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Numero do processo: 10880.904879/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, o processo foi convertido em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza
Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, o processo foi convertido em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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(assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário, advindo de manifestação de inconformidade. A presente fiscalização originouse da emissão do MPF Diligência 08103002013000938, em 21/02/2013, para verificação de compensações e ressarcimentos dos créditos de PIS e Cofins apurados no regime não cumulativo no ano calendário 2.009. Em 02/05/2013 foi emitido o MPF Fiscalização 08190002013017941, com prorrogação até 27/12/2013, para fiscalização RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 87 9/ 20 13 -8 9 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 3 2 de PIS e COFINS no período de 01/2009 a 12/2009, no caso em análise, mais especificamente o 4º trimestre de 2009. A Recorrente atua, preponderantemente, no ramo de fabricação de açúcar e álcool para uso carburante. Do Termo de Verificação Fiscal, extraemse alguns trechos, em especial aqueles que se referem às glosas, que foram realizadas pela fiscalização: Da analise dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa e com base nos fundamentos legais expostos, muitos dos itens constantes nas planilhas não estão de acordo com as previsões apontadas acima. Após essa analise a fiscalização elaborou anexos com os itens contidos nas respectivas planilhas apresentadas que foram objeto de glosas indicando os seus motivos. 1. Agrícola Contem despesas de notas fiscais de prestação de serviços pagas a fornecedores pessoas jurídicas, com atividades de transporte, fornecimento de mão de obra, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização, colheita, corte, carregamento e transporte da cana de açúcar e serviços gerais na lavoura. Não foram aceitas como base de créditos por estarem todas vinculadas aos centros de custos agrícolas identificados como: Administração, Alojamento Agrícola, Balança de Cana, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Carregamento/Reboque Cana Inteira, Carregamento/Reboque Fornecedores Cana, Carregamento/Reboque Terceirizado Cana, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Estaleiro, Estradas/Cercas/Pontes, Outras Culturas Agrícola, Oficina Mecânica Veículos, Plantio, Plantio Contratos, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Terceirizado, Reboque de Cana Picada Administrada, Reboque Fornecedor Cana Picada, Reboque Terceirizado Cana Picada, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta Cana Soca, Segurança do Trabalho, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços Tratos Culturais, Transporte Cana Picada Terceirizada, Transporte Cana Inteira Terceirizada, Transporte Administrada Manual, Transporte Fornecedor Cana Picada, Transporte Administrada Mecânico, Transporte Administrada Manual, Trato Cana Administrada, Trato Cana Fornecedor, Trato Manual, Trato Planta, Trato da Soca, Trato Soca Terceirizada, Trato Terceirizado Cana Inteira e Vinhaça. (...) 2. Arrendamento Agrícola Constam, nessa planilha, despesas contidas em documentos contábeis com serviço de arrendamento agrícola vinculados ao centro de custo cana de açúcar produção própria, entrada de notas fiscais de prestação de serviços, portanto, despesas com a cultura da cana de açúcar, não sendo permitido o crédito em razão de não se tratar de insumos de fabricação do produto. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 4 3 Os documentos contábeis estão lançados na conta “Despesas Operacionais – Aluguéis e Arrendamento – Arrendamento Agrícola”. Tratamse de pagamentos baseados em contrato intitulados ‘Instrumento Particular de Contrato de Parceria Agrícola”, “Instrumento Particular de Contrato de Arrendamento” ou “Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Cana de Açúcar”. Os contratos de parceria agrícola prevêem a partilha de frutos, geralmente, na proporção de 10% para a parceira proprietária e 90% para a parceira agricultora (Cosan) garantindo uma quantidade mínima de toneladas de cana por alqueire/safra para o proprietário. Nos contratos de arrendamento o arrendante recebe um valor fixo de toneladas de cana de açúcar, sendo o preço da tonelada de cana calculada nos termos do regulamento do Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo – Consecana. Não se tratam de contratos de arrendamento mercantil, pois a Cosan S/A Açúcar e Álcool não é uma instituição de operação de créditos (regulada pelo Banco Central). O arrendamento de terras não pode ser enquadrado como aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, previsto nos incisos IV dos artigos 3º das Leis 10637/02 e 10833/03, entendendose prédio como uma edificação e não áreas de terras para cultivo agrícola, ou seja, não se pode ampliar os direitos aos créditos através de uma interpretação ampla de uma palavra contida na lei. Dessa forma entendeuse que essas despesas não se enquadram em nenhum fundamento legal para apuração de créditos. A seguir os totais mensais apresentados e glosados: (...) 3. Revenda Óleo Diesel Composta por notas fiscais de venda de óleo diesel, que são descontadas dos créditos nas aquisições de óleo diesel, devido à impossibilidade da identificação no momento da aquisição do óleo. A empresa adquire óleo diesel de acordo com as notas fiscais de entrada constantes na planilha “Notas Fiscais” e, revende parte desse combustível, emitindo notas fiscais de saída com CFOP 5656 ou 6656 (venda de combustível ou lubrificante, adquiridos ou recebidos de terceiros, destinados ao consumidor ou usuário final). O óleo diesel é combustível consumido pelas máquinas agrícolas, na cultura da cana de açúcar, e pelos caminhões, no transporte desta até a usina, portanto não é combustível utilizado na produção do açúcar e do álcool. A indústria utilizase do vapor d’água, gerado com a queima do bagaço da cana para mover picadores, desfibradores, moendas, destilarias, etc, bem como de energia elétrica necessária em vários setores da indústria. Dessa forma as aquisições de óleo diesel foram glosadas na planilha “Nota Fiscal” e como conseqüência não foram consideradas as deduções na base de créditos dos totais da planilha “óleo diesel”. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 5 4 (...) 6.1 Centros de Custos Identificados Foram selecionados os itens vinculados a centros de custos que não estão ligados diretamente com a produção, não podendo ser considerados bens e serviços utilizados como insumo na produção do açúcar e álcool. São aquisições utilizadas na área agrícola, setores administrativos da empresa ou de apoio, não ligados diretamente com a fabricação dos produtos destinados à venda. 6.1.1 cc agrícola Glosadas as despesas vinculadas aos seguintes centros de custos da área agrícola – administração/controle agrícola, alojamento agrícola, balsa, cana de açúcar produção terceirizada, carregamento/reboque de cana, colhedeira de cana picada, colheita de cana, comboio de abastecimento, corte mecanizado de cana, desenvolvimento agronômico, estaleiro, implementos agrícolas, manutenção de campo, mão de obra agrícola, mecanização agrícola, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas leves, mecanização máquinas médias, mecanização máquinas pesadas, mecanização plantio mecanizado, oficina manutenção colhedora, oficina mecânica tratores, oficina mecânica veículos, oficinas de implementos, plantio, plantio contratos, portos, preparo do solo, preparo e plantio terceirizado, reboque, reboque de cana picada, reboque fornecedor de cana picada, reboque Julieta próprio, reboque terceirizado de cana picada, rouguing, serviços auxiliares, serviços de tratos culturais, serviços de fornecedores de cana, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícola, transporte colheita, transporte agrícola, transporte agrícola colheita, transporte de cana adm manual, transporte de cana adm mecanizada, transporte colheita, transporte fornecedor de cana picada, transporte fornecedor de cana inteira, transporte mec cana administrada, transporte terceirizado de cana picada, trato da planta, trato da soca e vinhaça (...) 6.1.2 cc não lig prod Glosadas as despesas vinculadas aos centros de custos administrativos e não ligados diretamente com a produção, composto por aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, limpeza, etc. Administrativos: administração, almoxarifado/recebimento, assistência social, expedição, incentivo vale transporte. 6.1.3 não é ins prod ccc Nos centros de custos ligados à produção foram glosadas aquisições de peças e componentes de máquinas agrícolas identificados na coluna descrição grupo de mercadorias como: carregadeiras de cana Motocana, colheitadeiras de cana Case e John Deere, cultivadores, plantadeiras, transbordo, acessórios de irrigação, máquinas Caterpillar, Fiat Allis, New Holland, Ford, Massei Fergunson, Valtra, caminhões Mercedes, Scania, Reboques. Também foram selecionados Fl. 805DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 6 5 os serviços de coleta de barro, fuligem, torta de filtro e análises de amostras purificação de óleo, lavagem de big bag, todos, itens não ligados com a produção do açúcar e álcool. 6.2 Centros de Custos não identificados Nos itens sem vínculos com centros de custos a análise passou a ser feita através da identificação “descrição grupo mercadoria” e “descrição do material". 6.2.1 agricola scc (...) 6.2.2 combustivel não prod (...) 6.2.3 graxas e lubr não útil. prod (...) 6.2.4 embalagens (...) 6.2.5 insumos indiretos (...) 6.2.6 não insumo prod (...) 6.2.7 prod quimico não prod (...) 6.2.8 transporte interno (...) 6.2.9 portuárias – NOTAS FISCAIS ME (...) 6.3 Centros de Custos e Descrição do Grupo de Mercadorias sem identificação Após a analise através dos “Centros de Custos” e quando não disponível essa informação, através da “Descrição do Grupo de Mercadorias” restaram, ainda, despesas a serem analisadas, sem constar, também, informação na coluna “Descrição do Material”. Sobrou apenas a informação do Fornecedor. Verificase que se tratam, principalmente, de pagamentos de serviços de fretes rodoviários e ferroviários no transporte de açúcar e álcool, aquisições de produtos químicos e combustíveis. 6.3.1 sem identif Fl. 806DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 7 6 As despesas sem a possibilidade de identificação não foram aceitas. Através da razão social do fornecedor foi possível manter as aquisições de produtos químicos utilizados na produção, bagaço de cana, levedura e transportes de açúcar e álcool. Foram glosadas as demais despesas sem possibilidade de identificação ou por se tratar de aquisições de fertilizantes, combustíveis, transportes de resíduos e passageiros, que foram objeto de glosas nas analises descritas anteriormente. (...) 6.3.2 energia (Cosan S/A Bioenergia) (...) 6.4.1 não é locação (...) 7. Depreciação Como a apuração de créditos em relação aos bens do ativo imobilizado está restrita àqueles adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, e sendo a atividade da empresa fabricação de açúcar e álcool, os valores relativos aos bens não utilizados na área industrial serão glosados. É permitida a apuração de créditos sobre benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa, dessa forma foram mantidas todas as obras informadas. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório, sendo que apresentou manifestação de inconformidade, onde arguiu em síntese: a) Que os créditos desconsiderados pela fiscalização são utilizados no seu processo produtivo, portanto, configuramse como insumos Ademais, na medida em que se referem a bens e serviços utilizados como insumos de sua produção de açúcar e álcool, estando em consonância com o disposto nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. Transcreveu jurisprudência do CARF, que corroboraria seu entendimento, no sentido de que os créditos apurados pela Recorrente estão todos vinculados à sua atividade produtiva; b) Ela descreve as várias etapas do seu processo produtivo, tentando demonstrar que os créditos glosados são insumos e anexa um laudo técnico; c) No tocante aos “créditos de arrendamento agrícola”, alegou que o conceito de aluguel de prédio engloba também o arrendamento de propriedades rurais; d) Sobre o óleo diesel, argumentou que sua utilização em maquinário agrícola, que participa do processo produtivo agroindustrial como já explicado, justifica a apropriação de créditos, e aplica o mesmo raciocínio à graxa; e) Com relação aos créditos de devoluções de óleo diesel, glosados pela fiscalização por se tratar de produto de tributação monofásica, explicou que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 conferiu claramente aos contribuintes que vendem produtos submetidos à alíquota zero de PIS/COFINS o direito de manutenção dos créditos relativos à aquisição deste produto; Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 8 7 f) Em relação ao tópico “Créditos de Notas Fiscais e Notas Fiscais ME” (item 6 do Termo de Verificação Fiscal), reiterou sua argumentação no sentido de incluir os valores do “centro de custo agrícola”; g) As despesas relacionadas às atividades incorridas em laboratório, para desenvolvimento eficaz do plantio e colheita da cana, assim como todos os custos incorridos com manutenção do maquinário utilizado para o seu processamento e transporte, afiguramse nitidamente essenciais e indispensáveis ao desempenho das suas atividades, razão pela qual lhe assiste direito ao crédito de PIS e COFINS decorrentes de tais despesas; h) Reiterou a argumentação relativo à essencialidade dos insumos, mesmo que ligados à atividade agrícola, em relação aos itens “6.1.3 não é ins prod ccc”, “6.2.1 agrícola scc”, “6.2.2 combustível não prod” e “6.2.3 graxas e lubr não útil. prod”. No tocante ao item “6.2.4 embalagens”, alegou que, mesmo não integrando o produto final, as embalagens configuram custos imprescindíveis à individualização e transporte do produto em processamento. As glosas sob rubrica “6.2.5 insumos indiretos” seriam igualmente improcedentes, pois a fiscalização tratou os bens nela incluídos como bens genéricos, sem buscar o conhecimento do efetivo uso nos maquinários e equipamentos para produção, além de desconsiderar, novamente, a atividade agrícola como parte da produção; i) Quanto ao item “6.2.6 não insumo prod”, também estariam ligados ao uso de equipamentos e maquinários, o quais estão voltados à produção do açúcar e do álcool, portanto, tais glosas não merecem prosperar. Sobre o item “6.2.7 – prod químico não prod”, ele referese a produtos químicos utilizados em análises e tratamento de água, por exemplo, estando ligados ao processo produtivo, principalmente agrícola. Refutou as glosas de créditos sobre as despesas dos itens “6.2.8 – transporte interno” e “6.2.9 – portuárias – Notas Fiscais ME”, pois não se pode restringir o direito de crédito relativo às despesa com frete nas operações de venda, sob pena de ignorar a relação direta que esse tipo de despesa tem com o processo produtivo da Recorrente. Destacou que não há diferença entre o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação de produto acabado no estabelecimento vendedor, pois todos são custos de produção, nos termos da Lei nº 6.404/1976, art. 187, II; j) Por se tratarem de custos e despesas que se afiguram indispensáveis ao desenvolvimento do processo produtivo da empresa, defendeu a manutenção dos créditos apurados com aquisições de fertilizantes, combustíveis, transportes de resíduos e passageiros, os quais foram objeto de glosa no item “6.3.1 – sem identif”; l) Quanto às despesas de energia elétrica, elas estão previstas no art. 3º, III da Lei nº 10.833, e foram realizadas em estabelecimentos da peticionária, não devendo prevalecer a glosa; m) Também seria improcedente a glosa sobre aluguel e condomínio de espaço (6.4.1 – não é locação), pois são todos eles utilizados nas atividades da empresa, não fazendo o inciso IV, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/03 qualquer distinção sobre que tipo de atividade (industrial, comercial, ou administrativa) deve ser exercida no local; Fl. 808DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 9 8 n) Sobre os créditos relativos à depreciação, reiterou que a atividade agrícola é parte integrante de seu processo produtivo, e a depreciação das máquinas nela empregadas dão, conseqüentemente, direito a crédito; o) Por fim, insurgiuse ainda contra o que chamou de duplicidade de cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS referente aos créditos apurados no exercício de 2009. Alegou que, tendo a autoridade administrativa efetuado o lançamento das contribuições por auto de infração no processo nº 10880.723861/201388, não poderia têla feito novamente em análise dos PER/DCOMPS apresentados, que referese a mesma matéria e o mesmo período, pois a situação não se enquadra no previsto no art. 149 do CTN, que trata da revisão de lançamento. Da manifestação de inconformidade, sobreveio o acórdão, da DRJ/Ribeirão Preto, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Cientificada da decisão do acórdão da manifestação de inconformidade, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, no qual repisou os argumentos já explicitados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 08 de abril de 2015 e o recurso foi protocolado em 08 de maio de 2015. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da necessidade de diligência Observase ao analisar o Termo de Verificação Fiscal, que há muitas despesas dentro de um mesmo centro de custos, sendo impossível realizar uma segregação de despesas, a fim de analisar se o insumo participa ou não do processo produtivo. Por exemplo, no item IV Glosas, 1. Agrícola, observase dentro das glosas, os seguintes termos: Administração, Portos. Como estariam tais custos vinculados às glosas agrícolas? Fl. 809DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 10 9 Assim, diante do impasse verificado, fazse necessária a conversão do feito em diligência para: 1. identificar a natureza (descrição do serviço ou bem adquirido, sua finalidade, local de aplicação) dos itens abaixo glosados, especificando a conta contábil a que se refere; IV Glosas 1. Agrícola Contem despesas de notas fiscais de prestação de serviços pagas a fornecedores pessoas jurídicas, com atividades de transporte, fornecimento de mão de obra, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização, colheita, corte, carregamento e transporte da cana de açúcar e serviços gerais na lavoura. Não foram aceitas como base de créditos por estarem todas vinculadas aos centros de custos agrícolas identificados como: Administração, Alojamento Agrícola, Balança de Cana, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Carregamento/Reboque Cana Inteira, Carregamento/Reboque Fornecedores Cana, Carregamento/Reboque Terceirizado Cana, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Estaleiro, Estradas/Cercas/Pontes, Outras Culturas Agrícola, Oficina Mecânica Veículos, Plantio, Plantio Contratos, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Terceirizado, Reboque de Cana Picada Administrada, Reboque Fornecedor Cana Picada, Reboque Terceirizado Cana Picada, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta Cana Soca, Segurança do Trabalho, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços Tratos Culturais, Transporte Cana Picada Terceirizada, Transporte Cana Inteira Terceirizada, Transporte Administrada Manual, Transporte Fornecedor Cana Picada, Transporte Administrada Mecânico, Transporte Administrada Manual, Trato Cana Administrada, Trato Cana Fornecedor, Trato Manual, Trato Planta, Trato da Soca, Trato Soca Terceirizada, Trato Terceirizado Cana Inteira e Vinhaça. (...) 6. Notas Fiscais e Notas Fiscais ME (...) 6.1 Centros de Custos Identificados (...) 6.1.1 cc agrícola Glosadas as despesas vinculadas aos seguintes centros de custos da área agrícola administração/controle agrícola, alojamento agrícola, balsa, cana de açúcar produção terceirizada, carregamento/reboque de cana, colhedeira de cana picada, colheita de cana, comboio de abastecimento, corte mecanizado de cana, desenvolvimento agronômico, estaleiro, implementos agrícolas, manutenção de campo, Fl. 810DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 11 10 mão de obra agrícola, mecanização agrícola, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas leves, mecanização máquinas médias, mecanização máquinas pesadas, mecanização plantio mecanizado, oficina manutenção colhedora, oficina mecânica tratores, oficina mecânica veículos, oficinas de implementos, plantio, plantio contratos, portos, preparo do solo, preparo e plantio terceirizado, reboque, reboque de cana picada, reboque fornecedor de cana picada, reboque Julieta próprio, reboque terceirizado de cana picada, rouguing, serviços auxiliares, serviços de tratos culturais, serviços de fornecedores de cana, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícola, transporte colheita, transporte agrícola, transporte agrícola colheita, transporte de cana adm manual, transporte de cana adm mecanizada, transporte colheita, transporte fornecedor de cana picada, transporte fornecedor de cana inteira, transporte mec cana administrada, transporte terceirizado de cana picada, trato da planta, trato da soca e vinhaça. São basicamente aquisições de peças, equipamentos, acessórios utilizados em caminhões e máquinas agrícolas, e também, serviços aplicados na manutenção das máquinas e caminhões ou diretamente na lavoura. (...) 6.1.2 cc não lig prod Glosadas as despesas vinculadas aos centros de custos administrativos e não ligados diretamente com a produção, composto por aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, limpeza, etc. Administrativos: administração, almoxarifado/recebimento, assistência social, expedição, incentivo vale transporte. Centros de custos não ligados diretamente com a produção: águas residuais, armazém de açúcar externo, armazém de açúcar interno, balança de cana, borracharia, captação de água, central de ar comprimido, laboratório industrial/microbiológico, laboratório de meristema, laboratório teor sacarose, limpeza operativa, manutenção conservação civil, manutenção mecânica, oficina elétrica, oficina mecânica e tratamento de água. (...) 6.1.3 não é ins prod ccc Nos centros de custos ligados à produção foram glosadas aquisições de peças e componentes de máquinas agrícolas identificados na coluna descrição grupo de mercadorias como: carregadeiras de cana Motocana, colheitadeiras de cana Case e John Deere, cultivadores, plantadeiras, transbordo, acessórios de irrigação, máquinas Caterpillar, Fiat Allis, New Holland, Ford, Massei Fergunson, Valtra, caminhões Mercedes, Scania, Reboques. Também foram selecionados os serviços de coleta de barro, fuligem, torta de filtro e análises de amostra, purificação de óleo, lavagem de bigbag, todos, itens não ligados com a produção do açúcar e álcool. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 12 11 (...) 6.2 Centros de Custos não identificados (...) 6.2.5 insumos indiretos Foram apresentados diversos itens utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes tanto na área agrícola como no parque industrial, como pinos, ferramentas, arruelas, acoplamentos, anéis, buchas, correias, correntes, cordas, cotovelos, discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, filtros, terminais, barras de aço, vigas de aço, adesivos, grampos, borrachas, conexões, tubos, flanges, dentre outros, para os quais a empresa não apresentou detalhes técnicos que garantam a sua utilização em máquinas que produzam diretamente álcool e açúcar, nem estão vinculados a centros de custos de produção. Em conseqüência, foram tratados como itens genéricos utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes no seu parque agrícola e industrial; assim sendo, tratamse de insumos indiretos de produção que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Estão identificados em “descrição grupo mercadoria” como: acessórios para rolamentos, anéis vedação, barras metálicas, borrachas, cabos de aço, chapas metálicas, componentes diversos, compressores diversos, conexões diversos, filtros, gaxetas, guinchos, mancal, mangueiras e tubos, perfis metalicos, plasticos, pregos, rebites, retentores, rolamentos, tecidos metálicos e tubos. (...) 6.2.6 não insumo prod Também foi considerado como não sendo insumo as despesas pertencentes aos grupos de mercadorias: artigos e utensílios de escritório, baterias e bombas automotivas, equipamentos/acessórios/materiais, clinica medica, materiais de laboratório, serviços construção civil, transformadores, vidraria de laboratório e serviços profissionais. São aquisições de faca, baterias automotivas, refil, balão vidro, filtro, papel de filtro, densimetro, termômetro, grafite, buretas, pipeta, lança e gatilho pulverizador, serviços análise amostragem, de inspeção visual e purificação de óleo lubrificante, que não podem ser considerados insumos de produção. (...) 6.2.7 prod quimico não prod Adquiridos produtos químicos como sulfatos, ácidos, benzina, reagentes, soluções, resinas, enzimas, biocida, fungicida, desingripantes, pastilhas, colas, anticorrosivos, limpadores contatos, revelador, acelerador, solventes, agentes coagulantes, clarificante de água identificados em “descrição do grupo de mercadoria”: produtos químicos diversos, produtos químicos para analises e produtos Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 13 12 químicos para tratamento de água. Esses produtos não são utilizados na produção do açúcar e do álcool, sendo, portanto, glosados. (...) 6.2.8 transporte interno Notas fiscais identificadas em “descrição grupo mercadoria” serviços transporte de carga pessoa jurídica e constando como materiais: serviço de frete depósito mi e diárias de caminhões usina me. As despesas são pagamentos de diárias de caminhões, sem previsão legal para apropriação de créditos. Existe direito ao credito quando se tratar de fretes ligado necessariamente a uma operação de venda, que não é o caso. Dessa forma, a movimentação de mercadorias entre os estabelecimentos, ou de produtos acabados dentro da industria, não geram créditos. (...) item 6.2.9 portuárias – NOTAS FISCAIS ME Em “descrição grupo mercadoria”: serviços transporte de carga pessoa jurídica ou serviços contendo como “descrição do material” serviços desp elev port, serviços estufagem, serviços hora extra estufagem, análise laboratorial, inspeção de carga, transbordo, estadia logística portuária e fretes marítimos, nesse caso, contratação de empresa agenciadoras marítimas. Estas despesas não estão previstas no inciso IX do artigo 3º da Lei 10.833/03, que prevê apenas os fretes e a armazenagem na operação de venda, não incluindo despesas com movimentação, liberação, análise, inspeção, agenciamento das cargas. (...) 7. Depreciação (...) 7.2 não utiliz prod Glosados as esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc vinculados aos centros de custos: armazém de açúcar interno, aguas residuais, balança de cana, central de ar comprimido, expedição, higiene e medicina do trabalho, instrumentação, laboratório industrial e microbiológico, laboratório de meristema, laboratório de teor de sacarose, lavador de veículos e borracharia, manutenção mecânica, oficina elétrica, oficina mecânica, posto de abastecimento, programa de alimentação do trabalhador, segurança do trabalho, segurança patrimonial, serviços médicos, serviços habitação, serviços odontológicos e tratamento de água. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10880.904879/201389 Resolução nº 3302000.533 S3C3T2 Fl. 14 13 2. Ademais, no que concerne aos centros de custos agrícolas, item IV Glosas, 6.1.1. cc agrícolas, do Termo de Verificação Fiscal, deve ser realizada a separação entre os custos dos bens e dos serviços aplicados diretamente na produção agrícola; 3. No que se refere aos custos indiretos de produção agrícola e industrial, item IV Glosas, 6.1.2 cc não lig prod, 6.1.3 não é ins prod ccc, 6.2.5 insumos indiretos, 6.2.6 não insumo prod, do Termo de Verificação Fiscal, informar se eles integram os custos dos insumos de produção; 4. Em relação aos serviços de transportes nas compras, item IV Glosas, 6.2.8 transporte interno, do Termo de Verificação Fiscal, a separação entre os serviços de transportes de insumos de produção dos demais serviços de transportes (máquinas, equipamentos, trabalhadores, etc.); 5. Em relação aos produtos químicos, item IV Glosas, 6.2.7 prod químico não prod, do Termo de Verificação Fiscal, informar se eles foram aplicados na área de produção agrícola, no setor fabril ou fora desses setores; 6. Nos encargos de depreciação, , item IV Glosas, 7.2 não utiliz prod, do Termo de Verificação Fiscal, informar se os bens foram registrados no ativo imobilizado ou não, assim como se são bens de produção ou utilizados nas demais atividades da empresa. 7. Para a realização do trabalho, a fiscalização poderá solicitar as informações necessárias ao atendimento da diligência; 8. Que a contribuinte seja cientificada dessa decisão e do relatório final do resultado da diligência e possa, em cada caso, apresentar sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Ao final, seja o processo encaminhado à consideração do CARF. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 15/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Numero do processo: 10283.907614/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.321
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro André Henrique Lemos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB verifique se, à luz dos documentos apresentados, e relevada a extemporaneidade da retificação de DCTF, remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de Declaração de Compensação, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação do próprio débito da CIDE, não restando crédito a ser utilizado na compensação referida. A Recorrente, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que o direito ao crédito de recolhimento a maior da CIDE, teve como origem § 1° A, do art. 2° e 21, ambos da Lei 11.452/2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 07 61 4/ 20 09 -9 5 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10283.907614/200995 Resolução nº 3401001.321 S3C4T1 Fl. 3 2 Disse que houve a retroatividade da Lei 11.452/2007, pelo art. 21 acima, e assim, levantou os valores pagos a título de CIDE sobre remuneração pela licença de uso de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador e constatou que havia realizado vários recolhimentos indevidos. Mencionou que após o Despacho Decisório é que retificou a DCTF, reduzindo o valor da CIDE para as quantias efetivamente devidas; requerendo o reconhecimento do direito creditório indicado na DCOMP, e por corolário, sua homologação. A DRJ, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório, bem como não homologou as compensações, sendo a ementa assim encartada: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. Improcede a alegação de pagamento a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o alegado erro de fato que ensejou a retificação. Regularmente cientificado desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Acrescenta ainda que a Lei nº 11.452/07, em seu art. 20, § 1ºA, estipulou que a CIDE não era incidente sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, desde que não houvesse transferência da tecnologia. Anexou cópia do contrato de Licença do Sistema Operacional desenvolvido pela empresa MICROSOFT LICENSING. Menciona que o referido contrato, prevê o pagamento de royalties em favor da empresa Microsoft Licensing, em razão da Licença de Sistema Operacional, visto que o software é de patente da empresa Microsoft, sem transferência de tecnologia. Advoga que o crédito apontado na DCOMP está devidamente comprovado e que erros cometidos e que originaram a retificação da DCTF não afastam o direito à compensação do crédito, em homenagem ao princípio da verdade material. Também invocou em seu favor os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da duração razoável do processo, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Colacionou entendimento jurisprudencial deste Conselho de que o direito à repetição do indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10283.907614/200995 Resolução nº 3401001.321 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.312, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.901880/201129, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.312): "Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator, ao entender comprovado o recolhimento indevido alegado. 1 Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de crédito tributário relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que, ainda que tenha retificado a DCTF somente após o Despacho Decisório, efetuou recolhimentos a maior em DARF, indevidamente, vez que sobreveio alteração de Lei que determinou a não incidência sobre a remuneração pela licença de uso ou de direito de comercialização ou distribuição de programa de computador, desde que não houvesse transferência de tecnologia, no caso, sendo o software em questão de patente da empresa Microsoft, não haveria transferência de tecnologia. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por não haver como atestar a comprovação do erro de fato, no preenchimento da DCTF original, não sendo possível aferir a certeza e liquidez do suposto crédito indicado na Declaração de Compensação. Pois bem, assim como a decisão recorrida, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, pois, se a Lei nº 11.452/2007 determinou, com efeitos retroativos à 1º de janeiro de 2006, que não incide a CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, há de se reconhecer que os pagamentos realizados a partir de 1º de janeiro de 2006 com esta finalidade são certamente indevidos. Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de ser necessária, para a comprovação do erro de fato, a apresentação de documentos que evidenciem de forma inequívoca esta situação específica, inclusive, demonstrando a inocorrência de transferência de tecnologia; 1 Transcrevese aqui apenas o entendimento esposado no Voto Vencedor. O teor do Voto Vencido pode ser consultado na íntegra no processo paradigma. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10283.907614/200995 Resolução nº 3401001.321 S3C4T1 Fl. 5 4 apresentando inícios de provas materiais, por meio da juntada de cópias do Contrato de Licença que dera ensejo ao recolhimento da CIDE; e do Livro Razão. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de nãohomologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da Lei nº 11.452/2007, ao determinar, com efeitos retroativos à 1º de janeiro de 2006, que não incide a CIDE sobre os pagamentos que teria efetuado. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em cópias de contratos e de livros razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, simples cópias de Contrato de Licença e do Livro Razão, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nos documentos apresentados e em outros que entenda necessários, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10283.907614/200995 Resolução nº 3401001.321 S3C4T1 Fl. 6 5 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nos documentos apresentados e em outros que entenda necessários, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluídos os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após, os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 12266.720384/2015-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 17/08/2010
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO PROPOSTA POR ASSOCIAÇÃO CIVIL. INEXISTÊNCIA.
O STF, em sede de repercussão geral no Recurso Extraordinário RE 573.232/SC firmou o entendimento de que a legitimação processual da Associação Civil para propor ação coletiva somente é conferida por autorização expressa e prévia ou concomitante à propositura da ação judicial, nos termos do art. 5º, XXI da Constituição Federal.
Também em sede de repercussão geral, no RE 612043/PR, o STF proferiu entendimento de que a eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento, e desde que residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador.
NULIDADE. ART. 59, §3º DO DECRETO Nº 70.235/72. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. DECISÃO DE MÉRITO BENEFICIA A RECORRENTE.
Quanto puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Numero da decisão: 3402-008.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Ariene D´Arc Diniz e Amaral (suplente convocada) e Thaís de Laurentiis Galkowicz votaram pelas conclusões no mérito. O Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-008.641, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10209.720377/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral, Ariene DArc Diniz e Amaral (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pela conselheira Ariene DArc Diniz e Amaral.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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AÇÃO PROPOSTA POR ASSOCIAÇÃO CIVIL. INEXISTÊNCIA. O STF, em sede de repercussão geral no Recurso Extraordinário RE 573.232/SC firmou o entendimento de que a legitimação processual da Associação Civil para propor ação coletiva somente é conferida por autorização expressa e prévia ou concomitante à propositura da ação judicial, nos termos do art. 5º, XXI da Constituição Federal. Também em sede de repercussão geral, no RE 612043/PR, o STF proferiu entendimento de que a eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento, e desde que residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador. NULIDADE. ART. 59, §3º DO DECRETO Nº 70.235/72. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. DECISÃO DE MÉRITO BENEFICIA A RECORRENTE. Quanto puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Ariene D´Arc Diniz e Amaral (suplente convocada) e Thaís de Laurentiis Galkowicz votaram pelas conclusões no mérito. O Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-008.641, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10209.720377/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 03 84 /2 01 5- 33 Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral, Ariene D’Arc Diniz e Amaral (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pela conselheira Ariene D’Arc Diniz e Amaral. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Em julgamento Auto de Infração para lançamento da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966, em virtude da prestação de informação fora do prazo previsto pela Receita Federal do Brasil. Em síntese, a autoridade aduaneira constatou que o contribuinte apresentou retificações de Conhecimentos Eletrônicos (CE) na importação após o prazo de 48 (quarenta e oito) horas previsto no art. 22, II, “d”, da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), que, por unanimidade, a conheceu em parte e, na parte conhecida, negou-lhe provimento. Conforme se extrai do Acórdão recorrido, não foram conhecidos, em virtude de concomitância, os argumentos relativos a (i) equiparação da retificação de dado fornecido tempestivamente à prestação extemporânea de informação, (ii) ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e (iii) aplicação do instituto da denúncia espontânea, sendo negado o provimento quanto aos demais tópicos (ilegitimidade passiva e bis in idem). Insatisfeito com a decisão de piso, o contribuinte recorreu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando, de início, a necessidade de retorno dos autos à 1ª instância para julgamento da parte não conhecida em virtude da inexistência de renúncia ao contencioso administrativo, visto que a Ação Oridinária fora interposta pela CENTRONAVE, associação civil que atua no interesse de seus associados, pessoa diversa da ora recorrente, CMA CGM DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. Defende que seria necessária a comprovação de sua autorização para o ajuizamento da ação pela CENTRONAVE, requisito esse não cumprido pela recorrente, nos termos do art. 5º, XXI, da Constituição Federal, o que lhe impediria, inclusive, a execução da sentença, caso procedente. Traz ainda em seu recurso os demais argumentos já defendidos em primeira instância, quanto a inexistência de legitimidade passiva, retificação não punível em virtude do previsto na SCI nº 2/2016, denúncia espontânea, aplicação de mais de uma multa para a mesma infração e a ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade. Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Ciente do Acórdão de Impugnação em 14/07/2016, apresentou Recurso Voluntário em 11/08/2016, portanto, tempestivo e dele tomo conhecimento. Como já exposto em Relatório, o litígio em discussão abrange a aplicação multa em virtude da prestação de informação intempestiva, nos termos do art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei nº 37, de 1966: “Decreto-Lei nº 37, de 1966: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: [...] IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário;” Nos fatos narrados pela autoridade aduaneira, verifica-se que a autuação decorreu especificamente da retificação intempestiva de dados relacionados a Conhecimentos Eletrônicos (CE) apresentados anteriormente, informação essa prevista no art. 10, III da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Segundo o Auditor-Fiscal, as retificações foram apresentadas fora do prazo de 48 (quarenta e oito) horas antes da chegada da embarcação, nos termos do art. 22, II, “d”, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007: “Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: [...] III – a informação dos conhecimentos eletrônicos; [...] Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] 1 Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 II – as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: [...] d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e” Pois bem, adentrando aos argumentos de defesa, o primeiro ponto a se discutir diz respeito à existência de concomitância e renúncia ao recurso administrativo decorrente da Ação Ordinária nº 0065914-74.2013.4.01.3400, ajuizada pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica – CNTT (CENTRONAVE). Defende a recorrente, inicialmente, a inexistência de identidade entre as partes e, ainda, que nos termos do art. 5º, XXI, da Constituição Federal, bem como da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que a Associação Civil (CENTRONAVE) dependeria de autorização expressa da CMA CGM DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA para representá-la em ação coletiva ajuizada. De outro lado, a Delegacia de Julgamento (DRJ-CE), em consulta ao endereço eletrônico da associação, verificou que o contribuinte era associado à CENTRONAVE, sendo, portanto, parte da Ação Ordinária ajuizada junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, tendo inclusive a Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio de Memorando, solicitado à RFB o cumprimento à decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 0005763- 26.2014.4.01.000. Como se nota, a discussão inicial se resume a saber se a ora recorrente, CMA CGM DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, era parte do polo ativo da Ação Ordinária (coletiva) ajuizada pela Centro Nacional de Navegação Transatlântica – CNTT (CENTRONAVE), associação civil da qual era filiada. De já adianto entender pela razão da recorrente. A simples verificação da lista de filiados da Associação à época do julgamento da impugnação administrativa não faz presumir a substituição do contribuinte no polo ativo da Ação Ordinária. Nesse sentido é o entendimento pacificado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 573.232/SC, em sede de Repercussão Geral, ementado pela própria recorrente em sua peça recursal. Este Conselheiro inclusive, no Acórdão nº 3402-007.592, já teve a oportunidade de apreciar situação análoga e, com base em decisões vinculantes do Supremo Tribunal Federal 2 , entendeu que a coisa julgada das ações coletivas propostas por associações civis somente teriam efeito para os associados que conferiram autorização expressa para a Associação litigar em seu nome, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, devendo constar da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento: 2 RE nº 612.043/PR - Tema 499 e RE nº 573.232/SC - Tema 82. Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 RE 612043 PR. Relator(a): Min. MARCO AURELIO. DJe 06/10/2017 Ementa EXECUÇÃO - AÇÃO COLETIVA - RITO ORDINÁRIO - ASSOCIAÇÃO -BENEFICIÁRIOS. Beneficiários do título executivo, no caso de ação proposta por associação, são aqueles que, residentes na área compreendida na jurisdição do órgão julgador, detinham, antes do ajuizamento. a condição de filiados c constaram da lista apresentada com a peça inicial. Tema 499 - Limites subjetivos da coisa julgada referente à ação coletiva proposta por entidade associativa de caráter civil. Tese: A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento. (grifou-se) RE 573232/SC. Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. DJe 18/09/2014 Ementa REPRESENTAÇÃO - ASSOCIADOS - ARTIGO 5 o . INCISO XXI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALCANCE. O disposto no artigo 5°. inciso XXI. da Caita da República encerra representação específica, não alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL ASSOCIAÇÃO BENEFICIÁRIOS. As balizas subjetivas do titulo judicial, formalizado cm ação proposta por associação, é definida pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial. Tema 82 - Possibilidade de execução de título judicial, decorrente de ação ordinária coletiva ajuizada por entidade associativa, por aqueles que não conferiram autorização individual à associação, não obstante haja previsão genérica de representação dos associados em cláusula do estatuto. I - A previsão estatutária genérica não é suficiente para legitimar a atuação, em Juízo, de associações na defesa de direitos dos filiados, sendo indispensável autorização expressa, ainda que deliberada em assembleia, nos termos do artigo 5 o . inciso XXI. da Constituição Federal: II - As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são definidas pela representação no processo de conhecimento, limitada a execução aos associados apontados na inicial. Na decisão que citei de minha relatoria, fiz referência ao Acórdão nº 3301- 007.622, de relatoria do Conselheiro Salvador Cândido Brandão, quando se concluiu, de forma unânime, por anular a decisão de primeira instância que não enfrentou o mérito da impugnação mesmo sem evidências nos autos do cumprimento dos requisitos que fariam a recorrente estar abrangida pela decisão judicial ajuizada pela associação, ademais, o contribuinte não possuíam domicílio tributário na jurisdição do órgão julgador. Destaco ainda que se trata de decisão do mesmo contribuinte, relativa à mesma Ação Ordinária, motivo pelo qual peço vênia para transcrever parte do Acórdão: Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 “Acórdão nº 3301-007.622 Sessão de 17 de fevereiro de 2020 Recorrente: CMA CGM DO BRASIL AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/04/2013 a 29/12/2013 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO PROPOSTA POR ASSOCIAÇÃO CIVIL. INEXISTÊNCIA. O STF em sede de repercussão no Recurso Extraordinário RE 573232/SC firmou o entendimento de que a legitimação processual da Associação Civil para propor ação coletiva somente é conferida por autorização expressa e prévia ou concomitante à propositura da ação judicial, nos termos do artigo 5 o , XXI da Constituição. Também em sede de repercussão geral, no RE 612043/PR, o STF proferiu entendimento de que a eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento, e desde que residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador. Aplica-se o artigo 62, I o , II do ANEXO II do RICARF. Nulidade da decisão proferida pela DRJ que não conheceu da impugnação por concomitância com ação coletiva proposta no Poder Judiciário por Associação Civil, sem que estejam presentes os requisitos acima. [...] O v. acórdão recorrido não conheceu destas matérias em razão de suposta concomitância com ação judicial. Ação Ordinária n° 0065914- 74.2013.4.01.3400, proposta pela CENTRONAVE perante a Justiça Federal em Brasília, Associação Civil da qual a Recorrente faz parte, sob o argumento de que a decisão desta ação judicial repercutiria na esfera de direitos da Recorrente. Ressalte-se que a informação sobre a existência de ação judicial não foi apresentada pela Recorrente, mas sim pelo Memorando n° 213/2014 DIAES/PRFN – 1 ª Região, de 23/5/2014, enviado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que solicitou à Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana) a adoção de providências no sentido de dar cumprimento à decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da I a Região, referente à ação ordinária relacionada com a multa sob exame, promovida pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CENTRONAVE), ao qual a autuada é associada. Sem fazer prova de que a Recorrente realmente é associada desta Associação Civil e sem verificar na ação judicial se a Recorrente autorizou expressamente a referida Associação a propor ação coletiva em seu nome, a d. DRJ não conheceu dos argumentos da impugnação que coincidem com a discussão travada em âmbito judicial, em razão da concomitância, não proferindo julgamento sobre estes pontos da controvérsia. A r. decisão de piso deve ser anulada para que a parte não conhecida seja analisada e julgada em seu mérito pela instância administrativa. Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 Isso porque, embora não negue e nem comente sua situação de ser associada da CENTRONAVE, a Recorrente afirma a inexistência de autorização expressa conferindo legitimidade processual da Associação para defender seus interesses em ações coletivas. Para comprovar a ausência de autorização expressa, juntou aos autos a petição inicial da referida ação ordinária, fls. 3.032-3.078, onde resta evidente o argumento da CENTRONAVE de que não apresentava autorização dos associados diante da desnecessidade desta providência, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Assim, destaco o seguinte trecho da referida petição inicial: I - Da Legitimidade Ativa - Substituição Processual. O Autor e entidade associativa, regularmente constituido, com 106 (cento e seis) anos de existência, que congregas as 24 (vinte e quatro) maiores empresas de navegação de longo curso em operação no pais. Devido a sua representatividade, o CENTRONAVE tem atuado como interlocutor do segmento de navegação junto às diferentes esferas do Poder Público, inclusive promovendo as ações judiciais como substituto processual de seus associados, na forma dos artigos 5 o , XXI e 8 o . inciso III, da Carta Magna. A Corte Especial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Agravo Regimental cm Embargos de Divergencia no Recurso Especial n° 497.600/RS, definiu que as entidades associativas tem legitimidade para propor ação ordinária em favor de seus filiados, sem a necessidade de expressa autorização de cada um deles. No referido precedente, assentou aquele Tribunal que o artigo 3 o da Lei n° 8.073/90, em consonância às normas constitucionais acima indicadas, autoriza as entidades associativas a representarem seus filiados cm juízo, quer nas ações ordinárias, quer em mandados de segurança coletivos, independente de autorização expressa ou relação nominal dos substituidos. [...] No ano de 2014, em sede de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no sentido de que a coisa julgada das ações coletivas propostas por associações civis só teriam efeito para os associados que assim conferido a autorização expressa para a Associação litigar em seu nome para defender seus interesses, autorização esta que deveria ser apresentada com a petição inicial para comprovar a legitimidade processual. Com esta decisão o STF firmou o posicionamento de que a autorização estatutária genérica conferida para a Associação não é suficiente para legitimar a sua atuação em juizo na defesa de direitos de seus filiados, sendo indispensável que a declaração expressa exigida no inciso XXI do art. 5 o da Constituição. Esta autorização deve ser manifestada por ato individual do associado ou por assembleia geral da entidade e somente os associados que apresentaram, na data da propositura da ação de conhecimento, autorizações individuais expressas à associação, podem executar título judicial proferido em ação coletiva. Anos mais tarde, também em sede de repercussão geral, o STF analisou a constitucionalidade do artigo 2°-A da Lei 9.494/1997 para tratar da eficácia subjetiva da coisa julgada em ações coletivas propostas por Associações Civis e consolidou o entendimento de que a coisa julgada só tem efeito no âmbito da jurisdição do órgão judicial que proferiu a decisão. Este entendimento foi proferido no RE 612043/PR, conforme ementa abaixo: Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 [...] Note que a tese fixada, além da necessidade de autorização expressa e prévia à propositura da ação, também considerou que a coisa julgada terá eficácia apenas para os associados que sejam residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador. No caso concreto, a ação coletiva tramita na Seção Judiciária do Distrito Federal da Justiça Federal - TRF da l a Região, enquanto a Recorrente está estabelecida no município de Santos, no Estado de São Paulo, submetida à jurisdição do TRF da 3 a Região. Como dito, restou assentado que a eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador e desde que houvessem autorizado para tanto, em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, declarando a constitucionalidade do art. 2°-A da Lei 9.494/1997.” Os pressupostos e fundamentos da decisão precedente coincidem com o caso ora em litígio, inclusive quanto ao estabelecimento da recorrente em jurisdição diferente do órgão julgador, motivo pelo qual entendo pela nulidade da decisão de primeira instância e a consequente necessidade de apreciação do mérito dos argumentos defendidos em sede de impugnação. Inclusive, em consulta ao COMPROT, verifiquei que, após encaminhamento do processo precedente à DRJ para novo Acórdão, houve posterior movimentação ao arquivo, indicando o encerramento do litígio sem sequer necessidade de novo julgamento em segunda instância. Apesar de concordar integralmente com a decisão tomada pela Turma Ordinária no Acórdão precedente, penso que devemos ir além. O Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 59, §3º, previu a possibilidade de deixar de declarar a nulidade de ato administrativo quando o julgamento do mérito for favorável à parte que se aproveitaria da nulidade. É justamente o caso em tela. Conforme se extrai dos autos, o Auditor-Fiscal autuou o contribuinte em virtude da retificação dos dados de Conhecimentos Eletrônicos (CE) apresentados anteriormente, não sendo a punição realizada em virtude da extemporaneidade do CE, mas sim da retificação de seu conteúdo. Como se sabe, a própria Receita Federal do Brasil atualmente entende pela impossibilidade de autuação relativa a retificação de informações apresentadas anteriormente. Inclusive, o Capítulo IV da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, que tratava das penalidades aplicadas em casos de retificação/alteração na informação dos manifestos e CE, foi revogado pela IN RFB nº 1.473, de 2014, sendo pacífico neste Colegiado, o entendimento pela aplicação da retroatividade benigna e o cancelamento das multas aplicadas sobre retificações de informações apresentadas tempestivamente. Vale destacar que, em 2016, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 2/2016 a RFB tornou ainda mais clara a impossibilidade de aplicação de multa relativa a alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes: Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 “Solução de Consulta Cosit nº 2/2016 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas "e" e "f do Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966: Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007. Esta Turma Ordinária inclusive já referendou de forma unânime este posicionamento em Acórdão de minha relatoria, abaixo ementado: “Acórdão nº 3402-007.589 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/10/2008 a 30/12/2008 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE DE CARGA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA POR ATRASO DE INFORMAÇÕES. Aplica-se ao agente de carga a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REGRA DE TRANSIÇÃO. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 da IN RFB nº 800/2007 somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, porém, não está eximido o transportador (ou agente de carga), de prestar informações sobre as cargas transportadas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades inflingidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. OFENSA AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PERÍODO DE CONTINGÊNCIA. Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-008.657 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720384/2015-33 A mera alegação de atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso ao sistema, desprovida de comprovação do fato, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE OFÍCIO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, ainda não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração. Constituindo matéria de Ordem Pública, deve ser aplicada de ofício. Recurso Voluntário Provido. Desta feita, sendo a autuação comprovadamente relativa a retificações de informações, deve ser reconhecida a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, cancelando a exigência. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.723955/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. CFL 78.
Constitui infração apresentar a empresa a GFIP com informações incorretas ou omissas.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não devendo ser conhecido o recurso quanto a tais alegações.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem, o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA.
Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, produção de provas e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Numero da decisão: 2202-008.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. CFL 78. Constitui infração apresentar a empresa a GFIP com informações incorretas ou omissas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não devendo ser conhecido o recurso quanto a tais alegações. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem, o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, produção de provas e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. CFL 78. Constitui infração apresentar a empresa a GFIP com informações incorretas ou omissas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não devendo ser conhecido o recurso quanto a tais alegações. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem, o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, produção de provas e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 39 55 /2 01 0- 99 Fl. 726DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.723955/2010-99, em face do acórdão nº 15-34.019, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), em sessão realizada em 06 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de Auto de Infração DEBCAD nº 37.243.1801, por descumprimento de obrigação acessória, em nome da empresa em epígrafe, lavrado em 28/04/2010 e recebido em 30/04/2010, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, com a redação dada pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 2. Conforme Relatório Fiscal, às fls. 28/34, foi constatado pela fiscalização que a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas nas competências 01/06 a 12/06. Constatado o não cumprimento da referida obrigação acessória, lavrou-se o presente auto de infração. 3. Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada multa no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), nos termos do art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Os valores que serviram de base para a fixação da multa encontram-se discriminados em planilha às fls. 35/37. 4. Expõe o Relatório Fiscal: 11. Foi aplicada a multa de ofício de 75% sobre as contribuições previdenciárias em atraso (não recolhidas), incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, lançadas nos levantamentos FN1, RS1, RN1, CS1, AL1, e PL1, conforme previsto no Fl. 727DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 artigo 35A da lei 8.212/91. A infração abrange as condutas de não declarar em GFIP e não recolher as contribuições devidas, conforme artigo 44 da lei n° 9.430/96. 12. No caso das infrações por erros ou omissões no preenchimento da GFIP que não resultam em débitos de contribuições, foi aplicada a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A, I, e § 3º, da lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449/08, convertida na lei n° 11.941/2009, na forma discriminada nos subitens seguintes: 12.1. O campo "CNAE" preenchido incorretamente corresponde a uma informação inexata, por competência, no período 01 a 12/06; 12.2. Cada tomador não declarado nas GFIPs das competências 08 a 11/06, conforme descrito no item 8 do Relatório fiscal da infração, corresponde a uma informação omitida; 12.3. O campo "retenção" não preenchido nas GFIPs das competências 01 a 07, e 12/06, corresponde a uma informação omitida, por competência; 12.4. Cada empregado que percebeu remuneração em decorrência de acordo/sentença em reclamatória trabalhista, não declarado em GFIP, corresponde a uma informação omitida. 12.5. Após apuração, a aplicação da multa na forma prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91 resultaria em valor inferior ao previsto no § 3º, II do mesmo artigo. Sendo assim, foi aplicado o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), por competência, definido no artigo 32A, § 3º, II, da lei 8.212/91 CFL78. 13. Após comparativo, foi aplicada às competências 01 a 12/2006 a penalidade na forma prevista na legislação atual (multa de ofício de 75% + multa do art. 32A, I, e § 3º inserido pela MP n° 449/08), por resultar mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no Anexo I. 5. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação em 01/06/2010, de fls. 655/684, alegando, em síntese, o que se segue: 5.1. Inicialmente, ressalta um vício procedimental observado na autuação em epígrafe, pois inexiste fundamento de validade para a lavratura do Auto de Infração em voga, por ter expirado o direito de fazê-lo, como se pode depreender no art. 7º do Dec nº 70.235/72, que trata dos procedimentos de fiscalização de tributos a serem realizados pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. 5.2. De acordo com esta norma, os procedimentos fiscais terão inicio com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado pelo agente fiscal, devendo ser concluído no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogáveis por igual período, sempre que houver qualquer ato escrito que indique a continuidade dos trabalhos, conforme disposição do seu art. 7º, § 2º. 5.3. In casu, o procedimento fiscalizatório que deu ensejo a esta autuação foi iniciado através do Mandado de Procedimento Fiscal MPF fiscalização n. 05.1.01.002009016320, com Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) emitido e o impugnante devidamente notificado em 21/12/2009. 5.4. Inobstante, observa-se neste MPF um vício que maculou de nulidade todo o procedimento administrativo, pois que desrespeitou os ditames legais estabelecidos no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/72. Isto porque, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Salvador não se ateve ao quanto prescrito peremptoriamente no aludido Decreto, de que o prazo para conclusão do procedimento fiscal é de 60 (sessenta) dias do primeiro ato de ofício, tendo concedido 120 (cento e vinte) dias contínuos para a execução do MPF, entendendo não ser necessário, neste interregno, qualquer prorrogação de prazo, atitude esta contrária ao prescrito no sistema positivo, que já Fl. 728DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 evidencia um grave vício formal, que eivou de vício o restante do procedimento administrativo. 5.5. Se a lei determina e vincula o ato administrativo, deve prevalecer o disposto no Decreto nº 70.235/72, de modo que Chefe desta Delegacia não pode, ao próprio talante, ampliar o prazo de 60 para 120 dias. Necessita este de Termo de Prorrogação de Procedimento Fiscal próprio, o qual inexistiu. Isto posto, estando cristalino o desrespeito aos ditames legais concernentes à conclusão/prorrogação do procedimento administrativo fiscal, a Autuada pugna pela nulidade deste Auto de Infração e a extinção do processo administrativo. 5.6. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n, 05.1.01.002009016320, expedido em 14 de dezembro de 2009, expirou após 60 (sessenta) dias do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, que cientificou o sujeito passivo da obrigação previdenciária. Inobstante, este MPF, equivocadamente, determina a sua execução até 13 de abril de 2010, ou seja, quase quatro meses contados da intimação do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Desta maneira, verifica-se que o referido vício formal maculou o procedimento fiscal desde sua raiz, pois o documento que deu origem ao procedimento administrativo trazia em seu bojo dispositivos que ferem a legislação pátria, não podendo prevalecer, portanto, sobre o próprio sistema positivo federal. 5.7. Iniciando-se o procedimento fiscal em 21/12/2009, data de intimação do sujeito passivo, o dies ad quem para conclusão do procedimento fiscal foi em 19 de fevereiro de 2010, quando a autoridade autuante deveria tomar as providências cabíveis para finalizar a fiscalização ou ter prorrogado o seu prazo para continuar a executar as diligências fiscais, nenhum dos quais foi realizado. Isto pode ser depreendido no próprio bojo do procedimento administrativo, que não apresenta nenhum Termo de Prorrogação de Procedimento Fiscal. 5.8. Verifica-se, entretanto, no "Demonstrativo de Prorrogações" do Mandado de Procedimento Fiscal, a dilatação do procedimento fiscal até 12 de junho de 2010. Inobstante, esta prorrogação nunca foi determinada pela Delegacia da Receita Federal de Salvador, pois não há nos autos qualquer Termo de Prorrogação de Procedimento Fiscal, ou documentos com este conteúdo anexados junto ao CD apresentado pela fiscalização. Repise-se que o ato escrito que determine a continuidade dos trabalhos é imprescindível e há de ser formalizado antes de expirado o prazo regulamentar, o que não aconteceu. Assim, caducou o prazo para conclusão do procedimento fiscal, mesmo antes que sobreviesse a suposta prorrogação constante no "Demonstrativo de Prorrogações". 5.9. Assim, uma vez expirado o prazo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal, este documento perde a sua validade, conforme preceitua o Decreto nº 70.235/72. Por uma questão lógica, invalidado o documento que dá substrato para todos os demais atos administrativos de fiscalização, serão igualmente inválidos todos os atos decorrentes deste procedimento fiscal que expirou, de modo a não mais irradiar qualquer efeito jurídico. Esta, inclusive, é a orientação da própria Receita Federal do Brasil e da Portaria nº 357, de 17.04.2002, do INSS. 5.10. Desta maneira, requer o reconhecimento de ter a autoridade autuante extrapolado o prazo para execução do Mandado de Procedimento Fiscal, o que cominou na nulidade da presente autuação, por vício formal, já que esta foi lavrada somente após já ter terminado o lapso temporal para concluir o procedimento fiscal. 5.11. O Auto de Infração apresenta outros vícios incontestáveis, que o tornam nulo de pleno direito. 5.12. O Auto de Infração não preenche os requisitos exigidos pela legislação em vigor. Nele não consta a discriminação clara e precisa dos fatos geradores nem das respectivas bases de cálculo, além da dificuldade de acesso aos dados em meio magnético. Nestes Fl. 729DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 moldes, observa-se que a autoridade autuante não identifica em quais documentos foram encontrados os lançamentos relativos a RN1 remuneração fora da folha com desconto e RS1 remuneração fora da folha sem desconto, o que inviabiliza, também, a defesa do sujeito passivo. Tão só aduz que foram lançadas remunerações de empregados que não constavam na folha de pagamento, com ou sem desconto da contribuição previdenciária do segurado, respectivamente, não sendo esses valores declarados em GFIP, sem discriminar o substrato fático a que se refere. 5.13. Desta forma, evidente está a inobservância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, já que a clareza do fundamento legal em que se baseia o débito deve constar obrigatoriamente do lançamento, de forma a permitir o pleno exercício da ampla defesa, fato inobservado pela Autuante. 5.14. Informações generalizadas e imprecisas, ausência da descrição pormenorizada da forma de calcular a atualização monetária, os juros de mora, e, ainda, a ausência de definição da natureza da dívida, por si só, já implicam em NULIDADE do lançamento fiscal realizado. 5.15. Desta maneira, requer seja julgado nulo o presente Auto de Infração, por ser extremamente confusa a sua fundamentação, o que impossibilita o profícuo exercício da ampla defesa e do contraditório constitucionalmente garantidos à Impugnante. 5.16. A presente autuação não merece prosperar, uma vez que a multa aplicada não obedece à nova sistemática instituída pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que, por se tratar de norma mais benéfica, aplica-se ao fato pretérito, conforme art. 106 do CTN e a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009. 5.17. Muito embora o Sr. Fiscal tenha abordado a retroatividade da multa no Relatório Fiscal do Auto de Infração que acompanhou o aludido auto, concluiu a autuação lavrando multa nos termos do já revogado §5° do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 5.18. O novo art. 32A, acrescido pela Lei nº 11.941, fixou uma nova sistemática (valores e formas de aplicação) de multas, substituindo inteiramente a sistemática de multa prevista no revogado §5° do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 5.19. Pela simples análise do Auto de Infração em epígrafe e do seu Relatório Fiscal, fica patente que a Impugnante somente incorreu na infração por apresentar com incorreções ou omissões a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/91, cuja pena está prevista no inciso I, ou seja, de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Isto está dito expressamente no Relatório Fiscal, no tópico "Descrição da Infração", em seu ponto 4. Desta forma, com a mudança da sistemática de aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, deverá ser revista, imediatamente, a multa aplicada no presente Auto de Infração, para que sejam aplicados os novos parâmetros, quais sejam, R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, com a consequente redução do valor da autuação. 5.20. A despeito de qualquer explicação plausível, a autoridade autuante elaborou planilha intitulada "VERIFICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE" aplicando sistemática inusitada, qual seja, ora 75% (setenta e cinco por cento), ora 24% (vinte e quatro por cento), incidindo aleatoriamente sobre as competências 01/2006 a 13/2006 (fl. 08 do Relatório Fiscal). Olvida-se, todavia, a autoridade autuante que o dispositivo legal relativo à multa de 24% foi revogado, sendo pois inaplicável. Na mesma linha, a multa de 75% foi criada, no que tange aos lançamentos e autos de infração previdenciários, recentemente através da Lei nº 11.941/2009 e, portanto, também não incide no presente caso, uma vez que a retroatividade maligna é vedada em nosso ordenamento. Ou seja, não há previsão legal para a aplicação das aludidas multas para os casos de descumprimento das obrigações acessórias previstas. Fl. 730DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 5.21. As multas aplicáveis para questões previdenciárias eram a do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91, a qual foi revogada e substituída pela multa do art. 32A da mesma lei, e a multa do art. 35 desta mesma lei previdenciária, a qual foi revogada também pela Lei nº 11.941/09, sendo tal dispositivo substituído pela nova redação do art. 35 e pelo novo art. 35A. Assim, a única multa aplicável é aquela prevista no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/09, qual seja, R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Indubitavelmente, trata-se de penalidade menos gravosa, ensejando, assim, a sua aplicação a fatos pretéritos. A malsinada multa, portanto, nos termos em que aplicada pela autoridade autuante, não tem respaldo legal, revelando a total improcedência da autuação. 5.22. Ante o exposto, requer: seja julgado nulo e extinto o presente Auto de Infração, em virtude da inobservância do prazo legal para conclusão/prorrogação do procedimento administrativo fiscal; seja julgado nulo o presente Auto de Infração, por ser extremamente confusa a sua fundamentação, o que impossibilita o profícuo exercício da ampla defesa e do contraditório constitucionalmente garantidos à Impugnante. 5.23. Em obediência ao princípio da eventualidade, no mérito, requer a aplicação correta das multas mais benéficas à impugnante. 5.24. Protesta pela juntada posterior de documentos e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 694/703 dos autos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração, punível com multa, apresentar a empresa a GFIP com informações incorretas ou omissas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. MULTA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. BENEFÍCIO. RETROAÇÃO. Quando a nova lei cominar penalidade menos severa que a vigente à época do fato gerador, deve a norma retroagir em benefício do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Fl. 731DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE a autuação de que trata o AI em tela, mantendo a multa no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais).” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 708/722, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Em recurso voluntário a recorrente faz as seguintes alegações: a. Preliminar de nulidade em razão de irregularidade da prorrogação do MPF; b. Ilegalidade e inconstitucionalidade da multa. Por fim, protesta a recorrente por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial, a juntada posterior de documentos. Passa-se a análise das alegações do recurso. Conhecimento parcial. Quanto aos questionamentos relativos à inconstitucionalidade da multa, ressalte- se que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN, devendo a autoridade administrativa observar o que determinam as normas legais. Deste modo, o Decreto 70.235/72 dispõe em seu artigo 26-A: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ademais, esta questão também se encontra sumulada no neste Conselho, conforme dispõe Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Pelas razões expostas, conheço parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade da multa. Irregularidade da prorrogação do MPF. Fl. 732DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 Alega a contribuinte haver um vício procedimental na autuação, pois inexistiria fundamento de validade para a lavratura do AI, por ter expirado o direito de fazê-lo. Dispõe o art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Verifica-se pela leitura do §2º do artigo transcrito é que após o prazo de sessenta dias do início do procedimento fiscal, se não houver qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, retorna a espontaneidade do sujeito passivo. Portanto, incorreto o entendimento de o prazo de sessenta dias previsto no referido §2º seria para a conclusão do procedimento fiscal, de modo que não há como acolher arguição de nulidade neste particular. Importa referir que este Conselho possui diversos precedentes (acórdãos nº 9101- 004.676, 9202-008.028, 9303-009.609, 1201-003.397,1301- 004.043, 1302-004.407,1401- 003.974, 1402-003.702, 2201-006.455, 2202-005.050, 2401-007.673, 2402- 008.269, 3201- 006.663, 3301-005.617, 3302- 006.583, 3401-006.575 e 3402-007.198) a irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. Inclusive, saliente-se que em reunião do Pleno deste Conselho, em 06 de agosto de 2021, foi aprovada a 18ª. proposta de enunciado de súmula com a seguinte redação: “Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento”. Portanto, o MPF passou a ser prorrogado mediante registro eletrônico, sem a necessidade de se dar ciência ao sujeito passivo sobre o fato. O conhecimento da prorrogação do MPF pelo contribuinte ocorre por iniciativa deste, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, com a utilização do “código de acesso” do procedimento fiscal inicial ou quando da prática de algum ato de ofício pela autoridade fiscal, oportunidade na qual lhe será fornecido o “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF”, simplesmente, reproduzindo as informações constantes na Internet. Assim, entendo que a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não ocasiona a nulidade arguida pela recorrente. Rejeita-se a preliminar arguida. Da multa aplicada. Fl. 733DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 Trata o presente processo de multa por descumprimento de obrigação acessória em razão da recorrente haver infringido o dispositivo previsto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, com a redação dada pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Foi constatado pela fiscalização que a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas nas competências 01/06 a 12/06. Constatado o não cumprimento da referida obrigação acessória, lavrou-se o presente auto de infração. Assim constou no Relatório Fiscal: 11. Foi aplicada a multa de ofício de 75% sobre as contribuições previdenciárias em atraso (não recolhidas), incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, lançadas nos levantamentos FN1, RS1, RN1, CS1, AL1, e PL1, conforme previsto no artigo 35-A da lei 8.212/91. A infração abrange as condutas de não declarar em GFIP e não recolher as contribuições devidas, conforme artigo 44 da lei n° 9.430/96. 12. No caso das infrações por erros ou omissões no preenchimento da GFIP que não resultam em débitos de contribuições, foi aplicada a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32-A, I, e § 3º, da lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449/08, convertida na lei n° 11.941/2009, na forma discriminada nos subitens seguintes: 12.1. O campo "CNAE" preenchido incorretamente corresponde a uma informação inexata, por competência, no período 01 a 12/06; 12.2. Cada tomador não declarado nas GFIPs das competências 08 a 11/06, conforme descrito no item 8 do Relatório fiscal da infração, corresponde a uma informação omitida; 12.3. O campo "retenção" não preenchido nas GFIPs das competências 01 a 07, e 12/06, corresponde a uma informação omitida, por competência; 12.4. Cada empregado que percebeu remuneração em decorrência de acordo/sentença em reclamatória trabalhista, não declarado em GFIP, corresponde a uma informação omitida. 12.5. Após apuração, a aplicação da multa na forma prevista no artigo 32-A, I, da lei 8.212/91 resultaria em valor inferior ao previsto no § 3º, II do mesmo artigo. Sendo assim, foi aplicado o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), por competência, definido no artigo 32-A, § 3º, II, da lei 8.212/91 CFL78. 13. Após comparativo, foi aplicada às competências 01 a 12/2006 a penalidade na forma prevista na legislação atual (multa de ofício de 75% + multa do art. 32A, I, e § 3º inserido pela MP n° 449/08), por resultar mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no Anexo I. Em decorrência da infração, foi aplicada multa no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), nos termos do art. 32-A, “caput”, inciso I e §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Por tais razões, entendo correta a aplicação da multa, não havendo ilegalidade em sua aplicação. Fl. 734DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.576 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723955/2010-99 Pedido de produção de provas. Impossibilidade de inversão do ônus da prova. Requer a contribuinte a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de documentos e, as que mais se fizerem necessárias. Contudo, produção de provas, diligências, perícia e afins são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova pretendida pelo recorrente, sendo tal requerimento inferido. Cabia a contribuinte apresentar a prova de suas alegações, carecendo de razão a recorrente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC e artigo 36 da Lei nº 9.784/99, não deve ser dado provimento recurso ora em análise. Ocorre quem no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 735DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 37048.409600/2006-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 9202-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para envio dos autos à Unidade de Origem, para cientificar o prestador dos serviços do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para envio dos autos à Unidade de Origem, para cientificar o prestador dos serviços do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para envio dos autos à Unidade de Origem, para cientificar o prestador dos serviços do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Na origem, cuida-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – DEBCAD 37.048.409-6 – substitutiva - para cobrança das contribuições previdenciárias provenientes do instituto da Responsabilidade Solidária. Consoante informou o Fisco, tratam-se de contribuições devidas incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa prestadora WH ENGENHARIA RJ LTDA, aferidas com base nas Notas fiscais/faturas/recibos de serviços executados mediante cessão de mão-de- obra, diga-se, contratação para execução de obras de construção civil, pelas quais, a contratante responde solidariamente, conforme previsto no inciso VI do art. 30 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, alterações posteriores. O lançamento anterior foi anulado, conforme assentado pelo voto condutor do acórdão recorrido, em função das 3 razões lá declinadas, quais sejam: a) a falta de indicação do dispositivo legal que prevê a aferição indireta no relatório específico intitulado Fundamentação Legal de Débito – FLD; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 70 48 .4 09 60 0/ 20 06 -0 5 Fl. 7501DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 9202-000.273 - CSRF/2ª Turma Processo nº 37048.409600/2006-05 b) o cerceamento do direito de defesa em razão da forma pela qual a fiscalização lançou o auto, em razão da falta de clareza na descrição do fato gerador, o qual englobou uma quantidade imensa de contratos como base de cálculo sem discriminar a base decorrente de cada um individualmente; e c) não ter intimado os contribuintes solidários o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa. O Relatório Fiscal do Processo encontra às fls. 31/34. Cientificados do lançamento, apenas o contribuinte WH ENGENHARIA apresentou Defesa contra ele às fls. 52/59, que foi julgado (o lançamento) procedente pela DRJ no Rio de Janeiro – RJ1 às fls. 315/326. Cientificados do acórdão de primeira instância, desta feita ambos os sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário: a CSN apresentou seu recurso às fls. 335/359 e a WH ENGENHARIA, às fls. 421/430. Por sua vez, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção deu provimento ao Recurso Voluntário para declarar a decadência integral do crédito tributário, após reconhecer que a nulidade declarada em relação ao lançamento originário teria natureza material, por meio do acórdão 2403-002.707 - fls. 587/597. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial às fls. 599/610, pugnando, ao final, fosse reconhecida a inexistência da nulidade vislumbrada pelo acórdão recorrido; ou, caso assim não entenda, seja anulado o auto de infração por vício formal. Em 29/3/16 - às fls. 629/634 - foi dado seguimento parcial ao recurso, para que fosse rediscutida a matéria “nulidade do lançamento fiscal por vício formal.”. Não foi dado seguimento à matéria “Necessidade de se considerar a existência de prejuízo como condição para a anulação do lançamento”. O seguimento parcial foi confirmado pelo Presidente da CSRF, a teor de fls. 635/636. Intimado do julgamento do Recurso Voluntário, assim como do recurso interposto pela União em 16/9/16 (fls. 656), o Sujeito Passivo CSN apresentou Contrarrazões tempestivas em 22/9/16 (fls. 679), às fls. 658/672, propugnando, preliminarmente, pelo não conhecimento do recurso fazendário e, ao final, pela manutenção integral do acórdão recorrido. Não consta a ciência do sujeito passivo WH ENGENHARIA dos mesmos documentos cuja ciência foi dada à CSN. Consta às fls. 678 e seguintes, petitório por meio do qual o sujeito passivo noticia a impetração e trânsito em julgado do Mandada de Segurança 000035-17.2007.4.02.5110, através do qual pugnou pelo cancelamento das 169 NFLD substitutivas, dentre as quais a destes autos, com arrimo, dentre outros, no artigo 173 do CTN (Decadência). É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O Recurso Especial é tempestivo (processo movimentado em 12/11/14 – fls. 598 – e recurso apresentado em 15/12/14 – fls. 611). Fl. 7502DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 9202-000.273 - CSRF/2ª Turma Processo nº 37048.409600/2006-05 Todavia, antes de prosseguirmos na análise dos demais pressupostos para o seu conhecimento, cumpre destacar a necessidade de que seja procedida à regular ciência do sujeito passivo WH ENGENHARIA em relação ao acórdão de Recurso Voluntário, ao recurso Especial da Fazenda Nacional e ao despacho de prévia admissibilidade. Forte no exposto, VOTO no sentido de CONVERTER o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, com vistas ao envio do processo à unidade competente da RFB para que seja dada ciência à contribuinte WH ENGENHARIA, tanto do acórdão de Recurso Voluntário, quanto do Recurso Especial interposto pela União, assim como do respectivo despacho que lhe deu seguimento, facultando-lhe prazo para o oferecimento de contrarrazões. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 7503DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13639.720123/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) assim ementado: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2007 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DCOMP. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. É correta a homologação parcial da DCOMP quando o crédito informado é insuficiente para a compensação dos débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 39 .7 20 12 3/ 20 11 -7 7 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13639.720123/201177 Resolução nº 1402000.530 S1C4T2 Fl. 3 2 O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação apresentada por meio do PER/DCOMP, através do qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito nele declarado. Consta no Despacho Decisório: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. (...) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Cientificada do referido Despacho, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o débito compensado possui data de vencimento anterior a do pagamento fonte do suposto crédito. É o relato do necessário." A Recorrente inconformada com a decisão de 1ª Instância, apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: "[...] Percebam então os ínclitos Conselheiros que apesar de haver o crédito (efetivamente reconhecido pela RFB) não há que se falar em débito, já que todos os tributos envolvidos neste PERD/COMP foram efetivamente pagos [...]. O erro cometido pela Recorrente ao proceder a compensação em nada lesou a Fazenda Pública Federal já que os tributos não deixaram de ser pagos. [...] o que não se pode aceitar, por medida de justiça, é que a Recorrente passe de credora para devedora sendo certo e provado que realizou o pagamento a maior dos tributos. Certamente, por ser situação nada corriqueira e pelo fato da Recorrente não ter apresentado uma explicação satisfatória, o erro material cometido pela mesma vem sendo interpretado até o momento como de fato ela fosse devedora, o que não é. E por ter efetuado pontualmente o pagamento integral dos tributos referentes ao IRPJ do segundo trimestre do ano de 2006, é forçoso concluir que o crédito tributário foi extinto [...] pelo pagamento. Muito embora a Recorrente não possa mais realizar a compensação com o crédito [...], não há débito algum para ser compensado. [...] Mediante o exposto, demonstrada a integralidade do pagamento do débito do qual erroneamente se pediu a compensação, a Recorrente requer que seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja julgado improcedente o despacho decisório [...] anulandose os débitos cobrados neste processo." É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13639.720123/201177 Resolução nº 1402000.530 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402 000.512, de 21.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13639.720105/201195. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.512): O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. Em síntese, o Recorrente declara que, erroneamente, apresentou PERD/COMP para compensar débito integralmente pago. Anexou ao seu recurso cópia de DARF autenticado pela instituição bancária e comprovante de arrecadação emitido através do sítio da Receita Federal. Diante das alegações do Recorrente e dos documentos apresentados, apresentase a necessidade de diligência para confirmar o referido pagamento e verificar a (in)subsistência das compensações. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderá ser definitivamente formada a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que: 1. Pronunciarse sobre a procedência das alegações/documentos apresentados pela recorrente, confirmação do crédito alegado e a (in)subsistências das compensações. 2. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 3. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003739/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2401-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lopes Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RODRIGO LOPES ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-03T08:36:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-03T08:36:20Z; Last-Modified: 2021-09-03T08:36:20Z; dcterms:modified: 2021-09-03T08:36:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-03T08:36:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-03T08:36:20Z; meta:save-date: 2021-09-03T08:36:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-03T08:36:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-03T08:36:20Z; created: 2021-09-03T08:36:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-09-03T08:36:20Z; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-03T08:36:20Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10865.003739/2007-31 Recurso Voluntário Resolução nº 2401-000.891 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2021 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente CONSTRUTORA SIMOSO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se, na origem, de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória – deixar a empresa de inscrever o segurado empregado conforme previsto na Lei n. 8.213/1991, art. 17, combinado com o art. 18, I e paragrafo 1. do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 (Fundamento Legal 56). De acordo com o relatório fiscal: A comprovação dos .pagamentos efetuados aos segurados que lhe prestaram serviços, foi constatada através do arquivo digital Defin. 27/11/03 Mov. Bancário, do qual foi extraído a escrituração do “Caixa 2", de 01/2000 a 04/2004, tendo sido impresso e anexado cópia na NFLD n° 35.646.428-8, constando de 103 folhas, constituindo inclusive uma contra prova da Receita Federal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 73 9/ 20 07 -3 1 Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2401-000.891 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003739/2007-31 Foram constatados ainda pela fiscalização pagamentos efetuados a segurados que lhe prestaram serviços no período de 10/2002 a 05/2004, documentados através de uma relação de pagamentos manuscrita, em folha de "agenda", contendo nome dos beneficiário, valor da remuneração e a indicação de "pg". Após confrontar os nomes descritos com os nomes dos funcionários da empresa, ficou evidenciado tratar-se de pagamentos efetuados a empregados “por fora", cujos valores encontram-se escriturados no “Caixa 2" citado anteriormente. A constatação da não inscrição dos segurados empregados junto à Previdência Social, foi feita através da confrontação dos nomes dos segurados que constavam nos recibos de pagamentos com o arquivo digital do sistema de folha de pagamento denominado ASN - Personel - Administração de Pessoal que relacionava o cadastro de todos os funcionários registrados na empresa e também junto ao sistema informatizado do INSS - CNIS - Cadastro Nacional de Informações Sociais, ficando evidenciado que aqueles segurados de fato prestaram serviços sem a devida inscrição Ciência da autuação em 13/07/2004, conforme recibo. Impugnação na qual a autuada alegou que: A acusação se vincula a pagamentos de adicionais “por fora” a funcionários inscritos; A exigência se vincula a pagamentos de autônomos, cuja inscrição é encargo do segurado; Foi exigida contribuição em cima de folha de pagamento manuscrita, que é simples indício; Não é possível equiparação efetivada entre os saques de conta bancária e pagamentos de pro labore; Os pagamentos efetuados a pessoas físicas foram agrupados na rubrica de empregado avulso, o que exige intermediação de órgãos de classe; Há pagamentos em que o real beneficiário é pessoa jurídica; A decadência atingiu as competências 01/1994 a 06/1999; A qualificação dos fatos vinculados ao denominado “Caixa2” deve ser uniforme e não pode ter a qualificação de omissão de receita e de retirada de pro labore; A omissão de receita implica distribuição de lucros aos sócios; As retiradas não são mensais nem fixas, não correspondendo à prestação de serviços; Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2401-000.891 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003739/2007-31 Pagamentos identificados como despesas diversas não têm natureza de remuneração; Saque bancário não é fato gerador de contribuição; Houve cobrança em duplicidade, pois a contribuição foi calculada sobre o salário bruto antes da dedução do adiantamento Não há funcionários não inscritos Lançamento julgado procedente. Decisão-notificação com a seguinte ementa: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. REGISTRO DE SEGURADOS. Constitui infração à legislação previdenciária a não inscrição, pela empresa, de segurado empregado a seu serviço. Ciência da decisão em 14/01/2005 (sexta-feira), por via postal. Recurso Voluntário apresentado em 14/02/2005 ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CPRS), no qual a recorrente alega que: A autoridade julgadora era incompetente; Não foi intimada a se manifestar sobre o crédito oriundo dos documentos apresentados; Não foi intimada a cumprir a obrigação; Houve duplicidade na autuação para a mesma infração; A decadência atingiu as competências até 08/1999; A multa é confiscatória; Contrarrazões ao recurso apresentadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária em Campinas/SP. Ao julgar o recurso voluntário, a CPRS verificou que a notificação 35.646.428-8, relativa ao lançamento das obrigações principais, foi anulada por vício formal. Tendo em vista que a verificação do descumprimento da obrigação acessórias decorre da caracterização do Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 2401-000.891 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003739/2007-31 vínculo dos segurados, o julgamento foi convertido em diligência, para aguardo da notificação substitutiva. Nos termos da decisão: Da análise dos autos do processo, constata-se que a presente autuação decorre da falta de informações ao INSS das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, aferidas indiretamente em conta bancária da contribuinte, a partir da desconsideração de sua contabilidade, por não representar a real movimentação dos salários, na forma devidamente explicitada na respectiva notificação sob n° 35.646.428- 8. Ocorre que, submetida à análise deste Colegiado, nesta mesma oportunidade, a egrégia 4a Caj, por unanimidade de votos, acolhendo as razões decidir do Conselheiro Relator, achou por bem anular referida NFLD, por conter vícios formais, o fazendo sob a égide dos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO CONTABILIDADE DA EMPRESA. ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PRO_YA. ARTIGO 33 §§ 3° E 6°, DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇAO LEGAL NO ANEXO FLD. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE CORREÇA O. VICIO INSANA VEL. NULIDADE. Entrementes, a colenda 4a Câmara ao declarar a nulidade da respectiva NFLD não adentrou ao mérito, não deixando de existir, assim, os fatos geradores que deveriam ser informados ao INSS, consignados naquele lançamento fiscal anulado. Nestes casos, a autoridade competente, após confirmação da nulidade da notificação, determina a emissão de NFLD substitutiva com as devidas correções dos vícios formais apontados anteriormente. Dessa forma, tendo em vista a possível emissão de NFLD substitutiva, esta por guardar íntima relação de causa e efeito com a presente autuação, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Observe-se, que somente após o julgamento da correspondente NFLD, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, é que se poderá inferir com segurança que a contribuinte deixou de informar ao INSS aqueles fatos geradores, devendo ser sobrestado o julgamento desta autuação. O processo foi instruído com os seguintes documentos: Documento e-fl. Relatório fiscal da infração 3 Relatório fiscal da aplicação da multa 17 Recibo de ciência da autuação 2 Impugnação 277 Decisão-notificação de 1ª instância 300 Aviso de recebimento (AR) da decisão de 1ª instância 311 Recurso Voluntário 315 Contrarrazões ao Recurso Voluntário 375 Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 2401-000.891 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003739/2007-31 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que deve ser conhecido. No entanto, verifica-se uma questão que pode alterar o resultado do julgamento. O relatório fiscal apresenta duas tabelas (e-fl. 4 a 7) discriminando os empregados que prestaram serviços à empresa sem inscrição: a tabela “a” relaciona os empregados que prestaram serviços até o mês 03/1997; a tabela “b” relaciona os empregados que prestaram serviços após o mês 03/1997. A fiscalização justifica a separação informando que até a vigência do Decreto 612, de 05 de março de 1997, a multa aplicável era de R$ 1.035,92, independentemente do número de segurados não inscritos. Após o decreto, a multa passou a ser de R$ 1.035,92 por segurado. Como essas tabelas contêm períodos de admissão e demissão, obtidos do arquivo digital do sistema de folha de pagamento (e-fls. 245 e ss) e do sistema do INSS (CNIS – e-fls. 119 e ss), não fica claro, de pronto, se tais empregados estariam realmente não inscritos. As contrarrazões ao recurso voluntário (e-fl. 375), contudo, informam que: Mais que isto, a fiscalização teve o cuidado de confrontar os nomes dos segurados beneficiários dos pagamentos com os cadastros de funcionários da empresa e do INSS, comprovando-se assim a prestação de serviços sem a devida inscrição; não passou despercebido também o fato de existirem pagamentos em períodos anteriores e/ou posteriores à inscrição formal de determinados segurados (vide planilha de fls. 03/15), Depreende-se, então, que as tabelas “a” e “b” contêm empregados que, a despeito de estarem formalmente inscritos no período contido entre a data de admissão e a data de demissão, prestaram serviços em período em que não estavam inscritos, seja até 03/1997, seja após 03/1997. Todavia, não constam do relatório fiscal os períodos exatos em que houve prestação de serviços sem a devida inscrição. Para o presente caso, entende-se imprescindível tal informação, mais especificamente a relativa a quais empregados teriam prestado serviços, sem a devida inscrição, a partir de 01/01/1999, considerando a data da autuação em 13/07/2004 e o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 2401-000.891 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003739/2007-31 Posto isso, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização verifique quais segurados, entre os elencados no relatório fiscal, prestaram serviços à empresa, sem inscrição, a partir de 01/01/1999. Após comunicado o resultado da diligência à recorrente para manifestar-se por escrito, caso queira, retornem-se os autos para julgamento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18471.004050/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2007
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
As alegações que tratam de matéria estranha à lide não devem ser conhecidas.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PARTE SEGURADOS.
A empresa é obrigada arrecadar a contribuição do segurado empregado, a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração e a recolher o produto arrecadado.
SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO.
Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos.
DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO.
No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo, acompanhada da documentação contábil e fiscal pertinente, deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento.
Numero da decisão: 2202-008.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à incidência das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2007 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. As alegações que tratam de matéria estranha à lide não devem ser conhecidas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PARTE SEGURADOS. A empresa é obrigada arrecadar a contribuição do segurado empregado, a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração e a recolher o produto arrecadado. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo, acompanhada da documentação contábil e fiscal pertinente, deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à incidência das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO. As alegações que tratam de matéria estranha à lide não devem ser conhecidas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PARTE SEGURADOS. A empresa é obrigada arrecadar a contribuição do segurado empregado, a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração e a recolher o produto arrecadado. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo, acompanhada da documentação contábil e fiscal pertinente, deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 40 50 /2 00 8- 41 Fl. 873DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à incidência das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 8471.004050/2008-41, em face do acórdão nº 12-51.299, julgado pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), em sessão realizada em 11 de dezembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Do lançamento Trata-se de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o interessado acima identificado correspondente à parte da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O crédito apurado, consolidado em 26/12/2008, com ciência pelo interessado em 29/12/2008, através de AR, fls. 337, consubstanciou-se no valor originário de R$ 136.795,40, que acrescido de multa e juros totalizou a quantia de R$ 238.874,60, e é relativo ao período de 07/2003 a 09/2007. (DEBCAD: 37.199.2303). 2. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 28/ 50, tem-se que: 2.1. Em relação aos serviços prestados por cooperados ao Posto Koara, diversos trabalhadores, associados à cooperativa de trabalho COOPETRAUX, CNPJ 02.825.910.000139, prestaram serviços ao Posto de Gasolina Kohara Ltda, no período 07/2003 a 09/2007, atuando em atividades essenciais do Posto. A autoridade autuante ressalta que os requisitos necessários à caracterização da relação de emprego, na sua essência, eram manifestados pelo Posto de Gasolina Kohara que controlava os serviços dos empregados cooperados, e que na relação cooperado e cooperativa não houve satisfação dos requisitos necessários à configuração do contrato de trabalho subordinado, sob a égide da CLT. 2.2. Informa ainda, em relação à intermediação da mão de obra, que os serviços eram prestados de forma pessoal pelos cooperados, tudo a caracterizar uma intermediação Fl. 874DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 irregular. Por serem as atividades prestadas pelos empregados cooperados essenciais aos fins do Posto Kohara, a não eventualidade do trabalho desenvolvido estava presente. A cooperativa assume condição de mera intermediadora de mão de obra de cooperados, desvirtuando os objetivos das Leis 5.784/71 e 8.949/94. Trata a contração de funcionários pelo Posto Kohara Ltda, através da Coopetraux, de intermediação irregular de mão-de-obra, repelida pela Súmula 331 do TST. A fiscalização conclui que houve a intermediação irregular de mão-de-obra, sendo os cooperados que prestaram serviços através da COOPETRAUX considerados segurados empregados do Posto de Gasolina Kohara. 2.3. Em relação ao procedimento de diligência realizado na junto à Coopetraux, foram verificados documentos e observou-se que a folha de pagamento de cooperados não é elaborada individualmente por tomador. As folhas são consolidadas no CNPJ da cooperativa, somente. O mesmo ocorrendo com as informações prestadas em GFIP. Logo, para identificação dos cooperados que laboraram no Posto Kohara indispensável se fez a análise destes documentos em conjunto com os Demonstrativos de Produção (feitos por tomador) e Notas Fiscais de Serviço, todos anexados ao presente. Observou- se que as pessoas que chegam à cooperativa estão em clara situação de submissão em relação às pessoas que trabalham no local, administrando a Cooperativa. 2.4. A despeito das contribuições sociais lançadas, o objeto desta exigência fiscal está previsto no art. 22, I e II da lei 8.212/91, incidentes sobre as remunerações auferidas pelos segurados considerados empregados pela Fiscalização, que foram contratados com a intermediação irregular da Coopetraux. 2.5. Em relação ao fato gerador, as contribuições sociais lançadas têm como fato gerador o salário de contribuição mensalmente auferido, de forma não cumulativa, observado o disposto no artigo 28, inciso I, da Lei 8.212.1991, pelo segurado empregado. Foram considerados os requisitos caracterizadores do vínculo empregatício, constantes dos arts. 2° e 3º da CLT, na relação estabelecida entre o Posto Kohara (tomador de serviço) e os trabalhadores cooperados. 2.6. O Relatório Fiscal informa ainda, que os valores que serviram de base de cálculo ao lançamento foram obtidos a partir das informações constantes das GFIP’s da COOPETRAUX , colhidas no sistema CNISA e GFIP WEB, bem como das Folhas de Pagamento, apresentadas a esta Fiscalização durante diligência na cooperativa. 2.6.1. Foram apresentados pelo Posto de Gasolina e pela Coopetraux Demonstrativos mensais dos valores cobrados pela cooperativa em relação a cada funcionário (cooperado). No entanto, o valor consolidado nestes demonstrativos não corresponde aos ganhos auferidos pelos trabalhadores, mas sim ao valor cobrado pela cooperativa relativamente a cada trabalhador. 2.6.2. Foi elaborado demonstrativo, por competência, do salário de contribuição auferido por cada um dos segurados contratados com a intermediação da cooperativa, durante o período de trabalho prestado ao Posto de Gasolina Kohara. O mesmo demonstrativo informa a contribuição social de cada empregado, calculada após aplicada a alíquota corresponde a sua faixa salarial. Ressalte-se que o mesmo Demonstrativo consolida mensalmente as bases de cálculo das contribuições sociais lançadas. 2.7. Foi aplicada a alíquota de 3% de SAT, tendo em vista a atividade preponderante da empresa. 2.8. Importante frisar que após setembro de 2007 não mais se verificou-se a existência de cooperados prestando serviços ao Posto Kohara e que grande dos cooperados que estavam à época trabalhando no Posto tiveram seus contratos reconhecidos, sendo Fl. 875DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 devidamente registrados, conforme o demonstrado na última coluna da Planilha que consolida a remuneração auferida por cooperado, anexa ao presente. 2.9. Foi formalizada Representação Fiscal ao Ministério Público e à Delegacia Regional do Trabalho – DRT, no Rio de Janeiro. 3. Às fls. 51/78 consta planilha com a consolidação mensal da remuneração auferida por empregado e cálculo da contribuição devida. 4. Às fls. 85/335 consta documentação embasadora do lançamento. Da impugnação 5. O interessado contesta o lançamento, aduzindo as seguintes razões, expostas a seguir, em síntese. 5.1. A tempestividade. 5.2. Da legalidade da contratação dos cooperados. 5.2.1. O negócio jurídico firmado entre o impugnante e a cooperativa Coopetraux é válido e eficaz e o impugnante, ao firmar o contrato com a Coopetraux (doc. 2), observou que a mesma estava devidamente regularizada, à luz da Lei n° 5.764/71, que instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. 5.2.2. Ao contrário do alegado no auto de infração, os funcionários cooperados seguiam à risca o objetivo social previsto no estatuto da cooperativa, a qual é constituída por trabalhadores auxiliares em exploração, transporte, distribuição e comercialização de petróleo e derivados. 5.2.3. A forma de ingresso (por adesão voluntária) e desligamento dos cooperados, a modalidade da prestação dos serviços e o preço dos serviços prestados são objeto de deliberação dos cooperados, de modo justo e em conformidade com o art. 4º da Lei n° 5.764/71. 5.2.4. A simples contratação de cooperativa como prestadora de serviços não constitui fraude. Conclui pela inexistência de qualquer vício que maculasse a contratação através de cooperativa de trabalho. 5.3. Da inexistência de vínculo de emprego 5.3.1. Os cooperados jamais foram empregados do impugnante. Suas relações com o impugnante decorriam única e exclusivamente do fato de serem os cooperados sócios da Coopetraux. 5.3.2. Não havia ingerência do impugnante no trabalho dos cooperados. Os requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício não estão demonstrados no caso em tela. As atividades são de caráter eventual, existe a mediação da cooperativa para transmitir os trabalhos a seus cooperados. Ausentes a pessoalidade e a onerosidade. 5.3.3. O impugnante jamais pagou qualquer valor aos cooperados, sendo seu vínculo estritamente decorrente do contrato firmado com a cooperativa, conforme se depreende das notas fiscais emitidas pela própria cooperativa em nome do impugnante (doc. 4). 5.3.4. Cita julgados e conclui que uma vez constatado que o trabalho prestado por meio de cooperativa não constitui vínculo de emprego, não há que se falar em cobrança de direitos trabalhistas do impugnante, nem de contribuição para o INSS a cargo do empregador. 5.3.5. Não deve ser aplicado o enunciado da Súmula 331 do TST. Fl. 876DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 5.4. Da contribuição Social paga pelo impugnante 5.4.1. Foram pagos ao INSS os 15% devidos pelas cooperativas, de acordo com art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99, conforme se depreende das notas fiscais de serviço (doc. 4), do demonstrativo de apuração do INSS (doc. 5), das guias comprobatórias de recolhimento (doc. 6) e da planilha demonstrativa em anexo (doc. 7). 5.4.2. A contribuição destinada à Seguridade Social de empregados e trabalhadores avulsos prestadores de serviços, é de 20% sobre o total das remunerações pagas, nos termos do art. 22, inciso I da Lei 8.212/91. 5.4.3. Por outro lado, a própria cooperativa Coopetraux, ao repassar a remuneração aos operados, retém 11% deste valor que é repassado ao INSS, nos termos da exigência da Lei 10.666/2003. 5.4.4. As guias da Previdência Social (GPS) em anexo (doc. 8) comprovam que a cooperativa contratada pelo impugnante recolheu ao INSS o devido nos termos da lei. 5.4.5. Sendo assim, o INSS recebeu não só os 15% retidos pelo impugnante, como também recebeu os 11 % pagos pela própria cooperativa. Logo, o INSS arrecadou o total de 26% sobre as remunerações pagas pelos serviços prestados. Muito mais do que está cobrando do impugnante (20% das remunerações pagas aos empregados cooperados). 5.4.6. Mais um motivo para que seja julgado improcedente o presente auto de infração, ao passo que esta cobrança acarreta em flagrante enriquecimento ilícito do INSS. 5.5. Da Compensação 5.5.1. Considerando-se a hipótese de ser devida esta cobrança de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas aos empregados cooperados, há de ser efetuado o desconto do que já foi pago pelo impugnante, isto é, quinze por cento do valor da remuneração. 5.5.2. Requer o desconto do valor que já foi pago diretamente à cooperativa a título de contribuição à Seguridade Social. 5.5.3. Aponta legislação, doutrina e jurisprudência. 5.6. Conclusão 5.6.1. Requer a improcedência do auto de infração ou que seja descontado o valor já pago pelo impugnante e ainda a produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente documental suplementar e pericial. 6. São anexados documentos às fls. 354/667. Da Diligência 7. Foi solicitado que a fiscalização verificasse os valores recolhidos em GPS a título de retenção de 15% sobre as Notas Fiscais de Serviço, consideradas no presente processo e procedesse à respectiva apropriação. Da Informação Fiscal 8. Em atendimento à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora procede à apropriação dos valores recolhidos pela empresa à cooperativa, conforme Demonstrativo Mensal de Apropriação de Créditos advindos da contribuição social incidente sobre o valor bruto consignado nas notas fiscais de serviços prestados pela Fl. 877DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 cooperativa Coopetraux. Ressalta que na apuração do crédito foram considerados os recolhimentos efetuados e informados em GFIP. 9. Esclarece que a apropriação dos créditos decorrentes do pagamento de contribuição social incidente sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela COOPETRAUX obedeceu a seguinte ordem: 1º) Auto de Infração de Segurados; 2º) Auto de Infração de Contribuições Patronais (Empresa e SAT); e 3º) Auto de Infração de Contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos. O Demonstrativo Mensal de Apropriação de Créditos, demonstra minuciosamente o crédito apropriado aos Autos de Infração DEBCAD 37.199.2311, 37.199.2303 e 37.199.2320, que tratam de contribuições sociais de empregado, empresa e Terceiros, respectivamente. 10. Conclui que o lançamento deve ser retificado conforme planilha de cálculo apresentada. 11. Em anexo, consta Demonstrativo da Apropriação de Créditos acompanhado do Relatório extraído do sistema Águia/CCORGFIP. Do aditamento à impugnação após o resultado de Diligência 12. O impugnante foi devidamente cientificado do resultado da Diligência, tomando ciência da Informação fiscal, da qual apresentou sua irresignação. 13. Apresenta as mesmas razões apresentadas na impugnação e acrescenta suas alegações com relação à comprovação do recolhimento no valor devido. 13.1. Da comprovação do recolhimento no valor devido 13.1.1. Segundo quadro apresentado pela fiscalização, retificando o valor da autuação, diversas competências foram compensadas com o saldo remanescente das contribuições. Entende que todos os débitos em aberto devem ser zerados, haja vista que todos foram pagos, como foi demonstrado na impugnação (documentos 4 a 7 da impugnação). 13.1.2. Para não restarem dúvidas, é que no período de novembro de 2006 foram emitidas duas notas fiscais pela Coopetraux (doc. 2), nos valores de R$ 14.826,74 e R$ 932,70, sendo o valor total de R$ 15.759,44, a base de cálculo para fins de recolhimento da contribuição em questão. Logo, o valor a ser recolhido, e que efetivamente foi recolhido pelo impugnante como se vê pela GFIP em anexo (doc. 3), é de R$ 2.363,91, na alíquota de 15%, por força do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. 13.1.3. O mesmo entendimento deve ser arbitrado ao período de dezembro 2006, conforme anexas as notas fiscais do referido período (doc. 4) e a GFIP (doc. 5), bem como aos demais períodos arbitrados no auto de infração retificado, haja vista que foi devidamente recolhido. 13.1.4. Ademais, o impugnante está reunindo todos os seus documentos contábeis, a fim de trazer aos autos as demais GFIP’s e as Notas Fiscais. 13.1.5. Ocorre que, como o período desta autuação é de julho de 2003 à setembro de 2007 e o atual responsável da impugnante só ingressou na sociedade em abril de 2005 (conforme alteração contratual juntada na impugnação), muitos documentos estão com o seu antigos donos. Assim que forem providenciadas as GFIP's faltantes, o impugnante as trará aos autos. 14. É o relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 828/847 dos autos: Fl. 878DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, a rigor do art. 30, I, b, da lei 8.212/91. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO, RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado pelo sujeito passivo o recolhimento de valores apurados anteriormente ao início do procedimento fiscal, cabível a apropriação dos pagamentos ao lançamento tributário.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo PROVIMENTO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO e por MANTER EM PARTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO no valor original de R$ 153.922,76 , conforme DADR em anexo.” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 854/865, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Conhecimento parcial. Fl. 879DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 Alega em recurso voluntário que uma vez demonstrada a ausência de vínculo empregatício, bem como a legalidade da contratação de cooperativados, não há que se falar em cobrança de contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos decorrentes da relação de emprego. Contudo, trata o presente de crédito tributário lançado pela Fiscalização em face da recorrente correspondente à parte da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O lançamento que trata de crédito tributário lançado pela Fiscalização em face da recorrente correspondente à parte dos terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE) é o de nº 18471.004049/2008-16. Portanto, não havendo nestes autos lançamento quanto a contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, deixo de conhecer tais alegações. Assim, por se tratar de matéria estranha à lide, conheço parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à incidência das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos. Desconsideração do negócio jurídico. Efeitos. A auditoria fiscal analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, constatou a necessidade de caracterização de vínculo previdenciário, na condição de segurado empregado dos trabalhadores até então registrados na cooperativa Coopetraux, com vistas à cobrança da contribuição patronal para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos. Assim, embora o contrato entre a Coopertraux e os trabalhadores do Posto Koara seja válido e eficaz, não é capaz de elidir a cobrança de tributos. Ressalte-se que os requisitos necessários à caracterização do segurado empregado para fins de se apurar a contribuição social devida foram devidamente constatados e demonstrados pela autoridade lançadora, eis que a pessoalidade, a não eventualidade, a subordinação e a contraprestação salarial eram manifestados pelo Posto de Gasolina Koara, que controlova os serviços dos trabalhadores ditos cooperados. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma, no caso, convence a fiscalização que o efetivo empregador diverge da formalidade aparente. Salienta-se também que dentro de suas prerrogativas legais, decorrentes dos artigos 142 e 149 do CTN e do art. 33 e § 1.º da Lei n.º 8.212/91, a Auditoria-Fiscal tem o poder- dever de fiscalizar e identificar, conforme a situação fática apresentada, a realidade dos fatos geradores ocorridos, isto é, a verdade material, em detrimento dos aspectos meramente formais dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte. Não se pode conceber que a situação de regularidade cadastral, contábil e contratual entre os envolvidos implique a “homologação tácita” de tal contexto, por parte do Fisco, impossibilitando posteriores verificações quanto à real natureza das operações e fatos pertinentes. Admitir-se isso significaria inviabilizar por completo as atividades fiscalizatórias da RFB. Fl. 880DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 O que interessa no presente lançamento serão as circunstâncias trazidas pela fiscalização, no tocante ao inter-relacionamento das partes envolvidas, às respectivas constituições societárias, o modus operandi e a maneira como se apresentavam perante o fisco. Assim, o acusatório fiscal teve como suporte para o lançamento, o convencimento de que o propósito da empresa autuada era de criar uma situação jurídica com vistas a dissimular os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Verifica-se pelas informações extraída dos autos, que o convencimento foi formado levando-se em conta dados e fatos detectados pelo auditor fiscal no decorrer do procedimento, que para isto, utilizou recursos vistos e colhidos junto às empresas. Por oportuno, transcrevo trecho do acórdão da DRJ, que bem analisou as particularidades do caso concreto, adotando-os como razões de decidir: 16.2. Foi observado pela fiscalização, que os trabalhadores foram contratados em desrespeito aos princípios básicos da contratação através de cooperativas. 16.3. Conforme Informado no Relatório Fiscal, os trabalhadores foram indicados para trabalharem em horário específico, cargo específico e na tomadora dos serviços, recebendo ordens desta quanto à execução do serviço. Verificou0se que esses trabalhadores, não possuíam qualquer autonomia, não podiam exercer autogestão da cooperativa, vez que, por um lado, dela estavam afastados, e de outro, não dirigiam a tarefa que executavam, mas seguiam orientações externas de seu real empregador, como os demais funcionários registrados. Por isso, verificou-se a presença dos requisitos de subordinação e da pessoalidade do serviço. 16.4. Também se verificou que o serviço executado era não-eventual, servindo principalmente ao atendimento nas bombas de gasolina (frentistas) e nas lojas de conveniência (atendentes). 16.5. A onerosidade (contraprestação salarial) também foi constatada na relação estabelecida com o Posto Kohara, pois os salários eram apenas repassados aos empregados cooperados, após a cooperativa receber do contribuinte as respectivas verbas. Quem pagava efetivamente os salários pelos serviços prestados era o Posto e não a Coopetraux, mera intermediadora. 16.6. Sendo assim, constatou-se que os trabalhadores prestaram serviços atuando em atividades essenciais do Posto. 16.7. Ressalte-se que os requisitos necessários à caracterização do segurado empregado para fins de se apurar a contribuição social devida foram devidamente constatados e demonstrados pela autoridade lançadora, eis que os mesmos (pessoalidade, não eventualidade, subordinação e contraprestação salarial), na sua essência, eram manifestados pelo Posto de Gasolina Koara, que controlova os serviços dos trabalhadores ditos cooperados. 16.8. Destarte, a autoridade fiscalizadora ao verificar a situação fática capaz de caracterizar o segurado empregado, tem competência para efetuar o lançamento, uma vez que é atribuição inerente ao cargo verificar a ocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, lançar os respectivos tributos e qualificar pessoa física como segurado obrigatório da Previdência Social, independentemente da forma jurídica que foi adotada no espectro trabalhista, a qual pode mascarar tal condição, nos termos do art. 33, caput da Lei nº 8.212/91 c/c art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 881DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 16.9. Uma vez verificada a ocorrência dos fatos geradores, tem o auditor fiscal o dever indeclinável de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, § único do CTN. Dessa forma, como bem apreciado pela DRJ de origem, o Relatório Fiscal informa “que apesar da aparente regularidade formal da Coopetraux, o sistema (cooperativismo) foi desvirtuado por completo, pois os empregados cooperados trabalham em atividades essenciais do Posto, se inserindo dentro da hierarquia local, recebendo ordens e cumprindo jornada, o que, por si só já seria suficiente para desnaturar sua condição de cooperado. Por serem as atividades prestadas pelos empregados cooperados essenciais aos fins do Posto Kohara, a não eventualidade do trabalho desenvolvido foi considerada presente, assim como foi considerado que os serviços executados eram prestados de forma pessoal pelos cooperados, tudo a caracterizar uma intermediação irregular.”. Assim, não merece acolhida a alegação da recorrente de que não houve por parte da fiscalização demonstração, nem tampouco fundamentação das supostas ilicitudes cometidas pela contribuinte que amparam o presente lançamento, pois o fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. Nesse sentido, a Lei Complementar nº 104, de 2001, introduziu um parágrafo único no artigo 116 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual permite que a fiscalização poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. vejamos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Por essas razões, constatou-se pela auditoria uma simulação por parte do Posto Kohara, na contratação de trabalhadores através de pessoa jurídica interposta, ou seja, a Coopertraux. Desse modo, uma vez demonstrada o vínculo empregatício, correto está o lançamento das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos decorrentes da relação de emprego. Ocorre que cabia à contribuinte recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Salienta-se que compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Fl. 882DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 Assim, conforme exposto, não possui razão a recorrente, pois o lançamento encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado nos termos da legislação e normativas que disciplinam o assunto. Dos valores recolhidos. A DRJ de origem bem apreciou a questão, razão pela qual transcrevo o voto e adoto como razões de decidir: 18.1. O impugnante contesta a presente cobrança alegando que com este lançamento estaria sendo cobrado a mais do que o efetivamente devido. 18.2. Os autos retornaram à autoridade lançadora, à qual conclui pela retificação do crédito tributário apurado, nos termos da Informação Fiscal presente nos autos. 18.3. Pois bem, improcedem as alegações do impugnante de que o fisco federal já tenha arrecadado das empresas em questão (Posto Kohara e Coopetraux) um percentual a maior do que estaria cobrando do impugnante. 18.4. Ocorre que o presente lançamento foi realizado tendo em vista a caracterização de segurado empregado no Posto Kohara e descaracterização da relação de trabalho existente entre o Posto e a Coopetraux, como anteriormente explanado. Sendo assim, cabível a aplicação da legislação vigente à situação fática verificada, cobrando-se os tributos a serem pagos na forma devida. 18.5. Por este motivo, foi aplicado o artigo 22, inciso I e II da lei 8.212/91 ao caso concreto, eis que estão sendo cobrados da empresa Posto Kohara as suas contribuições devidas, inobstante o devido pela cooperativa. Vide o previsto: (...) 18.6. Outrossim, é obrigação da empresa recolher as contribuições sociais devidas a seu cargo: (...) 18.7. Entretanto, como a empresa já havia pago valores a título de contribuição de 15% de cooperativa e foi apurado que esta forma de recolhimento foi indevida, estes valores estão sendo abatidos dos autos de infração desta ação fiscal, conforme relatado na Informação Fiscal emitida após a Diligência, ou seja, na apuração do crédito foram considerados os recolhimentos efetuados e informados em GFIP, seguindo Demonstrativo da Apropriação de Créditos, acompanhado do Relatório extraído do sistema Águia/CCORGFIP. Entendo que os cálculos da contribuinte não se mostram corretos, pois foram lavrados três autos de infração, sendo um quanto a parte patronal, o segundo quanto a parte segurados e, o terceiro, quanto a contribuição a terceiros e outras entidades. Desconsiderou a recorrente no seu cálculo os valores que deveriam ter sido recolhidos valores, além de contribuição parte empresa, também a título de GILRAT, parte segurados e de terceiros e outras entidades. Embora afirme a recorrente que a Coopetraux efetuou a retenção da parte segurados quando do pagamento a seus cooperados e que este valor teria sido recolhido, tendo o presente auto de infração modo deixado de aproveitar tais valores, a DRJ se manifestou no sentido de que estão sendo cobrados neste auto de infração as contribuições devidas pela empresa Posto Kohara, inobstante o devido pela cooperativa. Fl. 883DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-008.485 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004050/2008-41 Em que pese não concordar com este argumento da instância a quo, verifico que não há nos autos prova que permita o acolhimento do pedido da recorrente. Compreendo que as GPS’s da Coopetraux juntadas aos autos (às fls. 609/676), desacompanhadas das respectivas GFIP’s e folhas de pagamento, não fazem prova inequívoca de que os cooperados da Coopetraux, os quais foram considerados nestes autos como empregados da recorrente, tiveram retenção de contribuição previdenciária (parte segurados) por parte da cooperativa e que a cooperativa tenha recolhido tais valores. Logo, entendo que não seja possível o abatimento de tais valores. Portanto, por não falta de provas, entendo que improcedem as alegações da contribuinte quanto ao abatimento de valores que teriam sido descontados pela cooperativa dos segurados. Ademais, saliente-se que, ainda que fosse deferido tal pedido, primeiramente deveriam ser aproveitados os valores no processo que trata da parte segurados (18471.004052/2008-30). Ocorre que inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo, acompanhada da documentação contábil e fiscal pertinente, deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento. Cabia a contribuinte apresentar a prova de suas alegações, carecendo de razão a recorrente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC e artigo 36 da Lei nº 9.784/99, não deve ser dado provimento recurso ora em análise. Ocorre quem no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à incidência das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 884DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726058/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Gilberto Baptista, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Roberto Silva Junior. Ausente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Gilberto Baptista, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Roberto Silva Junior. Ausente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Gilberto Baptista, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Roberto Silva Junior. Ausente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 26 05 8/ 20 13 -7 7 Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726058/201377 Resolução nº 1402000.361 S1C4T2 Fl. 2.438 2 Relatório Trata o presente processo dos autos de infração do Imposto de Renda IRPJ (fls. 2159 a 2161), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 2175 a 2176) e reflexamente autos relativos à COFINS (fls. 2186 a 2187) e ao PIS (fls. 2191 a 2192), tudo referente ao ano calendário de 2010, lavrados em 22/11/2013, cujo lançamento total foi de R$ 20.952.234,76. O procedimento fiscal revelou movimentação bancária incompatível com a receita declarada. No anocalendário de 2010, o contribuinte obteve movimentação financeira superior a R$ 50.000.000,00, todavia, na sua Declaração Anual do Simples Nacional de 2010, apresentou receita de R$ 1.256.120,36. Além da autuação fiscal, a autoridade promoveu a exclusão da empresa do SIMPLES, em virtude da ausência de documentos contábeis necessários para sua manutenção no regime. A exclusão se deu a partir de 01/01/2010, com fundamento na hipótese prevista no art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar n° 123, de 2006 e art. 5o, VIII, da Resolução CGSN n° 15, de 2007, que determinam a exclusão de ofício das empresas optantes do Simples Nacional quando houver a falta de escrituração do livrocaixa ou não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária. Segundo a fiscalização, o contribuinte, mesmo intimado, deixou de apresentar os extratos bancários, fazendo com que a autoridade requisitasse tais informações junto as instituições financeiras. A empresa apresentou também pedido de baixa de suas atividades na Junta Comercial do Paraná, contudo não logrou promover o encerramento em virtude de pendências tributárias. Consta ainda que o contribuinte, mesmo com as atividades encerradas, continuou movimentando sua conta corrente bancária. Também em razão da falta de escrituração fiscal e contábil idônea, o procedimento de apuração dos tributos se deu pelo Lucro Arbitrado. Às fls. 2273 a 2278, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/CTA 266, de 11/11/2013, que excluiu o Contribuinte do SIMPLES NACIONAL, alegando basicamente que as provas trazidas ao processo foram obtidas de forma ilegal e inconstitucional, posto que a quebra de sigilo bancário somente se viabiliza por ordem judicial. Ao impugnar os autos de infração alegou impossibilidade da utilização da SELIC como taxa de juros e do caráter confiscatório da multa aplicada. Em primeira instancia, a Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade, julgou improcedente ambas as defesas do contribuinte, mantendo a exclusão do simples bem como os valores lançados, cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. É causa de exclusão do Simples Nacional a falta de escrituração do livrocaixa ou que não seja possível a identificação da movimentação financeira da empresa, inclusive bancária. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PREVISÃO ESTABELECIDA EM LEI. O arrolamento de bens e direitos encontrase previsto em lei e deve ser realizado pela autoridade fiscal competente sempre que o valor dos Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726058/201377 Resolução nº 1402000.361 S1C4T2 Fl. 2.439 3 créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do patrimônio conhecido do contribuinte que sofrer a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não constitui caso de nulidade do lançamento quando nele encontram se presentes os requisitos previstos na legislação regente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Questionamentos dessa natureza não são apreciáveis na esfera administrativa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal, inclusive a utilização da taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, correta a aplicação do percentual de 150%.” Da decisão acima, o contribuinte promoveu Recurso Voluntário, alegando os mesmos argumentos suscitados em primeira instância, como também questiona: a) a opção pelo lucro arbitrado deveria ser a última opção por parte da fiscalização; b) a falta de intimação regular dos sócios, que foram apontados como devedores solidários pela fiscalização, e finalmente; c) a existência de erros de fato no lançamento do débito que não haviam sido observados em primeira instância, especialmente a não exclusão da receita arbitrada da movimentação bancaria entre contas do próprio contribuinte e a duplicidade de valores dos mesmos extratos, por ocasião da confecção dos demonstrativos da fiscalização. É o Relatório. Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726058/201377 Resolução nº 1402000.361 S1C4T2 Fl. 2.440 4 Voto Compulsando os demonstrativos e respectivos extratos bancários que lhe deram fundamento, é possível notar flagrantemente a existência de erro material da fiscalização ao apurar as receitas do contribuinte. Tais erros não são pontuais, perpassam todo o demonstrativo, repetindose mês a mês. Senão vejamos (fls. 1536): Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726058/201377 Resolução nº 1402000.361 S1C4T2 Fl. 2.441 5 A fiscalização, ao "exportar" as informações dos extratos bancários para o seu demonstrativo, tomou o cuidado de excluir os débitos, mesmo porque apenas os créditos lhe interessavam, obviamente. Contudo, duplicou os lançamentos diários, conforme se verifica no demonstrativo acima selecionado. Os destaques em amarelo correspondem aos lançamentos do dia, e o texto destacado em vermelho corresponde exatamente aos mesmos créditos destacados em amarelo. Verificando os demonstrativos dos demais meses do exercício em exame, repitase, é fácil notar que o mesmo acontece repetida e regularmente, todos os meses. Portanto, caso o presente processo resulte na manutenção do lançamento, a cobrança resultará na prática no dobro do que realmente seria devido. Além disso, como também apontou o contribuinte em seu Recurso, a fiscalização deixou de excluir a movimentação entre contas do próprio contribuinte, considerando como receita nova. Vejase o exemplo abaixo (fls. 1541): Neste exemplo é possível identificar que, em 17/02/2010, houve um resgate de aplicação financeira do próprio contribuinte proveniente de sua Conta Investimento (C/I) para a Conta Corrente (C/C), o que evidentemente não pode integrar Receita tributável para fins de apuração do lucro arbitrado. Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726058/201377 Resolução nº 1402000.361 S1C4T2 Fl. 2.442 6 Acima destaquei o extrato bancário correspondente, também do inicio de fevereiro, para demonstrar que o fiscal teve o cuidado de excluir os débitos (D), mas por outro lado, também ocorreu a duplicação indevida de depósitos, posto que nos demonstrativos integraram o somatório de receitas do mês valores de créditos (C) que não constam nos extratos (fls. 654). Diante do exposto, me parece fundamental que a fiscalização examine esses apontamentos em todos os seus demonstrativos, comparandoos com os extratos bancários que lhe deram fundamento, até porque, considerando o volume dos lançamentos indevidos apontados, pode ser que a receita anual eventualmente volte a se enquadrar nos limites do SIMPLES. Digo isso pois, em tese, provido o Recurso em relação à exclusão, o contribuinte não estaria automaticamente desenquadrado em razão da superação da "franquia legal" de receita. Assim, proponho a conversão deste julgamento em diligência, para que: Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726058/201377 Resolução nº 1402000.361 S1C4T2 Fl. 2.443 7 1) a Unidade de Origem verifique se, de fato, houve duplicidade de lançamentos, bem como, se houve a inclusão de movimentação financeira entre contas do mesmo contribuinte, no calculo dos lançamentos efetuados. 2) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora cientificar o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Entendo que, uma vez concluída a diligência acima, será possível julgar definitivamente o recurso interposto. É o meu voto. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/05/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10950.722014/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeuse por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 22 01 4/ 20 12 -4 4 Fl. 4427DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.428 2 RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão da DRJ: Trata o presente processo de solicitação de compensação, com a apresentação de grande número de pedidos de PER/Dcomps pela contribuinte (listados a fls.2569/2578), nos quais pleiteia supostos pagamentos indevidos ou a maior para as contribuições devidas ao PIS e à Cofins (ambas não cumulativas), cujos créditos estão compreendidos no período de apuração de abril de 2007 a agosto de 2011. A contribuinte reclassificou receitas que eram tributadas pela sistemática de apuração não cumulativa para a sistemática de apuração cumulativa, que seriam as relacionadas as contas de Serviço avançado de Internet (41134230) e ADSL Aluguel de Modem (41134220), tendo em vista que ela aderiu ao Convênio CONFAZ ICMS nº 81, de 05/08/2011, considerando, agora, que estas receitas, do período de abril de 2007 a agosto de 2011, fazem parte do serviço de telecomunicação. A reclassificação destas receitas teria acarretado insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins cumulativos, mas em valor menor que o valor que o suposto pagamento a maior de PIS e Cofins não cumulativos, vindo a resultar no saldo creditório utilizado no pleitos de compensação, após as devidas retificações das DCTFs do período, conforme explicações e demonstrativos constantes dos autos. Diante disso, a Autoridade Fiscal procedeu uma criteriosa análise da legislação do Pis e da Cofins, tanto na sistemática cumulativa, quanto da não cumulativa, que afetava a contribuinte, para fins de verificação da base de cálculo das contribuições nas duas sistemáticas de apuração, conjuntamente com os conceitos da Lei 9.472/1997, em seus artigos 60 e 61, do Regulamento dos Serviços de Telecomunicações (Anexo à Resolução Anatel n° 73/98), e em seus artigo 2° e 3º, para fins de definir o que é “serviço de telecomunicações”, bem como se utilizou de intimações para esclarecimento de valores e classificações de atividades que geravam as receitas da contribuinte. Como resultado da análise acima citada, houve concordâncias e discordâncias com classificações de atividades/receitas que foram realizadas pela contribuinte para fins de apuração das contribuições de PIS e Cofins, especialmente a sistemática não cumulativa, pois nesta é que foram gerados os supostos créditos utilizados nos pleitos de compensação que deram origem à auditoria fiscal em apreço. As concordâncias na apuração pela sistemática não cumulativa ocorreram quanto às receitas financeiras, receitas de alienação de Ativo Permanente e receitas de equivalência patrimonial, bem como na classificação das seguintes contas (nome e número): RECEITAS COM HANDSETS (41210100); RECEITAS COM ATA – VOIP (41210105); RECEITAS COM MODEM (41210110) ; SWAPS (41511103); CAPACIDADE (DE JANEIRO A JULHO DE 2009) (41511101) ; COLOCATION (41511102); DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS (49110100); ALUGUEL – EQUIPAMENTO (41111230); IAD – ALUGUEL (41136502) ; RECEITAS DE SERVIÇOS PRESTADOS COBILLING (41980110); MULTAS CONTRATUAIS (41951003); MULTAS CONTRATUAIS – CLIENTES (41951004); MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS –DADOS (41136509) ; COMISSÕES SOBRE VENDAS (41136504); VEICULAÇÃO MÍDIA (41136505); OUTRAS DESPESAS RECUPERADAS (41969000); OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS (41980101); OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS INTERCOMPANY GEO (41980109) ; OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS INTERCOMPANY INN (41980112); DOAÇÕES RECEBIDAS DE ATIVO FIXO (42090109) ; OUTRAS RECEITAS Fl. 4428DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.429 3 (42090110) ; OUTRAS RECEITAS –INTERCOMPANY – INNOWEB (42090112) ; OUTRAS RECEITAS – INTERCOMPANY– POP ( 42090113). As discordâncias na apuração pela sistemática não cumulativa ocorreram em várias classificações de atividades/receitas, vindo a resultar na reclassificação da sistemática cumulativa (efetuada pela contribuinte) para a não cumulativa e, por conseguinte, do indeferimento do pleito de compensação no tocante às contas abaixo descritas: a) Contas Representativas de Assinatura de Telefonia Fixa As contas (nome e número) ASSINATURA – WLL (41111101) , ASSINATURA – FIXO (41111102), ASSINATURA – DIGITAL (41111103), ASSINATURA VOX DDR (41111104) , ASSINATURA VOX 0800 (41111105), ASSINATURA –Provisão (41111199), VOX 0800 LIGHT ASSINATURA (41134810) tiveram a reclassificação da sistemática de apuração cumulativa para a não cumulativa. b) Do Enquadramento das Contas “41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL – FIXO” e “41112112 CHAMADAS INTERREDES (VC1, VC2, VC3)” Como Item de Assinatura Mensal. As contas “41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL –FIXO” e “41112112 CHAMADAS INTERREDES (VC1, VC2, VC3 tiveram a reclassificação da sistemática de apuração cumulativa para a não cumulativa. c) Das Contas Relativas a Serviços de Valor Adicionado. As contas (nome e número) ATIVAÇÃO/INTERNET (41111611); ATIVAÇÃO/HABILITAÇÃO – FIXO (41111612); NÚMERO ESPECIAL (41111614); BLOQUEIO DO IDENTIFICADOR DE CHAMADA (41111615); CONTA DETALHADA (41111616) ; NAVEGA E FALA (41111618); PACOTES GVT – VAS (41111619) ; TAXA DE PORTABILIDADE NUMÉRICA (41111620); IDENTIFICADOR DE CHAMADAS (41111691); BLOQUEADOR DE CHAMADAS (41111692); CAIXA POSTAL DE VOZ (41111693); SERVIÇO DE AUTO DISCAGEM (41111695) ; SIGAME (41111697); CHAMADA EM CONFERÊNCIA (41111698); OUTRAS (41111699); ADSL TAXA DE ATIVAÇÃO/INSTALAÇÃO (41134240); DN SERVIÇOS ADICIONAIS (41134430); PONTO NET TAXA CONFIG./RECONFIGURAÇÃO (41134520) ; PONTO NET SERVIÇOS ADICIONAIS (41134530) ; VD SERVIÇOS ADICIONAIS (41134630); VC TAXA DE INSTALAÇÃO (41134720) ; VOX 0800 LIGHT SERVIÇOS ADICIONAIS (41134830) ; ACESSO TAXA DE INSTALAÇÃO (41134920); ACESSO SERVIÇOS ADICIONAIS (41134930); METRONET SERVIÇOS ADICIONAIS (41135120); MULTINET SERVIÇOS ADICIONAIS (41135220); V P N TAXA CONFIGURAÇÃO/RECONFIG (41135320); TAXA CONFIGURAÇÃO/RECONFIG (41135402); PREMIUN SERVIÇOS ADICIONAIS (41136120) e PREMIUN VOICE SERVIÇOS ADICIONAIS (41136220) tiveram a reclassificação da sistemática de apuração cumulativa para a não cumulativa. Da mesma forma, as contas (nome e número) AUXÍLIO A LISTA (41111613) ; DESPERTADOR (41111617); VIZUALIZAÇÃO DE CONTA PELA INTERNET (41111694), CHAMADA EM ESPERA (41111696) e OUTROS SERVIÇOS (41136510), pelas informações contidas nas respostas a intimações e do plano de contas, também se classificam como serviços adicionado e não de telecomunicação, devendo ser tributadas pela sistemática não cumulativa. d) Das Contas Referentes a Taxas de ativação/Instalação/Configuração/Reconfiguração. As contas (nome e número) ATIVAÇÃO/ INTERNET – IFRS (41111622); ATIVAÇÃO/ HABILITAÇÃO FIXO – IFRS (41111623); ATIVAÇÃO – PROVISÃO (41111690); TAXA DE ATIVAÇÃO INTERNET (41134340); PONTO NET CARRTAXA CONFIG./RECONFIG Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.430 4 (41134550); VD TAXA DE ATIVAÇÃO/INSTALAÇÃO (41134620) ; VOX 0800 LIGHT TAXA DE INSTALAÇÃO (41134820) ; ACESSO TAXA DE INSTALAÇÃO – IFRS (41134921) e IAD TAXA DE INSTALAÇÃO (41136501) foram reclassificadas da sistemática de apuração cumulativa para a não cumulativa. Finalmente, após toda a apreciação retrocitada, foram recalculadas as bases de cálculo do Pis e da Cofins, ambos não cumulativos, do período de abril de 2007 a agosto de 2011, já considerando as reclassificações de receitas e diminuindo dos descontos incondicionais e das devoluções de vendas, observando que a contribuinte não informou nenhum crédito das contribuições não cumulativas nas DACONs dos períodos analisados. Após o cálculo das contribuições foram deduzidos os valores recolhidos na fonte pagadora, vindo a resultar nos valores devidos em cada mês. Estes valores devidos do PIS e da Cofins, ambos não cumulativos, foram diminuídos dos pagos, vindo a resultar na inexistência de valores a serem restituídos em espécie ou utilizados em compensação, sendo que todos os cálculos se encontram nos demonstrativos de fls.2546, 2551,2556 e 2565. A análise da Autoridade Fiscal da DRF de origem também abordou os pedidos de retificações e cancelamentos de PER/Dcomps realizados pela contribuinte e aceitos pelo sistema SCC, o lançamento dos valores de insuficiência de PIS e Cofins, ambos não cumulativos, que foram constituídos no lançamento de ofício constante do processo 10950.722026/201350, e a impossibilidade do lançamento da multa de ofício isolada, prevista nos parágrafos 15 a 17 do art.74 da Lei 9.430/1996, devido à concessão de liminar no MS nº 500404244.2013/PR. Todo o relato do pleito da contribuinte, da análise dos fatos e da legislação, acima mencionados, veio a resultar no Despacho Decisório nº 357/2013, de 14 de maio de 2013, de fls.2579/2627, que indeferiu o pleito de restituição/compensação solicitado pela contribuinte diante da inexistência de direito creditório. Tendo em vista que no objeto dos pedidos estavam contidos vários processos, estes foram apensados ao presente processo (10950.722014/201244), para fins de controle e eficiência, conforme consta dos Termos de Apensação ao Processo Principal, de fls.2685/2788. Irresignada, a Contribuinte apresenta impugnação, de fls.2789/2836. Nesta, começa descrevendo o Despacho Decisório, com seu relatório e conclusões. Após, apresenta preliminar de nulidade do Despacho Decisório por vícios substanciais, decorrentes da afronta ao artigo 142 do CTN e ao artigo 10, inciso III do Decreto n° 70.235/72. Os vícios seriam os seguintes: a) Reapuração fiscal de forma incompleta e equivocada, pois teria deixado de deduzir, dos montantes supostamente devidos de PIS e Cofins não cumulativos, os valores pagos a título de PIS e Cofins na sistemática cumulativa, referente às receitas reclassificadas; b) Refazimento de toda a escrituração fiscal da empresa sem verificar ou refazer a apuração dos créditos escriturais, de PIS e Cofins apurados pela sistemática não cumulativa, aos quais a contribuinte alega ter direito, especialmente a aquisição de insumos para a prestação de serviços; c) Não verificação da informação conflitante por parte da contribuinte no que se refere ao conteúdo das “Contas de Utilização” UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL Fl. 4430DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.431 5 FIXO (41111312) e CHAMADAS INTERREDES (VC1,VC2, VC3) (41112112) , classificando as receitas relacionadas, indevidamente, como serviços de "assinatura" quando, na realidade, tratam de remuneração pelo serviço de comunicação (ligações telefônicas), resultando na apuração da base de cálculo incorreta das contribuições; d) Não verificação da existência de contas redutoras das receitas constantes das “Conta de Utilização”, tomando como base de cálculo valores em duplicidade; Reafirma seu entendimento sobre a nulidade alegando que as situações constantes do rol do art. 59 do Decreto 70.235/1972, não seriam taxativas, sendo que as nulidades devem se relacionar necessariamente ao art.142 do CTN. Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar sua defesa. No mérito, inicia sua contestação atacando o que considera equívocos da Autoridade Fiscal quanto às receitas constantes nas “Contas de Utilização”. O primeiro equívoco seria reclassificar as receitas constantes nas “Contas de Utilização” UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL FIXO (41111312) e CHAMADAS INTERREDES (VC1,VC2, VC3) (41112112) como serviço de assinatura de linha telefônica e não como serviço de comunicação propriamente ditos, acarretando a reclassificação da apuração das contribuições pela sistemática não cumulativa. A reclassificação teria se fundamentado em informação apresentada equivocadamente pela empresa em resposta à intimação 792/2012 (fls.301/311) que as referidas contas, que contemplavam os serviços Dial tone do produto VOX 0800 RI – plano Economix (10000, 12500, 1500, etc) Assinatura mensal; Economix Flex Assinatura mensal (1000, 10000, 12500, etc); Plano controle 60,00; 90,00; Plano empresa; Plano GVT Assinatura mensal (1000, 10000, 1100, etc); WebFone Virtual Assinatura mensal, tratavamse de "Valor pago mensalmente de acordo com o plano contratado pelo assinante para que possa utilizar continuamente o serviço de comunicação, ou seja, para que o emissor possa transmitir suas mensagens até o receptor, esse valor corresponde à remuneração pela manutenção do acesso telefônico de forma individualizada para fruição continua do serviço." Todavia, tal asserção acima seria equivocada, tanto que em todas as demais respostas às intimações da Receita Federal do Brasil a contribuinte teria consignado que estas contas se tratavam de serviços de comunicação consistentes na transmissão de mensagem de voz entre o emissor e o receptor fixo, para celular e via DDD. Por isso, diante de informações conflitantes, deveria a Autoridade Fiscal, em respeito ao princípio da verdade material, providenciar uma análise dos fatos fundamentada na efetiva realidade e não nas declarações oferecidas pela contribuinte, conforme doutrina e jurisprudência. Ademais, apresenta Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria, na qual afirma que as receitas provenientes dos serviços relacionados às contas contábeis em comento tratam efetivamente de remuneração por serviços de comunicação prestados pela GVT, ou seja, ligações telefônicas. Além disso, observa que todas as receitas das contas acima foram submetidas à incidência de ICMS, reforçando sua condição de serviços de comunicação, porquanto a própria fiscalização utilizou tal critério para reclassificar as receitas do regime cumulativo para o não cumulativo. Ainda informa que nas referidas contas contábeis restaram registradas receitas de interconexão de redes de telefonia, que, em realidade, constituem receitas de terceiros. Por tal razão tais receitas não são tributáveis pelo PIS/COFINS pela Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.432 6 contribuinte, mas sim pela empresa que teve as suas redes utilizadas (e que efetivamente prestou o serviço de telecomunicação), mediante o pagamento diferido do tributo. Tudo isso conforme o regime regulatório regido pela Lei n° 9.472/97 (Lei Geral de Telecomunicações LGT). Esta questão está sub judice , não sendo tributadas pela contribuinte devido à decisão, em pleno vigor, no mandado de segurança nº 5000984 38.2010.404.7003, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme consta de resposta à intimação nº 501/2012. O segundo equívoco foi reclassificar as receitas das “Contas de Utilização” UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL FIXO (41111312) e CHAMADAS INTER REDES (VC1,VC2, VC3) (41112112) para o sistema não cumulativo sem considerar a conta redutora dessas receitas, denominada “ Descontos Concedidos (49110101)”. Esta conta denominada “Descontos Concedidos (49110101)”, em realidade deveria se chamar de conta redutora das receitas. Isto pois, devido a limitações do seu sistema informatizado de faturamento, que registra em duplicidade os minutos previamente contratados tanto nas contas de franquia quanto nas contas de uso, acarretando duplicidade de cobrança de valores, que é corrigida pela conta “ Descontos Concedidos (49110101)”. Traz exemplo matemático e Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria corroborando seu entendimento. Após a contestação quanto às “Contas de Utilização”, continua sua defesa argumentando que é necessária a utilização dos valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos para a compensação dos valores de PIS/COFINS não cumulativos referentes às receitas reclassificadas pelo Fisco. Para tanto traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre o assunto e Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria demonstrando qual o valor pago de PIS/Cofins cumulativos que deveriam ser considerados tendo em vista a reclassificação das receitas, tendo ou não excluído os valores da “Conta de Utilização” e já excluindo as receitas de interconexão (decisão judicial prolatada em favor da contribuinte no processo n° 500098438.2010.404.7003), para fins de compensação com o PIS/ Cofins não cumulativos constante do Despacho Decisório. Prosseguindo, alega que deveria ocorrer o reconhecimento dos créditos escriturais decorrentes da aquisição de insumos para prestação de serviços, decorrentes da reclassificação de receitas. Argumenta que pela legislação (Lei 10.637/202 e 10.833/2003) teria direito a créditos dos tributos quando calculados pela sistemática não cumulativa, mas não os calculava porque era antieconômico. Agora, seria viável o apuração destes créditos, tendo em vista a reclassificação de receitas da sistemática cumulativa (que não gera créditos) para a sistemática não cumulativa. Traz Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria demonstrando qual o valor dos créditos escriturais de PIS/Cofins não cumulativos que deveriam ser considerados tendo em vista a reclassificação das receitas, tendo ou não excluído os valores da “Conta de Utilização”. Continuando sua defesa, argumenta ausência de fixação de entendimento definitivo quanto à natureza das receitas decorrentes de serviços acessórios e preparatórios ao de comunicação, bem como de serviços de valor adicionado, se serviços de comunicação ou não, pois a decisão judicial 001/1.06.00905822, que transitou em julgado, trata de ICMS e não de PIS e Cofins, não existindo decisão judicial que determine a extensão dos efeitos da decisão judicial na ação citada para as contribuições em apreço, bem como a controvérsia está pendente de julgamento perante o STF (RE 572.020/DF). Fl. 4432DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.433 7 Outrossim, os termos “serviço de comunicação” e “serviço de telecomunicação” seriam conceitos distintos, sendo o primeiro aplicado ao ICMS e o segundo ao PIS/Cofins. Então, não poderia a Lei n° 9.472/97 (Lei Geral de Telecomunicações LGT), que seria aplicável ao PIS/Cofins, abarcar alterar/ampliar o conceito de serviço de comunicação constante da CR/88 e da Lei Complementar n° 87/96, norma geral do ICMS. Igualmente, desde o advento da LGT, não se poderia mais sustentar que todo serviço de telecomunicação envolve uma relação comunicativa. Em face da abrangência do conceito ofertado pela novel Lei Geral, diversas atividades preparatórias à efetiva ocorrência da comunicação também devem ser englobadas neste conceito. Por isso, e considerando que toda a regramatriz de incidência do PIS/COFINS é definida pela legislação ordinária (LGT), a qual possui conceito próprio de prestação de serviço de telecomunicação, as receitas oriundas de todas as atividades relacionadas com a comunicação stricto sensu (tais como assinatura, serviços de valor adicionado et caterva) são alcançáveis pelo PIS/COFINS cumulativos, não se sujeitando às alíquotas majoradas das aludidas contribuições (regime nãocumulativo). Ainda abordando itens de defesa, a manifestante alega que a impossibilidade da exigência dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL, compensados com os créditos pleiteados, após findo o anocalendário de sua apuração, conforme jurisprudência. Por fim, argumenta a não incidência de juros de mora sobre a multa de mora, por ausência de previsão legal, haja vista que a multa não compõe o crédito tributário para fins de incidência de juros, conforme artigos 161 e 139 do CTN e art.84 da Lei 8.981/1995 c/c artigo 13 da Lei 9.065/1995, bem como de jurisprudência. Em 26/03/2014, em requerimento a fls. 3040/3042 a Empresa solicitou julgamento conjunto do presente processo com o processo 10950.722026/201350, que trata das autuações fiscais resultantes, uma vez que estão intrinsecamente relacionados. Alternativamente, solicita o sobrestamento da presente análise. Verificando os autos, surgiram dúvidas quanto a reclassificação das contas “41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL – FIXO” e “41112112 CHAMADAS INTERREDES (VC1, VC2, VC3) da sistemática de apuração cumulativa para a não cumulativa, conforme fls.2.608/2.610 do Despacho Decisório. A defesa da contribuinte alega que houve erros na reclassificação e na não aceitação de contas de descontos das contas reclassificadas, destacando quatro argumentos: 1) a reclassificação teria se fundamentado em informação apresentada equivocadamente pela empresa em resposta à intimação 792/2012 (fls.301/311) sendo que nas outras respostas às intimações teria sido consignado que estas contas se tratavam de serviços de comunicação consistentes na transmissão de mensagem de voz entre o emissor e o receptor fixo, para celular e via DDD; 2) apresenta Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria, na qual afirma que as receitas provenientes dos serviços relacionados às contas contábeis em comento tratam efetivamente de remuneração por serviços de comunicação prestados pela GVT, ou seja, ligações telefônicas; 3) as receitas das contas acima foram submetidas à incidência de ICMS, reforçando sua condição de serviços de comunicação, porquanto a própria fiscalização utilizou tal critério para reclassificar as receitas do regime cumulativo para o não cumulativo; Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.434 8 4) contas contábeis registradas como receitas de interconexão de redes de telefonia, em realidade, constituem receitas de terceiros. Por tal razão tais receitas não são tributáveis pelo PIS/COFINS pela contribuinte, mas sim pela empresa que teve as suas redes utilizadas (e que efetivamente prestou o serviço de telecomunicação), mediante o pagamento diferido do tributo. Tudo isso conforme o regime regulatório regido pela Lei n° 9.472/97 (Lei Geral de Telecomunicações LGT). Esta questão está sub judice , não sendo tributadas pela contribuinte devido à decisão, em pleno vigor, no mandado de segurança nº 5000984 38.2010.404.7033, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme consta de resposta à intimação nº 501/2012. Na não aceitação de contas de descontos das contas reclassificadas acima, reprisando, a contribuinte alega que a conta denominada “Descontos Concedidos (49110101)”, em realidade deveria se chamar de conta redutora das receitas, pois devido a limitações do seu sistema informatizado de faturamento, registra em duplicidade os minutos previamente contratados tanto nas contas de franquia quanto nas contas de uso, acarretando duplicidade de RS PORTO ALEGRE DRJ Fl. 4030 Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0217.17315.QRA8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 10950.722014/201244 Acórdão n.º 1055.525 DRJ/POA Fls. 9 9 cobrança de valores, que é corrigida pela conta “ Descontos Concedidos (49110101)”. Traz exemplo matemático e Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria corroborando seu entendimento. Igualmente, surgiram dúvidas quanto ao critério de reclassificação dos valores pleiteados de Cofins e PIS cumulativos para fins de imputação/compensação com PIS e Cofins não cumulativos, tendo em vista a reclassificação de receitas de base de cálculo da sistemática cumulativa e para a não cumulativa realizada pela Autoridade Fiscal, caso este aspecto do litígio seja concedido para a contribuinte. Neste caso, a contribuinte alega que teria o direito de utilizar os valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos para a compensação dos valores de PIS/COFINS não cumulativos referentes às receitas reclassificadas pelo Fisco, segundo jurisprudência e Carta de Auditoria Externa elaborada por empresa de consultoria. Por isso, diante dos fatos e visando esclarecer as dúvidas surgidas, em sessão de julgamento realizada em 16/04/2014, processo foi encaminhado em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maringá/PR se manifestasse sobre os seguintes itens: a) a reclassificação das contas “41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL – FIXO” e “41112112 CHAMADAS INTERREDES (VC1, VC2, VC3) da sistemática de apuração cumulativa para a não cumulativa, conforme fls.2608/2610, tendo em vista as explicações e fatos novos trazidas aos autos pela contribuinte em sua contestação, inclusive sobre o mandado de segurança nº 500098438.2010.404.7033, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e seus efeitos sobre o litígio. b) Caso não seja considerada prejudicada pela resposta sobre a tributação das contas “41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL – FIXO” e “41112112 CHAMADAS INTERREDES (VC1, VC2, VC3), verificar se a não dedução da conta denominada “Descontos Concedidos" (49110101) sobre as contas retrocitadas acarreta exigência indevida e redução do direito creditório pleiteado. c) Verificar a fidedignidade dos valores pleiteados de pagamentos de Cofins e PIS cumulativos, bem como de seu rateio, para fins de imputação/compensação com os Fl. 4434DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.435 9 débitos de PIS e Cofins não cumulativos, tendo em vista a reclassificação de receitas de base de cálculo da sistemática cumulativa para a não cumulativa realizada no Despacho Decisório, apresentando demonstrativos mensais de valores calculados pela sistemática cumulativa que, caso seja decidido neste sentido, possam servir para imputar/compensar os valores lançados pela sistemática não cumulativa, bem como seus reflexos sobre os pleitos de PER/Dcomp. Em atendimento à solicitação da DRJ, o procedimento de fiscalização foi revisto nos pontos acima e a diligência foi concluída 27.03.2015 pela DRF em Maringá/PR, alcançando as conclusões expostas no "Relatório de Conclusão de Diligência" (fls. 3928/3946), do qual se extraem, resumidamente, os seguintes resultados: "Resta comprovada a tese do contribuinte de que nas contas '41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL FIXO' e '41112112 CHAMADAS INTER REDES (VC1, VC2, VC3)' não estão contabilizadas receitas provenientes de assinatura telefônica. (...) Desta forma, refizemos a apuração do PIS e da COFINS não cumulativos para o período em questão, retirando da base de cálculo anteriormente utilizada os valores referentes às duas contas em questão." (fl. 3935/3936, destaques originais); "24. Quanto ao item 'b' da solicitação efetuada pela DRJ/POA, temos que, ao alterar as contas '41111312 UTILIZAÇÃO SERVIÇO LOCAL FIXO' e •41112112 CHAMADAS INTER REDES (VC1, VC2, VC3)' para a sistemática cumulativa de apuração do PIS e da COFINS, a conta de n° '49110101 DESCONTOS CONCEDIDOS', passa a ser corretamente considerada, visto atuar como redutora na apuração da base de cálculo das referidas contribuições, como pode ser observado nos demonstrativos de fls. 3866 a 3892." (fl. 3942, destacamos) E, reaberto o prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade quanto aos temas abordados na diligência, a Empresa manifestouse novamente no processo em 07/05/2015, através do recurso a fls. 3972/3989, no qual apresenta, resumidamente, as seguintes alegações: 1 Fazse necessário o reconhecimento dos créditos escriturais decorrentes da aquisição de insumos para a prestação de serviços, surgidos em decorrência da reclassificação de receitas procedimento analisado e avalizado por empresa de auditoria externa independente (Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda.); 2 A base de cálculo do PIS/COFINS não cumulativo sofreu a adição de novas receitas indubitavelmente pertencentes a serviços de comunicação. Dentre outras, apenas a conta "Capacidade" representa majoração da base de cálculo em torno de R$ 34 milhões; 3 A i. Fiscalização não respondeu por completo o item c requerido pela DRJ/POA, deixando de demonstrar a compensação dos valores exigidos a título de PIS/COFINS não cumulativos com os valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos referentes às receitas reclassificadas pelo Fisco; 4 É imperiosa a distinção entre os conceitos de serviço de comunicação para fins de incidência do ICMS e de serviços de telecomunicações para fins de incidência do PIS/COFINS. A regramatriz de incidência do PIS/COFINS é definida pela legislação ordinária, que traz conceito próprio de "serviços de telecomunicações", enquanto a norma relativa ao ICMS advém da LC n° 87/96, ao definir serviço de comunicação. Assim, as receitas oriundas de todas as atividades relacionadas à comunicação stricto sensu (tais como assinatura e serviços de valor adicionado, dentre outros) são Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.436 10 alcançáveis pelo PIS/COFINS cumulativos, não se sujeitando às alíquotas do regime não cumulativo apesar de não serem tributáveis pelo ICMS. Em 07/05/2015 o processo foi novamente encaminhado para esta Delegacia de Julgamento para prosseguimento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa a seguir transcrita: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2011 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco do art. 142 do CTN, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. A sistemática de apuração da contribuição pelo regime da cumulatividade abarca as receitas decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações. Não são receitas decorrentes da prestação de serviços telefônicos as receitas de serviços que simplesmente utilizam como instrumento os serviços de telecomunicações, não se podendo admitir que essas receitas ingressem na sistemática de apuração da contribuição pelo regime da cumulatividade (Cofins cumulativa), já que devem necessariamente serem apuradas pela sistemática de apuração no regime da nãocumulatividade (Cofins não cumulativa). SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. TELEFONIA FIXA. ASSINATURA BÁSICA. REGIME DE INCIDÊNCIA. A remuneração paga pelo assinante à empresa prestadora de serviço de telecomunicações, a título de assinatura básica de telefonia fixa, configura contraprestação por uma atividade que possibilita a telecomunicação, incluindose no conceito de serviço de telecomunicações e sujeitandose à incidência da contribuição pelo regime cumulativo. Entendimento respaldado por decisão judicial transitada em julgado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2011 Por envolver os mesmos elementos fáticos, aplicase o decidido em relação à Cofins no julgamento das questões envolvendo o litígio da contribuição para o PIS. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados Insatisfeito com o teor da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, resumidamente: Fl. 4436DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.437 11 (i) preliminarmente, a necessidade de reconhecimento da conexão da presente demanda com o processo n. 10950.722.026/201350, resultado do lançamento de ofício realizado pela RFB decorrente dos mesmos fatos aqui analisados; (ii) informa que discorda dos cálculos efetuados pelo acórdão recorrido e que estaria providenciando laudo de empresa de auditoria independente no intuito de pontuar seus equívocos (não apresentou, contudo, qualquer laudo até a presente data); (iii) no mérito, que não poderiam ser exigidos por meio do despacho decisório impugnado os débitos anteriores a 31/05/2008, haja vista que operada a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN (decadência parcial); (iv) embora a 2ª Turma da DRJ/POA tenha consignado expressamente ter havido a utilização dos valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos (compensação interregimes), esse procedimento não foi adotado na prática ao realizarse a liquidação do acórdão pela autoridade fiscal; (v) devese reconhecer o direito à utilização dos créditos relativos às aquisições de insumos para a prestação dos serviços de telecomunicações, segundo procedimento analisado e avalizado por empresa de auditoria externa independente (Deloitte), bem como deferida a sua utilização para redução dos valores supostamente devidos a título de PIS/COFINS não cumulativos referentes aos anoscalendário de 2007 a 2011; (vi) impõese a retirada da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo as novas receitas que foram adicionadas em sede de diligência fiscal, mas que indubitavelmente se referem a serviços de comunicação; (vii) devido à pontual distinção entre os conceitos de comunicação para fins de incidência do ICMS e de telecomunicação para fins de incidência do PIS/COFINS, seria mister ressaltar que as receitas oriundas de atividades relacionadas à comunicação stricto sensu constituem telecomunicação (tais como a assinatura e os serviços de valor adicionado, dentre outros), sendo alcançáveis pelo PIS/COFINS cumulativos (apesar de não tributáveis pelo ICMS). A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou contrarrazões ao referido recurso, após o que os autos vieramme conclusos para fins de análise e julgamento. Ato contínuo, em 16/02/2017 (fl. 4383 arquivo não paginável), após a inclusão em pauta do presente processo para julgamento, o contribuinte protocolizou petição nos autos através da qual requereu a sua retirada de pauta, defendendo que o processo em tela não estaria apto para fins de julgamento, visto que: (a) o laudo (Doc. 02) elaborado por empresa de auditoria independente (PwC) que demonstraria os equívocos cometidos pela RFB ao liquidar o acórdão da DRJ não foi apreciado, haja vista que o mesmo não havia sido juntado aos autos, a despeito da informação, no recurso voluntário, de que esta providência estava sendo tomada; Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.438 12 (b) existe mandado de segurança em vias de transitar favoravelmente à Recorrente, impondo a exclusão integral da base de cálculo da autuação controlada no Processo n. 10950.722026/201350 das receitas de interconexão; (c) o STF reconheceu, em repercussão geral, que a assinatura mensal de telefonia configura serviço de comunicação, atraindo a incidência das contribuições cumulativas, diferentemente da classificação adotada pela fiscalização neste caso. Entretanto, devido ao prematuro falecimento do Min. Teori Zavascki o aludido acórdão ainda não foi publicado. É o relatório. Fl. 4438DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.439 13 VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, importante tratar sobre o pedido preliminar do contribuinte, no sentido de que seja reconhecida a conexão da presente demanda com o processo n. 10950.722.026/201350, resultado do lançamento de ofício realizado pela RFB decorrente dos mesmos fatos aqui analisados (item i acima). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Ao analisar este pedido específico, a DRJ, embora tenha reconhecido a relação existente entre ditos processos, entendeu pela inexistência de previsão legal para julgamento conjunto de processos distintos. Contudo, concluiu que tais processos deveriam ser distribuídos preferencialmente para a mesma turma de julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público, evitando assim decisões conflitantes, o que traria o mesmo efeito prático para o contribuinte. É o que se extrai da transcrição da ementa e do voto a seguir: EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. VOTO: II. Julgamento Conjunto ] Solicitou a Empresa que o presente processo administrativo deveria ser reunido e julgado conjuntamente com o processo nº 10950.722026/201350, evitandose fossem proferidas decisões divergentes em relação aos mesmos fatos. Analisados os autos, verificase que o Decreto nº 7.574, de 2011, tratou apenas da reunião de peças em um único processo em sua Subseção VII Disposições Complementares. Nela consta, de forma objetiva, que ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensações e impugnação quanto a eventual lançamento de multas (art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003), as peças serão reunidas em um único processo, devendo as decisões respectivas às matérias litigadas serem objeto de um único acórdão, consoante determinação contida na citada Lei (art. 18, § 3º). Podese, então, concluir não haver fundamento legal para a pretendida conjunção de julgamentos. Entretanto, há que se considerar que o processo nº 10950.722026/201350 se refere a autos de infração (Pis/Cofins) lavrados contra a contribuinte em epígrafe, decorrente de análise de PER/Dcomps relativos a períodos que vão de abril de 2008 a agosto de 2011. Assim, esse processo foi encaminhado para esta Turma de Julgamento, em observância ao princípio da eficiência no serviço público, evitandose também Fl. 4439DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.440 14 decisões contraditórias sobre os mesmos fatos. Ressalto que o presente processo e o de nº 10950.722026/201350 foram distribuídos ao mesmo relator, sendo que esse último processo será objeto de apreciação em sessão de julgamento próxima, situação que produz os mesmos efeitos no pleiteado pela Empresa neste particular. Discordo do entendimento acima exposto. Embora tenha a DRJ ressaltado em sua decisão que o efeito prático ao contribuinte seria o mesmo, entendo que esta afirmativa não é absoluta. Isso porque, ainda que os autos sejam distribuídos à mesma turma julgadora, se não houver o reconhecimento da vinculação entre os referidos mesmos, é possível que sejam julgados em datas diferentes e com uma composição diferente, podendo, ainda assim, acarretar decisões conflitantes entre si. De outro norte, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais prevê expressamente as hipóteses em que os processos poderão ser vinculados, enquadrandose a hipótese aqui analisada no inciso I, do parágrafo 1º do seu art. 6º, que assim dispõe: Art. 6º Verificada a existência de processos vinculados pendentes de julgamento, no âmbito de uma mesma Seção, eles poderão ser distribuídos para relatoria do Conselheiro para o qual houver sido distribuído o primeiro processo. §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de crédito tributário, direito creditório ou benefício fiscal referentes a um mesmo tributo e mesmo período de apuração, ainda que decorrentes de procedimentos fiscais diversos, ou formalizados contra diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Entendo, portanto, que a presente demanda deverá ser julgada necessariamente em conjunto com o processo n. 10950.722.026/201350 (auto de infração fruto do lançamento de ofício realizado pela fiscalização depois de refazer a apuração da Recorrente objeto da presente demanda). Importante salientar que há ainda sob a minha relatoria o proc. 10950.722034/201215, que versa sobre pedido de compensação referente à COFINS do período de apuração de dezembro de 2008, estando dentro do pedido mais amplo objeto da presente demanda, que engloba o período de abril de 2007 a agosto de 2011. Por tais razões, por uma questão de ordem e no intuito de evitar decisões conflitantes, visto que um caso depende necessariamente do julgamento do outro como pressuposto fundamental, entendo por converter o presente julgamento em diligência, para fins Fl. 4440DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.441 15 de determinar que a referida vinculação entre os referidos processos seja devidamente registrada no eprocesso, para fins de julgamento conjunto dos mesmos. Por outro lado, ao analisar o conteúdo do Recurso Voluntário do contribuinte, bem como a petição protocolizada em 16/02/2017, entendo que a presente demanda não está suficientemente instruída para fins de julgamento. Isso porque, consoante acima indicado, apontou o contribuinte em seu recurso que embora a 2ª Turma da DRJ/POA tenha consignado expressamente em sua decisão que teria havido a utilização dos valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos (compensação inter regimes), esse procedimento não foi adotado na prática ao realizarse a liquidação do acórdão pela autoridade fiscal (item iv acima indicado). Confirmo, então, que a decisão recorrida, de fato, consignou que os valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos teriam sido considerados na consolidação dos resultados do julgamento, ao assim dispor: "Observo que todos os pagamentos efetivados pela Empresa de Pis/Cofins, seja pela modalidade cumulativa, seja pela modalidade nãocumulativa, estão sendo considerados para fins de cálculo de créditos e de eventuais débitos, conforme planilhas abaixo, situação que atende à reivindicação da Empresa em sua Manifestação de Inconformidade" (vide fl. 4047 dos autos). Apesar disso, alega o contribuinte que tal compensação não foi na prática adotada ao realizarse a liquidação do acórdão pela autoridade fiscal. No intuito de comprovar o que alega, traz os seguintes exemplos: Fl. 4441DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.442 16 Fl. 4442DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.443 17 Fl. 4443DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.444 18 Com base nos exemplos trazidos pelo contribuinte em tais casos, é possível concluir, ao menos à primeira vista, não foram considerados os créditos relativos ao PIS/COFINS cumulativo, para fins de identificação do valor devido. Sendo assim, entendo ser imprescindível à solução da presente demanda que se afira se houve ou não a compensação entre regimes quando do levantamento realizado pela fiscalização, procedendose à identificação dos valores que deverão ser reduzidos do auto de infração, mês a mês, uma vez admitida a referida compensação entre regimes. Nesta oportunidade, deverá ser avaliado pela fiscalização, ainda, os dados constantes do laudo elaborado pela PwC (Doc. 02, anexado aos autos através da petição protocolizada em 16/02/2017), cujo teor, até o momento, não foi apreciado, o qual indica supostos equívocos nos cálculos feitos pela DRF ao implementar o acórdão de parcial procedência da DRJ. Segundo aponta o contribuinte, este laudo estaria atestando tanto que a compensação interregimes não foi implementada, quanto a adição, em sede de diligência fiscal, de novas contas à base de cálculo das contribuições não cumulativas, que não foram objeto de reclassificação original. Quanto aos demais pontos objeto do Recurso Voluntário do contribuinte, entendo que estes deverão ser apreciados quando do retorno da diligência aqui proposta. Voto, portanto, no sentido de conversão da presente demanda em diligência, para fins de que: (i) a Secretaria desta Câmara registre a vinculação da presente demanda aos processos nº 10950.722.026/201350 (auto de infração) e 10950.722034/2012 15, em razão da conexão entre os mesmos, para que sejam julgados necessariamente em conjunto. (ii) a autoridade fiscal competente seja devidamente intimada para que: (ii.1) analise os valores constantes da consolidação dos resultados do julgamento apresentadas tanto na presente demanda quanto nos Processos nº 10950.722.026/201350 e 10950.722034/201215, informando se em tais valores foram considerados os créditos e débitos relativos tanto ao regime cumulativo Fl. 4444DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.301 S3C3T1 Fl. 4.445 19 quanto ao regime não cumulativo (se foi realizada a compensação entre regimes). Em caso negativo, que realize levantamento, mês a mês, dos valores devidos no Proc. nº 10950.722.026/201350 (auto de infração), após a realização da referida compensação entre regimes, bem como informe se as compensações vinculadas ao referido auto de infração deverão ser homologadas, ainda que parcialmente; (ii.2) analise os dados constantes do laudo elaborado pela PwC (Doc. 02, anexado aos autos através da petição protocolizada em 16/02/2017 fl. 4383, arquivo não paginável), que indica supostos equívocos nos cálculos feitos pela DRF ao implementar o acórdão de parcial procedência da DRJ; elaborando relatório conclusivo relativo a cada um dos pontos ali abordados. Caso entenda necessário à realização da diligência acima determinada, deverá a fiscalização intimar o contribuinte para apresentação de relatórios, memórias de cálculo ou outros documentos que entender necessários. Após a realização da diligência, o contribuinte deverá ser intimado para se manifestar quanto ao seu conteúdo, no prazo legal. Em seguida, os autos deverão retornar a este Conselho, para fins de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Fl. 4445DF CARF MF
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