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Numero do processo: 11853.001734/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os seguintes conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11853.001734/200776 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.514 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de janeiro de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO CANDANGO DE SOLIDARIEDADE Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 53 .0 01 73 4/ 20 07 -7 6 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo INSTITUTO CANDANGO DE SOLIDARIEDADE em face da decisão que julgou procedente o lançamento de débito, referente ao período de 01/09/1999 a 30/11/2002. 2. Conforme consta do relatório fiscal, a empresa foi autuada com base nos seguintes levantamentos: “ 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo apurada dos valores pagos ou creditados aos autônomos pelos serviços prestados durante o mês nas competências entre janeiro de 1998 à fevereiro de 2000 20% (vinte por cento) sobre a base de cálculo apurada dos valores pagos ou creditados aos autônomos pelos serviços prestados durante o mês nas competências a partir de março de 2000.” (f. 198) 3. Após apresentação da impugnação os autos foram baixados em diligência para que o fisco juntasse ao processo explicação sobre o reenquadramento de FPAS da empresa: “(...) 3. Alega o sujeito passivo em sua defesa, à páginas 241 a 255, não conter o Relatório Fiscal as razões da desconsideração do FPAS 639. 4. De fato, verificase que o Relatório Fiscal não faz menção ao ato cancelatório de isenção da empresa em epígrafe, pressuposto autorizador desse lançamento, visto tratarse de contribuição a cargo da empresa, e do reenquadramento de FPAS. 5. Sendo assim, concluise pela necessidade de envio ao AFPS notificante para as providências acima identificadas, com emissão de Relatório Fiscal Complementar, abrindo prazo para nova manifestação do contribuinte.” (f. 270) 4. Em cumprimento à diligência, foi expedido relatório fiscal complementar (ff. 272 a 274) informando do “Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.º 23.401.4/0002/2003, determinado pela Decisão de Notificação 23.401.4/0523/2003, de 10 de novembro de 2003, que cancelou a isenção previdenciária da quota patronal do Instituto Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 4 3 Candango de Solidariedade” (f. 272). Foi dado o prazo de 30 dias para o contribuinte se manifestar a respeito do relatório complementar. 5. Antes que o contribuinte se manifestasse sobre a diligência, foi proferida decisão que restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1º, I, da Lei Complementar n.º 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE” (f.301) 6. A empresa apresentou suas manifestações a respeito da expedição de relatório complementar alegando o cerceamento do direito de defesa tendo em vista que “o contribuinte não fora intimado do teor da determinação da realização de diligência que culminou com a lavratura deste relatório fiscal – complementar”. (f. 326) 7. Houve a intimação da recorrente para que se manifestasse a respeito da decisão de primeira instância. 8. Em sede recursal, o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese, o que segue: a) cobrança em duplicidade das contribuições sociais em decorrência da contratação de autônomos, pois tanto a presente autuação como a “NFLD 35.360.5824” trazem tais rubricas; b) ausência da exata identificação dos transportadores autônomos, tendo em vista o fisco não pode presumir a contratação de autônomos com base apenas em uma conta contábil denominada “locação de equipamentos”. 9. Como não foi dado ao contribuinte ciência do ato que determinou a diligência para que o fisco juntasse ao processo explicação sobre o reenquadramento de FPAS da empresa, foi aberto novo prazo de 15 dias para manifestação. 10. Por sua vez, o instituto apresentou, na forma de defesa administrativa, as seguintes alegações: a) a autuação deve ser considerada inexistente, pois não ostenta causa subjacente legítima à sua própria existência, pois quando lavrada ainda encontravase pendente de julgamento no CRPS a questão da isenção das contribuições previdenciárias do contribuinte, que somente fora julgado em abril de 2006; b) o fisco agiu equivocadamente ao enquadrar a empresa no FPAS 515, pois o correto teria sido o FPAS 639 como declarado pelo contribuinte; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 5 4 c) a duplicidade da cobrança das contribuições sociais em decorrência da contratação de autônomos, pois tanto a presente autuação como a “NFLD 35.360.5824”, trazem as mesmas rubricas; d) a falta da exata identificação dos transportadores autônomos, tendo em vista o fisco não pode presumir a contratação de autônomos com base apenas em uma contacontábil denominada “locação de equipamentos”. 11. Dessa forma, foi proferida nova decisão na qual a ementa restou lavrada nos termos abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. REFORMA DE DECISÃO. Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1º, I, da Lei Complementar n.º 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. A decisão emitida com preterição do direito de defesa do sujeito passivo pode ser reformada, de ofício, pela Administração Pública. LANÇAMENTO PROCEDENTE” (f. 365) 12. A empresa apresentou novo recurso voluntário com a mesma argumentação já trazida anteriormente reiterando a duplicidade do lançamento. 13. Sem contrarrazões. Os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 6 5 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêla. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Compulsando os autos verificase que o processo foi baixado em diligência para que o fisco juntasse aos autos explicação sobre o reenquadramento de FPAS da empresa que passou do FPAS 639 (próprio de entidades beneficentes de assistência social com isenção concedida pela Previdência Social) para o FPAS 515 (referente a prestadores de serviços e cessão de mão de obra). 3. Em atendimento à diligência foi lavrado relatório fiscal complementar que trouxe ao processo a informações a respeito do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais e da decisão de primeira instância que determinou o cancelamento do benefício: “4. O INSS, por meio de Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.º 23.401.4/0002/2003, determinada pela Decisão de Notificação 23.401.4/05823/2003, de 10 de novembro de 2003, cancelou a isenção previdenciária da quota patronal do Instituto Candango de Solidariedade.” (f. 272) 4. Contudo, faltam informações sobre o resultado final do processo (trânsito em julgado) e dessa forma, para evitar atos que possam, de alguma forma, prejudicar o exame do litígio, entendo que o processo deve ser baixado em diligência para que o fisco se manifeste sobre as seguintes questões: a) a data do trânsito em julgado da decisão (de primeira ou segunda instância) que tornou definitivo o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais; b) as rubricas objeto de lançamento na “NFLD 35.360.5824”, bem como o período abrangido pela autuação fiscal, para a verificação de duplicidade de levantamentos, aduzida pelo contribuinte. 5. Feitas tais considerações, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. Observando o direito à ampla defesa e ao contraditório, fica concedido o prazo de trinta dias para que o recorrente, caso queira, se manifeste sobre o resultado do expediente. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 7 6 6. Após, retornem os autos à apreciação deste Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. CONCLUSÃO 7. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência, em consonância com as razões postas acima. Foi assim que o conselheiro se posicionou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002786/2001-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 27/03/1995 a 30/08/1999
Ementa.
ATO CONCESSÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL.
Não há como manter a exigência após a constatação pela própria autoridade fiscal que parte do regime foi devidamente atendido pelo contribuinte, como asseverado no acórdão recorrido: O principal desiderato do processo administrativo fiscal, in casu, é saber se os atos concessórios foram cumpridos, e se provas quanto a isso foram juntadas aos autos, não há como se negar.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 27/03/1995 a 30/08/1999 Ementa. ATO CONCESSÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não há como manter a exigência após a constatação pela própria autoridade fiscal que parte do regime foi devidamente atendido pelo contribuinte, como asseverado no acórdão recorrido: O principal desiderato do processo administrativo fiscal, in casu, é saber se os atos concessórios foram cumpridos, e se provas quanto a isso foram juntadas aos autos, não há como se negar. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 10.454 1 10.453 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.002786/200141 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.137 – 3ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2014 Matéria DRAWBACK SUSPENSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLUVÉL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 27/03/1995 a 30/08/1999 Ementa. ATO CONCESSÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não há como manter a exigência após a constatação pela própria autoridade fiscal que parte do regime foi devidamente atendido pelo contribuinte, como asseverado no acórdão recorrido: “O principal desiderato do processo administrativo fiscal, in casu, é saber se os atos concessórios foram cumpridos, e se provas quanto a isso foram juntadas aos autos, não há como se negar.” Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 27 86 /2 00 1- 41 Fl. 10454DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10930.002786/200141 Acórdão n.º 9303003.137 CSRFT3 Fl. 10.455 2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Nanci Gama, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para fins de formalização deste acórdão adoto o relatório e voto da Conselheira Nanci Gama, entregue à Secretaria da CSRF por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com base no art. 7º, I, combinado com art. 15, ambos do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face do acórdão de nº 30134.806 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as exportações que comprovadamente foram vinculadas aos respectivos registros de exportação, nos termos do relatório de diligência de fls. 5.620 a 5.628. Aduz a Fazenda Nacional em seu recurso que, ao considerar, com base no princípio da verdade material, os extratos de RE trazidos pelo contribuinte como prova da vinculação das importações com as exportações posteriormente realizadas contribuinte, o contribuinte contrariou o artigo 138, parágrafo único, do CTN. Conforme despacho de fls. 6.168/6.169 o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Cientificado do despacho, o contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a manutenção da decisão recorrida (fls. 6.187/6.201). É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 10455DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10930.002786/200141 Acórdão n.º 9303003.137 CSRFT3 Fl. 10.456 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc "Conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade. Quanto ao mérito não assiste razão, a meu ver, à Recorrente. O primeiro aspecto que deve a meu ver ser destacado decorre do fato de o acórdão recorrido ter se embasado no resultado de diligência determinada pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, à repartição de origem para que se procedesse ao exame da comprovação da vinculação entre os atos concessórios de drawback, discriminados às fls. 5.611 a 5.612, e os correspondentes registros de exportação (posteriormente retificados) e acostados ao recurso voluntário interposto (fls. 5.120 a 5.586), conforme se pode constatar, do trecho aqui reproduzido, também consignado no acórdão recorrido, verbis: "No mérito, cabe observar que, em 21/06/2005 a recorrente solicitou a juntada aos autos dos documentos de fls. 5.002 a 5.465, que demonstrariam a vinculação entre o os Atos Concessórios de Drawback e os correspondentes Registros de Exportação, que teriam sido objetos da ação fiscal que resultou na exigência do crédito tributário em discussão. Foi juntada, também, listagem dos Registros de Exportação, cujos pedidos de retificação ainda se encontrariam pendentes da anuência dos órgãos competentes. À vista da documentação acostada às fls. 5.002 a 5.465, e considerando que a sua análise constitui atividade essencialmente técnica, Voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, com fundamento no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, para que esta proceda ao seu exame e demonstre de forma clara e precisa se resta comprovada a vinculação entre os Atos Concessórios de Drawback e os correspondentes Registros de Exportação (posteriormente retificados) que resultaram na exigência do crédito tributário a seguir discriminado: (...) Ressaltese que a contribuinte deverá ser cientificada do resultado da diligência para fins de se manifestar." Em resposta à diligência, a informação Fiscal de fls. 5.620 a 5.628 apontou, em síntese, o cumprimento parcial do regime. E por essa razão em observância ao principio da verdade material, e que deve prevalecer, entendo que não há como manter a exigência após a constatação pela própria autoridade fiscal que parte do regime foi devidamente atendido pelo contribuinte, como asseverado no acórdão recorrido: “O principal desiderato do processo administrativo fiscal, in casu, é saber se os atos concessórios foram cumpridos, e provas quanto a isso foram juntadas aos autos, não há como se negar.” Fl. 10456DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10930.002786/200141 Acórdão n.º 9303003.137 CSRFT3 Fl. 10.457 4 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto." Antonio Carlos Atulim Fl. 10457DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10865.002080/2002-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
O não atendimento a intimações específicas, versando sobre documentos bancários cuja apresentação é questionada e encontra-se inclusive sub judice, não enseja o agravamento da penalidade, mormente quando o Fisco dispõe dos meios legais para obter tal documentação diretamente das instituições financeiras, bem como de proceder à exigência do respectivo tributo por presunção.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O não atendimento a intimações específicas, versando sobre documentos bancários cuja apresentação é questionada e encontrase inclusive sub judice, não enseja o agravamento da penalidade, mormente quando o Fisco dispõe dos meios legais para obter tal documentação diretamente das instituições financeiras, bem como de proceder à exigência do respectivo tributo por presunção. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 20 80 /2 00 2- 91 Fl. 2875DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 210201.537, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 2.402 a 2.414), julgado na sessão plenária de 27 de setembro de 2011, por unanimidade de votos, parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de oficio no percentual de 112,50% para 75% e para excluir da base de cálculo da infração da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários os seguintes montantes: a) anocalendário 1997 R$ 129.472,91; b) anocalendário 1998 R$ 236.341,60; c) anocalendário 1999 R$ 255.458,50; d) anocalendário 2000 R$ 314.989,75. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 PROVA ACOSTADA AOS AUTOS APÓS 0 PRAZO DA IMPUGNAÇÃO. LIMITES DEFINIDOS NO ART. 16, § 4°, DO DECRETO N° 70.235/72. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PROVA ACOSTADA APÓS ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA, EM GRAU RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. A prova juntada após o prazo da impugnação devese amoldar às exceções informadas no Decreto n° 70.235/72, podendo ser flexibilizada em hipóteses especiais. Entretanto, as exceções Fl. 2876DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002080/200291 Acórdão n.º 9202003.685 CSRFT2 Fl. 2.875 3 legais antes informadas devem ser criteriosamente examinadas quando a prova é juntada após a conclusão de diligência determinada pela instância recursa, sob pena de a autoridade julgadora abdicar de seu poderdever de determinar o momento do julgamento, porque, como a prova nova, mormente quando complexa, deve ser submetida à autoridade autuante para fins de aperfeiçoamento do contraditório, terseia o assenhoreamento da pauta de julgamento pelo recorrente, que poderá trazer fracionadamente o conjunto probatório, procrastinando ao seu alvedrio o deslinde da controvérsia, o que é de todo inadmissível. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 0 PERCENTUAL DE 112,50% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO. NÃO ATENDIMENTO As INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA 0 LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTARIA. IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. E, no caso especifico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI N' 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não Fl. 2877DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompativeis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso provido em parte. Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (fls. 2.425 a 2.446), onde: a) Preliminarmente, questiona a análise, pelo Colegiado a quo, de dois recursos voluntários interpostos pelo contribuinte (fls. 1.012 a 1064 e 1.065 a 1.429), inexistindo prova da revogação do mandato de fl. 77, concomitante à procuração nomeando patrono diverso (fl. 1.091), citando, a propósito, o princípio da unirecorribilidade, bem como a existência de preclusão consumativa, trazendo jurisprudência do STJ e ensinamentos doutrinários que suportariam seu entendimento de nulidade do recorrido nesta seara. b) Quanto à redução da multa, inicialmente agravada para 112,5% pela autoridade lançadora, para o patamar de 75%, alega a existência de divergência jurisprudencial em relação ao decidido nos Acórdãos 10421564 e 10423.295, ambos da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, assim ementados na parte de interesse ao litígio: Acórdão 10421564 (...) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. (...) Acórdão 10423295 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS CABIMENTO A multa aplicada, no caso de lançamento de oficio, passa a ser de 112,5% (cento e doze e meio por cento) quando o contribuinte deixe de atender, nos prazos estipulados, a intimações para apresentar documentos ou prestar esclarecimentos. (...) Questiona a recorrente o voto condutor do recorrido, em especial no que diz respeito a seu entendimento de que uma vez que "a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação”, e que, assim, o não atendimento as intimações da Fl. 2878DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002080/200291 Acórdão n.º 9202003.685 CSRFT2 Fl. 2.876 5 fiscalização, nas palavras do recorrido, “não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal", o agravamento “não pode prosperar, pois o contribuinte, ao não atender as intimações da autoridade fiscal, simplesmente sofre o ônus pleno da presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o que já é um gravame em si mesmo, sendo incabível, assim, o exasperamento, como ocorreu nestes autos". Ressalta que nos Acórdãosparadigma não se cogita de tal necessidade de existência de prejuízo, o qual, inclusive se presume pela falta de colaboração do intimado, sustentando, ainda, que tal prejuízo pode ser caracterizado, in casu, pela necessidade da fiscalização ter sido forçada a usar Requisições de Movimentação Financeira, a fim de obter os extratos bancários do autuado. Argumenta que o legislador não estabeleceu este requisito de prejuízo como elemento do tipo para aplicação do percentual de multa agravado, não se devendo confundir a aplicação do dispositivo com o instrumental colocado à disposição para a autoridade fiscalizadora no caso de inércia do contribuinte quanto a seu dever de colaboração. Ainda, entende que o próprio recorrido reconhece o prejuízo concreto ocorrido à Fiscalização e ao andamento do feito administrativo. Ressalta, por fim, que não se pode confundir, também a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado. Entende que, mesmo sendo atendidas as intimações pelo contribuinte, ainda assim pode ser aplicada a presunção do art. 42 da Lei n 9.430/96. Nota que o entendimento vergastado no acórdão recorrido, portanto, afronta o principio da isonomia, beneficiando os contribuintes que não colaboram com o Fisco, não tendo sido, aqui, comprovado motivo de força maior que impedisse o contribuinte de atender tempestivamente. Cabível, portanto, para a recorrente, o agravamento da multa, de 75% para 112,5 %, como previsto no artigo 959 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999). Defende, assim, que o lançamento deve ser mantido e o acórdão recorrido reformado. O pleito recursal foi admitido apenas quanto à parte da decisão que afastou o agravamento da multa em 50%. (fl. 2.450 a 2.453). Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável, ofertando, todavia, contrarrazões ao especial da Fazenda, onde alega: a) Que as situações fáticas dos paradigmas divergem daquelas dos presentes autos, onde alega ter havido não comprovação parcial dos depósitos bancários, pugnando pelo não conhecimento do recurso. b) Ter inexistido prejuízo concreto ao curso da ação fiscal, uma vez que mesmo que as intimações não tivessem sido atendidas, a legislação faculta ao fisco sua obtenção direta junto às instituições financeiras, requerendo, alternativamente, o não provimento do recurso É o relatório. Fl. 2879DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à necessidade de se agravar a multa de ofício em 50%. No caso em tela, a fiscalização solicitou, reiteradamente, que o contribuinte apresentasse diversos esclarecimentos, aqui inclusos seus extratos bancários, para o período sob ação fiscal em diversos termos de intimação fiscal (fls. 61 a 63, 145, 147 /148, 188 e 190/191). O fiscalizado optou por, ao invés de apresentar os esclarecimentos solicitados ou justificar sua não apresentação de forma específica, individualizada, por insistir em expedientes de tentativa de impugnação administrativa ao Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Fiscalização (fls. 65 a 86, 95 a 117, 132 a 144), todos com seguimento devidamente negados pela autoridade administrativa competente (fls. 87 a 93, 118 a 130 e 150 a 176) . Por não obter quaisquer informações do contribuinte, a autoridade fiscal teve de emitir as Requisições de Movimentação Financeira de fls. 178 a 187 e 201/202, obtendo assim as informações de interesse, diretamente junto às instituições financeiras ali requisitadas. Posteriormente à obtenção de tais informações, foi solicitada a comprovação, através de documentação hábil e idônea das causas ou operações que deram origem a recursos creditados ou depositados nas contas correntes onde o autuado figurava como titular ou co titular (fls. 215 a 818). Uma vez mais, o contribuinte optou por tentar impugnar, por via administrativa, as exigências efetuadas, sem qualquer argumentação de natureza fática, através de expediente onde, agora, mencionava a existência de pleito judicial no mesmo teor da impugnação ali tentada (fls. 819 a 830), resultando daí o não conhecimento deste novo expediente pela autoridade administrativa competente, por concomitância (fl. 831). Tentou ainda, a autoridade fiscal, uma derradeira intimação de efls. 835 a 849, onde se alertava acerca da possibilidade de agravamento, sem resposta do contribuinte. Assim, com base nas informações, notese, exclusivamente obtidas junto às instituições financeiras, ou seja, junto a terceiros, no curso da ação fiscal, se utilizou da presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para tributar a omissão de rendimentos presumida pela não comprovação de créditos, tendo sido a penalidade agravada em 50% (fls. 12 a 15), além da tributação de ganho de capital, a qual não faz parte do presente litígio, visto não ter sido objeto de multa agravada. O acórdão recorrido entendeu que a majoração da multa só é cabível quando obstar a lavratura do auto de infração, criando prejuízo para o procedimento fiscal” e, também, que o agravamento, aqui, “não pode prosperar, pois o contribuinte, ao não atender as intimações da autoridade fiscal, simplesmente sofre o ônus pleno da presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o que já é um gravame em si mesmo, sendo incabível, assim, o exasperamento, como ocorreu nestes autos". Passo a expressar meu entendimento. Fl. 2880DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002080/200291 Acórdão n.º 9202003.685 CSRFT2 Fl. 2.877 7 Entendo como importante, inicialmente, esclarecer que a falta de atendimento de intimações, por si só, não pode ser considerada apressadamente o fundamento para o agravamento da multa. Com efeito, a legislação (art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996), tanto em sua redação original quanto na atualmente em vigor, prescreve o agravamento da multa de ofício em 50% nos casos em que não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos. Ou seja, quando não ocorre o esclarecimento necessário ao lançamento. No caso em tela, notório que o contribuinte não forneceu qualquer esclarecimento à autoridade lançadora, não tendo se atido em qualquer resposta a considerações outras que não de natureza jurídica acerca da nulidade da intimação/ação fiscal como um todo, forçando a que todos os esclarecimentos fáticos estritamente necessários ao lançamento fossem obtidos junto a terceiros (no caso, instituições financeiras), através das requisições de fls.. fls. 178 a 187 e 201/202. Assim, o não atendimento genérico realizado prejudicou a fiscalização e, assim, em meu entendimento, enseja o agravamento da multa. Faço notar, ainda a propósito, que, no caso, não se está diante de mera não comprovação da origem os créditos objeto de intimação, mas, sim, de não atendimento às exaustivas intimações realizadas pela autoridade fiscal, não havendo, nesta hipótese qualquer inconsistência resultante da aplicação concomitante da presunção para fins de lançamento (decorrente da não comprovação dos créditos objeto de intimação) com o agravamento da multa perpretado (decorrente do não atendimento ás intimações), uma vez que aqui não se confundem a não comprovação com o não atendimento. Diverso é o caso em que há, por exemplo, uma despesa médica não comprovada, onde ela é esclarecida através da devida resposta específica ao termo, mas onde o contribuinte não obtém êxito no que diz respeito à comprovação através de documentação hábil e idônea na forma legalmente exigida, sendo, aqui, notese desnecessária a busca de qualquer informação junto a terceiros de forma a caracterizar a glosa. Incabível nesta situação o agravamento, uma vez que, na hipótese, passam a se confundir o nãoatendimento aos exatos termos da intimação (naquele item específico) e a nãocomprovação. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, restabelecendose o agravamento da multa. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada. Tratase de multa de ofício agravada, especificamente em relação a uma das infrações imputadas ao Contribuinte, qual seja, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem identificação de origem (art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996). A exasperação da penalidade deveuse ao fato de que o Contribuinte, intimado, não apresentou extratos, documentos e informações sobre suas movimentações financeiras (Termo de Verificação Fiscal, fls. 31/32). O exame das peças do processo permite constatar que o não atendimento às intimações, no presente caso, está atrelado a um dos argumentos de defesa que permeia todo o processo, a saber, a alegação de irregular quebra de sigilo bancário, inclusive com ação judicial do Contribuinte nesse sentido. Confirase o acórdão proferido pela DRJ em Fortaleza/CE (fls. 994). "Assim, não pode o julgador administrativo conhecer da parte da impugnação referente à alegação de nulidade por abuso de poder, relativamente ao Mandado de Procedimento Fiscal e ao Termo de Início de Fiscalização, e por existência de provas ilícitas, relativamente aos extratos bancários, que serviram de base para o lançamento, porque tais matérias encontramse 'sub judice'." Assim, não há como manterse o agravamento da penalidade, por ter o Contribuinte se negado a apresentar documentos cuja solicitação considerava irregular, tendo inclusive recorrido ao Poder Judiciário nesse sentido. Ressaltese que tal argumento não é raro, nos casos que envolvem a verificação da movimentação financeira dos Contribuintes, razão pela qual a própria lei possibilitou ao Fisco a obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, por meio da RMF Requisição de Movimentação Financeira. Ademais, foi positivada, por meio do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, a presunção de que, não identificada, pelo Contribuinte, a origem dos recursos depositados na contacorrente, estes devem ser considerados como renda pelo Fisco, invertendose assim o ônus da prova. Destarte, entende esta Conselheira que, no presente caso, tendo o Fisco obtido os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, e tendo se operado a presunção de renda sobre os depósitos cuja origem não foi comprovada, não há que se falar em agravamento da multa de ofício pelo não atendimento às intimações específicas desta infração, ressalvandose que havia inclusive uma discussão judicial acerca de suposta quebra irregular de sigilo bancário. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002080/200291 Acórdão n.º 9202003.685 CSRFT2 Fl. 2.878 9 Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13804.008888/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no regime não cumulativo, com origem em junho de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre duas declarações de compensação apresentadas pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF — Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de Cofins oriundos de operações de exportação, os RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 08 88 8/ 20 04 -5 7 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008888/200457 Resolução nº 3201000.577 S3C2T1 Fl. 1.299 2 quais teria apurado no mês de junho de 2004 pelo regime não cumulativo e com fundamento no art. 6°, § 1°, da lei n° 10.833/2003. 5. A primeira declaração, apresentada em 30/12/2004, deu origem ao processo em exame e a segunda, entregue em data posterior, ao processo apenso (13804.000041/200513): Ambas as declarações ocupam as duas primeiras folhas dos respectivos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 21/22), determinou o envio do processo principal e seu apenso à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 36/38, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 26/31), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 32/33, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 07/10/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 39/42, no qual se exprime nos seguintes termos: "Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente."(fl. 42) 9. Intimado da decisão por via postal em 18/11/2009 (fls. 43 – v); a interessada apresentou em 17/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 61/83, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos de (fls. 84/149). Resumo I. Apresenta inicialmente dois quadros demonstrativos nas fls. 62. No primeiro descreve a apuração do crédito de Cofins, relacionando algumas linhas do DACON (Demonstrativo de apuração de contribuições sociais) e mencionando as contas contábeis e valores correspondentes. No segundo, expõe minuciosamente o conteúdo das declarações de compensação ora examinadas, informando a natureza dos débitos, bem como os respectivos valores, códigos e períodos de apuração. Il. Afirma que o "histórico do objeto" emitido pelos Correios e anexo à fl. 32 indica meramente a data de entrega do Termo de Inicio de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008888/200457 Resolução nº 3201000.577 S3C2T1 Fl. 1.300 3 III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2° da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Cofins apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item "6" do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de Cofins pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003 (na verdade, Lei 10.637/2002, conforme se lê no dito demonstrativo), declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON, os quais reproduz em cópia simples no "Anexo 2" (fls. 122/140). IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de PIS anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. Xl. Assinala que as informações contidas nas fichas 24 e 25 da DIPJ relativa ao exercício de 2005 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluídas nas fls. 68/70. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 24 e 25), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008888/200457 Resolução nº 3201000.577 S3C2T1 Fl. 1.301 4 entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XIII. Afirma haver juntado aos autos, no "Anexo 5", 1 CD e 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados (na verdade há apenas 1 DVD), assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, fichas 24 e 25 da DIPJ e demonstrativo do crédito da cofins ("Anexo 2"). XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 73/83, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, "deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo" (fl. 83). 10. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 16 25.461, de 27/05/2010 (fls. 50 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008888/200457 Resolução nº 3201000.577 S3C2T1 Fl. 1.302 5 O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da Cofins apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 29/32, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 35). Posteriormente, em 29/05/2009, foi reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 36/37), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 38. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008888/200457 Resolução nº 3201000.577 S3C2T1 Fl. 1.303 6 Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 35. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10166.721743/2015-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
LANÇAMENTO, OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. DEDUTIBILIDADE. PENSÃO JUDICIAL. FILHOS MAIORES E CAPAZES.
Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos, até 21 anos de idade, incapazes, sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários ou cursando escola técnica de segundo grau.
No presente caso, as pensões pagas a filhas maiores de 24 anos, capazes, com condições de proverem a própria subsistência, não podem ser deduzidas do IRPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ISENÇÃO. DEDUTIBILIDADE. PENSÃO JUDICIAL. FILHOS MAIORES E CAPAZES. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos, até 21 anos de idade, incapazes, sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários ou cursando escola técnica de segundo grau. No presente caso, as pensões pagas a filhas maiores de 24 anos, capazes, com condições de proverem a própria subsistência, não podem ser deduzidas do IRPF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 43 /2 01 5- 72 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 2402005.074 S2C4T2 Fl. 157 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente me parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. FILHOS MAIORES. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos menores ou maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 18ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação, devendo ser reduzido o imposto suplementar de R$ 46.847,44 para R$ 14.727,98, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares. Vencida a Presidente Verônica Maria Perrotta de Seixas que votou pela manutenção integral da glosa de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 183.935,70. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), tratase de: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$ 183.935,70, indevidamente deduzido a título de pensão alimentícia judicial e/ou Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosadas as deduções com pensão alimentícia judicial relativas a Luciana Costa Rodrigues (DN: 24/09/1977) e Tatiana Costa Rodrigues (DN: 10/03/1980), ambas maiores. A dedução com pensão alimentícia judicial se estende aos filhos maiores de 21 anos e até 24 anos se Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 universitários, ou, a qualquer idade quando comprovada sua incapacidade física ou mental laborativa. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea "f", da Lei nº 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 78 e 83 inciso II do Decreto nº 3.000/1999 RIR/99." Os motivos que ensejaram o indeferimento estão descritos no lançamento. Em 09/02/2015 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 0146. Contra a decisão, a recorrente apresentou impugnação, em 05/03/2015, fls. 0146, argumentando, como demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1) a notificação deve ser anulada, em razão de não existir qualquer limitação de idade para a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia, desobedecendo o Princípio da Legalidade Estrita, não podendo o intérprete da lei fazer restrições onde a lei não o fez; 2) a Fiscalização não pode alterar conceito de prestação alimentícia, específico do Direito de Família, fixado no art. 1.695 do Código Civil, sob pena de se violar as regras do art. 109 e 110 do CTN; 3) o Interessado sofre o desconto das pensões pagas as suas filhas, conforme comprovante de rendimentos, e faz jus a deduzir esse valor em sua declaração de ajuste anual; 4) a glosa dos valores declarados de dedução de pensão alimentícia levaria à bitributação, pois as alimentandas declararam e tributaram o valor recebido a título de pensão alimentícia; 5) o valor glosado de R$ 183.935,70 corresponde ao total das pensões alimentícias pagas pelo Contribuinte no ano calendário de 2013, sendo que o valor correspondente às pensões pagas a Luciana Costa Rodrigues e Tatiana Costa Rodrigues é R$ 67.137,68. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando esta procedente em parte , em síntese, pelo seguinte motivo: "Assiste razão, porém, ao Impugnante quanto ao montante glosado de pensão alimentícia judicial. O Interessado declarou pensão alimentícia no total de R$ 183.935,70, relativa a pagamentos efetuados a suas filhas Luciana Costa Rodrigues e Tatiana Costa Rodrigues e às alimentandas Carmem Irene Pinheiro Costa, Emanuelle Coelho de Lima Souza e Isabelle Souza Rodrigues. A Fiscalização glosou apenas os pagamentos efetuados a Luciana Costa Rodrigues e Tatiana Costa Rodrigues, mas excluiu o valor integral declarado a título de pensão alimentícia judicial (R$ 183.935,70) e não apenas as parcelas relativas a suas filhas (R$ 67.137,68)." Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 2402005.074 S2C4T2 Fl. 158 5 Desse modo, o valor glosado de pensão alimentícia judicial paga a Luciana Costa Rodrigues e Tatiana Costa Rodrigues corresponde a R$ 67.137,68 e não aos R$ 183.935,70 equivocadamente considerados pelo Fisco, devendo ser refeita a apuração do imposto devido para o anocalendário de 2013, nos termos a seguir:" Em 18/06/2015, o recorrente foi cientificado da decisão, fls. 0146. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 14/07/2015, fls. 0146, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A decisão inovou nos requisitos legais que teriam sido descumpridos; 2. Não há na legislação que rege a matéria (Lei 9250/93 e Decreto 3000/99) qualquer exigência quanto à capacidade financeira ou laborativa do alimentando; 3. Como exemplo, a decisão recorrida não questionou a capacidade financeira ou laborativa da ex esposa, retirando os valores do lançamento; 4. Portanto, a decisão interpretou um mesmo fato de forma distinta; 5. A administração pública não pode fazer restrições onde a legislação não as faz; 6. O CTN (art. 109 e 110) garantem a primazia do direito privado sobre o direito tributário, portanto, o legislador e o intérprete tributário não podem desnaturar os institutos e as normas do direito privado; 7. Não há liberalidade alguma do recorrente, nos pagamentos das pensões glosadas, pois foram retidas diretamente na fonte, como demonstram os documentos anexos; 8. Tanto a fonte pagadora como o recorrente cumpriram decisão judicial em vigor, conforme demonstram documentos do Poder Judiciário; 9. Demonstra, por certidões, a obrigação de pagar pensão; 9. As filhas do recorrente declararam os valores recebidos, caracterizando bis in idem a glosa efetuada; 10. Conforme exigido pelo Art. 73, do RIR, o contribuinte comprovou e justificou, cabalmente, por meio de documentos por meio de documentos idôneos que as deduções de ajuste foram legais; 11. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui decisões que amparam a tese do recorrente, de que pensões oriundas de decisão judicial devem ser deduzidas do IRPF; 12. Caso o colegiado mantenha a glosa dos valores pagos haverá bis in idem, pois haverá tributação sobre o mesmo fato, já que tanto o recorrente quanto as alimentandas irão pagar IRPF, o que implica em excesso de exação, que deve ser repelido pelo CARF, conforme entendimento do STJ; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 13. Solicita, em síntese, o recebimento e o provimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 2402005.074 S2C4T2 Fl. 159 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DAS PRELIMINARES Preliminarmente, o sujeito passivo alega que a decisão recorrida inovou nos requisitos legais que teriam sido descumpridos. Não há razão no argumento do recorrente. No recurso há a citação, expressa, à "f", II, Art. 8º, Lei 9.250/95. Esclarecemos ao sujeito passivo que seu argumento está equivocado. Na NL, anexada nas fls. 096, há a citação ao mesmo fundamento legal que o recorrente alega que foi trazido somente na decisão recorrida: "Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea "f", da Lei nº 9.250/95; ...." Portanto, negado provimento quanto a esse argumento. Acrescentando, cabe transcrever o dispositivo. Lei 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: ... II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Não é de difícil verificação que valores com importâncias pagas a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos, em face das normas do Direito de Família. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Portanto, para a verificação da possibilidade de dedução das pensões pagas não basta que esses valores sejam oriundos de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, mas que estejam, também, em conformidade com as normas do Direito de Família. Portanto, não há acréscimos, nem inovações, nem mesmo ausência de fundamentos legais para a exigências, pois está claro que o dispositivo determina o cumprimento das normas do Direito de Família. Nas normas do Direito de Família, como bem demonstrado na decisão recorrida, há exigências: Código Civil: Dos Alimentos Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros. ... Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. Portanto: 1. São devidos alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento; e 2. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. A legislação tributária possui conceito para definir quem "não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença": a dependência. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 2402005.074 S2C4T2 Fl. 160 9 Nesse sentido, assim determina a legislação. Lei 9.250/1999: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Assim, os valores pagos, referentes à pensão, para as filhas do recorrente, não podem ser deduzidos e corretamente foram glosados, pois não restou demonstrado a dependência (não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença), já que são maiores de 21 anos, não ficou demonstrado que são incapacitados física ou mentalmente para o trabalho, como, também, já ultrapassaram os 24 anos de idade. Esclarecemos que a decisão recorrida não questionou a capacidade financeira ou laborativa da ex esposa, retirando os valores do lançamento, pois conforme o I, Art. 35, da Lei 9.250/1995 não há restrição alguma para conceituar o cônjuge como dependente (não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença). Conseqüentemente, nego provimento ao recurso quanto a esses argumentos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 DO MÉRITO: Quanto ao mérito, primeiramente, o recorrente alega que a administração pública não pode fazer restrições onde a legislação não as faz. Como já demonstramos nas preliminares, a fiscalização não fez restrição alguma, somente aplicou o que determina a legislação, para cumprir o que determina o Direito de Família, como determina o f, II, art. 8º, da Lei 9.250/1995. Ressaltese que, como demonstrado acima, não foram alterados institutos e normas do direito privado, pois é o Código Civil que determina que os pagamentos devem ser para quem não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, que é o conceito de dependência, definido na legislação tributária. Portanto, nego provimento ao recurso, quanto a este ponto. Em outro ponto, o recorrente afirma que não há liberalidade alguma nos pagamentos das pensões glosadas, pois foram retidas diretamente na fonte, como demonstram os documentos anexos, por determinação judicial. Esclarecemos ao recorrente que a legislação confere direito para o término do pagamento da pensão. Como já ressaltado, para o Fisco a conceituação de dependência consta da lei (filha(o), menor de 21 anos, ou incapaz, ou até 24 anos, cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Já para o Código Civil quem supre os alimentos pode reclamar ao juiz exoneração, redução ou majoração do encargo. Ora, a alteração na conceituação de dependência é motivo de pagamento da pensão pro sua liberalidade, motivo de negar provimento ao recurso, também, neste argumento. Quanto a suposto exagero na exação, devido a caracterização de bis in idem, esclarecemos que não há razão no argumento. O que está em litígio neste processo é, em síntese, a existência de direito à isenção, com base em pensão para filhas maiores de 24 anos e capazes, para este contribuinte. A tributação, ou não, destes rendimentos, supostamente abrangidos por isenção, referese a rendimentos auferidos por outros contribuintes (filhas). Assim, não há razão no argumento. O contribuinte alega que, conforme exigido pelo Art. 73, do RIR, comprovou e justificou, cabalmente, por meio de documentos idôneos que as deduções de ajuste foram legais. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 2402005.074 S2C4T2 Fl. 161 11 Decreto 3.000/1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º Como demonstrado acima, o art 73, do RIR/1999, elenca dispositivos para a verificação , análise e possibilidade de glosas por parte do Fisco, sem relação ao alegado pelo contribuinte. Portanto, não há razão no argumento. Por fim, o contribuinte alega que o STJ possui decisões que amparam a tese do recorrente, de que pensões oriundas de decisão judicial devem ser deduzidas do IRPF. Com todo respeito ao contribuinte e ao excelso tribunal, decisões emitidas pelo STJ não vinculam a administração tributária, exceto as emitidas em recursos repetitivos, e, na análise de todas as decisões trazidas aos autos não há demonstração de que os casos sejam semelhantes, isenção de IRPF, para pagamento de pensão a filhas maiores de 24 anos e capazes. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 166DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 37280.000613/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, devido à data da ciência e as competências em que há lançamentos, a aplicação de quaisquer das regras determinadas no CTN implicará na extinção do crédito tributário, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 06 13 /2 00 5- 71 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 37280.000613/200571 Acórdão n.º 2402004.807 S2C4T2 Fl. 675 3 Relatório Tratase de pedido de revisão, já analisado e aceito, interposto pela Receita Previdenciária, fls. 0354, combatendo o acórdão, fls. 0282, proferido pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou lançamento. Como o pedido de revisão foi aceito, cabe analisar as questões do recurso. Foi apresentado recurso voluntário, fls. 0314, contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), fls. 0282, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos: “DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RETENÇÃO. A teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, a empresa é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada, mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. SUJEIÇÃO AOS ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS recolhidas fora do prazo legal sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, com fulcro no art. 34, da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DA RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇOS, DO ART. 45 DA LEI N^ 8.212/91 E DA APLICAÇÃO DO JUROS SELIC. O julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE" Segundo o relatório fiscal, fls. 0187, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, oriundas de lançamento por solidariedade, já que a recorrente não apresentou a documentação exigida para a comprovação do adimplemento das contribuições dos prestadores que lhes prestaram serviço por cessão de mão de obra, como determinava a legislação. Empresa prestadora de serviços: ORGANIZAÇÃO BENI LTDA. Constam dos lançamento exigências na competência 02/1999. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A recorrente foi cientificada do lançamento em 08/03/2005, fls. 0243 e 0280. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0251, acompanhada de anexos, onde argumenta, em síntese, que: 1. O indeferimento do pedido de vista dos autos fora da repartição cerceou o direito de defesa do recorrente; 2. Foram violados, no lançamento, os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; 3. O lançamento foi alcançado pela decadência; 4. Requer seja o recurso conhecido e provido. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Em sede de contrarazões, o INSS pugna pela manutenção da decisão proferida em primeira instância. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso, fls. 03146, acompanhado de anexos, onde alega, as mesmas razões já expostas em sua impugnação. O CRPS analisou a questão e anulou o lançamento, pois entendeu que deveria ser emitido novo lançamento com observância do art. 351, da Instrução Normativa n ° 100, pois, em síntese, não foi citado o órgão público na capa da autuação. O autoridade preparadora ingressou com pedido de revisão, pois, em síntese, defende que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vicio insanável. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu o pedido de revisão. Na análise do pleito, o colegiado acolheu o pedido de revisão – pois o lançamento não é só composto de sua capa e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que se verificasse datas sobre ciência dos termos e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A fiscalização emitiu parecer conclusivo, onde relata as datas e a conformidade com o exposto na legislação, fls. 0398. O sujeito passivo foi intimado do parecer e apresentou suas razões, pela extinção do lançamento. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 37280.000613/200571 Acórdão n.º 2402004.807 S2C4T2 Fl. 676 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Nas preliminares, devemos analisar a questão da decadência. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 678DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 679DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 37280.000613/200571 Acórdão n.º 2402004.807 S2C4T2 Fl. 677 7 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Ocorre que, no caso em questão, a recorrente foi cientificada do lançamento em 2005 e os fatos geradores ocorreram na competência 02/1999, portanto tornase irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por quaisquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Marcelo Oliveira. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10280.904904/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 90 4/ 20 09 -1 5 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO CENTRAIS ELÉTRICAS DO PARÁ S/A CELPA, já qualificada nos autos, opôs embargos contra decisão proferida pela extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento. O Acórdão nº 1101001.127 foi conduzido por voto de lavra desta Conselheira, proferido na sessão plenária de 04 de junho de 2014, e está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. A partir de 09/06/2005, indevida é a compensação formalizada depois de ultrapassados 5 (cinco) anos do encerramento do período no qual teria sido apurado saldo negativo. DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA. A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados. Os embargos foram admitidos conforme despacho de fls. 293/295, do qual se extrai: Os autos seguiram para a Unidade de origem que postou o acórdão na caixa postal eletrônica do sujeito passivo, verificandose a sua ciência em 27/07/2015 (fls. 277/279). A contribuinte opôs embargos tempestivamente em 03/08/2015 (fls. 282/289), no qual aponta omissão do Colegiado em relação aos limites do pedido recursal e à Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 4 3 caracterização de reformatio in pejus, tal como exposto nos parágrafos 47, 48 e 65 do recurso voluntário. A embargante relata que o direito creditório utilizado em compensação foi reconhecido parcialmente, não se admitindo o cômputo de estimativas parceladas e compensadas, observandose, também, que parte do crédito estaria prescrito. Pleiteado o reconhecimento integral do crédito em manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1ª instância teria reconhecido que as estimativas parceladas poderiam ser utilizadas na medida em que as respectivas parcelas fossem pagas. Já o Colegiado embargado, apreciando o recurso voluntário, teria afastado a possibilidade de a EMBARGANTE aproveitar as estimativas parceladas, no limite dos pagamentos, sob a alegação de prescrição. Cita julgados administrativos contrários à reformatio in pejus e pede que seja sanada a omissão apontada, de modo que se reconheça que as estimativas parceladas dão direito ao crédito em discussão, na medida do pagamento das respectivas parcelas. Acerca do tema, constou do voto condutor do acórdão embargado que: De outro lado, se novas parcelas do direito creditório formaramse a partir da quitação das estimativas parceladas, cumpriria à contribuinte demonstrar este crédito separadamente, e não vincular as compensações àquele que informou constituído em 31/12/2004. Referida observação, porém, não alcançou integralmente o argumento assim exposto no recurso voluntário: 48. Nesse sentido, tendo a RFB pleno controle dos pagamentos realizados pela Recorrente no âmbito do parcelamento de suas estimativas, impunhase ao v. acórdão recorrido reconhecer, quando menos, o direito à compensação do seu saldo negativo na proporção das estimativas já recolhidas no parcelamento. [...] 65. Subsidiariamente, caso entendase que a compensação das estimativas parceladas dependa do seu efetivo recolhimento no curso do parcelamento, requerse, ao menos, o reconhecimento do direito de crédito proporcional às parcelas já recolhidas pela Recorrente. Nesse particular, requerse a conversão do julgamento em diligência para apuração do respectivo valor do crédito." Sob a premissa de que o direito creditório se formou em 31/12/2004, o Colegiado firmou o entendimento de que em 25/10/2010, data da apresentação da DCOMP não homologada, não seria mais possível a utilização daquele indébito. Todavia, a decisão não aborda a necessidade/possibilidade de se verificar a data de pagamento das estimativas parceladas, eventualmente computadas no saldo negativo na data da compensação em litígio. Confirmase, portanto, a omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, razão pela qual, neste juízo de cognição sumária, com fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §6º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente distribuição para relatoria por esta Conselheira. O litígio presente nos autos tem em conta Declarações de Compensação DCOMP apresentadas de 07/04/2005 a 25/10/2010, para utilização de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004. As primeiras DCOMP foram homologadas com o direito creditório parcialmente reconhecido. A não homologação recaiu sobre a DCOMP apresentada em 25/10/2010 que, além de se valer de crédito superior ao apurado pela autoridade fiscal, foi apresentada depois do prazo legal estipulado no art. 168 do CTN. A análise do direito creditório demonstrado pela contribuinte resultou nas seguintes glosas: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 5 4 O crédito de R$ 8.692.808,17 foi suficiente para liquidar as demais DCOMP apresentadas, e ainda restou a parcela de R$ 1.619.567,67 que, embora correspondente a antecipações confirmadas, não pôde ser imputada à DCOMP apresentada em 25/10/2010, porque ultrapassado o prazo legal (fls. 98/103). Referida DCOMP, por sua vez, relacionou débitos a compensar no valor original de R$ 9.159.925,09 (fls. 94/97). Afirmada a prescrição do direito creditório ante o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, consoante interpretação expressa pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, dado que não houve apresentação de pedido de restituição, mas apenas de declarações de compensação para utilizações parciais do indébito, o voto condutor do julgado concluiu ser desnecessário adentrar aos demais argumentos da recorrente acerca da regularidade das demais estimativas e retenções questionadas no despacho decisório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O voto condutor do julgado firmou a contagem do prazo prescricional referente ao saldo negativo de IRPJ apurado anocalendário 2004 sob as seguintes premissas: Dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, pela data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do anocalendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, que novamente se transcreve: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 7 6 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (negrejouse) Vejase que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (negrejouse) Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento (in casu, 01/01/2001) [e neste caso 01/01/2005] é possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. Neste sentido, também, é o art. 5o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Ainda, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, atualmente vigente, apenas acresce a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 8 7 I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, deflagrandose, neste momento, o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. O prazo de 5 (cinco) anos, assim, teve como termo inicial 01/01/2005 por partir do pressuposto que as antecipações se verificaram ao longo do anocalendário 2004 e se converteram em indébito em 31/12/2004. Contudo, no caso presente, a contribuinte parcelou estimativas, cuja quitação pode ter se verificado em momento posterior, ampliando o prazo para utilização do indébito. No acórdão embargado esta Conselheira observou que cumpriria à contribuinte demonstrar em separado eventual direito creditório formado a partir da quitação das estimativas parceladas, e não vincular as compensações ao crédito que informou constituído em 31/12/2004. Porém, esta análise não considerou que a DCOMP com demonstrativo do crédito foi retificada em 2008 e a última DCOMP apresentada foi entregue em 2010, momentos em que outras parcelas do crédito podem ter se formado com a quitação das estimativas parceladas, mas ainda assim correspondendo a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004. De outro lado, consta do despacho decisório que os parcelamentos estariam em curso ou o débito ainda não teria sido quitado. A recorrente, por sua vez, pediu a conversão do julgamento em diligência para confirmação, pela Receita Federal, do pagamento da estimativas parceladas. Assim, para melhor julgamento da lide, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento dos embargos em diligência para que se apure junto ao controle de crédito tributário da Receita Federal se alguma parcela das estimativas de IRPJ parceladas no anocalendário 2004 foi paga até o momento da apresentação da DCOMP não homologada, mediante informação, nestes autos, dos débitos parcelados em cada processo administrativo indicado às fls. 100/101 e do resultado da imputação dos correspondentes pagamentos promovidos pela contribuinte. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 11610.004146/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA.
Quanto o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quanto o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 41 46 /2 00 7- 47 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 398/400 dos autos, cujo teor abaixo se transcreve: Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa de mora isolada incidente sobre a contribuição ao PIS e a COFINS por recolhimento fora do prazo acrescido somente de juros. O Relatório da decisão recorrida expõe em síntese que: 1) Em auditoria fiscal eletrônica constatouse recolhimento de "Multa paga a menor" da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (P.A. 07/2004 a 12/2004), declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração para constituir crédito tributário de multa de mora isolada, com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 da Lei n° 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 da Lei n° 9430/96; Art. 9 e parágrafo único Lei n° 10426/02. 2) em impugnação a Contribuinte alegou que, em 16/06/2004, apresentou Consulta Formal perante a Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo (Processo Administrativo n° 19679.008501/200421), questionando a aplicação do regime da cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas advindas de contrato de concessão de transmissão de energia elétrica concedida pela ANEEL, firmado em 12 de maio de 2000, pelo prazo de 30 anos, em vista das disposições da Lei n° 10.833/2003 (doc. 03, fls. 2634). 2.1) considerando a demora no julgamento da mencionada Consulta, que, ainda estava pendente de apreciação à época da intimação do lançamento (doc. 04, fl. 35), entendeu por bem promover a retificação das DCTFs (3° e 4º Trimestres de 2004 — Período compreendido de julho a dezembro de 2004 — doc. 04A, fls. 3651), enquadrando as mencionadas receitas na sistemática não cumulativa de recolhimento da Contribuição ao PIS e a COFINS. 2.2) o recolhimento se deu no âmbito da denúncia espontânea; 2.3) em agosto de 2006, fora intimada a efetuar o recolhimento da multa de mora supostamente devida pelo pagamento do PIS e da COFINS efetuado após a data do vencimento, por meio de Termo de Intimação n° 00711670 (doc. 35, fls. 108109), datado de 02/08/2006, e que inconformada, protocolou petição esclarecendo ser descabida a multa de mora na pendência de consulta fiscal, requerendo o cancelamento da exigência, o que deu origem ao Processo Administrativo no 11610.010737/200672 (doc. 36, fls. 110113), que, à época da impugnação encontrase pendente de apreciação perante a Equipe de Controle e Cobrança de Créditos Tributários — DERAT — SPO, conforme comprovou pelo extrato do seu andamento processual (doc. 37, fl. 114). 2.4) alega no mérito que a "consulta fiscal" eficaz protege o consulente da aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada a partir da data de seu protocolo até o 30° dia seguinte ao da ciência da decisão que a soluciona; 2.5) todos os valores foram declarados em DCTFs dos Terceiro e Quarto Trimestres foram integralmente recolhidos; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11610.004146/200747 Acórdão n.º 3301002.852 S3C3T1 Fl. 410 3 2.6) a Consulta apresentada pela Impugnante (Processo Administrativo n° 19679.008501/200421) ainda não havia sido apreciada pela Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo, assim como, o Processo Administrativo no 11610.010737/200672, no qual requereu o afastamento da multa de mora exigida pelo Termo de Intimação n° 00711670 também, não fora julgado, o que acarreta o reconhecimento da suspensão da exigibilidade da multa ora exigida da Impugnante nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, conforme reproduzido. A decisão proferida nos autos do Processo Administrativo de Consulta n° 19679.008501/200421, Despacho Decisório n° 150/1997 de 06/09/1997, foi juntada às fls. 292301, tendo sido a Contribuinte intimada em 01/10/1997. Os fundamentos da manutenção do auto de infração estão consubstanciados na ementa do Acórdão n° 1624.993 9' Turma da DRJ/SP1, de 15/04/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CONSULTA INEFICAZ EFEITOS. A consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o teor desta última decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2010 (vide fls. 339 a 356 dos autos), por meio do qual alegou, resumidamente, que: (i) mesmo nos casos de consulta ineficaz, o contribuinte possuiria o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão que lhe foi desfavorável, para proceder ao recolhimento do tributo sem qualquer penalidade (o art. 48 do Decreto nº 70.235/72 não faria distinção entre consulta eficaz e ineficaz) (ii) independentemente do acolhimento dos argumentos dispostos no tópico anterior, que a multa de mora não poderia ser aplicada em razão do disposto no art. 138 do CTN (denúncia espontânea); (iii) ressaltou que, não obstante se trate de hipótese envolvendo tributo sujeito ao lançamento por homologação, o valor em questão não fora declarado pela Recorrente em sua DCTF original (a Recorrente havia apurado a COFINS relativa ao 3º e 4º trimestres de 2004 sob o regime cumulativo e somente em junho de 2005 optou por retificar tais DCTF´s para consignar um novo valor, com base no regime nãocumulativo, efetuando, nesta mesma oportunidade, ou mesmo em datas anteriores, o recolhimento complementar das diferenças). O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise do recurso voluntário interposto. É o que havia de relevante para relatar. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se denota do exposto acima, resta incontroverso nos autos que: (i) o Recorrente apresentou em 16/06/2004 consulta formal para fins de esclarecer a sua dúvida sobre o regime a que vinculado para fins de recolhimento do PIS e da COFINS sobre as receitas advindas de contrato de concessão de transmissão de energia elétrica concedida pela ANEEL; (ii) antes de obter qualquer resposta quanto a esta Consulta, e antes do início de qualquer procedimento fiscal, o Recorrente entendeu, em denúncia espontânea, por retificar as suas DCTF´s apresentadas, procedendo nesta oportunidade, ou mesmo em datas anteriores, ao recolhimento da diferenças identificadas; (iii) em 15/03/2007 foi lavrado auto de infração por meio do qual se exigia multa moratória em razão de tal pagamento extemporâneo (vide fl. 26 dos autos); (iv) em decisão datada de 06/09/2007, a consulta foi declarada ineficaz. Apesar dos fatos incontroversos acima narrados, a DRJ em São Paulo entendeu por julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo integralmente a exigência cobrança no auto de infração em tela, sob o fundamento de que a consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. É válido ressaltar que a referida decisão atevese à análise de tal fundamento (denúncia espontânea inefizaz inapta para afastar a exigência da multa), não tendo analisado o caso sob o aspecto da denúncia espontânea, ou seja, se esta seria apta a afastar a imposição da multa neste caso concreto. Com a interposição do Recurso Voluntário por parte do contribuinte, imprescindível, então, que este Conselho se manifeste nesta oportunidade sobre tal fundamento, essencial à solução desta lide. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medido de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. No caso dos presentes autos, constatase que ambas as condições acima dispostas foram observadas pelo contribuinte, visto que: (i) o contribuinte, quando procedeu à retificação das suas DCTF´s, efetuou nesta mesma oportunidade, ou mesmo Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11610.004146/200747 Acórdão n.º 3301002.852 S3C3T1 Fl. 411 5 em datas anteriores, o recolhimento das diferenças identificadas; (ii) o envio das DCTF´s retificadoras seguido dos pagamentos se deram antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. De outro norte, importante mencionar que, consoante destacou o Recorrente, o valor em questão não fora declarado em sua DCTF original. A Recorrente havia apurado a COFINS relativa ao 3º e 4º trimestres de 2004 sob o regime cumulativo e somente em junho de 2005 optou por retificar tais DCTF´s para consignar um novo valor, com base no regime não cumulativo, efetuando, nesta mesma oportunidade ou mesmo em datas anteriores, o recolhimento complementar das diferenças devidas. Logo, resta caracterizada de forma inconteste a denúncia espontânea neste caso concreto, inclusive nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Ressaltese, outrossim, que nos casos de decisões submetidas ao regime do art. 543C do CPC, o Regimento Interno do CARF atualmente vigente (Portaria MO nº 343 de 09 de junho de 2015) autoriza até que seja afastada a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, consoante teor a seguir transcrito: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional , lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, n os termos do art. 103A da Constituição Federal; (Fl. 20 do Anexo II da Portaria MF nº , de de de 2015.) b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 54 3C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Nesse contexto, ainda que tivesse entendido o julgador de primeira instância administrativa que a consulta ineficaz não teria o condão de afastar a cobrança da multa, deveria têla afastado em razão da denúncia espontânea, nos moldes do que determina o art. 138 do CTN. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11610.004146/200747 Acórdão n.º 3301002.852 S3C3T1 Fl. 412 7 Por oportuno não é demais trazer à baila decisão proferida por este Conselho Administrativo Fiscal em 19/01/2016, por meio da qual afasta a imposição de multa de mora em caso de denúncia espontânea: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea. (Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão nº 1201001.269). Com base nos fundamentos acima expostos, entendo que merece reforma a decisão de primeira instância administrativa, para fins de afastar em sua integralidade a cobrança da multa de mora imposta neste caso concreto, em razão da denúncia espontânea devidamente caracterizada neste caso concreto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para fins de determinar que seja integralmente exonerado o crédito tributário objeto dos presentes autos. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 415DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15578.000450/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
FRETE DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS. ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas de frete junto a outra pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos da própria contribuinte dentro do contexto do seu processo produtivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade, a não ser quando foi objeto da decisão recorrida.
Numero da decisão: 3402-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas quanto aos combustíveis e aos gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que acompanharam a Conselheira Valdete, exceto quanto aos combustíveis. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Ogawa, OAB/SP 195.564.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. FRETE DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS. ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas de frete junto a outra pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos da própria contribuinte dentro do contexto do seu processo produtivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade, a não ser quando foi objeto da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 04 50 /2 00 9- 81 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas quanto aos combustíveis e aos gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que acompanharam a Conselheira Valdete, exceto quanto aos combustíveis. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Ogawa, OAB/SP 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Relatório Trata o presente processo de declarações de compensação lastreadas em créditos oriundos da incidência não cumulativa da Cofins, nos moldes da Lei n° 10.833/03 e posteriores alterações, cujo ressarcimento apontado nestes autos atinge a soma de R$ 13.464.011,73 (treze milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil, onze reais, setenta e três centavos), concernente ao período de apuração 4º trimestre de 2005. O Parecer Seort/DRF/VIT/ES/Nº 1414/2009 e o despacho decisório (fls. 148/172) reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 8.696.651,87, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. O Parecer apurou o que se segue: 1. Do valor devido de Cofins não cumulativa Os débitos apurados pelo contribuinte foram admitidos sem qualquer ajuste, já que as diferenças apuradas foram objeto de lançamento. 2. Bens utilizados como insumos Nesta rubrica as exclusões ficaram por conta dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem Fl. 849DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 849 3 como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo. Também foram excluídos os insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/04 e 5.630/05, e do carvão mineral utilizado para geração de energia, que também teve sua alíquota reduzida a zero por força do art. 2° da Lei n° 10.312/01. O óleo lubrificante mobilcult 122 mobil (cód. material 37664), utilizado na retifica das facas do picador de cavacos, agente de limpeza renew 7154 (cód. 202827), agente de limpeza EZ231D contech (cód. 203013) e agente hidrofilico renew SC7101 hércules (cód. 202828), aplicados na limpeza das máquinas do processo produtivo, foram glosados ao entendimento que sua aplicação no processo industrial se faz de maneira indireta, não atendendo requisito primordial para sua configuração como insumo. Também foram objeto de estorno as notas fiscais representativas de importação de insumos sob o regime aduaneiro de drawback, que, como tal, não sofrem a incidência, na nacionalização, das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. Sua identificação na planilha respectiva se dá pelo CFOP 3.127. 3. Serviços utilizados como insumos No que concerne aos serviços, para serem considerados insumos, devem necessariamente ser aplicados diretamente na produção, não se confundindo com aqueles prestados na área de produção. Esta compreensão decorre, por exemplo, da interpretação contida em soluções de divergência exaradas pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, tais como a SD Cosit nºs 15 e 17, ambas de 2008. Os itens glosados estão listados no Parecer Seort/DRF/VIT/ES/Nº 1414/2009. Por derradeiro, restaram os serviços relacionados ao transporte e movimentação de mercadorias e despesas correlatas, alguns deles, inclusive, referentes a fretes marítimos, ferroviários e rodoviários, que merecem especial exame, ao passo que nem todos serão admitidos no cálculo dos créditos da não cumulatividade. As despesas relativas a serviços de carga, descarga, baldeio, de empilhadeiras e manuseio de mercadorias em elaboração e/ou insumos, enfim, a movimentação destes materiais dentro do estabelecimento da pessoa jurídica requerente, bem como, o transporte entre suas unidades, não garantem crédito da não cumulatividade, por não se enquadrarem no conceito de insumo, pois não aplicados diretamente na produção, e também porque não subsumíveis as espécies de fretes admitidos, cuja aceitação é textual para aqueles incidentes sobre as vendas e implícita, como custo de aquisição, para aqueles cobrados sobre as compras, desde que, em qualquer caso, seja tal gasto arcado pelo requerente. Em linha semelhante, por não guardarem referência com o conceito de serviço prestado como insumo, as despesas de Fl. 850DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 carregamento (carga, descarga e movimentação), as despesas com pedágios, taxas de utilização portuária, limpeza e conservação de armazéns, empilhadeiras, marcação de fardos, mão de obra de terceiros relacionados a tais atividades, que foram expurgadas em sua integralidade. 4. Despesas de energia elétrica A energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica requerente é admitida como insumo no cálculo das contribuições não cumulativas. O crédito se perfaz à vista do documento que demonstra a efetividade do gasto, isto é, a fatura emitida pela concessionária do serviço público. No entanto, as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia — ABRACE e as Taxas de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica TFSEE cobrada pela Agencia Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da não cumulatividade, não podem ser admitidas no cômputo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. 5. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas Neste item foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos, ambulâncias e o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos como ficou estampado na Solução de Divergência Cosit nº 15, de 30 de maio de 2008. 6. Outros valores com direito a crédito Esta rubrica tem nítido caráter residual, de tal maneira que os lançamentos nela efetuados, em tese, refletem as despesas que geram crédito, porém, não se enquadram nas demais categorias. Contudo, não parece ser o caso de boa parte dos valores apropriados, a partir das contas do razão utilizadas para apropriação, tais como: despesas com hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, materiais de escritório e propaganda e publicidade, porquanto as despesas do gênero não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal, razão que por si só justifica seu expurgo, tal como estampado nas Soluções de Divergência Cosit nºs 15/2008 e 17/2008. A DRF VITORIA emitiu o PARECER SEORT/DRF/VIT/ES Nº 2211/2009, em complementação ao PARECER Nº 1414/2009, com o objetivo de se manifestar a respeito da retificação da DCOMP 19932.10576.200206.1.3.090000 efetuada por meio da DCOMP 22892.56247.130509.1.7093783. A DRF conclui pelo indeferimento da retificação, já que a lei impede a retificação com o objetivo de incluir novo débito ou aumentar o valor do débito anteriormente informado. A interessada foi cientificada em 11/01/2010 (fls. 196) e apresentou manifestação de inconformidade em 10/02/2010 (fls. 200/ 212), alegando em síntese: Fl. 851DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 850 5 Entendese por insumo toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Desde a fase de preparação do viveiro até a introdução da madeira no ciclo de produção, a Impugnante utiliza caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros, que irão formar o custo de produção da celulose. Tais custos integram a cadeia de produção de forma indireta por representarem ora custos de formação da matéria prima, ora insumos consumidos para a realização do objeto social da empresa; O combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pela Impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área da Impugnante e exclusivamente para a Impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pelo autuante, de indiscutível essencialidade no processo produtivo da Impugnante. Cita as Soluções de Consulta nº 260 e 85, ambas de 2008 e a Solução nº 72 de 2006. Resta completamente assentado que não se pode impedir o creditamento presumido do IPI, bem como no caso em tela da COFINS em razão do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. Encerra a manifestação solicitando que seja confirmada a homologação da compensação constante no Processo nº 10783.721.311/200946 e que seja também HOMOLOGADO todo o ressarcimento de crédito de COFINS constante no processo N.° 15578.000450/200981. Caso não seja esse o entendimento imediato deste julgador, REQUER ARACRUZ CELULOSE S.A seja o presente processo administrativo fiscal convertido em DILIGENCIA, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados e ao final seja CONFIRMADA A HOMOLOGAÇÃO na integralidade da compensação constante do Processo n°15578.000450/200981. É o relatório. Mediante o Acórdão nº 1251.536, de 19 de dezembro de 2012, a 16ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DILIGÊNCIA AUSÊNCIA DE NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Havendo nos autos elementos necessários à convicção do julgador administrativo, deve ser indeferido o pedido de diligência formulado pelo impugnante. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. BENS ADQUIRIDOS COMO INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. As aquisições de produtos com alíquota reduzida a zero, tais como insumos agrícolas e carvão mineral para geração de energia, não geram crédito da nãocumulatividade. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. ENERGIA ELÉTRICA. O valor admitido para crédito da não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins é aquele efetivamente cobrada pelas concessionárias e fornecedoras de energia elétrica, não se estendendo as demais despesas vinculadas a este insumo, como consultorias, taxas e mensalidades cobradas em função de sua aquisição. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS VEICULOS. Somente geram direito ao desconto de créditos, as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, não se enquadrando no dispositivo as despesas com aluguéis de veículos automotores. OUTROS VALORES COM DIREITO A CRÉDITO INSUMOS. As despesas com hospedagem de empregados, programas de formação profissional, proteção ao trabalhador, materiais de escritório, propaganda e publicidade, eventos, etc. não geram crédito da não cumulatividade. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 851 7 A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 12/04/2013. Em 06/03/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: a) É manifesto o equívoco quanto ao indeferimento dos créditos da COFINS, com base nas INs SRF nos 247/02 e 404/04, por desconsiderar vários bens e serviços abarcados pelo conceito de insumo, inclusive os dispêndios necessários à produção florestal, isto é, custos para a formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose, pelo que neste particular, deve ser acolhido o presente Recurso Voluntário. Na verdade, as INs RFB n.os 247/02 e 404/04 trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da Recorrente. b) Insumo e custo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade, razão pela qual, todos os itens que compõem o custo de produção da Recorrente, ensejam o direito ao crédito, no caso de COFINS, a menos que sejam vedados expressamente pela Lei n.° 10.833/03, como é o caso, por exemplo, de custos incorridos com a aquisição de bens e serviços de pessoa física ou de pessoas jurídicas estrangeiras (§ 3o, do art. 3o). c) No caso dos autos, os créditos que foram glosados decorrem de bens e serviços adquiridos que representam efetivamente um custo de produção, pois são eles utilizados como insumo e indispensáveis à produção dos produtos destinados à venda pela Recorrente, sendo, portanto, legítimo o crédito apropriado, razão pela qual deve ser reformado o v. Acórdão de fls. 257/272, para reconhecer na integralidade o crédito pleiteado, homologandose as compensações declaradas. d) No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e, se encerram após a transformação da madeira em celulose, conforme se verifica do descritivo do processo produtivo anexo (Doc. 04). A Recorrente apresenta laudos técnicos relativos com a descrição de diversos bens utilizados como insumo na produção de celulose (Doc. 05). e) Os documentos apresentados demonstram de forma incontroversa de que o processo de produção de celulose se inicia com a atividade agrícola, sendo a etapa industrial apenas a parte final do processo. Isso porque, para a produção da celulose se faz necessário inicialmente produzir a madeira através da formação de florestas, com todos os bens e serviços necessários para tanto. Desta forma, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que são indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da Recorrente destinado à venda. f) A Lei é clara ao estabelecer que é objeto de crédito o valor relativo a combustíveis e lubrificantes, sendo referidos itens dispêndios indispensáveis à atividade realizada pela Recorrente para a produção de celulose e sua venda, devendo ser, portanto, reconhecido, como insumo, gerando direito a crédito, não havendo o porquê de ter sido glosado. O combustível e o óleo lubrificante são utilizados, em veículos e embarcações, para o transporte de papel e celulose, objeto do contrato social da Recorrente. Em sessão de maio de 2012, o CARF já reconheceu em outro processo de interesse da Recorrente (PA n.° Fl. 854DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 11543.100053/200521) exatamente o crédito ora glosado, demonstrando o manifesto equívoco aqui debatido, razão pela qual se impõe a reforma da decisão recorrida. g) Na rubrica de "serviços utilizados como insumo" foram glosados créditos referentes a serviços de limpeza, serviço de queima de resíduo, de reprografia, de inventário florestal, serviço de transporte de madeira, entre outros, listados no Parecer da SEORT. Entretanto, tais glosas não devem subsistir, uma vez que referidos serviços são indispensáveis à produção, sendo classificados como custo de produção, isto é, gastos incorridos necessários à produção, sem os quais, com, por exemplo, o serviço de inventário florestal, não há o resultado final, qual seja, a celulose. h) A Recorrente transporta, por necessário ao seu processo produtivo, toras de madeira de eucalipto produzidas na área florestal, entre as suas unidades de triagem e armazém (depósitos) e as unidades suas unidades industriais. Tal como o frete pago na aquisição de insumos, o CARF já reconheceu que o frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte de produtos em elaboração também integram o custo do produto, estando assegurado o direito ao crédito de PIS e COFINS, conforme acórdão n° 330100.424 (Processo n° 11080.003380/200440) e Acórdão 1o CC 10182.937/92. i) A glosa perpetrada de despesas de energia elétrica não merece prosperar, tendo em vista que os créditos de energia elétrica são conferidos de forma ampla aos estabelecimentos da Recorrente, segundo preconiza o art. 3º, inciso III da Lei 10.833/03. Para justificar essa glosa argumenta a fiscalização de forma equivocada que: "foram glosadas as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia ABRACE e as Taxas de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica TFSEE cobrada pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da não cumulatividade". No entanto, esse entendimento é distorcido da realidade tendo em vista que todas essas parcelas compõem, inegavelmente, o custo referente à energia elétrica, sendo assim, "qualificados como gastos específicos com energia elétrica", indispensável à produção de celulose realizada pela Recorrente. j) Também não deve prevalecer a glosa sobre aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, ao entendimento de que os lançamentos glosados são relativos à locação e arrendamento de veículos e ambulâncias para o transporte de pessoal, pois são todos eles utilizados nas atividades da empresa, não fazendo o inciso IV, do artigo 3º da Lei n° 10.833/03 qualquer distinção sobre que tipo máquina que deve ser alugada ou arrendada. Têmse que os mesmos configuram legítimos insumos, uma vez que os veículos, que transportam pessoas, são utilizados para verificação da plantação, análise, como por exemplo, monitoramento de plantas daninhas e pragas, pulverização e até fertilização por aspersão, bem como a prevenção e combate a incêndios florestais. k) No mesmo sentido das razões acima explanadas e por total amparo da Lei n° 10.833/2003, as demais despesas incorridas pela Recorrente para sua produção e venda de celulose, são obrigatórias à atividade da Recorrente, sendo, pois, tidas como insumos, tais como: hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, material de escritório e propaganda e publicidade, porquanto as despesas do gênero "outros valores" geram, outrossim, crédito de COFINS, em consonância ao princípio da não cumulatividade. l) A Recorrente teve o cuidado de demonstrar e comprovar cada lançamento contábil de bens, serviços e outras despesas que compuseram o DACON, referente ao 4º Fl. 855DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 852 9 trimestre de 2005, entretanto, a diligência e a perícia são necessárias para a comprovação da real natureza de cada bem e serviço adquiridos pela Recorrente, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito da Recorrente e para se buscar a verdade material. m) Ainda que não sejam homologadas as compensações efetuadas, o que se admite apenas para argumentar, os débitos compensados atinentes às estimativas mensais de IRPJ não podem ser exigidos da Recorrente. Ocorre que, findo o anocalendário em que deveriam ser efetivados os recolhimentos do IRPJ e da CSLL sob o regime de estimativa, incabível em período posterior exigir o pagamento destes valores, conforme dispõem expressamente os artigos 15, 16 e 49, da Instrução Normativa do SRF n° 93/1997. Parte dos débitos compensados no presente caso referemse à débitos de estimativas mensais de IRPJ, sendo vedada a sua cobrança, sob pena de violar os artigos referidos da Instrução Normativa n° 93/97, bem como a pacífica jurisprudência administrativa, que foi refletida na Súmula CARF nº 82. n) Ainda que os débitos de estimativa de IRPJ pudessem ser exigidos, o que se admite apenas para argumentar, não haveria a incidência de juros e multa de mora sobre os mesmos. No caso em análise, não há que se falar em mora no pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), eis que os fatos geradores destes somente ocorrerão ao final do período anual (31 de dezembro), de acordo com a sistemática de apuração do Lucro Real Anual, mediante a forma de arrecadação por estimativa. Somente a obrigação líquida não cumprida no vencimento constitui o devedor em mora de pleno direito (artigo 397 do Código Civil). A Câmara Superior de Recursos Fiscais do exConselho de Contribuintes (atual CARF), deixa claro, no Acórdão CSRF/0105.875 (PA 10384.000638/200479, Relator Marcos Vinícius Neder de Lima, Data da Sessão: 23/06/2008), o posicionamento firmado no âmbito administrativo, de que os fatos geradores da CSLL e do IRPJ ocorrem quando o lucro é apurado em 31 de dezembro. Posteriormente foi juntado ao processo o Laudo/Parecer Técnico acerca da cadeia produtiva do sistema agroindustrial de produção de celulose. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da sucessora da contribuinte, pelo que dele se toma conhecimento. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último na maior parte dos argumentos, pois não foram apresentados anteriormente. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições, a manifestante somente tinha contestado, de forma bem singela, as glosas referentes a combustíveis e peças de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 reposição e de manutenção adquiridos, os quais seriam totalmente consumidos em máquinas e veículos do seu processo produtivo, bem como a glosa referente a equipamentos de segurança. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta algumas outras glosas informadas no Parecer da Seort da DRF/Vitória, quais sejam, aquelas relativas a combustíveis e lubrificantes; serviços de limpeza, serviço de queima de resíduo, de reprografia, de inventário florestal, serviço de transporte de madeira, entre outros listados no Parecer da Seort; frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte; despesas de energia elétrica; aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas; bem como as glosas referentes a hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, material de escritório e propaganda e publicidade. Considerando que a Delegacia de Julgamento pronunciouse sobre as glosas ora contestadas, apesar de não terem sido objeto de defesa expressa na manifestação de inconformidade, tomo conhecimento das novas alegações no recurso voluntário com base no art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Passase a analisar o recurso voluntário segundo os itens do Relatório acima, que sintetizou as alegações da recorrente: Conceito de Insumo: itens "a", "b" e "c" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656 (julgado em 28/11/2013, Relator Rosaldo Trevisan), cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe Fl. 857DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 853 11 ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Com relação à insurgência genérica ao conceito de insumo aplicado às glosas, devese ressaltar que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Com efeito, incumbe a este CARF analisar as glosas expressamente contestadas no recurso voluntário. Fase agrícola para a produção da celulose: itens "d" e "e" Com relação à alegação da recorrente de que seu processo industrial se inicia no viveiro florestal, é de se esclarecer que o entendimento da fiscalização não é dela divergente. A fiscalização considerou que os custos incorridos na fase agrícola da produção são insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas. Com efeito, registrou a fiscalização que a DRF/Vitória já havia formulado consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, a qual solucionou a questão em abono quase integral da proposta submetida por aquela Unidade, conforme trecho abaixo extraído do Despacho Decisório: (...) É pertinente registrar a realização de consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, cujos termos se transcrevem na íntegra: "DESCRIÇÃO DETALHADA DA QUESTÃO Em procedimento de verificação de ressarcimento de créditos da não cumidatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, realizada junto a pessoa jurídica que exerce atividade de fabricação de celulose juntamente com a produção de toras de eucalipto, esta a principal matériaprima na industrialização daquele produto, deparouse a fiscalização com dúvidas acerca do real alcance do termo "insumo " para fins de apropriação de créditos daquela natureza na operação realizada pela empresa. Assim como na atividade sucroalcooleira, é comum no setor de fabricação de celulose que as indústrias desenvolvam o cultivo de eucalipto para garantia do fornecimento de matériaprima, o que a caracteriza como típica agroindústria. (...) SOLUÇÃO PROPOSTA PELA CONSULENTE Quanto ao primeiro questionamento, entende esta Unidade que, sendo princípio comezinho de direito que a lei não utiliza palavras vãs, os termos "produção" e fabricação" possuem sentidos distintos, não podendo serem tomados como sinônimas no contexto legal sob enfoque. O vocábulo "fabricação", sem maiores controvérsias, guarda relação com "industrialização" na concepção do art. 4o do RIPI/02, aprovado pelo Decreto n° 4.544/02, segundo o qual corresponde a "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Tanto assim que a IN SRF 247/02 buscou a noção de insumo no Parecer CST 65/79 que demarca os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, indiscutivelmente espécies do gênero "insumo ". Produção, por sua vez, não se enquadra como industrialização, ainda que do ponto de vista econômico o possa ser. Este entendimento encontrase pacificado na seara administrativa, tendo, inclusive, o próprio Conselho de Contribuintes firmado posição neste sentido, quando, ao analisar o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n° 9.363/96 a pessoa jurídica exportadora de café em grão, reafirmou a inexistência de qualquer processo industrial, do ponto de vista legal, que lhe fosse possível conferir o beneplácito, uma vez que as operações Fl. 859DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 854 13 se resumiam a limpar, secar, classificar e ensacar o produto (café) destinado ao mercado internacional (vide acórdãos 20179.068 e 201.79.070). (...) Nesta senda e já adentrando à segunda indagação, encarada a produção como algo distinto de industrialização, temse que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 conferiram, sim, o direito ao aproveitamento de créditos incidentes sobre insumos bens e serviços utilizados na produção, no caso em apreço, entendida como a atividade rural empreendida como acessória à industrialização de celulose, [grifos não estão no original] não se erigindo em óbice a tal conclusão a simples omissão da IN SRF 247/02 em conceituar os bens utilizados como insumos em relação à produção, mesmo porque ao definir serviços como insumos estipulou que seriam aqueles aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Não faria sentido lógicojurídico que se permitisse a apropriação de créditos na produção, exclusivamente em relação serviços tomados como insumos, refutada quanto aos bens, o que leva a crer que houve certa mistura terminológica, em princípio, nada impedindo que, adotando uma interpretação sistemática, apliquese a analogia in bonam partem para se concluir que é possível, na atividade agroindustrial, a tomada de créditos pela utilização de bens e serviços que são consumidos/aplicados na produção. Outrossim, não parece haver dúvida que, acaso a operação florestal fosse realizada em pessoa jurídica distinta e não em processo integrado, como sói ocorrer, os créditos em comento poderiam ser apropriados sem qualquer censura. Isto posto, resta a terceira questão, qual seja, admitidos os créditos, quais seriam os insumos passíveis de admissão no cômputo da apuração dos créditos. Em relação aos bens, dúvida não surge quanto aos herbicidas, fertilizantes e corretivos de solo, eis que consumidos diretamente na produção de toras de eucalipto; entretanto, a mesma facilidade não se repete no que concerne aos serviços, de forma que aqueles relacionados à silvicultura, assim entendido como o cultivo de árvores florestais, e de topografia, visando o levantamento das áreas a serem cultivadas, haveriam de ser admitidos no cálculo. Já os serviços de manutenção de estradas para escoamento da produção e os serviços de satélite para acompanhamento das áreas cultivadas, assim como, a vigilância patrimonial e a construção de cercas divisórias, o mesmo raciocínio não seria aplicável porquanto são serviços que, nada obstante a utilidade na atividade desenvolvida, não se aplicam diretamente na produção, mas apenas de maneira indireta. Nesta linha exegética, "o termo 'insumo' não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço" (SC SRRF/7a RF/Disit n° 69/2007). Na Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n° 05/2007, destaca se que "( ...) segundo a nova sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os contribuintes a elas sujeitos podem apurar um crédito correspondente à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para ser abatido do que for devido, num mesmo período, a título das referidas contribuições. Como a utilização desse crédito resultará em redução da contribuição Fl. 860DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre salientar o dever de obediência ao princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Com estas considerações, submetese o posicionamento retro a esta Divisão de Tributação para que o referende ou, caso contrário, forneça a interpretação mais consentânea com o direito posto, pugnandose desde já, na medida do possível, por uma breve solução, em razão da pendência de análise de pedidos de ressarcimento. " Em abono quase integral da exegese submetida, referida Divisão solucionou a questão no sentido proposto, à exceção dos serviços topográficos, que não vislumbrou hipótese para seu aproveitamento, por falta de respaldo legal, isto é, não se verificava ali a prestação de um serviço diretamente realizado na produção. [grifos não são do original] (...) Não obstante isso, consta que, no presente processo, foram efetuadas glosas relativas aos "insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/04 e 5.630/05", em face da vedação legal de creditamento disposta no art. 3º , §2º, II da Lei 10.833/2003, para a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. No entanto, sobre essa questão a recorrente não se manifestou, devendo, portanto, a glosa ser mantida. Combustíveis e lubrificantes: item "f" A fiscalização glosou, sob a rubrica "bens utilizados como insumo", os créditos relativos a "combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo". Sob a rubrica "serviços utilizados como insumo" glosou também os créditos decorrentes de aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, não pelo equívoco da classificação (bem x serviço), mas por não possuir este combustível a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo. Alega a recorrente que, sendo os combustíveis e lubrificantes indispensáveis à produção de celulose e sua venda, a lei seria clara ao estabelecer o direito ao crédito. O combustível e o lubrificante seriam, segundo ela, utilizados em veículos e embarcações para o transporte de papel e de celulose, objeto do contrato social da Recorrente, cabendo, a seu ver, o referido creditamento, conforme já reconhecido pelo CARF em outro processo de interesse da Recorrente. Desta forma, são objeto de controvérsia neste CARF somente os combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos e embarcações da contribuinte para o transporte de papel e de celulose, os quais, segundo alega a recorrente, seriam indispensáveis à produção de celulose e sua venda. O art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim estabelece o direito ao creditamento da Cofins sobre combustíveis e lubrificantes: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 861DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 855 15 (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Este CARF, em interpretação do dispositivo acima, tem entendido pelo direito ao creditamento dos combustíveis e lubrificantes especificamente ligados ao contexto produtivo da empresa, como, por exemplo, para transporte de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, conforme precedente abaixo: Acórdão nº 3403002.91 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária, Relator: ROSALDO TREVISAN, Sessão de 24 de abril de 2014. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao Fl. 862DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e “kombis” que eventualmente transportam funcionários. [negrito desta Relatora] Embora esta Relatora, interpretando o dispositivo de lei em conformidade com precedente acima, pudesse reconhecer o crédito decorrente dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos ou embarcações em relação ao transporte ou manuseio de insumos ou produtos inacabados dentro do contexto do processo produtivo da recorrente, nele incluído a fase agrícola, neste caso específico, tratandose de despesas relativas ao transporte do produto já acabado (papel ou celulose) não vislumbro o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas relativas como insumo. Pelo que entendo que deve ser mantida glosa relativa a combustíveis e lubrificantes. Serviços utilizados como insumo: itens "g" e "h" Contesta a recorrente, na rubrica de "serviços utilizados como insumo", as glosas dos créditos referentes a serviços de limpeza, serviço de queima de resíduo, de reprografia, de inventário florestal, serviço de transporte de madeira, entre outros, listados no Parecer da SEORT, eis que, a seu ver, os referidos serviços seriam indispensáveis à produção, sendo classificados como custo de produção, isto é, gastos incorridos necessários à produção. No entanto, essas alegações da recorrente são de ordem muito genérica, sem a especificação de como esses serviços seriam indispensáveis à produção da celulose, nem tampouco em qual parte do processo produtivo. A recorrente não fez a necessária correlação dos serviços glosados recorridos com o descritivo do processo produtivo. Assim, diante da ausência de determinação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, essas alegações não são hábeis a reformar a decisão recorrida. Alega também a recorrente que transporta, por necessário ao seu processo produtivo, toras de madeira de eucalipto produzidas na área florestal, entre as suas unidades de triagem e armazém (depósitos) e suas unidades industriais e que, tal como o frete pago na aquisição de insumos, o CARF já teria reconhecido que o frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte de produtos em elaboração também integram o custo do produto, estando assegurado o direito ao crédito de PIS e COFINS, no que tem razão a recorrente. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um Fl. 863DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 856 17 bem para revenda; bem como sobre despesas com iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Assim, deve ser revertida a glosa relativa ao frete de madeira de eucalipto produzida na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Energia elétrica: item "i" Sobre a glosa de energia elétrica, argumentou o julgador de primeira instância que: (...) A energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica requerente é admitida como insumo no cálculo das contribuições não cumulativas. O crédito se perfaz à vista do documento que demonstra a efetividade do gasto, isto é, a fatura emitida pela concessionária do serviço público. No entanto, as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia — ABRACE e as Taxas de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica TFSEE cobrada pela Agencia Nacional de Energia Elétrica ANEEL, por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da não cumulatividade, não podem ser admitidas no cômputo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. (...) Alega a recorrente que "os créditos de energia elétrica são conferidos de forma ampla aos estabelecimentos da Recorrente, segundo preconiza o art. 3º, inciso III da Lei 10.833/03" e que "todas essas parcelas compõem, inegavelmente, o custo referente à energia elétrica, sendo assim, "qualificados como gastos específicos com energia elétrica", indispensável à produção de celulose realizada pela Recorrente". No entanto, considerando que os referidos dispêndios não se qualificam como bens ou serviços, para o creditamento como insumo, nem tampouco como energia elétrica, não se vislumbra possibilidade de reforma da decisão recorrida nesta parte. Aluguéis de máquinas e equipamentos: item "j" Alega a recorrente que não deveria prevalecer a glosa sobre aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, ao entendimento de que os lançamentos glosados são relativos à locação e arrendamento de veículos e ambulâncias para o transporte de pessoal, pois todos eles seriam utilizados nas atividades da empresa, nos termos do art. 3º, IV da Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 864DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Ocorre, no entanto, que, como já consignou da decisão recorrida, veículos e ambulâncias não estão incluídos no conceito de máquinas e equipamentos, conforme já esclareceu a Solução de Consulta nº 155/2003 da DISIT da 9ª RF, no sentido de que "Tampouco se admite o crédito em relação ao aluguel pago pela locação de veículos, por não se equipararem, legalmente, a máquinas e equipamentos". Razão pela qual entendo que a referida glosa deve ser mantida. Outros Valores com direito a Crédito: item "k" Alega a recorrente que as demais despesas incorridas para a produção e venda de celulose são obrigatórias a sua atividade, sendo, pois, tidas como insumos, tais como: hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, material de escritório e propaganda e publicidade, porquanto as despesas do gênero "outros valores" geram, outrossim, crédito de COFINS, em consonância ao princípio da não cumulatividade. No entanto, essas alegações da recorrente são de ordem muito genérica, sem qualquer especificação de como esses itens seriam essenciais à produção da celulose e em que parte do processo produtivo, para a devida verificação se enquadrarseiam no conceito de insumo adotado neste Voto. Assim, diante da ausência de determinação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, essas alegações não são hábeis a reformar a decisão recorrida. Diligência e perícia: item "l" Requer a recorrente a realização de diligência e perícia, pois, seriam necessárias para a comprovação da real natureza de cada bem e serviço adquiridos, como eles são empregados no processo produtivo, que são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o seu direito e para se buscar a verdade material. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, essas previsões legais não existem com o propósito de suprir a deficiência na argumentação da defesa ou do ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas em face dos argumentos e das provas já trazidas ao processo pela requerente. Há que se esclarecer que está preclusa, neste momento processual, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, salvo nas exceções nele previstas. É por ocasião da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade que a recorrente deveria ter produzido a prova necessária à comprovação das suas alegações. Diligências e perícia existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não Fl. 865DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 857 19 para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Razões pelas quais deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia. Estimativas mensais de IRPJ: itens "m" e "n" Não conheço das alegações da recorrente acerca dos débitos compensados atinentes às estimativas mensais de IRPJ e da incidência de juros e multa de mora sobre esses valores por se caracterizarem como completa inovação recursal, a qual também não foi tratada na decisão recorrida. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das regras do Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 866DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Nesse sentido, este Colegiado, como no julgado cuja ementa ora se transcreve, tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância: Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. DECADÊNCIA. Tendo a contribuinte sido cientificado no transcurso do quinquênio legal não há que se falar em decadência. NULIDADE DO MPF. Tendo sido realizadas as prorrogações e inclusões no procedimento de fiscalização, não há que se acolher a nulidade do procedimento. Recurso Voluntário conhecido em parte e na parte conhecida Improvido Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e perícia e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter somente as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 867DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 858 21 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16327.000484/2008-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, recurso provido em parte, com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum declarou-se impedido.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, recurso provido em parte, com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 84 /2 00 8- 18 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 3 2 de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum declarouse impedido. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 271/287, contra Acórdão nº 140200.063, de 10 de dezembro de 2009, fls. 266/268, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário impetrado por SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, nos seguintes termos “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste amparo para se proceder a limitação da compensação de prejuízos (trava), no percentual de 30% do lucro real, a que se reporta o artigo 15 da Lei n° 9.065, no encerramento das atividades da empresa. Recurso Provido.” Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 910100.401, que recebeu a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL LIMITAÇÃO DE 30 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. 0 prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa." Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a Fazenda destaca dois temas contra os quais se insurge: Limitação à Compensação de Prejuízos Fiscais e Responsabilidade da Sucessora em relação à Multa de Ofício; por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido e que se restaure o inteiro teor da decisão de primeira instância. Por meio do Despacho Presi nº 140000.311, fls. 322/324, a Presidente da Câmara a quo dá seguimento ao recurso, analisando apenas a divergência jurisprudencial apontada no tocante à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Na seqüência, o contribuinte apresenta Contrarrazões onde, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que o recurso especial não pode ser admitido haja vista que o acórdão ora guerreado tratou apenas da limitação à compensação de saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na hipótese de incorporação, que a PGFN não apresentou embargos para sanear a omissão relativa à multa aplicada na sucessora e, por conseguinte, ficou impossibilitada de demonstrar a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 4 3 No mérito, ressalta que os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, limitam a compensação, mas permitem que ela ocorra nos anos seguintes e traz decisões do Antigo Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça neste sentido, para concluir que, nos casos de incorporação e conseqüente extinção da personalidade jurídica, como não é possível essa compensação em períodos seguintes, tem que haver a compensação integral, sob pena de terem, as sociedades incorporadas, “tributado não o seu lucro mas, na verdade, o seu patrimônio”. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo O recurso é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. No que diz respeito ao mérito, entendo que assiste razão à recorrente, vez que a Lei nº 9.065/95 é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção, senão vejamos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Se a lei ofende ou não ao art. 43 do CTN, não compete a este Colegiado tal juízo, pois é vedado a este tribunal afastar lei vigente. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 5 4 Contudo, apenas para título de argumentação, se a trava de 30% estivesse afastando o conceito de renda, ela não estaria o fazendo apenas para a situação de extinção da pessoa jurídica, já que no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ/CSLL, que tem delimitação temporal, ela está limitando a compensação dos prejuízos no período, independe de qualquer evento societário. Na esteira desse raciocínio, convém trazer à colação voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, segundo o qual: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “credito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa nos anos anteriores.” E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquele tribunal. Por oportuno, transcrevo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. ( RE 545.308, 8/10/2009, Rel. P/ acórdão Min. Cármen Lúcia) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 6 5 EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Demonstrações financeiras. Saldos de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Natureza de benefício fiscal. Correção monetária. Revogação. Questão infraconstitucional. Ausência de previsão legal. Impossibilidade de atuação do Poder Judiciário como legislador positivo. Precedentes da Corte. 1. A questão alusiva à revogação da correção monetária pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95 repousa na esfera da legalidade. A afronta ao texto constitucional, se ocorresse, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Nos julgamentos do RE nº 344.994/PR e do RE nº 545.308/SP, o Tribunal concluiu que a dedução de prejuízos de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e a compensação das bases negativas da CSLL constituem favores fiscais. 3. Impossibilidade de atualização monetária do saldo a ser compensado em períodos futuros, por ausência de previsão legal. 4. Agravo regimental não provido. (AgR no RE 807.062, 2/9/2014, Rel. Min. Dias Tóffoli) É oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065/95, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 ao caso concreto. No que diz respeito à multa de ofício aplicada na sucessora, como foi dado o recurso voluntário da contribuinte no tocante à multa, esta não foi analisada pelo colegiado a quo, motivo pelo qual manifestome pela devolução dos autos ao colegiado a quo, para manifestarse sobre o assunto, já que a autuação está sendo restabelecida. Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional no tocante à inobservância à trava de 30%, e doulhe provimento para manter o limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal e bases negativas da CSLL, e devolver os autos à turma ordinária para julgamento da multa na sucessora. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
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