Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.001831/2005-31
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. APÓS ENCERRAMENTO AÇÃO E JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.. EXAME DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE DE ORIGEM.
A retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica de 2003 independe de autorização e,sendo após o encerramento da ação Fiscal, mesmo durante o processo administrativo fiscal, somente poderá ser objeto de exame pela autoridade de origem, no ato de execução do julgado, para seus próprios efeitos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ
DESPESAS FINANCEIRAS NECESSÁRIAS. DEDUTTBILIDADE.
Aquele que suporta encargos financeiros, justificáveis,em operações independentes, em face da contrafação de mútuo, pode considerar como despesa necessária e dedutível do imposto de renda, os dispêndios de correção e juros monetários passivos relativos à parcela de empréstimo oneroso à pessoas ligadas.
DESPESAS DE ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA NECESSÁRIAS. DEDUT1BILIDADE.
A dedutibilidade de encargos contabilizados pela pessoa jurídica deve ser aferida em razão da necessidade de cada gasto para consecução de seus objetivos empresariais. Verificada a necessidade configura-se a sua dedutibilidade para fins de imposto de renda.
DESPESAS DIVERSAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUT1BILIDADE,
Constatado que as despesas de representação e reembolso de passagens, objeto da autuação, são de responsabilidade da controladora da impugnante; estas se configuram desnecessárias aos objetivos sociais desta última, não sendo permitido, portanto, sua dedução para fins de imposto de renda.
CERTOS BENS COM FUNCIONALIDADE INDIVIDUAL E COM VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO, PODEM DEDUZIDOS COMO CUSTOS E DESPESAS.
Somente aqueles bens, adquiridos em quantidade, que possuem implicitamente vida útil inferior a um ano e têm utilidade funcional individual, postos em operação concomitante para exploração da atividade fim da contribuinte,, devem ser considerados pela sua funcionalidade e por conseqüência, podem ser deduzidos como custos e despesas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
LANÇAMENTO REFLEXO DECORRÊNCIA.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1202-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto ao item do auto de infração, para cancelar o item denominado glosa de despesas financeiras decorrentes de mútuos tomados perante o BNDES e o banco estrangeiro West LB, Agência Nova Iorque, vencido Conselheiro Nelson Lósso Filho que negou provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o item denominado glosa de despesas relativas ao contrato de administração de hotéis. Por maioria, dar provimento ao recurso em relação ao item do auto de infração denominado glosa de despesas com jantar de relações públicas, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negou provimento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso no que concerne ao item glosa de despesas de viagem.Também por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso no item do auto de infração intitulado glosa de despesas dos itens do Ativo Fixo de pequeno valor, para manter apenas a glosa da aquisição de rádios Nextel no valor de R$ 4.945,00.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. APÓS ENCERRAMENTO AÇÃO E JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.. EXAME DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE DE ORIGEM. A retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica de 2003 independe de autorização e,sendo após o encerramento da ação Fiscal, mesmo durante o processo administrativo fiscal, somente poderá ser objeto de exame pela autoridade de origem, no ato de execução do julgado, para seus próprios efeitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ DESPESAS FINANCEIRAS NECESSÁRIAS. DEDUTTBILIDADE. Aquele que suporta encargos financeiros, justificáveis,em operações independentes, em face da contrafação de mútuo, pode considerar como despesa necessária e dedutível do imposto de renda, os dispêndios de correção e juros monetários passivos relativos à parcela de empréstimo oneroso à pessoas ligadas. DESPESAS DE ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA NECESSÁRIAS. DEDUT1BILIDADE. A dedutibilidade de encargos contabilizados pela pessoa jurídica deve ser aferida em razão da necessidade de cada gasto para consecução de seus objetivos empresariais. Verificada a necessidade configura-se a sua dedutibilidade para fins de imposto de renda. DESPESAS DIVERSAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUT1BILIDADE, Constatado que as despesas de representação e reembolso de passagens, objeto da autuação, são de responsabilidade da controladora da impugnante; estas se configuram desnecessárias aos objetivos sociais desta última, não sendo permitido, portanto, sua dedução para fins de imposto de renda. CERTOS BENS COM FUNCIONALIDADE INDIVIDUAL E COM VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO, PODEM DEDUZIDOS COMO CUSTOS E DESPESAS. Somente aqueles bens, adquiridos em quantidade, que possuem implicitamente vida útil inferior a um ano e têm utilidade funcional individual, postos em operação concomitante para exploração da atividade fim da contribuinte,, devem ser considerados pela sua funcionalidade e por conseqüência, podem ser deduzidos como custos e despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL LANÇAMENTO REFLEXO DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos.
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18471.001831/2005-31
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179729
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1202-000.923
nome_arquivo_s : Decisao_18471001831200531.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001831200531_5179729.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto ao item do auto de infração, para cancelar o item denominado glosa de despesas financeiras decorrentes de mútuos tomados perante o BNDES e o banco estrangeiro West LB, Agência Nova Iorque, vencido Conselheiro Nelson Lósso Filho que negou provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o item denominado glosa de despesas relativas ao contrato de administração de hotéis. Por maioria, dar provimento ao recurso em relação ao item do auto de infração denominado glosa de despesas com jantar de relações públicas, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negou provimento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso no que concerne ao item glosa de despesas de viagem.Também por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso no item do auto de infração intitulado glosa de despesas dos itens do Ativo Fixo de pequeno valor, para manter apenas a glosa da aquisição de rádios Nextel no valor de R$ 4.945,00. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4432696
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932255653888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 52 1 51 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001831/200531 Recurso nº 159.592 Voluntário Acórdão nº 1202000.923 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2012 Matéria Auto de infração IRPJ Recorrente COMPANHIA HOTÉIS PALACE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. APÓS ENCERRAMENTO AÇÃO E JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.. EXAME DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE DE ORIGEM. A retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica de 2003 independe de autorização e,sendo após o encerramento da ação Fiscal, mesmo durante o processo administrativo fiscal, somente poderá ser objeto de exame pela autoridade de origem, no ato de execução do julgado, para seus próprios efeitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DESPESAS FINANCEIRAS NECESSÁRIAS. DEDUTTBILIDADE. Aquele que suporta encargos financeiros, justificáveis,em operações independentes, em face da contrafação de mútuo, pode considerar como despesa necessária e dedutível do imposto de renda, os dispêndios de correção e juros monetários passivos relativos à parcela de empréstimo oneroso à pessoas ligadas. DESPESAS DE ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA NECESSÁRIAS. DEDUT1BILIDADE. A dedutibilidade de encargos contabilizados pela pessoa jurídica deve ser aferida em razão da necessidade de cada gasto para consecução de seus objetivos empresariais. Verificada a necessidade configurase a sua dedutibilidade para fins de imposto de renda. DESPESAS DIVERSAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUT1BILIDADE, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 31 /2 00 5- 31 Fl. 6222DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 53 2 Constatado que as despesas de representação e reembolso de passagens, objeto da autuação, são de responsabilidade da controladora da impugnante; estas se configuram desnecessárias aos objetivos sociais desta última, não sendo permitido, portanto, sua dedução para fins de imposto de renda. CERTOS BENS COM FUNCIONALIDADE INDIVIDUAL E COM VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO, PODEM DEDUZIDOS COMO CUSTOS E DESPESAS. Somente aqueles bens, adquiridos em quantidade, que possuem implicitamente vida útil inferior a um ano e têm utilidade funcional individual, postos em operação concomitante para exploração da atividade fim da contribuinte,, devem ser considerados pela sua funcionalidade e por conseqüência, podem ser deduzidos como custos e despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto ao item do auto de infração, para cancelar o item denominado glosa de despesas financeiras decorrentes de mútuos tomados perante o BNDES e o banco estrangeiro West LB, Agência Nova Iorque, vencido Conselheiro Nelson Lósso Filho que negou provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o item denominado glosa de despesas relativas ao contrato de administração de hotéis. Por maioria, dar provimento ao recurso em relação ao item do auto de infração denominado glosa de despesas com jantar de relações públicas, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negou provimento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso no que concerne ao item glosa de despesas de viagem.Também por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso no item do auto de infração intitulado glosa de despesas dos itens do Ativo Fixo de pequeno valor, para manter apenas a glosa da aquisição de rádios Nextel no valor de R$ 4.945,00. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho (documento assinado digitalmente) Fl. 6223DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 54 3 Orlando José Gonçalves Bueno Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno Relatório O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 277/290, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, em 06/02/2006, do qual a interessada foi cientificada em 22/02/2006, consubstanciando exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, além das autuações reflexas referentes à CSLL e IRF, acrescidas da correspondente multa de ofício de 75%% e dos juros de mora, concernentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do IRPJ, que, de acordo com a descrição dos fatos contidas no auto de infração e do Termo de Constatação da Infração (fls. 266276), resultaram na apuração das infrações denominadas: a) “Custas ou Despesas Não Comprovadas— Glosa de Despesas"— Arts. 249, inciso 1,251 e § único, 299 e 300, do RIR/99; b) “Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários" — Arts. 249; inciso 1,251 e § único, 299 e 300, do RJR199; c) “Bens de Natureza Permanente Deduzidos Como Custo ou Despesa"— Arts. 249, inciso I, 251 e § único e 301, do RIR/99 O lançamento da CSLL é mera decorrência do de IRPI. Também foi apurada insuficiência de IRRF em face da constatação da infração abaixo discriminada: a) “Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados —Pagamentos Sem Causa"— Art. 674 do RJR/99; As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no Termo de Constatação de Infração — fls. 267 a 276 atentam para os seguintes fatos: Em relação à primeira infração do IRPJ a autoridade Fiscal glosou as despesas no montante de R$234.960,64, as quais foram deduzidas do lucro liquido, conforme rubrica de Outras Despesas Operacionais (linha 30 – ficha 05A), DIPJ/2003, tendo em vista a interessada não ter comprovado os referidos valores escriturados em sua contabilidade, com documentação hábil e idônea, bem como os seus efetivos pagamentos. Quanto à segunda infração, a qual se refere às despesas consideradas não necessárias, está subdividida em vários itens, a saber: Fl. 6224DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 55 4 Glosa de Despesas Financeiras no valor tributável de R$6.459.519,20; A interessada deduziu o montante de R$10.418.579,36, a título de Outras Despesas Financeiras e de Variações Cambiais Passivas, conforme DIPJ/2003 – Ficha 06A, linhas 32 e 36, em face de financiamentos de longo prazo mantidos com terceiros durante todo o durante todo o período, no valor de R$ 17.666.500,00; Concomitantemente, manteve contratos de mútuos não onerosos e por prazo indeterminado, com suas empresas ligadas, Sea Containers Brasil Ltda. no valor de R$ 4.377.288,00 e Brasiluvas Agrícola Ltda., no valor de RS 6.621.800,00, perfazendo o montante total de empréstimos a receber no valor de R$ 10.999.088,00, conforme cópia das folhas do Livro Razão, anexados às fls. 264/265; Não tendo estes mútuos gerados qualquer receita financeira e sendo os valores mutuados suficientes para atender parcialmente os empréstimos contraídos, estes caracterizam pagamentos por mera liberalidade que não entram no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa; Conclui que são indedutíveis, por caracterizarem despesas não necessárias, as diferenças apuradas entre os encargos financeiros pagos por financiamentos tomados no mercado ou por parcelamentos de dívidas não pagas no vencimento e, proporcionalmente, os valores que deveriam ter sido recebidos por empréstimos concedidos à empresa ligada; Glosa de Despesas de Honorários de Administração, no valor tributável de R$4.960.153,28; Valores apropriados em conta de despesas conta 4.86.45.29 "Honorários da Administração" relativos ao pagamento de prestação de serviços pelo assessoramento técnico, em beneficio da empresa coligada Participações São Mateus S.A., cujo endereço é o mesmo da interessada, através de contrato assinado em 18/01/2000 e aditivo em 02/09/2002, a qual é de propriedade de sua controladora Orient Express Hotéis Ltda, com sede em Hamilton, Ilhas Bermudas e considerada indedutível por ser desnecessária à atividade da empresa. O referido contrato prevê uma remuneração mínima fixa de uma taxa básica de 5% sobre a receita bruta do mês, acrescida de uma participação percentual de 10% sobre o resultado do mês, calculada sobre as receitas subtraídas das despesas fixas. Os termos do referido contrato demonstram a sua desnecessidade para a administração da interessada, tendo em vista a possibilidade de se contratar diretamente profissionais do ramo a preço de mercado. Por se tratar de um contrato com empresa ligada, fica caracterizada uma forma de remuneração indireta em beneficio da sócia controladora. Ainda, os valores devidos conforme faturas emitidas, são creditados na conta corrente da Participações São Mateus S.A., sem que a mesma utilize os recursos colocados a sua disposição, não provando a necessidade dos mesmos para seus possíveis compromissos. Conclui que não são dedutíveis, como despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos sócios, dirigentes ou administradores da Pessoa Jurídica, conforme disposição dos artigos 303 e 463 do R1R/99. Fl. 6225DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 56 5 Glosa de Despesas com Doações, no valor tributável de R$11.300,00; Tratase de valores escriturados na contabilidade da interessada conta 4.80.40.16 Outras Despesas Administrativas a título de doações, pagas em dinheiro, sujeitas à adição ao lucro liquido por serem indedutíveis, caracterizando pagamentos por mera liberalidade. Intimada a prestar esclarecimentos, a interessada se limitou a apresentar a documentação acostada às fls. 245/246. Glosa de Despesas com Honorários de Agentes, no valor tributável de R$61.222,00; Tratase de valores apropriados em conta de despesas, escriturados na conta 4.80.40.16 — Despesas de Honorários de Agentes — relativos aos pagamentos realizados ao Sr. Hans J. Busch, os quais não tiveram comprovada a estrita correlação com a atividade da interessada, bem como não foram evidenciadas as efetivas contraprestações dos serviços, • que se traduz por serviços de representação prestados no exterior. Lembra que constituem condição para a sua dedutibilidade, os dispêndios de custos ou despesas que estejam além de documentadamente comprovados, que guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita; Intimada a prestar esclarecimentos, a interessada se limitou a apresentar a documentação acostada às fls. 159/163. Glosa de Despesas de Representação — Afretamento de Aeronave, no valor tributável de R$97.800,00 Tratase de valores apropriados em conta de despesas, escriturados na conta 4.87.47.51 Despesas de Representação, referente ao pagamento da Nota Fiscal n° 16627 da Líder Táxi Aéreo S/A, em face da prestação de serviços pelo afretamento de aeronave, em beneficio dos sócios da empresa controlada Orient Express Hotéis Ltda., sem que ficasse comprovada a estrita correlação com sua atividade. Intimada a prestar esclarecimentos, a interessada se limitou a apresentar a documentação acostada às fls. 251. Glosa de Despesas de Representação — Outras Despesas, no valor tributável de R$43.983,34 Tratase de valores apropriados em conta de despesas, escriturados na conta 4.87.47.51 Despesas de Representação, referentes aos pagamentos abaixo discriminados, sobre os quais não ficaram comprovadas as estritas correlações com a atividade da interessada, o que caracterizam que os mesmos são desnecessários a esta atividade; 26/02/02 NF 530 Rio de Janeiro Country Club R$ 28.661,91 12112/02 Doc. 251102 Reemb. passagem aérea R$ 1532163 Intimada a prestar esclarecimentos, a interessada se limitou a apresentar a documentação acostada às fls. 251. Fl. 6226DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 57 6 Glosa de Despesas de Representação — Pagamentos Diversos, no valor tributável de R$122.455,33 Tratase de valores apropriados em conta de despesas, escriturados na conta 4.87.47.52 Despesas de Representação, referentes a diversos pagamentos, sobre os quais ao ficaram comprovadas as estritas correlações com a atividade da interessada, o que caracterizam que os mesmos são desnecessários a esta atividade. Intimada a prestar esclarecimentos, a interessada se limitou a apresentar a documentação acostada às fls. 253/263. Em relação à terceira infração, no valor tributável de R$345.055,47, tratase de valores apropriados em conta de despesas e declarados nas rubricas de Despesas Operacionais/Despesas de Manutenção de Bens e Instalações, relativos às aquisições de bens de natureza permanente, e que, portanto, deveriam ser ativados, para futura depreciação e/ou amortização, a teor dos documentos de fls. 60/139. Por fim, em relação à infração vinculada ao imposto de renda na fonte, no valor de imposto igual a R$82.236,21, verificase se tratar de pagamentos à beneficiários não identificados. Inconformada com a autuação a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade de fls. 299321. Preliminarmente, a interessada informa que reconhece a exatidão de alguns dos lançamentos efetuados pelo autuante relativos ao IRPJ, conforme discriminado abaixo: a) integralmente, as despesas consideradas indedutíveis por ausência de documentação hábil, descritas no item 5.1 deste relatório, no valor de RS234.960,14; b) integralmente, as despesas de doação, consideradas não dedutíveis, descritas no item 5.2.3 deste relatório, no valor de R$11.300,00; c) integralmente, as despesas de com Honorários de Agentes, consideradas não necessárias, descritas no item 5.2.4 deste relatório, no valor de R$61 222,00; d) integralmente, as despesas de com Honorários de Representação Afretamento de Aeronave, consideradas não necessárias, descritas no item 5.2.5 deste relatório, no valor de R$97.800,00; e) integralmente, as despesas de com Honorários de Representação Pagamentos Diversos, consideradas não necessárias, descritas no item 5.2.7 deste relatório, no valor de R$122.455,33; f) parcialmente, o valor das despesas ativáveis, descritas no item 5.3 deste relatório, limitada ao montante de R$219.941,58; Em face do reconhecimento do direito crediário da fazenda, a interessada procedeu à retificação de sua declaração de imposto de renda do exercício de 2003, que reduziu Fl. 6227DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 58 7 o prejuízo que montava a R$1.210.967,48 na declaração original, o qual é superior ao valor das glosas ora aceitas e adicionadas ao lucro liquido para fins de cálculo do lucro real, devendo o crédito Tributário ser abatido do valor do imposto correspondente às glosas reconhecidas e os respectivos acréscimos, multas e juros de mora; Igualmente reconhece corno correto o lançamento do IRRF, tanto que efetuou o seu pagamento, conforme comprova a cópia do DAM, no valor total de R$163.926,44 (incluído multa e juros de mora), anexado às fls. 62, do anexo 1, deste processo; Quanto aos demais lançamentos, a interessada apresentou, em 24/03/2006, a impugnação de fls. 299/321, instruída com os documentos de lis. 3221361 e anexos numerados de 01 a 05. Em referência à infração descrita no item 5.2.1, a defendente entende que as despesas financeiras são dedutiveis e foram corretamente apropriadas na apuração do lucro real, pois não houve repasse de recursos tomados de instituições financeiras em 2002 (BNDES e banco estrangeiro WestLE, agência Nova Iorque) ou em qualquer outro ano para suas empresas ligadas. A linha 32 da ficha 06A registra as variações cambiais passivas das obrigações da interessada, como as decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviços de agenciamento do Copacabana Palace Hotel, no exterior, entre outros. Ressalta que a importância anotada na linha 32 da ficha 06A está incorreta devendo esta ser de R$ 6.887.010,48, pois deve ser adicionada à mesma a importância de R$ 1.104.000,00 que é variação monetária ativa (sic) do empréstimo WestLB c que, por equivoco, foi incluído entre as variações cambiais passivas na declaração de imposto de renda da interessada. Por outro lado, a linha 36 da ficha 6A registra as despesas financeiras, além daquelas decorrentes dos financiamentos tomados junto a instituições financeiras e as variações cambiais passivas decorrentes destes financiamentos, e é composta pelas seguintes despesas operacionais; Conta Contábil Descrição Valor (RS) 4.88.48.10 Taxas Bancárias 92.368,75 4.88.48.14 Juros WestLB 47.556,42 4.88.48.44 Outros Juros 22.427,16 4.88.48.45 Juros BNDES 786.607,14 4.88.48.45 Variação Monetária BNDES 3.686.609,41 Linha 36 Outras Despesas Financeiras 4.635.568,88 Não podem ser consideradas despesas financeiras com financiamentos ou empréstimos tomados, as taxas bancárias decorrentes da movimentação das contas bancárias, Fl. 6228DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 59 8 no valor de R$92.368,75, bem como os juros incorridos em eventuais atrasos no pagamento de fornecedores de bens e serviços à interessada, no valor de R$22.427,16. Considerando o equivoco já mencionado quando do lançamento da variação cambial positiva de R$1.104.000,00, esclarece que as despesas financeiras decorrentes de financiamentos tomados pela interessada montam a R$3.416.772,97, como detalhado abaixo: Conta Contábil Descrição Valor (RE) 4.88.48.14 Juros WesILB 47.556,42 4.88.48.45 Juros BNDES 786.607,14 4.88.4845 Variação Monelária BNDES 3.686.609,41 Total Parcial 4.520.772,97 3.28.70.21 Variação Mon. Ativa West 1.104.000,00 Total 3.416.772,97 O financiamento do BNDES era para fim específico, custear parte das reformas do Copacabana Palace, não podendo ser empregado em outra finalidade, como repasse a empresas ligadas, sendo que a sistemática do desembolso consistia no recebimento de parcelas do crédito após comprovação da realização de cada etapa da obra. Em 2002, não houve qualquer desembolso do BNDES, mas sim pagamento de encargos e amortização do principal, tendo este financiamento sido liquidado em dezembro de 2002, com os recursos recebidos do empréstimo WestLB contraídos nesta mesma data, no valor de US$ 5.000.000,00. Com fulcro nos artigos 299 e 374 do RIR/99, as despesas financeiras, acima mencionadas atendem os requisitos de necessidade e normalidade, sendo, portanto, dedutíveis. Quanto à premissa do autuante de que a interessada manteria empréstimos com empresas ligadas, sem a cobrança de encargos é falsa, além de ser equivocada, pois os contratos de mútuos que foram colocados à sua disposiçãopreviam encargos financeiros sob condição suspensiva. A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes considera não necessárias despesas financeiras quando a empresa repassadora não é ressarcida integralmente dos custos dos empréstimos transferidos, ou seja, esta glosa é considerada procedente quando se constata que empresas de um grupo econômico com crédito captavam recursos no mercado financeiro para repassálos a empresas do mesmo grupo sem crédito, caracterizandose como empresas meramente intermediárias de recursos. No caso do financiamento do BNDES, resta evidente que os encargos financeiros são despesas necessárias, pois incorridos para realizar a atividade da interessada que é a de exploração de atividade hoteleira, não sendo dinheiro destinado a repasse, pois a finalidade era financiar determinado projeto e não reforçar capital de giro. Fl. 6229DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 60 9 O empréstimo do WestLB também não poderia ter sido repassado a empresas ligadas, pois foi contraido após os mútuos as empresas ligadas terem sido efetuados. De se ressaltar que o último empréstimo, feito às empresas ligadas citadas no auto de infração, ocorreu em 05/07/2000, tendo como beneficiária Brasiluvas Agrícola Lida, entretanto os recursos do empréstimo do WestLB foram recebidos em dezembro 2002. Não tendo havido repasse de recursos recebidos do BNDES nem do WestLB, não é procedente a glosa das despesas financeiras decorrentes dos financiamentos concedidos por estas duas instituições financeiras. Em referência à infração descrita no item 5.2.2, esta também é incorreta, pois se trata de glosa de despesas com o contrato de Administração Hoteleira, no valor tributável de R$4.960.153,28, celebrado entre a interessada, corno proprietária do conjunto imobiliário do Copacabana Palace Hotel e a Participações São Matheus SÃ., como operadora, e a Orient Express Hotéis Ltda. como interveniente, conforme contrato juntado às fls. 166/243 e 49/125 do Mexo III e aditivo acostado às fls. 127/194 do Anexo III. O Contrato de Administração Hoteleira é um contrato típico da indústria hoteleira para a exploração de um estabelecimento hoteleiro, sendo uma evolução do sistema de locação que envolve o proprietário na exploração do hotel, mas que deixa ao encargo da administradora hoteleira toda a operação do hotel; As redes hoteleiras, a partir dos contratos de administração, conseguem alinhar a remuneração e os seus demais interesses aos resultados do hotel, com a vantagem de não dar direito à renovação judicial do contrato, como ocorre com os contratos de locação, e, normalmente, bem como não dá a administradora qualquer direito de preempção em caso de alienação do imóvel. Nestes contratos de administração hoteleira, a administradora não está assessorando o dono na administração do hotel, ou seja, a Participações São Mateus S/A está administrando o hotel para a interessada, segundo os padrões de serviços adotados pela Orient Express, uma cadeia de hotéis que somente opera hotéis na categoria super luxo, superior a categoria 5 estrelas da Embratur. Alega que o autuante não entendeu a natureza jurídica do Contrato de Administração, tendo considerado que o mesmo envolveria pagamento de assistência técnica, científica e administrativa sem observância dos requisitos para a dedutibilidade de tais despesas previstas nos artigos 352 e 354 do R1R/99. Também, deve ter imaginado que o Contrato de Administração Hoteleira seria uma forma indireta de remuneração da Orient Express, pelo que os pagamentos decorrentes do contrato tipificariam infração aos arts. 303 e 463 do R1R199, tendo em vista que a Participações São Matheus S/A e a interessada são controladas pela Orient Express. O Contrato de Administração Hoteleira não é uma forma de pagamento de gratificação ou participação nos lucros em beneficio da Participações São Matheus SÃ. e muito menos da Orient Express, sendo que esta última não percebe nenhuma remuneração em função do Contrato de Administração Hoteleira. Fl. 6230DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 61 10 Os serviços objeto deste contato são prestados pela Participações São Matheus S.A., que é a única beneficiária dos pagamentos dele decorrentes e é efetuado pelos seu corpo gerencial, conforme discriminado às fls. 03/08 Anexo 4 e comprovado por cópias das Atas de Reuniões anexadas às fls.11/34 — Anexo 4. Estes serviços são pagos contra a emissão de notas fiscais, com o recolhimento de todos os tributos incidentes na fonte, conforme documentado às lis. 03/29, sendo equivocada a afirmação do Sr. Auditor Fiscal que ao haveria pagamento, pois crédito em conta é forma de pagamento. De acordo com o Contrato de Administração Hoteleira, a remuneração paga a Participações São Matheus S.A. é variável em função das receitas auferidas pela interessada na operação do Copacabana Palace Hotel, ou seja, a ela é paga uma taxa básica de 5 % sobre a receita operacional bruta das operações hoteleiras mais uma taxa de incentivo de 10% sobre o excesso das receitas operacionais sobre as despesas operacionais, premiando a eficiência na gerência do Hotel. Esta remuneração não é um pagamento discricionário, como é uma gratificação, mas corresponde ao preço de uma efetiva prestação de serviços devida durante toda a vigência do Contrato de Administração Hoteleira e é compatível com os preços de mercado, inclusive os praticados fora do Brasil, não se beneficiando a São Matheus de nenhuma remuneração extraordinária, não configurando, portanto, pagamento em função de participação de lucros. Por estes motivos, requer a improcedência da glosa efetuada pelo fisco em relação a estas despesas. Quanto à infração citada no item 5.2.6, a qual trata das glosas de duas despesas de Representação, deve ser considerada insubsistente, sendo que a primeira, no valor de R$28.661,91 é decorrente de um jantar de relações públicas oferecido pela administração da interessada em homenagem ao Sr. James Sherwood, presidente do Conselho de Administração da Orient Express, para o qual foram convidados e compareceram autoridades federais, estaduais e municipais, representantes de associações de classe ligada ao turismo e a hotelaria e os principais clientes do Copacabana Palace Hotel, além de personalidades do mundo de negócios e sociais, ou seja, tratase de despesa de representação necessária às atividades da interessada que precisa divulgar seu nome e imagem, que estilo associadas ao Sr. James Sherwood, como também a 4111, diversos outros representantes da Orient Express no exterior e no próprio Brasil; A segunda despesa glosada, no valor de R$15.321,43, é decorrente de um reembolso de passagem aérea da Sra. Cláudia Fialho, sócia da sociedade de prestação de serviços Cláudia Fialho Assessoria de Comunicação Social Ltda., sociedade contratada para prestar serviços de relações públicas para o Copacabana Palace Hotel, conforme contrato de fis. 108/115 e pedido de reembolso, disposto às fiz. 117/120, ambos contidos no Anexo 5, sendo tal despesa necessária em face de uma reunião de relações públicas de hotéis da cadeia Orient Express Hotéis, em Londres. Por fim, na discussão sobre a última infração, exposta no item 5.3, parte foi reconhecida como procedente conforme disposto no item 6, letra "f' deste relatório, sendo que os demais, discriminados às fls. 317/319, por caracterizarem gastos com bens do ativo imobilizado de pequeno valor, com valor unitário igual ou inferior a R$ 326,61 e terem Fl. 6231DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 62 11 utilidade individual, devem ser reconhecidos como despesas operacionais, a teor do art. 301 c §§ do RIR/99, interpretados pelos Pareceres n°100/78 e 20/80. Em vista aos argumentos apresentados pelo contribuinte, sobreveio a decisão de primeiro grau, acostada às fls. 423/453, pela qual a DRJ – Rio de Janeiro julgou procedente em parte os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL e procedente aquele atinente ao IRF, restando assim ementado o julgamento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DELIMITAÇÃO DA LIDE Se o contribuinte concorda com parcela da autuação ou deixa de impugnála, a matéria correspondente situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador. Operase, por conseguinte, a constituição definitiva da respectiva parcela do crédito tributário na esfera administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. APÓS ENCERRAMENTO AÇÃO FISCAL. RECONHECIMENTO PARCIAL DA AUTUAÇÃO. A retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica independe de autorização, mesmo, após o encerramento da ação Fiscal, não se eximindo, entretanto, o declarante dos lançamentos de tributos e multas de oficio cabíveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. DEDUTTBILIDADE. Aquele que suporta encargos financeiros, em face da contrafação de mútuo, não pode considerar como despesa necessária e dedutível do imposto de renda, os dispêndios de afiação monetária passiva relativa à parcela cedida graciosamente a pessoas ligadas, a titulo de empréstimo. DESPESAS DE ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA DESNECESSÁRIAS. DEDUT1BILIDADE. A dedutibilidade de encargos contabilizados pela pessoa jurídica deve ser aferida em razão da necessidade de cada gasto para consecução de seus objetivos empresariais. Verificada a desnecessidade configurase a sua indedutibilidade para fins de imposto de renda. Fl. 6232DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 63 12 DESPESAS DIVERSAS DESNECESSÁRIAS. DEDUT1BILIDADE, Constatado que as despesas de representação e reembolso de passagens, objeto da autuação, são de responsabilidade da controladora da impugnante; estas se configuram desnecessárias aos objetivos sociais desta última, não sendo permitido, portanto, sua dedução para fins de imposto de renda. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTOS E DESPESAS. Aqueles bens, adquiridos em quantidade, que possuem implicitamente vida útil superior a um ano e têm utilidade funcional na forma de um conjunto de bens, postos em operação concomitante para exploração da atividade, devem ser considerados pela sua totalidade e por conseqüência, ser ativáveis para posterior amortização no prazo da vida útil. 110 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO REFLEXO DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPI, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. Lançamento Procedente em Parte A Interessada, tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário, reafirmando as alegações aduzidas em sua peça inicial de defesa, que podem assim ser sintetizadas: (i) as glosas de despesas reconhecidas pela Recorrente não geraram receita tributável, tendo incorrido o acórdão em equivoco ao analisar as DIP512003 retificadores apresentadas pela Recorrente; (ii) o valor correto das despesas financeiras oriundas dos empréstimos tomados junto ao BNDES e WestLB incorridas no ano de 2002 foi de R$ 3.416.772,97 (três milhões, quatrocentos e dezesseis mil, setecentos e setenta e dois reais e noventa e sete centavos); (iii) Os valores emprestados pelo BNDES e pelo WestLB não foram repassados para empresas ligadas à Recorrente; (iv) Os mútuos efetuados às empresas ligadas eram onerosos e os valores de seus encargos financeiros (taxa SELIC) superavam os encargos financeiros dos empréstimos BNDES e WestLB; (v) as despesas decorrentes de contratação de serviços de administração hoteleira são necessária e usuais; Fl. 6233DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 64 13 (iv) são dedutiveis as despesas com relações públicas da RECORRENTE que promovem o nome do Copacabana Palace Hotel (v) são dedutíveis as despesas com viagem de relações públicas para participar de evento promovido pela cadeia de hotéis OrientExpress Hotels Ltd., do qual o Copacabana Palace Hotel faz parte; e (v) são dedutíveis os bens do ativo permanente da RECORRENTE que tenham valor unitário não superior a R$326,61, sendo certo que o acórdão recorrido incorreu em erro material ao computar a glosa de despesas. O processo foi pautado para julgamento em 22 de fevereiro de 2011, e convertido em diligência, mediante a Resolução nº 1202000.076 deste colegiado, baixou à autoridade administrativa para os seguintes exames: Conferir a veracidade dos documentos juntados com a interposição do recurso voluntário da Recorrente, quais sejam, cópias do razão analítico, e emissão de planilhas sobre os lançamento contábeis, fls. 509 a 597, assim como o seu Plano de Contas, fls. 600 até 626, a fim de apurar se a conta “Variações Cambiais Passivas” contemplam diversas outras operações de importações, adiantamentos e contratos cambiais, que correspondam aos valores lançados na linha 32 da ficha 6A da DIPJ/2003, ou seja, cotejando o razão analítico das contas referidas na linha citada da DIPJ/2003 (“Variações Cambiais Passivas”) com o plano de contas da Recorrente para constatar, ou não, se o valor de R$ 5.783.010,48, escriturado na conta 4.88.48.25 não inclui as variações cambiais passivas dos empréstimos junto ao BNDES e WestLB, que foram lançadas sob outra rubrica, qual seja, “Outras Despesas Financeiras”; Detalhar a aludida conta “variações cambiais passivas”, para análise específica de sua composição e suas rubricas, conferindo a idoneidade e veracidade dos documentos que suportam os lançamentos na referida conta, no período fiscalizado; Verificar se a redução da variação cambial positiva do montante das despesas financeiras de financiamento, lançadas na linha 36 da ficha 6A da DIPJ/2003, no montante de R$ 1.140.000,00., ficando certo que a linha em referência (“Variações Cambiais Passivas”) não inclui qualquer despesa financeira decorrente de empréstimos junto à instituições financeiras, a qual fica alterada para o montante de R$ 3.416.772,97. Emitir parecer conclusivo sobre todas as verificações, e, caso se aplique, proceder os ajustes contábeis e financeiros na composição da conta em referência, recalculando, por consequência, o valor da base de cálculo da glosa do item autuado em diligência. Com o parecer, ciência à Recorrente, para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, após o que, retorne os autos a esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª SJ do CARF, para o competente julgamento. Fl. 6234DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 65 14 Assim o processo retorna à pauta de julgamento com o resultado da diligência e a manifestação respectiva da Recorrente. Para elucidar a matéria, objeto da resolução citada, reproduzse, na íntegra, o parecer final conclusivo da autoridade diligenciante, fls. 900/903, a saber: No exercício das funções de AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL e em cumprimento ao que determina o MPF n. 07108002011039545, emitido em 15/08/2011, procedi aos trabalhos de Diligência Fiscal no Contribuinte em epígrafe, para atendimento ao solicitado pela Resolução n°. 1202000.076 da 2a . Câmara/ 2a . Turma Ordinária da Primeira. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constante de fls. 886/892 do Processo 18471.001831/200531, ficando constatado o exposto a seguir: O Contribuinte foi intimado através do" Termo de Diligencia Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 28/11/2011, cuja ciência se deu via postal, por Aviso de Recebimento (AR), para apresentação dos Livros Diário e Razão e documentos pertinentes, deixando de fazêlo até a presente data. De acordo com o presente Processo que tem origem no Auto de Infração lavrado em 22/02/2006, consubstanciando dentre outras exigências o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, acrescido da correspondente multa de ofício de 75% e dos juros de mora, correspondente a fatos ocorridos no ano calendário de 2002. A fiscalização efetuou o lançamento de ofício do ERPJ, representada dentre outras pela Glosa de Despesas Financeiras composta de "Outras Despesas Financeiras e de Variações Cambias Passivas", conforme DIPJ/2003 Ficha 06A, linhas 32 e 36 no montante de R$ 10.418.579,36, que representavam os custos de financiamento declarados em 2002 dos empréstimos contraídos junto ao BNDES e ao Banco estrangeiro WestLE, agência Nova Iorque. Conforme verificado no Termo de Constatação de Infração (fls. 266276) este empréstimo foi contraído para repassar recursos para empresas ligadas, através de financiamento de contratos mútuos não onerosos e por prazo indeterminado, com suas empresas ligadas, Sea Containers Brasil Ltda e Brasiluvas Agrícola Ltda. Embora o contribuinte afirme que os recursos provenientes dos empréstimos não foram destinados as empresas ligadas, basta analisar as demonstrações financeiras e contábeis e veremos que o fiscalizado não possuía recursos próprios para lastrear os recursos destinados aos contratos de mútuo. Portanto, não tendo estes mútuos gerados qualquer receita financeira, esses caracterizaram pagamentos por mera liberalidade que não entram no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa. Depois de passado o período do procedimento fiscal e o julgamento de 1ª instância o contribuinte apresenta novos fatos Fl. 6235DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 66 15 em relação aos valores declarados e glosados na presente autuação, somente agora alega que na linha 32 da ficha 06A estão declaradas as variações cambiais passivas das obrigações da fiscalizada, decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviços de agenciamento do Copacabana Palace Hotel, no exterior. Afirma ainda, que a importância declarada na linha 32 da ficha 06A da DIPJ/2003 está incorreta devendo esta ser de R$ 6.887.010,48, pois deve ser adicionada à mesma a importância de R$ 1.104.000,00, que seria variação cambial ativa do empréstimo contraído junto ao banco WestLB, referente a variação cambial do mês de dezembro de 2002, que por equívoco foi incluído entre as variações cambiais passivas na declaração de Imposto de Renda da fiscalizada. Adicionalmente, menciona que por outro lado, a linha 36 da ficha 6A onde foi declarado as despesas financeiras decorrentes dos financiamentos tomados junto ao BNDES e Banco WestLB e as variações cambiais destes financiamentos deveria ser deduzido da variação cambial ativa na importância de R$ 1.104.000,00, devendo ser considerado no valor declarado na linha 36A de R$ 3.416.772,97 (R$ 4.520.772,97 R$ 1.104.000,00). Na composição deste saldo não foram consideradas as taxas bancárias decorrentes da movimentação das contas bancárias, no valor de R$ 92.368,75, bem como os juros incorridos em eventuais atrasos no pagamento de fornecedores de bens e serviços à interessada, no valor de R$ 22.427,16, que afirma compor o montante declarado na linha 36A da DIPJ/2003. Do Pedido de Verificações do Ilustríssimo Relator (fis. 1611 e 1612): • Para conferir a veracidade dos documentos juntados com a interposição do recurso voluntário da recorrente, quais sejam, cópias do razão analítico e emissão de planilhas sobre os lançamentos contábeis; entendo que, seria necessário reabrir o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte e auditar toda a documentação somente agora apresentada, depois de passados todo o período de fiscalização e julgamento de I a instância, pois haveria a necessidade de reexame contábil dos fatos ocorridos em confronto com adocumentação, inclusive com circularização dos prestadores de serviços, para maior confiabilidade; o contribuinte, devidamente intimado, na data de 28/11/2011, não apresentou a documentação documentação solicitada, até a data de hoje, dia 22/12/2011, ou seja, os livros Diário, Razão e documentos pertinentes, na forma original, onde teríamos a certeza de que os elementos acostados na apresentação da defesa, referemse a comprovantes de lançamentos efetuados na época, ano calendário 2002. • Para apurar se a conta "Variações Cambiais Passivas" contempla operações de importações, adiantamento e contratos cambiais e não inclui as variações cambiais passivas dos Fl. 6236DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 67 16 empréstimos junto ao BNDES e WestLB, seria necessário examinar a documentação original dos principais lançamentos desta conta, porque inclusive os históricos dos lançamentos do razão apresentado não são claros e analisar somente pela contrapartida da conta creditada é insuficiente para concluir sobre o assunto; da mesma forma não foram apresentados os documentos, apesar da intimação efetuada. Cabe observar que, durante a fiscalização em auditoria na empresa e no exame do presente Processo, verificamos, por parte do contribuinte, a prática de uma contabilidade inconsistente e, para que seja possível emitir um parecer conclusivo sobre todas as verificações nas contas de "Variações Cambiais Passivas" e "Outras Despesas Financeiras" lançadas respectivamente nas linhas 32 e 36 da ficha 6A da DIPJ/2003 é necessário que seja feita uma nova auditoria nestas contas. Cabe, ressaltar que simplesmente analisar os razões e as planilhas apresentadas na impugnação pelo reclamante em relação a conta "Variação Cambial Passiva" não comprova em nada as suas afirmações, visto que o mesmo passou por todo um procedimento fiscal, quando foram auditadas essas contas e em momento algum apresentou estas justificativas que, somente agora, quando da apreciação deste Conselho, questiona os procedimentos adotados pela fiscalização. Dando por concluída a presente Diligencia Fiscal, fica o contribuinte cientificado do inteiro teor dos novos fatos ou provas que venham a ser trazidos aos autos, em decorrência da mesma, sendolhe concedido, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, adite novas considerações à sua impugnação inicial. Deverá o presente Processo ser encaminhado para a Dicat/DRF/RJ I para aguardar manifestação do contribuinte e posteriormente, conforme solicitado a fls. 892, o mesmo retornar a 2 a Turma Ordinária da 2 a . Câmara da Ia . SJ do CARF. E, para constar e surtir seus efeitos legais, lavrei o presente termo em 2 (duas) vias de igual forma e teor, assinado por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo representante do contribuinte abaixo qualificado, que neste ato recebe uma das vias juntamente com uma cópia da Resolução do CARF, constante de fis. 886/892. A consideração Superior. A Recorrente, regularmente intimada, manifestouse no seguinte teor, fls. 907/924: Termo de Conclusão de Diligência e Intimação 1. As alegações, os fundamentos e a conclusão do ilustre Auditor da Receita Federal do Brasil, Sr. Nelson Siciliano, consignadas no Termo de Conclusão de Diligência e Intimação, podem ser assim resumidas: Fl. 6237DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 68 17 (a) A contribuinte (CHP) foi intimada através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 28/11/2011, cuja ciência se deu por via postal, por Aviso de Recebimento (AR). (b) A Fiscalização efetuou o lançamento de ofício do IRPJ representada pela glosa, entre outras, de despesas financeiras " (...) composta de "Outras Despesas Financeiras e de Variações Cambiais Passivas", conforme DIPJ/2003 Ficha 06A, linhas 32 e 36, no montante de R$ 10.418.579,36, que representavam os custos de financiamento declarados em 2002 dos empréstimos contraídos junto ao BNDES e ao Banco estrangeiro WestLB, agência Nova Iorque". (c) Os referidos empréstimos tomados pela contribuinte (CHP) destinarseiam a repassar recursos a empresas ligadas pois, ao contrário do alegado, a contribuinte (CHP) não teria " (...) recursos próprios para lastrear os recursos destinados aos contratos de mútuo", como uma análise das demonstrações financeiras e contábeis teria revelado à Fiscalização. (d) A alegação de que a linha 32 da ficha 06A também conteria outras variações cambiais passivas, decorrentes de outras obrigações em moeda estrangeira do contribuinte (CHP) teria sido feita apenas no recurso voluntário " (...) depois de passado o período do procedimento fiscal e o julgamento de Ia instância,\ (e) Depois de resumir outras matérias do recurso voluntário da CHP (que em relação aos fatos são os mesmos deduzidos na impugnação ao auto de infração) e transcrever o Pedido de Verificações objeto da Resolução n°. 1202 000.0776, o ilustre autor do Termo de Conclusão de Diligência e Intimação declara o seguinte: “C a b e o b s e r v a r q u e , d u r a n t e a f i s c a l i z a ç ao e a u d i t o r i a na e m p r e s a e no e x a m e do p r e s e n te P r o c e s s o , v e r i f i c a m o s , p o r p a r t e do c o n t r i b u i n t e , a p r á t i c a de uma c o n t a b i l i d a d e i n c o n s i s t e n t e e,para que seja possível emitir um parecer conclusivo sobre todas as verificações nas contas de "Variações Cambiais Passivas" e "Outras Despesas Financeiras" lançadas respectivamente nas linhas 32 e 36 da ficha 6A da DIPJ/2003 é necessário seja feito uma nova auditoria nestas contas. Cabe, ressaltar que simplesmente analisar os razões e as planilhas apresentadas na impugnação pelo reclamante em relação a conta "Variação Cambial Passiva" não comprova em nada as suas afirmações, visto que o mesmo passou por todo um procedimento fiscal, quando foram auditadas essas contas e em momento algum apresentou estas justificativas que, somente agora, quando da apreciação deste Conselho, questiona os procedimentos adotados pela fiscalização." (f) Por último, a título de conclusão dos trabalhos de diligência efetuados, o ilustre autor do Termo de Conclusão de Diligência e Intimação arremata nos seguintes termos: Fl. 6238DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 69 18 " "Dando por concluída a diligência fiscal, fica o contribuinte cientificado do inteiro teor dos novos fatos ou provas que venham a ser trazidos aos autos, em decorrência da mesma, sendolhe concedido, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, adite novas considerações à sua impugnação inicial." 2. O Termo de Conclusão de Diligência e Intimação, infelizmente, não atendeu ao determinado pela Resolução n°. 1202000.0776, distorceu fatos incontroversos, fez acusações sem provas e, pior, pretende que a presente manifestação seja um aditamento à impugnação inicial em flagrante violação dos princípios e normas do processo administrativo tributário. 3. A presente manifestação não é um aditamento à impugnação inicial da CHP nem a seu recurso voluntário, mas uma análise e resposta ao equivocado Termo de Conclusão de Diligência e Fiscalização. Irregularidades no Processamento da Diligência Fiscal 4. Inicialmente, a CHP não pode deixar de registrar toda a dificuldade oposta ao processamento da diligência determinada pela Resolução n°. 1202000.0776, que acabou não se processando por recusa do Sr. Auditor Fiscal, como se passa a demonstrar. 5. Em primeiro lugar, ocorreu atraso de quase um ano para ter início qualquer providência para atender a determinação da Resolução n°. 1202000.077, o que levou a CHP a intimar a Fiscalização, colocandose à disposição para o início dos trabalhos através de petição datada e protocolada em 30/09/2011 (doe. n°. 2). Nesta petição, a CHP, consignou expressamente que: "2. Os autos do processo administrativo foram, portanto, remetidos à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro e estão na Divisão de Fiscalização DRFRJ1 (DIFIS II EQ 13) D E S D E I1 DE A B R I L DE 2 0 1 1 . 3. A Recorrente (i) possui os documentos necessários à realização da diligência determinada (ii) está apta a colocalos à disposição da fiscalização se e quando necessário e (iii) tem interesse na célere resolução do presente processo administrativo que, certamente, culminará o cancelamento do Auto de Infração lavrado. 4. Desse modo, e considerando o lapso de tempo transcorrido desde a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência, vem requerer a V. Sa. que se digne de lhe conferir vista dos autos para que tome ciência da diligência determinada pela 2ª Turma Ordinária da 2 a Câmara da Ia Seção de Julgamento do CARF e coloque à disposição da Fiscalização os documentos necessários a seu cumprimento." 6. Em segundo, a Fiscalização se recusou a fazer a diligência determinada na Resolução n°. 1202000.0776 na sede da CHP, Fl. 6239DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 70 19 onde os livros e toda a documentação de suporte estavam à sua disposição, como também se recusou a receber dos da CHP todos os livros e documentos para que tirasse cópia dos que achasse necessários. 6.1 De fato, em 19/12/2011, a CHP protocolou diretamente com o ilustre Auditor da Receita Federal do Brasil, Sr. Nelson Siciliano, a inclusa petição (doe. n° 3), onde expôs e requereu o seguinte: 2. Por se tratar de documentação volumosa, a CHP vem informar a V.Sa. que os documentos solicitados encontramse em sua sede, à disposição da fiscalização, e poderão ser consultados durante o horário comercial. Para tanto, a CHP solicita seja feito contato com a Sra. Vanilsa Amorim (telefone: 25458720). 3. Caso, todavia, V. Sa. entenda que a documentação deva ser toda entregue no endereço da equipe de fiscalização, a CHP ver requerer a V. Sa. A dilação do prazo para apresentação dos documentos por mais 10 (dez) dias, a fim que possa tomar as providências necessárias para sua entrega. 6.2 Este requerimento foi rejeitado liminarmente nos seguintes termos (promoção manuscrita no doe. n°. 3): "Documentos não apresentados no prazo determinado. Dilação não concedida" (grifos aditados). 6.3. Sucede que o prazo para atender o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, de 10 dias, não estava esgotado em 19/12/2011. Como a intimação para receber o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos foi feita por correio, com AR, e esta intimação somente ocorreu em 12/12/2011 (conforme comprova AR em anexo, doe. n°. 4), a recusa de atender ao solicitado na petição do dia 19/12/2011 foi claramente inválida. 6.4. Avisado desta irregularidade, o ilustre Auditor da Receita Federal do Brasil, Sr. Nelson Siciliano, ficou de marcar data para receber cópia dos livros e da documentação de suporte da diligência determinada na Resolução n°. 1202000.0776. 6.5 No dia 22/12/2011, ligou para o representante da CHP e informou que não precisaria receber naquele momento os livros e a documentação de suporte da diligência determinada na Resolução n°. 1202000.0776, pois j á havia concluído o Termo de Conclusão de Diligência e Intimação. Assim, no dia 22/12/2011, ao invés de entregar à Fiscalização cópia dos livros e documentação necessários à diligência, a CHP recebeu o Termo de Conclusão de Diligência e Intimação. Alegação Temerária Erro Crasso no Levantamento das Despesas Financeiras Apontado desde Sempre Fl. 6240DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 71 20 7. Aparentemente tentando justificar a falha da Fiscalização na auditoria que levou à lavratura do auto de infração originador do presente processo administrativo, o Termo de Conclusão de Diligência e Intimação sustenta, sem razão, que somente '"''depois de passado o período do procedimento fiscal e o julgamento de primeira instância o contribuinte apresenta novos fatos em relação aos valores declarados e glosados na presentes atuação, somente, alega que na linha 32 da ficha 06A estão declaradas as variações cambiais das obrigações da fiscalizada, decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviço de agenciamento do Copacabana Palace Hotel, no exterior." 8. Tal declaração causa perplexidade. 9. Não é possível conceber que o Sr. Auditor Fiscal desconheça o manual do DIPJ, que em relação ao exercício de 2003, ano calendário de 2002, instruía que a linha 32 da ficha 06A deveria ser preenchida com os seguintes dados: "Linha 06A/32 — Variações Cambiais Passivas Indicar, nesta linha, as perdas monetárias passivas resultantes da atualização dos direitos de créditos e das obrigações calculadas com base nas variações nas taxas de câmbio (Lei n2 9.069, de 1995, art. 52, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 8—). Incluir, nesta linha, a variação cambial passiva correspondente: a) à atualização das obrigações e dos créditos em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e apurada no encerramento do período de apuração em função da taxa de câmbio vigente; b) às operações com moeda estrangeira e conversão de obrigações para moeda nacional, ou novação dessas obrigações, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil. Atenção: 1) As variações cambiais passivas decorrentes dos direitos de crédito e de obrigações, em função da taxa de câmbio, são consideradas como despesa financeira, inclusive para fins de cálculo do lucro da exploração (Lei n2 9.718, art. 92 c/c art. 17). 2) Nas atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, as variações cambiais ativas são reconhecidas como receita segundo as normas constantes da IN SRF n— 84, de 20 de dezembro de 1979; da IN SRF n2 23, de 25 de março de 1983; e da IN SRF n2 67, de 21 de abril de 1988 (IN SRF n9 25, de 25 de fevereiro de 1999). Fl. 6241DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 72 21 3) A amortização dos ajustes de variação cambial contabilizada no ativo diferido, deve ser informada nas Linhas 05A/20 e 05A/44, conforme o caso (Lei n2 9.816, de 1999, art. 2± e Lei n 2 10.305, de 2001)." 10. Como deve ter desempenhado as suas funções com diligência, é inconcebível que o Sr. Auditor Fiscal não tenha percebido, no seu trabalho de auditoria dos livros da CHP, que esta linha não registrasse variações cambiais de outras obrigações em moeda estrangeira da CHP. 11. Por outro lado, o Sr. Auditor Fiscal parece ter esquecido que no curso dos trabalhos de fiscalização desenvolvidos na sede da CHP, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2005 e recebido em 30/08/2005 (doe. n°. 5) intimou a CHP "Apresentar Demonstrativos, comprovando, com documentação hábil e idônea, as seguintes contas, cujos valores constam de sua declaração de rendimentos do IRPJ, para utilizados como dedução do Lucro Liquido, referente ao ano calendário de 2.002: 1. Variações Cambiais Passivas R$ 5.783.010,48 2. Outras Despesas Financeiras R$ 4.635.568,88" 12. Por força desta intimação, a CHP apresentou, comprovou e explicou ao Sr. Auditor Fiscal toda a documentação e demonstrativos relativos às variações cambiais passivas e as outras despesas financeiras registradas nos seus livros e reportadas na DIPJ 2002/2003. 13. É óbvio ululante que a CHP abordou esta matéria na sua impugnação, destacando que a linha 32 da ficha 6A da sua DIPJ registrava dados de variações cambiais passivas decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, inclusive dedicando um tópico próprio à matéria, que passa a transcrever para dirimir quaisquer dúvidas a respeito da coerência e lealdade de sua conduta: " (a) O valor correto das despesas financeiras. 12. Inexplicavelmente, o Sr. Auditor Fiscal não procurou identificar a composição das Variações Cambiais Passivas (linha 32 da ficha 06A), nem Outras Despesas Financeiras (linha 36 da ficha 6A). Se o tivesse feito, como era seu dever, verificaria que o montante das despesas financeiras, inclusive variações monetárias passivas, incorridas em 2002, foi de R$ 3.416.772, 97 e não o total informado nas linha 32 e 36 a ficha 06A da declaração de imposto de renda (doe. n°. 3). 13. A linha 32 da ficha 06A registra as variações cambiais passivas das obrigações da Impugnante, com exceção das variações cambiais passivas decorrentes de financiamentos. Estas últimas estão todas registradas na linha 36 da ficha 6A (Outras Despesas Financeiras), que por seu turno, registra Fl. 6242DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 73 22 outras despesas financeiras, além daquelas decorrentes dos financiamentos tomados junto a instituições financeiras. 13.10 montante informado na linha 32 da ficha 06A é composto pelas variações cambiais das obrigações em moeda estrangeira, como as decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviços de agenciamento do Copacabana Palace Hotel no exterior, entre outros. 13.2 Cabe ressaltar, contudo, que a importância anotada na linha 32 da ficha 06A é incorreta, devendo ser de R$ 6 . 8 8 7 . 0 1 0 , 4 8 , pois deve ser adicionado a mesma a importância de R$ 1.104.000,00 que é variação monetária ativa do empréstimo WestLB e que, por equívoco, foi incluído entre as Variações Cambiais Passivas na declaração de imposto de renda da Impugnante, como abaixo restará explicado . 14. A quantia registrada na linha 36 da ficha 6A (Outras Despesas Financeiras), por seu turno, é composta pelas seguintes despesas operacionais, que na tabela abaixo, estão referidas às contas do balancete de dezembro de 2002 da Impugnante (doe. n° 4), tendo sido grifadas as contas relativas às despesas financeiras incorridas nos financiamentos tomados junto à instituições financeiras: linha 36 Outras Despesas Financeiras 4.635.568,88 Conta Descrição Valor em R$ Contábil 4.88.48.10 Taxas 92.368,75 Bancárias 4.88.48.14 Juros WestLB 47.556,42 4.88.48.44 Outros Juros 22.427,16 4.88.48.45 Juros BNDES 786.607,14 4.88.48.55 Variação Monetária 3.686.609,41 BNDES 15. É evidente que as taxas bancárias, que englobam custos incorridos na movimentação das contas bancárias da Impugnante (talão de cheque, ordens de transferências e outros similares), não são despesas relativas a despesas financeiras com financiamentos ou empréstimos tomados e, portanto, devem ser excluídas das despesas financeiras a esse título. 16. Também devem ser excluídos do montante de despesas financeiras com empréstimos e financiamentos, os juros incorridos e/ou pagos pela Impugnante e registrados na conta contábil n°. 4.88 . 48 . 44, no valor de R$ 22.427, 16, que são Fl. 6243DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 74 23 juros incorridos em eventuais atrasos no pagamento de fornecedores de bens e serviços à Impugnante. 17. As despesas financeiras dos financiamentos do BNDES e WESTLB estão demonstradas nas folhas de Razão Analítico dos registros feitos destas operações nos livros da Impugnante (doc.n° 5 e 6, respectivamente[da impugnação]), onde se demonstra inclusive a variação cambial positiva de R$ 1.104.000,00 que foi equivo cadamente lançada na linha 32 da ficha 06 da declaração de imposto de renda da Impugnante. 1 8 . Assim,o valor correto das despesas financeiras decorrentes de financiamentos tomados pela Impugnante montam a R$ 3.416.772,97, como detalhado abaixo : Conta Contábil Descrição Valor (RE) 4.88.48.14 Juros WesILB 47.556,42 4.88.48.45 Juros BNDES 786.607,14 4.88.4845 Variação Monelária BNDES 3.686.609,41 Total Parcial 4.520.772,97 3.28.70.21 Variação Mon. Ativa West 1.104.000,00 Total 3.416.772,97 14. Vale ainda lembrar que a CHP, como explicado e comprovado no seu Recurso Voluntário, retificou a DIPJ 2003 para ficar consignado expressamente o valor correto da linha 32 da ficha 06A ("Variações Cambiais Passivas"), que passou a ser de R$ 6.887.010,48 (5.783.010,48 + 1.140.000,00), enquanto o valor anotado na linha 36 ("Outras Despesas Financeiras), em função desta correção, passou a ser o correto de R$ 3.531.568,88 (4.635.568,881.140.000,00). Declaração Contraditória Recursos Próprios e Ausência de Repasse 15. O Sr. Auditor Fiscal insiste na ladainha que os recursos decorrentes dos empréstimos tomados pela CHP junto ao BNDES e ao Banco WestLb foram contraídos para repassar recursos a empresa ligada, o que qualquer avaliação isenta e diligente comprovaria que não é verdade. 16. No Termo de Constatação de Infração, o Sr. Auditor Fiscal consignou expressamente, às fls. , o seguinte: " Fica assim caracterizada a despesa financeira desnecessária a atividade da empresa, uma vez que, a empresa possuindo os recursos suficientes e repassandoos as suas empresas ligadas, sem qualquer ônus, não necessitaria de recorrer a empréstimos ou parcelamentos, ocasionando um repasse desses Fl. 6244DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 75 24 financiamentos para suas interligadas e arcando com os encargos decorrentes." (grifouse) 17. Em outras palavras, o Sr. Auditor Fiscal, por ocasião da auditoria que lhe levou a lavrar o equivocado auto de infração, asseverou que a CHP tinha recursos suficientes para conceder os empréstimos efetuados a empresa interligadas, não precisando captar recursos para efetuar repasses. 18. Agora, em cabal contradição ao declarado no Termo de Constatação de Infração, o Sr. Auditor Fiscal afirma ligeiramente que " (...) o fiscalizado não possuía recursos próprios para lastrear os recursos destinados aos contratos de mútuo". 19. Qual declaração do Sr. Auditor Fiscal merece mais crédito? A feita por ocasião do Termo de Fiscalização, no término da auditoria, ou a emitida agora, vários anos depois, sem consulta aos documentos e livros da CHP e premida pela intenção de não realizar a auditoria determinada pela Resolução n°. 1202 000.076? 20. Na verdade, o Sr. Auditor Fiscal sabe que a CHP não repassou os recursos tomados junto ao Banco WestLB e ao BNDES. 21. Em relação ao Banco WestLB, é impossível ter ocorrido repasse pois este empréstimo foi contraído anos depois de a CHP ter realizado os mútuos às empresas interligadas. O último empréstimo a empresa ligada ocorreu em 5/7/2000 (mútuo para a Brasiluvas Agrícola Ltda.) e o empréstimo do WestLB foi contratado apenas em setembro de 2002, com o desembolso dos recursos ocorrendo em dezembro de 2002, como amplamente documentado neste processo. 22. No tocante ao BNDES, a própria sistemática do empréstimo impede o seu repasse, como j á exaustivamente explicado na impugnação e no recurso voluntário. O financiamento do BNDES destinavase a financiar 50% das obras de reforma do Copacabana Palace Hotel e funcionava no sistema de reembolso dos custos efetivamente incorridos e pagos pela CHP. O dinheiro do BNDES só era desembolsado na medida em que cada etapa do projeto de reforma do hotel aprovada pelo BNDES fosse completada, com a comprovação de que as obras referentes a cada etapa tinham sido efetivamente pagas. 23. Assim, os recursos do BNDES não podiam ser repassados, pois se destinavam exclusivamente a reembolsar metade dos custos j á incorridos e efetivamente liquidados pela CHP. 24. Todos os empréstimos feitos a empresas ligadas foram efetuados com recursos próprios da CHP. A Diligência Não Efetuada Fl. 6245DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 76 25 Inconsistência do Termo de Conclusão de Diligência e Intimação 25. A derradeira alegação do Sr. Auditor Fiscal para não realizar a diligência ordenada pela Resolução n°. 1202000.076 seria a "(...)a prática de uma contabilidade inconsistente e, para que seja possível emitir um parecer conclusivo sobre todas as verificações nas contas de "Variações Cambiais Passivas" e "Outras Despesas Financeiras" lançadas respectivamente nas linhas 32 e 36 da ficha 6A da DIPJ/2003 é necessário seja feito uma nova auditoria nestas contas.'' 26. Ora, se a contabilidade da CHP fosse inconsistente, caberia ao Sr. Auditor Fiscal têla desclassificado e ter lançado o imposto com base em lucro arbitrado, como determina, entre outros, o artigo 529 e seguintes do RIR/99. Como não o fez, tratase de mais uma alegação sem base nos fatos e na lei, arguida no Termo de Conclusão de Diligência e Intimação para fugir ao seu dever de cumprir o determinado pela Resolução n°. 1202000.076. 27. Por outro lado, é simplesmente inexata a afirmação de que a CHP teria se recusado a apresentar a documentação solicitada apesar de intimada, como já demonstrado acima nos itens constantes do tópico "Irregularidades no Processamento da Diligência Fiscal". Documentação Para a Realização da Diligência 28. Como não lhe foi dada a oportunidade de atender a diligência prevista pela Resolução n°. 1202000.076, a CHP requer a juntada da documentação abaixo elencada, que representa cópia da documentação colocada à disposição do Sr. Auditor Fiscal: DOC. n° 6 DIÁRIO DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 2002 Diário n° 187 Janeiro de 2002 Doe. n°. 6.1 Diárion0 188 Fevereiro de 2002 Doe. n°. 6.2 Diário n° 189 Março de 2002 Doe. n°. 6.3 Diário n° 190 A b r i l de 2002 Doe. n°.6.4 Diário n° 191 M a i o de 2002 Doe. n°. 6.5 Diário n° 192 J u n h o de 2002 Doe. n°. 6.6 Diário n° 193 Julho de 2002 Doe. n°. 6.7 Diário n° 194 Agosto de 2002 Doe. n°. 6.8 Diário n° 195 Setembro de 2002 Doe. n°. 6.9 Diário n° 196 Outubro (1) de 2002 Doe. n°. 6.10 Diário n° 197 Outubro (2) de 2002 Doe. n°. 6.10.1 Fl. 6246DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 77 26 Diário n° 198 Novembro de 2002 Doe. n°. 6.11 Diário n° 199 Dezembro (1) de 2002 Doe. n°. 6.12 Diário n° 200 Dezembro (2) de 2002 Doe. n° 6.12.1 DOC. n°. 7 LIVRO RAZÃO N° 13 REFERENTE ANO CALENDÁRIO DE 2002 Livro razão que relaciona as planilhas que dão suporte aos lançamentos feitos nas às contas 4.80.40.18 a 4.88.46.50, com destaque para a conta n°. 4.88.48.25 (variações cambiais): Razão analítico folha 423 Doe. n°. 7.1 Razão analítico folha 424 Doe. n°. 7.2 Razão analítico folha 425 Doe. n°. 7.3 Razão analítico folha 426 Doe. n°. 7.4 Razão analítico folha 427 Doe. n°. 7.5 Razão analítico folha 428 Doe. n°. 7.6 Razão analítico folha 429 Doe. n°. 7.7 Razão analítico folha 430 Doe. n°. 7.8 Razão analítico folha 431 Doe. n°. 7.9 Razão analítico folha 432 Doe. n°. 7.10 Razão analítico folha 433 Doe. n°. 7.11 DOC. N°. 8 QUADRO COM ABERTURA DE VARIAÇÕES CAMBIAIS POR TIPO TIPO DETALHAMENTO Fatura Clientes no exterior pagamento ou crédito em moeda estrangeira Adiantamento de Viagens Prestação de contas de adiantamento de viagens para exterior feitas a serviço por pessoal da CHP Importação Importação de bens e mercadorias estrangeiras BBNY Saldo da conta corrente declarada da CHP mantida na agência do Banco do Brasil, Nova Iorque WestLB Variação positiva ocorrida entre data recebimento recursos e data de fechamento balanço (31/12/2002) Contas a pagar Internacional Contas a pagar de obrigações diversas em moeda estrangeira (contrato de marketing e venda no exterior e outras) DOC. N°. 9 BALANCETE 2002 QUE SERVIU DE SUPORTE PARA OS LANÇAMENTOS NA DIPJ 2002/2003. DOC. N°. 10 CONSOLIDAÇÃO BALANCETE VERIFICAÇÃO DIPJ GRUPO 4.88.48 (DESPESAS FINANCEIRAS) DOC. N° 11 DEMONSTRATIVO VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA DE R$ 1.104.000,00 Fl. 6247DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 78 27 DOC. N° 12 QUADRO COMPOSIÇÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVAS 2002, ACOMPANHADO DAS PLANILHAS DO RAZÃO ANALÍTICO E DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE (faturas etc.) DOC. N°,13 CONTRATO DE SALES E MARKETING 29. Esta documentação foi toda apresentada ao Sr. Auditor Fiscal durante os trabalhos de fiscalização que acabaram por levar ao lançamento do auto de infração do qual decorreu o presente processo. 30. Jamais esteve em questão que esta documentação é hábil e idônea para comprovar a origem das variações cambiais passivas das obrigações em moeda de estrangeira da CHP em 2002. 31. O que sempre esteve e continua em questão é a interpretação incorreta e divorciada da realidade feita pelo Sr. Auditor Fiscal em relação às variações cambiais passivas da CHP e de sua origem. Basta dizer que o Sr. Fiscal considerou como despesas financeiras relativas aos empréstimos BNDES e Banco WestLB taxas bancárias e juros incorridos com atrasos em pagamento a fornecedores de bens e serviços, teratología que foi apanhada a tempo pela Delegacia de Julgamento. 32. Em suma, não há dúvida alguma que, com base na documentação devidamente contabilizada em seus livros e reportada no DIPJ 2003, o montante das despesas financeiras, inclusive variações monetárias passivas, incorridas em 2002, foi de R$ 3.416.772,97. Este é o fato que o Sr. Auditor Fiscal não quer rever pois, aparentemente não quer admitir o equívoco do auto de infração de sua autoria. Conclusão 33. A inconsistência e improcedência do Termo de Conclusão de Diligência e Intimação é patente. 34. A recusa de fazer a diligência é uma prova da idoneidade da contabilidade da CHP, posto que se fosse inconsistente, tal fato deveria ter sido denunciado na época da lavratura do auto de infração e não agora, como desculpa para não cumprir o determinado pela Resolução n°. 1202000.0776. 35. As declarações temerárias e contraditórias do Termo de Conclusão de Diligência e Intimação revelam que o Sr. Auditor Fiscal não aceita admitir seus próprios erros. Esta é a única razão plausível para as afirmações inverídicas e contraditórias usadas para tentar justificar a recusa de atender a Resolução n°. 1202000.0776, bem como para impedir, debalde, a comprovação da origem das variações cambiais passivas incorridas pela CHP no ano calendário de 2002. 36. Diante deste quadro e à falta de impugnação séria em relação às informações constantes do DIPJ 2002/2003, com a Fl. 6248DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 79 28 retificação informada na impugnação e feita anteriormente ao recurso voluntário em relação à variação cambial positiva decorrente do empréstimo do Banco WestLB (R$ 1.104.000,00), deve se aceito como correto que o total das despesas financeiras em 2002, relativas aos BNDES e Banco WestLB, monta a R$ 3.416.77,97, como alegado e demonstrado na impugnação e no recurso voluntário.” Eis o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. A matéria recursal enseja apreciação item a item, nos termos do decidido em primeira instância administrativa, uma vez que manteve o lançamento parcial como se segue: glosa de despesas financeiras decorrentes de mútuos tomados perante o BNDES e o banco estrangeiro WestLB, agência de Nova Iorque; glosa de despesas oriundas do Contrato de Administração de Hotel/Hotel “Management Agreement”; glosa de despesas com jantar de relações públicas; glosa de despesa necessária com viagem e; glosa de despesas de itens do ativo fixo de pequeno valor. Pois bem, passase a analisar cada item em separado. Glosa de despesas financeiras decorrentes de mútuos tomados perante o BNDES e o banco estrangeiro WestLB, agência de Nova Iorque: Consta na decisão de primeira instância a glosa, como despesa financeira, referentes aos empréstimos tomados junto ao BNDES e ao banco estrangeiro WestLB, agência Nova Iorque, nas rubricas, variação cambial ativa auferida no empréstimo do WestLB e variações cambiais passivas decorrentes de outras obrigações em moeda estrangeira da Recorrente. Consta nos autos que a Recorrente tinha contratos de financiamentos aludidos em vigor no ano fiscalizado, entendendo a fiscalização que as despesas financeiras lançadas a esse título não se caracterizaram como necessárias perante a situação de existência,no mesmo período, de empréstimos a empresas ligadas, sem supostamente cobrança de juros. Mesmo que tenha a decisão de primeira instância ajustado o valor das despesas financeiras, corrigindo erro do lançamento original, alega a Recorrente que ainda se faz necessário novo ajuste, asseverando o seguinte em seus razões recursais, fls. 470, item 34: Fl. 6249DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 80 29 “As despesas com financiamentos incorridos pela Recorrente estão todas lançadas na linha 36 da ficha 6A da DIPJ/2003 (“Outras Despesas Financeiras”). Esta linha inclui, em conseqüência, (i) os juros incorridos no financiamento do WestLB em 2002 (este empréstimo em dólares norteamericanos não apresentou variação cambial passiva) e (ii) os encargos financeiros do financiamento do BNDES, que englobam também variação cambial passiva (repasse de recursos externos em várias moedas estrangeiras e indexado à variação cambial de uma cesta de moeda informada periodicamente pelo BNDES). Na linha 32 da ficha 6A da DIPJ/2003 (“Variações Cambiais Passivas”), estão reportadas as outras variações cambiais das obrigações em moeda estrangeira da Recorrente, como as decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviços de agenciamento do Copacabana Palace Hotel no exterior, e outras” A Recorrente apresenta, em seu recurso, cópias do razão analítico, e emissão de planilhas sobre os lançamento contábeis, fls. 509 a 597, assim como o seu plano de contas, fls. 600 até 626, que corroboraram suas anteriores assertivas, posto que os elementos trazidos nesta fase recursal demonstram que a conta “Variações Cambiais Passivas” contemplam diversas outras operações de importações, adiantamentos e contratos cambiais, os quais denotam a procedência do argumento, confirmado na linha 32 da ficha 6A da DIPJ/2003, ou seja, cotejando o razão analítico das contas referidas na linha citada da DIPJ/2003 (“Variações Cambiais Passivas”) com o plano de contas da Recorrente constatase que o valor de R$ 5.783.010,48, escriturado na conta 4.88.48.25 não inclui as variações cambiais passivas dos empréstimos junto ao BNDES e WestLB, que foram lançadas sob outra rubrica, qual seja, “Outras Despesas Financeiras”. Ademais, remanescendo essa dúvida perante esta turma, em data de 22 de janeiro de 2011, e baixado os autos para o cumprimento da deliberação de diligência, nos termos da Resolução nº 1202000.076, mesmo com a evidente resistência da autoridade diligenciante, que foi também a autoridade lançadora, para prestar seu dever, a Recorrente pode esclarecer, em sua manifestação de diligência, o procedimento adotado, e esclareceu que não se trata de novo fato, eis que intimada e esclareceu em data oportuna durante o procedimento fiscalizatório, como asseverou e relatado anteriormente, a saber: 11. Por outro lado, o Sr. Auditor Fiscal parece ter esquecido que no curso dos trabalhos de fiscalização desenvolvidos na sede da CHP, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2005 e recebido em 30/08/2005 (doe. n°. 5) intimou a CHP "Apresentar Demonstrativos, comprovando, com documentação hábil e idônea, as seguintes contas, cujos valores constam de sua declaração de rendimentos do IRPJ, para utilizados como dedução do Lucro Liquido, referente ao ano calendário de 2.002: Assim, o fato já tinha sido apontado e respondido pela Recorrente, que não sobeja reproduzir seus argumentos e provas, igualmente repisados em sua impugnação e em sede de recurso voluntário, como se pode ler: Fl. 6250DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 81 30 Alegação Temerária Erro Crasso no Levantamento das Despesas Financeiras Apontado desde Sempre 7. Aparentemente tentando justificar a falha da Fiscalização na auditoria que levou à lavratura do auto de infração originador do presente processo administrativo, o Termo de Conclusão de Diligência e Intimação sustenta, sem razão, que somente '"''depois de passado o período do procedimento fiscal e o julgamento de primeira instância o contribuinte apresenta novos fatos em relação aos valores declarados e glosados na presentes atuação, somente, alega que na linha 32 da ficha 06A estão declaradas as variações cambiais das obrigações da fiscalizada, decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviço de agenciamento do Copacabana Palace Hotel, no exterior." 8. Tal declaração causa perplexidade. 9. Não é possível conceber que o Sr. Auditor Fiscal desconheça o manual do DIPJ, que em relação ao exercício de 2003, ano calendário de 2002, instruía que a linha 32 da ficha 06A deveria ser preenchida com os seguintes dados: "Linha 06A/32 — Variações Cambiais Passivas Indicar, nesta linha, as perdas monetárias passivas resultantes da atualização dos direitos de créditos e das obrigações calculadas com base nas variações nas taxas de câmbio (Lei n2 9.069, de 1995, art. 52, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 8—). Incluir, nesta linha, a variação cambial passiva correspondente: a) à atualização das obrigações e dos créditos em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e apurada no encerramento do período de apuração em função da taxa de câmbio vigente; b) às operações com moeda estrangeira e conversão de obrigações para moeda nacional, ou novação dessas obrigações, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil. Atenção: 1) As variações cambiais passivas decorrentes dos direitos de crédito e de obrigações, em função da taxa de câmbio, são consideradas como despesa financeira, inclusive para fins de cálculo do lucro da exploração (Lei n2 9.718, art. 92 c/c art. 17). 2) Nas atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, as variações cambiais ativas são reconhecidas como receita segundo as normas constantes da IN Fl. 6251DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 82 31 SRF n— 84, de 20 de dezembro de 1979; da IN SRF n2 23, de 25 de março de 1983; e da IN SRF n2 67, de 21 de abril de 1988 (IN SRF n9 25, de 25 de fevereiro de 1999). 3) A amortização dos ajustes de variação cambial contabilizada no ativo diferido, deve ser informada nas Linhas 05A/20 e 05A/44, conforme o caso (Lei n2 9.816, de 1999, art. 2± e Lei n 2 10.305, de 2001)." 10. Como deve ter desempenhado as suas funções com diligência, é inconcebível que o Sr. Auditor Fiscal não tenha percebido, no seu trabalho de auditoria dos livros da CHP, que esta linha não registrasse variações cambiais de outras obrigações em moeda estrangeira da CHP. 11. Por outro lado, o Sr. Auditor Fiscal parece ter esquecido que no curso dos trabalhos de fiscalização desenvolvidos na sede da CHP, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2005 e recebido em 30/08/2005 (doe. n°. 5) intimou a CHP "Apresentar Demonstrativos, comprovando, com documentação hábil e idônea, as seguintes contas, cujos valores constam de sua declaração de rendimentos do IRPJ, para utilizados como dedução do Lucro Liquido, referente ao ano calendário de 2.002: 1. Variações Cambiais Passivas R$ 5.783.010,48 2. Outras Despesas Financeiras R$ 4.635.568,88" 12. Por força desta intimação, a CHP apresentou, comprovou e explicou ao Sr. Auditor Fiscal toda a documentação e demonstrativos relativos às variações cambiais passivas e as outras despesas financeiras registradas nos seus livros e reportadas na DIPJ 2002/2003. 13. É óbvio ululante que a CHP abordou esta matéria na sua impugnação, destacando que a linha 32 da ficha 6A da sua DIPJ registrava dados de variações cambiais passivas decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, inclusive dedicando um tópico próprio à matéria, que passa a transcrever para dirimir quaisquer dúvidas a respeito da coerência e lealdade de sua conduta: " (a) O valor correto das despesas financeiras. 12. Inexplicavelmente, o Sr. Auditor Fiscal não procurou identificar a composição das Variações Cambiais Passivas (linha 32 da ficha 06A), nem Outras Despesas Financeiras (linha 36 da ficha 6A). Se o tivesse feito, como era seu dever, verificaria que o montante das despesas financeiras, inclusive variações monetárias passivas, incorridas em 2002, foi de R$ 3.416.772, 97 e não o total informado nas linha 32 e 36 a ficha 06A da declaração de imposto de renda (doe. n°. 3). 13. A linha 32 da ficha 06A registra as variações cambiais passivas das obrigações da Impugnante, com exceção das Fl. 6252DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 83 32 variações cambiais passivas decorrentes de financiamentos. Estas últimas estão todas registradas na linha 36 da ficha 6A (Outras Despesas Financeiras), que por seu turno, registra outras despesas financeiras, além daquelas decorrentes dos financiamentos tomados junto a instituições financeiras. 13.1 0 montante informado na linha 32 da ficha 06A é composto pelas variações cambiais das obrigações em moeda estrangeira, como as decorrentes da importação de bens e mercadorias estrangeiras e de faturas de serviços de agenciamento do Copacabana Palace Hotel no exterior, entre outros. 13.2 Cabe ressaltar, contudo, que a importância anotada na linha 32 da ficha 06A é incorreta, devendo ser de R$ 6 . 8 8 7 . 0 1 0 , 4 8 , pois deve ser adicionado a mesma a importância de R$ 1.104.000,00 que é variação monetária ativa do empréstimo WestLB e que, por equívoco, foi incluído entre as Variações Cambiais Passivas na declaração de imposto de renda da Impugnante, como abaixo restará explicado . 14. A quantia registrada na linha 36 da ficha 6A (Outras Despesas Financeiras), por seu turno, é composta pelas seguintes despesas operacionais, que na tabela abaixo, estão referidas às contas do balancete de dezembro de 2002 da Impugnante (doe. n° 4), tendo sido grifadas as contas relativas às despesas financeiras incorridas nos financiamentos tomados junto à instituições financeiras: linha 36 Outras Despesas Financeiras 4.635.568,88 Conta Descrição Valor em R$ Contábil 4.88.48.10 Taxas 92.368,75 Bancárias 4.88.48.14 Juros WestLB 47.556,42 4.88.48.44 Outros Juros 22.427,16 4.88.48.45 Juros BNDES 786.607,14 4.88.48.55 Variação Monetária 3.686.609,41 BNDES 15. É evidente que as taxas bancárias, que englobam custos incorridos na movimentação das contas bancárias da Impugnante (talão de cheque, ordens de transferências e outros similares), não são despesas relativas a despesas financeiras com financiamentos ou empréstimos tomados e, portanto, devem ser excluídas das despesas financeiras a esse título. 16. Também devem ser excluídos do montante de despesas financeiras com empréstimos e financiamentos, os juros Fl. 6253DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 84 33 incorridos e/ou pagos pela Impugnante e registrados na conta contábil n°. 4.88 . 48 . 44, no valor de R$ 22.427, 16, que são juros incorridos em eventuais atrasos no pagamento de fornecedores de bens e serviços à Impugnante. 17. As despesas financeiras dos financiamentos do BNDES e WESTLB estão demonstradas nas folhas de Razão Analítico dos registros feitos destas operações nos livros da Impugnante (doc.n° 5 e 6, respectivamente[da impugnação]), onde se demonstra inclusive a variação cambial positiva de R$ 1.104.000,00 que foi equivo cadamente lançada na linha 32 da ficha 06 da declaração de imposto de renda da Impugnante. 1 8 . Assim,o valor correto das despesas financeiras decorrentes de financiamentos tomados pela Impugnante montam a R$ 3.416.772,97, como detalhado abaixo : Conta Contábil Descrição Valor (RE) 4.88.48.14 Juros WesILB 47.556,42 4.88.48.45 Juros BNDES 786.607,14 4.88.4845 Variação Monetária BNDES 3.686.609,41 Total Parcial 4.520.772,97 3.28.70.21 Variação Mon. Ativa West 1.104.000,00 Total 3.416.772,97 14. Vale ainda lembrar que a CHP, como explicado e comprovado no seu Recurso Voluntário, retificou a DIPJ 2003 para ficar consignado expressamente o valor correto da linha 32 da ficha 06A ("Variações Cambiais Passivas"), que passou a ser de R$ 6.887.010,48 (5.783.010,48 + 1.140.000,00), enquanto o valor anotado na linha 36 ("Outras Despesas Financeiras), em função desta correção, passou a ser o correto de R$ 3.531.568,88 (4.635.568,881.140.000,00). Evidenciouse, pela leitura do relatório conclusivo da diligência da autoridade de origem, em cotejo com a manifestação da Recorrente, que aquela se recusou, simplesmente se justificando que já fez sua análise e demandaria nova auditoria, ao efetivo exame e conferência da documentação relativa ao item que suscitou a dúvida desse colegiado, o que somente corroborou a total transparência e interesse legítimo da Recorrente para elucidar a dúvida dessa turma, devendo seus argumentos e provas, não elididas pela autoridade de origem, mesmo sendo determinada a um novo trabalho de auditoria específica, serem consideradas válidas, porque não elididas por prova em contrário Procede, portanto, a exclusão da base de cálculo apurada pela fiscalização, no item da glosa de despesas financeiras, do valor de R$ 5.783.010,48, posto que impertinentes aos financiamentos do BNDES e WestLB, retificandose, nesta fase, tal base. Fl. 6254DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 85 34 Aponta, ainda, a Recorrente outro erro na composição da base para efetuarse a glosa das despesas financeiras, relativamente a variação cambial ativa, em decorrência do contrato de empréstimo com o banco estrangeiro, WestLB, norteamericano, no montante de R$ 1.104.000,00, posto que foi contraído em dezembro de 2002 e no curto espaço de tempo o dólar somente flutuou para baixo, não havendo compensações de altas da taxa de câmbio, documento a fls. 267 destes autos. Pois bem, alega a Recorrente que lançou errado na conta variações monetárias passivas, como se fosse o resultado líquido das variações cambiais do período, quando deveria ter sido lançada a crédito, reduzindo despesas financeiras com BNDES e WESTLB. Todavia a decisão de primeira instância assim se pronunciou quanto a essa pretensão da Recorrente: “38. Quanto a importância de R$ 1.104.000,00, a qual a impugnante assevera ser concernente à variação monetária ativa do empréstimo WestLB, e que, portanto, deveria influenciar no cômputo dos referidos encargos financeiros, devese ressaltar que, embora a defendente tivesse firmado que este valor deveria, como visto no item 9.3 do relatório supra, ter sido adicionado à linha 32 da ficha 06A da DIPJ2003, às fls. 09, relativo às despesas declaradas decorrentes de variações monetárias passivas, tal fato não se verificou quando da apresentação da declaração retificadora, conforme pesquisas efetuadas por este relator às fls. 367, o que, aliás, é de bom alvitre, pois seria um despautério verificar a existência de uma receita de variação cambial ativa aumentar uma conta de despesa de variação monetária passiva. 39. Da análise do Balancete de Verificação referente ao período de dezembro/2002, às fls. 76 do Anexo 1, constatase que a conta “3.28.70.21”, representativa da variação monetária ativa, conforme descrito no item 9.4 deste voto, apresenta valores completamente díspares do citado acima, o que invalida a pretensão da impugnantes de reduzir o valor a ser computado como encargos financeiros das empresas ligadas.” Quer parecer, que neste aspecto correta a pretensão da Recorrente, posto que, como afirma, em “contabilidade uma conta de despesa tem natureza devedora, de modo que,quando recebe um lançamento credor, esta conta tem seu saldo reduzido. Quando este lançamento credor, que havia reduzido o saldo devedor da conta despesa é revertido, a conta de despesa tem seu saldo aumentado”, fls. 471 dos autos. Desta feita, a Recorrente, em 23 de março de 2007, no prazo de interposição de seu recurso voluntário, protocolou a retificação de sua DIPJ/2003, documento a fls. 632, para averbar expressamente o valor correto da linha 32 da ficha 06A (“Variações Cambiais Passivas”), que passou a ser de R$ 6.887.010,48 (5.783.010,48 + 1.140.000,00) e no valor na linha 36 (“Outras Despesas Financeiras”), em função deste lançamento, para R$. 3.531.568,88 (4.635.568,88 – 1.140.000,00), na esteira do entendimento preconizado pela própria autoridade julgadora “a quo”. Assim sendo, cabe o acolhimento das alegações comprovadas da Recorrente para procederse mais o seguinte ajuste: redução da variação cambial positiva do montante das despesas financeiras de financiamento, lançadas na linha 36 da ficha 6A da DIPJ/2003, no montante de R$ 1.140.000,00., ficando certo que a linha em referência (“Variações Cambiais Passivas”) não inclui qualquer despesa financeira decorrente de empréstimos junto à instituições financeiras, a qual fica alterada para o montante de R$ 3.416.772,97, mesmo porque, baixado o processo em cumprimento de ordem de diligência, ainda que colocada à Fl. 6255DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 86 35 disposição da autoridade diligenciante para tal conferência, a mesma furtouse ao seu dever, alegando necessidade de nova auditoria,cabendo, por isso, a presunção legal de idoneidade de documentos fiscais e contábeis, não invalidados pelos trabalho fiscal, a indicar a correção do procedimento do sujeito passivo, ora Recorrente. Feitos esse ajustes contábeis, fazse assim analisar o mérito da glosa da conta despesas financeiras, posto que foram reduzidas as despesas decorrentes de financiamento concedido pelo BNDES, e empréstimo junto ao WESTLB, em dezembro de 2002. O motivo da glosa está no entendimento da autoridade fiscal de que a Recorrente manteve, no mesmo período, mútuos com empresas ligadas, não onerosos e por prazo indeterminado e que não houve movimentação dos mútuos, vale dizer, não houve repasse aos destinatários. Assim foi a decisão confirmatória de primeira instância, aduzindo essa ainda que os empréstimos foram “graciosos”, não obstante previsão contratual de encargos financeiros. Analisese, em primeiro lugar, a destinação do financiamento obtido junto ao BNDES, conforme copia da escritura pública a fls. 100 até 118 dos autos, celebrada em 05 de maio de 1995 onde podese constatar, fls. 103, que se aplicaria a “restauração arquitetônica e modernização das instalações do Hotel Copacabana Palace”, assim como na cláusula décima terceira, a fls. 115 dos autos, na citada escritura, há condição para a utilização do crédito, qual seja, “comprovação da realização de aumento de capital da BENEFICIÁRIA, correspondente a, no mínimo, a contrapartida de recursos próprios desta ao projeto, proporcional aos valores mencionados na Claúsula Terceira, e do Quadro de Usos e Fontes constantes do Anexo I a este contrato.”, denotando a necessidade de aplicação de recursos próprios no projeto de reforma hoteleira, reembolsáveis pelo financiamento do BNDES. Desta feita, como resta demonstrada a obrigação da Recorrente na regular celebração do contrato de financiamento do BNDES, vinculado a restauração e modernização do hotel, assim como não se verificando provas coligidas pela fiscalização que o aludido empréstimo tenha sido repassado para empresa ligadas a Recorrente, não há como desconsiderar os efeitos da operação contratada junto a instituição financeira pública acima citada e, como em 2002 não houve qualquer reembolso do BNDES, mas apenas pagamentos de encargos e amortização do principal, correto o tratamento da despesa financeira operacional com dedutível, uma vez que o financiamento se destinou a operação hoteleira, o que não foi contestado ou constituída prova em contrário pela autoridade lançadora. Aplicase, assim, o art. 299 do RIR/99 pois cabia a autoridade fiscal produzir prova da não realização da finalidade, que inequivocamente estava vinculada a atividade fim da Recorrente, do firmado financiamento junto ao BNDES, assim como demonstrar, cabal e insofismavelmente fundado em provas robustas, consistentes e objetivas, do repasse de tais verbas ou recursos financiados a empresas ligadas, não apenas presumir subjetivamente como lavrado em seu termo de constatação a fls. 267, uma despesa desnecessária, sem corroborar em provas, repasse de recursos, ou mesmo, prova da desnecessidade do empréstimo junto ao BNDES se tinha recursos disponíveis para tais operações, ingerindo, ilegitimamente, na administração financeira da Recorrente, motivo completamente descabido e alheio a necessidade, essa sim, de bem fundamentar, nos fatos e no direito, a exigibilidade de um procedimento legal para gerar um eventual crédito tributário para a Fazenda Nacional. As despesas financeiras existirem por força do contrato de financiamento do BNDES, que por sua vez se destinavam a aplicação na atividade de reforma e modernização Fl. 6256DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 87 36 hoteleira, da Recorrente, a autoridade fiscal deveria provar o contrário, que o acessório – despesas financeiras pagas – juros e demais encargos contratuais – não o foram em decorrência do principal – financiamento, e somente foram liberalidades da Recorrente, contudo isso não se revelou nos autos, sendo que somente o raciocínio dedutivo, de natureza pessoal, pela existência de mútuos entre empresas ligadas conduziu a conclusão da autoridade fiscal para a glosa, o que, a meu ver, se torna insustentável para acolhêla em face aos elementos probantes de que a operação financeira ocorreu efetivamente e que inexiste prova de repasse dos citados recursos para as empresas ligadas, devendose, portanto, se afastada a referida glosa e mantida a dedutibilidade a esse título. Quanto as despesas financeiras decorrentes do contrato de financiamento da instituição estrangeira, WESTLB, se comprova a fls. 96 e 97 dos autos, mais propriamente em 10 de dezembro de 2002, Razão analítico e planilha de lançamento contábil, a operação de empréstimo estrangeiro e a quitação do financiamento BNDES, sendo indubitável que as citadas operações de mútuos com empresas ligadas aconteceram em períodos anteriores ao fiscalizado, não tendo cabimento, por ilógico e incompatível temporalmente, obterse um financiamento em 2002 e sustentarse um argumento de que desnecessário pois a Recorrente teria disponibilidade financeira uma vez emprestados recursos próprios para empresas ligadas em períodos anteriores. Restou comprovado que o empréstimo estrangeiro foi destinado a quitação da dívida perante o BNDES, o que não foi refutado, com base em provas, pela autoridade fiscal. Ademais, cumpre enfatizar, como resultado da diligência cometida, a mesma autoridade lançadora, sendo a autoridade diligenciante, como bem aduzido pela Recorrente, em sua manifestação após a diligência, asseverou que a autuada, no termo de verificação e constatação que a mesma não possuía recursos disponíveis próprios para tais empréstimos a coligadas, e no termo de constatação de infração, afirma que a empresa autuada possuía recursos próprios, numa flagrante contradição substancial sobre os fatos apurados. Tal dúvida, criada pela própria autoridade diligenciante, a mesma que lavrou o auto de infração, neste momento de apreciação do recurso voluntário, macula seriamente a acusação fiscal, abalando um importante fundamento fático que justificaria o entendimento fiscal para enquadramento da conduta da Recorrente seja pela mera liberalidade dos empréstimos a coligadas, caracterizando a desnecessidade das despesas financeiras, ou mesmo utilização de recursos tomados de instituições financeiras e supostamente repassado para empresas coligadas, que, ao final do quanto exposto, não restou confirmado esse procedimento da Recorrente, que também justificaria a glosa de despesas financeiras por desnecessárias. Na dúvida o Código Tributário Nacional, em seu art. 112, é taxativo: milita a favor do acusado a interpretação que é mais favorável, relativamente a infração imputada, ou seja, considerar procedente o conjunto de elementos probatórios justificadores da necessidade das despesas financeiras oferecidas pela Recorrente, a convalidar o tratamento fiscal adotado originalmente em sua escrita fiscal, consistindo na manutenção da dedutibilidade dos juros da base de cálculo tributável, elidindose a glosa da autuação fiscal. Se a Recorrente assumiu um empréstimo com o BNDES para aplicar em suas atividades operacionais, melhor dizendo, atividadefim, e tomou crédito no mercado estrangeiro posteriormente para quitar tal endividamento, incorrendo em juros e demais encargos para tal objetivo, nada mais é que uma gestão financeira tendo em vista sua operação básica operacional, a um custo mais reduzido, questões de gestão administrativa somente de competência da administração da Recorrente, que, uma vez comprovada a vinculação na Fl. 6257DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 88 37 aplicação da verba financiada com o seus pagamentos e encargos, nada mais procedente que classificálas como necessárias à manutenção de sua fonte produtora, notadamente em atividade hoteleira, em que a modernização e reforma arquitetônica é parte essencial do desenvolvimento do negócio, como é notório, principalmente de um tradicional hotel, reconhecidamente inserido no contexto de excelência do turismo nacional e internacional na cidade do Rio de Janeiro, onde se localiza. Por outro lado, a autoridade fiscal interpreta como liberalidade a concessão de empréstimos a empresas ligadas, sem a cobrança de juros, o que foi seguido pelo entendimento da decisão de primeira instância. Melhor bem precisar os termos contratuais dos mútuos as empresas ligadas. Conforme mencionado pela Recorrente há expressa previsão de encargos financeiros, sujeitos à condição suspensiva, prevista nos contratos de mútuos, juntados todos pela Recorrente, que não foram invalidados por prova em contrário pela autoridade fiscalizadora, apenas se aproveitando dos mesmos para motivar seu subjetivo entendimento de que os empréstimos foram mera liberalidade da Recorrente. Não obstante até o ano de 2002 não ter havido o lançamento dos juros contratuais previstos, por não implementadas as condições suspensivas neles estabelecidas, não se pode, levianamente, concluirse que os contratos de mútuos foram celebrados sem previsibilidade de quaisquer juros. Esses foram previstos sim, mas condicionados à situação líquida financeira da Recorrente, ou seja, essa condição, ainda que inusitada e inusual nos empréstimos, com favorecimento de uma das partes pela ligação societária em comento, quanto muito pode justificar uma provável nulidade formal por ser um elemento necessário e efetivo para não caracterizar uma simulação entre as partes envolvidas, mas muito distante e estranho elemento para justificar a classificação de despesas financeiras incorridas em outros contratos, formal e materialmente constituídos validamente perante outras partes, como desnecessárias a esses...paralelo, no mínimo, forçoso e insustentável juridicamente, pois emprestar a pessoas ligadas, mediante operações contratadas com cláusulas específicas, subordinadas a evento futuro e incerto, se encontra dentro da normalidade operacional e da legalidade dos negócios realizados no ordenamento jurídico. A forma jurídica adotada é válida – contratos de mútuos, com juros sob condição suspensiva e se não implementada a condição para a cobrança dos juros no período fiscalizado, o que incumbiria a autoridade fiscal demonstrar em provas nesse sentido, não há como considerar o negócio viciado em seus efeitos, sustentandose uma glosa de despesa operacional em paralelo nas atividades da Recorrente, como pretendeu a autoridade lançadora. Ademais, como asseverado pela Recorrente, inexiste prova nos autos do repasse dos empréstimos do BNDES e do WESTLB para as empresas ligadas, mais um real motivo para não se contaminar a relação jurídica estabelecida perante aquelas instituições, com as operações estabelecidas nos contratos de mútuos com empresas ligadas, notadamente quando subsistentes antes de 2002, cumpre registrar para efeito da clareza e distinto tratamento das despesas financeiras glosadas, pois a autoridade novamente se baseia em presunção de repasse de recursos financeiros, sendo que, nos autos, isso não ficou cabalmente comprovado, não podendo, por este lado também, ser glosadas despesas financeiras decorrentes de contratos de financiamento legalmente válidos e celebrados para aplicação dos recursos na atividade principal e fim da Recorrente, dentro do requisito regulamentar estabelecido pela regra do art. 299 do RIR/99. Fl. 6258DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 89 38 Diante o exposto, é de se julgar improcedente a glosa das despesas financeiras decorrentes dos financiamentos comprovadamente válidos e efetivos a seus fins perante as instituições financeiras BNDES e WESTLB (sociedade estrangeira), não elididos por prova em contrário, mesmo porque a própria autoridade lançadora, com atendimento a diligência deste colegiado, demonstrou a contradição fática do quanto apurado sobre disponibilidade de recursos da Recorrente, que gera séria dúvida da consistência do trabalho fiscal, nesse particular item, perdendo a credibilidade necessária para sustentar e/ou fundamentar a glosa adotada quanto as despesas financeiras, notadamente quando as entendeu como justificativa para considerálas desnecessárias. Glosa de despesas relativas ao Contrato de Administração de Hotéis: A autoridade fiscal, seguida pela decisão de primeira instância, considerou as despesa desnecessárias, portanto, indedutíveis. O acórdão recorrido entendeu que as despesas decorrentes do contrato de administração de hotel celebrado com a Participações São Matheus S.A. não seriam necessárias, e, portanto, não seriam dedutíveis. Alegou ainda que esse contrato remuneraria a controladora da Recorrente e não a própria Participações São Matheus S.A., que é também uma empresa controlada da OrientExpress Hotels Ltd, como a própria Recorrente. Assiste razão à Recorrente. De acordo com o art. 299 do RIR/99, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora, ressaltando o parágrafo 2o. desse dispositivo regulamentar, que somente são despesas operacionais as usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividade da empresa.Portanto, as despesas operacionais, necessárias à atividade e a manutenção da respectiva fonte produtora somente são dedutíveis se forem normais. No caso, o contrato de administração de hotéis firmado pela Recorrente atende os requisitos legais para que as despesas dele decorrentes sejam consideradas como operacionais. Pois bem, como enfatizado nas razões recursais, tratase de contrato usualmente adotado nas relações comerciais no segmento hoteleiro, como é o caso da Orient Express Hotels Ltd. Se há efetividade dos serviços prestados, e isso restou fartamente demonstrado nos autos pela Recorrente não há como desconsiderar a validade e eficácia do contrato celebrado, devendo seus efeitos serem considerados, inclusive no que se refere aos seu custo, no tratamento fiscal/contábil aplicado pela Recorrente na base de apuração de suas receitas tributáveis. O requisito de normalidade, por seu lado, deve ser aferido no mercado e caberia a autoridade fiscal, partindose da premissa da validade do negócio jurídico, sem qualquer vício formal ou material, produzir prova suficiente, cabal e insofismável de que o valor do contrato estaria fora da normalidade praticada no mercado, a fim de restringir o seu uso como despesa operacional e afastar sua dedutibilidade como tanto, uma vez fora da usualidade e normalidade da prática contratual adotada. Fl. 6259DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 90 39 Sabese que, no critério de avaliação da normalidade, mormente em se tratando de valores praticados em despesas contratuais, para interpretação correta dos requisitos exigidos no art. 299 do RIR/99 devese ter paradigma mercadológico ou de outra relação comercial similar, a fim de se aferir o critério objetivo de tal conduta formal, vale dizer, se há qualquer patologia do negócio jurídico, tal com abuso de forma e conteúdo simulado, ou um artificialismo contratual, portanto irreal e insubsistente para produção dos efeitos jurídicos pretendidos. Pois, caso contrário, permanecese, tãosomente, limitado ao critério subjetivo da autoridade fiscalizadora, que, a despeito de ser elemento intrínseco da exegese legal, constitui apenas uma parte da interpretação da regra legalmente estabelecida, na construção de sentido e alcance da norma jurídica aplicável ao caso concreto, eis que necessário arrimo em critérios objetivos que denotem, na realidade, seja a normalidade, ou anormalidade, seja a usualidade, ou inusualidade, seja a necessidade, ou a desnecessidade, da adoção da forma e conteúdo operacional/econômico usado pelo sujeito passivo. O acórdão recorrido, de maneira aleatória e livre, ainda considera como razões de decidir suas indagações sobre a gestão administrativa do negócio da Recorrente, lançando dúvidas sobre a necessidade do contrato de administração da Participações São Matheus, inclusive o percentual remuneratório, sem trazer, entretanto, qualquer elemento comparativo do mesmo segmento de serviços, como critério objetivo a respaldar as considerações de natureza especulativa sobre o negócio da Recorrente, conforme se verifica no item 52 e 53 da decisão de primeira instância, o que, também por esse lado, revela falta de exibição de critérios objetivos e paradigmáticos a ensejar real e séria dúvida da idoneidade e legitimidade do contrato celebrado, que fica, assim, incólume quanto ao seu objeto, propósito e conteúdo operacional/econômico. Bem lembrado pela Recorrente que a autoridade de primeira instância, nesse sentido, deixou em segundo plano que, o que é despesa para a Recorrente, é receita para a administradora do Copacabana Palace Hotel, vale dizer, a Fazenda Nacional, ao final, não restou prejudicada. Pertinentes os esclarecimentos apresentados pela Recorrente, em sua peça recursal, relativamente a atividade hoteleira e a natureza do contrato de administração hoteleira, a saber: “102. Como se passará a demonstrar, as despesas com o Contrato de Administração Hoteleira de administração são necessários para as atividade da Recorrente, assegurando que o Copacabana Palace Hotel seja operado segundo padrões da rede de hotéis OrientExpress Hotels Ltd., e usuais na atividade de hotelaria, encontrandose dentro dos padrões do mercado, nacional e internacional. 103. O Contrato de Administração Hoteleira é um contrato típico da indústria hoteleira para a exploração de um estabelecimento hoteleiro. É uma evolução do sistema de locação que envolve o proprietário na exploração do hotel, mas deixa ao encargo da administradora hoteleira toda a operação do hotel. O dono do hotel somente se envolve com os grandes assuntos, aprovação do orçamento, inclusive o orçamento de investimentos em manutenção e melhorias, deixando todas as decisões de caráter administrativa nas mãos da administradora hoteleira. 104. É a forma de exploração hoteleira mais empregada pelas redes de hotel no mundo todo. Com contratos de administração as redes hoteleiras conseguem alinhar a remuneração e demais interesses do dono aos resultados do hotel e é aceita pelos proprietários, pois não dá direito à renovação judicial do contrato, como ocorre Fl. 6260DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 91 40 com os contratos de locação, e, normalmente, não dá à administradora qualquer direito de preempção em caso de alienação do imóvel. 105. Em contratos de administração hoteleira, a administradora não está assessorando o dono na administração do hotel. Pelo contrário, está administrando o hotel para o dono, segundo os padrões de serviços adotados pela rede hoteleira a que pertença a administradora. Terminado o contrato, a operadora não deixa nenhum manual de operação do hotel, cabendo ao dono confiar a administração do hotel a outra operadora, que irá administrar o hotel segundo seus padrões, ou encontrar outra forma de explorar a atividade hoteleira, sem o benefício de nenhum conhecimento passado pela administradora hoteleira de forma explicita ou em cumprimento de obrigação contratual. 106. No caso da Recorrente, a Participações São Matheus S.A. assegura que o Copacabana Palace Hotel seja operado segundo os padrões da OrientExpress Hotels Ltd., uma cadeia de hotéis que somente opera hotéis na categoria superluxo, superior à categoria 5 estrelas da Embratur. Os resultados da operação do hotel pela São Matheus são evidentes, não só pelos serviços prestados, mas pela qualidade da reforma do conjunto imobiliário do Copacabana Palace Hotel, feito não s6 para manter como aperfeiçoar as suas características de imóvel tombado. 107. A necessidade de contratos de administração hoteleira é reconhecida pela jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes como exemplifica a ementa do acórdão n 10807936, de 15/09/2004, da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no julgamento do recurso voluntário n°. 135979, oriundo do processo n".13808.000417/9319: "DESPESAS/NECESSIDADE O PN 32/81 define despesa necessária como aquela que representa o "gasto necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras do rendimento". Despesas decorrentes de contrato de administração de serviços de hotelaria, com rede notoriamente conhecida, tem características operacionais, compaginandose com o comando do artigo 191 do R1R/1980, quando os percentuais dessas despesas são razoáveis. GLOSA DE DESPESAS/DESNECESSIDADE Só são justificadas as despesas que o contribuinte reuniu elementos comprobatórios da sua necessidade, habitualidade e efetividade Caso contrário são indedutíveis para efeito da apuração do imposto de renda devido no período. TRIBUTAçA0 REFLEXA IRRF Aplicase a exigência dita reflexa o que foi decidido quanto a exigência matriz, pela íntima relação de causa e efeito existente. Recurso parcialmente provido." 108. Por estes motivos, claro está que o Contrato de Administração Hoteleira representa uma despesa necessária e usual sendo improcedente a glosa feita pelo Sr. Auditor Fiscal e mantida pelo acórdão recorrido por suposta infração dos artigos 352 e 354 do RIPJ99.” Quanto a suposição da remuneração excessiva da administradora ou mesmo da participação nos lucros da “Orient Express Ltd” (controladora estrangeira), elucidativos os argumentos explanativos da Recorrente, também em sua peça recursal, que peço vênia para reprodução abaixo, partindose da premissa objetiva nos autos que o trabalho fiscal, assim como a decisão de primeira instância apenas deduziram, em tese, sem prova concreta, o benefício nos lucros conferidos pela Recorrente a sua administradora e controladora, através da forma contratual em sob análise, assim como nada ofereceram de prova concreta porventura oriunda de outra equiparável atividade de administração hoteleira para questionar a Fl. 6261DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 92 41 razoabilidade do percentual remuneratório, como deveria e poderia a autoridade administrativa, na dúvida, ter produzido nestes autos. Leiase a explanação da Recorrente: “111. Os serviços objeto do Contrato de Administração Hoteleira são prestados pelo corpo de funcionários da Participações São Matheus S.A., composto pelos Srs. Philip Carruthers, Luis Antonio Raposo, Augusto Cesar Ribeiro Mesquita e Andrea Natal (doc. no.12, anexado impugnação). 112. Através destes funcionários, a Participações São Matheus S.A. gerencia o hotel e prepara os orçamentos e acompanha a sua execução, tudo nos termos do Contrato de Administração Hoteleira, conforme comprovam exemplificativamente os relatórios de reuniões de gerência (doc. no.13, anexado à Impugnação) e o relatório financeiro para o mês de dezembro de 2002 (doc. no.14, anexado à Impugnação), havendo um relatório destes para cada mês do contrato. 113. Os serviços são pagos contra a emissão de notas fiscais, com o recolhimento de todos os tributos incidentes na fonte (doc. no.15, anexado à Impugnação), sendo equivocada a afirmação do Sr. Auditor Fiscal que não haveria pagamento. Crédito em conta é forma de pagamento, que neste aspecto, como em tantos outros, se confundiu o Sr. Auditor Fiscal na lavratura do auto de infração. 114. A remuneração paga à Participações São Matheus S.A. é variável em função das receitas auferidas pela RECORRENTE na operação do Copacabana Palace Hotel. Segundo o Contrato de Administração Hoteleira, a São Matheus é paga uma taxa básica de 5 % sobre a receita operacional bruta das operações hoteleiras mais uma taxa de incentivo de 10% sobre o excesso das receitas operacionais sobre as despesas operacionais, premiando a eficiência na gerência do Copacabana Palace Hotel. 115. Tratase de padrão de remuneração compatível com os preços de mercado, inclusive os praticados fora do Brasil, não se beneficiando a São Matheus de nenhuma remuneração extraordinária, como equivocadamente entendeu o auditor fiscal relator do acórdão recorrido. 116. Esta remuneração não é um pagamento discricionário, nem uma gratificação, mas corresponde ao preço de uma efetiva prestação de serviços devida durante toda a vida do Contrato de Administração Hoteleira. 117. Não configura, tão pouco, pagamento de participação nos lucros pois a Participações São Matheus S.A. não a percebe em função de seu status de acionista da Recorrente, mas como prestadora de serviço.” Como bem lembrado pela Recorrente, é preciso separar o papel da sociedade controladora como acionista e da sociedade controladora como prestadora de serviços ou recursos para a controlada. Como prestadora de serviços ou fornecedora de recursos, ela tem o direito e até o dever perante os seus próprios acionistas de cobrar por tais serviços. Naturalmente a controladora pode ajudar sua controlada como o fêz nada cobrando da Recorrente até que a situação financeira dela permitisse remunerar tais serviços, como aconteceu no caso. Tal colaboração decorre da política empresarial da empresa e não a vincula a continuar prestando a colaboração quando esta política mudar. Fl. 6262DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 93 42 No tocante à dedutibilidade da despesas operacional, a legislação do imposto de renda não a glosa porque decorre de contrato entre partes ligadas. Se é necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e for usual ou normal no tipo de transações, operações exigidas pela atividade da empresa, a despesa é operacional e dedutível. A autoridade fiscal não tem poder discricionário de glosar custos ou despesas, segundo critério subjetivos: a atividade administrativa de lançar tributo é plenamente vinculada e a autoridade somente pode adicionar ao lucro real, para efeito de base de cálculo do imposto, os custos ou despesas não dedutíveis segundo a legislação do imposto de renda. É totalmente impertinente o acórdão pretender avaliar a decisão da Participações São Matheus de passar a cobrar pelos serviços de administração do hotel Assim, pelos motivos expostos, neste item é de se dar provimento para se restabelecer a dedutibilidade das despesas com o Contrato de Administração Hoteleira, cancelandose a glosa fiscal. Da glosa de despesas com jantar de relações públicas: Consta a glosa de despesas com jantar do Sr. James Sherwood, presidente do Conselho de Administração da Orient Express Ltd. A autoridade fiscal, seguida pela autoridade julgadora, consideraram carecer de correlação entre a despesa e a possibilidade de obtenção da receita, o que justificaria a glosa pela não necessidade da mesma, configurando “graciosidade” ou liberalidade da Recorrente. A Recorrente trouxe aos autos a divulgação do evento, com a participação de personalidades do mundo de negócios e sociais (doc. 17 anexo a impugnação), assim como anexou várias notícias associando o nome do Sr. James com o Copacabana Palace, em demonstração nítida promocional de publicidade. Consta, também, que Sr. James é o responsável pela aquisição do Copacabana Palace, assim como responsável pela diretriz das reformas do referido hotel. Notória a importância para turismo nacional e internacional do Copacabana Palace, recebendo autoridades governamentais e demais celebridades do mundo social que nele se hospedam, por conta dessa ampla divulgação da excelência e categoria superluxo do citado hotel. Ora se o jantar promocional de um representante legítimo da empresa controladora não está incluído entre atividades operacionais que promovem um famoso hotel no Rio de Janeiro, perante a sociedade nacional e clientes, principalmente porque se trata de prestação de serviços de hotelaria em turismo, cuja publicidade é inerente a captação de novos clientes, toda despesa de publicidade ou propaganda nesse sentido, seja diretamente com funcionários da empresa, seja indiretamente nos veículos de comunicação, deveriam ser glosadas, o que, a meu ver, enseja um abuso e arbitrariedade da interpretação fiscal, como já disse, apenas limitada em seu critério subjetivo, para compreender a amplitude da necessidade com relação a produção de receita, como se numa atividade como a da Recorrente, tal dedução poderia ser simples e cartesiana, como se fosse uma comum produção de mercadoria em chão de fábrica, o que mesmo, assim, demanda marketing e publicidade para a venda. A necessidade, reiterese, deve ser aferida pela atividade da Recorrente, em seu contexto e finalidade e, portanto, está a exigir critério objetivo para sua referência se se Fl. 6263DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 94 43 trata de procedente ou não, ou seja, elemento objetivo para justificar sua realização como despesa operacional, dedutível da base tributária. No caso, o Recorrente demonstrou, por circunstâncias próprias, a importância do evento e da despesa para fins publicitários, o que, ao meu ver, confere consistência e correspondência perante a atividade da Recorrente, qual seja, hotelaria em turismo nacional e internacional na cidade do Rio de Janeiro, o que por si mesmo denota que a publicidade é elemento essencial no desenvolvimento dos negócios da Recorrente e sendo Sr. James Sherwood pessoa representante da própria empresa controladora, portanto, igualmente expressão do Copacabana Palace, sem dúvida, benefícios dessa publicidade foram auferidos no decorrer da atividade normal da Recorrente. Desta feita, é de se acolher o entendimento de que improcede a glosa de despesas com jantar de relações públicas, devendo a mesma ser cancelada, e restabelecida a dedutibilidade dos tributos envolvidos. Glosa de despesa necessária com viagem: Tratase de glosa de despesas da profissional autônoma, Claúdia Fialho, contratada pela Recorrente, a fim de cuidar das relações públicas do hotel. A fiscalização, acompanhada pela decisão de primeira instância, entendeu carecer de comprovação os serviços prestados pela profissional, sem correlação com a necessidade da Recorrente. Verificase, tanto na impugnação, como no recurso voluntário, que a Recorrente traz aos autos comunicação interna da profissional solicitando reembolso das despesas de viagem ao exterior, em face a conferência internacional de relações públicas, inclusive, no corpo do memorando menciona expressamente se tratar de “despesa da vice presidência de relações públicas da OrientExpress Hotels, como no ano anterior”(fls. 252), assim como junta contrato de prestação de serviços da referida pessoa. Neste item tem razão a autoridade fiscalizadora, não há, nos autos, qualquer relatório produzido pela profissional, exceto uma simples comunicação interna de reembolso, que demonstre a despesa vinculada a um efeito para os fins da Recorrente, mesmo que genericamente, posto que participar de evento da promovido pela controladora (OrientExpress Hotels) no exterior, sem apresentar resultados efetivos para a Recorrente, na aplicação do conhecimento e atualizações profissionais por tal viagem, na prática, apenas representou, salvo prova em contrário – reiterese não apresentada nestes autos – benefício direto no relacionamento da profissional contratada, porém fazse necessário e condizente com a despesa efetivarse a comprovação quanto ao resultado de tal viagem para a atividade da Recorrente, quando assumiu tal despesa, ainda que por conta da controladora, como bem mencionado na comunicação interna aludida. Acompanhase assim as autoridades lançadora e julgadora que antecederam, para manter a glosa das despesas com viagem de relações públicas de profissional autônoma contratada pela Recorrente, por insuficiência de demonstração probatória da necessidade para a atividade da mesma, infringindo a regra regulamentar do art. 299 do RIR/99 Glosa de despesas de itens do ativo fixo de pequeno valor: Fl. 6264DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 95 44 Tratase de glosa de despesas relativas a aquisição de vários bens utilizados na atividade da Recorrente, por entender ativáveis em face ao prescrito pelo art. 301 e parágrafos do RIR/99. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu cumulativos os requisitos exigidos para a dedutibilidade para certos bens do ativo permanente, desde que tenham baixo valor e vida útil ser inferior a um ano. No entanto, o dispositivo do artigo 301, “caput” do RIR/99, é explícito na regra alternativa: “Art. 301.O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano.” No caso da Recorrente a autoridade fiscal glosou as despesas de bens do ativo permanente de valor unitário adquiridos em conjunto. A questão reside em considerar o valor unitário do bem, em si, ou a compra em conjunto de itens iguais. Entendo que deva ser levado em consideração a utilidade do bem, ou seja, cada bem, individualmente considerado, presta utilidade própria para uso nas atividades da adquirente, no caso Recorrente. Por exemplo, foi glosada a despesa com aquisição conjunta de 16 posadores de sabão, no valor total de R$ 3.104,00, sendo que individualmente cada um tem o valor unitário de R$ 194,00. O que deve prevalecer ? Como bem apresentado no recurso voluntário, o Parecer Normativo CST no. 20/80 elucida o seguinte: “9. Conforme esclarece o Parecer Normativo CST no. 100/78 (item13), o conceito de valor unitário é função da utilidade que o bem possa prestar, singularmente tomado, ao objeto da empresa. Todavia, esse entendimento nem sempre é aplicável a qualquer situação. Nos casos de exploração de atividade cujo ciclo operacional requeira o emprego concomitante de uma certa quantidade de bens, é evidente que a utilidade funcional não pode ser aquilatada em relação a uma só unidade, mas há de considerarse logicamente a função do conjunto de bens que satisfaz ao objeto empresarial.” Na situação da Recorrente o exercício prático para identificação do critério de utilidade funcional deve ser efetuado com cuidado, posto que, no parecer supra, há distinção de utilidade de uso singular e utilidade de uso em conjunto. Pois bem, para melhor compreensão, tomemse os itens glosados: aquisição de 16 posadores de sabão; aquisição de 250 lixeiras para quartos hotel; Fl. 6265DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 96 45 aquisição de 100 vedalux importados; aquisição de 16 espelhos de parede; rádio Nextel Telecomunicações Ltda; aquisição de16 duchas; aquisição de 40 controladores digitais; aquisição de 120 controladores digitais; aquisição 40 cachepot; aquisição de 30 nautolex mariner almoxarifado; aquisição de 17 slings para espreguiçadeira; aquisição de 9 slings para espreguiçadeira; Evidentemente, considerando o objeto empresarial a atividade hoteleira da Recorrente, os bens acima relacionados, tem uso singular para utilidade funcional e como tal devem ser tratados, para serem classificados pelo seu valor unitário, na aplicação da regra do art. 301 do RIR/99, isto é, tem valor unitário inferior ao máximo regulamentar para serem consideradas despesas dedutíveis, exceto, a meu ver, os rádios Nextel, que seguramente tem vida útil superior a um ano, não obstante apresentarem valor unitário inferior ao máximo exigido. Assim sendo, é de se manter apenas a glosa de despesas as aquisições de rádios NEXTEL, da nota fiscal 158884, no valor de R$ 4.945,00. Da retificação da DIPJ 2003. O recurso voluntário requereu a reforma da decisão tomada neste item nos seguintes termos: “9.O reconhecimento parcial pela Recorrente das glosas de despesas determinadas pelo Sr. Auditor Fiscal não gerou saldo de IRPJ e CSLL a pagar, tendo em vista a existência de saldo negativo em decorrência de pagamentos por estimativa e recolhimento de IRRF. 10.Nada obstante, o acórdão recorrido entendeu que tais valores não poderiam ser utilizados para pagamento do imposto lançado, com os devidos acréscimos, uma vez que teriam sido utilizados no primeiro trimestre do ano seguinte (2003), nos seguintes termos: “21.É importante ressaltar, que a despeito de a DIPJ 2003 retificadora – ano calendário 2002, a teor das pesquisas anexadas às fls. 365/383, não apresentar saldo de imposto a pagar, tendo em vista dela constar IRRF e pagamentos por estimativa, caracterizando saldo negativo de imposto de renda, estes valores não podem ser utilizados como dedução de imposto em face de os mesmos terem sido utilizados na extinção do crédito tributário, na modalidade compensação, no primeiro trimestre do ano de 2003, conforme cópia de DCTF às fls. 414/417;” (fls. 436) (grifos nossos) Fl. 6266DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 97 46 11.Tal afirmativa carece de qualquer fundamento na medida em que, uma vez retificada a DIPJ/2003, a Recorrente também está procedendo aos ajustes de suas apurações para os períodos subseqüentes ao anocalendário 2002 e, na hipótese de se verificar a insuficiência de base negativa bem como de prejuízo fiscal a serem compensados, o valor do tributo será recolhido com os devidos acréscimos legais. 12.Ressaltese, ademais, que em função de a Recorrente ter ajustado seu resultado contábil referente ao ano calendário de 2002 e efetuado recolhimentos adicionais na forma de antecipações, o saldo negativo de IRPJ e CSLL é ainda maior do que aquele originalmente apresentado, conforme exposto a seguir. 13.No anocalendário de 2002, por estar obrigada à apuração do imposto de renda com base no lucro real, a Recorrente adotou, nos termos do art. 2º da Lei 9.430/96, a faculdade de suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, na forma do disposto no artigo 35 da Lei n.º 8.981/95. 14.Apesar de não apresentar saldo de IRPJ e CSLL a pagar em dezembro, a Recorrente apurou bases tributáveis nos meses de janeiro a março, que foram devidamente pagas. 15.Considerandose, ainda, os saldos das retenções na fonte de IRPJ e CSLL ao longo do respectivo ano calendário, a Recorrente encerrou o ano de 2002 com o seguinte saldo negativo de CSLL e IRPJ, conforme demonstrado na tabela abaixo: DIPJ – ORIGINAL IRPJ CSLL Lucro antes IR/CS (1.363.077,65) (1.363.077,65) Adições 369.113,23 367.790,87 Exclusões (217.003,06) (217.003,06) Lucro Real (Prejuízo Fiscal/BNCS) (1.210.967,48) (1.212.289,84) IRRF (65.792,82) IRRF/CSRF Órgãos Públicos (2.757,93) (574,56) Antecipações (*) (685.855,12) (331.301,86) Saldo negativo de IRPJ/CSLL (754.405,87) (331.876,42) (*) Pagamentos efetuados via Darf’s 16.Com a adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL das glosas de despesas aceitas pela Recorrente, no valor de R$ 745.879,55, assim restaram contabilizados o lucro real e o saldo negativo de IRPJ e CSLL: Fl. 6267DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 98 47 AJUSTE AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ CSLL Lucro antes IR/CS (1.363.077,65) (1.363.077,65) Adições 369.113,23 367.790,87 Auto de Infração 745.879,55 745.879,55 Exclusões (217.003,06) (217. 003,06) Lucro Real (Prejuízo Fiscal) antes Comp. (465.087,93) (466.410,29) Compensação PF/BNCS(30%) Lucro Real (Prejuízo Fiscal/BNCS) (465.087,93) (466.410,29) Pagamentos: IRRF (65.792,82) IRRF/CSRF Órgãos Públicos (2.757,93) (574,56) Antecipações (685.855,12) (331.301,86) Saldo negativo de IRPJ/CSLL (754.405,87) (331.876,42) 17.Ocorre, entretanto, que, de acordo com o Acórdão ora recorrido, deveria ter sido adicionado à base de cálculo o valor de R$ 747.679,55, de modo que haveria uma diferença, a menor, de R$ 1.800,00. Adicionandose referido valor, a Recorrente continuaria a apurar, no anocalendário de 2002, prejuízo fiscal de IRPJ e CSLL, se não como demonstrado na tabela abaixo: AJUSTE AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ CSLL Lucro antes IR/CS (1.363.077,65) (1.363.077,65) Adições 369.113,23 367.790,87 Auto de Infração 747.679,05 747.679,05 Exclusões (217.003,06) (217. 003,06) Fl. 6268DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 99 48 Lucro Real (Prejuízo Fiscal) antes Comp. (463.287,93) (464.610,29) Compensação PF/BNCS(30%) Lucro Real (Prejuízo Fiscal/BNCS) (463.287,93) (464.610,29) Pagamentos: IRRF (65.792,82) IRRF/CSRF Órgãos Públicos (2.757,93) (574,56) Antecipações (685.855,12) (331.301,86) Saldo negativo de IRPJ/CSLL (754.405,87) (331.876,42) 18.Paralelamente aos ajustes decorrentes do reconhecimento parcial das glosas de despesas determinadas no lançamento, a Recorrente, verificando a existência de créditos de PIS e COFINS incidentes sobre receitas de exportação, retificou o resultado do anocalendário de 2002 e reduziu seu prejuízo contábil em R$ 688.721,60. 19.Como havia optado pela faculdade de suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, a Recorrente foi obrigada a antecipar IRPJ e CSLL com relação aos meses de janeiro e março, no valor de R$102.266,59 e R$63.894,57, respectivamente, que foram recolhidos em 31.07.2006, com os devidos acréscimos legais. 20.Embora a Recorrente tenha encerrado o anocalendário 2002 com lucro real de R$ 157.803,57 e base de cálculo de CSLL no valor de R$156.877,92, em função das antecipações e retenções, o saldo de IRPJ e CSLL a pagar ficou negativo em R$833.948,73 e R$381.651,98, respectivamente, conforme demonstrado na tabela 1.8 abaixo: AJUSTE AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ CSLL Lucro antes IR/CS (1.363.077,65) (1.363.077,65) Crédito de PIS e COFINS 688.721,60 688.721,60 Adições 369.113,23 367.790,87 Auto de Infração 747.679,55 747.679,55 Exclusões (217.003,06) (217.003,06) Fl. 6269DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 100 49 Lucro Real (Prejuízo Fiscal) antes Comp. 225.433,67 224.111,31 Compensação PF/BNCS(30%) (67.630,10) (67.233,39) Lucro Real (Prejuízo Fiscal/BNCS) 157.803,56 156.877,91 Cálculo IRPJ: Alíquota 15% 23.670,53 Adicional 10% () PAT 4% (946,82) IRPJ apurado (acumulado) 22.723,71 AJUSTE CONTABILIDADE IRPJ CSLL Cálculo CSLL: Alíquota 9% 14.119,01 CSLL apurada (acumulado) 14.119,01 Pagamentos: IRRF (65.792,82) IRRF/CSRF Órgãos Públicos (2.757,93) (574,56) Antecipações (788.121,70) (395.196,43) Saldo negativo de IRPJ/CSLL (833.948,73) (381.651,98) 21.Destarte, afigurase totalmente improcedente a determinação constante do item 27 do acórdão recorrido (fls. 437), no sentido de que sejam cobrados os valores de R$23.751,46 e R$20.169,97, a título de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa e juros de mora. 22.Do mesmo modo, não podem proceder as alegações constantes dos itens 76 a 98 do acórdão recorrido (fls. 449 a 453) ao não aceitar as compensações efetuadas e não reconhecer a existência de saldo negativo dos tributos.” Adicionalmente, no memorial distribuído a todos os conselheiros, inclusive o relator, foram prestados os seguintes esclarecimentos adicionais sobre este tópico: Fl. 6270DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 101 50 A Recorrente apurou, no exercício fiscal de 2003, ano calendário de 2002, prejuízo fiscal e base negativa de CSLL mesmo após as retificações necessárias para adicionar as glosas lançadas no auto de infração e não impugnadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A decisão recorrida admite que a DIPJ 2003 retificadora apresenta prejuízo fiscal e base negativa da CSLL mas, inovando em relação à matéria dos autos, entende que esses valores não poderiam ser utilizados para abater o IRPJ e a CSLL devidos pois teriam sido empregados para pagamento via compensação do IRPJ e CSLL relativas aos meses de janeiro e março de 2003. Ora tal entendimento reflete um “julgamento extrapetita” na medida em que envolve um período não coberto pelo auto de infração, o ano calendário de 2003, exercício de 2004. O que a Recorrente fez ou deixou de fazer no ano calendário de 2003 não poderia ter sido analisado nesse processo, que compreende o ano calendário de 2002, exercício fiscal de 2003 e exercícios fiscais anteriores. Fatos relativos ao ano calendário de 2003, exercício fiscal de 2004 e exercícios fiscais posteriores somente poderiam ser analisados em outro auto de infração. Assim, em que se considere a bem justificada exposição arrazoada e demonstrada acima, relativamente ao retificação da DIPJ de 2003, é evidente que se trata de pedido que está fora da competência do exame desta instância recursal, seja porque fora do objeto da período fiscalizado, qual seja, 2002 e, também porque a retificadora em comento foi entregue após a decisão de primeira instância, o que por si só exclue a possibilidade de apreciação por este colegiado recursal, cabendo, por sua vez, somente a possível apreciação da mesma retificadora pela autoridade de origem, no ato de execução do julgado, para todos os efeitos de direito. Portanto, deixase de conhecer o recurso voluntário quanto a esse último item da DIPJ retificadora de 2003. Diante todo o exposto, dáse provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a glosa de despesa relativa a viagem de profissional de relações públicas e glosa de despesa de aquisição de rádios NEXTEL. È como se vota. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 6271DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1202000.923 S1C2T2 Fl. 102 51 Fl. 6272DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 04 /01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001255/2004-13
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
ERPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -CONTA CONJUNTA - Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Inteligência do parágrafo 6o, do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que deve ser interpretado em conjunto com o "caput" do mesmo dispositivo legal. Lançamento que não observa tal critério é insubsistente.
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-000.318
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Anan Júnior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200910
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 ERPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -CONTA CONJUNTA - Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Inteligência do parágrafo 6o, do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que deve ser interpretado em conjunto com o "caput" do mesmo dispositivo legal. Lançamento que não observa tal critério é insubsistente. Recurso provido
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10865.001255/2004-13
anomes_publicacao_s : 200910
conteudo_id_s : 6122868
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-000.318
nome_arquivo_s : 220200318_164086_10865001255200413_010.pdf
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Pedro Anan Júnior
nome_arquivo_pdf_s : 10865001255200413_6122868.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso
dt_sessao_tdt : Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
id : 4613454
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-09-27T18:02:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-09-27T18:02:15Z; created: 2013-09-27T18:02:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2013-09-27T18:02:15Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2013-09-27T18:02:15Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714074932293402624
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000960/2006-21
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO EM PROCESSO JUDICIAL. PERDA DE OBJETO.
Importa perda de objeto a manifestação do contribuinte pela falta de interesse no prosseguimento do feito em face de decisão judicial transitada em julgado em seu favor.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 21/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO EM PROCESSO JUDICIAL. PERDA DE OBJETO. Importa perda de objeto a manifestação do contribuinte pela falta de interesse no prosseguimento do feito em face de decisão judicial transitada em julgado em seu favor. Recurso Voluntário não Conhecido
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16327.000960/2006-21
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200817
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.732
nome_arquivo_s : Decisao_16327000960200621.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 16327000960200621_5200817.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 4539068
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932300742656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000960/200621 Recurso nº 267.041 Voluntário Acórdão nº 3102001.732 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria Auto de Infração COFINS Recorrente COOPERATIVA DE C.R. DA ZONA DE SÃO MANUEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO EM PROCESSO JUDICIAL. PERDA DE OBJETO. Importa perda de objeto a manifestação do contribuinte pela falta de interesse no prosseguimento do feito em face de decisão judicial transitada em julgado em seu favor. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 60 /2 00 6- 21 Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de impugnação (fls. 398 a 423) a Auto de Infração (fls. 371 a 383) de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, relativo a fatos geradores ocorridos no anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, lavrado pela DEINF/SPO, em 05/07/2006, com exigibilidade suspensa, por força depósito integral realizado nos autos do Processo judicial 2000.61.08.0044270. 2. O crédito tributário, assim constituído, foi composto pelos valores a seguir discriminados: COFINS R$ 73.232,99 Juros de Mora (calculados até 30/06/2006) R$ 51.978,96 Valor do crédito tributário apurado R$ 125.211,95 3. Como enquadramento legal do tributo, o autuante assinala o artigo 1°, da Lei Complementar 70/91, os artigos 2°, 3° e 8°, da Lei 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias 1.807/99 e 1.858/99 e reedições, os artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto 4.524/02, e o artigo 18, da Lei 10.684/03 (fls. 373 e 374). Para os juros de mora, indica o artigo 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96 (fl. 381). 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 384 a 387), a autoridade noticia que efetuou o lançamento da COFINS, para os períodos de apuração de 06/2000 a 04/2001, 07/2001, 08/2001, 11/2001, 12/2001, 04/2002 a 11/2002, 01/2003 a 05/2003, e 07/2003 a 09/2003, para prevenir a decadência, com exigibilidade suspensa, sem multa de oficio, em razão do depósito do montante integral do crédito tributário, consoante o artigo 4°, do Decretolei 1.737/79, nos termos do Parecer COSIT 02/99. O referido depósito foi efetuado no processo judicial 2000.61.08.0044270, cujo objeto é a declaração de inexistência de relação jurídica quanto à obrigação para recolhimento da COFINS sobre atos cooperativos. 5. Cientificado do lançamento em 12/07/2006 (fl. 393), o autuado protocolizou a impugnação em 11/08/2006 (fls. 397 e 398), na qual alega, em resumo, que: i) efetuado o lançamento em 15/07/2006, carecem de legalidade as exigências dos créditos referentes ao período de 06/2000 a 07/2001, pelo transcurso do prazo decadencial de 5 anos previsto no artigo 150, parágrafo 40, do CTN, não valendo o prazo decenal do artigo 45, da Lei 8.212/91, artigo este que viola o artigo 146, inciso III, da CF, consoante a doutrina e jurisprudência, cujos excertos colaciona; ii) o auto de infração seria nulo porque a autoridade fiscal teria se baseado em norma inconstitucional, o artigo 3°, da Lei 9.718/98, que ampliou indevidamente o conceito de faturamento, contido na Lei Complementar 70/91, correspondente ao produto da receita operacional, e fez da receita bruta a base de cálculo da contribuição, com violação ao artigo 195, parágrafo 4°, c/c o artigo 154, inciso I, da CF, conforme doutrina e jurisprudência, cujos excertos colaciona; iii) a edição da Emenda Constitucional 20/98 não alterou a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, porque esta não mais existia como lei válida quando do início da vigência da citada Emenda, conforme entendimento do STF manifestado em excerto que colaciona; Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Acórdão n.º 3102001.732 S3C1T2 Fl. 3 3 iv) a Taxa SELIC, tanto na forma de juros como de correção monetária, seria inconstitucional, pois contrariaria o princípio da legalidade, inscrito no artigo 150, inciso I, da CF, já que sua estipulação ficou sujeita a atos infralegais, além de possuir natureza remuneratória de títulos, não podendo ser aplicada nas situações de inadimplemento de tributos em que seriam cabíveis juros moratórios; ainda, pelos termos do artigo 13, da Lei 9.065/95 a taxa seria acumulada mensalmente, contrariando o ordenamento jurídico que repele a capitalização dos juros, a teor do disposto no artigo 253, do Código Comercial, além de não estar conforme a Súmula 121, do STF, e entendimento do STJ manifestado em excerto que colaciona; v) por último, a autoridade fiscal deixou de aplicar a legislação correta no lançamento, ferindo o artigo 142, do CTN, o princípio da legalidade, e o da tipicidade do artigo 97, do CTN. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Carece de legitimidade a constituição de créditos tributários levada a efeito após o transcurso do prazo decadencial de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MÉRITO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃODA MATÉRIA. Irresignação endereçada diretamente à inconstitucionalidade de dispositivos legais não é matéria passível de apreciação por parte das instâncias julgadoras administrativas, pois que lhes falece competência para obstar eficácia de lei em razão do referido vício, atribuição esta exclusiva do Poder Judiciário. JUROS. CAPITALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O sistema de capitalização não é admitido na atualização dos créditos tributários, para o que, por força das normas vigentes, os índices mensais de juros são acumulados por soma aritmética, não por soma geométrica, evitandose, assim, a incidência de juros sobre juros. APLICAÇÃO INCORRETA DA LEGISLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de aplicação incorreta da legislação quando a fundamentação legal consignada pela autoridade fiscal mostrase apropriada para legitimar a exigência integram a ao obrigação quanto a todos os elementos que lançada. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Em face da decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, pela inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos. Da leitura do auto de infração contatase que a base de cálculo do lançamento sub judice foi a receita bruta, tal como identificada no Anexo I ao Relatório de AuditoriaFiscal, folhas 352 a 355 do processo. Não havendo detalhamento da base de cálculo utilizada pela fiscalização, necessário que o processo retorne à repartição de origem para que sejam identificadas cada uma das receitas integrantes da base tributável, de tal sorte a permitir que sejam apartadas aquelas originárias dos atos cooperados, com as exclusões admitidas em Lei, das demais receitas. Por todo o exposto, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para especificação dos valores das receitas originadas dos atos cooperados e respectivas exclusões, nos termos do parágrafo precedente. Atendida a diligência demandada, o processo retorna à Turma com vistas à solução final do litígio. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Consta dos autos, requerimento protocolado pela Recorrente com o seguinte teor. COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DOS PRODUTORES DA ZONA DE SÃO MANUEL, já qualificada nos autos do processo de número em epigrafe, vem perante Vossa Senhoria, por meio de seu procurador e advogado que esta subscreve, informar que foi protocolado pedido junto ao CARF requerendo a anulação do lançamento em decorrência de acórdão transitado em julgado desonerando a recorrente do pagamento de COFINS incidente sobre os seus atos cooperativos, a qual é objeto do presente processo administrativo. Requer, portanto, os autos sejam remetidos àquele Conselho para decisão acerca de referido pedido. A informação dá conta de que a empresa logrou êxito no processo judicial, cuja tramitação já era de conhecimento deste Colegiado, por meio do qual requeria a declaração de inexistência de relação jurídica tributária com respeito á obrigação de recolher a COFINS sobre atos cooperativos. O presente feito seguiu seu trâmite normal, com base no entendimento de que não havia coincidência de objeto entre este e o processo judicial, já que, aqui, a Recorrente pretendia apenas discutir a base de cálculo imponível. A teor da informação prestada pela parte, conforme acima, entendo não haver mais nenhum motivo para o que presente processo continue tramitando, pois o crédito tributário parece ter sido excluído pela ausência de relação jurídica que suporte tal exigência. Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Acórdão n.º 3102001.732 S3C1T2 Fl. 4 5 Nestes termos, não há nem mesmo razão para que se fale em “anulação do lançamento em decorrência de acórdão transitado em julgado”, já que, havendo decisão judicial com este teor, será por força dela e não da presente, que o crédito deverá ser declarado extinto. VOTO PELA por declarar a perda de objeto do presente litígio, em face da manifestação da parte de falta de interesse na sua continuidade. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinado digiltalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001577/2004-91
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 22/05/1974
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RESPONSABILIDADE DA ELETROBRÁS.
É incabível, por falta de previsão legal, a restituição e compensação, no âmbito da Receita Federal, de valores correspondentes a cautelas de obrigações da Eletrobrás decorrentes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pelo art. 42 da Lei n2 4.156/62 e legislação posterior. Nos termos dessa legislação, é de responsabilidade da Eletrobrás o resgate dos títulos correspondentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.371
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D´Amorim
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/05/1974 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RESPONSABILIDADE DA ELETROBRÁS. É incabível, por falta de previsão legal, a restituição e compensação, no âmbito da Receita Federal, de valores correspondentes a cautelas de obrigações da Eletrobrás decorrentes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pelo art. 42 da Lei n2 4.156/62 e legislação posterior. Nos termos dessa legislação, é de responsabilidade da Eletrobrás o resgate dos títulos correspondentes. Recurso Voluntário Negado.
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10675.001577/2004-91
anomes_publicacao_s : 200906
conteudo_id_s : 5498301
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.371
nome_arquivo_s : 310200371_139374_10675001577200491_010.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Mércia Helena Trajano D´Amorim
nome_arquivo_pdf_s : 10675001577200491_5498301.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
id : 4613014
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932338491392
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-17T10:30:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-17T10:30:42Z; Last-Modified: 2009-11-17T10:30:42Z; dcterms:modified: 2009-11-17T10:30:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-17T10:30:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-17T10:30:42Z; meta:save-date: 2009-11-17T10:30:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-17T10:30:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-17T10:30:42Z; created: 2009-11-17T10:30:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-11-17T10:30:42Z; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-17T10:30:42Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 315 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 44,41W4. TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10675.001577/2004-91 Recurso n° 139.374 Voluntário Acórdão n° 3102-00.371 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 I Matéria RESTITUIÇÃO I Recorrente ARAGUARI DIESEL LTDA. Recorrida DRJ/BELEM-PA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/05/1974 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RESPONSABILIDADE DA ELETROBRÁS. É incabível, por falta de previsão legal, a restituição e compensação, no âmbito da Receita Federal, de valores correspondentes a cautelas de obrigações da Eletrobrás decorrentes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pelo art. 4 2 da Lei n2 4.156/62 e legislação posterior. Nos termos dessa legislação, é de responsabilidade da Eletrobrás o resgate dos títulos correspondentes. Recurso Voluntário Negado. , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MÉ CIAVLLEN • fi . RA-JANO D'AMORIM - Presidente e Relatora EDITADO EM: 18/09/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 , Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo do pedido de restituição ffl. 02) de R$ 203.692,25; declaração de compensação (tI. 01) e processos 10675.001784/2004-16, 10675.002272/2004-05 e 10675.004050/2004-19 apensados a este, cujo direito creditó rio seria relativo a título emitido pela Eletrobrás, no âmbito do Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica instituído pela Lei 4.156, de 1962, conforme documentos de fls. 14/59. A DRF (fls.188/194), após transcrição de trechos de acórdão proferido na DRJ/Brasília, conclui que a Secretaria da Receita Federal não tem competência para apreciação de pedidos de restituição, bem como Declarações de Compensação, de Empréstimo Compulsório da Eletrobrás com tributo e contribuição sob sua administração, por falta de previsão legal. Com relação ao processo apenso n° 10675.004050/2004-19, no despacho decisório proferido às fls. 43/46 daquele, a autoridade preparadora se posiciona pela não homologação da compensação inserida na DCOMP de f1.01 e considerada não declarada a PER/DCOMP delis. 21/24, em vista de vincula ção a crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF (Empréstimo Compulsório recolhido á Eletrobrás) e que o pedido de restituição já tenha sido indeferido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls.201/237, na qual alega, em síntese, que: essa deverá ser recebida em seu duplo efeito (devolutivo e suspensivo), sendo suspensa a exigibilidade do suposto crédito tributário, nos moldes do art. 151, III, do CTN c/c art. 17, § 11, da Lei 10.833/2003; a responsabilização solidária da União está expressa no ,sç 3° do art. 4' da Lei 4.156/62, fundamento que se confirma pela natureza tributária das obrigações em questão, sendo que é responsabilidade da Receita Federal a cobrança de tributos e contribuições federais. Cita o art. 275 do CCB e 125 do CTN; empréstimo compulsório tem natureza tributária, conforme pacífica doutrina e jurisprudência. Disserta sobre o tema; o STJ entende ser vintenária a prescrição que tem início vinte anos após a aquisição compulsória das obrigações emitidas (prazo para resgate). Após esse prazo inicia-se a contagem do prazo prescricional, que também é de 20 anos, implicando na consumação da prescrição transcorrido o lapso temporal de 40 2 Processo n° 10675.001577/2004-91 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.371 Fl. 316 anos contados da aquisição compulsória das obrigações (data de sua emissão); o crédito solicitado é suficiente para atender aos pedidos de compensação efetuados e amparados na legislação civil, como se verifica no artigo 368 e 369 da Lei 10.426/2002.Destaca o art. 37 da CF; as DCOMP apresentadas seguem regulamentação contida na IN SRF 323/2003; o Conselho de Contribuintes, no acórdão 202-10883, já determinou sua competência para o julgamento de empréstimo compulsório; o entendimento da autoridade administrativa está em desacordo com a IN SRF 210/2002, art. 13. Nesse dispositivo cita-se arrecadação mediante Darf, criado somente em 1996. A IN SRF 323/2003 vem mais uma vez validar o procedimento efetuado autorizando a compensação com os referidos créditos. A quitação de créditos tributários não se faz unicamente pela via da moeda vigente (art. 3" do CIN), sendo razoável a presunção de que qualquer título representativo de dinheiro possa quitar o tributo, ainda mais com crédito de origem tributária como o empréstimo compulsório; o art. 156 do CTN c/c arts 73 e 74 da Lei 9430/1996 e art. 1 0 e parágrafo único do Decreto 2.138/1997 trazem a admissão de restituição ou ressarcimento ao contribuinte para fins de quitação de pagamentos de tributos e contribuições federais. O legislador admitiu a utilização de créditos do contribuinte para fins de compensar débitos vencidos e vincendos sem exigir que decorressem de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Cita posicionamento de juíza da 1" Vara Federal de São Paulo. A compensação tem lastro em pelo menos cinco fundamentos insertos em nossa constituição: Cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade; a União Federal e a Eletrobrás vêm praticando reiteradamente compensações, acertos contábeis e societários (MP 2181- 45/2001 e Ata de Assembléia Geral das Centrais Elétricas/1988). Portanto, a certeza e liquidez do crédito é',reconhecida pela União que aceitou aumento de capital social da Eletrobrás, mediante conversão do referido empréstimo compulsório. Em 04/08/2005, a contribuinte, às fls. 248/262,junta ao processo cópia de ação judicial em que o autor obteve sentença favorável para compensar débitos fiscais federais com créditos decorrentes de títulos emitidos em razão de empréstimo compulsório. Apresenta ainda manifestação de inconformidade às fls. 52/89 do processo 10675.004050/2004-19, onde aborda os tópicos já mencionados, acrescentado a inexistência de fraude na conduta realizada." 3 O pleito foi indeferido, por unanimidade de votos, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA rf 09-15.970, de 06/06/2007, proferida pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 22/05/1974 Restituição. Título Emitido pela Eletrobrás. Competência. A Secretaria da Receita Federal não tem competência para apreciar pedido de restituição estribado em título emitido pela Eletrobrás. Embora a relação jurídica constituída quando da exigência de empréstimo compulsório seja Tributária, a relação advinda de sua devolução não o é. Compensação. Não podem ser homologadas compensações declaradas, onde os débitos tributários estão vinculados a créditos de natureza estritamente financeira. Solicitação Indeferida." Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, em 20/06/07, repisando os mesmos argumentos anteriores na impugnação e requer, enfim, que seja deferido seu pleito de restituição, tendo como resultado final a homologação das compensações vinculadas ao presente processo. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 314 (última), que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheira MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. No presente processo discute-se o pedido de restituição/ compensação de créditos que o recorrente alega possuir perante a União, originários de empréstimo compulsório instituído em favor da Eletrobrás pelo art. 42 da Lei ri2 4.156/62. O empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás foi instituído com a finalidade de financiar a expansão do setor de energia elétrica e passou a ser exigido a partir do ano de 1964, tendo sido objeto de sucessivas prorrogações para vigência até o exercício de 1993. O referido empréstimo compulsório foi expressamente recepcionado pelo art. 34, § 12, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. Cumpre examinar, inicialmente, a possibilidade de utilização dos referidos títulos para efeitos da extinção de créditos tributários da União. 4 Processo n° 10675.001577/2004-91 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.371 Fl. 317 As modalidades de extinção do crédito tributário estão previstas no artigo 156 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: 1- o pagamento; - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI- a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ I' e 4'; VIII - a consignação em pagamento, nos termos cio disposto no r do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI — a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei." Como se observa a modalidade de compensação inserida no inciso II do art. 156 acima transcrito está regulada pelos termos estabelecidos no art. 170 do mesmo diploma normativo, que estabelece o regime jurídico desta modalidade extintiva do crédito tributário, verbis: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Denota-se, da norma retrotranscrita, que a compensação tributária é modalidade de extinção de crédito tributário cuja aplicaçáo depende de lei especifica que discrimine as condições e requisitos necessários para a sua implementação. Não pode tal modalidade ser aplicada sem que os requisitos previstos no CTN sejam inteiramente observados e cumpridos. E além de lei especifica que autorize determinado tipo de compensação, há que se tratar de créditos líquidos e certos. A compensação de créditos com débitos tributários perante a União, surgiu apenas com o art. 66 da Lei n 2 8.383/91, cuja redação foi alterada pelo art. 58 da Lei n' 9.069/95, verbis: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1' A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2 É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 32 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4' As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." A legislação referente à compensação foi enriquecida posteriormente com os regramentos instituídos pelos arts. 73 e 74 da Lei n' 9.430/96 (esse último artigo com a alteração efetuada pelo art. 49 da Lei n 2 10.637/2002), que estabeleceram, verbis: "Art. 73. Para efeito do disposto no art. 72 do Decreto-lei ti2 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I - o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II - a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § I Q A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 22 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (.)"" (destaquei) De acordo com o art. 4 da Lei n° 11.051, de 29/12/04, o art. 74 da Lei n' 9,430, de 27/12/96, passa a vigorar com a seguinte redação (já abordado, inclusive): "Art. 74. 6 Processo n° 10675.001577/2004-91 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.371 Fl. 318 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: 1 -previstas no ,¢ 3' deste artigo; II - em que o crédito: a) seja de terceiros; 12) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1' do Decreto- Lei nQ 491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a titulo público; È) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou ej não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. "(destaquei) A matéria foi ainda disciplinada pelo Decreto nQ 2.138/97 e pela Instrução Normativa SRF ri 210/2002 , revogada pela Instrução Normativa SRF ri-̀ 2 460/2004, que estabeleceram normas para o exercício da compensação. Os citados atos administrativos instituíram a Declaração de Compensação sem que, contudo, tenham autorizado ou previsto, em nenhum momento, a possibilidade de uso das obrigações da Eletrobrás como créditos passíveis de serem utilizados para compensação com débitos decorrentes de tributos e contribuições federais. Ou melhor, a IN SRF n° 21/1997, e depois a Instrução Normativa SRF n° 210, de 30/09/2002, dispondo sobre a restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Foi também editada a Instrução Normativa n° 414/2004 aprovando o programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação, todas elas dispondo sobre a restituição, compensação e ressarcimento de créditos de tributos administrados pela SRF. A exceção existente é para o pedido de restituição de receita da União arrecadada mediante DARF, que não esteja a cargo da SRF, prevista no art. 13 da IN- SRF n° 210/2002. No entanto, o empréstimo compulsório não se enquadra nessa exceção, pois não foi recolhido por meio de DARF. Os créditos pleiteados pela recorrente - Empréstimo Compulsório —foram recolhidos diretamente à Eletrobrás na conta/recibo de pagamento do consumo de energia elétrica. Repise-se que no caso do Imposto Único os recolhimentos eram efetivados em guia aprovada pela Secretaria da Receita Federal. A respeito, cumpre ressaltar que a legislação acima transcrita é clara no sentido de autorizar tão-somente a compensação de créditos relativos a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal. Trata-se de norma expressa em lei especifica que estabelece as condições que devem ser satisfeitas para que seja implementada eventual compensação, a fim de que seja possibilitada a pretendida extinção de crédito tributário. 7 No caso em exame, as obrigações emitidas pela Eletrobrás tiveram origem em empréstimo compulsório em favor da própria Eletrobrás, exação essa que não está nem nunca esteve no rol dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. De outra parte, cumpre ressaltar, por relevante, que entre os atos disciplinadores da compensação está a Instrução Normativa SRF n' 226/2002, que é explícita quanto à impossibilidade do encontro de contas no caso de títulos públicos, dispondo também quanto ao tratamento expresso que deve ser dispensado a tais pleitos, verbis: "Art. 1' Será liminarmente indeferido: I - o pedido de restituição ou ressarcimento cujo direito creditório alegado tenha por base o "crédito-prêmio" instituído pelo art. I Q do Decreto-lei n' 491, de 5 de março de 1969; II - o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: a) o "crédito-prêmio", referido no inciso I; b) titulo público; c) crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000. Parágrafo único. Na hipótese do inciso II, deverá ser observado o disposto no ADI SRF n' 17, de 3 de outubro de 2002." (destaquei) Finalmente, no que respeita à utilização de títulos públicos para efeitos de compensação, a legislação vigente é extremamente rígida, e autoriza tão-somente a possibilidade do uso dos seguintes títulos, que expressamente indicou: a) Títulos da Dívida Agrária — TDA, para efeitos do pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR (art. 105, § "a", da Lei n' 4.504/64 e art. 11, I, do Decreto n' 578/92); e b) Letras do Tesouro Nacional - LTN, Letras Financeiras do Tesouro — LFT e Notas do Tesouro Nacional — NTN, a partir de seu vencimento, quando terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, pelo seu valor de resgate (art. 6 da Lei n' 10.179/2001). Nenhum outro título público foi relacionado entre aqueles passíveis de utilização para compensação com débitos decorrentes de tributos e contribuições. Portanto, tendo em vista os dispositivos acima citados, verifica-se claramente que, além das situações que a lei expressamente citou no que se refere aos títulos públicos acima indicados, a Receita Federal do Brasil só tem competência para compensar tributos sob sua administração. Vale dizer, a compensação só pode ser efetivada se a RFB for a um só tempo o órgão administrador do valor devido a União, bem como aquele competente para efetuar a restituição do indébito. Destaca-se que as obrigações da Eletrobrás estão classificadas como títulos públicos, a partir, inclusive, da denominação de "títulos" que foi dada a essas obrigações e da responsabilidade solidária da União, fixada pelo § 3' do art. 4' da Lei n' 4.156/62, que instituiu o empréstimo compulsório. 8 Processo n° 10675.001577/2004-91 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.371 Fl. 319 Assim, e em decorrência da conversão em títulos públicos dos empréstimos contidos nas contas mensais de energia elétrica, não há que se cogitar de compensação de empréstimo compulsório, e sim, de resgate de títulos públicos, porque assim foram designados pela legislação específica. Por todo o exposto, não existe previsão legal para a utilização dos títulos apresentados pela recorrente, vinculados às cautelas emitidas em face de empréstimo compulsório instituído a favor da Eletrobrás, com o objetivo de serem utilizados para a compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Quanto à responsabilidade da Eletrobrás para o resgate das obrigações, a legislação vigente atribui à própria Eletrobrás a responsabilidade para o resgate das cautelas das obrigações pela mesma emitidas, observado o prazo de resgate estabelecido expressamente no § 11, in fine, do art. 4° da Lei n° 4.156/62, acrescentado pelo art. 52 do Decreto-lei ri° 644/69, que alterou a legislação do empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás. Essa é a determinação expressa no art. 66 do Decreto n° 68.419/71, que estabelece, verbis: "Art. 66. A ELETROBRÁ S, por deliberação de sua Assembléia- Geral, poderá restituir, antecipadamente, os valores arrecadados nas contas de consumo de energia elétrica a titulo de empréstimo compulsório, desde que os consumidores que os houverem prestado concordem em recebê-los com desconto, cujo percentual será fixado, anualmente, pelo Ministro das Minas e Energia. 1 2 A Assembléia Geral da ELETROBRÁ S fixará as condições em que será processada a restituição. ,¢* 22 As diferenças apuradas entre o valor das contribuições arrecadadas e das respectivas restituições constituirão recursos especiais, destinadas ao custeio de obras e instalações de energia elétrica que, por sua natureza pioneira, assim definida em ato do Ministro das Minas e Energia, sejam destituídas de imediata rentabilidade, e à execução de projetos de eletrificação rural. § 3 A aplicação dos recursos referidos no parágrafo anterior far-se-á a critério da ELETROBRÁ S, sob a forma de auxílio aos concessionários de serviço de energia elétrica para posterior transformação em participação acionária da ELETROBRÁS a partir da data em que os empreendimentos realizados tiverem rentabilidade assegurada, ou sob a forma de financiamento, com prazos de carência e amortização e juros, previstos no artigo 43 e seus parágrafos, deste Regulamento."(destaquei) Assim sendo, o fato de a recorrente possuir o referido crédito de empréstimo compulsório contra a União não justifica utilizar-se do instituto da compensação tributária para usufrui-lo, mesmo porque, conforme já explanado, pelo seu caráter eminentemente financeiro também não compete à SRF promover restituição dessas obrigações. Tendo em vista a impossibilidade de restituição ou compensação no âmbito da RFB, fica desnecessário abordar alegações sobre prescrição vintenária, compensações outras 9 entre União e Eletrobrás, acertos contábeis e societários, sendo suficiente registrar que todas são estranhas à legislação tributária. Ressalte-se que no despacho decisório de fls. 43/46 do processo 10675.004050/2004-19, a autoridade preparadora, ao mencionar o art. 18 da MP n° 135/2003, referia-se à aplicação de multa isolada a aplicar-se na hipótese de o crédito ser de natureza não tributária que se encaixa na situação examinada no referido processo. Destaque-se que esse ponto não faz parte do litígio, uma vez que serviu tão-somente para encaminhamento à fiscalização (item 2 da decisão —fl. 28). Havendo lavratura de auto de infração, caberá, na época certa, impugnação por parte da contribuinte. Portanto os argumentos sobre a inexistência de fraude não mantêm relação com o pedido de restituição ou com a homologação das compensações pertinentes aos processos aqui abordados. Em derradeiro, foi emitida Súmula do 3° Conselho de Contribuintes, publicada no DOU, Seção 1, dos dias 11, 12 e 13/12/2006, vigorando a partir de 12/01/2007, COM o seguinte teor: Súmula 3°CC n° 6 - Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Por todo o exposto, constata-se que a restituição do referido empréstimo é da competência da Eletrobrás e não da Receita Federal do Brasil, tanto pela previsão expressa em favor daquela empresa como pela falta de previsão a esse órgão da administração pública direta para o deferimento do pleito da recorrente. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. RCIA HELENA WJANO D'AMORIM 10
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002629/2003-51
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. MEIOS DE PROVA
O registro da despesa médica no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela fonte pagadora, constitui elemento de prova da efetivação do gasto, legitimando a respectiva dedução.
Numero da decisão: 2201-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. MEIOS DE PROVA O registro da despesa médica no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela fonte pagadora, constitui elemento de prova da efetivação do gasto, legitimando a respectiva dedução.
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.002629/2003-51
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5183463
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-001.760
nome_arquivo_s : Decisao_11516002629200351.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 11516002629200351_5183463.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4473117
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932342685696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002629/200351 Recurso nº 171.660 Voluntário Acórdão nº 2201001.760 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente SEBASTIÃO BERLINCK BRITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. MEIOS DE PROVA O registro da despesa médica no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela fonte pagadora, constitui elemento de prova da efetivação do gasto, legitimando a respectiva dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 29 /2 00 3- 51 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/10, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 19.840,76, calculados até 09/2003. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de Metalúrgica Atlas, no valor de R$ 21.539,60. A autoridade fiscal apurou, ainda, dedução indevida com dependente; de despesas com instrução; de despesas médicas e de dedução indevida do imposto, relativa à doação realizada à Sociedade Espírita Obreiros da Vida Eterna. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... não procedeu à retificação e apresentou os documentos em tempo hábil, por motivo de doença; que reconhece a omissão de rendimentos, porém, discorda das exclusões das deduções de dependentes, com instrução e com despesas médicas; que, portanto, deve ser reduzido o valor de R$ 1.310,82 do presente lançamento. A 6ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme se verifica da leitura de parte do voto condutor do aresto proferido: Verificase que a impugnação é parcial, sendo que o contribuinte não contesta o valor do imposto de R$ 4.307,41, o qual já foi transferido para o processo nº 11516.002628/200315, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário e Extrato de Processo às fls. 21/22. (...) Em sua defesa, o contribuinte junta aos autos cópia da Certidão de Nascimento de sua filha Poliana Brito (fl. 11), nascida em 14 de dezembro de 1976. Assim, em que pese a filha ter mais de 21 anos, porém tinha menos de 24 anos, no período em referência, e o contribuinte apresentou comprovação de que a mesma era estudante de nível superior (fls. 13/14). Portanto, deve ser restabelecida a dedução com dependentes no valor de R$ 1.080,00. (...) O contribuinte comprova o pagamento de R$ 1.932,99 à Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI (fl. 14), relativo ao ensino prestado a sua filha dependente, pelo que deve ser considerado o valor limite de R$ 1.700,00, como dedutível no anocalendário. (...) O contribuinte apresenta o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, à folha 15, emitido pela fonte pagadora, no qual consta como informações complementares o valor de R$ 1.986,64 como “despesas médicas/hospitalares”. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.002629/200351 Acórdão n.º 2201001.760 S2C2T1 Fl. 3 3 Entretanto, conforme os dispositivos legais transcritos, tal documento, por si só, não é hábil a comprovar a dedução pleiteada como despesas médicas, por faltarlhe requisitos essenciais, tais como a identificação dos beneficiários dos pagamentos (nome, endereço, CPF ou CNPJ), especificação do serviço e a informação se o paciente era o próprio contribuinte e/ou seus dependentes legais. Portanto, é procedente a glosa de dedução relativa a despesas médicas efetuada pela autoridade lançadora. Intimado da decisão de primeira instância em 18/08/2008 (fl. 34), Sebastião Berlinck Brito apresenta Recurso Voluntário em 08/09/2008 (fls. 35/38), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Intimado a comprovar o pagamento de despesas médicas referentes ao AnoCalendário 2000, o Recorrente apresentou, no prazo que lhe foi fixado pela Delegacia da Receita Federal de Florianópolis SC, o documento emitido pela Fundação CELOS Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, no qual consta o pagamento àquela entidade do valor de R$ 1.986,64, a titulo de "despesas médico/hospitalares”. (...) Entende o Recorrente, inicialmente, que o tributo que a 6° Turma da DRJ/FNS pretende cobrar, através do julgamento proferido no Acórdão n° 0713053, encontrase irremediavelmente prescrito pela expressa determinação legal contida no artigo 174 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, na glosa efetuada pela autoridade fiscal, relativa à despesa médica destacada no Comprovante de Rendimentos da Fundação Celesc Seguridade Social, no valor de R$ 1.986,64. Antes de adentramos no mérito da questão deve ser ressalvado que a partir da formalização do Lançamento começa a correr o prazo prescricional (art. 174 do CTN), de 5 anos, que está sujeito à interrupção ou suspensão. Todavia, a Impugnação do lançamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme art. 151, inciso III, do CTN, e, portanto, suspende também o prazo prescricional, que somente começa a fluir com a constituição definitiva do crédito tributário. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Portanto, em razão de a cobrança do crédito tributário estar suspensa pelas Impugnações e Recursos apresentados pelo sujeito passivo, não se iniciou a contagem do prazo prescricional e, por conseguinte, não há que se falar em prescrição do crédito tributário. No mérito, assiste razão ao recorrente. O valor de R$ 1.986,64, destacado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte da Fundação Celesc Seguridade Social, relativo ao anocalendário de 2000, fl. 15, confirma que o suplicante pagou o referido valor a título de despesas médicas. Destarte, com as presentes considerações e diante da suficiência da prova documental trazida aos autos, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 1.986.64. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 51DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.002629/200351 Acórdão n.º 2201001.760 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11516.002629/200351 Recurso nº: 171.660 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.760. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 52DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012189/2005-48
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
DCTF -DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. Entrega
por via Postal, tendo em vista os problemas técnicos ocorridos nos Sistemas eletrônicos da Secretária da Receita em 15/02/2005, e, considerando que o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005 que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005, e, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia, 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF, por via postal, no dia 15/02/2005.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.149
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF -DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. Entrega por via Postal, tendo em vista os problemas técnicos ocorridos nos Sistemas eletrônicos da Secretária da Receita em 15/02/2005, e, considerando que o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005 que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005, e, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia, 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF, por via postal, no dia 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10680.012189/2005-48
anomes_publicacao_s : 200906
conteudo_id_s : 5537591
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3101-000.149
nome_arquivo_s : 310100149_10680012189200548_200906.pdf
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10680012189200548_5537591.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
id : 4613076
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932346880000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdâo 3101-00.149; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2015-10-21T13:26:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdâo 3101-00.149; xmpMM:DocumentID: uuid:b6bf49b5-a7ff-4f55-8b98-c7c01d4102f4; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdâo 3101-00.149; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-10-21T13:26:00Z; created: 2015-10-21T13:26:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2015-10-21T13:26:00Z; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2015-10-21T13:26:00Z | Conteúdo => , ! ' S3-CITl FI. 58 • • Processo nO Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10680.012189/2005-48 139.161 Voluntário 3101-00.149 - la Câmara / la Turma Ordinária 19 de junho de 2009 DCTF MEL PRO SAÚDE E SEGURANÇA LTDA DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF -DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. Entrega por via Postal, tendo em vista os problemas técnicos ocorridos nos Sistemas eletrônicos da Secretária da Receita em 15/02/2005, e, considerando que o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005 que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005, e, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF , por via postal, no dia 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. 4-- ..~-<- /?~-.r_,.o?ifO?~ /íHÉNRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente VALDETE ~ MARINHEIRO - Relato" EDITADO EM 25/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro, Tarásio Campelo Borges e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Por bem relatar, adoto o relatório da decisão recorrida de fls. 20 e 21, o qual transcrevo a seguir: "Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl.4, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do ano- calendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Como enquadramento legal foram citados.J 3° do art. 113 e art. 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional- CTN); art. 4~ combinado com o art.2~ da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2" e 6° da Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. A data de vencimento do auto de infração é 05/09/2005. Em 01/09/2005, foi apresentada a impugnação de fls. 1 a 3. Nela, alega-se que: . Ein 15/02/2005, prazo final para entrega das DCTF do 4° trimestre de 2004, os computadores do SERPRO não as recepcionavam devido a problema técnico; . A legislação de regência prevê a entrega dessa declaração apenas via internet; Entretanto, a Receita Federal adota, em diversos procedimentos, a Portaria n° 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário da Desburocratização, que veio permitir a remessa de documentos endereçados a órgão públicos por via postal; . O Ato Declaratório Normativo n° 19, de 26 de maio de 1997, disciplina que será considerada, como data de entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do AR; . O Ato Declaratório Executivo n° 24, de 08 de abril de 2005, publicado em 12 de abril de 2005, prorrogou o prazo, devido a problemas da Receita Federal; . A comunicação da prorrogação ocorreu após o ato consumado, imputando ao contribuinte uma penalidade alheia ao seu controle, pois ele não tinha como voltar no tempo, para atender o referido ato declaratório; • • • Processo nO 10680.012189/2005-48 Acórdão n.o 3101-00.149 . Posteriormente, foi recebida comunicação de que a DCTF não fora processada, porque a entrega por via postal tinha amparo legal; . Finalmente, foi recebido o auto de infração, exigindo a multa pela entrega da declaração em atraso. " A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG considerou o lançamento Procedente, em decisão assim ementada: Assunto: Obrigação Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF. ENTREGA POR VIA POSTAL Aremessa, por via postal, de CD ou disquete contendo DCTF não caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração. Lançamento Procedente. "-S3-CIT1 FI. 59 • Irresignado o contribuinte recorre da decisão, reiterando os argumentos de sua impugnação, aduzindo que foi orientado, verbalmente, pelos funcionários da Receita Federal a gravar sua declaração em meio magnético e a encaminhá-la por via postal, acompanhada do competente aviso de recebimento - AR, como prova da tempestividade de seu procedimento. Ainda, que na ausência de outro meio possível para apresentação da DCTF, a entrega da Declaração, devidamente gerada por programa da SRF e devidamente gravada em meio fisico universal, caracteriza-se como documento hábil; que tal procedimento encontra amparo na própria legislação tributária, a qual faculta ao Contribuinte o envio de qualquer documento por via postal, mediante aviso de recebimento. Alega, que o Ato Declaratório Executivo n° 24 que admitiu como entregues em 15/02/2005 todas as declarações transmitidas em 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, teve a sua publicação extemporânea, ou seja, em 08 de abril de 2005, quase dois meses após o evento que o inspirou. Deixando, portanto, de observar o ordenamento jurídico-tributário vigente. Finalmente, afirma que é incabível a exigência de penalidade do contribuinte, em razão das características materiais do fato ocorrido não terem sido respeitadas. Requer, que o Auto de Infração, ora sob análise, seja declarado insubsistente. É o relatório. 3 Voto Conselheira VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida merece reparos, pois, a matéria foi alvo do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que considerou tempestivamente entregues as DCTF apresentadas até 18/02/2005. Senão vejamos: "Dispõe sobre o prazo de entrega da Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais (DCTF) referente ao 4° trimestre de 2004. o SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso 111do art.230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4° trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão considerados entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. JORGE ANTONIO DEHER RACHID" Entretanto, é do conhecimento geral que o referido Ato somente foi publicado no Diário Oficial da União na edição do dia 12/04/2005. • Assim, levando-se em conta que a eficácia dos atos expedidos pelo Poder Público está condicionada à sua publicidade, não há como ignorar que, por via oblíqua, • prorrogou-se a entrega das declarações até o ato administrativo tomar-se apto a produzir efeitos. No caso o Recorrente, com mais razão e por orientação verbal da Receita Federal encaminhou por AR a referida declaração (DCTF) no dia 15/02/2008 em meio magnético à Receita Federal, visando elidir qualquer infração pelo descumprimento de obrigação acessória tempestivamente. Dessa forma, devem ser consideradas tempestivamente entregues as DCTF, relativas ao 4° trimestre de 2004, transmitidas até o dia 12/04/2005. Entretanto, é de observar que, a legislação de regência desta declaração prevê a sua entrega tão-somente, por meio de programa gerador específico, via internet. No caso específico, conforme se verifica, o Recorrente tinha como data-limite para entrega da DCTF, relativa aos fatos geradores do quarto trimestre de 2004, o dia 15 de fevereiro de 2005, contudo, o órgão receptor não estava cumprindo sua função, impossibilitando-lhe de remeter a sua obrigação na forma prevista. Contudo, o procedimento adotado pelo Recorrente foi correto, pois, na ausência de outro meio possível para cumprimento de sua obrigação, utilizou-se da analogia, . /~ Processo nO 10680.012189/2005-48 Acórdão n.o 3101-00.149 S3-CIT1 FI. 60 • • tendo em vista o disposto no artigo 991, do Regulamento do Imposto de Renda, e entregou a Declaração (DCTF), devidamente gerada por programa da SRF e gravada em meio magnético, por via postal, à Secretaria da Receita Federal. Desta forma e pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. É como voto. ~ VALDETE APtECI1AMARINHEIRO I! 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000266/2001-06
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Paradigmas que tratam de matéria não apreciada no acórdão recorrido não se prestam a demonstração da divergência.
Acórdão recorrido não tratou da matéria apontada como divergente
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO
A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso relativamente à averbação da reserva legal e, no mérito, negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200908
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Paradigmas que tratam de matéria não apreciada no acórdão recorrido não se prestam a demonstração da divergência. Acórdão recorrido não tratou da matéria apontada como divergente ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso especial negado.
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10620.000266/2001-06
anomes_publicacao_s : 200908
conteudo_id_s : 5274502
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-000.058
nome_arquivo_s : 920200058_301129263_10620000266200106_013.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Elias Sampaio Freire
nome_arquivo_pdf_s : 10620000266200106_5274502.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso relativamente à averbação da reserva legal e, no mérito, negar provimento ao recurso especial.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
id : 4612880
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932348977152
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:21:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:21:45Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:21:46Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:21:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:21:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:21:46Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:21:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:21:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:21:45Z; created: 2009-09-30T11:21:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-09-30T11:21:45Z; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:21:45Z | Conteúdo => CSRF-T2 4,,,,,YMPgt Fl. 2 ----'-F..,..---7 MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 ..('. • • '::"%f '. 2,1- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •S',:4:4.-,:,!,: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10620.000266/2001-06 Recurso n° 301-129.263 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.058 — 2* Turma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIA. AÇOS ESPECIAIS ITABIRA - ACESITA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Paradigmas que tratam de matéria não apreciada no acórdão recorrido não se prestam a demonstração da divergência. Acórdão recorrido não tratou da matéria apontada como divergente ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso relativamente à av - • ação da rese a legal e, no mérito, negar provimento ao recurso especial. ! a . CARLOS • BER o I i'll TAS BA' ETO — Presidenteo ../ ELIAS S • 441U FRE RE — Relato 1 EDITADO EM: 1 8 SE T 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado para fins da não incidência do ITR: a exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA no prazo normativamente disciplinado; e a averbação da reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Despacho do presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contra-razões. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo. Quanto a exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA no prazo normativamente disciplinado, está, também, demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressuposto regimental indispensável à admissibilidade do Recurso Especial. Daí, peço vênia ao ilustre presidente da câmara recorrida para divergir de seu entendimento acerca da demonstração da divergência por parte da recorrente, no que tange a averbação da reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. O acórdão apesar de ter abordado a matéria referente à averbação da área de reserva legal, não abordou a questão se esta averbação deu-se antes ou depois da ocorrência do fato gerador, objeto da divergência proposta pela Fazenda Nacional e acolhida pela Câmara a quo. Transcrevo, na parte que interessa para o deslinde da questão, excerto do voto condutor do acórdão recorrido: Como é possível verificar pelas Certidões de Registro Imobiliário dos imóveis a Recorrente firmou Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta num total de 15.059,08 ha, sendo que parte dessas áreas trata-se de reserva legal comprovada em propriedade de terceiros na forma legal: Ademais, fez juntar aos autos Ato Declaratório Ambiental no qual consta declaração de 5.174,00 ha relativos à área de reserva legal e 12.378,70 ha relativos a área de preservação permanente.. Tal ato foi SC) 2 Processo n° 10620.000266/2001-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.058 Fl. 3 . r confirmado em Laudo de Vistoria expedidi) pelo IBAMA, no qual constatou que a Recorrente matem as áreas declaradas - 12.378,70 ha de reserva legal e 5.174,00 ha de preservação permanente. Apesar da divergência entre as áreas averbadas no registro de imóveis e as constatadas pelo IBAMA, é de prevalecer a vistoria do órgão responsável pela preservação do meio ambiente Precedentes do STJ são no sentido de que paradigmas que tratam de matéria não apreciada no acórdão recorrido não se prestam a demonstração da divergência (REsp 42883 / SP, SEGUNDA TURMA, Relator MIN. PEÇANHA MARTINS, DJ 22/09/1997 p. 46396) PROCESSUAL CIVIL - RECURSO ESPECIAL - MATERIA NÃO APRECIADA NO TRIBUNAL "A QUO" - DIVERGENCL4 JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA INADMISSIBILIDADE - SUM. 13/STJ. - NÃO ANALISADA PELO ACORDÃO RECORRIDO A MATERIA DE MERITO A QUE SE ATEVE O APELO, NEM OPOSTOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO VISANDO O PREQUESTIONAMENTO DO TEMA A SER ENFRENTADO, INADMISSIVEL O RECURSO ESPECIAL FUNDADO NA LETRA "A" DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. - ACORDÃOS PARADIGMAS QUE TRATAM DE MÁ TERIA NÃO APRECIADA NO ARESTO RECORRIDO, NÃO SE PRESTAM A COMPROVAÇÃO DA DIVERGENCIA, BEM COMO AQUELES QUE SE ORIGINAM DO MESMO TRIBUNAL PROLATOR DA DECISÃO RECORRIDA. - RECURSO NÃO CONHECIDO. Igualmente, precedentes do STJ são no sentido de inocorrência da divergência se o acórdão recorrido não tratou da matéria apontada como divergente (REsp 155705 / PE, SEGUNDA TURMA, Relator MIN. PEÇANHA MARTINS, DJ 18/05/1998 p. 72): PROCESSUAL CIVIL - RECURSO ESPECIAL - COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS - MANDADO DE SEGURANÇA - CABIMENTO - MÁ TERIA NÃO APRECIADA NO TRIBUNAL "A QUO" - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTEMPESTIVOS - OMISSÃO DO ACORDÃO - DIVERGENCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA - PRECLUSÃO - CF, ART. 105, III - LEI 1.533/51, ART. I. - LEI NUM 8.038/90 - RISTJ, ART. 255 E PARAGRAFOS. - E CABÍVEL MANDADO DE SEGURANÇA PARA PLEITEAR COMPENSAÇÃO DE VALORES RELATIVOS A TRIBUTOS PAGOS A MAIOR (FINSOCIAL) COM AQUELES A PAGAR (COFINS). - MÁ TERIA NÃO DECIDIDA NO TRIBUNAL "A QUO", POR ISSO QUE INTEMPESTIVOS OS EMBARGOS DECLARA TORIOS MANIFESTADOS E NÃO ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 535, 1 E H DA LEI PROCESSUAL, E 47 3 INCABÍVEL APRECIAR EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, POR FORÇA DO DISPOSTO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. - ACORDÃOS PARADIGMAS QUE APRECIARAM O TEMA DE DIREITO, NÃO SE PRESTAM A COMPROVAÇÃO DE DIVERGENCIA JURISPRUDENCL4L SE O ARESTO HOSTILIZADO NÃO DECIDIRA A MATERIA DE MERITO OBJETO DA CONTROVERSL4. (GRIFEI) - PROFERIDA A SENTENÇA DO JUIZO SINGULAR, CABE AS PARTES, NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE, MANIFESTAR SEU INCONFORMISMO, SE HOUVER; NÃO O FAZENDO, PRECLUI O DIREITO DE FAZE-LO NESTA INSTANCIA. - RECURSOS NÃO CONHECIDOS. Assim, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte referente à averbação da reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. A questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do ITR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; 4 Processo n° 10620.000266/2001-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.058 Fl. 4 c) compro vadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 3°, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intennitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; () 5 nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; j9 a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1 0 A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse § 2 0 As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições %if\ 6 Processo n° 10620.000266/2001-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.058 Fl. 5 a) nas regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo-se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert - O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerando-se, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1° Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computar-se-ão, para efeito de .fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinaçã'o, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) § 3° Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- 7 Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551-552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CIN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do C7'N), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado -'ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) -, demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principal. Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declaratório Ambiental. 8 Processo n° 10620.000266/2001-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.058 Fl. 6 Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1°, inc. II, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem Com efeito, a exigência de ato declaratório se encontra tão-só nas alíneas 'b' e 'c' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da IN n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89, que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Portanto, a irresignação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive, porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Colaciono os seguintes precedentes: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO - A comprovação da área de Preservação Permanente, para efeito de sua exclusão na base de cákulo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Não I N existe previsao legalq ue determine a necessidade de averbar, à margem da matricula do imóvel, a área de Preservação Permanente. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03- 05.514 ) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) — ÁREAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO (PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL) — COMPROVAÇÃO — ATO DECLARATORIO AMBIENTAL (ADA) REQUERIDO FORA DO PRAZO REGULAMENTAR. - O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. Além disso, não é tal documento o único meio de prova da existência das referida áreas. Tendo o contribuinte carreado para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se excluí-las da base de cálculo do ITR.Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03 -04.244) Precedentes do STJ também são no sentido de que se permite a exclusão da base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. \( ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE 9 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Deelaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/ÁL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fwc, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1112283 / PB, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 01/06/2009) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL DO IBAMA. 1. O Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. 2. Recurso especial provido. (REsp 665123 / PR, SEGUNDA TURMA, Relatora Ministra EMANA CALMON, DJ 05/02/2007 p. 202) A segunda questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. Inicialmente, há de se esclarecer que o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 lo Processo n° 10620.000266/2001-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.058 Fl. 7 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 30 desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. 11 Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbaç 'ã o da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. .71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente a reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe imp5e. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Processo n° 10620.000266/2001-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.058 Fl. 8 Por todo • -xposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional e, n.. e conhecida, negar provimento.1/1 II • Elias Sampro Freire - Relator 13
score : 1.0
Numero do processo: 10880.012542/98-99
Data da sessão: Fri May 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: 1994
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido, face à intempestividade.
INTIMAÇÃO — CIÊNCIA DO LANÇAMENTO — A lei administrativa processual não exige que a ciência de recebimento de auto de infração seja dada por representante legal da empresa.
Assim, havendo a recusa do recebimento do "AR" no endereço da
contribuinte sob este argumento, legal a intimação procedida por
edital.
PAF - INTIMAÇÃO POR EDITAL - DATA DA INTIMAÇÃO -
Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal
resultou improficua, pode a intimação ser feita por meio de edital.
Neste caso, considera-se feita a intimação quinze dias após a
publicação do edital.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1101-000.094
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos Não Conhecer do recurso, tendo em vista sua intempestividade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 1994 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido, face à intempestividade. INTIMAÇÃO — CIÊNCIA DO LANÇAMENTO — A lei administrativa processual não exige que a ciência de recebimento de auto de infração seja dada por representante legal da empresa. Assim, havendo a recusa do recebimento do "AR" no endereço da contribuinte sob este argumento, legal a intimação procedida por edital. PAF - INTIMAÇÃO POR EDITAL - DATA DA INTIMAÇÃO - Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal resultou improficua, pode a intimação ser feita por meio de edital. Neste caso, considera-se feita a intimação quinze dias após a publicação do edital. Recurso Voluntário Não Conhecido
dt_publicacao_tdt : Fri May 15 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10880.012542/98-99
anomes_publicacao_s : 200905
conteudo_id_s : 5273125
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.094
nome_arquivo_s : 110100094_162228_108800125429899_012.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Valmir Sandri
nome_arquivo_pdf_s : 108800125429899_5273125.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos Não Conhecer do recurso, tendo em vista sua intempestividade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri May 15 00:00:00 UTC 2009
id : 4613518
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932383580160
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:35:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:35:23Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:35:23Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:35:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:35:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:35:23Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:35:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:35:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:35:23Z; created: 2009-09-09T16:35:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-09-09T16:35:23Z; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:35:23Z | Conteúdo => 1 CCOI/COI Fls. l 4r. MINISTÉRIO DA FAZENDA t.>_ tr'S- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10880.012542/98-99 Recurso n° 162.228 Voluntário Matéria IRPJ e reflexos - EX: DE 1995 Acórdão n° 1101-00.094 Sessão de 15 de maio de 2009 Recorrente DUCTOR IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS S.A. Recorrida ia TURMA/DRJ-SÃO PAULO-SP. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 1994 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido, face à intempestividade. INTIMAÇÃO — CIÊNCIA DO LANÇAMENTO — A lei administrativa processual não exige que a ciência de recebimento de auto de infração seja dada por representante legal da empresa. Assim, havendo a recusa do recebimento do "AR" no endereço da contribuinte sob este argumento, legal a intimação procedida por edital. PAF - INTIMAÇÃO POR EDITAL - DATA DA INTIMAÇÃO - Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal resultou improficua, pode a intimação ser feita por meio de edital. Neste caso, considera-se feita a intimação quinze dias após a publicação do edital. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos Não Conhecer do recurso, tendo em vista sua intempestividade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. processo n° 10880.012542198-99 CCO I /C01 Acórdão n.° 1101 -00.094 Fls, 2 ANTON RA A PRESI NTE aL.:~ DRI Formalizado em: 22 JUN 2nnq Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Ricardo da Silva, Sandra Maria Faroni, Aloysio José Percinio da Silva, Caio arcos Cândido, João Carlos de Lima Júnior e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. 2 Processo e 10880.012542/98-99 CCOI/C0 I Acôrdão a° 1101-00.094 Fls. 3 - Relatório DUCTOR INPLANTAÇÃO DE PROJETOS S.A., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, que por unanimidade de votos, JULGOU procedentes os lançamentos efetuados. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, efetuado junto ao estabelecimento da contribuinte, no qual a fiscalização constatou que a empresa, em decorrência de ter prestado serviços a entidades governamentais, diferiu o resultado até o efetivo recebimento, tendo ajustado os lucros apresentados mês a mês na declaração do Imposto de Renda do exercício 1995, porém não fazenda os ajustes nos mapas de correção do balanço. Sendo assim, a empresa apurou correções monetárias devedoras em excesso relativas aos lucros apurados mensalmente, considerados a maior nos mapas de correção e que foram oferecidas pela fiscalização à tributação, conforme expresso no Termo de Verificação Fiscal às fls. 29/32. Dessa forma, foram lavrados os Autos de Infração a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 43/44), no valor de RS 367.944,76, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 48/49), no valor de R$ 13.522,40 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 53/54), no valor de RS 98.344,54, formalizando crédito tributário no montante de R$ 479.811,70, já incluídos os juros de mora calculados até 30.04.1998 e a multa proporcional. Cientificada dos lançamentos em 19.05.1998, a Contribuinte apresentou em 18.06.1998, tempestivamente, sua impugnação às tis. 57/74, alegando em síntese que: (i) Inicialmente, esclarece que a empresa presta serviços de administração de projetos para entidades governamentais, razão pela qual tem o direito de diferir a tributação da parcela do lucro destes serviços até o efetivo recebimento das receitas, nos termos dos arts. 358 e 360 do RIR194, sendo que a parcela do lucro diferido deve ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real, procedido apenas no LALUR, onde será controlado para adicionar ao lucro líquido quando do efetivo recebimento das receitas dos serviços prestados. (ii) Destaca que os ajustes devem ser feitos exclusivamente no LALUR, sendo que na contabilidade comercial, a apropriação do resultado segue sendo feita normalmente, de acordo com o regime de competência e o que foi feito até o mês de novembro de 1994. 3 Processo n°10880.012542/98-99 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.094 Fls. 4 (iii) Aduz que no encerramento do balanço de dezembro de 1994, induzida pelo previsto na IN/SRF n° 46/1989, transferiu o valor do resultado dos serviços prestados para entidades governamentais para conta de resultados de exercícios futuros. Entretanto, informa que não lançou simplesmente o valor do resultado líquido, mas sim correspondentes receitas e respectivos custos, de todo o ano- calendário 1994. (iv) Prossegue afirmando que a conseqüência desse procedimento foi que a receita de prestação de serviços do mês de dezembro ficou negativa. Mesmo tendo consciência de que a técnica contábil tenha ficado prejudicada, preferiu manter esse critério parar estar de acordo com as regras da IN/SRF n° 46/89. (v) Ressalta que quando da entrega da declaração de rendimentos preferiu não apresentar a receita negativa de dezembro de 1994, procedendo ao rateio do estorno procedido contabilmente no mês de dezembro por todos os meses do ano-calendário no respectivo formulário (Anexo 1 A). (vi) Dessa forma, os lucros mensais apurados na contabilidade e considerados nos mapas de correção monetária ficaram maiores do que os registrados na declaração, razão das diferenças de correção monetária apurada pela fiscalização que considerou os lucros mensais constantes na declaração de rendimentos. (vii) Afirma que a fiscalização, erroneamente, sustenta que os resultados mensais, constantes da declaração de rendimentos, é que devem ser objeto de correção a partir do mês seguinte ao da sua apuração quando no entendimento da contribuinte devem ser considerados os valores reais que são os registrados na contabilidade. (viii) Reconhece que a transferência na contabilidade dos resultados com tributação diferida para a conta de resultados de exercícios fitturos estava errada, pois tanto o art. 358, §2°, quanto o art. 360 ambos do RIR/94, são claros ao determinarem que na contabilidade os valores com tributação diferida devem ser apropriados por competência. (ix) Alega, ainda, que a IN/SRF n° 46/89, norma de hierarquia inferior ao Decreto Presidencial n° 1041, de 11.01.1994, jamais poderia dispor contrariamente ao que prevêem esses dispositivos. (x) Salienta que as exigências fiscais estão fundamentadas exclusivamente no erro material cometido pela contribuinte quando do preenchimento do Anexo 1 A da sua declaração de rendimentos, erros estes que podem ser corrigidos a qualquer tempo, mediante retificação da declaração, mesmo após o lançamento de oficio. 4 Processo n° 10880.012542/98-99 CCOUCtil Acórdão n.° 1101 -00.094 Fls. 5 (xi) Nesse sentido, menciona o PN CST n° 67/86 e o acórdão CSRF/01- 0231, que manifestou o entendimento de que a impugnação pode funcionar como instrumento retificador da declaração. (xii) Ao final, requer seja julgada procedente a impugnação apresentada, para deferir a retificação pleiteada e canceladas as exigências fiscais consubstanciadas nos autos de infração. Alternativamente, requer a produção de prova pericial. À vista da Impugnação, a i a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Inicialmente, consignaram os julgadores concordaram que a contribuinte tem o direito de retificar sua declaração através da impugnação apresentada, apresentando os resultados sem os diferimentos. Entretanto, observaram que o que se deve considerar é se o procedimento adotado pela contribuinte de não diferir na contabilidade os resultados com serviços prestados a entidades governamentais está de acordo com a legislação vigente. Após transcrever o que determina a IN/SRF n° 46/90, esclareceram que para se proceder ao diferimento dos resultados, era necessário transferi-los contabilmente para a conta de resultados de exercícios futuros. Sendo que esta conta na estrutura do balanço patrimonial, conforme previsto pela Lei n° 6.404/76, não compunha o grupo das contas contábeis integrantes do patrimônio líquido e conseqüentemente não poderia ser considerada na correção monetária dos balanços, conforme previa o art. 396, I do RIR/94. Destacaram, ainda, que na Nota 772 — Condições para diferimento — descrita após o art. 360 do RIR194, está mencionada que a possibilidade da opção do diferimento dos resultados deverá ser obrigatoriamente atender ao determinado na IN n° 46/89. Concluíram, portanto, que a contribuinte não atendendo ao determinado na IN, quando da correção dos balanços mensais, corrigiu valores a maior de lucros apurados mensalmente, conforme demonstrado na contabilidade e conseqüentemente contabilizou correção monetária devedora a maior. Verificaram que os valores corretos das correções dos balanços mensais foram os apurados pela fiscalização, que considerou os resultados mensais apresentados na declaração de rendimentos no Anexo I A, que refletem os resultados após os diferimentos dos lucros apurados por serviços prestados a entidades governamentais. Quanto à alegação da contribuinte de que a IN n° 46/89 não poderia dispor contrariamente ao que previa os dispositivos do RIR194, destacaram os julgadores que cabe a autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento não entrando no mérito de sua inconsistência jurídica. Indeferiram a realização de diligência, por considerá-la prescindível ao caso. Em relação aos lançamentos reflexos, os julgadores aplicaram as mesmas razões de decidir do lançamento principal — IRPJ. Processo n" 10880.012542198-99 CCO 1/C01 Acórdão n.° 1101-00.094 Fls. 6 Pelas razões acima expostas, julgaram procedentes os lançamentos efetuados pela autoridade administrativa. Intimado da decisão de primeira instância em 31.05.2007, às fls. 92, por edital, tendo em vista que a correspondência enviada para a empresa foi recusada, fls. 91, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, intempestivamente, em 14.08.2007, às fls. 96/108, alegando em síntese o que se segue: Preliminarmente, afirma ser o recurso voluntário tempestivo, tendo em vista que nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação por edital somente poderá ser realizada quando restar improfícua a intimação por via postal ou por meio eletrônico. Nesse sentido, entende que apenas uma tentativa de entrega da correspondência, rejeitada por pessoa que nem mesmo integra o quadro de funcionários da empresa, não pode ser considerada improficua. Ademais, observa que ao contrário do que consta no Edital, fls. 92, a empresa não se encontra em lugar incerto e ignorado, uma vez que permanece domiciliada no endereço indicado nas suas declarações, tendo sido justamente esse o endereço no qual o funcionário dos Correios compareceu. Dessa forma, afirma que o prazo para a interposição do recurso voluntário começou a fluir com a ciência do acórdão recorrido em 06.08.2007, quando a procuradora da contribuinte teve vista dos autos, fls. 95, sendo, portanto, tempestivo o recurso apresentado em 14.08.2007. Aduz que durante o ano-calendário 1994, prestou serviços de administração • para entidades governamentais, utilizando-se, portanto, do beneficio fiscal de diferimento da tributação da parcela do lucro relativo a tais serviços até o momento da sua efetiva realização, conforme autorizado pelo art. 360 do RIR/94 e pelo art. 358 do mesmo diploma legal. Sendo assim, esclarece que a contabilidade comercial não deveria sofrer qualquer modificação com a realização do diferimento, devendo seguir normalmente com os registros de resultados segundo o regime de competência. Outrossim, as exclusões das parcelas de lucro ainda não recebidas deveriam ser devidamente registradas no LALUR, na forma como procedeu a empresa. Prossegue afirmando que em decorrência do reconhecimento dos resultados na contabilidade segundo o regime de competência, a contribuinte procedeu ainda a correção monetária dos valores registrados já no mês seguinte ao de sua apuração, seguindo, outrossim, a legislação vigente. Salienta que no encerramento do balanço relativo a dezembro de 1994, adequou seus registros contábeis ao disposto na IN/SRF n° 46/89, transferindo o valor dos resultados dos serviços prestados às entidades governamentais, que até então vinham sendo registrados normalmente pelo regime de competência, para a conta de resultados de exercícios futuros. .ct;2"---- 6 Processo n°10880.012542198-99 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.094 Fls. 7 Ressalta que mesmo estando ciente de que tal procedimento contrariava frontalmente as determinações do Regulamento do Imposto de Renda de 1 994 consubstanciadas em seus arts. 360 e 358, §2° do RIR194, os quais não previam a transferência de resultados para a conta de resultados futuros, a contribuinte optou por seguir a IN/SRF n° 46/89 em dezembro de 1994, oportunidade em que não efetuou apenas o lançamento do resultado liquido para a conta de resultados de exercícios futuros, mas sim as receitas de prestação de serviços, e também os respectivos custos de todo o ano-calendário 1994, tudo no mês de dezembro de 1994, originando receita negativa. Esclarece que apenas para efeito do preenchimento do anexo 1 A da sua declaração de rendimentos, a contribuinte decidiu não subtrair o somatório dos resultados da prestação de serviços às entidades governamentais apenas no mês de dezembro de 1994, justamente para evitar que este mês permanecesse com receita negativa. Assim, o valor da soma desses resultados foram rateados entre todos os meses, gerando uma pequena redução dos resultados contabilizados de janeiro a novembro de 1994 e fazendo com que o mês de dezembro voltasse a ter receita positiva. Destaca que como o registro da contabilidade estava em consonância com a legislação tributária, a contribuinte pugnou pela retificação da declaração de rendimentos, por meio da impugnação apresentada, objetivando a reforma do preenchimento do anexo 1 A, a fim de que nele constasse os mesmo valores registrados na contabilidade. Com isto, seria dirimida a divergência dos cálculos de correção monetária de balanço apurada pela fiscalização. Ressalta que a IN/SRF n° 46/89 contrariou frontalmente os arts. 358 e 360 do RIR194, normas de hierarquia superior, que possuem fundamentação legal no Decreto-lei n° 1.598/77 e que foram observadas pela contribuinte. Observa, ainda, que o Fisco não sofreu qualquer prejuízo com o procedimento adotado pela contribuinte, tendo em vista que o oferecimento à tributação dos valores cuja tributação foi diferida é controlado no LALUR e, por esse motivo, conforme previsto no art. 28 da Lei n° 7.799/89, a sua tributação é feita com correção monetária. Conclui, portanto, que a correção monetária do lucro do período acabou por ser anulada pela correção monetária dos valores diferidos cujo controle pe feito no LALUR. Pelas razões expostas, requer seja dado provimento ao recurso, cancelando-se as exigências consubstanciadas nos autos de infração. Em resposta a intimação n° 08.180/4255/2007, a contribuinte apresenta petição em 29.08.2007, fls. 114/121, juntando aos autos cópias das atas de assembléia geral ordinária e extraordinária. Às fls. 122 a autoridade administrativa informa que o recurso voluntário foi interposto intempestivamente e propõe o encaminhamento dos autos para o Conselho de Contribuintes. cca 7 Processo n° 10880.012542/98-99 CCOI/C01 Acérdâo n.° 1101-00.094 Fls. 8 Em 15.08.2008, tls. 123, o procurador da contribuinte renuncia os poderes que lhe haviam sido conferidos. É o relatório. • Processo n° I 0880.012542/98-99 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.094 Fls. 9 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. Conforme se depreende do relatório, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias efetuada junto ao estabelecimento da contribuinte, no qual a fiscalização constatou que a empresa, em decorrência de ter prestado serviços a entidades governamentais, diferiu o resultado até o efetivo recebimento, tendo ajustado os lucros apresentados mês a mês na declaração do Imposto de Renda do exercício 1995, porém não fazendo os ajustes nos mapas de correção do balanço. Sendo assim, a empresa apurou correções monetárias devedoras em excesso relativas aos lucros apurados mensalmente, considerados a maior nos mapas de correção, os quais foram oferecidas pela fiscalização à tributação, conforme expresso no Termo de Verificação Fiscal às tls. 29/32. Inconformada com a decisão que julgou procedente a autuação, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: (i) é tempestivo o recurso apresentado, por considerar nula a intimação por edital; (ii) diferiu da tributação o lucro relativo à prestação de serviços a entidades governamentais, nos termos dos arts. 358 e 360 do RIR194, registrando os apenas no LALUR; (iii) Nos termos da IN/SRF n° 46/89, em dezembro de 1994, transferiu o valor dos serviços prestados a entidades governamentais, que até então vinham sendo registrados normalmente pelo regime de competência, para a conta de resultados de exercícios futuros; (iv) tendo em vista que restou um saldo negativo em dez/94, optou por ratear os valores dos serviços prestados às entidades governamentais, gerando uma pequena redução dos resultados contabilizados de jan a nov/94 - Inicialmente, cumpre analisar a preliminar de tempestividade do recurso voluntário apresentado, suscitada pela contribuinte em sua defesa, por considerar que a fiscalização não poderia intimá-la por edital após uma única recusa do recebimento do A.R., a,: 9 Processo n° 10880.012542/98-99 CCOI/C01 Acárclüo n.° 1101-00.094 Fls. 10 por pessoa que nem mesmo integrava seu quadro de funcionários, não restando, portanto, improficuos os meios ordinatórios previstos no art. 23, I e II do Decreto n° 70.235/72. Não obstante o longo arrazoado apresentado pela contribuinte em sua defesa, objetivando demonstrar a nulidade do Edital n° 219/2007, fls. 92, tenho para mim que não merece prosperar o seu inconformismo. Isto porque, não obstante a intimação por edital seja medida excepcional, ela pode ser utilizada quando restar improficuo uma das outras formas de intimação previstas nos incisos I e II do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § l Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I - no endereço da administração tributária na internet; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (.-.),, .pcS-- 10 Pmcesso n° 10880. 012542/98-99 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.094 Fls. 11• Ora, da simples leitura do artigo anteriormente transcrito, bem como da análise dos presentes autos, constata-se que o Fisco enviou para o domicilio fiscal eleito pela contribuinte, por via postal, com prova de recebimento, cópia da decisão proferida pela DRJ lhe dando ciência da manutenção dos lançamentos. Dessa forma, diante da recusa expressa do Sr. Pardini, fls. 91, em receber a correspondência, correto o procedimento adotado pelo Fisco ao determinar a intimação por Edital. Nesse sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes a exemplo da ementa a seguir transcrita: "(...) PAF - INTIMAÇÃO POR EDITAL - DATA DA INTIMAÇÃO - Comprovado nos autos que tentativa de intimação por via postal resultou improficua, pode a intimação ser feita por meio de edital. Neste caso, considera-se feita a intimação quinze dias após a publicação do edital. (...)" (Acórdão n° 104-21005, Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) E nem se alegue que o Edital deveria ser considerado nulo, tendo em vista que a recusa foi feita por quem não era procurador da empresa ou mesmo integrava seu quadro de funcionários, pois nada obsta o recebimento da correspondência enviada para o domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo por terceiros. Sendo assim, contados 15 dias da fixação do Edital n° 219/2007 ocorrida em 16/05/2007, considera-se que a contribuinte tomou ciência em 31/05/2007, iniciado-se o prazo para apresentação de recurso voluntário em 01/06/2007 e encenando-se em 02/07/2007. Logo, tendo seu recurso voluntário sido protocolado na data de 14/08/2007, não resta dúvida quanto a sua intempestividade. Assim, diante do não conhecimento do recurso interposto, deixo de analisar o mérito abordado pela contribuinte em sua defesa. 11 Processo e 10880.012542/98-99 CCO /C01 Acórdão n.°1101-00.094 Fls. 12 A vista do acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado pela contribuinte, mantendo-se as exigências conforme lavrador pelo auditor fiscal e mantido pela r. decisão recorrida. É COMO Nr010. Sala das Sessões - DF, em 15 de maio de 2009 •1/4 12 Page 1 _0053300.PDF Page 1 _0053400.PDF Page 1 _0053500.PDF Page 1 _0053600.PDF Page 1 _0053700.PDF Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054200.PDF Page 1 _0054300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13830.002606/2005-71
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 1200
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Demonstrada a inexistência da omissão apontada, devem ser rejeitados os embargos interpostos, cabendo, entretanto, o esclarecimento de ponto que porventura tenha restado obscuro.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1301-000.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente Julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vladimir Segalla Afanasieff - OAB/SP n°208.302.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200911
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada a inexistência da omissão apontada, devem ser rejeitados os embargos interpostos, cabendo, entretanto, o esclarecimento de ponto que porventura tenha restado obscuro. Embargos Acolhidos.
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 06 00:00:00 UTC 1200
numero_processo_s : 13830.002606/2005-71
anomes_publicacao_s : 120011
conteudo_id_s : 5529242
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.232
nome_arquivo_s : 130100232_153977_13830002606200571_007.PDF
ano_publicacao_s : 1200
nome_relator_s : Waldir Veiga Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 13830002606200571_5529242.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente Julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vladimir Segalla Afanasieff - OAB/SP n°208.302.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
id : 4614684
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932387774464
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:46:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:46:43Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:46:43Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:46:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:46:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:46:43Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:46:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:46:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:46:43Z; created: 2010-04-05T15:46:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-04-05T15:46:43Z; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:46:43Z | Conteúdo => STOT1 El MINISTÉRIO DA FAZENDA .:7rsth,'n,-; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO " ss1s-P111.11s11 Processo n° 13830.002606/2005-71 Recurso.? 153.977 Embargos Acórdão n° 1301-00.232 - 3' Câmara P Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2009 Matéria IRPI E OUTROS Embargante EIRENZE REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS S1C LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 EMBARGOS DECLARATORIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada a inexistência da omissão apontada, devem ser rejeitados • os embargos interpostos, cabendo, entretanto, o esclarecimento de ponto que porventura tenha restado obscuro. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente Julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vladimir Segalla Afanasieff - OAB/SP n°208.302. t-1 lssJJXV iT LÁ. flz-t asSIzs LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VE1dA OCRA - Relator _ EDITADO EM: „I MIT? ,:min i-u lu Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottorn, Demo Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto Relatório FIRENZE REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS S/C LTDA., já qualificada nos autos, com base nas disposições do art. 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n" 147, de 25/06/2007, interpôs embargos de declaração (fls. 3382/3397) em face do Acórdão n° 105-17.131, de 13/08/2008, às fis. 3332/3357 deste processo, alegando a existência de omissão na apreciação: (i) dos documentos de fls. 2947, 3014/3015 e 3012/3013 (declaração, procuração pública e contrato); (ii) das declarações de fis. 2948/2955; e (iii) dos cheques acostados às fisl 562/765 e 1050/1070. O acórdão embargado deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRP Exercício: 2001 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INOCORRENCIA. Não há erro na identificação do sujeito passivo quando o Fisco identifica e comprova que os valores que transitaram nas contas- correntes da pessoa fisica pertenciam, de fato, à pessoa jurídica, e nesta última são tributados. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE. A Lei n u 10174, de 2001, que deu nova redação ao § 3' do art. II da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relátivas à CPMF para a Constituição de crédito tributário pertinente a outros tributas administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao principio da irretroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor ERRO NO ASPECTO TEMPORAL DO LANÇAMENTO. Devem ser excluídos da tributação os valores que, con2provadamente, dizem respeito a recebimento por vendas efetuadas em período diverso daquele considerado na autuação. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - LANÇAMENTO PROCEDENTE. Tendo sido excluídos da relação dos depósitos bancários os valores que tiveram sua origem comprovada, bem assim aqueles resultantes de transferências entre contas do mesmo titular e cheques devolvidos, é de se manter a tributação sobre o montante que remanesceu sem comprovação de origem. MULTA QUALIFICADA - UTILIZAÇÃO DE CONTAS: CORRENTESDA PESSOA FÍSICA PARA MOVIMENTAÇÃO - 2 Processo ró 13830.002606/2005-71 Sl-C3T1 Acórdão nó 1301-00.232 13. 2 DE RECURSOS DA PESSOA JURÍDICA - LANÇAMENTO PROCEDENTE. É de se manter a multa qualificada de J50% quando o contribuinte temia impedir o conhecimento do fato gerador tributário por parte da autoridade fazendaria, utilizando-se das contas-correntes da pessoa física para movimentar recursos pertencentes à pessoa jurídica. A qualificação é aplicável em face da conduta do contribuinte por ocasião da ocorrência do fato gerador tributário. Irrelevante seu procedimento após o inicio da ação ,fiscalizatória. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CIN a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme ai-É, 173, I, do CTN. • Nos embargos ora analisados, a cmbargante afirma que não teriam sido apreciados documentos por ela acostados aos autos, a saber: a procuração pública (fl. 3014) mediante a qual o Sr. Cláudio Guillen Carneiro outorgou poderes às Sras. Willianice Pereira Souza e Milena Lúcio Rezende Rocha para movimentarem a conta mantida em seu nome junto ao banco Santos; A declaração (fl. 2947) da empresa SMN Acessoria (sie) e Consultoria Financeira S/C Ltda., assinada por suas sócias Willianicc Pereira Souza e Milena Lúcio Rezende Rocha, no sentido de que a administração dos - contratos de fornecimento de móveis e serviços firmados entre a representante Firenze e os clientes vinha sendo exercida pela SIVIN. As cópias de cheques de fls. 562/765 c 1050/1070, sempre assinados pelas Sras. Willianice Pereira Souza e Milena Lúcio Rezende Rocha, sócias da SMN. Acrescenta que a apreciação desses documentos teria levado à conclusão de erro na identificação do sujeito passivo do lançamento ora discutido, ao contrário do que restou decidido no acórdão embargado. Da mesma forma, seria diferente a conclusão acerca dos valores de R$ 910.845,48 e R$ 49.700,25 levados a crédito da conta garantida n° 231.962-0 no dia 28/04/2000. A ora embargante sustenta que os documentos por ela mencionados e não apreciados pelo relator do acórdão embargado provariam cabalmente que se trata de créditos que não correspondem a ingresso de novos recursos e, portanto, não passíveis de tributação. Também não teriam sido apreciadas as declarações de fls. 2948/2955, prestadas por diversas empresas prestadoras de serviços de montagem, lay-out e transportes, no sentido de que a contrafação dos serviços era feita pela Firenze, mas que o faturamento dos serviços c emissões de notas fiscais feita diretamente da prestadora de serviços para o cliente/consumidor. Por sua ótica, se esses documentos houvessem sido levados em 3 consideração, não apenas os valores referentes à empresa Florense teriam sido abatidos da autuação, mas igualmente os valores repassados a estas outras empresas, visto ser a mesma a natureza das provas. Conclui com o pedido de que seja suprida a omissão apontada, com o exame dos documentos por ela relacionados e a aplicação dos conseqüentes efeitos infringentes aos presentes embargos. Mediante o Despacho PRESI ti 0 1301-0.122/09 (fl. 3402), o Sr. Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes designou este Relator para falar sobre os embargos, nos termos do art. 57, § 2°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. É o Relatório. • Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA A ciência do acórdão ora embargado se deu em 24/11/2008, conforme documento de fl. 3364. Dado que os embargos foram interpostos em 01/12/2008 (fl. 3382), tenho-os por tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1° do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria M F ri" 256/2009. Passo a examinar, assim, a alegada omissão. De pronto, devo esclarecer que o fato de que os documentos relacionados pela embargante não foram expressamente mencionados no acórdão embargado não significa, de forma alguma, que não tenham sido analisados quando da decisão tomada, muito menos que o relator não tenha compulsado os autos com a devida atenção, como chegou a afirmar a interessada em seus embargos. Ao contrário, todos os documentos trazidos aos autos corno provas foram devidamente examinados e cada um foi levado em conta na exata medida em que se demonstrou hábil à comprovação do pretendido, ou seja, de seu valor probante. No entanto, embora não consistindo em omissão na apreciação de provas, a falta de menção expressa a todos os documentos pode ter gerado alguma dificuldade para a interessada na compreensão dos motivos pelos quais os documentos por ela elencados não foram aceitos como prova de seus argumentos. Assim, para esclarecimento de eventuais obscuridades, conheço dos presentes embargos, e passo a discorrer sobre os documentos relacionados pela ora embargante. Documento de fis. 3012/3013; Primeira Alteração do Contrato Social de SMN Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda., datada de 14/02/1997. Documento de fl. 2947, repetido à fl. 3015: Declaração, datada de 12/01/2006, subscrita pelas Sras. Milena Lúcio de Rezende Rocha e Willianice Pereira Souza Lima, representando a pessoa jurídica SMN, nos seguintes termos: 4 Processo n° 13830.002606/2005-71 S1-C3T1 nt6rdadr1301-00.232 fil. 3 • S.M.N. [...] DECLARA para todos os fins e efeitos de direito que desde sua constituição em assumiu a administração dos contratos de fornecimento de Móveis e Serviços, celebrados entre a representante FIRENZE REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS S/C LTDA e os clientes, encarregando-se de receber os valores devidos e repassá-los à Fábrica de Móveis Florensc Ltda, aos transportadores e prestadores de serviços (Projetos — Medição — Lay outs Montagem e Assistência Técnica) bem como a parte do contrato para a representante Firenze Representações e Serviços S/C Ltda. DECLARA, ainda, que tal administração vinha sendo exercida pela nossa empresa S.M.N., mediante procuração dada pelo Sr. CLÁUDIO GUILLEN CARNEIRO, para operar !junto a instituição financeira do BANCO SANTOS e também do BANCO ITAU, entre o período de setembro de 1999 a abril do ano 2000, que a partir do dia 28 do mês de Abril, lhe transferiu todos os direitos e obrigações da pessoa física, para nossa responsabilidade e titularidade, compreendendo o saldo devedor da conta garantida junto ao Banco Santos, e os cheques nela caucionados. Documento de ff 3014: procuração pública, datada de 15(09/1999, mediante a qual o Sr. Cláudio Ciuillen Carneiro outorga às Sras. Milena Lúcio de Rezende Rocha e Willianice Pereira Souza poderes especiais para, junto ao Banco Santos S/A, movimentar contas de depósitos, emitir e endossar cheques, entre outros. Documentos de fls. 562/765 e 1050/1070: cópias de cheques diversos, de contas mentidas pela pessoa jurídica Firenze e pela pessoa fisica do Sr. Cláudio Guillen Carneiro junto ao Banco Hal) S.A., assinados pelas Sras. Milena e Willianice. Este conjunto de documentos comprova a existência de direito da SMN, CNN: 02.028.641/0001-80, e que suas sócias, a partir da data da alteração contratual (14/02/1997), passaram a ser as Sras. Milena Lúcio de Rezende e Willianice Pereira Souza Lima. Comprova, ainda, que as Sras. Milena e Willianiee tinham podereS para movimentar contas correntes mantidas pela Firenze e pelo Sr. Cláudio, e que efetivamente usaram esses poderes. Entretanto, na ausência de outros elementos, esses poderes devem ser entendidos como de meras mandatárias, agindo por conta e ordem dos titulares das contas-correntes. Finalmente, a declaração da SMN, em data posterior à lavratura do auto de infração, somente poderia receber força probante se acompanhada de outros elementos, especialmente os assentamentos contábeis c fiscais, tempestivamente escriturados e registrados, mediante os quais se pudesse constatar que a SMN efetivamente administrava não apenas os contratos de fornecimento de móveis e serviços, mas também as contas-correntes bancárias mentidas em nome de terceiros, Firenze e Sr. Cláudio. Não tendo sido esses elementos trazidos aos autos, nem qualquer outro que pudesse estabelecer a vinculação inequívoca com a S.M.N., deve prevalecer o fato de que os contratos foram firmados pela Firenze e que os valores em questão foram movimentados nas contas correntes cujos titulares eram a própria pessoa jurídica ou seu sócio, pessoa fisica, o qual, intimado, confirmou que os valores pertenciam à pessoa jurídica. Foi o que restou • consignado no parágrafo a seguir transcrito, que consta do voto condutor do acórdão embargado: Quanto à conta n°52.140-7, mantida no banco Rau, em nome do Sr. Cláudio Quilim-1 Carneiro, compulsando os autos, verifico que os créditos/depósitos efetuados nessa conta foram objeto de intimação (fls. 100 e 106/117) ao Sr Cláudio, 5 para a devida comprovação de sua origem, juntamente com a movimentação da i outra conta no banco Itan (no 59.123-6) e no banco Santos (ri 231.962-0). Por mais de uma vez (fls. 102, 104 e 1201121), o Sr. Cláudio respondeu ao Fisco "... ter utilizado as contas junto ao Banco Santos-e Fali unicamente para a movimentação decorrente de repasse de recurso entre os adquirentes de produtos e serviços representados pela minha empresa e seus respectivos fornecedores .... Não há, pois, qualquer presunção quanto aos recursos que transitaram pelas duas contas do banco Itan pertencerem, de fato, à empresa autuada Firenze. É o próprio Sr. Cláudio Guillen Carneiro que o afirma. Documentos de fls. 2948/2955: Declarações, datadas de janeiro de 2006, emitidas por Marivety Representações e Serviços Ltda., Fernando Interior Design e Representações S/C Ltda., Itália Transportes Ltda., FK Armazém Geral e Serviços Ltda., KGS Comércio e Serviços Ltda., ELEGANP Serviços Ltda., Somába Serviços Ltda. e Decor Serviços Ltda., nos seguintes termos: "...DECLARA para os devidos fins de direito, que nos anos de 1999 e 2000, prestou serviços de (Projetos — Lay outs — Montagem, etc...) em parceria com a empresa Firenze Representações e Serviços S/C Lula, relativamente aos moveis da linha da Fábrica de Móveis Florense Ltda, sendo que a contratação dos serviços de nossa empresa era feita através da Firenze, mas o faturamento dos serviços e emissões de notas Fiscais feita diretamente de nossa empresa para o cliente/consumidor. No período de 1999 até maio de 2000, os pagamentos pelos serviços prestados foram efetuados a esta empresa através da pessoa Física do Sr. Cláudio Guillen Carneiro, que administrava os contatos celebrados e encarregava-se de receber dos clientes. Declaramos, ainda que esta empresa promoveu o recolhimento de todos os tributos devido em razão dos faturamentos que efetuou. Trata-se de declarações padronizadas, certamente redigidas pela interessada após a lavratura dos autos de infração e, a seu pedido, assinadas pelas pessoas fisicas cujas firmas se encontram reconhecidas em cada declaração. Inexistem quaisquer provas acerca da existência de direito e de fato das empresas ali mencionadas e da legitimidade dos subscritores das declarações para tanto. Mas o que retira a força probante dessas declarações é, principalmente, que não foi apresentada nenhuma das notas fiscais/faturas que todos os declarantes afirmam ter emitido diretamente para os clientes/consumidores. Equivoca-se a embargante ao afirmar que as provas no que se refere ao fabricante Florense e aos declarantes acima nominados são as mesmas, e que deveriam levar a idêntica conclusão. No caso da Florense, além da declaração nesse sentido do próprio fabricante (fl. 2946) os valores repassados foram identificados individualizadamente (fls. 1047 e segs.), com data, valor, nome do cliente e número da duplicata. Ademais, o próprio Contrato de Compra e Venda com Prestação de Serviços e Outras Avenças firmado contém elementos que permitem constatar que, nesse caso, a interessada Firenze atuava corno representante ou intermediária. Cito como exemplos constarem os nomes de ambas a empresas (Florense e Firenze) no alto do contrato; as expressões "fabricante" e "representante", em alguns campos do contrato; a observação de que "os pagamentos deverão ser efetuados com cheques nominais à Fábrica de Móveis Florense Ltda. e Firenze Representações e Serviços Ltda.". Ao contrário, no que toca as outras empresas citadas nada além das meras declarações posteriores à autuação permite inferir que tenham de fato atuado de alguma forma nos negócios contratados/intermediados pela Firenze, muito menos que suas hipotéticas i /6 Processo n° 13830.002606/2005-71 SI-OU Acórdão nó' 1301-00.232 Fl. 4 atuações tenham sido de forma independente, e não subcontratadas pela Firenze, dentro do escopo dos contratos firmados com seus (da Firenze) clientes. A conclusão que se impõe é aquela a que chegou a 5 a Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sintetizada no parágrafo a seguir transcrito: Se o contribuinte pretendia tão somente gerenciar recursos pertencentes a terceiros, como afirma, deveria, antes de mais nada, contabilizar corretamente as operações e munir-se de documentação hábil e idônea que permitisse a identificação e individualização dos valores que transitaram por seu poder e que, conforme afirma, não lhe pertenciam. Inversamente, o que se verifica é a utilização de contas- correntes da pessoa tisica do sócio, com documentação precária em alguns casos e inexistente na maioria deles. Por todo o exposto, voto por conhecer dos embargos para esclarecer eventuais obscuridades e, no mérito, negar-lhes provimento, ratificando integralmente o Acórdão n° 105-17.131, de 13/08/2008. . .7 .......-7::_.• /-." ,/ __--- 1/4_._----- WALDIR VEIG' OCHA - Relator dt • 7
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000112/98-04
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO
JURÍDICO. COMBUSTÍVEIS E GASES.
Somente geram direito ao credito presumido de IPI os materiais
intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de produto
intermediário, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam
consumidos mediante contato físico direto com o produto em
fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.644
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto que deu provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200704
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. COMBUSTÍVEIS E GASES. Somente geram direito ao credito presumido de IPI os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de produto intermediário, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79. Recurso especial negado
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 11050.000112/98-04
anomes_publicacao_s : 200704
conteudo_id_s : 5387900
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : CSRF/02-02.644
nome_arquivo_s : 40202644_110500001129804_200704.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : Antonio Carlos Atulim
nome_arquivo_pdf_s : 110500001129804_5387900.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto que deu provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
id : 4618952
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932401405952
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-28T12:04:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-28T12:04:14Z; Last-Modified: 2011-10-28T12:04:14Z; dcterms:modified: 2011-10-28T12:04:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4aa87c5f-d363-4508-afba-f3edac7262c6; Last-Save-Date: 2011-10-28T12:04:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-28T12:04:14Z; meta:save-date: 2011-10-28T12:04:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-28T12:04:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-28T12:04:14Z; created: 2011-10-28T12:04:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-10-28T12:04:14Z; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-28T12:04:14Z | Conteúdo => CSRF/T02 Fls. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 11050.000112/98-04 Recurso n° 202-121.596 Especial do Contribuinte Matéria Crédito presumido materiais intermediários Acórdão no CSRF/02-02.644 Sessão de 23 de abril de 2007 Recorrente Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda Interessado Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. COMBUSTÍVEIS E GASES. Somente geram direito ao credito presumido de IPI os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de produto intermediário, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato fisico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST n' 65/79. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto que deu provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS Presidente ANTO<I0 CA • ULIM Relator Processo n.° 11050.000112/98-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 CSRF/T02 Fls. 2 Relator FORMALIZADO EM: 23 JAN 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES„ MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, ANTONIO BEZERRA NETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, FLAVIO DE SA MUNHOZ e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n.° 11050.000112/98-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte em face do Acórdão 202-14.600, de 26 de fevereiro de 2003 (fls. 205/220), no qual negou-se provimento ao recurso voluntário quanto a inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos seguintes produtos: amônia, gas, gelo, pallets para armazenagem, material para manutenção dos barcos de pesca, oxigênio, sabão liquido neutro e soda caustica. O não provimento do recurso foi fundamentado no fato de que tais produtos não se consumiram ou se desgastaram em contato fisico direto com o produto em fabricação. 0 recurso foi baseado no art. 32, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. A recorrente atacou o conceito de insumo adotado nas razões de decidir do acórdão recorrido ao restringi-lo as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se integrem ao produto final, ou que não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação por meio de contato fisico direto do insumo com o produto em fabricação ou vice-versa. Segundo a defesa, esta restrição feita corn base no Parecer Normativo CST n9- 65/79 é ilegítima, pois alem de não encontrar amparo legal viola o art. 110 do CTN. Todos os produtos intermediários utilizados para a captura do pescado e sua imediata industrialização terão que obrigatoriamente compor a base de cálculo do crédito presumido, pois além de serem indispensáveis à obtenção do produto final, sofreram a incidência das contribuições ao PIS e Cofins nas etapas anteriores. Nas fls. 233/234 do recurso citou os produtos intermediários informando o papel de cada um deles no processo produtivo. Pleiteou a correção do ressarcimento pela taxa Selic e requereu a reforma da decisão recorrida. Por meio do despacho IV 202-00.025, de 01/03/2004 (fl. 333) foi dado seguimento ao recurso especial apenas quanto aos insumos "combustível" e "gas". A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou dentro do prazo regimental as contra-razões de fls. 339/351, propugnando pela mantença do acórdão recorrido. Regularmente notificado do despacho ri 2 202-00.025 o contribuinte não apresentou contra-razões. É o Relatório. Processo n.° 11050.000112/98-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 CSRF/T02 Fls. 4 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Na questão do crédito presumido decorrente da utilização de produtos intermediários, a controvérsia gira em tomo da adoção do conceito econômico ou jurídico de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, que são os insumos geradores de crédito presumido de IPI, nos termos da Lei n' 9.363, de 1996, art. 1'. O parágrafo único do art. 3' dessa lei é de clareza vítrea ao mandar aplicar subsidiariamente a legisla aio do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. No mesmo sentido de aplicar-se subsidiariamente a legislação do IPI são os comandos da Portaria MF n' 38, de 1997, art. 3', § 16 e da IN SRF n' 23, de 1997, art. 8', parágrafo único, que, ao regulamentarem os dispositivos da Lei n ° 9.363, de 1996, preceituaram de modo expresso que: "Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI" (o grifo não consta no original). Ora, o significado e o alcance do vocábulo legislação no subsistema jurídico- tributário nos é fornecido por interpretação autêntica no art. 96 do CTN e engloba as normas complementares previstas no art. 100 do mesmo diploma, entre as quais incluem-se os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Depreende-se dai que o legislador, ao mencionar expressamente a utilização subsidiária da legislação do IPI, além fazer a opção pelo conceito jurídico de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, quis também limitar a abrangência do conceito àquele previsto no regulamento e nos demais atos normativos baixados para complementá-lo. Nessa linha de raciocínio é perfeitamente válida aplicação da orientação administrativa contida na nonna complementar batizada com o nome de Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, elidindo-se, com isso, a argüição de sua ilegalidade. A propósito, o Parecer Normativo CST n' 65, de 1979, elucida a correta interpretação do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde ao mencionado inciso I do art. 82 do RIPI/82. Pela importância do entendimento ali expendido, cumpre reproduzir as disposições do aludido Parecer: "Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n" 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 - 0 artigo 25 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8" do artigo 2" do Decreto-lei Processo n.° 11050.000112198-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 CSRF/T02 Fls. 5 n" 34, de 18 de novembro de 1966, repetida "ipsis verbis" pelo artigo 1" do Decreto-lei n" 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: "Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer". Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 - Diante disto, ressalte-se serem "ex ;lime" os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, lido se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: 'Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n" 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n°3.466 art. 2", alt. 8): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.' 4 - Note-se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo-se ás matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada ás matérias- primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma `matérias-primas' e 'produtos intermediários' são empregados 'strict° sensu', a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se constunam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejanz constunidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que TOO se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito a primeira parte da norma, que se refere a matérias-primas e produtos intermediários 'strict° sensu', ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira corn relação a um móvel ou Processo n.° 11050.000112/98-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 o papel corn referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo ern virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, laminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva Milo gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 - Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica fOrmal, de urna premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 - Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógico-formal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários `stricto sensu', vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuido, estar-se-ia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse "...e os demais produtos que forem consul/lidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente", para o mesmo resultado. 7.1 - Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o principio geral de direito consoante o qual 'a lei não deve conter palavras inúteis', o que s6 é licito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 - No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desnzente esta acepção, de vez que a expressão 'incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização' é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto n" 61.514/67 e inciso Ido artigo 32 do Decreto n" 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo CSRF/T02 Fls. 6 Processo n.° 11050.000112/98-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 CSRF/T02 Fls. 7 inatérias-pri172CIS nem produtos intermediários 'strict° sensu geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 - A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto n" 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se apetfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 - 0 dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a titulo de inovação, aparte final referente ci contabilização no ativo permanente. 9 - Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem i consumidos, no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em 'incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários `stricto sensu semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de uni contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente soft-ida. 10.2 - A expressão 'consumidos' sobretudo levando-se em conta que as restrições 'imediata e integralmente', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades fisicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. A leitura do Parecer acima reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização poderiam ser considerados matérias-primas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Esclarece, assim, que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matérias-primas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. No mesmo sentido, eis o que dispõe a nonna complementar contida no Parecer Normativo CST no 181, de 1974: geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados its instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas... bem como os produtos empregados na Processo n.° 11050.000112/98-04 Acórdão n.° CSRF/02-02.644 CSRF/T02 Fls. S manutencdo das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento..." Como se vê, ao contrario do alegado, não houve violação do art. 110 do CTN. A uma porque o conceito jurídico de insumo não foi alterado, mas apenas restringido por atos infralegais que têm pleno amparo no art. 100 do C'TN e no art. 62 da Lei n2 9.363/96. A duas porque o conceito de "insumo" não foi expressa ou implicitamente utilizado pela constituição para definir ou limitar competências tributárias. Desse modo, forçoso concluir que o combustível e o gas, conquanto possam estar compreendidos no conceito econômico de insumo, não estão aptos a gerar crédito presumido de IPI por não terem sido contemplados pela legislação do IPI, nos moldes preconizados pela Lei n ° 9.363, de 1996, art. 3°, parágrafo Inexistindo direito ao principal perdeu objeto a análise do direito ao ressarcimento pela taxa Selic. Em face do exposto,--voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2007 ANTONIO CARLOS A UM
score : 1.0
