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Numero do processo: 10855.722588/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
VTN. SIPT. FUNDAMENTAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT está previsto no art. 14 da lei 9363/96 e Portaria SRF 447/2002.
VTN. REVISÃO. A revisão do VTN arbitrado está condicionada à apresentação de laudo de avaliação conforme Norma ABNT NBR 14653, que contemple os métodos de avaliação e as fontes de informações pesquisadas, além de comprovar o valor da terra nua à época do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Heitor de Souza Lima Junior, Maria Cleci Coti Martins, Eivanice Canario da Silva, Eduardo de Souza Leao.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 VTN. SIPT. FUNDAMENTAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT está previsto no art. 14 da lei 9363/96 e Portaria SRF 447/2002. VTN. REVISÃO. A revisão do VTN arbitrado está condicionada à apresentação de laudo de avaliação conforme Norma ABNT NBR 14653, que contemple os métodos de avaliação e as fontes de informações pesquisadas, além de comprovar o valor da terra nua à época do fato gerador. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 VTN. SIPT. FUNDAMENTAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT está previsto no art. 14 da lei 9363/96 e Portaria SRF 447/2002. VTN. REVISÃO. A revisão do VTN arbitrado está condicionada à apresentação de laudo de avaliação conforme Norma ABNT NBR 14653, que contemple os métodos de avaliação e as fontes de informações pesquisadas, além de comprovar o valor da terra nua à época do fato gerador. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Heitor de Souza Lima Junior, Maria Cleci Coti Martins, Eivanice Canario da Silva, Eduardo de Souza Leao. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 25 88 /2 01 1- 10 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente recurso voluntário da reforma do acórdão 0429.577 da 1a. Turma da DRJ/CGE que manteve o crédito tributário do auto de infração, julgando improcedente a impugnação do contribuinte, e para considerar o valor arbitrado pela autoridade fiscal baseado no SIPT. Este processo se refere ao imóvel rural NIRF 0.758.4890, denominado FB003 Conquista, com área de 1452,0 ha., localizado no município de Itaporanga/SP. O recorrente reproduz o acórdão atacado e repisa os mesmos argumentos da impugnação que, em apertada síntese são: 1. o arbitramento do valor da terra nua não deveria ter sido utilizado porque apresentou laudos conforme solicitado pelo fiscal para corroborar o valor utilizado na DITR; 2. o SIPT, por ter sido definido em norma inferior, não estaria em acordo com o CTN art. 97, vez que é uma das facetas importantes do tributo, a base de cálculo; 3. o princípio constitucional do contraditório não foi observado tendo em vista o arbitramento do VTN pelo SIPT cujas informações são ocultas; 4. tal arbitramento fere vários princípios do direito pátrio, como por exemplo, tipicidade cerrada, igualdade, generalidade, uniformidade, vedação de confisco, capacidade contributiva, etc. Conclui ratificando o pedido de que a pretensão fiscal seja rechaçada, por total falta de legitimidade, arbitrariedade e ainda cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. No Termo de Intimação Fiscal à fls. 23, o contribuinte foi cientificado dos valores da terra nua(VTN), por tipo e por hectare, constantes no Sistema de Preços de Terra. Também foi informado que a não apresentação de laudo pericial válido acarretaria o arbitramento do VTN por aqueles valores. Desta forma, foi dada possibilidade de defesa mesmo antes do término da constituição do crédito tributário, i.e., antes de instaurada a fase litigiosa. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.722588/201110 Acórdão n.º 2101002.512 S2C1T1 Fl. 3 3 O Sistema de Preços de Terras utilizado para fazer o arbitramento do VTN do imóvel foi aprovado pela Portaria SRF 447/2002, em atendimento ao disposto no art. 14 da lei 9363/96, a seguir transcrito. Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim, entendo que a implementação do SIPT, decorreu de determinação legal e, portanto, não está em desacordo com o artigo 97 do Código Tributário Nacional(CTN). Mais ainda, o parágrafo 2o. desse mesmo artigo esclarece que “não constitui majoração de tributo,…, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo”. Assim, não assiste razão o recorrente ao argumentar que o SIPT estaria em desacordo com o art. 97 do Código Tributário Nacional. Muito embora a autoridade fiscal tenha possibilitado alternativas de comprovação do VTN, tais alternativas, conforme especificado no termo de intimação, devem conter argumentos bastantes para consubstanciar o valor informado. Assim a autoridade fiscal destacou características de aceitabilidade do laudo de avaliação alternativo, sobretudo no que se refere a especificação dos “métodos de avaliação e as fontes de informação pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Mais ainda, os documentos devem comprovar o VTN na data de 1/01/2007, a preço de mercado”. O atendimento da intimação ficou prejudicado, visto que não foi atendido nesse quesito. O contribuinte juntou aos autos à fls. 5052 um “levantamento de utilização de solo”. O relatório contém informações vagas sobre o imóvel, utilizando termos como “em sua maioria”, “em torno de”, “muitas nascentes”, “pequenas áreas”, “algum tipo de utilização”, etc. Foi comprovado que o referido laudo foi feito por um profissional habilitado, contudo, não atende ao que foi solicitado na intimação da autoridade fiscal. O referido laudo foi feito por um profissional habilitado, contudo, não atende ao que foi solicitado na intimação do fiscal. Mais grave ainda, o laudo não traz qualquer avaliação do imóvel. Desta forma o arbitramento foi a alternativa legal utilizada pela autoridade fiscal diante da impossibilidade de se usar a declaração apresentada pelo sujeito passivo. O lançamento é válido e não pode ser repelido, pois atende aos requisitos legais de competência conforme decreto 70235/72. O contencioso administrativofiscal tem início com a impugnação do sujeito passivo ao Auto de Infração. Até a lavratura do auto de infração o crédito tributário ainda não existe. Após a constituição do crédito tributário é dado ao contribuinte o direito de se defender com todos os meios legais permitidos, inclusive apresentando conteúdo probatório que julgar Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 pertinente. É nesse momento que se instaura a fase contenciosa do processo administrativo fiscal e então todos os direitos constitucionais são devidamente assegurados às partes. Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Considerando que, no curso do processo, o contribuinte não apresentou documentação comprobatória bastante que justifique a revisão do VTN do imóvel, considero não provido o recurso voluntário. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002498/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 11/04/2009 a 30/07/2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por concomitância com processo judicial.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 11/04/2009 a 30/07/2009 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por concomitância com processo judicial. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por concomitância com processo judicial. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 24 98 /2 00 9- 53 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.002498/200953 Acórdão n.º 2402004.104 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 27/10/2009 (fl. 79), para impor multa em razão da não apresentação de arquivos digitais – MANAD – no período de 11/04/2009 a 30/07/2009. A Recorrente interpôs impugnação (fl. 83/221), requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/RS julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido (fl. 227/231), entendendo, em suma, que: (i) a empresa foi intimada a entregar até 10/04/2009 o MANAD, no entanto, somente entregou os arquivos digitais em 30/07/2009, o que constitui infração e culminou na incidência de multa; (ii) “a autuação foi lavrada em razão do descumprimento da obrigação acessória prevista na legislação tributária de apresentar os arquivos digitais e sistemas no prazo determinado, sendo irrelevante para o deslinde da questão a alegação da impugnante quanto a não ter deixado de pagar nenhum valor de contribuição previdenciária”; (iii) “a alegação de que não houve empecilho à fiscalização, já que apresentou arquivos físicos e arquivos digitais (GFIP) do período, não ilide o fato de que houve descumprimento da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais no prazo estabelecido pela fiscalização”; (iv) “a argumentação quanto a ofensa a princípios constitucionais e legais não pode ser oposta na esfera administrativa”; (v) não se verifica a ocorrência do bis in idem na incidência das multas imputadas nos DEBCADs nº 37.216.5087 e nº 37.216.5079, posto que oriundas de fatos geradores diversos; (vi) não se conhece do protesto da impugnante pela produção de provas, além daquelas já arroladas no presente processo; (vii) o caráter confiscatório ou não da multa deve ser observado pelo legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 236/255), no qual esclarece inicialmente que (i) a multa aplicada teve caráter confiscatório; (ii) o STF entende que cabe a aplicação do artigo 150, IV da Constituição Federal, referente às multas, entendimento da ADIn 552RJ; (iii) a ilegalidade da incidência da multa; (iv) independentemente da obrigatoriedade de entrega dos arquivos MANAD, a multa é ilegal pois a entrega não serviu para nada uma vez que o tributo é calculado com base na GFIP e, portanto, não houve prejuízo para a administração pública. Requer ao final seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário, com a anulação da multa e desconstituição do crédito tributário. A Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Canoas informou que o débito nº 37.216.5095 está sob discussão judicial (fls. 258/294), na ação ordinária nº 5008257 27.2013.404.7112, em trâmite perante a 2ª Vara Federal de Canoas. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Considerando a existência da mencionada ação judicial proposta pela Recorrente, não é possível a apreciação do presente processo administrativo, sendo o caso de aplicação da Súmula CARF nº 1, a qual determina: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” A Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Canoas anexou aos presentes autos a peça inicial da referida Ação Ordinária sob nº 500825727.2013.404.7112. Analisando a peça vestibular, anexada aos presentes autos às fls. 262/294, é possível verificar que a Recorrente pleiteia na ação judicial tutela jurisdicional idêntica à discutida em sede administrativa, conforme se vê do excerto abaixo: “O objeto desta lide é o AI nº 37.216.508 7, lavrado porque houve atraso na entrega das informações constantes da folha de pagamento (em meio físico e eletrônico) no leiaute (formato) do Manad, relativamente às competências 10/2004 a 13/2008, no valor de R$ 1.431.982,86.” Assim, entendo que os argumentos de defesa apresentados no recurso voluntário não devem ser objeto de análise, uma vez que já são discutidos na ação judicial proposta pelo Recorrente. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso nos termos da fundamentação acima. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912630/2012-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2008
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 30 /2 01 2- 59 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1444.388, de 28/08/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912630/201259 Acórdão n.º 3803006.437 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1444.388, em 16/10/13, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 13/11/13, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912630/201259 Acórdão n.º 3803006.437 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10235.721002/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. REGRAS DE TRIBUTAÇÃO. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. VENCIMENTOS RECEBIDOS JUDICIALMENTE. RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
Não tendo caráter indenizatório, a verba recebida a título de recomposição salarial é tributável.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do art. 44, § 1º, I da Lei nº 9430/1996, por expressa determinação legal.
Numero da decisão: 2201-002.475
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como para excluir da base de cálculo da exigência os valores correspondentes a férias indenizadas, acompanhados dos respectivos juros de mora.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Ementa: IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. REGRAS DE TRIBUTAÇÃO. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. VENCIMENTOS RECEBIDOS JUDICIALMENTE. RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Não tendo caráter indenizatório, a verba recebida a título de recomposição salarial é tributável. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do art. 44, § 1º, I da Lei nº 9430/1996, por expressa determinação legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como para excluir da base de cálculo da exigência os valores correspondentes a férias indenizadas, acompanhados dos respectivos juros de mora. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 28/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. REGRAS DE TRIBUTAÇÃO. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. VENCIMENTOS RECEBIDOS JUDICIALMENTE. RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Não tendo caráter indenizatório, a verba recebida a título de recomposição salarial é tributável. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do art. 44, § 1º, I da Lei nº 9430/1996, por expressa determinação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 10 02 /2 01 1- 05 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como para excluir da base de cálculo da exigência os valores correspondentes a férias indenizadas, acompanhados dos respectivos juros de mora. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 28/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/11, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.109.182,82. A fiscalização apurou rendimentos classificados indevidamente na DIRPF (fls. 05/08). Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, verbis: 1) Em Junho de 1993, foi exonerado arbitrariamente do cargo de Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado do Amapá. Em Dezembro de 1996, por força de decisão do STJ nos autos do Mandado de Segurança nº 7.105/96AP, foi reintegrado ao cargo. Nesse intervalo de 03 anos e seis meses ficou sem poder exercer o cargo de Procurador e, sem receber suas vantagens e vencimentos; 2) Após sua reintegração, ingressou com uma ação judicial contra o Estado do Amapá, requerendo indenização salarial do período no qual ficou afastado do cargo. Alicerçado na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei nº 8.625/94), obtendo decisão favorável em primeira instância, confirmada pelo Tribunal de Justiça do Amapá, STJ e STF; 3) Em 31 de maio de 2006, o Tribunal de Justiça do Amapá deferiu a requisição para pagamento de Precatório, explicitando em sua decisão “que os cálculos deste precatório possuem natureza alimentícia, vez que provenientes de pagamentos de Fl. 701DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10235.721002/201105 Acórdão n.º 2201002.475 S2C2T1 Fl. 3 3 verbas salariais assegurados através de Mandado de Segurança.”; 4) O valor de R$ 2.022.580,08 foi recebido a título de indenização e compreende vencimentos e demais vantagens salariais como férias, auxíliomoradia, etc. Por ter caráter indenizatório, o referido valor é isento de cobrança do Imposto de Renda; 5) Inexiste fato gerador que justifique o lançamento efetuado; 6) Ao proceder o lançamento de ofício o Fisco incorreu em ilegalidades; 7) De forma equivocada, ao arrepio da lei e na contramão do que vem entendendo a jurisprudência e a doutrina, a autoridade lançadora ignorou que os valores recebidos são verba indenizatória e que sobre eles não pode incidir a cobrança do Imposto de Renda. Entendeu, ainda, que os rendimentos recebidos acumuladamente são passíveis de tributação, fazendo o cálculo de forma errada pelo regime de caixa convencional, aplicando o imposto sobre o montante global no mês do recebimento; 8) Cita doutrina e jurisprudência dos tribunais superiores; 9) A lei não instituiu que sobre verbas indenizatórias há incidência do Imposto de Renda. Inexiste fato gerador e nulo deve ser considerado o auto de infração combatido; 10) Cita os arts. 43 e 114 do CTN; 11) Sobre o montante de férias indenizadas não incide Imposto de Renda. Para reforçar sua argumentação apresenta, fls. 615/617 diversas planilhas demonstrativas; 12) Sobre o valor dos vencimentos, juros moratórios e do auxíliomoradia não há incidência do Imposto de Renda, por se tratar de verba indenizatória; 13) O Conselho Nacional do Ministério Público firmou entendimento, através da Resolução nº 09, de 05/06/206, que auxíliomoradia é verba indenizatória; 14) Não houve Imposto de Renda Retido na Fonte. Se o valor fosse tributável, a fonte pagadora teria retido o montante ao imposto devido; 15) Se coubesse à Receita Federal a cobrança dos referidos créditos tributários não poderia agir de forma abusiva. aplicando juros e multas exorbitantes; 16) Argüi a nulidade do Auto de Infração; 17) Solicita diligências e perícias; Fl. 702DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 18) A autuação fiscal foi realizada fora dos parâmetros legais. O Fisco além de ignorar que os recursos recebidos pelo sujeito passivo são verba indenizatória, ainda fez o cálculo de forma errada pelo regime de caixa convencional, aplicando o imposto sobre o montante global no mês do recebimento, aplicando juros descabidos e multas exorbitantes de 75% sobre o valor do imposto apurado; 19) Ao se amparar no art. 12 da Lei nº 7.713/88 o Fisco tributou os rendimentos recebidos em base correntes , ou seja no mês do efetivo recebimento (regime de caixa); 20) Requer a anulação do lançamento de ofício já que o lançamento foi atingido na forma de tributação e na elaboração dos cálculos dos pretensos critérios; 21) Requer também, sejam levadas em consideração, no cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. RENDIMENTOS ACUMULADOS. REGRAS DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. A responsabilidade pelas informações prestadas em sua declaração de ajuste anual independe da intenção do Fl. 703DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10235.721002/201105 Acórdão n.º 2201002.475 S2C2T1 Fl. 4 5 contribuinte. Nesse passo, não procede a alegação de que não houve omissão. ISENÇÃO. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 01/06/2012 (fl. 653), Joel Sousa das Chagas apresenta Recurso Voluntário em 29/06/2012 (fls. 654/695), sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Como visto do relatório, cingese a controvérsia na classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste/2009. De acordo com a autoridade fiscal, o contribuinte considerou como isentos os rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Judicial, no valor de R$ 2.022.580,08 (fls. 13/19). Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Quanto à alegação de suposta ofensa ao principio constitucional da capacidade contributiva, cumpre deixar assentado que a exigência foi constituída de acordo com a legislação de regência, que não pode deixar de ser aplicada com base em juízo subjetivo da administração tributária a respeito da capacidade contributiva. Na verdade, a compatibilização da carga tributária ao princípio da capacidade contributiva deve ser considerada pelo legislador, ao criar os impostos de sua competência, e, por conseguinte, não pode ser suscitado administrativamente. O professor Bernardo Ribeiro de Moraes, em sua obra Compêndio de Direito Tributário, Forense, V.2, 3ª ed., p.122123, leciona: A regra (princípio da capacidade contributiva) tem eficácia jurídica perante o legislador ordinário, devendo este, ao escolher os fatos geradores da obrigação tributária (as hipóteses de incidência da regra jurídica criadora do imposto), verificar fatos presuntivos de capacidade contributiva (...). O problema é eminentemente político legislativo. Portanto, aprovada a lei, presumese que suas regras estejam de acordo com os princípios constitucionais vigentes. Sobre as demais inconstitucionalidades (nãoconfisco e dignidade da pessoa humana, entre outros), é entendimento pacífico deste Conselho que os órgãos julgadores não são competentes para apreciarem esse tipo de arguição, consoante se infere da simples leitura da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeitamse, pois, as preliminares. No mérito, alega o suplicante que tais rendimentos possuem caráter indenizatório e, portanto, não poderiam ser alcançados pela tributação. Afirma ainda que a tributação deve ocorrer de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Por fim, informa que do montante recebido o valor de R$ 396.134,91 foi relativo a férias indenizáveis; o montante de R$ 735.270,17 referese a juros sobre os vencimentos e a quantia de R$ 267.352,50 é atinente a auxílio moradia. Pois bem, de acordo com a sentença proferida na Ação de Execução, fl. 148, os valores devidos ao contribuinte pelo estado do Amapá referemse a “... vencimentos e vantagens não percebidas ao longo do período de afastamento do serviço público estadual...”, ou seja, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de idéias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Fl. 705DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10235.721002/201105 Acórdão n.º 2201002.475 S2C2T1 Fl. 5 7 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Dessarte, por não constituir isenção legal, como é o caso das hipóteses do art. 39 do RIR/1999, a verba recebida deve ser tributada. Em outra passagem, alega o contribuinte que o valor recebido a título de férias indenizadas deve ser excluído da tributação, conforme consta às fls. 84/85pdf. De pronto, entendo que assiste razão ao recorrente, na exata concepção da Solução de Divergência nº 1, de 2 de Janeiro de 2009, assim como em razão da jurisprudência dominante deste Órgão Administrativo. Vejase: SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL COORDENAÇÃOGERAL DE TRIBUTAÇÃO SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 2 DE JANEIRO DE 2009 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF EMENTA: FÉRIAS NÃOGOZADAS CONVERTIDAS EM PECÚNIA Rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria ou exoneração. As verbas referentes a férias integrais, proporcionais ou em dobro, ao adicional de um terço constitucional, e à conversão de férias em abono pecuniário compõem a base de cálculo do Imposto de Renda. Por força do § 4º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos aos pagamentos efetuados por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou exoneração, sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias, observados os termos dos atos declaratórios editados pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em relação a essas matérias. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, desobriga a fonte pagadora de reter o tributo devido pelo contribuinte relativamente às matérias tratadas nesse ato declaratório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 19, II, e § 4º, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Arts. 43, II, e 625 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Atos Declaratórios Interpretativos SRF nº 5, de 27 de abril de 2005 e nº 14, de 1º de dezembro de 2005; Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, ambos de 12 de agosto de 2002, nº 1, de 18 de fevereiro de 2005, nºs 5 e 6, ambos de 16 de novembro de 2006, nº 6, de 1º de dezembro de 2008, e nº 14, de 2 de dezembro de 2008; e Parecer PGFN/PGA/Nº 2683/2008, de 28 de novembro de 2008. (grifei) Citase, outrossim, entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPF. INDENIZAÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. As férias indenizadas não devem sofrer tributação do IRPF, por repararem um dano, já que já havia sido configurado o direito. (Acórdão nº 9202002.871 Processo nº 11060.000950/200135) Ante a esses argumentos, devese excluir da tributação o valor relativo às férias indenizadas recebidas pelo recorrente. Sobre a alegação de que recebeu R$ 267.352,50 a título de auxílio moradia, analisando detidamente os autos, mais precisamente a planilha de cálculo, fls. 84/85pdf, verificase que não houve individualização do valor recebido a esse título, razão pela qual não há como excluir o citado valor da exigência. No tange à alegação de que recebeu a título de juros o valor de R$ 735.270,17, cumpre esclarecer que no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ fixou orientação no sentido de que somente é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10235.721002/201105 Acórdão n.º 2201002.475 S2C2T1 Fl. 6 9 (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, constatase que apenas é isento do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, conforme amplamente abordado neste voto, apenas os vencimentos recebidos pelo recorrente a título de férias indenizadas se subsume ao REsp 1.227.133/RS e, por essa razão, é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora, relativamente às citadas verbas. No que tange aos cálculos do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (grifei) Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e Fl. 708DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial. Nesse caso, a incidência do imposto de renda deve levar em consideração as alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Ressaltese que a autoridade lançadora deduziu proporcionalmente o valor pago pelo recorrente a título de honorários advocatícios, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 14). Portanto, neste ponto, não há qualquer reparo a fazer ao lançamento. Por fim, em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar as multas de lançamento de ofício, previstas no art. 44 da Lei no 9.430/1996, não podendo deixar de aplicá la ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Assim sendo, correta a imposição da multa de ofício. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de férias indenizadas, acompanhadas dos respectivos juros de mora. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 709DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721875/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
RECLAMAÇÕES E RECURSOS. DEPÓSITO. EFEITO SUSPENSIVO.
As reclamações e recursos, bem como o depósito do montante integral, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Art. 151, II e III, do CTN.
CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
O crédito tributário correspondente a contribuição social previdenciária cujos elementos não tenham sido declarados em GFIP deve ser lançada de ofício por não restar constituído por meio daquela declaração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2009 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. RECLAMAÇÕES E RECURSOS. DEPÓSITO. EFEITO SUSPENSIVO. As reclamações e recursos, bem como o depósito do montante integral, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Art. 151, II e III, do CTN. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O crédito tributário correspondente a contribuição social previdenciária cujos elementos não tenham sido declarados em GFIP deve ser lançada de ofício por não restar constituído por meio daquela declaração. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2009 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. RECLAMAÇÕES E RECURSOS. DEPÓSITO. EFEITO SUSPENSIVO. As reclamações e recursos, bem como o depósito do montante integral, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Art. 151, II e III, do CTN. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O crédito tributário correspondente a contribuição social previdenciária cujos elementos não tenham sido declarados em GFIP deve ser lançada de ofício por não restar constituído por meio daquela declaração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 18 75 /2 01 3- 51 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10660.721875/201351 Acórdão n.º 2302003.285 S2C3T2 Fl. 160 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 143 e seguintes), com destaques nossos, que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio dos seguintes Autos de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado, consolidados em 03/07/2013, verificados nos estabelecimentos de CNPJ nº 18.780.254/0001 35, 18.780.254/000569 e 18.780.254/000720 desse contribuinte, lançados em 04/07/2013 e com a ciência pessoal ao contribuinte em 09/07/2013 (fls. 003 e 008): Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas a aquisição de produção rural de pessoas físicas não declarada em GFIP, no período de 08/2009 a 09/2009, resultando nas correspondentes contribuições sociais previdenciárias e destinadas ao SENAR. Conforme informado pela fiscalização em seu Relatório Fiscal (fls. 014/015), as contribuições sociais aqui tratadas são objeto do processo judicial nº 2009.34.00.0172356 de iniciativa do contribuinte, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por meio da qual o contribuinte propugna pela inexistência da obrigatoriedade de recolher as contribuições previstas no art. 25, incisos I e II, e a retenção instituída no art. 30, todos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, e o lançamento efetuado teve por finalidade garantir os referidos créditos previdenciários. As contribuições encontramse com exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais vinculados ao referido processo. Não foram aplicados multa ou juros aos valores lançados em decorrência do depósito judicial associado às contribuições lançadas. O contribuinte apresentou impugnação, em 01/08/2013, às fls. 053/054, considerada tempestiva pela unidade de origem, nos Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 termos do Despacho de fl. 140, com as considerações a seguir descritas. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 153 e seguintes, nos quais alega, em apertada síntese, que: * o lançamento teria sido efetuado tãosomente para evitar a decadência, na medida em que o impugnante está discutindo a constitucionalidade e legalidade das contribuições por meio da Ação Declaratória nº 2009.34.00.0172356, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília; * os créditos foram objeto de depósito judicial, restando suspensa sua exigibilidade; * insurgese contra a alegação da fiscalização de que as bases de cálculo correspondentes às contribuições não teriam sido declaradas em GFIP, sustentando que todas as obrigações acessórias teriam sido devidamente cumpridas, inclusive o preenchimento e entrega da GFIP, conforme documentos que anexa. Em conseqüência, os autos de infração deveriam ser anulados. Encerra requerendo a anulação dos autos de infração ou, alternativamente, a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito neles lançados até o julgamento final da ação judicial. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10660.721875/201351 Acórdão n.º 2302003.285 S2C3T2 Fl. 161 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Matérias Não Contestadas e Renúncia ao Contencioso Administrativo. É de se consignar que a própria recorrente deixou de impugnar diretamente e tampouco recorreu quanto à existência dos fatos geradores ou do crédito tributário deles decorrente. E, a teor dos arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/92, no processo administrativo fiscal, somente são apreciadas as matérias que foram expressamente contestadas. Todavia, ainda que tivessem sido contestadas, extraise dos autos e a própria recorrente confirma que o lançamento foi efetuado tãosomente para evitar a decadência, na medida em que o impugnante está discutindo a constitucionalidade e legalidade das contribuições por meio da Ação Declaratória nº 2009.34.00.0172356, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília. Portanto, houve renúncia ao contencioso administrativo quanto às matérias submetidas à apreciação judicial. Com efeito, o artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que seja afastada da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao Judiciário e este não pode furtarse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. É por essa razão que ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por “o mesmo objeto” ou “pedido” do processo administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lei n° 8.213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Lei n° 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto Decreto 7.574/2011: (Regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) (...) Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. (Todos destaques são nossos) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10660.721875/201351 Acórdão n.º 2302003.285 S2C3T2 Fl. 162 7 Assim, além de a própria recorrente não ter contestado diretamente a existência dos fatos geradores ou do crédito tributário deles decorrente, devese reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo quanto à legalidade ou constitucionalidade das exações, eis que matéria submetida à apreciação judicial. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Quanto ao efeito suspensivo pleiteado, cabe esclarecer à contribuinte que, nos temos do art. 151, incisos II e III, do CTN, tal comando é obedecido pela administração sem necessidade de que haja requerimento especial por parte da impugnante: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Logo, tanto o recurso como o depósito do montante integral têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, impedindo, portanto, a Fazenda Pública de exigilo até que a lide instaurada com a apresentação da contestação tenha desfecho favorável ao ente tributante. Inexistência de Declaração dos Fatos Geradores em GFIP. Alega a recorrente que todos os fatos geradores teriam sido declarados em GFIP, porém, como destacado na decisão a quo, não é o que se verifica a partir dos autos ou de consulta aos sistemas da RFB: Os fatos geradores do lançamento em tela são as aquisições de produção rural de pessoas físicas, cujo montante total em cada competência deve ser declarado na GFIP correspondente. No caso concreto, os fatos geradores foram os descritos na tabela a seguir, que também mostra os valores declarados nas GFIPs ativas nas competências correspondentes, conforme consulta aos sistemas da RFB (GFIPWeb) em 24/10/2013: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Portanto, constatase que nenhum dos valores lançados de ofício foi declarado em GFIP. Em reforço, a única GFIP para a qual consta algum elemento nos autos, no caso apenas o recibo de entrega, que foi anexado pelo contribuinte a fl. 122, consiste em GFIP referente ao CNPJ 18.780.254/000135 e à competência 08/2009, situação para a qual não há lançamento de ofício efetuado e GFIP essa que não possui fato gerador e que apresenta marca de exclusão no sistema. Logo, nenhum dos valores lançados de ofício encontrase declarado em GFIP e, portanto, inatacável na forma o lançamento efetuado. Portanto, não procede a irresignação da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10283.720934/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA APLICÁVEL ÀS EXPORTAÇÕES NACIONAIS REALIZADAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS.
Uma vez recepcionada pela Constituição Federal (CF) o Decreto-Lei 288/67, que em seu art.4º equipara à exportação toda exportação de produto nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, incide sobre tais operações a imunidade tributária que cuida o art. 149, §2º, da CF.
DA MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza a intenção dolosa do contribuinte de fraude ou sonegação pode existir a qualificação da multa em 150%.
Numero da decisão: 1302-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA APLICÁVEL ÀS EXPORTAÇÕES NACIONAIS REALIZADAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Uma vez recepcionada pela Constituição Federal (CF) o Decreto-Lei 288/67, que em seu art.4º equipara à exportação toda exportação de produto nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, incide sobre tais operações a imunidade tributária que cuida o art. 149, §2º, da CF. DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza a intenção dolosa do contribuinte de fraude ou sonegação pode existir a qualificação da multa em 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA APLICÁVEL ÀS EXPORTAÇÕES NACIONAIS REALIZADAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Uma vez recepcionada pela Constituição Federal (CF) o DecretoLei 288/67, que em seu art.4º equipara à exportação toda exportação de produto nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, incide sobre tais operações a imunidade tributária que cuida o art. 149, §2º, da CF. DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza a intenção dolosa do contribuinte de fraude ou sonegação pode existir a qualificação da multa em 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 34 /2 01 0- 76 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente por ter sido verificada divergência entre as receitas declaradas à RFB e à SEFAZ/AM referente aos anoscalendários de 2006 e 2007, fato que motivou a constituição do auto de infração de IRPJ (R$ 245.296,99), CSLL (R$ 245.297,00), PIS (R$ 179.496,41), COFINS (R$ 721.035,27) e Contribuição para a Seguridade Social – INSS (R$ 2.086.688,77), já acrescidos da multa de 150%, e ainda multa regulamentar (R$ 14.184,59) (fl. 20/75). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 76/86): (i) Que a Recorrente estava incrita no SIMPLES no ano calendário de 2006 e 2007 na condição de empresa de pequeno porte (EPP); (ii) Que a tentativa de intimação da Recorrente do Termo de Início de Fiscalização pela via postal foi infrutífera, sendo a empresa intimada por edital (Termo de Edital nº. 034/2010 – fl. 90), com efeitos a partir de 16/04/2010; (iii) Que foram solicitados através do Termo de Início de Fiscalização os livros e documentos contábeis da Recorrente dos anos calendários 2006 e 2007, assim como o Contrato Social e suas alterações, mas tais documentos não foram apresentados pela contribuinte; (iv) Que para suprir a falta dos livros e documentos o AFRFB solicitou à SEFAZ/AM (fl. 92) “informações sobre as obrigações tributárias do contribuinte relacionadas com o fisco estadual no período sob fiscalização (...)”; (v) Que através dos resumos de Declaração de Apuração Mensal (DAM) – fls. 93/138 – entregue pela Recorrente à SEFAZ/AM foi verificado que esta declarou em 2006 receitas ao fisco estadual no valor de R$ 9.133.465,88, contudo a Recorrente declarou à RFB no mesmo exercício a importância de apenas R$ 1.139.961,56 como receita bruta para tributação pelo SIMPLES; (vi) Esclareceu, ainda, o AFRFB que em relação ao anoexercício de 2007 a Recorrente declarou receita de vendas ao fisco estadual no valor de R$ 7.323.376,00, mas declarou à RFB a importância total de R$ 1.431.220,66, através do regime do SIMPLES no período do primeiro semestre do exercício e do Lucro Presumido a partir do segundo semestre; Fl. 800DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720934/201076 Acórdão n.º 1302001.425 S1C3T2 Fl. 799 3 (vii) Que, em consequência de tais constatações, foi formalizada Representação Fiscal ao Delegado da RFB – Manaus para exclusão da Recorrente do SIMPLES, sendo publicado em 22/07/2010 o Ato Declaratório de Exclusão n.º 128, surtindo seus efeitos a partir de 01/01/2007; (viii) Que em 27/08/2010 foi enviado Termo de Intimação (fls. 90) por via postal para Adriana Pinheiro Mendonça para esclarecimentos sobre as atividades da Recorrente, uma vez que é sua titular responsável (empresária individual); (ix) Que em 14/09/2010 compareceu à RFB o procurador da Adriana Pinheiro Mendonça apresentando resposta escrita (fls. 145) ao Termo de Intimação. Esclareceu também que os Livros Contábeis da empresa recorrente foram extraviados após o óbito do seu antigo contador, apresentando Boletim de Ocorrência que registraram a ocorrência e a certidão de óbito. (x) Que, também em 14/09/2010, foi entregue novo Termo de Intimação (fls. 142) para a recorrente esclarecer as divergências entre os valores das receitas informadas ao Fisco Estadual e à RFB, no que toca aos anosexercícios de 2006 e 2007; (xi) Que em resposta à intimação a recorrente declarou que sua titular, Adriana Pinheiro Mendonça, desconhecia essas divergências, alegando ainda falta de conhecimento técnico para se manifestar sobre tais diferenças; (xii) Logo, o AFRFB classificou como omissão de receita os valores a maior declarados à SEFAZ/AM, mas que não foram informados à RFB. Esclarece que foram deduzidos do valor total do lançamento tributário os valores correspondentes aos tributos dos exercícios fiscalizados já pagos; (xiii) Foi aplicado o agravamento da multa em 150%, entendendo o AFRFB que houve configuração de ilícito doloso de sonegação pela Recorrente “com o nítido propósito de suprimir ou reduzir o pagamento de tributos federais” (art. 44, I, §1º, da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 71, da Lei n.º 4.502/64); (xiv) A empresária individual ADRIANA PINHEIRO MENDONÇA foi declarada responsável solidária pelos créditos tributários formalizados no ato de lançamento, por responsabilidade ilimitada de empresário individual solidária e, também, com fundamento no art. 137, inc. I e II, do CTN. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 05/01/2011 (fls. 20, 30, 40, 50, 60, 69, 70 e 74) por meio de seu procurador. Na sequência, apenas a empresa apresentou impugnação em 28/01/2011 (fl. 252/317), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 656/669): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano calendário: 2006, 2007 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 EMENTA OMISSÃO DE RECEITA Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. A falta de apresentação de livros comerciais e fiscais, bem como de documentação hábil, sem a tentativa de reconstituição da escrita torna válida a adoção do arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Intimada da decisão supratranscrita em 17/09/2013 (fl. 680), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 14/08/2013 (fl. 681/698), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Preliminarmente, que a recorrente está situada na área geográfica da Zona Franca de Manaus (DecretoLei nº 288/1967), sendo que todas as receitas auferidas são oriundas de vendas de mercadorias de origem nacional; (ii) Que as operações relativas a vendas de mercadorias nacionais realizadas dentro da ZFM são equiparadas a uma venda do Brasil para o estrangeiro, devendo ter o mesmo tratamento fiscal dado às receitas oriundas de exportação; (iii) Que os benefícios fiscais concedidos pela ZFM têm vigência até 05/10/2023 (arts. 40 e 92 da ADCT); (iv) Que as receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas dentro da ZFM devem ter o mesmo tratamento fiscal dado ao PIS e à COFINS em face das receitas oriundas de operações de exportação; (v) Que as receitas decorrentes de vendas para o exterior passaram a ser imune de incidência do PIS e da COFINS (art. 149, CF, com a redação dada Fl. 802DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720934/201076 Acórdão n.º 1302001.425 S1C3T2 Fl. 800 5 pela EC nº 33/01), o que deve ser aplicado para as vendas realizadas na ZFM por aplicação do princípio da isonomia; (vi) Que deve ser assegurado à recorrente o mesmo tratamento de imunidade tributária do PIS e da COFINS concedido a outros Estados da Federação; (vii) Que o Supremo Tribunal Federal já pacificou jurisprudência no sentido de que há isenção do PIS e da COFINS para empresa localizada na Zona Franca de Manaus. Juntou jurisprudência; (viii) No mérito, que há necessidade de redução da multa de ofício lançada pela RFB de 150% para 75%, por não ter sido comprovado o ilícito doloso de sonegação no caso; (ix) Que a súmula 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF estabelece que a omissão de receitas sem origem comprovadas por si só não enseja a existência de dolo, fraude ou dissimulação por parte do contribuinte; (x) Que a jurisprudência do CARF é no sentido de que em casos nos quais houve a exclusão do SIMPLES por omissão de receitas, constatada por meio de comparação dos fiscos estudual e federal, as multas de ofício foram fixadas em 75%. Juntou entendimentos; (xi) Por fim requereu a procedência dos pedidos formulados no Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Delimitação da Matéria Controvertida. Compulsando os autos, é possível verificar que o lançamento tributário realizado em desfavor da recorrente foi de IRPJ (R$ 245.296,99), CSLL (R$ 245.297,00), PIS (R$ 179.496,41), COFINS (R$ 721.035,27) e Contribuição para a Seguridade Social – INSS (R$ 2.086.688,77) e multa regulamentar (R$ 14.184,59) (fl. 20/75 – do auto de infração). Entretanto, após ter sua impugnação julgada totalmente improcedente, a recorrente apresentou o recurso voluntário que ora se analisa, no qual apenas se insurge contra o lançamento do PIS e da COFINS, bem como contra a qualificação da multa aplicada (fls. 698 – Recurso Voluntário). Desta maneira, NÃO será objeto de manifestação por este Conselho o lançamento tributário correspondente ao IRPJ, a CSLL, a Contribuição para a Seguridade Social – INSS e, também, a multa regulamentar, pois entendo como matéria não recorrida. 2. Da Imunidade Tributária Aplicável às Operações de Compra e Venda Destinadas à Zona Franca de Manaus. Da Equiparação à Exportação. A recorrente argumenta de forma preliminar em seu recurso voluntário pela incidência da norma constitucional de imunidade tributária, em relação ao PIS e à COFINS, sobre as receitas decorrentes de vendas realizadas dentro da Zona Franca de Manaus. Muito embora tais assertivas apenas tenham sido arguidas em sede do recurso voluntário, entendo que são cabíveis de apreciação por este Conselho em face de precípua finalidade deste Órgão de verificação do estrito cumprimento da legislação tributária com relação aos lançamentos (atos administrativos) realizados pela RFB, como bem preceitua o art. 3, II da Lei 9.784 e o art. 1º, do seu Regimento Interno, in verbis: Lei n.º 9.784/99 DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Fl. 804DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720934/201076 Acórdão n.º 1302001.425 S1C3T2 Fl. 801 7 RICARF (Portaria n.º 256/09) Art. 1°. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifo não original) Ademais, entendo que alegação de existência de imunidade e de erro quanto à sistemática de apuração do lucro tributável são matérias de ordem pública, passíveis de conhecimento a qualquer tempo no processo administrativo. Portanto, afasto os efeitos do instituto da preclusão sobre tal matéria, uma vez necessária sua apreciação por este colegiado diante da demonstração de aplicação incorreta da legislação tributária. Como é cediço, a Constituição Federal institui através de seu art. 149, §2º, imunidade tributária em relação às contribuições sociais e de intervenção de domínio econômico sobre as receitas oriundas da exportação, nos seguintes termos: Art. 149. §2º. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; A respeito das imunidades tributárias, o respeitável doutrinador Hugo de Brito Machado define de forma sublime os efeitos do instituto sobre as normas de incidência tributária, como se destaca: Imunidade é o obstáculo decorrente de regra da Constituição à incidência de regra jurídica de tributação. O que é imune não pode ser tributado. A imunidade impede que a lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é imune. É limitação da competência tributária. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 31ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2010, p. 300). Portanto, por força da regra constitucional esposada no art. 149, §2º, da Constituição Federal, não pode haver incidência de PIS/COFINS sobre as vendas decorrentes de exportação, entendimento este já assente neste Conselho: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal concede imunidade para as receitas decorrentes de exportação em relação às contribuições sociais. Recurso Voluntário Provido. (CARF. Acórdão n.º 2301003.257. Rel. Bernadete De Oliveira Barros. Sessão de 23/01/2014) ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro segundo disposto no Decretolei 288/67. Tendo o artigo 40 do ADCT mantido as características de área de livre comércio, de Fl. 805DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e, ainda, considerando que a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 149, § 2º, I, da Constituição Federal, enquanto não alterado ou revogado o artigo 4º do DL n.º 288/67, sobre elas não incide o PIS e a COFINS. (CARF. Acórdão n.º 3801002.029. Rel. Sidney Eduardo Stahl. Sessão de 20/09/2013) ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CF. As receitas provenientes da comercialização de produtos para a Zona Franca de Manaus são equiparadas a receitas de exportações por força do art. 4º do DecretoLei nº. 288/67, razão pela qual são imunes à incidência da contribuição previdenciária nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. (...) (CARF. Acórdão n.º 2403002.238. Rel. Marcelo Magalhães Peixoto. Sessão de 15/08/2013) (...) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. A incidência de PIS sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação, e da expressa isenção prevista nas normas instituidora daquela contribuição. (...) (CARF. Acórdão n.º 3201000.901. Rel. Luciano Lopes De Almeida Moraes. Sessão de 20/02/2012) Neste mesmo raciocínio, analisando a legislação que cuidou de implementar os benefícios fiscais aplicáveis à Zona Franca de Manaus (ZFM) – DL n.º 288/67, observase que, em seu art. 4º, há a previsão de que qualquer venda de produto nacional para consumo ou industrialização na ZFM será equivalente a uma exportação para fins tributários, nos seguintes termos: DL n. 288/72 – Art. 4º. A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Vale ressaltar, ainda, que os benefícios fiscais concedidos à ZFM através do DL n.º 288/67 foram recepcionados e mantidos pela atual Constituição Federal, consoante se verifica através dos artigos 40 e 92, ambos da ADCT, que atualmente possuem a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720934/201076 Acórdão n.º 1302001.425 S1C3T2 Fl. 802 9 Art. 92. São acrescidos dez anos ao prazo fixado no art. 40 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. (Vide EC 42/2003) Ademais, o art. 506 do atual Código Aduaneiro (Decreto n.º 6.759/09) corrobora o preceito legal expresso no art.4º, do DL n.º 288/67, aduzindo o seguinte: Art. 506. A remessa de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou posterior exportação, será, para efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Nestes termos também já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, como se verifica das ementas que se destacam abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. (...) 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. (STJ. REsp n.º 1.276.540/AM. Rel. Min. Castro Meira. DJe05/03/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA. ADITAMENTO À INICIAL (PEDIDO COMPENSATÓRIO) RECUSADO. PRESCRIÇÃO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS E À AMAZÔNIA OCIDENTAL. (...) 10. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." (...) Fl. 807DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 12. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca (Precedentes do STJ: RESP 677.209/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de 28.02.2005; RESP 223.405/MT, Relator Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003; RESP 144.785/PR, Relator Min. Paulo Medina, DJ de 16.12.2002). (...) (STJ. REsp n.º 859.745/SC. Rel. Ministro Luiz Fux. DJe 03/03/2008) Logo, entendo como incontroverso que a remessa de mercadoria originada em qualquer lugar do território nacional para consumo ou industrialização na ZFM tem natureza jurídica de exportação para fins de incidência tributária, portanto, abrangida pela imunidade tributária em relação às contribuições sociais, nos termos do art. 149, §2º, da CF. Entretanto, voltando ao presente caso, fazse necessário a constatação efetiva de que as vendas realizadas pela Recorrente tiveram como fim o consumo ou a industrialização na própria ZFM, como alegado, pois somente estas operações são equiparadas a exportações, nos termos do art. 4º, do DL n.º 288/67, supratranscrito, e, por consequência, usufruem da imunidade tributária em comento. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente não junta quaisquer notas fiscais correlatas às operações que alega ter realizado para consumo ou industrialização na ZFM, ou outros documentos que pudessem demonstrar a destinação de suas mercadorias, vez que os Resumos das DAMs (Declarações de Apuração Mensal) – fls. 93/138 – entregues pela Receita Estadual apenas apontam os valores totais das receitas declaradas àquele Órgão. Em outras palavras, é impossível diante do conjunto probatório existente no processo administrativo que se conclua que as vendas realizadas pela Recorrente estão amparadas pela imunidade tributária prevista no art. 149, §2º, da CF c/c art. 4º, do DL n.º 288/67. Aplicado subsidiariamente no âmbito administrativo, o art. 333, II, do CPC, preceitua o seguinte: Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...) II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório, uma vez não demonstrado que suas operações de vendas eram realizadas para consumo ou industrialização dentro da própria ZFM. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento tributário do PIS e da COFINS sobre as vendas realizadas pela recorrente. 3. Da Multa Qualificada A aplicação da multa qualificada no presente caso foi decorrente da omissão de receitas em grande monta, verificada quando da comparação das receitas declaradas à SEFAZ/AM e as declaradas à RFB nos anos calendários de 2006 e 2007, créditos estes omitidos na declaração do SIMPLES em 2006 e no primeiro semestre de 2007 e DIPJ no segundo semestre de 2007, bem como outras Declarações (DCTF e DACON no ano de 2007). Fl. 808DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720934/201076 Acórdão n.º 1302001.425 S1C3T2 Fl. 803 11 Ademais, ressaltou o AFRFB que mesmo intimada diversas vezes, inclusive na pessoa de sua sócia, responsável solidária pelo presente lançamento tributário, a empresa contribuinte não apresentou os livros contábeis e demais documentos solicitados durante o procedimento fiscal, nem esclareceu as divergências verificadas entre os valores das receitas informadas ao Fisco estadual e à RFB. Assim, entendeu o AFRFB pela configuração do ilícito doloso de sonegação, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 80/83), realizando o lançamento da multa qualificada de 150%, com fulcro no art. art. 44, I, §1º, da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 71, da Lei n.º 4.502/64, in verbis: L. n.º 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo não original) L. n.º 4.502/64 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (grifo não original) Analisando os autos, entendo que restou comprovado no procedimento fiscal o ato volitivo da contribuinte de cometer o ilícito doloso fiscal de sonegação. Explico. Consoante restou cabalmente demonstrado nos autos, a Recorrente, de maneira reiterada durante os anoscalendários fiscalizados, deixou de informar à RFB a integralidade de suas receitas auferidas, apresentando sempre declaração a menor nos fechamentos mensais e trimestrais (2º semestre de 2007) dos exercícios. Intimada diversas vezes a apresentar seus livros contábeis e esclarecer as diferenças apontadas pelo fiscal, a recorrente mantevese inerte, alegando apenas o extravio dos livros e falta de conhecimento técnico para se manifestar sobre tais apontamentos. Destaco, também, as seguintes observações consideradas pela autoridade fazendária quando da lavratura do auto de infração (fls. 82/83), nos termos seguintes: Fl. 809DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Quanto às justificativas apresentadas pelo contribuinte em resposta aos Termos de Intimação de 27/08/2010 e 14/09/2010, às quais nos referimos acima (no item 1), consideramos inconsistentes para merecerem crédito. O Boletim de Ocorrência sobre o extravio dos livros e documentos fiscais foi lavrado em 11/09/2010, data posterior à da primeira intimação, e relacionado a evento ocorrido em 2008. O contador, por sua vez, não teria nenhum interesse em sonegar receitas do contribuinte à RFB se não auferisse alguma vantagem com esse ilícito. Além do mais, em ação fiscal sobre outro contribuinte, cujo contador era o mesmo, constatamos idêntico modo de agir referente às condutas ilícitas, ou seja, as receitas declaradas à RFB sofriam uma considerável redução, comparadas às receitas declaradas à SEFAZ/AM (processo administrativo n° 10283720.846/2010 74). Outra informação que deve ser levada em conta na análise dos ilícitos é a grande diferença entre o valor da movimentação financeira em contas bancárias de titularidade do contribuinte (R$ 5.404.416,30 conforme registros nos sistemas de dados da RFB) e o valor da receita declarada à SEFAZ/AM nos dois anos fiscalizados (R$ 16.456.841,88). Considerando os vultosos valores das compras e vendas efetuadas pelo contribuinte nesses dois anos, a maior parte de sua movimentação financeira foi realizada à margem de contas bancárias de sua titularidade. Portanto, no rol de ilícitos cometidos encontramos: omissão de receitas comprovada mediante a comparação das receitas declaradas à SEFAZ/AM, com as receitas declaradas à Receita Federal na declaração do SIMPLES em 2006 e no primeiro semestre de 2007, e na DIPJ no segundo semestre de 2007; a redução de pagamento dos tributos desses períodos em decorrência da sonegação das receitas; omissão de informações sobre as receitas ou débitos tributários em outras Declarações (DCTF e DACON no ano de 2007); ocultação de livros e documentos; extinção irregular da atividade empresarial. Todos esses ilícitos estão diretamente vinculados com a intenção de impedir ou retardar que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias principais. Não se pode perder de vista as vultosas diferenças encontradas entre as receitas declaradas ao Fisco estadual e à RFB, como apontado na tabela abaixo (fls. 78/79): RECEITAS – ANOCALENDÁRIO 2006 DAM – SEFAZ SIMPLES RFB DIFERENÇA TOTAL R$ 9.133.465,88 R$ 1.139.961,56 R$ 7.993.504,32 RECEITAS – ANOCALENDÁRIO 2007 DAM – SEFAZ SIMPLES (1º Sem.) / DIPJ RFB DIFERENÇA TOTAL R$ 7.323.376,00 R$ 1.431.220,66 R$ 5.892.155,34 Assim, é clarividente que a Recorrente omitiu dolosamente o valor real de suas receitas a fim de aproveitarse indevidamente do regime simplificado de tributação em boa parte do período fiscalizado – todo o anocalendário de 2006 e 1º semestre de 2007 –, bem Fl. 810DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720934/201076 Acórdão n.º 1302001.425 S1C3T2 Fl. 804 13 como buscou a todo instante reduzir o montante do imposto devido, caracterizando de maneira inegável o intuito volitivo de sonegação. Dessa forma, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo incólume o lançamento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 811DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10940.900539/2011-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 39 /2 01 1- 65 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900539/201165 Acórdão n.º 3801004.036 S3TE01 Fl. 73 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900539/201165 Acórdão n.º 3801004.036 S3TE01 Fl. 74 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916017153 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 03562.08881.260607.1.3.040718. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$1.408,07, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 28/01/2003. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, nas questões de mérito, tece considerações acerca de aspectos constitucionais, cita jurisprudência do Judiciário e entendimentos doutrinários sobre o assunto em pauta, enfatizando a legislação pertinente às exclusões da base de cálculo da Cofins e do PIS para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Constata que, enquanto as instituições financeiras gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, no cômputo da base de cálculo da Cofins e do PIS, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança daquelas exações sobre uma base muito maior, desequilibrando se uma relação que efetivamente não encontra nenhuma razão de ordem material ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social para que se estabeleça. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900539/201165 Acórdão n.º 3801004.036 S3TE01 Fl. 75 4 Afirma que não restam dúvidas de que as empresas privadas que foram alijadas dos benefícios outorgados às instituições financeiras, no que diz respeito à base de cálculo da Cofins e do PIS, devem usufruir do mesmo privilégio fiscal concedido à essas, adequandose ao texto constitucional, art. 150, inciso II, assim como à cláusula pétrea da igualdade constante do art. 5o. Com base nas planilhas anexas, notase que o contribuinte vem recolhendo a Cofins e o PIS sem as devidas exclusões a que tem direito, não restando dúvida acerca do crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior desde aquela competência até os dias atuais. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de Cofins, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica o valor atinente às diferenças de Cofins apuradas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900539/201165 Acórdão n.º 3801004.036 S3TE01 Fl. 76 5 própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900539/201165 Acórdão n.º 3801004.036 S3TE01 Fl. 77 6 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900539/201165 Acórdão n.º 3801004.036 S3TE01 Fl. 78 7 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13054.000846/2005-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, a Suprema Corte consolidou a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, DJ de 20/08/2010, Rel. Ministra Rosa Weber).
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de voluntário. Ausente, temporariamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, a Suprema Corte consolidou a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, DJ de 20/08/2010, Rel. Ministra Rosa Weber). Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de voluntário. Ausente, temporariamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 08 46 /2 00 5- 89 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito oriundo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, cumulado com pedidos de compensação, apurado, no regime não cumulativo, no 3º trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa apurado no 3° trimestre de 2004. O interessado discorda da glosa oriunda da tributação das receitas correspondentes às transferências de créditos do ICMS a terceiros, alegando, em preliminar, o cerceamento de seu direito de defesa, pois não teriam sido demonstrados os motivos de constituição do crédito tributário da Cofins, pois nada teria recebido ao transferir os créditos do ICMS para terceiros, uma vez que tais operações teriam sido realizadas a título gratuito. Ainda em preliminar, pede novamente o cancelamento do Despacho Decisório, alegando precariedade no levantamento fiscal que não teria verificado se as transferências dos créditos de ICMS para terceiros foram realizadas a título gratuito ou oneroso, voltando a afirmar que não teria recebido qualquer valor pela transferência de tais créditos, transcreve jurisprudência para embasar seus argumentos. No mérito, sustenta a impossibilidade da exigência da Cofins em operações a título gratuito e acrescenta que jamais a transferência de créditos de ICMS para terceiros poderia compor a base de cálculo da Cofins pois tais operações não se enquadrariam no conceito de receita e se tratariam de mera recuperação de despesa/custo, decorrente da sistemática de apuração do imposto que visa atender o princípio da não cumulatividade. Novamente, cita e transcreve jurisprudência a seu favor e pleiteia a homologação das compensações realizadas no presente processo. Isso posto, requer a reforma do Despacho Decisório, com a homologação integral das compensações efetuadas, pois o valor do direito creditório pleiteado no presente processo seria superior ao valor dos débitos compensados. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1017.268, de 25/09/2008 (fls. 162/165), assim ementado: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13054.000846/200589 Acórdão n.º 3202001.176 S3C2T2 Fl. 206 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Deve permanecer válido o indeferimento de ressarcimento contra o qual não foi apresentado qualquer elemento de prova no sentido contrário. Há incidência de PIS e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 224/283, por meio do qual consignou, no que interessa ao deslinde do litígio: Não consegue apurar as razões que motivaram o r. Despacho Decisório, merecendo ser cancelado por ofender o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por implicar cerceamento do direito de defesa. O r. Acórdão recorrido também merece ser cancelado (anulado), por ser precário o levantamento que o fundamenta. A precariedade do levantamento fiscal decorre do fato de não ter sido verificado pelo AFRF se as transferências de crédito foram realizadas a título oneroso como condição necessária para a exigibilidade da Cofins. Não recebeu qualquer valor pela transferência dos créditos do ICMS para terceiros, algo que deveria ter sido apurado pela fiscalização, por não ser possível a exigibilidade da Cofins em operações realizadas a título gratuito. Não recebeu nenhum valor pela transferência dos créditos do ICMS realizadas “por terceiros nos termos do artigo 1° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003”. Por não constituírem receitas, jamais os créditos do ICMS transferidos para terceiros poderiam compor a base de cálculo da Cofins, pois são ressarcimento do custo do ICMS acrescido no valor dos insumos adquiridos como forma de recuperação do encargo fiscal no âmbito do princípio da não cumulatividade e permitido pela legislação. Para que tais créditos fossem receita, deveria ter existido um plus no patrimônio da Recorrente, algo totalmente diferente de sua natureza de ressarcimento de encargo suportado na aquisição de insumos utilizados no processo industrial das mercadorias fabricadas pela Recorrente. O Recurso Voluntário merece ser provido para serem homologadas as compensações, especialmente porque existe crédito a ser ressarcido no montante das dívidas compensadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente protocolou pedido de ressarcimento de crédito oriundo da Cofins, cumulado com compensações, apurado, no regime não cumulativo, no 3º trimestre de 2004. Ao apreciálo, a fiscalização constatou que, na base de cálculo da Cofins, não foram acrescidos valores recebidos a título de cessão de créditos de ICMS a terceiros. Como a irregularidade constatada superou o valor do crédito solicitado, a fiscalização negou o pleito e lavrou autos de infração exigindo, em processos administrativos diversos, as diferenças não recolhidas (PIS/Cofins). Pois bem. As preliminares de nulidade do Despacho Decisório e da decisão recorrida não serão apreciadas, uma vez que, como se passa a demonstrar, no mérito assiste razão à Recorrente. É que o Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, DJ de 20/08/2010, que fora submetido ao procedimento da repercussão geral e que motivara o sobrestamento deste processo, já foi definitivamente julgado pelo Supremo Tribunal Federal, que consolidou o entendimento de que as transferências de créditos de ICMS, acumulados quando a empresa é uma exportadora (como no caso), não compõem a base de cálculo do PIS/Cofins: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13054.000846/200589 Acórdão n.º 3202001.176 S3C2T2 Fl. 207 5 aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (g.n.). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Essa decisão, assim como as proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do recurso repetitivo, em matéria infraconstitucional, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme preconiza o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/6/2009. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13054.000846/200589 Acórdão n.º 3202001.176 S3C2T2 Fl. 208 7 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000826/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO.
Deixar de elaborar em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991.
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar de elaborar em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 26 /2 01 0- 18 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000826/201018 Acórdão n.º 2803003.487 S2TE03 Fl. 72 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000826/201018 Acórdão n.º 2803003.487 S2TE03 Fl. 73 3 Relatório O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento do Auto de Infração, lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, e artigo 225, inciso I, parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, contribuinte deixou elaborar em sua folha de pagamento do total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 01/04/2010 a 30/04/2010. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, recurso voluntário apresentado tempestivamente, alega: nulidade do auto de infração por desrespeito ao direito processual administrativo, falta de motivação e afronta ao direito de ampla defesa.. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000826/201018 Acórdão n.º 2803003.487 S2TE03 Fl. 74 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II No que refere à tipificação e lançamento da penalidade, está correto o Auto de Infração, conforme obrigação acessória prevista ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, e artigo 225, inciso I, parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, contribuinte deixou de incluir em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. A penalidade está prevista disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, combinados o artigo 283, inciso I, alínea "a", e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. A sanção é fixa, indiferentemente da quantidade das faltas. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O lançamento do crédito em razão da falta, cumpriu os requisitos do art. 142, do CTN, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante os artigos 33 e 37 da Lei nº 8212/91, que dispõem sobre a competência/dever de fiscalizar, não cabendo qualquer discricionariedade à Autoridade Administrativa. A recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de que teria realizado conforme descrito na norma de incidência, ou que sofreu causa impeditiva para tanto, como faculta o art. 16, do Dec. 70.235, não havendo questionamento efetivo das presunções de veracidade dos fatos relatados no auto de infração. A suposta alegação de nulidade do lançamento, todos os motivos fáticos e jurídicos foram apresentados pelo lançamento, bem como foi clara a aplicação a sanção tem valor fixo, independente de qualquer quantificação de obrigações principais, como supra mencionado, a obrigação descumprida é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O pedido de diligência pericial para ser devidamente deferido, além da necessidade do juízo de convencia e necessidade do julgador, deve ser acompanhado dos motivos e dos quesitos, conforme o art. 16, IV, c/c §1º, do Dec. 70.235. No caso presente não houve o preenchimento desses requisitos. Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da legalidade, vedação ao confisco e razoabilidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF MF, com interpretação consolidada pela Súmula 1, do CARF/MF. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000826/201018 Acórdão n.º 2803003.487 S2TE03 Fl. 75 5 III Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723670/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório AGROTELES AVIAÇÃO AGRÍCOLA (contribuinte) e WILLIAM ESTEVAM TELES (responsável tributário), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0429.160, de 26/06/2012, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 23 67 0/ 20 11 -5 0 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.723670/201150 Resolução nº 1302000.333 S1C3T2 Fl. 632 2 Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância administrativa, a seguir transcrito: Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, apurando diferenças entre os valores informados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e os valores apurados na escrita contábil e inseridos em DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica), formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 780.898,95, englobando IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescidos de multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e demais dispositivos citados nos autos de infração de fls. 467 a 538. O Termo de Verificação Fiscal dá notícia de que débitos declarados em DCTF, e não pagos, vieram a ser excluídos mediante entrega de DCTF retificadora. Não foram retificados os débitos na DIPJ, nem os informados no Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais). Por outro lado, os valores apurados na escrita contábil correspondem aos débitos constantes das DCTFs originais. Nesse fato e nas circunstâncias que o envolvem, viu a Fiscalização um procedimento malicioso, com o qual a impugnante pretendia tãosomente obter o cancelamento de débitos não pagos. Diante disso, decidiuse pela autuação tanto da sociedade Agroteles Aviação Agrícola Ltda. quanto do sócio administrador, William Estevam Teles. Os autuados, não se conformando com o lançamento, apresentaram impugnação conjunta, que pode assim ser resumida: Preliminarmente foi arguida a nulidade do lançamento por erro na tipificação e no enquadramento legal da infração, acarretando prejuízo ao direito de defesa. Também teria havido violação do princípio da legalidade. Embora a infração tenha sido descrita como deixar de declarar as receitas escrituradas, no mesmo lançamento afirmouse, de forma contraditória, que as receitas foram declaradas. No mérito, sustentaram os impugnantes que o lançamento se apoiou em premissa fática equivocada. As receitas auferidas da atividade econômica foram devidamente escrituradas e declaradas na DIPJ, no Dacon e na DCTF. A controvérsia surgiu da premissa de que partiu o autor do procedimento fiscal, que supôs ter a impugnante apresentado DCTFs retificadoras com o propósito ilícito de cancelar os débitos nelas consignados, os quais estavam em conformidade com os dados inseridos na DIPJ e no Dacon. Os impugnantes desconhecem as razões pelas quais as DCTFs do 2ª semestre de 2007, do 1º e 2º semestres de 2008 e dos 1º e 2º semestres de 2009 foram retificadas, tendo total segurança de que a medida não teve sua autorização. As retificações foram efetuadas à sua revelia e também os surpreendeu. Seja como for, as retificações não produziram qualquer efeito, porquanto os valores declarados originalmente em DCTF foram informados na DIPJ e no Dacon, que também são instrumentos hábeis para confissão de dívida, constituindo dessa forma o crédito tributário. Portanto, uma vez constituído o crédito em favor da Fazenda, era desnecessário o lançamento de ofício. Por outro lado, a retificação de DCTF, para ter eficácia, dependia necessariamente de que se procedesse à retificação da DIPJ e do Dacon, o que não foi feito. O art. 11, §2º, inciso III, da Instrução Normativa RFB nº 786/2007, dispõe que a DCTF retificadora não produzirá efeito se apresentada depois do início do Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.723670/201150 Resolução nº 1302000.333 S1C3T2 Fl. 633 3 procedimento fiscal relacionado aos débitos que se pretendia retificar. Portanto, caberia à Fiscalização apenas declarar a ineficácia das DCTFs retificadoras, sendo, também por essa razão, desnecessário qualquer lançamento de ofício. Porém, não considerando de plano como ineficaz a retificadora, teria de ser observado o disposto no art. 9ºA da Instrução Normativa RFB nº 1.258/2012, que dispõe que a DCTF retificadora deve ser retida para análise, com intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos. A retificação não produzirá efeitos enquanto estiver pendente de análise a DCTF. Quanto à multa, afirmaram que a Fiscalização, entendendo ter existido dolo na exclusão dos débitos não pagos, aplicou multa qualificada, adotando o percentual de 150% sobre o valor do tributo que queixou de ser pago. A conduta, porém, não se subsume ao modelo descrito na norma tributária. Não houve dolo, já que os débitos estavam declarados na DIPJ e no Dacon. Não há, portanto, prova capaz de demonstrar o dolo que justificasse a aplicação da multa qualificada. A retificação das DCTFs não teve o condão de retardar a ciência do fato gerador da obrigação tributária, dado que os valores estavam corretamente informados em DIPJ e em Dacon e deles o Fisco tinha conhecimento. No que concerne ao segundo impugnante, requereuse a exclusão do polo passivo, tendo em vista a ausência de dolo, visando ocultar os débitos. Assim, sem conduta dolosa, não há como aplicarse o disposto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional– CTN. Contestouse ainda a incidência de juros sobre a multa, por falta de amparo legal. Com esses fundamentos, pediram os impugnantes o cancelamento do auto de infração e, sucessivamente, no caso de não ser atendido o primeiro pedido, pleitearam a exclusão do segundo impugnante, William Estevam Teles, e a redução da multa qualificada para a multa simples. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1429.160, de 26/06/2012 (fls. 584/593), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DACON E DIPJ. FUNÇÃO INFORMATIVA. A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. DIPJ e Dacon são declarações de finalidade apenas informativa. DECLARAÇÃO CONTENDO DADOS INCORRETOS. ILEGALIDADE. DOLO. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Responde pelo crédito tributário, nos casos de entrega de declaração intencionalmente incorreta, o sócio administrador da pessoa jurídica, a quem o contrato social tenha conferido plenos e exclusivos poderes de administração. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.723670/201150 Resolução nº 1302000.333 S1C3T2 Fl. 634 4 MULTA QUALIFICADA. INFRAÇÃO. DOLO. REQUISITO ESSENCIAL. CONDUTA DO INFRATOR. É indispensável para a aplicação de multa qualificada a caracterização do dolo, que, na maioria das vezes, se pode inferir da descrição do comportamento do contribuinte. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007, 2008, 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DACON E DIPJ. FUNÇÃO INFORMATIVA. A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. DIPJ e Dacon são declarações de finalidade apenas informativa. DECLARAÇÃO CONTENDO DADOS INCORRETOS. ILEGALIDADE. DOLO. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Responde pelo crédito tributário, nos casos de entrega de declaração intencionalmente incorreta, o sócio administrador da pessoa jurídica, a quem o contrato social tenha conferido plenos e exclusivos poderes de administração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DACON E DIPJ. FUNÇÃO INFORMATIVA. A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. DIPJ e Dacon são declarações de finalidade apenas informativa. DECLARAÇÃO CONTENDO DADOS INCORRETOS. ILEGALIDADE. DOLO. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Responde pelo crédito tributário, nos casos de entrega de declaração intencionalmente incorreta, o sócio administrador da pessoa jurídica, a quem o contrato social tenha conferido plenos e exclusivos poderes de administração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DACON E DIPJ. FUNÇÃO INFORMATIVA. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.723670/201150 Resolução nº 1302000.333 S1C3T2 Fl. 635 5 A DCTF é o instrumento pelo qual o contribuinte, fazendo confissão de dívida, constitui para todos os efeitos o crédito tributário. DIPJ e Dacon são declarações de finalidade apenas informativa. DECLARAÇÃO CONTENDO DADOS INCORRETOS. ILEGALIDADE. DOLO. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Responde pelo crédito tributário, nos casos de entrega de declaração intencionalmente incorreta, o sócio administrador da pessoa jurídica, a quem o contrato social tenha conferido plenos e exclusivos poderes de administração. A contribuinte Agroteles Aviação Agrícola Ltda. tomou ciência da decisão de primeira instância em 02/07/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 600. Não encontro nos autos prova da ciência dessa decisão ao responsável, Sr. William Estevam Teles. Não obstante, encontro nos autos recurso voluntário às fls. 602/623, em peça única, em nome da contribuinte e do responsável tributário, apresentado em 31/07/2012, conforme carimbo de recepção à folha 627. No recurso interposto (fls. 602/623), após historiar o ocorrido, por sua ótica, os interessados alegam preliminarmente os pontos a seguir sintetizados: I.1 – Nulidade da decisão – Ausência de motivação. A decisão recorrida teria sido proferida sem a devida motivação e fundamentação, com elevado grau de subjetivismo na apreciação das questões controvertidas. Com isso, restaria prejudicado o direito dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório, maculando de nulidade o acórdão recorrido. I.2 – Nulidade do lançamento – erro na tipificação da infração. Os recorrentes combatem a decisão de primeira instância e reafirmam que, embora a infração tenha sido descrita como deixar de declarar as receitas escrituradas, no mesmo lançamento terseia afirmado, de forma contraditória, que as receitas foram declaradas. Sustentam que estariam sendo exigidos tributos sem que ocorrida a subsunção dos fatos narrados pelo autor do procedimento fiscal às normas apontadas como infringidas. Com isso, estaria sendo cerceado o direito à ampla defesa e ao contraditório, maculando de nulidade os lançamentos. I.3 – Não incidência de juros Selic sobre multa Os recorrentes reclamam que seus argumentos sobre essa matéria não teriam sido apreciados pelo julgador a quo. Por sua ótica, essa matéria pode, sim, ser analisada e apreciada no âmbito do processo administrativo, posto que decorre do lançamento de ofício. Diante disso, reiteram todos os argumentos sobre esse tema, trazidos anteriormente em sede de impugnação. No mérito, trazem os argumentos abaixo, em apertado resumo: II.1 – Comprovação da declaração das receitas – DIPJ e DACON Os recorrentes afirmam que as receitas teriam sido informadas em DIPJ e DACON, “declarações essas que apresentaram, inclusive, a apuração e constituição dos respectivos créditos tributários”. Sustentam que “o fato de ter existido, não se sabe a razão, retificações da DCTF, não mudou a Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.723670/201150 Resolução nº 1302000.333 S1C3T2 Fl. 636 6 situação de ter a administração tributária total conhecimento do nascimento das obrigações tributárias, pela prática dos fatos geradores pelo recorente, assim como conhecimento da confissão dos respectivos créditos tributários”. Ainda, os recorrentes divergem do entendimento manifestado na decisão recorrida, de que apenas a DCTF seria o instrumento hábil para confissão de dívida. Sustentam que a IN SRF nº 127/1998 (que instituiu a DIPJ), combinada com o art. 5º do DL nº 2.124/84, garantiriam o caráter declaratório da DIPJ. Transcrevem jurisprudência administrativa que entendem suportar sua tese. Concluem que seria desnecessário o lançamento de ofício de créditos tributários já declarados na DIPJ e DACON. II.2 – DCTF retificadora – falta de produção dos efeitos Ao contrário da decisão recorrida, os recorrentes sustentam que as retificações das DCTFs não produziram quaisquer efeitos. Para tanto, seria indispensável retificar também a DIPJ e DACON, o que não foi feito. Caberia à fiscalização, simplesmente, declarar como ineficazes ou não homologadas as DCTFs retificadoras, por divergentes com a DIPJ e DACON. Concluem, da mesma forma que no item anterior, que seria desnecessário o lançamento de ofício de créditos tributários já declarados na DIPJ e DACON. II.3 – Indevido agravamento da multa Os recorrentes afirmam que não teriam praticado qualquer ato correspondente à sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/1964). Todos os fatos geradores e obrigações tributárias teriam sido tempestivamente informados ao Fisco, ainda que consideradas as retificações das DCTFs. Tais retificações não teriam qualquer aptidão para impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, dos fatos geradores e dos tributos devidos, posto que constavam da escrita contábil e da DIPJ e DACON. Assim, concluem que sua conduta não se subsume à norma que autoriza a qualificação da multa, aduzem jurisprudência administrativa em apoio a sua tese, e afirmam que a multa de 150% não teria respaldo legal. II.4 – Responsabilidade tributária do sócio Os recorrentes discordam da responsabilidade tributária atribuída ao sócio, Sr. William Estevam Teles, com base no art. 135, III, do CTN. Por sua ótica, o fundamento para a responsabilização teria sido o mesmo apresentado para a qualificação da multa, ou seja, a apresentação de DCTFs retificadoras com a intenção de retardar o conhecimento, pelo Fisco, dos débitos apurados. Assim, aproveitam os argumentos do item anterior, no sentido da inexistência de ação dolosa tendente a ocultar os débitos da administração fazendária. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso apresentado pela contribuinte Agroteles Aviação Agrícola Ltda é tempestivo, subscrito por advogados regularmente constituídos mediante a procuração de fl. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13855.723670/201150 Resolução nº 1302000.333 S1C3T2 Fl. 637 7 625. Observo que o outorgante dessa procuração é a pessoa jurídica, representada por seu sócio. No entanto, embora conste do recurso voluntário (fl. 602) que seriam dois os recorrentes (a pessoa jurídica Agroteles Aviação Agrícola Ltda. EPP e a pessoa física Sr. William Estevam Teles), não encontro nos autos procuração outorgada pela pessoa física aos advogados que subscrevem a peça recursal. A situação se complica, se considerarmos que a pessoa física não foi cientificada da decisão de primeira instância, conforme relatado. Diante do exposto, considero que o processo não reúne condições de julgamento, e voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora adote as seguintes providências: 1. Dê ciência da decisão de primeira instância à pessoa física apontada nos autos como responsável tributário, Sr. William Estevam Teles, abrindolhe o prazo legal para pagar o débito ou recorrer da decisão a este CARF. 2. Deve ser facultada ao Sr. William Estevam Teles a possibilidade de ratificar o recurso voluntário de fls. 602/623, caso assim o deseje. Nesta hipótese, a representação processual deve ser regularizada, mediante procuração outorgada pela pessoa física do Sr. William Estevam Teles aos advogados que subscrevem o recurso. Cumpridas as providências acima, o processo deve retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento administrativo. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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