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Numero do processo: 16327.901308/2009-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 28/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-009.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado(a)), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Elisa da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado(a)), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Elisa da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão nº 2201-005.038, proferido na Sessão de 13 de março de 2019, que negou provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Acórdão foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 13 08 /2 00 9- 78 Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.643 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.901308/2009-78 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 28/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. O recurso visava rediscutir as seguintes matéria: I) aplicação do art. 166 do CTN aos pedidos de restituição de IRRF indevidamente retido e Recolhido; II) possibilidade de uso da DCTF retificadora para demonstrar a existência de direito Creditório; III) necessidade de análise de elementos probatórios trazidos aos autos após a impugnação, por força do princípio da primazia da verdade material. Em exame preliminar de admissibilidade, todavia, o presidente da Câmara de origem deu seguimento ao apelo apenas em relação à primeira matéria – “aplicação do art. 166 do CTN aos pedidos de restituição de IRRF indevidamente retido e Recolhido.” Em suas razões recursas, quanto à matéria devolvida à apreciação deste Colegiado, a contribuinte aduz, em síntese, que, segundo o acórdão recorrido, a contribuinte não faz jus à restituição por não ter demonstrando o preenchimento dos requisitos dispostos no artigo 166, do TTN, bem como pelo fato de não ter demonstrado que arcou com o ônus financeiro do tributo: que referida menção ao artigo 166, do CTN, contida no acórdão recorrido, é absolutamente inaplicável e descabida no caso em tela, uma vez que referido artigo se aplica em face de tributos indiretos. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões nas quais propugna pelo não conhecimento do recurso, sob o fundamento de que o contribuinte pretende a revisão de elementos probatórios. Quanto ao mérito, defende a manutenção do Recorrido com base, em síntese, nos seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, diante das contrarrazões da Fazenda Nacional, examino detidamente a questão. Para maior clareza, faço breve resumo dos fatos. A contribuinte pleiteou compensação de crédito tributário por meio de DCOMP, a qual não foi homologada sob o fundamento de que o suposto pagamento indevido havia sido Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.643 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.901308/2009-78 confessado em DCTF. Após cientificado do Despacho Decisório a contribuinte apresentou declaração retificadora da DCTF, alterando os valores declarados. A decisão de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento, em síntese, de que a mera apresentação da DCTF retificadora, nas circunstâncias do caso (após o indeferimento da compensação) não era suficiente para comprovar o direito ao crédito, cabendo ao contribuinte, além da apresentação da DCTF retificadora o ônus de comprovar o erro na declaração original. Pois bem, de plano, constato que a contribuinte baseia o recurso quanto a esta matéria em uma falsa premissa, a de que a decisão negou provimento ao recurso com fundamento no art. 166 do CTN. Na verdade, o fundamento para a negativa do provimento foi a ausência de comprovação do efetivo direito ao crédito pretendido na declaração de compensação, concordando com o teor da decisão de primeira instância. Cito trecho do voto: A simples retificação da DCTF não tem o condão de reduzir tributo, pelo menos para o fim a que se pretende nos presentes autos. Ela deve estar lastreada com documentação contábil e fiscal, além disso, deveria ter sido trazida aos autos, de forma didática. Na sequência, o relator cita voto proferido no Acórdão nº 2201-004.437, cujas razões de decidir adota. Reproduzo a seguir trecho dessa citação: Portando, em uma análise primária, nota-se que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova-lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Como se vê, o fundamento da decisão, corroborando o fundamento da autuação, foi o de que o contribuinte não comprovou, como deveria, o direito creditório. É certo, por outro lado, que em relação a parte dos créditos pleiteados, que especifica, o acórdão cita a necessidade de comprovação de que o demandante teria sido autorizado pelo beneficiário dos pagamentos, nos termos do art. 166; porém tal referência é apresentada apenas subsidiariamente. E tanto é assim que, mesmo que se concordasse com a tese do contribuinte e se afastasse a incidência do referido dispositivo, isso não implicaria no provimento ao recurso, pois não foi este, repita-se o fundamento do indeferimento da compensação e o único fundamento para a negativa do provimento. O fato é que o paradigma apresentado, em que se defende a tese da inaplicabilidade do art. 166 do CTN não se presta a demonstrar a divergência de entendimento que justificaria o conhecimento do recurso. Ante o exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.643 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.901308/2009-78 (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10111.721473/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Acompanharam o julgamento os patronos do contribuinte, Dr. Flávio Couto Bernades, OAB-MG 63291, escritório Bernades e Advogados Associados, e Drª. Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira, OAB-DF 12051.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Leonardo e Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Acompanharam o julgamento os patronos do contribuinte, Dr. Flávio Couto Bernades, OABMG 63291, escritório Bernades e Advogados Associados, e Drª. Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira, OABDF 12051. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Leonardo e Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão 11047 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que assim relatou o feito: Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da empresa Myra Participações, Gestão de Ativos, Importação, Exportação e Comércio Ltda, por meio do qual é formalizada a exigência da multa de conversão da pena de perdimento, no montante de R$ 527.496,44, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 21 47 3/ 20 13 -7 3 Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.636 2 capitulada no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, incluído pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002. Da Autuação Apontam as autoridades fiscais, por meio do Relatório de Verificação Fiscal (fl. 09 e seguintes) que é parte integrante do auto de infração, que restara comprovado que a empresa Myra Participações, Gestão de Ativos, Importação, Exportação e Comércio Ltda, doravante Myra, integrara esquema fraudulento destinado a ocultar os verdadeiros adquirentes de mercadoria importada. Destacam que tal esquema fora descoberto a partir de fiscalização empreendida sobre as pessoas jurídicas Prime Comercial Importadora e Exportadora, doravante Prime, e Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda., doravante Utilidad, as quais teriam sido autuadas por interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, no bojo do processo administrativo fiscal eletrônico nº 10.111.720547/201273. Descrevem os autuantes que a pessoa jurídica Myra atuaria na importação de bens como adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem, utilizandose da Prime para realização da importação ostensiva. Todavia, a participação da Myra nas operações de importação teria como único objetivo a ocultação dos reais adquirentes da mercadoria importada. As provas que respaldariam as conclusões do Fisco teriam sido apreendidas durante diligências fiscais empreendidas nos estabelecimento das pessoas jurídicas Prime e Utilidad, inclusive em filial informal mantida na cidade do Rio de Janeiro (todas as empresas citadas estão sediadas em Brasília). No que concerne às empresas Prime e Utilidad, teriam sido ainda obtidos dados relativos a movimentação bancária, por meio de RMF. Dentre os elementos de convicção a sustentar a acusação destacarseiam aqueles que serão detalhados nos tópicos seguintes. I. Das Empresas Envolvidas no Esquema I.I Da Prime e Utilidad As empresas Utilidad e Prime compartilhariam o mesmo quadro societário e, conforme constatado em diligência fiscal, o mesmo endereço. Teria restado caracterizado na fiscalização que culminou no lançamento pertinente ao processo administrativo nº 10.111.720547/201273 que, na prática, tratarseia de uma mesma empresa, artificialmente subdividida de modo a atuar em dois níveis, um como importadora e outro como adquirente de mercadoria importada por conta e ordem. O papel desempenhado pela Prime seria figurar como importador ostensivo, atuando por conta e ordem de “terceiro”. Por sua vez a Utilidad figuraria artificialmente como este terceiro, isto é, como adquirente das mercadorias importadas pela Prime, ocultando os reais patrocinadores da operação de importação, adquirentes de fato. Conforme será detalhado adiante, defendem os auditores que, nas operações de importação de que se cuida no presente processo, a Myra desempenharia o mesmo papel que a Utilidad desempenhara nas operações analisadas naquele processo, visando à ocultação dos reais intervenientes, que seriam empresas ligadas à marca “Mundo dos Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.637 3 Filtros”. I.II. Do “grupo” Mundo dos Filtros O “grupo” Mundo dos Filtros seria, na realidade, um conjunto de cerca de trinta empresas distintas, com números de inscrição no CNPJ próprios (não relacionadas como matriz e filiais), que compartilhariam o mesmo nome fantasia. Apontam as autoridades fiscais que, a par da suposta independência, todas as lojas estariam ligadas umas com as outras. Além disso, destacam as autoridades fiscais que, em praticamente todos os quadros societários das empresas do “grupo”, haveria a presença de alguém da família “Mothe”, dentre eles o Sr. Edmar Mothe, seu irmão, Edson Gonçalves Mothe e seu filho, Edmar Mothe Junior. Descrevem ainda os auditoresfiscais que, analisandose o histórico das composições societárias das empresas ligadas à marca Mundo dos Filtros, verificarseia uma espécie de rodízio dos sócios entre as diversas empresas, apresentandose vinculados, ora a uma, ora a outras e, por vezes, a mais de uma. Concluem ainda que o Sr. Edmar Mothe figuraria como real proprietário e articulador das diversas empresas do grupo, e sempre que participava formalmente de alguma das sociedades, detinha 99% do respectivo capital social. I.III. Da Pessoa Jurídica Myra e sua Relação com o "Mundo dos Filtros" Segundo os autuantes, a Myra integraria o “grupo” Mundo dos Filtros, embora fosse uma das poucas empresas a não utilizar a marca ostensivamente. Apontam que, diferentemente da maior parte das empresas do “grupo”, que seriam lojas localizadas em diversos endereços do Distrito Federal, a Myra, à semelhança da Nova Distribuidora Logística Ltda., teria sido criada como local de armazenagem e ponto de distribuição das mercadorias. Registram os autuantes que, em procedimentos fiscais desenvolvidos pelas Equipes de Fiscalização da Alfândega de Brasília, teria restado evidente que o gerenciamento de todas as empresas do Grupo seria realizado pelo Sr. Edmar Mothé, com escritório centralizado nas dependências da empresa Mundo dos Filtros Ltda., incluindo a Myra Participações (objeto do presente processo), e a Nova Distribuidora e Logística Ltda, situada no mesmo endereço da empresa Mundo dos Filtros Ltda. Tanto Myra como Nova Distribuidora constituiriam depósitos para mercadorias importadas de forma irregular, bem como pontos de distribuição de tais mercadorias para atender às demandas das diversas empresas do "grupo" Mundo dos Filtros. A Myra teria como sócios o Sr. Edmar Mothe (99% do capital social) e a Sra. Mariângela Mothe Amorim (1% do capital social). O Sr. Edmar Mothe seria proprietário, ainda, das empresas Capital Filtros, Shopping Filtros Ltda, CNPJ 02.810.923/000134, Universo Dos Filtros Ltda, CNPJ 02.823.324/000155, Univex Comercio de Utilidades Para o Lar e Presentes Ltda, CNPJ 02.596.702/000105. Todas revendedoras de produtos sob a “bandeira” da marca Mundo dos Filtros. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.638 4 II. Do Funcionamento do Esquema de Importação Irregular II.I Da Relação entre o “Grupo” Mundo dos Filtros e as Empresas Prime e Utilidad (conclusões extraídas do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273) Nesse aspecto, aponta a autoridade fiscal que, nos autos do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273, restara demonstrado que as empresas Prime e Utilidad teriam agido de forma orquestrada com o “grupo” Mundo dos Filtros, de modo a ocultar a participação deste em operações de comércio exterior. O papel desempenhado pela Prime seria figurar como importador ostensivo, atuando por conta e ordem de terceiros. Por sua vez a Utilidad figuraria artificialmente como adquirente das mercadorias (sem que a empresa possuísse, de fato, capacidade financeira para isso), ocultando os reais patrocinadores da operação de importação, adquirentes de fato, que seriam as empresas do "grupo". II.II Das Transferências de Recursos entre o Sr. Edmar Mothe e a Prime/Utilidad Inicialmente, apontam as autoridades fiscais a existência de relação entre o Sr. Edmar Mothé e a Utilidad, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273. Com efeito, por meio da 4a alteração do contrato social da Utilidad, o Sr. Edmar Mothe teria ingressado na sociedade como sócio administrador da empresa no dia 18/07/2011, tendo porém deixado a empresa cerca de dois meses mais tarde, na quinta alteração contratual, datada de 30/09/2011. O ingresso do Sr. Edmar Mothé na sociedade teria tido o intuito exclusivo de conferir origem aparentemente lícita ao aporte de R$ 110.000,00 ao capital social. No particular, cumpre observar que a Utilidad operara com volumes muito superiores à sua capacidade financeira, tendo tido dificuldades de ampliar seu limite de operação junto à Alfândega de Brasília, em face da necessidade de comprovar a origem lícita dos recursos utilizados na constituição societária da empresa. Noutro ângulo de análise, apontam dos auditores que a verificação dos extratos bancários revelaria a existência de 43 transferências bancárias da Utilidad para a conta pessoal do Sr. Edmar Mothé (Banco Itaú Ag. 4454 CC 111115), entre os dias 25/07/2011 e 28/11/2011. Teria sido verificado que tais recursos seriam provenientes de vendas realizadas com o uso de documentos fiscais emitidos pela empresa Utilidad a supostos “clientes” (conforme Anexo “Documentos Comprobatórios – Outros – Transferências para Edmar Mothé”). Tal fato demonstraria, não apenas a íntima relação entre o Sr. Edmar Mothé e a Utilidad, embora, formalmente, ele só tenha figurado no quadro societário daquela pessoa jurídica por dois meses, mas, principalmente, que a empresa Utilidad emprestara sua estrutura fiscal, documental, contábil e bancária para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas transações por ela registrada. Abaixo, apresentamse exemplificativamente, algumas das transferências bancárias identificadas, realizadas entre 25/07/2011 e 03/11/2011: Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.639 5 Na linha 3 da tabela 6 identificase transferência no montante de R$ 111.150,00 (cento e onze mil e cento e cinqüenta reais) relacionado à Nota Fiscal nº 1170A, a qual se refere a uma venda da empresa UTILIDAD para um “cliente” no montante de R$ 223.300,00 (duzentos e vinte e três mil e trezentos reais). Ou seja, a empresa Utilidad repassou 50% (cinqüenta por cento) desta venda da Utilidad para Sr. Edmar Mothé. Na linha 6 da tabela 6 identificase transferência no mesmo valor, revelando a transferência integral da receita de venda feita por meio da Utilidad. Na linha 13 da tabela 6 identificase transferência no montante de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) relacionada à Nota Fiscal nº 1772, referente a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no mesmo montante. Ou seja, a empresa Utilidad repassou a totalidade desta receita de venda da Utilidad para o Sr. Edmar Mothé. Na linha 32 da tabela 6 identificase transferência bancária no montante de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) relacionada à Nota Fiscal nº 1774, referente a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no mesmo montante. Ou seja, novamente, a empresa Utilidad repassou a totalidade desta receita de venda da Utilidad para o Sr. Edmar Mothé. No particular, concluiu a fiscalização: “A tabela 6 acima relaciona ainda outras tantas transferências que demonstram que a relação do Sr. EDMAR MOTHÉ com a empresa ora fiscalizada é de uma pessoa responsável pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD, ditas como de sua própria importação nas Declarações de Importação registradas pela dupla PRIME COMERCIAL e UTILIDAD. Este financiador, Sr EDMAR MOTHÉ, é ou foi dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros que ficam ocultas em todas as importações registradas pela UTILIDAD e que a fiscalização demonstra durante todo este Termo de Verificação Fiscal que são estas as empresas reais adquirentes ocultas de diversas importações registradas em nome da UTILIDAD.” II.III Da Atuação Conjunta de Prime, Utilidad, Myra e Mundo dos Filtros Além de todo o material acostado aos autos do Processo nº 10111.720547/201273, teriam sido levantados novos elementos probatórios, em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão determinada pelo Juiz Federal da 10ª Vara Criminal e 1º Juizado Especial Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal, Cautelar nº 39068542012.4.01.3400, no estabelecimento da empresa Mundo dos Filtros Ltda. Tais elementos, demonstrariam que o Sr. Edmar Mothé gerenciaria de fato todas as empresas pertencente ao “grupo” Mundo dos Filtros, mantendo vinculação, para além da mera relação comercial, com as empresas Prime, Utilidad e Myra. Dentre os diversos documentos apreendidos, as autoridades fiscais apontam uma operação em particular, referente a uma importação declarada pela Prime como tendo sido realizada por conta e ordem da Utilidad. Registram os autuantes que, embora a Utilidad figurasse como adquirente, os recursos empregados na operação seriam Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.640 6 provenientes da Myra. Por sua vez, observam os auditores que tampouco seria a Myra o real adquirente das mercadorias, visto que estas destinarseiam a diversas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros. Tais conclusões decorrem de elementos extraídos de correspondências eletrônicas obtidas por meio do CPP's 415A; 415S;415C e 415D, que como, conforme explicitado no Termo de Fiscalização do processo administrativo fiscal nº 10111.720.547/201273, referirseiam a processo interno para cada importação realizada por meio da empresa Prime para a empresa Utilidad. Ali estariam demonstradas as despesas com II,IPI,PIS,Cofins, taxa siscomex,ICMS, Frete Internacional Armazenagem, despachante aduaneiro e taxa de expediente. Conforme documentos apreendidos, para custear a operação em questão, a Myra teria transferido para a Utilidad a quantia de R$ 30.000,00 (trinta e três mil reais), através de transação realizada pela pessoa de Edmar Mothé. As mensagens eletrônicas trocadas em 16/01/2012, entre o Sr. Felipe Coelho, sócio da empresa Prime, e Sr. Gilson, que responde com endereço eletrônico gilson@mundodosfiltros.com.br e que fora formalmente autorizado a apresentar a resposta a intimação inicial desta fiscalização (Myra), possuem conteúdo revelador. Numa dessas mensagens, o representante da Prime solicita o envio da importância de R$ 30.000,00 para custeio de armazenagem (documento anexado ao processo).Transcrevem os auditores o seguinte trecho da conversa: " Filipe, Por favor manifestese a respeito pois pretendo fazer esta remessa hoje e as outras no máximo até o fim desta semana e todas serão feitas por transferência da conta da Myra, se isso for causar transtornos a vcs me avise. Obrigado, Gilson" Na seqüência vem a resposta do Sr. Felipe Coelho: " Gilson, isso é uma medida de cautela. Este processo não tem nada a ver com a Myra, não seria bom deixar evidente a origem do recurso, entende? Filipe Coelho" Essas declarações demonstrariam que os recursos para as operações de importações realizadas pela Prime, assim como pela Utilidad, seriam providos por diversas empresas do grupo mundo dos filtros, comprovando o deliberado intuito de ocultar os reais adquirentes. Pontuam os autuantes que o representante da Prime demonstraria a preocupação em transparecer que o custeio das importações realizadas para as empresas de todo o grupo estivesse vinculado ao adquirente declarado, e não ao adquirente de fato. Por fim, registram os auditores que correspondências eletrônicas e a autorização de transferência por parte do Sr. Edmar Mothé entre contas bancárias da Myra e da Prime referente à quantia mencionada teriam sido anexadas aos autos. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.641 7 Por outro lado, observam os autuantes que, nos autos do processo nº 10.111.720547/201273, em trecho do Termo de Verificação Fiscal transladado para o presente processo, fora identificado que, em diversas operações em que a Utilidad se declarava como adquirente, mas que na realidade, seriam destinadas ao grupo Mundo dos Filtros, a Utilidad remetia as mercadorias importadas em consignação para a Myra, que, por sua vez, as “revendia” aos reais adquirentes. Registram ainda as autoridades fiscais a identificação de documentos que comprovariam a interação entre Myra e Utilidad, como o contrato intitulado INSTRUMENTO PARTICULAR DE PARCERIA COMERCIAL E OUTRAS AVENÇAS (anexo), no qual tais empresas assumiriam a condição de contratante e contratada de serviços de comercialização e venda, conjunta ou separadamente, em todo território nacional, dos produtos, bens e equipamentos da marca GREE. Os mesmo produtos teriam sido objeto de importação com a utilização de ocultação de sujeito passivo tratada no presente Auto de Infração. Pontuam os autuantes que as notas fiscais de saída de mercadorias emitidas pela Myra (anexo), conforme se constata do arquivo apresentado pela própria autuada através da entrega de mídia de dados (CD) em atendimento à intimação inicial, seriam destinadas às diversas empresas das lojas que integram o Grupo Mundo dos Filtros, e transportadas pela Nova Distribuidora e Logística Ltda, o que comprovaria que a empresa Myra fora criada exclusivamente atender a demanda de todas as empresas do Grupo. Restaria demonstrado que as mercadorias importadas eram verdadeiramente das empresas integrantes do grupo mundo dos filtros e não da empresa Myra, como se pretendia passar aos olhos da fiscalização quando do registro das respectivas Declarações de Importação. Teriam sido ainda encontrados outros contratos de cessão de direitos comerciais, representação e outras avenças. Destacam as autoridades fiscais que, em contrato firmado entre Myra e Nova Distribuidora Logística Ltda, ambas pertencentes do “grupo” Mundo dos Filtros, haveria cláusula prevendo que a contratada (Nova Distribuidora e Logística) deveria entregar a mercadoria carregada no mesmo dia, sem qualquer ônus, guarda ou controle de estoque, o que novamente denotaria que os reais adquirentes da mercadoria seriam os destinatários, sempre empresas do “Mundo dos Filtros”. III. Do Objeto da Fiscalização O objeto da fiscalização de que se cuida no presente processo seriam as operações de importação realizadas pela Prime, nas quais a Myra teria sido identificada como adquirente de importação procedida por sua conta e ordem, ocultandose, outrossim, os reais adquirentes da mercadoria, empresas relacionadas ao Mundo dos Filtros. As DIs objeto de análise seriam as seguintes: 11/01937078, 11/03174187, 11/03177968, 11/03430728, 11/14403409, 11/14421008, 11/14510825, 11/14560997, 11/14632157, 11/16592349,11/16598770, 11/18709502, 12/03978504. Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.642 8 A transferência da saída das mercadorias à empresas do grupo teria restado caracterizada mediante acesso às notas fiscais emitidas pela Myra no sistema Sped. A presença da Myra naquelas operações teria como único intuito criar mais um nível de ocultação dos verdadeiros responsáveis. III.I Do Início do Procedimento Registram ainda os auditores fiscais que, ao dirigiremse ao endereço cadastrado para a Myra para dar início ao procedimento, teriam deparado com o estabelecimento fechado, sem sinais de operação. A desativação da empresa teria ocorrido após a autuação das empresas Prime e Utilidad. Registram que a intimação fora procedida por intermédio do sócio da empresa, Sr. Edemar Mothe, tendo sido o Sr. Gilson Assunção Melo encarregado de apresentar parte dos documentos solicitados. Registram ainda que o Sr. Gilson figurara nos registros de outras empresas do grupo Mundo dos Filtros. Acrescentam que a Myra deixara de entregar os extratos bancários solicitados a fim de elucidar a origem dos valores utilizados para efeito de integralização do capital social e custeio das importações. Declarara, em contrapartida, que os valores teriam sido movimentados em espécie. Por fim, defendem os auditores fiscais que diante do relato descrito teria ficado evidente que as importações realizadas pela Prime tendo como adquirente a Myra, relativas às Declarações de Importações objeto desta fiscalização, seriam na realidade destinadas às empresas integrantes do Grupo mundo dos filtros, reais adquirentes que teriam sido ocultados nessas operações. IV. Da Responsabilidade Solidária Ante todo o precedentemente exposto, concluíram as autoridades fiscais que a pessoa jurídica Prime deve comparecer ao pólo passivo da obrigação tributária como responsável solidária, bem como sócios da empresa Myra, o Sr. Edmar Mothe, e a Sra. Mariângela Mothe, nos termos dos artigos 124, 134 e 135, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/1966, e ainda artigo 95 do DecretoLei nº 37/1966. DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificados, o Sr. Edmar Mothe em 01/08/2013, sócio administrador da autuada Myra, e Mariângela Mothe Amorim, em 17/08/2013, comparecem ao processo, em 20/08/2013 a autuada e os sócios apontados como devedores solidários, para impugnar o lançamento. A empresa Prime, arrolada como responsável solidária pelo lançamento, abstevese de qualquer manifestação. A seguir, analisamse os argumentos manejados defesa. A autuada, para cumprir seu objeto social adquirira mercadorias importadas na modalidade por conta e ordem, atuando como importador ostensivo, dentre outros, a empresa Prime. Os autos simplesmente comprovariam que a Prime importara bens por conta e ordem da impugnante e estes bens teriam sido posteriormente Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.643 9 comercializados com distintos clientes, que utilizavam a marca Mundo dos Filtros. Não haveria qualquer elemento a respaldar a acusação. Sustenta que os tributos relativos a tais operações teriam sido rigorosamente recolhidos. Sustenta que a Prime atuaria como importadora ostensiva, enquanto a impugnante atuaria como distribuidora de mercadorias. Entretanto, tal estrutura não teria sido criada com o intuito de fraudar o Fisco. Destaca que apesar da baixa margem praticada pela Prime, ela gozaria de benefício fiscal concedido no âmbito do Distrito Federal, o que viabilizaria reduzir o custo da impugnante. Defende que a fiscalização não poderia exigir determinado modelo de organização da atividade econômica, em razão do direito constitucional à livre iniciativa e do princípio da legalidade. Sustenta que no esquema hipotético em que A importa para B e B vai revender as mercadorias para C não haveria como declarar no Siscomex, a existência de C, tornando impossível atender à expectativa fiscal. Justificase, ainda, alegando que não teria conhecimento ou acesso aos trâmites e documentos das empresas Prime e Utilidad, não podendo ser responsabilizada por procedimentos de terceiros. Defende que as empresas usuárias da marca Mundo dos Filtros seriam independentes entre si, sendo irrelevante que seus sócios possuíssem algum grau de parentesco com o Sr. Edmar Mothe. Além do nome, a única característica comum a tais empresas seria o compartilhamento de fornecedores, dentre os quais a impugnante, além de varejistas nacionais. Sustenta que a fiscalização não esclarecera de que forma concluíra que a impugnante acobertaria as empresas do grupo. Quanto às mensagens que caracterizariam transferência de recursos da Myra para a Prime, em operação na qual figuraria como adquirente das mercadorias a empresa Uilidad, alega, literalmente: “O fato de a Fiscalização apresentar trocas de emails com eventual parceiro a respeito de uma operação de mútuo realizada informalmente não significa dizer que se está frente a uma operação de ocultação do real adquirente, mas somente atesta que parcerias são comuns, ainda mais em se tratando do nicho de mercado em que atuam, voltadas para atender demanda popular, pelo que se fazem necessários acordos comerciais para assegurar preços competitivos.” Defende ainda que realizar contratos de parceria para produtos já importados, em território nacional não constituiria qualquer irregularidade. Sustenta que, no decorrer do tempo, alguns clientes tornarseiam fiéis, sendo a importadora capaz de identificar a necessidade certa de cada cliente. Alega ter firmado acordo de manutenção de mesma política de preços em relação a todas as empresas da marca Mundo dos Filtros. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.644 10 Alega que a fiscalização equivocarase ao afirmar que a empresa encerrara suas atividades. Aduz que o fato de terem sido respondidas as intimações encaminhadas, bem como de a empresa ter sido cientificada da autuação, demonstraria que ela estaria em atividade. Por outro lado, destaca a ausência de dano ao Erário, vez que os tirbutos teriam sido corretamente recolhidos, sendo portanto inaplicável a pena de perdimento. Defende ainda que estariam presentes os pressupostos que tornariam cabível a relevação da pena de perdimento, nos termos do art. 736 do Regulamento Aduaneiro. No que tange à responsabilidade dos sócios, esta seria limitada ao valor integralizado das respectiva cotas, sendo todos os sócios responsáveis solidariamente pela integralização total do capital, enquanto não cumprida em sua totalidade. Nesse contexto, o acesso a bens pessoais dos sócios somente seria admissível caso comprovada a prática de atos realizados com excesso de poderes, que culminassem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesassem terceiros. Não teria sido individualizada a conduta de cada sócio, que apenas teriam sido arrolados em razão de seus poderes teóricos. Defende, outrossim, que os sócios que não exercem atos irregulares, dos quais resultem transtornos para a empresa, não responderão com seus bens, segundo entendimento que seria pacífico no STJ. Na mesma linha, argumenta que a desconsideração da personalidade jurídica somente seria admissível quando for inconteste a prática de atos exercidos com excesso de poderes da parte dos sócios, sendo imperioso o benefício de ordem, que prevê primeiramente o esgotamento dos bens da sociedade. Acrescenta que tal instituto somente poderia ser aplicado pelo poder judiciário. No que tange a responsabilização constante do art. 135 do CTN, defende que tal responsabilidade não possuiria o condão de excluir o verdadeiro contribuinte, sendo meramente subsidiária e não por substituição. Sua caracterização exigiria a presença de elementos fáticos a apontar a prática de atos com excesso de poderes. No caso concreto, não haveria elementos que demonstrassem, de forma individualizada, a conduta ilícita dos sócios. Conclui que as acusações careceriam de elementos probatórios. Requer a anulação do lançamento ou, subsidiariam O feito foi votado e julgada parcialmente improcedente a impugnação do contribuinte, tendo restado o acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2011 a 02/03/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DURANTE A FASE PROCEDIMENTAL. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal o direito de defesa do contribuinte é exercido na fase do contencioso administrativo, que se inicia com a apresentação da impugnação. A ausência de participação Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.645 11 do sujeito passivo durante a etapa procedimental, que visa à apuração e constituição do crédito tributário, não caracteriza cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 02/03/2012 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. O dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. O dano ao Erário é punido com a pena de perdimento dos bens ou, na impossibilidade de sua apreensão, com a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE DE PERDIMENTO. INCOMPETÊNCIA. A competência para relevação da penalidade de perdimento, prevista no Regulamento Aduaneiro, na hipótese em que restem configurados os pressupostos estabelecidos, é privativa do Ministro da Fazenda. RESPONSABILIDADE DO INFRATOR. Devem responder solidariamente pela infração aqueles que tenham concorrido para sua prática ou dela tenham se beneficiado. SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOS. LIMITES. EXCEÇÕES. Os sócios, ao constituírem a sociedade sob a forma limitada, limitam sua responsabilidade aos aportes que realizam para a formação do capital social. Porém, existem exceções a tal princípio geral, uma delas aplicável às relações de cunho jurídicotributário, relacionadas aos atos gerenciais praticados com excesso de mandato, violação da lei ou do contrato social. Em tais situações os sócios devem responder solidariamente pelo crédito lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à relatoria do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, da 1ª Turma Ordinária da 3º Câmara desta 3ª Seção. Em julgamento realizado em 24 de janeiro de 2017, aquela turma, por unanimidade de Votos, decidiu por converter o feito em diligência e determinar a "vinculação por conexão, com consequente distribuição deste processo para a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, relatora do processo nº 10111.720547/201273." (Resolução nº 3301000.276) Os autos foram então a mim redistribuídos. Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.646 12 Voto Existe questão preliminar a ser analisada no presente feito. Como se verifica pela Relato dos fatos, o presente Processo encontrase reunido, por Conexão, ao processo 10111.720547/201273, de interesse de UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. E OUTROS Ao referido processo 10111.720547/201273 (UTILIDAD) encontrase reunido, ainda, o seguintes processo, para o qual também foi reconhecida a conexão: · 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP Resolução nº 3402000.792 – 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária 18 de maio de 2016 Assim, nos termos do art. 6º do RICARF, o processos conexos devem ter julgamento único. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...)§ 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Todavia, foi trazido a conhecimento desta Conselheira, a existência de um terceiro processo cuja conexão ao presente já foi reconhecida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção do CARF, qual seja: · 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS Resolução nº 3301000.275 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 24 de janeiro de 2017 Observase que a referida conexão do processo 10111.720047/201312 (NOVA) foi reconhecida na mesma sessão de julgamento do presente processo 10111.721473/201373 (MYRA), sendo que apenas este foi devidamente remetido à minha relatoria em razão da conexão. Diante do exposto, tendo em vista que já foi reconhecida a conexão do processo 10111.720047/201312 (NOVA) ao processo principal 10111.720547/201273 (UTILIDAD) e, visando à preservação da segurança jurídica, voto por converter o presente feito em diligência para que seja determinada a efetiva reunião dos feitos. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10111.721473/201373 Resolução nº 3201001.074 S3C2T1 Fl. 18.647 13 Os presentes autos deverão aguardar em secretaria até que seja possível a reunião de todos os 4 (quatro) processos, com a posterior remessa à esta Relatora para inclusão conjunta em pauta de julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora PROCESSO INTERESSADO CONEXÃO DATA 10111.720547/201273 UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. E OUTROS Principal 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP Resolução nº 3402 000.792 10111.721473/201373 MYRA PARTICIPACOES, GESTAO DE ATIVOS , IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO LTDA Resolução nº 3301 000.276 24.01.2017 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS Resolução nº 3301 000.275 24.01.2017 Fl. 1845DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915919/2013-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MATERIAIS DE LIMPEZA. EMBALAGENS PARA PROTEÇÃO.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria - produtos alimentícios.
Numero da decisão: 9303-011.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.616, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.915900/2013-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MATERIAIS DE LIMPEZA. EMBALAGENS PARA PROTEÇÃO. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria - produtos alimentícios. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.616, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.915900/2013-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semíramis de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 19 /2 01 3- 18 Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 Oliveira Duro (suplente convocada) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, suscitando divergência em relação ao direito ao crédito das contribuições sobre as embalagens para transporte de produtos acabados. Em despacho foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, requerendo o não conhecimento do recurso ou, caso assim não se entenda, o seu desprovimento. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, eis que atendidos os requisitos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho de admissibilidade, eis: Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 “[...] A decisão recorrida, ao interpretar o REsp nº 1.221.170/PR e o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, concluiu que os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, os produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, os reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte subsumiam-se no conceito de insumo adotado naqueles diplomas, haja vista a sua relação de essencialidade para com o processo produtivo de pessoas jurídicas atuantes no ramo alimentício. Por essa razão, reverteu as glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre os respectivos custos. O Acórdão indicado como paradigma n° 9303-008.212 está assim ementado: Assinto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. GASTOS COM INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito da Cofins sobre insumos e outros gastos deve estar vinculado à necessidade do gasto para a produção do bem ou serviço vendido. No caso, deve ser afastada a glosa do crédito sobre gastos com indumentárias. Por outro lado, deve ser restabelecida a glosa do crédito sobre gastos com (a) energia elétrica e armazenagem de períodos anteriores e (b) embalagens para transporte. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LEI N° 10.925/2004. O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2°, da Lei 10.833/2003 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. Também interpretando o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, e também contemplando processo produtivo de industria alimentícia, entendeu que as embalagens para transporte de produtos acabados não podem ser considerados insumos. Cotejo dos arestos confrontados Perfeitamente configurado o dissídio jurisprudencial, porquanto, analisando circunstâncias fáticas idênticas e interpretando a mesma legislação, os arestos paragonados chegaram a decisões opostas.” Considerando o acórdão recorrido e o paradigma tratarem de indústria de alimentos e contemplarem a discussão de mesmo item, independentemente do material empregado em cada um deles, entendo que restou comprovada a divergência. Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, vê-se que a Constituição Federal não Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, torna-se necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frise-se tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403-002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não-cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vê-se que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vê-se que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo - o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, peço vênia, para transcrever o impecável voto do Ministro Humberto Gomes de Barros quando da apreciação de Agravo Regimental em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional - Resp 382.736-SC (2001/0155744-8) - que nos faz refletir sobre a responsabilidade de se criar e defender durante um certo tempo jurisprudência favorável ou desfavorável ao sujeito passivo (Grifos Meus): "MINISTRO HUMBERTO GOMES DE BARROS: O fundamento da pretensão revocatória da Súmula é o de que o Supremo Tribunal Federal teria declarado que a Lei Complementar no 70/91, embora formalmente complementar, substancialmente, seria lei ordinária, suscetível de revogação sem o quorum especial, necessário à criação de nova lei complementar. O tema é a âncora - como está na moda dizer - daqueles que entendem que a nossa Súmula foi infeliz. Colaborei na formação da Súmula. Continuo, data vênia, convicto de que agimos acertadamente, ao sumular o Meditei sobre o tema, e consolidei minha certeza de que o tema é de nossa alçada. O próprio Supremo Tribunal Federal proclamou que o conflito entre lei ordinária e lei complementar trava-se no plano da infraconstitucionalidade. Trago comigo o Agravo no Recurso Extraordinário no 274.362, no qual, o Supremo Tribunal Federal, não conheceu Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 recurso extraordinário envolvendo conflito entre normas de lei complementar e de lei ordinária. Então, a competência é nossa. Recurso Especial no 221.710/RJ, em que o STJ indicou o rumo do Poder Judiciário brasileiro: Meu entendimento assenta-se na ementa felicíssima do Recurso "A Lei Complementar no 70/91, em seu art. 6o, inc. II, isentou da COFINS, as sociedades civis de prestação de serviços de que trata o art. 1o do Decreto-lei no 2.397, de 22 de dezembro de 1987, estabelecendo como condições somente aquelas decorrentes da natureza jurídica das referidas sociedades. - A isenção concedida pela Lei Complementar no 70/91 não pode ser revogada pela Lei no 9.430/96, lei ordinária, em obediência ao princípio da hierarquia das leis.não afeta a isenção concedida pelo art. 6o, II da L.C. 70/91. Entre os requisitos elencados como pressupostos ao gozo do benefício não está inserido o tipo de regime tributário adotado pela sociedade para recolhimento do Imposto de Renda." A orientação partiu da Segunda Turma. O acórdão foi lavrado pelo Sr. - A opção pelo regime tributário instituído pela Lei no 8.541/92 Ministro Francisco Peçanha Martins. Dele participaram o Ministro-Relator, a Ministra Eliana Calmon e os Ministros Franciulli Netto, Laurita Vaz e Paulo Medina. Para mim, essa é a orientação definitiva a ser seguida pelos tribunais e pelos contribuintes. Outra razão, que adoto como fundamento de voto, finca-se na natureza do Superior Tribunal de Justiça. Quando digo que não podemos tomar lição, não podemos confessar que a tomamos. Quando chegamos ao Tribunal e assinamos o termo de posse, assumimos, sem nenhuma vaidade, o compromisso de que somos notáveis conhecedores do Direito, que temos notável saber jurídico. Saber jurídico não é conhecer livros escritos por outros. Saber jurídico a que se refere a CF é a sabedoria que a vida nos dá. A sabedoria gerada no estudo e na experiência nos tornou condutores da jurisprudência nacional. Somos condutores e não podemos vacilar. Assim faz o STF. Nos últimos tempos, entretanto, temos demonstrado profunda e constante insegurança. Vejam a situação em que nos encontramos: se perguntarem a algum dos integrantes desta Seção, especializada em Direito Tributário, qual é o termo inicial para a prescrição da ação de repetição de indébito nos casos de empréstimo compulsório sobre aquisição de veículo ou combustível, cada um haverá de dizer que não sabe, apesar de já existirem dezenas, até centenas, de precedentes. Há dez anos que o Tribunal vem afirmando que o prazo é decenal (cinco mais cinco anos). Hoje, ninguém sabe mais. Dizíamos, até pouco tempo, que cabia mandado de segurança para determinar que o TDA fosse corrigido. De repente, começamos a dizer o contrário. Dizíamos que éramos competentes para julgar a questão da anistia. Repentinamente, dizemos que já não somos competentes e que sentimos muito. O Superior Tribunal de Justiça existe e foi criado para dizer o que é a lei infraconstitucional. Ele foi concebido como condutor dos tribunais e dos cidadãos. Bem por isso, a Corte Especial proclamou que: Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 "PROCESSUAL - STJ - JURISPRUDÊNCIA - NECESSIDADE O Superior Tribunal de Justiça foi concebido para um escopo sabor das convicções pessoais, estaremos prestando um desserviço a nossas instituições. Se nós – os integrantes da Corte – não observarmos as decisões que ajudamos a formar, estaremos dando sinal, para que os demais órgãos judiciários façam o mesmo. Estou certo de que, em acontecendo isso, perde sentido a existência de nossa Corte. Melhor será extingui-la." (AEREsp 228432). Dissemos sempre que sociedade de prestação de serviço não paga a contribuição. Essas sociedades, confiando na Súmula no 276 do Superior Tribunal de Justiça, programaram-se para não pagar esse tributo. Crentes na súmula elas fizeram gastos maiores, e planejaram suas vidas de determinada forma. Fizeram seu projeto de viabilidade econômica com base nessa decisão. De repente, vem o STJ e diz o contrário: esqueçam o que eu disse; agora vão pagar com multa, correção monetária etc., porque nós, o Superior Tribunal de Justiça, tomamos a lição de um mestre e esse mestre nos disse que estávamos errados. Por isso, voltamos atrás. Nós somos os condutores, e eu - Ministro de um Tribunal cujas decisões os próprios Ministros não respeitam - sinto-me, triste. Como contribuinte, que também sou, mergulho em insegurança, como um passageiro daquele vôo trágico em que o piloto que se perdeu no meio da noite em cima da Selva Amazônica: ele virava para a esquerda, dobrava para a direita e os passageiros sem nada saber, até que eles de repente descobriram que estavam perdidos: O avião com o Superior Tribunal de Justiça está extremamente perdido. Agora estamos a rever uma Súmula que fixamos há menos de um trimestre. Agora dizemos que está errada, porque alguém nos deu uma lição dizendo que essa Súmula não devia ter sido feita assim. Nas praias de Turismo, pelo mundo afora, existe um brinquedo em que uma enorme bóia, cheia de pessoas é arrastada por uma lancha. A função do piloto dessa lancha é fazer derrubar as pessoas montadas no dorso da bóia. Para tanto, a lancha desloca-se em linha reta e, de repente, descreve curvas de quase noventa graus. O jogo só termina, quando todos os passageiros da bóia estão dentro do mar. Pois bem, o STJ parece ter assumido o papel do piloto dessa lancha. Nosso papel tem sido derrubar os jurisdicionados. Peço venia para acompanhar o Ministro Peçanha Martins. Com essas considerações e louvando-me nesse precedente da lavra do Sr. Ministro Francisco Peçanha Martins, peço vênia ao eminente Ministro-Relator para aderir à divergência." Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, tem-se que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vê-se, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomando-o por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vê-se que a não cumulatividade relaciona-se ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vê-se que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite- se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, pode-se concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frise-se que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II - utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicando-se os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vê-se claro, portanto, que não poder-se-ia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendo-se da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinados à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 Com efeito, por conseguinte, pode-se concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Torna-se necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não-cumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Quanto às embalagens para transporte, entendemos que as embalagens são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo, eis que são utilizadas para proteger a mercadoria – produtos alimentícios. Tal entendimento já é o atualmente adotado por nossa turma; o que recordo o acórdão 9303-011.371: Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-011.640 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915919/2013-18 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria que se trata de produtos alimentícios.” Em vista do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10215.720975/2011-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/01/2011
AIOP - 51.009.616-6 - Contribuições da empresa e para o RAT
AIOP - 51.009.617-4 - Contribuição dos segurados empregados
AIOP - 51.009.618-2 - Contribuições para Terceiros
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRA DE CONSTRUÇAO CIVIL. PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização da obra, em período abrangido pela decadência, ônus cumprido pelas provas apresentadas.
Numero da decisão: 2002-006.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diogo Cristian Denny e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/01/2011 AIOP - 51.009.616-6 - Contribuições da empresa e para o RAT AIOP - 51.009.617-4 - Contribuição dos segurados empregados AIOP - 51.009.618-2 - Contribuições para Terceiros AUTO DE INFRAÇÃO. OBRA DE CONSTRUÇAO CIVIL. PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização da obra, em período abrangido pela decadência, ônus cumprido pelas provas apresentadas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-16T18:39:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-16T18:39:31Z; Last-Modified: 2021-08-16T18:39:31Z; dcterms:modified: 2021-08-16T18:39:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-16T18:39:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-16T18:39:31Z; meta:save-date: 2021-08-16T18:39:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-16T18:39:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-16T18:39:31Z; created: 2021-08-16T18:39:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-08-16T18:39:31Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-16T18:39:31Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10215.720975/2011-57 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-006.502 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 29 de julho de 2021 Recorrente IZABELA NATALIA PARENTE DE OLIVEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/01/2011 AIOP - 51.009.616-6 - Contribuições da empresa e para o RAT AIOP - 51.009.617-4 - Contribuição dos segurados empregados AIOP - 51.009.618-2 - Contribuições para Terceiros AUTO DE INFRAÇÃO. OBRA DE CONSTRUÇAO CIVIL. PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização da obra, em período abrangido pela decadência, ônus cumprido pelas provas apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diogo Cristian Denny e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 175/179) contra decisão de primeira instância (e-fls. 164/168), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 09 75 /2 01 1- 57 Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.502 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10215.720975/2011-57 DO LANÇAMENTO Trata-se de créditos lançados pela fiscalização (AI DEBCAD 51.017.264-4, 51.017.265-2 e 51.017.266-0, consolidados em 21/12/2011), no valor respectivamente de R$ 18.668,37, R$ 6.493,34e R$ 4.707,68; acrescidos de multa de ofício , contra a pessoa física acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 56/68), refere-se às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes aquelas a cargo da empresa, à parte dos segurados e as devidas as entidades e fundos, pela execução de obra de construção civil. Informa ainda a Auditoria Fiscal que a contribuinte é proprietária da obra de construção civil matriculada na Receita Federal do Brasil sob n° 51.211.92202/64, área de 434,72 m 2 , não tendo apresentado comprovante de quitação das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o valor da mão de obra utilizada na edificação; . As contribuições foram apuradas por aferição indireta mediante cálculo da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, através de ARO - Aviso para Regularização de Obra, emitido em 17/11/2011, com base na DISO preenchida pelo contribuinte. . A multa aplicada é a determinada pela Lei n° 8.212/1991,com redação dada pela Lei n° 11.941/2009. DA IMPUGNAÇÃO O interessado manifestou-se (fls. 74/77), trazendo as alegações a seguir reproduzidas em síntese: Sustenta que o imóvel encontra-se cadastrado com área construída em alvenaria, desde 01.01.1994, junto a Prefeitura Municipal de Santarém, conforme documento anexo. Que necessitando regularizar a citada obra, formalizou junto aos órgãos e entidades de classe os documentos a partir de 2006 e 2008. Afirma que em 1996, conforme documento anexo, foi emitido o DAM - Documento de Arrecadação Fiscal, após avaliação da construção para cálculo do IPTU, demonstrando que a construção já existia no período. Ressalta que a expedição do Alvará de Construção foi apenas para regularizar a obra, tanto que no citado documento consta a observação “Alvará para efeito de legalização”, ficando demonstrado que o projeto já existia desde 1994, e a Certidão Negativa de Imóvel, acompanhado do seu cadastro, confirma que a obra com área construída em alvenaria de 434,72 m 2 , já existia desde 01.11.994. Alega que diante da situação exposta, espera que se decida pela improcedência do auto de infração, estendendo a decisão pela decadência do procedimento. Ao final requer seja acolhida a impugnação,por todos os motivos de fato e de direito alegados, anulando-se o procedimento administrativo pela Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.502 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10215.720975/2011-57 decadência ou pela improcedência do auto de infração, devendo-se declarar extinto o suposto crédito tributário, conforme dispõe o art. 156, X, do Código Tributário Nacional. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: AIOP - 51.009.616-6 - Contribuições da empresa e para o RAT AIOP - 51.009.617-4 - Contribuição dos segurados empregados AIOP - 51.009.618-2 - Contribuições para Terceiros AUTO DE INFRAÇAO. OBRA DE CONSTRUÇAO CIVIL. PESSOA FÍSICA. DISO. ARO. AFERIÇÃO INDIRETA. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE. Em relação à obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. A 5ª Turma da DRJ/BEL julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada com a decisão de primeira instância a contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi cientificada em 01/08/2013 (e-fl. 174); Recurso Voluntário protocolado em 07/08/2013 (e-fl. 175), assinado pela própria contribuinte. Em sua peça de resistência, alega a recorrente, que a obra objeto da controvérsia, foi cadastrada junto a Prefeitura Municipal com área construída em alvenaria, no ano de 1994, sendo certo que a prefeitura exigia para regularização do IPTU, a regularização junto aos órgãos competentes. À partida, verifico que o documento de e-fl. 17, foi juntado o Alvará de Construção, onde consta na linha de observações o seguinte: O ALVARÁ PARA EFEITO DE LEGALIZAÇÃO. Consta do documento e-fl. 22, documento emitido pelo CREA/PA, “Anotação de Responsabilidade Técnica”, que a data do contrato feito entre o engenheiro da obra e a proprietária, tem como data de início do contrato em 27/07/2006, já na e-fl. 24 se encontra encartado nos autos, um atestado de habite-se, expedido pelo Governo do Estado do Pará (Corpo Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.502 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10215.720975/2011-57 de Bombeiros Militar do Pará), onde atesta que a área de 434,72 m², está devidamente aparelhada com equipamentos de combate a incêndio e controle de pânico, datada em 19 de setembro de 2006. O documento de e-fl. 158, emitido pela Prefeitura Municipal de Santarém, torna real que o imóvel já estava cadastrado como concluído em 1.994. Assim esta quadra de entendimento, são sinceras as alegações da recorrente, que a legalização da obra foi apenas para documentar exigência para calcular o valor do IPTU, portanto ação fiscal está fulminada pelo instituto da decadência. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e no mérito dá-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.903428/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
É válido descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda no regime monofásico de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas, quando a despesa for suportada pelo vendedor, nos termos do artigo 3°, incido IX das Leis n°. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-008.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário; vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Relatora) e Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Robson Costa.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. É válido descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda no regime monofásico de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas, quando a despesa for suportada pelo vendedor, nos termos do artigo 3°, incido IX das Leis n°. 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário; vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Relatora) e Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Robson Costa. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 28 /2 01 2- 28 Fl. 383DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito oriundo da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa – Mercado Interno. A contribuinte foi intimada apresentar os elementos comprobatórios do crédito pleiteado. As conclusões do agente do Fisco constam de Informação Fiscal. O pedido refere-se a supostos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime não-cumulativo, decorrente de vendas efetuadas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, conforme disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. O interessado não havia informado qualquer crédito na ficha 26B de seu DACON. Após Intimação, tal demonstrativo foi retificado e passou a apresentar saldo de créditos não utilizados. Constata-se que o próprio contribuinte informou em seu DACON que não possuía crédito referente a aquisições no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno. Todo o saldo disponível informado pelo interessado é vinculado à receita tributada no mercado interno, que não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, em função dos dispositivos legais citados acima. O DACON referente ao mês de transmissão do pedido de ressarcimento, também não traz na ficha 14 a utilização de créditos objeto de pedido de ressarcimento no mês. Assim, em função das informações prestadas pelo contribuinte em seus DACON e com base no art. 3° da Lei n° 10.637/2002, art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e art. 16 da Lei n° 11.116/2005, não há qualquer valor a ser ressarcido Por meio de Despacho Decisório Eletrônico proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil o Pedido de Ressarcimento foi indeferido e, consequentemente, a compensação declarada em DCOMP’s a ele vinculadas não foi homologada. Irresignada, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade alegando em sua defesa, que tem como atividade principal o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, e tais vendas, em relação à gasolina e demais derivados de petróleo, são tributadas à alíquota zero na forma do art. 9º, inciso II, da IN SRF nº 594/2005. À época da apuração dos referidos créditos, transmitiu os respectivos DACON informando, nas respectivas fichas, que se tratavam, de forma equivocada, de créditos vinculados à receita tributada no mercado interno, quando, de fato, deveria ter sido informada a opção “vinculados à receita não tributada no mercado interno”. Nos termos do que prevê a Lei nº 11.116, de 2005, assiste, indubitavelmente, o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa para a Manifestante em relação aos gastos, custos e despesas, a saber: a) energia elétrica; b) aluguéis de prédios, Fl. 384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 máquinas e equipamentos; c) contraprestações de arrendamento mercantil; e, d) depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros. A Solução de Consulta nº 18, de 25 de abril de 2013, da 5ª Região Fiscal da RFB, a que está submetida a Manifestante, corrobora com a admissibilidade do crédito. Trata-se apenas de um erro material de fato, devendo ser sanado por esta via recursal em busca obrigatória do princípio da verdade material, base do Direito Tributário Nacional, que impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir da mera presunção, citando doutrina e julgados do CARF que corroborariam seus argumentos. Identificado o erro material, evidenciado pela incorreta classificação da vinculação à receita tributada no mercado interno, imediatamente o corrigiu com o envio dos respectivos DACON's retificadores, conforme recibos e relatórios anexos. Percebida a ocorrência do erro, deveria a autoridade fazendária notificar o contribuinte para que corrigisse a inconsistência, não sendo admissível o tratamento ora dispensado pela autoridade administrativa competente. Adicionalmente, há de se observar, ainda, a existência dos referidos créditos através da regular escrituração contábil da manifestante, conforme cópia do Livro Razão em anexo, fato que torna absolutamente legítimo o crédito e o ressarcimento/compensação ora pretendidos. A ausência de análise efetiva que ensejou o direito material do contribuinte, fundamentação válida do ato administrativo, cerceou o direito de defesa, motivo suficiente para tornar o Despacho Decisório em questão nulo de pleno direito, citando Acórdão desta Delegacia de Julgamento que, ao apreciar caso semelhante, anulou o Despacho Decisório analisado. A manifestante pretende a aplicação do formalismo moderado ao presente caso, para que seja reconsiderada a decisão manifestada no Despacho Decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente. A empresa apresentou recurso voluntário, antes da ciência, onde em síntese alega: - os julgadores entenderam que trata-se de produtos sujeitos ao regime monofásico; - remanesce a dúvida a respeito da possibilidade de créditos relativos a venda com gastos e despesas de armazenagem e frete na venda; - o fato dos produtos vendidos serem tributados numa única fase do processo não obsta o direito ao crédito das contribuições pelo simples fato de que ao remeter, o referido inciso IX, ao inciso I do mesmo art. 3º não significa que estaria, de maneira implícita, sujeita à restrição lá imposta aos produtos sujeitos ao regime monofásico; - apresenta acórdão nº 9303-006.219, Solução de Divergência Cosit nº 3/2016; Fl. 385DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 - apresenta cópia do livro razão, e planilha de apuração do PIS e da Cofins. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo, mercado interno. Toda a argumentação da recorrente é feita para a Contribuição Cofins, entretanto, dada a similitude no tratamento tributário de ambas as contribuições, e pelo princípio do formalismo moderado, que rege o processo administrativo fiscal entendo que deve ser admitido o recurso. O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Na manifestação de inconformidade identifico que a recorrente protesta pelo seu direito ao crédito relativo aos gastos, custos e despesas com energia elétrica, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros. Alega liquidez e certeza do crédito tributário, erro material no preenchimento do Dacon que foi retificada, princípio da busca da verdade material, cerceamento do direito de defesa por falta de motivação do ato administrativo, despacho decisório, e aplicação do formalismo moderado. A informação fiscal não discrimina quais as despesas são relativas aos créditos pleiteados, já que sua análise finda-se antes, na possibilidade do creditamento. O acórdão de piso analisou o procedimento adotado pela Delegacia da Receita Federal que intimou o contribuinte a apresentar diversos documentos e esclarecimentos, e o Auditor Fiscal, em sua informação fiscal, nada disse a respeito do cumprimento ou não da intimação. Não há juntada dos documentos aos autos, muito menos informação sobre o cumprimento da intimação. A recorrente, na manifestação de inconformidade, não traz nenhuma informação sobre a intimação e seu cumprimento. Anexa apenas cópia do livro razão e planilha com rascunhos à mão. A informação fiscal conclui que tais créditos não podem ser objeto de ressarcimento ou compensação, pois apenas créditos vinculados a receitas de vendas desoneradas das contribuições podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB conforme consta no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. A DRJ após a análise das Fichas 05 e 06 do Dacon relativo ao 4º Trimestre de 2004, conclui que a totalidade dos valores informados a título de “Receita da Revenda de Fl. 386DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Mercadorias” foi deduzida na linha “Receitas Isentas, não Alcançadas pela Incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero”. O que demonstra a predominância de receitas no mercado interno não tributadas pelas contribuições. Segundo o § 3º do art. 57 do RICARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, poderá ser efetuada a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator apurar que não foram apresentadas novas razões recursais e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I - verificação do quórum regimental; II - deliberação sobre matéria de expediente; e III - relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). No presente caso configura-se a situação delimitada no §3º citado. Além de não terem sido apresentadas novas alegações que contrapusessem o afirmado no acórdão de piso, as alegações, tanto em impugnação quanto em recurso voluntário, foram demasiadamente genéricas. Por oportuno, e analisado detalhadamente o caso, reproduzo o acórdão de piso, e faço dele minhas razões de decidir: O Auditor Fiscal afirma que no Dacon referente a abril/2008, mês de transmissão do pedido de ressarcimento, nas fichas relativas ao “Controle de Utilização dos Créditos no Mês” também não consta a utilização do crédito pleiteado. Mas no Dacon retificador transmitido em 24/01/2011 – anteriormente à Informação Fiscal datada de 19/04/2013 – a contribuinte informara valores apenas na linha “Saldo de Crédito de Meses Anteriores” da ficha correspondente ao “Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita Não Tributada no Mercado Interno”. A despeito dessas informações prestadas nos Dacon do 4º trimestre de 2004 e no de abril de 2008, e dos diversos documentos comprobatórios solicitados à contribuinte, no Despacho Decisório o direito creditório foi negado exclusivamente em virtude da informação constante na Ficha 26B do DACON referente a janeiro/2006, de que o saldo não utilizado até 31/12/2005 é vinculado à receita tributada no mercado interno. A interessada alega erro no preenchimento do Dacon, retificando-o posteriormente. De fato, ao presente caso aplica-se o entendimento exposto no Acórdão nº 15-22.685, da Primeira Turma desta Delegacia de Julgamento, mencionado pela interessada, cujo trecho a seguir transcreve-se: Do exposto observa-se que a simplicidade do despacho decisório ao indeferir o direito creditório do contribuinte com base apenas em cruzamento de dados eletrônicos de informações econômico-fiscais, sem sequer analisar a substância Fl. 387DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 do crédito a que a declaração faz referência, avilta as prerrogativas e a competência da autoridade fiscal, transformando-o em mero autômato processador de dados eletrônicos, reduzindo sua atuação à intimação do contribuinte do resultado de um processamento eletrônico, que não raramente apresenta falhas ocasionadas por erro no preenchimento dos documentos. Por não contemplar a verdade material, as informações contidas nestas declarações são inaptas, para desconstituir o direito material em análise. A análise do direito material do contribuinte deve ser enfrentada na primeira instância decisória, com base na integralidade da documentação contábil e fiscal a que o fisco tem amplo acesso, e não apenas em simples e frágeis cruzamentos eletrônicos. Transferir para os órgãos julgadores a função de fundamentar e declarar com certeza e exatidão a dimensão efetiva do crédito tributário objeto da compensação, afronta o direito, especialmente se esta decisão se sustentar em fatos novos que não foram apreciados na decisão anterior, até por que não cabe aos órgãos julgadores inovar os fundamentos de ato carente de motivação válida exarado na primeira instância decisória. Resta patente que os valores informados no Dacon do 4º trimestre de 2004 demonstravam que a quase totalidade das receitas auferidas pela contribuinte advinha de receitas isentas, não alcançadas pela incidência da contribuição, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; o agente do Fisco não informou sobre o não atendimento pela contribuinte da intimação para apresentação dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado; se a contribuinte os apresentou, o agente do Fisco nada disse a respeito da sua análise; no Dacon referente a abril/2008 a contribuinte informou possuir “Saldo de Crédito de Meses Anteriores” na ficha correspondente ao “Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita Não Tributada no Mercado Interno”. Contudo, improcede a alegada nulidade do Despacho Decisório. Ainda que não tenha sido analisado o direito material da contribuinte, o agente do Fisco baseou-se em informações por ela prestadas nos Dacon apresentados. Com a Manifestação de Inconformidade, a interessada apresentou fotocópias do Livro Razão comprovando a escrituração do crédito pleiteado. Os documentos carreados aos autos nos permitem concluir pela ocorrência do alegado erro de fato no preenchimento do demonstrativo. Deve-se, então, analisar a natureza das parcelas que compõem o crédito. Conforme informações prestadas nos Dacon, no crédito pleiteado no PER/DCOMP está incluído o crédito calculado sobre as despesas de armazenagem e frete nas operações de venda. No Dacon retificador relativo a janeiro de 2006, transmitido em 15/07/2013, véspera da apresentação da Manifestação de Inconformidade, a interessada informa nas Fichas 14 e 26B (PIS/Pasep) e 24 e 28B (Cofins) que o crédito de meses anteriores decorre exclusivamente de aquisições no mercado interno vinculado a receita não tributada no mercado interno. A interessada alega que sua atividade principal é o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo. Segundo a cláusula terceira do contrato social anexado com a Manifestação de Inconformidade, a sociedade tem como objetivo a comercialização e distribuição de produtos derivados de petróleo e álcool. Assim, especificamente em relação à gasolina e demais derivados de petróleo, a interessada pretende o ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por se tratar de produtos cujas vendas são tributadas à alíquota zero, na forma do art. 9º, inciso II, da IN SRF nº 594, de 26 de dezembro de 2005, que assim dispõe: Fl. 388DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Art. 9º A determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos de que tratam os incisos I a V do art. 1º, quando auferida: I - por produtor ou por importador, será efetuada mediante a aplicação das alíquotas de: a) 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44 % (vinte e três inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), respectivamente, no caso de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; b) 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), respectivamente, no caso de óleo diesel e suas correntes; c) 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento), respectivamente, no caso de GLP, derivado de petróleo ou de gás natural; (...)II - por distribuidor ou comerciante varejista, será efetuada mediante a aplicação da alíquota de 0% (zero por cento), no caso dos produtos relacionados nas alíneas “a” a “c” do inciso I. Com redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, o art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, instituiu a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre derivados de petróleo. Assim, a tributação pelas referidas contribuições sobre derivados de petróleo passou a ser concentrada nas figuras do produtor/importador. Inexistem dúvidas quanto à impossibilidade de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre os produtos sujeitos à incidência monofásica (concentrada) adquiridos para revenda por comerciantes atacadistas. Também é impossível se deduzir os créditos dessas contribuições calculados sobre os dispêndios com armazenagem e frete nas operações de venda de tais produtos pelos comerciantes atacadistas. Os créditos a que faz jus a pessoa jurídica sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, destinados a assegurar a não cumulatividade de suas incidências, estão arrolados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Dentre os créditos passíveis de serem descontados, destaca-se o previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que por força do art. 15, inciso II, dessa Lei deve também ser aplicado à Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1o-A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Fl. 389DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifei) E quais seriam esses “casos”? A lógica da não cumulatividade aplicada ao PIS e à Cofins consiste em que, a uma determinada receita, há a correspondente contribuição devida, calculada na forma do art. 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Dessa contribuição devida poderão ser descontados determinados créditos referentes a aquisições e despesas enumeradas no art. 3º das referidas leis. Considerando que os incisos do citado art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, cuidam exclusivamente de estabelecer hipóteses de creditamento da não cumulatividade das contribuições em voga, nada mais plausível que considerar que no inciso IX, ao se referir aos “casos dos incisos I e II”, a Lei mencionou as hipóteses de creditamento previstas em tais dispositivos, ou seja, os “casos” em que tais preceptivos permitem creditamento do PIS e da Cofins. Ao restringir a possibilidade de se descontar créditos do PIS e da Cofins sobre bens adquiridos para revenda, as exceções estabelecidas pelos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, referem-se à receita auferida pela pessoa jurídica revendedora de mercadorias na condição de substituta tributária e à revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada do PIS e da Cofins. Assim, com base na premissa interpretativa fixada, constata-se que as situações previstas nos referidos incisos não integram as hipóteses de creditamento por eles instituídas, e, portanto, também não integram a hipótese de creditamento prevista no inciso IX do mesmo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (não são “casos dos incisos I e II”). Deixa-se assente que a restrição à apuração de créditos do PIS e da Cofins conferida pela legislação em virtude de tributação monofásica diz respeito à possibilidade do desconto de que trata o inciso I do art. 3º das respectivas leis instituidoras (bens adquiridos para revenda) e o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo os créditos mecanismo de direito excepcional, tendente a reduzir o crédito tributário, cabe a utilização de interpretação restritiva. Corroborando o entendimento acima exposto quanto ao conteúdo normativo do inciso IX dos arts. 3º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, observa-se que, caso fosse a intenção do legislador autorizar o crédito para toda e qualquer operação de venda de produtos ou mercadorias, bastaria que o texto do inciso não contemplasse a delimitação “...nos casos dos incisos I e II ...”. Conclui-se, portanto, que somente a pessoa jurídica vendedora de produtos, cuja receita seja tributada no regime não-cumulativo às alíquotas de 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins, faz jus ao desconto de créditos calculados sobre as despesas com armazenagem de mercadoria e frete pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, nas operações de vendas, quando o ônus for por ela suportado. Não é o caso de tais dispêndios suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições, uma vez que estes já foram tributados, em fase única, com alíquotas diferenciadas (concentradas/monofásicas). Fl. 390DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Sobre essa matéria, a Coordenação-Geral de Tributação (Cosit) da Receita Federal do Brasil já se posicionou por meio da Solução de Divergência nº 2, de 13 de janeiro de 2017, publicada no DOU de 18/01/2017, cuja ementa referente à Contribuição para o PIS/Pasep foi assim vazada, e em igual sentido em relação à Cofins: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep: a) é permitida a apuração de créditos da contribuição no caso de venda de produtos produzidos ou fabricados pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de créditos da contribuição no caso de revenda de tais produtos, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de álcool, inclusive para fins carburantes: a) é permitida a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no caso de venda de produto produzido ou fabricado pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de crédito da contribuição, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou importadora do produto o adquire para revenda de outra pessoa jurídica produtora ou importadora do mesmo produto. É permitida a apuração de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep em relação à armazenagem de mercadorias (bens disponíveis para venda): a) produzidas ou fabricadas pela própria pessoa jurídica; ou b) adquiridas para revenda, exceto em relação à armazenagem de: b.1) mercadorias em relação às quais a contribuição tenha sido exigida anteriormente em razão de substituição tributária; b.2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica da contribuição, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos; e b.3) álcool, inclusive para fins carburantes, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou importadora de álcool, inclusive para fins carburantes, o adquire para revenda de outra pessoa jurídica produtora ou importadora do mesmo produto. (destaque do original) Posteriormente, a Cosit reiterou seu posicionamento quanto à impossibilidade de desconto de créditos do PIS e da Cofins calculados sobre despesas de frete e armazenagem na operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, conforme Solução de Divergência nº 05, de 23 de janeiro de 2017, asseverando que devem ser aplicadas integralmente as conclusões apresentadas na Solução de Divergência Cosit nº 2, de 2017. Destaque-se que, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, as Soluções de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB em relação à interpretação a ser dada à matéria. Fl. 391DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Desta forma, subtraindo-se das bases de cálculo informadas nos Dacon os valores das despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, tem-se os créditos objeto dos PER/DCOMP aos quais a contribuinte faz jus, conforme quadros a seguir: ... ... Em face do exposto, voto por considerar procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, conforme tabela acima, e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. Pelo exposto, adotando as mesmas razões de decidir do acórdão de piso, reproduzido acima, conheço do recurso voluntário e no mérito nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Voto Vencedor Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. Tendo sido designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, exponho na sequência o entendimento que prevaleceu no julgamento do Recurso Voluntário, no que diz respeito ao tópico “da possibilidade de créditos relativos a venda com gastos e despesas de armazenagem e frete na venda”, trazendo a cronologia dos fatos relevantes para o deslinde da decisão. Vê-se que o cerne da lide envolve a matéria que se consubstancia nas razões que motivou o recurso voluntário, e que gira em torno do direito ao crédito do PIS e da COFINS relativamente aos gastos com custos e despesas de armazenagem e frete na venda, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, combinado com o art. 15, II. De pronto, oportuno destacar o que a relatora fez consignar ao admitir o recurso: “toda a argumentação da recorrente é feita para a Contribuição COFINS, entretanto, dada a similitude no tratamento tributário de ambas as contribuições, e pelo princípio do formalismo moderado, que rege o processo administrativo fiscal entendo que deve ser admitido o recurso”. A Recorrente tem como atividade principal a comercialização de combustíveis cujos produtos possuem o tratamento diferenciado exposto na forma da Lei 9.990/2000 e IN SRF 594/2005. A controvérsia gravita no fato se as despesas com armazenagem e frete na venda, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, é passível do creditamento realizado pelo contribuinte, assim se deveria ser mantido ou não a glosa. Nesse sentido com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, discordo da sua conclusão em negar provimento ao recurso voluntário, filiando-se a decisão a quo que subtraiu das bases de cálculo informadas nos DACONs os valores das despesas de armazenagem e frete Fl. 392DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 nas operações de venda, adotando as mesmas razões de decidir do acórdão de piso, apregoado o § 3º do art. 57 do RICARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É importante ressaltar, conforme restou consignado no voto da relatora em citação ao que fora dito pelo Relator-Auditor Fiscal, que de fato inexistem dúvidas quanto à impossibilidade de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre os produtos sujeitos à incidência monofásica (concentrada) adquiridos para revenda por comerciantes atacadistas. Tal afirmativa pode se ancorar nas recentes decisões proferidas no Superior Tribunal de Justiça, podendo citar os EREsp 1.768.224/RS e EAREsp 1.109.354/SP, onde prevaleceu o entendimento do relator, ministro Gurgel de Faria (1ª Seção), que considerou que como não há incidência sucessiva das contribuições, é impossível tomar créditos de PIS e Cofins sobre produtos sujeitos ao regime monofásico de tributação. Importa destacar que as decisões das Turmas do STJ, vem entendendo que não cabe a tomada de créditos no regime monofásico tanto a aquisição de bens para revenda quanto a compra de insumos e a depreciação de bens do ativo imobilizado estão vinculadas a receitas que não foram tributadas, conforme preconiza o Inciso II do § 2º do Art. 3º das Leis 10.637 e 10.833: - Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Inclusive esse tema foi admitido como repetitivo pelo Min. Mauro Campbell, relator do (Resp nº 1894741). Todavia, o fato do distribuidor atacadista de produtos sujeitos ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, poder não descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, não impede que o mesmo distribuidor atacadista estando sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tenha o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, a pessoa jurídica distribuidora atacadista de produtos sujeitos à concentração tributária, que apure a Contribuição para o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo, ainda que a ela seja vedada a apuração de crédito sobre esses bens adquiridos para revenda, porquanto expressamente proibida nos art. 3º, I, “b”, c/c art. 2º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002, é permitido o desconto de créditos de que trata os demais incisos do art. 3º desta mesma Lei, desde que observados os limites e requisitos estabelecidos em seus termos. Fl. 393DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Neste particular, importa trazer à baila a ementa da decisão do Acórdão n.º 9303- 006.2191 , em decisão proferida pela 3ª Turma da CSRF, em sede de Recurso Especial, acórdão este citado no recurso voluntário da ora recorrente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003. Caminhou também nesse sentido o Acórdão nº 9303-007.500, em decisão proferida pela 3ª Turma da CSRF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme Art. 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Contudo para não citar outros tantos acórdãos, me filio entendimento do relator exarado no Acórdão nº 3402-002.520, publicado em 06/08/2020, proferido pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, e que foi alvo de Recurso Especial da PGFN no Acórdão: 9303- 004.311, onde se negou provimento, mantendo-se incólume o acórdão, no qual penso que bem retrata o entendimento da turma que por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário: Com efeito, segundo se colhe da decisão recorrida, houve o entendimento de que, considerando que haveria a restrição ao desconto de créditos sobre a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos a incidência monofásica das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, e, considerando estarem os fretes nas operações de venda vinculados à entrega destes mesmos produtos monofásicos, igualmente não poderia haver o desconto de créditos, eis que o dispositivo em questão (inciso IX, do art. 3°), reporta-se ao frete na operação de venda “nos casos dos incisos I e II”. Portanto, no entendimento da decisão de piso, se pelo teor do inciso I do art. 3°, da Lei de regência, não houver o direito ao crédito, igualmente não haverá o direito ao crédito sobre o frete na operação de venda. Tenho, no entanto e com a devida vênia dos julgadores da regional, que no caso em concreto a interpretação que foi dada ao preceito legal não é a que melhor atende às normas de hermenêutica e mesmo à sistemática não cumulativa da contribuição, havendo fundamentos para concluir de modo diversos, como passo a expor. Inicialmente, porque as empresas que dedicam-se à revenda de produtos sujeitos a incidência monofásica fazem parte daquelas pessoas jurídicas que sujeitam-se à não Fl. 394DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, pois que as receitas provenientes da comercialização de tais produtos são tributadas, porém, em função do regime de tributação concentrado pelo qual se aumenta a alíquota no fabricante ou importador, reduzindo-a a zero nos distribuidores atacadistas ou nos varejistas (caso da Recorrente). Assim, as revendas (distribuidores e atacadistas) de produtos monofásicos estão sujeitas a não cumulatividade, embora as receitas sejam tributadas à alíquota zero. Por tal razão, têm direito ao desconto dos créditos permitidos pela legislação, arrolados nos incisos III e seguintes do art. 3°, das Leis n° 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Cabe pontuar que quanto aos incisos I e II, do mesmo diploma, tratam-se dos créditos sobre os produtos para revenda, aqui analisados, e os bens e serviços utilizados como insumo (inc. II), os quais igualmente devem conceder o crédito, nas hipóteses legais pertinentes e de acordo com a atividade de cada contribuinte em particular, já que componentes da sistemática não cumulativa. Neste caso em particular, não estamos lidando com insumos, previsto no inciso II, já que o contribuinte não desenvolve atividade industrial ou de prestação de serviços. Pois bem, tenho que quando o inciso I do art. 3° em questão veda o direito ao desconto de créditos, o faz sobre os bens adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. A vedação legal à tomada de créditos refere-se expressamente à aquisição de bens, de modo que os “custos de aquisição” estão compreendidos na vedação ao crédito, devendo ser interpretado que neste “custo” estão englobados os dispêndios para trazer as mercadorias ao estoque de mercadorias para revenda, nos termos dos itens 9 e 10, do pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques. Esta Deliberação possui força de Lei e disciplina o Direito Privado, devendo ser observado pelo direito tributário, nos termos dos arts. 109 e 110, do CTN. Por outro lado, quando o inciso IX, do mesmo art. 3°, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03, permite o direito ao desconto de créditos sobre “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, está tratando de despesas comerciais, inerentes à venda das mercadorias, e não à dispêndios relativos à sua aquisição. Esses dispêndios de entrega dos produtos revendidos não agregam ao “custo de aquisição” das mercadorias, mas antes são despesas de vendas, não podendo ser abrangidas na vedação contida no inciso I, do mesmo dispositivo legal, pelo fato de consistir em outra operação de aquisição, relacionada com outra pessoa jurídica (que não o fornecedor de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal), que é o prestador dos serviços de transportes nas operações de entrega da mercadoria para o comprador, o qual é contribuinte das contribuições em questão sobre a receita do frete cobrado à Recorrente. Tenho que a menção existente no inciso IX, do art. 3°, em questão, quando reporta-se aos “casos dos incisos I e II”, visa firmar que o direito ao desconto de crédito será quando a armazenagem ou o frete na operação de venda tiver como objeto mercadorias para revenda ou bens ou produtos fabricados a partir dos insumos que ali estão especificados, independentemente do regime de sua tributação, não podendo abranger a armazenagem e o frete de bens que não se enquadrem como mercadorias para revenda e nem como bens ou produtos fabricados a partir dos referidos insumos (seria o exemplo de armazenagem ou transporte de bens do ativo imobilizado). Fl. 395DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.780 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903428/2012-28 Por tais razões, a interpretação que entendo deva prevalecer, por privilegiar o desígnio da não cumulatividade, é aquele que concede o direito ao crédito nas operações de armazenagem e frete nas operações de venda, desde que o frete tenha sido suportado pelo vendedor. Conclusão Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas relativas a despesas com armazenagem e fretes na operação de venda de produtos monofásicos, frisa-se despesa esta que tenha sido suportada pelo vendedor. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 396DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905418/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRE´DITO PRESUMIDO DE IPI. CUSTO DE AQUISIC¸O~ES DE PESSOAS FI´SICAS E DE COOPERATIVAS. ME´TODO ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276, DE 2001. INCLUSA~O. IMPOSSIBILIDADE.
A apurac¸a~o do cre´dito presumido pelo me´todo alternativo da Lei nº 10.276, de 2001, na~o admite, por expressa disposic¸a~o legal, a inclusa~o de custos relativos a aquisic¸o~es de na~o contribuintes das contribuic¸o~es PIS/Pasep e COFINS e na~o esta´ abrangida pelo entendimento definitivo do Superior Tribunal de Justic¸a relativo ao me´todo originalmente criado pela Lei nº 9.363/1996, que na~o trazia expressamente tal restric¸a~o.
Numero da decisão: 9303-011.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
(documento assinado digitalmente)
Nome do Redator - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator (documento assinado digitalmente) Nome do Redator - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 54 18 /2 00 9- 91 Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 Relatório Trata-se de Recurso Especial (e-fls. 293 a 306), interposto pela Fazenda Nacional, em 15 de outubro de 2020, em face do Acórdão nº 3401-007.907 (e-fls. 272 a 291), de 30 de julho de 2020, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. A decisão recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) 7/2004 a 30/09/2004 DE O CONTRIBUINTES DO PIS º, caput, da IN SRF nº 419/2004, amento tam na nos termos do REsp nº 993.164/MG, julgado sob o rito dos Recursos Repetitivos. Nos termos da Portaria MF nº comercial, a quantidade de MP, de -se a quantidade em estoque no in quantida - E IPI. BASE DE rec omo custo dos insumos adquiridos. Logo, deve ser excl o da - - ST). A. NCIA IL inci Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 de contas na compe Quanto à deliberação assim consta: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso. Votaram pelas concl G eto, Carlos Henriqu Branco e Mara Cristina Sifuentes ria pela Taxa Selic. Por intermédio do Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial (e-fls. 310 a 313), em 15 de dezembro de 2020, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu o recurso interposto pela Fazenda Nacional para a rediscussão da seguinte matéria: “ de insumos de p 10.276/2001”. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De acordo com o despacho de admissibilidade, vota-se pelo conhecimento. A matéria cinge-se à possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, no caso do regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Na decisão recorrida entendeu-se que as aquisições de insumo junto a pessoas físicas e cooperativas devem integrar a base de cálculo presumido de IPI, mesmo tendo o Contribuinte optado pelo regime alterativo de cálculo previsto na Lei nº 10.276/2001. A Fazenda Nacional entende de forma contrária. Sustenta seu entendimento da seguinte forma: - c gra insculpida na Lei nº 9.363/96 e aquela prevista na Lei nº 10.276/2001. Com efeito, na Lei nº regra expressa no sentido de que apenas PIS/COFINS. Diversamente, na Lei nº 10.276/2001 o comand o presumido de IPI os custos PIS/COFINS. o legal prevista no art. 1º, § 1º da Lei nº 10 cooperativas n ncid Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 Com efeito, faz-se im - rial de embalagem, aplicados na industr ofri -somente na etapa imediatamente anterior da c multicitado art. 1º, § 1º da Lei nº 10.276/2001. Depreende-se do diploma normativo supra transcrito que “ que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991. Ora, somente pode-se ressarcir aquilo que foi despendido. - o l perquirir se, na a ocorre quando o estabelecimento produtor exportador adquire insumos de pes o do – MICT). - e em s ido do IPI lo alternativa prevista na Lei nº 10.276 º, § 1º). Em análise da matéria verifica-se assistir razão à Fazenda Nacional. Esta matéria já foi objeto de deliberação por esta Turma no Acórdão nº 9303- 010.656, de 15 de setembro de 2020, de relatoria do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) - 2003, 2004 S ernativo da Lei nº 10.276, de e relativo a trazia expressamente tal restr . No Acórdão nº 9303-010.662, de 15 de setembro de 2020, de relatoria do il. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, firmou-se o entendimento do qual se compartilha. Cita-se trechos como razões para decidir de acordo com o previsto no art. 50, § 1° da Lei n° 9.784, de 29/01/1999: Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 - regime alternativo da Lei 10.276, de 2001 Consta dos autos que o processo de Pedido de Ressarc presumido do , de 2001, referente ao 1º ao 4º Tri/de 2003. mercadorias exportadas, , e di u assentado que permite o ap 10.276/2001, discute-se o direito calc - 1 – Negar o direito, ao argumento dir art. 1º: § 1º A base de seguin caput: (ressaltou-se) 2 – Per na Lei 9.363/96 seria a permitido pelo Superior Trib – recent ndimento, conforme passo a fundamentar. afeta apenas o regime especificado n presumido previsto na Lei 10.276/2001, pela vinculante, por dois motivos. (a) Primeiramente, pelo alcance do REsp 993.164, tendo e tratado e a Lei n° 9.363, de 1996, que foi considerada ilegal, sem expandir o julgamento para normas posteriores. (b) Adicionalmente, o resumido em si, nas formas dadas por cada lei, tendo em vista o fato de que: - – c – ustos, , Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 - enquanto, na Lei n° 10.276, de 201, essa re Alcance do REsp 993.164 -3, referentes ao mesmo processo objeto do REsp em comento, n° 993.164 utomaticamente expandido, para PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORI C DO DECISUM PARA ABARCAR A DEC VALOR DA CAUSA (R$ 500,0 - – - : at subordinando-se aos limites do texto legal. (...) produtos ori . Fl. 325DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 endo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia n - - inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal (...) que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/9 - pela COFINS - - - processo produtivo (art. 2o), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). - Normativa 23/97, q Mas no presente caso, conforme veremos, 10.276, de 2001. art. 1º da Lei 9.363, de 1996 ionalidade dessa parte da Lei 9.363, de 1996. Claro que, se no REsp se entendesse que tal dispos Pode - - Lei n° 9.363, de alternativamente pelas Leis n° 9.363, de 1996, e 10.276, de 2001. -s - “ caput do art. 1º Fl. 326DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 onde Art. 1º A empresa produtora e Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, - produtivo. Por outro lado, para especificamente definir como “ : Art. 2º d - (ressaltou-se) Disso, conclui-se, assim como fez o STJ, que, nos termos do procedimento definido pela Lei n° 9.363, de 1996: ; e ME. , de MP, PI e Vejamos, agora, a Lei n° 20.276, de 2001. Na Lei 10.276, de 2001, cumulativas inclusas no custo de seus insumos, conforme se depreende de seu art. 1°: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996 m presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relat (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. conforme art. 1o, § 1o, a seguir reproduzido. Art. 1º ... Fl. 327DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 § 1º seguintes custos, sobre os quais referidas no caput: (ressaltou-se) “valor “ presente na Lei 9.363/96 e ausente na Lei 10.276/2001, que o re “custos, a diferentes. “ conforme a ementa: a - - - l dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2o), sem condicionantes" (ressaltou-se) para o julgamento de seu legislador, seja por a Consi que configuram. Com efeito, apesar de existirem outros julgados do STJ concedendo o me s 10.276/2001. Todavia, caso haja eventual julgamento vincu STJ, d - inconstitucionalidade da Lei 10.276/2001 i ia da Lei 10.276/2001. Fl. 328DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-011.706 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10665.905418/2009-91 dar provimento ao Recurso Especial interpo Com essas razões, vota-se por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720115/2010-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 9101-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e sobrestar o presente processo, para que se aguarde a decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo nº 13116.722101/2011-41.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Relatório
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e sobrestar o presente processo, para que se aguarde a decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo nº 13116.722101/2011-41. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-13T21:00:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-13T21:00:59Z; Last-Modified: 2018-08-13T21:00:59Z; dcterms:modified: 2018-08-13T21:00:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:747cf24f-2f12-439f-89b2-43afc508e96c; Last-Save-Date: 2018-08-13T21:00:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-13T21:00:59Z; meta:save-date: 2018-08-13T21:00:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-13T21:00:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-13T21:00:59Z; created: 2018-08-13T21:00:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-08-13T21:00:59Z; pdf:charsPerPage: 1575; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-13T21:00:59Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 543 1 542 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13116.720115/201049 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9101000.064 – 1ª Turma Data 4 de julho de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e sobrestar o presente processo, para que se aguarde a decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo nº 13116.722101/201141. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão nº 1402002.247, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .7 20 11 5/ 20 10 -4 9 Fl. 543DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 544 2 Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. SALDO NEGATIVO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR COM UTILIZAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tendo sido lavrado auto de infração referente ao mesmo período de apuração do saldo negativo pleiteado, se no momento da autuação a autoridade fiscal se utiliza do saldo negativo na apuração do imposto a lançar de ofício, não se pode homologar as compensações pleiteadas, sob pena de duplicidade de utilização do mesmo saldo negativo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NÃO CONFIRMAÇÃO DA LEGITIMIDADE OU SUFICIÊNCIA DO CRÉDITO INFORMADO EM DECOMP. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. Aplicase a multa prevista nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, não há ilegalidade no ato que não homologou a compensação declarada com fundamento na utilização do pretendido saldo negativo de IRPJ, deduzindoo do imposto lançado de ofício. Ciência do contribuinte no dia 22/08/2016, à efl. 447. Recurso Especial interposto no dia 06/09/2016, à efl. 448. Nessa oportunidade, suscita divergência interpretativa em relação aos acórdãos nº 1302001.394 e 1801002.020, ofertados como paradigmas. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: 1) a controvérsia travada nestes autos decorre da constituição de crédito tributário de IRPJ, controlado no processo administrativo nº 13116.722101/201141, relativamente ao mesmo período no qual se apurou o recolhimento a maior do tributo em DIPJ e cujo saldo negativo foi utilizado nas Declarações de Compensação ora em debate; 2) é patente a arbitrariedade do acórdão recorrido, que desconsiderou, sem qualquer justificativa legal, a apuração do imposto realizada regularmente pela recorrente, atropelando os trâmites e garantias elementares do devido processo legal, da ampla defesa e, inclusive, do princípio da legalidade, ao pretender tornar definitivo o ato administrativo de lançamento sem que tenha havido a efetiva análise pelas instâncias julgadoras revisoras; 3) o lançamento fiscal está pendente de julgamento final na esfera administrativa, o que significa dizer que não possui o condão de desconstituir a apuração do IRPJ promovida pela recorrente, a tornar certa a inexistência de saldo negativo objeto das compensações; Fl. 544DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 545 3 4) enquanto não houver o julgamento definitivo do processo administrativo n° 13116.722101/201141, o saldo negativo de IRPJ, utilizado como crédito nas compensações ora em exame, ao contrário do quanto alegado pela autoridade fiscal, é certo e líquido e, por isso, pode ser objeto de compensação, nos termos do artigo 170, do CTN; 5) o crédito tributário de IRPJ relativo ao exercício de 2009 já estava extinto em razão dos pagamentos antecipados efetuados, referentes às estimativas mensais do imposto, conforme comprovantes de arrecadação que compõem o crédito que se pretende compensar (documentos acostados às fls. 100,105,177 e 182 e demais comprovantes de arrecadação juntados à manifestação de inconformidade); 6) assim, concluise pela plena possibilidade de homologação das compensações declaradas, considerando que o lançamento suplementar do tributo, objeto do processo administrativo n°13116.722101/201141, está pendente de decisão administrativa definitiva, o que impede a sua cobrança prematura, efetuada por via transversa pela autoridade fiscal, em atenção ao disposto nos artigos 150, § 1º, e 151, III, ambos do CTN, e aos princípios da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e da legalidade, devendo, assim, ser reformado o acórdão ora guerreado; 7) cumpre demonstrar a efetiva existência de saldo negativo decorrente da apuração do IRPJ, no exercício de 2009, que embasa o procedimento adotado, ressaltandose que as estimativas de janeiro e fevereiro de 2008 não haviam sido recolhidas tempestivamente e constavam como débitos no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB), o que ensejou a adesão da recorrente ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009; 8) contudo, por problemas operacionais no cumprimento das etapas subsequentes do programa de parcelamento, os débitos da recorrente não foram incluídos no saldo parcelado, o que motivou o recolhimento à vista da integralidade dos valores devidos, acrescidos de multa e juros; 9) dessa forma, os créditos de saldo negativo utilizados pela recorrente possuem lastro documental e contábil, o que lhe faculta a compensação, em conformidade com o artigo 72, inciso IV, da IN RFB nº 900/2008, e artigo 83, inciso IV, da IN FRB n° 1300/2012, vigentes à época do envio das declarações; 10) o recolhimento extemporâneo dos valores referentes às estimativas do IRPJ devido no exercício de 2009 não possui o condão de descaracterizar a integralidade do crédito utilizado, uma vez que a apuração do saldo negativo utilizado, caso consideradas as antecipações efetuadas (o que de fato ocorreu, consoante os comprovantes apresentados), está em conformidade com a legislação aplicável; 11) ultrapassadas as considerações acerca da existência do crédito glosado, passase ao ponto em que se impõe demonstrar e comprovar a inexistência de dano ao Erário, ante a regularidade do procedimento efetuado e o recolhimento, mesmo que extemporâneo, das estimativas de IRPJ de janeiro e fevereiro de 2008 que originaram o saldo negativo utilizado; 12) sendo assim, não se mostra possível outra alternativa à autoridade fiscal que não a de perquirir exaustivamente os fatos e as causas que ensejaram a declarada existência do direito creditório pretendido. Tal entendimento visa consagrar o princípio da verdade material Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 546 4 na esfera administrativa, corolário máxime dos princípios norteadores da Administração Pública; 13) sem prejuízo das razões apresentadas nos tópicos anteriores, que corroboram o crédito utilizado, cabe à recorrente impugnar a imputação de multa efetuada pela autoridade fiscal em franca violação a diversos princípios constitucionais norteadores do ordenamento jurídico pátrio; 14) a aplicação de multa isolada de 50% para o simples caso de não acolhimento do pedido de compensação, sem qualquer comprovação de dolo, fraude ou má fé, viola os mais comezinhos princípios jurídicos aplicáveis ao tema de sanções administrativas, pois a utilização do saldo negativo do tributo apurado, para realização de compensações, é expressamente prevista em lei e decorrente da antecipação das estimativas mensais, no regular exercício da atividade empresarial produtiva; 15) o simples exercício da compensação previsto em lei, por si só, não justifica ou dá suporte jurídico à criação de uma penalidade. O fato de o Fisco não reconhecer o direito não pode ser reconhecido como um ilícito em decorrência da ausência de conduta dolosa, fraudulenta ou abusiva. É preciso mais para permitir tamanha penalidade (multa isolada de 50%); 16) é imperioso ressaltar que, no caso de compensação, eventual valor indevidamente utilizado e glosado causará a confissão imediata do tributo, resultando na cobrança do principal, bem como de juros pela taxa Selic e multa moratória de até 20% (vinte por cento). Portanto, não há prejuízo ao Fisco, uma vez que o valor é acrescido de juros, além de existir a possibilidade de se impor multa moratória em patamar razoável; 17) sem prejuízo desse fato, é importante destacar a abusividade do percentual aplicado relativamente à multa isolada (50% cinquenta por cento do crédito não homologado), em violação a diversos princípios jurídicos; 18) as multas em questão devem se ater a percentuais que somente punam a recorrente (10% a 20% do valor do imposto supostamente devido), sem significar confisco ou enriquecimento ilícito do Fisco). Por todo exposto, requer a recorrente seja admitido, processado e provido o presente Recurso Especial, reformandose integralmente o acórdão recorrido, adotandose o entendimento nos firmado acórdãos paradigmas retromencionados para cancelar as cobranças efetivadas pela autoridade fiscal, e declaradas homologadas a totalidade das compensações declaradas. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 03/10/2016, à efl. 531. Contrarrazões apresentadas em 13/10/2016, à efl. 536. Nessa oportunidade, expõe as seguintes razões em oposição ao apelo do sujeito passivo: 1) no momento da lavratura do auto de infração, há de se observar se há saldo negativo disponível. Caso afirmativo, deverá a autoridade fiscal, na lavratura do auto de infração, levar em consideração o saldo negativo de IRPJ, deduzindoo do valor a ser lançado. Com tal procedimento, evitase a cobrança do tributo, com multa de ofício, que já está em poder do Fisco; 2) nessa hipótese, como bem observou o acórdão recorrido, se o contribuinte vier a apresentar PER/Dcomp após a lavratura do auto de infração, somente se pode seguir Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 547 5 adiante, na análise do pedido de restituição/compensação, quando já houver decisão administrativa a respeito da lavratura do auto de infração; 3) no caso concreto, a transmissão da PER/Dcomp se deu antes da lavratura do auto de infração. Contudo, a autoridade fiscal lançadora utilizou o suposto saldo negativo do contribuinte para deduzir o IRPJ lançado de ofício. Nesse cenário, se a PER/Dcomp transmitida pela recorrente for homologada, estarseá diante de dupla utilização do mesmo crédito, o que não se pode admitir; 4) por outro lado, já havendo decisão do CARF quanto ao recurso voluntário do processo principal, nada impede que se realize também o julgamento do recurso voluntário referente ao pedido de restituição/compensação, devendose, contudo, determinar o apensamento dos autos para que os efeitos de eventual reforma no processo relativo ao auto de infração sejam automaticamente replicados, na execução do acórdão referente ao processo de restituição/compensação, execução essa que deverá aguardar a decisão administrativa irreformável, em relação ao lançamento de ofício; 5) como bem ressaltado no julgado atacado, o contribuinte não é prejudicado com a utilização do saldo negativo de IRPJ, na dedução do lançamento de ofício, uma vez que, naqueles autos, deixouse de aplicar penalidade de 75% sobre todo o saldo negativo aproveitado de ofício, ao passo que, tratandose compensação não homologada, é cobrada multa moratória de 20% e multa isolada de 50%, ambas sobre os débitos cuja homologação não venha a ser homologada; 6) por fim, é imperioso destacar que, mesmo que houvesse a extinção do crédito tributário lançado de ofício, mediante pagamento, o cenário não se alteraria, pois, conforme já salientado, já se deduziu o saldo negativo na realização do lançamento. Ante o exposto, pugna a Fazenda Nacional pelo desprovimento do Recurso Especial, mantendose o acórdão proferido pela Turma a quo. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente recurso é tempestivo. No entanto, cabe prosseguir no exame da existência de divergência interpretativa, para fins de aferição dos requisitos de recorribilidade. Com efeito, a recorrente trouxe à baila os acórdãos nº 1302001.394 e 1801 002.020, ao intento de demonstrar dissídio exegético em relação ao acórdão recorrido. No voto condutor do acórdão recorrido nº 1302001.394, mostrouse a seguinte situação fática: "No caso, a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação ao auto de infração de IRPJ, e esse auto foi declarado improcedente.pela 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro. Houve posterior interposição de recurso de oficio, razão porque o débito nele lançado somente poderia ser considerado definitivamente constituído após o encerramento da discussão quanto a sua regularidade. Assim, enquanto não encerrada a discussão administrativa relativa ao auto de infração relativo ao IRPJ de 2002, não há débito constituído capaz de impedir o aproveitamento do credito relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no mesmo ano calendário de 2002. Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 548 6 Portanto, também por essa razão, qual seja, a inexistência de débito já definitivamente constituído relativo ao IRPJ de 2002, deveriam os pedidos de restituição e de compensação protocolizados pela Recorrente ser homologados pela Receita Federal. Já no acórdão recorrido, o estado de fato nele versado também diz respeito à pendência de decisão administrativa a ser proferida nos autos do processo que controla o auto de infração, a teor do seguinte trecho: "No caso concreto, a transmissão da Dcomp se deu antes da lavratura do auto de infração. Contudo, a autoridade fiscal lançadora utilizouse do suposto saldo negativo do contribuinte para deduzir o IRPJ lançado de ofício. Nesse cenário, se a Dcomp transmitida pela Recorrente for homologada, estarseá diante de dupla utilização do mesmo crédito, o que não se pode admitir. O lançamento em questão foi analisado pelo CARF na sessão de 27 de agosto de 2014, tendo sido mantida a exigência do IRPJ lançado, exonerandose tão somente as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas (Acórdão 1401001.255). Opostos embargos de declaração, na sessão de 01 de fevereiro de 2016, os mesmos foram rejeitados (Acórdão 1401001.516). Alega a Recorrente que haveria de se aguardar a decisão definitiva naqueles autos para que se pudesse analisar o mérito da presente lide. Discordo de tal entendimento. Tal decisão não necessita ser definitiva, bastando que ambos os processos ao menos estejam na mesma fase processual, tal qual ocorreria se os autos estivessem apensos (situação em que ambos seriam julgados na mesma sessão). Saliento que o atual Regimento Interno do CARF, em seu art. 6º, § 6º, corrobora tal entendimento ao determinar que, Art. 6º. [...]§ 6º. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. [grifo nosso] Assim, já havendo decisão do CARF quanto ao recurso voluntário do processo principal, nada impede que se realize também o julgamento do recurso voluntário atinente ao pedido de restituição/compensação, devendose, contudo, determinar o apensamento dos autos para que os efeitos de eventual reforma no processo relativo ao auto de infração sejam automaticamente replicados na execução do acórdão referente ao processo de restituição/compensação, execução essa que deverá aguardar a decisão administrativa irreformável em relação ao lançamento de ofício." Como se pode ver, no acórdão nº 1302001.394, ofertado como paradigma, deliberouse no sentido de que, enquanto não encerrada a discussão administrativa referente ao auto de infração relativo ao IRPJ de 2002, não há débito constituído capaz de impedir o aproveitamento do credito relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no mesmo ano calendário de 2002. Distintamente, o acórdão recorrido seguiu a trilha de acordo com a qual, já havendo decisão do CARF quanto ao recurso voluntário do processo principal, impõese a juntada dos autos para que os efeitos de eventual reforma, no processo relativo ao auto de infração, sejam automaticamente replicados na execução do acórdão referente ao processo de restituição/compensação, execução essa que deverá aguardar a decisão administrativa Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 549 7 irreformável em relação ao lançamento de ofício. Diante, pois, de situações fáticas similares refletidas nos acórdãos cotejados, nos quais foram adotadas soluções diferentes, é inevitável que se conclua pela existência de dissídio interpretativo. Por outro lado, a recorrente trouxe à baila o acórdão nº 1801002.020, também com o fito de demonstrar divergência interpretativa, em cotejo com o acórdão recorrido. Para o necessário confronto, expõese a seguir trecho elucidativo do voto condutor do citado acórdão nº 1801002.020: "A questão deduzida nos autos diz respeito à possibilidade (ou não) de que um determinado saldo negativo seja reduzido em razão da não homologação de compensações transmitidas para a quitação de estimativas mensais. Peço vênia para discordar do voto da E. Relatora, Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. De acordo com o art. 156, II, do CTN, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que as estimativas mensais compensadas devem ser consideradas efetivamente pagas até que sobrevenha decisão administrativa definitiva que não homologue a compensação. Com efeito, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, o crédito tributário exigido em razão da não homologação da compensação tem a sua exigibilidade suspensa até decisão final na esfera administrativa, nos termos da Lei nº 9.430/96: [...]Em assim sendo, por haver possibilidade de homologação das compensações, o pagamento da estimativa mensal deve ser considerado na apuração do saldo negativo. A desconsideração dos valores que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de recurso administrativo contra a não homologação de compensação afigurase ilegítima, e por uma singela razão: se o débito está com a exigibilidade suspensa, o mesmo não pode ser cobrado do contribuinte. Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o débito de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL compensado tem a sua exigibilidade suspensa, de modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o que também impede a cobrança indireta desse débito mediante redução do saldo negativo formado ao final do período de apuração. De todo modo, mesmo que haja decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda sim esta parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo. É que, em caso de não homologação da compensação, o respectivo crédito tributário será regularmente exigido do contribuinte através de execução fiscal, que, quando paga (voluntária ou forçadamente), irá impor a recomposição do saldo negativo. Em qualquer hipótese, portanto, o débito de estimativa objeto de compensação não homologada deverá ser considerado na formação do saldo negativo, como bem observado por José Henrique Longo: [...]A conclusão acima é irretocável já que o entendimento da Receita Federal de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – caracteriza dupla cobrança do mesmo crédito tributário, uma vez que: (i) de um lado, o Fisco estará desconsiderando o pagamento da estimativa mensal e reduzindo o saldo negativo pleiteado no PER/DCOMP, o que acarretará a não homologação das compensações que aproveitaram tal crédito; (ii) de Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 550 8 outro lado, o Fisco também irá exigir do contribuinte a estimativa mensal quitada através da compensação não homologada pela via da execução fiscal. Em outras palavras o contribuinte terminará quitando duas vezes o mesmo débito: (i) mediante a redução do saldo negativo e (ii) pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada). Corroborando esse posicionamento, a CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal também declarou seu entendimento sobre o assunto, através da Solução de Consulta Interna (Cosit) nº 18: “Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União. Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança da multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” [...]Portanto, as estimativas cujo adimplemento se deu por compensação devem ser consideradas como pagas em qualquer hipótese, até porque, caso ao final não sejam homologadas, nenhum prejuízo advirá ao Fisco, que poderá exigir o débito decorrente da não homologação através de execução fiscal. O que não se pode admitir, a toda evidência, é a dupla cobrança da estimativa mensal paga por compensação que venha a ser futuramente não homologada, pela dedução na composição do saldo negativo, e a posterior execução do débito compensado cujo crédito não foi reconhecido." O voto condutor do acórdão nº 1801002.020 patenteia situação fática em que certo contribuinte não obteve êxito em decisão de primeira instância, que não acolheu manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação, em virtude de não se confirmar a totalidade das estimativas declaradas em DIPJ. Parte dessas estimativas, por sua vez, decorria de outras compensações. Não homologadas essas últimas, as estimativas resultaram insuficientes à composição do direito creditório que o contribuinte apresentou no encontro de contas com débitos próprios. Para o voto condutor do antedito acórdão ofertado como paradigma, as estimativas objeto de compensação devem ser consideradas como pagas, ainda que a compensação não seja homologada. Nessa ordem de ideias, o contribuinte faria jus ao direito creditório levado ao encontro de contas. Por óbvio, a situação fática em foco no acórdão nº 1801002.020, ofertado como paradigma, não mantém ponto de contato por similaridade com o acórdão recorrido, que espelha o caso de negativa de homologação calcada na existência de auto de infração pendente de decisão administrativa definitiva. A impossibilidade de transplante, para o acórdão recorrido, das razões de decidir favoráveis ao contribuinte, consideradas no acórdão ofertado como paradigma, obsta a cognição do recurso, diante da inquestionável inexistência de Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13116.720115/201049 Resolução nº 9101000.064 CSRFT1 Fl. 551 9 similitude fática. Assim, à vista do exposto, não se deve admitir o acórdão nº 1801002.020 para fins de comprovação de dissídio interpretativo. Nesse cenário, sabendose, contudo, que o acórdão nº 1302001.394 serviu ao propósito de sustentar a divergência interpretativa para contextos factuais similares, devese conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo com base no citado acórdão. Mérito Segundo o Despacho decisório, a compensação vindicada não pôde ser homologada em razão da falta de confirmação do recolhimento das estimativas de janeiro e fevereiro de 2008. Impugnado o Despacho Decisório, sobreveio resolução da DRJ com a determinação de diligência para verificar a procedência dos fatos mencionados pelo sujeito passivo, no sentido de que o crédito de saldo negativo empregado na compensação pretendida possuía lastro em documentos e na escrita contábil. Na realização da diligência, a autoridade fiscal deparouse com o que lhe pareceu infração à legislação tributária do IRPJ, o que a levou, por dever de ofício, a lavrar auto de infração com a exigência do crédito tributário então constituído, controlado no processo administrativo nº 13116.722101/201141. Conforme o Demonstrativo de Apuração do IRPJ, às efls. 210/212, em razão das infrações constatadas, apurouse saldo de IRPJ a pagar, relativo ao anocalendário de 2008, no valor de R$ 30.959.030,60, já deduzido o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 13.148.004,17, pleiteado pela recorrente. Esclareçase que, até hoje, o auto de infração em lume está pendente de decisão administrativa definitiva. No momento, o processo administrativo nº 13116.722101/201141 consta na carga do Conselheiro Gérson Macedo Guerra, para quem foi distribuído em 03/04/2018 com vistas a julgamento de recurso especial interposto. Em face do obstáculo erigido pelo citado auto de infração à homologação da compensação apreciada nos presentes autos, mostrase irretorquível que o julgamento do feito aqui controlado deve aguardar a decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo nº 13116.722101/201141, já que ambos estão sob a jurisdição desta 1ª Turma da Câmara Superior. Isso porque É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.911533/2017-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do fato gerador: 31/12/2005
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem
pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício
pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando
presentes os seus requisitos.
Numero da decisão: 3302-007.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 15 33 /2 01 7- 61 Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911533/2017-61 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) transmitido eletronciamente, referente a PIS indevidamente recolhida. A Derat São Paulo indeferiu o pedido por meio do despacho decisório, com o seguinte fundamento: “o crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição.” Cientificada dos lançamentos, a contribuinte, tempestivamente, apresentou sua defesa, para afirmar que após a transmissão do PER, teria transmitido a Declaração de Compensação identificada, com base no mesmo pagamento indevido. Alegou que teria retificado a DCTF posteriormente à transmissão do PER, evidenciando o pagamento a maior. Na conclusão, o contribuinte solicitou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos, a reforma o despacho decisório, de forma a afastar o indeferimento da restituição, e a juntada de novos documentos. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sustentando, preliminarmente, que não haveria que se falar em suspensão de exigibilidade de crédito, já que não há débitos passíveis de cobrança. Também afastou a possibilidade de juntada posterior de documentos. Na decisão, foi observado que o valor total requerido no PER ora analisado havia sido solicitado através de Declaração de Compensação, não restando saldo passível de restituição. Registrou ainda que não caberia rediscutir o mérito do direito creditório nesses autos, posto que tal análise teria ocorrido em outro processo administrativo, referente a Dcomp, devidamente identificados. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alega que o Pedido de Compensação referido na decisão da DRJ, que teria utilizado o crédito pleiteado, perdeu seu objeto, uma vez que os débitos correspondentes foram incluídos no Refis. Sustenta que aquela Dcomp não foi efetivamente homologada. Assim sendo, o direito ao ressarcimento remanesceria. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911533/2017-61 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.425, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.911543/2017-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.425): O Recurso Voluntário foi juntado aos autos em 21/03/2018, depois da ciência ocorrida em 23/02/2018, portanto a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. I – Mérito: Infere-se do presente processo que o contribuinte pode até ter razão quando expressa o seu inconformismo contra o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação dele objeto, por ter comprovado que o pedido de compensação no qual a Delegacia disse que estava incluído, entre outros valores, o indébito em questão, não produziu os efeitos a que se destinava, ou seja, a utilização do indébito. Todavia, como o motivo determinante da negativa do pedido de compensação invocado, se deu pela mesma razão, ou seja, porque os valores respectivos já haviam sido alvo de aproveitamento, através de um terceiro pedido de compensação, da mesma forma, improvado o direito à compensação. Não se trata de inversão do ônus da prova, mas do ônus original. Quem pleiteia a restituição de indébito tributário deve provar (a) que efetuou o pagamento: o contribuinte comprovou; (b) que o pagamento foi indevido, o contribuinte provou. Mas também está sujeito à comprovação de que não havia feito compensação anterior. Este último requisito não ficou comprovado nos autos. O contribuinte até conseguiu comprovar que o aproveitamento através do PER/DECON 32882.55549.251109.1.3.04-0809 foi anulado com a sua não homologação e com o subsequente pedido de parcelamento. Só que a não homologação do citado evento se deu praticamente pelo mesmo motivo: ou seja, os valores pretendidos já haviam sido compensados. Restou, pois, comprovar que, no primeiro Pedido de Compensação, não estava incluído valor de R$ 241.893,33. Destarte, apesar de tudo, mesmo que não seja porque o valor cuja compensação pretendida no presente processo tenha como base um pagamento indevido (disto parece não pairar dúvida), a verdade é que o desenlace envolve o exame, a um só tempo, de três pedidos de compensação, todos envolvendo pagamentos indevidos, parte dos quais é o indébito de que cuidam os presentes os autos. O contribuinte conseguiu se desincumbir de provar que o II Pedido de Compensação foi anulado, mas não produziu prova de que, no I, não estivesse, igualmente, inserido o valor a repetir. II - Da matéria de ordem pública: Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratar-se de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911533/2017-61 consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade. Consta que a declaração de compensação foi entregue no dia 16.10.2009. A decisão que declarou não compensável o referido indébito fiscal foi proferida em 05/04/2017 e a ciência se deu em 13/04/2017. Em consequência tornou-se definitiva, por homologação tácita, a compensação levada a cabo pela empresa contribuinte. Assim sendo, embora o argumento não tenha sido deduzido pela contribuinte, na duas fazes em que interveio nos autos (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), em obediência ao disposto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 entendo homologada tacitamente a referida compensação, e, em razão disto, tornou-se definitiva. Os acórdãos: 3003-000.068 e 3003-000.196 revelam a existência de precedentes, no sentido de que a decadência e a prescrição, por serem matérias de ordem pública, podem ser reconhecidas de ofício, a qualquer tempo, pelas autoridades julgadoras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por setratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05.APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL-COFINS Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. (Acórdão nº 3003-000.068). (grifou-se) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911533/2017-61 Por se tratar de matéria de ordem pública, a prescrição pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 11. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de apreciação de recurso, uma vez que, nesse caso, a exigibilidade do crédito está suspensa ex vi do art. 151, III, do CTN. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. AUTO COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS NORMATIVOS. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito, reconhecido por decisão judicial, exigia a apresentação de pedido instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal, com a consequente cobrança dos débitos indevidamente compensados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1997 PIS/PASEP. AUDITORIA EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. Recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, assim como a realização do encontro de contas consistente da compensação. Não há como ser afastada a autuação quando não restou comprovada, por meio da escrita fiscal, a compensação alegada. (Acórdão nº e 3003-000.196). (grifou-se) A hipótese é de decadência, uma vez que versa sobre homologação de compensação efetuada pela contribuinte, que a autoridade fiscal podia revisar no prazo de 5 (anos), findo o qual torna-se definitiva a extinção ocorrida sob condição resolutória. O dispositivo em comento tem o seguinte teor: “5 o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Pelos motivos acima, meu voto é pelo conhecimento e provimento do Recurso. É como voto. Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911533/2017-61 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720074/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase o presente processo de Representação para formação de processo apartado, para desentranhamento de provas em cumprimento da decisão judicial nos autos do agravo de instrumento de nº 100175030.2015.4.01.0000. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 07 4/ 20 13 -9 9 Fl. 26008DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.623 2 Em cumprimento à referida decisão, foram apartados do processo 16004.720074/201399 as provas decorrentes de quebra de sigilo, bem como o respectivo crédito apurado com base nelas. Ocorre que o TRF da Primeira Região o julgou prejudicado o Agravo de Instrumento n. 100175030.2015.4.01.0000 em razão da existência de decisão de mérito no Mandado de Segurança n. 100501877.2015.4.01.3400. A referida sentença foi proferida em 20.02.2017 e negou a segurança pleiteada pelo Impetrante, tendo sido objeto de recurso de Apelação pendente de julgamento. Necessário ressaltar ainda que sobre este exato tema, o Supremo Tribunal Federal proferiu no julgamento no âmbito das ADIs nº 2390, nº 2386, nº 2397 e nº 2859 e do RE nº 601.314 (repercussão geral), em que consolidou a tese acerca da possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes mesmo sem autorização judicial. Em razão disso, o presente processo administrativo, foi distribuído em 29 de novembro de 2017 para Relatoria do Conselheiro Rafael Gasparello Lima, integrante da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara e Turma da 1ª Seção. Dessa feita, para que não ocorressem decisões conflitantes entre processos oriundos de uma mesma fiscalização, entendeu esta Turma ser caso de conexão dos feitos ao processo de minha Relatoria, em razão da primeira distribuição do feito nº 16004.720074/201399, nos termos do que dispõe os §§ 1º, 2º e 3º do artigo 6º do RICARF. Assim,. nos autos do Processo n. 16004.720074/201399 foi proferida a Resolução de nº 1401000.519, para que a Secretaria desta Seção promovesse a apensação do presente processo ao principal. Desta feita, tratandose o presente processo de lançamento para cobrança de parte do crédito constituído originalmente no Processo n. 16004.720074/201399, e estando o presente processo (16151.720094/201708) apenso ao principal e sendo julgado na mesma assentada, por conseqüência lógica, adotarei relatório e voto do processo principal, os quais transcrevo abaixo: 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que manteve o crédito tributário decorrente basicamente, de omissão de receita, insuficiência de declaração e recolhimento do IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP, recursos oriundos da sonegação fiscal, dentre outros, ressaltando a caracterização da condição de sujeição passiva solidária dos sócios e da Pessoa Jurídica (LP Administradora de Bens). Tais práticas são referentes ao ano calendário de 2008/2009/2010, conforme valores descriminados na tabela abaixo – (Fls. 2.304 dos autos): IRPJ VALOR DO CRÉDITO R$ 35.775.692,73 JUROS R$ 10.958.231,38 MULTA R$ 53.663.539,13 Fl. 26009DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.624 3 VALOR TOTAL R$ 100.397.463,24 CSLL VALOR DO CRÉDITO R$ 16.153.444,58 JUROS R$ 4.946.652,14 MULTA R$ 24.230.166,91 VALOR TOTAL R$ 45.330.263,63 COFINS VALOR DO CRÉDITO R$ 44.869.132,93 JUROS R$ 14.081.269,98 MULTA R$ 67.303.699,50 VALOR TOTAL R$ 126.254.102,41 PIS/PASEP VALOR DO CRÉDITO R$ 9.725.457,77 JUROS R$ 3.052.199,68 MULTA R$ 14.588.186,75 VALOR TOTAL R$ 27.365.844,20 2. A fiscalização girou em torno das empresas: (LP ADMINSTRADORA DE BENS LTDA, COMERCIAL MÓVEIS DAS NAÇÕES – SOCIEDADE LIMITADA e ZENA MÓVEIS – SOCIEDADE LIMITADA). Segundo informações constantes no Termo de Descrição dos Fatos TDF às fls. 2.3550/, apuraramse as seguintes condutas/infrações: i) “Omissão de receitas relativas às empresas Zena Móveis e Comercial Móveis das Nações; ii) A escrituração contábil das empresas Zena Móveis, Comercial Móveis das Nações e LP Administradora de Bens é imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, bem como para determinar o Lucro Real; iii) O recursos oriundos da sonegação fiscal praticada pelas empresas comerciais (Zena Móveis e Móveis das Nações) foram aplicados na construção de imóveis de titularidade da LP Administradora de Bens; iv) A empresa LP Administradora de Bens pertence, de fato, aos Srs. Adiel Fares, Nasser Fares e Jamel Fares; v) A empresa Comercial Móveis das Nações (matriz e filiais) foi dissolvida irregularmente, sendo que todos os estabelecimentos foram sucedidos pela empresa Zena Móveis; Fl. 26010DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.625 4 vi) Caracterização da condição de sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas acima especificadas (LP Administradora de Bens, Nasser Fares, Adiel Fares, Jamel Fares e Hajar Barakat Abbas Fares), com base nos artigos 124, inciso I, e 135 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional CTN, ficando os referidos sujeitos passivos responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias apuradas junto às empresas Comercial Móveis das Nações e Zena Móveis”. 3. O TDF aponta, também, os fundamentos legais (arts. 121, 124 e 135 do CTN) e fáticos das sujeições passivas solidárias imputadas demonstrando a existência, sob vários aspectos, de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, bem como a prática de vários atos com infração de lei, inclusive transferências. 4. “O TDF traz, a seguir, os motivos (capítulo 9) pelos quais foram imputadas as sujeições passivas solidárias às seguintes pessoas: a) LP Administradora de Bens Ltda. (art. 124, inciso I, do CTN), na condição de beneficiária dos recursos gerados com as infrações; b) Nasser Fares, Adiel Fares e Jamel Fares (arts. 124, inciso I e 135 do CTN), na condição de sócios e dirigentes do grupo Marabraz; e, c) Hajar Barakat Abbas Fares (art. 135 do CTN), em razão da importante contribuição dada à execução das fraudes ao emprestar seu nome para a constituição da LP e ao outorgar procurações para que seus filhos administrassem o patrimônio da LP, obtido por sonegação fiscal”. 5. O grupo econômico Marabraz, denominouse pelo conjunto estabelecido pela empresa fiscalizada e pessoas jurídicas envolvidas, bem como dos sócios administradores irmãos (Adiel, Jamil, Nasser e Hajar Fares). “Os sóciosproprietários do grupo Marabraz utilizaram diversas pessoas jurídicas, denominadas de comerciais, com o objetivo principal de obter recursos de forma ilícita, proveniente de sonegação fiscal, mediante a omissão de receitas oriunda da revenda de produtos (móveis) por parte de suas empresas comerciais”. 6. Afirma a fiscalização, que “a partir do momento em que as empresas comerciais, constituídas pelos irmãos Fares, começam a ser cobradas pelo Fisco, referente aos tributos sonegados, simplesmente as pessoas jurídicas comerciais são encerradas (dissolução irregular de sociedade) e em seus lugares novas empresas comerciais são constituídas (no mesmo local das anteriores)”. 7. Inferese dos autos, em relação ao IRPJ, que “os motivos do arbitramento e respectivo fundamento legal, por período, bem como a descrição das infrações e as suas bases legais, também por período (fls. 23707 a 23714)” foram: Omissão de receita da atividade receita bruta mensal na revenda de mercadorias vendas por meio de cartões de créditos e financeiras da (Móveis das Nações PJ sucedida), para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2010; Omissão de receita da atividade receita bruta mensal na revenda de mercadorias vendas por meio de cartões de créditos e financeiras da Zena Móveis), para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010; Fl. 26011DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.626 5 Omissão de receita por presunção legal depósitos bancários de origem não comprovada da (Móveis das Nações PJ sucedida), para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2010; Omissão de receita por presunção legal depósitos bancários de origem não comprovada item 6.2.2.1.2 do TDF (omissão de receita da Zena Móveis) para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010; Receitas da atividade receita bruta na revenda de mercadorias pela (Móveis das Nações PJ sucedida), para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/08/2009; Receitas da atividade receita bruta na revenda de mercadorias (pela Zena Móveis), para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010. 8. Cientificados da autuação fiscal em 22/03/2013(fls. 23850), os interessados: ("Comercial Zena Móveis LTDA, "Comercial Móveis das Nações LTDA", LP Administradora de Bens LTDA", e os sóciosirmãos, "Nasser, Jamel, Adiel e Hajar Fares"), apresentaram Impugnação em 01/04/2013 (fls. 23853/23896), na qual alegaram: i) DA PRELIMINAR NULIDADE AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE EXISTÊNCIA, VALIDADE E REQUISITOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL: “o procedimento foi instaurado para fiscalizar a impugnante (Comercial Zena Móveis – Sociedade Limitada), mas a autoridade fiscal discorreu a respeito de um suposto grupo econômico e autuou a impugnante, por arbitramento, em razão de supostas infrações cometidas pela impugnante, bem como por mais 2 (duas) outras pessoas jurídicas, e 4 (quatro) pessoas físicas, de modo que foi infringido o Art. 10 da Portaria da RFB n° 4.066/07, sendo certo que a alteração da destinação do MPF torna nulo o AI” (...) "Descumprindo o MPF instaurado, a autoridade fiscal passou a discorrer a respeito de um suposto grupo econômico, terminado por atuar a impugnante, por arbitramento, em razão de impostos supostamente não pagos pela ora impugnante, outras duas pessoas jurídicas e quatros pessoas físicas"; ii) DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: Alegase que foi autuada, “por arbitramento, em razão da conduta de outras pessoas físicas e jurídicas, o que impossibilita saber qual a conduta ilegal lhe foi efetivamente atribuída”. “Diz que o auto de infração é nulo em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de fundamentação e justa causa para a sua lavratura contra a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude. (...) Não especificou, mês a mês, quais as ingerências encontradas, restringindose a relatar, de forma genérica, supostas infrações cometidas no período como um todo". Além disso, “a autoridade fiscal dispendeu tanto tempo tentando provar aquilo que não foi autorizado pelo MPF, que se esqueceu de fundamentar o relatório fiscal, deixando de diferenciar cada tributo, pois o relatório do Auto de Infração do IRPJ vale também para a CSLL, COFINS e PIS, sendo diferentes apenas os nomes dos tributos, ou seja: a autoridade fiscal não diferenciou os relatórios, apresentando fundamentação igual para todas as autuações”; iii) DA DECADÊNCIA PERÍODO ANTERIOR A MARÇO DE 2008: Argumentase que “os autos de infração foram lavrados em 01/03/2013, com Termo de Descrição dos Fatos firmado em 13/03/2013. (...) Óbvio que o período descrito foi atingido pela decadência, vez que a autoridade apenas efetivou o lançamento do suposto crédito tributário após terem se passado mais de 5 (cinco) anos do fato gerador”. Afirmandose que in Fl. 26012DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.627 6 casu, “devese aplicar o instituto da decadência para todos os lançamentos tributários referentes aos meses de jan., fev. e mar. de 2008”; iv) DA AUTUAÇÃO POR ARBITRAMENTO INAPLICABILIDADE: Alega que “o arbitramento em tela é ilegal, pois fundado na insustentável tese de que a contabilidade da impugnante seria imprestável; a lógica do argumento decorreria do fato de a fiscalização examinar vasta documentação contábil da impugnante para elaborar uma tese de 154 laudas a respeito de um grupo econômico da qual a impugnante faria parte, não sendo admissível que a documentação seja boa para elaborar tal tese e, quando conveniente, seja imprestável; “Como é sabido, o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, devendo ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originário, regra matriz de incidência tributária.” (sic); o agente fiscalizador teve acesso a toda a contabilidade da empresa, suas contas bancárias e todos os demais documentos que entendeu importantes; ou seja: “a Administração ... desconsiderou as provas apresentadas pela impugnante ...”; portanto, deve ser rejeitada a tese de que a documentação da impugnante é imprestável; sustenta, ainda, que não há, no caso, a necessária a presença simultânea dos três pressupostos para o arbitramento”: a) inexistência da escrituração; b) recusa de apresentação da escrituração; e, c) imprestabilidade da escrituração; v) Afirmando ao final, que "imprópria a utilização do arbitramento, tendo em vista sua manifesta inaplicabilidade ao caso, pois o arbitramento possui caráter excepcional. Há que prevalecer sempre aprova direta como forma de revelação da verdade material”; vi) DA OBRIGATORIEDADE NA APRESENTAÇÃO DA DCTF: Alega que a empresa não era obrigada a apresentação do DCTF por estar enquadrada no Art. 5º da IN/RFB de nº 903/2008", de modo que, "se esse não fosse o enquadramento coreto, o sujeito passivo só estaria obrigado a apresentação da DCRF na forma semestral”. (...) “no entanto, qualquer cominação de penalidade só pode decorrer de lei, e não como previsto no Art. 7º, I e II da IN n° 255/02, restando completamente ilegal a instituição da DCTF, bem como a obrigatoriedade de sua apresentação, e ainda, a imposição de qualquer tipo de multa”; vii) DO EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA MULTA MULTA CONFISCATÓRIA 150%: Afirma que “foi aplicada multa confiscatória de cento e cinquenta por cento (150%) sobre o valor do suposto débito, mas não é isso o que dispõe o Art. 9º da IN n.º 903/2008 da Receita Federal do Brasil, que versa sobre penalidades no caso de a pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF; portanto, a multa correta a ser aplicada é de 2% ao mês, incidente sobre o montante dos impostos, limitada a 20% (vinte por cento), sendo ilegal cobrar valor superior”; viii) Requereu o provimento da presente impugnação para anular o auto de infração lavrado, bem como o cancelamento da exigência fiscal; ix) Requereu ainda, o conhecimento das preliminares de (nulidade, e decadência), e que seja deferido o pedido para que a Empresa não seja compelida a apresentar a Declaração de Contribuição e tributos – DCTF; Fl. 26013DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.628 7 x) Subsidiariamente, requereu a redução da multa ao percentual de 2% ao mês, limitada a 20%; xi) Requereu por fim, a dilação de prazo para juntada de procuração e demais documentos que se fizerem necessários, tendo em vista a grande quantidade de documentos já anexados os autos. 9. O Acórdão ora Recorrido (1654.311 – 4ªTurma da DRJ/SP1) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Constatado o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo decadencial é feita nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN. Preliminar indeferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE. MPF. Eventuais vícios em MPF não dão causa à declaração de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A descrição dos fatos é muito clara e minuciosa. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009, 2010 LUCRO ARBITRADO. Os elementos do processo demonstram que o arbitramento do lucro era a única forma possível de determinação do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. Matéria não impugnada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Presente o evidente intuito de fraude é correta a qualificação da multa de ofício aplicada, no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Matéria não impugnada. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicasse à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 26014DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.629 8 10. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “as condutas das pessoas físicas e jurídicas autuadas estão bem descritas, sendo que as infrações foram apuradas mês a mês, estando as respectivas planilhas suportadas por vasta documentação, como evidencia o tamanho do processo (cerca de 24 mil páginas). A discussão da validade do arbitramento não é tema de preliminar. Apuradas as infrações à legislação do IRPJ, cabe apurar seus efeitos na legislação da CSLL, PIS e CONFINS, o que foi feito no mesmo TDF. Os motivos da acusação de fraude estão muito claros no TDF. Nada impede a fiscalização de utilizar todos os meios de prova admitidos em lei”. 11. Afirma que “A tese de que o arbitramento do lucro seria ilegal é improcedente, pois os motivos do arbitramento constam no capítulo 4 do TDF, dentre os quais se destacam: Falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal da Móveis das Nações; Imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal da Zena Móveis apurada após exaustivos exames dos vícios nos lançamentos contábeis, com práticas como, por exemplo, debitar conta Caixa a crédito de conta Bancos, a título de pagamentos de fornecedores, falta de livros auxiliares, inclusive Razão Auxiliar para escriturar as contas de fornecedores e de resultado, não apresentação de documentos em que lastreassem a escrituração fiscal e contábil, falta de escrituração de conta bancária. Conforme entendimento da turma julgadora restou evidente nos autos, o intuito de fraude, por esse motivo, "correta a qualificação da multa de ofício aplicada, no percentual de 150%". 12. Às fls. 2.3548/2.3550/2.3542/2.3540/2.3544 dos autos – Termo de Sujeição Passiva Solidária dos sóciosirmãos (Nasser, Jamel, Adiel e Hajar Fares). 13. Ciente da decisão do Acórdão em 27/02/2014 (fls. 2.4134), que julgou improcedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 25/03/2014 (fls. 2.4137/), na qual alegou: i) DA NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ POR FALTA DE INTIMAÇÃO DAS RECORRENTES PARA PARTICIPAR DA SESSÃO DE JULGAMENTO: “Alega violação à CF/88, pois não houve intimação das recorrentes quanto ao dia e hora do julgamento, nem mesmo para o advogado subscritos da peça. Negandose o exercício amplo de seu direito de defesa”; ii) DA AUSÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO DO ADVOGADO DAS RECORRENTES: Argumenta que “a partir do momento em que um advogado passa a atuar no processo, devem ser asseguradas todas as garantias inerentes ao exercício de sua profissão”. Acrescenta que a não intimação do profissional do direito, devidamente constituído, tira do direito de defesa a possibilidade da sustentação oral ou da distribuição de memoriais, o que afronta a Carta Magna; iii) DA PROVA ILÍCTA: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL: Argumenta que as requisições de movimentação financeira RMF's foram atendidas pelas instituições financeiras requeridas, as quais forneceram extratos bancários que serviram com base para o lançamento do crédito tributário, inclusive para o calculo do montante supostamente devido. (...) Apenas o Poder Judiciário, imparcial, isento e Fl. 26015DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.630 9 guardião do Estado Democrático de Direito, poderia autorizar a quebra do sigilo bancário da impugnante, mediante fundamentada apresentação pelo Fisco de argumentos e provas suficientes para justificação da medida”; iv) Requereu a nulidade do julgamento de primeira instância, promovendose novo julgamento, tendo em vista a ausência de intimação prévia dos recorrentes e seu advogado; v) Subsidiariamente, requereu o cancelamento das autuações, declarandose nulo os autos de infração (IRPJ e seus reflexos), tendo em vista que a sua lavratura ocorreu com base na quebra do sigilo bancário. 14. Às fls. 2.4260 dos autos – Ofício de nº 007/2014/PSFN/OSA/DIDE, informando acerca da existência de Ação Cautelar Fiscal, ajuizada em 23/04/2013 pela Fazenda Nacional em face da contribuinte e sucessora COMECIAL ZENA MÓVEIS SOCIEDADE LTDA, a empresa sucedida COMERCIAL MÓVEIS DAS NAÇÕES SOCIEDADE LTDA, os sujeitos passivos solidários LP ADMINISTRADORA DE BENS LTDA e os sóciosadministradores NASSER FARES, JAMEL FARES, ADIEL FARES e HAJAR BARAKAT ABBA S FARES. 15. Às fls. 2.311 dos autos – Memoriais para sessão de julgamento perante o CARF. 16. Às fls. 2.4479 dos autos – Memorando da Fazenda Nacional, requerendo a juntada da cópia da petição do agravo de instrumento de nº 100175030.2015.4.01.0000 interposto pela COMERCIAL ZENA MÓVEIS –SOCIEDADE LIMITADA. 17. Às fls. 2.5179 dos autos – Petição da Fiscalizada informando a decisão nos autos do agravo de instrumento de nº 100175030.2015.4.01.0000, que declarou nula e ilícita toda a prova colhida sem autorização judicial relativa ao sigilo bancário. 18. Às fls. 2.5188 dos autos – DESPACHO DE PROVIDÊNCIAS para desentranhamento de provas em cumprimento da decisão judicial nos autos do agravo de instrumento de nº 100175030.2015.4.01.0000. 19. Às fls. 2.5198/ 2.5201 dos autos – Relatório Fiscal. 20. Às fls. 2.5198/ 2.5201 dos autos – Representação com a finalidade de formação de processo apartado, com a transferência dos créditos tributários decorrentes das infrações de quebra de sigilo fiscal bancário sem autorização judicial. 21. Às fls. 25293/25370 dos autos – Manifestação de nº 1 da COMERCIAL MÓVEIS DAS NAÇÕES LTDA e COMERCIAL ZENA MOVEIS LTDA, ao desentranhamento das provas ilícitas. 22. Alega que “não poderia haver reunião de 03 MPF's, para a constituição de apenas um auto de infração, envolvendo 03 empresas autônomas. Alega que não poderia ter havido o arbitramento do imposto nem, o lançamento do PIS e da COFINS no sistema cumulativo, visto que ele somente seria permitido na hipótese de não haver nos autos documentação o que, em verdade, não ocorreu, justamente porque consta no feito farta prova contábil”; Fl. 26016DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.631 10 23. Afirma que “a Administração Fiscal não pode dificultar a defesa do contribuinte fiscalizado, obrigandose a se locomover para repartições fiscais distantes”; 24. Diz que a “empresa Comercial Móveis das Noções não foi autuada (o sujeito passivo do auto de infração é a Comercial Móveis Zena), está ativa e não foi encerrada irregularmente, visto que ela está regularmente constituída e detém patrimônio próprio”; 25. Argumenta que “se a dívida não foi constituída ela não pode ser exigida da sucedida nem, muito menos, da empresa que o Fisco entende ser sucessora. (...) Se não há nos autos o devido Auto de Infração correspondente ao MPF nº 08.1.13.00.2012.000701, cujos tributos não teriam sido recolhidos pela empresa Comercial Móveis das Nações (que a Fiscalização alega ter sido sucedida pela empresa Zena Móveis), nenhuma dívida desta empresa pode ser exigida nos autos, ainda mais tendo ela sido regularmente fiscalizada”; 26. Reitera que “não há qualquer elemento que aponte ter havido sucessão entre as empresas Comercial Móveis das Nações e Zena, sendo equivocada a motivação do Auto de Infração, sua nulidade é imperiosa”; 27. Aduz que “a Fiscalização ao excluir do lançamento as provas ilícitas manteve a exigência de tributos e multa com base nas “DACON’s” que não foram objeto da fundamentação do “Termo de Descrição dos Fatos” o que, por sem dúvida, opera flagrante violação do direito de defesa, do contraditório e da ampla defesa no curso destes autos, o que não se pode admitir”; 28. Diz que “o PIS e a COFINS foram calculados com o ICMS em sua base de cálculo. Isso porque, estas contribuições foram calculadas com o ICMS em sua base de cálculo, o que o Supremo Tribunal Federal já declarou, COM REPERCUSSÃO GERAL, ser inconstitucional”. 29. Às fls. 25373/ 25452 dos autos – Manifestação de nº 2 de NASSER FARES, JAMEL FARES, ADIEL FARES E HAJAR BARAKAT ABBAS FARES ao desentranhamento das provas ilícitas: i) Reiteram que “nada devem ao Fisco, seja porque não são responsáveis pelo pagamento das dívidas da empresa Comercial Zena ou de qualquer outra atribuída ao suposto grupo econômico, ou mesmo porque, ainda que pudessem sêlo, existem diversos fatores que afastam a exigência do crédito tributário”; ii) Alega que “não exsurge do contexto probatório nem, muito menos, do arrazoado da Fiscalização, qualquer indício de que os recorrentes possam ser responsabilizados na forma do art. 135 do CTN, eis que o Sr. Fiscal não se deu ao mínimo trabalho de descrever quais foram os atos por eles praticados individualmente que resultariam na alegada solidariedade, o que se resume em motivação inconsistente”; iii) “Não havendo a conduta dolosa descrita ou narrada pela Fiscalização que possa atribuir aos recorrentes, de maneira pormenorizada, responsabilidade solidária, não podem eles ser enquadrados ao fato descrito pelo art. 135 do CTN”; 30. Às fls. 25455/25507 dos autos – Manifestação de nº 3 da LP ADMINISTRADORA DE BENS LTDA, ao desentranhamento das provas ilícitas: Reiterase os mesmos argumentos trazidos pela manifestação de nº 2. Fl. 26017DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.632 11 31. Às fls. 25521 dos autos – Petição do Contribuinte, requerendo a conexão dos feitos, “em razão de que o presente processo conexo foi distribuído primeiramente, para que o julgamento de ambos se dê no âmbito da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção da CARF, consoante determinam os §§ 1º, 2º e 3º do art. 6º da Portaria MF Nº 343/2015 – RICARF”. 32. Às fls. 25635/25802 dos autos – Petição do Contribuinte, requerendo a anulação do lançamento, “com espeque no inciso II do art. 12 do Decreto nº 70.235/72, pois a prova que lhe dá substrato foi desentranhada dos autos em evidente violação ao artigo 9º e 29 do Decreto nº 70.235/72 e artigo 25 do Decreto 7.574/2011”. 33. Às fls. 25814 dos autos – Resolução de nº 1401000.519 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – conversão do feito em diligência para que a Secretaria desta Seção promova a apensação do processo n. 16151.720094/201708 ao presente processo. 34. Às fls. 25831 dos autos TERMO DE APENSAÇÃO. Juntada de processo de nº 16151.720094/201708. 35. É o relatório do essencial. Às fls. 25305 – Cópia da Resolução de nº 1401005.519 4ª Câmara 1ª Turma do CARF – Conversão do Feito em diligências, gerado no processo de nº 16004.720074/2013 99. Às fls. 25.320 dos autos TERMO DE APENSAÇÃO. Juntada de processo de nº 16151.720094/201708. Em 11/10/2018 o Recorrente junta petição nos autos principais (fls. 25835 a 26006) a qual intitula de "Questão de Ordem Complementar" com exatas 114 folhas, acompanhada de 58 páginas de documentos. Na mesma data, também apresenta petição (fls. 25323 a 25621) no presente PAF, a qual também intitula de "Questão de Ordem Complementar" com exatas 19 folhas e 167 páginas de documentos. A referida petição apenas foi identificada e juntada aos autos, por este Relator, durante a sessão de julgamento. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e processo. Antes de adentrar à análise dos Recursos Voluntários apresentados, de ofício, entendo ser necessário apreciar uma questão preliminar. Fl. 26018DF CARF MF Processo nº 16004.720074/201399 Resolução nº 1401000.597 S1C4T1 Fl. 25.633 12 Em que pese o presente processo tenha sido inicialmente pautado para julgamento na pauta do mês de setembro/2018 e tenha o patrono comparecido para sustentação, o referido processo foi retirado de pauta a pedido da PFN. Ocorre que, no último dia 11 de outubro, o Recorrente apresenta petição e documentos que totalizam aproximadamente 200 páginas, alegando supostas questões de ordem pública. Ou seja, a apenas 6 dias do julgamento o contribuinte identificou e apresentou petição com quase 200 páginas de supostas nulidades. Presente na assentada o representante da PFN disse não ter conhecimento da matéria alegada na referida petição, não podendo sobre ela se manifestar. Da mesma forma, este Relator não teve oportunidade de analisar adequadamente as razões apresentadas, até para saber se são ou não pertinentes. Assim é que, para evitar novas alegações de nulidade, entendo ser prudente abrir vistas para que a PFN se manifeste sobre as referidas alegações, para então retornarem os autos para julgamento por esta Turma. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Fl. 26019DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.909189/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Relator
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 09 18 9/ 20 15 -1 9 Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.121 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.909189/2015-19 Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de PIS/COFINS não-cumulativo, por bem retratar os fatos, reproduzo parte do relatório DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (...), que indeferiu Pedido de Restituição (PER) de pagamento indevido (...). O crédito não foi reconhecido porque o recolhimento se encontra integralmente apropriado ao débito correspondente declarado pelo contribuinte em DCTF e Dacon. (...) o contribuinte manifestou inconformidade (...), alegando em preliminar a nulidade do despacho, por ausência de motivação e análise do mérito, porquanto a avaliação do crédito limitou-se ao cruzamento eletrônico do pedido com os dados das declarações prestadas, o que ofende o princípio da verdade material, ante os meios de que a Administração dispõe para averiguar a existência do crédito (intimação ao contribuinte, diligência fiscal). No mérito, aduz que, diante do rumo jurisprudencial dado ao conceito de insumos (“nem tão próximo do conceito aplicado na legislação do IPI e nem tão distante daquele que refere-se ao Imposto de Renda”), viu-se diante do fato de ter deixado de apropriar créditos que lhe seriam de direito, e, consequentemente, de ter efetuado o recolhimento das aludidas contribuições a maior, sem que tivesse procedido ao desconto do crédito relativo à aquisição de certos insumos em sua apuração mensal (art. 3º, caput, II, e §4º, das Leis nº 10.637/02 e 10. 833/03). Alude que vários créditos foram aproveitados de forma extemporânea, independentemente da retificação da DCTF e Dacon, por força do §4º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (cf. Solução de Divergência Cosit nº 06/2008). Juntou relação de créditos por operação a serem computados, distinguido-lhes as modalidades pela cor. Em vista disso, pede a restituição do pagamento indevido, corrigido pela taxa Selic. Seguindo a marcha processual normal, foi julgado improcedente o pleito da contribuinte, a DRJ compreendendo que contribuinte não faria jus ao seu pleito. Diante dos fatos acima narrados, a contribuinte pede reforma da decisão em recurso voluntário repisamos os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.121 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.909189/2015-19 Compulsando os autos, entendo que o processo encontra-se pronto para julgamento, sendo desnecessária qualquer diligência, no entanto a Turma entendeu de maneira diversa e no qual restei vencido, assim convertendo o feito em diligência. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Conselheiro Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade – Redator designado Com a devida vênia, divirjo do bem elaborado voto apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator, tendo sido designado para elaboração do voto vencedor em relação à conversão do julgamento em diligência. Minha compreensão foi no sentido de que o processo não se encontra maduro para decisão, merecendo o julgamento ser convertido em diligência. Explica-se: Uma das matérias em litígio diz respeito a possibilidade ou não do aproveitamento dos denominados créditos extemporâneos de PIS e da COFINS. A decisão recorrida, em breve síntese, trilhou no sentido de que no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não-cumulativo, exige-se a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração, ou seja, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). Por sua vez, a Recorrente defende que, nos termos do § 4º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes, autorizando aí, expressamente e sem qualquer oportunidade para interpretação diversa, o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS. Esta Turma de Julgamento em recentes decisões, em processos que envolvem a análise do aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições tem decidido pela conversão do julgamento em diligência. A título ilustrativo cito as Resoluções nº’s 3201-003.009, de 22/06/2021 e 3201- 003.010, de 23/06/2021, ambas de relatoria da Relatora Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Outras Turmas de Julgamento da 3ª Seção, em casos análogos, de igual modo, tem decidido pela conversão do julgamento em diligência, como por exemplo, as Resoluções nº’s 3401-001.999, 3302-001.180, 3401-001.546 e 3401-001.827, tudo com vistas a se apurar efetivamente o crédito pleiteado e se não foi aproveitado em outro período. Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.121 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.909189/2015-19 Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decidido no RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade – Redator designado Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital
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