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Numero do processo: 10425.720035/2006-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR BÁSICO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO.
Indefere-se o pedido de ressarcimento, com a conseqüente não homologação da compensação, quando, após reconstituição da escrita do imposto, decorrente da constatação de falta de lançamento em saídas de produtos tributados, resta absorvido todo saldo credor de IPI originalmente apurado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.424
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR BÁSICO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. Indeferese o pedido de ressarcimento, com a conseqüente não homologação da compensação, quando, após reconstituição da escrita do imposto, decorrente da constatação de falta de lançamento em saídas de produtos tributados, resta absorvido todo saldo credor de IPI originalmente apurado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 2 EPGRAF EQUIPE EDITORIAL E SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA. transmitiu o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 30262.29893.270505.1.1.017019 (fls. 02 a 11) e 27264.28535.270505.1.3.012475 (fls. 44 a 47), visando a extinguir débitos próprios, no valor total de R$ 4.038,89, com saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI do 1º trimestre de 2005. O Despacho Decisório DRF/CGD/PB no 015/2010, fls. 52 e 53, indeferiu totalmente o pleito. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 13 a 40 e a Informação Fiscal de fls. 41 e 42, em procedimento de verificação prévia, constataramse saídas sem lançamento do imposto. Reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, emergiram saldos devedores em diversos períodos de apuração, lançados de ofício por meio do Auto de Infração, objeto do processo administrativo fiscal no 10425.002117/200937. No trimestre em questão, o contribuinte não apresentou saldo credor que amparasse a compensação declarada. Sobreveio reclamação, fls. 58 a 71, por meio da qual o interessado, em sede de preliminar, argui a litispendência do presente processo com o de no 10425.002117/200937. Pede o seu julgamento conjunto. No mérito, descrevese como sociedade prestadora de serviços de composição gráfica exclusivamente personalizados, executados mediante encomenda, conforme comprovariam a relação de notas fiscais anexada à peça de reclamação. Discorre sobre o princípio constitucional da nãocumulatividade e sobre as possibilidades legalmente autorizadas de aproveitamento de saldos credores do IPI. Argumenta que a prestação de serviços gráficos personalizados, mediante a produção, entre outros, de sacolas, envelopes, notas fiscais, ingressos e pastas, produtos estes que são confeccionados sob encomenda, propiciaria a saída dos mesmos sem a incidência do IPI. Acusa o procedimento fiscal de incoerência, porque o produto "ingressos" estaria sendo considerado ora como tributável, ora como alíquota zero. Combate a incidência do IPI sobre as operações desenvolvidas, ou seja, em relação aos serviços de composição gráfica personalizada e sob encomenda, em conformidade com a lista de serviços anexa à Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, em entendimento que julga consolidado no âmbito do Poder Judiciário e nas instâncias recursais administrativas. Colaciona, às fls. 961103, ementas e excertos de julgados de tribunais administrativos e judiciários, que corroborariam seu entendimento. Invoca ainda o disposto no § 1° do art. 8° do Decretolei 406/68 e nas Súmulas 156 do STJ e 143 do extinto TRF (as quais transcreve). A 5ª Turma da DRJ/REC julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 1131.236, de 24 de setembro de 2010, fls. 109 a 116, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato do serviço estar catalogado na lista anexa ao Decretolei 406/68 (depois anexa à LC 116/2003), desde que se caracterize como operação de industrialização dentre as modalidades previstas no Regulamento do IPI (RIPI). Os serviços de composição e impressão gráficas abrangidos no art. 8°, §1°, do Dl 406/68, estão sujeitos à incidência do ISS municipal, mas também do IPI federal. A incidência do ISS não exclui a do IPI. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10425.720035/200625 Acórdão n.º 380303.424 S3TE03 Fl. 155 3 A partir da vigência da CF/88, a Súmula STJ 156 serve tão somente para dirimir eventual conflito de competência entre municípios e estados, isto é, resolve conflitos acerca da incidência de ISS ou ICMS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/REC5ª Turma. O arrazoado de fls. 122 a 134 irresignase contra a possibilidade de ser tributado, simultaneamente, pelo ISS e pelo IPI. Rechaça a ocorrência de industrialização. Raciocina no sentido de que a personalização dos seus produtos afastaria a incidência do IPI. Conclui que (fl. 127): (...) se uma empresa que promove a venda de produtos no mercado tiver um setor industrial, para fabricar suas embalagens personalizadas não haverá incidência do ISS, porque o que é tributado pelo ISS é a prestação de serviço remunerado, dado o seu caráter mercantil. Por outro lado, se o estabelecimento fornece embalagens personalizadas por encomenda de terceiro presta serviços de composição gráfica específica que se constitui em atividadefim, e como tal sujeitase ao recolhimento apenas de ISS. Brande a Súmula STJ no 156 e jurisprudência no mesmo sentido. No seu entender, a atividade de composição gráfica personalizada apenas sofre a incidência do IPI quando é exercida de forma secundária pela empresa, o que não é o caso dos autos, uma vez que aquela é a atividadefim da Recorrente. Destaca não ser contribuinte do imposto. Por essa razão, repugna a reconstituição da escrita do IPI, objeto do processo 10425.002117/200937. Nada obstante, entende ter direito de dele ser ressarcido em face do princípio constitucional da nãocumulatividade. Retoma a acusação de incoerência do procedimento fiscal. Em conclusão, requer provimento, para o fim de deferimento do pedido de ressarcimento de IPI indicado no PER/DCOMP no 30262.29893.270505.1.1.017019, e de homologação das compensações declaradas nas DCOMPs nºs 27264.28535.270505.1.3.01 2475 e, por conseguinte, cancelar as cobranças dos "débitos" ocasionadas pelo Despacho Decisório atacado, bem como as multas isoladas indevidamente aplicadas. Sob a consideração de que o deslinde da controvérsia a respeito da incidência ou não do IPI nas saídas dos produtos que o ora recorrente industrializa e sobre a reconstituição de sua escrita fiscal é questão prejudicial do julgamento do presente recurso, esta Turma Recursal Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 4 converteu o julgamento do recurso em diligência para que fossem tomadas as providências requeridas na Resolução nº 380300.136, de 25 de janeiro de 2012, fls. 136 a 139: a) Aguardar a decisão definitiva a ser proferida no processo 10425.002117/200937; b) À luz dessa decisão, certificar o saldo credor disponível para ressarcimento mediante compensação com o(s) débito(s), objeto da(s) declaração(ões) de compensação do presente processo, em parecer conclusivo Por meio da Informação das fls. 151, a Sarac da DRF em Campina Grande PB atestou o que segue: O processo 10425.002117/200937 foi formalizado com Auto de Infração lavrado quando foi procedida ação fiscal para levantamento de crédito de Ressarcimento de IPI de todos os trimestres dos anos calendários 2004 e 2005 indicados em PER/DCOMP como origem de crédito para compensar débitos nestes documentos. O contribuinte inconformado com o Auto de Infração recorre às instâncias julgadoras e conforme Acórdão 3801.00.027, de 16/02/2012, da 1ª Turma Especial do CARF aquele colegiado nega provimento ao recurso impetrado pelo contribuinte e na parte final do voto do Relator este se posiciona pela manutenção dos lançamentos. Considerando o decidiun do CARF emitido no processo 10425.002117/200937, fica mantida a análise dos PER/DCOMP deste processo. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 122 a 134 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC5ª Turma nº 1131.236, de 24 de setembro de 2010. Conforme relatado, a prolixa peça recursal controverteu a incidência do IPI nas saídas dos produtos que o ora recorrente industrializa e a reconstituição de sua escrita fiscal, matérias objeto do processo 10425.002117/200937, razão pela qual se aguardou a proferição da decisão definitiva proferida nesse processo, ainda que o recurso não tenha repetido o pedido nesse sentido feito na Manifestação de Inconformidade. A autoridade diligenciante deu conta de que a controvérsia instaurada naquele processo foi de encontro aos interesses do ora recorrente. O Acórdão 380100.027, de 16 de fevereiro de 2012, que negou provimento ao recurso, foi assim ementado: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10425.720035/200625 Acórdão n.º 380303.424 S3TE03 Fl. 156 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IPI. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). A atividade de composição gráfica personalizada configura hipótese de incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), pois essa atividade amoldase a um conceito de industrialização, a transformação. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA. INCIDÊNCIA DE IPI E ISS. POSSIBILIDADE. Com a revogação do art. 8º, §1º, do Decretolei nº 406/68, a legislação tributária não impõe óbice a incidência concomitante de ISS e IPI. Recurso Voluntário Negado Portanto, quedam definitivos os ajustes procedidos no tratamento manual dos PER/DCOMP 30262.29893.270505.1.1.017019 e 27264.28535.270505.1.3.012475 que utilizaram saldo credor de IPI do 1º Tri/2005, cujo crédito foi indeferido e a compensação não homologada com base no Relatório da Ação Fiscal da DRF/Campina Grande, por terem sido detectadas irregularidades na escrita fiscal que decorreu em reconstituição da escrita fiscal e constituição de crédito tributário em Auto de Infração no processo 10425.002117/200937. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13527.000134/2002-11
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3805-000.004
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO
DE JULGAMENTO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relatar.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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RESOLVEM os Membros da Quinta Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relatar. 1).L9TEAQI.,,Q_AS PESSOA MONTEIRO — Presidente SI,NDRO McHADO DOS REIS — Relator L AORMALI ADO EM: 2 O AGE) 2010 Particip am do presente julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Rubens Maurício Carvalho, Sandro Machado dos Reis e Sidney Feno Barros, Relatório Neste processo o interessado impugna o auto de infração do imposto de renda do exercício de 1999, que excluiu o imposto retido na fonte declarado, no valor de R$ 7450,69, Em sua impugnação o interessado anexa cópias dos registros das retenções efetuadas pela Prefeitura Municipal de Mundo Novo (BA) (fls. 10/15), além de declaração desta mesma prefeitura (fls. 09) informando que no ano de 1998 houve a retenção de R$ 6,396,28, A autoridade julgadora de primeira instância, através das lis, 27/29, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo-se a exigência do imposto suplementar,i 1 Sala das Sessões DF, em 19 de março de 2009 S dro Mach o dos Reis 2 Processo ti" 13527.000134/2002-11 S3-TE05 Resolução n '3805-00.004 Fl. 2 acrescidos de multa de lançamento de oficio e juros de mora. Veja-se ementa da referida decisão abaixo transcrita: Assunto; Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício; 1999 Ementa: FONTE COMPROVADA, Comprovada a retenção do imposto na fonte, cabe a sua inclusão no lançamento. Lançamento Procedente em Parte Inconfbrmado, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fl. 35, no qual defende que houve ell0 da Prefeitura Municipal de Casa Nova na apresentação da DIRF, quando a mesma foi informada com valores errados, pois os valores declarados foram de R$ 50.638,90, sendo que foi descontado de IRPF o valor de R$ 7450,86. É o relatório, VOTO Compulsando-se os autos do processo, apura-se que o mesmo já fora anteriormente remetido para este Egrégio Conselho de Contribuintes, tendo sido determinada a baixa do mesmo, através de decisão de fls. 49/53, para cumprimento de diligência a fim de apurar as alegações do Recorrente em sua peça recursal. Iniciadas as diligências pela Fiscalização, a Prefeitura Municipal de Casa Nova, no Estado da Bahia, foi intimada para apresentação de documentos necessários para se apurar as alegações acima mencionadas, Ocorre que tal Prefeitura quedou-se inerte às intimações, motivo pelo qual foi finalizada a diligência, sem qualquer conclusão, determinando o retorno dos autos do presente processo para este Egrégio Conselho de Contribuintes. Anteriormente a efetiva entrega do processo ao Conselho de Contribuintes, fato é que os documentos solicitados pela Fiscalização à Prefeitura foram juntados ao processo, conforme se pode depreender de fls. 81/114. Nesse sentido, a fim de se buscar a verdade material no presente caso e sendo inquestionável que o Recorrente não colaborou para que a diligência se tornasse infiutífera, voto no sentido de determinar nova baixa do processo em diligência com o objetivo de que a Fiscalização, mediante análise dos documentos juntados ao processo, responda aos questionamentos insertos em fl. 52/53 do presente caso, É como voto.
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720123/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA.
Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA.
Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3301-011.225
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.217, de 25 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15868.720082/2012-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 23 /2 01 2- 80 Fl. 1642DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.217, de 25 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15868.720082/2012-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 1643DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem relatar os fatos, adota-se o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração de PIS e de COFINS não cumulativos. Segundo o relatório na análise dos créditos de PIS e COFINS informados pelo sujeito passivo em seus Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais - DACON que foram objeto de pedidos de ressarcimento foi apurado o que se segue: a) Bens e serviços utilizados como insumos A fiscalizada produz açúcar bruto e álcool. São considerados insumos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de fabricação dos bens destinados à venda. Foram glosados bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, por não serem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação dos bens destinados à venda, tais como: - partes, peças e/ou serviços para manutenção de caminhões, tratores, máquinas/equipamentos agrícolas, ônibus, veículos, reboques, aquisição/reforma de pneus; - gastos com imobilizações, tais como serviços de construção civil, serviços de montagens industriais, elaboração de projetos industriais/engenharia, com materiais destinados à construção civil e/ou manutenção de edifícios (areia, cimento, tinta, etc.); - despesas com serviços agrícolas diversos: com terraplanagem, análise de solo, colheita mecanizada de cana, com fornecedores cuja atividade principal, conforme CNPJ, é a prestação de serviços agrícolas de preparação de terreno, cultivo e colheita, cujas notas fiscais examinadas tem como descrição genérica serviços prestados, e outros; - transporte de pessoas; Fl. 1644DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 - despesas diversas, referentes a serviços de conservação de estradas, a roupas de uso profissional, serviços de despachantes/documentos de exportação, serviços de assessoria, fornecedores cuja atividade principal é a locação de outros meios de transporte (a Nota Fiscal tem a descrição genérica de serviços prestados) a manutenção rede radio, a locação de equipamentos diversos e outras; - despesas com óleo diesel utilizado em atividades agrícolas de cultivo e colheita de cana-de-açúcar; Tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, pois eles não se dão no âmbito do processo produtivo do açúcar e do álcool, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção do produto final. Além disso, o sujeito passivo considerou como insumos, alguns produtos químicos sujeitos a alíquota zero, classificados no capitulo 31 da NCM e na posição 38.08 da NCM o que não gera direito a crédito. b) Método de apropriação de crédito Não foi aceito o método de determinação eleito pelo contribuinte: “Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados”, pelas razões a seguir expostas. O contribuinte produz açúcar e álcool que estão sujeitos à incidência não cumulativa. Informou que o rateio dos custos aplicados aos produtos fabricados foi de 95% açúcar e 5% etanol. Analisando os arquivos digitais apresentados, os valores informados no DACON não correspondem a valores apurados com base no método da apropriação direta ou rateio, pois o sujeito passivo considerou todos os custos como sendo vinculados à receita da exportação, apesar de realizar vendas no mercado interno. Aplicou-se o método de rateio proporcional da receita bruta aos insumos, à energia elétrica. c) Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado à interessada utilizou o critério dos créditos acelerados para a apuração das bases de cálculo dos créditos referentes ao ativo imobilizado. A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: - foi apurado crédito de bens diferentes de maquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.); - apurou-se crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. Fl. 1645DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 Foi aplicado o percentual de rateio nos valores da base de cálculo dos bens do ativo imobilizado. d) Créditos presumidos - Atividades agroindustriais Foi apurado crédito presumido decorrentes da aquisição de cana-de-açúcar. O contribuinte apurou crédito sobre frete pago às pessoas físicas que não gera crédito. O art. 11 da Lei 11.727/2008 está suspensa a incidência das contribuições na venda de cana-de-açúcar para pessoas jurídicas produtoras de álcool. Portanto, o sujeito passivo não tem direito ao cálculo dos créditos sobre aquisição de cana destinada à produção do álcool. Considerando que a cana é insumo comum, aplicou-se o rateio. A interessada foi cientificada e apresentou a impugnação alegando em síntese: Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornam-se cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou grande parte dos créditos levantados pelo contribuinte, de modo a deixar a descoberto uma enorme quantidade de receitas da pessoa jurídica a ser tributada a uma alíquota de 9,25%, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente. Cita decisão do CARF no sentido de reconhecer como insumo todo e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa. Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Que no processo produtivo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que deve ser aplicada a legislação do IRPJ para fins de reconhecer os insumos que autorizam a apropriação dos créditos de PIS/COFINS, considerando todos os custos e despesas vinculadas ao processo produtivo da defendente. Material Intermediário - Serviço de Manutenção Industrial Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são Fl. 1646DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que , sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fabrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornarem-se usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento. A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros Fl. 1647DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita não cumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré-constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitando-se o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, Fl. 1648DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refira- se a fato ou direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do COFINS não-cumulativo, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, isto é, diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não-cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do COFINS não-cumulativo, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 1649DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, isto é, diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não-cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. Por meio da Resolução, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intimasse a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3- intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. A empresa apresentou Laudo técnico e planilhas elaboradas pela PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes Ltda. Fl. 1650DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 Realizada a diligência, a autoridade fiscal concluiu que no período das glosas a Recorrente não produziu a cana de açúcar. Em manifestação à diligência, o contribuinte critica o trabalho fiscal, ratificando o seu direito à reversão das glosas, conforme informações do Laudo técnico. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. Foram efetuadas glosas relativas a insumos; depreciação de ativos; rateio direto utilizado pela empresa, fretes e etc. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. Declara como atividade o processo verticalizado da produção do açúcar e álcool, desde o plantio da cana-de-açúcar até a industrialização desses dois principais produtos. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade: Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matérias-primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressalte-se que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Fl. 1651DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Produção de cana-de-açúcar Sustenta a Recorrente que a cana-de-açúcar é utilizada como matéria-prima pelas plantas industriais e é oriunda de (i) produção própria e (ii) aquisições de produtores rurais pessoas físicas e pessoas jurídicas. Esclarece que as aquisições de terceiros se deram mediante contratos de fornecimento de cana-de-açúcar com CCT, pelos quais a Fl. 1652DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 Clealco assume o corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais. Por isso, na diligência determinada, buscou-se identificar a existência de créditos relacionados ao cultivo da cana-de-açúcar, solicitando que o contribuinte esclarecesse se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. Sobre isso, o relatório fiscal afirmou: 35. A informação foi apresentada pelo próprio interessado, e está devidamente juntada aos correspondentes processos. Constata-se que apenas em 2009 (a partir do 2ª trimestre) e 2010 o interessado produziu parcela significativa de cana-de- açúcar. Nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 1º/trimestre/2009 a parcela de cana própria é INSIGNIFICANTE ou ZERO. A partir do 2º/trimestre/2009 a proporção da cana própria aumentou, mas não foram expedidos os documentos adequados e nem realizados os rateios, conforme dispõe a legislação (LEI, não IN). 36. Saliente-se que, mesmo para o período em que o interessado produziu sua matéria prima, ele deveria realizar os devidos rateios. (...) 37. O interessado produziu no período sob análise, 2º trimestre de 2009, 39,7% do total da cana-de-açúcar utilizada no processo de industrialização. (...) E concluiu: (...) Especificamente no 2º trimestre de 2009 o interessado ADQUIRIU de PF 1.486.207,00 toneladas (53,2%), ADQUIRIU de PJ 226.530,00 toneladas (7,1%), e PRODUZIU 816.681,00 toneladas (39,7%). Entretanto, não foram realizados os competentes registros e rateios 64. Finalizando, o interessado incorreu em erro ao não realizar o rateio proporcional que segrega os créditos vinculados ao ME/MINT/MIT (não realizou nos DACON nem nos PERDCOMP), conforme esclarecimentos prestados no TÓPICO IX – DO RATEIO PROPORCIONAL – ME/MINT/MIT, vindo a fazê-lo apenas agora, conforme esclarecimentos prestados no TÓPICO V – DAS PLANILHAS APRESENTADAS PELO INTERESSADO. Entretanto, o interessado também deveria realizar o rateio mencionado no TÓPICO X – DA NECESSIDADE DE DOIS TIPOS DE RATEIOS, rateio este que não foi realizado. PORTANTO, CONSIDERANDO QUE OS CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA PÚBLICA TÊM DE SER LÍQUIDOS E CERTOS E AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, E EM PROCEDIMENTOS FISCAIS E CONTÁBEIS ADEQUADOS AO PROCESSO INDUSTRIAL CONCLUI-SE QUE, QUANTO AOS MENCIONADOS CRÉDITOS, NÃO DEVE SER DEFERIDO AO INTERESSADO NADA MAIS DE QUE JÁ O FOI, POIS: - Sobre 60,3% do insumo cana-de-açúcar do período (gastos correlacionados), não se aplica o NOVO CONCEITO DE INSUMO, mas sim, os conceitos já definidos pela legislação, quanto aos documentos e escrituração fiscal e contábil. Dessa forma, entendemos que não há direito ao correspondente crédito, conforme disposto na legislação, e, legislação esta que não sofreu alteração pelo NOVO CONCEITO DE INSUMO definido pelo STJ; Fl. 1653DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 - Sobre 39,7% do insumo cana-de-açúcar do período (gastos correlacionados), que em teoria haveria a aplicação do NOVO CONCEITO DE INSUMO, não houve a elaboração da correta documentação competente, e nem a realização do adequado rateio, portanto entendemos que a documentação e a escrituração fiscal e contábil não cumprem os requisitos para conferir direito a esta parcela de crédito. Entretanto, no tocante ao CCT - COLHEITA, TRANSBORDO E TRANSPORTE (dispêndios relacionados a cana adquirida de terceiros), a autoridade afirmou que: VIII – DOS INSUMOS RELACIONADOS À CANA DE AÇÚCAR – COLHEITA, TRANSBORDO E TRANSPORTE (CTT) 37. O interessado produziu no período sob análise, 2º trimestre de 2009, 39,7% do total da cana-de-açúcar utilizada no processo de industrialização. Constata-se que ele operou muito mais como uma indústria de que como uma agroindústria. 38. Nas operações de aquisição da cana-de-açúcar, via de regra, o interessado é responsável pela CTT, colheita, transbordo e transporte. Por pertinente, sobre este ponto faremos alguns esclarecimentos a seguir. 39. Quanto à aquisição de matéria prima, já há ampla definição a respeito da correta técnica fiscal e contábil, em especial definida nos procedimentos aplicados na contabilidade de custos, controles de estoques e incoterms (CIF, FOB etc). A definição de ser o gasto conceituado como custo incorrido no processo de produção, ou como despesa, sempre levou em consideração o fato de que o gasto deve ser identificado com a mercadoria adquirida. (...) 44. De fato é um aspecto importantíssimo da NÃO CUMULATIVIDADE, pois já é consagrado pela sistemática que o crédito é permitido quando o bem é para revenda ou utilizado como insumo, e que em operações finalísticas, do tipo, venda a consumidor final e compra de material para uso e consumo não há direito ao crédito, pois não haverá a incidência em cascata. 45. Segue, apenas para visualização, parte de uma NF. Nota-se o campo "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS": 46. O CTT, se realizado pelo próprio vendedor da cana-de-açúcar, e destacado nos campos "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS" estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. Fl. 1654DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 47. O CTT, se realizado por terceiro prestador de serviço, e acobertado pelo competente conhecimento de transporte devidamente preenchido, com a vinculação à NF do insumo adquirido, e com os registros na contabilidade de custos e controles de estoques, estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. 48. O CTT, se realizado pelo interessado, e acobertado pelo competente manifesto de carga devidamente preenchido, com a vinculação à NF do insumo adquirido, e com os competentes registros e vinculações feitos na contabilidade de custos e controles de estoques, estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. Dessa forma, adotando-se as razões expostas acima, não cabe o creditamento do denominado CCT, pois os dispêndios CCT não foram identificados na escrituração. Segundo a autoridade diligenciante, não cabe o crédito dos custos apontados como relacionados à aquisição de insumo cana de açúcar (corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais), pois como visto acima no relatório fiscal, não há liquidez e certeza desses valores, já que não tem suporte em documentação (art. 373, do CPC/15). Já o Laudo e a Planilha da PWC permitem a identificação entre os dispêndios relacionados a fase agrícola, fase industrial, administrativa e outros. O fluxograma da cana-de-açúcar é o seguinte: Dessa forma, entendo ser possível analisar a essencialidade e relevância dos dispêndios empregados em etapa agrícola, desde o preparo do solo até a colheita, em relação aos 39,7% da cana utilizada no trimestre que decorreu de plantação própria. Dentre tais bens e/ou serviços que se enquadram no conceito de insumo: manutenção de maquinário agrícola; despesas com plantio e colheita de cana de açúcar; peças para trator; peças para caminhões; peças para máquinas agrícolas; terraplanagem; análise de solo; colheita mecanizada de cana; preparação de terreno; serviços de conservação de estradas; EPI; manutenção da rede de rádio; serviço hidráulico; implementos agrícolas; serviços agrícolas. Então, devem ser mantidas as glosas relacionadas a parte administrativa, refeitório, produção agrícola de terceiros e demais setores. Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste tópico. Bens utilizados como insumos na fase industrial Informou a fiscalização que, em analise às informações constantes nos relatórios e arquivos digitais com a descrição de bens e serviços que serviram de base para cálculo Fl. 1655DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 de créditos das contribuições, em consulta ao CNPJ dos fornecedores e no exame por amostragem das notas fiscais, constatou que há bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação, pois não teriam sido utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar e álcool. Considerando o conceito de insumo fixado pelo STJ, há despesas que permitem creditamento no processo produtivo industrial, são as que se referem ao parque industrial; à segurança e eficiência do processo industrial; manutenção de máquinas e equipamentos ligados às fases da produção industrial e os materiais EPI. No Laudo, verifica-se que as operações envolvidas na produção industrial são (cf. item 10 e 11 do Laudo): Em cotejo do Laudo com a Planilha de “NF glosadas Insumos” elaborada pela PWC, devem ser revertidas as glosas estritamente relacionados à indústria - serviço industrial; acessórios industriais; bomba injetora/bicos; conjunto de ferramentais; serviços de mecânica industrial; adesivos e abrasivos; automação/instrumentação; carregadeira/balança, construção civil; correias, elétrico/eletrônico; mecânica industrial; óleos e lubrificantes, metais, ferramentas p/ manut. industrial; bens necessários para a Fl. 1656DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 execução de manutenções - perfeitamente identificáveis na planilha como utilizados na planta industrial. Então, devem ser mantidas as glosas relacionadas a parte administrativa, refeitório, automóveis, produção industrial de terceiros e demais setores. Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste tópico. Frete O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no art. 3°, § 3° da Lei 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização glosou os fretes relacionados ao transporte de pessoal, à remessa de mercadorias, a frete pagos a pessoas físicas e outros que não se referem à aquisição de insumos, nem integram custos. Entendo que não são insumos os fretes relacionados ao transporte de pessoal para o setor industrial e administrativo. O art. 3°, § 3° da Lei n° 10.833/03 afasta o direito ao crédito dos fretes de pessoa física. Por falta de comprovação, deve ser mantida a glosa dos fretes cujas notas fiscais não foram apresentadas (art. 373, do CPC/15). Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto para posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu Ativo Imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: - valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (veículos, motos, micro-ônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; - bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, pulverizadores, reboques etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, III, da Lei n° 10.837/2002, e art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004; O Laudo técnico, no Quadro 13-4, identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações e quantidades no processo produtivo. Da leitura em conjunto com as Planilhas “Glosados Imobilizados”, é passível a tomada de crédito dos dispêndios relacionados nas planilhas estritamente como “produção industrial”, tais como FILTRO ROTATIVO VACUO, 10" X 20"; BOMBA DE ALTA Fl. 1657DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 PRESSAO LEMASA L-1; PONTE ROLANTE ZANINI 20 TON.; MOTOR WEG TRIFASICO 50 CV; BIG BAG; BOMBA PARA AFERIR MANOMETRO etc. No tocante à fase agrícola, são passíveis de creditamento, os implementos agrícolas que sevem para a preparação do solo; prevenção de pragas na lavoura e conservação de estradas. Deve ser mantida a glosa dos dispêndios relacionados ao local para refeição dos colaboradores, manutenção de pátio, jardim, bebedouro e CCT. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Deve ser afastada a trava do limite temporal. E, aproveitamento de parte dos créditos mediante a apuração pelo método de rateio proporcional, pois referentes a encargos de bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes de não-cumulatividade e exportação. Inexistência de rateio Dispõem os §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 1658DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 § 9º O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Correto, o procedimento fiscal de desqualificação do método de apropriação direta utilizado pela empresa, pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria-prima (cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos. Cabe também o rateio em relação ao mercado interno, mercado interno não tributo e mercado externo, nos exatos termos da informação fiscal: IX – DO RATEIO PROPORCIONAL – ME/MINT/MIT 50. Já foi mencionado que, até 30/09/2008 o interessado deveria fazer e não fez o rateio proporcional com base na receita, conforme determina o inciso II do § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003 (mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002), pois produzia produto tributado pela cumulatividade (álcool) e produto tributado pela não cumulatividade (açúcar). 51. A partir de 01/10/2008 o álcool passou a ser tributado pela não cumulatividade (conforme MP 413/08, Lei 11.727/08 e Decreto 6.573/08), entretanto persiste a necessidade do rateio proporcional com base na receita, não mais para cumprimento dos §§ 7º e 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003 (mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002), mas sim para a distinção dos créditos vinculados ao ME (passíveis de ressarcimento e/ou compensação, conforme §§ 1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, e, §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002), dos créditos vinculados ao MINT (passíveis de ressarcimento e/ou compensação, conforme § 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, e, § 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002, combinados com os incisos I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116/2005), e dos créditos vinculados ao MIT (passíveis apenas de abatimento dos débitos das próprias contribuições, conforme § 3º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003). 52. Observe-se também, que os valores dos créditos da atividade agroindustrial não são passíveis de ressarcimento ou compensação, conforme disposições contidas art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004, podendo ser utilizados apenas na dedução da própria contribuição. 53. O interessado não realizou o rateio proporcional com base na receita, não segregando os créditos vinculados ao ME/MINT/MIT, nem nos DACON nem nos PERDCOMP. X – DA NECESSIDADE DE DOIS TIPOS DE RATEIOS 54. Para o processo produtivo do interessado seriam necessários dois tipos de rateio. Um seria o rateio mencionado no tópico anterior, para segregar o que é ME, MINT e MIT. 55. O outro rateio seria o rateio dos “BENS E SERVIÇOS, UTILIZADOS COMO INSUMOS”. Ou seja, considerar apenas o bem ou serviço que foi efetivamente utilizado como insumo na produção do produto final, e, na devida proporção da utilização. Seriam os custos correlacionados ao setor agrícola (cana própria), ao CTT (corte, transbordo e transporte), ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial. Por exemplo: segregação do óleo diesel aplicado no setor agrícola, no CTT, no setor industrial, no setor administrativo e no setor comercial; segregação dos gastos com oficina correlacionados ao setor agrícola, ao CTT, ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial; segregação dos gastos com pneus correlacionados ao setor agrícola, Fl. 1659DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-011.225 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720123/2012-80 ao CTT, ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial; segregação dos gastos com terceirização correlacionados ao setor agrícola, ao CTT, ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial; e assim por diante. Deveria existir o devido controle, o devido rateio. NÃO HOUVE. O mencionado rateio além de fazer parte da essência da NÃO CUMULATIVIDADE (exclusão da incidência na cadeia subsequente, daquilo que já foi objeto de tributação na cadeia anterior) tem embasamento em LEI, mais especificamente no art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003 (mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002). Segue dispositivo legal: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 1660DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722861/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS ATIVOS.
A pessoa jurídica domiciliada no Brasil deverá reconhecer como receita de juros decorrente de mútuo concedido a pessoa vinculada domiciliada no exterior, no mínimo, o valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. INFORMAÇÃO NA DIPJ.
Comprovado que o sujeito passivo informou em sua DIPJ ajuste de preços de transferência referente a juros recebidos de pessoa vinculada no exterior, inclusive em montante superior àquele calculado pela autoridade fiscal, não há como prosperar a exigência fiscal.
VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS E JUROS PASSIVOS.
O montante adicionado a maior na DIPJ referente a ajuste de preços de transferência pode ser considerado pela autoridade julgadora com vistas a compensar os valores lançados pela fiscalização a título de variação cambial passiva e juros passivos que deixaram de ser adicionados ao lucro real do período.
Numero da decisão: 1201-001.259
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ester Marques Lins de Sousa, que lhe davam parcial provimento para manter as exigências sobres as rubricas de R$ 1.555.035,40 e R$ 1.547.868,10.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS ATIVOS. A pessoa jurídica domiciliada no Brasil deverá reconhecer como receita de juros decorrente de mútuo concedido a pessoa vinculada domiciliada no exterior, no mínimo, o valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. INFORMAÇÃO NA DIPJ. Comprovado que o sujeito passivo informou em sua DIPJ ajuste de preços de transferência referente a juros recebidos de pessoa vinculada no exterior, inclusive em montante superior àquele calculado pela autoridade fiscal, não há como prosperar a exigência fiscal. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS E JUROS PASSIVOS. O montante adicionado a maior na DIPJ referente a ajuste de preços de transferência pode ser considerado pela autoridade julgadora com vistas a compensar os valores lançados pela fiscalização a título de variação cambial passiva e juros passivos que deixaram de ser adicionados ao lucro real do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ester Marques Lins de Sousa, que lhe davam parcial provimento para manter as exigências sobres as rubricas de R$ 1.555.035,40 e R$ 1.547.868,10. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 28 61 /2 01 2- 13 Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1250.899, exarado pela 8ª Turma da DRJ 1 no Rio de Janeiro RJ. Por bem descrever o litígio objeto de presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 762 e ss.): Trata o processo de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, DRF/RJII, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), no valor de R$6.226.877,00, acrescido de multa de ofício de 75%, com juros de mora calculados até 31.03.2012, bem como, o ajuste da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL). Na descrição dos fatos consta que foram detectadas três infrações: Infração 0001. Despesas não comprovadas. Despesas a título de juros não comprovadas, no valor de R$1.547.868,10, apuradas e contabilizadas como despesas financeiras no período de apuração e não adicionadas ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, em face de opção pelo reconhecimento tributário na data de liquidação das variações monetárias ativas; Infração 0002. Adições não computadas na apuração do lucro real. Variações cambiais passivas no valor de R$1.555.035,40, contabilizadas como despesas financeiras e constantes de DIPJ no período de apuração e não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, em face de opção pelo reconhecimento tributário na data da liquidação das variações monetárias ativas; Infração 0003. Adições. Preços de Transferências. Juros Recebidos. Mútuo com pessoa vinculada no exterior. Valor de R$32.479.775,00, referente à diferença entre os juros ativos creditados decorrentes de empréstimos a pessoa vinculada no exterior e os juros mínimos que devam ser reconhecidos de acordo com a legislação e não adicionados ao Lucro Liquido do período, para a determinação do Lucro Real. Consta no Termo de Verificação: Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 4 3 a Interessada, no anocalendário de 2008, excluiu do lucro líquido, a título de variação cambial, o valor de R$483.830.041,93, conforme Ficha 06 A., Grupo 17, linha 18, da DIPJ; intimada a se pronunciar, informou que o fizera com base no artigo 30, c/c §1°, da MP 2.15835/01, que prescreve a faculdade de se reconhecer os efeitos da variação cambial sobre os ativos colocados à disposição de coligada estrangeira com efeito tributário apenas quando da liquidação da respectiva operação (regime de caixa); informou a Interessada, em 23/08/2011 em resposta ao Termo Fiscal n° 06, lavrado em 12/08/2011, e em 27/10/2011, em resposta ao Termo Fiscal n° 08, que os valores referemse a investimento mantido em coligada no exterior; informou ainda que dividendos são depositados na conta corrente da investida, (conta n°.52321290), sendo os valores após a sua conversão em dólares, transferidos como disponibilidades ou haveres no exterior, para fins de investimentos, sendo inicialmente segregados em conta de sua titularidade, junto ao Bank of America (BofA), em Londres (conta n°.600855176012), e, a partir daí, ficam à disposição da empresa BHP Billiton Finance BV (com sede na Holanda), para a concreção dos investimentos; junta, para tanto, extratos bancários emitidos pelo BofA e, similarmente, instrumento de procuração outorgando poderes às pessoas que nomina (Willem Johannes Murray Membro Diretor dos Conselhos das empresas BHP Billiton Finance PLC e BHP Billiton Group Limited), além dos demais membros outorgados dessas mesmas empresas, conforme consulta, via internet; pelo mesmo mandato designou o BofA como depositário de seus fundos, concedendo aos outorgados prerrogativas para movimentar os referidos fundos depositados naquela conta; não obstante a expressiva soma movimentada, não há qualquer contrato expresso firmado entre as empresas intervenientes como ratificara a própria coligada brasileira ao responder o termo fiscal n° 08, item 02.1, corroborada pelas próprias DIPJ dos anoscalendário de 2007 e 2008 Fichas 29, linhas 10; desde 2005 e até o último dia do mês de dezembro de 2008 os valores ativos a esse título continuam incólumes, exacerbados, pois, pela ausência de quaisquer vencimentos expressos de seus direitos no exterior; assim, os ativos foram aumentados (vide Tabela A, “Conta Corrente dos Empréstimos Externos”, às fls.563) em benefício do grupo; informou a Interessada que, por mera política interna, o grupo centraliza o seu caixa em uma empresa específica, a exemplo do que ocorre entre grandes empresas, como é o seu caso e que, Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 5 4 sobre os fundos transferidos, houve o reconhecimento de juros ativos, segundo a taxa libor, menos spread de 12.5 bps, (“pontos base sobre as taxas”), conforme conta de razão contábil n° 592500; ocorre que, pelo instrumento de procuração 02 (acostado em resposta ao Termo Fiscal n° 08), resulta claro que os outorgados passaram a deter absoluto controle dos recursos depositados pela Interessada no BofA, fato que resta caracterizado quando se comprova que o saldo em conta corrente no dito banco é nulo após receber as transferências de recursos da Interessada, via Citibank (vide documento 01 do Termo Fiscal n° 08 e extratos bancários apensados em resposta ao Termo Fiscal n° 06); tal evidência ratifica a conclusão fiscal de que os valores contemplados foram carreados para BHP Billiton Finance BV (vide razão contábil n°129039 (Intercompanhias BHP Billiton Finance BV), derrubando a alegação da Interessada que, sem base em provas, tais movimentações estariam voltadas para a concreção de investimentos externos, ao arrepio, pois, da natureza verdadeira da operação; objetivando detectar a natureza das operações referentes aos recursos colocados à disposição do seu "caixa" externo, elaborouse uma planilha, em duas vias, denominada de Conta Corrente dos Investimentos Externos que, junto com o Termo Fiscal n° 11, lavrado em 07/03/2012, foi apresentado à Interessada; não tendo sido apresentadas pela Interessada outras informações contrárias, concluise que tratase, na espécie, de recursos carreados para o exterior, via Citibank, sob a égide de "Capital de Curto Prazo Disponibilidades no Exterior”, código este instituído pelo Banco Central do Brasil (Bacen) sob o n° 55000 ( conforme resposta ao Termo Fiscal 06 ); tal código está presente, similarmente, nas cópias dos contratos de câmbio apresentados pela Interessada; observase que, se a hipótese versasse sobre investimentos no exterior, o código de operação seria o de n° 68303 ou similar; portanto, resulta óbvio que os haveres foram canalizados para o exterior, com destinação ao BofA, com o objetivo de serem utilizados, conforme desejado pelo Grupo Empresarial, em troca de uma remuneração consubstanciada pelos juros, consoante as taxas remuneratórias vigentes da libor mensal, menos o spread de 12.5 bps (conforme resposta ao item 3 do Termo fiscal n° 08); conforme Tabela A, “Conta Corrente dos Empréstimos Externos”, a taxa de juros indicada pela Interessada está fundada na taxa mensal da libor anualizada; a Interessada não comprovou que o reconhecimento dos juros ativos tivesse origem em aplicações financeiras promovidas pela empresa BHP Billiton Finance BV, não obstante a ela debitados. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 6 5 concluise que se trata de operação de mútuo entre empresas ligadas ou vinculadas, direta ou indiretamente; o Código Civil determina que, destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos os juros, os quais não poderão exceder àqueles previstos no artigo 406 do NCC, observadas, subsidiariamente, as prescrições impostas pelo art. 22 e §§ da Lei n° 9.430. de 27/12/1996, ao regular os preços de transferência (transfer pricing); este artigo determinou que os juros pagos ou apropriados, assim como os juros ativos recebidos ou apropriados junto à pessoa jurídica no exterior, considerada vinculada, somente terão a sua dedutibilidade aceita na apuração do IRPJ e da CSLL, seja para dedução como encargo financeiro ou para tributação como receita financeira se, na ausência de contrato expresso com previsão de taxa de juros pactuada desde a data do seu termo inicial e até a data final do pacto celebrado (IN SRF nº. 243, de 2002, art. 27, § 8°), para os fins propostos, esteja ele devidamente registrado no Banco Central do Brasil; a Interessada, portanto, na condição de supridora, deverá observar como preço parâmetro o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa libor para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de 6 meses, acrescida de 3% anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os respectivos juros; da mesma forma, a Carta Circular n° 3.319, de 07 de maio de 2008 do Bacen revela que tais movimentações externas, uma vez registradas no Bacen, não precisam a partir daí ser submetidas ao crivo do Banco Central, entretanto não dispensa a obrigatoriedade de que essas operações devam retornar ao território pátrio sempre atreladas à operação original, composta do principal e dos rendimentos de capital; tal situação não ocorreu no presente caso, desde o seu nascedouro no anocalendário de 2005; a própria Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior, a falta de assinatura no documento, bem como, a asserção do Bacen de que "não se responsabiliza pela veracidade das informações" (doc.04 e integrante da Resposta ao Termo Fiscal n°.08) assegura o que foi assentado, uma vez que a movimentação livre de recursos não prescinde do cumprimento das obrigações tributárias decorrentes; a declaração de capitais apresenta valores de rendimentos em US$ que, convertidos, não se harmonizam com qualquer registro contábil da Interessada, só se conciliando com o resultado final, em dólares, exibido pela Planilha de Suporte Variação Cambial; a Planilha de Suporte contém, para janeiro, uma verba acumulada de juros na expressão de US$8,827,257.00 (US$10.298.904.00 – US$1.471.647.00), sem qualquer correlação com os rendimentos do ano de 2008; Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 7 6 excluído esse estoque do exercício, os valores finais declarados, em dólares, similarmente não se aliam; a conversão dos estoques de moeda mantida no exterior há de ser ajustada, bem assim os rendimentos constantes da respectiva declaração, sabidamente contabilizados e declarados na ordem de R$1.688.269.193,15 e de R$25.130.766,25, respectivamente para a rubrica do Ativo ( Ficha 36 A, linha 12 ), e do resultado do exercício ( Ficha 06 A, linha 22). assim, a diferença apurada anualmente, decorrente da taxa de juros praticada visàvis à taxa parâmetro de juros deverá ser adicionada ao lucro líquido para apuração do lucro real, bem como à base de cálculo da CSLL em 31 de dezembro de 2008, tendo em vista que o sujeito passivo, neste ano, optara pelo regime de apuração anual de seu imposto (com base no art. 22, §3°, da Lei n° 9.430/96); a Tabela A, “Conta Corrente dos Empréstimos Externos”, às fls. 563, feita com base no inciso II do art. 845 do RIR/99 detalha as bases de cálculo e os vetores que concorreram para a sua formação, tendo como fonte as informações do Banco Central do Brasil adquiridas no respectivo endereço eletrônico, devendo ser adicionado ao resultado o valor de R$32.479.775,00, constituindo tal fato a autuação da infração 003; quanto à infração 002, desde 01012000 é facultado aos contribuintes reconhecerem, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, as variações monetárias sobre os seus direitos de crédito e das suas obrigações, em função da taxa de câmbio, pelo regime de competência ou pelo regime de caixa; é opção do contribuinte tributar as variações cambiais apenas na liquidação ou quando as mesmas forem reconhecidas, contabilmente, pelo regime de competência; esta faculdade, instituída pelo artigo 30 da Medida Provisória 2.15835/01 pode ser adotada desde que observadas três restrições: (i) que seja aplicada para todos os tributos (IRPJ e CSLL); (ii) que seja adotada para todos os ativos e passivos sujeitos a variação cambial; e (iii) que seja aplicada a todo o anocalendário; ocorre que, não obstante a Interessada ter adotado o regime de competência, com adições das variações cambiais passivas e exclusões das ativas no Lalur, portanto dando ao reconhecimento das variações, para efeitos tributários, o regime de caixa (tributação só quando de suas liquidações), acabou por reconhecer, pelo regime de competência, e sob a égide de Outras Despesas Financeiras (conforme Ficha 06 A, linha 40) parte de sua variação cambial passiva representada pela soma de R$1.555.035,40, não adicionandoa ao Lalur; quanto à infração 001, consta no termo de verificação que, conforme Tabela A, “Conta Corrente dos Empréstimos Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 8 7 Externos”, o valor transferido no mês de junho foi no dia 24, e não em 27/06/2008 segundo consta no razão contábil da Interessada (conta n° 129039); ao reverso do que registra a Interessada no referido livro ao apontar um débito à BHP Billiton Finance BV de R$218.495.965,36, a remessa ao BofA, via CitiBank, revela o montante de R$220.043.833,46; tal descompasso reside no fato de a Interessada ter, equivocadamente, descontado deste último registro, o equivalente a R$1.547.868,10 atribuíveis à despesa de variação cambial no mês de junho (vide resposta ao T.Fiscal n° 8); ao oposto do que antes afirmara, em sua correspondência de 16 de março de 2012 ( resposta ao T. Fiscal n° 11) retifica a Interessada a sua informação prévia, alegando ter sido a diferença de R$1.547.868,10 lançada a título de despesas com juros; desta forma, a parcela de R$1.547.868,10, lançada na conta contábil n° 868000 (Despesas de Juros ), em 17/06/2008, sob o histórico de Encargos Bancários, em verdade tratase de recursos que foram depositados na conta da Interessada mantida no BOFA, em 24/06/2008 e, modo contínuo, transferidos por procuração para a empresa BHP Billiton Finance BV, naquele montante de R$220.043.833,46; portanto, deve ser glosada a diferença de R$1.547.868,10, contabilizada a título de juros. Quanto à CSLL, consta no Termo de Verificação: a Interessada dispõe de estoques remanescentes de Base de Cálculo Negativa da CSLL, fato este que não gerou lançamento de CSLL; o estoque de prejuízo fiscal operacional que consta na parte B do Lalur é de R$78.847.141,15, em desacordo com o sistema Sapli da SRFB, o qual é alimentado pelas declarações de IRPJ apresentadas, o qual indica um estoque de prejuízo fiscal de R$73.730.386.76; após os ajustes, o estoque passou a R$43.660.871,78, (R$73.730.386.76 – R$30.069.514,98); em relação ao estoque da Base de Cálculo Negativa da CSLL no anocalendário de 2008, a Interessada declarou saldo de R$52.140.154,87, (R$71.534.866,30 após a compensação de R$19.394.711.43, Ficha 6 1 A, linha 3 da DIPJ); as bases de cálculos negativas compensadas em 2008, acham se em desarmonia com os controles internos da SRFB, que registra o valor inicial de R$70.118.483.55 que descontada da compensação do prejuízo feita pela Interessada no valor de R$19.394.711,43, alcançara a quantia de R$50.723.772,12; Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 9 8 assim, temse R$30.069.514,98, sendo R$10.674.803,55 a parcela compensada na autuação e, como decorrência, o saldo negativo de R$40.048.968.57 (R$70.118.483.55 – R$30.069.514.98). Constam nos autos os formulários FAPLI e FACS. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 30/03/2012, a Interessada, apresentou em 02/05/2012, impugnação instruída por documentos na qual argúi: optou pelo regime de competência, com as respectivas adições das variações cambiais passivas e exclusões das variações cambiais ativas do LALUR. a opção pelo regime de competência é meramente para fins de pagamento dos tributos, sendo que, para fins contábeis, o resultado da variação cambial deve continuar sendo calculado em observância ao regime de competência, conforme artigos 177, 2o; 183, inciso 1, c/c 184, inciso II, da Lei n° 6.404/76 (Lei das S.A.); por esta razão, tornouse necessária a exclusão da variação cambial ativa não realizada na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") 2009 apresentada; a cópia de todos os extratos comprovante e de TED, bem como dos contratos de câmbio devidamente registrados no Banco Central do Brasil, (Doc.2), comprovam todo fluxo financeiro, além das respectivas origens e favorecidos; os valores de sua titularidade junto ao Bank of America foram disponibilizados no exterior à BHP Billiton Finance, uma empresa do mesmo grupo econômico e responsável pela gestão dos seus investimentos no exterior; o investimento financeiro realizado no exterior, bem como a receita de juros dele proveniente, permaneceram disponível no Brasil tendo sido devidamente reconhecida e refletido na sua contabilidade; ocorre que, por mero equívoco, contabilizou indevidamente como despesa de juros na ficha 6A linha 40 da DIPJ, sob o histórico de "Encargos Bancários", o montante de R$1.547.868.10 (item II.5 demonstrado no livro razão Doc. 3); tal valor referese, justamente, ao montante dos recursos financeiros disponibilizados, para fins de investimentos, na sua conta corrente no Bank of America em Londres, ou seja, despesas de variações cambiais; nesse sentido, reconhece que a citada receita deveria ter sido adicionada ao Lucro Líquido para fins de apuração do Lucro Real mas em razão de estar sob fiscalização, não pôde proceder Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 10 9 à retificação de suas escritas fiscais e contábeis, bem como proceder aos respectivos recolhimentos; estando claro que o valor de R$1.547.868.10 referente a variação monetária foi contabilizado indevidamente como despesa de juros, a Fiscalização na autuação da infração 0002, pretende penalizála por duas vezes pela mesma infração, uma vez que, os valores apurados na infração 0001 apenas existiram em razão do equívoco cometido na contabilização, sendo certo que os mesmos se referem à despesas de variação cambial não computada; reconheceu a receita de juros, relativos a investimentos no exterior, tendo, inclusive, declarado em sua DIPJ tais rendimentos; pela análise da Ficha 9A da DIPJ (Doc. 4), foi declarado o montante de R$43.341.609,31, os quais foram regularmente levados à tributação, conforme se verifica dos anexos comprovantes de recolhimento do imposto de renda; na Ficha 11 da DIPJ foi informado um imposto de renda a pagar no montante de R$7.845.972.22, tendo sido recolhido o montante de R$8.387.415,05, valor até mesmo superior ao efetivamente devido (Doc.5); em momento algum a Fiscalização questionou o método utilizado para cálculo do preço de transferência, limitandose a indicar na Tabela A que instrui o Auto de Infração impugnado que “a taxa de juros indicada pela empresa examinada achase fundada na taxa mensal da libor anualizada”; e nem poderia ser diferente, uma vez que o método aplicado está em perfeita sintonia com o disposto pelos artigos 18, 19 e 22, todos da Lei n° 9.430/96, que devem ser entendidos no sentido de que, dentre os métodos possíveis de serem aplicados, o contribuinte sempre fará jus à aplicação daquele que mais lhe favoreça, conforme doutrina transcrita às fls.633/634; tanto assim é que, o montante autuado de R$32.479.775,00, é inferior ao valor utilizado como base de cálculo declarada na DIPJ para fins de recolhimento do imposto, Ficha 9A da DIPJ (Doc. 4), R$43.341.609,31; quanto à retificação do estoque de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, o valor informado como estoque de prejuízo fiscal reflete exatamente os valores informados nas DIPJs relativas ao exercício de 2009 (ano calendário 2008) e exercício de 2008 (ano calendário 2007); desta forma, não se revela possível verificar os motivos pelos quais, o sistema "Sapli" da Receita Federal do Brasil, o qual, como adiantado pelo fiscal autuante é "alimentado pelas declarações de imposto de renda apresentadas", poderia ter levado o fiscal à conclusão diversa do que o efetivamente declarado; Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 11 10 da mesma forma, tendose em vista que o sistema pelo qual foram obtidas as informações do Fiscal é alimentado pelas declarações apresentadas, sequer seria possível se chegar a valor diverso do montante efetivamente considerado como prejuízo fiscal e corretamente informado. requer a realização de diligência, nos termos do inciso IV, do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. de modo a confirmar todas as informações prestadas e o correto recolhimento dos valores à suposta infração por remessa de recursos ao exterior. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as razões expostas na impugnação ao lançamento, acrescendo ainda argumento segundo o qual o art. 22 da Lei nº 9.430/96 não se aplica ao caso, daí porque é incabível exigir se ajuste de preço de transferência fundado nessa norma (fl. 794 e ss.). Por sua vez a PGFN apresentou contrarrazões ao voluntário onde reforça os argumentos da fiscalização e da DRJ pela manutenção da exigência (fl. 928 e ss.). Levados os autos a julgamento, a 2ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara resolveu convertêlo em diligência, nos seguintes termos (fl. 944 e ss.): Diante disso, deve ser convertido o julgamento em diligência, para que a autoridade autuante, ou outra de mesma competência na unidade de origem: a) intime a recorrente a demonstrar contabilmente e comprovar com documentos hábeis e idôneos, como se compõe a receita financeira no valor de R$43.341.609,31, declarada na Ficha 9A da DIPJ/2009; b) a partir de tais informações, relacione o referido valor com as infrações objeto de lançamento, apresentando um relatório conclusivo; c) intime a recorrente do resultado da diligência; d) devolva os autos ao CARF para prosseguimento no julgamento. Ao final da diligência o auditor elaborou relatório inconclusivo (fl. 1224 e ss.). Intimada, a recorrente apresentou contrarrazões ao relatório de diligência aduzindo que, embora a autoridade diligenciante tenha reconhecido, parcialmente, equivoco no lançamento, o fato é que a empresa ofereceu à tributação ajustes a título de preços de transferência em montante superior ao reclamado pelo Fisco. Em virtude de a Relatora original não mais exercer a função de conselheira do CARF, o processo foi a mim remetido após sorteio realizado em 04/06/2014. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DO MÚTUO CONCEDIDO À VINCULADA NO EXTERIOR PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA A interessada traz no voluntário argumento não suscitado na impugnação ao lançamento, qual seja, o de que o art. 22 da Lei nº 9.430/96 é inaplicável às hipóteses em que a mutuante é pessoa jurídica domiciliada no Brasil, como no caso dos presentes autos. Socorrese do acórdão nº 110300.263, que vai ao encontro de sua argumentação, e cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001. Ementa: MÚTUO ATIVO – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Não há previsão regulatória nem possibilidade de registro do contrato de mútuo ativo no Banco Central, sem embargo do controle por ele exercido sobre a matéria. Descabem os ajustes de preços de transferência (receita de juros), no mútuo concedido pela pessoa jurídica domiciliada no País a pessoa vinculada, na medida em que o câmbio ou a transferência internacionais em reais esteja registrada no SISBACEN, e a documentação suporte do mútuo tenha sido apresentada ao banco operador de câmbio. (Grifamos) (...) Pois bem, sobre o assunto art. 22 da Lei nº 9.430/96, em sua redação vigente à época dos fatos, assim estabelece: Art. 22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. § 1º No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor apurado segundo o disposto neste artigo. (Grifamos) (...) Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 13 12 § 4º Nos casos de contratos registrados no Banco Central do Brasil, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada. Com o devido respeito que merece o referido acórdão nº 110300.263, entendo ser inteiramente descabida a interpretação contida em seu voto vencedor pois tal entendimento implicaria fazer tabula rasa da norma contida no § 1º do art. 22 da Lei nº 9.430/96, que expressamente trata dos ajustes de preços de transferência a que alude o presente processo, qual seja, mútuo concedido por empresa domiciliada no Brasil a empresa a ela vinculada domiciliada no exterior. De fato, um exame atento do art. 22 levará inequivocamente à conclusão de que a hipótese regulada no caput abrange somente os casos em que a mutuante é a pessoa vinculada domiciliada no exterior, e a mutuária é a pessoa domiciliada no Brasil, ou seja, a hipótese inversa àquela vista nos presentes autos. O caput do art. 22 impõe uma limitação da dedutibilidade, para fins tributários, de uma despesa da empresa nacional com pagamento de juros à sua vinculada no exterior, desde que o contrato de mútuo não tenha sido registrado no Banco Central. Em outras palavras, estabelece o preçoparâmetro para as despesas com juros pagos à vinculada no exterior, quando o contrato de mútuo não haja sido registrado no BCB. Já o § 1º do art. 22 cuida da situação verificada nos presente autos, inversa àquela tratada no caput. Aqui a mutuante está domiciliada no Brasil e a mutuária (vinculada), no exterior. E, como se vê, o § 1º em momento algum faz qualquer alusão à necessidade de registro do contrato de mútuo no Banco Central, até porque, como bem ressaltado pela recorrente, a legislação bancária não exige o registro nesta situação. O que o § 1º do art. 22 determina textualmente é que a mutuante domiciliada no Brasil deverá reconhecer como receita de juros, no mínimo, o valor referido no caput, qual seja, o “valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros”. Esse, portanto, é o preçoparâmetro para as receitas de juros auferidas pelas empresas aqui domiciliadas, decorrentes de mútuos concedidos a pessoas vinculadas no exterior. Por fim, o § 4º do art. 22 é uma exceção ao caput, e não ao § 1º, já que, como bem alertado pela recorrente, os mútuos concedidos por empresas domiciliadas no Brasil a pessoas domiciliadas no exterior não se sujeitam a registro no Banco Central. Nesse sentido, na situação do caput do art. 22, acaso a mutuária no Brasil registre no Branco Central o contrato de mútuo celebrado com sua vinculada no exterior (mutuante), não se sujeitará a ajustes a título de preço de transferência, uma vez que as despesas com juros por ela incorridas seriam inteiramente dedutíveis para fins tributários. Em outras palavras, o § 4º estabelece um safe harbour para os casos tratados no caput do art. 22. Concluindo, é inteiramente desimportante para a correta interpretação do § 1º do art. 22 o fato de os mútuos concedidos por pessoas domiciliadas no país a pessoas residentes no exterior não se sujeitarem a registro no Banco Central do Brasil. Tal registro, ou sua falta, somente é relevante na hipótese contrária àquela aqui verificada. 3) DOS AJUSTES AOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA REALIZADOS PELA RECORRENTE Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 14 13 Conforme tabela "A" contida no termo de verificação fiscal (fl. 563), o auditor acusa a contribuinte de haver contabilizado no ano de 2008, a título de receita de juros decorrente mútuo concedido a sua vinculada no exterior, apenas o montante de R$ 25.101,026,00, quando o correto, de acordo com o disposto no art. 22, § 1º, da Lei nº 9.430/96, seria o valor de R$ 57.580.801,00. Isso posto, exigiu de ofício IRPJ e CSLL sobre a diferença entre aqueles valores, qual seja, R$ 32.479.775,00. A interessada alegou em sua impugnação haver adicionado ao lucro líquido de 2008, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, o montante de R$ 43.341.609,31 a título de ajuste de preços de transferência, valor esse inclusive superior àquele verificado pela fiscalização, conforme linha 10 da ficha 09A e linha 10 da ficha 17 da DIPJ/2009. A DRJ de origem, entretanto, manteve a exigência sob o argumento de que a impugnante não demonstrou a composição dos R$ 43.341.609,31, ou seja, não provou que o valor exigido pela fiscalização encontrase incluído no montante informado na DIPJ. Em seu recurso voluntário a defesa renovou o argumento, sendo que a 2ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a interessada fosse intimada a demonstrar a composição dos R$ 43.341.609,31 oferecidos à tributação a título de ajustes de preços de transferência. A autoridade diligenciante elaborou, entretanto, relatório inconclusivo. Após discorrer sobre a ação fiscal e a diligência, apresentou como resultado duas alternativas, a saber: (i) manterse a exigência, haja vista que a contribuinte não logrou êxito em provar contabilmente a composição dos R$ 43.341.609,31, ou; (ii) afastarse a exigência uma vez que os valores apresentados nas planilhas convergem com aqueles escriturados no Lalur e informados na DIPJ/2009. Pareceme, entretanto, que há boas razões para crer que os R$ 32.479.775,00 não registrados contabilmente pela contribuinte a título de receita de juros de fato estão incluídos na adição ao lucro líquido no montante de R$ 43.341.609,31. Isso porque: (i) pelo exame das fichas 29A, 30 e 31 da DIPJ/2009 é possível concluir que a única transação informada pela contribuinte com pessoas ligadas residentes no exterior é exatamente o mútuo concedido à empresa Billiton Finance, domiciliada na Holanda (fl. 22), a mesma mencionada no TVF, e; (ii) o auditor não faz referência a qualquer outra operação da contribuinte com pessoas ligadas no exterior sujeita a ajustes de preços de transferência. 4) DAS DEMAIS INFRAÇÕES Quanto à variação cambial passiva deduzida do lucro líquido de 2008, no valor de R$ 1.555.035,40, e as despesas financeiras incomprovadas, no total de R$ 1.547.868,10, a recorrente admite sua indedutibilidade para fins fiscais. Entretanto alega que, como adicionou indevidamente na apuração do lucro real de 2008 o valor de R$ 10.861.834,31 (=R$ 43.341.609,31 R$ 32.479.775,00, conforme item anterior do voto), ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL valores substancialmente superiores aos ora exigidos. Assiste razão à recorrente. Se a contribuinte informou na DIPJ/2009 adições a maior no montante de R$ 10.861.834,31, e na mesma declaração deduziu indevidamente Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.722861/201213 Acórdão n.º 1201001.259 S1C2T1 Fl. 15 14 variações cambiais passivas e juros passivos no total de R$ 3.102.903,50 (=R$ 1.555.035,40 + R$ 1.547.868,10), que portanto deveriam ser adicionadas na apuração do lucro real do período, entendo que este fato deve ser considerado, afastandose assim a exigência de IRPJ e CSLL sobre essas duas infrações. 5) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11128.730336/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 800/2007, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos pela mesma norma. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, consoante entendimento externado pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 02/2016.
Numero da decisão: 3301-011.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.737, de 16 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 11128.730388/2013-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima , Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques D'Oliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 800/2007, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos pela mesma norma. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, consoante entendimento externado pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 02/2016. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.737, de 16 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 11128.730388/2013-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima , Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques D'Oliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 03 36 /2 01 3- 11 Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.743 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730336/2013-11 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada no prazo determinado pela legislação aduaneira, ensejando a aplicação de penalidade consubstanciada na multa regulamentar prevista no artigo 107, IV “e” do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03, por descumprimento do prazo estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Intimada da lavratura do Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou impugnação, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio de acórdão,considerou improcedente e manteve o crédito tributário constituído. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este CARF, em síntese, alegando : a) Impossibilidade de prestação de informações pela Requerente. b) Da Ausência de Motivação Adequada. Nulidade da decisão de primeira instância. Carência de fundamentação - também o Acórdão DRJ é nulo, por falta de motivação, pois feriu os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999, porque o Acórdão não enfrentou todas as argumentações apresentadas pela ora Recorrente em sua impugnação. c) a denúncia espontânea, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a imposição da multa. Cita a Solução de Consulta Cosit n°32 de 06/12/13. Cita o art. 102 do Decreto-lei n° 37/66 com as alterações da Lei n° 12.350/10. Alega a aplicação retroativa da norma nos termos do art. 106, I e II, “a” do CTN. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Afirma que inexiste procedimento fiscalizatório anterior à prestação da informação. Alega a inaplicabilidade do art. 683, §3° do RA. Afirma que um decreto regulatório não pode alterar o significado e abrangência de uma lei complementar como o CTN. Afirma que o art. 683, §3° do RA aplica-se ao transportador, sendo a impugnante agente de carga. Cita o art. 31, §2° do RA. d) Da violação ao princípio da razoabilidade insculpido no art. 2º da Lei 9784/99, pois é certo que a Recorrente não causou prejuízo ao controle aduaneiro, pois as informações já haviam sido prestadas antes da lavratura do respectivo Auto de infração. e) Inobservância do período de anterioridade – Infrações anteriores à 01/04/2009 – Período de adaptação do Siscomex Carga, pois por força da alteração promovida no artigo 50 da IN RFB nº 800/2007, pela IN RFB nº 899/2008, o prazo estipulado no artigo 22 da IN RFB n° 800/2007, invocado pela fiscalização, não pode ser obrigatório antes de 1° de Abril de 2009. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.743 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730336/2013-11 É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, portanto dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES - NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ. Alega a Recorrente que o Acórdão DRJ é nulo, por falta de motivação, pois feriu os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999, porque o Acórdão não enfrentou todas as argumentações apresentadas pela ora Recorrente em sua impugnação. Sem razão a recorrente. O Acórdão não apresenta nulidade, pois abarcou as alegações apresentadas pela ora Recorrente em sua impugnação, ademais o julgador não precisa enfrentar todos os argumentos apresentados quando já analisou aqueles que lhe garantam a convicção. Citamos o seguinte julgado : O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585). Ademais, as hipóteses de nulidade do processo administrativo fiscal estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, as quais também não ocorreram nos presentes autos. Assim, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15 https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/862180045/embargos-de-declaracao-no-mandado-de-seguranca-edcl-no-ms-21315-df-2014-0257056-9 Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.743 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730336/2013-11 - INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. CORREÇÃO DE DADO INFORMADO ANTERIORMENTE NÃO CONFIGURA A CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. Analisando os documentos acostados aos presentes autos, verificamos ás e-fls. 24, que houve pedido de retificação para o CE MASTER 150805184361427 : Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.743 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730336/2013-11 Portanto, ocorreu a retificação do CE já informado anteriormente no SICOMEX. Por sua clareza e precisão, adotamos, com a devida vênia, os dizeres do Acórdão de nº 3301-010.676 , desta 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, exarado no processo administrativo de nº 11968.000686/2009-73, de relatoria da I. Conselheira Liziane Angelotti Meira, por se aplicar in totum ao caso litigado nestes autos : “O enquadramento legal usado pela Fiscalização para a autuação, art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966, deixa claro que a penalidade é aplicada com o não cumprimento da obrigação, e não com o seu cumprimento incorreto, mesmo que ocorra prejuízo ao controle aduaneiro em ambos os casos, conforme abaixo (destaque acrescido): Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; Para solucionar controvérsias e a fim de uniformizar os procedimentos atinentes às Unidades da RFB, a Coordenação-Geral de Tributação emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 2, de 04/02/2016, cuja ementa assim esclareceu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.743 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730336/2013-11 A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. A SCI acima esclareceu que as alterações ou retificações de informações já prestadas pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, estabelecida no art. 107, IV, “e” e “f”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Em síntese, o núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo (deixar de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute), não comportando a hipótese dos presentes autos (retificação de CE), de modo a considerá-la como infração. Ademais, o procedimento de retificação tratado nos presentes autos respeitou o artigo 27-A da IN 800, de 27/12/2007, e não pode ser confundido com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Art. 27-A. Entende-se por retificação [...] II – de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após: Enfim, inexistia respaldo legal para a exigência. Portanto, deve ser aplicada a SCI Cosit nº 02, de 2016, à presente situação. Dessa forma, com base no entendimento exarado pela RFB na SCI Cosit nº 02, de 2016, aplicável ao caso dos autos (retificação intempestiva de informações já prestadas), deve ser cancelada a autuação. Portanto, tendo ocorrido a retificação dos CE objeto da autuação, deve ser cancelada a penalidade. Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, dar-lhe provimento para exonerar o crédito tributário constituído, com fundamento na SCI COSIT nº 2/2016. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.743 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.730336/2013-11 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redator Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.912457/2006-58
Data da sessão: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1301-000.023
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Paulo Jakson da Silva Lucas, que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Rhodia Brasil Ltda Recorrida 7ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo D I L I G Ê N C I A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Paulo Jakson da Silva Lucas, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Valmir Sandri (Vice Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jackson da Silva Lucas, Ricardo Luiz Leal de Melo e Andre Ricardo Lemes da Silva (Suplente Convocado). Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.912457/200658 Resolução n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Rhodia Brasil Ltda. recorre da decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, que indeferiu sua manifestação de inconformidade frente ao despacho decisório da autoridade administrativa competente da DERAT em São Paulo, que homologou apenas parcialmente a compensação de diversos débitos, levada a efeito em PER/DCOMP(s), com saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, no valor de R$ 5.191.918,65. Conforme relatado pelo julgador a quo, a contribuinte transmitiu DCOMPs (listadas às fls. 92/93), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL (fls. 01/32), referente ao anocalendário de 2001, no valor total de R$ 5.191.918,65, para compensação de débitos diversos A Diort/Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 91/105), HOMOLOGANDO EM PARTE as compensações declaradas em DCOMP. A homologação parcial deuse pelos seguintes motivos: I Saldo Negativo do anocalendário de 2000: A compensação das estimativas com o saldo negativo do anocalendário de 1999 não foi suficiente para a amortização integral dos débitos, razão pela qual o direito creditório da contribuinte foi reduzido de R$ 2.252.078,05 para R$ 2.252.075,85. II Saldo Negativo do anocalendário de 2001: Comprovação de recolhimentos de estimativas de somente R$ 5.490.693,49, o que resultou em saldo negativo de CSLL, após os ajustes, de R$ 4.705.611,00 (fl. 101). A requerente utilizouse de saldo negativo do ano calendário de 2000, para deduzir as estimativas mensais do anocalendário de 2001, o que foi glosado pela autoridade fiscal por ter sido o direito creditório do exercício anterior insuficiente para a extinção integral dos débitos (débito do Processo n° 13804.004040/200114 — fl. 87). Decidiu a autoridade: convalidar parcialmente as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de CSLL do anocalendário 1999 (extrato às fls. 50/53); convalidar parcialmente as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de CSLL do anocalendário 2000 (extrato às fls. 67/70); reconhecer o direito creditório no valor de R$ 4.705.611,00 (quatro milhões, setecentos e cinco mil, seiscentos e onze reais), relativo ao saldo de CSLL a compensar apurado no anocalendário 2001; homologar as compensações declaradas, EXCETO a referente ao PER/DCOMP n° 40524.50966.110407.1.3.036613 (fls. 88/90), que foi alcançada pela decadência. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.912457/200658 Resolução n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 3 3 Em sua manifestação de inconformidade deduzida junto à DRJ, a interessada instaurou litígio em torno do valor de R$ 486.307,65, referente ao anocalendário de 2001, alegando, em síntese, que: • Tem direito à restituição do saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2001, no valor de R$ 72.490,82 (valor atualizado para R$ 136.369,75), em virtude do prazo de 10 anos para a sua requisição, conforme posicionamento do STJ (PERDCOMP n° 40524.50966.110407.1.3.036613, apresentado em 11/04/2007); • Quanto ao saldo negativo do anocalendário de 2000, houve o reconhecimento de compensações no montante de R$ 2.940.029,94, utilizandose de saldo negativo do ano calendário de 1999, o qual resultou em saldo credor de R$ 2.252.078,05 (doc. 05); • A CSLL do PA de 11/2001, no valor de R$ 486.305,20, foi compensada com o crédito de multa moratória de R$ 1.485.184,10, cujo pleito foi analisado no Processo de n° 13804.004040/200114, e teve decisão desfavorável (doc. 08 e 09), encontrandose o mesmo em fase de análise no Conselho de Contribuintes (docs. 11 e 12). A compensação do referido PA não pode ser glosada em virtude do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e art. 151, III, do CTN. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou as compensações correlatas ao crédito não reconhecido, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARACÃO CSLL Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO CREDITÓRIO. DO DIREITO O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Compensação não homologada. Ciente da decisão em 09 de junho de 2009 (fl.304), a interessada ingressou com recurso em 15 do mesmo mês (fl. 306), reeditando as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.912457/200658 Resolução n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A interessada no presente processo apresentou vários PER/DCOMPs, para compensar diversos débitos com crédito representado pelo saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2001. A não homologação parcial decorreu de diferença apurada pela autoridade fiscal no crédito oferecido (saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2001), como abaixo demonstrado: Anocalendário 2001: Ficha 17 Autoridade fiscal DIPJ Discriminação Valor em R$ Valor em R$ CSLL Devida 785.082,49 785.082,49 CSLL Estimativa 5.490.693,49 5.977.001,14 Saldo (4.705.611,00) (5.191.918,65) A divergência, basicamente, decorre do fato de a contribuinte ter declarado, para o período de apuração de novembro de 2001, uma compensação com processo, no valor de R$ 486.305,20, que não foi confirmada pela autoridade administrativa, por ter sido o pleito (compensação com crédito de multa moratória de R$ 1.485.184,10 Processo de n° 13804.004040/200114) indeferido1. A 7ª Turma de Julgamento confirmou a decisão da autoridade administrativa, por falta de liquidez e certeza do crédito equivalente ao valor da estimativa de novembro de 2001. Em seu recurso a interessada, repetindo as razões declinadas na manifestação de inconformidade, alega que a referida parcela não poderia ser glosada, uma vez que o indeferimento da compensação tratada no Processo nº 13804.004040/200114 foi objeto de recurso que, na forma, § 1º do artigo 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tal como previsto no artigo 151, III, do CTN. A compensação, no Direito Tributário, regese pelo art. 170 do CTN, que a prevê como forma de extinção de crédito, demandando previsão em lei ordinária, nos seguintes termos: ''Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos 1 Há uma difereça inexpressiva, de centavos, referente ao anocalendário de 2000 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.912457/200658 Resolução n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 5 5 e certos, vencidos e vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.'' A previsão legal para a compensação por iniciativa do contribuinte encontrase regulada pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, cuja redação sofreu sucessivas alteração. As compensações consideradas neste processo foram protocolizadas em 18/08/2003, 11/11/2003, 18/06/2004 e 22/06/2004, quando o art. 74 da Lei nº 9.430/96 vigorava com a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.912457/200658 Resolução n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 6 6 § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) A parcela do crédito não homologada, por seu turno, tem origem em pedido de compensação protocolizado em 20/12/2001 (fl. 195). Esse pedido foi indeferido pela autoridade administrativa em 22/04/2004, tendo a contribuinte apresentado manifestação de inconformidade, a qual foi indeferida em 27/04/2005, sendo posteriormente interposto recurso ao Conselho de Contribuinte (Recurso n. 155.731), o qual foi incluído em pauta na data de 16/04/2008, tendo o julgamento sido convertido em diligência (Resolução n. 10102.656), sendo o processo expedido para a DERAT/SP em 13/06/2008. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.912457/200658 Resolução n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 7 7 Dessa forma, por estar pendente de apreciação pela autoridade administrativa desde30/08/2002, referido pedido de compensação convolouse em declaração de compensação desde 20/12/2001, conforme mandamento do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por conseguinte, o crédito tributário referente à estimativa de novembro de 2001 restou extinto sob condição resolutória. Somente a partir da Lei nº 11.051, de 2004 (vigência a partir de 01/10/2004) ficou vedada à compensação cujo débito indicado já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, ou cujo valor do crédito indicado já tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. No presente caso, por se tratar de compensações declaradas antes de 01/10/2004, os débitos apontados para compensação estão extintos sob condição resolutória. Há, assim, uma questão processual que é prejudicial à apreciação deste processo, que é a manifestação de inconformidade nos autos do Processo nº 13804.004040/200114, ainda não decidida definitivamente. Nessas condições, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que o presente processo seja apensado ao Processo nº 13804.004040/200114, somente sendo desapensado e retornando a julgamento após decisão definitiva naquele processo, que deverá ser juntada por cópia ao presente. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/04/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13977.000138/2001-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.152
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de novo Recurso Voluntário (fls. 731 a 756) interposto em face da nova decisão proferida pela DRJ Ribeirão Preto/SP (fls. 723 a 727), que decorreu da anulação da decisão anterior por esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.743, de 29 de setembro de 2010 (fls. 648 a 650). Em 3 de agosto de 2001, o contribuinte havia protocolizado junto à Receita Federal Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI e, posteriormente, em 30 de agosto de 2001, Pedidos de Compensação (fls. 1 a 137), em relação aos quais se obteve, em 13 de dezembro de 2006, decisão parcialmente favorável em sede de mandado de segurança impetrado junto à Justiça Federal em Blumenau/SC, determinandose à Receita Federal a apreciação do pleito no prazo de 30 dias e a prolação de decisão em igual prazo após o esgotamento do anterior (fls. 138 a 146). Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Para fins de cumprimento do writ, a Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da DRF Blumenau/SC intimou o contribuinte a apresentar, em 20 dias, os elementos probatórios considerados necessários à apreciação do pedido de ressarcimento (fls. 157 a 171), tendo sido requerido pelo intimado a prorrogação do prazo de entrega dos documentos em mais 15 dias em razão de problemas operacionais internos à sociedade empresária (fl. 172). Considerando a exiguidade do prazo estipulado na decisão judicial para seu cumprimento e a negligência do requerente no atendimento da intimação no prazo estatuído, a autoridade administrativa negou a prorrogação requerida e indeferiu a solicitação com base na ausência de comprovação dos fatos alegados (fls. 173 a 183). Não se conformando com tal decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 192 a 610) e alegou que a solicitação de prorrogação de prazo para atendimento da intimação se devera à existência de inúmeros pedidos protocolizados concomitantemente que teriam demandado a contratação de assessoria especializada, inexistindo qualquer embaraço ao juízo quanto à dilação do prazo por conta da complexidade e do volume dos documentos requeridos. Alegando o direito de apresentação de provas em qualquer fase do processo administrativo, o contribuinte requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, a revisão da decisão a quo, bem como a reanálise do pedido pela repartição de origem. A DRJ Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação (fls. 615 a 618), considerando que a não apresentação, no prazo fixado, dos documentos necessários à apreciação do pedido formulado pelo próprio contribuinte, a quem cabe o ônus da prova, ensejaria o arquivamento do processo. Considerou a autoridade julgadora a quo que o exame do mérito se encontraria prejudicado, pois que a apreciação dos documentos trazidos ao processo somente após a instauração do contencioso administrativo acarretaria supressão de instância, tendo em vista que a concessão de direitos creditórios e a homologação de compensações seriam da competência da repartição de origem que primeiro apreciou o pleito formulado. Ressaltouse, também, que a falta de atendimento da intimação provocada judicialmente pelo próprio interessado já seria motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, não havendo amparo à inversão do interesse de ação no sentido de caber à Administração a busca pela dilatação do prazo definido pelo juiz. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 624 a 646) e requereu a declaração de nulidade do processo a partir do despacho decisório, alegando afronta ao princípio da verdade material, considerando que os documentos acostados juntamente com a manifestação de inconformidade, contendo todas as informações necessárias à análise requerida, ensejariam o deferimento do pleito. Para embasar sua defesa, apresentou excertos de decisões deste Conselho, em que se decidira pela faculdade conferida aos administrados de apresentar os elementos probatórios na fase impugnatória, em consonância com os princípios da ampla defesa e da verdade material. Em 29 de setembro de 2010, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.743, considerando os elementos probatórios trazidos aos autos na fase de manifestação de inconformidade, decidiu, por unanimidade de votos, em prover parcialmente o recurso voluntário, por anular a decisão de primeira instância, para que outra fosse proferida Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13977.000138/200111 Resolução n.º 380300.152 S3TE03 Fl. 761 3 após a análise dos documentos e das demais informações carreadas aos autos pelo então Impugnante, ainda que, para tanto, fosse necessária a realização de diligências junto à repartição de origem com vistas à elucidação dos fatos e ao bom deslinde da questão. Esta 3ª Turma considerou que não se vislumbrou negligência por parte do Recorrente na relação com a Administração tributária, pois que, tempestivamente, requereu a prorrogação do prazo de atendimento da intimação, dada a complexidade e o volume dos dados requeridos. Ponderou, ainda, que a alegação de que tal prorrogação inviabilizaria o estrito cumprimento do prazo estipulado na ordem judicial não se mostrava de todo convincente, uma vez que a dilação do período de análise do pleito viria a ocorrer por provocação do próprio interessado, situação essa que poderia ter sido cientificada ao Juízo competente para fins de desoneração e afastamento de qualquer responsabilização por eventual descumprimento de decisão judicial. Destacouse, também, que a realidade dos fatos exteriorizada pelos documentos e informações presentes nos autos não poderia ser prejudicada, dado que as regras do Processo Administrativo Fiscal (PAF) foram observadas pelo Recorrente. A DRJ Ribeirão Preto/SP baixou os autos em diligência à repartição de origem para que a Fiscalização se pronunciasse sobre os seguintes questionamentos: 1º) A documentação juntada pelo interessado, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, atendeu às intimações feitas no decorrer do exame do pedido? 2º) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). A Fiscalização, em atendimento ao requerido pela DRJ, informou que, embora parte da documentação tivesse sido juntada na Manifestação de Inconformidade, o interessado não apresentou a memória de cálculo do crédito presumido, prevista no art. 6º da IN SRF nº 23/97, em razão do que restou não comprovado o direito creditório alegado. Ciente da Informação Fiscal, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade e alegou que, ao contrário do que afirmara a Fiscalização, a documentação apresentada seria mais do que suficiente para comprovar seu direito ao crédito presumido, que teria sido calculado de acordo com o disposto na Lei nº 9.393/1996, sendo que “nem mesmo o mencionado art. 6º da IN SRF nº 23/97, apresenta tal exigência, apenas recomenda que a empresa deva mantêla em boa guarda”. Inobstante suas argumentações, o contribuinte trouxe aos autos o documento intitulado “Memória de Cálculo”, que, segundo ele, demonstraria as CFOPs utilizadas para compor os valores do crédito pleiteado. A DRJ Ribeirão Preto/SP proferiu nova decisão (fls. 723 a 727) e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando o seguinte: a) os documentos que haviam sido solicitados são obrigatórios e estavam de posse da pessoa jurídica; Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 b) o primeiro pedido de prorrogação de prazo feito pelo contribuinte se dera de forma irregular, sem prova de que quem assinava representava o contribuinte; c) na medida em que o próprio interessado buscara “a ordem judicial para que o procedimento fiscal de investigação e apuração da certeza e liquidez do crédito presumido para fins de compensação, conforme estatui o artigo 170 do CTN, se encerrasse em trinta dias, seria mínima cautela, para não falar em bom senso, já estar de posse para plena apresentação à Fazenda Pública dos documentos probantes de seu direito”; d) o julgador administrativo não poderia “avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos”, nem “poderia analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade”; e) examinandose a documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que se tratava de “listagens e demonstrativos que totalizam o que foi escriturado nos livros fiscais, com exceção da listagem de insumos que não foi juntada”; f) “em homenagem ao princípio da verdade material levantado pela defesa, a prova do direito creditório alegado se faz pela apresentação da correta e idônea documentação que originaram os lançamentos contábeis, não só pelo disposto na legislação tributária como pelos princípios contábeis geralmente aceitos”; g) inexistiriam “dúvidas de que a falta de apresentação das memórias de cálculo, previstas na IN SRF nº 23/97 e posteriores, impediu a fiscalização a comprovação do crédito presumido alegado”; h) “ao contrário do que entende a defesa, a guarda e apresentação das memórias de cálculo, para fins de apuração do crédito presumido, é obrigatória sim e, vale lembrar que essa obrigação acessória, como qualquer outra, não é imposta apenas pela lei, mas, nos termos do CTN, pela legislação tributária, na qual se insere a citada Instrução Normativa”; i) “No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, provase sua certeza e liquidez, além dos itens apresentados, pelo que consta nas memórias de cálculo, notas fiscais de aquisição, comprovantes de exportação, etc, ou seja, para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são provenientes de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados ou apurados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido”; j) “o contribuinte confessa que, ao arrepio da legislação aplicável, não possuía as memórias de cálculo, nem mesmo no momento de responder a Informação Fiscal, ou seja, o que se constata é a crença do manifestante de que o princípio da verdade material lhe garante apresentar a documentação que quer, no momento que quiser, em flagrante desrespeito aos prazos legais e aos determinados por ordem judicial e acórdão do CARF”; k) “o documento apresentado não apresenta as memórias de cálculo necessárias para a comprovação do direito creditório, nem demonstra as CFOP’s utilizadas, salta aos olhos que, embora o contribuinte tenha pedido o Crédito Presumido com base na Portaria nº 38/97, os cálculos que o interessado apresentou foram feitos com base na opção, não exercida, da Lei nº 10.276/2001, com a inclusão das compras de energia elétrica, aliás, destaquese que essa opção Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13977.000138/200111 Resolução n.º 380300.152 S3TE03 Fl. 762 5 de cálculo nem existia no período de apuração em questão, o que demonstra a imprestabilidade do demonstrativo. Inconformado, o contribuinte recorre novamente a este Conselho (fls. 731 a 756) e reitera seu pedido, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) infundada alegação da não comprovação do crédito por intempestividade, pois este pode ser comprovado por meio das informações e dos documentos constantes dos autos; b) todas as notas fiscais de exportação direta e indireta encontramse relacionadas em documento anexo e em arquivo digital; c) todos os valores que compõem o crédito presumido podem ser comprovados por meio dos arquivos digitais entregues em atendimento à intimação fiscal; d) constam dos autos o Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) e a DCTF que contêm a demonstração da apuração do direito creditório; e) “para melhor comprovar o alegado, foi juntado aos autos, inclusive para melhor visualização, planilha com a composição dos valores que integram a DCP/DCTF, com menção das respectivas CFOP’s”, bem como “relação e cópia das notas fiscais, para comprovar o crédito reclamado”; f) foram anexados, também, os balancetes solicitados; g) além da memória de cálculo apresentada junto com a Manifestação de Inconformidade, já haviam sido apresentados anteriormente todos os documentos comprobatórios do crédito presumido de IPI, dispondo a Fiscalização de todas as informações necessárias a sua apuração; h) afronta ao princípio da verdade material, em decorrência do que o presente processo deve ser declarado nulo, para que a autoridade fiscal analise o pedido à luz dos documentos trazidos aos autos. Por fim, requer que todas as intimações sejam dirigidas aos seus advogados no endereço informado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de encaminhamento da correspondência ao endereço dos causídicos, esclareçase que inexiste autorização legal nesse sentido, havendo previsão no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que as intimações enviadas por via postal devem ser recebidas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passsivo. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 A eleição do domicílio tributário se dá no momento do registro da pessoa jurídica no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), ou, posteriormente, por meio de sua atualização, formalmente requerida à Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, e naquelas de mesma diretiva por esta sucedidas. Conforme acima relatado, mesmo após a anulação da decisão administrativa de primeira instância, em razão da falta de apreciação das provas trazidas pelo sujeito passivo na fase de Manifestação de Inconformidade, a DRJ Ribeirão Preto/SP, na mesma linha adotada pela Fiscalização, manteve seu entendimento no novo acórdão de que, em razão da não apresentação da memória de cálculo do crédito presumido, a análise do pedido tornouse prejudicada, acarretando o seu não acatamento. Constatase que o fundamento central da negativa da DRJ foi o não atendimento pelo sujeito passivo de um dentre os treze itens solicitados pela Fiscalização. Baseouse o julgador de piso, para não apreciar as demais provas trazidas aos autos pelo contribuinte, no art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 23/1997, que estipula a necessidade de manutenção em boa guarda das memórias de cálculo dos créditos presumidos. No entanto, todos os demais documentos e informações solicitados foram apresentados pelo sujeito passivo, com exceção daquelas justificadamente não disponíveis, como o Livro de Registro de Apuração do IPI contendo a escrituração do período sob análise, arquivos digitais contendo os lançamentos efetuados no Livro Registro de Entradas e no Livro Registro de Saídas, referentes aos períodos a que se referem os pedidos de ressarcimento, relação das notas fiscais das exportações diretas ocorridas nos períodos, relação das notas fiscais de vendas a comerciais exportadoras, Demonstrativos dos produtos exportados, dos produtos oriundos da atividade rural adquiridos de cooperativa e dos produtos oriundos de não contribuintes do PIS e da Cofins, relação de todos os produtos industrializados ou comercializados pela empresa, relação de todos os insumos adquiridos e considerados como origem do crédito pleiteado, dentre outros. Além disso, no momento da apresentação da nova Manifestação de Inconformidade, que corresponde ao termo inicial de instauração do Processo Administrativo Fiscal (PAF) em que se assegura ao sujeito passivo o direito de trazer a prova documental aos autos, nos termos do § 4ª do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte apresentou a memória de cálculo requerida que foi totalmente ignorada pelo julgador de piso, sob o argumento de que os cálculos apresentados teriam sido feitos com base na Lei nº 10.276/2001 e não na Portaria MF nº 38/1997, sendo que o contribuinte, em momento algum, fez qualquer referência à citada lei. O fato de o contribuinte ter considerado no cálculo do crédito presumido despesas que não se subsumem no conceito de insumos, como gastos com energia elétrica, não pode servir de supedâneo para o seu pronto descarte, independentemente de qualquer análise ou confronto com a escrituração e os documentos fiscais. Argumenta, ainda, o relator a quo, contrariando frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como as regras do PAF, e, por conseguinte, cerceando o direito de defesa do contribuinte, que o julgador administrativo não pode avocar para si a competência para o reexame da matéria de mérito sob enfoque, nem para a análise do pedido como se este tivesse sido efetuado na Manifestação de Inconformidade. Argumentou o relator de piso que, em homenagem ao princípio da verdade material, a prova do direito creditório se faria pela apresentação da correta e idônea documentação que originou os lançamentos contábeis, ignorando, por completo, que todos os Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13977.000138/200111 Resolução n.º 380300.152 S3TE03 Fl. 763 7 itens solicitados pela Fiscalização foram apresentados pelo contribuinte até o momento da impugnação do despacho decisório, em conformidade com o disposto no já citado § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Verificase, portanto, que o mesmo fato que ensejara a anulação do primeiro acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, qual seja, a não apreciação das provas trazidas aos autos pelo interessado no momento processual oportuno, garantido pelas normas administrativas processuais, ainda remanesce vívida, a reclamar por nova anulação. Contudo, os fatos presentes nos autos demonstram que essa medida não produziria efeito prático nenhum, dada a postura assaz reativa da autoridade julgadora de piso, que não se conformou com o pedido do contribuinte de prorrogação do prazo para atendimento do primeiro termo de intimação firmado pela repartição de origem, o que, no seu entender, contrariaria a sua precedente busca pelo Poder Judiciário para forçar a aceleração da apreciação dos pedidos de ressarcimento e das declarações de compensação. Nesse contexto, considerando que para se concluir acerca da extensão do direito creditório pleiteado há a necessidade de se confrontarem os dados presentes nos autos, muitos deles apresentados em arquivos magnéticos, com outros constantes dos sistemas internos da Receita Federal, bem como da escrituração contábilfiscal e da documentação da pessoa jurídica trazidas aos autos, surge como única alternativa à pacificação no processo a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a Fiscalização, com base em todas as informações já disponíveis nos autos, proceda ao exame do crédito presumido requerido pelo Recorrente. Concluise, portanto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure, observandose as normas que regem a matéria, a extensão do crédito presumido de IPI a que tem direito o Recorrente, valendose de todas as informações e documentos presentes nos autos, bem como de outros que se mostrarem necessários ao bom cumprimento desta decisão. O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13977.000138/200111 Interessada: DF MADEIRAS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 380300.152, de 21 de março de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 21 de março de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13731.000369/98-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 105-01.347
Decisão: RESOLVEM os Membros da QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10552.000542/2007-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 30, 1,
A, DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 4°, CAPUT, DA LEI 10,666/2003 C/C ARTIGO 216, I, A, DO DECRETO N° 3.048/99 - DEIXAR DE
ARRECADAR, MEDIANTE. DESCONTO DA REMUNERAÇÃO, A CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, A SEU SERVIÇO
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA
JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2403-000.191
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso, não acolher as preliminares de nulidade formal e decadência parcial e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 30, 1, A, DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 4°, CAPUT, DA LEI 10,666/2003 C/C ARTIGO 216, I, A, DO DECRETO N° 3.048/99 - DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE. DESCONTO DA REMUNERAÇÃO, A CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, A SEU SERVIÇO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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DESCONTO DA REMUNERAÇÃO, A CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, A SEU SERVIÇO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não acolher as preliminares de nulidade formal e decadência parcial e, no mérito, em negar provimento ao recurso, CARLOS ALBERTØ MEES STRINGARI - Presidente M1115 PAULO MAURICIO \PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Albeito Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivaeir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalliks Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Processo Tf 10552.000542/2007-74 S2-C4T3 Acórdão n° 2403-00.191 A. 167 Relatório Trata-se de recurso voluntário, fls. 151 a 162, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre - RS, Acórdão ri." 12.809 — 8 Turma da DRJ/POA, fls. 141 a 145, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória Segundo a Auditoria-Fiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 26, e Anexo "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária"às fls. 28, o Auto de Infração, de obrigação acessória, ri.° 37.020,109-4, Código de Fundamentação Legal — CFL 59, no valor de R$ 1,156,95 (um mil, cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos), foi lavrado devido a Recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurado contribuinte individual a seu serviço - período de 08/2004 a 11/2005. A recorrente descumpriu assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art, 4', "caput" e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 27, dada a inexistência de agravantes e de atenuantes, discriminadas no art. 290 e art. 291 do RPS, foi aplicada multa no valor total de R$ 1.156,95 (um mil, cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos), em obediência ao previsto no art. 92 e art. 102 da n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 283, I, alínea "g" e art. 373, do RPS, com valores atualizados pela Portaria MPS/GM IV. 342, de 16,08.2006. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no Relatório Fiscal da Infração, fls. 26, ou seja, ter deixado de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurado contribuinte individual a seu serviço. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09291916F00, foi de 01/1997 a 0.3/2006, fls. 06. A Recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 29.09.2006, às 01, O Auto de Infração se refere ao período de 08/2004 a 11/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 26, e dados extraídos dos arquivos digitais disponibilizados pela empresa para o período de 1999 a 2005, apresentados, às fls, 28, no Anexo "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária". Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 37 a 44, e fls, 70 a 129,onde alega em síntese que: (a) A obrigação descrita no lançamento é principal e não acessória como haveria de ser em se tratando de autuação e que ela já fui incluída no Lançamento de Débito Confessado (LDC) n'37 020.113-2, emitido na mesma ação fiscal. (b) Que conforme exigência do art. 293 do RPS, faltou ao lançamento a descrição clara e precisa da infração imputada porque o Relatório Fiscal da Infração refere o período de 1999 a 2005 e o relatório "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária" diz respeito apenas a pagamentos ocorridos no final de 2004 e em 2005. (c) Ao .final, requer a decretação da nulidade da presente autuação e, no caso de não ser atendido, pede a sua relevação, por entender presentes os requisitos para tal, mormente pela correção da falta através do LDC n° 37_020.113-2. A Recorrida analisou a impugnação e julgou procedente a autuação e manteve a multa aplicada, às fls. 141 a 145; em apertada síntese: (1) O contribuinte apresentou documentos complementares após o prazo de defesa, cabe destacar que ditos documentos são relativos ao LDC n° 37,020 113-2 e do seu correspondente parcelamento, os quais já eram plenamente conhecidos, (2) Quanto ao mérito, é importante explicar que não houve a aludida confusão entre a obrigação acessória objeto da presente autuação e parte da obrigação principal confessada no LDC n° 37.020.113-2. No presente lançamento, o contribuinte fui autuado por ter descumprido a obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurado contribuinte individual a seu serviço, a qual se encontra estipulada no art. 4 0, capta da Lei 10. 666/03 e no art. 216,1, "a" do RPS Como penalidade a esta falta, .fbi-lhe aplicada a multa determinada no art. 283, 1, "g" do RPS. Por outro lado, no LDC foi confèssado pela impugnante, entre outras contribuições devidas, a do contribuinte individual, obrigação principal baseada no art. 21 da Lei n° 8 212/91, surgida pela ocorrência do fato gerador — remuneração a segurado por serviços prestados — a qual a empresa ,ficou sub- rogada como substituta tributária, pela mesma determinação do art. 4', caput da Lei 10.666/03. (3) Não assiste razão ao contribuinte quanto a ter faltado clareza e precisão na descrição da infração imputada. Da simples leitura dos autos, fica evidente que o Relatório Fiscal da Infração refere o período de 1999 a 2005 como aquele que se refere aos dados dos arquivos digitais' disponibilizados pela empresa, donde . foram extraídas as informações sobre as omissões que culminaram com a autuação, estas sim, apresentadas no relatório "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária", compreendem o perimiu de 08/2004 a 11/2005. (4) Como medida alternativa, o contribuinte pediu a releva ção da penalidade aplicada sem no entanto ter corrigido a .falta. 5 Processo n° 0552000542/2007-74 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.191 Fl 168 Desta .forma, não cumpriu o principal requisito para obtenção do beneficio da releva ção, conforme definido no art. 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, ou seja, não corrigiu a.falta. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 151 a 162, onde alega, em síntese que: (a) Preliminarmente, seja reconhecida a nulidade formal do auto de infração. Com ot limdamento de que a obrigação descrita no lançamento é principal e não acessória como haveria de ser em se tratando de autuação e que ela já foi incluída no Lançamento de Débito Confessado (LDC) n°37. 020.113-2, já anexados aos autos, sob a rubrica "4.1.2. Segurados contribuintes individuais", emitido na mesma ação fiscal. O débito consolidado no LDC DEBCAD 37.020.113-2 já inclui multa como acréscimo legal, Destarte, nova multa não pode ser imposta à peticionária pelo suposto de,scumprimento da mesma obrigação tributária, muito menos por meio de Auto de Infração. A lavratura de Auto de Infração e aplicação de multa, portanto, seria manifestamente inadequada. (b) Da falta de descrição clara e precisa da infração imputada à recorrente.. Que conforme exigência do art. 293 do RPS, faltou ao lançamento a descrição clara e precisa da infração imputada porque o Relatório Fiscal da Infração refere o período de 1999 a 2005 e o relatório "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária" diz respeito apenas a pagamentos ocorridos no final de 2004 e em 2005. O Relatório Fiscal, no mínimo, apresenta-se confuso, não indicando com a precisão necessária e exigível qual teria sido o período do suposto descumprimento da obrigação tributária, circunstância que inviabiliza o exercício efetivo do direito de defesa por parte peticionária, especialmente no tocante à gradação da multa, inquinando a autuação de nulidade. (c) Da "elevação da multa A recorrente alega que no prazo assinado pelo art. 291, § 1'do RPS, conforme o texto à época em vigor-, comprovou ter diligenciado para o recolhimento de forma parcelada das contribuições previdenciárias referentes ao segurado contribuinte individual a seu serviço. A recorrente reconhece que inicia/mente, com a devida vênia, é inviável, agora, proceder ao "desconto dos segurados". Este só é possível no momento da entrega dos recursos, depois não. Ademais, a recorrente aduz que, por outro lado, o que estava ao alcance da recorrente, nesse momento, para correção da falta, esta o fez: diligenciou no recolhimento das contribuições correspondentes aos repasses. Mais não se lhe poderia exigir. (d) Ao . final, requer a decretação da nulidade da presente autuação e, no caso de não ser atendido, pede a sua releva ção, na jOrma do art. 291, § 1Decreto 3 048/1999, Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls, 165. É o relatório, 1 TORRES, Ricardo Lobo Op. cit , p, 236 2 PAULSEN, Leandro. Op cit., p, 900. 7 Processo n° 10552000542/2007-74 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00J91 Fi 169 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl, 165. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito, DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) DA NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. A recorrente alega que a obrigação descrita no lançamento é principal e não acessória corno haveria de ser em se tratando de autuação e que ela já foi incluída no Lançamento de Débito Confessado - LDC n° 37.020.113-2, já anexados aos autos, às fls, 48 a 54 e fls, 72 a 116, sob a rubrica "4,1.2. Segurados contribuintes individuais", emitido na mesma ação fiscal. Entretanto, deve-se anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2 , observa-se que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar ., enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art„ 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submete-se o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso o Lançamento de Débito Confessado - LDC n° 37,020,113-2, Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendo-se o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o Auto de Infração AI, Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas, inclusive conforme muito bem exposto pela a Recorrida, às fls. 144 " (..) No presente lançamento, o contribuinte foi autuado por ter descumprido a obrigação acessória de arrecadar-, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurado contribuinte individual a seu serviço, a qual se encontra estipulada no art 4°, caput da Lei 10.666/03 e no 216,1, "a" do RPS Como penalidade a esta falta, fbi-lhe aplicada a multa determinada no art. 283, 1, "g" do RPS Por outro lado, no LDC foi confessado pela impugnante, entre outras contribuições devidas, a do contribuinte individual, obrigação principal baseada no art, 21 da Lei n° 8,212/91, surgida pela ocorrência do fato gerador — remuneração a segurado por serviços prestados — a qual a empresa ficou sub- rogada como substituta tributária, pela mesma determinação do art. 4°, caput da Lei 10,666/03." DO MÉRITO (b) DA FALTA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE. A recorrente alega que o Relatório Fiscal, no mínimo, apresenta-se confuso, não indicando com a precisão necessária e exigível qual teria sido o período do suposto descumprimento da obrigação tributária, circunstância que inviabiliza o exercício efetivo do direito de defesa por parte peticionária, especialmente no tocante à gradação da multa, inquinando a autuação de nulidade. Aduz também a recorrente que conforme exigência do art, 293 do RPS, faltou ao lançamento a descrição clara e precisa da infração imputada porque o Relatório Fiscal da Infração refere o período de 1999 a 2005 e o relatório "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária" diz respeito apenas a pagamentos ocorridos no final de 2004 e em 2005. Entretanto, o Relatório Fiscal da Infração, às fis. 26, assim se apresenta: " A empresa está sendo autuada por Infringir o disposto na Lei 8.212/91, art, 30, inciso 1, alínea "a", e alteraçôes posteriores e na Lei 10.666/03, art. 4, "captei" e no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decretar 3.043/99, art. 216, Inciso 1, alínea "a", por deixar de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurado contribuinte individual a seu serviço, conforme lançamentos contábeis discriminados no relatório intitulado "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária", onde são pormenorizadas todas as informações que os identificam, juntamente com o cálculo da contribuição do segurado, em anexo, extraídos dos arquivos digitais disponibilizados pela empresa, para o período de 1999 a 2005, conforme recibo de entrega código de identificação geal número 3943a91-dbl 6281: 184844d95d-364bd523, de 11/07/06, também apenso ao presente relatório. Anexamos, por amostragem, alguns documentos que originaram os lançamentos contábeis, com datas de 05/01/05, RPA 006, e 03/05/05, RPA 012." Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a falta de uma descrição clara e precisa na descrição do auto de infração pois o período de 1999 a Processo n° 10552 000542/2007-74 S2-C4T3 Acórdão o' 2403-00.191 2005 se refere aos arquivos digitais disponibilizados pela empresa, para o período de 1999 a 2005, conforme recibo de entrega código de identificação geral número 39ef3a91- db16281:184844d95d-364bd523, de 11/07/06. Outrossim, conforme o Anexo "Pagamentos a segurado contribuinte individual sem desconto da contribuição previdenciária", às fis. 28, o período 08/2004 a 11/2005 objeto da autuação se refere a dados extraídos dos arquivos digitais disponibilizados pela empresa dentro do período total de 1999 a 2005. (c) DA RELEVAÇÃO DA MULTA A recorrente alega que no prazo assinado pelo art. 291, § Pdo RPS, conforme o texto à época em vigor, comprovou ter diligenciado para o recolhimento de forma parcelada das contribuições previdenciárias referentes ao segurado contribuinte individual a seu serviço. A recorrente reconhece que inicialmente, é inviável, agora, proceder ao "desconto dos segurados". Este só é possível no momento da entrega dos recursos, depois não. Ademais, a recorrente aduz que, por outro lado, o que estava ao alcance da recorrente, nesse momento, para correção da falta, esta o fez, diligenciou no recolhimento das contribuições correspondentes aos repasses. Mais não se lhe poderia exigir. Anota-se que as multas por descumprimento de obrigação acessória podiam ser relevadas desde que o infrator formulasse pedido e corrigisse a falta dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante, conforme o art. 291, § 1 0, RPS na redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto n° 6,727, de 2009. Observa-se que tanto a relevação quanto a atenuação das multas por descumprirnento de obrigação acessória não mais existem no ordenamento pois o Decreto n" 6327, de 2009 revogou o art„ 291, RPS bem como o art. 292, V, RPS, que delimitava a atenuação em 50%. Ademais, o art. 93, parágrafo único, Lei 8,212/1991 foi revogado pela Lei 11.941/2009, na qual se previa que a autoridade que reduzisse ou relevasse multa recorreria de oficio para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento: Art. 93 O recurso contra a decisão do INSS que aplicar multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária só terá seguimento se o interessado o instruir comm a prova do depósito da multa atualizada monetariamente, a partir da data da lavratura. (Redação dada pela Lei n° 8.870, de 1994). (Revogado o eaput pela Lei n°9.639, de 25.5.98.) Parágrafo único. A autoridade que reduzir ou relevar nutha recorrerá de oficio para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento. (Revogado pela Medida Provisória n" 449, de 2008) (Revogado pela Lei n° 11.941, de 2009) Fl. 170 Ainda assim, seguem as redações do art. 291, RPS, com a alteração dada pelo Decreto IV 6,032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009: Art.291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada to- o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente, §1" A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator .for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a ,frilta até o termo .final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n°6.727, de 2009) §1" A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) §2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento, (Revogado pelo Decreto e 6.727, de 2009) §3" A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366, §3' Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n" 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n" 6.727, de 2009) Desta forma, à época da interposição do recurso voluntário pelo contribuinte, em 20.12.2007, conforme fls. 152, o dispositivo do art. 291, § 1°, RPS, com a redação dada pelo Decreto n° 6,032, de 02.02,2007, dispunha que: "A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante". Desta forma, a recorrente deveria comprovar que formulou pedido e que corrigiu a falta dentro do prazo de impugnação. A correção da falta ocorre com a comprovação de que foi efetivado o correspondente desconto dos segurados contribuintes individuais e de que houve a arrecadação destas quantias. Então se fixam essas duas condições: a arrecadação da quantias e o desconto dos segurados contribuintes individuais. Sala das Sessões, em 23 e setembro de 2010 Processo n" 10552 000542/2007-74 S2-C4T3 Acórdão o " 2403-00.191 Fl. 171 No entanto, sem adentrar no mérito da primeira condição, qual seja, se houve ou não a arrecadação das quantias com o pedido de parcelamento da LDC 37.020.113-2 e as conseqüentes parcelas ainda a vencer, é certo que a segunda condição não foi atendida. Desta forma, a segunda condição de se efetivar o correspondente desconto dos segurados contribuintes individuais não restou comprovada nos autos de ter havido o desconto através de recibos ou mesmo dos devidos estornos contábeis. Ademais, a própria recorrente reconhece o não atendimento desta condição às fls. 161: " 4, Iniciahizente, com a devida vênia, é inviável, agora, procede,- ao "desconto dos segurados", Este só é possível no momento da entrega dos recursos, depois não. Desta forma, a recorrente não atendeu os requisitos para a relevação da multa nos termos à época da interposição do recurso voluntário, em 20.12.2007, conforme fls. 152, conforme dispunha o dispositivo do art. 291, § 1°, RPS, com a redação dada pelo Decreto n° 6,032, de 02.02.2007. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, não acolher a PRELIMINAR de nulidade formal, e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator 11 \P"%. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS - QUADRA 01 - BLOCO "i" - ED ALVORADA 11" ANDAR— CEP: 70396— 900— Bras1ia- DF Tel: (0xx61) 3412-7568 Flotne Page:http:// www earf fazenda.gov br PROCESSO : O 55 / .00 --5±4 INTERESSADO: _rp, TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 03 000, c`i( folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada.
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Numero do processo: 16366.720114/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N° 1. MATÉRIAS RECURSAIS JULGADAS PELO TRF DA 4ª REGIÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula n° 1 vinculante, cf. Portaria MF nº 277/2018, DOU 08/06/2018).
Numero da decisão: 3301-011.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em virtude de concomitância com a ação judicial n° 5010683-49.2016.4.04.7001/PR (TRF 4ª Região).
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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SÚMULA CARF N° 1. MATÉRIAS RECURSAIS JULGADAS PELO TRF DA 4ª REGIÃO. NÃO CONHECIMENTO. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula n° 1 vinculante, cf. Portaria MF nº 277/2018, DOU 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em virtude de concomitância com a ação judicial n° 5010683- 49.2016.4.04.7001/PR (TRF 4ª Região). (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 01 14 /2 01 1- 21 Fl. 856DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 Na origem, foi interposta a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório emitido em função do Pedido de Ressarcimento (PER) dos créditos de PIS não- cumulativo, decorrentes das operações com o mercado externo ocorridas no 2º trimestre de 2010. A autoridade fiscal reconheceu a legitimidade de parte do credito pleiteado. A motivação foi a seguinte: - A interessada tem por atividade econômica o Curtimento e outras preparações de couro (Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE nº 1510600), todos classificados nos capítulos 41 e 64 da TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, que correspondem a “Peles, exceto a peleteria (peles com pêlo), e couros” e “Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes”; - A requerente adotou o método de rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados às exportações, com percentuais resultantes das operações de vendas no mercado externo e no mercado interno em relação à receita bruta total; - A requerente registra a totalidade de suas exportações como vendas para o exterior de mercadorias sob o regime de drawback CFOP 7127. Porém nem todas as exportações foram realizadas com drawback; - Ao proceder a análise das compras da contribuinte, observa-se grande quantidade de aquisições classificadas nos códigos CFOP 3127 - Compra para industrialização sob o regime de "drawback” (aquisições no mercado externo), com suspensão no pagamento das contribuições. Há também várias aquisições realizadas no mercado interno com suspensão das contribuições em virtude do mencionado regime aduaneiro; - A suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS abrange tanto a importação quanto a aquisição no mercado interno de insumos (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem). Os insumos adquiridos sob o regime de DRAWBACK com suspensão das contribuições e, consequentemente, sem aproveitamento de crédito de PIS/PASEP e COFINS tem de ser integralmente utilizados no processo produtivo de mercadorias destinadas à exportação; - O disposto no art. 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003 veda “a apuração de créditos vinculados à receita de exportação”, ou seja, o dispositivo em análise impede, no tocante às empresas comerciais exportadoras: a) a apuração de créditos de PIS/Pasep e Cofins relativos às aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação; b) a apuração de créditos das contribuições em relação a custos, despesas e outros encargos comuns vinculados à receita de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico, tais como fretes, serviços, armazenagem, energia elétrica, aluguéis etc. Situação análoga ocorre com as vendas efetuadas ao exterior sob o regime de drawback, tendo em vista que os insumos adquiridos com suspensão das contribuições devem ser integramente utilizados em mercadoria destinada à exportação; - A interessada, corretamente, não utilizou créditos em relação às mercadorias adquiridas com o benefício da suspensão das contribuições em virtude do regime aduaneiro, deixando de incluir tais valores nas fichas de apuração de créditos de seus DACON. No entanto, não foi esse o procedimento adotado com relação aos demais custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação – serviços, fretes, armazenagem, energia elétrica, Fl. 857DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 aluguéis etc sobre os quais, em tese, haveria possibilidade de creditamento. Para esses valores a contribuinte apurou créditos sobre a totalidade de seus custos e despesas, sem observar qualquer distinção para as exportações de mercadorias nas quais tenham sido utilizados insumos adquiridos no regime de “DRAWBACK”, conforme registrado em seus DACON, linhas 03 a 10/fichas 06A e 16A. - Reitere-se que as vendas efetuadas para o exterior sob o regime de “Drawback” não possibilitam crédito das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos insumos adquiridos com o benefício da suspensão nem, tampouco, os demais custos e despesas comuns (fretes, serviços, aluguéis etc). Todavia, em relação às demais receitas, oriundas das exportações de mercadorias adquiridas sem o benefício do regime aduaneiro especial, não há tal vedação, podendo a empresa apurar créditos das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS mediante adoção do rateio proporcional. - Em virtude de a contribuinte informar a totalidade de suas exportações como sendo “venda de produção do estabelecimento sob o regime de ‘Drawback’”, CFOP 7127 o que não corresponde à realidade, uma vez que nem todas foram realizadas sob o amparo do regime, a fiscalização fez o rateio dessas exportações, utilizando os percentuais definidos com base: a) nas aquisições realizadas com “Drawback” no período e; b) nas aquisições realizadas sem “Drawback” no período (valores registrados em seus DACON, linhas 02/Fichas 06A e 16A); - As receitas de exportação promovidas com “Drawback”, definidas no rateio proporcional, foram separadas das demais exportações, permanecendo, no entanto, na composição da Receita Bruta Total. Tal procedimento teve por objetivo a exclusão de parte dos custos, despesas e encargos comuns – serviços, energia elétrica, aluguéis, armazenagem, fretes, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação com “Drawback”, para os quais a legislação veda a apuração de créditos das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, pois a contribuinte apurou créditos sobre a totalidade desses custos e despesas sem observar qualquer distinção para as exportações de mercadorias com “Drawback”; - Já para os “Bens Utilizados como Insumos”, como a contribuinte já excluíra as aquisições com o benefício do regime aduaneiro especial, a apuração dos percentuais foi feita de maneira diferenciada. Nesses demonstrativos, a receita de exportação com “Drawback” não só foi apartada como também foi excluída da composição da Receita Bruta Total, permanecendo apenas as demais receitas de exportação, vez que, as aquisições de mercadorias com “Drawback” já haviam sido excluídas pela interessada. - O procedimento em questão foi adotado em virtude de a empresa mesmo tendo deixado de incluir tais aquisições como passíveis de crédito em seus DACON considerar no total das receitas de exportações as saídas de mercadorias com “Drawback”, o que acarreta distorção quando da apuração da relação percentual. - Se as aquisições de mercadorias com suspensão das contribuições em virtude do regime aduaneiro especial já haviam sido excluídas do valor das demais aquisições com direito a crédito, as exportações correspondentes a essas mercadorias, realizadas com “Drawback”, não podem ser somadas às demais receitas de exportação para fins de apuração dos percentuais de rateio, sob pena de se aumentar indevidamente o percentual das receitas de exportação em Fl. 858DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 detrimento das demais e, como consequência, aumentar o montante de créditos passíveis de ressarcimento ou compensação. - Dos valores de PIS e COFINS apurados, a Pessoa Jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Com base no conceito de insumos fixado pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, com as alterações promovidas pelas IN SRF nº 358/2003 foram constatados, dentre os créditos pleiteados pela empresa, valores relativos a custos/despesas que não ensejam o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. - Os materiais indicados, “Pallets de madeira” e “caixas de madeira”, são incorporados aos produtos apenas depois de concluído o processo produtivo e destinam-se claramente ao transporte das mercadorias, não se enquadram no conceito de industrialização e, por conseguinte, no conceito de insumos. Portanto, foram excluídas das linhas 02 – “Bens Utilizados como Insumos” das fichas de Apuração dos Créditos de PIS/PASEP e COFINS dos DACON os valores relativos a despesas com COMPRA DE MATERIAL DE EMBALAGEM (“PALLETS DE MADEIRAS” E “CAIXAS DE MADEIRAS”); - Dentre os créditos pleiteados pela empresa, verificou-se a existência de valores relativos a fretes pagos em transferências de matérias primas entre seus próprios estabelecimentos, conforme demonstrativos de fls. 300, 301, 353, 354, 411 e 412 e Conhecimentos de Transporte juntados às fls. 683 a 698. Assim, foi feita a exclusão, nas fichas de Apuração dos Créditos de PIS e COFINS do DACON, dos valores relativos a despesas com fretes empregados no transporte interno de matérias primas entre os estabelecimentos da mesma empresa, conforme comprovantes de fls. 683 a 698 e demonstrativo de fl. 699. As glosas dos meses de abril, maio e junho de 2010, foram respectivamente de R$ 30.847,20, R$38.640,00 e R$36.720,00. - Após as alterações nos percentuais resultantes das operações de mercado interno e externo em relação à receita bruta total e às exclusões/alterações mencionadas nos itens anteriores consolidadas em demonstrativo, o parecer fiscal concluiu pelo deferimento parcial do pedido de Ressarcimento. Na defesa, a empresa apresentou os seguintes argumentos: DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE DESPESAS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS EXPORTADAS NO REGIME DE "DRAWBACK" A Autoridade Administrativa equiparou as vendas efetuadas ao exterior sob o regime de drawback às vendas efetuadas por comercial exportadora. Mas não há qualquer vinculação da decisão administrativa a texto normativo, seja ele legal ou infralegal. A decisão está pautada em entendimento do próprio agente. Contribuinte tomou crédito sobre aquisição de bens e serviços inerentes à produção e comercialização dos produtos a serem exportados, sobre os quais houve pagamento de PIS e COFINS tais como energia elétrica, fretes pagos no transporte das mercadorias até o porto, aluguéis, etc. Estes créditos são assegurados pelo já transcrito artigo 3º, da Lei n° 10.637/2002, sem qualquer vedação. Quando o legislador vedou o aproveitamento de créditos por empresa comercial exportadora assim o fez pelo princípio da isonomia, uma vez que as empresas que Fl. 859DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 comercializam mercadorias no mercado interno também estão impedidas de aproveitar créditos que não sejam relacionados à aquisição das mercadorias a serem comercializadas. Já em relação à empresa que promove a industrialização do bem a ser exportado, o legislador não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos sobre os insumos utilizados na produção ou comercialização, a não ser nos casos de suspensão, isenção ou alíquota zero, pois tais gastos são inerentes e necessários à atividade produtora. DA APURAÇÃO DOS NOVOS PERCENTUAIS DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO Quando o legislador disciplinou o critério de rateio proporcional estabelecendo que a proporção deve ser feita entre a receita bruta total e a receita de exportação, não discriminou se a receita de exportação seria a exportação com ou sem o regime aduaneiro de Drawback. Ao segregar as aquisições de bens e serviços utilizados na produção e comercialização dos bens em: aquisições realizadas com "Drawback" e aquisições realizadas sem "Drawback", o Agente Público agiu à margem de qualquer norma tributária, seja ela legal ou infralegal. A decisão de estabelecer novos percentuais para fins de determinação dos créditos a serem ressarcidos, desconsiderando-se as exportações realizadas ao amparo do regime aduaneiro especial não encontram amparo na legislação tributária e devem ser reformados por esta Turma de Julgamento. DOS CRÉDITOS PLEITEADOS - "PALLETS DE MADEIRA" E "CAIXAS DE MADEIRA" Para analisar especificamente o direito a crédito sobre embalagem, o Agente Administrativo utilizou o conceito de industrialização dado pelo Decreto n° 7.212/2010. Ocorre que o conceito de insumos a ser utilizado para análise dos créditos de PIS e COFINS deve ser o conceito estabelecido pelo Regulamento do Imposto de Renda e não pelo Regulamento do IPI. Citou ementa de acórdão do CARF sobre conceito de insumos. Requer pelo reconhecimento do direito ao aproveitamento de créditos sobre os gastos realizados com a aquisição de pallets de madeiras e caixas de madeiras utilizadas no acondicionamento dos produtos exportados, uma vez que estes gastos são necessários à industrialização e comercialização dos produtos e este critério é o que melhor se amolda às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos da legislação e jurisprudência acima citados. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Os artigos 3°, incisos II e IX, e art. 15, II, da Lei n° 10.833/03 garantem direito ao crédito de PIS/COFINS em relação as despesas com frete na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Ocorre que as transferências de mercadorias destinadas à exportação para estabelecimento onde se realiza operação de consolidação e armazenagem de mercadorias, cujo destino final é a comercialização, se equipara a frete sobre venda para fins de reconhecimento de direito de crédito, nos termos do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Não se pode perder de vista também que as despesas com transporte de produtos em elaboração (matérias primas) para conclusão em outra unidade fabril, constituem custos de produção, ao passo em que fretes para transporte de produtos acabados constituem despesas na operação de vendas. Fl. 860DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 Dessa forma, diferente do que alega a Autoridade Administrativa responsável pela análise do crédito, as despesas (custos) de fretes com transporte de produtos em elaboração (matérias primas) se enquadram no inciso II do art. 3º, caput, das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, e as despesas com fretes para transportar produtos acabados se enquadram no inciso IX, devendo ser reconhecido o direito ao creditamento previsto na legislação de regência. A 5ª Turma da DRJ/RPO, acórdão n° 14-91.007, deu parcial provimento ao apelo, com decisão assim ementada: DRAWBACK. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COMUNS ADQUIRIDAS SEM SUSPENSÃO. DIREITO. A aquisição tributada de serviços e demais custos e despesas comuns como energia elétrica, aluguéis, fretes, armazenagem, devoluções de vendas, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação geram direito a ressarcimento. No regime de Drawback, apenas insumos como matérias primas, produtos e materiais de embalagens adquiridos com suspensão não geram direito a crédito. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. CRITÉRIO DE RATEIO PARA INSUMOS. As receitas de exportações realizadas sob o regime de Drawback devem ser excluídas do cômputo do percentual de rateio para não aumentar indevidamente o montante de créditos passíveis de ressarcimento ou compensação. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Embalagens para transporte de mercadorias acabadas são gastos posteriores à finalização do processo de produção e por conseguinte estão excluídos do conceito de insumos de PIS e COFINS. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE MATÉRIAS PRIMAS. Despesas com fretes de matérias primas entre estabelecimentos da mesma empresa são considerados insumos e geram direito a crédito de PIS e COFINS. A decisão de piso deu provimento parcial à manifestação de inconformidade para: - reverter a glosa com fretes no transporte interno de matérias-primas entre os estabelecimentos da mesma empresa à luz do conceito de insumos firmado pelo REsp 1.221.170/PR, de 22/02/2018; - conceder o direito a crédito relativo às despesas com serviços, energia elétrica, aluguéis, fretes, armazenagem, devoluções de vendas, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação com “Drawback. Em consequência, as linhas 03 a 12 das fichas 06A e 16A do DACON devem ser computadas sem qualquer exclusão para efeito de ressarcimento ou compensação, observado o critério de rateio proporcional entre as Receitas Totais de Exportação (com e sem drawback) e a Receita Bruta Total. A fundamentação foi a seguinte: (...) O regime de “drawback” possui regulamentação própria e específica que prevê a não tributação nas operações e não possibilitam crédito das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos insumos adquiridos com o benefício da suspensão. Fl. 861DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 Ou seja, somente matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem previstos no inciso II do art. 3º da Lei n° 10.833 e 10.637, adquiridos com suspensão de PIS e Cofins não geram direito a crédito. Isto está claro e tal procedimento foi adotado pelo contribuinte. A aquisição de serviços (também previstos no inciso II do art. 3º) e demais custos e despesas comuns previstos nos incisos III a IX não estão ao abrigo da suspensão. Ou seja, foram adquiridos com tributação e portanto geram direito a crédito. A vedação ao aproveitamento de crédito não pode ser estendida por analogia a esses custos e despesas comuns (fretes, serviços, aluguéis etc), uma vez que tal aproveitamento está expressamente previsto nos arts. 3º e 6º da Lei nº 10.833, de 2003 e nos arts. 3º e 5º da Lei nº 10.637, de 2002, que não fazem tal distinção em relação ao regime aduaneiro especial: Lei n° 10.833, de 2003 Art. 6° A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3°, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1opoderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3° O disposto nos §§ 1°e 2° aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8° e 9° do art. 3°. Lei n° 10.637, de 2002 Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 862DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3° para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1°, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Portanto, a glosa das despesas com serviços, de energia elétrica, aluguéis, fretes, armazenagem, devoluções de vendas, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação com “Drawback”, previstas nos incisos III, IV, V, VI, VII, VIII, IX dos art 3º das Lei 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 deve ser revertida a favor do interessado. Sendo assim, as linhas 03 a 12 das fichas 06A e 16A do DACON devem ser computadas sem qualquer exclusão e com a proporcionalidade entre Receitas de Exportação e Tributadas no Mercado Interno sem diferenciação entre vendas com e sem drawback. Em recurso voluntário, ratificou suas razões da manifestação de inconformidade. Ao final, requer: (...) em razão da adoção do critério de rateio proporcional para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação, passíveis de ressarcimento, seja reconhecida e DECLARADA a inexistência de disposição legal que determine a segregação das operações com “Drawback” e sem “Drawback” para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação, passíveis de ressarcimento, bem como a correção dos percentuais de rateio utilizados pela Contribuinte, no Pedido de Ressarcimento, uma vez que efetuado na forma prevista no art. 6º, § 3º e 15, inciso III, da Lei 10.833/03, distribuindo assim os créditos na forma apresentada na DACON, o que importa no reconhecimento dos valores pleiteados e indevidamente não reconhecidos; seja reconhecido e DECLARADO o direito aos créditos de PIS e COFINS, sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais de embalagem “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras” utilizadas no acondicionamento dos produtos exportados, pleiteado no Pedido de Ressarcimento, uma vez que estes gastos são essenciais, relevantes e necessários à industrialização e comercialização dos produtos para o exterior e este critério é o que melhor se amolda às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos da legislação (art. 3º, II da Lei 10.833/03 e 10.637/02 c/c §12° do art. 195 da Constituição Federal) e jurisprudência acima citados. Fl. 863DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 reconhecidos os argumentos expendidos, seja reconhecido o crédito no montante pleiteado pela Contribuinte no pedido de ressarcimento, e homologadas integralmente as compensações vinculadas. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, contudo será conhecido apenas em parte, como se explicitará a seguir. Apuração dos novos percentuais de receita de exportação Créditos pleiteados "pallets de madeira" e "caixas de madeira" Insurgiu-se a Recorrente contra o critério de rateio adotado pela autoridade fiscal no que se refere à linha 02 das fichas 06A e 16A do DACON. Sustenta que os novos percentuais de rateio dados pela autoridade fiscal para fins de determinação dos créditos a serem ressarcidos, que desconsiderou as exportações realizadas com o regime aduaneiro especial de Drawback, não tem amparo na legislação. Isso porque o legislador na disciplina do critério de rateio proporcional entre a receita bruta total e a receita de exportação, não discriminou se a receita de exportação seria a exportação com ou sem o regime aduaneiro de Drawback. Ademais, aponta que tem direito ao desconto de créditos de PIS e COFINS sobre os gastos com materiais de embalagem - “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras” - utilizadas nos produtos exportados, por serem insumos necessários à industrialização e indispensáveis para a armazenagem (art. 3º, II e IX e art. 15, II, da Lei n° 10.833/03 e n° 10.637/02). Em seu recuso voluntário, a Recorrente citou orientação jurisprudencial do e. TRF da 4ª Região, sobre o tema recorrido: TRIBUTÁRIO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. APURAÇÃO DOS PERCENTUAIS DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DE PALLETS E CAIXAS DE MADEIRA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA NÃO EQUIVALENTE. 1. A parte autora tem direito aos créditos de PIS/COFINS sobre os custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação, utilizados na produção e comercialização de mercadorias para o exterior, tais como energia elétrica, aluguéis, armazenagem, fretes, contraprestações de arrendamento mercantil, depreciações, serviços, bens e insumos, sobre os quais houve pagamento de PIS e COFINS, ainda que exportadas ao amparo de regime aduaneiro especial “Drawback", nos termos do previsto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Descabida a equiparação a Fl. 864DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 empresas comerciais exportadoras, que implicaria a aplicação da vedação do § 4º do art. 6º. 2. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins vinculados a receitas de exportação, de que tratam o art. 5º da Lei nº 10.637/2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, devem observar o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 3. O método de rateio proporcional, conforme disciplina o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições, sendo descabida a exclusão de qualquer valor da receita bruta total para efeitos de cálculo daqueles créditos vinculados à exportação. 4. Não tem o contribuinte o direito de dedução de crédito de PIS e COFINS sobre o valor de embalagens tipo pallets e caixas de madeira por não constituírem insumos segundo a definição legal. 5. O termo inicial da atualização monetária do crédito presumido ou escritural reconhecido ao contribuinte, na hipótese de negativa ilegítima do Fisco, são as datas dos protocolos dos pedidos administrativos. 6. Configurada hipótese de sucumbência recíproca não equivalente, os ônus sucumbenciais devem ser distribuídos na medida da sucumbência das partes. (TRF4, AC 5010683-49.2016.4.04.7001, SEGUNDA TURMA, Relator ANDREI PITTEN VELLOSO, juntado aos autos em 04/10/2017) Entretanto, em consulta à referida decisão no site do e. TRF da 4ª Região, Apelação n° 5010683-49.2016.4.04.7001/PR, é possível verificar que se trata de ação promovida pela própria Recorrente para contestar despachos decisórios com o mesmo teor do que embasa o presente processo, mas para períodos de apuração diferentes: COFINS 2°, 3° e 4° Trimestres de 2011 e PIS 4° Trimestre de 2011. Por isso, observa-se que estão submetidas ao Poder Judiciário, parcialmente, as matérias postas no recurso voluntário. Transcrevo: RELATÓRIO Trata-se de apelação e recurso adesivo interpostos contra sentença que decidiu a lide nos seguintes termos, in verbis: "Ante o exposto, julgo parcialmente procedentes os pedidos, com fulcro no artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), para o fim de: a) declarar o direito da autora aos créditos de PIS/COFINS sobre os custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação, ou seja, utilizados na produção e comercialização de mercadorias para o exterior, tais como energia elétrica, aluguéis, armazenagem, fretes, contraprestações de arrendamento mercantil, depreciações, serviços, bens e insumos, sobre os quais houve pagamento de PIS e COFINS, ainda que exportadas ao amparo de regime aduaneiro especial “Drawback"; b) declarar a inexistência de disposição legal que determine a segregação das operações “com Drawback” e “sem Drawback” para cálculo dos créditos de Fl. 865DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação, passíveis de ressarcimento, com a condenação do Fisco à correção dos percentuais de rateio nos Pedidos de Ressarcimento de COFINS - Não-cumulativa - Exportação do 2º, 3º e 4º Trim./2011 e no Pedido de Ressarcimento de PIS - Não-Cumulativo - Exportação do 4º Trim./2011, na forma da fundamentação; c) condenar a União ao ressarcimento dos créditos a serem apurados conforme a presente sentença, atualizados pela SELIC, desde a data dos protocolos administrativos até a data da efetiva disponibilização dos valores ao contribuinte. No mais, julgo improcedente o pedido de reconhecimento do direito à apuração de créditos sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais para acondicionamento “pallets de madeira” e “caixas de madeira”. Dada a sucumbência recíproca, mas não equivalente, e na forma do disposto no art. 85, §§ 2º, 3º e 14, e no art. 86, do CPC, condeno ambas às partes ao pagamento dos honorários advocatícios à parte adversa na proporção de 80% ao patrono do autor e 20% à União. Sopesados os critérios legais, fixo os honorários no percentual mínimo de cada faixa estipulada pelo artigo 85, §3°, do mesmo diploma processual, dependendo da apuração do montante em eventual cumprimento de sentença, observado o §5° do artigo 85 do CPC. A base de cálculo será o proveito econômico obtido pela parte autora. Ainda, deverá a parte autora arcar com 20% do valor da custas processuais. A União é isenta do pagamento de custas (art. 4º, I, Lei n. 9.289/96). Sentença não sujeita a reexame necessário, considerando que, por estimativa, verifica-se que a condenação não alcançará o valor de mil salários mínimos, conforme inciso I do § 3º do artigo 496 do Código de Processo Civil. (...)" (...) A parte autora recorre adesivamente, visando a reforma parcial da sentença, para reconhecer: a) o direito aos créditos de PIS e COFINS, sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais de embalagem “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras”, pleiteados nos Pedidos de Ressarcimento–COFINS–Não cumulativo– Exportação do 2º, 3º e 4º Trim./2011 e o Pedido de Ressarcimento–PIS–Não Cumulativo–Exportação do 4º Trim./2011, uma vez que estes gastos são necessários à industrialização e comercialização dos produtos industrializados para o exterior e este critério é o que melhor se amolda às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos da legislação tributária (art. 3º, II e IX e art. 15 inciso II da Lei 10.833/03 e 10.637/02 c/c §12° do art. 195 da Constituição Federal) e jurisprudência judicial e administrativa acima citados; b) Por consequência, caso provido o presente recurso de apelação adesiva e reconhecido o direito ao desconto de créditos de PIS e COFINS, sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais de embalagem “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras”, requer seja reformada da sucumbência fixada para condenação exclusiva da União (Fazenda Nacional) ao pagamento dos ônus de sucumbência; Fl. 866DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 c) sucessivamente, requer seja reformada a sucumbência para considerando a sucumbência mínima da parte Autora, ora Apelante, condenar a União, por inteiro, ao pagamento das despesas e honorários, conforme art. 86, parágrafo único do CPC ou na proporção de 95% ao Autor e 5% à União, na forma do art. 86, caput, do CPC/2015, conforme razões articuladas acima; VOTO Da apuração dos percentuais de receita de exportação Igualmente sem razão a União nesse aspecto, uma vez que a sistemática empregada pelo Fisco não encontra respaldo na legislação de regência, a qual determina, na hipótese de aplicação do método de cálculo do rateio proporcional para fins de apuração dos créditos referentes ao PIS/COFINS, que sejam consideradas as receitas brutas sujeitas à incidência de tais contribuições. Em atenção à correção dos argumentos exarados, e com o fito de evitar censurável tautologia, trago à colação excerto da sentença no ponto, que ratifico integralmente, in verbis: "No que se refere à segregação das operações "com Drawback” e "sem Drawback” para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação passíveis de ressarcimento, consignou-se no Termo de Informação Fiscal (evento 1, PROCADM32, p. 37): Fl. 867DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 De acordo com o § 3º do art. 6º e o inciso III do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados a receitas de exportação, de que tratam o art. 5º da Lei nº 10.637/2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, devem observar o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Prevê, de seu turno, o § 8º do art. 3º e do art. 15, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, que a pessoa jurídica sujeita parcialmente à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, pode, quando da determinação dos créditos dessas contribuições, aplicar, a seu critério, um dos seguintes métodos para calculá- los: a) apropriação direta; ou b) rateio proporcional. O método de rateio proporcional, conforme disciplina o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. Em referida metodologia de cálculo, deve ser aplicada "aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês". Observa-se que o percentual a ser aplicado diz respeito à relação existente entre a receita bruta que sofre incidência não cumulativa das contribuições e o total da receita bruta auferida pela pessoa jurídica (que corresponde à soma das receitas brutas sujeitas às incidências cumulativa e não cumulativa dessas contribuições). Não há dispositivo legal que autorize a exclusão de qualquer valor da receita bruta total para efeitos de cálculo daqueles créditos vinculados à exportação. Dessa forma, não deve prevalecer a forma utilizada pelo Fisco, com a exclusão dos créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação "com drawback", pois, como visto, não há que se aplicar ao caso a analogia em relação à comercial exportadora, tampouco devem ser excluídas da composição da receita bruta total ou da receita de exportação as receitas de exportação "com drawback". Em resumo, os créditos da sociedade autora devem ser recalculados, com a correção dos percentuais utilizados e sem a segregação das operações “com Drawback” e “sem Drawback”, devendo ser observado o disposto nos arts. 6º, § 3º e 15, inciso III, da Lei 10.833/03, consoante a fundamentação acima. (...)" Do direito ao crédito com a aquisição de “pallets de madeira” e “caixas de madeira” No tocante ao alargamento do conceito de insumo, para abarcar 'pallets e caixas de madeira' tenho que não merece guarida a pretensão da parte impetrante. A legislação do IPI considera como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, exclusivamente, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa fabricante. Ou seja, insumo é o que se incorpora no processo de transformação do qual resultará o produto Fl. 868DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 industrializado, podendo ser esse conceituado como "aquele que passa por um processo de transformação, modificação, composição, agregação ou agrupamento de componentes de modo que resulte diverso dos produtos que inicialmente foram empregados neste processo" (In Anotações ao Código Tributário Nacional, Pedro Roberto Decomain, ed. Saraiva, p. 205). Já as leis que instituíram o PIS e a COFINS não cumulativos apenas autorizam a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como "insumos" na fabricação de produtos destinados à venda, sem explicitar qual o alcance desse termo. Isso não significa, porém, que se possa caracterizar como insumo todos os elementos, inclusive os indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como mão-de-obra e energia elétrica. Embora o sistema de não cumulatividade das contribuições seja distinto do aplicado aos tributos indiretos, como o IPI (também conforme já considerou o Plenário desta Casa ao julgar o Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS nº 2005.70.00.000594-0/PR, Rel. Des. Otávio Roberto Pamplona, D.E. 14/07/2008), entendo que em relação aos insumos há semelhança de tratamento, na medida em que somente pode ser assim considerado o que se relaciona diretamente à atividade da empresa, com restrições, portanto. Ademais, evidencia-se que o legislador não pretendeu alargar o conceito de insumo da forma defendida pela impetrante quando se verifica que as Leis n.ºs 10.637/02 e 10.833/03 trataram de incluir dentre as possibilidades de desconto os créditos calculados em relação a "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica", "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa", e outros, o que seria despiciendo se tais elementos estivessem abrangidos no conceito de insumos. Nessa medida, podem ser abatidos na etapa seguinte apenas os créditos previstos na legislação de regência do PIS e COFINS não cumulativos. E não há falar no malferimento dos princípios da isonomia e da livre concorrência. Registre-se ainda que, com o intuito de regulamentar a não cumulatividade prevista nas leis que servem de suporte à pretensão da parte autora (Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003), foram editadas a IN SRF n.º 247/02 (quanto ao PIS) e a IN SRF n.º 404/04 (quanto à COFINS), que vieram a explicitar o conceito de insumos, estabelecendo o seguinte: - IN SRF n.º 247/02: (...) - IN n.º 404/04: (...) Da leitura dos referidos dispositivos, verifica-se que a autoridade administrativa, ao definir insumos, não amplia o conteúdo legal, apenas reforça o modo legalmente previsto de aproveitamento dos créditos no sistema não cumulativo do PIS e da COFINS, ou seja, considera, para efeitos de creditamento, apenas os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, de modo que as referidas instruções normativas não incorrem em vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. Nessa linha, colhe-se os seguintes precedentes deste Tribunal: (...) O entendimento do STJ corrobora o posicionamento acima: (...) Insumo, por isso, deve ser entendido como cada um dos elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços. Fl. 869DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.326 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720114/2011-21 Logo, não pode ser considerado "insumo" todo e qualquer custo e despesa necessários à atividade estabelecida nas finalidades sociais da empresa, dentre os quais os itens ora examinados, os quais não estão intrinsecamente vinculados ao processo produtivo. Fica mantida a sentença no tocante, dessarte. A Súmula CARF n° 1 prescreve: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Então, as alegações recursais relacionadas à apuração dos novos percentuais de receita de exportação e aos créditos pleiteados "pallets de madeira" e "caixas de madeira” não podem ser conhecidos, por concomitância. Conclusão Do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário em virtude de concomitância com a ação judicial n° 5010683-49.2016.4.04.7001/PR (TRF 4ª Região). (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 870DF CARF MF Documento nato-digital
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