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Numero do processo: 16045.720011/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010
REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO.
O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o crédito tributário lançado relativo à Rubrica "CRÉDITO PRESUMIDO CIF - MP 2158-35/01", diante da ausência de respaldo legal. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Sustentou pela Recorrente o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o crédito tributário lançado relativo à Rubrica "CRÉDITO PRESUMIDO CIF MP 215835/01", diante da ausência de respaldo legal. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela Recorrente o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 72 00 11 /2 01 5- 18 Fl. 333DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI referente a fatos geradores compreendidos entre 01/06/2010 a 31/12/2010, em razão da glosa dos créditos presumidos apropriados pela empresa com fulcro no regime especial previsto no art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Como se depreende do Relatório Fiscal, entende a fiscalização que a empresa não teria direito ao crédito presumido vez que não teria comprovado que o Adquirente pagou a totalidade do frete, valor este que deveria estar explicitamente inscrito no campo da nota fiscal que lhe é atribuído. Nos termos do relatório fiscal: "Melhormente, para que não pairem dúvidas, o valor total do transporte da mercadoria deve estar explicitamente inscrito no campo da Nota fiscal que lhe é atribuído, como estabelecido pelas normas regulamentares — art. 190, inciso II, 5 1° e artigo 413, inciso V, alínea f e inciso VI, alinea b do RIPI/2010, aprovado pelo Dec. n° 7.212/2010. Se assim não ocorrer, que seja, então, comprovado que, efetivamente, o Adquirente pagou a totalidade do frete referente ao veículo de sua aquisição da porta da fábrica até a entrega do veículo no destino final. Esta é a condição para a fruição do favor fiscal, repetindo, que: ...serviços de transporte...sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos..." (efl. 9 grifei) Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 79/92, julgada integralmente improcedente pela decisão ora recorrida, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE FRETE. ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto no art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, vinculase à comprovação de que houve a efetiva cobrança do frete juntamente com o preço dos produtos vendidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 294) Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 3402004.086 S3C4T2 Fl. 334 3 Cientificado desta decisão em 10/06/2016 (efl. 310), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls.311/325) reiterando os argumentos aventados em sede de Impugnação, alegando em síntese que, diferentemente do que aduz a fiscalização, não há obrigação legal explícita ou implícita de destaque do IPI sobre o frete na nota de venda, sendo que a indicação de que se trata de venda CIF constitui prova presuntiva de que o frete integrou o preço, capaz de ser elidida apenas mediante demonstração em contrário pela fiscalização. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como relatado, a autuação se refere à cobrança do IPI em decorrência da glosa do crédito presumido previsto no art. 56 da Medida Provisória n.º 2.15835/2001, relativo à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos veículos novos produzidos pela Recorrente. Referido dispositivo legal traz a disciplina a ser seguida para o aproveitamento deste regime especial de apuração do IPI: "Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. § 2o O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. Fl. 335DF CARF MF 4 § 4o O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes. (Incluído pela Lei nº 12.407, de 2011)" (grifei) No entendimento da fiscalização, trazido no Relatório Fiscal da autuação, uma vez que a empresa Recorrente não destacou o valor do frete nas notas fiscais por ela emitidas, ele "não compunha o valor pago pelos Adquirentes", razão pela qual ele não estaria na base de cálculo do IPI. Para melhor compreensão, vejamos com mais detalhes os termos do trabalho fiscal: "Melhormente, para que não pairem dúvidas, o valor total do transporte da mercadoria deve estar explicitamente inscrito no campo da Nota fiscal que lhe é atribuído, como estabelecido pelas normas regulamentares — art. 190, inciso II, 5 1° e artigo 413, inciso V, alínea f e inciso VI, alinea b do RIPI/2010, aprovado pelo Dec. n° 7.212/2010. Se assim não ocorrer, que seja, então, comprovado que, efetivamente, o Adquirente pagou a totalidade do frete referente ao veículo de sua aquisição da porta da fábrica até a entrega do veículo no destino final. Esta é a condição para a fruição do favor fiscal, repetindo, que: ...serviços de transporte...sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos... Pois bem, como "crédito presumido IPI/frete" em VW vem sendo auditado pela Fiscalização Federal dês 2012, obrigações fiscais do ano de 2007, extraímos do processo fiscal n° 10860.720028/201232 solicitação nossa —Anexo 2 — que tratou do favor fruído pela Empresa naquele ano de 2007, enfatizando que: O implemento da condição supra (cobrança do frete no preço da operação) deve ser provado mediante documentação hábil, que demonstre, cabal e inequivocamente, que, nas vendas que propiciaram a fruição do benefício em tela, a Empresa cobrou dos Adquirentes os fretes a elas correspondentes. Caso contrário, deverá ser prestado esclarecimento, por escrito, do motivo de, apesar de não ter sido a condição implementada pela Empresa, mesmo assim foram efetuados créditos em seu Registro de Apuração sob a rubrica da legislação acima citada. No mesmo Anexo temos o esclarecimento de VW: 1)Esclarecer que este Contribuinte utiliza a modalidade FRETE CIF nas suas vendas de veículos novos, informado na própria Nota Fiscal de saída que o Frete é por conta do Emitente (vWB), suportando o ônus do pagamento ¡unto aos transportadores, sendo cobrado juntamente com o preço dos veículos comercializados. Temos, então, que, segundo os documentos de VW — cópias de Notas fiscais e de conhecimentos de transportes também em Anexo 2 o frete foi por "conta Emitente", pago por VW. Tal fato foi, inclusive, confirmado pela Empresa esta teria suportado "...o ônus do pagamento ¡unto aos transportadores...".. Não obstante isso, VW acrescenta que o frete estaria "...sendo cobrado juntamente com o preço dos veículos comercializados...". Ou seja, que, mesmo assim, segundo VW, as condições do benefício teriam sido implementadas. Que apesar de não indicado na Nota fiscal de venda, de não ter sido pago pelo Adquirente, na sua totalidade, mesmo assim, o preço de venda incluiria o frete, posto que, cobrado do Adquirente. Na fiscalização das obrigações fiscais referentes ao ano de 2010, ora em curso, VW persistiu na prática de escriturar, no seu Registro de Apuração do IPI, valores sob a rubrica do benefício em debate Anexo 1; não obstante não destacar o valor do frete em suas Notas fiscais vide cópias em Anexo 3. (...) Concluindo: mantidas as mesmas práticas e esclarecimentos por parte de VW, nada se modificando no âmbito do favor fiscal em tela, cremos que os valores de IPI por Ela creditados sob a rubrica de "CRÉDITO PRESUMIDO CIF — MP 2158 — Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 3402004.086 S3C4T2 Fl. 335 5 35/01", no interregno abrangido por esta cobrança, são ilegítimos e devem ser retirados da escrita da Empresa, não só por intuitiva razão, mas, também, por assim estar previsto na normatização do benefício, art. 2º, parágrafo 3º da IN n° 91/2001 (...)" (efl. 911 grifei) Assim, a única razão para se entender pelo inadimplementos dos requisitos legais deste crédito presumido foi o fato de que o valor do frete não foi destacado na nota fiscal, o que impediria à fiscalização de confirmar que o valor do frete teria sido pago pelos adquirentes. Entretanto, a fiscalização extrapola seu poder ao trazer uma exigência que não consta da lei. Como veremos com mais parcimônia adiante, a lei exige que as empresas industriais produtoras assumam o custo do frete, incluindo no preço de fábrica. Exigese, portanto, que o valor do frete seja pago pelo produtor e incluído no preço da mercadoria. Ora, o uso do termo "preço" pela legislação, exigindo inclusive o emprego da "cláusula C&F" (Custo e Frete) na operação de transporte, evidencia que o frete, contratado/executado pelo estabelecimento produtor, deve ser por ele arcado/pago, sendo repassado na composição do preço da mercadoria (independente, portanto, de efetivo destaque em nota fiscal). E, a meu sentir, todos os requisitos legais e normativos trazidos foram cumpridos no presente caso, devendo ser estornada a glosa perpetrada. Senão vejamos. Para que seja possível identificar todos os requisitos para o gozo do regime especial diferenciando do IPI previsto no art. 56 da MP 2.15835/2001, além da leitura deste dispositivo legal, acima transcrito, necessário ainda analisar os termos e condições trazidos pela Secretaria da Receita Federal, disciplinados pela Instrução Normativa n.º 91/2001: "Art. 1o O regime especial de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído nos termos do art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 24 de agosto de 2001, consiste no direito de o estabelecimento industrial, fabricante dos produtos classificados nos Códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex01, 8702.90.90 Ex01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 8706.00.20 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto No 3.777, de 23 de março de 2001, creditarse de três por cento do valor do imposto devido em cada operação. Parágrafo único. O regime especial de apuração de que trata este artigo, aplicase também ao estabelecimento equiparado a industrial a que se refere o § 5o do art. 17 da Medida Provisória No 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Art. 2o A adesão ao regime especial darseá por opção do estabelecimento industrial e será exercida mediante apresentação, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Inspetoria da Receita Federal de Classe A (IRFA) de sua jurisdição, do Termo de Adesão, conforme modelo constante do Anexo ÚNICO a esta Instrução Normativa. § 1o A opção será renovada anualmente e aplicase a todas as operações de saída, relativas aos produtos relacionados no art. 1o, realizadas durante o ano calendário subseqüente ao do exercício da opção; § 2o As operações referidas no § 1o serão, obrigatoriamente, conduzidas com cláusula C&F; § 3o O descumprimento das condições do regime especial obriga o contribuinte à restituição do benefício usufruído durante o anocalendário, caracterizandose como falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados; Fl. 337DF CARF MF 6 § 4o Excepcionalmente, no anocalendário de 2001, a opção pelo regime especial compreenderá o PERÍODO entre o primeiro dia do mês subseqüente ao do exercício da opção e 31 de dezembro de 2002. Art. 3o A base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal. Art. 4o O valor do crédito será informado no campo "informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 2001". Art. 5o Deverá ser computado o frete realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o parágrafo único do art. 1o, deverá ser considerado o frete realizado desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente." (grifei) A leitura conjunta destes diplomas normativos elucidam os seguintes requisitos do regime especial: a) ser estabelecimento industrial ou equiparado a industrial de produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI (art. 56, caput e §2º MP 2.15835/2001 e art. 1º IN n.º 91/2001); b) realizar anualmente a opção pelo regime especial, com a apresentação de Termo de Adesão à Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal da jurisdição do estabelecimento. A opção pelo regime especial será aplicada para todas as operações de saída dos produtos especificados no item (a), realizadas durante o anocalendário subseqüente ao do exercício da opção (art. 56, II, MP 2.158 35/2001 e art. 2º, §1º da IN n.º 91/2001) c) realizar as operações de saída com a cláusula C&F, de Custo e Frete, incluindo no preço da mercadoria o valor do frete realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente (art. 2º, §2º e art. 5º da IN n.º 91/2001). Com isso, são adimplidos os requisitos do art. 56, II, da MP 2.15835/2001, no sentido que os serviços de transporte dos produtos: c.1) sejam executados ou contratados exclusivamente pelo estabelecimento industrial; c.2) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos nas saída do estabelecimento industrial; c.3) compreendam a totalidade do trajeto desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. d) Informar o valor do crédito no campo "Informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 2001". Portanto, atestase que a legislação não exige, em nenhum momento, que o frete pago pelo estabelecimento industrial na operação seja segregado do preço do Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 3402004.086 S3C4T2 Fl. 336 7 produto, como indicado no Relatório Fiscal, em entendimento mantido pela decisão recorrida. De fato, os textos normativos exigem que o valor do frete pago pelo estabelecimento industrial ou equiparado seja incluído no preço do produto, não exigindo, portanto, que esta parcela seja cobrada em separado do Adquirente. Ora, com efeito, o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001) A exigência da indicação em nota fiscal do valor do frete somente quando de sua cobrança "em separado" dos preços dos produtos é elucidada, com clareza, na Solução de Consulta nº 26/2012 (SRRF09/Disit), na mesma linha de outras soluções de consulta exaradas pela RFB: "10. Entendese por “valor do frete” a quantia paga para transportar as mercadorias discriminadas na Nota Fiscal de um local a outro, dentro do território nacional ou alémfronteira. 11. O preenchimento do campo referente ao valor do frete na Nota Fiscal é necessário ainda que não haja imposto destacado (casos, por exemplo, de isenção, nãoincidência, suspensão), uma vez que a legislação não prevê a dispensa do preenchimento nesses casos. Portanto, o preenchimento do valor do frete e sua condição de pagamento são, por regra, dados de preenchimento obrigatório, ainda que se trate de operação não sujeita ao imposto (IPI ou ICMS). 12. Entrementes, importante ressalva fazse necessária: a obrigatoriedade de preenchimento do valor do frete na Nota Fiscal impõese apenas nos casos em que esse valor for cobrado ou debitado em separado do comprador, hipótese em que o valor do frete será adicionado à base de cálculo do IPI e do ICMS. 13. Com efeito, a Lei nº 7.798, de 1989, por meio de seu art. 15, deu nova redação ao art. 15 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (que instituiu o IPI), de modo a prescrever que a base de cálculo do IPI “compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário” (destacouse). 14. É de notar que, anteriormente à edição da Lei nº 7.798, de 1989, o art. 14, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964, excluía expressamente da base de cálculo do IPI, as despesas de transporte e seguro, desde que debitadas ao destinatário ou comprador e escrituradas em separado, na nota fiscal (art. 63, § 1º, do RIPI/1982). 15. Por seu turno, a Lei Complementar nº 87, de 1996, de forma similar à Lei nº 7.798, de 1989, no seu art. 13, § 1º, inciso II, alíneas “a” e “b”, veio estabelecer que integra a base de cálculo do ICMS o valor correspondente a “seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição”, e o valor correspondente a “frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado” (destacouse). 16. Em suma, constatase que a exigência de indicação do valor do frete e do seguro na nota fiscal está vinculada à hipótese em que essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria (situação em que, atualmente, tais importâncias compõem a base de cálculo do ICMS e do IPI), razão por que é lícito inferir que essa informação é dispensada quando não ocorra essa hipótese." (Solução de Consulta nº 26 SRRF09/Disit Data 7 de fevereiro de 2012 alterados os grifos no original) Fl. 339DF CARF MF 8 Assim, diferentemente da interpretação trazida pelo I. Fiscal com fulcro nos artigos 190, inciso II, § 1° e 413, inciso V, do RIPI/2010, a solução de consulta acima transcrita esclarece que a indicação separada do frete na nota fiscal para fins de incidência do IPI somente é exigida na "hipótese em que essas despesas sejam cobradas SEPARADAMENTE do preço da mercadoria", exigência essa que não é trazida pelo art. 56, da MP 2.15835/2001, que indica a cobrança desses despesas "JUNTAMENTE do preço da mercadoria". E aqui é importante salientar que em nenhum momento a legislação exige que o valor do frete seja considerada base de cálculo apartada do IPI para o gozo do regime especial. De fato, o art. 56, §1º, I, da MP 2.15835/2001 e o art. 3º da IN 91/2001 apenas indicam que a base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal, não exigindo que seja especificamente o valor do imposto que teria incidido sobre a parcela do frete cobrado. Todo o raciocínio aqui proposto está em plena conformidade com os próprios motivos que ensejaram a instituição do regime especial sob análise. Como se depreende da exposição de motivos da MP 2.11329, a razão para a criação deste regime foi exatamente a prática das indústrias automotivas de contratar em separado os serviços de transporte, deixando de segregar o valor do frete nas notas fiscais. A indústria passava a assumir o ônus do transporte, embutindo o valor do frete no preço da mercadoria e contratando o serviço de transporte em separado (serviço esse não sujeito ao IPI). Com o regime especial, essa prática das indústrias foi consagrada, sendo exigido que o valor do frete fosse incluído no preço das mercadorias e, com isso, com elas juntamente tributado. Uma vez contratado em separado pelas indústrias, com uma cobrança incluída no preço do veículo, o frete não seria destacado na nota. E para reduzir o encargo assumido pelas indústrias, o legislador criou o crédito presumido de 3% (percentual do frete embutido no preço das mercadorias). Vejamos os exatos termos da exposição de motivos: "4. O art. 56 institui regime especial de determinação da base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, no qual poderão ser aproveitados, mediante crédito presumido ou exclusão da própria base de incidência, os valores relativos ao transporte dos veículos que especifica. 5. É notório de que a indústria automotiva, para evitar a incidência do IPI sobre o valor do frete dos veículos vendidos, terceirizou essa atividade para empresas de transporte, não contribuintes, portanto, daquele imposto. Assim, o regime especial proposto não implica nenhuma perda de arrecadação, por excluir da base de incidência do referido imposto o que, na prática, já não a integra. 6. A proposta permite que a tributação deixe de ser fator determinante para as decisões do empresário, o que poderá resultar em ganhos logísticos para a indústria, com redução de custos operacionais e, por consequência, elevação de sua lucratividade, repercutindo positivamente na arrecadação do imposto de renda das pessoas jurídicas e na contribuições (sic) social sobre o lucro líquido." (Trecho da Exposição de Motivos da MP 2.11329 efls. 111/112 dos autos grifei) Ou seja, o regime especial somente veio consagrar a prática das indústrias automotivas de deixar de destacar o frete nas notas fiscais, contratar o frete em separado e embutir o valor do frete em sua composição do preço, sendo concedido o crédito presumido como uma reparação às indústrias por terem assumido o ônus do transporte. Ora, de fato, qual Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 3402004.086 S3C4T2 Fl. 337 9 seria a razão para a concessão do crédito presumido se o valor do frete já viesse destacado na nota fiscal, com a incidência do IPI sobre este montante apartado? Inclusive, o objetivo da concessão deste crédito presumido foi bem esclarecido quando se discutia se o regime especial sob análise seria um benefício fiscal. De fato, como relatado por Ives Gandra da Silva Martins1, em ação civil pública proposta, o Secretário da Receita Federal e a Procuradoria elucidaram como era o regime especial de apuração do IPI, esclarecendo que se tratava de inclusão juntamente com o preço do veículo (ou seja, não seria uma cobrança separada, a ser indicada na nota fiscal), que não implicou em exoneração tributária aos industriais: “A própria autoridade reconhece que a MP em tela não outorgou crédito presumido algum, mas apenas simplificou a forma de arrecadação e aumentou a receita correspondente ao IPI, ao PIS e à Cofins, como se vê do seguinte trecho da peça ofertada pela Procuradoria, naquele processo: "Regime Especial de Apuração do IPI, instituído pelo art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. A partir da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foi facultado às empresas produtoras assumirem o custo do frete, incluindoo no preço de fábrica. Exercida tal faculdade, o frete passa a integrar a base de cálculo do IPI. Em contrapartida, o fabricante tem direito a um crédito presumido do imposto, no valor equivalente a 3% do IPI devido. A adição do frete (R$ 481,00) ao preço de fábrica (R$ 15.258,00), porém, não é linear, pois o PIS, a Cofins e o ICMS devidos pelo fabricante também incidem sobre esse preço, os três de forma reflexa, ou seja, incidem também sobre si próprios. Resulta que a adição do frete faz que o preço de fábrica CIF seja de R$ 15.828,10, ou seja, um Incremento de R$ 570,24. O novo valor do IPI, portanto, passa a ser R$ 2.287.16. O aumento do valor do IPI resultante da inclusão do frete é Igual a R$ 82,40. O crédito presumido, calculado em 3% do valor do IPI (R$ 2.287,16 x 3%), é igual a R$ 68,61. Resulta, portanto, um ganho de IPI para os cofres públicos, de R$ 13,79 por carro produzido. Devido à incidência do PIS e da Cofins sobre o frete, incluído no preço do fabricante, haverá também um ganho para os cofres públicos de R$ 17,31 nessas duas contribuições, por carro produzido. 20. Diante dos elementos retrocitados, que servem para exumar os reflexos da aplicação do disposto no art. 56 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, não há que cogitar, com o novo regime tributário, de redução de receitas do IPI. V. Conclusão 21. Em suma, está fartamente demonstrado que a pretensão do autor carece de consistência, pois não se faz presente na Instrução Normativa SRF nº 91, de 2001, nenhum dos vícios por ele apontados, tendo em vista que o ato foi editado por órgão e autoridade competentes, trata da matéria nos estritos limites autorizados nas leis pertinentes, não institui ou concede crédito presumido algum, além do que não tem o condão de produzir redução de receitas do IPI, muito menos de causar lesão aos cofres públicos.” (grifos meus) 1 MARTINS, Ives Gandra da Silva. Distinção entre benefício fiscal e regime especial à luz da Lei n. 9.826/99 e da MP n. 2.15835/01. Revista Dialética de Direito Tributário n.º167. p. 9298. ago. 2009. Fl. 341DF CARF MF 10 É de se lembrar que, ao editar a IN SRF n. 91, de 2001, regulando o artigo 56 da MP n. 215835/01, o então Secretário da Receita Federal claramente afirma: “não institui ou concede crédito presumido algum, além de que não tem o condão de produzir redução de receitas do IPI” (grifos meus). Como se percebe, se anteriormente à MP n. 2.15835/01, o IPI não incidia sobre o valor do transporte, pelo fato de o frete não representar, na maioria das vezes, custo do industrial, não integrando o preço do produto fabricado, porque quase sempre serviço realizado por terceiros, com o regime especial criado, passa a incidir. Com efeito, por adotarem, as empresas que aderem ao regime especial, transporte próprio, resta nítido que a SRFB, ainda que concedendo crédito presumido, passa a auferir um acréscimo de receita que antes não tinha. É de se compreender, pois, que o Secretário da Receita Federal tenha declarado que: a) não há crédito presumido redutor (benefício), mas sim aumento de arrecadação; b) o referido crédito presumido de 3% inferior ao aumento da tributação sobre o custo do transporte incorporado à base de cálculo do tributo não seria senão uma redução de alíquota em face do tributo acrescido. Antes, todavia, do regime especial, o IPI não incidia sobre o valor do transporte, pois as empresas preferiam usar do transporte alheio não incidido pelo tributo, a assumir esse custo como próprio." 2 (alterados os grifos do original) Diante deste contexto e passandose à análise do presente caso, vislumbrase que a própria fiscalização confirmou que todos os requisitos normativos foram adimplidos pela Recorrente, insistindo apenas na necessidade de indicação em separado do valor do frete na nota fiscal, insistência essa que, como visto, não merece prosperar quando a cobrança do frete é feita juntamente com o preço da mercadoria (como ocorre no regime especial em tela). De fato, considerando todos os requisitos apontados acima, a fiscalização indicou que a Recorrente não teria adimplido aquela trazida nos pontos (c.2) e (c.3) por não ter segregado o valor do frete na nota fiscal. Contudo, todo o requisito (c) foi devidamente adimplido pela Recorrente vez que, como informado pela própria fiscalização, ela realizou as operações de saída com uma cláusula C&F, qual seja, cláusula CIF3, arcando com o valor do frete realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente, incluindo esse valor na composição do preço da mercadoria (em conformidade, como visto, com o art. 2º, §2º e art. 5º da IN n.º 91/2001). Da mesma forma, indicou em todas as suas notas fiscais que o frete foi por ela arcado na condição de "Emitente" das notas fiscais. Acrescese que a Recorrente trouxe aos autos documentos demonstrando, de forma exemplificativa, que os valores dos fretes foram incluídos no preço dos produtos (efls. 140/245), evidenciando o cumprimento dos requisitos legais. Entretanto, salientese que em qualquer momento essas questões foram postas em xeque na presente autuação, vez que a fiscalização relatou o procedimento adotado pela Recorrente de incluir o preço do frete por ela contratado no preço das mercadorias. Contudo, no seu entendimento, esse frete deveria vir apartado na nota fiscal. No presente caso, repitase, o único fundamento da autuação foi no sentido de que o frete não constava destacado nas notas fiscais e não teria sido arcado pelos adquirentes. 2 MARTINS, Ives Gandra da Silva. Distinção entre benefício fiscal e regime especial à luz da Lei n. 9.826/99 e da MP n. 2.15835/01. Revista Dialética de Direito Tributário n.º167. p. 9394. ago. 2009. 3 "CIF Cost, Insurance and Freight Custo, Seguro e Frete. Cláusula universalmente utilizada em que todas despesas, inclusive seguro marítimo e frete, até a chegada da mercadoria no porto de destino designado correm por conta do vendedor (...)." (Disponível em http://www.bb.com.br/docs/pub/dicex/dwn/IncotermsRevised.pdf grifei). Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 3402004.086 S3C4T2 Fl. 338 11 Ora, no exercício de suas funções, não cabe ao fiscal trazer requisitos que não constam da lei, contrariando não apenas a orientação normativa aplicável, mas inclusive a própria motivação para a instituição do regime especial previsto no art. 56 da MP n.º 2.158 35/2001. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal autuada diante da ausência de respaldo legal para a exigência trazida pela fiscalização. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 343DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901059/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 59 /2 01 3- 19 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901059/201319 Acórdão n.º 1302002.213 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901059/201319 Acórdão n.º 1302002.213 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901059/201319 Acórdão n.º 1302002.213 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904096/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 96 /2 01 4- 55 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10875.904096/201455 Acórdão n.º 1301002.466 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de CSLL, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10875.904096/201455 Acórdão n.º 1301002.466 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10875.904096/201455 Acórdão n.º 1301002.466 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10875.904096/201455 Acórdão n.º 1301002.466 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10875.904096/201455 Acórdão n.º 1301002.466 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36192.005106/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005
APRESENTAR A EMPRESA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa é obrigada a informar em GFIP todas as remunerações de segurados.
GFIP. OMISSÕES. CRITÉRIO DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
A alegação genérica de confisco da multa aplicada não torna possível a apreciação de ofício acerca de seu critério de cálculo.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 11/1999, nos termos do voto do relator; e b) por voto de qualidade, não conhecer sobre o critério do cálculo da multa aplicada, vencidos o relator, que entendera que a matéria poderia ser deduzida das alegações apresentadas pelo recorrente, e os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por conhecer de ofício da matéria. Designada para redigir o voto vencedor acerca da questão de não conhecimento de ofício do critério do cálculo da multa aplicada, a Conselheira Andrea Brose Adolfo. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta e Redatora
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005 APRESENTAR A EMPRESA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a informar em GFIP todas as remunerações de segurados. GFIP. OMISSÕES. CRITÉRIO DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A alegação genérica de confisco da multa aplicada não torna possível a apreciação de ofício acerca de seu critério de cálculo. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido em Parte
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nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 11/1999, nos termos do voto do relator; e b) por voto de qualidade, não conhecer sobre o critério do cálculo da multa aplicada, vencidos o relator, que entendera que a matéria poderia ser deduzida das alegações apresentadas pelo recorrente, e os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por conhecer de ofício da matéria. Designada para redigir o voto vencedor acerca da questão de não conhecimento de ofício do critério do cálculo da multa aplicada, a Conselheira Andrea Brose Adolfo. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta e Redatora (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.089 1 1.088 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36192.005106/200550 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.981 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP Recorrente ANDRE GUIMARAES CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005 APRESENTAR A EMPRESA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a informar em GFIP todas as remunerações de segurados. GFIP. OMISSÕES. CRITÉRIO DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A alegação genérica de confisco da multa aplicada não torna possível a apreciação de ofício acerca de seu critério de cálculo. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, em preliminar, reconhecer a decadência até AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 19 2. 00 51 06 /2 00 5- 50 Fl. 1089DF CARF MF 2 a competência 11/1999, nos termos do voto do relator; e b) por voto de qualidade, não conhecer sobre o critério do cálculo da multa aplicada, vencidos o relator, que entendera que a matéria poderia ser deduzida das alegações apresentadas pelo recorrente, e os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por conhecer de ofício da matéria. Designada para redigir o voto vencedor acerca da questão de não conhecimento de ofício do critério do cálculo da multa aplicada, a Conselheira Andrea Brose Adolfo. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta e Redatora (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.090 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 05/12/2005 que decorre do fato de que a recorrente deixou de declarar em GFIP os fatos geradores em discussão no processo nº 18050.002512/200846. Houve também recurso de ofício à Secretaria da Receita Previdenciária pela relevação parcial da multa aplicada, no que foi homologada, fls. 1019: Apresentada impugnação tempestiva às fls.69/71, foi mantido o lançamento pela DecisãoNotificação (fls. 984/993). Entretanto, houve relevação da multa nos períodos de: 01/99, 07/99, 11/99, 02/00, 04/00, 06/00, 08/00, 10/00, 06/01, 07/01, 08/01, 12/01, 03/02, 05/02, 06/02, 11/02, 12/02, 02/03, 03/03, 04/03, 05/03, 06/03, 07/03, 08/03, 01/04, 03/04, 04/04, 05/04 e 07/04, e proporcionalmente nas competências: 02/99 a 06/99, 08/99 a 10/99, 12/99, 01/00, 03/00, 05/00, 07/00, 09/00, 11/00 a 05/01, 09/01 a 11/01, 01/02, 02/02, 04/02, 07/02 a 10/02, 01/03, 09/03, 10/03, 02/04, 08/04 a 11/04, nos termos do art. 291, caput e § 1 0, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde requer a relevação da multa por ser primário e ter corrigido a falta com o envio de GFIP retificadoras bem como que seja aplicada multa menos severa: 5. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, em 20/12/2005, de fls. 69/71, alegando, em síntese, que: 6. A autoridade lançadora do crédito tributário optou pela aplicação da penalidade mais gravosa (art.32, inciso IV, §5°, da Lei n° 8.212/91), apesar de ter constatado a existência do habitat próprio de aplicação do art. 292, inciso I, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, que desafia a aplicação em casos tais da multa mínima prevista no art. 283 do Regulamento. 7. As irregularidades foram sanadas tempestivamente, haja vista as informações encaminhadas à Caixa Econômica Federal, consoante informam os Protocolos de Envio de Arquivos Conectividade Social e seus anexos, a esta colacionados. 8. A impugnante goza de primariedade, porque sobre ela não recai o disposto no parágrafo único do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, não praticou nenhum dos demais atos tidos como circunstâncias agravantes e corrigiu a falta no prazo regulamentar. Portanto, tem o direito de ser beneficiada com a relevação da penalidade que lhe for aplicada afinal. Fl. 1091DF CARF MF 4 9. As provas estão substanciadas nos Protocolos de Envio de Arquivos Conectividade Social, fls.73/983. E ainda que: a) Houve cerceamento de defesa, uma vez que não teria sido devidamente apontada a infração cometida; b) Alegou a inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC como juros; c) Impossibilidade jurídica da aplicação da Taxa SELIC relativamente aos juros moratórios e compensatórios; d) Afirmou que a multa imposta tem caráter confiscatório tributário e afronta sua capacidade contributiva; e) decadência. O julgamento fora convertido em diligência em razão da conexão com o processo principal nº 18050.002512/200846: Contudo, certo da perfeitamente configuração da conexão entre os citados processos, devem, assim, ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. É o Relatório. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.091 5 Voto Vencido Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade e passo a examinar o recurso voluntário. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 1093DF CARF MF 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Inicialmente, ressaltase que nesse processo discutese apenas a autuação por omissão em GFIP das remunerações lançadas através do processo principal nº 18050.002512/200846. Assim, deve ser aqui reproduzido o mesmo entendimento quando do exame de seu processo principal. Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, não é lançamento por homologação. Conforme relatado, a ciência do lançamento ocorreu em 05/12/2005. Assim, todos os valores correspondentes ao período de 01/99 a 11/99, inclusive, e sobre o décimo terceiro salário devem ser excluídos da autuação, do que resulta restarem apenas os meses a partir de 12/1999. Em conclusão, ficam alcançados pela decadência todos os levantamentos até 11/1999, inclusive. Com relação ao mérito, o requerente requereu a redução da multa, o que fora atendido pela decisão recorrida na forma de relevação parcial e também questões de inconstitucionalidade. Quanto às inconstitucionalidades, carece de competência a esse órgão se pronunciar sobre a questão, conforme Súmula CARF nº 02: Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.092 7 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa aplicada GFIP Uma vez requerida a redução da multa, ainda que sob outros fundamentos, entendo que devo aqui examinar questão recorrente neste CARF, que é o direito à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional, e em razão da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Fl. 1095DF CARF MF 8 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.093 9 No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento Fl. 1097DF CARF MF 10 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.094 11 Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora/multa especial previdenciária, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora/multa especial previdenciária. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Considero que na verdade se trata de uma multa especial, pois não coincide exatamente com as características da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996 e nem da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Na verdade, para melhorar elucidar a questão, talvez seja mais adequado se atribuir uma denominação própria à multa multa previdenciária sobre obrigações principais: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 1099DF CARF MF 12 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.095 13 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, Fl. 1101DF CARF MF 14 desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. No caso, essa comparação deve ser apartada das regras que disciplinam a aplicação da multa cobrada sobre o tributo devido e que fazem parte do lançamento da obrigação principal. Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial para que: a) seja reconhecida a decadência de parte do período, até 11/99, inclusive e décimoterceiro salário; e d) em relação a multa de GFIP, sejam comparadas as multas a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. É como voto. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 36192.005106/200550 Acórdão n.º 2301004.981 S2C3T1 Fl. 1.096 15 Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Designada Critério de cálculo da Multa aplicada. Peço vênia ao relator para discordar de seu posicionamento de que a arguição de confisco da multa aplicada pelo recorrente possa ser considerada como pedido de revisão do cálculo da multa aplicada. Em que pese o recurso voluntário ter sido apresentado antes da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que promoveu enormes mudanças no cálculo das multas aplicadas às contribuições previdenciárias, o recorrente poderia ter protocolado pedido pleiteando a aplicação da retroatividade benigna ao processo em curso. Não o tendo feito, entendo que tal matéria não deva ser conhecida de ofício pela turma julgadora. Isso não significa afirmar que o recorrente não tenha direito a uma análise comparativa entre as multas aplicadas à época da autuação e as vigentes ao tempo da liquidação do crédito constituído, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se Fl. 1103DF CARF MF 16 cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Portanto, voto no sentido de não conhecer de ofício do critério de aplicação da multa aplicada, por não se tratar de matéria de ordem pública. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Fl. 1104DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720009/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 27/05/2012
CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA.
Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-004.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 09/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA. Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 09/06/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 09 /2 01 3- 46 Fl. 919DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso nº 0735.069, proferida pela 1ª Turma da DRJ/FNS, a saber: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$572.440,00 referente à aplicação da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por ceder seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Esta multa está prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Contra a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD e o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, como responsável solidário, ora impugnantes, já devidamente qualificados nos autos, no Termo de Verificação Fiscal – TVF e na Descrição dos fatos, foi lavrado Auto de Infração por AFRFB em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos (SP), em sede do procedimento especial de fiscalização aduaneira do cumprimento das condições exigidas para a admissão no país de aeronave ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89. As infrações foram apuradas na utilização de aeronave executiva estrangeira de prefixo N 5 RF, marca RAYTHEON, modelo B 300, numero de série FL 423, ano de fabricação 2008, aeronave esta selecionada como alvo da Operação Pouso Forçado. A Operação Pouso Forçado, que contou com a integração da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público foi deflagrada em 20/06/2012. Nesta data a aeronave N 5 RF não estava em território nacional e por tal motivo não foi apreendida. Diante das irregularidades investigadas na Operação Pouso Forçado e dos fortes indícios de que a NEWBURY ENTERPRISE LTD e o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL praticavam tais irregularidades, utilizandose indevidamente a aeronave estrangeira N 5 RF em território nacional, sem o pagamento dos devidos tributos, foi aberto Procedimento Especial, nos termos da Instrução Normativa nº 1.169/11 e dado ciência ao interessado. Registrese que foi decretado o sequestro judicial da aeronave em cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão 09/2012. A Fiscalização apontou que a aeronave em causa vinha sendo utilizada em nome da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD e entrava em território nacional irregularmente através de Termo de entrada de Admissão Temporária TEAT com suspensão total de tributos. Apurou a Fiscalização que a aeronave servia aos interesses do brasileiro residente, o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, também dono da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE. A ação fiscal partiu de informações enviadas pela ANAC e extraídas do sistema SIAVANAC, com base em relatórios de vôo com todas as origens e destinos da aeronave N 5 RF no período de agosto de 2008 a setembro de 2011, que Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 3 3 identificaram indícios de irregularidades na utilização do regime de admissão de aeronaves no país mediante TEAT, ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89. Conforme informado em resposta ao Termo de Intimação de folhas 545, a aeronave N 5 RF é de copropriedade da NEWBURY ENTERPRISE LTD e do banco WELLS FARGO BANK NORTHWEST, por meio de acordo fiduciário (trust agreement – ferramenta reconhecida na legislação norteamericana) celebrado entre a partes em junho de 2009, pelo qual o outorgante (trustor) transfere a propriedade legal do bem a um terceiro (owner trustee). De acordo com o contrato de operação da aeronave, o WELLS FARGO BANK NORTHWEST concedeu a operadora NEWBURY ENTERPRISE LTD , por tempo indeterminado, o direito exclusivo de posse, uso e operação da aeronave. A Fiscalização verificou que a aeronave em questão operava a maior parte do tempo dentro do território nacional, realizando esporádicas saídas ao exterior para retornar em poucos dias (às vezes no mesmo dia). Da análise do total de vôos do período de agosto de 2008 a setembro de 2011, temos que aeronave permaneceu, em média, 91% do tempo em território nacional. Percebese que a aeronave opera a maior parte do tempo dentro do território nacional servindo os interesses de brasileiros residentes, contrariando o regime de benefícios fiscais previsto no Decreto nº 97.464/89 e na Instrução Normativa SRF nº 285/2003, que prevêem a sua fruição apenas para breve permanência e a serviço de estrangeiro não residente no País. Para ser utilizada na maior parte do tempo no Brasil, a aeronave deveria ter entrado no País sujeitandose ao regime de importação comum com o recolhimento de todos os tributos devidos em uma importação normal, o que não ocorreu. Aduz a Fiscalização que as entradas da aeronave N 5 RF em território nacional não se deram para as finalidades declaradas à aduana nos respectivos TEATs, aduzindo que a aeronave transportou brasileiros residentes, para fins particulares, concluindo que são inidôneas as informações prestadas. Houve, deste modo, desvio de finalidade da Admissão Temporária. Realizadas as investigações, mediante a coleta de diversos documentos e informações de interesse fiscal, bem como tendo sido intimadas pessoas envolvidas, direta ou indiretamente relacionadas com as fiscalizadas, ora impugnantes, a Fiscalização relatou vários fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração em causa, dentre os quais, destacamse os seguintes fatos que comprovariam a simulação da operação e a ocultação do real interessado, o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL: A aeronave N 5 RF foi comprada da empresa Plane Source International LLC pela NEWBURY em 30/06/2008. Em 26/12/12 a NEWBURY vendeu a aeronave à empresa Wetzel. A aeronave foi comprada pela NEWBURY e simultaneamente realizado o contrato de Trust e de Operação da aeronave com o banco Wells Fargo. A aeronave estava, na realidade, sendo utilizada para viagens particulares de férias/turismo do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, seus entes familiares e amigos, tendo como destino pontos turísticos em épocas de feriados. Fl. 921DF CARF MF 4 A aeronave adentrou o País como mercadoria e não como veículo de transporte em trânsito no território brasileiro. Antes mesmo de realizar a primeira entrada no País da aeronave N 955 SL, já havia sido firmado um contrato de hangaragem com empresa situada no aeroporto de Jundiaí (fls. 628). Ou seja, desde o início, a intenção era de permanecer no Brasil indefinidamente, utilizandose do artifício doloso da renovação dos TEATs, mediante declaração falsa às autoridades aduaneiras. Verificouse a prática reiterada de utilização indevida do Regime Especial de Admissão Temporária automática prevista no inciso VIII do art. 5º da IN SRF nº 285/2003 e no Decreto no. 97.464/1989, mediante artifício doloso, qual seja a solicitação de emissão de AVANACs (Autorização de Pouso e Permanência no país, concedida pela ANAC), STADs (Solicitação de Lavratura de Termo de Entrada e Admissão Temporária) e TEATs em nome de empresa estrangeira, a NEWBURY ENTERPRISE LTD, que não utiliza a aeronave no interesse de suas operações. Foram solicitadas e concedidas diversas autorizações de sobrevoo, evidenciando que a aeronave permaneceu, desde a primeira entrada no território nacional, em agosto de 2008, em trânsito no País de forma irregular, tendo sido apresentados vários documentos falsos para fins de despacho na modalidade de Admissão Temporária. A Fiscalização apurou que a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD, criada nos Estados Unidos, não existe de fato. Não tem telefone, não possui sede, não remunera seu dono, não apresenta qualquer documento contábil, não tem funcionários. O endereço da empresa NEWBURY ENTERPRISE é informado como o endereço pessoal do Sr José Paulo, evidenciando que a NEWBURY ENTERPRISE tratase de uma “empresa de caixa postal”. A NEWBURY ENTERPRISE é uma empresa criada nas ilhas Cayman, país de tributação favorecida. Não possui filiais em outro país, o que poderia justificar alguma de suas viagens. Em consulta à Declaração de Imposto de Renda do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, foi confirmado que é o único dono da empresa NEWBURY e seu diretor e detém ações da empresa NEWBURY ENTERPRISE, ''suposta'' operadora da aeronave no valor de R$ 542.144,05. O Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL não recebe rendimentos da empresa NEWBURY ENTERPRISE, reside no Rio de Janeiro e tem negócios em São Paulo, locais onde a aeronave permanece a maior parte do tempo e possui um aeródromo particular em sua fazendo Novo Rumo Naviraí – MS, onde foram constatados 29 voos da aeronave N 5 RF. Mesmo assim não denotou a intenção de utilização da aeronave no Brasil para fins particulares, e sim para fins negociais da empresa NEWBURY ENTERPRISE, que não comprovou sua existência de fato e seu interesse negocial no Brasil. Apesar das intimações, a empresa não apresentou nenhum extrato de conta corrente, onde seria possível verificar se a NEWBURY realmente realiza transações comerciais e se os pagamentos e recebimentos da compra e venda da aeronave N 5 RF, foram realizadas efetivamente pela NEWBURY. O intimado ainda não comprovou a integralização do capital social. Apenas informou que constava na Declaração do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Cumpre ressaltar que anteriormente à compra da aeronave N 5 RF, o capital social da NEWBURY era irrisório, totalizando R$ 290,66. Nas datas próximas à compra da aeronave o capital foi aumentado para R$ 542.141,05, comprovando assim que o Sr José Paulo enviou recursos para a compra da aeronave. Não foi possível rastrear todo o recurso usado na compra da aeronave, uma vez que a NEWBURY se localiza em paraíso fiscal nas Ilhas Cayman e o intimado se negou a apresentar a movimentação bancária. Intimado a informar se o Sr José Paulo, ou se empresa, Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 4 5 brasileira ou estrangeira, da qual ele é dono, recebeu os U$ 2.700.000,00 referentes a venda da aeronave, ignorou o questionamento. Verificouse mediante consulta à Declaração de Imposto de Renda dos Srs. FABIO PEREIRA VIEIRA, SANDRO SILVA SALES e FERNANDO JOSE VALEZI LUIS FERREIRA, pilotos da aeronave N 5 RF, que eles são brasileiros residentes e contratados pelo Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL para pilotar a aeronave N 955 SL. O fato dos pilotos também serem brasileiros residentes, não receberem rendimentos da NEWBURY ENTERPRISE e serem pilotos particulares do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, novamente comprova a real intenção de utilização da aeronave no Brasil. O beneficiário do seguro da aeronave N 955 SL, o real interessado oculto, é o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Também na apólice do seguro (fls. 512 a 536) comprovase que o real dono da aeronave, usuário, beneficiário e custeador da aeronave é o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Chama a atenção o campo da apólice “Utilização”, onde foi informado que o transporte é de pessoa física não remunerado. Novamente comprovase que a utilização da aeronave não se daria pela empresa estrangeira NEWBURY e sim pelo brasileiro residente e beneficiário de seguro o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. A Mapfre informou em resposta à intimação que o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL é o responsável pelo pagamento do seguro. Da forma que foram apresentados os TEATs, GDECs e AVANACs e diante de todos os fatos expostos e comprovados no presente procedimento, concluiuse que houve omissão da informação do verdadeiro responsável, pois o proprietário da aeronave é o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, brasileiro residente no País, consubstanciando simulação de negócio jurídico. Ocorreu ocultação junto às autoridades brasileiras, quando do ingresso da aeronave, relativa ao real interessado, o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Não ocorre, como informado nos documentos apresentados, o transporte de diretores ou representantes da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD que é declarada como operadora da aeronave, mas de pessoa física de nacionalidade brasileira que efetivamente faz uso da aeronave, para fins particulares ou comerciais. Deste modo, estes documentos são eivados de falsidade ideológica ao apresentar informação inverídica ao Fisco. A Fiscalização aplicou a multa equivalente ao valor da aeronave em autos apartados (Processo nº 19482.720.024/201364), tendo incidido nas hipóteses previstas no art. 105, incisos VI, VII e XI do DecretoLei nº 37/66; no art. 23, inciso V e § 1o do Decretolei no 1.455/76; regulamentados pelo art. 689, incisos VI, VII, XI e XXII do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). Finalizou o procedimento em causa (objeto do presente processo) concluindo pela aplicação da pena de multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07, regulamentada pelo art. 727 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), equivalente a 10% do valor da operação por ter apurado que a empresa NEWBURY LTD cedeu seu nome, disponibilizando documentos e simulando as operações de uso da aeronave, acobertando seu real beneficiário, Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, identificado como sendo seu real proprietário. A interessada NEWBURY ENTERPRISE LTD e o interessado JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL apresentaram impugnação única de folhas nº 687 a 717, alegando que: Fl. 923DF CARF MF 6 o despacho do Juízo da 3ª Vara determinou a busca e apreensão da aeronave que não foi executado uma vez que a mencionada aeronave, cumprindo o prazo concedido pela fiscalização aduaneira no TEAT no 0910600/0089/2012 que autorizava sua permanência em território brasileiro de 26/05/2012 a 07/06/2012, saiu regularmente no dia 07/06/2012. E foi vendida em 26/12/2012. há nulidade, pois não se sabe quem é o sujeito passivo, quem é o solidário. Defendese Jose Paulo, por constar no campo sujeito passivo como tal e NEWBURY como pretensa solidária, apesar de a multa ser personalíssima, não admitindo solidariedade. há nulidade pois o auto de infração não contém a descrição dos fatos que constituem a conduta infracional ou a indicação dos dispositivos legais infringidos. A infração que teria dado ensejo à aplicação da multa e o seu enquadramento legal não são citados no auto de infração. há nulidade do auto de infração pois foi lavrado contra pessoa diversa do proprietário da aeronave. É o Wells Fargo Bank, que sequer foi intimado, o proprietário da aeronave cujo beneficiário e operador é a pessoa jurídica estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD. A estrutura de trust para registro de aeronaves com prefixo norteamericano por cidadãos estrangeiros aos Estados Unidos é extremamente comum. Esta estrutura é escolhida por motivos alheios à questão tributária brasileira. O registro norteamericano oferece condições comerciais e de segurança bem mais favoráveis à operação e revenda das aeronaves. as aeronaves somente podem sofrer manutenção em oficinas homologadas pelas agências reguladoras dos países onde são registrados. Os Estados Unidos tem a maior quantidade de centros de serviços homologados ao redor do mundo. O Brasil sequer possui oficinas de manutenção e reparo homologadas em todos os continentes. Alguns aparelhos básicos de navegação e segurança também não foram homologados para utilização em aeronaves registradas no Brasil. foi desconsiderada a personalidade jurídica da NEWBURY, e as alegações de que é inexistente são inconsistentes. Os negócios realizados (compra e venda da aeronave) e os contratos firmados com terceiros confirmam sua existência jurídica. A NEWBURY tem seus atos registrados em cartório e já foi titular de outra aeronave com matrícula brasileira. há situações específicas de pessoa física e jurídica que teriam se utilizado de estruturas com fins de economia de impostos. inexiste limite máximo de permanência de aeronave de prefixo estrangeiro em admissão temporária com suspensão total de tributos. Não existe restrição à renovação por múltiplos períodos e depende apenas da discricionariedade da própria autoridade aduaneira. O Brasil voluntariamente não adotou o “Anexo C” da Convenção de Istambul, que prevê o prazo máximo de 6 meses em cada período de doze meses para admissão temporária. Incabível, portanto, impor limitação que não foi incorporada ao ordenamento jurídico pátrio. a autoridade fiscal argumenta que a utilização do regime de admissão temporária com suspensão total de pagamentos de tributos está condicionada a finalidades específicas que não estão previstas em lei. Em consequência das condicionantes adicionais que considera sem qualquer embasamento legal, cria novo tipo infracional não previsto em lei. O intuito da norma é apenas permitir que aeronaves estrangeiras adentrem no território nacional em voos não remunerados, sem qualquer vinculação aos passageiros a bordo e à finalidade do voo. A IN SRF no. 285/2003 jamais poderia restringir as hipóteses do Decreto no. 97.464/1989 que regulamentam o Tratado da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI). Fl. 924DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 5 7 O preenchimento de TEAT se deu de modo equivocado em muitas situações, mas se trata de simples erro e não de falsidade. O equívoco não deu direito a qualquer vantagem indevida. O erro de preenchimento poderia ensejar o estabelecimento de multa de 1% sobre o valore aduaneiro da aeronave (artigo 711 do Regulamento Aduaneiro), mas jamais 10% sobre a mesma base de cálculo. Também seria possível reduzir a multa em 50%, caso a empresa efetuasse o pagamento de seu valor em 30 dias, a contar da data de notificação do lançamento, conforme artigo 723 do Regulamento Aduaneiro. a argumentação da autoridade fiscal de que o ingresso de aeronave por grandes períodos a serviço de brasileiro residente no Brasil caracteriza importação definitiva não possui suporte fático e jurídico, mormente porque toda a conduta da NEWBURY e do autuado encontrase de acordo com os dispositivos legais que regem a matéria. a mudança de postura dos agentes fiscais ofende os princípios da boafé e segurança jurídica. A decretação de perdimento da aeronave encontra óbice no artigo 100 do CTN, o qual determina que os atos administrativos e as práticas reiteradamente adotadas pela Administração Tributária são normas complementares e afastam a aplicação de penalidades. É inaceitável que o Estado por meio de órgãos próprios permita a entrada e a permanência da aeronave no país e que após um desses órgãos pretenda desfazer todos os atos anteriores e invadir indevidamente o patrimonio do autuado. Tal conduta é totalmente desproporcional, desarrazoada e desproporcional, e viola o princípio da razoabilidade. Não houve fraude, ocultação, ardil ou artificio doloso. Os pedidos de sobrevoo e de TEATs foram instruidos com documentação contendo a identidade de todos os participantes e concedidos pela autoridade fiscal. os precedentes jurisprudenciais mencionados pela autoridade fiscal se referem às hipóteses diferentes do caso apurado nos autos, não há decisões jurisprudenciais desfavoráveis à conduta do autuado. Requer que seja tornado insubsistente o auto de infração. Em 25 de junho de 2014, a 1ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelos Recorrentes nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 27/05/2012 LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de Fl. 925DF CARF MF 8 seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. Intimados da decisão de piso em 15.07.2014 (fls.893), os Recorrentes interpuseram recurso voluntário em 12.08.2014 (fls.895913), reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. 2. Preliminarmente 2.a Ilegitimidade de parte do Recorrente José Paulo Ferraz do Amaral Em suma, alega o Recorrente que "...somente se poderia imputar qualquer responsabilidade aduaneira ou tributária à importadora solicitante do Regime de Admissão Temporária, seja por "interposição fraudulenta" no processo de importação, seja por eventual falsificação, simulação, fraude ou subfaturamento nos documentos expedidos em seu nome (AVANACs, STADs, RCR e TEATs que acobertavam a mercadoria importada submetida a despacho, seja ainda pelos tributos incidentes sobre a importação excogitada." Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento afastou as pretensões do Recorrente com base nos seguintes fundamentos: "Restou demonstrado nos autos que o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL é o verdadeiro responsável pela introdução da aeronave N 5 RF no País, mediante admissão temporária com suspensão total de tributos, sob amparo do Decreto nº 97.464/89. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, com base nos documentos apresentados, constatase que ele é o dono da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD, envolvida na compra e operação da aeronave, e o responsável pela remessa de recursos para a aquisição do bem retido. Parte dessa remessa pode ser verificada em análise da DIRPF – Declaração de Imposto de Renda do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL." Com todo respeito ao posicionamento emanado pelos julgadores de piso, entendo que assiste razão ao Recorrente quanto a sua indevida inclusão no polo passivo da presente demanda, sendo imperiosa a reforma da decisão de piso e a decretação de nulidade do lançamento fiscal. Senão Vejamos. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 6 9 Inicialmente é importante destacar o dispositivo legal que trata da multa em comento, a saber: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Do que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, a alegação central da fiscalização pode ser depreendida nos seguintes termos: Fl.93 A empresa NEWBURY, cedeu seu nome para a operação de comércio exterior de Admissão Temporária, disponibilizando documentos e simulando as operações de uso da aeronave, acobertando o real beneficiário o Sr José Paulo. Dessa forma, a empresa NEWBURY, figura no polo passivo do presente auto de infração. Conforme demonstrado nos autos, a aeronave N 5 RF permanece primordialmente em operação no país ( 91% de permanência), com esporádicas e breves saídas ao exterior, e tem como finalidade atender as mais diversificadas necessidades do Sr. José Paulo Ferraz do Amaral Ferraz do Amaral, quais sejam, entre outros, o transporte do mesmo em viagens de turismo e para suas fazendas em Novo Rumo. Sendo assim, conforme disciplinado no DecretoLei 37/66, art. 95, incisos I, IV e V, o Sr. José Paulo responde solidariamente pela ocultação e cessão de nome. Notese que o Sr. José Paulo além de participar diretamente de toda a simulação com relação ao funcionamento da empresa NEWBURY e da apresentação de documentos considerados falsos, também se beneficiou diretamente da entrada irregular da aeronave, uma vez que esta se prestou a seu uso particular. Não obstante o TVF tenha qualificado o Sr. José Paulo como responsável solidário, nos termos do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66 e, indicado como sujeito passivo a empresa NEWBURY, fato é que o Auto de Infração fora lavrado exclusivamente contra o Recorrente, imputando, à pessoa física, a qualidade de sujeito passivo da relação processual. Aliás, a inclusão do Recorrente na qualidade de sujeito passivo, contrariou totalmente a descrição dos fatos e enquadramento legal constante no Auto de Infração, na medida em que há menção expressa para imputar responsabilidade à pessoa jurídica, senão vejamos: 001 CESSÃO DE NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS NO ACOBERTAMENTO DOS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS A Empresa (Pessoa Jurídica), devidamente identificada, cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com Fl. 927DF CARF MF 10 vista no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação, conforme... Fato Gerador Valor 27/05/2012 572.440,00 Oportuno ressaltar, desde já, que a aeronave VP CAV teve o seu perdimento decretado no Processo Administrativo n° 11829.720008/201300, penalidade esta que é destinada ao beneficiário da operação de comércio exterior, pois é ele que perde a mercadoria, e não o importador imediato, que não possui animus domini e apenas cede o seu nome para operacionalizar a importação. Deste modo, merece melhor reflexão o disposto no art. 727 do Decreto n° 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), em especial a parte que prevê que a aplicação da multa por cessão de nome não inibe a aplicação da pena de perdimento de mercadorias. Confirase: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei n° 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais (Lei n° 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação (Redação dada pelo Decreto n° 7.213, de 2010). O fato de a multa por cessão de nome não prejudicar a aplicação da pena de perdimento, conforme prevê o §3º do dispositivo transcrito, não se confunde com uma autorização para aplicar tais penas indistintamente a qualquer pessoa que participou do processo de importação irregular. Caso contrário, não haveria o menor sentido em estabelecer uma multa específica para o importador imediato que participa do processo de importação irregular mediante a simples cessão de nome. Com efeito, no entendimento deste relator, a multa por cessão de nome foi instituída com o fim específico de não submeter ao importador imediato à cobrança da multa decorrente da conversão da pena de perdimento nos casos em que as mercadorias importadas irregularmente não poderiam ser apreendidas. É por esse motivo que entendo não ser aplicável o artigo 95, inciso I, do DecretoLei n° 37, de 1966, a essa multa específica do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007. E é justamente nesse sentido que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm manifestado seu entendimento sobre a imputação de responsabilidade para Fl. 928DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 7 11 cobrança da multa prevista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, conforme se verifica na ementa abaixo1: Ementa(s) Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA. A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto Lei no 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS. TERCEIROS. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. 1 Acórdão 3403002.865 Relator Rosaldo Trevisan Processo 13971.004624/200915. Fl. 929DF CARF MF 12 No art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário no dispositivo citado, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria norma legal. Neste ponto, destacase parte da motivação explicitada pelo i. relator: Estaria correto o raciocínio da empresa recorrente se a multa em comento fosse a prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, pois aí sim o núcleo é "acobertar"/ceder o nome/ocultar: "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." (grifo nosso) A multa do art. 33 da Lei no 11.488/2007 é inaplicável ao ocultado. Já a penalidade pela infração prevista no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 é aplicável, conjunta ou isoladamente, a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (ocultante ou ocultado), conforme o já citado art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Assim decidiu esta turma de forma unânime recentemente: "INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei n° 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de "acobertar"." (Acórdão no 3403 002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) Assim, sem entrar no mérito da existência, ou não, de um planejamento tributário abusivo, percebese claramente que a escolha da fiscalização de lavrar o auto de infração somente contra o Sr. José Paulo Ferraz do Amaral deuse exclusivamente pelo fato de que a NEWBURY não ter domicílio no Brasil e isso geraria dificuldades na liquidação da multa por cessão de nome. Entretanto, a despeito das dificuldades que pudesse encontrar para promover a liquidação da multa por cessão de nome de quem efetivamente deveria sofrer essa penalidade a NEWBURY , a fiscalização jamais poderia ter lavrado o auto de infração contra o Sr. José Paulo Ferraz do Amaral sob pena de negar o próprio fundamento dessa multa específica. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 8 13 Essa matéria, inclusive, já foi objeto de análise por esta Turma Julgadora, onde restou decidido pela anulação do lançamento fiscal, conforme se verifica na ementa extraída do acórdão nº 3302003.516: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 29/06/2012 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA. Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Deste modo, entendo que o Recorrente Sr. José Paulo Ferraz do Amaral é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente demanda. 2.b Da impossibilidade de imputar responsabilidade a Recorrente NEWBURY Não obstante o Auto de Infração tenha indicado como sujeito passivo apenas o Recorrente José Paulo Ferraz do Amaral, fato é que a empresa Recorrente foi intimada acerca do lançamento fiscal e apresentou defesa juntamente com aquele Recorrente. Em relação a possibilidade de imputar responsabilidade a Recorrente NEWBURY, empresa domiciliada no exterior, peço licença para emprestar o entendimento explicitado pelo i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acórdão 3302003.516) que afastou a aplicação da multa sob análise, por entender que a conduta praticada por PJ domiciliada no exterior não se amoldaria à hipótese legal da infração, mas somente à hipótese de dano ao erário de que trata o artigo 23 do DEcretolei nº 1.455/1976, o qual adoto como causa de decidir, a saber: A multa por cessão de nome foi introduzida pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Antes desta, a pessoa jurídica que cedia o nome para acobertar o real beneficiário era sujeita a duas penalidades: I. A pena de perdimento da mercadoria, com fulcro no §1º, ou multa equivalente prevista no §3º, do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, e; II. A proposição de inaptidão do CNPJ, com base no artigo 41, inciso III da IN SRF 568/2005. Assim, esta instrução dispunha que seria declarada inapta a inscrição de CNPJ de entidade que fosse considerada inexistente de fato (artigo 342, inciso III), sendo 2 Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: Fl. 931DF CARF MF 14 que o artigo 413, inciso III, considerava inexistente de fato a pessoa jurídica que "tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;". Destacase, ainda, que o parágrafo único do artigo 34 dispunha que a declaração de inaptidão não se aplicava à pessoa jurídica domiciliada no exterior, que porventura, incidisse em alguma hipótese de obrigatoriedade de inscrição em CNPJ. Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em 15/06/2007, e seu artigo 33, esta conduta deixou de implicar a declaração de inaptidão, passando a incidir a multa de 10% sobre o valor da operação acobertada, conforme expresso em seu parágrafo único: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O artigo 81 da Lei nº 9.430/1996 tratou de diversas hipóteses de declaração de inaptidão, dentre elas, a da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior (§1º do artigo 81). Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, houve a publicação da IN RFB nº 748/2007, revogando a IN RFB 568/2005, cujo artigo 41 suprimiu o inciso relativo à hipótese de cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior, como causa da consideração de inexistência de fato. Assim, concluise que a penalidade prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 veio substituir a declaração de inaptidão pelo simples ato de ceder o nome, de forma razoável, pois a presunção de que este ato era hipótese de se considerar a pessoa jurídica inexistente, não era compatível com a situação fática de, eventualmente, uma PJ existente de fato pudesse cometer tal ato. A declaração de I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterio 3 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 9 15 inaptidão parecia desproporcional, inviabilizando o funcionamento de empresas, de fato existentes, que tivessem cometido tal ato. Este entendimento resta reforçado com o Parecer que encaminhou o projeto de lei de Conversão da MP nº 351/2007 na Lei nº 11.488/2007, no qual fezse a seguinte observação ao artigo 35, que, na conversão, resultou no artigo 33: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.” Assim, o ato de ceder o nome para acobertar o real beneficiário implica duas infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos, ou seja, o próprio erário e o controle aduaneiro como um todo e a integridade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, pois enquanto o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 objetiva resguardar a higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, coibindo seu uso indevido, em substituição da declaração de inaptidão, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 visa proteger o erário da União e o próprio controle aduaneiro. Este entendimento vem sendo pacificado neste conselho, refutando o entendimento de que o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 derrogara parcialmente, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, em relação à penalidade a que está sujeito o importador. Além disso, a RFB entende que a multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 é personalíssima à interposta pessoa e não atinge o real beneficiário, conforme Solução de Consulta Interna nº 9/2014: Assunto: Imposto sobre a Importação II Qualificação dos sujeitos passivos na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiros. Na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como contribuintes dos tributos e penalidades incidentes na operação, exceto em relação à multa por cessão do nome, que é específica da interposta pessoa. Eventual erro na qualificação dos sujeitos passivos solidários não implica a nulidade do lançamento, salvo se ficar demonstrada a ocorrência de prejuízo para as partes. Dispositivos Legais: DecretoLei n.º 1.455, de 7 de abril de 1976; Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro; Lei nº 11.488. de 15 junho de 2007; Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002; e Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011. No item 15, a solução concluiu que: "no caso de importação com interposição fraudulenta, tanto o importador oculto como o ostensivo possuem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Embora a operação seja formalmente registrada em nome da interposta pessoa, em regra, é o real interessado quem toma a iniciativa e impulsiona o processo de importação. Portanto, ambos podem ser qualificados como contribuintes dos tributos e Fl. 933DF CARF MF 16 penalidades incidentes, exceto quanto à multa por cessão do nome, que é específica do importador ostensivo.". Portanto, pareceme que os fatos descritos na autuação, embora à primeira vista, configurariam a infração, não se subsumem ao arcabouço normativo e interpretativo desenvolvidos em relação à aplicação do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Se o bem tutelado é a higidez do CNPJ, este bem não foi atingido com a conduta descrita, pois estamos diante de PJ domiciliada no exterior, não inscrita no CNPJ. Assim, a conduta praticada por PJ domiciliada no exterior não se amoldaria à hipótese legal da infração, mas somente à hipótese de dano ao erário de que trata o artigo 23 do DEcretolei nº 1.455/1976, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal e Descrição do Fatos, que resultaria no perdimento da mercadoria ou de aplicação da multa substitutiva, se fosse o caso. Outro ponto que invalida o lançamento, é o fato de que a pessoa física foi alçada como coautora por ter concorrido ou se beneficiado da infração. Porém, a própria RFB possui o entendimento de que a infração é personalíssima e só atinge a pessoa que cedeu o nome e não os demais que se beneficiaram. Se o entendimento da fiscalização fosse o correto, então em toda interposição fraudulenta real, todos os partícipes deveriam ser alçados como solidários nesta multa quando aplicada. Porém, não é este o entendimento da RFB, consubstanciado na Solução de Consulta Interna nº 9/2014. O próprio acórdão da DRJ expressou este entendimento, conforme excerto a seguir: "A reprimenda à cessão de nome é personalíssima ao agente cedente, logo destinada especificamente: “a pessoa jurídica que ceder seu nome”, diferentemente da pena contra a interposição fraudulenta, a qual comporta repreender o fato: interposição dolosa, mediante a incidência da decretação da perda do bem ali envolvido, portanto em desfavor, em última análise, do seu proprietário, bem como de quem concorreu, indevidamente, para essa relação de propriedade, mesmo que, naquele ínterim, velada. Recorrendo à interpretação histórica da legislação, vêse claramente que, no caso da cessão posta no dispositivo da Lei nº 11.488/2007, para o agente cedente, o legislador entendeu apropriado cominar nova punição, qual seja, “multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação acobertada” em substituição à sanção da inaptidão do seu CNPJ, prevista no art. 81 da Lei nº 9.430/1996, mas não no lugar do perdimento dos bens ou da multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme deflui claro do parágrafo único do citado art. 33. Ao assim decidir, o poder legiferante não blindou o cedente, importador/exportador explícito da operação mercantil, da figuração no polo passivo da demanda do feito de perdimento ou da multa equivalente ao valor aduaneiro, para, em vez disso, somente punir o adquirente da mercadoria. Não se revela ressonante com o poder de polícia inerente aos controles aduaneiros do Estado e com a gravidade da infração, propugnarse interpretação que signifique suprimir a sanção da inaptidão do cedente, vulgarmente denominado de “laranja”, ou seja, permitindo a continuidade de suas operações internacionais, e, ainda assim, afastar a penalidade substituta do perdimento em seu desfavor, para, tão somente, conferirlhe, exclusivamente, a multa insculpida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Ao revés, trilho o entendimento de que tal pena de 10% veio acompanhar a cominação da penalidade substitutiva do perdimento, sendo a primeira com foco exclusivo no cedente, ao passo que a última endereçada tanto ao cedente quanto àquele que concorreu dolosamente para o fato: interposição fraudulenta, por exemplo, o agente adquirente do bem. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 11829.720009/201346 Acórdão n.º 3302004.292 S3C3T2 Fl. 10 17 Mesmo nessa acepção, não se pode assentir que a intenção do legislador tenha sido a de exacerbar a punição da empresa infratora, visto que, em verdade, a atenuou, preterindo a inaptidão da inscrição no CNPJ e cominando, em seu lugar, penalidade mitior representada pela multa de 10%, preservando assim a pessoa jurídica. [...] Portanto, nos casos fáticos também subsumidos ao art. 33 do aludido diploma legal, o cedente e o terceiro impulsionador financeiro da interposição defesa devem figurar no polo passivo da demanda fiscal da pena alternativa ao perdimento, sem prejuízo, por certo, de outros agentes que eventualmente concorram para citado propósito. Nesse caso, para o específico cedente, importador/exportador explícito – em que pese ser possível gozar da continuidade da higidez de seu CNPJ (parágrafo único, art. 33), além da citada inflição, soerguese, com efeito, a penalidade, de natureza diversa, ali estampada, reiterese: 10% sobre o valor da operação acobertada. [...] Assim, considerada a ressalva acima, como se vê, a novel norma, consubstanciada no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, trouxe previsão relativamente à penalidade outra, como também, para os casos nele enquadrados, não mais declarar a infratora inapta; mas sim, dela exigir, também, multa equivalente a dez por cento do valor da operação fraudulentamente acobertada, em nada afetando a pena de perdimento dos bens ou a multa equivalente ao valor aduaneiro, prevista no art. 23, inciso V e § 1º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Vale sublinhar, por último, que a pena de perdimento ou a multa equivalente ao valor aduaneiro, com efeito, tem natureza diversa da sanção de inaptidão do CNPJ. Enquanto esta tem como objeto de execução direta o alicerce cadastral da pessoa jurídica – interditando, por conseguinte, a continuidade do seu exercício empresarial, aquela é de controle aduaneiro, pesando sua aplicação sobre as mercadorias importadas ou exportadas em situação irregular." Compartilho com este entendimento da DRJ, mas isto significa que a infração não poderia ser aplicada a entidades jurídicas não passíveis de inscrição no CNPJ, pois todo o fundamento para possibilitar a cumulação das duas penalidades está calcado na premissa de que o bem tutelado não é o erário ou o controle aduaneiro, mas sim a higidez do CNPJ. Pelo exposto, voto para acompanhar o relator pelas conclusões, entendendo pela não subsunção dos fatos à tipicidade do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Por fim, registrese que o erro na identificação do sujeito passivo implica inobservância de requisito essencial estabelecido no artigo 142, do Código Tributário Nacional e, por conseguinte, nulidade do lançamento por vício material. Tal fato é de suma importância, na medida em que a declaração de nulidade por vício material, afasta a aplicação do disposto no art. 173, II, do CTN, ficando impossibilitada a abertura de novo prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública impor uma nova penalidade. Fl. 935DF CARF MF 18 Por todo exposto, voto por acolher o pedido de nulidade do Auto de Infração, por flagrante ilegitimidade passiva, considerando que o auto de infração foi lavrado contra quem não poderia sofrer a multa por cessão de nome, dandose provimento ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 936DF CARF MF
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Numero do processo: 13154.000311/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO.
Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE VENDAS. CRÉDITO AUTORIZADO NO TEMPO PELA LEGISLAÇÃO.
A legislação veio a declarar o direito ao crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que somente entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não cabe a concessão da correção monetária pela taxa SELIC de crédito não reconhecido.
Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: Relator
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE VENDAS. CRÉDITO AUTORIZADO NO TEMPO PELA LEGISLAÇÃO. A legislação veio a declarar o direito ao crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que somente entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não cabe a concessão da correção monetária pela taxa SELIC de crédito não reconhecido. Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 03 11 /2 00 5- 80 Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.408 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos por Conselheiro integrante do colegiado da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3403003.658 (fls. 1385 a 1398), de 20 de março de 2015, proferido pela mesma 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF que julgou, por voto de qualidade, por dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa em relação ao rateio proporcional e para admitir a atualização dos créditos decorrentes de tal afastamento de glosa, a partir do pedido, pela taxa Selic Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Considerando que o relator originário deste processo, Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, deixou o CARF antes da assinatura deste acórdão, valhome do disposto no art. 17, III, do RICARF1, para efetuar a formalização na condição de relator ad hoc. Para tanto, valhome da minuta entregue pelo ilustre conselheiro por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "Trata o presente caso, de processo de declarações de compensação em formulário, protocoladas em 19/09/2005, de supostos créditos de PisNão Cumulativo de Exportação, relativos ao 1º trimestre de 2003, no valor de R$ 1.088.121,44. Em despacho decisório o crédito da Recorrente foi homologado em parte, reconhecendo se o valor de R$ 771.060,22, afirmandose na decisão a não incidência de juros compensatórios. Crédito Presumido Agroindústria PIS Produção De acordo com a Autoridade Fazendária os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no país, quando aplicados na produção de mercadorias classificadas nos códigos NCM especificados no artigo 3º, § 10, da Lei nº 10.637/2002, geram crédito presumido da agroindústria. Em procedimento de diligência constatouse que a empresa compra de pessoas físicas soja em grãos, parte da qual é destinada à comercialização e parte à industrialização. Quando destinada à industrialização, a soja é transferida pelas filiais às unidades produtoras, CuiabáMT e ItacoatiaraAM, através da emissão de notas fiscais de transferência para industrialização. O montante transferido Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.409 3 corresponde a insumos utilizados na produção, sobre o qual é apurado o crédito presumido (fls. 949, item 6, 545/596). Dessa forma, a Autoridade Fazendária apenas admitiu o crédito presumido dos valores de insumos transferidos para a produção. Fretes sobre Vendas 01.02.2004 Sobre os fretes sobre vendas, a Lei nº 10.637/2002, a Autoridade Fazendária aduziu que a Lei ao disciplinar a contribuição para o PIS – Não Cumulativo, relaciona em seu artigo 3º todas as hipóteses geradoras de créditos, dentre as quais não constam serviços de fretes nas operações de vendas. As despesas com frete nas citadas operações, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, somente foram admitidas na base de cálculo dos créditos básicos pelo artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, cujos efeitos foram estendidos através do artigo 15 c/c artigo 93 às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência nãocumulativa do PIS/PASEP a partir de 01/02/2004. E por essa razão os fretes nas operações de venda, classificados nos CFOPs 1353/2353 – Aquisição de Serviço de transporte por Estabelecimento Comercial, não podem figurar na base de cálculo dos créditos básicos de PIS anocalendário 2003 por inexistência de autorização legal, conforme acima explanado (fls. 753/803, 954, item 8.1). Compras com fim específico à exportação (exportação de terceiros) Conforme a Autoridade Fazendária, com relação às exportações de terceiros, prevê o artigo 5º, caput e § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que as empresas que efetuarem vendas a comercial exportadora com o fim especifico de exportação estão desoneradas das contribuições para o PIS, podendo utilizar os créditos vinculados àquelas receitas na dedução do valor da contribuição a recolher, compensação com outros débitos administrados pela RFB ou ressarcimento em espécie. Concluise assim que as empresas que recebem com fim especifico de exportação e exportam não podem calcular créditos vinculados a referidas operações, pois a mesma mercadoria não pode gerar benefício de exportação novamente. Nesse sentido, o artigo 6º, § 4º da Lei nº 10.833/2003, aplicável à contribuição para o PIS não cumulativo segundo artigo 15 da mencionada norma, veda a apuração de créditos vinculados à receita de exportação pelas empresas comerciais exportadoras nas hipóteses de aquisição de mercadorias com o fim especifico de exportação. No despacho decisório, a DRF afirmou que os procedimentos de diligência e o serviço de fiscalização por ela constatado demonstrou que em 2003 o interessado realizou operações de compra com fim especifico de exportação em volume incompatível com as vendas classificadas no CFOP 7501 – Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação (exportação de terceiros). Intimado a informar os valores mensais das exportações de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação (fls. 933/934) o contribuinte alegou não dispor dessa informação. Dessa forma, foi feita solicitação de cálculo cujo valor estimado com base nas informações disponíveis, atendida mediante apresentação de demonstrativos por produto e consolidado anexados às folhas 935/940. Como no referido demonstrativo consolidado a empresa considerou que todas as mercadorias recebidas com fim especifico de exportação saíram no próprio mês, o diligenciador promoveu ajustes a fim de distribuir os valores proporcionalmente às receitas de exportação de cada mês, evitando assim distorções (fls. 952, item 9). Após citados ajustes, foram obtidos novos montantes a título de receitas de exportação de terceiros, tendo sido apurados percentuais distintos de rateio dos créditos vinculados à exportação. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.410 4 A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, após relato dos fatos e de discorrer sobre o histórico legal da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, alegou que: i) São desenvolvidas atividades de produção de mercadorias para a alimentação humana e animal, conforme processo descrito; ii) As mercadorias e o processo produtivo enquadramse nas disposições legais, fazendo jus a contribuinte ao crédito presumido de que trata o § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; iii) O cálculo do “crédito presumido da agroindústria” foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei nº 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM; iv) Não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicados a mercadorias exportadas, não podendo a Receita Federal restringir o benefício por conta de instruções normativas, portarias ou atos declaratórios; v) Não há expressa proibição do crédito relativo a fretes sobre vendas, não prosperando a restrição efetuada; vi) A intenção do legislador ao introduzir a norma contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 era estabelecer dúvidas de interpretação, uma vez que já estava claro que o benefício em questão visa desonerar de tributos todas as mercadorias nacionais exportadas de forma direta ou através de empresas comerciais exportadoras; vii) Foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte; viii) Os créditos devem ser corrigidos pela Selic; ix) Requer que seja suspensa a exigibilidade dos débitos. A DRJ decidiu por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto a tempestividade, a DRJ diz que o litígio a ser discutido por versar somente sobre a decisão anterior do delegado ou inspetor no que tange ao não reconhecimento do direito creditório ou à nãohomologação da compensação, não cabe manifestação sobre a suspensão de exigibilidade do crédito tributário indicado para compensação. Esta decorre de lei, e deve ser operacionalizada pelo órgão a quo: a delegacia ou inspetoria da Receita Federal da circunscrição do sujeito passivo. Quanto a inconstitucionalidade e ilegalidade arguidas pelo contribuinte sobre atos emitidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo ao assunto, cabe salientar que a atividade do agente do fisco é absolutamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência à lei e às normas infralegais. Desde que haja norma formalmente editada, encontrandose em vigor, cabe o seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.411 5 Quanto ao mérito, como pode ser visto no despacho decisório, as glosas de créditos ocorreram em face de: a) Divergências de valores de crédito presumido agroindústria; b) Inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas; c) Ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação. Relativamente a letra “a”, a contribuinte alegou que o cálculo do “crédito presumido agroindústria” foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei nº 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 11 da NCM. Além disso, que não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicadas a mercadorias exportadas. A produção há de ser empreendida pela própria contribuinte. Adquiridos os produtos de pessoas físicas, há que ser efetuada uma segregação de forma a permitir a identificação de que tais produtos foram utilizados no processo próprio, após o qual as mercadorias poderiam ser utilizadas na alimentação humana ou animal. Entretanto, na manifestação não há qualquer demonstrativo quanto a isso, mas uma alegação geral e equivocada de que não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicados a mercadorias exportadas. O equívoco está em que, nesses casos, o crédito só pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep devida em cada período de apuração. No que tange a letra “b”, os argumentos da contribuinte foram de que não há expressa proibição do crédito relativo a fretes sobre vendas, não prosperando a restrição efetuada e que a intenção do legislador ao introduzir a norma contida no inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 era esclarecer dúvidas de interpretação, uma vez que já estava claro que o benefício em questão visa desonerar de tributos todas as mercadorias nacionais exportadas de forma direta ou através de empresas comerciais exportadas. Portanto, vêse que o art. 15 da Lei nº 10.833/2003 não é meramente interpretativo, não tendo efeito retroativo. Dessa forma, o crédito nesses casos (frete na operação de venda) só é possível a partir de 1º de fevereiro de 2004. Por fim, quanto à letra “c”, alegou a contribuinte que foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, diferentemente do adotado pela contribuinte. Quanto ao assunto, apontou o auditor responsável pela diligência que as entradas e saídas de mercadorias adquiridas com o fim especifico de exportação não podem afetar o cálculo das operações de exportação que geram direito a crédito. E, pela verificação por ele efetuada, havia um grande volume de compras com o fim especifico de exportação sem contudo um volume correspondente de saídas (exportações) dessas mercadorias. Foi solicitado à contribuinte que informasse os valores mensais dessas saídas, não tendo havido sucesso. Em face disso, houve nova solicitação para que fosse informado o valor das entradas (aquisições com o fim especifico de exportação), o valor das saídas e o preço médio das vendas (demonstrativos às fls. 933 a 940). Ocorre que nesse demonstrativo a Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.412 6 contribuinte considerou que todo o volume de mercadorias adquiridas com o fim especifico de exportação saiu (foi exportado) no próprio mês da aquisição. Nos documentos apresentados não havia como se apurar o valor dessas saídas, mês a mês. Tendo em vista essa situação, o auditor procedeu da forma mais favorável à contribuinte, distribuindo o valor das exportações das mercadorias recebidas com esse fim específico proporcionalmente ao das receitas de exportação em casa mês. Por fim, relacionado a aplicação da taxa Selic, a DRJ diz que a forma de apuração de créditos, bem como sua valoração, devem observar o contido nas instruções normativas. No caso especifico a IN SRF nº 460/2004 (art. 51, § 5º) e as que lhe sucederam (IN SRF nº 600/2005, art. 52, § 5º, e IN SRF nº 900/2008, art. 72, § 5º), que prescrevem que não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que reitera os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. Após a decisão consubstanciada no referido Acórdão o CARF apresentou Despacho s/nº da mesma 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento que interpôs os Embargos de Declaração (fls. 1399 a 1401) apresentados pelo Conselheiro integrante do Colegiado, com o seguinte teor: Senhor Presidente Por meio do Acórdão nº 3403003.658 a extinta Terceira Turma Ordinária desta Câmara deu provimento parcial ao recurso voluntário com o seguinte dispositivo: "ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa em relação ao rateio proporcional (referente a créditos de exportação de produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação) e para admitir a atualização dos créditos decorrentes de tal afastamento de glosa, a partir do pedido, pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Jorge Freire quanto à correção pela taxa Selic. O Conselheiro Rosaldo Trevisan acompanhou o relator pelas conclusões em relação ao rateio e à taxa selic. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Jorge Freire acompanharam o relator pelas conclusões em relação ao rateio. O relator incorporou ao seu voto, na forma do art. 63, § 9º, do RICARF, os fundamentos lançados pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em relação ao rateio, os quais constituem a tese majoritária pelo voto de qualidade. Esteve presente ao julgamento o Sr. Everdon Schlindwein, CRC nº 018557/08 TPR." O referido acórdão foi por mim formalizado na condição de ad hoc, com base na minuta apresentada pelo relator originário, Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que deixou o CARF antes da formalização, em razão do Decreto nº 8.441/2015. Ao efetuar a formalização notei que existe contradição entre a decisão e seus fundamentos, fato que rende ensejo à interposição de embargos de declaração, na forma do art. 65, caput, § 1º, I, do RICARF. Ocorre que em relação ao rateio proporcional a tese do voto "pelas conclusões", que angariou a maioria dos votos do colegiado, conduz ao desprovimento do recurso voluntário e não ao provimento parcial como constou na conclusão. Isto porque o relator originário entendia que as receitas decorrentes de aquisições com o fim específico de exportação deveriam integrar tanto a receita de exportação, quanto a receita bruta, conforme se verifica no seguinte excerto do voto: Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.413 7 "(...) Nessa forma de cálculo, as receitas decorrentes de aquisições com fim específico de exportação ingressam tanto no dividendo, integrantes da receita de exportação, como no próprio divisor, incluídas na receita bruta, evitando se, efetivamente, distorção pela exclusão desses valores do dividendo e manutenção no divisor. Nesse sentido, reconheço o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito presumido à agroindústria, decorrente da manutenção do crédito de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor.(...)" Entretanto, embora o colegiado também entendesse dessa forma, o Conselheiro Rosaldo Trevisan sustentou que embora correto, o raciocínio acima não poderia ser aplicado a este caso concreto, pois só passou a ser válido a partir 01/02/2004, por força do art. 6º, § 4º da Lei nº 10.833/2003, conforme texto incorporado ao referido voto nos seguintes termos: "(...)Conforme discussão havida em Sessão, no entanto, a tese que prevaleceu foi a do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no sentido de que o parágrafo 4º, do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, passou a viger apenas por meio da Lei nº 10.833/2003, em 1º de fevereiro de 2004, não abarcando, portanto, os fatos geradores constantes no presente processo.(...)" Tendo em vista que este processo se refere ao 1º Trimestre de 2003, a conclusão do voto deveria ser no sentido de negar provimento ao recurso pelo voto de qualidade e não de dar provimento parcial como constou. Da negativa de provimento quanto a essa questão, decorre outra contradição: o reconhecimento da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento, a partir da data de protocolo do pedido. É que, segundo a regra de que o acessório deve seguir o principal, tornase impertinente a concessão da correção pela taxa Selic de um crédito que não pode ser reconhecido. Se o principal não existe, não pode existir o acessório. Com esses fundamentos, opino no sentido de que Vossa Senhoria dê seguimento ao recurso de embargos de declaração ora apresentado. Considerando que o relator originário, Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, não mais integra o CARF e que se trata de Acórdão proferido por turma extinta pelo novo Regimento Interno, opino no sentido de que o processo seja incluído em lote de sorteio no âmbito da Terceira Seção, conforme determina o art. 49, § 6º, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: § 6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. (assinado digitalmente) Conselheiro Antonio Carlos Atulim De acordo. Nos termos da fundamentação acima que aprovo, determino que este processo seja incluído em lote para futuro sorteio no âmbito da Terceira Seção, por aplicação do art. 49, § 6º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.414 8 Presidente da Quarta Câmara É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração (fls. 1399 a 1401), de 15 de julho de 2015, interposto pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 3403003.658 (fls. 1385 a 1398), de 20 de março de 2015, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Os Embargos de Declaração referemse a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. PESSOAS JURÍDICAS PRODUTORAS DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL. SOJA DESTINADA À ALIMENTAÇÃO HUMANA. BENEFICIAMENTO OBRIGATÓRIO. A aquisição de soja de pessoas físicas, posteriormente destinadas à comercialização, também são aptas à geração do crédito presumido se e somente se restar demonstrado que se submeteram a processo industrial. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE VENDAS. CRÉDITO AUTORIZADO NO TEMPO PELA LEGISLAÇÃO. A legislação veio a declarar o direito ao crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que somente entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MÉTODO PROPORCIONAL DE CÁLCULO. Na determinação da proporcionalidade das receitas, para fins de cálculo do crédito presumido, considerando que se deve adotar receita de exportação e receita bruta, as receitas decorrentes de exportação de produtos de terceiros ingressam no dividendo na receita bruta de exportação e no divisor, como integrante da receita bruta. A vedação ao cálculo proporcional incluindo os produtos adquiridos de terceiros com destino a exportação apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo, conforme a tese que prevaleceu no julgamento. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ILEGALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. Não se conhece de argumento relacionado à ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei por ausência de atribuição ao CARF, conforme inclusive a Súmula 2 do CARF Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.415 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. CORREÇÃO COMENTÁRIA. TAXA SELIC. A vedação à correção monetária dos créditos apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Ao analisar os autos do processo, percebese que a interposição dos Embargos de Declaração, por parte do Conselheiro Gilson Macedo Resemburg Filho, visa sanar contradições entre o decidido pelo Acórdão nº 3403003.658 (fls. 1385 a 1398) e seus fundamentos. Nesse sentido cito trecho dos Embargos ora analisado que bem elucidam a primeira contradição apontada (fl. 1400): Ocorre que em relação ao rateio proporcional a tese do voto "pelas conclusões", que angariou a maioria dos votos do colegiado, conduz ao desprovimento do recurso voluntário e não ao provimento parcial como constou na conclusão. Isto porque o relator originário entendia que as receitas decorrentes de aquisições com o fim específico de exportação deveriam integrar tanto a receita de exportação, quanto a receita bruta, conforme se verifica no seguinte excerto do voto: "(...) Nessa forma de cálculo, as receitas decorrentes de aquisições com fim específico de exportação ingressam tanto no dividendo, integrantes da receita de exportação, como no próprio divisor, incluídas na receita bruta, evitando se, efetivamente, distorção pela exclusão desses valores do dividendo e manutenção no divisor. Nesse sentido, reconheço o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito presumido à agroindústria, decorrente da manutenção do crédito de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor.(...)" Entretanto, embora o colegiado também entendesse dessa forma, o Conselheiro Rosaldo Trevisan sustentou que embora correto, o raciocínio acima não poderia ser aplicado a este caso concreto, pois só passou a ser válido a partir 01/02/2004, por força do art. 6º, § 4º da Lei nº 10.833/2003, conforme texto incorporado ao referido voto nos seguintes termos: "(...)Conforme discussão havida em Sessão, no entanto, a tese que prevaleceu foi a do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no sentido de que o parágrafo 4º, do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, passou a viger apenas por meio da Lei nº 10.833/2003, em 1º de fevereiro de 2004, não abarcando, portanto, os fatos geradores constantes no presente processo.(...)" Tendo em vista que este processo se refere ao 1º Trimestre de 2003, a conclusão do voto deveria ser no sentido de negar provimento ao recurso pelo voto de qualidade e não de dar provimento parcial como constou. (grifouse). Com esses argumentos e os trechos citados do voto, inclusive com o esclarecimento do período de apuração no presente processo que é de 01/01/2003 a 31/03/2003 e da legislação aplicável apenas em 1o. de fevereiro de 2004, constatase que ocorreu o vício da contradição, devendo, neste ponto, ser admitidos os embargos com efeitos infringentes no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3301003.918 S3C3T1 Fl. 1.416 10 A segunda contradição assim foi manifestada nos Embargos de Declaração (fls. 1400): Da negativa de provimento quanto a essa questão, decorre outra contradição: o reconhecimento da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento, a partir da data de protocolo do pedido. É que, segundo a regra de que o acessório deve seguir o principal, tornase impertinente a concessão da correção pela taxa Selic de um crédito que não pode ser reconhecido. Se o principal não existe, não pode existir o acessório. De fato, se o crédito não foi reconhecido não há que se falar em aplicação da taxa Selic sobre valor de ressarcimento inexistente, portanto, admitese os embargos com efeitos infringentes neste ponto. Conclusão Considerando os argumentos trazidos aos autos pelos Embargos de Declaração e a legislação aplicável, voto no sentido de admitir os embargos com efeitos infringentes no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange ao ponto do voto “Saídas de Mercadorias com fim específico de exportação (exportação de terceiros)" e da não aplicação da taxa Selic pela inexistência de crédito. Valcir Gassen Relator Fl. 1416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720281/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/08/2011
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO.
Ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, tanto pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações quanto pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado o Plano, com a minimização do risco, passa a outorga de ações a representar a verdadeira intenção de ter o trabalhador a opção de ganhar com a compra das ações.
As vantagens econômicas oferecidas aos segurados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuram-se ganho patrimonial do segurado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição - base de cálculo das contribuições previdenciárias.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário.
O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. Precedente: Acórdão 2302-003.536 - 2ª TO/3ª CÂM/2ª SEJUL/CARF.
Sendo declarada a improcedência do lançamento, em face de vício na indicação da base de cálculo eleita, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, no que tange a nulidades.
Numero da decisão: 2301-004.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares suscitadas; e II) por maioria de votos: no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes, que negavam provimento ao recurso por entender que o critério de apuração da base de cálculo, embora não seja o mais apropriado, não configura vício de nulidade do lançamento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora
EDITADO EM: 17/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720281/201481 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.973 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria SALÁRIO INDIRETO, STOCK OPTIONS Recorrente TARPON INVESTIMENTOS S.A. Recorrida UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/08/2011 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO. Ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, tanto pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações quanto pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado o Plano, com a minimização do risco, passa a outorga de ações a representar a verdadeira intenção de ter o trabalhador a opção de ganhar com a compra das ações. As vantagens econômicas oferecidas aos segurados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do segurado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 81 /2 01 4- 81 Fl. 730DF CARF MF 2 PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. Precedente: Acórdão 2302003.536 2ª TO/3ª CÂM/2ª SEJUL/CARF. Sendo declarada a improcedência do lançamento, em face de vício na indicação da base de cálculo eleita, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, no que tange a nulidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares suscitadas; e II) por maioria de votos: no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes, que negavam provimento ao recurso por entender que o critério de apuração da base de cálculo, embora não seja o mais apropriado, não configura vício de nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora EDITADO EM: 17/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Relatório O presente Auto de infração trata do lançamento fiscal de contribuições sociais e previdenciárias, incidentes sobre os valores de outorga de opções de compra de ações a empregados e administradores, nas competências 03/2010, 01/2011, 07/2011 e 08/2011, composto pelo seguintes débitos: Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 3 3 a) AI Debcad nº 51.032.8954, referente às contribuições previdenciárias patronais, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no valor de R$ 11.758.077,53; e b) AI Debcad nº 51.032.8962, referente às contribuições sociais destinadas a outras Entidades e Fundos Terceiros, no valor de R$1.934.610,42. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efls. 6 e ss) o AuditorFiscal esclarece que a empresa é uma sociedade anônima de capital aberto, regida pela Lei nº 6.404/76 e remunerou seus empregados e administradores através da outorga de opções de compra de ações da companhia, em condições mais favoráveis que planos de outorga de ações comuns, ficando configurada uma contraprestação pelos serviços prestados à companhia, caracterizando a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: 4. DO FATO GERADOR : referese ao plano de.outorga de opções de ações de emissão da CIA a administradores e empregados sem a devida incidência previdenciária. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) descreve como ações da CIA do contribuinte ora autuado foram adquiridas, por exemplo, em 07/01/2011 por empregados e administradores, pelo valor de R$ 2,68 por ação quando.o preço de mercado da ação correspondia a R$ 18,49. Do motivo desta fiscalização considerar, no exemplo citado, que a diferença do valor de mercado de cada ação menos o valor, pago pelos empregados e administradores no momento em que exerceram, suas opções e adquiriram ações da CIA (R$ 18,49 R$ 2,68 = R$ 15,81) atribuir o valor de R$ 3,42 por ação como tendo natureza remuneratória (incidente de contribuições previdenciárias) e o valor de R$ 12,39 por ação relativo a condições de mercado sem reflexo nesta autuação. O fato gerador relacionase a parcela suportada pela empresa e seus acionistas de um bem patrimonial adquirido pelos seus administradores e empregados tendo como contrapartida a prestação de serviço, no momento em que estes exercem suas opções e passam a ser detentores de ações da CIA. Continua discorrendo sobre diferenças entre os planos de opção de ações comuns e os ofertados pela empresa, demonstrando sua natureza remuneratória. Elenca os principais motivos para a emissão de plano de ações para empregados/administradores (motivação da equipe, retenção dos trabalhadores e contratação de novos 'talentos', vinculação da remuneração à performance da empresa, diminuição de conflitos), concluindo que "os planos de opções de ações para trabalhadores são a eles oferecidos como recompensa pelo seu trabalho, sendo assim, um componente integrante da remuneração". Traz considerações acerca do Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis que estabelece procedimentos para reconhecimento e divulgação, nas demonstrações contábeis, das transações com pagamento baseado em ações realizadas pela entidade. Descreve os termos e intimações ao contribuinte, bem como as respostas e informações prestadas, cabendo destacar os seguintes itens: Fl. 732DF CARF MF 4 O Plano de Opção de Compra de Ações da CIA e em suas alterações reproduz o disposto nas Notas Explicativas e regula outros dispositivos . Reproduzimos abaixo partes do Plano de Opção de Compra de Ações (em anexo ao Processo Doc. 3 Planos e alterações na íntegra.); "o plano tem por objetivo permitir que os administradores e executivos (conforme definidos no item 3 deste plano) da. Companhia adquiram, ações ordinárias da Companhia (ações) , visando a alinhar interesses dos acionistas da Companhia aos de seus Administradores e Executivos e, assim, incentivar os Administradores e Executivos a contribuir substancialmente para o sucesso da Companhia. Este Plano gerará benefícios aos Administradores e Executivos, que receberão parte do valor gerado pela Companhia , e aos Acionistas da Companhia, que contarão com Administradores e Executivos incentivados a, cada vez mais, trabalhar de forma a maximizar a performance da Companhia." Dispõe sobre as outorgas: Sem prejuízo de outras atribuições, e observado,o disposto no Plano e durante a sua vigência, o Conselho de Administração da Companhia determinará os participantes em favor dos quais serão outorgadas Opções, bem como: (a) ó número de Ações que poderá ser adquirido com o exercício de cada Opção; (b) o prazo de vigência das Opções e o prazo para o seu exercício; (c) o preço de exercício de cada Opção ("Preço de Exercício"); (d) as condições de pagamento do Preço de Exercício; e (e) quaisquer outras condições relativas à Opções." Em relação ao contrato de outorga celebrado entre a CIA e seus participantes: 1 "A outorga de Opções é realizada mediante a celebração entre a Companhia e cada um dos Participantes de Instrumento Particular de Outorga de Opção de Compra de Ações (cada, um "Contrato de Opção"), que deverá especificar, dentre outras condições determinadas pelo Conselho de Administração: (a) a quantidade de Opções outorgada e a quantidade de Ações objeto da Opção outorgada; (b) as condições para aquisição do direito ao exercício da Opção; (c) o prazo para exercício da Opção; e (d) o Preço de Exercício e condições de pagamento." Ainda, para fins de comprovar a parcela salarial contida no plano de opções de ações traz as seguintes informações: 9. Da parcela de natureza salarial contida no Plano de Opções de Compra de Ações. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 4 5 Prosseguindo no caso desta 1a. outorga , vamos citar o exemplo apresentado no item 4 deste Termo de um diretor estatutário da CIA cujo instrumento particular de contrato de outorga de opção de compra de ações está em anexo a este processo (Doc. 9). O exemplo pode ser generalizado para todos empregados e diretores participantes do plano da empresa em seu conceito. Em 10/03/2009 foram outorgadas a este diretor, 2.559.840 opções, lembrando que cada opção concede direito a uma ação, com as correspondentes datas de Vesting ( período de carência): ... O Plano de Opções de Compra de Ações estipula que a partir do vesting, o participante tem 5 anos para exercer a opção . Dessa forma em 07/01/2011 o diretor exerceu o total de 1.535.904 opções (60% conforme quadro, acima) que dão direito ao mesmo número de ações. (Doc. 11 Resumo Exercícios" discrimina por nome , CPF, data de exercício, quantidade exercida e a qual outorga se refere). Conforme precificação do instrumento patrimonial outorgado o valor justo da opção (mensurado em 10/03/2009) foi calculado em R$ 0,50 para preço de exercício de R$ 5,60 por ação , incluído no cálculo do valor justo da opção como premissa o dividendo esperado. Portanto, no mercado, o.desembolso deste diretor no exercício das opções seria de R$ 0,50 (valor justo da opção) + R$ 5,60 (preço de exercício) = R$ 6,10 por ação . Multiplicandose pelo total de opções exercidas o desembolso seria de R$ 9.369.014,40 para adquirir este.lote de ações . Caso este mesmo diretor, não fosse detentor das opções e resolvesse adquirir estas ações no mercado a ação da CIA nesta data estava cotada a R$ 18,49 o desembolso seria de R$ 28.398.864,96.'' No entanto o diretor da CIA adquiriu cada ação pelo valor de R$ 2,68; desembolsando para adquirir 1.535.904 ações o total de R$ 4.116.222,72 ; pois não houve o desembolso do custo da opção despesa da empresa no valor de R$ 0,50 cada opção , o que totalizaria R$ .767.952,00. Além disso, o valor do preço de exercício que corresponde ao custo de aquisição do beneficiário de R$ 5,60 foi reduzido para R$ 2,68, resultando no desconto de R$ 2,92 por ação , totalizando R$ 4.484.839,68 o valor a menor pago pelas ações em função da redução do preço de exercício na data de exercício, caracterizado. nesta fiscalização como parcela remuneratória contido no Plano da CIA, fundamentado mais abaixo neste Termo de Verificação Fiscal nos itens 9.2 e 9.3. Portanto, no exemplo citado, as parcelas de natureza salarial contidas no Plano de Opções de Compra de Ações, base de cálculo de contribuições previdenciárias referemse ao custo das opções (prêmio) despesa do contribuinte (R$ 767.952,00), bem como os valores que reduziram o preço de exercício da ação fixado na outorga (R$ 4.484.839,68) , totalizando como base de cálculo tributável para efeitos previdenciários R$ 5.252.791,68 Fl. 734DF CARF MF 6 no caso do exemplo citado. O momento do fato gerador ocorre no exercício das opções, ou seja, no momento em que o beneficiário do Plano da CIA exerce seu direito mediante assunção do custo previsto no contrato. A base de cálculo constante no presente Auto de Infração foi calculada desta forma a cada participante que exerceu suas opções,.no período fiscalizado 2009 a 2011, anexado a este Processo (Doc. 15Base de Cálculo). Ressaltese que está se tributando não a compra de ações e sim a parcela suportada pela empresa e seus acionistas de um bem patrimonial adquirido pelos administradores e empregados do contribuinte , no momento em que estes exercem . suas opções de compra, caracterizado como contraprestação de serviço, passando a corresponder a remuneração definida nos incisos I e III, do artigo 28, da Lei 8.212/91: ... Sobre o "caráter remuneratório contido no Plano de Opções da CIA. através das reduções do preço de exercício fixado na outorga" (item 9.2) conclui: (...) No caso, da outorga até o vesting o que se tem é um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Sendo assim, os dividendos distribuídos aos acionistas reduzindo o preço de exercício desde a outorga se afasta da natureza mercantil do contrato. Dessa forma, montantes de dividendos que reduziram o custo de.aquisição do beneficiário, concedendo uma vantagem adicional aos administradores e empregados, perdem a definição dada pela praxe mercantil e integra o salário de contribuição nos termos do artigo 28 Incisos I e III já transcritos neste Termo. Já, a natureza mercantil do contrato è reconhecida na precificação do instrumento outorgado valor justo das opções calculado pelo método da árvore binomial no momento na data de cada outorga, cujos dividendos esperados faziam parte das premissas adotadas, e do preço de exercício fixado na outorga, expurgados da natureza mercantil do contrato as reduções do preço de exercício fixados na outorga. Afasta os argumentos trazidos pela empresa acerca da natureza mercantil do plano de ações da companhia, especialmente as características de: onerosidade, voluntariedade e risco, nos seguintes termos: As diferenças expostas neste Termo de Verificação Fiscal entre os contratos ofertados no mercado e no Plano da CIA ocorrem pois estes não são operações puramente comerciais até porque os objetivos da empresa ao lançálas não são definitivamente, comerciais, isto é, não tem por finalidade a obtenção de lucro. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 5 7 (...) Excluise, assim, uma natureza integralmente mercantil desta operação conforme entendimento descrito pelo contribuinte, visto que o Plano possui características peculiares e também vantagens delas decorrentes oferecidas aos empregados e aos administradores, situações essas não disponibilizadas ao investidor comum. A parcela identificada de natureza remuneratória do Plano da CIA referese a despesa do custo da opção outorgada suportada pelo contribuinte e da diferença do preço de exercício contratado na outorga e o efetivo custo de aquisição das ações pelo beneficiário e base de cálculo deste Auto de Infração. A parcela mercantil identificada no Plano da CIA referese ao Instrumento Particular de Contrato de Outorga de Opção de Compra de Ações celebrado entre a empresa e o participante e a precificação do instrumento patrimonial outorgado através do método da árvore binomial Valor Justo da Opção mensurado na data de cada outorga e do valor do preço de exercício da ação fixado na outorga . Sobre a base de cálculo esclarece que "referese ao somatório custo das opções despesa da empresa somado com a diferença apurada entre o preço de exercício da ação fixado na outorga menos o valor efetivamente pago pelas ações pelo beneficiário (reduzidos pelos dividendos ), gerando os seguintes valores , por competência .consolidados de acordo com cada levantamento: Levantamento OC Opção de Compra de Ações Empregados Valores em Reais Competência do exercício das opções Custo das Opções Diferença: Preço de exercício fixado na outorga Custo de aquisição pelo beneficiário Total da base de cálculo na competência mar/10 16.381,50 6.552,60 22.934,10 jan/11 2.962.424,10 6.151.285,60 9.113.709,70 jul/11 2.698.942,98 2.659.644,12 5.358.587,10 ago/11 635.832,88 1.451.140,42 2.086.973,30 Levantamento OD Opção de Compra de Ações Diretores Estatutários Valores em Reais Competência do exercício Custo das Opções Diferença: Preço de exercício fixado na Total da base de cálculo na Fl. 736DF CARF MF 8 das opções outorga Custo de aquisição pelo beneficiário competência jan/11 1.317.430,00 6.860.588,30 8.178.018,30 jul/11 836.088,90 2.745.560,82 3.581.649,72 O auto de infração foi lavrado em 07/04/2014, com ciência ao representante legal da empresa em 10/04/2014. Inconformada com a autuação a empresa apresentou impugnação (efls. 325/375), julgada improcedente pela 12ª Turma da DRJ/São Paulo, nos termos do Acórdão nº 1662.501 (efls. 420/485), cuja ementa reproduzimos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010, 01/01/2011 a 31/01/2011, 01/07/2011 a 31/08/2011 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Termo de Verificação Fiscal e os Anexos dos Autos de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa aos lançamentos, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros, mencionadas no artigo 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 6 9 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o saláriode contribuição. As verbas pagas pela empresa aos seus administradores e empregados, sob a forma de opções de compra de ações stock options, em função do contrato de trabalho, como retribuição ao trabalho prestado, têm natureza remuneratória e integram o saláriodecontribuição. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos tem como escopo listar todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso voluntário pela notificada, conforme efls. 497/581, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: a) preliminarmente, a indevida desconsideração indireta do plano de opções da empresa, decadência do lançamento e imprecisão na apuração do critério quantitativo do fato gerador; No mérito: b) discorre sobre o plano de opções de ações da empresa e suas características de contrato mercantil (voluntariedade, onerosidade e risco); c) afirma a impossibilidade de descaracterização de contratos mercantis em razão das características dos contratos de opções; d) alega incompatibilidade entre as hipóteses de incidência de contribuições previdenciárias e os planos de opções de compra de ações; e) aduz ausência de fundamento baseado na escrituração contábil da empresa; f) entende pela impropriedade da base de cálculo eleita pela fiscalização; Fl. 738DF CARF MF 10 g) sustenta a ilegalidade da incidência de juros sobre o valor da multa; h) pleiteia a exclusão dos nomes dos diretores do "Relatório do Vínculos"; Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, visando a reforma do Acórdão da DRJ, com o consequente cancelamento do auto de infração. Os autos foram encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN que apresentou contrarazões (efls. 688/709), alegando em síntese que: a) não há ocorrência de nulidade na autuação, cita o Decreto nº 70.235/72, aduz que o critério material foi adequadamente descrito pela autoridade lançadora, qual seja, remunerar segurados empregados e contribuintes individuais por meio dos rendimentos proporcionados por um plano de opção de compra de ações; o critério pessoal também está correto e identificado; quanto ao critério quantitativo, foi devidamente elucidado, sendo apontada como base de cálculo o valor justo das opções de compra na data das outorgas acrescido do desconto concedido no preço de exercício em virtude da distribuição de dividendos; também o aspecto temporal, definido como a data do efetivo exercício das opções; b) deve ser rejeitada a preliminar de decadência, não havendo entre as datas de exercício e a lavratura do auto de infração decorrido o prazo decadencial de 5 anos; c) as opções de compra de ações da empresa, pelas suas características, compõem a remuneração dos empregados, portanto integram o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias; e) sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa, colaciona jurisprudência diversa que vem reconhecendo sua legalidade. Por fim, requer que seja negado provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a decisão recorrida. Em janeiro de 2016, a empresa apresentou memoriais (efls. 713/724) replicando as considerações do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora. Admissibilidade Sendo tempestivo o recurso, dele conheço parcialmente, exceto com relação à arguição de ilegalidade, e passo a sua análise. Preliminares Nulidades do auto de infração Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 7 11 Indevida desconsideração indireta do plano de outorga da compra de ações da empresa pela Fiscalização Iliquidez e incerteza do aspecto quantitativo do crédito tributário Alega a recorrente que a fiscalização desconsiderou seu plano de opções de ações, atribuindolhe caráter remuneratório, quando se trata na realidade de contrato mercantil, portanto incabível a incidência de contribuições previdenciárias. Também que o auditor deveria ter analisado todos os contratos de opção de compra de ações e não apenas alguns, como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal TVF. Pleiteia a nulidade da autuação por falta de fundamentação ou motivação. Ainda, pela nulidade da autuação, alega que a fiscalização aplicou, equivocadamente, a alíquota destinada aos empregados sobre a suposta remuneração recebida por participantes do Plano que tinham a condição de contribuinte individual (conforme doc. 02 da impugnação). A recorrente junta ao recurso declarações de Antônio Bastos e Leonardo Byrro (efls. 658/659) de que nunca foram empregados da empresa e que na data dos fatos geradores ocupavam cargo de diretoria em outras empresas, o que, além da iliquidez do lançamento, confirmaria a tese da empresa da ausência de natureza remuneratória do plano. Acerca dessas argumentações de nulidade da autuação, convém esclarecer que a Fiscalização não desconsiderou o plano de opção de compra de ações da companhia. Apenas, pelas características a ele inerentes, conferiu ao mesmo natureza salarial (de contraprestação pelo trabalho). Sobre a necessidade de verificação de todos os contratos de outorga de opção de compra de ações, no TVF não consta que o Auditor não analisou todos os contratos, consta que foram anexados aos autos 'exemplos de contratos'. Ademais, a recorrente não apontou qual contrato analisado pela fiscalização teria condições diversas das apontadas no TVF. Entendo que essas preliminares estão diretamente associadas ao mérito da matéria que será analisada em seguida. Fl. 740DF CARF MF 12 Portanto, rejeito as preliminares de nulidade da autuação. Decadência A segunda preliminar suscitada, diz respeito à possibilidade de parte dos lançamentos estar afetada pela decadência. Sustenta a recorrente que da data da outorga da opção da compra de ações até a data da lavratura do auto de infração (constituição do lançamento) teriam decorridos mais de 5 anos, portanto aplicável o artigo 150, § 4º CTN, bem como a Súmula CARF nº 99. Também esta preliminar não merece acolhida, uma vez que, como descrito no TVF o fato gerador considerado foi a data do exercício da opção e não a data da outorga. No caso concreto, os fatos geradores considerados ocorreram entre 03/2010 a 08/2011, tendo sido o lançamento efetuado em 04/2014, portanto, em lapso temporal inferior a 5 anos. Sem razão a recorrente. Mérito Plano de Outorga de compra de ações da empresa Natureza O Plano de Opção de Compra de Ações (Stock Option Plan) representa um plano com regras e critérios de outorga da possibilidade de aquisição de ações da empresa a determinados trabalhadores (empregados, diretores, administradores, autônomos). Tal opção proporciona a esses beneficiários o direito de comprar as ações da empresa outorgadas por um valor prédeterminado (normalmente em condições mais vantajosas que as de mercado), após um período de carência ('vesting'), podendo negociálas no mercado de capitais em momento futuro (conforme definições de cada plano de opção de ações). Normalmente, também são determinados quais os trabalhadores preenchem as condições para participação nesse plano de compra de ações, bem como os requisitos e condições para o exercício dessa opção. Para fins de contribuição previdenciária o aspecto mais relevante é verificar se o plano de opção de ações da empresa pode estar contendo remuneração variável para esses trabalhadores, o que caracterizaria a ocorrência do fato gerador dessa contribuição, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Portanto é de suma importância, primeiramente, verificar a natureza do plano de opção de compra de ações, se salarial, como entendeu a fiscalização, ou se mercantil, como defende a recorrente. Como salientado no TVF, a diferença básica entre os planos de compra de ações ofertados aos trabalhadores e os planos de mercado consiste nas condições vantajosas dos primeiros em relação às condições de mercado, bem como ao fato de as regras poderem ser ajustadas às necessidades específicas de cada empresa. Por sua vez, para poder usufruir dessas benesses, o trabalhador tem sua contraprestação, verificada, especialmente, pela manutenção do vínculo com a empresa, bem como seu empenho profissional no desempenho da empresa como um todo. Como as ações poderão ser negociadas no mercado em momento futuro, quanto mais valerem, maior será seu lucro. Acerca do Plano de Opção de Ações da companhia, descreve o TVF (efls. 19 e ss), verbis: Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 8 13 O Plano de Opção de Compra de Ações da CIA e em suas alterações reproduz o disposto nas Notas Explicativas e regula outros dispositivos . Reproduzimos abaixo partes do Plano de Opção de Compra de Ações (em anexo ao Processo Doc. 3 Planos e alterações na íntegra.): "o plano tem por objetivo permitir que os administradores e executivos (conforme definidos no item 3 deste plano) da Companhia adquiram, ações ordinárias da Companhia (ações), visando a alinhar interesses dos acionistas da Companhia aos de seus Administradores e Executivos e, assim, incentivar os Administradores e Executivos a contribuir substancialmente para o sucesso da Companhia. Este Plano gerará benefícios aos Administradores e Executivos, que receberão parte do valor gerado pela Companhia , e aos Acionistas da Companhia, que contarão com Administradores e Executivos incentivados a, cada vez mais, trabalhar de forma a maximizar a performance da Companhia." Dispõe sobre as outorgas: "Sem prejuízo de outras atribuições, e observado, o disposto no Plano e durante a sua vigência, o Conselho de Administração da Companhia determinará os participantes em favor dos quais serão outorgadas Opções, bem como: (a) o número de Ações que poderá ser adquirido com o exercício de cada Opção; (b) o prazo de vigência das Opções e o prazo para o seu exercício; (c) o preço de exercício de cada Opção ("Preço de Exercício"); (d) as condições de pagamento, do Preço de Exercício; e (e) quaisquer outras condições relativas à Opções." Em relação ao contrato de outorga celebrado entre a CIA e seus participantes: "A outorga de Opções é realizada mediante a celebração entre a Companhia e cada um dos Participantes de Instrumento Particular de Outorga de Opção de Compra de Ações (cada, um "Contrato de Opção"), que deverá especificar, dentre outras condições determinadas pelo Conselho de Administração: (a) a quantidade de Opções outorgada e a quantidade de Ações objeto da Opção outorgada; (b) as condições para aquisição do direito ao exercício da Opção; (c) o prazo para exercício da Opção; e (d) o Preço de Exercício e condições de pagamento." Fl. 742DF CARF MF 14 O Plano dispõe que o equivalente ao montante de dividendos ou outra espécie de distribuição realizada pela CIA reduzirá o preço de exercício fixado na outorga até o exercício da opção : "No caso de dividendos ou outra espécie de distribuição (em dinheiro, ações ou outro ativo), capitalização, desdobramento, grupamento, reorganização, fusão, cisão, incorporação, recompra ou permuta de ações, ou outra forma de reorganização societária, o Conselho de Administração da Companhia deverá realizar todas as alterações e/ou. ajustes necessários para evitar a diluição ou o aumento dos direitos dos Participantes, devendo os efetivos de tais ajustes alcançar: (a) os direitos relativos a Opções já outorgadas e ainda. não.exercidas; (b) os direitos relativos a Opções já exercíveis mas ainda não exercidas; e (c) o Preço de Exercício, o qual, em qualquer caso, será reduzido pelo montante de dividendos, juros sobre capital próprio e outras distribuições que venham a ser realizadas pela Companhia." Fixou o preço de exercício nesta outorga: "O Preço de Exercício das Opções será R$5,60 (cinco reais e sessenta centavos) por ação, observado o disposto no item 5.4." Item 5.4, reproduzido acima. Regula o prazo máximo para o exercício das opções: "Sujeito ao disposto no item 7.3.1 e ao disposto no item 8, aplicável às hipóteses de Desligamento, as parcelas das Opções outorgadas que se tornarem exercíveis conforme o item 7.2 acima poderão ser exercidas exclusivamente no prazo máximo de 5 (cinco) anos, contados da data em que tal parcela tenha se tornado exercível." A Procuradoria da Fazenda Nacional também destacou, em sua manifestação (efls. 695/ss), a diferença entre as stock options mercantis das chamadas employee stock options, citamos: 41. Nesse contexto, a primeira coisa que deve ser mencionada é a total impropriedade de se confundir as stock options mercantis, ativos financeiros derivativos, negociados em bolsa de valores ou em mercado de balcão, com as chamadas employee stock options, verdadeira ferramenta de política de remuneração utilizada por companhias em todo o mundo. 42. Numa definição bem simplificada, um contrato de opção de compra de ações confere ao titular o direito de comprar ações a um preço determinado (preço de exercício), em uma determinada data (data de vencimento da opção). 43. Chamase de prêmio o valor que a pessoa interessada em adquirir uma stock option paga por esse direito de comprar as ações no futuro por um preço prédeterminado. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 9 15 44. Como já mencionado anteriormente, existe um verdadeiro mercado de negociação de stock options. As stock options mercantis podem ser negociadas tanto em bolsa de valores, quanto em mercado de balcão. Após o lançamento da opção, comprador e lançador não interagem, sendo a liquidação realizada por meio de uma câmara ou caixa de liquidação. 45. Inspiradas nesse modelo, já na década de 50, mas com muito mais força nos anos 90, companhias que não dispunham de fluxo de caixa para pagar salários competitivos passaram a ofertar opções de compra de suas ações para empregados considerados de maior interesse para a empresa3. 46. Com os novos tempos de globalização e concorrência cada vez mais acirrada, as empresas têm continuamente buscado mecanismos para atração e manutenção de bons profissionais em seus quadros, pois deles depende o sucesso da atividade empresarial. Nesse diapasão, inúmeras são as empresas nacionais e multinacionais que oferecem uma variada gama de benefícios aos seus empregados e prestadores como forma de se tornarem mais competitivas, sendo as stock options um desses mecanismos. 47. Por meio desses planos de compra de ações, as empresas concedem ao seu empregado ou executivo beneficiário o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da companhia, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral. ... 50. A oferta de stock options para executivos e empregados, na atualidade, é uma ferramenta mundialmente conhecida de estratégia de remuneração adotada pelas empresas para a atração e manutenção de profissionais de alto nível em seus quadros. A recorrente, por sua vez, sustenta que o objetivo do plano é unicamente permitir que os participantes adquiram ações, não havendo vinculação com a prestação de serviços, nem se tratando de forma de remuneração. Salienta que o preço pelo exercício é pago pelo próprio participante, e que somente 12 meses após cada exercício as ações adquiridas podem ser alienadas. Também que, eventual ganho auferido pela venda das ações, advém de fonte totalmente diversa e desvinculada da companhia, sendo um evento incerto e sujeito às variações do mercado. Confirma que, por outro lado, o plano contribui para a atração e manutenção de "grandes talentos" para a companhia. Destaca, também, que, por força do disposto no art. 138, § 3º da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA), só é permitida a outorga de opções a uma determinada categoria de pessoas (administradores e empregados), portanto a eleição dos participantes do plano não decorre de vontade ou discricionariedade da recorrente, mas de expressa previsão legal. Acerca dessa última alegação, transcrevo trecho do voto proferido no Acórdão nº 2401003.891, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara: Fl. 744DF CARF MF 16 O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. (...) Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. A recorrente completa, que, ao contrário do alegado pela fiscalização, "o que o Plano (quando implementado pelos contratos) de fato permite aos participantes é uma oportunidade de adquirir ações da Recorrente, mediante o exercício de sua voluntariedade (aceitação dos termos do Plano, ao firmar um contrato específico, e, posteriormente, ao voluntariamente optar pelo exercício da opção), e por um contrato oneroso (o exercício da opção se dá pelo empenho de recursos próprios do participante, para adquirir as ações), expondose a risco de oscilação de valores inerentes ao mercado bursátil. Tratase, pois, de um contrato mercantil, que é oferecido pela Recorrente aos participantes do Plano." Ainda, que a ideia do plano não é remunerar administradores, empregados ou prestadores de serviço de empresa investida da recorrente, mas sim compartilhar os riscos da recorrente e de seus acionistas. Em primeiro lugar, o participante tem que ter vínculo com a empresa, e, mesmo assim, só é chamado a usufruir desse 'direito' caso se enquadre nas condições determinadas pelo Conselho de Administração (que 'escolhe' os beneficiários das outorgas). Portanto, o ato não é tão volitivo como faz crer a recorrente. Em segundo lugar, há sim o pagamento pelo exercício da opção pelo participante, mas esse pagamento é em valor muito mais atrativo se comparado ao comprador das ações negociadas no mercado. Dessa forma, o 'risco' do trabalhador fica reduzido drasticamente, se não anulado. Valhome aqui de excertos do voto do conselheiro relator do Acórdão nº 2202003.367, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em sessão de 10/05/2016, que corrobora o entendimento acima: Bem, o beneficiário não paga qualquer "prêmio" pelo direito à outorga de opções. Ele participa do Plano a partir do preenchimento de condições que sem dúvida estão vinculadas ao trabalho, como desempenho, metas, qualificação profissional, etc. Se ao final do período de carência o preço da ação no mercado estiver superior ao preço fixado na outorga, ele exerce a opção e Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 10 17 obtém uma vantagem. Se ao final do período o preço estiver inferior, ele simplesmente não exerce a opção. Não vejo que haja "compartilhamento dos riscos do negócio". Existe a possibilidade de receber um plus pelo sucesso da companhia ou não. Assim, não há risco de perder, mas apenas o risco de "não ganhar". Destaco que esse é apenas um artifício de retórica, para clarear a situação. O recorrente diz que "ou há risco, ou não há". Mas então é preciso definir qual é o objeto do risco. Se o objeto do risco é o plus nas vantagens oferecidas pela companhia ao empregado ou se o objeto do risco é o resultado de mercado no preço das ações da companhia. Em relação ao primeiro, existe a possibilidade apenas de ganhar uma vantagem adicional. Em relação ao segundo, o participante do Plano, na forma como se colocou, não corre qualquer "risco", porque receberá seu salário nos termos do contrato e da legislação trabalhista. Assim, não se pode dizer que haja "compartilhamento dos riscos do negócio", mas a possibilidade de ter seus ganhos aumentados em função do sucesso da companhia, do qual participa em função de seu trabalho, seu empenho, sua fidelidade e sua capacidade. ... Também ao argumento do participante do plano ter de usar "recursos próprios" para adquirir as ações, nesse caso ele só compra se quiser e se forem verificadas as condições vantajosas. Em se tratando de mercado de ações, é possível comprar e vender praticamente ao mesmo instante. Diz que o titular deve "sacrificar" recursos próprios para exercer as opções. Mas não "sacrifica" porque se comprar e quando comprar, ele estará ganhando, já que compra algo sabidamente por preço vantajoso. Aliás, essa questão da venda futura é totalmente independente das contribuições previdenciárias, em caso. Ela se alinha para verificação do ganho de capital eventualmente auferido pelo beneficiário e à incidência do imposto de renda das pessoas físicas, mas o fato de ter exercido seu direito a comprar ações com valor abaixo do preço de mercado, em evidente vantagem não oferecida ao mercado em geral, ostenta natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias. O recorrente diz ainda que existe uma tentativa do Fisco de caracterizar um "negócio realizado" como se remuneração fosse. E questiona se uma empresa alienasse um bem qualquer a seus funcionários, como um computador ou um veículo, se também estarseia diante de uma remuneração. Mas é só se analisar as condições em que foi feita essa alienação. Se foi feita em condições de vantagem (não pelo valor Fl. 746DF CARF MF 18 de mercado do bem), que não seriam observadas se o bem fosse alienado a terceiros e desde que esse funcionário lhe tivesse prestado serviços de excelência, por período de tempo, com fidelidade e a vantagem só se desse em razão de sua especialidade ou capacidade laboral e cumpridas metas de desempenho funcional, a resposta é sim. Ou seja, o objetivo não era propriamente a alienação do bem assim como nesse Plano em discussão, o objetivo não é propriamente a alienação de ações, mas sim conceder vantagem ao empregado/dirigente em função de determinadas características dele e ao cumprimento de condições vinculadas ao trabalho. Este Conselho em diversos Acórdãos proferidos acerca dessa matéria "stock options" vem firmando entendimento de que a desvirtuação da concepção original dos planos de outorga de compra de ações, a partir da análise e condições dos Planos, cria sim uma forma de remunerar determinados segurados, atraindoos e mantendoos com a possibilidade de um ganho adicional relacionado à sua condição na empresa. Nesse sentido citamos os Acórdãos abaixo: Acórdão nº 2302003.536 –Sessão de 03/12/2014 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 30/06/2008 STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. (...) Acórdão nº 2401003.045 Sessão de 18/06/2013 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 11 19 contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; (...) Portanto, por todo o exposto, entendo que o plano de outorga de compra de ações da empresa possui natureza remuneratória, uma vez que seu objetivo primordial é atrair e manter determinados vínculos laborais, retribuindo o trabalho prestado e a fidelidade à empresa, devendo incidir sobre ele contribuições previdenciárias. Ocorrência do Fato Gerador e Base de Cálculo Definida a natureza do plano de outorga de compra de ações da empresa, passase à análise dos demais requisitos do lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.(grifamos) De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efls. 21/22) o "fato gerador ocorre no exercício das opções, ou seja, no momento em que o beneficiário do Plano da CIA exerce seu direito mediante assunção do custo previsto no contrato". Com relação à data de ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre plano de opção de ações, este Conselho já firmou entendimento de que é no momento do exercício da opção. Nesse sentido citamos os Acórdãos nº 2302003.536 e nº 2401003.891: Acórdão nº 2302003.536 Fl. 748DF CARF MF 20 No caso presente, de acordo com o Relatório Fiscal, a data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções, o qual se deu pelo pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor das “Contribuições para Aquisição das Ações” previstos nos contratos e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira das referidas “Contribuições para Aquisição das Ações” Acórdão nº 2401003.891 O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários. Portanto, reputo correta a data da ocorrência do fato gerador no lançamento sob exame. Sobre a Base de cálculo apurada pelo fiscalização, consta do Termo de Verificação Fiscal (efl. 7 e ss) 4. DO FATO GERADOR : (...) O fato gerador relacionase a parcela suportada pela empresa e seus acionistas de um bem patrimonial adquirido pelos seus administradores e empregados tendo como contrapartida a prestação de serviço, no momento em que estes exercem suas opções e passam a ser detentores de ações da CIA. 9. Da parcela de natureza salarial contida no Plano de Opções de Compra de Ações. Prosseguindo no caso desta 1a. outorga , vamos citar o exemplo apresentado no item 4 deste Termo de um diretor estatutário da CIA cujo instrumento particular de contrato de outorga de opção de compra de ações .está em anexo a este processo (Doc. 9) .O exemplo pode ser generalizado para todos empregados e diretores participantes do plano da empresa em seu conceito. Em 10/03/2009 foram outorgadas a este diretor, 2.559.840 opções , lembrando que cada opção concede direito a uma ação, com as correspondentes datas de Vesting ( período de carência): Datas de Vesting das Opções: Proporção das Opções que se tornam Datas de Vesting passíveis de exercício na data de vesting 10/03/2009 20% 01/07/2009 20% Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 12 21 01/07/2010 20% 01/07/2011 20% 01/07/2012 20% O Plano de Opções de Compra de Ações estipula que a partir do vesting o, participante tem 5 anos para exercer a opção. Dessa forma em 07/01/2011 o diretor exerceu o total de 1.535.904 opções (60% conforme quadro, acima) que dão direito ao mesmo número de ações. (Doc. 11 Resumo Exercícios discrimina por nome , CPF, data de exercíco, quantidade exercida e a qual outorga se refere). Conforme precificação do instrumento patrimonial outorgado o valor justo da opção (mensurado em 10/03/2009) foi calculado em R$ 0,50 para preço de exercício de R$ 5,60 por ação , incluído no cálculo do valor justo da opção como premissa o dividendo esperado. Portanto, no mercado, o.desembolso deste diretor no exercício das opções seria de R$ 0,50 (valor justo da opção) + R$ 5,60 (preço de exercício) = R$ 6,10 por ação . Multiplicandose pelo total de opções exercidas o desembolso seria de R$ 9.369.014,40 para adquirir este lote de ações . Caso este mesmo diretor não fosse detentor das opções e resolvesse adquirir estas ações no mercado a ação da CIA nesta data estava cotada a R$ 18,49 o desembolso seria de R$ 28.398.864,96. No entanto o diretor da CIA adquiriu cada ação pelo valor de R$ 2,68 desembolsando para adquirir 1.535.904 ações o total de R$ 4.116.222,72 ; pois não houve o desembolso do custo da opção despesa da empresa no valor de R$ 0,50 cada opção , o que totalizaria R$ 767.952,00 . Além disso, o valor do preço de exercício que corresponde ao custo de aquisição do beneficiário de R$ 5,60 foi reduzido para R$ 2,68 , resultando no desconto de R$ 2,92 por ação , totalizando R$ 4.484.839,68 o valor a menor pago pelas ações em função da redução do preço de exercício na data de exercício , caracterizado. nesta fiscalização como parcela remuneratória contido no Plano da CIA , fundamentado mais abaixo neste Termo de Verificação Fiscal nos itens 9.2 e 9.3 . Portanto, no exemplo citado, as parcelas de natureza salarial contidas no Plano de Opções de Compra de Ações, base de cálculo de contribuições previdenciárias referemse ao custo das opções (prêmio) despesa do contribuinte (R$ 767.952,00), bem como os valores que reduziram o preço de exercício da ação fixado na outorga (R$ 4.484.839,68) , totalizando como base de cálculo tributável/para efeitos previdenciários R$ 5.252.791,68 no caso do exemplo citado. O momento do fatos gerador ocorre no exercício das opções, ou seja, no momento em que o beneficiário do Plano da CIA exerce seu direito mediante assunção do custo previsto no contrato. A base de cálculo constante no presente Auto de Infração foi calculada desta forma Fl. 750DF CARF MF 22 a cada participante que exerceusuas opções,.no período.fiscalizado 2009 a 2011 , e anexado a este Processo (Doce. 15Ba se d e Cálculo). Ressaltese que está se tributando não a compra de ações e sim a parcela suportada pela empresa e seus acionistas de um bem patrimonial adquirido pelos administradores e empregados do contribuinte , no momento em que estes exercem . suas opções de compra, caracterizado como contraprestação de serviço , passando a corresponder a remuneração definida nos incisos I e III, do artigo 28, da Lei 8.212/91: (...) O auditorfiscal concluiu que apenas a parcela suportada pela empresa deveria ser tributada como base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois essa seria a "vantagem" obtida pelos participantes (segurados), configurandose em parcela salarial. No meu ponto de vista, a base de cálculo das contribuições previdenciárias, no caso das stock options, deve ser a diferença entre o valor desembolsado pelo participante do plano e o valor da ação no mercado, no momento do exercício da opção. No mesmo sentido, colaciono as seguintes decisões já proferidas por este Conselho: Acórdão nº 2302003.536 Sessão de 03/12/2014 STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. Voto O ganho patrimonial, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. (grifamos) Acórdão nº 2401003.891 Sessão de 11/02/2015 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.720281/201481 Acórdão n.º 2301004.973 S2C3T1 Fl. 13 23 Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos. Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações) desde que constatado a natureza salarial da verba. Voto DA BASE DE CÁLCULO Quanto a este cálculo também concordo com a posição adotada pela autoridade fiscal. O valor estipulado pela empresa para o exercício não entrou na base de cálculo da contribuição lançada, mas a diferença entre esse valor e a média estipulada pelo mercado no dia da carência antecipada, que nada mais é, no presente caso, do que a data do exercício. A utilização da média do mercado do dia, é mais do que justa, considerando a variação do preço da ação em um mesmo dia. Assim, correto os valores lançados. (grifamos) Por fim no voto do Acórdão nº 2301003.597, o relator registrou o critério empregado naquele lançamento: Embora essa transação se apresente, à primeira vista, como negócio jurídico típico de relação comercial, o Fisco, todavia, entende que a oferta da empresa de opção de compra de ações aos seus funcionários, constituise em forma de remuneração indireta que visa incentivar e estimular a produtividade. Segundo a ótica do fisco a diferença apurada entre o valor das ações emitidas por meio do “stock options” e o seu valor real de mercado no dia em que foi exercida a opção é considerada parcela passível de contribuição previdenciária, já que se trata de remuneração diferida, a ser percebida no futuro, ou seja, no momento em que os papéis forem vendidos pelos empregados. (grifo nosso) CONCLUSÃO Por todo o exposto, no caso em análise, entendo que o Plano de opção de compra de ações da companhia constituise como uma forma de remuneração indireta aos Fl. 752DF CARF MF 24 empregados/contribuintes individuais participantes decorrente de sua relação de trabalho com a empresa, possuindo natureza remuneratória, devendo integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na data do exercício da opção, pelo valor referente à diferença entre o valor de mercado das ações e o valor efetivamente despendido pelo beneficiário. Tendo em conta que no lançamento analisado a base de cálculo foi apurada por critério diverso do exposto acima, o mesmo encontrase eivado de vício material, devendo ser declarada sua nulidade. Em face dessas conclusões, desnecessário que se analise mais detalhadamente questões recursais relativas à nulidade da autuação, com fulcro no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em conclusão, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721089/2008-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 89 /2 00 8- 31 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, tendo em vista glosa da APP Área de Preservação Permanente e arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 02/12/2014, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2202002.898 (fls. 148 a 162), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 9202005.424 CSRFT2 Fl. 187 3 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à PGFN em 23/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 163) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de fls. 164 a 172 (Despacho de Encaminhamento de fls. 173). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão nº 2102002.315. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 24/08/2015 (fls. 174 a 177). Cientificado em 17/12/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 183), o Contribuinte quedouse silente (fls. 184). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, com base no valor médio das DITR do Município de Coari/AM, fixado em R$ 64,78/ha (fls. 11), sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte (R$ 0,14/ha). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: Fl. 188DF CARF MF 4 "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 9202005.424 CSRFT2 Fl. 188 5 Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola do imóvel, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.002466/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.866
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 24 66 /2 01 0- 14 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15165.002466/201014 Acórdão n.º 3301003.866 S3C3T1 Fl. 122 2 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15165.002466/201014 Acórdão n.º 3301003.866 S3C3T1 Fl. 123 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15165.002466/201014 Acórdão n.º 3301003.866 S3C3T1 Fl. 124 4 Relatório A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação e Cofins Importação, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o colegiado de primeira instância não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer seu provimento interpretandose o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PISImportação e da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e os das próprias Contribuições Sociais, deferindose o pedido de restituição e a homologação da compensação. Em primeira assentada o colegiado do Carf deliberou por converter o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento, incumbindome, por sorteio, relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15165.002466/201014 Acórdão n.º 3301003.866 S3C3T1 Fl. 125 5 Desde já é de se registrar que encontramse sob apreciação nessa oportunidade um conjunto doze processos do mesmo sujeito passivo, versando sobre a mesma matéria litigada (alargamento da base de cálculo), diferenciandose quanto às datas dos fatos geradores, conforme planilha a seguir, todos regularmente pautados para julgamento. Processo Modalidade de importação Tributo Período das DI 15165.000271/200904 Conta Própria PIS Importação 2004 a 2005 15165.000272/200941 Conta Própria Cofins Importação 2004 a 2005 15165.000278/200918 Conta Própria PIS Importação 2006 15165.002153/201066 Conta e Ordem PIS Importação Janeiro a maio 2010 15165.002155/201055 Conta e Ordem Cofins Importação Janeiro a maio 2010 15165.002465/201070 Conta e Ordem PIS Importação Maio a junho 2010 15165.002466/201014 Conta e Ordem Cofins Importação Maio a junho 2010 15165003291/201062 Conta e Ordem PIS Importação Agosto 2010 15165003292/201015 Conta e Ordem Cofins Importação Agosto 2010 15165003285/201013 Conta e Ordem PIS Importação Junho a setembro 2010 15165003284/201061 Conta e Ordem Cofins Importação Junho a setembro 2010 15165720786/201131 Conta Própria e Conta e Ordem Cofins Importação 2011 Assim, visando celeridade processual e procedimental, o voto que ora submeto a apreciação do colegiado contempla, simultaneamente, o conjunto dos processos suso relacionados, preservandose contudo a individualidade e autonomia de cada um. 1 Do Mérito 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE NO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Conforme relatado, a matéria posta em controvérsia diz respeito à alegação de inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004, ao incluir o ICMS, bem como as próprias contribuições, na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Nesse pormenor, faço meus os fundamentos de recente voto proferido pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duro nos autos do processo 15165720784201141, Acórdão 3301003.240, de 28 de março de 2017, nos seguintes termos: Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15165.002466/201014 Acórdão n.º 3301003.866 S3C3T1 Fl. 126 6 ressaltese que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15165.002466/201014 Acórdão n.º 3301003.866 S3C3T1 Fl. 127 7 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, e conseqüentemente acolher o Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Dispositivo Ante o exposto voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da Cofins Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 15215.720111/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VINCULAÇÃO DO AUDITOR-FISCAL. Constatada a insuficiência de recolhimento do tributo, cabe ao auditor-fiscal promover o lançamento de ofício, nos termos de §único do art. 142 do CTN, com base em documentos idôneos, garantido o amplo direito de defesa nos termos do PAF.
SUJEIÇÃO PASSIVA
A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Art. 138 do CTN.
INTIMAÇÃO. VALIDADE.
A ciência postal no endereço do domicílio fiscal do contriubuinte é válida para todos os efeitos. Súmula Carf nº 9
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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VINCULAÇÃO DO AUDITORFISCAL. Constatada a insuficiência de recolhimento do tributo, cabe ao auditorfiscal promover o lançamento de ofício, nos termos de §único do art. 142 do CTN, com base em documentos idôneos, garantido o amplo direito de defesa nos termos do PAF. SUJEIÇÃO PASSIVA A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Art. 138 do CTN. INTIMAÇÃO. VALIDADE. A ciência postal no endereço do domicílio fiscal do contriubuinte é válida para todos os efeitos. Súmula Carf nº 9 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 11 /2 01 1- 59 Fl. 156DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração de Pasep, no valor total original de R$ 155.372,29, relativo ao ano de 2008. Informa o autuante que, a partir de documentação disponibilizada pela Prefeitura, apurou insuficiência de recohlimento de Pasep. Nos termos da legislação pertinente, art. 2º, III, art. 7º e art. 8, III da Lei 9.715/981. Não houve exclusões da base de cálculo, pois não houve transferências do Município para outras entidades públicas. Quanto ao Fundeb, consoante Solução de Consulta Cosit 2/2009, o auditorfiscal não excluiu da base de cálculo os repasses ao Fundeb. Do valor apurado, foram deduzidas as retenções na fonte e confissões em DCTF. Cientificada, a Prefeitura impugna o lançamento, com os seguintes argumentos de defesa: Que o lançamento deveria ser declarado nulo, por obscuridade e falta de justa causa; Que não houve comprovação de ilicitude, nem sua ocorrência; Que o Município teria fé pública e afirma que não tem os dados de 2008, os quais não foram disponibilizados pela gestão anterior; e que por tal razão, estaria vulnerado seu direito de defesa; requer perícia para verificação dessas alegações. 1 Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15215.720111/201159 Acórdão n.º 3201002.817 S3C2T1 Fl. 157 3 A DRJ/Juiz de Fora/MG, por meio do acórdão 0937923, de 28/11/2011, decide pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 NULIDADE. O Auto de Infração objeto do presente processo está de acordo com o art. 10 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF) e em nada afronta o art. 59 do PAF, que trata dos casos de nulidade. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas prescindíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Sobreveio então o Recurso Voluntário, no qual a Prefeitura reitera os argumentos da Impugnação, e pede a nulidade da decisão recorrida, porque não teria fundamentando a negativa de perícia. Pede ainda pela nulidade da intimação da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira O Recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Preliminar de nulidade da intimação da decisão recorrida. Transcrevo as ponderações da recorrente (fl. 144 e ss.): “Conforme se depreende nos autos, a Parte Impugnante ora Recorrente encontrase patrocianda pelo causídico Sr. Mauricio Ferreira Carvalho, inscrito na OAB/MG 83.638. Por sua vez, todas as intimações devem ser endereçada ao mesmo sob pena Fl. 158DF CARF MF 4 de nulidade, conforme reza o art. 23, inciso I do Decreto 70.235/72: (...) A propósito, o eg. Superior Tribunal de Justiça assim tem entendido: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA A SESSÃO DE JULGAMENTO DO NOME DO ADVOGADO DE UMA DAS PARTES NO PROCESSO QUE ORIGINOU O TÍTULO. ART. 236, §1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NULIDADE CONFIGURADA. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA – IMPROVIMENTO. 1 a nulidade da intimação decorre justamente do descumprimento da exigência imposta pela lei de que constem, nas publicações para fins de intimação, os nomes das partes e dos causídicos. Isso porque a realização do ato processual sem os requisitos legalmente impostos pode gerar prejuízos ao exercício do direito de defesa, na medida em que dificulta ou até mesmo impede que haja ciência da intimação pela parte ou por seu advogado, na opodendo ser dado tratamento diverso às empresas públicas a pretexto de elas possuírem inúmeros advogados habilitados nos autos, porquanto é inviável ao intérprete fazer distinção onde a elgislação não o fez. Precedentes. Aplicação da Súmula 83/STJ. 2 O agravo não trouxe nenhum argumento novo capaz de modificar o decidido, que se mantém por seus próprios fundamentos. 3 Agravo Regimental improvido. (STJ, AgRg no Resp 1297801/BA, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/05/2012, Dje 04/06/2012) (grifo nosso) No caso dos autos, a intimação fora feita ao constituinte ora Município de Jacinto e não ao constituído ora Mauricio Ferreira Carvalho, advogado inscrito na OAB/MG 83.638, ensejando destarte, prejuízo na confecção do recurso em razão do prazo ínfimo em que o mesmo ficou sabendo da existência da intimação para o Município de Jacinto (ciente em 02/07/2012) e, a apresentação do presente recurso em 02/07/2012 (sic). Portanto roga o acolhimento da nulidade argüida. Não há como acolher esse pedido. No processo administrativo fiscal, a ciência, quando postal, é dada no domicílio tributário do contribuinte, conforme art.23, II, do Decreto 70.235/72. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15215.720111/201159 Acórdão n.º 3201002.817 S3C2T1 Fl. 158 5 Tal dispositivo expresso e específico prevalece sobre os ordenamentos do processo civil, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Vale ainda invocar a Súmula Carf nº 9, vinculante para os colegiados, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Portanto, rejeito esta preliminar argüida. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Reproduzo, também, o trecho pertinente do Recurso Voluntário (fls 146 e ss.): II – Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa e Ausência de Fundamentação Em impugnação apresentada Vossas Excelências, houve pedido expresso de produção de prova pericial. Por sua vez, em decisão de fls. 139 houve o indeferimento a referida prova sem que houve a fundamentação dos motivos que levarma à esta decisão. A propósito, temos a orientação emanada do eg. Superior Tribunal de Justiça: Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVAO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. JUÍZO DE IMPROCEDÊNCIA FULCRADO EM INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. CERCEAMENTO DE DEFESA EVIDENCIADO. 1.Agravos regimentais do município e da empresa contra decisão que deu provimento ao recurso especial da empresa para anular o acórdão recorrido, por cerceamento de defesa. O ente público afirma que o juízo de improcedência não decorreu de insuficiência de provas, mas de sua apresentação intempestiva no processo administrativo tributário. Já a empresa aduz que o vício por ela mesmo suscitado pode ser relevado para que, desde logo, possa ser proferido o juízo de reforma do acórdão recorrrido. 2.O juízo de improcedência da ação mantido pelo acórdão recorrido não se baseou em juízo de certeza em face das provas existentes no processo, mas na insuficiência dos elementos probatórios apresentados pelo autor nos processos adminsitrativo e judicial. Fl. 160DF CARF MF 6 Essa constatação acerca da fragilidade da prova apresentada não permite a dispensa da produção da perícia oportunamente postulada, sob pena de cerceamento de defesa. Precedentes: AgRg nos Edcl no Resp 1.136.780/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Dje 3/8/2010; AgRg no Resp 984.300/MS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, Dje 5/52010/ Resp 468.276/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, D}Je 23/9/2008. 3. O juízo de cassação antecede o de reforma; assim, evidenciado o error in procedendo apontado no apelo nobre, inviável se mostra avançar e verificar eventual error in judicando de acórdão cuja nulidade já foi reconhecida. Ademais, o conhecimento da pretensão de fundo, concernete à desconstituição do auto de infração (lançamento) pela inobservância da legislação federal (DL 406/68 e LC 56/87, item 69) qu assegura o direito à dedução da base de cálculo, depende, in casu, da análise do conjunto probatório referente à comprovação, in concreto, do emprego de partes e peças na prestação de serviços de manutenção autuada, o que é inviável na instância especial ante o óbice da Súmula 7/STJ. 4. Agravos regimentais do município e da empresa não providos. (STJ, AgRg no Resp 1209173/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, Dje 07/12/2011) (destaque nosso) Ademais, Vossas Excelências, ao indeferir a produção de prova pericial não houve a fundamentação da decisão limitandose o julgador a quo a colacionar o dispositivo legal previsto no art. 18, do Decreto Lei (sic) 70.235/72. No caso dos autos, o que EXISTE É AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E NÃO FUNDAMENTAÇÃO CONCISA, que é permitido” (destaques do original) Verifico que a decisão recorrida negou o pedido de perícia conforme o seguinte excerto (fl. 139): Quanto à perícia solicitada, diante do que até aqui se expôs (em destaque o direito de vista aos autos, não exercido), vêse ser totalmente desnecessária. De se ver o art. 18 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) em sua parte final: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Em lugar nenhum dos autos, verificase algum ato que possa ter colocado em dúvida a fé pública do ente municipal. Tese, SMJ, demasiadamente simplista para o caso em tela: Auto de Infração lavrado com base em documentação hábil e idônea, e em Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15215.720111/201159 Acórdão n.º 3201002.817 S3C2T1 Fl. 159 7 contrapartida, nenhuma documentação foi trazida aos autos, pelo impugnante, para descaracterizar o feito fiscal. A fundamentação da decisão recorrida, nesta parte, está clara. Considerouse que havia documentação hábil e idônea, prescindindo maiores esclarecimentos, e ainda, considerouse a lacuna de provas apresentada pela recorrente. No mérito analisaremos se tais documentos são suficientes para a lavratura do auto de infração, nada obstante, não existiu falta de fundamentação da negativa de perícia, pelo quê rejeito a preliminar suscitada. Mérito A recorrente questiona a ocorrência e a comprovação do lançamento. Não acato tais questionamentos, porque o lançamento foi baseado em balancetes da própria Prefeitura. Vejase o relato à folha 11: 2. DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELA FISCALIZADA Em 03/05/2011 foi lavrado o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 16/17), cuja ciência se deu por Aviso de Recebimento – AR – em 09/05/2011 (fls. 18). Neste foram requisitados, dentre outros documentos referentes ao ano de 2008, os Balancetes Mensais de Receitas e Despesas e a contabilidade em meio digital, em boservância ao art. 10 da Lei nº 9.715 de 25/11/1998. Posteriormente, em 15/07/2011, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 004 (fls. 19/20), cuja ciência ocorreu em 25/07/2011, através de Aviso de Recebimento – AR (fls. 21), no qual foram requisitados, dentre outros documentos, o demonstrativo de cálculo da contribuiçõa para o PASEP, com discriminação mensal das receitas, reduções, retenções e valores apurados para o ano de 2008. (...) 4. DA APURAÇÃO DO PASEP NO PERÍODO Analisando a documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 22/81), os pagamentos de PASEP feitos no período junto com as informações extraídas do sistema Sinal 06 da RFB (fls. 82/83) e as retenções efetuadas pelo Banco do Brasil S/A e Banco Itaú S/A (fls. 84/96), verificouse excessivas exclusões, apuração errônea de base de cálculo e como conseqüência insuficiência de recolhimento do tributo. Com base na documentação acima foi elaborada planilha demonstrativa da Base de Cálculo do PASEP e respectiva contribuição devida relativa ao ano de 2008, denominada “ANEXO I” (fls. 97/98), que se constitui parte integrante do presente Relatório Fiscal, na qual está discriminada mensalmente as receitas que compõem a base de cálculo do PASEP e suas deduções, acompanhadas dos respectivos códigos Fl. 162DF CARF MF 8 de classificação, de acordo com a Portaria 3402006, da Secretaria do Tesouro Nacional, sobre a qual incide a alíquota de 1% (um por cento), respeitados os pagamentos efetuados declarados pela fiscalizada em DCTF – Declarçaão de Débitos e Créditos de Tributos Federais, as retenções efetuadas pelo Banco do Brasil S/A e Banco Itaú S/A, quando os repasses feitos pela União e Estado ao Município em seu benefício, prevista no art. 2º, inciso III, §6º da Lei nº 9.715 de 25/11/1998, além das deduções de receitas lançadas pela fiscalizada” Verifico ainda que constam às folhas 34 e seguintes os balancetes com timbre e carimbo da Prefeitura. Portanto, são idôneas as fontes e clara a infração. As alegações da recorrente acerca de obscuridade e falta de comprovação, desse modo, restam genéricas e devem ser afastadas. Quanto ao alegado problema de informações da gestão municipal anterior, não interfere na apuração e obrigação do Município, que deve ser lançada de ofício quando o sujeito passivo não tiver cumprido seu dever, nos termos do art. 142, § único do CTN2 Conforme art. 136 da mesma Lei3, a responsabilidade pela infração independe de dolo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. . 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 163DF CARF MF
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