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Numero do processo: 19515.002624/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2102-000.018
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, na forma do voto do Relator.
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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Numero do processo: 10930.903682/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/05/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 82 /2 01 2- 17 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903682/201217 Acórdão n.º 3402003.649 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.022, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903682/201217 Acórdão n.º 3402003.649 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903682/201217 Acórdão n.º 3402003.649 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903682/201217 Acórdão n.º 3402003.649 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10930.903682/201217 Acórdão n.º 3402003.649 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13306.000033/2005-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. CREDITAMENTO.
É direito do Contribuinte o ressarcimento ou compensação de créditos acumulados em determinado período, se comprovada a ausência de irregularidades na sua apuração em Dacon.
Numero da decisão: 3402-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. CREDITAMENTO. É direito do Contribuinte o ressarcimento ou compensação de créditos acumulados em determinado período, se comprovada a ausência de irregularidades na sua apuração em Dacon. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 6. 00 00 33 /2 00 5- 80 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratamse os autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de COFINS acumuladas em face de operações de exportação, o qual foram vinculadas Declarações de Compensação, relativa ao 1º Trimestre de 2005, no valor total de R$1.608.933,85, que foi parcialmente homologado pela administração, inicialmente no valor de R$ 1.286.322,57, e após decisão da DRJ/FOR, que proveu parcialmente a manifestação de inconformidade, adicionando direito a crédito no montante de R$128.282,60. Conforme relatório elaborado pelo relator pretérito desse processo, Cons. João Carlos Cassuli Júnior: Os valores glosados referemse à aquisições feita junto à pessoas físicas (no valor de R$ 10.640,00), este que não é objeto de recurso voluntário, e de aquisições de saldo credor transportado do trimestre anterior (4º Trimestre de 2004). Insurgese a Recorrente afirmando que o indeferimento ao referido crédito decorrente de saldo credor do 4º Trimestre de 2004 teria sido baseada em “presunção negativa” de que o contribuinte não teria demonstrado que no saldo credor objeto do ressarcimento, estaria contido saldo remanescente do período anterior, afirmando em sua peça recursal que os próprios cálculos elaborados pela autoridade administrativa deixariam claro essa realidade, mediante a transcrição de partes do Despacho Decisório. Para esclarecer a controvérsia acerca da inexistência de saldo credor transportado do 4º trimestre de 2004, foi convertido o julgamento em diligência para esclarecimento dos seguintes pontos: a) Informe se, após a recomposição dos saldos dos 3º e 4º Trimestres de 2004, decorrente da aplicação dos Acórdãos nºs 0821.299 e 0821.300 da DRJ/FOR, remanesceu saldo credor a ser transportado para o 1º Trimestre de 2005, passível de ressarcimento; b) Informe se referido saldo credor remanescente foi objeto da glosa anteriormente procedida neste processo; c) Informe se, por outro lado, houve ressarcimento integral do saldo credor ao final do 4º Trimestre de 2004, em outro(s) processo(s), impedindo a transferência de saldos para o 1º Trimestre de 2005; d) Após referidas providências, especialmente de recomposição dos saldos em virtude da aplicação das decisões da DRJ/FOR, manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de saldo credor proveniente do 4º Trimestre de 2004, na apuração e/ou no ressarcimento objeto deste processo, bem como, havendo créditos, qual o seu respectivo montante; e) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13306.000033/200580 Acórdão n.º 3402003.209 S3C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de FortalezaCE juntou relatório de diligência fiscal de fls. 372/377, que será abordado no voto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O cerne da controvérsia diz respeito à verificação se houve o transporte de saldo credor do 4º trimestre de 2004 para o 1º trimestre de 2005 é dizer, devese investigar se no montante objeto do pedido de ressarcimento continha saldo de crédito advindo de saldo credor do período anterior. O relatório de diligência fiscal se presta muito bem a esclarecer esse fato, analisando com minúcias os quatro trimestre de 2004, para verificar o transporte de algum saldo credor de qualquer um deles para o pedido de ressarcimento em análise nesses autos. Desse modo, nos termos do art.50, §1º da Lei 9.784/99, tais informações devem ser tomadas como parte integrante da motivação desse acórdão. As conclusões do Fiscal foram as seguintes: i) 1º trimestre de 2004 5. Concluise, portanto, que o crédito do 1º trimestre de 2004 estornado no Dacon de junho de 2004 não tem reflexo no saldo inicial de crédito da Cofins contido na Ficha 17B/Linha 14 – Saldo de Créditos do Mês Anterior, referente ao mês de janeiro de 2005 (Dacon do 1º trimestre de 2005) e, conseqüentemente, não resta incluído no crédito do 1º trimestre de 2005 pleiteado no presente processo. ii) 2º trimestre de 2004 Concluise, portanto, que parte do crédito do 2º trimestre de 2004, no montante de R$ 1.417.551,72 estornado nos Dacons de julho a dezembro de 2004 não tem reflexo no valor contido na Ficha 17B/Linha 14 – Saldo de Créditos do Mês Anterior, referente ao mês de janeiro de 2005 (Dacon do 1º trimestre de 2005) 9. Por outro lado, o montante de R$ 560.520,74, correspondente à parcela residual do crédito do 2º trimestre de 2004 pleiteada nos PAF nºs 13306.000013/200517 e 10380.012008/200568 (R$ 169.212,09 e R$ 391.308,65), estornado no Dacon de março de 2005, embora esteja consignado no valor informado pelo contribuinte na citada Ficha 17B/Linha 14 do Dacon de janeiro Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 de 2005, não resta incluído no crédito do 1º trimestre de 2005 pleiteado no presente processo. iii) 3º Trimestre de 2004 12. Concluise, portanto, que o crédito do 3º trimestre de 2004 – estornado no Dacon de outubro de 2004 não tem reflexo no saldo inicial de crédito da Cofins contido na Ficha 17B/Linha 14 – Saldo de Créditos do Mês Anterior, referente ao mês de janeiro de 2005 (Dacon do 1º trimestre de 2005) e, por conseguinte, não resta incluído no crédito do 1º trimestre de 2005 pleiteado no presente processo. iv) 4º Trimestre de 2004 15. Concluise, portanto, que o crédito do 4º trimestre de 2004, embora esteja consignado no valor informado pelo contribuinte na Ficha 17B/Linha 14 Saldo de Créditos do Mês Anterior do Dacon de janeiro de 2005, não resta incluído no crédito do 1º trimestre de 2005 pleiteado no presente processo. V) 1º Trimestre de 2005 16. A empresa declarou na Ficha 17B/Linha 14 Saldo de Créditos do Mês Anterior no Dacon do 1º trimestre de 2005 mais precisamente no mês de janeiro de 2005 – valor de R$ 1.672.614,62 (fls. 369). 17. Pelos fatos já relatados no item 13 retro, constatase que o referido valor corresponde ao somatório: a) do valor de R$ 1.112.094,49, referente ao crédito do 4º trimestre de 2004, pleiteado em 23/03/2005 no PAF nº 13306.000014/200553, e estornado no Dacon de Março/2005 (Ficha 17B – Linha 16) e; b) O saldo residual do crédito do 2º trimestre de 2004, no valor de R$ 560.520,74 que, até o encerramento do 4º trimestre de 2004 (31/12/2004), ainda não havia sido objeto de pedido de ressarcimento/declaração de compensação, e conseqüente estorno no Dacon. 18. Já na Linha 18 – Total de Créditos Apurados no Mês após Ajustes da Ficha 17B do Dacon do 1º trimestre de 2005, o contribuinte informou ter apurado créditos da Cofins Não Cumulativa vinculados à Exportação no montante de R$ 1.635.100,55. Deste crédito, declarou que o valor de R$ 26.166,70 foi utilizado em desconto da própria contribuição nos meses de fevereiro e março de 2005, remanescendo, portanto, o saldo de R$ 1.608.933,85, o qual é objeto do pedido de ressarcimento em análise no presente processo. 19. Nas Linhas 15 – Créditos Compensados no Mês e 16 – Créditos Objeto de Pedido de Ressarcimento no Mês, o contribuinte informou os valores de R$ 183.688,68 e R$ 1.488.926,54, respectivamente, totalizando R$ 1.672.614,62, valor este que corresponde ao saldo de créditos anteriores a janeiro de 2005 (vide item 16). Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13306.000033/200580 Acórdão n.º 3402003.209 S3C4T2 Fl. 4 5 20. Conforme detalhado a seguir, constatamos que o contribuinte informou nas Linhas 15 e 16 da Ficha 17B os valores originais dos pedidos de ressarcimento e da declaração de compensação apresentados no 1º trimestre de 2005. Posteriormente retificou os valores, sem, contudo, retificar o Dacon. Entretanto, em que pese esse fato, o somatório das duas linhas permanece igual após a retificação. Quanto às respostas dos quesitos levantados pela Resolução, são as seguintes: a) Informe se, após a recomposição dos saldos dos 3º e 4º trimestres de 2004, decorrente da aplicação dos Acórdãos nºs 0821.299 e 0821.300 da DRJ/FOR, remanesceu saldo credor a ser transportado para o 1º trimestre de 2005, passível de ressarcimento. Conclusão: O crédito do 3º trimestre de 2004 foi estornado no Dacon de outubro de 2004, não sendo transportado para o saldo inicial do 1º trimestre de 2005. O do 4º trimestre de 2004, embora transportado para o saldo inicial do 1º trimestre de 2005, foi estornado em março/2005 e, portanto, não faz parte do crédito solicitado no presente processo. b) Informe se referido saldo credor remanescente foi objeto da glosa anteriormente procedida neste processo. Conclusão: Pela leitura da Informação Fiscal às fls. 53/55, entendemos que o valor do crédito indeferido pela Unidade de origem, no montante de R$ 332.611,28, corresponde ao somatório das seguintes parcelas: a) R$ 10.640,00 referente a créditos oriundos de aquisições junto à pessoas físicas; b) R$ 128.282,60 – créditos apurados sobre serviços de consultoria/assessoria; c) R$ 183.688,68 – créditos compensados no mês de março de 2005, valor este obtido na Ficha 17B – Linha 15, do Dacon do 1º trimestre de 2005. As glosas relativas aos itens a e b referemse à créditos do próprio período do 1º trimestre de 2005. Já a do item c, constatamos que o valor informado pelo contribuinte no Dacon referese a crédito do 2º trimestre de 2004, o qual não tem relação com o crédito do 1º trimestre de 2005 solicitado no presente processo. (...) d) Após referidas providências, especialmente de recomposição dos saldos em virtude das aplicação das decisões da DRJ/FOR, manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de saldo credor proveniente do 4º Trimestre de 2004, na apuração e/ou no ressarcimento objeto do deste processo, bem como, havendo créditos, qual o seu respectivo montante. Conclusão: Pelo todo exposto, concluímos que o crédito da Cofins Não Cumulativa vinculados à Exportação solicitado no presente processo (R$ Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 1.608.933,85) não engloba créditos de períodos anteriores a janeiro de 2005, mas apenas créditos por ele apurados no 1º trimestre de 2005. O conteúdo da diligência é de clareza solar, no sentido de infirmar a conclusão fazendária de que parte do crédito corresponderia ao "transporte" indevido de créditos de períodos anteriores, restando claro que se tratam de créditos apurados no 1º trimestre de 2005. Ante o exposto, dou provimento integral ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001339/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Em sessão, verificou-se não haver no presente processo a preliminar de cerceamento de defesa, mencionado em ata, em agosto de 2016. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Loourenço, OAB RJ n.º 27.406.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Em sessão, verificouse não haver no presente processo a preliminar de cerceamento de defesa, mencionado em ata, em agosto de 2016. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Loourenço, OAB RJ n.º 27.406. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães. Relatório Trata o presente de pedidos de ressarcimento para os períodos de apuração em epígrafe por meio dos quais pede créditos de PIS/Pasep (período de apuração 01/01/2004 a 30/06/2004) em regime de não cumulatividade, aos quais estão vinculados Declarações de Compensação para aproveitar esses créditos para compensar com débitos de diversos tributos federais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 01 33 9/ 20 04 -4 4 Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 3 2 Em 2010 a autoridade tributária da jurisdição acolheu o teor de Informação obtida a partir de fiscalização realizada junto à contribuinte e concluiu por glosar parte dos créditos pleiteados e homologar as Declarações de Compensação até o valor do crédito reconhecido. Reproduzo a seguir o resumo dos fundamentos dessa decisão, conforme elaborado pelo relator da instância a quo, pela sua objetividade e suficiência: 1. Realcafé foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 2010.2413, que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizados como insumos, deduzidos contabilmente pela Realcafé com os valores devidos das contribuições nãocumulativas para o PIS/Cofins, bem como utilizálos na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de processo administrativo ou PER/Dcomp; 2. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a Realcafé apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café; 3. Realcafé lançou mão de um ardil disseminado por todo o Estado do espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas "empresas de fachada" para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/Cofins (9,25% sobre o valor da nota) na sistemática da nãocumulatividade, que, de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis; 4. Os créditos integrais, apropriados indevidamente nos livros contábeis da Realcafé, foram glosados e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável, sendo que, após a recomposição dos saldos, as diferenças do PIS e da Cofins devidos foram lançados de ofício, além da multa isolada a ser aplicada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas, vinculadas a pedidos de ressarcimento de créditos do PIS e da Cofins que não foram reconhecidos na sua integralidade; 5. Importante frisar que a fiscalização decorre das investigações originadas na operação fiscal "Tempo de Colheita", deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, que resultou na comunicação dos fatos apurados ao Ministério Público Federal em agosto de 2009; 6. Em 01/06/2010, deflagrouse a "Operação Broca", fruto de parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, sendo a Realcafé um dos alvos; a "Operação" teve repercussão nos meios de comunicação; 7. As provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam do processo administrativo de auto de infração n° 15586.000956/201025, bem como a Informação Fiscal e Despacho Decisório acima mencionados, serão cientificados simultaneamente à Realcafé, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar; Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 4 3 8. A fiscalização limitou o valor do "Pedido de Ressarcimento" ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do "Mercado Externo" (passível de ressarcimento); 9. Em síntese, revendo os detalhamentos de apuração do crédito vindicado, a contabilidade e os documentos fiscais disponibilizados pelo contribuinte, bem como cotejando com os elementos e documentos acostados aos autos do processo administrativo (de auto de infração) n° 15586.000956/201025, não foi possível reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, bem como homologar integralmente as compensações requerida. A contribuinte contesta a decisão administrativa, argüindo as razões por entende ela não deve prevalecer, que no resumo elaborado pelo relator de 1ª instância, que reproduzo pela sua qualidade, seriam: 1. tendo em vista a obediência ao sigilo fiscal, o acervo de dados colhidos pela fiscalização se encontra indisponível a terceiros, razão pela qual a ausência de indicação das empresas consideradas como "laranjas", com as quais o impugnante realizou operações de compra e venda de café, viola os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, elencados no artigo 5o, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88); 2. nestes termos, vêse que a afirmação da fiscalização de que as notas fiscais emitidas em nome de empresas consideradas "de fachada" ou "laranjas", sem que tenham sido fornecidos os dados das mesmas para fins de verificação e elaboração de resposta, fere fatalmente os princípios do contraditório e da ampla defesa, em flagrante cerceamento do direito de defesa do impugnante, o que, na forma do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, inquina a decisão administrativa de nulidade; 3. no mérito, merece atenção, inicialmente, e de forma exemplificativa, o fato de que o impugnante já adquiria o café das empresas ACÁDIA Comércio e Exportação Ltda. e Cafeeira São José Ltda., consideradas pela fiscalização como criadas apenas para "gerar" créditos de PIS e Cofins, muito antes da edição das normas que instituíram o regime da nãocumulatividade para tais contribuições, o que se comprova através das notas fiscais em anexo (DOC. 02, fls. 154/183), o que afasta ainda mais a plausibilidade da tese aventada pelo agente fiscalizador para fins de sustentar a arbitrária glosa efetivada; 4. é imperioso ainda consignar que os fatos apurados na intitulada operação "Tempo de Colheita" não podem atingir operações de compra realizadas com legitimidade de apuração de créditos de PIS/Cofins, pois, em verdade, correspondem tãosomente ao esforço da fiscalização para desqualificar as operações de compras efetuadas pelo impugnante, uma vez que este jamais contribuiu para a concretização dos atos praticados pelos representantes das empresas fornecedoras; 5. não se pode atribuir pseudocomportamentos ao impugnante em face da exclusiva ineficácia da fiscalização, traduzida na falta de efetividade de sua atuação em evitar as supostas práticas lesivas das empresas; 6. 6 importante frisar que houve uma efetiva preocupação do impugnante em buscar informações a respeito da regularidade fiscal das empresas fornecedoras, Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 5 4 as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse devidamente ativas perante o Fisco; 7. não é possível concluir que o impugnante tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas empresas fornecedoras, razão pela qual, por óbvio, que os valores de Cofins nãocumulativo foram apropriados na forma do artigo 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003; 8. não obstante a fiscalização mencione a deflagração da denominada "Operação Broca", fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, a glosa em razão da suposta existência de fraude na obtenção dos créditos do PIS e da Cofins não poderá subsistir, uma vez que cabe somente aos órgãos de jurisdição, devidamente estabelecidos na Constituição Federal, reconhecer se houve ou não a tipificação de que as operações de compra e venda perpetradas pelo impugnante seriam consideradas fraudulentas; 9. nesse sentido, não é cabível a extensão ao presente processo administrativo dos efeitos de quaisquer dos atos praticados no âmbito criminal relativamente à "Operação Broca", pelas razões a seguir aduzidas; 10. primeiramente, porque nenhum dos diretores ou componentes do quadro societário do impugnante foram denunciados pelo Ministério Público Federal nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" processo n° 2008.50.05.0005383 , conforme certidão que integra o Doe. 03 (fls. 184/187); 11. assim, todos os elementos trazidos pela fiscalização caem por terra, já que nem o Ministério Público Federal, autoridade competente para promover a ação criminal em questão, vislumbrou a tipificação penal que a fiscalização entende existir; 12. ademais, os próprios inquéritos policiais instaurados, tanto em razão da operação "Tempo de Colheita", quanto da denominada "Operação Broca", não podem ser utilizados como prova da suposta realização de atos fraudulentos, já que trata o inquérito policial de procedimento inquisitivo, no qual não há contraditório ou ampla defesa, correspondendo, na realidade, à mera peça informativa no âmbito da qual se produzem atos de investigação, que têm por objetivo único a formação do convencimento do responsável da acusação de que há justa causa para o ajuizamento de ação penal; 13. 13 portanto, trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos, pois, ainda que o impugnante viesse a ser alcançado pela denúncia, o que apenas se cogita e não é o caso, ainda assim o princípio da inocência implica em que o réu, em nenhum momento do iter persecutório, poderá sofrer restrições fundadas exclusivamente na eventual possibilidade de condenação; 14. 14.nesse contexto, somente após a formação da coisa julgada é possível considerar existente a situação fática declarada na sentença penal condenatória, e, destarte, elidido o estado de inocência; 15. ainda que houvesse sentença penal condenatória decorrente dos fatos apurados nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" (processo n° 2008.50.05.0005383), ainda assim não se poderia cogitar de extensão ao presente caso de eficácia natural da sentença, uma vez que o terceiro (in casu, o Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 6 5 impugnante), mesmo que titular de relação jurídica conexa, não fica vinculado ao conteúdo de provimento alheio, exarado em processo do qual não participou, sob pena de verdadeira inve inversão do ônus da prova sem qualquer previsão legal; 16. é inaceitável, considerado o que dispõe o parágrafo único, do artigo 82, da Lei n° 9.430/96 (reproduzido no artigo 217 do Decreto n° 3.000/99 RIR), que sejam impostas ao impugnante glosas de seus créditos de PIS e Cofins não cumulativos, advindos de operações nas quais houve a entrega das mercadorias e o pagamento do preço acordado, em virtude de eventuais decisões, absurdamente, com efeitos ex tunc; 17. a análise do caso concreto demonstra que há a comprovação e o reconhecimento por parte da própria fiscalização de que a empresa impugnante promoveu o pagamento do valor acordado para a aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, tanto que através do "Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 08241/2010", constante do Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n° 15586.000956/201025, houve toda a recomposição dos créditos de PIS, para que estes fossem apurados sob a sistemática do crédito presumido; 18. a boafé do impugnante é ainda demonstrada pelo fato de que este teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de seu sítio na internet, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas com as quais realizou operações de compra e venda; 19. logo, ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias no período, o que não é verdade, mesmo assim o impugnante não poderia jamais ser prejudicado por fatos que não causou, na medida em que adotou todas as medidas de cautela que exige a legislação de regência; 20. portanto, concluise que a verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, e não ao contribuinte, razão pela qual este não pode ter seu crédito indeferido se, à época da comercialização, os fornecedores encontravamse em situação regular perante os controles da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil; 21. com o intuito de demonstrar de forma definitiva a sua absoluta boafé, o impugnante, ao verificar irregularidades com a empresa WG Azevedo Brasil Coffee, cessou a operação de compra e venda de café em grão que vinha sendo realizada enquanto a fornecedora não comprovasse a aptidão de seu cadastro e o recolhimento do PIS e da Cofins, tendo sido proposta pela referida fornecedora (Brasil Coffee), em razão disto, ação de cobrança n° 024.100027903 (cf. DOC. 04, fls. 188/214). 22. Ao final, o impugnante requereu a declaração de nulidade do Despacho Decisório, proferido com base na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 19/2010, por cerceamento ao seu direito de defesa, e, no mérito, que fosse reconhecida a idoneidade dos créditos apurados no ano de 2005 de PIS não cumulativo, tornandose insubsistente a cobrança do crédito tributário decorrente das glosas de tais créditos, sendo procedido, inclusive, ao ressarcimento de eventuais diferenças positivas favoráveis ao contribuinte, tendo se protestado, ainda, pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessários para demonstrar o direito ao crédito postulado. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 7 6 Os Julgadores de 1º piso, após apreciarem a contestação da contribuinte, as informações prestadas pelas autoridades fiscais, as decisões proferidas e demais documentos que instruem o processo, concluíram por não acolher as alegações da contribuinte e pela manutenção da decisão administrativa. O Acórdão n.º 1338.630 proferido em 29 de novembro de 2011 pela respeitável 5ª Turma da 2ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ RJ2) ficou assim ementado: Acórdão 1338.630 5a Turma da DRJ/RJ2 Sessão de 29 de novembro de 2011 processo n. 11543.001339/200444 Contribuinte: REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A CNPJ n. 28.154.847/000140 ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer plenamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Declaração de Compensação. Retificadora. Homologação tácita. Termo inicial. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, exceto quando inadmitida pela Administração. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual trouxe seus argumentos, em resumo: · a decisão recorrida deixou de reconhecer a respeito da parte deferida e homologada pela autoridade de administração local, após diligência consagrada neste processo; essa falta justifica a nulidade da decisão recorrida; · roga pela nulidade do acórdão recorrido, pois ele não reconheceu o saldo credor já deferido pela autoridade de jurisdição local; e também por que a decisão recorrida não fundamentou a glosa; · a autoridade julgadora a quo seguiu a diretriz traçada em outro procedimento de investigação (Operação Broca) e deixou de apreciar elementos de prova e esclarecimentos trazidos pela contribuintes nestes autos. A operação broca não indiciou a contribuinte e não abrangeu suas operações. Não há relação de causalidade entre as operações "Tempo de Colheita" e "Broca" para com as operações realizadas pela contribuinte. · Os fatos apurados na operação "Tempo de Colheita" e na "Broca" não podem atingir as compras realizadas com legitimidade de apuração de Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 8 7 créditos das contribuições sociais. Até por que essas operações foram inquéritos policiais, meras peças informativas, que não geraram decisões judiciais contra a contribuinte e seus sócios e administradores. · As compras e vendas da commodity café em grão são, em sua quase totalidade, mediadas por corretores, onde as negociações se apóiam em amostras e se discutem preços, tipos e condições de entrega. · Mas a contribuinte buscava informações sobre a regularidade fiscal das fornecedoras, as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse ativas perante o Fisco. · Não há como se concluir que a recorrente tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas suas fornecedoras; · "a recorrente na qualidade de adquirente de boa fé era exclusivamente a destinatária das mercadorias, não sendo provada em nenhuma oportunidade a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização". · Aplicase à contribuinte o disposto no art. 82 da Lei n. 9.430/1996, segundo à qual as empresas que comprovam a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Que adotou as medidas de cautela em suas negociações. Defendeu a validade e legitimidade de suas notas fiscais e comprovantes de pagamento na aquisição do café cru. Cita jurisprudências e decisões judiciais e administrativas. · A tese da autoridade fiscal não pode prosperar; por exemplo, para demonstrar essa afirmativa, a contribuinte aponta que adquiria café das empresas Acadia e Cafeeira São José muito antes da edição das normas que instituíram o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS; ou seja, não teria cabimento a 'tese' da autoridade fiscal que elas foram criadas para apenas "gerar" créditos. Outro exemplo seria a iniciativa da contribuinte em cessar a compra junto à fornecedora WG Azevedo enquanto ela não comprovar a aptidão de seu cadastro e dos recolhimentos do PIS e da COFINS. Este processo chegou ao CARF e foi submetido a sessão regular, quando foi convertido o julgamento em diligência com a seguinte motivação e demanda: VOTO O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 9 8 atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram o crédito ressarciendo glosado. A legislação de regência (art. 82 da Lei n° 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as data de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. Em resposta à solicitação feita na Resolução, a autoridade fiscal preliminarmente retomou as origens da autuação, que seriam: 1. a glosa dos créditos se deu pela interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas) e não pela falta de comprovação da efetiva entrega da mercadoria e ao seu pagamento; 2. que a interposição de pessoas, como instrumento que permitiria a criação de créditos a serem compensados, era de pleno conhecimento da ora recorrente, empresa adquirente final do produto (REALCAFÉ), que, por conseguinte, sabia que as notas fiscais dessas empresas laranjas eram ideologicamente falsas, como se encontra farta e definitivamente comprovado nos autos; 3. Modus operandi: interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas). 4. Que, em seu entendimento, a declaração de inaptidão é irrelevante ao caso, pois a inidoneidade dos documentos era do conhecimento da contribuinte; 5. Acrescentou que o artigo 82 da Lei n. 9.430, de 1996 alcança apenas o comprador de boa fé, que não é o caso da contribuinte autuada por que, nos autos, há provas que afastam a boa fé; 6. Em seguida passa a repisar a demonstração de que a contribuinte tinha conhecimento de que o café era adquirido de pessoa física em operação mediada por pseudo atacadistas (empresas de fachada), e que esse modo de Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 10 9 funcionamento visava a lhe proporcionar vantagem de criar créditos de PIS e de COFINS. 7. Concorrentemente demonstra que as provas abrangem declarações de corretores, documentos de negociação apresentados pelos interessados, cópia de emails, documentos em papel, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, programação e controle de pagamentos, etc. Cientificada dessa Informação Fiscal, a contribuinte apresenta sua manifestação por meio da qual argüi: · A autoridade fiscal não atendeu à diligência demandada pelo CARF; que ela “utilizouse do expediente com o único e exclusivo intuito de pretensamente afastar a boa fé da Recorrente, furtandose em apurar os fatos objetivamente solicitados”; que ela inovou em suas razões; “através da indicação de documentos internos da Recorrente (mídias, e mail’s e demais arquivos magnéticos), de todo esparsos e imprecisos, se analisados fora do contexto da rotina operacional da empresa, almeja tornar definitivas suas acusações”; que as aventadas provas trazidas pela fiscalização no bojo da INFORMAÇÃO FISCAL (email’s e demais documentos extraídos da rotina operacional interna da Recorrente), se referem às aquisições de pessoas jurídicas que sequer tratam das operações relativas ao período examinado nos presentes autos · Que a autoridade fiscal pretendeu desqualificar as operações feitas pela contribuinte e que esse procedimento seria o de desconsideração dos negócios jurídicos, mas faltou a ele base legal e a comprovação de que a contribuinte praticou atos ilícitos ou abuso do direito. Ele violou o princípio da tipicidade cerrada. Deve, portanto, ser · A autoridade fiscal impôs uma glosa genérica, deixou de indicar cada uma das pessoas físicas (produtores rurais) que seriam as verdadeiras fornecedoras, mediadas pelas supostas empresas de fachada. Que esses fatos prejudicaram o direito de defesa. · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. ... · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, consideradas como “de fachada", teria a autoridade fazendária, ao menos, realizado o devido trabalho fiscal, com a INDIVIDUALIZAÇÃO DAS ILICITUDES. e não com a GLOSA GERAL das compras referentes a cada trimestre, como arbitrariamente ocorreu nestes autos. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 11 10 · Que a autoridade fiscal não aprofundou a fiscalização (por exemplo: quebrando o sigilo bancário dos fornecedores, o que comprovaria a efetivação dos pagamentos feitos pela contribuinte), o que prejudicou a ampla defesa e o contraditório: · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. · Afirma a contribuinte que “apresenta os competentes comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como, também, apresenta os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo (DOCUMENTOS EM ANEXO), elementos de prova estes que corroboram sua qualidade de adquirente de boa fé, sendo a mesma exclusivamente a destinatária das mercadorias. Invoca, mais uma vez, o disposto no art. 82 da Lei n. 9430/1996.” A REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A, no início de 2016, trouxe expediente ao processo por meio do qual alega fatos novos e relevantes a serem apreciados quando do julgamento do processo administrativo, subdivididos nos seguintes temas: a) Da possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas; b) Da revogação da multa isolada aplicada em face dos pedidos de ressarcimento (multa sobre pedido de ressarcimento indeferido ou indevido §§ 15 e 16 do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996), através do artigo 4º da MP n.º 668/2015; e c) Da aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). Sobre este último item (c), a contribuinte argumenta, in verbis: · Por fim, importante esclarecer que, após instaurada a discussão destes autos, sobreveio a instituição de direito constitutivo em que os contribuintes passaram a ter o direito de utilizar créditos presumidos. para compensar tributos administrados pela SRFB, ou mesmo ser ressarcido em dinheiro, com o advento da Lei n.º 12.995, de 20 de junho de 2014, especificamente seu artigo 23, in verbis: "Art. 23. A Lei n.º 12.599, de 23 de março de 2012, passa a :vigorar acrescida do seguinte art. 7°A: Art. 7°A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8° da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1° de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (grifos nossos) Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 12 11 [....] · Neste sentido, restou constituído o direito da Recorrente quanto ao aproveitamento do crédito presumido já reconhecido pela fiscalização no presente processo administrativo, estando garantido o seu direito ao aproveitamento do crédito mediante compensação de tributos administrados pela SRFB ou ao ressarcimento em dinheiro. · Destacase que o referido art. 7°A não estabelece qualquer limitação quanto aos créditos presumidos passíveis de aproveitamento mediante compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro: Pelo contrário, o referido dispositivo legal é claro ao afirmar se tratar do "saldo do crédito presumido de que trata o art. 8.º da Lei no 10.925. de 23 de julho de 2004. apurado até 10 de janeiro de 2012"; ou seja, refere se ao saldo de crédito presumido existente em 01.01.2012, o que abrange o período apreciado pelos despachos decisórios proferidos nos processos administrativos ora em exame autos. · Assim, com o advento da Lei n.º 12.995/2014, a Recorrente pede e espera que a referida norma venha a ser considerada por ocasião do julgamento dos seus recursos voluntários, caso essa Colenda Turma decida manter a glosa dos créditos integrais do PIS e da COFINS por ela apropriados (o que cogita apenas para fins de argumentação), lhe sendo assegurado o direito de utilizar o crédito presumido apurado pela DRF/ES, em sua integridade, através de compensação com outros tributos e/ou ressarcimento no âmbito dos processos ora examinados. · 8 · Neste particular, destaquese que esta Terceira Seção, quando do julgamento dos processos n.ºs 15586.720246/201368; 15578.000273/200933; 15578.000139/2010 76; 15578.000143/201034; e 15586.720228/201114, realizado em 27.01.2015, da contribuinte UNICAFÉ COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR, também reconheceu a aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). É o relatório. VOTO Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Requisitos: Tempestividade e demais requisitos de admissibilidade manifestamente reconhecidos por este Colegiado na sessão em que proferiu a Resolução acima citada. Preliminares: A contribuinte apresenta preliminares a respeito de: (a) nulidade por falta de apreciação e fundamentação sobre a parte deferida e sobre o Crédito reconhecido pela autoridade de administração local; e (b) a inobservância dos procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos. Irei submetêlas à apreciação dos Senhores Conselheiros na seqüência. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 13 12 Antecipo, inclusive, que a autoridade de administração tributária local reconheceu parte do direito creditório pleiteado e homologou as compensações até esse limite, mas o acórdão recorrido foi extremamente sucinto ao se referir à parte deferida. Mas não é para se ter dúvida de que houve esse reconhecimento parcial do direito creditório. Mas retornaremos a esse ponto mais à frente. Nesse momento, peço licença para apresentar primeiramente uma preliminar que se refere ao prazo máximo para se efetuar glosas na escrita da contribuinte, que vem casada com uma proposta de diligência. Proposta de diligência: Preliminar do decurso do prazo de cinco anos para glosar e compor exigência fiscal proposta de diligência para retirar dos cálculos neste processo as glosas aproveitadas de 2003 com reflexo sobre 2004 e 2005, por estarem além dos cinco anos e não fazerem parte dos períodos de apuração dos pedidos objeto do processo administrativo: Nessas próximas linhas exponho minha compreensão aos Senhores Conselheiros sobre esta matéria. Pelo que posso apreender e concluir, em minha leitura da Súmula STF 8 e do Parecer PGFN CAT 1650/2013 (registro PGFN 2780/2013), e Súmula CARF 72, entendo que há o limite de cinco anos a contar da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte (no caso de fraude) para a Fazenda Nacional agir para compor exigência fiscal. Esse Parecer PGFN conclui: Em conclusão, ratificamos o Parecer PRFN 3ª Região DICAJ n. 10, de 2013, no sentido de que os tributos declarados com dolo, fraude ou simulação, caso não constituídos, devem ser lançados de ofício pela administração e que, nesses casos, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do artigo 173, I, do CTN, em virtude mesmo do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do CTN, com termo inicial de contagem coincidindo com o exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos tributáveis. Este Parecer faz remissão a Parecer PGFN CAT n. 968/2011, para esclarecer que está no artigo 90 da MP 2.15835/2001 a base em Lei para a necessidade de lançamento. Eles também apreciam o prazo prescricional, e combatem a ideia de que haveria uma suspensão desses prazos aguardando que a administração analise, audite ou decida sobre petições da contribuinte, ou informações por ela prestadas. Esse parecer deixa claro que os prazos de cinco anos não são ordinariamente prorrogáveis. Ele expõe a respeito: É dizer, o prazo legal de cinco anos para a constituição do crédito tributário existe para que a administração pratique todos os atos necessários à constituição do crédito. nesse prazo, a Administração deve auditar as informações declaradas, apurando, inclusive, eventual fraude ou simulação. Atrelar o início da contagem desse prazo à iniciativa da Administração resultaria no desprezo ao limite temporal legalmente imposto por norma tributária (ver RE 560.626/RS). Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 14 13 Neste processo a autoridade fiscal havia indeferido o pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou as compensações em junho de 2010, e em maio de 2011 reviu suas informações. No caso deste processo, a base originária da decisão de não homologação reside na apuração feita pela autoridade fiscal no procedimento próprio objeto do PAF n. 15586.000956/201025. A administração tributária decidiu não homologar valores devidos que estavam submetidos à tratamento por declaração de compensação. Na realidade, a autoridade fiscal retroagiu a 2003 para recompor os valores das operações econômicas da contribuinte de modo a conseguir chegar a recalcular os devido e os direitos a crédito da contribuição social em questão, nos anos de 2004 a 2009. Esta descrição do procedimento adotado é confirmada pela autoridade fiscal nas informações que prestou neste em resposta à diligência requerida anteriormente. Ela também esclareceu naquele processo que "refez a escrita da contribuinte desde 2003..". A autoridade fiscal, em maio de 2011, retornou ao ano de 2003, e trouxe aos anos de 2004 os efeitos de sua apuração de débitos em 2003. Já haviam se passados seis anos desde o período de apuração dos fatos geradores. Isso significa, a meu ver, desrespeito ao prazo fatal de cinco anos para a administração rever e compor exigência tributária. Este é o sentido do que dispõe o Parecer PGFN CAT 1650/2013. O procedimento da administração para recompor as bases da contribuição social implica, não só em negar direito a crédito, mas também em exigir tributo. Este processo trata de pedido que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2004 e junho de 2004. Caso o Colegiado adote a razão da contribuinte, de que não teria havido dolo, fraude ou simulação, como se trata de tributo de lançamento por homologação, o prazo fatal de cinco anos seria a do § 4º do artigo 150 do CTN. Como a decisão da administração tributária foi em agosto de 2010, teríamos que aceitar que a apuração do direito creditório dos fatos geradores ocorridos entre 01/2004 e 12/2004 não poderiam computar valores devidos anteriores a 01/2004, pois estariam alcançados pelo decurso do prazo de cinco anos aqui discutido. os períodos de apuração da contribuição social anteriores ao 2º trimestre de 2005 seriam protegidos pelos efeitos dessa regra. E isso seria efetivo também na hipótese de que teria havido fraude, pois o prazo de cinco anos para alcançar fatos geradores anteriores a janeiro de 2004 já teria se passado em agosto de 2010 e em maio de 2011. Por isso, proponho seja reconhecido por este Colegiado que a administração não pode retroagir a períodos de apuração anteriores aos objeto do pedido de reconhecimento de direito creditório combinado com pedido/declaração de compensação, para apurar valores devidos, e que esses períodos estejam além do prazo de cinco anos determinado pela lei como fatal para a ação da administração tributária (Parecer PGFN CAT n. 1650/2013). Por isso, proponho que este julgamento seja convertido em diligência para retornar à unidade de jurisdição local para excluir os valores provenientes de glosas do ano de 2003 e recalcular o direito creditório deste processo, desde que esse cálculo não signifique agravamento ou prejuízo do que já foi reconhecido no Despacho Decisório aqui em discussão. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 11543.001339/200444 Resolução nº 3401000.957 S3C4T1 Fl. 15 14 A unidade deverá apresentar Informação instruída com demonstração comparativa, e dar ciência à contribuinte, com prazo (30 dias) para se manifestar, antes de retornar ao CARF. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 1764DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721275/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 27 5/ 20 14 -6 4 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10580.721275/201464 Resolução nº 2401000.528 S2C4T1 Fl. 738 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0366.890 (fls. 249/261): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2012 a 30/12/2012 AIOP DEBCAD nº 51.057.5729 AIOP DEBCAD nº 51.057.5730 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO NÃO COMPROVADO. GLOSA. É passível de glosa a compensação informada em GFIP e não comprovada pelo contribuinte em ação fiscal deflagrada para verificação dos procedimentos adotados, quando não prestados os esclarecimentos solicitados nem apresentada a documentação pertinente. MULTA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Verificada a falsidade de declaração indicando crédito tributário inexistente, é aplicável a penalidade pecuniária de 150% sobre o total dos valores compensados indevidamente. Impugnação Improcedente 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 23/28, que o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), a saber: (i) AI nº 51.057.5722, relativo à glosa de compensação de contribuição previdenciária, indevidamente realizada pelo sujeito passivo nas competências 06/2012 a 13/2012 (fls. 9/12); e (ii) AI nº 51.057.5730, referente à multa isolada pela compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, nas competências 07/2012 a 03/2013 (fls. 15/18). 3. Segundo a fiscalização, instado a manifestarse sobre a regularidade das compensações de contribuições previdenciárias efetuadas no período fiscalizado, o sujeito passivo prestou informações insuficientes para esclarecer a procedência dos créditos utilizados na compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdências Social (GFIP). Fl. 738DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10580.721275/201464 Resolução nº 2401000.528 S2C4T1 Fl. 739 3 3.1 Com relação às competências 06 a 08/2012, a memória de cálculo das compensações efetuadas pelo contribuinte, a título da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), não logrou comprovar a incorreção do percentual de 3% (três por cento) incidente sobre o total das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados. Para afastar a aplicação desse percentual, o contribuinte deveria apresentar provimento judicial ou administrativo a ele favorável. 3.2 No que tange às competências 09 a 13/2012, não ficou demonstrado que o sujeito passivo estivesse amparado pelos benefícios da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, relativos à incidência da contribuição previdenciária sobre a receita bruta em substituição às contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento. No caso, o Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) principal da empresa, CNAE 31047/00, não está listado no Anexo I da Lei nº 12.546, de 2011. 3.3 Por ter a empresa inserido créditos inexistentes nas GFIPs, sobre os valores indevidamente compensados foi aplicada a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 4. Cientificado da autuação fiscal em 25/4/2014, conforme fls. 9 e 15, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 108/127). Posteriormente, aditou a impugnação (fls. 226/229). 5. Intimada da decisão de piso em 15/4/2015, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, segundo fls. 265, a recorrente apresentou recurso voluntário em 13/5/2015 (fls. 290/310). O apelo recursal foi complementado às fls. 721/734. 5.1 Ao reafirmar os argumentos deduzidos na impugnação, destaca, entre outras ponderações, as seguintes razões quanto à improcedência do crédito tributário exigido: (i) atuando no segmento de fabricação de colchões (CNAE 31047/00), recolheu equivocadamente, no período de 06/2007 a 13/2009, a contribuição do SAT/RAT no percentual de 3%, em vez da alíquota de 2% previsto no Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007; (ii) após a retificação das GFIPs, compensou, nas competências 06 a 08/2012, os valores pagos a maior; (iii) no montante dos créditos apurados, estão incluídos recolhimentos a maior realizados pela empresa Bojuy Ind. Com. de Poliuretanos Ltda, CNPJ 03.204.859/000291, a qual foi incorporada pela recorrente; (iv) diferentemente do exposto pela fiscalização, a empresa possui direito a beneficiarse da desoneração da folha de pagamento prevista na Lei nº 12.546, de 2011, tendo em conta os produtos que fabrica, em especial os códigos 9404.2 (colchões), 9404.9000 (travesseiros) e 3921.1390 (laminados), segundo a Tabela de Incidência sobre Produtos Fl. 739DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10580.721275/201464 Resolução nº 2401000.528 S2C4T1 Fl. 740 4 Industrializados (Tipi), constantes do Decreto nº 7.828, de 16 de outubro de 2012; e (v) a recorrente compensou os valores por conta da desoneração da folha de pagamento a partir da competência 08/2012. 5.2 Como forma de corroborar suas alegações, colacionou demonstrativos de cálculos e cópias de GFIP e guias de pagamento de contribuições previdenciárias (fls. 162, 187/222 e 341/720). É o relatório, no que interessa. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10580.721275/201464 Resolução nº 2401000.528 S2C4T1 Fl. 741 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Em cognição não exauriente, verifico a plausibilidade das alegações da recorrente, considerando o conjunto fáticoprobatório acostado para comprovar o seu direito creditório. 6.1 Com efeito, relativamente à atividade econômica de fabricação de colchões, o correspondente grau de risco de acidente de trabalho sofreu modificações no período de 06/2007 a 12/2009, conforme a seguir discriminado: CNAE Descrição Percentual (%) Fato Gerador Legislação 36145 Fabricação de colchões 3 até 05/2007 Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.408, de 6 de maio de 1999 31047/00 Fabricação de colchões 2 06/2007 até 12/2009, inclusive décimo terceiro Nova redação do Anexo V, dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007 31047/00 Fabricação de colchões 3 a partir de 01/2010 Nova redação do Anexo V, dada pelo Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009 6.2 Quanto à substituição das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, pela contribuição previdenciária sobre a receita bruta, não só abrange empresas que desenvolvem determinadas atividades econômicas, como também engloba pessoas jurídicas que fabriquem produtos especificados na legislação. 6.3 Nesse sentido, o Anexo II da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.436, de 30 de dezembro de 2013, contém a relação consolidada de produtos sujeitos à contribuição substitutiva, identificandose, com vigência a partir de 08/2012, aqueles classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nas posições 39.21, 9404.2 e 9404.90.00. 6.4 De mais a mais, para fins de prestação de informações em GFIP, o Ato Declaratório Executivo (ADE) Codac nº 93, de 19 de dezembro de 2011, estabeleceu procedimentos para as empresas abrangidas pela substituição das contribuições prevista na Lei nº 12.546, de 2011, dada a falta de adequação do Sistema Empresa de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (Sefip). 7. Por outro lado, com base no tradicional critério de distribuição do ônus da prova, cabe ao sujeito passivo comprovar o fato constitutivo do seu direito, isto é, compete ao interessado demonstrar os elementos exigidos para o nascimento da relação jurídica na Fl. 741DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10580.721275/201464 Resolução nº 2401000.528 S2C4T1 Fl. 742 6 condição de credor do Fisco e, desse modo, legitimar o encontro de contas entre débito e crédito por meio da compensação tributária. 7.1 Ainda que tenha prestado informações à autoridade fiscal na fase de pré lançamento, pareceme que o sujeito passivo deixou se esmiuçálas em grau bastante, levando o agente fiscal a avaliar como insatisfatórios os esclarecimentos prestados para justificar a utilização dos créditos na compensação em GFIP. 7.2 De modo diverso, na fase de impugnação e recurso o sujeito passivo carreou aos autos uma detalhada exposição da origem do seu direito creditório. 8. Exposto assim, entendo necessário esclarecimento e/ou confirmação de algumas questões de fato, com a finalidade de melhor apurar a verdade material e subsidiar o convencimento do julgador acerca do direito aplicável ao caso concreto. 9. A realização de diligência reforçará o controle da legalidade do ato administrativo, mediante fiel aplicação da lei tributária, ao mesmo tempo que resguardará a indisponibilidade do crédito tributário. 10. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o Fisco preste as seguintes informações, discriminandoas por competência e estabelecimento, quando for o caso: a) Compensação em GFIP decorrente de pagamento a maior da contribuição para o SAT/RAT (i) relativamente às competências 06/2007 a 13/2009, estabelecimento CNPJ 02.748.342/000209 (Indústria Baiana de Colchões e Espumas Ltda), houve recolhimento da alíquota SAT/RAT no percentual de 3% para a atividade econômica preponderante do contribuinte classificada no CNAE 3104 7/00 (fabricação de colchões)? (ii) valorado na forma da legislação tributária, o crédito apurado pelo sujeito passivo relativo à contribuição para o SAT/RAT é suficiente para a compensação realizada nas competências 06 e 07/2012, abaixo discriminada? Competência Valor Compensado (R$) 06/2012 376.187,38 07/2012 45.058,64 (iii) no tocante à empresa Bojuy Ind. Com. de Poliuretanos Ltda, CNPJ 03.204.859/000291, qual a data constante dos sistemas informatizados da RFB para o ato de incorporação pela recorrente, Indústria Baiana de Colchões e Espumas Ltda? Fl. 742DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10580.721275/201464 Resolução nº 2401000.528 S2C4T1 Fl. 743 7 (iv) quanto às competências 08/2007 a 13/2008, estabelecimento CNPJ 03.204.859/000291 (Bojuy Ind. Com. de Poliuretanos Ltda), houve recolhimento da alíquota SAT/RAT no percentual de 3% para a atividade econômica preponderante do contribuinte classificada no CNAE 3104 7/00 (fabricação de colchões)? e (v) valorado na forma da legislação tributária, o crédito total apurado pelo sujeito passivo relativo à contribuição para o SAT/RAT é suficiente para a compensação realizada na competência 08/2012, no valor de R$ 93.228,69 (fls. 199)? b) Compensação em GFIP decorrente da Lei nº 12.546, de 2011 (i) relativamente às competências 08 a 12/2012, o sujeito passivo obteve receitas de vendas de produtos listados no Anexo II da IN RFB nº 1.436, de 2013, em especial classificados na NCM 9404.2 e 9404.90.00? (ii) quanto às competências 08 a 12/2012, estabelecimento CNPJ 02.748.342/000110 e 02.748.342/000462 (Indústria Baiana de Colchões e Espumas Ltda), a redução do valor em GFIP das contribuições referidas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, conforme montantes indicados nos demonstrativos às fls. 187/198 ("valor compensação"), observou o art. 8º da IN RFB nº 1.436, de 2013, c/c ADE Codac nº 93, de 2011? e (iii) em caso de haver divergências para o item anterior, detalhar apenas as competências e estabelecimentos com "valor de compensação" excedente ao permitido pela legislação vigente à época dos fatos. 11. Após a resposta do órgão da RFB, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente. Nessa ocasião, o sujeito passivo também deverá manifestarse sobre a compensação "sub judice", mencionada na sua petição às fls. 728, no tocante aos créditos apurados na empresa Bojuy Ind. Com. de Poliuretanos Ltda, esclarecendo as circunstâncias envolvidas, acompanhado dos documentos comprobatórios correlatos. 12. Adotadas as providências elencadas, retornese os autos para julgamento deste Colegiado. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 743DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10880.915946/2008-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 46 /2 00 8- 23 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.859, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915946/200823 Acórdão n.º 9303003.976 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11610.002974/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. INICIAL. CIÊNCIA DE SOLUÇÃO DE CONSULTA. TERMO
Mora do Fisco em decidir a respeito de consulta de contribuinte, encaminhada em 05/11/2003 e respondida apenas em 19/12/2006, relacionada com a liquidez e certeza do crédito tributário, tem o condão de deslocar o termo inicial de contagem para pleitear a repetição de indébito para a data em que se tornar definitiva a decisão administrativa que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, nos termos do inciso II do art. 168 c/c o art. 165, inciso III do CTN. Trata-se de caso no qual se admite aplicar a analogia, prevista no art. 108 do código. Assim, a situação jurídica que consolidou o pagamento indevido e deu origem ao crédito pleiteado consumou-se apenas no momento em que a recorrente tomou ciência da consulta que efetuou à Receita Federal, sendo tal data o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
Numero da decisão: 1401-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial à repetição do indébito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para exame do mérito.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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PRAZO DECADENCIAL. INICIAL. CIÊNCIA DE SOLUÇÃO DE CONSULTA. TERMO Mora do Fisco em decidir a respeito de consulta de contribuinte, encaminhada em 05/11/2003 e respondida apenas em 19/12/2006, relacionada com a liquidez e certeza do crédito tributário, tem o condão de deslocar o termo inicial de contagem para pleitear a repetição de indébito para a data em que se tornar definitiva a decisão administrativa que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, nos termos do inciso II do art. 168 c/c o art. 165, inciso III do CTN. Tratase de caso no qual se admite aplicar a analogia, prevista no art. 108 do código. Assim, a situação jurídica que consolidou o pagamento indevido e deu origem ao crédito pleiteado consumouse apenas no momento em que a recorrente tomou ciência da consulta que efetuou à Receita Federal, sendo tal data o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial à repetição do indébito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para exame do mérito. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 74 /2 00 7- 41 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 532 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 05/04/2007, a contribuinte apresentou o formulário de Declaração de Compensação de fl.27, objetivando o aproveitamento de pagamento a maior/indevido de IRPJ (código de receita 0220), referente ao recolhimento efetuado em 28/02/2002, para a compensação de débitos. Em 30/04/2007, a Diort/Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 32/33), o qual considerou a compensação como não declarada. A contribuinte apresentou DCOMP de n° 08745.71923.130504.1.7.045054 com status de retificadora quando, na verdade, tratavase de declaração original. O formulário em papel de fl.27 visava substituir a DCOMP n° 08745.71923.130504.1.7.045054. A interessada apresentou recurso de fls.46/52 em 20/07/2007, o qual foi apreciado pela Superintendência da RFB em 20/08/2009, cuja decisão foi pelo retorno dos autos para a unidade de origem para nova análise (fls. 114/116). Segundo o Despacho n° 259, a declaração de fl.27 não poderia ser considerada como original e o recurso hierárquico somente cabe quando a declaração original é considerada como não declarada. A declaração retificadora deve ser analisada e, conforme o caso, ser deferida ou indeferida. Os autos retornaram à unidade de origem e, mediante novo Despacho Decisório de fls.147/149, decidiuse pela não admissão da DCOMP de fls.27/28, por motivo de inclusão de novos débitos, por força do art.59 da IN SRF n° 600/2005 e art.79 da IN RFB n° 900/2008. Novamente em 07/02/2011, em decorrência de concessão de tutela antecipada de fls.205/207, a unidade de origem proferiu novo Despacho Decisório para a análise do mérito da DCOMP apresentada de fls.27/28 (fls.208/212). O INDEFERIMENTO DO PEDIDO deuse, desta vez, pelos seguintes motivos: • Em decorrência da apresentação do PerDcomp cancelador n° 09756.29111.030407.1.8.046333, o PerDcomp em vigor, ou seja,18204.93626.130204.1.3.044980, foi cancelado. Portanto, desde 03/04/2007, data da transmissão do pedido de cancelamento, não há mais pedido de compensação para o crédito; • O novo pedido de compensação de fls.27/28, protocolado em 05/04/2007, é intempestivo, pois o recolhimento ocorreu em 28/02/2002 (fl.23), ou seja, passados 5 anos do prazo previsto nos arts.165 c/c art.168 do CTN; • O prazo fatal para a utilização do direito creditório teria expirado em 28/02/2007. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 17/02/2011 (fl.214) e dela recorreu a esta DRJ em 21/03/2011 (fls.217/261). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. • Até antes da edição da LC n° 118/2005, o prazo para a contribuinte utilizarse de crédito do IRPJ é de 10 anos, conforme entendimento do STJ; Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 534 4 • A contribuinte não se manteve inerte aos fatos, tanto que apresentou declarações retificadoras, não se podendo falar em decadência, figura esta ligada inércia da interessada; • O indeferimento do pleito da contribuinte, por motivo de decadência, viola os princípios da informalidade, verdade material, proporcionalidade e da razoabilidade; • Os débitos de estimativa de IRPJ do anocalendário de 2003, não poderiam ser constituídos, pois já se encerrou o período base de apuração dos débitos e foram constituídas mediante DCTF retificadoras ou DCOMP; A DRJ INDEFERIU a solicitação sob o fundamento de decadência do direito do interessado. nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CONSTITUEM CRÉDITO A RESTITUIR OU COMPENSAR OS PAGAMENTOS A MAIOR OU INDEVIDOS DESDE QUE AINDA NÃO TENHAM SIDO UTILIZADOS. DECADÊNCIA. O PRAZO PARA PLEITEAR O RECONHECIMENTO DO DIREITO AO INDÉBITO, EXTINGUESE NO DECURSO DE 5 ANOS CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, EM CONFORMIDADE COM O ART.165 C/C O ART.168 DO CÓDIGO Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação. Tomo conhecimento da Resolução no 1401000.192, contida nos autos do processo 11610.002975/200795, onde RESOLVERAM avocar a distribuição dos processos n° 11610.002974/200741 (presente feito), 11610.002968/200793, 11610.002971/200715, e 11610.002977/200784. A resolução não foi cumprida talvez porque o Relator que avocou os referidos processos não mais pertencer ao CARF. Ao analisarmos os referidos processos, verificamos o seguinte. Os de n° 11610.002971/200715 e 11610.002974/200741 localizamse nesta turma, mas ainda não foram distribuídos. O de n° 11610.002968/200793 foi distribuído ao Conselheiro Ricardo Marozzi e já julgado; o processo de nº 11610.002975/200795, foi julgado pelo Guilherme Mendes; e o de nº 11610.002971/200715 foi distribuído à Conselheira Aurora e será julgado conjuntamente com este na mesma sessão de julgamento de outubro. O processo de n° 11610.002977/200784 foi o primeiro a ser julgado, no caso, pela Terceira Turma Ordinária, Primeira Câmara da Primeira Seção, mediante o Acórdão n° 1103000.950, em 10 de outubro de 2013. Como a questão aqui presente é praticamente idêntica a do processo nº 11610.002975/200795, me valho de partes do relatório do Conselheiro Guilherme para complementar o relatório do presente feito: A decisão recorrida (fls. 357 a 364) negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de decadência do direito do interessado. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 535 5 O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 367 a 419, mediante o qual teceu as seguintes razões (nessa parte, transcrevo, com as devidas adaptações, o minucioso e preciso relatório realizado pelo Conselheiro André Mendes de Moura, nos autos do processo administrativo n° 11610.002977/200784, cujo objeto é similar ao presente e com recurso do mesmo interessado com recurso praticamente idêntico). Restará demonstrado nos presentes autos que o entendimento da DRJ/São Paulo 1 não poderá prevalecer, notadamente por não haver que se falar em decadência do direito à compensação do crédito e, ainda que se pudesse assim entender, o que se admite apenas para argumentar, o débito de estimativa não pode ser atualmente exigido da Recorrente. Sobre a origem do crédito, decorreu do fato de que no exercício de 2001 ofereceu à tributação de IRPJ e CSLL receita estimada de sobretarifa a ser cobrada nas faturas de consumo de energia (Resolução ANEEL 72/02), procedimento que foi alterado pelo Parecer COSIT 26/2002, que orientou pelo reconhecimento da receita mês a mês, o que provocou a retificação das declarações referentes ao ano calendário de 2001 e seguintes, assim, apurou que os tributos recolhidos no exercício de 2001 seriam indevidos, razão pela qual efetuou compensação do crédito com débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, PIS e COFINS dos exercícios de 2002 a 2004. Não há que se falar em decadência, tendo em vista que a data do recolhimento indevido é de 28/02/2002, e, de acordo com jurisprudência do STJ, STF e do CARF, não se aplica ao presente caso o disposto no art. 4° da LC n° 118/05, no que tange ao prazo para a compensação em tela, porque o recolhimento a maior que gerou o crédito utilizado na compensação em tela foi efetuado antes da entrada em vigor da mencionada Lei Complementar. Assim, o prazo decadencial em questão seria de dez anos, de acordo com a denominada tese "cinco mais cinco". Ainda que se supere a questão da contagem do prazo decadencial, a contribuinte não se manteve inerte aos fatos, tanto que apresentou declarações retificadoras, não se podendo falar em decadência, figura esta ligada à inércia da interessada. Ademais, cabe mencionar que a demora, por parte da RFB, em apreciar os pedidos de compensação, também concorreu, e muito, para a alegada demora na apresentação da última Declaração de Compensação. A RFB foi morosa não só em emitir os seus despachos decisórios, como também em responder à consulta formulada pela Recorrente acerca da correta maneira de tributar as sobretarifas. Devese registrar que a Recorrente formulou a consulta em 05.11.2003 logo em seguida, portanto, ás primeiras manifestações acerca do Parecer COSIT n° 26/02, porém a Solução de Consulta correspondente só lhe foi disponibilizada em 11.01.2007, ou seja, após já passados mais de três anos. A Recorrente manteve, durante todo o decurso dos cinco anos suposto prazo decadencial alegado pelo Despacho Decisório e reverberado pela decisão da DRJ total diligência para o aproveitamento de seu crédito, não logrando cumprir o sol dissant prazo decadencial, emgrandeparte pormorosi dadedapró pria RFB. Ignorar todos esses fatos e se prender a unicamente um evento a data transmissão da DCOMP em papel, ocorrida após 5 anos do pagamento indevido é atitude totalmente não razoável por parte das Autoridades Fiscais, lamentavelmente mantida pela DRJ. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 536 6 Tal atitude constituiuse em uma forma obliqua de descumprir a decisão judicial dada nos autos da Ação Anulatória n° 002447582.2010.403.6100, em que, analisando todos os fatos que permeiam a problemática envolvida nas compensações, determinou pela análise do mérito das compensações. Considerando que a DRJ simplesmente não se pronunciou sobre o mérito, tal decisão encontrase eivada de nulidade, por força do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Há que se destacar o fato de que a Recorrente formulou Consulta Administrativa a respeito do pagamento de IRPJ que se pretende compensar, notadamente acerca da sua legitimidade, e obteve resposta quanto à irregularidade do pagamento apenas em 19.06.2006 (Processo Administrativo n° 19679.016164/200665), ou seja, apenas neste momento é que o pagamento poderia ser tido como indevido e passível de restituição/compensação. Tal entendimento foi corroborado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/0400.184, de 13.12.2005. No Acórdão n° 10805.791, de relatoria de José Antonio Minatel, o deslocamento do termo inicial do lustro decadencial é esclarecido da seguinte maneira: "Se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia"erga omnes", pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida." O erro formal no preenchimento das DCOMP não pode se sobrepor ao princípio da razoabilidade, e, no caso em tela, as compensações foram indeferidas por erro no preenchimento e envio das DCOMP, e não porque tinham por objeto crédito ou débito impossível de serem compensados. Poderia a Recorrente nunca ter efetuado as compensações, e quando do ajuste anual do anocalendário de 2002, por exemplo, ter utilizado o crédito de 2001 para deduzir dos eventuais saldos de CSLL a pagar, porque no presente caso, apesar de ter havido um erro de inobservância do regime de competência ao registrar as receitas do RTE, tal erro acarretou uma antecipação de tributo, o que, por óbvio, só é prejudicial à própria Recorrente. Em se tratando de compensação, o CARF e o STJ reconheceram em decisões recentes a aplicação do principio da razoabilidade, admitindo que o pleito de compensação, ainda que efetuado fora do prazo, deve ser deferido pela Administração Pública quando há o crédito. Mesmo a Procuradoria da Fazenda Nacional, ao contestar a Ação Anulatória n° 002447582.2010.4036100, distribuída à 21a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, mencionou que seria necessária uma análise da escrituração contábil/fiscal da empresa para se verificar a existência do crédito e do débito em discussão. Ad argumentandum, os débitos de estimativa de IRPJ do anocalendário de 2003, não poderiam ser constituídos, pois já se encerrou o período base de apuração dos débitos e foram constituídas mediante DCTF retificadoras ou DCOMP. Posteriormente, por meio do documento de fls. 539 a 542, o recorrente fez pediu para julgamento conjunto do presente feito com os processos n° 11610.002974/200741, 116]o.o02968/200793, 11610.002971/200715, e 11610.002977/200784, por os considerar conexos. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 537 7 DA RESOLUÇÃO Por meio da resolução 1401.192 (fls. 570 a 572), os membros deste colegiado, em concordância com a proposta elaborada por outro relator, decidiram avocar a distribuição dos processos n° 11610.002974/200741, bem como a distribuição dos processos de n° 11610.002968/200793, 11610.002971/200715, e 11610.002977/200784, A resolução, contudo, não foi cumprida e não consta do feito a razão para tal. No entanto, o processo foi redistribuído para a minha relatoria. Ao analisarmos os referidos processos, verificamos o seguinte. Os de n° 11610.002971/200715 e 11610.002974/200741 localizamse nesta turma, mas ainda não foram distribuídos. O de n° 11610.002968/200793 foi distribuído ao Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio. Já o processo de n° 11610.002977/200784 foi julgado pela Terceira Turma Ordinária, Primeira Câmara da Primeira Seção, mediante o Acórdão n° 1103 000.950, em 10 de outubro de 2013. No referido julgado, foi enfrentada não só a questão da conexão como o relator registrou o conhecimento da resolução dessa turma em face da provocação do interessado. Todavia, aquele colegiado entendeu diversamente ao manifestado pela presente turma, ou seja, pela não conexão, razão pela qual o julgamento prosseguiu e foi concluído. É o relatório. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 538 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade. Assim como foi decidido por esta turma em processo em que a situação deste feito é quase idêntica ao do processo n° 11610.002977/200784, de modo que adoto na sua integralidade as mesmas razões de decidir desse processo que já foram inclusive transcritas no voto condutor de uma outra decisão, daquela vez proferida nos autos do processo nº 11610.002975/200795, por esta mesma Turma, na sessão de julgamento do dia 02/03/2016, da lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Acórdão nº 1401001.563). A princípio, cumpre transcrever os art. 165 e 168 do CTN: (...) Apesar de a recorrente inicialmente debruçarse na extensão do prazo decadencial aplicável ao caso em debate, entendo que tal análise, de se verificar pela aplicação de cinco ou dez anos, em consonância com o entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE n° 566.621/RS, sob regime de repercussão geral, deve ocorrer em momento posterior. Isso porque, entendo que cabe ser analisado, a princípio, o termo inicial da contagem do prazo decadencial. Explico, amparado pela cronologia dos fatos narrados nos autos. No anocalendário de 2001, atendendo à orientação da ANEEL, a recorrente apurou o IRPJ e a CSLL levando em consideração a receita estimada de sobretarifa a ser cobrada nas faturas de consumo de energia. Contudo, de acordo com o Parecer Cosit n° 26, de setembro de 2002, a orientação foi em sentido diverso, ou seja, a receita gerada pela aplicação da sobretarifa deveria compor a base de cálculo dos tributos no momento em que ocorresse o efetivo consumo de energia, ou seja, a cada mês. Em 05/11/2003, encaminhou a recorrente consulta para a Receita Federal, como se pode observar às fls. 553/561 dos autos. Em consulta protocolizada em 05/11/2003, a consulente pessoa jurídica (...) Relata que, em virtude da critica situação hidrológica vivenciada em meados de 2001, o Poder Executivo, editou a Medida Provisória n° 2.198, de 2001, criando a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica — GCE, com o objetivo de compatibilizar a demanda e a oferta de energia elétrica. Foi criado um programa emergencial de redução do consumo de energia elétrica que, entre outras medidas estabeleceu limites de uso e fornecimento de energia elétrica, bem como adotou regimes especiais de tarifação. 4. Como conseqüência da redução forçada da demanda, as empresas concessionárias de energia elétrica (geradoras e distribuidoras) tiveram redução de suas margens de lucro, fato que provocou um desequilíbrio econômicofinanceiro da empresa detentora do contrato de concessão de serviços públicos. 5. A consulente entende que o Governo Federal; em reconhecimento a tal desequilíbrio, editou a Medida Provisória n° 14, de 21 de dezembro de 2001, convertida na Lei n° 10438, de 20020 através da qual determinou à Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL que procedesse à recomposição tarifária extraordinária, bem como autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social BNDES: a instituir, em caráter emergencial e excepcional, programa de Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 539 9 apoio às concessionárias de energia elétrica, signatários dos contratos iniciais e equivalentes, assim reconhecidos em resolução da ANEEL. (... ) 9. Comenta sobre o procedimento contábil de reconhecimento em 2001, do ativo regulamentar da recomposição tarifária, mencionando que embora subsistentes os procedimentos contábeis que levam ao reconhecimento do ativo em questão, resta considerar quais serão os impactos tributários sobre a receita computada em sua contrapartida. 10. A partir deste ponto a consulente passa a elaborar comentários relativos aos efeitos tributários da recomposição tarifária do setor elétrico, mencionando a imposição de sobretarifa a ser aplicada às tarifas, de fornecimento de energia elétrica aos consumidores, em momento posterior àquele em que a receita relativa a esta recomposição foi reconhecida contabilmente. Alega que as receitas decorrentes da aplicação da sobretarifa somente serão obtidas nos exercícios seguintes àquele vindo em 2001, a qual dependera do faturamento resultante do consumo a ser realizado no futuro. (... ) 12. Alega que neste cenário, não é possível entender a sobretarifa a ser cobrada sobre o consumo futuro de energia represente um direito passível de ser convertido em dinheiro ou exigido do devedor de imediato, porque o fato gerador só se realizará se ocorre efetivo consumo futuro, sem o qual se resumirá em mera expectativa. (... ) 13. Por todo o exposto, o consulente formula as seguintes questões: a) Está correto o entendimento de que o fato gerador do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS ocorrerá tãosomente no momento em que as receitas relativas à aplicação da sobretarifa foram efetivamente auferidas, ou seja, no momento em que ocorrer o consumo futuro de energia e respectivo faturamento sobre o qual incidirá a sobretarifa? (... ) Depreendese que, como a solução de consulta não foi que resultou em valores a menor do que aqueles que foram recolhidos, diferença que resultou na formação dos créditos tributários. Nesse contexto, encaminhou várias declarações de compensação, sendo que os presentes autos tratam apenas do PER/DCOMP n° 13405.83261.160204.1.3.043673 originalmente transmitido e seus desdobramentos. A declaração de compensação primitiva relacionou como crédito pagamento indevido ou a maior de CSLL F.G. 28/02/2002 no valor original de R$545.222,93, para compensar débito de estimativa mensal de CSLL (código de receita 24841), referente a dezembro/2003, no montante original de R$256.976,09. Contudo, em 13/05/2004, a recorrente encaminhou PER/DCOMP retificador n° 40409.31034.130504.1.7.047220, para alterar o valor do crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL F.G. 28/02/2002 para o principal de R$6.354.988,00, e do débito de estimativa mensal de CSLL (código de receita 24841), referente a dezembro/2003, para o montante original de R$6.169.149,48. Em 19/12/2006 foi editada, pela Receita Federal, a Solução de Consulta n° 518, em resposta à consulta efetuada pela recorrente em 05/11/2003, da qual transcrevo parte da fundamentação e a conclusão: 29. Diante disso, fica claro que uma lei que institui uma sobretarifa a ser cobrada sobre um consumo futuro de energia, ainda que esse possa ser estimado com precisão, não se configura fato gerador do imposto de renda. Ora, essa própria lei, enquanto não ocorrer os fatos concretos que se subsumam na sua própria hipótese de incidência, restará com sua eficácia latente, ou seja, sequer os seus próprios efeitos surtiram, quanto mais os efeitos tributários daí advindos. O que se está a dizer é que, enquanto não ocorrer o Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 540 10 consumo de energia sobre o qual incidirá a sobretarifa, nenhum efeito concreto terá surtido o art. 4°, §1°, da Medida Provisória n° 14, de 2001. (...) 35. Ademais, a mera expectativa de ganho futuro, causado pela referida medida provisória, não pode se consubstanciar em fato gerador de renda das concessionárias de energia no ano de 2001, pois, ainda que seja possível estimar com certa precisão o valor do incremento de receita nos anos seguintes, este não é líquido nem certo em 31/12/2001. Com efeito, o valor faturado dependerá de fatos econômicos futuros e incertos, pois variará de acordo com os consumos mensais de energia de cada consumidor final, logo, impossível precisar, em 31/12/2001, qualquer acréscimo patrimonial definitivo de tais empresas. (... ) 37. (...) solucionoa consulta, em instancia única, Consulente que; em face do exposto concluise que a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1° do art. 4° da Medida Provisória n° 14, de 2001, deverá compor a apuração das bases de cálculo do imposto sobre a renda, da CSL, da Cofins e da contribuição para o PIS, referentes aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo os tributos apurados de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do art. 144 do Código Tributário Nacional. (grifei) Em seguida, tomou ciência a recorrente de que o PER/DCOMP retificador n° 40409.31034.130504.1.7.047220 não foi admitido, vez que o valor do débito foi aumentado. Em 03/04/2007, foi transmitido o PER/DCOMP n°41203.17766.030407.1.8.046017, para cancelar o PER/DCOMP n° 13405.83261.160204.1.3.043673. Não obstante a aparente confusão, constatase que: 1°) O PER/DCOMP n° 13405.83261.160204.1.3.043673, original, foi cancelado pelo PER/DCOMP n° 41203.17766.030407.1.8.046017. 2°) O PER/DCOMP n° 40409.31034.130504.1.7.047220, retificador, não foi admitido. Ou seja, nesse momento, não haveria que se falar em qualquer declaração de compensação pendente de análise. Entretanto, em 05/04/2007, foi apresentada a Declaração de Compensação em papel às fls. 28/29, no qual consta como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita 0220) relativo ao F.G. 31/12/2001, e débito a estimativa mensal de CSLL (código de receita 24841),referente a dezembro/2003, para o montante original de R$5.971.874,72. Inicialmente, a Receita Federal não admitiu a declaração de compensação, por ter sido encaminhada em papel, situação que não encontrava respaldo na legislação vigente. Contudo, diante de decisão judicial que determinou pela apreciação da declaração de compensação, a Derat/São Paulo efetuou a análise do pedido da contribuinte e decidiu que, como o pagamento referente à origem do crédito teria sido efetuado em 28/03/2002, o prazo para pleitear o indébito tributário teria encerrado em 28/03/2007, consoante regra prevista nos arts. 165 e 168 do CTN, entendimento mantido pela DRJ/São Paulo. Ocorre que, diante de todos os fatos narrados, não há que se considerar, como data inicial para a contagem do prazo decadencial, o dia em que foi efetuado o pagamento do DARF a maior que deu origem ao crédito. Devese observar que a recorrente encaminhou consulta à Receita Federal, diretamente relacionada com a liquidez e certeza do crédito tributário em análise nos presentes autos, em í24/08/200F 19/12^2006 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 541 11 Entendo que a situação jurídica que consolidou o pagamento indevido consumouse apenas no momento em que a recorrente tomou ciência da consulta que efetuou à Receita Federal. Apesar de o CTN não tratar expressamente da situação em análise, referente à restituição de um tributo antecipado, vez que posteriormente a contribuinte apurou uma dívida menor do que o montante efetivamente recolhido, para o caso concreto podese aplicar a analogia, autorizada no art. 108 do código. Refirome ao disposto aos arts. 168, inciso II e 165, inciso III do CTN, ao predicar que o prazo inicial para pleitear a restituição, no caso de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória contase da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. No caso em concreto, portanto, o prazo inicial da contagem é o dia 11/01/2007, data em que tomou ciência (fl. 562) a contribuinte da solução de consulta e restou consumada a situação jurídica referente ao pagamento a maior. Tendo sido a Declaração de Compensação em papel de fls. 28/29 foi apresentada em 05/04/2007, não há que se falar em decadência. E, como se pode observar, no caso em tela, mostrase prescindível discorrer sobre a extensão do prazo decadencial, se seria de cinco ou dez anos. Assim, tendo em vista que a prejudicial de mérito restou superada no presente voto, cabe à Derat/São Paulo pronunciarse, já que não há mais óbice para que o mérito seja enfrentado. Poderseia caracterizar supressão de instância caso o presente voto se debruçasse sobre a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, sem antes oportunizar a apreciação do mérito por parte da delegacia competente para a primeira análise do pedido da contribuinte. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a prejudicial de mérito e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para exame do mérito, qual seja, a procedência do crédito alegado, retomandose, assim, o rito processual do Decreto n° 70.235/1972. Conclusão Como já havíamos destacado, a situação deste feito é quase idêntica e absolutamente análoga ao do processo n° 11610.002968/200793, de modo que adoto na sua integralidade as mesmas razões de decidir. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso com o fito de afastar a prejudicial de decadência do direito à repetição do indébito e determinar o retorno à unidade de origem para avançar no exame do mérito. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 576DF CARF MF Processo nº 11610.002974/200741 Acórdão n.º 1401001.749 S1C4T1 Fl. 542 12 Fl. 577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721278/2011-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando comprovado pagamento antecipado, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula Carf nº 99.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REMUNERAÇÃO DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91.
A verba paga a diretores estatutários, não empregados, a título de participação nos lucros tem natureza jurídica diversa daquela paga a empregados, somente estando esta última alcançada pelo benefício fiscal.
Numero da decisão: 9202-004.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente em exercício), PATRÍCIA DA SILVA, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL e CHINA CONSTRUCTION BANK (BRASIL) BANCO MÚLPTIPLO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando comprovado pagamento antecipado, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula Carf nº 99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REMUNERAÇÃO DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. A verba paga a diretores estatutários, não empregados, a título de participação nos lucros tem natureza jurídica diversa daquela paga a empregados, somente estando esta última alcançada pelo benefício fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 78 /2 01 1- 32 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente em exercício), PATRÍCIA DA SILVA, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO. Relatório Trata o presente processo de exigências da (i) contribuição previdenciária, parte da empresa, e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e (ii) multa por descumprimento de obrigação acessória (Gfip), constituídas, respectivamente, pelos autos de infração nºs 37.360.9523 (efls. 6 a 14) e 37. 360.9515 (efl. 22), relativas a remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais, abrangendo as competências de 01/2006 a 12/2006 e 02/2007 a 12/2008. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização identificou três infrações: (a) diferença de contribuição ao RAT por utilização de alíquota inferior à devida, (b) pagamentos a administradores não empregados, a título de PLR, sem recolhimento de contribuição previdenciária e (c) pagamentos a contribuintes individuais não declarados em GFIP. Impugnada a exigência (efls. 87 a 129), foi exarado o Acórdão nº 1641.495 pela 11ª Turma da DRJ/SP1 (efls. 287 a 306) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. O contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 313 a 346) no qual alegou, que (i) não foi aplicada a redução correta da multa devida sobre a parte incontroversa do lançamento, motivo pelo qual pede seja declarada a nulidade do saldo remanescente dos respectivos débitos; (ii) estariam decaídos os lançamentos dos períodos de apuração anteriores a 10/10/2006; (iii) a verba de participação nos lucros não se insere no conceito de salário de contribuição e a Constituição Federal garante o direito aos trabalhadores, mesmo não empregados, na participação nos lucros desvinculada da remuneração e, no caso, a distribiução de lucros ocorreu sob a lei específica, nº 6.404, de 1976. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara proferiu o Acórdão nº 2403003.198 (e fls. 444 a 452) no qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para declarar a decadência dos períodos de apuração até 09/2006 e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 4 3 Tempestivamente, foram apresentados, pelo contribuinte, embargos declaratórios (efls. 477 a 491) em que alegou obscuridade na decisão por não haver sido analisada a dedutibilidade, para fins do IRPJ, dos valores pagos a título de PLR a administradores. Os embargos foram rejeitados pelo presidente da câmara em que se deu a decisão recorrida (efls. 1013 a 1015) sob o argumento de que, na verdade, não ocorrera obscuridade, senão a adoção de tese jurídica divergente à defendida pelo contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, recurso especial de divergência (efls. 454 a 463), no qual apresenta discrepância de entendimento sobre a aplicação do instituto da decadência, pois seria necessário pagamento antecipado da mesma rubrica do lançamento para que se aplicasse a regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN. Em tempestivas contrarrazões (efls. 892 a 908), o contribuinte argumenta, preliminarmente, que o recurso especial da Fazenda Nacional questionou a decadência somente dos lançamentos relativos aos pagamentos a título de PLR distribuídos aos administradores, quedandose silente quanto à exigência de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a trabalhadores autônomos nos períodos de 01 a 09/2006; portanto, para tais lançamentos deve prevalecer o disposto no acórdão recorrido, que determina a decadência. No mérito, sustenta que o§ 4º do art. 150 do CTN faz referência à antecipação do pagamento do tributo devido, e não de rubricas específicas que possam compor esse tributo, razão pela qual se aplica a regra de decadência prevista naquele dispositivo. Aduz, ainda, que, em todo caso, tais períodos estariam decaídos ainda que se aplicasse a regra estabelecida no inc. I do art. 173 do CTN. O contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1115 a 1136) arguindo que a PLR paga a administradores não empregados não tem caráter remuneratório, pois não é habitual, nem periódico e não possui caráter contraprestacional e, por isso, não integra o salário de contribuição, estando regulada pela Lei nº 6.404, de 1976. Adiciona que esse entendimento está amparado pelos acórdãos apresentados à guisa de paradigmas. A Fazenda Nacional, em contrarrazões (efls. 1264 a 1272), reafirma a natureza remuneratória da parcela paga aos administradores não empregados e alega que o instituto da PLR estabelecido na Constituição Federal, que sobreveio à Lei nº 6.404, de 1976, deixaria claro que tanto a previsão constitucional quanto a regulamentação legal desse pagamento visam a alcançar o segurado empregado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator CONHECIMENTO O recurso da Fazenda Nacional foi proferido na vigência do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, e cumpriu os requisitos de admissibilidade constantes dos termos daquele regimento. Portanto, conheço do recurso. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 5 4 O recurso do sujeito passivo também atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele também conheço. MÉRITO Inicio a análise de mérito pelo recurso do contribuinte, por ter natureza prejudicial, passando – em seguida – à análise do recurso da Fazenda Nacional. Análise do Recurso Especial do Sujeito Passivo Passo, pois, a analisar o mérito da questão suscitada pelo contribuinte acerca da incidência de contribuição previdenciária sobre PLR paga a administradores não empregados. De uma forma genérica o saláriodecontribuição consiste em qualquer valor pago a empregado ou trabalhador avulso, destinado a retribuir o trabalho, conforme depreende se da leitura do caput do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; Para interpretação desse dispositivo em face de participações pagas a administradores, cumpre referir que não concordo com o argumento, já esposado por alguns julgados deste conselho, de que o pagamento a diretores estatutários não seria um pagamento realizado pela companhia, mas pelos acionistas, na forma de uma suposta repartição dos lucros, por reduzir seus dividendos, concluindo assim que a verba sequer seria caracterizada como saláriodecontribuição. Entendo que este seja um raciocínio meramente financeiro e que não espelha as verdadeiras relações jurídicas que ensejam o pagamento dessa verba. Ora, qualquer valor pago a terceiros reduz o lucro da companhia e, consequentemente, os dividendos devidos aos acionistas. Por outro lado, inferir que os acionistas estariam realizando esse pagamento diretamente seria desconsiderar a existência da personalidade jurídica da companhia e o fato de que os diretores efetivamente prestam à companhia o serviço de sua representação perante terceiros. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 6 5 Para comprovação da diferença entre a natureza jurídica da participação paga aos administradores e a dos dividendos basta cotejar os dispositivos da Lei n° 6.404, de 1976, que tratam e classificam esses dois institutos: (a) A participação dos administradores no resultado está prevista no art. 187 da Lei das S/A e reduz o lucro da companhia. Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas ... V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. (b) os dividendos estão previstos no art. 201 como uma destinação do lucro líquido do próprio exercício ou do lucro líquido de exercícios anteriores, se mantidos em reservas. Art. 201. A companhia somente pode pagar dividendos à conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de reserva de lucros; e à conta de reserva de capital, no caso das ações preferenciais de que trata o § 5º do artigo 17. Portanto, concluímos que a participação dos administradores no resultado é valor pago pela companhia pelo trabalho do administrador e, assim, por sua natureza, se subsume ao conceito geral de saláriodecontribuição. Considerando que as participações pagas a administradores subsumemse ao conceito geral de saláriodecontribuição, resta necessária a análise de suas características, para verificação de sua eventual classificação entre as exceções ao conceito de saláriode contribuição, previstas no § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Para isso, partimos do dispositivo antes citado: Art. 28. entendese por saláriodecontribuição ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Pois bem, a participação nos lucros ou resultados da empresa somente não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 7 6 De plano, podemos afastar a Lei n° 6.404, de 1976, como lei específica prevendo esse pagamento, porque ela trata da organização da companhia e sua relação em geral com terceiros e, portanto, não se destinou a regular a exceção de que trata a alínea "j" do § 9º da Lei n° 8.212, de 1991. Aliás, nesse sentido, o próprio STF já decidiu, no RE 39284/RJ. Assim, resta perquirir se essa participação estaria albergada pela Lei n° 10.101, de 2000, esta sim específica, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Entendo que a resposta para essa questão esteja na redação do art. 2º da Lei n° 10.101, de 2000, que define a participação nos lucros ou resultados como sendo aquela objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Ora, administradores não são empregados. Com base nas premissas acima, concluímos que a participação de diretores não empregados no lucro das companhias não se enquadra nas hipóteses previstas em lei específica. Análise do Recurso Especial da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional pede que a regra decadencial seja aplicada com base no art. 173, I, do CTN, por não ter havido recolhimento antecipado de contribuição previdenciária relativa à rubrica correspondente à verba paga a administradores não empregados, a título de participação nos lucros e resultados. Entendo que o apelo não prosperar, porquanto contraria o disposto na Súmula Carf nº 99, que estabelece: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A título de esclarecimento, cabe referir que constam dos autos recolhimentos do tributo para os períodos de 01 a 09/2006 (efls. 241 a 249), o que atrai a regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN, justamente como decidido no acórdão recorrido. Em contraposição ao entendimento da súmula, a Fazenda Nacional, em seu recurso, defende justamente a tese do recolhimento por rubrica, nos seguintes termos “Ao deixar de considerar o pagamento por rubrica, o aresto negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicou indevidamente o art. 150, § 4.º, do CTN, situação que implica manifesta violação dos aludidos preceitos legais”. Portanto, pela aplicação da Súmula CARF n° 99, deve ser aplicada ao caso a regra decadencial disposta no § 4º do art. 150 do CTN, conforme determinado pela decisão recorrida. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de: (i) conhecer do recurso da Fazenda Nacional, para negarlhe provimento e (ii) conhecer do recurso do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 9 8 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS A ADMINISTRADORES. NÃOEMPREGADOS. Para esposar as considerações jurídicas que julgo corretas e pertinentes ao caso, me utilizo das argumentações proferidas pelo professor Fábio Zambitte Ibrahim1 em palestras de âmbito nacional recentemente publicadas em artigos jurídicos e Livros de sua autoria. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em 1 Professor de Direito Financeiro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Professor e Coordenador de Direito Previdenciário da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) Professor de Direito Tributário do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – IBMEC/RJ Doutor em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Mestre em Direito Previdenciário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) ExAuditor Fiscal de Receita Federal do Brasil (1998/2012) ExPresidente da 10ª Junta de Recursos da Previdência Social (2005/2012) Professor e Coordenador de Contribuições Especiais da Especialização em Direito Tributário da Fundação Getúlio Vargas (FGV Direito Rio) Diretor de Relações Institucionais da Sociedade Brasileira de Direito Tributário (SBDT) Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 10 9 qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, dos administradores estatutários devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebida pelo Administrador Estatutário. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 11 10 Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Ainda, rejeitando colocações feitas pelo colegiado, importante ressaltar que a PLR não se confunde com o prólabore do administrador estatutário, esta sim de caráter contraprestacional, habitual e periódica e tem por objetivo remunerar a prestação de serviços de gestão da companhia. Nesse sentido bem explica ALBERTO XAVIER2 “o pro labore deve guardar estrita equivalência jurídicoeconômica entre o serviço prestado e sua contraprestação.” Observese que, tanto o pro labore quanto a PLR estão previstos na Lei 6.404/76, contudo estes institutos não se confundem, enquanto o pro labore está previsto no art. 152 da referida Lei, a PLR está prevista no parágrafo 1º deste mesmo artigo 152, como norma exceptiva daquela. II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos 2 XAVIER, Alberto. Administradores de Sociedades. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1979, p.3738. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 12 11 segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212⁄ 91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 13 12 Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Ad argumentandum tantum, uma vez que vem sendo levantado pela Fazenda Nacional, reputo incabível arguir que o tratamento dado a sócios administradores de sociedades prestadoras de serviço não possam, como exposto no art. 201, § 5º do RPS, aplicarse a administradores nãoempregados de sociedades anônimas. Esta distinção não existe na legislação previdenciária. Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III – INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 – CASO DE APLICAÇÃO DA LEI ESPECIAL – LEI 6.404/76. Nesse sentido, para a hipótese de pagamento de PLR a trabalhadores sem vínculo de emprego, como é o caso discutido nos autos, o regramento a ser aplicado será aquele que regula seu pagamento, ou seja, o parágrafo 1º do artigo 152, da Lei 6.404/76. Tal regramento se enquadra, perfeitamente, no conceito de “lei específica” apta a regular o pagamento de PLR a administradores, estando tal rubrica desvinculada da remuneração e excluída do conceito legal de salário de contribuição, não se relaciona com rendimentos advindos do trabalho. Também importa notar o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao estabelecer que eventual distribuição de valores derivados do trabalho ou capital é atribuição da Assembléia Geral, nas regras internamente estabelecidas. A inaplicabilidade da Lei nº 10.101/00 ao caso, tendo em vista também a existência regramento mais específico, não implica a admissão, na base previdenciária, de valores completamente desvinculados do rendimento do trabalho. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 14 13 Importante fazer esta ressalva, o fato da Lei 10.101/00 não contemplar diretores não empregados, não afasta de modo algum a aplicação do disposto na lei 6.404/76. Entender diferente denota uma interpretação tendenciosa da norma legal e frustra os objetivos do legislador ordinário que ao criar a PLR pensava especificamente em possibilitar as empresas que se tornassem mais competitivas no mercado, por meio de incentivos previstos em Lei. É nítido que os rendimentos pagos a administradores não empregados, nos termos da Lei nº 6.404/76, diferentemente dos valores pagos a empregados, não possuem correlação necessária com o trabalho, não possuindo, portanto a mesma natureza contraprestacional que o salário. Isso explica a necessidade de normatização própria da PLR, para empregados, qualificando e delimitando os valores desprovidos de natureza salarial, dentro de um quadro normativo detalhado. Para administradores, como a regra é diversa, a necessidade de legislação especifica perde o sentido, uma vez que a previsão na Lei das SA já era suficiente. Por fim, cumpre citar excerto do artigo recentemente publicado pelo professor Fábio Zambitte no Portal Jurídico Migalhas: "Não obstante o cenário negativo nas jurisprudências judicial e administrativa, tenho convicção que a cobrança da cota patronal previdenciária sobre os valores pagos a diretores não empregados não encontra suporte tanto na Constituição como na legislação vigente, externando incongruências irreconciliáveis com a própria regulamentação administrativa da matéria. O tema ainda sofre com as compreensões equivocadas sobre base tributável previdenciária, não raramente tentando igualar as dinâmicas impositivas do imposto de renda e da cota patronal previdenciária. Tal premissa, além de contrária a todos os preceitos normativos vigentes, ainda ignora o papel do sistema protetivo como substituidor de rendimentos habituais, responsáveis pela manutenção do segurado e sua família. A tentativa de alargamento forçado da base previdenciária, mais do que uma preocupação abstrata com a correta aplicação das regras legais e constitucionais de competência tributária, traduz uma arbitrariedade fiscal com foco exclusivo no aumento de receitas para um sistema atuarialmente desequilibrado. Sem embargo, insisto que, como reconhece a própria regulamentação administrativa, se um contribuinte individual, sócio administrador de sociedade limitada, pode receber valores derivados do capital – lucro – sem a consequente tributação e independente da submissão aos ditames da Lei nº 10.101/00, o mesmo valerá para qualquer contribuinte individual, o que inclui diretores não empregados de sociedades anônimas". Por todo o exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte para fins de reformar o acórdão recorrido, devendo ser cancelados os autos de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR aos diretores estatutários, por total falta de previsão legal. É como voto. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES Processo nº 16327.721278/201132 Acórdão n.º 9202004.305 CSRFT2 Fl. 15 14 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por ANA PAULA F ERNANDES
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Numero do processo: 10711.720813/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 08 13 /2 01 1- 18 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720813/201118 Acórdão n.º 3302003.422 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13808.000998/99-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30%. INOBSERVÂNCIA. EFEITOS. POSTERGAÇÃO. PROVA.
A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1301-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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LIMITAÇÃO DE 30%. INOBSERVÂNCIA. EFEITOS. POSTERGAÇÃO. PROVA. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 09 98 /9 9- 21 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.029 2 DAMOVO DO BRASIL S.A. (nova denominação de MATEL TECNOLOGIA DE TELEINFORMÁTICA S.A MATEC), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1610.265, de 05/09/2006, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever a lide, valhome do relatório elaborado pela diligente relatora do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de fls. 121 a 124, relativo ao anocalendário de 1996, para constituição do crédito tributário no montante de R$ 1.563.414,62, nele incluídos a multa de lançamento de ofício e os juros de mora calculados até 30/06/1999. 2.O lançamento foi motivado pela compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% estabelecido no artigo 42 da Lei n° 8.981/1995. 3.Consta do Termo de Verificação de fls. 119 e 120 que a interessada impetrou o Mandado de Segurança, Processo n° 96.00148589, com o fim de assegurar o direito de proceder à compensação dos prejuízos fiscais e base negativa da CSLL apurados até 31/12/1994, sem a restrição imposta pelos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/1995 (fls. 13 a 36). Informa o mesmo termo que a ação foi julgada improcedente em primeira instância e, por conseguinte, foi cassada a liminar concedida, tendo a empresa interposto recurso de Apelação (fls. 66 a 76 e 88 a 92). 4.Consta, ainda, que a empresa ajuizou Ação Cautelar, perante o E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Processo n° 97.03.0729843), para o efeito de lhe ser assegurado o direito de ter procedido a integral compensação de seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas contabilizados até 31/12/1994, sem as restrições da Lei n° 8.981/1995, até o julgamento do Recurso de Apelação interposto, ficando assegurada a continuidade de emissão de Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, bem como a não inscrição da autora no CADIN (fls. 100 a 116). Em 13/05/1998, foi concedida a liminar nos termos em que pleiteada, ficando reservado o direito da Fazenda Pública adotar medidas para exame da regularidade do procedimento e, se for o caso, autuar o contribuinte (fls. 117 e 118). 5.Cientificado em 16/07/1999, o sujeito passivo apresentou em 16/08/1999, por intermédio de procurador (fls. 140 e 314), a impugnação de fls. 128 a 139. 6.A interessada reconhece a possibilidade de lavratura do auto de infração, na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário por medida judicial, no entanto, entende que a fase litigiosa do procedimento deveria ter seu curso suspenso até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança por ela impetrado, conforme interpretação que faz do disposto nos artigos 14 e 62 do Decreto n° 70.235/1972. 7.Quanto ao mérito, alega que a restrição imposta pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95 só alcança os prejuízos compensáveis que ocorrerem após 31/12/1994, sob pena de violação ao direito adquirido. Acrescenta que a lei aplicável é a vigente no períodobase da formação dos prejuízos. 8.De acordo com os elementos constantes dos autos, o E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou provimento à Apelação no Mandado de Segurança referido no item “3” acima (fls. 230 a 241). A interessada interpôs Recursos Especial Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.030 3 e Extraordinário, bem como Agravo de Instrumento da decisão que não admitiu o primeiro, ao qual foi dado provimento (fls. 242 a 256). 9.O C. Superior Tribunal de Justiça, pela decisão de fls. 258 a 260, negou seguimento ao Recurso Especial. Os autos do Recurso Extraordinário encontramse conclusos ao Relator (fls. 312 e 313). 10.Em 01/12/19951, a empresa apresentou a petição de fls. 175 a 197, acompanhada dos documentos de fls 198 a 206, no intuito de “complementar a defesa administrativa protocolizada em 16/08/1999”. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1610.265, de 05/09/2006 (fls. 315/320), não conheceu da impugnação com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1996 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do feito, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, devendo a Administração Pública impulsionálo até sua conclusão (Princípio da Oficialidade). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. Por oportuno, esclareço que a Autoridade Julgadora em primeira instância não conheceu da petição de fls. 175/197, apresentada em 01/12/2005, considerando tratarse de matéria não impugnada em face da ocorrência da preclusão. Em apertadíssima síntese, ali eram requeridos: (i) o tratamento de postergação do imposto e ajustes nos valores passíveis de dedução; (ii) a exclusão da multa de ofício; e (iii) caso mantida a multa, sua redução ao percentual máximo de 20%. Ciente da decisão de primeira instância em 14/01/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 329, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/02/20082, vide fls. 331 e 332. No recurso interposto (fls. 333/361), esclarece, inicialmente, que a matéria tratada pela recorrente é diversa daquela objeto da Ação Cautelar Inominada nº 97.03.072984 1 A data correta é 01/12/2005. 2 O carimbo de recepção da Derat/SP, à fl. 331, indica a data de 12/01/2008. Mas esta é uma impossibilidade lógica, em face da ciência do acórdão terse dado em 14/01/2008 (fl. 329). Assim, considero a recepção na data em que subscrita a peça recursal, a saber, 12/02/2008 (fl. 332). Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.031 4 3, a qual diz respeito exclusivamente à discussão sobre seu direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Em preliminares, a recorrente se insurge contra o entendimento manifestado no acórdão recorrido acerca da ocorrência da preclusão, quanto aos argumentos trazidos na petição apresentada em 01/12/2005, fundamentando sua posição conforme segue: Entende que os argumentos relativos à postergação do pagamento do IRPJ deveriam ter sido conhecidos de ofício pela Turma Julgadora em primeira instância. Em apoio a sua tese, colaciona jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que entende aplicável. Quanto aos argumentos de impossibilidade de exigência de multa punitiva no caso de lançamento para prevenir a decadência, sustenta tratarse de fato novo em relação à impugnação e, por isso merecem ser analisados. O fato novo seria a alteração da redação do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o qual incluiu também a “concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial” entre as hipóteses de dispensa da multa de ofício no lançamento, situação em que se encontrava a recorrente mas que, à época do lançamento e da impugnação, não era albergada pela lei. Aduz que inexistiria previsão legal de preclusão relativa à apresentação de argumentos complementares em momento posterior à impugnação, desde que a matéria já tenha sido expressamente impugnada. Por sua ótica, seria possível inovar na contestação de determinada matéria já anteriormente questionada, aplicandose a preclusão tão somente à apresentação de novas provas documentais. Invoca o princípio da verdade material, que deve reger o processo administrativo. Acrescenta que, “tratandose de cobrança de tributos, o que se quer, sempre, e independentemente de qualquer outra coisa, é descobrir se o fato gerador realmente ocorreu e, se afirmativa a resposta, qual o efetivo crédito que corresponderia à entidade tributante”. Com esses fundamentos, requer a análise dos argumentos apresentados na petição protocolizada em 01/12/2005. No mérito, se manifesta conforme segue: · Alega que a compensação integral dos prejuízos fiscais no anocalendário 1996 teria representado mera postergação do recolhimento do IRPJ, tendo em vista a apuração de lucro nos períodos seguintes (anoscalendário 1997 e 1998), conforme quadro de fl. 350. Fez acostar aos autos cópias de suas declarações de rendimentos dos anos em questão, como forma de comprovar o que afirma (fls 366/396). Colaciona jurisprudência administrativa que entende pertinente, e pede o cancelamento da exigência, por não ter a Autoridade Fiscal considerado o efeito econômico do diferimento. · Sustenta a impossibilidade da aplicação da multa punitiva em seu caso, em face da nova redação do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, dada pela Medida Provisória nº 2.15835, com efeitos a partir do ano de 2001. Subsidiariamente ao pedido anterior, pede o reconhecimento da retroatividade benigna (art. 106, II, “a” do CTN), para excluir a aplicação da multa de ofício. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.032 5 O processo foi, então, levado a julgamento perante esta 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Mediante o acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1997 MATÉRIA PRECLUSA Questões não provocadas tempestivamente a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas em documento acostado aos autos mais de cinco anos após encerrado o prazo para impugnação constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Deve ser exonerada a multa de ofício aplicada no lançamento destinado a prevenir a decadência se, por ocasião do lançamento, a conduta do contribuinte se encontrava amparada por liminar concedida pelo Poder Judiciário em sede de ação cautelar. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em atenção ao princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidades, deve ser aplicada retroativamente a alteração legislativa no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, que ampliou as hipóteses nas quais descabe a aplicação de multa de ofício no lançamento destinado a prevenir a decadência. A interessada ingressou, então, em juízo com o mandado de segurança nº 2327512200114013400 junto à 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, pedindo, inclusive, antecipação de tutela, no sentido de que viesse a ser determinado o regular conhecimento e julgamento, pelo CARF, do presente processo, notadamente no que tange ao exame da postergação de recolhimento do tributo supostamente devido. Diante do indeferimento da antecipação de tutela pleiteada, a interessada impetrou Agravo de Instrumento nº 328141720114010000/DF perante o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, obtendo, desta feita, decisão favorável. O seguinte excerto bem dá conta do teor e do alcance da decisão do Poder Judiciário, proferida em 10/06/2011 pelo Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Souza Prudente (fls. 474/476): Ademais, desde que a matéria ventilada, em sede do recurso interposto pela impetrante, na esfera administrativa, diga respeito à correta apuração do quantum devido, a título do tributo objeto da cobrança que lhe foi dirigida, ao argumento de que haveria valores a serem abatidos, decorrentes de suposta compensação, afigura seme, em princípio, que essa matéria não se submete ao instituto da preclusão, na medida em que, independentemente de qualquer alegação do contribuinte nesse sentido, é dever da autoridade fazendária proceder à correta aferição do tributo Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.033 6 efetivamente devido, procedendose ao abatimento de créditos eventualmente existentes em seu benefício. [...] Com estas considerações [...], defiro o pedido de antecipação da tutela recursal formulado na inicial, para assegurar à impetrante o direito de ter a matéria ventilada no recurso que interpôs, na esfera administrativa, notadamente no tocante à argüição de postergação do recolhimento do tributo supostamente devido, ficando sobrestada a suspensão da sua exigibilidade, até decisão definitiva acerca da referida matéria, nos termos do art. 151, III, do CTN. Com isso, o processo retornou ao CARF em 19/10/2011 para cumprimento da antecipação de tutela concedida. No entanto, o Colegiado considerou que o processo não reunia condições de julgamento, pelo que, mediante a Resolução nº 130100.032, de 19/10/2011 (fls. 500/506), determinou a realização de diligência, nos seguintes termos: [...] No caso concreto, compulsando os autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. A prova que caberia à interessada foi feita tão somente com suas cópias dos recibos de entrega e de algumas das fichas das declarações de rendimentos dos anoscalendário 1997 (fls. 366/380) e 1998 (fls. 381/396). Tratase, a meu ver, de princípio de prova, formado com os elementos de que dispunha a interessada, mas insuficientes para que se possa decidir sobre o mérito. Acrescento que, ainda que por hipótese se pudesse ter as cópias como reproduções fieis dos originais entregues, não seria possível, com o que consta dos autos, saber se o saldo de prejuízos fiscais não aproveitado nos anos de 1997 e 1998 não o teria sido em anos posteriores. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte consulte os sistemas de processamento de dados da RFB e adote as seguintes providências: 1. Instrua o processo com cópias completas e autenticadas das declarações de rendimentos, original e retificadoras (se existentes), dos exercícios 1998 e 1999, respectivamente anoscalendário 1997 e 1998. 2. Instrua o processo com o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais do sistema SAPLI, desde o anocalendário 1996 até a data mais recente disponível, juntamente com respectivo histórico de alterações. Em cumprimento, foram acostados aos autos: (i) Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais do sistema SAPLI (fls. 508/522; 549/563); (ii) Cópia integral e autenticada da DIPJ original do exercício 1999, anocalendário 1998 (fls. 568/622); e (iii) Cópia integral e autenticada da DIPJ original do exercício 1998, anocalendário 1997 (fls. 623/654). Cientificada, a interessada se manifestou às fls. 656/660. Sustenta, em síntese, que os documentos acostados aos autos em cumprimento da diligência confirmariam sua alegação de ocorrência de mera postergação do pagamento do IRPJ. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.034 7 Posteriormente, antes que o julgamento administrativo do presente processo pudesse ser retomado, sobreveio sentença, datada de 28/11/2012, nos autos do retromencionado Mandado de Segurança nº 232751220114013400, mediante a qual foi denegada a segurança pleiteada. Após transcrever excerto do Acórdão nº 130100.194, questionado pela interessada, assim se manifestou o MM Juiz Federal João Luiz de Souza: Mesmo ciente das controvérsias a envolver a matéria da postergação de pagamento de IRPJ, quando da exorbitância da delimitação do 30% para compensação de prejuízos relativos a exercícios anteriores, o entendimento exarado na passagem do voto, acima transcrita, oferece versão mais plausível frente á clareza emergente do artigo 17, do Decreto 70.235, de 1972. Seria difícil optar por outra interpretação sem deslizar para a burla do referido artigo, ou, no mínimo, rotular o Fisco como conivente com a atitude de inobservância do limite de 30% imposto pelo artigo 42 da Lei nº 8.981/95.” (Destaques do original) E prossegue o Magistrado: Portanto, como se vê, não há amparo à pretensão da impetrante, pois não há como confundir o direito ao recurso contra decisão com o direito de ver examinada matéria não aventada anteriormente. Ademais, conforme sustentado pela autoridade, a questão relativa à limite de 30% da compensação de prejuízos, está amparada em lei, sendo plenamente legítima a posição do Fisco. De outra parte, por ser de ordem meramente privada, restrita ao interesse financeiro do próprio contribuinte, não está inserida naquelas que sejam conhecidas de ofício pela Administração. Posto isto, julgo improcedente o pedido e denego a segurança. Inconformada, a interessada embargou a sentença supra, não logrando êxito. Em 12/12/2012 seus embargos declaratórios foram rejeitados, tendo assim concluído o MM Juiz Federal: A pretensão da embargante é a reforma do julgado para análise do mérito; para tanto, porém, deve utilizar a via recursal adequada à espécie. Evidente, pois, o descabimento dos embargos declaratórios sob exame, por falta de previsão legal, pois seus fundamentos não se enquadram nas hipóteses do art. 535, do CPC. Posto isto, rejeito os presentes embargos declaratórios. A seguir, a interessada interpôs recurso de apelação nos autos do Mandado de Segurança nº 232751220114013400, que foi recebido em 16/01/2013 em seu duplo efeito, suspensivo e devolutivo (fl. 855). Quanto ao Agravo de Instrumento nº 328141720114010000/DF, à fl. 858 encontro decisão do TRF da 1ª Região, datada de 16/05/2013, negando seguimento ao agravo, nos seguintes termos: Nego seguimento ao agravo, considerando a superveniência da sentença no juízo de origem (CPC, art. 557). Nesse caso as partes ficam submetidas a ela, não podendo prevalecer a anterior decisão agravada. O recurso está prejudicado. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.035 8 "A prolação de sentença no processo principal opera o efeito substitutivo da decisão interlocutória proferida anteriormente e torna prejudicado o recurso dela oriundo" (Ag.RE 599.922SP, r. Ministro Luiz Fux, 1ª Turma do STF). "Perde objeto o recurso relativo à antecipação da tutela quando a sentença superveniente (a) revoga, expressa ou implicitamente, a liminar antecipatória (o que pode ocorrer com juízo de improcedência ou extinção do processo sem resolução de mérito, ou (b) sendo de procedência (integral ou parcial) tem aptidão para, por si só, irradiar os mesmos efeitos da medida antecipatória. Em qualquer dessas situações, o provimento do recurso relativo à liminar não teria o condão de impedir o cumprimento da sentença superveniente" (RESp. 506.887 AgRg r. Ministro Teori Zavasccki, 1ª Turma do STJ). Tal era a situação em 07/05/2014, quando, mais uma vez, o processo veio a julgamento no CARF, desta feita na 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. O Colegiado decidiu não conhecer do recurso, mediante o Acórdão nº 1302 001.387 (fls. 844/849, numeração eletrônica). Eis os fundamentos da decisão: Inicialmente, cumpre ressaltar que as matérias já conhecidas e decididas no acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), não estão mais em questão. O que se discute é a possibilidade de conhecimento e apreciação dos argumentos da interessada de que, tendo apurado lucro nos anoscalendário 1997 e 1998, a compensação integral de prejuízos fiscais em 1996 teria representado mera postergação do recolhimento do IRPJ e, com isso, o lançamento deveria ser cancelado. No acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), tal matéria foi considerada preclusa e não conhecida. Irresignada, a interessada buscou o Poder Judiciário, conforme visto no relatório que antecede a este voto, pedindo que seja superada a preclusão e que seu argumento de postergação seja conhecido e julgado em sede administrativa. A atual situação do Mandado de Segurança nº 232751220114013400 é de sentença desfavorável ao contribuinte, da qual foi interposto recurso de apelação, recebido com efeitos suspensivo e devolutivo. Por outro lado, em que pese o entendimento da interessada em sentido contrário, o TRF da 1ª Região expressamente negou seguimento ao Agravo de Instrumento nº 328141720114010000/DF, pelo que a antecipação de tutela anteriormente deferida não prevalece. Tendo sido denegada a segurança buscada pela interessada perante o Poder Judiciário, e diante da inexistência de qualquer provimento jurisdicional em vigor que determine a reapreciação, por este CARF, de questões já decididas administrativamente, considero perfeitamente válida a decisão prolatada no Acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409). Descabe, assim, conhecer de matérias sobre as quais o Colegiado já anteriormente decidiu por não conhecer e cuja possibilidade de conhecimento e apreciação está submetida ao crivo do Judiciário. Irresignada, a interessada opôs embargos de declaração em face da decisão supratranscrita, alegando omissão e contradição. Os embargos foram objeto de análise no despacho de efls. 1007/1009, e foram rejeitados pela Sra. Presidente da 2ª Turma Ordinária, por não atendimento aos pressupostos regimentais para essa espécie recursal. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.036 9 Não obstante, no mesmo despacho, a ilustre Presidente alerta para informações e documentos relevantes, atinentes ao processo judicial, nos seguintes termos: Ocorre que em 04/09/2015 a apelação interposta nos autos do processo nº 002327512.2011.4.01.3400 foi provida (fls. 950/954). Consoante destacado pela Procuradoria da Fazenda Nacional na comunicação de fl. 1006, a 8ª Turma Suplementar do TRF da 1ª Região decidiu, por unanimidade, dar provimento à apelação da impetrante para reformar a sentença e conceder a segurança a fim de que o pedido "postergação do pagamento do imposto devido" da impetrante seja apreciado e decidido como for de direito". Consulta ao sítio eletrônico do TRF da 1ª Região, na data deste julgamento, revelou que o processo nº 002327512.2011.4.01.3400 ainda não transitou em julgado, em face de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Não obstante, até onde se pode verificar, encontrase em vigor o quando decidido em sede de Apelação Cível, conforme ementa e acórdão reproduzidos às fls. 950/951, verbis: APELAÇÃO CÍVEL N. 002327512.2011.4.01.3400/DF (d) RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA APELANTE : DAMOVO DO BRASIL S/A ADVOGADO : JULIO MARIA DE OLIVEIRA ADVOGADO : DANIEL LACASA MAYA APELADO : UNIÃO (PFN) PROCURADOR : CRISTINA LUISA HEDLER TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO PARA O CONSELHO DE RECURSOS FISCAIS CARF. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DEVIDO. 1. Embora o pedido da impetrante de “postergação do pagamento do imposto devido” não tenha sido impugnado perante a autoridade fiscal de 1ª instância (o Delegado da Receita Federal do Brasil), não se verifica a preclusão prevista no art. 63, § 2º, da Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o “processo administrativo em geral”. 2. É que nos termos do art. 37 do Decreto 70.235/1972 (que regula o processo fiscal de exigência e consulta), o recurso no CARF “farseá conforme dispuser o seu regimento interno”, que não prevê a preclusão indicada no mencionado art. 63 da Lei 9.784/1999. Além disso, há de prevalecer o princípio da razoabilidade identificado na decisão antecipativa de tutela recursal de 10.06.20114. 3. Concluídas as diligências exigidas pelo relator do recurso administrativo, este deve ser julgado para eventual aplicação da Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. 4. Apelação da impetrante provida e concedida a segurança. ACÓRDÃO Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.037 10 A 8ª Turma, por unanimidade, deu provimento à apelação da impetrante e concedeu a segurança, nos termos do voto do relator. Brasília, 04.09.2015 Com isso, o processo retorna a este Colegiado para cumprimento da decisão judicial. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Vale repisar a observação inicialmente feita no voto proferido no acórdão nº 1302001.387: Inicialmente, cumpre ressaltar que as matérias já conhecidas e decididas no acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), não estão mais em questão. O que se discute é a possibilidade de conhecimento e apreciação dos argumentos da interessada de que, tendo apurado lucro nos anoscalendário 1997 e 1998, a compensação integral de prejuízos fiscais em 1996 teria representado mera postergação do recolhimento do IRPJ e, com isso, o lançamento deveria ser cancelado. Pois bem. A decisão proferida pelo Poder Judiciário, conforme relatório, impõe a este Colegiado que supere o óbice então identificado, especificamente a preclusão processual, e tome conhecimento e julgue, conforme o direito, os argumentos atinentes à postergação do recolhimento do IRPJ. É o que passo a fazer. A autuação se deu diante da constatação de que, no anocalendário 1996, a interessada compensou prejuízos fiscais acima do limite de 30% estabelecido no art. 42 da Lei nº 8.981/1995. A alegação que agora deve ser apreciada é de que a compensação integral dos prejuízos fiscais no anocalendário 1996 teria representado mera postergação do recolhimento do IRPJ, tendo em vista a apuração de lucro nos períodos seguintes (anoscalendário 1997 e 1998). A interessada entende que deve ser cancelada a exigência, por não ter a Autoridade Fiscal considerado o efeito econômico do diferimento. Sobre a matéria, importa ressaltar o conteúdo da Súmula CARF nº 36, de observância obrigatória pelos membros deste Colegiado: Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.038 11 Como se vê, tratase de verificar se existe nos autos prova de que o imposto que deixou de ser pago no anocalendário 1996 o foi em períodos subsequentes. A interessada trouxe aos autos as provas de que dispunha, as quais, consideradas insuficientes pelo Colegiado, foram complementadas com a realização de diligência. O exame das DIPJs dos anoscalendário 1996, 1997 e 1998, respectivamente exercícios 1997, 1998 e 1999, conduz ao quadro abaixo, no qual são comparados os valores de imposto de renda e adicional apurados em cada um desses anos, considerandose, ou não, a limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. AC 1996 AC 1997 AC 1998 DIPJ DIPJ DIPJ efls. 20 efl. 628/629 efl. 388 e 575 sem limit. 30% com limit. 30% sem limit. 30% com limit. 30% sem limit. 30% com limit. 30% Saldo de Prejuízos a compensar 4.257.781,50 4.257.781,50 0,00 2.697.635,44 0,00 1.467.679,86 Lucro Real antes da compensação 5.200.486,87 5.200.486,87 4.099.851,92 4.099.851,92 4.916.818,00 4.916.818,00 Compensação 4.257.781,50 1.560.146,06 0,00 1.229.955,58 0,00 1.467.679,86 Lucro Real após a compensação 942.705,37 3.640.340,81 4.099.851,92 2.869.896,34 4.916.818,00 3.449.138,14 Saldo de Prejuízos a compensar 0,00 2.697.635,44 0,00 1.467.679,86 0,00 0,00 Imposto (15%) 141.405,81 546.051,12 614.977,79 430.484,45 737.522,70 517.370,72 Adicional 70.270,54 340.034,08 385.985,19 262.989,63 467.681,80 320.913,81 Imposto + Adicional 211.676,34 886.085,20 1.000.962,98 693.474,09 1.205.204,50 838.284,53 Diferença 674.408,86 307.488,89 366.919,97 As colunas que não consideram a limitação de 30% correspondem ao procedimento adotado pela interessada, conforme consta em suas declarações de rendimentos. As colunas que consideram a limitação de 30% levam em conta a restrição imposta por lei à compensação de prejuízos fiscais. Como se observa, o procedimento adotado pela interessada levou à apuração de R$ 674.408,86 de imposto a menor no primeiro ano, quando foi integralmente compensado o saldo de prejuízos fiscais acumulados. Esse mesmo procedimento levou à apuração de imposto a maior nos dois anos seguintes (R$ 307.488,89 + R$ 366.919,97 = R$ 674.408,86), visto que não mais havia saldo de prejuízos fiscais a compensar. As diferenças se anulam. Além disso, o exame das declarações permite concluir que o imposto apurado a maior nos anoscalendário 1997 e 1998 foi extinto, sejam mediante o pagamento de estimativas mensais, seja com deduções previstas em lei e não questionadas. Finalmente, o extrato do sistema de controle de prejuízos fiscais (SAPLI, e fls. 508 e segs.) mostra que o saldo de prejuízos fiscais que constava em aberto nos controles da Receita Federal não foi aproveitado nos anos posteriores. O que ocorreu, portanto, foi a postergação no pagamento do tributo, provocada pela antecipação da compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores. Nesses termos, não havendo diferença de imposto a ser exigida, seria cabível tão somente a exigência de multa e juros moratórios pelo prazo em que constatada a postergação. E, desde que o lançamento não foi assim levado a efeito, descabe a este Colegiado modificar seus fundamentos. Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, no que toca a esta matéria. Integrando esta decisão com aquela anteriormente proferida, no Acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009, a exigência dos presentes autos resta totalmente cancelada. (assinado digitalmente) Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1301002.151 S1C3T1 Fl. 1.039 12 Waldir Veiga Rocha Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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