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Numero do processo: 37280.000915/2006-20
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 28/02/1997
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 205-01.516
Decisão: ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Ausência do Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Presença do Sr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/DF n° 19212 que realizou sustentação oral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 28/02/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido
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Recurso Voluntário Provido • ("kk Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ---.- - " tri -C gNCFCLIRM: e- (5 4.:1"it) ORIGINAL la4 .IQ brasnia 2.8 I 63- / S Processo n° 37280.000915/2006-20 L . ¡udu. (.,:stIri Moura / !". CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-0.1516 kt I Mntr. 4295 ..4 -. : i F. 245 h . a \ wa. 'N.Sa.:da. ...... ... ;:aLlarraesiiti~s ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Ausência do Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Presença do Sr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/DF n° 92 ¡que realizou sustentação oral. RI Lti JULIO SA : IEIRA GOMES President /1-za.a.47.• LIEGE LACROIX THOMASI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Edgar Silva Vidal (Suplente) • 2 1.1 C-pinar 9) aç 91 !ri Processo e 37280.000915/2006-20 CCO2/CO5 Acórdão n.°205-0.1516 ,f‘ .53 Fls. 246 " Relatório Trata a presente notificação de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais a título de antecipação de lucro, no período de 05/1996 a 02/1997. Os valores foram apurados através dos registros contábeis da empresa. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 26/07/2005, precedida de Mandado de Procedimento Fiscal recebido pelo contribuinte em 03/05/2005. Após impugnação, Decisão-Notificação de fls. 184/189, julgou o lançameno improcedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) a tempestividade do recurso; b) a decadência qüinqüenal, conforme o Código Tributário Nacional; c) a impossibilidade de se enquadrar distribuição de lucros como pro-labore; d) a inaplicabilidade da SELIC. Requer o provimento do recurso para que seja reformada a decisão recorrida e julgado improcedente o lançamento. A DRP ofereceu as contra-razões pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Refere-se o crédito tributário a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais (sócios), no periodo de 05/1996 a 02/1997. A Notificação foi lavrada em 22/07/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 26/07/2005, e o Mandado de Procedimento Fiscal foi entregue para o contribuinte em 03/05/2005. A recorrente argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, há que de destacar que nas sessões plenárias dos dias I I e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - /1 3 "'" 2° CC/MF - Quanta Cãrnara IGto.A;i1NAL Processo n° 37280.000915/2006-20 Brasi CONFEREL2)/COIM 525,0 01: ha. CCO2/CO5 Acórdão ri.° 205-0.1516 Ists Sote..a :Acura Fls. 247Metr. • . STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n°1.569/77. que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se fulgida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CTIV. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § I' do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: • Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. 1 4 4,13 CO/IVIF - Jun .amétrot CONFERE COM O ORIGINAL 1,2 • Brasiba, C91) / e Processo n°37280.000915/2006-20 e: leis Sotisa Moura CCO2CO5 Acórdão n.°205-0.1516 Mirar. 4295s Fls. 248 • • Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como procederá sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § I a O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Corno se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo , artigo 173, inciso I, uma vez que os valores devidos não foram objeto de recolhimento previdenciário: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. •Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito Em vista do instituto da decadência quanto aos valores lançados na notificação, o exame do mérito resta prejudicado. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 Aratee-- - LIEGE LAC OIX THOMASI Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.900338/2011-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação ade tributos, ainda que de mesma espécie foi alterada (Lei nº 10.637/02). A compensação de crédito com débitos tributários requer a apresentação de Declaração de Compensação na conformidade das normas tributárias vigentes, não surtindo efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1003-003.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo de Oliveira Machado- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação ade tributos, ainda que de mesma espécie foi alterada (Lei nº 10.637/02). A compensação de crédito com débitos tributários requer a apresentação de Declaração de Compensação na conformidade das normas tributárias vigentes, não surtindo efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação ade tributos, ainda que de mesma espécie foi alterada (Lei nº 10.637/02). A compensação de crédito com débitos tributários requer a apresentação de Declaração de Compensação na conformidade das normas tributárias vigentes, não surtindo efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 03 38 /2 01 1- 11 Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.807 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.900338/2011-11 Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de Acórdão nº 08- 45.350, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza- CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Contribuinte pretendia através da Declaração de Compensação nº 10068.92898.091107.1.7.02-8401, compensar os débitos informados com saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2002, no valor total de R$ 120.768,31. A DRF de Goiânia- GO emitiu Despacho Decisório eletrônico nº. 912632335 de fls. 41/, cujo teor segue abaixo: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP. (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 120.768,31 Valor na DIPJ: R$ 120.768,31 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 168.850,74 IRPJ devido: R$ 48.082,43. Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 10068.92898.091107.1.7.02-8401 32787.43740.050609.1.3.02-8065. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2011. PRINCIPAL- R$ 90.887,97 MULTA- R$ 18.177,58 JUROS- R$ 93.080,08”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Contribuinte afirmou que não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs. 10068.92898.09110.7.1.2-8401 e 32787.43740.050609.1.3.02-8065, sob o argumento de decadência do direito respectivo na forma do art. 168 do CTN; Lei nº 9.430, art. 6º, § 1º, II; e art. 74; e IN RFB nº 900/2008, art. 4º. Asseverou que na análise dos PER/DCOMP's cujas compensações não foram homologadas, não andou bem a autoridade fiscal, vez que a mesma se descuidou que os valores recusados se acham perfeita e regularmente informados e identificados nos PER/DCOMP's e nas Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.807 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.900338/2011-11 DIPJ correspondentes, com a sua origem, composição e o efetivo direito à compensação na forma legal. Pleiteou que seja a presente manifestação de inconformidade conhecida; que seja dado o necessário e merecido provimento, com a efetiva e integral homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP's ncs 10068.92898.091107.1.7.02- 8401 e 32787.43740.050609.1.3.02-8065 e que sejam julgadas todas as compensações declaradas. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 08-45.350/DRJ/FOR A DRJ analisou a manifestação de inconformidade julgando-a improcedente (e- fls. 60/64). Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que (e-fls. 75/81): “DICEBEL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ nº 86.886.884/0001-49 por seus procuradores constituídos (ut outorga inclusa), nos autos do processo em epígrafe, não concordando, data vênia, com a decisão da 3ª Turma da DRJ/FOR, que deu pela improcedência da manifestação de inconformidade antes ofertada nos autos em referência, vem perante esse egrégio Conselho, respeitosamente, de conformidade com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 e demais disposições legais pertinentes, interpor, tempestivamente, RECURSO VOLUNTÁRIO daquela decisão (acórdão 08-45.350, 3ª Turma da DRJ/FOR), a tanto fundado nas relevantes razões, argumentos e fundamentos que passa a aduzir: É princípio geral de direito que a insurgência recursal, administrativo ou judicial, devolve à superior instância do conhecimento de toda matéria impugnada (CPC, 1.013 e §§§), sendo o efeito suspensivo ínsito a todos os recursos, máxime frente expressa disposição legal a respeito (Dec. 70.235/72, art. 33). Assim, a presente insurgência há de ser recebida com suspensão da decisão censurada (acórdão 08-45.350, 3ª Turma da DRJ/FOR), de modo que toda matéria anteriormente impugnada seja devolvida ao conhecimento desse Colegiado para os fins de mister. Nesse passo, em que pese a consideração e respeito ao ilustre relator do voto condutor do acórdão recorrido, e sem que isso afete a estima que lhe dá direito o seu saber especial, não andou bem o decisum censurado, e atento a que a falibilidade do julgamento humano enseja decisões equivocadas, e por vezes injustas, insurge-se a RECORRENTE contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/FOR para devolver a matéria ao conhecimento desse emérito Colegiado a fim de que seja decidida em sintonia com os princípios basilares do Direito Tributário. Conhecendo da manifestação de inconformidade antes ofertada, a 3ª Turma da DRJ/FOR a teve por improcedente em acórdão assim ementado: (...) Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.807 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.900338/2011-11 A intimação do despacho decisório (nº de rastreamento: 912632335) encaminhado à recorrente em 14/02/2011 (com ciência em 24/02/2011) dava conta da não homologação das compensações declaradas, entre outras, ao seguinte enquadramento legal: “Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)”. A douta decisão recorrida (acórdão 08-45.350, 3ª Turma da DRJ/FOR), por sua vez nega a pretensão da recorrente reconhecendo de modo expresso a inocorrência da decadência; mas sustenta compensação em desacordo com a IN SRF nº 210, de 2002. Data vênia, o equívoco é manifesto! Vê-se dos autos, reconhecido pela própria recorrida reconhece, que a compensação de créditos que a recorrente promoveu, foram declaradas, de modo escorreito e preciso, por meio de duas (2) Declarações de Compensações- PER/DCOMP’s, a saber: a) 10068.92898.09110.7.1.7.2-8401 e b) 32787.43740.050609.1.3.02-8065. O processo administrativo tributário em referência dá conta dessas ocorrência de modo inequívoco. Logo, data vênia, atendido de modo inconteste o disposto no art. 21 da Instrução Normativo SRF nº 210, de 30/09/2002, verbis: (...) Destarte, escorreito o procedimento adotado pela recorrente nos termos dos PER/DCOMP’s supra identificados. Plenamente atendido o disposto no art. 21 da Instrução Normativo SRF nº 210, de 2002. E se a decisão recorrida reconhece, de modo expresso, que não decaiu o contribuinte do direito de promover/declarar a compensação tributária tratada naqueles, tem-se que a homologação respectiva, negada pelo despacho decisório antes censurado, é de rigor, data vênia. Em sendo assim, não há como negar à recorrente a compensação pleiteada, nos moldes em que pleiteada, porquanto válida e regularmente amparada em informações escorreitas e fidedignas, e tempestivamente declaradas nas “Declarações de Compensação” supra identificadas. Data vênia, é inequívoco o desacerto do acórdão sob censura, que por isso mesmo merece reforma segundo a fundamentação supra. É inconteste, pelo arcabouço probatório amealhado nos autos, que a recorrente faz jus ao direito pleiteado e legalmente assegurado pelo art. 21, §§ 1º e 2º, da IN/SRF nº 210/2002, c/c o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96. Assim, data vênia, demonstrado, provado e comprovado o desacerto do acórdão recorrido (acórdão nº 08-45.350, da 3ª Turma da DRJ/FOR) ao dar pela improcedência da precedente manifestação de inconformidade e manter incólume a não homologação das declarações de compensação em referência, pelo que, ratificando e reiterando na íntegra as precedentes intervenções, reforçadas pela fundamentação supra, requer e aguarda desse emérito Colegiado seja o presente recurso conhecido, eis que próprio e tempestivo, para, no mérito, dar-lhe o necessário e merecido provimento, e com a reforma do acórdão recorrido, dar pela efetiva e integral homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP’s (i) 10068.92898.091107.1.7.2-8401 e (ii) 32787.43740.050609.1.3.02- 8065; tudo, enfim, como forma de se restaurar a mais pungente e memorável JUSTIÇA!!!”. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.807 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.900338/2011-11 Voto Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Vinculação Os presentes autos têm vinculação com o processo nº 10120.720851/2010-40 da mesma pessoa jurídica dado que o 10068.92898.09110.7.1.2-8401 de e-fls. 29 é idêntico (art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Por essa razão, justifica-se a análise de ambas as lides em conjunto. Da Análise do Direito Creditório A questão a ser dirimida no presente conflito é sobre a possibilidade da recorrente efetuar as compensações de estimativas de tributos federais em sua contabilidade, tendo em vista que este procedimento foi permitido somente até o mês de outubro de 2002. A autoridade julgadora de 1. Instância decidiu que (e-fls. 60/64): (...) Outrossim, conforme acima registrado, a fundamentação legal utilizada no despacho decisório em cotejo foi no sentido de a legislação fiscal não mais permitir que a compensação se desse apenas na contabilidade da pessoa jurídica, o que está correto, dada a inovação legislativa trazida a lume por meio da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, a seguir apresentada. (...) Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.807 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.900338/2011-11 Como visto, a partir de 01/10/2002 (data em que entrou em vigor o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002), o contribuinte que apurasse crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderia utilizá-lo na compensação de débitos próprios. Para efetivar a compensação, todavia, haveria que observar a forma especificada no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com a alteração promovida pela Medida Provisória nº 66, de 2002), ou seja, mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual deverão constar informações relativas ao crédito requerido e aos respectivos débitos compensados. Porquanto, a compensação da estimativa de dezembro/2002 deveria se dar por meio da apresentação da Declaração de Compensação, na forma especificada no art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, e não apenas na contabilidade da empresa, conforme informe pela interessada, devendo, para tanto, formular processo destinado a este específico propósito. Nesse contexto, tendo em vista o não atendimento aos preceitos legais então vigentes, conforme acima demonstrado, encaminho o meu voto no sentido de inexistir qualquer reparo a se determinar, relativamente à decisão administrativa ora analisada. Conclusão Isso posto, tendo presentes os fatos e a legislação apresentados, VOTO pela improcedência parcial da manifestação de inconformidade”. A recorrente insistiu em afirmar que “pelo arcabouço probatório amealhado nos autos, a mesma faz jus ao direito pleiteado e legalmente assegurado pelo art. 21, §§ 1º e 2º, da IN/SRF nº 210/2002, c/c o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96”. Pleiteou a integral homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP’s 10068.92898.09110.7.1.2-8401 e 32787.43740.050609.1.3.02-8065. Pois bem. A tese arguida pela recorrente de que foram declaradas as compensações de créditos de modo escorreito e preciso não pode prevalecer, eis que ainda que a mesma comprovasse minuciosamente a origem do alegado crédito, o procedimento adotado para compensação não poderia ter sido admitido, eis que foi realizado ao arrepio das normas tributárias vigentes desde outubro de 2002. Cabe esclarecer, que a compensação contábil somente foi admitida até o mês de outubro de 2002, desta feita o pedido de compensação da estimativa de dezembro de 2022 deveria ter sido realizado por meio da apresentação de Declaração de Compensação, conforme o disposto no artigo 21 da IN SRF nº. 210/2002. Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.807 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.900338/2011-11 Destaca-se ainda, que em se tratando da modalidade de extinção de tributo por compensação, o Código Tributário Nacional é claro ao declinar que a norma tributária estipula as condições e garantias para que os contribuintes possam usufruir desde instituto: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Publica”. Outrossim, não observada a legislação vigente, em seus procedimentos formais não pode o contribuinte impor a sua forma de agir para pleitear a compensação conforme requer. Daí que a compensação efetuada apenas na escrituração contábil em 07/11/2002, ainda que fosse realizada da forma correta, não pode ser admitida. Isto posto, a decisão recorrida deve ser mantida integralmente, uma vez que as declarações de compensações não foram realizadas, em conformidade com as normas tributárias vigentes. Dispositivo Ante o exposto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado Fl. 93DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13710.000146/2008-56
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Constatado erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual, cabe a retificação de ofício pela autoridade fiscal, a fim de corrigir o erro detectado, nos termos do art. 147, § 2º do CTN, eis que, se a autuação deve-se conformar à realidade fática.
Afasta-se a glosa da despesa que a contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência, mediante apresentação dos comprovantes de realização dos serviços e dos dispêndios.
Numero da decisão: 2003-005.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Somente são dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Constatado erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual, cabe a retificação de ofício pela autoridade fiscal, a fim de corrigir o erro detectado, nos termos do art. 147, § 2º do CTN, eis que, se a autuação deve-se conformar à realidade fática. Afasta-se a glosa da despesa que a contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência, mediante apresentação dos comprovantes de realização dos serviços e dos dispêndios.
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RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Somente são dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Constatado erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual, cabe a retificação de ofício pela autoridade fiscal, a fim de corrigir o erro detectado, nos termos do art. 147, § 2º do CTN, eis que, se a autuação deve-se conformar à realidade fática. Afasta-se a glosa da despesa que a contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência, mediante apresentação dos comprovantes de realização dos serviços e dos dispêndios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 01 46 /2 00 8- 56 Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.179 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13710.000146/2008-56 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 28/31): Trata-se de Notificação de Lançamento em nome do sujeito passivo em epígrafe, lavrada na data de 17/06/2008, com ciência em 30/06/2008, decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) do exercício 2006, em que foi efetuada glosa de despesas médicas no valor total de R$ 33.297,00, haja vista que a documentação apresentada apresentou as seguintes falhas: - Ausência de capacitação profissional do signatário; - Ausência de discriminação e data dos serviços; - Ausência de discriminação do beneficiário dos serviços. Em decorrência deste lançamento, apurou-se um crédito tributário no valor total de R$ 18.372,87. Da impugnação Inconformada com a Notificação de Lançamento, a interessada contestou o lançamento através do instrumento de fls.2/9, documentos às fls. 18/53 do processo digital. A seguir são apresentadas as suas razões, em síntese. A impugnante alega que coube a ela localizar quais seriam os recibos médicos relativos às despesas glosadas, já que a Receita Federal em momento algum informou, com detalhes, quais seriam estes recibos. Desta forma, a impugnante faz juntada da 2ª via de recibos emitidos pelos profissionais, os quais entende serem referentes ao exercício em questão: 1- Marcelo Soares da Cunha – CPF- 789.474.807-20, no valor de R$ 7.000,00; 2- Fábio Fialho Fernandes – CPF- 044.177.997-25, no valor de R$ 4.800,00; 3- Nair Khouri – CPF- 003.584.757-32, no valor de R$ 10.500,00; 4- Elizabeth Keiki Ohashi – CPF- 334.062.942-00, no valor de R$ 917,00; 5- Neuro Labs - prestação de serviços em saúde – CNPJ- 05.432.181/000149, no valor de R$ 10.080,00. Nota-se, então, que o somatório dos 5 itens acima relacionados totaliza o montante de R$ 33.297,00, a mesma soma glosada e motivo de impugnação. Anexa documentos, quais sejam os recibos nos padrões exigidos pela SRFB, demonstrando sua boa fé e requerendo a baixa dos autos. A impugnante alega trazer documentos a fim de comprovar que foi encaminhada correspondência a todos os médicos e clínicas, com Aviso de Recebimento (AR), para que os médicos pudessem retificar seus recibos nos padrões exigidos pela Receita Federal. Solicita a retificação de uma das informações prestadas em sua declaração de imposto de renda com relação exclusivamente ao beneficiário NEURO LABS - prestação de serviços em saúde - CNPJ- 05.432.181/0001-49 no valor de R$ 10.080,00, esclarecendo que por erro ou ignorância da própria impugnante, fez Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.179 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13710.000146/2008-56 constar em sua declaração de imposto de renda, como sendo emitente da referida prestação de serviços fonoaudiológicos a pessoa jurídica Neuro Labs, sendo certo que o correto seria a pessoa física da Dra. Sandra Neme Ribeiro, portadora do CPF- 002.450.04700 (doc anexo). Espera que seja acolhido o pedido da impugnante para se corrigir o erro apontado e, com isso, aceitar também a juntada do documento retificador. Aduz que com a apresentação dos recibos retificados restará a conclusão de que os médicos e clínicas realmente atenderam a impugnante e, portanto, teriam a obrigação de declarar estas quantias em suas próprias declarações, fato este que, com o cruzamento de dados, verificaria a veracidade das informações prestadas pela impugnante. Entende que não pode ser penalizada por erros formais de escrita nos recibos emitidos pelos médicos. Se houver alguma documentação irregular por parte dos mesmos, cabível a representação à justiça federal. Requer a improcedência da notificação e a concessão de novo prazo para juntada de documentos supervenientes, até que a impugnante venha a demonstrar sua boa-fé ao total cumprimento de todas as exigências e provar que sua declaração de imposto de renda está correta e dentro dos limites da Lei. Da competência para julgamento Cumpre esclarecer que o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/RJI para julgamento, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 3.220/2011 de 05/08/2011, publicada no Diário Oficial de 08/08/2011. É o Relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A comprovação das despesas médicas deve ser feita mediante apresentação de documentação hábil e idônea, que possua os requisitos exigidos na legislação de regência. Cientificada da decisão, em 09/12/2013 (fls. 79/80), a contribuinte, em 06/01/2014, interpôs recurso voluntário parcial (fls. 82/83), repisando as alegações da peça impugnatória, alegando, em apertada síntese, que cometeu erro ao declarar o serviço prestado pela profissional Sandra Neme Ribeiro, no valor de R$ 10.080,00, ao teor do recebido já costado, como prestado pela empresa Neuro Labs Prestação de Serviços em Saúde Ltda., sendo que, ao notar o equívoco, já havia sido lavrada a autuação, impossibilitando-lhe de promover a retificação da declaração de ajuste anual. A prova do erro poderia ser elidida com o cruzamento de dados com a prestadora dos serviços, contudo restou mantida a cobrança indevida apurada. Requer, ao final, a nulidade do lançamento, com o afastamento da glosa operada. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 85/87. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.179 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13710.000146/2008-56 Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações trazidas em sede preliminar, a bem da verdade complementam e se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Da glosa sobre a despesa médica declarada: O litígio recai sobre a dedução da despesa para à profissional Sandra Neme Ribeiro, no valor de R$ 10.080,00, indevidamente declarado como prestado pela empresa Neuro Labs Prestação de Serviços em Saúde Ltda., buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do acatamento da aludida despesa declarada, mediante retificação da declaração de ajuste para contemplar a real prestadora dos serviços contratados. Inicialmente, vale salientar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre a despesa médica declarada. Vale salientar, que o art. 73, caput e § 1º do RIR/99, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários ao recibo, para efeito de confirmá-lo, no que tange ao tratamento e o efetivo pagamento, especialmente no caso em que a despesa seja considerada elevada. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, passo ao cotejo dos documentos constantes dos autos, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da glosa em litígio traçados na decisão recorrida (fls. 73/74): Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual, conforme estatui a legislação pertinente acima citada. No caso em tela, primeiramente, cabe observar que detém razão a impugnante quando alega que não foram detalhadas pelo fiscal autuante quais seriam especificamente as despesas glosadas. Entretanto, pelo valor total glosado a impugnante pôde identificar quais foram estas despesas, diante das quais apresentou sua impugnação, a qual está sendo apreciada, motivo pelo qual entende-se que foram cumpridos os princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados pela Constituição Federal/1988 por esta SRFB. Assim sendo, segue a análise do caso concreto, relativamente à despesa médica com cada profissional: (...) Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.179 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13710.000146/2008-56 5- Neuro Labs - prestação de serviços em saúde - CNPJ - 05.432.181/000149, no valor de R$ 10.080,00. A impugnante solicita a exclusão da glosa mediante a apresentação de recibo firmado pela profissional Sandra Neme Ribeiro, solicitando a retificação da declaração, haja vista entender ter declarado errônemante no CNPJ da empresa Neuro Labs. Entretanto, esta autoridade administrativa não possui competência legal para tal, cabendo à contribuinte a retificação da sua declaração. Sendo assim, não cabe a exclusão desta glosa. Pois bem. Feito o registro acima, e após análise dos autos, entendo que a pretensão recursal merece prosperar, porquanto o Recorrente se desincumbiu do ônus que lhe competia. Cabe salientar, que na peça recursal a Recorrente não pleiteia a inclusão nova despesa, mas apenas e tão somente a correção da declaração de ajuste anual para adequar a real prestadora dos serviços contatados em relação à despesa glosada, cuja impostação de dados operou-se de forma equivocada. De fato, ao teor da legislação de regência, não é permitido pretender retificar a declaração de ajuste anual, a menos que haja prova consistente do eventual erro cometido no seu preenchimento. Acresça-se ainda que, embora não seja cabível a retificação da declaração por iniciativa da contribuinte, poderá ocorrer sua alteração mediante impugnação, recurso de ofício e iniciativa de ofício da autoridade administrativa, ao teor do art. 145 do CTN. Ou seja, após a notificação do lançamento, somente será possível eventual alteração quando existir comprovação suficiente do erro cometido, a fim de adequar a exação à realidade dos fatos, posto que não se mostra razoável e proporcional manter a exigência sobre fato apurado com base em erro cometido pelo simples registro de dados lançadas de forma equivocada na declaração de ajuste anual, não descurando que, no presente caso, a despesa suscitada foi efetivamente realizada e declarada, mas com registro equivocado da efetiva prestadora dos serviços contratados. Portanto, ao meu sentir, restou demonstrada a ocorrência de mero equívoco na impostação dos dados na DAA/2006 – ao lançar a despesa paga à profissional, pessoa física, Sandra Neme Ribeiro, como realizada pela empresa Neuro Labs Prestação de Serviços em Saúde Ltda., informação tal confirmada pelo recebido já acostado aos autos (fls. 52) – constituindo-se a conduta em lapso material, cuja boa-fé restou comprovada, calhando na espécie a retificação de ofício, ao teor do art. 147, § 2º do CTN, sobretudo tendo em mente que erros e equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de se transformar em fato gerador de obrigação tributária. Neste ponto, o recibo fornecido pela profissional Sandra Neme Ribeiro (fls. 52), comprova a ocorrência do tratamento fonoaudiológico submetido pela Recorrente, bem como a quitação dos serviços no decorrer do ano-calendário de 2005 – recibo este, diga-se de passagem, emitido nos mesmos moldes do emitido pelo neurologista Marcelo Soares da Cunha (fls. 22) e que foi acatado pela decisão recorrida, calhando aqui a adoção do mesmo critério na apreciação da prova, sob pena de injustiça fiscal – razão pela qual, ancorado no conjunto probatório produzido, afasto a glosa sobre a aludida despesa e torno insubsistente o crédito tributário em litígio. Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-005.179 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13710.000146/2008-56 Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso, para restabelecer a dedução da despesa médica paga a profissional Sandra Neme Ribeiro, no valor de R$ 10.080,00, na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 96DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13656.720779/2017-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2016
IRPF. JUROS DE MORA. ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE n° 855.091/RS, em sede de repercussão geral (Tema 808) e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF, fixou a tese no sentido de que não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
Numero da decisão: 2401-011.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos a juros de mora.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado), Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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JUROS DE MORA. ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO DO STF. O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE n° 855.091/RS, em sede de repercussão geral (Tema 808) e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF, fixou a tese no sentido de que não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos a juros de mora. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado), Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier. Relatório RICARDO MANNE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11 a Turma da DRJ em São AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 07 79 /2 01 7- 77 Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.360 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13656.720779/2017-77 Paulo/SP, Acórdão nº 16-80.062/2017, às e-fls. 58/67, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente e dedução indevida de previdência oficial relativa a RRA, em relação ao exercício 2016, conforme peça inaugural do feito, às fls. 21/31, e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada em 22/05/2017, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com os seguintes fatos geradores: Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 874.566,41, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa a Rendimentos Recebidos Acumuladamente - Tributação Exclusiva Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatam-se deduções indevidamente declaradas a título de Contribuição à Previdência Oficial, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 260.665,78, referentes às fontes pagadoras abaixo relacionadas. O valor glosado refere-se à Previdência Oficial deduzida de rendimentos declarados como sujeitos à tributação exclusiva na fonte, conforme opção manifestada pelo contribuinte. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à e-fl. 75/84, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, alegando que em relação à omissão de rendimentos, no valor de R$ 874.566,41, informa que se trata de montante recebido a título de juros de mora nos autos da ação trabalhista, interposta em 19/04/2004, que abrangeu direitos a partir de abril/1999 até abril/2007, paga por meio de precatório no final de 2015. Argumenta ter a Fiscalização entendido que os juros moratórios decorrentes de créditos trabalhistas recebidos acumuladamente constituem renda tributável, o que está em desacordo com os entendimentos judiciais. Explicita nos termos do inc. III, do art. 153 da Constituição Federal, compete à União legislar sobre o imposto de renda que deve incidir sobre rendas e proventos de qualquer natureza e os juros de mora não podem ser considerados nem como renda, nem como proventos. Trata-se de multa pecuniária pelo inadimplemento da obrigação, uma espécie de indenização. Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.360 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13656.720779/2017-77 Aduz ter a Fiscalização considerado o total recebido acumuladamente correspondeu a R$ 2.057.737,94, incluindo principal e juros de mora. Ressalta que tal importância é composta de rendimentos dos anos de 1999 a 2007, e ainda foram incluídos os juros de mora como se fossem uma espécie de rendimento. O regime legal previsto para o pagamento do imposto de renda é o de competência e não o de caixa. A Fiscalização, na ânsia de arrebanhar recursos, considerou o regime de caixa para os rendimentos recebidos. Anexa decisões judiciais referentes à improcedência de lançamentos de rendimentos recebidos acumuladamente e a não consideração dos juros de mora como tributáveis. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 08 de novembro de 2022, foi proposta resolução pela 1° Turma da 4° Câmara, por unanimidade dos votos do Colegiado, às e-fls 92/96, in verbis: (...) A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de ação judicial. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente Notificação de Lançamento foi realizada para verificar os valores declarados na ficha Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA. Conforme se tem notícia através do Termo de Intimação Fiscal (e-fl.34), foram solicitados os documentos pertinentes a ação judicial e diversos outros, senão vejamos: (...) No entanto, há diversos documentos encimados que não estão presentes aos autos, para não dizer todos, o que prejudica a análise das razões de mérito, especialmente no que diz respeito a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. Sobre o tema, a decisão definitiva de mérito no RE nº 855.091/RS, proferida pelo STF, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu que não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Eis a ementa desse julgado: TEMA 808 DA REPERCUSSÃO GERAL (RE 855091): EMENTA: Recurso extraordinário. Repercussão Geral. Direito Tributário. Imposto de renda. Juros moratórios devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Caráter indenizatório. Danos emergentes. Não incidência. Dessa forma, como a demanda envolve matéria julgada em sistemática de repercussão geral pelo STF, para evitar decisão contrária ao julgado pela Suprema Corte, posteriormente podendo gerar um gasto ao erário com a possível impetração de medida judicial, necessário se faz a verificação do pagamento ou não dos juros moratórios decorrentes de ação judicial, mediante a juntada do DOSSIÊ FISCAL constando a documentação solicitada no Termo de Intimação, especialmente a planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, assim como a discriminação das parcelas. Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.360 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13656.720779/2017-77 Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada do Dossiê Fiscal, após intime o contribuinte para se manifestar acerca dos documentos anexados. Caso não haja dossiê ou que este não contenha a planilha dos cálculos das verbas de liquidação de sentença, assim como a discriminação das parcelas e/ou nenhum documento capaz de forma convicção de que houve pagamento a título de juros de mora, providencie a intimação do contribuinte para que este junte aos autos a petição inicial, sentença/acordo, certidão de inteiro teor da ação trabalhista que ensejou o recebimento do RRA em questão, bem como as planilhas com as descriminações das verbas e pagamentos. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade do contribuinte providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. (...) Em resposta a diligência encimada, a autoridade preparadora juntou aos autos os documentos pertinentes ao procedimento fiscal às e-fls. 104 e seguintes, bem como o contribuinte, regularmente intimado, anexou cópia integral da demanda judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, no procedimento de análise e verificação da documentação apresentada, a fiscalização constatou os seguintes fatos geradores: Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 874.566,41, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa a Rendimentos Recebidos Acumuladamente - Tributação Exclusiva Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatam-se deduções indevidamente declaradas a título de Contribuição à Previdência Oficial, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 260.665,78, referentes às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.360 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13656.720779/2017-77 O valor glosado refere-se à Previdência Oficial deduzida de rendimentos declarados como sujeitos à tributação exclusiva na fonte, conforme opção manifestada pelo contribuinte. Conforme observa-se da impugnação, bem como do Recurso Voluntário, o contribuinte insurge-se apenas quanto à omissão de rendimentos. Portanto, a lide encontra-se limitada à omissão de rendimentos recebidos de forma acumulada, mais especificamente quanto a incidência ou não do imposto sobre os juros de mora. Feito os esclarecimentos pertinentes, passamos a analise da matéria controvertida: MÉRITO DOS VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE JUROS DE MORA O contribuinte, em seu recurso, alega que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios, tendo em vista sua natureza indenizatória. Como visto, o ponto chave da discussão diz respeito à natureza dos valores recebidos a título de juros de mora sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista. No caso concreto, conforme depreende-se da Sentença e Planilhas de Cálculo acostadas às e-fls. 177/250, bem como os demais documentos referentes a ação judicial, consta a informação do recebimento de juros de mora. Pois bem! Despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a Suprema Corte entendeu pelo caráter indenizatório dos juros, não havendo que se falar em incidência do imposto de renda, senão vejamos: Em sessão virtual do STF realizada entre os dias 05/03/2021 a 12/03/2021, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 855.091/RS, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu que não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Eis a ementa desse julgado: TEMA 808 DA REPERCUSSÃO GERAL (RE 855091): EMENTA: Recurso extraordinário. Repercussão Geral. Direito Tributário. Imposto de renda. Juros moratórios devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Caráter indenizatório. Danos emergentes. Não incidência. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de Fl. 258DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.360 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13656.720779/2017-77 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como se vê, não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função, conforme decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho, nos termos do art. 62 retro mencionado. Neste diapasão, tendo em vista a natureza indenizatória dos juros moratórios sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista, sendo este o único tema em litigio, entendo que deve ser dado provimento ao pleito do contribuinte. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO para afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora sobre os rendimentos acumulados, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 259DF CARF MF Original
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Numero do processo: 35387.000847/2002-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO DE 11%. OBRIGATORIEDADE.
1. A recorrente afirma que os 11% (onze por cento) foram recolhidos corretamente, enquanto a fiscalização, bem como o julgador a quo, afirmam que o recolhimento realizado não abrangeu a totalidade do devido, situação que originou o lançamento das diferenças, apropriando-se, contudo, e de maneira correta, aquilo que já havia sido recolhido.
2. Na parte mantida, entretanto, razão alguma assiste ao contribuinte, tendo em vista que o assunto em tela decorre de expressa determinação legal, conforme se pode observar do art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.830
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. OBRIGATORIEDADE. 1. A recorrente afirma que os 11% (onze por cento) foram recolhidos corretamente, enquanto a fiscalização, bem como o julgador a quo, afirmam que o recolhimento realizado não abrangeu a totalidade do devido, situação que originou o lançamento das diferenças, apropriandose, contudo, e de maneira correta, aquilo que já havia sido recolhido. 2. Na parte mantida, entretanto, razão alguma assiste ao contribuinte, tendo em vista que o assunto em tela decorre de expressa determinação legal, conforme se pode observar do art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Bianca Delgado Pinheiro, Jhonatas Ribeiro da Silva e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, referente às Contribuições Sociais destinadas à Previdência Social, correspondentes à retenção de 11% (onze por cento) incidente sobre os serviços contidos em notas fiscais, contratados mediante cessão de mão de obra. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 21 de agosto de 2007 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não configura cerceamento do direito de defesa se ao contribuinte é concedido direito e oportunidade de apresentar defesa e documentos e provas relacionados, ao pleito nela contido. CESSÃO DE MÃODEOBRA E EMPREITADA. OBRIGAÇÃO DE EFETUAR RETENÇÃO. BASE DE CÁLCULO PREVISTA EM LEI. A Lei 8.212/91 exige que a empresa contratante efetue a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura emitida pelo prestador, não permitindo ao contratante nem ao contratado adotar base de cálculo diversa daquela prevista pela lei. RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃODEOBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 5 4 A Recorrente foi notificada em virtude de proceder a menor o recolhimento das contribuições previdenciárias, referentes a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mãode obra, no período de 10/1999 a 09/2001, infringindo, segundo a auditoria fiscal, o disposto no artigo 31, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.711 de 20.11.98. Após a intimação da notificação de lançamento fiscal, a Recorrente apresentou tempestivamente defesa (fls. 45 a 931), a qual foi considerada infrutífera pelo setor de análise. A Recorrente, não concordando com o indeferimento da defesa, vem apresentar recurso voluntário, conforme os fundamentos a seguir expostos. Em preliminar, ocorreu cerceamento do direito de defesa, situação que feriu vários princípios constitucionais, devendo o lançamento ser anulado. A NFLD é nula por inoportuna, já que lavrada em total desconformidade ao que preceitua a legislação pertinente ao caso. Mesmo que não se reconheça os motivos acima declinados suficientes para cancelar o lançamento ora guerreado, o que se admite somente a título de argumentação, o suposto crédito não deve resistir à nulidade apontada a seguir. Sabido é que a base de cálculo é elemento essencial do lançamento fiscal (Art. 142 do CTN ), portanto, qualquer erro ou conduta que não permita afirmar com segurança qual o valor correto a ser pago pelo contribuinte compromete todo o procedimento administrativo. Conforme bem apontado pela Seção de Contencioso da DRP/Santos (fls. 945 a 948), verificase que a fiscalização cometeu erro ao apurar a base de cálculo para retenção, pois, para tanto, considerou que os serviços prestados foram de operação de transporte de carga, quando, realmente, os serviços realizados pela contratada foram de movimentação e içamentos de cargas através de guindastes, conforme indicado pela fiscalização no relatório da NFLD. É nulo o lançamento que carece de elemento que indique com precisão a determinada base de cálculo do tributo, elemento essencial, nos termos do art. 142 do CTN. O lançamento foi mantido pela 11ª Turma de Julgamento sob o fundamento de que a Recorrente estava obrigada a reter das faturas mensalmente emitidas pela contratada IDEAL TRANSPORTES E GUINDASTES LTDA, o percentual de 11% (onze por cento), em conformidade com os arts. 31 e 33 § 5º, todos da Lei 8 212191. A Recorrente confessa que o contrato de prestação de serviços que celebrou com a contratada prevê a cessão de mãodeobra, fato este, que por si só, a obriga reter 11 % das faturas emitidas pela contratada. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 6 5 E isto de fato ocorreu, pois as notas fiscais e as GPS já anexadas aos autos fazem prova de que mensalmente a Recorrente retinha 11% das faturas emitidas pela contratada e posteriormente efetuava os respectivos recolhimentos. Cumpre alertar que todos os comprovantes que outrora juntamos, os quais demonstraram a rigorosa obediência à Ordem de Serviço nº 209 e ao Decreto 3.048199 foram disponibilizados para as auditoras fiscais durante a fiscalização, causando grande estranheza a notificação fiscal ora rebatida. Pela análise do julgamento realizado nos autos da NFLD, verificase que houve o entendimento de que existem diferenças nos valores retidos pela Recorrente, nas notas emitidas pela contratada. Tais diferenças decorrem da base de calculo considerada para efeito da aplicação da alíquota de 11% referente a retenção. Isto porque, as auditoras fiscais simplesmente aplicaram a alíquota de 11% sobre o valor de 30% do total da nota fiscal emitida pela empresa contratada procedimento este totalmente arbitrário e ilegal, haja vista que afronta as disposições contidas no Decreto 3.048/99 e a Ordem de Serviço nº 209. No caso em tela, conforme comprova os contratos de prestação de serviços que juntamos anteriormente, embora não exista discriminação de valores, é certo que havia expressa previsão de que nos valores pagos pela Recorrente à contratada já estavam incluídos os valores com materiais e equipamentos. Tanto é verdade que a contratada (IDEAL), ao contrário do que tentou fazer crer as auditoras fiscais, fazia EXPRESSA DISCRIMINAÇÃO NAS NOTAS FISCAIS DOS VALORES QUE DEVERIAM SER RETIDOS A TITULO DE 11 %. Insta esclarecer que foram juntadas à impugnação TODAS as notas fiscais emitidas pela contratada no período fiscalizado, demonstrando o procedimento adotado pela contratada. O procedimento adotado pela Recorrente e pela contratada foi de extrema cautela, eis que pelo fato de não existir a discriminação de valores de maquinários e equipamentos, no contrato de prestação de serviços, sempre consideraram como base de cálculo para a retenção dos 11 % a efetiva mãodeobra. É inequívoco a correção do procedimento adotado pela Recorrente e pela contratada, nada sendo devido ao INSS, motivo pelo qual, merece ser desconsiderada a NFLD ora atacada. Ao verificar a questão de forma global, notase que notificação é indevida e inconsistente por ilegalmente incidir sobre verbas inexistentes, já que a empresa contratada, na prestação de serviço, efetuou os recolhimentos nos fatos geradores relativamente ao período em questão, conforme comprovado pelas guias já constantes nos autos não ensejando qualquer indício de evasão fiscal. Diante de todo o exposto, requer a Recorrente o processamento do presente RECURSO em seu EFEITO SUSPENSIVO, para ao final ser considerado procedente Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 7 6 reformando a decisão aqui atacada para tornar nula a notificação lavrada, como medida de justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte alega ter havido cerceamento do direito de defesa, situação que feriu vários princípios constitucionais, devendo o lançamento ser anulado. No ponto, razão não assiste ao contribuinte, tendo em vista que na constituição do crédito tributário, a autoridade tributária observou criteriosamente a legislação tributária em vigor à época do lançamento, em especial, o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Impende ressaltar ainda, que a discussão ora em debate diz respeito a prestação de serviços com cessão de mãodeobra de movimentação e içamentos de cargas através de guindastes, da empresa Ideal – Transportes e Guindastes Ltda, pela COSIPA e não de transporte de carga. Em relação ao objeto central do lançamento, a própria recorrente confessa que o contrato de prestação de serviços que celebrou com a empresa Ideal prevê a cessão de mãodeobra, fato este, que por sí só, a obriga reter 11% das faturas emitidas pela contratada. Diz ainda a recorrente que a retenção em debate ocorreu, pois as notas fiscais e as GPS já anexadas aos autos fazem prova de que mensalmente ela retinha 11% das faturas emitidas pela contratada e, posteriormente, efetuava os respectivos recolhimentos. De fato, as alegações da recorrente procedem. No entanto, a questão controvertida cingese ao quantum retido e recolhido para os cofres públicos. Em suas alegações a recorrente afirma que os 11% (onze por cento) foram recolhidos corretamente, enquanto a fiscalização, bem como o julgador a quo, afirmam que o recolhimento realizado não abrangeu a totalidade do devido, situação que originou o lançamento das diferenças, apropriandose, contudo, e de maneira correta, aquilo que já havia sido recolhido. Vêse, portanto, que não persiste nenhum inconformismo por parte da recorrente, em relação à obrigatoriedade de retenção dos 11%, conforme determinação expressa do art. 31 da lei nº 8.212/91. Com efeito, a divergência existente, como já mencionado diz respeito à forma de apuração do devido, pela fiscalização, notadamente naquilo que se refere à base de cálculo utilizada. No lançamento ora em discussão, é perceptível que os ajustes necessários já foram realizados desde a origem. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 9 8 Na parte mantida, nomeadamente no quantum debeatur, razão alguma assiste ao contribuinte, tendo em vista que o assunto em tela decorre de expressa determinação legal, conforme se pode observar do art. 31 da Lei nº 8.212/91. Em se tratando de matéria definida em lei, a autoridade administrativa incumbida do lançamento, nada mais fez do que cumprir as determinações contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O tema retenção de 11% (onze por cento), como é do conhecimento geral, foi (e ainda é) motivo de calorosos debates entre os contribuintes e o fisco federal. Contudo, apesar dos calorosos debates, o Supremo Tribunal Federal reconheceu tratarse de matéria constitucional, não merecendo, portanto, nesta altura dos acontecimentos, acirrar os debates pelo viés da inconstitucionalidade da matéria. No ponto, assim decidiu o pleno do STF, no RE 603191 / MT – Mato Grosso, Relatora Min. Ellen Gracie, no julgamento realizado em 1/8/2011: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO DE 11% ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Na substituição tributária, sempre teremos duas normas: a) a norma tributária impositiva, que estabelece a relação contributiva entre o contribuinte e o fisco; b) a norma de substituição tributária, que estabelece a relação de colaboração entre outra pessoa e o fisco, atribuindolhe o dever de recolher o tributo em lugar do contribuinte. 2. A validade do regime de substituição tributária depende da atenção a certos limites no que diz respeito a cada uma dessas relações jurídicas. Não se pode admitir que a substituição tributária resulte em transgressão às normas de competência tributária e ao princípio da capacidade contributiva, ofendendo os direitos do contribuinte, porquanto o contribuinte não é substituído no seu dever fundamental de pagar tributos. A par disso, há os limites à própria instituição do dever de colaboração que asseguram o terceiro substituto contra o arbítrio do legislador. A colaboração dele exigida deve guardar respeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não se lhe podendo impor deveres inviáveis, excessivamente onerosos, desnecessários ou ineficazes. 3. Não há qualquer impedimento a que o legislador se valha de presunções para viabilizar a substituição tributária, desde que não lhes atribua caráter absoluto. 4. A retenção e recolhimento de 11% sobre o valor da nota fiscal é feita por conta do montante devido, não descaracterizando a contribuição sobre a folha de salários na medida em que a antecipação é em seguida compensada pelo contribuinte com os valores por ele Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35387.000847/200251 Acórdão n.º 280301.830 S2TE03 Fl. 10 9 apurados como efetivamente devidos forte na base de cálculo real. Ademais, resta assegurada a restituição de eventuais recolhimentos feitos a maior. 5. Inexistência de extrapolação da base econômica do art. 195, I, a, da Constituição, e de violação ao princípio da capacidade contributiva e à vedação do confisco, estampados nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição. Prejudicados os argumentos relativos à necessidade de lei complementar, esgrimidos com base no art. 195, § 4º, com a remissão que faz ao art. 154, I, da Constituição, porquanto não se trata de nova contribuição. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 7. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. Vêse, pois, que na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa observou minuciosamente a legislação tributária em vigor, não pairando, in casu, qualquer dúvida sobre a correção do lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13896.001709/2003-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO - FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA - AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO
Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-000.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: FLÁVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sidney Eduardo Stahl. (assinado digitalmente) MAGDA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES Relator. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Redator designado. EDITADO EM: 23/08/2011 Fl. 149DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Daniela Ribeiro de Gusmão, José Luiz Bordignon e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13896.001709/200398 Acórdão n.º 380100.836 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), lavrado em 12/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 01/07/2003 (fls. 40), formalizando crédito tributário no valor total de R$32.239,35, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados nos períodos de setembro a dezembro de 1998. Em oposição ao presente lançamento, foi protocolizada em 25/07/2003, a impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/38, com alegação de que existe determinação judicial assegurando o direito a compensação do PIS, conforme cópia de sentença de primeira instância e cópia do Acórdão proferido em segunda instância. Finaliza requerendo que seja considerada a compensação do PIS referentes aos períodos autuados. Por meio do despacho de fls. 44, foi o processo encaminhado para julgamento. A DRJ em Campinas (SP) julgou procedente em parte o lançamento, fls. 46 a 48, nos termos da ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Regular é o lançamento se, à época de sua formalização, inexiste o amparo judicial às compensações alegadas. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 60 a 70, instruído com os documentos de fls. 71 a 136. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: com a edição dos Decretoslei n°s. 2.445 e 2.449 em julho de 1988 e consequente modificação na sistemática do recolhimento da contribuição ao Plano de Integração Social PIS, em Fl. 151DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 4 especial no que diz respeito a sua alíquota e a base de cálculo, procedeu aos recolhimentos dessa exação, de acordo com tais ditames legais; diante da afronta expressiva à Constituição Federal, referidos decretos foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal — STF, no julgamento do RE n° 1487542/RJ, cujo relator foi o Exmo. Dr. Ministro Francisco Rezek, DJU 04/3/1994; tal inconstitucionalidade fundamentou a edição da Resolução do Senado Federal n° 49/95, com seus inerentes efeitos erga omnes; amparada pelo artigo 66 da Lei 8383/91, decidiu a Recorrente pela maior conveniência da utilização do instituto da compensação dos recolhimentos feitos a maior, durante a vigência dos inconstitucionais decretoslei em comento; diante das restrições impostas pela legislação infralegal que estabeleceu os procedimentos para efetivação da compensação pretendida, a exemplo dos índices de correção monetária a serem aplicados ao crédito, que não refletiam a real desvalorização da moeda, insurgiuse a Recorrente, por meio de mandado de segurança que levou o n° 97.00431118 e tramitou pela 20° Vara da Seção Judiciária de São Paulo, contra ato coator da Delegacia da Receita Federal, para que esta se abstivesse da prática de qualquer ato tendente a cobrança do PIS de forma diversa daquela prevista na Lei Complementar n. 7/70 (com as alterações da Lei Complementar n. 17/93); indeferida a liminar, após o regular processamento do feito, o MM Juízo "a quo" julgou procedente o pedido supra da Recorrente, concedendolhe a ordem para reconhecer os pagamentos a maior feitos pela recorrente na forma dos DecretosLeis nºs. 2.445 e 2449/88, bem como para afastar as restrições de caráter infralegal, que impediam a pretensão de compensação corrigidos os valores recolhidos a maior em sua plenitude — enfim, garantindo fosse a compensação pretendida realizada pela recorrente na forma de sua motivação; dado o efeito meramente devolutivo de eventual apelação e obrigatória revisão do aresto em segundo grau de jurisdição, realizou a recorrente a compensação do PIS recolhido a maior com tributos e contribuições federais devidos, nos meses de setembro a dezembro de 1998, ao amparo da decisão judicial prolatada; a União apelou, pleiteando a reforma da sentença, alegando, em síntese, não possuir o caráter de direito líquido e certo a pretensão da Recorrente, exigido para concessão do mandamus; o Nobre Desembargador relator não acatou o esposado pela União, como se pode notar com clareza na fundamentação de seu voto, mas reconheceu a carência da ação, julgando extinto o processo em decorrência do advento da Instrução Normativa. 21/97, a qual revogou a IN 67/92, ampliando o campo de abrangência da possibilidade de compensação entre os tributos e Fl. 152DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13896.001709/200398 Acórdão n.º 380100.836 S3TE01 Fl. 142 5 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, porém, igualmente mantendo restrições ilegais; a compensação efetivada foi assim realizada ao comando de ordem judicial, necessária ao reconhecimento da pretensão da Recorrente; com o advento da Instrução Normativa n° 21/97, a matéria passou a ser tratada da seguinte forma: para os tributos da mesma espécie, foram eliminados obstáculos impostos ao contribuinte, podendo este efetuar a compensação sem a necessidade de requerimento prévio à Secretaria da Receita Federal (art.14); o direito ao crédito é patente, desde 1995, o direito à compensação evidente e sua inviabilidade continua decorrendo de restrições impostas pelas autoridades administrativas, sem qualquer embasamento lógico, legal ou judicial. Por fim, requereu que fosse dado provimento ao presente Recurso Voluntário conferindo integral acolhimento com o objetivo de ser deferida a compensação dos valores recolhidos a maior, durante o período de vigência dos decretos n°. 2.445 e 2.449/88, com exação da mesma natureza devida nos meses de setembro/dezembro de 1998, bem como seja cancelado o auto de infração n°. 0008582. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 6 Voto Vencido Conselheiro Flávio de Castro Pontes, O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Como relatado, a interessada pleiteia o reconhecimento de seu direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos Decretos Leis 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS, segundo as disposições da Instrução Normativa nº 21 de 10/03/1997. Embora tenha recorrido ao Poder Judiciário, e a respectiva ação tenha sido extinta sem julgamento do mérito, assiste razão à interessada, conforme será demonstrado. De imediato, é fato que no momento da apresentação das DCTFs, a interessada possuía provimento judicial que lhe assegurava o seu direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS, segundo sentença prolatada no processo nº 97.00431118, fls. 14 a 21. Vale lembrar que, em sede de Mandado de Segurança, na sentença que julga procedente o pedido, a execução é imediata. Outrossim, discordando da decisão “a quo”, a Fazenda Nacional apresentou o recurso de apelação. Em acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi dado provimento à remessa oficial e julgada prejudicada a apelação da União Federal, reconhecendose a falta de interesse de agir em face das disposições da Instrução Normativa nº 21/97. O direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS decorre do fato de que o Supremo Tribunal Federal já tinha declarado inconstitucionais os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, inclusive com a expedição da Resolução nº 49 pelo Senado Federal com efeito “erga omnes”. Embora a ação judicial tenha sido extinta sem julgamento do mérito, o direito à compensação não pode ser afastado simplesmente porque o sujeito passivo recorreu ao Poder Judiciário e foi reconhecida a carência de ação por falta de interesse de agir. Ora, como bem asseverado pela recorrente, a fundamentação do acórdão é clara no sentido de que não existia óbices para a compensação das contribuições pagas a maior no âmbito administrativo. Desta forma, e tendo em vista a expedição da Resolução nº 49 pelo Senado Federal com efeito “erga omnes”, a requerente tinha o direito de compensar os valores pagos a maior a título da contribuição PIS com débitos da mesma contribuição independentemente de requerimento, nos termos do art. 14 da Instrução Normativa nº 21/1997, “in verbis”: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subsequentes, desde que não Fl. 154DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13896.001709/200398 Acórdão n.º 380100.836 S3TE01 Fl. 143 7 apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (grifouse) Em que pese o bom direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar se os créditos decorrentes de eventuais pagamentos a maior eram suficientes para compensar os débitos discutidos neste processo. Tenhase presente que nos cálculos dos créditos os índices de correção a serem utilizados são aqueles adotados pela administração fazendária, observandose a semestralidade (Súmula CARF nº 15), inclusive quanto aos prazos decadenciais/prescricionais, uma vez que a interessada não logrou êxito em sua ação judicial. Registrese, por oportuno, que atualmente encontrase pacificado no âmbito do CARF que a base de cálculo do PIS, nos ditames do art. 6º, parágrafo único, da LC 07/70, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Com efeito, esse assunto, é objeto da Súmula CARF nº 15: “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) verifique a regularidade das compensações efetuadas com base na IN nº 21/97, em especial se os créditos decorrentes dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, eram suficientes para compensar os débitos discutidos neste processo; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Voto Vencedor Em que pesem os excelentes argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar da conclusão final alcançada. O presente auto de infração originouse da realização de auditoria interna nas DCTF relativas ao anocalendário de 1998, tendo sido constatada, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, a falta de recolhimento da contribuição para o COFINS, decorrente de declaração inexata, não se comprovando a existência do processo judicial informado pelo contribuinte, vinculado a compensações – termo comumente grafado como “Proc jud não comprovado”, ou seja, processo judicial não comprovado. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 8 Nos autos consta cópia do processo nº 97.00431118 na qual a Recorrente figura como autora. No ordenamento pátrio a motivação dos atos administrativos sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, ex vi do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999 e alterações posteriores. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” 1. Basicamente, presumese que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da .fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8,748, de 1993. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o .fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”... Se a autuação tornou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que 1 Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13896.001709/200398 Acórdão n.º 380100.836 S3TE01 Fl. 144 9 deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Ora, uma vez notificado do lançamento e demonstrado a existência de processo judicial a autuação não justifica. Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação fática que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação aos créditos tributários objeto do lançamento, em função da decisão judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Da única imputação que lhe foi feita na autuação – processo judicial não comprovado – o contribuinte defendeuse, informando que efetivamente integrava a ação judicial por ele relacionada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. Por todo o exposto, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose improcedente o presente lançamento, por não se comprovarem os fundamentos fáticos que o basearam. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator designado Fl. 157DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722845/2012-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2010
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. SÚMULA CARF Nº 63.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial.
Não restando comprovado o atendimento às exigências cumulativas fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2003-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. SÚMULA CARF Nº 63. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Não restando comprovado o atendimento às exigências cumulativas fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 28 45 /2 01 2- 21 Fl. 49DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.722845/2012-21 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 34/36): 1. Trata o presente processo de lançamento efetuado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05/09, relativa ao exercício 2010, ano-calendário 2009, em nome de EDSON ANTÔNIO DE SOUSA CORREIA, para redução do imposto a restituir apurado em sua DIRPF/2010 de fls. 29/33, do valor de R$43.343,62 para o montante de R$3.679,93. 2. O crédito tributário é decorrente da revisão da declaração de ajuste anual de fls. 29/33, relativa ao exercício 2010, ano-calendário 2009, conforme se verifica às fls. 06 dos autos, de modo a caracterizar a(s) infração(ões) “Omissão de Rendimentos Recebidos da fonte pagadora Ministério do Trabalho e Emprego, no valor de R$180.819,54”. 3. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação em 07/03/2012, fls. 02/03, alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave, o que o isenta do pagamento de imposto de renda. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento que importou no ajuste e redução do imposto a restituir declarado, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. O direito à isenção do imposto sobre a renda da pessoa física portadora de moléstia grave aplica-se aos períodos identificados em laudo pericial médico e a proventos que sejam comprovadamente decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Cientificado pessoalmente da decisão, em 29/11/2012 (fls. 38), o contribuinte, em 28/12/2012, interpôs recurso voluntário (fls. 42/43), trazendo aos autos a interpretação contida no Perguntão e Respostas da RFB, evidenciado o procedimento fiscal por ele realizado em face da moléstia grave que lhe acometera e, no mérito, repisa que o laudo pericial apresentado se destina a aplicação da retroatividade com a conversão dos rendimentos normais em rendimentos de aposentadoria, ao teor do entendimento da própria RFB. Solicita ainda seja apensado ao presente feito o processo nº 12447.722846/2012, por trata-se do mesmo assunto. Requer, ao final, a improcedência da decisão recorrida, com a restituição do imposto de renda a que faz jus. Instrui a peça recursal com o documento de fls. 44. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Fl. 50DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.722845/2012-21 Preliminares As alegações trazidas preliminarmente, a bem da verdade complementam e se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Dos rendimentos omitidos considerados isentos por moléstia grave – do não preenchimento dos requisitos cumulativos legais: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 180.819,54, por ausência de comprovação do cumprimento cumulativo dos requisitos legais motivadores do pedido de isenção em face de moléstia grave, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão apurada, com o reconhecimento do direito à isenção fiscal. Assim, passo ao cotejo dos documentos constantes dos autos, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 35/36): 7 Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial. (...) 9 Portanto, a vista dos dispositivos legais citados, constata-se que, para usufruir a isenção pleiteada, o litigante tem que comprovar o preenchimento dos requisitos legais, os quais devem ser interpretados literalmente, sem extensão dos termos neles definidos. 10 Com relação aos documentos juntados aos autos, o laudo pericial de fls. 09 atesta que o interessado é portador de moléstia prevista na legislação como motivadora de isenção de IR a partir de abril de 2005. 12 Entretanto, de análise ao documento juntado às fls. 10, verifica-se que o interessado aposentou-se apenas em julho de 2011, de modo que os rendimentos ora analisados, relativos ao ano-calendário 2009, não se referem a proventos de aposentadoria. 13 Sendo assim, conclui-se que no ano objeto da autuação (2009), não coexistiam os dois requisitos cumulativos necessários ao reconhecimento da isenção, pois a natureza dos proventos não era de aposentadoria, reforma ou pensão. Dessa forma, conclui-se que os rendimentos ora objeto do presente lançamento não são isentos de tributação pelo imposto de renda, procedendo, dessa forma, a infração impugnada. Como se pode perceber, a DRJ/RJ1 indeferiu o pedido formulado, sob o fundamento de que não restou comprovado o cumprimento cumulativo dos requisitos legais ao benefício fiscal, com destaque para a natureza dos rendimentos recebidos. Pois bem. Em que pese as razões recursais, não há como prosperar a pretensão recursal. De acordo com a legislação de regência, e corroborando o acerto da decisão recorrida, de fato, há sim dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos rendimentos recebidos que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão – que não foi atendido, isso porque não há como ignorar que o Recorrente Fl. 51DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.722845/2012-21 somente foi aposentado em 08/07/2011, ao teor da Portaria nº 161, publicada no DOU de 12/07/2011 (fls. 10/11) – e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, requisito este satisfeito ao teor do laudo pericial acostado e reconhecido pela própria decisão recorrida, atestando o quadro mórbido em face da moléstia acometida, desde 12/04/2005 (fls. 9). Ademais, tal matéria já se encontra sumulada neste CARF, culminando com a edição da súmula nº 63: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim sendo, levando-se em conta que norma que trata de isenção deve ser interpretada literalmente (art. 111, II do CTN); considerando que o Recorrente teve seu pedido médico deferido e reconhecido em 12/04/2005 (fls. 9); e sua aposentadoria somente ocorreu em 08/07/2011 (fls. 10/11); e o que está em análise é o benefício fiscal sobre os rendimentos recebidos no ano-calendário de 2009, é de se concluir que os rendimentos tidos por omitidos não se encontravam isentos do imposto de renda, razão pela qual não há como reconhecer o direito à isenção pleiteada. No que tange ao pedido de apensamento do processo nº 12447.722846/2012, não vislumbro a possibilidade de sua realização, haja vista que o referido feito não se encontra em tramitação neste CARF, o que impede averiguar o cumprimento das condições atinentes a eventual possibilidade de vinculação e reunião dos processos como requestado. Por fim, cabe relembrar que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo a atividade fiscal vinculada e obrigatória, na exata dicção do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco revisar a declaração de ajuste, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 52DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.722845/2012-21 Fl. 53DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720642/2009-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial.
Restando comprovado o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2003-005.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima e Cleber Ferreira Nunes Leite, que negavam provimento. Designado para Redator do voto vencedor o Conselheiro Wilderson Botto.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Restando comprovado o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima e Cleber Ferreira Nunes Leite, que negavam provimento. Designado para Redator do voto vencedor o Conselheiro Wilderson Botto. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 77 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 68 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 42 /2 00 9- 45 Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.227 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720642/2009-45 Notificação de Lançamento (e-fls. 16 e ss.), lavrada pela constatação de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício e de Dedução Indevida de Previdência Oficial. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2005/605451331994160, expedida em 09/02/2009, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2005, ano-calendário 2004, código 2904, formalizando a exigência no valor total de R$3.808,22, com juros de mora calculados até 27/02/2009, fls. 16 a 21. O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$12.345,48, proveniente da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, CNPJ nº 29.979.036/0001-40, sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$19,28. b) Dedução indevida de previdência oficial, no valor de R$6.377,64. Segundo a autoridade lançadora, ao analisar o documento apresentado pelo contribuinte referente aos serviços médicos prestados pelo Dr. Ary Alves da Silva, concluiu que o mesmo não informa a data do início da doença. Cientificado da notificação, o contribuinte, representado pelo inventariante, fls. 12 a 13, apresentou impugnação em 11/03/2009, fls. 2 a 7, contestando parcialmente o lançamento. Recapitula os fatos, defende a tempestividade da impugnação e informa que o contribuinte faleceu em maio de 2007. Concorda com a glosa da contribuição à previdência oficial, pois foi repetido o valor da dedução do ano anterior à declaração de rendimentos que deu origem à notificação de lançamento em discussão. Alega que o contribuinte era portador de cardiopatia grave desde o ano de 2003, conclusão essa que decorre do laudo médico apresentado à autoridade lançadora em atendimento ao termo de intimação fiscal. Pontua que anexa nos autos laudo complementar, assinado pelo mesmo médico do laudo anterior, o que elimina as possíveis dúvidas quanto à data de descoberta da moléstia grave que acometeu o contribuinte. Sustenta que o contribuinte, por ser portador de moléstia grave, faz jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria provenientes do INSS. Por fim, pondera que o lançamento de ofício não observou o disposto no Regulamento do Imposto de Renda, uma vez que o inventariante atendeu ao termo de intimação fiscal. O inventariante apresentou petição em 15/02/2013, fls. 64, e requereu a juntada de documento, fls. 65, para comprovar a qualidade de servidor público do médico Ary Alves da Silva. O vencimento da obrigação tributária ocorreu em 25/03/2009, fls. 47. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. GLOSA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.227 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720642/2009-45 Considera-se não impugnada a dedução indevida de previdência oficial que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO. MOLÉSTIA GRAVE. O laudo pericial que indica que o contribuinte era portador de cardiopatia sem, contudo, definir a data que a moléstia que o acometeu passou a ser considerada grave, não é prova hábil e idônea para o reconhecimento da isenção do imposto de renda. Em matéria de outorga de isenção deve-se interpretar literalmente a legislação tributária. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/11/2013 (e-fl. 97), o sujeito passivo interpôs, em 19/11/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que os rendimentos são isentos por ser contribuinte portador de moléstia grave desde 23/08/2003, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio remanescente recai sobre omissão de rendimentos no valor de R$ 12.345,48 e o interessado aponta como inicio do direito à isenção por portabilidade de moléstia grave a data de 23/08/2003. Não há quesitos preliminares a serem apreciados na lide. Para apreciação do direito à isenção de imposto de renda sobre rendimentos de pessoas físicas portadoras de moléstia grave, deve-se citar a legislação vigente à época dos fatos (art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com a nova redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 1992, e artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995), abaixo colacionada: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose-múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (ora destacado) Neste diapasão, destaque-se a súmula CARF n o 63, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 63 Fl. 103DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art30 Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.227 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720642/2009-45 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Portanto, para reconhecimento da isenção pleiteada, é necessária a comprovação da existência de duas condições concomitantes: (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e (ii) que o contribuinte seja portador de uma das patologias previstas pela legislação de regência atestado em laudo médico que cumpra os requisitos legais. Complemente-se indicando que de acordo com o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando indicada no laudo. In verbis: § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (ora destacado) Não deve ser negligenciado ainda que a valoração das provas pelas Autoridades Julgadoras Administrativas é livre, com base no Decreto 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Senão, veja-se o Artigo 29 do citado Decreto: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (ora grifado) Pode ser verificado que a Notificação de Lançamento aponta como seu motivo ensejador (e-fls. 18) que “... o documento apresentado... não informa a data do início da doença.” No mesmo diapasão aponta a DRJ externando que: Entendo que os laudos mencionam que o contribuinte, nos anos em que foi acompanhado pelo cardiologista Ary Alves da Silva, era portador de miocardiopatia dilatada, diagnóstico esse advindo do resultado do exame de Ecocardiograma Bidimensional com Doppler. Nos mencionados laudos, apesar de se apontar que o contribuinte era portador de cardiopatia, não foi definida a data em que a cardiopatia que o acometia passou a ser considerada grave. No caso concreto, em razão de o contribuinte ter falecido antes da expedição dos laudos, não se aplica a regra disposta no artigo 39, §5º, II, do Decreto nº 3.000/99, razão pela qual o laudo não o socorre. (ora grifado) Dessa forma, não há dúvidas de que os rendimentos sob lide foram provenientes de aposentadoria e que o laudo pericial foi emitido por serviço médico oficial do Município. Os Laudos apresentados (e-fls. 14 e 15) indicam que há acometimento de moléstia desde 23 de agosto de 2003, mas não há indicação de quando a moléstia GRAVE iniciou-se. Portanto, de bom alvitre concordar com a Primeira Instância neste pormenor impeditivo, mormente quando se verifica o peso da interpretação literal da outorga de isenção como abaixo extraído do voto da Decisão Guerreada: Isto posto, considerando que em matéria de outorga de isenção deve-se interpretar literalmente a legislação tributária (Código Tributário Nacional, artigo 111, II), entendo que não foi definida a data em que a cardiopatia que o acometia passou a ser considerada grave. Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.227 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720642/2009-45 Verifica-se portanto, que apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida. Dispositivo Isso posto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Voto Vencedor Conselheiro Wilderson Botto - Redator designado Em que pese o bem arrazoado voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir em relação ao mérito recursal, conforme passo a demonstrar. Como se pode perceber, a decisão recorrida indeferiu o pedido formulado, sob o fundamento de que não restam atendidos os requisitos legais cumulativos hábeis e suficientes para motivar o pedido de isenção por moléstia grave formulado. Não obstante, em que pese a razoabilidade do entendimento manifestado, entendo que a conclusão lançada na decisão recorrida merece reparo, uma vez que o Recorrente se desincumbiu do ônus que lhe competia. Isto porque não há como ignorar o fato de que o laudo pericial acostado, emitido pelo Serviço Médico da Câmara Municipal de Salvador (fls. 14/15), é expresso ao declarar que o contribuinte falecido era portador de moléstia grave (cardiopatia grave e miocardiopatia dilatada - CID10: I.42), desde 23/08/2003, vindo inclusive a óbito, em 21/05/2007, com quadro declarado de morte súbita, cuja causa da morte restou atestada por edema agudo de pulmão e infarto agudo do miocárdio (fls. 8), fazendo assim, ao meu sentir, jus à isenção do imposto de renda a partir da data assinalada no laudo oficial emitido. Destarte, considerando ter sido reconhecido por serviço médico oficial a moléstia grave consoante a legislação de regência, desde 23/08/2003 (fls. 14/15); que os rendimentos recebidos se referem a proventos de aposentadoria recebidos do INSS, situação não contestada pela decisão recorrida; e o que está em análise é a isenção sobre os valores recebidos no ano- calendário de 2004, é de se concluir que os rendimentos tidos por omitidos (fls. 56), estão isentos do imposto de renda, razão pela qual reconheço o direito ao benefício fiscal pleiteado. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso, para afastar o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 105DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12269.003755/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA
O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.755
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 370 2 (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 371 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa BOA ESPERANÇA AGROINDÚSTRIA LTDA em face da decisão que julgou improcedente parte da impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/08/2004 a 08/2006. 2. De acordo com o relatório fiscal do lançamento, o crédito tributário refere se às contribuições previdenciárias devidas e não pagas, incidentes sobre valores lançados na contabilidade da empresa relativos a despesa com alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, no período de 08/2004 a 10/2006, à remuneração paga a contribuintes individuais no período de 08/2004 a 12/2007 e a aquisição de produto rural de produtores rurais pessoas físicas, nas competências 03, 10 e 11/2007. Do relatório fiscal constam (ff. 28/29): “4. Os créditos Previdenciários constituídos neste lançamento fiscal, destinamse à Previdência Social e referemse às: a) contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais; b) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; c) contribuições previdenciárias decorrentes da subrogação no recolhimento do FUNRURAL devido à aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. (...). 6. Os fatos geradores da obrigação previdenciária foram apurados com base: nos valores lançados na contabilidade da empresa referentes a despesas com alimentação, no período 08/2004 à 10/2006; na remuneração paga a contribuintes individuais registrada na Contabilidade da empresa; na aquisição de produto rural de produtores rurais pessoas físicas.”. 3. O Colegiado de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação da empresa, excluindo do lançamento as competências 09/2006 e 10/2006 em razão da comprovação do cadastramento no PAT desde 18/09/2006, mantendo as demais competências por falta de comprovação de registro no programa. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 372 4 4. Ademais, entendeu que não se instaurou litígio quanto às contribuições previdenciárias devidas, referente à aquisição de produto rural por produtor rural pessoa física e assim declarou a definitividade do lançamento com relação a estes valores. 5. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. DEPÓSITO EM JUÍZO. ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. PRODUÇÃO DE PROVAS. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. A instauração do contencioso ocorre somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. A parcela in natura recebida pelo trabalhador de empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT integra o salário de contribuição. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Inexiste previsão legal para a produção de prova testemunhal no processo administrativo fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. (f. 328)”. 6. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual aduz em síntese: a) que à época do lançamento a recorrente estava em dia com a sua inscrição no PAT, uma vez que não incorreu em qualquer falha que resultasse na sua exclusão do programa, tampouco houve alteração cadastral que justificasse atualização do seu cadastro; b) que a recorrente não foi excluída do PAT, uma vez que para a sua exclusão esta deveria ser notificada da abertura de Processo Administrativo, oportunizando o seu exercício ao contraditório e a ampla defesa; c) não foi apontado pela auditora qualquer outra irregularidade no desenvolvimento do Programa e diante do cumprimento das normas legais pertinentes à espécie, considera indevida a cobrança das contribuições previdenciárias; d) ainda que a impugnante não estivesse inscrita no PAT não incide contribuição previdenciária sobre a parcela “in natura” oferecida pelo empregador a título de alimentação, e assim deve ser considerado o fornecimento de cestos básicos e de refeição aos seus empregados; Fl. 372DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 373 5 e) que a fiscalização deveria utilizar como base de cálculo o valor efetivamente repassados aos funcionários e não o valor transferido à fornecedora de vale refeição; f) que somente o pagamento de auxílioalimentação em pecúnia de forma habitual tem o caráter salarial, passível, da incidência da contribuição previdenciária, o que não ocorreu no caso da recorrente; g) que a mera aquisição de “vale refeição” não possibilita cobrança da contribuição previdenciária; h) ao final, requer o reconhecimento da regularidade da inscrição da empresa recorrente junto ao PAT e a consequente inexigibilidade do crédito tributário lançado; i) pugna pelo reconhecimento da regularidade dos recolhimentos do FUNRURAL cujos os valores referentes às competências 10/2007 e 11/2007, foram depositados em juízo e estão à disposição da Vara Federal de Execuções Fiscais de Caxias do Sul. 7. Insta mencionar que o contribuinte não questionou o débito quanto aos valores relativos ao levantamento “CI – Contribuintes Individuais” e o levantamento RURFUNRURAL referente à competência 03/2007, na impugnação e tampouco o fez no presente recurso.” 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 374 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA REGULARIDADE DA INSCRIÇÃO NO PAT 2. A decisão recorrida convalidou o lançamento fiscal referente à contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos pelo fornecimento de alimentação in natura,valerefeição e cesta básica aos a empregados segurados da empresa sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT, no período de 08/2004 a 08/2006. 3. Sobre a questão o contribuinte aduz na peça recursal que estava devidamente inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT neste período, tendo em vista que não houve pedido de cancelamento por parte da empresa, tampouco recebeu qualquer notificação quanto a sua exclusão. 4. Não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria firmo entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação “in natura” ou fornecido por meio de valerefeição não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 5. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificado o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 6. Segue recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal,in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 375 7 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...). 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.). 7. Nesse momento fazse mister a referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, Fl. 375DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 376 8 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso]. 8. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 9. E recentemente, reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/n.º 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 377 9 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” 10. No mesmo sentido, cito o Ato declaratório n.º 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. 11. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). In casu a própria fiscalização registrou na peça inicial que se trata de valores lançados na contabilidade da empresa referente a “despesas com alimentação”. 12. É oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. Ressaltase que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 13. É o caso, portanto, de dar provimento ao recurso, tendo em vista que o lançamento não pode se fundamentar em rubricas que não detenham caráter salarial. Contudo, mantêmse os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio. DO FUNRURAL 14. Conforme certidão narratória trazida à análise desse colegiado, juntamente com a peça recursal, f. 254/256, a empresa, por intermédio do Sindicato Rural de Tapera e SELBACH, impetrou mandado de segurança com pedido de liminar, processo nº 2007.71.07.0008138/RS sob o argumento de que a exigência fiscal quanto a contribuição previdenciária destinada ao FUNRURAL é inconstitucional e que os valores pagos indevidamente a esse título deveriam ser restituídos. 15. O pedido liminar foi deferido e, por consequência, autorizou os substitutos tributários, responsáveis pelo pagamento da contribuição, a deixarem de recolher o tributo aos cofres do INSS e a procederem ao depósito dos valores referentes à contribuição, em conta bancária vinculada ao processo em comento. 16. Dessa forma, o contribuinte, em sede de recurso voluntário, buscando a ineficácia do lançamento, carreia aos autos argumentos no sentido de que “recolheu os valores apontados pela Sra. auditora, de forma tempestiva nos termos da decisão liminar, estando o valor a disposição do juízo da Vara Federal de execuções fiscais de Caxias do Sul, inexistindo a apontada ausência de recolhimento, razão pela qual devem os valores relativos às competências 10/2007 e 11/2007 serrem excluídas na sua totalidade”. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003755/200941 Acórdão n.º 2803001.755 S2TE03 Fl. 378 10 17. Ocorre que segundo o entendimento sumulado desse conselho,"Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial"(CARF Súmula nº 1). 18. Ressaltase ainda que conforme preleciona o art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória pelos conselheiros. 19. E nessa esteira, baseado em informações trazidas pelo próprio contribuinte, onde afirma que existe uma ação judicial com objeto idêntico ao desse auto de infração, qual seja a contribuição social ao FUNRURAL, entendo que não merece análise qualquer alegação do contribuinte a respeito dessa rubrica, uma vez que ao submeter à análise do judiciário a exigibilidade da contribuição, entendemse que este renunciou à tutela da esfera administrativa no que tange a matéria. CONCLUSÃO 20. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.009849/2009-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. ISENÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE.
O abono pecuniário de férias é isento do imposto de renda, dado o seu caráter indenizatório, cabendo ao contribuinte demonstrar o respectivo recebimento e a apresentação de DAA retificadora tempestiva, contado da data da retenção, para fins de obtenção do benefício fiscal.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Mantém-se a autuação quando não restar comprovado o preenchimento dos requisitos legais para incidência da norma isentiva, ao teor da legislação de regência (art. 4º da IN RFB nº 936/2009).
Numero da decisão: 2003-005.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. ISENÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. O abono pecuniário de férias é isento do imposto de renda, dado o seu caráter indenizatório, cabendo ao contribuinte demonstrar o respectivo recebimento e a apresentação de DAA retificadora tempestiva, contado da data da retenção, para fins de obtenção do benefício fiscal. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a autuação quando não restar comprovado o preenchimento dos requisitos legais para incidência da norma isentiva, ao teor da legislação de regência (art. 4º da IN RFB nº 936/2009).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
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ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. ISENÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. O abono pecuniário de férias é isento do imposto de renda, dado o seu caráter indenizatório, cabendo ao contribuinte demonstrar o respectivo recebimento e a apresentação de DAA retificadora tempestiva, contado da data da retenção, para fins de obtenção do benefício fiscal. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a autuação quando não restar comprovado o preenchimento dos requisitos legais para incidência da norma isentiva, ao teor da legislação de regência (art. 4º da IN RFB nº 936/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 98 49 /2 00 9- 23 Fl. 49DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.197 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.009849/2009-23 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo excertos do relatório da decisão ora recorrida (fls. 19/22): DA NOTIFICAÇÃO O processo refere-se a Notificação de Lançamento, relativo ao(s) ano(s)-calendário de 2004, originada em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, ajustando a restituição de R$ 4.048,44 calculada pelo contribuinte para R$ 3.324,27. A notificação decorreu da Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se relatado nos autos, em síntese: · Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 2.633,34, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. (...) Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 08/09/2009. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 11/09/2009. O(a) contribuinte ingressou com Solicitação de Retificação de Lançamento - SRL, da qual deve ciência de seu resultado em 06/10/2009. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação em 7/10/2009, alegando, em síntese: · O valor refere-se ao abono pecuniário de férias. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO CONTRIBUINTE. ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS O prazo para o contribuinte buscar a restituição do abono pecuniário de férias é de cinco anos contados da data da retenção. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que a fundamentem. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. ÔNUS DA PROVA. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovar suas alegações. Cientificado da decisão, em 27/05/2013 (fls. 24), o contribuinte, em 11/06/2013, interpôs recurso voluntário (fls. 26/27), alegando, preliminarmente, que a retificação da declaração de ajuste ocorreu com base no informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, que relacionou os valores a serem retificados decorrentes das orientações prestadas pela própria Fl. 50DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.197 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.009849/2009-23 RFB, no que tange ao abono pecuniário de férias recebido e, no mérito, registra que não há omissão de rendimentos, porquanto promoveu a retificação da declaração de ajuste anual com base orientações traçadas pela fonte pagadora e ancorado no informe de rendimentos retificado por ela emitido, sendo certo que a responsabilidade pelas informações e comprovação da retenção pertence à fonte pagadora. Registra ainda que o mesmo procedimento foi adotado para os exercícios de 2006 a 2008, cujos pedidos foram acatados, conforme se depreende da documentação anexa. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado, com a restituição adicional do imposto de renda a que faz jus. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 28/47. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações trazidas em sede preliminar, a bem da verdade complementam e se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Da omissão de rendimentos apurada – do abono pecuniário de férias recebido: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 2.633,34, constatada em sede de revisão da DAA/2005 retificadora apresentada, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão de rendimentos apurada, por referir-se ao abono pecuniário de férias recebido, dada sua natureza indenizatória. Inicialmente, vale salientar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre os rendimentos recebidos e omitidos na declaração de ajuste. Não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a irregularidade apontada. Conclui-se, portanto, que a comprovação da inocorrência da omissão de rendimentos, quando exigida e não demonstrada, autoriza o lançamento e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre, a título de exemplificação, no caso das deduções, onde o art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou Fl. 51DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.197 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.009849/2009-23 comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 19/22) e atendo-se às informações contidas na autuação (fls. 12/15), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado – diga-se de passagem, limitando-se em escorar no informe de rendimentos retificado emitido pela fonte pagadora, sem contudo trazer aos autos o suporte probatório de suas alegações, como lhe competia, visando comprovar o período/mês do efetivo recebimento do abono de férias, restando assim prejudicada a conferência do atendimento dos critérios de dedutibilidade traçados na legislação de regência (IN RFB nº 936/09) – me convenço do acerto da decisão proferida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor na decisão recorrida (fls. 21/22), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF O valor da omissão de rendimentos refere-se ao Abono Pecuniário de Férias. O contribuinte por meio de uma DIRPF retificadora em 27/08/2009 informou os valores como sendo não tributados pelo imposto de renda. O prazo para solicitação a restituição é de cinco anos contados da data da retenção estipulado pelo art. 4º da IN RFB 936/2009. O contribuinte não juntou aos autos comprovante do mês em 2004 em que ocorreu a retenção. De acordo com arts. 36 da Lei nº 9.784/99, é do impugnante o ônus de provar. O ônus de provar significa trazer elementos aos autos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Ademais, o Decreto 70.235, de 06/03/1972 reza que a impugnação deve ser instruída com as provas que o impugnante possuir. Portanto, como não se conhece a data da retenção, o lançamento deve ser mantido. De fato, o informe de rendimentos retificado emitido pela ABB Ltda. (fls. 7/8), aponta e comprova no “campo 07 do quadro 4 - Rendimentos Isentos e não tributáveis” e no “item 3 do quadro 6 - Informações Complementares”, a ocorrência do pagamento ao Recorrente do abono pecuniário de férias, no valor de R$ 2.633,34 (PIS/R$ 524,72 – R$ 3.158,06/rendimentos isentos e não tributáveis). Todavia, não há nos autos outros elementos que indiquem a data do efetivo recebimento do aludido abono, inviabilizando sobremaneira a verificação do atendimento do prazo para se pleitear a respectiva devolução, cuja contagem reporta-se ao mês da retenção indevida, nos termos do art. 4º da IN RFB nº 936/09. Assim, à míngua de comprovação da data do recebimento do abono pecuniário, o que impossibilita a conferência da regularidade do lustro regulamentar para se pleitear a restituição da retenção indevida, deve o abono ser mantido na apuração dos rendimentos tributáveis recebidos, razão pela qual reconheço a subsistência do crédito tributário lançado. Fl. 52DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.197 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.009849/2009-23 Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 53DF CARF MF Original
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