finalístico; e (v) lógico. [...] Com efeito, se se entender que os tributos com a exigibilidade suspensa são meras provisões, retirarseá os efeitos das normas insertas no art. 8º da Lei n. 8541, de 23.12.1992, e no parágrafo 1º do art. 41 da Lei n. 8981, de 201.1.1995, aplicáveis exclusivamente ao IRPJ, tornandoas inócuas. Vejase. O art. 3º do Decretolei n. 1730, de 17.10.1979, prescreve que “na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária”. Ou seja, desde janeiro de 1980, as provisões somente podem ser deduzidas, da base de cálculo do IRPJ, se houver dispositivo legal neste sentido. Em relação à dedutibilidade dos créditos tributários, para fins do IRPJ, quando do advento do Decretolei n. 1730/79, vigorava a norma legal prevista no art. 16 do Decretolei n. 1598, de 26.12.1977, segundo a qual os tributos eram dedutíveis no períodobase em que ocorreu o seu fato gerador, se a pessoa jurídica apurasse os resultados pelo regime de competência, ou no do respectivo pagamento, caso o regime de apuração de resultado fosse o de caixa. Confirase: [...] Essa regra perdurou até a Lei n. 8541/92, que alterou o momento do reconhecimento das despesas com tributos, ao prescrever que “as obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas” (art. 7º, “caput” – destaques da impugnante). Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.578 31 Coerentemente com essa norma, o art. 8º da Lei n. 8541/92 determinava que “serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6º, § 5º, alínea b, do DecretoLei n. 1598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n. 5172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia” (destaques da impugnante). Posteriormente, a sistemática da Lei n. 8541/92 foi parcialmente alterada pela Lei n. 8981/95 que, em seu art. 41, prescreve que “os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência” (destaques da impugnante). Outrossim, o parágrafo 1º desse artigo não admite a dedução dos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, nas hipóteses dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Essa breve descrição da evolução legislativa é relevante, posto que a norma do art. 3º do Decretolei n. 1730/79, que permite apenas a dedução das provisões expressamente previstas na legislação tributária, para fins do imposto de renda, não foi alterada e permanecia em vigor quando das publicações das Leis n. 8541/92 e 8981/95. Diante disso, se foram necessárias normas legais expressas (Lei n. 8541, art.8º, e Lei n. 8981, art. 41, parágrafo 1º), para vedar a dedutibilidade dos tributos cuja exigibilidade estivesse suspensa, para fins de determinar o lucro real, não faz o menor sentido lógico sustentar que referidos tributos têm natureza de provisões, uma vez que, neste caso, a sua indedutibilidade decorreria do art. 3º do Decretolei n. 1730. Vêse, pois, que as alegações fiscais conduzem à conclusão de que a norma inserta no art. 8º da Lei n. 8541, repetida, posteriormente, no parágrafo 1º do art. 41 da Lei n.8981, era inócua, pois a indedutibilidade das provisões já estava prevista no Decretolei n.1730/79. Por conseguinte, não se pode admitir como válido o entendimento manifestado pela fiscalização, em face das regras de interpretação dos textos legais, acima referidas, pois, em última análise, isso implicaria reconhecer a existência de não apenas palavras inúteis na lei, mas dispositivos legais inteiros. Se para fins de determinação do lucro real existem regras específicas, prevendo a indedutibilidade de tributos que estão com a exigibilidade suspensa, concluise que os respectivos lançamentos contábeis não se revestem das características de provisão. Logo, não se lhes aplica o disposto no inciso I do art. 13 da Lei n. 9249. De fato, a edição de nova norma (tal como ocorreu com a edição da Lei n. 8541, art. 8º, e Lei n. 8981, art. 41, parágrafo 1º) evidencia que, anteriormente à sua vigência, não havia norma legal que vedasse a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de apuração do lucro real, isto é, que o termo “provisão” veiculado pelo art. 3º do Decreto lei n. 1730/79 não abarcava os tributos com exigibilidade suspensa. Com efeito, a introdução de dispositivo legal novo no direito positivo vigente é sinal concreto de que, antes dele, não havia a ordem legal dele emanada. Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.579 32 [...] No caso dos autos, a edição de nova norma (Lei n. 8541, art. 8º, e Lei n. 8981, art. 41, parágrafo 1º) evidencia que, anteriormente à sua vigência, não havia norma legal que vedasse a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de apuração do lucro real, isto é, que o termo “provisão”, veiculado pelo art. 3º do Decretolei n. 1730/79, não abarcava os tributos com exigibilidade suspensa. Na mesma linha de raciocínio, se para fins de apuração do lucro real os tributos cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de medida judicial não possuem natureza de provisão, tendo sido necessária a introdução no ordenamento de uma norma expressa veiculando a impossibilidade da dedução de tais valores para fins de apuração do lucro real, de igual forma, para apuração da base de cálculo da CSL, fazse necessária a edição de norma legal expressa nesse sentido, o que, repitase, não existe no ordenamento jurídico pátrio. Dessa forma, resta demonstrado que as despesas com tributos com a exigibilidade suspensa não se enquadram no conceito técnico de provisão, ao contrário do pretendido pela fiscalização, não havendo qualquer impedimento legal à sua dedutibilidade, sendo, por conseguinte, improcedente a acusação fiscal objeto de análise do presente processo administrativo. Portanto, com base em tudo o que foi exposto, concluise que a presente autuação não possui condições de prosperar, devendo ser imediatamente cancelada. 3.4. A atualização monetária incidente sobre o tributo com exigibilidade suspensa assume a condição de despesa financeira. Não bastasse toda a exposição feita acima, cumpre ressaltar mais uma razão que, por si só, tem o condão de rechaçar toda a exposição feita pela fiscalização no TVF. Inicialmente, relembrese que no presente caso está em discussão a dedutibilidade dos juros de mora incidentes sobre o valor do crédito tributário que está com exigibilidade suspensa. Ignorou a fiscalização que estes valores possuem a natureza de despesa financeira, sendo de rigor a sua dedutibilidade da base de cálculo da CSL por expressa ausência de norma legal em sentido contrário. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST n. 174/74 concluiu que “No que tange a juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizamse como despesa financeira, e como tal são dedutíveis.” Da mesma forma, o PN CST n. 61/79. Na recente Solução de Consulta COSIT n. 208, de 4.12.2015, o Fisco confirmou que “já quanto aos juros moratórios acrescidos ao ICMS, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação do débito, caracterizamse como despesa financeira e, como tal, são dedutíveis para fins de apuração do lucro real, à vista do que preceitua o item 8 do Parecer Normativo CST nº 174, de 26 de setembro de 1974.” Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.580 33 Para afastar qualquer dúvida, vejase o acórdão n. 107 09344, de 16.4.2008, da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “LUCRO REAL – JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – MEDIDAS JUDICIAIS – DEDUTIBILIDADE. Conforme o ‘caput’ do art. 41 da Lei 8.981/95, os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Quando os tributos e contribuições estão com exigibilidade suspensa por força de medidas judiciais, nos termos do § 1º do mesmo artigo, a regra de dedutibilidade de que trata o caput do artigo, não se aplica ao principal. Não há base legal para que se exija a adição dos juros de mora calculados sobre o passivo discutido judicialmente”. (destaques da impugnante) Vale ressaltar que o referido acórdão analisou a questão sob o prisma do IRPJ e, mesmo diante da previsão contida no art. 41 da Lei n. 8981, afirmou que “não há base legal para que se exija a adição dos juros de mora calculados sobre o passivo discutido judicialmente”. E se este entendimento é aplicável para o IRPJ, que possui norma expressa sobre a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, ainda mais imperativa é a sua aplicabilidade para a CSL, visto que não existe nenhuma norma expressa neste sentido Confirmando a exposição feita acima, importa destacar o acórdão n. 1301002.033, de 7.6.2016, o qual reconheceu que “Em conformidade com o disposto no art. 5º do DecretoLei nº 1.736, de 1979, os juros de mora são devidos mesmo durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão judicial ou administrativa.” Esta decisão evidencia que os juros não possuem caráter de provisão, sendo admissível a sua dedutibilidade da base de cálculo da CSL por se tratarem de despesas financeiras. Portanto, com base no retro exposto, fazse de rigor o reconhecimento da dedutibilidade dos juros incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSL e o consequente cancelamento da autuação fiscal. 4. A necessária compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSL. Por fim, é necessário destacar que, em caso de manutenção de qualquer parcela das exigências “sub judice”, o que se admite apenas para fins de argumentação, os cálculos correspondentes deverão levar em consideração os resultados de outras autuações lavradas contra a ora impugnante, referentes a anoscalendário passados. São os processos administrativos n. 19515.723039/201279, n. 10314.72849/201499, n. 10314.728430/201413 e n. 16561.720063/201474. Isso porque a fiscalização da Receita Federal do Brasil lavrou outros autos de infração, para exigir o IRPJ e a CSL da ora impugnante, em razão de infrações que supostamente teriam ocorrido no curso dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Em virtude das autuações procedidas nestes outros processos, os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSL foram integralmente absorvidos, conforme destacado no TVF. Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.581 34 Neste contexto, tendo em vista que ao final daqueles processos a impugnante logrará demonstrar a insubsistência daquelas autuações, temse que, em caso de manutenção de qualquer parcela das exigências “sub judice”, as autoridades fiscais deverão recalcular os valores eventualmente devidos a título de IRPJ e CSL levando em conta os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSL restabelecidos após as decisões proferidas nos mencionados processos, procedendo à compensação destes valores, conforme determinam os art. 15 e 16 da Lei n. 9065, de 20.6.1995. 5. Conclusão e Pedido Por todo o exposto, a impugnante requer seja admitida, conhecida e integralmente provida a presente impugnação, para o fim de determinar o cancelamento dos autos de infração ora questionados, com base nos fundamentos acima apresentados. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, deve ser pelo menos admitido o crédito do imposto pago no exterior sobre os lucros ora exigidos. Também na hipótese de serem mantidas as exigências fiscais ora combatidas, requerse que sejam respeitados no presente processo os efeitos decorrentes das decisões proferidas em outros processos, especialmente no que se refere à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSL de outros períodos. Ainda na remota hipótese de se entender pela manutenção da exigência fiscal ora combatida, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Realmente, o art. 61, “caput” e parágrafo 3º, da Lei n. 9430, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos “decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, sendo que os parágrafos 1º e 2º tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas. Ora, em decorrência do art. 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é indisputado na doutrina e na jurisprudência. Diante disso, não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9430, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições. Por fim, para provar os fatos expostos, protesta o impugnante por todas as provas em direito admitidas, tais como a juntada de documentos e a realização de diligências. Em atenção ao disposto no art.16, inciso V, do decreto n. 70235, com redação dada pela Lei n. 11.196, de 21/11/2005, a impugnante informa que não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.582 35 A r. DRJ de Campo Grande proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 Lucros Auferidos Por Empresas Coligadas ou Controladas Domiciliadas no Exterior. A aplicação do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação. (SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA nº 18 COSIT, de 08 de agosto de 2013 CoordenaçãoGeral de Programação e Estudos COSIT da Receita Federal do Brasil). Dispositivos Legais: art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts 25 e 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e Artigo 7 da Convenção Modelo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Inexistência de Incompatibilidade entre o art.74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e o art. 43 do CTN. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, ao definir a data do balanço como momento da disponibilização do lucro, não feriu a regramatriz do art. 43 do CTN. Para que esteja configurado o fato gerador do imposto de renda, não é necessário que o lucro da coligada ou controlada estrangeira tenha sido efetivamente distribuído à investidora brasileira (disponibilidade financeira). Basta que tenha havido o efetivo acréscimo patrimonial (disponibilidade econômica). Imposto Pago no Exterior. Controladas. Compensação. Procedimentos. Limites. Para apurar os limites de compensação do imposto pago no exterior, não se deve adicionar individualmente o resultado de cada controlada ao resultado da Controladora no Brasil, mas sim, devese considerar o resultado das pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Em assim sendo, devese retificar o lançamento para contemplar a dedução dos impostos pagos no exterior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2011 Lançamento. CSLL. Lucros do Exterior. Previsão Legal. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Encargos. Tributos. Contribuições Com Exigibilidade Suspensa. Adição à Base de Cálculo da CSLL Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, entretanto, tal dedutibilidade não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.583 36 IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. O artigo 57 da Lei 8.981/95 reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Portanto, o juízo feito pela Administração Tributária corrobora o entendimento acerca da aplicabilidade do comando contido no artigo 57, da Lei nº 8.981, de 1995, à hipótese aqui tratada, ao prever para a CSLL as mesmas regras e condições de dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa em relação ao IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta a aplicabilidade da Convenção para Evitar Dupla Tributação entre Brasil e Espanha, veiculada no ordenamento interno através do Decreto nº 76.975/75. Referida Convenção tolheria a competência brasileira par tributar referidos rendimentos seja pela aplicação do art. 7, devido à ausência de um estabelecimento o Brasil, seja pela aplicação do art. 10, que diferiria a aplicação da tributação na residência até a distribuição efetiva dos dividendos. Complementa ainda que, caso aplicável o art. 10, o § 4 do art. 23 da mesma Convenção demanda que o Estado da residência isente o rendimento do imposto de renda como meio para evitar a dupla tributação. Se há vedação expressa para tributação dos dividendos distribuídos, não se pode permitir a tributação antecipada, com fulcro no art. 74 da MP n. 2158 35. Admitir este raciocínio, conforme restou consignado no voto acima destacado, significaria “reduzir os dispositivos convencionais a simplesmente nada.” Sustenta que essa foi a conclusão que este Conselho em casos semelhantes, em relação à esta Convenção, destaca o caso Eagle (acórdão n. 10195802). Referido entendimento também teria sido alcançado no Caso Vale do Rio Doce, julgado pelo STJ (Recurso Especial n. 1325709RJ, de 20.5.2014). A recorrente rebate os fundamentos da Solução de Consulta Cosit nº 18/2013. Inicialmente distinguindo o método de equivalência patrimonial de efetiva distribuição, nos termos da lei societária, principalmente o art. 197 da Lei n. 6404/76. Em seguida, aponta que o art. 7 tem um escopo objetivo, buscado proteger o lucro das empresas, independentemente de se tratar do lucro da empresa brasileira. Acrescenta que este raciocínio contraria o art. 25 da Lei n. 9.249/1995, pois seus parágrafos 2º e 3º, que versam respectivamente sobre lucros auferidos por intermédio de filiais e controladas, ou de coligadas, não pressupõem que tais valores integrem o lucro líquido da pessoa jurídica brasileira. Ao contrário, são grandezas que não integram aquele lucro líquido, mas que devem a ele ser adicionadas, para efeito de apuração do lucro real. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.584 37 Quanto a este ponto finaliza sustentando que o parágrafo 6° do referido dispositivo, acima transcrito, o qual assegura que o resultado da equivalência patrimonial mantenha o tratamento tributário que lhe era reservado antes da entrada em vigor da Lei n. 9249. Ora, a equivalência patrimonial, na legislação tributária, recebe tratamento neutro, não afetando o lucro real e a base de cálculo da CSL. Tivesse o legislador tributário a intenção de tributar o resultado de equivalência patrimonial, não teria sentido o referido parágrafo 6º, cujo teor afirma exatamente o inverso. Em relação ao art. 23, diferentemente do que fala a Solução de Consulta em análise, a Convenção entre Brasil e Espanha consagra a isenção para dividendos, não sendo, portanto, aplicável o racional lá delineado. Clama pela aplicação do resultado do julgamento da ADI 2.588 para caso de controladas fora de paraíso fiscal. Sustenta a necessária compensação do crédito do imposto pago no exterior, nos termos do art. 14 da IN SRF 213/02, seja para as controladas na Espanha, seja para a controlada nos Estados Unidos, em que pese não ter apresentado `época o documento de arrecadação, juntado, entretanto com o presente Recurso. Em relação à “falta de adição das despesas financeiras à base de cálculo da CSL”, a saber, os juros de mora calculados à taxa SELIC sobre os tributos com exigibilidade suspensa, sustenta a recorrente que o art. 41 da Lei nº 8.981/95 não se aplica à contribuição. Acrescenta ainda que, a par do que sustenta a fiscalização, referidos valores não podem ser considerados provisões, inaplicável ao caso, portanto, o art. 13, I da Lei 9.249/95. Assevera que na contabilidade, o elemento que caracteriza as provisões, distinguindoas das obrigações propriamente ditas, é a incerteza, de modo que, em última análise, as provisões representam obrigações incertas, quanto à sua existência ou ao seu valor, sendo este o conceito que deve ser considerado na interpretação da legislação tributária. Isto porque as obrigações tributárias não se enquadram no conceito de provisões. A obrigação de pagar tributos deriva diretamente da lei, constituindose no momento em que ocorre o seu fato gerador. E que fato de a recorrente não ter efetuado o recolhimento de determinadas exações tributárias, por estar discutindo a legitimidade de sua cobrança, não lhes retira a natureza jurídica de obrigações existentes, ou seja, de passivos a pagar, que representam despesas efetivas, não provisões. Colaciona precedentes do Carf nesse sentido. Finaliza propondo uma interpretação histórica do dispositivo que levaria a conclusão de que se entender que os tributos com a exigibilidade suspensa são meras provisões, retirarseá os efeitos das normas insertas no art. 8º da Lei n. 8541, de 23.12.1992, e no parágrafo 1º do art. 41 da Lei n. 8981, de 201.1.1995, aplicáveis exclusivamente ao IRPJ, tornandoas inócuas. Adverte a Recorrente que o art. 8º da Lei n. 8541/92 determinava que “serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6º, § 5º, alínea b, do DecretoLei n. 1598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.585 38 exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n. 5172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia” (destaques da recorrente). Posteriormente, a sistemática da Lei n. 8541/92 foi parcialmente alterada pela Lei n. 8981/95 que, em seu art. 41, prescreve que “os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência” (destaques da recorrente). Outrossim, o parágrafo 1º desse artigo não admite a dedução dos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, nas hipóteses dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. (...) Diante disso, se foram necessárias normas legais expressas (Lei n. 8541, art. 8º, e Lei n. 8981, art. 41, parágrafo 1º), para vedar a dedutibilidade dos tributos cuja exigibilidade estivesse suspensa, para fins de determinar o lucro real, não faz o menor sentido lógico sustentar que referidos tributos têm natureza de provisões, uma vez que, neste caso, a sua indedutibilidade decorreria do art. 3º do Decretolei n. 1730. Finaliza afirmando que a lei 8.981/95 inovou no ordenamento, introduzindo vedação antes inexistente. E se assim o é, não poderia o intérprete buscar alcançar o mesmo resultado alterando a natureza jurídica dos valores em discussão. Tais valores teriam, na visão da Recorrente, natureza jurídica de despesa financeira, conforme teria a própria fiscalização se manifestado em diversas oportunidades, por exemplo, na Solução de Consulta Cosit nº 208/2015. O que teria sido confirmado em precedentes do CARF. Afirma ainda a Recorrente que, apesar de existirem processos administrativos pendentes, esta corte deve levar em consideração prejuízos fiscais e base de cálculo negativos que eventualmente sejam restituídos ao fim daqueles processos. Por fim, sustenta a não incidência de juros calculados com base na Taxa Selic sobre a multa de ofício, haja vista a legislação tributária em vigência, principalmente o art. 61da Lei 9.430/96. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em que sustenta que o Supremo Tribunal Federal confirmou a constitucionalidade do art. 74 da MP 215835/2001 para controladas localizadas fora de paraíso fiscal nos autos do RE 541090/SC. E que, “diante disso, resta evidente a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e a sua compatibilidade com os Tratados firmados pelo Brasil para evitar a dupla tributação da renda”. Sustenta que a Convenção não define o termo lucro, devendo ser buscada na legislação interna. E que as normas brasileiras não extrapolaram os limites do referido Tratado internacional, uma vez que definiram o que seria o lucro da pessoa jurídica situada no Brasil – termo não especificado na Convenção. Por sua vez, também não se verifica incompatibilidade entre o disposto em normas brasileiras e nas normas da Espanha. Isso porque o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, apresenta preceitos que correspondem ao âmbito de competência do Brasil – ou seja, define o que deve ser entendido como lucro das empresas brasileiras e o momento em que será possível haver incidência do IR e da CSLL sobre estes Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.586 39 lucros. Dessa maneira, resta evidente que a Fiscalização fundamentou seu trabalho no conceito de lucro fornecido pela legislação brasileira. Com efeito, a autoridade administrativa responsável pelo lançamento, tendo como parâmetro de interpretação o direito interno, constatou a existência de valores que se subsumiriam à hipótese que autoriza a tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Defende ainda que a norma veiculada no art. 74 da MP 215835/01 caracteriza se como norma CFC. Mencionado dispositivo legal tinha por missão: a) concretizar a tributação em bases universais para as pessoas jurídicas, levando em conta a renda auferida por intermédio das suas controladas ou coligadas no exterior; b) impedir o diferimento indeterminado da tributação de lucros produzidos no exterior – prática que vinha sendo muito adotada por contribuintes para se beneficiar de sistemas tributários mais favoráveis e, ao mesmo tempo, escapar da tributação no Brasil; c) estabelecer a presunção absoluta quanto ao momento em que se realiza a disponibilização dos lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas e coligadas. Nessa linha, referida norma tratase de técnica de tributação que busca apurar o lucro dos sócios brasileiros e não o lucro da empresa estrangeira. A própria OCDE entende que há compatibilidade entre normas CFC e os tratados para evitar a dupla tributação. Defende ainda que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o pagamento de tributos no exterior, vedada, portanto, sua compensação. Sustenta ainda a indedutibilidade de juros Selic incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa. Afirma que a tese do contribuinte baseiase em uma interpretação literal do art. 41 da Lei 8.981/95. Porém, referida lei regulamentaria não apenas o IRPJ, em suas três modalidades de apuração, como também a CSL, conforme se infere a partir do Capítulo I da referida lei, no qual são tratados, conjuntamente, o imposto sobre a renda e as contribuições sociais. Além disso, o art. 2º da Lei 7.689/88 já impediria referida dedução, uma vez que determina a adição de provisões indedutíveis a base de cálculo da CSLL. Não bastassem os argumentos acima, cumpre ressaltar que o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, vedou expressamente a dedução de qualquer provisão, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL Sustenta ainda que a doutrina e mesmo o CPC 25 demonstram o caráter de provisão destes valores. Os valores relativos à taxa SELIC incidente sobre tributos que estão sendo discutidos em ações judiciais se encaixam perfeitamente ao conceito de provisões, descrito acima. Com efeito, os juros exigidos de tributos não pagos no vencimento correspondem a uma obrigação presente, proveniente de um evento já ocorrido (vencimento do tributo), porém, no caso de litígio judicial, a liquidação do passivo (SELIC) tornase de valor e prazo incerto. Afinal, não é possível precisar quanto tempo irá demorar para que se tenha um desfecho da ação judicial – o que afeta o prazo –, tampouco é possível saber qual será o conteúdo da decisão judicial – o que traz incerteza sobre a obrigação, ou seja, se o tributo deverá ser pago ou não. Nesse cenário, os valores dos tributos devido e dos juros de mora sobre eles incidentes devem ser reconhecido na contabilidade do contribuinte, mas apenas a título de provisão, dada a incerteza quanto à existência da obrigação, ao seu prazo de pagamento. Por fim, a recorrente ainda apresenta o argumento de que a SELIC seria uma despesa financeira e, por essa razão, seria dedutível da base de cálculo da CSLL, independente Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.587 40 de os tributos que a originaram estarem ou não com exigibilidade suspensa. No tocante a esse ponto, importante lembrar que a SELIC é um encargo acessório ao tributo, ou seja, a condição para sua existência é que haja tributo vencido e não pago. Desse modo, não é possível conferir existência autônoma para a SELIC, como se essa taxa de atualização fosse independente do tributo vencido que justifica a sua exigência. Por essa razão, ainda que a SELIC tenha natureza de despesa financeira, como ela está vinculada ao tributo com exigibilidade suspensa, os argumentos apresentados acima, sobre a incerteza da obrigação referente ao tributo objeto de ação judicial, são estendidos para a SELIC. Implica dizer que a SELIC que acompanha uma obrigação incerta quanto à sua existência, tornase igualmente incerta, o que conduz ao seu registro como provisão, e não como passivo. Defende ainda que a localização do art. 41 indica que este dispositivo contém uma norma que visa uma alteração da sistemática que até então vigia, no que diz respeito à formação do lucro real. Mais especificamente, com o art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, passou se a admitir a dedução de despesas relativas a tributos e contribuições, na determinação do lucro real, excetuando os casos em que os tributos e contribuições estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN, havendo ou não depósito judicial. O que teria sido reforçado pelo disposto no art. 57 da Lei 8.981/95. Sustenta, por fim, a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.588 41 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO 2.1 – DAS CONTROLADAS E COLIGADAS NO EXTERIOR A compatibilidade da aplicação de regas CFC e os tratados para evitar a dupla tributação não é matéria nova neste e. Conselho e mesmo nesta e. Câmara. Inicialmente cumpre ressaltar que sim, o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade parcial do art. 74 da MP 215835/01, não declarou sua compatibilidade com tratados para evitar a dupla tributação. Tanto é que hoje a matéria inclusive é objeto do caso Volvo, pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário nº 460.320. Notese que até referido RE alcance sua conclusão, a palavra de ordem sobre a matéria advém do Superior Tribunal de Justiça atestando a prevalência dos tratados interacionais em matéria tributária, Resp nº 1272897 / PE, analisado inclusive o Tratado Brasil e Espanha, assim ementado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS TRIBUTÁRIOS SOBRE A NORMA DE DIREITO INTERNO. CONCEITO DE LUCRO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. EMPRESA COM SEDE NA ESPANHA E SEM ESTABELECIMENTO PERMANENTE INSTALADO NO BRASIL. TRATADO TRIBUTÁRIO CELEBRADO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O REINO DA ESPANHA. Decreto 76.975/76. COBRANÇA DE TRIBUTO QUE DEVE SER EFETUADA NO PAÍS DE ORIGEM (ESPANHA). RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas jurídicas de Direito Interno, em razão da sua especificidade, ressalvada a supremacia da Carta Magna. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedentes: RESP 1.161.467/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 1.6.2012; RESP 1.325.709/RJ, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 20.5.2014. 2. O Tratado BrasilEspanha, objeto do Decreto 76.975/76, dispõe que os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis neste mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.589 42 3. O termo lucro da empresa estrangeira deve ser interpretado não como lucro real, mas como lucro operacional, como o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica, incluído, o rendimento pago como contrapartida de serviços prestados. 4. Parecer do MPF pelo conhecimento e provimento do recurso. 5. Recurso Especial da IBERDROLA ENERGIA S/A provido para assegurar o direito da recorrente de não sofrer a retenção de imposto de renda sobre a remuneração por ela percebida, nos termos que dispõe o Tratado Tributário firmado entre a República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha. Relativamente à prevalência dos tratados internacionais sobre a legislação tributária interna, peço vênia para transcrever o seguinte excerto de voto proferido pela ilustre Conselheira Sandra Faroni no acórdão no 10195.476, na sessão de 26 de abril de 2006: “Como é sabido, a antinomia das normas se resolve pela aplicação dos critérios da hierarquia, da cronologia e da especialidade. A questão, no presente caso, envolve matéria doutrinariamente discutida, relacionada à prevalência dos tratados internacionais sobre as normas internas. Não obstante haja ainda muita divergência sobre existência ou não de hierarquia entre tratados e legislação interna, o Supremo Tribunal Federal, com o julgado RE 80.004/SE, decidiu no sentido da inexistência de hierarquia e da possibilidade de lei interna posterior incompatível com o tratado ser validamente aplicada. Não obstante a crítica que a decisão mereceu por parte dos internacionalistas, que defendem que quando o Brasil não tem mais interesse no tratado deve denunciálo e não unilateralmente aprovar uma lei modificando o conteúdo do tratado, essa tese prevalece na jurisprudência da Corte Suprema. Embora o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, o fato é que não se discutiu, naquela Corte, o art. 98 do CTN, que tem status de lei complementar, portanto de hierarquia superior à lei ordinária (O julgado que consagrou o entendimento de inexistência de hierarquia RE 80.004/SE tratava da Lei Uniforme sobre Letras de Câmbio e Notas Promissórias). Assim, ainda que se considere não ter, o tratado internacional, primazia hierárquica sobre a lei interna, em se tratando de norma tributária, essa primazia decorreria do art. 98 do CTN. Esse é o entendimento predominante na doutrina. E para aqueles que consideram que o art. 98 do CTN não pode estabelecer essa hierarquia, a questão vai se resolver pelo critério da especialidade, posto que o tratado, geralmente, é especial em relação à lei interna. Ricardo Lobo Torres5 ensina: ‘É particularidade do Direito Tributário brasileiro reconhecer a prevalência do tratado internacional sobre a legislação nacional. Diz o art. 98 do CTN que 'os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha'. Observese que não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado. Essa característica do Direito Tributário brasileiro não se estende a outros ramos do Direito, nem mesmo ao Financeiro, pois o Supremo Tribunal Federal não generalizou a tese do primado do Direito Internacional; admitiu, pelo contrário, que a norma internacional sobre letras de câmbio e noras promissórias, incorporada à legislação interna, Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.590 43 fosse revogada por lei ordinária posterior” (Torres, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário, 9a edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2002, pg. 45). . Nessa toada, mantenho posicionamento de que referida norma de tributação em bases universais e tratados não são compatíveis. O art. 7 da Convenção assinada entre Brasil e Espanha assim dispõe: ARTIGO 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. No último caso, os lucros da empresa serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente . 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades idênticas ou similares. em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados . 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições do presente Artigo. Devo pontuar inicialmente que entendo incorreta a proposta de interpretação sugerida pela PGFN quando afirma que o conceito de lucro deve ser buscado na legislação doméstica. O art. 3, §2 da Convenção para Evitar a Dupla Tributação assinada entre Brasil e Espanha é claro ao prescrever que “para a aplicação da presente Convenção por um Estado Contratante, qualquer expressão que não se encontre de outro modo definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado Contratante relativa aos impostos que são objeto da Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diferente. A doutrina internacional majoritária aponta que inicialmente o intérprete deve buscar a delimitação do termo não determinado na Convenção no contexto. Sobre o tema, não podemos deixar de verificar o trabalho doutrinário de fôlego do Conselheiro Luís Flávio Neto (FLÁVIO NETO, Luís. Direito tributário internacional: "contextos" para interpretação e Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.591 44 aplicação de acordos de bitributação. São Paulo: Quartien Latin, 2018). Essa metodologia vai, inclusive, mais em linha com os preceitos da Convenção de Viena sobre direitos dos Tratados, da qual o Brasil é signatário. Após aprofundado estudo, A. RUST ("Business" and "Business Profits" in The Meaning of "Enterprise", "Business" and "Business Profits" under Tax Treaties and EU Tax Law (G. Maisto ed., IBFD 2011), Online Books IBFD) conclui que: The meaning of a tax treaty term can be explicitly defined in the tax treaty. It can also be derived from its context or by interpreting the term of the treaty in light of the domestic law of the parties thereto. The terms "business" and "business profits" are not explicitly defined in the OECD Model. Art. 3(1)(h) of the OECD Model only states that unless the context otherwise requires the term "business" includes the "performance of professional services and of other activities of an independent character." The OECD Commentary provides that the Convention does not contain an exhaustive definition of the term "business" and that the term should pursuant to Art. 3(2) generally have the meaning which it has under the domestic law of the state that applies the Convention. [73] Some elements of the term "business", however, can be derived from the context of the OECD Model itself. Art. 7 (the business profits article) only applies to independent activities, does not cover mere asset management or mere holding activities but does apply to activities of a short duration. Insofar as the meaning of the terms "business" and "business profits" can be determined in accordance with Art. 3(1)(h) and the context of the OECD Model itself, it is not possible to rely on domestic law for the interpretation of such terms, Thus, in that regard, domestic fictions cannot influence the interpretation of the terms "business" and "business profits". O significado de um termo pode ser explicitamente definido no Tratado fiscal. Pode também ser derivado do seu contexto ou interpretando o termo do Tratado à luz do direito interno das partes. Os termos "negócios" e "lucros emprersariais" não são explicitamente definidos no modelo da OCDE. O art. 3 (1) (h) do modelo da OCDE apenas afirma que a menos que o contexto de outra forma exija o termo "negócio" inclui o "desempenho dos serviços profissionais e de outras atividades de caráter independente". O comentário da OCDE prevê que a Convenção não contém uma definição exaustiva do termo "negócio" e que o termo deve nos termos do Art. 3 (2) ter geralmente o significado que tem a lei doméstica do estado que aplica a Convenção. Alguns elementos do termo "negócio", no entanto, podem ser derivados do contexto do próprio modelo da OCDE. O art. 7 (o artigo dos lucros empresariais) aplicase somente às atividades independentes, não cobre a mera gerência do recurso ou mera atividades da terra arrendada mas aplicase às atividades de curta duração. Na medida em que o significado dos termos "negócios" e "lucros de negócios" pode ser determinado de acordo com o Art. 3 (1) (h) e o contexto do próprio modelo da OCDE, não é possível invocar o direito interno para a interpretação de tais termos, assim, a este respeito, as ficções domésticas não podem influenciar a interpretação dos termos "negócio" e "lucros empresariais". Atentandose a isto, assim decidiu o STJ nos autos do REsp 1.325.709RJ 2012: Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.592 45 RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE. NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL. NÃO PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. IRPJ E CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO 72.542/73), A DINAMARCA (DECRETO 75.106/74) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO 85.051/80). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS. ART. 74, CAPUT DA MP 2.15735/2001. DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGURANÇA, EM PARTE. 1. Afastase a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora recorridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte. 2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusividade, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Apelação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg no AREsp. 113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012. 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.593 46 princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boa fé. 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicionálos ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.158 35/01) a qual objetivou regular; com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.594 47 10. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput da MP 2.15835/2001, deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. De qualquer forma, em que pese eventuais questões de cunho teórico, o mesmo Superior Tribunal de Justiça decidiu o que são lucros empresariais para fins de tratado no já citado Resp nº 1272897 / PE: O termo lucro da empresa estrangeira deve ser interpretado não como lucro real, mas como lucro operacional, como o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica, incluído, o rendimento pago como contrapartida de serviços prestados. Deve ser repudiada, portanto, interpretação que busca limitar o alcance do art. 7, concedendolhe escopo subjetivo, qual seja, proteção do nãoresidente. Schoueri bem explica o alcance do art. 7: O raciocínio assim desenvolvido peca, entretanto, ao não perceber que não é verdade que o artigo 7º se limita a proteger do imposto brasileiro as empresas sediadas no exterior. O escopo do artigo 7º não é subjetivo (as empresas), mas objetivo (os lucros das empresas). Assim, é falso o dilema que examina quem assume o ônus do imposto: a limitação do artigo 7º alcança os lucros de uma empresa de um Estado Contratante. Pouco interessa, in casu, indagar quem suporta o encargo. Seja a empresa estrangeira, seja a nacional, o que importa é que nem uma nem outra estão sujeitas ao imposto brasileiro calculado sobre o lucro da empresa localizada no exterior. Nos termos do referido artigo 7º, portanto, estão fora da jurisdição brasileira os lucros auferidos por uma empresa situada em outro Estado Contratante. Resta ver, daí, qual o alcance objetivo da legislação brasileira. Noutras palavras, cabe examinar se a legislação brasileira alcança lucros de uma empresa brasileira, ou lucros de uma empresa estrangeira. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Lucros no Exterior e Acordos de Bitributação: Reflexões sobre a Solução de Consulta Interna nº 18/2013. Revista Dialética de Direito Tributário, n. 219, São Paulo, dezembro de 2013, p. 74). Em que pese a PGFN afirmar que as normas brasileiras são CFF e que a OCDE se manifestou pela compatibilidade desta espécie normativa com o disposto no art. 7 das Convenções para Evitar a Dupla Tributação. Para tanto, utilizase do parágrafo 14 do comentário ao art. 7, constante na versão de 22/07/2010 da Convenção Modelo: 14. The purpose of paragraph 1 is to limit the right of one Contracting State to tax the business profits of enterprises of the other Contracting State. The paragraph does not limit the right of a Contracting State to tax its own residents under controlled foreign companies provisions found in its domestic law even though such tax imposed on these residents may be computed by reference to the part of the profits of an enterprise that is resident of the other Contracting State that is attributable to these residents’ participation in that enterprise. Tax so levied by a State on its own residents does not reduce the Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.595 48 profits of the enterprise of the other State and may not, therefore, be said to have been levied on such profits (see also paragraph 23 of the Commentary on Article 1 and paragraphs 37 to 39 of the Commentary on Article 10). 14. O propósito do § 1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontrados em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros (ver também § 23 dos Comentários ao art. 1º e §§ 37 a 39 dos Comentários ao art. 10). Tal comentário deve ser lido com temperamentos, verificando o contexto em que foi emitido. Qual seja, buscando combater o abuso na utilização de tratados. Tal assertiva pode inclusive ser comprovada pela remissão do comentário 14 ao art. 7, ao comentário 23 ao art. 1, onde afirmase que outra forma de combater o uso abusivo de tratados seria ser a leitura dos percebase inclusive a referência aos comentários ao art. 1, onde se trata do uso abusivo de tratados seria através de normas CFC. Se isso é verdade, e entendemos que sim, seria mais um motivo para afastar a tributação em respeito a Convenção. A conclusão da OCDE, incluída nos comentários em 2003 e sem pacificação entre seus membros, é um reflexo do relatório de 1998 sobre competição fiscal danosa também emitido pela OCDE. Explica BRIAN: The OECD issued a report in April 1998 entitled Harmful Tax Competition: An Emerging Global Issue. In this Report, the OECD attacked both tax havens and preferential tax regimes in otherwise hightax countries for “poaching” the tax bases of hightax countries. Although the harmful tax competition initiative appears to be facing difficulties, it has produced some significant ancillary results. The 2003 changes to the Commentary to the OECD Model dealing with the improper use of tax treaties, and in particular the changes to the Commentary on Art. 1, are the direct product of recommendations in the Report on Harmful Tax Competition (BRIAN, Arnold J. Tax Treaties and Tax Avoidance: The 2003 Revisions to the Commentary to the OECD Model. Bulletin for International Taxation, jun de 2004, p. 245) A OECD emitiu um relatório em abril 1998 intitulado Competição fiscal danosa: um problema global emergente. Neste relatório, a OCDE atacou ambos os paraísos fiscais e os regimes fiscais preferenciais previstos em países que normalmente teriam alta carg fiscal "caçar" as bases fiscais dos países com alta tributação. Embora a iniciativa de concorrência fiscal prejudicial pareça estar enfrentando dificuldades, ela produziu alguns resultados colaterais significativos. As alterações ao comentário ao modelo da OCDE que ocorreram em 2003, que tratam da utilização indevida dos tratados fiscais e, em particular, as alterações ao comentário sobre arte. 1, são o Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.596 49 produto direto das recomendações no relatório sobre a concorrência fiscal danosa (Tradução livre) Nessa linha, a compatibilidade apresentada nos comentários deve ser lida a partir de seus estudos preliminares, ou seja, a partir da definição de normas CFC previstas no relatório de 1998. As próprias características são elencadas pela Procuradoria quando transcreve doutrina de João Francisco Bianco às fls 19 e 20 de suas contrarrazões, transcrevo: Inicialmente, a CFC, para submeterse ao regime especial de tributação, deve ser considerada, pela legislação de residência de seus sócios, uma entidade tributária autônoma e independente. Isso porque vários países não consideram, por exemplo, as sociedades de pessoas como contribuinte de imposto separados de seus sócios, exigindo destes a tributação da renda auferida por aquelas, sob um outro tipo de regime de tributação que não o da CFC. O regime da CFC, portanto, aplicase apenas quando a entidade sediada no exterior for um contribuinte autônomo de imposto, de acordo com a legislação fiscal do país de residência de seus sócios. A segunda condição é que a CFC esteja submetida a uma influência preponderante dos sócios na condução de suas operações, caracterizada pelo controle societário. Normalmente o controle é estabelecido com a detenção pelo sócio de direitos de voto ou de participação no capital social em percentual superior a 50%. (...) A terceira condição é que a CFC esteja sediada em um país de baixa ou nenhuma tributação. Esse tipo de critério é chamado de método jurisdicional, ou seja, é a partir da jurisdição do país de sede da CFC que irá ser determinada a aplicação ou não do regime de transparência. (...) A quarta condição para a caracterização da CFC referese ao tipo de rendimento auferido. Esse critério é chamado de método transacional, ou seja, é a partir do tipo de transação efetuada pela empresa no exterior – ou da natureza do rendimento auferido – que irá ser determinada a sua submissão ou não ao regime de transparência (BIANCO, João Francisco. Transparência fiscal internacional. São Paulo: Dialética, 2007. p. 2526). A própria PGFN afirma que não tem problema o Brasil se afastar do padrão OECD, e é verdade. Mas, ao se afastar, não pode aplicar diretamente as conclusões alcançadas pela OCDE com base em premissas totalmente distintas – no caso, o que se considera uma CFC. Cabe ainda mencionarmos que por muito tempo a doutrina vem sustentando que referido permissivo só valeria para normas CFC “reais”, ou sejam, as que buscam o combate ao abuso, restritas a rendas passivas e a países de baixa ou nenhuma tributação. Para Sérgio André Rocha: Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.597 50 Com efeito, independentemente de serem qualificadas como CFC, ou não, as regras brasileiras certamente não foram consideradas como típicas regras CFC pelos referidos Comentários. De fato, como já ressaltamos, a maioria dos países membros da OCDE não pode incluir em suas legislações regras com o alcance da regra brasileira – ver item 3.6. , uma vez que as mesmas seriam contrárias às liberdades fundamentais da União Europeia. Dessa maneira, é claro que os Comentários da OCDE e da ONU não tinham como paradigma modelos como o brasileiro. Este fato é ressaltado no Relatório da Ação 3 do Projeto BEPS, onde se demonstrou grande preocupação com os limites para a adoção de ‘regimes CFC pelos países da União Europeia. (ROCHA, Sérgio André; Tributação de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior. 2ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2016, p. 79) A incompatibilidade das “normas CFC” brasileiras e os tratados é tão óbvia que quando quis viabilizar a aplicação das normas CFC para casos envolvendo tratados, as autoridades negociadoras explicitaram isso no próprio tratado, como por exemplo, a cláusula presente no protocolo assinado entre Brasil e Peru, transcrevo: 5. Com referência ao Artigo 23 ("Não Discriminação"): d) As disposições da Convenção, especialmente as do Artigo 23, não impedirão que um Estado Contratante aplique as disposições de sua legislação nacional relativa à capitalizaçao insuficiente ou para combater o diferimento do pagamento do imposto sobre a renda, incluída a legislação de sociedades controladas estrangeiras (legislação de “CFC”) ou outra legislação similar. Isto dito, ausente o caráter antielisivo da legislação brasileira, haja vista que se aplica aos rendimentos de todas as empresas, independentemente de sua localização, ou de norma permissiva no corpo da Convenção, não há como vislumbrarmos sua compatibilidade com tratados a partir do comentário apontado pela PGFN. Os critérios apontados pelo STF no julgamento da ADI 2588 não são suficientes para atribuir caráter antielisivo a norma, quando se está diante de controlada fora de paraíso fiscal. O resultado seria o mesmo caso se estivesse tentando aplicar o art. 10 da Convenção entre Brasil e Espanha: ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% do montante bruto dos dividendos. Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.598 51 Este parágrafo não afetará a tributação da sociedade com referência aos lucros que deram origem aos dividendos pagos . 3. O disposto nos parágrafos 1 e 2 não se aplica quando o beneficiário dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver, no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, um estabelecimento permanente a que estiver ligada a participação geradora dos dividendos. Neste caso, serão aplicáveis as disposições do Artigo 7. 4. O termo "dividendos" usado no presente artigo, designa os rendimentos provenientes de ações, ações ou direitos de fruição, partes de empresas mineradoras, ações de fundador ou outros direitos que permitam participar dos lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado Contratante em que a sociedade que os distribuir seja residente . 5. Quando uma sociedade residente da Espanha tiver um estabelecimento permanente no Brasil, esse estabelecimento permanente poderá aí estar sujeito a um imposto retido na fonte de acordo com a legislação fiscal brasileira. Todavia, esse imposto não poderá exceder 15% do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente determinado após o pagamento do imposto de renda de sociedades referente a esses lucro! Não obstante, o imposto só será aplicável quando os lucros forem efetivamente transferidos para o exterior. ARTIGO 23 Métodos para eliminar a dupla tributação 1. Quando um residente de um Estado Contratante receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis no outro Estado Contratante, o primeiro Estado, ressalvado o disposto nos parágrafos 2, 3 e 4, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente, um montante igual ao imposto sobre a renda pago no outro Estado Contratante. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder a fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis no outro Estado Contratante. O disposto neste parágrafo se aplica, na Espanha, tanto aos impostos gerais como aos impostos a conta . 2. Para a dedução mencionada no parágrafo 1, o imposto sobre os juros e "royalties" será sempre considerado como tendo sido pago com as alíquotas de 20% e 25% respectivamente . 3. Quando um residente da Espanha receber dividendos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis no Brasil, a Espanha isentará de imposto estes dividendos, podendo no entanto ao calcular o Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.599 52 imposto incidente sobre os rendimentos restantes desse residente, aplicar a alíquota que teria sido aplicável se tais dividendos não houvessem sido isentos 4. Quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convenção sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos. O apelo ao art. 10 das Convenções em autuações envolvendo coligadas e controladas revela uma prática equivocada da fiscalização que constantemente tenta contornar o conteúdo das Convenções Internacionais para Evitar a Dupla Tributação, restringindo seu alcance. Isto porque a redação do art. 10 referese a dividendos pagos, e aqui nos reportamos a excelente análise realizada pelo Conselheiro Luís Flávio Neto nos autos do Processo nº 16682.720429/201277, acórdão º 9101002.332. Embora ali esteja em análise a Convenção BrasilHolanda, as conclusões são plenamente aplicáveis ao caso em espécie, motivo pelo qual nos permitimos transcrever excerto daquele voto: O contexto intrínseco compreende o próprio signo linguístico sob interpretação ou outros presentes no texto do tratado, no preâmbulo, nos anexos, bem como em qualquer acordo ou instrumento celebrado pelas partes relativos ao tratado ou em conexão com a sua conclusão. A sua investigação, além de instintiva, decorre de prescrição expressa no art. 31 (1) e (2) da CVDT. A análise gramatical do trecho do art. 10 (1) do acordo BrasilPaíses Baixos, na oração “Os dividendos pagos por uma sociedade (...)”, evidencia o emprego do sujeito paciente (da passiva) “ dividendos” acompanhado do particípio “pago”. Importante ressaltar que o particípio consiste em uma forma nominal do verbo que expressa o resultado do “fato verbal”, isto é, indica uma ação já realizada, já finalizada, sobre o objeto da oração que ele qualifica, in casu, “os dividendos”. O termo “pago”, assim, atua como um reforço incisivo para delimitar a aplicação do dispositivo àquelas situação em que o rendimento por ele tutelado (“dividendos”) tenham sido efetivamente “pagos”. Sob a perspectiva sintática, o termo “dividendo”, empregado na cláusula sob exame, encontrase qualificado como “pago”, o que impõe, necessariamente, que esta ação (pagar) já tenha sido concretizada (pela “sociedade”, agente da passiva na oração). (...) Os Comentários à CMOCDE, editados pelo Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, podem ser equiparados à doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes nações, a qual, conforme albergada pelo art. 31 (3) “c” da CVDT cumulado com o art. 38 (1) “c” do Corte Internacional de Justiça. A obrigatoriedade de sua observância se dá nesses termos. De todo modo, desde a sua versão de 1977, os Comentários à CMOCDE apresentam as seguintes disposições quanto à interpretação do art. 10 dividendos), especialmente quanto aos termos “dividendos pagos”, in verbis: “7. Por este motivo, o parágrafo 1 simplesmente estabelece que dividendos poderão ser tributados no Estado de residência do beneficiário. O termo “pago” apresenta significado bastante amplo, já que o conceito de pagamento significa o cumprimento da obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da maneira exigida por contrato ou pelo costume.” O termo “pago”, conforme essa evidência do contexto extrínseco secundário dos acordos de bitributação, abrange apenas situações em que há efetivo “cumprimento da obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.600 53 maneira exigida por contrato ou pelo costume”. Desse modo, ainda que se possa atribuir maior ou menor importância aos Comentários à CMOCDE existentes à época em que o acordo BrasilPaíses Baixos foi celebrado, é contundente constatar que o parágrafo 7o dos Comentários ao art. 10o da CMOCDE, acima transcrito, converge com as demais evidências analisadas neste voto: para que os “dividendos” sejam considerados “pagos”, exigese a efetiva transferência de titularidade dos recursos da sociedade ao acionista. Colacionamos ainda brilhante lição de Sérgio André Rocha que esclarece a controvérsia. Quernos parecer que o artigo 10 somente terá um papel no presente debate caso se conclua que o artigo 74 da MP 2.158 se trate de uma regra de tributação de dividendos fictos, como sustenta Taísa Maciel ao afirmar que ‘o Brasil adota a teoria do dividendo fictício (fictive dividend approach), de forma que o artigo 10 dos tratados veda a aplicação da norma interna’. Do contrário, em não se entendendo tratar o artigo 74 da MP 2.158 da tributa~]ao de dividendos fictícios – como nos parece ser o caso, cremos que o artigo 10 seria inaplicável à presente situação. Tudo o que este dispositivo faz é tratar das hipóteses em que é legítima a tributação de dividendos pelos Estados contratantes. Parece ser consequência lógica afirmar que, se dividendos fictos não se tratar, não há razão para se argumentar que o artigo 10 das Convenções seria óbice à aplicação do mencionado artigo 74. (ROCHA, Sérgio André; Tributação de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior. 2ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2016, p. 79) Referida conclusão é reforçada ainda pela lição do saudoso Professor Alberto Xavier: “A principal crítica que deve ser dirigida a este entendimento está em que a lei interna que fundamento a tributação (o art. 25 da Lei 9.249/95, para o qual remete o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01) não permite a referida construção, eis que alude à adição ao lucro da pessoa jurídica brasileira dos próprios lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, independentemente de serem pagos ou creditados. A ficção de disponibilização mais não significa que a determinação do momento temporal que esse cômputo se deve verificar, não tendo o condão de alterar o objeto da tributação. (XAVIER, Alberto. Direito tributário internacional do Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 417418) Empresto ainda excerto do voto do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no Processo Administrativo nº 16561.720150/201421, no qual, ainda que tenhamos ao fim discordado em relação a compatibilidade das normas CFC e tratados, a análise em relação art. 10 merece encômios: Por outro lado, também não se pode compreender a sistemática adotada pela lei brasileira como se estivesse tributando uma espécie de "dividendos presumidos". Primeiro, porque o dividendo é um conceito bem delineado no âmbito da legislação societária. Assim, não basta a mera deliberação dos sócios Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.601 54 para que todo o lucro auferido num determinado período se converta em dividendos. Como se sabe, há diversas situações em que os lucros devem ser destinados, por determinação legal ou estatutária, a pessoas distintas dos sócios. Então, não se pode garantir que todo o lucro deve ser dividido segundo as participações societárias. Segundo, porque quando o dividendo é, de fato, distribuído, seguindo o método de alívio da bitributação jurídica utilizado pela maioria dos países, deve se dar o crédito do imposto retido pelo país da fonte. Porém, a legislação brasileira não faz exatamente isso. Como não houve, de fato, a distribuição do dividendo, não há imposto retido na fonte. Então, o que se possibilita é a compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente. Vejam bem, não se trata de alívio da bitributação jurídica, mas, sim, da bitributação econômica através da compensação de parcelas do imposto apurado pela empresa residente (a brasileira), segundo os complicados critérios estabelecidos no artigo 14 da IN/SRF nº 213/021. E percebam que existe até a possibilidade de compensar aquele imposto do exterior com a CSLL devida pela empresa brasileira (artigo 15 da mesma IN)2. Vejase: COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COM O IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NO BRASIL Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. 1 Interpretação administrativa para os artigos 26 da Lei nº 9.249/95, 16, § 2º, da Lei nº 9.430/96, e 1º, § 4º, da Lei nº 9.532/97. 2 Cuja base legal é o artigo 21, § único, da MP nº 2.15835. Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.602 55 § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, poderá haver consolidação dos tributos pagos, observado o disposto no § 2º do art. 3º e § 5º do art. 4º. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.603 56 Secretaria da Receita Federal, a partir de 1º de janeiro do ano subsequente ao da compensação. § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anoscalendário subseqüentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. § 18. Na hipótese de lucro real positivo, mas, em valor inferior ao total dos lucros, rendimentos e ganhos de capital nele computados, o tributo passível de compensação será determinado de conformidade com o disposto no § 17, tendo por base a diferença entre aquele total e o lucro real correspondente. § 19. Caso o tributo pago no exterior seja inferior ao valor determinado na forma dos §§ 17 e 18, somente o valor pago poderá ser compensado. § 20. Em cada anocalendário, a parcela do tributo que for compensada com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, ou com a CSLL, na hipótese do art. 15, deverá ser baixada da respectiva folha de controle no Lalur. COMPENSAÇÃO COM A CSLL DEVIDA NO BRASIL Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Terceiro, porque não há na legislação nada que garanta que se houver uma efetiva distribuição de dividendos a posteriori, estes deixarão de ser tributados, tanto pelo país da fonte, quanto pelo Brasil. Ademais, inexiste qualquer previsão acerca dos efeitos daquela tributação sobre os “dividendos presumidos” em face da eventual tributação dos dividendos efetivamente distribuídos. É verdade que os parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10 deixam aberta a possibilidade de uma determinada legislação CFC tratar ou não os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Apesar disso, o conteúdo desses parágrafos é claro quanto à chance de Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.604 57 haver problemas na efetivação de benefícios concedidos no âmbito do acordo no caso de a legislação CFC tratar os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Vejase tais comentários, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10: 38. A aplicação de tal legislação ou regras [de acordo com o parágrafo precedente, tratase da legislação CFC ou de regras com efeitos similares] pode, porém, complicar a aplicação do artigo 23. Se a renda [da CFC] fosse atribuída ao contribuinte, cada item dessa renda teria que ser tratada na conformidade das provisões relevantes da Convenção (lucros de empresas, juros, royalties). Se é tratada como um dividendo presumido, então, ele é claramente derivado da companhia de base [a CFC], constituindo renda do país daquela companhia. Mesmo assim, não está claro se a renda deve ser tratada como um dividendo (artigo 10) ou como rendimentos não expressamente mencionados (artigo 21). Sob algumas dessas legislações ou regras, a renda tributável é tratada como um dividendo, com o resultado de que uma isenção concedida por uma convenção, por exemplo, uma isenção de uma filial, seja também estendida ao contribuinte. É questionável se a Convenção requer que isso seja feito. Se o país de residência considera que esse não é o caso, pode se alegado que ele está obstruindo a normal operação da isenção de uma filial mediante tributação do dividendo (na forma de "dividendo presumido") antecipadamente. 39. Aonde os dividendos são realmente distribuídos pela companhia de base [a CFC], as provisões da convenção bilateral têm que ser normalmente aplicadas porque há renda de dividendos dentro do escopo da convenção. Assim, o país da companhia de base pode submeter o dividendo a uma tributação na fonte. O país da residência do controlador aplicará os métodos normais de eliminação da bitributação (isto é, o método do crédito ou da isenção). Isso implica que o tributo retido deve ser creditado no país de residência do controlador, mesmo que o lucro distribuído (o dividendo) tenha sido tributado anos antes no âmbito da legislação CFC ou outras regras com efeitos similares. No entanto, a obrigação de dar o crédito nesse caso permanece questionável. Geralmente tal dividendo é isento da tributação (uma vez que ele já foi tributado no âmbito daquela legislação ou regras) e poderia ser arguido que não há base para o crédito do tributo retido. Por outro lado, o propósito do tratado seria frustrado se esse crédito pudesse ser evitado via simples antecipação da tributação pela oposição da citada legislação. O princípio geral estabelecido acima sugere que o crédito deveria ser concedido mesmo que os detalhes possam depender de tecnicalidades da citada legislação ou regras e do sistema de crédito dos tributos no exterior contra os tributos domésticos (por exemplo, tempo decorrido desde a tributação dos "dividendos presumidos"). Porém, os contribuintes que tenham recorrido a arranjos artificiais estão assumindo riscos que não estão completamente sob a salvaguarda das autoridades tributárias. Nada obstante a existência dessa possibilidade, como já se disse, não parece que a lei brasileira tenha seguido esse difícil caminho. Especificamente em relação às “normas CFC”, devo ressaltar que NÃO compartilho do entendimento, pelos motivos que anteriormente expus. Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.605 58 Pelos fundamentos ora expostos, entendo que a autuação fiscal não merece prosperar o que diz respeito aos rendimentos das controladas na Espanha, no quadro abaixo resumidos: Caso os nobres colegas não compartilhem de meu entendimento, devo pontuar que mister se faz o reconhecimento da compensação dos tributos pagos no exterior. A Procuradoria da Fazenda admite que se tratou de questão probatória, que restou superada com a juntada de documento consularizado e devidamente traduzido pela Recorrente junto a este Recurso. Isto posto, em caso de mantida a autuação deve ser autorizada a compensação pleiteada em relação ao imposto pago o exterior pela CSN LLC, além das que já haviam sido anteriormente reconhecidas pela própria DRJ. 2.2 DOS JUROS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Com todo o acatamento a tese defendida pela Recorrente, neste ponto tenho me posicionado pela impossibilidade de se deduzir da base do IRPJ e da CSLL os tributos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, por força no disposto no art. 13, inc. I da Lei 9.249/95. Assim julgamos no Processo Administrativo nº 16327.720373/201381, acórdão 1402002.728, de relatoria do Conselheiro Leonardo Couto: Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.606 59 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Assim nos posicionamos ao julgar o Processo Administrativo nº 16561.720075/201407, acórdão nº 1402002.417, de relatoria do Conselheiro Demetrius Nichele Macei: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009, 2010 CSLL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A contabilização de tributos com exigibilidade suspensa os trata como provisões, pois representam uma obrigação presente como resultado de um evento passado, há probabilidade que exigirá desembolso de caixa para sua liquidação e pode, de antemão, ser objeto de uma estimativa confiável de seu valor. A legislação é objetiva quanto à impossibilidade de dedução de tributos com a exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, notadamente porque o conceito de provisão a ser utilizado no caso concreto é aquele que se amolda às normas contábeis (art. 110, do CTN). Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.607 60 AUSÊNCIA DE NORMA QUE DETERMINE A ADIÇÃO DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. ALEGAÇÃO REJEITADA. A legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL (art. 57, da Lei nº 8.981/95; art. 2, da Lei nº 9.430/96; art. 2º, da Lei nº 9.430/96), as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelos expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Se não há previsão legal de exclusão de tributo com a exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo (adição), uma vez que a legislação determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. Nessa linha, dada minha convicção quanto a esta matéria, voto pela manutenção desta parcela da autuação. 2.3 DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Aplicase ao caso a Súmula 108 do CARF: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Isto posto, voto pela manutenção desta parcela da autuação nos termos da Súmula supratranscrita. 2.4 DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES NEGATIVAS Haja vista a existência de processos administrativos que podem impactar no cumprimento do presente processo, entendo pelo sobrestamento do cumprimento deste processo nos termos do voto até aqui exarado até que sejam julgados os processos administrativos n n. 19515.723039/201279, n. 10314.72849/201499, n. 10314.728430/2014 13 e n. 16561.720063/201474. Temos julgado pelo sobrestamento em casos de prejudicialidade, como a ilustra a ementa da decisão proferida no Processo Administrativo nº 13603.902729/201217, acórdão nº 1402003.351, relatoria do Conselheiro LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SOBRESTAMENTO Existindo discussão em outros processos administrativos sobre a compensação de estimativas que compõe o saldo negativo de IRPJ que se pretende compensar nos autos deste processo em epígrafe, resta caracterizada a prejudicialidade do pedido de compensação, devendo sobrestar o julgamento Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.608 61 do recurso até que seja proferida decisão administrativo definitiva nos processos que tratam das compensações das estimativas. Isto posto, encaminho voto no sentido de sobrestarmos o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado dos processo supra mencionados. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pelo parcial provimento do presente Recurso Voluntário para afastar a aplicação do art. 74 da MP 215835/01, mantida a autuação fiscal em seus demais aspectos. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.609 62 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, votou pelo parcial provimento do presente Recurso Voluntário para afastar a aplicação do art. 74 da MP 215835/01. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose por negar provimento ao recurso voluntário em relação à tributação dos rendimentos das controladas na Espanha (Tratado). A recorrente alega que não pode prosperar a tributação no Brasil, dos lucros apurados pelas controladas sediadas nos países com os quais foram celebrados Tratados Internacionais, no sentido de evitar a dupla tributação, dentre os quais a Espanha, os quais devem prevalecer em relação à legislação interna brasileira e que de acordo com o artigo 7º da Convenção BrasilEspanha (Tratado) se as controladas da impugnante não possuem estabelecimentos permanentes no Brasil, este país não possui competência para tributar os lucros auferidos pelas empresas na Espanha. Entendese que não assiste razão à recorrente em seu argumento, pois a norma do art. 74 da MP 215835/01 incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. Conforme esse dispositivo legal, o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado. Verificase que a mesma matéria já foi objeto de análise neste CARF, conforme acórdão nº 1401002.834 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, no sentido que inexiste qualquer conflito da norma do art. 74 da MP 215835/01 com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. Logo utilizase, também, os fundamentos de decidir utilizados no referido acórdão, em processo que tratava de tributação de lucros no exterior à semelhança do presente. Diante disso, passamos a reproduzir as razões de decidir do Acórdão nº 1401 002.834 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: " Da Compatibilidade da Lei com a Vedação Tratado Após ler e reler todas as peças, alegações e acórdãos contra e a favor da tributação levada a efeito pela fiscalização, meu entendimento seguiu no sentido de que, em verdade não se está tributando os lucros auferidos pela controlada da empresa sediada no exterior, mas sim a parte dos lucros que pode ser atribuída à empresa brasileira que é a controladora. Claro que há uma dificuldade em se estabelecer esta diferenciação, até mesmo porque as normas do tratado para evitar a dupla tributação parecem ser claras. Ocorre, no entanto, que sutilezas as diferenciam. Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.610 63 Quando se falou na necessidade de evitar a dupla tributação temse que o cumprimento da regra dáse pela compensação, do imposto pago no exterior, quando do cálculo do imposto a ser pago no Brasil. Assim, se a alíquota nacional é superior à do exterior, compensandose o que foi pago no exterior, pagase, no Brasil, apenas a diferença de alíquotas. No caso da instituição de tributos pela MP 2.15835, temos como exemplo paralelo, o que ocorreu durante um determinado período na nossa própria legislação, relativo à tributação dos lucros distribuídos aos sócios em empresas brasileiras. Ora, de forma similar à tributação tratada neste auto de infração, o lucro da empresa é apurado e tributado. Os sócios, quando se beneficiavam destes lucros sofriam nova tributação, posto que os rendimentos eram, agora, deste sócio e não mais da empresa, não tendo que se falar em dupla tributação. É o mesmo que se aplica com as regras postas em confronto com as normas de vedação do tratado. Os lucros da empresa Holandesa foram lá tributados regularmente. A tributação na controlada brasileira se refere à parcela dos lucros que lhe é cabível em função de sua participação na controlada. Por óbvio a confusão aparente se demonstra em função de, em grande parte dos casos, a situação de controle ser total pela detenção integral do controle da empresa. No entanto este fato não impede a demonstração de que se tratam de tributos que incidem sobre matérias diferentes. O Imposto sobre os lucros é apurado e pago na Holanda sobre os lucros apurados no exercício. No Brasil, a Lei n° 9.249/95, art. 25, § 2°, II determina que sejam acrescidos ao lucro líquido da controlada brasileira apenas na proporção de sua participação acionária. Assim, em verdade, demonstrase que não se está tributando o lucro da empresa holandesa novamente, mas sim a parcela cabível à controladora nacional. II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; Inobstante a irresignação das empresas atingidas por esta tributação e, ainda, diante de seus robustos argumentos, havemos de esclarecer que esta imposição normativa aplicada às empresas nacionais que possuem coligadas ou controladas no exterior, não foi imposta pelo fisco como agente legislativo. Em verdade estamos diante de uma opção tributária exercida pelo legislador pátrio. Simples assim. Na prática existem diversos casos semelhantes de tributação de lucros já tributados anteriormente nas empresa que servem a demonstrar que o legislador bem sabe as opções legislativas existentes em matéria tributária e, diante das opções disponíveis, exerce o seu poder de determinar quais são as matérias submetidas à tributação. Vejamos, de início, a distinção entre tributação dos lucros distribuídos aos funcionários das empresas, enquanto que os sócios desta mesmas empresas recebem parte do mesmo lucro de forma isenta. Vejamos, abaixo, as hipóteses Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.611 64 em que o lucro distribuído é isentado, conforme art. 39, do Regulamento do Imposto de Renda. Lucros e Dividendos Distribuídos XXVI os lucros ou dividendos calculados com base nos resultadosapurados no anocalendário de 1993, pagos ou creditados pelas pessoasjurídicas tributadas com base no lucro real, a pessoas físicas residentes oudomiciliadas no País (Lei n°8.383, de 1991, art. 75); XXVII os lucros efetivamente recebidos pelos sócios, ou pelo titularde empresa individual, até o montante do lucro presumido, diminuído doimposto de renda da pessoa jurídica sobre ele incidente, proporcional à sua participação no capital social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados nos anoscalendário de 1993 e 1994 (Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 20); XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei n° 8.981, de 1995, art. 46); Vejase, até antes de 1995, todo o lucro distribuído era tributado também pelos beneficiários pessoas físicas. Após a edição de norma isentiva, os sócios passaram a receber os lucros de forma isenta, enquanto que os funcionários da empresa, recebendo parcela do mesmo lucro, os recebem de forma tributada. Será que também tal distinção não é injusta? Se uma empresa, para obter resultados tem de conjugar os esforços do trabalho de seus funcionários, do capital empregados pelos donos e do conhecimento aplicado ao trabalho, porque o lucro percebido pelos sócios é isento e o percebido pelos funcionários é tributado? Infelizmente tratase de política fiscal que é idealizada pelo Poder Legislativo, detentor único de competência constitucional para tanto. Apresentamos um outro exemplo, até mais próximo da realidade desta 1a Seção do CARF. Eis que se refere ao tratamento tributário dado ao ganho de capital auferido na alienação de investimentos pelas pessoas físicas ou jurídicas. Porque a alíquota das pessoas físicas, de até 22,5%, isso após recente majoração, visto que anteriormente era de apenas 15%, é inferior às alíquotas aplicáveis às pessoas jurídicas na mesma operação, esta de 25%? Novamente nos deparamos com uma opção legislativa de estabelecer as alíquotas aplicáveis à operação de acordo com a análise realizada destro das opções disponíveis no devido processo legislativo no que toca ao estabelecimento das hipóteses de incidência. Notese que nenhum imposto ou contribuição é instituído senão em virtude de lei e esta, quando editada, presumese constitucional, somente podendo ser Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.612 65 evitada por meio de ação judicial com pedido de inconstitucionalidade incidental ou, até mesmo, em sede de controle concentrado, por meio dos órgãos de classe representativos. Aparentemente estas diferenças de tributação consistem numa gritante injustiça, mas não passam, em verdade de uma política tributária realizada por opção do legislador. Ocorre, no entanto, que tais políticas não possuem o condão da imutabilidade. No nosso direito tributário as opções legislativas, como a que decorre da presente autuação, podem até ser contestadas na justiça, nas cortes internacionais, etc, mais ainda quando envolvem empresas como a do porte deste processo com capacidade financeira, política e técnica de se defender e de militar em qualquer campo de contenda jurídica e/ou política. É neste sentido, inclusive, que este relator entende que a interpretação destas normas, inclusive quando houver os casos em que direcionadas diretamente a beneficiar as empresas com determinadas políticas tributárias deliberadas, não pode ser simplesmente desconsiderada pelos órgãos da administração, posto lhes faltar a legitimidade para exercer tal direito. Não cabe à administração tributária, e ao CARF, como órgão julgador administrativo, contestar a aplicação de lei aprovada no curso do devido processo legislativo. Assim, demonstrando os motivos que me levaram à concluir pela compatibilidade entre as normas estabelecidas em tratado e as normas que criaram a tributação dos lucros auferidos pelas controladas no exterior, verificando que a mesma matéria já foi objeto de análise neste CARF, inclusive com acórdão proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de meu entendimento. Utilizarei, também, os fundamentos de decidir utilizados pelo acórdão n° 9101002.751, de 04 de abril de 2017, em processo que tratava de tributação de lucros no exterior à semelhança do presente. "Tratados para Evitar Dupla Tributação da Renda e Art. 74 da MP n° 2.15835,de 2001. A autuação fiscal tratou da tributação de lucros no exterior auferidos por controlada da Contribuinte, Petrobrás Netherlands B.V. (PNBV), que não forma oferecidos à tributação no anocalendário de 2009. Relata o Termo de Verificação Fiscal (efl. 691) que a Contribuinte, intimada a se justificar pela não inclusão dos lucros na base tributável, alegou que o seu lucro obtido não havia sido adicionado ao lucro real em obediência ao art. 7° do Decreto n° 355/91, que promulgou a Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação entre o Brasil e os Países Baixos, onde fica sediada a controlada. Entendeu a Fiscalização que não procedia a interpretação dada à legislação tributária pela Contribuinte, e efetuou o lançamento fiscal de IRPJ e CSLL. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.613 66 Foram deduzidos os valores pagos a título de imposto de renda na Holanda (efl. 693/694). A matéria devolvida para o Colegiado trata da repercussão dos tratados para evitar dupla tributação da renda e a legislação pátria que trata dos lucros no exterior. Transcrevo o art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. A decisão recorrida partiu do pressuposto de que a norma, ao falar da incidência sobre o lucro disponibilizado à controladora no Brasil por sua controlada no exterior, estaria, na realidade, tratando da materialidade dividendos, que estaria expressamente autorizada pelo art. 10 da Convenção firmada entre Brasil e Holanda. Nesse contexto, negou provimento ao recurso voluntário. Não obstante a substanciosa argumentação do voto, entendo que a materialidade sobre o qual incide a tributação do art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, trata de lucros, e não de dividendos. Os dividendos dependem a existência de resultado positivo da empresa. Constituemse em uma das destinações dadas ao resultado. Necessariamente, são de quantum inferior ao dos lucros. MARTINS2, no Manual de Contabilidade Societária, discorre sobre a existência de dividendos (1) fixo/mínimos prioritários, e (2) obrigatórios, respectivamente previstos nos arts. 203 e 202 da Lei n° 6.404, de 1976 (Lei das S/A), incidentes sobre percentual do lucro, e propõe a seguinte ordem de distribuição: Ordem Descrição Artigo Lei das S/A 1° Prejuízos Acumulados 189 2o Reserva Legal 193 3o Div. Fixo/mínimo prioritários preferencial, inclusive cumulativos 203 4o Reserva Contingências 195 5o Reserva Especial Div. Não Distribuídos 202 (§§ 4o e 5o) 6° Reserva Lucros a Realizar 197/202, inc. II 7o Dividendo Obrigatório 202 Reserva Retenção de Lucros e 8o Reserva Estatutária 194, 196 e 198 Na realidade, apesar de o termo "disponibilizados" conferir razoável margem a dúvida, vez que, se seriam lucros disponibilizados, seriam Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.614 67 aqueles destinados a quem de direito, a disponibilização trata do aspecto temporal da norma, ou seja, do momento em que os lucros foram entregues aos sócios. Nesse contexto, em relação ao art. 74 em debate, o aspecto material trata dos lucros auferidos no exterior, por intermédio das controladas ou coligadas, em quantum proporcional à participação da controladora do Brasil sobre o investimento. Como já visto, o lucro pode ter diversas destinações. Contudo, a legislação brasileira adotou, para os lucros percebidos no exterior por meio de investimentos em controladas ou coligadas, um tratamento diferenciado. Fato é que, tanto para investimentos de controladas/coligadas no Brasil, quanto no exterior, os lucros auferidos pelas investidas são refletidas na contabilidade da investidora por meio do Método de Equivalência Patrimonial. Para investimentos no Brasil, a investidora contabiliza o resultado positivo da investida, proporcional à sua participação, e exclui o resultado na apuração do lucro real. Nesse caso, viabilizase a neutralidade porque, como o lucro auferido pela investida já foi tributado no Brasil, não cabe sua tributação no resultado da investidora. E principalmente porque a investida encontrase no Brasil, ou seja, os lucros auferidos pela investida são necessariamente oferecidos à tributação. Situação diferente ocorre quando o investimento tem sede no exterior. Nesse caso, a legislação brasileira previu, inicialmente, o mesmo tratamento em relação à contabilização do resultado positivo da investida: o lucro proporcional à sua participação é incluído no resultado da empresa brasileira, e excluído na apuração do lucro real. Contudo, dispôs uma etapa complementar: se os lucros forem auferidos de controladas e coligadas, cabe a adição no resultado tributável, na proporção de participação da investidora brasileira sobre o investimento, ao final de cada anocalendário. Partese da premissa de que os lucros são da investidora brasileira, e, por isso, a sua tributação não deve estar subordinada à política tributária adotada pelo país onde se encontra o investimento. Isso porque o país onde se encontra o investimento pode optar por tributar o lucro em bases tributáveis menores, e a controladora brasileira, que detêm poder de decisão sobre a investida, pode optar em não receber os lucros auferidos. Tratase de situação em que a neutralidade que ocorre quando investidora e investida estão no Brasil é desvirtuada. Porque quando ambas estão no Brasil, a mesma alíquota é aplicada sobre o lucro da investida e o da investidora. Tributase o lucro de investida, e tal valor não é tributado pela investidora. Não há prejuízo no sistema. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.615 68 Por outro lado, se investida está em país de tributação menor, não há que se falar em neutralidade. Na realidade, operacionalizase um diferimento em tempo indeterminado da tributação. E, precisamente para se evitar tal diferimento, o art. 74 da norma em debate dispôs expressamente sobre aspecto temporal: o lucro presumese distribuído para a empresa brasileira (na condição de detentora das ações/quotas da investida), na proporção de sua participação, ao final do anocalendário. E a neutralidade, que se operacionaliza quando tanto investida quanto investidora estão no Brasil, também é tutelada ao se dispor quando a investida está no exterior. Vale transcrever o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Como se pode observar, não se pode falar em bitributação. A neutralidade da tributação entre investida e investidora é operacionalizada por meio de outro mecanismo, mediante compensação do que a investida já recolheu aos cofres no exterior, e superase a questão do diferimento de tributação por tempo indeterminado. A tributação só se consuma se as alíquotas no exterior foram inferiores à praticadas no Brasil. Inclusive, é precisamente a situação tratada no caso concreto. Registre se que a autoridade autuante deduziu do lançamento fiscal, com correção, os valores pagos pela Contribuinte a título de imposto de renda na Holanda. Por sua vez, precisamente sobre a perspectiva de que a materialidade trata dos lucros auferidos pela investidora brasileira, que não se aplica o art. 7° da Convenção BrasilPaíses Baixos. Isso porque os lucros, apesar de auferidos pela empresa no exterior, pertencem, na medida da participação societária, ao seu investidor que se localiza no Brasil. Ou seja, a legislação brasileira diz respeito aos lucros auferidos pelo contribuinte, investidor, residente no Brasil. Por isso que entendo não haver reparos na interpretação conferida pela Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Interna n° 18, da Cosit: As convenções internacionais para evitar dupla tributação que seguem o modelo da OCDE trazem uma regra de tributação exclusiva dos lucros disposta no Parágrafo 1 do Artigo 7, segundo a qual os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exercer suas atividades na forma indicada, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.616 69 Transcrevese a redação do citado parágrafo: "Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável." 26. Assim, para entender a compatibilidade entre os acordos celebrados pelo Brasil para evitar a dupla tributação que seguem o modelo da OCDE e a legislação sobre a tributação de lucros de controladas e coligadas no exterior,é importante destacar o Comentário da própria OCDE sobre o Parágrafo 1°do Artigo 7 da Convenção Modelo (tradução livre): " 10.1 O propósito do §1° é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontradas em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa de outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros." 27. Conforme exposto pela OCDE, não seriam os lucros da sociedade investida tributados pelo Estado de residência dos sócios, mas os lucros auferidos pelos próprios sócios, em que pese na apuração da base de cálculo tributável seja utilizado como referência o valor dos lucros auferidos pela sociedade sediada no outro Estado. Portanto, o parágrafo 1° não visa impedir o Estado de residência dos sócios de tributar a renda obtida por intermédio de sua participação em sociedades domiciliadas no exterior. 28. O art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, prevê a tributação da renda dos sócios brasileiros decorrente de sua participação em empresas domiciliadas no exterior. Ou seja, a norma interna incide em contribuinte brasileiro, não gerando qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. 29. É certo que a função primordial dos tratados é promover, mediante a eliminação da dupla tributação, as trocas de bens e serviços e a movimentação de capitais e pessoas. Esse objetivo é igualmente alcançado uma vez que o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, autoriza a compensação dos tributos pagos no exterior, na hipótese de reconhecimento de lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real. Portanto, a aplicação da norma interna brasileira não Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.617 70 acarreta a bitributação econômica dos lucros decorrentes de investimentos no exterior. 30. Além disso, é importante ressaltar que, segundo o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, os acordos para evitar dupla tributação também têm por escopo a prevenção da elisão e evasão fiscal, já que os contribuintes poderiam ser tentados a abusar da legislação fiscal de um Estado, através da exploração das diferenças entre as várias legislações dos países ou jurisdições, de maneira a evitar a dupla não tributação. Transcrevese, por elucidativo, o parágrafo 7 dos Comentários da Convenção Modelo: " 7. O objetivo principal das convenções para evitar a dupla tributação é promover, mediante a eliminação da dupla tributação internacional, o comércio internacional de bens e serviços, e a circulação de capitais e de pessoas. Também é objetivo das convenções evitar a fraude e evasão fiscal. 7.1 Os contribuintes podem ser tentados a abusar das leis tributárias do Estado, explorando as diferenças entre as legislações dos países ... " Assim, tendo em vista que o Tratado BrasilHolanda não se aplica ao caso em análise, tanto para IRPJ quanto para CSLL, resta prejudicada a apreciação da matéria "inclusão da CSLL no tratado internacional", que se aplicaria apenas se prevalecesse entendimento de que os lucros auferidos tratados nos presentes autos fossem aqueles auferidos por investidores localizados na Holanda, o que não é a situação dos presentes autos. Isso porque, como já visto, não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, e as dispostas na Convenção BrasilHolanda para evitar bitributação de renda. Assim, os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada anocalendário, havendo, nesse contexto, incidência do IRPJ e da CSLL. Acrescentese, em relação aos demais argumentos apresentados pelo recorrente em razão da consideração de caracterização de estabelecimento permanente e ofensa às vedações do tratado, além de impossibilidade de aplicação das CFC rules, estes argumentos se resolvem a partir da demonstração que a matéria tributável objeto do tratado é diversa da matéria tributável objeto da Lei, assim não estaríamos tratando da aplicação das CFC rules no caso concreto. Sendo objetos de tratamento diferente, as normas impostas pela MP 2.15835 não se encontram limitadas pelas disposições do Tratado e, assim, descabem os argumentos que levam à consideração das disposições do Tratado quem, no presente caso, se demonstra não aplicável à matéria dos autos." Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 16561.720043/201665 Resolução nº 1402000.758 S1C4T2 Fl. 2.618 71 Conclusão Com base em todos os fundamentos acima apresentados, concluise que: Não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, e as dispostas na Convenção BrasilEspanha para evitar bitributação de renda; Os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada anocalendário; A aplicação do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação. Do exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário em relação à tributação dos rendimentos das controladas na Espanha (Tratado). (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 2618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.720156/2015-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO.
As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO.
A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 2402-006.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior.
Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO. A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 01 56 /2 01 5- 19 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 510 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de fls. 2 a 10, referente aos anoscalendário de 2009 a 2013, cuja ciência ao contribuinte se deu em 7/7/15, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 211.. Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcrevemos os seguintes excertos do Acórdão nº 0267.212, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 258 a 271: De acordo com o Auto de Infração, fls. 02/215, o motivo da autuação foi o recebimento de lucros de empresa em débito não garantido perante o Fisco Federal e/ou Previdência Social (INSS), por falta de recolhimento de tributo no prazo legal. A distribuição de lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ) e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). Consta das fls. 14 a 27 dos autos, Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária – Grupo econômico – Fato gerador comum – Infração à lei – Lucros fictícios, onde a fiscalização detalha os passos seguidos e informa que durante os procedimentos de auditoria interna de DCTF previstos na IN RFB 1.110/2010, art. 8º, § 1º, realizados no contribuinte CBS (CNPJ 57.170.375/000117), verificouse que esse constitui uma única unidade administrativa e produtiva, sendo na realidade a mesma pessoa jurídica, ou ao menos levando a solidariedade à pessoa jurídica ELOS (CNPJ 04.868.082/000141). [...] O termo acostado às fls. 199 a 201 detalha a forma de aplicação da multa, legislação aplicável e cálculos efetuados para se chegar a seu montante e demais informações do procedimento realizado. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 212 a 236, alegando, em síntese que: Vício no auto de infração por inexistência de notificação para que o contribuinte prestasse esclarecimentos antes da autuação; Nulidade pela ausência de requisitos mínimos da autuação; Ilegitimidade da sócio; Inexistência de repasse de valores; Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 511 3 Possibilidade de realizar distribuição de capital pelo impugnante; Caráter confiscatório da multa aplicada. Ao julgar a impugnação, a DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, consignando a seguinte ementa em sua decisão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em DÉBITO, não GARANTIDO, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que houverem recebido as importâncias indevidas. INTIMAÇÃO PARA PRESENÇA DE PROCURADORES NO JULGAMENTO. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para a intimação para presença de procuradores em sessão de julgamento de primeira instância. A legislação de regência do processo administrativo fiscal não prevê a sustentação oral como meio de prova, ao contrário, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Cientificado da decisão de primeira instância, em 5/2/16, segundo o AR de fl. 275, o contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 237 e 238), interpôs o recurso voluntário de fls. 282 a 302, em 3/3/16, no qual apenas repete e reforça argumentos da sua impugnação, nos seguintes termos, em síntese: DA ILEGITIMIDADE DA SÓCIO A Recorrente é sócia da empresa ELOS DO BRASIL LTDA. e foi autuada em razão da alegada distribuição de lucros do qual não poderia ocorrer, eis que a empresa do alegado GRUPO, qual seja a CBS, possuiria débitos junto ao Fisco Nacional. Todavia, a Recorrente não possui qualquer vínculo societário com a referida empresa, situação que determina maior legalidade ao ato, na medida em que não tinha nenhuma obrigação legal ou fática de saber acerca dos fatos que em tese impediriam a transferência de lucro. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 512 4 [...] A responsabilidade da Recorrente inexiste no presente caso, na medida em que não poderia contribuir em nada para a ocorrência do fato gerador da empresa CBS do qual o tributo não foi pago. Inexistiu qualquer participação da Recorrente que determinasse a autuação pessoal, o que retira o caráter de legalidade em razão a multa imposta contra si. DA INEXISTÊNCIA DE REPASSSE DE VALORES A AutoridadeFiscal autuou o Recorrente, todavia, não observou fatos que delineiam a não incidência na norma sob comento, notadamente em razão da falta de transferência de valores, conforme se comprova através da documentação anexa. A Recorrente por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo, conforme comprova a documentação anexa. Em razão da movimentação contábil, onde houve a transferência somente do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração realizada tanto pela empresa, quanto pela Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. [...] Por meio dos argumentos lançados, verificamos que não houve a incidência do fato determinado pela lei, eis que o substrato fático necessário não se fez presente. A finalidade da lei é coibir a transferência de valores aos sócios em prejuízo ao ente tributante (União), fato que não ocorreu, determinando a insubsistência do auto. DA POSSIBILIDADE DE REALIZAR DISTRIBUIÇÃO DE CAPITAL PELO RECORRENTE [...] Quando pensamos na hipótese de incidência da norma, devemos observar que o lucro distribuído deve ser aquele do período do qual há o débito, não sendo cabível a imposição da multa, quando há distribuição de lucro anteriormente auferido pela pessoa jurídica que realizou a distribuição de lucro, como ocorreu no presente caso. Com isso, chegamos à conclusão de que a distribuição do lucro que foi obtido em momento anterior a existência do débito, não pode determinar a imposição de multa, porquanto o que se distribui é lucro pretérito, do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 513 5 Quando aplicamos o entendimento acima apresentado, observamos que o ato jurídico perfeito está sendo respeitado, porque o direito já existia anteriormente, somente foi utilizado no momento ao qual o titular do direito entendeu ser melhor, como ocorreu no presente caso. [...] Os próprios débitos constituídos que determinam a aplicação da multa conforme consta do auto de infração são posteriores ao ano de 2011, o que por si só já determina a minoração da multa nos termos apresentados. Não bastasse isso, observamos que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal que preferiu impor a multa a Recorrente. [...] Outro ponto que não foi observado para a imposição da multa é de que a ELOS não possuía qualquer débito para que o lucro não pudesse ser distribuído, o que retira da mesma forma a ilegalidade. A proibição legal quanto à distribuição de lucro é determinada pela lei, onde não há possibilidade de analogia ou interpretação extensiva para a aplicação da punição, onde a pena deve estar restrita ao agente não podendo passar da esfera desta. DO PERCENTUAL DA MULTA APLICADA O § 2º do Artigo 32 a Lei 4.357/1964, determina a imposição da multa limitada a 50% (cinquenta por cento) do débito não garantido, onde não houve qualquer critério para a aplicação da multa sob comento. De primeiro é necessário observar que a multa aplicada não observou os critérios objetivos da lei, porquanto não foi observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Ademais, os lucros distribuídos foram realizados pela importância de R$ 3.734.836,60 (Três Milhões, Setecentos e Trinta e Quatro Mil, Oitocentos e Trinta e Seis Reais e Sessenta Centavos), sendo que a multa aplicada somente a Recorrente é superior ao dobro. Com a alegação acima formulada observamos o caráter de confisco da imposição da multa que é superior ao lucro transferido, o que determina desproporcionalidade da mesma. (Grifos no original) É o relatório. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 514 6 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada ilegitimidade da sócio A Recorrente alega ser sócio da empresa ELOS DO BRASIL LTDA. e que não possuiria qualquer vínculo societário com a empresa CBS, razão pela qual não teria “obrigação legal ou fática de saber acerca dos fatos que em tese impediriam a transferência de lucro”, bem como que não poderia ter contribuindo para a ocorrência do fato gerador da empresa CBS, do qual o tributo não foi pago. Pois bem, vejamos o que restou consignado na decisão recorrida, a respeito da legitimidade da sócio: Sobre essa alegação, constatase que a fl. 15 do processo que faz parte do citado Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária – Grupo econômico, traz a composição societária das duas empresas CBS e Elos e ali se verifica que a sra. Rosana Aparecida Mesquita Carnaval é sócia das duas empresas. Em consulta aos sistemas internos da RFB, constatase a mesma informação, qual seja a de que a Sra. Rosana é sócia das duas empresas já citadas. Além disso, mesmo que a impugnante fosse sócia de somente uma das empresas, o lançamento da multa regulamentar não poderia ser alterado, pois a empresa que distribuiu os lucros pertence ao grupo econômico e assim nenhum sócio do grupo pode alegar desconhecimento das atividades empresariais das empresas que o compõe. De se observar ainda que não foi trazido aos autos nenhum documento como um distrato social ou alteração contratual que informasse que a impugnante não é sócia das citadas empresas. Como se vê na transcrição acima, ao contrário do que alega a Recorrente, pelas informações constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ela é sim sócia tanto da empresa ELOS quanto da empresa CBS, senão, vejamos: CBS 014.292.46871 EDUARDO DIEZ 49 SOCIOADMINIST FONTE: PGDPAR INCLUIDO: 27/02/1987 ULT. ALT: 11/08/2010 949.855.96868 OSWALDO REZENDE FILHO Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 515 7 49 SOCIOADMINIST FONTE: PGDPAR INCLUIDO: 31/07/1988 ULT. ALT: 11/08/2010 857.935.74891 ROSANA APARECIDA MESQUITA CARNAVAL 05 ADMINISTRADOR FONTE: QSA INCLUIDO: 03/06/2003 ELOS 857.935.74891 ROSANA APARECIDA MESQUITA CARNAVAL 49 SOCIOADMINIST FONTE: QSA INCLUIDO: 27/12/2001 ULT. ALT: 13/08/2010 132.143.19884 ALEXANDRE ZANOLINI GENICOLA 49 SOCIOADMINIST FONTE: QSA INCLUIDO: 27/12/2001 ULT. ALT: 02/01/2004 014.292.46871 EDUARDO DIEZ 49 SOCIOADMINIST FONTE: QSA INCLUIDO: 27/12/2001 ULT. ALT: 02/01/2004 949.855.96868 OSWALDO REZENDE FILHO Logo, mostrase absolutamente insustentável a alegação da Recorrente de que não teria obrigação legal ou fática de saber acerca dos fatos que impediriam a transferência de lucro. Sendo assim, não vemos retoques a serem feitos na decisão recorrida. Da alegada inexistência de repasse de valores Segundo o Recorrente, por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo, havendo, pois, somente a transferência do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. Em primeiro grau de julgamento, assim discorreu a DRJ quanto a alegada inexistência de repasses: Na peça de defesa, o contribuinte não questiona a caracterização do grupo econômico. Ele alega que não houve repasse de valores sendo que a empresa realizou somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo para o seu patrimônio passivo a longo prazo. No entanto, não são apresentadas provas cabais dessa alegação tais como cópias de livros Diário e Razão, acompanhados de toda a documentação Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 516 8 que deu suporte às movimentações, de todas as empresas do grupo ou outros elementos suficientes a demonstrar a alegação. Junto a peça de defesa do processo principal, foram trazidos apenas balanços patrimoniais de vários anos da empresa Elos, onde fica demonstrado que essa empresa teve lucros significativos em todos os anos. Não foram trazidos os balanços das outras empresas do grupo econômico para permitir a análise completa do grupo. Os lucros recebidos foram declarados pelos sócios em suas declarações de ajuste anual. Assim, descabida a alegação de que não houve repasse e sim movimentação de um campo contábil para outro. Da transcrição acima, temse que a Recorrente não carreou aos autos, junto com sua impugnação, elementos de prova necessários para demonstrar sua alegação, tais como livros Diário e Razão de todas as empresas do grupo econômico, com os documentos das movimentações, ou outros elementos capazes de fazer a demonstração. Todavia, compulsando os elementos de prova que acompanham seu recurso voluntário, fls. 299 a 500, percebese que a Recorrente instruiu o processo apenas com documentos da ELOS, tais como DIPJ, Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Razão Analítico, sem trazer à baila qualquer documento das demais empresas do grupo econômico, o que inviabiliza, no presente julgamento, a verificação quanto à alegada mera movimentação entre ativo e passivo. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu no presente caso. Ademais, com base nos documentos constantes dos autos, constatase que a empresa ELOS teve lucro nos anoscalendário sob exame e que a Recorrente declarou, em suas Declarações Anuais e Ajuste (DAAs), fls. 160 a 195, ter recebido lucros dessa empresa. Sendo assim, mantemos a decisão de primeira instância quanto a esse item do recurso voluntário. Da alegada possibilidade de distribuição de capital Segundo o Recorrente, o lucro distribuído corresponde a lucro pretérito (2003 a 2008), do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa, uma vez que na época não tinha débito. Aduz, ainda, que o débito em questão diz respeito à empresa CBS e não deveria passar da esfera dessa. Pois bem, tendo em vista que o Recorrente repete as alegações recursais, sem trazer qualquer razão nova, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 517 9 Portaria MF nº 329, de 4/6/17, transcreveremos, no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: A auditoria fiscal fundamentou o lançamento da multa regulamentar pela distribuição de lucros por pessoa jurídica em débito não garantido por falta de recolhimento de imposto no prazo legal nos artigos 889 e 975 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, os quais têm como matriz legal o artigo 32 da Lei nº 4.357, de 1964, alterado pela Lei nº 11.051, de 2004: [...] Notese que a condição legal que determina a aplicação da multa regulamentar consiste na existência de débito não garantido, que no caso concreto foi demonstrada pela autoridade fiscal que salienta na fl. 03 dos autos que a Distribuição dos lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ), e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). É importante esclarecer que a norma instituidora da citada multa dispõe que a pessoa jurídica estará impedida de distribuir lucro enquanto estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, de modo que a conduta vedada se aperfeiçoa no momento em que são distribuídos os lucros aos sócios, no caso, os anoscalendário 2009 a 2013. Quanto à expressão “débito não garantido”, temse que na legislação tributária federal, como regra, não exige garantia, ressalvadas algumas garantias previstas na legislação aduaneira e o depósito administrativo, que é uma faculdade do contribuinte, de forma que tendo o sujeito passivo efetuado o depósito ou prestado garantia por exigência da legislação tributária, estaria eximido da aplicação da penalidade de que se trata. Assim, deveria a pessoa jurídica, previamente à distribuição de lucros, procurar a Repartição Fazendária para prestar a garantia do débito de modo espontâneo, a fim de que não lhe fosse imputada ou a um de seus diretores, a penalidade de que ora se trata. Observase que a fiscalização realizou uma minuciosa pesquisa interna da situação cadastral, social e econômica das empresas do grupo e das atividades de industrialização desenvolvidas entre elas, demonstrando por meio do Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária, a união entre as empresas ali citadas. Os débitos das empresas estão descritos no referido termo, fl. 11 e fls. 14/27, inclusive constando ali depoimentos dos próprios sócios afirmando que a empresa DR recebe valores referentes a Elos e CBS (pé da fl. 24). Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 518 10 Da leitura atenta desse termo, fica patente que as referidas empresas trabalham em uníssono e constituem um verdadeiro grupo econômico, sendo que os débitos para com a União ficam centralizados em uma empresa, enquanto se distribui os lucros aos sócios, por meio de outra. [...] A defesa alega também que para valer a norma essa deveria incidir sobre a distribuição do lucro que ocorre no período para o qual há débito e que por isso a distribuição de lucro obtido em momento anterior a existência do débito não pode determinar a imposição de multa. Afirma que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal. Também essa alegação não se sustenta. A interpretação da lei em comento é de que a empresa ou o grupo não pode distribuir lucros aos sócios estando, no momento dessa distribuição, com débitos não garantidos perante a União. Na lei não há referência sobre o momento da obtenção dos referidos lucros. A definição desses momentos (obtenção e distribuição) é uma prerrogativa da própria empresa e de seus sócios que definem essas datas de acordo com seu plano estratégico de administração e com sua conveniência. As meras alegações do impugnante a respeito das datas de distribuição dos lucros e dos valores que ainda teria a distribuir trazidos na peça de defesa, não tem o condão de modificar o lançamento aqui em análise que é conclusivo de que houve distribuição de lucros havendo débitos do grupo econômico não garantidos junto à União. Do percentual da multa aplicada O Recorrente alega que a multa aplicada não teria observado os critérios objetivos da lei”, porquanto não teria sido observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Alega, também, que teria sido aplicada multa em relação ao Recorrente em valor “superior ao dobro”, com caráter de confisco, o que determinaria a sua desproporcionalidade. Em que pese a defesa, aqui também não procedem as alegações recursais. Primeiramente, vajamos o que dispõe a Lei 4.357, de 16/7/64, com redação dada pela Lei 11.051, de 29/12/04, a respeito da multa ora em análise: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16062.720156/201519 Acórdão n.º 2402006.864 S2C4T2 Fl. 519 11 [...] b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº11.051, de 2004) [...] II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme se observa nos dispositivos acima, a multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros realizada em desacordo com o art. 32, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e seria desproporcional, impende ressaltar que o princípio do nãoconfisco, estabelecido na Constituição Federal de 1988, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico, por inconstitucional. Além do mais, independente do seu quantum, a multa ora imposta decorre de lei e deve ser aplicada, pela autoridade tributária, sempre que for identificada a subsunção da norma punitiva à conduta, haja vista o disposto no art. 142, § único, do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sendo assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade tributária aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos dela decorrentes. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa aplicada. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 532DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904738/2011-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES.
A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 3002-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. Recorrente ATHALAIA GRAFICA E EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 84/85 dos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 47 38 /2 01 1- 70 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10166.904738/201170 Acórdão n.º 3002000.592 S3C0T2 Fl. 106,5 2 Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão da glosa dos créditos advindos de empresa optante pelo SIMPLES. Basicamente, a manifestante alega que nas consultas juntadas nenhuma das empresas consta como optante do SIMPLES NACIONAL, além disso os fornecedores eram atacadistas e o IPI foi creditado com base no artigo 165 do RIPI. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 84/86): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 29/01/2015 (vide AR à fl. 88 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 27/02/2015, Recurso Voluntário (fls. 91/102). Em seu recurso, o contribuinte repisou os argumentos de sua impugnação, no sentido de que estaria demonstrado nos autos que a empresa emitente das notas fiscais originadoras do alegado crédito não constaria como optante do sistema do Simples Nacional à época dos fatos, mas em período diverso do compreendido no processo, e que era optante pelo Simples Candango, sistema que nada teria a ver com o Simples Nacional. Pediu, ao fim, a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecida a correção da compensação realizada e extinto o crédito tributário perseguido. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o Recorrente repisa em seu recurso os mesmos argumento trazidos em sua manifestação de inconformidade apresentada, no sentido de que a Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.904738/201170 Acórdão n.º 3002000.592 S3C0T2 Fl. 107 3 empresa emitente das notas fiscais em tela não seria optante do sistema do SIMPLES NACIONAL. Verificase, contudo, que o contribuinte apresenta argumentação que não se adequa ao caso concreto aqui analisado. Ora, extraise do despacho decisório (fls. 13 e seguintes dos autos) que este deixou de homologar parte da compensação pretendida sob o fundamento de que a empresa emitente da nota fiscal seria optante do SIMPLES. Observese que em nenhum momento o despacho decisório indicou que a razão seria de que a empresa fosse optante do SIMPLES NACIONAL. E nem poderia ser diferente, visto que, como é cediço, embora o SIMPLES tenha sido criado em 1996, através de MP convertida na Lei º 9.317/1996, este fora substituído pelo SIMPLES NACIONAL tão somente em 2006, quando a referida lei foi revogada pela Lei Complementar nº 123/06. Nesse contexto, como os créditos aqui analisados estão relacionados à notas fiscais emitidas em 2002, é certo que não possui qualquer relação com o SIMPLES NACIONAL, mas sim com o SIMPLES vigente à época. Tanto que a DRJ, ao julgar o caso, fez uma pertinente distinção entre os referidos sistemas, tendo esclarecido que a razão para a não homologação de parte da compensação estava relacionada ao fato de a fornecedora ser optante do SIMPLES FEDERAL, que não se confunde com o SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, diante da inadequação dos argumentos apresentados pela Recorrente em seu Recurso, somada à inexistência de combate quanto aos reais fundamentos apresentados pela DRJ, transcrevo o conteúdo da decisão recorrida a seguir, adotandoa como razão de decidir: De plano constato nos sistemas da Receita Federal do Brasil que, na época da emissão das notas fiscais, a empresa era optante do SIMPLES Federal, que não se confunde com o SIMPLES Nacional, até porque a opção por este último só se deu a partir de agosto de 2007, conseqüentemente, as consultas juntadas pela empresa no SIMPLES NACIONAL não produzem efeitos no presente processo Outrossim, vejamos a disposição do artigo art. 165 do RIPI de 2002 citado pela Manifestante, in verbis: Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal. (Decretolei nº 400, de 1968, art. 6º). A matriz legal da disposição acima é o art. 6º do DL 400, de 1968. Frisese: 1968. Nessa época, nem se cogitava da existência do regime de tributação dito SIMPLES. Todavia, em 1996 foi publicada a Lei n° 9.317, que, expressamente, fulminou o direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos efetuadas perante empresa optante do Simples. Merece transcrição a disposição do § 5º do art. 5º da Lei n° 9.317, de 1996 (art. 166 do RIPI/2002): Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10166.904738/201170 Acórdão n.º 3002000.592 S3C0T2 Fl. 107,5 4 § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Portanto, a partir da publicação da Lei n° 9.317, de 1996, por certo que o artigo 165 do RIPI/2002 deve ser interpretado considerando a vedação imposta pela lei superveniente. Desta forma, se o comerciante atacadista não contribuinte do IPI for optante do SIMPLES, descabe o aproveitamento do crédito do imposto calculado na forma do mencionado artigo 165. Cabe lembrar que, fornecedores que recolhem seus tributos pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições – Simples, que é forma beneficiada e simplificada de tributação, o fazem de livre escolha. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação do IPI também é diferenciada, não se seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta, sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Assim dispunha a Lei nº 9.317, de 1996: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: .................................................................................................................. § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6º O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS, caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º. (g.n). Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. A LC nº 123/2006 revogou a Lei nº 9.317/96, porém manteve a vedação ao crédito na aquisição de fornecedores optantes pelo SIMPLES: Art.23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Por fim, relativamente ao argumento de boa fé, cabe ponderar que o caso em comento, referese a uma relação negocial envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exigese um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas, ou seja o dever acautelatório necessário às boas práticas comerciais. No caso, uma empresa optante do SIMPLES emite um documento onde isso não é mencionado. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10166.904738/201170 Acórdão n.º 3002000.592 S3C0T2 Fl. 108 5 Admitir que um documento inidôneo confere direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é devido, pois, inerente ao risco da atividade mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a pessoa lesada busque no Poder Judiciário o ressarcimento das perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado. Contudo, se o fornecedor não agiu de má fé, como é optante do SIMPLES e não devia destacar e pagar o IPI, tratase de recolhimento indevido, o que não se enquadra como ressarcimento ao adquirente, mas, sim, como restituição ao vendedor nos termos dos artigos 165 e 166 do CTN. Assim, diante do exposto, voto que se julgue a manifestação como improcedente. Entendo, portanto, que a decisão acima transcrita deverá ser mantida por seus próprios fundamentos. Nesse mesmo sentido vem decidindo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo das decisões a seguir colacionadas: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõese o seu reconhecimento nessa medida. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES. OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Em face de determinação expressa na lei, é vedado o creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário provido em parte. (Acórdão nº 3402003.182 de 21/07/2016). (Grifos apostos). *** Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Recurso voluntário negado (Acórdão nº 3202001.592 de 18/03/2015). (Grifos apostos). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.904738/201170 Acórdão n.º 3002000.592 S3C0T2 Fl. 108,5 6 Por oportuno, não é demais registrar que o ônus da prova quanto ao direito creditório em pedidos de compensação é do contribuinte, o qual não se desincumbiu deste ônus no caso concreto ora analisado. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 111DF CARF MF
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