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6406382 #
Numero do processo: 10840.722794/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 83          1  82  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.722794/2013­51  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2402­000.552  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  12 de maio de 2016  Assunto  Solicitação de Diligência   Recorrente  DEBORA SCIASCIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência nos termos do voto do relator       Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Ronnie Soares Anderson ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro  Aldinucci.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .7 22 79 4/ 20 13 -5 1 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722794/2013­51  Resolução nº  2402­000.552  S2­C4T2  Fl. 84          2    RELATÓRIO  Trata­se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita  Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) ­ DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação  de Lançamento de  Imposto de Renda Pessoa Física  (IRPF),  alterando o  saldo de  imposto de  renda  a  restituir  do  ano­calendário  2011  de R$  291,60  para  o montante  de R$  1.592,79  de  imposto de renda suplementar a recolher (fls. 3/6), face à infração de omissão de rendimentos  recebidos de pessoas físicas, assim descrita na autuação:  Omissão de rendimentos no valor de R$ 22.530,84 recebidos a título de  pensão  alimentícia,  declarada,  erroneamente,  na  PJ  (deixou  de  declarar a aposentadoria por  tempo de serviço, NB 124.594.8900, no  valor de R$ 22.417,74  Em sua impugnação (fls. 2/12), a contribuinte alegou não se tratar de omissão de  rendimentos, mas sim de pensão judicial recebida.  Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 20/22), foi interposto  recurso voluntário em 17/3/2014 (fls. 27/52), arguindo, em síntese, que:  ­  a  contribuinte  recebe  pensão,  segundo  decisão  a  qual  estabeleceu  que  os  proventos percebidos pelo ex­cônjuge do INSS lhe seriam totalmente vertidos;  ­  para  cumprir  tal  determinação,  o  INSS  implementou  nº  de  benefício  em  seu  nome, e denominou­o de aposentadoria por tempo de contribuição;  ­ sequer é segurada daquela autarquia.  Junta documentos e pede que seja "abortado" o lançamento.  É o relatório.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722794/2013­51  Resolução nº  2402­000.552  S2­C4T2  Fl. 85          3  VOTO  Conselheiro Ronnie Soares Anderson ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  Há informações deveras desencontradas e incompletas no caso sob exame, razão  pela qual impõe­se o retorno dos autos à origem, para realização de diligência.  Explico.  Há  decisão  judicial  (fl.  45)  determinando  que  a  totalidade  dos  proventos  recebidos  do  INSS  pelo  ex­cônjuge  da  notificada  sejam  a  ela  repassados,  estando  o  comprovante de rendimentos desse ex­cônjuge, à fl. 9, em harmonia com tal disposição. Nele,  verifica­se que sobre os rendimentos totais de R$ 22.530,54 auferidos como aposentadoria, há  dedução  nesse  mesmo  valor  como  pensão  alimentícia,  para  o  benefíciário  especificado  nas  "informações complementares", nomeadamente, a recorrente.  Por outra via, constata­se que o INSS emitiu comprovante de rendimentos pagos  e  de  retenção  de  imposto  de  renda  na  fonte  (fl.  10),  no  qual  a  contribuinte  consta  como  beneficiária  de  rendimentos  de  aposentadoria  por  contribuição,  no  valor  de  R$  22.417,74,  inclusive  com  retenção  de  imposto  de  renda  na  fonte,  dados  em  consonância  com  os  informados em Dirf por essa fonte pagadora (fl. 12).  À uma primeira vista, parecem tratar­se de rendimentos distintos, mas conforme  narrativa da recorrente, o INSS, para fins de implementação da decisão judicial, criou um nº de  benefício  em  seu  nome,  o  de  nº  124.594.890­0,  atribuindo­lhe  a  denominação  de  "aposentadoria  por  tempo  de  contribuição",  o  que  explicaria  os  dados  constantes  no  comprovante de rendimentos pagos do INSS emitido em seu nome.  Tal versão, ainda que peculiar, encontra respaldo no consignado no campo "6 ­  informações complementares" do comprovante de rendimentos do ex­cônjuge, aonde além de  constar como beneficiária da pensão a notificada, é especificado que o valor pago no ano­base  2011 foi, na verdade, de R$ 22.417,74 (fl. 9), sem considerar o décimo terceiro salário.  Além disso, nos documentos de  fls. nº 46 e 51,  também de  lavra do  INSS, há  indícios adicionais ao encontro dessas alegações. No documento de nº 46, extraído do sistema  Dataprev,  consta  a  informação de que  a  contribuinte  "Recebe PA", o que pode ser,  em  tese,  alusão à natureza efetiva de pensão dos rendimentos em tela.  Por sua vez, no documento de fl. 51, aparentemente ofício exarado pela Seção  de  Benefício  ­  APS  Rio  Claro  da  Previdência  Social,  consta  a  menção  "NB:  Pensão  Alimentícia" vinculada ao nº do benefício, 124.594.980­0.  Em síntese, estão presentes nos autos uma série de informações que possuem a  mesma origem, o INSS, guardando substancial grau de divergência entre si, de modo que para  se  ter  a  necessária  segurança  acerca  dos  fatos  em  evidência  é  necessário  que  essa  autarquia  esclareça a natureza dos rendimentos sob controvérsia.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722794/2013­51  Resolução nº  2402­000.552  S2­C4T2  Fl. 86          4  Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para  fins de que a unidade de origem intime o INSS a informar se os rendimentos percebidos dessa  autarquia pela contribuinte em epigrafe no ano­calendário 2011, sob o número de beneficiário  124.594.890­0, no montante de R$ 22.417,74, são efetivamente provenientes de aposentadoria  por  tempo  de  contribuição,  ou  correspondem,  na  verdade,  a  valores  recebidos  por  força  de  implementação  de  decisão  judicial  versando  sobre  pensão  alimentícia,  intimando­se  a  contribuinte do  resultado dessa diligência,  com a  remessa, ao  final, dos autos ao CARF para  prosseguimento do julgamento.    Ronnie Soares Anderson.  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON

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6334432 #
Numero do processo: 15983.000832/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/10/2010 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. VALORES RECOLHIDOS FORAM CONSIDERADOS JUNTO AS CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO QUE SÓ EXIGE CONTRIBUIÇÃO FORA DA GFIP, OU SEJA, COM AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO RETIFICADO NA DRJ. LEVANTAMENTO ALIMENTAÇÃO EXCLUÍDO EM PARTE NA DRJ. INEXISTINDO MOTIVAÇÃO E PROVA PARA NOVA EXCLUSÃO EM ESPECIAL DA PARTE CONSTITUÍDA DE PAGAMENTO EM PECÚNIA. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa -Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/10/2010 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. VALORES RECOLHIDOS FORAM CONSIDERADOS JUNTO AS CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO QUE SÓ EXIGE CONTRIBUIÇÃO FORA DA GFIP, OU SEJA, COM AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO RETIFICADO NA DRJ. LEVANTAMENTO ALIMENTAÇÃO EXCLUÍDO EM PARTE NA DRJ. INEXISTINDO MOTIVAÇÃO E PROVA PARA NOVA EXCLUSÃO EM ESPECIAL DA PARTE CONSTITUÍDA DE PAGAMENTO EM PECÚNIA. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa -Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 613          1 612  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15983.000832/2010­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.211  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  CP: TERCEIROS.  Recorrente  FUNDACAO PRIMEIRA DE SAO VICENTE PARA O  DESENVOLVIMENTO CULTURAL, CIENTIFICO E DE PRESTACÃO DE  SERVIÇOS.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL.     ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 14/10/2010  INEXISTÊNCIA  DE  NULIDADE.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEVIDAMENTE  MOTIVADO.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  VALORES  RECOLHIDOS  FORAM  CONSIDERADOS  JUNTO  AS  CONTRIBUIÇÕES  DECLARADAS  EM  GFIP.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  QUE  SÓ  EXIGE  CONTRIBUIÇÃO  FORA  DA  GFIP,  OU  SEJA,  COM  AUSÊNCIA  DE  DECLARAÇÃO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  RETIFICADO  NA  DRJ.  LEVANTAMENTO  ALIMENTAÇÃO  EXCLUÍDO  EM  PARTE  NA  DRJ.  INEXISTINDO  MOTIVAÇÃO  E  PROVA  PARA  NOVA  EXCLUSÃO  EM  ESPECIAL  DA  PARTE  CONSTITUÍDA DE PAGAMENTO EM PECÚNIA.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  Por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.   (Assinado digitalmente).  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­Presidente.      (Assinado digitalmente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 32 /2 01 0- 67 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 614          2 Eduardo de Oliveira ­ Relator.  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa  (Presidente),  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro,  Eduardo  de  Oliveira,  Jose  Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  Convocado), Wilson  Antonio  de  Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 615          3 Relatório  O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração  de  Obrigação  Principal  –  AIOP  ­  DEBCAD  37.270.874­9,  que  objetiva  o  lançamento  da  contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga,  devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal  do  Processo Administrativo  Fiscal  –  REFISC,  de  fls.  24  a  27,  com  período  de  apuração  de  01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal ­ TIPF, de fls. 18 e 19.   O sujeito passivo  foi cientificado do  lançamento, em 25/10/2010, conforme  Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01.  O  contribuinte  apresentou  sua  defesa/impugnação,  petição  com  razões  impugnatórias,  acostada, as  fls. 29 a 32,  recebida, em 26/11/2010, estando acompanhada dos  documentos, de fls. 33 a 199; 202 a 399; 402 a 524.  A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 525 e 526.  O órgão julgador de primeiro grau emitiu a Resolução Nº 5­3.377 ­ 6ª Turma  da DRJ/CPS, datado de 24/01/2012, fls. 535 a 537, por intermédio do qual baixou os autos em  diligência.  A diligência foi cumprida, conforme Relatório Fiscal Complementar, de fls.  541, acompanhado dos documentos, de fls. 542, e o contribuinte cientificado dessa, conforme  despacho, de fls. 549 a 551.  O  órgão  julgador  de  primeiro  grau  emitiu  o  Acórdão  Nº  05­40.237  ­  6ª,  Turma DRJ/CPS, em 12/03/2013, fls. 576 a 589.  A impugnação foi considerada procedente em parte.  O  contribuinte  tomou  conhecimento  desse  decisório,  em  24/06/2013,  conforme AR, de fls. 596.  Irresignado  o  contribuinte  impetrou  o  Recurso  Voluntário,  petição  de  interposição  com  razões  recursais,  as  fls.  598  a  606,  recebida,  em  24/07/2013,  desacompanhado de qualquer documento.  As teses recursais sumariadas estão a seguir descritas.  Mérito.  · que a autuação não resiste ao confronto dos preceitos constitucionais,  pois não houve descrição precisa dos  fatos, não  sendo apontadas as  diferenças  consistentes  a  ensejar  o  lançamento,  o  que  implica  em  cerceamento  do  direito  de  defesa,  uma  vez  que  a  atuação  não  foi  demonstrada de forma precisa, não tendo o fisco mencionado os fatos  geradores  das  supostas  contribuições  devidas,  deixando,  assim,  o  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 616          4 fisco de motivar o lançamento e comprovar os fatos alegados, o que  enseja vício insanável, que causa a nulidade da notificação, conforme  legislação e jurisprudência;  · que o fisco não fez a devida compensação dos valores recolhidos pela  recorrente, de forma arbitraria, o que leva a nulidade da notificação,  devendo os atos administrativos  serem motivados, artigo 50, da Lei  9.784/99,  sendo  o  mesmo  exigido  pelo  artigo  11,  III,  do  Decreto  70.235/72,  exigindo,  ainda,  os  artigos  201  a  204,  do  CTN,  que  se  indique a origem e natureza do crédito;  · que os artigos 145, III, do CTN; 149, IX e 53, da Lei 9.784/99 trazem  as  hipóteses  que  geram  a  nulidade  do  lançamento,  restando  demonstrada  a  nulidade  do  auto  de  infração,  medida  cabível  a  efetivação da justiça;  · que o fornecimento de alimentação  in natura cesta básicas e  tickets  alimentação,  ainda,  que  a  empresa  não  seja  inscrita  no  PAT  não  enseja  contribuição,  nos  termos  da  jurisprudência  do  STJ,  assim  sendo  a  notificação  é  improcedente,  nula,  pois  o  que  se  vê  é mera  irregularidade formal;  · Conclui  a  recorrente:  a)  que o  recurso  seja considerado procedente,  com  a  decretação  de  nulidade  da  notificação,  pois  inconsistente  e  eivada de vícios; b) que as contribuições foram lançadas de encontro  a  legislação  de  regência,  não  sendo  precisos  os  fatos  no  relatório  fiscal  e  nem  foram  apontadas  as  diferenças  que  ensejam  o  lançamento,  o  que  dificulta  e  cerceia  o  direito  de  defesa  da  recorrente;  c)  que  alimentação  in  natura  não  é  base  imponível  da  contribuição social previdenciária.   A  autoridade  preparadora  não  se  manifestou  quanto  à  tempestividade  do  recurso.  Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 610.  Os autos  foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014,  Lote 03, fls. 611.  É o Relatório.  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 617          5   Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado.   Retenção.  O  presente  processo  ficou  retido  e  sua  solução  foi  retardada  em  razão  dos  recentes  acontecimentos  que  afetarão  o  normal  funcionamento  do  CARF,  situação,  absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro.  Mérito.  Os relatórios anexos e  integrantes do Auto de  Infração não deixam dúvidas  de que o fato gerador é a prestação de serviços por pessoas físicas – empregados e que a base  de  cálculo  está  dividida  em  três  levantamentos;  AL  –  ALIMENTAÇÃO;  EB  –  ESTÁGIO  BOLSA  e  SALÁRIO  DIFERENÇA  DIPJ  GFIP,  com  os  valores  descriminados  por  competência, basta ler e ver o REFISC, fls.  24 a 27, o Relatório de Lançamentos – RL, fls. 11  a  14,  e  o  Discriminativo  de  Débito  –  DD,  fls.  04  a  10,  não  havendo  que  se  falar  em  cerceamento  de  defesa,  pois  devidamente  descritos  os  elementos  necessários  a  tributação  e  estando  a  notificação  devidamente motivada  e  com  a  legislação  de  regência  identificada  no  Fundamentos Legais do Débitos – FLD, fls. 15 e 16, inexistindo qualquer vício no lançamento.  A DRJ ao analisar a impugnação de primeiro grau já se pronunciou sobre o  aproveitamento  de  valores  supostamente  recolhidos  pelo  contribuinte,  nos  termos  abaixo  transcritos, concluindo pela inexistência de crédito a ser aproveitada nesse lançamento.    Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 618          6   Desta  forma, não há o que aproveitar, uma vez que não houve alteração da  situação fática real.  Ficou demonstrada como supramencionada que a motivação da aplicação do  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  está  declinada  de  forma  clara  e  objetiva,  contudo, apenas, a título de esclarecimento a Lei 9.784/99 não se aplica ao PAF, pois esse tem  legislação própria, artigo 69, da própria Lei 9.784/99 e jurisprudência do STJ a seguir citada.  EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  DURAÇÃO  RAZOÁVEL  DO  PROCESSO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  FEDERAL.  PEDIDO  ADMINISTRATIVO  DE  RESTITUIÇÃO.  PRAZO  PARA  DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA  LEI  9.784/99.  IMPOSSIBILIDADE.  NORMA  GERAL.  LEI  DO  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72.  ART.  24  DA  LEI  11.457/07.  NORMA  DE  NATUREZA  PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART.  535 DO CPC NÃO CONFIGURADA.  1. A duração razoável dos processos  foi  erigida  como cláusula  pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de  2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis:  "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a  razoável  duração  do  processo  e  os  meios  que  garantam  a  celeridade de sua tramitação."  2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável  é  corolário  dos  princípios  da  eficiência,  da  moralidade  e  da  razoabilidade.  (Precedentes:  MS  13.584/DF,  Rel.  Ministro  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 619          7 JORGE  MUSSI,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  13/05/2009,  Dje  26/06/2009;  REsp  1091042/SC,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  06/08/2009,  DJe  21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE  ASSIS  MOURA,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  29/10/2008,  DJe  07/11/2008;  Resp  690.819/RS,  Rel.  Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  22/02/2005,  DJ  19/12/2005)  3.  O  processo  administrativo  tributário  encontra­se  regulado  pelo  Decreto  70.235/72  ­  Lei  do  Processo  Administrativo  Fiscal­,  o  que  afasta  a  aplicação  da  Lei  9.784/99,  ainda  que  ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação  de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas  e recursos administrativos do contribuinte.  4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara  fiscal,  quiçá  fosse  possível  a  aplicação  analógica  em  matéria  tributária,  caberia  incidir  à  espécie  o  próprio  Decreto  70.235/72,  cujo  art.  7º,  §  2º,  mais  se  aproxima  do  thema  judicandum, in verbis:  "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº  3.724, de 2001)  I  ­  o  primeiro  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  cientificado  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária ou seu preposto;  II ­ a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;  III ­ o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.  § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito  passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de  intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.  §  2° Para  os  efeitos  do  disposto  no  §  1º,  os  atos  referidos  nos  incisos  I  e  II  valerão pelo prazo de  sessenta dias,  prorrogável,  sucessivamente,  por  igual  período,  com  qualquer  outro  ato  escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos."  5.  A  Lei  n.°  11.457/07,  com  o  escopo  de  suprir  a  lacuna  legislativa  existente,  em  seu  art.  24,  preceituou  a  obrigatoriedade  de  ser  proferida  decisão  administrativa  no  prazo  máximo  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  a  contar  do  protocolo dos pedidos, litteris:  "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa  no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do  protocolo  de  petições,  defesas  ou  recursos  administrativos  do  contribuinte."  6.  Deveras,  ostentando  o  referido  dispositivo  legal  natureza  processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos,  defesas ou recursos administrativos pendentes.  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 620          8 7.  Destarte,  tanto  para  os  requerimentos  efetuados  anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos  protocolados  após  o  advento  do  referido  diploma  legislativo,  o  prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos  (art. 24 da Lei 11.457/07).  8. O art.  535 do CPC resta  incólume se o Tribunal de origem,  embora  sucintamente,  pronuncia­se  de  forma  clara  e  suficiente  sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está  obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para embasar a decisão.  9.  Recurso  especial  parcialmente  provido,  para  determinar  a  obediência  ao  prazo  de  360  dias  para  conclusão  do  procedimento  sub  judice. Acórdão submetido ao  regime do art.  543­C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 –  RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu).  Os  artigos  201  a  204,  da  Lei  5.172/1966  não  se  aplicam  ao  lançamento  tributário,  pois  referem­se  especificamente  a  inscrição da dívida  e  a expedição da  respectiva  Certidão  de  Dívida  Ativa,  mas  a  origem  do  presente  lançamento  como  já  demonstrada  é  o  desrespeito a lei tributaria pelo não cumprimento do dever de oferecer a tributação a totalidade  da massa salarial da empresa.   O  fisco  promoveu  e  está  promovendo  a  revisão  do  lançamento  provocada  pelo contribuinte em razão da impugnação e respectivo recurso voluntário, o que de verifica do  Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 553 a 557, onde se retificou a  parte do  levantamento AL – ALIMENTAÇÃO, do  levantamento EB – ESTÁGIO BOLSA e  por fim o levantamento SA – SALARIO DIFERENÇA DIPJ GFIP, passando o crédito do valor  inicialmente lançado R$ 45.201,50 para R$ 32.593,52, após a retificação.  Quanto  a  rubrica alimentação a DRJ deixou claro que excluiu dos  autos os  valores  relativos a  alimentação  in natura  aquisição de  insumos para o preparo das  refeições,  bem  como  o  pagamento  em  pecúnia  destinado  ao  reembolso  de  despesa  com  alimentação,  conforme trecho a seguir transcrito.  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000832/2010­67  Acórdão n.º 2202­003.211  S2­C2T2  Fl. 621          9 Dessa  maneira,  entendo  que  devem  ser  excluídos  os  valores  considerados  pela  fiscalização  como  salário  de  contribuição  a  título de insumos adquiridos ao fornecimento de refeições, notas  fiscais de refeições prontas, e, ainda, por manifesta coerência, os  valores  relativos  a  reembolsos  de  despesas  com  refeições  avulsas,  tal  qual  documentos  acostados  aos  autos  às  fls.  1.182/1.201  (autos  do  processo  administrativo  nº  15983.000831/201012).  Porém, em relação aos valores pagos em pecúnia, mas que não há vinculação  desses  valores  com  aquisição  de  insumos  ou  reembolso  de  despesas,  tais  valores  foram  mantidos no  lançamento, não há razão para mudar tal decisão, pois não há nada que mude a  situação fática apresentada anteriormente.  Com os esclarecimentos acima rejeito todos os pedidos, pois os argumentos  apresentados não são suficientes para alterar o lançamento.  CONCLUSÃO:  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para  no  mérito  negar­lhe  provimento.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.                                    Fl. 621DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 10074.720018/2013-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 04/09/2008, 02/09/2009, 13/11/2009, 02/09/2010, 30/03/2011, 06/12/2011 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. VALORAÇÃO. SEXTO MÉTODO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS A RECOLHER. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Diante da impossibilidade, devidamente motivada pela fiscalização, de aplicação do método de valoração adotado pelo importador e dos demais métodos subsequentes, correta a adoção do sexto método de valoração, com base em critérios razoáveis, condizentes com o Acordo de Valoração Aduaneira. Devem ser cobradas as diferenças de tributos e multas relativamente à diferença entre valor aduaneiro obtido pela fiscalização pela aplicação do sexto método de valoração e o valor declarado pelo importador. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ementa: INFORMAÇÃO INEXATA. MÉTODO DE VALORAÇÃO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. ATIPICIDADE. Aplica-se multa ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Em obediência ao princípio da tipicidade, é necessário comprovar que houve omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação dessa natureza, bem como que a conduta tenha prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado. A constatação posterior pela fiscalização da inadequação do método de valoração declarado não caracteriza prestação de "forma inexata" quanto o "método de valoração utilizado" pelo importador para a composição do valor aduaneiro constante na Declaração de Importação. Recurso de Ofício negado Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ 99.428. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 823          1 822  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10074.720018/2013­44  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3402­003.049  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de abril de 2016  Matéria  Valoração Aduaneira  Recorrentes  ACAMIN NAVEGAÇÃO E SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data  do  fato  gerador:  04/09/2008,  02/09/2009,  13/11/2009,  02/09/2010,  30/03/2011, 06/12/2011  Ementa:  REVISÃO  ADUANEIRA.  REVISÃO  DE  OFÍCIO.  MUDANÇA  DE  CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA.  Não  tendo  sido  efetuado  nenhum  lançamento  de  ofício  no  curso  da  conferência aduaneira, o  lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira  não  caracteriza  revisão  de  ofício,  nem  tampouco  se  cogita  de  alteração  de  critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN.  A  revisão  aduaneira  é  um  procedimento  fiscal,  realizado  dentro  do  prazo  decadencial  de  tributos  sujeitos  ao  "lançamento  por  homologação",  e,  portanto,  compatível  com  este  instituto,  mediante  o  qual  se  verifica,  entre  outros  aspectos,  a  regularidade  da  atividade  prévia  do  importador  na  declaração  de  importação  em  relação  à  apuração  e  ao  recolhimento  dos  tributos.  VALORAÇÃO.  SEXTO  MÉTODO.  DIFERENÇA  DE  TRIBUTOS  A  RECOLHER. LANÇAMENTO PROCEDENTE.  Diante  da  impossibilidade,  devidamente  motivada  pela  fiscalização,  de  aplicação  do  método  de  valoração  adotado  pelo  importador  e  dos  demais  métodos subsequentes, correta a adoção do sexto método de valoração, com  base  em  critérios  razoáveis,  condizentes  com  o  Acordo  de  Valoração  Aduaneira.  Devem  ser  cobradas  as  diferenças  de  tributos  e  multas  relativamente  à  diferença  entre  valor  aduaneiro  obtido  pela  fiscalização  pela  aplicação  do  sexto método de valoração e o valor declarado pelo importador.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ementa:     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 00 18 /2 01 3- 44 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     2 INFORMAÇÃO  INEXATA.  MÉTODO  DE  VALORAÇÃO.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA. MULTA. ATIPICIDADE.   Aplica­se multa ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de  forma  inexata  ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­ tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento  de controle aduaneiro apropriado. Em obediência ao princípio da tipicidade, é  necessário comprovar que houve omissão ou prestação de forma  inexata ou  incompleta  de  informação  dessa  natureza,  bem  como  que  a  conduta  tenha  prejudicado o procedimento de controle aduaneiro apropriado.  A  constatação  posterior  pela  fiscalização  da  inadequação  do  método  de  valoração  declarado  não  caracteriza  prestação  de  "forma  inexata"  quanto  o  "método de valoração utilizado" pelo importador para a composição do valor  aduaneiro constante na Declaração de Importação.   Recurso de Ofício negado  Recurso Voluntário negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício  e,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais  de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Ausente  ocasionalmente  a  Conselheira  Valdete  Aparecida  Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ 99.428.   (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim  ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de  Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos  Augusto Daniel Neto.   Relatório  Trata­se de recurso  voluntário  e de  ofício  contra  decisão  da Delegacia de  Julgamento em Fortaleza, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte.  Trata o processo de autos de infração para a exigência de tributos incidentes  sobre a importação (II e PIS/Cofins­importação), multa de ofício, multa de um por cento sobre  o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.158­35/2001  combinado  com  o  art.  69  da  Lei  nº10.833/2003,  e  juros  de  mora,  perfazendo  na  data  da  autuação, um valor total de R$ 14.493.689,24 (quatorze milhões, quatrocentos e noventa e três  mil,  seiscentos  e  oitenta  e  nove  reais  e  vinte  e  quatro  centavos),  relativamente  às  DI´s  nºs  Fl. 824DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 824          3 08/1382464­2,  09/1169522­7,  09/1169523­5,  09/1594908­8,  09/1594909­6,  10/1537450­8,  11/0574811­3, 11/2307867­1 e 10/2213258­1.  As  importações  da  contribuinte,  registradas  de  janeiro  de  2008  a março  de  2012,  foram selecionadas para  fiscalização do valor aduaneiro  em zona secundária  tendo em  vista  que  constava  nas  correspondentes  Declarações  de  Importação  (DI´s)  a  utilização  do  Primeiro Método de Valoração, o que era incompatível com o regime aduaneiro de admissão  temporária para utilização econômica, em que não há uma efetiva operação de compra e venda.  Afastado  o  Primeiro Método  de  Valoração  Aduaneira,  e  tendo  em  vista  a  impossibilidade  de  aplicação  dos  métodos  subsequentes,  a  fiscalização  aplicou  o  Sexto  Método, utilizando como critério razoável para a valoração a utilização dos valores constantes  das apólices dos contratos de seguro dos bens, apresentadas pela própria contribuinte, do que  resultou a diferença de tributos objeto de exigência no auto de infração.  A  multa  prevista  no  art.  84  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001  combinado  com  o  art.  69  da  Lei  nº10.833/2003  foi  exigida  pela  ocorrência  de  prestação  inexata  de  informação  de  natureza  administrativo­tributária  e  comercial,  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado,  em  face  da  declaração  de  utilização do Primeiro Método de Valoração nas DI´s.  Cientificado  da  autuação,  a  contribuinte  apresentou  impugnação,  alegando,  em síntese:  ­ O contrato de seguro não é baseado necessariamente no valor do bem em si,  mas pode englobar outros  itens que,  juntamente ao valor do bem segurado,  totalizam o valor  final contratado e constante na apólice.  ­ O valor  efetivo do bem, considerando seu desgaste natural,  somente pode  ser realmente aferido por um perito técnico.  ­  As  multas  aplicadas  desobedecem  aos  princípios  da  proporcionalidade  e  razoabilidade e estão em desacordo com o determinado pelo art. 150, inc. IV da Constituição  Federal de 1988, que proíbe o confisco.  A  Delegacia  de  Julgamento  em  Fortaleza  considerou  não  impugnada  a  matéria relativa a exigência dos tributos e acréscimos legais referente à DI nº 10/22132581, e  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  para  exonerar  o  montante  de  R$  12.477.070,27  (doze milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, setenta reais e vinte e sete centavos), referente  à multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria.  Entendeu  o  julgador  de  primeira  instância  pela  correção  da  valoração  aduaneira  efetuada  pela  fiscalização  com  a utilização  dos  valores  constantes  nas  apólices  de  seguros, vez que  "(...)  se o próprio beneficiário do  regime declarou em 22 DI  (71% das que  foram objeto desta fiscalização) o valor constante dos certificados de seguro e instruiu tais DI  com Pro Forma  Invoices contendo exatamente os mesmos valores,  é bastante  razoável que  esse critério seja adotado para a valoração das mercadorias como o equivalente mais próximo  do valor real (...)".  Fl. 825DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     4 Com  relação  à multa  de  um  por  cento  do  valor  da mercadoria,  entendeu  a  DRJ por exonerá­la, tendo em vista que, além de a indicação do método de valoração aduaneira  não  constar  expressamente  no  §2º  do  art.  69  da  Lei  nº  10.833/2003,  entre  as  informações  julgadas necessárias para a "descrição detalhada da operação" na DI, a  fiscalização  também  não logrou êxito em demonstrar que o erro da contribuinte tenha prejudicado a determinação  do procedimento de controle aduaneiro apropriado.  Tendo  sido  cientificada  dessa  decisão  em  04/12/2013,  pela  abertura  dos  arquivos  correspondentes  no  Portal  e­CAC,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  postado nos Correios em 05/08/2013, mediante o qual alega, em síntese:   ­ A aplicação do Sexto Método de valoração aduaneira somente pode ser feita  quando  ficar  devidamente  comprovado  que  não  foi  possível  a  aplicação  dos  métodos  precedentes de valoração, o que não foi obedecido pela autoridade impugnada.  ­  Na  Revisão  Aduaneira,  a  cobrança  de  multas  e  diferenças  de  impostos  recolhidos torna­se abusiva, principalmente se a mercadoria já tiver sido analisada nos canais  de conferência amarelo, vermelho ou cinza, ou seja, quando a própria Receita Federal do Brasil  já atestou a regularidade da operação.  ­  O  valor  contratado  na  apólice  de  seguro  nem  sempre  está  estritamente  associado  ao  valor  do  bem  segurado,  sendo  liberalidade  da  recorrente  a  contratação  de  um  seguro a maior. Além disso, o valor efetivo do bem somente poderia ser aferido por um perito  técnico.  ­ Os critérios adotados com base em valores apontados em apólices de seguro  podem ser considerados "fictícios e arbitrários". Prova disso é que a própria SRF utilizou para  uma DI do mesmo contribuinte outro critério técnico.  ­ Não há que  se  falar no presente processo  em matéria não  impugnada,  eis  que a defesa sobre a DI nº 10/2213258­1 foi apresentada na fl. 8 da impugnação. Sendo assim,  o acórdão há que ser reformado também com relação a esse ponto, sendo anulada a cobrança  dessa  DI  juntamente  com  as  demais  até  o  trânsito  em  julgado  do  processo,  mantendo  a  exigibilidade do crédito tributário.  A  autoridade  preparadora  apartou  a  exigência  definitiva  não  impugnada  no  processo  nº  17031.720039/2013­03,  mas,  em  cumprimento  a  decisão  judicial  proferida  no  mandado  de  segurança  nº  000065076.2013.4.01.5116,  apensou­o  ao  presente  processo,  para  que  fossem  julgados  concomitantemente pelo CARF. No  referido mandado de  segurança  foi  concedida liminar, que foi confirmada em sentença, que anulou as inscrições em dívida ativa e  determinou a abstenção da prática de qualquer ato que importe na cobrança dos tributos nelas  consubstanciados até o julgamento do processo administrativo nº 10074.720018/2013­44.  É o relatório.  Voto             Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora  O  recurso  voluntário  e  o  recurso  de  ofício  atendem  aos  requisitos  de  admissibilidade e deles se toma conhecimento.   Fl. 826DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 825          5 Recurso de Ofício  O julgador de primeira instância exonerou a multa prevista no art. 84 da  Medida Provisória nº 2.158­35 c/c o art. 69 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos:  Art.84.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro da mercadoria:   (...)  §1o  O  valor  da multa  prevista  neste  artigo  será  de  R$  500,00  (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior.   §2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a  exigência  dos  impostos,  da  multa  por  declaração  inexata  prevista  no  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  1996,  e  de  outras  penalidades  administrativas,  bem  assim  dos  acréscimos  legais  cabíveis.    Art.  69.  A  multa  prevista  no  art.  84  da Medida  Provisória  no  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  não  poderá  ser  superior  a  10% (dez por cento) do valor  total  das mercadorias constantes  da declaração de importação.   §  1o  A  multa  a  que  se  refere  o  caput  aplica­se  também  ao  importador,  exportador  ou  beneficiário  de  regime  aduaneiro  que  omitir  ou  prestar  de  forma  inexata  ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle aduaneiro apropriado.   §  2o  As  informações  referidas  no  §  1o,  sem prejuízo  de  outras  que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria  da  Receita  Federal,  compreendem  a  descrição  detalhada  da  operação, incluindo:   I ­ identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na  transação:  importador/exportador;  adquirente  (comprador)/fornecedor  (vendedor),  fabricante,  agente  de  compra ou de venda e representante comercial;   II  ­  destinação  da  mercadoria  importada:  industrialização  ou  consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade;   III ­ descrição completa da mercadoria: todas as características  necessárias  à  classificação  fiscal,  espécie,  marca  comercial,  modelo,  nome  comercial  ou  científico  e  outros  atributos  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  que  confiram  sua identidade comercial;   IV ­ países de origem, de procedência e de aquisição; e   V ­ portos de embarque e de desembarque.   §  3o  Quando  aplicada  sobre  a  exportação,  a  multa  prevista  neste artigo incidirá sobre o preço normal definido no art. 2o do  Decreto­Lei no 1.578, de 11 de outubro de 1977. (Incluído pela  Lei nº 13.043, de 2014)  [Grifos desta Relatora]  Fl. 827DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     6 Conforme  previsto  no  art.  4º  da  Instrução  Normativa,  "A  Declaração  de  Importação  (DI)  será  formulada  pelo  importador  no  Siscomex  e  consistirá  na  prestação  das  informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade  de despacho aduaneiro". O Anexo Único, por sua vez, dispõe sobre necessidade de se informar  o método utilizado para a valoração da mercadoria:  ANEXO ÚNICO  INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR  (...)  44.1 ­ Método de Valoração   Método  utilizado  para  valoração  da  mercadoria,  conforme  a  tabela  "Método  de  Valoração",  administrada  pela  SRF,  e  indicativo de vinculação entre o comprador e o vendedor.  (...)  Assim, no presente caso, a multa  foi exigida pela  fiscalização em face de a  contribuinte ter informado nas DI's que teria utilizado o Primeiro Método de valoração, o qual  não seria o método adequado, por não se tratar de uma operação de compra e venda. Entendeu  a  fiscalização  que  a  informação  quanto  ao método  de  valoração  utilizado  seria  necessária  à  determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, nos seguintes termos:  (...)  Finalmente  é  importante destacar que a  correta  informação do  método  de  valoração  permitiria  a  realização  automática  (pelo  próprio  sistema  SISCOMEX),  da  tarefa  de  comparação  dos  preços declarados com os preços constantes da base de dados da  Receita Federal, o que poderia acarretar o direcionamento das  declarações  de  importação  para  um  controle  fiscal  mais  rigoroso,  por  exemplo,  a  instauração  de  um  procedimento  especial de fiscalização ou a seleção automática das declarações  para  um  canal  de  conferência  (exame  documental,  conferência  física, exame de valor, etc).  Verifica­se,  portanto,  que  a  informação  precisa  referente  ao  método de valoração é de fundamental importância, porquanto  influencia  na  determinação  de  medidas  que  visam  ao  controle  aduaneiro por parte da Receita Federal do Brasil.  (...)  No entanto, conforme esclareceu a decisão de primeira instância, nos termos  do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 327/2003, os procedimentos fiscais para verificação  da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras de valoração, passou a ser efetuado em  fiscalização de zona secundária, após o desembaraço aduaneiro:  Art.  31.  Os  procedimentos  fiscais  para  verificação  da  conformidade  do  valor  aduaneiro  declarado  às  regras  e  disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o  despacho  aduaneiro  de  importação,  sob  a  responsabilidade  da  unidade  da  SRF  com  jurisdição  sobre  o  domicílio  fiscal  do  importador e que possua atribuição regimental para executar a  fiscalização aduaneira.  De  forma  que  a  informação  sobre  o  método  inadequado  de  valoração  aduaneira não acarretou o prejuízo ao controle aduaneiro no que concerne à seleção de canais  Fl. 828DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 826          7 de conferência para fiscalização na Unidade RFB de despacho. Também a singela informação,  depois  considerada  inexata  pela  fiscalização,  sobre  o  método  de  valoração  aplicável  não  poderia atrapalhar a seleção para a instauração de "um procedimento especial de fiscalização"  em que se apura indícios tão graves de fraude.  A  meu  ver,  a  contribuinte  informou  o  método  de  valoração  que  entendia  adequado ­ o método do valor da transação, aplicável a grande maioria das importações, que é  o preço efetivamente pago ou a pagar pelos bens, constante na documentação de instrução do  despacho  de  importação  com  os  devidos  ajustes.  No  caso  de  regime  aduaneiro  especial,  conforme determina o art. 34 da IN SRF nº 327/2003, o valor aduaneiro  também "deverá ser  declarado  com  base  nos  documentos  da  operação  comercial,  conformes  à  prática  do  tipo  de  negócio". De forma que é até compreensível esse tipo de equívoco cometido pela contribuinte  na indicação do método de valoração adequado.   Sob  uma  outra  ótica, mesmo  que  o método  do  valor  da  transação  não  seja  mesmo o adequado, há de se indagar ainda se houve mesmo uma prestação de forma inexata  quanto ao método de valoração, vez que a obrigação disposta no item 44.1 do Anexo Único da  IN SRF nº 680/2006, seria para "Método utilizado para valoração da mercadoria" e não consta  que  a  contribuinte  tenha  utilizado  um  método  substitutivo  para  o  valor  declarado  nas  Declarações de Importação.  Além  do  que,  foi  justamente  a  informação  equivocada  sobre  o  método  de  valoração, juntamente com tipo de declaração (admissão temporária), que levou a fiscalização  a  selecionar as  importações da  recorrente para o procedimento de  revisão  aduaneira. Melhor  dizendo,  in  concreto,  a  informação  "inexata"  sobre  o  método  de  valoração  não  obstou  ao  procedimento de controle aduaneiro apropriado, pelo contrário, motivou­o:  (...)  O  contribuinte  em questão  foi  selecionado para  a  execução da  presente ação fiscal, a partir de pesquisas realizadas no sistema  DW  Aduaneiro  da  RFB,  onde  foram  utilizados  os  seguintes  filtros  de  seleção:  1)  importador  jurisdicionado  à  IRF/RJO;  2)  DI  registrada  para  admissão  temporária  para  utilização  econômica  (recolhimento  proporcional  de  tributos);  e  3)  declaração  do  valor  aduaneiro  com  base  no  1o  método  de  valoração.  (...)  Tivesse  a  contribuinte  declarado  o  mesmo  valor  aduaneiro,  mas  sob  um  método de valoração substitutivo, a fiscalização não teria selecionado, sob esses parâmetros, as  suas importações para análise de valor aduaneiro na revisão aduaneira.  Com efeito, foi a fiscalização que entendeu posteriormente que o método de  valoração declarado pela contribuinte não seria adequado e, legitimamente, nos termos do art.  32 da IN SRF nº 327/2003, desclassificou o primeiro método e efetuou a valoração aduaneira  com a aplicação de um método substitutivo e exigiu os  tributos devidos, acréscimos  legais e  multa de ofício.  No  entanto,  a  discordância  da  fiscalização  sobre  o  método  de  valoração  declarado  pelo  importador,  ou  mesmo  a  verdadeira  constatação  de  que  tal  método  seria  Fl. 829DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     8 inadequado, como é o caso, não quer dizer que o importador tenha informado de forma inexata  o método de valoração "utilizado".   Assim, diante da ausência de demonstração, a cargo da fiscalização, de que a  informação  sobre  o  método  de  valoração  utilizado  pela  contribuinte  nas  declarações  de  importação  teria  sido  efetuada  de  "forma  inexata"  e  tampouco  que  fosse  "necessária  à  determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado", a decisão recorrida, na parte  que exonerou a multa correspondente, deve ser mantida.  Nesse  mesmo  sentido,  já  foi  decidido  por  este  CARF,  nos  precedentes  abaixo, que tratam de situação idêntica a dos presentes autos, de informação inexata acerca do  método de valoração em importações sob o regime de admissão temporária:  Processo nº 10074.720017/201308   Recurso Voluntário e de Ofício  Acórdão nº 3403003.232– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de 16 de setembro de 2014   Relator: Domingos de Sá Filho  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II   Data  do  fato  gerador:  18/08/2009,  01/07/2010,  10/10/2011,  30/11/2011   Ementa:  INFRAÇÃO.  INFORMAÇÃO  INEXATA.  MÉTODO  DE  VALORAÇÃO  ADUANEIRA.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  INOCORRÊNCIA.  A  multa  aplica­se  ao  beneficiário  de  regime  aduaneiro  que  omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado.  Para  que  a  penalidade  possa  ser  aplicada  é  necessário  comprovar  a  omissão,  inexatidão  ou  parcialidade  da  informação  prestada,  e  mais,  que  a  conduta  tenha,  objetivamente,  prejudicado  o  procedimento  de  controle  aduaneiro apropriado.  Recurso Voluntário e de Ofício Negados.    Processo nº 10074.722527/201221   Recurso de Ofício   Acórdão nº 3102002.209 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de 23 de abril de 2014   Relator: Ricardo Paulo Rosa  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 24/02/2010 a 13/07/2012   Ementa:  DECLARAÇÃO  DE  IMPORTAÇÃO.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DE  NATUREZA  ADMINISTRATIVO­ TRIBUTÁRIA,  CAMBIAL  OU  COMERCIAL.  INEXATIDÃO.  INFRAÇÃO.  HIPÓTESE  NÃO  PREVISTA  EM  LEI.  MULTA.  INAPLICABILIDADE.  Não  cabe  imposição  de  multa  de  um  por  cento  do  valor  aduaneiro  da  mercadoria  quando  a  informação  prestada  com  inexatidão  na  declaração  de  importação  não  é  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado e não está especificada dentre as situações sujeitas à  imposição da penalidade.  Recurso de Ofício Negado  Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 827          9 Recurso Voluntário  Legalidade da Revisão Aduaneira:  O instituto da revisão aduaneira, previsto no art. 54 do Decreto­lei n° 37/66,  com  a  redação  dada  pelo  Decreto­lei  n°  2.472/88,  é  o  procedimento  realizado  após  o  desembaraço, quando os bens importados já foram entregues ao importador, mediante o qual se  apura,  entre  outros  elementos,  a  regularidade  do  pagamento  dos  tributos  incidentes  na  importação.   Art. 54 [DL 37/66] ­ A apuração da regularidade do pagamento  do  imposto  e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou  do  benefício  fiscal  aplicado,  e  da  exatidão  das  informações  prestadas  pelo  importador  será  realizada  na  forma  que  estabelecer  o  regulamento  e  processada  no  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contado  do  registro  da  declaração  de  que  trata  o  art.44  deste Decreto­Lei. (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.472, de  01/09/1988)  A  revisão  aduaneira  é,  portanto,  um  procedimento  de  fiscalização  que  ocorre  dentro  do  prazo  decadencial  dos  tributos  sobre  o  comércio  exterior,  como  qualquer  outro procedimento fiscal na área de tributos internos. A diferença é que, para os tributos sobre  o comércio exterior, há um nome específico para esse procedimento, o qual, digamos, não foi  muito feliz.  Nesse ponto, deve­se esclarecer que os conceitos de "revisão aduaneira" e de  "revisão de ofício do lançamento" não se confundem. Não se pode afirmar, tampouco, que do  procedimento fiscal de revisão aduaneira sempre resulta a revisão de ofício do lançamento.   Um primeiro ponto a se considerar é que, para que haja revisão de ofício de  lançamento, deve ter havido necessariamente um lançamento de ofício anterior.   Como  bem  esclarece  Moussallem1,  o  art.  145  do  CTN  refere­se  à  possibilidade  de  alteração  somente  do  lançamento  de  ofício,  pois  é  neste  em  que  há  a  notificação  do  sujeito  passivo,  não  havendo  sentido  na  sua  aplicação  na  atividade  realizada  pelo próprio contribuinte nos termos do art. 150 do CTN (lançamento por homologação), que,  ademais, não pode ser considerada lançamento na adequada acepção do termo.   Também  para  que  haja  a  alteração  de  critérios  jurídicos  adotados  no  lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior.  Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados  pelo contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação.  Em  análise  específica  sobre  o  lançamento  tributário  efetuado  na  revisão  aduaneira2,  estudou­se  a  adequação  do  instituto  da  revisão  aduaneira  dentro  do  Código  Tributário Nacional, conforme síntese desse trabalho abaixo descrita.                                                              1  MOUSSALLEM.  Tárek  Moysés.  In  PEIXOTO,  Marcelo Magalhães  e  LACOMBE,  Rodrigo  Santos  Masset.  (coord.) Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: MP Editora, 2005, p. 1105.  2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Lançamento Tributário na Revisão Aduaneira.  In: PEIXOTO, Marcelo  Magalhães (coord.). Revista de Direito Tributário da Apet. São Paulo: MP, ano XI, ed.41, mar. 2014, p. 57­93.  Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     10 Cabe  destacar  inicialmente  que,  para  todos  os  tributos  incidentes  sobre  a  importação, o lançamento não é por declaração como pregam alguns, mas por homologação,  no qual incumbe ao sujeito passivo apurar o montante tributável e antecipar o pagamento sem  prévio exame da autoridade administrativa.  Conforme  normas  consolidadas  nos  arts.  107,  242,  259  e  304  do  Regulamento Aduaneiro/2009 e no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, para todos  os  tributos  federais  incidentes na  importação, o pagamento se dá no momento do  registro da  Declaração de Importação pelo importador, que apura os seus montantes sem qualquer análise  prévia da autoridade fiscal.  Assim, após essa atividade prévia do importador no registro da Declaração de  Importação,  em  conformidade  com  as  normas  dispostas  no  CTN  para  o  "lançamento  por  homologação", poderá ocorrer, dentro do prazo decadencial dos tributos, alguma das situações  abaixo:  i) o lançamento de ofício supletivo, quando constatada omissão ou inexatidão  na atividade do sujeito passivo; ou  ii)  o  ato de homologação:  a)  tácita,  pelo decurso do prazo  (art.  150, §4°do  CTN) ou b) de forma expressa (art. 150, caput do CTN).  No  caso  dos  tributos  incidentes  sobre  a  importação,  o  ato  de  homologação  expressa da atividade prévia do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento  fiscal  de  revisão  aduaneira,  que  traz  o  exame  definitivo  acerca  da  regularidade  da  atividade  prévia  do  importador.  Embora  pudesse  parecer  o  contrário  à  primeira  vista,  o  ato  de  homologação expressa da atividade prévia do importador não pode ser efetuado na conferência  aduaneira, com o desembaraço da mercadoria.  Conforme  determina  o  art.  564  do  Regulamento  Aduaneiro/2009,  “a  conferência  aduaneira  na  importação  tem  por  finalidade  identificar  o  importador,  verificar  a  mercadoria  e  a  correção  das  informações  relativas  a  sua  natureza,  classificação  fiscal,  quantificação  e  valor,  e  confirmar  o  cumprimento  de  todas  as  obrigações,  fiscais  e  outras,  exigíveis em razão da importação”.  De  forma  que,  tanto  a  “conferência  aduaneira”,  efetuada  no  curso  do  despacho de importação, como a “revisão aduaneira”, realizada após o desembaraço, visam a  verificação  da  regularidade da  atividade  prévia  do  importador  de  apuração  e pagamento  dos  tributos incidentes na importação, dentre outros elementos.   Ora, se há previsão na legislação de dois procedimentos fiscais subsequentes  cronologicamente  para  a  verificação  da  regularidade  dos  pagamentos  efetuados  pelo  importador, temos que, logicamente, o ato definitivo de homologação expressa da atividade do  importador não pode ser decorrente do primeiro procedimento fiscal  (conferência aduaneira),  mas somente do último (revisão aduaneira).  A conferência aduaneira, quando houver3, trata­se de verificação preliminar,  eis  que  o  Fisco  sempre  terá,  por  determinação  legal  (art.  54  do  Decreto­lei  n°  37/66),  a  prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão aduaneira.                                                               3 Conforme prevê o art. 50 do Decreto­lei n° 37/66, c om a redação dada pela Lei n° 12.350/2010, na verificação  da  mercadoria  durante  a  conferência  aduaneira  poderão  ser  adotados  critérios  de  seleção  e  amostragem  em  conformidade com o estabelecido em ato normativo pela Secretaria da Receita Federal  do Brasil – RFB. Nessa  linha, o art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 680/2006 estabelece os canais de conferência aduaneira para os  quais cada Declaração de Importação poderá ser selecionada.  Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 828          11 Como  retratado  do  artigo  citado  "Lançamento  Tributário  na  Revisão  Aduaneira",  com  suporte  em  julgado  anterior  deste  CARF,  a  homologação  expressa  do  lançamento somente poderá ocorrer ao final do procedimento fiscal da revisão aduaneira:  (...)  Conforme entendimento expresso no Acórdão n° 302­38.1774, do  então  Conselho  de  Contribuintes,  que  manteve  a  brilhante  decisão  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  –  DRJ­ Fortaleza/CE,  dela  lhe  extraindo  os  principais  fundamentos,  a  conferência aduaneira não se trata de uma análise definitiva da  atividade  do  importador, mas  de  uma  verificação  preliminar  e  perfunctória, com vista ao desembaraço aduaneiro:  (...)  Ademais, deve­se ter em conta que a conferência aduaneira realizada no  curso  do  despacho  não  vai  além  de  uma  verificação  preliminar  e  perfunctória. Não  poderia  ser  diferente:  os  exames  aprofundados  e  as  diligências  minuciosas  não  se  compadecem  com  a  celeridade  que  se  deve  imprimir  ao  despacho  aduaneiro,  só  sendo  admissíveis  nas  hipóteses de  irregularidades ostensivas. Assim reclamam as  rotinas do  comércio  internacional,  sempre  a  exigir  presteza  das  repartições  alfandegárias. Daí, inclusive, o porquê de prever a legislação aduaneira  mecanismos  de  seleção  e  distribuição  das  declarações  por  canais  de  conferência, possibilitando, cada vez com maior frequência, que ocorra  o  desembaraço  da  mercadoria  sem  exame  de  valor  aduaneiro,  sem  análise documental e, até mesmo, sem verificação física.  Assim,  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte  na  DI  e  os  procedimentos  fiscais  adotados  durante  o  despacho  não  caracterizam  lançamento;  apenas  subsidiam  e  dão  encaminhamento  ao  despacho  aduaneiro, com vista ao desembaraço aduaneiro. (...)  Desta  forma,  o  desembaraço  aduaneiro,  que  registra  a  conclusão da conferência aduaneira, não pode ser considerado o  ato de homologação expressa a que se refere o art. 150 do CTN,  conforme orienta o referido Acórdão:  (...)  A  teor  do  art.  411  do  Regulamento  Aduaneiro  então  vigente,  o  despacho de  importação  consiste no procedimento mediante o qual  se  processa  o  desembaraço  aduaneiro  de  mercadoria  procedente  do  exterior. Ressalte­se  ainda  que,  tal  como  definido  no  art.  450,  §1°  do  Regulamento  Aduaneiro,  o  desembaraço  aduaneiro  não  constitui  lançamento  nem  é  ato  de  homologação;  consiste  apenas  no  procedimento  final  do  despacho  aduaneiro  pelo  qual  é  autorizada  a  entrega da mercadoria ao importador. Em realidade, o desembaraço da  mercadoria decorre meramente da eventual conferência da mercadoria e  de  algumas  informações  a  ela  pertinentes,  sem  que  isso  caracterize  homologação  de  lançamento,  razão  porque  representa  mero  ato  de  controle, sem qualquer efeito constitutivo do crédito tributário.  (...)                                                                                                                                                                                           Em síntese, o despacho aduaneiro é um procedimento que se inicia com o  registro da Declaração de Importação e encerra­se com o desembaraço aduaneiro, que consiste na autorização da  Receita  Federal  para  a  entrega  da  mercadoria  ao  importador.  Embora  toda  mercadoria  importada  deva  ser  submetida ao procedimento de despacho aduaneiro por ocasião do seu ingresso no território nacional (art. 44 do  Decreto­Lei nº 37/66), nem toda importação é objeto de conferência aduaneira.  4 Terceiro Conselho de Contribuintes/MF. 2ª Câmara. Acórdão nº 302­38.177 (proc. n° 10480.017233/2002­10).  Relator: Corintho Oliveira Machado. j. 08/11/2006. Decisão Unânime.  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     12 Nessa  linha,  é  que,  por  determinação  legal,  o  exame  definitivo  acerca  da  regularidade  da  atividade  prévia  do  importador,  de  apuração  e  pagamento  dos  tributos  incidentes  na  importação,  ocorrerá ao  final do procedimento  fiscal de  revisão aduaneira,  como também é o entendimento expresso no Acórdão acima:  (...)  a  lei  prevê  o  instituto  da  revisão  aduaneira,  mediante  a  qual  a  autoridade fiscal dispõe de um prazo de cinco anos para  reexaminar o  despacho, homologando os atos praticados ou efetuando um lançamento  de ofício, se detectada alguma irregularidade.   (...)  É pois, quando do procedimento de revisão aduaneira que a autoridade  fiscal  examina  com  profundidade,  todos  os  aspectos  fiscais  do  despacho,  dentre  eles,  o  pagamento  feito  antecipadamente  ou  o  benefício  fiscal  pleiteado,  procedendo,  agora  sim,  à  homologação,  se  confirmada  a  regularidade  da  importação,  ou  lançando  eventuais  diferenças de tributos. (...)  Assim,  concluímos  que,  mesmo  quando  haja  conferência  aduaneira  no  curso  do  despacho  de  importação,  o  ato  de  homologação  expressa  da  atividade  do  importador  somente  poderá ocorrer ao final do procedimento de revisão aduaneira.  (...)  Embora  o  ato  de  homologação  expressa  somente  possa  ocorrer  ao  final  da  revisão  aduaneira,  o  eventual  lançamento  de  ofício  supletivo,  em  complemento  à  atividade  prévia do importador, poderá tanto ocorrer ao final do procedimento de conferência aduaneira  ou de revisão aduaneira.  Nessa  linha,  somente  quando  houver  lançamento  de  ofício  supletivo  no  procedimento  de  conferência  aduaneira  é  que  o  segundo  lançamento,  efetuado  em  sede  de  revisão  aduaneira,  caracterizará  a  revisão  de  ofício  do  primeiro  lançamento,  sendo­lhe  aplicável  as  restrições  dispostas  nos  artigos  145,  146  e  149  do  CTN  para  a  alteração  do  lançamento.   No caso dos presentes autos, só há um lançamento de ofício, o lançamento  supletivo,  aquele  efetuado  na  revisão  aduaneira  em  complemento  à  atividade  prévia  da  recorrente/importadora  nos  registros  das  declarações  de  importação,  não  tendo  havido  um  primeiro lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira. Há que se lembrar que o  que  ora  se  discute  é,  justamente,  a  diferença  de  tributos  e  multas  decorrentes  da  valoração  aduaneira  das mercadorias  na  revisão  aduaneira  em  relação  ao  valor  inicialmente  declarado  pelo importador nas declarações de importação.  De forma que, ausente um primeiro lançamento de ofício, não há que se falar  em  revisão de ofício de  lançamento ou  em modificação de  critérios  jurídicos no  lançamento  que ora se discute.  Razões pelas quais  é  legítimo o  lançamento de ofício  sob análise,  efetuado  em  sede de  revisão  aduaneira,  não  havendo que  se  falar  em  sua  nulidade  ou  em  reforma da  decisão de primeira instância nesta parte.  Matéria não impugnada ­ DI nº 10/2213258­1:  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 829          13 Insurge­se  a  recorrente  em  face  de  o  julgador  de  primeira  instância  ter  considerado matéria não  impugnada a exigência  tributária acerca da DI nº 10/2213258­1, eis  que, a seu ver, tal defesa teria sido apresentada na fl. 8 da impugnação.   Ocorre  que,  conforme  consta  na  autuação,  o  procedimento  adotado  para  a  valoração  dos  bens  objeto  da  DI  nº  10/2213258­1  foi  diverso  do  utilizado  para  as  demais  declarações de importação, para as quais se tomou como base o valor das apólices de seguro:  "No  caso da DI  nº 10/2213258­1  (fls.575­580),  utilizou­se o valor obtido no Laudo Técnico  (fls.582­667) apresentado pelo próprio contribuinte, conforme tabela de fl. 668".  No  entanto,  observa­se  que  a  única  menção  que  consta  na  fl.  8  da  impugnação à importação objeto da DI nº 10/2213258­1 é a seguinte frase:    Na linha de raciocínio da então impugnante ­ que questionava nesse ponto a  adoção do valor do seguro como base para o valor aduaneiro para as demais importações, e não  o  critério  adotado  para  a  DI  nº  10/2213258­1  ­  a  utilização  do  critério  diferenciado  de  valoração para essa DI surgiu como um reforço ao argumento de que o método adotado para as  demais  declarações  de  importação  não  seria,  a  seu  ver,  adequado,  conforme  se  verifica  no  parágrafo precedente na fl. 8 da impugnação:    Também em análise dos demais argumentos apresentados na impugnação não  se  verifica  qualquer  contestação  específica  do  critério  de  valoração  adotado  para  a  DI  nº  10/2213258­1,  razão  pela  qual  seria  mesmo  cabível  a  preclusão  apontada  pelo  julgador  de  primeira instância, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)   Assim, não houve qualquer nulidade ou incorreção nesta parte na decisão  recorrida que considerou essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera  administrativa.  A desclassificação do método de valoração:  Alega a recorrente que a aplicação do Sexto Método de valoração aduaneira  somente poderia ser feita com a demonstração de que não foi possível a aplicação dos métodos  precedentes de valoração, o que não teria sido obedecido pela autoridade impugnada.  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     14 Em  conformidade  com  o  disposto  no  art.  82  do  Regulamento  Aduaneiro/2009,  a  decisão  acerca  da  impossibilidade  da  aplicação  do  método  do  valor  da  transação foi devidamente fundamentada pela fiscalização, nos seguintes termos:  (...)  Considerando que os bens importados sob o regime de admissão  temporária não são bens comprados pelo importador brasileiro,  não  se  pode  utilizar  o  1º  método  de  valoração  para  tais  importações  . Como  será demonstrado no  tópico  seguinte, Dos  Fundamentos da Ação Fiscal, o uso deste método somente pode  ocorrer  na  importação  de  bens  submetidos  a  contratos  de  compra e venda. Nota­se aí a importância da correta valoração  aduaneira  não  só  nas  importações  definitivas,  sujeitas  naturalmente  à  cobrança  tributária,  mas  também  nas  importações  sob  o  regime  de  admissão  temporária  para  utilização econômica, igualmente sujeitas à cobrança, ainda que  proporcional.  A  utilização  de  método  incorreto  de  valoração  aduaneira  implica,  em  tese,  cálculo  dos  tributos  aduaneiros  sobre bases inexatas.  (...)  Na  leitura  do  anexo  citado,  encontram­se  regras  aplicáveis  à  valoração  aduaneira.  Dentre  elas,  destaca­se  a  Opinião  Consultiva 1.1 que trata do conceito de venda. Em síntese, não  pode  ser  utilizado  o  primeiro  método  quando  o  bem  for  importado  sob  os  regimes  de  aluguel,  empréstimo,  leasing  ou  qualquer  outra  espécie  de  contrato  distinta  de  uma  compra  e  venda:  (...)  A  fiscalização  também motivou  adequadamente  a  não  adoção  dos métodos  subsequentes, como se vê nos trechos abaixo do Relatório Fiscal:  (...)  Afastado o primeiro método de valoração, a etapa seguinte  foi,  portanto,  buscar a aplicação dos métodos  seguintes para  todas  as importações, visto que as mercadorias foram importadas sob  o regime de admissão temporária e não sob contrato de compra  e  venda,  descumprindo  uma  das  premissas  para  o  uso  do  1º  método de valoração.  Esta  foi  a  etapa mais demorada,  tendo em vista  que  buscou­se  nas  bases  de  dados  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  importações de mercadorias idênticas (2o método de valoração),  mercadorias  similares  (3o método de  valoração) e  revendas de  mercadorias  idênticas  ou  similares  (4o  método  de  valoração)  para valorar as mercadorias inseridas nas DIs de fls.72­78.  (...)  Em consulta aos sistemas da RFB, não encontramos importação  de mercadorias idênticas às descritas nas DIs de fls.72­78.  (...)  Em consulta aos sistemas da RFB, não encontramos importação  de mercadorias idênticas às descritas nas DIs de fls.72­78.  Passamos então ao quarto método de valoração aduaneira. (...)  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 830          15 Em  consulta  aos  dados  disponíveis  nos  sistemas  da  SRF,  não  encontramos  qualquer  revenda  de  mercadorias  idênticas  ou  similares,  nem  a mercadoria  objeto  do  despacho  foi  revendida  nos  noventa  dias  posteriores  à  importação,  portanto,  ficando  descartado o uso do quarto método de valoração aduaneira.  O quinto método de valoração aduaneira se baseia na apuração  dos custos de produção, conforme se verifica no § 1o do artigo 6o  do AVA:  (...)  O  parágrafo  acima  determina  que  o  uso  do  quinto  método  de  valoração  depende  do  fornecimento  voluntário  dos  registros  contábeis  por  parte  do  produtor  estrangeiro  da  mercadoria  objeto  de  valoração,  sem  possibilidade  de  a  administração  aduaneira  intimar  o  produtor  estrangeiro.  Portanto,  sem  a  possibilidade de intimação ao fornecedor estrangeiro e sem que  este  tenha  voluntariamente  fornecido  as  informações  com  o  objetivo de determinar o valor aduaneiro, e considerando que o  uso  do  quinto  método  de  valoração  pressupõe  que  os  custos  sejam  conhecidos  ou  demonstráveis,  não  se  pôde  utilizar  este  método de valoração.  (...)  Entendo  que  as  razões  da  fiscalização  são  suficientes  para  esclarecer  à  contribuinte  da  impossibilidade  de  adoção  dos  demais  métodos  de  valoração,  não  me  parecendo razoável exigir da fiscalização, como quer a recorrente, que comprove nos autos que  não  localizou  bens  idênticos  ou  similares  nas  condições  exigidas  pelo Acordo  de Valoração  Aduaneira  nos  sistemas  da  RFB,  mesmo  porque  poder­se­ia  esbarrar  em  questões  de  sigilo  fiscal das demais contribuintes.  Da aplicação do Sexto Método de Valoração Aduaneira  Diante da impossibilidade de se aplicar os métodos de valoração precedentes,  decidiu a fiscalização pela aplicação do sexto método, nestes termos:  (...)  Portanto, exauridas as tentativas para se aplicarem os métodos  de valoração aduaneira, e evidenciando­se a impossibilidade de  aplicação  dos  métodos  substitutivos  2º  a  5º  previstos  no  AVA,  para  os  bens  importados  pela  fiscalizada,  chega­se  ao  sexto  e  último  método  de  valoração,  que  determina  a  utilização  de  critérios razoáveis para a determinação do valor:  §  1o  Se  o  valor  das  mercadorias  importadas  não  puder  ser  determinado com base no disposto nos artigos 1 a 6, inclusive, tal  valor será determinado usando­se critérios razoáveis, condizentes  com  os  princípios  e  disposições  gerais  deste  Acordo  e  com  o  Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no  país de importação.  (...)  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     16 A fiscalização adotou como critério razoável para o valor aduaneiro o valor  informado nas apólices de seguro, com se vê abaixo:  (...)  Assim,  esta  fiscalização  aduaneira  entendeu  como  critério  razoável  a  utilização  do  valor  informado  nas  apólices  dos  contratos  de  seguro  dos  bens,  que  foram  apresentadas  pelo  próprio contribuinte.  Dentre  as  declarações  de  importação  analisadas,  verificou­se  que  em  quase  todas  o  valor  informado  no  contrato  de  seguro  correspondia  ao  valor  informado  pelo  contribuinte  (exemplos  nas  fls.348­447).  Entretanto,  nas  DIs  de  fls.448­667,  o  valor  constante  no  contrato  de  seguro  dos  bens  é  superior  ao  valor  declarado pelo contribuinte nas DIs, conforme tabela de fl. 668.  (...)  Não procede a alegação da recorrente de que os critérios adotados com base  em  valores  apontados  em  apólices  de  seguro  seriam  "fictícios  e  arbitrários",  vez  que  a  fiscalização utilizou o mesmo critério adotado pela recorrente em outras importações (22 DI´s ­  71%  das  importações  fiscalizadas),  nas  quais  o  "o  valor  informado  no  contrato  de  seguro  correspondia  ao valor  informado pelo contribuinte  (exemplos nas  fls. 348­447)"  e não  foram  objeto de autuação.  Com  relação  à  alegação  da  recorrente  de  que  o  critério  razoável  seria  a  realização de perícia técnica para se obter o valor aduaneiro dos bens, já utilizada para a DI nº  10/2213258­1, utilizo do argumento do julgador da DRJ como fundamento para decidir:  (...)  Ao  final  da  impugnação  a  autuada  solicita  que  seja  "(...)  produzida  a  devida  prova  pericial  a  fim  de  constatar  que  os  registros  de  importação  da  Impugnante  foram  corretamente  realizados”.  (...)  No  caso,  a  impugnante  não  indicou  perito,  nem  formulou  quesitos a serem atendidos, sendo o seu pleito, portanto, inepto.   (...)  Não  há,  no  presente  processo,  nenhum  elemento  que  configure  alguma  das  três  hipóteses  elencadas  no §  4°do  art.  16  do  PAF, inexistindo, por conseguinte, qualquer razão que justifique  o acatamento da produção de prova nos termos formulados pela  interessada.  (...)  Se  o  importador  entende  que  o  valor  equivalente  comprovável  mais próximo do valor real seria aquele “aferido por um perito  técnico”  não  haveria  óbice  em  submeter  tais  avaliações  ao  crivo  da  equipe  de  fiscalização,  conforme  aliás  foi  feito  em  relação à DI nº 10/22132581.  Do  mesmo  modo,  poderiam  tais  perícias  técnicas  terem  sido  apresentadas  no  momento  da  impugnação  para  análise  e  julgamento  ou  ter  sido  formulado  pedido  eficaz  de  perícia.  No  entanto, o autuado não foi diligente em adotar nenhuma dessas  providências.  (...)  Fl. 838DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10074.720018/2013­44  Acórdão n.º 3402­003.049  S3­C4T2  Fl. 831          17 Dessa forma, entendo que o valor aduaneiro apurado pela fiscalização para as  DI´s  nºs  08/1382464­2,  09/1169522­7,  09/1169523­5,  09/1594908­8,  09/1594909­6,  10/1537450­8, 11/0574811­3 e 11/2307867­1 obedeceu a critérios razoáveis condizentes com o  Acordo de Valoração Aduaneira:  Artigo 7   1. Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder  ser  determinado  com  base  no  disposto  nos  Artigos  1  a  6,  inclusive,  tal  valor  será  determinado  usando­se  critérios  razoáveis  condizentes  com  os  princípios  e  disposições  gerais  deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994 e com base em  dados disponíveis no país de importação.   2.  O  valor  aduaneiro  definido  segundo  as  disposições  deste  Artigo não será baseado:   (a)  ­ no preço de venda no país de  importação de mercadorias  produzidas neste;   (b) ­ num sistema que preveja a adoção para fins aduaneiros do  mais alto entre dois valores alternativos;   (c)  ­  no preço das mercadorias no mercado  interno do país de  exportação;   (d) ­ no custo de produção diferente dos valores computados que  tenham  sido  determinados  para  mercadorias  idênticas  ou  similares, de acordo com as disposições do Artigo 6;   (e)  ­  no preço das mercadorias  vendidas para  exportação para  um pais diferente do país de importação;   (f)  ­  em  valores  aduaneiros  mínimos;  ou  (g)  ­  em  valores  arbitrários ou fictícios.   Assim, por  todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso  voluntário e também de negar provimento ao recurso de ofício.  É como voto.  (assinatura digital)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora                      Fl. 839DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     18               Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM

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Numero do processo: 11968.000827/2009-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.715
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3  Fl. 609          1 608  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11968.000827/2009­58  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­003.715  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Denuncia espontânea ­ multa por atraso na prestação de informações sobre  veículo ou carga nele transportada  Recorrente  ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009  PENALIDADE  ADMINISTRATIVA.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do  Decreto­lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o  excludente  de  responsabilidade  da  denúncia  espontânea,  não  se  aplica  nos  casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos  fixados pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  prestação  de  informações  à  administração aduaneira.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.       Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César  Alves  Ramos,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Vanessa  Marini  Cecconello  e  Maria  Teresa  Martínez López, que davam provimento.     CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 27 /2 00 9- 58 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 610          2 Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário,  nos termos do Acórdão 3801­004.843. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado  a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento.   Após  tomar  ciência  do  mencionado  acórdão,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei  12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.552, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/2006­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.552):  "O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e  paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL  37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na  Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 611          3 Lei  12.350,  de  20/12/2010).  Além  disso,  ambos  citaram  expressamente  as  alterações  promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata  da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos  confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à  possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não  há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial.  A  matéria  devolvida  a  este  Colegiado  cinge­se,  exclusivamente,  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea,  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre  veículo ou carga nele transportada.  Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o  cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental  de  prestar  informação.  Aplicando­se  o  entendimento  defendido  pela  Recorrente,  os  prazos  estipulados  pela  legislação  aduaneira,  para  prestar  informações  à  RFB,  poderiam  ser  descumpridos pelo  sujeito passivo  sem punição,  tendo como única condição que  a prestação  das  informações  seja  efetuada  antes  do  início  de  ação  fiscal.  Ou  seja,  os  prazos  para  a  apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos  fatais, como é a regra na legislação tributária.   Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar­se à solução do  presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802­ 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "O  Recorrente  alega  ainda  que  as  informações  sobre  o  embarque  foram  prestadas  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Portanto,  nos  termos  do  art.  138,  caput,  do  Código  Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em  razão da caracterização da denúncia espontânea:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com a infração.  A aplicabilidade da denúncia  espontânea às “obrigações  acessórias”  é  sustentada  por  parte  da  doutrina  com  base  na  expressão “se  for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do  CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito  Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho:  'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido,  resta  induvidoso  que  a  exclusão  da  responsabilidade  tanto  se  Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 612          4 refere  a  infrações  das  quais  decorra  o  não  pagamento  do  tributo  como  a  infrações  meramente  formais,  vale  dizer,  infrações  das  quais  não  decorra  o  não  pagamento  do  tributo.  Inadimplemento  de  obrigações  tributárias  meramente acessórias' 1.  'A  expressão  ‘se  for  o  caso’  explica­se  em  face  de  que  algumas  infrações,  por  implicarem  desrespeito  a  obrigações  acessórias,  não  acarretam,  diretamente,  nenhuma  falta  de  pagamento  de  tributo,  embora  sejam  também  puníveis,  porque  a  responsabilidade  não  pressupõe,  necessariamente,  dano  (art.  136).  Outras  infrações,  porém,  de  um modo  ou  de  outro,  resultam  em  falta  de  pagamento.  Em  relação  a  estas  é  que  o  Código  reclama o pagamento' 2.  'Se  quisesse  excluir  uma  ou  outra,  teria  adjetivado  a  palavra  infração  ou  teria  dito  que  a  denúncia  espontânea  elidiria  a  responsabilidade  pela  prática  de  infração  à  obrigação principal  excluindo a  assessória,  ou vice­versa.  Ora,  onde  o  legislador  não  distingue  não  é  lícito  ao  intérprete  distinguir  segundo  cediço  princípio  de  hermenêutica' 3  Essa  interpretação,  porém,  não  foi  acolhida  pela  Jurisprudência,  consoante  se  depreende  dos  seguintes  julgados  do Superior Tribunal de Justiça:  'TRIBUTÁRIO.  MULTA MORATÓRIA.  ART.  138  DO  CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS.  1.  O  STJ  possui  entendimento  de  que  a  denúncia  espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente  do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os  efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos  EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin.  DJe 10/05/2013).'  (...)  A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais,  conforme Súmula CARF nº  49:  'A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na                                                              1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss.  2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437.  3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995,  p. 105­106.  Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 613          5 entrega de declaração',  que  foi  fruto de  reiterados  julgados do  Câmara Superior de Recursos Fiscais (...).  A  discussão,  entretanto,  foi  reaberta  em  face  da  nova  redação  do  art.  102  do Decreto­Lei  nº  37/1966,  decorrente  do  art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da  mercadoria;  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  hipótese  de  mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento.  (Redação  dada  pela Lei nº 12.350, de 2010).   (...)  De  fato,  a  Lei  nº  12.350/2010  resultou  da  conversão  da  Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de  motivos  desta,  seu  objetivo  foi  'deixar  claro'  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  aplica­se  a  todas  as  penalidades  pecuniárias,  inclusive  multas  isoladas  vinculadas  ao  descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende  da leitura da exposição de motivos:  '40.  A  proposta  de  alteração  do  §  2º  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  visa  a  afastar  dúvidas  e  divergência  interpretativas  quanto  à  aplicabilidade  do  instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão  da  imposição  de  determinadas  penalidades,  para  as  quais  não  se  tem  posicionamento  doutrinário  claro  sobre  sua  natureza.  [...]  43. Fundamentalmente,  o Linha Azul é um procedimento  simplificado  que  propicia  às  empresas  habilitadas  um  menor percentual de seleção para os canais de verificação  amarelo  e  vermelho  e  conferência  aduaneira  das  declarações  selecionadas  realizada  prioritariamente,  Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 614          6 inclusive  com  compromisso  de  tempo máximo  para  essa  conferência  estipulado.  Esse  procedimento  segue  a  orientação  internacional  de  Operadores  Econômicos  Autorizados  OEA,  ou  seja,  de  credenciamento  de  operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio  exterior com menores entraves burocráticos.  44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha  Azul  inclui  a  realização,  previamente  à  adesão,  de  uma  auditoria de controles  internos para autoavaliação de seus  controles  e  procedimentos  aduaneiros,  referente,  no  mínimo,  aos  quatro  últimos  semestres  civis.  O  objetivo  dessa  autoavaliação  é  induzir  a  empresa  a  verificar  o  cumprimento  da  legislação  aduaneira  (controles  administrativos  e  fiscais),  com  reflexo  na  garantia  da  regularidade  dos  registros  aduaneiros  e  do  recolhimento  dos  tributos devidos. Exige­se,  sempre que a auditoria de  controles  internos  aponte  irregularidades,  que  sejam  apresentados  documentos  que  comprovem  o  seu  saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a  sua solução.  45.  No  caso  específico,  o  que  se  tem  verificado  é  que,  durante  o  processo  de  auditoria,  as  empresas  têm  constatado  reiterados erros  em declarações de  importação  registradas  e  desembaraçadas  no  canal  verde  de  conferência e, como forma de sanear a irregularidade para  cumprimento  do  programa,  apresentado  a  relação  desses  erros  na  unidade  de  jurisdição  e  adotado  as  respectivas  providências para a retificação das declarações aduaneiras.  46.  Todavia,  ao  adotar  essa  providência,  mesmo  que  a  empresa  não  tenha  que  recolher  quaisquer  tributos,  ela  pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (multa  isolada),  disciplinada  no  art.  711  do  Regulamento  Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais  erros e adotado as providências para a sua regularização, o  que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul.  47.  A  proposta  de  alteração  objetiva  deixar  claro  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  alcança  todas  as  penalidades  pecuniárias,  aí  incluídas  as  chamadas multas  isoladas, pois nos parece  incoerente haver a possibilidade  de  se  aplicar  o  instituto  da  denúncia  espontânea  para  penalidades vinculadas ao não­pagamento de tributo, que é  a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para  multas  isoladas,  vinculadas  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória.'  (EMI  nº  111/MF/MP/ME/MCT/  MDIC/MT).  Todavia,  cumpre  considerar  que,  nas  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais,  o  sujeito  passivo  está  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 615          7 vinculado  a  um  fazer  ou  não­fazer,  sem  expressão  econômica,  destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4.  Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção  de  escrituração  fiscal  regular,  da  descrição  adequada  do  bem  importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal,  bem  como  da  apresentação  de  informações  para  a  Fazenda  Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em  razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966,  deve­se analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada.  Isso  porque  nem  todas  as  infrações  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  são  compatíveis  com  a  denúncia  espontânea,  como  é  o  caso  das  infrações  caracterizadas  pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Essa  importante  distinção  foi  evidenciada  em  voto  do  eminente  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  no  Acórdão 3102­00.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse fiscalização das operações de comércio exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia espontânea, é condição necessária que a infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação  à  fiscalização  pelo  infrator.  Em  outras  palavras,  é  requisito  essencial  da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir determinado  tipo de  infração do alcance do efeito  excludente  da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme                                                              4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277­349.  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 616          8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art.  102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação espontânea da  infração. São dessa modalidade  as  infrações que  têm por objeto as condutas extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais  tipos de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão  de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade  toda  infração que  tem o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  acessória  (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial  da  tipificação da infração.  São dessa última modalidade todas as infrações que têm no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja  que,  na  hipótese  da  infração  em  apreço,  o  núcleo  do  tipo  é deixar de prestar  informação  sobre  a  carga no prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória. Nesta  última hipótese, se a informação for prestada antes do início  do  procedimento  fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria  de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que o mesmo  fato  configurasse  a  denúncia  espontânea  da  correspondente  infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite apenas para argumentar, o cometimento da infração,  em  hipótese  alguma,  resultaria  na  cobrança  da  multa  sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a multa  aplicada seria  sempre  inexigível,  em  face  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 617          9 da  exclusão  da  responsabilidade  do  infrator  pela  denúncia  espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso  jurídico, uma espécie de  revogação  da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade  punitiva para a prática de infração desse jaez.  Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações  caracterizadas pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138  do CTN  e  art. 102  do Decreto­Lei  n°  37/1966)  não alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os  tributos a fazê­lo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas  pelo fisco, que recebe o que deveria  ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do  contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo  das obrigações  tributárias. Porém,  a  responsabilidade pelo  cometimento das  infrações  restará  afastada  apenas  com  o  reconhecimento  e  cumprimento  da  obrigação,  preservando  assim  a  higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência.  De  fato,  a  jurisprudência  dominante  em  nossos  tribunais  não  admite  a  configuração  da  denúncia  espontânea  ante  a  prática  de  determinados  atos,  que  representam                                                              5  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 618          10 infrações à  legislação  tributária. Várias são as decisões no sentido da  inaplicabilidade do art.  138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias.  Vejamos:   “DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INAPLICABILIDADE.  1.  Inaplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do  descumprimento  de  obrigação  acessória.”  (STJ,  2ª  T.  AgRg no  Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09)  No  mesmo  sentido  do  entendimento  ora  defendido,  manifestou­se  recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da  ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 619          11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF  da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 ­ A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário  Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia,  não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida  antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010.  A  intransigência  em  matéria  de  controles  administrativos  aduaneiros  se  justifica,  muito  mais  do  que  pela  questão  tributário­financeira,  pela  questão  da  defesa  do  Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se  faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro.  Muitas vezes, a administração  tributária prioriza a arrecadação de  tributos e  não  enfatiza  as  razões  dos  controles  não  tributários  ou  aduaneiros.  Assim,  pode  ficar  a  impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário,  mas essa é uma falsa observação.  Cabe  a  administração  aduaneira  cumprir  as  decisões  dos  demais  órgãos  do  Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à  defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São  atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários  à excelência do trabalho de fiscalização.  Ao  fazer  o  julgamento,  especialmente  por  que  não  há  tantos  julgadores  especializados em nuances do comércio internacional, passa­se ao largo dos verdadeiros delitos  que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta  de pagamento de impostos.  Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de  aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV,  alínea  "e",  do  DL  37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais  é  aplicada,  tais  como:  atraso na prestação de  informações  sobre  mercadoria  embarcada,  sobre  atracação  de  embarcação,  sobre  vinculação  de  manifesto  de  carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  e  diante  de  recurso  do  contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado  que  deve  ser  aplicado  aos  demais  processos  vinculados  ao  julgamento  deste,  na  sistemática  prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos).  À  luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada."    Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/2009­58  Acórdão n.º 9303­003.715  CSRF‐T3  Fl. 620          12 considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa  pelo  atraso  na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6330634 #
Numero do processo: 18470.723301/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a existência de contradição ou erro material no Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear o erro material apontado pelo contribuinte. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2    Relatório  Cuida­se  de  embargos  de  declaração  (fls.  282). O Embargante  (ANTÔNIO  DUARTE  DE  SOUZA)  alega  erro  material  de  digitação  no  acórdão,  às  fls.  271,  no  item  referente à não isenção por moléstia grave sobre resgates de previdência privada.  O embargante alega que o resgate ocorreu somente no mês de dezembro de  2010, de acordo com o comprovante de fls. 182 e a DIRF de fls. 218, e não como constou no  acórdão embargado que fez referencia aos meses de novembro e dezembro de 2010.  É relatório.  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18470.723301/2012­86  Acórdão n.º 2402­005.102  S2­C4T2  Fl. 3          3    Voto                 Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator    O recurso é tempestivo e passo a sua análise.  O conteúdo do acórdão ora embargado possui  contradição ou erro material,  pois  o  fundamento  do  voto  condutor  ficou  registrado  que  o  recebimento  dos  resgates  de  previdência privada ocorreu nos meses de novembro e dezembro do ano de 2010, entretanto,  constata­se  que  o  resgate  somente  ocorreu  no mês  de  dezembro  de  2010,  de  acordo  com  o  comprovante de fls. 182 e a DIRF de fls. 218.  Vejamos trechos do acórdão ora embargado:  Da  isenção  por  moléstia  grave  sobre  resgates  de  previdência privada  Nesse ponto, o acórdão recorrido não merece reparo, pois  a  isenção  abrange  tão  somente  proventos  de  aposentadoria,  reforma  ou  pensão,  não  alcança  o  recebimento dos resgates de contribuições de previdência  nos meses de novembro e dezembro do ano de 2010. (g.n.)  Cumpre  esclarecer  que  os  embargos  de  declaração  possuem  finalidade  precípua  de  aperfeiçoamento  da  prestação  jurisdicional  e  que  são  cabíveis  em  face  de  contradição ou erro material no acórdão.  Com  isso,  manifesto­me  pela  necessidade  de  corrigir  o  acórdão  ora  embargado, passando a sua parte dispositiva (fundamento) a conter o seguinte registro:  “[...]  Da  isenção  por  moléstia  grave  sobre  resgates  de  previdência privada  Nesse ponto, o acórdão recorrido não merece reparo, pois  a isenção abrange tão somente proventos de aposentadoria,  reforma  ou  pensão,  não  alcança  o  recebimento  dos  resgates  de  contribuições  de  previdência  no  mês  de  dezembro do ano de 2010. [...]”  Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta.  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4    Voto  no  sentido  de ACOLHER  OS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  opostos  pelo  Contribuinte,  para  que  seja  sanado  o  erro  material  constante  do  acórdão  embargado, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 10865.000244/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo, em razão da ambiguidade da norma.
Numero da decisão: 2201-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201-002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão para "acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo, em razão da ambiguidade da norma.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201-002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão para "acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.000244/2005­99  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2201­003.032  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Embargante  NIVALDO DA ROCHA NETTO  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003  Ementa:  EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.  Acolhem­se  os  embargos  declaratórios  para  sanar  eventuais  vícios  verificados no Acórdão, atribuindo­lhes efeitos infringentes.  MULTA  ISOLADA  DO  CARNÊ­LEÃO  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONCOMITÂNCIA  Incabível  a  aplicação  da multa  isolada  (art.  44,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  nº.  9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II  do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo,  em razão da ambiguidade da norma.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  Embargos  de  Declaração  para,  sanando  a  omissão  apontada  Acórdão  nº  2201­002.460,  de  17/07/2014, alterar a decisão para "acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano­ calendário  de  1999,  rejeitar  as  demais  preliminares  e,  no mérito,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  para  excluir  da  exigência  a  multa  isolada  aplicada  concomitante  com  a  multa  de  ofício".               Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 02 44 /2 00 5- 99 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2   EDITADO EM: 02/05/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique  de Oliveira,  Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro, Carlos Alberto  Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia  Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).  Relatório  Trata­se de Embargos de Declaração apresentado pelo Contribuinte contra o  Acórdão  nº  2201­002.460,  proferido  em  17/07/2014. A  autoridade  fiscal  lavrou  a  exigência,  anos­calendário de 1999 a 2002, relativamente às seguintes infrações:  1  ­  Omissão  de  rendimentos  do  trabalho  sem  vínculo  empregatício, recebido de pessoas jurídicas;  2  ­  Omissão  de  rendimentos  de  trabalho  sem  vínculo  empregatício, recebido de pessoas físicas;  3 ­ Omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário  com origem não comprovada;  4 ­ Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de  carnê­leão.  A Primeira  Instância  deu  provimento  parcial  ao  recurso  para,  entre  outros,  reduzir a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do Carnê­Leão de 75% para 50%.  Em  sessão  plenária  realizada  em  17/07/2014,  a  1ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara da 2ª Seção do CARF acolheu a preliminar de nulidade, relativa ao ano­calendário de  1999 e, no mérito, negou provimento ao recurso, conforme se extrai das ementas transcritas:  QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E FISCAL.  A  obtenção  das  informes  da  movimentação  bancária  junto  as  instituições  financeiras  ou  da  CPMF,  pela  fiscalização,  possui  amparo  legal  e  não  configura  quebra  do  sigilo  bancário  ou  fiscal, na forma da Súmula n° 35, deste Conselho.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  A partir de 01.01.1997,  com a  vigência da Lei 9.430, de 1996,  consideram­se  rendimentos  omitidos  autorizando  o  lançamento  do  imposto  correspondente  os  depósitos  mantidos  junto  a  instituições  financeiras  quando  o  contribuinte,  intimado,  não  comprovar  a  origem  dos  recursos  utilizados,  na  forma  das  Sumula n ° 26, deste Conselho.  JUROS. TAXA SELIC.  Os  juros  calculados pela  taxa Selic  são aplicáveis aos  créditos  tributários não pagos no vencimento conforme § 1° do art. 161  do CTN, art. 13, da Lei n.° 9.065/95 e art. 61 da Lei n.° 9.430/96  e Súmula n°. 4, deste Conselho.  Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000244/2005­99  Acórdão n.º 2201­003.032  S2­C2T1  Fl. 3          3 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CONFISCO.  A  multa  de  oficio  de  75%,  prevista  no  art.  44,  I,  da  Lei  9.430/1996,  é  aplicável  nos  lançamentos  de  ofício  realizados  pela fiscalização e não cabe ao Conselho conhecer da alegação  de  confisco  por  envolver  matéria  constitucional,  na  forma  da  Súmula n°. 2 deste Conselho.  Inconformado,  manejou  o  Contribuinte  Embargos  de  Declaração  alegando  que o aresto proferido incorreu em omissão/contradição, a saber:   a ­ omissão quanto à análise da concomitância da multa de ofício.  b  ­  omissão  e  contradição  por  não  especificar  as  razões  para  a  não  consideração da existência de conta conjunta (Súmula CARF nº 29).   Por sua vez, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção  de  Julgamento  do  CARF,  por  meio  do  Despacho  de  Admissibilidade  de  Embargos  de  fls.  1279/1280,  rejeitou o  item “b”,  em  razão ausência do vício  apontado,  e acolheu o  item “a”,  determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento, já que de acordo com o Recurso  Voluntário  de  fl.  562,  houve  a  insurgência  contra  a  concomitância  da  multa  de  ofício;  entretanto o acórdão embargado não se manifestou sobre a matéria.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator  Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade.  Como se verifica da leitura do relatório, o acórdão embargado omitiu­se em  relação  aos  argumentos  suscitados  pelo  Contribuinte  em  seu  Recurso  Voluntário,  fl.  562,  relativamente à concomitância da multa de ofício.  Pois  bem,  quanto  à  exigência  concomitante  da multa  de  ofício  e  da multa  isolada, para os fatos ocorridos durante a vigência do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, acompanho  o entendimento majoritário do CARF no sentido de que não cabe a exigência da multa isolada  prevista no parágrafo 1º,  inciso III, daquele dispositivo, quando houver também exigência da  multa de ofício  estabelecida em seus  incisos  I  e  II do caput. O não cabimento da  imposição  concomitante dessas duas multas tem como fundamento a ambiguidade da redação do próprio  art.  44  em  sua  redação  original,  ambiguidade  esta  que  deve  ser  resolvida  a  favor  do  sujeito  passivo,  consoante  dispõe  o  art.  112,  I,  do CTN. A  controvérsia  foi  superada  apenas  com  a  Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº  9.430/1996.  Este  Órgão  possui  entendimento  sedimentado  de  que  a  aplicação  concomitante da multa isolada (inciso III do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) e da multa de  ofício (incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996), não é legítima quando incide sobre uma  mesma  base  de  cálculo,  conforme  se  observa  da  decisão  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais:  Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA  – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da  multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de  1996) e da multa de ofício  (incisos I e  II, do art. 44, da Lei nº  9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma  base  de  cálculo.  Recurso  especial  negado.  (Acórdão CSRF/01­ 04.987, de 15/06/2004)  Portanto,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos­calendário  de  2000,  2001 e 2002, ou seja, antes da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007,  deve­se excluir da exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício.  Ressalte­se  que,  relativamente  ao  calendário  de  1999,  a  decisão  original  já  havia acolhido a preliminar de decadência.  Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados  para, sanando a omissão apontada Acórdão nº 2201­002.460, de 17/07/2014, alterar a decisão  no sentido de “acolher a preliminar de decadência,  relativamente  ao ano­calendário de 1999,  rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da  exigência a multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício".    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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6378246 #
Numero do processo: 19515.005747/2009-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. O art. 142 do CTN determina as etapas a serem seguidas para a promoção do lançamento, mas não determina a metodologia que deve ser empregada para execução de tal procedimento. Assim, nada há de equivocado em promover o lançamento levando-se em consideração os valores dos débitos tributários escriturados na contabilidade, em cotejo com o que foi declarado em DCTF. Outrossim, não há que se falar em insuficiência de fundamentação ou descrição quando o auto descreve a acusação (pagamento inferior ao devido) e aponta a origem da sua convicção (escrituração do contribuinte em comparação com as DCTF). FALHA NA APURAÇÃO DO QUANTUM. CONSEQUÊNCIAS. As falhas na apuração da contribuição, por si só, não representam falha de motivação e, como tal devem ser saneadas mediante ajuste. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. VALOR A RECOLHER. Diferentemente do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é o saldo negativo da conta gráfica, o quantum da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativo é apurado a partir do faturamento. Esse valor, com efeito, poderá ser deduzido a partir de créditos apurados pelo contribuinte. Não compete ao Fisco, portanto, analisar os dispêndios no intuito de apurar se os créditos passíveis de aproveitamento superam os informados no DACON, já aproveitados pelo Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que não conheciam; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a nulidade e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. O art. 142 do CTN determina as etapas a serem seguidas para a promoção do lançamento, mas não determina a metodologia que deve ser empregada para execução de tal procedimento. Assim, nada há de equivocado em promover o lançamento levando-se em consideração os valores dos débitos tributários escriturados na contabilidade, em cotejo com o que foi declarado em DCTF. Outrossim, não há que se falar em insuficiência de fundamentação ou descrição quando o auto descreve a acusação (pagamento inferior ao devido) e aponta a origem da sua convicção (escrituração do contribuinte em comparação com as DCTF). FALHA NA APURAÇÃO DO QUANTUM. CONSEQUÊNCIAS. As falhas na apuração da contribuição, por si só, não representam falha de motivação e, como tal devem ser saneadas mediante ajuste. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. VALOR A RECOLHER. Diferentemente do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é o saldo negativo da conta gráfica, o quantum da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativo é apurado a partir do faturamento. Esse valor, com efeito, poderá ser deduzido a partir de créditos apurados pelo contribuinte. Não compete ao Fisco, portanto, analisar os dispêndios no intuito de apurar se os créditos passíveis de aproveitamento superam os informados no DACON, já aproveitados pelo Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que não conheciam; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a nulidade e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 804          1 803  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19515.005747/2009­29  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.471  –  3ª Turma   Sessão de  24 de fevereiro de 2016  Matéria  PIS/Cofins Não­Cumulativos ­ Método de apuração da base de cálculo  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA­DE­AÇÚCAR, AÇÚCAR E  ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO.    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS.  O art. 142 do CTN determina as etapas a serem seguidas para a promoção do  lançamento, mas não determina a metodologia que deve ser empregada para  execução de tal procedimento.   Assim,  nada  há  de  equivocado  em  promover  o  lançamento  levando­se  em  consideração os valores dos débitos tributários escriturados na contabilidade,  em cotejo com o que foi declarado em DCTF.  Outrossim,  não  há  que  se  falar  em  insuficiência  de  fundamentação  ou  descrição quando o auto descreve a acusação (pagamento inferior ao devido)  e  aponta  a  origem  da  sua  convicção  (escrituração  do  contribuinte  em  comparação com as DCTF).  FALHA NA APURAÇÃO DO QUANTUM. CONSEQUÊNCIAS.  As  falhas  na  apuração  da  contribuição,  por  si  só,  não  representam  falha  de  motivação e, como tal devem ser saneadas mediante ajuste.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  REGIME NÃO­CUMULATIVO. VALOR A RECOLHER.  Diferentemente  do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  onde  o  valor  a  recolher  é  o  saldo  negativo  da  conta  gráfica,  o  quantum  da  Cofins  e  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  não­cumulativo  é  apurado  a  partir  do  faturamento. Esse valor, com efeito, poderá ser deduzido a partir de créditos  apurados pelo contribuinte.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 47 /2 00 9- 29 Fl. 804DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 805          2 Não compete ao Fisco, portanto, analisar os dispêndios no  intuito de apurar  se  os  créditos  passíveis  de  aproveitamento  superam  os  informados  no  DACON, já aproveitados pelo Contribuinte.  Recurso Especial do Procurador Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  conhecer  do  recurso  especial.  Vencidos  os  Conselheiros  Tatiana Midori  Migiyama,  Demes  Brito,  Valcir  Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que não conheciam; e, no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial  para  afastar  a  nulidade  e  determinar  o  retorno  dos  autos  ao  colegiado  recorrido  para  exame  das  demais  questões  trazidas no  recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama,  Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez, López, que negavam provimento.  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  Henrique Pinheiro Torres ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria  Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.  Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  por  meio  do  qual  se  busca  a  reforma  do  Acórdão  3403­001.821,  de  25/10/2012,  assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­ calendário:2005, 2006, 2007   PIS/COFINS.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  PROCEDIMENTO  DE  APURAÇÃO.  DEFICIÊNCIA  DA  MOTIVAÇÃO.  ADOÇÃO  DE  RUBRICA  CONTÁBIL  SEM  DIFERENCIAÇÃO  ENTRE  OS  REGIMES  CUMULATIVO  E  NÃO­CUMULATIVO  E  SEM  COMPROMETIMENTO  COM  O  APROVEITAMENTO  CONCRETO  DOS  CRÉDITOS  PELO  CONTRIBUINTE. NULIDADE.  A  apuração  de  PIS/Cofins  pela  diferença  entre  o  valor  escriturado e o valor declarado consiste em apurar por meio da  escrituração  fiscal  os  valores  que  compõem a  receita  bruta  ou  faturamento,  depois  deduzindo  os  créditos  gerados  com  fundamento  no  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.883/03,  verificando  como  o  contribuinte  exerceu  concretamente  tal  possibilidade,  para  assim  determinar­se  de  maneira  circunstanciada e racional o valor devido destas contribuições.  Fl. 805DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 806          3 Nem  o  auto  de  infração,  nem  o  termo  de  fiscalização  e  as  planilhas  que  o  integram,  apresentam  de  maneira  circunstanciada  o  procedimento  que  teria  sido  adotado  pela  Fiscalização.  É inconsistente apurar o valor devido das contribuições tomando  exclusivamente  o  encontro  dos  valores  positivos  e  negativos  apontados na rubrica contábil intitulada de PIS/Cofins, visto que  mistura  valores  pertinentes  aos  regimes  cumulativo  e  não­ cumulativo,  e  também  porque  não  verifica  concretamente  o  controle  e  aproveitamento  dos  créditos  realizado  pelo  contribuinte,  negligenciando  a  possibilidade  de  o  contribuinte  poder  ou  não  aproveitar  os  créditos,  podendo  aproveitá­lo  em  períodos subseqüentes, tal como é facultado pela Lei.  Recurso provido.  Trata­se  de  autos  de  infração  do  PIS  e  da  Cofins,  apurados  a  partir  da  comparação entre os débitos declarados em DCTF e os valores lançados na escrituração que,  na  opinião  do  Fisco,  representariam  os  saldos  das  contas  destinadas  à  apuração  das  contribuições litigiosas.  Ditas  diferenças,  identificadas  em  procedimento  de  "verificações  obrigatórias", foram levantadas a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo sujeito passivo,  conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal às fls. 324/326.  As  razões  de  impugnação  foram  descritas  com  precisão  pelo  relatório  que  embasa o acórdão de 1ª instância, que passo a transcrever:  ­  Diante  do  artigo  142  do  CTN,  artigo  59,  II,  do  Decreto  70.235/1972 e artigo 37, caput, da CF, é correto concluir que os  agentes  fiscais  estão  obrigados  a  examinar  os  documentos  fornecidos pelo  contribuinte para, a partir deles, motivar o ato  que  expedirão,  quer  ele  resulte  em  exigência  fiscal  quer  no  encerramento  da  fiscalização  sem  a  constituição  do  crédito  tributário.   ­  A  fiscalização  limitou­se  a  constatar  as  alegadas  diferenças,  não  obstante  elas  possam  ter  por  origem  inúmeras  hipóteses  diversas do mero não recolhimento de tributo.  ­ Os números constantes das autuações não refletem os valores  devidos,  sendo  que  a  impugnante,  mesmo  após  diversas  tentativas, não conseguiu refazer os mesmos cálculos feitos pela  fiscalização,  justificando  a  declaração  de  improcedência  das  exações  por  ausência  de  motivação  que  lhes  sirvam  de  fundamento.  ­  Caso  a  impugnante  tivesse  sido  intimada,  ela  teria  prestado  informações  que  revelariam  o  desacerto  nos  números  da  fiscalização.  ­ A fundamentação da exação em cálculos dissociados dos dados  contábeis  e  fiscais  do  contribuinte  fulmina  de  nulidade  as  Fl. 806DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 807          4 autuações  fiscais  em  questão,  pelos  manifestos  vícios  de  motivação e de cerceamento do direito de defesa da impugnante.  ­  No  caso,  afastou­se  a  fiscalização  do  seu  dever  de  buscar  a  verdade  material,  como  decorre  do  artigo  142  do  CTN,  antes  referido,  bem  como  do  artigo  10,  III,  do Decreto  70.235/1972,  segundo  o  qual  o  auto  de  infração  deve  contemplar  obrigatoriamente a descrição do fato ocorrido.  ­  Ao  contrário  do  demonstrado  nas  planilhas  elaboradas  pelo  fisco,  a  impugnante  não  realizou  certos  registros  e  posteriormente  os  alterou.  Não  há  qualquer  retificação  na  contabilidade  da  interessada,  no  que  concerne  à  apuração  do  PIS  e  da COFINS,  fato  que  demonstra  o  equívoco  no  trabalho  fiscal.   ­ A  fim de demonstrar o acerto de  seus  registros  contábeis  e a  correspondência  desses  valores  com  as  informações  constantes  de  suas  declarações  fiscais,  a  impugnante  apresenta  planilhas  com o histórico das apurações dessas contribuições nos períodos  em que foram feitas exigências de ofício.  ­ No  levantamento  fiscal,  nem  ao menos  os  valores  declarados  pela empresa foram corretamente transportados para as tabelas  fiscais, como o valor do PIS do mês de maio/2005, em que consta  a quantia de R$ 866.706,30, quando o valor declarado foi de R$  890.100,58.  Já  no mês  de  dezembro  de  2007,  não  foi  indicado  qualquer  valor  declarado  a  título  de  COFINS.  Entretanto,  a  análise  da  ficha  da  DCTF  revela  que  o  montante  declarado  como devido foi de R$ 6.392.648,19.  ­ Por outro lado, é possível observar que em alguns meses houve  apenas  exigências  do  PIS  e  em  outros  da  COFINS,  o  que  é  estranho,  na  medida  que  ambas  contribuições  recaem,  essencialmente, sobre as mesma base de cálculo.  ­ A Administração somente poderá impor a exigência de tributos  fundada  na  alegação  de  ausência  de  recolhimentos,  se  demonstrar que as informações e documentos apresentados não  contemplam  erros  ou  omissões.  Interpretação  em  sentido  contrário  conduz  à  inobservância  das  prescrições  de  que  dão  fundamento os artigos 845, § 1º, 923 e 924 do RIR/1999.  A  exigência  foi  parcialmente mantida,  sob  os  fundamentos  que  podem  ser  resumidos na ementa do aresto:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Somente há que se falar em nulidade do auto de infração se o ato  for  praticado  por  agente  incompetente.  Quaisquer  outras  irregularidades,  incorreções  e  omissões  cometidas  no  auto  de  infração  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 808          5 resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem  na  solução  do  litígio.  MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFINIÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Insustentável a alegação de falta de definição quanto ao motivo  da autuação quando o auto de infração e o termo de verificação  fiscal descrevem os atos praticados pela autuada que afrontam a  legislação  tributária  e  os  dispositivos  legais  que  tipificam  a  irregularidade que motivou a acusação fiscal.  INTIMAÇÃO PRÉVIA.  Se a fiscalização dispõe dos elementos necessários e suficientes  para  a  caracterização  da  infração  e  formalização  do  lançamento,  não  há  a  necessidade  de  prévia  intimação  à  contribuinte.  A  oportunidade  para  que  o  sujeito  passivo  manifeste  suas  contra­razões  à  exigência  é  por  ocasião  da  apresentação da impugnação.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  LEVANTAMENTO  FISCAL.  REGISTROS  CONTÁBEIS.  ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS.  Os dados contábeis utilizados pela  fiscalização foram extraídos  de arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, nos termos da  IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria  em  dissonância  com  escrituração  somente  poderia  ser  acatada  mediante provas concretas.  LEVANTAMENTO  FISCAL.  VALOR  DECLARADO  NÃO  COMPUTADO.   Constatado  erro  no  levantamento  fiscal,  que  deixou  de  considerar  o  valor  declarado  em  um dos  períodos  fiscalizados.  Cancela­se a exigência correspondente.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  LEVANTAMENTO  FISCAL.  REGISTROS  CONTÁBEIS.  ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS.  Os dados contábeis utilizados pela  fiscalização foram extraídos  de arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, nos termos da  IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria  em  dissonância  com  escrituração  somente  poderia  ser  acatada  mediante provas concretas.  LEVANTAMENTO  FISCAL.  VALOR  DECLARADO  NÃO  COMPUTADO.   Fl. 808DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 809          6 Constatado  erro  no  levantamento  fiscal,  que  deixou  de  considerar  o  valor  declarado  em  um dos  períodos  fiscalizados.  Cancela­se a exigência correspondente.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Como é possível verificar, foi confirmada imprecisão na apuração da Cofins  do mês 12/2007 e reduzido o valor da exigência fiscal, conforme descrito no seguinte excerto  do voto­condutor:   Todavia,  há  de  dar  razão  à  contribuinte,  quanto  ao  mês  de  dezembro  de  2007,  porquanto  nenhum  valor  foi  indicado  na  planilha de fl. 320 como COFINS declarada no mês, embora na  DCTF  a  empresa  tivesse  informado  as  importâncias  de  R$  5.134.589,27  (2172  –  COFINS  cumulativa)  e  R$  1.258.058,92  (5856 ­ COFINS não cumulativa), num total de R$ 6.392.648,19  (fls. 424/427 e 431/432).  Considerando que o valor exonerado era inferior ao limite de alçada, não foi  interposto recurso de ofício.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  contribuinte  reitera  suas  alegações  acerca  da  nulidade do procedimento fiscal, por violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº  70.235,  de  1972  e  passa  a  contestar  as  conclusões  do  órgão  julgador  de  primeira  instância  acerca da  liquidez, conforme exposto no seguinte excerto do  recurso voluntário,  já  transcrito  pela instância a quo:  Para  ilustrar  seu  raciocínio,  a  DRJ  afirma  que  os  valores  tributáveis de COFINS em maio/05 totalizam R$ 22.221.0,79,18  (lançamentos a débito), ao passo que as importâncias redutoras  da  obrigação  fiscal  totalizariam.  R$  15.825.979,24.  Assim,  a  diferença  R$  6.395.099,94  ,  na  sua  visão,  deveria  ser  paga.  Contudo,  como  somente  se  verificou  o  recolhimento  de  R$  4.040.494,59,  o  valor  faltante  R$  2.354.605,35  foi  lançado  de  oficio.  O raciocínio exposto, no entanto, não pode prevalecer.  De  fato,  é  improcedente  a  afirmação  feita  pela DRJ,  de  que  a  coluna  "Contab."  registra  os  valores  passíveis  de  tributação  a  título de PIS/COFINS (lançamentos a débito), enquanto a coluna  "Retif.  Contab."  registra  os  valores  que  reduzem  a  base  de  cálculo das exações (lançamentos a crédito).  A fim de demonstrar os equívocos cometidos pela Fiscalização e  reafirmados pela DRJ, a Recorrente apresenta mais uma vez as  planilhas com as apurações de PIS/COFINS e,  juntamente com  elas,  as  fichas  dos  seus  arquivos  magnéticos  registrados  nos  termos da IN 86/01 com os "valores passíveis de tributação pelo  PIS/COFINS" (lançamentos a débito) e os "valores passíveis de  redução  do  PIS/COFINS"  (lançamentos  a  crédito).  Assim,  por  meio dos arquivos magnéticos e das planilhas que os sintetizam,  Fl. 809DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 810          7 é possível  identificar os erros nos  cálculos da Fiscalização e o  acerto nas informações da Recorrente.  A  fim  de  demonstrar  a  veracidade  de  suas  informações  e  o  desacerto  nos  dados  colhidos  pela Fiscalização  e  utilizados  na  fundamentação  das  exações  em  análise,  a  Recorrente  descreve  abaixo  a  apuração  da  própria  COFINS  de maio/05,  citada  na  decisão DRJ.  Segundo  se  vê  dos  arquivos  magnéticos  da  Recorrente  —  os  mesmos que foram entregues à Fiscalização antes da autuação—  as  operações  passíveis  de  tributação  a  título  de  COFINS  no  período  citado  (lançamentos  a  débito)  totalizam  R$  13.160.621,15 (e não R$ 22.221.079,18, como consta do auto de  infração).  Já  as  importâncias  passíveis  de  reduzirem  a  contribuição devida  (lançamentos a  crédito) atingem o  total  de  R$ 8.699.779,87 (e não R$ 15.825.979,24, tal como se lê no auto  de  infração).  Apenas  a  diferença  R$  4.460.841,28  qualificase  como devida.  A  partir  daí  são  feitos  ajustes  decorrentes  da  exclusão  dos  créditos  e  recolhimentos de abril/05,  pois,  embora  tenham sido  registrados  na  conta  contábil  em  maio,  eles  se  referem  à  apuração  e  pagamento  da  competência  abril/05,  sem  que  se  possa  influir  na  apuração  do  devido  e  pago  em maio/05.  Com  isso,  chega­se  ao  total  de R$ 8.425.823,60. Desta  importância,  são descontados os créditos do próprio mês de maio de 2005 e as  demais exclusões porventura cabíveis (no caso houve a exclusão  de  R$  998,64  de  nota  cancelada),  o  que,  segundo  exposto,  totaliza  R$  4.040.494,59,  montante  pago  e  declarado  como  recolhido em DCTF, sendo R$ 3.564.227,34, a título de COFINS  cumulativa,  e  R$  476.267,25,  a  título  de  COFINS  não­ cumulativa.  Em outro trecho, frisa a contribuinte:  “A demonstração probatória  apresentada  é  a  única possível  de  ser  feita  pela  Recorrente.  Isso  porque,  como  antes  indicado,  a  cooperativa  procurou  executar  uma  série  de  exercícios  numéricos  a  fim  de  descobrir  o  caminho  percorrido  pela  Fiscalização  na  determinação  das  exigências.  No  entanto,  nenhum  dos  cálculos  realizados  resultou  nos  números  das  tabelas de "Cotejo das Informações Contábil­Fiscais".  Assim, o único meio encontrado para comprovar o equívoco dos  autos de infração, foi apresentar de forma impressa os arquivos  magnéticos contábeis e fiscais com os registros dos dados que a  Fiscalização  afirma  ter  examinado,  destacando  que  o  material  mencionado aponta valores distintos daqueles expostos nos atos  de lançamento”  Como é possível concluir a partir da leitura da ementa, o Colegiado a quo deu  provimento ao recurso voluntário e afastou a integralidade da exigência fiscal, sob o argumento  de  que  a  apuração  do quantum  não  poderia  ser  realizada  segundo  a metodologia  empregada  Fl. 810DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 811          8 pelo Fisco, bem assim que teriam sido identificadas falhas na liquidação do quantum, embora  não quantifique tais falhas ou identifique sua origem.  Regulamente  intimada,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  embargos de declaração, mas tais embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 3403­00.2.505,  por meio do qual se concluiu que, diante dos erros de procedimento e motivação perpetrados, o  lançamento padeceria de vícios substanciais, razão pela qual caberia decretar sua nulidade por  vício material.  Sobreveio  recurso  especial,  por meio  do  qual  a Fazenda Nacional  defende,  em síntese, que não teriam se verificado as alegadas falhas procedimentais capazes de decretar  a insubsistência do lançamento e que os erros de apuração não conduziriam à insubsistência do  lançamento.  Uma  vez  que  se  assumira  como  corretas  as  alegações  do  Contribuinte,  caberia  determinar  o  retorno  dos  autos  ao  órgão  preparador  no  intuito  de  adequar  o  quantum  às  premissas assumidas no aresto.  No  intuito  de  demonstrar  o  necessário  dissídio  jurisprudencial,  cita  a  integralidade da ementa dos acórdãos 2401­00.434 e 103­20451.  O recurso teve prosseguimento nos termos do Despacho nº 3400­000.261, às  fls. 758/761.  Em  suas  contrarrazões,  a  contribuinte  aduz,  inicialmente,  que  os  acórdãos  apontados  como  paradigma  não  se  prestariam  a  demonstrar  a  alegada  divergência  jurisprudencial, em face da ausência de identidade fática.  Sinteticamente,  segundo  aponta,  os  paradigmas  enfrentaram  discussões  acerca  de meras  questões  de  aritmética,  ao  passo  que,  no  presente  processo,  decidiu­se  pela  insubsistência da autuação em razão de impossibilidade de identificação dos critérios utilizados  para  a  lavratura  do  Auto  de  Infração.  Isto  é,  naqueles  teria  sido  debatida  a  retificação  de  cálculo,  ao  passo  que  neste,  a  inexistência  de  explicação  e  motivação  coerente  que  justificassem as exigências fiscais.  Passando ao mérito de suas contrarrazões, a contribuinte, fundamentalmente,  reitera  os  fundamentos manejados  desde  a  instauração  do  litígio,  acrescentando,  excertos  do  próprio acórdão recorrido que respaldariam suas alegações.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator  O  especial  fazendário  é  tempestivo  e,  ao  contrário  do  alegado  nas  contrarrazões do Sujeito Passivo, o  recurso veio arrimado em paradigmas que demonstram o  dissídio jurisprudencial.  Analisando sob o prisma dos  fundamentos da autuação, é possível verificar  que a decisão de declarar o auto de infração insubsistente está alicerçada em três premissas: a)  o  lançamento  das  contribuições  litigiosas  sempre  dependeria  da  apuração  da  receita;  b)  Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 812          9 tratando­se  de  contribuições  sujeitas  ao  regime  não­cumulativo,  caberia  ao  Fisco,  antes  de  formalizar  a  exigência  fiscal,  promover  um  levantamento  dos  créditos  que  poderiam  ser  utilizados para reduzir o débito; e c) a contribuinte submete­se aos regimes cumulativo e não­ cumulativo  e  a  forma  pela  qual  o  Fisco  empreendeu  suas  verificações  negligenciara  a  separação entre as receitas sujeitas a cada um dos regimes.  Há, ainda, conclusão de falta de liquidez, em razão da discrepância entre os  valores levantados pelo Fisco e os declarados em DCTF, apurados pela contribuinte a partir de  tal  escrita.  Essa  questão,  entretanto,  assumiu  papel  secundário,  tanto  que  o  voto­condutor  sequer explicita qual seria essa discrepância ou procura estabelecer sua origem. Ou seja, parte  do  pressuposto  de  que  se  estaria  diante  de  falha  de  motivação,  questão  antecedente  à  liquidação.  Assim,  tal  e  qual  ocorrera  nas  demais  questões  antecedentes,  o  acórdão  entendeu  que  a  incerteza  quanto  à  liquidez  representaria  falha  na  motivação  e,  como  tal,  determinaria a insubsistência por vício material.  Todas as questões, portanto, apontam para um mesmo problema: as falhas na  apuração do valor devido, seja porque teria sido promovido o arbitramento a partir de uma base  de  cálculo  equivocada  (caso  do  acórdão  2401­00.434),  seja  porque  teria  sido  promovida  a  recomposição do lançamento a partir da reanálise da escrita contábil, determinada pelo órgão  julgador  (caso do Acórdão 103­20.452). Por ser  representativo,  transcrevo o seguinte excerto  do voto­condutor deste último, que inclusive ratificou o raciocínio no sentido de que eventual  dúvida deveria ser suprida por meio da realização de diligência:  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  acatou  as  conclusões  da  diligência  e,  à  vista  das  alegações  apresentadas  no  aditivo  à  impugnação  de  fls.  86/87,  comprovada  pelos  lançamentos  do  Livro  Razão,  bem  como,  dos  documentos  anexados  pela  contribuinte,  concluiu  por  incluir  entre  os  recursos  disponíveis  em  fevereiro  de  1994  a  quantia  de  CR$  23.504.146,33  relativa  a  aplicações  financeiras  efetuadas  no  Banco  Itati  e  resgatadas  no  correr  do  mês,  conforme  lançamento  de  fls.  96  do  Razão  (fls.  122  e  190),  o  que  resultou  na  anulação  do  excesso  de  dispêndios  apurado  pelos  Auditores­Fiscais  diligenciantes.  Acatou  ainda  a  inclusão  no  saldo de Contas a Receber no Início do Mês de setembro o saldo  da conta Cliente­F. Marinho Confecções Ltda.,  no  valor de R$  5.134,20,  tendo  em  vista  a  comprovação  de  que  esta  conta  manteve­se sem movimentação desde o fim de julho de 1994.  Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em  sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da  autoridade  julgadora  comprovam  a  ocorrência  de  erros  na  apuração  de  excesso  de  dispêndios  que  embasa  imputação  de  omissão de receitas.  A diferença entre os arestos, portanto, é que o acórdão recorrido concluiu que  os  vícios  na  analise  da  escrita  atingiriam  a motivação  e  os  paradigmas,  em  sentido  diverso,  assentaram  que  estar­se­ia  diante  de  uma  falha  na  quantificação,  que  poderia  ser  saneada  mediante ajustes.   Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 813          10 Desta feita, decidir acerca do efeito das falhas apontadas, implica interpretar  os ditames do art. 142 do CTN e 10, III do Decreto nº 70.235, de 1972 e, consequentemente,  faz  parte  da matéria  recursal  (e  não  de mero  juízo  de  admissibilidade).  Como  tal,  deve  ser  enfrentada.  Diferentemente do que defendeu  a contribuinte,  portanto,  não  se demonstra  relevante para a solução do litígio, a natureza (ou profundidade, nas palavras da contribuinte),  das alegadas falhas na determinação da matéria tributável. O acórdão recorrido deu a tais falhas  determinado tratamento e os paradigmas, tratamento diverso.  Diante  do  exposto,  conheço  do  recurso  especial  apresentado  pela  Fazenda  Nacional.  Vencida  a  questão  do  conhecimento,  passa­se,  de  imediato,  ao  mérito  do  recurso.  Em primeiro lugar, não vejo como considerar que o levantamento fiscal teria  violado o art. 142 do CTN em razão de que, ao invés de promover o levantamento da receita,  teria  apurado  o  quantum  diretamente  a  partir  da  escrituração  dos  valores  devidos  pela  contribuinte. Confira­se sua redação:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Como é possível perceber, o dispositivo legal, em momento algum, determina  a metodologia que o Fisco deve empreender para o cumprimento de seu desiderato.  Se,  como  é  o  caso,  todas  as  informações  necessárias  encontravam­se  disponíveis nas  contas utilizadas para escrituração da  contribuição  a  recolher,  evidentemente  não  há  que  se  falar  em  insubsistência.  Ora,  se  o  débito  estava  escriturado  pela  própria  contribuinte,  não  vejo  como  considerar  que  não  teria  ocorrido  o  fato  gerador,  que  a matéria  tributária  não  se  encontrasse  determinada  ou  ainda  que  o  tributo  devido  não  tivesse  sido  calculado.   Evidentemente,  como  será  melhor  analisado  adiante,  concordar  com  a  metodologia empregada pelo Fisco não implica ratificar o resultado.  Também não se alegue que o ato padece de falta de motivação.  A  autoridade  cotejou  os  débitos  escriturados  e  confessados  em  DCTF  e  chegou à conclusão de que  tais valores apresentavam­se discrepantes. Caso não procedesse à  lavratura de auto de infração, estaria sujeito à responsabilização funcional.  Finalmente, a narrativa empreendida permite perfeitamente que se conheça a  acusação  formulada:  a  contribuinte  teria  escriturado  débitos  e  as  DCTF  apresentadas  apresentariam discrepância com tal escrituração. Daí porque não se poderia falar em violação  ao art. 10, III, do Decreto nº 70.235, de 1972.  Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 814          11 Aliás,  se a narrativa não permitisse compreender a  infração  imputada estar­ se­ia diante de cerceamento do direito de defesa e, como tal, de vício formal.  Também  não  vejo  como  decretar  a  insubsistência  em  razão  de  presumível  falha na apuração dos créditos relativos à não­cumulatividade.  Deve­se ter em mente, para tanto, que, diferentemente do que se verifica no  cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, onde o valor a recolher é representado pelo  saldo  devedor  da  conta  gráfica,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  o  valor  devido  das  contribuições  em  litígio,  ainda  que  submetidas  ao  regime  não­cumulativo  é  resultado  da  aplicação  da  alíquota  sobre  o  faturamento,  a  teor  do  art.  2º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003, que poderá ser abatido, a critério da contribuinte, a partir dos créditos apurados  em sua escrita, nos termos do art. 3º das mesmas leis.  Nessa linha, não consigo considerar que o procedimento fiscal encontrava­se  inquinado  de  nulidade,  em  razão  de  que  o  Fisco  não  teria  percorrido  os  dispêndios  da  contribuinte  e  identificado,  em  tais  dispêndios,  créditos  passíveis  de  aproveitamento  que  eventualmente não tivessem sidos lançados nos correspondentes Demonstrativos de Apuração  das Contribuições Sociais (Dacon).  Ou  seja,  não  está  se  defendendo  aqui  que  a  autoridade  fiscal  deveria  desprezar o valor dos créditos lançados nos Dacon disponíveis para aproveitamento, mas não  há  notícia  de  que  tal  omissão  teria  ocorrido. Muito  pelo  contrário,  os  créditos  apurados  no  Dacon  foram  aproveitados  pelo  sujeito  passivo,  tanto  que,  em  todos  os meses  debatidos  no  presente processo, o contribuinte apurou saldo devedor a pagar.  Partindo  dessa  premissa,  também  não  vejo  como  justificar  a  decretação  da  insubsistência  (ou  nulidade  por  vício  material,  segundo  alguns  defendem)  da  autuação  em  razão  da  ausência  de  separação  entre  os  débitos  oriundos  dos  regimes  cumulativo  ou  não­ cumulativo.  Registre­se  que,  como  bem  ressaltado  pelo  acórdão  de  primeira  instância,  a  incidência do PIS sobre folhas salariais não foi alvo de verificação.  Até  porque,  se  todos  os  créditos  foram  aproveitados,  eventual  falha  na  distinção  entre  receitas  cumulativas  e  não  cumulativas  só  repercutiria  na  fixação  da  alíquota  incidente  sobre  a  operação  e  tal  aspecto,  pelo  menos  no  presente  processo,  revela­se  irrelevante.  Deveras, se as planilhas reproduziriam os valores dos débitos (ou seja, após a  aplicação da alíquota), não se poderia sequer afirmar, a priori, que a ausência de tal distinção  traria prejuízo à contribuinte.  Afastadas  essas  três  questões  antecedentes,  ressurge  a  necessidade  se  aprofundar a discussão de natureza fática incompatível com o presente recurso especial e, que,  o que é mais  relevante, não foi enfrentada pelo acórdão a quo, que fundamentou sua decisão  (suficientemente, reforce­se) em questões relativas à metodologia empregada para apuração do  alegado débito.  Como antecipado, o voto­condutor faz menção à suposta falha na liquidação,  mas  não  quantifica  a  falha  alegada  nem  identifica  sua  origem.  Evidentemente,  também  não  diligencia no sentido de identificá­la.  Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 815          12 Com  efeito,  há  uma  aparente  disparidade  entre  os  critérios  utilizados  pelo  Fisco e pela contribuinte para "filtrar" os itens da planilha que indicariam a contabilização de  débito, exemplificativamente, demonstrada a partir dos registros do mês de maio de 2005.  De fato, como apontado em sede de recurso voluntário, a consolidação às fls.  433 e 434, gerada a partir dos arquivos eletrônicos (não pagináveis) anexados aos autos pelo  Fisco,  diverge  das  consolidações  e  relatórios  que  reproduziriam  o  balancete  de  verificação  relativo à conta 21352101, destinada ao controle do valor da Cofins a pagar no mês de maio de  2005, colacionados às fls. 470 a 566, a pedido da contribuinte.  Como se pode perceber,  ambos aplicaram filtros  sobre os mesmos  registros  contábeis  e,  a  partir  desses  filtros,  obtiveram  resultados  diversos.  Se  os  cálculos,  levados  a  efeito por meio de programas de computador, não chegam ao mesmo resultado, evidentemente  consideraram itens diversos na sua totalização.   Ocorre, entretanto, que tal divergência, por si, não é suficiente para confirmar  a alegação do Sujeito Passivo, que igualmente não esclarece quais seriam os critérios utilizados  para aplicar seus próprios filtros.  Nessa  linha,  diante  da  falta  de  tais  esclarecimentos,  assumir  a  premissa  de  que o Fisco equivocou­se porque não demonstrou a procedência de seus "filtros", com a devida  licença, é inverter a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo. Como é cediço,  um dos  atributos do  ato administrativo  é  a presunção de  legitimidade,  assim delimitada pelo  Celso Antonio Bandeira de Mello1:  “é  a  qualidade,  que  reveste  tais  atos,  de  se  presumirem  verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em contrário. Isto  é:  milita  em  favor  deles  uma  presunção  juris  tantum  de  legitimidade; salvo expressa disposição legal, dita presunção só  existe até serem questionados em juízo”.   Evidentemente,  não  se  está  aqui  defendendo  que  esta  instância  especial  aprofunde  a  instrução  processual.  Mais  do  que  desbordar  os  limites  inerentes  ao  recurso  especial de divergência, a adoção de tal medida representaria supressão de instância, posto que  essas  questões  inerentes  à  liquidez  não  foram  enfrentadas  suficientemente  pelo  acórdão  recorrido.  Não  se  sabe,  com  efeito,  se  os  "filtros"  aplicados  refletem  o  valor  efetivamente  devido.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  especial,  para  afastar  a  prejudicial  de  insubsistência  do  lançamento  em  razão  da  metodologia empregada para quantificação do débito e determinar a devolução do processo à  instância a quo, para  verificação  das  questões  de  natureza  fática,  no  caso,  a  confirmação  do  quantum  efetivamente  escriturado  nas  contas  empregadas  para  controle  dos  valores  das  contribuições litigiosas.  Henrique Pinheiro Torres                                                              1 Curso de Direito Administrativo. Malheiros, 25ª edição, 2008, p. 411.  Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005747/2009­29  Acórdão n.º 9303­003.471  CSRF­T3  Fl. 816          13                               Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10665.003422/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há de ser reconhecida a nulidade do acórdão de primeira instância quando este decide toda a matéria de defesa deduzida em sede de impugnação e justifica através de motivos de fato e direito as suas conclusões. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. (Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observá­la, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). DOLO. LANÇAMENTO. A comprovação da existência de dolo não é condição necessária para que seja formalizado o lançamento tributário, mas tão somente a verificação do descumprimento da legislação tributária Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Igor Araújo Soares

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há de ser reconhecida a nulidade do acórdão de primeira instância quando este decide toda a matéria de defesa deduzida em sede de impugnação e justifica através de motivos de fato e direito as suas conclusões. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. (Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observá­la, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). DOLO. LANÇAMENTO. A comprovação da existência de dolo não é condição necessária para que seja formalizado o lançamento tributário, mas tão somente a verificação do descumprimento da legislação tributária Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 136          1  135  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10665.003422/2008­32  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.971  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de fevereiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  CLZ COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008  ACÓRDÃO DE PRIMEIRA  INSTÂNCIA. NULIDADE.  INEXISTÊNCIA.  Não  há  de  ser  reconhecida  a  nulidade  do  acórdão  de  primeira  instância  quando  este  decide  toda  a  matéria  de  defesa  deduzida  em  sede  de  impugnação  e  justifica  através  de  motivos  de  fato  e  direito  as  suas  conclusões.  LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. Não cabe ao  CARF a  análise de  inconstitucionalidade da Legislação Tributária.  (Súmula  CARF nº2)  TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da  taxa  Selic  para  a  atualização  do  crédito  tributário  é  determinada  em  Lei,  devendo  a Administração Tributária observá­la,  aplicando o  referido  índice  (Súmula CARF nº4).  DOLO.  LANÇAMENTO.  A  comprovação  da  existência  de  dolo  não  é  condição necessária para que seja  formalizado o  lançamento  tributário, mas  tão somente a verificação do descumprimento da legislação tributária  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 34 22 /2 00 8- 32 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     2    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira,  João Victor  Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10665.003422/2008­32  Acórdão n.º 2402­004.971  S2­C4T2  Fl. 137          3    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  CLZ  COMERCIAL  DE  ALIMENTOS LTDA, em face de acórdão que manteve o Autos de  Infração n. 37.195.430­4  lavrado  para  a  cobrança  de  contribuições  sociais  previdenciárias  parte  da  empresa  e  as  destinadas  ao  financiamento  do  GILRAT,  incidentes  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados a seu serviço.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal  a  recorrente  apresentava  GFIP´s  com  a  indicação de ser optante do SIMPLES, sendo que de fato não o era.  Em  virtude  de  tal  fato,  foi  aberto  o  procedimento  de  fiscalização,  que  culminou  no  presente  lançamento,  efetuado  a  partir  das  informações  obtidas  em  folhas  de  pagamento.  O lançamento compreende as competências de 02/2004 a 09/2007 e 13/2007,  tendo sido o contribuinte cientificado em 17/12/2008 (fls. 01)  O  contribuinte  interpôs  o  competente  recurso  voluntário,  através  do  qual  sustenta:  1.  violação  do  art.  93,  inc.  IX  da  Constituição  da  República,  tendo  em  vista  que  o  v.  acórdão  recorrido  deixou  de  fundamentar sua decisão, merecendo, pois, ser anulado;  2.  que  jamais  faturou  valor  superior  ao  limite  máximo  para  enquadramento no regime SIMPLES, qual seja: 1.200.000,00  (hum  milhão  e  duzentos  mil  reais),  de  modo  que  os  argumentos  utilizados  para  o  seu  desenquadramento  não  merecem ser mantidos;  3.  não  existe  qualquer  pendência  impeditiva  que  impeça  a  manutenção da empresa Recorrente no regime do SIMPLES;  4.  ausência  de  dolo  por  parte  da  recorrente  quanto  a  suposta  incorreção  dos  recolhimentos  das  contribuições  lançadas,  motivo pelo qual deve ser afastada a penalidade aplicada;   5.  que  os  juros  SELIC  aplicados  são  totalmente  imorais  e  descabidos;  6.  que a multa aplicada é confiscatória e que a Receita Federal  pretende  o  enriquecimento  sem  causa  quando  lavrou  o  presente lançamento;  7.  que  os  valores  já  recolhidos  pela  autuada  não  foram  compensados  quando  do  presente  lançamento,  matéria  que  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     4  inclusive  não  foi  analisada  pelo  v.  acórdão  de  primeira  instância;   8.  por fim, requer a produção de prova pericial.  Sem contrarrazões  da Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional,  subiram  os  autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10665.003422/2008­32  Acórdão n.º 2402­004.971  S2­C4T2  Fl. 138          5    Voto               Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso, dele conheço.  PRELIMINARES  Nulidade  Inicialmente  sustenta  a  recorrente  a  nulidade  do  acórdão  de  primeira  instância, sob o fundamento de que deixou de fundamentar sua decisão.  No entanto, não vejo como acatar tais argumentos.   Ao  contrário  do  sustentado,  uma  simples  leitura  do  v.  acórdão  de  primeira  instância já demonstra que este concluiu por manter a procedência do lançamento, analisando  toda  a  tese  de  defesa  trazida  em  sede  de  impugnação,  bem  como  justificando  através  de  argumentos de fato e de direito, as razões pelas quais entendiam por afastar a tese de defesa do  contribuinte.  Por tais motivos, rejeito a preliminar.  MÉRITO  Quanto  ao mérito,  imperioso  apontar  que  em momento  algum  a  recorrente  comprovou  ser  empresa  optante  pelo  SIMPLES,  deixando  de  trazer  aos  autos  qualquer  comprovação  de  tal  condição,  de  modo  a  se  contrapor  aos  argumentos  justificadores  do  lançamento apontados no relatório fiscal do Auto de Infração.  O  recurso  voluntário  apenas  se  resumiu  a  atacar  o  lançamento  com  argumentos no sentido da inexistência de qualquer situação impeditiva de sua manutenção no  regime simplificado,  sem no entanto,  sequer, demonstrar a existência de Ato Declaratório de  Exclusão  do  SIMPLES.  Tais  argumentos,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  sua  anterior condição de optante.  Ademais,  esta  Câmara  de  Julgamentos  sequer  possui  competência  para  análise  de  tais  argumentos,  os  quais  devem  ser  objeto  de  análise  nos  autos  de  processo  administrativo formalizado para decidir sobre a legalidade ou não da exclusão da recorrente do  SIMPLES.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     6  O  Recorrente  também  sustenta  que  a  multa  aplicada  é  confiscatória.  No  entanto tenho que tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a  competência privativa do Poder  Judiciário,  já que,  o  afastamento da aplicação da Legislação  referente  as  contribuições,  indubitavelmente,  ensejaria  o  reconhecimento  de  inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b"  da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho.  Sobre  o  tema,  o  CARF  consolidou  referido  entendimento  por  meio  do  enunciado da Súmula n. 02, a seguir:  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária   Da taxa Selic  Sabe­se que a aplicação da  taxa SELIC, enquanto  juros moratórios e multa,  aplicada sobre as contribuições objeto do lançamento, fora efetuada com amparo em previsão  legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito:  “Art.34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal  de  lançamento,  pagas  com  atraso,  objeto  ou  não  de  parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do Sistema Especial  de Liquidação  e  de Custódia­ SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho  de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Artigo  reestabelecido,  com  nova  redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528,  de 10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.”  Tal  discussão,  inclusive,  já  tendo  sido  objeto  de  várias  deliberações  neste  Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confira­se:  “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela Secretaria da Receita Federal  são devidos, no período de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Da inocorrência de dolo  Melhor  sorte  não  aufere  quando  sustenta  a  inexistência  de  dolo,  o  que  se  configuraria em situação apta a justificar a improcedência do lançamento.  Tenho  que  a  fiscalização  se  resumiu  apenas  em  efetuar  o  lançamento  em  conformidade com o disposto nos arts. 37 e 35 da Lei 8.212.91, não havendo a necessidade de  comprovação do dolo por parte do contribuinte para que possa ser formalizado o lançamento.  O mero não adimplemento da obrigação tributária do contribuinte já é apenada pela legislação  com multa e a necessidade de cobrança dos valores inadimplidos.  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10665.003422/2008­32  Acórdão n.º 2402­004.971  S2­C4T2  Fl. 139          7  Vale ressaltar, ainda, não tendo a recorrente comprovado ter sido optante do  SIMPLES,  quanto  mais  ter  efetuado  qualquer  recolhimento  de  contribuições  sob  esta  sistemática, é de ser indeferido o pedido de apropriação de pagamentos.  Da prova pericial  Por fim, merece ser indeferido o pedido de produção de prova pericial diante  da  sua  absoluta  desnecessidade  no  presente  caso,  sobretudo  considerando  que  se  trata  de  lançamento  efetuado  com  base  em  informações  obtidas  de  declarações  e  contabilidade  da  recorrente.  Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e,  no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O

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Numero do processo: 11516.722107/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. O lançamento de ofício deve ser feito sem a multa correspondente quando a exigibilidade do tributo apurado houver sido suspensa por meio de liminar em mandado de segurança, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo ao tributo lançado. AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE MATÉRIAS. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a lançamento fiscal, com o mesmo objeto deste, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, pelo que se reputa definitiva a exigência no âmbito administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quanto aos itens: (i) Big Bags, pagamento de fretes, vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto: clichê impressão de embalagens, óleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, os bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU - Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa Vemag; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (iv) Excluiu-se a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowics. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowics - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral no julgamento pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quanto aos itens: (i) Big Bags, pagamento de fretes, vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto: clichê impressão de embalagens, óleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, os bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU - Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa Vemag; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (iv) Excluiu-se a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowics. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowics - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral no julgamento pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. O lançamento de ofício deve ser feito sem a multa correspondente quando a exigibilidade do tributo apurado houver sido suspensa por meio de liminar em mandado de segurança, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo ao tributo lançado. AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE MATÉRIAS. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a lançamento fiscal, com o mesmo objeto deste, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, pelo que se reputa definitiva a exigência no âmbito administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     2 As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições de  inconstitucionalidade e  ilegalidade de atos  legais  regularmente  editados.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006  DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.   Em  se  tratando  de  controvérsia  originada  de  pedido  de  ressarcimento  de  saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência  e à dimensão do direito alegado.  PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.   O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente  restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado). Em atendimento ao comando legal, o  insumo deve ser necessário  ao  processo  produtivo/fabril  (custo  de  produção),  e,  consequentemente,  à  obtenção do produto final.   NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO  PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO  Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à  alíquota zero.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  AGROPECUÁRIOS.  PROCESSO  PRODUTIVO  DE  PRODUTOS  DESTINADOS  À  ALIMENTAÇÃO  HUMANA  OU  ANIMAL.  SUSPENSÃO.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  A  pessoa  jurídica  que  exerce  atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre  o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de  produtos  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  quando  adquiridos  a  pessoa  jurídica  estabelecida  no  País,  com  suspensão  obrigatória  da  contribuição.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO  CUMULATIVAS.  BIG  BAGS.  INSUMO.  CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.  Para  fins  de  creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas,  é  considerado  insumo as embalagens  industriais denominadas "Big Bags", eis  que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também  é  um  gasto  essencial  e  pertinente  ao  processo  produtivo,  de  forma  que  o  produto  final  destinado  à  venda  tenha  as  características  desejadas  quando  chegar ao comprador.   CREDITAMENTO.  FRETE  ESPECIALIZADO.  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  PRODUTO  ACABADO.  EXIGÊNCIAS  SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.   Tratando­se  de  frete  especializado  de  produtos  acabados  entre  os  estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o  produto  final  chegue  ao  comprador  sem perder  suas  qualidades  intrínsecas,  cabe  o  creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas  sobre  tais  dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.  Fl. 5134DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.134          3 ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS  Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de  imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das  Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  AGROINDÚSTRIA.  PERCENTUAL.  PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais  não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência  em  função  da  natureza  do  produto  a  que  a  agroindústria dá  saída  e  não  da  origem do insumo que aplica para obtê­lo.  CRÉDITOS.  REGIME  DE  RECONHECIMENTO.  CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.   Os  créditos  da  nãocumulatividade  devem  ser  reconhecidos  no  período  de  apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do  serviço.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação  de  outra  prova  inequívoca  da  sua não utilização.  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA  Não  incidem  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  por  carência  de  fundamento legal expresso.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006  DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Em  se  tratando  de  controvérsia  originada  de  pedido  de  ressarcimento  de  saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência  e à dimensão do direito alegado.  COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.   O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente  restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado). Em atendimento ao comando legal, o  insumo deve ser necessário  ao  processo  produtivo/fabril  (custo  de  produção),  e,  consequentemente,  à  obtenção do produto final.   NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO  PAGAMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  CRÉDITOS.  VEDAÇÃO.  Não  há  direito  à  tomada  de  crédito  na  aquisição  de  bens  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota zero.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  AGROPECUÁRIOS.  PROCESSO  PRODUTIVO  DE  PRODUTOS  DESTINADOS  À  ALIMENTAÇÃO  HUMANA  OU  ANIMAL.  SUSPENSÃO.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  A  pessoa  jurídica  que  exerce  atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre  o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de  Fl. 5135DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     4 produtos  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  quando  adquiridos  a  pessoa  jurídica  estabelecida  no  País,  com  suspensão  obrigatória  da  contribuição.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO  CUMULATIVAS.  BIG  BAGS.  INSUMO.  CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.  Para  fins  de  creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas,  é  considerado  insumo as embalagens  industriais denominadas "Big Bags", eis  que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também  é  um  gasto  essencial  e  pertinente  ao  processo  produtivo,  de  forma  que  o  produto  final  destinado  à  venda  tenha  as  características  desejadas  quando  chegar ao comprador.   CREDITAMENTO.  FRETE  ESPECIALIZADO.  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  PRODUTO  ACABADO.  EXIGÊNCIAS  SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.   Tratando­se  de  frete  especializado  de  produtos  acabados  entre  os  estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o  produto  final  chegue  ao  comprador  sem perder  suas  qualidades  intrínsecas,  cabe  o  creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas  sobre  tais  dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.  ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS  Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de  imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das  Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  AGROINDÚSTRIA.  PERCENTUAL.  PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais  não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência  em  função  da  natureza  do  produto  a  que  a  agroindústria dá  saída  e  não  da  origem do insumo que aplica para obtê­lo.  CRÉDITOS.  REGIME  DE  RECONHECIMENTO.  CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.   Os  créditos  da  nãocumulatividade  devem  ser  reconhecidos  no  período  de  apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do  serviço.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação  de  outra  prova  inequívoca  da  sua não utilização.  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA  Não  incidem  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  por  carência  de  fundamento legal expresso.   Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO, da  seguinte  forma:  (a)  por  unanimidade  de  votos,  deu­se  provimento  para  reverter  as  glosas  quantos  aos  itens  "saco  plástico,  bolsa  térmica  cong.  PVC  perdigão,  fio  de  algodão,  de  Fl. 5136DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.135          5 poliéster,  nylon,  caixa  de  proteção,  e  fita  sanitária";  peças  de  reposição  de  máquinas  e  equipamentos,  constantes  na  Planilha  de  fls.  1.199/1.215;  limpeza  das  instalações,  inspeção  sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de  votos, deu­se provimento para reverter as glosas quanto aos itens: (i) Big Bags, pagamento de  fretes,  vencidos  os  Conselheiros  Jorge  Freire  e  Waldir  Navarro  Bezerra.  Designada  a  Conselheira  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula;  (ii)  Peças  de  reposição  de  máquinas,  equipamentos  e  ferramentas  discriminados  na  planilha  de  fls.  1216/1219,  exceto:  clichê  impressão  de  embalagens,  óleo  Verkol,  Copolimero  (Polietileno),  adoçante  zero  cal,  lenha  nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó  de  serra,  soro  de  leite  permeato,  os  bens  da  NF  nº  91607  (placa  eletrônica CPU  ­  Formax,  bucha e porca), malha algodão e camisa Vemag; limpeza das instalações, inspeção sanitária e  análise de água. Vencido o Conselheiro  Jorge Freire;  (iii) Despesas com aluguéis de prédios  rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro  Bezerra,  Jorge  Freire  e Maria Aparecida Martins  de Paula. Designado  o Conselheiro Carlos  Augusto Daniel Neto. (iv) Excluiu­se a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.  Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de  Paula. Designada  a Conselheira  Thais  de  Laurentiis Galkowics. O Conselheiro Diego Diniz  Ribeiro declarou­se impedido de participar do julgamento.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Redatora designada  (assinado digitalmente)  Carlos Augusto Daniel Neto ­ Redator designado  (assinado digitalmente)  Thais de Laurentiis Galkowics ­ Redatora designada  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Antônio  Carlos  Atulim,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.  Proferiu sustentação oral no julgamento pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini,  OAB/SP nº 197.072.  Relatório  Fl. 5137DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     6 O  presente  processo  trata  de Autos  de  Infração  por meio  dos  quais  estão  sendo exigidas da Recorrente as quantias de R$ 22.243.968,00 e R$ 4.826.551,73, a título de  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  – Cofins  e  de Contribuição para  o  Programa  de  Integração  Social  –  PIS,  não  cumulativas,  correspondentes  a  fatos  geradores  ocorridos em 31/10/2006, 31/11/2006, 31/12/2006 (4º TRI/2006). A essas importâncias foram  acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora.  Nos referidos Autos de Infração foram lançadas as Contribuições declaradas  no  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  –  DACON,  que  restaram  inadimplidas  em  razão  de  glosas  de  créditos  utilizados  tratadas  nos  PAF  nºs  16349.000273/2009­08 e 16349.000281/2009­46.  Nos  dois  processos  acima  (análise  e  glosa  dos  créditos  declarados  em  DComp), o Fisco reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado, realizando as glosas  descritas  na  Informação  Fiscal  do  Despacho  Decisório  às  fls.  4.056/4.103,  referente  ao  processo de PIS e às fls. 4.104/4.152, da Cofins.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida (nº  07­31.325 ­ 4ª Turma da DRJ/FNS ­ que Revisa o Acórdão nº 07­30.436 de 31 de janeiro de  2013), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 4.863/4.934):  O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão  sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de  R$ 22.243.968,00 e R$ 4.826.551,73 a título de, respectivamente,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social  ­  PIS,  não  cumulativas,  correspondentes  a  fatos  geradores  ocorridos  em  31/10/2006,  31/11/2006,  31/12/2006.  A  essas  importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de  75%, e juros de mora.  Do  quadro DESCRIÇÃO DOS  FATOS  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL verifica­se que a  infração consiste de INSUFICIÊNCIA  DE RECOLHIMENTO da contribuição para o PIS e da Cofins,  insuficiência  que  se  deu  em  razão  de  glosas  de  créditos  utilizados  por  meio  de  desconto  e  de  apuração  de  omissão  de  receita.  Do Relatório Fiscal   Relata, a autoridade fiscal, que o trabalho do qual decorrem os  presentes autos de infração teve início para analisar os Pedidos  de Ressarcimento de Crédito PER de PIS e Cofins. Explica que  cada trimestre do ano de 2006 foi tratado separadamente e que o  presente  processo  está  vinculado  ao  processo  16349.000273/2009­08  (Cofins),  e  ao  processo  16349.000281/2009­46  (PIS),  que  devem  tramitar  em  conjunto,  dada a coincidência de matéria fática.  Glosas  de  créditos  utilizados  por meio  de  desconto  no Dacon  Nos  autos  de  infração  de  que  aqui  se  trata  foram  lançadas  as  contribuições  declaradas  no  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  ­  Dacon,  que  restaram  inadimplidas  em  razão  de  glosas  de  créditos  utilizados  por  meio  de  desconto,  glosas  tratadas  nos  processos  16349.000273/200908,  16349.000281/200946.  Fl. 5138DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.136          7 A  autoridade  fiscal  informa  que  foram  integralmente  copiados  neste  processo  todos  os  documentos  de  interesse  dos  referidos  processos,  até  os  respectivos  Despachos  Decisórios,  e  assim  relata:  4.1.  Do  PIS/Pasep  a  pagar  ­  4º  trimestre  de  2006  Com  base  no  Despacho Decisório do processo 16349.000281/200946, cópia integral  a  fls.  4056/4103,  com  as  glosas  efetuadas  houve  diminuição  dos  créditos a descontar informados em Dacon. Assim, a diferença entre as  contribuições  calculadas  e  os  créditos  a  descontar,  no  recálculo  das  fichas 15B  (fls.4098/4099),  resulta  saldo a pagar a  ser  lançado neste  processo.  [...]Resta evidenciada a existência de PIS/Pasep A PAGAR, decorrente  da  glosa  de  créditos,  a  ser  lançada  neste  processo,  no  valor  de  R$  796.440,30  em  outubro,  R$  1.233.079,91  em  novembro  e  de  R$  2.182.099,30 em dezembro. É de se destacar que a análise das receitas  que integraram as bases de cálculo das contribuições não está incluída  no  Despacho  Decisório  mencionado.  Tais  procedimentos  integram  o  presente termo de verificação, conforme exposto ulteriormente.  4.2. Da Cofins a pagar – 4º trimestre de 2006 Com base no Despacho  Decisório  do  processo  16349.000273/200908,  cópia  integral  a  fls.  4104/4152,  com as  glosas  efetuadas  houve  diminuição  dos  créditos  a  descontar  informados  em  Dacon.  Assim,  a  diferença  entre  as  contribuições  calculadas  e  os  créditos  a  descontar,  no  recálculo  das  fichas 25B  (fls.4147/4148),  resulta  saldo a pagar a  ser  lançado neste  processo   [...] Resta evidenciada a existência de COFINS A PAGAR, decorrente  da  glosa  de  créditos,  a  ser  lançada  neste  processo,  no  valor  de  R$  3.586.324,00  em  outubro,  R$  5.765.505,02  em  novembro  e  de  R$  10.059.723,94  em  dezembro.  É  de  se  destacar  que  a  análise  das  receitas que integraram as bases de cálculo das contribuições não está  incluída  no  Despacho  Decisório  mencionado.  Tais  procedimentos  integram  o  presente  termo  de  verificação,  conforme  exposto  ulteriormente.  Conforme  relatado  nos  mencionados  despachos  decisórios,  juntados aos autos pela autoridade fiscal, a redução dos créditos  a descontar se deu em razão da exclusão, da base de cálculo dos  créditos, dos seguintes valores:  Bens  Adquiridos  no Mercado  Interno  para  Revenda  linha  01  da  fichas 06A e 16A –diferença entre a  soma das notas  fiscais  identificadas como desta linha na Memória de cálculo e o valor  informado no Dacon;   Aquisição  no  Mercado  Interno  de  Bens  Utilizados  como  Insumos linha 02 da fichas 06A e 16A   1.1.  aquisições  de  pessoas  físicas,  que  não  geram  créditos  de  acordo  com  art.  3º,  §2º,  inciso  II  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003;  1.2.  aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo, conforme o art. 8º, §4º,  inc. I, alínea “a” da Instrução  Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004;  Fl. 5139DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     8 1.3.  despesas  com  os  serviços  de  fretes  contratados  para  transferências de produtos acabados entre filiais, que não geram  créditos  a  teor  art.  8º,  §4º,  inc.  I,  alínea  “b”  da  Instrução  Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004;  1.4. aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem  gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis  nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003;  1.5.  notas  fiscais  cujo  CFOP  não  representa  operação  de  aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito;  1.6.  IPI  recuperável  constante  das  notas  fiscais  de  aquisição;  1.7.  notas  fiscais  que  representam  aquisições  de  pessoas  jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória  de PIS/Pasep e Cofins, no caso, milho (NCM 1005.90.10) e soja  a granel (NCM 1201.00.90), a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei  nº 10.925/2004;   Serviços Utilizados como Insumos Fichas 06A e 16A Linha 03  1.8.  aquisições  de  pessoas  físicas,  que  não  geram  créditos  de  acordo  com  art.  3º,  §2º,  inciso  II  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003;  1.9. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de  insumo,  nos  termos  do  o  art.  8º,  §4º,  inc.  I,  alínea  “b”  da  Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004,  tais  como: serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro  e fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades  da  empresa,  o  que  não  se  enquadra  como  bem  utilizado  como  insumo e nem como serviço utilizado como insumo, uma vez que  o produto já está pronto;   1.10. os valores das notas  fiscais Notas  fiscais cujo CFOP não  representa  operação  de  aquisição  de  serviços  e  nem  outra  operação com direito a crédito.  Despesas  de Aluguéis  de Prédios Locados  de Pessoa  Jurídica  Fichas  06A  e  16A Linha  05 aluguéis  pagos  a  pessoas  físicas,  alguns  referentes  a  imóveis  rurais,  que  não  se  enquadram  no  conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º,  inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003.  Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de  Pessoa Jurídica Fichas 06A e 16A Linha 06 notas  fiscais que  não  representam  aluguel  de  máquinas  e  equipamentos  e  nem  outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço  de copiadora (xerox).  Despesas  de  Armazenagem  e  Fretes  na  Operação  de  Venda  Fichas 06A e 16A Linha 07   1.11.  pagamentos  a  pessoas  físicas,  que  não  podem  gerar  créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º,  inciso  I das  Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003.  1.12.  pagamentos  relativos  a  SERVIÇO  PORTUÁRIO  e  outros  cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete  na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da  Lei nº 10.833/2003.  Fl. 5140DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.137          9 Também foram glosados os valores informados a título de:  Créditos  Presumidos  Atividades  Agroindustriais  linha  25  No  tópico  em  que  trata  do  crédito  presumido  decorrente  das  atividades  agroindustriais,  a  autoridade  fiscal  trouxe  uma  listagem  dos  produtos  adquiridos  com  o  benefício  do  crédito  presumido  que  sofreram  glosa  (notas  cujos  CFOP  não  representam aquisições, perfeitamente identificados na  listagem  individualizada, identificadas na listagem pela informação “Não  se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota.  Nessa listagem, a autoridade fiscal, nos termos do caput do art.  82  da  Lei  nº  10.925/2004,  aplicou  o  percentual  de  35%  da  alíquota  das  contribuições  às  aquisições  de:  animais  vivos  classificados  no  capítulo  01  da  NCM;  trigo,  milho  e  sorgo  classificados  no  capítulo  10;  soja  no  capítulo  12;  lenha,  maravalha  e  resíduos  de  madeira  no  capítulo  44;  sêmen  no  capítulo  05;  itens  que  também não  atendem  às  condições  para  creditamento  pelo  percentual  de  60%  da  alíquota  das  contribuições.  Aquisição  no  Mercado  Externo  de  Bens  Utilizados  como  Insumos  linha  02  da  fichas  06B  e  16B  foram  glosados  os  valores:  1.13. das aquisições de bens que não se enquadram no conceito  de  insumo,  conforme  o  art.  8º,  §4º,  inc.  I,  alínea  “a”  da  Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004,  em  especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado  valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento  do  tempo  de  vida  útil  do  bem  que  a  substituição  da  peça  proporciona;  1.14.  os  valores  das  importações  cujos  CFOP  denotam  operações  sem  direito  de  gerar  créditos  a  descontar  de  PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551­Compra  de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para  uso  ou  consumo  e  3949  Outra  entrada  de  mercadoria  ou  prestação de serviço não especificada;   1.15. os valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de  aquisição;   Créditos Extemporâneos Foram glosados da base de cálculo do  crédito do período em questão os valores que se referem à base  de cálculo de créditos de outros períodos de apuração – valores  constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela  impugnante.  Indevida utilização de créditos de períodos anteriores Ficha 23  Não  foram  aceitos  os  créditos  de  dezembro  de  2002  e  de  fevereiro de 2003, relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, que a  impugnante  pretendeu  descontar  do  PIS/Pasep  devido  em  novembro e dezembro de 2006.  Do  Recalculo  dos  Saldos  das  Ficha  25B  A  autoridade  fiscal  informa que em razão das correções realizadas nas fichas 06A e  Fl. 5141DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     10 06B da Dacon, restou saldo a pagar da Contribuição para o PIS.  Tendo  em  vista  que  tal  saldo  devedor,  decorrente  de  glosa  de  créditos, não foi declarado em DCTF, necessário o  lançamento  através de auto de  infração. Acrescenta que o auto de  infração  poderá incluir, ainda, a análise das saídas tributadas com algum  tipo  de  incorreção,  não  analisadas  neste  processo,  e  pode  resultar alteração dos valores das linhas 1 a 5 da ficha 15, o que  será  tratado  no  processo  digital  nº  11516.722107/201180,  que  deve  ser  movimentado  e  julgado  em  conjunto  com  este,  por  tratar dos mesmos fatos.  Do controle dos Saldos da Ficha 14 Tendo em vista os autos de  infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo  11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º  trimestres de 2006,  tratados  no  processo  11516.721279/201136,  o  saldo  inicial  da  linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores é nulo em todos  os  tipos  de  crédito”.  Por  conta  das  glosas  realizadas,  resultou  nulo o  saldo  final  da  linha “11.CRÉDITO REMANESCENTE”,  da ficha 14, em todos os tipos de crédito.  Omissão  de  receita  ­  Também  foram  lançados  valores  da  Contribuição para o PIS e da Cofins não declarados em DCTF.  A omissão de receitas se deu em razão:  de a impugnante ter deduzido, indevidamente, da base de cálculo  da  contribuição  devida  no  período,  a  título  de  "descontos  incondicionais",  valores  que  não  consistem  deste  tipo  de  desconto,  mas  se  referem  a  “descontos  ou  bonificações  condicionadas  a  atingimento  de metas  ou  relativos  a  rateio  de  despesas de publicidade”;   de  a  impugnante  ter  inserido,  indevidamente  (a  teor  do  art  1º,  p.u., I, do Decreto 5.442/2005), na linha “04.Receita Tributada à  Alíquota Zero” das fichas as fichas 7A e 17A valores referentes  a juros sobre capital próprio recebido da investida Batávia.  Da Impugnação ­ Glosas de créditos a descontar   Nulidade  –  violação  ao  princípio  da  motivação,  da  ampla  defesa e devido processo legal administrativo   Preliminarmente, a  impugnante alega que ao se deparar com o  lançamento, que remete ao despacho que  indeferiu o pedido de  ressarcimento, percebe­se a nulidade do ato em decorrência da  violação  ao  princípio  da  motivação.  Defende,  em  síntese,  que  cabe  ao  fisco  dizer  o motivo  pelo  qual  está  glosando  cada  um  dos valores das operações da impugnante.  Nesse  sentido  alega  que  não  é  possível  glosar  e  justificar  de  forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro  em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento  da  glosa,  inseriu  no  mesmo  entendimento  diversos  produtos,  mercadorias,  serviços  e  demais  bens  sem  motivar  de  forma  clara,  explícita  e  congruente”.  Segue  alegando  que  “cabia  ao  Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas  e  jurídicas do não acolhimento de cada crédito  (item) utilizado  pela  impugnante”  e  que  o  fato  de  “elaborar  planilha  listando  todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade  Fl. 5142DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.138          11 do  ato  administrativo,  eis  que  lá  não  consta  expressamente  a  motivação (fática e jurídica) explícita, clara e congruente”.  Em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação,  alega  também o  cerceamento  de  defesa,  e,  com  conseqüente,  a  violação ao devido processo legal administrativo.  Inconstitucionalidade  das  leis  e  ilegalidade  das  IN  Segue  apontando a  inconstitucionalidade das leis que regem o regime  não  cumulativo  para  a  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins.  Nesse  sentido:  ressalta  “ser  impossível,  a  partir  da  constitucionalização  da  não  cumulatividade  para  o  PIS  e  COFINS, pela Emenda Constitucional n. 42/2003, a restrição de  créditos pelo  legislador  infraconstitucional...  já que o papel do  legislador perante a Constituição é de aplicador”; aduz que em  “sendo a matriz constitucional de tais contribuições a receita, a  não  cumulatividade  e  o  sistema  de  abatimento  de  créditos  necessariamente deve restar atrelado também a esta” e “como a  noção de receita no regime não cumulativo é ampla,  ... amplos  serão  também os  reflexos de  sua  noção na  não cumulatividade  para  o  PIS  e  COFINS  para  o  reconhecimento  de  créditos”;  e  conclui que “O postulado adotado diz respeito à supremacia da  Constituição.  Em  razão  disso,  há  de  se  entender  que  resta  impossível  à  legislação  infraconstitucional  restringir,  sobremaneira,  tal  princípio  e,  por  conseguinte,  os  créditos  de  PIS e Cofins”.  Passa,  então,  a  alegação  de  ilegalidade  das  Instruções  Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 ao restringir,  tendo como  fundamento  a  legislação  de  IPI,  o  conceito  de  insumo  estabelecido  pelas  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003.  Em  síntese,  discorre  sobre  a  não  cumulatividade  no  âmbito  da  tributação  das  contribuições  para  demonstrar  que,  nos  termos  das  leis,  o  crédito  deve  ser  considerado  sobre  os  insumos  em  geral,  sem  as  restrições  postas  pelas  mencionadas  IN,  considerando  como  tal  todos  os  “dispêndios  realizados  pelo  impugnante  que,  de  forma direta  ou  indireta,  contribua  para  o  pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio  ou serviços) visando à obtenção de receita”.  Glosas de valores da base de cálculo do crédito Como razão de  contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal,  a  impugnante  coloca  que  todas  seriam  improcedente  por  ter  a  autoridade  fiscal  se  pautado  em  critério  ilegal  para  avaliar  os  insumos  e  os  respectivos  créditos,  sendo,  todos  “legítimos,  eis  que contribuem de forma direta ou  indireta visando o exercício  da  atividade  econômica  da  impugnante  a  fim  de  obter  receita.  São inclusive necessários e inerentes à atividade”.  Menciona que exerce atividade econômica submetida a diversos  tipos  de  controles  e  exigências  de  órgãos  públicos,  como,  por  exemplo, ANVISA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, SERVIÇO  DE  INSPEÇÃO  FEDERAL,  MINISTÉRIO  DA  SAÚDE,  o  que  reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo e  que  não  pode  a  Receita  Federal  desconsiderar  um  custo  ou  Fl. 5143DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     12 despesa  vinculada  à  atividade  empresarial  que  é  obrigatória  e  necessária  ao  próprio  desempenho  desta.  Acrescenta  que  a  noção  de  insumo  é  técnica  e,  muitas  vezes,  os  órgãos  que  fiscalizam  e  orientam  determinada  atividade,  possuem  mais  condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade.  Após  tais  ponderações,  passa  a  tratar  das  glosas  especificamente.  Fichas  06A  e  16A  Linha  02  bens  utilizados  como  insumos  –  item 4.3.2 do relatório fiscal   Aquisições  de  pessoas  físicas  Defende  serem  legítimos  os  créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois,  embora  o  art.  3º,  §  2º,  das  Leis  nº  10.833/2003  e  10.637/2002  impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da  Lei  nº  10.925/2004  expressamente  reconhecem  o  direito  ao  crédito  presumido,  no  caso,  de  60%  sobre  o  valor  das  aquisições.  Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo  Contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa  térmica  cong. PVC perdigão,  gasolina  comum,  solvente, malha  algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas,  proteção  chaira,  fita  sanitária  com  base  no  argumento  de  tais  bens  “se  identificam  como  despesas,  custos  ou  dispêndios  que  contribuem,  de maneira direta  ou  indireta,  para  a  obtenção de  receita  pela  interessada  em  sua  atividade  produtiva”.  Nesse  sentido diz:  Vejamos,  por  exemplo,  os  fios  de  poliéster,  utilizamos  dentro  do  processo  produtivo  industrial  para  costura  e  também embalagem  dos  bens produzidos e destinados ao comércio.  [...]Todos estes materiais  (ex.  fita sanitária,  luvas, etc) são peculiares  da atividade desempenhada.  Isto  porque,  são  instrumentos  para  se  produzir  alimentos  aptos  ao  consumo  humano,  evitando  contaminações,  seguindo,  assim,  as  determinações  da  Vigilância  Sanitária  do  Ministério  da  Saúde  (v.  Portaria SVS/MS n. 326/1997.  Por  conseguinte,  tais  equipamentos  têm  por  finalidade,  além  de  proteger os empregados por determinação legal, permitir a fabricação  adequada de alimentos ao consumo humano segundo determinação do  Ministério da Saúde e, assim, devem ser qualificados como essenciais e  necessários  à  atividade  peculiar  da  impugnante,  permitindo  caracterizá­lo como insumo, até mesmo pelo fato de que são utilizados  no parque industrial.  Em complemento, ainda, a impugnação do item 4.3.2 quantos bens e a  noção de insumo, são totalmente legítimos os créditos dos pallets, bolsa  térmica, caixa de proteção e afins.  Tais  produtos  (em  especial,  o  pallet)  são  relevantes  e  participam  do  processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização  (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em  fase  de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias  primas  em  condições  de  higiene  para  serem  utilizadas  no  processo  fabril;  (iii)  armazenagem  de  produto  industrializado  a  ser  comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de  industrialização  Fl. 5144DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.139          13 Ora,  tais  materiais  objetivam  garantir  regras  de  higiene  e  limpeza,  como enuncia a ANVISA.  Acrescenta que mesmo que não se acolha a interpretação de que  se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser  mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso  IX,  das  Leis  nº  10.637/2002  e  nº10.  833/2003,  que,  expressamente  permitem  na  hipótese  de  armazenagem  de  mercadoria.  Em relação à gasolina, alega que o combustível é empregado no  processo  industrial  de  fabricação  dos  alimentos,  maquinas  e  veículos  do  parque  fabril,  permitindo,  assim,  o  pleno  exercício  de sua atividade produtiva.  Pagamentos  de  fretes  de  transferência  de  produtos  acabados  entre as unidades da empresa Em relação aos serviços de frete,  inicialmente, alega ser improcedente a glosa, pois o fiscal  teria  se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava  de  produto  ‘acabado’,  sem  realizar  qualquer  prova  sobre  o  fato”.  Descreve  os  fretes  praticados  durante  o  processo  produtivo  de  alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue:  1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos);  2.  A  impugnante  remete  para  industrializar  a  ração;  3.  Após,  encaminha  por  frete  até  seus  integrados,  os  quais  criam  animais  (frangos,  entre  outros)  e  remetem  novamente  à  impugnante;  4.  há  industrialização  com  emprego  de  tais matériasprimas;  5.  a.  Frete  do  produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até  outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final.  [...]Mesmo  o  frete  entre  o  frigorífico  e  os  estabelecimentos  de  distribuição  (câmaras  frigoríficas)  e,  posteriormente,  o  envio  ao  destinatário final, há participação no ciclo de produção.  Conclui que “o processo produtivo da  impugnante não  termina  no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é  entregue  ao  destinatário  final  em  condições  de  aptidão  ao  consumo humano,  segundo  critérios  estabelecidos  pelos  órgãos  competentes”, razão pela qual “tais fretes participam do próprio  processo de industrialização e obtenção de receita”.  Aquisição  de  bens  sujeitos  à  alíquota  zero  A  impugnante,  primeiro,  alega  que  os  diversos  produtos  descritos  como  tributados  por  meio  de  alíquota  zero,  nos  moldes  da  Lei  nº  10.925/2004, em seu art. 1º, não se  tipificam nas classificações  fiscais descritas; cita: alho em pasta, caldo de galinha, tempero  para carne, entre outros.  Segundo,  que,  em  se  tratando  de  aquisição  de  produtos  agropecuários  (por  exemplo,  pinto  de  1  dia,  entre  outros)  que  enquadrem  dentre  os  produtos  descritos  no  art.  8º,  da  Lei  n.  10.925/2004,  mesmo  que  comercializados  à  alíquota  zero,  impossível  se  torna  excluir  o  crédito,  pois  esta  lei  especial  se  Fl. 5145DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     14 sobrepõe  ao  art.  3º,  §  2º,  II,  da  Lei  nº  10.637/2002  e  10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925.  Terceiro,  que  diversos  produtos  estão  vinculados  à  noção  de  insumos  (vacinas,  antibióticos,  amoxilina,  ivermectina,  entre  outros)  de  sorte  que  resta  totalmente  viável  a  manutenção  do  crédito.  Por  fim,  defende  que  a  exclusão  de  créditos  na  hipótese  de  aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação  posterior,  viola  o  princípio  da  não  cumulatividade  e  da  capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório.  Notas  fiscais  cujo  CFOP  não  representa  aquisição  de  bens  e  nem outra operação com direito a crédito A recorrente reclama  que  a  fiscalização  englobou,  de  forma  genérica  e  sem  critério,  diversos bens que não dariam direito ao crédito tendo em conta  o  CFOP  da  nota  fiscal,  em  especial,  etiqueta  para  fatiados  e  outros,  adesivo  perdigão,  folha  plástica  incolor,  saco  plástico,  embreagem,  lamina,  alfinete,  termostato,  mola,  bolsa  térmica,  mola,  pino,  rolamento,  faca,  sensor  de  temperatura,  martelo,  entre outros.  Alega que a descrição dos produtos e materiais glosados permite  reconhecer  a  utilidade,  inerência  e  relevância  no  processo  produtivo  da  interessada.  Assim  explica  a  utilidade  de  alguns  dos  bens  glosados:  faca  trata­se  de  equipamento  que  é  manuseado  por  seus  empregados  no  processo  fabril  de  um  frigorífico a  fim de elaborar  cortes;  faca,  lâmina, mola,  sensor  de  temperatura, martelo,  rolamento,  alfinete,  termostato  e  pino  são  equipamentos,  peças  e  materiais  destinados  à  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  ou  empregados  em  sua  atividade  econômica, em especial, do processo de industrialização.  Aduz  ser  possível  reconhecer  a  viabilidade  do  crédito  para  os  materiais  adquiridos  visando  à  manutenção  de  máquinas,  equipamentos  e  veículos,  por  estarem  vinculados  à  atividade  econômica  e  produtiva  da  interessada,  caracterizando  como  insumo. De que defende que são legítimos os créditos em relação  aos  lubrificantes,  correia,  gás  refrigerante,  mangueira,  lixa,  graxa,  anel,  bobina,  botão,  chave,  disco,  disjuntor,  eixo,  fita  isolante,  fusível,  lâmpada,  reator,  resistência,  retentor,  rolamento, sensor, tomada, válvula.  Menciona  que  “Isto  fica  ainda  mais  evidente  diante  da  noção  ampla de insumo, que não se restringe aos critérios do IPI”  Contesta,  ainda,  a  glosa  de  etiqueta  para  fatiados  e  outros,  adesivo  perdigão,  folha  plástica  incolor,  saco  plástico,  bolsa  térmica,  entre  outros.  Alega  que  alguns  itens  chegam  a  incorporar  o  produto  final,  como  etiquetas  para  fatiados,  adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos.  E  que,  caso  assim  não  se  entenda,  isto  não  significa  dizer  que  deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à  elaboração  e  ao  produto  final,  independentemente  do  acabamento  desta,  do  formato  e  capacidade,  tratandose  de  um  material que acompanha o produto a ser comercializado.  Fl. 5146DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.140          15 Aduz  que  determinações  da  ANVISA,  as  quais  traz  transcritas,  demonstram  claramente  que  na  atividade  de  produção  de  alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar  crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final.  Explica  que  as  embalagens  são  utilizadas  durante  todo  o  processo  de  produção  e  comercialização  visando  garantir  segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos.  E  afirma  que,  diante  da  noção  ampla  de  insumo,  vinculação  direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade  econômica  desempenhada  pela  interessada,  é  possível  reconhecer o direito ao crédito quanto às etiquetas para fatiados  e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico,  bolsa térmica, entre outros.  O  valor  do  IPI  recuperável,  constante  das  notas  fiscais  de  aquisição Alega que a Receita Federal do Brasil, sem adequada  motivação e  justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados  ao  custo  do  IPI  dos  produtos  adquiridos  pela  impugnante,  sob  alegação de que poderão ser recuperáveis.  Afirma  que  o  IPI  vinculado  à  operação  de  aquisição  de  bens  integra o custo do produto que adquiriu, de maneira que inexiste  razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão da  base  de  cálculo  dos  créditos  das  contribuições.  Defende  que  o  fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação de  crédito  (operações  sem  a  exigência  do  imposto)  não  é  fundamento  que  permite  justificar  a  presente  glosa,  pois  são  “operações distintas e que não se confundem”.  Notas fiscais que representam aquisições de pessoas  jurídicas,  que  deveriam  ter  ocorrido  com  suspensão  obrigatória  de  PIS/Pasep  e  Cofins  A  impugnante  inicia  defendendo  que  o  crédito  integral  há  de  ser  mantido  uma  vez  que  as  aquisições  ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma  que  a  Lei  nº  10.925/2005  somente  é  aplicável,  nos  condições  estipuladas,  quando  houver  venda  com  suspensão  de  PIS  e  Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase  o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que,  podese concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e  a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes  desta última a  suspensão de PIS  e Cofins  era uma  faculdade  e  dependia  de  procedimentos  formais  (declaração).  Caso  seus  argumentos  não  sejam  acatados,  a  interessada  pugna  que  se  reconheça  procedência  parcial  do  crédito,  mediante  aplicação  do percentual do crédito presumido.  Fichas 06A e 16A Linha 03 serviços utilizados como insumos –  item 4.3.3 do relatório fiscal  Quanto  aos  itens  “a”,  “c”  e  “d”,  do  item  4.3.3  do  relatório  fiscal  aquisições  de  pessoas  físicas,  pagamentos  de  fretes  de  transferência de produtos acabados  e Notas  fiscais  cujo CFOP  não representa aquisição de serviços – a impugnante remete aos  argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às  Fl. 5147DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     16 aquisições  de  bens,  enfatizando  a  total  improcedência  das  glosas.  Em  relação  ao  item  “b”  aquisições  de  serviços  que  não  se  enquadram no conceito de insumo , a interessada defende que o  direito ao crédito em razão dos valores glosados se referirem a  serviços totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e  econômica da impugnante; Menciona os serviços: movimentação  saída,  de  montagem/desmontagem,  limpeza,  recuperação  frio,  carregamento  de  aves  para  venda,  repaletização,  despachante  aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros.  Fichas  06B  e  16B  Linha  02  bens  utilizados  como  insumos  –  item  4.3.8  do  relatório  fiscal A  interessada  contesta  as  glosas  das  aquisições  no  mercado  externo  alegando  que  há  que  se  reconhecer  a  viabilidade  do  crédito  em  tais  operações,  por  expressa previsão  legal,  uma  vez que  a Lei  nº  10.865/2004,  ao  disciplinar o PIS/Cofins na  importação, permitiu o  emprego de  tais  créditos  para  abatimento  das  contribuições  previstas  nas  Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins).  Em relação às  aquisições de  peças  e máquinas  acrescenta  que  são bens que claramente a  legislação permite reconhecer como  insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa;  mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com  duração  superior  a  01  ano,  “ao menos,  há  de  se  considerar  o  crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei  n. 10.865/2004)”.  Quanto às glosas de operações de importação registradas com o  CFOP  3551,  3556  e  3949,  inicialmente  alega  cerceamento  de  defesa,  alegando  que  “não  localizou  a  descrição  exata  no  processo  administrativo  de  quais  seriam  estes  bens  e,  principalmente,  o  porquê  da  glosa”  e  a  “total  ausência  de  fundamentação e descrição dos bens glosados”.  No  mérito,  alega:  há  previsão  legal  que  permite  crédito  de  PIS/Cofins  para  a  hipótese  de  aquisição  de  ativo  imobilizado,  salvo  se  usado,  o  que  não  é  o  caso  dos  autos;  em  relação aos  demais itens glosados (uso e consumo e outros), a noção ampla  de  insumo  ligada  à  inerência,  essencialidade  e  qualidade  permite a tomada de créditos.  A  impugnante  tem  como  encerrada  a  questão  do  direito  ao  crédito  em  relação  à  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como insumos e passa às demais glosas.  Fichas 06A e 16A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios  locados  de  pessoas  jurídicas  item  4.3.4  do  relatório  fiscal  A  interessada alega que embora não previsto em lei, pelo princípio  da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter  o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a  legitimidade  do  crédito  quanto  aos  pagamentos  de  imóveis  rurais,  na  medida  em  que  a  o  art.  3º,  inciso  IV,  das  Leis  n.  10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos  e  rurais.  Aduz  que  se  inexiste  distinção  na  lei,  não  cabe  ao  intérprete distinguir.  Fl. 5148DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.141          17 Fichas  06A  e  16A  Linha  06  Despesas  com  alugueis  de  máquinas  e  equipamentos  de  pessoa  jurídica  –  item  4.3.5  Defende o direito ao crédito sobre as notas fiscais de locação de  máquinas destinadas ao serviço de cópias (xerox) argumentando  que  o  serviço  de  fotocópias,  embora  não  esteja  diretamente  vinculado  à  fabricação  do  alimento,  é  essencial  à  atividade  econômica de qualquer empresa. Que diante da noção ampla de  insumo  e  da  não  cumulatividade,  tal  crédito  também  deve  ser  considerado legítimo.  Fichas 06A e 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e  Fretes na Operação de Venda – item 4.3.6 Quanto às despesas  de  armazenagem  e  fretes  na  operação  de  venda,  depois  de  novamente  alegar  a  nulidade  em  razão  do  cerceamento  de  defesa,  a  impugnante  argumenta  que:  o  crédito  decorrente  dos  pagamentos à pessoa  física é devido com fundamento na noção  constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva;  é  preciso  reconhecer  que  o  frete  na  venda  e  a  armazenagem  incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral.  Acrescenta:  A  armazenagem  compreende  todas  as  despesas  e  gastos  vinculados  a  ela,  entre  elas  energia  elétrica,  monitoramento,  pesagem,  desova,  manutenção,  inspeção,  movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de  contêineres,  capatazia,  taxa  de  liberação  de  BL,  serviços  portuários,  entre  outros;  [...]Além  disso,  podemos  reconhecer  nas despesas portuárias, além da natureza de despesa  ligada à  armazenagem,  também  à  continuidade  do  frete  na  venda,  especificamente, aquele destinado à exportação.  Fichas  06A  e  16A  –  Créditos  Presumidos  das  atividades  agroindustriais – item 4.3.7 do relatório fiscal Em relação aos  Créditos  Presumidos  das  atividades  agroindustriais,  a  interessada  afirma  que  a  Lei  nº  10.925/94,  no  artigo  8º,  ao  definir os percentuais  (60 ou 30% da alíquota da contribuição)  para  fins  de  cálculo  do  crédito  presumido  às  pessoas  jurídicas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal,  destinadas  à  alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que  indica,  não  vincula  tais  percentuais  ao  tipo  de  bem  que  é  adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é  produzido com o bem adquirido. Assim, defende a  legitimidade  do  crédito  presumido  apurado  no  percentual  de  60%  da  alíquota,  em  relação  aos  insumos  destinados  à  fabricação  dos  produtos destinados à alimentação humana ou animal, descritos  nos  Capítulos  2  a  4,  6  da  NCM  e  nos  códigos  15.01  a  15.06,  1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos  animais dos códigos 15.17 e 15.18.  Fichas 06A e 16A bens adquiridos para revenda item 4.3.1 Em  relação  à  glosa  das  notas  fiscais  com  valor  inferior  aquele  declarado  em  Dacon  defende  que  os  créditos  são  legítimos,  sendo  que  a  contabilidade  dá  total  suporte.Explica  que,  em  verdade,  houve  um  equívoco  material  no  momento  da  apresentação  de  planilha  à  fiscalização,  que  possuía  valores  diferentes  dos  informados  no  demonstrativo.Argumenta  que,  Fl. 5149DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     18 ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em  planilha  fornecida  pelo  contribuinte,  cabendo  a  ele  ônus  de  verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon.  Créditos  extemporâneos  utilizados  sem  retificadora  item  4.4  Defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados  no  cálculo  das  contribuições  devidas  apuradas  para  o  4º  trimestre, pois, em suas palavras:  (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco;   (ii)  o  impedimento  é  meramente  formal,  sendo  de  rigor  atenuar  o  exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com  fundamento  na  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade  e  vedação do enriquecimento sem causa do Fisco;   (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e  10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes".  Ou  seja,  se  não  houve  o  aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes,  como  no  presente  caso.  A  lei  não  traz  expressamente  a  exigência  de  retificadora.  Créditos inexistentes Ficha 23 e saldo da linha 24 – item 5 e 7  do relatório fiscal. A impugnante, inicialmente, argumenta que o  despacho decisório não descreve  e  fundamenta  especificamente  a  razão  pela  qual  tais  créditos  seriam  inexistentes  pelo  que  é  evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa.  Alega,  ainda,  que  “os  dados,  informações,  valores  e  créditos  lançados  em  contabilidade  e  em  obrigações  acessórias  fazem  prova  em  favor  impugnante”.  Aduz  que,  como  informa  a  fiscalização, os  valores  foram  lançados  em Dacon  e,  diante da  ausência  de  prova  e  justificativa  do  motivo  que  se  nega  verdadeiramente os créditos, estes devem se presumir legítimos,  até mesmo pelo princípio da boa fé.  Omissão  de  receita  ­  Descontos  incondicionais A  impugnante  contesta os valores lançados alegando que houve operação com  descrição contábil, emissão de nota fiscal e inclusão na DACON  como  descontos  incondicionais  (ou  bonificações).  Sendo  assim,  os  lançamentos  contábeis  e  obrigações  acessórias  fazem  prova  em favor do impugnante, na medida em que o ônus é do Fisco em  comprovar  cabalmente  que  determinada  operação  é  tributável  por PIS e COFINS, nos moldes do art. 142 do Código Tributário  Nacional.  Afirma  que  inexistiu  prova  e  demonstração  cabal  de  que  todas  as  operações  tributadas  não  seriam  descontos  incondicionais.  Simplesmente,  elencou  todos  os  códigos  de  operação  lançados  como  desconto  incondicional  e  tributo  por  presunção sem previsão legal.  Juros  sobre  Capital  Próprio  ­  O  valor  de  R$  2.478.583,89,  relativo  aos  juros  sobre  capital  próprio  recebido  da  investida  Batávia,  foi acrescido na base de cálculo das contribuições em  dezembro de 2006, com fundamento no  inciso I, p.u., do art. 1º  do Decreto 5.442, de 09/05/2005.  A  impugnante,  por  seu  turno,  defende  que  juros  sobre  capital  próprio  possuem  a  natureza  de  dividendos,  com  fundamento  o  art. 9º, § 7º, da Lei nº 9.249/95, que enuncia:  Fl. 5150DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.142          19 § 7O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título  de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos  dividendos de que trata o art. 202 da Lei ne 6.404, de 15 de dezembro  de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º.  Sustentar a improcedência do lançamento, uma vez que dispõe o  art. 1º, § 3º, V, alínea "b", da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), bem  como Lei nº 10.637/2002 (PIS), que deve ser excluída da base de  cálculo de tais contribuições:  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas,  o  resultado  positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo de aquisição que tenham sido computados como receita.  Em  02/12/2011,  a  interessada  protocolou  aditamento  à  impugnação  apresentada  em  24/11/2011,  alegando  que  no  momento  do  lançamento  havia  processo  judicial  (proc.  n.  2006.61.00.0267561  Mandado  de  Segurança;  Proc.  n.  2007.03.00.1042080  Ação  Cautelar  TRF  3),  perante  o  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL  DA  3ã  REGIÃO,  concedendo  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  razão pela qual não há possibilidade de  se  imputar a multa de  ofício  nesta  matéria,  reconhecendo­se  somente  a  finalidade  de  prevenção da decadência ao presente lançamento. Pugna, então,  o  acolhimento  da  presente  petição  como  complemento  e  aditamento da impugnação tempestivamente apresentada com o  fim de requerer a exclusão da multa de ofício no caso dos juros  sobre  capital  próprio,  uma  vez  que  constava  suspensão  da  exigibilidade do crédito.  Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício ­ Alega que  os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos  termos do artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional, sendo  de  total  improcedência  o  lançamento  realizado  dos  juros  de  mora calculados à taxa Selic.  Contesta a exigência juros de mora (à taxa Selic) sobre a multa  de  ofício  aplicada  nos  presentes  autos  de  infração,  com  fundamento no art. 61 da Lei n° 9.430/1996, pois tal dispositivo  legal  assim  não  autorizou;  nesse  aduz  que  o  legislador  estabeleceu  a  aplicação  de  juros  de  mora  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  (que  é  uma  espécie  do  gênero tributo), não pagos em seu vencimento.  Multa  de  ofício  ­  A  impugnante  alega  que  os  fatos  foram  praticados pela Perdigão Agroindustrial S/A, cuja incorporação  se  deu  em  09/03/2009  pela  Perdigão  S/A,  a  qual  alterou  sua  denominação  social  para  BRF  em  08/07/2009  e,  por  conseguinte,  não  podem  ser  dela  exigidos,  nos  moldes  do  art.  132  e  133  do  CTN,  bem  como  pelos  princípios  de  direito  sancionador de que a pena não pode ultrapassar o seu infrator.  Reclama  ainda  que  a  multa  aplicada  ofende  os  princípios  constitucionais  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e  da  proibição do confisco,  sendo  forçoso  seu  cancelamento. Diante  Fl. 5151DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     20 disto, só para argumentar, esta deve ser reduzida, no mínimo, ao  patamar de 20%  (vinte por cento), de conformidade com o art.  61,  §  25  ,  da  Lei  n.  9.430/96,  retificando­se  o  auto  de  infração  lavrado.  Do  Pedido  Requer  que  seja  julgada  procedente  a  presente  impugnação a fim de reconhecer a nulidade, ou, no mérito, total  improcedência do lançamento, conforme razões aduzidas.  Ao  final,  pugna  pela  prova  pericial  destinada  a  avaliar,  especialmente,  se  os  bens,  produtos,  serviços  e  materiais  adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade  da  atividade  econômica  despenhada  pela  impugnante  se  enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindo­se  o critério exclusivo da legislação do IPI.  Revisão  do  Acórdão  nº  0730.436,  de  31/01/2013  O  presente  acórdão  tem  como  objetivo  revisar  o  acórdão  0730.436,  proferido em 31/01/2013, unicamente na parte em que se refere  ao  lançamento  de  valores  recebidos  pela  Perdigão  Agroindustrial S.A., à título de juros sobre capital próprio.  É o relatório.  Os  argumentos  aduzidos  pela  Recorrente,  no  entanto,  não  foram  acolhidos  pela  primeira  instância  de  julgamento  administrativo  fiscal,  conforme  ementa  do  Acórdão  abaixo transcrito: (fls. 4.863/4.868):   ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006   MULTA  DE  OFÍCIO.  RESPONSABILIDADE.  SUCESSÃO  TRIBUTÁRIA.  Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da  sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta  cometida.  EXIGIBILIDADE.  SUSPENSÃO.  INEXISTÊNCIA.  LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO.  Ausentes,  no momento  da  constituição  do  crédito  tributário,  as  hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV  e V  do  artigo 151  do CTN,  é  legítima a  cobrança da multa  de  ofício incidente sobre o tributo devido.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade de atos legais regularmente editados.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Data  do  fato  gerador:  31/10/2006,  30/11/2006,  31/12/2006  ERRO  MATERIAL.  LAPSO MANIFESTO.  REVISÃO  DE  OFÍCIO DA  DECISÃO.  Fl. 5152DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.143          21 Identificada  pela  DRJ  inexatidão  material  devido  a  lapso  manifesto,  é  devida  a  correção de  ofício  da  decisão através  de  Acórdão revisor.  PIS.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO DESCONTADO. ÔNUS DA  PROVA  A  CARGO DO  IMPUGNANTE Na apuração das Contribuições para o PIS e da  Cofins não cumulativas, é do impugnante o ônus de demonstrar  ao  Fisco  e  comprovar  minudente  a  existência  do  crédito  utilizado por meio de desconto das contribuições devidas  PIS.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A  apuração  dos  créditos  das Contribuições  para  o  PIS  e  da Cofins,  não  cumulativas,  é  realizada  pelo  impugnante  por meio  do Dacon,  não cabendo a  autoridade  tributária,  em  sede  do  contencioso  administrativo,  assentir com a  inclusão, na base de cálculo desses créditos, de  custos e despesas não informados ou incorretamente informados  neste demonstrativo.  PIS.  COFINS.  EXCLUSÕES  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  COMPROVAÇÃO  À  CARGO  DO  CONTRIBUINTE.  Para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, ao  contribuinte  cabe  comprovar  a  natureza  dos  valores  desta  excluídos,  conforme  por  ele  lançados  em  sua  escrituração  contábil.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006   COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  LEGISLAÇÃO.  HIPÓTESES DE CREDITAMENTO.  As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de  apuração  da Cofins  são  somente  as  previstas  na  legislação  de  regência,  dado  que  esta  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis  de  creditamento,  não  estando  suas  apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade  na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade  como custo operacional.  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO  DE INSUMO.  No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados  como  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  valores:  os  combustíveis  e  lubrificantes,  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  de  sua  aplicação  direta  na  prestação  de  serviços  ou  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  venda;  e  os  serviços  prestados  Fl. 5153DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     22 por  pessoa  jurídica,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda.  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO  DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO.  Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a  créditos calculados a alíquota regular da Cofins não cumulativa  sobre as aquisições de pessoas físicas.  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO  DE  BENS  NÃO  SUJEITOS  AO  PAGAMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO.  Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a  créditos  da Cofins  não cumulativa  sobre  as  aquisições  de  bens  ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.  COFINS.  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS  COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO.  No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com  serviços  de  frete  somente  geram  crédito  quando:  o  serviço  consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma  operação  de  venda,  tendo  as  despesas  sido  arcadas  pelo  vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação  de  aquisição  de  insumo,  tendo  as  despesas  sido  arcadas  pelo  adquirente.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  SUSPENSÃO  DA  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO.  REQUISITOS  ESTABELECIDOS  NA  LEGISLAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE.  É  obrigatória  a  suspensão  estabelecida  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de  venda  de  produtos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8o  desta  lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do  mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente:  I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer  atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e  III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na  fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º  na mesma IN.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  SUSPENSÃO  DA  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  NA  VENDA.  VEDAÇÃO  DE TOMADA DE CRÉDITO.  As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei  não permite a tomada de créditos pelo adquirente.  COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. IPI RECUPERÁVEL.  O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o  custo  dos  bens  adquiridos  para  revenda  e  utilização  como  insumo.  Fl. 5154DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.144          23 COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  APURAÇÃO.  REGIME DE COMPETÊNCIA.  A  adoção  do  regime  de  competência  na  apuração  da Cofins  e  dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da  legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória  pelo impugnante.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO.  No âmbito do  regime não cumulativo  da Cofins,  a  natureza do  bem  produzido  pela  empresa  que  desenvolva  atividade  agroindustrial  é  considerada  para  fins  de  aferir  seu  direito  ao  aproveitamento  do  crédito  presumido,  já  no  cálculo  do  crédito  deve  ser  observada  a  alíquota  conforme  a  natureza  do  insumo  adquirido.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  PEÇAS  E  PARTES  DE  MÁQUINAS.  ACRÉSCIMO  DA  VIDA  ÚTIL  DA  MÁQUINA.  CRÉDITO.  DEPRECIAÇÃO  DE  BEM  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  Se  da  substituição  de  partes  e  peças  de  máquinas  utilizadas  diretamente na produção resultar aumento da vida útil prevista  no  ato  de  aquisição  da  respectiva  máquina,  as  despesas  de  aquisição correspondentes, quando aquele aumento for superior  a um ano, deverão ser capitalizadas, caso em que haverá direito  a crédito pelos encargos de depreciação.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  BASE  DE  CÁLCULO.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO.  EXCLUSÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  O valor recebido a título de juros sobre capital próprio integra a  base  de  cálculo  da Cofins,  uma  vez  que  não  há  previsão  legal  que  permita  a  exclusão  de  tal  valor  da  base  de  cálculo  da  referida contribuição.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006   PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  LEGISLAÇÃO.  HIPÓTESES  DE CREDITAMENTO.  As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de  apuração da Contribuição para o PIS são somente as previstas  na  legislação  de  regência,  dado  que  esta  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis  de  creditamento,  não  estando  suas  apropriações  vinculadas  à  caracterização  de  sua  essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na  contabilidade como custo operacional.  PIS.  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.  CONCEITO DE  INSUMO.  Fl. 5155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     24 No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, somente  são  considerados  como  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  valores: os combustíveis e  lubrificantes, as matérias primas, os  produtos  intermediários,  o material  de  embalagem  e  quaisquer  outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função de  sua  aplicação  direta  na  prestação  de  serviços  ou  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  venda;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda.  PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE  PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO.  Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a  créditos  calculados  a  alíquota  regular  da  contribuição  para  o  PIS não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas.  PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE  BENS  NÃO  SUJEITOS  AO  PAGAMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO.  Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS  não  cumulativa  sobre  as  aquisições  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição.  PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM  FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS,  as  despesas  com  serviços  de  frete  somente  geram  crédito  quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja  relacionado  a  uma  operação  de  venda,  tendo  as  despesas  sido  arcadas pelo vendedor; o  frete contratado esteja  relacionado a  uma  operação  de  aquisição  de  insumo,  tendo  as  despesas  sido  arcadas pelo adquirente.  PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO.  REQUISITOS  ESTABELECIDOS  NA  LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.  É  obrigatória  a  suspensão  estabelecida  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de  venda  de  produtos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8o  desta  lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do  mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente:  I­ apurar o imposto de renda com base no lucro real;   II­  exercer  atividade  agroindustrial  na  forma  do  art.  6º  da  mencionada IN; e III utilizar o produto adquirido com suspensão  como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos  I e II do art. 5º na mesma IN.  Fl. 5156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.145          25 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  NA  VENDA.  VEDAÇÃO  DE  TOMADA  DE CRÉDITO.  As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei  não permite a tomada de créditos pelo adquirente.  PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. IPI RECUPERÁVEL.  O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o  custo  dos  bens  adquiridos  para  revenda  e  utilização  como  insumo.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  APURAÇÃO.  REGIME DE COMPETÊNCIA.  A  adoção  do  regime  de  competência  na  apuração  da  Contribuição para o PIS e dos correspondentes créditos da não  cumulatividade  decorre  da  legislação  tributária,  sendo,  portanto, de observação obrigatória pelo impugnante.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva  atividade  agroindustrial  é  considerada  para  fins  de  aferir  seu  direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do  crédito  deve  ser  observada  a  alíquota  conforme  a  natureza  do  insumo adquirido.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  PEÇAS  E  PARTES  DE  MÁQUINAS.  ACRÉSCIMO  DA  VIDA  ÚTIL  DA  MÁQUINA.  CRÉDITO.  DEPRECIAÇÃO  DE  BEM  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  Se  da  substituição  de  partes  e  peças  de  máquinas  utilizadas  diretamente na produção resultar aumento da vida útil prevista  no  ato  de  aquisição  da  respectiva  máquina,  as  despesas  de  aquisição correspondentes, quando aquele aumento for superior  a um ano, deverão ser capitalizadas, caso em que haverá direito  a crédito pelos encargos de depreciação.  PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO.  EXCLUSÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  O valor recebido a título de juros sobre capital próprio integra a  base de cálculo da Contribuição para o PIS, uma vez que não há  previsão  legal  que  permita  a  exclusão  de  tal  valor  da  base  de  cálculo da referida contribuição.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Fl. 5157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     26 Em 05/06/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância  (fl.  5.034).  Inconformada,  em  20/06/2013  (postado  nos  Correios  em  18/06/2013  ­  fls.  5.117/5.118),  protocolou  recurso  voluntário  ao  CARF  (fls.  5.035/5.115),  repisando  os  argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando as seguintes alegações:   a)­ que é tradicional e importante empresa da agroindústria, tendo por objeto  social  a  atividades  no  mercado  interno  e  externo  de  industrialização,  comercialização  e  exploração de alimentos em geral;  b)­  reproduz  a  relação  de  itens  que  foram  objeto  de  glosa  do  pedido  de  ressarcimento nos Despachos Decisórios dos PAF referentes aos créditos de PIS e da Cofins;  c)­  consigna  que  TODAS  as  matérias  envolvidas  nestes  autos  foram  expressamente delimitadas  (uma a uma),  impedindo de  forma clarividente qualquer  alegação  específica  para  este  caso,  de  que  não  houve  impugnação,  aplicando  os  efeitos  do  art.  17  do  Decreto n. 70.235/72;   d)­  solicita  preliminarmente  a  nulidade  da  decisão  recorrida  e  também  a  nulidade do lançamento;  e)­ que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o  pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Alega a necessidade ante o  princípio da busca pela verdade material;  f)­  se  deparar  com  o  despacho  decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  ressarcimento  percebe­se  a  nulidade  do  ato  em  decorrência  da  violação  ao  princípio  da  motivação;   g)­ que há cerceamento de defesa da Recorrente, com conseqüente violação  ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório foi proferido sem  qualquer  explicitação  e  detalhamento  acerca  do  não  reconhecimento  de  inúmeros  créditos,  impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da recorrente;  h)­ se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento  de  defesa,  o  presente  lançamento  de  ofício  e  despachos  decisórios  de  glosa  não  cumprem  o  disposto  no  art.  9°  do  Decreto  n.  70.235/72.  Em  prejuízo  da  defesa  da  impugnante,  a  fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos  que estaria glosando.   Quanto ao Mérito  i)­ inicia fazendo uma longa contextualização sobre as Contribuições do PIS  e da COFINS, da não cumulatividade, explorando seus aspectos  legais e constitucionais; cita  autores renomados que reportaram sobre o assunto e jurisprudências;   j)­ elabora uma abordagem sobre a problemática da restrição dos créditos de  COFINS  e  do  PIS  por  atos  infra­legais,  como  Instrução  Normativas;  da  impossibilidade,  conforme o Relatório Fiscal apresentado, a glosa de diversos créditos da recorrente se deu pelo  fato  de  que  o  Fisco  adota  uma  interpretação  evidentemente  rígida  e  com  o  intuito  de mera  arrecadação,  fundada especificamente nas  IN da SRF nºs 247, 358 e 404/04; essas instruções  normativas  e  a  própria  fiscalização,  ao  empregarem  o  conceito  extremamente  restritivo  e  equivocado  de  insumo,  inovaram  na  ordem  jurídica  criando  deveres  e  obrigações  ao  contribuinte em detrimento da Lei e diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à  legalidade por tais atos;  Fl. 5158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.146          27 k)­ quanto aos Insumos glosados ­ argumenta das ilegalidades, afirma que em  uma  primeira  e  genérica  conclusão,  o método  utilizado  pela  fiscalização  no  sentido  de  que,  como a glosa se pautou por critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, esta  se  torna  improcedente,  uma  vez  que  todos  os  bens,  produtos  e  serviços  descritos  em  contabilidade, DACON e no pedido de ressarcimento são legítimos;   Discorre  sobre  cada  item  nominalmente  glosados  solicitando  a  reversão  dessas glosas e traz argumentações específicas sobre os seguintes casos concreto:  (i) de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos  (itens 4.3.4 e 4.3.5 do  Despacho Decisório);   (ii)  despesas  de  armazenagem  e  frete  na  operação  de  venda  (item  4.3.6  do  Despacho Decisório);  (iii) dos créditos presumidos na agroindústria ­ base de cálculo ­ item 4.3.7 do  despacho decisório);  l)­ dos bens adquiridos para revenda (item 4.3.3); dos créditos extemporâneos  (item  4.4)  e  créditos  inexistentes  (item  5),  todos  dos  Despachos  Decisórios.  Quanto  aos  créditos  inexistentes,  argumenta  que  o  despacho  decisório  não  descreve  e  fundamenta  especificamente  a  razão  pela  qual  tais  créditos  seriam  inexistentes  pelo  que  é  evidente  a  nulidade em razão do cerceamento de defesa;   m)  Exigência  de  tributação  sobre  determinadas  saídas  ­  Descontos  incondicionais:  contesta  os  valores  lançados,  alegando  que  houve  operação  com  descrição  contábil,  emissão  de  nota  fiscal  e  inclusão  na  DACON  como  descontos  incondicionais  (ou  bonificações);   n) dos Juros sobre capital próprio (JCP) ­ que o valor de R$ 2.478.583,89,  relativo aos juros sobre capital próprio recebido da investida Batávia, foi acrescido na base de  cálculo das contribuições em dezembro de 2006, com fundamento no inciso I, p.u., do art. 1º  do Decreto 5.442, de 09/05/2005.  o)­  dos  Juros  de mora  sobre  a Multa  de Ofício  ­  aduz  que  os  juros  são  devidos  à  razão  de  1%  ao  mês,  nos  termos  do  art.  161,  §  1º,  do  CTN,  sendo  de  total  improcedência o lançamento realizado; Não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a  Multa de Ofício. Caráter confiscatório.  p)  da Multa  de  ofício  ­  alega  que  os  fatos  foram  praticados  pela  Perdigão  Agroindustrial S/A, cuja incorporação se deu em 09/03/2009 pela Perdigão S/A, a qual alterou  sua  denominação  social  para  BRF  em  08/07/2009  e,  por  conseguinte,  não  podem  ser  dela  exigidos, nos moldes do art. 132 e 133 do CTN.  Posto  isto,  espera  a  Recorrente,  que  seja  conhecido  e  provido  o  recurso  interposto  com  o  objetivo  de  reconhecer  a  nulidade  ou  reforma  da  decisão  recorrida  e,  por  conseguinte, a total improcedência do lançamento realizado.  É o relatório.  Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     28 Voto Vencido  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra ­ Relator   1­ Da admissibilidade do recurso  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  2­ Do trâmite processual  Nos  referidos  autos  de  infração  foram  lançadas  as  contribuições  declaradas  no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais ­ DACON (anexados aos autos), que  restaram  inadimplidas  em  razão  de  glosas  de  créditos  utilizados  tratados  nos  processos  16349.000273/2009­08 e 16349.000281/2009­46 (COFINS e PIS/Pasep, respectivamente).  No Auto de Infração, no quadro Descrição dos Fatos e enquadramento Legal,  verifica­se  que  a  infração  consiste  de  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  da  contribuição para o PIS e da COFINS, que se deu em razão de glosas de créditos utilizados por  meio de desconto e de apuração de omissão de receita (fls. 4.158/4.198).  Os  processos  de  créditos  foram  apreciados  em  25/10/2012  pela  2ª  Turma  Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, e após terem cumprido o determinado nas  Resoluções  3402­000.480  (Processo  nº  16349.000273/2009­08)  e 3402­000.483  (Processo  nº  16349.000281/2009­46), encontram­se nesta Turma, em pauta para julgamento, conjuntamente  com este processo.  Muito embora não haja previsão  legal para que os processos, no  âmbito do  julgamento administrativo, sejam reunidos e julgados por meio de um só Acórdão, há que se  dizer  que,  dada  a  coincidência  de  matéria  fática,  em  conformidade  com  os  princípios  da  eficiência  e  economia  processual,  os  processos  devem  tramitar  juntos,  como  colocado  pela  autoridade fiscal autuante.  No entanto, firme­se que a lide aqui estabelecida é a que decorre do Recurso  Voluntário apresentado contra os Autos de Infração (do PIS e da COFINS) e será analisada no  escopo do presente processo, à luz dos fatos e elementos que compõem seus próprios autos.    3­ Do Conceito de INSUMOS  No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate,  concentra­se  sobre  a  subsunção  no  conceito  de  insumos  ­  bens  e  serviços  adquiridos,  que  geram direito aos créditos do PIS e da COFINS.  É  pertinente,  portanto,  que,  antes  do  exame  das  questões  fáticas  objeto  da  controvérsia  sejam  feitas  breves  considerações  acerca  do  referido  regime  de  incidência,  nas  quais  abordaremos,  em  conjunto,  questões  atinentes  aos  regimes  da  não­cumulatividade  do  PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos.   O regime de incidência não­cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e  para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão  Fl. 5160DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.147          29 da  Medida  Provisória  no  66,  de  2002),  e  10.833,  de  29/12/2003  (conversão  da  medida  Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à não­cumulatividade  dessas  contribuições  –  na  mesma  ordem  ­  a  partir  de  1o  de  dezembro  de  2002  e  de  1o  de  fevereiro de 2004.  Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões,  não  tem  adotado,  para  fins  de  aproveitamento  de  créditos  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  a  interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela  veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece  o Acórdão  nº  3403­002.656,  julgado  em  28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan,  cuja ementa ora se transcreve:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004   CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  NÃO  CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado).  Em  atendimento  ao  comando  legal,  o  insumo  deve  ser  necessário  ao  processo  produtivo/fabril,  e,  consequentemente,  à  obtenção  do  produto  final.  Filio­me ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  que  são  pertinentes  e  essenciais  ao  processo  produtivo  ou  à  prestação  de  serviços,  ainda  que  neles  sejam  empregados  indiretamente,  conforme  ilustra  a  ementa  abaixo  do Acórdão  nº  3403­003.052,  julgado  em 23/07/2014,  por  voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern:  (...)   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007   NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.  Insumos, para  fins de creditamento da Contribuição Social não  cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou  que  viabilizam o processo produtivo  e a prestação de  serviços,  que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes.  O  custo  dos  serviços  de  remoção  de  resíduos,  em  face  das  exigências  do  controle  ambiental,  subsumem­se  no  conceito  de  insumo e ensejam a tomada de créditos.  Fl. 5161DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     30 (...)  Como  vimos  acima,  concluímos  que  geram  direito  de  crédito  todos  os  insumos  ­  bens  ou  serviços  ­  que  sejam  aplicados  na  produção  ­  de  bens  ou  serviços,  cuja  receita esteja sujeita à incidência sob o regime não­cumulativo.  No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas  apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e  10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito.  O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que:   “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n°  10.637/02 e normalizado pela  IN SRF n° 247/02, art.  66,  § 5°,  inciso  I,  na  apuração  de  créditos  a  descontar  do  PIS  não­ cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem  ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa,  mas  tão  somente  aqueles  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  intrínsecos  à  atividade,  que  efetivamente  sejam  aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo  imobilizado.  (…)  (Acórdão  3301­00.423,  Processo  11080.003383/2004­83,  Rel. Cons. Maurício  Taveira  e  Silva,  j.  03/02/2010).  Em  resumo,  especificamente  falando,  são  os  custos  de  produção,  gastos  incorridos  no  processo  direto  propriamente  dito  de  obtenção  de  produtos  e  de  serviços  colocados  à venda, não  se  incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas  financeiras,  as  despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil,  as  despesas gerais de uma empresa.  Nesse  escopo, para decidir  quanto  ao direito  ao  crédito de PIS  e da Cofins  não­cumulativo  é  imprescindível  que  primeiro  se  confiram  as  características  da  atividade  produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram  insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção).  Verifica­se no Estatuto Social e  também informado pela Recorrente em seu  recurso,  que  a  empresa  BRF  é  uma  tradicional  e  importante  agroindústria,  tendo  por  objeto  social  a  atividades  no  mercado  interno  e  externo  de  industrialização,  comercialização  e  exploração de alimentos em geral.  É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados  pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos.  4­ Do Processo produtivo x Descritivo dos Insumos adquiridos  Salienta­se  que  quando  da  efetivação  das  diligências  solicitadas  (nos  referenciados  processos  de  créditos),  a  Recorrente  apresentou  documentos,  demonstrando  o  fluxo de Processo de Produção da empresa, laudo técnico, respectivos descritivo de utilização  dos insumos, conforme documentos de fls. 3.886/4.014 (PIS) e 3.955/4.051 (Cofins).  5­ Preliminares  5.1 ­ Das Matérias não contestadas na Impugnação  Fl. 5162DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.148          31 A  decisão  a  quo,  deixou  consignado  que  "(...)  Em  análise  à  impugnação,  verifica­se  que  a  impugnante  não  contestou  todas  as  operações  cujos  valores  foram  glosados  ­  operações listadas de forma agrupada pelo motivo da glosa. Assim, aqui se diga que são consideradas  incontestes as matérias sobre as quais a impugnante não se manifestou expressamente, em obediência  ao  disposto  no  art.  17  do  Decreto  no  70.235/72,  e  alterações  posteriores,  que  regula  o  processo  administrativo  fiscal.  Impedido,  então,  o  julgador  administrativo  de  pronunciar­se  em  relação  ao  conteúdo do feito fiscal no que se refere às operações cujas glosas não foram contestadas, reputa­se  definitivo na esfera administrativa o ajuste no cálculo do crédito a estas correspondente".  Por outro lado, a recorrente informa em seu recurso que TODAS as matérias  envolvidas nestes  autos  foram expressamente delimitadas  (uma a uma),  impedindo de  forma  clarividente  qualquer  alegação  específica  para  este  caso  de  que  não  houve  impugnação,  aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.  Neste  diapasão,  destaca­se  que,  nesta  fase  processual,  todas  as  alegações  e  temas abordadas no recurso voluntário serão tratados neste processo.   5.2­ Da nulidade da decisão ­ indeferimento pedido de diligência/perícia  Alega a Recorrente  que  a  decisão  recorrida  possui  nulidade  ao  indeferir  de  forma subjetiva o pedido de perícia/diligência, adequadamente formulado segundo a legislação.  Aduz o princípio da busca pela verdade material.  Como  relatado,  a  Recorrente  em  seu  recurso,  argumenta  que  na  decisão  recorrida, teria lhe cerceado o direito de defesa ao indeferir o seu pedido de perícia.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Para  tanto,  destaco  a  seguinte  motivação,  conforme  trecho  da  decisão  a  quo:  "(...)  Todavia,  por  oportuno,  informa­se  à  impugnante  que  também de outra forma não caberia ser acatado o seu pedido de perícia; tampouco, haveria cabimento  na  realização  de  diligência.  Isso  em  razão  de  que,  nos  termos  em  que  são  tratadas  no Decreto  n.º  70.235/72, a prova pericial, tanto quanto a diligência, não são instrumentos destinados ao suprimento  do  ônus  da  prova  das  partes, mas  sim,  ao  convencimento  do  julgador;  tanto  que  a  este  é  facultado  indeferir as que considerar prescindíveis ao julgamento".  Assim, neste processo, a decisão recorrida trilhou bom caminho ao considerar  não  formulado  o  pedido  de  perícia,  haja  vista  a  omissão  do  atendimento  aos  requisitos  previstos no inciso IV do art. 16 do PAF, a teor do que determina o §1º do mesmo artigo.   Ressalte­se,  no  entanto,  que  os  processos  de  créditos,  os  referidos  recursos  foram  apreciados  pela  2ª Turma Ordinária  da  4ª Câmara,  e  foram deferidos  os  pedidos  para  cumprir  diligência  determinadas  nas  Resoluções  nºs  3402­000.480  (Processo  nº  16349.000273/2009­08)  e  3402­000.483  (Processo  nº  16349.000281/2009­46),  como  passaremos a ver em tópico mais adiante.  Tratando­se, portanto neste caso, de recusa bem fundamentada, não há que se  falar em cerceamento do direito de defesa. Portanto, rejeita­se essa preliminar de nulidade.  5.3­ Da Nulidade do lançamento   Alega  que  ao  se  deparar  com  o  lançamento,  que  remete  aos  Despachos  Decisórios,  argumenta  a  nulidade  em  decorrência  da  violação  ao  princípio  da  motivação.  Fl. 5163DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     32 Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo (as razões) pelo qual está glosando cada  um dos valores das operações da contribuinte.  Aduz  também  que  em  decorrência  da  aludida  violação  ao  princípio  da  motivação,  há  também  o  cerceamento  de  defesa,  e,  em  consequência,  a  violação  ao  devido  processo legal administrativo. Veja­se trecho destacado do recurso:  "(...) Ocorre,  porém, que a  fiscalização em  sua motivação não descreveu e  justificou o porquê da glosa dos demais itens utilizados como crédito".  Nesse  sentido  informa  que  não  é  possível  glosar  e  justificar  de  forma  exemplificativa como fez a  fiscalização,  já que está claro em seu  relatório que “analisou por  amostragem  e,  no  momento  da  glosa,  inseriu  no  mesmo  entendimento  diversos  produtos,  mercadorias,  serviços  e  demais  bens  sem  motivar  de  forma  clara,  explícita  e  congruente”.  Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e  jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de  “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do  ato administrativo”.  Neste  ponto,  subscrevo  as  considerações  tecidas  na  decisão  recorrida,  adotando­as como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de  1999), passando as mesmas a fazer parte  integrante desse voto, adotando­as como razão para  rejeitar a arguição:  "(...) Compulsando os autos, verifica­se que não procede essa alegação da recorrente. Com a  finalidade  de  verificar  os  créditos  informados  nos Dacon  respectivos,  foram  utilizadas  as memórias  de  cálculo  fornecidas pelo impugnante em atendimento aos itens 8, 9 e 10 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº  001/00242.  Relata a autoridade fiscal que: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes  nas  citadas  memórias  de  cálculo  foram  cruzadas  com  os  registros  contidos  nos  arquivos  magnéticos  de  notas  fiscais e foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS  de  cada  filial;  que  a  segunda  etapa  de  verificação  consistiu  na  elaboração  de  uma  “matriz  de  glosas”,  quando  analisou  cada  uma  das  descrições  dos  itens  das  memórias  de  cálculo,  de  forma  a  determinar,  com  base  na  legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito; que na terceira etapa aplicou a “matriz de  glosas” a  todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identifica os créditos a  que o impugnante fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo.  Relata que, por  fim, em uma quarta etapa:  foram somados os  itens da memória de cálculo  para cada  linha do Dacon;  foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os  itens que não dão direito a crédito;  subtraiu­se o segundo do primeiro, para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado  no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa.  Conclui que ao final dos procedimentos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram  apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é  que foram glosadas. Salienta a autoridade fiscal que:  Todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios abaixo, presentes  neste processo nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o  motivo individualizado.  [...]Todos os relatórios que se referem a mais de uma linha do Dacon estão organizados por  ficha  do Dacon e  linha,  indicando qual a  ficha e  linha cujos  valores  foram alterados  em decorrência daquele  item. Qualquer referência às fichas 6A e 6B se aplica igualmente às fichas 16A e 16B. Cada linha do Dacon que  sofreu  alteração  está  especificada nos  subitens  seguintes,  com a  identificação  do  total  alterado  por motivo  de  glosa. Os detalhes das alterações encontram­se nos relatórios citados acima.  Como se vê, todas as operações glosadas foram identificadas a partir dos registros elaborados  pela própria empresa; como visto, a autoridade fiscal identificou as operações cujos valores foram indevidamente  Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.149          33 inseridos  na base de  cálculo  do  crédito  a partir  das memórias de  cálculos  fornecidas  como demonstrativos dos  valores informados em cada linha do Dacon.  Em  análise  aos  mencionados  relatórios,  elaborados  e  juntados  aos  autos  pela  autoridade  fiscal, verifica­se que, de fato, deles constam todas os itens cujos valores foram glosados, agrupados em função do  motivo da glosa; assim, em cada relatório  trazido pela autoridade fiscal estão  indicados  todos os  itens glosados  pelo mesmo motivo.  Depois  de  identificar  os  relatórios  e  as  respectivas  páginas  nos  autos,  a  autoridade  fiscal  passou  tratar de  cada glosa  especificamente,  de  acordo  com a  ficha  e  a  linha do Dacon,  cuidando de  indicar  a  fundamentação fática e legal de cada uma delas, assim como consta do relatório do presente voto  Vê­se, então, que a autoridade fiscal não só esclareceu os critérios e parâmetros adotados na  análise  das  informações  apresentadas  pela  impugnante,  como  também  em  seu  relatório  da  atividade:  tratou  de  individualizar cada glosa,  identificando cada uma delas por  ficha e  linha do Dacon, o que, à evidência,  já seria  suficiente para a impugnante identificar o seu fundamento legal;  indicou a razão fática e/ou a razão legal para o  não  reconhecimento do direito  (não acolhimento de despesas  de outros  períodos,  não  comprovação de  créditos  trazidos  de  outros  períodos;  não  comprovação  da  natureza  da  operação  em  razão  do  CFOP  da  nota  fiscal  registrada; e o não enquadramento das despesas registradas nas hipóteses legais permissão do crédito); e por fim, a  autoridade fiscal também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por  item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”.  Como se vê, é totalmente improcedente a alegação da impugnante de que teria sido cerceada  em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento do motivo de cada item glosado. Tal se confirma em sua  impugnação,  onde  a  impugnante  demonstra  exatamente  o  contrário  do  que  alega,  quando  contesta  cada  glosa  insurgindo­se contra os fatos e os fundamentos legais alegados pela autoridade fiscal".  Como se vê, a Recorrente foi cientificada das glosas elencadas no Despacho  Decisório  e  apresentou  a  sua  manifestação  que  foi  apreciada  em  julgamento  realizado  na  primeira  instância.  Ficou  claro  que  as  glosas  teve  sua  origem  e  a  motivação  em  auditoria  realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada na Informação Fiscal, onde detalhou­ se  a motivação  para  o  procedimento  e  as  provas  que  conduziram  a  fiscalização  a  efetuar  as  glosas efetivadas.   Portanto,  é  totalmente  improcedente  a  alegação  da  Recorrente  de  falta  de  motivação e de que teria sido cerceada em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento  do motivo de cada item glosado. Tal fato se confirma em sua Manifestação de Inconformidade  e neste Recurso Voluntário, onde a Recorrente demonstra exatamente o contrário do que alega,  quando  contesta  cada  glosa,  insurgindo­se  contra  os  fatos  e  os  fundamentos  legais  alegados  pelo Fisco.  Não  assiste  razão  a  Recorrente,  uma  vez  que  a  autuação  foi  efetuada  com  observância  do  princípio  do  devido  processo  legal,  assegurando­se  ao  sujeito  passivo  o  exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos  termos  do  art.  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  art.  142  do  CTN  e  do  Decreto  nº  70.235/1972, não existindo cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno  conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta  refutando essas imputações.   Portanto, rejeita­se essas preliminares de nulidade.  Quanto  ao  disposto  no  art.  9°  do  Decreto  n.  70.235/72,  informa  em  seu  recurso  que  se  não  bastassem  tais  fatos  que  levam  à  conclusão  de  que  há  cerceamento  de  defesa,  o  presente  lançamento  de  ofício  e  despachos  decisórios  de  glosa  não  cumprem  o  disposto  no  art.  9°  do  Decreto  n.  70.235/72.  Em  prejuízo  da  defesa  da  impugnante,  a  Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     34 fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos  que estaria glosando.   Também não assiste razão a Recorrente também neste caso.   É  cediço  que  o  auto  de  Infração  deve­se  ter  como  premissa  indelével  a  necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo  fiscal,  requisitos  estes  expressamente  determinados  pelo  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72.  No  entanto  no  caso  dos  presente  autos,  excepcionalmente,  não  estamos  tratando somente do  lançamento de ofício, e sim também de utilização de direito creditório  pela  Recorrente.  A  situação  posta  trata­se  de  Declarações  de  Compensação  ­  DCOMP  de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, não cumulativa, vinculados à receita  de exportação, que foram verificadas em procedimentos nos PAF nºs. 16349.000273/2009­08 e  16349.000281/2009­46.  E, quando se trata de desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de  créditos,  é  atribuição  do  contribuinte  a  demonstração  da  efetiva  existência  do  crédito  pretendido. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973 (em vigor à época dos fatos), aqui  aplicável subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da  prova  incumbe  ao  autor,  quando  fato  constitutivo  do  seu  direito,  como  veremos  no  tópico  seguinte.  Neste  caso,  foi  exigida  a  apresentação  dos  documentos  comprobatórios  da  existência do direito creditório como pré­requisito ao conhecimento do direito pretendido pelo  contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza  do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  que  rege  (atualmente  a  IN  RFB  nº  1.300,  de  2012)  os  processos de restituição, compensação e  ressarcimento de créditos  tributários, assim expressa  em vários de seus dispositivos.  Portanto não há o que se falar em nulidade do lançamento.  6­ Ônus da Prova  Por  compartilhar  do  entendimento  deduzido  no  voto  condutor  da  decisão  recorrida, reproduzi as considerações da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes a respeito  da  distribuição  do  ônus  probatório  nos  processos  administrativos  fiscais,  que  deverão  ser  observadas para a inteligência deste voto:  "Antes que se passe à análise das razões de contestação contra o feito fiscal, importa  que se teçam algumas considerações acerca do ônus da prova do contribuinte, no âmbito dos processos  administrativos em que se trate de direito de crédito por este utilizado pelos meios legalmente previstos.  Coloque­se, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas  questões  litigiosas,  a  legislação  processual  administrativo  tributária  inclui  disposições  que,  em  regra,  reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de  que quem acusa e/ou alega deve provar.  Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da  autoridade  fiscal,  de  que  ocorreu  o  ilícito  tributário;  ao  contrário,  é  fundamental  que  a  infração  seja  devidamente  comprovada,  como  se  depreende  da  parte  final  do  caput  do  artigo  9.º  do  Decreto  n.º  70.235/1972,  que  determina  que  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  “deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.150          35 comprovação  do  ilícito”.  Esse,  portanto,  o  quadro  nos  lançamentos  de  ofício:  à  autoridade  fiscal  incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte,  cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento.  Já nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, entretanto, o quadro  resta  modificado.  Quando  a  situação  posta  se  refere  a  desconto,  restituição,  compensação  ou  ressarcimento de  créditos, é  atribuição do  contribuinte  a demonstração da  efetiva  existência deste. O  Código  de Processo Civil, Lei  n°  5.869/1973,  aqui  aplicável  subsidiariamente  ao Decreto 70.235/72,  estabelece,  em  seu  art.  333,  que  o  ônus  da prova  incumbe  ao  autor,  quando  fato  constitutivo  do  seu  direito.  Nos  casos  de  pedido  de  restituição,  reembolso  ou  ressarcimento  e  declaração  de  compensação  de  créditos  é  exigida  a  apresentação  dos  documentos  comprobatórios  da  existência  do  direito creditório como pré­requisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes  os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração  fica  inarredavelmente prejudicado. Nesse  sentido, a  Instrução Normativa SRF no 900/2008, que  rege  atualmente  os  processos  de  restituição,  compensação  e  ressarcimento  de  créditos  tributários,  assim  expressa em vários de seus dispositivos:  Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada:  I­ a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a  requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa Física (DIRPF).  § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida  pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de  Restituição,  Ressarcimento  ou  Reembolso  e  Declaração  de  Compensação (PER/DCOMP).  §  2º  Na  impossibilidade  de  utilização  do  programa  PER/DCOMP,  o  requerimento  será  formalizado  por  meio  do  formulário  Pedido  de  Restituição,  constante  do  Anexo  I,  ou  mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores  Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do  Anexo  II,  conforme  o  caso,  aos  quais  deverão  ser  anexados  documentos comprobatórios do direito creditório.  [...]§  4º  Tratando­se  de  pedido  de  restituição  formulado  por  representante  do  sujeito  passivo  mediante  utilização  do  programa PER/DCOMP, os documentos a que  se  refere o § 3º  serão  apresentados  à  RFB  após  intimação  da  autoridade  competente para decidir sobre o pedido.  [...]Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação de documentos comprobatórios do referido direito,  inclusive  arquivos  magnéticos,  bem  como  determinar  a  realização  de  diligência  fiscal  nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo  a  fim  de  que  seja  verificada,  mediante  exame  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações  prestadas. (grifou­se)  Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     36 Assim,  em  entendendo  a  autoridade  fiscal  que  os  documentos  e  informações  produzidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para  demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou entendendo que o crédito inexiste, em razão  de  as  operações  demonstradas  pela  contribuinte  não  se  enquadrarem  nas  hipóteses  de  creditamento  legalmente  previstas,  cabe  a  este  negar  o  direito,  total  ou  parcialmente,  explicitando  claramente  sua  motivação.  Neste  caso,  cabe  ao  contribuinte,  em  sua  defesa  ao  crédito,  provar  o  teor  das  alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas  parcialmente o crédito alegado. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar; não basta,  simplesmente  vir  aos  autos  discordado  do  entendimento  do  fiscal,  afirmando  que  entende  possuir  o  direito ao crédito; a contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega,  demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência.  Assim  sendo,  saliente­se  que,  no  âmbito  de  um procedimento  fiscal  de  análise  de  direito creditório, todas as declarações, informações e documentos e registros contábeis elaborados pelo  contribuinte  somente  fazem  prova  a  seu  favor  perante  o  Fisco,  quanto  à  existência  do  direito  que  declare, se calcados em documentos fiscais. Destarte, a efetiva comprovação da ocorrência, dos valores  e da natureza das operações  registradas  e declaradas pela pessoa  jurídica  somente  se dá por meio de  documentos fiscais representativos destas. E a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída  de  formalismos  e  rigores  estabelecidos  legalmente,  portanto  de  observação  obrigatória  pelos  contribuintes,  consiste,  por  excelência,  do  meio  próprio  para  registrar  e  comprovar  as  operações  comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito  de cada tributo.  Para  a  correta  análise  dos  argumentos  de  contestação  das  glosas  realizadas  pela  autoridade  fiscal,  é necessário  ter  claro  a  sistemática por  esta  adotada na  aferição da procedência do  crédito pleiteado pela contribuinte, conforme por ela apurado em Dacon.  No  arquivo  digital  contendo  a memória  de  cálculo  dos montantes  informados  em  Dacon  o  auditor  fiscal  buscou  identificar,  dentre  todas  as  operações  de  entrada  registradas  pela  contribuinte adotando como critério de  identificação o CFOP das  respectivas notas e a descrição dos  bens aquelas que não se referissem a uma operação de aquisição de insumo, na acepção firmada no item  2 deste voto. Identificadas essas operações, excluiu o montante mensal apurado dos valores informados  na linha 02, para cada mês do trimestre.  Note­se, então, que as notas fiscais cujos valores foram glosados não foram trazidas  aos autos pela autoridade fiscal; não teve a necessidade de as solicitar para efetuar as glosas, haja vista  ser  possível  somente  a  partir  dos  registros  da  empresa  verificar  a  improcedência  dos  créditos  correspondentes. Das operações registradas, excluiu: os valores daquelas notas fiscais cujos CFOP e/ou  descrição do bem não condiziam com operações de aquisição de insumo.  Dentro deste quadro,  firme­se que, no presente caso, somente  restará efetivamente  comprovada  a  operação  glosada  que  a  contribuinte  tenha  trazido,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, a cópia da respectiva nota fiscal."  Posto  isto,  tanto  para  serviços  quanto  para  bens  utilizados  na  produção  industrial  em  se  tratando  de  pedido  de  ressarcimento  e  declaração  de  compensação,  o  contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato  constitutivo  de  seu  direito.  Em  outras  palavras,  o  sujeito  passivo  possui  o  encargo  de  comprovar,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  existência  do  direito  creditório,  demonstrando,  notadamente  por  intermédio  de  sua  escrita  contábil  e  fiscal  e  respectiva  documentação de suporte, que o direito invocado existe.  Neste  ponto,  acresça­se  o  que  dispõem  os  arts.  15  e  16  do  Decreto  nº  70.235/1972, como segue:  Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.151          37 “Art.  15.  A  impugnação,  formalizada  por  escrito  e  instruída  com os documentos em que se fundamentar,  será apresentada  ao órgão preparador no prazo de 30  (trinta) dias,  contados da  data em que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...) III­ os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou­se)  Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao  crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito.  Assim vem reiteradamente decidindo este CARF. Veja­se:  “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO  QUAL  SE  FUNDAMENTA  A  AÇÃO.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado.  DILAÇÃO  PROBATÓRIA.  DILIGÊNCIAS.  A  realização de diligências destina­se a resolver dúvidas acerca de  questão controversa originada da confrontação de elementos de  prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito  aquilo  que  a  lei  já  impunha  como  obrigação,  desde  a  instauração  do  litígio,  às  partes  componentes  da  relação  jurídica.”  (Acórdãos  n.  3403­002.106  a  111,  Rel.  Cons.  Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso)  “PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  Nos  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  incumbe  ao  postulante  a  prova  de  que  cumpre  os  requisitos  previstos  na  legislação  para  a  obtenção  do  crédito  pleiteado.”(grifo  nosso)  (Acórdão  n.  3403­003.173,  Rel  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  em  relação  à  matéria,  sessão  de  21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403­003.166, Rel  Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão  de  20.ago.2014;  Acórdão  3403­002.681,  Rel  Cons.  Rosaldo  Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014;  e  Acórdãos  n.  3403­002.472,  473,  474,  475  e  476,  Rel  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânimes  em  relação  à  matéria,  sessão  de  24.set.2013)  Não há dúvidas,  assim,  sobre  ser o ônus probatório da Recorrente,  no  caso  em  análise  de  créditos  pleiteados.  E  o  fisco  não  se  furtou  a  assegurar  à  recorrente  a  possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização e também nesta fase  de julgamento no CARF, uma vez que foi solicitado Diligência a fim de elaboração de Laudo  Técnico,  com  o  fim  de  esclarecer  dúvida  do  julgador,  e  também  como  complementação  probatória.   7­ Da Diligência realizada, do laudo técnico e do fluxograma  Esclareça­se  que  a  Recorrente,  quando  da  intimação  para  cumprimento  da  diligência  (nos  processos  de  análise  dos  créditos),  juntamente  com  sua  manifestação,  fez  a  juntada  dos  seguintes  documentos:  (i)  ­  Laudo  técnico  do  INT  ­  Instituto  Nacional  de  Tecnologia,  onde  retrata  tecnicamente  o  processo  de  produção  e  diversos  insumos;  (ii)­  Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     38 fluxograma do processo produtivo com respectiva descrição deste por meio de seu engenheiro  responsável;  (iii)­  fluxograma  do  processo  produtivo  com  ilustrações;  e  (iv)­  plantas  da  estrutura dos estabelecimentos  8­ Das GLOSAS realizadas  A  fiscalização  concluiu  que  o  procedimento  permitiu  a  validação  dos  arquivos com os dados e informações recebidos da empresa BRF Foods, sendo todas as notas  fiscais  confirmadas  e  consideradas no  cálculo do  crédito. Que, dessa  forma,  apenas  as notas  fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se  enquadravam  nas  hipóteses  de  creditamento  permitido  é  que  as  mesmas  foram  glosadas.  A  partir  das  memórias  de  cálculo  fornecidas  pela  Recorrente,  a  autoridade  fiscal  excluiu,  dos  valores  informados  nas  linhas  do  Dacon  indicadas,  os  valores  referentes  relacionados  na  Informação Fiscal.  Já é praticamente pacificado nesta Turma o entendimento de que o conceito  de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo  do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do Imposto de  Renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.  Então, passemos doravante a análise dos itens.  8.1­ Bens adquiridos para revenda  Informa  o  Fisco  em  seu  relatório  que  trata­se  de  Notas  Fiscais  com  valor  inferior àquele declarada no DACON.    Em  relação  a  este  item,  a Recorrente  alega  em  seu  recurso  que  (fl.  5.105)  "(...) os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá  total  suporte.  Houve,  em  verdade,  um  equívoco  material  no  momento  da  apresentação  de  planilha  à  fiscalização,  que  possuía  valores  diferentes  neste  item  em  face  da  DACON.  Ademais,  não  poderia  o  Fisco  simplesmente  glosa  com  base  em  planilha  fornecida  pelo  contribuinte,  cabendo  a  ele  ônus  de  verificar  eventual  vício  nos  valores  declarados  em  DACON".  Como se vê, em relação à glosa das notas  fiscais com valor  inferior aquele  declarado  em Dacon  explica que,  em verdade,  houve  um equívoco material  no momento  da  apresentação  de  planilha  à  fiscalização,  que  possuía  valores  diferentes  dos  informados  no  demonstrativo. Argumenta que,  ademais,  não poderia o Fisco  simplesmente glosar com base  em  planilha  fornecida  pelo  contribuinte,  cabendo  a  ele  ônus  de  verificar  eventual  vício  nos  valores declarados em Dacon.  O  valor  de  R$  50.412,22,  glosado  no  mês  de  dezembro,  foi  justamente  o  valor  informado  pela Recorrente  no DACON  e  a  diferença  do  somatório  dos  itens  de  notas  fiscais  informados  na  memória  de  cálculo  e  que  foram  admitidos  como  passíveis  de  gerar  créditos a descontar (ver quadros fls. 4.064 e 4.113, da Informação Fiscal dos DD).  No entanto, subscrevo abaixo as considerações tecidas na decisão recorrida,  adotando­as como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passando  as mesmas a fazer parte integrante desse voto.  "Consoante  o  caput  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003,  a  utilização  de  créditos  na  apuração  da  contribuição  devida  representa  uma  faculdade  do  contribuinte.  Só  que,  em  optando  o  contribuinte  em  utilizar­se  de  crédito  que  entende  ter  direito,  lhe  cabe  o  ônus  de  estar  à  frente  da  Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.152          39 atividade  probatória  do  direito  alegado,  nesse  sentido  trazendo  as  informações  e  esclarecimentos  solicitados pelo fisco e as provas hábeis e suficientes a atestar não só a existência dos custos e despesas  incluídos na base do crédito apurado, como sua natureza, conforme por ele informado em Dacon, para  fins da necessária análise e conferência dos créditos pela autoridade fazendária competente.  Dos  autos,  verifica­se  que  a  autoridade  fiscal  competente,  solicitou  a memória  de  cálculo  dos  diversos  valores  lá  informados,  conforme  as  linhas  de  que  dispõe  o  tal  demonstrativo  (DACON).  A autoridade fiscal, considerando que a memória de cálculo fornecida continha os  registros das notas  fiscais de  todas  as operações de  entrada  incluídas pela  contribuinte no  cálculo do  crédito  pleiteado  e  que  estas  teriam  ocorrido  e  foram  incluídas  pela  contribuinte  no  cálculo  de  seu  crédito conforme  lá  registradas  (CFOP e valores),  em verificando que os valores declarados em cada  linha  do  demonstrativo  não  correspondiam  aos  informados  na  memória  de  cálculo:  (i)  glosou  a  diferença a maior no Dacon, por considerá­la resultante da inclusão na base de cálculo de operações não  comprovadas, já que decorrentes de notas fiscais não registradas pela empresa; (ii) em sendo os valores  do  Dacon  iguais  aos  da  memória  de  cálculo,  os  manteve  por  aceitá­los  como  verdadeiros,  já  que  registrados; (iii) em sendo menores, manteve os valores do Dacon por presumi­los verdadeiros e por ter  sido este o valor pedido.   Resumindo,  a  autoridade  fiscal  reconheceu  o  crédito  em  relação  à  totalização  dos  itens de notas fiscais registradas na memória de cálculo e admitidos como geradores de crédito em cada  linha do Dacon, tendo como limite superior o valor informado na respectiva linha do Dacon, haja vista,  à evidência, não poder conceder crédito maior do que foi apurado pelo contribuinte.  O  procedimento  fiscal  foi  o  correto,  pois  é  justamente  a  memória  de  cálculo  o  instrumento através do qual o contribuinte, quando  intimado para tanto, deve demonstrar ao Fisco de  forma  individualizada  e  precisa  todos  os  valores  incluídos  na  composição  do  valor  que  declarou  em  cada linha do Dacon para fins de análise da pertinência e existência do crédito pretendido, sob pena de  não ter reconhecido o crédito, tal como lá declarado. Assim, no âmbito de um procedimento fiscal de  análise  de  direito  creditório,  ante  o  fim  colimado  com  a  sua  solicitação,  tal  instrumento  vincula  o  contribuinte perante o fisco.  De outro turno, em havendo dúvidas quanto ao crédito, a memória de cálculo, assim  como o Dacon e a escrituração contábil da empresa, somente faz prova a favor do contribuinte, quanto à  existência do direito que declare, se calcada em documentos fiscais.  O Dacon e a memória de cálculo, bem como os registros contábeis da empresa, não  consistem  de  documentos  fiscais;  tendo­se  como  tal  aquele  que  tem  como  característica  que  lhe  é  própria, decorrente de sua oficialidade e obrigatoriedade, a presunção, embora relativa, de veracidade,  como  ocorre  com  a  nota  fiscal.  Em  verdade,  tais  documentos,  cada  um  com  suas  características  próprias, consistem de documentos elaborados pelo contribuinte cujos registros e declarações, para os  fins e os efeitos que se pretenda perante o fisco, devem estar calcados em documentos fiscais, ou seja,  nas notas fiscais representativas das operações que representam.  Em última análise, portanto, a comprovação do crédito declarado em Dacon não se  dá  pela  sua  simples  declaração,  assim  como  a  comprovação  das  operações  lançadas  na memória  de  cálculo ou nos registros contábeis não se dá pelo seu simples lançamento.   Como  visto,  a  contribuinte, manifesta­se  contra  a  presente  glosa  aduzindo  que  os  valores  informados  na  memória  de  cálculo  não  representam,  como  deveriam  (a  teor  do  que  foi  demandado na intimação fiscal), a composição dos valores declarados no Dacon.  Ocorre que a contribuinte limita­se a alegar, sem, no entanto, minimamente laborar  no sentido de comprovar tal alegação. Destarte, não basta o contribuinte vir em sede de Manifestação de  Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     40 Inconformidade alegando que, ante a divergência verificada pela fiscalização entre declarações por ela  própria prestadas, válida seria aquela declaração que lhe convém, principalmente se esta declaração se  referir a direito creditório, cuja comprovação está a seu cargo.  Bem,  certo  é  que  para  comprovar  que  os  valores  gerados  do  crédito  são,  efetivamente,  os  declarados  no  Dacon,  cabia  à  recorrente  demonstrar/comprovar,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  suficientes  pata  tanto,  que  estes  valores,  e  não  os  consignados  na memória  de  cálculo, é que correspondem aos reais montantes de suas operações".  Portanto, entendo corretas e devem ser mantidas as glosas deste item.  8.2­ Bens Utilizados como Insumo  Alega a Recorrente em seu recurso que houve glosas referente a (fl. 5.061):  a)  aquisições  de  pessoas  físicas  não  sujeitas  ao  pagamento  de  PIS/COFINS,  em  especial,  ovo  incubável,  suíno  vivo  de  terceiros,  suíno  vivo  de  terceiros  (integrados),  suínos  de  corte,  milho  granel,  rede  nylon  ref­  mortadela bologna;  b) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita  e  ligada ao  IPI  de  insumo  (IN  SRF  247/2002  e  IN  SRF  358/2003),  glosando  em  descrição  genérica  e  exemplificativa  os  seguintes  créditos:  equipamentos,  pallets,  bolsa  térmica  cong.  PVC  perdigão, gasolina  comum,  solvente, malha algodão,  fio de algodão e de poliéster,  caixa de  proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária;  c)  pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados;  d) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de  PIS/COFINS, entre eles, defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado,  alho  em  pasta,  tempero  para  carne,  pimenta,  aroma  de  galinha,  calcário,  caulim,  sodalita,  desinfetante,  veneno  rodilon,  herbicida,  farinha  de  trigo,  farinha  de  milho,  vacinas,  lispec,  pinto de 01 dia, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suino;  e) notas  fiscais cujo código de operação não concede crédito  (etiqueta,  ira  fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor,sacc elástico, embreagem, lamina,  alfinete, termostato, mola, bolsatérmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura,  martelo,entre outros);  f)  o  valor  do  IPI  recuperável  em  processo  específico  (art.  11  da  Lei  n.  9.779/99);  g)  notas  fiscais  que  representam  aquisições  de  pessoas  jurídicas  e  que  deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e COFINS.  8.2. a)­ Das Aquisições de bens ­ pessoas físicas.  Alega  a  Recorrente  que  a  fiscalização  glosou  os  valores  das  aquisições  de  pessoas  físicas,  que  não  geram  créditos  previstos  no  art.  3º,  §2º,  inciso  II  das  Leis  nº  10.637/2002 e 10.833/2003, a saber: "aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento  de  PIS/COFINS,  em  especial,  ovo  incubável,  suíno  vivo  de  terceiros,  suíno  vivo  de  terceiros  (integrados),  suínos  de  corte,  milho  granel,  rede  nylon  ref­  mortadela bologna."  Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.153          41 Argumenta que são  legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens  pessoas físicas, pois, embora o art. 3º , § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a  manutenção  do  crédito,  o  fato  é  que  o  art.  8º  e  9º  da  Lei  nº  10.925/2004  expressamente  reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições.  Ressalte­se que como bem asseverado na decisão recorrida, o crédito negado  pelo Fisco (Planilha de fls. 1.238/1.243), não é o mesmo alegado pela Recorrente, qual seja, o  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial,  a  ser  informado  no  Dacon  na  “Linha  06A  e  16A/25 que são os Calculados à Alíquota de 0,9900 %”.  O  crédito  em  questão  é  o  previsto  no  art.  3º  das  mencionadas  Leis,  onde  sobre o montante dos gastos e despesas da empresa elencados em seus incisos há a incidência  da alíquota normal da contribuição (1,65% e 7,60%, para o PIS e a Cofins, respectivamente).  Em relação a esse crédito, no §2º do mencionado artigo, há a expressa vedação da inclusão dos  valores pagos a pessoas físicas.  No Dacon,  o  referido  crédito  deve  ser  apurado  pelo  contribuinte  na  “Ficha  Apuração  dos  Créditos  de  PIS/Pasep  ­  Aquisições  no  Mercado  Interno  Regime  Não  cumulativo”,  cujo  resultado aparece na  “Linha 06A/15  ­ Créditos  a Descontar  à Alíquota de  1,65%” e “Linha 16A/15 ­ Créditos a Descontar à Alíquota de 7,60%”.  Portanto,  à  evidência,  diante  da  expressa  previsão  legal  de  vedação  ao  crédito, a autoridade fiscal agiu corretamente ao excluir da base de cálculo do crédito calculado  à alíquota normal da contribuição, informados na linha 02 da Ficha 06A e 16A do Dacon, os  custos dos bens adquiridos de pessoas físicas ­ constantes da Planilha fls. 1.238/1.243.  Correto, portanto, a glosa efetuado pela fiscalização e deve ser mantida.  8.2. b)­ Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo   Alega  a Recorrente  em  seu  recuros  que  as  "aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003),  glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets,  bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e  de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária".  Conforme  a  memória  de  cálculo  fornecida  pela  Recorrente  a  fiscalização  glosou:  a)  as  aquisições  de  bens  cujas  descrições  não  demonstram  que  o  bem  se  refira  a  insumo, conforme conceito extraído do art. 8º, §4º,  inc.  I,  alínea “a” da  Instrução Normativa  SRF nº 404, de 12 de março de 2004; e b) os valores das notas fiscais cujo CFOP não se refere  a operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito.  Informa no Despacho Decisório que de acordo com o § 9º do mesmo art. 8º,  o entendimento acima aplica­se também para o PIS/Pasep. Assim, bens como cimento 50 kg e  pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo.  A  recorrente,  inicialmente,  manifesta­se  contra  as  glosas  constante  da  Planilha  de  fls.  1.199/1.215,  alegando  que  a  autoridade  fiscal  as  teria  realizado  de  forma  “genérica”, “exemplificativa” e “sem critério”.  Fl. 5173DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     42 No  entanto,  verifica­se  que  o  Fisco  tratou  de  individualizar  cada  glosa,  identificando cada uma delas por  ficha e  linha do Dacon e  também  trouxe um relatório para  cada  tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota,  todas as  glosas efetuadas com o motivo individualizado”.   Os  itens  glosados  constam  do  relatório  “NF  Glosadas  ­  Não  Representam  Aquisição  de  Insumos”,  às  fls.  1.199/1.215  e  do  relatório  “NF  Glosadas  ­  Operações  sem  direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.216/1.219.  De outro turno, como veremos, a Recorrente não cuidou de identificar todas  as operações de  aquisição  em  relação às quais defende o direito  e nem  juntou as  cópias das  notas fiscais correspondentes.  Salienta­se que a  recorrente contesta as glosas partindo do entendimento de  que de todos os dispêndios ocorridos que contribuam, direta ou indiretamente, para a obtenção  de receita geram créditos das contribuições.  Neste  caso,  tem­se  que  a  fiscalização,  entendendo  que  os  documentos  e  informações produzidas pelo contribuinte não se mostram suficientes para demonstrar de forma  inequívoca  o  crédito  pretendido,  ou  verificando  que  o  crédito  inexiste,  em  razão  de  as  operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento  legalmente previstas, negou­lhe o direito pretendido, explicitando claramente sua motivação.   Em sua defesa ao crédito, cabe a Recorrente, provar o teor das alegações que  contrapôs aos argumentos postos pelo Fisco para não acatar o crédito alegado, não bastando,  todavia,  apenas  alegar  possuir  o  direito,  mas  devendo  comprová­lo  cabalmente,  individualizando  e  provando  a  ocorrência  de  cada  operação  cujo  valor  foi  glosado,  demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência, o que não ocorreu no  presente caso.  Como  já  dito,  o  conceito  de  insumo  para  o  fim  de  creditamento  das  contribuições sociais não cumulativas aqui  tratados deve abranger os “bens” e “serviços” que  integram o custo de produção.  Das Glosas pela descrição das operações   A recorrente contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa  térmica cong. PVC perdigão,  gasolina comum,  solvente, malha algodão,  fio de algodão e de  poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais  bens “se  identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta  ou indireta, para a obtenção de receita pela impugnante em sua atividade produtiva”.   Nesse sentido informa em seu recurso que (fl. 5.066):  "Antes  de  buscarmos,  apesar  do  evidente  cerceamento  de  defesa  e  falta  de  motivação, impugnar um a um, reiteramos todas as ponderações acerca da noção de insumo, uma vez  que  são  bens  que  se  identificam  como  despesas,  custos  ou  dispêndios  que  contribuem,  de  maneira  direta ou  indireta,  para a obtenção de  receita pela  recorrente em sua atividade produtiva. Vejamos,  por  exemplo,  os  fios  de  poliéster,  utilizamos  dentro  do  processo  produtivo  industrial  para  costura  e  também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio.  Daí porque é possível se reconhecer desde logo a improcedência da glosa realizada,  merecendo  reforma  a  referida  decisão.  Tais  materiais  na  atividade  da  recorrente  não  podem  ser  desconsiderados  como  insumos,  uma  vez  que  são  essenciais  e  aplicados  diretamente  na  atividade  Fl. 5174DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.154          43 produtiva, contribuindo para a elaboração do produto industrializado e a obtenção de receita. Todos  estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada.  Isto  porque,  são  instrumentos  para  se  produzir  alimentos  aptos  ao  consumo  humano,  evitando  contaminações,  seguindo,  assim,  as  determinações  da  Vigilância  Sanitária  do  Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS n. 326/1997.    8.2. c)­ Dos Pallets (de madeira)   Informa  que  os  PALLET  MADEIRA  120X100X14CM  DURA  PBR  PL6;  PALLET  MAD  120X100X14CM  EXPORT  PL7  REFO;  PALLET  MADEIRA  110X90X11CM M.CONT PL3,  têm por  finalidade a armazenagem de matérias­primas ou as  mercadorias  produzidas  e  destinadas  à  comercialização  (exportação),  o  que  possui  expressa  permissão legal para descontar créditos.  Especificamente sobre este  item, aduz a Recorrente em seu  recurso que  (fl.  5.067), "Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma  vez  que  são  utilizados  na:  (i)  industrialização  (emprego  para  movimentar  as  matérias  primas  e  os  produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em  condições  de  higiene  para  serem  utilizadas  no  processo  fabril;  (iii)  armazenagem  de  produto  industrializado a ser comercializado;  (iv) armazenagem durante o ciclo de  industrialização Ora,  tais  materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA".  Quando  da  sua  manifestação  em  Diligência  solicitada  nos  processos  de  créditos  nºs  16349.000281/2009­46  e  16349.000273/2009­08  (fls.  3873/3886  e  4.072/4078,  respectivamente),  informa  que,  "(...)  Os  pallets  são  amplamente  aplicados  dentro  do  processo  produtivo da requerente, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez  que  são  utilizados  na:  (i)  ­  industrialização  (emprego  para  movimentar  as  matérias­primas  e  os  produtos  em  fase  de  industrialização  a  serem utilizados);  (ii)  ­armazenagem  de matérias­primas  em  condições  de  higiene  para  serem  utilizadas  no  processo  fabril;  (iii)  ­  armazenagem  de  produto  industrializado a ser comercializado; (iv) ­ armazenagem durante o ciclo de industrialização.  Conforme PARECER (laudo) do  INT às  fls. 42 há expressa menção no sentido de  que os pallets são utilizados "sempre nas movimentações externas às linhas de produção", sendo que  no  ambiente  interno  "são  utilizadas  para  armazenar  e  transportar  matérias­primas  e  produtos  em  elaboração  no  interior  da  unidade  produtora".  Ademais,  principalmente,  quanto  aos  pallets  de  madeira, ainda possuem a função indispensável dentro do processo produtivo de "transporte para área  de estocagem, dentro da unidade produtora, expedição com carregamento em caminhões, viagem até o  cliente, descarregamento do caminhão, movimentação interna no cliente...".  Afirma  que  são  insumos  por  participarem  do  processo  produtivo  como  produto  essencial  e  inerente  à atividade  econômica da  recorrente,  inclusive,  visando cumprir  exigências de higiene e limpeza para a produção de um bem de maior qualidade.  Por  outro  lado,  o  Fisco,  na  Informação  Fiscal  da  Diligência  (fl.  4.019),  informa que "A razão da glosa, à luz da IN SRF 404/2004 é evidente: o  'palete' de madeira é  mero equipamento de transporte de produto acabado, que não se incorpora ao produto, não é  consumido na  sua produção e não é material de embalagem do produto,  sendo  inclusive boa  parcela retornável. O relatório técnico apresentado pela contribuinte informa que, nas linhas de  produção  são  utilizados  apenas  'paletes'  de  fibra  de  vidro,  e  nenhum destes  foram  glosados.  Ressalte­se que nunca foi questionada a utilidade dos paletes, a todos evidente" (g.n).  Fl. 5175DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     44 Quanto ao Relatório Técnico nº 000.903/13, a partir do item 13, localiza­se a  parte  relativa  a  palete,  onde  é  verificado  que  são  utilizados  para  diversos  fins.  Informa  o  seguinte em seu item 15 (fls. 3.886/4.014 e 3.955/4.051 dos PAF de créditos):   (...) No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas,  foi apurado que existem  três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibra­de­vidro [sic]. Nos casos  das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é  enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados  sempre nas movimentações  externas às  linhas de produção. Já no ambiente  interno, onde  são utilizados para armazenar e  transportar matérias­primas e produtos em elaboração no  interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que  sejam utilizados somente paletes de fibra­de­vidro [sic]. (...) (destaquei)  Pois  bem. Não  resta  dúvidas  que  tais materiais  (pallets)  objetivam  também  garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia as normas da ANVISA.  Na  planilha  de  funcionalidades  apresentado  quando  da  diligência  (fls.  3.873/3.886  e  4.072/4.078,  dos  processos  de  créditos),  consta  que  ficam  no  setor  de  palletização  e  "utilizado  para  paletizar  as  caixas  produtos  como  embalagem  secundária  protegendo os insumos e materiais do contato direto com o solo".  Portanto,  segundo  a  descrição  oferecida  pela  recorrente,  conclui­se  de  imediato  não  se  tratar  de material  de  embalagem,  já  que  o  item  não  acompanha  o  produto  acabado.  A tomada de créditos, nestas condições, dependeria do critério adotado pelo  próprio contribuinte para a contabilização do bem. Se a aquisição dos pallets  for lançada à  conta  de  despesa  operacional,  em  função  do  seu  valor  unitário  e  de  sua  vida  útil,  entendo  admissível o creditamento do gasto como insumo. No entanto, tratando­se de bem de ativação  obrigatória, como parece ser (observo que, entre os serviços contratados pelo contribuinte, há o  de  manutenção  de  pallets,  o  que  induz  à  conclusão  nesse  sentido),  o  creditamento  só  seria  possível como despesa de depreciação.  O deslinde da controvérsia portanto leva em conta o sistema de distribuição  do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade  do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999,  art. 36:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 1973 (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  [...]   II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Tratando­se  de  pedido  de  ressarcimento,  como  é  o  caso,  a  iniciativa  é  do  contribuinte, e sobretudo, de insistência recursal de que o item seja considerado como insumo  (e que os bens não foram ativados), a ele incumbe a prova de que deu a tal gasto a natureza de  despesa operacional. A prova requerida, no entanto, não se encontra nos autos.   Fl. 5176DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.155          45 Não  tendo  o  contribuinte  se  desincumbido  do  ônus  de  comprovar  o  direito  alegado no recurso, há que se manter as glosas dos pallets.  8.2. d) Das "Big Bags"  Em  sua  manifestação  quando  da  Diligência  (processo  de  créditos  nºs  16349.000281/2009­46  e  16349.000273/2009­08,  às  fls.  3.873/3.886  e  4.072/4.078,  respectivamente,  argumenta  que  "(...)  Podemos,  ademais,  identificar  entre  os  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  pela  requerente  as  embalagens  em  geral  e  itens  afins,  especialmente,  fio  de  poliéster,  bolsa  termina  PVC,  sacola  big  bag,  caixa  de  proteção,  fita  sanitária, nylon, malha de algodão".  Afirma que tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de  comercialização,  sendo  essenciais  e  inerentes  à  especifica  atividade  econômica da  recorrente  com o  fim de  gerar  receita.  São  hipóteses  de  embalagens  ou  produtos  afins  incorporados  ao  processo  produtivo.  Por  isso,  diante  da  noção  ampla  de  insumo,  vinculação  direta  com  o  processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela requerente, é  possível reconhecer o direito ao crédito.  Por outro  lado,  informa o Fisco quando da diligência que "  (...) Quanto aos  “big bags”, conforme verificado nos itens 32 e 33 do mesmo Relatório Técnico (folha 3.941),  servem para “transportar o subproduto formado para a fábrica de ração, para armazenamento  dos materiais granelizados e para transportar a ração da sua fábrica até aos produtores de aves  que  não  possuem  silo.”  Da  mesma  forma,  não  são  incorporados  ao  produto,  não  são  consumidos  na  produção  e  não  são  materiais  de  embalagem.  Da  mesma  forma,  nunca  foi  questionada a utilidade dos “big bags” (...).  Como se vê, não há como atestar que os "big bags" tenham sido efetivamente  utilizados,  de  forma  direta,  no  processo  produtivo,  sem  que  o  interessado  faça  descrição  pormenorizada  de  como  se  dá  essa  utilização,  ônus  que  lhe  cabe  e  não  o  fez  no  momento  apropriado  (quando  da  diligência,  conforme  visto  na  Informação  Fiscal),  de  acordo  com  o  sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal.   Assim  por  ausência  de  prova  da  pertinência  e  da  essencialidade  das  "big  bags"  no  custo  de  produção,  nos  termos  do  conceito  de  insumo  adotado  neste  voto,  mantenham­se as glosas.  8.2. e) Da Gasolina, solventes e do gás  A  Recorrente  formula  que  também  houve  glosa  de  combustível,  em  específico, a gasolina e solventes. E que o combustível é empregado no processo industrial de  fabricação  dos  alimentos, maquinas  e  veículos  do  parque  fabril,  permitindo,  assim,  o  pleno  exercício de sua atividade produtiva.   No  curso  da  diligência  informou  nos  processos  de  créditos  nºs  16349.000281/2009­46  e  16349.000273/2009­08,  às  fls.  3.873/3.886  e  4.072/4.078,  respectivamente,  que  "(...)  Temos,  ainda,  os  combustíveis  (gasolina,  solvente,  etc),  inclusive,  gás  glosados, além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao  processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado".  Fl. 5177DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     46 A princípio não me parece razoável afirmar que as máquinas e equipamentos  utilizados  pela  empresa  (empilhadeiras,  etc),  se  utilizam  de  gasolina  e  solventes  para  movimentar suas operações.   Quanto a gasolina, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da  diligência  (fls.  3.873/3.886  e  4.072/4.078,  dos  processo  de  créditos),  informa  que  seria  utilizado nos veículos da empresa.   Percebe­se  que  essas  aquisições  são  pouco  frequentes,  o  que,  além  da  descrição da operação, denotam que o combustível não é próprio para utilização em máquinas  e  equipamentos  do  parque  fabril,  única  hipótese  em  que  aquisições  de  combustíveis  geram  crédito, a teor da legislação de regência. É certo que o combustível utilizado no manuseio de  empilhadeiras, por exemplo, seria o óleo diesel.  Quanto aos solventes, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando  da diligência (fls. 4.035/4.041, do processo de crédito), os mesmos ficam localizados no setor  embalagens inicial e sala de cortes e são utilizados nas datadoras de embalagens (os solventes  são  aplicados  em  impressoras),  não  ficando  comprovado  que  seria  custo  de  produção  e  sim  controle de produtos acabados.   Sobre  aquisição  do  gás,  nada  foi manifestado. Desta  forma mantenha­se  as  glosas sobre gasolina, solventes e gás.   8.2. f) Material de embalagem e outros itens especificados   Quanto ao material de embalagem, este também está dentre os que poderiam  ser considerados insumo no âmbito da legislação da contribuição ao PIS e da Cofins.   Como se vê, das descrições dos bens adquiridos não é possível afirmar que  consistam  de  insumos,  ou  seja,  de  embalagens  que  podem  ser  atribuídos  como  custo  de  produção.  De  outro  turno,  os  esclarecimentos  trazidos  pela  Recorrente  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade  é  que  as  embalagens  apontadas,  notadamente  os  "bolsa  térmica e caixas de proteção", consistem de embalagem somente utilizada depois de concluído  o  processo  produtivo  do  bem,  utilizadas  no  armazenamento  e/ou  transporte  dos  produtos  acabados. Como visto a própria  interessada afirma que “...  tais produtos têm por finalidade a  armazenagem  de  matérias  primas  ou  as  mercadorias  produzidas  e  destinadas  à  comercialização...”, por conta disso, alternativamente, reclama que o crédito há de ser mantido  pela “aplicação do art. 3º inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS),  que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria”.  Já em sede de diligência, manifesta complementando que (fls. 3.873/3.886 e  4.072/4.078, processos créditos do PIS e da COFINS):  "(...)  tais  bens  estão  totalmente  vinculados  ao  processo  produtivo  e  de  comercialização,  sendo essenciais e  inerentes à  especifica atividade  econômica da  recorrente com o  fim  de  gerar  receita.  São  hipóteses  de  embalagens  ou  produtos  afins  incorporados  ao  processo  produtivo.  Um primeiro ponto diz respeito ao fato de que alguns itens chegam a incorporar o  produto  final,  como  de  fios  de  nylon,  fio  de  poliéster,  fita  sanitária,  o  que  nos  deixa  evidente  a  legitimidade do crédito.  Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.156          47 Por hipótese, caso assim não se entenda e se sustente que tais itens não incorporam  ao produto final, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito. Isto porque, as embalagens estão  vinculadas  à  elaboração  e  ao  produto  final,  independentemente  do  acabamento  desta,  do  formato  e  capacidade.Trata­se  de  um material  que  acompanha  o  produto  a  ser  comercializado  e  é  inerente  e  essencial na atividade econômica, principalmente, quando se trata da produção e venda de alimentos.  Ora, além da embalagem de apresentação, também deve ser reconhecido o crédito  para aquelas que têm por função armazenar a matéria­prima ou o produto acabado.  Tais  determinações  da  ANVISA  demonstram  claramente  que  na  atividade  de  produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela  de apresentação ao consumidor final.  Isto porque, as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e  comercialização  visando  garantir  segurança  e  evitar  contaminação  e  proliferação  de  organismos.  Daí porque se tem embalagem sem acabamento ou mesmo aquelas que acondicionam uma quantidade  maior de produtos do que o comercializado normalmente. Elas possuem objetivo diverso no ciclo de  produção e comercialização, porém, também relevante e inerente à atividade econômica da recorrente,  já que garantem que desde o insumo até o produto industrializado finalizado chegue apto ao consumo  humano e sem qualquer avaria".  Em seu recurso afirma que “fita sanitária, luvas, etc... são instrumentos para  se  produzir  alimentos  aptos  ao  consumo  humano,  evitando  contaminações”.  Do  arquivo  de  glosas,  identificou­se  algumas  operações  que  possivelmente  tenham  relação  com  esses  bens  itens  com  descrições  do  tipo:  "saco  plástico,  bolsa  térmica  cong.  PVC  perdigão,  fio  de  algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção e fita sanitária".  Neste sentido, existe evidência de que esses bens são utilizados na atividade  de “industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral”, ou seja, produção  de bem destinado à venda.  Portanto, correto o entendimento da Recorrente de que tais bens consistem de  insumo e gera direito a crédito.  Desta  feita,  há  que  se  reverter  as  glosas  contestadas  para  os  seguintes  produtos  "saco  plástico,  bolsa  térmica  cong.  PVC  perdigão,  fio  de  algodão,  de  poliéster,  nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de  armazenagem de produtos fabricados.  8.2. g) Indumentárias (malha algodão e camisa Vemag)  Em  sua  manifestação  da  diligência,  aduz  a  Recorrente  que  também  identificou as indumentárias, que não são consideradas meros uniformes, mas peças utilizadas  dentro  do  processo  produtivo,  segundo  determinação  de  órgãos  regulatórios.  Neste  sentido,  malha  algodão,  camisa  vemag,  entre  outros.  Isto  porque,  mais  do  que  equipamentos  de  segurança  para  os  empregados,  por  força  de  lei  (o  que  já  seria  suficiente  para  legitimar  o  crédito), em verdade, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano,  evitando  contaminações,  seguindo,  assim,  as  determinações  da  Vigilância  Sanitária  do  Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997).   Na  informação  Fiscal  (fl.  4.015/4.026  e  4.057/4.063,  dos  processos  de  créditos  PIS  e  da Cofins)  a  fiscalização  informa  que:  "(...) Ressalte­se  que  não  foi  glosado  Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     48 item de indumentária. CAMISA VEMAG 920350150 PET GL, presente na listagem de glosas,  figura na TIPI na posição 8438.90.00, conforme  informação da própria contribuinte, que se  refere a “Máquinas  e  aparelhos  não  especificados  nem  compreendidos  noutras  posições  do  presente  Capítulo,  para  preparação  ou  fabricação  industrial  de  alimentos  ou  de  bebidas,  exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais  fixos ou de óleos ou gorduras animais.”, sendo o subitem 90.00 destinado a partes.  E a malha de algodão glosada não parecia enquadrar­se nas atividades da  empresa.  Saliente­se que a malha em tela tem a largura de sete centímetros, conforme  descrito na listagem de itens glosados, não sendo usual seu uso em confecções. Por outro lado,  há  também glosada um  tipo de malha de algodão com poliéster. Pode  ter  sido a esta que a  contribuinte  fez  referência.  Se  de  fato  foi  utilizada  para  confecção  de  indumentária,  ainda  assim não pode ser considerada insumo, pois não teria qualquer relação com a produção em  si.  Portanto, conforme informado pelo Fisco, e pode ser verificado pela Planilha  de  relação  das  glosas  às  fl.  1.199/1.190,  a  indumentária não  foram  objeto  de  glosa. O  bem  denominado Camisa Vemag PET GL, trata­se de Máquinas e aparelhos, como pode ser visto  pela classificação fiscal.  Já  as  informações  trazidas  pela  Recorrente  quando  da  diligência,  a  cerca  deste itens, carecem de provas de suas alegações, o que não foi juntado nos autos.  Portanto, há que se manter as glosas destes itens.  8.2. h) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas  Em  sua  manifestação  de  Diligência  (processos  de  créditos  nºs  16349.000281/2009­46  e  16349.000273/2009­08,  às  fls.  3.873/3.886  e  4.072/4.078),  argumenta que "(...) consta da relação de bens glosados diversos peças e itens de reposição de  máquinas,  equipamentos  e  ferramentas  utilizadas  totalmente  dentro  do processo  produtivo,  amplamente descrito por dois fluxogramas juntados, tais como cabo, caracol do eixo, flange,  válvula,  foto  célula,  cilindro,  corrente  de  roleie,  carter  de  óleo,  mancal,  bloqueador  de  válvula, rolamento, engrenagem, motor 90KW, caracol, correia sanitária.   Afirma  que  são  peças,  equipamentos,  ferramentas  em  geral  destinadas  à  manutenção e consecução do processo produtivo, conforme notas fiscais de aquisição.  Efetuado uma análise do Laudo Técnico juntado aos autos deixa evidente que  tais  itens  estão  vinculados  ao  processo  produtivo  da  recorrente  (peças  de  reposição  de  máquinas  e  equipamentos),  especialmente,  diante  de  sua  atividade  de  produção  e  plantas  industriais juntadas (fls. 3.955/4.051).  É  possível  também  chegar  a  esta  conclusão,  verificando  a  Planilha  de  funcionalidades por cada item glosado, juntada aos autos quando da diligência, fls. 3.873/3.886  e 4.072/4.078, dos processos de créditos.  Pelos motivos expostos acima e  conforme entendimentos mantidos por este  CARF, conclui­se que é possível reconhecer a legitimidade do crédito de peças de reposição  de máquinas  e  equipamentos,  constantes  na  Planilha  de  fls.  1.199/1.215,  uma  vez  que  os  mesmos se enquadra, neste caso, como custo de produção.  Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.157          49 8.2. i) Notas fiscais ­ CFOP que não representa aquisição e nem operação com direito a crédito   Aduz  a  recorrente  que,  "da  noção  de  insumo,  a  fiscalização  de  forma  genérica  englobou  sem  critério  diversos  bens  que  não  dariam  direito  ao  credito  diante  do  CFOP, em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor,  saco  plástico,  embreagem,  lamina,  alfinete,  termostato, mola,  bolsa  pino,  rolamento,  faca,  sensor de temperatura, martelo, entre outros.  Desde logo, é possível perceber que se faz uma junção de itens que deveriam  estar segregados para se justificar de modo adequado a glosa. Isto, entretanto, não ocorreu, o  que prejudica o direito à defesa. Sem embargo disso, já ressaltamos que pela noção de insumo  exposta no início da defesa, não resta dúvida da legitimidade dos créditos".  O Fisco verificou, a partir das informações prestadas pela própria Recorrente,  que  esta  inseriu  na  base  de  cálculo  do  crédito  valores  indevidos  em  razão  de  as  operações  demonstradas,  tendo  em  conta  os CFOP das  notas  fiscais  registradas;  ou  seja,  a  fiscalização  glosou as notas fiscais cujos CFOP não condizem com uma operação de aquisição de insumo,  no caso, os  códigos: 1.101, 2.101  ­ Compra para  industrialização ou produção  rural e 1.653,  2.653 ­ Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final.  As  entradas  dos  produtos  mencionados  pela  recorrente  foram  por  ela  registradas  com  os  CFOP:  1.556,  2.556,  3.556  e  1.407  ­  Compra  de  material  para  uso  ou  consumo; 1.925 ­ Retorno de mercadoria remetida para industrialização; 2.303 ­ Aquisição de  serviço  de  comunicação  por  estabelecimento  comercial.  Observe­se,  ainda,  que  para  alguns  produtos  tais  como  botão,  chave,  lixa,  tomada  ­  não  há  registros  de  entradas  glosadas  na  listagem da autoridade fiscal.  Quando da Diligência, desta forma se manifestou a Recorrente (processos de  créditos  nºs  16349.000281/2009­46  e  16349.000273/2009­08,  às  fls.  3.873/3.886  e  4.072/4.078), "(...) Por fim, quanto aos bens glosados, podemos ainda identificar diversos  itens que  estão  totalmente  relacionados  ao  processo  produtivo  da  requerente,  notadamente, malha  algodão,  tesoura,  proteção  chaira,  formulário  de  declaração  de  aves,  sensor  de  temperatura,  modulo  analógico,  sensor  de  luz,  lâmina  ­bisturi,  colher  de  aço  inox,  borracha  raspadora  depiladora  de  suínos, luva látex coleta de sêmen, camisa vemag.  Todos os itens acima descritos são utilizados diretamente no parque fabril durante  ao processo produtivo da requerente.  Neste  sentido, a "proteção de chaira" diz  respeito ao  item  ligado ao amolador de  facas. Temos ainda dentro deste mesmo ponto de vista a tesoura, o bisturi, a colher. São itens utilizados  dentro do processo produtivo para limpeza, desossa e demais procedimentos no tocante à manipulação  do principal insumo da requerente, qual seja, animais (aves, suínos, em especial).  Convém  frisar  que  o  local  onde  se  realiza  todo  o  processo  produtivo  há  de  ser  refrigerado, por imposição regulatória, sendo fundamental a manutenção da temperatura, dai a razão  de se considerar insumo o sensor de temperatura, sensor de luz, módulo analógico".  Pois  bem.  Verifica­se  que  dentro  dos  itens  glosados  (conforme  consta  da  Planilha de fls. 1.216/1.219), como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha  plástica  incolor,  saco  plástico,  embreagem,  lamina,  alfinete,  termostato, mola,  bolsa  pino,  rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, anel de pressão, bucha, parafuso,  tesoura,  proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor  Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     50 de luz, lâmina­bisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta  de  sêmen,  pelas  suas  características  são  insumos,  uma  vez  que  tratam­se  de  equipamentos,  ferramentas e materiais utilizados na atividade produtiva ou em máquinas com esta destinação.   Entendo  que  a  simples  descrição  dos  produtos  e materiais  glosados  já  nos  permite  reconhecer  a  sua  utilidade,  inerência  e  relevância  dentro  processo  produtivo  de  industrialização da Recorrente.  Como bem explicado em seu recurso, destaca­se por exemplo, a faca, que foi  objeto de glosa.  Informa que trata­se de equipamento que é manuseado por seus empregados  no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes, descartar partes da matéria­prima  a ser inutilizada, entre outras funções. Significa dizer, assim, que é um equipamento inerente e  essencial no próprio processo de fabricação dos alimentos pela recorrente. No mesmo caminho  podemos ainda ressaltar a glosa do termostato e o sensor de temperatura, que estão diretamente  vinculados à atividade produtiva e industrial da recorrente, eis que, como foi ressaltado durante  a defesa, estamos diante de produtos alimentícios com rígido controle de higiene e padrões de  qualidade, inclusive, de TEMPERATURA.  Ressalta  ainda  ser  possível  reconhecer  a  viabilidade  do  crédito  para  os  materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem  vinculados à atividade econômica e produtiva, caracterizando como insumo.   Contesta, ainda, a glosa de outros bens, como: etiqueta para fatiados e outros,  adesivo perdigão,  folha plástica incolor, saco plástico, bolsa  térmica, entre outros. Alega que  alguns desses itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo  perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto  não  significa  dizer  que  deixam  de  gerar  crédito,  pois  as  embalagens  estão  vinculadas  à  elaboração  e  ao  produto  final,  independentemente  do  acabamento  desta,  do  formato  e  capacidade, tratando­se de um material que acompanha o produto a ser comercializado.  Neste  caso,  tendo  em  conta  que  a  hipótese  de  crédito  de  aqui  se  trata  é  a  decorrente  de  aquisição  de  bens  utilizados  como  insumo  e  considerando  os  vários  tipos  de  materiais  mencionados  pela  interessada,  diga­se  no  meu  entender,  "quase"  todos  geram  créditos, uma vez que efetivamente respondam pela fabricação de bens ou produtos destinados  à venda (desde que não façam parte do ativo imobilizado).  Desta  feita,  analisando­se  a  relação  de  glosas  às  fls.  1.216/1.219,  considerando­se os argumentos da empresa e com base nos documentos e informações juntados  aos  autos  (laudo  técnico  e  funcionalidades),  verifica­se  o  direito  ao  crédito  dos  insumos  adquiridos,  conforme  notas  fiscais  relacionadas,  sendo  que  há  que  se  reverter  as  glosas  contestadas  para  os  ítens  constantes  na  referida  planilha,  exceto,  para  o  seguintes  bens  constante da relação: cliche impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno),  adoçante  zero  cal,  lenha  nativa  seca,  botijão  de  gás, Granpean Bread Crumb,  Crumb Bland  Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa  eletrônica  CPU  ­  Formax,  bucha  e  porca),  malha  algodão  e  camisa  vemag,  (estes  últimos  tratados em tópico anterior).   Quanto  a  esses  bens  excluídos,  não  foi  possível  comprovar  sua  efetiva  utilização no processo industrial da empresa (como custo de produção).  8.2. j) Cimentos  Alega  em  seu  recurso  que  "Assim,  bens  como  cimento  50  kg  e  pallet  de  madeira foram excluídos da base de cálculo".  Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.158          51 Quanto  ao  item CIMENTO 50KG,  como bem asseverado pela  fiscalização,  não há como entender seu uso em atividade de produção, senão para ser utilizado em reparos  ou construção de imóveis. Portanto, há que ser mantido a glosa.  9­ Dos SERVIÇOS Utilizados como Insumos   9.1­ Diversos Serviços glosados como Insumos   Aduz em seu recurso que embora tenha impugnado sob a noção de insumo no  sistema  não­cumulativo  de  PIS  e  COFINS  diversos  bens,  efetua  de  forma  mais  breve  e  já  fazendo remissão a todos os fundamentos ventilados até o momento, defesa quanto à glosa de  diversos serviços que não foram acolhidos como insumo (item 4.3.3 do despacho decisório ­  "a", "b" e "c").  Conforme  informado pela Recorrente, dos montantes  informados a  título de  serviços utilizados como insumo a fiscalização glosou: a) as aquisições de pessoas físicas não  sujeitas ao pagamento do PIS/COFINS; b) aquisições de serviços que não se enquadram na  noção estrita e  ligada ao IPI de  insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando  em  descrição  genérica  e  exemplificativa  os  seguintes  créditos  dos  seguintes  serviços:  MOVIMENTAÇÃO  SAÍDA,  DE  MONTAGEM/DESMONTAGEM,  limpeza,  recuperação  frio,  carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária,  análise da água, entre outros. c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados  entre  unidades  da  empresa;  d)  os  valores  das  notas  fiscais  cujo  CFOP  não  representa  aquisição de serviços.   Os  itens  glosados  constam  da  Planilha  “NF  Glosadas  ­  Não  Representam  Aquisição de  Insumos”,  às  folhas 1.199 a 1.215 e da Planilha “NF Glosadas Operações  sem  direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.216 a 1.219.  Quanto  aos  itens  “a”,  “c”  e  “d”  relacionado  acima  (tópico  4.3.3  da  Informação fiscal), a  recorrente  remete aos argumentos  já colocados sobre o mesmo assunto,  em relação às aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas.   No entanto, informa que "(...) Daremos ênfase, todavia, o item "b" que cuida  de diversos serviços glosados, entre eles MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM,  LIMPEZA,  RECUPERAÇÃO  FRIO,  CARREGAMENTO  DE  AVES  PARA  VENDA,  T  ­IPALETIZAÇÃO,  DESPACHANTE ADUANEIRO, INSPEÇÃO SANITÁRIA, ANÁLISE DA ÁGUA, ENTRE OUTROS.  "(...) Tais crédito são legítimos em virtude de as prestações de serviços realizadas  por  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  Brasil  e  contribuintes  de  PIS/COFINS  serem  totalmente  essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da recorrente.  Por  exemplo,  entre os  serviços prestados está a  limpeza e  inspeção  sanitária. Na  atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e  inerentes  ao  seu  processo  produtivo  com  a  finalidade  de  obtenção  de  receita,  principalmente,  com  qualidade, como determina a legislação."  Em  relação  aos  serviços,  os mesmos  são  considerados  como  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  valores  dos  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  os  aplicados  na  prestação  de  serviço  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  assim  considerados  somente  aqueles  serviços  que,  por  serem  aplicados  na  cadeia  produtiva  da  Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     52 empresa,  concorrem  como  custos  no  processo  de  transformação  dos  insumos  e  produtos  intermediários em produto pronto e acabado para venda.  Ocorre porém que, da listagem “NF Glosadas ­ Não Representam Aquisição  de Insumos”, às folhas 1.199 a 1.215, para linha 03 do Dacon, tendo em conta a descrição das  operações, conforme bem asseverado pela decisão recorrido, verifica­se que a maior parte dos  serviços claramente não consistem de  insumo e em relação à outra parte dos serviços não há  como afirmar que sejam insumo, pois somente pelas descrições não é possível identificar sua  real natureza e aplicação dentro da empresa.   As  operações  registradas  têm  consignadas  as  descrições:  SERVIÇO  MONTAGEM/DESMONTAGEM SEM CONTRATO,  SERVIÇO RECARGA CARTUCHO  IMPRESSORA, SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO SAÍDA (a maioria das operações), SERVIÇO  LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, ALUGUEL VEICULO CARGA, SERVIÇO MÃO  DE  OBRA,  SERVIÇO  VIGILÂNCIA,  SERVIÇO  MONITORAMENTO,  PESAGEM  CAMINHÃO,  SERVIÇO  INSPEÇÃO  SANITÁRIA,  SERVIÇO  RECUPERAÇÃO  FRIO,  SERVIÇO  REFORMA  PALLETS,  SERVIÇO  TREINAMENTO,  SERVIÇO  LIMPEZA  GERAL  EM  INSTALAÇÕES,  SERVIÇO  CAMINHÃO  MUNCK,  SERVIÇO  DE  APLICAÇÃO  DE  STRECH  ­  PALLET,  OUTROS  SERVIÇOS,  SERVIÇO  DE  CARREGAMENTO  DE  AVES  P/  VENDA,  SERVIÇO  DE  REPALETIZAÇAO  (TROCA  PALLET),  SERVIÇO  TRANSPORTE  FUNCIONÁRIOS,  SERVIÇO  DESPACHANTE  ADUANEIRO, SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM, SERVIÇO ANALISE D'ÁGUA  e OUTROS.  Em sua manifestação quando da diligência nos processos de créditos (PIS e  Cofins), a  recorrente informa e  reafirma que "(...) De outra parte,  temos ainda serviços que com  clareza meridiana  são  considerados  insumos:  serviço  portuário,  serviço  de movimentação  de  carga  saída,  serviço  de  monitoramento,  serviço  de  inspeção  sanitária,  serviço  de  vigilância,  serviço  de  limpeza  de  instalações,  aluguel  de  veiculo  de  carga,  serviço  de  pesagem,  serviço  de  armazenagem,  reparo alojamento,  serviço  de  recuperação de  frigorífico,  serviço  de  estrech,  serviço  de  lavagem de  uniformes (indumentárias).  Apresenta algumas definições, conforme o fluxograma e Laudo técnico, bem  como atividade da requerente, os seguintes serviços glosados pela Fiscalização:   (i)  ­  serviço  técnico:  são  aqueles  prestados  em  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo,  por  exemplo,  o  serviço  de  monitoramento,  serviço  de  recuperação de frigorífico;    (ii)  ­  serviços  de  limpeza,  lavagem  dos  uniformes  indumentárias),  inspeção  sanitária:  do  mesmo  modo  que  as  indumentárias,  trata­se  de  procedimento  obrigatório  segundo  regulamentação  do  setor  a  completa  limpeza  e  higienização  do  local  e  também  dos  uniformes  (indumentárias),  estando  totalmente  vinculadas ao processo produtivo da atividade de frigorífico e do setor alimentício, conforme  laudos,  documentos,  normativas  e  jurisprudência  do  CARF.  Do  mesmo  modo  o  serviço  de  inspeção sanitária;  (iii) ­  serviço  de  movimentação  de  carga:  conforme  fluxograma  e  laudos  tais  serviços  ocorrem  durante  todo  o  processo  produtivo  mediante  carga  e  descarga  de  insumos  (frango,  outras  matérias­primas),  durante  a  industrialização,  bem  como  no  momento  da  venda das mercadorias elaboradas;  Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.159          53 (iv) ­  expedição  e  armazenagem:  o  processo  produtivo  é  extremamente  amplo  e  complexo,  de  tal  maneira  que  há  armazenagem  de  matérias­primas,  como  o  caso  de  cereais,  utilizados  na  elaboração  de  seus  produtos.  Além  disso,  produtos  acabados  cuja  armazenagem  se  dá venda, sobretudo, nas operações de exportação.  A  Fiscalização  em  sua  Informação  Fiscal  quando  da  diligência  (fls.  4.015/4.016 e 4.058/4.059), informa que "(...) Quanto aos Serviços Utilizados Como Insumos –  Ficha 06A – Linha  03,  foi  glosado  o  aluguel  de  veículos  porque  a Lei  10.637/2002,  art.  3º,  inciso  IV,  estabelece  que  podem  ser  descontados  créditos  sobre  “IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, o que  não inclui veículos.  Por  evidente,  os  serviços  SERVIÇO  ANIMAÇÃO/SONORIZAÇÃO,  SERVIÇO  ANUNCIO,  SERVIÇO  PROPAGANDA,  SERVIÇO  DESPACHANTE  ADUANEIRO,  SERVIÇO  PORTUÁRIO,  não  são  realizados  nas  unidades  da  empresa  com  fins  de  produção.  Nada  se  pode  afirmar  a  respeito  de  OUTROS  SERVIÇOS,  SERVIÇO  EXTRAORDINÁRIO,  SERVIÇO  MÃO­DE­OBRA,  SERVIÇO  MONITORAMENTO,  SERVIÇO  RECARGA  CARTUCHO  IMPRESSORA,  SERVIÇO  TRANSPORTE  FUNCIONÁRIOS. Todos os demais serviços são realizados nas unidades da empresa ou têm  relação  com  as  atividades  da  empresa. Nenhum dos  serviços  glosados,  entretanto,  atende  às  condições definidas na IN SRF 404/2004, art. 8º, §4º, inc. I, alínea b: “b) os serviços prestados  por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto”. (destaquei)  A  informação  abaixo consta do  relatório  "NF Glosadas  ­ Não Representam  Aquisição de Insumos", de folhas 1.199/1.215, tendo sido apenas reordenada e totalizada pela  descrição do produto. A contribuinte foi intimada a, “com relação a cada bem ou serviço  citado abaixo, esclarecer a participação de cada um no processo produtivo da empresa,  identificando a etapa onde é utilizado e para que finalidade” e não atendeu a este item.  Afirma que entre os serviços descritos,  temos ainda: Serviço de pesagem, o  qual  é  utilizado  no  processo  produtivo  para  pesagem  da  matéria­prima.  Serviço  de  strech,  também utilizado  durante  o  processo  produtivo  para  embalar  os  produtos  a  serem  vendidos,  especialmente,  no  caso  de  exportação.  Serviço  portuário,  de  fundamental  importância  nas  operações de exportação de seus produtos, intimamente ligado ao serviço de armazenagem10.  Reparo de alojamento, cujo crédito há de ser concedido conforme art. 3o, inciso VI, das Lei n.  10.833/2003  e  10.637/2002.  Aluguel  de  veiculo  de  carga,  considerado  um  insumo  por  transportar matéria­prima e também os produtos elaborados.  Dos montantes informados na linha 3 da ficha 6A do Dacon como gastos com  serviços  utilizados  como  insumos,  glosaram­se  os  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo, nos termos do o art. 8º, §4º , inc. I, alínea "b" da Instrução Normativa SRF nº 404, de  12 de março de 2004.  A recorrente reclama das glosas, em seu recurso retoma a defesa do critério  da inerência e essencialidade dos itens para a sua atividade produtiva. Acrescenta que todos os  bens  e  serviços  adquiridos  que  tenham  como  finalidade  a  higiene,  limpeza  e  desinfecção  e  evitar  a  contaminação  do  processo  de  industrialização,  conforme  determinação  dos  órgãos  públicos de controle, devem ser considerados como insumo.   Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     54 Analisando­se o laudo técnico e levando­se em consideração os argumentos  da Recorrente,  especificamente  quanto  aos  serviços  prestados  de  limpeza  de  instalações  e  inspeção sanitária, entendo que pela atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas  peculiaridades,  tais  serviços  são  essenciais  e  inerentes  ao  seu  processo  produtivo  com  a  finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação  e há de se ter em mente que a recorrente é fabricante de gêneros alimentícios, sujeita, portanto,  a rígidas normas de higiene e limpeza.   No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  ambientais  das  atividades,  se  não  atendidas,  implicam  na  própria  impossibilidade  da  produção.  Nesse  contexto,  entendo que  há perfeito  enquadramento  na definição  de  insumos  aqui  esposada. A  assepsia ambiental é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. De ver  que,  não houvessem os  serviços de  limpeza e  inspeção  sanitárias,  haveria  a possibilidade de  interdição do estabelecimento produtivo.   No mesmo sentido entendo que o serviço de análise de água, que como já  exposto,  a  recorrente  por  ser  fabricante de  alimentos  destinados  ao  consumo humano,  segue  rígidos  controles  de  higiene  e  boas  práticas  de  fabricação,  inclusive  por  determinação  legal,  sendo o controle de seus insumos algo obrigatório. No caso da água, ela participa em diversos  momentos do processo produtivo, desde a  limpeza dos  insumos, a  fabricação e a  limpeza do  próprio parque fabril.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  ao  termo  "insumo"  para  contemplar, no creditamento, desses serviços (limpeza das instalações, inspeção sanitária e  análise de água), devidamente comprovado nos autos, mediante notas fiscais de prestação de  serviços específicas.  Quanto aos demais serviços relacionados e glosados, defende a legitimidade  do crédito com base na sua relevância à atividade empresarial/industrial, nada mais.  Novamente, rechaço a acusação recursal. Como já dito, a fiscalização não se  furtou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, e  também as  relacionou,  item por  item, nota por nota,  todas as glosas efetuadas com o motivo  individualizado, no demonstrativo "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”.  Como se vê, não há como atestar que estes serviços tenham sido efetivamente  utilizados,  de  forma  direta,  no  processo  produtivo,  sem  que  o  interessado  faça  descrição  pormenorizada  de  como  se  dá  essa  utilização,  ônus  que  lhe  cabe  e  não  o  fez  no  momento  apropriado  (quando  da  diligência,  conforme  visto  na  Informação  Fiscal),  de  acordo  com  o  sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal.   No entanto, concluindo, entendo que deve ser revertido apenas as glosas dos  serviços de limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água.   Os demais serviços glosados neste tópico, por falta de prova da pertinência  e  da  essencialidade  do  serviço,  nos  termos  do  conceito  de  insumo  adotado  neste  voto,  mantenham­se as glosas.  9.2­ Pagamentos de fretes   A  fiscalização  também  desconsiderou  o  frete  na  transferência  entre  estabelecimentos  sob  alegação  de  serem  "produtos  acabados",  com  base  em  presunção  vinculada ao fato de que a transferência se deu entre estabelecimentos da recorrente.  Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.160          55 Segundo  a  Informação  Fiscal,  dos  valores  informados  a  título  de  “Bens  utilizados  como  Insumo”,  a  fiscalização  glosou  as  despesas  com  os  serviços  de  fretes  constantes da memória de cálculo sob a denominação "SERVIÇO FRETE E CARRETO", que  correspondem  a  serviços  contratados  para  transferências  de  produtos  acabados  entre  filiais  e  valores  escriturados  em  contas  que  refletem  despesas  com  vendas:  na  conta  0501  DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf. Prod. Acabados (UP  p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf. Prod. Acabados (Entre Filiais)". Informa que cada  um dos  conhecimentos  de  transporte  glosados  está  especificado  na  listagem  “NF Glosadas  ­  Fretes de Transferência de produtos acabados” juntado às fls. 1.244/1.470  Alega a Recorrente ser improcedente essas glosas, pois a fiscalização teria se  “utilizado  de  presunção  sem  previsão  em  lei  de  que  se  tratava  de  produto  ‘acabado’,  sem  realizar  qualquer  prova  sobre  o  fato”.  A  expressão  "produto  acabado"  como  utilizada  pelo  Fisco é equivocada e não leva em consideração o contexto peculiar da atividade da recorrente.  Afirma que todas as transferências, desde o ingresso da matéria­prima básica  (por exemplo, grãos) até o produto industrializado acabado e com destino ao consumidor (frete  por meio de veículos específicos segundo regras da ANVISA) decorrem de uma participação  ativa no processo produtivo, sendo essenciais e inerentes a sua atividade econômica, a fim de  permitir  que,  deveras,  possa  a  recorrente  comercializar  seu  produto  industrializado  (qualidade e condições de consumo para o adquirente).  Descreve  os  fretes  praticados  durante  o  processo  produtivo  de  alude  terem  sido ignorados pelo fisco, como segue:  1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A  impugnante  remete  para  industrializar  a  ração;  3.  Após,  encaminha  por  frete  até  seus  integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante;  4. há industrialização com emprego de tais matérias primas; 5. a. Frete do produto elaborado  até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para  armazenagem e venda final.  Destaca ainda que "(...) Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de  distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no  ciclo de produção".  "Daí porque se pode afirmar, peremptoriamente, que há processo produtivo, desde  o  recebimento  da  primeira  e  mais  rudimentar  matéria­prima  (ex:  sorgo)  até  o  recebimento  pelo  destinatário; final em condições aptas ao consumo humano (supermercado)".  Citando  a  Portaria  da  ANVISA  SVS/MS  nº  326/2007  e  Resolução  CISA/MA/MS  nº  10/1984,  conclui  que  o  processo  produtivo  da  recorrente  não  termina  no  frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final  em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos  competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e  obtenção de receita”.  Como analisado na decisão a quo, para que bem se analise a questão posta,  importa  que  se  tenha  em  conta,  antes  de  tudo,  a  evolução  legal  relativa  ao  creditamento  de  valores  relativos  a  serviços  de  fretes  pagos  pela  pessoa  jurídica,  contribuinte  no  regime não  cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins.  Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     56 A Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa  PIS/Pasep,  já estabelecia, por meio de seu art. 3º, os valores que poderiam integrar a base de  cálculo do  crédito passível de utilização pelo  contribuinte da contribuição, dentre os quais o  valor  dos  serviços  utilizados  como  insumo. As  disposições  de  tal  artigo  foram  parcialmente  modificadas  pelo  artigo  37  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  contudo,  não  houve  qualquer  modificação no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como  base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos serviços utilizados como insumo.  Com  o  advento  da  Lei  nº  10.833/2003,  que  instituiu  o  regime de  apuração  não cumulativa da Contribuição para o PIS, passou a ser admitido também o aproveitamento de  crédito sobre os valores dos gastos efetuados com serviços de armazenagem de mercadoria e de  frete, na operação de venda, caso o ônus seja suportado pela própria empresa vendedora.  Conforme estabelece o inciso IX do art. 3º desta lei. Já o art. 15 da citada Lei  no  10.833/2003,  tratou  de  estender  o  comando  previsto  no  inciso  IX  às  pessoas  jurídicas  enquadradas no  regime de  incidência não cumulativa do PIS, em relação aos fatos geradores  ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004 (a teor do art. 93, I, da mesma lei).  Vê­se, então, que, em se tratando de serviço de frete, a legislação permite o  creditamento, desde que tomados de pessoas jurídicas, nas seguintes hipóteses:  1­  no  caso  de  se  entender  que  o  serviço  seja  utilizado  como  insumo  na  prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda (inciso II do artigo 3º da Lei  nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002); e 2­ no caso de serviço de frete  na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX do artigo 3º c/c  com artigo 15 da Lei nº 10.833/2003).  Observe­se  que  há,  ainda,  uma  terceira  hipótese  de  creditamento  de  custos  com  serviços  de  frete  possível,  além  das  expressamente  previstas  na  legislação  acima  colocadas.  Esta  se  verifica  quando  o  custo  do  serviço  de  frete,  suportado  pelo  adquirente,  é  aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em  razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a  base  de  cálculo  do  crédito  decorrente  da  aquisição  de  bem  para  revenda  ou  para  utilização  como insumo base a ser informada na linha 01 ou na linha 02, conforme o caso.  Esclareça­se que a glosa de que aqui se trata refere­se a valores que compõem  a base de cálculo informada na linha 2 do Dacon, linha própria para informar as despesas com  aquisição de insumos, ou seja, a terceira das hipóteses acima postas. Razão pela qual a análise  deve ser se os valores glosados referem­se a custos, vinculados a aquisições de insumos.  Inicialmente,  não procede o  argumento de que  a  fiscalização  teria  ignorado  alguns  dos  fretes  praticados  durante  o  processo  produtivo.  Como  visto,  o  Fisco  glosou  as  despesas escrituradas pela interessada em contas próprias para registro de despesas com vendas  na  conta  0501  ­  DESPESAS  COM  VENDAS,  sub  contas  n.°  0000510580  "  Frete  Transf.Prod.Acabados  (UP  p/Filiais)",  e  n.°  0000510581  "  Frete Transf.Prod.Acabados  (Entre Filiais)". Razão pela qual não podem ser aceitas como despesas vinculadas a operações  de aquisição de insumo.  A recorrente, por seu  turno, em seu recurso, claramente  trabalha no sentido  de defender que as despesas glosadas dão direito a crédito a  título “serviços utilizados como  insumo”,  despesa  que  deve  ser  informada  na  linha  03  das  fichas  06A  e  16A  do  Dacon.  Argumenta que “o processo produtivo da Recorrente não termina no frigorífico, mas quando o  Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.161          57 produto  industrializado  acabado  é  entregue  ao  destinatário  final”  pelo  que  os  fretes  que  menciona “participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”.  Em  análise  à  contestação,  verifica­se  que  não  procede  a  alegação  de  que  a  fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto  ‘acabado’,  sem  realizar  qualquer  prova  sobre  o  fato”.  Como  pode  ser  visto,  as  próprias  descrições  das  mencionadas  contas  contábeis,  evidenciam  a  natureza  das  operações  lá  escrituradas.  Por  óbvio  que  não  caberia  a  autoridade  fiscal  comprovar  que  as  despesas  escrituradas pela empresa como despesas de vendas de fato consistem deste tipo de operação.  Ademais,  em  se  tratando  de  direito  de  crédito  que  a  contribuinte  pretende  ter  reconhecido,  caberia  a  ela,  isto  sim,  a  prova  de  que  os  valores  registrados  como  despesas  com  vendas  consistem, como declarado em Dacon, de despesas de  transportes vinculados  a operações de  aquisições de insumo.  Quando da diligência, nada mais foi acrescentado sobre os fretes.  Assim, restou claro nos autos que os valores dos fretes glosados de fato não  se  referem  a  fretes  vinculados  a  operações  de  aquisição  de  insumo  e,  correta,  portanto,  a  exclusão  destes  valores  dos  montantes  mensais  informados  na  linha  02  do  Dacon  (relacionados  às  fls.  1.244/1.470),  própria  para  informar  as  despesas  com  aquisição  de  insumos.  10­ Vedação a geração de créditos ­ aquisições de bens ou serviços ­ alíquota zero   Informa em seu recurso ainda, a glosa de diversos produtos sob alegação de  não  serem  tributados  (item  4.3.2,  "d"),  em  especial  (fl.  5.074),  "(...)  defensivo,  leite,  queijo,  cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, aroma de  galinha, calcário, caulim, sodalita, desinfetante, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho,  vacinas,  lispec,  antibiótico,  ivermectina,  amoxilina  injetável,  sêmen  suíno",  havendo  improcedência na glosa de referidos créditos.   O  Fisco  glosou  as  aquisições  desses  bens  sujeitos  à  alíquota  zero,  que  não  podem gerar  crédito  a descontar,  de  acordo  com o  art.  3º,  §2º  das Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003. Listou no relatório “Glosadas Alíquota zero”, às fls. 1.220/1.237, todos os itens  glosados,  indicando  o  dispositivo  legal  correspondente  que  reduziu  a  alíquota;  na  primeira  folha, traz um quadro onde indica as legendas para os motivos das glosas.  Este argumento não merece ser acolhido haja vista que a alíquota  incidente  sobre tais produtos ter sido reduzida à zero, não pelo dispositivo alegado pela interessada, mas  por força do inciso III, do art. 28, da Lei nº 10.865/04, que determina que:  Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta  decorrente da venda, no mercado interno, de (...):  III­ produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e  8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI” e (...).   Em análise aos mencionados capítulos, verifica­se que os mencionados bens,  e os demais que foram glosados pelo mesmo motivo (identificados na Informação Fiscal pela  legenda CAP78), se enquadram aos tipos de bens lá previstos.  Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     58 A  recorrente,  alega  ainda  que,  “em  se  tratando  de  aquisição  de  produtos  agropecuários  (por  exemplo,  pinto  de  01  dia,  entre  outros)”  que  se  enquadrem  dentre  os  produtos  descritos  no  art.  8º,  da Lei  nº  10.925/2004, mesmo que  comercializados  à  alíquota  zero, há que ser mantido o crédito presumido, pelo que “impossível se torna excluir o crédito,  pois  esta  lei  especial  se  sobrepõe ao  art.  3º,  § 2º,  II,  da Lei  nº  10.637/2002  e 10.833/2003,  como também art. 1º, da Lei n. 10.925”.  Como  bem  concluído  pela  decisão  recorrida,  também  não  procede  esse  argumento de defesa. Destarte, a Lei nº 10.925/2004 revogou os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº  10.833/2003  e  os  §§  10  e  11  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637/2003,  que  tratavam  do  crédito  presumido possível para as pessoas jurídicas que produziam mercadorias de origem animal ou  vegetal  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  classificadas  nos  capítulos  e  códigos  NCM lá  indicados, passando este  tipo de crédito a ser  regrado, a partir de então, pelo art. 8º  desta lei.  Todavia,  o  inciso  II  do  §2º  do  art.  3º,  das  Leis  nº  10.833/2003  e  nº  10.637/2003, que vedam a  geração de  créditos das  contribuições  em  relação a  aquisições de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  permaneceram  plenamente  vigentes  e  igualmente  aplicáveis  ao  crédito  presumido,  não  havendo  qualquer  conflito  nos  regramentos postos pelas mencionadas leis em relação a esta matéria.  E é por conta dessa vedação expressa em lei que também é improcedente o  argumento  de  que  é  totalmente  viável  a  manutenção  do  crédito  em  relação  a  produtos  “vinculados  à  noção  de  insumos”,  tais  como  “vacinas,  antibióticos,  amoxilina,  ivermectina,  entre  outros”.  Esses  produtos,  por  se  tratarem  de  bens  sujeitos  a  alíquota  zero,  não  houve  tributação em sua aquisição, pelo que não há o alegado direito a crédito.  Quanto ao argumento de que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição  sem  tributação,  quando  existe  tributação  na  operação  posterior,  viola  o  princípio  da  não  cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório, não cabe  aqui qualquer manifestação, pois, como visto, a vedação está prevista em lei, sendo este CARF  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  de  atos  legais regularmente editados.  De  acordo  com  a Súmula Carf  nº  02,  o CARF  não  tem  competência  para  declarar a  inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do  Regimento Interno.   Desta forma, improcedentes os argumentos de defesa, mantém­se a glosa, dos  insumos constantes da planilha às fls. 1.220/1.237.  11­ Notas fiscais ­ aquisições de pessoas jurídicas ­ com suspensão obrigatória de PIS  Argumenta em seu recurso que no despacho decisório (item 4.3.2 "g") rejeita  o  crédito  integral  (ordinário  ­  7.6%  no  caso  da  COFINS  e  1,65%  na  hipótese  de  PIS),  em  relação às  aquisições) de pessoas  jurídicas que  venderam  insumos com  tributação  (9,65%) à  recorrente,  sob  alegação  de  nos  meses  de  outubro  a  dezembro  de  2006,  a  aplicação  da  suspensão seria obrigatória.  O primeiro ponto decorre da circunstância de que o crédito integral há de ser  mantido  uma  vez  que  a  aquisição  ocorreu  mediante  tributação  de  9,25%  (COFINS  +  PIS).  Portanto, se houve aquisição sem a suspensão de pessoa jurídica de insumo, aplica­se o art. 3°  da Lei nº 10.833/2003 e 10.637/2002, implicando na legitimidade do crédito em tais operações.  Fl. 5190DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.162          59 Isto  porque,  a  Lei  nº  10.925/2005  somente  cabe  aplicação,  nas  condições  estipuladas,  quando  houver  venda  com  suspensão  de  PIS  e  COFINS.  Se  não  ocorreu  venda  com  suspensão,  aplica­se  a  regra  geral,  ou  seja,  as  Leis  n.  10.833/2003  e  10.637/2002,  que  permite nesta hipótese o crédito ordinário integral.  Pois bem. Da base de cálculo do crédito básico (art. 3º da Lei n. 10.833/2003  e 10.637/2002), a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de insumos, no caso, de  milho (NCM 1005.90.10) e de soja a granel (NCM 1201.00.90), que representam aquisições  de  pessoas  jurídicas  que  deveriam  ter  ocorrido  com  suspensão  obrigatória  de  PIS/Pasep  e  Cofins.  Acrescenta: que, à época de suas ocorrências, as aquisições de tais produtos  por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004; a Perdigão  Agroindustrial  S/A  preenche  todos  os  requisitos  elencados  no  art  4º  da  IN  SRF  660/2006,  configurando, então, a hipótese para qual a mencionada lei, artigos 8º e 9º, determina que não  há incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Informa, ainda, que cada uma das notas  fiscais  glosadas  está  especificada  na  listagem  “NF  Glosadas  ­  Aquisicao  PJ  ­  Suspensão  obrigatória”, às fls. 3.444 a 3.536, do processo.  Destarte, o artigo 8º da Lei 10.925/2004 passou a tratar do crédito calculado  sobre o valor dos bens utilizados como  insumo referidos no  inciso  II do  caput do art. 3º das  Leis  nº  10.637/2002,  e  nº  10.833/2003  –  ,  especificamente  para  o  caso  de  estes  serem  adquiridos  de  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa  de  produção  agropecuária.  Tal  dispositivo  passou  a  permitir  que  as  pessoas  jurídicas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  classificadas nos capítulos e códigos que indica, deduzam, da Contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado pela aplicação  de  uma  alíquota  diferenciada  ao montante  das  aquisições  dos  insumos  adquiridos  de  pessoa  jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária.  Desta  feita,  para este  tipo de  insumo, não  se  aplica o  crédito  calculado  nos  termos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, mas o crédito calculado nos termos  do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004.  A impugnante não nega tal fato, mas defende o crédito argumentando que a  suspensão  de  PIS  e  Cofins,  à  época  dos  fatos,  a  teor  da  IN  660/2006,  era  uma  faculdade  e  dependia de procedimentos  formais  (declaração)  e que,  se as  aquisições  ocorreram mediante  tributação, há direito ao crédito pelas alíquotas ordinárias, previstas no caput do art. 2º das Leis  nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002: Veja­se (fl. 5.085):  "A mais  disso,  até  o  advento  da  IN  RFB  nº  977,  de  2009,  as  vendas  com  suspensão NÃO ERAM OBRIGATÓRIAS, o que se pode concluir da interpretação da redação  descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada por aquela quanto ao art. 4°".  Pois  bem. À  presente matéria  foi muito  bem  analisada  pela  decisão  a  quo,  que adoto como fundamentos, nos  termos do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99, os argumentos  expostos que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a recorrente não  apresentou qualquer defesa em face deles, apenas repisando os argumentos da manifestação.  "À presente matéria, além do artigo 8º, importa o art. 9º da Lei 10.925/2004. Através  deste, a lei suspendeu a incidência de PIS e Cofins nas vendas de produtos in natura de origem vegetal,  Fl. 5191DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     60 e de insumos para a produção de mercadorias mencionadas no caput do art 8º, conforme descrito acima,  desde que as vendas  fossem feitas pelas pessoas  jurídicas e cooperativas mencionadas e destinadas a  pessoas tributadas pelo lucro real:  Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no  caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  I ­ de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada  por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051,  de 2004)  II ­ de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II  do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  III ­ de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art.  8o  desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  ou  cooperativa  referidas  no  inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  I­  aplica­se  somente  na  hipótese  de vendas  efetuadas  à pessoa  jurídica  tributada  com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  II­ não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§  6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  2º  A  suspensão  de  que  trata  este  artigo  aplicarseá  nos  termos  e  condições  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.  (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (grifo nosso)  Note­se  que,  nos  casos  em que o  adquirente  tiver  direito  à  apropriação  do crédito  presumido de que se trata, a aplicação da suspensão da incidência por parte do vendedor dos insumos é  regra  e  não  exceção,  portanto  tem  cunho  obrigatório.  A  redação  do  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004,  estabelece  marco  imperativo,  ao  dispor  que:  “A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins fica suspensa no caso de venda:”.  Esses dispositivos foram regulamentados, inicialmente, na IN SRF nº 636, de 24 de  março de 2006, depois revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, com as alterações da IN  SRF  nº  977,  de  14  de  dezembro  de  2009.  Do  texto  da  IN  SRF  nº  660/2006,  anterior  às  alterações  introduzidas pela IN SRF nº 977/2009, é oportuno transcrever os seguintes trechos, que disciplinaram a  situação sob análise:  Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de  produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº  10.925, de 2004.  Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições      Dos produtos vendidos com suspensão   Art.  2º  Fica  suspensa  a  exigibilidade  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  incidentes  sobre  a  receita  bruta  decorrente da venda:  [...]IV­  de  produtos  agropecuários  a  serem  utilizados  como  insumo na  fabricação dos produtos relacionados no inciso I do  art. 5º.  Fl. 5192DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.163          61 §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem  ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º.  §2º  Nas  notas  fiscais  relativas  às  vendas  efetuadas  com  suspensão,  deve  constar  a  expressão  "Venda  efetuada  com  suspensão  da Contribuição  para  o PIS/PASEP  e  da COFINS",  com especificação do dispositivo legal correspondente.  Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão   Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma  do  art.  2º,  alcança  somente  as  vendas  efetuadas  por  pessoa  jurídica:  [...]III  ­  que  exerça atividade agropecuária ou por  cooperativa  de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam  os incisos III e IV do art. 2º.  §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por:  [...]II­ atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo  da  terra  e/ou  de  criação  de  peixes,  aves  e  outros  animais,  nos  termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...]  Das condições de aplicação da suspensão   Art. 4º Aplica­se a suspensão de que  trata o art. 2º somente na  hipótese de, cumulativamente, o adquirente:  I­ apurar o imposto de renda com base no lucro real;   II­ exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e   II­ I utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na  fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º.  §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras  relacionadas  nos  incisos  I  a  III  do  caput  do  art.  3º  deverão  exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer:  I­ a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o  imposto de renda com base no lucro real; ou  II­ a Declaração do Anexo II, nos demais casos.  §2º Aplica­se o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa  jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial.  [...]  Do  Crédito  Presumido  Do  direito  ao  desconto  de  créditos  presumidos   Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na  determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar  créditos  presumidos  calculados  sobre  o  valor  dos  produtos  Fl. 5193DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     62 agropecuários  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos:  I­ destinados à alimentação humana ou animal, classificados na  NCM:  [...]Dos insumos que geram crédito presumido   Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos  na forma do art. 5º os produtos agropecuários:  I  ­  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  com  o  benefício  da  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições,  na  forma do art. 2º;   II­ adquiridos de pessoa física residente no País; ou   III ­ recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente  ou domiciliada no País. (grifos nossos)  Como  se  vê,  a  suspensão  foi  estabelecida  pelo  artigo  9º  da  Lei  nº  10.925/2004  e  regulada  pelo  art  2º  da  IN  660/2006.  No  art  4º  da  IN,  foram  colocadas  os  requisitos  necessários  e  suficientes para que a suspensão se impusesse; notese que o previsto no §1º deste artigo não consiste de  uma condição ou  requisito para que  a operação de venda  se opere  com suspensão das  contribuições,  mas de obrigações a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação.  É  inequívoco,  pois  que,  quando  o  adquirente  dos  bens  preenchesse  as  condições  previstas nos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006, ainda em sua redação anterior à dada pela IN nº  977/2009,  suas  aquisições  seriam  obrigatoriamente  feitas  com  suspensão  das  contribuições  na  etapa  anterior  da  operação  independentemente  de  qualquer  solicitação  efetuada  pelo  fornecedor  ou  informação prestada pelo respectivo adquirente; seria, todavia, compulsório que a adquirente prestasse  as pertinentes informações ao vendedor dos bens, mediante a apresentação do Anexo I daquele diploma,  de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação.  Posteriormente,  a  IN  nº  977/2009  introduz  alterações  à  IN  660/2004,  deixando  explícita a obrigatoriedade da suspensão em questão a partir de 4 de abril de 2006; observese que o §1º  do art 4º, que prevê a exigência da Declaração do Anexo I, foi revogado expressamente:  Da  Aplicação  da  Suspensão  (Redação  dada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009)  Art.  4º  Nas  hipóteses  em  que  é  aplicável,  a  suspensão  disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas  a  pessoa  jurídica  que,  cumulativamente:(Redação  dada  pela  Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009)  I­ apurar o imposto de renda com base no lucro real;   II­ exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e   III­ utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na  fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º.  §1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de  dezembro  de  2009)  §2º  (Revogado  pela  Instrução  Normativa  RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009)  § 3º É vedada a  suspensão quando a aquisição  for destinada à  revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14  de dezembro de 2009)  Fl. 5194DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.164          63 [...]Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de  sua publicação, produzindo efeitos:  I­ em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para  o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de  abril  de  2006,  data  da  publicação  da  Instrução  Normativa  nº  636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei  nº 10.925, de 2004; (g.n.)  Portanto,  para  que  a  suspensão  das  contribuições  se  imponha,  todos  os  requisitos  elencados  nos  incisos  do  art  4º  da  IN SRF  660/2006,  e  somente  eles,  devem  estar  presentes.  Sendo  assim,  no  presente  caso,  preenchidos  pela  impugnante  (adquirente)  os  tais  requisitos,  só  se  poderia  cogitar  de  não  ser  aplicável  a  suspensão  (para  o  vendedor)  na  hipótese,  aparentemente  remota,  de  a  impugnante  adquirir  produtos  agropecuários,  a  serem  utilizados  como  insumo,  de  pessoas  jurídicas  diversas daquelas tipificadas no art. 3º, inciso III, da IN SRF nº 660/2006, ou seja, de pessoa jurídica ou  cooperativa que não exercesse atividade agropecuária.  Resta  claro  que  a  venda  com  suspensão  é  direito  do  vendedor  (art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004 e art. 2º da  IN 660/2004), quando se verifique a hipótese  legal para  tanto  (art. 4º da  IN  660/2004), sendo o adquirente, por seu turno, obrigado a fornecer­lhe, quando solicitado, a declaração  contida  no  Anexo  I  do  §1º  do  art.  4º  da  IN  660/2004,  de  forma  a  permitir­lhe  aplicar  o  correto  tratamento tributário à operação (na redação original da IN).  Assim,  cabe  razão  a  autoridade  fiscal  quando  afirma  que  a  consequência  do  pagamento indevido da contribuição pelo vendedor, caso tenha ocorrido, é simplesmente a repetição do  indébito, não se configurando qualquer hipótese legal de geração de crédito para o adquirente.  Com  efeito,  o  fato  de  as  vendas  terem  ocorrido  sem  a  suspensão  da  contribuição  prevista  em  lei  não  permite  a  tomada  de  créditos  pelo  adquirente,  por  se  tratar  de  procedimento  contrário ao legalmente prescrito em relação ao setor agroindustrial. A interessada, portanto, pretende  se aproveitar de um direito que não lhe cabe, pois o benefício fiscal em comento foi criado em favor do  vendedor, que poderá vir a exercê­lo enquanto não for decadente o seu direito de repetir a contribuição  indevidamente recolhida.  Diz, ainda, a autoridade fiscal que “Restaria à Perdigão Agroindustrial S/A apurar os  créditos  presumidos  oriundos  das  compras  com  suspensão”.  Nesse  sentido,  como  relatado,  a  impugnante  solicitou que  fosse reconhecido a “procedência parcial do crédito, mediante aplicação do  percentual do crédito presumido”. Em que pese a menção da autoridade fiscal, sobre eventual direito a  crédito presumido, não há como ora acolher o pleito da impugnante. Vejamos.  O Dacon instrumento através do qual a empresa deve manter o controle de todas as  operações  que  influenciem  a  apuração  do  valor  devido  das  contribuições  e  dos  respectivos  créditos  possui  fichas  e  linhas  específicas  que  devem  necessariamente  refletir  a  real  composição  da  base  de  cálculo  dos  créditos  apurados,  identificando  corretamente  os  custos  e  despesas  que  as  compõem,  ocorridos  ao  longo  do  respectivo  período  de  apuração;  ou  seja,  os  custos  que  compõem  a  base  de  cálculo dos  créditos  apurados no Dacon devem estar corretamente neste  informados,  conforme a  sua  natureza,  a  fim  de  que  reste  perfeitamente  demonstrada  a  origem  destes,  para  fins  de  viabilizar  a  oportuna e necessária análise e conferência pela administração fazendária competente, no caso, a DRF  que possui a competência originária para analisar e decidir  sobre o crédito da  impugnante, utilizados  por meio de desconto ou objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação.  Firme­se,  então,  que  nos  casos  de  desconto  de  créditos  e  de  pedidos  de  ressarcimento/compensação, não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e  mesmo das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época  Fl. 5195DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     64 do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem  representar de forma inequívoca o direito da impugnante.  Outrossim,  como  é  no  Dacon  que  o  impugnante  demonstra  o  crédito  pretendido/utilizado, não resta dúvidas que a análise e reconhecimento deste crédito limita­se ao escopo  do que consta no próprio Dacon não sendo, portanto, permitido a Autoridade Administrativa, em sede  de  análise  de  contestação  de  decisão  que  não  reconheceu  o  crédito  do  impugnante,  conceder  crédito  diverso  do  informado  ou  não  constante  deste  demonstrativo.  Ou  seja,  à  Autoridade  Administrativa  julgadora  não  cabe  assentir  com  a  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  crédito  pretendido,  de  custos  e  despesas,  supostamente  hábeis  de  gerar  créditos,  não  informados  ou  incorretamente  informados,  que  seja,  no  respectivo Dacon,  em  detrimento  da  função  precípua  deste  demonstrativo  e  da  competência  originária da DRF para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante. Observe­se que se assim não  fosse,  restaria  prejudicada  a  correta  aferição  e  controle  pelo  fisco  da  procedência  e do  real  e  efetivo  aproveitamento dos créditos pelos impugnantes".  Logo,  é  necessário  que  a  apuração  do  crédito  esteja  perfeitamente  demonstrada no Dacon, em havendo qualquer erro de declaração é ônus do impugnante corrigi­ lo em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise de seu direito seja realizada de fato sobre  o direito creditório que acredita possuir.  Portanto, deve­se manter a glosa efetuada pelo Fisco.  12­ Do valor do IPI recuperável   Alega que o Fisco sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os  créditos vinculados ao custo do  IPI dos produtos adquiridos pela  recorrente, sob alegação de  que poderão ser recuperáveis (Planilha fls. 1.474).  O  IPI  vinculado  à  operação  de  aquisição  de  bens  da  recorrente  é  custo  de  maneira que  inexiste  razão  jurídica e previsão  legal para determina  sua exclusão. Compõe o  custo do produto que adquiriu. O fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação ­ ressarcimento ­ em decorrência do acúmulo ocorrido quando existirem operações em tributação  (NT, isenção, alíquota zero) não é fundamento que permite justificar a glosa do crédito.   Por  outro  lado,  coloca  a  fiscalização  “O  valor  do  IPI,  recuperável  em  processo específico de saldo credor do IPI (art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999),  constante das notas fiscais de aquisição deve ser abatido da base de cálculo do crédito”.  Como visto, a autoridade fiscal diz o motivo da glosa. Por outro lado, ante a  legislação de regência, o argumento expendido pela impugnante não pode ser acolhido.  É a lei, no caso a Lei nº 9.779, de 1999, em seu art.11, que estabelece que o  IPI incidente nas aquisições de insumo é recuperável, ou seja, quando o impugnante não puder  compensar  com  o  IPI  devido  na  saída  de  outros  produtos,  poderá  recuperá­lo  por  meio  de  restituição ou ressarcimento e através de compensação de débitos próprios relativos a quaisquer  tributos  e  contribuições,  em  conformidade  com  o  disposto  nos  arts.  73  e  74  da  Lei  nº  9.430/1996.  Além disso, como já dito neste voto, as hipóteses de creditamento no âmbito  do regime não cumulativo de  tributação para a contribuição para o PIS e Cofins  resultam do  cruzamento  dos  artigos  3º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003  com  o  artigo  66  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  247/2002  e  com  o  artigo  8º  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  404/2004. E as mencionadas IN expressamente determinam que, em sendo recuperável, o IPI  não integra o valor do custo dos insumos.  Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.165          65 No caso, o IPI excluído  foi  somente o  incidente  sobre os  insumos, que é  recuperável nos  termos  da  lei,  caso  em que,  independentemente de  ter  sido utilizado ou não  pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins  de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição  para o PIS e Cofins.  Desta  feita entendo correta a exclusão desses valores da base de cálculo do  crédito pleiteado.    13­ Despesas ­alugueis de prédios (rústicos) locados de pessoas jurídicas (imóveis rurais)   Argumenta  a  Recorrente  que  (fl.  5.095)  "(...)  o  ato  administrativo  também  glosou  dentro  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos  (art.  3°,  IV,  das  Leis  n.  10.833/2003  e  10.637/2002)  os  seguintes  itens":  a)  Ficha  6A  ­  Linha  05  ­  Despesas  com  alugueis de prédios  locados de pessoas  jurídicas  (item 4.3.4): pagamentos a pessoas físicas e  aluguéis de imóveis rurais e b) Ficha 6A ­ Linha 06 ­ Despesas com alugueis de máquinas e  equipamentos  de  pessoa  jurídica  (4.3.5):  notas  fiscais  que  não  representam  aluguel  como  serviço de copiadora (Xerox).  A  própria  recorrente  admite  em  seu  recurso  que  "Entendemos  que  embora  não  previsto  em  lei,  pelo  princípio  da  não­cumulatividade  e  capacidade  contributiva,  há  de  manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas".  A  autoridade  fiscal  glosou  os  valores  dos  aluguéis  pagos  a  pessoas  físicas,  alguns  referentes  a  imóveis  rurais,  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  prédios,  em  descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003.  A  impugnante alega que embora não previsto em  lei, pelo princípio da não  cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas  físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na  medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre  prédios  urbanos  e  rurais.  Aduz  que  se  inexiste  distinção  na  lei,  não  cabe  ao  intérprete  distinguir.  Não merecem  ser  acolhidos  os  argumentos  da  impugnante  ante  a  expressa  previsão legal: a  teor do dispositivo legal acima mencionado, não geram créditos os aluguéis  pagos a pessoas físicas e nem os aluguéis de imóveis que não consistam de “prédios”.  Deve ser mantidas essas glosas, conforme Planilha de fl. 1.472.  14­ Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica   Informa em seu recurso que "(...) Por sua vez, o item b. (Ficha 16 A ­ Linha  06 ­ Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5), ao glosar  a locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (Xerox), incorreu em grave equívoco.  Isto porque, o serviço de fotocópias é essencial à atividade econômica de qualquer empresa,  embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento. Assim, diante da noção  ampla de insumo e da não­cumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo,  com a improcedência da glosa realizada" (g.n).  Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     66 A autoridade fiscal glosou os valores das notas  fiscais que não representam  aluguel  de máquinas  e  equipamentos  e  nem outra operação  com direito  a  crédito,  como por  exemplo,  serviço  de  copiadora  (xerox).  Os  itens  glosados  se  encontram  no  relatório  “Itens  Glosados – Alugueis de Maquinas”, à folha 1.471.  Uma breve análise aos itens contidos na Planilha “Itens Glosados – Alugueis  de Maquinas” verifica­se que, a teor da descrição das operações registrada, os valores glosados  são  referentes  a  “SERVIÇO DE COPIADORA  (XEROX)”  e  não  à  locação  de máquinas  de  xerox, como alega a impugnante.  A  Recorrente,  por  seu  turno  nada  trouxe  em  sede  de  recurso  a  fim  de  comprovar a alegada natureza das operações. À ausência de comprovação do direito ao crédito,  mantém­se a glosa.  Portanto, correta a exclusão desses valores do montante informado a título de  “Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica”.  15­ Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda   A fiscalização quanto  às despesas de armazenagem e  fretes na operação de  venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito (item 4.3.6 do despacho  ­  Ficha  16  A  linha  07):  a)  pagamentos  a  pessoas  físicas;  b)  serviço  portuário  entre  outros  (despesas aduaneiras em geral.)  A autoridade fiscal glosou: os pagamentos a pessoas físicas, que não podem  gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº  10.833/2003; os pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se  referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como prescrito pelo art.  3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003.  Quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, depois de  novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a interessada argumenta que  (fl.  5096  e  sgs):  "  (...)o  crédito  decorrente  dos  pagamentos  à  pessoa  física  é  devido  com  fundamento  na  noção  constitucional  de  não  cumulatividade  e  capacidade  contributiva;  é  preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e  portuárias em geral".  Acrescenta:  "A  armazenagem  compreende  todas  as  despesas  e  gastos  vinculados a  ela,  entre  elas  energia  elétrica, monitoramento,  pesagem, desova, manutenção,  inspeção,  movimentação  e  realocação,  deslocamentos,  taxa  de  selagem  de  contêineres,  capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros.  Tais  despesas  são  intrínsecas  à  armazenagem.  Por  exemplo,  a  energia  elétrica.  É  um  dever  legal  o  armazenamento  em  câmaras  frias  com  temperatura  segundo  determinações  da  ANVISA,  SIF,  entre  outros  órgãos  públicos.  São  despesas  inerentes  à  armazenagem e que foram custeadas pela recorrente. Daí porque são legítimas.  Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza  de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente,  aquele destinado à exportação. O que nos dá ainda mais legitimidade no crédito.  Não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente.  Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.166          67 A alegação de nulidade pelo cerceamento de defesa tem como fundamento o  fato de não estar presente no “sumário das planilhas e documentos... qualquer menção a este  caso, com planilhas e documentos que foram utilizados para fundamentar a glosa”.  Neste caso, salienta­se que todas as operações glosadas foram identificadas a  partir dos registros elaborados pela própria Recorrente.  Novamente,  como muito  bem  abordado  pela  decisão  recorrida,  não merece  ser  acolhida  a  alegação  da  Recorrente  de  desconhecer  as  operações  glosadas  quando  foi  da  memória de cálculo por esta fornecida como demonstrativo dos valores informados na linha 07  da ficha 6A (DACON) que o Fisco identificou os pagamentos efetuados a pessoas físicas e os  relativos  a SERVIÇO PORTUÁRIO e  outros  cujo CFOP não  se  referem  à  armazenagem de  mercadoria e frete na operação de venda, apurando assim os montantes glosados em cada mês,  conforme discriminado em seu relatório.   Desta  feita,  à  evidência,  é  do  conhecimento  da  impugnante  o  montante  informado  na  linha  07  no  Dacon,  para  cada  mês,  as  operações  e  seus  valores  por  ela  considerados  na  apuração  desses  montantes.  Também  é  de  seu  conhecimento,  já  que  claramente colocado no relatório fiscal, o valor total das operações glosadas em cada mês pela  autoridade fiscal, e os motivos e fundamentos legais da glosa.  Essas  informações  são  suficientes  para  a  empresa  identificar  cada  uma  das  operações  glosadas,  conforme  por  ela  própria  registradas,  viabilizando  assim  a  produção  da  prova  do  direito  ao  crédito  a  elas  relacionado.  Todavia,  como  visto,  assim  não  procedeu  a  impugnante em sua impugnação.  Já quanto ao mérito da questão, por disposição legal expressa o crédito a que  o  impugnante  tem direito é em relação à armazenagem de mercadoria e  frete na operação de  venda. Assim quaisquer  serviços de armazenagem e  transporte que não estejam vinculados a  uma  operação  de  venda  já  efetivada,  ou  por  outra,  quaisquer  outros  serviços,  direta  ou  indiretamente,  ligados  à  operação  de  venda,  que  não  se  refira  unicamente  a  serviço  de  armazenagem  e  transporte  da  mercadoria  já  vendida,  não  geram  crédito  por  inexistir  permissivo legal para tanto.  Neste caso, a Recorrente não levou a efeito o ônus de comprovar a ocorrência  e a natureza das operações por ela incluídas na base de cálculo do crédito pretendido a título de  Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda.  Por falta de comprovação do direito pela Recorrente, mantém­se a glosa.  16­ Dos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais   Neste tópico, a Fiscalização listou os produtos adquiridos com o benefício do  crédito presumido, em que o contribuinte tomou créditos a 60% da alíquota para insumos que  não  se  enquadram  nas  condições  da  legislação.  Segundo  a  Informação  Fiscal,  tal  alíquota,  prevista  no  inciso  I  do  §3º  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  destina­se  apenas  para  aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e  nos  códigos  15.01  a  15.06,  1516.10,  e  de misturas  ou  preparações  de  gorduras  ou  de  óleos  animais  dos  códigos  15.17  e  15.18.  A  aquisição  de  insumos  que  não  se  classifiquem  nos  citados capítulos e posições  fatalmente  recai no  inciso  II, que admite a  tomada de créditos a  35%  da  alíquota.  Dá  conta  ainda  que  todos  os  animais  vivos  listados  na  planilha  são  Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     68 classificados  no  capítulo  01  da  NCM; milho  e  sorgo,  no  capítulo  10;  soja,  no  capítulo  12,  lenha, maravalha (aparas de madeira) e resíduos de madeira no capítulo 44 sêmen no capítulo  05, itens que não atendem às condições para creditamento à 60% da alíquota. Também não se  admitiu crédito presumido no caso de aquisições para revenda.   Quando foi o caso, a Fiscalização deferiu o creditamento a 35% da alíquota  de incidência, conforme se constata na coluna “Valor não reconhecido” da Planilha ­ "Crédito  presumido ­ detalhe outubro a dezembro" constante das fls. 1.475 a 2.730. As notas fiscais não  admitidas estão arroladas na lista “Credito presumido detalhe” referenciada.  A Recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo  8º, ao definir os percentuais (60 ou 35% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do  crédito  presumido  às  pessoas  jurídicas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal,  destinadas  à  alimentação  humana  e  classificadas  nos  capítulos  e  códigos  que  indica,  não  vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de  produto  que  é  produzido  com  o  bem  adquirido.  Assim,  defende  a  legitimidade  do  crédito  presumido  apurado  no  percentual  de  60% da  alíquota,  em  relação  aos  insumos  destinados  à  fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos  2  a  4,  6  da  NCM  e  nos  códigos  15.01  a  15.06,  1516.10,  e  às  misturas  ou  preparações  de  gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.  Para  análise  da  questão,  transcreve­se  ao  artigo  8º  e  parágrafos  da  Lei  nº  10.925/2004:  Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas  nos  Capítulos  2  a  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  01.03,  01.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  09.01,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  devidas  em  cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o  valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro de 2003, adquiridos de pessoa  física ou recebidos de  cooperado pessoa física.  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I­ cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar,  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,  todos  II­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e   III  pessoa  jurídica  e  cooperativa  que  exerçam  atividades  agropecuárias.  § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.167          69 mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  §  3º O montante  do  crédito  a  que  se  referem o  caput  e  o  §  1º  deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor  das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:  I ­ 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e   II ­ 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das  Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro de 2003, para os demais produtos.   § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  I­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;   II  de  crédito  em  relação  às  receitas  de  vendas  efetuadas  com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e  o  §  1º  deste  artigo,  o  valor  das  aquisições  não  poderá  ser  superior  ao  que  vier  a  ser  fixado,  por  espécie  de  bem,  pela  Secretaria da Receita Federal.  (...).  § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito  ao  crédito  na  alíquota  de  60%  (sessenta  por  cento)  abrange  todos  os  insumos  utilizados  nos  produtos  ali  referidos.  (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) (grifo nosso).  Verifica­se,  portanto,  que  o  valor  de  crédito  presumido  é  determinado  pela  aplicação  da  alíquota  de  60%  (sessenta  por  cento)  para  as  empresas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06,  1516.10,  e  as misturas ou preparações de  gorduras ou de óleos  animais dos  códigos 15.17  e  15.18.  De outro modo,  sobressai  que  o  legislador  elegeu  o  critério  da  natureza do  "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método  de  discriminação  das  alíquotas.  Assim,  se  o  produto  a  ser  produzido  (ao  qual  os  insumos  agregados/consumidos)  for de origem animal ou  vegetal  (carne para alimentação humana, p.  ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos.  Verifica­se que o Fisco trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o  benefício do crédito presumido que sofreram glosa (fls. 1.407 a 2.662), (notas cujos CFOP não  representam aquisições, perfeitamente  identificados na listagem individualizada,  identificadas  Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     70 na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota.  Nessa  listagem, a  fiscalização, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às  aquisições  de:  animais  vivos  classificados  no  capítulo  01  da  NCM;  trigo,  milho  e  sorgo  classificados no capítulo 10;  soja no capítulo 12;  lenha, maravalha e  resíduos de madeira no  capítulo  44;  sêmen  no  capítulo  05;  itens  que  também  não  atendem  às  condições  para  creditamento  pelo  percentual  de  60%  da  alíquota  das  contribuições.  No  entanto,  conforme  consta dos autos, tratam­se de insumos adquiridos para produção de mercadorias de origem  animal (carnes e derivados para consumo humano), que se trata da atividade fim da empresa.  Posto  isto,  verifica­se  que  com  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  nº  12.865,  de  2013,  o  percentual  aplicado  aos  insumos  utilizados  para  industrialização  dos  produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, é de 60% das aquisições realizadas.   Ressalte­se que o argumento definitivo em favor do quanto se afirmou, veio  recentemente,  com  a  promulgação  da  Lei  nº  12.865/13,  cujo  artigo  33  acresceu  enunciado  interpretativo ao § 10, do artigo 8°, da Lei nº 10.925/04, com o seguinte teor:  “Para  efeito  de  interpretação  do  inciso  I,  do  §3º,  o  direito  ao  crédito na alíquota de 60%  (sessenta por  cento) abrange  todos  os insumos utilizados nos produtos ali referidos”.  Parece­me, pois, fundado o argumento de que a IN SRF nº 660/06 modifica,  de  fato,  os  critérios  com  base  nos  quais  o  artigo  8°,  da  Lei  nº  10.925,  de  2004  define  o  montante do crédito presumido.  Posto  isto,  reconheça­se  à  recorrente  o  direito  à  apropriação  do  crédito  presumido  na  forma  do  artigo  8º,  §3°,  inciso  I,  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  ou  seja,  no  equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2003.  17­ Outros Bens utilizados como insumos ­ importações (item 4.3.8 do relatório fiscal)  Alega  a Recorrente  que  o Despacho Decisório  realizou  as  seguintes  glosas  improcedentes: a) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de  insumo  (IN  SRF  247/2002  e  IN  SRF  358/2003),  glosando  em  descrição  genérica  e  exemplificativa os seguintes créditos: Partes de Máquinas e peças de reposição de elevado  valor, entre outras; b) importações cujo CFOP não traduz em crédito, especialmente, compra  para  ativo  imobilizado  (conta  3551),  material  de  uso  e  consumo  (3556)  e  outras  entradas  (3949); e c) valor do IPI recuperável.  Por  outro  lado,  verifica­se  na  Informação  Fiscal  (do  Despacho  Decisório),  que  as  aquisição  no Mercado  Externo  de  Bens  Utilizados  como  Insumo  (linha  02  da  ficha  06B),  foram  glosados  os  valores  referente  às  aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo,  em  especial, as partes de máquinas  e peças de  reposição de  elevado  valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do  bem  que  a  substituição  da  peça  proporciona,  relacionados  na  listagem  na  Planilha  "NF  Glosadas ­ Não Representam Aquisição de Insumos" às fls. 1.149/1.215, das importações cujos  CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta  linha, como por exemplo 3551 ­ Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 ­ Compra de  material para uso ou consumo e 3949 ­ Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço  não  especificada  ­  Planilha  "NF  Glosadas  Operações  sem  direito  a  credito  (CFOP)"  às  fls.  1.216/1.219 e dos valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição.  17.1­ Direito de crédito em relação às importações efetuadas   Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.168          71 A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando,  inicialmente, que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa  previsão  legal,  uma vez que o  art.  15 da Lei  nº  10.865/2004,  ao disciplinar o PIS/Cofins na  importação,  permitiu  o  emprego de  tais  créditos  para  abatimento  das  contribuições  previstas  nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Então veja­se a legislação:   Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das  Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação dessas  contribuições,  em  relação às  importações  sujeitas ao pagamento das contribuições de que  trata o art. 1º  desta Lei, nas seguintes hipóteses:  I­ bens adquiridos para revenda;   II­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;   III­  energia elétrica  consumida nos  estabelecimentos da pessoa  jurídica;   IV­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento mercantil  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  embarcações  e  aeronaves,  utilizados na atividade da empresa;   V­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado, adquiridos para  locação a  terceiros ou para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.196,  de  21/11/2005)  [...] § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito  será  determinado mediante  a  aplicação das  alíquotas  referidas  no  §  3º  deste  artigo  sobre  o  valor  da  depreciação  ou  amortização contabilizada a cada mês.  Da leitura do mencionado dispositivo vê­se que é improcedente essa alegação  da Recorrente. Como se vê não são todas as importações que dão direito a crédito, mas apenas  as elencadas nos incisos do artigo.  Quanto  ao  direito  à  tomada  de  crédito  sobre  o  valor  das  importações,  por  outro lado, está exaustivamente regulado no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004,  que  admite  o  desconto  de  créditos  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições sociais não cumulativas, de bens que sejam destinados à revenda ou à utilização  como  insumo  os  encargos  de  depreciação  de  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.  Sendo  assim,  reitera­se  que  toca  ao  contribuinte  a  prova  de  que  os  itens  importados enquadram­se nessas hipóteses restritivas, o que não o fez nem em seu recurso nem  quando da diligência realizada. Mais uma vez, infelizmente, a recorrente não se preocupou em  fazê­lo, perdendo­se em alegações genéricas e alheias aos fatos concretos do processo.  Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     72 17.2 ­ Aquisições de partes e peças de reposição ­ aquisições com CFOP 3949, 3551 e 3556  Em  relação  às  aquisições  de  peças  e  máquinas  acrescenta  que  são  bens  a  legislação  permite  reconhecer  como  insumo,  pois  estão  vinculados  à  atividade  produtiva  da  empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01  ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15,  V, Lei n. 10.865/2004)”.  Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551 ­ "Compra de bem para o ativo imobilizado", 3556 ­ "Compra de material para uso ou consumo"  e 3949 ­ “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado”, inicialmente  alega  cerceamento  de  defesa,  alegando  que  “não  localizou  a  descrição  exata  no  processo  administrativo  de  quais  seriam  estes  bens  e,  principalmente,  o  porquê  da  glosa”  e  a  “total  ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”.  A alegação de cerceamento de defesa já foi afastada no tópico anterior deste  voto, nada sendo necessário aqui acrescentar.  Com dito, foram glosados pelo Fisco os créditos por insumos tomados sobre  as  partes  de  máquinas  e  peças  de  reposição  de  elevado  valor,  que  deveriam  ter  sido  imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça  proporciona.  Da  mesma  forma,  a  Fiscalização  também  extirpou  do  cálculo  os  valores  das  importações de notas fiscais com CFOP, por exemplo, 3551, 3556 e 3949.   Este  CARF  já  examinou,  por  ocasião  da  prolação  do  Acórdão  nº  3403­ 002.536  (Rel.  Cons.  Antônio  Carlos  Atulim),  a  subsistência  das  glosas  listadas  pela  Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora  em julgamento:  "Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto  a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o  custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art.  301 do RIR/99.  Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base  no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização,  conforme normas específicas.  A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o  crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3o, II, da Lei  nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um daqueles  bens  que  foram  glosados  se  enquadra  nos  requisitos  que  garantem  o  direito  de  crédito com base no custo de aquisição do bem.  O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização  pode  ser  considerado  como  passível  de  ativação  obrigatória,  seja  em  razão  dos  prazos de vida útil (art. 301, 2º do RIR/99),  seja em razão de serem utilizados em  conjunto  com  vários  bens  da mesma  natureza  (art.  301,  1º,  do RIR/99).  Exemplo  disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os  utensílios utilizados em laboratório.  No  caso  concreto,  trata­se  de  processo  de  iniciativa  do  contribuinte,  no  qual  ele  compareceu  perante  a  administração  para  lhe  opor  o  direito  aos  créditos  da  contribuição.   Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.169          73 Compete­lhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a  sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado.  Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado  no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379" .  Assim,  ante  a  falta  da  prova  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  pretendido,  mantenha­se a glosa  17.3­ Do IPI recuperável (importação)   Em relação ao IPI, alega ser indevida a glosa, afirmando fazer parte do custo  do bem  importado. Como  já abordado em  tópico anterior  (item 12), no caso, o  IPI  excluído,  que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou  não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para  fins  de  apuração  de  crédito  no  âmbito  do  regime  não  cumulativo  de  tributação  para  a  contribuição para o PIS e Cofins.  Desta feita, entendo correta a exclusão desses valores da base de cálculo do  crédito pleiteado.  18­ Créditos extemporâneos   Alega que  (fl.  5.105/5.106),  "(...)  os  créditos  são  legítimos  conforme declarado  em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no  momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face  da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo  contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON".  Ocorre  que  foram  glosados  pelo  Fisco,  da  base  de  cálculo  dos  créditos  descontados, nos meses do trimestre em questão, os valores que se referem à base de cálculo de  créditos de outros períodos de apuração, meses e  trimestres ­ valores constantes das planilhas  de  ajustes  contábeis,  apresentadas  pela  impugnante.  A  fiscalização  coloca  que  o  saldo  de  crédito presente no Dacon dos meses anteriores pode ser aproveitado para desconto dos débitos  gerados no mês em curso, como prescreve a Lei, mas que o crédito que não foi informado nos  meses anteriores não pode ser informado no Dacon do mês em curso.  A Recorrente, por seu turno, defende que os créditos extemporâneos devem  ser considerados no  cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º  trimestre, pois,  em  suas palavras:  (i)  não  se  nega  a  existência  dos  créditos  pelo  Fisco;  (ii)  o  impedimento  é  meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio  direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação  do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n.  10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes".  Ou  seja,  se  não  houve  o  aproveitamento,  não  impede  o  aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente  a exigência de retificadora.  Em  análise  da  argumentação  posta,  há  que  se  dizer  que  se  equivoca  a  Recorrente.   Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     74 Escorreita e precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as  adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99:   "(...) É que a razão de ser da necessidade de segregação dos créditos por períodos de  apuração, no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, se deve ao fato de  que os créditos, neste regime, são passíveis de utilização segundo requisitos que só são aferíveis dentro  do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista  uma  perfeita  definição  da  natureza  dos  créditos  e  de  que  forma  o  sujeito  passivo  chegou  aos  saldos  passíveis  de  utilização  por  qualquer  uma  das  formas  previstas  (desconto,  compensação  ou  ressarcimento).  É  preciso  ter  em  conta  que  a  forma  de  utilização  tem  a  ver  com  a  natureza  dos  créditos apurados e com o período em que foram gerados. De forma sintética, tais formas de repetição  estão assim delineadas pela legislação:  (a) créditos associados a receitas tributadas no mercado interno: meio preferencial é  o  desconto  no  mês;  (b)  créditos  associados  a  receitas  não  tributadas  no  mercado  interno  (custos,  despesas  e  encargos,  inclusive  estoque  de  abertura,  vinculados  às  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência,  inclusive  no  caso  de  importação  com  pagamento  de  PIS  e  Cofins  importação):  compensação  ou  ressarcimento  no  próximo  trimestre;  (c)  créditos  associados  a  receitas de exportação (custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou  domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial  exportadora, com o fim específico de exportação): compensação no próximo mês ou ressarcimento no  próximo trimestre.  De  tal  sorte,  como a apuração dos créditos depende, no mais dos casos,  da prévia  confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que o reconhecimento  do direito creditório deva se dar por períodos de apuração. Neste  sentido, a  teor do parágrafo 1.o do  artigo 3.o das Leis n.o 10.637/2002 e n.o 10.833/2003, os créditos, no regime da não cumulatividade,  devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre  o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos  de apuração, e isto com o fim, como já se disse, de que a análise tanto da existência quanto da natureza  do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito.  Como alega a impugnante, de fato também mencionado pela autoridade fiscal, o art.  3º, § 4º das Leis n.  10.637/2002 e 10.833/2003 permite que crédito não aproveitado  (saliente­se,  por  meio  de  desconto)  em  determinado mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subsequentes.  Tais  dispositivos,  no  entanto,  não querem dizer que despesas e gastos ocorridos  em outros períodos possam ser  trazidos  a  compor  a  base  de  cálculo  de  créditos  apurados  em  períodos  posteriores;  mas,  que  créditos,  já  oportunamente apurados e não descontados da contribuição devida no próprio mês de apuração, possam  sê­lo das contribuições devidas nos meses subsequentes".  Portanto, quanto ao aproveitamento de Créditos Extemporâneos, entendo que  não é  possível  o  aproveitamento  direto  de créditos  resultantes  da aquisição  de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo  de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês,  pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes.   Essa  matéria,  no  entanto  já  tem  entendimento  pacificado  neste  colegiado,  plasmado,  por  exemplo,  no  Acórdão  nº  3403­002.717,  de  29  de  janeiro  de  2014  (Rel.  Cons.Rosaldo  Trevisan,  unânime),  em  que  quedou  assente  a  necessidade  de  que  reste  documentado  o  aproveitamento  dos  créditos,  mediante  as  retificações  das  declarações  correspondentes,  de  modo  a  não  dar  ensejo  a  duplo  aproveitamento,  ou  a  irregularidades  decorrentes.   Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.170          75 Admite­se  a  possibilidade  de  relevar  formalidade  de  retificação  das  declarações  desde  que  demonstrada  conclusiva  e  irrefutavelmente,  a  ausência  de  utilização do crédito extemporaneamente  registrado.  De  se  conhecer,  no  entanto,  que  a  retificação das declarações é extremamente mais simples.   Assim, omitindo­se em proceder à prévia  retificação do Dacon  respectivo e  sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, deve­se manter a glosa.   19­ Créditos inexistentes (item 5 e 7 do relatório fiscal).  Alega a Recorrente em seu recurso que (fl. 5.106):  "Enfim, o item "c" relata a glosa de supostos créditos inexistentes. Ora, por  qual  razão  seriam  inexistentes?  O  despacho  decisório  não  descreve  e  fundamenta  especificamente  a  razão  pela  qual  tais  créditos  seriam  inexistentes.  Não  são  insumos? Não  houve comprovação por notas fiscais? Não consta da contabilidade? Qual a razão jurídica e  fática? Inexiste descrição no despacho decisório.  Assim, há evidente nulidade e cerceamento de defesa neste item c (item 5 do  despacho decisório), sendo, portanto, improcedente.  Caso não se reconheça a nulidade e o cerceamento de defesa, a recorrente  rechaça a glosa, pois, os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e  em obrigações acessórias fazem prova em favor contribuinte. Como informa a fiscalização, os  valores  foram lançados em DACON e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo  que  se  nega  verdadeiramente  o  crédito,  estes  devem  se  presumir  legítimos,  até mesmo  pelo  princípio da boa­fé.  Novamente entendo precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me  filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99.  Veja­se:   "A teor do item 5 do relatório do fiscal, não foram aceitos os créditos de dezembro  de  2002  (R$  257.771,15)  e  de  fevereiro  de  2003  (R$  239.701,77),  relativos  ao  PIS/Pasep  não  cumulativo, que a impugnante pretendeu descontar do PIS/Pasep devido em novembro e dezembro de  2006 – na ficha 13 (Créditos Descontados no Mês PIS/Pasep Regime Não Cumulativo). A autoridade  fiscal  esclarece  que  os  créditos  anteriores  ainda  não  utilizados  em  31/12/2005  deveriam,  obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, na Ficha 26B – Saldos de Créditos  Não  Utilizados  até  31/12/2005  PIS/Pasep  e  na  Ficha  28B  –saldos  de  "Créditos  Não  Utilizados  até  31/12/2005 ­ Cofins", o que não ocorreu.  Além  disso,  a  autoridade  fiscal  coloca  que  não  foi  confirmada  a  existência  dos  saldos  informados nas  fichas 13,  já que estes  tinham sido consumidos anteriormente, razão pela qual  não podem ser considerados na apuração da contribuição a pagar. Nesse sentido informa: que no Dacon  de janeiro de 2006, fichas 26B e 28B, as quais reproduz, os saldos existentes em 31/12/2005 eram R$  252.119,97 de Pis e R$ 779.476,90 de Cofins; e que no balancete daquele período, à folha 2.666, em  janeiro de 2006, o saldo inicial da conta “0000114030 PIS a Recuperar” era “R$ 252.119,97 D” e o da  conta “0000114035 Cofins  a Recuperar”  era “R$ 779.476,90 D”, os mesmos valores  informados nas  fichas 26B e 28B do Dacon de janeiro de 2006 e relativo a dezembro de 2005.  Por  fim  acrescenta  que  os  tais  saldos,  presentes  na  contabilidade  e  informados no  Dacon de janeiro de 2006, não foram confirmados pelos Despachos Decisórios da DRF, relativos ao 1º  Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     76 trimestre de 2006 e tratados nos processos 16349.000279/2009­77 (PIS/Pasep), e 16349.000271/2009­ 19 (Cofins).  Já no item 7 de seu relatório, a autoridade fiscal coloca que tendo em vista os autos  de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/2011­91 e relativos ao  2º  e  3º  trimestres  de  2006,  tratados  no  processo  11516.721279/2011­36,  o  saldo  inicial  da  linha  “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores” da ficha 14 (Controle de Utilização dos Créditos no Mês –  Contribuição para o PIS/Pasep –Regime Não cumulativo) é nulo em todos os tipos de crédito.  A  impugnante  reclama  que  os  créditos  são  legítimos. Nesse  sentido,  inicialmente,  argumenta  que  o  despacho  decisório  não  descreve  e  fundamenta  especificamente  a  razão,  fática  ou  jurídica,  pela  qual  tais  créditos  seriam  inexistentes  ­  se  por  não  serem  insumos,  ou  por  não  haver  comprovação por notas fiscais, ou por não constar da contabilidade pelo que é evidente a nulidade em  razão do cerceamento de defesa.  Alega,  ainda,  que  “os  dados,  informações,  valores  e  créditos  lançados  em  contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor impugnante”. Aduz que, como informa  a  fiscalização, os valores  foram  lançados  em Dacon e,  diante da  ausência de prova  e  justificativa do  motivo que se nega verdadeiramente os créditos, estes devem se presumir  legítimos, até mesmo pelo  princípio da boa fé.  Pelo que  acima  foi  relatado,  vê­se  claramente  que  as  glosas  não  foram de  valores  indevidamente inseridos na base de cálculo do crédito do período em análise, mas de crédito apurados  em períodos anteriores, nos anos de 2002 e 2003, trazidos para serem utilizados no quarto trimestre de  2006. Da narrativa da autoridade fiscal, verifica­se que esta esclareceu satisfatoriamente o motivo pelo  qual desconsiderou os créditos trazidos de 2002/Dezembro, 2003/fevereiro: os créditos anteriores ainda  não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de  2006, compondo, assim, o crédito passível de utilização do primeiro e não do quarto trimestre de 2006;  pelo que consta da contabilidade da empresa, os créditos anteriores ainda não utilizados até 31/12/2005,  informados no Dacon de janeiro de 2006, já tinham sido utilizados; os saldos presentes da contabilidade  e  informados  no  Dacon  de  janeiro  de  2006  não  foram  reconhecidos  nos  autos  dos  processos  16349.000279/2009­77,  de  PIS/Pasep,  e  16349.000271/2009­19,  de  Cofins.  Saliente­se  que  a  autoridade  fiscal  cuidou  de  reproduzir  as  fichas  mencionadas  a  fim  de  identificar  perfeitamente  os  valores dos créditos não aceitos.  Desta feita, não há que se falar em nulidade do feito fiscal em face do cerceamento  do direito de defesa. Como se vê essas informações são suficientes para a empresa identificar os valores  excluídos  e  o motivo  da  exclusão,  viabilizando  assim  a  produção  da  prova  em  contrário,  ou  seja,  a  prova da existência do crédito e do direito dele se utilizar como fez, nos termos do firmado no item 3  deste voto.  Todavia,  como  visto,  assim  não  procedeu  a  recorrente.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  limitou­se  a  contestar  a  legalidade  do  feito  fiscal  e  dizer  ser  legítimo  o  crédito  pelo  simples  teor  declarado  em Dacon,  sem,  no  entanto,  trazer  qualquer  prova  da  existência  do  valor  lá  consignado.  Assim, a contribuinte não  levou a efeito o ônus de comprovar as alegações postas  contra o feito fiscal".  E,  como  pode  ser  visto,  no  recurso  voluntário,  a  Recorrente  em  nada  se  preocupou em apresentar provas do crédito alegado, reputando­se, portanto, legítimo e correto  a glosa destes valores no procedimento fiscal.  20. Base de Cálculo do PIS e da Cofins (Omissão de Receitas)  Informa o Fisco, que foram lançados valores da Contribuição para o PIS e da  Cofins não declarados em DCTF. A omissão de receitas se deu pelas seguintes razões:  Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.171          77 a) dedução indevida, da base de cálculo da Contribuição devida no período, a  título de "descontos incondicionais", valores que não consistem deste tipo de desconto, mas se  referem  a  “descontos  ou  bonificações  condicionadas  a  atingimento  de  metas  ou  relativos  a  rateio de despesas de publicidade”;   b) inserção indevida (a teor do art 1º, parágrafo único, I, do Decreto 5.442, de  2005), na linha “04.Receita Tributada à Alíquota Zero” das fichas as fichas 7A e 17A valores  referentes a "juros sobre capital próprio" recebido da investida Batávia.  20.1 Descontos Incondicionais  Contesta  a  Recorrente  em  seu  recurso  (fls.  5.106  e  seguintes),  que  os  valores  lançados  como  descontos  incondicionais,  alegando  que  houve  operação  com  descrição  contábil,  emissão de nota fiscal e inclusão na DACON como descontos incondicionais (ou bonificações). Sendo  assim,  os  lançamentos  contábeis  e  obrigações  acessórias  fazem  prova  em  favor  do  impugnante,  na  medida em que o ônus é do Fisco em comprovar cabalmente que determinada operação é tributável por  PIS e COFINS, nos moldes do art. 142 do Código Tributário Nacional. Afirma que  inexistiu prova e  demonstração  cabal  de  que  todas  as  operações  tributadas  não  seriam  descontos  incondicionais.  Simplesmente,  elencou  todos  os  códigos  de  operação  lançados  como  desconto  incondicional  e  as  tributou por presunção sem previsão legal.  Afirma  que  todas  as  operações  de  descontos  e  bonificações,  estão  devidamente  escrituradas  e  lançadas  como  tal,  eram  incondicionadas.  Não  restou  demonstrado qualquer situação de evento futuro e condicionante na manutenção do desconto e,  por conseguinte, da redução do preço. Alega que são todas hipóteses previstas em lei e que o  ônus da prova, no caso, é do Fisco.  Verificando­se  os  autos  constata­se  que  os  argumentos  da  Recorrente  não  procedem.  Inicialmente,  diga­se  que  para  efeito  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição, cabe à Recorrente comprovar ao Fisco a natureza das valores excluídos (no caso  a natureza dos descontos incondicionais), a  teor das hipóteses previstas em lei, conforme por  ele lançados em sua escrituração contábil, o que, como veremos não ocorreu no presente caso.  Para  tanto,  subscrevo  as  considerações  tecidas  na  decisão  recorrida,  adotando­as  como  razão  de decidir,  com  forte no  §  1º  do  art.  50  da Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto:  "A autoridade fiscal, na verificação da regularidade da apuração dos créditos e dos débitos  das  contribuições  demonstrados  em  Dacon,  laborou  a  partir  dos  demonstrativos  contábeis  apresentados  pela  impugnante. Identificou no plano de contas apresentado a conta “510855 Bonificação Promocional”, inserida nas  despesas  com  vendas  no  mercado  interno,  e  a  “530579  –  Bonificação”,  em  relação  ao  mercado  externo,  sem  qualquer lançamento em 2006.  Através  da  intimação  n°  002/00242,  instou  a  impugnante  a  prestar  esclarecimento  sobre  a  natureza,  operacionalização  e  contabilização  das  tais  bonificações;  prestar  esclarecimentos  sobre  as  contas  contábeis  “330040  Desconto  Incondicional  –  Frigorificados”,  “330042  Desconto  Incondicional  c.c.”,  “330044  Desconto  Incondicional  –  Ração”  e  “330047  Desconto  Incondicional  Frigorificados  CD”;  a  apresentar  os  documentos  representativos  de  uma  determinada  amostra  de  lançamentos  a  débito  presentes  na  conta  contábil  “330040 Desconto Incondicional — Frigorificados”, inclusive, se fosse o caso, “os contratos com os clientes que  estabeleçam os descontos lançados”.  Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     78 Em análise às respostas apresentadas pela impugnante, verifica­se que correta é a conclusão  da  autoridade  fiscal  de  que  todas  as  bonificações  estavam  escrituradas  na  contabilidade  como  descontos  incondicionais; fato, observe­se, não contestado pela impugnante. Saliente­se que a impugnante, naquela ocasião,  não  se  manifestou  em  relação  aos  lançamentos,  a  débito,  presentes  na  conta  contábil  “330040  Desconto  Incondicional —Frigorificados” – item 8 da intimação n° 002/00242.  Para  tentar obter  as  informações  relativas  aos  citados  lançamentos  e  tendo  em  vista o  não  atendimento do item 08 da citada Intimação nº 002/00242, a autoridade fiscal novamente intimou a impugnante,  através do Termo de Constatação e de Intimação nº 003/00242 (fls. 1.139/1.143), nos termos que seguem:  [...]  b) “Em relação ao item 08 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 002/00242 não foi  apresentado  qualquer  documento  ou  qualquer  informação  a  respeito,  tendo  sido  a  resposta  ao  referido  termo  completamente omissa em relação a este item;   Sendo  assim,  fica  o  impugnante  acima  qualificado  REINTIMADO  para,  no  prazo  de  5  (CINCO) dias, apresentar os seguintes documentos e arquivos magnéticos, na Delegacia da Receita Federal do  Brasil em Florianópolis:  1) Apresentar os documentos representativos dos seguintes  lançamentos a débito presentes  na conta contábil "330040 Desconto Incondicional – Frigorificados",  inclusive, se  for o caso, contratos com os  clientes que estabeleçam os descontos lançados   A  impugnante  respondeu,  em  28/06/2011  (fl.  1.145),  que  “não  foram  encontrados  os  documentos necessários que dão suporte aos lançamentos mencionados”.  A autoridade  fiscal explica que as  intimações  citadas  referiam­se aos  trimestres anteriores,  mas  que  já  seriam  suficiente  para  a  realização  do  lançamento  correspondente.  Porém,  visando  dar  mais  uma  oportunidade  de  apresentação  dos  documentos  relevantes,  foi  a  impugnante  novamente  intimada  a  apresentar  documentos relativos aos lançamentos do 4º trimestre (fls. 4153/4.156). O item 2 da citada intimação (fl. 4.154)  solicitava:  2) Apresentar os documentos representativos dos seguintes  lançamentos a débito presentes  nas  contas  contábeis  "330040­  Desconto  Incondicional  –Frigorificados"  e  "330047  –  Desconto  Incondicional  Frigorificados CD", inclusive, se for o caso, contratos com os clientes que estabeleçam os descontos lançados.  Informa  que  a  resposta  (fl.  4157)  foi  acompanhada  de  alguns  documentos  relativos  aos  outros itens da intimação (não incluídos neste processo, pois apenas serviram para fortalecer a convicção relativa  às  glosas  aplicadas  nos  processos  citados  281  e  273,  que  tratam  dos  ressarcimentos  de PIS/Pasep  e Cofins  do  mesmo período) e transcreve a parte relevante da resposta dada pela impugnante: "Igualmente vem informar que  até o momento não foram encontrados os demais CTRC e Notas Fiscais, bem como os documentos necessários  que dão suporte aos lançamentos mencionados por esta fiscalização".  A  autoridade  fiscal  salienta  que  somente  foram  tributados  aqueles  lançamentos  que  claramente não se referiam a descontos incondicionais e informa que todos os lançamentos contábeis em tela estão  listados no documento Lançamentos desconsiderados ­ descontos (fls. 3.578/3.695).  Em análise a tal documento, verifica­se que os históricos dos lançamentos, de fato, nada têm  a ver com descontos incondicionais. Como exemplo cite­se alguns:  PAGAMENTO REFERENTE A CAPA DO JORNAL DE ANIVERSARio; TABLÓIDE E  ANUNCIO EM TV AGOSTO/06 E REBAIXE DE P; PGTO DA 1ª PARCELA CAMPANHA DE FINAL DE  ANO TOTAL; CTR 54250 REFERENTE FOLDER 18 MAKRO– PERÍODO; APROP. BOM PREÇO S/A REC  10/2006  ANIVERSARIO;  APROP.  IRMÃOS  MUFFATO  LTDA  10/2006  FIDELIDADE;  ENCARTE/TABLÓIDE PERÍODO 10 A25/10 PROD. SHG420.  Note­se que para esses lançamentos não há a indicação da nota fiscal correspondente e que a  impugnante,  intimada,  reintimada  e  intimada  novamente,  não  forneceu  os  documentos  solicitados  que  foram  selecionados a fim de representarem o conjunto investigado (dos lançamentos a débito presentes na conta contábil  330040 Desconto Incondicional — Frigorificados).  Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.172          79 A  autoridade  fiscal,  portanto,  glosou  somente  os  valores  presentes  nas  contas  relativas  a  descontos  incondicionais,  desacompanhados das  respectivas  notas  fiscais,  cujos  lançamentos  não  se  enquadram  nas  condições  de  descontos  incondicionais  –  como disse  a  autoridade  fiscal  “tais  ‘descontos’  são  na  realidade,  entre outros, pagamentos de despesas de publicidade e concedidos em momento posterior à operação de venda”.  Como  se  vê,  a  partir  da  escrituração  contábil  e  dos  esclarecimentos  prestados  pela  impugnante, verificou­se que dentre os valores lançados a  título de descontos incondicionais há valores que não  correspondem  a  descontos  desta  natureza  e  que,  portanto  não  poderiam  ser  utilizados  para  reduzir  a  base  de  cálculo da contribuição devida. A impugnante,  instada mais de uma vez para tanto, não foi capaz de comprovar  que tais descontos, de fato, consistiam de descontos  incondicionais, razão pela qual a autoridade fiscal  lançou a  contribuição  devida  sobre  os  valores  indevidamente  deduzidos  da  base  de  cálculo  da  contribuição. Observe­se  que, em se tratando de valores redutores da contribuição devida (descontados da base de cálculo da contribuição,  no  caso,  das  receitas  de  venda),  é  do  impugnante  o  ônus  de  comprovar  a  natureza  e  efetiva  ocorrência  das  operações dos quais estes decorrem, nos termos e valores por ele escriturado, a teor do item 1 deste voto. Destarte,  a  escrita  contábil  da  empresa bem como  as  declarações  por  esta prestadas  ao  fisco  somente  fazem prova  a  seu  favor se suportadas nos documentos fiscais correspondentes".  No entanto, ao longo de todo o procedimento fiscal, em sede de impugnação  e  agora  no  recurso  voluntário,  a  Recorrente,  além  de  suas  argumentações,  nada  trouxe  no  sentido de comprovar a natureza das operações ­ desconto incondicional, a fim de lhe garantir o  direito de descontar seus valores da base de cálculo das contribuições devidas no período.  Assim,  é  procedente  o  lançamento  da  contribuição  sobre  os  valores  indevidamente deduzidos das receitas de venda a título de descontos incondicionais.  20.2 Dos Juros sobre capital próprio   Trata­se este  item referente ao valor de R$ 2.478.583,89,  relativo aos  juros  sobre  capital  próprio  (JCP)  recebido  pela  Perdigão  Agroindustrial  S.A.,  em  dezembro  de  2006,  da  investida  Batávia  S.A.,  que  foi  acrescido  na  base  de  cálculo  das  contribuições  do  referido mês,  com  fundamento  no  inciso  I,  parágrafo  único,  do  art.  1º  do Decreto  5.442,  de  2005,  segundo  o  qual  são  tributadas  normalmente  as  receitas  financeiras  relativas  a  juros  sobre capital próprio.   O valor foi  lançado na contabilidade na conta "580001 ­ Juros com Capital  Próprio  –  Recebidos",  com  o  histórico  "VLR  JSCP  REC.  REF.  2006,  DA  INVESTIDA  BATAVIA S.A".   Argumenta em seu  recurso que,  "(...) Sob o ponto de vista mais  importante  para  o  presente  caso,  é  preciso  considerar  que  tais  pagamentos  são  caracterizados  como  dividendos".  Em  sua  impugnação  bem  como  agora  em  sede  de  recurso,  a  autuada  não  contesta o valor apurado a partir de sua contabilidade, mas limita­se a defender, em síntese, que  os juros sobre capital próprio possuem natureza de dividendos, com fundamento no art. 9º, §  7º, da Lei nº 9.249/1995, que enuncia que o valor dos  juros pagos ou creditados pela pessoa  jurídica,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  poderá  ser  imputado  ao  valor  dos  dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404/1976.  Sustenta, então, a improcedência do lançamento uma vez que o art. 1º, § 3º,  V,  alínea  "b",  das  Leis  nº  10.833/2003  e  nº  10.637/2002,  exclui  da  base  de  cálculo  das  contribuições  de  que  tratam,  dentre  outros  valores,  os  referentes  a  “dividendos  derivados  de  investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita”.  Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     80 Verifica­se  que  no  acórdão  de  número  07­30.436,  de  31/01/2013  (fls.  4.787/4.858),  o  mérito  de  tal  matéria  não  foi  enfrentado,  considerando  que  as  razões  de  contestação apresentadas na impugnação eram as mesmas postas em litígio na esfera judicial,  através do Mandado de Segurança nº 2006.61.00.00267561 e processos dependentes ­ Agravo  de  Instrumento  nº  2007.03.00.0006961;  Ação  Cautelar  Inominada  nº  2007.03.00.1042080,  processo  distribuído  por  dependência  juntamente  com  à  Apelação  em  MS  nº  2006.61.00.00267561; ação cautelar inominada nº 2011.03.00.0369131.  Ocorre, porém, que, depois de o acórdão ser proferido e levado à ciência da  autuada, verificou­se que  a  tal  ação  judicial  foi proposta pela Perdigão S/A,  antes do  evento  sucessório  (incorporação  da  Perdigão  Agroindustrial  S/A  pela  Perdigão  S/A),  pelo  que  os  efeitos  de  tal  ação  não  se  estendem  às  operações  objeto  da  autuação  (que  envolvem  as  empresas Batávia e Perdigão Agroindustrial S/A). Tendo em conta que à época da propositura  da ação judicial, a Perdigão S/A e a Perdigão Agroindustrial S/A coexistiam, não se pode ter  como extensível a uma, os efeitos da ação judicial então proposta pela outra.  Identificada  a  inexatidão material,  devido a  lapso manifesto,  nos  termos do  art.  32  do  Decreto  nº.  70.235/72,  a  DRJ  de  Florianópolis  (SC),  decidiu  por  rever  àquela  decisão, prolatando a de nº 07­31.325, de 10 de maio de 2013.  Pois bem. No caso, tem­se que a recorrente sustenta, em síntese, que os juros  sobre  o  capital  próprio,  por  terem  natureza  jurídica  de  dividendos,  não  estariam  sujeitos  à  incidência da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, tendo em vista a ressalva  expressa no art.1º, § 3º, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  De fato tais dispositivos legais determinam que os dividendos não compõem  a  base  de  cálculo  das  contribuições  em  apreço.  Sucede,  porém,  que  os  juros  sobre  o  capital  próprio,  ao  contrário  do  que  alega  a  recorrente,  não  se  confundem  com  os  dividendos  derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, possuindo na verdade natureza  jurídica distinta.  Apesar  de  os  dividendos  e  os  JCP  possuírem  natureza  jurídica  e  tratamentos tributários distintos, ambos dizem respeito a formas de a sociedade remunerar o  acionista pelo capital por ele investido, razão pela qual suas respectivas finalidades econômicas  (e  societárias)  são  coincidentes. Esse  é  o  entendimento  da Comissão  de Valores Mobiliários  (“CVM”),  conforme  declaração  de  voto  vencedor  da  Presidente  Maria  Helena  Santana,  no  Processo Administrativo CVM RJ 2008/6446. Veja­se:  “(...)  Uma  última  palavra,  contudo,  deve  ser  dedicada  à  aplicação  desta  minha  conclusão  à  hipótese  dos  Juros  sobre  o  Capital  Próprio  (JCP)  e  outras  assemelhadas. Entendo que  os  JCP devem  ser  equiparados,  para  fins  da  vedação  legal, a dividendos.  Isto  porque,  o  JCP,  embora  possua  natureza  diversa,  é  utilizado  com  a mesma  finalidade  do  dividendo,  tanto  que  o  montante  pago  a  título  de  JCP  pode  ser  deduzido  do  cômputo  do  dividendo  mínimo  obrigatório.  Nada  mais  natural,  portanto, que também visto sob esse mesmo prisma, seja o JCP incluído na restrição  legal de que ações em tesouraria recebam dividendos.  Isso se justifica até mesmo por uma questão temporal, pois obviamente os autores  da Lei das S.A. não poderiam antever que seria criada essa figura híbrida que é o  JCP, que por um lado não é dividendo, mas, por outro, pode  integrar o montante  pago a título de dividendo mínimo obrigatório (...)".  Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.173          81 No mesmo  sentido,  também a  forma que vem sendo decidido pelo STJ, no  AgRg nº 1.362.396/RS:   AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO  E  DIVIDENDOS.  CUMULAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  NATUREZAS  DISTINTAS.  ENUNCIADO  N.  83/STJ.  AGRAVO  REGIMENTAL DESPROVIDO.  1. Possibilidade de  cumulação de dividendos  com  juros  sobre  capital  próprio,  por  possuírem  naturezas  jurídicas  distintas.  Enunciado  n.  83/STJ.  2. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.  (AgRg  no  Ag  1362396/RS,  Rel.  Ministro  PAULO  DE  TARSO  SANSEVERINO,  TERCEIRA TURMA, julgado em 06/03/2012, DJe 16/03/2012).  Como  se  vê,  portanto,  por  possuírem  natureza  jurídica  distinta  dos  dividendos, não se aplica aos juros sobre capital próprio a ressalva expressa o art. 1º, § 3º, das  Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.  Note­se que o próprio tratamento fiscal diferenciado que a lei nº 9.249/1995  dispensa aos juros sobre o capital próprio se deve precisamente à distinção material existente  entre eles e os dividendos. Os juros sobre o capital próprio constituem espécie de remuneração  auferida pela pessoa jurídica em função do capital investido em outra companhia, quando esta  aufere  lucro,  proporcionando  um  acréscimo  ao  ganho  obtido  com  a  própria  valorização  da  empresa investida. Diversamente dos dividendos, são calculados sobre as contas do patrimônio  líquido da empresa, estando limitados à variação pro rata da Taxa de Juros de Longo Prazo –  TJLP (art.9º).   Os dividendos representam parcela do lucro distribuída aos sócios segundo o  valor  das  quotas  que  possuem  no  capital  da  sociedade,  não  estando  vinculados  a  quaisquer  taxas de juros e correlacionando­se, portanto, exclusivamente com o lucro auferido no período.  Os dividendos recebidos pelos acionistas são isentos de tributos, enquanto sobre os juros sobre  capital próprio incide alíquota de imposto de renda (IR) de 15%.  Esta matéria já se encontra decidida no âmbito do STJ, conforme julgamento  do REsp nº 1.200.492 ­ (RS), de outubro de 2015, cuja tese julgada gera efeitos do art. 543­C  do CPC. Veja­se:  RECURSO ESPECIAL Nº 1.200.492 ­ RS (2010/0116943­3)  RELATOR  :  MINISTRO  NAPOLEÃO  NUNES  MAIA  FILHO  R.P/ACÓRDÃO : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES  RECORRENTE  :  REFINARIA DE  PETRÓLEO  IPIRANGA  S/A  ADVOGADO  :  ÂNGELA  PAES  DE  BARROS  DI  FRANCO  E  OUTRO(S)  RECORRIDO  :  FAZENDA  NACIONAL  PROCURADOR  :  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS.  INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO ­ JCP.  Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     82 1.  A  jurisprudência  deste  STJ  já  está  pacificada  no  sentido  de  que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao  PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros  sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da  Lei  n.  10.833/2003,  permitindo  tal  benesse  apenas  para  a  vigência  da  Lei  n.  9.718/98.  Precedentes  da  Primeira  Turma:  AgRg  nos  EDcl  no  REsp  983066  /  RS,  Rel. Min.  Teori  Albino  Zavascki, julgado em 01.03.2011;(...).   2.  Tese  julgada  para  efeito  do  art.  543­C,  do  CPC:  "não  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS  e  COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre  o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n.  10.833/2003".  3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime  do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.  Assim, quanto  à base de  cálculo da  contribuição para PIS  e da Cofins,  não  cumulativas,  vejamos a  legislação de  regência. As  leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, no  art. 1º, determinam que as contribuições de que tratam incidem sobre a totalidade das receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil. Já no § 3º deste artigo, trazem o rol taxativo das receitas que não integram a base de  cálculo das contribuições, do qual não há qualquer menção a juros sobre o capital próprio.  Cabe  observar  ainda  que,  a  partir  de  02.08.2004,  por  força  do Decreto  nº  5.164/2004,  ficaram  reduzidas  a  zero  as  alíquotas  do  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  financeiras  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  de  incidência  não­ cumulativo  das  referidas  contribuições.  O  disposto  não  se  aplica  às  receitas  financeiras  oriundas  de  juros  sobre  capital  próprio  e  as  decorrentes  de  operações  de  hedge,  estas  até  31.03.2005.  E, a partir de 01.04.2005, por força do Decreto 5.442/2005, ficam reduzidas a  zero  as  alíquotas  do  PIS  e  da  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  financeiras,  inclusive  decorrentes de operações realizadas para fins de hedge.  Art.  1º  Ficam  reduzidas  a  zero  as  alíquotas  da  Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  ­  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  financeiras,  inclusive decorrentes de operações  realizadas para  fins  de  hedge,  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições.   Parágrafo único. O disposto no caput:   I ­ não se aplica aos juros sobre o capital próprio;   II  ­  aplica­se  às  pessoas  jurídicas  que  tenham apenas  parte de  suas  receitas  submetidas  ao  regime  de  incidência  não­ cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.   Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação,  produzindo efeitos a partir de 1º de abril de 2005.   Constata­se  que  permanece  a  incidência  do  PIS  e  COFINS  sobre  os  juros  sobre o capital próprio. O disposto aplica­se, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas  parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não­cumulativa.  Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.174          83 Conclui­se,  então,  que  os  juros  sobre  o  capital  próprio  compõem  a  receita  bruta para fins de apuração da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS, uma vez  que não há qualquer dispositivo legal permitindo sua exclusão da base de cálculo das referidas  contribuições.   21. Multa de ofício sobre os valores lançados a título de juros sobre capital próprio   A  Recorrente  contesta  a  exigência  da multa  de  ofício  incidente  sobre  os  valores  lançados  a  título  de  juros  sobre  capital  próprio  alegando  que  no  momento  do  lançamento realizado, tinha a seu favor decisão judicial concedendo suspensão da exigibilidade  do  crédito  tributário;  menciona  o  MS  nº  2006.61.00.0267561  e  a  Ação  Cautelar  nº  2007.03.00.1042080.  No  acórdão  ora  revisado,  a  multa  de  ofício  incidente  sobre  os  valores  lançados referentes aos juros sobre capital próprio foi mantida considerando que, no momento  do  lançamento,  não  havia  decisão  judicial  ­  nos  autos  do  MS  nº  2006.61.00.00267561  e  processos dependentes concedendo suspensão da exigibilidade do crédito tributário.  Não  obstante  o  lá  decidido,  pelos mesmos motivos  expendidos  no  subitem  anterior se deve manter a exigência da multa de ofício, aplicada aos valores lançados referentes  a juros sobre capital próprio.  22. Da Multa de Ofício  Foi lançada a multa de ofício de 75% sobre o valor apurado da contribuição  devida, com fundamento no art. 44, I, da Lei 9.430, de 1996.  22.1 Constitucionalidade e legalidade   Em  seu  recurso,  reclama  Recorrente  que  a  multa  aplicada  ofende  os  princípios  constitucionais  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e  da  proibição  do  confisco,  sendo  forçoso  seu  cancelamento.  Diante  disto,  argumenta  que  esta  deve  ser  reduzida,  no  mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei nº  9.430/96, retificando­se o auto de infração lavrado.  Inicialmente, coloque­se que o alegado limite de 20% está previsto para ser  observado em relação à multa de mora, ou seja, aquela exigível sobre débitos decorrentes de  tributos  e  contribuições  administrados  RFB  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica.  Já  a  multa  de  ofício,  no  percentual  de  75%  sobre  a  totalidade  ou  diferença  da  contribuição objeto de lançamento de ofício, está legalmente prevista no art. 44 da lei 9.430/96.  Desta feita, o lançamento foi realizado em estrita observância à lei.  Em  estando  prevista  em  lei  plenamente  em  vigor,  não  cabe  aqui  qualquer  manifestação em relação à constitucionalidade da referida lei, pois, como visto, as autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  como  será  visto  mais  adiante  este  CARF  é  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.  22.2 Responsabilidade pela multa de ofício na sucessão de empresas   Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     84 Além  disso,  impugnante  alega  não  ser  responsável  pela  multa  de  ofício  aplicada,  a  teor  dos  artigos  132  e  133  do  CTN.  Com  base  em  excertos  doutrinários  e  jurisprudenciais alega que: (i) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, já constituída ou em  discussão no momento da incorporação é absorvida pela empresa sucessora; (ii) a multa fiscal,  imposta  à  empresa  sucedida,  constituída  após  a  incorporação  e  referente  à  fatos  geradores  anteriores à incorporação não é exigível da empresa sucessora.  Veja­se o  cronograma dos  fatos:  a  ciência dos  autos de  infração  se deu em  29/07/2011, portanto, em data posterior  à  incorporação da Perdigão Agroindustrial S.A. pela  Perdigão S.A.  (atual BRF Brasil  Foods S.A.),  que ocorreu  em 09/03/2009,  conforme Ata da  Assembléia Geral  Extraordinária  da  Perdigão Agroindustrial  S.A.  (Doc.  01);  e  os  fatos  que  ensejaram a aplicação da multa dizem  respeito a  (supostas)  situações de  responsabilidade da  Perdigão  Agroindustrial  S.A.  (incorporada)  anteriores  à  dita  incorporação  (fatos  geradores  ocorridos entre janeiro e março de 2006).  Note­se,  primeiramente,  que  a  multa  de  ofício  é  decorrente  pelo  não  pagamento de tributos devidos pela sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos antes do  ato  de  sucessão.  Registre­se,  então,  aspecto  incontroverso  quanto  à  responsabilidade  da  incorporadora pelos tributos devidos pela incorporada.  Neste caso, também subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida,  adotando­as como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de  1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto):  "(...) Ressalte­se que o artigo 132 está inserido, no referido diploma legal, no Livro Segundo,  Título II, Capítulo V, Seção II, seção que trata da “Responsabilidade dos Sucessores”, inaugurada pelo art. 129, in  verbis:  Art. 129. O disposto nesta Seção aplica­se por igual aos créditos  tributários  definitivamente  constituídos  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações tributárias surgidas até a referida data.  Tal artigo enuncia a regra geral aplicável a todas as disposições sobre a responsabilidade dos  sucessores,  portanto,  incabível  interpretar  o  referido  artigo  132  de  forma  literal  e  isoladamente,  de  modo  a  exonerar o  sucessor da  responsabilidade pelas multas,  tendo em conta que a  regra geral  trata expressamente de  “crédito tributário”, que engloba não apenas o valor atualizado dos tributos até então devidos pela sucedida, como  também  as  multas  (moratórias  ou  de  ofício),  posto  que  ambos  integram  o  passivo  fiscal  da  incorporada.  Na  redação dos artigos acima referidos (129 e 132), “tributo” equivale a “crédito tributário”, abrangendo o principal e  as cominações legais.   Nesse  sentido,  importa mencionar  outros  artigos  do CTN:  o  art.  113  que  determina  que  a  obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou  penalidade pecuniária; o art. 114 que define o fato gerador da obrigação principal como a situação definida em lei  como necessária e suficiente à sua ocorrência; e o art. 139 do CTN que define que o crédito tributário decorre da  obrigação principal e tem a mesma natureza desta.  Registre­se,  também,  que  ao  lado  da  interpretação  sistemática,  há  que  se  utilizar  a  interpretação  teleológica,  buscando  o  sentido  e  alcance  da  norma,  pretendido  pelo  legislado,  dentro  do  ordenamento jurídico. À evidência, seria ilógico, e um estímulo à sonegação, se o legislador permitisse que, por  simples ato particular (a sucessão), o impugnante pudesse se esquivasse do pagamento das penalidades, objeto de  obrigação tributária principal, fraudando o direito do fisco à percepção de seus créditos, legítimos em face da lei.  Destarte, se a lei excluísse as multas da responsabilidade dos sucessores, estaria criada uma permissão legal para  que as  empresas, por meio de  sucessivas  transformações  societárias,  ficassem sempre a  salvo de  imposições de  multas por infrações à legislação tributária. Certamente, não foi essa a intenção do legislador.  Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.175          85 No  mais,  como  se  vê,  o  artigo  expressamente  declara  que  os  sucessores  respondem  não  somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos na data da sucessão e pelos créditos tributários em  curso  de  constituição  na  mesma  data,  mas  também  pelos  créditos  tributários  cuja  constituição  se  iniciou  posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data".  Cito ainda a Súmula nº 554 do STJ, que assim dispõe:   "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os  tributos  devidos  pela  sucedida,  mas  também  as  multas  moratórias  ou  punitivas  referentes  a  fatos  geradores  ocorridos até a data da sucessão".  No mesmo sentido, decidiu o Recurso Especial ­ REsp. nº 923.012 (MG).  Portanto,  em  sendo  a  sucessora  responsável  pelos  créditos  tributários  constituídos  posteriormente  ao  ato  de  sucessão,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias  surgidas  até  data  do  referido  ato,  cabível  é  a  exigência  de multa  de  ofício  da  sucessora  por  infração cometida pela sucedida.  Desta forma, considero correto o lançamento.  23. Dos Juros (taxa Selic):   A Recorrente  alega  que  "(...)  os  juros  são  devidos  à  razão  de 1%  (um  por  cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional, sendo de total  improcedência o lançamento realizado dos juros de mora calculados à taxa Selic".   Ao contrário do que alega a impugnante, cabível é a aplicação dos juros, nos  índices que o foram, conforme regularmente definido no dispositivo legal indicado no auto de  infração, qual seja, art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96.  Ademais, a insurgência contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros  de  mora  não  merece  maiores  considerações.  É  que  o  tratamento  de  tal  matéria  já  tem  entendimento  pacificado  no  âmbito  do  CARF  e  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  plasmado na Súmula nº 4, (DOU de 22/12/2009), que assevera ser cabível a cobrança de juros  de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados  pela Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação  e Custódia Selic para títulos federais.  Súmula CARF n° 4:  "A partir  de  1º  de abril  de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais."  Note­se,  inicialmente,  que  as matérias  passíveis  de  serem  postas  em  litígio  pela  impugnante  no  presente  feito  são  somente  aquelas  referentes  às  imposições  postas  por  meio do lançamento fiscal; assim, em se tratando dos juros de mora, somente são passíveis de  análise por esta instância julgadora os juros lançados por meio do auto de infração contestado.  Desta  feita,  os  juros  de  mora  que  incidirão  sobre  o  crédito  tributário  no  momento  de  sua  efetiva  exigência  ­  quando  este  se  encontrará  definitivamente  julgado  no  âmbito administrativo não é matéria que compõe a presente lide, haja vista não integrar o valor  lançado e contestado.  Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     86 Isso  posto,  está  claramente  evidenciado  nos  autos  nos  quadros  “DEMONSTRATIVO  DE  MULTA  E  JUROS  DE  MORA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP” e “DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL”,  integrantes  dos  autos  de  infração em análise que os  juros de mora  lançados, ao contrário do que  alega a  impugnante,  não  foram  aplicados  sobre  os  valores  apurados  para multa  de  ofício, mas  somente  sobre  os  valores das contribuições lançadas, para cada período de apuração.  Portanto, correto o lançamento fiscal  24. Dos Juros de mora (Selic) sobre a Multa   A impugnante contesta, ainda, a exigência juros de mora (à taxa Selic) sobre  a multa de ofício aplicada nos presentes autos de infração, com fundamento no art. 61 da Lei n°  9.430,  de  1996,  pois  tal  dispositivo  legal  assim  não  autorizou;  nesse  sentido,  aduz  que  o  legislador  estabeleceu  a  aplicação  de  juros  de  mora  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  (que  é uma espécie do  gênero  tributo),  não pagos  em seu  vencimento. Cita os  Acórdãos deste CARF.  Trata­se de matéria controversa, com decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402­ 002.856 e 3402­002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n°  1402­002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303­003.385 da 3° Turma da Câmara  Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes proferidas pelo CARF.  Consigno que discordo da interpretação da Recorrente.  Dispõe o art. 113 do CTN:  " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  (. . .)"   A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de  conceituados  tributaristas,  que  repudiam  o  fato  de  o  conceito  de  obrigação  tributária  compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicá­lo.  Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN:  "Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  (. . .)"   Assim,  no  caso  em  tela,  a  obrigação  tributária  abrange  PIS,  COFINS  e  a  multa de ofício.  25­ Inconstitucionalidade das leis, ilegalidade das IN, conceito de insumo  Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.176          87 Em síntese, a Recorrente argumenta que as instruções normativas citadas e a  própria  fiscalização  no  presente  auto  de  infração,  ao  empregarem  o  conceito  extremamente  restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao  contribuinte em detrimento da Lei.  "Ora, diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais  atos. Não resta dúvida, por conseguinte, de que a Receita Federal  tem se utilizado de artifício  ilegal  para restringir o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS, no regime não­cumulativa correndo  clara violação à legislação vigente, além de exigir tributo indevidamente".  Trata­se  de  matéria  que,  como  se  sabe,  não  pode  ser  apreciada  no  âmbito  administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  tem  competência  para  a  declaração  de  inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno:  Súmula Carf nº 2:  "O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária".  26. Da solicitação de Diligência pelo CARF.  A  Recorrente  reitera,  visando  melhor  esclarecer  os  fatos  tratados  neste  processo, a importância de se realizar diligência solicitada por este CARF.  Tal solicitação foi atendida nos dois processos (DComp/créditos), que foram  analisados e emitidas as respectivas Resoluções, devidamente efetivadas pelo Fisco, conforme  consta  dos  processos  nºs  16349.000273/2009­08  e  16349.000281/2009­46  (COFINS  e  PIS,  respectivamente).  27. Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  apresentado para,  conforme documentos  acostados  aos  autos,  reconhecer o direito  ao crédito em relação ao PIS e a COFINS, para os bens e serviços a seguir:  (i)  para  os  seguintes  produtos  adquiridos,  conforme  o  "item  8.2.  f":  "saco  plástico,  bolsa  térmica  cong.  PVC  perdigão,  fio  de  algodão,  de  poliéster,  nylon,  caixa  de  proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de  produtos fabricados;  (ii) para os seguintes produtos adquiridos conforme contido no "item 8.2. h":  peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas;   (iii)  para  os  itens  relacionados  da  Planilha  "NF  Glosadas  ­  Operação  sem  direito a crédito (CFOP)" às fls. 1.216/1219, exceto, para o seguintes bens da relação: Cliche  impressão  de  embalagens,  Oleo  Verkol,  Copolimero  (Polietileno),  adoçante  zero  cal,  lenha  nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó  de  serra,  soro  de  leite  permeato,  dos  bens  da NF nº  91607  (placa  eletrônica CPU  ­ Formax,  bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constante do "item 8.2. i".  (iv) dos serviços com limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise  de água, conforme disposto no "item 9.1", e  Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     88 (v) reconheça­se à recorrente, o direito à apropriação do crédito presumido na  forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do  valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2003 (item 16).  Mantenha­se a decisão recorrida em TODOS os demais termos.  É como voto.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.177          89 Voto Vencedor  1. "BIG BAGS" E DISPÊNDIOS COM OS FRETES  Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula   Na  sessão  de  julgamento  ousei  divergir  do  Ilustre Relator  relativamente  ao  creditamento relativo às aquisições das embalagens "Big Bags" e aos dispêndios com os fretes,  no que fui seguida pela maioria dos Conselheiros da Turma.  Entendo que pode  ser considerado como  insumo, para  fins de  creditamento  das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou de transporte desde que  não  sejam  bens  ativáveis,  eis  que  a  proteção  ou  acondicionamento  do  produto  final  para  transporte  também é um gasto  essencial  e  pertinente  ao  processo  produtivo,  de  forma que  o  produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador.   Nessa mesma linha já foi decidido por esta 3ª Seção do CARF, no Acórdão nº  3302­001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, com Voto Vencedor da Conselheira Fabíola  Cassiano Keramidas: "(...) Parece­me claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no  processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com  a  embalagem  para  o  transporte  é  que  a  fase  produtiva  se  finda),  é  INDISPENSÁVEL  e  necessária  para  a  composição  do  produto  final,  uma  vez  que  a  madeira  tem  que  estar  em  condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à  atividade da Recorrente (...)".  Este  Colegiado,  no  Acórdão  nº  3402­002.809  –  4ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária,  de  10  de  dezembro  de  2015,  também  se  manifestou  nesse  sentido:  "(...)  Assim,  conforme exposto neste  item,  relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e  armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização  somente dos seguintes bens: (...) BIG BAGS, (...)".  No  que  concerne  aos  fretes  de  transferências  de  produtos  acabados  entre  filiais, denominado "SERVIÇO FRETE E CARRETO", alega a recorrente que o seu processo  produtivo não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue  ao  destinatário  final  em  condições  de  aptidão  ao  consumo  humano,  segundo  critérios  estabelecidos  pelos  órgãos  competentes,  razão  pela  qual  “tais  fretes  participam  do  próprio  processo de industrialização e obtenção de receita” (Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007  e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984).  Não obstante, como regra geral, eu entenda que o serviço de frete de produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  contribuinte  não  gere  o  direito  ao  correspondente  creditamento, no caso dos autos, que trata de um frete especializado para atender às exigências  sanitárias, essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades  intrínsecas,  considero  que  tais  dispêndios  trata­se  de  despesas  operacionais,  cabendo  o  correspondente creditamento.  Nesse sentido já foi decidido por este CARF no precedente abaixo acerca do  frete especializado para a carga de alta periculosidade:  Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     90 Acórdão nº 3803­003.749 – 3ª Turma Especial   Sessão de 28 de novembro de 2012   Relator: JORGE VICTOR RODRIGUES   (...)  Considerando  a  contextualização  do  conceito  de  insumo,  bem  como  que  o  serviço  de  frete  comporta  atividades  de  coleta,  transferência  e  entrega  da  mercadoria  transportada,  além  de  vários  aspectos  que  devem  ser  contemplados,  como  custo  com  gerenciamento de riscos, percurso,  tipo de carga, dentre outros  aspectos;  Considerando  que  a  carga  transportada  pela  contribuinte  é  de  alta  periculosidade  e  que  a  contribuinte  se  sujeita  à  legislação  aplicável  ao  transporte  rodoviário  de  produtos perigosos, ao ponto de ser tratado como caso especial,  que envolve o cumprimento de exigências nela estabelecidas, que  impõe  acompanhamento  técnico  especializado,  o  transporte  preferencialmente  em  veículos  próprios  e  que  prevê  a  necessidade  de  acompanhamento  de  escolta,  mediante  prévia  obtenção de Autorização Especial de Trânsito – AET, nos termos  da  Resolução  DNIT  nº  11/04;  Considerando  que  o  dispêndio  realizado  para  o  transporte,  mesmo  que  ocorrendo  após  o  processo  produtivo,  é  necessário  à  consecução do  desiderato  e  suportado pela própria fabricante, a nosso sentir, deve integrar  o  conceito  de  insumo,  compreendido  dentre  as  despesas  operacionais  da  contribuinte,  classificadas  ou  não  como  parte  integrante das despesas com frete.  (...)  Assim, conforme acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial  ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto às embalagens "Big Bags" e pagamento de  fretes.  É como voto.       (assinado digitalmente)  Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula ­ Redatora designada.    2. ALUGUEIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS ­ Imóveis Rurais  Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto  A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas jurídicas  referentes a imóveis rurais, por entender que não se enquadram no conceito de prédios, na linha  do prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003.  A Recorrente  defende  a  legitimidade  do  crédito  quanto  aos  pagamentos  de  imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002  não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao  intérprete distinguir.  Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.178          91 A legislação traz, em seu art. 3º, inc. IV, o direito aos créditos relativos aos  "aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades da empresa". Restando incontroverso que os aluguéis foram pagos a pessoas jurídica  e que foram utilizados na atividade da empresa, resta discutir o alcance da expressão "prédios".  Buscando uma definição no dicionário Caldas Aulete, verifica­se os seguintes  sentidos: "1. Propriedade imóvel. 2. Edificação com vários pavimentos ou andares, destinada a  habitação  ou  a  atividades  comerciais  ou  industriais;  3. Qualquer  edificação".  Por  sua  vez,  o  dicionário  Michaelis  traz  como  significados:  "1  Construção  que  contém  uma  série  de  apartamentos  individuais.  2  Propriedade  imóvel,  rural  ou  urbana.  3  Construção  feita  de  material apropriado ao fim a que se destina e segundo as regras arquitetônicas.".  De  pronto,  pode­se  constatar  com  entre  os  sentidos  possíveis  da  expressão  prédio  está  a  noção  de  propriedade  imóvel,  seja  ela  rural  ou  urbana.  Resta  verificar  se  tal  sentido é aceito também na legislação pátria.  Para isso remete­se imediatamente às definições do art.4º, I, da Lei 4.504/64  (Estatuto  da  Terra),  no  qual  se  define  "Imóvel  Rural",  o  "prédio  rústico,  de  área  contínua  qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou  agro­industrial,  quer  através  de  planos  públicos  de  valorização,  quer  através  de  iniciativa  privada".  Disso não discrepa o Código Civil, que em diversas oportunidades utiliza o  termo prédio no sentido de imóvel. Senão vejamos:  Art. 206. Prescreve:  § 3o Em três anos:  I  ­  a  pretensão  relativa  a  aluguéis  de  prédios  urbanos  ou  rústicos;  Art. 609. A alienação do prédio agrícola, onde a prestação dos  serviços se opera, não importa a rescisão do contrato, salvo ao  prestador  opção  entre  continuá­lo  com  o  adquirente  da  propriedade ou com o primitivo contratante.  Art. 964. Têm privilégio especial:  VI  ­ sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios  rústicos ou urbanos, o credor de aluguéis, quanto às prestações  do ano corrente e do anterior;  Art.  1.250.  Os  acréscimos  formados,  sucessiva  e  imperceptivelmente,  por  depósitos  e  aterros  naturais  ao  longo  das  margens  das  correntes,  ou  pelo  desvio  das  águas  destas,  pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização.  Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de  prédios  de  proprietários  diferentes,  dividir­se­á  entre  eles,  na  proporção da testada de cada um sobre a antiga margem.  Art. 1.251. Quando, por  força natural violenta, uma porção de  terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste  adquirirá  a  propriedade  do  acréscimo,  se  indenizar  o  dono  do  Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     92 primeiro  ou,  sem  indenização,  se,  em um ano,  ninguém houver  reclamado.  Parágrafo único. Recusando­se ao pagamento de indenização, o  dono  do  prédio  a  que  se  juntou  a  porção  de  terra  deverá  aquiescer a que se remova a parte acrescida.  Art.  1.252.  O  álveo  abandonado  de  corrente  pertence  aos  proprietários  ribeirinhos  das  duas  margens,  sem  que  tenham  indenização  os  donos  dos  terrenos  por  onde  as  águas  abrirem  novo  curso,  entendendo­se  que  os  prédios  marginais  se  estendem até o meio do álveo.  Art.  1.264.  O  depósito  antigo  de  coisas  preciosas,  oculto  e  de  cujo  dono  não  haja  memória,  será  dividido  por  igual  entre  o  proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente.  Art.  1.277. O proprietário  ou o  possuidor  de um prédio  tem o  direito  de  fazer  cessar  as  interferências  prejudiciais  à  segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas  pela utilização de propriedade vizinha.  Art.  1.282.  A  árvore,  cujo  tronco  estiver  na  linha  divisória,  presume­se  pertencer  em  comum  aos  donos  dos  prédios  confinantes.  Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a  estrema  do  prédio,  poderão  ser  cortados,  até  o  plano  vertical  divisório, pelo proprietário do terreno invadido.  Art. 1.285. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública,  nascente  ou  porto,  pode,  mediante  pagamento  de  indenização  cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será  judicialmente fixado, se necessário.  Ao  tratar da expressão prédio, especialmente no  âmbito do  livro do Direito  das Coisas,  o  legislador  utiliza a  expressão  inequivocamente no  sentido de  imóvel,  e não de  edificação  ­  caso  contrário,  teria­se  que  imaginar,  por  exemplo,  o  absurdo  de  uma  árvore  nascendo na linha divisória de duas edificações, situação de todo pitoresca.  Não só isso, distingue o  legislador entre prédios urbanos e rústicos, rurais e  agrícolas ­ distinção esta que não é feita pelo legislador tributário ao enunciar como causa do  crédito no regime de PIS e Cofins não cumulativos os "aluguéis de prédios".  Tal constatação atraia a aplicação do art.109 do Código Tributário Nacional,  verbis:  Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam­se para  pesquisa  da  definição,  do  conteúdo  e  do  alcance  de  seus  institutos,  conceitos  e  formas,  mas  não  para  definição  dos  respectivos efeitos tributários.  Ao utilizar a expressão prédio ­ termo secular no Direito Privado, o legislador  tributário se vinculou a definição, conteúdo e alcance do mesmo naquele âmbito, sobrando­lhe  apenas  definir  os  efeitos  tributários,  quais  seja,  a  geração  de  créditos  pela  comprovação  de  despesas com aluguéis.  Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.179          93 Diante  disso,  não  restam  dúvidas  de  que,  se  pagos  a  pessoa  jurídica  e  utilizados  na  atividade  da  empresa,  o  aluguel  de  imóvel  rural,  rústico  ou  não,  dá  direito  ao  crédito previsto no art.3º, IV das leis 10.637 e 10.833.  Em vista disso, dou provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas  de crédito referentes ao aluguel de imóveis rurais.       (assinado digitalmente)  Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto  ­ Redator designado    3. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz   Com relação à não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendo  que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo  legal que fundamente tal exigência.   Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de  1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os “ “os débitos para com a União, decorrentes de  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (...) não pagos nos  prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os  débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”.  O  comando  do  citado  artigo,  portanto,  determina  que  sobre  os  débitos  (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicar­se­ á, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário  para fins de aplicação dos juros. Seria de fato “ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao  início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de  mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan  (Acórdão 3403­002.367, de 24 de julho de 2013).  Vê­se,  assim,  que  a  literalidade  do  artigo  separa  os  débitos  tributários  das  penalidades  (multas de  ofício),  determinando a  incidência dos  juros  só  sobre os primeiros,  e  não sobre as segundas.   Parece  ter  assim  andado  o  legislador  buscando  estar  em  sintonia  com  as  regras  estabelecidas  pelo  Código  Tributário  Nacional  (“CTN”),  com  o  status  de  lei  complementar  que  tem  ao  dar  cumprimento  às  funções  estipuladas  pelo  artigo  146  da  Constituição Federal.   Efetivamente,  o  CTN  além  de  claramente  separar  a  natureza  jurídica  dos  tributos  (invariavelmente  decorrente  de  condutas  lícitas,  segundo  o  artigo  3ª)  e  das  multas  (penalidades  pela  prática  de  ilícitos,  ou  seja,  sanções  aplicadas  quando  da  ocorrência  de  infrações  ao  sistema  tributário),  em  seu  artigo  161  coloca  que  o  “crédito  não  integralmente  pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta,  sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”   Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     94 O artigo 161 do CTN, destarte, desintegra as penalidades do crédito tributário  para fins de aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas  pela  locução  “crédito”,  no  início  do  dispositivo,  não  as  teria  destacado  e  dado  tratamento  diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal.   Ressalto  que  não  se  está  aqui  a  olvidar  que  a  separação  entre  crédito  tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista  do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas trazidas pelo  próprio  CTN,  vale  dizer,  o  artigo  1131  combinado  com  o  artigo  139,2  os  quais,  lidos  conjuntamente,  levam  à  conclusão  de  que  o  crédito  tributário  abarca  toda  a  obrigação  principal,  composta  tanto  pelos  tributos  como  pelas  penalidades  pecuniárias  devidas  pelo  contribuinte aos Cofres Públicos.   Tal  incoerência,  contudo,  não  é  suficiente  para  afastar  a  dissociação  entre  crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo  61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores  devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a  incidência  de  juros  (no  âmbito  federal  representado  pela  SELIC)  sobre  o  crédito/débito,  entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades  tributárias.   As  incoerências  da  legislação  tributária  são  diversas,  cabendo  aos  órgãos  julgadores solucioná­las da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se  pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre  a multa de ofício.   Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (e.g. Acórdão  3403­002.367,  de  24  de  julho  de  2013;  Acórdão  3402­ 002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada.   Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF  n.  4,3  cujo  teor  impõe  o  reconhecimento  como  devida  a  SELIC  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  Receita  Federal.  São  sim  devidos  os  juros  SELIC,  mas  tão  somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício  cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração).   Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de  ofício,  incabível  a  cobrança  pretendida  pela  Autoridade  Fiscal  nestes  autos,  devendo  ser  a  mesma cancelada por este Colegiado.  Neste ponto,  insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art.  43,  da Lei n.º  9.430/96, mencionado no Acórdão 9303­002.399, da 3ª Turma da CSRF.  Isso  porque  o  referido  dispositivo  traz  a  previsão  de  aplicação  dos  juros  de  mora  quando  da  lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada  ou  conjuntamente",  tratando­se,  portanto,  de  "Auto  de  Infração  sem  tributo"  nos  termos  do  título utilizado pela própria lei neste artigo:                                                              1  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  § 1º A obrigação  principal  surge  com a ocorrência do  fato gerador,  tem por  objeto  o  pagamento de  tributo  ou  penalidade pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente.  2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.  3 Súmula CARF n° 4: A partir  de 1o  de  abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre débitos  tributários  administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”  Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA Processo nº 11516.722107/2011­80  Acórdão n.º 3402­003.148  S3­C4T2  Fl. 5.180          95 "Seção  V  ­  Normas  sobre  o  Lançamento  de  Tributos  e  Contribuições  Auto de Infração sem Tributo  Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento." (grifo nosso)  Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima  distingue­se claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor  do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros.  Por  fim,  cumpre  tecer  alguns  comentários  sobre  o  julgamento  do  Superior  Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a  aqui exposta.   Trata-se do AgRg no REsp 1.335.688-PR, segundo o qual: "entendimento  de  ambas  as  Turmas  que  compõem  a  Primeira  Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário.'  (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de  14/9/2009). De  igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori  Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010."  Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada  não merece  guarida.  Para  ser mais  precisa,  por  uma  análise  acurada  do  teor  do  julgamento,  entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no  AgRg no REsp 1.335.688­PR não  foi  trazido  um único  fundamento  de  decidir  a  respeito  da  diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão  calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico.  No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de  mesmo  número,  as  razões  de  decidir  do Ministro  Relator  Benedito  Gonçalvez  se  limitam  a  afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela  incidência  dos  juros  Selic  sobre  a  multa  de  ofício  espelhou  a  jurisprudência  firmada  pelas  Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa  acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG.   Ocorre  que  no REsp  1.129.990/PR,  segundo  os  dizeres  do Ministro Castro  Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a  multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeita­se à incidência de juros de mora, como  defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este  acréscimo,  conforme  a  tese  adotada  pelo  acórdão  hostilizado." Não  são  necessárias maiores  digressões  para  chegar  a  conclusão  de que  se  a matéria  analisada pelo STJ  nesse  caso  dizia  Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA     96 respeito  à  tributo  estadual  (ICMS),  de  modo  que  não  foi  objeto  de  apreciação  a  legislação  federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito,  o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do  CTN.  Na mesma problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutia­se, em  primeiro  lugar,  a  aplicabilidade  da  taxa Selic  como  índice  legítimo  de  correção monetária  e  juros de mora para  a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual  (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos  juros  sobre  a  multa  de  ofício  que,  por  óbvio,  também  se  limitava  ao  âmbito  da  legislação  estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo  61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96.  Constata­se,  assim,  que  os  precedentes  utilizados  como  alicerce  para  a  decisão  do  AgRg  no  REsp  1.335.688­PR  não  tangenciaram  especificamente  os  dizeres  do  artigo  61 caput e  §3º  da Lei  n.  9.430/96.  Por  essa  razão  não  vislumbro  qualquer  razão  para  alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da  falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de  infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal.      (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Redatora designada.                Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 09/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 09/ 08/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BE ZERRA

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6444391 #
Numero do processo: 13016.000366/2001-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em ação judicial de repetição de indébito, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal.
Numero da decisão: 3201-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima enfatizou que acompanhou o voto do relator tão só em face da existência de decisão prolatada pelo STJ, na sistemática do recurso repetitivo, tratando da mesma matéria. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, as conselheiras Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Alexandre Pace, OAB/SP nº 182632.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2.005          1 2.004  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13016.000366/2001­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.233  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de junho de 2016  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  VINHOS SALTON S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988  DECISÃO  JUDICIAL  TRANSITADA  EM  JULGADO.  PAGAMENTO  INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  A  partir  do  trânsito  em  julgado  de  sentença  proferida  em  ação  judicial  de  repetição  de  indébito,  o  contribuinte  terá  a  faculdade  de  optar  pelo  recebimento  do  crédito  por  via  de  precatório  ou  proceder,  administrativamente,  à  compensação  tributária,  não  sendo  possível  a  restituição  administrativa,  sob pena de violação  ao  art.  100 da Constituição  Federal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  O  conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima enfatizou que acompanhou o voto do relator tão só  em  face  da  existência  de  decisão  prolatada  pelo  STJ,  na  sistemática  do  recurso  repetitivo,  tratando da mesma matéria.  CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Cássio  Schappo,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.  Ausente,  justificadamente, as conselheiras Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Tatiana  Josefovicz  Belisário.  Fez  sustentação  oral,  pela  Recorrente,  o  advogado  Ricardo  Alexandre  Pace, OAB/SP nº 182632.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 03 66 /2 00 1- 41 Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.006          2 Relatório  Por  bem descrever  a matéria  de que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida.   O presente processo teve inicio com apresentação de pedido de  restituição  (fl.  01),  protocolizado  em  09/08/2001,  de  R$  6.036.683,67,  relativos  a  alegado  "crédito  financeiro  oriundo  quotas de contribuição sobre operações de exportação de café em  grão cru, efetuada por Real Comércio de Produtos Alimentícios  Ltda,  incorporada  por  Realcafé  Solúvel  do  Brasil  SA,  CNPJ  28.154.847/0001­40, sediada em Viana, Estado do Espírito Santo  ".  2. A interessada, na motivação do pedido, à fl. 01, ressalta como  motivo do pedido a existência de "decisão judicial transitada em  julgado,  relativa  ao  Processo  n°  9300040561,  que  transitou  perante a 2a Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória — ES.  3.  Juntamente  com  o  pedido,  foram  apresentadas  a  cópia  de  inteiro  teor  do  processo  judicial  e  Planilha  de  atualização dos  valores relativos aos recolhimentos da Quota de Contribuição do  Café (fl.361).  4.  Às  fls.  363/369,  consta  Parecer  DRF/CXL/Saort  n°  20,  da  Delegacia  da Receita Federal  em Caxias  do  Sul/RS,  datado de  27/12/2001, pelo qual foi indeferido o pedido de restituição de fl.  01.  5. Às fls. 375/378, os Pedidos de Compensação protocolados em  06/09/2001.  6. Em 01/06/2002, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do  Sul/RS  emitiu  a  notificação  de  fl.  384,  para  cientificar  o  contribuinte do: "(1) não conhecimento do Pedido de Restituição  constante  à  fl.  01  e;  (2)  indeferimento  dos  Pedidos  de  Compensação de  fls. 375/379 e;  (3) ciência de que a  cobrança  dos  .  débitos  informados  nos  Pedidos  de  Compensação  seria  efetuada  no  processo  11020.000873/2002­71  e;  (4)  informar  sobre  a  legitimidade  de  apresentar  Manifestação  de  Inconformidade,  dentro  do  prazo  previsto  pela  e  legislação  de  regência.  7. Às  fls. 387/428, com a não­homologação da compensação, a  interessada,  por  intermédio  de  seu  diretor  presidente,  apresentou,  em  12/04/2002,  a  tempestiva  manifestação  de  inconformidade,  onde,  em  extenso  arrazoado,  com  direito  à  transcrição  parcial,  de  recurso  interposto  junto  ao  STF,  por  outra  empresa,  solicita  a  reforma  da  decisão  que  não  tomou  conhecimento  do  pedido  de  restituição,  por  entender  que  a  contribuição instituída pela Instrução n° 205, de 12/05/1961, da  antiga Superintendência da Moeda e do Crédito, a que se refere  Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.007          3 o  Decreto­lei  n°  2.295,  de  21/11/1986,  não  constitui  exação  administrada pela Secretaria da Receita Federal.  8.  Em  virtude  do  disposto  na  Portaria  SRF  n°  3.022,  de  29/11/2001,  que  alterou  o anexo V da Portaria MF n°  259,  de  24/08/2001,  o  processo  foi  encaminhado  DRJ/Florianópolis,  para julgamento.  9.  Analisado,  o  processo  recebeu  o  Acórdão  n°  2.136,  de  03/01/2003,  onde  foram  declarados  nulos  os  despachos  decisórios  proferidos  pela autoridade  a  quo, que  se absteve  de  conhecer  dos  pedidos  de  restituição  e/ou  compensação  pleiteados pelo interessado (fls. 437/441).  10. Devolvido ao órgão de origem, o pedido foi analisado e, por  meio  do  Despacho  Decisório  DRF/CXL/Gabinete,  de  22/11/2004,  teve  o  seguinte  desfecho:  i)  que  os  créditos  pretendidos  são  ilíquidos;  ii) que não  foi apresentada nenhuma  prova da homologação, pelo Poder judiciário da desistência da  execução do  titulo Judicial ou da renúncia à  sua execução;  iii)  que  o  mesmo  crédito  está  sendo  cobrado  na  via  judicial  e  administrativa; iv) que tendo havido o deslocamento da lide para  o Poder  Judicial,  perde  o  sentido  a  apreciação do  pedido,  por  meio da  via administrativa; v) que devem ser declarados nulos  os  lançamentos  efetuados  na  dependência  do  Despacho  Decisório cujo teor foi declarado nulo, pela DRJ/Florianópolis;  vi) que foi determinada a cobrança dos débitos na forma do §7°  do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, acrescentado pelo art. 17 da  Lei n° 10.833, de 29/12/2003;  vii)  que não há possibilidade de  compensação de débitos com créditos de terceiros; viii) que cabe  o  lançamento  da  multa  de  oficio  decorrente  de  compensação  indevida, nos termos do art. 18, caput e § 2°, da Lei n° 10.833,  de 2003 e; ix) que cabe manifestação de inconformidade contra  este despacho.  11.  As  fls.  486/488,  com a  não­homologação  da  compensação,  foi determinada a emissão de Carta de Cobrança e, em face da  total  vedação  legal  da  compensação  pleiteada,  o  encaminhamento  para  as  providências  do  art.  18  da  Lei  n°  10.833, de 2003, § 70, art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a  redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002 e  art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003.  12.  Restou  ressalvado,  ainda,  as  fls.490/491,  que  no  presente  processo  seriam  exigidos  apenas  os  débitos  da  matriz  da  empresa,  pertencente  à  jurisdição  da  ARF  de  Bento  Gonçalves/RS. Os documentos relativos aos débitos da  filial da  empresa,  pertencente  jurisdição  da Derat/São  Paulo/SP,  foram  para lá encaminhados, para as providências necessárias.  13.  Cientificada  do  despacho  decisório  retificador  em  16/12/2004  (Aviso de Recebimento­AR, à  fl.489), a  interessada,  por  intermédio  de  representante  constituído  (procuração  à  fl.521),  apresentou,  em  13/01/2005,  a  tempestiva  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  495/520,  acompanhada  dos  documentos de fls. 522/569, que é a seguir sintetizada.  Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.008          4 13.2  Sustenta  que  o  entendimento  exarado  no  Despacho  Decisório  DRF/CXL/Gabinete  que manteve  o  indeferimento  ao  pedido  de  restituição  e  não  homologou  os  pedidos  de  compensação,  determinando  a  cobrança  dos  débitos,  por  entender  quanto  à  sua  ilegitimidade  ativa;  que  o  direito  creditório  alegado  teria  por  base  crédito  de  terceiros;  que  a  compensação  efetuada  estaria  em  desacordo  com  a  decisão  judicial que transitou em julgado; que a compensação teria sido  efetuada  com  créditos  destituídos  de  liquidez;  e  que  o  titulo  judicial  estaria  em  fase  de  execução,  não  pode  prosperar,  por  ser contrario aos documentos que constam dos autos.   13.3 Entende  que  está  provada  sua  legitimidade  ativa  na  ação  ordinária  proveniente  da  declaração  do  direito  de  compensar  tributos  ilegalmente  exigidos,  cujo  objeto  tratava  a  ação  de  conhecimento  na  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  da  exigibilidade das quotas de contribuição sobre as exportações de  café, com trânsito em julgado e condenação da União Federal a  restituir as quantias recolhidas a este titulo.  13.4 Afirma que o despacho atacado está desrespeitando decisão  judicial transitada em julgado ao não acolher a homologação do  contrato  de  cessão  de  créditos  entre  a  empresa Real Comércio  de  Produtos  Alimentícios  Ltda  e  a  reclamante,  sob  a  tese  de  impossibilidade  de  crédito  de  terceiro.  Prossegue,  defendendo  que  foram  obedecidas  e  tomadas  todas  as  cautelas  legais  da  decisão  judicial,  fato  ignorado  pela  autoridade  fiscal  que,  desrespeitou  os  termos  da  sentença  judicial,  quer  por  falta  de  observância de sua absoluta e legal legitimidade ativa; quer por  inobservância  de  que  se  referem  a  créditos  próprios  e  não  de  terceiros,  por  força  da  cessão  de  créditos  fundamentada  nos  artigos  286  a  298,  do  Código  Civil  atual,  e  artigo  567,  II  do  CPC.  13.5  Quanto  A  liquidez  do  crédito  e  execução  judicial  em  andamento,  ataca  a  decisão  recorrida  para  afirmar  que  o  crédito,  reconhecido  por  meio  da  homologação  judicial  do  contrato de cessão de direitos, pode ser exigido, pela legislação  ou  por  execução  judicial  ou  por  pedido  de  compensação  administrativa. Sustenta que optou pelo pedido de compensação  de  créditos  legítimos  e  desistiu  da  execução,  por  meio  do  arquivamento  dos  embargos  A  execução  e  que  a  União  está  sendo compelida a  reconhecer  seu direito apenas uma vez,  por  meio do pedido de compensação, tendo por base o artigo 368, do  novo Código Civil.  13.6  Na  seqüência,  volta  a  analisar  individualmente  os  itens  relativos  A  sua  legitimidade  ativa,  advindo  de  cessão  válida,  homologada  judicialmente  e  que  a  coisa  julgada  incorporou  o  crédito ao seu patrimônio, razão pela qual não mais se trata de  crédito  de  terceiro, mas  de  crédito  próprio,  do  qual  decorre  a  legitimidade  ativa  para  ingressar  com  o  pedido  de  restituição/compensação.  Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.009          5 13.7 Sustenta que o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as  alterações  da  Lei  n°  11.051,  de  2004,  ainda  permite  a  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições,  administrados  pela  Receita  Federal,  sem  fazer  menção A forma de aquisição desses créditos.   13.8 Entende que não é aplicável ao  caso o disposto no artigo  123  do  CTN  porque:  i)  não  é  somente  de  uma  convenção  particular  que  advém  seu  direito,  mas  por  força  de  comando  judicial,  o  qual  não  pode  o  fisco  negar  efeito,  sob  pena  de  invasão  de  poderes;  ii)  porque  não  se  trata  de  uma obrigação  tributária,  mas  sim  de  crédito  contra  a  União  Federal  de  natureza  tributária,  não  havendo  lei  que  impeça  o  credor  de  transferir seu crédito para outro.  13.9  Afirma  que  tendo  o  Poder  Judiciário  reconhecido  a  validade e eficácia do negócio jurídico da cessão de créditos, faz  jus  A  compensação  do  crédito,  o  que  está  expresso  no  titulo  executivo  judicial,  que  lhe  confere  o  direito  de  compensação.  Salienta,  que  ante  a  decisão  transitada  em  julgado  da  homologação da cessão de créditos, pelo Poder  judiciário, não  cabe A Instância Administrativa apresentar qualquer restrição.   13.10  Compreende  que,  os  atos  normativos  que  instituíram  a  vedação  A  compensação  com  créditos  de  terceiros  (Instruções  Normativas), transcritas As fl. 508, contrariam o disposto na Lei  n°  9.430,  de  1996  e,  em  conseqüência,  ferem  o  principio  da  reserva  legal  e  da  hierarquia  das  normas.  Invoca,  ainda,  o  principio  da  legalidade,  como garantia  dos  cidadãos  contra  os  desmandos do Poder Público.  13.11 Aduz que negar o seu direito de compensação do crédito,  devidamente homologado sera negar um direito adquirido.  13.12 Em seguida, desenvolve  toda uma argumentação  sobre o  direito  de  cessão  de  créditos  e  os  efeitos  dessa  cessão,  transcrevendo  abalizada doutrina, para  enfatizar  que  não cabe  aplicar  ao  caso  presente  as  vedações  impostas  pelos  atos  normativos  publicados  após  o  advento  da  Lei  n°  9.430  já  que  poderá optar entre executar seu crédito via precatório ou optar  pela compensação, pois esta protegida pela coisa julgada.  13.13 Enfatiza afirmando: "se já não existe mais a possibilidade  de discussão, em razão da coisa julgada, que instaurou um juizo  de  certeza,  não  há  como  negar  o  direito  do  contribuinte  de  compensar os seus créditos com débitos tributários".  Para  enfatizar  sua  tese,  transcreve  decisão  proferida  pelo  STJ  junto  aos  Embargos  de  Divergência  em  REsp.  n°  354.569­DF  (2004/0080369­4).  13.14  Ao  final  pede:  o  deferimento  do  pedido  de  restituição,  cujos valores deverão ser devidamente atualizados bem como a  homologação da compensação dos créditos da impugnante.  Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.010          6 14.  Em  face  da manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­ homologação da compensação no presente processo e no de n°  13016.000531/2001­64, ambos  foram encaminhados à Seção de  Fiscalização da DRF em Caxias do Sul­RS, para o  lançamento  da multa de oficio decorrente da compensação indevida, prevista  no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003,  e demais providências  cabíveis.  Assim,  tiveram  origem  os  processos  de  n°  11020.000730/2005­10  (CSLL),  11020.000726/2005­43  (IRPJ),  11020.000702/2005­94 (IPI), 11020.000727/2005­98 (COFINS),  11020.000728/2005­32 (IRRF) e 11020.000729/2005­87 (PIS).  15. A  folha 581, manifestação da SAORT de Caxias do Sul­RS,  propondo  alteração  do  PROFISC  para  incluir  a  exigência  de  multa de mora nos processos, em face do que dispõe o artigo 30  da Instrução Normativa SRF n°460/2OO4.  16.  Em  face  de  alterações  no  PROFISC,  para  a  inclusão  da  multa  de  mora,  foi  dada  nova  ciência  ao  contribuinte,  em  18/08/2005  (fl.589),  que,  em  15/09/2005  apresentou  nova  manifestação  de  inconformidade  (fls.  591/673),  onde  ataca  a  multa  moratória  e,  na  seqüência  desenvolve  todo  um  extenso  arrazoado  para  atacar  a  exigência  da  multa  isolada  por  compensação indevida.  15.1.Prossegue  afirmando  que  a  multa  moratória  deve  ser  excluída pelas seguintes razões:  i)  por  preterição  ao  direito  de  defesa  por  ausência  de  fundamentação legal;  ii) por conseqüência, deve ser aplicada a  interpretação  mais  benigna  em  respeito  ao  Principio  da  Segurança Jurídica; iii) que é evidente a violação aos Princípios  da  Legalidade  e  da  Irretroatividade,  já  que  as  normas  que  autorizam  a  imputação  da  multa  foram  promulgadas  posteriormente ao pedido de compensação (Instrução Normativa  SRF n° 460, de 2004 e § 7° do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996,  incluído  pelo  artigo  17  da  Lei  n°  10.833,  de  2003);  iv)  pela  caracterização  da  denúncia  espontânea,  já  que  o  pedido  de  compensação  equivale  a  pagamento,  o  que  torna  ilegal  a  imposição da multa moratória.  15.2.Transcreve  toda  a  legislação  reguladora  do  processo  tributário  administrativo  federal  para  enfatizar  que  as  reclamações  e  os  recursos  administrativos,  inclusive  referentes  aos  pedidos  de  compensação,  suspendem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  e,  portanto,  qualquer  ato  ou  norma  administrativa  que  não  conceder  esse  efeito  suspensivo  estará  ferindo o processo tributário.  15.3.  Alega  não  ter  sentido  sofrer  os  autos  de  infração  para  a  cobrança  dos  tributos,  já  que  o  processo  de  compensação  continua pendente de julgamento e, muito menos, sofrer os autos  de multa de mora.  15.4.Mais adiante, acrescenta: Portanto, a Nota Técnica COSAR  n° 109/01 totalmente ilegal, por ofensa a determinação expressa  no CTN, que no art. 201 do CTN define a divida ativa tributária,  Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.011          7 ou seja, somente é débito tributário apto a ser inscrito em divida  ativa, aquele não pago no seu vencimento, fixado por lei ou por  decisão  final  proferida  em  processo  administrativo,  ou  seja,  enquanto não  finalizado o processo administrativo referente ao  débito, este não pode ser  inscrito em divida ativa, pelo  simples  fato de que a sua exigibilidade encontra­se suspensa.  15.5.Afirma que a multa de mora deve ser julgada improcedente  já  que  os  pedidos  de  compensação,  ainda  pendentes  de  julgamento do recurso apresentado, são decorrentes de processo  judicial  transitado  em  julgado,  com  desistência  da  execução.  Salienta que a legislação mencionada no enquadramento legal é  posterior à data dos instrumentos de cessão de créditos indicado  nos  pedidos  de  compensação,  portanto,  não  atinge  os  efeitos  daquelas, em face ao principio da irretroatividade. Entende que  devem  ser  feitas  outras  duas  ponderações  a  respeito:  i)  não  existe dispositivo legal formal que determine a inclusão de multa  de  mora,  quando  do  indeferimento  de  compensação  na  lª  instância  administrativa,  havendo  recurso  em  julgamento;  ii)  toda  a  legislação  mencionada  nos  autos  foi  editada  após  o  pedido  de  compensação,  em  flagrante  afronta  ao  Principio  da  irretroatividade.  15.6. Ainda no mesmo diapasão, defende a  tese de que a multa  de mora não pode prosperar porque sua ilegalidade é patente em  face de: i) ter acarretado seu cerceamento ao direito de defesa já  que não é possível precisar qual o  real motivo da exigência da  multa  de  mora;  ii)  em  função  de  não  ter  sido  aplicada  interpretação mais  benigna  ao  sujeito  passivo,  prevista  no  art.  112,  I  do  CTN;  iii)  ter  ocorrido  violação  aos  princípios  da  legalidade e da irretroatividade e, por fim, iv) em função de ter  restado caracterizada a denúncia espontânea.  15.7.Aventa  que  o  artigo  30  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  460/2004, mencionada  como  enquadramento  legal  da multa  de  mora  não  pode  prosperar  pois  tendo  constituindo  a  fundamentação  legal  para  a  multa  aplicada  nos  processos  11020.000730/2005­10  (CSLL),  11020.000726/2005­43  (IRPJ),  11020.000702/2005­94  (I  PI),  11020.000727/2005­98  (COFINS),  11020.000728/2005­32  (IRRF)  e  11020.000729/2005­87 (PIS), restará caracterizada a imputação  da  mesma  multa  duas  vezes  (multa  isolada).  Pede  que  seja  declarada  a  nulidade  da  exigência  da multa  de  mora  por  não  estar  fundamentada  a  imposição  referida,  em  obediência  ao  Principio da Segurança Jurídica.  15.8.Na seqüência, desenvolve todo uma arrazoado a respeito da  improcedência  da multa  de mora,  sobre  a  irretroatividade  dos  dispositivos  legais  mencionados  no  enquadramento  e  sobre  a  aplicação do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea).  15.9. Outro  ponto  atacado,  diz  respeito  à  cessão  de  créditos  e  sua legitimidade ativa, em detrimento das vedações impostas por  meio de Instruções Normativas, após o advento da Lei n° 9.430,  de 1996. Sustenta que: "o direito adquirido pelo  indivíduo, por  Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.012          8 intermédio de decisão judicial transitada em julgado, confere­lhe  todas  as  prerrogativas,  podendo  exercê­las  sem  qualquer  impedimento.  Neste  caso,  o  que  deve  prevalecer  é  a  imperatividade  das  decisões  judiciais."Assim,  entende  que  preenche a regra do artigo 74 da Lei n° 9.430 já que o pedido de  substituição  no  pólo  ativo  da  Ação Ordinária  de  Repetição  de  Indébito n° 93.0004056­1, que transitou junto 2 Vara Federal da  Seção  Judiciária  do  Espirito  Santo­ES,  foi  aceito  pelo  juiz,  conforme consta dos autos.  15.10.  Prossegue  relatando  os  fatos  decorrentes  da  cessão  de  créditos  firmada  com  a  empresa  Tristão  Companhia  de  Comércio  Exterior  Ltda,  originários  da  Ação  Ordinária  de  Repetição  de  Indébito  n°  94.0001080­0,  transitada  junto  à  la  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  do  Espirito  Santo­ES  ,  que  constituem objeto do processo 13016.000531/2001­ 64.  15.11.  Afirma  ter  desistido  da  execução  e,  em  decorrência,  o  processo  original  foi  arquivado,  pois  tendo  sido  admitida  no  pólo ativo da ação, tornou­se credora da Fazenda Nacional, por  direito  próprio,  não  cabendo  à  Instância  Administrativa  apresentar qualquer restrição.  15.12.  Adiante,  faz  toda  uma  explanação  sobre  a  possibilidade  da  compensação  tributária  e,  para  isso,  lança  mão  de  toda  a  legislação  que  trata  sobre  a  matéria,  alertando  sobre  a  necessidade de ser observado o principio da irretroatividade das  normas  e a data do  instrumento de  cessão da homologação da  substituição, no pólo ativo nos processos judiciais, e as datas dos  pedidos de restituição/compensação. Afirma que a Lei n° 9.430,  quando  trata  da  compensação,  não  impede  a  transferência  de  créditos  entre  contribuintes,  nem  que  o  cessionário  os  utilize  para  compensar  seus  débitos  junto  ao  Fisco.  Assim,  as  Instruções Normativas  SRF  n°  41,  de  2000  e  n°  210,  de  2002,  contrariam  a  lei,  quando  inovaram  na  ordem  jurídica  estabelecida,  criando  ou  extinguindo  direitos.  Salienta  que:  "muito  embora,  a  atual  legislação  estabeleça  restrições  à  compensação (Lei n° 10.637, de 30/12/2002, art. 49, caput), não  se pode olvidar que a proibição foi  introduzida, primeiramente,  por  força  de  uma  Instrução  Normativa.  Assim,  sendo,  por  respeito  ao  direito  adquirido  e  a  irretroatividade  das  leis,  não  prevalece  no  mundo  jurídico  as  Instruções  Normativas,  que  introduziram limites à compensação, antes que a lei o fizesse."  15.13. Ao final, pede:   a) o acolhimento da preliminar de nulidade da inclusão da multa  de  mora,  em  respeito  ao  efeito  suspensivo  dos  processos  n°  13016.000366/2001­41,  e  13016.000531/2001­  64,  que  se  encontram em fase de julgamento;  b) a nulidade do auto de infração tendo em vista que a Instrução  Normativa n° 460, de 2004 não pode ser aplicada ao caso já que  não foi definitivamente julgado o pedido de compensação;  Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.013          9 c) que seja reconhecido que houve a realização de forma correta  da compensação, não existindo assim, qualquer diferença entre o  valor declarado e o valor escriturado, já que foram observadas  as normas ditadas pela Lei n° 9.430;  d)  que  seja  declarada  nula  a  exigência  da multa  de  mora  nos  débitos fiscais apurados em face de: i) preterição ao seu direito  de defesa; ii) aplicação da interpretação mais benigna devido a  presença  de  dúvidas  quanto  à  capitulação  legal  do  fato;  iii)  evidente  violação  aos  princípios  da  Legalidade  e  da  Irretroatividade,  em  razão  da  ocorrência  de  denúncia  espontânea,  sendo  ilegal  qualquer  imposição  de  multa  após  o  pedido de compensação e; iv) que sejam julgados procedentes os  pedidos de compensação.  Sobreveio  decisão  da  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis/SC,  que  julgou,  por  unanimidade  de  votos,  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  não  reconhecendo  o  direito  creditório. Os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  encontram­se  consubstanciados  na  ementa  abaixo  transcrita:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988  Ementa: COMPENSAÇÃO   É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à  União com crédito adquirido de terceiro, objeto de ação judicial,  cuja  sentença  conferiu,  apenas,  o  direito  à  restituição.  Assim,  não é de se homologar o pedido de compensação que tenha por  base tal crédito.  AÇÃO  JUDICIAL.  DIREITO  DE  COMPENSAÇÃO  DE  DÉBITOS ESPECÍFICOS. EFEITOS.  A  inexistência de  expressa desistência no processo  judicial,  em  nome da autora da ação, versando sobre direito de restituição,  cujo  julgamento a  favor da  impetrante  já  transitou em  julgado,  inviabiliza a utilização administrativa do correspondente crédito  para  compensação de débitos específicos de  terceiro,  conforme  consta da DCTF.  Solicitação Indeferida.  A questão apreciada nos autos refere­se a Pedido de Restituição de quotas de  contribuição  sobre  operações  de  exportação  de  café  em  grão  recolhidas  no  período  de  outubro/1988  a  julho/1989,  apresentado  pela  recorrente  em  9  de  agosto  de  2001  (fls.3),  juntamente  com  Pedidos  de Compensação  de  débitos  tributários  da matriz  (fls.  477  a  479),  protocolados em 31 de agosto de 2001, e da filial de São Paulo (fls. 473 a 475), protocolados  em 6 de setembro de 2001.  O alegado crédito foi adquirido da empresa Realcafé Solúvel do Brasil S/A,  sucessora  de  Real  Comércio  de  Produtos  Alimentícios  Ltda,  CNPJ  n.°  28.154.847/000140,  mediante  "Contrato  de  Cessão  de  Créditos"  (fls.  329  a  341),  de  10  de  novembro  de  2000,  Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.014          10 decorrente de  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  nos  autos  do  processo  n°  93.00040561  que tramitou perante a 2ª Vara da Justiça Federal Seção Judiciária do Estado do Espírito Santo,  em razão de recolhimentos indevidos à titulo de "quota de contribuição sobre e ação de café".   O pedido de substituição no pólo ativo da ação judicial foi protocolizado no  dia 6 de dezembro de 2000 e instruído com contrato de cessão de créditos firmado em 10 de  novembro de 2000.  Em seu recurso voluntário, a interessada discorre sobre a existência de direito  creditório próprio decorrente da cessão de créditos homologada pelo poder judiciário, assevera  a conformidade do pedido de compensação tanto com a sentença judicial transitada em julgado  quanto com a legislação pertinente, e manifesta­se sobre a correção dos valores.  Afirma ainda a recorrente que a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de  Julgamento  de Florianópolis  teria  lhe  cerceado  o direito  de  defesa,  pois  a  recorrente  teria o  direito de  ser analisado  seu pedido de nulidade da  imposição de multa de mora. Aduz que a  multa de mora deve ser anulada.  Sustenta ainda sua legitimidade ativa, posto inexistir óbice legal que impeça a  transferência do  crédito,  por  força de  instrumento particular,  tendo  inclusive  sido  admitida a  validade e eficácia da cessão pelo Poder Judiciário.   Alega ainda a recorrente, em relação aos efeitos desta cessão de créditos, que:  Portanto,  diante  da  existência  de  uma  cessão  de  créditos,  a  Cessionária­Recorrente poderá optar entre executar seu crédito,  proveniente  de  sentença  judicial  transitada  em  julgado,  sob  a  autorização  do  artigo  567,  II,  do CPC,  ou,  ainda,  ao  invés  de  pleitear  seu  ressarcimento,  via  precatório,  optar  pela  compensação, pois estará sob o manto protetor da coisa julgada.  Apresenta extenso rol de decisões do STJ que confirmam o entendimento de  que cabe ao contribuinte, nos pedidos de restituição de tributo, optar pela via de execução por  precatório ou por via de compensação.  Em sessão de julgamento realizada em 25 de março de 2009, este colegiado  converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, para trazer  aos  autos  prova  da  renúncia  expressa  ao  direito  à  execução  do  titulo  judicial  por  parte  da  interessada; e para que a autoridade fiscal emita juízo de valor acerca da veracidade dos valores  recolhidos  vinculados  ao  pedido  de  restituição  e  da  escorreita  elaboração  dos  cálculos  dos  indébitos e da pretendida compensação.  Em atendimento à Resolução n° 3101­00.001 (fls. 1396 a 1405), a autoridade  fiscal  da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de Caxias do Sul/RS elaborou Relatório de  Diligencia  Fiscal  (fls.  1446  a  1449)  na  qual  alega:  (i)  que  o  documento  apresentado  pela  interessada às fls. 1436 a 1438 não faz prova da renúncia à execução judicial; (ii) considerou  válidos  os  comprovantes  de  recolhimentos  constantes  às  fls.  1170  a  1209  deste  processo,  desconsiderando  os  comprovantes  constantes  às  fls.  1170  a  1178  e  considerados  os  demais  pagamentos.  Apresentou planilhas demonstrativas dos valores corrigidos.   Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.015          11 Regularmente  intimada  à  se  manifestar  acerca  do  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  a  recorrente  apresentou as  seguintes  considerações,  em  síntese  (fls.  1454 a 1461):  (i)  que comprovou a renúncia à execução, anexando decisão homologatória do pedido de renúncia  à execução e nova Certidão emitida pelo MM. Juízo; (ii) que a correção monetária do crédito  deve ser realizada de acordo com as decisões judiciais, transitadas em julgado, aplicando­se os  índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela  Única  da  Justiça  Federal,  em  conformidade  com  o  entendimento  pacificado  do  C.  STJ,  do  CARF  e  ratificado  pela  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  através  do  Parecer/PGFN/CRJ/n° 2601/2008.  O julgamento foi novamente convertido em diligência, solicitando a unidade  de  origem  esclarecimentos  acerca  da  informação  trazida  pela  recorrente,  em  sede  de  sustentação oral, de que os pedidos de compensação apresentados estariam prejudicados devido  a  ter  aderido  ao  REFIS,  consolidando  todos  os  débitos  que  buscou  compensar  no  presente  processo.  A  unidade  de  origem,  em  resposta,  confirmou  que  os  débitos  relativos  às  compensações efetuadas nesse processo foram incluídos em parcelamento.  A recorrente, intimada da informação acima, afirma que:  [ . . .]   Por  conseguin te,   como  os   pedidos  de   compensação   apresen tados  pe la  recorrente   restaram  pre judicados,   devo  ser  de ferido   f ina lmente  o   pedido  de  rest i tuição  dos  créditos  oriundos  do  recolhimento   indevido  das  "quotas   de  contribuição  sobre  a   exportação  de  ca fé" ,   ins t i tuído   pelo  Decre to­Lei   n . °  2 .245/36,   apl icando  a   correção   monetár ia  do  crédi to   incidente  a   part ir   do  pagamento   indevido  (Súmula   n.°   162 ,   do  E .   STJ),   e   observando  os   índices   de  inf lação   expurgados  pe los   planos  econômicos   governamentai s  constantes  na  Tabe la  Única   da  Just iça   Federal ,   em  conformidade com o  entendimento  pacif icado   do  E.   STJ,   do  E.   CARF  e  rat i f icado  pela  Procuradoria   Geral  da   Fazenda  Nacional   at ravés  do   Parecer/PGFN/CRJ/n° 2601/2000.   O  processo  foi  novamente  encaminhado  a  esta  Seção  de  Julgamento  e  posteriormente distribuído a este Conselheiro.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  Inicialmente, em relação às questões atinentes à exigência da multa de mora,  haja vista  tratar­se de matéria estranha ao presente processo, que se  restringe aos pedidos de  restituição  e  de  compensação  negados  pela  autoridade  fiscal,  mostra­se  correta  a  decisão  recorrida em não proceder com a análise das mesmas.  Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.016          12 Tais exigências encontram­se formalizadas em processos distintos, não sendo  passíveis de julgamento por parte deste colegiado junto a este processo.  Ainda  delimitando  a  lide,  verifica­se  que,  no  último  procedimento  de  instrução  probatória,  restou  comprovado  que  os  débitos  objeto  dos  pedidos  de  compensação  ora em julgamento foram incluídos em parcelamento.  O  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  portaria  MF  nº  39/2016,  possui em seu artigo 78 a seguinte determinação acerca de pedidos de parcelamento:  Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.  § 1º A desistência  será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2º  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.  [...]  Desta  forma, o ato da  recorrente de  incluir os débitos ora compensados  em  pedido  de parcelamento  importa  em desistência  do  recurso,  ao menos  que no  que  tange  aos  aludidos pedidos de compensação.  A  recorrente,  consciente  de  que  seus  pedidos  de  compensação  restaram  prejudicados,  solicita  que  seja  deferido  o  pedido  de  restituição  dos  créditos  oriundos  do  recolhimento indevido das "quotas de contribuição sobre a exportação de café", instituído pelo  Decreto­Lei n.° 2.245/36.  Entendo,  do  exposto,  que  resta  passível  de  julgamento  por  este  colegiado  apenas  a  possibilidade  de  se  restituir,  pela  via  administrativa,  o  crédito  objeto  da  decisão  judicial, que foi cedido a recorrente.  Em relação a decisão judicial que dá base ao pleito da recorrente, aproveita­ se  de  excerto,  abaixo  transcrito,  da  resolução  3101­000.384  da  1ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara, que esclarece o objeto da contenda judicial e os documentos trazidos aos autos pela  recorrente para justificar seu direito a restituição:  Em  25  de  outubro  de  1993  a  empresa  Real  Comércio  de  Produtos  Alimentícios  Ltda  ajuizou  na  2ª  Vara  da  Seção  Judiciária  do  Espírito  Santo  ação  ordinária  de  repetição  de  indébito, requerendo a condenação da União a devolver valores  de  tributos  indevidamente  recolhidos.  Foi  questionada  a  constitucionalidade da Quota de Contribuição sobre Operações  Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.017          13 de Exportação de Café em Grão Cru, prevista no Decreto­lei n°  2.295, de 21 de novembro de 1986.  A sentença proferida pelo Juiz do Tribunal Regional Federal da  2a Região (fls.148), em 6 de maio de 1994, julgou parcialmente  procedente  a  ação,  declarando  a  inconstitucionalidade  da  exigência  da  quota  de  contribuição  prevista  no  Decreto­lei  n°  2.295, de 1986, condenando a Unido a restituir as importâncias  indevidamente recolhidas.  Transcrevemos parte da referida decisão:  JULGO  PROCEDENTE  A  PRESENTE  AÇÃO  PARA  DECLARAR  “INCIDENTER  TANTUM”  A  INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA QUOTA  DE CONTRIBUIÇÃO prevista no Decreto­Lei nº 2.295/86 e, em  conseqüência CONDENAR a UNIÃO FEDERAL a restituir ao  autor  as  importâncias  indevidamente  recolhidas  a  este  título,  conforme  o  pedido  e  comprovação  documental,  observada  a  prescrição qüinqüenal visto que, no caso, operou­se a prescrição  em  relação  aos  pagamentos  efetuados  antes  do  termo  inicial  desta, dia 05 de novembro de 1988.  Por outro lado, não foi acolhido o pedido de compensação:  Não  acolho  o  pedido  de  ordenar  a  compensação  de  imposições  tributárias no caso, por faltar à dívida em questão o pressuposto  de  certeza,  liquidez  e  exigibilidade,  o  qual pressupõe  o  trânsito  em  julgado  desta  sentença,  o  que  evidentemente  não  ocorreu.  Ademais,  a  postulação  não  se  ajusta  à  legislação  federal  de  regência da compensação tributária.  A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal  da 2ª Região,  em  julgamento  da  Apelação  Cível  e  Remessa  "ExOfficio"  n°  70523/ES, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso  da  autora  no  sentido  de  determinar  prescritos  os  pagamentos  efetuados  no  qüinqüídio  anterior  ao  ajuizamento  da  ação,  ou  seja,  aqueles  anteriores  a  26/10/1988,  e  negar  provimento  à  remessa e à apelação da União (fls. 200 a 203). No  tocante ao  pedido  de  compensação,  novamente  foi  indeferido,  conforme  consta no voto de relator:  No  concernente  à  compensação  do  montante  pago,  a  jurisprudência  tem  se  firmado  no  sentido  de  que  a  mesma  só  poderá  ser  efetuada  na  hipótese  em  que  houver  previsão  expressa, o que não ocorre no caso em tela.  O acórdão recebeu a seguinte ementa (fl. 206):  CONSTITUCIONAL. DECRETO­LEI Nº 2.295/8. QUOTA DE  CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ.  Entendimento do Plenário desta Egrégia Corte no sentido de não  ter  sido  recepcionado  pela  Constituição  de  1988  o Decreto­Lei  nº2.295/86, constitucional ante o ordenamento anterior (Ap.C.nº  93.02.137716).  Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.018          14 O Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento no sentido de  que  o  índice  de  correção  monetária,  a  ser  adotado  no  mês  de  janeiro de 1989, é de 42,72%.  Juros de mora devidos a partir do trânsito em julgado da decisão.  Relativamente  à  compensação  do  montante  pago,  firmada  jurisprudência no sentido de que a mesma só poderá ser efetuada  na hipótese em que houver previsão expressa, o que não ocorre  no caso em tela.  Prescritos  os  pagamentos  efetuados  no  qüinqüídio  anterior  ao  ajuizamento da ação.  Reduzida  a  verba  honorária  para  5%  (cinco  por  cento)  sobre  o  valor da condenação.  Apelação da autora parcialmente provida, remessa e apelação da  União improvidas.  As  fases  posteriores  do  processo  não  alteraram  a  referida  decisão.   Em 05/09/2000 o Acórdão transitou em julgado (fl. 291).  Conclui­se,  portanto,  que  a  União  foi  condenada  a  restituir  à  empresa  Real  Comércio  de  Produtos  Alimentícios  Ltda  os  valores  recolhidos  a  titulo  de  Quota  de  Contribuição  sobre  operações  de  exportação  de  café  em  grão  cru,  prevista  no  Decreto­lei n°2.295, de 1986. Além disso,  tanto na sentença de  primeiro  grau  como  no  acórdão  ficou  registrada  a  impossibilidade de compensação.  O direito assegurado pela decisão judicial transitada em julgado  foi  a  restituição  à  empresa  Real  Comércio  de  Produtos  Alimentícios Ltda das  importâncias  indevidamente  recolhidas  a  título  da  Quota  de  Contribuição  prevista  no  Decreto­Lei  nº  2.295/86,  conforme  o  pedido  e  comprovação  documental,  observada  a  prescrição  qüinqüenal  para  os  pagamentos  efetuados  no  qüinqüídio  anterior  ao  ajuizamento  da  ação,  ou  seja, aqueles anteriores a 26/10/1988.  O  pedido  de  substituição  no  pólo  ativo  da  ação  judicial  foi  protocolizado  no  dia  6  de  dezembro  de  2000  e  instruído  com  contrato  de  cessão  de  créditos  firmado  em  10  de  novembro  de  2000.  Foi  apresentado  pela  Recorrente  prova  de  sua  renúncia  à  execução,  anexando  decisão  homologatória  do  pedido  de  renúncia à execução e nova Certidão emitida pelo MM. Juízo.  Salienta­se que a decisão judicial que homologou a renúncia à execução (fls.  1914)  foi  conferida  sujeita  a  condição  resolutória,  na hipótese de  vir  a  ser  indeferida  na  via  administrativa a compensação, neste termos:  Diante  das  petições  de  fls.  389/390  e  393,  HOMOLOGO  A  RENÚNCIA  ao  direito  da  autora  de  promover  a  execução  do  Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.019          15 julgado  formado  nos  autos  do  presente  processo,  SUJEITA,  PORÉM,  À  CONDIÇÃO  RESOLUTÓRIA  de  vir  a  ser  indeferida na via administrativa a compensação do indébito, nos  termos  do  petitório  de  fls.  389/390,  no  qual  fez  constar  essa  reserva, de maneira a resguardar tanto os interesses fazendários  quanto os interesses do contribuinte.  Em sendo esta a situação em  julgamento, esclarece­se que um contribuinte,  de posse de uma decisão judicial transitada em julgado de natureza condenatória, tem o direito  de executar este título judicial. O pagamento, todavia, deve obrigatoriamente ser feito por meio  da expedição de precatório, e na ordem cronológica de apresentação deste, conforme previsto  no caput do art.100 da CF/88:  Art.  100.  À  exceção  dos  créditos  de  natureza  alimentícia,  os  pagamentos  devidos  pela  Fazenda  Federal,  Estadual  ou  Municipal,  em  virtude  de  sentença  judiciária,  far­se­ão  exclusivamente  na  ordem  cronológica  de  apresentação  dos  precatórios  e  à  conta  dos  créditos  respectivos,  proibida  a  designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e  nos créditos adicionais abertos para este fim. (redação original)  Art.  100.  Os  pagamentos  devidos  pelas  Fazendas  Públicas  Federal,  Estaduais,  Distrital  e  Municipais,  em  virtude  de  sentença  judiciária,  far­se­ão  exclusivamente  na  ordem  cronológica  de  apresentação  dos  precatórios  e  à  conta  dos  créditos  respectivos,  proibida  a  designação  de  casos  ou  de  pessoas  nas  dotações  orçamentárias  e  nos  créditos  adicionais  abertos  para  este  fim. (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 62, de 2009). (Vide Emenda Constitucional nº  62, de 2009)(grifo nosso)  A Lei Nº 4320, de 1964, já estabelecia esta norma em seu artigo 67:  Art.  67.  Os  pagamentos  devidos  pela  Fazenda  Pública,  em  virtude  de  sentença  judiciária,  far­se­ão  na  ordem  de  apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos,  sendo  proibida  a  designação  de  casos  ou  de  pessoas  nas  dotações  orçamentárias  e  nos  créditos  adicionais  abertos  para  êsse fim.  O  caput  do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  10.637/2002,  entretanto,  criou  uma  nova  forma  de  satisfação  deste  direito  ao  prever  a  possibilidade de se compensar os créditos reconhecidos pelo Poder Judiciário com trânsito em  julgado passíveis de restituição:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos  e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifo nosso)   Perceba­se que não se permite a execução de um título  judicial diretamente  junto  à  Administração  Pública;  permite­se  apenas,  de  forma  excepcional  a  regra  dos  Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.020          16 precatórios,  a  utilização  de  direito  creditório  obtido  judicialmente  em  procedimentos  de  “compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados  por  aquele Órgão”.  Constata­se, do exposto, que o requerimento apresentado pela recorrente não  possui embasamento legal.   A Constituição Federal é expressa ao afirmar que o pagamento de quantias  judicialmente reconhecidas como devidas pela Administração Pública é feito exclusivamente  por intermédio de precatórios.  Neste  ponto,  tomando  por  base  os  dispositivos  legais  e  constitucionais  que  regem  a matéria,  um  pedido  administrativo  de  restituição  decorrente  de  decisão  judicial  em  ação de repetição de indébito não pode ser concedido.  Concluir de forma contrária resultaria em um desrespeito ao art. 100 da CF,  que estabeleceu o regime de precatórios. Perceba­se que os precatórios ingressaram no mundo  jurídico para evitar que governantes utilizem do orçamento público para favorecer aliados ou  prejudicar inimigos.   O  instituto  do  precatório,  ao  submeter  os  pagamentos  a  uma  ordem  cronológica  de  apresentação,  serve  de  instrumento  de  controle  de  legalidade  objetiva,  permitindo  tanto  ao  Poder  Judiciário  quanto  aos  particulares  a  fiscalização  da  satisfação  de  créditos originários em decisão judicial.  Dessa forma, nas hipóteses em que a sentença judicial transitada em julgado  conferir  ao  contribuinte um  título  executivo  judicial,  este poderá optar pela  compensação ou  pela restituição via precatório, não sendo possível a restituição administrativa.  Este entendimento, inclusive, já se encontra sumulado pelo STJ, por meio da  Súmula 461:  Súmula Nº 461, D.J. 25/08/2010  O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório  ou  por  compensação,  o  indébito  tributário  certificado  por  sentença declaratória transitada em julgado.  O STJ admite a execução administrativa de sentença judicial, desde que pela  via  da  compensação  administrativa.  Inexiste,  contudo,  a  possibilidade  de  restituição  administrativa em pecúnia.  Observe­se  ainda  que  esta  súmula  teve  origem,  entre  outros  julgados,  no  REsp  nº  1.114.404/MG,  com  acórdão  proferido  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C do CPC, constituindo julgado de observância obrigatória por este CARF, por força do  art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do colegiado), e que apresenta a seguinte ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  SENTENÇA  DECLARATÓRIA  DO  DIREITO  À  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  POSSIBILIDADE  DE  REPETIÇÃO  POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO  VALOR.  FACULDADE  DO  CREDOR.  RECURSO  ESPECIAL  Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.021          17 REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543C,  DO  CPC.  1."A  sentença  declaratória  que,  para  fins  de  compensação  tributária,  certifica  o  direito  de  crédito  do  contribuinte  que  recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de  definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação  jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação  614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki).  2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por  precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte  credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas  as  modalidades,  formas  de  execução  do  julgado  colocadas  à  disposição  da  parte  quando  procedente  a  ação  que  teve  a  eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção:  REsp.796.064 RJ,  Primeira  Seção,  Rel. Min.  Luiz  Fux,  julgado  em  22.10.2008;  EREsp.  Nº  502.618  RS,  Primeira  Seção,  Rel.  Min. João Otávio de Noronha,  julgado em 8.6.2005; EREsp. N.  609.266  RS,  Primeira  Seção,  Rel. Min.  Teori  Albino  Zavascki,  julgado em 23.8.2006.  3.  Recurso  especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC  e  da  Resolução  STJ  08/2008.”  (REsp1114404/MG,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  unânime,  julgado  em  10/02/2010, Dje 01/03/2010)” (grifo nosso)  Neste  mesmo  sentido  caminha  a  jurisprudência  deste  Conselho,  como  se  verifica das ementas de julgados abaixo transcritas:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004  SENTENÇA  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  EFICÁCIA  EXECUTIVA.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  RESTITUIÇÃO  ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  A  partir  do  trânsito  em  julgado  de  sentença  proferida  em  mandado de segurança, o contribuinte terá a faculdade de optar  pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder,  administrativamente,  à  compensação  tributária,  não  sendo  possível  a  restituição  administrativa,  sob  pena  de  violação  ao  art. 100 da Constituição Federal.   (Ac.  nº  3302­002.294,  Relator Walber  José  da  Silva,  sessão  de  24 de setembro de 2013)  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/1990 a 13/10/1995  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR  DECISÃO  JUDICIAL.  DEVOLUÇÃO  SOMENTE  POR  MEIO  DE  COMPENSAÇÃO.  AFRONTA  AOS  INSTITUTOS  DO  Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.022          18 PRECATÓRIO  E  DA  COISA  JULGADA  MATERIAL.  IMPOSSIBILIDADE.  Na  esfera  administrativa,  não  é  passível  de  restituição  em  pecúnia  o  indébito  tributário  reconhecido  por  decisão  judicial  transitada em julgado, que determinou o recebimento do crédito  exclusivamente por meio de compensação, pois tal procedimento  implicaria afronta aos institutos do precatório e da coisa julgada  material.   (Ac. nº 3802­001.566, Rel José Fernandes do Nascimento, sessão  de 26 de fevereiro de 2013)  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992  SENTENÇA  JUDICIAL.  OPÇÃO  ENTRE  RESTITUIÇÃO  VIA  PRECATÓRIO  E  COMPENSAÇÃO.  SÚMULA  STJ  N.  461.  RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  Sentença  judicial  transitada  em  julgado  que  permite  exclusivamente  a  compensação  não  garante  o  direito  à  restituição  administrativa,  mas  a  opção  entre  a  restituição  via  precatório  e  a  compensação,  cf.  Súmula  STJ  n.  461.  No  caso,  incabível  a  restituição  administrativa,  que  equivaleria  à  execução administrativa da decisão judicial.   (Ac  nº  3403­002.740,  Rel  Rosaldo  Trevisan,  sessão  de  30  de  janeiro de 2014)  A própria  recorrente,  em  diferentes  oportunidades, manifesta  anuência  com  este entendimento, qual  seja o de que existem apenas duas opções para executar seu crédito,  proveniente  de  sentença  judicial  transitada  em  julgado:  ou  pleitear  sua  restituição,  via  precatório, ou optar pela compensação.  Encontram­se reproduzidas, no Recurso Voluntário, diversas decisões do STJ  neste  sentido,  tendo  a  recorrente  afirmado  que,  "Portanto,  conforme  mansa  e  pacifica  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  última  palavra  na  interpretação  das  normas  infra­ constitucionais  no  Brasil,  a  sentença  (titulo  executivo  judicial)  que  determinar  a  restituição  de  qualquer exação tributária (repetição do indébito), poderá se executada, tanto pela via de precatórios  ou pela compensação, cabendo ao exclusivamente ao Contribuinte esta opção."  Dito  isto,  tendo  em  vista  a  impossibilidade  jurídica  de  se  executar  na  via  administrativa decisão judicial condenatória por meio do recebimento de valores em pecúnia,  restam  prejudicados  os  demais  argumentos  apresentados  pela  recorrente,  notadamente  os  referentes a validade da cessão dos créditos judiciais.  Diante do exposto, por falta de previsão legal, voto por negar provimento ao  recurso voluntário.  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto ­ Relator  Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13016.000366/2001­41  Acórdão n.º 3201­002.233  S3­C2T1  Fl. 2.023          19                               Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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