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Numero do processo: 15463.722323/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. CONDOMÍNIO E OUTRAS DESPESAS INCIDENTES SOBRE O BEM. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO.
Restando comprovado, por documentos emitidos pela administradora do imóvel, ter o contribuinte assumido os encargos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo ano-calendário, mantendo-se os demais lançamentos sobre IRPF que o Contribuinte não recolheu.
Numero da decisão: 2401-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar o rendimento de aluguel a ser tributado no valor de R$ 14.090,83.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. CONDOMÍNIO E OUTRAS DESPESAS INCIDENTES SOBRE O BEM. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO. Restando comprovado, por documentos emitidos pela administradora do imóvel, ter o contribuinte assumido os encargos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo ano-calendário, mantendo-se os demais lançamentos sobre IRPF que o Contribuinte não recolheu.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar o rendimento de aluguel a ser tributado no valor de R$ 14.090,83. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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CONDOMÍNIO E OUTRAS DESPESAS INCIDENTES SOBRE O BEM. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO. Restando comprovado, por documentos emitidos pela administradora do imóvel, ter o contribuinte assumido os encargos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo anocalendário, mantendose os demais lançamentos sobre IRPF que o Contribuinte não recolheu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 23 23 /2 01 4- 91 Fl. 69DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial, para considerar o rendimento de aluguel a ser tributado no valor de R$ 14.090,83. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 15463.722323/201491 Acórdão n.º 2401004.963 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 5/8, foi efetuado o lançamento alterando o resultado da declaração de Imposto a Restituir de R$ 6.968,02 para R$ 2.606,08, relativos ao anocalendário 2012, exercício 2013. Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o lançamento foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 15.861,60, apurado com base na DIMOB apresentada pela administradora de imóveis Publio Imóveis Ltda. Cientificado do lançamento, o contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fl.2, alegando, em síntese, que o valor correto informado na DIMOB seria de R$ 14.090,83 e não de 15.861,60, como foi lançado, e admite ter cometido erro ao informar os rendimentos de aluguéis como sendo de tributação exclusiva, mas que prefere preencher a própria declaração, apesar da falta de conhecimento. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), por intermédio do Acórdão nº 0736.487 julgou improcedente a impugnação, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2012 DISPENSA DA EMENTA. Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 30/31), cujas razões, em síntese, admite que cometeu um simples erro de interpretação e movimentação de dados. E esclarece que: Na primeira declaração, enviada em 11/04/2013, recibo de número 37.01.15.99.7978, na cédula de Rendimentos Tributáveis, no lugar de informar o nome da Administradora Públio Imóveis, CNPJ 11.349.734/000105, colocou o nome do inquilino com o seu CPF e o valor constante no DIMOB, fornecido pela mesma, de R$ 14.090,83. Fl. 71DF CARF MF 4 Acredita que o valor de R$ 15.861,60 informado pela imobiliária à Receita não está correto, pois o DIMOB que possui, enviado pela administradora, é justamente o valor por ele declarado. Segunda Declaração Retificadora, enviada em 18/05/2013 recibo de número 30.37.75.51.6783, na cédula própria procurou corrigir os erros cometidos quando da primeira declaração, não entendendo a razão da sua não aprovação. Terceira Declaração Retificadora, enviada em 25/05/2013 recibo de número 37.32.21.23.6201, recebeu um comunicado da Receita informando que a declaração do contribuinte continha pendências. Em virtude disso, acessou o portal eCAC e procurou solucionar tais pendências. Quarta Declaração Retificadora, enviada em 30/04/2014 recibo de número 17.72.19.25.0451, novamente recebeu um comunicado da Receita informandoo que as discrepâncias continuavam, foi quando percebeu que não havia transferido os valores constantes na terceira declaração retificadora, referente ao ganho do DIMOB no valor de R$ 14.090,83. Quinta Declaração Retificadora, enviada em 23/05/2014 recibo de número 11.23.52.59.7063, recebeu a intimação fiscal nº 2013/104989867271678, de 02/06/2014, tendo comparecido à Receita, DRF Rio de Janeiro I, dentro do prazo estipulado em agendamento, levando todos os documentos comprobatórios exigidos, tendo sido informado por uma Auditora que não recorda o nome, que estava tudo correto e que posteriormente receberia um retorno da Receita Federal. Feitos tais esclarecimentos, informa que não está correta a informação contida no acórdão combatido quando afirma “E não tendo o contribuinte apresentado documento capaz de informar o valor dos rendimentos de alugueis pela fiscalização, há que manter inalterado o lançamento”. Questiona como pode prevalecer tal entendimento se o contribuinte esteve presencialmente na Receita Federal atendendo o termo de intimação e fornecido todos os documentos necessários solicitados. Com essas considerações requer a reforma do julgado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15463.722323/201491 Acórdão n.º 2401004.963 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 13/07/2015, conforme AR à fl. 27, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 07/08/2015 (fl.30) Do mérito Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o lançamento foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 15.861,60, apurado com base na DIMOB apresentada pela administradora de imóveis Publio Imóveis Ltda. O contribuinte se insurge contra o lançamento ao argumento de que o valor correto informado na DIMOB seria de R$ 14.090,83 e não de 15.861,60, como foi lançado. Sobre o tema, rezam os artigos 49 e 50 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º, Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; II locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento de pastos naturais ou artificiais, ou campos de invernada; III direito de uso ou aproveitamento de águas privadas ou de força hidráulica; IV direito de uso ou exploração de películas cinematográficas ou de videoteipe; V direito de uso ou exploração de outros bens móveis de qualquer natureza; VI direito de exploração de conjuntos industriais. § 1º Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao ano calendário da declaração, ressalvado o disposto no inciso IX do art. 39 (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). § 2º Serão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. Fl. 73DF CARF MF 6 Exclusões no Caso de Aluguel de Imóveis Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Assim, o locador pode deduzir o valor dos impostos incidentes sobre o imóvel, como as despesas de condomínio, que tenham sido do seu exclusivo encargo. No caso em apreço, verificase dos documentos juntados pelo contribuinte (fls. 10; 38 e 39) e fornecidos pela administradora do imóvel (Publio Imóveis), que além da taxa de administração, outras despesas foram deduzidas, tais como condomínio, no valor de R$ 1.770,77 (um mil setecentos e setenta reais e setenta e sete centavos), sendo, portanto, o valor de R$ 14.090,83 (quatorze mil e noventa reais e oitenta e três centavos) recebido pelo recorrente, valor este declarado por ele na sua DIRPF (fl. 14). Assim, entendo que agiu corretamente o contribuinte ao informar o valor de R$ 14.090,83 (quatorze mil e noventa reais e oitenta e três centavos) em sua declaração do imposto de renda, excetuados as deduções lançadas pela administradora do imóvel, e, ainda, que referidas deduções tem amparo na legislação de regência bem como no conjunto probatório coligido aos autos, ainda que não tenha realizado no campo apropriado, mantendo a cobrança do IRPF sobre o excedente a esse valor, porque ele não recolheu. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14116.000043/2009-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando os dispositivos legais que orientaram o acórdão recorrido sequer existiam quando da prolação dos paradigmas.
Numero da decisão: 9202-005.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando os dispositivos legais que orientaram o acórdão recorrido sequer existiam quando da prolação dos paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 6. 00 00 43 /2 00 9- 49 Fl. 247DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural, além de Contribuições, do Exercício 1994, referente ao imóvel denominado “Fazenda Brasilândia”, localizado no município de Sonora/MS. A lide foi inaugurada com a formalização do processo nº 10140.000509/9537. Em sessão plenária de 18/04/2002, foi julgado o Recurso Voluntário nº 122.017, prolatandose o Acórdão nº 30130.191 (efls. 97 a 104), assim ementado: "ITR. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. VÍCIO FORMAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Igual julgamento proferido através do Ac. CSRF/PLENO 00.002/2001." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, declarar a nulidade da notificação de lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Sérgio Fonseca Soares e Roberta Maria Ribeiro Aragão." Cientificada do acórdão em 15/07/2002 (efls. 105), a PGFN interpôs, em 17/07/2002 (carimbo aposto às efls. 106), o Recurso Especial de efls. 106 a 114, com fundamento no art. 5º, inciso II, do Regimento Interno dos antigos Conselhos de Contribuintes, visando rediscutir a nulidade da notificação de lançamento do ITR por falta de identificação da autoridade que a expediu. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de efls. 124. Cientificado em 02/02/2004 (AR Aviso de Recebimento de efls. 127), o Contribuinte ofereceu, em 13/02/2004 (protocolo de efls.128), as Contrarrazões de efls 128 a 133. Destarte, em sessão plenária de 08/11/2004, foi julgado o Recurso Especial nº 301122017, prolatandose o Acórdão nº CSRF/0304.213 (efls. 97 a 104), assim ementado: "ITR — NULIDADE — VÍCIO FORMAL — É nula por vicio formal Notificação de Lançamento que não contenha a identificação autoridade que a expediu, requinte essencial prescrito em lei. Recurso negado." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fl. 248DF CARF MF Processo nº 14116.000043/200949 Acórdão n.º 9202005.703 CSRFT2 Fl. 187 3 Henrique Prado Megda e Anelise Daudt Prieto que deram provimento ao recurso." Assim, o processo nº 10140.000509/9537 retornou à Unidade de Origem, que formalizou o presente processo, de nº 14116.000043/200949, com o objetivo de promover um novo lançamento do ITR/1994. Cientificado da nova Notificação de Lançamento em 20/03/2009 (AR Aviso de Recebimento de efls. 168), o Contribuinte apresentou, em 13/04/2009, a impugnação de e fls. 170 a 177, alegando, em síntese, que o lançamento não poderia prosperar, tendo em vista a existência de decisão do STF concluindo que a cobrança do ITR/1994 violaria o princípio da anterioridade tributária. Em primeira instância, foi prolatado o Acórdão nº 0418820 (efls. 185 a 187), considerandose improcedente a impugnação e mantendose a exigência do crédito tributário. Intimado do acórdão em 27/11/2009 (AR Aviso de Recebimento de efls. 190), o Contribuinte interpôs, em 22/12/2009 (efls.191), o Recurso Voluntário de efls. 191 a 198, reiterando a argumentação utilizada na impugnação. Em sessão plenária de 11/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário nº 933.497, prolatandose o Acórdão nº 2801002.580 (efls. 200 a 203), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. Não configurada nenhuma das exceções previstas na legislação. VTN MÍNIMO. O valor da terra nua mínimo, nos termos da Lei 8.847/1994, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator." Cientificado do acórdão em 27/06/2013 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 209), o Contribuinte interpôs, em 10/07/2013 (Protocolo de Documentos de efls. 210), o Recurso Especial de efls. 210 a 220, com fundamento nos arts. 64, inciso II, 67 e seguintes, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir Fl. 249DF CARF MF 4 a declaração da inconstitucionalidade do ITR/94 pelo STF, bem como critérios para alteração do VTN Valor da Terra Nua mínimo. Em seu apelo, o Contribuinte alega: ao inaugurar o litígio, o recorrente manejou sua impugnação em cujas razões perseverou perante essa c. Corte Administrativa, pleiteando o provimento do recurso voluntário por entender, como, aliás, tem entendido esse Colegiado e o antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, em sua grande maioria de julgados, ser insubsistente o lançamento do ITR/94 e constituir cerceamento ao direito de defesa do contribuinte o arbitramento do VTN sem que o mesmo tenha conhecimento dos parâmetros de avaliação adotados, posto que sem acesso às informações do SIPT; entretanto, o Recorrente persevera no discordar, agora perante a Colenda Câmara Superior desse e. Colegiado, com a injusta manutenção da exigência fiscal conforme posto na Notificação de Lançamento, que não encontra amparo legal diante da jurisprudência dessa Corte que milita em seu favor, tal como vem sendo decidido segundo os arestos paradigmas acima colacionados; conforme bem consignado pelo ilustre e douto Conselheiro Dr. Marciel Eder Costa, relator no julgamento do recurso n° 130723, pela CSRF (julgado acima ementado), ao se referir ao ITR/94: "... Com efeito, o parágrafo único do art. 4o do Decreto n° 2.346/97assim dispôs: ''Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal" este é exatamente o caso dos autos quanto ao ITR/94, declarado inconstitucional pelo STF; como bem demonstram as ementas transcritas alhures, diversamente e em homenagem à Justiça e ao Estado Democrático de Direito, questões de mesma índole foram decididas favoravelmente aos recorrentes, ao ser reconhecido pelos Senhores Conselheiros a insubsistência do procedimento fiscal; bem observados os argumentos fáticos e jurídicos consignados na impugnação e no recurso voluntário, os arestos paradigmas, representados pelas ementas trazidas à colação, não deixam dúvida nenhuma quanto ao acerto das teses esposadas pelo Recorrente desde a impugnação, até agora não acatadas pelas instâncias percorridas; tais julgados apontam na direção certa, a única a ser aplicada à questão, tal como há de ser decidido pela Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, rogando o Recorrente pela aplicação isonômica de seus fundamentos e para que possam robustecer as razões do Especial, o que, certamente, em muito contribuirá para a sua admissibilidade e provimento; sem sombra de dúvida, o evidente descompasso jurisprudencial ora demonstrado autoriza o recorrente a se socorrer sob o pálio da Superior Corte Administrativa; Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14116.000043/200949 Acórdão n.º 9202005.703 CSRFT2 Fl. 188 5 é, pois, induvidoso que ao Recorrente assiste razão sobre pretender a improcedência do lançamento de ofício, em face da flagrante ilegalidade praticada pelo fisco, na medida em foi penalizado injustamente, como também merece o presente recurso ser admitido por Vossa Senhoria, para apreciação pela colenda CSRF; para tanto e para que não se torne por demais exaustiva novel argumentação, o recorrente pede venia para remeter o ilustre Relator e demais Conselheiros às razões da impugnação e do recurso voluntário, nas quais persevera, bem como, para os fins de análise da divergência arguida e julgamento do Especial, às razões expendidas perante a Câmara recorrida, transcritas precedentemente, ambas autuadas no presente processo; requer, pois, o acolhimento integral de suas razões no que tange às divergências apontadas, para que o v. acórdão hostilizado seja reformado em seu todo, prevalecendo, portanto, o que foi decidido nos paradigmas, aplicandose, destarte, a salutar e costumeira justiça, que, como é por demais cediço, nunca foi negada por esse Superior Colegiado. Ao final, o Contribuinte pede que seja admitido e provido o recurso, para que seja reformado integralmente o acórdão recorrido. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à matéria declaração de inconstitucionalidade do ITR/94 pelo STF, conforme Despacho de Admissibilidade de 27/11/2015 (efls. 225 a 228), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 229/230. O processo foi encaminhado à PGFN em 15/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 241) e, em 29/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 246), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 242 a 245, contendo os seguintes argumentos: na hipótese, os acórdãos paradigmas entenderam adequado cancelar o lançamento relativo ao ITR do ano de 1994, considerando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 448.558/PR; ocorre, no entanto, que tal decisão foi proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, pela Segunda Turma do STF, inexistindo qualquer efeito vinculante; nesse contexto, cancelar o presente lançamento com respaldo em tal julgado enseja, via transversa, evidente declaração de inconstitucionalidade reconhecida por colegiado do CARF; o procedimento viola frontalmente a regra constante do Regimento Interno do CARF, que dispõe: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 251DF CARF MF 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” assim, considerando que tal atividade resta vedada ao órgão judicante da Administração, por ser atribuição restrita ao Poder Judiciário, inexiste respaldo para acolher o pedido do contribuinte no sentido de cancelar o lançamento do ITR/94 por "inconstitucionalidade da utilização das alíquotas constantes da Medida Provisória nº 399/93”; nessa esteira, a aplicação do diploma legal em comento mostrase indispensável nesta oportunidade, sob pena de evidente violação ao art. 62, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao Final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, mantendose o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural e Contribuições, do exercício de 1994, referente ao imóvel denominado “Fazenda Brasilândia”, localizado no município de Sonora/MS. A lide foi inaugurada com o processo nº 10140.000509/9537, cujo lançamento foi anulado por vício formal, formalizandose o presente processo, de nº 14116.000043/200949, que trata do novo lançamento. Relativamente ao novo lançamento, este foi mantido em Primeira e Segunda Instâncias, por unanimidade de votos. Quanto ao Recurso Especial, este teve seguimento apenas no que tange à matéria "declaração de inconstitucionalidade do ITR/94 pelo STF". O acórdão recorrido assim fundamentou a decisão: "De proêmio, quanto à argumentação posta na peça recursal, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei ou decreto, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, assim como no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14116.000043/200949 Acórdão n.º 9202005.703 CSRFT2 Fl. 189 7 Administrativo de Recursos Fiscais Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O caso sob exame não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior e assim definidas: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993." (destaques no original) Como se pode constatar, a decisão proferida no acórdão recorrido foi lastreada na Lei nº 11.941, de 2009, e no Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Nesse passo, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por um julgado que, interpretando essa legislação, chegasse a conclusão diversa da que chegou o recorrido. Não obstante, os paradigmas indicados foram os Acórdãos CSRF 0305.670, de 26/02/2008, e 303 33.374, de 13/07/2006, portanto anteriores à edição da legislação que orientou o acórdão recorrido. Assim, não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando os atos legais que orientaram o acórdão recorrido sequer existiam, quando da prolação dos paradigmas. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 253DF CARF MF 8 Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002564/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte.
E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
Numero da decisão: 3201-000.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Judith Amaral Marcondes Armando
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Numero do processo: 16707.005517/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003
COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003
PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da contribuição as outras receitas em face da inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso voluntário provido.
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 55 17 /2 00 4- 18 Fl. 773DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 772 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas” em face da inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 750 a 755) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1119.417 (fls. 738 a 743), de 28 de junho de 2007, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) – DRJ/REC – que julgou, por unanimidade de votos, procedente os lançamentos de que trata os Autos de Infração (fls. 10 a 14). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. de fls. 6/10 e 389/392 do presente processo, para exigência das Contribuições PIS e COFINS, do presente processo, cujos processos foram juntados por anexação em cumprimento à disposição contida no art. 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02.12.2005 (fl. 381), para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referente aos períodos já mencionados. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COFINS R$ PIS R$ CONTRIBUIÇÕES 566.316,93 95.752,97 JUROS DE MORA 277.795,71 52.511,18 MULTA 424.737,52 71.814,60 TOTAL 1.268.850,17 220.078,75 O procedimento fiscal concluiu com os lançamentos do crédito tributário diante da diferença constatada entre o valor escriturado e o declarado/pago das contribuições, conforme exposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 07/10 e Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 773 3 390/392. Os valores da base de cálculo apurados foram levantados considerando os valores escriturados nos livros, Diário e Razão, resultando em Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada, fls. 37/41 e 411/414. Uma vez ciente do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnações, de fls. 325/328 e 673/676, por seu representante legal, anexando cópias (fls. 329/377), requerendo a improcedência das ações fiscais, pelas razões expostas a seguir: 1. a Lei nº 9.718/98 aplicável ao PIS e Cofins alterou o conceito de faturamento ao entender como tal, a receita bruta nelas incluídas, também outras receitas além daquelas advindas do faturamento. Princípio comezinho o de que, faturamento diz respeito a vendas de produtos ou mercadorias, ou serviços que constituem objeto do estabelecimento comercial ou industrial. Dentro desse entendimento, a empresa impugnante não atrelou à constituição da base de cálculo do PIS, as suas receitas obtidas de quebra de caixa, descontos obtidos e resultantes de acordos comerciais, receitas de comissões, juros ativos, reversões e recuperações, receitas de aluguéis e variações monetárias ativas; 2. em recente decisão transcrita, do STJ, essa matéria parece resolvida, bem como nos Recurso Especial nº 501.628SC e nº 516.403RJ, de tal maneira que ficou muito claro que “ao advento da Lei nº 9.718/98, o STF já tinha estabelecido o alcance da expressão Faturamento como sinônimo da Receita Bruta, mas receita bruta no conceito estabelecido no DL nº 2.397/87, art 22, “a”, para efeito da base de cálculo do PIS e Cofins, ou seja, receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Em outras palavras, só seria válido falar em receita como sinônimo de faturamento, sendo este o resultado operacional da empresa; 3. também é curioso destacar que, mesmo ampliando o conceito de faturamento, a Lei nº 9.718/98, por força do § 2º do art. 3º, exclui da determinação da base de cálculo das contribuições: vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos, IPI, ICMS, reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda e outros mais, o que já conflita com a ampliação pretendida; 4. diante do que foi exposto, não já que se falar em diferenças apuradas resultantes de valores que não foram incluídos como receitas para constituição da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins. Tendo em vista a negativa do Acórdão ora analisado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, visando a reforma da referida decisão uma vez que alega que o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718 de 1998. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário, de 8 de agosto de 2007, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1119.417, de 28 de junho de 2007, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 774 4 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 31/5/2003 BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. É de se manter o lançamento fiscal quando efetuado com base em documentos disponibilizados pelo contribuinte ao Fisco Federal e regularmente documentado no processo. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/11/2002 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Lançamento procedente Por meio do já referido Recurso Voluntário, o Contribuinte argumenta no sentido de que a Fiscalização incorreu em erro ao alegar que houveram omissões de receitas referentes ao faturamento quando do recolhimento da PIS e Cofins, conforme se percebe no seguinte trecho extraído do recurso (fl. 751 e 752): O procedimento fiscal decorreu do entendimento de que, a ora recorrente omitiu da apuração para recolhimento da Cofins e do PIS, receitas que escapam a faturamento, este entendido dentro de seu conceito técnico como aquele decorrente da receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Não se deve perder de vista, logo aqui, do voto da eminente relatora na instancia a quo, a sua alegação de que também na impugnação “o contribuinte alegou não haver computado reversões e recuperações da sua receita bruta, exclusões previstas no art. 3º, §2º, II, da lei nº 9.718/98, inobstante não ter apresentado provas documentais que comprovassem sua argumentação.” Nem era imperioso fazêlo. O zeloso auditor fiscal a qual foi cometida a tarefa de fiscalizar a recorrente, instruiu seu trabalho com o demonstrativo das outras receitas destacandoas: quebra de caixa, descontos obtidos, descontos de acordos comerciais, recebimentos e comissões, juros ativos, reversões e recuperações, receitas diversas. E esse seu procedimento há de ter decorrido do fato de haver sido constatada a existência dos documentos que levaram a recorrente a fazer os lançamentos indicados. Não pode restar a menor dúvida de que o “Demonstrativo” elaborado pela fiscalização o foi diante de uma realidade, e não aleatoriamente. A matéria não pode escapar às consequências de uma inconstitucionalidade que, se não cabe à administração declarála, é óbvio, não a desobriga de sujeitarse e respeitar os seus resultados. Por outro lado é observar que a Lei nº 9.718/98 vem Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 775 5 sendo cumprida pela Receita Federal, exatamente por uma ótica que colide com a inconstitucionalidade consagrada pelo Supremo Tribunal Federal. E nesse mesmo sentido, o Contribuinte aduz pela inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, juntando inclusive a decisão do Supremo Tribunal Federal (fls. 758 a 766) que declarou tal inconstitucionalidade. Conforme se verifica no seguinte trecho (fl. 752): (...) O Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º, da Lei 9.718, sendo fora de propósito qualquer desobediência a esse julgado. Uma inconstitucionalidade que não pode servir somente àquele processo em que foi assim declarada, mas estendida a quantos processos se encontrem na mesma condição. A inconstitucionalidade declarada não o foi para servir a um só contribuinte. Assim, a administração segue à risca o disposto no §1º do seu art. 3º que entende por “receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Mas foi exatamente esse parágrafo que foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte do país, ao julgar o seu Plenário no dia 9 de novembro de 2005, o Recurso Extraordinário nº 390840 Minas Gerais, tendo como relator o Ministro Marco Aurélio, e do qual resultou a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (in Diário da Justiça de 15.08.2006. pp. 00372 – Os destaques não são do original). Decisão: O tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso Extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos parcialmente, os senhores ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os senhores ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o presidente (Ministro Nelson Jobim) que negavam provimento ao recurso. Ausente justificadamente, a senhora Ministra Ellen Gracie). Insta observar que, conforme demonstra o Acórdão ora analisado, o conceito atual de faturamento inclui todas as atividades precípuas da empresa, conforme posição da jurisprudência. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16707.005517/200418 Acórdão n.º 3301003.967 S3C3T1 Fl. 776 6 Nesse mesmo sentido entendese que com a Emenda Constitucional n° 20/1998 o debate da diferenciação dos termos receita e faturamento perde relevância, pois cabe ao legislador a utilização de um ou outro termo na definição da base de cálculo. Portanto, declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, mantémse a base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das vendas de mercadorias, mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, isto é, o total das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. O acórdão ora analisado vem ao encontro deste entendimento, conforma demonstra este trecho que cito como forma de elucidar a questão (fl. 742): Convém salientar que as contribuições PIS e COFINS, devida pelas Pessoas Jurídicas de direito privado, é calculada com base no seu faturamento, observada a legislação vigente e as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/98 e que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, ou seja, a totalidade de suas receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme dispõem os artigos 2º e 3º da Lei nº 9.178/98. A autuada recolhe contribuições PIS e COFINS, nos termos da lei nº 9.718/98, porque tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, além do que não se enquadra em nenhum caso de isenção ou imunidade. Como dito, as bases de cálculo da COFINS consideradas na autuação espelham as informações prestadas pela própria contribuinte, que retratam o seu faturamento do mês, assim considerada a receita bruta da pessoa jurídica, deduzidas as exclusões previstas em lei. Em que pese os argumentos da decisão ora recorrida, o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º, da Lei 9.718 afastando as denominadas "outras receitas" que constam dos Demonstrativos de Outras Receitas (fls. 24 e seguintes) , por serem estranhas as atividades do contribuinte, não integram a base de cálculo das contribuições, portanto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 778DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979306/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 06 /2 00 9- 22 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979306/200922 Acórdão n.º 1201001.727 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 33DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.002731/2006-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2003, 2004 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. DEMAIS RECEITAS. BASE DE CÁLCULO - Os valores que representam descontos financeiros quando não se caracterizarem como descontos incondicionalmente obtidos constituem receitas tributáveis, sendo devida sua adição à base de cálculo na determinação do IRPJ e da CSLL incidente sobre o lucro presumido. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC – MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO - Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – MATÉRIA SUMULADA – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - O lançamento reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 762 DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓPIA Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Exclui-se, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a receita financeira caracterizada pelo desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior . LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS/COFINS – DESCONTOS FINANCEIROS - O desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1802-000.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências do PIS e da Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se suspeito para votar o Conselheiro Marciel Eder Costa, de acordo com o art. 43 do RICARF.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DEMAIS RECEITAS. BASE DE CÁLCULO Os valores que representam descontos financeiros quando não se caracterizarem como descontos incondicionalmente obtidos constituem receitas tributáveis, sendo devida sua adição à base de cálculo na determinação do IRPJ e da CSLL incidente sobre o lucro presumido. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC – MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – MATÉRIA SUMULADA – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL O lançamento reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a receita financeira caracterizada pelo desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior . LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS/COFINS – DESCONTOS FINANCEIROS O desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências do PIS e da Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse suspeito para votar o Conselheiro Marciel Eder Costa, de acordo com o art. 43 do RICARF. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 703 3 Relatório SÃO LUCAS ECOMAX CENTRO DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM S/S LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte os lançamentos constantes dos Autos de Infração, fls.299/320, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo aos anos calendário de 2003 e 2004. Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Presumido) no valor principal de R$ 112.637,68, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 226.624,24 (fls.299/304); Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), no valor principal de R$ 3.015,26, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 6.088,12 (fls.305/309) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor principal de R$ 40.618,89, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 81.738,96 (fls.310/316); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor principal de R$ 13.916,67, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2006, totalizando R$ 28.099,28 (fls.317/320) De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o Termo de Verificação Fiscal (322 a 327) que faz parte integrante dos autos de infração, os lançamentos de ofício decorrem das seguintes irregularidades: a) Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em 2003, e que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações em 2003, nos termos do art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996. b) Valor referente a outras receitas, que não foram acrescidas à base de cálculo do lucro presumido, em 2004, proveniente do “perdão de divida”. A 3a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Florianópolis/SC) julgou procedente em parte os lançamentos, para excluir as exigências em relação a autuação que teve como fundamento a omissão de receitas baseada nos depósitos bancários de origem não comprovada de que trata o item “a” acima, conforme decisão proferida no Acórdão nº 07 17.631, de 25/09/2009 (fls.646/652). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 13/10/2009 conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.657, interpôs recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/11/2009 quanto à segunda irregularidade tratada acima no item “b”. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A empresa em sua peça recursal, essencialmente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que, por economia processual transcrevo a parte pertinente do relatório da decisão recorrida, fl.648, a seguir: I Perdão da divida — o desconto obtido pela impugnante por efetuar o pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior foi considerado receita tributável, não obstante a inexistência de qualquer acréscimo patrimonial a justificar sua cobrança; — não há como subsistir o entendimento da autuante, uma vez que a operação apenas representou diminuição no custo do equipamento destinado ao ativo permanente da empresa; — citando a lição de Hiromi Higuchi, afirma que tratase de aquisição de custo dedutível na apuração do lucro real, de modo que o registro do desconto, ainda que efetuado sob a indevida rubrica de "receita", será anulado pela despesa com fornecedores; — no caso da impugnante, optante pelo lucro presumido, o desconto obtido não poderia ser lançado como receita tributável, uma vez que não houve qualquer ingresso a justificar o lançamento fiscal; — o conceito de renda, base de cálculo do imposto, não dispensa a constatação de acréscimo patrimonial na pessoa jurídica, que não teria ocorrido no caso em exame. Quanto à impugnação ao lançamento da CSLL calculada a partir do desconto obtido, os argumentos são análogos aos apresentados contra o lançamento do IRPJ. Quanto à impugnação ao lançamento do PIS/Pasep e da Cofins, calculadas a partir do desconto obtido, os argumentos são similares aos apresentados contra o lançamento do IRPJ. No entanto, no caso dessas contribuições, a impugnante não discorre sobre o conceito de renda. Ataca, pois, a constitucionalidade e legalidade da Lei n2 9.718, de 1998, para então concluir que, ainda que a titulo de argumentação, caso o referido desconto possa ser considerado receita da pessoa jurídica, não poderá tal valor compor a base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Em sustentação A sua tese, cita lições da doutrina e precedentes do Supremo Tribunal Federal, todos em sede de recurso extraordinário. (...) III Impossibilidade de aplicação da Taxa Selic Neste tópico de sua petição, a impugnante contesta a aplicação da Taxa Selic como índice para calculo dos juros moratórios, sustentando sua inconformidade em alegada inconstitucionalidade e ilegalidade do § 32 do art. 61 da Lei n2 9.430/96. Ao final da impugnação, solicita a redução dos juros moratórios A taxa de 1% ao mês, caso seja mantida a exigência fiscal. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 704 5 IV Da multa Após afirmar que a multa aplicada é por demais excessiva, a impugnante suscita a inconstitucionalidade da multa ordinária de 75%, alegando possuir caráter confiscatório. Ao final da impugnação, caso seja mantida a exigência fiscal, solicita a exclusão da multa de oficio ou, no mínimo que seja reduzida a patamares razoáveis. Ao final requer provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Conforme relatado a 3a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Florianópolis/SC) julgou procedente em parte os lançamentos, para excluir as exigências em relação a autuação que teve como fundamento a omissão de receitas baseada nos depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, a discussão gira em torno da outra irregularidade, ou seja, do valor referente a outras receitas, que não foram acrescidas à base de cálculo do lucro presumido, em 2004, proveniente de desconto obtido/“perdão de divida”. Consta do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal o seguinte fato: 0 contribuinte comprou equipamentos para sua empresa, conforme notas fiscais n° 563691 e 563698 de Philips Medical Systems Nederiand, no valor de USD 1.294.850,00 = R$ 3.063.836,27. Em 03 de dezembro de 2004 a empresa Philips Medical envia correspondência para Banco Central do Brasil, fls.30, manifestando o perdão do saldo da divida, ou seja, USD 166.595,25, sendo USD 47.712,88 de juros e USD 118.882,37 de principal. A manifestação de concordância com o perdão do saldo da divida motivouse pela liquidação antecipada do valor de USD 897.000,00 = R$ 2.420.823,60. Pelo câmbio da época (20/12/2004), o valor do perdão de USD 166.595,25 correspondeu a R$ 449.607,26. 0 valor total do perdão de divida está sendo considerado como base de cálculo do IRPJ e reflexos, como demais receitas, nos termos da legislação vigente. A recorrente alega que o desconto obtido pelo contribuinte por efetuar o pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior foi considerado pelo autuante como receita tributável, não obstante a inexistência de qualquer acréscimo patrimonial a justificar sua cobrança. A recorrente alega que não há como subsistir o entendimento da autuante, uma vez que a operação apenas representou diminuição no custo do equipamento destinado ao ativo permanente da empresa, portanto, inexiste qualquer acréscimo patrimonial a justificar a cobrança de tributo. A tributação dessas receitas, encontra abrigo e visibilidade nas leis tributárias consolidadas no RIR/99 que assim dispõe: Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 705 7 Art.224.A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único.Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). (...) Art. 373. Os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem as receitas financeiras e como tal deverão ser incluídas no lucro operacional. Quando referidas receitas forem derivadas de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração poderão ser rateadas pelos períodos a que competirem. (...) Art.518.A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único (...) Art.521.Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no §3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (Grifei) Assim, à luz dos dispositivos acima transcritos (artigos 224 e 373 do RIR/99), depreendese a existência de dois tipos de descontos: o incondicional, que é uma parcela redutora do preço do negócio e é destacado na nota fiscal (de vendas ou de serviços) e sua concessão não depende de evento posterior à emissão deste documento, e o desconto financeiro, que é oferecido na duplicata de acordo com a política empresarial do proprietário do título. O desconto incondicional é um abatimento do preço (e não uma receita) a ser estornado do custo ou despesa, portanto não constitui uma receita, enquanto o desconto financeiro, por Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 ser obtido em fato posterior à emissão do documento fiscal é sim uma receita e como tal deve ser classificado e tributado, segundo o regime de tributação da empresa. Desse modo, não há razão para que o contribuinte adotando o regime de tributação com base no lucro presumido desconsiderar os descontos obtidos no pagamento de operações comerciais como receitas financeiras de sorte a excluílos da tributação para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Diante das observações acima é forçoso concluir que o desconto obtido na operação comercial de que tratam os presentes autos, constitui receita financeira tributável, sendo devida sua adição à base de cálculo do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. No tocante a aplicação da multa de ofício de 75%, a recorrente alega caráter confiscatório. O inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, não deixa margem a qualquer discricionariedade da autoridade administrativa ao assim determinar: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Com efeito, a aplicação da multa de ofício decorre de expressa disposição legal, não cabendo a autoridade administrativa deixar de aplicála, e, conforme o enunciado da súmula administrativa nº 2 do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Constatado o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos da determinação legal acima transcrita. Quanto aos juros de mora a recorrente discorda da utilização da taxa selic em matéria tributária. A questão não cabe discussão tendo em vista que o entendimento se encontra pacificado no âmbito desse Conselho Administrativo, expresso na Súmula CARF nº 4, que por si se explica, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamento reflexo da CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/COFINS – DESCONTO FINANCEIRO OBTIDO POR PAGAMENTO ANTECIPADO AO FORNECEDOR DO EQUIPAMENTO ADQUIRIDO DO EXTERIOR. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 706 9 Sobre os aludidos lançamentos, a alegação da recorrente é no sentido de que não são devidos os valores exigidos a titulo de PIS e COFINS no que se refere a dita receita à título de desconto obtido em 2004. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a Lei n° 9.718/98, bem como a Lei n.° 10.637/02, definiram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ampliando o conceito da Lei Complementar 70/91, de modo a abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A Lei n.° 10.637 de 30/12/2002 dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e a Lei nº 10.833 de 29/12/2003, instituiu o regime nãocumulativo de Cofins. No regime não cumulativo, exceto às alíquotas, as normas aplicáveis são idênticas em relação ao PIS e à Cofins, de modo que, não se aplicam as normas do regime nãocumulativo às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido. A exigência do PIS e da Cofins sobre o desconto obtido pela autuada (perdão da dívida) apurado pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da lei 9.718/98. Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007, in verbis: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Cabe ainda salientar que referida matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, com dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasdedispensade contestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98,eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet Com efeito, o desconto obtido por pagamento antecipado ao fornecedor do equipamento adquirido no exterior não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências relativas ao PIS e à Cofins. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.002731/200613 Acórdão n.º 1802000.984 S1TE02 Fl. 707 11 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 10/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13819.720848/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO.
Constatado vicio apontado pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção.
JULGAMENTO DE RECURSOS. LIMITES.
Inexistindo Recurso de Ofício, incabível o agravamento da situação do recorrente em sede de julgamento de 2ª Instância.
Numero da decisão: 2201-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP para, sanando o vício identificado, consignar que o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO. Constatado vicio apontado pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção. JULGAMENTO DE RECURSOS. LIMITES. Inexistindo Recurso de Ofício, incabível o agravamento da situação do recorrente em sede de julgamento de 2ª Instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP para, sanando o vício identificado, consignar que o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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VÍCIO. Constatado vicio apontado pelos embargos, devese promover sua imediata correção. JULGAMENTO DE RECURSOS. LIMITES. Inexistindo Recurso de Ofício, incabível o agravamento da situação do recorrente em sede de julgamento de 2ª Instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP para, sanando o vício identificado, consignar que o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 08 48 /2 01 3- 17 Fl. 111DF CARF MF 2 da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento nº 2009/712033894837861, fl. 10 a 14, a qual teve origem em procedimento de Revisão de Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2009, anocalendário de 2008. O mérito do lançamento foi objeto do Acórdão 2201003.529, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária deste CARF, de 16 de março de 2017, fl. 98 a 102. Ciente da Decisão do Colegiado de 2ª Instância, que concluiu, por unanimidade de votos, pelo provimento parcial do recurso voluntário para considerar os rendimentos decorrentes de ação judicial e respectivo imposto de renda retido na fonte, alterando o valor lançado para R$ 4.221,42, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP devolveu os autos a este Conselho para verificação de divergência entre os valores mantidos pela DRJ e pelo Carf. No Despacho de fl. 108 a 110, o Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, no uso de suas atribuições regimentais, após constatar que a as conclusões do Acórdão embargado agravaram a situação do recorrente, sem que houvesse recurso de ofício pendente de análise, admitiu os embargos. E o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por concordar com os pressupostos de admissibilidade contidos no Despacho de fl 108 a 110, conheço dos embargos propostos. A análise das informações contidas nos autos evidencia que a impugnação formalizada pelo contribuinte foi julgada parcialmente procedente pelo Julgador de 1ª Instância, que concluiu pela redução do imposto suplementar originalmente lançado de R$ 5.917,99 para R$ 3.696,16, tudo conforme tabela abaixo: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13819.720848/201317 Acórdão n.º 2201003.772 S2C2T1 Fl. 112 3 O provimento parcial decorre de não ter sido admitida, pela DRJ, a compensação de R$ 17.193,08, relativo a IRRF incidentes sobre rendimentos declarados tendo como origem o Banco do Brasil. Valores estes também oriundos de ação judicial. Ocorre que a autoridade lançadora, ao glosar o IRRF, de maneira pouco usual, também excluiu os rendimentos tributáveis correspondentes declarados espontaneamente pelo contribuinte, seguindose a lide administrativa em relação a esses dois valores. Na análise efetuada em 2ª instância, concluiuse pela procedência dos valores de rendimentos(R$ 63.706.06) e de IRRF (R$ 16.993,98) e efetuouse nova apuração, com a manutenção da exigência no montante de R$ 4.221,42, conforme cálculo abaixo: Assim, correta a preocupação DRF São Bernardo do Campo/SP, pois, de fato, a decisão exarada em 2ª Instância acabou por agravar a situação do contribuinte. O agravamento da pena quando somente o réu tenha apelado de uma sentença, está expressamente vedado no âmbito penal em razão do preceito contido no art. 617 do DecretoLei 3.689/41, que assim dispõe: Art. 617. O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena, quando somente o réu houver apelado da sentença. Na esfera judicial, de forma geral, a impossibilidade do agravamento da situação do réu decorre do Princípio da Adstrição, segundo o qual o juiz fica limitado pelo pedido formulado, não podendo proferir decisão que contrarie os limites da lide. Tal vedação constitui o Princípio do Non Reformatio in Pejus, cuja aplicação no âmbito no âmbito administrativo não apresenta o mesmo rigor, em particular por envolver, juntamente com o interesse de um administrado específico, o interesse coletivo relacionado à aplicação do Principio da Legalidade. Tal premissa tem lastro no poderdever da Administração Pública em anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais. Assim, no âmbito administrativo, o agravamento de exigência amparado no controle da legalidade de um ato administrativo não configuraria Reformatio in Pejus, sendo conduta que se impõe, sobe pena de estar a Administração Pública operando contra a lei. Tal entendimento tem lastro na Lei 9.784/99: Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Fl. 113DF CARF MF 4 Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. No âmbito tributário, da mesma forma, não há vedação para o agravamento da exigência no âmbito, não obstante, há que se observar o rito legal para sua efetivação. Vejamos o que diz o Decreto 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Ver tópico (4 documentos) § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a)apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. Desta forma, embora seja possível agravar uma exigência no âmbito tributário, incabível que tal majoração ocorra em sede de julgamento de 2ª instância, por restarem suprimidas as instâncias recursais que permitem o pleno exercício do direito de defesa e, neste caso, por configurar inovação do lançamento em que o Julgador, ainda que diante do claro equívoco da Autoridade Lançadora ao excluir do ajuste rendimento efetivamente Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13819.720848/201317 Acórdão n.º 2201003.772 S2C2T1 Fl. 113 5 recebido e declarado pelo contribuinte, estaria atuando fora dos limites de sua competência legal. Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração para consignar que, embora os fundamentos e as razões do Acórdão embargado sejam irretocáveis em seus aspectos quantitativos e qualitativos, em razão da impossibilidade de agravamento da situação do Recorrente, o valor da exigência a ser mantido é aquele fixado na Decisão de 1ª Instância, R$ 3.696,16. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.726221/2014-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PRELIMINAR. DESCABIMENTO.
Torna-se incabível converter o julgamento em diligência, quando o contribuinte após intimado e reintimado, deixa de produzir a prova que lhe competia juntamente com a impugnação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA.
Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantém-se a autuação como formalizada.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA.
Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantém-se a autuação como formalizada.
Numero da decisão: 3302-004.626
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Lenisa R. Prado e Paulo Guilherme Déroulède que convertiam o julgamento em diligência.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PRELIMINAR. DESCABIMENTO. Tornase incabível converter o julgamento em diligência, quando o contribuinte após intimado e reintimado, deixa de produzir a prova que lhe competia juntamente com a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 62 21 /2 01 4- 35 Fl. 5608DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Lenisa R. Prado e Paulo Guilherme Déroulède que convertiam o julgamento em diligência. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Foram lavrados contra a contribuinte acima identificada os presentes Autos de Infração, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 273 a 291) e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 292 a 311), correspondentes aos fatos geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2010, nos montantes respectivos de R$ 10.772.777,97 e R$ 2.338.826,70, incluindo multa de ofício (112,50%) e juros de mora. Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” dos referidos Autos de Infração. No Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 257 a 272), a fiscalização esclarece que o objeto da fiscalização, determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal –Fiscalização (MPFF) nº 08.1.90.002013027203, que foi substituído pelo MPFF nº 08.1.65.002014004603, foi a verificação das obrigações tributárias relativas ao PIS e à Cofins correspondentes ao ano calendário de 2010. De acordo com o TVF, a fiscalização apurou divergências no cruzamento das informações prestadas nos Dacon do período e nos arquivos digitais e planilhas elaboradas pela contribuinte, intimandoa a prestar os devidos esclarecimentos e apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados, especialmente em relação aos bens utilizados como insumos e bens de revenda, bem como dos valores informados na rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, considerados na base de cálculo para apuração de créditos informados no Dacon.(grifei). Fl. 5609DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.550 3 Em resposta à intimação da fiscalização, a contribuinte esclareceu que as divergências apontadas, relativas aos bens utilizados como insumos e bens de revenda, referiamse a créditos extemporâneos apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008, e, em relação às Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, não apresentou nenhuma documentação relativa aos créditos considerados nos Dacon do período. Assim, segundo o TVF, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal, relatando os fatos ocorridos e reiterando que a não apresentação dos documentos ou outros elementos que pudessem comprovar a efetiva origem dos créditos extemporâneos considerados, ensejariam a glosa desses créditos e o conseqüente lançamento de ofício dos créditos tributários correspondentes, inclusive com agravamento da multa, pelo não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos, considerado embaraço à fiscalização. Diante da falta de manifestação da interessada, foram lavrados os Autos de Infração correspondentes à insuficiência de pagamento do PIS e da Cofins, decorrentes da glosa de créditos não comprovados de insumos e revenda, apurados a partir da divergência entre os Dacon de agosto e setembro de 2010 e os arquivos digitais apresentados, bem como de todos os valores informados nos Dacon do anocalendário de 2010, relativos a Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, por falta de comprovação.(grifei) Em 09/09/2014, a contribuinte tomou ciência do TVF e dos autos de infração (AR à fl. 315) e, em 08/10/2014, foi protocolizada a impugnação às fls. 319 a 351, contendo, em síntese, os elementos que se seguem. DO APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITOS Aduz que os créditos glosados pela Autoridade Fiscal foram apurados a partir da revisão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos anos de 2006 a 2008 e aproveitados de forma extemporânea pela impugnante, nos meses de agosto e setembro de 2010, conforme planilhas anexadas. Defende que a glosa desses créditos não pode prevalecer, tendo em vista o disposto no artigo 3º, § 4º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, confirmado por Doutrina tributária e pela própria RFB, no sítio do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Cita ainda Ementa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relativa ao aproveitamento de créditos extemporâneos, concluindo pela regularidade do crédito apurado e aproveitado de forma extemporânea, ressaltando que não existe impedimento legal que proíba a utilização de forma acumulada, conforme procedeu. Fl. 5610DF CARF MF 4 Ressalta que não há a necessidade de prévia retificação do Dacon ou da DCTF correspondentes, citando outras decisões do CARF, relacionados à retificação de declarações. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Invoca o Princípio da Verdade Material, para reforçar a prevalência do seu direito de crédito em vista da eventual ausência de retificação de suas declarações, citando decisões do CARF nesse sentido, e destaca que, na hipótese de se entender que os documentos apresentados são insuficientes para a comprovação do crédito, reservase o direito de juntar qualquer documentação que possa auxiliar no esclarecimentos dos fatos, nos termos do artigo 16 do PAF. DOS FATOS E FUNDAMENTOS QUE EVIDENCIAM A LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO E DA COMPENSAÇÃO A impugnante discorre sobre a definição de insumo para a legislação do PIS e da Cofins, considerando a lei, doutrina e jurisprudência contemporânea. Segundo o seu entendimento, a RFB quis restringir o conteúdo e o alcance do conceito de insumo, aplicando, subsidiariamente, a legislação do IPI, quando da emissão das Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, porém o CARF passou a adotar interpretações mais condizentes com o texto legal, de modo a aceitar os créditos decorrentes de insumos que não se aplicam diretamente ao produto, mas que estão inseridos, ainda que indiretamente, no processo produtivo ou na prestação de serviços, conforme ementas transcritas. Acrescenta que a interpretação predominante no CARF é no sentido de que o conceito de insumo possui critérios que lhe são próprios e que devem ser considerados com o fim precípuo de tomada de créditos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada, transcrevendo Doutrina nesse sentido. Entende a impugnante que a definição do bem ou serviço como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins apóiase em sua relevância na cadeia econômica, ou seja, na sua essencialidade à realização/produção do bem ou serviço pela pessoa jurídica, de forma que as legislações do IPI e do IRPJ servem como balizas mínimas e máximas de um conceito imposto pela legislação das contribuições. Assim, conclui que devem ser tidos como insumos geradores de créditos das contribuições todos os dispêndios que estiverem relacionados e forem relevantes frente a um dado processo produtivo ou uma dada prestação de serviços, ou seja, o que importa na determinação de um bem ou serviço como insumo é a sua referibilidade direta ou indireta à atividade da empresa. DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DA IMPUGNANTE Em seguida, a impugnante discorre sobre a sua atividade empresarial, a partir da descrição da própria Autoridade Fiscal, Fl. 5611DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.551 5 em seu TVF, argumentando que, para o exercício da sua atividade, precisa arcar com diversos custos, despesas e encargos, dentre os quais, aqueles relativos à aquisição de insumos utilizados na sua produção. Relata que a Autoridade Fiscal glosou os créditos extemporâneos de 2006 a 2008 tomados em agosto e setembro de 2010, com a justificativa de que não restou demonstrada a natureza de insumo dos bens e serviços adquiridos, mas discorda da glosa, alegando que não cabe a interpretação restritiva utilizada pelo Agente Fiscal, conforme já defendido. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Alega que foram glosados créditos relativos a bens e serviços essenciais à sua atividade, sem os quais esta sofreria grave solução de continuidade, apresentando planilha contendo todos os bens e serviços, com os dados da respectiva nota fiscal. Explica que, em razão do grande número de bens adquiridos no período de 2006 a 2008, traz alguns itens por amostragem, no sentido de demonstrar a sua natureza e essencialidade. Salienta que não houve fundamentação para o não acatamento dos créditos de insumos, mas apenas alegação genérica de que não estavam enquadrados no conceito de insumo. Sobre os itens citados, tais como bobinas de aço, chapas, tubos, folhas ou rolos de aço, apresenta imagens ilustrativas e aduz que são indiscutivelmente utilizados para a produção dos bens objeto da sua atividade empresarial (embalagens metálicas). Menciona, ainda, outros materiais que também são necessários para a sua atividade, tais como estrados, peças de madeira e ripas de eucalipto, que são utilizados como suportes na armazenagem de produtos, e os itens indispensáveis para embalagem e proteção, como fitas de polietileno e fitas adesivas, concluindo que, sendo tais bens/serviços essenciais e necessários ao desenvolvimento da sua atividade econômica, impugna todas as glosas efetuadas pelo fisco, com o cancelamento dos Autos de Infração. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Explica que, além de fabricar os seus produtos para comercialização, adquire mercadorias para revenda, já que também atua no segmento de distribuição de produtos prontos e acabados. Acrescenta que os itens adquiridos para comercialização se encontram listados nas planilhas anexadas à presente impugnação, com as informações de operações dos anos calendário de 2006 a 2008, citando alguns exemplos, a título de amostragem. Argumenta que o inciso I do artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 autorizam a tomada desses créditos, e que adquiriu Fl. 5612DF CARF MF 6 itens direcionados à revenda nos anos de 2006 a 2008, realizando o abatimento dos custos relativos a essas aquisições nos meses de agosto e setembro de 2010, quando da revisão da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, requer o reconhecimento dos respectivos créditos, conforme demonstrativo de apuração apresentado na impugnação. DAS DESPESAS COM FRETE A impugnante defende que os créditos relativos às despesas com frete não se resumem ao inciso IX do artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, mas estão incluídos também nos créditos de insumos previstos no inciso II dos referidos artigos, já que estes incluem os relacionados aos custos e despesas gerais empregados direta ou indiretamente na produção de bens e serviços. Entende que, dentre os insumos da produção, é certo que se pode considerar em certas atividades o serviço de transporte tomado por pessoa jurídica, relacionado à sua produção de bens ou serviços, cuja despesa é representada pelo frete, que abarca também os custos operacionais do veículo. Cita Soluções de Consulta da RFB, bem como Acórdãos do CARF, segundo as quais é possível apurar créditos sobre os valores pagos a título de frete, inclusive na transferência de bens entre estabelecimentos da mesma empresa, no processo de industrialização, ou mesmo na devolução de produtos. Insiste no fato de que o que se deve levar em conta na autorização do crédito é se o serviço de transporte mostrase indispensável para a atividade empresarial, evidenciandose como insumo da pessoa jurídica, na etapa de produção, ou na operação de venda, conforme previsão legal específica. Apresenta planilhas contendo as operações de transporte efetuadas pela empresa, citando alguns exemplos, a título de amostragem, e requer seja reconhecido o crédito, uma vez que foi devidamente demonstrado que as operações ocorreram e que tratase de serviço essencial e necessário à realização/produção da empresa. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da Fl. 5613DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.552 7 pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. Não é competência da autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação de dispositivos legais por alegação do contribuinte de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, salvo os casos previstos em lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2010 NOTA FISCAL DE VENDA. FORÇA PROBANTE. As notas fiscais de saída das empresas vendedoras é que fazem prova das operações comerciais realizadas para fins de creditamento das contribuições. CERTEZA E LIQUIDEZ. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 13/08/2015, às 11:01h, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.3.411, através da abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Fl. 5614DF CARF MF 8 Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 3.414/3.449 e documentos de fls.3.450/3.455, em 10/09/2015, conforme termo de solicitação de juntada, fl. 3.413, repisando os argumentos já aduzidos em sede impugnatória, acrescentando ainda: 1 DO APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO DE CRÉDITOS Em sede de Impugnação, a Recorrente procurou demonstrar que tem direito a usufruir destes créditos extemporâneos, conforme artigo 3o, §4°, das Leis nrs. 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo apresentado planilha de apuração dos créditos com os CFOP's das operações (Doe. 05 da Impugnação). A documentação foi ainda complementada com as planilhas de apuração contendo todos os bens e serviços adquiridos pela Recorrente nos períodos de 2006 a 2008 para os quais houve o creditamento das contribuições do PIS e COFINS. As planilhas contêm informações sobre a respectiva Nota Fiscal do bem/serviços e o n. do CFOP da operação (Doe. 07 da Impugnação).(grifei) A despeito da apresentação dos documentos acima, a DRJ entendeu que a Recorrente não teria apresentado documentos suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito aproveitado de forma extemporânea, apesar de reconhecer que seu direito se mostra incontroverso nos autos à luz da legislação de regência. (...) Na realidade, toda a documentação apresentada pela Recorrente foi desconsiderada, seja em sede de fiscalização, seja pela Delegacia de Julgamento na apreciação da Impugnação apresentada pela Recorrente.(grifei) Com efeito, não há procedência alguma no argumento lançado pela Autoridade Autuante e constante da decisão ora recorrida de que a Recorrente não teria apresentado "nenhum documento ou memória de cálculo, ou outro elemento que pudesse comprovar a efetiva origem desses créditos". O mesmo se diga com relação à afirmação de que a Recorrente não teria apresentado as informações concernentes às Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores. Ora, primeiramente, resta claro que a afirmação da Autoridade Autuante não encontra nenhum fundamento, pois foram entregues documentos pela Recorrente em sede de fiscalização, conforme se verifica a fls. 44/186 dos autos, em que constam as petições de resposta aos termos de intimação fiscal. Além disso, também foi demonstrada a composição dos DACONs para o período de aproveitamento dos créditos (ano de 2010) e justificado que as divergências encontradas entre os documentos de informação e as planilhas de apuração decorrem da revisão da base de cálculo do PIS/COFINS e aproveitamento extemporâneo de créditos na forma da legislação, sem necessidade de retificação das declarações como condição para Fl. 5615DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.553 9 aproveitamento de créditos, conforme jurisprudência pacífica deste E. Tribunal. Não bastasse isso, os dados das Notas Fiscais também foram apresentados pela Recorrente em sede de fiscalização da forma como solicitado pela Autoridade Fiscal (arquivos no layout definido no Sped). A fiscalização teve acesso irrestrito ao conteúdo dessa documentação e junto com a Impugnação foi apresentada a relação dos itens que autorizaram os créditos com a informação do número do documento, o valor da aquisição, a data, as partes envolvidas, o tipo de operação, o produto e o serviços, etc, tudo na forma como pugnado pela Delegacia de Julgamento para fins de demonstração da legitimidade do crédito da Recorrente. DA IMPUGNAÇÃO DA MULTA AUMENTADA E SUA INSUBSISTÊNCIA Primeiramente, deve ser explicado que conforme se nota da motivação do ato administrativo que resultou na aplicação da penalidade, esta teria se dado pela suposta falta de apresentação de documentos em sede de fiscalização para os créditos decorrentes de despesas com frete. Isso porque a Recorrente foi intimada pela fiscalização a apresentar Notas Fiscais, Conhecimento de Transporte e outros documentos que demonstrassem as operações com despesas de frete e não teria apresentado os documentos solicitados no prazo atribuído pela fiscalização.(grifei) Ocorre que em resposta à intimação fiscal, a Recorrente solicitou a prorrogação de prazo para apresentação dos documentos solicitados, tendo em vista a dificuldade de se levantar toda a documentação relacionada aos serviços de transporte. Devese ter em vista que a Recorrente pratica inúmeras operações desse tipo e, dessa forma, está se falando de grande quantidade de documentos. Portanto, não foi o caso de falta de cooperação por parte da Recorrente com a fiscalização de modo a se autorizar a imposição de multa qualificada, mas sim de falta de compreensão por parte da fiscalização quanto ao tempo necessário para a Recorrente poder levantar toda a documentação solicitada. O que se percebe é que a Autoridade Fiscal decidiu autuar a Recorrente e inverter o ônus da prova utilizando da presunção de legitimidade e validade dos atos administrativos de lançamento. E em sede de Impugnação, apesar de a Recorrente não ter inaugurado um tópico específico para a multa, deixou claro em sua impugnação que "a Impugnante apresentou farta documentação comprobatória do seu direito creditório em sede de fiscalização". (...) por todo o acima exposto é evidente que a Recorrente manifestou a sua discordância com a aplicação da multa aumentada e que esta não poderá prevalecer ante as alegações e Fl. 5616DF CARF MF 10 documentos apresentados, seja em sede de fiscalização, seja em sede Impugnação. DA CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Entretanto, no caso de ainda persistirem dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito da Recorrente, o que se admite para argumentar, mister que seja o julgamento convertido em diligência, isso porque conforme se constata a fls. 44/186 dos autos, onde constam as petições de resposta aos termos de intimação fiscal, os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização.(grifei). Portanto, na hipótese dessa C. Turma de Julgamento entender pela necessidade de análise dos documentos apresentados em sede de fiscalização, requerse a conversão do feito em diligência a fim de que a Recorrente possa providenciar a juntada dos documentos e/ou complementar a documentação dos autos no sentido de evidenciar o seu direito de crédito e a improcedência da autuação. Diante de todo o exposto, requer a Recorrente seja integralmente acolhido o presente Recurso Voluntário para reforma da r. decisão da Delegacia de Julgamento, a fim de que, reconhecendose a existência do crédito, a título de PIS e COFINS, conforme restou comprovado por meio do conjunto probatório ora apresentado, seja CANCELADO o Auto de Infração e Imposição de Multa. Requer seja garantido à Recorrente o direito à juntada posterior de documentos, nos termos do artigo 16 do Decreto Lei n° 70.235/1972, especialmente a apresentação de Notas Fiscais relacionadas à aquisição dos bens/serviços pela Recorrente cujos créditos foram tomados de forma extemporânea, no prazo de 30 (trinta) dias da interposição deste recurso. Subsidiariamente, na afastada hipótese de serem mantidas as glosas dos créditos da Recorrente o que se admite apenas para argumentar requer seja cancelada a multa aumentada da metade do artigo 44, §2°, da Lei n. 9.430/96, sobre as glosas efetuadas relativas às Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Vendas por se mostrar totalmente improcedente. Por fim, pugna pela realização de sustentação oral na oportunidade de julgamento do processo perante esta C. Turma de Julgamento Através dos Termos de Solicitação de Juntada, de fls. 3458, 3.493, 5.140, 5.465, 5.496 e 5.549 solicita a juntada de documentos diversos, de fls.3.459/5.607, tais como, petições, instrumento procuratório, documentos de identificação, documentos societários planilhas, notas fiscais por amostragem, arquivo não paginável (Doc.2) e memoriais. É o relatório. Voto Fl. 5617DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.554 11 Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da matéria não impugnada Com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997], a matéria (agravamento da multa, nos termos do § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996) em função da falta de apresentação da documentação solicitada no Termo de Intimação Fiscal, com ciência através do AR de 05/06/2014, fls.57/58, comprobatória dos fretes, não será apreciada, uma vez que por força do artigo 17 acima referido a matéria submetida à primeira instância administrativa, determina os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada na instância a quo, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição como já destacado na análise anterior. Com efeito, verificase do teor da peça recursal que a própria recorrente reconhece que não impugnou expressamente a matéria destacada, na medida em que afirma[... em sede de Impugnação, apesar de a Recorrente não ter inaugurado um tópico específico para a multa, deixou claro em sua impugnação que "a Impugnante apresentou farta documentação comprobatória do seu direito creditório em sede de fiscalização".] Assim, deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto à matéria acima destacada. Da fundamentação da decisão de piso Argui a defesa ao longo da peça recursal quanto à necessidade de reforma da decisão de piso, seja pela fundamentação não condizente com a complexidade dos fatos, segundo seu entendimento, seja pela não apreciação da documentação apresentada em sede impugnatória, no entanto, da leitura da decisão de piso verificase não assistir razão à recorrente, visto que a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão respaldada ainda no suporte probatório dos autos que entendeu suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Da diligência solicitada 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 5618DF CARF MF 12 Constatase que a defesa solicita a realização de diligência sob dois argumentos: 1 Os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização; 2 requer a juntada dos documentos e/ou complementar a documentação dos autos no sentido de evidenciar o seu direito de crédito e a improcedência da autuação. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, é prescindível à solução da lide a documentação entregue através do referido CD. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que os documentos conduzidos aos autos através dos Termos de Solicitação de Juntada, de fls. 3458, 3.493, 5.140, 5.465, 5.496 e 5.549 não encontram amparo na norma excepcional acima destacada, visto que já estão afetados pela preclusão probatória, pois como será demonstrado adiante, desde a fase de procedimento fiscal, através de várias intimações fiscais foi requerida à recorrente que apresentasse as provas da situação fática que motivou a presente exigência. MÉRITO Da inexistência de provas quanto aos créditos utilizados Como relatado, toda a questão litigiosa prendese à questão probatória relativa à glosa de créditos descontados pela Impugnante decorrentes de: Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.555 13 (i) insumos e (ii) bens de revenda, relativos aos anos de 2006 a 2008, aproveitados extemporaneamente nos meses de agosto e setembro do anocalendário de 2010; (iii) despesas de armazenagem e frete em operações de venda, para todos os meses do anocalendário de 2010. Segundo a fiscalização os custos referentes a tais rubricas não foram comprovados e conforme defende a recorrente, embora tenha apresentado toda a documentação pertinente, esta não foi considerada, seja pela fiscalização ou no decurso da tramitação processual. Constatase pelo teor das peças defensórias apresentadas, que a recorrente tece extensas considerações quanto à definição de insumo nos termos da legislação de regência do PIS e da Cofins, ressaltando que não há a necessidade de prévia retificação do Dacon ou da DCTF, bem como pela suficiência probatória já apresentada. Prendendose portanto a lide à questão probatória suscitada, analisarseá a instrução processual pertinente. Além do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO AR DE 22/07/13, fl.06, que deflagrou o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte, abrangendo a verificação das obrigações tributárias relativas ao Programa de Integração Social ( PIS ) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ( COFINS ) correspondentes ao ano calendário de 2010, solicitando os arquivos magnéticos de notas fiscais de entrada e de saída, de acordo com o "layout" definido pela legislação de regência, verificase que os arquivos de fls.44/67 que correspondem a 4 (quatro) TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL, cujas respostas aos respectivos TIF se encontram às fls.68/186 do processo. Referidos TIF ensejaram o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL DE fls.253/256, nos seguintes termos: 1 O contribuinte foi intimado em 03/06/2014, com AR ( Aviso de Recebimento ) em 05/06/2014, a justificar as divergências, apuradas no confronto entre os valores informados no Dacon, através das Planilhas de Memória de Cálculo, com os constantes nos Arquivos Digitais, ambos apresentados pelo contribuinte em 23/10/2013 e que a seguir reproduzimos: Mês/Ano CNPJ CPFO Informados nas Planilhas / DACON Arquivos Digitais mar/10 56.993900/002185 2122 953.101,51 928.838,52 ago/10 56.993.900/002428 1101 34.278,07 32.853,96 ago/10 56.993.900/002851 1101 35.565.550,99 23.067.587,32 set/10 56.993.900/000131 2101 5.711.753,33 5.707.203,29 set/10 56.993.900/002851 1101 50.176.445,25 13.422.656,83 Fl. 5620DF CARF MF 14 No mesmo Termo de Intimação Fiscal o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos ( notas fiscais, conhecimentos e transporte ou outros ) correspondentes aos fretes considerados como créditos pelo contribuintes nos Dacons, e que abaixo reproduzidos:(grifei). Mês/Ano CNPJ Informados nas Planilhas/ DACON abr/10 56.993.900/002851 1.136.805,58 56.993.900/002690 276.238,62 jun/10 56.993.900/002851 1.026.753,09 56.993.900/002690 239.838,81 out/10 56.993.900/002851 1.318.105,10 56.993.900/002185 68.589,93 2 Em 16/06/2014, protocolou, nesta Delegacia, pedido de Dilação do prazo para atendimento dos questionamentos constantes dessa intimação, por mais 20 ( vinte ) dias, considerando esse prazo necessário para a estruturação da resposta a intimação recebida, juntamente com os documentos suporte. 3 Em atendimento a solicitação da empresa, foi concedido incontinente, o prazo solicitado. 4 Todavia, em 08/07/2014, novamente o contribuinte protocolou nesta Delegacia, nova solicitação de dilatação do prazo anteriormente solicitado, alegando em relação ao item 1 da citada intimação que as divergências existentes entre os valores informados no DACON versus Arquivos Digitais, referiamse a créditos extemporâneos, os quais foram apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008, sem contudo apresentar nenhum documento ou memória de cálculo, ou outro elemento, que pudesse comprovar a efetiva origem desses créditos. Em relação ao item 2 da citada intimação o contribuinte informa que não houve tempo hábil para levantar os documentos solicitados, em razão do grande volume de documentos.(grifei) Portanto, que desde 05/06/2014 até a presente data o contribuinte teve 39 dias corridos para providenciar a documentação solicitada. 5 Isso posto, em razão do não atendimento das indagações constantes do Termo de Intimação de 03/06/2014 dentro dos prazo estipulados ( e solicitados ), fica portanto o contribuinte sujeito ao Lançamento de Ofício dessas divergências, com a consequente glosa dos créditos não justificados bem como a glosa dos créditos relativos aos fretes considerados no DACON. Destaca o Termo de Verificação Fiscal – TVF, fls. 257/272: Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.556 15 Verificamos ainda que a empresa apurou e entregou os Dacons relativos ao período de 2010, através do regime não cumulativo Intimada em 15/07/2013 com Aviso de Recebimento (AR) em 22/07/2013 a apresentar, dentre outros documentos, os arquivos magnéticos de notas fiscais de entradas e saídas, de acordo com o layout definido pela legislação de regência, empresa apresentou, dentro do prazo determinado, a documentação solicitada no termo acima. Verificamos ainda que a empresa apurou e entregou os Dacons relativos ao período de 2010, através do regime não cumulativo (...) III Da Auditoria Fiscal. Após a análise dos arquivos digitais, bem como das planilhas elaboradas pelo contribuinte, com a demonstração das apurações dos créditos informados nos Dacons do ano calendário de 2010 e para dar prosseguimento ao processo de fiscalização, o contribuinte foi intimado em 03/06/2014, com AR ( Aviso de Recebimento ) de 05/06/2014, a esclarecer e apresentar a documentação comprobatória relativa as divergências encontradas entre o cruzamento das informações constantes nos Dacons e nas planilhas apresentadas, com os arquivos digitais apresentados, especificamente em relação aos Bens Utilizados como Insumos e Bens de Revenda ( Linhas 1 e 2 das Fichas 06 A e 06 B PIS e 16 A e 16 B COFINS ), bem como dos valores informados nesses demonstrativos e nos DACONs do período, na rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, valores esses considerados na base de cálculo para apuração de créditos na linha 7 das Fichas 06 A e 16 A dos Dacons 2010.(grifei) Em 16/06/2014 o contribuinte apresentou pedido de dilação do prazo por mais 20 ( vinte ) dias considerado necessário para os esclarecimentos da citada intimação, o que foi concedido incontinente. Todavia, em 08/07/2014, vencido o prazo anteriormente solicitado, o contribuinte novamente protocolou nessa Delegacia novo pedido de dilação de prazo por mais 30 (trinta ) dias, desta vez negado, esclarecendo que as divergências apontadas pela fiscalização, referiamse a créditos extemporâneos apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008. Em relação aos documentos solicitados relativos as despesas de armazenagem e Fretes na Operação de Venda, o contribuinte não apresentou nenhum documento relativo aos créditos considerados nos Dacons do período. IV Das glosas efetuadas Portanto, o presente Auto de Infração referese a insuficiência de pagamento das contribuições do PIS e da COFINS, gerados em função da glosa dos créditos não comprovados apurados a partir da divergência entre os DACONs de agosto e Fl. 5622DF CARF MF 16 setembro/2010 e os arquivos digitais apresentados e que foram considerados como insumos e revenda (Linhas 1 e 2 das Fichas 06 A e 06 B PIS e 16 A e 16 B COFINS ), bem como de todos os valores informados nos Dacons do ano calendário de 2010 na Linha 07 das Fichas 06 A e 16 A, relativo as Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Vendas, pela falta de comprovação dos mesmos. (...) Desconsideramos, no presente levantamento, as divergências existentes nos meses de fevereiro, abril, julho, outubro e novembro/2010 pela irrelevância das diferenças apuradas. Demonstramos então abaixo, quadro das glosas, efetuadas por essa fiscalização, pelos motivos anteriormente citados, assim discriminados:(grifei) DEMONSTRATIVO DA GLOSA DOS CRÉDITOS ( BASE DE CÁLCULO ) Mes/Ano INSUMOS/BENS DE REVENDA DIVERGÊNCIA ENTRE ARQS DIGITAIS x DACON ARMAZENAGEM / FRETES TOTAL GLOSAS EFETUADAS Janeiro/2010 1.078.954,72 1.078.954,72 Fevereiro/2010 1.106.938,50 1.106.938,50 Março/2010 1.419.899,16 1.419.899,16 Abril/2010 1.522.468,00 1.522.468,00 Maio/2010 1.105.521,94 1.105.521,94 Junho/2010 1.339.248,70 1.339.248,70 Julho/2010 1.263.797,35 1.263.797,35 Agosto/2010 (*) 12.518.765,62 1.255.782,86 13.774.548,48 Setembro/2010 (*) 36.758.003,46 1.113.142,94 37.871.146,40 Outubro/2010 1.753.693,08 1.753.693,08 Novembro/2010 895.979,81 895.979,81 Dezembro/2010 1.248.421,38 1.248.421,38 Total 49.276.769,08 15.103.848,44 64.380.617,52 Argui o recorrente em sede impugnatória: Ora, primeiramente, resta claro que a afirmação da Autoridade Autuante não encontra nenhum fundamento, pois foram entregues documentos pela Recorrente em sede de fiscalização, conforme se verifica a fls. 44/186 dos autos, em que constam as petições de resposta aos termos de intimação fiscal. Conforme já destacado, os arquivos de fls.44/67, correspondem a 4 (quatro) TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL, cujas respostas aos respectivos TIF se encontram às fls.68/186 do processo. Nas respectivas respostas ao citados TIF, como já demonstrado, a recorrente deixou de apresentar [a documentação comprobatória relativa as divergências encontradas entre o cruzamento das informações constantes nos Dacons e nas planilhas apresentadas, com os arquivos digitais apresentados, especificamente em relação aos Bens Utilizados como Insumos e Bens de Revenda], bem como as Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Vendas. Fl. 5623DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.557 17 Argui o recorrente em sede recursal: os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização. Verificase que em resposta ao o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO AR DE 22/07/13, fl.06, a empresa em 09/08/2013, fl.68 apresenta a seguinte resposta: "Segue anexo um CD contendo os arquivos de notas fiscais de entrada e saída, de acordo com o SPED( sistema publico de escrituração digital), não sendo assim possível fazer a validação através do sistema SVA.(sic). A documentação apresentada se refere ao ano calendário de 2010 como já assinalado, tendo sido objeto de análise pela fiscalização, ensejando juntamente com a documentação apresentada em 23/10/2013, fl.111 (planilha de memória de cálculo, demonstrando individualmente a composição dos valores constantes nos DACONS do ano de 2010), o TIF, de 03/06/2014. fls.57/58, através do qual a contribuinte é intimada a justificar as diferenças constatadas nos demonstrativos apresentados, acima já reproduzidos. Verificase assim que toda a documentação apresentada à fiscalização foi por esta analisada e em decorrência da referida análise, constatou a fiscalização as diferenças já assinaladas, as quais foi o recorrente instado a esclarecêlas, ainda no decorrer da ação fiscal, no entanto, deixou de apresentar a documentação comprobatória, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração. Registrese que por ocasião da impugnação, apresentou a então impugnante planilhas, que ensejou a seguinte fundamentação da decisão de piso: Notese, portanto, que, neste caso, o que levou a Autoridade Fiscal a lançar os créditos tributários incidentes sobre as diferenças apuradas foi tão somente a não apresentação de documentos que pudessem comprovar a origem dos créditos utilizados pela contribuinte.(grifei) É de se ressaltar que, em nenhum momento, a Autoridade Fiscal menciona a impossibilidade de se utilizar créditos extemporâneos na apuração das contribuições. No entanto, em sua impugnação, a contribuinte defende longamente o direito à utilização de créditos decorrentes de insumos e bens adquiridos para revenda em anos anteriores, à luz da legislação que rege a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, sem contudo apresentar as provas necessárias para que os créditos utilizados pudessem ser devidamente confirmados. A contribuinte apresenta planilhas de apuração dos créditos relativos aos anos de 2006 a 2008, os quais alega ter aproveitado de forma extemporânea, nos meses de agosto e setembro de 2010, após efetuar uma revisão da sua base de cálculo, mas, no entanto, não apresenta em sua defesa as respectivas notas fiscais ou os comprovantes de pagamento, para a efetiva comprovação das alegadas aquisições.(grifei) Fl. 5624DF CARF MF 18 Para que seja concedido o crédito, não basta a apresentação de uma planilha, pois essa, sendo um documento produzido pela própria interessada, não tem o condão de provar a efetividade das alegadas operações e do respectivo crédito, sendo necessário sim trazer as cópias dos correspondentes documentos comprobatórios, no caso, as próprias notas fiscais emitidas pelos fornecedores dos bens adquiridos. Falta assim apresentação da liquidez e certeza por parte da impugnante, para comprovar os créditos que foram glosados.(grifos do original). De todo o exposto constatase que a documentação referente às divergências apuradas pela fiscalização não foram apresentadas, não sendo cabível impingir à fiscalização o ônus de empreender nesse momento processual, diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, como quer a defesa para obter a prova que caberia a esta produzila, já que objeto de suas relações comercias e comprobatória dos supostos créditos utilizados no âmbito da legislação de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), ademais o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal, conforme prescreve o artigo 195 do Código Tributário Nacional CTN: · Código Tributário Nacional CTN, artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.(grifei).. Cabia portanto ao sujeito passivo conservar a documentação referente aos fatos sob autuação e assim, demonstrar quando solicitado, a natureza dos créditos utilizados. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 5625DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 3302004.626 S3C3T2 Fl. 5.558 19 Fl. 5626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35366.001447/2005-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2004
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA.
A opção de parcelamento do crédito tributário em litígio implica a desistência dos recursos e renúncia do direito eles relativo.
Numero da decisão: 9202-005.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo, verificada no momento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF Nº 99. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GOODYEAR DO BRASIL PRODUTOS DE BORRACHA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2004 PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. A opção de parcelamento do crédito tributário em litígio implica a desistência dos recursos e renúncia do direito eles relativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo, verificada no momento do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 14 47 /2 00 5- 54 Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.205 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 35.418.7007 (efls. 001 a 300), cientificado à contribuinte em 20/04/2005 (efl. 02), com relatório fiscal às efls. 317 a 325. No presente processo, consta a exigência da contribuição previdenciária, destinada a outras Entidades e Fundos (INCRA, SalárioEducação, SESI, SENAI e SEBRAE), constituída, relativas a remuneração paga aos segurados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, em desacordo com a legislação vigente. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 1.573.990,69, consolidado na data de 18/04/2005, para o período de apuração de 01/03/2000 a 31/10/2004. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 362 a 383, em 06/05/2005 e, em decorrência dos seus argumentos, a fiscalização baixou o processo em diligência (efl. 984) para que houvesse a complementação do relatório fiscal e fosse detalhado quais valores seriam correspondentes aos convênios com outras entidades ou fundos. As dúvidas foram esclarecidas as efls. 987 a 988, no entanto, o departamento de contencioso administrativo, concluindo que a resposta à diligência não foi satisfatória, novamente baixou o processo em diligência, para a fiscalização (efl. 991), e esta, por sua vez, esclareceu que os valores de terceiros conveniados não foram incluídos na notificação e elaborou o relatório de notificação fiscal complementar reabrindo o prazo para a impugnação do contribuinte (efls. 997 a 1007). Cientificada desse relatório, em 11/05/2006 (efl. 1006), a contribuinte apresentou defesa complementar à sua impugnação em 22/05/2006, às efls. 1009 a 1014. Já a 9ª Turma da DRJ/SPOII, no acórdão nº 1719.540, prolatado em 09/08/2007, às efls. 1042 a 1051, considerou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 27/09/2007, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1060 a 1082, alegando, em apertada síntese que: § há decadência do período 03/2000 a 04/2001, co base nos artigo 149 e 173 do CTN; § há nulidade da NFLD, por falta da devida identificação dos fatos geradores; § a PLR não integra a remuneração do empregado e somente o pagamento do benefício em comprovada fraude a lei é que deve ser descaracterizado, sendo que este ônus é da fiscalização; § a lei não exige que exista um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo coletivo e o pagamento da 1ª parcela do PLR; DF CARF MF Fl. 1104 Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.206 3 § a impossibilidade de adiantamento da PLR prevista no art. 3º, §2º da Lei nº 10.101/00 pode ser perfeitamente alterada ou flexibilizada por acordo ou convenção coletiva; § é prática comum na seara da negociação coletiva que a concessão de um benefício implica na cessação de outro e como possui força de lei pode perfeitamente extinguir benefícios e criar outros; § o fato de a PLR não obedecer a periodicidade prevista no art.3º, §2º da Lei nº 10.101/00 não tem o condão de transmudar a sua natureza jurídica de verba participativa em verba de caráter essencialmente salarial e se o modo de pagamento da PLR fosse crucial para a definição de sua natureza jurídica, o legislador nunca teria estabelecido a regra do art.3º, 4º da Lei nº 10.101/00; e § houve cerceamento de defesa, pois, não há levantamento hábil que permita a perfeita identificação do débito. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 12/05/2011, resultando no acórdão 2301002.092, às efls. 1102 a 1132, que deu provimento parcial ao recurso, nos termos das ementas e da decisão a seguir reproduzidas: DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Ocorrendo pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). No presente caso, houve antecipação de pagamento, devendo, portanto, ser contado o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES. LEI 10.101/2000. Somente deve integrar o Salário de Contribuição (SC) as parcelas referentes a Participação nos Lucros e Resultados pagas em desacordo com a Lei 10.101/2000. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza Corrêa, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.207 4 designado: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Esclareçase que o provimento parcial, acima referido, levou ao afastamento (a) dos créditos lançados para as competências até 03/2000, por decadência, e (b) daqueles relativos aos dois primeiros pagamentos feitos a cada segurado a título de PLR, por terem sido considerados conformes à legislação. RE da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 2301002.092, em 23/05/2013 (efl. 1133), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 13/06/2013, manejou recurso especial de divergência (efls. 1139 a 1166) àquele acórdão. O Procurador responsável indica quatro matérias como divergentes: i) Inobservância de periodicidade mínima para pagamentos a título de PLR A divergência reside na abrangência da parcela descaracterizada como PLR, enquanto o acórdão paradigma (nº 240101.619) entendeu que, em caso de descumprimento da periodicidade mínima estabelecida no art. 2°, § 3°, da Lei n° 10.101/2000 todos os pagamentos devem ser tributados, o acórdão recorrido concluiu que só devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias aqueles pagamentos que excederem o limite legal. ii) Ausência de acordo prévio ao exercício em que se fundam os lucros e resultados Há divergência do paradigma (nº 240100.545), que entende dever o acordo ser sempre prévio ao exercício, caso contrário incidem contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de PLR, para com o recorrido que afirma não haver fixação de prazo entre a celebração do acordo e esses pagamentos. iii) Necessidade de pactuação em acordo ou convenção coletiva Acórdãos paradigmas (nº 2402002.458 e nº 9202002.079) só aceitam exclusão da incidência de contribuição previdenciária caso os pagamentos de PLR sejam suportados por acordos ou convenções coletivas, confrontando o entendimento do colegiado recorrido, que aceitou a exclusão de valores pagos em que pese se observasse que as regras do PLR foram postas em documentação à parte do acordo coletivo. iv) Aplicação de regra decadencial Nessa matéria, os acórdãos paradigmas (nº 230200.359 e nº 240200.362 ) estipulam que, quando a empresa nem mesmo reconhece determinada rubrica como fato gerador da obrigação tributária, há que se aplicar a contagem do prazo decadencial de acordo com o art. 173, inc.I, do CTN, enquanto o aresto recorrido abraça a tese de que, existindo pagamento antecipado do tributo, considerandose a guisa de pagamento gen´rica para contribuições Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.208 5 previdenciárias, a contagem do prazo deve ser de acordo com o disposto no § 4º do art. 150 do mesmo Código. Em face do cotejo analítico realizado, a Procuradora da Fazenda requereu o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência, para que se reforme o acórdão recorrido, restabelecendose a integralidade do lançamento. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300436/2013, às e fls. 1167 a 1174, datado de 06/08/2013. A apreciação concluiu pelo atendimento de todos os requisitos para que se desse seguimento às quatro matérias recorridas pela Procuradora. Contrarrazões da contribuinte Intimada (Intimação nº 403/2013, efl. 1176) do acórdão nº 2301002.092 , do recurso especial de divergência e o despacho nº 2300436/2013, em 14/10/2013 (efl. 1178), a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Fazenda em 28/10/2013, às efls. 1180 a 1198). Para as quatro matérias recorridas, traz, em síntese, as seguintes contestações: i) Inobservância de periodicidade mínima para pagamentos a título de PLR Nesse tópico, a contribuinte pede o não conhecimento do recurso, argumentando que a apresentação de um único paradigma afrontaria o § 7º do art. 67 do Anexo II do Ricarf, entendendo que, na verdade, deveria ter indicado dois paradigmas. Alega, ainda, que esse não abordaria a matéria de forma clara para que pudessem ser rebatidos os argumentos e, por isso, não deveria ser aceito. No mérito, defende que o entendimento de que as parcelas que atenderem o disposto na legislação podem ser consideradas para fins de não tributação dos pagamentos de PLR. ii) Ausência de acordo prévio ao exercício em que se fundam os lucros e resultados A lei não faz tal exigência de lapso temporal mínimo e os aspectos práticos e complexos das negociações coletivas levam à extensão desse período, sem que com isso se venha a prejudicar os empregados. iii) Necessidade de pactuação em acordo ou convenção coletiva Os pagamentos estavam de acordo com o pactuado, a legislação não impõe penalidade ao descumprimento de formalidades tais que descaracterizassem os pagamentos a título de PLR, não podendo a fiscalização fazêlo, e o próprio STJ vinha aceitando que a PLR paga antes de 1994 não tinha natureza salarial, reforçaria a tese apresentada, uma vez que inexistia qualquer indicação de fraude pela fiscalização. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.209 6 iv) Aplicação de regra decadencial Caso fossem considerados salário os pagamentos de PLR, fariam parte dos valores declarados como tal em GFIP e GPS, não sendo verbas separadas dessas, e em face dos pagamentos de fato havidos, haveria incidência da regra decadencial do art. 150, § 4º do CTN. Ao final, a contribuinte requer que se negue seguimento ao recurso especial de divergência da Procuradora, ou que lhe seja negado provimento, para fins de manutenção do acórdão recorrido nos pontos atacados pela recorrente. Na data do julgamento, dia 30/08/2017, durante a sessão, foi verificado pelo colegiado uma solicitação de juntada aos autos de desistência para adesão a parcelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. CONHECIMENTO A despeito da alegação do contribuinte, em contrarrazões, de que a primeira matéria recorrida (inobservância de periodicidade mínima para pagamentos a título de PLR) não deveria ser conhecida por desatendimento ao art. 67 RICARF, como a apresentação de apenas um paradigma, a razão não lhe assiste. O referido dispositivo regimental que vigia quando da interposição do recurso e das contrarrazões dispunha, em seu § 4º, que se deveria demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões por matéria, logo, a apresentação de um não impede o prosseguimento do recurso. Assim, na matéria em que a contribuinte pleiteia que o recurso não seja conhecido, entendo não haver fundamento para tanto, por isso voto pelo seu seguimento e prossigo para análise de mérito. PREJUDICIAL A desistência e adesão ao parcelamento são suficientes para que se dê provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, ficando prejudicada a discussão das demais matérias. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.210 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 35366.001447/200554 Acórdão n.º 9202005.715 CSRFT2 Fl. 1.211 8 Fl. 1242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934868/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.562
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 48 68 /2 00 9- 19 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.934868/200919 Acórdão n.º 3302004.562 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.445. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.934868/200919 Acórdão n.º 3302004.562 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.934868/200919 Acórdão n.º 3302004.562 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.934868/200919 Acórdão n.º 3302004.562 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.934868/200919 Acórdão n.º 3302004.562 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.934868/200919 Acórdão n.º 3302004.562 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 90DF CARF MF
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