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Numero do processo: 10840.722794/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 83 1 82 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.722794/201351 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.552 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de maio de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente DEBORA SCIASCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .7 22 79 4/ 20 13 -5 1 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722794/201351 Resolução nº 2402000.552 S2C4T2 Fl. 84 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2011 de R$ 291,60 para o montante de R$ 1.592,79 de imposto de renda suplementar a recolher (fls. 3/6), face à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, assim descrita na autuação: Omissão de rendimentos no valor de R$ 22.530,84 recebidos a título de pensão alimentícia, declarada, erroneamente, na PJ (deixou de declarar a aposentadoria por tempo de serviço, NB 124.594.8900, no valor de R$ 22.417,74 Em sua impugnação (fls. 2/12), a contribuinte alegou não se tratar de omissão de rendimentos, mas sim de pensão judicial recebida. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 20/22), foi interposto recurso voluntário em 17/3/2014 (fls. 27/52), arguindo, em síntese, que: a contribuinte recebe pensão, segundo decisão a qual estabeleceu que os proventos percebidos pelo excônjuge do INSS lhe seriam totalmente vertidos; para cumprir tal determinação, o INSS implementou nº de benefício em seu nome, e denominouo de aposentadoria por tempo de contribuição; sequer é segurada daquela autarquia. Junta documentos e pede que seja "abortado" o lançamento. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722794/201351 Resolução nº 2402000.552 S2C4T2 Fl. 85 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Há informações deveras desencontradas e incompletas no caso sob exame, razão pela qual impõese o retorno dos autos à origem, para realização de diligência. Explico. Há decisão judicial (fl. 45) determinando que a totalidade dos proventos recebidos do INSS pelo excônjuge da notificada sejam a ela repassados, estando o comprovante de rendimentos desse excônjuge, à fl. 9, em harmonia com tal disposição. Nele, verificase que sobre os rendimentos totais de R$ 22.530,54 auferidos como aposentadoria, há dedução nesse mesmo valor como pensão alimentícia, para o benefíciário especificado nas "informações complementares", nomeadamente, a recorrente. Por outra via, constatase que o INSS emitiu comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 10), no qual a contribuinte consta como beneficiária de rendimentos de aposentadoria por contribuição, no valor de R$ 22.417,74, inclusive com retenção de imposto de renda na fonte, dados em consonância com os informados em Dirf por essa fonte pagadora (fl. 12). À uma primeira vista, parecem tratarse de rendimentos distintos, mas conforme narrativa da recorrente, o INSS, para fins de implementação da decisão judicial, criou um nº de benefício em seu nome, o de nº 124.594.8900, atribuindolhe a denominação de "aposentadoria por tempo de contribuição", o que explicaria os dados constantes no comprovante de rendimentos pagos do INSS emitido em seu nome. Tal versão, ainda que peculiar, encontra respaldo no consignado no campo "6 informações complementares" do comprovante de rendimentos do excônjuge, aonde além de constar como beneficiária da pensão a notificada, é especificado que o valor pago no anobase 2011 foi, na verdade, de R$ 22.417,74 (fl. 9), sem considerar o décimo terceiro salário. Além disso, nos documentos de fls. nº 46 e 51, também de lavra do INSS, há indícios adicionais ao encontro dessas alegações. No documento de nº 46, extraído do sistema Dataprev, consta a informação de que a contribuinte "Recebe PA", o que pode ser, em tese, alusão à natureza efetiva de pensão dos rendimentos em tela. Por sua vez, no documento de fl. 51, aparentemente ofício exarado pela Seção de Benefício APS Rio Claro da Previdência Social, consta a menção "NB: Pensão Alimentícia" vinculada ao nº do benefício, 124.594.9800. Em síntese, estão presentes nos autos uma série de informações que possuem a mesma origem, o INSS, guardando substancial grau de divergência entre si, de modo que para se ter a necessária segurança acerca dos fatos em evidência é necessário que essa autarquia esclareça a natureza dos rendimentos sob controvérsia. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722794/201351 Resolução nº 2402000.552 S2C4T2 Fl. 86 4 Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime o INSS a informar se os rendimentos percebidos dessa autarquia pela contribuinte em epigrafe no anocalendário 2011, sob o número de beneficiário 124.594.8900, no montante de R$ 22.417,74, são efetivamente provenientes de aposentadoria por tempo de contribuição, ou correspondem, na verdade, a valores recebidos por força de implementação de decisão judicial versando sobre pensão alimentícia, intimandose a contribuinte do resultado dessa diligência, com a remessa, ao final, dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Ronnie Soares Anderson. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000832/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/10/2010
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. VALORES RECOLHIDOS FORAM CONSIDERADOS JUNTO AS CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO QUE SÓ EXIGE CONTRIBUIÇÃO FORA DA GFIP, OU SEJA, COM AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO RETIFICADO NA DRJ. LEVANTAMENTO ALIMENTAÇÃO EXCLUÍDO EM PARTE NA DRJ. INEXISTINDO MOTIVAÇÃO E PROVA PARA NOVA EXCLUSÃO EM ESPECIAL DA PARTE CONSTITUÍDA DE PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa -Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/10/2010 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. VALORES RECOLHIDOS FORAM CONSIDERADOS JUNTO AS CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO QUE SÓ EXIGE CONTRIBUIÇÃO FORA DA GFIP, OU SEJA, COM AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO RETIFICADO NA DRJ. LEVANTAMENTO ALIMENTAÇÃO EXCLUÍDO EM PARTE NA DRJ. INEXISTINDO MOTIVAÇÃO E PROVA PARA NOVA EXCLUSÃO EM ESPECIAL DA PARTE CONSTITUÍDA DE PAGAMENTO EM PECÚNIA. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa -Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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Recorrente FUNDACAO PRIMEIRA DE SAO VICENTE PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL, CIENTIFICO E DE PRESTACÃO DE SERVIÇOS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/10/2010 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. VALORES RECOLHIDOS FORAM CONSIDERADOS JUNTO AS CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO QUE SÓ EXIGE CONTRIBUIÇÃO FORA DA GFIP, OU SEJA, COM AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO RETIFICADO NA DRJ. LEVANTAMENTO ALIMENTAÇÃO EXCLUÍDO EM PARTE NA DRJ. INEXISTINDO MOTIVAÇÃO E PROVA PARA NOVA EXCLUSÃO EM ESPECIAL DA PARTE CONSTITUÍDA DE PAGAMENTO EM PECÚNIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 32 /2 01 0- 67 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 614 2 Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 615 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.270.8749, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 24 a 27, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 18 e 19. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 25/10/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 29 a 32, recebida, em 26/11/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 33 a 199; 202 a 399; 402 a 524. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 525 e 526. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a Resolução Nº 53.377 6ª Turma da DRJ/CPS, datado de 24/01/2012, fls. 535 a 537, por intermédio do qual baixou os autos em diligência. A diligência foi cumprida, conforme Relatório Fiscal Complementar, de fls. 541, acompanhado dos documentos, de fls. 542, e o contribuinte cientificado dessa, conforme despacho, de fls. 549 a 551. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0540.237 6ª, Turma DRJ/CPS, em 12/03/2013, fls. 576 a 589. A impugnação foi considerada procedente em parte. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 24/06/2013, conforme AR, de fls. 596. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 598 a 606, recebida, em 24/07/2013, desacompanhado de qualquer documento. As teses recursais sumariadas estão a seguir descritas. Mérito. · que a autuação não resiste ao confronto dos preceitos constitucionais, pois não houve descrição precisa dos fatos, não sendo apontadas as diferenças consistentes a ensejar o lançamento, o que implica em cerceamento do direito de defesa, uma vez que a atuação não foi demonstrada de forma precisa, não tendo o fisco mencionado os fatos geradores das supostas contribuições devidas, deixando, assim, o Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 616 4 fisco de motivar o lançamento e comprovar os fatos alegados, o que enseja vício insanável, que causa a nulidade da notificação, conforme legislação e jurisprudência; · que o fisco não fez a devida compensação dos valores recolhidos pela recorrente, de forma arbitraria, o que leva a nulidade da notificação, devendo os atos administrativos serem motivados, artigo 50, da Lei 9.784/99, sendo o mesmo exigido pelo artigo 11, III, do Decreto 70.235/72, exigindo, ainda, os artigos 201 a 204, do CTN, que se indique a origem e natureza do crédito; · que os artigos 145, III, do CTN; 149, IX e 53, da Lei 9.784/99 trazem as hipóteses que geram a nulidade do lançamento, restando demonstrada a nulidade do auto de infração, medida cabível a efetivação da justiça; · que o fornecimento de alimentação in natura cesta básicas e tickets alimentação, ainda, que a empresa não seja inscrita no PAT não enseja contribuição, nos termos da jurisprudência do STJ, assim sendo a notificação é improcedente, nula, pois o que se vê é mera irregularidade formal; · Conclui a recorrente: a) que o recurso seja considerado procedente, com a decretação de nulidade da notificação, pois inconsistente e eivada de vícios; b) que as contribuições foram lançadas de encontro a legislação de regência, não sendo precisos os fatos no relatório fiscal e nem foram apontadas as diferenças que ensejam o lançamento, o que dificulta e cerceia o direito de defesa da recorrente; c) que alimentação in natura não é base imponível da contribuição social previdenciária. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 610. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 03, fls. 611. É o Relatório. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 617 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetarão o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. Os relatórios anexos e integrantes do Auto de Infração não deixam dúvidas de que o fato gerador é a prestação de serviços por pessoas físicas – empregados e que a base de cálculo está dividida em três levantamentos; AL – ALIMENTAÇÃO; EB – ESTÁGIO BOLSA e SALÁRIO DIFERENÇA DIPJ GFIP, com os valores descriminados por competência, basta ler e ver o REFISC, fls. 24 a 27, o Relatório de Lançamentos – RL, fls. 11 a 14, e o Discriminativo de Débito – DD, fls. 04 a 10, não havendo que se falar em cerceamento de defesa, pois devidamente descritos os elementos necessários a tributação e estando a notificação devidamente motivada e com a legislação de regência identificada no Fundamentos Legais do Débitos – FLD, fls. 15 e 16, inexistindo qualquer vício no lançamento. A DRJ ao analisar a impugnação de primeiro grau já se pronunciou sobre o aproveitamento de valores supostamente recolhidos pelo contribuinte, nos termos abaixo transcritos, concluindo pela inexistência de crédito a ser aproveitada nesse lançamento. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 618 6 Desta forma, não há o que aproveitar, uma vez que não houve alteração da situação fática real. Ficou demonstrada como supramencionada que a motivação da aplicação do Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP está declinada de forma clara e objetiva, contudo, apenas, a título de esclarecimento a Lei 9.784/99 não se aplica ao PAF, pois esse tem legislação própria, artigo 69, da própria Lei 9.784/99 e jurisprudência do STJ a seguir citada. EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro Fl. 618DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 619 7 JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 620 8 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Os artigos 201 a 204, da Lei 5.172/1966 não se aplicam ao lançamento tributário, pois referemse especificamente a inscrição da dívida e a expedição da respectiva Certidão de Dívida Ativa, mas a origem do presente lançamento como já demonstrada é o desrespeito a lei tributaria pelo não cumprimento do dever de oferecer a tributação a totalidade da massa salarial da empresa. O fisco promoveu e está promovendo a revisão do lançamento provocada pelo contribuinte em razão da impugnação e respectivo recurso voluntário, o que de verifica do Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 553 a 557, onde se retificou a parte do levantamento AL – ALIMENTAÇÃO, do levantamento EB – ESTÁGIO BOLSA e por fim o levantamento SA – SALARIO DIFERENÇA DIPJ GFIP, passando o crédito do valor inicialmente lançado R$ 45.201,50 para R$ 32.593,52, após a retificação. Quanto a rubrica alimentação a DRJ deixou claro que excluiu dos autos os valores relativos a alimentação in natura aquisição de insumos para o preparo das refeições, bem como o pagamento em pecúnia destinado ao reembolso de despesa com alimentação, conforme trecho a seguir transcrito. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/201067 Acórdão n.º 2202003.211 S2C2T2 Fl. 621 9 Dessa maneira, entendo que devem ser excluídos os valores considerados pela fiscalização como salário de contribuição a título de insumos adquiridos ao fornecimento de refeições, notas fiscais de refeições prontas, e, ainda, por manifesta coerência, os valores relativos a reembolsos de despesas com refeições avulsas, tal qual documentos acostados aos autos às fls. 1.182/1.201 (autos do processo administrativo nº 15983.000831/201012). Porém, em relação aos valores pagos em pecúnia, mas que não há vinculação desses valores com aquisição de insumos ou reembolso de despesas, tais valores foram mantidos no lançamento, não há razão para mudar tal decisão, pois não há nada que mude a situação fática apresentada anteriormente. Com os esclarecimentos acima rejeito todos os pedidos, pois os argumentos apresentados não são suficientes para alterar o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10074.720018/2013-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/09/2008, 02/09/2009, 13/11/2009, 02/09/2010, 30/03/2011, 06/12/2011
Ementa:
REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA.
Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN.
A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos.
VALORAÇÃO. SEXTO MÉTODO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS A RECOLHER. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Diante da impossibilidade, devidamente motivada pela fiscalização, de aplicação do método de valoração adotado pelo importador e dos demais métodos subsequentes, correta a adoção do sexto método de valoração, com base em critérios razoáveis, condizentes com o Acordo de Valoração Aduaneira.
Devem ser cobradas as diferenças de tributos e multas relativamente à diferença entre valor aduaneiro obtido pela fiscalização pela aplicação do sexto método de valoração e o valor declarado pelo importador.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ementa:
INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. ATIPICIDADE.
Aplica-se multa ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Em obediência ao princípio da tipicidade, é necessário comprovar que houve omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação dessa natureza, bem como que a conduta tenha prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado.
A constatação posterior pela fiscalização da inadequação do método de valoração declarado não caracteriza prestação de "forma inexata" quanto o "método de valoração utilizado" pelo importador para a composição do valor aduaneiro constante na Declaração de Importação.
Recurso de Ofício negado
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ 99.428.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ 99.428. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/09/2008, 02/09/2009, 13/11/2009, 02/09/2010, 30/03/2011, 06/12/2011 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. VALORAÇÃO. SEXTO MÉTODO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS A RECOLHER. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Diante da impossibilidade, devidamente motivada pela fiscalização, de aplicação do método de valoração adotado pelo importador e dos demais métodos subsequentes, correta a adoção do sexto método de valoração, com base em critérios razoáveis, condizentes com o Acordo de Valoração Aduaneira. Devem ser cobradas as diferenças de tributos e multas relativamente à diferença entre valor aduaneiro obtido pela fiscalização pela aplicação do sexto método de valoração e o valor declarado pelo importador. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 00 18 /2 01 3- 44 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. ATIPICIDADE. Aplicase multa ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Em obediência ao princípio da tipicidade, é necessário comprovar que houve omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação dessa natureza, bem como que a conduta tenha prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado. A constatação posterior pela fiscalização da inadequação do método de valoração declarado não caracteriza prestação de "forma inexata" quanto o "método de valoração utilizado" pelo importador para a composição do valor aduaneiro constante na Declaração de Importação. Recurso de Ofício negado Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ 99.428. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Trata o processo de autos de infração para a exigência de tributos incidentes sobre a importação (II e PIS/Cofinsimportação), multa de ofício, multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 combinado com o art. 69 da Lei nº10.833/2003, e juros de mora, perfazendo na data da autuação, um valor total de R$ 14.493.689,24 (quatorze milhões, quatrocentos e noventa e três mil, seiscentos e oitenta e nove reais e vinte e quatro centavos), relativamente às DI´s nºs Fl. 824DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 824 3 08/13824642, 09/11695227, 09/11695235, 09/15949088, 09/15949096, 10/15374508, 11/05748113, 11/23078671 e 10/22132581. As importações da contribuinte, registradas de janeiro de 2008 a março de 2012, foram selecionadas para fiscalização do valor aduaneiro em zona secundária tendo em vista que constava nas correspondentes Declarações de Importação (DI´s) a utilização do Primeiro Método de Valoração, o que era incompatível com o regime aduaneiro de admissão temporária para utilização econômica, em que não há uma efetiva operação de compra e venda. Afastado o Primeiro Método de Valoração Aduaneira, e tendo em vista a impossibilidade de aplicação dos métodos subsequentes, a fiscalização aplicou o Sexto Método, utilizando como critério razoável para a valoração a utilização dos valores constantes das apólices dos contratos de seguro dos bens, apresentadas pela própria contribuinte, do que resultou a diferença de tributos objeto de exigência no auto de infração. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 combinado com o art. 69 da Lei nº10.833/2003 foi exigida pela ocorrência de prestação inexata de informação de natureza administrativotributária e comercial, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, em face da declaração de utilização do Primeiro Método de Valoração nas DI´s. Cientificado da autuação, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: O contrato de seguro não é baseado necessariamente no valor do bem em si, mas pode englobar outros itens que, juntamente ao valor do bem segurado, totalizam o valor final contratado e constante na apólice. O valor efetivo do bem, considerando seu desgaste natural, somente pode ser realmente aferido por um perito técnico. As multas aplicadas desobedecem aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade e estão em desacordo com o determinado pelo art. 150, inc. IV da Constituição Federal de 1988, que proíbe o confisco. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza considerou não impugnada a matéria relativa a exigência dos tributos e acréscimos legais referente à DI nº 10/22132581, e julgou procedente em parte o lançamento para exonerar o montante de R$ 12.477.070,27 (doze milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, setenta reais e vinte e sete centavos), referente à multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Entendeu o julgador de primeira instância pela correção da valoração aduaneira efetuada pela fiscalização com a utilização dos valores constantes nas apólices de seguros, vez que "(...) se o próprio beneficiário do regime declarou em 22 DI (71% das que foram objeto desta fiscalização) o valor constante dos certificados de seguro e instruiu tais DI com Pro Forma Invoices contendo exatamente os mesmos valores, é bastante razoável que esse critério seja adotado para a valoração das mercadorias como o equivalente mais próximo do valor real (...)". Fl. 825DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 Com relação à multa de um por cento do valor da mercadoria, entendeu a DRJ por exonerála, tendo em vista que, além de a indicação do método de valoração aduaneira não constar expressamente no §2º do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, entre as informações julgadas necessárias para a "descrição detalhada da operação" na DI, a fiscalização também não logrou êxito em demonstrar que o erro da contribuinte tenha prejudicado a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Tendo sido cientificada dessa decisão em 04/12/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no Portal eCAC, a contribuinte apresentou recurso voluntário, postado nos Correios em 05/08/2013, mediante o qual alega, em síntese: A aplicação do Sexto Método de valoração aduaneira somente pode ser feita quando ficar devidamente comprovado que não foi possível a aplicação dos métodos precedentes de valoração, o que não foi obedecido pela autoridade impugnada. Na Revisão Aduaneira, a cobrança de multas e diferenças de impostos recolhidos tornase abusiva, principalmente se a mercadoria já tiver sido analisada nos canais de conferência amarelo, vermelho ou cinza, ou seja, quando a própria Receita Federal do Brasil já atestou a regularidade da operação. O valor contratado na apólice de seguro nem sempre está estritamente associado ao valor do bem segurado, sendo liberalidade da recorrente a contratação de um seguro a maior. Além disso, o valor efetivo do bem somente poderia ser aferido por um perito técnico. Os critérios adotados com base em valores apontados em apólices de seguro podem ser considerados "fictícios e arbitrários". Prova disso é que a própria SRF utilizou para uma DI do mesmo contribuinte outro critério técnico. Não há que se falar no presente processo em matéria não impugnada, eis que a defesa sobre a DI nº 10/22132581 foi apresentada na fl. 8 da impugnação. Sendo assim, o acórdão há que ser reformado também com relação a esse ponto, sendo anulada a cobrança dessa DI juntamente com as demais até o trânsito em julgado do processo, mantendo a exigibilidade do crédito tributário. A autoridade preparadora apartou a exigência definitiva não impugnada no processo nº 17031.720039/201303, mas, em cumprimento a decisão judicial proferida no mandado de segurança nº 000065076.2013.4.01.5116, apensouo ao presente processo, para que fossem julgados concomitantemente pelo CARF. No referido mandado de segurança foi concedida liminar, que foi confirmada em sentença, que anulou as inscrições em dívida ativa e determinou a abstenção da prática de qualquer ato que importe na cobrança dos tributos nelas consubstanciados até o julgamento do processo administrativo nº 10074.720018/201344. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora O recurso voluntário e o recurso de ofício atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 825 5 Recurso de Ofício O julgador de primeira instância exonerou a multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835 c/c o art. 69 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) §1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. § 3o Quando aplicada sobre a exportação, a multa prevista neste artigo incidirá sobre o preço normal definido no art. 2o do DecretoLei no 1.578, de 11 de outubro de 1977. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) [Grifos desta Relatora] Fl. 827DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Conforme previsto no art. 4º da Instrução Normativa, "A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro". O Anexo Único, por sua vez, dispõe sobre necessidade de se informar o método utilizado para a valoração da mercadoria: ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 44.1 Método de Valoração Método utilizado para valoração da mercadoria, conforme a tabela "Método de Valoração", administrada pela SRF, e indicativo de vinculação entre o comprador e o vendedor. (...) Assim, no presente caso, a multa foi exigida pela fiscalização em face de a contribuinte ter informado nas DI's que teria utilizado o Primeiro Método de valoração, o qual não seria o método adequado, por não se tratar de uma operação de compra e venda. Entendeu a fiscalização que a informação quanto ao método de valoração utilizado seria necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, nos seguintes termos: (...) Finalmente é importante destacar que a correta informação do método de valoração permitiria a realização automática (pelo próprio sistema SISCOMEX), da tarefa de comparação dos preços declarados com os preços constantes da base de dados da Receita Federal, o que poderia acarretar o direcionamento das declarações de importação para um controle fiscal mais rigoroso, por exemplo, a instauração de um procedimento especial de fiscalização ou a seleção automática das declarações para um canal de conferência (exame documental, conferência física, exame de valor, etc). Verificase, portanto, que a informação precisa referente ao método de valoração é de fundamental importância, porquanto influencia na determinação de medidas que visam ao controle aduaneiro por parte da Receita Federal do Brasil. (...) No entanto, conforme esclareceu a decisão de primeira instância, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 327/2003, os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras de valoração, passou a ser efetuado em fiscalização de zona secundária, após o desembaraço aduaneiro: Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira. De forma que a informação sobre o método inadequado de valoração aduaneira não acarretou o prejuízo ao controle aduaneiro no que concerne à seleção de canais Fl. 828DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 826 7 de conferência para fiscalização na Unidade RFB de despacho. Também a singela informação, depois considerada inexata pela fiscalização, sobre o método de valoração aplicável não poderia atrapalhar a seleção para a instauração de "um procedimento especial de fiscalização" em que se apura indícios tão graves de fraude. A meu ver, a contribuinte informou o método de valoração que entendia adequado o método do valor da transação, aplicável a grande maioria das importações, que é o preço efetivamente pago ou a pagar pelos bens, constante na documentação de instrução do despacho de importação com os devidos ajustes. No caso de regime aduaneiro especial, conforme determina o art. 34 da IN SRF nº 327/2003, o valor aduaneiro também "deverá ser declarado com base nos documentos da operação comercial, conformes à prática do tipo de negócio". De forma que é até compreensível esse tipo de equívoco cometido pela contribuinte na indicação do método de valoração adequado. Sob uma outra ótica, mesmo que o método do valor da transação não seja mesmo o adequado, há de se indagar ainda se houve mesmo uma prestação de forma inexata quanto ao método de valoração, vez que a obrigação disposta no item 44.1 do Anexo Único da IN SRF nº 680/2006, seria para "Método utilizado para valoração da mercadoria" e não consta que a contribuinte tenha utilizado um método substitutivo para o valor declarado nas Declarações de Importação. Além do que, foi justamente a informação equivocada sobre o método de valoração, juntamente com tipo de declaração (admissão temporária), que levou a fiscalização a selecionar as importações da recorrente para o procedimento de revisão aduaneira. Melhor dizendo, in concreto, a informação "inexata" sobre o método de valoração não obstou ao procedimento de controle aduaneiro apropriado, pelo contrário, motivouo: (...) O contribuinte em questão foi selecionado para a execução da presente ação fiscal, a partir de pesquisas realizadas no sistema DW Aduaneiro da RFB, onde foram utilizados os seguintes filtros de seleção: 1) importador jurisdicionado à IRF/RJO; 2) DI registrada para admissão temporária para utilização econômica (recolhimento proporcional de tributos); e 3) declaração do valor aduaneiro com base no 1o método de valoração. (...) Tivesse a contribuinte declarado o mesmo valor aduaneiro, mas sob um método de valoração substitutivo, a fiscalização não teria selecionado, sob esses parâmetros, as suas importações para análise de valor aduaneiro na revisão aduaneira. Com efeito, foi a fiscalização que entendeu posteriormente que o método de valoração declarado pela contribuinte não seria adequado e, legitimamente, nos termos do art. 32 da IN SRF nº 327/2003, desclassificou o primeiro método e efetuou a valoração aduaneira com a aplicação de um método substitutivo e exigiu os tributos devidos, acréscimos legais e multa de ofício. No entanto, a discordância da fiscalização sobre o método de valoração declarado pelo importador, ou mesmo a verdadeira constatação de que tal método seria Fl. 829DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 inadequado, como é o caso, não quer dizer que o importador tenha informado de forma inexata o método de valoração "utilizado". Assim, diante da ausência de demonstração, a cargo da fiscalização, de que a informação sobre o método de valoração utilizado pela contribuinte nas declarações de importação teria sido efetuada de "forma inexata" e tampouco que fosse "necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado", a decisão recorrida, na parte que exonerou a multa correspondente, deve ser mantida. Nesse mesmo sentido, já foi decidido por este CARF, nos precedentes abaixo, que tratam de situação idêntica a dos presentes autos, de informação inexata acerca do método de valoração em importações sob o regime de admissão temporária: Processo nº 10074.720017/201308 Recurso Voluntário e de Ofício Acórdão nº 3403003.232– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Relator: Domingos de Sá Filho ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/08/2009, 01/07/2010, 10/10/2011, 30/11/2011 Ementa: INFRAÇÃO. INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INOCORRÊNCIA. A multa aplicase ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Para que a penalidade possa ser aplicada é necessário comprovar a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada, e mais, que a conduta tenha, objetivamente, prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado. Recurso Voluntário e de Ofício Negados. Processo nº 10074.722527/201221 Recurso de Ofício Acórdão nº 3102002.209 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2014 Relator: Ricardo Paulo Rosa ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 24/02/2010 a 13/07/2012 Ementa: DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA, CAMBIAL OU COMERCIAL. INEXATIDÃO. INFRAÇÃO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. MULTA. INAPLICABILIDADE. Não cabe imposição de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria quando a informação prestada com inexatidão na declaração de importação não é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado e não está especificada dentre as situações sujeitas à imposição da penalidade. Recurso de Ofício Negado Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 827 9 Recurso Voluntário Legalidade da Revisão Aduaneira: O instituto da revisão aduaneira, previsto no art. 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88, é o procedimento realizado após o desembaraço, quando os bens importados já foram entregues ao importador, mediante o qual se apura, entre outros elementos, a regularidade do pagamento dos tributos incidentes na importação. Art. 54 [DL 37/66] A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) A revisão aduaneira é, portanto, um procedimento de fiscalização que ocorre dentro do prazo decadencial dos tributos sobre o comércio exterior, como qualquer outro procedimento fiscal na área de tributos internos. A diferença é que, para os tributos sobre o comércio exterior, há um nome específico para esse procedimento, o qual, digamos, não foi muito feliz. Nesse ponto, devese esclarecer que os conceitos de "revisão aduaneira" e de "revisão de ofício do lançamento" não se confundem. Não se pode afirmar, tampouco, que do procedimento fiscal de revisão aduaneira sempre resulta a revisão de ofício do lançamento. Um primeiro ponto a se considerar é que, para que haja revisão de ofício de lançamento, deve ter havido necessariamente um lançamento de ofício anterior. Como bem esclarece Moussallem1, o art. 145 do CTN referese à possibilidade de alteração somente do lançamento de ofício, pois é neste em que há a notificação do sujeito passivo, não havendo sentido na sua aplicação na atividade realizada pelo próprio contribuinte nos termos do art. 150 do CTN (lançamento por homologação), que, ademais, não pode ser considerada lançamento na adequada acepção do termo. Também para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. Em análise específica sobre o lançamento tributário efetuado na revisão aduaneira2, estudouse a adequação do instituto da revisão aduaneira dentro do Código Tributário Nacional, conforme síntese desse trabalho abaixo descrita. 1 MOUSSALLEM. Tárek Moysés. In PEIXOTO, Marcelo Magalhães e LACOMBE, Rodrigo Santos Masset. (coord.) Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: MP Editora, 2005, p. 1105. 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Lançamento Tributário na Revisão Aduaneira. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord.). Revista de Direito Tributário da Apet. São Paulo: MP, ano XI, ed.41, mar. 2014, p. 5793. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Cabe destacar inicialmente que, para todos os tributos incidentes sobre a importação, o lançamento não é por declaração como pregam alguns, mas por homologação, no qual incumbe ao sujeito passivo apurar o montante tributável e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Conforme normas consolidadas nos arts. 107, 242, 259 e 304 do Regulamento Aduaneiro/2009 e no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, para todos os tributos federais incidentes na importação, o pagamento se dá no momento do registro da Declaração de Importação pelo importador, que apura os seus montantes sem qualquer análise prévia da autoridade fiscal. Assim, após essa atividade prévia do importador no registro da Declaração de Importação, em conformidade com as normas dispostas no CTN para o "lançamento por homologação", poderá ocorrer, dentro do prazo decadencial dos tributos, alguma das situações abaixo: i) o lançamento de ofício supletivo, quando constatada omissão ou inexatidão na atividade do sujeito passivo; ou ii) o ato de homologação: a) tácita, pelo decurso do prazo (art. 150, §4°do CTN) ou b) de forma expressa (art. 150, caput do CTN). No caso dos tributos incidentes sobre a importação, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento fiscal de revisão aduaneira, que traz o exame definitivo acerca da regularidade da atividade prévia do importador. Embora pudesse parecer o contrário à primeira vista, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador não pode ser efetuado na conferência aduaneira, com o desembaraço da mercadoria. Conforme determina o art. 564 do Regulamento Aduaneiro/2009, “a conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação”. De forma que, tanto a “conferência aduaneira”, efetuada no curso do despacho de importação, como a “revisão aduaneira”, realizada após o desembaraço, visam a verificação da regularidade da atividade prévia do importador de apuração e pagamento dos tributos incidentes na importação, dentre outros elementos. Ora, se há previsão na legislação de dois procedimentos fiscais subsequentes cronologicamente para a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados pelo importador, temos que, logicamente, o ato definitivo de homologação expressa da atividade do importador não pode ser decorrente do primeiro procedimento fiscal (conferência aduaneira), mas somente do último (revisão aduaneira). A conferência aduaneira, quando houver3, tratase de verificação preliminar, eis que o Fisco sempre terá, por determinação legal (art. 54 do Decretolei n° 37/66), a prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão aduaneira. 3 Conforme prevê o art. 50 do Decretolei n° 37/66, c om a redação dada pela Lei n° 12.350/2010, na verificação da mercadoria durante a conferência aduaneira poderão ser adotados critérios de seleção e amostragem em conformidade com o estabelecido em ato normativo pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Nessa linha, o art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 680/2006 estabelece os canais de conferência aduaneira para os quais cada Declaração de Importação poderá ser selecionada. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 828 11 Como retratado do artigo citado "Lançamento Tributário na Revisão Aduaneira", com suporte em julgado anterior deste CARF, a homologação expressa do lançamento somente poderá ocorrer ao final do procedimento fiscal da revisão aduaneira: (...) Conforme entendimento expresso no Acórdão n° 30238.1774, do então Conselho de Contribuintes, que manteve a brilhante decisão Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ Fortaleza/CE, dela lhe extraindo os principais fundamentos, a conferência aduaneira não se trata de uma análise definitiva da atividade do importador, mas de uma verificação preliminar e perfunctória, com vista ao desembaraço aduaneiro: (...) Ademais, devese ter em conta que a conferência aduaneira realizada no curso do despacho não vai além de uma verificação preliminar e perfunctória. Não poderia ser diferente: os exames aprofundados e as diligências minuciosas não se compadecem com a celeridade que se deve imprimir ao despacho aduaneiro, só sendo admissíveis nas hipóteses de irregularidades ostensivas. Assim reclamam as rotinas do comércio internacional, sempre a exigir presteza das repartições alfandegárias. Daí, inclusive, o porquê de prever a legislação aduaneira mecanismos de seleção e distribuição das declarações por canais de conferência, possibilitando, cada vez com maior frequência, que ocorra o desembaraço da mercadoria sem exame de valor aduaneiro, sem análise documental e, até mesmo, sem verificação física. Assim, as informações prestadas pelo contribuinte na DI e os procedimentos fiscais adotados durante o despacho não caracterizam lançamento; apenas subsidiam e dão encaminhamento ao despacho aduaneiro, com vista ao desembaraço aduaneiro. (...) Desta forma, o desembaraço aduaneiro, que registra a conclusão da conferência aduaneira, não pode ser considerado o ato de homologação expressa a que se refere o art. 150 do CTN, conforme orienta o referido Acórdão: (...) A teor do art. 411 do Regulamento Aduaneiro então vigente, o despacho de importação consiste no procedimento mediante o qual se processa o desembaraço aduaneiro de mercadoria procedente do exterior. Ressaltese ainda que, tal como definido no art. 450, §1° do Regulamento Aduaneiro, o desembaraço aduaneiro não constitui lançamento nem é ato de homologação; consiste apenas no procedimento final do despacho aduaneiro pelo qual é autorizada a entrega da mercadoria ao importador. Em realidade, o desembaraço da mercadoria decorre meramente da eventual conferência da mercadoria e de algumas informações a ela pertinentes, sem que isso caracterize homologação de lançamento, razão porque representa mero ato de controle, sem qualquer efeito constitutivo do crédito tributário. (...) Em síntese, o despacho aduaneiro é um procedimento que se inicia com o registro da Declaração de Importação e encerrase com o desembaraço aduaneiro, que consiste na autorização da Receita Federal para a entrega da mercadoria ao importador. Embora toda mercadoria importada deva ser submetida ao procedimento de despacho aduaneiro por ocasião do seu ingresso no território nacional (art. 44 do DecretoLei nº 37/66), nem toda importação é objeto de conferência aduaneira. 4 Terceiro Conselho de Contribuintes/MF. 2ª Câmara. Acórdão nº 30238.177 (proc. n° 10480.017233/200210). Relator: Corintho Oliveira Machado. j. 08/11/2006. Decisão Unânime. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Nessa linha, é que, por determinação legal, o exame definitivo acerca da regularidade da atividade prévia do importador, de apuração e pagamento dos tributos incidentes na importação, ocorrerá ao final do procedimento fiscal de revisão aduaneira, como também é o entendimento expresso no Acórdão acima: (...) a lei prevê o instituto da revisão aduaneira, mediante a qual a autoridade fiscal dispõe de um prazo de cinco anos para reexaminar o despacho, homologando os atos praticados ou efetuando um lançamento de ofício, se detectada alguma irregularidade. (...) É pois, quando do procedimento de revisão aduaneira que a autoridade fiscal examina com profundidade, todos os aspectos fiscais do despacho, dentre eles, o pagamento feito antecipadamente ou o benefício fiscal pleiteado, procedendo, agora sim, à homologação, se confirmada a regularidade da importação, ou lançando eventuais diferenças de tributos. (...) Assim, concluímos que, mesmo quando haja conferência aduaneira no curso do despacho de importação, o ato de homologação expressa da atividade do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento de revisão aduaneira. (...) Embora o ato de homologação expressa somente possa ocorrer ao final da revisão aduaneira, o eventual lançamento de ofício supletivo, em complemento à atividade prévia do importador, poderá tanto ocorrer ao final do procedimento de conferência aduaneira ou de revisão aduaneira. Nessa linha, somente quando houver lançamento de ofício supletivo no procedimento de conferência aduaneira é que o segundo lançamento, efetuado em sede de revisão aduaneira, caracterizará a revisão de ofício do primeiro lançamento, sendolhe aplicável as restrições dispostas nos artigos 145, 146 e 149 do CTN para a alteração do lançamento. No caso dos presentes autos, só há um lançamento de ofício, o lançamento supletivo, aquele efetuado na revisão aduaneira em complemento à atividade prévia da recorrente/importadora nos registros das declarações de importação, não tendo havido um primeiro lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira. Há que se lembrar que o que ora se discute é, justamente, a diferença de tributos e multas decorrentes da valoração aduaneira das mercadorias na revisão aduaneira em relação ao valor inicialmente declarado pelo importador nas declarações de importação. De forma que, ausente um primeiro lançamento de ofício, não há que se falar em revisão de ofício de lançamento ou em modificação de critérios jurídicos no lançamento que ora se discute. Razões pelas quais é legítimo o lançamento de ofício sob análise, efetuado em sede de revisão aduaneira, não havendo que se falar em sua nulidade ou em reforma da decisão de primeira instância nesta parte. Matéria não impugnada DI nº 10/22132581: Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 829 13 Insurgese a recorrente em face de o julgador de primeira instância ter considerado matéria não impugnada a exigência tributária acerca da DI nº 10/22132581, eis que, a seu ver, tal defesa teria sido apresentada na fl. 8 da impugnação. Ocorre que, conforme consta na autuação, o procedimento adotado para a valoração dos bens objeto da DI nº 10/22132581 foi diverso do utilizado para as demais declarações de importação, para as quais se tomou como base o valor das apólices de seguro: "No caso da DI nº 10/22132581 (fls.575580), utilizouse o valor obtido no Laudo Técnico (fls.582667) apresentado pelo próprio contribuinte, conforme tabela de fl. 668". No entanto, observase que a única menção que consta na fl. 8 da impugnação à importação objeto da DI nº 10/22132581 é a seguinte frase: Na linha de raciocínio da então impugnante que questionava nesse ponto a adoção do valor do seguro como base para o valor aduaneiro para as demais importações, e não o critério adotado para a DI nº 10/22132581 a utilização do critério diferenciado de valoração para essa DI surgiu como um reforço ao argumento de que o método adotado para as demais declarações de importação não seria, a seu ver, adequado, conforme se verifica no parágrafo precedente na fl. 8 da impugnação: Também em análise dos demais argumentos apresentados na impugnação não se verifica qualquer contestação específica do critério de valoração adotado para a DI nº 10/22132581, razão pela qual seria mesmo cabível a preclusão apontada pelo julgador de primeira instância, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, não houve qualquer nulidade ou incorreção nesta parte na decisão recorrida que considerou essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa. A desclassificação do método de valoração: Alega a recorrente que a aplicação do Sexto Método de valoração aduaneira somente poderia ser feita com a demonstração de que não foi possível a aplicação dos métodos precedentes de valoração, o que não teria sido obedecido pela autoridade impugnada. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Em conformidade com o disposto no art. 82 do Regulamento Aduaneiro/2009, a decisão acerca da impossibilidade da aplicação do método do valor da transação foi devidamente fundamentada pela fiscalização, nos seguintes termos: (...) Considerando que os bens importados sob o regime de admissão temporária não são bens comprados pelo importador brasileiro, não se pode utilizar o 1º método de valoração para tais importações . Como será demonstrado no tópico seguinte, Dos Fundamentos da Ação Fiscal, o uso deste método somente pode ocorrer na importação de bens submetidos a contratos de compra e venda. Notase aí a importância da correta valoração aduaneira não só nas importações definitivas, sujeitas naturalmente à cobrança tributária, mas também nas importações sob o regime de admissão temporária para utilização econômica, igualmente sujeitas à cobrança, ainda que proporcional. A utilização de método incorreto de valoração aduaneira implica, em tese, cálculo dos tributos aduaneiros sobre bases inexatas. (...) Na leitura do anexo citado, encontramse regras aplicáveis à valoração aduaneira. Dentre elas, destacase a Opinião Consultiva 1.1 que trata do conceito de venda. Em síntese, não pode ser utilizado o primeiro método quando o bem for importado sob os regimes de aluguel, empréstimo, leasing ou qualquer outra espécie de contrato distinta de uma compra e venda: (...) A fiscalização também motivou adequadamente a não adoção dos métodos subsequentes, como se vê nos trechos abaixo do Relatório Fiscal: (...) Afastado o primeiro método de valoração, a etapa seguinte foi, portanto, buscar a aplicação dos métodos seguintes para todas as importações, visto que as mercadorias foram importadas sob o regime de admissão temporária e não sob contrato de compra e venda, descumprindo uma das premissas para o uso do 1º método de valoração. Esta foi a etapa mais demorada, tendo em vista que buscouse nas bases de dados da Secretaria da Receita Federal, importações de mercadorias idênticas (2o método de valoração), mercadorias similares (3o método de valoração) e revendas de mercadorias idênticas ou similares (4o método de valoração) para valorar as mercadorias inseridas nas DIs de fls.7278. (...) Em consulta aos sistemas da RFB, não encontramos importação de mercadorias idênticas às descritas nas DIs de fls.7278. (...) Em consulta aos sistemas da RFB, não encontramos importação de mercadorias idênticas às descritas nas DIs de fls.7278. Passamos então ao quarto método de valoração aduaneira. (...) Fl. 836DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 830 15 Em consulta aos dados disponíveis nos sistemas da SRF, não encontramos qualquer revenda de mercadorias idênticas ou similares, nem a mercadoria objeto do despacho foi revendida nos noventa dias posteriores à importação, portanto, ficando descartado o uso do quarto método de valoração aduaneira. O quinto método de valoração aduaneira se baseia na apuração dos custos de produção, conforme se verifica no § 1o do artigo 6o do AVA: (...) O parágrafo acima determina que o uso do quinto método de valoração depende do fornecimento voluntário dos registros contábeis por parte do produtor estrangeiro da mercadoria objeto de valoração, sem possibilidade de a administração aduaneira intimar o produtor estrangeiro. Portanto, sem a possibilidade de intimação ao fornecedor estrangeiro e sem que este tenha voluntariamente fornecido as informações com o objetivo de determinar o valor aduaneiro, e considerando que o uso do quinto método de valoração pressupõe que os custos sejam conhecidos ou demonstráveis, não se pôde utilizar este método de valoração. (...) Entendo que as razões da fiscalização são suficientes para esclarecer à contribuinte da impossibilidade de adoção dos demais métodos de valoração, não me parecendo razoável exigir da fiscalização, como quer a recorrente, que comprove nos autos que não localizou bens idênticos ou similares nas condições exigidas pelo Acordo de Valoração Aduaneira nos sistemas da RFB, mesmo porque poderseia esbarrar em questões de sigilo fiscal das demais contribuintes. Da aplicação do Sexto Método de Valoração Aduaneira Diante da impossibilidade de se aplicar os métodos de valoração precedentes, decidiu a fiscalização pela aplicação do sexto método, nestes termos: (...) Portanto, exauridas as tentativas para se aplicarem os métodos de valoração aduaneira, e evidenciandose a impossibilidade de aplicação dos métodos substitutivos 2º a 5º previstos no AVA, para os bens importados pela fiscalizada, chegase ao sexto e último método de valoração, que determina a utilização de critérios razoáveis para a determinação do valor: § 1o Se o valor das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação. (...) Fl. 837DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 A fiscalização adotou como critério razoável para o valor aduaneiro o valor informado nas apólices de seguro, com se vê abaixo: (...) Assim, esta fiscalização aduaneira entendeu como critério razoável a utilização do valor informado nas apólices dos contratos de seguro dos bens, que foram apresentadas pelo próprio contribuinte. Dentre as declarações de importação analisadas, verificouse que em quase todas o valor informado no contrato de seguro correspondia ao valor informado pelo contribuinte (exemplos nas fls.348447). Entretanto, nas DIs de fls.448667, o valor constante no contrato de seguro dos bens é superior ao valor declarado pelo contribuinte nas DIs, conforme tabela de fl. 668. (...) Não procede a alegação da recorrente de que os critérios adotados com base em valores apontados em apólices de seguro seriam "fictícios e arbitrários", vez que a fiscalização utilizou o mesmo critério adotado pela recorrente em outras importações (22 DI´s 71% das importações fiscalizadas), nas quais o "o valor informado no contrato de seguro correspondia ao valor informado pelo contribuinte (exemplos nas fls. 348447)" e não foram objeto de autuação. Com relação à alegação da recorrente de que o critério razoável seria a realização de perícia técnica para se obter o valor aduaneiro dos bens, já utilizada para a DI nº 10/22132581, utilizo do argumento do julgador da DRJ como fundamento para decidir: (...) Ao final da impugnação a autuada solicita que seja "(...) produzida a devida prova pericial a fim de constatar que os registros de importação da Impugnante foram corretamente realizados”. (...) No caso, a impugnante não indicou perito, nem formulou quesitos a serem atendidos, sendo o seu pleito, portanto, inepto. (...) Não há, no presente processo, nenhum elemento que configure alguma das três hipóteses elencadas no § 4°do art. 16 do PAF, inexistindo, por conseguinte, qualquer razão que justifique o acatamento da produção de prova nos termos formulados pela interessada. (...) Se o importador entende que o valor equivalente comprovável mais próximo do valor real seria aquele “aferido por um perito técnico” não haveria óbice em submeter tais avaliações ao crivo da equipe de fiscalização, conforme aliás foi feito em relação à DI nº 10/22132581. Do mesmo modo, poderiam tais perícias técnicas terem sido apresentadas no momento da impugnação para análise e julgamento ou ter sido formulado pedido eficaz de perícia. No entanto, o autuado não foi diligente em adotar nenhuma dessas providências. (...) Fl. 838DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/201344 Acórdão n.º 3402003.049 S3C4T2 Fl. 831 17 Dessa forma, entendo que o valor aduaneiro apurado pela fiscalização para as DI´s nºs 08/13824642, 09/11695227, 09/11695235, 09/15949088, 09/15949096, 10/15374508, 11/05748113 e 11/23078671 obedeceu a critérios razoáveis condizentes com o Acordo de Valoração Aduaneira: Artigo 7 1. Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994 e com base em dados disponíveis no país de importação. 2. O valor aduaneiro definido segundo as disposições deste Artigo não será baseado: (a) no preço de venda no país de importação de mercadorias produzidas neste; (b) num sistema que preveja a adoção para fins aduaneiros do mais alto entre dois valores alternativos; (c) no preço das mercadorias no mercado interno do país de exportação; (d) no custo de produção diferente dos valores computados que tenham sido determinados para mercadorias idênticas ou similares, de acordo com as disposições do Artigo 6; (e) no preço das mercadorias vendidas para exportação para um pais diferente do país de importação; (f) em valores aduaneiros mínimos; ou (g) em valores arbitrários ou fictícios. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e também de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 839DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11968.000827/2009-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.715
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 27 /2 00 9- 58 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 610 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.843. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 611 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 612 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 613 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 614 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 615 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 616 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 617 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 618 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 619 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 9303003.715 CSRF‐T3 Fl. 620 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723301/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a existência de contradição ou erro material no Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear o erro material apontado pelo contribuinte.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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INEXATIDÃO MATERIAL Embargante ANTÔNIO DUARTE DE SOUZA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a existência de contradição ou erro material no Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear o erro material apontado pelo contribuinte. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 33 01 /2 01 2- 86 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração (fls. 282). O Embargante (ANTÔNIO DUARTE DE SOUZA) alega erro material de digitação no acórdão, às fls. 271, no item referente à não isenção por moléstia grave sobre resgates de previdência privada. O embargante alega que o resgate ocorreu somente no mês de dezembro de 2010, de acordo com o comprovante de fls. 182 e a DIRF de fls. 218, e não como constou no acórdão embargado que fez referencia aos meses de novembro e dezembro de 2010. É relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18470.723301/201286 Acórdão n.º 2402005.102 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e passo a sua análise. O conteúdo do acórdão ora embargado possui contradição ou erro material, pois o fundamento do voto condutor ficou registrado que o recebimento dos resgates de previdência privada ocorreu nos meses de novembro e dezembro do ano de 2010, entretanto, constatase que o resgate somente ocorreu no mês de dezembro de 2010, de acordo com o comprovante de fls. 182 e a DIRF de fls. 218. Vejamos trechos do acórdão ora embargado: Da isenção por moléstia grave sobre resgates de previdência privada Nesse ponto, o acórdão recorrido não merece reparo, pois a isenção abrange tão somente proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcança o recebimento dos resgates de contribuições de previdência nos meses de novembro e dezembro do ano de 2010. (g.n.) Cumpre esclarecer que os embargos de declaração possuem finalidade precípua de aperfeiçoamento da prestação jurisdicional e que são cabíveis em face de contradição ou erro material no acórdão. Com isso, manifestome pela necessidade de corrigir o acórdão ora embargado, passando a sua parte dispositiva (fundamento) a conter o seguinte registro: “[...] Da isenção por moléstia grave sobre resgates de previdência privada Nesse ponto, o acórdão recorrido não merece reparo, pois a isenção abrange tão somente proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcança o recebimento dos resgates de contribuições de previdência no mês de dezembro do ano de 2010. [...]” Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pelo Contribuinte, para que seja sanado o erro material constante do acórdão embargado, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000244/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo, em razão da ambiguidade da norma.
Numero da decisão: 2201-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201-002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão para "acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício".
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo, em razão da ambiguidade da norma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201-002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão para "acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindolhes efeitos infringentes. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo, em razão da ambiguidade da norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão para "acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano calendário de 1999, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 02 44 /2 00 5- 99 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2201002.460, proferido em 17/07/2014. A autoridade fiscal lavrou a exigência, anoscalendário de 1999 a 2002, relativamente às seguintes infrações: 1 Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebido de pessoas jurídicas; 2 Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebido de pessoas físicas; 3 Omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário com origem não comprovada; 4 Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de carnêleão. A Primeira Instância deu provimento parcial ao recurso para, entre outros, reduzir a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do CarnêLeão de 75% para 50%. Em sessão plenária realizada em 17/07/2014, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF acolheu a preliminar de nulidade, relativa ao anocalendário de 1999 e, no mérito, negou provimento ao recurso, conforme se extrai das ementas transcritas: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E FISCAL. A obtenção das informes da movimentação bancária junto as instituições financeiras ou da CPMF, pela fiscalização, possui amparo legal e não configura quebra do sigilo bancário ou fiscal, na forma da Súmula n° 35, deste Conselho. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 01.01.1997, com a vigência da Lei 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos mantidos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, intimado, não comprovar a origem dos recursos utilizados, na forma das Sumula n ° 26, deste Conselho. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no vencimento conforme § 1° do art. 161 do CTN, art. 13, da Lei n.° 9.065/95 e art. 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula n°. 4, deste Conselho. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000244/200599 Acórdão n.º 2201003.032 S2C2T1 Fl. 3 3 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CONFISCO. A multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, é aplicável nos lançamentos de ofício realizados pela fiscalização e não cabe ao Conselho conhecer da alegação de confisco por envolver matéria constitucional, na forma da Súmula n°. 2 deste Conselho. Inconformado, manejou o Contribuinte Embargos de Declaração alegando que o aresto proferido incorreu em omissão/contradição, a saber: a omissão quanto à análise da concomitância da multa de ofício. b omissão e contradição por não especificar as razões para a não consideração da existência de conta conjunta (Súmula CARF nº 29). Por sua vez, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 1279/1280, rejeitou o item “b”, em razão ausência do vício apontado, e acolheu o item “a”, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento, já que de acordo com o Recurso Voluntário de fl. 562, houve a insurgência contra a concomitância da multa de ofício; entretanto o acórdão embargado não se manifestou sobre a matéria. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Como se verifica da leitura do relatório, o acórdão embargado omitiuse em relação aos argumentos suscitados pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, fl. 562, relativamente à concomitância da multa de ofício. Pois bem, quanto à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, para os fatos ocorridos durante a vigência do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, acompanho o entendimento majoritário do CARF no sentido de que não cabe a exigência da multa isolada prevista no parágrafo 1º, inciso III, daquele dispositivo, quando houver também exigência da multa de ofício estabelecida em seus incisos I e II do caput. O não cabimento da imposição concomitante dessas duas multas tem como fundamento a ambiguidade da redação do próprio art. 44 em sua redação original, ambiguidade esta que deve ser resolvida a favor do sujeito passivo, consoante dispõe o art. 112, I, do CTN. A controvérsia foi superada apenas com a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Este Órgão possui entendimento sedimentado de que a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) e da multa de ofício (incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo, conforme se observa da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/01 04.987, de 15/06/2004) Portanto, para os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, ou seja, antes da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, devese excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício. Ressaltese que, relativamente ao calendário de 1999, a decisão original já havia acolhido a preliminar de decadência. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão no sentido de “acolher a preliminar de decadência, relativamente ao anocalendário de 1999, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.005747/2009-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS.
O art. 142 do CTN determina as etapas a serem seguidas para a promoção do lançamento, mas não determina a metodologia que deve ser empregada para execução de tal procedimento.
Assim, nada há de equivocado em promover o lançamento levando-se em consideração os valores dos débitos tributários escriturados na contabilidade, em cotejo com o que foi declarado em DCTF.
Outrossim, não há que se falar em insuficiência de fundamentação ou descrição quando o auto descreve a acusação (pagamento inferior ao devido) e aponta a origem da sua convicção (escrituração do contribuinte em comparação com as DCTF).
FALHA NA APURAÇÃO DO QUANTUM. CONSEQUÊNCIAS.
As falhas na apuração da contribuição, por si só, não representam falha de motivação e, como tal devem ser saneadas mediante ajuste.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
REGIME NÃO-CUMULATIVO. VALOR A RECOLHER.
Diferentemente do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é o saldo negativo da conta gráfica, o quantum da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativo é apurado a partir do faturamento. Esse valor, com efeito, poderá ser deduzido a partir de créditos apurados pelo contribuinte.
Não compete ao Fisco, portanto, analisar os dispêndios no intuito de apurar se os créditos passíveis de aproveitamento superam os informados no DACON, já aproveitados pelo Contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que não conheciam; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a nulidade e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. O art. 142 do CTN determina as etapas a serem seguidas para a promoção do lançamento, mas não determina a metodologia que deve ser empregada para execução de tal procedimento. Assim, nada há de equivocado em promover o lançamento levando-se em consideração os valores dos débitos tributários escriturados na contabilidade, em cotejo com o que foi declarado em DCTF. Outrossim, não há que se falar em insuficiência de fundamentação ou descrição quando o auto descreve a acusação (pagamento inferior ao devido) e aponta a origem da sua convicção (escrituração do contribuinte em comparação com as DCTF). FALHA NA APURAÇÃO DO QUANTUM. CONSEQUÊNCIAS. As falhas na apuração da contribuição, por si só, não representam falha de motivação e, como tal devem ser saneadas mediante ajuste. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. VALOR A RECOLHER. Diferentemente do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é o saldo negativo da conta gráfica, o quantum da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativo é apurado a partir do faturamento. Esse valor, com efeito, poderá ser deduzido a partir de créditos apurados pelo contribuinte. Não compete ao Fisco, portanto, analisar os dispêndios no intuito de apurar se os créditos passíveis de aproveitamento superam os informados no DACON, já aproveitados pelo Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. O art. 142 do CTN determina as etapas a serem seguidas para a promoção do lançamento, mas não determina a metodologia que deve ser empregada para execução de tal procedimento. Assim, nada há de equivocado em promover o lançamento levandose em consideração os valores dos débitos tributários escriturados na contabilidade, em cotejo com o que foi declarado em DCTF. Outrossim, não há que se falar em insuficiência de fundamentação ou descrição quando o auto descreve a acusação (pagamento inferior ao devido) e aponta a origem da sua convicção (escrituração do contribuinte em comparação com as DCTF). FALHA NA APURAÇÃO DO QUANTUM. CONSEQUÊNCIAS. As falhas na apuração da contribuição, por si só, não representam falha de motivação e, como tal devem ser saneadas mediante ajuste. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. VALOR A RECOLHER. Diferentemente do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é o saldo negativo da conta gráfica, o quantum da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo é apurado a partir do faturamento. Esse valor, com efeito, poderá ser deduzido a partir de créditos apurados pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 47 /2 00 9- 29 Fl. 804DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 805 2 Não compete ao Fisco, portanto, analisar os dispêndios no intuito de apurar se os créditos passíveis de aproveitamento superam os informados no DACON, já aproveitados pelo Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que não conheciam; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a nulidade e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão 3403001.821, de 25/10/2012, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2005, 2006, 2007 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. DEFICIÊNCIA DA MOTIVAÇÃO. ADOÇÃO DE RUBRICA CONTÁBIL SEM DIFERENCIAÇÃO ENTRE OS REGIMES CUMULATIVO E NÃOCUMULATIVO E SEM COMPROMETIMENTO COM O APROVEITAMENTO CONCRETO DOS CRÉDITOS PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE. A apuração de PIS/Cofins pela diferença entre o valor escriturado e o valor declarado consiste em apurar por meio da escrituração fiscal os valores que compõem a receita bruta ou faturamento, depois deduzindo os créditos gerados com fundamento no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.883/03, verificando como o contribuinte exerceu concretamente tal possibilidade, para assim determinarse de maneira circunstanciada e racional o valor devido destas contribuições. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 806 3 Nem o auto de infração, nem o termo de fiscalização e as planilhas que o integram, apresentam de maneira circunstanciada o procedimento que teria sido adotado pela Fiscalização. É inconsistente apurar o valor devido das contribuições tomando exclusivamente o encontro dos valores positivos e negativos apontados na rubrica contábil intitulada de PIS/Cofins, visto que mistura valores pertinentes aos regimes cumulativo e não cumulativo, e também porque não verifica concretamente o controle e aproveitamento dos créditos realizado pelo contribuinte, negligenciando a possibilidade de o contribuinte poder ou não aproveitar os créditos, podendo aproveitálo em períodos subseqüentes, tal como é facultado pela Lei. Recurso provido. Tratase de autos de infração do PIS e da Cofins, apurados a partir da comparação entre os débitos declarados em DCTF e os valores lançados na escrituração que, na opinião do Fisco, representariam os saldos das contas destinadas à apuração das contribuições litigiosas. Ditas diferenças, identificadas em procedimento de "verificações obrigatórias", foram levantadas a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo sujeito passivo, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal às fls. 324/326. As razões de impugnação foram descritas com precisão pelo relatório que embasa o acórdão de 1ª instância, que passo a transcrever: Diante do artigo 142 do CTN, artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972 e artigo 37, caput, da CF, é correto concluir que os agentes fiscais estão obrigados a examinar os documentos fornecidos pelo contribuinte para, a partir deles, motivar o ato que expedirão, quer ele resulte em exigência fiscal quer no encerramento da fiscalização sem a constituição do crédito tributário. A fiscalização limitouse a constatar as alegadas diferenças, não obstante elas possam ter por origem inúmeras hipóteses diversas do mero não recolhimento de tributo. Os números constantes das autuações não refletem os valores devidos, sendo que a impugnante, mesmo após diversas tentativas, não conseguiu refazer os mesmos cálculos feitos pela fiscalização, justificando a declaração de improcedência das exações por ausência de motivação que lhes sirvam de fundamento. Caso a impugnante tivesse sido intimada, ela teria prestado informações que revelariam o desacerto nos números da fiscalização. A fundamentação da exação em cálculos dissociados dos dados contábeis e fiscais do contribuinte fulmina de nulidade as Fl. 806DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 807 4 autuações fiscais em questão, pelos manifestos vícios de motivação e de cerceamento do direito de defesa da impugnante. No caso, afastouse a fiscalização do seu dever de buscar a verdade material, como decorre do artigo 142 do CTN, antes referido, bem como do artigo 10, III, do Decreto 70.235/1972, segundo o qual o auto de infração deve contemplar obrigatoriamente a descrição do fato ocorrido. Ao contrário do demonstrado nas planilhas elaboradas pelo fisco, a impugnante não realizou certos registros e posteriormente os alterou. Não há qualquer retificação na contabilidade da interessada, no que concerne à apuração do PIS e da COFINS, fato que demonstra o equívoco no trabalho fiscal. A fim de demonstrar o acerto de seus registros contábeis e a correspondência desses valores com as informações constantes de suas declarações fiscais, a impugnante apresenta planilhas com o histórico das apurações dessas contribuições nos períodos em que foram feitas exigências de ofício. No levantamento fiscal, nem ao menos os valores declarados pela empresa foram corretamente transportados para as tabelas fiscais, como o valor do PIS do mês de maio/2005, em que consta a quantia de R$ 866.706,30, quando o valor declarado foi de R$ 890.100,58. Já no mês de dezembro de 2007, não foi indicado qualquer valor declarado a título de COFINS. Entretanto, a análise da ficha da DCTF revela que o montante declarado como devido foi de R$ 6.392.648,19. Por outro lado, é possível observar que em alguns meses houve apenas exigências do PIS e em outros da COFINS, o que é estranho, na medida que ambas contribuições recaem, essencialmente, sobre as mesma base de cálculo. A Administração somente poderá impor a exigência de tributos fundada na alegação de ausência de recolhimentos, se demonstrar que as informações e documentos apresentados não contemplam erros ou omissões. Interpretação em sentido contrário conduz à inobservância das prescrições de que dão fundamento os artigos 845, § 1º, 923 e 924 do RIR/1999. A exigência foi parcialmente mantida, sob os fundamentos que podem ser resumidos na ementa do aresto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente há que se falar em nulidade do auto de infração se o ato for praticado por agente incompetente. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 808 5 resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFINIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Insustentável a alegação de falta de definição quanto ao motivo da autuação quando o auto de infração e o termo de verificação fiscal descrevem os atos praticados pela autuada que afrontam a legislação tributária e os dispositivos legais que tipificam a irregularidade que motivou a acusação fiscal. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Se a fiscalização dispõe dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento, não há a necessidade de prévia intimação à contribuinte. A oportunidade para que o sujeito passivo manifeste suas contrarazões à exigência é por ocasião da apresentação da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LEVANTAMENTO FISCAL. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS. Os dados contábeis utilizados pela fiscalização foram extraídos de arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, nos termos da IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria em dissonância com escrituração somente poderia ser acatada mediante provas concretas. LEVANTAMENTO FISCAL. VALOR DECLARADO NÃO COMPUTADO. Constatado erro no levantamento fiscal, que deixou de considerar o valor declarado em um dos períodos fiscalizados. Cancelase a exigência correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LEVANTAMENTO FISCAL. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS. Os dados contábeis utilizados pela fiscalização foram extraídos de arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, nos termos da IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria em dissonância com escrituração somente poderia ser acatada mediante provas concretas. LEVANTAMENTO FISCAL. VALOR DECLARADO NÃO COMPUTADO. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 809 6 Constatado erro no levantamento fiscal, que deixou de considerar o valor declarado em um dos períodos fiscalizados. Cancelase a exigência correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como é possível verificar, foi confirmada imprecisão na apuração da Cofins do mês 12/2007 e reduzido o valor da exigência fiscal, conforme descrito no seguinte excerto do votocondutor: Todavia, há de dar razão à contribuinte, quanto ao mês de dezembro de 2007, porquanto nenhum valor foi indicado na planilha de fl. 320 como COFINS declarada no mês, embora na DCTF a empresa tivesse informado as importâncias de R$ 5.134.589,27 (2172 – COFINS cumulativa) e R$ 1.258.058,92 (5856 COFINS não cumulativa), num total de R$ 6.392.648,19 (fls. 424/427 e 431/432). Considerando que o valor exonerado era inferior ao limite de alçada, não foi interposto recurso de ofício. Em seu recurso voluntário, a contribuinte reitera suas alegações acerca da nulidade do procedimento fiscal, por violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e passa a contestar as conclusões do órgão julgador de primeira instância acerca da liquidez, conforme exposto no seguinte excerto do recurso voluntário, já transcrito pela instância a quo: Para ilustrar seu raciocínio, a DRJ afirma que os valores tributáveis de COFINS em maio/05 totalizam R$ 22.221.0,79,18 (lançamentos a débito), ao passo que as importâncias redutoras da obrigação fiscal totalizariam. R$ 15.825.979,24. Assim, a diferença R$ 6.395.099,94 , na sua visão, deveria ser paga. Contudo, como somente se verificou o recolhimento de R$ 4.040.494,59, o valor faltante R$ 2.354.605,35 foi lançado de oficio. O raciocínio exposto, no entanto, não pode prevalecer. De fato, é improcedente a afirmação feita pela DRJ, de que a coluna "Contab." registra os valores passíveis de tributação a título de PIS/COFINS (lançamentos a débito), enquanto a coluna "Retif. Contab." registra os valores que reduzem a base de cálculo das exações (lançamentos a crédito). A fim de demonstrar os equívocos cometidos pela Fiscalização e reafirmados pela DRJ, a Recorrente apresenta mais uma vez as planilhas com as apurações de PIS/COFINS e, juntamente com elas, as fichas dos seus arquivos magnéticos registrados nos termos da IN 86/01 com os "valores passíveis de tributação pelo PIS/COFINS" (lançamentos a débito) e os "valores passíveis de redução do PIS/COFINS" (lançamentos a crédito). Assim, por meio dos arquivos magnéticos e das planilhas que os sintetizam, Fl. 809DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 810 7 é possível identificar os erros nos cálculos da Fiscalização e o acerto nas informações da Recorrente. A fim de demonstrar a veracidade de suas informações e o desacerto nos dados colhidos pela Fiscalização e utilizados na fundamentação das exações em análise, a Recorrente descreve abaixo a apuração da própria COFINS de maio/05, citada na decisão DRJ. Segundo se vê dos arquivos magnéticos da Recorrente — os mesmos que foram entregues à Fiscalização antes da autuação— as operações passíveis de tributação a título de COFINS no período citado (lançamentos a débito) totalizam R$ 13.160.621,15 (e não R$ 22.221.079,18, como consta do auto de infração). Já as importâncias passíveis de reduzirem a contribuição devida (lançamentos a crédito) atingem o total de R$ 8.699.779,87 (e não R$ 15.825.979,24, tal como se lê no auto de infração). Apenas a diferença R$ 4.460.841,28 qualificase como devida. A partir daí são feitos ajustes decorrentes da exclusão dos créditos e recolhimentos de abril/05, pois, embora tenham sido registrados na conta contábil em maio, eles se referem à apuração e pagamento da competência abril/05, sem que se possa influir na apuração do devido e pago em maio/05. Com isso, chegase ao total de R$ 8.425.823,60. Desta importância, são descontados os créditos do próprio mês de maio de 2005 e as demais exclusões porventura cabíveis (no caso houve a exclusão de R$ 998,64 de nota cancelada), o que, segundo exposto, totaliza R$ 4.040.494,59, montante pago e declarado como recolhido em DCTF, sendo R$ 3.564.227,34, a título de COFINS cumulativa, e R$ 476.267,25, a título de COFINS não cumulativa. Em outro trecho, frisa a contribuinte: “A demonstração probatória apresentada é a única possível de ser feita pela Recorrente. Isso porque, como antes indicado, a cooperativa procurou executar uma série de exercícios numéricos a fim de descobrir o caminho percorrido pela Fiscalização na determinação das exigências. No entanto, nenhum dos cálculos realizados resultou nos números das tabelas de "Cotejo das Informações ContábilFiscais". Assim, o único meio encontrado para comprovar o equívoco dos autos de infração, foi apresentar de forma impressa os arquivos magnéticos contábeis e fiscais com os registros dos dados que a Fiscalização afirma ter examinado, destacando que o material mencionado aponta valores distintos daqueles expostos nos atos de lançamento” Como é possível concluir a partir da leitura da ementa, o Colegiado a quo deu provimento ao recurso voluntário e afastou a integralidade da exigência fiscal, sob o argumento de que a apuração do quantum não poderia ser realizada segundo a metodologia empregada Fl. 810DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 811 8 pelo Fisco, bem assim que teriam sido identificadas falhas na liquidação do quantum, embora não quantifique tais falhas ou identifique sua origem. Regulamente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, mas tais embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 340300.2.505, por meio do qual se concluiu que, diante dos erros de procedimento e motivação perpetrados, o lançamento padeceria de vícios substanciais, razão pela qual caberia decretar sua nulidade por vício material. Sobreveio recurso especial, por meio do qual a Fazenda Nacional defende, em síntese, que não teriam se verificado as alegadas falhas procedimentais capazes de decretar a insubsistência do lançamento e que os erros de apuração não conduziriam à insubsistência do lançamento. Uma vez que se assumira como corretas as alegações do Contribuinte, caberia determinar o retorno dos autos ao órgão preparador no intuito de adequar o quantum às premissas assumidas no aresto. No intuito de demonstrar o necessário dissídio jurisprudencial, cita a integralidade da ementa dos acórdãos 240100.434 e 10320451. O recurso teve prosseguimento nos termos do Despacho nº 3400000.261, às fls. 758/761. Em suas contrarrazões, a contribuinte aduz, inicialmente, que os acórdãos apontados como paradigma não se prestariam a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, em face da ausência de identidade fática. Sinteticamente, segundo aponta, os paradigmas enfrentaram discussões acerca de meras questões de aritmética, ao passo que, no presente processo, decidiuse pela insubsistência da autuação em razão de impossibilidade de identificação dos critérios utilizados para a lavratura do Auto de Infração. Isto é, naqueles teria sido debatida a retificação de cálculo, ao passo que neste, a inexistência de explicação e motivação coerente que justificassem as exigências fiscais. Passando ao mérito de suas contrarrazões, a contribuinte, fundamentalmente, reitera os fundamentos manejados desde a instauração do litígio, acrescentando, excertos do próprio acórdão recorrido que respaldariam suas alegações. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O especial fazendário é tempestivo e, ao contrário do alegado nas contrarrazões do Sujeito Passivo, o recurso veio arrimado em paradigmas que demonstram o dissídio jurisprudencial. Analisando sob o prisma dos fundamentos da autuação, é possível verificar que a decisão de declarar o auto de infração insubsistente está alicerçada em três premissas: a) o lançamento das contribuições litigiosas sempre dependeria da apuração da receita; b) Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 812 9 tratandose de contribuições sujeitas ao regime nãocumulativo, caberia ao Fisco, antes de formalizar a exigência fiscal, promover um levantamento dos créditos que poderiam ser utilizados para reduzir o débito; e c) a contribuinte submetese aos regimes cumulativo e não cumulativo e a forma pela qual o Fisco empreendeu suas verificações negligenciara a separação entre as receitas sujeitas a cada um dos regimes. Há, ainda, conclusão de falta de liquidez, em razão da discrepância entre os valores levantados pelo Fisco e os declarados em DCTF, apurados pela contribuinte a partir de tal escrita. Essa questão, entretanto, assumiu papel secundário, tanto que o votocondutor sequer explicita qual seria essa discrepância ou procura estabelecer sua origem. Ou seja, parte do pressuposto de que se estaria diante de falha de motivação, questão antecedente à liquidação. Assim, tal e qual ocorrera nas demais questões antecedentes, o acórdão entendeu que a incerteza quanto à liquidez representaria falha na motivação e, como tal, determinaria a insubsistência por vício material. Todas as questões, portanto, apontam para um mesmo problema: as falhas na apuração do valor devido, seja porque teria sido promovido o arbitramento a partir de uma base de cálculo equivocada (caso do acórdão 240100.434), seja porque teria sido promovida a recomposição do lançamento a partir da reanálise da escrita contábil, determinada pelo órgão julgador (caso do Acórdão 10320.452). Por ser representativo, transcrevo o seguinte excerto do votocondutor deste último, que inclusive ratificou o raciocínio no sentido de que eventual dúvida deveria ser suprida por meio da realização de diligência: A autoridade julgadora de primeira instância acatou as conclusões da diligência e, à vista das alegações apresentadas no aditivo à impugnação de fls. 86/87, comprovada pelos lançamentos do Livro Razão, bem como, dos documentos anexados pela contribuinte, concluiu por incluir entre os recursos disponíveis em fevereiro de 1994 a quantia de CR$ 23.504.146,33 relativa a aplicações financeiras efetuadas no Banco Itati e resgatadas no correr do mês, conforme lançamento de fls. 96 do Razão (fls. 122 e 190), o que resultou na anulação do excesso de dispêndios apurado pelos AuditoresFiscais diligenciantes. Acatou ainda a inclusão no saldo de Contas a Receber no Início do Mês de setembro o saldo da conta ClienteF. Marinho Confecções Ltda., no valor de R$ 5.134,20, tendo em vista a comprovação de que esta conta mantevese sem movimentação desde o fim de julho de 1994. Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora comprovam a ocorrência de erros na apuração de excesso de dispêndios que embasa imputação de omissão de receitas. A diferença entre os arestos, portanto, é que o acórdão recorrido concluiu que os vícios na analise da escrita atingiriam a motivação e os paradigmas, em sentido diverso, assentaram que estarseia diante de uma falha na quantificação, que poderia ser saneada mediante ajustes. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 813 10 Desta feita, decidir acerca do efeito das falhas apontadas, implica interpretar os ditames do art. 142 do CTN e 10, III do Decreto nº 70.235, de 1972 e, consequentemente, faz parte da matéria recursal (e não de mero juízo de admissibilidade). Como tal, deve ser enfrentada. Diferentemente do que defendeu a contribuinte, portanto, não se demonstra relevante para a solução do litígio, a natureza (ou profundidade, nas palavras da contribuinte), das alegadas falhas na determinação da matéria tributável. O acórdão recorrido deu a tais falhas determinado tratamento e os paradigmas, tratamento diverso. Diante do exposto, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Vencida a questão do conhecimento, passase, de imediato, ao mérito do recurso. Em primeiro lugar, não vejo como considerar que o levantamento fiscal teria violado o art. 142 do CTN em razão de que, ao invés de promover o levantamento da receita, teria apurado o quantum diretamente a partir da escrituração dos valores devidos pela contribuinte. Confirase sua redação: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Como é possível perceber, o dispositivo legal, em momento algum, determina a metodologia que o Fisco deve empreender para o cumprimento de seu desiderato. Se, como é o caso, todas as informações necessárias encontravamse disponíveis nas contas utilizadas para escrituração da contribuição a recolher, evidentemente não há que se falar em insubsistência. Ora, se o débito estava escriturado pela própria contribuinte, não vejo como considerar que não teria ocorrido o fato gerador, que a matéria tributária não se encontrasse determinada ou ainda que o tributo devido não tivesse sido calculado. Evidentemente, como será melhor analisado adiante, concordar com a metodologia empregada pelo Fisco não implica ratificar o resultado. Também não se alegue que o ato padece de falta de motivação. A autoridade cotejou os débitos escriturados e confessados em DCTF e chegou à conclusão de que tais valores apresentavamse discrepantes. Caso não procedesse à lavratura de auto de infração, estaria sujeito à responsabilização funcional. Finalmente, a narrativa empreendida permite perfeitamente que se conheça a acusação formulada: a contribuinte teria escriturado débitos e as DCTF apresentadas apresentariam discrepância com tal escrituração. Daí porque não se poderia falar em violação ao art. 10, III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 814 11 Aliás, se a narrativa não permitisse compreender a infração imputada estar seia diante de cerceamento do direito de defesa e, como tal, de vício formal. Também não vejo como decretar a insubsistência em razão de presumível falha na apuração dos créditos relativos à nãocumulatividade. Devese ter em mente, para tanto, que, diferentemente do que se verifica no cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é representado pelo saldo devedor da conta gráfica, nos termos da legislação de regência, o valor devido das contribuições em litígio, ainda que submetidas ao regime nãocumulativo é resultado da aplicação da alíquota sobre o faturamento, a teor do art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que poderá ser abatido, a critério da contribuinte, a partir dos créditos apurados em sua escrita, nos termos do art. 3º das mesmas leis. Nessa linha, não consigo considerar que o procedimento fiscal encontravase inquinado de nulidade, em razão de que o Fisco não teria percorrido os dispêndios da contribuinte e identificado, em tais dispêndios, créditos passíveis de aproveitamento que eventualmente não tivessem sidos lançados nos correspondentes Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). Ou seja, não está se defendendo aqui que a autoridade fiscal deveria desprezar o valor dos créditos lançados nos Dacon disponíveis para aproveitamento, mas não há notícia de que tal omissão teria ocorrido. Muito pelo contrário, os créditos apurados no Dacon foram aproveitados pelo sujeito passivo, tanto que, em todos os meses debatidos no presente processo, o contribuinte apurou saldo devedor a pagar. Partindo dessa premissa, também não vejo como justificar a decretação da insubsistência (ou nulidade por vício material, segundo alguns defendem) da autuação em razão da ausência de separação entre os débitos oriundos dos regimes cumulativo ou não cumulativo. Registrese que, como bem ressaltado pelo acórdão de primeira instância, a incidência do PIS sobre folhas salariais não foi alvo de verificação. Até porque, se todos os créditos foram aproveitados, eventual falha na distinção entre receitas cumulativas e não cumulativas só repercutiria na fixação da alíquota incidente sobre a operação e tal aspecto, pelo menos no presente processo, revelase irrelevante. Deveras, se as planilhas reproduziriam os valores dos débitos (ou seja, após a aplicação da alíquota), não se poderia sequer afirmar, a priori, que a ausência de tal distinção traria prejuízo à contribuinte. Afastadas essas três questões antecedentes, ressurge a necessidade se aprofundar a discussão de natureza fática incompatível com o presente recurso especial e, que, o que é mais relevante, não foi enfrentada pelo acórdão a quo, que fundamentou sua decisão (suficientemente, reforcese) em questões relativas à metodologia empregada para apuração do alegado débito. Como antecipado, o votocondutor faz menção à suposta falha na liquidação, mas não quantifica a falha alegada nem identifica sua origem. Evidentemente, também não diligencia no sentido de identificála. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 815 12 Com efeito, há uma aparente disparidade entre os critérios utilizados pelo Fisco e pela contribuinte para "filtrar" os itens da planilha que indicariam a contabilização de débito, exemplificativamente, demonstrada a partir dos registros do mês de maio de 2005. De fato, como apontado em sede de recurso voluntário, a consolidação às fls. 433 e 434, gerada a partir dos arquivos eletrônicos (não pagináveis) anexados aos autos pelo Fisco, diverge das consolidações e relatórios que reproduziriam o balancete de verificação relativo à conta 21352101, destinada ao controle do valor da Cofins a pagar no mês de maio de 2005, colacionados às fls. 470 a 566, a pedido da contribuinte. Como se pode perceber, ambos aplicaram filtros sobre os mesmos registros contábeis e, a partir desses filtros, obtiveram resultados diversos. Se os cálculos, levados a efeito por meio de programas de computador, não chegam ao mesmo resultado, evidentemente consideraram itens diversos na sua totalização. Ocorre, entretanto, que tal divergência, por si, não é suficiente para confirmar a alegação do Sujeito Passivo, que igualmente não esclarece quais seriam os critérios utilizados para aplicar seus próprios filtros. Nessa linha, diante da falta de tais esclarecimentos, assumir a premissa de que o Fisco equivocouse porque não demonstrou a procedência de seus "filtros", com a devida licença, é inverter a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo. Como é cediço, um dos atributos do ato administrativo é a presunção de legitimidade, assim delimitada pelo Celso Antonio Bandeira de Mello1: “é a qualidade, que reveste tais atos, de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em contrário. Isto é: milita em favor deles uma presunção juris tantum de legitimidade; salvo expressa disposição legal, dita presunção só existe até serem questionados em juízo”. Evidentemente, não se está aqui defendendo que esta instância especial aprofunde a instrução processual. Mais do que desbordar os limites inerentes ao recurso especial de divergência, a adoção de tal medida representaria supressão de instância, posto que essas questões inerentes à liquidez não foram enfrentadas suficientemente pelo acórdão recorrido. Não se sabe, com efeito, se os "filtros" aplicados refletem o valor efetivamente devido. Com essas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial, para afastar a prejudicial de insubsistência do lançamento em razão da metodologia empregada para quantificação do débito e determinar a devolução do processo à instância a quo, para verificação das questões de natureza fática, no caso, a confirmação do quantum efetivamente escriturado nas contas empregadas para controle dos valores das contribuições litigiosas. Henrique Pinheiro Torres 1 Curso de Direito Administrativo. Malheiros, 25ª edição, 2008, p. 411. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 9303003.471 CSRFT3 Fl. 816 13 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10665.003422/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há de ser reconhecida a nulidade do acórdão de primeira instância quando este decide toda a matéria de defesa deduzida em sede de impugnação e justifica através de motivos de fato e direito as suas conclusões.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. (Súmula CARF nº2)
TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4).
DOLO. LANÇAMENTO. A comprovação da existência de dolo não é condição necessária para que seja formalizado o lançamento tributário, mas tão somente a verificação do descumprimento da legislação tributária
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Igor Araújo Soares
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há de ser reconhecida a nulidade do acórdão de primeira instância quando este decide toda a matéria de defesa deduzida em sede de impugnação e justifica através de motivos de fato e direito as suas conclusões. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. (Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). DOLO. LANÇAMENTO. A comprovação da existência de dolo não é condição necessária para que seja formalizado o lançamento tributário, mas tão somente a verificação do descumprimento da legislação tributária Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há de ser reconhecida a nulidade do acórdão de primeira instância quando este decide toda a matéria de defesa deduzida em sede de impugnação e justifica através de motivos de fato e direito as suas conclusões. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. (Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). DOLO. LANÇAMENTO. A comprovação da existência de dolo não é condição necessária para que seja formalizado o lançamento tributário, mas tão somente a verificação do descumprimento da legislação tributária Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 34 22 /2 00 8- 32 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10665.003422/200832 Acórdão n.º 2402004.971 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CLZ COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA, em face de acórdão que manteve o Autos de Infração n. 37.195.4304 lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados a seu serviço. De acordo com o relatório fiscal a recorrente apresentava GFIP´s com a indicação de ser optante do SIMPLES, sendo que de fato não o era. Em virtude de tal fato, foi aberto o procedimento de fiscalização, que culminou no presente lançamento, efetuado a partir das informações obtidas em folhas de pagamento. O lançamento compreende as competências de 02/2004 a 09/2007 e 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 17/12/2008 (fls. 01) O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. violação do art. 93, inc. IX da Constituição da República, tendo em vista que o v. acórdão recorrido deixou de fundamentar sua decisão, merecendo, pois, ser anulado; 2. que jamais faturou valor superior ao limite máximo para enquadramento no regime SIMPLES, qual seja: 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais), de modo que os argumentos utilizados para o seu desenquadramento não merecem ser mantidos; 3. não existe qualquer pendência impeditiva que impeça a manutenção da empresa Recorrente no regime do SIMPLES; 4. ausência de dolo por parte da recorrente quanto a suposta incorreção dos recolhimentos das contribuições lançadas, motivo pelo qual deve ser afastada a penalidade aplicada; 5. que os juros SELIC aplicados são totalmente imorais e descabidos; 6. que a multa aplicada é confiscatória e que a Receita Federal pretende o enriquecimento sem causa quando lavrou o presente lançamento; 7. que os valores já recolhidos pela autuada não foram compensados quando do presente lançamento, matéria que Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 inclusive não foi analisada pelo v. acórdão de primeira instância; 8. por fim, requer a produção de prova pericial. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10665.003422/200832 Acórdão n.º 2402004.971 S2C4T2 Fl. 138 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Nulidade Inicialmente sustenta a recorrente a nulidade do acórdão de primeira instância, sob o fundamento de que deixou de fundamentar sua decisão. No entanto, não vejo como acatar tais argumentos. Ao contrário do sustentado, uma simples leitura do v. acórdão de primeira instância já demonstra que este concluiu por manter a procedência do lançamento, analisando toda a tese de defesa trazida em sede de impugnação, bem como justificando através de argumentos de fato e de direito, as razões pelas quais entendiam por afastar a tese de defesa do contribuinte. Por tais motivos, rejeito a preliminar. MÉRITO Quanto ao mérito, imperioso apontar que em momento algum a recorrente comprovou ser empresa optante pelo SIMPLES, deixando de trazer aos autos qualquer comprovação de tal condição, de modo a se contrapor aos argumentos justificadores do lançamento apontados no relatório fiscal do Auto de Infração. O recurso voluntário apenas se resumiu a atacar o lançamento com argumentos no sentido da inexistência de qualquer situação impeditiva de sua manutenção no regime simplificado, sem no entanto, sequer, demonstrar a existência de Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES. Tais argumentos, por si só, não tem o condão de comprovar a sua anterior condição de optante. Ademais, esta Câmara de Julgamentos sequer possui competência para análise de tais argumentos, os quais devem ser objeto de análise nos autos de processo administrativo formalizado para decidir sobre a legalidade ou não da exclusão da recorrente do SIMPLES. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 O Recorrente também sustenta que a multa aplicada é confiscatória. No entanto tenho que tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Da taxa Selic Sabese que a aplicação da taxa SELIC, enquanto juros moratórios e multa, aplicada sobre as contribuições objeto do lançamento, fora efetuada com amparo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: “Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.” Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Da inocorrência de dolo Melhor sorte não aufere quando sustenta a inexistência de dolo, o que se configuraria em situação apta a justificar a improcedência do lançamento. Tenho que a fiscalização se resumiu apenas em efetuar o lançamento em conformidade com o disposto nos arts. 37 e 35 da Lei 8.212.91, não havendo a necessidade de comprovação do dolo por parte do contribuinte para que possa ser formalizado o lançamento. O mero não adimplemento da obrigação tributária do contribuinte já é apenada pela legislação com multa e a necessidade de cobrança dos valores inadimplidos. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10665.003422/200832 Acórdão n.º 2402004.971 S2C4T2 Fl. 139 7 Vale ressaltar, ainda, não tendo a recorrente comprovado ter sido optante do SIMPLES, quanto mais ter efetuado qualquer recolhimento de contribuições sob esta sistemática, é de ser indeferido o pedido de apropriação de pagamentos. Da prova pericial Por fim, merece ser indeferido o pedido de produção de prova pericial diante da sua absoluta desnecessidade no presente caso, sobretudo considerando que se trata de lançamento efetuado com base em informações obtidas de declarações e contabilidade da recorrente. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722107/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. TRIBUTÁRIA.
Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida.
EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO.
O lançamento de ofício deve ser feito sem a multa correspondente quando a exigibilidade do tributo apurado houver sido suspensa por meio de liminar em mandado de segurança, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo ao tributo lançado.
AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE MATÉRIAS. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. EXIGÊNCIA DEFINITIVA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a lançamento fiscal, com o mesmo objeto deste, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, pelo que se reputa definitiva a exigência no âmbito administrativo.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador.
CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.
Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.
ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS
Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador.
CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.
Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.
ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS
Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quanto aos itens: (i) Big Bags, pagamento de fretes, vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto: clichê impressão de embalagens, óleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, os bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU - Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa Vemag; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (iv) Excluiu-se a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowics. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado
(assinado digitalmente)
Thais de Laurentiis Galkowics - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral no julgamento pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quanto aos itens: (i) Big Bags, pagamento de fretes, vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto: clichê impressão de embalagens, óleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, os bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU - Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa Vemag; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (iv) Excluiu-se a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowics. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowics - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral no julgamento pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. O lançamento de ofício deve ser feito sem a multa correspondente quando a exigibilidade do tributo apurado houver sido suspensa por meio de liminar em mandado de segurança, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo ao tributo lançado. AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE MATÉRIAS. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a lançamento fiscal, com o mesmo objeto deste, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, pelo que se reputa definitiva a exigência no âmbito administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. O lançamento de ofício deve ser feito sem a multa correspondente quando a exigibilidade do tributo apurado houver sido suspensa por meio de liminar em mandado de segurança, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo ao tributo lançado. AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE MATÉRIAS. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a lançamento fiscal, com o mesmo objeto deste, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, pelo que se reputa definitiva a exigência no âmbito administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 07 /2 01 1- 80 Fl. 5133DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. Fl. 5134DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.134 3 ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de Fl. 5135DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 4 produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deuse provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de Fl. 5136DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.135 5 poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deuse provimento para reverter as glosas quanto aos itens: (i) Big Bags, pagamento de fretes, vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto: clichê impressão de embalagens, óleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, os bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa Vemag; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (iv) Excluiuse a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowics. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowics Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral no julgamento pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório Fl. 5137DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 6 O presente processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da Recorrente as quantias de R$ 22.243.968,00 e R$ 4.826.551,73, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos em 31/10/2006, 31/11/2006, 31/12/2006 (4º TRI/2006). A essas importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora. Nos referidos Autos de Infração foram lançadas as Contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos utilizados tratadas nos PAF nºs 16349.000273/200908 e 16349.000281/200946. Nos dois processos acima (análise e glosa dos créditos declarados em DComp), o Fisco reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado, realizando as glosas descritas na Informação Fiscal do Despacho Decisório às fls. 4.056/4.103, referente ao processo de PIS e às fls. 4.104/4.152, da Cofins. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida (nº 0731.325 4ª Turma da DRJ/FNS que Revisa o Acórdão nº 0730.436 de 31 de janeiro de 2013), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 4.863/4.934): O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de R$ 22.243.968,00 e R$ 4.826.551,73 a título de, respectivamente, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, não cumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos em 31/10/2006, 31/11/2006, 31/12/2006. A essas importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL verificase que a infração consiste de INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO da contribuição para o PIS e da Cofins, insuficiência que se deu em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto e de apuração de omissão de receita. Do Relatório Fiscal Relata, a autoridade fiscal, que o trabalho do qual decorrem os presentes autos de infração teve início para analisar os Pedidos de Ressarcimento de Crédito PER de PIS e Cofins. Explica que cada trimestre do ano de 2006 foi tratado separadamente e que o presente processo está vinculado ao processo 16349.000273/200908 (Cofins), e ao processo 16349.000281/200946 (PIS), que devem tramitar em conjunto, dada a coincidência de matéria fática. Glosas de créditos utilizados por meio de desconto no Dacon Nos autos de infração de que aqui se trata foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto, glosas tratadas nos processos 16349.000273/200908, 16349.000281/200946. Fl. 5138DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.136 7 A autoridade fiscal informa que foram integralmente copiados neste processo todos os documentos de interesse dos referidos processos, até os respectivos Despachos Decisórios, e assim relata: 4.1. Do PIS/Pasep a pagar 4º trimestre de 2006 Com base no Despacho Decisório do processo 16349.000281/200946, cópia integral a fls. 4056/4103, com as glosas efetuadas houve diminuição dos créditos a descontar informados em Dacon. Assim, a diferença entre as contribuições calculadas e os créditos a descontar, no recálculo das fichas 15B (fls.4098/4099), resulta saldo a pagar a ser lançado neste processo. [...]Resta evidenciada a existência de PIS/Pasep A PAGAR, decorrente da glosa de créditos, a ser lançada neste processo, no valor de R$ 796.440,30 em outubro, R$ 1.233.079,91 em novembro e de R$ 2.182.099,30 em dezembro. É de se destacar que a análise das receitas que integraram as bases de cálculo das contribuições não está incluída no Despacho Decisório mencionado. Tais procedimentos integram o presente termo de verificação, conforme exposto ulteriormente. 4.2. Da Cofins a pagar – 4º trimestre de 2006 Com base no Despacho Decisório do processo 16349.000273/200908, cópia integral a fls. 4104/4152, com as glosas efetuadas houve diminuição dos créditos a descontar informados em Dacon. Assim, a diferença entre as contribuições calculadas e os créditos a descontar, no recálculo das fichas 25B (fls.4147/4148), resulta saldo a pagar a ser lançado neste processo [...] Resta evidenciada a existência de COFINS A PAGAR, decorrente da glosa de créditos, a ser lançada neste processo, no valor de R$ 3.586.324,00 em outubro, R$ 5.765.505,02 em novembro e de R$ 10.059.723,94 em dezembro. É de se destacar que a análise das receitas que integraram as bases de cálculo das contribuições não está incluída no Despacho Decisório mencionado. Tais procedimentos integram o presente termo de verificação, conforme exposto ulteriormente. Conforme relatado nos mencionados despachos decisórios, juntados aos autos pela autoridade fiscal, a redução dos créditos a descontar se deu em razão da exclusão, da base de cálculo dos créditos, dos seguintes valores: Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da fichas 06A e 16A –diferença entre a soma das notas fiscais identificadas como desta linha na Memória de cálculo e o valor informado no Dacon; Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da fichas 06A e 16A 1.1. aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos de acordo com art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 1.2. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; Fl. 5139DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 8 1.3. despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, que não geram créditos a teor art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; 1.4. aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; 1.5. notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; 1.6. IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 1.7. notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins, no caso, milho (NCM 1005.90.10) e soja a granel (NCM 1201.00.90), a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004; Serviços Utilizados como Insumos Fichas 06A e 16A Linha 03 1.8. aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos de acordo com art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 1.9. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, tais como: serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro e fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa, o que não se enquadra como bem utilizado como insumo e nem como serviço utilizado como insumo, uma vez que o produto já está pronto; 1.10. os valores das notas fiscais Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Fichas 06A e 16A Linha 05 aluguéis pagos a pessoas físicas, alguns referentes a imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Fichas 06A e 16A Linha 06 notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Fichas 06A e 16A Linha 07 1.11. pagamentos a pessoas físicas, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. 1.12. pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 5140DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.137 9 Também foram glosados os valores informados a título de: Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais linha 25 No tópico em que trata do crédito presumido decorrente das atividades agroindustriais, a autoridade fiscal trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (notas cujos CFOP não representam aquisições, perfeitamente identificados na listagem individualizada, identificadas na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota. Nessa listagem, a autoridade fiscal, nos termos do caput do art. 82 da Lei nº 10.925/2004, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; trigo, milho e sorgo classificados no capítulo 10; soja no capítulo 12; lenha, maravalha e resíduos de madeira no capítulo 44; sêmen no capítulo 05; itens que também não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da fichas 06B e 16B foram glosados os valores: 1.13. das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; 1.14. os valores das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; 1.15. os valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; Créditos Extemporâneos Foram glosados da base de cálculo do crédito do período em questão os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração – valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela impugnante. Indevida utilização de créditos de períodos anteriores Ficha 23 Não foram aceitos os créditos de dezembro de 2002 e de fevereiro de 2003, relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, que a impugnante pretendeu descontar do PIS/Pasep devido em novembro e dezembro de 2006. Do Recalculo dos Saldos das Ficha 25B A autoridade fiscal informa que em razão das correções realizadas nas fichas 06A e Fl. 5141DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 10 06B da Dacon, restou saldo a pagar da Contribuição para o PIS. Tendo em vista que tal saldo devedor, decorrente de glosa de créditos, não foi declarado em DCTF, necessário o lançamento através de auto de infração. Acrescenta que o auto de infração poderá incluir, ainda, a análise das saídas tributadas com algum tipo de incorreção, não analisadas neste processo, e pode resultar alteração dos valores das linhas 1 a 5 da ficha 15, o que será tratado no processo digital nº 11516.722107/201180, que deve ser movimentado e julgado em conjunto com este, por tratar dos mesmos fatos. Do controle dos Saldos da Ficha 14 Tendo em vista os autos de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, tratados no processo 11516.721279/201136, o saldo inicial da linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores é nulo em todos os tipos de crédito”. Por conta das glosas realizadas, resultou nulo o saldo final da linha “11.CRÉDITO REMANESCENTE”, da ficha 14, em todos os tipos de crédito. Omissão de receita Também foram lançados valores da Contribuição para o PIS e da Cofins não declarados em DCTF. A omissão de receitas se deu em razão: de a impugnante ter deduzido, indevidamente, da base de cálculo da contribuição devida no período, a título de "descontos incondicionais", valores que não consistem deste tipo de desconto, mas se referem a “descontos ou bonificações condicionadas a atingimento de metas ou relativos a rateio de despesas de publicidade”; de a impugnante ter inserido, indevidamente (a teor do art 1º, p.u., I, do Decreto 5.442/2005), na linha “04.Receita Tributada à Alíquota Zero” das fichas as fichas 7A e 17A valores referentes a juros sobre capital próprio recebido da investida Batávia. Da Impugnação Glosas de créditos a descontar Nulidade – violação ao princípio da motivação, da ampla defesa e devido processo legal administrativo Preliminarmente, a impugnante alega que ao se deparar com o lançamento, que remete ao despacho que indeferiu o pedido de ressarcimento, percebese a nulidade do ato em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da impugnante. Nesse sentido alega que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade Fl. 5142DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.138 11 do ato administrativo, eis que lá não consta expressamente a motivação (fática e jurídica) explícita, clara e congruente”. Em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega também o cerceamento de defesa, e, com conseqüente, a violação ao devido processo legal administrativo. Inconstitucionalidade das leis e ilegalidade das IN Segue apontando a inconstitucionalidade das leis que regem o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS e da Cofins. Nesse sentido: ressalta “ser impossível, a partir da constitucionalização da não cumulatividade para o PIS e COFINS, pela Emenda Constitucional n. 42/2003, a restrição de créditos pelo legislador infraconstitucional... já que o papel do legislador perante a Constituição é de aplicador”; aduz que em “sendo a matriz constitucional de tais contribuições a receita, a não cumulatividade e o sistema de abatimento de créditos necessariamente deve restar atrelado também a esta” e “como a noção de receita no regime não cumulativo é ampla, ... amplos serão também os reflexos de sua noção na não cumulatividade para o PIS e COFINS para o reconhecimento de créditos”; e conclui que “O postulado adotado diz respeito à supremacia da Constituição. Em razão disso, há de se entender que resta impossível à legislação infraconstitucional restringir, sobremaneira, tal princípio e, por conseguinte, os créditos de PIS e Cofins”. Passa, então, a alegação de ilegalidade das Instruções Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 ao restringir, tendo como fundamento a legislação de IPI, o conceito de insumo estabelecido pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em síntese, discorre sobre a não cumulatividade no âmbito da tributação das contribuições para demonstrar que, nos termos das leis, o crédito deve ser considerado sobre os insumos em geral, sem as restrições postas pelas mencionadas IN, considerando como tal todos os “dispêndios realizados pelo impugnante que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio ou serviços) visando à obtenção de receita”. Glosas de valores da base de cálculo do crédito Como razão de contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal, a impugnante coloca que todas seriam improcedente por ter a autoridade fiscal se pautado em critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, sendo, todos “legítimos, eis que contribuem de forma direta ou indireta visando o exercício da atividade econômica da impugnante a fim de obter receita. São inclusive necessários e inerentes à atividade”. Menciona que exerce atividade econômica submetida a diversos tipos de controles e exigências de órgãos públicos, como, por exemplo, ANVISA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, o que reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo e que não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou Fl. 5143DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 12 despesa vinculada à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. Acrescenta que a noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente. Fichas 06A e 16A Linha 02 bens utilizados como insumos – item 4.3.2 do relatório fiscal Aquisições de pessoas físicas Defende serem legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois, embora o art. 3º, § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 expressamente reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais bens “se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela interessada em sua atividade produtiva”. Nesse sentido diz: Vejamos, por exemplo, os fios de poliéster, utilizamos dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. [...]Todos estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada. Isto porque, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997. Por conseguinte, tais equipamentos têm por finalidade, além de proteger os empregados por determinação legal, permitir a fabricação adequada de alimentos ao consumo humano segundo determinação do Ministério da Saúde e, assim, devem ser qualificados como essenciais e necessários à atividade peculiar da impugnante, permitindo caracterizálo como insumo, até mesmo pelo fato de que são utilizados no parque industrial. Em complemento, ainda, a impugnação do item 4.3.2 quantos bens e a noção de insumo, são totalmente legítimos os créditos dos pallets, bolsa térmica, caixa de proteção e afins. Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização Fl. 5144DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.139 13 Ora, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA. Acrescenta que mesmo que não se acolha a interpretação de que se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº10. 833/2003, que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria. Em relação à gasolina, alega que o combustível é empregado no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. Pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa Em relação aos serviços de frete, inicialmente, alega ser improcedente a glosa, pois o fiscal teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo de alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue: 1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4. há industrialização com emprego de tais matériasprimas; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. [...]Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção. Conclui que “o processo produtivo da impugnante não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes”, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero A impugnante, primeiro, alega que os diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas; cita: alho em pasta, caldo de galinha, tempero para carne, entre outros. Segundo, que, em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, entre outros) que enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei n. 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se Fl. 5145DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 14 sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925. Terceiro, que diversos produtos estão vinculados à noção de insumos (vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, entre outros) de sorte que resta totalmente viável a manutenção do crédito. Por fim, defende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A recorrente reclama que a fiscalização englobou, de forma genérica e sem critério, diversos bens que não dariam direito ao crédito tendo em conta o CFOP da nota fiscal, em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa térmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros. Alega que a descrição dos produtos e materiais glosados permite reconhecer a utilidade, inerência e relevância no processo produtivo da interessada. Assim explica a utilidade de alguns dos bens glosados: faca tratase de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes; faca, lâmina, mola, sensor de temperatura, martelo, rolamento, alfinete, termostato e pino são equipamentos, peças e materiais destinados à manutenção de máquinas e equipamentos ou empregados em sua atividade econômica, em especial, do processo de industrialização. Aduz ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem vinculados à atividade econômica e produtiva da interessada, caracterizando como insumo. De que defende que são legítimos os créditos em relação aos lubrificantes, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. Menciona que “Isto fica ainda mais evidente diante da noção ampla de insumo, que não se restringe aos critérios do IPI” Contesta, ainda, a glosa de etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade, tratandose de um material que acompanha o produto a ser comercializado. Fl. 5146DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.140 15 Aduz que determinações da ANVISA, as quais traz transcritas, demonstram claramente que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Explica que as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. E afirma que, diante da noção ampla de insumo, vinculação direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela interessada, é possível reconhecer o direito ao crédito quanto às etiquetas para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. O valor do IPI recuperável, constante das notas fiscais de aquisição Alega que a Receita Federal do Brasil, sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados ao custo do IPI dos produtos adquiridos pela impugnante, sob alegação de que poderão ser recuperáveis. Afirma que o IPI vinculado à operação de aquisição de bens integra o custo do produto que adquiriu, de maneira que inexiste razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão da base de cálculo dos créditos das contribuições. Defende que o fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação de crédito (operações sem a exigência do imposto) não é fundamento que permite justificar a presente glosa, pois são “operações distintas e que não se confundem”. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins A impugnante inicia defendendo que o crédito integral há de ser mantido uma vez que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma que a Lei nº 10.925/2005 somente é aplicável, nos condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que, podese concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Caso seus argumentos não sejam acatados, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Fichas 06A e 16A Linha 03 serviços utilizados como insumos – item 4.3.3 do relatório fiscal Quanto aos itens “a”, “c” e “d”, do item 4.3.3 do relatório fiscal aquisições de pessoas físicas, pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados e Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços – a impugnante remete aos argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às Fl. 5147DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 16 aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas. Em relação ao item “b” aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo , a interessada defende que o direito ao crédito em razão dos valores glosados se referirem a serviços totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da impugnante; Menciona os serviços: movimentação saída, de montagem/desmontagem, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros. Fichas 06B e 16B Linha 02 bens utilizados como insumos – item 4.3.8 do relatório fiscal A interessada contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que a Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Cofins na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Em relação às aquisições de peças e máquinas acrescenta que são bens que claramente a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551, 3556 e 3949, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. No mérito, alega: há previsão legal que permite crédito de PIS/Cofins para a hipótese de aquisição de ativo imobilizado, salvo se usado, o que não é o caso dos autos; em relação aos demais itens glosados (uso e consumo e outros), a noção ampla de insumo ligada à inerência, essencialidade e qualidade permite a tomada de créditos. A impugnante tem como encerrada a questão do direito ao crédito em relação à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos e passa às demais glosas. Fichas 06A e 16A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas item 4.3.4 do relatório fiscal A interessada alega que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Fl. 5148DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.141 17 Fichas 06A e 16A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica – item 4.3.5 Defende o direito ao crédito sobre as notas fiscais de locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (xerox) argumentando que o serviço de fotocópias, embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento, é essencial à atividade econômica de qualquer empresa. Que diante da noção ampla de insumo e da não cumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo. Fichas 06A e 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda – item 4.3.6 Quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, depois de novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a impugnante argumenta que: o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral. Acrescenta: A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros; [...]Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. Fichas 06A e 16A – Créditos Presumidos das atividades agroindustriais – item 4.3.7 do relatório fiscal Em relação aos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais, a interessada afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Fichas 06A e 16A bens adquiridos para revenda item 4.3.1 Em relação à glosa das notas fiscais com valor inferior aquele declarado em Dacon defende que os créditos são legítimos, sendo que a contabilidade dá total suporte.Explica que, em verdade, houve um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes dos informados no demonstrativo.Argumenta que, Fl. 5149DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 18 ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon. Créditos extemporâneos utilizados sem retificadora item 4.4 Defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados no cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º trimestre, pois, em suas palavras: (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco; (ii) o impedimento é meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Ou seja, se não houve o aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente a exigência de retificadora. Créditos inexistentes Ficha 23 e saldo da linha 24 – item 5 e 7 do relatório fiscal. A impugnante, inicialmente, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa. Alega, ainda, que “os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor impugnante”. Aduz que, como informa a fiscalização, os valores foram lançados em Dacon e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente os créditos, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boa fé. Omissão de receita Descontos incondicionais A impugnante contesta os valores lançados alegando que houve operação com descrição contábil, emissão de nota fiscal e inclusão na DACON como descontos incondicionais (ou bonificações). Sendo assim, os lançamentos contábeis e obrigações acessórias fazem prova em favor do impugnante, na medida em que o ônus é do Fisco em comprovar cabalmente que determinada operação é tributável por PIS e COFINS, nos moldes do art. 142 do Código Tributário Nacional. Afirma que inexistiu prova e demonstração cabal de que todas as operações tributadas não seriam descontos incondicionais. Simplesmente, elencou todos os códigos de operação lançados como desconto incondicional e tributo por presunção sem previsão legal. Juros sobre Capital Próprio O valor de R$ 2.478.583,89, relativo aos juros sobre capital próprio recebido da investida Batávia, foi acrescido na base de cálculo das contribuições em dezembro de 2006, com fundamento no inciso I, p.u., do art. 1º do Decreto 5.442, de 09/05/2005. A impugnante, por seu turno, defende que juros sobre capital próprio possuem a natureza de dividendos, com fundamento o art. 9º, § 7º, da Lei nº 9.249/95, que enuncia: Fl. 5150DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.142 19 § 7O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei ne 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. Sustentar a improcedência do lançamento, uma vez que dispõe o art. 1º, § 3º, V, alínea "b", da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), bem como Lei nº 10.637/2002 (PIS), que deve ser excluída da base de cálculo de tais contribuições: b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Em 02/12/2011, a interessada protocolou aditamento à impugnação apresentada em 24/11/2011, alegando que no momento do lançamento havia processo judicial (proc. n. 2006.61.00.0267561 Mandado de Segurança; Proc. n. 2007.03.00.1042080 Ação Cautelar TRF 3), perante o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ã REGIÃO, concedendo suspensão da exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual não há possibilidade de se imputar a multa de ofício nesta matéria, reconhecendose somente a finalidade de prevenção da decadência ao presente lançamento. Pugna, então, o acolhimento da presente petição como complemento e aditamento da impugnação tempestivamente apresentada com o fim de requerer a exclusão da multa de ofício no caso dos juros sobre capital próprio, uma vez que constava suspensão da exigibilidade do crédito. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Alega que os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado dos juros de mora calculados à taxa Selic. Contesta a exigência juros de mora (à taxa Selic) sobre a multa de ofício aplicada nos presentes autos de infração, com fundamento no art. 61 da Lei n° 9.430/1996, pois tal dispositivo legal assim não autorizou; nesse aduz que o legislador estabeleceu a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições (que é uma espécie do gênero tributo), não pagos em seu vencimento. Multa de ofício A impugnante alega que os fatos foram praticados pela Perdigão Agroindustrial S/A, cuja incorporação se deu em 09/03/2009 pela Perdigão S/A, a qual alterou sua denominação social para BRF em 08/07/2009 e, por conseguinte, não podem ser dela exigidos, nos moldes do art. 132 e 133 do CTN, bem como pelos princípios de direito sancionador de que a pena não pode ultrapassar o seu infrator. Reclama ainda que a multa aplicada ofende os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, sendo forçoso seu cancelamento. Diante Fl. 5151DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 20 disto, só para argumentar, esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 61, § 25 , da Lei n. 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado. Do Pedido Requer que seja julgada procedente a presente impugnação a fim de reconhecer a nulidade, ou, no mérito, total improcedência do lançamento, conforme razões aduzidas. Ao final, pugna pela prova pericial destinada a avaliar, especialmente, se os bens, produtos, serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Revisão do Acórdão nº 0730.436, de 31/01/2013 O presente acórdão tem como objetivo revisar o acórdão 0730.436, proferido em 31/01/2013, unicamente na parte em que se refere ao lançamento de valores recebidos pela Perdigão Agroindustrial S.A., à título de juros sobre capital próprio. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: (fls. 4.863/4.868): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO. Ausentes, no momento da constituição do crédito tributário, as hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, é legítima a cobrança da multa de ofício incidente sobre o tributo devido. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. REVISÃO DE OFÍCIO DA DECISÃO. Fl. 5152DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.143 21 Identificada pela DRJ inexatidão material devido a lapso manifesto, é devida a correção de ofício da decisão através de Acórdão revisor. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO DESCONTADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO IMPUGNANTE Na apuração das Contribuições para o PIS e da Cofins não cumulativas, é do impugnante o ônus de demonstrar ao Fisco e comprovar minudente a existência do crédito utilizado por meio de desconto das contribuições devidas PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo impugnante por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE. Para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, ao contribuinte cabe comprovar a natureza dos valores desta excluídos, conforme por ele lançados em sua escrituração contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados Fl. 5153DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 22 por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos calculados a alíquota regular da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de venda de produtos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º na mesma IN. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NA VENDA. VEDAÇÃO DE TOMADA DE CRÉDITO. As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. IPI RECUPERÁVEL. O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo dos bens adquiridos para revenda e utilização como insumo. Fl. 5154DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.144 23 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo impugnante. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEÇAS E PARTES DE MÁQUINAS. ACRÉSCIMO DA VIDA ÚTIL DA MÁQUINA. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO DE BEM DO ATIVO IMOBILIZADO. Se da substituição de partes e peças de máquinas utilizadas diretamente na produção resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição da respectiva máquina, as despesas de aquisição correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, caso em que haverá direito a crédito pelos encargos de depreciação. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor recebido a título de juros sobre capital próprio integra a base de cálculo da Cofins, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. Fl. 5155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 24 No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos calculados a alíquota regular da contribuição para o PIS não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de venda de produtos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º na mesma IN. Fl. 5156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.145 25 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NA VENDA. VEDAÇÃO DE TOMADA DE CRÉDITO. As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. IPI RECUPERÁVEL. O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo dos bens adquiridos para revenda e utilização como insumo. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Contribuição para o PIS e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo impugnante. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEÇAS E PARTES DE MÁQUINAS. ACRÉSCIMO DA VIDA ÚTIL DA MÁQUINA. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO DE BEM DO ATIVO IMOBILIZADO. Se da substituição de partes e peças de máquinas utilizadas diretamente na produção resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição da respectiva máquina, as despesas de aquisição correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, caso em que haverá direito a crédito pelos encargos de depreciação. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor recebido a título de juros sobre capital próprio integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 26 Em 05/06/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 5.034). Inconformada, em 20/06/2013 (postado nos Correios em 18/06/2013 fls. 5.117/5.118), protocolou recurso voluntário ao CARF (fls. 5.035/5.115), repisando os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando as seguintes alegações: a) que é tradicional e importante empresa da agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral; b) reproduz a relação de itens que foram objeto de glosa do pedido de ressarcimento nos Despachos Decisórios dos PAF referentes aos créditos de PIS e da Cofins; c) consigna que TODAS as matérias envolvidas nestes autos foram expressamente delimitadas (uma a uma), impedindo de forma clarividente qualquer alegação específica para este caso, de que não houve impugnação, aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72; d) solicita preliminarmente a nulidade da decisão recorrida e também a nulidade do lançamento; e) que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Alega a necessidade ante o princípio da busca pela verdade material; f) se deparar com o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento percebese a nulidade do ato em decorrência da violação ao princípio da motivação; g) que há cerceamento de defesa da Recorrente, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento de inúmeros créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da recorrente; h) se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Quanto ao Mérito i) inicia fazendo uma longa contextualização sobre as Contribuições do PIS e da COFINS, da não cumulatividade, explorando seus aspectos legais e constitucionais; cita autores renomados que reportaram sobre o assunto e jurisprudências; j) elabora uma abordagem sobre a problemática da restrição dos créditos de COFINS e do PIS por atos infralegais, como Instrução Normativas; da impossibilidade, conforme o Relatório Fiscal apresentado, a glosa de diversos créditos da recorrente se deu pelo fato de que o Fisco adota uma interpretação evidentemente rígida e com o intuito de mera arrecadação, fundada especificamente nas IN da SRF nºs 247, 358 e 404/04; essas instruções normativas e a própria fiscalização, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei e diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos; Fl. 5158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.146 27 k) quanto aos Insumos glosados argumenta das ilegalidades, afirma que em uma primeira e genérica conclusão, o método utilizado pela fiscalização no sentido de que, como a glosa se pautou por critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, esta se torna improcedente, uma vez que todos os bens, produtos e serviços descritos em contabilidade, DACON e no pedido de ressarcimento são legítimos; Discorre sobre cada item nominalmente glosados solicitando a reversão dessas glosas e traz argumentações específicas sobre os seguintes casos concreto: (i) de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (itens 4.3.4 e 4.3.5 do Despacho Decisório); (ii) despesas de armazenagem e frete na operação de venda (item 4.3.6 do Despacho Decisório); (iii) dos créditos presumidos na agroindústria base de cálculo item 4.3.7 do despacho decisório); l) dos bens adquiridos para revenda (item 4.3.3); dos créditos extemporâneos (item 4.4) e créditos inexistentes (item 5), todos dos Despachos Decisórios. Quanto aos créditos inexistentes, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa; m) Exigência de tributação sobre determinadas saídas Descontos incondicionais: contesta os valores lançados, alegando que houve operação com descrição contábil, emissão de nota fiscal e inclusão na DACON como descontos incondicionais (ou bonificações); n) dos Juros sobre capital próprio (JCP) que o valor de R$ 2.478.583,89, relativo aos juros sobre capital próprio recebido da investida Batávia, foi acrescido na base de cálculo das contribuições em dezembro de 2006, com fundamento no inciso I, p.u., do art. 1º do Decreto 5.442, de 09/05/2005. o) dos Juros de mora sobre a Multa de Ofício aduz que os juros são devidos à razão de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, sendo de total improcedência o lançamento realizado; Não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a Multa de Ofício. Caráter confiscatório. p) da Multa de ofício alega que os fatos foram praticados pela Perdigão Agroindustrial S/A, cuja incorporação se deu em 09/03/2009 pela Perdigão S/A, a qual alterou sua denominação social para BRF em 08/07/2009 e, por conseguinte, não podem ser dela exigidos, nos moldes do art. 132 e 133 do CTN. Posto isto, espera a Recorrente, que seja conhecido e provido o recurso interposto com o objetivo de reconhecer a nulidade ou reforma da decisão recorrida e, por conseguinte, a total improcedência do lançamento realizado. É o relatório. Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 28 Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2 Do trâmite processual Nos referidos autos de infração foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON (anexados aos autos), que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos utilizados tratados nos processos 16349.000273/200908 e 16349.000281/200946 (COFINS e PIS/Pasep, respectivamente). No Auto de Infração, no quadro Descrição dos Fatos e enquadramento Legal, verificase que a infração consiste de INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO da contribuição para o PIS e da COFINS, que se deu em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto e de apuração de omissão de receita (fls. 4.158/4.198). Os processos de créditos foram apreciados em 25/10/2012 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, e após terem cumprido o determinado nas Resoluções 3402000.480 (Processo nº 16349.000273/200908) e 3402000.483 (Processo nº 16349.000281/200946), encontramse nesta Turma, em pauta para julgamento, conjuntamente com este processo. Muito embora não haja previsão legal para que os processos, no âmbito do julgamento administrativo, sejam reunidos e julgados por meio de um só Acórdão, há que se dizer que, dada a coincidência de matéria fática, em conformidade com os princípios da eficiência e economia processual, os processos devem tramitar juntos, como colocado pela autoridade fiscal autuante. No entanto, firmese que a lide aqui estabelecida é a que decorre do Recurso Voluntário apresentado contra os Autos de Infração (do PIS e da COFINS) e será analisada no escopo do presente processo, à luz dos fatos e elementos que compõem seus próprios autos. 3 Do Conceito de INSUMOS No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos do PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão Fl. 5160DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.147 29 da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. Fl. 5161DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 30 (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da Cofins nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Verificase no Estatuto Social e também informado pela Recorrente em seu recurso, que a empresa BRF é uma tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4 Do Processo produtivo x Descritivo dos Insumos adquiridos Salientase que quando da efetivação das diligências solicitadas (nos referenciados processos de créditos), a Recorrente apresentou documentos, demonstrando o fluxo de Processo de Produção da empresa, laudo técnico, respectivos descritivo de utilização dos insumos, conforme documentos de fls. 3.886/4.014 (PIS) e 3.955/4.051 (Cofins). 5 Preliminares 5.1 Das Matérias não contestadas na Impugnação Fl. 5162DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.148 31 A decisão a quo, deixou consignado que "(...) Em análise à impugnação, verificase que a impugnante não contestou todas as operações cujos valores foram glosados operações listadas de forma agrupada pelo motivo da glosa. Assim, aqui se diga que são consideradas incontestes as matérias sobre as quais a impugnante não se manifestou expressamente, em obediência ao disposto no art. 17 do Decreto no 70.235/72, e alterações posteriores, que regula o processo administrativo fiscal. Impedido, então, o julgador administrativo de pronunciarse em relação ao conteúdo do feito fiscal no que se refere às operações cujas glosas não foram contestadas, reputase definitivo na esfera administrativa o ajuste no cálculo do crédito a estas correspondente". Por outro lado, a recorrente informa em seu recurso que TODAS as matérias envolvidas nestes autos foram expressamente delimitadas (uma a uma), impedindo de forma clarividente qualquer alegação específica para este caso de que não houve impugnação, aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Neste diapasão, destacase que, nesta fase processual, todas as alegações e temas abordadas no recurso voluntário serão tratados neste processo. 5.2 Da nulidade da decisão indeferimento pedido de diligência/perícia Alega a Recorrente que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia/diligência, adequadamente formulado segundo a legislação. Aduz o princípio da busca pela verdade material. Como relatado, a Recorrente em seu recurso, argumenta que na decisão recorrida, teria lhe cerceado o direito de defesa ao indeferir o seu pedido de perícia. Não assiste razão à Recorrente. Para tanto, destaco a seguinte motivação, conforme trecho da decisão a quo: "(...) Todavia, por oportuno, informase à impugnante que também de outra forma não caberia ser acatado o seu pedido de perícia; tampouco, haveria cabimento na realização de diligência. Isso em razão de que, nos termos em que são tratadas no Decreto n.º 70.235/72, a prova pericial, tanto quanto a diligência, não são instrumentos destinados ao suprimento do ônus da prova das partes, mas sim, ao convencimento do julgador; tanto que a este é facultado indeferir as que considerar prescindíveis ao julgamento". Assim, neste processo, a decisão recorrida trilhou bom caminho ao considerar não formulado o pedido de perícia, haja vista a omissão do atendimento aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do PAF, a teor do que determina o §1º do mesmo artigo. Ressaltese, no entanto, que os processos de créditos, os referidos recursos foram apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, e foram deferidos os pedidos para cumprir diligência determinadas nas Resoluções nºs 3402000.480 (Processo nº 16349.000273/200908) e 3402000.483 (Processo nº 16349.000281/200946), como passaremos a ver em tópico mais adiante. Tratandose, portanto neste caso, de recusa bem fundamentada, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Portanto, rejeitase essa preliminar de nulidade. 5.3 Da Nulidade do lançamento Alega que ao se deparar com o lançamento, que remete aos Despachos Decisórios, argumenta a nulidade em decorrência da violação ao princípio da motivação. Fl. 5163DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 32 Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo (as razões) pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da contribuinte. Aduz também que em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, há também o cerceamento de defesa, e, em consequência, a violação ao devido processo legal administrativo. Vejase trecho destacado do recurso: "(...) Ocorre, porém, que a fiscalização em sua motivação não descreveu e justificou o porquê da glosa dos demais itens utilizados como crédito". Nesse sentido informa que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo”. Neste ponto, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999), passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto, adotandoas como razão para rejeitar a arguição: "(...) Compulsando os autos, verificase que não procede essa alegação da recorrente. Com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pelo impugnante em atendimento aos itens 8, 9 e 10 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001/00242. Relata a autoridade fiscal que: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas citadas memórias de cálculo foram cruzadas com os registros contidos nos arquivos magnéticos de notas fiscais e foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS de cada filial; que a segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”, quando analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito; que na terceira etapa aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identifica os créditos a que o impugnante fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Relata que, por fim, em uma quarta etapa: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do Dacon; foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não dão direito a crédito; subtraiuse o segundo do primeiro, para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa. Conclui que ao final dos procedimentos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Salienta a autoridade fiscal que: Todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios abaixo, presentes neste processo nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. [...]Todos os relatórios que se referem a mais de uma linha do Dacon estão organizados por ficha do Dacon e linha, indicando qual a ficha e linha cujos valores foram alterados em decorrência daquele item. Qualquer referência às fichas 6A e 6B se aplica igualmente às fichas 16A e 16B. Cada linha do Dacon que sofreu alteração está especificada nos subitens seguintes, com a identificação do total alterado por motivo de glosa. Os detalhes das alterações encontramse nos relatórios citados acima. Como se vê, todas as operações glosadas foram identificadas a partir dos registros elaborados pela própria empresa; como visto, a autoridade fiscal identificou as operações cujos valores foram indevidamente Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.149 33 inseridos na base de cálculo do crédito a partir das memórias de cálculos fornecidas como demonstrativos dos valores informados em cada linha do Dacon. Em análise aos mencionados relatórios, elaborados e juntados aos autos pela autoridade fiscal, verificase que, de fato, deles constam todas os itens cujos valores foram glosados, agrupados em função do motivo da glosa; assim, em cada relatório trazido pela autoridade fiscal estão indicados todos os itens glosados pelo mesmo motivo. Depois de identificar os relatórios e as respectivas páginas nos autos, a autoridade fiscal passou tratar de cada glosa especificamente, de acordo com a ficha e a linha do Dacon, cuidando de indicar a fundamentação fática e legal de cada uma delas, assim como consta do relatório do presente voto Vêse, então, que a autoridade fiscal não só esclareceu os critérios e parâmetros adotados na análise das informações apresentadas pela impugnante, como também em seu relatório da atividade: tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, o que, à evidência, já seria suficiente para a impugnante identificar o seu fundamento legal; indicou a razão fática e/ou a razão legal para o não reconhecimento do direito (não acolhimento de despesas de outros períodos, não comprovação de créditos trazidos de outros períodos; não comprovação da natureza da operação em razão do CFOP da nota fiscal registrada; e o não enquadramento das despesas registradas nas hipóteses legais permissão do crédito); e por fim, a autoridade fiscal também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. Como se vê, é totalmente improcedente a alegação da impugnante de que teria sido cerceada em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento do motivo de cada item glosado. Tal se confirma em sua impugnação, onde a impugnante demonstra exatamente o contrário do que alega, quando contesta cada glosa insurgindose contra os fatos e os fundamentos legais alegados pela autoridade fiscal". Como se vê, a Recorrente foi cientificada das glosas elencadas no Despacho Decisório e apresentou a sua manifestação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Ficou claro que as glosas teve sua origem e a motivação em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada na Informação Fiscal, onde detalhou se a motivação para o procedimento e as provas que conduziram a fiscalização a efetuar as glosas efetivadas. Portanto, é totalmente improcedente a alegação da Recorrente de falta de motivação e de que teria sido cerceada em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento do motivo de cada item glosado. Tal fato se confirma em sua Manifestação de Inconformidade e neste Recurso Voluntário, onde a Recorrente demonstra exatamente o contrário do que alega, quando contesta cada glosa, insurgindose contra os fatos e os fundamentos legais alegados pelo Fisco. Não assiste razão a Recorrente, uma vez que a autuação foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e do Decreto nº 70.235/1972, não existindo cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando essas imputações. Portanto, rejeitase essas preliminares de nulidade. Quanto ao disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72, informa em seu recurso que se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 34 fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Também não assiste razão a Recorrente também neste caso. É cediço que o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. No entanto no caso dos presente autos, excepcionalmente, não estamos tratando somente do lançamento de ofício, e sim também de utilização de direito creditório pela Recorrente. A situação posta tratase de Declarações de Compensação DCOMP de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação, que foram verificadas em procedimentos nos PAF nºs. 16349.000273/200908 e 16349.000281/200946. E, quando se trata de desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do crédito pretendido. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973 (em vigor à época dos fatos), aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito, como veremos no tópico seguinte. Neste caso, foi exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que rege (atualmente a IN RFB nº 1.300, de 2012) os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos. Portanto não há o que se falar em nulidade do lançamento. 6 Ônus da Prova Por compartilhar do entendimento deduzido no voto condutor da decisão recorrida, reproduzi as considerações da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes a respeito da distribuição do ônus probatório nos processos administrativos fiscais, que deverão ser observadas para a inteligência deste voto: "Antes que se passe à análise das razões de contestação contra o feito fiscal, importa que se teçam algumas considerações acerca do ônus da prova do contribuinte, no âmbito dos processos administrativos em que se trate de direito de crédito por este utilizado pelos meios legalmente previstos. Coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; ao contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.150 35 comprovação do ilícito”. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, entretanto, o quadro resta modificado. Quando a situação posta se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência deste. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Nos casos de pedido de restituição, reembolso ou ressarcimento e declaração de compensação de créditos é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF no 900/2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...]§ 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [...]Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifouse) Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 36 Assim, em entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou entendendo que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Neste caso, cabe ao contribuinte, em sua defesa ao crédito, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o crédito alegado. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito; a contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Assim sendo, salientese que, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, todas as declarações, informações e documentos e registros contábeis elaborados pelo contribuinte somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência do direito que declare, se calcados em documentos fiscais. Destarte, a efetiva comprovação da ocorrência, dos valores e da natureza das operações registradas e declaradas pela pessoa jurídica somente se dá por meio de documentos fiscais representativos destas. E a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Para a correta análise dos argumentos de contestação das glosas realizadas pela autoridade fiscal, é necessário ter claro a sistemática por esta adotada na aferição da procedência do crédito pleiteado pela contribuinte, conforme por ela apurado em Dacon. No arquivo digital contendo a memória de cálculo dos montantes informados em Dacon o auditor fiscal buscou identificar, dentre todas as operações de entrada registradas pela contribuinte adotando como critério de identificação o CFOP das respectivas notas e a descrição dos bens aquelas que não se referissem a uma operação de aquisição de insumo, na acepção firmada no item 2 deste voto. Identificadas essas operações, excluiu o montante mensal apurado dos valores informados na linha 02, para cada mês do trimestre. Notese, então, que as notas fiscais cujos valores foram glosados não foram trazidas aos autos pela autoridade fiscal; não teve a necessidade de as solicitar para efetuar as glosas, haja vista ser possível somente a partir dos registros da empresa verificar a improcedência dos créditos correspondentes. Das operações registradas, excluiu: os valores daquelas notas fiscais cujos CFOP e/ou descrição do bem não condiziam com operações de aquisição de insumo. Dentro deste quadro, firmese que, no presente caso, somente restará efetivamente comprovada a operação glosada que a contribuinte tenha trazido, em sede de manifestação de inconformidade, a cópia da respectiva nota fiscal." Posto isto, tanto para serviços quanto para bens utilizados na produção industrial em se tratando de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o direito invocado existe. Neste ponto, acresçase o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.151 37 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF. Vejase: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da Recorrente, no caso em análise de créditos pleiteados. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização e também nesta fase de julgamento no CARF, uma vez que foi solicitado Diligência a fim de elaboração de Laudo Técnico, com o fim de esclarecer dúvida do julgador, e também como complementação probatória. 7 Da Diligência realizada, do laudo técnico e do fluxograma Esclareçase que a Recorrente, quando da intimação para cumprimento da diligência (nos processos de análise dos créditos), juntamente com sua manifestação, fez a juntada dos seguintes documentos: (i) Laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde retrata tecnicamente o processo de produção e diversos insumos; (ii) Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 38 fluxograma do processo produtivo com respectiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma do processo produtivo com ilustrações; e (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos 8 Das GLOSAS realizadas A fiscalização concluiu que o procedimento permitiu a validação dos arquivos com os dados e informações recebidos da empresa BRF Foods, sendo todas as notas fiscais confirmadas e consideradas no cálculo do crédito. Que, dessa forma, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que as mesmas foram glosadas. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes relacionados na Informação Fiscal. Já é praticamente pacificado nesta Turma o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do Imposto de Renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Então, passemos doravante a análise dos itens. 8.1 Bens adquiridos para revenda Informa o Fisco em seu relatório que tratase de Notas Fiscais com valor inferior àquele declarada no DACON. Em relação a este item, a Recorrente alega em seu recurso que (fl. 5.105) "(...) os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosa com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON". Como se vê, em relação à glosa das notas fiscais com valor inferior aquele declarado em Dacon explica que, em verdade, houve um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes dos informados no demonstrativo. Argumenta que, ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon. O valor de R$ 50.412,22, glosado no mês de dezembro, foi justamente o valor informado pela Recorrente no DACON e a diferença do somatório dos itens de notas fiscais informados na memória de cálculo e que foram admitidos como passíveis de gerar créditos a descontar (ver quadros fls. 4.064 e 4.113, da Informação Fiscal dos DD). No entanto, subscrevo abaixo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "Consoante o caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a utilização de créditos na apuração da contribuição devida representa uma faculdade do contribuinte. Só que, em optando o contribuinte em utilizarse de crédito que entende ter direito, lhe cabe o ônus de estar à frente da Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.152 39 atividade probatória do direito alegado, nesse sentido trazendo as informações e esclarecimentos solicitados pelo fisco e as provas hábeis e suficientes a atestar não só a existência dos custos e despesas incluídos na base do crédito apurado, como sua natureza, conforme por ele informado em Dacon, para fins da necessária análise e conferência dos créditos pela autoridade fazendária competente. Dos autos, verificase que a autoridade fiscal competente, solicitou a memória de cálculo dos diversos valores lá informados, conforme as linhas de que dispõe o tal demonstrativo (DACON). A autoridade fiscal, considerando que a memória de cálculo fornecida continha os registros das notas fiscais de todas as operações de entrada incluídas pela contribuinte no cálculo do crédito pleiteado e que estas teriam ocorrido e foram incluídas pela contribuinte no cálculo de seu crédito conforme lá registradas (CFOP e valores), em verificando que os valores declarados em cada linha do demonstrativo não correspondiam aos informados na memória de cálculo: (i) glosou a diferença a maior no Dacon, por considerála resultante da inclusão na base de cálculo de operações não comprovadas, já que decorrentes de notas fiscais não registradas pela empresa; (ii) em sendo os valores do Dacon iguais aos da memória de cálculo, os manteve por aceitálos como verdadeiros, já que registrados; (iii) em sendo menores, manteve os valores do Dacon por presumilos verdadeiros e por ter sido este o valor pedido. Resumindo, a autoridade fiscal reconheceu o crédito em relação à totalização dos itens de notas fiscais registradas na memória de cálculo e admitidos como geradores de crédito em cada linha do Dacon, tendo como limite superior o valor informado na respectiva linha do Dacon, haja vista, à evidência, não poder conceder crédito maior do que foi apurado pelo contribuinte. O procedimento fiscal foi o correto, pois é justamente a memória de cálculo o instrumento através do qual o contribuinte, quando intimado para tanto, deve demonstrar ao Fisco de forma individualizada e precisa todos os valores incluídos na composição do valor que declarou em cada linha do Dacon para fins de análise da pertinência e existência do crédito pretendido, sob pena de não ter reconhecido o crédito, tal como lá declarado. Assim, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, ante o fim colimado com a sua solicitação, tal instrumento vincula o contribuinte perante o fisco. De outro turno, em havendo dúvidas quanto ao crédito, a memória de cálculo, assim como o Dacon e a escrituração contábil da empresa, somente faz prova a favor do contribuinte, quanto à existência do direito que declare, se calcada em documentos fiscais. O Dacon e a memória de cálculo, bem como os registros contábeis da empresa, não consistem de documentos fiscais; tendose como tal aquele que tem como característica que lhe é própria, decorrente de sua oficialidade e obrigatoriedade, a presunção, embora relativa, de veracidade, como ocorre com a nota fiscal. Em verdade, tais documentos, cada um com suas características próprias, consistem de documentos elaborados pelo contribuinte cujos registros e declarações, para os fins e os efeitos que se pretenda perante o fisco, devem estar calcados em documentos fiscais, ou seja, nas notas fiscais representativas das operações que representam. Em última análise, portanto, a comprovação do crédito declarado em Dacon não se dá pela sua simples declaração, assim como a comprovação das operações lançadas na memória de cálculo ou nos registros contábeis não se dá pelo seu simples lançamento. Como visto, a contribuinte, manifestase contra a presente glosa aduzindo que os valores informados na memória de cálculo não representam, como deveriam (a teor do que foi demandado na intimação fiscal), a composição dos valores declarados no Dacon. Ocorre que a contribuinte limitase a alegar, sem, no entanto, minimamente laborar no sentido de comprovar tal alegação. Destarte, não basta o contribuinte vir em sede de Manifestação de Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 40 Inconformidade alegando que, ante a divergência verificada pela fiscalização entre declarações por ela própria prestadas, válida seria aquela declaração que lhe convém, principalmente se esta declaração se referir a direito creditório, cuja comprovação está a seu cargo. Bem, certo é que para comprovar que os valores gerados do crédito são, efetivamente, os declarados no Dacon, cabia à recorrente demonstrar/comprovar, por meio de documentos hábeis e suficientes pata tanto, que estes valores, e não os consignados na memória de cálculo, é que correspondem aos reais montantes de suas operações". Portanto, entendo corretas e devem ser mantidas as glosas deste item. 8.2 Bens Utilizados como Insumo Alega a Recorrente em seu recurso que houve glosas referente a (fl. 5.061): a) aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento de PIS/COFINS, em especial, ovo incubável, suíno vivo de terceiros, suíno vivo de terceiros (integrados), suínos de corte, milho granel, rede nylon ref mortadela bologna; b) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária; c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados; d) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/COFINS, entre eles, defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, pimenta, aroma de galinha, calcário, caulim, sodalita, desinfetante, veneno rodilon, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho, vacinas, lispec, pinto de 01 dia, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suino; e) notas fiscais cujo código de operação não concede crédito (etiqueta, ira fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor,sacc elástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsatérmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo,entre outros); f) o valor do IPI recuperável em processo específico (art. 11 da Lei n. 9.779/99); g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e COFINS. 8.2. a) Das Aquisições de bens pessoas físicas. Alega a Recorrente que a fiscalização glosou os valores das aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos previstos no art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a saber: "aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento de PIS/COFINS, em especial, ovo incubável, suíno vivo de terceiros, suíno vivo de terceiros (integrados), suínos de corte, milho granel, rede nylon ref mortadela bologna." Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.153 41 Argumenta que são legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois, embora o art. 3º , § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 expressamente reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições. Ressaltese que como bem asseverado na decisão recorrida, o crédito negado pelo Fisco (Planilha de fls. 1.238/1.243), não é o mesmo alegado pela Recorrente, qual seja, o crédito presumido da atividade agroindustrial, a ser informado no Dacon na “Linha 06A e 16A/25 que são os Calculados à Alíquota de 0,9900 %”. O crédito em questão é o previsto no art. 3º das mencionadas Leis, onde sobre o montante dos gastos e despesas da empresa elencados em seus incisos há a incidência da alíquota normal da contribuição (1,65% e 7,60%, para o PIS e a Cofins, respectivamente). Em relação a esse crédito, no §2º do mencionado artigo, há a expressa vedação da inclusão dos valores pagos a pessoas físicas. No Dacon, o referido crédito deve ser apurado pelo contribuinte na “Ficha Apuração dos Créditos de PIS/Pasep Aquisições no Mercado Interno Regime Não cumulativo”, cujo resultado aparece na “Linha 06A/15 Créditos a Descontar à Alíquota de 1,65%” e “Linha 16A/15 Créditos a Descontar à Alíquota de 7,60%”. Portanto, à evidência, diante da expressa previsão legal de vedação ao crédito, a autoridade fiscal agiu corretamente ao excluir da base de cálculo do crédito calculado à alíquota normal da contribuição, informados na linha 02 da Ficha 06A e 16A do Dacon, os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas constantes da Planilha fls. 1.238/1.243. Correto, portanto, a glosa efetuado pela fiscalização e deve ser mantida. 8.2. b) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Alega a Recorrente em seu recuros que as "aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária". Conforme a memória de cálculo fornecida pela Recorrente a fiscalização glosou: a) as aquisições de bens cujas descrições não demonstram que o bem se refira a insumo, conforme conceito extraído do art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; e b) os valores das notas fiscais cujo CFOP não se refere a operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Informa no Despacho Decisório que de acordo com o § 9º do mesmo art. 8º, o entendimento acima aplicase também para o PIS/Pasep. Assim, bens como cimento 50 kg e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo. A recorrente, inicialmente, manifestase contra as glosas constante da Planilha de fls. 1.199/1.215, alegando que a autoridade fiscal as teria realizado de forma “genérica”, “exemplificativa” e “sem critério”. Fl. 5173DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 42 No entanto, verificase que o Fisco tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon e também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. Os itens glosados constam do relatório “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às fls. 1.199/1.215 e do relatório “NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.216/1.219. De outro turno, como veremos, a Recorrente não cuidou de identificar todas as operações de aquisição em relação às quais defende o direito e nem juntou as cópias das notas fiscais correspondentes. Salientase que a recorrente contesta as glosas partindo do entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuam, direta ou indiretamente, para a obtenção de receita geram créditos das contribuições. Neste caso, temse que a fiscalização, entendendo que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não se mostram suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou verificando que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, negoulhe o direito pretendido, explicitando claramente sua motivação. Em sua defesa ao crédito, cabe a Recorrente, provar o teor das alegações que contrapôs aos argumentos postos pelo Fisco para não acatar o crédito alegado, não bastando, todavia, apenas alegar possuir o direito, mas devendo comproválo cabalmente, individualizando e provando a ocorrência de cada operação cujo valor foi glosado, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência, o que não ocorreu no presente caso. Como já dito, o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas aqui tratados deve abranger os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Das Glosas pela descrição das operações A recorrente contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais bens “se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela impugnante em sua atividade produtiva”. Nesse sentido informa em seu recurso que (fl. 5.066): "Antes de buscarmos, apesar do evidente cerceamento de defesa e falta de motivação, impugnar um a um, reiteramos todas as ponderações acerca da noção de insumo, uma vez que são bens que se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela recorrente em sua atividade produtiva. Vejamos, por exemplo, os fios de poliéster, utilizamos dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Daí porque é possível se reconhecer desde logo a improcedência da glosa realizada, merecendo reforma a referida decisão. Tais materiais na atividade da recorrente não podem ser desconsiderados como insumos, uma vez que são essenciais e aplicados diretamente na atividade Fl. 5174DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.154 43 produtiva, contribuindo para a elaboração do produto industrializado e a obtenção de receita. Todos estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada. Isto porque, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS n. 326/1997. 8.2. c) Dos Pallets (de madeira) Informa que os PALLET MADEIRA 120X100X14CM DURA PBR PL6; PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO; PALLET MADEIRA 110X90X11CM M.CONT PL3, têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização (exportação), o que possui expressa permissão legal para descontar créditos. Especificamente sobre este item, aduz a Recorrente em seu recurso que (fl. 5.067), "Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização Ora, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA". Quando da sua manifestação em Diligência solicitada nos processos de créditos nºs 16349.000281/200946 e 16349.000273/200908 (fls. 3873/3886 e 4.072/4078, respectivamente), informa que, "(...) Os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerente, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. Conforme PARECER (laudo) do INT às fls. 42 há expressa menção no sentido de que os pallets são utilizados "sempre nas movimentações externas às linhas de produção", sendo que no ambiente interno "são utilizadas para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora". Ademais, principalmente, quanto aos pallets de madeira, ainda possuem a função indispensável dentro do processo produtivo de "transporte para área de estocagem, dentro da unidade produtora, expedição com carregamento em caminhões, viagem até o cliente, descarregamento do caminhão, movimentação interna no cliente...". Afirma que são insumos por participarem do processo produtivo como produto essencial e inerente à atividade econômica da recorrente, inclusive, visando cumprir exigências de higiene e limpeza para a produção de um bem de maior qualidade. Por outro lado, o Fisco, na Informação Fiscal da Diligência (fl. 4.019), informa que "A razão da glosa, à luz da IN SRF 404/2004 é evidente: o 'palete' de madeira é mero equipamento de transporte de produto acabado, que não se incorpora ao produto, não é consumido na sua produção e não é material de embalagem do produto, sendo inclusive boa parcela retornável. O relatório técnico apresentado pela contribuinte informa que, nas linhas de produção são utilizados apenas 'paletes' de fibra de vidro, e nenhum destes foram glosados. Ressaltese que nunca foi questionada a utilidade dos paletes, a todos evidente" (g.n). Fl. 5175DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 44 Quanto ao Relatório Técnico nº 000.903/13, a partir do item 13, localizase a parte relativa a palete, onde é verificado que são utilizados para diversos fins. Informa o seguinte em seu item 15 (fls. 3.886/4.014 e 3.955/4.051 dos PAF de créditos): (...) No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibradevidro [sic]. Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibradevidro [sic]. (...) (destaquei) Pois bem. Não resta dúvidas que tais materiais (pallets) objetivam também garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia as normas da ANVISA. Na planilha de funcionalidades apresentado quando da diligência (fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078, dos processos de créditos), consta que ficam no setor de palletização e "utilizado para paletizar as caixas produtos como embalagem secundária protegendo os insumos e materiais do contato direto com o solo". Portanto, segundo a descrição oferecida pela recorrente, concluise de imediato não se tratar de material de embalagem, já que o item não acompanha o produto acabado. A tomada de créditos, nestas condições, dependeria do critério adotado pelo próprio contribuinte para a contabilização do bem. Se a aquisição dos pallets for lançada à conta de despesa operacional, em função do seu valor unitário e de sua vida útil, entendo admissível o creditamento do gasto como insumo. No entanto, tratandose de bem de ativação obrigatória, como parece ser (observo que, entre os serviços contratados pelo contribuinte, há o de manutenção de pallets, o que induz à conclusão nesse sentido), o creditamento só seria possível como despesa de depreciação. O deslinde da controvérsia portanto leva em conta o sistema de distribuição do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tratandose de pedido de ressarcimento, como é o caso, a iniciativa é do contribuinte, e sobretudo, de insistência recursal de que o item seja considerado como insumo (e que os bens não foram ativados), a ele incumbe a prova de que deu a tal gasto a natureza de despesa operacional. A prova requerida, no entanto, não se encontra nos autos. Fl. 5176DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.155 45 Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas dos pallets. 8.2. d) Das "Big Bags" Em sua manifestação quando da Diligência (processo de créditos nºs 16349.000281/200946 e 16349.000273/200908, às fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078, respectivamente, argumenta que "(...) Podemos, ademais, identificar entre os insumos utilizados no processo produtivo pela requerente as embalagens em geral e itens afins, especialmente, fio de poliéster, bolsa termina PVC, sacola big bag, caixa de proteção, fita sanitária, nylon, malha de algodão". Afirma que tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de comercialização, sendo essenciais e inerentes à especifica atividade econômica da recorrente com o fim de gerar receita. São hipóteses de embalagens ou produtos afins incorporados ao processo produtivo. Por isso, diante da noção ampla de insumo, vinculação direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela requerente, é possível reconhecer o direito ao crédito. Por outro lado, informa o Fisco quando da diligência que " (...) Quanto aos “big bags”, conforme verificado nos itens 32 e 33 do mesmo Relatório Técnico (folha 3.941), servem para “transportar o subproduto formado para a fábrica de ração, para armazenamento dos materiais granelizados e para transportar a ração da sua fábrica até aos produtores de aves que não possuem silo.” Da mesma forma, não são incorporados ao produto, não são consumidos na produção e não são materiais de embalagem. Da mesma forma, nunca foi questionada a utilidade dos “big bags” (...). Como se vê, não há como atestar que os "big bags" tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo, sem que o interessado faça descrição pormenorizada de como se dá essa utilização, ônus que lhe cabe e não o fez no momento apropriado (quando da diligência, conforme visto na Informação Fiscal), de acordo com o sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal. Assim por ausência de prova da pertinência e da essencialidade das "big bags" no custo de produção, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. 8.2. e) Da Gasolina, solventes e do gás A Recorrente formula que também houve glosa de combustível, em específico, a gasolina e solventes. E que o combustível é empregado no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. No curso da diligência informou nos processos de créditos nºs 16349.000281/200946 e 16349.000273/200908, às fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078, respectivamente, que "(...) Temos, ainda, os combustíveis (gasolina, solvente, etc), inclusive, gás glosados, além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado". Fl. 5177DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 46 A princípio não me parece razoável afirmar que as máquinas e equipamentos utilizados pela empresa (empilhadeiras, etc), se utilizam de gasolina e solventes para movimentar suas operações. Quanto a gasolina, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da diligência (fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078, dos processo de créditos), informa que seria utilizado nos veículos da empresa. Percebese que essas aquisições são pouco frequentes, o que, além da descrição da operação, denotam que o combustível não é próprio para utilização em máquinas e equipamentos do parque fabril, única hipótese em que aquisições de combustíveis geram crédito, a teor da legislação de regência. É certo que o combustível utilizado no manuseio de empilhadeiras, por exemplo, seria o óleo diesel. Quanto aos solventes, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da diligência (fls. 4.035/4.041, do processo de crédito), os mesmos ficam localizados no setor embalagens inicial e sala de cortes e são utilizados nas datadoras de embalagens (os solventes são aplicados em impressoras), não ficando comprovado que seria custo de produção e sim controle de produtos acabados. Sobre aquisição do gás, nada foi manifestado. Desta forma mantenhase as glosas sobre gasolina, solventes e gás. 8.2. f) Material de embalagem e outros itens especificados Quanto ao material de embalagem, este também está dentre os que poderiam ser considerados insumo no âmbito da legislação da contribuição ao PIS e da Cofins. Como se vê, das descrições dos bens adquiridos não é possível afirmar que consistam de insumos, ou seja, de embalagens que podem ser atribuídos como custo de produção. De outro turno, os esclarecimentos trazidos pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade é que as embalagens apontadas, notadamente os "bolsa térmica e caixas de proteção", consistem de embalagem somente utilizada depois de concluído o processo produtivo do bem, utilizadas no armazenamento e/ou transporte dos produtos acabados. Como visto a própria interessada afirma que “... tais produtos têm por finalidade a armazenagem de matérias primas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização...”, por conta disso, alternativamente, reclama que o crédito há de ser mantido pela “aplicação do art. 3º inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria”. Já em sede de diligência, manifesta complementando que (fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078, processos créditos do PIS e da COFINS): "(...) tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de comercialização, sendo essenciais e inerentes à especifica atividade econômica da recorrente com o fim de gerar receita. São hipóteses de embalagens ou produtos afins incorporados ao processo produtivo. Um primeiro ponto diz respeito ao fato de que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como de fios de nylon, fio de poliéster, fita sanitária, o que nos deixa evidente a legitimidade do crédito. Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.156 47 Por hipótese, caso assim não se entenda e se sustente que tais itens não incorporam ao produto final, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito. Isto porque, as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade.Tratase de um material que acompanha o produto a ser comercializado e é inerente e essencial na atividade econômica, principalmente, quando se trata da produção e venda de alimentos. Ora, além da embalagem de apresentação, também deve ser reconhecido o crédito para aquelas que têm por função armazenar a matériaprima ou o produto acabado. Tais determinações da ANVISA demonstram claramente que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Isto porque, as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. Daí porque se tem embalagem sem acabamento ou mesmo aquelas que acondicionam uma quantidade maior de produtos do que o comercializado normalmente. Elas possuem objetivo diverso no ciclo de produção e comercialização, porém, também relevante e inerente à atividade econômica da recorrente, já que garantem que desde o insumo até o produto industrializado finalizado chegue apto ao consumo humano e sem qualquer avaria". Em seu recurso afirma que “fita sanitária, luvas, etc... são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações”. Do arquivo de glosas, identificouse algumas operações que possivelmente tenham relação com esses bens itens com descrições do tipo: "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção e fita sanitária". Neste sentido, existe evidência de que esses bens são utilizados na atividade de “industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral”, ou seja, produção de bem destinado à venda. Portanto, correto o entendimento da Recorrente de que tais bens consistem de insumo e gera direito a crédito. Desta feita, há que se reverter as glosas contestadas para os seguintes produtos "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de produtos fabricados. 8.2. g) Indumentárias (malha algodão e camisa Vemag) Em sua manifestação da diligência, aduz a Recorrente que também identificou as indumentárias, que não são consideradas meros uniformes, mas peças utilizadas dentro do processo produtivo, segundo determinação de órgãos regulatórios. Neste sentido, malha algodão, camisa vemag, entre outros. Isto porque, mais do que equipamentos de segurança para os empregados, por força de lei (o que já seria suficiente para legitimar o crédito), em verdade, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997). Na informação Fiscal (fl. 4.015/4.026 e 4.057/4.063, dos processos de créditos PIS e da Cofins) a fiscalização informa que: "(...) Ressaltese que não foi glosado Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 48 item de indumentária. CAMISA VEMAG 920350150 PET GL, presente na listagem de glosas, figura na TIPI na posição 8438.90.00, conforme informação da própria contribuinte, que se refere a “Máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais.”, sendo o subitem 90.00 destinado a partes. E a malha de algodão glosada não parecia enquadrarse nas atividades da empresa. Salientese que a malha em tela tem a largura de sete centímetros, conforme descrito na listagem de itens glosados, não sendo usual seu uso em confecções. Por outro lado, há também glosada um tipo de malha de algodão com poliéster. Pode ter sido a esta que a contribuinte fez referência. Se de fato foi utilizada para confecção de indumentária, ainda assim não pode ser considerada insumo, pois não teria qualquer relação com a produção em si. Portanto, conforme informado pelo Fisco, e pode ser verificado pela Planilha de relação das glosas às fl. 1.199/1.190, a indumentária não foram objeto de glosa. O bem denominado Camisa Vemag PET GL, tratase de Máquinas e aparelhos, como pode ser visto pela classificação fiscal. Já as informações trazidas pela Recorrente quando da diligência, a cerca deste itens, carecem de provas de suas alegações, o que não foi juntado nos autos. Portanto, há que se manter as glosas destes itens. 8.2. h) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas Em sua manifestação de Diligência (processos de créditos nºs 16349.000281/200946 e 16349.000273/200908, às fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078), argumenta que "(...) consta da relação de bens glosados diversos peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas utilizadas totalmente dentro do processo produtivo, amplamente descrito por dois fluxogramas juntados, tais como cabo, caracol do eixo, flange, válvula, foto célula, cilindro, corrente de roleie, carter de óleo, mancal, bloqueador de válvula, rolamento, engrenagem, motor 90KW, caracol, correia sanitária. Afirma que são peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo, conforme notas fiscais de aquisição. Efetuado uma análise do Laudo Técnico juntado aos autos deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente (peças de reposição de máquinas e equipamentos), especialmente, diante de sua atividade de produção e plantas industriais juntadas (fls. 3.955/4.051). É possível também chegar a esta conclusão, verificando a Planilha de funcionalidades por cada item glosado, juntada aos autos quando da diligência, fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078, dos processos de créditos. Pelos motivos expostos acima e conforme entendimentos mantidos por este CARF, concluise que é possível reconhecer a legitimidade do crédito de peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215, uma vez que os mesmos se enquadra, neste caso, como custo de produção. Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.157 49 8.2. i) Notas fiscais CFOP que não representa aquisição e nem operação com direito a crédito Aduz a recorrente que, "da noção de insumo, a fiscalização de forma genérica englobou sem critério diversos bens que não dariam direito ao credito diante do CFOP, em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros. Desde logo, é possível perceber que se faz uma junção de itens que deveriam estar segregados para se justificar de modo adequado a glosa. Isto, entretanto, não ocorreu, o que prejudica o direito à defesa. Sem embargo disso, já ressaltamos que pela noção de insumo exposta no início da defesa, não resta dúvida da legitimidade dos créditos". O Fisco verificou, a partir das informações prestadas pela própria Recorrente, que esta inseriu na base de cálculo do crédito valores indevidos em razão de as operações demonstradas, tendo em conta os CFOP das notas fiscais registradas; ou seja, a fiscalização glosou as notas fiscais cujos CFOP não condizem com uma operação de aquisição de insumo, no caso, os códigos: 1.101, 2.101 Compra para industrialização ou produção rural e 1.653, 2.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. As entradas dos produtos mencionados pela recorrente foram por ela registradas com os CFOP: 1.556, 2.556, 3.556 e 1.407 Compra de material para uso ou consumo; 1.925 Retorno de mercadoria remetida para industrialização; 2.303 Aquisição de serviço de comunicação por estabelecimento comercial. Observese, ainda, que para alguns produtos tais como botão, chave, lixa, tomada não há registros de entradas glosadas na listagem da autoridade fiscal. Quando da Diligência, desta forma se manifestou a Recorrente (processos de créditos nºs 16349.000281/200946 e 16349.000273/200908, às fls. 3.873/3.886 e 4.072/4.078), "(...) Por fim, quanto aos bens glosados, podemos ainda identificar diversos itens que estão totalmente relacionados ao processo produtivo da requerente, notadamente, malha algodão, tesoura, proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor de luz, lâmina bisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta de sêmen, camisa vemag. Todos os itens acima descritos são utilizados diretamente no parque fabril durante ao processo produtivo da requerente. Neste sentido, a "proteção de chaira" diz respeito ao item ligado ao amolador de facas. Temos ainda dentro deste mesmo ponto de vista a tesoura, o bisturi, a colher. São itens utilizados dentro do processo produtivo para limpeza, desossa e demais procedimentos no tocante à manipulação do principal insumo da requerente, qual seja, animais (aves, suínos, em especial). Convém frisar que o local onde se realiza todo o processo produtivo há de ser refrigerado, por imposição regulatória, sendo fundamental a manutenção da temperatura, dai a razão de se considerar insumo o sensor de temperatura, sensor de luz, módulo analógico". Pois bem. Verificase que dentro dos itens glosados (conforme consta da Planilha de fls. 1.216/1.219), como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, anel de pressão, bucha, parafuso, tesoura, proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 50 de luz, lâminabisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta de sêmen, pelas suas características são insumos, uma vez que tratamse de equipamentos, ferramentas e materiais utilizados na atividade produtiva ou em máquinas com esta destinação. Entendo que a simples descrição dos produtos e materiais glosados já nos permite reconhecer a sua utilidade, inerência e relevância dentro processo produtivo de industrialização da Recorrente. Como bem explicado em seu recurso, destacase por exemplo, a faca, que foi objeto de glosa. Informa que tratase de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes, descartar partes da matériaprima a ser inutilizada, entre outras funções. Significa dizer, assim, que é um equipamento inerente e essencial no próprio processo de fabricação dos alimentos pela recorrente. No mesmo caminho podemos ainda ressaltar a glosa do termostato e o sensor de temperatura, que estão diretamente vinculados à atividade produtiva e industrial da recorrente, eis que, como foi ressaltado durante a defesa, estamos diante de produtos alimentícios com rígido controle de higiene e padrões de qualidade, inclusive, de TEMPERATURA. Ressalta ainda ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem vinculados à atividade econômica e produtiva, caracterizando como insumo. Contesta, ainda, a glosa de outros bens, como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns desses itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade, tratandose de um material que acompanha o produto a ser comercializado. Neste caso, tendo em conta que a hipótese de crédito de aqui se trata é a decorrente de aquisição de bens utilizados como insumo e considerando os vários tipos de materiais mencionados pela interessada, digase no meu entender, "quase" todos geram créditos, uma vez que efetivamente respondam pela fabricação de bens ou produtos destinados à venda (desde que não façam parte do ativo imobilizado). Desta feita, analisandose a relação de glosas às fls. 1.216/1.219, considerandose os argumentos da empresa e com base nos documentos e informações juntados aos autos (laudo técnico e funcionalidades), verificase o direito ao crédito dos insumos adquiridos, conforme notas fiscais relacionadas, sendo que há que se reverter as glosas contestadas para os ítens constantes na referida planilha, exceto, para o seguintes bens constante da relação: cliche impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, (estes últimos tratados em tópico anterior). Quanto a esses bens excluídos, não foi possível comprovar sua efetiva utilização no processo industrial da empresa (como custo de produção). 8.2. j) Cimentos Alega em seu recurso que "Assim, bens como cimento 50 kg e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo". Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.158 51 Quanto ao item CIMENTO 50KG, como bem asseverado pela fiscalização, não há como entender seu uso em atividade de produção, senão para ser utilizado em reparos ou construção de imóveis. Portanto, há que ser mantido a glosa. 9 Dos SERVIÇOS Utilizados como Insumos 9.1 Diversos Serviços glosados como Insumos Aduz em seu recurso que embora tenha impugnado sob a noção de insumo no sistema nãocumulativo de PIS e COFINS diversos bens, efetua de forma mais breve e já fazendo remissão a todos os fundamentos ventilados até o momento, defesa quanto à glosa de diversos serviços que não foram acolhidos como insumo (item 4.3.3 do despacho decisório "a", "b" e "c"). Conforme informado pela Recorrente, dos montantes informados a título de serviços utilizados como insumo a fiscalização glosou: a) as aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento do PIS/COFINS; b) aquisições de serviços que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos dos seguintes serviços: MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros. c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa; d) os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços. Os itens glosados constam da Planilha “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às folhas 1.199 a 1.215 e da Planilha “NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.216 a 1.219. Quanto aos itens “a”, “c” e “d” relacionado acima (tópico 4.3.3 da Informação fiscal), a recorrente remete aos argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas. No entanto, informa que "(...) Daremos ênfase, todavia, o item "b" que cuida de diversos serviços glosados, entre eles MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM, LIMPEZA, RECUPERAÇÃO FRIO, CARREGAMENTO DE AVES PARA VENDA, T IPALETIZAÇÃO, DESPACHANTE ADUANEIRO, INSPEÇÃO SANITÁRIA, ANÁLISE DA ÁGUA, ENTRE OUTROS. "(...) Tais crédito são legítimos em virtude de as prestações de serviços realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e contribuintes de PIS/COFINS serem totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da recorrente. Por exemplo, entre os serviços prestados está a limpeza e inspeção sanitária. Na atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e inerentes ao seu processo produtivo com a finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação." Em relação aos serviços, os mesmos são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores dos serviços prestados por pessoa jurídica, os aplicados na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda, assim considerados somente aqueles serviços que, por serem aplicados na cadeia produtiva da Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 52 empresa, concorrem como custos no processo de transformação dos insumos e produtos intermediários em produto pronto e acabado para venda. Ocorre porém que, da listagem “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às folhas 1.199 a 1.215, para linha 03 do Dacon, tendo em conta a descrição das operações, conforme bem asseverado pela decisão recorrido, verificase que a maior parte dos serviços claramente não consistem de insumo e em relação à outra parte dos serviços não há como afirmar que sejam insumo, pois somente pelas descrições não é possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da empresa. As operações registradas têm consignadas as descrições: SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM SEM CONTRATO, SERVIÇO RECARGA CARTUCHO IMPRESSORA, SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO SAÍDA (a maioria das operações), SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, ALUGUEL VEICULO CARGA, SERVIÇO MÃO DE OBRA, SERVIÇO VIGILÂNCIA, SERVIÇO MONITORAMENTO, PESAGEM CAMINHÃO, SERVIÇO INSPEÇÃO SANITÁRIA, SERVIÇO RECUPERAÇÃO FRIO, SERVIÇO REFORMA PALLETS, SERVIÇO TREINAMENTO, SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, SERVIÇO CAMINHÃO MUNCK, SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET, OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO DE CARREGAMENTO DE AVES P/ VENDA, SERVIÇO DE REPALETIZAÇAO (TROCA PALLET), SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS, SERVIÇO DESPACHANTE ADUANEIRO, SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM, SERVIÇO ANALISE D'ÁGUA e OUTROS. Em sua manifestação quando da diligência nos processos de créditos (PIS e Cofins), a recorrente informa e reafirma que "(...) De outra parte, temos ainda serviços que com clareza meridiana são considerados insumos: serviço portuário, serviço de movimentação de carga saída, serviço de monitoramento, serviço de inspeção sanitária, serviço de vigilância, serviço de limpeza de instalações, aluguel de veiculo de carga, serviço de pesagem, serviço de armazenagem, reparo alojamento, serviço de recuperação de frigorífico, serviço de estrech, serviço de lavagem de uniformes (indumentárias). Apresenta algumas definições, conforme o fluxograma e Laudo técnico, bem como atividade da requerente, os seguintes serviços glosados pela Fiscalização: (i) serviço técnico: são aqueles prestados em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por exemplo, o serviço de monitoramento, serviço de recuperação de frigorífico; (ii) serviços de limpeza, lavagem dos uniformes indumentárias), inspeção sanitária: do mesmo modo que as indumentárias, tratase de procedimento obrigatório segundo regulamentação do setor a completa limpeza e higienização do local e também dos uniformes (indumentárias), estando totalmente vinculadas ao processo produtivo da atividade de frigorífico e do setor alimentício, conforme laudos, documentos, normativas e jurisprudência do CARF. Do mesmo modo o serviço de inspeção sanitária; (iii) serviço de movimentação de carga: conforme fluxograma e laudos tais serviços ocorrem durante todo o processo produtivo mediante carga e descarga de insumos (frango, outras matériasprimas), durante a industrialização, bem como no momento da venda das mercadorias elaboradas; Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.159 53 (iv) expedição e armazenagem: o processo produtivo é extremamente amplo e complexo, de tal maneira que há armazenagem de matériasprimas, como o caso de cereais, utilizados na elaboração de seus produtos. Além disso, produtos acabados cuja armazenagem se dá venda, sobretudo, nas operações de exportação. A Fiscalização em sua Informação Fiscal quando da diligência (fls. 4.015/4.016 e 4.058/4.059), informa que "(...) Quanto aos Serviços Utilizados Como Insumos – Ficha 06A – Linha 03, foi glosado o aluguel de veículos porque a Lei 10.637/2002, art. 3º, inciso IV, estabelece que podem ser descontados créditos sobre “IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, o que não inclui veículos. Por evidente, os serviços SERVIÇO ANIMAÇÃO/SONORIZAÇÃO, SERVIÇO ANUNCIO, SERVIÇO PROPAGANDA, SERVIÇO DESPACHANTE ADUANEIRO, SERVIÇO PORTUÁRIO, não são realizados nas unidades da empresa com fins de produção. Nada se pode afirmar a respeito de OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO, SERVIÇO MÃODEOBRA, SERVIÇO MONITORAMENTO, SERVIÇO RECARGA CARTUCHO IMPRESSORA, SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS. Todos os demais serviços são realizados nas unidades da empresa ou têm relação com as atividades da empresa. Nenhum dos serviços glosados, entretanto, atende às condições definidas na IN SRF 404/2004, art. 8º, §4º, inc. I, alínea b: “b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. (destaquei) A informação abaixo consta do relatório "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos", de folhas 1.199/1.215, tendo sido apenas reordenada e totalizada pela descrição do produto. A contribuinte foi intimada a, “com relação a cada bem ou serviço citado abaixo, esclarecer a participação de cada um no processo produtivo da empresa, identificando a etapa onde é utilizado e para que finalidade” e não atendeu a este item. Afirma que entre os serviços descritos, temos ainda: Serviço de pesagem, o qual é utilizado no processo produtivo para pesagem da matériaprima. Serviço de strech, também utilizado durante o processo produtivo para embalar os produtos a serem vendidos, especialmente, no caso de exportação. Serviço portuário, de fundamental importância nas operações de exportação de seus produtos, intimamente ligado ao serviço de armazenagem10. Reparo de alojamento, cujo crédito há de ser concedido conforme art. 3o, inciso VI, das Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Aluguel de veiculo de carga, considerado um insumo por transportar matériaprima e também os produtos elaborados. Dos montantes informados na linha 3 da ficha 6A do Dacon como gastos com serviços utilizados como insumos, glosaramse os que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º , inc. I, alínea "b" da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. A recorrente reclama das glosas, em seu recurso retoma a defesa do critério da inerência e essencialidade dos itens para a sua atividade produtiva. Acrescenta que todos os bens e serviços adquiridos que tenham como finalidade a higiene, limpeza e desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação dos órgãos públicos de controle, devem ser considerados como insumo. Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 54 Analisandose o laudo técnico e levandose em consideração os argumentos da Recorrente, especificamente quanto aos serviços prestados de limpeza de instalações e inspeção sanitária, entendo que pela atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e inerentes ao seu processo produtivo com a finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação e há de se ter em mente que a recorrente é fabricante de gêneros alimentícios, sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições ambientais das atividades, se não atendidas, implicam na própria impossibilidade da produção. Nesse contexto, entendo que há perfeito enquadramento na definição de insumos aqui esposada. A assepsia ambiental é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. De ver que, não houvessem os serviços de limpeza e inspeção sanitárias, haveria a possibilidade de interdição do estabelecimento produtivo. No mesmo sentido entendo que o serviço de análise de água, que como já exposto, a recorrente por ser fabricante de alimentos destinados ao consumo humano, segue rígidos controles de higiene e boas práticas de fabricação, inclusive por determinação legal, sendo o controle de seus insumos algo obrigatório. No caso da água, ela participa em diversos momentos do processo produtivo, desde a limpeza dos insumos, a fabricação e a limpeza do próprio parque fabril. Assim, impõese considerar a abrangência ao termo "insumo" para contemplar, no creditamento, desses serviços (limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água), devidamente comprovado nos autos, mediante notas fiscais de prestação de serviços específicas. Quanto aos demais serviços relacionados e glosados, defende a legitimidade do crédito com base na sua relevância à atividade empresarial/industrial, nada mais. Novamente, rechaço a acusação recursal. Como já dito, a fiscalização não se furtou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, e também as relacionou, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado, no demonstrativo "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”. Como se vê, não há como atestar que estes serviços tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo, sem que o interessado faça descrição pormenorizada de como se dá essa utilização, ônus que lhe cabe e não o fez no momento apropriado (quando da diligência, conforme visto na Informação Fiscal), de acordo com o sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal. No entanto, concluindo, entendo que deve ser revertido apenas as glosas dos serviços de limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Os demais serviços glosados neste tópico, por falta de prova da pertinência e da essencialidade do serviço, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. 9.2 Pagamentos de fretes A fiscalização também desconsiderou o frete na transferência entre estabelecimentos sob alegação de serem "produtos acabados", com base em presunção vinculada ao fato de que a transferência se deu entre estabelecimentos da recorrente. Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.160 55 Segundo a Informação Fiscal, dos valores informados a título de “Bens utilizados como Insumo”, a fiscalização glosou as despesas com os serviços de fretes constantes da memória de cálculo sob a denominação "SERVIÇO FRETE E CARRETO", que correspondem a serviços contratados para transferências de produtos acabados entre filiais e valores escriturados em contas que refletem despesas com vendas: na conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf. Prod. Acabados (UP p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf. Prod. Acabados (Entre Filiais)". Informa que cada um dos conhecimentos de transporte glosados está especificado na listagem “NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados” juntado às fls. 1.244/1.470 Alega a Recorrente ser improcedente essas glosas, pois a fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. A expressão "produto acabado" como utilizada pelo Fisco é equivocada e não leva em consideração o contexto peculiar da atividade da recorrente. Afirma que todas as transferências, desde o ingresso da matériaprima básica (por exemplo, grãos) até o produto industrializado acabado e com destino ao consumidor (frete por meio de veículos específicos segundo regras da ANVISA) decorrem de uma participação ativa no processo produtivo, sendo essenciais e inerentes a sua atividade econômica, a fim de permitir que, deveras, possa a recorrente comercializar seu produto industrializado (qualidade e condições de consumo para o adquirente). Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo de alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue: 1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4. há industrialização com emprego de tais matérias primas; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. Destaca ainda que "(...) Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção". "Daí porque se pode afirmar, peremptoriamente, que há processo produtivo, desde o recebimento da primeira e mais rudimentar matériaprima (ex: sorgo) até o recebimento pelo destinatário; final em condições aptas ao consumo humano (supermercado)". Citando a Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984, conclui que o processo produtivo da recorrente não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Como analisado na decisão a quo, para que bem se analise a questão posta, importa que se tenha em conta, antes de tudo, a evolução legal relativa ao creditamento de valores relativos a serviços de fretes pagos pela pessoa jurídica, contribuinte no regime não cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 56 A Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa PIS/Pasep, já estabelecia, por meio de seu art. 3º, os valores que poderiam integrar a base de cálculo do crédito passível de utilização pelo contribuinte da contribuição, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo. As disposições de tal artigo foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865, de 2004, contudo, não houve qualquer modificação no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos serviços utilizados como insumo. Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, na operação de venda, caso o ônus seja suportado pela própria empresa vendedora. Conforme estabelece o inciso IX do art. 3º desta lei. Já o art. 15 da citada Lei no 10.833/2003, tratou de estender o comando previsto no inciso IX às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004 (a teor do art. 93, I, da mesma lei). Vêse, então, que, em se tratando de serviço de frete, a legislação permite o creditamento, desde que tomados de pessoas jurídicas, nas seguintes hipóteses: 1 no caso de se entender que o serviço seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002); e 2 no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX do artigo 3º c/c com artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Observese que há, ainda, uma terceira hipótese de creditamento de custos com serviços de frete possível, além das expressamente previstas na legislação acima colocadas. Esta se verifica quando o custo do serviço de frete, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo base a ser informada na linha 01 ou na linha 02, conforme o caso. Esclareçase que a glosa de que aqui se trata referese a valores que compõem a base de cálculo informada na linha 2 do Dacon, linha própria para informar as despesas com aquisição de insumos, ou seja, a terceira das hipóteses acima postas. Razão pela qual a análise deve ser se os valores glosados referemse a custos, vinculados a aquisições de insumos. Inicialmente, não procede o argumento de que a fiscalização teria ignorado alguns dos fretes praticados durante o processo produtivo. Como visto, o Fisco glosou as despesas escrituradas pela interessada em contas próprias para registro de despesas com vendas na conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf.Prod.Acabados (UP p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)". Razão pela qual não podem ser aceitas como despesas vinculadas a operações de aquisição de insumo. A recorrente, por seu turno, em seu recurso, claramente trabalha no sentido de defender que as despesas glosadas dão direito a crédito a título “serviços utilizados como insumo”, despesa que deve ser informada na linha 03 das fichas 06A e 16A do Dacon. Argumenta que “o processo produtivo da Recorrente não termina no frigorífico, mas quando o Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.161 57 produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final” pelo que os fretes que menciona “participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Em análise à contestação, verificase que não procede a alegação de que a fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. Como pode ser visto, as próprias descrições das mencionadas contas contábeis, evidenciam a natureza das operações lá escrituradas. Por óbvio que não caberia a autoridade fiscal comprovar que as despesas escrituradas pela empresa como despesas de vendas de fato consistem deste tipo de operação. Ademais, em se tratando de direito de crédito que a contribuinte pretende ter reconhecido, caberia a ela, isto sim, a prova de que os valores registrados como despesas com vendas consistem, como declarado em Dacon, de despesas de transportes vinculados a operações de aquisições de insumo. Quando da diligência, nada mais foi acrescentado sobre os fretes. Assim, restou claro nos autos que os valores dos fretes glosados de fato não se referem a fretes vinculados a operações de aquisição de insumo e, correta, portanto, a exclusão destes valores dos montantes mensais informados na linha 02 do Dacon (relacionados às fls. 1.244/1.470), própria para informar as despesas com aquisição de insumos. 10 Vedação a geração de créditos aquisições de bens ou serviços alíquota zero Informa em seu recurso ainda, a glosa de diversos produtos sob alegação de não serem tributados (item 4.3.2, "d"), em especial (fl. 5.074), "(...) defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, aroma de galinha, calcário, caulim, sodalita, desinfetante, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho, vacinas, lispec, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suíno", havendo improcedência na glosa de referidos créditos. O Fisco glosou as aquisições desses bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Listou no relatório “Glosadas Alíquota zero”, às fls. 1.220/1.237, todos os itens glosados, indicando o dispositivo legal correspondente que reduziu a alíquota; na primeira folha, traz um quadro onde indica as legendas para os motivos das glosas. Este argumento não merece ser acolhido haja vista que a alíquota incidente sobre tais produtos ter sido reduzida à zero, não pelo dispositivo alegado pela interessada, mas por força do inciso III, do art. 28, da Lei nº 10.865/04, que determina que: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de (...): III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI” e (...). Em análise aos mencionados capítulos, verificase que os mencionados bens, e os demais que foram glosados pelo mesmo motivo (identificados na Informação Fiscal pela legenda CAP78), se enquadram aos tipos de bens lá previstos. Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 58 A recorrente, alega ainda que, “em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 01 dia, entre outros)” que se enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, há que ser mantido o crédito presumido, pelo que “impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Como bem concluído pela decisão recorrida, também não procede esse argumento de defesa. Destarte, a Lei nº 10.925/2004 revogou os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, que tratavam do crédito presumido possível para as pessoas jurídicas que produziam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos NCM lá indicados, passando este tipo de crédito a ser regrado, a partir de então, pelo art. 8º desta lei. Todavia, o inciso II do §2º do art. 3º, das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2003, que vedam a geração de créditos das contribuições em relação a aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, permaneceram plenamente vigentes e igualmente aplicáveis ao crédito presumido, não havendo qualquer conflito nos regramentos postos pelas mencionadas leis em relação a esta matéria. E é por conta dessa vedação expressa em lei que também é improcedente o argumento de que é totalmente viável a manutenção do crédito em relação a produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, entre outros”. Esses produtos, por se tratarem de bens sujeitos a alíquota zero, não houve tributação em sua aquisição, pelo que não há o alegado direito a crédito. Quanto ao argumento de que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório, não cabe aqui qualquer manifestação, pois, como visto, a vedação está prevista em lei, sendo este CARF incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Desta forma, improcedentes os argumentos de defesa, mantémse a glosa, dos insumos constantes da planilha às fls. 1.220/1.237. 11 Notas fiscais aquisições de pessoas jurídicas com suspensão obrigatória de PIS Argumenta em seu recurso que no despacho decisório (item 4.3.2 "g") rejeita o crédito integral (ordinário 7.6% no caso da COFINS e 1,65% na hipótese de PIS), em relação às aquisições) de pessoas jurídicas que venderam insumos com tributação (9,65%) à recorrente, sob alegação de nos meses de outubro a dezembro de 2006, a aplicação da suspensão seria obrigatória. O primeiro ponto decorre da circunstância de que o crédito integral há de ser mantido uma vez que a aquisição ocorreu mediante tributação de 9,25% (COFINS + PIS). Portanto, se houve aquisição sem a suspensão de pessoa jurídica de insumo, aplicase o art. 3° da Lei nº 10.833/2003 e 10.637/2002, implicando na legitimidade do crédito em tais operações. Fl. 5190DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.162 59 Isto porque, a Lei nº 10.925/2005 somente cabe aplicação, nas condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e COFINS. Se não ocorreu venda com suspensão, aplicase a regra geral, ou seja, as Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, que permite nesta hipótese o crédito ordinário integral. Pois bem. Da base de cálculo do crédito básico (art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002), a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de insumos, no caso, de milho (NCM 1005.90.10) e de soja a granel (NCM 1201.00.90), que representam aquisições de pessoas jurídicas que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. Acrescenta: que, à época de suas ocorrências, as aquisições de tais produtos por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004; a Perdigão Agroindustrial S/A preenche todos os requisitos elencados no art 4º da IN SRF 660/2006, configurando, então, a hipótese para qual a mencionada lei, artigos 8º e 9º, determina que não há incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Informa, ainda, que cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “NF Glosadas Aquisicao PJ Suspensão obrigatória”, às fls. 3.444 a 3.536, do processo. Destarte, o artigo 8º da Lei 10.925/2004 passou a tratar do crédito calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003 – , especificamente para o caso de estes serem adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Tal dispositivo passou a permitir que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos que indica, deduzam, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado pela aplicação de uma alíquota diferenciada ao montante das aquisições dos insumos adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Desta feita, para este tipo de insumo, não se aplica o crédito calculado nos termos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, mas o crédito calculado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. A impugnante não nega tal fato, mas defende o crédito argumentando que a suspensão de PIS e Cofins, à época dos fatos, a teor da IN 660/2006, era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração) e que, se as aquisições ocorreram mediante tributação, há direito ao crédito pelas alíquotas ordinárias, previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002: Vejase (fl. 5.085): "A mais disso, até o advento da IN RFB nº 977, de 2009, as vendas com suspensão NÃO ERAM OBRIGATÓRIAS, o que se pode concluir da interpretação da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada por aquela quanto ao art. 4°". Pois bem. À presente matéria foi muito bem analisada pela decisão a quo, que adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a recorrente não apresentou qualquer defesa em face deles, apenas repisando os argumentos da manifestação. "À presente matéria, além do artigo 8º, importa o art. 9º da Lei 10.925/2004. Através deste, a lei suspendeu a incidência de PIS e Cofins nas vendas de produtos in natura de origem vegetal, Fl. 5191DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 60 e de insumos para a produção de mercadorias mencionadas no caput do art 8º, conforme descrito acima, desde que as vendas fossem feitas pelas pessoas jurídicas e cooperativas mencionadas e destinadas a pessoas tributadas pelo lucro real: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (grifo nosso) Notese que, nos casos em que o adquirente tiver direito à apropriação do crédito presumido de que se trata, a aplicação da suspensão da incidência por parte do vendedor dos insumos é regra e não exceção, portanto tem cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabelece marco imperativo, ao dispor que: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. Esses dispositivos foram regulamentados, inicialmente, na IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, depois revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, com as alterações da IN SRF nº 977, de 14 de dezembro de 2009. Do texto da IN SRF nº 660/2006, anterior às alterações introduzidas pela IN SRF nº 977/2009, é oportuno transcrever os seguintes trechos, que disciplinaram a situação sob análise: Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...]IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. Fl. 5192DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.163 61 §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...]III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...]II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e II I utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos Fl. 5193DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 62 agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...]Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos nossos) Como se vê, a suspensão foi estabelecida pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 e regulada pelo art 2º da IN 660/2006. No art 4º da IN, foram colocadas os requisitos necessários e suficientes para que a suspensão se impusesse; notese que o previsto no §1º deste artigo não consiste de uma condição ou requisito para que a operação de venda se opere com suspensão das contribuições, mas de obrigações a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação. É inequívoco, pois que, quando o adquirente dos bens preenchesse as condições previstas nos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006, ainda em sua redação anterior à dada pela IN nº 977/2009, suas aquisições seriam obrigatoriamente feitas com suspensão das contribuições na etapa anterior da operação independentemente de qualquer solicitação efetuada pelo fornecedor ou informação prestada pelo respectivo adquirente; seria, todavia, compulsório que a adquirente prestasse as pertinentes informações ao vendedor dos bens, mediante a apresentação do Anexo I daquele diploma, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação. Posteriormente, a IN nº 977/2009 introduz alterações à IN 660/2004, deixando explícita a obrigatoriedade da suspensão em questão a partir de 4 de abril de 2006; observese que o §1º do art 4º, que prevê a exigência da Declaração do Anexo I, foi revogado expressamente: Da Aplicação da Suspensão (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente:(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Fl. 5194DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.164 63 [...]Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (g.n.) Portanto, para que a suspensão das contribuições se imponha, todos os requisitos elencados nos incisos do art 4º da IN SRF 660/2006, e somente eles, devem estar presentes. Sendo assim, no presente caso, preenchidos pela impugnante (adquirente) os tais requisitos, só se poderia cogitar de não ser aplicável a suspensão (para o vendedor) na hipótese, aparentemente remota, de a impugnante adquirir produtos agropecuários, a serem utilizados como insumo, de pessoas jurídicas diversas daquelas tipificadas no art. 3º, inciso III, da IN SRF nº 660/2006, ou seja, de pessoa jurídica ou cooperativa que não exercesse atividade agropecuária. Resta claro que a venda com suspensão é direito do vendedor (art. 9º da Lei nº 10.925/2004 e art. 2º da IN 660/2004), quando se verifique a hipótese legal para tanto (art. 4º da IN 660/2004), sendo o adquirente, por seu turno, obrigado a fornecerlhe, quando solicitado, a declaração contida no Anexo I do §1º do art. 4º da IN 660/2004, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação (na redação original da IN). Assim, cabe razão a autoridade fiscal quando afirma que a consequência do pagamento indevido da contribuição pelo vendedor, caso tenha ocorrido, é simplesmente a repetição do indébito, não se configurando qualquer hipótese legal de geração de crédito para o adquirente. Com efeito, o fato de as vendas terem ocorrido sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente, por se tratar de procedimento contrário ao legalmente prescrito em relação ao setor agroindustrial. A interessada, portanto, pretende se aproveitar de um direito que não lhe cabe, pois o benefício fiscal em comento foi criado em favor do vendedor, que poderá vir a exercêlo enquanto não for decadente o seu direito de repetir a contribuição indevidamente recolhida. Diz, ainda, a autoridade fiscal que “Restaria à Perdigão Agroindustrial S/A apurar os créditos presumidos oriundos das compras com suspensão”. Nesse sentido, como relatado, a impugnante solicitou que fosse reconhecido a “procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido”. Em que pese a menção da autoridade fiscal, sobre eventual direito a crédito presumido, não há como ora acolher o pleito da impugnante. Vejamos. O Dacon instrumento através do qual a empresa deve manter o controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo dos créditos apurados, identificando corretamente os custos e despesas que as compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo dos créditos apurados no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem destes, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência pela administração fazendária competente, no caso, a DRF que possui a competência originária para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante, utilizados por meio de desconto ou objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. Firmese, então, que nos casos de desconto de créditos e de pedidos de ressarcimento/compensação, não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e mesmo das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época Fl. 5195DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 64 do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da impugnante. Outrossim, como é no Dacon que o impugnante demonstra o crédito pretendido/utilizado, não resta dúvidas que a análise e reconhecimento deste crédito limitase ao escopo do que consta no próprio Dacon não sendo, portanto, permitido a Autoridade Administrativa, em sede de análise de contestação de decisão que não reconheceu o crédito do impugnante, conceder crédito diverso do informado ou não constante deste demonstrativo. Ou seja, à Autoridade Administrativa julgadora não cabe assentir com a inclusão, na base de cálculo do crédito pretendido, de custos e despesas, supostamente hábeis de gerar créditos, não informados ou incorretamente informados, que seja, no respectivo Dacon, em detrimento da função precípua deste demonstrativo e da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante. Observese que se assim não fosse, restaria prejudicada a correta aferição e controle pelo fisco da procedência e do real e efetivo aproveitamento dos créditos pelos impugnantes". Logo, é necessário que a apuração do crédito esteja perfeitamente demonstrada no Dacon, em havendo qualquer erro de declaração é ônus do impugnante corrigi lo em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise de seu direito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Portanto, devese manter a glosa efetuada pelo Fisco. 12 Do valor do IPI recuperável Alega que o Fisco sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados ao custo do IPI dos produtos adquiridos pela recorrente, sob alegação de que poderão ser recuperáveis (Planilha fls. 1.474). O IPI vinculado à operação de aquisição de bens da recorrente é custo de maneira que inexiste razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão. Compõe o custo do produto que adquiriu. O fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação ressarcimento em decorrência do acúmulo ocorrido quando existirem operações em tributação (NT, isenção, alíquota zero) não é fundamento que permite justificar a glosa do crédito. Por outro lado, coloca a fiscalização “O valor do IPI, recuperável em processo específico de saldo credor do IPI (art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999), constante das notas fiscais de aquisição deve ser abatido da base de cálculo do crédito”. Como visto, a autoridade fiscal diz o motivo da glosa. Por outro lado, ante a legislação de regência, o argumento expendido pela impugnante não pode ser acolhido. É a lei, no caso a Lei nº 9.779, de 1999, em seu art.11, que estabelece que o IPI incidente nas aquisições de insumo é recuperável, ou seja, quando o impugnante não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá recuperálo por meio de restituição ou ressarcimento e através de compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições, em conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996. Além disso, como já dito neste voto, as hipóteses de creditamento no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins resultam do cruzamento dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. E as mencionadas IN expressamente determinam que, em sendo recuperável, o IPI não integra o valor do custo dos insumos. Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.165 65 No caso, o IPI excluído foi somente o incidente sobre os insumos, que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins. Desta feita entendo correta a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito pleiteado. 13 Despesas alugueis de prédios (rústicos) locados de pessoas jurídicas (imóveis rurais) Argumenta a Recorrente que (fl. 5.095) "(...) o ato administrativo também glosou dentro de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3°, IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) os seguintes itens": a) Ficha 6A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas (item 4.3.4): pagamentos a pessoas físicas e aluguéis de imóveis rurais e b) Ficha 6A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5): notas fiscais que não representam aluguel como serviço de copiadora (Xerox). A própria recorrente admite em seu recurso que "Entendemos que embora não previsto em lei, pelo princípio da nãocumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas". A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas físicas, alguns referentes a imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A impugnante alega que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Não merecem ser acolhidos os argumentos da impugnante ante a expressa previsão legal: a teor do dispositivo legal acima mencionado, não geram créditos os aluguéis pagos a pessoas físicas e nem os aluguéis de imóveis que não consistam de “prédios”. Deve ser mantidas essas glosas, conforme Planilha de fl. 1.472. 14 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica Informa em seu recurso que "(...) Por sua vez, o item b. (Ficha 16 A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5), ao glosar a locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (Xerox), incorreu em grave equívoco. Isto porque, o serviço de fotocópias é essencial à atividade econômica de qualquer empresa, embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento. Assim, diante da noção ampla de insumo e da nãocumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo, com a improcedência da glosa realizada" (g.n). Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 66 A autoridade fiscal glosou os valores das notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). Os itens glosados se encontram no relatório “Itens Glosados – Alugueis de Maquinas”, à folha 1.471. Uma breve análise aos itens contidos na Planilha “Itens Glosados – Alugueis de Maquinas” verificase que, a teor da descrição das operações registrada, os valores glosados são referentes a “SERVIÇO DE COPIADORA (XEROX)” e não à locação de máquinas de xerox, como alega a impugnante. A Recorrente, por seu turno nada trouxe em sede de recurso a fim de comprovar a alegada natureza das operações. À ausência de comprovação do direito ao crédito, mantémse a glosa. Portanto, correta a exclusão desses valores do montante informado a título de “Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica”. 15 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A fiscalização quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito (item 4.3.6 do despacho Ficha 16 A linha 07): a) pagamentos a pessoas físicas; b) serviço portuário entre outros (despesas aduaneiras em geral.) A autoridade fiscal glosou: os pagamentos a pessoas físicas, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; os pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003. Quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, depois de novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a interessada argumenta que (fl. 5096 e sgs): " (...)o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral". Acrescenta: "A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros. Tais despesas são intrínsecas à armazenagem. Por exemplo, a energia elétrica. É um dever legal o armazenamento em câmaras frias com temperatura segundo determinações da ANVISA, SIF, entre outros órgãos públicos. São despesas inerentes à armazenagem e que foram custeadas pela recorrente. Daí porque são legítimas. Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. O que nos dá ainda mais legitimidade no crédito. Não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente. Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.166 67 A alegação de nulidade pelo cerceamento de defesa tem como fundamento o fato de não estar presente no “sumário das planilhas e documentos... qualquer menção a este caso, com planilhas e documentos que foram utilizados para fundamentar a glosa”. Neste caso, salientase que todas as operações glosadas foram identificadas a partir dos registros elaborados pela própria Recorrente. Novamente, como muito bem abordado pela decisão recorrida, não merece ser acolhida a alegação da Recorrente de desconhecer as operações glosadas quando foi da memória de cálculo por esta fornecida como demonstrativo dos valores informados na linha 07 da ficha 6A (DACON) que o Fisco identificou os pagamentos efetuados a pessoas físicas e os relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, apurando assim os montantes glosados em cada mês, conforme discriminado em seu relatório. Desta feita, à evidência, é do conhecimento da impugnante o montante informado na linha 07 no Dacon, para cada mês, as operações e seus valores por ela considerados na apuração desses montantes. Também é de seu conhecimento, já que claramente colocado no relatório fiscal, o valor total das operações glosadas em cada mês pela autoridade fiscal, e os motivos e fundamentos legais da glosa. Essas informações são suficientes para a empresa identificar cada uma das operações glosadas, conforme por ela própria registradas, viabilizando assim a produção da prova do direito ao crédito a elas relacionado. Todavia, como visto, assim não procedeu a impugnante em sua impugnação. Já quanto ao mérito da questão, por disposição legal expressa o crédito a que o impugnante tem direito é em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Assim quaisquer serviços de armazenagem e transporte que não estejam vinculados a uma operação de venda já efetivada, ou por outra, quaisquer outros serviços, direta ou indiretamente, ligados à operação de venda, que não se refira unicamente a serviço de armazenagem e transporte da mercadoria já vendida, não geram crédito por inexistir permissivo legal para tanto. Neste caso, a Recorrente não levou a efeito o ônus de comprovar a ocorrência e a natureza das operações por ela incluídas na base de cálculo do crédito pretendido a título de Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda. Por falta de comprovação do direito pela Recorrente, mantémse a glosa. 16 Dos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais Neste tópico, a Fiscalização listou os produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido, em que o contribuinte tomou créditos a 60% da alíquota para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Segundo a Informação Fiscal, tal alíquota, prevista no inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, destinase apenas para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e de misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. A aquisição de insumos que não se classifiquem nos citados capítulos e posições fatalmente recai no inciso II, que admite a tomada de créditos a 35% da alíquota. Dá conta ainda que todos os animais vivos listados na planilha são Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 68 classificados no capítulo 01 da NCM; milho e sorgo, no capítulo 10; soja, no capítulo 12, lenha, maravalha (aparas de madeira) e resíduos de madeira no capítulo 44 sêmen no capítulo 05, itens que não atendem às condições para creditamento à 60% da alíquota. Também não se admitiu crédito presumido no caso de aquisições para revenda. Quando foi o caso, a Fiscalização deferiu o creditamento a 35% da alíquota de incidência, conforme se constata na coluna “Valor não reconhecido” da Planilha "Crédito presumido detalhe outubro a dezembro" constante das fls. 1.475 a 2.730. As notas fiscais não admitidas estão arroladas na lista “Credito presumido detalhe” referenciada. A Recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 35% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Para análise da questão, transcrevese ao artigo 8º e parágrafos da Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.167 69 mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. (...). § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) (grifo nosso). Verificase, portanto, que o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. De outro modo, sobressai que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne para alimentação humana, p. ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Verificase que o Fisco trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (fls. 1.407 a 2.662), (notas cujos CFOP não representam aquisições, perfeitamente identificados na listagem individualizada, identificadas Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 70 na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota. Nessa listagem, a fiscalização, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; trigo, milho e sorgo classificados no capítulo 10; soja no capítulo 12; lenha, maravalha e resíduos de madeira no capítulo 44; sêmen no capítulo 05; itens que também não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. No entanto, conforme consta dos autos, tratamse de insumos adquiridos para produção de mercadorias de origem animal (carnes e derivados para consumo humano), que se trata da atividade fim da empresa. Posto isto, verificase que com as modificações introduzidas pela Lei nº 12.865, de 2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, é de 60% das aquisições realizadas. Ressaltese que o argumento definitivo em favor do quanto se afirmou, veio recentemente, com a promulgação da Lei nº 12.865/13, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao § 10, do artigo 8°, da Lei nº 10.925/04, com o seguinte teor: “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF nº 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004 define o montante do crédito presumido. Posto isto, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2003. 17 Outros Bens utilizados como insumos importações (item 4.3.8 do relatório fiscal) Alega a Recorrente que o Despacho Decisório realizou as seguintes glosas improcedentes: a) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: Partes de Máquinas e peças de reposição de elevado valor, entre outras; b) importações cujo CFOP não traduz em crédito, especialmente, compra para ativo imobilizado (conta 3551), material de uso e consumo (3556) e outras entradas (3949); e c) valor do IPI recuperável. Por outro lado, verificase na Informação Fiscal (do Despacho Decisório), que as aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumo (linha 02 da ficha 06B), foram glosados os valores referente às aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona, relacionados na listagem na Planilha "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos" às fls. 1.149/1.215, das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada Planilha "NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)" às fls. 1.216/1.219 e dos valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição. 17.1 Direito de crédito em relação às importações efetuadas Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.168 71 A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando, inicialmente, que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Cofins na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Então vejase a legislação: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) [...] § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. Da leitura do mencionado dispositivo vêse que é improcedente essa alegação da Recorrente. Como se vê não são todas as importações que dão direito a crédito, mas apenas as elencadas nos incisos do artigo. Quanto ao direito à tomada de crédito sobre o valor das importações, por outro lado, está exaustivamente regulado no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que admite o desconto de créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições sociais não cumulativas, de bens que sejam destinados à revenda ou à utilização como insumo os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Sendo assim, reiterase que toca ao contribuinte a prova de que os itens importados enquadramse nessas hipóteses restritivas, o que não o fez nem em seu recurso nem quando da diligência realizada. Mais uma vez, infelizmente, a recorrente não se preocupou em fazêlo, perdendose em alegações genéricas e alheias aos fatos concretos do processo. Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 72 17.2 Aquisições de partes e peças de reposição aquisições com CFOP 3949, 3551 e 3556 Em relação às aquisições de peças e máquinas acrescenta que são bens a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551 "Compra de bem para o ativo imobilizado", 3556 "Compra de material para uso ou consumo" e 3949 “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado”, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. A alegação de cerceamento de defesa já foi afastada no tópico anterior deste voto, nada sendo necessário aqui acrescentar. Com dito, foram glosados pelo Fisco os créditos por insumos tomados sobre as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona. Da mesma forma, a Fiscalização também extirpou do cálculo os valores das importações de notas fiscais com CFOP, por exemplo, 3551, 3556 e 3949. Este CARF já examinou, por ocasião da prolação do Acórdão nº 3403 002.536 (Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim), a subsistência das glosas listadas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora em julgamento: "Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3o, II, da Lei nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um daqueles bens que foram glosados se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização pode ser considerado como passível de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, 2º do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, 1º, do RIR/99). Exemplo disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os utensílios utilizados em laboratório. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.169 73 Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379" . Assim, ante a falta da prova da liquidez e certeza do crédito pretendido, mantenhase a glosa 17.3 Do IPI recuperável (importação) Em relação ao IPI, alega ser indevida a glosa, afirmando fazer parte do custo do bem importado. Como já abordado em tópico anterior (item 12), no caso, o IPI excluído, que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins. Desta feita, entendo correta a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito pleiteado. 18 Créditos extemporâneos Alega que (fl. 5.105/5.106), "(...) os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON". Ocorre que foram glosados pelo Fisco, da base de cálculo dos créditos descontados, nos meses do trimestre em questão, os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração, meses e trimestres valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela impugnante. A fiscalização coloca que o saldo de crédito presente no Dacon dos meses anteriores pode ser aproveitado para desconto dos débitos gerados no mês em curso, como prescreve a Lei, mas que o crédito que não foi informado nos meses anteriores não pode ser informado no Dacon do mês em curso. A Recorrente, por seu turno, defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados no cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º trimestre, pois, em suas palavras: (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco; (ii) o impedimento é meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Ou seja, se não houve o aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente a exigência de retificadora. Em análise da argumentação posta, há que se dizer que se equivoca a Recorrente. Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 74 Escorreita e precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: "(...) É que a razão de ser da necessidade de segregação dos créditos por períodos de apuração, no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, se deve ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de utilização segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de utilização por qualquer uma das formas previstas (desconto, compensação ou ressarcimento). É preciso ter em conta que a forma de utilização tem a ver com a natureza dos créditos apurados e com o período em que foram gerados. De forma sintética, tais formas de repetição estão assim delineadas pela legislação: (a) créditos associados a receitas tributadas no mercado interno: meio preferencial é o desconto no mês; (b) créditos associados a receitas não tributadas no mercado interno (custos, despesas e encargos, inclusive estoque de abertura, vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, inclusive no caso de importação com pagamento de PIS e Cofins importação): compensação ou ressarcimento no próximo trimestre; (c) créditos associados a receitas de exportação (custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação): compensação no próximo mês ou ressarcimento no próximo trimestre. De tal sorte, como a apuração dos créditos depende, no mais dos casos, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que o reconhecimento do direito creditório deva se dar por períodos de apuração. Neste sentido, a teor do parágrafo 1.o do artigo 3.o das Leis n.o 10.637/2002 e n.o 10.833/2003, os créditos, no regime da não cumulatividade, devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos de apuração, e isto com o fim, como já se disse, de que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito. Como alega a impugnante, de fato também mencionado pela autoridade fiscal, o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 permite que crédito não aproveitado (salientese, por meio de desconto) em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Tais dispositivos, no entanto, não querem dizer que despesas e gastos ocorridos em outros períodos possam ser trazidos a compor a base de cálculo de créditos apurados em períodos posteriores; mas, que créditos, já oportunamente apurados e não descontados da contribuição devida no próprio mês de apuração, possam sêlo das contribuições devidas nos meses subsequentes". Portanto, quanto ao aproveitamento de Créditos Extemporâneos, entendo que não é possível o aproveitamento direto de créditos resultantes da aquisição de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. Essa matéria, no entanto já tem entendimento pacificado neste colegiado, plasmado, por exemplo, no Acórdão nº 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons.Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.170 75 Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se conhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. 19 Créditos inexistentes (item 5 e 7 do relatório fiscal). Alega a Recorrente em seu recurso que (fl. 5.106): "Enfim, o item "c" relata a glosa de supostos créditos inexistentes. Ora, por qual razão seriam inexistentes? O despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes. Não são insumos? Não houve comprovação por notas fiscais? Não consta da contabilidade? Qual a razão jurídica e fática? Inexiste descrição no despacho decisório. Assim, há evidente nulidade e cerceamento de defesa neste item c (item 5 do despacho decisório), sendo, portanto, improcedente. Caso não se reconheça a nulidade e o cerceamento de defesa, a recorrente rechaça a glosa, pois, os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor contribuinte. Como informa a fiscalização, os valores foram lançados em DACON e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente o crédito, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boafé. Novamente entendo precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. Vejase: "A teor do item 5 do relatório do fiscal, não foram aceitos os créditos de dezembro de 2002 (R$ 257.771,15) e de fevereiro de 2003 (R$ 239.701,77), relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, que a impugnante pretendeu descontar do PIS/Pasep devido em novembro e dezembro de 2006 – na ficha 13 (Créditos Descontados no Mês PIS/Pasep Regime Não Cumulativo). A autoridade fiscal esclarece que os créditos anteriores ainda não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, na Ficha 26B – Saldos de Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 PIS/Pasep e na Ficha 28B –saldos de "Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 Cofins", o que não ocorreu. Além disso, a autoridade fiscal coloca que não foi confirmada a existência dos saldos informados nas fichas 13, já que estes tinham sido consumidos anteriormente, razão pela qual não podem ser considerados na apuração da contribuição a pagar. Nesse sentido informa: que no Dacon de janeiro de 2006, fichas 26B e 28B, as quais reproduz, os saldos existentes em 31/12/2005 eram R$ 252.119,97 de Pis e R$ 779.476,90 de Cofins; e que no balancete daquele período, à folha 2.666, em janeiro de 2006, o saldo inicial da conta “0000114030 PIS a Recuperar” era “R$ 252.119,97 D” e o da conta “0000114035 Cofins a Recuperar” era “R$ 779.476,90 D”, os mesmos valores informados nas fichas 26B e 28B do Dacon de janeiro de 2006 e relativo a dezembro de 2005. Por fim acrescenta que os tais saldos, presentes na contabilidade e informados no Dacon de janeiro de 2006, não foram confirmados pelos Despachos Decisórios da DRF, relativos ao 1º Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 76 trimestre de 2006 e tratados nos processos 16349.000279/200977 (PIS/Pasep), e 16349.000271/2009 19 (Cofins). Já no item 7 de seu relatório, a autoridade fiscal coloca que tendo em vista os autos de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, tratados no processo 11516.721279/201136, o saldo inicial da linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores” da ficha 14 (Controle de Utilização dos Créditos no Mês – Contribuição para o PIS/Pasep –Regime Não cumulativo) é nulo em todos os tipos de crédito. A impugnante reclama que os créditos são legítimos. Nesse sentido, inicialmente, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão, fática ou jurídica, pela qual tais créditos seriam inexistentes se por não serem insumos, ou por não haver comprovação por notas fiscais, ou por não constar da contabilidade pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa. Alega, ainda, que “os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor impugnante”. Aduz que, como informa a fiscalização, os valores foram lançados em Dacon e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente os créditos, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boa fé. Pelo que acima foi relatado, vêse claramente que as glosas não foram de valores indevidamente inseridos na base de cálculo do crédito do período em análise, mas de crédito apurados em períodos anteriores, nos anos de 2002 e 2003, trazidos para serem utilizados no quarto trimestre de 2006. Da narrativa da autoridade fiscal, verificase que esta esclareceu satisfatoriamente o motivo pelo qual desconsiderou os créditos trazidos de 2002/Dezembro, 2003/fevereiro: os créditos anteriores ainda não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, compondo, assim, o crédito passível de utilização do primeiro e não do quarto trimestre de 2006; pelo que consta da contabilidade da empresa, os créditos anteriores ainda não utilizados até 31/12/2005, informados no Dacon de janeiro de 2006, já tinham sido utilizados; os saldos presentes da contabilidade e informados no Dacon de janeiro de 2006 não foram reconhecidos nos autos dos processos 16349.000279/200977, de PIS/Pasep, e 16349.000271/200919, de Cofins. Salientese que a autoridade fiscal cuidou de reproduzir as fichas mencionadas a fim de identificar perfeitamente os valores dos créditos não aceitos. Desta feita, não há que se falar em nulidade do feito fiscal em face do cerceamento do direito de defesa. Como se vê essas informações são suficientes para a empresa identificar os valores excluídos e o motivo da exclusão, viabilizando assim a produção da prova em contrário, ou seja, a prova da existência do crédito e do direito dele se utilizar como fez, nos termos do firmado no item 3 deste voto. Todavia, como visto, assim não procedeu a recorrente. Em sua manifestação de inconformidade limitouse a contestar a legalidade do feito fiscal e dizer ser legítimo o crédito pelo simples teor declarado em Dacon, sem, no entanto, trazer qualquer prova da existência do valor lá consignado. Assim, a contribuinte não levou a efeito o ônus de comprovar as alegações postas contra o feito fiscal". E, como pode ser visto, no recurso voluntário, a Recorrente em nada se preocupou em apresentar provas do crédito alegado, reputandose, portanto, legítimo e correto a glosa destes valores no procedimento fiscal. 20. Base de Cálculo do PIS e da Cofins (Omissão de Receitas) Informa o Fisco, que foram lançados valores da Contribuição para o PIS e da Cofins não declarados em DCTF. A omissão de receitas se deu pelas seguintes razões: Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.171 77 a) dedução indevida, da base de cálculo da Contribuição devida no período, a título de "descontos incondicionais", valores que não consistem deste tipo de desconto, mas se referem a “descontos ou bonificações condicionadas a atingimento de metas ou relativos a rateio de despesas de publicidade”; b) inserção indevida (a teor do art 1º, parágrafo único, I, do Decreto 5.442, de 2005), na linha “04.Receita Tributada à Alíquota Zero” das fichas as fichas 7A e 17A valores referentes a "juros sobre capital próprio" recebido da investida Batávia. 20.1 Descontos Incondicionais Contesta a Recorrente em seu recurso (fls. 5.106 e seguintes), que os valores lançados como descontos incondicionais, alegando que houve operação com descrição contábil, emissão de nota fiscal e inclusão na DACON como descontos incondicionais (ou bonificações). Sendo assim, os lançamentos contábeis e obrigações acessórias fazem prova em favor do impugnante, na medida em que o ônus é do Fisco em comprovar cabalmente que determinada operação é tributável por PIS e COFINS, nos moldes do art. 142 do Código Tributário Nacional. Afirma que inexistiu prova e demonstração cabal de que todas as operações tributadas não seriam descontos incondicionais. Simplesmente, elencou todos os códigos de operação lançados como desconto incondicional e as tributou por presunção sem previsão legal. Afirma que todas as operações de descontos e bonificações, estão devidamente escrituradas e lançadas como tal, eram incondicionadas. Não restou demonstrado qualquer situação de evento futuro e condicionante na manutenção do desconto e, por conseguinte, da redução do preço. Alega que são todas hipóteses previstas em lei e que o ônus da prova, no caso, é do Fisco. Verificandose os autos constatase que os argumentos da Recorrente não procedem. Inicialmente, digase que para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, cabe à Recorrente comprovar ao Fisco a natureza das valores excluídos (no caso a natureza dos descontos incondicionais), a teor das hipóteses previstas em lei, conforme por ele lançados em sua escrituração contábil, o que, como veremos não ocorreu no presente caso. Para tanto, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto: "A autoridade fiscal, na verificação da regularidade da apuração dos créditos e dos débitos das contribuições demonstrados em Dacon, laborou a partir dos demonstrativos contábeis apresentados pela impugnante. Identificou no plano de contas apresentado a conta “510855 Bonificação Promocional”, inserida nas despesas com vendas no mercado interno, e a “530579 – Bonificação”, em relação ao mercado externo, sem qualquer lançamento em 2006. Através da intimação n° 002/00242, instou a impugnante a prestar esclarecimento sobre a natureza, operacionalização e contabilização das tais bonificações; prestar esclarecimentos sobre as contas contábeis “330040 Desconto Incondicional – Frigorificados”, “330042 Desconto Incondicional c.c.”, “330044 Desconto Incondicional – Ração” e “330047 Desconto Incondicional Frigorificados CD”; a apresentar os documentos representativos de uma determinada amostra de lançamentos a débito presentes na conta contábil “330040 Desconto Incondicional — Frigorificados”, inclusive, se fosse o caso, “os contratos com os clientes que estabeleçam os descontos lançados”. Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 78 Em análise às respostas apresentadas pela impugnante, verificase que correta é a conclusão da autoridade fiscal de que todas as bonificações estavam escrituradas na contabilidade como descontos incondicionais; fato, observese, não contestado pela impugnante. Salientese que a impugnante, naquela ocasião, não se manifestou em relação aos lançamentos, a débito, presentes na conta contábil “330040 Desconto Incondicional —Frigorificados” – item 8 da intimação n° 002/00242. Para tentar obter as informações relativas aos citados lançamentos e tendo em vista o não atendimento do item 08 da citada Intimação nº 002/00242, a autoridade fiscal novamente intimou a impugnante, através do Termo de Constatação e de Intimação nº 003/00242 (fls. 1.139/1.143), nos termos que seguem: [...] b) “Em relação ao item 08 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 002/00242 não foi apresentado qualquer documento ou qualquer informação a respeito, tendo sido a resposta ao referido termo completamente omissa em relação a este item; Sendo assim, fica o impugnante acima qualificado REINTIMADO para, no prazo de 5 (CINCO) dias, apresentar os seguintes documentos e arquivos magnéticos, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis: 1) Apresentar os documentos representativos dos seguintes lançamentos a débito presentes na conta contábil "330040 Desconto Incondicional – Frigorificados", inclusive, se for o caso, contratos com os clientes que estabeleçam os descontos lançados A impugnante respondeu, em 28/06/2011 (fl. 1.145), que “não foram encontrados os documentos necessários que dão suporte aos lançamentos mencionados”. A autoridade fiscal explica que as intimações citadas referiamse aos trimestres anteriores, mas que já seriam suficiente para a realização do lançamento correspondente. Porém, visando dar mais uma oportunidade de apresentação dos documentos relevantes, foi a impugnante novamente intimada a apresentar documentos relativos aos lançamentos do 4º trimestre (fls. 4153/4.156). O item 2 da citada intimação (fl. 4.154) solicitava: 2) Apresentar os documentos representativos dos seguintes lançamentos a débito presentes nas contas contábeis "330040 Desconto Incondicional –Frigorificados" e "330047 – Desconto Incondicional Frigorificados CD", inclusive, se for o caso, contratos com os clientes que estabeleçam os descontos lançados. Informa que a resposta (fl. 4157) foi acompanhada de alguns documentos relativos aos outros itens da intimação (não incluídos neste processo, pois apenas serviram para fortalecer a convicção relativa às glosas aplicadas nos processos citados 281 e 273, que tratam dos ressarcimentos de PIS/Pasep e Cofins do mesmo período) e transcreve a parte relevante da resposta dada pela impugnante: "Igualmente vem informar que até o momento não foram encontrados os demais CTRC e Notas Fiscais, bem como os documentos necessários que dão suporte aos lançamentos mencionados por esta fiscalização". A autoridade fiscal salienta que somente foram tributados aqueles lançamentos que claramente não se referiam a descontos incondicionais e informa que todos os lançamentos contábeis em tela estão listados no documento Lançamentos desconsiderados descontos (fls. 3.578/3.695). Em análise a tal documento, verificase que os históricos dos lançamentos, de fato, nada têm a ver com descontos incondicionais. Como exemplo citese alguns: PAGAMENTO REFERENTE A CAPA DO JORNAL DE ANIVERSARio; TABLÓIDE E ANUNCIO EM TV AGOSTO/06 E REBAIXE DE P; PGTO DA 1ª PARCELA CAMPANHA DE FINAL DE ANO TOTAL; CTR 54250 REFERENTE FOLDER 18 MAKRO– PERÍODO; APROP. BOM PREÇO S/A REC 10/2006 ANIVERSARIO; APROP. IRMÃOS MUFFATO LTDA 10/2006 FIDELIDADE; ENCARTE/TABLÓIDE PERÍODO 10 A25/10 PROD. SHG420. Notese que para esses lançamentos não há a indicação da nota fiscal correspondente e que a impugnante, intimada, reintimada e intimada novamente, não forneceu os documentos solicitados que foram selecionados a fim de representarem o conjunto investigado (dos lançamentos a débito presentes na conta contábil 330040 Desconto Incondicional — Frigorificados). Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.172 79 A autoridade fiscal, portanto, glosou somente os valores presentes nas contas relativas a descontos incondicionais, desacompanhados das respectivas notas fiscais, cujos lançamentos não se enquadram nas condições de descontos incondicionais – como disse a autoridade fiscal “tais ‘descontos’ são na realidade, entre outros, pagamentos de despesas de publicidade e concedidos em momento posterior à operação de venda”. Como se vê, a partir da escrituração contábil e dos esclarecimentos prestados pela impugnante, verificouse que dentre os valores lançados a título de descontos incondicionais há valores que não correspondem a descontos desta natureza e que, portanto não poderiam ser utilizados para reduzir a base de cálculo da contribuição devida. A impugnante, instada mais de uma vez para tanto, não foi capaz de comprovar que tais descontos, de fato, consistiam de descontos incondicionais, razão pela qual a autoridade fiscal lançou a contribuição devida sobre os valores indevidamente deduzidos da base de cálculo da contribuição. Observese que, em se tratando de valores redutores da contribuição devida (descontados da base de cálculo da contribuição, no caso, das receitas de venda), é do impugnante o ônus de comprovar a natureza e efetiva ocorrência das operações dos quais estes decorrem, nos termos e valores por ele escriturado, a teor do item 1 deste voto. Destarte, a escrita contábil da empresa bem como as declarações por esta prestadas ao fisco somente fazem prova a seu favor se suportadas nos documentos fiscais correspondentes". No entanto, ao longo de todo o procedimento fiscal, em sede de impugnação e agora no recurso voluntário, a Recorrente, além de suas argumentações, nada trouxe no sentido de comprovar a natureza das operações desconto incondicional, a fim de lhe garantir o direito de descontar seus valores da base de cálculo das contribuições devidas no período. Assim, é procedente o lançamento da contribuição sobre os valores indevidamente deduzidos das receitas de venda a título de descontos incondicionais. 20.2 Dos Juros sobre capital próprio Tratase este item referente ao valor de R$ 2.478.583,89, relativo aos juros sobre capital próprio (JCP) recebido pela Perdigão Agroindustrial S.A., em dezembro de 2006, da investida Batávia S.A., que foi acrescido na base de cálculo das contribuições do referido mês, com fundamento no inciso I, parágrafo único, do art. 1º do Decreto 5.442, de 2005, segundo o qual são tributadas normalmente as receitas financeiras relativas a juros sobre capital próprio. O valor foi lançado na contabilidade na conta "580001 Juros com Capital Próprio – Recebidos", com o histórico "VLR JSCP REC. REF. 2006, DA INVESTIDA BATAVIA S.A". Argumenta em seu recurso que, "(...) Sob o ponto de vista mais importante para o presente caso, é preciso considerar que tais pagamentos são caracterizados como dividendos". Em sua impugnação bem como agora em sede de recurso, a autuada não contesta o valor apurado a partir de sua contabilidade, mas limitase a defender, em síntese, que os juros sobre capital próprio possuem natureza de dividendos, com fundamento no art. 9º, § 7º, da Lei nº 9.249/1995, que enuncia que o valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404/1976. Sustenta, então, a improcedência do lançamento uma vez que o art. 1º, § 3º, V, alínea "b", das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, exclui da base de cálculo das contribuições de que tratam, dentre outros valores, os referentes a “dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita”. Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 80 Verificase que no acórdão de número 0730.436, de 31/01/2013 (fls. 4.787/4.858), o mérito de tal matéria não foi enfrentado, considerando que as razões de contestação apresentadas na impugnação eram as mesmas postas em litígio na esfera judicial, através do Mandado de Segurança nº 2006.61.00.00267561 e processos dependentes Agravo de Instrumento nº 2007.03.00.0006961; Ação Cautelar Inominada nº 2007.03.00.1042080, processo distribuído por dependência juntamente com à Apelação em MS nº 2006.61.00.00267561; ação cautelar inominada nº 2011.03.00.0369131. Ocorre, porém, que, depois de o acórdão ser proferido e levado à ciência da autuada, verificouse que a tal ação judicial foi proposta pela Perdigão S/A, antes do evento sucessório (incorporação da Perdigão Agroindustrial S/A pela Perdigão S/A), pelo que os efeitos de tal ação não se estendem às operações objeto da autuação (que envolvem as empresas Batávia e Perdigão Agroindustrial S/A). Tendo em conta que à época da propositura da ação judicial, a Perdigão S/A e a Perdigão Agroindustrial S/A coexistiam, não se pode ter como extensível a uma, os efeitos da ação judicial então proposta pela outra. Identificada a inexatidão material, devido a lapso manifesto, nos termos do art. 32 do Decreto nº. 70.235/72, a DRJ de Florianópolis (SC), decidiu por rever àquela decisão, prolatando a de nº 0731.325, de 10 de maio de 2013. Pois bem. No caso, temse que a recorrente sustenta, em síntese, que os juros sobre o capital próprio, por terem natureza jurídica de dividendos, não estariam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, tendo em vista a ressalva expressa no art.1º, § 3º, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. De fato tais dispositivos legais determinam que os dividendos não compõem a base de cálculo das contribuições em apreço. Sucede, porém, que os juros sobre o capital próprio, ao contrário do que alega a recorrente, não se confundem com os dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, possuindo na verdade natureza jurídica distinta. Apesar de os dividendos e os JCP possuírem natureza jurídica e tratamentos tributários distintos, ambos dizem respeito a formas de a sociedade remunerar o acionista pelo capital por ele investido, razão pela qual suas respectivas finalidades econômicas (e societárias) são coincidentes. Esse é o entendimento da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), conforme declaração de voto vencedor da Presidente Maria Helena Santana, no Processo Administrativo CVM RJ 2008/6446. Vejase: “(...) Uma última palavra, contudo, deve ser dedicada à aplicação desta minha conclusão à hipótese dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) e outras assemelhadas. Entendo que os JCP devem ser equiparados, para fins da vedação legal, a dividendos. Isto porque, o JCP, embora possua natureza diversa, é utilizado com a mesma finalidade do dividendo, tanto que o montante pago a título de JCP pode ser deduzido do cômputo do dividendo mínimo obrigatório. Nada mais natural, portanto, que também visto sob esse mesmo prisma, seja o JCP incluído na restrição legal de que ações em tesouraria recebam dividendos. Isso se justifica até mesmo por uma questão temporal, pois obviamente os autores da Lei das S.A. não poderiam antever que seria criada essa figura híbrida que é o JCP, que por um lado não é dividendo, mas, por outro, pode integrar o montante pago a título de dividendo mínimo obrigatório (...)". Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.173 81 No mesmo sentido, também a forma que vem sendo decidido pelo STJ, no AgRg nº 1.362.396/RS: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E DIVIDENDOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. NATUREZAS DISTINTAS. ENUNCIADO N. 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Possibilidade de cumulação de dividendos com juros sobre capital próprio, por possuírem naturezas jurídicas distintas. Enunciado n. 83/STJ. 2. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no Ag 1362396/RS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/03/2012, DJe 16/03/2012). Como se vê, portanto, por possuírem natureza jurídica distinta dos dividendos, não se aplica aos juros sobre capital próprio a ressalva expressa o art. 1º, § 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Notese que o próprio tratamento fiscal diferenciado que a lei nº 9.249/1995 dispensa aos juros sobre o capital próprio se deve precisamente à distinção material existente entre eles e os dividendos. Os juros sobre o capital próprio constituem espécie de remuneração auferida pela pessoa jurídica em função do capital investido em outra companhia, quando esta aufere lucro, proporcionando um acréscimo ao ganho obtido com a própria valorização da empresa investida. Diversamente dos dividendos, são calculados sobre as contas do patrimônio líquido da empresa, estando limitados à variação pro rata da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP (art.9º). Os dividendos representam parcela do lucro distribuída aos sócios segundo o valor das quotas que possuem no capital da sociedade, não estando vinculados a quaisquer taxas de juros e correlacionandose, portanto, exclusivamente com o lucro auferido no período. Os dividendos recebidos pelos acionistas são isentos de tributos, enquanto sobre os juros sobre capital próprio incide alíquota de imposto de renda (IR) de 15%. Esta matéria já se encontra decidida no âmbito do STJ, conforme julgamento do REsp nº 1.200.492 (RS), de outubro de 2015, cuja tese julgada gera efeitos do art. 543C do CPC. Vejase: RECURSO ESPECIAL Nº 1.200.492 RS (2010/01169433) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO R.P/ACÓRDÃO : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A ADVOGADO : ÂNGELA PAES DE BARROS DI FRANCO E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 82 1. A jurisprudência deste STJ já está pacificada no sentido de que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011;(...). 2. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003". 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Assim, quanto à base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, não cumulativas, vejamos a legislação de regência. As leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, no art. 1º, determinam que as contribuições de que tratam incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Já no § 3º deste artigo, trazem o rol taxativo das receitas que não integram a base de cálculo das contribuições, do qual não há qualquer menção a juros sobre o capital próprio. Cabe observar ainda que, a partir de 02.08.2004, por força do Decreto nº 5.164/2004, ficaram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativo das referidas contribuições. O disposto não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge, estas até 31.03.2005. E, a partir de 01.04.2005, por força do Decreto 5.442/2005, ficam reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge. Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de abril de 2005. Constatase que permanece a incidência do PIS e COFINS sobre os juros sobre o capital próprio. O disposto aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.174 83 Concluise, então, que os juros sobre o capital próprio compõem a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS, uma vez que não há qualquer dispositivo legal permitindo sua exclusão da base de cálculo das referidas contribuições. 21. Multa de ofício sobre os valores lançados a título de juros sobre capital próprio A Recorrente contesta a exigência da multa de ofício incidente sobre os valores lançados a título de juros sobre capital próprio alegando que no momento do lançamento realizado, tinha a seu favor decisão judicial concedendo suspensão da exigibilidade do crédito tributário; menciona o MS nº 2006.61.00.0267561 e a Ação Cautelar nº 2007.03.00.1042080. No acórdão ora revisado, a multa de ofício incidente sobre os valores lançados referentes aos juros sobre capital próprio foi mantida considerando que, no momento do lançamento, não havia decisão judicial nos autos do MS nº 2006.61.00.00267561 e processos dependentes concedendo suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Não obstante o lá decidido, pelos mesmos motivos expendidos no subitem anterior se deve manter a exigência da multa de ofício, aplicada aos valores lançados referentes a juros sobre capital próprio. 22. Da Multa de Ofício Foi lançada a multa de ofício de 75% sobre o valor apurado da contribuição devida, com fundamento no art. 44, I, da Lei 9.430, de 1996. 22.1 Constitucionalidade e legalidade Em seu recurso, reclama Recorrente que a multa aplicada ofende os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, sendo forçoso seu cancelamento. Diante disto, argumenta que esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado. Inicialmente, coloquese que o alegado limite de 20% está previsto para ser observado em relação à multa de mora, ou seja, aquela exigível sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados RFB não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Já a multa de ofício, no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença da contribuição objeto de lançamento de ofício, está legalmente prevista no art. 44 da lei 9.430/96. Desta feita, o lançamento foi realizado em estrita observância à lei. Em estando prevista em lei plenamente em vigor, não cabe aqui qualquer manifestação em relação à constitucionalidade da referida lei, pois, como visto, as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, como será visto mais adiante este CARF é incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. 22.2 Responsabilidade pela multa de ofício na sucessão de empresas Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 84 Além disso, impugnante alega não ser responsável pela multa de ofício aplicada, a teor dos artigos 132 e 133 do CTN. Com base em excertos doutrinários e jurisprudenciais alega que: (i) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, já constituída ou em discussão no momento da incorporação é absorvida pela empresa sucessora; (ii) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, constituída após a incorporação e referente à fatos geradores anteriores à incorporação não é exigível da empresa sucessora. Vejase o cronograma dos fatos: a ciência dos autos de infração se deu em 29/07/2011, portanto, em data posterior à incorporação da Perdigão Agroindustrial S.A. pela Perdigão S.A. (atual BRF Brasil Foods S.A.), que ocorreu em 09/03/2009, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Perdigão Agroindustrial S.A. (Doc. 01); e os fatos que ensejaram a aplicação da multa dizem respeito a (supostas) situações de responsabilidade da Perdigão Agroindustrial S.A. (incorporada) anteriores à dita incorporação (fatos geradores ocorridos entre janeiro e março de 2006). Notese, primeiramente, que a multa de ofício é decorrente pelo não pagamento de tributos devidos pela sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos antes do ato de sucessão. Registrese, então, aspecto incontroverso quanto à responsabilidade da incorporadora pelos tributos devidos pela incorporada. Neste caso, também subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto): "(...) Ressaltese que o artigo 132 está inserido, no referido diploma legal, no Livro Segundo, Título II, Capítulo V, Seção II, seção que trata da “Responsabilidade dos Sucessores”, inaugurada pelo art. 129, in verbis: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Tal artigo enuncia a regra geral aplicável a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores, portanto, incabível interpretar o referido artigo 132 de forma literal e isoladamente, de modo a exonerar o sucessor da responsabilidade pelas multas, tendo em conta que a regra geral trata expressamente de “crédito tributário”, que engloba não apenas o valor atualizado dos tributos até então devidos pela sucedida, como também as multas (moratórias ou de ofício), posto que ambos integram o passivo fiscal da incorporada. Na redação dos artigos acima referidos (129 e 132), “tributo” equivale a “crédito tributário”, abrangendo o principal e as cominações legais. Nesse sentido, importa mencionar outros artigos do CTN: o art. 113 que determina que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária; o art. 114 que define o fato gerador da obrigação principal como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; e o art. 139 do CTN que define que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Registrese, também, que ao lado da interpretação sistemática, há que se utilizar a interpretação teleológica, buscando o sentido e alcance da norma, pretendido pelo legislado, dentro do ordenamento jurídico. À evidência, seria ilógico, e um estímulo à sonegação, se o legislador permitisse que, por simples ato particular (a sucessão), o impugnante pudesse se esquivasse do pagamento das penalidades, objeto de obrigação tributária principal, fraudando o direito do fisco à percepção de seus créditos, legítimos em face da lei. Destarte, se a lei excluísse as multas da responsabilidade dos sucessores, estaria criada uma permissão legal para que as empresas, por meio de sucessivas transformações societárias, ficassem sempre a salvo de imposições de multas por infrações à legislação tributária. Certamente, não foi essa a intenção do legislador. Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.175 85 No mais, como se vê, o artigo expressamente declara que os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos na data da sucessão e pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data, mas também pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data". Cito ainda a Súmula nº 554 do STJ, que assim dispõe: "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão". No mesmo sentido, decidiu o Recurso Especial REsp. nº 923.012 (MG). Portanto, em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários constituídos posteriormente ao ato de sucessão, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até data do referido ato, cabível é a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida. Desta forma, considero correto o lançamento. 23. Dos Juros (taxa Selic): A Recorrente alega que "(...) os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado dos juros de mora calculados à taxa Selic". Ao contrário do que alega a impugnante, cabível é a aplicação dos juros, nos índices que o foram, conforme regularmente definido no dispositivo legal indicado no auto de infração, qual seja, art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96. Ademais, a insurgência contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora não merece maiores considerações. É que o tratamento de tal matéria já tem entendimento pacificado no âmbito do CARF e do Segundo Conselho de Contribuintes, plasmado na Súmula nº 4, (DOU de 22/12/2009), que assevera ser cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Notese, inicialmente, que as matérias passíveis de serem postas em litígio pela impugnante no presente feito são somente aquelas referentes às imposições postas por meio do lançamento fiscal; assim, em se tratando dos juros de mora, somente são passíveis de análise por esta instância julgadora os juros lançados por meio do auto de infração contestado. Desta feita, os juros de mora que incidirão sobre o crédito tributário no momento de sua efetiva exigência quando este se encontrará definitivamente julgado no âmbito administrativo não é matéria que compõe a presente lide, haja vista não integrar o valor lançado e contestado. Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 86 Isso posto, está claramente evidenciado nos autos nos quadros “DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP” e “DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL”, integrantes dos autos de infração em análise que os juros de mora lançados, ao contrário do que alega a impugnante, não foram aplicados sobre os valores apurados para multa de ofício, mas somente sobre os valores das contribuições lançadas, para cada período de apuração. Portanto, correto o lançamento fiscal 24. Dos Juros de mora (Selic) sobre a Multa A impugnante contesta, ainda, a exigência juros de mora (à taxa Selic) sobre a multa de ofício aplicada nos presentes autos de infração, com fundamento no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, pois tal dispositivo legal assim não autorizou; nesse sentido, aduz que o legislador estabeleceu a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições (que é uma espécie do gênero tributo), não pagos em seu vencimento. Cita os Acórdãos deste CARF. Tratase de matéria controversa, com decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402 002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes proferidas pelo CARF. Consigno que discordo da interpretação da Recorrente. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e a multa de ofício. 25 Inconstitucionalidade das leis, ilegalidade das IN, conceito de insumo Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.176 87 Em síntese, a Recorrente argumenta que as instruções normativas citadas e a própria fiscalização no presente auto de infração, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei. "Ora, diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos. Não resta dúvida, por conseguinte, de que a Receita Federal tem se utilizado de artifício ilegal para restringir o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS, no regime nãocumulativa correndo clara violação à legislação vigente, além de exigir tributo indevidamente". Tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 26. Da solicitação de Diligência pelo CARF. A Recorrente reitera, visando melhor esclarecer os fatos tratados neste processo, a importância de se realizar diligência solicitada por este CARF. Tal solicitação foi atendida nos dois processos (DComp/créditos), que foram analisados e emitidas as respectivas Resoluções, devidamente efetivadas pelo Fisco, conforme consta dos processos nºs 16349.000273/200908 e 16349.000281/200946 (COFINS e PIS, respectivamente). 27. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para, conforme documentos acostados aos autos, reconhecer o direito ao crédito em relação ao PIS e a COFINS, para os bens e serviços a seguir: (i) para os seguintes produtos adquiridos, conforme o "item 8.2. f": "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de produtos fabricados; (ii) para os seguintes produtos adquiridos conforme contido no "item 8.2. h": peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas; (iii) para os itens relacionados da Planilha "NF Glosadas Operação sem direito a crédito (CFOP)" às fls. 1.216/1219, exceto, para o seguintes bens da relação: Cliche impressão de embalagens, Oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constante do "item 8.2. i". (iv) dos serviços com limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água, conforme disposto no "item 9.1", e Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 88 (v) reconheçase à recorrente, o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2003 (item 16). Mantenhase a decisão recorrida em TODOS os demais termos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.177 89 Voto Vencedor 1. "BIG BAGS" E DISPÊNDIOS COM OS FRETES Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Na sessão de julgamento ousei divergir do Ilustre Relator relativamente ao creditamento relativo às aquisições das embalagens "Big Bags" e aos dispêndios com os fretes, no que fui seguida pela maioria dos Conselheiros da Turma. Entendo que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nessa mesma linha já foi decidido por esta 3ª Seção do CARF, no Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, com Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: "(...) Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente (...)". Este Colegiado, no Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 10 de dezembro de 2015, também se manifestou nesse sentido: "(...) Assim, conforme exposto neste item, relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização somente dos seguintes bens: (...) BIG BAGS, (...)". No que concerne aos fretes de transferências de produtos acabados entre filiais, denominado "SERVIÇO FRETE E CARRETO", alega a recorrente que o seu processo produtivo não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita” (Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984). Não obstante, como regra geral, eu entenda que o serviço de frete de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte não gere o direito ao correspondente creditamento, no caso dos autos, que trata de um frete especializado para atender às exigências sanitárias, essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, considero que tais dispêndios tratase de despesas operacionais, cabendo o correspondente creditamento. Nesse sentido já foi decidido por este CARF no precedente abaixo acerca do frete especializado para a carga de alta periculosidade: Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 90 Acórdão nº 3803003.749 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2012 Relator: JORGE VICTOR RODRIGUES (...) Considerando a contextualização do conceito de insumo, bem como que o serviço de frete comporta atividades de coleta, transferência e entrega da mercadoria transportada, além de vários aspectos que devem ser contemplados, como custo com gerenciamento de riscos, percurso, tipo de carga, dentre outros aspectos; Considerando que a carga transportada pela contribuinte é de alta periculosidade e que a contribuinte se sujeita à legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos, ao ponto de ser tratado como caso especial, que envolve o cumprimento de exigências nela estabelecidas, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios e que prevê a necessidade de acompanhamento de escolta, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito – AET, nos termos da Resolução DNIT nº 11/04; Considerando que o dispêndio realizado para o transporte, mesmo que ocorrendo após o processo produtivo, é necessário à consecução do desiderato e suportado pela própria fabricante, a nosso sentir, deve integrar o conceito de insumo, compreendido dentre as despesas operacionais da contribuinte, classificadas ou não como parte integrante das despesas com frete. (...) Assim, conforme acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto às embalagens "Big Bags" e pagamento de fretes. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada. 2. ALUGUEIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS Imóveis Rurais Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas jurídicas referentes a imóveis rurais, por entender que não se enquadram no conceito de prédios, na linha do prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A Recorrente defende a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.178 91 A legislação traz, em seu art. 3º, inc. IV, o direito aos créditos relativos aos "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Restando incontroverso que os aluguéis foram pagos a pessoas jurídica e que foram utilizados na atividade da empresa, resta discutir o alcance da expressão "prédios". Buscando uma definição no dicionário Caldas Aulete, verificase os seguintes sentidos: "1. Propriedade imóvel. 2. Edificação com vários pavimentos ou andares, destinada a habitação ou a atividades comerciais ou industriais; 3. Qualquer edificação". Por sua vez, o dicionário Michaelis traz como significados: "1 Construção que contém uma série de apartamentos individuais. 2 Propriedade imóvel, rural ou urbana. 3 Construção feita de material apropriado ao fim a que se destina e segundo as regras arquitetônicas.". De pronto, podese constatar com entre os sentidos possíveis da expressão prédio está a noção de propriedade imóvel, seja ela rural ou urbana. Resta verificar se tal sentido é aceito também na legislação pátria. Para isso remetese imediatamente às definições do art.4º, I, da Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), no qual se define "Imóvel Rural", o "prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada". Disso não discrepa o Código Civil, que em diversas oportunidades utiliza o termo prédio no sentido de imóvel. Senão vejamos: Art. 206. Prescreve: § 3o Em três anos: I a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; Art. 609. A alienação do prédio agrícola, onde a prestação dos serviços se opera, não importa a rescisão do contrato, salvo ao prestador opção entre continuálo com o adquirente da propriedade ou com o primitivo contratante. Art. 964. Têm privilégio especial: VI sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios rústicos ou urbanos, o credor de aluguéis, quanto às prestações do ano corrente e do anterior; Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividirseá entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 92 primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Parágrafo único. Recusandose ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendose que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha. Art. 1.282. A árvore, cujo tronco estiver na linha divisória, presumese pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes. Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a estrema do prédio, poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido. Art. 1.285. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indenização cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário. Ao tratar da expressão prédio, especialmente no âmbito do livro do Direito das Coisas, o legislador utiliza a expressão inequivocamente no sentido de imóvel, e não de edificação caso contrário, teriase que imaginar, por exemplo, o absurdo de uma árvore nascendo na linha divisória de duas edificações, situação de todo pitoresca. Não só isso, distingue o legislador entre prédios urbanos e rústicos, rurais e agrícolas distinção esta que não é feita pelo legislador tributário ao enunciar como causa do crédito no regime de PIS e Cofins não cumulativos os "aluguéis de prédios". Tal constatação atraia a aplicação do art.109 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Ao utilizar a expressão prédio termo secular no Direito Privado, o legislador tributário se vinculou a definição, conteúdo e alcance do mesmo naquele âmbito, sobrandolhe apenas definir os efeitos tributários, quais seja, a geração de créditos pela comprovação de despesas com aluguéis. Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.179 93 Diante disso, não restam dúvidas de que, se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art.3º, IV das leis 10.637 e 10.833. Em vista disso, dou provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito referentes ao aluguel de imóveis rurais. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado 3. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz Com relação à não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendo que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de 1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os “ “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (...) não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”. O comando do citado artigo, portanto, determina que sobre os débitos (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicarse á, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário para fins de aplicação dos juros. Seria de fato “ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (“CTN”), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3ª) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 94 O artigo 161 do CTN, destarte, desintegra as penalidades do crédito tributário para fins de aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. Ressalto que não se está aqui a olvidar que a separação entre crédito tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas trazidas pelo próprio CTN, vale dizer, o artigo 1131 combinado com o artigo 139,2 os quais, lidos conjuntamente, levam à conclusão de que o crédito tributário abarca toda a obrigação principal, composta tanto pelos tributos como pelas penalidades pecuniárias devidas pelo contribuinte aos Cofres Públicos. Tal incoerência, contudo, não é suficiente para afastar a dissociação entre crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo 61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a incidência de juros (no âmbito federal representado pela SELIC) sobre o crédito/débito, entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades tributárias. As incoerências da legislação tributária são diversas, cabendo aos órgãos julgadores solucionálas da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402 002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4,3 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. Neste ponto, insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art. 43, da Lei n.º 9.430/96, mencionado no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 3 Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/201180 Acórdão n.º 3402003.148 S3C4T2 Fl. 5.180 95 "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifo nosso) Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. Por fim, cumpre tecer alguns comentários sobre o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a aqui exposta. Trata-se do AgRg no REsp 1.335.688-PR, segundo o qual: "entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada não merece guarida. Para ser mais precisa, por uma análise acurada do teor do julgamento, entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no AgRg no REsp 1.335.688PR não foi trazido um único fundamento de decidir a respeito da diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico. No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de mesmo número, as razões de decidir do Ministro Relator Benedito Gonçalvez se limitam a afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício espelhou a jurisprudência firmada pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG. Ocorre que no REsp 1.129.990/PR, segundo os dizeres do Ministro Castro Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeitase à incidência de juros de mora, como defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este acréscimo, conforme a tese adotada pelo acórdão hostilizado." Não são necessárias maiores digressões para chegar a conclusão de que se a matéria analisada pelo STJ nesse caso dizia Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA 96 respeito à tributo estadual (ICMS), de modo que não foi objeto de apreciação a legislação federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito, o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do CTN. Na mesma problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutiase, em primeiro lugar, a aplicabilidade da taxa Selic como índice legítimo de correção monetária e juros de mora para a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos juros sobre a multa de ofício que, por óbvio, também se limitava ao âmbito da legislação estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Constatase, assim, que os precedentes utilizados como alicerce para a decisão do AgRg no REsp 1.335.688PR não tangenciaram especificamente os dizeres do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Por essa razão não vislumbro qualquer razão para alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada. Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA
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Numero do processo: 13016.000366/2001-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em ação judicial de repetição de indébito, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal.
Numero da decisão: 3201-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima enfatizou que acompanhou o voto do relator tão só em face da existência de decisão prolatada pelo STJ, na sistemática do recurso repetitivo, tratando da mesma matéria.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, as conselheiras Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Alexandre Pace, OAB/SP nº 182632.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em ação judicial de repetição de indébito, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima enfatizou que acompanhou o voto do relator tão só em face da existência de decisão prolatada pelo STJ, na sistemática do recurso repetitivo, tratando da mesma matéria. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, as conselheiras Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Alexandre Pace, OAB/SP nº 182632. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 03 66 /2 00 1- 41 Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.006 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O presente processo teve inicio com apresentação de pedido de restituição (fl. 01), protocolizado em 09/08/2001, de R$ 6.036.683,67, relativos a alegado "crédito financeiro oriundo quotas de contribuição sobre operações de exportação de café em grão cru, efetuada por Real Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, incorporada por Realcafé Solúvel do Brasil SA, CNPJ 28.154.847/000140, sediada em Viana, Estado do Espírito Santo ". 2. A interessada, na motivação do pedido, à fl. 01, ressalta como motivo do pedido a existência de "decisão judicial transitada em julgado, relativa ao Processo n° 9300040561, que transitou perante a 2a Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória — ES. 3. Juntamente com o pedido, foram apresentadas a cópia de inteiro teor do processo judicial e Planilha de atualização dos valores relativos aos recolhimentos da Quota de Contribuição do Café (fl.361). 4. Às fls. 363/369, consta Parecer DRF/CXL/Saort n° 20, da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul/RS, datado de 27/12/2001, pelo qual foi indeferido o pedido de restituição de fl. 01. 5. Às fls. 375/378, os Pedidos de Compensação protocolados em 06/09/2001. 6. Em 01/06/2002, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul/RS emitiu a notificação de fl. 384, para cientificar o contribuinte do: "(1) não conhecimento do Pedido de Restituição constante à fl. 01 e; (2) indeferimento dos Pedidos de Compensação de fls. 375/379 e; (3) ciência de que a cobrança dos . débitos informados nos Pedidos de Compensação seria efetuada no processo 11020.000873/200271 e; (4) informar sobre a legitimidade de apresentar Manifestação de Inconformidade, dentro do prazo previsto pela e legislação de regência. 7. Às fls. 387/428, com a nãohomologação da compensação, a interessada, por intermédio de seu diretor presidente, apresentou, em 12/04/2002, a tempestiva manifestação de inconformidade, onde, em extenso arrazoado, com direito à transcrição parcial, de recurso interposto junto ao STF, por outra empresa, solicita a reforma da decisão que não tomou conhecimento do pedido de restituição, por entender que a contribuição instituída pela Instrução n° 205, de 12/05/1961, da antiga Superintendência da Moeda e do Crédito, a que se refere Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.007 3 o Decretolei n° 2.295, de 21/11/1986, não constitui exação administrada pela Secretaria da Receita Federal. 8. Em virtude do disposto na Portaria SRF n° 3.022, de 29/11/2001, que alterou o anexo V da Portaria MF n° 259, de 24/08/2001, o processo foi encaminhado DRJ/Florianópolis, para julgamento. 9. Analisado, o processo recebeu o Acórdão n° 2.136, de 03/01/2003, onde foram declarados nulos os despachos decisórios proferidos pela autoridade a quo, que se absteve de conhecer dos pedidos de restituição e/ou compensação pleiteados pelo interessado (fls. 437/441). 10. Devolvido ao órgão de origem, o pedido foi analisado e, por meio do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 22/11/2004, teve o seguinte desfecho: i) que os créditos pretendidos são ilíquidos; ii) que não foi apresentada nenhuma prova da homologação, pelo Poder judiciário da desistência da execução do titulo Judicial ou da renúncia à sua execução; iii) que o mesmo crédito está sendo cobrado na via judicial e administrativa; iv) que tendo havido o deslocamento da lide para o Poder Judicial, perde o sentido a apreciação do pedido, por meio da via administrativa; v) que devem ser declarados nulos os lançamentos efetuados na dependência do Despacho Decisório cujo teor foi declarado nulo, pela DRJ/Florianópolis; vi) que foi determinada a cobrança dos débitos na forma do §7° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, acrescentado pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003; vii) que não há possibilidade de compensação de débitos com créditos de terceiros; viii) que cabe o lançamento da multa de oficio decorrente de compensação indevida, nos termos do art. 18, caput e § 2°, da Lei n° 10.833, de 2003 e; ix) que cabe manifestação de inconformidade contra este despacho. 11. As fls. 486/488, com a nãohomologação da compensação, foi determinada a emissão de Carta de Cobrança e, em face da total vedação legal da compensação pleiteada, o encaminhamento para as providências do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, § 70, art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002 e art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. 12. Restou ressalvado, ainda, as fls.490/491, que no presente processo seriam exigidos apenas os débitos da matriz da empresa, pertencente à jurisdição da ARF de Bento Gonçalves/RS. Os documentos relativos aos débitos da filial da empresa, pertencente jurisdição da Derat/São Paulo/SP, foram para lá encaminhados, para as providências necessárias. 13. Cientificada do despacho decisório retificador em 16/12/2004 (Aviso de RecebimentoAR, à fl.489), a interessada, por intermédio de representante constituído (procuração à fl.521), apresentou, em 13/01/2005, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 495/520, acompanhada dos documentos de fls. 522/569, que é a seguir sintetizada. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.008 4 13.2 Sustenta que o entendimento exarado no Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete que manteve o indeferimento ao pedido de restituição e não homologou os pedidos de compensação, determinando a cobrança dos débitos, por entender quanto à sua ilegitimidade ativa; que o direito creditório alegado teria por base crédito de terceiros; que a compensação efetuada estaria em desacordo com a decisão judicial que transitou em julgado; que a compensação teria sido efetuada com créditos destituídos de liquidez; e que o titulo judicial estaria em fase de execução, não pode prosperar, por ser contrario aos documentos que constam dos autos. 13.3 Entende que está provada sua legitimidade ativa na ação ordinária proveniente da declaração do direito de compensar tributos ilegalmente exigidos, cujo objeto tratava a ação de conhecimento na ilegalidade e inconstitucionalidade da exigibilidade das quotas de contribuição sobre as exportações de café, com trânsito em julgado e condenação da União Federal a restituir as quantias recolhidas a este titulo. 13.4 Afirma que o despacho atacado está desrespeitando decisão judicial transitada em julgado ao não acolher a homologação do contrato de cessão de créditos entre a empresa Real Comércio de Produtos Alimentícios Ltda e a reclamante, sob a tese de impossibilidade de crédito de terceiro. Prossegue, defendendo que foram obedecidas e tomadas todas as cautelas legais da decisão judicial, fato ignorado pela autoridade fiscal que, desrespeitou os termos da sentença judicial, quer por falta de observância de sua absoluta e legal legitimidade ativa; quer por inobservância de que se referem a créditos próprios e não de terceiros, por força da cessão de créditos fundamentada nos artigos 286 a 298, do Código Civil atual, e artigo 567, II do CPC. 13.5 Quanto A liquidez do crédito e execução judicial em andamento, ataca a decisão recorrida para afirmar que o crédito, reconhecido por meio da homologação judicial do contrato de cessão de direitos, pode ser exigido, pela legislação ou por execução judicial ou por pedido de compensação administrativa. Sustenta que optou pelo pedido de compensação de créditos legítimos e desistiu da execução, por meio do arquivamento dos embargos A execução e que a União está sendo compelida a reconhecer seu direito apenas uma vez, por meio do pedido de compensação, tendo por base o artigo 368, do novo Código Civil. 13.6 Na seqüência, volta a analisar individualmente os itens relativos A sua legitimidade ativa, advindo de cessão válida, homologada judicialmente e que a coisa julgada incorporou o crédito ao seu patrimônio, razão pela qual não mais se trata de crédito de terceiro, mas de crédito próprio, do qual decorre a legitimidade ativa para ingressar com o pedido de restituição/compensação. Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.009 5 13.7 Sustenta que o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 11.051, de 2004, ainda permite a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições, administrados pela Receita Federal, sem fazer menção A forma de aquisição desses créditos. 13.8 Entende que não é aplicável ao caso o disposto no artigo 123 do CTN porque: i) não é somente de uma convenção particular que advém seu direito, mas por força de comando judicial, o qual não pode o fisco negar efeito, sob pena de invasão de poderes; ii) porque não se trata de uma obrigação tributária, mas sim de crédito contra a União Federal de natureza tributária, não havendo lei que impeça o credor de transferir seu crédito para outro. 13.9 Afirma que tendo o Poder Judiciário reconhecido a validade e eficácia do negócio jurídico da cessão de créditos, faz jus A compensação do crédito, o que está expresso no titulo executivo judicial, que lhe confere o direito de compensação. Salienta, que ante a decisão transitada em julgado da homologação da cessão de créditos, pelo Poder judiciário, não cabe A Instância Administrativa apresentar qualquer restrição. 13.10 Compreende que, os atos normativos que instituíram a vedação A compensação com créditos de terceiros (Instruções Normativas), transcritas As fl. 508, contrariam o disposto na Lei n° 9.430, de 1996 e, em conseqüência, ferem o principio da reserva legal e da hierarquia das normas. Invoca, ainda, o principio da legalidade, como garantia dos cidadãos contra os desmandos do Poder Público. 13.11 Aduz que negar o seu direito de compensação do crédito, devidamente homologado sera negar um direito adquirido. 13.12 Em seguida, desenvolve toda uma argumentação sobre o direito de cessão de créditos e os efeitos dessa cessão, transcrevendo abalizada doutrina, para enfatizar que não cabe aplicar ao caso presente as vedações impostas pelos atos normativos publicados após o advento da Lei n° 9.430 já que poderá optar entre executar seu crédito via precatório ou optar pela compensação, pois esta protegida pela coisa julgada. 13.13 Enfatiza afirmando: "se já não existe mais a possibilidade de discussão, em razão da coisa julgada, que instaurou um juizo de certeza, não há como negar o direito do contribuinte de compensar os seus créditos com débitos tributários". Para enfatizar sua tese, transcreve decisão proferida pelo STJ junto aos Embargos de Divergência em REsp. n° 354.569DF (2004/00803694). 13.14 Ao final pede: o deferimento do pedido de restituição, cujos valores deverão ser devidamente atualizados bem como a homologação da compensação dos créditos da impugnante. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.010 6 14. Em face da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação no presente processo e no de n° 13016.000531/200164, ambos foram encaminhados à Seção de Fiscalização da DRF em Caxias do SulRS, para o lançamento da multa de oficio decorrente da compensação indevida, prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, e demais providências cabíveis. Assim, tiveram origem os processos de n° 11020.000730/200510 (CSLL), 11020.000726/200543 (IRPJ), 11020.000702/200594 (IPI), 11020.000727/200598 (COFINS), 11020.000728/200532 (IRRF) e 11020.000729/200587 (PIS). 15. A folha 581, manifestação da SAORT de Caxias do SulRS, propondo alteração do PROFISC para incluir a exigência de multa de mora nos processos, em face do que dispõe o artigo 30 da Instrução Normativa SRF n°460/2OO4. 16. Em face de alterações no PROFISC, para a inclusão da multa de mora, foi dada nova ciência ao contribuinte, em 18/08/2005 (fl.589), que, em 15/09/2005 apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 591/673), onde ataca a multa moratória e, na seqüência desenvolve todo um extenso arrazoado para atacar a exigência da multa isolada por compensação indevida. 15.1.Prossegue afirmando que a multa moratória deve ser excluída pelas seguintes razões: i) por preterição ao direito de defesa por ausência de fundamentação legal; ii) por conseqüência, deve ser aplicada a interpretação mais benigna em respeito ao Principio da Segurança Jurídica; iii) que é evidente a violação aos Princípios da Legalidade e da Irretroatividade, já que as normas que autorizam a imputação da multa foram promulgadas posteriormente ao pedido de compensação (Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004 e § 7° do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pelo artigo 17 da Lei n° 10.833, de 2003); iv) pela caracterização da denúncia espontânea, já que o pedido de compensação equivale a pagamento, o que torna ilegal a imposição da multa moratória. 15.2.Transcreve toda a legislação reguladora do processo tributário administrativo federal para enfatizar que as reclamações e os recursos administrativos, inclusive referentes aos pedidos de compensação, suspendem a exigibilidade do crédito tributário e, portanto, qualquer ato ou norma administrativa que não conceder esse efeito suspensivo estará ferindo o processo tributário. 15.3. Alega não ter sentido sofrer os autos de infração para a cobrança dos tributos, já que o processo de compensação continua pendente de julgamento e, muito menos, sofrer os autos de multa de mora. 15.4.Mais adiante, acrescenta: Portanto, a Nota Técnica COSAR n° 109/01 totalmente ilegal, por ofensa a determinação expressa no CTN, que no art. 201 do CTN define a divida ativa tributária, Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.011 7 ou seja, somente é débito tributário apto a ser inscrito em divida ativa, aquele não pago no seu vencimento, fixado por lei ou por decisão final proferida em processo administrativo, ou seja, enquanto não finalizado o processo administrativo referente ao débito, este não pode ser inscrito em divida ativa, pelo simples fato de que a sua exigibilidade encontrase suspensa. 15.5.Afirma que a multa de mora deve ser julgada improcedente já que os pedidos de compensação, ainda pendentes de julgamento do recurso apresentado, são decorrentes de processo judicial transitado em julgado, com desistência da execução. Salienta que a legislação mencionada no enquadramento legal é posterior à data dos instrumentos de cessão de créditos indicado nos pedidos de compensação, portanto, não atinge os efeitos daquelas, em face ao principio da irretroatividade. Entende que devem ser feitas outras duas ponderações a respeito: i) não existe dispositivo legal formal que determine a inclusão de multa de mora, quando do indeferimento de compensação na lª instância administrativa, havendo recurso em julgamento; ii) toda a legislação mencionada nos autos foi editada após o pedido de compensação, em flagrante afronta ao Principio da irretroatividade. 15.6. Ainda no mesmo diapasão, defende a tese de que a multa de mora não pode prosperar porque sua ilegalidade é patente em face de: i) ter acarretado seu cerceamento ao direito de defesa já que não é possível precisar qual o real motivo da exigência da multa de mora; ii) em função de não ter sido aplicada interpretação mais benigna ao sujeito passivo, prevista no art. 112, I do CTN; iii) ter ocorrido violação aos princípios da legalidade e da irretroatividade e, por fim, iv) em função de ter restado caracterizada a denúncia espontânea. 15.7.Aventa que o artigo 30 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, mencionada como enquadramento legal da multa de mora não pode prosperar pois tendo constituindo a fundamentação legal para a multa aplicada nos processos 11020.000730/200510 (CSLL), 11020.000726/200543 (IRPJ), 11020.000702/200594 (I PI), 11020.000727/200598 (COFINS), 11020.000728/200532 (IRRF) e 11020.000729/200587 (PIS), restará caracterizada a imputação da mesma multa duas vezes (multa isolada). Pede que seja declarada a nulidade da exigência da multa de mora por não estar fundamentada a imposição referida, em obediência ao Principio da Segurança Jurídica. 15.8.Na seqüência, desenvolve todo uma arrazoado a respeito da improcedência da multa de mora, sobre a irretroatividade dos dispositivos legais mencionados no enquadramento e sobre a aplicação do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). 15.9. Outro ponto atacado, diz respeito à cessão de créditos e sua legitimidade ativa, em detrimento das vedações impostas por meio de Instruções Normativas, após o advento da Lei n° 9.430, de 1996. Sustenta que: "o direito adquirido pelo indivíduo, por Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.012 8 intermédio de decisão judicial transitada em julgado, conferelhe todas as prerrogativas, podendo exercêlas sem qualquer impedimento. Neste caso, o que deve prevalecer é a imperatividade das decisões judiciais."Assim, entende que preenche a regra do artigo 74 da Lei n° 9.430 já que o pedido de substituição no pólo ativo da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 93.00040561, que transitou junto 2 Vara Federal da Seção Judiciária do Espirito SantoES, foi aceito pelo juiz, conforme consta dos autos. 15.10. Prossegue relatando os fatos decorrentes da cessão de créditos firmada com a empresa Tristão Companhia de Comércio Exterior Ltda, originários da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 94.00010800, transitada junto à la Vara Federal da Seção Judiciária do Espirito SantoES , que constituem objeto do processo 13016.000531/2001 64. 15.11. Afirma ter desistido da execução e, em decorrência, o processo original foi arquivado, pois tendo sido admitida no pólo ativo da ação, tornouse credora da Fazenda Nacional, por direito próprio, não cabendo à Instância Administrativa apresentar qualquer restrição. 15.12. Adiante, faz toda uma explanação sobre a possibilidade da compensação tributária e, para isso, lança mão de toda a legislação que trata sobre a matéria, alertando sobre a necessidade de ser observado o principio da irretroatividade das normas e a data do instrumento de cessão da homologação da substituição, no pólo ativo nos processos judiciais, e as datas dos pedidos de restituição/compensação. Afirma que a Lei n° 9.430, quando trata da compensação, não impede a transferência de créditos entre contribuintes, nem que o cessionário os utilize para compensar seus débitos junto ao Fisco. Assim, as Instruções Normativas SRF n° 41, de 2000 e n° 210, de 2002, contrariam a lei, quando inovaram na ordem jurídica estabelecida, criando ou extinguindo direitos. Salienta que: "muito embora, a atual legislação estabeleça restrições à compensação (Lei n° 10.637, de 30/12/2002, art. 49, caput), não se pode olvidar que a proibição foi introduzida, primeiramente, por força de uma Instrução Normativa. Assim, sendo, por respeito ao direito adquirido e a irretroatividade das leis, não prevalece no mundo jurídico as Instruções Normativas, que introduziram limites à compensação, antes que a lei o fizesse." 15.13. Ao final, pede: a) o acolhimento da preliminar de nulidade da inclusão da multa de mora, em respeito ao efeito suspensivo dos processos n° 13016.000366/200141, e 13016.000531/2001 64, que se encontram em fase de julgamento; b) a nulidade do auto de infração tendo em vista que a Instrução Normativa n° 460, de 2004 não pode ser aplicada ao caso já que não foi definitivamente julgado o pedido de compensação; Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.013 9 c) que seja reconhecido que houve a realização de forma correta da compensação, não existindo assim, qualquer diferença entre o valor declarado e o valor escriturado, já que foram observadas as normas ditadas pela Lei n° 9.430; d) que seja declarada nula a exigência da multa de mora nos débitos fiscais apurados em face de: i) preterição ao seu direito de defesa; ii) aplicação da interpretação mais benigna devido a presença de dúvidas quanto à capitulação legal do fato; iii) evidente violação aos princípios da Legalidade e da Irretroatividade, em razão da ocorrência de denúncia espontânea, sendo ilegal qualquer imposição de multa após o pedido de compensação e; iv) que sejam julgados procedentes os pedidos de compensação. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988 Ementa: COMPENSAÇÃO É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro, objeto de ação judicial, cuja sentença conferiu, apenas, o direito à restituição. Assim, não é de se homologar o pedido de compensação que tenha por base tal crédito. AÇÃO JUDICIAL. DIREITO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS ESPECÍFICOS. EFEITOS. A inexistência de expressa desistência no processo judicial, em nome da autora da ação, versando sobre direito de restituição, cujo julgamento a favor da impetrante já transitou em julgado, inviabiliza a utilização administrativa do correspondente crédito para compensação de débitos específicos de terceiro, conforme consta da DCTF. Solicitação Indeferida. A questão apreciada nos autos referese a Pedido de Restituição de quotas de contribuição sobre operações de exportação de café em grão recolhidas no período de outubro/1988 a julho/1989, apresentado pela recorrente em 9 de agosto de 2001 (fls.3), juntamente com Pedidos de Compensação de débitos tributários da matriz (fls. 477 a 479), protocolados em 31 de agosto de 2001, e da filial de São Paulo (fls. 473 a 475), protocolados em 6 de setembro de 2001. O alegado crédito foi adquirido da empresa Realcafé Solúvel do Brasil S/A, sucessora de Real Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ n.° 28.154.847/000140, mediante "Contrato de Cessão de Créditos" (fls. 329 a 341), de 10 de novembro de 2000, Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.014 10 decorrente de decisão judicial transitada em julgado, nos autos do processo n° 93.00040561 que tramitou perante a 2ª Vara da Justiça Federal Seção Judiciária do Estado do Espírito Santo, em razão de recolhimentos indevidos à titulo de "quota de contribuição sobre e ação de café". O pedido de substituição no pólo ativo da ação judicial foi protocolizado no dia 6 de dezembro de 2000 e instruído com contrato de cessão de créditos firmado em 10 de novembro de 2000. Em seu recurso voluntário, a interessada discorre sobre a existência de direito creditório próprio decorrente da cessão de créditos homologada pelo poder judiciário, assevera a conformidade do pedido de compensação tanto com a sentença judicial transitada em julgado quanto com a legislação pertinente, e manifestase sobre a correção dos valores. Afirma ainda a recorrente que a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis teria lhe cerceado o direito de defesa, pois a recorrente teria o direito de ser analisado seu pedido de nulidade da imposição de multa de mora. Aduz que a multa de mora deve ser anulada. Sustenta ainda sua legitimidade ativa, posto inexistir óbice legal que impeça a transferência do crédito, por força de instrumento particular, tendo inclusive sido admitida a validade e eficácia da cessão pelo Poder Judiciário. Alega ainda a recorrente, em relação aos efeitos desta cessão de créditos, que: Portanto, diante da existência de uma cessão de créditos, a CessionáriaRecorrente poderá optar entre executar seu crédito, proveniente de sentença judicial transitada em julgado, sob a autorização do artigo 567, II, do CPC, ou, ainda, ao invés de pleitear seu ressarcimento, via precatório, optar pela compensação, pois estará sob o manto protetor da coisa julgada. Apresenta extenso rol de decisões do STJ que confirmam o entendimento de que cabe ao contribuinte, nos pedidos de restituição de tributo, optar pela via de execução por precatório ou por via de compensação. Em sessão de julgamento realizada em 25 de março de 2009, este colegiado converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, para trazer aos autos prova da renúncia expressa ao direito à execução do titulo judicial por parte da interessada; e para que a autoridade fiscal emita juízo de valor acerca da veracidade dos valores recolhidos vinculados ao pedido de restituição e da escorreita elaboração dos cálculos dos indébitos e da pretendida compensação. Em atendimento à Resolução n° 310100.001 (fls. 1396 a 1405), a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS elaborou Relatório de Diligencia Fiscal (fls. 1446 a 1449) na qual alega: (i) que o documento apresentado pela interessada às fls. 1436 a 1438 não faz prova da renúncia à execução judicial; (ii) considerou válidos os comprovantes de recolhimentos constantes às fls. 1170 a 1209 deste processo, desconsiderando os comprovantes constantes às fls. 1170 a 1178 e considerados os demais pagamentos. Apresentou planilhas demonstrativas dos valores corrigidos. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.015 11 Regularmente intimada à se manifestar acerca do Relatório de Diligência Fiscal, a recorrente apresentou as seguintes considerações, em síntese (fls. 1454 a 1461): (i) que comprovou a renúncia à execução, anexando decisão homologatória do pedido de renúncia à execução e nova Certidão emitida pelo MM. Juízo; (ii) que a correção monetária do crédito deve ser realizada de acordo com as decisões judiciais, transitadas em julgado, aplicandose os índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, em conformidade com o entendimento pacificado do C. STJ, do CARF e ratificado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer/PGFN/CRJ/n° 2601/2008. O julgamento foi novamente convertido em diligência, solicitando a unidade de origem esclarecimentos acerca da informação trazida pela recorrente, em sede de sustentação oral, de que os pedidos de compensação apresentados estariam prejudicados devido a ter aderido ao REFIS, consolidando todos os débitos que buscou compensar no presente processo. A unidade de origem, em resposta, confirmou que os débitos relativos às compensações efetuadas nesse processo foram incluídos em parcelamento. A recorrente, intimada da informação acima, afirma que: [ . . .] Por conseguin te, como os pedidos de compensação apresen tados pe la recorrente restaram pre judicados, devo ser de ferido f ina lmente o pedido de rest i tuição dos créditos oriundos do recolhimento indevido das "quotas de contribuição sobre a exportação de ca fé" , ins t i tuído pelo Decre toLei n . ° 2 .245/36, apl icando a correção monetár ia do crédi to incidente a part ir do pagamento indevido (Súmula n.° 162 , do E . STJ), e observando os índices de inf lação expurgados pe los planos econômicos governamentai s constantes na Tabe la Única da Just iça Federal , em conformidade com o entendimento pacif icado do E. STJ, do E. CARF e rat i f icado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional at ravés do Parecer/PGFN/CRJ/n° 2601/2000. O processo foi novamente encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, em relação às questões atinentes à exigência da multa de mora, haja vista tratarse de matéria estranha ao presente processo, que se restringe aos pedidos de restituição e de compensação negados pela autoridade fiscal, mostrase correta a decisão recorrida em não proceder com a análise das mesmas. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.016 12 Tais exigências encontramse formalizadas em processos distintos, não sendo passíveis de julgamento por parte deste colegiado junto a este processo. Ainda delimitando a lide, verificase que, no último procedimento de instrução probatória, restou comprovado que os débitos objeto dos pedidos de compensação ora em julgamento foram incluídos em parcelamento. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria MF nº 39/2016, possui em seu artigo 78 a seguinte determinação acerca de pedidos de parcelamento: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. [...] Desta forma, o ato da recorrente de incluir os débitos ora compensados em pedido de parcelamento importa em desistência do recurso, ao menos que no que tange aos aludidos pedidos de compensação. A recorrente, consciente de que seus pedidos de compensação restaram prejudicados, solicita que seja deferido o pedido de restituição dos créditos oriundos do recolhimento indevido das "quotas de contribuição sobre a exportação de café", instituído pelo DecretoLei n.° 2.245/36. Entendo, do exposto, que resta passível de julgamento por este colegiado apenas a possibilidade de se restituir, pela via administrativa, o crédito objeto da decisão judicial, que foi cedido a recorrente. Em relação a decisão judicial que dá base ao pleito da recorrente, aproveita se de excerto, abaixo transcrito, da resolução 3101000.384 da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, que esclarece o objeto da contenda judicial e os documentos trazidos aos autos pela recorrente para justificar seu direito a restituição: Em 25 de outubro de 1993 a empresa Real Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ajuizou na 2ª Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo ação ordinária de repetição de indébito, requerendo a condenação da União a devolver valores de tributos indevidamente recolhidos. Foi questionada a constitucionalidade da Quota de Contribuição sobre Operações Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.017 13 de Exportação de Café em Grão Cru, prevista no Decretolei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986. A sentença proferida pelo Juiz do Tribunal Regional Federal da 2a Região (fls.148), em 6 de maio de 1994, julgou parcialmente procedente a ação, declarando a inconstitucionalidade da exigência da quota de contribuição prevista no Decretolei n° 2.295, de 1986, condenando a Unido a restituir as importâncias indevidamente recolhidas. Transcrevemos parte da referida decisão: JULGO PROCEDENTE A PRESENTE AÇÃO PARA DECLARAR “INCIDENTER TANTUM” A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA QUOTA DE CONTRIBUIÇÃO prevista no DecretoLei nº 2.295/86 e, em conseqüência CONDENAR a UNIÃO FEDERAL a restituir ao autor as importâncias indevidamente recolhidas a este título, conforme o pedido e comprovação documental, observada a prescrição qüinqüenal visto que, no caso, operouse a prescrição em relação aos pagamentos efetuados antes do termo inicial desta, dia 05 de novembro de 1988. Por outro lado, não foi acolhido o pedido de compensação: Não acolho o pedido de ordenar a compensação de imposições tributárias no caso, por faltar à dívida em questão o pressuposto de certeza, liquidez e exigibilidade, o qual pressupõe o trânsito em julgado desta sentença, o que evidentemente não ocorreu. Ademais, a postulação não se ajusta à legislação federal de regência da compensação tributária. A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em julgamento da Apelação Cível e Remessa "ExOfficio" n° 70523/ES, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso da autora no sentido de determinar prescritos os pagamentos efetuados no qüinqüídio anterior ao ajuizamento da ação, ou seja, aqueles anteriores a 26/10/1988, e negar provimento à remessa e à apelação da União (fls. 200 a 203). No tocante ao pedido de compensação, novamente foi indeferido, conforme consta no voto de relator: No concernente à compensação do montante pago, a jurisprudência tem se firmado no sentido de que a mesma só poderá ser efetuada na hipótese em que houver previsão expressa, o que não ocorre no caso em tela. O acórdão recebeu a seguinte ementa (fl. 206): CONSTITUCIONAL. DECRETOLEI Nº 2.295/8. QUOTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Entendimento do Plenário desta Egrégia Corte no sentido de não ter sido recepcionado pela Constituição de 1988 o DecretoLei nº2.295/86, constitucional ante o ordenamento anterior (Ap.C.nº 93.02.137716). Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.018 14 O Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento no sentido de que o índice de correção monetária, a ser adotado no mês de janeiro de 1989, é de 42,72%. Juros de mora devidos a partir do trânsito em julgado da decisão. Relativamente à compensação do montante pago, firmada jurisprudência no sentido de que a mesma só poderá ser efetuada na hipótese em que houver previsão expressa, o que não ocorre no caso em tela. Prescritos os pagamentos efetuados no qüinqüídio anterior ao ajuizamento da ação. Reduzida a verba honorária para 5% (cinco por cento) sobre o valor da condenação. Apelação da autora parcialmente provida, remessa e apelação da União improvidas. As fases posteriores do processo não alteraram a referida decisão. Em 05/09/2000 o Acórdão transitou em julgado (fl. 291). Concluise, portanto, que a União foi condenada a restituir à empresa Real Comércio de Produtos Alimentícios Ltda os valores recolhidos a titulo de Quota de Contribuição sobre operações de exportação de café em grão cru, prevista no Decretolei n°2.295, de 1986. Além disso, tanto na sentença de primeiro grau como no acórdão ficou registrada a impossibilidade de compensação. O direito assegurado pela decisão judicial transitada em julgado foi a restituição à empresa Real Comércio de Produtos Alimentícios Ltda das importâncias indevidamente recolhidas a título da Quota de Contribuição prevista no DecretoLei nº 2.295/86, conforme o pedido e comprovação documental, observada a prescrição qüinqüenal para os pagamentos efetuados no qüinqüídio anterior ao ajuizamento da ação, ou seja, aqueles anteriores a 26/10/1988. O pedido de substituição no pólo ativo da ação judicial foi protocolizado no dia 6 de dezembro de 2000 e instruído com contrato de cessão de créditos firmado em 10 de novembro de 2000. Foi apresentado pela Recorrente prova de sua renúncia à execução, anexando decisão homologatória do pedido de renúncia à execução e nova Certidão emitida pelo MM. Juízo. Salientase que a decisão judicial que homologou a renúncia à execução (fls. 1914) foi conferida sujeita a condição resolutória, na hipótese de vir a ser indeferida na via administrativa a compensação, neste termos: Diante das petições de fls. 389/390 e 393, HOMOLOGO A RENÚNCIA ao direito da autora de promover a execução do Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.019 15 julgado formado nos autos do presente processo, SUJEITA, PORÉM, À CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA de vir a ser indeferida na via administrativa a compensação do indébito, nos termos do petitório de fls. 389/390, no qual fez constar essa reserva, de maneira a resguardar tanto os interesses fazendários quanto os interesses do contribuinte. Em sendo esta a situação em julgamento, esclarecese que um contribuinte, de posse de uma decisão judicial transitada em julgado de natureza condenatória, tem o direito de executar este título judicial. O pagamento, todavia, deve obrigatoriamente ser feito por meio da expedição de precatório, e na ordem cronológica de apresentação deste, conforme previsto no caput do art.100 da CF/88: Art. 100. À exceção dos créditos de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença judiciária, farseão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (redação original) Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, farseão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009). (Vide Emenda Constitucional nº 62, de 2009)(grifo nosso) A Lei Nº 4320, de 1964, já estabelecia esta norma em seu artigo 67: Art. 67. Os pagamentos devidos pela Fazenda Pública, em virtude de sentença judiciária, farseão na ordem de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, sendo proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para êsse fim. O caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, entretanto, criou uma nova forma de satisfação deste direito ao prever a possibilidade de se compensar os créditos reconhecidos pelo Poder Judiciário com trânsito em julgado passíveis de restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifo nosso) Percebase que não se permite a execução de um título judicial diretamente junto à Administração Pública; permitese apenas, de forma excepcional a regra dos Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.020 16 precatórios, a utilização de direito creditório obtido judicialmente em procedimentos de “compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. Constatase, do exposto, que o requerimento apresentado pela recorrente não possui embasamento legal. A Constituição Federal é expressa ao afirmar que o pagamento de quantias judicialmente reconhecidas como devidas pela Administração Pública é feito exclusivamente por intermédio de precatórios. Neste ponto, tomando por base os dispositivos legais e constitucionais que regem a matéria, um pedido administrativo de restituição decorrente de decisão judicial em ação de repetição de indébito não pode ser concedido. Concluir de forma contrária resultaria em um desrespeito ao art. 100 da CF, que estabeleceu o regime de precatórios. Percebase que os precatórios ingressaram no mundo jurídico para evitar que governantes utilizem do orçamento público para favorecer aliados ou prejudicar inimigos. O instituto do precatório, ao submeter os pagamentos a uma ordem cronológica de apresentação, serve de instrumento de controle de legalidade objetiva, permitindo tanto ao Poder Judiciário quanto aos particulares a fiscalização da satisfação de créditos originários em decisão judicial. Dessa forma, nas hipóteses em que a sentença judicial transitada em julgado conferir ao contribuinte um título executivo judicial, este poderá optar pela compensação ou pela restituição via precatório, não sendo possível a restituição administrativa. Este entendimento, inclusive, já se encontra sumulado pelo STJ, por meio da Súmula 461: Súmula Nº 461, D.J. 25/08/2010 O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. O STJ admite a execução administrativa de sentença judicial, desde que pela via da compensação administrativa. Inexiste, contudo, a possibilidade de restituição administrativa em pecúnia. Observese ainda que esta súmula teve origem, entre outros julgados, no REsp nº 1.114.404/MG, com acórdão proferido na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC, constituindo julgado de observância obrigatória por este CARF, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do colegiado), e que apresenta a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FACULDADE DO CREDOR. RECURSO ESPECIAL Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.021 17 REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1."A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção: REsp.796.064 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22.10.2008; EREsp. Nº 502.618 RS, Primeira Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 8.6.2005; EREsp. N. 609.266 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 23.8.2006. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp1114404/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 10/02/2010, Dje 01/03/2010)” (grifo nosso) Neste mesmo sentido caminha a jurisprudência deste Conselho, como se verifica das ementas de julgados abaixo transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 SENTENÇA EM MANDADO DE SEGURANÇA. EFICÁCIA EXECUTIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em mandado de segurança, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal. (Ac. nº 3302002.294, Relator Walber José da Silva, sessão de 24 de setembro de 2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1990 a 13/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. DEVOLUÇÃO SOMENTE POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. AFRONTA AOS INSTITUTOS DO Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.022 18 PRECATÓRIO E DA COISA JULGADA MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Na esfera administrativa, não é passível de restituição em pecúnia o indébito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, que determinou o recebimento do crédito exclusivamente por meio de compensação, pois tal procedimento implicaria afronta aos institutos do precatório e da coisa julgada material. (Ac. nº 3802001.566, Rel José Fernandes do Nascimento, sessão de 26 de fevereiro de 2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ N. 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas a opção entre a restituição via precatório e a compensação, cf. Súmula STJ n. 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. (Ac nº 3403002.740, Rel Rosaldo Trevisan, sessão de 30 de janeiro de 2014) A própria recorrente, em diferentes oportunidades, manifesta anuência com este entendimento, qual seja o de que existem apenas duas opções para executar seu crédito, proveniente de sentença judicial transitada em julgado: ou pleitear sua restituição, via precatório, ou optar pela compensação. Encontramse reproduzidas, no Recurso Voluntário, diversas decisões do STJ neste sentido, tendo a recorrente afirmado que, "Portanto, conforme mansa e pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, última palavra na interpretação das normas infra constitucionais no Brasil, a sentença (titulo executivo judicial) que determinar a restituição de qualquer exação tributária (repetição do indébito), poderá se executada, tanto pela via de precatórios ou pela compensação, cabendo ao exclusivamente ao Contribuinte esta opção." Dito isto, tendo em vista a impossibilidade jurídica de se executar na via administrativa decisão judicial condenatória por meio do recebimento de valores em pecúnia, restam prejudicados os demais argumentos apresentados pela recorrente, notadamente os referentes a validade da cessão dos créditos judiciais. Diante do exposto, por falta de previsão legal, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/200141 Acórdão n.º 3201002.233 S3C2T1 Fl. 2.023 19 Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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