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Numero do processo: 10680.012217/2007-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Caracteriza-se a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações idênticas, baseadas nos mesmos elementos probatórios, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que, pelo conjunto de elementos indiciários e outras provas trazidas aos autos, os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra, que não o conheciam e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Apresentará declaração de voto o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CONHECIMENTO. Caracterizase a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações idênticas, baseadas nos mesmos elementos probatórios, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que, pelo conjunto de elementos indiciários e outras provas trazidas aos autos, os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 22 17 /2 00 7- 99 Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra, que não o conheciam e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Apresentará declaração de voto o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.200 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, a fls. 03/08, mediante o qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 17.263.335,85, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 09/1l, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A autoridade fiscal atribuiu ao Autuado a movimentação financeira de titularidade do Sr. Carlos Anízio de Melo Rocha, que, conforme extraído do Termo de Verificação Fiscal, era interposta pessoa de Ronaldo Antunes Freitas, Ronildo Antunes Freitas e Carlos Martins Coelho, havendo sido imputada ao Contribuinte a omissão de rendimentos, correspondente à terça parte dos créditos havidos nas contascorrentes em questão, tendo sido o lançamento formalizado com multa de ofício qualificada de 150%. Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 83/l07 e 110/115. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0217.155 – 5ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 121/126, julgando procedente o Lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a fls. 130/153, reproduzindo e reforçando, essencialmente, os mesmos argumentos e alegações defendidos em sua Impugnação, requerendo, ao fim, o reconhecimento da improcedência do lançamento de oficio. O Colegiado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF proferiu Acórdão nº 2102000.568 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 16 de abril de 2010, a fls. 167/172, acordando, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Dispositivo que se vos segue: Acórdão nº 2102000.568 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPOSITOS BANCARIOS. ART. 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. INTERPOSIÇAO DE PESSOA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 4 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.” Em desfavor do Acórdão nº 2102000.568 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF insurgiuse Fazenda Nacional interpondo o Recurso Especial a fls. 175/183, argumentando que o Órgão Julgador de 2ª Instância Administrativa, ao interpretar o §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002, somente admite mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando exaustivamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, sendo que, no caso dos autos, as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento daí decorrente estariam assentados em meras suposições, desprovidas de comprovação material, enquanto que o Acórdão Paradigma demonstra que (i) para a comprovação de utilização de interposta pessoa, seria suficiente a utilização da prova indiciária, bem como (ii) da distribuição do ônus da prova, nos termos adiante reproduzidos, ad litteris et verbis: Recurso Especial do Procurador “A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas resta evidenciada na medida em que, para aquele, a redação do §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002 somente admite mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando exaustivamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, sendo que, no caso dos autos, as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento daí decorrente estariam assentados em meras suposições, desprovidas de comprovação material. Por outro lado, o acórdão paradigma demonstra que para a comprovação de utilização de interposta pessoa, as provas carreadas aos autos seriam suficientes (frisese que se trata de caso idêntico, decorrente do mesmo procedimento fiscalizatório com mesmo conjunto probatório) em razão da utilização da prova indiciária, bem como da distribuição do ônus da prova. Portanto, evidenciada a divergência de julgados, requer seja conhecido o presente recurso. No que tange à matéria de fundo, a recorrente passa a demonstrar as razões pelas quais o acórdão deve ser reformado para restabelecer a autuação em face do Sr. Ronaldo Antunes Freitas.” Quanto ao mérito, a Fazenda Nacional argumenta que: a) O acórdão recorrido violou as disposições do § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, c/c art. 845, §1°, do RIR/99; b) O contribuinte se valeu de interposta pessoa para movimentar livremente conta corrente bancária, impedindo/retardando o conhecimento dos fatos geradores pela autoridade fiscal; c) Que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 apenas determina a comprovação exaustiva, pelo fisco, de que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro que não o titular da conta (interposição de pessoa). A identificação do verdadeiro titular dos rendimentos, conforme consta da própria disposição do artigo é apurada Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.201 5 com base em evidências, que, obviamente, podem ser impugnadas pelo sujeito passivo. d) Afirma que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, criando requisitos para que a imputação da responsabilidade fosse feita em face de terceiro, que não o titular da conta, e que tal imputação, consoante autorização legal, é procedida com base em evidências, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os recursos não lhe pertencem; e) Pondera que a presunção de omissão de rendimentos prevista na Lei nº 9.430/96 é relativa, passível de prova em contrário a ônus do contribuinte. Aduz que a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos em lei; f) Assevera que, no caso dos autos, a fiscalização comprovou documentalmente que o Sr. Carlos Anízio de Melo Rocha era interposta pessoa do Autuado, a teor do que restou evidenciado pelo Relatório do Escritório de Pesquisa e Investigação na 6ª Região Fiscal, no sentido de que as movimentações financeiras daquele elevaramse brutalmente após a outorga de procurações à preposta do Sr. Ronaldo Antunes Feitas; g) Complementa asseverando que, além de as movimentações financeiras do Sr Carlos Anízio serem incompatíveis com os rendimentos declarados, o autuado fora identificado como uma das pessoas a movimentar as contas bancárias daquele; Por fim, requer seja dado provimento ao recurso especial, reformandose o acórdão recorrido de forma que seja restabelecida a Decisão de 1ª Instância. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional houvese por plenamente admitido, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 196/198. Sem Contrarrazões pelo Sujeito Passivo. É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, conforme Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial, a fls. 196/198. Assim, passamos a apreciar o efetivo atendimento aos requisitos de procedibilidade do Recurso Especial, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Temse em pauta Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a fls. 175/183, em face do Acórdão nº 2102000.568 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 16 de abril de 2010, a fls. 167/172, que, por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. DO CONHECIMENTO DO RECURSO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DA ADMISSÃO DA PROVA INDICIÁRIA A base da autuação na qual se funda o Recurso Especial da Fazenda Nacional reside, na alegada divergência das posições adotadas pelas Turmas do CARF quanto à admissão da prova indiciária no Processo Administrativo Fiscal, para fins de comprovação da intermediação de pessoas para dissimular e acobertar patrimônio e/ou receitas tributáveis pelo Imposto de Renda. A Fazenda Nacional alega que, enquanto o Acórdão Recorrido somente admite mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando exaustivamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, o acórdão paradigma adota a tese em que, (i) para a comprovação de utilização de interposta pessoa, as provas carreadas aos autos seriam suficientes em razão da utilização da prova indiciária, bem como da (ii) distribuição do ônus da prova. Com efeito, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece uma presunção iuris tantum de omissão de receita, sempre que, devidamente intimado para tanto, não houver a devida comprovação pelo Contribuinte, mediante documentos hábeis e idôneos, da real origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, resultando daí, a incidência do imposto de renda sobre tais valores. Há, portanto, uma presunção legal, porém relativa, de omissão de rendimentos, o que inverte o ônus da prova em desfavor do Contribuinte, de forma que, não conseguindo os beneficiários comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária e tampouco a variação integral do seu patrimônio, imitese o Fisco no direito de efetuar o lançamento do tributo incidente sobre os tais rendimentos, por presunção legal, omitidos. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.202 7 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do Contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Por outro lado, no caso descrito no §5º do citado art. 42 da Lei nº 9.430/96, o Legislador Ordinário buscou efetivamente reaproximar a titularidade da importância consignada na conta de interposta pessoa (laranja), do seu verdadeiro e real proprietário, mediante a desconsideração do ato ou do negócio jurídico simulado, praticado por este último com o sinistro intuito de esquivarse da tributação. Assim, a norma antielisiva mune a Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 8 administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal do ato ficto, fazendoo coincidir com a realidade substancial. A base sobre a qual se funda o Recurso Especial da Fazenda Nacional reside, na alegada divergência das posições adotadas pelas Turmas do CARF quanto à força probante da prova indiciária, e do ônus do prova, para fins de comprovação da intermediação de pessoas para dissimular e acobertar patrimônio e/ou receitas tributáveis pelo Imposto de Renda. O primeiro ponto que merece ser prontamente apreciado, referese a demonstração de que a divergência entre as decisões prolatadas no Acórdão Recorrido e no Acórdão Paradigma não decorreu de divergência de interpretações da legislação tributária empreendida pelas respectivas Turmas Julgadoras quanto à admissibilidade da prova indiciária no Processo Administrativo Fiscal, mas, sim, da força probante relativa dos indícios colhidos pela Fiscalização em cada caso, uns mais robustos, outros mais frágeis, e a aptidão de tais indícios na formação do convencimento do Julgador. Conforme consta das fls. 164, a PGFN apresentou como paradigma o acórdão 220200.209, autuado Ronildo Antunes Freitas, proferido pela 2ª TO da 2ª Câmara, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE AÍ RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas fisicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4.° do CTN), devendo o prazo decadencial , ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação do. dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 'á e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações IRPF DEPÓSITOS BANCIFÁRIOS INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. Segue a procuradoria em seu recurso destacando que, tratando de fato idêntico, pautado nos mesmos elementos de provas em que outro colegiado atribuiu resultado diverso, deve ser conhecido o recurso.Vejamos seus argumentos. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.203 9 "A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas resta evidenciada na medida que, para aquele, a redação do §5º do art. 42 da lei nª 9430/1996, introduzido pelo art. 58 da lei 10.637/2002 somente admite mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando exaustivamente provado que os valores creditados pertenciam a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, sedo que, no caso dos autos, as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento daí decorrente estariam assentados em meras suposições, desprovidas de comprovação material. Por outro lado, o acórdão paradigma demonstra que para a comprovação de utilização de interposta pessoa, as provas carredadas aos autos seriam suficientes (frisese que se trata de caso idêntico, decorrente do mesmo procedimento fiscalizatório com o mesmo conjunto probatório) em razão da utilização da prova indiciária, bem como da distribuição do ônus da prova. De fato, ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, o Colegiado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF não menospreza a utilização da prova indiciária, como assim dessai do trecho do voto condutor do Acórdão Recorrido, abaixo transcrito: Acórdão nº 2102000.568 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária “À evidência, estáse diante da delicada matéria da valoração da prova, assunto sobre o qual são necessárias algumas considerações iniciais. E o que a seguir se faz. Ressaltese, de início, que na busca da verdade material princípio este norteador do processo administrativo fiscal , o julgador forma seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. Atentese que o uso de indícios não pode ser confundido com a utilização de presunções. Diferem a presunção e o indício, pela circunstância de que àquela o direito atribui, isoladamente, o vigor de um verdadeiro conformador de uma outra situação de fato que, a lei presume, por uma aferição probabilística, ocorra no mais das vezes. Já o indício não tem esta estatura legal, posto que a ele, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, transfere a convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil. Se do cruzamento de vários indícios se chega não a um resultado único, mas a mais de um, não se pode ter por comprovado o que quer que seja. Nesse passo, devese examinar as provas (indícios) que a autoridade fiscal acostou aos autos para, comprovar que os valores depositados nas contascorrentes de titularidade de Carlos Anízio de Melo Rocha pertenceriam de fato a Ronaldo Antunes Freitas, Ronildo Antunes Freitas e Carlos Martins Coelho. (grifos nossos) Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 10 Do Termo de Verificação Fiscal inferese que a autoridade fiscal pautou suas conclusões principalmente nos depoimentos e esclarecimentos prestados por Carlos Anízio de Melo Rocha e Renata Karina Rodrigues, dos quais se transcrevem a seguir os trechos mais relevantes: [...] Ora, os esclarecimentos e depoimentos acima transcritos não são provas suficientes para imputar ao contribuinte a responsabilidade da terça parte dos valores movimentados nas contascorrentes examinadas durante o procedimento fiscal. Veja que em nenhum momento Carlos Anízio de Melo Rocha ou Renata Karina Rodrigues apontaram o recorrente como responsável pela movimentação financeira havida nas contas bancárias examinadas. Aliás, os esclarecimentos prestados quando muito convergem no sentido de apontar a pessoa jurídica Vip Assessoria Empresarial, Comunicação e Marketing Ltda como detentora dos recursos movimentados nas contascorrentes mantidas em nome de Carlos Anízio de Melo Rocha. No que se refere ao Relatório elaborado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação na 6” Região Fiscal (Espei06), fls. 04/21 (anexo I volume I) temse que trata de investigação de contribuintes pessoas físicas e jurídicas, da jurisdição de Governador Valadares/MG, que possuem movimentações financeiras de vulto, incompatíveis com a sua capacidade econômica. Ainda segundo o referido relatório, foram identificadas pessoas que, fazendo uso de interpostas pessoas e empresas de fachada, transferiam recurso financeiros para o exterior, mediante recebimento de comissões. Dentre as pessoas mencionadas, como participante do esquema foram identificados, dentre outros: Ronaldo Antunes Freitas, Carlos Anizio de Melo Rocha e Renata Karina Rodrigues Malta. Já sobre Ronaldo Antunes de Freitas a investigação apurou, dentre outros fatos, que utiliza interpostas pessoas para compor o quadro societário de empresas, tais como Vip Assessoria Empresarial, Comunicação e Marketing Ltda e que movimentou as contas bancárias de Carlos Anízio de Melo Rocha. Contudo, a despeito das investigações realizadas pelo Espei 06, verificase que não foram acostados aos autos provas que dessem respaldo às conclusões exaradas no referido relatório. [...] Ora, a existência de apenas um cheque, no valor de R$ 10.000,00 não é suficiente para se chegar à conclusão de que o contribuinte seja detentor da movimentação financeira, no valor de RS 19.778.747,53, que lhe é atribuída no Auto de Infração. (grifos nossos) Assim, o resultado a que se chega é de que assiste razão à defesa quando afirma que não existem nos autos provas de que os valores que transitaram nas contascorrentes mantidas em nome de Carlos Anízio de Melo Rocha sejam de sua responsabilidade.” (grifos nossos) Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.204 11 Embora entenda, que o Recurso Especial, em regra, não se preste a valoração da prova, quando demonstrado terem os colegiados se debruçado sobre os mesmos fatos apresentados pela autoridade fiscal, sem contudo acatálos como elementos suficientes para manutenção do lançamento, não posso deixar de identificar a divergência entre o recorrido e o paradigma, já que pautados nos mesmos elementos probatórios e mesmas imputações fiscais, chegouse a decisões distintas. Assim, conheço do recurso. DO MÉRITO Repisese que o Recurso Especial destinase, em sua essência, à uniformização de dissídio jurisprudencial eventualmente verificado entre as diversas Turmas do CARF, não tendo, pois, como primazia de sua interposição, a reapreciação de provas, a reconsideração sobre fatos, tampouco constituise Terceira Instância Ordinária de Julgamento. A impossibilidade de caracterização de divergência jurisprudencial em situações que envolvam a substancialidade e robustez do conjunto probatório, bem como a valoração de provas nele contidas, já se houve por devidamente reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão proferida no Acórdão CSRF/0104.592, de 11/08/2003, cuja ementa assim se fez redigida: “GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS COMBUSTÍVEIS – MATÉRIA DE PROVA. A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido.” Nesse mesmo sentido, a Súmula nº 07 do Superior Tribunal de Justiça. Súmula 7 do STJ A PRETENSÃO DE SIMPLES REEXAME DE PROVA NÃO ENSEJA RECURSO ESPECIAL. Todavia, neste caso, a lei expressamente atribuiu ao Fisco o ônus probatório da simulação, exigindo que a Fiscalização demonstre e comprove que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento do “Laranja” efetivamente pertencem a um terceiro, alheio à titularidade da conta bancária, evidenciandose, assim, interposição de pessoa. No caso vertido no §5º do citado art. 42 da Lei nº 9.430/96 não há inversão do ônus da prova. O encargo probatório permanece com o Fisco. É bem verdade que a caracterização da interposição de pessoa para acobertar o recebimento de rendimentos de terceiros não é de fácil comprovação, na medida em que as partes do ato em tela procuram sempre furtarse aos olhares indiscretos das Autoridades e, considerando que as contra declarações não são, em regra, representadas por registros formais, usualmente não existem provas diretas de tal intermediação. Dessarte, a interposição de pessoa tem que ser provada de maneira indireta, através de presunções e de provas indiciárias, colhidas dos rastros e vestígios que os atos simulados vão deixando pelo caminho, revelandoos. Com efeito, os atos fraudulentos quase sempre deixam vestígios que os denunciam aos olhos mais atentos. Deles exsurgem fatos e avultam circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou reflexos diretos do caráter Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 12 fictício ou imaginário de uma condição jurídica inverossímil, que extrapola à lógica e à coerência que deles se espera. Assim, a verdade dos fatos vem à superfície e denúnciase através da existência de rachaduras comprometedoras no alicerce da construção simulada, que fazem colapsar toda a falcatrua perpetrada pelas partes do ato increpado. Em razão de tal acobertamento, a interposição de pessoa tem que ser provada através do conjunto de indícios, rastros e evidências que as circunstâncias pessoais e as operações realizadas na execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas, documentos, a experiência, etc., a Fiscalização tem por encargo colher todos os meios de prova relativos a esses fatos, indícios ou circunstâncias, reunindoos num ordenamento lógico e concatenado, e o Julgador, apreciandoos segundo o seu livre convencimento e prudente critério, conjugandoos com os fins pretendidos pelo Acusado, formar o seu juízo de convicção. Merece ser enaltecido, igualmente, que “provar” e “prova” são conceitos afins, mas que não se confundem. “Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. As “provas” fornecem elementos para que o Julgador forme seu convencimento a respeito de fatos controvertidos relevantes para o processo. Daí serem referidas como “elementos de prova” ou, simplesmente, “meios de prova”. “Provar”, no entanto, é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectandoas numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. A parte dinâmica da atividade probatória, consiste na concatenação entre os elementos probantes veiculados nos documentos e o fato/circunstâncias que se deseja demonstrar, constitui capítulo apartado do primeiro, e se revela, exatamente, na atividade probatória propriamente dita. Mencionese que a utilização de prova indiciária sempre constituiu questão controvertida na doutrina processual. Não é preciso muito esforço para notar que a reconstrução de um fato ocorrido no passado sempre vem influenciada por aspectos subjetivos das pessoas que presenciaram sua ocorrência, ou ainda daquele que há de apreciar e valorar a evidência concreta. É nesse sentido, que não deve o auditor valerse apenas da prova indiciária, mas buscar o maior número de elementos capazes de demonstrar o real beneficiário das contas Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de valoração das provas. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então a prova tem por desígnio propiciar ao julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às suas condições de contorno. Cumpre frisar que não somente na atividade jurisdicional, como também na função administrativa investigatória, os indícios desempenham importante papel na elucidação de fatos concretos de interesse público, como sói ocorrer na atividade de fiscalização tributária. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.205 13 O constante emprego de fraudes e simulações por Contribuintes, visando a furtaremse do recolhimento dos tributos devidos, constituise no fundamento jurídico para a utilização das provas indiciárias e das presunções no Direito Tributário, sem prejuízo dos princípios constitucionais e das garantias ao devido processo legal e à ampla defesa por parte dos contribuintes, nos termos da Constituição Federal. Muita vez, os únicos elementos de que dispõe o auditor fiscal, no exercício do seu dever de ofício, para apuração da ocorrência dos fatos jurígenos tributários, bem como da matéria tributável, são fatores circunstanciais, que de modo algum apontam diretamente para o fato perseguido, mas, sim, para evidências de que o fato gerador sindicado tenha efetivamente ocorrido. Em brilhante excerto da obra de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López (in Processo administrativo fiscal federal comentado. 2ª ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173), citado pelo Dr. Manoel Coelho Arruda Junior (Acórdão de Recurso Voluntário – Processo nº 12898.000078/201036, 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF), o autor desenha uma analogia memorável e elucidativa: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, ele não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma ideia clara e precisa do animal e a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.” No mesmo Acórdão acima citado, o Ilustre Dr. Arruda Junior não deixa de honrar referências ao mestre Alberto Xavier (in Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova, em qualquer caso, são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 14 outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” Na requintada linguagem que lhe é peculiar, o Dr. Arruda Junior conclui suas ilações de maneira irrepreensível, digna de registro ad perpetuam rei memoriam: “Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídico axiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila”. Na Instância Administrativa, as Câmaras de julgamento, bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, também sufragam a legalidade na utilização de prova indiciária como meio idôneo à comprovação da ocorrência do fato gerador e ao dimensionamento da base de cálculo associada, como assim se depreende dos julgados adiante ementados, dentre tantos outros: Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Após essa considerações vejamos a acusação fiscal em relação a comprovação de pessoa interposta, já citada acima: Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.206 15 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 16 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.207 17 Após a transcrição dos termos do relatório fiscal (termo de verificação), e de todas as colocações acerca da existência não apenas de indícios, mas de que os próprios titulares das contas declaram QUEM SÃO OS OS VERDADEIROS BENEFICIÁRIOS DAS referidas contas, encaminho de forma diversa da Câmara baixa, tendo em vista que no meu entender o conjunto probatório (indícios de decisão judicial apreciados em conjunto), bem como os depoimentos imputam ao autuado ser o verdadeiro detentor/beneficiário dos depósitos. Vale destacar que inexiste óbice para que a apuração de fatos jurígenos tributários apoiese em indícios de ocorrência de tais fatos geradores, consistentes em documentos, fatos e demais circunstâncias a eles univocamente atrelados. Tal possibilidade não é, de forma alguma, estranha ao Direito Tributário. Em realidade, o próprio Código Tributário Nacional atribui ao auditor fiscal a competência para arbitrar a matéria tributável sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial, o que não conseguiu o recorrente se desvencilhar. Considerando os termos da acusação fiscal, correto o procedimento que lançou em nome do autuado os depósitos realizados em nome de terceiros. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 18 Declaração de Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Em que pese o brilhante posicionamento esposado pela relatora no que diz respeito ao conhecimento do pleito fazendário, ouso discordar. Explico. Refirome, aqui, inicialmente, ao teste objetivo comumente usado por este e por outros Colegiados desta Câmara Superior, quando da análise de admissibilidade, para fins de caracterização de divergência interpretativa passível de apreciação por esta Câmara, comumente denominado por alguns Conselheiros, de "teste de aderência". Consiste tal teste em transmudar o acórdão recorrido ao Colegiado paradigmático e, a partir da decisão deste último, prolatada no Acórdão paradigma, constatar se, na situação fáticoprobatória dos autos recorridos, o Colegiado paradigmático proferiria resultado diverso no julgamento. Em caso afirmativo, estaria caracterizada a divergência interpretativa, enquanto que, em caso contrário, ou seja, não se podendo afirmar que o resultado proferido seria diverso do prolatado pelo Colegiado recorrido, não haveria divergência caracterizada. A propósito, ainda que reconheça que o referido teste é apto a caracterizar a existência de divergência interpretativa na vasta maioria dos casos sob apreciação em sede de Recurso Especial, entendo que, em determinada situações, o referido teste caracteriza a existência de divergência, sim, mas divergência esta decorrente de mera valoração probatória diversa entre os Colegiados, a qual rejeito poder ser reapreciada por este órgão, em especial ao ter em conta sua função precípua de uniformizador da jurisprudência administrativa (e não de uma 3a. instância de valoração probatória, mesmo que seja para fins de uma eventual "uniformização de valoração probatória"). Exemplos típicos desta divergência de caráter não interpretativo (mas que também é caracterizada pelo teste de aderência) são os casos onde o dispositivo legal aplicável ao caso remete ao dever de provar, estabelecendo consequências jurídicas diversas, caso o responsável se desincumba ou não satisfatoriamente do ônus da prova ali estabelecido, tal como o art. 42, §5o. da Lei no. 9.430, de 1996, sob análise no presente feito. Em tal situação, com a devida vênia aos que entendem que teriam os dois colegiados em questão aplicado ou interpretado o dispositivo (no caso, repitase, art. 42, §5o. da Lei no. 9.430, de 1996) de forma diversa, em duas situações fáticoprobatórias similares (ou melhor, no caso, idênticas), me posiciono no sentido de que, ao considerar o idêntico arcabouço probatório produzido como "suficiente" em uma situação e "insuficiente" no outro caso, a defendida divergência na aplicação do dispositivo passa a abranger, exclusivamente, a valoração dos elementos probatórios produzidos, produzindo assim o teste de aderência a caracterização de uma divergência de valoração probatória entre os Colegiados e não uma divergência interpretativa, sendo somente esta última capaz de ser admitida para fins de análise por esta Turma. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.208 19 Faço notar, ainda, que a exata identidade de provas não contamina tal conclusão, sendo perfeitamente possível que, ainda permanecendo exclusivamente em sede de valoração probatória, um Colegiado julgue determinados elementos de prova como suficientes para fins do estabelecimento de determinada consequência normativa a um fato jurídico (que se concluiu como ocorrido) e outro Colegiado, por sua vez, entenda que os mesmos elementos de prova são insuficientes, a fim de firmar sua convicção a respeito da ocorrência do mesmo fato jurídico, em especial em se tratando, como no caso, de provas indiciárias. No caso em questão, me convenço de que se está diante deste cenário, onde os dois Colegiados aplicaram o dispositivo em questão (art. 42, §5o. da Lei no. 9.430, de 1996), sim, de forma diversa, caracterizada sem dúvida divergência, todavia se tratando, aqui, de divergência de valoração probatória e não de divergência interpretativa. Reforço meu convencimento através dos seguintes excertos dos autos, que, novamente com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, evidenciam que se está diante de situação de divergência entre os Colegiados decorrente de exclusiva valoração probatória diversa e não da aplicação/interpretação de dispositivos legais, senão vejamos: a) Exame de admissibilidade (fls. 198 dos autos): (...) enquanto a decisão paradigma considerou que "foi comprovado através de documentação e provas que é no sentido de que está que o Sr. Carlos Anizio de Melo Rocha era interposta pessoa do recorrente, a quem pertenciam, efetivamente, as importâncias por lá movimentadas" (fl. 178), o presente julgado considerou que "assiste razão à defesa quando afirma que não existem nos autos provas de que os valores que transitaram nas contascorrentes mantidas em nome de Carlos Anizio de Melo Rocha sejam de sua responsabilidade" (fl. 157 v). b) Confrontação entre as efl. 172 (Recorrido) e a efl. 193 (Acórdão Paradigma): b.1) Recorrido: "(...) Assim, o resultado a que se chega é de que assiste razão à defesa quando afirma que não existem nos autos provas (g.n.) de que os valores que transitaram nas contascorrentes mantidas em nome de Carlos Anízio de Melo Rocha sejam de sua responsabilidade. Por fim, vale recordar que o parágrafo 5o do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, somente admite a mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando devidamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa. Nestes termos, não estando demonstrado nos autos que a terça parte dos valores depositados nas contascorrentes investigadas Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 20 pertencem ao recorrente, não pode prosperar o Auto de Infração. (...)" b.2) Paradigma: "(...) No presente caso foi comprovado (g.n.) através de documentação e provas que é no sentido de que está que o Sr. Carlos Anizio de Melo Rocha era interposta pessoa do recorrente, a quem pertenciam, efetivamente, as importâncias por lá movimentadas. Assim, de se concluir que a autoridade lançadora agiu de acordo com a regra do artigo 42, § 5o, da Lei n° 9.430/96, segundo a qual "§ 5°. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento." e, na minha visão, seu trabalho não restou desconstituído pelo recorrente (...)" Convencido de que se está diante de divergência entre o recorrido e o Acórdão não de caráter interpretativo, mas, sim, decorrente de mera valoração probatória diversa (rechaçandose aqui haver possibilidade de superposição entre os conjuntos, ou seja, da existência de uma divergência interpretativa que seja oriunda de exclusiva valoração probatória), voto, assim, por não conhecer do Recurso da Fazenda Nacional. Finalmente, quanto ao eventual consectário de não uniformização da jurisprudência no caso em questão (visto que, em não se conhecendo deste recurso nem do eventual recurso sob análise no feito paradigmático, manteria este CARF duas decisões divergentes, prolatadas com base no mesmo conjunto fático probatório), possuo o entendimento de que o instituto processual correto criado para tal fim, uma vez estando ambos os feitos ainda sob análise (abrangida aqui a situação em que não houver sido prolatada decisão para determinado processo, mas já distribuído), é o da conexão, que contempla de forma expressa a situação em questão, conforme previsto no art. 6o., §1o., inciso I do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 2015 e art. 4o. do NCPC, verbis: RICARF Anexo II Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10680.012217/200799 Acórdão n.º 9202004.252 CSRFT2 Fl. 1.209 21 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. NCPC Art. 4o. Consideramse conexas duas ou mais ações, quando, decididas separadamente, gerarem risco de decisões contraditórias. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativas ao mesmo débito Todavia, uma vez não reconhecida a conexão dos processos até a instância ordinária, entendo como possível a manutenção de decisões conflitantes no âmbito deste CARF, desde que, repitase, exclusivamente decorrentes de diferente valoração probatória carreada por Colegiados diversos componentes deste Tribunal Administrativo. Diante do exposto, me posiciono por não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Uma vez vencido quanto ao não conhecimento, acedo integralmente aos argumentos do voto condutor quanto ao mérito recursal no que diz respeito à suficiência das provas indiciárias carreadas aos presentes autos e, assim, me posiciono pelo provimento do pleito fazendário. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO
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Numero do processo: 10680.009726/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anos-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO DO CARF E DECISÃO NO RESP 973.733/SC. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Enquanto o STJ, pela composição competente, não corrigir o entendimento contido no RESP 973.733/SC, ou houver mudança no artigo 62-A do Regimento do Carf, o Conselheiro do Carf está obrigado a adotá-lo. No caso não subsiste o argumento de que o STJ, em outros julgados decidiu de forma diversa ao disposto no RESP 973.733/SC, pois os integrantes do Carf estão obrigados a seguir as decisões do STJ em recursos repetitivos, cuja composição para deliberação não é a mesma das composições que decidem os recursos que não são submetidos ao regime de que trata o artigo 544-C. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL TAXA SELIC. SÚMULA N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1 DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/2008-15 Acórdão n.º 1402-00.728 S1-C4T2 Fl. 2
Numero da decisão: 1402-000.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de denúncia espontânea e acolher a preliminar de decadência, em relação aos PIS e COFINS, para os fatos geradores correspondentes ao período de apuração do mês de julho de 2003; 2) no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicando-se a sistemática de apuração do lucro arbitrado, deduzindo-se os pagamentos já realizados relativos aos valores declarados, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que, cancelava as exigências do IRPJ e de CSLL, por entender que o lançamento deveria ter sido efetuado no regime do lucro arbitrado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anoscalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO DO CARF E DECISÃO NO RESP 973.733/SC. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Enquanto o STJ, pela composição competente, não corrigir o entendimento contido no RESP 973.733/SC, ou houver mudança no artigo 62A do Regimento do Carf, o Conselheiro do Carf está obrigado a adotálo. No caso não subsiste o argumento de que o STJ, em outros julgados decidiu de forma diversa ao disposto no RESP 973.733/SC, pois os integrantes do Carf estão obrigados a seguir as decisões do STJ em recursos repetitivos, cuja composição para deliberação não é a mesma das composições que decidem os recursos que não são submetidos ao regime de que trata o artigo 544C. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL TAXA SELIC. SÚMULA N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de denúncia espontânea e acolher a preliminar de decadência, em relação aos PIS e COFINS, para os fatos geradores correspondentes ao período de apuração do mês de julho de 2003; 2) no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a sistemática de apuração do lucro arbitrado, deduzindose os pagamentos já realizados relativos aos valores declarados, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que, cancelava as exigências do IRPJ e de CSLL, por entender que o lançamento deveria ter sido efetuado no regime do lucro arbitrado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TUCUMEDY COMERCIO & INDUSTRIA LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Pelo que consta dos autos, em 23/08/2007 a recorrente foi notificada do início do procedimento (fl. 01). Em 11/09/2007, conforme registro no termo de Verificação Fiscal, por meio do processo nº 10680.012951/2007, a parte interessada apresentou denúncia espontânea em relação a determinados fatos, confessando débitos de (IRPJ – R$ 41.070,30, CSLL – R$ 24.444,35, IRPJ – R$ 32.224,27 e CSLL R$ 19.334,00) com pedido de parcelamento (fl. 48). A denúncia espontânea não foi acolhida com base no argumento de que a fiscalizada encontravase sob procedimento fiscal em curso. Em suas razões recursais, quanto a este ponto, argumenta a recorrente que não tendo sido concluído o procedimento fiscal no prazo previsto, readquiriu a espontaneidade desde o início. Não consta dos autos notícia quanto à prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 3 3 Foram atribuídas à recorrente aos seguintes infrações: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS MERCADORIAS, MATÉRIAS PRIMAS E OUTROS INSUMOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de compras de mercadorias para revenda, conforme planilhas às fls. 06 a 10 do Termo de Verificação Fiscal. Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1996. Art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996. Arts, 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, Inciso II e 288, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Fatos Geradores em: 31/03/2003; 30/06/2003; 30/09/2003; 31/12/2003; 31/03/2004; 30/06/2004; 30/09/2004 e 31/12/2004. 002 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Saldo de prejuízos insuficientes. Compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, em virtude de reversão dos prejuízos, após o lançamento das infrações constatadas nos períodos de 2003 e 2004, conforme folhas nº 06 a 10 do Termo de Verificação Fiscal. Fatos geradores em: 30/09/2003; 31/12/2003; 30/06/2004; 30/09/2004 e 31/12/2004. Enquadramento legal: arts. 247, 250, 251, parágrafo único, 509 3 510 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de 110 cálculo. Em face da omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de compras de mercadorias para revenda, conforme planilhas de fls. 06 a 10, foram exigidos os seguintes tributos: I) IRPJ (fl. 04), com lucro real trimestral, no período compreendido entre 30/03/2003 e 31/12/2004 (Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1996; Art. 41 da Lei nº 9.430, de 199; arts, 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, Inciso II e 288, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 II) PIS (fl. 18), com alíquota de 1,65%, com fato gerador mensal nos meses de julho de 2003 a dezembro de 2004 (art. 1º, 3º e 4º da Lei n° 10.637/02). ii) CSLL (FL. 29/31), com lucro real trimestral, com fatos geradores trimestrais, em 31/03/2003; 30/06/2003; 30/09/2003; 31/12/2003; 31/03/2004; 30/06/2004; 30/09/2004 e 31/12/2004 (art. 24 da Lei nº Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 4 4 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. iii) COFINS (fl. 39), com alíquota de 7,6%, com fatos geradores mensais no período compreendido entre março de 2003 e dezembro de 2004) (Arts. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.833/03). Segundo consta do termo de verificação fiscal, nos anos de 2003 e 2004 a recorrente apresentou à Receita Estadual receita de R$ 1.216.635,87 e R$ 2.680.818,68 e à Receita Federal, respectivamente, R$ 532.976,75 e R$ 815.412,72. Do Termo de Verificação Fiscal, a partir da fl. 50, transcrevo as seguintes informações: (....) 2 apura seus resultados, com base no LUCRO REAL trimestral, sujeitandose nos termos da legislação do IR (RIR/99) à escrituração contábil pelo regime da COMPETÊNCIA, de acordo com as normas e princípios de contabilidade geralmente aceitos (PCGA's); 3 no 1° e 2° trimestres de 2003, a empresa apurou prejuízo fiscal, portanto, não declarou em DCTF valores referentes ao IRPJ e CSLL, assim como não houve, a esse título, pagamentos efetuados por ela, como se constata pelos extratos dos sistemas DCTF e SINAL, às fls. 311 a 348 do processo. a) No anocalendário de 2003, a escrituração contábil da interessada não foi efetuada de acordo com a boa técnica contábil, apresentando registros tanto pelo regime de competência, quanto pelo regime de caixa, além de não obedecer à ordem cronológica dos fatos; b) nos anoscalendário de 2003 e 2004 houve falta de escrituração de notas fiscais de vendas de mercadorias bem corno de notas fiscais de mercadorias adquiridas para revenda; c) apuração incorreta dos tributos devidos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). d) Compensação indevida de prejuízos fiscais no 3° e 4° trimestres/2003 e 2°, 3° e 4° trimestres/2004. Pelo que examinei do termo de verificação fiscal, à fl. 50, a autoridade fiscal relacionou as receitas mensais das vendas de mercadorias não escrituradas. Para tal somou e confrontou as receitas das vendas das notas fiscais com os registros existentes no livro razão encontrando as respectivas omissões, conforme demonstrado, de forma exemplificativa, em relação ao primeiro trimestre de 2003, com a soma anual de cada anocalendário (fl. 61). MÊS/ANO Receita Vendas mercadorias – NFs(1) Livro Razão (2) Omissão Contábil (12) Janeiro 57.381,91 23.922,76 33.459,15 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 5 5 Fevereiro 72.309,25 47.944,23 24.365,02 Março 102.452,75 44.203,98 58.248,77 1º Trimestre 232.231,21 116.070,97 116.072,94 (omis..) (omis..) (omis..) (omis..) Total em 2003 1.284.465,26 512.092,44 772.285,52 Total em 2004 2.615.835,63 812.825,36 1.803.010,27 Obs. A receita da venda das mercadorias foi obtida das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. (fl. 61) Do relatório fiscal ainda transcrevo a seguinte passagem: No curso dos trabalhos, a fiscalização detectou também que havia divergências nos registros contábeis de compras de mercadorias para revenda, caracterizadas pela falta de registro de notas fiscais. O levantamento da omissão dessas compras foi efetuado a partir da comparação da conta de MERCADORIAS (ATIVO CIRCULANTE), com.o LIVRO DE REGISTRO DE ENTRADAS da fiscalizada, cuja cópia consta das fls. n° 81 a 204, do Anexo N° I e os montantes mensais obtidos, estão... demonstrados: A título de exemplo em relação ao confronto dos registros existentes no Livro de Entradas e o que consta do Livro Razão, no que diz respeito à aquisição de mercadorias para revenda, transcrevo os dados referentes ao primeiro trimestre de 2003 e os valores das somas dos anos de 2003 e 2004 (fl. 52 e 60). MÊS/ANO REG. ENTRADAS (1) Livro Razão (2) Omissão Contábil (12) Janeiro 72.145,94 24.041,95 48.103,99 Fevereiro 72.555,25 25.481,36 47.073,89 Março 129.562,16 26.330,85 103.231,31 (omis..) (omis..) (omis..) (omis..) Total em 2003 1.543.439,96 396.239,69 1.147.200,27 Total em 2004 2.492.891,72 567.831,75 1.925.059,97 Prossegue a autoridade fiscal com as seguintes afirmações: (....) Da análise comparativa entre as notas fiscais emitidas contra a Tucumedy Com. Ind. Ltda, boletos de cobrança bancária e registros contábeis dos fornecedores intimados, comprovada ficou a efetividade das compras, bem como dos respectivos pagamentos das mesmas, efetuados pela Tucumedy Ltda. Desta comparação constatouse que estão registradas no livro Registro de Entradas da Tucumedy Ltda e não estão contabilizadas nos Livros Diário e Razão (fls. 02 a 80, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 6 6 do anexo n° I), as notas fiscais de compras que perfazem os totais mensais discriminados na planilha "RESUMO DAS NOTAS FISCAIS NÃO CONTABILIZADAS", anexa às fls. 62. À fl. 62 consta o resumo das notas fiscais dos fornecedores, referentes à aquisição de mercadorias, que não foram contabilizadas e que sintetizo na seguinte planilha: 2003 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre Total 242.855,66 338.884,45 390.670,24 315.260,90 849.227,82 2004 275.629,78 451.138,74 371.217,03 349.942,20 1.447.927,75 Após destacar que “os valores referentes à omissão de receitas, apurados pela fiscalização constituem fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, e das Contribuições (CSLL, PIS e COFINS), apurou os seguintes valores tributáveis especificados à fl. 55, nos seguintes montantes:. 2003 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre Total 114.712,26 276.708,73 294.586,11 163.220,72 1.287.671,25 2004 413.999,47 500.679,56 555,546,46 474.6626,72 1.925.059,97 Importante observar que ao calcular o valor a tributar a autoridade fiscal subtraiu da base de cálculo o prejuízo apurado pela empresa. A DRJ confirmou o lançamento com acórdão cujos fundamentos assim podem ser sintetizados: Relativamente ao IRPJ e à CSLL, ressaltou o impugnante que o lançamento se deu sem apurar o lucro líquido do período ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas em lei. Argumentou ainda que não foram deduzidos "os valores cobrados autonomamente do PIS e COFINS". Em relação a esta questão, é importante ressaltar que não cabe à fiscalização, no caso da constatação de omissão de receita, proceder ao refazimento da escrita do contribuinte, como sugerido pelo impugnante, que parte da falsa premissa de que a tributação decorre da receita omitida pela comercialização das mercadorias cuja entrada e pagamentos pertinentes não foram contabilizados. Em verdade, a receita que se tem como omitida, e que presumivelmente foi utilizada para pagar as compras não contabilizadas, foi auferida em período anterior, ou seja, não está ela vinculada à operação que daria ensejo à consideração do custo ou a quaisquer outros ajustes pertinentes a adições, exclusões e compensações sugeridos pelo impugnante. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 7 7 Intimada, a parte interessada recorre alegando em síntese: a) decadência; b) denúncia espontânea, sob o argumento de que em setembro de 2007, no prazo de que trata o artigo 47 da Lei nº 9.532, de 1997, fez denúncia espontânea dos valores que entendia devidos. Quanto ao mérito, diz: c) que o fisco não observou a legislação tributária vigente para apurar os valores dos Tributos, simplesmente considerou como lucro líquido, 100% (cem por cento) dos valores apurados de compra, cujos pagamentos foram efetuados pela recorrente nos anos de 2003 e 2004. d) que a determinação do lucro real será precedida, da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei 8.981/95, art. 37, § 1°). e) Por outro lado, se não era possível verificar o lucro líquido, nos termos do Decreto Lei n.° 1.648/1978 de 18 de dezembro de 1978, art. 8°, § 6°, uma vez verificada a ocorrência de omissão de receita, o fisco deve considerar lucro líquido o valor correspondente a cinqüenta por cento dos valores omitidos. d) Que é inconcebível prevalecer como base de cálculo do IRPJ o valor arbitrado pela Receita Federal no importe de 100% das compras efetuadas no ano de 2003 e 2004. e) Que o fisco não pode arbitrar o lucro líquido como a totalidade das receitas supostamente omitidas, ao argumento de o recorrente apura o Imposto Sobre a Renda pela sistemática do lucro real. g) Que em relação à COFINS, em sendo tributado com base no lucro real, faz jus à compensação dos valores pagos na fase anterior. i) Que a multa de 75% é confiscatória. j) Ilegalidade da cobrança da taxa SELIC. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235, de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo. Quanto ao recurso de ofício, por ter excluído da exigência valor superior a um milhão de reais, também conheçoo. Da decadência Tratase de exigência de crédito tributário em relação a cada um dos trimestres dos anos de 2003 e 2004, com notificação do lançamento em 24/07/2008. A DIPJ de fls. 181 e seguintes dá conta que nos dois primeiros trimestres de 2003 (fl. 181 e 182) a recorrente apurou saldo negativo do IRPJ e não teve IRRF. No terceiro e quarto trimestres de 2003 apurou imposto a pagar. Em relação ao PIS, nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 não houve recolhimento, mas existiu em relação ao meses subsequentes (193 e seguintes). Em relação à COFINS, a partir da fl. 215 foi apurado COFINS a pagar em relação ao mês de janeiro, o que presumo que tenha sido adimplida pois não há notícia em contrário nos autos. Em relação ao mês de fevereiro, em razão de crédito de COFINS decorrente de exportação não houve valor a recolher neste mês. Situação semelhante se deu quanto aos meses subsequentes. Da decadência e da aplicação do artigo 62A do Regimento Interno O art. 62A. do Carf prevê que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf. Quanto à decadência, em não havendo multa qualificada, tenho entendimento pessoal, o qual ressalvo, que quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo que eventualmente tenha apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões, sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CTN nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte apura prejuízo para ser compensado no período seguinte. A jurisprudência da citada Corte também não enfrenta os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Igualmente, não enfrenta os casos em que o produtor rural tem prejuízos acumulados de ano anterior e em face disto não apura imposto a pagar. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 9 9 Todavia, em que pese meu entendimento pessoal que ressalvo, No julgamento do RESP 973.733/SC, submetido ao regime dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do CPC, mais especificamente nos itens 1 e 3 da ementa, grifados por mim, assim decidiu a corte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. (....) 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; LucianoAmaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 10 10 .... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Rel MIN LUIZ FUX. Jul. 12/08/2009. DJE 19/09/2009). O RESP 973.333/SC tinha por controvérsia a possibilidade ou não de somar o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, com o prazo do artigo 173, I, ambos do CTN, situação em que prazo decadencial passaria a ser decenal e não quinquenal. Entendeu o Tribunal que não subsiste a tese do prazo decenal. No entanto, valeuse do mesmo julgado para, sob a forma de recursos repetitivos, dizer que "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Nos fatos geradores com aspecto temporal mensal, nos fatos geradores instantâneos e nos que ocorrem em 31 de dezembro, pela regra do artigo 173, I, do CTN, no entendimento que constou do recurso repetitivo, tem como marco inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato imponível. A crítica que faço a tal entendimento é que nas situações em que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro, o primeiro dia seguinte ao do fato imponível é 1º de janeiro, isto é, o dia seguinte ao do fato gerador, o que destoa da regra do artigo 173. Tenho por equivocado o entendimento do STJ. Mais, penso que se trata de erro material. No entanto, enquanto vigente o artigo 62A do Carf, na condição de Conselheiro que tem um regimento a observar, sou obrigado a seguir tal julgado. Não sei se o mais equivocado é o acórdão do STJ ou a boa intenção de incluir no Regimento do Carf o artigo 62 A, sem que produzisse o resultado esperado. Com tais considerações, enquanto o STJ, pela composição competente, não corrigir o entendimento contido no RESP 973.733/SC, ou houver mudança no artigo 62A do Regimento do Carf, ainda que discordando de tal entendimento, sou obrigado a seguilo. Antes que alguém diga que o STJ, em outros julgados, já decidiu de forma diversa ao disposto no RESP 973.733/SC, destaco que os integrantes do Carf só estão obrigados a seguir as decisões do STJ em recursos repetitivos, cuja composição para deliberação não é a mesma das composições que decidem os recursos que não são submetidos ao regime de que trata o artigo 544C. Em se tratando de apuração com lucro trimestral outra questão a ser analisada, para efeito de aplicação da decisão do STJ é se basta pagamento realizado em qualquer mês do ano ou no período de apuração do fato gerador, isto é, em cada trimestre. Entendo que o pagamento deve ter sido se efetivado no período de apuração, no caso em questão o trimestre. Tendo o lançamento se efetivado em 23/08/2008, só estaria decadente a CSLL e o IRPJ do primeiro e segundo trimestres de 2003 caso tivesse ocorrido pagamento. Como isto não ocorreu, em relação a estes períodos de apuração, aplicando o disposto no Recurso Repetitivo e artigo 62A, do Regimento do Carf, afasto a preliminar de decadência. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 11 11 Quanto aos PIS e a COFINS, como houve lançamento somente a partir de julho, com recolhimento de tributo, reconheço a decadência em relação ao mês de julho de 2003. Da alegação de denúncia espontânea feita com base no artigo 47 da Lei nº 9.430, de 1996. Nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.430, de 1996, “a pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada ao artigo pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997, conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14.11.1997, DOU 17.11.1997). Ocorre que no caso concreto não se está diante se tributo declarado e sim de tributos que não se encontravam declarados, razão rejeito esta preliminar. Das demais alegações da recorrente As demais alegações da recorrente, com exceção a multa de 75% que diz ser confiscatória, podem ser resumidas no argumento de que o Fisco não pode arbitrar o lucro líquido como a totalidade das receitas supostamente omitidas, ao argumento de o recorrente apura o Imposto Sobre a Renda pela sistemática do lucro real. Segundo a autoridade fiscal, não estão contabilizadas nos Livros Diário e Razão (fls. 02 a 80, do anexo n° I), as notas fiscais de compras que perfazem os totais mensais discriminados na planilha "resumo das notas fiscais não contabilizadas", anexa às fls. 62, cujos montantes anuais segues no quadro abaixo: MÊS/ANO Receita Vendas mercadorias – NFs(1) Livro Razão (2) Omissão Contábil (12) Total em 2003 1.284.465,26 512.092,44 772.285,52 Total em 2004 2.615.835,63 812.825,36 1.803.010,27 Obs. A receita da venda das mercadorias foi obtida das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. (fl. 61) Também, segundo a autoridade fiscal, quando se compara os registros de entrada e registro no livro razão, temse as seguintes omissões: MÊS/ANO REG. ENTRADAS (1) Livro Razão (2) Omissão Contábil (12) Janeiro 72.145,94 24.041,95 48.103,99 Fevereiro 72.555,25 25.481,36 47.073,89 Março 129.562,16 26.330,85 103.231,31 (omis..) (omis..) (omis..) (omis..) Total em 2003 1.543.439,96 396.239,69 1.147.200,27 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 12 12 Total em 2004 2.492.891,72 567.831,75 1.925.059,97 Os demonstrativos acima, apurados pela fiscalização a partir de verificações, demonstram que a contabilidade da empresa não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante dos operações registradas. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa. O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra integralmente e não parte reduzida das operações comerciais e transações bancárias. No caso dos autos, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve omissões em montante maior ao das receitas registradas. Tal fato demonstra, de forma inquestionável, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado fraude que não identifica as efetivas operações da empresa, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o lucro. O artigo 241 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 472 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos casos em que a contabilidade da empresa apresentar 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008). 2 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10680.009726/200815 Acórdão n.º 140200.728 S1C4T2 Fl. 13 13 deficiência ao ponto de registrar menos da metade das operações, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar o comando de que o lucro será arbitrado nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Quanto a alegação de confisco em relação à multa de 75%, nos termos da Súmula nº 2, o Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que diz respeito à correção pela taxa Selic tal matéria encontrase consolidada na Súmula nº 03 que dispõe que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de denúncia espontânea e acolher a preliminar de decadência, em relação aos PIS e COFINS, para os fatos geradores correspondentes ao período de apuração do mês de julho de 2003. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a sistemática de apuração do lucro arbitrado, deduzindose os pagamentos já realizados relativos aos valores declarados. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 16643.000247/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. LEGALIDADE.
É legítima a utilização da metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 para proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. A margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que permite maior exatidão na apuração do preço parâmetro, conforme os objetivos legais.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MOMENTO DA ESCOLHA DO MÉTODO.
O ajuste a título de preços de transferência implica adição ao lucro líquido do exercício e, portanto, submete-se às regras gerais do Imposto sobre a Renda. Assim, a escolha do método, a critério do sujeito passivo, deve ser feita quando da apresentação da DIPJ, sendo vedada alteração posterior, salvo se antes do início de qualquer procedimento fiscal e mediante retificação da declaração original.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE.
A diligência só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento por considerarem ilegal a Instrução Normativa nº 243/2002.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. LEGALIDADE. É legítima a utilização da metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 para proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. A margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que permite maior exatidão na apuração do preço parâmetro, conforme os objetivos legais. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MOMENTO DA ESCOLHA DO MÉTODO. O ajuste a título de preços de transferência implica adição ao lucro líquido do exercício e, portanto, submete-se às regras gerais do Imposto sobre a Renda. Assim, a escolha do método, a critério do sujeito passivo, deve ser feita quando da apresentação da DIPJ, sendo vedada alteração posterior, salvo se antes do início de qualquer procedimento fiscal e mediante retificação da declaração original. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE. A diligência só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. LEGALIDADE. É legítima a utilização da metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 para proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. A margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que permite maior exatidão na apuração do preço parâmetro, conforme os objetivos legais. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MOMENTO DA ESCOLHA DO MÉTODO. O ajuste a título de preços de transferência implica adição ao lucro líquido do exercício e, portanto, submetese às regras gerais do Imposto sobre a Renda. Assim, a escolha do método, a critério do sujeito passivo, deve ser feita quando da apresentação da DIPJ, sendo vedada alteração posterior, salvo se antes do início de qualquer procedimento fiscal e mediante retificação da declaração original. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE. A diligência só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 02 47 /2 01 0- 81 Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 3 2 Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento por considerarem ilegal a Instrução Normativa nº 243/2002. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de Autos de Infração relativos a ajustes de preços de transferência, contra a empresa em epígrafe, que atua na importação e produção de partes e peças do ramo de empilhadeiras, bem como na revenda de bens acabados no mercado interno. O relatório fiscal é bastante extenso e diz respeito às operações realizadas entre os anoscalendário de 2004 a 2008. A fiscalização concentrouse na operação de importações com vinculadas, de sorte que as informações e constatações da autoridade lançadora, durante os procedimentos, são reproduzidas a seguir: Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 4 3 De acordo com a IN SRF n. 243/2002, são três os métodos possíveis de utilização, por parte do contribuinte, para os cálculos dos preços parâmetros (em suas operações de importações para o período fiscalizado): a) método do Preço de Revenda menos Margem de Lucro: a1) de 20% PRL20, conforme disposto no item "a" do inciso IV do art. 12 da IN SRF n. 243/2002, para o caso de importações realizadas para revendas sem qualquer agregação de valor e a2) de 60% PRL60, conforme disposto no item "h" do inciso IV do art. 12 da IN SRF n. 243/2002, para o caso de importações de insumos que foram submetidos ao processo de produção na fabricação de produto para venda; b) método dos Preços Independentes Comparados PIC, conforme disposto no art. 8° da IN SRF n. 243/2002, para os casos em que se possa comparar os pregos praticados com os de outras operações similares, nas condições elencadas no parágrafo único do artigo citado; c) método do Custo de Produção mais Margem de Lucro CPL, conforme disposto no art. 13 da IN SRF n. 243/2002, para o caso em que se dispõem das informações de custos de produção dos bens no exterior, acrescentando sobre este valor, os impostos e taxas cobrados no pais de exportação e margem de lucro de vinte por cento sobre o custo apurado. Cumpre ressaltar inicialmente, que, em verificação fiscal, foram detectadas inconsistências nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte (em 05/11/2009 fls. 300 a 304) na qual constavam itens para os quais ele teria utilizado o método "CPL/PIC" para alguns itens e "PRL20" para outros. No entanto, após retificação sobre o que viria a ser o método "CPL/PIC", a empresa apresentou outras memórias de cálculo (em 27/11/2009 fl. 355), nas quais os "CPL/PIC" teriam sido substituídos por "PIC". No entanto, em verificação da DIPJ do AC 2005 (fls. 24 a 48), o método utilizado pelo contribuinte havia sido o "CPL" para todos os insumos que ali constavam, o que ensejou maiores discussões, como veremos a seguir. DA CONSTATAÇÃO FISCAL Preços de transferência: (Apuração pelo Contribuinte) Segundo os valores declarados na DIPJ (fl. 13 do processo), não houve adição de valor relacionados a preços de transferência referentes ao AC 2005, no Livro de Apuração do Lucro Real — Lalur. Pregos de Transferência: (Apuração pela Fiscalização) Importações Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 5 4 Como verificado anteriormente, o método utilizado pelo contribuinte para as importações, segundo o que constava na tabela na DIPJ do AC 2005, foi o método do Custo de Produção mais Lucro CPL, conforme disposto no art. 13 da IN SRF N° 243/2002. No entanto, além das observações já mencionadas quanto às memórias de cálculo, no início da Fiscalização, a empresa havia preenchido a tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" com o método "PIC" ao invés do "CPL". Questionada acerca do fato, a empresa respondeu que efetuou alterações na tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" de modo a adequarse ao método escolhido como melhor para a empresa, corrigindo os valores de Preços Parâmetro e Praticado, adequandoos ao método de preços de transferência escolhido. Desta forma, pôdese verificar que o contribuinte utilizou o método "CPL" para os insumos em sua declaração DIPJ, alterandoo para o "PIC", quando do preenchimento da tabela solicitada por esta Fiscalização, procedendo aos ajustes de um método para outro, após o início do procedimento fiscal. Cumpre informar que, no tocante à matéria em epígrafe, a COSIT — Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em SCI Solução de Consulta Interna n° 20, de 7 de dezembro de 2009, resolveu ser descabida a alteração do método declarado, salvo em caso de erro manifesto. Destarte, a empresa, em 01/03/2010, procedeu à retificação da tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" adequandoa ao declarado na DIPJ do AC 2005, qual seja, substituindo os métodos "PIC" por "CPL". Ademais, após a retificação, não puderam ser encontrados cálculos utilizando o método "PRL20" para alguns itens, como havia sido preenchido inicialmente pela empresa. Esta Fiscalização passou, portanto, a verificar o método "CPL" adotado pela empresa, elegendo diversos equipamentos e solicitando a comprovação documental de seus preços parâmetros, reiteradamente, mediante os Termos de Constatação e Intimação datados de 08/02/2010 e 09/03/2010. No entanto, a empresa limitouse a entregar cópias das declarações de importação destes equipamentos (Anexos I e II do processo), apresentando planilha de memória de cálculo na qual constavam dados de importação dos equipamentos, sem, no entanto, demonstrar a partir dos custos de fabricação e dos lucros da empresa exportadora, como foram auferidos os valores de preço parâmetro destes equipamentos. Não tendo havido, por parte da empresa, a comprovação do método "CPL", a Fiscalização descaracterizou o mesmo, em 25/03/2010, nos moldes do art. 40 da IN SRF n. 243/02, inciso II e parágrafo único, passando a eleger outro método para a apuração dos "Preços de Transferência Importação" da empresa fiscalizada (fls. 409 a 416). Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 6 5 Cumpre observar que esta Fiscalização desconsiderou os métodos constantes das memórias de cálculo, por estarem estas últimas em desacordo com a DIPJ, como já mencionado anteriormente. Método PRL É de se ressaltar que esta Fiscalização buscou respeitar as escolhas do contribuinte, no tocante aos métodos de cálculo utilizados. No entanto, devido às irregularidades apontadas, não lhe restou outra alternativa, senão a de proceder ao recálculo, elegendo outro método, qual seja, o PRL, nos moldes do art. 40 da IN SRF n. 243/02, sem deixar, no entanto, de levar em conta os valores de ajustes já efetuados pelo contribuinte, que para este caso foram nulos, conforme descrito anteriormente. Os insumos foram divididos em dois grupos: aqueles em que não sofreram agregação de valores no país e simplesmente foram revendidos (PRL com margem de 20%) e aqueles que sofreram agregação de valores antes de serem vendidos (PRL com margem de 60%), englobando neste último grupo os casos mistos (revenda + produção). Um fator que chamou a atenção desta Fiscalização foi a peculiaridade no tocante ao controle de estoque das empilhadeiras produzidas. Cada empilhadeira pode chegar a possuir um item ou detalhe que a difere das demais, mesmo pertencendo a um determinado modelo. Como exemplo, uma empilhadeira que pertença ao modelo "H55XMGLP" pode ter algum acessório que as outras não possuem ou características próprias (espelho, altura da cabine, etc). Assim, foi necessário a utilização do número de série de cada empilhadeira associado ao modelo para identificação das máquinas, quando do preenchimento das tabelas Access utilizadas para o recálculo dos preços de transferência por esta Fiscalização. Método PRL Preço de Revenda menos Margem de Lucro de 20% (PRL20) Dentro do método PRL, o PRL20 somente pode ser aplicado para os itens importados e que foram revendidos sem qualquer agregação de valores no país. A legislação do preço de transferência admite a dedução da margem fixa de lucro de 20% nos preços de revendas excluídos os descontos incondicionais. Para os insumos em que a empresa elegeu o PRL, e que não sofreram agregação de valores ou para aqueles que, nas mesmas condições, foram provenientes dos outros métodos descaracterizados, esta fiscalização recalculou os preços praticados (r$/kg na forma CIF + II, isto é, Custo + seguros internacionais + fretes internacionais + imposto de importação, exatamente, na forma determinada pelo § 4° do art. 4° da Instrução Normativa n° 243/2002. Os preços parâmetros foram calculados de acordo com o item "a" do inciso IV do art.12 da Instrução Normativa n. 243/2002. Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 7 6 a) PLV Preço Líquido de Venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) Margem de Lucro de 20%: obtida pela aplicação da margem fixa de lucro de 20% sobre os preços de vendas excluídas os descontos incondicionais. C) Preço Parâmetro: Preço Líquido de Venda menos a Margem de Lucro de 20%. As quantidades de ajustes foram calculadas em função das quantidades vendidas, incluindose as quantidades de estoques iniciais, pois, determina a lei que, no cálculo do preço praticado do item importado, no anocalendário sob fiscalização, as quantidades importadas de insumos, de empresas vinculadas devam ser ponderadas com as quantidades e valores dos respectivos estoques iniciais (§ 3° do art. 12 da IN SRF 243/02). Em particular para esta empresa, constatamos que, para um mesmo item, ocorreram casos em que este foi importado de empresas vinculadas, não vinculadas, comprado no mercado interno e/ou fabricado ao mesmo tempo, sendo que todas as quantidades estariam controladas sob o mesmo "código do item". A empresa foi questionada acerca dos procedimentos adotados para segregar, para tais itens, as quantidades importadas de empresas vinculadas, das demais, de modo a calcular o preço de transferência (Termo de Constatação e Intimação datado de 12/08/2010 fls. 524 a 527), ao que a empresa esclareceu, em 23/08/2010 (fl. 528), que não possui "fórmulas de separação na forma solicitada na intimação". Desta forma, no tocante às quantidades, esta Fiscalização decidiu por ajustar as quantidades, de modo mais benéfico ao contribuinte, eliminando das quantidades de ajustes calculadas, aquelas referentes às importações de nãovinculadas, compras no mercado interno e fabricadas, limitando tais valores à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial, conforme descrito anteriormente. Pequenas divergências foram consideradas como perdas de estoque, ajustes de inventário ou outros possíveis ajustes, conforme declarado pela empresa em sua resposta de 23/08/2010 (fls. 528). Resultados: Assim sendo, pelo PRL com margem de 20%, nos termos da IN SRF 243/02, foi apurado o valor de ajuste de R$ 70.222,51 (setenta mil, duzentos e vinte e dois reais e cinqüenta e um centavos), já deduzidos os valores declarados (no caso igual a zero, pelas razões apontadas). Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 8 7 O demonstrativo de apuração e memória dos cálculos estão à fl. 887 do processo (Relatório "Consolidação PRL20"). Método PRL Preço de Revenda menos Margem de Lucro de 60% (PRL60) Ainda no método PRL, ressaltese que o PRL60 somente pode ser utilizado quando da importação de matériaprima e de produtos semiacabados que sofreram agregação de valor no país. Segundo o PRL60, a margem fixa de lucro é de 60%, cuja base de cálculo é definida pelo inciso IV ,"b", do art. 12 da IN SRF n. 243/2002. Para os insumos que sofreram agregação de valores ou para aqueles que, nas mesmas condições, foram provenientes do método descaracterizado, esta fiscalização recalculou os preços praticados (r$/kg) na forma CIF + II, isto é, custo + seguros internacionais + fretes internacionais + imposto de importação, nos conformes dos ditames determinados pelo § 4° do art. 4° da Instrução Normativa n° 243/2002. Os preços parâmetros foram calculados de acordo com o item "b" do inciso IV do art.12 da Instrução Normativa n° 243/2002. Para os cálculos dos preços parâmetros foram considerados: d) PLV Preço Líquido de Venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; e) Percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; f) Participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o item "b", sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o item "a"; g) Margem de Lucro: a aplicação do percentual de 60% sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o item "c"; h) Preço Parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme item "c", a margem de lucro de 60%, calculada de acordo com o item "d". A fiscalização dividiu os cálculos do PRL60 (e elaborou tabelas, de fls. 1.328 e ss.) em dois grupos, conforme as situações a seguir descritas: Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 9 8 Situação n° 1: a matériaprima importada de vinculada foi utilizada na produção de mais de um produto para venda Esta foi uma das situações encontradas na empresa Nacco Materials Handling Group do Brasil Ltda. para elaboração dos cálculos do preço parâmetro com margem de 60% (PRL60). Da análise do quadro abaixo (fls. 1026 e 1027), verificouse que, no AC 2005, a matériaprima importada "000359204" ("PAD MONOTROL") foi utilizada na fabricação de mais de um produto de venda: (...) Nesse caso, a matériaprima de código "000359204" foi utilizada em 1977 produtos. Desta forma, foram calculados 1977 preços parâmetros, um para cada produto. Devido à grande extensão na quantidade destes últimos, apresentamos aqui somente uma pequena parte dos mesmos, a titulo de ilustração. Os cálculos em sua integridade estão no "Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60" (fl. 884). Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um insumo ou matériaprima tenha mais de um preço parâmetro, a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média aritmética ponderada para chegar num preço parâmetro único (R$21,12/un), para comparação com o preço praticado na importação. Situação n° 2: a matériaprima importada de vinculada foi utilizada na produção de mais de um produto para venda e também foi revendida Outra situação encontrada na empresa Nacco Materials Handling Group do Brasil Ltda. para elaboração dos cálculos do preço parâmetro com margem de 60% (PRL60) foi aquela em que o insumo importado é utilizado na produção e também é revendido. Da análise do quadro abaixo (fls. 1028 e 1029), verificouse que, no AC 2005, a matériaprima importada "001347004" ("ALAVANCA EIXO") foi utilizada na fabricação de mais de um produto de venda, bem como foi revendida (a situação da revenda está representada no quadro com o código do produto igual ao código do insumo "001347004"): (...) A matériaprima de código "000359204" foi utilizada em 1069 produtos. Neste caso, foram calculados 1069 preços parâmetros (PRL60) mais um que corresponde revenda (PRL20). Da mesma forma que o item anterior, transcrevemos aqui somente uma parte dos cálculos. Os cálculos em sua integridade estão no "Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60" (fl. 884). Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 10 9 Esta Fiscalização, efetuou a média aritmética ponderada entre o valor obtido do PRL20 (R$ 180,15/un) e os valores obtidos a partir do PRL60 (representando a média aritmética ponderada dos 1069 preços parâmetros R$ 73,4723/un), de modo a chegar a um único valor de preço parâmetro (R$ 74,1663/un), utilizado para comparação com o preço praticado na importação (nos moldes da SCI Cosit n° 30, de 30/07/08). No atinente às quantidades de ajustes, especificamente, para o PRL60, foi solicitado ao contribuinte o preenchimento de duas tabelas, quais sejam, o "PRL60 Quantidade Consumida de Insumo" (fls. 835 a 881) e "PRL60 Quantidade de Insumo nos EF dos Produtos" (fls. 882 e 883). A partir dos dados fornecidos, calculouse a quantidade de ajuste para cada item, nos termos do "Demonstrativo de Quantidade de Ajuste PRL60" (fls. 939 a 962) adiante detalhado. No entanto, igualmente ao ocorrido para o PRL20, foram detectados casos de itens importados de empresas vinculadas, nãovinculadas, comprados no mercado interno e/ou fabricados, cujas quantidades estariam sob o mesmo "código do item". Destarte, utilizamos as quantidades fornecidas pelo contribuinte para o cálculo das quantidades de ajustes, e a partir dos valores obtidos, na condição mais benéfica ao contribuinte, subtraímos os valores referentes às importações de nãovinculadas, compras no mercado interno e fabricadas, limitandoos à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial. Resultados: Destarte, mediante o método PRL com margem 60% (PRL60), a fiscalização apurou o seguinte valor para o AC 2005: R$ 8.084.604,16 (oito milhões, oitenta e quatro mil, seiscentos e quatro reais e dezesseis centavos). O valor foi calculado de forma líquida, deduzindose os valores de ajustes declarados pelo contribuinte no Lalur (No caso em pauta, como visto anteriormente, o contribuinte não efetuou ajustes de PT Importação e, portanto, não há o que se falar em dedução de valores). A memória de cálculo do preço parâmetro, pelo PRL60, está demonstrada no Relatório "Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60" fls. 1018 a 1041 parcial e fl. 884 total. Para a demonstração dos cálculos e da metodologia empregada, nos termos acima descritos, a fiscalização elaborou, em meio magnético, dezenas de relatórios, que foram entregues ao sujeito passivo juntamente com os Autos de Infração e o Termo de Verificação Fiscal. Com a ciência das infrações, a interessada apresentou impugnação, na qual, em síntese, aduziu os seguintes argumentos (conforme relatados pela decisão recorrida): ESCLARECIMENTO PRELIMINAR PAGAMENTO PARCIAL DOS DÉBITOS DE IRPJ E CSLL (PRL20) Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 11 10 Embora esteja certa de que cumpriu a legislação em vigor, por conta do reduzido valor envolvido nesse tópico (PRL20) em relação ao total do crédito tributário demandado (PRL20 + PRL60), da vasta prova documental a ser produzida e da exaustiva discussão que teria de ser patrocinada para se demonstrar que não há ajustes a serem feitos em relação as mercadorias importadas e revendidas (PRL20), a impugnante esclarece que optou por extinguir os pertinentes créditos tributários (docs. 06 e 07), até como forma de concentrar esforços na defesa de seu direito em relação à parte mais substancial da discussão, relacionada à inexistência de ajustes para os produtos importados e utilizados na produção. Dessa forma, diante desse pagamento, a impugnante requer que seja oportunamente reconhecida a extinção dos pertinentes créditos tributários e determinada a sua exclusão do montante total da autuação. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Da inexistência de fundamentação legal para a lavratura do Auto de Infração. O Auto de Infração, lavrado com base na IN SRF n° 243/2002, é nulo, porque carece de fundamentação legal. Isso porque as alterações instituídas pela IN SRF n° 243/2002, com relação ao método PRL, não possuem qualquer respaldo na Lei n° 9.430/96. DAS QUESTÕES DE MÉRITO Da ilegalidade da IN SRF n° 243/2002 As autoridades fiscais calcularam o preçoparâmetro dos insumos importados com base nas regras instituídas pela IN SRF n. 243/2002, que traz metodologia de cálculo absolutamente diversa daquela prevista na Lei n. 9.430/96 (com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000). A alteração no modo de cálculo do método PRL modifica o próprio critério de determinação da base de incidência tributária. Tal modificação jamais poderia ser introduzida por uma instrução normativa, que é norma secundária de direito tributário. As alterações instituídas pela IN SRF n. 243/2002 na sistemática de cálculo do método PRL implicam justamente uma mudança na determinação da base de cálculo desses tributos, tornandoos mais onerosos aos contribuintes. Diante disso, essas alterações somente poderiam ser implementadas por lei, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade (artigos 5°, inciso II, e 150, inciso I, da CF188 e artigo 97 do CTN). Da possibilidade de aplicação do método de apuração mais favorável ao contribuinte Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 12 11 O § 4° do artigo 18 da Lei n. 9.430/96 (assim como o artigo 4°, §§ 1° e 2°, das INs SRF n. 38/97, 32/2001 e 243/2002) garante ao contribuinte a definição de qual método deve ser utilizado para definir o preçoparâmetro para a apuração dos ajustes. Além disso, devese considerar sempre o método que vislumbra o maior valor dedutível. A esse respeito, por conta do que restou consignado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e também do que dispõe a mencionada SCI COSIT n° 20/2009, a impugnante pede vênia para consignar que é totalmente infundada a pretensão de impossibilitar que seja facultado ao contribuinte alterar o método de apuração de seu preçoparâmetro, ainda que após o inicio do procedimento fiscal. Vale destacar que a MP n° 478/2009, que em seu artigo 9° trazia exatamente essa vedação, não foi convertida em lei, perdendo a sua eficácia. No presente caso, a impugnante optou por, ao longo do ano de 2005, utilizar o método CPL para apurar o preçoparâmetro dos produtos que importou. Sendo assim, caso os senhores não concluam pela ilegalidade das alterações instituídas pela IN SRF n° 243/2002, a impugnante tem como certo que a fiscalização não poderia ter desconsiderado a aplicação do método CPL, pelo qual não haveria ajustes a serem feitos na apuração do preçoparâmetro dos insumos que importou. Essa situação demonstra, por si só, a improcedência da exigência fiscal. INAPLICABILIDADE DA SELIC E IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE MULTA Especificamente com relação à aplicação da taxa SELIC ao caso em tela, a impugnante em como certo que a mesma deve ser afastada no cálculo do crédito tributário em discussão, sob pena de violação dos artigos 5°, inciso II, e 150, inciso I, da CF/88, uma vez que a taxa (1) não foi criada por lei para fins tributários e (2) não possui caráter moratório e sim remuneratório. Da mesma forma, não restam dúvidas acerca da improcedência da exigência de juros moratórios de qualquer natureza, incluindo aí a taxa SELIC sobre a multa aplicada. Isso porque a multa configurase uma sanção, uma penalidade, e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há razão para serem aplicados juros sobre o seu valor. É evidente que a multa imposta não pode ser aumentada pela aplicação da taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável. Por fim, muito embora a impugnante já tenha demonstrado de forma incontestável a inconsistência do crédito tributário, caso Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 13 12 decidase por bem mantêlo, a impugnante considera que há excesso cometido na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito em questão, a qual deve ser reduzida a um percentual razoável. Na forma que aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória, em total confronto com o artigo 150, inciso IV, da CF/88. DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS Caso os senhores entendam que os fundamentos legais aduzidos nesta defesa não são suficientes, por si só, para cancelar a exigência fiscal, a impugnante tem como certo o seu direito e a necessidade de se baixar o processo em diligência, para que os agentes fiscais respondam e esclareçam se: 1) caso adotado a metodologia de cálculo prevista na Lei n. 9.430/96 (com as alterações da Lei n. 9.959/2000 e regulamentações da IN SRF n. 32/2001) para a aplicação do método PRL60, existe algum ajuste a ser efetuado pela impugnante no anocalendário de 2005; 2) caso adotado a metodologia de cálculo prevista na Lei n. 9.430/96 (com as alterações da Lei n. 9.959/2000 e regulamentações da IN SRF n. 32/2001) para a aplicação do método PRL60, existe algum débito de IRPJ e CSLL que deixou de ser pago pela impugnante; 3) caso adotado o método CPL para os produtos importados pela impugnante no anocalendário de 2005, existe algum ajuste a ser efetuado pela impugnante no anocalendário de 2005 e, pois, algum débito de IRPJ e CSLL que deixou de ser pago em relação a esse período. Em sessão realizada em 9 de fevereiro de 2011, a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, decidiu, por unanimidade, considerar improcedente a impugnação da empresa. Com a decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, e juntou documentos. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 14 13 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como a Recorrente apresentou diversos argumentos, faremos a análise tópica dos temas suscitados no Recurso, conforme segue. 1. Das Preliminares a) Necessidade de conhecimento de todo o mérito da defesa, em razão da competência do julgador administrativo Aduz a Recorrente que compete ao julgador administrativo apreciar e deixar de aplicar, quando cabível, normas ilegais e/ou inconstitucionais, providência que não teria sido adotada pela decisão recorrida. A questão orbita a aplicação do PRL60 que, no entender da empresa, seria fundado em normas inconstitucionais, notadamente a IN SRF n. 243/2002. O tema das nulidades possui regramento específico na seara do processo administrativo tributário, nos termos do que estabelecem os artigos 10 e 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifamos) De se notar que o rol de situações que ensejam a nulidade encontrase expressamente definido pelo ordenamento. Como não há questionamento sobre a competência Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 15 14 da Delegacia de Julgamento, que é inequívoca, também não se ataca, neste ponto, o cerceamento ao direito de defesa, mas apenas o não enfrentamento do tema da inconstitucionalidade. Entendo, portanto, que neste tópico não assiste razão à Recorrente, por falta de previsão legal, até porque a questão de mérito, relativa ao PRL60, foi efetivamente tratada na decisão recorrida, que ao aceitar os preceitos da IN SRF n. 243/2002 e os cálculos dela decorrentes, expressamente a considerou, por decorrência lógica, como válida e eficaz. Ademais, o tema voltará a ser discutido neste voto, quando da análise de mérito. b) Nulidade do Auto de Infração, por ausência de fundamentação legal Neste ponto, há evidente equívoco no raciocínio da interessada, pois os Autos de Infração possuem fundamento legal, que consta expressamente do corpo do documento. Aliás, todos os dispositivos legais utilizados foram citados pela autoridade lançadora, de forma extensa e detalhada. O que a interessada questiona é a legalidade das normas que fundamentaram os Autos de Infração, circunstância que não se confunde com qualquer omissão do Fisco. Tratase, por óbvio, de questão de mérito, estranha à atividade fiscal, até porque as normas administrativas, como a IN SRF 243/2002, são vinculantes para as autoridades fazendárias. Assim, ante a ausência de qualquer das hipóteses previstas no Decreto n. 70.235/72, também indefiro a suscitada nulidade. c) Nulidade ante a necessidade de realização de diligência Entende a empresa que deveriam ser analisados, em diligência, os questionamentos contidos nos itens 68 a 72 da impugnação. Tratase de situação inusitada, pois os questionamentos se referem a eventuais ajustes (zero, na visão da Recorrente) que seriam resultado dos cálculos de preços de transferência, pelo método CPL, se a fiscalização aceitasse os documentos e adotasse os cálculos na exata forma proposta pela interessada! Ora, restam evidentes, nos autos, os motivos que levaram a fiscalização a desconsiderar o método CPL, conforme apresentado pela empresa, durante os trabalhos de auditoria, assim como está expresso, na decisão recorrida, o fundamento para a confirmação do procedimento fiscal. Mais uma vez, cuidase de questão de mérito, não de preliminar de nulidade. Nesse sentido, não merece reparos a decisão recorrida, pois é cediço que a perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 16 15 e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido, conforme autoriza o artigo 18, do Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 8.748/93: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifamos) Afasto, pois, a preliminar suscitada. 2) Do mérito Quanto ao mérito, o primeiro e principal argumento de defesa versa sobre a inaplicabilidade da IN SRF 243/2002, que teria alterado, ilegalmente, a sistemática de cálculo prevista na Lei n. 9.430/96 e alterações posteriores. Diz a Recorrente que uma instrução normativa jamais poderia majorar a base de cálculo de tributos, tarefa reservada à lei em sentido estrito. No mesmo sentido, aduz que a referida Instrução Normativa também teria inovado, de forma indevida, a Lei n. 9.430/96, ao exigir que a margem de lucro do PRL60 fosse aplicada em relação ao valor da participação do bem sobre o preço líquido de venda e não sobre o preço líquido de venda total. Seria, ainda, ilegal, a introdução do cálculo proporcional, de modo que o desconto do valor agregado não ocorresse na apuração da margem de lucro, mas sim diretamente no preço líquido de venda. Reitera que há decisões deste Conselho favoráveis ao seu entendimento, bem como jurisprudência dos Tribunais. Pois bem. Como as alegações de defesa atacam a natureza jurídica da Instrução Normativa e sua incompatibilidade com o ordenamento e não os cálculos efetuados no caso concreto, limitaremos nossa análise aos termos propostos, sem antes deixar de mencionar, apenas para que reste consignado, que os exemplos numéricos trazidos do mundo acadêmico, com a devida vênia, são bastante pueris quando comparados à realidade dos preços de transferência. Isso porque, no mundo real, os cálculos de preços de transferência, notadamente quando da sistemática do PRL, exigem muito mais atenção e esforço do que se possa imaginar. No caso dos autos, por exemplo, a autoridade fiscal demonstrou a dificuldade encontrada, dada as variações nas empilhadeiras produzidas pela Recorrente, de tal sorte que qualquer mínima alteração na especificação técnica do produto afeta diretamente o cálculo, tanto assim que os bens são controlados individualmente, pois não há, como regra, empilhadeiras iguais. Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 17 16 Somese a isso questões como a imputação de consumo dos estoques, o conhecimento sobre a composição do estoque inicial e a possibilidade de ajuste das suas quantidades, o fato de que determinado item (um parafuso, por exemplo) pode constar em diversas cadeias produtivas (bill of material de diferentes produtos), com proporções e níveis hierárquicos distintos, para concluirmos que exemplos simplistas não permitem revelar qual sistemática seria, de forma geral e absoluta, mais favorável ao contribuinte. Aliás, reportome ao brilhante voto proferido nesta Turma, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto (Processo n. 10830.720600/201059, Robert Bosch Ltda.), no qual a questão do cálculo do PRL foi esmiuçada, com conclusões diversas daquelas normalmente veiculadas pelos teóricos da matéria. Passando à análise jurídica da Instrução Normativa, entendo que não há, como defende a interessada, ofensa ao princípio da legalidade. Em primeiro lugar, a referida norma não define a base de cálculo do tributo, até porque, não podemos olvidar, o ajuste a título de preços de transferência representa uma adição ao lucro real e pode, como é cediço, ser calculado por meio de diferentes métodos, sendo facultado ao contribuinte a escolha daquele que considerar menos gravoso. A sistemática do PRL60 define a apuração dos preços praticados e aqueles considerados como parâmetro pela legislação, para fins de comparação e verificação de eventual liberalidade entre partes relacionadas. De se notar que os preços sempre decorrem das operações da empresa, vale dizer, não tem o Fisco qualquer poder de escolher ou arbitrar os valores que servirão como referência para o cálculo. Conquanto o índice seja fixado em 60%, não se cuida, sequer, de presunção, no sentido que possui a expressão na modalidade do lucro presumido, visto que, ao contrário deste, a tributação não recai sobre a receita auferida, mas sim sobre eventual diferença entre os preços apurados, depois de diversos ajustes e ponderações. Ainda assim, se o contribuinte considerar que os valores apurados pelo PRL60 são superiores à sua realidade negocial, nada impede que se utilize dos demais métodos, como o PIC e o CPL, cuja produção de dados e de documentos é de sua exclusiva competência. Descabe, portanto, o argumento simples e direto de que a IN majorou a base de cálculo do IRPJ, até porque, colocado de forma genérica, o raciocínio é inconclusivo, dado que o cálculo, conforme demonstrado no voto retrocitado, pode até ser favorável ao contribuinte. Ademais, a metodologia do PRL60 exige a ponderação dos preços, das quantidades e dos estoques, conceitos presentes na lei e que foram apenas sistematizados pela IN, com a definição de regras concretas para a sua utilização. O entendimento acima exposto, ao contrário do que alega a Recorrente, tem recebido guarida nos Tribunais. Ressaltese que as decisões judiciais prolatadas até o momento são amplamente favoráveis à posição do Fisco, no sentido de que a IN 243 não trouxe qualquer inovação e pode ser aplicada integralmente. Reproduzo, a título de exemplo, duas decisões recentes do TRF da 3a Região (Tribunal que concentra os casos de preços de transferência, em razão da atuação pioneira da DEMAC/SP), que ratificam a tese aqui empregada: AMS APELAÇÃO CÍVEL 317675 Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 18 17 DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. LEIS 9.430/1996 E 9.959/2000. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/2002. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60. PREÇO PARÂMETRO. VALOR AGREGADO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO E IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LEGALIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. 1. São manifestamente improcedentes os embargos de declaração, pois não se verifica qualquer omissão no julgamento impugnado, mas mera contrariedade da embargante com a solução dada pela Turma, que, à luz da legislação aplicável, consignou expressamente que "a IN 243/2002 foi editada na vigência da Lei 9.959/2000, que alterou a redação da Lei 9.430/1996, para distinguir a hipótese de revenda do próprio direito ou bem, tratada no item 2, da hipótese de revenda de direito ou bem com valor agregado em razão de processo produtivo realizado no país, tratada no item 1, ambos da alínea d do inciso II do artigo 18 da lei" (f. 278v). 2. Consignou, ainda, o acórdão, que "o que se verificou foi a necessária e adequada explicitação, pela instrução normativa impugnada, do conteúdo legal para permitir a sua aplicação, considerando que o conceito legal de valor agregado, conducente ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do produto" (f. 279). 3. Concluiuse, com respaldo em farta jurisprudência, que "para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei 9.430/1996 alterada pela Lei 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade" (f. 279 v). 4. Evidente, pois, que foi expressamente reconhecida a inexistência de violação do princípio da legalidade pela IN 243/2002, aferida, evidentemente, a partir da lei existente com base na qual editado o ato normativo, e não em razão de exposição de motivos veiculada para a criação de nova legislação, que apenas expõe a intenção do legislador, que não se confunde com o conteúdo normativo da legislação antecedente, posto a exame judicial. 5. Também restou claro do acórdão que o método de preço de revenda menos lucro tratou de suas duas situações objetivamente distintas: a primeira a de importação de bens, serviços e direitos para revenda direta, sujeita à margem de lucro de 20%; e a segunda a de importação de bens, serviços e direitos a serem agregados no processo produtivo para transformação em outros bens, serviços ou direitos, sujeita à margem de lucro de 60% (artigo 12, IV, a e b, IN 243/2002). A distinção entre as situações jurídicas impede a alegação de quebra da isonomia e tal questão restou explicitada Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 19 18 no julgamento, sem possibilidade de invocação de omissão. 6. Tampouco houve omissão na questão da proibição de bitributação conforme tratados internacionais, pois o acórdão embargado enfatizou que "A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, em cumprimento às obrigações internacionais assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF 32/2001" (f. 279). A Turma aderiu ao entendimento de que a nova disciplina aprimorou os mecanismos de inibição da transferência de lucro com redução indevida da base de cálculo da tributação interna, através da prática de preços manipulados entre empresas associadas, sem violar, pois, os tratados e convenções internacionais. 7. Como se observa, não houve qualquer omissão no julgamento impugnado, revelando, na realidade, a articulação de verdadeira imputação de erro no julgamento, e contrariedade da embargante com a solução dada pela Turma, o que, por certo e evidente, não é compatível com a via dos embargos de declaração. Assim, se o acórdão violou os artigos 97, II e 98 do CTN; 5º, II, LXIX e §2º, 37, 150, I e II da CF como mencionado, caso seria de discutir a matéria em via própria e não em embargos declaratórios. 8. Em suma, para corrigir suposto error in judicando, o remédio cabível não é, por evidente, o dos embargos de declaração, cuja impropriedade é manifesta, de forma que a sua utilização para mero reexame do feito, motivado por inconformismo com a interpretação e solução adotadas, revelase imprópria à configuração de vício sanável na via eleita. 9. Embargos de declaração rejeitados. Data da Decisão 06/11/2014 Data da Publicação 11/11/2014 (grifamos) e AMS APELAÇÃO CÍVEL 312162 DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL60 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. 1. Agravo retido não conhecido, vez que sua apreciação não foi reiterada nas razões/contrarrazões de apelação, como determina o artigo 523, § 1º do Código de Processo Civil. 2. Preço de transferência é o preço praticado nas operações de transferência de bens, direitos ou serviços efetuadas entre pessoas jurídicas vinculadas, com o objetivo de diminuir sua carga tributária. Para evitar a indevida redução da carga tributária são editadas regras de controle de referido preço. 3. Para tanto, foi criado o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, disciplinado pelo art. 18, Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 20 19 II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentado pela IN/SRF nº 32/2001. 4. Em razão da imprecisão metodológica da IN/SRF nº 32/2001, a Secretaria da Receita Federal baixou a IN/SRF nº 243/2002, que melhor refletiu a intenção da lei regulamentada no tocante ao controle do preço de transferência, qual seja, impedir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior. 5. A IN/SRF nº 243/2002 deixou de considerar o preço líquido de venda do bem produzido, como fazia a IN 32/2001, utilizando o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. 6. Com isso, a IN/SRF nº 243/2002 apenas objetivou determinar, com maior precisão, o preço parâmetro, quando da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, através do mecanismo de comparação desse preço com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, através do método PRL60, nas transações efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. 7. Agravo retido não conhecido. Apelação desprovida. Data da Decisão 08/08/2013. Data da Publicação 16/08/2013. Igual raciocínio tem norteado as decisões deste Conselho, inclusive nesta Turma. Reproduzimos, a seguir, ementa de recente julgado, sobre tema idêntico ao debatido nos autos: Número do Processo 16561.720196/201289 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 21 20 apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO. MÉTODO PIC. Verificados equívocos na apuração do preço de transferência por parte do contribuinte, a autoridade fiscal deve refazer o procedimento mediante um dos métodos determinados na legislação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados para cada produto. Eventual ajuste a maior de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Em decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete e seguro cujo ônus tenha sido do importador. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2008 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Na esteira do raciocínio apresentado, entendo que não há qualquer ilegalidade na utilização dos critérios de cálculo definidos pela Instrução Normativa SRF 243/2002. O outro argumento de mérito trazido pela Recorrente trata da possibilidade de aplicação dos métodos PIC e CPL, mesmo depois de desconsiderados pela fiscalização, em razão da "troca de método" promovida pela empresa e, ainda, pela insuficiência dos documentos apresentados ao tempo dos trabalhos de auditoria. Alega a interessada que a lei, ao dispor sobre os três métodos de apuração do preço parâmetro, não trouxe qualquer limitação temporal ao exercício do direito de escolha, pelo contribuinte, daquele que lhe for mais favorável. Assim, junto com o Recurso Voluntário, a empresa anexou documentos e planilhas que comprovariam, mediante a utilização do método CPL, que não haveria ajustes para o anocalendário fiscalizado e autuado. Como já destacamos, não há dúvida que o Contribuinte pode, a seu critério, escolher o método que lhe aprouver, selecionando, entre os previstos pela legislação, aquele que proporcionar o menor ajuste ao lucro líquido (ou, se for o caso, ajuste zero). Todavia, o argumento de que não há prazo para que a escolha seja feita, embora recorrente em diversos casos, é deveras inusitado. Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 22 21 Não podemos olvidar que o ajuste promovido pela escolha do método conduz a uma adição ao lucro líquido do período, conforme a sistemática de apuração (trimestral ou anual) eleita pelo contribuinte. Assim como todas as demais informações e rubricas que compõem a base de cálculo do IRPJ, os montantes devem ser declarados anualmente pela empresa. Essa declaração é definitiva, nos termos da lei, podendo, contudo, ser objeto de retificação pelo interessado, em caso de erro, por exemplo. É cediço (tratase, inclusive, de matéria sumulada neste Conselho1) que qualquer declaração entregue depois do início da fiscalização não produz qualquer efeito sobre o lançamento de ofício efetuado. Todavia e apenas no caso dos preços de transferência! surge a insólita tese de que o método poderia ser escolhido (ou alterado) depois da entrega da declaração, sem necessidade de retificação. Analisemos a questão. Se a declaração do contribuinte deve necessariamente refletir as operações por ele praticadas durante o anocalendário anterior, como aceitar que o método (e os documentos comprobatórios a ele inerentes) sejam produzidos/apresentados depois da respectiva entrega? Se o contribuinte indicou, por exemplo, o método CPL na declaração do IRPJ, como imaginar que ele não tinha os documentos necessários ao tempo dos fatos? Aliás, como calcular o preço parâmetro sem ter os documentos e planilhas correspondentes? As perguntas acima não possuem resposta válida, pois é impossível determinar o ajuste a título de preços de transferência sem antes calcular o preço parâmetro e o preço praticado das operações com partes relacionadas. A prática, contudo, revela que, por diversas vezes, o contribuinte "indica" o método na DIPJ e somente depois, se e quando houver alguma fiscalização, sai em busca dos documentos ou efetua os cálculos pertinentes. Numa analogia simples, seria como indicar uma despesa médica sem ter o respectivo recibo ou mesmo certeza quanto ao valor efetivamente desembolsado. Portanto, é obvia e imperativa a ideia de que o método escolhido livremente pelo contribuinte e indicado na DIPJ exige, ao tempo dos fatos, a existência de todo o suporte documental e dos cálculos que o subsidiaram. Isso não demanda lei específica, apenas para os preços de transferência, até porque tratase de premissa básica do Imposto de Renda e de todos os tributos sujeitos a homologação. A produção, elaboração ou busca de documentos post factum, no intuito de alterar o método de ajuste, só é válida se promovida antes de qualquer fiscalização e mediante retificação da DIPJ pelo sujeito passivo. 1 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 23 22 Essa é a essência do tributo definido em lei como IRPJ e, por decorrência lógica, de todos os elementos que o compõem. Como, no caso sob comento, a autoridade fiscal expressamente desconsiderou os métodos indicados pela empresa, por insuficiência documental, já demonstrada no relatório deste voto, circunstância que realmente pode ser comprovada pela análise dos autos, inexiste a possibilidade de alteração ou integração posterior, razão pela qual entendo que não assiste razão à pretensão da Recorrente. No que tange aos argumentos sobre a inaplicabilidade da taxa SELIC e incidência dos juros sobre a multa, cabem breves comentários. No que respeita à utilização da SELIC, a posição deste Conselho encontrase sumulada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 1201001.446 S1C2T1 Fl. 24 23 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 19515.004338/2010-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/04/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRÍCIA DA SILVA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRÍCIA DA SILVA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 38 /2 01 0- 49 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2301003.036, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/04/2009 PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL E POR FALTAREM OS REQUISTOS LEGAIS. A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Ademais, a recorrente não cumpriu os requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT. HIPERMERCADOS. A alíquota do SAT para a atividade de hipermercados possui previsão específica no Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS) por conta da dinâmica do trabalho nesses locais e os riscos a ela associados que são diferentes daqueles existentes em lojas especializadas. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. Para fatos geradores até 11/2008, a mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a Fl. 851DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 9202004.270 CSRFT2 Fl. 851 3 aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de impugnação contra o Auto de Infração nº 37.296.732 9, lavrado em 06/12/2010, que tem por objeto contribuições previdenciárias incidentes sobre diferenças do adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT) e à glosa de compensações de SAT, no período de 06/2008 a 04/2009, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo a ilegalidade na alíquota GILRAT/SAT e na IN 971/2009, dentre outros argumentos, e impugnando a multa aplicada. O recurso foi parcialmente provido, por maioria de votos, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente. Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho, apontando como paradigma os Acórdãos nº 2401002.453 e nº 920202.086. Ao final, requer a reforma do julgado no ponto concernente à multa aplicada, para que seja mantida a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, qual seja: comparação entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A, da MP 449/2008, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte. Nas contrarrazões recursais, o contribuinte requer o não provimento do Recurso Especial do Procurador por entender que da leitura conjunta do art. 144 e 106, do CTN, “devese aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, com exceção aos casos em que a determinada lei posterior tenha instituído penalidade mais benéfica ao contribuinte”. Ao recurso especial interposto pelo contribuinte foi negado seguimento pela ausência de identidade entre as situações fáticas entre os acórdãos recorrido e paradigma. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e Fl. 853DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 9202004.270 CSRFT2 Fl. 852 5 pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender que a ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Fl. 854DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Patrícia da Silva Relatora Fl. 855DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13971.000852/2001-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO - ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE
Ressarcimento não se confunde com restituição de tributo, por conseguinte, não é lícito utilizar-se da analogia para estender ao ressarcimento a atualização monetária própria da restituição, sob pena de ampliar o montante a ressarcir sem expressa previsão legal.
INAPLICABILIDADE DO ART.62-A DO RICARF.
Somente no caso de oposição constante de ato estatal, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, teria o condão de descaracterizar a natureza do referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Somente esse fato teria o condão de afastar o óbice de que não incide correção monetária sobre os créditos de IPI por ausência de previsão legal.
Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-003.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração com efeitos infringentes, para a excluir a correção monetária pela Taxa Selic, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello e Maria Tereza Martínez López
Nome do relator: DEMES BRITO
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CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC IMPOSSIBILIDADE Ressarcimento não se confunde com restituição de tributo, por conseguinte, não é lícito utilizarse da analogia para estender ao ressarcimento a atualização monetária própria da restituição, sob pena de ampliar o montante a ressarcir sem expressa previsão legal. INAPLICABILIDADE DO ART.62A DO RICARF. Somente no caso de oposição constante de ato estatal, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, teria o condão de descaracterizar a natureza do referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Somente esse fato teria o condão de afastar o óbice de que não incide correção monetária sobre os créditos de IPI por ausência de previsão legal. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 08 52 /2 00 1- 51 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 309 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração com efeitos infringentes, para a excluir a correção monetária pela Taxa Selic, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello e Maria Tereza Martínez López Relatório A contribuinte protocolizou pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, na data de 31/07/2001, nos moldes do contido na Lei 9.363/96, referente ao segundo trimestre de 2001 no valor de R$ 723.748,67 (setecentos e vinte e três mil setecentos e quarenta e oito reais e sessenta e sete centavos). Posteriormente, formulou pedido complementar de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, devidamente protocolizado na data de 29/11/2002, para acrescer ao pedido formulado em 2001, os custos com a prestação de serviços de industrialização por encomenda, serviços de transporte (fretes), e aquisição de energia elétrica, perfazendo o montante de R$ 854.053,55 (oitocentos e cinquenta e quatro mil cinquenta e três reais e cinquenta e cinco centavos). A Delegacia da Receita Federal de Blumenau, na data de 08/09/2004, por meio de despacho decisório, autorizou o ressarcimento dos créditos presumidos de IN, porém no montante somente de R$ 680.600,67 (seiscentos e oitenta mil e seiscentos reais e sessenta e sete centavos). A unidade preparadora entendeu que para o pedido principal não seria cabível o ressarcimento sobre o consumo de lubrificantes industriais e consumo de combustíveis. Quanto ao pedido complementar, entendeu não ser possível o ressarcimento dos custos da industrialização por encomenda, nem a inclusão dos custos com aquisição de energia elétrica, reconhecendo apenas o ressarcimento quanto a inclusão do frete. Não concordando com tal decisão, a contribuinte protocolizou tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, na data de 20/09/2004, alegando em síntese que o combustível, o lubrificante industrial e a energia elétrica são produtos intermediários indispensáveis e consumidos no processo produtivo, devendo ser admitidos no cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre o pedido complementar, alegou sua inconformidade que os custos com a industrialização por encomenda integram o valor do produto final exportado. Os autos foram para julgamento pela DR3 de Porto Alegre, o qual proferiu acórdão no sentido de manter a decisão do despacho decisório da DRF de Blumenau, que reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário para o Conselho de Contribuintes e Recursos fiscais, em síntese, repetindo os argumentos trazidos na manifestação Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 310 3 de inconformidade, dando ênfase para a questão da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de IPI oriundos de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e industrialização para encomenda. O Acórdão da lª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes negou o direito ao crédito sobre energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e industrialização por encomenda. Manteve a decisão inicial do reconhecimento parcial dos créditos da Recorrente. Neste sentido, o Recurso Voluntário foi negado por maioria, tendo voto vencido de sua relatora. Não obstante, a contribuinte interpõe Recurso Especial face do acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (acórdão nº) 20179.853). A decisão entendeu por bem em negar o direito à inclusão na base de cálculo do credito presumido dos valores referentes a industrialização por encomenda, energia elétrica, combustíveis e lubrificantes. Não se conformando, o sujeito passivo interpôs recurso especial de divergência, invocando dissídio jurisprudencial quanto ao direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de lubrificantes e sobre gastos com industrialização por encomenda. A seguir, foi exarado o r. Despacho de fls. 253/258 pelo ilustre presidente da Colenda Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, no sentido de: a) NEGAR SEGUIMENTO ao Recurso Especial em relação aos gastos com lubrificantes, por ausência de divergência jurisprudencial neste ponto; b) DAR SEGUIMENTO ao recurso somente na parte relativa ao credito presumido sobre o custo dos serviços de industrialização por encomenda, por entender estar caracterizada a divergência jurisprudencial exigida em face do acórdão nº20310.442. Como o despacho do presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, confirmado pelo presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, negou seguimento ao Recurso Especial em relação aos gastos com lubrificantes, a controvérsia a ser dirimida ficou restrita ao crédito presumido de IPI sobre os custos com a industrialização por encomenda. Em sessão de julgamento realizada em 18 de junho de 2013, está 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, exarando o Acórdão nº 9303 002.289, fls. 274 a 2861, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. MATÉRIA PRIMAINDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. PRECEDENTES DO STJ. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 311 4 Faz jus ao crédito presumido do IPI o estabelecimento industrial ou comercial que adquire insumos e os repassa a terceiros para beneficiálos, por encomenda, para posteriormente exportar os produtos. (REsp 752888/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 25/09/2009) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Contribuinte Provido Contudo, 3ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na época, decidiu julgar a correção do crédito presumido de IPI pela taxa Selic, sem declinar as razões para determinar aplicação da SELIC, sem que houvesse insurgência específica neste ponto, conforme se colhe do voto condutor do acórdão em sua conclusão: “Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte quanto à inclusão dos valores dos "serviços de industrialização por encomenda" no cálculo do incentivo previsto na Lei nº 9.363/96 e no tocante à incidência da SELIC como critério de atualização no ressarcimento do crédito presumido de IPI” Vem agora aos autos a Fazenda Nacional interpor embargos de declaração, fls. 291 a 294, acusando a decisão de conter o vício de omissão acerca das razões que levaram o Colegiado a decidir a respeito de matéria não admitida à CSRF. Por fim, acusa a decisão recorrida de obscuridade, ao aplicar a jurisprudência do STJ a respeito da correção do ressarcimento pela taxa Selic sem qualquer ressalva quanto ao crédito que já fora reconhecido pela Autoridade Administrativa. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 312 5 Voto Demes Brito Conselheiro Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, cingese na discussão de atualização monetária de crédito presumido de IPI pela taxa SELIC. A embargante aponta vício de omissão e obscuridade no acórdão, pois, o antigo colegiado, decidiu conceder a correção monetária do crédito de IPI pela taxa SELIC, sem que houvesse a insurgência específica deste ponto. Com as devidas escusas, divirjo da antiga turma da 3ª CSRF. Conforme apontado pela embargante, o voto condutor do acórdão não se dignou a declinar as razões que levaram o Colegiado a determinar tal correção. O acórdão ainda aplicou, sem qualquer ressalva, a jurisprudência firmada em sede de Recurso repetitivo pelo STJ no sentido da incidência da taxa SELIC. Quanto à questão da incidência de Selic sobre créditos presumido de IPI, entendo assistir razão à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, conforme demonstrarseá linhas abaixo. Com efeito, a RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido Por outro lado, a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 313 6 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Portanto, de uma interpretação positivada das normas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 314 7 Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de3 decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo. Registrese o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal concedido pela entidade tributante, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o ressarcimento ou a compensação do crédito de IPI relativo as aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos têm natureza jurídica de incentivo fiscal, enquanto a repetição do indébito, quer na modalidade de restituição, quer na de compensação, tem natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito). Para corroborar este entendimento, em situação idêntica colaciono o paradigma desta Câmara que já se pronunciou sobre a matéria, cujo entendimento está expresso no resultado do acordão nº 20216.384: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. A mens legis do incentivo teve por finalidade a desoneração tributária dos produtos exportados, via ressarcimento das contribuições sociais incidentes, o que não significa restituir tributos sobre insumos que não o suportaram. A presunção é da alíquota incidente e não da base de cálculo do benefício. Descabe incluir na referida base as aquisições efetuadas de pessoas físicas e de cooperativas. O valor das matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários mandados industrializar por encomenda, compor o Fl. 332DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13971.000852/200151 Acórdão n.º 9303003.415 CSRFT3 Fl. 315 8 produto industrializado do encomendante, compõe a base de cálculo do crédito presumido. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC, INAPLICABILIDADE. Incabível a utilização da Taxa Selic como fator de correção monetária. O § 42 do art. 39 da Lei n2 9.250/1995 inseriu no seu comando a aplicação da Taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado. Recurso provido em parte. Todavia, há um óbice a ser vencido, compulsando os autos, mas especificamente no que tange o Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e as declarações de compensação a ele vinculadas, verificase que não houve o pressuposto que ensejou o julgado proferido pelo STJ, ou seja, não houve qualquer ato de oposição estatal à utilização do crédito reconhecido pelo despacho decisório. Neste sentido, cabe trazer a correta teleologia do julgado proferido pelo STJ: somente no caso oposição constante de ato estatal, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, teria o condão de descaracterizar a natureza do referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Somente esse fato teria o condão de afastar o óbice de que não incide correção monetária sobre os créditos de IPI por ausência de previsão legal. Assim, este julgador não precisa aplicar indiscriminadamente por meio de construções jurídicas o que dispõe o art. 62A do RICARF, excertos de recursos especiais julgados sob o rito do art. 543 C do CPC, tratando de situações análogas, simplesmente para aplicar entendimento aventado. Por tudo que foi exposto, acolho os embargos de declaração opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, para excluir a correção monetária pela Selic sobre o crédito presumido de IPI e promover alteração e ementa. Demes Brito É como voto é como penso. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 10380.017472/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÕES DIFERENCIADAS PARA ADESÃO.
As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias sobre contribuições pela pessoa jurídia a programa de previdência complementar condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. A intenção da norma, ao exigir que o benefício fosse estendido a todos, foi de evitar privilégios a determinados segmentos de empregados. Assim, se o benefício foi ofertado a todos, embora em condições objetivamente distintas, dependendo da condição de cada trabalhador, deve-se reconhecer que o plano estava "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes", incidindo na hipótese a alínea p do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que seja excluído do lançamento o levantamento a título de Previdência Privada. Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA, que negava provimento ao Recurso Voluntário quanto à exclusão do levantamento a título de Previdência Privada; (ii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário a fim de que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício obedeceça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. Vencidos o Relator e o Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA fará o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÕES DIFERENCIADAS PARA ADESÃO. As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias sobre contribuições pela pessoa jurídia a programa de previdência complementar condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. A intenção da norma, ao exigir que o benefício fosse estendido a todos, foi de evitar privilégios a determinados segmentos de empregados. Assim, se o benefício foi ofertado a todos, embora em condições objetivamente distintas, dependendo da condição de cada trabalhador, devese reconhecer que o plano estava "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes", incidindo na hipótese a alínea p do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 74 72 /2 00 8- 93 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que seja excluído do lançamento o levantamento a título de Previdência Privada. Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA, que negava provimento ao Recurso Voluntário quanto à exclusão do levantamento a título de Previdência Privada; (ii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário a fim de que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício obedeceça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. Vencidos o Relator e o Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA fará o voto vencedor. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva –Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 294 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 234 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal –AIOP, correspondente ao período de 01/2004 a 12/2004, relativo às obrigações devidas à Seguridade Social, parte patronal e GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, além dos pagamentos realizados às cooperativas de trabalho, não declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, cujo valor importou em R$ 211.539,43. A fiscalização informa no relatório fiscal da infração que: os fatos geradores foram extraídos da contabilidade – livros diário e razão – e da documentação de suporte dos lançamentos contábeis, anexados por amostragem ao relatório fiscal; os fatos geradores foram agregados em levantamentos, de acordo com sua natureza: pagamentos a autônomos; diárias sem folha e sem GFIP, cujo valor excede em 50% a remuneração dos empregados; previdência privada não extensível a totalidade dos empregados e pagamentos a cooperativas; os relatórios que compõe o auto de infração estão descritos no item 9 do relatório fiscal. Inconformado com a Notificação de Lançamento, da qual foi cientificado em 31/10/2008, o contribuinte apresentou impugnação em 01/12/2008 (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 245 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: a legislação não estabelece restrições à condição de adesão, determinando apenas que o plano seja disponível à totalidade dos funcionários; o procedimento adotado não é discriminatório e não impede o acesso aos seus empregados, pois todos os empregados terão acesso à verba, apenas tendo que respeitar o prazo de carência estabelecido (critério objetivo); Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 requer a aplicação do atual art. 32A da Lei n° 8.212/91 para a multa então prevista no art. 32, §§ 4° e 5° da Lei n° 8.212/91, tendo em vista o advento da Lei n° 11.941/2009 (retroatividade benigna). É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 295 5 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Matéria Recursal. A recorrente mostra inconformismo somente quanto ao lançamento a título de Previdência Privada e relativamente à multa aplicada, razão pela qual as demais matérias objeto do lançamento fiscal não serão apreciadas por esta intância julgadora. Previdência Privada. O artigo 28 da Lei n° 8.212/91, ao definir o saláriode contribuição para cada classe de segurado da Previdência Social, estabelece a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em seu parágrafo 9°, temos diversas regras de não incidência lato sensu (ou de não incidência stricto sensu e de isenção1). A alínea p do referido parágrafo estabelece que não integra o saláriode contribuição: "o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT". Por sua vez, os dispositivos da CLT estabelecem: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (...) Art. 468 Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. Ao invocar os artigos 9° e 468 da CLT, o legislador acabou por excluir do alcance da regra contida na alínea p os benefícios concedidos em substituição de parcela salarial. No caso em comento, verificase do sucinto Relatório Fiscal que a fiscalização entendeu que o benefício não estava disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. Com efeito, da análise dos documentos de fls. 281 e seguintes (dois documentos distintos referentes aos Planos de Benefícios Previdenciários), extraise que a recorrente estipulava uma série de condições à participação plena no plano de previdência, embora a cláusula 10 do primeiro documento (artigo 8° no segundo documento) estipulasse que: 1 Sobre não incidência stricto sensu e não incidência lato sensu, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 234. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 10. Os funcionários que não preencherem as condições previstas no item 1 deste Regulamento, e ainda assim desejarem participar do PBP, poderão a ele ter acesso, desde que concordem com o pagamento do seguinte percentual de contribuição sobre as despesas cobradas pelo BRADESCO Previdência Privada S/A.: Portanto, na linha do quanto decidido pela 2ª Turma da CSRF (Acórdão nº 920201.717, de 26/09/2011), a intenção da norma, ao exigir que o benefício seja estendido a todos, foi de evitar privilégios a determinados segmentos de empregados. Assim, entendo que embora oferecido em condições objetivamente distintas, a recorrente não excluiu nenhum segurado do benefício, razão pela qual podese afirmar que estava "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes". Portanto, entendo que assiste razão ao recorrente quanto ao levantamento a título de Previdência Privada. Retroatividade Benigna. A recorrente requer a aplicação do atual art. 32A da Lei n° 8.212/91 para a multa então prevista no art. 32, §§ 4° e 5° da Lei n° 8.212/91, tendo em vista o advento da Lei n° 11.941/2009 (retroatividade benigna). Todavia, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB N° 14/2009, apenas no momento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte é que se fará a análise da penalidade mais benéfica (alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN), a ser apurada pela comparação da soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal (art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009) e de obrigações acessórias (§§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009) com a multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, aplicando a mais benéfica em cada competência. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos do lançamento o levantamento a título de Previdência Privada. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 296 7 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado 1. AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em que pesem as valiosas considerações expostas pelo Ilustre Relator, não comungo data venia a tese aviada na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009, que na aplicação do princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna, prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, pugna pelo comparativo entre a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela MP nº 449/2008, e a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, (§§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária), como se estas ambas tivessem sido substituídas por aquela multa de ofício, ora estipulada na novel legislação. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144, caput, do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 297 9 Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era, originariamente, punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Todavia, a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. Nada obstante, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo não proceder a tese que defende a comparação entre a multa de ofício prevista no art. 35A com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, e a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, todos da Lei nº 8.212/91, para fins de determinação da penalidade mais benéfica ao infrator, visando à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Isso porque não procede, ao meu sentir, a alegação de que a multa pelo descumprimento de Obrigação Principal formalizada mediante Lançamento de Ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, estaria apenando, conjuntamente, tanto descumprimento da Obrigação Tributária Principal lançada quanto o Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, a justificar o somatório de multas. Tratamse de duas condutas absolutamente distintas, autônomas e independentes, portando cada uma natureza jurídica diferenciada, regramento jurídico diverso, tipificação específica e distinta, e penalidade própria. Tanto que o Contribuinte pode proceder das seguintes maneiras: I. Recolher o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. II. Recolher o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. III. Recolher o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. IV. Recolher parcialmente o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. V. Recolher parcialmente o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VI. Recolher parcialmente o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 298 11 VII. Não recolher qualquer tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VIII. Não recolher qualquer tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. IX. Não recolher qualquer tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. A declaração de todos os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP é uma obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91. A declaração parcial dos fatos geradores na GFIP (hipóteses II, V e VIII) constituise violação à obrigação acessória acima citada, e implica a aplicação imediata da penalidade prevista no §5º do mesmo artigo 32 já mencionado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) De outro eito, a não declaração dos fatos geradores na GFIP (hipóteses III, VI e IX) também se configura como violação à mesma obrigação acessória assentada no inciso IV da Lei nº 8.212/91, e importa na aplicação imediata da penalidade prevista no §4º do mesmo artigo 32 já citado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. De outro giro, o não recolhimento total ou parcial da Obrigação Tributária Principal (hipóteses IV a IX) configurase caso determinante para o lançamento de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, nas hipóteses em que os fatos geradores correspondentes não tenham sido declarados, ou tenham sido declarados de maneira incompleta na GFIP correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora... A extinção do crédito tributário decorrente de infração a obrigação tributária constituise hipótese de anistia, a qual se encontra contida no campo da reserva legal, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 299 13 nos termos do art. 97, VI, do CTN, somente podendo ser concedida mediante lei específica federal (in casu) que regule exclusivamente a anistia, ou a correspondente contribuição, a teor do §6º do art. 150 da CF/88. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, ‘g’. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/93) Notese que de acordo com o disposto no inciso I do art. 111 do CTN, só há que se falar em exclusão de crédito tributário nas hipóteses expressamente previstas na lei específica, o que, convenhamos, não é o presente caso, uma vez que inexiste qualquer previsão no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, que exclua o Crédito Tributário decorrente do descumprimento da Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Merece ser citado que antes da vigência da MP nº 449/2008 pairava uma dúvida na Fiscalização a respeito do procedimento a ser adotado nos casos em que o Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 Contribuinte declarava os fatos geradores nas GFIP, mas não procedia ao recolhimento do tributo devido. A legislação tributária afirmava que o Crédito Tributário encontravase lançado (art. 33, §7º, da Lei nº 8.212/91), contudo, o art. 37 da mesma lei determinava a lavratura do lançamento de ofício, uma vez que restava configurado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições em foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. A MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio a estabelecer um novo procedimento, na medida em que estatuiu que o lançamento de ofício não seria mais necessário nas hipóteses em que houvesse declaração dos fatos geradores nas GFIP, conforme se depreende da nova redação do citado art. 37 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 300 15 Portanto, a contar da vigência da MP nº 449/2008, as hipóteses de conduta do Contribuinte passaram a receber o seguinte tratamento por parte da Fiscalização: I. O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Conduta regular. Nada a fazer. II. O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. III. O Contribuinte recolheu o tributo devido e não entregou a GFIP Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. IV. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. V. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. VI. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VII. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VIII. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Cobrança administrativa do débito correspondente aos fatos geradores declarados e não recolhido, acrescido da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; Lançamento de ofício da parcela não recolhida correspondente aos fatos geradores não declarados, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. IX. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício do tributo devido, acrescido da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, o Lançamento de Ofício somente deve ocorrer nas hipóteses em que não tenha havido o recolhimento do tributo e, cumulativamente, não tenha havido declaração ou tenha havido declaração incorreta dos fatos geradores nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Ou seja, o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 apenas restringe a lavratura do lançamento de ofício às hipóteses em que não houve recolhimento total ou parcial do tributo devido e, cumulativamente, não se operou a entrega da GFIP ou entregouse a GFIP com informações inexatas ou omissas. Não se deslembre que a legislação previdenciária tomou “emprestada” uma norma tributária que havia sido redigida em conformidade com a Legislação Fazendária já preexistente, fato que explica o não casamento perfeito dos termos utilizados em ambos os ramos do Direito Tributário em questão. Se nos antolha, portanto, que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 301 17 Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’, do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo descumprimento de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10380.017472/200893 Acórdão n.º 2401004.221 S2C4T1 Fl. 302 19 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva Redator designado Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 11516.720064/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEIS DE ÁREA RURAL
O que define a natureza urbana ou rural é a destinação econômica do imóvel. Se o imóvel está dentro do perímetro urbano e se destina a atividade típicas da área rural, o tratamento para uma eventual ganho de capital tem que ser de imóvel rural. Comprovado que o imóvel era utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966), correta a apuração do ganho de capital de acordo com a regra do art. 19 da Lei 9.393/96.
Numero da decisão: 2202-003.122
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogados Gabriel Collaço Vieira, OAB/SC nº 22.777.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEIS DE ÁREA RURAL O que define a natureza urbana ou rural é a destinação econômica do imóvel. Se o imóvel está dentro do perímetro urbano e se destina a atividade típicas da área rural, o tratamento para uma eventual ganho de capital tem que ser de imóvel rural. Comprovado que o imóvel era utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966), correta a apuração do ganho de capital de acordo com a regra do art. 19 da Lei 9.393/96.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.847 1 1.846 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720064/201360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.122 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IRPF GANHO DE CAPITAL Recorrente HILDA MARTHA KROON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEIS DE ÁREA RURAL O que define a natureza urbana ou rural é a destinação econômica do imóvel. Se o imóvel está dentro do perímetro urbano e se destina a atividade típicas da área rural, o tratamento para uma eventual ganho de capital tem que ser de imóvel rural. Comprovado que o imóvel era utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966), correta a apuração do ganho de capital de acordo com a regra do art. 19 da Lei 9.393/96. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogados Gabriel Collaço Vieira, OAB/SC nº 22.777. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 64 /2 01 3- 60 Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA Relatório Em desfavor do contribuinte, HILDA KROON, foi lavrado o Auto de Infração cujos fatos geradores ocorreram em setembro de 2009 e janeiro e novembro de 2010 (fls. 964 a 970), relativos à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. O crédito tributário lançado foi de R$ 1.001.617,02. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 922 a 962. Após a ciência do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização aduziu que a impugnante não explorava atividade rural, omitindo ganhos de capital na alienação de terrenos supostamente urbanos, por estarem inseridos em área urbana, conforme Lei Complementar Municipal de Biguaçu nº 12/2009. Assim, entendeu o Fisco que a apuração deveria ser feita pela diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição, nos termos do art. 10, parágrafo 2º, da IN SRF nº 84/01; 2. descreve na peça defensória os três terrenos que foram objeto de autuação e como a fiscalização apurou a omissão de ganhos de capital, contendo o nome dos adquirentes e alienantes, valor de custo, preço de venda, etc. Entre outros elementos de prova, constam nos autos as escrituras de compra e venda dos respectivos imóveis; 3. todos os três imóveis são de Biguaçu: terreno 1 – matrícula n° 9.313 com 115.320,90 metros quadrados; terreno 2 – matrícula n° 9.313 com a mesma área e terreno 3 – matrícula n° 1.545; 4. o Fisco não teria levado em consideração as declarações de ITR (DIAT), conforme documentação anexa; 5. também discrimina na impugnação a forma na qual o impetrante apurou o ganho de capital dos imóveis, levando em conta o que dispõe a IN SRF nº 84/01 e as DIAT’s, de acordo com a documentação juntada ao processo; 7. portanto, com os elementos apresentados e os que serão juntados em momento adequado, estaria comprovada a atividade rural; 8. procurou demonstrar em sua contestação que os imóveis teriam a característica de rurais, devido a ausência de melhoramentos urbanos e pelo critério de destinação econômica; 9. cita o CTN, art. 32, no qual aponta os requisitos para que os Municípios definam, por meio de Lei, os imóveis como de zona urbana para efeito de aplicação do IPTU; 10. em Biguaçu, a matéria é regulada pelo art. 4º da Lei Complementar Municipal nº 3/07 que segue a Lei Complementar Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720064/201360 Acórdão n.º 2202003.122 S2C2T2 Fl. 1.848 3 Nacional. No caso em questão, ainda que os imóveis estejam situados em zona de perímetro urbano, pela Lei Complementar Municipal nº 12/09, as áreas fiscalizadas não possuiriam melhoramentos exigidos na Lei, nem tampouco são objeto de loteamento aprovado pela municipalidade, constituindo indubitavelmente zonas rurais; 11. pretende produzir conjunto de provas documentais e periciais que demonstrem que os imóveis não apresentam meio fio, calçamento, abastecimento de água, entre outros, que são exigidos no art. 32 do CTN e na Lei Complementar Municipal nº 3/07; 12. os quatro terrenos 1, 2, 4 e 5 só foram sujeitos ao IPTU a partir de 2012 e o terreno 3 nem possui inscrição. Foi apresentada DIAT dos terrenos 1, 2 e 3. A impugnante elaborou o cálculo do ganho de capital com base na legislação aplicada para imóvel rural; 13. não só os imóveis de área rural estão sujeitos ao ITR, mas aqueles que exploram atividade rural ainda que na zona urbana, art. 15 do Decreto Lei nº 57/66. Assim,ainda que o contribuinte não tenha declarado rendimentos dessa atividade, não há como descaracterizar a atividade rural praticada; 14. então, o Fisco estaria equivocado em considerar os imóveis de área urbana, haja vista não existir melhoramentos urbanos e pelo fato de ser praticada a exploração rural alegada; 15. desse modo a fiscalização teria calculado erradamente o ganho de capital dos imóveis, já que não levou em consideração a legislação aplicada para os casos de imóvel rural e nem fundamentou tal motivo para aplicar norma divergente; 16. o Fisco estaria errado em dizer que ainda que os imóveis fossem rurais, a apuração deveria ser feita pela diferença entre o custo de aquisição e alienação; 17. segundo a IN SRF nº 84/01, só teria cabimento apurar o ganho de capital pelo preço efetivo de alienação caso o contribuinte não apresente a DIAT do ano de aquisição do imóvel rural; 18. assim, não teria ocorrido ganhos de capital; 19. lista na peça defensória os documentos que estão sendo anexados para sua defesa e às fls. 902 e 903 descreve os documentos que serão apresentados posteriormente; 20. cita decisão administrativa para corroborar o seu argumento de defesa; 21. pede perícia nos termos de fls. 903 e 904 para comprovação da atividade rural e ausência de melhoramentos e loteamento; Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 22. por fim, pede o cancelamento do lançamento. A DRJ julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2010 GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEIS DE ÁREA URBANA. Os imóveis serão considerados de área urbana caso exista Lei Municipal determinando tal situação. O que ocorreu na presente hipótese, conforme Lei Complementar Municipal nº 12, de 17/02/09, da Prefeitura de Biguaçu. Não cabe a esta DRJ julgar os fundamentos que deram origem a citada Lei Complementar, sendo essa prerrogativa apenas do Poder Judiciário, caso seja o interesse da parte contrária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificado, o contribuinte, irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza, em particular, os seguintes aspectos: a) A vinculação dos critérios de identificação do tipo de imóvel (rural ou urbano), a luz da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.112.646/SP, submetido ao rito do artigo 543 C do Código de Processo Civil, no qual restou decidido que "não incide IPTU, mas sim o ITR, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, desde que, comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial". Sendo assim, "ao lado do critério espacial previsto no art. 32 do CTN, deve ser aferida a destinação do imóvel, nos termos do art. 15 do DL 57/66" b) O cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a necessidade de prova pericial. c) Dos equívocos da fiscalização na apuração do ganho de capital e a inexistência de motivos para desconsideração das DIATs Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720064/201360 Acórdão n.º 2202003.122 S2C2T2 Fl. 1.849 5 d) Da necessidade de apuração do ganho de capital sobre a venda de terrenos 1, 2 e 3 conforme VTN constante na DIATs no ano de aquisição (2009) e de alienação (2010). e) Dos documentos novos são trazidos aos autos com a tentativa de demonstrar a natureza das atividade desenvolvidas nos imóveis referidos. Em 10 de março de 2015, os membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidiram converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do então Conselheiro Relator Antônio Lopo Martinez. De acordo com voto do Relator "fundamentalmente, o que define a competência do tributo é a destinação econômica do imóvel. Em termos práticos se o imóvel está dentro do perímetro urbano e se destina a atividade típicas da área rural, o tratamento para uma eventual ganho de capital tem que ser de imóvel rural" Diante dessas premissas, bem como das alegações suscitadas pela Recorrente, o Relator concluiu que o processo não estaria em condições de julgamento, motivo pelo qual solicitou sua conversão em diligência para que a repartição de origem tomasse as seguintes providencias: 1) Para que a autoridade fiscal, após intimar o contribuinte a apresentar provas adicionais do que alega, aprecie as novas provas apresentadas quanto a efetiva comprovação da realização de atividade rural nos imóveis.Verificar se nos referidos imóveis seriam realizadas exploração extrativa, vegetal agrícola, pecuária ou agroindustrial. É relevante verificar se há inscrição rural desses imóveis na Receita Federal e no IBAMA, ou qualquer outro documento oficial que demonstre esse fato. A autoridade poderá solicitar documentação adicional caso julgue pertinente. Ao final do procedimento, a autoridade deverá imitir parecer conclusivo sobre os fatos e as circunstâncias destacadas. 2) Propiciese vista desse parecer ao recorrente, para se,. querendo, pronunciar, com prazo de 10 dias. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em cumprimento a diligência solicitada, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis encaminhou o Ofício Sefis/DRF/FNS nº 074 (fls. 1615) à Senhora Sessuana Crysthina Polanski Paese, Chefe da Seção de Ordenamento e Estrutura Fundiária do INCRA, solicitando cópia do processo de cancelamento dos imóveis de matrículas 9313, 8658, 13800 e 1545, todos registrados na Cartório de Registro de imóveis de Biguaçu. Em sua resposta, constante do email anexado às fls. 1617, a Chefe da Seção de Ordenamento e Estrutura Fundiária do INCRA, declarou que: Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 "Encaminho espelho do cadastro junto ao SNCR dos 05 imóveis em questão Verificamos que apenas um continua ativo na condição de imóvel rural, tendo sua última atualização em 2009 Quanto aos processos dos 04 imóveis que tiveram seu cadastro cancelado ainda em 2010, estamos com dificuldade de localizar no acervo geral em razão do tempo decorrido e do arquivo central da Superintendência não estar com acesso disponível. Considerando 05 anos e a temática, por não se tratar de informações contábeis, nem mesmo deverão ser localizados em razão das mudanças que esta Superintendência sofre (sic) quando a sede veio para São José. Assim, solicitamos verificar se os espelhos do cadastro são suficientes para a (sic) fim que interessa à Receita Federal visto que atestam exatamente as datas dos cancelamentos e a situação daquele que ainda continua na base como imóvel rural. Ainda em cumprimento a diligência solicitada, foi enviado o Ofício Sefis 075 à Secretaria de Estado e Agricultura e da Pesca do Governo de Santa Catarina, solicitando as cópias dos projeto das fazendas realizados pela EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecurária e Extensão Rural de Santa Catarina). Em sua resposta, juntada às fls. 1626, a EPAGRI esclarece que: "As únicas comprovações que possuo que as fazendas estavam em produção nesse período são planilhas em excel de acompanhamento da produção e de fornecimento de pós larvas (filhotes) por laboratórios, as quais estou enviando em anexo no formato original, onde pode ser verificado que foram elaborados em anos anteriores: Na planilha Produção Safras 20072009, Ciclo 20082009, conta do fornecimento de pós larvas do Laboratório Estaleirinho pelos produtores Willhem Kroon e Adolf G. Kronn, demonstrando que povoaram estas fazendas e cultivaram no ano de 2009. Na planilha "estaleiro 2010", consta o fornecimento de pós larvas para Fazenda Bom Sucesso (linhas 10 e 11) e Batavia (linhas 7, 24 e 46). Na planilha Vendas Estaleirinho 2010 a 2012 (linha 53) consta o fornecimento de pós larvas para fazenda de Wilhelm Kroon. Ressalta se que as fazendas realizavam 2 safras de Camarão, de outubro a janeiro e de janeiro a maior, assim um povoamento realizado em outubro a novembro de um ano tinha sua colheita no início do próximo ano; Nas planilhas "dados cultivo" encontrase dados de produção fazenda do Sr. Edson Bittencourt. OBSERVAÇÃO: a comprovação da aquisição das póslarvas pelas fazendas pode ser feita através das Guias de Transporte Animal GTA emitidas pela CIDASC para todas as operações de venda pós larvas. " (grifamos) Finalmente, a fiscalização fez a juntada das fotos aéreas (fls.1782) tiradas do site Google earth. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720064/201360 Acórdão n.º 2202003.122 S2C2T2 Fl. 1.850 7 A Recorrente, por sua vez, fez a juntada dos seguintes documentos às fls 1547 a 1563: a) Declaração da Universidade Federal de Santa Cataria UFSC (fls. 1555) de que o Laboratório de Camarões Marinhos LCM, em conjunto do com a EPAGRI, elaborou os projetos para implantação das fazendas de cultivos de camarões marinhos localizadas em Tijuquinhas, na cidade de Biguaçu, SC, nos imóves inscritos nas matrículas nº 8.658, 9.195, 13800 e 1545. b) Declaração de existência de atividade rural pela Prefeitura Municipal de Biguaçu (fls. 1557). c) Certificado Especial para Trânsito de Camarão de Cultivo CIDASC (fls. 1558 e 1559) Em resposta a diligência solicitada, a Auditoria Fiscal concluiu pela ratificação do lançamento fiscal (fls. 1784 1794) com base, resumidamente, nas seguintes alegações: a) De acordo com o INCRA, somente o imóvel de matrícula nº 1.545 do Ofício de Registro de Imóveis de Biguaçu permanece ativo na condição de imóvel rural em seu cadastro. "Os demais imóveis tiveram seus cadastros no Incra cancelados por estarem localizadas no Perímetro Urbano do Município e terem perdido as características de exploração agrícola, pecuária, extrativavegetal, florestal ou agroindustrial. Não foi apresenta cópia dos processos, de modo que não consta a data de protocolo destes. Apenas foram apresentadas cópias de consultas no sistema, onde constam as datas em que foram atualizados os cadastros para registrar o cancelamento da matrícula como imóvel rural, com atualização: em 30/10/2010 para os imóveis de matrículas números 8658 e 13800 do Ofício de Registro de Imóveis de Biguaçu; em 13/04/2010 para o imóvel de matrícula número 9.195 do Ofício do Registro de Imóveis de Biguaçu; e me 28/05/2010 para o imóvel de matrícula número 9313 do Ofício de Registro de Imóveis de Biguaçu". (fls 1786) b) Ainda em relação a resposta do INCRA, a auditoria fiscal ressalta que a Recorrente alienou os imóveis de matrículas nº 8658, 13800, 1545 e 9313 do Ofício de Registro de Imóveis de Biguaçu e, dentre eles, apenas o de matrícula nº 1545 ainda possui matrícula no INCRA. Em relação a esse imóvel a auditoria concluiu que "o fato de possuir matrícula no INCRA não comprova a utilização desse imóvel para atividade rural. (fls. 1786) c) Em relação a resposta ao ofício nº 075 direcionado ao Responsável pela Atividade de Carnicicultura CEDAP da Empresa de Agropecuária e Extensão Rural do Estado de Santa Catarina EPAGRI, a auditoria fiscal concluiu que "planilhas excel, pela óbvia razão de Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 que podem ser modificadas a qualquer tempo, não se prestam a qualquer comprovação" (fls. 1787); d) Finalmente, em relação as fotos de satélite dos terrenos alienados retiradas do sítio Google Earth, a fiscalização afirma que "não encontramos nessas fotos nada que indicasse que os terrenos alienados estavam sendo utilizados para exploração da atividade rural em 30 de junho de 2009, ou seja, não indentificamos comprovação de que houvesse água e, portanto, produção de camarões nos tanques". (fls. 1788) Intimada a se manifestar sobre o pontos abordados no Relatório de Diligência, a Recorrente alegou, resumidamente, que: a) Em relação a manifestação do Incra, que a resposta ao ofício informa e comprova que a matrícula 1.545 encontrase com o registro no Incra ativo e que as demais tiveram seus registros no órgão cancelados somente em 2010. Alega também que o cancelamento se deu em razão de estar a propriedade localizada no Perímetro Urbano do Município e não por falta de destinação econômica rural (fls. 1807) b) Em relação a manifestação da EPAGRI, a Recorrente alega não houve qualquer contestação sobre a exploração de camarões nos terrenos mencionados pela fiscalização. Ao contrário, apenas confirmou a veracidade do que vem afirmando a Recorrente. (fls. 1807); c) Em relação aos documentos apresentados pelo contribuinte em razão da diligência, a Recorrente alega que, embora todos esses documentos fossem aptos a comprovar a exploração de atividade rural no período de 2000 a 2010, não foram analisados pela Auditoria Fiscal (fls. 1808); d) Em relação as fotos de satélite retiradas do Google Earth, a Recorrente alega que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, as fotos denotam a existência de tanques de procriação de camarão, os quais, inclusive, foram objetos da prova pericial requerida pelo contribuinte. e) Em relação a afirmação do fiscal de que o fato de a matrícula nº 1.545 permanecer ativa não comprova a utilização do imóvel na exploração rural, a Recorrente aponta contradição do Relatório de diligência em relação a essa prova. Isso porque, o relatório não reconhece o valor probatório da declaração em relação ao imóvel rural, mas, ao mesmo tempo, a aceita em relação aos terrenos cujas matrículas foram canceladas (fls. 1811); É o relatório Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720064/201360 Acórdão n.º 2202003.122 S2C2T2 Fl. 1.851 9 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme já exposto no relatório, o lançamento referese a recolhimento a menor do imposto de renda sobre ganho de capital na alienação de bens imóveis. A controvérsia dos autos decorre da divergência de entendimento entre a fiscalização e a Recorrente quanto a natureza do imóvel vendido. A fiscalização, ao contrário do afirmado pela Recorrente, entende tratarse de imóvel urbano cujo cálculo do ganho de capital não poderia ser realizado de acordo com a norma específica de imóveis rurais. A DRJ, por sua vez, manteve o lançamento com o argumento de que os imóveis seriam urbanos, pois existe Lei Municipal nº 12 de 17/02/09, da Prefeitura de Biguaçu assim o reconhece, não cabendo a ela julgar os fundamentos que deram origem a citada Lei Complementar, sendo esta prerrogativa apenas do Poder Judiciário. Ocorre que o poder judiciário já se manifestou, no Recurso Especial nº 1.112. 646/SP, sujeito a sistemática dos recurso repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, sobre os critérios necessários a definição dos imóveis como urbanos e rurais, nestes termos: TRIBUTÁRIO. IMÓVEL NA ÁREA URBANA. DESTINAÇÃO RURAL. IPTU.NÃOINCIDÊNCIA. ART. 15 DO DL 57/1966. RECURSO REPETITIVO. ART.543C DO CPC. 1. Não incide IPTU, mas ITR, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, desde que comprovadamente utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966). 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. De acordo com o artigo 62, §1º inciso II, "b " da Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015, RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (grifamos) Diante do que determina a norma acima transcrita, devem ser adotados os critérios utilizados pelo Superior Tribunal de Justiça na definição da natureza jurídica dos imóveis em questão. Conforme já reconhecido na decisão que determinou a baixa do processo em diligência, era imprescindível que fossem trazidas aos autos provas da utilização do imóvel, uma vez que, a simples inclusão de determinado imóvel em perímetro urbano não é suficiente para caracterizar o imóvel como urbano. Dessa forma, entendo que a solução da lide depende, exclusivamente, da valoração das provas trazidas aos autos pela Autoridade Fiscal e pela Recorrente. Conforme se verifica do relatório, a Autoridade Fiscal, ao concluir pela manutenção do lançamento, se fundamenta, primordialmente, na informação fornecida pela Chefe da Seção de Ordenamento e Estrutura Fundiária do INCRA, às fls. 1617, no sentido de que os imóveis relativos as matrículas "tiveram seus cadastros no Incra cancelados por estarem localizadas no Perímetro Urbano do Município e terem perdido as características de exploração agrícola, pecuária, extrativavegetal, florestal ou agroindustrial" Todavia, o que se observa é que a informação fornecida pelo INCRA limita se a atestar o cancelamento do cadastro rural de 03 dos 04 imóveis vendidos, não trazendo qualquer elemento quanto a motivação do ato, uma vez que os processos não foram encontrados. Ainda que assim não fosse, é importante registrar que o próprio INCRA reconhece, em seu sítio na internet, que o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR se limita a atestar dados cadastrais, não podendo ser utilizado como prova de domínio ou posse dos bens. Confirase: O CCIR O Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) é documento emitido pelo Incra que constitui prova do cadastro do imóvel rural e é indispensável para desmembrar, arrendar, hipotecar, vender ou prometer em venda o imóvel rural e para homologação de partilha amigável ou judicial (sucessão causa mortis) de acordo com os parágrafos 1.º e 2.º, do artigo 22, da Lei n.º 4.947, de 6 de abril de 1966, modificado pelo artigo 1.º da Lei n.º 10.267, de 28 de agosto de 2001. Os dados constantes do CCIR são exclusivamente cadastrais, não legitimando direito de domínio ou posse, conforme preceitua o parágrafo único, do artigo 3.º, da Lei n.º 5.868, de 12 de dezembro de 1972. O CCIR é essencial também para a concessão de crédito Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720064/201360 Acórdão n.º 2202003.122 S2C2T2 Fl. 1.852 11 agrícola, exigido por bancos e agentes financeiros. (http://www.incra.gov.br/tree/info/directory/36) (grifamos) Sendo assim, entendemos que o cancelamento dos cadastros rurais não podem ser utilizados como prova da utilização do referido imóvel, uma vez que sequer são aptos comprovar o domínio e a posse dos bens. Por outro lado, as declarações fornecidas pela EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecurária e Extensão Rural de Santa Catarina) vinculada à Secretária de Estado e Agricultura e da Pesca do Governo de Santa Catarina (fls. 1626) e pela Prefeitura de Biguaçu (fls. 1557) são documentos públicos dotados de presunção de veracidade e legitimidade, na forma do art. 333, I e 334, IV, do Código de Processo Civil. Por esse motivo, as planilhas juntadas à declaração prestada pela EPAGRI não podem ser tratadas, como pretendeu a autoridade fiscal, como documento particular sem força probatória. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1298407/DF (DJ 29.05.2012), submetido a sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS À EXECUÇÃO MOVIDA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA (ART. 741, CPC).PLANILHAS PRODUZIDAS PELA PGFN COM BASE EM DADOS DA SRF E APRESENTADAS EM JUÍZO PARA DEMONSTRAR A AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO DE QUANTIA RETIDA NA FONTE E JÁ RESTITUÍDA POR CONTA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada, não estando obrigada a Corte de Origem a emitir juízo de valor expresso a respeito de todas as teses e dispositivos legais invocados pelas partes. 2. Em sede de embargos à execução contra a Fazenda Pública cujo objeto é a repetição de imposto de renda, não se pode tratar como documento particular os demonstrativos de cálculo (planilhas) elaborados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN e adotados em suas petições com base em dados obtidos junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF (órgão público que detém todas as informações a respeito das declarações do imposto de renda dos contribuintes) por se tratarem de verdadeiros atos administrativos enunciativos que, por isso, gozam do atributo de presunção de legitimidade. 3. Desse modo, os dados informados em tais planilhas constituem prova idônea, dotada de presunção de veracidade e legitimidade, na forma do art. 333, I e 334, IV, do CPC, havendo o contribuinte que demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Nacional, a fim de ilidir a presunção relativa, consoante o art. 333, II, do CPC. Precedentes: REsp. Nº 992.786 DF, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 10.6.2008; REsp. Nº 980.807 Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 DF, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 27.5.2008; REsp. n. 1.103.253/DF, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22.06.2010; REsp 1.095.153/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 16/12/2008; REsp 1.003.227/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 28.9.2009; EDcl no AgRg no REsp. n. 1.073.735/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2009; AgRg no REsp. n.1.074.151/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 17.8.2010. 4. Devem os autos retornar ao Tribunal a quo para que, atentandose aos fatos e às circunstâncias constantes dos autos, inclusive às planilhas de cálculos apresentadas pela Fazenda Nacional (com presunção relativa), analise a alegada compensação, para fins do art. 741, V, do CPC. 5. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (grifamos) É importante considerar também o Certificado Especial para Trânsito de Camarão de Cultivo CIDASC e a Guia de Transporte Animal GTA juntados às fls. 1558 e 1559, os quais, conforme informação da EPAGRI, são documentos idôneos a comprovação da aquisição do pós larvas pelas fazendas. Finalmente, as imagens de satélite retiradas do site Google Earth não fazem prova a favor de qualquer das partes. Embora registrem a existência de tanques de procriação de camarão não podem, por sí só, demonstrar a utilização dos referidos tanques. Para tanto, seria fundamental a realização de prova pericial. Todavia, tendo em vista o tempo transcorrido da realização do fato gerador (2009 e 2010) até a presente data, não se afigura útil a realização da perícia, especialmente se considerarmos a venda dos referidos imóveis. Diante de todo exposto, entendo que está satisfatoriamente comprovada a destinação rural dos imóveis, motivo pelo qual dou provimento o recurso voluntário interposto. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15504.013550/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
No caso de existir liame importante entre os rendimentos tributários informados na Declaração de Ajuste e a atividade profissional do Contribuinte, a jurisprudência do CARF tem se posicionado favoravelmente a exclusão de tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários, já que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, transitaram pelas contas bancárias do sujeito passivo.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 2201-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 18.587,50.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente-Substituto e Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. No caso de existir liame importante entre os rendimentos tributários informados na Declaração de Ajuste e a atividade profissional do Contribuinte, a jurisprudência do CARF tem se posicionado favoravelmente a exclusão de tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários, já que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, transitaram pelas contas bancárias do sujeito passivo. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 35 50 /2 00 9- 31 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 18.587,50. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah PresidenteSubstituto e Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/09, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.184.957,80. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta Impugnação requerendo, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Ao final, requer: a) a procedência da impugnação para que o Auto de Infração seja cancelado, exoneração, de ofício, do crédito tributário lançado, tendo em vista comprovação de que os valores que transitaram pelas contas correntes da impugnante constituemse em receitas de terceiros, que o crédito foi constituído na ausência e provas de omissão de receitas, e sim como base em presunções; b) em caráter alternativo e caso não entenda possível o cancelamento do Auto de Infração, o que se admite apenas para argumentar, requer o abatimento, no valor do AIIRPF, dos valores efetivamente informados e pagos pela contribuinte a título de rendimentos relativo ao ano calendário 2005, os quais foram ignorados pela Sra. Auditora, que simplesmente somou Fl. 664DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013550/200931 Acórdão n.º 2201002.990 S2C2T1 Fl. 3 3 valores transitados em conta corrente e lançou como globalmente devidos, sem a devida glosa dos dantes já reconhecidos e pagos; c) que a autuação se dê somente sobre os rendimentos reconhecidos pela impugnante, que importam uma receita omitida de R$7.657,97 (sete mil seiscentos e cinqüenta e sete reais e noventa e sete centavos), conforme suas manifestações anteriores no MPF; d) redução da multa para patamares condignos ou, no mínimo de 50% previsto no inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pelas razões que menciona. e) juntada de novos documentos de provas porventura obtidos juntos aos bancos, clientes ou emitentes dos títulos, de modo a ratificar as alegações acerca da faturização havida; f) caso insuficiente as provas e argumentos apresentados, que sejam intimadas as instituições financeiras para que apresentem as microfilmagens dos títulos/cheques depositados e descontados nas contas correntes da impugnante e informações correlatas relativas à movimentação bancária nelas havida, comprovando assim definitivamente que os valores que ali transitavam constituíam receitas de terceiros, nos termos do art. 42 da g) intimar os clientes da atividade de faturização da impugnante, cujos Contratos de Fomento foram devidamente acostados, para que esclareçam se já realizaram negócio similar com a mesma e, em caso positivo, qual a sistemática operacional dada ao negócio em qual a conta corrente da qual eram oriundos os valores utilizados pela Sra. Ana Claudia para "comprar" os títulos e/ou carteiras de crédito; h) eventualmente, intimar os próprios emitentes dos cheques (com base nas microfilmagens) para que esclareçam sua posição de consumidor final dos clientes da impugnante; i) realização de perícia, em prazo hábil, de modo a confrontar tais documentos demonstrando que os títulos e valores "entrados" e "saídos" na conta corrente do Banco Mercantil constitui em sua quase totalidade das receitas de terceiros, sendo portanto fruto de operação de faturização realizada pela impugnante. Como perito, indica o Dr. PAULO CEZAR CONSENTINO DOS SANTOS, brasileiro, casado, contador, professor universitário, CRC/MG 15.836, com endereço na Rua Tupinambás, 179 – 20º Andar Sala 26 Centro CEP 30120903 BH/ MG, telefone comercial nº (31) 32121681, apresentando seus quesitos em anexo que constituem as fls. 353, destes autos. A peça de defesa foi acompanhada dos documentos de fls. 356 a 624. A 9ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: Fl. 665DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. MULTA. APLICAÇÃO. PERCENTUAIS. A legislação tributária prevê a aplicação de multa quando do recolhimento de créditos tributários adimplidos fora dos prazos previstos em lei e estipula o respectivo percentual que não pode ser modificado pela autoridade tributária, sob pena de responsabilidade funcional. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Por força da legislação tributária em vigor, não compete ao julgador a apreciação de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, porque a matéria é de competência do Poder Judiciário. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a demonstração da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, quando devidamente intimado. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. O momento de apresentação de provas no processo administrativo tributário é junto à impugnação, salvo uma das ocorrências previstas nas alíneas do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1976. PERÍCIAS. CONDIÇÕES DE DEFERIMENTO. Preenchidos os requisitos legais exigíveis para a realização de perícia, a legislação tributária concede ao julgador a faculdade de indeferila quando julgála desnecessária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 24/02/2012 (fl. 645) e, em 27/03/2012, interpôs o recurso (fls. 647/660), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 666DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013550/200931 Acórdão n.º 2201002.990 S2C2T1 Fl. 4 5 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2005. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre registrar que não identifiquei no lançamento qualquer irregularidade, fundamentalmente porque a exigência atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Na verdade, a nulidade suscitada pela suplicante diz respeito à constituição do lançamento baseado em depósitos bancários; entretanto como a matéria se confunde com o mérito, com ele será tratada. No mérito, alega a recorrente que os valores depositados na conta do Banco Mercantil do Brasil não representa receita própria, já que são procedentes da atividade de fomento mercantil, ou seja, compra de títulos de créditos de terceiros com deságio de 1%. Em relação aos valores mantidos na conta do Banco Real, afirma a suplicante que se referem a rendimentos obtidos em razão da atividade de fomento exercida, acrescendo que o ônus de provar a omissão do rendimento tributável é da autoridade lançadora, já que o lançamento baseouse em presunção de omissão de rendimento. De início, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Via de regra, para caracterizar a ocorrência do fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada, conforme dispõe o Código de Processo Civil nos arts. 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas (JUSTECRJ1979pág.806), José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." Como se vê, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual não há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cumpre esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome da fiscalizada, em instituições financeiras. Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que exercia a atividade de fomento mercantil de modo informal, portanto não havia como juntar os "borderôs" solicitados pela autoridade lançadora. Assevera ainda que, em razão do sigilo bancário e de dados, não foi possível carrear aos autos os cheques dos clientes. Conclui a recorrente que "... uma vez demonstrado que os valores transitados na conta corrente de titularidade da impugnante no Banco Mercantil não representam receitas próprias, mas valores de titularidade de terceiros fruto de faturização informal e desconto de títulos de 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013550/200931 Acórdão n.º 2201002.990 S2C2T1 Fl. 5 7 crédito, resta caracterizada a hipótese do § 5º, do art. 42 da Lei 9.430/96, pelo que improcedente se torna o Auto de Infração". Em que pese alegue a recorrente que os valores transitados no Banco Mercantil é fruto da atividade de fomento mercantil de modo informal, cumpre esclarecer que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre a contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Assim, os Contratos de Fomento Mercantil, fls. 91/104, os extratos bancários, fls. 105/223, a Carta Remessa de Cheques PréDatados, fls. 225/236, o Contrato de Mútuo Financeiro Individual e Controle de Caixa, fls. 237/301, desacompanhados da vinculação do depósito, não são hábeis para comprovação a origem. É nesse sentido o entendimento deste Órgão Administrativo, conforme ementa destacada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO. Nos casos de exigência de crédito tributário com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabe ao sujeito passivo, de forma individualizada, apresentar a origem de cada um dos lançamentos .... (Acórdão n° 140200318 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária). Por todos esses aspectos, penso que não procede a alegação da defesa de ilegitimidade passiva, pois, apesar do esforço da recorrente em demonstrar que os depósitos pertencem à atividade comercial, a vasta documentação coligida aos autos, notadamente às fls. 224/317, foi absolutamente insuficiente para elidir a tributação em tela. Não se pode perder de vista que quando não está presente nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Ante a ausência de prova do uso comercial da conta bancária, torna lícito o lançamento sobre o titular da conta, conforme expressamente dispõe a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Dessarte, não há qualquer erro na eleição do sujeito passivo. Em relação à exclusão dos rendimentos tributáveis informados na Declaração de Ajuste, a jurisprudência do CARF tem se posicionado favoravelmente ao pedido, já que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. Assim, apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos Fl. 669DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Transcrevemse ementas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. (Acórdão/CSRF n° 930400.024) IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. (Acórdão/CSRF 920201.700) No caso em apreço, em razão da atividade profissional da recorrente, penso que existe um liame importante entre os rendimentos tributáveis declarados em sua DIRPF/2006, fls. 318/320, e os depósitos bancários levantados pela fiscalização e, aplicando aos autos o entendimento supra, devese excluir da exigência o valor de R$ 18.587,50. Quanto à alegação de que a multa de ofício deve ser afastada, verificase que o percentual foi aplicado no presente caso conforme disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em razão de o sujeito passivo ter deixado de recolher o imposto correspondente. No que se refere à aplicação da taxa Selic, já é de amplo domínio que as instâncias julgadoras administrativas não podem estender suas apreciações para o campo das arguições relacionadas com a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. É uma limitação de competência que nasce da própria natureza da atividade administrativa. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, consoante determina a Súmula n° 4 do CARF, sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, são devidos os juros com base na taxa Selic: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 670DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013550/200931 Acórdão n.º 2201002.990 S2C2T1 Fl. 6 9 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Em relação a alegação de que a multa aplicada foi confiscatória, além de afrontar o princípio da capacidade contributiva, cumpre registrar que não compete ao CARF declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, impende esclarecer que a prova pericial não se destina ao suprimento do ônus da prova das partes, mas à formação do livre convencimento do julgador. É por isso que não basta, a quem contesta um lançamento de ofício, vir aos autos para afirmar, simplesmente, que tudo quanto foi levantado na ação fiscal não guarda consonância com a realidade dos fatos e que tudo precisa ser dirimido por meio de perícia. Na verdade, compete unicamente a recorrente carrear provas de que os fatos econômicos descritos pela autoridade fiscal na realidade não ocorreu. No caso dos autos, penso que a perícia é completamente desnecessária, ante a afirmação da própria contribuinte de que exerceu informalmente a atividade de fomento mercantil, já que não foi emitido "borderôs", cheques e demais documentos de forma a vincular os depósitos bancários aos documentos de controle da atividade de factoring. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 18.587,50. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 671DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16004.000023/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PATRONAIS. EMPRESA REINCLUÍDA NO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Tendo a empresa autuada sido reincluída no Simples por decisão administrativa irrecorrível, são improcedentes os lançamentos das contribuições sociais patronais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-004.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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EMPRESA REINCLUÍDA NO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Tendo a empresa autuada sido reincluída no Simples por decisão administrativa irrecorrível, são improcedentes os lançamentos das contribuições sociais patronais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 23 /2 00 9- 61 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16004.000023/200961 Acórdão n.º 2402004.855 S2C4T2 Fl. 278 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1435.313 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.128.7898. Lançamento A lavratura em questão referese à exigência das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados. De acordo com o relatório fiscal, deixaram de ser declaradas as contribuições patronais, posto que a empresa informava ser optante pelo Simples, todavia , foi excluída desse regime tributário nos termos do Ato Declaratório Executivo 23, de 26 de junho de 2007, com efeitos a partir de 24 de agosto de 2004. O fisco acusa também a empresa não haver declarado na GFIP as compras de gado de produtores rurais pessoas físicas. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a concluir que a autuada pertencia a grupo econômico de fato. "O Relatório Fiscal lista as pessoas físicas e jurídicas solidariamente responsáveis pelos tributos lançados, integrantes do grupo econômico de fato denominado “Grupo Nivaldo”, discorrendo na seqüência acerca da “Operação Grandes Lagos”, deflagrada pela Polícia Federal por solicitação da Receita Federal com vistas a apuração de fraudes à administração tributária. Nesse contexto, foi apurada a participação do Sr. Nivaldo Fortes Peres (CPF 785.735.99804) como “cabeça” do grupo que por isso recebeu a denominação de “Grupo Nivaldo”, responsável pela criação de diversas empresas paralelas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) com o objetivo de desviar o faturamento das empresas lícitas do grupo. O Anexo I é composto por documentos referentes ao processo da empresa Rio Preto Abatedouro outra integrante do “Grupo Nivaldo”. Também estão à frente na condução dos negócios do “Grupo Nivaldo” os Srs. Luciano da Silva Peres (CPF 217.280.06864), Rodrigo da Silva Peres (CPF 276.282.42812), Maria Helena La Retondo (CPF 029.175.81859), José Roberto Giglio (CPF 070.679.24839), Pedro Giglio Sobrinho (CPF 085.082.21819) e Antonio Giglio Sobrinho (CPF 075.677.45860). (Na condição de sócios de direito da empresa autuada aparecem os Srs. Nilvana Fortes Peres CPF 086.388.58884, e Rogério Alves Ferreira CPF 300.293.94805). Além da autuada, o Relatório Fiscal identifica as seguintes pessoas jurídicas integrantes do “Grupo Nivaldo” e por tal motivo responsabilizadas solidariamente Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 pelo crédito tributário lançado: Sebo Sol Indústria de Sub Produtos de Bovinos Ltda EPP (CNPJ 07.330.898/000105), Agro Rio Preto Representações Comerciais Ltda (CNPJ 03.577.919/000130), Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda (CNPJ 05.038.080/000198), Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda (CNPJ 00.588.243/000192), Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda (CNPJ 03.577.891/000131), CMG Transportes Rio Preto Ltda (CNPJ 05.750.774/000153), FEISP Ltda (CNPJ 04.519.455/000179), Viena Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda (CNPJ 59.638.999/000141), RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda (CNPJ 62.067.129/000506), Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda (CNPJ 60.006.251/000105), América Industrial e Comercial Ltda (CNPJ 04.305.053/000171), Agroalto Industrialização e Distribuição Ltda (CNPJ 04.816.026/000163), Mega Distribuidora de Gorduras Ltda (CNPJ 06.204.954/000100), Comercial de Carnes e Derivados Valentim Gentil Ltda (CNPJ 01.996.600/000114), Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda (CNPJ 02.462.383/000145). Informa que foi constatada a existência de empresas que vendiam notas fiscais para lastrear operações realizadas por pessoas jurídicas e físicas diversas, tanto na aquisição da produção rural (gado para abate) quanto na venda do produto resultante do abate. Por isso, as empresas que atuavam na venda de documentos fiscais receberam a denominação de “noteiras”, discorrendo acerca da cassação de suas inscrições junto ao CNPJ. É mencionada a aquisição dos citados documentos fiscais pela autuada junto às empresas “noteiras” e de que a identificação de cada “cliente” das “noteiras” foi possível graças ao acesso da fiscalização à listagem de códigos desses “clientes”." Impugnação A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. Alegou que o fisco não poderia alicerçar o lançamento em fatos constantes do processo de exclusão do Simples, o qual ainda não foi concluído. Asseverou que a autoridade lançadora não levou em conta que todos os fatos geradores de contribuições foram devidamente informados na GFIP, além de que não teria havido sonegação dos elementos solicitados, mas total impossibilidade de apresentálos, posto que sua documentação se encontrava com o fisco estadual. Sustentou que jamais se utilizou de interposta empresa para realizar os negócios, ressaltando que o fisco não conseguiu demonstrar a existência de grupo econômico. Por outro lado, mencionou que o fisco não conseguiu comprovar a existência de "interesse comum" a justificar a solidariedade. Assegurou ainda que as supostas notas fiscais falsas sequer foram juntadas aos autos. Garante que foram acostados pelo fisco papéis que não lhe dizem respeito, o que representa atropelo ao direito de defesa, posto que não pode refutálos, haja vista que não os conhece. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16004.000023/200961 Acórdão n.º 2402004.855 S2C4T2 Fl. 279 5 As provas obtidas na "Operação Grandes Lagos" representam apenas indícios, posto que os procedimentos ali levados a efeito não teriam sido ainda submetidos ao crivo do Poder Judiciário. Decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) declarou improcedentes as impugnações apresentadas, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, no qual, em resumo, foram alegadas: a) nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa das pessoas arroladas no polo passivo; b) impossibilidade da lavratura antes do trânsito em julgado do processo relativo à exclusão da empresa fiscalizada do Simples; c) inexistência dos vínculos de solidariedade firmados pelo fisco. Diligência fiscal O julgamento no CARF foi convertido em diligência, fls 221/223, para que os autos fossem devolvidos à repartição de origem para aguardar o trânsito em julgado do processo n.º 16004.000307/200795, relativo à exclusão da autuada do Simples. Às fls. 225/246 foi acostado cópia do Acórdão n.º 1201001.086, de 25/09/2014, no qual a 1.ª Turma da 2.ª Câmara da 1.ª Seção do CARF, por unanimidade, deu provimento aos recursos do contribuinte e solidários para cancelar a exclusão do Simples e tornar sem efeito os lançamentos correlatos. Eis a parte dispositiva do voto condutor do acórdão: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 "Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários e, no mérito, voto por DARLHES provimento, para afastar a exclusão do Simples e cancelar os lançamentos efetuados contra a empresa Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda. e, por decorrência, a responsabilidade solidária imputada aos Srs. Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres." O referido processo teve trânsito em julgado, conforme atesta o Termo de Encerramento do Processo n.º 16004.000307/200795, fls. 3400/3406. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16004.000023/200961 Acórdão n.º 2402004.855 S2C4T2 Fl. 280 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da improcedência da lavratura Conforme narrado no relatório toda a motivação do lançamento decorreu possibilidade de se exigir as contribuições lançadas em razão da exclusão da empresa autuada do Simples, conforme Ato Declaratório Executivo n.º 23, de 26 de junho de 2007. Ocorre que este ADE foi julgado sem efeito por decisão administrativa irrecorrível Acórdão n.º 1201001.086, o que é suficiente para fulminar o lançamento objeto do processo que ora se analisa. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10980.009208/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2001 a 30/09/2001, 31/12/2001 a 28/02/2002
Não subsiste a cobrança de diferença exigida através de auto de infração decorrente de Pedido de Restituição inicialmente indeferido, quando este Conselho reconhece posteriormente a procedência de tal Pedido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN e MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. (assinado digitalmente) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN e MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 92 08 /2 00 3- 11 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 18/09/2003 sob o fundamento de falta de recolhimento de PIS no período de abril a setembro de 2001 e de dezembro de 2001 a fevereiro de 2002, no valor total de R$ 8.883,82. Conforme termo de verificação de fl. 27 dos autos, as diferenças cobradas resultaram da verificação no sistema da RFB dos valores dos débitos apurados em DCTF e os pagamentos realizados, desconsiderando as compensações sem DARF efetuadas na DCTF, em razão do indeferimento do Pedido de Restituição nº 10980.003122/200112, bem como dos Pedidos de Compensações nº 10980.005802/200324 e 10980.005804/200313. Intimado quanto ao teor do auto de infração em epígrafe, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 35 e seguintes dos autos) por meio da qual alegou que o auto de infração em tel seria nulo, visto que não haveria que se falar de cobrança/lançamento quando ainda tramita administrativamente em grau de recurso os processos nº 10980.003122/200112 e 10980.001760/200191. Em julgamento realizado em 11/02/2004, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR entendeu por julgar o lançamento procedente, afastando o argumento de nulidade, por entender que a autoridade administrativa tinha o dever de lançar o crédito tributário, ainda que pendente de julgamento os processos administrativos citados. Face a tal decisão, a empresa interpôs em 13/05/2004, tempestivamente, Recurso Voluntário, através do qual requereu a reforma do acórdão da DRJ, a fim de se dar por procedente o mérito constante dos Pedidos de Restituição nº 10980.003122/200112 e 10980.001760/200191, homologandose todas as compensações formalizadas, bem como declarando a extinção dos débitos objeto do presente processo. Ato contínuo, em 14/09/2009, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência (vide fls. 68 e seguintes), para fins de: (1) se esclarecer qual processo administrativo fundamenta as compensações cujo indeferimento deu origem ao presente lançamento (10980.003122/200112 ou 10980.001760/200191); (2) juntar ao presente cópia do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba relativo ao item 1, caso seja a decisão final, ou aguardar at~e que seja prolatada, na hipótese de apresentação de recurso voluntário, juntando cópia de ambas as decisões. Em resposta ao item 2, foi juntado aos autos às fls. 80 em diante dos autos cópia do acórdão deste Conselho proferido no Processo nº 10980.003122/200112 e às fls. 97 em diante cópia do acórdão relativo ao Processo nº 10980.001760/200191. O item 1, por seu turno, foi respondido na informação fiscal de fl. 111 dos autos, a qual esclareceu que o processo que fundamenta as compensações cujo indeferimento deu origem ao lançamento em julgamento foi o Processo 10980.003122/200112. Os autos, então, vieramme conclusos para julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.009208/200311 Acórdão n.º 3301003.018 S3C3T1 Fl. 115 3 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, o auto de infração em relevo foi lavrado em razão de diferenças quanto ao recolhimento de PIS identificadas em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição nº 10980.003122/200112 e das compensações relacionadas. Uma vez que este Pedido de Restituição já fora analisado por este Conselho nos autos do Processo nº 10980.003122/200112 (vide acórdão juntado às fls. 80 em diante destes autos), restanos, portanto, analisar a conclusão ali obtida, para fins de estender os seus efeitos à presente demanda. Da leitura do voto proferido pelo Relator Processo nº 10980.003122/200112, verificase que foi dado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de reconhecer a inocorrência da prescrição, bem como o direito do contribuinte à restituição de valores pagos a maior, de acordo com a sistemática do PISRepique, devidamente corrigidos, e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. Nesse contexto, uma vez que os valores indicados no auto de infração aqui analisado decorreram do suposto indeferimento do Pedido de Restituição nº 10980.003122/200112, e que o contribuinte logrou comprovar naqueles autos que o indeferimento se deu indevidamente, cai por terra o fundamento da autuação sobre a qual ora nos debruçamos. Ou seja, a cobrança aqui realizada apenas se sustentaria na medida em que tal pedido de Restituição de fato fosse indevido, o que não foi o caso. A solução da presente demanda, portanto, é simples, tornandose despicienda maiores digressões. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de exonerar integralmente o contribuinte quanto à exação objeto do auto de infração impugnado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 29/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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