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Numero do processo: 10907.001329/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 9303-004.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 13 29 /2 00 8- 01 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3802001.643, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/05/2006 INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima (Súmula CARF nº 49). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/05/2008 INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. OBRIGATORIEDADE. Na vigência do art. 50 da Instrução Normativa 800, de 27 de dezembro de 2007, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008, o registro no Siscomex Carga dos dados da operação de desconsolidação de carga após a atracação do navio implica concretização da infração descrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 5 4 Recurso ao qual se nega provimento.” Insatisfeito com o referido acórdão, o sujeito passivo apresentou recurso especial, requerendo a reforma do r. acórdão no que tange ao afastamento da penalidade de natureza administrativa com a invocação da denúncia espontânea, alegando que deve ser aplicada a legislação vigente que exclui a punibilidade art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66 e Lei 12.350/10. O apelo do sujeito passivo foi admitido, conforme Despacho às fls. 172 a 174. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 176 a 184 em face do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, requerendo que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que atende aos pressupostos de admissibilidade, pois foi comprovada a divergência suscitada. Ventiladas tais considerações, no que tange à lide – qual seja, aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, apenas destaco que essa conselheira alterou seu entendimento em relação a essa matéria – especificamente, quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea quando se tratar de obrigação acessória em matéria aduaneira. Refletindo melhor sobre a aplicabilidade ou não da denúncia espontânea em matéria aduaneira, tenho que a denúncia espontânea em matéria aduaneira se encontra positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 7 6 a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 8 7 consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do Decreto Lei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 9 8 Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do Decreto Lei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 10 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao bem elaborado voto da ilustre relatora, mas peço licença para discordar de suas conclusões. Esta matéria, aplicação do instituto da denúncia espontânea nas multas aduaneiras não é nova no âmbito deste colegiado. A própria recorrente teve essa matéria julgada na sessão da CSRF de 26/04/2016, que resultou no Acórdão nº 9303003.560 no processo administrativo fiscal nº 10711.007991/200854. Inclusive aquele processo e o presente tratam exatamente da mesma matéria que é a aplicação da multa capitulada no art. 107, inc. IV, "e", do DecretoLei nº 37/66, sendo que a discussão devolvida a esse colegiado também é a mesma. Considerando a identidade entre as matérias, peço licença para utilizar o voto vencedor, daquele processo, da lavra do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres, ressaltando que concordo com todas as suas conclusões, abaixo parcialmente transcrito: (...) A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta e os formais "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 12 11 só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão somente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 40 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 13 12 legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 14 13 Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 15 14 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10907.001329/200801 Acórdão n.º 9303004.909 CSRFT3 Fl. 16 15 Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. (...) Portanto, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto os fundamentos do voto acima transcrito como razão de decidir. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001324/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ERRO DE FATO
Comprovado o cometimento de erro de valor no preenchimento de DARF utilizado para pagamento de aplicação no FINOR, promove-se seu reparo, destacando-se os valores pertinentes à referida aplicação e ao IRPJ.
Numero da decisão: 1401-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 24 /2 00 5- 35 Fl. 239DF CARF MF 2 Relatório Tratase de um peculiar recurso voluntário (fls. 171 a 185), pois impetrado, não contra decisão de DRJ, mas sim em oposição a despacho de presidente de turma de julgamento (fl. 164), que não conheceu manifestação de inconformidade apresentada. No referido despacho da DRJ, o presidente de turma registrou que o objeto do pedido inicial (transferência de parcela de recolhimento a título de FINOR, código 9344, para o IRPJ no código 2390) não segue o rito do PAF, mas sim o previsto na Lei nº 9.784/99. Desse modo, o recurso do indeferimento pela autoridade local deve ser dirigido a esta própria autoridade e, no caso de não reconsideração, deve ser destinado à autoridade que lhe é superior. No recurso voluntário já citado, o recorrente aduz e pede: 1) Que se equivocou ao calcular o valor a ser destinado ao FINOR (usou o percentual de 18%, quando o correto deveria ter sido de 12%), valor pleiteado para fins de IRPJ; 2) Nulidade do despacho do presidente de turma da DRJ por lhe faltar competência para indeferir monocraticamente o seu pleito; 3) que as Delegacias de Julgamento são competentes para apreciar sua manifestação de inconformidade nos termos da Lei nº 9.784/99; 4) que, uma vez anulado despacho, seja apreciada a sua manifestação de inconformidade; 5) que, no mérito seja reconhecido o seu direito de ser transferido o valor pago em excesso a título de FINOR para fins de IRPJ. É o breve relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminarmente, com relação às questões relativas às decisões, despachos e demais atos pretéritos, vale destacar o disposto no § 3º, art. 59, do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal): § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.001324/200535 Acórdão n.º 1401001.843 S1C4T1 Fl. 240 3 Deixo, pois, de enfrentar as questões de nulidades em razão de deferir o pleito do interessado no mérito, como veremos abaixo. O presente caso trata de tema idêntico ao já enfrentado pelo CARF nos autos do processo administrativo nº 16327.001321/200500, no acórdão nº 1301001.133, cuja ementa abaixo reproduzo: ERRO DE FATO. Comprovado o cometimento de erro de valor no preenchimento de DARF utilizado para pagamento de aplicação no FINOR, promovese seu reparo, destacandose os valores pertinentes à referida aplicação e ao IRPJ. Estou de pleno acordo com a decisão lá proferida. Cumpreme apenas verificar se o erro está caracterizado. Pois bem, conforme o próprio despacho da autoridade local (fl. 108), o recorrente registrou o valor do investimento na sua DIPJ no valor de R$ 2.493.852,61, que corresponde à aplicação do percentual de 12%. O mesmo despacho aponta que o recolhimento, no entanto, foi de R$ 3.470.778,92, correspondente ao percentual de 18%. O contribuinte alega que jamais desejou recolher excesso voluntariamente. A despeito do preenchimento da declaração corretamente, a guia de recolhimento foi elaborada e paga em decorrência de erro na leitura da lei de regência. De fato, tais recolhimentos estão submetidos aos limites estampados na lei 9.532/1997, art. 4º, § 1º. Abaixo, reproduzo o seu teor: Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (nossos destaques) Notese que estamos a tratar do recolhimento relativo ao anocalendário de 2004, ou seja, o primeiro ano em que o limite é reduzido de 18% para 12%, exatamente os percentuais aplicados pelo contribuinte na sua declaração e DARF, o que torna não só crível, mas segura a sua afirmação de erro. Afinal, não nos parece razoável supor que ele, ao recolher Fl. 241DF CARF MF 4 uma quantia voluntariamente, esta equivaleria exatamente à exata diferença entre esses percentuais. O erro cometido é óbvio em face dos valores envolvidos. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722629/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.OMISSÃO.
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
LAUDO DE AVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO DA RENTABILIDADE PREVISTA. CONDIÇÕES GERAIS PARA AMORTIZAÇÃO
A realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação das empresas isoladamente não se presta a demonstrar que estavam presentes as condições gerais para amortização do ágio.
Numero da decisão: 1301-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada no acórdão 1301-002.110, sem conferir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros : Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior .
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.OMISSÃO. Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 LAUDO DE AVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO DA RENTABILIDADE PREVISTA. CONDIÇÕES GERAIS PARA AMORTIZAÇÃO A realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação das empresas isoladamente não se presta a demonstrar que estavam presentes as condições gerais para amortização do ágio.
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Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 LAUDO DE AVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO DA RENTABILIDADE PREVISTA. CONDIÇÕES GERAIS PARA AMORTIZAÇÃO A realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação das empresas isoladamente não se presta a demonstrar que estavam presentes as condições gerais para amortização do ágio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada no acórdão 1301002.110, sem conferirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 26 29 /2 01 3- 07 Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.502 S1C3T1 Fl. 2.141 2 Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros : Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior . Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 1.920 a 1.927) opostos pelo contribuinte acima identificado, em face do acórdão de recurso voluntário nº 1301002.110 (fls. 1.868 a 1.905), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 10 de agosto de 2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse por maioria de votos no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. EXCLUSÕES INDEVIDAS. PARTES RELACIONADAS. OPERAÇÕES SEQUENCIAIS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o acórdão recorrido que manteve crédito tributário apurado com base nas exclusões indevidas ao lucro líquido, a título de amortização de ágio gerado artificialmente entre empresas ligadas, mediante operações estruturadas em sequência, nas quais restou comprovada a simulação. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplicase à CSLL a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores respondem, solidariamente, pelo crédito tributário nos casos em que as obrigações tributárias resultem de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, mormente quando participaram diretamente de todos atos simulados. CERCEAMENTO DE DEFESA. DIREITO AO CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA O procedimento fiscal é de cunho inquisitorial, ou seja, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja obrigada a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. MULTA QUALIFICADA. A prática de atos simulados, com o evidente intuito de fraudar o Fisco justifica a imputação da multa qualificada. Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.502 S1C3T1 Fl. 2.142 3 Nos embargos opostos às fls. 1.920 a 1.927, a Caimi & Liaison Indústria e Comércio de Couro e Sintéticos Ltda, com fundamento nos arts. 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15, alegou que o aresto combatido padeceria de omissão, contradição e obscuridade, assim apontadas: (i) Omissão e Obscuridade Inexistência de Simulação; (ii) Omissão com Relação à Comprovação dos Laudos de Rentabilidade Futura; (iii) Contradição com Relação à Manutenção da Multa. No Despacho de Admissibilidade às fls. 2.132 a 2.139, o Presidente desta 1º Turma rejeitou em definitivo os embargos, no que toca aos itens (i) e (iii) e admitiu, exclusivamente, no que toca ao item (ii), para que fosse sanada a omissão relativa à alegação de realização da rentabilidade prevista nos laudos. Relativamente à omissão quanto à análise da realização da rentabilidade prevista nos laudos elaborados quando da integralização do capital com o registro do ágio amortizaodo, a ora embargante assim a apontou: Entre as páginas 11 e 12 do Recurso Voluntário, a Embargante demonstra que a acusação de que houve simulação com relação à elaboração dos laudos de rentabilidade futura não se sustenta, sendo que tais argumentos e dados foram ignorados pelo v. acórdão embargado. O recurso voluntário assim afirma: "Equivocase, porém, o Julgador. Para elucidar qualquer dúvida que ainda possa pairar sobre a consistência dos laudos de avaliação, e de que a supra transcrita afirmação do Julgador não se sustenta, os Recorrentes, reportandose ao que já disseram em sua impugnação, ressaltam que o valor de mercado das empresas apontado nos laudos de avaliação é razoável e se confirmou na prática. Nesse sentido, os Recorrentes demonstram, a seguir, que os lucros projetados nos laudos de avaliação se mostraram muito próximos daqueles que de fato se verificaram na prática. Com efeito, os lucros contábeis gerados nos anos de 2005 a 2009 (até setembro) pela CAIMI & LIAISON (na qual foram incorporadas as atividades operacionais da CAIMI BRASIL e da LIAISON), sem a dedução de qualquer amortização a título de ágio, comparativamente aos lucros contábeis projetados nos laudos de avaliação emitidos pelos peritos avaliadores e sem incluir aqueles que se referem à "perpetuidade ", que dizem respeito à projeção de lucros depois do ano de 2009, podem ser demonstrados como segue: Comparação entre o Resultado Realizado e o Projetado nos Laudos de Avaliação: Valores em R$ Lucro (Prejuízo) Realizado Jan a jul 2005 Jul a dez 2005 Jan a dez 2006 jan a dez 2007 jan a dez 2008 jan a set 2009 Jan/2005 a set/2009 (totais) Caimi Brasil 686.333,46 0 0 0 0 0 686.333,46 Liaison 183.116,86 0 0 0 0 0 183.116,86 Caimi & Liaison 0 (13.848.691,24) 1.784.457,10 5.559.893,96 7.056.331,20 3.710.485,85 4.262.476,87 Ajuste de Despesas com amortização de ágio 0 15.045.649,78 15.045.649,78 Lucro (prejuízo) liquido efetivo (Jan/2005 a set/2009) depois IRPJ/CSLL 869.450,32 1.196.958,54 1.784.457,10 5.559.893,96 7.056.331,20 3.710.485,85 20.177.576,97 A Resultado projetado nos laudos de avaliação (19.796.266,75) B Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.502 S1C3T1 Fl. 2.143 4 Liaison e Caimi Brasil (jan/2005 a set/2009) Lucro (prejuízo) líquido gerado acima do projetado nos laudos de avaliação Liaison e Caimi Brasil (jan/2005 a set/2009) 381.310,22 = A B Valores Projetados nos Laudos de Avaliação: 2005 2006 2007 2008 2009 Jan/set (proporcional a 9 meses) Total (jan 2005 a Set/2009) . Estimativa geração resultado Liaison (2005/2009), conforme laudo avaliação 1.530.620,00 1.768.231,00 2.033.831,00 2.330.429,00 1.996.011,00 9.659.122,00 . Estimativa geração resultado Caimi Brasil (2005/2009), conforme laudo avaliação 1.679.334,00 1.895.528,00 2.135.754,00 2.402.536,00 2.023.992,75 10.137.144,75 Total do resultado projetado nos laudos (Liaison e Caimi Brasil) 19.796.266,75 19.796.266,75 B Portanto, seguindo à risca o que determina a alínea "a" do § 2° da citada disposição da Instrução CVM 247/96, a Recorrente amortizou o ágio no prazo de 5 (cinco) anos, na extensão e proporção dos resultados projetados e revisados., conforme cabalmente demonstrado acima (comparação entre os resultados projetados nos laudos de avaliação com aqueles efetivamente gerados contabilmente)" O acórdão embargado não traz uma linha sequer a respeito dos argumentos acima transcritos, contidos nas razões do Recurso Voluntário, que demonstram estarem equivocados os fundamentos da autuação e do acórdão recorrido quando sustentam que os laudos de rentabilidade futura foram produzidos artificialmente e carentes de suporte fático." Considerando que o acórdão recorrido não se manifestou expressamente a respeito da realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação contidas nas razões do recurso voluntário e que buscavam demonstrar estar presentes as condições gerais para amortização do ágio, os embargos foram admitidos para saneamento da omissão apontada pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora A ciência do acórdão ora embargado se deu em 26/09/2016, segundafeira (fls. 1.918). Tendo sido os embargos apresentados em 03/10/2016 (fls. 16.294), segundafeira, tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.502 S1C3T1 Fl. 2.144 5 A contribuinte pleiteia que o acórdão seja integrado "em razão de nítida omissão relativa à realização da rentabilidade prevista nos laudos elaborados quando da integralização do capital com o registro do ágio amortizado". Acrescenta que apesar do recurso voluntário demonstrar que a acusação de que houve simulação com relação à elaboração dos laudos de rentabilidade futura não se sustenta, o acórdão embargado não trouxe uma linha sequer a respeito dos argumentos da contribuinte. De fato, o acórdão recorrido não se manifestou expressamente a respeito da realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação contidas nas razões do recurso voluntário e que buscavam demonstrar estar presentes as condições gerais para amortização do ágio, motivo pelo qual os embargos devem ser acolhidos. Na impugnação apresentada em 22/10/2013 (fls. 1.168 a 1.746) a contribuinte assim se manifestou acerca da realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação : "18.2.1. Não há, na visão da Impugnante, razão ou fundamento válido para se questionar o fato de o ágio gerado na operação, apurado que foi com base em laudo de avaliação emitido por peritos independentes, apresentarse superior a 700% do valor patrimonial (contábil) dos investimentos adquiridos. Com efeito, para demonstrar que o valor de mercado das empresas apontado nos laudos de avaliação é razoável e consistente, a Impugnante anexa ao presente (doc.01) parecer de avaliação emitido pela empresa Ferrari Organização e Avaliações Patrimoniais Lida., no qual resta demonstrado que: (a) os lucros líquidos contábeis da CAIMI & LIAISON, efetivamente apurados na escrituração comercial nos anos de 2005 a 2010, superaram em R$ 3.398 mil o montante dos lucros líquidos contábeis estimados e projetados nos laudos de avaliação emitidos pelos peritos avaliadores para os anos de 2005 a 2009; e (b) é de 4 (quatro) anos e 10 (dez) meses o prazo de realização do ágio, se considerados os fluxos de caixa efetivamente gerados pela Caimi & Liaison a partir do ano de 2005." Ao apreciar os argumentos da impugnante acima transcritos, o acórdão a quo concluiu pela improcedência das alegações da recorrente nos seguintes termos: "Quanto ao acerto das avaliações, tendo em vista as comparações efetuadas pelo impugnante na fl. 1638, entendo sem sentido a argumentação. As avaliações diziam respeito à LIAISON e à CAIMI DO BRASIL, consideradas cada uma das sociedades de forma isolada. Essas sociedades não existem mais. Assim, querer comprovar o acerto de uma avaliação com resultados de uma terceira sociedade, mesmo que fruto das duas anteriores, seria o mesmo que afirmar que a união das duas não gerou qualquer ganho logístico, mercadológico ou outro que justificasse a união. Lembro, por oportuno, que a incorporação foi justificada, pela impugnante, em função de “significativas vantagens do ponto de vista operacional, com a redução de custos e despesas administrativas, diante da racionalização dos serviços de controladoria, finanças e contabilidade, eliminando a superposição de atividades” (fls. 479 e 487)" Com o objetivo de afastar dúvidas sobre a inconsistência dos laudos de avaliação, bem assim, de demonstrar que as afirmações contidas no trecho do acórdão a quo acima transcrito não se sustentam, em seu recurso voluntário a recorrente reitera as alegações efetuadas na impugnação de que os valores de mercado apurados nos laudos de avaliação das empresas Caimi Brasil e Liaison são razoáveis e se confirmaram na prática, isto porque os Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.502 S1C3T1 Fl. 2.145 6 lucros contábeis auferidos pela Caimi e Liaison no período de janeiro/2005 a setembro/2009 se mostraram bem próximos aos lucros projetados nos laudos de avaliação. Como bem apontado pelo acórdão a quo, o fato dos lucros da Caimi & Liaison serem bem próximos às avaliações isoladas da Caimi do Brasil e Liaison não tem o condão de legitimar as amortizações de ágio efetuadas, isto porque a própria contribuinte informou no "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Sociedade" (fls. 479 e 487 que ocorreriam “significativas vantagens do ponto de vista operacional, com a redução de custos e despesas administrativas, diante da racionalização dos serviços de controladoria, finanças e contabilidade, eliminando a superposição de atividades”. Assim, são procedentes as afirmações do acórdão recorrido no sentido de que "querer comprovar o acerto de uma avaliação com resultados de uma terceira sociedade, mesmo que fruto das duas anteriores, seria o mesmo que afirmar que a união das duas não gerou qualquer ganho logístico, mercadológico ou outro que justificasse a união", contrariamente ao informados nos protocolos de justificação das incorporações. Dessa forma, verificase que a realização da rentabilidade prevista nos laudos de avaliação das empresas isoladamente não se presta a demonstrar que estavam presentes as condições gerais para amortização do ágio. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por acolher os embargos de declaração da contribuinte para sanar a omissão apontada no acórdão 1301002.110, sem conferirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 2145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008806/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 88 06 /2 00 9- 90 Fl. 277DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Erro material da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3402004.180 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que Fl. 279DF CARF MF 4 estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3402004.180 S3C4T2 Fl. 4 5 obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá Fl. 281DF CARF MF 6 pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003010/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO.
Incabível rediscutir no processo de crédito tributário matéria já tratada em processo específico acerca da procedência do ato de exclusão do Simples.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA.
Na ocorrência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias apuradas pelo contribuinte, é devida a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador.
MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO. É devida a aplicação de multa de mora amparada em legislação vigente na época do fato gerador se, ainda que revogada, a nova legislação resulte em penalidade menos benéfica ao contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INTIMAÇÃO DE ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO.
A ciência de atos processuais ao contribuinte é efetuada levando-se em conta o seu domicílio tributário eleito.
Numero da decisão: 2201-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do período compreendido entre 01 e 09 de 2005.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 20/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Incabível rediscutir no processo de crédito tributário matéria já tratada em processo específico acerca da procedência do ato de exclusão do Simples. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. Na ocorrência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias apuradas pelo contribuinte, é devida a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO. É devida a aplicação de multa de mora amparada em legislação vigente na época do fato gerador se, ainda que revogada, a nova legislação resulte em penalidade menos benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO DE ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO. A ciência de atos processuais ao contribuinte é efetuada levandose em conta o seu domicílio tributário eleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do período compreendido entre 01 e 09 de 2005. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 30 10 /2 01 0- 61 Fl. 159DF CARF MF 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 20/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, lavrado em virtude da exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Federal de que trata a lei 9.317/96. O Relatório Fiscal de fl. 31 a 33 evidencia que a exclusão em questão se deu em virtude da emissão Ato Declaratório Executivo do Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP nº 024/2006, publicado do DOU em 26 de novembro de 2009, que foi objeto do contencioso administrativo instaurado nos autos do processo 10865.003623/200964. Do procedimento fiscal, resultou o seguinte DEBCAD: 37.248.7831 – relativo à contribuições sociais a cargo da empresa e destinadas a outras Entidades e fundos Terceiros, no montante consolidado de R$ 766.024,36. Vale ressaltar que, no mesmo procedimento fiscal, foram lavrados outros três autos de infração, conforme se verifica no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fl. 28, dois dos quais referentes a descumprimento de obrigação acessória, já julgados em 2ª Instância, e um referente a obrigação principal, já sob a relatoria deste Conselheiro. Ciente da autuação em 28/10/2010, fl. 32, inconformado, o contribuinte formalizou tempestivamente a Impugnação de fl. 38/66, a qual foi analisada em 1ª Instância pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, resultando no Acórdão de fl. 88 e seguintes, que restou assim ementado: Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO OU MANUTENÇÃO NO SISTEMA. PROCESSO DISTINTO. Incabível qualquer discussão em autos de constituição de crédito a respeito de suprimir ou manter a empresa no regime Simplificado, por ter sido formalizado processo Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.003010/201061 Acórdão n.º 2201003.659 S2C2T1 Fl. 160 3 distinto, igualmente com direito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. SIMPLES FEDERAL. EMPRESA EXCLUÍDA. EFEITOS. A empresa excluída do SIMPLES se sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga à administração impulsionar o processo ate sua decisão final, não havendo previsão legal ou normativa para que os efeitos do ADE Ato Declaratório Executivo ocorram apenas a partir da decisão final do procedimento de exclusão do SIMPLES FEDERAL. PRAZO DECADENCIAL. INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Quando não há pagamento antecipado, ou na hipótese de fraude, dolo ou simulação, aplicase a regra geral. ENTIDADES TERCEIRAS. FNDE/SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA E SEBRAE. INCIDÊNCIA. São devidas contribuições destinadas ao FNDE/SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, de acordo com ordenamento jurídico. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete a fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento dessas contribuições sociais. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. LEGISLAÇÃO. Multa e juros fixados nos parâmetros da legislação vigente tem respaldo legal. Estando a multa por descumprimento de obrigação principal prevista em lei e havendo sido aplicada de acordo com os parâmetros estabelecidos na legislação, não podem ser objeto de análise as supostas ofensas a princípios constitucionais na esfera administrativa, em face da submissão desta ao Princípio da Legalidade. Fl. 161DF CARF MF 4 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. REPRESENTAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A Representação Fiscal para Fins Penais decorre de disposição expressa em lei e deve ser formalizada sempre que constatada a ocorrência, em tese, de prática de ilícitos previstos nas legislações previdenciária e penal. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO REJEITADO. As intimações são endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do Acórdão da DRJ em 06/07/2011, fl. 110, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 05/08/2011, o Recurso Voluntário de fl. 112/142, onde reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação, os quais serão tratados no curso do voto a seguir. Em 09 de outubro de 2012, conforme despacho de fl. 156, o presente foi retirado de pauta, objetivando aguardar a conclusão do processo 10865.003623/200964, em que se discutia a regularidade da exclusão da empresa do Simples. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Como bem evidente no relatório acima, a autuação ora em discussão decorre da exclusão do contribuinte do Simples Federal, já que não mais abrigado pelas benesses legais para as micro e pequenas empresas, estaria sujeito, a partir do período em que se processarem Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.003010/201061 Acórdão n.º 2201003.659 S2C2T1 Fl. 161 5 os efeitos de sua exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, tudo nos termos do art. 16 da Lei 9.317/96. Os motivos que levaram à exclusão do requerente de tal sistemática de tributação estavam em discussão nos autos do processo 10865.003623/200964, cujo Acórdão 1302001770, de 01/02/2016, emitido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, concluiu por negar provimento ao Recurso Voluntário, restando assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA POR INEXISTÊNCIA DE DILIGÊNCIA EXTERNA EM PROCEDIMENTO PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal que exija diligência externa prévia à exclusão do Simples. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Cientificada da decisão acima, o contribuinte formalizou nos autos próprios Recurso Especial, que teve sua admissibilidade negada. Agravada tal decisão, mantevese a negativa de seguimento do Recurso Especial. Assim, da decisão em tela, não cabe mais recursos, efetivandose, em sede administrativa, a definitividade da exclusão do contribuinte do Simples. Feitas as considerações acima, passo à análise do Recurso Voluntário formalizado no presente processo. O SR. AUDITOR FISCAL CONSIDEROU QUE A RECORRENTE ESTÁ DEFINITIVAMENTE EXCLUÍDA DO SIMPLES, QUANDO HÁ RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE DE APRECIAÇÃO SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Insurgese o recorrente contra o entendimento da DRJ de que seria incabível no presente processo a discussão de matéria relativa a exclusão ou manutenção da empresa no Regime Simplificado, já que há processo específico tratando do tema, onde os direitos ao contraditório em à ampla defesa estão devidamente respeitados. Entende que o presente processo deveria ser suspenso até que seja exarada decisão definitiva em relação à exclusão. Fl. 163DF CARF MF 6 Como se viu acima, a tramitação do presente foi sobrestada até a conclusão do processo 10865.003623/200964, o qual já conta com decisão definitiva na esfera administrativa, não havendo, portanto, nada a prover no presente tópico que obste o regular prosseguimento da demanda aqui tratada. DA DESCONSIDERAÇÃO DO REGIME DIFERENCIADO DI SIMPLES E DA PARCELA PAGA COMO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS UNIFICADAMENTE NO SIMPLES PARA DEDUÇÃO DO MONTANTE APURADO DA ILEGALIDADE DOS EFEITOS RETROATIVOS NA APURAÇÃO D E SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Nestes temas, o contribuinte contesta a decisão de 1ª Instância que entendeu vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente pelo Simples. Reafirma seu entendimento de que o lançamento em tela deveria permanecer suspenso até a decisão definitiva do processo que tratou da exclusão (tema já superado) e sustenta que não há explicação lógica para o entendimento da DRJ, questionando se a solução seria requerer a restituição do que foi recolhido em tal sistemática. Repudia a totalidade do lançamento, vez que a exclusão do Simples encontravase suspensa, não podendo prosseguir o presente auto, bem assim pelo fato do Agente Fiscal não ter apurado a contribuição previdenciária devida sem a exclusão do valor pago no Simples para o mesmo tributo. Ademais, sustenta que os efeitos da exclusão só se efetivam a partir da ciência do ato de exclusão, alegando a existência de margem para a interpretação da legislação, o que levaria à necessária consideração daquela avaliação que se mostrasse mais benéfica ao recorrente. Tudo amparado na leitura do inciso II do art. 15 da Lei 9317/96 com a redação dada pela MP 215835, que teria foi revogada pela lei 11.196/2002. As alegações do recorrente não guardam relação com a interpretação mais favorável ao contribuinte de que trata do art. 112 do CTN. O presente lançamento tem fundamentação legal na Lei nº 8.212/91. Contudo, a exclusão do Simples e seus efeito, como já dito, foram objeto de outra lide administrativa. A possibilidade de exclusão do contribuinte de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e os efeitos dela decorrentes estão claramente evidenciados nos art. 9 e 12 a 16 da lei nº 9.317/1996. A leitura de tais dispositivos combinada com os motivos e atos de ofício que levaram à sua exclusão do Sistema (titular ou sócio que participe com mais de 10% do capital de outra empresa), nos permite concluir que os efeitos da exclusão, neste caso, ocorreram a partir do mês subsequente àquele em que incorrida a situação excludente (01/08/2004 data definida na Representação que resultou na exclusão e expressamente citada no Ato Declaratório Executivo DRF/LIM nº 024/2009). É fato que a exclusão ainda percorreu um longo tramite administrativo após manifestação de inconformidade formalizada pelo contribuinte. Contudo, a definição da data de seus efeitos está muito clara, não havendo outro modo de interpretar o caso em tela, sendo perfeitamente regular a constituição do crédito tributário nos moldes do que foi feito no presente processo, sendo certo que, caso a exclusão fosse julgada improcedente, naturalmente, Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.003010/201061 Acórdão n.º 2201003.659 S2C2T1 Fl. 162 7 por consequência lógica, os valores lançados por sistemática diversa seriam revistos, seja em sede de contencioso administrativo, seja de ofício. No caso em tela, a ato de exclusão restou mantido integralmente em decisão administrativa definitiva, não emprestando quaisquer efeitos que maculem a regularidade da constituição dos débitos ora em discussão, não havendo espaço para que os mesmos argumentos sejam novamente analisados. Por outro lado, a inscrição no Simples, seja Federal ou Nacional, implica o pagamento mensal unificado de vários tributos, dentre os quais o que discute no presente processo, é o que se depreende do § 1º do art. 3º da lei 9.317/96 e do art. 13 da lei Complementar 123/2007. Desta forma são procedentes em parte as alegações do contribuinte, já que, em havendo pagamento pela sistemática do Simples, Federal ou Nacional, estes deverão ser utilizados pela unidade responsável pela administração do tributo para deduzir o crédito tributário lançado no presente processo, naturalmente, observandose a natureza e o período de apuração de cada parcela recolhida de forma unificada. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO EM CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento tratou to tema e após discorrer sobre a legislação de regência, concluiu que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e que os pagamentos efetuados pelo contribuinte não teriam o condão de configurar o início da contagem do prazo decadência a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei 5.172/66 (CTN), mas sim do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal, já que os valores recolhidos .destinavamse à Seguridade Social e, portanto, não trariam efeitos para o lançamento em tela, exclusivo de contribuições destinadas a terceiros. O contribuinte, por sua vez, alega inconstitucionalidade da regra contida no art. 45 da lei 8.212/91, alegando que a contagem do prazo decadencial é de cinco anos contado do fato gerador, razão pela qual pleiteia o reconhecimento da decadência para o período lançado. Procedentes em parte os argumentos recursais, em particular no que se refere à já efetivada declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, como muito bem tratado pela decisão recorrida. A decadência das contribuições previdenciárias é tema que foi objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitida Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha Fl. 165DF CARF MF 8 sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerando a data da ciência do lançamento, 28/10/2010, entendo que os pagamentos efetuados pelo contribuinte para o período emprestam seus efeitos para aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual entendo decadentes os débitos lançados para os períodos de apuração anteriores a 09/2005, inclusive. Em processo decorrente do mesmo procedimento fiscal, o contribuinte teve reconhecida no julgamento de ª Instância a decadência para o mesmo período citado no parágrafo precedente e insurgiuse alegando que tal contagem alcançaria, também, o mês 10/2005. Assim, apenas para melhor esclarecimento ao contribuinte e antecipando eventual dúvida, temos que o fato gerador relativo ao mês de outubro aperfeiçoase no último dia do mês. Assim, o lapso temporal legal para lançamento, neste caso, iniciaria em 01 de novembro/2005 e terminaria em 31 de outubro de 2010. Portanto, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 28/10/2010, é correta a manutenção da exigência a partir do mês de outubro de 2005, inclusive. Portanto, nesta tema, dou parcial provimento ao pleito recursal para reconhecer a decadência dos débitos lançados para os períodos de 01 a 09/2005. DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AOS TERCEIROS EM RELAÇÃO A RECORRENTE DA INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIOEDUCACÃO Ressaltese que a exclusão do optante do Simples Nacional ou Federal sujeita o contribuinte, a partir do momento em que se processem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim dispõe a Lei 9.424/1996: Art 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Por sua vez, o § 3º do art. º da Lei 9.766/98 estabelece que entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do SalárioEducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. O próprio Supremo Tribunal Federal já editou súmula sobre a compatibilidade da cobrança do salárioeducação lastreada na lei 9.424/96 com a Constituição Federal: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.003010/201061 Acórdão n.º 2201003.659 S2C2T1 Fl. 163 9 Súmula 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Portanto, há sim aparo legal para a exigência em tela. Ademais, não tem este Conselho competência para se pronunciar sobre eventuais considerações de sua incompatibilidade com Constituição Federal, conforme se depreende da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, improcedentes os argumentos recursais. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.518/96 E SUAS REEDIÇÕES Alega o contribuinte que o salário educação tem natureza de intervenção no domínio econômico e que, a rigor, somente poderia ser exigido mediante diploma legal com status de lei complementar. Ademais, sustenta que é vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de Emenda promulgada a partir de 1995. Não obstante os argumentos expostos pelo recorrente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para se pronunciar sobre eventuais considerações de inconstitucionalidade de lei, conforme se depreende da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, improcedentes os argumentos recursais. DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA EM RELAÇÃO À RECORRENTE. A recorrente insurgese contra a cobrança da Contribuição Social ao Incra, em síntese, alegando ser empresa sediada em área urbana e que nunca exerceu atividade qualquer atividade rural. Sobre a contribuição ao INCRA, inconteste que tratase de contribuição que visa beneficiar toda a sociedade e não apenas o meio rural, ao gerar recursos que permitem a atuação do Estado na consecução de suas políticas fundiárias, em particular as relacionadas ao Programa Nacional de Reforma Agrária. Seus lastros legais, além de citados pela decisão recorrida, constam de fl. 16, já tendo sido objeto de manifestações jurisprudenciais sobre a regularidade de sua cobrança de empresas urbanas, como se vê abaixo: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja Fl. 167DF CARF MF 10 cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). O próprio Supremo Tribunal Federal já analisou a questão, se posicionou acerca da constitucionalidade da referida exação e entendeu ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches) Portanto, tendo lastro legal em vigor e não afastado do ordenamento jurídico pelo Judiciário, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para se pronunciar sobre eventuais considerações de inconstitucionalidade de lei, conforme se depreende da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, improcedentes os argumentos recursais. DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE EM RELAÇÃO À RECORRENTE. Afirma o contribuinte que a contribuição em epígrafe somente deve ser exigida das microempresas e empresas de pequeno porte, sendo inexigível da recorrente por ser ela uma empresa comercial e industrial, sem quaisquer características de micro ou de pequena empresa. Em relação às contribuições sociais destinadas ao SEBRAE, verificase que o Supremo Tribunal Federal, em processo com repercussão geral reconhecida, considerou devida a contribuição pelas empresas prestadoras de serviço, independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte: RE n° 635.682/RJ: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, 05/2013) No caso em questão, vale a ressalva de que os autos estão repletos de alegações do contribuinte sobre a improcedência de sua exclusão da sistemática de tributação favorecida às micros e pequenas empresas. Agora, utiliza um argumento completamente incompatível com os demais, ao se dizer empresa industrial de médio porte. Ora, não se confunde a natureza das atividades desenvolvidas por uma pessoa jurídica com o seu porte. Uma micro empresa pode muito bem se dedicar a atividades Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.003010/201061 Acórdão n.º 2201003.659 S2C2T1 Fl. 164 11 industriais, muito embora, de acordo com sua situação específica, não possa se beneficiar de regime diferenciado de tributação. É o caso da recorrente, que até onde lhe foi benéfico, enquadrouse como micro/pequena empresa, sendo excluída de ofício do Regime Especial não em razão do seu porte, mas por conta da situação pessoal do seu sócio. Desta forma, é devida a cobrança das contribuições sociais destinadas ao SEBRAE. DA NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA D E OFÍCIO D E 75% E DA MULTA DE MORA DE 24% APLICADA Classificando como absurdo, abusivo, confiscatório e inconstitucional o percentual de 75 % da multa de ofício de que trata o inciso I do art. 44 da Lei 9430/96, o recorrente alega que este exorbita o poder da Administração, além de não ser aplicável ao caso, já que não teria realizado qualquer descumprimento de norma, pois sempre recolheu as contribuições pela sistemática do Simples, tampouco teria deixado de apresentar as declaração a que estava obrigado (GFIP e SIMPLES). Inicialmente, destaquese que houve sim descumprimento da norma relativa à manutenção indevida da empresa sob as benesses de lei que criou tratamento diferenciado às micro e pequenas empresas, o que desvirtua o espírito da norma, traz prejuízo ao erário e causa evidente desequilíbrio em relação à concorrência. Portanto, devida a aplicação de penalidade de ofício sobre os valores apurados pela fiscalização. Quanto à multa de 24% de que trata o art. 35 da Lei 8.212/91, alega que o mesmo teria sido revogado pela Lei 11.941/09, passando ao limite de 20% tratado no art. 61 da lei 9430. Como se vê, os argumentos da recorrente apontam para a incidência concomitante de multas de mora (24%) e de ofício (75%) em um mesmo procedimento fiscal. Assim, no caso em apreço, considerandose que houve aplicação de multas pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias, no contexto de lançamento de ofício, o entendimento corrente nesta Corte é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Assim, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, necessário verificar se a nova norma representaria a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Corroborando tal entendimento, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 1027/2010, que alterou a IN 971/09, que passou a prever expressamente: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: Fl. 169DF CARF MF 12 a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. Ciente dos comandos da legislação, em seu Relatório, a Autoridade Fiscal ressaltou que levou a termo a comparação das multas devidas de modo a aplicar, em cada período, aquela que fosse mais benéfica ao contribuinte, fl. 32, conforme se verifica no quadro comparativo de fl 34. Assim, a existência da multa mora de 24% tem lastro no fato de que esta seria a penalidade aplicável no momento da ocorrência do fato gerador e que, embora revogada, a regra nova seria menos benéfica ao contribuinte. Com relação aos percentuais da multa de ofício, incabível seu questionamento em sede administrativa, já que expressamente contido em lei (art. 44 da Lei 9.430/96), não tendo este Conselho competência para se pronunciar sobre sua incompatibilidade com Constituição Federal, conforme se depreende da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, improcedentes os argumentos recursais. Por fim, em relação ao pedido para intimações aos seus procuradores, não há nada a prover, já que os atos processuais são levados aos conhecimento do contribuinte em seu domicílio tributário, tudo nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para reconhecer a extinção pela decadência dos débitos apurados para os períodos de apuração de 01 a 09/2005. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10865.003010/201061 Acórdão n.º 2201003.659 S2C2T1 Fl. 165 13 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904968/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/05/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/05/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 68 /2 01 2- 32 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.904968/201232 Acórdão n.º 3301003.526 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.982. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.904968/201232 Acórdão n.º 3301003.526 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.904968/201232 Acórdão n.º 3301003.526 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.904968/201232 Acórdão n.º 3301003.526 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.904968/201232 Acórdão n.º 3301003.526 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.904968/201232 Acórdão n.º 3301003.526 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901146/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.674
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 46 /2 00 9- 66 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13558.901146/200966 Acórdão n.º 3201002.674 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.445. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901146/200966 Acórdão n.º 3201002.674 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901146/200966 Acórdão n.º 3201002.674 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001084/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2005
MULTA ISOLADA COMPETÊNCIA
Nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, a competência para apreciar litígios no âmbito da competência residual foi atribuída à Primeira Seção de Julgamento.
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-001.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade, não se conheceu do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, não se conheceu do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 07/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2005 MULTA ISOLADA COMPETÊNCIA Nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, a competência para apreciar litígios no âmbito da competência residual foi atribuída à Primeira Seção de Julgamento. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, não se conheceu do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 07/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 84 /2 00 9- 48 Fl. 115DF CARF MF 2 Trata o presente processo do PER/DCOMP N° 04313.19328.310805.1.3.01 6687 no qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de crédito básico de IPI no valor de R$ 973.000,00 (novecentos e setenta e três mil), relativo ao 2° trimestre de 2005, e compensação. Conforme consta da Informação Fiscal às fls. 48 a 49, o PER/DCOMP N° 04313.19328.310805.1.3.016687 foi transmitido no dia 31/08/2005 e compensava com o suposto crédito de IPI valores declarados em DCTF pelo contribuinte no valor de R$ 972.690,17. 0 referido PER/DCOMP apresenta todos os campos "zerados", exceto os dados referentes ao crédito no valor de R$ 973.000,00 referente a nota fiscal n° 124578, no valor de R$ 3.000.000,00. A autoridade lançadora, em análise ao livro de apuração do IPI da ora recorrente, no período fiscalizado, constatou a inexistência de lançamento da nota fiscal 124578 que constava do PER/DCOMP. Regularmente intimada a justificar tal fato, o contribuinte apresentou resposta à fiscalização, informando que desconhecia a nota fiscal de entrada de n° 124578, não se referindo a qualquer operação com a empresa. Posteriormente foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos à empresa MULTILASER INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 59.717.553/000102, emitente da nota fiscal 124578, a qual foi intimada a apresentar a referida nota fiscal de saída. Em resposta a MULTILASER INDUSTRIAL LTDA apresentou a nota fiscal n° 124578 que apresenta valor, data e destinatário divergente do informado no PER/DCOMP transmitido pela Siderúrgica Bandeirante Ltda. A autoridade lançadora, ante os fatos expostos, indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI e compensações, relativas ao PER/DCOMP N° 04313.19328.310805.1.3.016687 e lançou a penalidade prescrita no art. 18 da Lei 10.833/2003 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, por restar caracterizado o evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, visto que, segundo seu entendimento, a transmissão do PERD/DCOMP não se caracterizava como simples erro por informar débitos próprios da contribuinte compensados com crédito sabidamente inexistentes. Devidamente cientificada do lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação, na qual contesta a compensação indevida; contesta a falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL); contesta a ação fiscal que concluiu que a interessada teria deixado de incluir na apuração do Lucro Real Trimestral o valor devido a titulo de CSLL; a indedutibilidade da CSLL para fins de apuração do lucro real revelase arbitrária e abusiva por parte do Fisco Federal; alega o desrespeito ao principio constitucional da vedação ao confisco, em vista da exorbitante multa aplicada sobre o débito exigido; argúi a ilegalidade da Taxa Selic para fins de juros moratórios ou de correção moratória; requer, por fim a improcedência do auto de infração, ou ao menos que seja reduzida a multa aplicada e excluída a Taxa Selic. A 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de julgamento datada de 29 de julho de 2011, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 11 34.535 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3101001.562 S3C1T1 Fl. 4 3 0 principio constitucional da vedação ao confisco está direcionado ao legislador infraconstitucional, no momento da edição da lei, e ao Poder Judiciário, no exercício do controle de constitucionalidade de normas. Não se aplica à atividade de constituição do crédito tributário, vez que a autoridade fiscal está vinculada is disposições constantes do texto legal. Também não há que se falar de sua aplicabilidade na atuação desta instância julgadora, por ser vedada, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a análise de normas mediante critérios de constitucionalidade. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS As decisões judiciais fazem coisa julgada is partes, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Não sendo parte do processo judicial, a decisão não é aplicável ao sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada apresentou seu Recurso Voluntário onde reprisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, requerendo a reforma do acórdão recorrido, a anulação do lançamento, ou, ao menos, que seja reduzida a multa aplicada e excluída a Taxa Selic. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Recurso Voluntário é tempestivo, mas dele não tomo conhecimento, por entender não ser da competência dessa Terceira Seção de julgamento. Nos termos do inciso VII do artigo 2º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Regimento Interno do CARF), a competência para apreciar litígios no âmbito da competência residual, como é o caso da multa isolada nos casos de compensação indevida, aplicada sobre o valor do débito indevidamente compensado, matéria objeto deste feito, foi atribuída à Primeira Seção de Julgamento: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 117DF CARF MF 4 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Dessa forma, como o presente processo trata de lançamento de multa isolada sobre o valor dos débitos compensados na Dcomp n° 04313.19328.310805.1.3.016687 (débitos de IRPJ, CSLL, IPI, PIS e COFINS), tendo em vista a alegação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, é de competência da Primeira Seção. Diante do exposto, voto por DECLINAR da competência do julgamento em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sala das sessões, em 29 de janeiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.721515/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
ITR. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. INTIMAÇÕES AO DE CUJUS. EXISTÊNCIA DE INVENTÁRIO. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Após aberto o processo de sucessão (inventário), este responde pelos atos do de cujus, o procedimento fiscal deve ser realizado em face dos sucessores ou da inventariante, nos termos do artigo 131 do CTN. Sendo as intimações realizadas em nome e endereçadas ao falecido, resta evidente afronta ao princípio da ampla defesa e contraditório, além de acarreta cerceamento do direito de defesa, devendo ser o lançamento declarado nulo por vício material.
Numero da decisão: 2401-004.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso, para anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 ITR. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. INTIMAÇÕES AO DE CUJUS. EXISTÊNCIA DE INVENTÁRIO. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Após aberto o processo de sucessão (inventário), este responde pelos atos do de cujus, o procedimento fiscal deve ser realizado em face dos sucessores ou da inventariante, nos termos do artigo 131 do CTN. Sendo as intimações realizadas em nome e endereçadas ao falecido, resta evidente afronta ao princípio da ampla defesa e contraditório, além de acarreta cerceamento do direito de defesa, devendo ser o lançamento declarado nulo por vício material.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. INTIMAÇÕES AO DE CUJUS. EXISTÊNCIA DE INVENTÁRIO. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Após aberto o processo de sucessão (inventário), este responde pelos atos do de cujus, o procedimento fiscal deve ser realizado em face dos sucessores ou da inventariante, nos termos do artigo 131 do CTN. Sendo as intimações realizadas em nome e endereçadas ao falecido, resta evidente afronta ao princípio da ampla defesa e contraditório, além de acarreta cerceamento do direito de defesa, devendo ser o lançamento declarado nulo por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 15 15 /2 01 3- 16 Fl. 86DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso, para anular o lançamento por vício material. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10540.721515/201316 Acórdão n.º 2401004.908 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SILVANA ALMEIDA DA SILVA SILVEIRA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0437.004/2014, às efls. 61/65, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2009, conforme Notificação de Lançamento, às efls. 03/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrado em 21/10/2013 (AR. fl. 39), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Área de Pastagem informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área efetivamente utilizada para pastagens declarada. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor total da terra nua foi calculado multiplicando se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF n° 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de A g r i c u l t u r a ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido , em folha anexa.(...)" Fl. 88DF CARF MF 4 Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que: após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área utilizada com pastagem, bem como deixou de comprovar por meio de Laudo de Avaliação, conforme estabelecido na NBR 14.6533, o valor da Terra Nua declarado, motivo pelo qual as informações do DIAT/2009 não foram aceitas. Sendo que o Valor da Terra Nua declarado foi alterado conforme os valores constantes do Sistema de Preços de Terra – SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a” e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 69/75, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, suscitando a improcedência do lançamento posto que faz jus à isenção do ITR/2009 de acordo com documentação comprobatória. Foi surpreendida com a Notificação de Lançamento lavrada contra sua pessoa, em função das discrepâncias quanto ao valor do imóvel rural, resultando nas diferenças de imposto a pagar; Esclarece que não possui qualquer imóvel urbano ou rural em Correntina/BA, e para justificar junta nos autos Certidão do Cartório de Registro de Imóveis do município; Caso seja a Notificação de Lançamento efetivada em nome da impugnante, por ser inventariante de seu genitor, houve claro e evidente erro de identificação do sujeito passivo, o que induz à nulidade do lançamento, e para justificar seu entendimento cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Superior Tribunal de Justiça; Alega que, por exigência do art. 131 do Código Tributário Nacional, o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até data da abertura da sucessão; Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10540.721515/201316 Acórdão n.º 2401004.908 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que: após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área utilizada com pastagem, bem como deixou de comprovar por meio de Laudo de Avaliação, conforme estabelecido na NBR 14.6533, o valor da Terra Nua declarado, motivo pelo qual as informações do DIAT/2009 não foram aceitas. Sendo que o Valor da Terra Nua declarado foi alterado conforme os valores constantes do Sistema de Preços de Terra – SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a” e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Por sua vez, a autuada aduz ter sido surpreendida com a Notificação de Lançamento lavrada contra sua pessoa, em função das discrepâncias quanto ao valor do imóvel rural, resultando nas diferenças de imposto a pagar. Esclarece que não possui qualquer imóvel urbano ou rural em Correntina/BA, e para justificar junta nos autos Certidão do Cartório de Registro de Imóveis do município. Caso seja a Notificação de Lançamento efetivada em nome da impugnante, por ser inventariante de seu genitor, houve claro e evidente erro de identificação do sujeito passivo, o que induz à nulidade do lançamento, e para justificar seu entendimento cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Alega que, por exigência do art. 131 do Código Tributário Nacional, o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até data da abertura da sucessão. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instancia, a pretensão da recorrente merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Ocorre que o lançamento fora efetuado em face da Sra. Silvana Almeida da Silva (Notificação de efls. 03/06), no entanto, todas as intimações fiscais foram endereçadas ao Sr. Mario Clemente da Silva (Termos, AR´s e Edital de efls 17/34). Constatase pela DITR/2009 a evidente existência do inventário em nome do Contribuinte, tendo como inventariante a Recorrente, ou seja, a autoridade fiscal tinha conhecimento desde o início do procedimento, devendo ter encaminhado as intimações a pessoa da inventariante. Fl. 90DF CARF MF 6 Dito isto, resta inequívoco o erro da autoridade fiscal, claramente afrontando os princípios da ampla defesa e do contraditório, além de ocasionar o cerceamento do direito de defesa, haja vista a a dicção expressa do Código Tributário Nacional quanto as pessoas responsáveis, ou seja, legitimas passivas, in verbis: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; Na data do início do procedimento fiscal, ante a existência do inventário, deveria as intimações terem sido em face dos sucessores, ou em face do inventariante, se verificada a hipótese prevista no caput do artigo 134 do Código Tributário Nacional. Não há como se admitir intimações endereçadas ao falecido, que já havia sido aberto o procedimento sucessório, e os direitos e obrigações do de cujus já estavam albergados pelos efeitos da sucessão, sendo os herdeiros quem deveriam responder pelos atos e créditos tributários. Assim, ante o equívoco pela autoridade fiscal no encaminhamento das intimações, bem como na eleição do sujeito passivo, está fulminado o lançamento por vício material, devendo ser extinto. Eis o artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10540.721515/201316 Acórdão n.º 2401004.908 S2C4T1 Fl. 5 7 PROVIMENTO, declarando nulo o presente lançamento, por vício de natureza material, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.724677/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO REFLEXO. IRPJ.
COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF).
FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de atividades próprias de fundação de direito privado, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
Numero da decisão: 1301-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Relator
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PROCEDIMENTO REFLEXO. IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de fundação de direito privado, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 46 77 /2 01 3- 68 Fl. 6588DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.570 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 6589DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.571 3 Relatório FUNDAÇÃO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (FADE), já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido de COFINS de todos os meses do exercício de 2006, por insuficiência no recolhimento, no valor total de R$18.930.455,73. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ, CSLL e COFINS (fls. 5.494/5.501), cumulados de juros e multa de ofício, com ciência em 11/03/2011, lavrados contra a FUNDAÇÃO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (FADE), em razão de insuficiência de recolhimento da COFINS, com base no art. 47, II e §2º , e 9º, IV, da IN SRF nº 247/2002 e arts. 1º, 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/03. Este auto de infração foi apartado do processo nº 19647.010752/201091, no qual foram tratados os lançamentos de IRPJ e CSLL, por determinação da DRJ/Recife (fls. 6.354/6.355). Segundo o Relatório da Auditoria Fiscal, (fls. 5.503/5.513), verificouse que: 1) não houve o cumprimento de alguns requisitos para o gozo da isenção e que por meio do processo administrativo nº 19647.010752/201091, concluiuse, em Despacho Decisório de 11/01/2011, pela suspensão da isenção de IRPJ e CSLL, expedindo o ADE nº 07/2011, ao qual a contribuinte teve ciência em 17/01/2011. 2) Diante disso, a contribuinte foi intimada para que exercesse a opção pela forma de tributação dos seus lucros, no entanto, ela requereu o sobrestamento do feito até o julgamento final do processo que aprecia o ADE. A fiscalização, a seu turno, estabeleceu como forma de tributação a ser imputada à fiscalizada o Lucro Real Trimestral. 3) em relação à COFINS, independentemente da suspensão da isenção mencionada, concluiuse que, de acordo com os arts. 47, II e § 2o, e 9o, IV, da IN SRF no 247/2002, a fundação está sujeita à incidência da contribuição sobre as receitas derivadas de atividades não próprias, e, sabendose que entre as receitas auferidas pela fiscalizada não se encontra nenhuma que seja tida como derivada de atividade própria, é de se concluir que todas as receitas estavam sujeitas à COFINS pelo regime da nãocumulatividade, cabendo destacar que a fiscalizada nada declarou nem pagou, além de ter entregue os DACON preenchidos com zeros Regularmente cientificada do lançamento, a autuada apresentou sua impugnação (fls. 5.551 a 5.593), ainda nos autos do processo administrativo nº 19647.010752/201091, na qual alegou, em síntese que: (a) a fundação é entidade sem fins lucrativos, com autonomia financeira e administrativa, e tem por objetivo principal apoiar as Fl. 6590DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.572 4 atividades de ensino, pesquisa técnicocientífica e extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tendo atividades disciplinadas na Lei no 8.958/1994 e no Decreto no 5.205/2004; (b) a fiscalização suspendeu a isenção a que faz jus a fundação em relação a fatos geradores de 2006, alegando descumprimento dos requisitos estabelecidos nas alíneas "b", "c" e "d" do § 2o do art. 12, combinado com o § 3o do art. 15 da Lei no 9.352/1997, por puro equívoco na interpretação dos documentos e registros contábeis, em ato que ainda aguarda julgamento, sendo a suposta irregularidade o descumprimento do princípio contábil da competência na escrituração de receitas e despesas; (c) a fiscalização tomou como base na autuação os mesmos registros contábeis que a fiscalização entendeu equivocados e ensejadores da suspensão da isenção; (d) a fundação não tem receitas oriundas de doações e subvenções governamentais, e administra recursos de convênios ou contratos celebrados por terceiros junto à UFPE, mantendo estrutura "pesada" para isso, com a parte administrativa, financeira, de projetos, e jurídica, financiada, algumas vezes, com o recebimento de taxa de administração prevista nos contratos/convênios (taxa inclusive prevista na Lei no 10.793/2004, art. 10); (e) a fiscalização, equivocadamente, entendeu como recursos da fundação todos os valores por ela recebidos, e que os rendimentos de aplicações financeiras em conta bancária vinculada à efetivação dos convênios/contratos seriam de titularidade da fundação, o que afronta o teor do art. 9o da Resolução CFC no 750/93 (fl. 5565); (f) em relação à COFINS, houve decadência, tendo em vista o disposto no art. 150, § 4o, e no art. 156, II, V e VII do Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a existência de pagamento antecipado; (g) os valores recebidos não são da fundação, e não afetam seu patrimônio, tendo a fundação inclusive a obrigação de devolver eventual sobra ao concedente no contrato/convênio; (h) de acordo com os convênios/contratos, a fundação aplica os recursos decorrentes no projeto, sendo obrigada a aplicar os recursos da concedente ainda não desembolsados no projeto no mercado financeiro; (i) a fiscalização entende equivocadamente como receitas os valores decorrentes dos convênios/contratos, e que a contabilização no passivo das notas fiscais de prestação de serviços (que possuem como único condão acompanhar o recebimento do recurso do projeto) fere o princípio da competência; e (j) em relação à COFINS: (j1) o fiscal tomou na base de cálculo as receitas financeiras em duplicidade (registradas nas contas "Aplicação Financeira" e "Receitas de Convênios Ajustadas", juntando a empresa demonstrativos que buscam comprovar sua alegação, e que houve evidente erro de cálculo, ensejando a nulidade da autuação por vício material; (j2) as receitas financeiras eram tributadas à alíquota zero, conforme Decreto no 5.442/2005; (j3) há isenção para fundações de direito privado, e a fundamentação da autuação é a de que as receitas seriam derivadas de atividades não próprias da fundação, com fulcro nos arts. 47, II e § 2o, e 9o, IV, da IN SRF nc 247/2002, olvidandose do comando legal que rege a matéria, presente nos arts. 13 (incisos III, IV e VIII) e 14 (inciso X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001, da disposição do art. 176 do CTN, e o princípio da legalidade, previsto no art. 5o, II, e 150, I da Constituição Federal de 1988; e (j4) tendo havido enquadramento da empresa, pela fiscalização, na nãocumulatividade, faria ela também jus aos créditos de tal sistemática advindos. Posteriormente, em 09/04/2013, a DRJ, às fls. 6.354/6.355, decidiu que em razão da irregularidade de COFINS ser independente da suspensão da isenção tributário do IRPJ e da CSLL, os autos deveriam ser apartados e o lançamento de COFINS seguisse formalização distinta. Sendo que a partir de então, os processos seguirão rumos independentes. Desta feita, o processo administrativo de IRPJ e CSLL foi julgado pela DRJ em 27/06/2013, mantendose integralmente a autuação, por decisão unânime em negar procedência da impugnação. Da decisão da DRJ Fl. 6591DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.573 5 Em julgamento realizado em 30 de junho de 2013, a 1ª Turma da DRJ/BHE, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0249.427, (fls. 6.390/6.414), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia ter sido realizado. COFINS. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Estão isentas de COFINS somente as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, assim entendidas as receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, nas quais não se incluem as receitas de prestação de serviços que têm caráter contraprestacional. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS APURADOS SOBRE INSUMOS DIRETAMENTE APLICADOS NA PRODUÇÃO/PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DIREITO AO DESCONTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de créditos na sistemática não cumulativa requer a demonstração de sua liquidez e certeza, pelo sujeito passivo, segundo as condições legais de apuração e desconto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 COFINS.TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IRPJ. DECISÃO. CONEXÃO. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. NEGAÇÃO. Negase o pedido de perícia/diligência quando prescindível à solução da lide. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Fl. 6592DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.574 6 A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário (fls. 6.450/6.495), onde sustenta os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente na alegação de que os recursos de projetos são apenas geridos pela Fundação, não lhe pertencendo, ocorrendo, inclusive a devolução, em caso de não utilização; de que houve má interpretação do princípio da competência; de que sua atividade não é de prestação de serviço; de que há nulidade por erro na base de cálculo da COFINS, de que,a prevalecer o entendimento fiscal, deveriam ter sido computados créditos de COFINS, e de que ocorreu decadência), e demandando, por conexão e dependência, a reunião dos processos, visto que a autuação de COFINS é reflexa da autuação de IRPJ e CSLL, e a própria decisão da DRJ sobre COFINS aplica ao caso conclusões retiradas do julgamento, por outra DRJ, dos autos de IRPJ e CSLL. Acrescentase ainda na peça recursal que: (a) o erro de concepção da atividade da empresa, por parte da fiscalização, que a entendeu como prestadora de serviço, é alastrado à decisão da DRJ, que chega a comparála a serviço de locação de mãodeobra; (b) pela Lei no 8.958/1994, a receita da fundação de apoio é a taxa cobrada (normalmente um percentual sobre o valor a ser gerido); (c) a DRJ não se manifestou sobre alguns argumentos da defesa, como o de que alguns convênios exigiam a emissão de nota de saída, exigência formal que levou a prefeitura de Recife a emitir parecer técnico reconhecendo que a fundação está desobrigada de emitir nota fiscal, por não ser contribuinte do ISS (fls. 6.466 a 6.471); (d) a DRJ efetuou leitura equivocada dos contratos, para concluir que tratam de prestação de serviço (fl. 6.472 a 6.474); (e) a recorrente efetuou o registro contábil correto das notas emitidas , sendo improcedente o ADE e a autuação, ou a base de cálculo da COFINS deveria ser, no caso dos contratos/convênio, o valor das notas emitidas; (f) a Lei nº 10.833/2003 não pode desvirtuar o conceito de receita; e (g) em caso de dúvida, a interpretação deve ser a mais favorável à recorrente, conforme art. 112 do CTN. Dos Acórdãos de Recurso Voluntário O processo chegou ao CARF e em 11/12/2014, pelo teor do Acórdão nº 3401002.830 (fls. 6.541 a 6.543), no qual a turma unanimemente não conhece do recurso por ser de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em virtude de tratar de procedimento conexo, decorrente ou reflexo de procedimento de exigência de IRPJ. Desta feita, o autos foram apreciados na Primeira Seção do CARF em 10/12/2015, por meio da Resolução no 1301000.298 (fls. 6.545 a 6.551), no qual a turma unanimemente converte o julgamento em diligência, para que seja o julgamento efetuado pela Terceira Seção, em função de alteração regimental. Em 28/09/2016, os autos foram novamente apreciados pela Terceira Seção do CARF, através do Acórdão nº 3401003.265 (fls. 6.554/6.564), em que o Colegiado, por unanimidade de votos declinou da competência para esta Primeira Seção do CARF, em razão Fl. 6593DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.575 7 da nova alteração do Regimento Interno do CARF, através da Portaria MF nº 152/2016, que dispõe, atualmente o art. 2º, IV, do Anexo II que a competência da 1ª Seção abrange as autuações referentes a tributos como a COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, não mais persistindo o único fundamento que motivou o retorno dos autos àquela 3ª Seção, quando da Resolução nº 1301000.298. Em 16/02/2017, recebi os presentes autos, por sorteio. É o relatório. Fl. 6594DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.576 8 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Da Competência da 1a Seção de Julgamento do CARF A recorrente foi autuada em razão das seguintes infrações de IRPJ, CSLL e COFINS, nos autos do processo administrativo nº 19647.010752/201091, por conta da suspensão da isenção da Recorrente, que é uma Fundação, referente ao exercício de 2006. O presente processo administrativo nasceu em razão da determinação da DRJ para se apartar os lançamentos de COFINS, por entender ser independente do lançamento de IRPJ e da CSLL. Apesar da Recorrente não concordar com tal segregação, certo é que os processos seguiram rumos diversos, sendo que aquele processo administrativo já foi julgado e encontrase "encerrado" no arquivo. Este processo, por sua vez, percorreu por algumas vezes a Terceira e a Primeira Seção de Julgamento do CARF. E de acordo com o último Acórdão de Recurso Voluntário, de fls. 6.554/6.564, por decisão unânime da Turma no sentido de se declinar a competência para esta Seção, em razão, tãosomente pela incidência de norma regimental superveniente. Certo é que estamos na vigência do Regimento Interno, alterado pela Portaria MF nº 152/2016, e em que pese o auto de infração tratarse de crédito tributário de COFINS, nos termos do seu art. 2º, IV, do Anexo II, à Primeira Seção de Julgamento cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Nos termos do voto condutor do acórdão nº 3401003.265, bem como de partes do relatório fiscal, analiso que a exigência da COFINS está lastreada em fatos cuja apuração serviu para a prática de infração à legislação do IRPJ. Chegamos a cogitar, em nome da celeridade (que se reflete em uma das vertentes da missão deste colegiado administrativo, ao lado da imparcialidade), em fazer, aqui, um esforço semelhante ao que fez o julgador de piso, em simplesmente alastrar para o presente processo as decisões proferidas no Acórdão no 1102 001.230. Por mais que a decisão sobre a nulidade da suspensão Fl. 6595DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.577 9 da isenção de IRPJ e de CSLL não produza efeitos diretos no presente processo, referente a COFINS, tributo no qual os requisitos são diferenciados e envolvem a discussão sobre a amplitude da expressão "atividade própria", há que se reconhecer que a aceitação, no mesmo Acórdão no 1102 001.230, da contabilização da fundação, que, segundo a fiscalização, não atendia ao princípio da competência, tem inegável impacto nas composições das bases de cálculo, inclusive na autuação referente a COFINS. Ainda, porque, em decorrência da própria suspensão da isenção da Recorrente, é que foi imputada a ela a forma de tributação pelo regime do lucro real trimestral, e dessa forma, o lançamento da COFINS foi alterado para o regime da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.833/03. Sendo certo que efetivamente há conexão entre os fatos aqui tratados. Quanto ao referido processo nº 19647.010752/201091, relativo às exigências de IRPJ e CSLL, foi dado provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, no sentido de que: (a) as Fundações de Apoio gozam "da imunidade prevista da imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da CF/88, em relação ao IRPJ e são isentas da CSLL, desde que cumpram os requisitos da Lei no 8.958/1994 e do art. 14, do Código Tributário Nacional" (fl. 6603 daqueles autos); (b) o simples fato de haver erros na escrituração fiscal não gera o dever de suspender o gozo do benefício, devendo, para tal, haver prova de que os erros foram praticados para distribuição de lucro aos gestores, o que o julgador afirmou não encontrar, no caso em análise; (c) no “Caderno de Procedimentos Aplicáveis à Prestação de Contas das Entidades do Terceiro Setor (Fundações)”, elaborado pela Fundação Brasileira de Contabilidade, em 2012, em parceria com o CFC e com a Associação Nacional de Procuradores de Justiça e Entidades de Interesse Social, reconheceuse a possibilidade de os lançamentos serem feitos de diferentes formas, sem comprometer a transparência da instituição, razão pela qual o fundamento relativo à forma de escrituração não se presta a manter o ato de suspensão dos benefícios; e (d) tendo sido afastados todos os fundamentos do ato que impõe a suspensão, ele deve ser anulado, bem como os autos de infração lavrados para exigência de IRPJ e CSLL. Tal acórdão de nº 1102001.230, de 22/10/2014, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Erros de contabilização que não impossibilitam identificar a correta aplicação dos recursos, à luz da razoabilidade/proporcionalidade, não justificam a suspensão de imunidade/isenção. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 6596DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.578 10 Atualmente, de acordo com informação extraída do sítio do CARF na internet, o referido processo se encontra em arquivo, como "encerrado", sem recursos pendentes. Fixada a competência desta Primeira Seção de Julgamento, passo à análise dos requisitos de admissibilidade. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BHE e intimada ao recolhimento dos débitos de COFINS em 31/10/2013 (fl. 6.537), na forma do art. 23, III, "a" e "b", e §2º, III, "b", do Decreto nº 70.235/72 e apresentou em 02/12/2013, recurso voluntário, juntados às fls. 6.450/6.534, tempestivamente, portanto dele conheço. 1) Da conexão com o processo 19647.010752/201091 e necessidade de reunião dos processos pela dependência Requereu a Fundação a reunião destes autos com o processo administrativo relativo ao IRPJ e CSLL, em razão do entendimento de que do julgamento do ADE haverá repercussão nos 3 lançamentos, de IRPJ, CSLL e de COFINS. Porém, tal feito não será possível, conforme já observado no item anterior, diante do julgamento já ocorrido naqueles autos, em que a Turma decidiu, por unanimidade, pelo provimento do recurso voluntário, anulando o ADE nº 07/2011, assim como os autos de infração lavrados para cobrança de IRPJ e CSLL. 2) Do Mérito De acordo com o Código Civil, em seus arts. 44 e 62, as fundações são pessoas jurídicas de direito privado, cuja instituição se dará por escritura pública, com dotação especial de bens livres e especificando o fim a que se destina, e estará sujeita às disposições estatutárias. Ademais, de se esclarecer, ainda, em específico, que a Recorrente faz parte das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnologia, nos termos da Lei 8.958/94 e regulamentado pelo Decreto nº 5.205/04, dessa forma, em sua essência, sua criação está diretamente relacionada como de amparo à Universidade Federal, no caso à Universidade Federal de Pernambuco. Nos termos dessa legislação, as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. As fundações de apoio foram criadas para viabilizar, de maneira ágil e eficiente, a relação entre a academia, por meio das universidades e dos institutos de pesquisa, e Fl. 6597DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.579 11 a sociedade, por meio de empresas e das organizações sociais, intermediada pela ação integradora do poder público municipal, estadual e nacional. 1 Feita estas considerações iniciais, passemos à análise da autuação especificamente no que tange à COFINS. Segundo a fiscalização, os lançamentos de COFINS relativos a todos os meses de 2006 está lastreada no art. 47 da IN 247/02, que determina: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Segue o órgão autuante, no sentido de que mesmo que a fiscalizada fosse considerada isenta do imposto de renda estaria sujeita à incidência da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades não próprias, e que dentre as receitas auferidas pela fiscalizada, não se encontrava nenhuma que seja tida como derivada de atividade própria, concluindo que todas as receitas da fiscalizada estariam sujeitas à COFINS pelo regime da nãocumulatividade. Nesse ponto, cabe um adendo, acerca da conexão com o caso de IRPJ, em razão da suspensão do certificado de isenção estabelecido em ADE, a fiscalização intimou a Fundação para que optasse por um novo regime tributário para cálculo do IRPJ, entretanto, em resposta, ela solicitou o sobrestamento até que se julgasse o processo do ADE. Ao que a fiscalização imputou o regime do lucro real trimestral, e assim consequentemente, para fins de cálculo dos lançamentos da COFINS, o regime da nãocumulatividade. Passemos à análise cronológica da legislação referente à COFINS. A COFINS foi instituída pela Lei Complementar 70/91, cuja base de cálculo era o faturamento mensal. Em 1998, sobreveio a Lei nº 9.718, passando a ter como base de cálculo o receita bruta, assim entendidos como a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sendo irrelevantes a atividade por ela exercidas e a classificação contábil adotada 1 site:http://confies.org.br/institucional/institucional/ Fl. 6598DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.580 12 para as receitas. O parágrafo §1º do art. 3º desta norma foi declarado inconstitucional, e revogado pela Lei 11.941/09. No tocante às Fundações, com o advento da MP nº 2.15835/2001, em seu art. 14, inc. X, temos a seguinte determinação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º e fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Assim o art. 13 dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (gn) Dessa forma, de acordo com a norma, são isentas da COFINS, as fundações de direito privado e as fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público, as receitas relativas às atividades próprias da entidade. A Recorrente é uma Fundação, conforme se verifica do seu Estatuto Social, às fls. 5.598/5.607, instituída em 10 de agosto de 1981, tendo como objetivos gerais: Fl. 6599DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.581 13 a) Prestar apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFPE; b) prestar serviços técnicocientíficos e administrativos remunerados à Universidade Federal de Pernambuco e à comunidade; c) exercer e divulgar outras atividades que signifiquem apoio ao desenvolvimento técnico, científico e cultural. Ainda, no art. 6º do seu estatuto traz a forma como esses objetivos serão atingidos: Art. 6º Os objetivos gerais indicados no artigo anterior deverão ser alcançados diretamente ou através de convênios com órgãos governamentais ou particulares, com entidades congêneres ou educacionais, devendo a FADEUFPE manter permanente e ativo intercâmbio de experiência no País e no exterior. (gn) O patrimônio da Fundação bem como seus recursos também estão estabelecidos no Estatuto Social. Art. 8º Constituirão recursos da FADE UFPE: I os provenientes de convênios, acordos, auxílios, doações ou dotações; II as remunerações recebidas por serviços prestados; III as rendas próprias dos bens que possua ou administre; IV as rendas destinadas por terceiros a seu favor; V as rendas dos títulos, ações ou papéis financeiros de sua propriedade; VI os juros de capital e outras receitas da mesma natureza; VII os usufrutos que lhe forem conferidos. Da mesma forma a destinação de tais recursos tem determinação dada através de seu Estatuto Social: Art 9º O patrimônio e os recursos da FADEUFPE só poderão ser utilizados na realização de suas finalidades, permitidos, porém, para obtenção de outros rendimentos, sua vinculação, arrendamento, aluguel, comodato ou alienação, observadas as exigências legais e as deste Estatuto. Assim, passemos à análise das referidas receitas. De acordo com os cálculos anexados ao auto de infração, temos que na base de cálculo da COFINS foram consideradas as seguintes receitas, no ano de 2006: 01 Taxa de Administração R$3.065.168,23 Fl. 6600DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.582 14 02 Aplicação Financeira R$9.368.350,84 03 Receitas de ConvêniosAjustadas R$106.880.286,23 04 Outras Receitas R$547.492,88 05 Serviços de Informática R$1.151.600,00 Conforme explicações trazida aos autos pela Fundação temos o seguinte: 01 Taxa de Administração Para cada projeto é celebrado um contrato ou convênio, e temse levado em consideração uma estimativa de gastos necessários para o seu pleno desempenho, incluindo o valor que será entregue à FADE a fim de que ela possa viabilizar a existência do projeto, já que ela possui uma estrutura de apoio montada , por exemplo, compras, importação, financeiro, jurídico, contábil, entre outros, para atender as necessidades de cada projeto. Para suportar tais despesas cobrase um percentual do valor do contrato. 02 Aplicação Financeira Tratamse das receitas decorrentes das aplicações financeiras. Cabe salientar aqui que o autuante considerou essas receitas em duplicidade, pois em razão de sua contabilização, o mesmo encontravase na conta de convênios. Explica a recorrente a contabilização é por decorrência do que é estabelecido em contrato/convênio, que a Fundação deve movimentar os recursos em conta bancária específica e por conseqüência possui uma conta contábil específica também. E tais recursos devem necessariamente ser aplicados e os rendimentos serem utilizados exclusivamente na execução do projeto, possuindo, assim, destinação própria e em caso de eventual saldo, o mesmo deve ser restituído ao concedente. 03 Receitas de Convênio é a maior parte das receitas, fruto dos convênios, contratos administrativos e prestação de serviços firmados com organismos públicos tais como: FINEP, MINISTÉRIOS, CHESF, GOVERNO FEDERAL, ESTADUAL, PREFEITURAS. A FADE executa inúmeros projetos de pesquisa, de desenvolvimento trecnológico, científico, cultural e social para entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais em parceria com a UFPE, que lhe garante a capacidade técnica e competência. Explica, ainda que a execução dos projetos é condicionada à origem dos recursos, podendo se caracterizar de uma das três formas seguintes: (i) Convênios e contratos firmados diretamente com a UFPE, (ii) firmados com terceiro e com a interveniência da UFPE, (iii) firmados com terceiros e sem a interveniência direta da UFPE. 04 Outras Receitas verificandose o razão contábil desta conta de nº 40203, tratamse de "outras receitas" receitas não operacionais, verificamos que são valores referentes à ressarcimentos de convênios, saldos de fundo fixo, não se caracterizando como efetiva receita ou ingresso de novas receitas. 05 Serviços de informática na realidade referemse aos valores recebidos em decorrência do contrato firmado com a Prefeitura de Nova Iguaçu, com o objetivo de implantar produtos e serviços que possibilitem o desenvolvimento institucional e a modernização de diversos setores da Administração Municipal no âmbito do Programa de Apoio à Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos, especificamente pela manutenção e atualização dos sistemas de certos módulos, e para tanto recebeu o valor de R$26.000,00 mensais em 2006 (fls. 1.119). Aqui também argumenta a Fl. 6601DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.583 15 Recorrente que esses valores já estavam contabilizados na linha de convênios e que o autuante segregou tais valores sem desconsiderálo daquela linha. O fiscalizador considerou todas as receitas como base da COFINS, regime nãocumulativo, aplicando a alíquota de 7,6% a todas as receitas, com exceção das receitas financeiras, às quais tributou com alíquota zero. No seu entendimento, nos termos do RAF e Notificação Fiscal: os projetos que originaram as receitas da autuada foram decorrentes de contratos de prestação de serviços, constituindo tais recebimentos como contrapartidas por serviços prestados pela instituição, assumindo a feição de rendas de atividades negociais, de cunho prestacional e não devem ser considerados receitas da atividade própria, estando sujeitos à incidência da Cofins. Segue, ainda, o Relatório: Importante acrescentar que a fruição da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c o art. 13, VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 requer que se olhe para a origem das receitas e não para a sua destinação. Não importa se os recursos vão para o cumprimento das finalidades estatutárias, mas se têm caráter contraprestacional. Esse entendimento, aliás, dá coerência à legislação, na medida em que não é razoável supor que a lei tenha conferido às pessoas jurídicas a capacidade de determinar quais receitas estariam ou não submetidas à tributação pela simples inclusão de atividades no objeto social da entidade. A Recorrente trouxe aos autos diversos convênios e contratos, bem como argumenta que apesar do nome "serviço", os valores que ela recebe são repasses/financiamentos para os projetos aos quais apóia, juntamente com a UFPE Explica também que a emissão de notas fiscais de serviços é praxe, porém sem efeitos tributários, ela é emitida apenas para formalizar o repasse do recurso previsto no convênio ou contrato. Verificando os diversos contratos/convênios acostados aos autos temos a seguinte obrigação para a Recorrente, gestão administrativa e financeira dos recursos dos projetos, apresentação de relatórios, viabilizar o pagamento de bolsas de estudo entre a universidade e terceiros. Do meu ponto de vista, a principal receita da Fundação decorre dos convênios e contratos celebrados com fulcro em seu objeto social e dentre eles existe a previsão de manutenção de sistemas informáticos, de acordo com projetos préestabelecidos. Quando o fiscal entende que tais receitas seriam na realidade prestação de serviços e portanto, a Fundação não faria jus à condição de isenção estabelecida em lei, pois contraria o disposta na IN nº 247/02, em razão da característica contraprestacional, baseiome no Acórdão 9303003.813, de 26/04/2016, nos seguintes pontos: "Portanto, na análise em questão, ponto fundamental é verificar a natureza jurídica das receitas, se decorrentes ou não de atividades próprias da entidades. O fato de terem caráter contraprestacional não tem o condão de descaracterizálas como originárias de atividades próprias da entidade. Ainda, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, a legislação que disponha sobre a outorga de isenção deve ser interpretada restritivamente. No Fl. 6602DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.584 16 caso, a interpretação restritiva do art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835/2001 conduz à conclusão de que a isenção de COFINS abrange todas as receitas relativas às atividades próprias das entidades, indistintamente, restando excluídas apenas aquelas não relacionadas com a finalidade para a qual a entidade foi constituída. Por esta razão, resta afastada a restrição perpetrada pelo art. 47, §2º da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pois não estabelecida pelo legislador originário. Ademais, na mesma linha transcrevo a ementa do julgado proferido pelo STJ no REsp nº 1353111/RS, do Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 18/12/2015: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 35/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. Fl. 6603DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.585 17 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 20312738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401 002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 4030 02.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. recedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2015, DJe 18/12/2015) (gn) Assim, de observância obrigatória pelo CARF da aplicação, pela sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II, do RICARF. Ademais, seja em razão da decisão dos autos do PA n. 19647.010752/2010 91, em que o ADE 07/2011 foi anulado, cancelandose os lançamentos efetuados de IRPJ e CSLL, e seja por entender que tais receitas são oriundas da própria atividade da Fundação e dessa forma isentas da COFINS, entendo que o lançamento deve ser cancelado. Fl. 6604DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 1301002.274 S1C3T1 Fl. 6.586 18 CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, e em relação ao mérito darlhe provimento para cancelar o lançamento de COFINS. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 6605DF CARF MF
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