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Numero do processo: 19515.000670/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título, em forma de pecúnia ou não, no decorrer do mês.
Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, constituindo-se em base de cálculo da contribuição social previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título, em forma de pecúnia ou não, no decorrer do mês. Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, constituindo-se em base de cálculo da contribuição social previdenciária. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título, em forma de pecúnia ou não, no decorrer do mês. Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, constituindose em base de cálculo da contribuição social previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 70 /2 00 9- 09 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 396 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 397 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa LURGI DO BRASIL INSTALALAÇOES INDUSTRIAIS LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2004 (DEBCAD nº. 37.216.7870). 2. O fato gerador que deu origem ao crédito tributário foram os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais a serviço da recorrente, não incluídos em GFIP e folha de pagamento e não considerados pela contribuinte como base de cálculo de incidência previdenciária, conforme verificados na contabilidade da empresa. Desse fato resultou além da não retenção e recolhimento da contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais, verificouse a falta de recolhimento da contribuição previdenciária a cargo da empresa. 3. Conforme consta no relatório os valores registrados na contabilidade da empresa que serviram de base de cálculo para as contribuições sociais foram os pagamentos de benefícios como alimentação sem inscrição no PAT e assistência médica concedidos a contribuintes individuais, sem vínculo empregatício, e, pagamentos a RC MILA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., extraídos de faturas, cuja operação tratase de mãodeobra com prestação de serviços administrativos. 4. Para delimitar precisamente os fatos geradores do lançamento destacamos alguns trechos do relatório fiscal: “(...). 2.3 Da análise dos documentos e livros apresentados restou comprovado que o contribuinte deixou de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações â Previdência Social, valores pagos a contribuintes individuais a seu serviço, verificados em sua escrituração contábil, para as competências de janeiro/2004 a dezembro/2004, bem como as devidas informações de todos os fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária. As GFIP's entregues antes do início da ação fiscal continham erro no campo NIT dos segurados, já regularizado durante a ação fiscal com a entrega de nova GFIP abrangendo todo o período fiscalizado. (...). 2.7 Foi constatado pelo exame dos livros contábeis e demais documentos que o contribuinte efetuou pagamentos a pessoas alheias ao quadro societário, não incluídas em GFIP, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao presente relatório. 2.8 Serviram de base para apuração do crédito tributário, além dos fatos supramencionados, os benefícios e vantagens concedidos ao administrador nãosócio, Sr. Fritz Thurm, detalhados em planilha (Anexo 1 e 2), como sendo benefícios Fl. 397DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 398 4 indiretos oferecidos a prestadores de serviços sem vínculo empregatício; os valores pagos a título de alimentação (Ticket Serviços), já que o contribuinte não está inscrito no PAT e não possui segurados empregados no ano calendário de 2004; o pagamento referente à assistência médica (Sametrade Atend. Clin. Hospitalar e Uniodonto de SP) efetuados em nome de Nair Machado Giosa e Gisélia Souza Martins, respectivamente, contribuintes individuais sem vínculo empregatício, bem como valores pagos para RC Mila Comércio e Serviços Ltda cuja natureza da operação das faturas é mãodeobra, com prestação de serviço de administrativos. (...). 2.11 O débito incluído no presente auto de infração referese `contribuição devida pela EMPRESA, a seguir discriminada: a) contribuição patronal de 20% (vinte por cento), de acordo com o inciso III do artigo 22 da Lei 8.212/91 (fl.116). (...). 3 APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: 3.1 O crédito tributário foi constituído com base nas informações e valores lançados pelo contribuinte em sua escrituração contábil, constantes do Livro Diário n° 31 e Razão n° 1, nas seguintes contas: Despesas de Representação: 381.23.00128; Casas dos Expatriados: 381.23.00249; Serviços Prestados Pessoa Jurídica: 381.23.00267; Outras Despesas: 381.23.00351; Despesas de Viagem: 381.23.00043; Treinamento/Conferências: 381.23.00052. 3.2 Na planilha Anexo 2, os valores constantes das colunas "Outras Desp." e " Desp. Veículos" foram transcritos do Livro LALUR n° 2, Despesas Indedutíveis: vr ref. benefícios indiretos (Outras Despesas com Diretor) e vr ref. benefícios indiretos (Despesas com veículos Diretor). Na coluna "Aluguel", da mesma planilha, o valor constante de R$ 532,80 é a diferença entre o valor do aluguel da residência do administrador não sócio Sr. Fritz Thurm, de R$ 6.532,80 e o valor ressarcido pelo mesmo, de 6.000,00, efetuado através de desconto em folha/recibo de pagamento. (...)”. (fls. 114/117). 5. Após ser devidamente intimada em 24/04/2009 (fl. 2), a empresa, apresentou defesa tempestiva às fls. 123/136. A 12ª turma da DRJ/SP/1 por meio do despacho de fls. 311/317 se manifestou a respeito dos termos apresentados pela recorrente e considerando (i) que o questionamento do sujeito passivo em relação ao salário de contribuição Fl. 398DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 399 5 relativo a Sra. Nair Machado Giosa, apurado nas competências janeiro e fevereiro de 2004; (ii) que não restou explicitado no Relatório Fiscal a motivação para que os valores pagos pela autuada a empresa prestadora de serviços (pessoa jurídica) fossem lançados como "remuneração paga a contribuintes individuais" e (iii) que do Relatório Fiscal não consta o fundamento legal do lançamento das parcelas pagas a título de benefícios indiretos (fornecimento de veículo, pagamento de aluguel, e despesas médicoodontológicas) como parcelas integrantes da remuneração de segurados "contribuintes individuais", nos termos dispostos no art. 18 do Decreto nº. 70.235/72, encaminhou os autos para diligência fiscal solicitando: “10.1. esclarecer qual é o valor correto do salário de contribuição a ser considerado para a segurada Nair Machado Giosa nas competências janeiro e fevereiro de 2004; 10.2. em função das divergências verificadas entre os valores constantes das planilhas de cálculo do salário de contribuição e aqueles lançados, conforme item 8 deste despacho, esclarecer qual o valor correto do salário de contribuição a ser considerado nas competências maio a dezembro de 2004; 10.3. esclarecer se houve equívoco no lançamento dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços da empresa "RC Mila Comércio e Serviços Ltda.", ou, caso contrário, se houve desconsideração de tal prestação de serviço como cessão de mãodeobra, informando, neste caso, os motivos; (...). 11. Encaminhar ao sujeito passivo cópia deste despacho, acompanhado do despacho resultante da diligência fiscal, comunicandolhe a abertura do prazo de 10 (dez) dias para manifestação nestes autos, se assim desejar”. (fl. 317). 6. A diligência fiscal foi iniciada em 16/06/2010 e encerrada em 28/06/2010, dando origem ao relatório de diligência fiscal fl. 323 e relatório de encerramento de diligência fl. 325. Em atendimento aos questionamentos feitos pela autoridade julgadora de primeira instância o relatório da diligência fiscal concluiu: RELATÓRIO DE DILIGENCIA FISCAL (...). 10.1: A diferença questionada de R$ 600,00, nos meses de janeiro e fevereiro, constante da planilha do item 8, fls. 314 do referido Despacho, referese à remuneração paga a segurada Nair Machado Giosa pelos serviços prestados como contribuinte individual, incluída em GFIP após o início da ação fiscal. Nos meses de janeiro e fevereiro, a composição do salário de contribuição considerado foi de R$ 785,64 (R$ 600,00 de remuneração pelos serviços prestados e R$ 185,64 referente a despesas médicas). Nos demais meses, somente o valor de R$ 185,64 referente a despesas médicas. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 400 6 O valor do salário de contribuição lançado e considerado na lavratura do Auto de Infração para a referida segurada está correto, não havendo diferença. 10.2: As diferenças apontadas na planilha do item 8 do Despacho supramencionado, de fls. 314, para os meses de maio a dezembro de 2004, referemse à remuneração paga a segurada Giselia de Souza Martins pelos serviços prestados como contribuinte individual, não constante em GFIP entregue antes do início da ação fiscal. O valor do salário de contribuição lançado e considerado na lavratura do Auto de Infração para os meses de maio a dezembro de 2004 está correto, não havendo diferenças (...). 10.3: Quanto à empresa "RC Mila Comércio e Serviços Ltda", CNPJ: 00.026.269/000147, a prestação de serviços não foi considerada como cessão de mãodeobra, tendo em vista a empresa ter declarado na DIPJ para o anocalendário de 2004 , como sendo INATIVA, com a respectiva Declaração de Inatividade. (...). 7. A empresa foi cientificada do Relatório da diligência fiscal em 01/07/2010 conforme AR fl. 326 e se manifestou às fls. 327/329, em seguida os autos seguiram para apreciação da 12ª Turma da DRJ/SP1 que considerou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo parcialmente o crédito tributário, excluindo R$ 13.307,47 do total lançado, restando R$ 59.831,69, tendo em vista que existe nulidade dos valores lançados em função da multa aplicada nas competências 05/2004, 07/2004, 09/2004 e 11/2004. 8. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês. Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. NOVOS CRITÉRIOS. MULTA MAIS BENÉFICA. NULIDADE. Em virtude do disposto na Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (D.O.U. de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, constatada infração relacionada ao Fl. 400DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 401 7 artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212/91, em período anterior ao da edição da referida MP, deve ser aplicada a multa mais benéfica ao sujeito passivo, conforme previsto pelo inciso II, alínea "c", do artigo 106 do Código Tributário Nacional. A Administração Pública Federal, em respeito ao princípio da legalidade e no exercício do controle do lançamento tributário, tem o deverpoder de reexaminar seus atos declarando a nulidade de feitos não passíveis de saneamento no processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 338) 9. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 372/389, no qual aduz em síntese: a) quanto ao Sr. Fritz Thum: i) que devem ser aplicadas as exclusões previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 à composição da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo contribuinte individual; ii) que o contribuinte individual adimplia com 90% da totalidade do valor do aluguel sendo assim, a despesa paga pela empresa recorrente a fim de complementar o valor pago não tem caráter de remuneração, posto que uma mesma verba não pode ser mitigada parte como salarial e parte como não salarial; iii) considera inadmissível que os valores relacionados ao uso de veículo da empresa sejam considerados como remuneração e, por conseguinte, integrem a base de calculo do tributo, pois o automóvel poderia ser utilizado por qualquer funcionário e não somente pelo Sr. Fritz Thurm. iv) quanto ao item denominado “outras despesas” no período de dezembro de 2004 o montante apurado contempla o pagamento das despesas pertinentes à manutenção da casa onde reside o Sr. Fritz Thurm, bem como valores referentes ao transporte de todo o mobiliário de sua residência. Assim com a indevida consideração do valor em comento, estaria bitributando os valores relativos as despesas da casa do contribuinte individual; v) reembolso de cota previdenciária – “outros vencimentos”: no que se refere ao item outros vencimentos, tratase de uma indenização paga ao contribuinte individual que além de não ter gerado alteração em sua remuneração bruta, não modificou a base de cálculo do tributo, assim não se pode cogitar em prejuízo aos sofres públicos, devendo o auto de infração ser cancelado; b) quanto aos contribuintes individuais Clóvis Celli Junior, Luciana Henz e Irene S. S. Pinto: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 402 8 i) as referidas despesas não podem servir de base de cálculo para a exigência do crédito tributário ora questionado, eis que a legislação tributária não alberga ou autoriza a pretensão, pois os valores representam simplesmente reembolso de despesas que foram, inicialmente, custeadas pelas mencionadas pessoas; ii) as verbas de reembolso possuem caráter indenizatório, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuições sociais; iii) as despesas mencionadas referemse ao reembolso de locomoção, alimentação e cursos de aperfeiçoamento profissional, não se enquadrando na hipótese de salário contribuição. c) quanto aos contribuintes individuais Gisela de Souza Martins e Nair Machado Giosa: i) as despesas para o custeio de assistência médica e odontológica não devem integrar o salário de contribuição, visto que tais verbas jamais contemplaram o trato sucessivo e habitual do salário de contribuição, vez que nunca objetivaram remunerálas pelo trabalho. d) quanto aos contribuintes Helmut Saft, Karin Beyer e Sebastian Thurm: i) os valores pagos a título de “despesas de viagem” não possui o caráter de remuneração, visto estar ausente a habitualidade, não servindo como base de cálculo das contribuições sociais; e) da contribuinte RC MILA E TICKET SERVIÇOS: i) o fato da empresa contratante estar inativa no ano de 2004 não pode desconfigurar o contrato de prestação de serviços celebrado entre ela e a recorrente, não existindo fundamentação legal para a fiscalização considerála contribuinte individual. 10. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 403 9 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO – DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 2. A recorrente fundamenta suas razões recursais no fato de que os valores incluídos pela fiscalização no lançamento efetuado não possuem caráter remuneratório, não integrando, por consectário, o denominado salário de contribuição. 3. Todavia, que pese o louvável entendimento apresentado pela recorrente, observase que o mesmo confunde, em sua argumentação, a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre os salários pagos a empregados com a base de cálculo das contribuições sociais decorrentes da prestação de serviços por contribuintes individuais. 4. Ora, entendese como contribuintes individuais aqueles que têm renda pelo trabalho, sem estar na qualidade de empregado, tais como os profissionais autônomos, sócios e titulares de empresas, entre outros. Ou seja, os serviços prestados pelos contribuintes individuais são decorrentes de contratos estranhos as relações de emprego, onde não existe qualquer vínculo empregatício entre a empresa contratante e o prestador de serviço contratado. 5. Nessa esteira, o próprio legislador diferenciou a incidência de contribuições sociais sobre a remuneração salarial paga aos funcionários decorrentes de vínculos empregatícios da incidência de contribuições sociais sobre a remuneração decorrente da prestação de serviço de um terceiro sem qualquer vínculo de emprego. 6. No caso dos contribuintes individuais que prestam serviços para empresas, como é o caso sob análise, este sofrerá o desconto por ocasião do recebimento do preço pelo serviço prestado, ficando a empresa tomadora dos serviços obrigada a repassar o devido desconto ao INSS, nos termos da Lei nº. 10.666/2003, mediante a aplicação da alíquota de 11% sobre os serviços a ela prestados, sendo essa contribuição recolhida juntamente com a contribuição a seu cargo, o que na situação em análise não ocorreu. 7. Destarte, não se pode confundir a remuneração paga ao contribuinte individual com salário, sendo este o rendimento que os trabalhadores auferem em troca do trabalho executado sob a tutela de contrato regulado pela CLT, e, nesta hipótese, os valores que eventualmente lhes são pagos a título de auxílio moradia, alimentação, auxílio doença, “despesas com viagem” que não se revestindo de natureza salarial ou quando constantes no art. 28, § 9º, da Lei nº. 8.212/91, não há a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 404 10 8. Ademais, no tocante ao contribuinte individual, a base de cálculo da contribuição previdenciária é o valor ou preço total dos serviços prestados, devendo, no caso, no meu entender, ser tido como preço o valor em pecúnia, coisa e/ou bem que o represente, recebido como pagamento pelo prestador. De modo que, integrará ao referido preço, e, por conseguinte, a base de cálculo da contribuição previdenciária, não só os valores pagos em espécie, mas também os bens ou benefícios concedidos ao prestador de serviços contribuinte individual, sem qualquer dedução, inclusive daquelas parcelas previstas no § 9º, do art. 28, da Lei nº. 8.212/91, quando ao mesmo atribuídas. 9. Ocorre que, a recorrente em seu recurso (fl. 377), é enfática no sentido de “que deve ser aplicada as exclusões previstas no § 9º, do artigo 28 da Lei 8.212/91 à composição da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais”, a qual foi objeto do auto de infração ora questionado” . No entanto, nenhuma razão tem a contribuinte, pois, as exclusões a que ela se refere tratamse de isenções concedidas e afetas, exclusivamente, à remuneração do trabalhador empregado, fato impeditivo para que se estenda ou se aplique essa isenção aos pagamentos efetuados a segurado contribuinte individual, nos termos do art. 111, do CTN, dispositivo este que é cristalino no sentido de que: “Interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre (...) outorga de isenção (...)”. 10. Em relação aos pagamentos efetuados a empresa RC MILA, o fato desta se encontrar inativa no período fiscalizado, por si só serve de embasamento para o caracterização de que o beneficiado dos pagamentos tratase de prestador pessoa física, portanto, contribuinte individual, evidenciado, assim, a ocorrência do fato gerador da contribuição social previdenciária, além do que a recorrente deveria ter tomado todas as providências cabíveis e ser diligente para aferir a situação fática da empresa contratada. Já quanto aos pagamentos realizado para TICKET SERVIÇOS, registrados na contabilidade como despesas de alimentação, não procede também alegações da recorrente, vez que se tratam de custeio com alimentação de segurado não empregado, integrando portanto o preço dos serviços prestados pelos contribuintes individuais aos quais foram concedido tal benefício. 11. Do até aqui arrazoado, não vislumbro a procedência do recurso, devendo ser mantida a decisão de primeira instância em sua totalidade. CONCLUSÃO 12. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, para manter a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator Fl. 404DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000670/200909 Acórdão n.º 2803002.040 S2TE03 Fl. 405 11 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000943/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da
decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto.
Numero da decisão: 3201-001.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PEREMPÇÃO. Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente Marcelo Ribeiro Nogueira. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata de auto de infração de cobrança das multas de ausência de licença de importação e de não retorno tempestivo ao exterior de bens ingressados sob o regime de admissão temporária. Alega a fiscalização que o processo se refere a bens constantes em duas DSIs, que originaram Termos de Responsabilidades já executados. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 1516. Seguem alegações da contribuinte. Após testes dos equipamentos utilizados em telefonia, tentou obter a guia de devolução, sendo que a obtenção não foi possível haja vista o término do prazo. Contratou contador para resolução do problema junto à Receita, sendo que o contador resolveu o problema da forma mais fácil para o mesmo ao assumir dívida para a empresa, que somente tomou conhecimento quando começaram a chegar guias para pagamentos de II e IPI. Já houve pagamento de 11 parcelas referentes a impostos de uma importação por admissão temporária, que teve caráter simplesmente demonstrativo para avaliação de equipamento e posterior geração de negócios, que não foram efetivados. Não houve pagamento como “réu confesso”, e sim pagamentos para evitar inadimplência junto à SRF. Recebeu oficial de justiça em cumprimento de mandato de penhora, sendo que o mesmo saiu da empresa com todas as cópias das guias pagas. O equipamento está obsoleto, já existindo versões mais avançadas por 10% do preço. O equipamento está embalado e armazenado há cinco anos, encontrandose pronto para ser despachado de volta para a origem tão logo seja concedido o direito de fazêlo. Solicita o desfazimento do mal entendido ou erro. À folha 104, encaminhouse o processo para julgamento. É o relatório.” O acórdão foi dispensando de ementa resultante de julgamento de valor inferior a R$ 50.000,00. O julgamento foi no sentido de considerar descumprido o regime de admissão temporária. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000943/200714 Acórdão n.º 3201001.085 S3C2T1 Fl. 2 3 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, inconformado apresenta recurso voluntário O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Os autos do processo dão conta de que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/03/2011, sextafeira, conforme AR (fl. 116). A contagem de prazo começou na segundafeira, dia 07/03/2011 e com término em 06/04/2011 (30 dias) numa quartafeira; no entanto o recurso voluntário foi recepcionado somente em 08/04/2011, de acordo com a fl. 121 e seguintes, ultrapassando, portanto, os 30 dias. Consta, nos autos, Termo de Perempção, à fl. 117, datado em 06/04/2011. O Decreto no 70.235/1972 dispõe em seu art. 33 que o recurso voluntário deverá ser apresentado no prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Os elementos do processo demonstram, de forma inequívoca, que a interessada não cumpriu o prazo previsto na legislação processual administrativa para interposição do recurso, ocasionando a perempção. Diante do exposto, e tendo em vista os prazos processuais são fatais, não comportando qualquer dilação por falta de previsão legal, voto por que não se tome conhecimento do recurso, por perempto. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720211/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DIRF. CONFISSÃO DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
A declaração em DIRF da realização de pagamento é confissão de que foi realizado pagamento. Tal confissão é dotada de presunção de veracidade e só pode ser afastada em caso de comprovação de erro na declaração.
CÓDIGO 8045. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DE IRRF.
Os rendimentos pagos sob o código 8045 implicam obrigação do recolhimento de IRRF por parte dos recebedores da quantia, cabendo à fonte pagadora tão somente a declaração em DIRF, diante da ausência de sujeição passiva tributária.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2202-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência as diferenças do imposto de renda retido na fonte referente ao código de arrecadação 8045.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DIRF. CONFISSÃO DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. A declaração em DIRF da realização de pagamento é confissão de que foi realizado pagamento. Tal confissão é dotada de presunção de veracidade e só pode ser afastada em caso de comprovação de erro na declaração. CÓDIGO 8045. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DE IRRF. Os rendimentos pagos sob o código 8045 implicam obrigação do recolhimento de IRRF por parte dos recebedores da quantia, cabendo à fonte pagadora tão somente a declaração em DIRF, diante da ausência de sujeição passiva tributária. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência as diferenças do imposto de renda retido na fonte referente ao código de arrecadação 8045. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
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CONFISSÃO DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. A declaração em DIRF da realização de pagamento é confissão de que foi realizado pagamento. Tal confissão é dotada de presunção de veracidade e só pode ser afastada em caso de comprovação de erro na declaração. CÓDIGO 8045. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DE IRRF. Os rendimentos pagos sob o código 8045 implicam obrigação do recolhimento de IRRF por parte dos recebedores da quantia, cabendo à fonte pagadora tão somente a declaração em DIRF, diante da ausência de sujeição passiva tributária. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência as diferenças do imposto de renda retido na fonte referente ao código de arrecadação 8045. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 11 /2 01 1- 93 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15540.720211/201193 Acórdão n.º 2202002.225 S2C2T2 Fl. 662 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado, em 09/05/2011, a deixar à disposição da Fiscalização as DIRFs e as DCTFs do anocalendário de 2007, bem como prestar esclarecimentos necessários quando à divergência de valores verificada entre a DIRF e a DCTF, apresentando a devida documentação comprobatória. As diferenças apontavam recolhimento insuficiente de IRRF. Em resposta (fls. 88–96 do eprocesso), o recorrente alegou que na DCTF de 2007 existe DARF erroneamente alocada para este ano, pois seria correspondente ao mês de dezembro de 2006, tanto que foi informada na DIRF de 2006. Em relação às diferenças entre DCTF e DIRF para o código 0561, diz que se dá pelo fato de certos valores serem declarados apenas em DIRF ao longo do ano (referentes a rescisão, 13 º salário e férias) em campos específicos. Por último em relação ao código 8045, referente à comissão de administradora de crédito, o recolhimento é de responsabilidade da própria administradora, motivo pelo qual as quantias só estão declaradas em DIRF, a título de informe de rendimentos na fonte pagadora. Em anexo à resposta apresentou: a) recibos e resumos da DIRF; b) informe de rendimentos da fonte pagadora Leader S.A. Adm. de Cartões; c) planilha comparativa por código 0561 e 8045. 2 Auto de Infração Com base nos dados apresentados pelo recorrente, a fiscalização apurou divergência entre o valor retido declarado em DIRF e o efetivamente recolhido, motivo pelo qual lançou o crédito suplementar. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 665.196,47, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros. As rubricas onde foram apuradas divergência de recolhimento foram: a) Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre Trabalho Assalariado – código 0516; b) Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre Comissões e Corretagens Pagas a Pessoa Jurídica 8045; Por fim, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, pois a retenção de imposto sem o devido recolhimento configura ilícito penal de apropriação indébita. O recorrente tomou ciência do lançamento em 24/08/11. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva, em 23/09/11. Em sua defesa, o recorrente alega: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 4 a) Em relação ao código 0561, diz que a divergência se deu devido a erro no preenchimento da DIRF/08, sendo o valor correto para os meses é o recolhido em DARF, tanto que, inclusive, para o mês de dezembro de 2007 o recolhido mediante DARF foi equivalente a R$ 224.681,71, mais que os R$ 194.526,85 declarados na DCTF, e menos que os R$ 229.553,26 da DIRF. Ainda, reconhece o erro em relação ao 13º salário de 2007, que declarou como de R$ 147.901,29 na DIRF, quando o valor correto deveria ser de R$ 138.845,21; b) houve equívoco no preenchimento da DIRF/08 também no campo do código 8045 — IRRF sobre comissões e corretagens —, que pode ser aferido pelos relatórios internos em anexo à impugnação, tendo sido declarados e pagos corretamente os valores presentes na DCTF; c) clama pela aplicação do princípio da verdade material em detrimento da verdade formal, de modo que seja corrigido o erro na DIRF e que sejam considerados os valores corretos, que são os declarados em DCTF; d) é necessária a conversão do feito em diligência, de modo a aferir, a partir da análise os livros fiscais, folhas de pagamento e demais documentos que há erro de preenchimento na DIRF; e) deve ser apensada ao feito a Representação Fiscal para Fins Penais, visto que deverá ser arquivada em conjunto com o processo administrativo fiscal se o crédito tributário for extinto pelo pagamento, pelo pagamento ou pela quitação do parcelamento; Em anexo à impugnação, o recorrente apresentou: a) relatórios sintéticos de apuração de IR (fls. 226303 do eprocesso); b) comprovantes de arrecadação de IRRF (fls. 305318 do eprocesso); c) DCTF’s do período (fls. 320561 do eprocesso); d) DIRF/08 (fls. 562572 do eprocesso); e) informe de rendimentosPJ (fl. 573 do eprocesso). 4 Acórdão de Impugnação A 7ª Turma da DRJ/RJI julgou, por maioria de votos, parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo recorrente, reduzindo o imposto de renda a pagar para R$ 172.893,29, acrescido de juros e multa de ofício de 75%. Como fundamentos, a turma alinhou: a) foi considerado não efetuado o pedido de diligência, pois a impugnação não apresentou quesitos, nem motivou o pedido, elementos necessários, de acordo o art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72. Ainda, foram considerados suficientes os documentos no processo para formar o convencimento dos julgadores; b) não foi acolhido o pedido de juntada de novos documentos, vez que após a impugnação só podem ser anexados documentos caso seja atendida uma das condições do art. 16, §4º, alíneas a, b ou c; c) em relação à Representação Fiscal para Fins Penais, a DRJ não é competente para se manifestar acerca de suas controvérsias, e, de acordo com o art. 5º, §1º da Portaria RFB nº 2.439/10, os autos da representação só serão remetidos ao MPF após passados 10 dias do prazo legal para Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15540.720211/201193 Acórdão n.º 2202002.225 S2C2T2 Fl. 663 5 cobrança amigável, que ocorre apenas após a prolação da decisão final na esfera administrativa, motivo pelo qual não há motivo para se preocupar com seu destino enquanto o processo está sendo julgado; d) no que tange ao mérito, em relação ao código 0561, o recorrente não apresentou provas suficientes — como livros contábeis com registro dos salários pagos, ou a folha de pagamento — motivo pelo qual deve ser considerado verdadeiro aquilo declarado em DIRF; e) deve ser considerado o valor recolhido em 27/02/08, cujo valor principal é de R$ 138.845,21, como IRRF sobre o pagamento de 13º . Sendo assim, a diferença entre DIRF e DCTF para o IRRF sobre o 13º registrado em DIRF passa a ser de R$ 9.056,08; f) em relação ao código 8045, ele pode incluir uma gama enorme de pagamentos, sendo que alguns estão sob responsabilidade de recolhimento da fonte pagadora, e outros de quem recebe. Sendo assim, seu argumento de que não seria o responsável pela retenção pois todo o valor declarado seria correspondente a verba específica de corretagem por administração de cartões à Leader S/A Administradora de Cartões não pode subsistir pela falta de provas suficientes à aferição deste fato. Ainda, a tese resta enfraquecida, pois à fl. 582 fica demonstrado que foram pagas despesas operacionais a título de Propaganda e Publicidade, no total de R$ 21.531.688,63, montante que deveria ter sido informado na DIRF/08 e que supera os R$ 10.141.936,13 declarados. Sendo assim, não fica comprovado que os valores pagos a título de comissões e corretagem não correspondiam a outras modalidades cujo recolhimento cabe à fonte pagadora; g) em declaração de voto o Auditor Fiscal Guilherme Henrique da Silva Ribeiro divergiu do voto vencedor, entendendo que não se pode presumir que o valor declarado em DIRF sob o código 8045 seja correspondente a pagamento cuja responsabilidade é da fonte pagadora, pois esta é a exceção e em nenhum momento isto foi provado, ou sequer levantado pela fiscalização, e utilizar esta possibilidade como justificativa inovaria nos motivos da autuação. Ainda, se não foram declarados os R$ 21.531.688,63 a título de despesas com publicidade na DIRF, a responsabilidade do recorrente seria tão somente de declarar o valor, e sua penalidade deveria ser a multa por declaração errada, não a cobrança do tributo. Sendo assim, entende que pelo fato de tudo levar à constatação de que o valor declarado sob a rubrica de pagamento de comissões e corretagens foi pago por administração de cartões de crédito, cuja responsabilidade da fonte pagadora se limita a declarar em DIRF o valor de 1,5% que deve ser retido, enquanto a responsabilidade do recolhimento é do recebedor do pagamento, conforme consta no MAFON/2009. Desse modo, deveria subsistir somente a diferença entre DIRF e DCTF no código 0561. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 6 5 Recurso Voluntário Tendo sido notificada do resultado do julgamento em 14/11/11, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 14/12/11. Na peça recursal reitera os argumentos da impugnação, reforçando: a) não prospera o argumento de que a recorrente não comprovou através de livro caixa e folha de salários a diferença na retenção, pois a Fiscalização teve tais documentos a sua disposição e não os utilizou para aferir que havia erro de declaração na DIRF; b) a DIRF é documento meramente informativo, não se prestando a constituir o crédito tributário, motivo pelo qual não pode ser utilizada como forma de presumir a existência de crédito tributário; c) o acórdão da DRJ inovou ao trazer suposta omissão de declaração de despesas de propaganda e publicidade na DIRF, cuja retenção também não seria de sua responsabilidade. Sendo assim, o único efeito da possível ocorrência deste erro de declaração seria a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, nunca o recolhimento do tributo. Tal inovação acerca da descrição dos fatos configura usurpação da competência da Fiscalização pela DRJ, o que causa nulidade do acórdão; d) autuouse por presunção, pois não foi comprovado cabalmente que o pagamento efetuado à Leader S/A Adm. de Cartões foi realizado a outro título que não corretagem ou comissão pela administração do cartão de crédito. Desse modo, não se sustenta a autuação do IRRF sobre o código 8045. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15540.720211/201193 Acórdão n.º 2202002.225 S2C2T2 Fl. 664 7 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade recursal do Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A controvérsia cingese a dois pontos: (i) a divergência entre DIRF, DCTF e DARF em relação ao ano de 2007 para o código 0561 — rendimentos do trabalho assalariado; (ii) a obrigação de recolher IRRF sobre verbas pagas a título de corretagem e comissão, código 8045. 1 Da Divergência Entre DIRF, DCTF e DARF (trabalho assalariado) O recorrente alega que ocorreu erro no preenchimento de sua DIRF, bem como de sua DCTF para o anocalendário de 2007. Contudo, defende que teria apurado o valor correto e o recolhido, motivo pelo qual os recolhimentos em DARF vinculados aos pagamentos devidos são maiores que o crédito tributário reconhecido em DCTF. O acórdão recorrido, por sua vez, rejeitou os argumentos devido à falta de comprovação de que o valor constante nas DIRF’s estava errado, vez que, segundo seu entendimento, a declaração em DIRF constitui confissão de pagamento efetuado, e presumese verdadeira até prova em contrário. No recurso o recorrente se insurge contra este entendimento, dizendo que os documentos contábeis da empresa estiveram à disposição da Fiscalização, que não os utilizou. Contudo, ao compulsar os autos não encontrei registro algum de que os livros fiscais foram entregues/apresentados à Fiscalização, e muito menos se encontram presentes nos autos, motivo que leva a crer que, efetivamente, faltou comprovação suficiente de que as DIRF’s continham erro. Sendo assim, acompanho o entendimento da decisão recorrida, vez que a DIRF, embora não seja apta a constituir crédito tributário, serve à confissão de fato que enseja a responsabilidade pelo recolhimento de tributo, no caso, o pagamento de rendimentos do trabalho assalariado. Tal confissão só pode ser desqualificada mediante prova idônea e suficiente que demonstre claramente o erro de preenchimento desta declaração. Inexistente qualquer comprovação além de registros informais internos da própria empresa, resta incólume o valor declarado em DIRF, devendo ser recolhida a diferença entre o valor já arrecadado em DARF e o valor declarado em DIRF’s, conforme tabela abaixo, extraída do acórdão recorrido: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 8 2 Da Responsabilidade pelo Recolhimento do IRRF sobre as Verbas Pagas sob o Código 8045 Durante o procedimento de fiscalização, o Fisco apurou diferença entre o comprovado pelo recorrente como pagamento a título de corretagem e administração de cartão de crédito e o valor alocado em DIRF sob o código 8045. Dessa constatação, concluiuse que haveria diferença entre o IRRF declarado em DIRF, e o IRRF efetivamente pago, motivo pelo qual foi lançado imposto suplementar correspondente a essa diferença. O recorrente, por sua vez, reconheceu que houve erro no preenchimento da DIRF, evidenciado pelo fato de o valor lá declarado ser exatamente o dobro dos rendimentos comprovadamente pagos constatados pela Fiscalização. Além disso, disse que é indiferente o fato de ter sido declarado de modo errado o tributo na DIRF, pois a responsabilidade pela retenção e recolhimento dessa espécie de rendimentos é da administradora de cartões de crédito, e não da fonte pagadora propriamente dita. No julgamento da DRJ instaurouse divergência. O voto vencedor do acórdão recorrido mantém o crédito tributário utilizandose, contudo, de novo argumento, qual seja: a existência de pagamento a título de propaganda e publicidade — constatado por consulta à DIPJ/08 do recorrente, na qual, à ficha “05A Despesas Operacionais” (fl. 582 do eprocesso), constava declaração de despesas de “Propaganda e Publicidade” no total de R$ 21.531.588,63 no anocalendário — que não fora informado em DIRF naquele ano. O voto vencido, em contraponto, provia a impugnação neste ponto devido à falta de sujeição passiva e devido à inovação nos fundamentos do lançamento pelo voto vencedor. Ocorre que essa constatação do voto vencedor, além de apresentar fundamento novo, que não pode modificar a motivação do lançamento, é irrelevante ao desfecho do caso, pois também as agências de publicidade se sujeitam a esse regime diferenciado de retenção na fonte. O fato é que, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida comprovam a existência de dois pagamentos cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento não é da recorrente, relevando problema de sujeição passiva tributária. Este tratamento é evidenciado pela leitura do disposto na IN SRF nº 123/92, que versa: Art. 3º O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, até o décimo quinto dia da quinzena subsequente à da ocorrência do fato gerador. §1º A agência de propaganda efetuará o recolhimento do imposto utilizando um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, preenchido em duas vias, englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração. [...] Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15540.720211/201193 Acórdão n.º 2202002.225 S2C2T2 Fl. 665 9 Art. 4º A agência de propaganda deverá fornecer ao anunciante, até o dia 15 de fevereiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. Parágrafo único As informações prestadas pela agência de propaganda deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF Anual do anunciante. Ou seja, conquanto haja a obrigação do anunciante — no caso a recorrente — de declarar tal valor em DIRF, a responsabilidade pela retenção e recolhimento é da agência de propaganda, motivo pelo qual não pode ser lançado o crédito tributário contra aquele que pagou o rendimento. O máximo que poderia ter sido feito em relação ao erro na declaração seria a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, nunca a cobrança de tributo. Peço licença para reproduzir os fundamentos do voto vencido, cujos argumentos são acolhidos, pois abordam e dirimem de maneira didática a controvérsia existente no caso: Contudo, no que tange à infração referente à falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte, código 8045 (IRRF – Outros Rendimentos), em que pese o excelente voto proferido pela nobre relatora, data venia, dele devo discordar, tendo em vista os seguintes fundamentos. De acordo com o relatado a respeito dessa infração no Termo de Constatação Fiscal, verificase que a fiscalização confrontou o detalhamento mensal do código de retenção 8045, da DIRF, do anocalendário de 2007, constante do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com a documentação do imposto de renda retido na fonte do código 8045 apresentada pelo interessado (informe de rendimentos), tendo constatado que o interessado não teria comprovado todo o IRRF – código 8045 informado na DIRF. Ainda segundo a fiscalização, a documentação apresentada pelo interessado não comprovou que as diferenças informadas na DIRF seriam indevidas. Concluiu a fiscalização, após confrontar os rendimentos tributáveis, a título de comissões e corretagens, informados na DIRF (R$ 20.283.872,26), constante banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o rendimento bruto comprovado pelo interessado como pago ao beneficiário das comissões Leader S/A ADM Cartões de Crédito (R$ 10.141.936,13), que o interessado não comprovou parte dos rendimentos pagos e, conseqüentemente, não comprovou o recolhimento do IRRF (código 8045). Sendo assim, lançou de ofício a diferença de IRRF que não teria recolhida pelo interessado. De início, cabe trazer a legislação que rege o recolhimento de IRRF do código 8045 – Outros Rendimentos (Comissões de Corretagens Pagas à Pessoa Jurídica), já que a sua sistemática Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 10 de recolhimento difere da dos demais IRRFs. Isto porque, enquanto que nos IRRFs de código 0561, 0588, 1708, etc. compete à fonte pagadora a retenção e o recolhimento do IRRF sobre os rendimentos pagos, estando, ainda, obrigada a declarar o débito em DCTF e informar os rendimentos e o IRRF em DIRF, no caso específico do IRRF de código 8045, somente compete à fonte pagadora informar o rendimento e o IRRF em DIRF. As demais obrigações, como o recolhimento do IRRF e a declaração do débito em DCTF, são ônus daqueles que recebem os rendimentos, e não da fonte pagadora, senão vejamos. “Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º): “I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; 1.6 RESPONSABILIDADE/ RECOLHIMENTO O recolhimento do imposto deverá ser efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a: a) colocação ou negociação de títulos de renda fixa; b) operações realizadas em Bolsas de Valores e em Bolsas de Mercadorias; c) distribuição de emissão de valores mobiliários, quando a pessoa jurídica atuar como agente da companhia emissora; d) operações de câmbio; e) vendas de passagens, excursões ou viagens; f) administração de cartões de crédito; g) prestação de serviços de distribuição de refeições pelo sistema de refeiçõesconvênio; h) prestação de serviço de administração de convênios. O recolhimento do imposto cabe à fonte pagadora, no caso de pagamento de comissões e corretagens a outro título. Os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte devem ser informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) da pessoa jurídica que tenha pago a outras pessoas jurídicas comissões e corretagens nas hipóteses mencionadas nas letras de "a" a "h". As pessoas jurídicas que tenham recebido importâncias a título de comissões devem fornecer às pessoas jurídicas que as tenham pago, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor das importâncias e do respectivo imposto de renda recolhido, relativos ao anocalendário anterior – IN SRF nº 153, de 1987; IN SRF nº 177, de 1987; IN SRF nº 107, de 1991; IN RFB nº 888, de 2008, arts. nº 15 e 16; ADE Corat nº 9, de 2002 (Mafon/2009, pág. 59).” (grifei) Pelo exposto, verificase que o recolhimento do IRRF deverá ser efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a administração de cartões de crédito, in casu, a empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito. Ainda, as pessoas jurídicas que tenham recebido importâncias a título de comissões relativas a administração de cartões de crédito (empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito) devem fornecer às pessoas jurídicas que as tenham Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15540.720211/201193 Acórdão n.º 2202002.225 S2C2T2 Fl. 666 11 pago (fonte pagadora interessada), até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor das importâncias e do respectivo imposto de renda recolhido. Os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte devem ser informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) da pessoa jurídica que tenha pago (interessada) a outras pessoas jurídicas comissões e corretagens. Portanto, no caso em concreto, a empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito é a responsável legal pelo recolhimento do IRRF (código 8045) incidente sobre comissões e corretagens recebidas a titulo de administração de cartões de crédito pagas pelo interessado. Deve, ainda, fornecer ao interessado, até 31 de janeiro, documento comprobatório com indicação das importâncias recebidas e do respectivo imposto de renda recolhido, cabendo ao interessado informar na DIRF o montante dos rendimentos e os recolhimentos do IRRF. A fiscalização, após confrontar dados dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com informes de rendimentos apresentados pelo interessado,entendeu que o interessado não teria comprovado todo o IRRF – código 8045 informado na DIRF. Ainda, que o interessado não comprovou parte dos rendimentos pagos ao beneficiário das comissões (Leader S/A ADM Cartões de Crédito) e, conseqüentemente, não comprovou o recolhimento do IRRF (código 8045). Data venia, não é o interessado quem tem o ônus de comprovar o recolhimento do IRRF (código 8045), já que, como abordado acima, é a empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito, e não o interessado, a pessoa jurídica legalmente responsável por recolher o IRRF. Ou seja, se a legislação não incumbiu o interessado de recolher o IRRF, não se pode exigir deste a sua comprovação. Impende ressaltar que, se alguma diferença de IRRF, a título de comissões relativas à administração de cartões de crédito (código 8045), não tiver sido recolhida, tal exigência deverá recair, não sobre o interessado, mas sim, sobre a empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito, responsável legal pelo recolhimento deste IRRF. A fiscalização alega, ainda, que o interessado não teria comprovado parte dos rendimentos que teriam sido pagos a titulo de comissões à empresa (Leader S/A ADM Cartões de Crédito) informados na DIRF. Cabe registrar que os rendimentos pagos, em contrapartida a serviços prestados na administração de cartões de crédito pela empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito, são despesas do interessado. Ora, se parte dos rendimentos informados na DIRF como tendo sido pagos, como afirma a fiscalização, não foram provados, é porque despesas não teriam sido comprovadas, o que ensejaria, a meu juízo, a glosa das mesmas, caso a fiscalização, evidentemente, comprovasse, após verificação nos Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO 12 Livros Contábeis, que tais importâncias informadas na DIRF como pagas estivessem afetando (reduzindo) o resultado do interessado. Não consta nos autos que os Livros Contábeis do interessado tenham sido analisados. Impende ressaltar que a lei veda que a autoridade julgadora inove na fundamentação legal do lançamento. A nobre relatora, para fundamentar seu entendimento no sentido manter esta parte da autuação, alega que, em pesquisas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal, constatou que a interessada pagou, a título de propaganda e publicidade, o montante de R$ 21.531.688,63; que este montante deveria ter sido informado na DIRF/2008, código 8045; que este montante supera o valor declarado a título de rendimentos pagos sob o código 8045, no valor de R$ 20.283.872,26. Ora, em que pese concordar com a nobre relatora que o montante de R$ 21.531.688,63, pago a título de propaganda e publicidade, deveria ser informado na DIRF/2008, sob o código 8045, conforme ADE Corat nº 09/2002, não se pode esquecer que, do mesmo modo como ocorre nas comissões e corretagens relativas de administração de cartões de crédito, a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF a título de propaganda e publicidade é, também, da pessoa jurídica recebedora dos rendimentos, e não da fonte pagadora (interessada). Ou seja, se alguma diferença de IRRF, a título de propaganda e publicidade (código 8045), não tiver sido recolhida, tal exigência deverá recair, não sobre o interessado, mas sim, sobre a empresa prestadora do serviço de propaganda e publicidade. Entendo que, contra o interessado, poderia caber, em tese, multa regulamentar por informações incorretas prestadas na DIRF. Outro argumento de que se vale a eminente relatora é que, já que a interessada não conseguiu comprovar todos os rendimentos informados na DIRF/2008, poderia tratarse de rendimentos, cuja responsabilidade para o recolhimento do IRRF seria da própria fonte pagadora (comissões e corretagens a outro título). Não creio que esta seja a melhor interpretação. Ainda que o interessado não tenha conseguido comprovar todas as importâncias pagas informadas na DIRF/2008, o que, em tese, como abordado acima, ensejaria a glosa de despesas, daí não cabe, s.m.j, presumir que tenha pago comissões e corretagens a outro título, que seria exceção à regra prevista para o código 8045 (o recolhimento caberia à fonte pagadora). Isto porque: 1º) nem a própria fiscalização levantou tal questão, fato este que demandaria o aprofundamento das investigações, inclusive, com análise da contabilidade; 2º) não vejo base legal para tal presunção. As hipóteses de presunção estão tipificadas em lei e são taxativas; 3º) os próprios elementos trazidos pela nobre relatora enfraquecem tal presunção, já que constatou a existência de importâncias pagas, não de comissões e corretagens a outro título, mas a título de propaganda e publicidade (a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF é também da pessoa jurídica recebedora). Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15540.720211/201193 Acórdão n.º 2202002.225 S2C2T2 Fl. 667 13 Em suma: se alguma diferença de IRRF, a título de comissões relativas à administração de cartões de crédito (código 8045), não tiver sido recolhida, tal exigência deverá recair, não sobre o interessado, mas sim, sobre a empresa Leader S/A ADM Cartões de Crédito, responsável legal pelo recolhimento deste IRRF. Não se pode imputar tal responsabilidade à interessada, já que não há previsão legal. Com base no acima exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as diferenças referentes ao código 8045, e manter a cobrança sobre o principal de R$ 20.764,33 referentes ao código 0561. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10860.720965/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL:
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991).
DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores relativos ao auxílio-transporte pago em dinheiro, para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e para adequação ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91 da multa por omissão de fatos geradores em GFIP, caso mais benéfica. Vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que também excluía a parte relativa à participação nos lucros ou resultados.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CESSÃO DE MÃODEOBRA: RETENÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP SEM FATOS GERADORES. Recorrente GRAUNA AEROSPACE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 09 65 /2 01 1- 15 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores relativos ao auxíliotransporte pago em dinheiro, para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e para adequação ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91 da multa por omissão de fatos geradores em GFIP, caso mais benéfica. Vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que também excluía a parte relativa à participação nos lucros ou resultados. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela dos segurados não descontada e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como os valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mãode obra, para as competências 01/2007 a 12/2008. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que trabalharam na empresa, bem como os valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços. Esse Relatório Fiscal informa que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.282.2363, relativo a contribuições patronais e do contratante de serviços, sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais e relativas à retenção sobre a remuneração de serviços prestados com cessão de mãodeobra; 2. DEBCAD 37.282.2371, relativo a contribuições arrecadadas de segurados empregados e contribuintes individuais, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da fonte pagadora (empregador e contratante dos serviços); 3. DEBCAD 37.282.2380, relativo a contribuições para outras Entidades (salárioeducação/FNDE, SEBRAE, INCRA, SENAI E SESI); 4. DEBCAD 37.282.2398, por descumprimento de obrigação tributária acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias). Esses créditos tributários lançados foram codificados em levantamentos fiscais, assim denominados: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. “PR PLR DESACORDO LEGISLAÇÃO” e “PR1 PLR DESACORDO LEGISLAÇÃO” à indicados no Anexo I (fls. 230/271), tratase de pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados, considerados remuneração indireta pela fiscalização, na medida em que os pagamentos deramse em desacordo com a Lei 10.101/2000 (conversão da Medida Provisória 794/94). Consta do Relatório Fiscal: “(...) é necessário ainda que este acordo preveja regras claras e objetivas, índices de produtividade, qualidade e lucratividade, e programa de metas e resultados (...)”. Os valores considerados constaram das folhas de pagamentos, mas não foram declarados em GFIP; 2. “TD PG VALE TRANSPORTE EM ESPÉCIE”, “TD1 PG VALE TRANSPORTE EM ESPÉCIE” e “TD2 PG VALE TRANSPORTE EM ESPÉCIE” à indicados no Anexo II (fls. 272/307), tratase de valores despendidos a título de “reembolso de transporte”, considerados “remuneração indireta”, porque pagos em dinheiro; 3. “PL PGTO REMUN ADMIN E CONSELHEIRO” e “PL1 PGTO REMUN ADMIN E CONSELHEIRO” à indicados no Anexo III (fls. 308/309), tratase de valores pagos a administradores e conselheiros, apurados a partir da comparação de informações constantes de DIRF e GFIP, cujas remunerações não foram submetidas à tributação das contribuições previdenciárias; 4. “SG RETENÇÃO CMO NINOS” e “SI BC RETENÇÃO CMO WELLINTON”, serviços de garçom; “M1 BC RETENÇÃO CMO PRESTCLIN DEZ” e “MT BC RETENÇÃO CMO PRESTICLIN”, serviços de médico do trabalho; “G1 BC RETENÇÃO CMO NINOS S DEZ 08” e “Il BC RETENÇÃO CMO WELLINTON DEZ”, serviços de informática, prestados com cessão de mãodeobra. Consta do Relatório Fiscal os seguintes delineamentos: (i) os serviços de garçom teriam sido contratados de forma “verbal”, havendo contrato escrito apenas em relação ao fornecimento de refeições, o que era faturado em documentos fiscais próprios; (ii) os serviços médicos eram realizados nas dependências do Contribuinte, em dias e horários préestabelecidos; (iii) os serviços de informática também eram prestados nas dependências do Contribuinte, devendo ser realizados por Wellinton Pereira Gouveia, constando que: “(...) deverão ser executados conforme instruções da empresa CONTRATANTE, a qual fornecerá o material necessário para o desenvolvimento dos mesmos, indicando o espoco específico que deverá ser seguido (...)”. Com o advento da MP 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009), foram alteradas a sistemática de cálculo das multas incidentes sobre contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, assim como as multas relativas ao inadimplemento de obrigações tributárias acessórias relativas à GFIP, em razão do que foram comparadas as sistemáticas de cálculo da multa, optandose, em cada competência, pela menos onerosa ao Contribuinte, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN), observandose a regra prevista no Parecer PGFN/CAT 433. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 4 5 A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 20/05/2011 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. Participação nos lucros e resultados (PLR). A empresa afirma que: “[...] Nesse sentido é que incorre em equívoco a autuação da fiscalização, visto que o PLR independe de lei para sua aplicação. O próprio texto constitucional foi claro ao afirmar que somente a participação na gestão da empresa depende de lei que defina quais os critérios que devem ser observados para que haja tal participação na gestão [...]”. Na sequência: “[...] O fiscal, simplesmente aduziu que o acordo praticado pelo Impugnante estaria contrario ao que prevê a lei 10.101/00, sem contudo mencionar qual seria tal contrariedade. Simplesmente aduziu que os acordos não atendia aos requisitos sem se aprofundar qual elemento que estaria ausente nos mesmos que ensejou a sua contrariedade legal [...]”; 2. Pagamentos a título de vale transporte. Afirma que: “[...] Porém, na legislação não há fixação de qualquer penalidade ou efeito específico do pagamento deste em pecúnia. Assim, não havendo proibição legal e ninguém sendo obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei, não cabe a administração publica aplicar o que a lei não prevê. O pagamento em dinheiro estaria, aliás, autorizado pela Constituição Federal (CF), artigo 7º, inciso XXVI, artigo 7º da Lei 7.418/1985 e pelo artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sendo, inclusive, corroborado pela jurisprudência, acrescentandose, ainda que neste caso haveria a previsão em acordo coletivo [...]”; 3. Serviços com cessão de mãodeobra e retenção. Quanto à obrigação de realizar a retenção e o recolhimento, no caso de faturas relativas à remuneração de serviços prestados com cessão de mãode obra, transcreve as hipóteses excepcionais do artigo 120 da Instrução Normativa RFB 971/2009. Afirma que, quanto aos serviços prestados pela Presticlin, estaria enquadrado na hipótese dos casos em que os serviços envolveriam “profissão regulamentada”, a profissão médica, no caso: “[...] No próprio relatório fiscal está convencionado que o serviço seria prestado por um médico do trabalho, ou seja, um profissional cuja profissão é regulamentada por um órgão de classe. É importante salientar que o inc. III do art 120 é composto por duas partes distintas, quais sejam, contratação DE profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal OU serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 118, desde que prestados pessoalmente pelos sócios [...]”. Mesmo quanto aos serviços de informática: “[...] Da mesma forma a Impugnante também estaria dispensada da retenção no tocante aos serviços prestados pela terceirizada PATRÍCIA FABIANA DOS SANTOS ME, pois a situação se enquadra no inc. II do art. 120 da IN RFB 971/09. No caso daquela prestadora, conforme se infere de seu cadastro junto Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 a JUCESP tratase de firma individual, não sendo portanto uma sociedade sim uma pessoa física que possui um CNPJ. (...) Sendo assim, em relação a tais serviços, a Impugnante rechaça a obrigação da retenção, visto que a IN 971/09 (que por sua vez revogou INs anteriores que tinham o mesmo conteúdo), no art 120 incs. II e III a dispensavam de proceder em relação aos prestadores PRESTICLIN SERVIÇOS MÉDICOS LTDA e PATRÍCIA FABIANA DOS SANTOS, devendo portanto ser revisto o auto em relação a tais verbas [...]”; 4. Divergências DIRF x GFIP. A Impugnação inicia suas ressalvas questionando o próprio conteúdo da DIRF: “[...] reconheceu a ocorrência de um erro em seu sistema operacional, o que não significa que a tributação devida no caso foi omitido e por conseqüência inadimplida. Ora, a fiscalização se ateve somente as informações da DIRF como sendo as corretas. PORÉM, O QUE GARANTE QUE O ERRO NÃO FOI EM RELAÇÃO À DIRF, CUJOS VALORES ALI REFERENDADOS ESTÃO INCORRETOS? (...) Se a folha de pagamentos confere com a GFIP, por óbvio o equívoco está em relação àquilo que foi informado na DIRF e não o contrário como entendeu a fiscalização [...]”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0535.163 da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 453/472) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 475/523), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Taubaté/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: Insurgese sobre a retenção das contribuições sociais previdenciárias, referente à obrigação da Recorrente de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. A Recorrente afirma que os serviços que lhe foram prestados não estão sujeitos à retenção da contribuição previdenciária de 11%, já que o Fisco se apoiou em presunções. Assim, os serviços prestados por Presticlin Serviço Medico Ltda (serviços de medicina do trabalho) e pela firma individual Patrícia Fabiana dos Santos ME enquadrarse iam em hipóteses legais que excluiriam a obrigação de realizar a retenção e recolhimento (serviços prestados pessoalmente pelo titular e relativos a profissões regulamentadas por legislação federal). Com relação à prestação de serviços médicos, percebese que ela se enquadra dentre os serviços profissionais regulamentados pela legislação federal. Contudo, este é apenas um dos requisitos legais que deve ser atendido, para efeito de dispensa da retenção. Logo, há outros requisitos previstos no inciso III do artigo 120 da Instrução Normativa RFB 971/2009, a saber: os serviços devem ser prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou de outros contribuintes individuais. Instrução Normativa RFB 971/2009: Art. 120. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, e a contratada, de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: I o valor correspondente a 11% (onze por cento) dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pela RFB para recolhimento em documento de arrecadação; II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a 2 (duas) vezes o limite máximo do saláriodecontribuição, cumulativamente; III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 118, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou de outros contribuintes individuais. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 1º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso II do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que não possui empregados e o seu faturamento no mês anterior foi igual ou inferior a 2 (duas) vezes o limite máximo do saláriode contribuição. § 2º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso III do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que o serviço foi prestado por sócio da empresa, no exercício de profissão regulamentada, ou, se for o caso, por profissional da área de treinamento e ensino, e sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais, ou consignará o fato na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Ocorre, no entanto, que a Recorrente apenas alega que os serviços enquadrar seiam dentre aqueles relativos à profissão regulamentada, mas não demonstra que tenham sido realizados pelo sócio da prestadora, tampouco que não tenham sido realizados por empregado ou contribuinte individual. Também não há nos autos qualquer declaração da contratada afirmando que o serviço foi prestado pelo seu sócio e sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais, nem tal fato está consignado na nota fiscal ou no recibo de pagamento. Com relação aos serviços prestados pela firma individual Patrícia Fabiana dos Santos ME, está expresso no contrato de prestação de serviços (fls. 360/363) que a firma individual irá prestar a Recorrente serviços de informática, sendo que estes serão realizados por Wellinton Pereira Goveia, que não é sócio ou titular da empresa. Verificase que as pessoas físicas que prestaram serviços à Recorrente possuem vínculo com as contratadas, e não com a contratante (Recorrente). Ficou evidenciado nos autos que as contratadas colocavam os trabalhadores à disposição da contratante e os serviços eram prestados de forma contínua. Isso está consubstanciado no item 6, com seus subitens, do Relatório Fiscal. Nesse mesmo sentido, o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991 define o que seja cessão de mãodeobra para os fins da legislação previdenciária, exigindo serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, que o foi o caso do presente processo. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Portanto, restou configurada a prestação de serviços com cessão de mãode obra e a obrigação da empresa autuada de reter e recolher o valor retido em nome das empresas cedentes de mãodeobra, em observância ao ditame legal. Por sua vez, a Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/1998, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei no 9.711, de 211/11/98) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.( Redação dada peta Lei n° 9.711, de20/11/98) Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a tomadora (Recorrente) está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E o Fisco, ao constatar a prestação de serviço com cessão de mãodeobra e a falta da retenção, lavrou corretamente os valores lançados da retenção no presente auto de infração, em observância ao disposto no § 5º do art. 33 da Lei 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.(g.n.) Com isso, se a obrigação legal é descumprida somente o tomador de serviço (Recorrente) será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de recolhimento, prevista no art. 33, § 5º, da Lei 8.212/1991, ao qual remete o próprio art. 31 da mesma Lei. Dessa forma, não há razão nos argumentos da Recorrente retromencionados. Quanto aos valores lançados em decorrência da remuneração proveniente da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o procedimento de auditoria fiscal demonstrou que tal verba foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. No presente processo, a remuneração, cognominada de participação nos lucros e resultados, paga aos segurados fora realizada em desacordo com o mencionado diploma legal e, com isso, deverá integrar o salário de contribuição dos valores lançados. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 7 11 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) ......................................................................................................... Art. 3º. (...) § 2o. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Verificase que a verba cognominada de Participação nos Lucros ou Resultados foi paga pela empresa em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do Relatório Fiscal, este acompanhado dos Acordos Coletivos de Trabalho firmados nos anos de 2007 (fls. 325/327 e fls. 331/334) e 2008 (fls. 328/330 e fls. 335/338), bem como nos elementos acostados pela Recorrente nas peças de defesa, visto que tais Acordos Coletivos de Trabalho: 1. não estipulam critérios a serem cumpridos pelos trabalhadores; 2. não estipulam metas a serem atingidas, não constam formas de apuração dos resultados referentes às supostas metas inicialmente fixadas. Também não estabelecem quaisquer índices pretendidos pela empresa, tais como: produtividade, qualidade ou lucratividade. Determinam apenas o valor a ser pago e datas de pagamento. No ano de 2008, estabelecem que haveria “interesse” de pagar um “adicional”, “(...) caso o resultado (Lucro líquido do período) seja positivo no ano fiscal de 2008 (...)”. Embora devidamente intimada para apresentação de documentos, a Recorrente não apresentou os resultados do cumprimento de metas, índices e parâmetros, restando comprovado o pagamento de PLR em desacordo com a Legislação. Isso está consubstanciado nos Acordos Coletivos de Trabalho que registram: “ Estabelecimento de Caçapava (2007) O objeto do acordo: O Presente acordo objetiva implantar o sistema de participação nos resultados da EMPRESA abrangendo todos os seus empregados registrados no estabelecimento supra mencionado, atendendo as disposições na lei n° 10.101/00. CLÁUSULA SEXTA. Como pagamento da PLR do ano 2007 fica estipulado o valor máximo de R$1.150,00 (Hum mil cento e cinqüenta reais), que será pago em uma parcela no dia 13/07/2007). Quanto ao estabelecimento de metas: Convencionam as partes, que para o próximo período, e períodos futuros, sejam novamente estabelecidas metas para o atingimento dos Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 resultados nas atividades e reduções de custos operacionais a serem estabelecidas em comum acordo e conhecimento da comissão e dos funcionários. ......................................................................................................... Estabelecimento de Caçapava (2008) CLÁUSULA SEXTA. Como pagamento da PLR do ano 2008 fica estipulado o valor máximo de R$800,00 (Oitocentos reais) conforme clausula 5º. que serão pagos da seguinte maneira: A) Em uma parcela de R$500,00 a título de antecipação no dia 15/08/2008 aos empregados que foram admitidos até 30 de junho de 2008, B) Em uma parcela no dia 16/02/2009 aos empregados que foram admitidos de 01 de julho de 2008 a 31 dezembro de 2008. Em uma parcela aos empregados demitidos, que terão o prazo de 01/09/2008 a 15/10/2008 para retirar o pagamento que será feito através de cheque nominal em nossas dependências. CLÁUSULA SÉTIMA. Fica préacordado o interesse da Graúna em discutir sobre o pagamento de um valor adicional de R$300,00 (Trezentos Reais), caso o resultado (Lucro líquido do período) seja positivo no ano fiscal de 2008, no prazo de 15 dias após apresentação do balanço financeiro nos jornais. ......................................................................................................... Estabelecimento de Botucatu (2007) O objeto: As partes celebram o presente acordo, com fulcro nas disposições do artigo 7°. Inciso XI, da Constituição Federal e Lei n° 10.101 de 19 de Dezembro de 2000. 6 – Valor e forma de pagamento Fica garantido como pagamento mínimo do Programa de Participação nos Resultados da Empresa, valor de R$1.150,00 (Hum mil cento e cinqüenta reais). O valor justado será pago em 2 parcelas, sendo 50% em 31 de Outubro de 2007 e 50% em janeiro de 2008. ......................................................................................................... Estabelecimento de Botucatu (2008) 6 – Valor e forma de pagamento Fica garantido como pagamento do Programa de Participação nos Resultados da Empresa, o valor de R$500,00 (Quinhentos reais). O valor ajustado será pago em 1 parcela em 31 de Outubro de 2008. Fica préacordado o interesse da Graúna era pagar um valor adicional de R$300,00 (Trezentos Reais) para a PLR deste ano Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 8 13 (2008), caso o resultado (Lucro líquido do período) seja positivo no ano fiscal de 2008, no prazo de 15 dias após apresentação do balanço financeiro nos jornais.” É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivo de Trabalho referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. Acrescentase ainda que, em relação ao período aquisitivo do direito do pagamento, é necessário haver uma prévia negociação da PLR entre empregados e empregador, eis que somente assim os trabalhadores poderão se engajar no objetivo de atingir os índices negociados e objetivamente fixados. No presente caso, constatase que os acordos relativos ao estabelecimento de Caçapava foram firmados depois de transcorridos mais de metade do respectivo período (somente em agosto); e os relativos ao estabelecimento de Botucatu, quando já tinha transcorrido quase todo o período (respectivamente nos meses de novembro e outubro). Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, eis que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 A Constituição Federal expressamente consignou que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional (CTN), complementando a matéria, estabelece que: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. ........................................................................................................ Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) no 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 9 15 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) ......................................................................................................... “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) ......................................................................................................... Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas nos levantamentos “TD”, “TD1” e “TD2” – incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro – deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal. Com relação à divergências entre os valores constantes da GFIP e DIRF, a Recorrente alega que deve prevalecer as informações constantes da DIRF. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco constatou que pagamentos informados em DIRF não foram incluídos em GFIP. A alegação da Recorrente, desacompanhada de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constitui, por si só, elementos de prova. Além disso – visando comprovar a fidedignidade das suas operações comerciais e das suas fontes de pagamentos aos segurados, expostas nas suas teses de defesas (peça de impugnação e recurso voluntário) –, caberia a ela apresentar documentos, contemporâneos aos pagamentos realizados aos segurados, que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal e nos documentos acostados aos autos –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 10 17 Código de Processo Civil (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Dessa forma, caberia à Recorrente demonstrar por meio de documentos idôneos que a DIRF estava incorreta, e, posteriormente, apresentar a DIRF retificadora, excluindo os pagamentos “indevidamente” declarados ao Fisco. Até o momento, a Recorrente não demonstrou os fatos susomencionados, assim, não acato a sua alegação de que os valores informados na DIRF estão incorretos. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 11 19 É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 12 21 aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 01/2007 a 12/2008 (valores remanescentes após exclusão das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da verba paga a título de valetransporte em dinheiro). Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados nos lançamentos fiscais: (i) DEBCAD 37.282.2363, relativo a contribuições patronais e do contratante de serviços, sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais; e (ii) DEBCAD 37.282.2371, relativo a contribuições arrecadadas de segurados empregados e contribuintes individuais. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 13 23 Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 2402003.391 S2C4T2 Fl. 14 25 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei no 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em sua totalidade, os valores apurados nos levantamentos “TD”, “TD1” e “TD2” (vale transporte pago em dinheiro); (ii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996; e (iii) seja efetuado o cálculo da multa da obrigação acessória de acordo com o art. 32A da Lei 8.212/1991 (redação dada pela Lei 11.941/2009) e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10665.902190/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Numero da decisão: 1801-001.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 21 90 /2 01 0- 11 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 1 a 5), transmitido em 15/01/2007, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de PIS de dezembro de 2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de dezembro de 2005 (recolhimento em janeiro/2006), no valor original de R$ 1000,00 (DARF de R$10.821,87), baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico n 880516282 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ/CSLL devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. Na manifestação de inconformidade apresentada a interessada alega ter recolhido valor maior do que o apurado e declarado como debito de estimativa para o período. Apreciando o litígio a DRJ indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado e que o art. 30 do mesmo diploma estabelece que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Cientificada, em 27/09/2011, do acórdão da DRJ, a interessada apresentou, em 21/10/2011, o recurso voluntário de fls., apontando que a vedação contida no artigo 10 da IN SRF n º 600/2005 teria deixado de existir com a edição da IN SRF n º 900, de 2008. Alega que a compensação teria sido realizada sobre um pagamento indevido ou a maior que não causaria prejuízo ao Fisco. Além disso, haveria dificuldades para apresentação de declaração retificadora para composição de saldo negativo de IRPJ e de CSLL para posterior compensação. Acrescenta que haveria previsão de retroatividade de lei mais benigna. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902190/201011 Acórdão n.º 1801001.085 S1TE01 Fl. 332 3 Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 180100.486, de relatoria da Ilustre Conselheira Maria de Lourdes Ramirez: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902190/201011 Acórdão n.º 1801001.085 S1TE01 Fl. 333 5 III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 6 Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902190/201011 Acórdão n.º 1801001.085 S1TE01 Fl. 334 7 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 8 A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902190/201011 Acórdão n.º 1801001.085 S1TE01 Fl. 335 9 § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 10 Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902190/201011 Acórdão n.º 1801001.085 S1TE01 Fl. 336 11 ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de IRPJ ou CSLL do anocalendário 2005. E existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro no cálculo e pagamento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ/CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 12 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 11065.101139/2008-05
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/06/1991
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO PARA FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL DECLARADA PELO SUPREMO;
A questão controvertida, o ponto nodal deste recurso, como pontuado pelo contribuinte diz respeito à fixação do termo inicial, isto é, o prazo para o pedido de restituição de tributo, quando este for declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal.
Consoante posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, exarado no RESP 1.105.578/SP, Recurso Especial Representativo de controvérsia conforme art. 543-C, DO CPC, o prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, sendo despicienda, para fins de contagem do prazo, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou Resolução do Senado, no caso de controle difuso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vista do redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencidos os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
(Assinado digitalmente)
Oseas Coimbra Júnior Redator para acórdão
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1989 a 30/06/1991 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO PARA FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL DECLARADA PELO SUPREMO; A questão controvertida, o ponto nodal deste recurso, como pontuado pelo contribuinte diz respeito à fixação do termo inicial, isto é, o prazo para o pedido de restituição de tributo, quando este for declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal. Consoante posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, exarado no RESP 1.105.578/SP, Recurso Especial Representativo de controvérsia conforme art. 543-C, DO CPC, o prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, sendo despicienda, para fins de contagem do prazo, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou Resolução do Senado, no caso de controle difuso. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vista do redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencidos os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior Redator para acórdão Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira.
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CUSTEIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO PARA FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL DECLARADA PELO SUPREMO; 1. A questão controvertida, o ponto nodal deste recurso, como pontuado pelo contribuinte diz respeito à fixação do termo inicial, isto é, o prazo para o pedido de restituição de tributo, quando este for declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal. 2. Consoante posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, exarado no RESP 1.105.578/SP, Recurso Especial Representativo de controvérsia conforme art. 543C, DO CPC, o prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, sendo despicienda, para fins de contagem do prazo, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou Resolução do Senado, no caso de controle difuso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vista do redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencidos os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 11 39 /2 00 8- 05 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior – Redator para acórdão Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Pedido de Restituição formulado pelo contribuinte acima identificado, com protocolo datado de 11 de setembro de 2008, sob a alegação de ter a empresa efetuado pagamento indevido. De acordo com o contribuinte, o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 7.689/89. A restituição versa sobre pagamentos indevidos referentes às competências de 01/01/1989 a 30/06/1991. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. O pedido formulado pelo contribuinte foi julgado em 25 de maio de 2010 e foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social Previdenciária (CSP) Período: 01/01/1989 a 30/06/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIA. O prazo para se pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO EM DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não surge direito creditório em face de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, quando o pedido de restituição trata de tributo diverso, não abarcado na matéria constitucional objeto da decisão. Indeferimento. Em 07 de julho de 2010, o contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade. Em 29 de junho de 2011, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente (7ª Turma da DRJ/POA). Inconformado com a decisão da 7ª Turma da DRJ/POA, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A partir da decisão oriunda da Ação Direta de Inconstitucionalidade, declarando a Suprema Corte a inconstitucionalidade dos artigos 8º e 9º da Lei nº 7.689/89, referidos dispositivos foram retirados do mundo jurídico, nascendo a partir daquele momento ao Contribuinte o direito à restituição dos pagamentos indevidos das contribuições incidentes Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 5 4 sobre a folha de salários, no período compreendido entre janeiro de 1989 a julho de 1991, conforme provam as cópias das guias ora juntadas. O ponto nodal da discussão está em fixar o termo inicial, isto é, o prazo para o pedido de restituição de tributo, quando este for declarado inconstitucional pelo STF, seja em controle concentrado de constitucionalidade ou difuso. O voto lançado na decisão da Delegacia de Julgamento recorrida a fls. 188, se ampara nos artigos 165, I, e 168, I, do CTN, no sentido de invocar sua extinção pelo decurso do prazo de cinco anos. O início do prazo para restituição de tributo declarado inconstitucional pelo STF inicia a partir da publicação do acórdão que declarou sua inconstitucionalidade. No presente caso, como a publicação do acórdão referente à Adin nº 15 se concretizou em 31 de agosto de 2007 e o pedido de restituição foi protocolado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo em 11 de setembro de 2008, não há que se falar em extinção da pretensão da Requerente quanto ao pedido objeto da restituição. Não obstante a decisão irrecorrível oriunda da Suprema Corte, encontramse precedentes oriundos do Conselho de Contribuintes, devendo ser destacada a decisão prolatada no julgamento do Recurso nº 143.145, onde registra com todas as letras que o prazo para repetir tributo declarado inconstitucional passará a fluir após o trânsito em julgado da decisão havida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, Provado está que os recolhimentos das contribuições previdenciárias entre janeiro de 1989 a junho de 1991, isto é, por exatos dois anos e meio, ocorreram totalmente sem amparo legal, como ficou demonstrado nos pontos anteriormente desenvolvidos, uma vez que a lei geral da previdência social somente passou a viger em julho de 1991. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, para determinar a restituição/compensação dos recolhimentos das contribuições sociais destinadas à previdência social, provados através das fotocópias das respectivas guias de recolhimentos em anexo, compreendendo o período de janeiro de 1989 a junho de 1991, do estabelecimento matriz e filial. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Cuida estes autos de Pedido de Restituição formulado pelo contribuinte ora recorrente, com protocolo datado de 11 de setembro de 2008, sob a alegação de ter a empresa efetuado pagamento indevido. De acordo com o contribuinte, o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 7.689/89. A restituição versa sobre pagamentos indevidos referentes às competências de 01/01/1989 a 30/06/1991. A questão controvertida, o ponto nodal deste recurso, como pontuado pelo contribuinte diz respeito à fixação do termo inicial, isto é, o prazo para o pedido de restituição de tributo, quando este for declarado inconstitucional pelo STF, seja em controle concentrado de constitucionalidade ou difuso. Observase que a decisão recorrida se ampara nos artigos 165, I, e 168, I, do CTN, no sentido de invocar sua extinção pelo decurso de prazo de cinco anos. Na ótica contida na decisão recorrida, quando da formulação do pedido de restituição, o suposto crédito do contribuinte já tinha sido extinto, consoante às disposições legais referidas no parágrafo anterior. Discordo do posicionamento dos julgadores a quo, tendo em vista que as situações previstas na legislação citada são distintas da situação dos autos, notadamente em se tratando de questão já decidida pelo STF. Entendo perfeitamente que o contribuinte está correto em suas manifestações e sustento meu posicionamento na atualíssima jurisprudência do então Segundo Conselho de Contribuintes, nomeadamente na Ementa do Acórdão nº 20307953, in verbis: O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem, em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considerada indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 7 6 em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. No julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional de nº RD/301 125732 referente ao Processo nº 10830.009189/9710, os membros da CSRF assim manifestaram: FINSOCIAL – MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTAS – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – PRAZO DECADENCIAL. É de cinco (05) anos, a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995, o prazo deferido ao contribuinte para pleitear, junto ao órgão competente, a restituição das parcelas pagas a maior, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal – STF, das majorações de alíquota efetuadas pelas Leis nºs 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. Dos julgados acima referidos é possível observar que o pleito formulado pelo contribuinte não foi alcançado pela decadência, conforme sustenta o julgador de primeira instância administrativa. O acórdão que declarou a inconstitucionalidade do art. 9º da Lei nº 7.689/89 foi publicado em agosto de 2007, enquanto o protocolo do pedido foi realizado em 11 de setembro de 2008, em prazo menor do que 05 (cinco) anos, situação que ampara plenamente o pedido do contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, Redator para acórdão. Em 11.09.2008 a requerente formula pedido de restituição referente a pagamentos indevidos relativo às competências 01/1989 a 06/1991. O SEORT indefere o pedido em função do transcurso de prazo superior a 05 (cinco) anos contados entre as datas dos pagamentos e da data da formalização da solicitação administrativa, o que é confirmado pelo acórdão atacado. A tese da recorrente, de que o prazo prescricional, ou decadencial, como alguns preferem, somente começaria a contar a partir da decisão do STF, é matéria de alta indagação jurídica, inclusive o INSS chegou a normatizar a situação no sentido da mesma tese esposada pela recorrente, o que foi adiante revertido em razão de julgados do Superior Tribunal de Justiça que, após intensa discussão judicial, exarou o RESP 1.105.578/SP, onde finalmente consolida seu entendimento, levando inclusive a CNC Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo a impetrar, perante o Supremo Tribunal Federal, a ADPF 248, onde, após negada liminar pelo e. Min Dias Toffoli, argumenta em sede de agravo, o seguinte: Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça recentemente ratificou – em sede de recurso representativo de controvérsia – sua nova orientação acerca do termo a quo do prazo prescricional para as ações de repetição de tributo declarado inconstitucional. Tratase do acórdão proferido no REsp 1.110.578/SP, que representa evidente risco de multiplicação das decisões, em todos os níveis do Poder Judiciário, em decorrência dos efeitos naturais da decisão proferida pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. O perigo de dano ainda mais grave aos preceitos fundamentais indicados na petição inicial exige atenção e atuação imediata dessa Eg. Corte, no sentido de conceder a medida cautelar requerida para suspender todos os processos em curso em que o tema esteja em discussão. Após essas breves considerações, me permito não me prolongar em razão das limitações regimentais que impedem este Conselheiro de deixar de observar as decisões da Corte Superior de Justiça quando exaradas sob o rito do art. 543C do CPC, conforme o art.62 A caput do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 9 8 A citada decisão no prefalado RESP 1.105.578/SP encontrase assim ementada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11065.101139/200805 Acórdão n.º 2803002.058 S2TE03 Fl. 10 9 Assim sendo, na linha do que decidido pelo STJ, em sede de recurso representativo de controvérsia, eventuais valores recolhidos a maior nas competências 01/1989 a 06/1991 encontravamse abarcados pelo prazo decadencial em 11.09.2008, época do pedido de restituição protocolizado. Caso vencido nessa parte e o Colegiado entenda que não há que se falar em decadência, continuo. O pedido de restituição/compensação dos recolhimentos das contribuições sociais destinadas à previdência social, no período de janeiro de 1989 a junho de 1991, deuse em razão de o contribuinte entender que a ADI 15, declarou como indevidas todas as contribuições sobre a folha de salários. Tratase então a decidir acerca dos efeitos de decisão exarada em sede de ADI 15, julgada em Junho de 2007, que decidiu pela inconstitucionalidade dos artigos 8o e 9o da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, em relação do pedido de restituição pleiteado. De pronto cabe destacar que referida ADI em nada alterou o arcabouço legal pertinente às contribuições previdenciárias, que se sujeitavamse, no período, à Consolidação da Legislação da Previdência Social CLPS; na Lei n° 7.787, de 30 de junho de 1989; e na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Dessa feita, tenho como improcedente o fundamento para o pedido de restituição pleiteado, o que deve ser indeferido. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior – Redator para acórdão. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900958/2010-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
SALDO NEGATIVO DE CSLL. TRIBUTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O tributo retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SALDO NEGATIVO DE CSLL. TRIBUTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O tributo retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 09 58 /2 01 0- 24 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900958/201024 Acórdão n.º 1801001.271 S1TE01 Fl. 319 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 04.03.2009, fls. 270279, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$24.946,43 referente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 14, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$24.946,43 Valor na DIPJ: R$24.946,43 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$30.854,53 CSLL devida: R$5.908,10 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$14.632,72 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 41298.33457.070709.1.3.031661. Cientificada em 16.03.2010, fl. 281, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 15.04.2010, fls. 0205, apresentando os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que No exame da questão suscitada, deixouse de levar em consideração aspectos reais, que aqui ora serão deduzidos, senão vejamos: a) no terceiro trimestre de 2004, foram emitidas as notas fiscais de n°s. 4.055 a 4.163, no mês de julho, sendo retido o valor de R$9.787,40 (Nove mil, setecentos oitenta sete reais e quarenta centavos), à título de CSLL; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900958/201024 Acórdão n.º 1801001.271 S1TE01 Fl. 320 3 b) no mês de agosto foram emitidas as notas fiscais de n°s 4.164 a 4.231, sendo retido o valor de R$11.846,52 (Onze mil, oitocentos quarenta seis reais e cinquenta dois centavos), no mesmo título; c) já no mês de setembro foram emitidas as notas fiscais de n°s 4.232 a 4.310, e sendo retido também o valor de R$15.362,10, (Quinze mil, trezentos sessenta dois reais e dez centavos) também no mesmo título (CSLL). Nas notas fiscais que ora juntamos, foram excluídas as canceladas e ou sem valor de retenção e de responsabilidade do tomador de serviços. Assim, o valor retido neste trimestre foi de R$36.996,02 (trinta seis mil, novecentos noventa seis reais e dois centavos) que por eles (tomadores) não foi informado corretamente ao Fisco. Acrescenta que A imposição fiscal não pode prosperar: a) O despacho decisório exige da IMPUGNANTE imposto (CSLL) que não é mais de sua responsabilidade tributária, e portanto, deverá cobrar de quem obteve vantagem, conforme demonstrado acima; b) a razão de ser da nãoocorrência de novo fato gerador, está nas provas ora juntadas, já que a IMPUGNANTE não se apropriou de valores indevidos, como quer a Autuante; c) e mais, no presente caso, a Auditoria não efetuou nenhum levantamento, não procedeu a nenhum exame e não confrontou os valores CONFIRMADOS no despacho decisório. Conclui Diante das relevantes razões fáticas e legais que não há como serem ilididas, a Impugnante requer A) Que o presente Despacho Decisório [...], em face das provas juntadas seja julgado improcedente e insubsistente, sendo incabível a exigência tributária nele arrazoada. B) Se necessário, seja deferida a prova pericial para confrontar os valores retidos. Termos em que [...], Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0237.689, de 17.02.2012, fls. 294300:“Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” para reconhecer a parcela superveniente de R$29,52, fl. 289. Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Declaração de Compensação. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900958/201024 Acórdão n.º 1801001.271 S1TE01 Fl. 321 4 O reconhecimento do direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL depende da comprovação das parcelas de composição do crédito informadas no PERDCOMP. CSLL retida na fonte – Comprovação A CSLL retida na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizada como componente do saldo negativo de CSLL, se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção deste tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Perícia. Não há como admitir o pedido de realização de diligência quando este vise, tãosomente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Notificada em 15.03.2012, fl. 306, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.04.2012, fls. 308314, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as Fl. 321DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900958/201024 Acórdão n.º 1801001.271 S1TE01 Fl. 322 5 situações excepcionadas pela legislação de regência 1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o tributo retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente4. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o tributo retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900958/201024 Acórdão n.º 1801001.271 S1TE01 Fl. 323 6 de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período 5. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o tributo retido na fonte incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, inclusive aquele referente ao código de arrecadação nº 5952, decorrente de prestação de serviço entre pessoas jurídicas6. O valor da CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) sobre o montante a ser pago referese ao percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente a soma das seguintes alíquotas: (a) 1% (um por cento) de CSLL, (b) 3% (três por cento) de Cofins e (c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) de PIS. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Em relação ao valor de tributo retido na fonte, vale ressaltar que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações7. Todas as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, fls. 285292, foram consideradas, em conformidade com a Planilha de fls. 283284. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou os Informes de Rendimentos respectivos de tributo retido na fonte, documentos estes imprescindíveis para este fim. As notas fiscais e a Planilha juntada aos autos pela Recorrente, entretanto, não se constituem comprovação hábil para evidenciar inequivocamente que o crédito remanescente pleiteado de saldo negativo de CSLL do terceiro trimestre do anocalendário de 2004 esteja correto. A tese protetora exposta pela defendente, assim sendo, não está demonstrada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 5 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900958/201024 Acórdão n.º 1801001.271 S1TE01 Fl. 324 7 Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.001172/2002-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL.
Anos calendário 2004 a 2006
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA FUNDADO EM CONTRARIEDADE À LEI - DECADÊNCIA – CSLL - Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma.
Numero da decisão: 9101-001.477
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos iscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Anos calendário 2004 a 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA FUNDADO EM CONTRARIEDADE À LEI - DECADÊNCIA – CSLL - Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.001172/200212 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.477 – 1ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2012 Matéria CSLL Recorrente Fazenda Nacional Interessado Ela Transporte e Comércio Ltda. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Anos calendário 2004 a 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA FUNDADO EM CONTRARIEDADE À LEI DECADÊNCIA – CSLL Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Albertina Silva Santos de Lima (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Em sessão plenária de 12 de novembro de 2004, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 10514.8441, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte, e cancelou a exigência de CSLL objeto do litígio, conforme ementa a seguir: CSLL DECADÊNCIA O prazo de decadência das contribuições sociais é o constante no art. 150, do CTN, (cinco anos contados do fato gerador) que tem caráter de Lei Complementar, não podendo a Lei Ordinária n° 8.212/91, hierarquicamente inferior, estabelecer prazo diverso. Inconformado, o Procurador da Fazenda Nacional ingressou com recurso especial, alegando contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91. O Presidente da Quinta Câmara deu seguimento ao recurso, por atendidos os requisitos para sua interposição. É o relatório. 1 Retificado por despacho do Presidente da Câmara datado de 25 de outubro de 2007, para correção de erro material. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.001172/200212 Acórdão n.º 9101001.477 CSRFT1 Fl. 2 3 O auto de infração objeto deste litígio foi cientificado ao sujeito passivo em 15 de janeiro de 2002, e trata de falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, alcançando períodos bases ocorrido nos anoscalendário de 1994 a 1996, sendo que nesse último (1996) o contribuinte apresentou declaração pelo lucro real mensal, e fato gerador mais recente alcançado pelo lançamento corresponde ao mês de novembro de 1996. A Quinta Câmara acolheu a decadência, e o voto condutor do Acórdão assim se expressou: Nos termos do § 4º , do art. 150, do Código Tributário Nacional, o Fisco dispõe do prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador, para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e quando não se tratar de dolo, fraude ou simulação. Considerando que a homologação é condição resolutiva e não suspensiva, claro está que não ocorrendo a homologação nos cinco anos seguintes ao fato gerador decai o Fisco do direito de lançar, ao contrário do que afirma a corrente de que, esgotados esses cinco anos, contarseia novo prazo de cinco anos para o lançamento. Sendo hipótese de dolo, fraude ou simulação, entendo que o prazo de decadência deixa de ser o constante no art. 150, do CTN, para ser o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, a contagem do prazo qüinqüenal passa a se iniciar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que não se verificou no caso em comento. Ademais, cumpre mencionar que as contribuições também estão sujeitas ao prazo decadencial qüinqüenal e não de 10 (dez) anos, já que consoante o disposto no art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988, somente à lei complementar cabe ditar normas gerais em matéria tributária, entre outras sobre prescrição e decadência. A questão levantada pela PFN reside no fato de não ter sido considerada, no caso, a aplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social. Ocorre que o dispositivo legal cuja aplicação pleiteia a PFN foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que editou, a respeito, a Súmula Vinculante nº 8. Dessa forma, nos termos do que dispõe o art. 103A da Constituição Federal, referido dispositivo não pode ser invocado como contrariado, para justificar recurso especial. Isto posto, não conheço do recurso interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de agosto de 2012. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 4 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 443DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10880.005902/2005-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002 EXCLUSÃO. SÓCIO. PARTICIPAÇÃO EM OUTRA EMPRESA. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. REGISTRO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. Os documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas deverão ser apresentados a arquivamento na Junta Comercial, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder (art. 36 da Lei nº 8.934, de 1994).
Numero da decisão: 1803-001.285
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter os efeitos da exclusão do Simples para os anos- calendário de 2002 e 2003, e reconhecer o direito da Recorrente de usufruir o benefício a partir de 01/01/2004, ressalvada a eventual existência de outros impedimentos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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SÓCIO. PARTICIPAÇÃO EM OUTRA EMPRESA. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. REGISTRO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. Os documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas deverão ser apresentados a arquivamento na Junta Comercial, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder (art. 36 da Lei nº 8.934, de 1994). Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 83 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter os efeitos da exclusão do Simples para os anos calendário de 2002 e 2003, e reconhecer o direito da Recorrente de usufruir o benefício a partir de 01/01/2004, ressalvada a eventual existência de outros impedimentos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 84 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 44 e 45): Trata o presente processo, formalizado em 13/07/2005, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 476.898 (fl. 42), tendo por situação excludente a existência de sócio ou titular participante de outra empresa com mais de 10% e o fato de a receita bruta global no anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite legal (CPF 172.682.148 04, CNPJ 61.545.356/000103, CNPJ 03.729.317/000151, CNPJ 62.201.405/0001 45, CNPJ 52.140.589/000127), com data de ocorrência em 31/12/2001 (evento 311 do CNPJ). 2. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9º, inciso IX, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3º, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso IX, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002. 3. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fl. 20), inicialmente a interessada apresentou, em 22/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS fls. 12 e 13), com a alegação de que o sócio, Sr. Manuel Azevedo Afonso da Rocha (CPF 172.682.14804), desligouse do quadro societário das empresas representadas pelos CNPJ 62.201.405/000145 e 52.140.589/000127. 4. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 01/06/2005, nos seguintes e exatos termos (fl. 13): “ADE Nº 476.898 (46) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado nem foi apresentada prova documental contradizendo as informações constantes em nossos sistemas de processamento de dados. A retirada do(s) sócio do QSA da(s) outra(s) empresa(s) ocorreu em exercício POSTERIOR à constatação do excesso de receita.” 5. Cientificada do resultado da SRS em 10/06/2005 (fl. 25), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho denegatório em 04/07/2005 (razões às fls. 1 a 3 e anexos às fls. 4 a 11). Alega, em síntese, que: 5.1. A Decisão exarada na SRS fere frontalmente o princípio da isonomia previstos nos artigos 170, inciso IX, e 179 da Constituição Federal de 1988, que dispõem sobre o tratamento favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte. 5.2. Ainda que fosse legítimo o desenquadramento, flagrante também a violação ao princípio da irretroatividade da Lei, uma vez que os efeitos do Ato Declaratório não podem retroagir a período anterior à sua publicação. 5.3. O jornal Gazeta Mercantil, em sua edição de 01/09/2004, noticiou que Decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinou que “a exclusão de empresas do Simples pela Receita Federal não pode ter efeito retroativo, passando a surtir efeito a partir do mês seguinte em que a empresa é comunicada”. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 85 4 5.4. A defendente, ao ter deferido o seu pedido de inclusão no regime simplificado, passou a ostentar a prerrogativa em usufruir o regime tributário especial, situação esta que se traduz na aquisição de um direito, alcançado após submeterse à exigência do Fisco para tal finalidade. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 43 e 44): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SÓCIO DE OUTRA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10%. RECEITA BRUTA GLOBAL. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio participa de outras empresas com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global, no anocalendário de 2001, ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. ART. 179 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. TRATAMENTO FAVORECIDO. LEI nº 9.317/1996. O art. 9º, inciso IX, da Lei nº 9.317/1996, é norma infraconstitucional que vem ofertar, justamente, eficácia jurídica ao que consignado no art. 179, in fine, da Constituição, que é norma constitucional de eficácia limitada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 09/03/2009 (fls. 53), a tempo, em 31/03/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 54 a 56, instruído com os documentos de fls. 57 a 79, nele argumentando, em síntese: a) que o sócio Manuel Afonso da Rocha, CPF/MF 172.682.14804, integrante de seu quadro societário, havia se desligado das empresas representadas pelos CNPJ/MF 62.201.405/000145 e 52.140.589/0001 27, da qual participava anteriormente, há 2 (dois) exercícios anteriores, ou seja, 01/10/2001; b) que o somatório das receitas do exercício em questão, das empresas em que ainda estava vinculado não atingiam o valor limite para ensejar o desenquadramento deste contribuinte do referido regime; Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 86 5 c) que, portanto, em nenhum momento este contribuinte sujeitouse à situação impeditiva, e daí sua inconformidade; d) que oferece, como provas irrefutáveis, os instrumentos de alteração de contrato social, datados de 10/04/2001 (sic), e posteriormente registrados e arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo, o que justifica sua manutenção no Simples; e) que, em todo o tempo, desde o deferimento de seu pedido de inclusão ao Simples até a presente data, mantevese dentro dos limites exigidos e atendeu a todos os procedimentos, cumprindo todas as exigências do fisco, tendo, pois, direito adquirido ao referido regime; f) que a data do evento, em relação a terceiros, obedece ao disposto no art. 370, inciso V, do CPC, que é o diploma legal que rege tais atos; g) que, ainda que assim não se entendesse, não haveria de se falar em desenquadramento por todo o período, uma vez que, em 23/09/2003, os referidos instrumentos foram arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo; e h) que, caso ocorresse sua exclusão naquele exercício o que seria uma total e evidente afronta ao artigo do CPC que diz que a data da assinatura é a data perfeita , ao se proceder ao registro naquele órgão, se resgataria a possibilidade de reenquadramento no exercício seguinte. Em mesa para julgamento. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 87 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Dúvidas não remanescem quanto ao acerto da exclusão procedida, conforme se observa a seguir (fls. 46 – grifos do original): 7. Efetuada pesquisa no sistema Sincor, constatouse que o sócio Sr. Manuel Azevedo Afonso da Rocha (CPF 172.682.14804) integrou o quadro societário da requerente no período de 03/03/1989 a 05/09/2008 (fl. 37). 8. Verificouse, ainda, que participa do capital social das empresas Bem Me Quer Lanches LtdaEPP (CNPJ 61.545.356/000103, desde 05/08/1996), Maar Oriente Bar Ltda EPP (CNPJ 03.729.317/000151, de 03/04/2000 a 23/09/2003), Super Quente Lanches e Restaurante LtdaEPP (CNPJ 62.201.405/000145, de 21/11/1985 a 23/09/2003) e Itaipugril Bar e Restaurante LtdaEPP (CNPJ 52.140.589/000127, de 11/07/1989 a 23/09/2003), nos percentuais de 99%, 80%, 99% e 99%, respectivamente (fls. 36 e 37). 9. Conduzida pesquisa nos sistemas da RFB, para o ano calendário 2001, observouse que a interessada acumulou receita bruta no valor de R$ 336.708,00, ao passo que as supracitadas empresas geraram receita bruta de R$ 435.478,00, R$ 248.193,00, R$ 436.310,00 e R$ 447.575,00, respectivamente, resultando em um somatório de R$ 1.904.264,00. 5. A argumentação da Recorrente centrase, basicamente, no contido no art. 370, inciso V, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), de seguinte teor: Art. 370. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Mas, em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: [...]; V do ato ou fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da formação do documento. 6. Sucede, porém, que, no presente caso, tratandose de documento que deve ser registrado na Junta Comercial, a situação a ser considerada é a do art. 370, inciso I, do mesmo CPC: Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 88 7 Art.370. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Mas, em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: I no dia em que foi registrado; 7. Nesse sentido, e de conformidade com o art. 36 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que “Dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências”, os documentos de alteração contratual, quando apresentados a arquivamento na junta comercial fora do prazo de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura (01/10/2001), terão a eficácia dos efeitos do seu arquivamento a partir do despacho que o conceder (23/09/2003). 8. Não obstante o exposto, e comprovada a retirada de sócio de outras empresas com mais de 10%, em 23/09/2003, reconhecese o direito da Recorrente de usufruir o benefício a partir de 01/01/2004, ressalvada a eventual existência de outros impedimentos. 9. Por fim, com relação ao suposto desprezo ao direito adquirido da Recorrente, transcrevese, por pertinente, a ementa do seguinte acórdão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da Quinta Região: Processo: AMS 200384000130087 AMS Apelação em Mandado de Segurança 87765 Relator(a): Desembargadora Federal Amanda Lucena Sigla do órgão: TRF5 Órgão julgador: Terceira Turma Fonte: DJE Data::18/09/2009 Página::410 Data da Decisão: 03/09/2009 Data da Publicação: 18/09/2009. Decisão UNÂNIME Ementa: TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. ATO DE EXCLUSÃO. NATUREZA DECLARATÓRIA. ART. 103, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE. EFEITOS RETROATIVOS À DATA DO EVENTO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. 1. A inclusão e a manutenção de empresa no SIMPLES somente se justifica se e enquanto preenchidas as condições legais exigíveis para que possa usufruir as benesses do programa, portanto, ocorrendo qualquer causa de exclusão entre aquelas dispostas no art. 9º da Lei n.º 9.317/96, especialmente a do inciso IX, é obrigação da empresa comunicar sua ocorrência para fins de sua exclusão. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.005902/200541 Acórdão n.º 180301.285 S1TE03 Fl. 89 8 2. Não procedendo a empresa a essa comunicação, não pode questionar a retroatividade de ulterior ato de sua exclusão, emanado da autoridade, sob pena de beneficiarse de sua própria torpeza, pois a ninguém é dado descumprir a lei sob alegação de seu desconhecimento, bem como deverá pagar os tributos devidos, desde a data da ocorrência do fato motivador da exclusão, sem as benesses do programa, por expressa disposição do art. 16 da Lei nº 9.317/96, sem que se possa falar, no caso, em ofensa à vedação de confisco. 3. O ato de exclusão da empresa do SIMPLES é de natureza declaratória e de efeito concreto, razão pela qual não se aplica no que a ele concerne o art. 103, I, do CTN, que somente se refere a atos normativos. 4. Os efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES retroagem à data do evento causador da exclusão, consoante art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, não havendo nessa retroação qualquer ofensa a direito adquirido ou ato jurídico perfeito. Precedentes desta Terceira Turma e dos demais TRF do País. 5. Apelação a que se dá provimento Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para manter os efeitos da exclusão do Simples para os anoscalendário de 2002 e 2003, e reconhecer o direito da Recorrente de usufruir o benefício a partir de 01/01/2004, ressalvada a eventual existência de outros impedimentos. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10980.006235/2008-38
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo preterição ao direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os atos e decisões foram realizados e externados por pessoas competentes, inexiste a nulidade citada pelo contribuinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO.
Constatada a omissão de rendimentos pelo contribuinte, aplicável a multa de ofício de 75% prevista na legislação tributária, a qual, como se sabe, independe de dolo fraude ou simulação do contribuinte.
SÚMULA VINCULANTE Nº 2 DO CARF. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS NÃO CONHECIDAS.
Ao longo do Recurso Voluntário o Recorrente trata de diversas matérias constitucionais, as quais não devem sequer ser conhecidas a teor da Súmula CARF 02.
Preliminar de Nulidade Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo preterição ao direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os atos e decisões foram realizados e externados por pessoas competentes, inexiste a nulidade citada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos pelo contribuinte, aplicável a multa de ofício de 75% prevista na legislação tributária, a qual, como se sabe, independe de dolo fraude ou simulação do contribuinte. SÚMULA VINCULANTE Nº 2 DO CARF. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS NÃO CONHECIDAS. Ao longo do Recurso Voluntário o Recorrente trata de diversas matérias constitucionais, as quais não devem sequer ser conhecidas a teor da Súmula CARF 02. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 62 35 /2 00 8- 38 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.006235/200838 Acórdão n.º 2801002.622 S2‐TE01 Fl. 160 2 Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 19 a 23, exigem se do contribuinte os montantes de R$ 13.113,07 de imposto suplementar, R$ 9.834,80 de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativos ao exercício de 2004, anocalendário 2003. (...) Cientificado, 12/04/2008 (fl.100), o contribuinte apresentou, em 12/05/2008, por intermédio de procurador (fl.15), a impugnação de fls. 01 a 14, acatada tempestiva pelo órgão de origem (fl.101), descrevendo a atuação e entendendo que a ação fiscal não poderia prosperar, em virtude da suposta dubiedade das razões que motivaram as glosas, por constar do auto de infração que essas teriam sido levadas a efeito por falta de comprovação ou por falta de previsão legal, impedindo o impugnante de se se defender adequadamente. (...) No mérito, colaciona entendimentos administrativos sobre a matéria exarados dos Conselhos de Contribuintes, alegando, que, na medida de suas possibilidades, comprovou as despesas médicas lançadas em sua declaração de rendimentos, por meio dos recibos pertinentes, cópias juntadas às fls. 37 a 43, que considera suficientes, por se amoldarem perfeitamente às hipóteses dos julgados transcritos, bem assim, pela efetiva comprovação do desembolso mediante extrato de sua movimentação bancária (Cópias às fls. 44 a 96).” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.006235/200838 Acórdão n.º 2801002.622 S2‐TE01 Fl. 161 3 LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade imcopetente ou com preterição do direito de defesa. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DOUTRINAS. EFEITOS. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, mormente se as decisões administrativas, suscitadas na petição, não possuírem leis que lhes atribuam eficácia, ou se o ato legal constestado não tiver sido declarado inconstitucional pelo Poder Judiciário. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Carecem da devida comprovação as despesas com instrução efetuadas no anocalendário a que se refere a declaração de ajuste anual, na qual o contribuinte pleiteou a dedução correspondente. INFRAÇÕES. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE. Caracterizam como infrações as regularidades da declaração de ajuste anual, apresentada pelo contribuinte, constatadas em procedimento de ofício, cabendo a exigência de penalidades legais, uma vez que a responsabilidade por infrações À legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado declaração de rendimentos inexata, legítima é a exigiência da multa de ofício e dos juros de mora, equivalentes à taxa Selic, sobre o crédito tributário apurado na ação fiscal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Diante daquela decisão, foi interposto Recurso Voluntário reiterando os argumentos da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conforme relatado, tratase de lançamento através da qual se apurou (i) a indevida dedução de despesas médicas supostamente suportadas pelo Recorrente ao longo do Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.006235/200838 Acórdão n.º 2801002.622 S2‐TE01 Fl. 162 4 anocalendário; (ii) omissão de receitas auferidas no período; (iii) dedução indevida com despesas de instrução. O último item, eis que não contestado pelo Recorrente no Recurso Voluntário anexado ao processo, sequer merece ser conhecido por esse E. Conselho de Contribuintes. No mais, serão analisados os outros argumentos em tópicos, por questão meramente didática. I – Da nulidade do Auto de Infração O primeiro ponto suscitado pelo Recorrente em sua peça recursal seria a nulidade do Auto de Infração por cerceamento ao seu direito de defesa. Nada obstante o esforço argumentativo desenvolvido, fato é que improcede por absoluto essa argumentação. Como se vê da Notificação de Lançamento (fls.19 e seguintes) originária do crédito contestado, o Fiscal autuante pontuou todos os dispositivos infringidos pelo Recorrente, bem assim indicou corretamente a capitulação legal em que previstas as penalidades impostas. Tanto assim o foi que o Recorrente compreendeu perfeitamente todos os pontos suscitado pelo Auto de Infração, apresentando extensa impugnação face cada um deles. Ao contrário do alegado pelo Recorrente, inexistiu qualquer privação quanto ao seu direito constitucional à ampla defesa ou contraditório, de modo que resta superada sua alegação nulidade do auto de infração por cerceamento a esses direitos fundamentais. Também não se afigura qualquer mácula a publicidade no corrente processo administrativo, posto que o Recorrente foi intimado para se manifestar em todos as oportunidades legalmente exigidas. Por fim, não se vislumbra no processo qualquer dos vícios previstos no art. 59 do Decreto 70.235/72, de modo que deve ser afastada de plano a preliminar suscitada. II – Da Omissão de Receitas Neste ponto, alega o Recorrente a impossibilidade de se imputar a omissão de receitas vislumbrada sob o argumento de que o Fisco teria o dever legal de retificar automaticamente sua DIPF, na medida em que a fonte pagadora da renda já o declarara como beneficiário. Ademais, em razão dessa declaração da fonte pagadora, não poderia vislumbrarse efetiva omissão de receitas, motivo pelo qual haveria de ser afastada a penalidade de 75% do valor do tributo que lhe fora imposta. Ora, a omissão, no caso, é do contribuinte, o qual, obrigado por lei, tem o dever de apresentar anualmente sua DIPF, com informações fidedignas. Não apresentada essa informação, deve o contribuinte arcar com o ônus de sua omissão. Nesse ponto, portanto, também deve ser mantida a autuação fiscal. III – Da Glosa de Despesas Médicas O art. 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250/95, condiciona a dedução das despesas médicas àquelas cujos pagamentos sejam especificados e comprovados. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.006235/200838 Acórdão n.º 2801002.622 S2‐TE01 Fl. 163 5 No curso do procedimento fiscalizatório, contudo, a Fiscalização pode condicionar que tal comprovação seja feita, além dos recibos emitidos pelos profissionais de saúde, com a indicação precisa dos pagamentos, nos termos do art. 73 do RIR/99. No caso, foi justamente o que se verificou: constatado pela Fiscalização deduções irrazoáveis pelo Recorrente, foi requerida a comprovação dos pagamentos, o que poderia ter sido feito mediante a simples cópia do cheques utilizados ou mesmo com a reprodução dos extratos com os saques realizados em sua conta corrente. Ocorre que, mesmo instado a assim proceder, o Recorrente não produziu essa prova adicional, de modo que deve ser mantida a glosa de despesas médicas realizadas pela fiscalização. IV A matéria constitucional e a súmula vinculante nº 2 do CARF Por fim, suscita o Recorrente algumas matérias não devem sequer ser conhecidas, na medida em que, conforme súmula vinculante nº 2 do CARF, não cabe a este E. Conselho questionar a constitucionalidade das leis. As matérias não conhecidas são: (i) natureza confiscatória da multa de ofício; (ii) afronta aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da eficiência, de molde a configurar desvio de finalidade; (iii) impossibilidade de aplicação da multa de ofício eis que inexistente o dolo ou má fé do contribuinte (neste ponto, como a multa está prevista em lei – art. 44 da Lei nº 9.430/96, só seria admissível fosse afastada mediante a declaração de sua inconstitucionalidade). Diante de todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
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