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Numero do processo: 10283.003954/2004-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/12/2000
IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR.
O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeita-se à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação - DI regularmente registrada no Siscomex.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2008
NULIDADE. AUTORIDADE QUE SUBSCREVEU O MPF. JULGADOR ADMINISTRATIVO.
Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha meramente assinado o MPF que autorizou o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9303-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas e Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceram e lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recuso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/12/2000 IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeita-se à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação - DI regularmente registrada no Siscomex. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2008 NULIDADE. AUTORIDADE QUE SUBSCREVEU O MPF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha meramente assinado o MPF que autorizou o procedimento fiscal.
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IMPORTAÇÃO. MULTA Recorrentes MOL (BRASIL) LTDA. E FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL E MOL (BRASIL) LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2000 IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeitase à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação DI regularmente registrada no Siscomex. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2008 NULIDADE. AUTORIDADE QUE SUBSCREVEU O MPF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha meramente assinado o MPF que autorizou o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas e Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceram e lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 54 /2 00 4- 31 Fl. 2390DF CARF MF 2 conhecer do Recuso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentados pela Fazenda Nacional e TCE COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA contra Acórdão nº 20403.691, que, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto a questão da sujeição passiva da MOL BRASIL por opção pela via judicial; e II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retirar do pólo passivo a sociedade empresária SDW e excluir da exigência fiscal os valores correspondentes as faturas de importações efetuadas, segundo a invoice original, pela SDW, consignando acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Data do fato gerador: 31/12/2000 COMPETÊNCIA. É de competência do Segundo Conselho de Contribuintes o julgamento de matéria versando sobre a exigência do IPI, exceto aquelas oriundas de classificação de mercadorias ou versando sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados, o que não é o caso dos autos. Para todos os demais casos relativos ao IPI a competência para julgamento é do Segundo Conselho de Contribuintes, ainda que a irregularidade constatada na entrega a consumo ou consumo de mercadoria estrangeira entrada irregularmente no território nacional. Preliminar rejeitada. NULIDADE. Não se considera nulo o julgamento do qual participou auditor fiscal nomeado para a função de julgador na DRJ e que tenha assinado o MPF Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.391 3 autorizando a fiscalização já que, na época da ocorrência dos fatos ocupava o cargo de Inspetor da Alfândega de Manaus. A decisão que deixou de apreciar Parecer elaborado por encomenda das partes, apresentado após o transcurso do prazo impugnat6rio não é nula, pois não se trata de apreciação de provas, mas sim de opinião de terceiros. Tendo, a contribuinte, tido acesso aos autos e a toda documentação que instruiu o processo não se pode alegar cerceamento de direito de defesa sob a alegação de que não foi devolvida em tempo hábil a documentação apreendida no curso da ação fiscal, de acordo com o Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário. LICITUDE DA PROVA. É licita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a assinatura de duas testemunhas, bem como a descrição genérica dos documentos apreendidos. PERÍCIA. Descabe a realização de perícia quando dos autos constam todos os documentos necessários à solução do litígio. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. Constatada que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso fatura comercial e conhecimento de embarques, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, determinada em lei, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada. NORMAS GERAIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. Descabe o lançamento contra duas pessoas jurídicas distintas se não comprovada a solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capitulo V do CTN. Não é isso, porém, causa de nulidade do lançamento, desde que seja possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica, mantendose no lançamento apenas as que são atribuíveis a uma delas. Recurso provido em parte. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA SUBMETIDA Á APRECIAÇÃO DO JUDICIÁRIO. Incabível a apreciação de matéria cuja apreciação foi posta ao Judiciário pela autuada, no caso, a falsificação dos conhecimentos de embarques e responsabilidade do agente marítimo do transportador na infração apurada, bem como o mérito da autuação em si. Recurso do conhecido. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 2392DF CARF MF 4 Irresignada com o r. acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, relativamente à decisão que excluiu do pólo passivo da cobrança a empresa SDW, afastando a exigência dos valores correspondentes às faturas das importações efetuadas pela referida pessoa jurídica, trazendo, ainda em suas razões de recurso a Fazenda Nacional demonstrou que ao assim decidir, o Acórdão recorrido violou o art. 83 da Lei n'' 4.52/64; art. 1', alteração 2E', do DecretoLei n'i 400/68; art. 3 2 do Decreto nº 61.244/67; art. 136 do CTN; art. 438 do Decreto nº 2.637/98; art. 95 do DecretoLei n 2 37/66 e os arts. 167 e187 do Código Civil. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho à fl. 1737. Foram apresentadas contrarrazões pelo Sujeitos passivos MOL BRASIL LTDA, fls 1763 e SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA fls. 1820. Insatisfeito também com o acórdão, o sujeito passivo (TCE SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA EPP,) interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do r. acórdão, fls 1900, na parte em que i) manteve a aplicação da penalidade prevista no art. 83, I da Lei n° 4.502/64 e art. 1°, alteração segunda, do Decreto Lei n° 400(68, regulamentados pelo art. 463, I do Decreto n° 2.637/98; e, que ii) não acolheu as preliminares de nulidade da decisão da DRJ em relação à (a) falta de apreciação de parecer jurídico, juntado aos autos antes do julgamento, e à (b) participação de julgador que assinou Mandado de Procedimento Fiscal — MPF que ensejou a lavratura do auto de infração sob vergasta. O apelo do sujeito passivo foi admitido em sua integralidade, nos termos do Despacho às fls. 2368, ou seja, quanto as preliminares de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, a aplicação da multa Prevista no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto n° 2.637/98). Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial, fls 2373. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran, relatora: Os recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte atendem os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecidos. Superada a admissibilidade dos recursos, o exame do mérito darseá de forma individualizada para melhor compreensão das matérias que são objeto de insurgência pelas partes. Do recurso especial da Fazenda Nacional Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.392 5 No que tange à discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja, sobre a exclusão da empresa SDW do pólo passivo da obrigação tributária, e consequentemente afastando a exigência dos valores correspondentes às faturas das importações efetuadas pela referida pessoa jurídica entendo que o mesmo não deva ser provido. Analisando os autos verificase que a acusação fiscal afirma que as duas empresas são, em verdade, uma só, no entanto a autuação engloba as duas, imputando, indistintamente, as infrações que teriam sido cometidas por uma à outra. A autoridade afirma que haveria apenas uma empresa, valendose, para tanto, ora de alegações quanto à constituição das sociedades que teria sido fraudulenta ora da existência de comunicações que provariam a estreita ligação entre elas. Ao analisar os autos não encontrei indícios que provam que as duas empresas são de fato uma só. E desta maneira, não havendo provas de caracterização de estabelecimento único, deve ser afastada a acusação de "fraude na constituição". Esse foi o entendimento Colegiado da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuinte sobre a questão, que por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para retirar do pólo passivo a sociedade empresária SDW. Com relação a este ponto, entendo perfeitamente aplicáveis as razões de decidir expostas no voto condutor do acórdão recorrido, reproduzidas no Acórdão do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, que adoto como razões de decidir. “Passase, então, ao exame dos elementos de convicção de que as duas empresas são de fato uma só. A n. relatora entendeu presente uma série de indícios capazes, em seu conjunto, de dar valor à acusação perpetrada. Vejamos. Começa a fiscalização elencar os sócios da empresa e aponta que elas seriam constituídas por integrantes de uma mesma família, um de cujos integrantes também seria sócio de outro grupo econômico. Afirmase que neste outro grupo econômico a fiscalização já teria identificado vários atos lesivos ao regime da Zona Franca de Manaus. Ora, não é preciso ir muito longe nesses argumentos, pois o nosso ordenamento jurídico não permite que eventuais infrações (ainda que penais) se transfiram de uma pessoa a outra. Isso é, ainda que seja mesmo considerado, após o regular processamento administrativo e judicial, que um dos sócios de alguma das empresas seja culpado de prática delituosa em outra empresa, isso, per si, não faz com que eventuais empresas por ele constituídas padeçam de irregularidade em sua constituição. Do mesmo modo, não tem qualquer força jurídica para caracterizar fraude na constituição de empresas o fato de elas serem constituídas por membros de uma mesma família, e ainda que contra essa família pesem acusações fiscais cometidas em outras empresas. Fl. 2394DF CARF MF 6 Registrese que nenhuma dessas afirmações restou comprovada nos autos. Ora, a relatora reconhece que estariam configuradas a figura da interdependência e a vinculação entre as pessoas jurídicas. E disso não discordamos. Porém, o que há de errado na interdependência? ou até na interligação, também citada e, em nosso ver, comprovada? Parecenos que a fraude na constituição das empresas poderia ser demonstrada pela falta de veracidade de algum dos elementos essenciais a sua constituição, sejam documentais ou físicos. Assim, por exemplo, se algum dos supostos sócios houvesse declarado não ser, de fato, sócio da empresa, tendo o seu nome sido indevidamente incluído. Ou se no endereço indicado não existissem instalações de nenhuma natureza — inexistência de fato. Não é disso que se trata até aqui. Com efeito, o que se pretende configurar fraude é a existência de ligação entre os sócios. Repitase que apenas a relação de parentesco foi adequadamente comprovada, embora mais de uma vez se tenha feito menção a processos em que se acusa um dos membros da família de "fraudador contumaz do regime da ZFM". Chegase, desse modo, à conclusão de que esses elementos "formais" foram arrolados para reforçar o cerne da acusação fiscal: as empresas operam num espaço físico comum, não se distinguindo uma da outra. Ocorre que o relatório que a acusação apresenta como "prova" desse fato, apenas o confirma parcialmente. Com efeito, no outro processo administrativo a que alude o relatório deste, há expressa indicação de que as duas empresa partilhariam as áreas de carga e descarga e o pessoal administrativo. Mas se diz, também de forma expressa, que as áreas de produção (linhas de montagem) seriam autônomas e interligadas por comunicação interna. Esses são, então, os fatos. Duas empresas partilham o mesmo espaço físico, produzindo produtos diferentes (ao menos afirma a defesa e é possível depreenderse da afirmação de as linhas de montagem serem autônomas), sendo um deles produto intermediário da outra. Há nisso irregularidade formal capaz de permitir a desconsideração de uma delas e a afirmação de que são apenas uma? Entendo, e assim entendeu a maioria, que não. É que o elemento essencial utilizado pela fiscalização baseiase na conclusão de Parecer Normativo da SRF segundo o qual estabelecimento que "cruze" logradouro público, para efeitos da legislação do IP1, dividese em dois, não podendo deixar de considerar a saída da parte que esteja em um dos lados da rua uma saída física, fato gerador do imposto na definição legal. Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.393 7 A conclusão do Parecer é perfeita. Mas não se presta, de modo algum, a robustecer a conclusão da autoridade lançadora. De fato, ali o que se quis obstar foi a não ocorrência do fato gerador. Para tanto, previuse que basta a existência de uma rua entre eles para que sejam estabelecimentos distintos (ainda que da mesma empresa). Aqui, ao contrário, querse descaracterizar a existência de uma empresa. E para tanto, dizse que se precisa ter uma rua entre elas para que sejam duas empresas distintas. Não parece haver dúvida de que tratamos de duas coisas completamente distintas. De fato, a tese da fiscalização aplicada rigorosamente levaria à absurda conclusão de que todas as empresas que se situassem do mesmo lado de uma rua ou avenida seriam de fato uma única empresa, já que nenhuma delas seria atravessada pela rua. Esse exemplo, propositadamente forçado, foi dado apenas para justificar que a conclusão fiscal não se sustenta do ponto de vista lógico. De fato, é inteiramente incorreto deduzir a existência de uma premissa negativa necessária a partir de uma outra premissa, esta afirmativa, de natureza suficiente. Ou seja, se "a" basta para caracterizar "b", não se deduz daí que "não a" implica "não b". Em outras palavras, a conclusão fiscal é a mesma que no exemplo: como basta que alguém seja meu filho para ser neto de minha mãe, se não for meu filho também não é neto dela. O que deixa de fora todos os filhos de meus irmãos... Como aqui, também lá a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas pode ser! E preciso, contudo, perquirir mais uma condição: aqui, se tenho irmãos, lá se as produções são independentes, produzindo a segunda empresa a partir daquilo que sai como produto final da primeira. Nos autos, infelizmente, nada há sobre esse ponto. Mas podese interpretar a afirmação da autoridade fiscal como sendo a de que ao sair do primeiro estabelecimento (neste caso, empresa) os produtos teriam de passar necessariamente por uma rua. Ou seja, o problema estaria na existência de "comunicação interna" entre as "empresas" que as tornaria uma só. Considero possível fazer essa leitura do Parecer, mas não vejo em que a prova contida nos autos a confirme. De fato, o citado relatório de diligência no local de funcionamento das empresas (realizado em outro procedimento fiscal, repitase) não afirmou que tal ocorresse. Aliás, sequer afirmou fato muito mais forte, em meu sentir que as duas empresas compartilhassem o mesmo galpão produtivo. Fl. 2396DF CARF MF 8 Nesse sentido, observase que os endereços das empresas (aceitos pelas administrações tributárias estadual e federal) indicam dois números distintos: 21 e 21 A. Esse fato faz supor que haja sim comunicação de cada um deles com a rua. Não parece aceitável também supor que dois números distintos sejam atribuídos ao mesmo prédio e que a fiscalização estadual, que normalmente faz diligência in loco quando da solicitação de registro de empresas em seu cadastro, tenha aceitado a indicação de um número simplesmente inexistente. Assim, a afirmação constante em algum ponto do relatório no sentido de que o "número 21 A é inexistente" deveria ter sido acompanhada de prova. Talvez tenha sido no outro procedimento, neste ela não está presente. Assim, quanto à prova, em meu ver bastaria à fiscalização mostrar que as duas linhas de produção ocupavam o mesmo galpão, não havendo saída física dos produtos obtidos da linha de produção daquela unidade para a outra. Alternativamente, que, embora galpões distintos, encontravamse eles no mesmo espaço geográfico, ao qual a Prefeitura atribui apenas um número. Obviamente, não basta afirmar. A afirmação deve vir acompanhada da prova correspondente. Conclusivamente, não se está aqui a atestar que as empresas não são de fato uma só. O que se está a dizer é que os elementos coligidos nos autos não bastam a tanto, mormente porque o relatório da diligência realizada nas instalações atestou que há duas linhas de produção autônomas e comunicação entre elas. Caberia apurar que tipo de comunicação é essa, j á que também não se diz com todas as letras que as duas linhas dividem o mesmo galpão produtivo. Assim, afastada, por falta de prova, a caracterização de estabelecimento único, cai por terra, em meu ver (e no da maioria) a acusação de "fraude na constituição". Os demais elementos que a n. relatora considerou indícios dessa fraude são posteriores à constituição e têm a ver mais propriamente com a operação das duas empresas. De fato, seriam elas administradas pelas mesmas pessoas, que atuariam nas operações de importação em nome de ambas indistintamente. Ora, também aqui não vejo em que isso constitua sequer infração, quanto mais ilícito capaz de enquadrálas como responsáveis ou, pior, desconsiderar a personalidade jurídica de uma delas. Provadas as infrações, o que se tem é tãosomente de aplicar as penalidades cabíveis a cada uma, e nada mais. Nesse sentido, avultam dos autos que a imensa maioria (mais de 98%) das operações de importação foi promovida pela empresa TCE, não Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.394 9 havendo qualquer menção à SDW seja nos documentos originais seja nos utilizados na efetiva importação, que foi realizada pela primeira. Destarte, essa segunda acusação de fraude tem no auto de infração duas funções. A primeira, de permitir que um pequeno número de operações que não foi realizado pela TCÊ também figure no lançamento. Em segundo lugar, reforçaria a primeira acusação (de fraude na emissão dos invoices) por dar uma aparente justificativa para tal fraudar o regime da Zona Franca de Manaus, fazendo passar por nacionais produtos que seriam em verdade importados. O segundo aspecto não se mostrou, para a maioria, de maior relevo no julgamento. De fato, concordouse com a acusação de fraude independente da apuração dos motivos para que fosse ela realizada. Já no que tange à identificação do sujeito passivo, a manutenção da personalidade jurídica distinta para cada empresa impõe afastar do lançamento uma das pessoas jurídicas, dado que tampouco se provou a solidariedade. Em relação à que for mantida devese ainda afastar as infrações imputáveis à outra. Nesse sentido, entendeu a Câmara que o auto deve ser mantido apenas contra a TCE, dado que foi em seu nome que se realizou a imensa maioria das operações de importação, mas devem ser excluídas as operações realizadas em nome da SDW nos documentos originais localizados. Foi assim que decidiu a Câmara, por maioria. [...]" Entendo que a decisão do recurso voluntário, nesta parte, não merece reparos por ter dado o tratamento adequado à matéria, que, mantendose a personalidade jurídica distinta para cada empresa, é de se afastar/excluir do lançamento à empresa SDW. Do Recurso do Contribuinte Antes de adentrar no mérito, cabe analisar duas preliminares, quais sejam: 1nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação; 2 falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação; Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo que a participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação e a pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação subsumem à hipótese de nulidade, vez que: Fl. 2398DF CARF MF 10 · Caracterizase cerceamento do direito de defesa a não apreciação do parecer jurídico trazido aos autos antes do julgamento, bem como a recusa da administração em juntar aos autos cópias de documentos que estavam em seu poder, considerados pelo sujeito passivo como provas de suas razões de impugnação; · Configurase hipótese de impedimento da autoridade julgadora de lª instancia quando restar caracterizada a sua participação, direta ou indiretamente, na ação fiscal. Peço vênia para transcrever o voto da Conselheira Vanessa Valente exporto no acórdão 310100.363, que adoto como razões de decidir: “[...] Conforme consta do relato, trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n.° 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1°, alteração 2°, do DecretoLei n.° 400, de 30 de dezembro de 1968, regulamentado pelo artigo 463, inciso I, do Decreto 2.637/98 no valor de R$ 2.517.605,70, ou seja, aplicação de multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, relativamente as importações ocorridas no ano de 1999, objeto do Auto de Infração de fls. 01 a 14 dos autos. Em princípio, antes de analisarmos o mérito, entendo prudente enfrentarmos as preliminares de nulidade do auto de infração e de nulidade do acórdão recorrido, suscitadas pelas Recorrentes. Como se vê, as Recorrente argúem, em seu Recurso Voluntário, a nulidade da decisão recorrida em razão da participação no julgamento de 1a instância de autoridade administrativa impedida, ou sei a, alegam "que o Sr. Luis Carlos Cerqueira, relator do processo, não poderia ter participado do julgamento por ter sido Inspetor da Alfândega no Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo, inclusive, assinado Mandado de Procedimento Fiscal, em 21 de agosto de 2000, o qual deu inicio à fiscalização de uma das Recorrentes pela Receita Federal, tendo como objeto o IPI, II, além de multas diversas independentes, sem delimitação de período fiscalizado ". Alegam, ainda, a nulidade da decisão em razão da "Falta de Apreciação de parecer jurídico" pelos julgadores, argumentando que "requereram, em 11 de janeiro de 2005, a juntada aos autos de parecer proferido pela douta advogada Iris Sansoni, entretanto, os julgadores desconsideraram referido parecer; que a não apreciação de parecer apresentado na fase instrutória, antes da tomada de decisão, configura cerceamento do direito de defesa". Ainda em sede de preliminares, aduzem, as Recorrentes, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito à ampla defesa, em razão da falta de acesso aos documentos que subsidiaram a d. fiscalização, que não mais se encontravam nas sedes dos estabelecimentos das Recorrentes em Manaus, bem como, pela recusa da juntada de documentos pelas Recorrentes a demonstrar a insubsistência da acusação, que estavam em poder da Administração. No caso sub examen, no que concerne as preliminares de nulidades argüidas, peço vênia para adotar e transcrever o voto do eminente Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.395 11 Conselheiro Zenaldo Loibman, proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 134.736: "Analisemos inicialmente as questões preliminares suscitadas quanto à nulidade do auto de infração. A alegação é de que todos os documentos das duas recorrentes foram aprendidos em cumprimento de mandado judicial antes da efetivação do lançamento. Todos eles permaneceram em poder das autoridades fiscais e Ministério Público durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, prejudicando as condições de defesa das acusadas TCE e SDW, porque nesses documentos se encontram as provas essenciais a sustentar as suas razões de defesa. Isto caracterizou cerceamento ao direito de defesa na fase impugnatória, não se justificando a mera alegação de que a riqueza de argumentos de defesa apresentados, por si só, demonstraria a perfeita compreensão das autuadas quanto a acusação fiscal; que não se trata de apenas compreender a situação, mas sim de lhe ser garantido o livre acesso ci totalidade de seus documentos para que pudesse demonstrar, isto 6, provar as suas alegações aos julgadores, que haverão de ser apreciadas não apenas na primeira instância. Houve assim infração ao direito de ampla defesa, é necessário assegurar o exercício adequado do contraditório com a possibilidade de juntada das provas que sustentem as alegações de defesa. A Jurisprudência do Conselho de Contribuintes é nesse sentido, conforme ac. 10320.518, rel. Mary Elbe G. Q. Maia, em 22.02.2001; ac. 201 73.593, rel. Serafim F. Correa, em 23.02.2000. A devolução dos documentos somente ocorreu poucos dias antes de ser proferida a decisão da DIU. Em resumo afirma que não se pode admitir lançamento de oficio sem que tenha sido dada a possibilidade de demonstrar a improcedência da acusação mediante a exibição das provas documentais pertinentes, assim deve ser considerado nulo o auto de infração. Há um equívoco na argumentação quando confunde a fase inquisitorial de investigação fiscal com a fase do processo administrativo fiscal. Na primeira nenhuma garantia de defesa prévia conforta o investigado, nesta fase ganha relevo o dever de colaboração do fiscalizado, não atuam neste momento os princípios constitucionais evocados, somente indispensáveis e absolutamente garantidos na fase processual. Esta somente se inaugura com a impugnação do lançamento. Outra suposta razão de nulidade da autuação seria a utilização de provas obtidas ilicitamente. Apesar de ter havido ordem judicial de busca e apreensão dos documentos, apontam as recorrentes que na ocasião de seu cumprimento houve desrespeito às normas processuais penais, especialmente a falta de assinatura por representante legal das empresas atingidas, e pela falta de discriminação dos documentos apreendidos. Neste quesito as argumentações da DRJ são absolutamente precisas e devem ser acolhidas. Em resumo, nem mesmo uma eventual recusa de assinatura por parte de representante legal da empresa alvo de apreensão de documentos torna ilegítima a execução da ordem judicial, desde que observados os critérios previstos na lei, mormente a utilização de testemunhas, como no caso. Também assiste razão à instância julgadora a quo quando esclarece que não é durante a ação desenvolvida por policiais Fl. 2400DF CARF MF 12 federais o momento propicio para detalhamento da documentação apreendida, isto se faz num segundo momento com assistência de servidores competentes para tanto. Ademais, qualquer eventual queixa contra a ação de cumprimento do mandado deveria ser dirigida à autoridade judicial. Não há registro disso neste processo, nem tampouco nenhuma [sic] queixa de falta de devolução de algum documento especifico de interesse neste caso. Portanto, entendo que essas duas arguições de nulidade da autuação não merecem prosperar. Apreciemos agora as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância: (a) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de apreciação do Parecer Jurídico apresentado em 11.01.2005, como complementavão da defesa, antes da realização do julgamento. (b) 0 referido parecer elaborado por jurista, especialista em direito tributário e em processo administrativo fiscal, foi ignorado sob a alegação de não atendimento as condições previstas no § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72 (PAF). Entretanto, tal norma disciplina tãosomente a apreciação de prova documental no PAF, e evidentemente não abrange a hipótese de apresentação de parecer jurídico em complemento à impugnação. As interessadas citaram oportunamente a doutrina de Sérgio Ferraz e de A. A. Dallari para explicitar a natureza de um parecer jurídico. No caso, a disciplina adequada seria efetivamente a do art. 38 da LGPAF (Lei 9.784/99), utilizada subsidiariamente, já que o PAF (Decreto 70.235/72) é omisso quanto a isto. A norma evocada prevê que antes da decisão, na fase de instrução, podese juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Portanto, a recusa de apreciação do parecer jurídico juntado aos autos na fase de instrução, antes da tomada de decisão, caracteriza cerceamento ao direito de defesa, eivando de nulidade absoluta a decisão recorrida. Enfatizase que nesta situação a juntada do parecer não afetou de forma alguma o trâmite processual, não o prolongou, e não se justifica a recusa de conhecimento de matéria de defesa que necessariamente haveria de ser apreciada também em segunda instancia, de forma que a omissão do julgador a quo também afronta o direito do contribuinte ao duplo grau de jurisdição. Houve claro cerceamento ao direito de ampla defesa. (b) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de juntada de documentos solicitada pelas impugnantes e que estavam em poder da Administração. Na ótica das ora recorrentes tais documentos visavam a demonstrar a inexistência de fraude na importação. Ora, durante a fase de impugnação todos os documentos das ora recorrentes estavam em poder da Administração. As impugnantes, então, com base no art. 37 da lei 9.784/99, que apenas expõe norma processual já assentada no ordenamento pátrio, válida também no processo civil, requereram a juntada de certos documentos que consideravam essenciais a provar a regularidade das operações de importação praticadas. Aqui não importa o juízo prévio da autoridade julgadora de primeira instância quanto necessidade ou prescindibilidade de tais provas, entre outras razões porque era interesse da defesa apresentálas e circunstancialmente se encontravam em poder da administração, além do mais deveriam ser Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.396 13 passíveis de apreciação também pela segunda instância julgadora em caso de insucesso no primeiro julgamento. A recusa em permitir essa produção de provas por parte das impugnantes, em relação a documentos que estavam em poder da administração, fulmina de nulidade absoluta a decisão de primeira instância por interferência perniciosa no contraditório e impor indevida limitação a defesa. (c) Impedimento do Julgador Luis Carlos Maia Cer queira, com infração aos princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade. Alegam as recorrentes que da decisão proferida pela DIU participou o referido servidor público que era Inspetor da Alfeindega do Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo inclusive assinado o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em 21.08.2000, o qual deu inicio à fiscalização. Portanto, um dos julgadores desempenhou a função de autoridade responsável pelo lançamento durante período objeto da fiscalização. Isto representaria infração ao art. 19 da Portaria MF 258/01 14] Evoca a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, representada no ac. 10193.123, de 15.08.2000, apontando a nulidade de decisão proferida com participação de autoridade impedida. A bem da verdade deve ser registrado que o acórdão referido apreciou decisão emanada de autoridade julgadora monocrática considerada impedida. Na época a decisão na DRJ era singular e não colegiada. Mas, a meu ver, não há dúvida quanto ci irregularidade da participação do referido julgador no presente caso. Estava efetivamente impedido de julgar, porque não era possível afastar de sua pessoa a presunção de parcialidade. A parcialidade é inerente ao ser humano, a imparcialidade que se busca na atuação do julgador é fruto de disciplina legal e esforço intelectual, é eminentemente artificial, e deve ser construída. 00 Inspetor da Receita Federal que determinou o inicio do procedimento de fiscalização sob a suspeita de agressão das referidas empresas à ordem tributária, tendo posteriormente assumido função administrativa de julgamento, deve permanecer afastado de qualquer apreciação quanto à regularidade da ação fiscal empreendida, e suas informações ou opiniões acerca do caso não devem poder influenciar de nenhum modo seus pares julgadores administrativos. É irrelevante nessa situação que o próprio servidor se considere capaz de julgamento imparcial, os fatos o impedem de assumir tal posição. À primeira vista e de imediato poderseia concluir pela nulidade apenas do seu voto, mas a rigor, e em face das outras nulidades acima destacadas não se pode desmerecer a provável influência que a sua participação pode ter exercido na decisão final de primeira instância. De qualquer forma, as outras razões de nulidade já acolhidas, levam a que em conjunto se considere relevante essa arguição, e se recomende expressamente a exclusão do citado julgador de novo julgamento que vier a se realizar em caso de confirmação deste voto pelo colegiado. Por fim, entendo que a nulidade da decisão de primeira instância aliada ao reconhecimento do direito das recorrentes de providenciarem ajuntada de quaisquer documentos que julguem pertinentes à apreciação da questão, determinam a reabertura de prazo para que afaçam; Fl. 2402DF CARF MF 14 1 Portaria MF 258, de 24 de agosto de 2001, artigo 19: Os julgadores estão impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: (I) participado da ação fiscal; (II) cônjuge ou parentes, consangüíneos ou afms, até o terceiro grau, inclusive, interessados no litígio. Pelo exposto, voto no sentido de que se reconheça a nulidade absoluta da decisão de primeira instância." In casu, cumpre esclarecer, que, de certo, o Sr. Luis Carlos Cerqueira (Matricula 0004909) consta identificado como Inspetor da Alfândega no Porto de Manaus no Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n.° 0227600200000285 0, em Manaus, no dia 21 de agosto de 2000, documento este devidamente assinado pelo mesmo, As fls. 1320, para a Contribuinte em questão TCÊ Indústria Eletrônica da Amazônia S/A. Conforme se verifica da decisão recorrida, As fls. 1151, o auditor fiscal da Receita Federal, Luis Carlos Maia Cerqueira, participou como julgador relator do caso na Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, em 22 de setembro de 2006, data do Acórdão DRJ/FOR de n.° 089.139. Portanto, resta configurado o impedimento do referido julgador, visto que este participou da ação fiscal, direta ou indiretamente, e, assim, deveria ter se dado por impedido para o julgamento monocrático. No presente processo, essa preliminar de nulidade somada As demais já é o bastante para que a decisão recorrida seja anulada. Desta feita, deixo de apreciar o mérito do Recurso Voluntário interposto. Com essas considerações, Voto no sentido de declarar a nulidade absoluta do processo a partir da decisão de primeira instância administrativa, para determinar a remessa dos autos a DRJ — Fortaleza/CE para que seja proferida nova decisão, inclusive, com reabertura de prazo para oferecimento de nova impugnação da exigência fiscal.” Caso seja vencida, passo analise do mérito. Relativamente quanto aplicabilidade ou não da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 e no artigo 1º, alteração segunda, do Decretolei n.° 400/68, regulamentado pelo artigo 463, inciso I, do Decreto n.° 2.637/98 quando se tratar de mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial), entendo que: A fiscalização comprovou através de farta documentação, que a Recorrente instruíra Declarações de Importação – DIs com faturas comerciais (invoices) falsificadas ou adulteradas. A fiscalização fundamentou a penalidade lançada no art. 463, I, do Decreto n.º 2.637, de 1998 (Regulamento do IPI – RIPI/98), que regulamentou o art. 83, inciso I, da Lei n.º 4.502, de 1964, com a seguinte redação: "Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.397 15 I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª);" Como se percebe, a aplicação dessa penalidade reclama a configuração das seguintes situações: o consumo ou a entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira quando a importação foi: a) clandestina (aquela que não passou pelo controle aduaneiro); b) irregular (que se realizou em desacordo com as regras que disciplinam a importação) ou c) fraudulenta (a realizada mediante fraude, vale dizer, com máfé deliberada de se furtar ao pagamento dos gravames aduaneiros); d)“ou” – quando o produto importado tiver entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal. A importação clandestina é aquela que ocorre por vias irregulares, por pontos não autorizados, ou seja, sem a tomada de conhecimento da fiscalização, como ocorre nos casos de contrabando e descaminho. As mercadorias que ingressam no pais de forma irregular, então, são aquelas chamadas de importação clandestina. E Importação irregular é aquela onde o contribuinte busca elidirse do pagamento do tributo. Ou seja, a entrada da mercadoria clandestina, irregular ou fraudulenta é aquela que se realiza de forma a afastar todo o contato com a autoridade fazendária, dando a entrada dos bens por vias em que inexiste atuação da fiscalização aduaneira. No entanto, no caso em concreto a penalidade aplicável é outra, já que, foi caracterizado o dano ao Erário – e, como tal, aplicável a pena de perdimento, nos termos do inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37, de 1966 –, deveria ter sido lançada a multa de conversão prevista nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455, de 1976. O art. 105 do Decretolei nº 37/66 traz, em seu inciso VI, hipótese que se adequa perfeitamente aos fatos narrados na autuação. Vejase: Art.105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: ................................................................................................... Fl. 2404DF CARF MF 16 VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; .................................................................................................. Por aplicação do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976, temse que a infração acima descrita é considerada como Dano ao Erário, cuja penalização é a pena de perdimento (§1º), a qual deve ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos casos em que esta não seja localizada (§3º). Vejase a redação do art. 23 vigente à época da ocorrência dos fatos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ................................................................................................... IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. ................................................................................................... § 1º. O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ................................................................................................... § 3º. A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Entendo que para a aplicação de multas há de se observar, sempre, o Princípio da Tipicidade, pelo qual o fato concreto, tido como ocorrido há de corresponder perfeitamente ao tipo hipoteticamente escolhido pelo legislador no texto que define a infração; há de se ter, assim, a adequação perfeita entre o fato da vida e a norma jurídica, de modo que o fato ocorrido se amolde perfeitamente ao tipo contido no núcleo da norma penalizante, cabendo ao aplicador da lei a tarefa de verificar essa correspondência. Desta maneira, ficou claro a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) necessários ao seu desembaraço, como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Neste mesmo sentido já se manifestou a Segunda Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, no julgamento do processo nº 12466.003495/200804, em que figura a mesma contribuinte como autuada e cuja decisão restou assim ementada: IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.398 17 previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66, não sendo aplicável a multa prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64. Recurso de Ofício Negado Vale lembrar que o art. 704 do Decreto n.º 6.759, de 5/2/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009), que, ao referirse o art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, positivou que esta penalidade não é aplicável se houver tipificação mais específica, verbis: Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. Notese que o § 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, foi incluído por meio da Medida Provisória – MP n.º 66, de 29/08/2002 (convertida na Lei n.º 10.637, de 2002), portanto antes da data em que a infração foi constatada pela fiscalização e que resultaria, se ainda existissem, na pena de perdimento das mercadorias importadas. Notase que houve aplicação incorreta da penalidade, o que leve a concluir que o lançamento é nulo por vício material e reconhecível até mesmo de ofício. O vício é no próprio ato (seus elementos estruturais), não na forma do instrumento. Intrínseco ao ato, não exterior a ele. O art. 53 da Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe que “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade”. E o art. 142 do CTN, traz a nulidade material pela ausência de motivação, eis que a autoridade fazendária não pode imputar penalidade incorreta e inadequada à situação concreta, senão vejamos: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 2406DF CARF MF 18 Sendo assim, é de se aplicar ao caso a pena de perdimento, convertida em multa quando não localizadas as mercadorias, conforme previsto no inciso IV e nos §§ 1º e 3º do art. 23 do DecretoLei nº. 1.455/76 c/c o inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37/66, não sendo o caso de se aplicar a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O que, por conseguinte, resta configurada nulidade por vício material. Transcrevo os acórdãos abaixo que tratam do mesmo assunto: · Acórdão 3401002.685: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 25/05/2004 a 24/01/2005 MULTA. ENTREGA A CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO SEM PROVA DE SUA REGULAR IMPORTAÇÃO. É incabível a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 83 da Lei 4.502, de 1966, por entrega a consumo de mercadoria estrangeira quando o que macula a regularidade da sua importação é definido legalmente de forma mais específica como Dano ao Erário.” · Acórdão 3102.001.560: “Assunto: Imposto sobre a Importação –II Data do fato gerador: 23/10/2003, 30/10/2003, 14/11/2003, 04/12/2003, 29/12/2003 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66, não sendo aplicável a multa prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64. · Acórdão 3202000.586: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/03/2004 a 29/07/2004 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO; INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº 4.502/64, ART. 83, INCISO I. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENBTO PREVISTA NO DECRETOLEI Nº 37/66, ART. 105, INCISO VI. As mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial) sujeitamse à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas, conforme previsto no inciso VI do art. 105 do Decreto nº 37/66, por encontrar tipicidade neste dispositivo legal, não sendo aplicável ao caso a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. · Acórdão 3202000.721: “Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 27/03/2003 a 06/08/2007 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 83, I, E 87, II, DA LEI Nº 4.502/1964. APLICABILIDADE DA PENA PREVISTA NO ART. 23, V, §§ 1º E 3º, DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.399 19 A infração de ocultação do real vendedor configura dano ao erário, sujeitando o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas as mercadorias, como determina o artigo 23, V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Descabida a aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei nº 4.502/1964.” Em vista de todo o exposto, voto por, nessa parte, dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Por todo o exposto, voto por conhecer dos Recursos interpostos, dando provimento ao Recurso do sujeito passivo e negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2408DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Conforme indica a ementa do acórdão, a matéria objeto deste voto vencedor resumese ao mérito do recurso especial aviado pela contribuinte, conhecido por unanimidade de votos. As questões a serem dirimidas são as seguintes: 1ª) nulidade do lançamento de ofício, com base nos seguintes argumentos: i) participação no julgamento de primeira instância de autoridade que participou da ação fiscal, tendo inclusive assinado o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, e (ii) falta de apreciação de parecer jurídico, apresentado na fase instrutória, antes do julgamento; 2ª) errônea aplicação da penalidade prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 e art. 1°, alteração segunda, do DecretoLei n° 400/68, regulamentados pelo art. 463, I, do Decreto n° 2.637/98. No que respeita às primeiras, não vemos quaisquer ilegalidades. Com efeito, o só fato de um dos julgadores ter subscrito o MPF que autorizou o procedimento fiscal no qual lavrado o lançamento objeto da decisão colegiada não torna nula a decisão de primeira instância. O MPF, como se sabe, tem por escopo o planejamento e o controle das atividades de fiscalização, visando, ainda, permitir ao sujeito passivo assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra ele instaurada. A simples assinatura da administrativa no MPF não demonstra qualquer interesse na autuação do contribuinte fiscalizado, senão que representa uma mera autorização para que seja verificada a regularidade das operações por ele praticadas. O impedimento aponta para a falta da capacidade subjetiva do julgador, de forma que, não sendo deste a elaboração do ato impugnado (no caso, o lançamento), não há que se falar no seu afastamento para o simples fato de julgar. A reforçar tal entendimento, temse que, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, afora os casos em que haja interesse econômico e financeiro, ou parentesco com a parte interessada, o impedimento do Conselheiro para atuar no julgamento de recurso somente se dá nos casos em que ele tenha participado do ato impugnado, seja como autoridade lançadora, seja em despacho decisório monocrático, ou, seja, ainda, como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau (Portaria MF nº 343, de 2015 RICARF/2015). A conferir: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 10283.003954/200431 Acórdão n.º 9303004.324 CSRFT3 Fl. 2.400 21 § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça parte, como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como atue como seu advogado. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau atuando no escritório do patrono do contribuinte, como sócio, empregado, colaborador ou associado. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Art. 43. Incorre em suspeição o conselheiro que tenha amizade íntima ou inimizade notória com o sujeito passivo ou com pessoa interessada no resultado do processo administrativo, ou com seus respectivos cônjuges, companheiros, parentes consanguíneos e afins até o 3º (terceiro) grau. Igualmente improcedente é a apontada causa de nulidade em razão de a DRJ não ter apreciado o parecer entregue pela recorrente, sob o argumento de que não se aplicaria ao caso o disposto no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, todos os documentos, qualifiquemse ou não como provas na acepção que lhe empresta a recorrente, Fl. 2410DF CARF MF 22 devem ser juntados aos autos na impugnação, notadamente porque, tal como no processo civil, é de se observar, também aqui, o princípio da eventualidade ou da concentração, consistente na preclusão do direito de invocar, em fase posterior, matéria de defesa não manifestada na impugnação, com as exceções legais previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Aliás, o § 5º do mesmo dispositivo dispõe que "A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior" (o § 4º). No mérito, entendemos absolutamente equivocado o entendimento de que o fato de a mercadoria importada ter sido submetida a uma “regular” importação, mediante entrega de DI e pagamento dos tributos aduaneiros sobre os valores declarados, acarretaria, como consequência lógica inarredável, a impossibilidade de se aplicar a penalidade prevista do art. 490, I, do RIPI/2002. Não fosse pela via da interpretação teleológica, a evidenciar que o legislador quis abarcar todas as situações em que a importação se dá ao arrepio do efetivo controle do Fisco e, portanto, do regular cumprimento das normas aduaneiras, a fragilidade dessa tese se mostra ainda mais cristalina quando verificamos que o legislador também inseriu, após a expressão “produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no país”, a conjunção alternativa “ou”, querendo com isso expressar uma alternância (fatos que se realizam separadamente) ao que já fora encartado na mesma norma (“...produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente...”). Assim, não resta a menor dúvida que a importação clandestina não é aquela que se deu de forma irregular ou fraudulenta, porque tais hipóteses se afiguram absolutamente distintas: ou a importação é clandestina (digamos assim, longe dos “olhos” do Fisco), ou se dá de forma irregular, ou, ainda, de forma fraudulenta, não afastando, para a configuração da tipificação legal da penalidade, o fato de ter sido declarada em DI. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914393/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.577
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 43 93 /2 01 2- 63 Fl. 95DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10830.914393/201263 Acórdão n.º 3401003.577 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 97DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10830.914393/201263 Acórdão n.º 3401003.577 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 99DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006935/2003-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
Ementa:
A atividade de montagem e manutenção de elevadores depende de
habilitação profissional pelo órgão competente (engenheiro), conforme Decisão Normativa Confea nº 36, de 31 de julho de 1991, sendo vedada a sua inclusão no Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 1802-001.113
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 Ementa: A atividade de montagem e manutenção de elevadores depende de habilitação profissional pelo órgão competente (engenheiro), conforme Decisão Normativa Confea nº 36, de 31 de julho de 1991, sendo vedada a sua inclusão no Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10830.006935/200331 Acórdão n.º 180201.113 S1TE02 Fl. 41 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10830.006935/200331 Acórdão n.º 180201.113 S1TE02 Fl. 42 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas – SP (DRJCPS), que decidiu, por unanimidade de votos, manter a exclusão da ora Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, fundamentando que a simples alegação da Recorrente de que não exerce atividade de profissional de engenharia não pode superar a declaração de vontade impressa na redação do contrato social atinente ao objeto social. Para descrever os fatos e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório no 466.674, de 07 de agosto de 2003 (f1.18), em virtude de o contribuinte exercer atividade econômica não permitida — Código CNAE 45411/00 (Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas). Cientificado de sua exclusão em 26/08/2003 (fl. 08), o contribuinte apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) em 29/08/2003 (fls. 01/07), alegando prestar serviços de montagem e manutenção de elevadores, e comercializar peças e acessórios para elevadores, através dos próprios sócios, não havendo funcionários contratados. A montagem seria feita através de reunião de partes físicas pré fabricadas dos elevadores, não envolvendo a parte de instalação elétrica, sendo serviço prestado sob orientação da empresa responsável pelo projeto, construção e instalação dos elevadores, que assume a responsabilidade técnica geral; dessa forma não demanda conhecimentos técnicos específicos de engenharia, nem habilitação profissional legalmente exigida. A manutenção consistiria na "reposição de peças mecânicas danificadas, não envolvendo a parte elétrica”. A DRF de origem, entendendo tratar a matéria de competência desta DRJ, considerou a SRS como manifestação de inconformidade, encaminhando os autos diretamente a esta unidade para julgamento (fl. 19).” A DRJCPS indeferiu a solicitação da ora Recorrente através do Acórdão n° 0517.423 de 25 de Abril de 2007, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10830.006935/200331 Acórdão n.º 180201.113 S1TE02 Fl. 43 4 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Anocalendário: 2002 CIRCUNSTANCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientifico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Solicitação Indeferida” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, que a natureza do serviço que presta é de baixa complexidade, o que não exige dos executores habilitação profissional de engenheiro, de modo que não estaria enquadrada no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n°. 9.317/06. É o relatório, passo a decidir Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10830.006935/200331 Acórdão n.º 180201.113 S1TE02 Fl. 44 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A exclusão da Recorrente do Simples foi enquadrada na hipótese prevista no art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." (grifouse) No caso em tela, o Contrato Social (fls. 5/7) descreve o objeto social da Recorrente como atividade de “MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE ELEVADORES E COMÉRCIO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA ELEVADORES”. Por outro lado, constatase que o artigo 4° da Lei n°. 10.964/2004, ao elencar os serviços de engenharia que poderiam ser incluídos na sistemática do Simples não incluiu a atividade desenvolvida pela Recorrente neste rol, qual seja, a montagem e manutenção de elevadores. Cumpre salientar também que alegação da Recorrente no sentido de que o desenvolvimento de sua atividade de montagem e manutenção de elevadores exigiria menor complexidade técnica, o que não demandaria o envolvimento de um engenheiro na sua execução, não está comprovada nos autos, pois, tanto em primeira instância, como após a interposição do Recurso Voluntário não foi juntado nenhum documento adicional além do seu contrato social para demonstrar que a sua atividade dispensaria a necessidade de habilitação profissional. A atividade exercida pela Recorrente não está em conformidade com o preceituado pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, órgão responsável pela fiscalização e regulamentação da atividade desenvolvida pela Recorrente que exige um responsável técnico com registro no CREA. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10830.006935/200331 Acórdão n.º 180201.113 S1TE02 Fl. 45 6 Nesse sentido, o referido Conselho, dentro da sua competência, expediu a Decisão Normativa n° 36 de 31 de Julho de 1991, que determina a necessidade da existência de um responsável técnico nas atividades desenvolvidas em elevadores e escadas rolantes, conforme explicita trecho abaixo transcrito: (...) 1 DAS ATIVIDADES RELATIVAS A "ELEVADORES E ESCADAS ROLANTES”: 1.1 As atividades de projeto, fabricação, instalação ou montagem, manutenção (prestação de serviços com ou sem fornecimento de material e sem alteração do projeto) e laudos técnicos de equipamentos eletromecânicos do tipo "elevador", "escada rolante” ou similares, somente serão executados, sob a responsabilidade técnica de profissional autônomo ou empresa habilitados e registrados no CREA.” (grifouse). Diante do exposto, fica claro que a Recorrente necessita de um responsável técnico para executar suas atividades, devendo esse profissional, necessariamente, ser registrado e habilitado perante o respectivo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA. Sendo assim, a alegação da Recorrente não encontra qualquer embasamento legal e muito menos junto ao órgão responsável pela regulamentação e fiscalização de suas atividades que preceitua a necessidade de um responsável técnico devidamente habilitado e credenciado para manutenção e montagem de elevadores. Diante de tal contexto, é certo que a Recorrente está enquadrada na vedação preceituada pelo artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96. Corroborando o posicionamento aqui sustentado, destacase uma decisão deste Colegiado em caso similar, no qual o julgador verificou junto ao órgão competente a necessidade de habilitação técnica para o desenvolvimento da atividade, aplicando a mesma hipótese de exclusão do Simples debatida nestes autos, a saber: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Exercício: 2002 EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. O exercício da atividade de reparo em embarcações, ainda que de pequeno porte, depende de habilitação profissional pelo órgão competente, exceto se presentes as condições previstas na Decisão Normativa Confea nº 43/92, o que, no caso, não se confirmou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.” (CARF, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção, Acórdão n. 120100.397, Sessão de 28 de janeiro de 2011). Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10830.006935/200331 Acórdão n.º 180201.113 S1TE02 Fl. 46 7 Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a decisão da DRJ/CPS pelos seus próprios termos. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10235.000400/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO CREDOR DE CAIXA. CONSTATAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETIVADOS E NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PREVALÊNCIA Subsiste a presunção legal de omissão de receitas por verificado saldo credor de caixa decorrente da não escrituração de pagamentos efetivamente realizados, quando o contribuinte, muito intimado a fazê-lo, não comprova a origem dos valores utilizados.
Numero da decisão: 1802-000.696
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO CREDOR DE CAIXA. CONSTATAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETIVADOS E NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PREVALÊNCIA Subsiste a presunção legal de omissão de receitas por verificado saldo credor de caixa decorrente da não escrituração de pagamentos efetivamente realizados, quando o contribuinte, muito intimado a fazê-lo, não comprova a origem dos valores utilizados.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO CREDOR DE CAIXA. CONSTATAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETIVADOS E NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PREVALÊNCIA Subsiste a presunção legal de omissão de receitas por verificado saldo credor de caixa decorrente da não escrituração de pagamentos efetivamente realizados, quando o contribuinte, muito intimado a fazêlo, não comprova a origem dos valores utilizados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão. Fl. 762DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Belém/PA. Trata o presente processo de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), com fatos geradores ocorridos no ano de 2005, lavrado em decorrência de insuficiência de recolhimento apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e de compras realizadas, pagas e não escrituradas no Livro Caixa da empresa, resultando na constatação de saldo credor de caixa. Devidamente notificada da autuação (fl. 426), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 426 – 432) alegando em síntese, que as entradas e saídas de mercadorias no estoque da empresa, não podem ser confundidas com as entradas e saídas no Livro Caixa, porquanto neste, toda entrada é debitada, enquanto as saídas são creditadas. Alegou ainda, que as notas fiscais de compras entranhadas aos autos, demonstrariam as datas de pagamento e/ou vencimento das faturas e, portanto, foi confundida ENTRADA de mercadoria com SAÍDA de recursos, e a autoridade teria se equivocado ao adicionar na base de cálculo as "receitas escrituradas e não declaradas" (terceira coluna do demonstrativo de fl. 427) com as "receitas não escrituradas resultante do Saldo Credor de Caixa" (segunda coluna), excluindo do total as receitas declaradas, porquanto com essa atitude teria causadose uma bitributação dos valores que em tese deveriam estar no caixa da empresa. Teceu outras considerações e requereu a improcedência da autuação. A 1ª Turma da Turma da DRJ de Belém/PA, nos termos do acórdão e voto de folhas 441 a 444, julgou o lançamento procedente, consignandose que segundo a legislação fiscal, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção e que, escriturado o valor, este só pode ser desconsiderado se comprovado o erro com fundamento em documentos hábeis e sendo a pretensão fiscal munida de robustas provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstituam o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Devidamente notificado (fl. 447) o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 448 – 453) reiterando os argumentos já relatados, refutando o entendimento da decisão recorrida e pugnando por provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 763DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10235.000400/200881 Acórdão n.º 180200.696 S1TE02 Fl. 2 3 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A situação em análise se relaciona à constatação fiscal de ter havido, no ano calendário 2005, saldo credor de caixa, verificado pela identificação de compras realizadas, pagas e não escrituradas no Livro Caixa da recorrente. Observase, portanto, que a materialidade da autuação está contida no fato de a recorrente ter efetivado pagamentos (Petrobrás Distribuidora S.A.) e não os escriturado, resultando na constatação fiscal de ter havido saldo credor de caixa (fls. 21 a 31). Andou bem a decisão recorrida ao ressaltar que a Fiscalização refez o fluxo de caixa para a apuração do saldo credor, e que a despeito disso o artigo 40 da Lei 9.430/96, por si só caracteriza como omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos. Nesse contexto, apresentase de fato oportuna a transcrição do indigitado artigo, observese, in verbis: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. (...) Diante desse panorama da legislação de regência, a digressão empreendida pela Fiscalização e reafirmada pela decisão recorrida se deu em verificar se os ditos pagamentos não escriturados de fato existiram. Com efeito, diante dos fatos imputados à recorrente e da legislação que rege a matéria, a prevalência da autuação ou o provimento do Recurso Voluntário passam por essa constatação, que se levada a cabo não socorre à contribuinte, já que a Fiscalização tomou o cuidado de intimar a Petrobrás Distribuidora S.A., a fim de que se manifestasse sobre a concretude dos pagamentos e relacionasse os pertinentes documentos fiscais lastreadores. Em resposta, a dita distribuidora apresentou declaração e documentos (notas fiscais fls. 43 a 54 e 125 a 422), relacionando os pagamentos e as respectivas notas fiscais. Foi precisamente nesse contexto, que a recorrente foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras realizadas da Petrobrás Distribuidora S/A, já que estes pagamentos não foram identificados na escrituração do Livro Caixa da empresa no ano calendário 2005 (fls. 55 a 61). Reafirmase, portanto, que o auto de infração se prestou a questionar a origem dos recursos utilizados para pagamento (comprovado) ao fornecedor, porquanto a contribuinte não os escriturou, redundando na presunção legal de omissão de receitas. Fl. 764DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Ora, assim sendo, para desabonar a pretensão fiscal cabia à recorrente ou identificar a origem dos valores utilizados para pagamento, o que afastaria a presunção de saldo credor de caixa, ou comprovar que as compras foram devidamente escrituradas. Como tais provas não foram encartadas aos autos, entendo que a decisão recorrida não merece reparos já que cotejou o caso concreto à luz da legislação de regência, motivo pelo qual, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 765DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002054/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Jorge Freire - Presidente em exercício.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Jorge Freire Presidente em exercício. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em comento, adoto como meu o relatório desenvolvido pela DRJ Recife, quando da lavratura do acórdão n. 11042.391 (fls. 389/402), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em desfavor de Santista Têxtil Brasil S.A. foi lavrado auto de infração com vistas à formalização da cobrança das multas de 30%, por falta de licença de importação, e de 1%, por erro de classificação fiscal, resultando na exigência fiscal de R$ 276.125,88 (duzentos e setenta e seis mil cento e vinte e cinco reais e oitenta e oito centavos). Conforme descrito no Relatório às fls. 17 a 21 (numeração eletrônica), a autuada importara e classificara erroneamente o produto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 02 05 4/ 20 08 -7 9 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10510.002054/200879 Resolução nº 3402001.024 S3C4T2 Fl. 540 2 comercialmente denominado Corante Dystar indigo vat 40% solução, assim descrito na declaração de importação: “Corante a cuba Índigo Blue, solução 40%, dystar, densidade 1,200 g/cm3 (200 C), solubilidade em água, facilmente solúvel, ph 13,0 (200 C) não diluído, qualidade industrial”. Observa a autoridade fiscal que nas operações em tela fora utilizado benefício fiscal de suspensão inerente ao Regime de Drawback, conforme ato concessório no 20070065608. No que concerne à identificação e classificação fiscal do produto, aduz a autoridade fiscal que, após solicitação de esclarecimentos à interessada, restou comprovado que a mercadoria em tela enquadrar seia no colour index 73001. Equivocadamente, todavia, a autuada teria indicado o código NCM 3204.15.10 (referente a corante índigo blue, segundo colour index 73000), quando, na realidade, tratandose do colour index 73001, o produto seria corretamente classificado no item 3204.15.90. O erro de classificação fiscal detectado, embora não resultasse em diferença de tributos, posto que as alíquotas relativas a ambas as posições tarifárias seriam idênticas, ensejaria a imposição da multa administrativa por falta de Licença de Importação, uma vez que o código tarifário correto estaria sujeito a licenciamento não automático pela Secex, além da multa regulamentar por erro de classificação fiscal. (...). 2. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 289/311, a qual foi julgada improcedente (acórdão n. 11042.391 fls. 389/402), conforme se observa da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/08/2007, 07/08/2007, 15/08/2007, 31/08/2007, 19/09/2007, 24/09/2007 INDIGO BLUE REDUZIDO COLOUR INDEX 73001. NCM 3204.15.90. Dystar Índigo Vat 40% solução (índigo blue reduzido, colour index 73001) classificase no código 3204.15.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tarifa Externa Comum, aprovada pela Resolução Camex n.º 43, de 22 de dezembro de 2006, republicada em 9 de janeiro de 2007. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. CABIMENTO. Demonstrado que o erro na indicação da classificação prejudicou o exercício do controle administrativo das importações, cabível é aplicação de multa de 30%, por falta de licenciamento. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10510.002054/200879 Resolução nº 3402001.024 S3C4T2 Fl. 541 3 A multa de 1%, aplicada em razão de erro na indicação da classificação fiscal, convive com a multa administrativa por falta de licenciamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/08/2007, 07/08/2007, 15/08/2007, 31/08/2007, 19/09/2007, 24/09/2007 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a classificação fiscal da mercadoria não foi referendada pelo Fisco, que desembaraçou automaticamente a mercadoria que se encontrava incorretamente descrita. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Intimado da referida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 420/446, oportunidade em que repisou as alegações tratadas em impugnação, quais sejam: (i) que em processo judicial promovido por terceiro houve o reconhecimento quanto à adequação da classificação fiscal atribuída pela recorrente ao produto analisado no presente processo administrativo; (ii) que a presente exigência fiscal implica a alteração de critério jurídico do lançamento, já que durante anos a recorrente e outras empresas do mercado utilizaram para o produto importado a classificação fiscal agora questionada pela fiscalização; (iii) é improcedente a multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, uma vez que o contribuinte teria declarado adequadamente a mercadoria importada em sua DI, a qual não estaria sujeita à prévia LI; (iv) é improcedente a multa de 1% aplicada sobre o valor aduaneiro da mercadoria, já que não houve erro na descrição da mercadoria importada; e, por fim Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10510.002054/200879 Resolução nº 3402001.024 S3C4T2 Fl. 542 4 (v) é nulo o lançamento fiscal, uma vez que a fiscalização teria embasado a presente exigência sem amparo de laudo técnico a fundamentar a reclassificação fiscal perpetrada. 4. É o relatório. Voto 5. Conforme se observa dos autos, a presente discussão gravita em torno da classificação fiscal atribuída ao produto importado pela Recorrente e objeto de revisão fiscal. 6. Segundo alega o contribuinte, o produto em questão enquadravase na posição 3204.15.10 da TECIPI, vigente à época dos fatos e assim descrita: 3204 Matérias corantes orgânicas sintéticas, mesmo de constituição química definida; preparações indicadas na Nota 3 do presente Capítulo, à base de matérias corantes orgânicas sintéticas; produtos orgânicos sintéticos do tipo utilizado com agentes de avivamento fluorescentes ou como luminóforos, mesmo de constituição química definida. 3204.15 Corantes de cuba (incluindo os utilizáveis, no estado em que se apresentam, como pigmentos) e preparações à base desses corantes. 3204.15.10 Indigo blue segundo Colour Index 73.000 7. Por sua vez, a fiscalização alega que referido produto deveria ter sido enquadrado na posição 3204.15.90 da TECIPI vigência á época e que era assim descrita: 3204.15.90 Outros corantes à cuba e preparações a base desses corantes. 8. Importante registrar que essa diferença de classificação não redundou em exigência de tributos, uma vez que ambas classificações apresentavam as mesmas alíquotas para fins de IPIimportação e Imposto de Importação. Em verdade, tal distinção implicou apenas a exigência de (i) multa por importação de mercadoria desamparada de licença de importação e (ii) multa por importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul; 9. Não obstante, segundo consta dos autos e exposto no relatório alhures desenvolvido, a exigência fiscal não se pautou em um laudo técnico, mas sim em informações técnicas obtidas junto ao sítio eletrônico da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), bem como ficha de dados de segurança veiculada pela empresa exportadora (Dystar) (fls. 269/274). Segundo a fiscalização tais informações seriam suficientes para a reclassificação do produto importado. 10. O contribuinte, entretanto, traz com sua impugnação laudos técnicos elaborados pelo Laboratório Falcão Bauer (fls. 339 e 341) a pedido da Receita Federal em Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10510.002054/200879 Resolução nº 3402001.024 S3C4T2 Fl. 543 5 outros processos administrativos de outros contribuintes nos quais, aparentemente, se debate a mesma questão aqui tratada: a classificação fiscal da mercadoria importada pela recorrente. Em tais laudos, a mercadoria importada pela recorrente é qualificada como "preparação à base de Índigo Blue, segundo Colour Index 73001". 11. Diante deste quadro, é possível perceber que há uma dúvida real quanto à correta classificação do produto tratado no caso decidendo. 12. Assim, para a devida análise da demanda por parte deste Tribunal Administrativo tornase essencial a realização de elaboração de perícia técnica para providenciar o que segue: (i) identificar a composição química do "Indigo blue reduzido Colour Index 73.000" e dos corantes importados pela recorrente no presente caso, discriminando, analiticamente, eventuais diferenças entre tais produtos; (ii) responder se eventuais diferenças entre tais bens são suficientes para impedir a classificação das mercadorias importadas como "Indigo blue reduzido Colour Index 73.000". 13. Antes, todavia, da realização da perícia, deverá o contribuinte ser intimado para, querendo, apresentar quesitos e indicar assistente técnico. Na hipótese de indicação de assistente técnico este deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para que possa acompanhála. 14. Concluída a perícia, bem como apresentada a manifestação da unidade preparadora, o contribuinte deverá ser intimado para, querendo, manifestarse a respeito da providência tomada em até 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 15. Ato contínuo, este processo deverá retornar para este Tribunal e, antes de movimentação para este Relator, deverá ser dada oportunidade para que a Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifeste a respeito do laudo produzido. 16. Tomadas todas as providências acima indicadas, o processo deverá ser movimentado para este Relator ou quem lhe fizer as vezes para fins de julgamento. 17. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721432/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. DECISÃO. APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. OCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DAS ALEGAÇÕES DE VÍCIO.
Não há nulidade na decisão recorrida que aprecia os pontos de impugnação aventados e se sustenta em processo instruído com peças, provas e documentos indispensáveis e capazes de demonstrar a descrição dos fatos, a capitulação legal dos dispositivos infringidos e suficientes para o conhecimento da infração incorrida, inexistindo, nesse casso, preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
NULIDADE. MULTA. ERRO DE CAPITULAÇÃO. LEI REVOGADA. RECLASSIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A multa fundada em lei revogada, imposta a um único período de apuração mensal, quando corretamente imposta a diversos períodos fiscalizados em que a mesma lei era vigente, não tem o poder de macular todo o trabalho fiscal resultante no lançamento, devendo ser reclassificada nos termos da nova lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL AUTÔNOMO PRESTADOR DE SERVIÇO E EMPREGADO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADES E JORNADA SEGREGADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS CONSIDERADOS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
É permitido ao empregado prestar serviço ao seu empregador na condição de contribuinte individual autônomo, desde que as atividades e os horários de trabalho sejam diversos entre si. Ausente comprovação da segregação de atividades e horários de jornadas, os rendimentos creditados pelo empregador ao empregado que também lhe presta serviço na condição de contribuinte individual autônomo devem ser considerados como salário de contribuição, sujeitos à incidência das Contribuições Previdenciárias Patronais.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas conforme os termos estritamente definidos pela legislação previdenciária. Ausente essa observância, incidem as Contribuições Previdenciárias Patronais.
BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA. CONCESSÃO. EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO.
Por expressa disposição do artigo 22, I, da Lei nº 8.212/91, integram o salário de contribuição do empregado as remunerações pagas, devidas ou creditadas destinadas a retribuir o salário, inclusive na forma de utilidades. O artigo 458, § 2º, II, expressamente afasta o caráter salarial do auxílio educação, retirando - portanto - da incidência da norma tributária, tal utilidade, mormente no período do lançamento tributário em apreço.
Numero da decisão: 2201-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento BO. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 26/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. DECISÃO. APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. OCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DAS ALEGAÇÕES DE VÍCIO. Não há nulidade na decisão recorrida que aprecia os pontos de impugnação aventados e se sustenta em processo instruído com peças, provas e documentos indispensáveis e capazes de demonstrar a descrição dos fatos, a capitulação legal dos dispositivos infringidos e suficientes para o conhecimento da infração incorrida, inexistindo, nesse casso, preterição do direito de defesa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. MULTA. ERRO DE CAPITULAÇÃO. LEI REVOGADA. RECLASSIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A multa fundada em lei revogada, imposta a um único período de apuração mensal, quando corretamente imposta a diversos períodos fiscalizados em que a mesma lei era vigente, não tem o poder de macular todo o trabalho fiscal resultante no lançamento, devendo ser reclassificada nos termos da nova lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL AUTÔNOMO PRESTADOR DE SERVIÇO E EMPREGADO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADES E JORNADA SEGREGADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS CONSIDERADOS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É permitido ao empregado prestar serviço ao seu empregador na condição de contribuinte individual autônomo, desde que as atividades e os horários de trabalho sejam diversos entre si. Ausente comprovação da segregação de atividades e horários de jornadas, os rendimentos creditados pelo empregador ao empregado que também lhe presta serviço na condição de contribuinte individual autônomo devem ser considerados como salário de contribuição, sujeitos à incidência das Contribuições Previdenciárias Patronais. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas conforme os termos estritamente definidos pela legislação previdenciária. Ausente essa observância, incidem as Contribuições Previdenciárias Patronais. BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA. CONCESSÃO. EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO. Por expressa disposição do artigo 22, I, da Lei nº 8.212/91, integram o salário de contribuição do empregado as remunerações pagas, devidas ou creditadas destinadas a retribuir o salário, inclusive na forma de utilidades. O artigo 458, § 2º, II, expressamente afasta o caráter salarial do auxílio educação, retirando - portanto - da incidência da norma tributária, tal utilidade, mormente no período do lançamento tributário em apreço.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento BO. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 26/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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DECISÃO. APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. OCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DAS ALEGAÇÕES DE VÍCIO. Não há nulidade na decisão recorrida que aprecia os pontos de impugnação aventados e se sustenta em processo instruído com peças, provas e documentos indispensáveis e capazes de demonstrar a descrição dos fatos, a capitulação legal dos dispositivos infringidos e suficientes para o conhecimento da infração incorrida, inexistindo, nesse casso, preterição do direito de defesa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. MULTA. ERRO DE CAPITULAÇÃO. LEI REVOGADA. RECLASSIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A multa fundada em lei revogada, imposta a um único período de apuração mensal, quando corretamente imposta a diversos períodos fiscalizados em que a mesma lei era vigente, não tem o poder de macular todo o trabalho fiscal resultante no lançamento, devendo ser reclassificada nos termos da nova lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL AUTÔNOMO PRESTADOR DE SERVIÇO E EMPREGADO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADES E JORNADA SEGREGADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS CONSIDERADOS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É permitido ao empregado prestar serviço ao seu empregador na condição de contribuinte individual autônomo, desde que as atividades e os horários de trabalho sejam diversos entre si. Ausente comprovação da segregação de atividades e horários de jornadas, os rendimentos creditados pelo empregador AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 14 32 /2 01 2- 04 Fl. 361DF CARF MF 2 ao empregado que também lhe presta serviço na condição de contribuinte individual autônomo devem ser considerados como salário de contribuição, sujeitos à incidência das Contribuições Previdenciárias Patronais. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas conforme os termos estritamente definidos pela legislação previdenciária. Ausente essa observância, incidem as Contribuições Previdenciárias Patronais. BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA. CONCESSÃO. EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO. Por expressa disposição do artigo 22, I, da Lei nº 8.212/91, integram o salário de contribuição do empregado as remunerações pagas, devidas ou creditadas destinadas a retribuir o salário, inclusive na forma de utilidades. O artigo 458, § 2º, II, expressamente afasta o caráter salarial do auxílio educação, retirando portanto da incidência da norma tributária, tal utilidade, mormente no período do lançamento tributário em apreço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento BO. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 26/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 362 3 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 293/335) interposto contra decisão da DRJBelo Horizonte (fls. 276/284) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através dos Autos de Infração DEBCAD nº 37.354.7382 (fls. 03), nº 37.354.7390 (fls. 04/32) e nº 37.354.7404 (fls. 33/58) nos valores de R$ 186.085,20, R$ 1.092.057,91 e R$ 229.109,92, respectivamente, já acrescidos de multa de ofício, além de multa e juros moratórios lavrados em decorrência de procedimento fiscal realizado nos registros da Recorrente (fls. 67/73) – precedido de Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.01.00201100388, Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 67/68) e Termos de Intimação Fiscal nº 01 (fls. 69/70) e nº 02 (fls. 71/72) – relativos às Contribuições devidas à Previdência Social, da seguinte forma: a. DEBCAD 37.354.7382 (fls. 03): Apresentar GFIP com dados incorretos relativos ao valor dos salários de contribuição e das contribuições decorrentes; b. DEBCAD 37.354.7390 (fls. 04/32): Deixar de considerar como base de cálculo da Contribuição Social destinada à Seguridade Social, correspondente à contribuição da empresa (patronal), e da GILRAT, as remunerações pagas aos segurados empregados a título de “bolsa de estudo”, “bolsa de incentivo à pesquisa e extensão” e “recibos de pagamento de autônomo – RPA”; c. DEBCAD 37.354.7404 (fls. 33/58): Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos, denominados terceiros. A fiscalização constatou pagamentos efetuados a segurados empregados – registrados na GFIP como “empregados” e “contribuintes individuais” ao mesmo tempo em duas modalidades: remuneração com base em folha de pagamento e recibo de pagamento de autônomos (RPA), tendo autuado a Recorrente por não ter apresentado documentos que demonstrassem que os valores pagos aos empregados a título de serviços prestados na condição de contribuinte individual autônomo decorreram do exercício de atividades diversas daquelas exercidas como empregado e em horário de trabalho diferente; além de ter deixado de considerar como base de cálculo da Contribuição Social destinada à Seguridade Social os valores pagos aos empregados e seus dependentes a título de “bolsa de estudo”, “bolsa de incentivo à pesquisa e extensão” e via RPA. Inconformada, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 201/234), cujas alegações, resumidas com clareza e pormenores no relatório do acórdão proferido pela DRJ Belo Horizonte, adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcritas: “Nulidade do auto de infração nº .37.354.7382, por ter sido fundamentado em dispositivo legal revogado e nulidade dos autos de infração nºs 37.354.7390 e 37.354.7404, pois dos quais sequer consta a descrição sumária da infração imputada e dispositivo legal supostamente infringido, caracterizando violação do devido processo legal e cerceamento do direito de defesa. É totalmente improcedente o entendimento do Auditor Fiscal de que os valores discriminados na planilha deveriam constar da folha de pagamento do segurado empregado, tendo em vista que, o recolhimento da contribuição observou os exatos termos da legislação vigente, quanto aos serviços prestados por trabalhadores autônomos, independentemente de, Fl. 363DF CARF MF 4 simultaneamente, figurarem em relação laboral diversa com a mêsma organização. Assim, comprovado o recolhimento da contribuição previdenciária na forma da lei, impõese o cancelamento do débito fiscal no que tange ao levantamento discriminado como AS (Diferenças de Risco Ambiental do Trabalho e Terceiros). Em que pese tratarse de obrigação convencional imposta à Impugnante por negociação coletiva, a concessão de bolsas de estudo não caracteriza benefício instituído ao empregado pelo seu desempenho no labor, muito menos vantagem fornecida pela Impugnante como gratificação pelo trabalho desenvolvido ou pelo cargo ocupado. O Auditor não separa as bolsas concedidas em virtude de obrigação convencionada em negociação coletiva, daquelas decorrentes de normas internas, como a que estabelece a concessão de bolsa ao aluno como prêmio pelo desempenho acadêmico no decorrer do curso, revelada na cerimônia de Colação de Grau. A instituição de prêmio de bolsa acadêmica para o aluno que sobressaiu em seu curso, e que, por acaso, possui relação empregatícia com a Impugnante, jamais autorizaria o entendimento de que este custo integra o salário de contribuição para efeito de incidência previdenciária. Que a definição constante do relatório dos autos de infração quanto aos levantamentos discriminados como Cl e Dl é insubsistente e evasiva, o que, por si só, torna a autuação eivada de nulidade, por afrontar o princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpido no inciso LV, art. 5° da CF/88. Caso não decrete a nulidade do auto por afronta ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, o que se admite apenas em decorrência do princípio da eventualidade, requer a Impugnante sejam devidamente compensados os valores efetivamente recolhidos a título de contribuições sociais. A bolsa de pesquisa não integra a remuneração do empregado, e, consequentemente, não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, pois não integra a base de cálculo do salário de contribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9º, t, da Lei 8.212/1991, assim como a definição jurídica tratada no art. 458, § 2o, da CLT, motivo pelo qual as autuações devem ser rechaçadas. Reiterase que o AI n.° 373547390 faz alusão às contribuições previdenciárias devidas pelo empregador. Entretanto, não verificado o fato previsto em lei a ensejar o recolhimento previdenciário, impõese constatar que tal contribuição não é devida. O fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento, pelo empregador, de valores à pessoa física que lhe preste serviços. As verbas discriminadas no malfadado auto de infração n.° 373547390, quais sejam (AS, BO, Cl, DF e PI), conforme sobejamente demonstrado, não Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 363 5 caracterizam remuneração paga ou creditada aos segurados a serviço da Impugnante. Neste diapasão, como o fato gerador de contribuições previdenciárias somente surge no momento do recebimento de valores em decorrência do trabalho prestado, o Al n.° 373547390 não merece prosperar devendo ser totalmente anulada a penalidade aplicada, no valor de um milhão, noventa e dois mil e cinquenta e sete reais e noventa e um centavos. O malsinado AI n.° 373547404 referese às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, discriminadas no Demonstrativo consolidado: FNDE, INCRA, SESC, SEBRAE. Contudo, conforme cabalmente demonstrado, o auto em epígrafe versa sobre verbas (AS, BO, DF c PI) que não integram o salário de contribuição. Portanto, salientase a inocorrência do fato gerador apto a ensejar a obrigação do recolhimento da suposta contribuição previdenciária imputada, impondose, pois, a improcedência da autuação. O AI n.° 373547382 referese a obrigação acessória de recolhimento de multa no importe de cento e oitenta e seis mil, oitenta e cinco reais e vinte centavos. Com efeito, impõese o cancelamento da autuação em comento tendo em vista que referente a suposto descumprimento de obrigação acessória de declarar as contribuições previdenciárias em GFIP. Concessa vênia, tendo em vista a inocorrência dos fatos geradores das pretendidas contribuições conforme amplamente demonstrada, não há como penalizar a Impugnante pela não declaração na GFIP de tais verbas. Que se as verbas representadas pelo Sr. Auditor pelas siglas DF, Cl, PI, BO e AS não caracterizam remuneração, portanto não incidindo contribuição previdenciária, não há qualquer obrigação de declarar as referidas verbas em GFIP. Assim, impõese o cancelamento do AI n.° 373547382, em decorrência de regra basilar do direito que determina que o acessório segue o principal. Neste diapasão, se insubsistentes as autuações que representam obrigação principal, da mêsma forma deve ser decretada a improcedência da autuação que representa obrigação acessória. Requer: 1) seja acolhida a preliminar de nulidade aduzida e, consequentemente, arquivados os autos de infração, uma vez que afrontam os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, além de não observarem a estrita legalidade para a exteriorização do ato; 2) ultrapassada a preliminar suscitada, o que se admite por argumento, impõese seja julgada procedente a presente impugnação e, por via de consequência, determinado o cancelamento dos autos de infração impugnados (Al n°s 373547382. 373547390 e 373547404) e dos respectivos lançamentos previdenciários/fiscais levados a efeito. Fl. 365DF CARF MF 6 3) Outrossim, em observância ao princípio da eventualidade, requer a compensação dos valores pagos a igual título dos apontados nos autos.” A DRJBelo Horizonte/MG julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EMPREGADO E AUTÔNOMO À MÊSMA EMPRESA. A prestação de serviços por uma pessoa na condição de empregado e autônomo para uma mêsma empresa pode ser permitida, desde que as atividades sejam inteiramente diversas e o horário de trabalho na condição de empregado seja bem definido, não se confundindo com o período de prestação de serviços como autônomo. BOLSA DE ESTUDO A previsão legal de exclusão do saláriodecontribuição somente é aplicável aos pagamentos de plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao benefício. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao órgão julgador administrativo se manifestar sobre argumentos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 364 7 Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão de primeira instância em 04/12/2012 (fls. 290), a Recorrente interpôs tempestivamente, em 03/01/2013, Recurso Voluntário (fls. 293/335), nos seguintes termos: a. Nulidade do Acórdão da DRJ por Ausência de Fundamentação: A decisão proferida pela DRJ deixou de examinar os argumentos da Recorrente, limitandose a negar provimento à sua Impugnação, sob a fundamentação de que os Autos de Infração foram lavrados por autoridade competente, porém, sem dedicar qualquer consideração às razões de fato e de direito alegadas quanto à nulidade dos referidos autos no sentido de ausência de descrição do fato imputado e da disposição legal infringida; b. Quanto às alegações de ilegalidades aventadas pela Recorrente, o Acórdão da DRJ se limitou a informar que não caberia àquele órgão julgador se manifestar a respeito de tal tema, com base no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72; c. A decisão recorrida é carente de fundamentação, pois deixou de rebater as alegações de nulidade e ilegalidades, o que é vedado aos julgadores administrativos, que são obrigados a analisar pormenorizadamente todas as alegações inseridas na Impugnação e decretarem, ex officio, os atos ilegais; d. O julgador de piso interpretou erroneamente o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, pois este dispositivo não veda o exame de legalidade do ato administrativo, e se assim o fizesse, estaria desnaturando o princípio da legalidade. Assim, esta norma veda apenas o exame de inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto; e. Ao deixar de analisar as alegações de nulidade e ilegalidade promovidas pela Recorrente, o julgador de piso infringiu os princípios do contraditório e da ampla defesa, o que gera a nulidade do Acórdão da DRJ. Em razão disso, requer o reconhecimento da nulidade da decisão, por vício decorrente da ausência de fundamentação; f. Mêsmo tendo restado comprovada a ausência de elementos de validade dos autos de infração, quais sejam, a falta de descrição do fato imputado e o dispositivo legal infringido, o julgador de piso se limitou a informar que os mencionados autos cumpriram os requisitos legais exigidos pelos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, sem sequer verificar se os mêsmos tinham sido cumpridos; g. A decisão recorrida fundamenta suas razões no fato de que os autos de infração foram lavrados por servidor competente, sendo que essa autoria não foi contestada e nem está relacionada à nulidade presente nos autos, que por sua vez, está relacionada à preterição do direito de defesa e ao vício de legalidade; h. Por sua ofensa à lei, a invalidação dos autos tem efeitos ex tunc, retroagindo à origem dos fatos e fulminando suas posteriores implicações; Fl. 367DF CARF MF 8 i. Houve incorreto enquadramento dos dispositivos que fundamentaram a multa aplicada pelo Auto de Infração nº 37.354.7382, posto que já revogados à época da sua lavratura, o que vicia o auto na sua integralidade; j. A decisão recorrida é carente de fundamentação quanto à nulidade apontada nos AIs DEBCADs nº 37.354.7390 e nº 37.354.7404, nos quais não consta a descrição dos fatos e dos dispositivos legais infringidos e, por assim ser, afronta o princípio da legalidade, que norteia a Administração Pública, causando prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, que requer a nulidade dos autos de infração e a extinção das penalidades impostas; k. Pagamentos Efetuados a Empregado Contribuinte Autônomo: A Recorrente recolheu as contribuições sociais destinadas à Previdência Social e à Terceiros com base nos pagamentos realizados a empregados nas condições de “empregados propriamente ditos” e de “contribuintes individuais autônomos, em razão de serem, simultaneamente, prestadores de serviço para a Recorrente; l. A contribuição incidente sobre os valores pagos aos empregados, mas na condição de contribuintes individuais autônomos, se limita a 20% sobre a remuneração creditada em contraprestação pela prestação de serviços por estes, não merecendo prosperar a alegação de incidência também da GILRAT e da contribuição destinada a terceiros; m. Os empregados da Recorrente que receberam remuneração também por serviços prestados na condição de autônomos mantiveram com esta contratos específicos de prestação de serviço, cujo objeto divergia das atividades e funções que estes prestavam a ela na condição de empregados, conforme relatório (planilha) reportando o nome destes empregados, e documentos relacionados a um empregado em específico, o Sr. Fabiano Botelho Siqueira, juntados por amostragem, como por exemplo, Fichas de Registro, Contratos de Prestação de Serviço e Contratos de Trabalho; fato que desnatura a decisão recorrida no ponto em que se fundou “na ausência de provas de que as atividades foram desenvolvidas em relações de trabalho distintas”; n. Junta, a título de exemplo, contratos de prestação de serviços firmados com alguns professores empregados em 2008, contratados para realizarem trabalhos autônomos e individualizados e de cessão de direitos de imagem, que em nada se relacionam com as atividades exercidas pelos mêsmos na constância da relação de emprego; o. Sobre os valores pagos aos empregados na condição de contribuintes autônomos foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, com base no código da categoria 13, conforme dispõe o Manual da GFIP (IN INSS/DC nº 94/2003), o que desnatura a alegação da fiscalização de que estes valores deveriam constar da folha de pagamento dos segurados empregados; e comprova o recolhimento das mencionadas contribuições, impondose, assim, o cancelamento do crédito lançado com base nos valores indicados sob a sigla “AS” (Diferenças de Risco Ambiental do Trabalho e Terceiros), nas suas denominações “AS1”, “AS2” e “AS3”, nos autos nº 37.354.7390 e nº 37.354.7404; p. Pagamentos Efetuados a Título de Bolsa de Estudo: O Fornecimento de bolsas de estudo e pesquisa não é considerado “ganho econômico” ou “vantagem” capazes de consideralo como parcela salarial, conforme o artigo 458 da CLT e, por isso, não devem compor o salário de contribuição, pois não significa salário in natura; q. Devido à Convenção Coletiva de Trabalho à qual se submete a Recorrente, esta é obrigada a conceder bolsas de estudo aos seus empregados, não significando benefício Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 365 9 recebido pelo empregado em razão de seu desempenho laboral, nem sequer gratificação ou prêmio por ocupação de cargo específico; r. As bolsas de estudo não são distribuídas em caráter contraprestacional, nem são concedidas de forma integral, mas parcial (isentas de gratuidade), podendo todos os empregados delas se beneficiarem, bastando que cumpram condições estabelecidas previamente, o que confirma seu caráter social de acesso ao estudo e a uma melhor qualificação profissional. Assim, se distinguem do salário de contribuição, que tem natureza retributiva, com o devido amparo do entendimento jurisprudencial do TRF da 1ª e da 3ª Regiões e do STJ. Do contrário, não teria sentido a intenção do legislador em promover que o empregador incentive a formação acadêmica e profissional do empregado, mediante desoneração tributária; s. O agente fiscal não distinguiu os valores creditados aos empregados decorrentes das bolsas concedidas em cumprimento ao CCT daqueles oriundos de concessão a título de premiação por desempenho acadêmico; t. Os valores relacionados à concessão das bolsas de estudo, para não comporem o salário de contribuição, não necessitam que os estudos estejam necessariamente vinculados às atividades desenvolvidas pela empregadora; u. Como o parágrafo 2º do artigo 458 da CLT “retira” o caráter remuneratório dos valores pagos a título de bolsa de estudos, não devem incidir sobre estes as contribuições previdenciárias, que somente incidem sobre os créditos com natureza remuneratória. Assim, ao deixar de reconhecer isto, o julgador da DRJ deixou de observar a norma competente ao seu bel prazer, culminando por configurar abuso de poder e afronta aos princípios da Administração Pública; v. São insubsistentes os itens “BO”, “BO1” e BO2” dos autos nº 37.354.7390 e nº 37.354.7404; w. Diferenças Apuradas entre a Contabilidade e a Folha de Pagamentos com a GFIP: Os levantamentos discriminados como CI e DI são insubsistentes e evasivos, capazes de anular os autos de infração por afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, haja vista a falta de indicação exata de quais pagamentos realizados pela Recorrente compuseram a mencionada apuração; x. Pela análise das tabelas juntadas pelo auditor fiscal relativas à apuração do crédito denominado de “CI” se percebe que, em alguns mêses, há diferença de valores registrados a maior na contabilidade da Recorrente em comparação com os valores lançados em GFIP, mas que, porém, são compensados com os valores registrados nos mêses subsequentes, em que os valores da contabilidade são menores do que aqueles lançados em GFIP. Outrossim, em alguns mêses não foi apurada diferença. A mêsma situação se verifica quanto aos créditos apurados sob o título de “DI”. Dessa forma, requer a compensação dos valores recolhidos “a maior”, bem como sejam os autos nº 37.354.7390 e 37.354.7404 julgados improcedentes quanto aos itens “CI”, “CI1”, “CI2”, “DF”, “DF1” e “DF2”; y. Pagamentos Efetuados a Título de Bolsa de Incentivo à Pesquisa e à Iniciação Científica: O Programa de Pesquisa e Iniciação Científica (PROPIC) é voltado para o benefício de estudantes e professores de graduação do ensino superior, em atendimento Fl. 369DF CARF MF 10 à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.349/96) e, por essa razão, não há suporte legal para que os valores concedidos aos beneficiados sejam interpretados como parcela salarial; em especial por serem custeados por terceiros estranhos à Recorrente (FUNADESP e FAPEMIG) e por não representarem contraprestação decorrente de contrato de trabalho à ela prestado, devendo ser aplicado a este tópico as mêsmas alegações defensivas utilizadas no item relativo às bolsas de estudo, inclusive aquelas alusivas à afronta aos dispositivos legais e princípios informados; z. Requer a aplicação analógica dos dispositivos Artigo 28, § 9º, “e”, “7” e “t”, ambos da Lei nº 8.212/91, em razão da semelhança do tratamento legal conferido aos valores relativos às bolsas de estudo com aqueles relacionados às bolsas de incentivo à pesquisa, em consonância com o artigo 4º da LICC; aa. Pelo acima exposto, são insubsistentes os valores apurados nos denominados itens “PI”, “PI1” e PI2”, devendo os autos nº 37.354.7390 e 37.354.7404 serem julgados improcedentes com relação a estes itens; bb. O Auto de Infração nº 37.354.7382, relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, deve ser cancelado, por restar comprovada a inexistência dos fatos geradores informados no expediente fiscal; cc. Ao final, requereu o conhecimento e processamento do recurso, das alegações preliminares, bem como a improcedência e anulação dos três autos combatidos, além da compensação de valores das contribuições pagos a maior. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Alegações de Nulidade do Acórdão da DRJ Nas razões do seu recurso, a Recorrente aduz que a decisão proferida pela DRJ deixou de examinar seus argumentos quanto à nulidade dos autos de infração decorrente da ausência de descrição do fato imputado e da disposição legal infringida e, por consequência, sobre estes não se manifestou, fato que, na sua ótica, caracteriza a decisão como “sem fundamentação”. Neste ponto, ainda firma que a aludida omissão é vedada aos julgadores administrativos, que são obrigados a analisar pormenorizadamente todas as alegações inseridas na Impugnação, sob pena de infringirem os princípios do contraditório e da ampla defesa. Além disso, entende que o julgador de piso: i) interpretou erroneamente o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, pois este dispositivo não veda o exame de legalidade do Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 366 11 ato administrativo, mas sim de lei; e ii) se limitou a informar que os mencionados autos cumpriram os requisitos legais exigidos pelos artigos 10 e 11 da referida norma, sem sequer verificar se os mesmos tinham sido cumpridos. Ainda, acusa o incorreto enquadramento dos dispositivos que fundamentaram a multa aplicada pelo Auto de Infração nº 37.354.7382, posto que já revogados à época da sua lavratura, o que vicia o auto na sua integralidade. Em que pese os argumentos da Recorrente, entendo que estes não devem prosperar, senão vejamos. Pela leitura da decisão recorrida se constata que o julgador de piso analisou as alegações de nulidade aventadas pela Recorrente, bem como discorreu sobre elas, conforme se depreende da leitura dos trechos do seu voto (fls. 280/281), abaixo transcritos: “Voto A impugnação atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, portanto, dela tomase conhecimento. Com relação aos argumentos de nulidade dos Autos de Infração nºs 37.354.7390, 37.354.7404 e 37.354.7382, há que se esclarecer que os pressupostos legais para a validade dos mêsmos são determinados pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235, de 1972. O Decreto nº 70.235 dispõe sobre a nulidade no processo administrativo nos seguintes termos: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” O Auto de Infração inserese na categoria prevista no acima transcrito inciso I do art. 59 do Decreto 70235/72 (atos e termos), sendo nulo, portanto, quando lavrado por pessoa incompetente. Havendo irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no artigo 59 do Decreto nº. 70.235, essas não implicarão em nulidade e poderão ser sanadas se o sujeito passivo restar prejudicado, como determina o artigo 60 do mêsmo Decreto: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” As autuações em exame foram lavradas por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas funções, competente, pois, para tal, e contém os requisitos indispensáveis para a sua validade, mencionados no artigo 10 do Decreto n.º 70.235, apresentando, portanto, os elementos imprescindíveis para o pleno exercício do direito da ampla defesa pelo contribuinte. Fl. 371DF CARF MF 12 Não há que se falar em nulidade dos Autos de Infração quando a exigência fiscal, como ocorre no presente caso, sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo, o lançamento, descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. Em relação ao argumento de nulidade do auto de infração nº .37.354.738 2, por ter sido fundamentado em dispositivo legal revogado, não pode ser acolhido, pois as alterações introduzidas pela Medida Provisória MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, referese apenas ao critério de cálculo da multa a ser aplicada, e não da revogação do dispositivo de que trata a infração sob análise (artigo 32, IV, da Lei nº 8.212, de 1991).” (grifei) Outrossim, pela simples leitura dos autos de infração, se verifica que estes trouxeram no seu bojo a descrição dos fatos imputados, bem como as disposições legais infringidas, conforme abaixo demonstrado: Auto de Infração DEBCAD nº 37.354.7382 “Fundamento Legal: 68 Nos termos dos arts. 2° e 3º da Lei 11.457 de 16/03/2007, e do art. 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, lavro o presente Auto de Infração por ter o autuado incorrido na seguinte infração: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO: Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVOS LEGAIS DA MUTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$186.08520 CENTO E OITENTA E SEIS MIL E OITENTA E CINCO REAIS E VINTE CENTAVOS” (grifei) Auto de Infração DEBCAD nº 37.354.7390 “Fundamentos Legais das Rubricas 200 CONTRIBUICAO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERACAO DE EMPREGADOS 200.08 Competências: 01/2008 a 12/2008 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 367 13 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, I (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I e parágrafo único, art. 201, I, parágrafo 1º e art. 216, I, “b” (com as alterações dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). 224 CONTRIBUICAO DAS EMPRESAS/COOPERATIVAS S/ AS REMUNERACOES PAGAS, DISTRIBUIDAS OU CREDITADAS A AUTONOMOS, AVULSOS E DEMAIS PESSOAS FISICAS E DOS COOPERADOS, DE QUE TRATA A LEI COMPLEMENTAR N. 84/96 ATE 02/2000 E CONTRIB. DAS EMPRESAS S/ A REM. A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, DE QUE TRATA A LEI N. 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 9.876/99 224.05 – Competências: 01/2008 a 02/2008, 04/2008, 06/2008, 08/2008 a 09/2008, 11/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, III (com as alterações da Lei n. 9.876, de 26.11.99; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I e parágrafo único, art. 201, II, parágrafos 1., 2., 3., 5. e 8., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99 e do Decreto n. 3.452, de 09.05.00. 301 CONTRIBUICAO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFICIOS EM RAZAO DA INCAPACIDADE LABORATIVA 301.08 Competências: 01/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, II (com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 11.12.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I, parágrafo único, na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99, art. 202, I, II e III e parágrafos 1. ao 6.. A PARTIR DE 01/2010 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, II (com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 11.12.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I, parágrafo único, na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99, art. 202, I, II e III e parágrafos 1. ao 6 e art. 202A (acrescentado pelo Decreto n. 6.042, de 12.02.07, com redação do Decreto n. 6.957, de 09.09.09) e Decreto n. 6.957, de 09.09.09, artigos 2. e 4.. 800 PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EMPRESAS EM GERAL 800.10 Competências: 01/2008 a 09/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alteração da Lei n. 8.620, de 05.01.93, e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, I, ¨b¨ e parágrafos 1. ao 6., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. PERIODO: A PARTIR DE 04.2003: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alteração da Lei n. 8.620, de 05.01.93 e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., parágrafo 1., combinado com o art. 15; Regulamento da Previdência Social, aprovado Fl. 373DF CARF MF 14 pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, ¨b¨ e parágrafos 1. ao 6., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. 800.11 Competências: 10/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alteração da Lei n. 8.620, de 05.01.93, da Lei n. 9.876, de 26.11.99, da MP n. 351, de 22.01.07, convertida na Lei n. 11.488, de 25.06.07 e da MP n. 447, de 14.11.08, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., parágrafo 1., combinado com o art. 15; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, ¨b¨ e parágrafos 1. ao 6., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. 601 ACRESCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 04/2008 a 05/2008, 07/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANCAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CREDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANCAMENTO: 24% em até 15 dias do recebimento da notificação; 30% após o 15. dia do recebimento da notificação; 40% após a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% após o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, após o ajuizamento da execução fiscal, mêsmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% após o ajuizamento da execução fiscal, mêsmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPOTESE DAS CONTRIBUICOES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANCAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). 602 ACRESCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências: 01/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores até a MP n. 1.523 8, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 368 15 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências: 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências: 01/2008 a 03/2008, 06/2008, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” (grifei) Auto de Infração DEBCAD nº 37.354.7404 “Fundamentos Legais das Rubricas 405 TERCEIROS INCRA 405.04 Competências: 01/2008 a 12/2008 Fl. 375DF CARF MF 16 Lei n. 2.613, de 23.09.55, art. 6., parágrafo 4., (com as alterações da Lei n. 4.863, de 29.11.65, art. 35, parágrafo 2., VIII); Decretolei n. 1.146, de 31.12.70, art. 1., I, item 2, artigos 3. e 4.; Lei complementar n. 11, de 25.05.71, art. 15, II; Decretolei n. 2.318, de 30.12.86, art. 3.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. 414 TERCEIROS SESC 414.04 Competências: 01/2008 a 12/2008 Decretolei n. 9.853, de 13.09.46, art. 3.; Decretolei n. 2.318, de 30.12.86, artigos 1. e 3.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. 415 TERCEIROS SEBRAE 415.04 Competências: 01/2008 a 12/2008 Lei n. 8.029, de 12.04.90, art. 8., parágrafo 3. (com a redação dada pela Lei n. 8.154, de 28.12.90), combinado com o art. 1. do Decretolei n. 2.318, de 30.12.86 e parágrafo 4.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. 800 PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EMPRESAS EM GERAL 800.10 Competências: 01/2008 a 09/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alterações da Lei n. 8.620, de 05.01.93, e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, I, ¨b¨ e parágrafos 1. ao 6., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. PERIODO: A PARTIR DE 04.2003: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alterações da Lei n. 8.620, de 05.01.93 e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., parágrafo 1., combinado com o art. 15; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, ¨b¨ e parágrafos 1. ao 6., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. 800.11 Competências: 10/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alterações da Lei n. 8.620, de 05.01.93, da Lei n. 9.876, de 26.11.99, da MP n. 351, de 22.01.07, convertida na Lei n. 11.488, de 25.06.07 e da MP n. 447, de 14.11.08, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., parágrafo 1., combinado com o art. 15; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, ¨b¨ e parágrafos 1. ao 6., com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRESCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências: 01/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 369 17 CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANCAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CREDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANCAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% após o 15. dia do recebimento da notificação; 40% após a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% após o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, após o ajuizamento da execução fiscal, mêsmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% após o ajuizamento da execução fiscal, mêsmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPOTESE DAS CONTRIBUICOES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANCAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). 602 ACRESCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competência : 01/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.523 8, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências: 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA Fl. 377DF CARF MF 18 MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências: 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” (grifei) No mesmo sentido, se verifica claramente da leitura do Relatório Fiscal de fls. 61/65 a presença da descrição dos fatos ocorridos e da fundamentação legal infringida, conforme trechos do mencionado relatório, abaixo transcritos: “RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO QUE INTEGRAM O Comprot n° 15504.721432/201204 EMPRESA: FUNDAÇÃO MINEIRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA FUMEC CNPJ: 17.253.253/000170 ENDEREÇO: Rua Ouro Fino, 395 8O. andar – Belo Horizonte MG CEP: 30.310110 PERÍODO DO PROCEDIMENTO FISCAL: 2008. 1. Os créditos constituídos nos seguintes Autos de Infração integram o presente relatório: TIPO DEBCAD OBRIGAÇÃO CFL DESCRIÇÃO Valor Total AI 37.354.7390 PRINCIPAL EMPRESA 1.092.057,91 AI 37.354.7404 PRINCIPAL TERCEIROS 229.109,92 Ai 37.354.7382 ACESSÓRIA 68 DEIXAR DE INFORMAR EM GFIP 186.085,20 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 370 19 (...) 2. Os Autos de Infração – AI por descumprimento de obrigações principais dos quais este relatório é parte, têm por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições sociais não recolhidas aos cofres públicos, assim distribuídas: 2.1) AI 37.354.7390 contribuição da empresa, inclusive para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho destinadas à Seguridade SocialGILRAT, não recolhidas; 2.2) AI 37.354.7404 contribuições destinadas outras entidades e fundos denominados terceiros, não recolhidas; 3 Os levantamentos a seguir discriminados compõem os créditos dos quais este relatório é parte, relativamente à contribuição previdenciária parte patronal, de segurados empregados, contribuintes individuais e a contribuição para outras entidades Terceiros, incidentes sobre valores pagos a título bolsa incentivo, bolsa de estudo a funcionários e dependentes, diferença de folha de pagamento, diferenças de valores lançados na contabilidade da empresa relativo a contribuintes individuais e os valores declarados em GFIP, além de pagamento com Recibo de Pagamento de Autônomos RPAs aos próprios segurados empregados da Fundação. AS Pagamentos efetuados a segurados empregados, que recebem remuneração em folha de pagamento, também com recibo de pagamento de autônomos – RPAs. Lançados na GFIP como empregados e contribuintes individuais ao mesmo tempo. Foram cobradas as diferenças de Risco Ambiental do Trabalho –GILRAT e terceiros, uma vez que a parte patronal (20% de contribuição previdenciária) foi declarada em GFIP como contribuintes individuais. Tratase, portanto, de valores que deveriam constar na folha de pagamento do segurado empregado. Segue anexo planilha discriminando nomes, valores recebidos e contribuição a recolher. BO – Bolsa de estudos fornecidas a funcionários administrativos, professores e seus dependentes, constando inclusive em convenção coletiva dos respectivos sindicatos, que bolsas serão fornecidas mediante sorteio dos beneficiários. Tratase de complementação salarial e, portanto, os valores não estão alcançados pela exclusão prevista na alínea “t”, parágrafo 9o., art.28 da Lei 8212/1991. Ou seja, o custo relativo à educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, arts. 43 e 57 da Lei 9.394, de 1996, integra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. Segue anexa planilha discriminando: nomes, dependência, valores recebidos a título de bolsa de estudo por funcionários, professores e dependentes. CI – Diferença encontrada comparando os valores lançados na contabilidade da empresa, como pagamento a pessoas físicas, incluindo RPAs, e os valores declarados pela empresa na GFIP. Em alguns estabelecimentos foram encontradas diferenças a menor. Foram lançadas Fl. 379DF CARF MF 20 as diferenças, tributadas com a alíquota de 20% relativa à parte patronal da contribuição previdenciária de contribuintes individuais. Segue anexa planilha discriminando os nomes e pagamentos a pessoas físicas no decorrer do ano de 2008, bem como planilha total com valores comparativos entre a contabilidade e a GFIP. DF – Diferença encontrada comparando os valores globais dos resumos das folhas de pagamentos dos segurados empregados e os valores declarados em GFIP. Em algumas filiais foram lançados valores de diferenças a menor com base no resumo das folhas de pagamento apresentadas pela empresa. Os valores foram tributados com as alíquotas de 20% e 1% de risco ambiental do trabalho –GILRAT. Segue anexa planilhas contendo as diferenças, por competência, encontradas nos estabelecimentos da empresa relativo a essa rubrica. PI – Refere a programa de incentivo a projetos de pesquisa e iniciação científica PROPIC criado pela FUMEC para funcionários professores, alunos funcionários e alunos de graduação e mestrado da própria universidade, mediante pagamento de BOLSAS de incentivo a pesquisa e extensão, selecionadas, coordenadas e dirigidas pelo corpo docente da Fundação. No caso de segurados empregados, professores e alunosfuncionários comprovadamente tratase de complementação salarial, que sujeita a seleção dos projetos de pesquisa por parte do corpo docente, não atinge todos os segurados empregados. (...) O caso em tela não se enquadra em nenhuma alínea do parágrafo 9o. do art. 28 da Lei 8212/91, assim sendo, aplicase o disposto no inciso I do referido artigo. 4 A seguir serão detalhados os fatos que ocasionaram os autos de infração por obrigações acessórias não cumpridas, que integram o presente processo, lançados nos Debcad abaixo especificados: 4.1) AI 37.354.7382 Código de Fundamentação Legal CFL 68 (Apresentar a empresa o documento a que se refere à Lei 8212 de 2407 1991, art. 32, inciso IV e parágrafo 3o., acrescentados pela Lei 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos gerados de todas as contribuições previdenciárias) c.1) DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO OCORRIDA 1 – A empresa não informou na Guia de Recolhimento do Fundo de garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, todos os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativos aos valores lançados dos levantamentos supracitados, DF, CI,PI,BO e AS. 2– Os fatos geradores de contribuições previdenciárias não declarados corretamente na GFIP foram extraídos da contabilidade da empresa e documentos entregues pela empresa que versam sobre os levantamentos citados acima. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 371 21 3 – O DEMONSTRATIVO DO CÁLCULO DA MULTA, onde se verifica mensalmente o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, Inciso IV, da Lei 8.212/91 e art.32A, Inciso II, introduzidos pela Medida Provisória 449/2008, transformada em Lei 11941 de 27052009, encontrase relatório fiscal da aplicação da multa. 4 Os valores das multas do CFL 68 nas competências do ano de 2008, mais a multa de 24%, foram objeto de comparação com a multa de ofício de 75% resultando, nas competências da tabela a seguir, a adoção da multa do CFL 68, por ser mais benéfica ao contribuinte, nos termos da art.106, Inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional – CTN. Veja anexo ao auto de infração o comparativo de multas de 01/2008 a 11/2008 para melhor entendimento, onde se aplica a multa menos severa ao contribuinte. c.2) DESCRIÇÃO DA MULTA 1 Os valores da multa se baseiam na totalidade das contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, observado o limite máximo por faixa de segurados empregados. 2 Valor da Multa na CAPITULAÇÃO LEGAL 68 Será calculada com base em 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite máximo (...)” (grifei) Pelo exposto, entendo que, neste ponto, a decisão recorrida analisou e discorreu sobre as alegações de nulidade aventadas pela Recorrente quanto à ausência de descrição dos fatos e dos fundamentos legais por ela infringidos, bem como dos requisitos dispostos nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, resta demonstrado que os autos de infração, bem como o Relatório Fiscal deles componente, descreveram os fatos incorridos pela Recorrente, bem como apontaram os dispositivos legais que embasaram o lançamento. Ademais, esclarecese que, conforme remansosa jurisprudência, é pacífico o entendimento de que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações do recurso ou da impugnação ao lançamento. Transcrevese, nesse sentido, manifestação do eminente então Ministro do STJ, Luiz Fux, no Recurso Especial nº 779.680: “Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronuncia se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado.Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005. (...) É pacífico o entendimento jurisprudencial de que o juiz não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida em juízo, bastando apenas que indique os fundamentos Fl. 381DF CARF MF 22 suficientes à compreensão de suas razões de decidir, cumprindo, assim, o mandamento constitucional insculpido no art. 93, inc. IX, da Lei Fundamental. Nesse sentido: STJ: EDRESP 581.682/SC, 2ª. Turma, Rel. Min. Castro Meira, in DJU, I, 1º.3.2004, p. 176; e EEERSP 332.663/SC, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, in DJU, I, 16.2.2004, p. 204.” Este E. CARF partilha do mesmo entendimento, conforme adiante: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir.” (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 3201002.026. Rel. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Sessão: 28/01/2016) Como resta demonstrado, verificase que o acórdão recorrido abordou os aspectos principais atinentes à matéria, analisando a fundamentação legal que entendeu cabível ao seu posicionamento. Constatase, ainda, que ao contrário do alegado, as questões postas em discussão foram analisadas, e a alegação de que todos os argumentos expostos pela Recorrente não terem sido expressamente abordados não representa nenhum vício à decisão, posto que os fundamentos utilizados se mostraram suficientes para embasar a decisão. Quanto à alegação da interpretação errônea do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 pelo julgador de piso, alega a Recorrente que este se equivocou ao dispor que seu pedido se tratou da análise de validade de lei, pois o mesmo se referiu à ilegalidade contida em ato administrativo, qual seja, os autos de infração. Por mais que seja considerado que as alegações da Recorrente atacaram a ilegalidade dos autos de infração, já fora demonstrado acima que a autoridade julgadora, ao analisar as alegações da Recorrente, discorreu sobre os fundamentos de validade dos aludidos expedientes administrativos, ao tratar dos requisitos contidos nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Quanto a essa alegação do incorreto enquadramento do dispositivo legal que fundamentou a multa aplicada pelo Auto de Infração nº 37.354.7382, entendo que não merece prosperar pois no lançamento fiscal no relatório às fls. 64 na descrição da multa a autoridade lançadora já efetuou a análise de acordo com art. 106, II, “c” do CTN aplicando a de menor valor comparando com a Lei 11.941/09. Dito isto, neste ponto, mantenho a multa aplicada pelo Auto de Infração DEBCAD nº 37.354.7382. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 372 23 Pagamentos Efetuados a Empregado Contribuinte Autônomo Alega a Recorrente que recolheu as contribuições sociais destinadas à Previdência Social e à Terceiros com base nos pagamentos realizados aos empregados nas condições de “empregados propriamente ditos” e de “contribuintes individuais autônomos” limitada esta a 20% sobre a remuneração a eles creditada , em razão de serem, simultaneamente, prestadores de serviço para ela. Sobre os valores pagos aos empregados na condição de contribuintes autônomos, alega que foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, com base no código da categoria 13, conforme dispõe o Manual da GFIP (IN INSS/DC nº 94/2003), o que desnatura a alegação da fiscalização de que estes valores deveriam constar da folha de pagamento dos segurados empregados; e comprova o recolhimento das mencionadas contribuições, impondose, assim, o cancelamento do crédito lançado com base nos valores indicados sob a sigla “AS” (Diferenças de Risco Ambiental do Trabalho e Terceiros), nas suas denominações “AS1”, “AS2” e “AS3”, nos autos nº 37.354.7390 e nº 37.354.7404. Neste ponto, entendo carecer de provimento a alegação da Recorrente, tendo em vista que a auditoria fiscal lançou apenas os valores não declarados e não recolhidos pela empresa, conforme procedimento de apuração descrito no Relatório Fiscal (fls. 61/65), tratado na decisão recorrida, cujo trecho adiante adoto como razão de decidir (fls. 283): “Quanto ao pedido de compensação dos valores pagos a igual título dos apontados nos autos, registrese que não há valores a compensar tendo em vista que a auditoria fiscal, consoante descrito no Relatório Fiscal, fls.61/65, lançou apenas os valores não declarados e não recolhidos pela empresa, quais sejam: Levantamento AS diferenças de Risco Ambiental do Trabalho –GILRAT e terceiros, uma vez que a parte patronal (20% de contribuição previdenciária) foi declarada em GFIP como contribuintes individuais. Levantamento BO valores recebidos a título de bolsas de estudos por funcionário, professores e dependentes, não considerados como parcela integrante do salário de contribuição pela empresa. Levantamento CI – Diferença encontrada comparando os valores lançados na contabilidade da empresa, como pagamento a pessoas físicas, incluindo RPAs, e os valores declarados pela empresa na GFIP. Levantamento DF – Diferença encontrada comparando os valores globais dos resumos das folhas de pagamentos dos segurados empregados e os valores declarados em GFIP. Levantamento PI – Refere a programa de incentivo a projetos de pesquisa e iniciação científica PROPIC criado pela FUMEC para funcionários professores, alunos funcionários e alunos de graduação e mestrado da própria universidade, mediante pagamento de BOLSAS de incentivo a pesquisa e extensão, selecionadas, coordenadas e dirigidas pelo corpo docente da Fundação. No caso de segurados empregados, professores e alunos funcionários comprovadamente tratase de complementação salarial, Fl. 383DF CARF MF 24 que sujeita a seleção dos projetos de pesquisa por parte do corpo docente, não atinge todos os segurados empregados.” Assim, neste ponto, entendo pela inexistência de valores a serem compensados. Outrossim, a Recorrente entende que a GILRAT e a contribuição destinada a terceiros não devem incidir sobre a remuneração pagas aos seus empregados quando na condição de “contribuintes individuais autônomos”, conforme imputação do lançamento. Aduz que seus empregados celebraram consigo contratos específicos de prestação de serviço, cujo objeto divergia das atividades e funções que estes lhes prestavam quando na condição de empregados, conforme relatório (planilha) reportando o nome destes empregados, e documentos relacionados aos professores empregados em 2008, juntados por amostragem, como por exemplo, Fichas de Registro, Contratos de Prestação de Serviço e Contratos de Trabalho. Entende a Recorrente que tais documentos desnaturam a decisão recorrida no ponto em que se fundou “na ausência de provas de que as atividades foram desenvolvidas em relações de trabalho distintas”. Segundo alega, aludidos professoresempregados foram contratados para realizarem trabalhos autônomos e individualizados e de cessão de direitos de imagem, que em nada se relacionam com as atividades exercidas pelos mesmos na constância da relação de emprego. Quanto a este ponto, melhor sorte não atende a Recorrente, senão vejamos. Os documentos juntados não são aptos a desconstituírem o lançamento efetuado contra a Recorrente, pois não lograram demonstrar que os serviços que lhe foram supostamente prestados pelos contratados consistiram em atividades inteiramente diversas daquelas exercidas por estes na condição de professores empregados, quiçá se ocorreram em horário de trabalho diferente daquele reservado às atividades relacionadas ao magistério. Para que se pudesse confrontar as atividades exercidas na função de professor com aquelas de prestador de serviço autônomo, a Recorrente deveria ter juntado aos autos os contratos de trabalho dos professores que alega serem seus empregados, os quais esclarecessem as atividades laborais e os horários de trabalho de cada um destes. No caso, a Recorrente apresentou somente um contrato de trabalho de professor, relacionado ao Sr. Fabiano Botelho Siqueira (fls. 341), que vigorou no período de 01/08/2005 a 30/01/2006, que não se encontra no período fiscalizado e, por essa razão, não pode ser considerado como apto a realizar prova neste processo. Outrossim, juntou a respectiva ficha de registro de empregado do mencionado professor, que não identifica o horário da jornada de trabalho, nem especifica as atividades por eles exercidas, mas apenas indica a jornada de 22 horas mensais (fls. 340). Ademais, a Recorrente juntou às fls. 343/355, por amostragem, os Contratos de Prestação de Serviços para Realização de Tarefa Individual e Cessão de Direitos à Imagem para Disciplina EAD e os Contratos de Prestação de Serviços para Realização de Produção Individual e Cessão de Direitos de Uso da Imagem, da Voz e Autorais para Disciplina EAD celebrados com os professores Fabiano Botelho Siqueira , Renata de Souza da Silva Tolentino, Paola Luzia Gomes Prudente e Ingrid Ludimila Bastos Lobo, os quais não fixam os horários destinados à prestação dos serviços contratados, não tendo logrado, assim, proporcionarem Fl. 384DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 373 25 informações capazes de comprovar o quanto alegado pela Recorrente e desconstituírem os lançamentos combatidos. O quanto ora constatado foi, por sua vez, já fundamentado na decisão recorrida, cujo trecho competente descrevo abaixo (fls. 281): “A empresa autuada não comprovou na ação fiscal nem nos autos, através de documentos, que os valores pagos aos empregados a títulos de serviços prestados na condição de contribuinte individual, foram por atividades inteiramente diversas das exercidas como empregado e em horário de trabalho diferente, não se confundindo com o período de prestação de serviços como autônomo. O fato de ter informados os trabalhadores na GFIP e pagos em RPAs, não são suficientes a comprovar que as atividades exercidas por eles são inteiramente diversas das exercidas como empregado e em horário de trabalho diferente, assim como não estar incluídas nas atividades normais da empresa. Portanto, considerando o disposto no inciso I, do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, e o conceito de saláriodecontribuição estabelecido no seu art. 28, inciso I, da referida Lei, correto o procedimento da auditoria fiscal, pois os valores recebidos pelos empregados através de RPAs deveriam constar na folha de pagamento do segurado empregado, e, consequente, integrar a base de cálculo para incidência das contribuições destinadas à Previdência Social e às outras entidades e fundos denominados terceiros.” Dessa forma, neste ponto, entendo por manter o quanto decidido na decisão de piso. Pagamentos Efetuados a Título de Bolsa de Estudo Alega a Recorrente que o fornecimento de bolsas de estudo não é considerado “ganho econômico” ou “vantagem” capaz de considerálo como parcela salarial, conforme dispõe o artigo 458 da CLT. Além disso, sustenta que o parágrafo 2º do artigo 458 da CLT “retira” o caráter remuneratório dos valores pagos a título de bolsa de estudos e, por isso, não deve compor o salário de contribuição, pois não significa salário in natura. Aduz que, devido à Convenção Coletiva de Trabalho à qual é submetida, esta é obrigada a conceder bolsas de estudo aos seus empregados, que não significam benefício recebido pelo empregado em razão de seu desempenho laboral, nem sequer gratificação ou prêmio por ocupação de cargo específico, não possuindo caráter contraprestacional. Esclareceu que não são concedidas de forma integral, mas sim parcial (isentas de gratuidade), podendo todos os empregados delas se beneficiarem, bastando que cumpram condições estabelecidas previamente. Afirma que o agente fiscal não distinguiu os valores creditados aos empregados decorrentes das bolsas de estudo concedidas em cumprimento ao CCT daqueles oriundos de concessão a título de premiação por desempenho acadêmico, e que o mesmo se equivocou ao considerálas como componentes do salário de contribuição, pois não necessitam Fl. 385DF CARF MF 26 que os estudos estejam necessariamente vinculados às atividades desenvolvidas pela empregadora. Conforme preceitua o parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, à época da autuação, não integravam o salário de contribuição, para fins previdenciários, o valor relativo a plano educacional que promovesse: i) a educação básica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394/96 (“Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”); e ii) os cursos de capacitação e qualificação profissionais, mas desde que vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e que não fossem utilizados em substituição de parcela salarial, de acesso a todos os empregados e dirigentes, na forma do quanto descrito abaixo: “Art. 28 (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;” À época da lavratura dos autos de infração, era considerada “educação básica” o ensino da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, conforme dispõe a mencionada Lei nº 9.394/96, na forma abaixo: “Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. (...) Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública a partir dos seis anos, terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante: (...) (...) Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: (...)” Por “cursos de capacitação e qualificação profissional” devese entender aqueles que comprovadamente formam e qualificam o aluno para o exercício de uma atividade laboral, principalmente em nível médio, na forma dos artigos 36A a 36D da mesma Lei nº 9.394/96, abaixo transcritos: “Art. 36A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparálo para o exercício de profissões técnicas. Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 374 27 Art. 36B. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: I articulada com o ensino médio; II subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. (...) Art. 36D. (...) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho.” Considerando os dispositivos legais acima transcritos, se percebe que a Recorrente não logrou comprovar, pela apresentação de documentação hábil e idônea, se as bolsas concedidas aos seus empregados eram relacionadas a plano educacional que visava à educação básica, ou a cursos de capacitação e qualificação profissional. Da mesma forma, a Recorrente não logrou demonstrar que, se as bolsas de estudo eram vinculadas a cursos de capacitação e qualificação profissionais, estes estavam vinculados às atividades desenvolvidas por ela. Tão pouco comprovou que não foram utilizadas em substituição de parcela salarial, nem que eram acessíveis a todos os seus empregados e dirigentes. Pelo exposto, neste ponto, entendo por manter a decisão recorrida. Diferenças Apuradas entre a Contabilidade e a Folha de Pagamentos com a GFIP Alega a Recorrente que os levantamentos discriminados como CI e DF são insubsistentes e evasivos, capazes de anular os autos de infração por afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, haja vista a falta de indicação exata de quais pagamentos realizados pela Recorrente compuseram a mencionada apuração. Pela análise do Relatório Fiscal de fls. 61/65, em especial do quanto informado às fls. 62, se verifica que as menções às siglas “CI” e “DF” estão claramente descritas, não se encontrando dificuldade ao seu entendimento, conforme abaixo: “CI – Diferença encontrada comparando os valores lançados na contabilidade da empresa, como pagamento a pessoas físicas, incluindo RPAs, e os valores declarados pela empresa na GFIP. Em alguns estabelecimentos foram encontradas diferenças a menor. Foram lançadas as diferenças, tributadas com a alíquota de 20% relativa à parte patronal da contribuição previdenciária de contribuintes individuais. Fl. 387DF CARF MF 28 Segue anexa planilha discriminando os nomes e pagamentos a pessoas físicas no decorrer do ano de 2008, bem como planilha total com valores comparativos entre a contabilidade e a GFIP.” “DF – Diferença encontrada comparando os valores globais dos resumos das folhas de pagamentos dos segurados empregados e os valores declarados em GFIP. Em algumas filiais foram lançados valores de diferenças a menor com base no resumo das folhas de pagamento apresentadas pela empresa. Os valores foram tributados com as alíquotas de 20% e 1% de risco ambiental do trabalho –GILRAT. Segue anexa planilhas contendo as diferenças, por competência, encontradas nos estabelecimentos da empresa relativo a essa rubrica.” Pela leitura das descrições dos itens acima transcritos, não se percebe insubsistência ou evasividade, como alega a Recorrente. Como se verifica, o item “CI” informou que a fiscalização apurou diferenças ao comparar os valores lançados na contabilidade da Recorrente relativos aos pagamentos feitos às pessoas físicas, incluindo RPAs, com os valores declarados por ela na GFIP. Em razão disso, apurou o quanto devido de Contribuição Previdenciária Patronal à alíquota de 20%, na forma da do quanto apurado nos Discriminativos do Débito de fls. 05/29 e 34/55. Por sua vez, se percebe que o item “DI” tratou de informar que a fiscalização apurou diferenças entre os valores globais dos resumos das folhas de pagamentos dos segurados empregados e os valores declarados em GFIP. Em razão disso, apurou o quanto devido de Contribuição Previdenciária Patronal à alíquota de 20%, e de GILRAT à 1%, na forma da do quanto apurado nos Discriminativos do Débito de fls. 05/29 e 34/55. Assim, entendo não merecer provimento as alegações da Recorrente. Pagamentos Efetuados a Título de Bolsa de Incentivo à Pesquisa e à Iniciação Científica Quanto ao crédito lançado relativo ao Programa de Pesquisa e Iniciação Científica (PROPIC), esclarece a Recorrente ser este voltado para o benefício de estudantes e professores de graduação do ensino superior, em atendimento à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.349/96) e, por essa razão, não há suporte legal para que os valores concedidos aos beneficiados sejam interpretados como parcela salarial; em especial por serem custeados por terceiros estranhos à Recorrente (FUNADESP e FAPEMIG), bem como por não representarem contraprestação decorrente de contrato de trabalho à ela prestado, devendo ser aplicado a este tópico as mesmas alegações defensivas utilizadas no item relativo às bolsas de estudo, inclusive aquelas alusivas à afronta aos dispositivos legais e princípios informados. Requer a aplicação analógica dos dispositivos Artigo 28, § 9º, “e”, “7” e “t”, ambos da Lei nº 8.212/91, em razão da semelhança do tratamento legal conferido aos valores relativos às bolsas de estudo. Em razão disso, requer o cancelamento do Auto de Infração nº 37.354.7382, relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, por restar comprovada a inexistência dos fatos geradores informados no expediente fiscal. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 375 29 Neste tópico, da mesma forma como decidido no tópico relacionado à concessão de “bolsas de estudo”, entendo não possuir direito a Recorrente, senão vejamos. Com fundamento na mesma análise e na mesma legislação descrita no item relacionado às bolsas de estudo, se percebe que a Recorrente não logrou comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, se as bolsas de pesquisas concedidas estavam vinculadas a plano educacional que visava à educação básica, ou a cursos de capacitação e qualificação profissional. Igualmente, não logrou demonstrar que, se as bolsas de estudo eram vinculadas a cursos de capacitação e qualificação profissionais, estes estavam vinculados às atividades desenvolvidas por ela. Tão pouco comprovou que não foram utilizadas em substituição de parcela salarial, nem que eram acessíveis a todos os seus empregados e dirigentes. Pelo contrário, em suas razões recursais, a Recorrente confessa que as bolsas de pesquisa somente eram concedidas aos membros do corpo docente e discente que tinham aprovados seus projetos de pesquisa (fls. 329/331). Vale dizer: reconheceu que sua concessão era restrita somente àqueles que lograram cumprir determinados requisitos fixados previamente, deixando claro sua indisponibilidade para todo e qualquer empregado, o que contraria um dos requisitos legais ensejadores do benefício fiscal da exclusão do salário de contribuição, disposto no artigo 28, § 9º, “t”, da Lei nº 8.212/91. Dessa forma, neste tópico, entendo não merecer acolhida as rações aventadas pela Recorrente no seu recurso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 389DF CARF MF 30 Ouso, com a máxima vênia, discordar do eminente Conselheiro Relator somente quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores concedidos a título de bolsa de estudos, levantamento BO. Cabe razão à Recorrente. Não há incidência sobre o auxílioeducação no período da autuação. Explico. Como bem apontado pela Autoridade Lançadora, a Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, explicita: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (...)" (destaques não constam do texto da lei) Como visto, tratase de expressa disposição de lei tributária sobre a incidência tributária. Nesse sentido, a redação da Lei nº 8.212/91, trazida pela lei de 1998, é clara em asseverar que: · i) a incidência tributária se dá sobre os valores da remuneração paga ao empregado, assim entendido toda verba de natureza contraprestacional, utilidades habituais, valores percebidos pelo tempo à disposição e também aqueles constantes do contrato de trabalho. · ii) não há incidência quando os valores pagos a título de auxílio educacional não seja substitutivos de parcela salarial e respeitem os limites impostos pelo legislador. Não obstante o exposto, em 2001, o legislador ordinário, com acerto em minha opinião, alterou a Consolidação das Leis do Trabalho, afastando peremptoriamente a Fl. 390DF CARF MF Processo nº 15504.721432/201204 Acórdão n.º 2201003.654 S2C2T1 Fl. 376 31 natureza salarial de qualquer parcela paga sob esse título. Recordemos o texto da lei trabalhista: "Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreende se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (destaquei) Cristalina a alteração da lei trabalhista. Não há natureza salarial nas verbas pagas a título de bolsa educacional, qualquer que seja a sua forma, qualquer que seja sua destinação no tocante à formação do trabalhador, ao seu desenvolvimento físico, intelectual, ou moral, consoante nos recorda o dicionário Houaiss quanto à definição do vocábulo educação. Importante ressaltar que a lei tributária, buscando seus limites na Carta Fundamental, escolhe a incidência dentro da competência que lhe foi outorgada. Nesse sentido, ao definir o salário de contribuição do segurado empregado, a lei de Custeio da Previdência optou pela remuneração. Tal conceito, embora constante da lei tributária, não pode, nos termos do CTN, transbordar os limites do ramo do direito que o instituiu. Outro não é comando emanado dos artigos 109 e 110: "Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." Fl. 391DF CARF MF 32 Nesse sentido, não se pode admitir que, para o período de lançamento, se observe incidência tributária sobre verba de natureza remuneratória, que por expressa determinação legislativa, posterior à dicção da lei tributária, teve o caráter remuneratório explicitamente afastado. Não há incidência tributária sobre os valores, pagos pelo empregador ao empregado, à título de auxílioeducação, no período do lançamento. Verbas inequivocamente destinadas à educação dos segurados empregados, por expressa determinação da CLT, não integram a remuneração. As contribuições previdenciárias incidem sobre o salário de contribuição e este, para os empregados, é composto pela remuneração auferida. Logo, não há incidência. De tal afirmação decorre a necessária distinção entre as verbas pagas a título de bolsa educação (levantamento BO), e os valores pagos como programa de incentivo a projetos de pesquisa e iniciação científica (levantamento PI), posto que estes valores se destinam a remuneram a prestação de serviços consubstanciada na pesquisa e iniciação científica, não se enquadrando no conceito de uma utilidade, um bem, ofertado pelo empregador aos seus trabalhadores. Essas bolsas, de fato, são valores monetários, pecúnia, pagos pelo trabalho desses profissionais, muitos dos quais possuem vínculo de trabalho com a Recorrente. Assim, em síntese, se observa das provas dos autos que não há incidência sobre os valores das bolsas de estudo ofertadas enquanto que os valores pagos a título de programa de incentivo à pesquisa e iniciação científica integram o salário de contribuição. Ressalto, por amor a clareza, minha concordância com o ínclito Relator no tocante aos demais pontos constantes do recurso voluntário. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento BO. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721758/2015-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
INCIDÊNCIA DO IPI NA REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. STJ RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA.
Consoante decidido pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil".
Não ocorre ofensa ao Princípio da Isonomia quando se concede tratamento desigual a contribuintes que se encontram em situação desigual.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
Não cabe o exame de argumentos genéricos, não especificamente impugnados em sede de Recurso Voluntário. É imprescindível a demonstração da efetiva violação a preceitos legais.
ART. 112 CTN. NÃO APLICAÇÃO.
O art. 112 do CTN não se aplica quando se observa a existência de divergência de direito acerca da interpretação da legislação tributária.
Numero da decisão: 3201-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira lima ficou de apresentar declaração de voto.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira lima ficou de apresentar declaração de voto. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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STJ RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Consoante decidido pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". Não ocorre ofensa ao Princípio da Isonomia quando se concede tratamento desigual a contribuintes que se encontram em situação desigual. RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. Não cabe o exame de argumentos genéricos, não especificamente impugnados em sede de Recurso Voluntário. É imprescindível a demonstração da efetiva violação a preceitos legais. ART. 112 CTN. NÃO APLICAÇÃO. O art. 112 do CTN não se aplica quando se observa a existência de divergência de direito acerca da interpretação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira lima ficou de apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 58 /2 01 5- 94 Fl. 461DF CARF MF 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0958.538 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 378/397), que assim relatou o feito: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 02 a 261, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$323.619,32, acrescido da multa de ofício de R$ 242.714,56 e dos juros de mora (calculados até 04/2014) de R$ 57.824,85, totalizando a exigência de R$ 705.118,06, cuja motivação fática encontrase no próprio documento e no Relatório Fiscal, às fls. 30/58, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO 0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI CARACTERIZAÇÃO DE EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/05/2010: Art. 9º, inciso III, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 24, inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e Inciso II, alínea "c", 127, 200, inciso IV, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02); Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 30/06/2010: Art. 9º, inciso III, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02); Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 462 3 Arts. 24, inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 200, inciso IV, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02); Art. 9º, inciso III, do Decreto n° 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 24, inciso III, 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2o e 3°, 189, 260, Inciso IV, 262, inciso III, do Decreto n° 7.212/10 (RIPI/10); Art. 259, §2°, do Decreto n° 7.212/10 (RIPI/10); Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2010 e 31/12/2012: Art. 9º, inciso III, do Decreto n° 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 24, inciso 111, 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2o e 3o, 189, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto n° 7.212/10 (RIPI/10); Art. 259, §2°, do Decreto n° 7.212/10 (RIPI/10); Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. (...) CÁLCULO DA MULTA E JUROS DE MORA Fl. 463DF CARF MF 4 Vencimento do Tributo Fatos Geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2012: Art. 52 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991 c/ redação dada pelo art. 4o da Lei 11.933 de 28 de abril de 2009. Multas Passíveis de Redução Fatos Geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2012: 75,00% Art. 80, caput, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei n° 11.488/07 Juros de Mora A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (para Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial TAXA DO SIST. ESPEC. DE LIQ. E CUSTODIA SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 463 5 RELATÓRIO FISCAL (...)DAS NORMAS APLICÁVEIS 24. A legislação que trata a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI estão dispostos nos Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 RIPI/2002 e Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 RIPI/2010. 25. Quanto às alegações da contribuinte de que o estabelecimento da Filial exerce atividades exclusivamente comerciais, requerendo o cancelamento das intimações, tornandoas sem efeito, vale ressaltar novamente que, tais alegações não estão amparadas pela legislação do IPI ora vigente, pois o estabelecimento da Filial, nesse caso equiparase ao estabelecimento industrial, conforme dispõe o art. 9º, inciso III da RIPI/2002 e RIPI/2010, transcrito a seguir: RIPI/2010 e RIPI/2002: Art. 92 Equiparamse a estabelecimento industrial: III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento da mesma firma, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei n° 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II,c § 2º, DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); DAS ANÁLISES DOS CRÉDITOS NA ENTRADA (...) 30. Em que pese a existência da diferença nos valores do IPI entre a Saída da Matriz com a Entrada na Filial, contudo, quanto às somas dos valores das Notas Proporcionais bem como as somas dos valores dos itens apresentam valores compatíveis, portanto, embora haja essa divergência entre os valores do IPI (Saída na Matriz X Entrada na Filial), como o objetivo é a busca pela verdade material, será considerado como crédito de imposto, o IPI pago na Saída da Filial, para fins de apuração do Saldo de imposto a Pagar no estabelecimento da Filial, tal como dispõe o art. 226, IV RIPI/2010 (art. 164, do RIPI/2002). Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei n° 4.502, de 1964, art. 25): (...)IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; 31. Vale ressaltar que os produtos/mercadorias que Saíram da Matriz para Filial poderiam ter ocorrido com suspensão do imposto, nos termos do art. 43, inciso X, do RIPI/2010 (art. 42, X, do RIPI/2002), contudo, como houve pagamento de IPI na transferência de produtos/mercadorias da Matriz para Filial, os valores de IPI pagos pela Matriz serão acatados como créditos Fl. 465DF CARF MF 6 de IPI na Entrada da Filial e, consequentemente, serão deduzidos do IPI pagos na Saída da Filial, ou seja, o Saldo do IPI a pagar na Saída da Filial será a diferença entre o valor do IPI pago na Filial menos o IPI pago na Saída da Matriz, conforme dispõe o art. 226, VII RIPI/2010 (art. 164, do RIPI/2002), já transcrito anteriormente. Art. 43. Poderão sair com suspensão do imposto: (...)X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um estabelecimento industrial ou equiparado a industrial para outro da mesma firma; 32. Após consolidar mensalmente o valor do IPI pago na Saída da Matriz de produtos produzidos e mercadorias importadas pela Matriz, conforme relação informada pela contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 20022015, obtêmse valores de IPI, tal como demonstrado no quadro a seguir, que correspondem aos Créditos do imposto, conforme já explanado anteriormente (Informações detalhadas constam na Planilha "Tab IPI Saída Matriz p Filial" do arquivo "Anexo 5.0 Matriz Análise Produzido e Importado pela Matriz Saída Matriz"). (...) DAS ANÁLISES DE SAÍDA 33. Uma vez que a contribuinte não corrigiu as divergências entre os códigos, descrições e valores das Notas Fiscais e nem informou as mercadorias correspondentes na Saída da Matriz com aquelas informadas na Entrada da Filial, ela foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal 20022015, entregue em 05/03/2015, a responder uma lista, com os produtos/mercadorias que deram Saída na Filial, contendo dentre outras informações, se as mercadorias foram importadas ou se os produtos foram produzidos pela Matriz. De posse dessa lista, foi extraído do arquivo ADE25, na Saída da Filial, dados contendo apenas mercadorias importadas e produtos produzidos pela Matriz a qual foi submetida a análises que resultaram em novos valores de IPI a recolher, conforme a seguir apresentadas [Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 6.0 Análise TIF 20150220 (Intimação) e Anexo 7.0 Produz. e . 'portado pela Matriz Saída Filial]. Conforme já mencionado, a contribuinte em tela é equiparada a estabelecimento industrial, uma vez que exerce o comércio de produtos importados e de industrializados por outro estabelecimento da mesma firma, nos termos do art. 9º, inciso III, do RIPI/2010 (art. 9º, inciso III, do RIPI/2002) e, assim sendo, são obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte, conforme dispõe o art. 24, inciso III, do RIPI/2010 (art. 24, inciso III, do RIPI/2002), transcrito a seguir. Quanto aos itens que sujeitarão ao pagamento do imposto, bem como as razões que fundamentaram essa obrigação, estão discriminados nos itens a seguir: Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: (...)III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes de Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 464 7 atos que praticar (Lei n° 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea "a"); ITENS QUE DERAM SAÍDA DA FILIAL SUJEITOS AO PAGAMENTO DO IPI (...) 44. Após a consolidação das informações expostas anteriormente, quanto às mercadorias e produtos produzidos pela Matriz, transferidos para Filial, e que deram Saídas na Filial, tiveram o IPI calculado, uns conforme a NCM informada pela contribuinte e outras tiveram NCMs alteradas e definidas pela DRF, os quais resultaram em dados demonstrados no quadro a seguir (Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 7.0 Análise Produzido e Importado pela Matriz Saída Filial): (...)45. Discriminando mensalmente os valores de IPI apurados pela DRF na Saída da Filial, após análise somente de itens produzidos e importados pela Matriz, resultaram em dados demonstrados nos quadros a seguir (Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 7.0 Análise Produzido e Importado pela Matriz Saída Filial):(...) 46. Após selecionar, entre os dados de Saída da Filial (arquivo ADE25), todos os produtos produzidos e mercadorias importadas pela Matriz, segundo resposta obtida pelo Termo de Intimação Fiscal 20022015, entregue em 05/03/2015 (Informações detalhadas constam no arquivo Anexo 6.0 Análise TIF 20150220), e; Relacionar todas as Notas Fiscais por item e, posteriormente, realizar uma pesquisa no Livro de Saída da Filial por n° da Nota Fiscal, e assim, foram obtidos o Valor Contábil e Base de Cálculo do ICMS correspondente; Em seguida, foi calculada a diferença, por Nota Fiscal, entre o Valor Contábil (Livro de Saída da Filial) e Valor dos Itens (Arquivo ADE25). Sobre essa diferença, foi calculado o valor do IPI, utilizando a alíquota definida pela DRF, para cada uma das Notas Fiscais. Consolidando apenas os valores totais que resultaram após essa operação, obtêmse (Informações detalhadas constam na planilha "LivroXSaída (Prod_Imp_Matriz)" do arquivo Anexo 7.0 Análise Produzido e Importado pela Matriz Saída Filial):(...) Conforme se observa, o IPI Calculado pela DRF será objeto de Auto de Infração o qual será utilizado na reconstituição da escrita fiscal como Débito do IPI (l.Por Saidas/Prestações com Débito do Imposto) e; O valor do IPI a Cobrar, resultante da diferença entre os valores apurados por cada uma das Notas Fiscais do Livro de Saída da Filial com os dados obtidos no arquivo ADE25, selecionando somente informações de Saídas da Filial de produtos produzidos Fl. 467DF CARF MF 8 e mercadorias importadas da Matriz, será, o valor do IPI a Cobrar, utilizado como Outros Débitos (2. Outros Débitos). Quanto ao valor do Crédito (5. Por Entradas/Aquisições com Crédito do Imposto), será utilizado valores de IPI pago na Saída da Matriz, conforme já explanado anteriormente (Informações detalhadas constam na planilha "LivroXSaída (Prod_Imp_Matriz)", "Saída => Filial Matriz" e "RAIPI Após a Análise" do arquivo Anexo 7.0 Análise Produzido e Importado pela Matriz Saída Filial). Reconstituição da Escrita Fiscal depois dos ajustes nas Entradas e Saídas da matriz: 49. Depois de efetuada os ajustes nas Entradas e também nas Saídas da Matriz, foram apurados novos valores de Créditos IPI pago na Saída da Matriz (5. Por Entradas/Aquisições com Crédito do Imposto), Débitos de IPI IPI Calculado pela DRF (l.Por Saídas/Prestações com Débito do Imposto), e Outros Débitos IPI a Cobrar (2. Outros Débitos), e de posse desses dados, foram realizadas as Reconstituições da Escrita Fiscal e apurados novos valores de Saldo Devedor (11. Saldo Devedor (Débito menos Crédito), conforme demonstrados nos quadros a seguir (Informações detalhadas constam na planilha "RAIPI Após a Análise" do arquivo Anexo 7.0 Análise Produzido e Importado pela Matriz Saída Filial): (...)Diante do exposto, ficaram demonstradas que a contribuinte cometeu as infrações descritas resumidamente, listadas a seguir: Nas Entradas: • Não foi lavrado Auto de Infração na Entrada da Filial: Foi utilizado como Crédito, o IPI destacado na Saída da Matriz, apurado sobre os produtos produzidos e mercadorias importadas pela Matriz; Nas Saídas de Produtos: • São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem como aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar, nos termos do art. 24, inciso III, do RIPI/2010 (art. 24, inciso III, RIPI/2002). 51. A reconstituição da escrita fiscal demonstrou que ocorreu Saldos devedores de IPI não recolhidos. Esses saldos devedores apurados na reconstituição da escrita fiscal serão objetos de lançamento de ofício (...) Cientificado do auto de infração em 30/04/2015, manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 01/06/2015, por intermédio do arrazoado de fls. fl. 336/354, no qual alega, em síntese, que: SOVINIL INDÚSTRIA DE AUTO ADESIVOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.632.736/000133, com sede à Rod. BR 376, n. 276, Km 153, CEP: 87.160000, Gleba Patrimônio GU, em MandaguaçuPR, por intermédio de seu advogado que abaixo subscreve Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 465 9 (instrumento de procuração em anexo), Marcelo Costa, inscrito no CPF sob n. 015.135.97922 e na OAB/PR sob o n. 25.744, com endereço profissional à Av. Brasil, 4312 22. Andar salas 201 e 202, em MaringáPR CEP: 87.013000, Fone (044) 3225 6161, vem à presença desta Autoridade, na forma do artigo 15 e seguintes do Decreto 70.235/1972, apresentar sua: IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração n. 0910200.2013.01354 resultante do processo acima identificado, que foi cientificado à Contribuinte/Impugnante em 30 de abril de 2015, pelos fatos e fundamentos a seguir dispostos. (...) II. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI NAS SAÍDAS DE PRODUTOS POR EMPRESA EXCLUSIVAMENTE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Como o procedimento normativo prevê, quando do envio das mercadorias ao estabelecimento filial, a sede destacou o IPI nas notas de saída nos casos em que a legislação assim exige. CONTUDO, A Recorrente ressalva a defesa realizada no Processo n. 10950721.729/201522, decorrente do Procedimento Fiscal n. 0910500.2013.00558, onde restou demonstrado, inclusive, que nos casos de REVENDA, SEM INDUSTRIALIZAÇÃO, sequer é exigível o IPI na saída das mercadorias. Contudo, o fato da filial não destacar o IPI, dáse pelo fato da mesma ter como atividade exclusiva o COMÉRCIO.(...) Logo, pela absoluta ausência de industrialização, e cuja atividade específica é comercial, POR TODOS OS FUNDAMENTOS JÁ TRAZIDOS NESTE ITEM, concluise que o IPI não incide no comércio, mas somente quando há industrialização. Assim, é de se julgar pela absoluta improcedência do auto de infração decorrente do processo administrativo fiscal 0910200.2013.01354, do PROCESSO 10950721758/201594. Mas como se sabe, na atual sistemática tributária, no que tange aos produtos adquiridos do exterior industrializados prontos para consumo, a Recorrente, na qualidade de importadora, é compelida a realizar o pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI por 02 (duas) ocasiões sob o mesmo produto. No primeiro momento é recolhido o IPI no desembaraço aduaneiro e, posteriormente, também é recolhido o IPI na saída do produto do estabelecimento comercial, com o apontamento na nota fiscal. Mas ela faz isso pela sede, e não pela filial, que assume exclusivamente a função de COMÉRCIO. (...)Nestes casos, além da não realização do fato tributável (industrialização) dos produtos importados para revenda, temse que a incidência do IPI sobre esses produtos na saída do estabelecimento importador (revenda) caracterizase bitributação e violação do princípio da igualdade de contribuintes em situação equivalente. Fl. 469DF CARF MF 10 Assim, em virtude da inexigibilidade do IPI sobre a revenda de produtos importados, ante a não ocorrência de fato tributável pelo respectivo imposto (industrialização), bitributação e violação do princípio da igualdade tributária, requer a revisão deste auto de infração, e assim, seja reconhecido como indevida a incidência do IPI na revenda de produtos importados no mercado interno não submetidos à industrialização. II.1 INEXIGIBILIDADE DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) NA REVENDA/SAÍDA DE EMPRESA EXCLUSIVAMENTE COMERCIAL (FILIAL), SEM INDUSTRIALIZAÇÃO. (...) Princípio da Igualdade. Vedação de Discriminação de Contribuintes em Situações Equivalentes. (...) Nestes termos, em atenção ao princípio da ISONOMIA TRIBUTÁRIA, se o comerciante de produtos de origem nacional não está obrigado a recolher IPI sobre a revenda/saída dos produtos de seu estabelecimento, o mesmo tratamento deve ser despendido ao comercianteimportador, quanto à revenda do produto NACIONALIZADO não submetido à industrialização, eis que ambos encontramse em situação jurídica equivalentes! Ou seja, ambos encontramse revendendo e comercializando produtos considerados NACIONAIS, cuja operação não está sujeita à incidência do IPI. Logo, revela INJUSTIFICADA e INCONSTITUCIONAL a exigência de IPI na revenda de produtos importados não submetidos à industrialização (considerados nacionalizados) no mercado interno, ante o tratamento desigual dado aos contribuintes em situações equivalentes! (...) III. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO. (...) Diante destes breves comentários, questionase: há de sofre a Contribuinte com multa de ofício de 75% sobre o tributo que a SRF entende como exigível? Evidentemente que não. A multa de ofício há de ser revista deste auto de infração, independente da improcedência ou não do auto de infração. IV. DA IMPROCEDÊNCIA DOS APONTAMENTOS (...) Ora, no caso em tela, a interpretação deve ser favorável à Recorrente, pois a própria peça básica não indicou nenhuma infração efetiva que eventualmente a Recorrente teria praticado. Após relatório, a DRJ julgou parcialmente improcedente a impugnação do contribuinte, tendo sido o acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 SAÍDA DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO IMPORTADO. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA INDUSTRIAL. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 466 11 A interessada exerce entre outras atividades a de revenda de produtos importados pela matriz. Equiparamse a estabelecimento industrial empresas que exercerem o comércio de produtos importados adquiridos por outro estabelecimento da mesma firma. Após a necessária reconstituição da escrita fiscal, resultaram saldos devedores do IPI. O não recolhimento do saldo devedor apurado após reconstituição da escrita fiscal do contribuinte sujeita o sujeito passivo ao lançamento dos montantes inadimplidos. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DE IPI. É legítimo o lançamento da multa de ofício dos débitos não recolhidos pelo contribuinte nos prazos estabelecidos pela legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 431/453, reforçando os argumentos de defesa apresentados em sede de Impugnação. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Para melhor exame dos argumentos, passo à análise de cada um dos tópicos de recurso apresentados pelo contribuinte. I. JULGAMENTO ALÉM DO OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO Nesse tópico a Contribuinte requer a reforma do acórdão recorrido "no que tange a afirmação de que houve o RECONHECIMENTO da classificação fiscal por parte da Recorrente / Contribuinte, já que se trata de matéria específica do outro auto de infração em processamento e análise (Processo Administrativo n. 10950.721729/201522 específico da matriz)". Fl. 471DF CARF MF 12 Este foi o posicionamento adotado pelo acórdão Recorrido, objeto de irresignação: Ademais, a fiscalização considerou as mesmas classificações fiscais de saídas de mercadorias adotadas no processo referente à matriz, Processo Administrativo nº 10950.721729/201522, com a motivação fática disposta no Relatório Fiscal, às fls. 30/58. Ao final, promoveuse o lançamento tributário do montante apurado, ou seja, sobre as saídas de produtos importados e transferidos à filial pela matriz, considerando as classificações fiscais decorrentes e os respectivos créditos de IPI na entrada dos produtos na filial. De pronto cumpre ressaltar que a interessada não contesta, no presente processo, as classificações fiscais adotadas pela autoridade fiscal. Dessa forma, aplicável à hipótese o artigo 17 do Decreto 70.235/72 (que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União), que assim dispõe: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997”. Portanto, é de se considerar definitiva, na esfera administrativa, as classificações fiscais adotadas pela fiscalização, mantendose as alíquotas aplicadas para o cálculo de créditos e débitos do imposto na reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, por se tratar de matéria não contestada. De fato, está correta a afirmação da Contribuinte no sentido de que "NESTE Auto de infração não foi discutida qualquer questão relativa à CLASSIFICAÇÃO FISCAL (NCM) de saída de mercadorias, pois este assunto foi tratado no Processo Administrativo n. 10950.721729/201522". Com efeito, veja a única infração apontada no presente Auto de Infração nº 10950.721758/201594 (fl. 3) Lado outro, o Auto de Infração nº 10950.721729/201522 (fls. 3 do referido processo), que apontou diversas infrações, trouxe a seguinte descrição quanto à infração apurada na saída de mercadorias: É evidente, assim, que, no presente processo nº 10950.721758201594 a Contribuinte não foi autuada por indevida classificação fiscal de mercadorias. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 467 13 Ainda que o Relatório Fiscal tenha mencionado tal reclassificação fiscal, esta ocorreu apenas no Auto de Infração nº 10950.721729/201522, lavrado em face do mesmo contribuinte (matriz e filial). Logo, ainda que inadequada a manifestação do acórdão recorrido no sentido de que "é de se considerar definitiva, na esfera administrativa, as classificações fiscais adotadas pela fiscalização, mantendose as alíquotas aplicadas para o cálculo de créditos e débitos do imposto na reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, por se tratar de matéria não contestada", não há qualquer repercussão no crédito tributário sob discussão. II. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI NAS SAÍDAS DE PRODUTOS POR EMPRESA EXCLUSIVAMENTE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Nesse tópico de Recurso a Contribuinte se insurge contra a cobrança do IPI na saída de mercadorias importadas, sem que estas tenham passado por qualquer processo de industrialização (mercadorias importadas para revenda). Alega a Contribuinte que "o fato gerador do IPI não é a simples saída/revenda do produto importado do estabelecimento do importador, mas sim a industrialização do produto (...), sendo que a saída do produto industrializado foi escolhida tão somente como o momento (aspecto temporal), em regra, de ocorrência do fato gerador". Ainda nesse tópico, alega que a cobrança do IPI na situação em tela acarretaria a bitributação, uma vez que ocorreria a incidência do IPI duas vezes, sem que haja novo fato tributvel, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em reforço à teses defendida. Pois bem. A matéria de direito em questão não demanda maiores digressões. É que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, chancelou a exigência do IPI quando da revenda de produtos industrializados importados, ainda que não ocorra novo processo de industrialização em território Nacional. Confirase: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). Fl. 473DF CARF MF 14 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 468 15 (EREsp 1403532/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015) Com efeito, nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, este Conselho está obrigado a aplicar as decisões proferidas pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Por fim, a par da legalidade da exigência do IPI, a Contribuinte também ventila a ofensa ao princípio constitucional da isonomia, aduzindo que "a exigência fiscal de recolhimento do IPI na saída (comercialização interna) de produtos importados, que não se submeteram à industrialização, revela um tratamento mais oneroso ao comerciante importador do que aquele dado ao comerciante que revende produtos de origem nacional." Ainda nesse tópico, ilustra a Contribuinte que "prevalecendo a regra atual imposta pela Fazenda Nacional, o comerciante importador suportará um ônus adicional, que não teria, caso houvesse adquirido o mesmo produto industrializado, só que no Brasil, em evidente afronta ao princípio da igualdade". Também nos termos do RICARF, caput do art. 62 supra citado, é vedado à este órgão julgador o afastamento de norma legal em face de eventual violação ao texto constitucional. Não obstante, necessário salientar que, na hipótese dos autos, não vislumbro a alegada ofensa ao Princípio da Isonomia. É que o Princípio da Isonomia ou da Igualdade, na basilar lição de Aristóteles, consiste em "tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade". E, com a devida vênia às razões expostas em sede de Recurso, o importador de produtos industrializados que o revende no mercado interno, não se encontra em igualdade de condições com aquele que revende produtos de origem nacional, cujo produtor está sujeito a normas e encargos tributários, regulatórios, trabalhistas e sociais (por exemplo), absolutamente distintos do produtor estrangeiro. Desse modo, não se pode postular tratamento "igual" a agentes que se encontram em situação "desigual". Fl. 475DF CARF MF 16 Pelo exposto, nego provimento à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência do IPI na revenda, no mercado interno, de produtos importados, ainda que inexistente qualquer processo de industrialização no território nacional. III. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO. Nesse tópico, a despeito de não ter mencionado expressamente o dispositivo legal, o que busca a Contribuinte é a aplicação do disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Essa Turma e recente julgamento se manifestou de forma unânime quanto à aplicação do referido dispositivo em situação nas quais se verifique que o contribuinte enfrentou divergências entre práticas reiteradamente observadas pelas Autoridades Administrativas. Tratase do Acórdão 3201002.026, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10950.721758/201594 Acórdão n.º 3201002.752 S3C2T1 Fl. 469 17 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA.Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência. Naõ obstante ao entendimento ao qual coaduno, na hipótese dos autos entendo que a Contribuinte não logrou demonstrar qualquer causa de aplicação da dispositivo legal citado. Não houve comprovação efetiva de que a Autoridade Fiscal, em outras oportunidades, tenham chancelado ou orientado a classificação fiscal requerida pela Contribuinte. Pelo exposto, entendo não ser aplicável à hipótese dos autos a exoneração prevista no parágrafo único do art. 100 do CTN, rejeitando o Recurso também nesse aspecto. IV. DA IMPROCEDÊNCIA DOS APONTAMENTOS. Por fim, a Contribuinte requer a aplicação, ao caso concreto, do art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Todavia, consoante todo arrazoado exposto na presente decisão, não vislumbro qualquer existência de dúvida acerca dos fatos examinados de forma bastante objetiva. Vejase que a dúvida que autoriza a aplicação do art. 112 do CTN não é aquela decorrente da irresignação do contribuinte quanto aos fatos apurados pela Fiscalização, da interpretação divergente das normas. Esta irresignação se materializa por meio do devido processo legal e da ampla defesa assegurados ao contribuinte. Se assim não o fosse, toda e qualquer lide administrativa poderia ser caracterizada como dúvida, independentemente da sua fundamentação. A dúvida que se exige é a dúvida razoável, fundamentada, e, nos termos legais, a dúvida objetiva, que alcança a certeza dos fatos e /ou da capitulação legal. Não é a dúvida quanto a interpretação do direito. Desse modo, entendo inaplicável aos autos o art. 112 do CTN. Fl. 477DF CARF MF 18 Pelo exposto, voto pelo NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário pelas razões expostas. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Declaração de Voto Examinando o caso concreto à luz da legislação de regência tenho que na importação de produtos industrializados a primeira incidência do IPI se dá quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira (CTN, art.46,I). A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46,II e 51, parágrafo único do CTN. A despeito das ilustradas posições em contrário, entendo que com o advento do Código Tributário Nacional é legal a cobrança de IPI quando a mercadoria importada sair do estabelecimento produtor ou similar. Em outras palavras, os produtos importados estão sujeitos novamente ao fato gerador do IPI na saída do estabelecimento importador. Lembro que o art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. Ressaltese também que o art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor, de modo que não vejo qualquer incompatibilidade para fins de uma nova hipótese de incidência do IPI sobre os produtos importados quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Registro que o Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Perfeitamente legal a incidência do tributo em dois momentos. Não há que se falar na ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação porque a lei prevê dois fatos geradores distintos, quais sejam o desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira e, depois, a saída dessa mercadoria do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor. Em outras palavras, o imposto recai primeiramente sobre o preço de compra, considerada a margem de lucro da empresa estrangeira e ao depois incide uma segunda vez sobre o preço de venda, considerada a margem de lucro da empresa brasileira que fez a importação. PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.902559/2008-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de novembro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de novembro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 25 59 /2 00 8- 01 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10166.902559/200801 Acórdão n.º 9101002.914 CSRFT1 Fl. 3 2 saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de CSLL), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10166.902559/200801 Acórdão n.º 9101002.914 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de CSLL com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10166.902559/200801 Acórdão n.º 9101002.914 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10166.902559/200801 Acórdão n.º 9101002.914 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10166.902559/200801 Acórdão n.º 9101002.914 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901048/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 48 /2 01 3- 39 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901048/201339 Acórdão n.º 1302002.202 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901048/201339 Acórdão n.º 1302002.202 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901048/201339 Acórdão n.º 1302002.202 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903365/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.006
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 65 /2 01 1- 48 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903365/201148 Acórdão n.º 3302004.006 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.533. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903365/201148 Acórdão n.º 3302004.006 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903365/201148 Acórdão n.º 3302004.006 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903365/201148 Acórdão n.º 3302004.006 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903365/201148 Acórdão n.º 3302004.006 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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