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Numero do processo: 19839.002868/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2004
NORMAS GERAIS. DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, por decisão unânime, reconheceu como inconstitucional o inciso IV, do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, com repercussão geral, motivo do provimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 2302-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, por decisão unânime, reconheceu como inconstitucional o inciso IV, do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, com repercussão geral, motivo do provimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 28 68 /2 00 9- 66 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 674DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 674 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 35.718.2685, consolidado em 29/03/2005, em face da CEMAPE TRANSPORTES S/A, no valor total de R$ 1.468.318,70 (hum milhão, quatrocentos e sessenta e oito mil e trezentos e dezoito reais e setenta centavos) em virtude do inadimplemento das contribuições previdenciárias referentes: a parte patronal; para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT; contribuição destinada ao financiamento do benefício da aposentadoria especial; contribuições a cargo da empresa e destinadas a outras Entidades e Fundo (Terceiros), tais como SEST, SENAT, FNDE, INCRA e SEBRAE; sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, e pagamentos feitos a cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, que prestaram serviços à entidade, no período de 06/2003 a 12/2004. Segundo relatório fiscal, mediante batimento das Gfips x GPS, a entidade ora Recorrente quedouse inerte quanto ao adimplemento das respectivas obrigações tributárias, ou seja, o não recolhimento da contribuição previdenciária relativamente a serviços prestados por segurados empregados, individuais e por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Apresentada impugnação pela entidade, a Unidade Descentralizada da Receita Previdenciária em São Paulo/SP entendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. DIVERGÊNCIAS GFIP X GPS. EMPRESA. SAT/RAT. FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. TERCEIROS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. MULTA. PROGRESSIVIDADE. TOMADORAS DE TRABALHO DE COOPERATIVAS. NÃOINCIDÊNCIA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO VINCULADA. COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRENCIA Fl. 675DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 É vedado ao Instituto Nacional do Seguro Social afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que já tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução ou haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República. Havendo pagamento de valores indevidos Previdência Social, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação, observadas, as condições normativas. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Afirmou que a multa aplicada é incabível, posto que o débito foi declarado, houve denúncia espontânea e porque o débito foi compensado, conforme permite a Lei 8.383/91; Que as remunerações pagas a cooperados não faz parte do salário de contribuição, base de cálculo dos tributos em tela; Que a taxa Selic não pode ser aplicada para corrigir os débitos, tendo em vista a ausência de previsão legal em lei tributária; Que a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça preconiza ser inexigível as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT e contribuições a cargo da empresa e destinadas a outras Entidades e Fundo (Terceiros), tais como SEST, SENAT, FNDE, INCRA e SEBRAE Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 675 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Das cooperativas de trabalho Alega o contribuinte ser ilegal o inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99, visto que instituiu a contribuição previdenciária, a cargo das cooperativas, no percentual de 15% do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. De prêmio, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais do inciso IV, do art. 32, da Lei nº 8.212/91, em sede de apreciação de Recurso Repetitivo RE595838 , nos termos abaixo transcritos: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. De fato, a redação do inciso declarado inconstitucional subverte a regra matriz de incidência da contribuição previdenciária, prevista no art. 195, I, da Lei Maior, ao eleger o tomador do serviço como sujeito passivo da obrigação, desconsiderando a existência Fl. 678DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 676 7 da relação jurídica contratualmente firmada com a cooperativa, como se o prestador de serviço cooperado fosse uma pessoa física genuinamente autônoma. Em verdade, nesse tipo de relação contratual, a cooperativa é a contratada como prestadora do serviço, e ninguém mais. Destarte, ainda que a concretização dos serviços contratados seja viabilizada pelos cooperados, estes, apenas mantêm vínculo jurídico com a cooperativa, conforme dispõe a inteligência da Lei nº 5.764/71: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Outrossim, como bem obtempera Andrei Pitten Velloso, ao comentar o artigo em vergaste, em Constituição Tributária Interpretada, p. 585, “somente podem ser tributadas as remunerações pagas a pessoas físicas que prestem serviço aos empregadores, às empresas ou às entidades que lhes são equiparadas. As remunerações pagas a pessoas jurídicas, mesmo decorrentes de prestação de serviços, não estão sujeitas à incidência da contribuição do art. 195, I, a”. Em vista disso, é defeso ignorar a natureza jurídica da sociedade cooperativa, assim como deturpar os aspectos individuais dos contratos convencionados, a fim de tributar fatos que não se adequam a materialidade do tributo, consoante preconiza o art. 110, do Codex Tributário. Convém salientar, que a melhor doutrina ratifica este entendimento, como se vê pela transcrição abaixo: Sobre o equívoco de se dar prevalência a argumentos de ordem meramente prática ou de conveniência: “A conjugação desses fatores conduz à prevalência dos argumentos lingüísticos e sistemáticos sobre os meramente práticos. Essas regras de prevalência são decisivas para a interpretação dos limites à instituição de contribuições. Isso porque estabelecem que argumentos meramente práticos, como são os argumentos relacionados à necessidade de aumentar a arrecadação ou à importância do financiamento da saúde, não poderão prevalecer sobre os argumentos lingüísticos e sistemáticos, como são aqueles que se deixam reconduzir à estrutura do Sistema Tributário Nacional e às regras de competência.” (ÁVILA, Humberto. Sistema Constitucional Tributário. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 161) Fl. 679DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Desse modo, inarredável a conclusão de que o inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91, não encontra fundamento de validade nas competências específicas do art. 195, incisos I ao IV, da CF/88, levando a conclusão insofismável de que é flagrantemente inconstitucional. No caso dos autos, verificase que a autuação decorreu do inadimplemento das respectivas obrigações tributárias, principais e acessórias, ou seja, o não recolhimento da contribuição previdenciária relativamente a serviços prestados por cooperativas de trabalho, e declarações inexatas em GFIP, exatamente a hipótese tratada no RE595838. Portanto, diante da citada declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração em fustigo os lançamentos que tiveram como fundamento legal o dispositivo em vergaste. SAT Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 677 9 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 681DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Fl. 682DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 678 11 Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Também não merece prosperar o argumento de que a cobrança ao SAT ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho. No que tange ao argumento que não há na NFLD fundamento legal que justifique a cobrança da contribuição sobre a remuneração do trabalhador sujeito à aposentadoria especial após 25 anos, colaciono ao presente voto assertiva constante das contra razões apresentadas [fl. 183]: [...] 25. Quanto a alegação de que não houve indicação de quais trabalhadores estão sujeitos à aposentadoria especial após 25 anos, cabe esclarecer à recorrente que, como já explicitado acima, os valores lançados e objeto da presente NFLD originaramse da apuração realizada pela fiscalização previdenciária nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, da qual constam também estas informações acerca do trabalhador com atividade sujeita à aposentadoria especial após 25 anos, bem como a sua remuneração em cada competência, conforme demonstra os relatórios Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo do Sistema CNIS [...] 26. Assim, conforme informação prestada pela própria empresa Rotasul Transportes Ltda. em duas GFIP’s entregues à Previdência Social, cujos dados constam dos extratos em anexo, o trabalhador sujeito à aposentadoria especial após 25 anos é o Sr. Manoel Messias Barreto, sendo sua remuneração na competência 06/2004, por exemplo, de R$ 818,57 (oitocentos e dezoito reais e cinqüenta e sete centavos). Verificando o relatório DAD, que faz parte desta NFLD, podese constatar que a base cálculo utilizada para a contribuição adicional do SAT/RAT nesta competência é justamente este valor. SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Fl. 683DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As Fl. 684DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 679 13 contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 680 15 III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: Fl. 687DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse Fl. 688DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 681 17 entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Fl. 689DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 SEST/SENAT Em face da alegação de ilegalidade da cobrança da parcela SEST/SENAT, colaciono ao presente entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SEBRAE. CRIAÇÃO DO SEST/SENAT. EXIGIBILIDADE DO ADICIONAL DESTINADO AO SEBRAE. PRECEDENTES. REVISÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA Nº 7/STJ. PRECEDENTES. 1. Ação declaratória de inexigibilidade de tributo ajuizada por TRANSPORTES RODOVIÁRIOS DE CARGA TANNO LTDA. contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS, em razão da cobrança de um adicional, destinado ao SEBRAE, sobre as contribuições recolhidas ao SEST/SENAT. Sentença julgando improcedente o pedido. Interposta apelação pela autora, o TRF da 4ª Região negoulhe provimento, por entender que não houve extinção do adicional destinado ao SEBRAE, mas seu redirecionamento às novas entidades criadas pela Lei nº 8.706/93 (SEST/SENAT). Recurso especial interposto pela empresa autora apontando violação dos arts. 8º da Lei nº 8.029/90 e 20 do CPC, em razão de serem sujeitos passivos da contribuição ao SEBRAE tãosomente as empresas submetidas ao recolhimento das contribuições destinadas ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC. Requer, ainda, a redução dos honorários advocatícios. Contrarazões apresentadas pela Fazenda Nacional e pelo SEBRAE. 2. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe a manutenção do SEBRAE por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986. 3. O mero redirecionamento da contribuição destinada antes ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC para o SEST/SENAT não tem o condão de afastar a exigibilidade do adicional destinado ao SEBRAE. 4. Precedentes de ambas as Turmas que compõem a 1ª Seção: REsp 754637/MG, REsp 692857/PR, AgRg no Ag 524812/SC, REsp 729089/RS, REsp 684250/RS. 5. O exame da adequação dos honorários advocatícios de acordo com o art. 20, §§ 3º e 4º do CPC encontra óbice na Súmula nº 7/STJ. Precedentes. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 807.709/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 03/08/2006 p. 218) Fl. 690DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19839.002868/200966 Acórdão n.º 2302003.683 S2C3T2 Fl. 682 19 SELIC Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 4 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Das penalidades Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa, porque não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 20 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, excluindo do lançamento fiscal os créditos referentes aos pagamentos feitos a cooperativas de trabalho. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. Marcelo Oliveira Fl. 692DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10980.728232/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PESSOAS LIGADAS. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre pessoas ligadas, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando constatado dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE.
A dedução de custos ou despesas referentes a operações em relação as quais não foi demonstrada a efetiva realização caracteriza a fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64; justificando a imputação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1402-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada e negar provimento ao recurso voluntário.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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PESSOAS LIGADAS. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre pessoas ligadas, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 82 32 /2 01 3- 16 Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando constatado dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. A dedução de custos ou despesas referentes a operações em relação as quais não foi demonstrada a efetiva realização caracteriza a fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64; justificando a imputação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada e negar provimento ao recurso voluntário. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.015 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL, com multa de ofício no percentual de 150% e multas isoladas sobre estimativas desses tributos abrangendo os anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Foram apuradas irregularidades decorrentes da dedução indevida de despesas com amortização de ágio e referentes a juros sobre contratos de mútuo. No que se refere ao ágio, as operações sob exame podem ser descritas: Inicialmente, a empresa PROCÓPIO PARTICIPAÇÕES LTDA, pessoa jurídica já existente, possuía cotas de participação na interessada valor de R$1.979.914,38. Em laudo emitido em 16 de novembro de 2004 (fls. 688 a 761), a DELOITTE TOUCHE TOHMATSU apresentou resultado de avaliação econômicofinanceira realizado para estimar o valor, em 31 de outubro de 2004, das cotas da interessada, tendo concluído que, naquela data, o valor de mercado da empresa era de R$ 55,944 milhões. Por outro lado, em 30 de novembro de 2004, conforme consta da Segunda Alteração Contratual da empresa ECOBALANCE SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA (fls. 762 a 770), doravante denominada unicamente ECOBALANCE, seus únicos sócios MAURÍCIO MACHADO DIAS e MARCELO DORNELLES ARNDT transferiram a totalidade de suas cotas para PROCÓPIO PARTICIPAÇÕES LTDA (99,99%), INÁCIO PROCÓPIO NETO e ELIZABETH PROCÓPIO. Nesse mesmo documento, foi registrado o aumento do capital social da ECOBALANCE em mais R$ 55,944 milhões, importância totalmente subscrita pela PROCÓPIO PARTICIPAÇÕES LTDA mediante a transferência das cotas que detinha na interessada, e também a alteração do nome empresarial da sociedade para ALTERNATIVA. Assim, o capital social da ALTERNATIVA passou de R$ 30 mil para R$ 55,977 milhões, sendo R$ 55,944 milhões representados por cotas de participação na interessada, que passaram a ser de sua propriedade, o que a tornou, portanto, detentora de 99,8% do capital social daquela pessoa jurídica, conforme informação extraída do sistema CNPJ (fl. 814). Por fim, em 29 de dezembro de 2004, a interessada incorporou a ALTERNATIVA, sua sócia majoritária. A transação foi amparada pelo Laudo de Avaliação para Incorporação de Sociedade de fls. 771 a 773, datado de 17 de dezembro de 2004, o qual apresenta o teor do Balanço Patrimonial da ALTERNATIVA levantado em 15 de dezembro de 2004. Assim, de acordo com o Fisco, o ágio registrado na interessada por ocasião da operação de incorporação da ALTERNATIVA, realizada em 29 de dezembro de 2004, decorreu da integralização de capital realizada pela PROCÓPIO PARTICIPAÇÕES LTDA na Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 ALTERNATIVA, em 30 de novembro daquele ano, por meio de cotas da própria interessada avaliadas pelo seu valor de mercado. As despesas com juros referemse a mútuos contraídos junto a sócios pessoas físicas. A autoridade lançadora questionou a forma de registro dos empréstimos que foram contabilizados a débito de lucros acumulado e a crédito do passivo. Teceu comentários sobre a taxa de juros pactuada nos contratos, questionou a idoneidade desses instrumentos principalmente pela ausência de registro público, registrou que os sócios não tinham suporte para suprir a empresa e, por fim, manifestouse no entendimento de que os empréstimos seriam fictícios. A imputação da multa qualificada foi justificada pelo fato de o sujeito passivo ter adotado uma série de procedimentos, os quais justificou terem como objetivo a preparação da empresa para a abertura de capital e a proteção do patrimônio dos sócios nessa ocasião. Entretanto, restou amplamente comprovado que os procedimentos adotados não eram necessários ao objetivo alegado pelo interessado, da mesma forma que ficou inequivocamente demonstrada a não ocorrência, de fato, da operação de empréstimo que gerou despesas da ordem de R$ 5 milhões por ano. Foi imputada responsabilidade solidária aos sócios Inácio Procópio Neto e Elizabeth Procópio. A pessoa jurídica autuada e os coobrigados apresentaram impugnação. O sujeito passivo suscita a decadência e afirma que as operações societárias realizadas visaram a reestruturação societária para futura abertura de capital com base legal no art. 36, da Lei 10.637/92. Afirma que o ágio tem amparo legal e sustenta que se as operações não foram impugnadas pelo fisco, sendo, pois, validades e eficazes e não tendo sido impugnado quer em sua forma quer em seu conteúdo, não há espaço para o fisco glosar somente os seus efeitos (dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSSL), pois estes, são decorrentes da lei e não da vontade discricionária da autoridade. Dado a premissa que é o negocio jurídico valido e eficaz que tem o laudo como fundamento de valor do ágio, o efeito tributário do ágio (isto é dedutibilidade), é inexorável e não depende da autoridade querer ou não querer. Se está frente a um efeito exlege, que se opera independente da vontade de quem quer que seja. O mesmo passa a existir pelo império da lei. No que se refere às despesas com juros, afirma não existir qualquer irregularidade no procedimento adotado pela empresa e seus sócios uma vez que a existência dos lucros acumulados é inquestionável. Para a concretização da operação de mútuo, o impugnante efetuou distribuição dos lucros acumulados a partir de agosto de 2000 até o exercício de 2003 aos seus sócios. Após a efetiva distribuição dos lucros em comento, os sócios realizaram a devolução destes valores à empresa na forma de empréstimo, suportados por contratos de mútuo firmado entre as partes (acima descritos), estabelecendo remuneração com base na prática do mercado. Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.016 5 Aduz ser irrelevante, para a análise da configuração de nulidade da operação, o fato de o lucro não ter transitado na conta dos sócios para, posteriormente, depois de firmado contrato de mútuo, serem creditados np conta da impugnante. Desta forma, prossegue, somente poderiam ser considerados nulos os contratos firmados caso fosse verificado que os lucros acumulados eram inexistentes, o que, como bem demonstrado, não há como ser questionada, uma vez que os mesmos estão corretos e foram devidamente contabilizados. Logo, pelos lançamentos contábeis da impugnante, que ressaltase, não foram descaracterizados pela fiscalização, argumenta ficar clara a inexistência de irregularidade na operação que promoveu a baixa dos lucros acumulados e promoveu a transferência destes valores para a conta contrato de mútuo. Desta feita, embora não tenha ocorrido o fluxo financeiro na operação, o fato é que houve a distribuição dos lucros aos sócios |e esses o disponibilizaram à impugnante com respaldo em contratos de mútuo. Contesta a qualificação da multa de ofício, a concomitância entre as multas e reclama que na apuração da multa isolada não foram deduzidos o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. Os coobrigados apresentaram impugnação afirmando, em resumo, não ter sido demonstrada a prática de qualquer ato contrário à lei. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1454.963 dando provimento parcial à impugnação para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% no que se refere à exigência decorrente da glosa de despesas com juros e reduzir a base de cálculo da multa isolada com utilização do saldo de prejuízos fiscais. Devidamente cientificados, o sujeito passivo e os coobrigados apresentaram recurso voluntário a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. A interessada acrescentou que a decisão recorrida corrigiu a apuração da base de cálculo da multa isolada apenas em relação ao IRPJ mas não o fez quanto à CSLL. É o relatório. Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado motivo pelo qual dele conheço. 1) Amortização de ágio: De imediato convém ressaltar que, no que se refere à amortização de ágio, a premissa básica que deve nortear qualquer análise é a regra geral da INDEDUTIBLIDADE DOS VALORES. A partir dessa premissa maior registrese que, para fins de dedução das despesas com ágio, são questões básicas a serem verificadas, ainda que outras possam se tornar relevantes: a independência entre as partes, existência de ônus em sentido estrito e ausência de empresas veículo ou de prateleira com fins exclusivamente tributários. Na peça de defesa, a interessada apresentou extenso arrazoado historiando a questão do ágio nos aspectos contábeis e, principalmente, fiscais inclusive no que se refere aos requisitos para a dedutibilidade que, sustenta, foram todos por ele cumpridos. A argumentação do sujeito passivo, em sua grande parte, mostrarseia plenamente aceitável se não houvesse, no caso, circunstâncias específicas que desqualificam a geração do ágio. Para caracterização da aquisição da participação societária que gerou o ágio deve ficar claramente identificada a ocorrência do ônus em sentido estrito. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. Todas as empresas participantes das operações pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.017 7 Não menos relevante é o fato de que não houve qualquer desembolso. Descumpriuse portanto a premissa básica do ônus em sentido estrito. Por fim, fortalece a convicção quanto à artificialidade da operação a utilização de empresa sem nenhuma substância (Alternativa) que foi capitalizada para adquirir investimento com ágio o que impede sua caracterização como empresa investidora. Assim, a confusão patrimonial entre investida e investidora, condição sine qua non para que possa falar em amortização do ágio, não se materializou.. Do exposto, não há como aceitar a amortização do ágio que se mostrou inexistente e o lançamento deve ser mantido. Quanto à multa qualificada, a conduta dolosa é flagrante pela tentativa de se obter um benefício tributário a partir da amortização de um ágio inexistente. Registrese que a jurisprudência recente da CSRF consolidou entendimento pelo cabimento da exasperadora em situações como a presente. São exemplos os Acórdãos 9101002.300 e 9101002.301, prolatados em abril/2016. A ementa desse último não dá margem a dúvidas QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO.Operações empreendidas no universo de um mesmo grupo econômico, com transferência de ações com sobrepreço para integralizar o capital social de uma empresa de papel, sem sacrifício de ativos, sem pagamento pelo sobrepreço, que foi criado artificialmente e especificamente para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia, implicam na presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e é apenado com a qualificação da multa de ofício. 2) Despesas com juros contratos de mútuo: No que se refere à glosa das despesas de juros relativos a empréstimos de sócios o acórdão recorrido assim se manifestou (destaques do original): [...] Ao contrário do que entende a Fiscalização, formei convencimento de que o fato de a empresa não possuir recursos para distribuir os lucros e, ao mesmo tempo, os sócios não possuírem outros recursos para arcar com os empréstimos, não implica na inexistência desses empréstimos. O ponto crucial para configurar a efetividade dos empréstimos é a existência de lucros acumulados, passiveis de distribuição, no patrimônio da empresa. Tais lucros não foram contestados pela Fiscalização, que poderia sim verificar sua efetividade e formação, haja vista que tiveram repercussão futura. Quanto ao fato de não ter havido circulação de moeda é notório que se trata de aspecto absolutamente irrelevante. Ora, para cumprir essa formalidade, absolutamente desnecessária, bastaria a empresa e os sócios efetivarem transferências bancárias, ou emissão/deposito de cheques, concomitantes, para realizar uma pseudo circulação de recursos. Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Todavia, à luz do art. 299 do RIR/99, base legal dessa glosa (vide auto de infração, fl. 1299, ‘a dedutibilidade de uma despesas fazse necessário atender aos requisitos de efetividade, usualidade e necessidade. [...] Vêse, portanto, que a decisão de primeira instância entendeu que os empréstimos atenderam aos requisitos formais para legitimação, mas manteve a exigência por entender que as despesas seriam desnecessárias pois, sustenta, os recursos já estariam no patrimônio da empresa e lá permaneceram. A autoridade lançadora teceu comentários sobre a taxa de juros pactuada nos contratos, questionou a idoneidade desses instrumentos principalmente pela ausência de registro público, registrou que os sócios não tinham suporte para suprir a empresa e, por fim, manifestouse no entendimento de que os empréstimos seriam fictícios. O sujeito passivo apresentou impugnação defendendose das acusações formuladas nos moldes descritos no parágrafo anterior. Não argumentou quanto à necessidade dos mútuos porque tal circunstância não foi abordada no procedimento fiscal. Entendo que a matéria deve ser analisada sob a ótica das razões apontadas pelo Fisco. Nessa linha, o simples lançamento contábil não é suficiente, sem demonstração do fluxo de numerário. Ainda mais quando o registro não segue o padrão das normas contábeis eis que mostrase estranha a transferência direta da conta lucros acumulados para mútuo. Como bem ressaltado pela autoridade fiscal, o exame da Declaração do IRPF dos mutuantes revela a inexistencia de lastro para a concessão do empréstimo. Lembrando que o registro do mútuo foi feito em 31/01/2004, o suporte para a operação deveria existir em 31/12/2003. Mesmo que por hipótese, e apenas por hipótese, os sócios tivessem recebido nessa data (31/12/2003) valores significativos referentes a dividendos, essa distribuição de lucros não se refletiu na DIRPF em indicações de numerário em espécie, saldos bancários ou de aplicações financeiras em montante suficiente para concessão do empréstimo. Do exposto, entendo que as operações de mútuo não restaram comprovadas, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso neste item. 3) Erro de cálculo na apuração da multa isolada: Foi suscitado erro na apuração da multa isolada tendo em vista que não teriam sido deduzidos saldo de prejuízos fiscais (no caso do IRPJ) e de base negativa da CSLL. A decisão recorrida refez a apuração das multas referentes ao IRPJ em cálculo que reputo como correto. Entretanto não efetuou esse procedimento para as multas referentes à CSLL. Assim assiste razão ao sujeito passivo e os cálculos devem ser refeitos para dedução do saldo de base de cálculo negativa. 4) Multa isolada – concomitância: O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.018 9 Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui expostoa, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.019 11 infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou Fl. 3024DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual voto por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 3025DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.020 13 Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.488/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. 5) Natureza confiscatória da multa: Relativamente à multa, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a nconstitucionalidade de lei tributária. 6) Decadência: Quanto à decadência, a 1º Seção do STJ, em sessão de 12/08/2009, manifestouse no sentido de que para os tributos em questão, constatado dolo, fraude ou simulação, devese proceder à contagem do prazo decadencial sob a regra do inciso I, do art. 173, do CTN (destaques acrescidos). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, 7) "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. O período mais antigo objeto da exigência foi o anocalendário de 2007. Levandose em consideração apuração anual, pela regra do inciso I, do art. 173, do CTN, o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 02/01/2009 e o termo final seria 02/01/2014. Tendo em vista que a ciência da autuação ocorreu em 06/12/2013, data anterior ao termo final, não ocorreu a decadência. 7) Responsabilidade solidária: De acordo com a autoridade lançadora, os fatos que implicaram no lançamento teriam sido praticados pelos sócios, enquadrandoos no art 124, do CTN pois estaria demonstrado o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.021 15 Em primeiro lugar esclareçase que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 3 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Como já dito, a responsabilidade tributária deve ser buscada dentro das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. No caso dos sócios, o art. 135 estabelece hipóteses de responsabilização pela prática de atos infracionais ali descritos. No presente caso, a autoridade lançadora justifica a responsabilização dos sócios com a descrição de irregularidades tributárias que implicaram na formalização do auto de infração contra a pessoa jurídica, inclusive com multa qualificada, mas não faz qualquer menção específica à prática de atos infracionais pelo coobrigado. Para aplicação do art. 135, do CTN, é necessário preliminarmente que seja identificado expressamente qual ato infracional gerou o enquadramento e quem o praticou. Mas não é só isso. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a 3 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 3028DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 qual ele age de tal modo é descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. 4 Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a precisa identificação da prática de atos pelo sócio administrador que justificasse a responsabilização nos termos efetuados. Por esse motivo, conduzo meu voto no sentido de excluir do pólo passivo os sócios Inácio Procópio Neto e Elizabeth Procópio. 7) Resumo: Em resumo do exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário dos coobrigados para excluílos da relação jurídicotributária e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para determinar o recálculo da multa isolada sobre estimativa da CSLL levandose em consideração o saldo de base de cálculo negativa da contribuição. RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício trata da redução base de cálculo da multa isolada pela dedução do saldo de prejuízos fiscais e também da desqualificação da multa de ofício aplicada sobre a exigência decorrente da glosa de dedução dos juros sobre mútuos. Em relação à multa isolada a decisão seguiu a jurisprudência dominante nesta Corte no sentido de deduzir, na apuração da multa isolada, eventual saldo de prejuízos fiscais existente, respeitandose o limite legal. No que tange à multa de ofício proporcional ao tributo incidente sobre as despesas glosadas com juros sobre mútuos, a decisão recorrida excluiu a qualificação por entender que a irregularidade limitarseia à desnecessidade da despesas. Não partilho desse entendimento pois, conforme explicitado na análise do recurso voluntário, a interessada não demonstrou a efetividade das operações que geraram o mútuo. Nesse caso, a dedução de custos ou despesas referentes a operações cuja realização não restou demonstrada caracteriza a conduta fraudulenta descrita no art. 72, da Lei 4 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade dos administradores prevista no art. 135, III do CTN: hipótese de responsabilidade solidária, subsidiária ou exclusiva?. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 3089, 16 dez. 2011 . Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/20662>. Acesso em: 23 dez. 2013. Fl. 3029DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.728232/201316 Acórdão n.º 1402002.203 S1C4T2 Fl. 3.022 17 nº 4.502/64, motivo pelo qual dou provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada para essa exigência. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 3030DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.000761/2010-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO
As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.473
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento ao Recurso. As Conselheiras Vanessa Marini Cecconello e Tatiana Midori Migiyama apresentarão declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Julio César Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martinez López.
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 61 /2 01 0- 07 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 957 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento ao Recurso. As Conselheiras Vanessa Marini Cecconello e Tatiana Midori Migiyama apresentarão declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Julio César Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martinez López. Relatório Inicialmente, cumpre esclarecer que o Auto de Infração em referência foi lavrado em face de ABN AMRO REAL CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S.A, em razão de cisão parcial, converteuse parcela de seu patrimônio para SANTANDER CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, fls.718 a 721, logo, SANTANDER CORRETA passa a figurar como sujeito passivo da obrigação tributária. Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em face ao acórdão de nº3202000.707, o qual se negou provimento, mantendo incólume a decisão da DRJ, que constitui o crédito tributário de PIS e COFINS de receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da bolsa de valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de futuros em sociedades por ações, relativo aos períodos de apuração de 31/10/2007, 30/11/2007 e 31/12/2007, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007/ TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições Fl. 957DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 958 3 sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Voluntário negado. Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: "O sujeito passivo, por ocasião dos fatos apurados, era constituído como pessoa jurídica de direito privado, tendo por objeto social a operação das atividades de corretora de câmbio e valores mobiliários, integrando dessa forma o Sistema Financeiro Nacional, conforme previsão contida na Lei n° 4.595/64, referendada no § 1º, art.22 da Lei n° 8.212/91, e obrigandose pela disposição do art.14 da Lei n° 9.718/98 à apuração do Lucro Real. À época dos fatos, a Bovespa e a BM&F eram organizações mutuárias, constituídas como associações civis sem fins lucrativos, conforme dispunha a Resolução CMN n° 1.656/89, assemelhandose às associações ora disciplinadas pelos art.53 a 61 da Lei n° 10.406/2002, gozando do benefício fiscal da isenção do imposto de renda. A operação das bolsas girava em prol dos associados, sendo os resultados reinvestidos sistematicamente. Os associados que contribuíam para a formação do patrimônio social das Bolsas recebiam em troca títulos representativos do patrimônio da entidade, contabilizados em conta própria do ativo permanente. Esses títulos tinham natureza patrimonial, refletindo o valor da participação do associado no capital da entidade, e operacional, fundada na concessão do "direito de acesso" que o habilitava a operar nas bolsas. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 959 4 O processo pelo qual as bolsas modificaram sua estrutura constitutiva, passando a atuar como sociedades empresárias por ações, na forma dada pela Resolução CMN n°2.690/2000,denominouse desmutualização. As bolsas passaram à condição de sociedades empresárias, havendo extinção dos títulos patrimoniais e sua substituição por ações das novas companhias formadas ao fim do processo. As atividades operacionais das bolsas geravam acréscimos patrimoniais que não podiam ser transferidos, devolvidos ou distribuídos aos sócios, em respeito à sua natureza associativa, sem finalidade lucrativa, e contemplada pelo citado benefício fiscal. Para contabilizar tal acréscimo foi autorizado que as associadas refletissem nas demonstrações contábeis e societárias a valorização dos referidos títulos patrimoniais, assemelhandose à reavaliação de bens tangíveis do ativo permanente. As reservas decorrentes de reavaliação de valor dos ativos constituem elemento do patrimônio líquido das sociedades empresárias, tendo seu efeito tributário diferido até o momento fixado pela legislação de regência, de acordo com art.249 do RIR/99. O registro da valorização do ativo da corretora impunha o lançamento de contrapartida em conta contábil de natureza credora, resultando na majoração do resultado tributável. Para diferir a tributação da RATP assim formada, foi editada a Portaria MF n° 785/77. Essa portaria, porém, tratava de "constituição de reserva com acréscimos no valor nominal dos títulos", situação distinta da "devolução do patrimônio das bolsas às associadas", alcançada pelo art.17 da Lei n° 9.532/97.A reserva subsiste enquanto mantido o ativo que a originou, esua baixa, por qualquer motivo, determina o momento de suatributação. A contabilização dos títulos patrimoniais das Bolsas está prevista no Capítulo 1, item 11, subitem 3, § 3 o do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional Cosif.Neste, a conta utilizada para registro dos títulos patrimoniais pertence ao grupo do ativo permanente — investimentos: 2.1.4.10.208. Já a que registra a RAPT situase no patrimônio líquido reserva de capital: 6.1.3.70.009. Assim, a atualização dos títulos não afetava o resultado do exercício, já que a contrapartida era conta de reserva de capital. Portanto,essa mais valia jamais foi objeto de tributação. A Comissão Nacional de Bolsa de Valores formulou consulta à Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o tema, obtendo como resposta a aplicabilidade do art.17 da Lei n° 9.532/97 (Solução de Consulta Cosit n° 10/2007). Assim, deve ser computada na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens recebidos a título de devolução de patrimônio de instituição isenta e aqueles entregues para a formação do patrimônio das bolsas. A RFB entende que, na desmutualização, os títulos patrimoniais ocasionaram a devolução do patrimônio por eles representado, na forma de ações. A sociedade corretora deixou de se qualificar como associada das bolsas, passando à condição de acionista das novas empresas formadas com finalidade lucrativa. As bolsas, como associações civis sem fins lucrativos, deixaram de existir. Portanto, o valor a ser tributado é a diferença entre o valor recebido pela corretora na forma de ações, e o valor entregue por ela para a formação do patrimônio das Bolsas, observada a valorização dos títulos patrimoniais incorrida ao longo do tempo. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 960 5 Os documentos analisados e a forma como ocorreram as transações entre o contribuinte e as emitentes das ações – BM&F S.A e a BOVESPA HOLDING S.A. – demonstram que sua intenção nunca foi de manter as ações em seu patrimônio como Ativo Permanente. Basta visualizar todo o conjunto de operações realizadas para se compreender o objetivo do negócio realizado era realmente a alienação das ações, e não a sua manutenção no patrimônio da empresa". Irresignada com tal decisão, o Contribuinte interpõe o presente recurso demonstrando divergência jurisprudencial quanto as receitas oriundas das operações societárias denominadas "desmutualização", realizadas em virtude dos processos de reorganização societária sofridas pela BM&F e pela BOVESPA. Por fim, pugna pelo cancelamento dos juros calculados com base na Taxa Selic sobre a multa. É o relatório. Voto Demes Brito, Conselheiro Relator Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, relativo aos períodos de apuração 31/10/2007, 30/11/2007 e 31/12/2007, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como conseqüência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. A autoridade fiscal alega que as ações recebidas deveriam compor o “ativo circulante” e, quando da venda, haveria a incidência das contribuições; o sujeito passivo entende que as ações deveriam ser classificados no “ativo permanente”,da mesma forma que os títulos anteriormente possuídos, e, quando da venda, não sofreriam a incidência das contribuições. Para concluirmos quais são os efeitos jurídicotributários decorrentes do processo de "desmutualização" das bolsas, temos que verificar se as receitas decorrentes das vendas das ações seriam tributadas pelas contribuições PIS/COFINS, percorrendo de modo pragmático o processo de reestruturação societária, incluindo os dispositivos legais sobre o tema, e a correta forma de contabilização das ações recebidas no processo. Da origem dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Fl. 960DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 961 6 Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função primordial manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras Fl. 961DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 962 7 e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 963 8 § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 964 9 Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em conseqüência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular Fl. 964DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 965 10 de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 966 11 Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Dos Efeitos dos Registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F Holding), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Fl. 966DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 967 12 Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, de, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 968 13 Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita bruta operacional. Ressaltando que o sujeito passivo exerce atividade de corretora de valores mobiliários, e tem como atividade principal subscrever títulos para revendelos no mercado futuro. Aliás, essa característica das corretoras está expressamente delineado no art. 2º da Resolução nº 1.655/89: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. (destaques não constam no original) Temse que a recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 969 14 Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Da não incidência de juros sobre multa de ofício O Contribuinte contesta a incidência de juros mora sobre multa de ofício. Adoto, no presente voto, as razões de decidir do acórdão nº 9303002.399, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, verbis: Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9,430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise [...] que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do Fl. 969DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 970 15 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR1, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Contudo, o entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Portanto, correta a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Jurisprudência dos Tribunais sobre "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento e argumentos dos enunciados descritos e manteve os lançamentos tributários, senão vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia 1 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 971 16 dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF 3 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 972 17 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃO Vistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário. Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 973 18 APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 do Código Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tãosomente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados."AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 0001164 33.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 974 19 Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Demes Brito É como voto é como penso. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 975 20 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Com a devida vênia ao entendimento do Conselheiro Demes Brito, no que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que o registro das referidas ações devese dar em conta do Ativo Permanente. Nessa operação, vêse que a Bovespa Associação, através da cisão, verteu parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A. A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...]” “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil1, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 976 21 Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição. Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 977 22 Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendêlo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 978 23 O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 979 24 A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 980 25 Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civi anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); Fl. 980DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 981 26 c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 982 27 O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais : Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal,estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 983 28 § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. [...] Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 984 29 Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de Fl. 984DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 985 30 participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Fl. 985DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 986 31 Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Na mesma linha, transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim exarado no acordão 3403003447: “[...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre Fl. 986DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 987 32 as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa Fl. 987DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 988 33 jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das Fl. 988DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 989 34 operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigalo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva Fl. 989DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 990 35 continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, independentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Fl. 990DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 991 36 Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: Fl. 991DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 992 37 “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: a. esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; b. mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e Cofins. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 993 38 Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer os seguintes limites: · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 994 39 Portanto, vêse que não há que se considerar “engessadamente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si própria – pois sua atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da Cofins sob a sistemática da cumulatividade. O que resta afastar a pretensão de considerar que a receita auferia pela venda dessas ações objeto de substituição seriam enquadradas como receitas de suas atividades – para fins de se tributálas pelo PIS e Cofins. Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 994DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 995 40 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Vanessa Marini Cecconello A controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da Bovespa e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Em momento subsequente (novembro e dezembro de 2007), a Contribuinte procedeu à alienação compulsória de 35% (trinta e cinco por cento) das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Na desmutualização, foi firmado acordo entre as bolsas e os acionistas, determinando que fosse realizada por estes a venda, no mercado, de parte das ações recebidas, em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da desmutualização. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (efls. 70 a 86), a Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como havido por parte das corretoras a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é Fl. 995DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 996 41 informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier2, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro3 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”4. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 997 42 que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis5: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há de se considerar também há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Contribuinte sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão à Recorrente ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. 5 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 998 43 A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. Conselheira Vanessa Marini Cecconello Fl. 998DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000761/201007 Acórdão n.º 9303003.473 CSRFT3 Fl. 999 44 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/06/2016 por DEMES BRITO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004631/2002-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 15/08/2002, 30/04/2003
DÉBITOS PARCELADOS. DCOMP. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EXTINÇÃO.
O pagamento, via darf, e/ ou o parcelamento dos débitos declarados nas Dcomp, em discussão, via Consolidação de Parcelamento de Dívidas, em datas anteriores às da apresentação das Dcomp, implica extinção dos débitos pagos e a cobrança dos débitos parcelados de conformidade com o parcelamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de pedido de parcelamento, não se conhece do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DCOMP. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EXTINÇÃO. O pagamento, via darf, e/ ou o parcelamento dos débitos declarados nas Dcomp, em discussão, via Consolidação de Parcelamento de Dívidas, em datas anteriores às da apresentação das Dcomp, implica extinção dos débitos pagos e a cobrança dos débitos parcelados de conformidade com o parcelamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pedido de parcelamento, não se conhece do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 31 /2 00 2- 22 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10280.004631/200222 Acórdão n.º 3301002.873 S3C3T1 Fl. 463 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela União, Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, verificando omissão no acórdão proferido no processo em epígrafe. O processo trata de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belém (PA) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI apurado, para o 4º trimestre de 2000 e não homologou as compensações declaradas. A DRF em Belém indeferiu o ressarcimento pleiteado e não homologou as compensações declaradas sob o fundamento de que a recorrente não comprovou o cumprimento das exigências previstas na Portaria MF nº 38, de 1997, conforme Parecer e Despacho Decisório às fls. 126/132. Intimada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, ter efetuado vendas para a comercial exportadora Amazonas Indústrias Alimentícias S/A com o fim específico de exportação e, ainda, que desenvolve atividade de armação, captura e comercialização de peixes e crustáceos, fazendo jus ao crédito presumido sobre os custos com as aquisições dos insumos necessários à sua atividade econômica. Encaminhado o processo para julgamento, aquela DRJ baixou em diligência para intimar a recorrente a apresentar os documentos comprovando o ressarcimento pleiteado. Em atendimento à diligência, foram apresentadas notas fiscais e o Relatório às fls. 376/379 no qual a Fiscalização concluiu que as exportações não foram comprovadas. Intimada do Relatório de Diligência, a recorrente não se manifestou. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0125.497, datado de 18/09/2012, às fls. 416/418, sob a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. O crédito presumido do IPI é um benefício fiscal instituído como forma de compensar a incidência do PIS/Pasep e da Cofins na cadeia produtiva do bem exportado. Inexistindo comprovação de exportação direta ou venda para empresa comercial exportadora, inexiste direito ao crédito. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 425/426), requerendo a sua nulidade sob o argumento de que os débitos, objeto das Dcomp em discussão, foram parcelados, em conjunto com outros débitos, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22/06/2009, c/c a Lei nº 11.941, de 2009, conforme comprovantes em anexo. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10280.004631/200222 Acórdão n.º 3301002.873 S3C3T1 Fl. 464 3 Assim, sua cobranças neste processo é indevida e configura exigência em duplicidade dos mesmos débitos. A 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, pelo acórdão nº 3301002.126, deu provimento parcial ao recurso voluntário sob a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 15/08/2002, 30/04/2003 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. DÉBITOS PARCELADOS. DCOMP. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EXTINÇÃO. O pagamento, via darf, e/ ou o parcelamento dos débitos declarados nas Dcomp, em discussão, via Consolidação de Parcelamento de Dívidas, em datas anteriores às da apresentação das Dcomp, implica extinção dos débitos pagos e a cobrança dos débitos parcelados de conformidade com o parcelamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração onde alega que o parcelamento promovido pelo contribuinte em momento posterior ao início da ação fiscal desencadeia o não conhecimento do recurso interposto, em razão da falta de objeto. Deveras, por meio do parcelamento da dívida, o contribuinte desistiu da discussão administrativa, pois o seu ato equivaleu à concordância com a exigência fiscal. Os embargos de declaração foram admitidos. É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10280.004631/200222 Acórdão n.º 3301002.873 S3C3T1 Fl. 465 4 Voto Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alegando omissão no acórdão proferido no processo em epígrafe. A apreciação e julgamento da certeza e liquidez do ressarcimento dos créditos presumidos do IPI, declarados como créditos financeiros nas Dcomp em discussão, ficaram prejudicados em virtude do pagamento e parcelamento dos débitos declarados, via Consolidação de Parcelamento de Dívidas não Parceladas, efetuado em 23/10/2009. As Dcomp em discussão foram protocoladas nas datas de 1º/10/2002 (fls. 58) e 02/05/2003 (fls. 61). O despacho decisório que não as homologou foi prolatado em 06/05/2007 do qual a recorrente foi intimada em 17/09/2007. A manifestação de inconformidade foi protocolada em 17/10/2007 e a decisão sobre ela foi proferida em 18/09/2012. Embora a recorrente tenha pago parte dos débitos e parcelado o restante, intimada do despacho decisório apresentou manifestação de inconformidade e, posteriormente, recurso voluntário contra a decisão de primeira instância. A cópia do Extrato da Dívida – Modalidades da Lei nº 11.941/2009, às fls. 427/432, comprova que parte dos débitos objetos das Dcomp em discussão foi parcelada, via Consolidação de Parcelamento de Dívidas. O débito declarado na Dcomp às fls. 61, no valor de R$ 620,00, e os débitos nos valores de R$ 497,17; e R$ 3.234,38, no total de R$ 4.351,55, foram parcelados, conforme se verifica do Recibo de Consolidação de Parcelamento de Dívidas – Descriminação dos Débitos Selecionados para Consolidação, datado de 23/10/2009, às fls. 432. Os outros débitos, nos valores de R$ 2,18 e R$ 10,08, foram extintos conforme se depreende do Extrato deste Processo às fls. 420/421 no qual constam com saldos devedores zerados. Assim, concluise que a manifestação de vontade do contribuinte no sentido de optar pela inclusão do crédito tributário em parcelamento configura ato incompatível com a pretensão de recorrer, o que evidencia a perda do seu interesse no recurso voluntário e, com isso, a perda do próprio objeto do recurso voluntário, cujo julgamento fica prejudicado. O acórdão embargado reconhece que o contribuinte aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009 em momento anterior à interposição do recurso voluntário. Portanto, o pedido de parcelamento formulado pela parte interessada importa na desistência do recurso eventualmente apresentado e implicará na inexistência de lide, por perda de objeto e ausência de interesse em recorrer, sendo procedente o lançamento efetuado, diante do não conhecimento do recurso voluntário Em face do exposto, voto por acolher os embargos propostos com efeitos infringentes, para alterar a decisão nos seguintes termos: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10280.004631/200222 Acórdão n.º 3301002.873 S3C3T1 Fl. 466 5 Voto por não conhecer do recurso voluntário e determinar que a cobrança dos débitos parcelados seja efetuada em conformidade com o parcelamento. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 466DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 12448.721320/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para verificação da data da postagem do recurso voluntário, tendo em vista o encaminhamento por via postal, cuja identificação da data no objeto está ilegível.
Maria Cleci Coti Martins Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para verificação da data da postagem do recurso voluntário, tendo em vista o encaminhamento por via postal, cuja identificação da data no objeto está ilegível. Maria Cleci Coti Martins Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.721320/201015 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.511 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de maio de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HELIO MAZZEO RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para verificação da data da postagem do recurso voluntário, tendo em vista o encaminhamento por via postal, cuja identificação da data no objeto está ilegível. Maria Cleci Coti Martins – Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 21 32 0/ 20 10 -1 5 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 12448.721320/201015 Resolução nº 2401000.511 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 22/11/2010, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2009, AnoCalendário 2008, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 6.461,49 (seis mil, quatrocentos e sessenta um reais e quarenta nove centavos) recebidos por dependente do titular. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos em razão da aposentadoria de sua dependente ter sido aposentado por invalidez e juntou o ato que determinou a aposentadoria e contracheques. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento NO Rio de Janeiro I (RJ) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, sendo a comprovação da doença grave feita obrigatoriamente através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Quanto ao primeiro requisito, identificase que os rendimentos recebidos referemse à aposentadoria, tendo em vista o documento de fls. 10. Quanto ao segundo requisito, não foi anexado aos autos laudo pericial onde se possa verificar se doença que motivou a invalidez enquadrase entre as legalmente previstas.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou ser legítimo e incontestável o direito de Hiralda Bitton Rodrigues a isenção tributária desde 1981, data de sua aposentadoria, quando passou a constar, como sua dependente. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 12448.721320/201015 Resolução nº 2401000.511 S2C4T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 05/05/2014 (fls. 39), conforme termo de ciência às fls. 39, o prazo para interposição do recuso esgotouse em 04/06/2014, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado por via postal (fls. 48), no entanto o carimbo da postagem está apagado e não permite identificação com segurança da data. Assim o processo deve ser baixado em diligência para verificação da data da postagem para análise da tempestividade ou não do recurso. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001299/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES
A empresa excluída do SIMPLES está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas, com efeitos conforme disposto no artigo 15 da Lei nº 9.317/96 desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Tratando-se de ato sujeito a registro para a produção de efeitos jurídicos, deve ser considerada a regra disposta na lei de regência.
Numero da decisão: 2301-004.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A empresa excluída do SIMPLES está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas, com efeitos conforme disposto no artigo 15 da Lei nº 9.317/96 desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Tratando-se de ato sujeito a registro para a produção de efeitos jurídicos, deve ser considerada a regra disposta na lei de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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Tratandose de ato sujeito a registro para a produção de efeitos jurídicos, deve ser considerada a regra disposta na lei de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 12 99 /2 00 8- 19 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o auto de infração lavrado em 26/08/2008 e relativo às contribuições sociais previdenciárias, cota patronal, segurados e terceiros. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 HIPÓTESE LEGAL DE VEDAÇÃO DE PERMANÊNCIA NO SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A empresa excluída do Simples está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Lançamento Procedente ... 6. Analisando as razões de defesa da impugnante, constatase, que se funda, em síntese, na alegação de que na competência 01/2004 ainda não estava desenquadrada do regime SIMPLES de tributação para todos os efeitos legais, porquanto tal fato somente se implementa mediante comunicação à RFB, e esta, por sua vez, tem como requisito essencial o registro da alteração contratual na Junta Comercial competente, que ocorreu em 12/02/2004; ... Contra a decisão, a recorrente reitera as alegações trazidas na impugnação: 3.1. Que a empresa estava enquadrada no SIMPLES, porém em 12 de dezembro de 2003 os sócios procederam à alteração contratual para modificar o seu sistema de tributação para o Lucro Presumido; 3.2. Que após a assinatura dos sócios a defendente deu entrada na aludida alteração contratual na JUCEES, no entanto o número do registro somente foi emitido por este órgão em 12 de fevereiro de 2004; 3.3. Que a expedição do número do registro da JUCEES é requisito essencial para que se comunique à RFB a mudança do regime de tributação; 3.4. Que a empresa somente foi excluída do SIMPLES após a comunicação à Receita Federal, que se deu posteriormente ao dia 12/02/2004, data do registro na JUCEES; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001299/200819 Acórdão n.º 2402004.451 S2C4T2 Fl. 201 3 3.5. Que a mudança do regime de tributação se deu em razão da vedação prevista no art. 9% X, da Lei n° 9.317/96, isto é, no caso de pessoa jurídica de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica; 3.6. Que nos termos do art. 12 do mesmo diploma legal, a exclusão do Simples será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio, tendo como prazo o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão (..), consoante aduz o art. 13, § 3º b; 3.7. Que nos termos acima a empresa não estava obrigada a qualquer recolhimento das contribuições ora exigidas para a competência janeiro de 2004; E ainda que: A SOLUÇÃO DE CONSULTA NO 94 de 22 de Marco de 2005 ratifica seu entendimento pela impossibilidade de retroatividade: ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples EMENTA: Constatado que o sócio, com participação de mais de 10% do capital de outra empresa, foi excluído, mediante alteração contratual, antes que a receita bruta global ultrapassasse o limite de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), é cabível a permanência da pessoa jurídica no Simples. Os efeitos da alteração contratual retroagem à data de sua assinatura, desde que o arquivamento no órgão competente ocorra dentro de 30 dias, contados da assinatura. É o Relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 que instituiu o sistema do SIMPLES promoveu tratamento fiscal simplificado para pagamento das contribuições e impostos por elas contemplados: Lei nº 9.317/96 Art. 1º Esta Lei regula, em conformidade com o disposto no art. 179 da Constituição, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e as empresas de pequeno porte, relativo aos impostos e às contribuições que menciona. ... Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: ... Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... X de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica; ... Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. ... Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998)(Vide Lei nº 10.925, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 sem eficácia) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001299/200819 Acórdão n.º 2402004.451 S2C4T2 Fl. 202 5 II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Redação em vigor à época da alteração contratual: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) ... Portanto, de acordo com a redação vigente à época do fato, para situação prevista no inciso X do artigo 9º os efeitos eram a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente. Resta uma análise quanto aos efeitos do arquivamento do registro. De acordo com o artigo 36 da Lei nº 8.934 de 18/11/1994, os efeitos são retroativos à data da assinatura do instrumento de alteração contratual.: Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18470.731968/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
LUCRO REAL. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Quando o contribuinte sujeito à apuração pelo lucro real opta pelo pagamento por estimativa, o fato gerador da CSLL ocorre no último dia do ano-calendário.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE.
A falta de propósito negocial demonstra o desvio de finalidade, e este, o abuso do direito de auto-organização, que é ato ilícito, logo torna indedutível a despesa com amortização do ágio.
IRPJ/CSLL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ETAPA DE REESTRUTURAÇÃO INTERMEDIÁRIA. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ANTECIPAÇÃO DE EXCLUSÕES DO LUCRO REAL E BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a antecipação de exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A operação mediante incorporação intermediária, intragrupo, com o propósito eminentemente fiscal, deve ser desconsiderada para fins tributários.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. DATA DO FATO GERADOR. Quando o contribuinte sujeito à apuração pelo lucro real opta pelo pagamento por estimativa, o fato gerador da CSLL ocorre no último dia do ano-calendário. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A falta de propósito negocial demonstra o desvio de finalidade, e este, o abuso do direito de auto-organização, que é ato ilícito, logo torna indedutível a despesa com amortização do ágio. IRPJ/CSLL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ETAPA DE REESTRUTURAÇÃO INTERMEDIÁRIA. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ANTECIPAÇÃO DE EXCLUSÕES DO LUCRO REAL E BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a antecipação de exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A operação mediante incorporação intermediária, intragrupo, com o propósito eminentemente fiscal, deve ser desconsiderada para fins tributários. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
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CONTRIBUINTE QUE ALEGA NÃO ENTENDER A MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. Afastase a alegação de nulidade quando os motivos do lançamento estão claramente expostos no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. DATA DO FATO GERADOR. Quando o contribuinte sujeito à apuração pelo lucro real opta pelo pagamento por estimativa, o fato gerador do IRPJ ocorre no último dia do ano calendário. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A falta de propósito negocial demonstra o desvio de finalidade, e este, o abuso do direito de autoorganização, que é ato ilícito, logo torna indedutível a despesa com amortização do ágio. IRPJ/CSLL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ETAPA DE REESTRUTURAÇÃO INTERMEDIÁRIA. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ANTECIPAÇÃO DE EXCLUSÕES DO LUCRO REAL E BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a antecipação de exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 19 68 /2 01 2- 52 Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.322 2 operação mediante incorporação intermediária, intragrupo, com o propósito eminentemente fiscal, deve ser desconsiderada para fins tributários. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. DATA DO FATO GERADOR. Quando o contribuinte sujeito à apuração pelo lucro real opta pelo pagamento por estimativa, o fato gerador da CSLL ocorre no último dia do ano calendário. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.323 3 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A falta de propósito negocial demonstra o desvio de finalidade, e este, o abuso do direito de autoorganização, que é ato ilícito, logo torna indedutível a despesa com amortização do ágio. IRPJ/CSLL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ETAPA DE REESTRUTURAÇÃO INTERMEDIÁRIA. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ANTECIPAÇÃO DE EXCLUSÕES DO LUCRO REAL E BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a antecipação de exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A operação mediante incorporação intermediária, intragrupo, com o propósito eminentemente fiscal, deve ser desconsiderada para fins tributários. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.324 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.325 5 Relatório PIMACO AUTOADESIVOS LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1255.144 lavrado pela 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/DRF/RJ1 que julgou improcedente a impugnação apresentada. O litígio diz respeito a autos de infração de IRPJ e CSLL relativos a duas infrações: amortização indevida de ágio e falta de recolhimento de estimativas. Em relação à amortização de ágio, podese assim resumir o litígio: a empresa BFL Participações e Empreendimentos foi criada em 11/07/2006 e baixada 30/04/2007, por ocasião da incoporação pela RECORRENTE, até então sua controlada. Segundo a DIPJ/2007 da BFL o seu quadro societário era formado pela BIC Amazônia S.A. [99,99% do capital] e BIC Brasil S.A. [0,01% do capital], denominada no Termo de Verificação Fiscal por Grupo BIC; pouco mais de um mês após a instituição de BFL (23/05/2006), seus sócios (Grupo BIC) realizaram uma assembleia geral extraordinária e homologaram o aumento de seu capital para R$ 100.000.000,00; 13 dias depois (05/09/2006), BFL adquiriu a totalidade das ações de PIMACO pelo valor de R$ 96.000.000,00, aí computados ágio de R$ 79.834.147,77; decorridos 6 meses (15/03/2007) PIMACO (ora RECORRENTE), incorporou sua controladora (BFL) tendo como justificativas , segundo o Protocolo e Justificação de Incorporação do Acervo Líquido de BFL –, os seguintes pontos: i) maior capacidade financeira e patrimonial à incorporadora; ii) racionalização e simplificação de sua estrutura societária; iii) união de recursos empresariais e patrimônios envolvidos; iv) racionalização e simplificação da gestão; segundo o Termo de Verificação, BFL e PIMACO pertenceriam aos mesmos sócios na ocasião da incorporação; a partir de então (abril/2007), a RECORRENTE passou a amortizar o ágio; no entender da autoridade fiscal autuante, BFL não preencheria os requisitos para ser considerada uma empresa, tendo sido utilizada tão somente como empresa veículo a fim de viabilizar, de forma artificial, as condições impostas pelos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 para que o ágio pago na aquisição da RECORRENTE pudesse ser amortizado; Em razão da amortização de ágio, teriam sido recolhidas a menor estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a cominação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Cientificada do lançamento, a RECORRENTE apresentou impugnação, que, em resumo, assim atacou a exigência: Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.326 6 o lançamento seria nulo por se basear em conclusões nitidamente pessoais na suposição e e presunção de ocorrência de um ato ilícito; embora a autoridade lançadora tivesse afirmado em seu Termo de Verificação Fiscal que cada etapa que compôs a operação de incorporação de BFL pela RECORRENTE teriam observado a legislação societária que rege a matéria, concluiu que BFL teria sido utilizada somente como empresa veículo para viabilizar o aproveitamento de ágio, o que caracterizaria abuso de Direito, instituto que não legitimaria constituição do crédito tributário; além disso, não haveria descrição da clara e precisa da conduta infracional e da base legal infringida, sendo o lançamento nulo por falta de motivação e violação ao princípio da estrita legalidade tributária; alega ainda que o lançamento seria decadente e o crédito tributário correspondente deveria ser extinto (nos termos do artigo 150, § 4°, e artigo 156, V, do CTN), uma vez que a incorporação ocorreu em 31/03/2007 e o lançamento formalizado somente em 12/11/2012, após transcorrido o prazo decadencial de 5 anos; no mérito, argumenta que o ágio gerado na aquisição de participação societária foi devidamente pago e encontrou justificativa na expectativa de rentabilidade futura de PIMACO; posteriormente, alega que a RECORRENTE incorporou BFL com fundamento em razões estratégicas e econômicas ( “(i) conferir maior capacidade financeira e patrimonial à incorporadora; (ii) racionalização e simplificação de sua estrutura societária e, consequentemente, consolidação e redução de gastos e despesas operacionais combinadas; (iii) união de recursos empresariais e patrimônios envolvidos, permitindo uma melhor utilização de recursos operacionais e beneficiando as atividades sociais desempenhadas; e (iv) simplificação da gestão para viabilizar a expansão dos negócios sociais combinados”); em relação aos aspectos formais da operação, a própria Fiscalização teria reconhecido expressamente que todos os procedimentos foram realizados em cumprimento aos exatos termos da legislação societária; desse modo, tendo a RECORRENTE absorvido patrimônio de BFL por meio de incorporação, faria jus à amortização do ágio anteriormente contabilizado nos livros da BFL, nos termos dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997. Cita jurisprudência do CARF que corroboraria seus argumentos; a respeito da acusação de que BFL seria mera “empresa veículo”, argumenta que se tratava de uma sociedade anônima, e por expressa disposição legal (art. 982 do Código Civil), independentemente de seu objeto, teria que ser considerada como uma sociedade empresária; questiona ainda a cumulação entre multa de ofício e multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, citando jurisprudência do CARF que fulmina tal pretensão por parte do Fisco. Analisando a impugnação apresentada, a 9ª Turma da DRJ/RJ1 julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 24 junho de 2013, apresentando em 19 de julho de 2013 (fl. 1240 e fl. 1308) o recurso voluntário de fls. 12411307. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.327 7 A RECORRENTE reforça os argumentos apresentados em sua impugnação, reafirmando sua tese de nulidade do lançamento e de decadência, e, no mérito, aduzindo, em síntese, que o ágio em questão foi pago, realizado entre partes independentes e baseado em laudo idôneo, citando jurisprudência que socorreria sua tese a respeito da possibilidade de amortização de tal ágio após a extinção do investimento em razão de incorporação reversa. A utilização de empresa veículo, ainda que assim fosse, não alteraria em nada o panorama, pois não houve criação de novo ágio. A respeito da multa isolada, reforça seus argumentos de impugnação quanto à impossibilidade de ser lançada juntamente com a multa de ofício. É o relatório. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.328 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o contribuinte foi cientificado da decisão em 24 junho de 2013, uma segundafeira, iniciandose a contagem do prazo de 30 dias para interposição de seu recurso no dia seguinte (25 de junho de 2013). Desse modo, o termo final para sua apresentação era o dia 24 de julho de 2013. Logo, tendo sido o recurso voluntário interposto em 19 de julho de 2013, o mesmo mostrase tempestivo. Em consequência, considerando que foram preenchidos os demais pressupostos legais, dele tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR DE NULIDADE A infração referente à amortização de ágio, segundo o autuante, realizouse mediante abuso de direito, encontrandose devidamente descrita a conduta da RECORRENTE e os fatos que ensejaram a autuação. De igual modo, o lançamento das multas isoladas é exatamente idêntico aos inúmeros casos rotineiramente analisados nesta Corte Administrativa, estando perfeitamente caracterizada a infração que foi imputada ao contribuinte. No que diz respeito às conclusões da autoridade fiscal autuante quanto à regularidade dos atos perpetrados pelo contribuinte em face da legislação societária, perfeitas as considerações da decisão de primeira instância, que ora reproduzo: “O fato de o autuante reconhecer que a legislação societária foi observada, não infirma o lançamento porque este baseouse em infrações à legislação tributária e na teoria do abuso do direito. Embora haja decisão do CARF, citada pelo Interessado, no sentido de não aceitar a aplicação de tal teoria ao campo do Direito Tributário, não vemos razão alguma para estabelecer esse tratamento diferenciado, já que o exercício dos direitos, sejam eles quais forem, sujeitase a limites, logo em qualquer área pode haver abuso e, consequentemente, ato ilícito”. Isso posto, na ausência de qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa por parte da RECORRENTE, rejeito as preliminares de nulidade do lançamento. 4 PREJUDICIAL DE MÉRITO – ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA O tema é pacífico neste Colegiado. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.329 9 Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, o contribuinte mantivesse o ágio em seu ativo e não o amortizasse, não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. O contribuinte foi tributado no anocalendário de 2007 com base no lucro real anual. O fato gerador, portanto, ocorreu somente em 31/12/2007. Mesmo que se aplicando o art. 150, § 4º, do CTN para contagem do prazo decadencial, o lançamento poderia ter sido realizado até dia 31/12/2012. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 12/12/2012, não há que se falar em decadência. Nesse cenário, voto por rejeitar a arguição de decadência cuja tese implicaria contagem do prazo decadencial a partir da data de incorporação, e não de sua efetiva amortização. 4 MÉRITO 4.1 DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Segundo a RECORRENTE, a utilização de empresas veículos, por si só, não é suficiente para determinar os efeitos fiscais de determinada operação. Embora concorde que não se pode determinar a existência de patologia fiscal simplesmente pela utilização de empresas veículos, no caso concreto, não me resta qualquer sombra de dúvida que as operações, da forma como foram arquitetadas, visaram a driblar a legislação de regência, buscando posicionar a RECORRENTE artificialmente perante as normas que permitem a amortização do ágio em operações societárias. Não se pode confundir o direito a contabilização do ágio com as condições para amortização em termos fiscais. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.330 10 Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que rege a matéria: Amortização do Ágio ou Deságio Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso] Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; IIIprovisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. [grifos nossos] Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que o investimento realizado (aquisição das ações da RECORRENTE), e adquirido com ágio, comporia o ativo da então adquirente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações, em seu próprio nome, por parte da RECORRENTE. Assim, caso a aquisição fosse realizada pela holding, ou qualquer outra empresa operacional do grupo BIC, não haveria qualquer extinção do investimento, haja vista a continuidade das operações da RECORRENTE. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a RECORRENTE diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.331 11 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): [...] II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. [grifos nossos] Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II), em outras palavras, a extinção do investimento em razão da confusão patrimonial entre investida e investidora. A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela RECORRENTE a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, que talvez nunca seja alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresa veículo, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da RECORRENTE, o início da amortização dos valores de ágio. Com efeito, mostrase falacioso o argumento de que o ágio seria amortizado de qualquer modo, pois, conforme já repisado, os investimentos mantiveramse no Grupo BIC, e, as operações a que diziam respeito o investimento, permaneceram segregadas na RECORRENTE, o que inviabilizaria por completo qualquer forma de amortização do ágio para o resultado fiscal. Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. Contudo, o alcance do disposto no art. 386 do RIR/99, cuja base legal são os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 não possui o alcance que a RECORRENTE entende possuir. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.332 12 Não há, por assim dizer, um direito natural à amortização do ágio, uma vez que a regra geral é que o ágio componha o custo de aquisição do investimento. Também não há que se falar que os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 estabeleceram um benefício fiscal (à época, visando às operações de privatização), uma vez que, na realidade, tais dispositivos legais foram editados com viés antielisivo, uma vez que, na legislação então vigente, com a extinção do investimento, bastaria à pessoa jurídica avaliar o acervo líquido recebido a preços de mercado, e toda a diferença entre este acervo e o valor contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido como perda, para fins fiscais, qualquer que fosse o fundamento daquele ágio (art. 34 do DecretoLei nº 1.598/77). Após a Lei no 9.532/97, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente antielisivo. Não somente pelo seu próprio conteúdo normativo, já que a partir de sua edição foram sensivelmente restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97, posteriormente convertido no art. 7° da Lei no 9.532/97, verbis: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Este ponto merece ser melhor explicitado, visto que há muitos juristas e doutrinadores — quiçá a maioria, até — que tratam os referidos artigos 7o e 8o como um incentivo fiscal às privatizações. Contudo, o entendimento aqui exposto não é isolado, e, neste sentido, transcrevo excerto de manifestação de Luís Eduardo Schoueri em recente livro1 a respeito do tema: Muitos acreditam que a referida lei constituiu incentivo fiscal às privatizações. Neste sentido é o entendimento de Roberto Quiroga Mosquera e Rodrigo de Freitas, 1 SCHOUERI, Luis Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 6668. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.333 13 quando estes assinalam que o tratamento fiscal conferido ao ágio pela Lei no 9.532/1997 ‘foi estabelecido no contexto de incentivo às privatizações, em que o Estado brasileiro tinha interesse em oferecer condições vantajosas aos adquirentes e, com isso, conseguir melhores preços’. O mesmo raciocínio pode ser visto em Marcel e Michel Gulin Melhem, segundo os quais uma (e talvez a principal) das razões para a criação das normas sobre dedutibilidade do ágio na incorporação teria sido o incentivo ao “então chamado Programa Nacional de Desestatização, tornando as empresas estatais mais atraentes aos investidores privados, uma vez que o ágio eventualmente pago nos leilões de privatização poderia ser deduzido fiscalmente”. É, ainda, o mesmo entendimento de João Dácio Rolim e de Frederico de Almeida Fonseca, para quem um dos motivos para o tratamento dado ao ágio pela Lei no 9.532/1997 “foi o de fomentar o chamado ‘Programa Nacional de Desestatização do Governo Federal’”. Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse intuito de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômicotributários que os justificassem. Segundo as palavras utilizadas à época pelo Poder Executivo para justificar a introdução de disciplina diferenciada para o ágio conforme sua fundamentação, houve a necessidade de se coibir planejamentos tributários consistentes na aquisição com ágio de empresas deficitárias e posterior incorporação que fizesse com que o ágio fosse deduzido na empresa lucrativa. Como antigamente não havia qualquer coerência e consistência para a dedução do ágio, a falta de regulamentação específica estava sendo utilizada para distorcer a lógica do sistema, o que gerou motivação suficiente para que o legislador barrasse esses artifícios prejudiciais à completude do ordenamento jurídico.” Ainda que possa não ser o entendimento dominante, também no CARF se encontram manifestações no mesmo sentido do quanto exposto no presente voto. Peço vênia para transcrever trecho do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no acórdão no 10195.786, de 18 de outubro de 2006, à época acompanhado por unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Antigamente, o Decreto 1.598/77, em seu artigo 34, atual artigo 430 do RIR/99 [...] Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda, certo que alguns contribuintes, fortes na avaliação apenas de bens tangíveis e ignorando a valorização de intangíveis, registravam perdas quase pela totalidade do ágio pago na aquisição. E isso em operações muitas das vezes instantâneas. [...] A motivação para a nova regra teve caráter antielisivo, conforme a exposição de motivos ao artigo 8° da MP 1.602/97, convertido no artigo 7° da Lei 9.532/97, verbis: [...] Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.334 14 A única conclusão possível, portanto, é que a nova regulamentação, além de tomar despicienda qualquer avaliação de acerco líquido quando existente ágio ou deságio, criou prazo mínimo para a amortização, no caso 5 anos, como forma de evitar o ganho fiscal imediato que anteriormente se obtinha, pelo reconhecimento a um só tempo da diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido. No entanto, não há na norma qualquer permissão para que tal efeito represente um ajuste ao lucro líquido, mediante exclusão no LALUR. O fato é contábil, representativo do controle na escrituração da amortização do ágio após a incorporação. Como bem observou a decisão recorrida, apenas se a amortização ultimarse em período anterior a cinco anos, haverá necessidade de ajustes por adição e exclusão, para respeito ao prazo mínimo definido na norma. Portanto, longe de veicular o benefício fiscal de amortização do ágio, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 vieram impor limites a tal dedução. Em relação ao desenho da operação realizada pela RECORRENTE, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco2: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198208. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.335 15 consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.3 A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição NorteAmericana de 1787 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reprisaram a limitação. Essa perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma concessão da sociedade em favor do Estado, mas um instrumento da sociedade que tem por finalidade manter uma máquina pública estruturada em favor da própria sociedade. Esse é o sentido do dever fundamental do indivíduo de recolher os tributos devidos. Confirase, a respeito, o pensamento de Klaus Tipke (“Justiça Fiscal e Princípio da Capacidade Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13): O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto não é meramente um sacrifício, mas sim uma contribuição necessária para que o Estado possa cumprir suas tarefas no interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito tributário de um Estado de Direito não é Direito técnico de conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O direito Tributário afeta não só a relação cidadão/Estado, mas também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito da coletividade. 3 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 20. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.336 16 A Constituição Federal de 1988 caminhou no sentido defendido por Tipke, quando afirma no seu art. 1º que a República Federativa do Brasil constituise em Estado Democrático de Direito e estipula como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. A atividade produtiva deve cumprir o seu papel social de importância ao desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se sobreponha à cidadania e a dignidade humana. O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para o atingimento desses objetivos é de suma importância os recursos oriundos da tributação, daí que não se pode admitir o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para se esquivar do pagamento dos tributos. O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhese o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Nessas circunstâncias, os fatos falam por eles mesmos e permitem apenas uma única interpretação. O único empreendimento, embora conduzido nos termos do item “b” da seção 112, fora de fato uma forma elaborada e errônea de transposição simulada como reorganização societária, e nada mais. A regra que exclui de consideração o motivo da elisão fiscal não guarda pertinência com a situação presente, porquanto a transação em sua essência não é alcançada pela intenção pura da lei. Sustentarse de outro modo seria uma exaltação do artifício em desfavor da realidade, bem como retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É mantido o julgamento de segunda instância. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.337 17 Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 4 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 5 Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta: Recordando: na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei. Na terceira fase, acrescentase um outro ingrediente que é o princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio constitucional tributário – acaba por eliminar o predomínio da liberdade, para temperála com a solidariedade social inerente à capacidade contributiva. 6 (grifo nosso) Salienta ainda o doutrinador que a capacidade contributiva é uma norma programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 7. (grifo nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos constitucionais.8 4 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231. 5 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 25. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319. 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343. 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.338 18 O Supremo Tribunal Federal já vêm se manifestando nesse sentido, como é possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.8321 DJ de 28.06.2002), cujo excerto transcrevese a seguir: [...] a interpretação puramente literal e isolada do §3º do art. 155 da Constituição Federal levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Carta – “a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei...” – empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações – o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3º do art. 155, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e da capacidade contributiva. A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em excepcional análise sobre o tema, conclui: [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade contributiva, também é preciso ponderar não ser adequado transformar a capacidade contributiva num valor absoluto que atropele a legalidade e a tipicidade. [...] Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 9 (grifo nosso) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da RECORRENTE em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. 9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.339 19 Da análise do Termo de Verificação Fiscal, da decisão recorrida e do recurso voluntário apresentado, são incontroversos: A respeito de BFL: o teve vida efêmera (de 11/07/2006 a 30/04/2007); o a única operação realizada foi a aquisição de PIMACO (RECORRENTE), tendo sido, ao final, por esta incorporada; o era 100% controlada por empresas do Grupo BIC; o foi capitalizada em R$ 100.000.000,00 (aumento de capital) 13 dias antes da aquisição de PIMACO por R$ 96.000.000,00. Sem dúvida, esses são os fatos, frisese, incontroversos. A discussão posta gira em torno dos motivos e finalidades da criação de BFL. A Fiscalização é incisiva ao afirmar que o único propósito de BFL foi possibilitar que o ágio gerado na aquisição de PIMACO pudesse ser amortizado: BFL teria sido criada por seus sócios para adquirir PIMACO e ser por essa incorporada para que, mantendo as operações de PIMACO intactas e isoladas das demais empresas do grupo, o ágio pudesse reduzir o seu próprio resultado tributável, e, por conseguinte, reduzir o montante de IRPJ e CSLL devido. Já a RECORRENTE rebate os argumentos da Fiscalização, afirmando e reafirmando que BFL era, de fato, uma sociedade empresária, uma vez tratarse de uma sociedade anônima. Pois bem. Cabe, agora, analisar quem se desincumbiu do ônus da prova. Conforme já salientado, entendo que o trabalho do Fisco não merece reparos. Em primeiro lugar, fazse necessário discorrer sobre a força probatória dos indícios. Sabese que os indícios e presunções constituem prova. Já no art. 136 do antigo Código Civil previase que os indícios são substratos fáticos que formam a presunção. Gilberto de Ulhôa Canto (Presunções no Direito Tributário, Resenha Tributária, São Paulo, 1991, p. 3/4) ensina: Na presunção tomase como sendo a verdade de todos os casos aquilo que é a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas, determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da conseqüência já conhecida em situações verificadas no passado; dada a existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo causal lógico que o liga aos dados antecedentes. Já Moacyr Amaral Santos (Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2º volume, 3ª ed., São Paulo, Ed. Saraiva, 1977, p. 436/437), assim leciona: Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.340 20 [...] prova é a soma dos fatos produtores da convicção, apurados no processo. A prova indireta é o resultado de um processo lógico. Na base desse processo está o fato conhecido. O fato conhecido, o indício, provoca uma atividade mental, por via da qual poderse á chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele. O resultado positivo dessa operação será uma presunção [...] Um dos maiores especialistas sobre provas no Direito Processual Civil brasileiro – Darci Guimarães Ribeiro – assim se manifesta sobre os indícios: Nas presumptiones hominis, também conhecidas por simples, comuns ou de homem, e que, para os criminalistas, chamamse indícios e, para os ingleses, denominamse circunstâncias, o raciocínio dedutivo é feito pelo homem. Aqui, o legislador não quis legalmente presumir o fato desconhecido, deixando, em especial, ao juiz fazer o raciocínio necessário, a fim de chegar à descoberta do fato desconhecido, utilizando a experiência comum ou técnica, a fim de obter o convencimento necessário. [...] Enquanto as presunções legais servem para dar segurança a certas situações de ordem social, política, familiar e patrimonial, as presunções feitas pelo homemjuiz cumprem uma função exclusivamente processual, porque estão diretamente ligadas ao princípio da persuasão racional da prova, contido no art. 131 do CPC. [...] Seu campo de atuação é vastíssimo, tanto no processo civil quanto no processo penal, máxime para apreender os conceitos de simulação, dolo, fraude, máfé, boafé, intenção de doar, pessoa honesta, etc. 10 Corroborando essas teses, a jurisprudência administrativa segue a mesma direção: MEIOS DE PROVA A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador. (Acórdão nº 1054.032/90, 1º Conselho de Contribuintes, Publicado em 14/09/90). Observese o que diz Paulo Celso B. Bonilha (Da prova no Processo Administrativo Tributário, Dialética, São Paulo, 1997, p. 92): Sob o critério do objeto, nós vimos que as provas dividemse em diretas e indiretas. As primeiras fornecem ao julgador a idéia objetiva do fato probando. As indiretas ou críticas, como as denomina CARNELUTTI, referemse a outro fato que não o probando e que com este se relaciona, chegandose ao conhecimento do fato por provar através de trabalho de raciocínio que toma por base o fato conhecido. Tratase, assim, de conhecimento indireto, baseado no conhecimento objetivo do fato base, “factum probatum”, que leva à percepção do fato por 10 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 103. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.341 21 provar (“factum probandum”), por obra do raciocínio e da experiência do julgador. Desse modo, podese afirmar que indício é o fato conhecido do qual se parte para o desconhecido e que assim é definido por Moacyr Amaral dos Santos (op.cit.): Assim, indício, sob o aspecto jurídico, consiste no fato conhecido que, por via do raciocínio, sugere o fato probando, do qual é causa ou efeito. Evidenciase, portanto, que o indício é a base objetiva do raciocínio ou atividade mental por via do qual poderseá chegar ao fato desconhecido. Se positivo o resultado, tratase de uma presunção. Sobre o tema, evocase o voto vencedor do acórdão nº CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que toma por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22ª ed., 1997, p. 97.) Como visto, os indícios, ou fatos conhecidos, são as bases para construção da prova. No caso concreto, a Fiscalização demonstrou de forma inequívoca uma série de fatos e apontou como única finalidade destes a exclusão de vultosos valores do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Todos os indícios coligidos possuem consistência e vínculo com a infração apontada. Oportuna, neste ponto, a lição de Maria Rita Ferragut (Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67 , Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120), ao tratar da força probatória das presunções e indícios, bem como da imperatividade de seu uso na esfera tributária: É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada ‘presumem’ juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.342 22 O conjunto de indícios e presunções é chamado pela doutrina de prova indireta. Sobre o tema, Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, São Paulo, 1993, página 305) assim se pronunciou: Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF/01 0.004, de 26/10/79, ‘A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção. Sobre o tema, prossegue o mesmo autor (Op. cit., página 312): O julgador de uma causa não esteve em contato com os fatos, não conheceu as circunstâncias e as pessoas que atuaram. Tudo isso é dado no processo e ele procura, manipulando as provas, chegar ao verdadeiro conhecimento dos fatos para, depois, aplicar a norma. Como todo ser humano que se debruça sobre os fatos, tem ele de valerse por vezes, da experiência adquirida com o trato da coisa pública. As presunções e os indícios servem, pois, para o julgador chegar à verdade dos fatos. Alberto Xavier (Do Lançamento – Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, editora Forense, 1998, pág. 133), quando analisa o lançamento, assim se manifesta: Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras de experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que no caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Para concluir que o propósito da criação de BFL foi iminentemente fiscal, a autoridade fiscal afirmou que tal empresa não poderia ser considerada uma sociedade, a teor do disposto nos artigos 966 e 981 do Estatuto Civil. A RECORRENTE rechaça o entendimento do Fisco. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.343 23 Convém, nesse momento, discorrer sobre o conceito de empresa. A conceituação jurídica de empresa, parte da noção econômica, que se vincula à ideia central da organização dos fatores da produção (capital, trabalho, insumos e tecnologia para a realização de uma atividade econômica). Desse modo, podese afirmar que a empresa consiste na unidade produtora cuja tarefa é combinar fatores de produção com o fim de oferecer ao mercado bens ou serviços, não importando qual o estágio da produção.11 No Direito italiano – com forte influência para o Direito Comercial pátrio–, o Código Civil de 1942 adotou a Teoria da Empresa para definir o campo de aplicação do Direito Comercial. Todavia, a legislação italiana não formulou um conceito jurídico sobre o que seja empresa, restando à doutrina fazêlo. Nesse sentido, destacase a teoria dos perfis da empresa elaborada por Alberto Asquini.12 Ao analisar o Código Civil italiano, Asquini concluiu pela diversidade de perfis no conceito, de forma a compreender a empresa como “um fenômeno jurídico poliédrico, o qual tem sob o aspecto jurídico não um, mas diversos perfis em relação aos diversos elementos que ali concorrem”. Os perfis de empresa por ele identificados são os seguintes: subjetivo, funcional, objetivo ou patrimonial e corporativo. O perfil subjetivo identifica a empresa com a figura do empresário, cujo conceito é fornecido pelo artigo 2.084 do Código Civil Italiano (bastante semelhante ao artigo 966 de nosso Código Civil) como "aquele que exercita profissionalmente atividade econômica organizada com o fim da produção e da troca de bens ou serviços". O perfil funcional identifica empresa com atividade empresarial, ou seja, ela (empresa) seria compreendida como um conjunto de atos tendentes a organizar os fatores da produção para a distribuição ou produção de certos bens ou serviços. Por sua vez, o perfil objetivo ou patrimonial identificaria a empresa com o conjunto de bens destinado ao exercício da atividade empresarial, ao passo que, de acordo com o perfil corporativo, seria "aquela especial organização de pessoas que é formada pelo empresário e por seus prestadores de serviço, seus colaboradores (...) um núcleo social organizado em função de um fim econômico comum". Quanto a esse último perfil (corporativo), verificase que ele foi desconsiderado doutrinariamente, por lastrearse não com fundamento em dados objetivamente apreciáveis, mas tão somente na ideologia fascista, fortemente marcante na elaboração do Código Civil italiano de 1942. A utilidade dessa teoria reside no fato de que, à exceção do perfil corporativo – de natureza eminentemente políticoideológica –, os perfis restantes demonstram três realidades intimamente ligadas, e muito importantes na teoria da empresa: a empresa (perfil funcional), o empresário (perfil subjetivo) e o estabelecimento empresarial (perfil objetivo ou patrimonial). No ordenamento jurídico nacional, o Direito de Empresa encontrase atualmente previsto nos artigos 966 a 1.195 do Código Civil. 11 NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: Introdução ao Direito Econômico. 6ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. 12 ASQUINI, Alberto. Perfis de Empresa. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro n. 104. Trad. Fábio Konder Comparato. São Paulo: Revista dos Tribunais, out.dez. 1996, p. 109126. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.344 24 Com base nos ensinamentos de Asquini podese afirmar, portanto, que empresa é a atividade econômica organizada de produção ou circulação de bens ou serviços, equivalendo ao perfil funcional da teoria do citado doutrinador italiano. Por atividade entendese o conjunto de atos destinados a uma finalidade comum, não bastando, portanto, a ocorrência de um ato isolado para a caracterização de empresa. Fazse necessária, para tanto, a realização de uma sequência de atos dirigidos a uma mesma finalidade, que, em razão do caráter econômico apresentado, exige que ela tenha o condão de criar novas utilidades, novas riquezas, afastandose, desse modo, as atividades de mero gozo. Essa criação de novas riquezas abrange a transformação de matériaprima (indústria), bem como também a atividade de intermediação na circulação de bens (comércio em sentido estrito). A economicidade da atividade empresarial impõe que ela deva ser dirigida ao mercado, o que significa dizer que ela deve destinarse à satisfação de necessidades alheias, de maneira que o titular da atividade deve ser diverso do destinatário último do produto ou do serviço. Nesse contexto, não caracteriza empresa a atividade daquele que cultiva ou fabrica para o próprio consumo. A finalidade perseguida pela atividade empresarial é o lucro (busca de excedente econômico para o fim de acumulação). Outro traço característico da empresa consiste na organização dos fatores da produção, pois o fim lucrativo de criação de novas riquezas pressupõe atos coordenados, interrelacionados e programados para a consecução de tal objetivo. Essa organização pode variar de acordo com as necessidades da atividade explorada, sendo que os fatores de produção tradicionalmente são divididos em: a) capital; b) trabalho ou mão de obra; c) tecnologia; e d) matériaprima. Fábio Ulhôa Coelho diz que na ausência de um desses fatores não se fala mais em organização. Isso significa que, faltando apenas um dos quatro fatores, não há organização e, consequentemente, não se pode falar em empresário. Por exemplo: um bar ou armazém cujo atendimento é feito apenas pelos proprietários, sem utilização de mão de obra, será uma sociedade simples. Isso implica que, faltando apenas um dos quatro fatores, não há organização e, consequentemente, não se pode falar em empresa. Contudo, a doutrina e a jurisprudência dominantes sustentam que, se a natureza da atividade realizada prescindir na sua organização de um desses quatro fatores (por exemplo, força de trabalho), não há que se falar em descaracterização da atividade de empresa, desde que presentes e organizados os fatores de produção imprescindíveis para a consecução da atividade especificamente considerada. No caso concreto, não há dúvidas que BFL não preenche tais requisitos. Os argumentos trazidos pela RECORRENTE não se mostram consistentes a ponto de alterar minha convicção sobre sua total inoperância. Os fatos são evidentes: a única operação realizada por BFL foi a aquisição de PIMACO, sendo posteriormente por esta incorporada. Os valores aportados na constituição e posterior aumento de capital BFL foram justamente os necessários para a aquisição de PIMACO, e às vésperas da operação. A RECORRENTE limitase a afirmar que BFL, sendo uma sociedade anônima, era considerada sociedade empresária por força do disposto no art. 982, parágrafo único, do Código Civil. E que a incorporação de BFL possuía os propósitos de: (i) conferir Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.345 25 maior capacidade financeira e patrimonial à incorporadora; (ii) racionalização e simplificação de sua estrutura societária e, consequentemente, consolidação e redução de gastos e despesas operacionais combinadas; (iii) união de recursos empresariais e patrimônios envolvidos, permitindo uma melhor utilização de recursos operacionais e beneficiando as atividades sociais desempenhadas; e (iv) simplificação da gestão para viabilizar a expansão dos negócios sociais combinados. O argumento relativo a BFL ser uma sociedade empresária é deveras simplório, pois resta evidente que a autoridade fiscal apegouse a seu conteúdo material, e não às formalidades. Resta evidente que era uma simples “empresa de prateleira”, sem qualquer atividade operacional. O objetivo de sua constituição, sem dúvida, foi permitir a amortização do ágio, e, para tanto foi utilizada para adquirir o investimento com ágio e, em seguida, ser incorporada pela investida a fim de possibilitar a redução dos resultados tributáveis da RECORRENTE. No que atine aos propósitos trazidos para a incorporação, além de serem inerentes a qualquer operação de incorporação, há de se perguntar o porquê da alteração de panorama: todos esses objetivos de simplificação da estrutura societária, consolidação e redução de gastos e despesas não seriam necessárias se as reais adquirentes de PIMACO (Grupo BIC) tivessem feito, meses antes, a aquisição direta de suas ações. Aliás, quais despesas operacionais de BFL a que se referia um dos propósitos trazidos pela RECORRENTE para justificar o negócio, uma vez que essa não possuía qualquer atividade operacional? E a qual patrimônio se referia, se o que existia em BFL, de fato, era somente o investimento na própria RECORRENTE? Ora, não é crível que em poucos meses o mesmo grupo econômico justifique a criação de uma empresa para a aquisição de controle total de uma empresa e, ao final, altere completamente o seu comportamento justificando que se faz necessária a simplificação da estrutura do grupo econômico por meio da incorporação empresa recém criada pela própria empresa investida. Tratase da máxima do venire contra factum proprium, ou seja, vedação ao comportamento contraditório. Ademais, em nenhum momento a RECORRENTE esclarece o porquê da criação de BFL. A pseudo justificativa trazida aos autos pode ser considerada um argumento sem conteúdo. A RECORRENTE deveria demonstrar algo bem simples: por que não se fez a aquisição de PIMACO diretamente pelas empresas do GRUPO BIC, sem a criação de BFL? A alegação de que necessitava manter as operações segregadas em nada interfere em minha conclusão: bastaria adquirir PIMACO diretamente, sem contudo, incorporála! Repisese: não há um só elemento objetivo trazido pela RECORRENTE que justifique o porquê da criação de BFL, empresa efêmera, que realizou um único negócio durante sua existência (a aquisição de PIMACO), servindo, sem sombra de dúvidas, para permitir a amortização de ágio. Outra finalidade deveria ser comprovada pela RECORRENTE, que não se desincumbiu de seu ônus probatório. Salientase que sem a utilização da denominada “empresas veículo” (BFL) não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se a “empresa veículo” efetivamente operava, ou se sua existência foi efêmera. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.346 26 não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada, no caso, a RECORRENTE. Merece aprofundamento, ainda, a questão das operações estruturadas em sequência. Greco13 trata o tema com a maestria peculiar: Operação Estruturadas em Sequência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. (p. 462) Uso de Sociedades [...] o elemento relevante quando estamos perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal (no registro competente etc.); tão importante ou até mais – em matéria tributária – é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia de empresa é o núcleo a ser perquirido. (vide a importância que o Código Civil dá à noção de empresa – artigos 966 e segs.). (p. 468/469) Conduit companies A primeira situação a observar é das chamadas conduit companies (empresasveículos ou de passagem) em que uma pessoa jurídica é criadas apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (p. 470) Este é o ponto a considerar, pois – dependendo das circunstâncias do caso concreto – pode configurar fraude à lei tributária. (p. 475/476) (grifos nossos) Na mesma linha de raciocínio desenvolvida, tratase, aqui, do exame de operações realizadas em sequência, cujos fatos, de per si, não denotam qualquer infração, mas, em seu conjunto, demonstram inequivocamente que o único propósito negocial das operações foi antecipar a diminuição da carga tributária incidente sobre o negócio efetivamente realizado. 13 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 462476. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.347 27 Conforme se observa, os pontos destacados por Greco ressaltam aos olhos no caso concreto, pois as operações perpetradas pela RECORRENTE foram estruturadas em sequência (a constituição de nova empresa BFL; b– aquisição de PIMACO; c – incorporação de BFL por PIMACO (vida efêmera de BFL); d – amortização do ágio das bases de cálculo de IRPJ e CSLL). Ou seja, utilizouse de uma sociedade de passagem com único intuito de permitir a amortização do ágio criado na aquisição da própria RECORRENTE. Impendese repetir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: a motivação e a finalidade dos atos necessitam ser comprovadas pelo próprio contribuinte, desde que a Fiscalização tenha trazido elementos que demonstrem que a motivação e a finalidade mostrem se preponderantemente fiscais. A Fiscalização, sem sombra de dúvidas, cumpriu com sua parte. Caberia à RECORRENTE fazer a sua. Nesse contexto, concluise que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe o art. 333 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus n° 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal N°83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA APOSENTADORIA NEGATIVA DE REGISTRO TRIBUNAL DE CONTAS ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS ART. 333, INCISO II, DO CPC PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO IMPOSSIBILIDADE SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.348 28 suspensão de sua aposentadoria. (STJ ROMS 9685 RS – 6ª T. Rel. Min. Fernando Gonçalves DJU 20.08.2001 p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL IMPOSTO DE RENDA VERBAS INDENIZATÓRIAS FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO NÃO INCIDÊNCIA COMPENSAÇÃO AJUSTE ANUAL ÔNUS DA PROVA O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ REsp 229118 DF 1a T. Rel. Min. Garcia Vieira DJU 07.02.2000 p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL EMBARGOS DO DEVEDOR NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO IMPRESCINDIBILIDADE ÔNUS DA PROVA 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ REsp 237.009 (1999/00996607) SP – 2ª T. Rel. Min. Francisco Peçanha Martins DJU 27.05.2002 p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL IRPF REPETIÇÃO DE INDÉBITO VERBAS INDENIZATÓRIAS RETENÇÃO NA FONTE ÔNUS DA PROVA VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor Incidência da Súmula 13 STJ Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ RESP 232729 DF 2a T. Rel. Min. Francisco Peçanha Martins DJU18.02.2002 p. 00294) Por fim, cabe ressaltar que as normas legais citadas pelo autuante não abrigam aqueles que se posicionam artificialmente diante dela. Nada impede que os contribuintes busquem formas de pagar menos tributos, mas o procedimento deve estar dentro daquilo que é autorizado pelo ordenamento jurídico, mas sem o mascaramento dos atos praticados para o atingimento desses objetivos, como é o caso dos autos. De igual forma, o princípio da livre iniciativa insculpido na Constituição Federal não possui o condão de transformar os fatos efetivamente ocorridos. Isso posto, peço vênia a Marco Aurélio Greco para tomar como minhas suas conclusões, já transcritas no corpo de meu voto, que muito se encaixam no fechamento do meu entendimento sobre o caso, em especial o conflito entre livre iniciativa e solidariedade: Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.349 29 Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 14 Por fim, é imperioso esclarecer que a autuação baseiase exclusivamente no passo intermediário da reorganização societária e dos seus efeitos tributários. Não se contestam, pois, os objetivos negociais finais da reorganização. Assim sendo, entendo que o lançamento em questão, bem como a decisão recorrida, não estão em descompasso com a legislação vigente. Por esses motivos, nego provimento ao recurso quanto a amortização dos ágios mediante utilização de empresa veículo, aplicando as conclusões também à CSLL, dada a ausência de qualquer aspecto específico tratado em recurso. 4.2 MULTAS ISOLADAS Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. No caso concreto a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; 14 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.350 30 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.351 31 Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.731968/201252 Acórdão n.º 1402002.125 S1C4T2 Fl. 1.352 32 De qualquer modo, quer pela redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96, quer pela atual, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.004534/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE.
Comprovada a omissão de receitas da atividade, ou verificada hipótese de presunção legal de omissão de receitas, devem tais receitas ser incluídas nas bases de cálculo do IRPJ, da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA.
Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos prova dos fatos alegados em sua defesa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA.
Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência das multas isoladas impostas pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. Comprovada a omissão de receitas da atividade, ou verificada hipótese de presunção legal de omissão de receitas, devem tais receitas ser incluídas nas bases de cálculo do IRPJ, da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos prova dos fatos alegados em sua defesa. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. Comprovada a omissão de receitas da atividade, ou verificada hipótese de presunção legal de omissão de receitas, devem tais receitas ser incluídas nas bases de cálculo do IRPJ, da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVA. Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos prova dos fatos alegados em sua defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência das multas isoladas impostas pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 34 /2 01 0- 13 Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0428.475, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Campo grande MS. Conforme descrito nos autos de infração (fl. 108 e ss. 1) e no termo de verificação fiscal (fl. 79 e ss.), a autoridade tributária acusa o contribuinte em epígrafe de haver cometido os seguintes ilícitos fiscais no anocalendário de 2006: a) omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas rubricas "Empréstimo Especial" e "Sócios A"; b) omissão de receitas caracterizada pela contabilização de receitas em conta de passivo rubricas "Sócios RCI" e "Provisões para Contingências". Em razão das infrações acima referidas o autor da ação fiscal lavrou autos de infração para exigência de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Sobre os tributos devidos em decorrência da infração descrita no item "b", acima, o auditor impôs multa de ofício qualificada (150%). Por fim, impôs também multa isolada pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, como decorrência das infrações descritas nos itens "a" e "b", retro. Inconformado com a autuação o sujeito passivo propôs impugnação parcial aos lançamentos (fl. 457 e ss.). Reconheceu como devidos os tributos decorrentes de parte da infração descrita no item "a" (passivo fictício referente à conta "Sócios A"). Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação (fl. 1538 e ss.), deixando para a autoridade local verificar a exatidão dos pagamentos realizados pela contribuinte relativamente à parte não impugnada. Tais pagamentos foram, então, considerados pela DRF de jurisdição do sujeito passivo, como se depreende do "extrato do processo" (fl. 1551 e ss.), em especial na seção "pagamentos utilizados" (fl. 1558 e ss.). Irresignada com a decisão de primeiro grau a interessada interpôs recurso voluntário aduzindo, em síntese, o seguinte (fl. 1574 e ss.): 1 Os páginas indicadas neste documento referemse à numeração digital dos autos do processo. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 4 3 a) é nula a decisão recorrida por não haver examinado a matéria constitucional invocada na impugnação ao lançamento; b) os DARFs referentes à parte não impugnada devem ser considerados; c) houve mero erro formal da empresa ao contabilizar vendas de mercadorias em conta de passivo (rubrica "Sócios RCI"), já que não só as receitas deixaram de ser levadas ao resultado, mas também os respectivos custos; d) os valores apontados pela fiscalização com histórico "Receita TAC ABN", "Receita TAC FIAT" e "Bônus C/C Fiasa", escriturados em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), são receitas de natureza financeira, daí porque sobre elas não pode incidir PIS e Cofins; e) os valores apontados pela fiscalização com histórico "Hold Back", escriturados em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), referemse a créditos (descontos) concedidos pela montadora Fiat em razão da quantidade de veículos vendidos pela contribuinte. Não possuindo a natureza de receita muito menos de faturamento, tais valores não podem compor a base de cálculo do PIS e da Cofins; f) o valor apontado pela fiscalização com histórico "Venda Doblô", escriturado em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), decorreu de mero equívoco da contribuinte uma vez que a venda do veículo sequer ocorreu em 2006, como se vê da nota fiscal nº 40172, emitida em 26/10/2005; g) o valor apontado pela fiscalização com histórico "Receita ICMS", escriturado em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), referese ao ressarcimento do ICMSST relativo aos meses de maio, junho e julho de 2006. Tal valor foi contabilizado em "Provisões para Contingências" pelo fato de o Fisco estadual não estar liberando esse recurso de forma imediata. Houve, no caso, mera postergação do pagamento dos tributos; h) o valor escriturado em conta de passivo, rubrica "Empréstimo Especial", considerado pela fiscalização como passivo fictício, representa a totalidade dos valores recebidos ao longo de 2006, relativos a propostas de compra de veículos novos que, todavia, não foram aperfeiçoadas; i) afastadas as exigências do IRPJ e da CSLL, mesmo caminho devem seguir as multas isoladas impostas pela falta de pagamentos das estimativas mensais daqueles tributos; j) é ilegítimo o emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 5 4 2) DA PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Pede a recorrente seja declarada a nulidade da decisão de primeiro grau, por preterição do direito de defesa, em razão de o órgão julgador a quo não haver apreciado a matéria constitucional invocada na impugnação ao lançamento. Afirma que, segundo doutrina e jurisprudência, que indica, os agentes administrativos devem negar aplicação a lei inconstitucional. Não assiste razão à defesa. É que de acordo com o abaixo transcrito art. 26A do Decreto nº 70.235/72, é vedado aos órgãos administrativos fiscais de julgamento afastar aplicação de lei sob fundamento de sua inconstitucionalidade: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) 3) DA PARTE DO LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADA Pede a defesa que sejam considerados os pagamentos em DARF referentes à parcela não impugnada dos autos de infração. Como visto no relatório a autoridade tributária de jurisdição do sujeito passivo já considerou tais pagamentos, conforme se depreende do "extrato do processo" (fl. 1551 e ss.), em especial na seção "pagamentos utilizados" (fl. 1558 e ss.). 4) DO REGISTRO DE RECEITAS EM CONTA DE PASSIVO RUBRICA "SÓCIOS RCI" Alega a recorrente que houve mero erro formal da empresa ao contabilizar vendas de mercadorias em conta de passivo (rubrica "Sócios RCI"), já que não só as receitas deixaram de ser levadas ao resultado, mas também os respectivos custos. Afirma ainda que "coagir o contribuinte a se defender de autuação que não indica com coerência e nitidez os critérios jurídicos e aritméticos que levaram à apuração das supostas diferenças de imposto exigidas, é violar frontalmente o princípio da ampla defesa e o direito ao contraditório", razão pela qual pede que o auto de infração seja "anulado de plano". Não há como se acolher, no caso, o pedido de anulação do auto de infração. Ainda que os custos correspondentes às receitas indevidamente registradas em conta de passivo também não tenham sido levados ao resultado do período, tal fato levaria, no máximo, à redução das exigências tributárias. Ademais a recorrente sequer provou que os alegados custos de aquisição das mercadorias (vide TVF, especificamente às fls. 79/91) deixaram, realmente, de compor o resultado do ano de 2006. De fato, não há nos autos qualquer demonstrativo que, com base nos livros contábeis apresentados (fl. 626 e ss.), permita ao julgador verificar a afirmação da defesa. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 6 5 5) DO REGISTRO DE RECEITAS EM CONTA DE PASSIVO RUBRICA "PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS" 5.1) "Receita TAC ABN", "Receita TAC FIAT" e "Bônus C/C Fiasa" Alega a recorrente que os valores apontados pela fiscalização com histórico "Receita TAC ABN", "Receita TAC FIAT" e "Bônus C/C Fiasa", escriturados em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), são receitas de natureza financeira, daí porque sobre elas não pode incidir PIS e Cofins uma vez que o STF julgou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo daquelas contribuições promovido pela Lei nº 9.718/98. Primeiramente devese esclarecer que no ano de 2006, objeto da autuação, a contribuinte apurou lucro real e, portanto, estava obrigada a apurar o PIS e a Cofins pela sistemática não cumulativa, em observância ao disposto nas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Conforme se observa nos autos de infração (fl. 129 e fl. 141), o lançamento do PIS/Cofins foi realizado com base nessas leis, e não com fundamento na aludida Lei nº 9.718/98. As referidas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 também incluíram a totalidade das receitas (inclusive as receitas financeiras) nas bases de cálculo daquelas contribuições, mas, ao contrário do que aconteceu com a Lei nº 9.718/98, nenhum de seus dispositivos foi declarado inconstitucional pela Corte Maior. Em 2005 o Decreto nº 5.442 reduziu a zero as alíquotas do PIS/Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Ocorre que a recorrente não apresentou elementos capazes de comprovar sua alegação de que a "Receita TAC ABN", a "Receita TAC FIAT" e o "Bônus C/C Fiasa" são receitas de natureza financeira, razão pela qual sobre elas deve incidir o PIS/Cofins. 5.2) "Hold Back" De acordo com a recorrente os valores apontados pela fiscalização com histórico "Hold Back", escriturados em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), referemse a créditos (descontos) concedidos pela montadora Fiat em razão da quantidade de veículos vendidos pela contribuinte. Não possuindo a natureza de receita muito menos de faturamento, tais valores não podem compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Segundo o disposto nas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, o desconto que não integra as bases do cálculo do PIS/Cofins é o desconto incondicional. O "hold back" creditado pelas montadoras de veículos às suas respectivas concessionárias em razão da quantidade de veículos por estas vendidos não tem a natureza de desconto incondicional. Em verdade o "hold back" sequer tem natureza de desconto, seja condicional ou incondicional. É um "crédito" oferecido às concessionárias em função do volume de vendas. Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 7 6 Esse crédito deve ser contabilizado em conta de ativo circulante (a débito), em contrapartida a conta de receita (a crédito). A receita, por suas vez, deve ser oferecida à tributação do PIS/Cofins. 5.3) "Venda Doblô" Alega a defesa que o valor apontado pela fiscalização com histórico "Venda Doblô", escriturado em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), decorreu de mero equívoco da contribuinte uma vez que a venda do veículo sequer ocorreu em 2006, "como se vê da nota fiscal nº 40172, emitida em 26/10/2005, que fora juntada aos autos". Não encontrei nos autos do processo a referida nota fiscal nº 40172. O histórico do registro contábil indica "TRANSF.REF.VEIC.NF.40172 26/10/05 VENDA DOBLO SR. DOCTO 00 BCO 953" (fl. 93). Embora seja possível que a venda sob exame tenha sido realizada em 2005, entendo que a alegação da defesa não está suficientemente provada. De fato, como as concessionárias de veículos também vendem automóveis usados, o histórico da transação também pode ser interpretado como a venda, realizada em 2006, de um Doblô usado cuja nota fiscal original nº 40172 (primeira venda) foi emitida em 26/10/05. 5.4) "Receita ICMS" Segundo a recorrente, o valor apontado pela fiscalização com histórico "Receita ICMS", escriturado em conta de passivo (rubrica "Provisões para Contingências"), referese ao ressarcimento do ICMSST relativo aos meses de maio, junho e julho de 2006. Tal valor foi contabilizado em "Provisões para Contingências" pelo fato de o Fisco estadual não estar liberando esse recurso de forma imediata. Afirma que houve, no caso, mera postergação do pagamento dos tributos para o ano de 2007. A interessada não comprovou sua alegação de que houve "mera postergação" do pagamento de tributos para o ano de 2007, pois sequer trouxe aos autos elementos que indiquem que a receita foi efetivamente oferecida à tributação em 2007. 6) DO PASSIVO FICTÍCIO CONTA "EMPRÉSTIMO ESPECIAL" Alega a defesa que o valor escriturado em conta de passivo, rubrica "Empréstimo Especial", considerado pela fiscalização como passivo fictício, representa a totalidade dos valores recebidos ao longo de 2006, relativos a proposta de compra de veículos novos que, todavia, não foram aperfeiçoadas. Explica que tais valores não representam receita da empresa, e sim mero adiantamento recebido pela reserva de veículos, mas que foram repassados a terceiros nas seguinte situações em que a venda não foi realizada pela recorrente: a) faturamento direto da montadora ao consumidor, caso em que a contribuinte atua como mera intermediária, repassando à fábrica o valor adiantado pelo cliente; Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 8 7 b) faturamento direto por outras distribuidoras de veículos, caso em que, devido à limitação de quotas, a contribuinte transfere a operação a outra concessionária, repassandolhe o respectivo adiantamento; c) devolução do adiantamento ao consumidor, nos casos em que a venda foi cancelada. Pois bem, a alegação da recorrente é praticamente uma confissão do passivo fictício. De fato, se o valor do adiantamento foi repassado à montadora ou a outras concessionárias, ou ainda, devolvido ao consumidor, por que razão continua escriturado no passivo da contribuinte? Poderseia admitir, em princípio, que se trata de transações realizadas em dezembro de 2006, sendo que os repasses ou as devoluções do adiantamento foram feitos no início do ano seguinte. No entanto não é disso que se trata pois, de acordo com os anexos 1 e 2 (fl. 165 e ss.), as transações ocorreram ao longo do ano de 2006. Ademais, como bem alertado pelo autor da ação fiscal: 4 Os recibos apresentados de devolução dos valores são, em sua maioria, são emitidos em nome da empresa Distribuidora de Automóveis Firenze Ltda., CNPJ 48.053.839/000114, que entregou sua última Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica referente ao ano calendário 2004, informando estar inativa. Esta empresa veio a ser baixada em nossos cadastros, em 2008, por inaptidão. 7) DAS MULTAS ISOLADAS E DA TAXA SELIC Alega a recorrente que, afastadas as exigências do IRPJ e da CSLL, mesmo caminho devem seguir as multas isoladas impostas pela falta de pagamento das estimativas mensais daqueles tributos. Como se viu nos itens anteriores, este Relator entende que devam ser mantidas as exigências do IRPJ e da CSLL. No entanto, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 2007, como no caso dos presentes autos, a súmula CARF nº 105 afasta a imposição da multa isolada em comento quando concomitantemente houver imposição de multa de ofício pela falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário. Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 8) CONCLUSÃO Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004534/201013 Acórdão n.º 1201001.425 S1C2T1 Fl. 9 8 Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para afastar a exigência das multas isoladas impostas pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16020.000046/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez que não estão presentes os requisitos ensejadores da inteposição dos Embargos, estes merecem ser rejeitados..
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
Ronaldo de Lima Macedo- Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez que não estão presentes os requisitos ensejadores da inteposição dos Embargos, estes merecem ser rejeitados.. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 00 46 /2 00 7- 13 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão 2402002.686, prolatado por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, § 4o DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. NFLD. ENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTES AUTÔNOMOS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. O auditor fiscal, a teor do art. 229, § 2o do Regulamento da Previdência Social, pode desconsiderar o vínculo pactuado entre as partes e efetuar o enquadramento do trabalhador como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS MEDIANTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. OFENSA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. BENEFÍCIO QUE ERA ESTENDIDO A TODOS OS EMPREGADOS. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO 12/2011. Para que o seguro de vida em grupo seja considerado como parcela não componente do saláriodecontribuição, o mesmo deve ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. O fato de ser ter sido contratado como seguro de vida em grupo e destinado a todos os empregados, sem que dele participem os dirigentes, não desconfigura o benefício. Precedentes do CARF e STJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Sustenta a embargante que o julgado incorreu em omissão, pois, quando do reconhecimento da isenção das contribuições incidentes sobre o seguro de vida em grupo, sob o fundamento do benefício ter sido estendido a todos os segurados, deixou de se manifestar sobre a previsão ou não do seguro em acordo ou convenção coletiva de trabalho, conforme determina o art. 214 do Decreto nº 3048/99. Prestadas as devidas informações, fora determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 16020.000046/200713 Acórdão n.º 2402004.986 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Inicialmente, ressalto que da análise da argumentação constante nos embargos entendi por indicar a necessidade de inclusão do feito em pauta de julgamentos, de modo a evitar qualquer nulidade. No entanto, da análise de referidos argumentos, mesmo com o acolhimento dos embargos, o julgamento do recurso voluntário há de ser mantido. Primeiramente, tenho que os argumentos trazidos a lume pelo embargante, pretendem seja levado a efeito novo julgamento da causa, especialmente tendo em vista que o v. acórdão embargado foi pontual e consistente no tocante as alegações de omissão da r . decisão prolatada. A mera discordância da recorrente com o resultado do julgamento levado a efeito, não tem o condão de justificar a interposição do presente recurso, sobretudo quando resta claro nos autos que o v. acórdão analisou toda a matéria de defesa objeto do recurso voluntário, que veio a ser afastada em face dos demais elementos de prova constantes nos autos, suficientes a formar o convencimento pela procedência do lançamento. Em segundo lugar, esclareço, aqui sanando a omissão, que o relatório do acórdão embargado foi por demais enfático a demonstrar que o único requisito legal tido como descumprido pela contribuinte foi a não extensão do benefício a todos os funcionários da empresa, já que este não contemplava os sóciosgerentes. Confirase: Quanto aos pagamentos relativos a "Seguro de Vida Funcionários" o agente fiscalizador citou apenas o art. 214, § 9º, inc. XXV e § 10º do RPS 3048/99 informando que o dispositivo deixou claro que a isenção somente é contemplada quando o benefício for extensivo "A totalidade de seus empregados e dirigentes" e no presente caso não era extensiva aos sócios gerentes. Logo, a discussão acerca da previsão ou não do pagamento de seguro de vida em acordo coletivo, tornase, a meu ver, despicienda no presente caso pois tal irregularidade não foi imputada ao contribuinte quando do lançamento, apesar de constar no dispositivo legal Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 supra tal exigência, não cabendo a este julgador imputar nova falta que não fora considerada quando do lançamento. Assim, prestados os esclarecimentos supra, entendo por manter, na íntegra, os todos os argumentos que constam no voto e relatório do acórdão embargado, sem qualquer modificação do seu resultado de julgamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 16024.000087/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
NORMAS GERAIS. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI ORDINÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO.
A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei.
Somente estará isenta da quota patronal a empresa que requerer e obtiver o correspondente Ato Declaratório concedido pelo Órgão competente, pois este era requisito determinante no momento da ocorrência dos fatos geradores em questão.
Numero da decisão: 2301-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira Dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior., que votaram em dar provimento ao recurso. Redator: Marcelo Oliveira.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização.
Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente e Redator), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI ORDINÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. Somente estará isenta da quota patronal a empresa que requerer e obtiver o correspondente Ato Declaratório concedido pelo Órgão competente, pois este era requisito determinante no momento da ocorrência dos fatos geradores em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira Dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior., que votaram em dar provimento ao recurso. Redator: Marcelo Oliveira. Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 87 /2 01 0- 67 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente e Redator), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 318 3 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Peço vênia aos ilustres Pares para adotar o relatório do Acórdão prolatado pela 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, verbis: Tratase o presente AutodeInfração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.234.7800, de 24/05/2010, abrangendo o período de 01/2006 a 13/2009 (décimoterceiro salário/2009), referente às contribuições da empresa devidas às entidades terceiras, quais sejam, FNDE/Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados.Os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais e foram examinados as Atas de Assembléia, Estatuto Social, GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e outros elementos. [...] Narra a Auditoria, em seu Relatório, que a Autuada apresentou GFIP com código FPAS 639 – entidade beneficente de assistência social, com a finalidade de usufruir voluntariamente e incorretamente da isenção de contribuições previdenciárias, referentes às alíquotas patronais e terceiros, sem preencher os requisitos básicos para tal benefício, ou seja, não possuía o deferimento de isenção, a ser concedida pelo Órgão da INSS/RECEITA FEDERAL, fatos que deram origem ao também AutodeInfração nº 37.107.7540– CFL 68. Informa a Auditoria Fiscal que, em razão do advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as penalidades aplicáveis tanto para o descumprimento de obrigações acessórias quanto de obrigações principais, em observância ao art. 106, inc. II, “c”, do CTN, que trata da retroatividade de multa, para até a competência 11/2008, comparouse à multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a superveniente, de acordo com as Planilhas integrantes, no que decorreu, para o período de Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 03/2008 a 11/2008, na aplicação da legislação vigente à época, pois se mostrou mais benéfica ao contribuinte. Já para as competências de 01/2006 a 02/2008, a novel legislação é mais favorável. E, mais, que será formalizada RPFP – Representação Fiscal para Fins Penais, em razão de constatação de fatos que, em tese, configuram a prática de ilícito de sonegação de contribuição previdenciária, previsto na legislação penal. A Empresa Autuada foi cientificada, em 31/05/2010, conforme registrado na folha inicial do Feito. E dentro do prazo regulamentar, interpôs Impugnação consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese: a) Da Autuação. Inicialmente, reportase aos três AutosdeInfração que recebeu (transcreve parte de cada Relatório Fiscal) e requer que sejam julgados em conexão, por se referirem à mesma matéria, e alega dificuldade em compreender as peças acusatórias, pois não tem condições de arcar com o custo de advogados tributaristas ou empresas de assessoria, além de serem voluntários os diretores que cuidam da parte legal da Entidade; b) Preliminares de nulidade por ausência parcial de fundamentação legal e por cerceamento de defesa. As peças acusatórias são compostas de vários documentos diferentes, sem uma numeração seqüencial completa (a numeração se interrompe e depois começa de novo), há várias siglas sem a devida decodificação, ocasionando patente dificuldade de interpretação, em face de sua imprecisa fundamentação legal. E mais, a exação avança para período onde a Medida Provisória nº 446/2008 e a Lei nº 12.101/2009 já haviam alterado as exigências em relação às entidades beneficentes. A norma vigente no período de 2008 e 2009 já não exigia mais, como requisito à isenção, a anuência expressa do poder público federal. Para o período de vigência do novo regramento, tem como ausente suporte legal à exação pretendida, justificando o pleito de nulidade absoluta. Para o período anterior, entende aplicável a MP 446/2008 e invoca o art. 106, II, “a” do CTN. Invoca também, em face da imprecisão dos fundamentos legais, a nulidade da acusação, pois entende que o contraditório foi prejudicado por cerceamento de defesa. Indica, por processo, as incorreções, omissões, incoerências e obscuridades no trabalho fiscal. Quanto ao AI 37.107.7540: 1. Em primeiro lugar, protesta por ser chamada de empresa, pois é uma entidade beneficente. Depois, em todas as guias mensais apresentadas sempre declarou todos os fatos geradores, mas não são fatos geradores de contribuições patronais, pois tem imunidade pela Constituição (art. 195). O Sr. Fiscal não agregou qualquer valor aos que foram declarados e nem impugnou qualquer um deles. Desse modo, não faz sentido acusar a Autuada de não ter apresentado declaração com dados Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 319 5 não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. 2. Além do mais se cobra multa novamente, pelo mesmo fato. E não apresentou as guias com as irregularidades, pois o próprio Fisco utilizou os dados das GFIP para lançar as contribuições patronais. Incabível a acusação como posta, sendo de rigor o seu cancelamento. 3. Numa página sem número, consta uma “Planilha – (1) – Discriminativo da Aplicação do AIOA 68”. Não tem a idéia do que significa “AIOA 68”; Quanto ao AI 37.234.7797: 1. Protesta pelo fato de que no AI 37.107.7540, o de menor valor, o fiscal acusa que a Entidade não tinha o deferimento do pedido de isenção (e confirma que não foi feito o requerimento), entretanto deixou claro que a Entidade possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, concedido pelo CNAS. Já no presente, de valor estratosférico, se limitou a dizer que não preenche os requisitos básicos e não possui o deferimento de isenção. O requerimento ao INSS era um dos requisitos. E apresenta a sua revolta, uma vez que a Autuada pode ser atirada em vala comum das entidades que tentavam usufruir a isenção sem ter utilidade pública federal e sem o ter CEBAS, pois sempre fora reconhecida como beneficente, gozando, assim, do direito à isenção (imunidade) concedida pela CF. Então, ou se anula a autuação ou, quando menos, se retifique o AI para que a acusação seja colocada no Relatório na exata dimensão, com a ressalva de que tem o CEBAS. Os Órgãos julgadores também devem enfrentar a acusação posta nos seus devidos termos. 2. No item 1 do Relatório, consta que não pagaram GILRAT, mas não tem a menor noção do que é isso e deve ser explicitado. 3. No mesmo item, se diz que o AI relativo à parte de outras entidades se encontra apensado ao presente. Questiona o que quer dizer apensação. 4. No item 5.1, se coloca uma explicação em relação à “multa de mora aplicada ao AI 37”. Novamente, questiona que AI 37 é esse. 5. No final do item 8, ao dizer que os fatos deram origem ao AI 37.234.7540, o que dá mais força ao inconformismo pela aplicação de duas multas ao mesmo fato, o agente coloca a sigla “CFL 68” e pergunta o que significa “CFL 68”. 6. Da mesma maneira que no primeiro Auto, numa página sem número, consta “Planilha – (1) – Discriminativo da Aplicação do AIOA CFL 68”. Não tem a mínima idéia do que significa “AIOA CFL 68”. Deve ser corrigido e explicitado, pois só assim poderá exercer o seu direito à ampla defesa ao contraditório em sua plenitude. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 7. Teve muita dificuldade em identificar a falta que está sendo imputada. Não conseguiu saber do que está sendo acusada. No DD, integrante do AI, mas com numeração autônoma, aparece uma cobrança mensal a título de “Sat/rat” e não sabe o que é isso e se for parte da contribuição patronal, não tem que pagar por ser uma entidade beneficente. Se o AI for cancelado, não se fala mais nisso e se a discussão prosseguir, antes há que ser corrigido isso com as devidas reaberturas de prazo para defesa. 8. No mesmo DD aparece uma sigla CNAE 75124 e a partir de 06/2007, muda para 8730199. Solicita esclarecimento do motivo da alteração, pois a atividade foi sempre a mesma em todo o período. 9. Ainda no DD. Reportase à multa ora de 75% ora de 24%. Há que ser corrigido isso. A superveniência de multa em percentual menor retroage para todos os fatos ainda não julgados. Portanto, a multa de 24% será aplicada retroativamente em lugar de 75%, no período de 01/2006 a 02/2008, devendo ser retificada a acusação, com a conseqüente reabertura de prazos. 10. Para se cobrar tributo e multa há que se ter expressa previsão legal e se indicar na peça acusatória, com clareza e precisão, a acusação e a lei que embasa o descumprimento da obrigação pelo contribuinte e aponta a dificuldade de encontrar o relato da acusação. Imagina que seja o item 8. E pergunta onde está a base legal que deixa claro a infração cometida. Encontrou um anexo chamado de FLD, onde se tem uma saraivada de legislação como fundamento legal do débito, das rubricas e dos acréscimos legais, mas não conseguiu identificar onde está o embasamento legal. 11. Solicita a análise destes argumentos para, já em preliminar, determinar o cancelamento do AI 37.234.7797. Quanto ao AI 37.234.7800: 1. No item 3 do Relatório, o agente fala de “anexo FL”, mas não há anexo com tal denominação. 2. No item 3, está indicado o percentual de 5,8%, não coerente com os valores lançados no DD (que é de 4,5%). Uma falha que torna a exação ilíquida e incerta, o que agrava ainda mais a sua dificuldade para elaborar sua defesa de modo correto, completo e consistente. 3. E também ocorre a grave falha já explicitada no item 3.2.10, acima (item 10 AI 37.234.7797, supra). A acusação é incompleta, falha e sem embasamento legal da infração. Não encontrou o embasamento legal indicado no sentido de que teria que ter mais do que o CEBAS. Revestese tal vício em erro na descrição da infração por ausência de motivação legal, suficiente à sua absoluta anulação. 4. Solicita a análise destes argumentos para, já em preliminar, determinar o cancelamento do AI 37.234.7800. [...] O Centro Social de São José é entidade beneficente de assistência social desde 13/agosto/1968, com atendimento Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 320 7 exclusivamente gratuito a crianças, adolescentes e famílias carentes, e jamais cobrou um centavo por qualquer atendimento. Em 09/setembro/1998, teve reconhecida sua condição de EBAS – Entidade Beneficente de Assistência Social pelo CNAS (doc. 01 e 02) e foi expedido o seu certificado de EBAS (proc. nº 44006.004723/9772). O que o próprio fiscal reconhece (vide item 1 do Relatório do AI 37.107.7540). Apenas não houve o requerimento para o reconhecimento pelo INSS. E apresenta um histórico dos relevantes serviços prestados à comunidade carente, seguindo a linha das Pastorais Sociais da CNBB, com destaque à Pastoral do Menor. Recolheu apenas a contribuição previdenciária do empregado e FGTS, pois a diretoria tinha certeza que fazia jus à isenção, pois tinha o CEBAS e realizava somente atendimento gratuito e não sabia da necessidade do requerimento ao INSS. A omissão que gerou as três autuações ocorreu há muito tempo atrás. Clama pela ponderação do fato de que a humilde diretoria desconhecia a necessidade do requerimento e entendeu, num equívoco que parece escusável, que o CEBAS e a utilidade pública federal eram preponderantes para a isenção. Refoge ao princípio da racionalidade, aplicação hermenêutica apartada da análise do art. 5º da LICC; [...] ao final, solicita o CANCELAMENTO dos três AI, inclusive, é claro o AI nº 37.234.7797, objeto deste processo específico, sendo as razões de mérito cabíveis aos três processos e as particularidades enfrentadas nesta peça, especialmente, quanto às preliminares no item 3.2. Requer, ainda, o direito de sustentação oral em todas as fases e que todas as intimações e notificações sejam endereçadas à sede da Entidade e também ao Diretor responsável subscrevente. DILIGÊNCIA Porém, antes do julgamento do AI em questão, pelas razões explicitadas no Despacho de nº 019 – 6ª Turma – DRJ/RPO, de 03/09/2010, o processo retornou à Origem, para a Auditoria Fiscal se manifestar em dois pontos. Em breve síntese, primeiramente, quanto aos períodos de vigência da Medida Provisória MP nº 446/2008 (de 10.11.2008 a 12.02.2009) e da Lei nº 12.101/2009 (a partir de 30.11.2009), no tocante à isenção das contribuições previstas na Lei nº 8.212/1991, considerandose o que a Autuada não era portadora do Ato Declaratório de Isenção, a que se refere o parágrafo primeiro do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 208 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, obrigatoriedade suprimida por ambos dispositivos legais, diligência suscitada com fundamento no contido no art. 31 da MP nº 446/2008 e art. 32 da Lei nº 12.101/2009. A segunda questão referiuse a esclarecimentos (inclusive, denominar as siglas correspondentes), onde a Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Defendente apontou dificuldades de entendimento e até requereu, já em preliminar, o cancelamento do AI em foco, por cerceamento de defesa. Não obstante as razões apresentadas naquele Despacho, a Auditoria manifestouse de forma distinta para cada período solicitado. Para o da Lei nº 12.101, “... a entidade em questão encontrase isenta de contribuições para a seguridade social.” Já para o da MP nº 446, “... informa não ter competência para reconhecer isenção no período em que esteve em vigor a MP 446”. Já no tocante aos esclarecimentos, entende que ou já haviam sido prestados ou que se encontram explicitados nos autos. Cópia da manifestação fiscal foi encaminhada à Autuada, conforme Aviso de Recebimento juntado aos autos, que cientificada, reafirma sua condição de isenta, em requerimento não assinado, embora esta Relatora tenha solicitado o saneamento em Despacho posterior, a que se refere item abaixo, no que não foi atendido. Neste momento, é oportuno esclarecer, que o não conhecimento da “Manifestação sobre diligência solicitada pela 6ª Turma de Julgamento”, pela ausência de assinatura do representante da Autuada, em nada vai prejudicála, uma vez que o ali contido faz parte também das alegações da Defesa inicial e/ou da complementar. Retornou o presente para julgamento. No entanto, não compartilhando com o entendimento manifestado, e usando da prerrogativa da Delegacia de Julgamento de determinar, de ofício, diligências para formar livremente sua convicção, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, bem como o direito do contribuinte de ter a sua impugnação efetivamente analisada, retornouse os autos à Delegacia de origem para o efetivo cumprimento da diligência suscitada inicialmente, agora por intermédio do Despacho de nº 22 – 6ª Turma – DRJ/RPO, de 03/03/2011. Em cumprimento, a Auditoria Fiscal emite Informação Fiscal, onde esclarece, um a um, os pontos considerados pela Defendente nebulosos e ameaçadores de seu direito à ampla defesa. Já quanto ao mérito – isenção das contribuições, informa por ato legal e correspondente período, com a devida fundamentação legal, e conclui pela retificação parcial do crédito constituído, de acordo com a planilha elaborada: Art. 55 da Lei nº 8.212/1991 – Período 01/01/2006 a 09/11/2008 e 13/02/2009 a 29/11/2009: A Entidade não possuía o deferimento de isenção de contribuições previdenciárias, a ser concedido pelo INSS/Receita Federal . Medida Provisória nº 446/2008 – Período 10/11/2008 a 12/02/2009: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 321 9 A entidade preencheu os requisitos necessários para obtenção da isenção das contribuições, extinguindose assim, o fato que deu origem ao crédito previdenciário. Lei nº 12.101/2009 – Período 30/11/2009 a 31/13/2009: A entidade preenche os requisitos necessários para obtenção da isenção das contribuições previdenciárias e terceiros. Cientificada, em 01/07/2011, a Defendente apresenta sua manifestação nos seguintes termos, em síntese: a) de início, exprime sua satisfação e reconhecimento pela determinação da d. Turma Julgadora para que fossem prestados os esclarecimentos solicitados pela Entidade bem como pelo zelo com que foi atendida pelo digno Agente autuante; b) que é incontroverso que nos períodos de vigência da MP nº 446 e Lei nº 12.101, ficou suprimida a obrigatoriedade de requerer a isenção, razão pela qual concluiuse pela retificação dos valores para ambos os períodos e apresenta sua discordância quanto à proporcionalidade nos meses 11/2008, 02/2009 e 11/2009. E ratifica os termos da Defesa já apresentada e acrescenta que devem ser anuladas as cobranças parciais que restaram dos meses 11/2008, 02/2009 e 11/2009. Combate e aponta as dificuldades em operacionalizar a proporcionalidade dessas competências; c) argumenta sobre a falta de requerimento, que foi suprimido na vigência da Medida Provisória nº 446 bem como pela Lei nº 12.101. Portanto, o que era considerado infração, deixou de sêlo. Deixa claro que é contra a assim chamada "pilantropia" e qualquer forma de utilização indevida da isenção da cota patronal e conta com o bom senso do Fisco para separar o joio do trigo. Faltou apenas o requerimento, falha formal, certamente perdoável pelo nível de hipossuficiência da entidade que, à época, tinha apenas um funcionário e era gerida por pessoas simples. E o direito da entidade a isenção/imunidade está fartamente provado no processo. Em 31 de outubro de 2011, a 7ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, por meio do Acórdão no1435.727, manteve em parte o crédito tributário exigido, concluindo que: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI ORDINÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Somente estará isenta da quota patronal a empresa que requerer e obtiver o correspondente Ato Declaratório concedido pelo Órgão competente. IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. NOVEL LEGISLAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. RETIFICAÇÃO. Cabe a retificação do crédito lançado, referente ao período em que a empresa fez/faz jus à isenção da cota patronal, de acordo com a superveniente legislação de regência. MULTA APLICADA. CORREÇÃO. Multa aplicada nos parâmetros da legislação vigente tem respaldo legal. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. DIRETOR RESPONSÁVEL. PEDIDO REJEITADO. As intimações são endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. O Sujeito Passivo foi intimado do decisum, em 02/02/2012, tendo interposto Recurso Voluntário no dia 10/02/2012 que, em síntese, reitera os argumentos já apresentados. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 322 11 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, passo ao exame das questões preliminares e, posteriormente, ao mérito. I.2 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS DECORRENTES LAVRADOS APÓS A PUBLICAÇÃO DA LEI N. 12.101/2009 Conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 27/30 do PAF 16024.000085/201078, todas as autuações decorrem de ausência de recolhimento das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, com aplicação de multa. Narra o Fiscal, em seu Relatório, que a Recorrente apresentou GFIP com código FPAS 639, com a finalidade de usufruir voluntariamente e incorretamente da isenção de contribuições previdenciárias sem preencher requisito básico para tal benefício, qual seja:não possui o deferimento de isenção concedido pelo Órgão INSS/RECEITA FEDERAL. A Recorrente, em sua defesa, aduz que a exação avança para período onde a Medida Provisória n° 446/2008 e a Lei n° 12.101/2009 já haviam alterado as exigências em relação às entidades beneficentes. Nessa linha, a norma vigente no período de 2008 e 2009 já não exigia mais, como requisito à isenção, a anuência expressa do poder público federal. Por sua vez, para os fatos geradores ocorridos anteriormente à MP 446/2008, requer a aplicação do art. 106, II, “a”, do CTN, já que a autuação fiscal ocorreu em 2010, ano em que a exigência do § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91 já não mais estava no ordenamento jurídico. Ao decidir a impugnação a DRJ, expressamente, reconheceu que: De início, cabenos registrar que não se discute e muito menos se põe em dúvida de que o CENTRO SÃO JOSÉ exerce atividades filantrópicas e assistenciais, um trabalho salutar e imprescindível à população carente, como alegado pela Defendente. E, ainda que é detentora dos Certificados Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 mencionados. O cerne da questão é exatamente saber se a Empresa faz jus ao gozo da isenção prevista na legislação, que para tal é necessário cumprir,cumulativamente, todas as exigências ali contida. Todavia, não obstante reconheça que a Recorrente é entidade beneficente que exerce atividades filantrópicas e assistenciais, manteve a autuação pelo fato de a Recorrente não ter formulado pedido de isenção junto ao INSS//RECEITA FEDERAL. Nesse sentido, merece destaque o seguinte trecho do acórdão recorrido: O presente tratasede constituição de crédito referente à quota patronal das contribuições devidas à Seguridade Social, uma vez que a Entidade usufruiu voluntariamente e incorretamente da isenção de contribuições previdenciárias, referentes às alíquotas patronais e terceiros, sem preencher os requisitos básicos para tal benefício, ou seja, não possuía odeferimento de isenção, a ser concedida pelo Órgão do INSS/RECEITA FEDERAL. Confrontando os argumentos, entendo que deve ser acolhida a pretensão recursal. Importa dizer que os lançamentos decorrentes foram lavrados na vigência da Lei n. 12.101/2009 que alterou o procedimento de fiscalização dispensando do procedimento prévio de Ato Cancelatório. Ainda que o lançamento possa fazer referência a fatos geradores anteriores, o artigo 144, § 1º do Código Tributário Nacional que “Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas”. Não obstante, ainda que não haja processo prévio de cancelamento da isenção, o artigo 32 da Lei nº 12.101/09 obriga o Fisco a trazer no lançamento “os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção”, os quais não foram trazidos no caso concreto, já que o Fisco entendia que a entidade não gozava da isenção. A demonstração da configuração da materialidade do tributo é fator decisivo e questão elementar para a efetiva constituição do crédito tributário, como prevê o artigo 142 do CTN. A ausência dessa atividade, sobretudo quanto à certeza da hipótese de incidência tributária, torna temerária a motivação do lançamento. Consoante dispõe o art. 10, III, do Decreto nº 70.235 de 1972, a motivação constitui requisito de validade do auto de infração, sem o qual torna a autuação improcedente, diante da ausência da observância de requisito de validade. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto de infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 323 13 Constata a ausência de relatório dos fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção [art. 32, da Lei n. 12.101/2009], devem os lançamentos decorrentes serem anulados por vício material. Além disso e caso essa r. Turma não acolha esse entendimento, merece reforma a r. decisão, uma vez que este e. CARF, em mais de uma situação, analisando casos idênticos ao presente, entendeu que, como a autuação é posterior à MP 446/2008 e a Lei 12.101/2009, tendo em vista que o art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09 e com a revogação passoua desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°, devese aplicar o art. 106, II, do CTNe cancelar a autuação. Inclusive, quando da autuação, sequer existia no ordenamento jurídico a obrigatoriedade de formalizar o pedido. Assim, indiscutível que o Fiscal não poderia ter autuado com base em norma não mais vigente. A situação seria diversa se, para os fatos de 2006, o fiscal tivesse autuado em 2006, 2007, ou 2008, antes da MP 446/2008, conforme se verá adiante. Inicialmente, patente a observância do texto constitucional sobre a matéria, ao dispor sobre a imunidade tributária concedida às entidades de assistência social: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A norma prescrita pelo dispositivo supra possui eficácia contida ao passo que concede à lei ordinária a competência de regulamentação quanto aos critérios a serem atendidos pela entidade beneficente de que trata a imunidade tributária. Tais critérios, entretanto, conforme decisões já proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, dizem respeito à forma de constituição da entidade para que possa ser considerada entidade beneficente de assistência social: “Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar.” (Supremo Tribunal Federal, ADI 1802 MC / DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 De outro lado, o comando previsto no parágrafo 7° do artigo 195 da CF/88 remete à lei o estabelecimento dos requisitos à sua concessão, lei complementar, como estatuído no artigo 146 da Carta Política, pois a ela cabe regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (CF, art. 146, II). Sendo assim, os requisitos estabelecidos para fruição da imunidade não devem ser aqueles dispostos no artigo 55 da lei n° 8.212/91, mas sim no Código Tributário Nacional, artigo 14, porquanto o mesmo possui força de lei Complementar. O art. 14 do CTN dispõe: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Tais requisitos, inquestionavelmente e de acordo com o próprio relatório fiscal, a Recorrente atendia, o que justifica o gozo da imunidade tributária concedida pelo texto constitucional. O já revogado art. 55 da Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre a isenção de contribuições previdenciárias em favor de entidades de assistência social, previa: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 324 15 III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela DF CARF Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) (...)” O art. 55 da Lei n° 8.212/91, regulamentando a norma constitucional prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, estabeleceu os requisitos a serem atendidos pela entidade de assistência social para o gozo da imunidade. Nos termos do dispositivo acima, dentre os requisitos necessários a concessão do benefício está o requerimento junto ao INSS, que terá o prazo de 30 dias para apreciar. No caso em tela, todavia, a Recorrente, apesar de apresentar todas as características inerentes a uma entidade beneficente de assistência social, inclusive o CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, deixou de atender a formalidade estabelecida no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e, diante de tal situação, a autoridade fiscal decidiu por autuála sob a justificativa de que a mesma não estaria apta ao gozo da isenção. Não entendemos assim. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em tela, o § 1° do art. 55, da Lei n° 8.212/91 estabelecia formalidade segundo a qual só poderia gozar do benefício de isenção quem protocolasse requerimento nesse sentido junto ao INSS. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Vale dizer que se trata de situação peculiar em que a lei anterior previa formalidade que de tão dispensável fora revogada e não substituída por qualquer outra medida da mesma natureza. Dessa forma, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. A propósito, tal entendimento já foi manifestado pelo CARF: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 325 17 procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. [Ac. 2402003.247, Conselheiro Relator: Lourenço Ferreira do Prado] DISPOSITIVO Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator Designado. Devido a ausência de conselheiros titulares e pelo impedimento, inclusive técnico, de conselheiros suplentes elaborarem votos vencedores, designeime, na ocasião, redator do voto vencedor. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à procedência do recurso, no mérito. Como já descrito pelo relator, a legislação, na época dos fatos geradores, exigia requisitos para que as entidades usufruíssem do benefício isentivo. Lei 8.212/1991: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela DF CARF Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Portanto, pela simples leitura do parágrafo 1º, fica claro que havia a determinação de apresentação de pedido, requerimento, por parte da interessada para o usufurto da isenção, procedência não tomada, conforme consta dos autos de forma incontroversa. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000087/201067 Acórdão n.º 2301004.265 S2C3T1 Fl. 326 19 A Lei 12.101/2009 mudou a sistemática de exigibilidade de comprovação de requisitos para isenção e exigência de contribuições caso os requisitos não fossem cumpridos. Lei 12.101/2009: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Portanto, a partir da vigência da Lei 12.101/2009, a fiscalização não lavra mais o ato cancelatório de isenção, em termo próprio, mas narra os fatos no lançamento, já exigindo as contribuições correspondentes. Assim agiu, corretamente, o Fisco. Portanto, como a recorrente não solicitou, quando era exigido, por requerimento, conforme determinado pela Lei, a isenção das contribuições de que tratava, à época, o art. 55, da Lei 8.212/1991, corretamente foram lançadas as contribuições correspondentes, motivo da NEGATIVA DE PROVIMENTO DO RECURSO. É como voto. Marcelo Oliveira Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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