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Numero do processo: 10580.911711/2009-28
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2007
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2007 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 11 /2 00 9- 28 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911711/200928 Acórdão n.º 3802003.441 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001930/2005-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001
IRRF - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA.
Está sujeito à incidência do Imposto de Renda na Fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios quando não comprovada a operação ou sua causa.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Jorge Celso Freire Da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos De Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), ausente justificadamente a C. , Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001 IRRF - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda na Fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios quando não comprovada a operação ou sua causa. Recurso Especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Jorge Celso Freire Da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos De Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), ausente justificadamente a C. , Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda na Fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios quando não comprovada a operação ou sua causa. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Jorge Celso Freire Da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos De Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 19 30 /2 00 5- 45Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Convocado), ausente justificadamente a C. , Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido, no que se refere à matéria recorrida: I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 05/11, com a exigência de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, juros de mora e multa proporcional qualificada, referente aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, apurado na forma de tributação com base no lucro real. O lançamento fundamentase na infração que se segue. Item 1 Custos ou Despesas não comprovadas/glosa de custos glosa de custos/despesas efetuadas em função de ser suportada por notas fiscais inidôneas. A Egesa utilizou para comprovar custos documentos fiscais não aceitos pela fiscalização conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Planilhas. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 249, parágrafo único do art. 251 e art. 300 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR, de 1999. Em decorrência desse ato e de seus motivos, foram constituídos os seguintes créditos tributários. II O Auto de Infração és fls. 12/18 a exigência do crédito tributário no valor de R$ 2.010.848,84 a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, juros de mora e multa proporcional qualificada, referente aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001 fundamentase na infração a seguir diferenciada. Item 1 Falta de recolhimento da CSLL lançamento decorrente da fiscalização do IRPJ. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 10, art. 11, art. 15 e art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 19 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei n° 9.316, de 22 de dezembro de 1996, art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como o art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999 e suas reedições. III O auto de Infração às fls. 19/49 com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 18.768.883,38 a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, juros de mora e multa proporcional qualificada, referente aos fatos geradores de maio Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.001930/200545 Acórdão n.º 9101001.969 CSRFT1 Fl. 1.128 3 de 1999 a dezembro de 2001 baseiase nas infrações a seguir especializadas. Item 1 IRRF Sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados/Pagamentos Sem Causa/IRRF Sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados importâncias pagas pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado. O contribuinte efetuou diversos pagamentos através da conta caixa de obras ou através de cheques não apresentados à fiscalização. Tais valores estão sendo considerados como pagamentos a beneficiários não identificados, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e Planilhas. Item 2 IRRF Sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados/Pagamentos Sem Causa/IRRF Sobre Pagamentos Sem Causa importâncias pagam sem causa pela pessoa jurídica. O contribuinte efetuou diversos pagamentos nos anoscalendário de 1999 a 2001 a outras empresas. Como ficou evidenciado que os pagamentos não tiveram a contrapartida da prestação dos serviços mencionados nas notas fiscais, considerase pagamentos sem causa, sujeito a IRRF alíquota de 35% sobre a base reajustada conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e Planilhas. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 1° e caput do art. 674 do RIR, de 1999. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fl. 50/67, que no lançamento consubstanciado no Mandado de Procedimento Fiscal DRF/Contagem n° 06.1.01.00 2001001520: Nos anoscalendário de 1999 a 2001, o contribuinte registrou em sua contabilidade diversas despesas efetuadas com aluguéis de equipamentos e serviços de obras complementares. Algumas destas despesas foram objeto de auditoria fiscal onde buscamos informações mais detalhadas para averiguarmos a efetiva prestação dos serviços registrados nas notas fiscais dos fornecedores e o desembolso suportado pela Egesa (cópia do Razão no Anexo III). Da análise dos documentos apresentados comprovamos que diversas despesas lançadas em sua contabilidade estão respaldadas por notas fiscais inidôneas ou de favor, sem a efetiva contraprestação dos serviços, o lucro, base para a tributação do imposto de renda e da contribuição social. Constatamos que a prática consistia em adquirir notas fiscais, operação intermediada pelo Sr. Luiz Gonzaga Torres Paulino, CPF 225.519.95668, de empresas de fachada ou de empresas que se encontravam em processo de encerramento. O Sr. Luiz Gonzaga vendia as referidas notas fiscais por, aproximadamente, 5% do valor de face dos documentos fiscais, sendo sua porcentagem também objeto de emissão de nota. Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Verificamos que para liquidar as suposta despesas foram emitidos cheques contra o Banco Sudameris Brasil, Agência 237/Pampulha, conta n° 002073000 1, de titularidade da Egesa. Os cheques que liquidaram as notas fiscais de maior valor foram todos sacados na boca do caixa, método utilizado para tentar evitar o rastreamento de seu destino. Já os cheques de menor valor, representando aproximadamente 5% das notas fiscais vendidas, foram depositados na conta no 16156, Agência 1229 7, do Banco do Brasil S/A, de titularidade do Sr. Luiz Gonzaga Torres Paulino. No curso da fiscalização, verificamos que as seguintes empresas foram envolvidas na prática descrita acima, quais sejam: Sudeste Engenharia e Agrimensura Ltda., CNPJ 02.438.750/000175, e as seguintes empresas são empresas de fachada, servindo apenas para emissão de notas fiscais inidôneas, quais sejam: Servenge Consulsan Construtores Brasileiros Associados Ltda., CNPJ 01.631.874/00178, Construtora Recorde Ltda., CNPJ 02.695.462/000104, Ponta Empreiteira de Construção Civil Ltda., CNPJ 01.972.952/0001 30. Além da prática descrita acima, envolvendo o Sr. Luiz Gonzaga Torres Paulino, constatamos que as notas fiscais emitidas pela Construtora Anapú Ltda., CNPJ 02.144.224/000100, não servem para comprovar as despesas nelas registradas, por serem inidôneas, conforme abaixo relatado. Verificamos que a prática de se adquirir notas fiscais inidôneas já fora inclusive objeto de ação judicial, interposta pela empresa Sopabe Construções Ltda. contra a Egesa, o que vem reforçar as conclusões relatadas acima. Inconformada com as exigências fiscais, das quais teve ciência em 15/02/2005, fls: 05/06, 12/13 e 19/20, a autuada, em 17/03/2005, apresentou a impugnação, fls. 340/359, acompanhada dos documentos, fls. 360/366, com as alegações abaixo sintetizadas. Inicia seu arrazoado confirmando que se insurge contra as exigências de IRRF, código de receita n° 2932, relativas ao período de maio de 1999 a janeiro de 2000, bem como contra as exigências de CSLL, código de receita n° 2973, referentes aos anoscalendários de 1999, 2000 e 2001. Sobre o lançamento relativo ao IRRF de maio de 1999 a janeiro de 2000 e ainda de dezembro de 2000, argumenta que houve a decadência direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de IRRF referente aos períodos anteriores a fevereiro de 2000. Diz que como ele é um tributo lançado por homologação,o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador (§ 4º art. 150 Código Tributário Nacional — CTN). Narra que excepcionalmente tem cabimento a aplicação do art. 173 do CTN se comprovado dolo, fraude ou simulação. Relata que ainda que se aplicassem as normas previstas no art. 173 do CTN, o lapso temporal findouse em 01/01/2005, conforme demonstrativo integrante da pega de defesa. Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.001930/200545 Acórdão n.º 9101001.969 CSRFT1 Fl. 1.129 5 Relativamente ao lançamento referente ao IRRF de dezembro de 2000 justifica que os pagamentos efetivados à Sobape Construções Ltda. estão regularmente identificados, embora a beneficiária negue este fato. Afirma que: [...] realizou adiantamentos para a empresa Sobape Construções Ltda. através de cheques nominais, os quais, endossados, foram descontados junto instituição bancária. Posteriormente, a impugnante, em processo de auditoria interna, veia a descobrir acerca da inidoneidade dos documentos apresentados. Diante desta surpresa, a Impugnante visando regularizar sua situação perante o Fisco Federal, como de fato regularizou, retificando sua DIPJ/2000. Esta retificação fora admitida pelo Fisco Federal, à medida que não houve, no presente auto, qualquer glosa de despesa relativa aos adiantamentos feitos 5 empresa SOBAPE, uma vez que já haviam sido excluídas voluntária e espontaneamente na DIPJ retificadora, cabendo ressaltar que os tributos apurados face tal retificação, foram devidamente recolhidos [...] Outrossim, de forma a legitimar a saída de recursos de caixa da Impugnante, ditos valores foram escriturados como distribuição e pagamento de dividendos aos sócios, tendo sido devidamente tributado pelos tributos ordinariamente incidentes. Mais uma vez, diante dessa atitude, a Impugnante evitou a ocorrência de qualquer prejuízo ao fisco no que pertine ao Imposto de Renda Retido na Fonte que se constitui como objeto de atuação. Cuidou ainda, desta forma, de identificar os beneficiários do aludido valor, razão pela qual, inaplicável o disposto no artigo 674 do RIR199. Revela que observou o disposto no art. 10 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quanto aos valores dos lucros ou dividendos tributados exclusivamente na fonte. Interpreta que devem ser observados os princípios da tipicidade cerrada e da estrita legalidade, citando inclusive a estrutura das normas tributárias. Argúi que os pagamentos efetuados não foram registrados nas contas de resultado, já que os valores correspondentes foram debitados na conta Dividendos e creditados na conta Bancos. (...) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, julgou o lançamento parcialmente procedente, tendo ementado a decisão na .forma: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de evidente intuito de fraude, a contagem no prazo decadencial deslocase para regra geral em que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/PAGAMENTOS SEM CAUSA A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estes fatos estiverem comprovados por documentos hábeis. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: COISA JULGADA A respeito das relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo a não tributação decorrente de decisão soberanamente julgada não pode ter caráter normativo de imutabilidade a abranger eventos futuros a respeito dos quais há legislação de regência superveniente. Lançamento Procedente em Parte." Vieram os recursos de oficio e voluntário. Ao nalisar o recurso de ofício e o recurso voluntários, o relator da decisão recorrida adotou em seu voto as seguintes razões de decidir, no que diz respeito à matéria objeto do recurso especial: IRRF A única alegação apresentada pela recorrente é de que os pagamentos efetuados à Sopabe Construções Ltda. estão regularmente identificados, embora, a beneficiária, tenha negado este fato. Do exame da contabilidade da recorrente, restou claro que a que ela apropriou, como custos, cheque pagos à Sopabe. O exame dos autos revela, todavia, a fragilidade da acusação, neste ponto. Vejase que consta do "TVF" que houve um processo judicial de exibição de .documentos onde foram apresentados pela ora recorrente a pedido da Sopabe, as cópias dos cheques emitidos em seu nome, bem assim, as suas microfilmagens respectivas. Consta, ainda, que o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre DNIT, ao averiguar denúncia apresentada pela Sopabe, em procedimento de Sindicância, confirmou a execução dos serviços realizados pela Egesa. Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.001930/200545 Acórdão n.º 9101001.969 CSRFT1 Fl. 1.130 7 Verifico, ainda, que a recorrente registrou, em seu Livro Diário, a saída dos diversos cheques, citados na ação de exibição de documentos, movida pela Sopabe. Por fim, consta dos autos, cópias de diversos cheques, emitidos nominalmente à Sopabe, os quais foram sacados na boca do caixa, regularmente endossados pela beneficiária. Dentro de tal contexto, não há como negar que os cheques nominais Sopabe, emitidos pela recorrente, endossados e sacados pela própria beneficiária, no âmbito do sistema bancário nacional, não deixam dúvidas acerca do destino dos recursos. Não vejo, por outro lado, como deixar de aceitar tais evidencias ante à mera infirmação da empresa de que não tenha recebido as importâncias em apreço. Isso porque, é sabido que os cheques, com valor superior a R$ 100,00 devem ser nominais. E, o saque das referidas importâncias, somente pode ser procedido com a identificação do beneficiário, sendo certo, que no caso de pessoas jurídicas, as exigências, são ainda maiores, eis que os documentos societários devem ser apresentados juntamente com a identificação do sócio, sacador e/ou endossante e beneficiário final do recurso. Assim, vejo que o lançamento, neste ponto, padece pela má caracterização do fato gerador. Diante de tais fatos, dou provimento parcial ao recurso para cancelar os lançamentos de IRPJ, cujos fatos geradores estão alocados nos períodos de apuração de 12/2000, no valor de R$ 3.135.330,45. Quanto ao mais, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, que adoto como fundamento da presente assentada. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo: IRPJ CSLL RETIFICAÇÃO DIPJ AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO A retificação da escrituração contábil e fiscal, efetuada anteriormente ao inicio da ação fiscal e a ausência de prejuízo ao fisco autoriza o cancelamento do lançamento, sob pena de enriquecimento sem causa do erário. IRRF PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/PAGAMENTOS SEM CAUSA A escrituração faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados quando estes fatos estiverem comprovados por documentos hábeis. CSLL COISA JULGADA MUDANÇA DO CONTEXTO NORMATIVO TRATADO NA AÇÃO JUDICIAL Não há como se admitir que a coisa julgada produzida na demanda judicial movida pelo contribuinte possa influenciar o julgamento relativo ao lançamento de que trata esse procedimento administrativo, ante a modificação superveniente das condições fáticas e normativas em que proferida a sentença cujo trânsito em julgado se pretende impingir. Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 RECURSO DE OFICIO DECADÊNCIA FRAUDE INEXISTÊNCIA PRAZO CONTAGEM Nos casos de inexistência de evidente intuito de' fraude, a contagem no prazo decadencial deslocase para regra geral em que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador art. 150, IV, CTN. A Fazenda Nacional, às fls. 606/613, apresentou recurso especial pugnando pela manutenção do Auto de Infração de cobrança do IRRF e da decisão de primeira instância. Argumenta: i) é imperiosa a tributação pelo IRRF, à alíquota de trinta e cinco por cento, de todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e dos pagamentos efetuados ou dos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, assim como na hipótese de que trata o § 2, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991 (art. 61 da Lei 8.981/95); ii) durante o anocalendário de 2000, a autuada efetuou pagamentos ou entrega de recursos a terceiros porém não comprovou a causa dessas operações, mesmo depois de intimada a fazêlo; iii) tais ocorrências constituem o suporte fático previsto no art. 61 da Lei 8.981/95 para a incidência ensejadora da tributação pelo IRRF à alíquota de trinta e cinco por cento, razão pela qual deve ser mantida a exigência constante do auto de infração; iv) a autuada em nenhum momento do procedimento da fiscalização ou da interposição dos recursos julgados carreou aos autos documentos hábeis e idôneos a fazer as comprovações da causa dos pagamentos ou entrega de recursos a terceiros; e v) a autoridade autuante agiu de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizando o seu dever de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 652/654. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 690/693 e recurso especial às fls. 748/754, ao qual foi negado seguimento pela presidente da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 804/808. Submetido a reexame, o recurso da contribuinte teve seguimento negado também pelo presidente da CSRF. É o Relatório. Voto Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.001930/200545 Acórdão n.º 9101001.969 CSRFT1 Fl. 1.131 9 Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à tão somente à questão do IRRF, objeto da admissibilidade do recurso especial da Fazenda. O aresto recorrido deu pela improcedência no lançamento sustentando que o beneficário foi identificado, já o paradigma é claro em sustentar que a interpretação ao dispositivo do art. 674 do RIR/1999 (que reproduz o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995) deve ser feita considerando a hipótese de beneficário não identifiado e/ou pagamentos feitos a terceiros (caso dos presentes autos) ou sócios quando a não for comprovada a operação a sua causa. Temse, portanto que há uma questão de direito a ser enfrentada, mas há também uma questão de fato que há de ser trazida à baila, como se verá adiante. No que diz respeito à questão de direito, cumpre revisitar o que se contêm no art. 674 di RIR/1999, abaixo transcrito : Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Da simples leitura do dispositivo vêse que assiste razão à PGFN, na linha do acórdão paradigma, o Acórdão 10420.644, da 4a C. do 1o CC, (já transitado em julgado, sem recurso especial), quando entende qualquer dos dois requisitos (o do caput do art. 61 e do seu § 1o, da Lei nº 8.981, de 1995), quais sejam: a não identificação do usuário ou não comprovação da operação ou a sua causa. Qualquer dessas circunstâncias isoladamente, ou conjuntamente, enseja a cobrança do IRRF à alíquota de 35%. Este argumento por si só seria suficiente para dar provimento ao recurso especial da Fazenda. Mas há mais um argumento, baseado nos fatos do processo, é que a empresa Sopabe Construções LTDA, que teria recebido os pagamentos, chegou a entrar com ação na justiça contra a recorrida, por conta de tais pagamentos que não teria recebido, por que não prestou os serviços. Vejase o TVF, às fls. 5861, fatos que não são contraditados eficamente com provas em favor da recorrida. Ou seja, na verdade, o pagamento teria sido a beneficiário não identificado. Contudo, o argumento da identificação do beneficário é aceito pelo acórdão recorrido sob a justificativa de que as obras foram executadas, mas isto não está Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 em discussão, quem as executou, conforme consta da declaração da própria recorrente (fl. 59), não foi a Sopabe Construções LTDA, dentro dos autos em que esta mesma empresa entrou com processo judicial contra a recorrente, alegando que não havia recebido valores da recorrente (fl. 60, 10 par. e Anexo II). Assim, data venia, a decisão recorrida carece de suporte fático, pois não é o que se contêm nos autos: dos autos defluise que a Sopabe Construções LTDA não realizou obras para a recorrente nem dela recebeu valores. Nas contrarrazões (de fls. 685688) a recorrida insiste neste ponto (da identificação do beneficiário, que seria a Sopabe Construções LTDAs), mas efetivamente não agrega nenhuma materialidade na sua argumentação, que possa afastar a visão que tenho processo. A recorrente sustenta que promoveu a alteração da DIPJ, de forma a corrigr a infração praticada antes de ser objeto de fiscalização. Vejase o argumento sobre a retificação da DIPJ da recorrente em sua impugnação (fls. 350351): Diante desta surpresa, a Impugnante visando regularizar sua situação perante o Fisco Federal, como de fato regularizou, retificando sua DIPJ/2000. Esta retificação fora admitida pelo Fisco Federal, à medida que não houve, no presente auto, qualquer glosa de despesa relativa aos adiantamentos feitos empresa SOPABE, uma vez que esta já haviam sido excluídas voluntária e espontaneamente na DIPJ retificadora, cabendo ressaltar que os tributos apurados face tal retificação, foram devidamente recolhidos. Inocorreu e foi evitado, portanto, neste caso, qualquer prejuízo ao fisco no que se refere ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). Outrossim, de forma a legitimar a saída de recursos do caixa da lmpugnante, ditos valores foram escriturados como distribuição e pagamento de dividendos aos sócios, tendo sido devidamente tributado pelos tributos ordinariamente incidentes. Mais uma vez, diante dessa atitude, a lmpugnante evitou a ocorrência de qualquer prejuízo ao fisco no que pertine ao Imposto de Renda Retido na Fonte, que se constituiu como objeto da autuação. Cuidou, ainda, desta forma, de identificar os beneficiários do aludido valor, razão pela qual, inaplicável o disposto no artigo 674 do RIR199. (Negrito no original). Ademais, é de se ver das declarações de imposto de renda dos acionistas da empresa o recebimento desses exatos e precisos montantes como lucros/dividendos tributados exclusivamente na fonte, conforme disciplina o artigo 100 da Lei n° 9.249/95. Ora o fato de ter excluído as supostas despesas (o que resultou em base maior do IRPJ), e distribuído lucro aos sócios, não fez desaparecer os pagamentos que foram objeto da autuação. Vejase que labora em contradição a recorrida pois em determinado momento afirma que os valores foram para os sócios, sob a forma de lucros já tributados e noutro que foram pagos a empresa Sopabe Construções LTDA. Ademais, o fato de ter retificado sua declaração, adicionando valores à base tributável do IRPJ em relação a fatos específicos não elidiu a circunstância de que houve pagamentos a terceiros sem comprovação da operação ou a sua causa, fazendo incidir claramente, na espécie, o § 1º do art. 674 do RIR/1999. Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.001930/200545 Acórdão n.º 9101001.969 CSRFT1 Fl. 1.132 11 Isto posto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002721/2003-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS.
Não existe omissão, contradição nem obscuridade na decisão que decretou a nulidade do lançamento por vício de motivação.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausentes os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. Não existe omissão, contradição nem obscuridade na decisão que decretou a nulidade do lançamento por vício de motivação. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausentes os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403002.522, de 22 de outubro de 2013, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 27 21 /2 00 3- 62 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. NULIDADE. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte (“proc jud nao comprovado” e “proc jud de outro CNPJ”), e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado. Nos embargos, alegase que “nulidade é termo equívoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido” e que “É indispensável o esclarecimento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN (art. 173, II do CTN)”, ou seja, de que tal indicação seria indispensável para que não houvesse prejuízo à leitura da norma decadencial aplicável (art. 173, II do CTN). Entende a Fazenda tratarse de nulidade formal, fulcrada em fato procedimental, e solicita que esta Câmara complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Tomase a peça como tempestiva, diante da inexistência de verificação, no processo, de elementos que apontem para o descumprimento do prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009. A explicitação dos motivos da nulidade processual se encontra no voto condutor do acórdão embargado: No auto de infração a descrição dos fatos é feita de forma genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência de “Proc jud nao comprovado” e “Proc jud de outro CNPJ”. Presumese, com isso, que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que uma ação judicial não existia e a outra ação judicial referiase a outro contribuinte. Ocorre que as cópias das peças processuais apresentadas às fls. 43/137e demonstram tanto que existia a ação judicial nº 98.00143688, como que a contribuinte figurava como parte autora do processo judicial n° 94.00033222. Ou seja, o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração é falso. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002721/200362 Acórdão n.º 3403002.958 S3C4T3 Fl. 300 3 Como visto, fica claro que o vício reside em que a motivação constante no lançamento não subsistiu, ou seja, que os fatos narrados na autuação não prevaleceram diante do confronto com a verdade dos fatos. A preocupação da Fazenda Nacional nitidamente se refere à aplicação do art. 173, II do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Assim, deseja, na prática, saber a Fazenda saber se seria possível a lavratura de outra autuação para exigência dos montantes. A Fazenda indica em seu arrazoado uma sugestão de classificação dos vícios (em formais e materiais), sendo os formais os atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário, e os materiais os relativos à validade e à incidência da Lei. Endossa ainda tal classificação com julgados do CARF que sustentam constituir vício formal a omissão dos fundamentos e requisitos do art. 10 do Decreto no 70.235/1972. Esta Turma, em julgado anterior, já se manifestou no sentido de que não cabe ao CARF manifestarse sobre o tema. Conforme explica o Conselheiro Rosaldo Trevisan, “Vejase que o que se busca em sede de embargos declaratórios é uma antecipação de mérito em relação à legitimidade (afastandose a decadência) de uma segunda autuação, ainda inexistente. Entendo não incumbir a esta corte manifestarse sobre tal matéria, seja porque anteciparia (ao menos parcialmente) mérito em relação a processo diverso, que terá que seguir seu curso administrativo sem opiniões préconcebidas, seja porque a decisão embargada indicou precisamente seus fundamentos, não havendo a omissão ensejadora de embargos, nos termos do art. 65 do RICARF” . Diante de tal perspectiva, por entender ausente a obrigatoriedade deste Conselho manifestarse sobre a classificação da nulidade, devese entender que não existe omissão no acórdão embargado, razão pela qual voto pela rejeição dos embargos apresentados. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10940.001475/2005-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM-Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIMPresidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo da declaração de compensação (Dcomp) de fl. 01, por intermédio da qual se declara a existência de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) não cumulativa – mercado interno (total do crédito utilizado: R$ 157.370,81), referentes ao mês de outubro de 2004, conforme expresso no Demonstrativo “Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep” de fl. 02, a serem compensados com débito do IPI relativo ao período de apuração de junho de 2005 (PA 06/05). 2Posteriormente, o interessado apresentou outra Dcomp de mesma natureza (fls. 37/38), em seguida retificada conforme fls. 66/67, referente ao mesmo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .0 01 47 5/ 20 05 -7 0 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 421 2 mês de apuração, protocolada no processo nº 10940.001702/200567. Ainda na seqüência, o interessado também apresentou outras Dcomp’s (fls. 73/74, 111/112), referentes ao 4º trimestre de 2004, protocoladas, respectivamente, nos processos nºs 10940.000036/200621 e 10940.000281/200638. Finalmente, foi protocolado o processo nº 16403.000117/200694, referente a um pedido de ressarcimento eletrônico (fls. 147/151), cumulado com uma Dcomp eletrônica (fls. 152/155), ambos também referentes ao 4º trimestre de 2004. Como todas as declarações e o Pedido de Ressarcimento se referem a um único tipo de crédito e ao mesmo trimestre, a autoridade preparadora promoveu a juntada dos processos acima por anexação (fl. 168), para que a análise do crédito total de todo o 4º trimestre de 2004 (meses: outubro, novembro e dezembro de 2004) fosse realizada em conjunto. 3Como as Dcomp’s protocoladas nos processos nºs 10940.001702/200567 e 10940.000036/200621 apresentam compensações de débitos de estabelecimentos filiais do interessado, não sendo possível o controle conjunto pelos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) de débitos de estabelecimentos diferentes, foram ainda protocolados os processos administrativos nºs 16404.000109/200638, 16404.000110/200662 e 16404.000111/200615, para que fosse efetuado o controle dos débitos das filiais. 4Materialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa/PR (DRF/PTG/PR) exarou o Despacho Decisório nº 416/2007 (fls. 305/312), reconhecendo o direito creditório do interessado no montante de R$ 672.232,08, e homologando as compensações pleiteadas neste processo, inclusive relativas aos débitos das filiais, até o limite do crédito reconhecido, sob os seguintes fundamentos: O interessado apurou créditos da contribuição para o PIS/Pasep, lastreado no art. 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, pelo qual, tratandose de créditos de insumos vinculados a operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, conforme art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, podese compensar os créditos acumulados a partir de 09 de agosto de 2004; O contribuinte fabrica, importa e distribui papel imune, conforme comprovado pela situação vigente de seu Registro Especial – Papel Imune junto à RFB (v. fl. 299), e, sendo esta imunidade objetiva e, especialmente, referente a impostos, ela não abrange as contribuições sociais, que têm como fato gerador o faturamento; Porém, a Lei nº 10.865, de 30/04/2004, dispõe sobre a redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de papéis classificados nos códigos da TIPI referenciados naquele diploma legal, destinados à impressão de periódicos pelo prazo de 4 (quatro) anos a contar da data de vigência desta Lei ou até que a produção nacional atenda 80% (oitenta por cento) do consumo interno; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 422 3 Assim, temse que o aproveitamento dos créditos de contribuições, via compensação e ressarcimento, é lícito, conforme a Lei nº 11.116/05; Não se constatou divergências entre a proporção de créditos de mercado interno e exportações, usada pelo contribuinte no Dacon (fls. 82/97) e a calculada através da relação de notas de saída apresentada em resposta ao item 2 da Intimação nº 172/06 (fls. 169 a 172), e, assim, temse que a proporção do mercado interno no mês de outubro é de 98,80%; 98,94% no mês de novembro; todas as saídas do mês de dezembro foram para o mercado interno; Intimado às fls. 169 a 172 a apresentar esclarecimentos e documentação do crédito pleiteado, o contribuinte apresentou relação, em meio digital, de notas fiscais de entrada que dão origem ao crédito objeto do pedido e das Dcomp’s em análise; Considerandose, dentre essas notas fiscais, aquelas relacionadas com Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOPs – referentes a bens utilizados como insumos, temse que o mês de novembro teve discriminadas notas que somam o montante de R$ 4.363.400,85 de base de cálculo de contribuições, que está aquém daquela informada nas linhas 2 das fichas 04 e 06 do DACON, pelo que a diferença, no valor de R$ 192.365,76 na base de cálculo para o mês de novembro deverá ser objeto de glosa; Foi também realizada amostragem das notas fiscais relacionadas a bens utilizados como insumos, conforme Intimação nº 192/07 (fls. 243/250), a partir da qual se constatou que estavam relacionadas como geradoras de crédito as notas de nºs 2589, 2594, 2601, 2604 e 2608 (fls. 260/264), que se referem a parcelas de uma complementação de contrato de compra junto à Norske Skog Florestal Ltda.; Conforme discriminado na nota à fl. 260, os valores discriminados nas notas fiscais citadas no item acima se referem à “correção monetária”, e, como a correção monetária/complementação em questão tem caráter meramente financeiro/monetário, não implicando realmente em maior aquisição de insumos, concluise pela glosa das notas acima relacionadas, glosandose da base de cálculo, desta forma, os valores de R$ 35.485,94 para os meses de outubro, novembro e dezembro; Já com relação à rubrica “Serviços Utilizados como Insumos”, temse que o interessado apresentou, em resposta ao item 1 da Intimação nº 172/06 (fls. 169/172), relação de notas fiscais de entrada, após o que se verificou que as notas relacionadas com os CFOPs referentes a prestação de serviços, estavam registradas no Dacon sob a rubrica “Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda”, e que, as operações efetivamente referentes aos créditos das linhas 3 das Fichas 04 e 06 do Dacon foram relacionadas em separado, em outra planilha eletrônica entregue em resposta à mesma intimação; Não sendo suficientes as informações descriminadas na planilha referente a serviços, foi lavrada Intimação nº 237/06 (fls. 228/230), que, em seus itens 1 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 423 4 e 2 solicita maiores esclarecimentos a respeito dos serviços que geraram crédito para o contribuinte no período sob análise; Em resposta, o interessado apresentou planilhas às fls. 237/239, as quais discriminam como se deu o cálculo dos créditos advindos dos serviços utilizados como insumos, sendo que os dados informados nessas tabelas forma confirmados tanto pelas informações prestadas anteriormente pelo contribuinte (planilha eletrônica de “serviços de colheita de madeira/páteo de madeira”) quanto por sua escrituração fiscal; Dessa forma, concluise que foram confirmadas aquisições de serviços que dão direito a crédito nos montantes de R$ 1.646.650,38, R$ 1.163.337,84 e R$ 1.323.478,43, para os meses de outubro, novembro e dezembro, respectivamente, sendo que, como os valores informados nessa rubrica no Dacon foram, pela ordem, R$ 1.724.300,57, R$ 1.231.073,30 e R$ 1.669.734,34, constatase a diferença de R$ 77.650,19, R$ 67.735,46 e R$ 346.255,91, respectivamente; O interessado atribui todo o valor confirmado ao mercado interno, conforme totalização no registro “Linha 03 – Serviços Utilizados como Insumos (Dacon)” das tabelas às fls. 237/239, e, dessa forma, a glosa da base de cálculo para o mercado interno é aquela reconhecida pelo próprio contribuinte nas tabelas apresentadas, sendo o restante do valor da diferença explicitada no parágrafo anterior referente à exportação; Realizada amostragem quanto às notas fiscais de serviços utilizados como insumos, através da Intimação nº 192/07 (fls. 243/250), não se constataram outras divergências, pelo que glosase da base de cálculo apenas as diferenças apuradas nas tabelas às fls. 300/301; Já em relação aos créditos advindos das despesas de energia elétrica, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 30/12/2002, foi apresentada, para tanto, em resposta à Intimação nº 172/06 (fls. 169/172), relação de notas, sendo que, a partir dessa relação (fls. 265/266), foram realizadas amostragens através das intimações nºs 237/06 (fls. 228/230) e 192/07 (fls. 243/250), e, ao se analisar tais notas, percebese que o interessado, na apuração dos créditos pleiteados, incluiu na base de cálculo multas, taxas municipais de iluminação pública e outros serviços diversos, sendo que os créditos surgem da energia elétrica consumida no estabelecimento e não de outros custos e despesas relacionadas a esse consumo, que não devem ser incluídos no cálculo do crédito, sendo, portanto, objeto de glosa (fls. 300/301); Dessa forma, através de análise conjunta com o Livro Razão do contribuinte, verificouse que, no mês de outubro, as despesas de energia elétrica que servem como base de cálculo para os créditos foram de R$ 5.192.286,41, contra R$ 6.736.442,07, declarados no DACON; no mês de novembro, o contribuinte comprovou despesas dessa natureza no montante de R$ 6.682.471,13, maior que os R$ 6.146.098,18, anteriormente declarados; já no mês de dezembro, as despesas comprovadas somaram R$ 6.195.436,19, em oposição aos R$ 6.281.240,61, declarados em Dacon; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 424 5 Quanto às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, informadas no DACON, o contribuinte apresentou, em resposta ao item 5 da Intimação nº 172/06 (fls. 169/172), tabelas às fls. 225/227, acompanhadas de cópias do Livro Razão, demonstrando os serviços de armazenagem e de frete nas operações de venda, que geram crédito conforme inciso IX do art. 3º e inciso II do art. 15, ambos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003; Verificouse que os valores que compõem os créditos dessa rubrica estão de acordo com as contas apresentadas no Livro, e, com o intuito de comprovar as operações descritas no Razão, foi feita amostragem de notas fiscais conforme o item 3 da Intimação nº 237/06 (fls. 228/230), a partir da qual, não havendo incongruências, fica confirmado o crédito relativo às operações de frete e armazenagem, conforme pleiteado; Entretanto, percebese às fls. 226/227, que o contribuinte incluiu no cálculo dos créditos dos meses de novembro e dezembro, nessa mesma rubrica, as despesas com despachantes, bem como outras despesas comerciais, que não têm natureza de frete e armazenagem, e, tampouco, configuramse como insumo, não possuindo, portanto, base legal para aproveitamento de créditos de contribuições, pelo que, dessa forma, são glosados os montantes de R$ 87.058,02 e R$ 83.877,25, respectivamente, da base de cálculo dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep para os meses de novembro e dezembro; Em resposta ao item 5 da Intimação nº 237/06 (fls. 228/230), o interessado apresentou cópias de notas fiscais de entrada acompanhadas de seus respectivos comprovantes de importação, bem como demonstrativos relativos às contribuições pagas na importação, já apresentadas anteriormente, anexadas às fls. 189, 190, 205, 206, 218 e 219, a partir dos quais observou se que há divergências entre o montante de crédito pleiteado e aquele comprovado através das importações de celulose e sobressalentes nos meses de novembro e dezembro; Foram indicados, à fl. 206, para a Declaração de Importação nº 04/11882192, uma base de cálculo e um valor de contribuição para o PIS/Pasep de, respectivamente, R$ 459.331,52 e R$ 7.578,97, valores esses que coincidem com os informados no Dacon e, conseqüentemente, com o crédito pleiteado pelo contribuinte; Todavia, foi anexada, à fl. 241, planilha de cálculo com o intuito de verificar o real montante do crédito, de acordo com a Instrução Normativa (IN) SRF nº 436, de 27/07/2004, vigente à época, e, assim, chegouse ao valor de R$ 456.300,93 de base de cálculo e de R$ 7.528,97 de contribuição para o PIS/Pasep, resultando em uma glosa no montante de R$ 50,00; Percebese, ademais, às fls. 218/219, que a contribuição para o PIS/Pasep Importação do mês de dezembro soma R$ 43.172,59, montante confirmado na planilha de cálculo à fl. 242, formulada de acordo com a Instrução Normativa (IN) SRF nº 436, de 27/07/2004, vigente à época, e, assim sendo, foi comprovado crédito aquém do pleiteado, conforme o Dacon, gerando Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 425 6 uma glosa de créditos da contribuição para o PIS/Pasep de R$ 171,91 no mês de dezembro; Da verificação das notas fiscais relevantes às devoluções de vendas sujeitas à incidência nãocumulativa, não se constatou nenhuma divergência com os dados anteriormente apresentados (v. tb. tabelas às fls. 186, 202 e 215) e com os créditos pleiteados, e, portanto, com relação a essa rubrica do DACON, não há glosas a serem realizadas, confirmandose em R$ 27.476,50, R$ 45.507,01 e R$ 44.400,33 os valores de devoluções que geram crédito da contribuição para o PIS/Pasep, relativos aos meses de outubro, novembro e dezembro, respectivamente, devendo ser ressaltado, ademais, que essas devoluções se deram, exclusivamente, no âmbito do mercado interno; Constam ainda do Dacon, em suas linhas 22 das fichas 04 e 06, outros créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS no mês de novembro, sendo que, intimado às fls. 228/230 a comprovar esses créditos, o interessado apresentou cópia de nota fiscal de entrada nº 2023 (fl. 235), que trata de nota de devolução de saídas de sucata de arame e de sucata de ferro, ficando confirmado, portanto, o crédito da contribuição para o PIS/Pasep no montante de R$ 9,02; Considerandose todo o exposto, bem como as tabelas confeccionadas às fls. 240/242, representando a apuração de crédito nas importações, a planilha demonstrativa de glosas às fls. 300/301 e a tabela de resultado à fl. 302, as quais resumem as glosas efetivadas, na forma anteriormente mencionada, e a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep a descontar (quando houve glosas, procedeuse à distribuição dos valores glosados na proporção de créditos de mercado interno e exportações, segundo os percentuais anteriormente discriminados, salvo quando houve manifestação da autoridade local dispondo de forma diversa), decidese reconhecer o direito creditório do interessado, no montante de R$ 672.232,08, homologandose as compensações pleiteadas neste processo, inclusive relativas aos débitos das filiais, até o limite do crédito reconhecido; Deve se atentar para o fato de que, conforme § 7º do art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, os débitos do sujeito passivo devem ser compensados na ordem cronológica de apresentação das Dcomp´s, sendo que, para cada declaração, deve ser seguida a ordem dos débitos indicada pelo interessado. 5Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 06/09/2007, conforme se observa no Aviso de Recebimento (AR) de fl. 313, o contribuinte, irresignado, apresentou, em 09/10/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 324/333 e demais documentos a ela anexados às fls. 334/351 (procuração, fl. 334; cópia de Contrato Social, de atas e da 9ª. Alteração de Contrato Social, fls. 335/350; cópia de carteira de identificação profissional do procurador da empresa, expedido pela OAB/PR, fl. 351), alegando, em síntese, que: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 426 7 Em relação aos créditos decorrentes da aquisição de bens utilizados como insumos, é flagrante a ausência de motivação da decisão recorrida, não se podendo admitir a glosa de créditos de PIS/COFINS exclusivamente por conta dos CFOPs utilizados pela impugnante, já que, como se sabe, estes códigos são utilizados apenas como facilitadores da atividade de fiscalização, e, assim, seria imprescindível que fossem indicados expressamente quais os CFOPs cujas operações não foram consideradas aquisições de insumos, até mesmo porque a impugnante não tem como verificar com exatidão qual foi o critério adotado pela fiscalização para selecionar quais códigos dão ou não direito a crédito e como demonstrar o equívoco da glosa; Sem a indicação precisa dos CFOPs desconsiderados, a autuação é nula de pleno direito, pois não há norma estabelecendo que determinados Códigos possam ou não dar direito a crédito; Em segundo lugar, também se tendo em vista que estes Códigos servem apenas de orientação e auxílio, não podem ser simplesmente adotados de forma plana para considerar determinado gasto como gerador ou não do crédito, sendo imprescindível que a autoridade fiscalizadora analise concretamente as operações para, sob o viés da verdade real, concluir pela possibilidade ou não da geração de créditos, mencionandose, nesse aspecto, decisão do E. Conselho de Contribuintes nos autos do processo nº 10540.000237/9841 (Recurso 114038; Acórdão 20308073); A autoridade fiscal apenas analisou e desconsiderou as aquisições de bens que supostamente não seriam insumos, porém, as mesmas divergências que provocariam a glosa para a redução dos créditos utilizados para compensação, também provocariam o aumento em outras situações, ou, em outras palavras, caso adotado os critérios da fiscalização, se no exercício indicado haveria diminuição do crédito, em outras oportunidades haveria o aumento dos créditos a serem utilizados, porém, somente foi considerada a diminuição e não o aumento; E, quanto à glosa dos valores pagos a título de complementação de valor de contrato de compra junto à Norske Skog Florestal, relativos à correção monetária, é absolutamente evidente a ilegalidade do procedimento, já que, como se sabe, a correção nada mais é do que a atualização monetária de determinado valor para anulação dos efeitos da desvalorização da moeda; Tratase de acessório que não altera nem acrescenta nada ao valor principal, servindo apenas para manutenção da equivalência deste valor em função da inflação constatada no período, e, portanto, não há efetivamente alteração que possa ser considerada de natureza financeira, como referido na decisão recorrida; Portanto, a complementação de valores pagos em função da incidência da correção monetária não retira deste pagamento a capacidade de gerar créditos de PIS/COFINS, verificandose, destarte, a ilegalidade da glosa determinada para as despesas com bens utilizados como insumos; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 427 8 Relativamente aos serviços utilizados como insumos, constou na decisão que haveria controvérsia relativamente aos valores declarados no Dacon e aqueles valores informados pela impugnante no curso do procedimento administrativo, porém, quando a impugnante foi intimada a se manifestar e a provar os fundamentos de seus créditos, realmente apresentou levantamentos que não correspondiam exatamente aos valores informados no Dacon; Essas divergências se justificam, seja em função de serviços que acabaram não sendo incluídos nas listagens apresentadas à fiscalização, seja em função de valores que acabaram sendo lançados em outros períodos, em função de divergências do momento do pagamento; A impugnante não nega a legitimidade da glosa em situações como a indicada, em que efetivamente se constate que as declarações fiscais (no caso, o Dacon) não correspondam com exatidão à realidade contábil e fiscal, porém, considerandose o número de vezes que a autoridade fiscal requereu esclarecimentos e novos documentos, impunhase que houvesse expressamente solicitado esclarecimentos em relação à divergência apontada, o que, inclusive, poderia acarretar na necessidade de retificação do Dacon apresentado no período; Essa postura representaria a valorização do princípio da ampla defesa e do contraditório na esfera administrativa, do princípio da razoabilidade e da eficiência, e, com efeito, se constatado (e a impugnante já está fazendo este levantamento) que o Dacon efetivamente estava correto, pela localização de outros serviços não considerados nas planilhas encaminhadas no curso do procedimento administrativo, o resultado será que a decisão ora recorrida terá que ser revista; Por outro lado, se confirmado que as tabelas elaboradas estão corretas, a conclusão será pela retificação do Dacon, solução que a autoridade que apreciou o pedido de compensação sequer cogitou, não se tendo adotado o melhor procedimento jurídico, pelo que, seja como for, na pior das hipóteses, impõese a cassação da decisão recorrida para que a impugnante possa ao menos apresentar as explicações pertinentes; É claro o equívoco da decisão, na parte da mesma que glosou uma parcela das despesas com energia elétrica, pela inclusão na base de cálculo dos créditos pleiteados de multas, taxas municipais de iluminação de outros serviços diversos, já que a energia elétrica não é um bem ou serviço de natureza comum, tratandose, sim, de serviço público prestado sob regime de direito público, de maneira que há severa regulamentação dos montantes que podem ser cobrados; Nesse contexto, os “acessórios” cobrados juntamente com as faturas de energia elétrica são de pagamento obrigatório em virtude das normas aplicáveis a esses serviços; são cobranças ligadas de forma umbilical à própria energia elétrica consumida, devendo, sim, dar direito à tomada de créditos; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 428 9 É a mesma situação dos tributos destacados em aquisições de insumos, não havendo dúvidas de que estes “acessórios” fazem parte efetivamente do custo de aquisição, de maneira que dão direito a crédito, devendose nestas situações seguirse o brocado jurídico “o acessório segue a sorte do principal”, motivos pelos quais a glosa determinada pela fiscalização deve ser revista; Também não procede a glosa de despesas realizadas com despachantes, uma vez que estas são despesas necessárias e umbilicalmente ligadas às despesas realizadas com fretes e armazenagem; Ainda que a Lei não preveja expressamente a tomada de créditos em relação a essas despesas especificamente consideradas, tais serviços são parte indissociável dos serviços de frete e armazenagem, de maneira que a única interpretação que atinge à finalidade prevista na Lei é a que reconhece a possibilidade da tomada de créditos sobre tais pagamentos; Por outro lado, nos dias atuais, não se pode deixar de reconhecer a importância dos despachantes nas atividades correntes das empresas, sendo esse um serviço necessário e indispensável para a perfeita consecução dos objetivos empresariais de uma pessoa jurídica, sendo que, se utilizado por analogia a um conceito do Regulamento do Imposto de Renda, não há dúvida de que estes gastos são indispensáveis para a manutenção da fonte produtiva; Se utilizados exclusivamente os termos das normas que regulam os créditos de PIS/COFINS, não parece haver dúvidas de que estes serviços podem ser considerados como insumo na produção dos produtos industrializados pela impugnante, e, por estes motivos, também a glosa relativa a estes gastos deve ser revista; Ante o exposto, requer a impugnante seja recebida a sua impugnação por inconformidade e, ao final, provida integralmente para o fim de ser declarada a homologação da compensação que foi objeto do procedimento administrativo de nº 10940.001475/200570. 6À fl. 352, tendo em vista o contido na Portaria RFB nº 340, de 22/02/2008, que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo II, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTBA) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJO2), o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO2, para julgamento. O pleito foi julgado pela primeira instância, nos termos do acórdão de n° 13 20.923 de 14/08/2008, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I I /RJ, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/Pasep. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPENSAÇÃO. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 429 10 Quando não comprovada a respectiva aquisição/fornecimento, é cabível a glosa de valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a título de bens e serviços utilizados como insumos. Não há previsão legal para o desconto de créditos decorrentes das despesas de atualização ou correção monetária sobre o fornecimento de bens utilizados como insumos na fabricação de produtos próprios, ainda que prevista contratualmente. Somente se permite o desconto de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se incluindo em citados gastos as despesas com taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e outros serviços diversos. Não dá direito a crédito o gasto com serviços de despachante, por não corresponderem a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de crédito. PIS/Pasep. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS OPONÍVEIS À COMPENSAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, de aplicação subsidiária aos processos de restituição/compensação. Solicitação Indeferida. O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, mantendo o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 672.232,08, e a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido, exatamente tal como pronunciado pela autoridade recorrida no despacho decisório. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo da declaração de compensação (Dcomp), por meio da qual se declara a existência de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) não cumulativa – mercado interno (total do crédito utilizado: R$ 157.370,81), referentes ao mês de outubro de 2004, conforme expresso no Demonstrativo “Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep” de fl. 02, a serem compensados com débito do IPI relativo ao período de apuração de junho de 2005 (PA 06/05). O interessado também apresentou outras Dcomp’s, referentes ao 4º trimestre de 2004 e juntada de outros processos por anexação, para que a análise do crédito total de todo o 4º trimestre de 2004 (meses: outubro, novembro e dezembro de 2004) fosse realizada em conjunto. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.001475/200570 Resolução nº 3802000.161 S3TE02 Fl. 430 11 O Despacho Decisório nº 416/2007 reconheceu o direito creditório do interessado no montante de R$ 672.232,08, e homologando as compensações pleiteadas neste processo, inclusive relativas aos débitos das filiais, até o limite do crédito reconhecido. No entanto, percebi que DAS GLOSAS COM BASE NOS CFOP, alega a interessada que a glosa das notas fiscais carece de motivação, já que não foram indicados os CFOP cujas operações não foram consideradas relativamente à aquisição de insumos. Segundo a recorrente, esta não teria “como verificar, com exatidão, qual foi o critério adotado pela fiscalização para selecionar quais Códigos dão ou não direito a crédito e para demonstrar o equívoco da glosa”. Com efeito, a questão versa sobre o que pode e o que não pode ser considerado como insumo da atividade. Diz a autuada que tal critério foi baseado nos CFOP. E segundo o despacho decisório e a decisão da DRJ tais códigos foram sim utilizados como parâmetro para separar o que podia e o que não podia ser considerado como insumo. A recorrente alega que houve falta de critério para se fazer essa separação. Em outras palavras, que não ficou claro o que poderia ou não ser considerado como insumo. De fato, os códigos (Códigos Fiscais de Operações e Prestações) CFOP foram utilizados como critério. Mas realmente não consta do despacho decisório quais os códigos que foram glosados. Sobre a questão, a fiscalização assevera apenas o seguinte (fl. 319 do pdf): Intimado ás fls. 169 a 172 a apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória do crédito que neste processo se pleiteia, o contribuinte apresentou relação, em meio digital, de notas fiscais de entrada que dão origem ao crédito objeto do pedido e das declarações em análise. Considerandose, dentre essas notas, aquelas relacionadas com Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOPs – referentes a bens utilizados como insumos, temos que o mês de novembro teve discriminadas notas que somam o montante de R$ 4.363.400,85 de base de cálculo de contribuições. Essa base de cálculo está aquém daquela informada nas linhas 2 das fichas 04 e 06 do DACON. Assim, a diferença, no valor de R$ 192.365,76 da base de cálculo para o mês de novembro, deverá ser objeto de glosa. (grifei) Desse modo, necessária uma diligência para que a fiscalização da Delegacia de origem discrimine quais os CFOP não considerados como insumo, e o porquê da correspondente glosa. Portanto, voto para que o julgamento seja convertido em diligência, para os devidos esclarecimentos. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre as devidas glosas e o devido crédito pretendido e abram vistas para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720264/2011-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Verificada a existência de obscuridade no acórdão embargado, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3403-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para o fim de sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado, passando o resultado do julgamento a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos fretes sobre transferências."
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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score : 1.0
Numero do processo: 13629.000852/2010-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamentos efetuados.
Numero da decisão: 1801-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamentos efetuados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 08 52 /2 01 0- 41 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.000852/201041 Acórdão n.º 1801002.105 S1TE01 Fl. 1.829 2 COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS STV LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 09 46.852 (fl. 1790), pela DRJ Juiz de Fora, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de três autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2007, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 168.377,42 47.049,29 126.283,05 341.709,76 3 PIS/PASEP 14.769,26 4.322,21 11.076,90 30.168,37 13 COFINS 68.028,26 19.908,51 51.021,14 138.957,91 21 CSLL 67.865,79 18.940,15 50.899,32 137.705,26 29 Conforme a descrição contida no Relatório Fiscal (fl. 45), a empresa foi autuada em razão da constatação de duas infrações: (i) glosa de custos/despesas escriturados e não comprovados; (ii) pagamentos não escriturados. O autuado apresentou impugnação, alegando, em síntese, que (fl. 158): i) todos os custos/despesas estão devidamente comprovados nos documentos apresentados à fiscalização, tem essa ocorrido em erro. Quanto aos custos/despesas relacionados no Relatório Fiscal, apresenta os respectivos comprovantes junto à impugnação; ii) todos os pagamentos tidos como não escriturados estão, na verdade, registrados na contabilidade do autuado, embora com alguns erros de data ou valor, conforme demonstram os documentos acostados. Por fim, valese do princípio da verdade material para requerer a extensão da dilação probatória. Antes do julgamento de primeira instância, o contribuinte compareceu outras vezes ao processo, apresentando novos elementos de prova (fls. 306 e 888). A DRJ, inicialmente, converteu o julgamento em diligência (fl. 1.769), a fim de que a fiscalização verificasse: (i) se houve ocorrência de erro de fato quanto à glosa de custos/despesas relativas às notas fiscais em nome de Refrigerantes Coroa Ltda; (ii) se procedem os lançamentos contábeis no Diário de pagamentos tidos como não escriturados na autuação, haja vista que os fatos registrados no Diário e no Razão deveriam guardar identidade e que cópias de folhas do Diário estão pouco legíveis. O resultado da diligência encontrase consolidado no Relatório Fiscal de fl. 1.776, no qual: (i) reconhece a comprovação dos custos inicialmente glosados, propondo a exoneração da exigência correspondente; (ii) reconhece a escrituração de alguns pagamentos apontados no auto de infração, mas mantém a afirmação de que outros pagamentos, que relaciona em lista anexa, não foram escriturados. O impugnante foi notificado desse relatório, mas não se manifestou. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.000852/201041 Acórdão n.º 1801002.105 S1TE01 Fl. 1.830 3 A DRJ considerou a impugnação procedente em parte, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. ERRO DE FATO. Há que ser cancelada a glosa de custos e despesas quando demonstrado que esta se deu por erro de fato ocorrido durante o procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. COMPROVAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Deve ser cancelada a parcela do lançamento correspondente à receita considerada omitida por presunção legal, quando demonstrada na fase impugnatória a inexistência do fato indiciário pagamentos não escriturados dessa presunção. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes quanto à mesma matéria fática. INTIMAÇÃO NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a intimação deve obedecer a disposições estabelecidas em normas processuais específicas, devendo, quando por via postal, ser endereçada ao domicílio fiscal do sujeito passivo e, quando pessoal, ser realizada na pessoa do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto. Cientificado dessa decisão em 17/10/2013, por via postal (fl. 1.801), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 1.802), em 14/11/2013, em que repisa os argumentos já apresentados na impugnação, de que todos os pagamentos tidos como não escriturados estão, na verdade, registrados na contabilidade do autuado, embora com alguns erros de data ou valor. Todavia, não apresenta novos elementos de prova. Por fim, requerer a extensão da dilação probatória. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.000852/201041 Acórdão n.º 1801002.105 S1TE01 Fl. 1.831 4 O recorrente afirma que a parte remanescente do lançamento também é indevida, pois os pagamentos tidos como não contabilizados, pela fiscalização, estariam registrados, embora com algum erro de data ou valor. Os registros contábeis do recorrente já foram revistos, por ocasião da diligência determinada pela autoridade a quo, exatamente para se buscar os registros com algum tipo de erro. Alguns pagamentos foram, de fato, localizados, embora muitos tenham remanescido. O recorrente, por seu turno, não aponta os registros em sua contabilidade que seriam relativos aos pagamentos que deram ensejo ao lançamento. Ele não apresenta elementos de prova que sustentem a sua afirmação, o que autoriza o afastamento de sua argumentação por falta de comprovação, uma vez que é seu o ônus de provar a sua afirmação, por força da norma processual contida no artigo 333 do Código de Processo Civil Pátrio: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Não tendo sido localizados os registros contábeis dos pagamentos realizados, persiste a presunção legal de omissão de receitas que fundamenta os presentes lançamentos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10950.904888/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Llirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 88 /2 00 9- 12 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 JORGE VICTOR RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Llirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade, apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio de Per/Dcomp nos termos do despacho decisório 841959085 emitido pela DRF em Maringá/PR. Segundo o despacho decisório, do qual o contribuinte foi cientificado em 04/8/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado já se encontrava integralmente utilizado, vinculado ao processo administrativo n. 13951.000331/200131. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte, após breve relato dos fatos, suscitou a título de premissas as seguintes questões: (i) a LC nº 70/91, por ser materialmente lei ordinária, poderia ter sido alterada e até revogada pela Lei 7.718/98; (ii) A LC nº 70/91 foi legitimamente revogada (por incompatibilidade) pela Lei 9.718/98; (iii) como a Lei nº 9.718/98 era vigente (sentido amplo) e eficaz desde a sua publicação, foi nessa data que ocorreu a revogação da LC 70/91; (iv) A Lei nº 9.718/98 não foi recepcionada pelo artigo 195, I, da CF, pela redação dada pela EC 20/98; e, (v) apesar da Lei 9.718/98 ter sido recepcionada pela Constituição (EC 20/98), não fica restabelecida a LC 70/91 anteriormente revogada. Consubstanciada em tais premissas a Manifestante observou que a havendo a LC nº 70/91 sido revogada legitimamente pela Lei nº 9.718/98, na data de sua publicação, bem assim que esta lei não foi recepcionada pela EC nº 20/98, atualmente não existe norma válida impondo a exigência da COFINS, seja sobre o faturamento, seja sobre a totalidade das receitas, para concluir pela inconstitucionalidade das modificações de base de cálculo. Ademais disso aduziu a contribuinte que a Lei nº 9.718/98 ao tentar fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas, mesmo com as exclusões de que trata o § 2º do art. 3º, acabou por alargar o conceito de faturamento para receitas que extrapolam aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Postulou ao final pela reforma da decisão proferida pela DRF Maringá PR, para homologação integral da compensação pleiteada, e para determinação: a) da suspensão dos valores compensados na presente DComp até que haja o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente processo de crédito de nº 109*50.904867/200905, ao qual se encontra vinculada a presente compensação, por força do previsto no art. 48, § 3º, I, da IN SRF nº 600/05 e § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/08, bem como do art. 151, III, do CTN; b) que a autoridade administrativa se abstenha de emitir auto de infração e de exigir a aplicação Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10950.904888/200912 Acórdão n.º 3803005.063 S3TE03 Fl. 7 3 de multa moratória, seja o percentual limitado a 20% legais, seja superior a este; e c) não seja aplicada multa isolada punitiva, tendo em vista que o crédito tributário ainda se encontra sob análise do processo de compensação, tendo em vista as implicações que dela possam advir. A decisão da DRJ/CTA, em seu acórdão de n. 0635.713, de 29 de fevereiro de 2012 assim julgou: Assunto: Normas da Administração Tributária Período de Apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O Julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a aplicar a legislação vigente, restando, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. A DRJ também se manifestou quanto aos demais pedidos: Quanto ao efeito suspensivo da manifestação apresentada, são oportunas as seguintes considerações. Segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (§ 6º). Essas declarações, acaso não homologadas, são passíveis, em relação à decisão denegatória, de apresentação de manifestação de inconformidade, que, a propósito, deve obedecer ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e se enquadra no disposto no inc. III do art. 151 do CTN, relativamente ao objeto da compensação. Assim, à vista da legislação de regência, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, a exigência do “débito objeto da compensação” encontrasse temporariamente suspensa, cabendo à DRF competente observar os efeitos pertinentes. Quanto ao pedido para que não seja lavrado auto de infração para exigir multa (moratória ou isolada punitiva), tratase de questão que vai além do litígio presente nos autos e que, portanto, não pode ser apreciada no presente âmbito. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins pela Lei nº 9.718, de 1998, também não há como analisála no âmbito administrativo. Com efeito, por conta do caráter vinculado da atividade administrativa, considerações sobre a inconstitucionalidade de dispositivos legais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando, portanto, margem a conjecturas atinentes a juízos de valor. Nesse contexto, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte usou os mesmos argumentos usados em sua Manifestação de Inconformidade, qual seja: A inconstitucionalidade a Lei 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A matéria devolvida para apreciação por esta Corte resumese à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, pois tal premissa serviu como pressuposto ensejador do recolhimento realizado a maior ou indevido pela contribuinte, eis que do aludido alargamento resultaram créditos que foram utilizados em pedido de compensação, com débitos próprios, bem assim à comprovação de liquidez e certeza do crédito tributário alegado pelo sujeito passivo. O alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins foi matéria analisada em definitivo no âmbito do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral para a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, dentre os precedentes destacase aquele cuja ementa transcrevese adiante: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Por sua vez a Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, introduziu nova redação ao artigo 62 e 62A do RICARF/2009, notadamente ao parágrafo único e inciso I, respectivamente, in verbis: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10950.904888/200912 Acórdão n.º 3803005.063 S3TE03 Fl. 8 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. (Grifei). Inferese do texto acima transcrito que a decisão do STF é vinculativa para os órgãos judicantes integrantes do CARF, portanto devendo ser reproduzida pelos seus conselheiros, ex vi da orientação normativa contida no RICARF/09. Os efeitos jurídicos decorrentes dessa decisão também trouxeram implicações em relação ao conceito de faturamento instituído pela LC nº 70/91, que houvera sido alterado com o advento da Lei nº 9.718/98, notadamente no que pertine ao alargamento da base de cálculo, ou seja, a referida decisão devolveu o entendimento dado à definição de faturamento àquele já consagrado pelo artigo 2º do DL nº 70/91, que compreende tão somente o ingresso de receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação de ambos. A este entendimento me filio em observância ao disposto nos artigos 62 e 62 A do RICARF/09, ao contido nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, e no art. 79, XII, da Lei nº 11.941/09. De outra parte, há o tema acerca da não homologação do Per/DComp por meio de despacho decisório eletrônico, que compreende a insuficiência de saldo credor para solver os débitos informados na aludida DComp, sendo certo que a este respeito esteve silente a Recorrente, tanto por ocasião da manifestação de inconformidade aviada, quanto no recurso voluntário interposto, inclusive não constando dos autos os elementos de prova que deveriam consubstanciar os argumentos probantes da liquidez, certeza e exigibilidade do crédito vindicado, o que deveria ocorrer sob à égide do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (ressalvadas as hipóteses previstas no seu § 4º), eis que cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, haja vista que tal procedimento é de iniciativa exclusivamente sua. Em contrapartida cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Com estas observações, em face do disposto no princípio da verdade material, oriento o meu voto pelo desprovimento do recurso, por não restar demonstrada a existência do crédito alegado. É assim que voto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2013. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723394/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas odontológicas no valor de R$ 1.459,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas odontológicas no valor de R$ 1.459,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas odontológicas no valor de R$ 1.459,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 33 94 /2 00 8- 85 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Acórdão n.º 2801003.641 S2TE01 Fl. 93 2 Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 3.563,10, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, dedução indevida de despesas médicas. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 12/14 deste processo digital, que: O contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas e o efetivo pagamento das mesmas. Em atendimento à intimação, o Interessado apresentou diversos documentos, dentre eles uma declaração prestada por Ulisses do Nascimento Júnior informando a forma de recebimento dos honorários odontológicos e um recibo do mesmo profissional, relacionando os valores e as datas dos recebimentos. Quando do seu comparecimento à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF, o contribuinte foi orientado no sentido de que, em relação ao profissional Ulisses do Nascimento Júnior, a comprovação do efetivo pagamento era necessária, mediante a apresentação de cópias de cheques nominais microfilmados ou extratos bancários em que constem retiradas coincidentes em datas e valores com os recibos emitidos. Uma vez que o contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento a Ulisses do Nascimento Júnior, além de simples recibos, foram glosadas despesas declaradas com o referido profissional, no valor de R$ 5.839,00. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente. Entenderam os julgadores da instância de piso que a Fiscalização não considerou aptos os recibos emitidos pelo profissional Ulisses do Nascimento Júnior. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas, o que não ocorreu. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/09/2010 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 07/10/2010, o recurso de fls. 54/60. Na peça recursal aduz, em síntese, que: O Auto de Infração reconhece o pronto atendimento aos termos da intimação feita. Foram apresentados todos os documentos que comprovam os pagamentos realizados no anocalendário de 2004. Todos os recibos foram apresentados à época do envio da intimação, razão pela qual considera satisfeito o requisito. Sua dependente efetuou o tratamento odontológico com o profissional Ulisses do Nascimento Júnior, pagando pelos serviços R$ 5.839,00, e para que não reste quaisquer dúvidas, anexa o Prontuário Odontológico com a discriminação dos valores pagos por procedimento. O manual da própria RFB dispõe que “As despesas médicas são comprovadas mediante documentos contendo o nome, o endereço e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário dos pagamentos, podendo ser substituídos por cheque nominativo ao beneficiário, de sua própria emissão, do cônjuge ou do dependente”. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Acórdão n.º 2801003.641 S2TE01 Fl. 94 3 Os requisitos previstos na orientação da RFB foram plenamente preenchidos, como se verifica nos recibos disponibilizados à Autoridade fiscal. Além dos documentos já juntados, apresenta extratos do Banco Itaú nos quais constam os valores debitados de dois dos pagamentos feitos: a) recibo nº 794, datado de 22/04/2004, cheque nº 000145, debitado em 27/04/2004; e b) recibo nº 249, datado de 26/11/2004, debitado em 23/11/2004. Requer, ao fim, a manutenção de todas as despesas lançadas em sua declaração de ajuste anual do anocalendário de 2004. Outrossim, pleiteia a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a prova pericial. Por meio da Resolução nº 2801000.214 (fls. 77/80), de 15 de maio de 2013, o julgamento do recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem acostasse aos autos o Termo que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, bem como o intimasse para, se fosse de seu interesse, se manifestar sobre o documento juntado. O Termo de Intimação Fiscal e o respectivo aviso de recebimento foram anexados aos autos em fls. 84/85. Após ser intimado (fls. 86/87), o Interessado não se manifestou. Por intermédio do despacho de fl. 91 o processo tornou a este Conselho. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator O Interessado foi cientificado da decisão de 1ª instância em 06/09/2010 (segundafeira). O dia 07 de setembro é feriado nacional. Logo, o termo a quo do prazo recursal iniciouse em 08/09/2010, a teor do que dispõe o art. 5º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O recurso veio subscrito pelo próprio sujeito passivo e foi apresentado em 07/10/2010, sendo, portanto, tempestivo. Assim, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. No processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Acórdão n.º 2801003.641 S2TE01 Fl. 95 4 Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, no entanto, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 84 deste processo digital, solicitou ao Recorrente, antes da constituição do crédito tributário, a comprovar as despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual, mediante a apresentação dos “comprovantes originais e cópias das despesas médicas, bem como do seu efetivo pagamento”. Nesse contexto, em que houve a prévia intimação da contribuinte, penso que a dedutibilidade de despesas médicas está condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, uma vez que, nos termos do DecretoLei n° 5.844/1943, art. 11, § 3° c/c art. 73 do RIR/1999, as deduções de despesas médicas “estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Em sede de impugnação o Interessado apresentou prontuário odontológico da paciente Elvira Maria Ribeiro Aburachid, sua dependente na declaração de ajuste anual, recibos de honorários emitidos pelo profissional Ulisses do Nascimento Júnior, bem como declaração do mesmo relacionando valores e datas em que teriam ocorrido os recebimentos. No entanto, não carreou aos autos nenhuma prova inequívoca do efetivo pagamento das despesas. Por outro lado, o Recorrente anexou à peça recursal cópia de extrato bancário (fls. 74/75) que evidencia a emissão de dois cheques que foram relacionados em dois dos recibos de honorários emitidos pelo profissional Ulisses do Nascimento Júnior, conforme abaixo: Recibo 794 – Pagamento por meio do cheque 000145 – Debitado em 27/04/2004 – Valor R$ 729,00 Recibo 249 – Pagamento por meio do cheque 000176 – Debitado em 23/11/2004 – Valor R$ 730,00 Nesse cenário, entendo que devem ser restabelecidas despesas odontológicas no valor total de R$ 1.459,00 (R$ 729,00 + R$ 730,00) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Acórdão n.º 2801003.641 S2TE01 Fl. 96 5 Registro, por fim, o meu entendimento acerca da desnecessidade de realização de diligência para a produção de prova pericial, uma vez que o contribuinte teve três oportunidades (no curso do procedimento fiscal, na impugnação e no recurso) para demonstrar o efetivo pagamento das despesas realizadas, desincumbindose de tal mister apenas de forma parcial. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas odontológicas no valor de R$ 1.459,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10530.902729/2009-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO.
Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
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DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinandose à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 27 29 /2 00 9- 24 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 355 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 356 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.297/305 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 287/292) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 01/09/2005 a Contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 36508.33637.010905.1.3.045819 (efls.34/38), onde consta: a) débito informado (confessado): Cofins, código de receita 5856, do PA julho/2005, data de vencimento 15/08/2005, assim especificado na DCOMP e na DCTF – (e fls. 38 e 170): principal: R$ 12.249,87; multa moratória: R$ 727,64; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 12.977,51 . b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 11.396,00 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 30/09/2004, DARF valor de R$ 20.732,08 (valor original), data do recolhimento 29/10/2004. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 11), consta, quanto ao PA 30/09/2004, débito informado do IRPJ estimativa mensal o valor de R$ 20.732,08, com base na receita bruta e acréscimos (efl. 184). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado do IRPJ = R$ 20.732,08 (efl. 62). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/05/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico, de 25/05/2009, da DRF/Feira de Santana (efl. 33), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 20.732,08. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais Fl. 356DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 357 4 pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 26/06/2009 (fl. 285), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 04/19 em 07/07/2009, conforme protocolo (fls. 263/264) e despacho de fl. 286. Em suas razões, a Contribuinte, em síntese, frisou: que apurou prejuízo fiscal no anocalendário 2004 (Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL); da “impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de criar tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda e o lucro”; insurgese, por conseguinte, contra a trava de 30% (Lei nº 8.981/95, arts. 42 e 58; e Lei 9.065/96, art. 15); Obs: aqui, convém esclarecer, que a Contribuinte, data venia, fez confusão entre compensação de prejuízos e compensação de débitos com créditos; Em anexo à Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte juntou: I cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 (efls. 179/251), onde consta informado que: a) apurou prejuízo contábil no anocalendário 2004 (R$ 675.524,73) – Ficha Ficha 6A – Demonstração do Resultado (efls. 183/184); b) apurou Lucro Real negativo ( R$ 675.524,73) – Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (efl. 184) e Base de Cálculo Negativa da CSLL (R$ 675.524,73) – Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (efl. 194); c) apurou IRPJ e CSLL, estimativas mensais, com base na receita bruta e acréscimos, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (efls. 185/188) e Ficha Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (efls. 190/193); d) preencheu parcialmente a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – efl. 189 (informou apenas Lucro Real negativo) e a Ficha 17 – Cálculo da CSLL – efl. 194 (informou base de cálculo negativa da CSLL). Ou seja, deixou de apurar, informar eventual saldo negativo dessas exações fiscais; II juntou comprovante de pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA 30/09/2004, no valor de R$ 20.732,08 – cópia do DARF de 29/10/2004, valor R$ 20.732,08; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 358 5 III – juntou cópia de Balanço Patrimonial dos anoscalendário 2004 e 2005; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos anoscalendário 2004 e 2005 (efls. 252/269). Posteriormente, por meio do requerimento (efl. 276) datado de 14/07/2009 e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte fez a juntada das DCTF retificadoras relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, retirando, "zerando" todos os débitos informados, confessados nas DCTF primitivas, quanto às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL desse anocalendário (efls. 277/286). Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (efls. 287/292), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Nesse sentido, consta da fundamentação do voto condutor do citado acórdão (efls. 291/292): (...) Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n2 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, à luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 835656451, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, que não reconheceu o direito creditório, no valor original de R$20.732,08 (vinte mil, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 359 6 setecentos e trinta e dois reais e oito centavos), referente a recolhimento de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração de setembro/2004, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP de n° 36508.33637.010905.1.3.04 5819 (fls. 33 a 37). (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (efls. 297/305), conforme Despacho de Encaminhamento (efl. 324). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...) O credito foi originário do DARF 5993 IRPJ de setembro de 2004 para pagamento de debito (COFINS) referente a julho de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 09A Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl.186), vêse que a pessoa jurídica apurou prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 12 A Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao mês de dezembro de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa de IRPJ do mês de de setembro 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...) Fl. 359DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 360 7 Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...),tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 12 A e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675.524,73. (...) Por fim, Recorrente pediu provimento ao recurso, para reconhecimento do crédito pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação. Em face das alegações da Recorrente e tendo em vista o entendimento da Súmula CARF nº 84, na Sessão de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802000.231 (efls. 317/324), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 321/324): (...) Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de Fl. 360DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 361 8 apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado ano calendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual contribuição já superada pelos recolhimentos efetuados ou apuração de prejuízo, esse fato não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário ou apuração de CSLL cujas estimativas pagas já superaram a exação fiscal apurada no ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), já no próprio ano calendário, sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 362 9 1) Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA setembro/2004: a) embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004 (Ficha 09) e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil se o IRPJ estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 12A, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou se simplesmente os recolhimentos antecipados foram maiores do que o imposto apurado no ajuste anual; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 363 10 Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (...) Realizada a instrução complementar do processo, conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 348/350), retornaram os autos para julgamento da lide. Antes disso, foi dada ciência do resultado da diligência à Recorrente para se manisfetar, em querendo, porém deixou transcorrer o lapso temporal in albis. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 364 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do direito creditório pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito. A Recorrente demanda o reconhecimento do crédito de R$ 11.396,00 (valor original), referente pagamento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 30/09/2004, valor de R$ 20.732,08 (valor original), data do recolhimento 29/10/2004, sob alegação de que: a) esse pagamento fora efetuado a maior ou indevidamente, pois no ano calendário 2004 apurou prejuízo contábil, inclusive Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL; b) que cometeu errou ou equívoco formal ao deixar de preencher parte da Ficha 12 – Cálculo do Imposto (na 1ª parte, apurou Lucro Real negativo de R$ 675.524,73, porém deixou de preencher a 2ª parte, ou seja, os campos atinentes à apuração do imposto, se havia exação fiscal a pagar ou a restituir= saldo negativo); c) que o crédito existe e esse erro ou equívoco não pode, por si só, impedir a restituição do valor pleiteado. O despacho decisório, como já narrado no relatório, negou o direito creditório pleiteado, pois o valor recolhido fora totalmente alocado, consumido, pelo débito estimativa mensal do IRPJ do referido PA confessado na DCTF. Por sua vez, a decisão recorrida, ao denegar o crédito, acrescentou mais um fundamento, conforme voto condutor do acórdão (efls. 291/292): (...) Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n2 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, à luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 365 12 Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 835656451, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, que não reconheceu o direito creditório, no valor original de R$20.732,08 (vinte mil, setecentos e trinta e dois reais e oito centavos), referente a recolhimento de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração de setembro/2004, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP de n° 36508.33637.010905.1.3.04 5819 (fls. 33 a 37). (...) Como visto, a lide envolve matéria de fato. Para resolução da contenda, tornase necessário verificar nos autos se há elementos de convicção, ou seja: a) se há provas da existência do prejuízo fiscal, Lucro Real negativo do ano calendário 2004 à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte, que possam justificar o crédito pleiteado e relevar o citado erro formal de preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) se há elementos de provas de que houve pagamento indevido de estimativa mensal do IRPJ (pagamento totalmente desvinculado da receita bruta mensal e acréscimos) ou se trata de mero recolhimento estimativa mensal do IRPJ nos termos da legislação de regência, mas que deve ser restituído como saldo negativo, em face da apuração de prejuízo fiscal, ou Lucro Real negativo, no encerramento do anocalendário; O fato da Recorrente ter deixado de preencher os campos da Ficha 12A atinentes à apuração do saldo negativo, por si só, não configura óbice à resitituição do crédito, conforme Súmula CARF 84. Nesse contexto, na sessão de julgamento de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802 000.231 (efls. 317/324), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 331/333), já transcrita no relatório. Realizada a instrução complementar do processo pela fiscalização da RFB (DRFFeira de Santana), conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 348/350), temse que a irresignação da Recorrente merece prosperar, pois restou comprovado o prejuízo fiscal e Lucro Real negativo, anocalendário 2004, e que o crédito pleiteado deve ser restituído como saldo negativo, pois o recolhimento da estimativa deuse com base na receita bruta e acréscimos, nos termos da legislação de regência. A propósito, transcrevo os fundamentos e a conclusão do Relatório de Diligência (efls. 348/350), in verbis: (...) Fl. 365DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 366 13 01.A presente diligência foi motivada com o objetivo de prestar esclarecimentos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de dar seguimento à apreciação de Recurso Voluntário contra decisão da 2a Turma da DRJ/Salvador que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls.. 287/292). 02.Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 alegando impossibilidade de se evitar a compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ 2005) e, também, da DCTF, acrescentando que tal fato não seria razoável e, além disso, desproporcional. Tal erro se deu devido ao fato de estar zerada na DÍPJ 2005 a Ficha 12A e a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ 2005, a fim de se proceder ao cálculo do Saldo Negativo de CSLL na própria Ficha 12A.. 03.Contudo, tal retificação não poderia ser feita naquele momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto à apresentação e, diante disto, não poderia ser prejudicada pelo mero erro formal apontado. Alegou, ainda, que o crédito existe e que tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial, o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675,524,73. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. 04.Conforme Voto do nobre relator, Conselheiro Nelso Kichel, há falhas na instrução do processo. Embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004 e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação nesse anocalendárío e sem apuração do saldo negativo, não consta nos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil e se o IRPJ estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência. Do mesmo modo, não há cópia da escrituração contábil (Livros Razão, Diário e Lalur) para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados corretamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. 05.Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à DRF Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 367 14 (recolhimento que extrapolou, ou seja, sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido feito exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou o IRPJ apurado foi superado pelos recolhimentos por antecipação; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarazões. 06. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência soliciitada, o interessado foi intimado, mediante Intimação DRF/FSA/SEORT n° 617/2013, à fl. 326, da qual tomou ciência em 22/11/2013, conforme Aviso de Recebimento AR, à fl. 327, a apresentar os Livros Razão e Diário do AnoCalendário 2004, mais o Livro Lalur. 7. Dentro do prazo concedido, o interessado apresentou os documentos solicitados. 8. Iniciouse a análise da documentação solicitada buscandose confirmar as informações contidas na DIPJ 2005 (ano calendário 2004) e DCTF. 9. Observandose a conta "IRPJ a Recuperar" (conta 12.6916), verificouse que o lançamento relativo ao mês de setembro/2004 (30/09), no valor de R$ 20.732,08, vide fl. 328, corresponde ao valor declarado na DIPJ 2005, na Ficha 11, vide fl. 338, e, também, na DCTF Original vide fl.. 342. 10. Em seguida, observouse outra conta, "'IRPJ Recolher"' (conta 23.1012), e nessa conta também foi escriturado o mesmo valor, RS 20.732,08, relativo ao mês de setembro/2004, pago em 29/10/2004, vide fl. 329. 11.Analisandose a Receita Bruta da Empresa (Base de Cálculo do IRPJ), vendas à vista + vendas a prazo, observouse que o total da Receita Bruta correspondeu a R$ 1.137.304,17, R$ 585.177,45 (vendas à vista) + R$ 552.126,72 (vendas a prazo), vide fls. 343 a 346. Aplicandose o percentual de 8,0 % sobre a receita bruta da empresa chegase à base de cálculo do IRPJ, R$ 90.984,33, e, finalmente, aplicandose o percentual de 15,0 % sobre a base de cálculo do IRPJ, mais o adicional de 10,0 % sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite mensal de RS 20.000,00, encontrase o valor devido paraR$ 20.746,08. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 368 15 12.Observouse uma pequena divergência (R$ 14,00) em relação ao valor declarado em DIPJ e DCTF pelo interessado, porém, resta demonstrado, a partir das verificações realizadas, bem como da documentação juntada aos autos, qual seja, páginas do livro Razão. DIPJ 2005 e DCTF, que, no mês de setembro de 2004, o IRPJ devido foi calculado nos termos da Legislação de Regência, ou seja, com base na Receita Bruta e Acréscimos. 13.Confirmouse no sistema interno da Receita Federal do Brasil, Sinal 05, o pagamento de IRPJ (código: 5993), no valor de R$ 20.732,08, realizado em 29/10/2004, vide fl. 347. 14.Verificouse, por meio da Ficha 06A, Demonstração do Resultado, vide fls, 330 e 331, que o interessado apurou Lacro líquido Negativo no anocalendário 2004, R$ 675.524,73, e, conseqüentemente, apurou Lucro Real Negativo (Prejuízo), no valor de R$ 675.524,73, vide fl. 333. 15. No presente caso, a apuração do lucro líquido foi demonstrada pelo contribuinte na Ficha 06A, vide fls. 330 e 331, da DIPJ 2005. Conferimos as Fichas 04A e 05A e confrontamos os valores de custo dos produtos de fabricação própria vendidos bem como o custo das mercadorias revendidas e despesas operacionais ali apurados com os valores lançados na Demonstração do Resultado. 16.Ao preencher a Ficha 12A da DIPJ 2005, vide 11. 341, o interessado deveria ter lançado na linha 17 a totalidade do IRPJ Mensal Pago por Estimativa, ao longo de todo o anocalendário 2004, e que está discriminado, mensalmente, na Ficha 11, vide fls. 334 a 340. Somandose todo o IRPJ efetivamente pago, de janeiro a dezembro, chegase ao valor de RS 262.295,28, conforme tabela abaixo: Mês Valor Pago Mês Valor Pago Mês Valor Pago Janeiro R$ 11.405,66 Março R$ 23.478,88 Maio RS 26.483,23 Fevereiro R$ 15.272,70 Abril RS 18.585,75 Junho RS 31.322,78 Julho R$ 20.592,38 Setembro RS 20.732,08 Novembro R$ 24.363,07 Agosto R$ 23.701,60 Outubro RS 20.230,82 Dezembro RS 26.126,33 TOTAL= R$ 262.295,28 Com o lançamento da totalidade do "IRPJ Mensal Pago Por Estimativa", na Ficha 12A (linha 17), seria apurado um Saldo Negativo de IRPJ, na Linha 20, de RS 262.295,28. No presente caso, a hipótese é de restituição de Saldo Negativo e não de Pagamento Indevido de estimativa mensal de IRPJ, pois a antecipação da estimativa mensal foi apurada exatamente nos termos da Legislação de Regência e no encerramento do ano calendário houve apuração de Prejuízo. Concluise, portanto, que houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004, e que existe o direito creditório, mas na forma de Saldo Negativo e não de pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ, pois o pagamento, por antecipação, referente ao mês de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.902729/200924 Acórdão n.º 1802002.238 S1TE02 Fl. 369 16 setembro de 2004 foi feito exatamente nos termos da legislação de regência. (...) Conforme resultado do Relatório de Diligência Fiscal (transcrito acima), restou comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor do pagamento original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer, por conseguinte, o crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização de valor na forma da regislação de regência. Fica sem efeito a DCTF retificadara relativa ao PA objeto do crédito pleiteado, permanecendo válida a DCTF primitiva, restando considerada a Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004, como a seguir: Ficha 12A – Cálculo do Imposto a) apuração do imposto = 0,00; b) estimativas pagas = R$ 262.295,28; e c) IRPJ a pagar “saldo negativo” = R$ 262.295,28. Portanto, reconheço o crédito pleiteado, objeto dos autos, de R$ 11.396,00 (valor original), referente pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA setembro/2004, na condição de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2004, a ser corrigido na forma da legislação de regência e determinar à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 19515.004804/2009-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 19/10/2009 a 19/10/2009
ARQUIVOS DIGITAIS. ENTREGA COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÕES. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO
A entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital, com informações incorretas ou com omissões, caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.638
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ENTREGA COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÕES. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO A entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital, com informações incorretas ou com omissões, caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 04 /2 00 9- 52 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004804/200952 Acórdão n.º 2803003.638 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004804/200952 Acórdão n.º 2803003.638 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, por ter apresentado a recorrente informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza cont6bil e fiscal com omissão ou incorreção de informações. O r. acórdão – fls 79 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Não merece prevalecer a r. decisão que julgou improcedente a impugnação ofertada pela Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, vez que desconsiderou que o Auto de Infração é nulo, por manifesta iliqüidez e incerteza, vez que não seguiu os requisitos de formação válida do ato administrativo de constituição do suposto crédito tributário nela mencionado. A acusação fiscal despida de clareza e descrição minuciosa dos fatos e demonstração da origem dos valores imputados e o seu embasamento legal como ocorreu no presente caso, tornase nula de pleno direito, não sendo possível atribuir ao ato administrativo a presunção de legitimidade. · A deficiente instrução fiscal comprometeu a garantia constitucional da ampla defesa e contraditório, na medida em que não tendo a Recorrente a exata compreensão da suposta infração cometida, não poderia impugnar adequadamente a acusação de forma satisfatória, especialmente quanto ao mérito. · A Recorrente por ocasião de sua impugnação demonstrou e comprovou que a alegada omissão ou incorreção das informações em meio digital apresentas fora fruto de falha técnica operacional, mas que não gerou qualquer prejuízo aos trabalhos da fiscalização tanto que sequer fora lançado tributo devido. Nesse sentido, tal falha fora cometida sem qualquer intenção, portanto, não fora fruto de qualquer atitude ardilosa por parte da Recorrente tanto que própria Auditora Fiscal reconheceu que como todas as folhas de pagamento estavam ordem não haveria prejuízo para a conclusão. · Desproporcionalidade da multa exigida no importe de R$ 44.757,10 (quarenta e quatro mil, setecentos e cinquenta e sete reais e dez centavos), não é razoável e nem sensato admitir que seja imposta multa nas circunstâncias ora narradas, especialmente pela ausência de conduta típica da Recorrente e prejuízo a Fazenda Pública Federal. · Requer seja declarada a nulidade da decisão de 1a instância, nos moldes da preliminar arguida, ou ainda, se superada, seja dado Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004804/200952 Acórdão n.º 2803003.638 S2TE03 Fl. 5 4 integral provimento ao presente recurso voluntário, reformandose a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), especialmente para afastar a multa aplicada, por conseguinte, cancelandose a autuação fiscal, pelos motivos expostos. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004804/200952 Acórdão n.º 2803003.638 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A defesa da impugnante se deu nos seguintes termos: IDOS FATOS A impugnante desde 14/04/08, através de MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Fiscalização n° 08.1.90 00 2008 02916 3 tem sido Fiscalizado a área TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES Contribuições Previdenciárias e para outras entidades, pela MDAUDITORA SRa. CAROL CURVELLO PORTO. E desde então, até a conclusão Fiscal, a MDAUDITORA emitiu 13 (treze) TIF (Termo de Intimação Fiscal), todas cumpridas com documentos solicitados e se fazendo a presença física junto a solicitante demonstrando toda lisura e cordialidade no atendimento. Não teve em nenhum momento deixado de apresentar qualquer documento solicitado, principalmente o "MANAD" Arquivo Digital, porem sem constar o Registro K 200, que corresponde a contabilização das folhas de pagamentos de 01/01/04 a 31/12/04, cuja justificativa à MD Auditora foi que os lançamentos contábeis das folhas não eram Gerados Via integração do sistema, ficando portanto contabilizados manualmente, e por esta razão não conjugava no registro K 200. Mesmo assim, na época da TIF n° 03 (01/10/08); TIF n° 04 (18/11/08) e TIF n° 05 (29/12/08) já havíamos justificado esta falha técnica operacional, porem a MD AUDITORA informou que havendo todas as folhas de pagamento em ordem, eram suficientes para a conclusão dos trabalhos. II DO MÉRITO O Fisco esta neste caso, aplicando praticamente uma multa regulamentar, baseado na Lei n° 8218 de 29/08/91, artigo 12, inciso II e parágrafo único, MESMO depois da apresentar todas as informações por meio digital, NÃO omitir e prestar Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004804/200952 Acórdão n.º 2803003.638 S2TE03 Fl. 7 6 corretamente as informações solicitadas. Que culpa temos se tecnicamente não possuímos a mesma capacidade e velocidade da informática. E, alem de tudo, qual foi o agravante de SONEGAÇÃO, FRAUDE ou DOLO encontrado neste mandado de Procedimento Fiscal.grifei Na linha do art. 16,III c/c art. 17 do decreto 70235/72, temos que o ponto controverso limitase a decidir se a entrega do MANAD com ausência de informações foi justificada pela recorrente. A defesa apresentada deixa claro que o contribuinte teve total conhecimento do que lhe imputado e reconhece a falha no arquivo entregue, com a falta da contabilização da Folha de Pagamento, Registro K 200. Agindo dessa forma, infringiu o que disposto no artigo 11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. ... § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). ... Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: ... II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória n°215835, de 2001) ... Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória n°215835, de 2001) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004804/200952 Acórdão n.º 2803003.638 S2TE03 Fl. 8 7 Caracterizada a infração entrega de informações com a falta da contabilização da Folha de Pagamento, o auto lavrado não merece reparo. DA MULTA APLICADA O cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária é de caráter obrigatório por parte dos contribuintes, sendo irrelevante se o descumprimento da norma acarretou ou não prejuízo à fiscalização. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial lei n. 8.218/91, art. 12,II, parágrafo único. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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