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Numero do processo: 13894.000021/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
Ementa: INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DECISÃO RECORRIDA COM DUPLO FUNDAMENTO. RECURSO INCOMPLETO. Não se conhece de recurso de divergência que cumpre os requisitos de admissibilidade em relação a apenas parte dos fundamentos da decisão recorrida.
Numero da decisão: 9101-001.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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DECISÃO RECORRIDA COM DUPLO FUNDAMENTO. RECURSO INCOMPLETO. Não se conhece de recurso de divergência que cumpre os requisitos de admissibilidade em relação a apenas parte dos fundamentos da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13894.000021/200491 Acórdão n.º 910101.017 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão no 39100.025, prolatado pela antiga Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A exclusão deuse pelo Ato Declaratório de Exclusão DRF/GUA nº 471.139, de 07/08/2003 (fls.11), com fundamento no exercício de atividade vedada, correspondente a “outras atividades relacionadas a produção de filmes e fitas de vídeos”. Caracterizouse a situação excludente prevista no art. 9o, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, pela semelhança com a atividade de direção ou produção de espetáculos. A Câmara a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: ANOCALENDÁRIO: 2002 Simples. Exclusão. Atividade excetuada da suposta restrição. Retroatividade da lei superveniente. Produção cinematográfica e de artes Cênicas citadas na Lei Complementar 123, de 2006, como atividades econômicas beneficiadas pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada, fato com repercussão pretérita por força do princípio da retroatividade benigna Previsto no Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário ao qual se dá provimento. Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpõe recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época, alegando divergência jurisprudencial quanto à aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006 por outra Câmara, em caso de exclusão de empresa dedicada a atividade assemelhada à de representação comercial. Aponta que a decisão paradigma é posterior à Lei nº 10.684/2003, cujos efeitos somente foram considerados a partir de 31/05/2003, tendo sido mantida a exclusão até essa data. Apresenta, ainda, outros paradigmas que tratam de forma diversa da aplicação do art. 106 do CTN, considerando que a retroatividade benigna somente pode se operar quando se tratar de penalidade pelo descumprimento da legislação tributária. Junta paradigma para comprovar divergência também no que se refere ao enquadramento de atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica como atividade vedada ao Simples. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13894.000021/200491 Acórdão n.º 910101.017 CSRFT1 Fl. 3 3 Em suas razões recursais, discorre sobre o princípio da irretroatividade e suas exceções na seara tributária. Afirma que a análise do objeto social descrito na declaração de firma individual, às fls. 05, não deixa dúvida quanto à atividade praticada de “produção de editoração e vídeo, tais como edição, escrita e revisão de textos, direção, roteirização, produção” e que prova em contrário deveria ter sido produzida pela empresa. Destaca os arts. 88 e 89 da Lei Complementar nº 123/2006, que prevêem a revogação da Lei nº 9.317/96 somente a partir de 01.07.2007, e alega pacificação da jurisprudência do STJ quanto ao tema da retroatividade da legislação permissiva do ingresso na sistemática do Simples, com fulcro em interpretação restritiva do art. 106 do CTN. Ao final, pede a reforma do acórdão. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13894.000021/200491 Acórdão n.º 910101.017 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Ao recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara a quo, após verificado o cumprimento dos requisitos de admissibilidade pela apresentação de julgado divergente quanto à aplicação retroativa de lei que passou a permitir determinada atividade na sistemática do Simples. Todavia, ao examinar os fundamentos do acórdão recorrido, verifiquei a existência de mais de um fundamento, como se extrai do seguinte trecho, in verbis: Cabe salientar desde logo a imprecisão e a contradição da decisão recorrida, pois ao mesmo tempo em que confirma que a exclusão deuse pelo simples cadastramento da empresa em código que abrange "outras atividades relacionadas a produção de filmes e fitas de vídeo", afirma não ser possível dizer 'Peremptoriamente, que o requerente não produz vídeo, ou que não presta serviços nesta área de atuação." Ora, se a Corte "a quo" não considera possível dizer, peremptoriamente, que o Recorrente não produz vídeo, então também não pode excluílo sumariamente do regime, invertendo o ônus de provar a incompatibilidade de suas atividades e o estatuto do Simples. Com efeito, a obrigação de demonstrar essa incompatibilidade é da fiscalização, nos exatos termos do art. 142 do CTN, que impõe à autoridade fazendária a obrigação de determinar a matéria tributável. A inversão do ônus de evidenciar esse fato é inadmissível também porque o direito brasileiro não contempla a produção de prova negativa. Ademais, remanescendo a dúvida sobre a atividade desenvolvida, apontada na decisão recorrida, esta só beneficia o contribuinte, e não a Fazenda, em face do disposto no art.112 do CTN, que exige interpretação em favor do acusado. Mas não é só. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13894.000021/200491 Acórdão n.º 910101.017 CSRFT1 Fl. 5 5 Há que se ter em conta, também, que a Lei Complementar no. 123, de 14 de dezembro de 2006, contemplou no inciso XVIII do parágrafo primeiro do art. 17 a atividade de "produção cinematográfica e de artes cênicas", que me parece ser a mais próxima da desenvolvida pelo Recorrente. Nessas condições, e conforme vem decidindo a Primeira Câmara dessa Corte, aplicase ao caso dos autos o principio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106 do Código Tributário Nacional, eis que a lei superveniente deixou de tratar o exercício dessa atividade como incompatível com a sistemática pretendida pelo contribuinte. (destaquei) Notase que o acórdão recorrido não se baseou apenas na retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006 para dar provimento ao recurso do contribuinte. O ilustre relator do voto condutor, inicialmente, concluiu, a partir da decisão de primeira instância, que as provas constantes dos autos não seriam suficientes a demonstrar a atividade efetivamente praticada. Considerou que a obrigação de provar o exercício de atividade vedada seria da fiscalização, por não ser possível ao contribuinte produzir prova negativa e aplicou o princípio previsto no art. 112 do CTN. Em seguida, acrescentou outro fundamento: a aplicação retroativa da LC nº 123/2006. Em seu recurso, a PGFN pautase principalmente nesse segundo fundamento, preenchendo todos os requisitos recursais. Quanto ao outro fundamento, a PGFN traz um paradigma referente à atividade (Acórdão 30132532), com a seguinte ementa: Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. VEDAÇÃO À OPÇÃO. PRODUÇÃO DE FILMES. A pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Ocorre que o paradigma apontado não analisa a questão fulcral para a conclusão do colegiado a quo pela invalidade do ato de exclusão do Simples, qual seja, o ônus da prova da atividade vedada. Em que pese ter sustentado nas razões recursais que o ônus da prova seria da empresa, a alegada divergência jurisprudencial não restou provada. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13894.000021/200491 Acórdão n.º 910101.017 CSRFT1 Fl. 6 6 Caso afastado o fundamento da retroatividade da legislação superveniente, restaria inócuo o recurso especial, pois a decisão recorrida afastou a exclusão também por falta de prova, que deveria ter sido carreada aos autos pelo fisco, de que a recorrida estaria praticando atividade vedada pelo Simples. Este fundamento seria suficiente para a manutenção daquela decisão, inviabilizando o conhecimento do recurso ora analisado. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou nesse sentido, através do enunciado da súmula n° 283: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assente em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 117DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 25/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903123/2009-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU
INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.02.2002 a 28.02.2002.
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado
Numero da decisão: 3403-001.222
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.02.2002 a 28.02.2002. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.02.2002 a 28.02.2002. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator . Fl. 58DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário que visa modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS, relativo ao período de apuração de 01.02.2002 a 28.02.2002.01. O suposto crédito que se pretende ver compensado seria decorrente de procedimento fiscal que teria incluído à base de cálculo receitas distintas do faturamento, vez que, a empresa estaria submetida ao regime cumulativo, impondo recolhimento superior ao devido. Diz a recorrente que o seu direito ao crédito decorre da decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a norma do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei n° 9.718, de 28 de novembro de 1998, que alterou a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS. Encontram anexada aos autos cópia do Despacho Decisório que indeferiu o pleito e Declarações de compensações – DCOMP e Pedido de Ressarcimento e Compensação. O julgado de piso rechaçou o pleito sob os argumentos: que a decisão do STF em recurso extraordinário não possui efeito erga omnes; a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS a partir de fevereiro de 1999 é o somatório de todas as receitas auferidas pela empresa, permitida apenas as exclusões previstas em Lei; e, ausência de prova da existência do crédito. Na fase recursal a Interessada reprisa os argumentos tecidos em sua peça de Inconformidade, trazendo à colação os mesmos documentos juntados inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903123/200954 Acórdão n.º 340301.222 S3C4T3 Fl. 2 3 A Recorrente visa compensar crédito com débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, aduzindo, para tanto, que está submetida à sistemática prevista pela Lei n° 9.718/96, regime cumulativo, cujo pagamento a maior decorreu da inclusão à base de cálculo de outras receitas distintas do faturamento pela fiscalização. Da simples leitura da peça recursal se tem a certeza que a controvérsia gira em torno da inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional a norma daquele parágrafo. No caso sub examine a matéria é de fato, precisase identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo da inclusão à base de cálculo de receita diferente do faturamento da empresa pó imposição de procedimento fiscal, isso encontra bem delineado. Precisase, ter certeza que esse fato ocorreu, para tanto, impõe não só a demonstração de que tenha ocorrido, mas se faça a comprovação por meio de documentos hábeis. Se decorre de procedimento fiscal, a prova pode ser inferida através da cópia do documento oriundo da fiscalização. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. Além do que, também, inexiste uma linha sequer mencionando o número do processo administrativo onde teria ocorrido à imposição fiscal, bem como, a prova de que o pagamento dessa exigência tivesse acontecido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende, impõe, no caso deste caderno, aquele que deseja ser restituído o ônus de provar. Portanto, assiste razão a Administração Fazendária, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a cópia do documento de onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 61DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11065.001798/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE
Alegações de ofensa a princípios constitucionais não podem ser analisadas pelo julgador na esfera administrativa, visto que estes não possuem competência para examinar hipóteses de violação à Constituição Federal.
Súmula nº 2 do CARF.
ATIVIDADE IMPEDITIVA. EXCLUSÃO.
É vedada a opção pelo regime do SIMPLES à pessoa jurídica que exerça atividades de consultoria ou assessoria em informática, por equiparar-se àquela exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida, em conformidade com o inciso XIII, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/96.
EFEITOS DA EXCLUSÃO.
A exclusão da sistemática do SIMPLES surte efeitos a partir do mês subsequente àquele em que a contribuinte incorreu na situação excludente.
Numero da decisão: 1202-000.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Súmula nº 2 do CARF. ATIVIDADE IMPEDITIVA. EXCLUSÃO. É vedada a opção pelo regime do SIMPLES à pessoa jurídica que exerça atividades de consultoria ou assessoria em informática, por equiparar-se àquela exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida, em conformidade com o inciso XIII, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/96. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão da sistemática do SIMPLES surte efeitos a partir do mês subsequente àquele em que a contribuinte incorreu na situação excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente Fl. 171DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 172 2 (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno. Relatório Trata-se de exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, em decorrência dos fatos a seguir expostos. Em 25 de maio de 2005 houve Representação Administrativa do INSS— Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 01 e 02), em que constatou-se que a Recorrente teria prestado "serviços de reparação e conserto de máquinas e equipamentos e representação comercial em geral", o que estaria comprovado pelas cópias das notas fiscais (fls. 03 a 11). Ato contínuo, a autoridade fiscal intimou a empresa beneficiária dos serviços prestados (fls. 32 e 41) a apresentar documentos que descrevessem detalhadamente os serviços prestados pela contribuinte, ora Recorrente. Em atenção à intimação, a empresa beneficiária declarou que as notas fiscais constantes nos autos correspondem à prestação de serviços de consultoria e manutenção de software de custos, na área de conhecimento de assessoria de informática (fls. 35 a 40 e 44 a 48). Diante das declarações e documentos acostados aos autos, a contribuinte, ora Recorrente, foi excluída do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo n° 002, de 29/01/2009 (fl. 119), com efeitos a partir de 01/02/2002, pelo exercício das atividades econômicas vedadas, quais sejam, "serviços profissionais de consultor, programador e analista de sistemas, ou assemelhados" na área de conhecimento de informática, no período de 22 de janeiro de 2002 a 30 de agosto de 2007. Cientificada da exclusão, a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade em 03/04/2009, conforme consta às fls. 125 a 137. Na impugnação apresentada a Recorrente alegou o seguinte: (i) Preliminarmente requer a nulidade do Ato Declaratório Executivo: a. Em função do cunho interpretativo da disposição final do artigo 9º, XIII da Lei nº 9.317/96, qual seja: “(...) assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.” Alegou que não existe dispositivo legal que vede claramente a sua opção pelo Simples e Fl. 172DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 173 3 manter tal exclusão afronta o princípio Constitucional da Legalidade (art. 5º, II da CF); b. Ao estabelecer efeitos retroativos a 01 de fevereiro de 2002 a empresa foi punida de “surpresa”, ferindo o Princípio Constitucional da Irretroatividade, art. 150, III da CF, mesmo levando-se em consideração o art. 15, II da Lei nº 9.317/96, o qual estabelece a exclusão no mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente. (ii) No mérito alegou a Recorrente que: a. Sua atividade não está entre aquelas constantes no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, insistindo que os serviços prestados não necessitam de profissional legalmente habilitado mas sim de prática diária. Cita por analogia o caso das oficinas mecânicas, que num primeiro momento, por interpretação equivocada, estavam impedidas de optar pelo Simples; b. Reitera a ofensa ao Princípio da Legalidade, a partir da conclusão do Fisco em entender que o serviço prestado pela Recorrente assemelha-se aos serviços de consultor, programador e analista de sistemas, citando também os artigos 110 e 112 do CTN; c. Os efeitos sejam propostos a partir de 05/03/2009, ou seja, a data que fora notificado do ato excludente e que os efeitos retroativos ferem o Princípio Constitucional da Irretroatividade; d. É inaplicável o efeito retroativo na exclusão do Simples; e. Pede o cancelamento do ADE de exclusão da Recorrente do Simples. A 2ª Turma da DRJ de Santa Maria – RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 139/145), mantendo a exclusão da Recorrente do Simples. Mencionada decisão assim determinou: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. ATIVIDADE IMPEDITIVA. EXCLUSÃO. É vedada a opção pelo regime do SIMPLES à pessoa jurídica que exerça atividades de consultoria ou assessoria em informática. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Sem Crédito em Litígio” Fl. 173DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 174 4 Ciente da decisão, a Recorrente protocolizou Recurso Voluntário tempestivo (fls.149/168) em 18 de dezembro de 2009, no qual requer quanto às preliminares, a nulidade do Ato Declaratório Executivo, por motivo de ofensa aos Princípios Constitucionais da Legalidade e da Irretroatividade. No mérito, alega a Recorrente as mesmas razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório Fl. 174DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 175 5 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicio, pois, pelo exame da preliminar de nulidade do ADE arguida no Recurso Voluntário. I – PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente alega que o ADE é nulo, pois ofende, supostamente, os Princípios Constitucionais da Legalidade e da Irretroatividade, insertos nos artigos 5º, II e 150,III, da CF, respectivamente. Para tal, sustenta que a “Administração não pode atuar contra ou além da lei e, neste caso, como não existe dispositivo legal que vede claramente a sua opção pelo Simples, manter o ADE é afronta ao Princípio da Legalidade” e que estabelecer efeitos retroativos da exclusão ferem o Princípio da Irretroatividade. Dessa forma, demonstra sua discordância com as normas que determinam a sua exclusão do Simples, assim como com os efeitos retroativos trazidos pela Lei nº 9.317/96, em seu artigo 15, inciso II. As alegações de ofensa a princípios constitucionais não podem ser analisadas pelo julgador da esfera administrativa, visto que estes não possuem competência para examinar hipóteses de violação à Constituição Federal, conforme art. 62 do RICARF, in verbis: Art.62: Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A esse respeito segue o enunciado da Súmula 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não compete a este Conselho analisar argumentos relativos à ofensa ou não à Constituição. Essa conclusão deve ser considerada para todos os argumentos da Recorrente relativos à inconstitucionalidade e ilegalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Pelo exposto, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. Passo à análise do mérito. II – MÉRITO Em relação ao enquadramento de sua atividade no inciso XIII, do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, consta na cláusula 4ª do contrato social da Recorrente (fl.05) o seguinte: Fl. 175DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 176 6 “Quarta: A sociedade explorará o ramo de: Fabricação e Comercialização de Máquinas e Equipamentos para Indústria Alimentícia em Geral, Gráficas, Metalúrgicas e etc.; Reparação e Conserto de Máquinas e Equipamentos; Consultoria Fabril; Representação Comercial em Geral; Comércio Varejista e Atacadista de Peças e Acessórios Industriais; Importação e Exportação de Máquinas e Equipamentos Industriais.” Há de ser observado que a empresa presta serviços de forma quase que exclusiva à empresa Sinos dos Alpes Alimentos Ltda, a qual foi intimada a descrever detalhadamente os serviços prestados pela Recorrente. Em resposta, a beneficiária dos serviços declarou que as notas fiscais constantes nos autos correspondem à prestação de serviços de consultoria e manutenção de software de custos, na área de conhecimento de assessoria de informática. Porém, nas notas emitidas pela Recorrente (fls. 03, 39, 40 e 50 a 232) consta discriminado apenas “prestação de serviços”, deixando de mencionar à qual área corresponde esses serviços. A prestação de serviços de consultoria na área de informática equipara-se à prestação de serviços realizada por profissionais com habilitação legalmente exigida, aos quais são vedados a opção pelo Simples de acordo com o artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Este também é o entendimento deste E. Conselho: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE / SIMPLES - EXCLUSÃO É vedada a opção ao SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços de treinamento e consultoria em informática, por equiparar-se àquela exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida, em conformidade com o inciso XIII, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/96. RECURSO NEGADO.”(Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30237299, 27/01/2006) (não grifado no original) “SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE REINCLUSÃO. AFASTADAS AS PRELIMARES SUSCITADAS. NO MÉRITO É DE SE DECIDIR QUE AS ATIVIDADES EXERCIDAS ESTÃO ENQUADRADAS NOS DISPOSITIVOS DE VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. Verificado que a recorrente tem como atividades a prestação de serviços de consultoria, assessoria, planejamento, projetos, análises de sistemas, treinamento e desenvolvimento na área de informática, profissões proibitivas de optar pelo Sistema Intregrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte pela legislação vigente aplicável, é de se manter a Decisão que indeferiu o pleito de reinclusão da recorrente com data retroativa na sistemática do SIMPLES. Recurso voluntário negado.” (Terceiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 177 7 Turma Ordinaria, Acórdão nº 30333676, 19/10/2006). (não grifado no original) Outrossim, a Receita Federal do Brasil em resposta à consulta também já se manifestou no sentido de que é vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que realize atividade de assessoria, por se assemelhar a serviços de consultor. Vejamos: Solução de Consulta nº 15/2004 da SRRF/55 RF/DISIT: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ementa: OPÇÃO. É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que se dedique à atividade de assessoria por caracterizar prestação de serviços profissionais assemelhados aos de consultor. Dispositivos Legais: art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996.” Conforme se depreende das alegações aduzidas pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, não foi, em momento algum, contestado o fato de a empresa desenvolver essa atividade de consultoria, afirmada pela beneficiária Sinos dos Alpes Alimentos Ltda. A Recorrente se limita, apenas, a afirmar que os serviços por ela prestados não se enquadram no disposto no artigo 9º, XIII da Lei nº 9.317/96, não podendo, dessa forma, ser excluída do Simples. Portanto, por se tratar de assessoria de informática, serviço assemelhado ao de consultor, conforme ementa da Solução de Consulta nº 15/2004, é vedada, à Recorrente, a opção pelo Simples. Quanto aos efeitos da exclusão, a Recorrente é optante pelo Simples desde 1998, conforme demonstra consulta ao CNPJ da empresa (Fls. 09 e 10). A constatação da prestação de serviços de consultoria praticados pela empresa Recorrente relaciona-se ao período de 22/01/2002 a 30/08/2007, conforme documentos comprobatórios (fls. 50/82) e Ato Declaratório Executivo nº 2, de 29 de janeiro de 2009, acostados aos autos (fls. 119/121). Conforme já demonstrado, por exercer atividade para qual há vedação de adesão ao Simples, a Recorrente está sujeita à exclusão do sistema. Considerando a data da ocorrência da situação excludente, qual seja, 22/01/2002, e o artigo 15, II da Lei nº 9.317/96 abaixo transcrito, os efeitos da exclusão devem surtir efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2002: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II - a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei.” Fl. 177DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001798/2005-91 Acórdão n.º 1202-000.639 S1-C2T2 Fl. 178 8 Este também é o entendimento deste E. Conselho: SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão da sistemática do SIMPLES surte efeitos a partir do mês subsequente àquele em que a contribuinte incorreu na situação excludente. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30132200) Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. EFEITOS RETROATIVOS. A exclusão ao Simples, pelo exercício de atividade impeditiva, produzirá efeito no mês subsequente ao da situação excludente. Aplicação do art. 15, II, da Lei nº 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30238299, 06/12/2006. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 178DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/12/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10510.000365/2005-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2000, 2001, 2002, 2003, 2004
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constitui cerceamento de defesa não cientificar a interessada da realização de diligências, provocadas pelas argumentações trazidas em impugnação, bem como o não enfrentamento das razões de contestação em face dos documentos acostados pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para a devida ciência e, posteriormente, prolatar-se nova decisão
suprindo as omissões, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1801-000.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à primeira instância, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa não cientificar a interessada da realização de diligências, provocadas pelas argumentações trazidas em impugnação, bem como o não enfrentamento das razões de contestação em face dos documentos acostados pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para a devida ciência e, posteriormente, prolatarse nova decisão suprindo as omissões, observandose o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à primeira instância, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A instituição financeira teve contra si lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 13 para a exigência de multa isolada por ausência de recolhimentos das estimativas de CSLL relativas a: • Outubro e dezembro de 2001; • Maio, junho, julho, outubro e dezembro de 2002; • Outubro e dezembro de 2003; • Julho e agosto de 2004 A autuação objeto deste processo perfaz o montante de R$ 690.665,80, exigido a título de multa isolada pertinente a estes períodos, consoante explicitado no bojo do referido Auto de Infração: “002 – Multas Isoladas [...] Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme demonstrativo em anexo.” As multas isoladas foram exigidas no percentual de 75%, consoante legislação tributária vigente à época da autuação. Pelo referido Auto de Infração também consta como “Infração nº 001” a exigência de CSLL relativa ao anocalendário de 2000, no valor de R$ 75.744,80, mais adicional de R$ 13.021,48, com acréscimos legais pertinentes (fls. 07), decorrente de diferença apurada conforme erro de informação da DIPJ/01 confessada pela própria contribuinte às fls. 19, 20, ratificado às fls. 21, a qual importou na retificação da base de cálculo negativa de CSLL para o anocalendário de 2000 –fls. 23, no valor de R$ 946.810,08. Às fls. 21 o banco declara: “Reportandonos à correspondência em referência queira por obséquio retificar o teor do oitavo parágrafo, onde se lê: quanto ao valor constante da linha 27 da Ficha 09B, o valor correto é R$ 1.425.789,86 conforme consta na base de cálculo em anexo, que equivocadamente foi registrado R$ 38.144.418,99, leiase: quanto ao valor constante da linha 26 da Ficha 17, o valor correto é R$ 1.425.789,86 conforme consta na base de cálculo em anexo, que equivocadamente foi registrado R$ 38.144.418,99.” (grifos pertencem ao original) Cópia da DIPJ/01 (retificadora) foi juntada aos autos às fls. 40 e seguintes. Cópias de fls. do Razão da conta de provisões para pagamento de IRPJ e CSLL foram juntadas ao processo pela fiscalização. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10510.000365/200551 Acórdão n.º 180100.827 S1TE01 Fl. 621 3 Na impugnação de fls. 76 e ss, a instituição financeira impugna o feito fiscal argumentando que a verdade material, contábil e fiscal, dos valores que deveriam constar na Ficha 17 da DIPJ/01 são: Observo que a impugnante não confirmou a retificação solicitada no procedimento fiscal do valor da linha 26, Ficha 17. A impugnante esclareceu que as obrigações fiscais decorrentes dos valores acima informados foram cumpridas ora com a apresentação de Per/Dcomp, ou pagamentos de DARF, ou compensações contábeis. Os valores da DIPJ/01, AC 2000, foram assim informados: “Ficha 17 Cálculo da CSLL (DIPJ 2001) Valores em reais Linha 01 Lucro Liquido antes da CSLL 8.721.636,78 Linha 18 Soma das Adições 58.959.323,20 Linha 19 Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis 65.308.360,04 Linha 20 Lucros Dividendos 0,00 Linha 26 Outras Exclusões 38.144.418,99 Linha 27 Soma das Exclusões 103.452.779,03” Com a alteração solicitada à fiscalização e levada a efeito: Ficha 17 Cálculo da CSLL (DIPJ 2000) Valores em reais Linha 01 Lucro Liquido antes da CSLL 8.721.636,78 Linha 18 Soma das Adições 58.959.323,20 Linha 19 Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis 65.308.360,04 Linha 20 Lucros Dividendos .0,00 Linha 26 Outras exclusões 1.425.789,86 Linha 27 Soma das Exclusões 66.734.149,90 Ficha 17 Cálculo da CSLL (DIPJ 2000) Valores em reais Linha 01 Lucro Liquido antes da CSLL 8.721.636,78 Linha 18 Soma das Adições 58.959.323,20 Linha 19 Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis 52.588.906,10 Linha 20 Lucros Dividendos 262.261,99 Linha 27 Soma das Exclusões 52.851.168,09 Linha 28 Base de cálculo antes da comp. de BC negativa 14.829.791,89 Linha 36 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 1.368.799,63 Linha 37 Dedução Recuperação de Crédito CSLL MP1807 (410.639,89) Linha 38 CSLL mensal paga por estimativa (1.101.604,22) Linha 41 CSLL Retida na Fonte por Órgão Público (18.826,83) Linha 42 CSLL a Pagar (162.271,31) Fl. 669DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Linha 28 Base de cálculo antes da comp. de BC negativa 946.810,00 Linha 34 Base de Cálculo da CSLL 946.810,00 Considerando esta base de cálculo da CSLL, sem alteração dos demais valores informados na DIPJ/01, apurase a seguinte base de cálculo negativa para o ano calendário de 2000: Linha 37 Dedução Recuperação de Crédito CSLL MP1807 (417.113,85) Linha 38 CSLL mensal paga por estimativa (1.409.166,30) Linha 41 CSLL Retida na Fonte por Órgão Público (18.826,83) Linha 42 CSLL a Pagar ....(898.295,00) No que respeita às multas isoladas, a impugnante traz demonstrativos com base nos balancetes de suspensão/redução mensais relativos aos anoscalendários de 1999, 2001, 2002, 2003 e 2004, nos quais não acusar diferenças a serem recolhidas/declaradas em DCTF, porque a metodologia de apuração utilizada pelo auditor fiscal foi equivocada, utilizandose somente dos saldos mensais isolados e não daqueles acumulados, conforme disciplinam as normas de regência. Instrui a impugnação com demonstrativos sobre os valores a serem considerados pela fiscalização – fls. 82 a 120, folhas do Livro Razão que alega espelhar os valores constantes dos demonstrativos elaborados por si – fls. 121 a 185, cópias das DIPJ (Volume II) e ainda as Per/Dcomp de fls. 400 a 435, emitidas antes do procedimento fiscal. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA converteu o julgamento do processo na realização de diligências consoante Resolução nº 54/08 de fls. 442 a 446. Em resposta à realização das diligências foram acostados aos autos os balancetes mensais relativos aos períodos que geraram as exigências de multas isoladas e relatório fiscal de fls. 493 a 494. No Relatório Fiscal o auditor designado ao cumprimento das diligências esclarece, em suma: a) intimada a instituição financeira a apresentar os livros Diários com a escrituração dos balancetes mensais de suspensão e redução, apresentou os livros de Balancetes diários e Balanços – fls. 456 a 491; b) os valores que constaram dos referidos balancetes estão iguais àqueles extraídos do Razão e que serviram de base para o cálculo das multas exigidas. Das diligências realizadas e do relatório fiscal emitido não houve ciência da instituição financeira. Às fls. 496 e ss a 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA exarou o Acórdão nº 1518.159/09 deliberando: I) reconhecer de ofício a decadência da penalidade exigida em referência ao mês de dezembro de 1999, pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN para determinação do termo a quo para a contagem do prazo decadencial; Fl. 670DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10510.000365/200551 Acórdão n.º 180100.827 S1TE01 Fl. 622 5 II) manter em parte a exigência da penalidade com relação aos demais períodos, por força do princípio da retroatividade benigna, em vista da norma vigente à época da decisão ter sido alterada beneficamente ao reduzir o percentual da multa cominada de 75 para 50%; não houve apreciação das Per/Dcomp trazidas junto à impugnação ou das demais contas contábeis escrituradas no Livro Razão apresentadas pela impugnante, que segundo argumenta demonstram pagamentos/compensações das CSLL estimadas; III) manter a alteração realizada pelo lançamento de ofício do valor da base de cálculo da CSLL antes da base de cálculo negativa do próprio período, relativa ao ano calendário de 2000, para R$ 946.810,08 – o que acarreta uma base de cálculo negativa de CSLL da ordem de R$ 898.295,00, ao invés de base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 493.716,24, consoante a impugnante argumentou na impugnação; observo que ambos valores somente foram apontados pela instituição financeira, mas não há nos autos registros contábeis que demonstrem quais os efetivos valores das linhas da ficha 17 da DIPJ/01, ou documentação capaz de assegurar qual a base de cálculo negativa de CSLL para o anocalendário de 2000. Tempestivamente, a instituição financeira interpôs o Recurso de fls. 504 e ss argumentando, em apertada síntese, que as multas isoladas exigidas no Auto de Infração em debate não podem prevalecer por falta de amparo legal, uma vez a fiscalização ter se valido de valores escriturados em contas de provisão para o pagamento de tributos e não procedeu corretamente à apuração dos tributos efetivamente devidos, ainda que mensalmente. Alega ofensa ao artigo 142 do CTN. Passa discorrer sobre as quitações /compensações de CSLL, estimadas, período por período. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Maria Eduarda Borges Mesquita de Souza, OAB/BA nº 19.175. É o suficiente para o relatório. Passo a votar. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Em preliminar, verifico que há nos presentes autos flagrante cerceamento de defesa que frustrou o acerto da decisão prolatada em primeira instância e fulminoua de nulidade. A ausência de ciência da recorrente dos resultados das diligências solicitadas impediu que os fatos trazidos no recurso voluntário fossem apresentados ao conhecimento da turma julgadora a quo. A recorrente aponta, período por período, as justificativas pelas quais os valores que serviram de base de cálculo para a imposição de penalidades estão errados e faz o nexo entre as argumentações e as fls. dos livros Razão e Per/Dcomp acostados à impugnação, demonstrando que a consideração somente da conta de provisão de CSLL mensal, extraída da contabilidade completa do Banco do Estado de Sergipe, não é apta para apurar os valores devidos a título de CSLL estimada, relativa aos períodos objetos da imposição da penalidade ora debatida. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Entendo que a turma julgadora é livre para formar sua própria convicção, bem como não precisa rebater todos os pontos suscitados pela impugnante, decidindo haver fundamento suficiente para dirimir o litígio, todavia, no presente caso, não houve o devido enfrentamento das questões suscitadas pela impugnante, havendo aquela turma se ancorado justamente no Relatório de Diligência Fiscal ao qual a interessada não teve qualquer acesso. O art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 – PAF disciplina: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por esta razão, a decisão de primeira instância deve ser declarada nula em seus efeitos. Por oportuno, saliento que eventual alteração do valor da base de cálculo negativa de CSLL para o anocalendário de 2000, na nova decisão a ser proferida, deve ser investigada com profundidade e a par da contabilidade, e documentos que a embasam, em vista de diversos processos de PER/Dcomp estarem sendo julgados (pela própria Segunda Turma da DRJ Salvador), sem considerar os valores alterados ex officio pela fiscalização, aliás alteração realizada sem comprovação documental com fulcro em declaração da própria interessada e posteriormente infirmada. A título de exemplo cito o Acórdão nº 1526.327/11, proferido no processo administrativo fiscal nº 10510.900023/200885, o qual admitiu para a base de cálculo de CSLL relativa ao ano de 2000, DIPJ/01, o mesmo valor que o BANESE defendeu na impugnação deste processo e a turma julgadora refutou na decisão, ora declarada nula – R$ 14.829.791,89 (fls. 299 do paf 900023/200885 e fls. 497 vº destes autos). Voto em declarar a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, e determinar que se dê ciência à recorrente do resultado das diligências formalizadas na Resolução nº 54/08, facultandose prazo para se manifestar a respeito. Recurso parcialmente provido. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 672DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11065.100363/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. ALCANCE.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Súmula CARF nº 39 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
MULTA DE OFÍCIO.
A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicá-la.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ISENÇÃO. ALCANCE. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Súmula CARF nº 39 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 269DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11065.100363/200871 Acórdão n.º 210201.553 S2C1T2 Fl. 261 2 EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MUNIQUE MACHADO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 15/17, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, no valor total de R$ 20.957,19, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos do exterior e encontrase assim descrita na Notificação: Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 62.980,00, recebidos de Organismo Internacional, (...) Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/12, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1027.357, de 16/09/2010, fls. 129/135. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/11/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 138, a contribuinte apresentou, em 03/12/2010, recurso voluntário, fls. 139/151, no qual traz as seguintes alegações: Os rendimentos auferidos pela recorrente, objeto do lançamento, são oriundos do PNUD e em razão de trabalho, portanto isentos de tributação. Ademais, a isenção prevista na Convenção e no Acordo Básico de Assistência e Cooperação Técnica com a Organização das Nações Unidas, promulgado pelo Decreto nº 59.308/66, se sobrepõe às Leis Internas, nos termos do artigo 98 do CTN (Código Tributário Nacional). A multa de ofício não se aplica, visto que a contribuinte declarou os rendimentos como isentos em razão do disposto no Parecer Normativo nº 717/79. É o Relatório. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11065.100363/200871 Acórdão n.º 210201.553 S2C1T2 Fl. 262 3 Fl. 271DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11065.100363/200871 Acórdão n.º 210201.553 S2C1T2 Fl. 263 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A tributação dos rendimentos recebidos por técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual é matéria já pacificada no âmbito deste Conselho, conforme se infere da Súmula nº 39, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) No presente caso, restou comprovado nos autos que a recorrente é residente no Brasil e que não é funcionária internacional, sendo certo que os rendimentos por ela recebidos da Unesco/ONU são decorrentes da prestação de serviços contratuais. Nessa conformidade, temse que o caso presente subsumese à hipótese prevista na Súmula acima transcrita, sendo, portanto, procedente o lançamento. No que se refere á multa de ofício, temse que foi aplicada com supedâneo no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A autoridade fiscal verificou que a contribuinte omitiu rendimentos, deixando, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente, sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido na Notificação de Lançamento. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11065.100363/200871 Acórdão n.º 210201.553 S2C1T2 Fl. 264 5 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 273DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10860.001913/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-001.671
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 29/11/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 20/22 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ele no anocalendário 2006. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/04, por meio da qual requereu o cancelamento do débito fiscal reclamado, alegando, inicialmente, que não pode ser punido por não haverem sido solicitados os comprovantes referentes à Obra de Ação Social Pio XII e Access Clube de Benefícios Ltda, que então apresentava. Afirma que não há na legislação nenhuma restrição ao recebimento de honorários profissionais em espécie, bem como não há obrigação de enviar à Receita Federal cópias de cheques, extratos bancários, etc.. Acrescentou que a obrigação de apresentação de "orçamentos, pedidos de exames, prescrição de receitas, etc." fere totalmente o principio de sigilo resguardado em todas as leis de exercícios profissionais, além de não haver previsão legal para tal. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, tendo reputado como comprovados os valores pagos à Obra de Ação Social Pio XII e Access Clube de Benefícios Ltda.. Os demais recibos médicos apresentados deixaram de ser aceitos, em razão da falta de comprovação do pagamento dos valores neles expressos. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 81/86, por meio do qual busca demonstrar – através de tabelas demonstrativas e cópias de seus extratos bancários – que os pagamentos efetuados aos profissionais emitentes dos recibos cujas despesas pretende deduzir foram feitos em dinheiro, nos valores e datas lá especificados. Conclui que somente consegue comprovar o pagamento de R$ 31.240,00, razão pela qual calculou o imposto decorrente da glosa que entende devida (de R$ 6.760,00) e efetuou o seu pagamento através de DARF acostado ao Recurso. Pugnou pelo acolhimento da comprovação dos valores referidos, com o restabelecimento destas despesas. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.08.2010, como atesta o AR de fls. 80. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.09.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pelo Recorrente ao longo do anocalendário 2006. Tais despesas foram pagas aos seguintes profissionais, nos seguintes valores: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001913/200832 Acórdão n.º 210201.671 S2C1T2 Fl. 140 3 LUCIANA MACIEL CPF 185.668.17850 R$ 10.000,00 ANA CARLA SBRUZZI CPF 259.412.22890 R$ 6.000,00 MARCOS ALEXANDRE BARROS CPF 071.315.56807 R$ 4.000,00 PAULO CÉSAR PUCCINI CPF 071.198.96806 R$ 18.000,00 O que motivou a glosa pela autoridade fiscal foi a falta de comprovação do desembolso dos valores constantes dos recibos. Para comprovar tais despesas, o Recorrente anexou à sua Impugnação declarações emitidas pelos profissionais beneficiários dos referidos valores (fls. 10/13), as quais haviam sido consideradas insuficientes em sede de fiscalização. A decisão recorrida deixou de acolher tais documentos como comprobatórios das referidas despesas, ao entendimento de que os mesmos não preenchiam os requisitos da lei para tanto, verbis: Destarte. a prova definitiva e incontestável da prestação de serviços de saúde é feita com a apresentação de documentos que comprovem a sua realização tais como radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras, fichas clinicas, bem como de documentos que corroborem o efetivo pagamento, como a transferência de numerário. A apresentação de recibos, por si só não tem esta capacidade. Cabe ressaltar que a dedução na Declaração de Rendimentos de despesas relativas a pagamentos efetuados, no correspondente anocalendário, a médico, dentista, fisioterapeuta e psicóloga, não envolve apenas o contribuinte e os profissionais de saúde, mas também o fi sco, devendo o interessado acautelarse na guarda de elementos de prova da efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos efetuados. (...) Acrescente se que o contribuinte no ano calendário em questão declarou ter recebido arenas 1,7% de seus rendimentos (RS 3.065,80) de pessoas físicas e o restante 98,3% de pessoas jurídicas (RS 176.311,27), cujos_pagamentos são, quase que na totalidade das vezes, efetuados por intermédio de instituição bancária. Assim, forçosamente os recursos para pagar as despesas médicas tiveram que ser sacados de sua movimentação financeira bancária, pagos por meio de cheques ou transferência bancária. Ora, nesse sentido, para comprovar os pagamentos dessas despesas, bastaria ter apresentado extratos comprovando as retiradas que fez, as quais seriam facilmente identificáveis pela expressividade dos valores. Quanto à alegação de que outras informações feririam as Leis de Exercício Profissional e os Códigos de Ética, cumpre salientar que o sigilo profissional não pode ser oponível à Fazenda Pública, nos termos do art. 927 do RIR/99, e, portanto, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 não poderia o contribuinte se recusar a fornecer as informações solicitadas pela fiscalização. Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, o Recorrente trouxe aos autos cópias de seus extratos bancários, por meio dos quais busca demonstrar – amparado por tabelas elencando datas e valores – que teria pago a totalidade das despesas médicas em questão através de saques efetuados ao longo do ano. Com tal documentação, logrou, segundo ele mesmo reconhece, comprovar saques suficientes ao pagamento da maior parte das despesas médicas declaradas. Insiste ainda na tese de que em razão do sigilo profissional, os emitentes dos recibos e declarações em questão não estariam obrigados a informar a que título receberam os valores que geraram este lançamento. Tal documentação e argumentos, porém, não são, por si sós, suficientes a elidir o lançamento em questão, pelos seguintes motivos: a) os saques por meio dos quais o Recorrente busca demonstrar suas despesas correspondem à totalidade dos saques efetuados por ele ao longo do ano, o que significa dizer que ele somente utilizava moeda em espécie para o pagamento de suas despesas médicas, o que não é crível; b) não há como vincular os valores dos saques aos pagamentos efetuados aos profissionais, pois são valores variáveis e sacados em periodicidade variável, de forma que sem qualquer outro documento de suporte, não há como vincular os mesmos aos recibos e declarações apresentados; c) a título exemplificativo, os recibos emitidos por Paulo César Puccini foram três, todos emitidos em dezembro de 2006, nos valores de R$ 8.000,00, R$ 5.000,00 e R$ 5.000,00, enquanto que os pagamentos ao referido profissional totalizaram somente R$ 17.920,00, e teriam sido efetivados em espécie, ao longo de todo o ano, desde o mês de janeiro; d) o valor dos saques não corresponde à integralidade dos valores pagos aos referidos profissionais (como reconhecido pelo próprio Recorrente), o que reforça a fragilidade das provas carreadas aos autos; e e) o que a fiscalização e a decisão recorrida pretenderam com a intimação para apresentação de documentos que dessem suporte às despesas efetuadas, não foi a violação do sigilo profissional dos profissionais contratados, mas sim a indicação do que teria motivado as despesas em comento, em razão da falta de prova robusta quanto ao seu dispêndio. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001913/200832 Acórdão n.º 210201.671 S2C1T2 Fl. 141 5 além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) No caso em exame, o Recorrente em nenhum momento demonstrou a efetividade de tais serviços, deixando, inclusive de descrever – ainda que de maneira simples e leiga – quais teriam sido os serviços prestados por tais profissionais. Por tudo isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Assim, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 6 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.015181/2002-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Exclusão do Simples. Efeitos. O Simples não é espécie tributária, mas sim, um sistema simplificado de pagamento de tributos, ou seja, de pagamento, entre outros, de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Logo, há que se deduzir os valores que a contribuinte recolheu a título de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep pela sistemática do Simples do valor a ser lançado desses mesmos tributos, relativos aos fatos geradores ocorridos no período retroagido para
fins de sua exclusão do Simples.
Numero da decisão: 9101-001.067
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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O Simples não é espécie tributária, mas sim, um sistema simplificado de pagamento de tributos, ou seja, de pagamento, entre outros, de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Logo, há que se deduzir os valores que a contribuinte recolheu a título de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep pela sistemática do Simples do valor a ser lançado desses mesmos tributos, relativos aos fatos geradores ocorridos no período retroagido para fins de sua exclusão do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 802/806), em face do Acórdão n° 164.869 (doc. a fls. 795/797), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sejul, que deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrido, para deduzir do crédito tributário lançado em razão da sua exclusão do Simples os valores assim recolhidos antes do procedimento fiscal. Em breve síntese, os argumentos aduzidos pela recorrente são os seguintes: a) que o art. 170 do CTN prevê que a compensação depende de lei autorizadora; b) seja na compensação de ofício seja na de iniciativa do sujeito passivo, os procedimentos legais previstos afastam qualquer possibilidade de aplicação dessa modalidade de extinção do crédito tributário no âmbito do lançamento de ofício; c) que a compensação de ofício ocorre “sempre que a Secretaria da Receita Federal verificar que o titular do direito à restituição ou ao ressarcimento tem débito vencido relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração”; d) que a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; e) que eventuais pagamentos indevidos efetuados pela contribuinte na sistemática do SIMPLES não podem ser utilizados para reduzir o crédito tributário exigido por meio de auto de infração, pois: i. ofende os arts. 5o, II, e 37, caput, da CF, que determinam a obediência pelo agente público aos ditames da lei e do direito; ii. implica extinção do crédito tributário em desacordo com o disposto no art. 170, caput, do CTN, o que não pode ser admitido; iii. não se enquadra em quaisquer das formas de compensação previstas no ordenamento jurídico (arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/96); f) por último, requer seja conhecido e provido o recurso, para que seja restabelecida a decisão de premeira instância. No despacho a fls. 811 a 813, consta despacho da Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, no qual considerou tempestivo o recurso e devidamente demonstrada a divergência com o Acórdão paradigma (n° 10807169) apresentado pelo recorrente, razão pela qual deu seguimento ao recurso especial da contribuinte. Cientificada do Acórdão no 164.869 e do Recurso Especial do Procurador, a recorrida apresentou Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento por despacho da Presidente da 4ª Câmara/1ª Sejul/CARF (doc. a fls. 948 a 951), sendo essa decisão ratificada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do despacho a fls. 924 e 925. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.015181/200247 Acórdão n.º 9101001.067 CSRFT1 Fl. 728 3 É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto S. Jr., Relator O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. No presente caso, tratase de contribuinte que optou pelo Simples em agosto de 1998, tendo começado as suas atividades em novembro de 1999. Apresentou declaração anuais como Microempresa do Simples para os anoscalendários de 1998, 1999, 2000 e 2001. Ocorre, porém, que a fiscalização, ao analisar os livros de apuração do ICMS da contribuinte, verificou que já no ano de 1998 a contribuinte excedeu o limite das ME, sem contudo ter feito a opção, em janeiro de 1999, para se manter como EPP. Além disso, nos anos de 1999, 2000 e 2001, sua receita bruta de venda excedeu o limite anual do Simples. Em razão da exclusão retroativa da contribuinte do Simples, foram lavrados autos de infração (c/multa de ofício de 75%) para constituição: do IRPJ sobre o lucro real trimestral nos AC de 1999, 2000 e 2001; CSLL sobre bases ajustadas trimestrais nos AC 1999, 2000 e 2001; IRPJ sobre o lucro arbitrado nos dois primeiros trimestres de 2002; CSLL sobre a base arbitrada dos dois primeiros trimestres de 2002; além de Cofins e Pis/pasep dos fatos geradores de janeiro de 1999 a junho de 2002. Ocorre, porém, que a contribuinte recolheu os tributos pela sistemática do Simples durante todo o período retroagido para fins de sua exclusão do Simples. Digo recolheu os tributos, pois o Simples não é espécie tributária, mas sim um sistema simplificado de pagamento de tributos, ou seja, de pagamento, entre outros, de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Ora, não há como deixar de considerar os valores que a contribuinte recolheu a título de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep na sistemática do Simples, quando se trata de lançamento desses mesmos tributos e nos mesmos anoscalendários. O modelo de auto de infração da Receita Federal já consta o campo próprio para deduzir do valor apurado o tributo anteriormente recolhido. Por exemplo, para um lançamento por omissão de receita, onde a base é toda recalculada e o tributo sobre ela apurado é deduzido, no próprio auto de infração, dos valores anteriormente recolhido pelo contribuinte. No mínimo, devia a fiscalização excluir dos valores lançados os recolhimentos do mesmo tributo anteriomente feitos pela contribuinte na sistemática do Simples. Dessa forma, todas alegações acerca dos limites legais à compensação tributária, pareceme impertinentes ao caso concreto, pois não se trata in casu de compensação, mas de mera apuração do valor efetivamente devido, para fins de lavratura do auto de infração. Além disso, a execução sendo feita no próprio lançamento, evita a geração de novos processos de restutuição/compensação e um menor ônus para a contribuinte, ao evitar um sacrifício desnecessário no seu fluxo de caixa. Por outro lado, entendo que não há óbice legal, que é mais conveniente para a administração e que não traz prejuízo para a contribuinte, que se compense de ofício todo o valor recolhido na Sistemática do Simples com um ou alguns dos tributos lançados. Tal Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 procedimento poupa a administração de ter que segregar o valor pago pela sistemática do Simples entre as suas várias rubricas e evita que a contribuinte tenha que apresentar pedido de restituição/compensação em relação a tributos recolhidos no Simples que não tenham sido objeto do presente lançamento. Nesse sentido, entendo que pode este Colegiado, em respeito aos princípios da finalidade, razoabilidade e eficiência, todos previstos no caput do art. 2o da Lei no 9.784/99 – que regula o processo administrativo federal, determinar que se proceda a compensação nos moldes conforme decidido pela Turma a quo, quando determinou que “pagamentos efetuados sob aquela modalidade, anteriores ao procedimento fiscal, devam ser deduzidos do valor tributável”. Posto isso, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003510/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedando-se inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de
rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A ausência nos autos de documentação apresentada pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ausência nos autos de documentação apresentada pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003510/200989 Acórdão n.º 2102001.601 S2C1T2 Fl. 103 2 Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 62/63 da instância a quo, in verbis: A interessada contesta auto de infração do imposto de renda calculado com base em depósitos bancários de origem não comprovada em 2006. O imposto resultante foi de R$ 551.828,88, elevandose a exigência para R$ 1.112.211,10 com os acréscimos legais. A impugnante traça, em síntese, os seguintes argumentos: 1. Os depósitos procedem em grande parte de movimentação de recursos de pessoas jurídicas da qual era sócio, a Vidros Monize Ltda. e a Distribuidora de Vidros Monize Ltda. Afirma que os livros fiscais e extratos bancários destas empresas, que já teriam sido anexados aos autos, comprovariam que grande parte do faturamento das pessoas jurídicas não era depositada nas contas bancárias das empresas, mas sim nas suas contas pessoais do sócio. 2. Esta confusão patrimonial não representa tentativa de elisão fiscal, pois os impostos devidos pelas pessoas jurídicas e pelo sócio foram devidamente declarados em pagos. 3. Perícia contábil provará ainda que parte dos depósitos provinha de empréstimos e operações bancárias. 4. Os depósitos bancários seriam apenas indícios, insuficientes para determinar o fato gerador do tributo por mera presunção. 5. A multa de 75% é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. Requer, por fim, perícia contábil para comprovar individualizadamente as origens dos depósitos alegadas nos itens acima. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes Fl. 110DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003510/200989 Acórdão n.º 2102001.601 S2C1T2 Fl. 104 3 e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser demonstrada com elementos de prova objetivos que permitam estabelecer correspondência individualizada entre os créditos e as origens alegadas. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 76 a 84, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Os depósitos procedem em grande parte de movimentação de recursos de pessoas jurídicas da qual era sócio, a Vidros Monize Ltda. e a Distribuidora de Vidros Monize Ltda. Afirma que os livros fiscais e extratos bancários destas empresas, que já teriam sido anexados aos autos, comprovariam que grande parte do faturamento das pessoas jurídicas não era depositada nas contas bancárias das empresas, mas sim nas suas contas pessoais do sócio. II. A confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas: Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize e a pessoa física do sócio ora recorrente (ocorrida por conta que parte dos faturamentos das empresas eram depositados na conta pessoal da sócia Ana Selma), não configura de forma alguma tentativa de elisão fiscal, eis que os Impostos de Rendas das pessoas jurídicas e física foram feitos nos exatos termos fáticos e legais. III. Caso, esse i. Conselho não acate os cálculos apresentados, será necessário realizar perícia contábil, o que se requer desde já. IV. De todo modo, não se sustenta a presunção a que se refere o Relatório da Ação Fiscal da existência de rendimentos omitidos a partir dos depósitos bancários. E assim o é porque a uma, parte dos referidos depósitos nunca foram rendimentos e sim débitos; a duas porque, longe de ser omitidos, estão eles amplamente lançados nas contas da empresa Vidros Monize e Distribuidora Monize, cujos respectivos extratos bancários foram entregues à Receita Federal, como atesta a própria autuação. V. Além de ser juridicamente insubsistente, a multa de ofício foi aplicada em evidente excesso (75%), um verdadeiro,confisco, a confrontar os princípios •clo não confisco, da moralidade, da proporcionalidade (CF arts. 5°, inciso e 37), dentre tantos outros contidos na Constituição Federal. VI. Por isso que é impertinente a imposição de qualquer multa, já que não se identifica na conduta do manifestante o intuito de fraudar ou de obter vantagem indevida, e isso é suficiente para inibir a aplicação de multa qualificada, conforme a jurisprudência maciça dos Conselhos de Contribuintes. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003510/200989 Acórdão n.º 2102001.601 S2C1T2 Fl. 105 4 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Observo inicialmente este processo trata de autuação de 50% dos respectivos depósitos em comum, autuados no processo10510.003509/200954, cujo sujeito passivo é o esposo da recorrente, cotitular das contas correntes conjuntas. Ambos são sócios das empresas Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize, cujo respectivos faturamentos são mencionado na defesa como a verdadeira origem dos depósitos bancários. O citado processo, foi julgado anterior a este nessa mesma sessão e mesma Turma de Julgamento da seguinte forma: (...) Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários e intimou a contribuinte a comproválos, fls. 32 e 170, considerados de origem não comprovada. Em resposta, às fls. 172 a 174 o contribuinte diz expressamente que essa movimentação bancária devese faturamentos das empresas Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize que eram depositados na conta pessoal do sócio Wilson, não configurando de forma alguma tentativa de elisão fiscal, eis que os Impostos de Rendas das pessoas jurídicas e física foram feitos nos exatos termos fáticos e legais (sic). Ao final dessa resposta do contribuinte, constou que foram anexados em cópias autenticadas os seguintes documentos: Doc. 1 do CPF do Sr. Wilson Nascimento Fonseca; Doc. 2 Livro Fiscal do ano de 2006 da Vidros Monize Ltda.; Doc. 3. dos contratos sociais e das cópias da inscrição no CNPJ/MF da Vidros Monize Ltda. e da Distribuidora de Vidros Monize Ltda.; Doc. 4 extratos bancários da Vidros Monize Ltda. e da Distribuidora de Vidros Monize Ltda. de todo o ano de 2006; • Doc. 5 termo de início de fiscalização da Secretaria do Estado da Fazenda de Sergipe na empresa Distribuidora de Vidros Monize Ltda. A autoridade fiscal, por sua vez, no Relatório Fiscal de fls. 176 a 179, fez constar o seguinte à fl. 177: No dia 18 de agosto, o sujeito passivo, em atendimento ao Termo de Intimação acima citado, apresentou a justificativa de que "os depósitos realizados nas contascorrentes foram provenientes das empresas VIDROS MONIZE LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n° 03.988.170/000114, e DISTRIBUIDORA DE VIDROS MONIZE LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n° 04.732.680/000199". Informa, ainda, que é sócio das referidas empresas e apresenta seus extratos bancários que, segundo ele, comprovam que grande parte dos faturamentos das pessoas jurídicas não era depositada nas contas bancárias da empresas, e sim na conta pessoal de seu sócio. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003510/200989 Acórdão n.º 2102001.601 S2C1T2 Fl. 106 5 De acordo com o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Deste modo, a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos bancários está prevista na própria lei tributária. A lei estabelece que os depósitos se presumem rendimentos do titular, salvo se este demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. O ônus da prova recai sobre o responsável pela conta bancária. Não se trata, portanto, de procedimento de arbitramento, em que caberia à autoridade lançadora comprovar, com base em outros indícios ou com base na variação patrimonial, a ocorrência do fato gerador. A única forma prevista na lei para se descaracterizar a presunção legal de rendimentos omitidos é a comprovação individualizada da origem dos depósitos (§3° do artigo 42 da Lei 9.430/1996), requerendose necessariamente documentação coincidente em data e valor com os créditos em conta. In verbis: Art. 42. (..) § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados 1NDIVIDUALIZADAMENTE. (O destaque não está no original). As determinações que individualizam um depósito são necessariamente a sua data e o seu valor. Logo, é impossível uma comprovação individualizada se não for pela coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem, especialmente quando se considera que uma fonte de rendimento não exclui a possibilidade de outras, formais ou informais, lícitas ou não. A comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica, sem lastros em provas hábeis, idôneas e robustas. Não pode prosperar a alegação de que a movimentação foi realizada a partir do faturamento das pessoas jurídicas, das quais o sujeito passivo é sócio, sem, apresentação de lançamentos individualizados dos créditos que corroborem tal assertiva. (grifei) E dessa forma especialmente pelo excerto grifado, procedeu o lançamento. O que vemos aqui nesse ponto que a fiscalização não descaracterizou de forma pontual a farta documentação juntada como base da prova do contribuinte, sequer a anexou aos autos e considerando que não houve a demonstração da relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, procedeu o lançamento. Entendo que no contexto dos lançamentos dos depósitos bancários, uma vez que o autuado era sócio das empresas, é factível a alegação do contribuinte e a autoridade fiscal com seu poder investigatório deveria ter se aprofundado nas provas juntadas aos autos para descaracterizar a alegação de forma específica demonstrando a incapacidade da documentação apensada para socorrer o fiscalizado, contudo, isso não foi feito e tampouco os documentos constam dos autos para a nossa análise. Essa linha de entendimento é conhecida nessa Turma e foi tratada no Acórdão 10617.164, de 6 de novembro de 2008, tendo como relator do voto o conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, cujo julgado se amoldando ao caso em debate, utilizoo como fundamento para minha decisão, de forma livre com meus grifos: (...) Inicialmente, devese evidenciar que a autuação tomou por base o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que trata da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, caso o contribuinte, regularmente intimado a comprovar a Fl. 113DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003510/200989 Acórdão n.º 2102001.601 S2C1T2 Fl. 107 6 origem dos depósitos, com documentação hábil e idônea, não o faça, aperfeiçoase a presunção legal de que os depósitos bancários serão considerados omitidos. Como é de sabença geral, tratase de vetusta presunção legal, de longa data combatida pelos contribuintes, que obtiveram sucesso sob a égide anterior e posterior a Lei nº 8.021/90, quando se assentou, no âmbito judicial e administrativo, que depósito bancário, por si só, não poderia ser considerado como presunção de omissão de rendimentos. O sucesso dos contribuintes no âmbito da Lei nº 8.021/90, ressaltese, esteve associado a exigências próprias dessa Lei, que, na espécie, exigiu a comprovação dos sinais exteriores de riqueza, caracterizado pelo consumo ou incremento patrimonial, tudo em prol do contribuinte. Entretanto, esse cenário normativo mudou sensivelmente a partir da Lei nº 9.430/96, que passou a considerar os depósitos de origem não comprovada, desde que o contribuinte tenha sido regularmente intimado, como rendimentos omitidos. Nessa linha, os questionamentos sobre a essência dessa tributação perderam substância, e as discussões administrativas e judiciais penderam de forma uníssona em direção à pretensão do fisco, chancelando a tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, como descrita precedentemente. Entretanto, não se deve imaginar que tal tributação pode ser manejada pela autoridade fiscal sem um mínimo de cuidado ou compreensão dos fatos imponíveis sobre sua apreciação. Ora, no momento em que o contribuinte informa a origem do depósito bancário, quer especificando, individualizadamente, cada depósito, como expressamente exigido pela Lei nº 9.430/96, quer englobadamente, aqui justificando a impossibilidade de individualizar cada depósito, deve a autoridade fiscal perscrutar a procedência da afirmação do contribuinte. Caso o contribuinte indique a origem dos depósitos, mesmo que de maneira geral, não pode a autoridade fiscal, simplesmente, quedarse inerte, sequer circularizando as informações trazidas pelo fiscalizado, confirmando, ou não, suas assertivas. (...) Por tudo, percebese que o procedimento da fiscalização, que tinha obrigação de circularizar as informações do contribuinte, já que, desde o cumprimento da primeira intimação, este informara a origens dos depósitos bancários (nome, endereço, CNPJ e Inscrição Estadual dos depositantes – fls. 38), prejudicou sobremaneira o contribuinte, já que hoje é quase impossível se investigar a origem dos depósitos bancários, como pugnado pelo recorrente, que, de maneira quase pueril, apela para que esta Câmara intime “com FORÇA e veemência” (fls. 527) os curtumes citados. Considerando que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria ter investigado a origem dos eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte, aliado à robustez das origens trazidas pelo recorrente, desde o primeiro momento da ação fiscal, aqui ressaltando que quase metade dos depósitos tem origem em um dos curtumes, forçoso reconhecer que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aperfeiçoou, sendo incabível imputar o ônus da presunção ao contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Em nosso caso, o contribuinte vem insistindo desde a fiscalização que há confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas: Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize e a pessoa física do sócio ora recorrente. Para isso juntou a documentação fiscal e extratos bancários. Em sede de recurso, juntou às folhas 129 a 140 Demonstrativos de Depósitos e Receitas mês a mês, indicando o movimento financeiro diária das pessoas jurídicas e a sua coerência com depósitos lançados como omissão de receitas. Registro que as quantidades de depósitos, seus valores e volume de cheques devolvidos configuram uma movimentação de atividade comercial exercida por pessoa jurídica. Considerando que os documentos das pessoas jurídicas apresentados pelo contribuinte não foram juntados aos autos para conferência das suas alegações e das planilhas que juntou com o Recurso e que tais documentos tampouco foram contestados de maneira específica pela fiscalização, entendo nos mesmos dizeres do acórdão transcrito que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria ter investigado a origem dos eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte e sob pena de cerceamento do direito de defesa. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003510/200989 Acórdão n.º 2102001.601 S2C1T2 Fl. 108 7 (..) Pelo exposto, da mesma forma do que decidido no lançamento efetivado nos mesmos fatos geradores no processo 10510.003509/200954, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelado lançamento, uma vez que não aperfeiçoou a presunção do art. 42 da lei nº 9.430, de 1996. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009040/2002-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se
o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório JOAQUIM MORAES DOS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 09/12/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1998, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Boa Vista JMS/AMM”, localizado no município de Palestina de Goiás/GO, cadastrado na RFB sob o nº 10616705, conforme peça inaugural do feito, às fls. 16/22, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 08.970/2004, às fls. 41/47, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Câmara, em 07/11/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30134.158, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1998 PRELIMINAR DE NULIDADE POR ILEGITIMIDADE PASSIVA Se o proprietário do imóvel faleceu mas o processo prosseguiu regularmente com a representação do espólio há de ser afastada a preliminar de nulidade. MÉRITO. A ausência do ADA não tem o condão de fazer incidir o ITR sobre as áreas de reserva legal e de preservação permanente declarada pelo contribuinte, ainda mais, quando devidamente comprovadas por ele. ITR 2000. Comprovado que há área de reserva legal devidamente registrada deve a mesma ser reconhecida para fins de constituição do valor do ITR a pagar, na quantidade e especificidade constante da averbação no Cartório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.009040/200284 Acórdão n.º 920201.507 CSRFT2 Fl. 2 3 PROVA. A prova pela inexistência de área de preservação permanente e de área de reserva legal caberia ao Fisco nos termos do parágrafo sétimo do artigo 10 da Lei 9.393/96 introduzido pela Medida Provisória 2.16667 de 24/08/01 em detrimento do disposto na Lei 10.165/2000 que traz a presunção legal em favor do contribuinte, de modo que vale o por ele declarado, em termos de áreas de preservação permanente e de reserva legal, até que o fisco demonstre, por meio de provas hábeis, a falsidade de sua declaração. Se o contribuinte admite que não possui área de preservação permanente, e admite que houve erro em sua DITR, pelo princípio da verdade material, não pode a mesma ser admitida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 118/129, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.278, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, defendendo que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a respeito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal e/ou de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 1ª Câmara do Terceiro Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, necessidade do requerimento atempado do ADA relativamente à área de reserva legal, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 1511.134867/2008, às fls. 144/146. Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, 151/153, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 1ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30236.278, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévio protocolo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro dos seis meses subseqüentes à entrega da DITR, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para efeito da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente à área de reserva legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.009040/200284 Acórdão n.º 920201.507 CSRFT2 Fl. 3 5 Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à reserva legal. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora entendimento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese dos autos (Exercício 1998). Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende a jurisprudência dominante que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, é que a contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, como o próprio julgador de primeira instância reconheceu em seu Acórdão. Com efeito, da simples leitura das Certidões da Matrícula do Imóvel, às fls. 32/36, concluise pela existência da Área de Reserva Legal informada pelo contribuinte em sua Declaração. E mais, demonstrando que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo ora exigido (1998), afastando de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pelo autuado. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à protocolização atempada do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.009040/200284 Acórdão n.º 920201.507 CSRFT2 Fl. 4 7 “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11543.000335/2003-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não-tributados (NT).
Numero da decisão: 9303-001.450
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial quanto à exportação de produtos NT, ficando prejudicada a matéria em relação à taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Declararam-se impedidos de votar os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral a Dra. Catarina de Lima e Silva, OAB/RJ nº 134.228, advogada do sujeito passivo.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial quanto à exportação de produtos NT, ficando prejudicada a matéria em relação à taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Declararamse impedidos de votar os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral a Dra. Catarina de Lima e Silva, OAB/RJ nº 134.228, advogada do sujeito passivo OTACÍLIO DANTAS CARTAXO– Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Fl. 395DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. . Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo, fls. 211/233, contra decisão do acórdão nº 20180.820, da Primeira Câmara do Segundo Conselho, que, por maioria de votos negou provimento ao recurso voluntário, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. Os produtos não tributados não geram direito ao crédito presumido de IPI, devendo as receitas de exportação de tais produtos serem excluídas do total da receita de exportação do período para apuração do incentivo. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Na forma da Sumula nº 14 do 2º Conselho de Contribuintes incabível o crédito presumido sobre aquisição de energia elétrica e combustíveis. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. Por falta de previsão legal, não é possível efetuar o ressarcimento de créditos do IPI, decorrente de incentivo, com a correção monetária do período. Recurso negado. Em sua peça recursal, o recorrente alega existência de dissídio jurisprudencial relativamente à possibilidade de fruição do crédito presumido de IPI na exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” e ao direito a correção monetária do valor do ressarcimento calculada pela taxa Selic. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 0152010 de fls. 309/312. A Fazenda Pública apresentou contrarrazões às fls. 315/323. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator EXPORTAÇÃO de PRODUTOS “NT” O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar A discussão que devo travar diz respeito à questão do direito ou não a crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Fl. 396DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543000335/200368 Acórdão n.º 9303001450 CSRFT3 Fl. 325 3 Preliminarmente, a Fazenda Nacional alega na suas contrarazões que a matéria já foi pacificada por meio do enunciado de súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuinte. Ledo engano da Fazenda Nacional, pois esse enunciado de Súmula não trata de crédito presumido de IPI e sim de crédito básico. Logo, não é aplicável ao caso em epígrafe. Afastado o engano, passo a tratar do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para melhor elucidar a questão, aduzo o voto do Ilustríssimo Presidente da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Doutor Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Fl. 397DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e Fl. 398DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543000335/200368 Acórdão n.º 9303001450 CSRFT3 Fl. 326 5 embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem Fl. 399DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: a) O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de Fl. 400DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543000335/200368 Acórdão n.º 9303001450 CSRFT3 Fl. 327 7 industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; b) A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Voltando ao caso concreto, a recorrente colima ter reconhecido o ressarcimento do IPI incidente sobre aquisições de materiais empregados na sua atividade econômica, na qual prepondera a produção, beneficiamento, acondicionamento e posterior comercialização de produto classificado na Tabela de Incidência do IPI – TIPI (Decreto nº 4.542/2002), como Não Tributado NT. Em virtude das considerações feitas sobre a matéria, entendo que a recorrente não faz jus ao crédito pleiteado, tendo em vista que seu produto exportado a caracteriza como consumidor final e não como empresa produtora, pressuposto indispensável para a fruição do benefício em questão. TAXA SELIC O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, contudo entendo que o recorrente perdeu interesse recursal nesta matéria, uma vez que a mesma ficou prejudicada pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, senão vejamos: Como dito alhures, o contribuinte busca a aplicação da taxa Selic sobre os valores dos insumos utilizados na fabricação de produtos sujeitos a alíquota zero. Entendo que essa matéria encontrase prejudicada, tendo em vista que o valor do ressarcimento pleiteado e que serviria de base para aplicação da correção está sendo negado. Forte nestes argumentos, não conheço desta o recurso do sujeito passivo pela perda do objeto. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 401DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Fl. 402DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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